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Que passos poderiam dar as nossas bibliotecas para se aproximarem de um modelo de Biblioteca 2.0? “O verdadeiro desafio que temos diante de nós não está na tecnologia, mas no uso que faremos dela.” Peter Drucker Em primeiro lugar é relevante definir o papel das bibliotecas em contexto escolar. De acordo com a evolução das conceções pedagógicas contemporâneas, na educação preconizada para o século XXI passam a ser valorizadas as relações entre os contextos (escola/comunidade), as interações entre os intervenientes (o professor e os alunos) e, sobretudo, o papel do aluno na construção do seu conhecimento, com estimulação da sua capacidade de aprender a aprender. Há a valorização do trabalho de equipa, da procura, do diálogo, do debate, do questionamento, da exploração, da investigação e da interação social. O professor transformou-se num mediador e facilitador, perdeu parte do seu protagonismo no processo da aprendizagem em favor da valorização do papel do aluno. Neste contexto, as novas passam a estar cumulativamente ao serviço do professor e do aluno, favorecem as interações, a partilha de opiniões e constituem um poderoso meio de construção do saber. É neste ambiente que afirmamos que as Bibliotecas Escolares existem para “servir” os seus utilizadores - os alunos. É necessário e urgente adaptar as BE a este novo paradigma e ir ao encontro das necessidades e interesses dos principais agentes e utilizadores. Assim, as BE conseguiram adquirir um papel relevante no processo de ensino/aprendizagem. Aprender é, primordialmente, buscar, interrogar, criar, avaliar, entrar em diálogo mediato e imediato com o mundo. Transformaram-se num local aberto ao mundo, ou melhor, tendem para isso. Porém, tudo isto constitui um para as Bibliotecas um desafio. A informação está ao alcance de clique, os nossos alunos vivem na vertigem da informação, das novas tecnologias e as suas leituras são concretizadas na diagonal. Como responder a este desafio? Devemos perspetivar as Bibliotecas Escolares face aos desafios colocados pela Web 2.0. Para tal, em primeiro lugar, há que entendê-las no contexto da sua missão e objetivos, no contexto da escola e dos diferentes sistemas com os quais interage, mas é ainda necessário enquadrá-las no contexto da Sociedade do Conhecimento, um novo paradigma que confrontou a escola com diferentes modelos de aprendizagem/ construção do conhecimento. Este novo paradigma exige o alargamento das literacias implicadas no acesso à informação e à construção do conhecimento, numa sociedade em rede e onde a informação, não validada por critérios editoriais, se encontra facilmente acessível. De ano para ano verificamos, embora paulatinamente, que as BE estão diferentes. Hoje, revelam-se espaços alegres, vividos e dinâmicos, onde a informação flui por diferentes canais e está ao serviço de metas que vão para além do saber académico. Há um maior envolvimento dos alunos nos projetos lançados pelos professores


bibliotecários. Estes preocupam-se em inovar e em satisfazer os seus utilizadores, os alunos. Colocam, com frequência, à disposição novos meios de modo a que a informação lhes chegue com um aspeto atrativo. São utilizadas novas ferramentas, que funcionam como um veículo, um motor de aprendizagem. Mas que ferramentas podem ajudar o utilizador a ter uma participação mais ativa? Podemos começar pelas redes sociais, canal privilegiado para oferecer conteúdos de qualidade; promover campanhas de leituras; estabelecer contactos; estabelecer intercâmbios de informação; difundir atividades… Os Blogues podem ser um espaço de partilha, de reflexão, de construção coletiva de conhecimento. Além das ferramentas referidas, existem outras, como o Google, com recursos de pesquisa personalizada e especializada como o Google Maps; há, ainda, os Wikis que servem para criar e editar conteúdos e, essencialmente, compartilhar informação entre grupos de interesse; bem como os Podcasts… entre outros. Não olvidando os sms e as redes dos telemóveis. Esta nova biblioteca está em construção. As nossas BE são espaços híbridos, onde estantes, cheias de livros, velhas enciclopédias convivem com “modernos” computadores. A biblioteca tradicional estava e está centrada em si própria, porém, como o caminho se faz caminhando, esta vai-se abrindo à mudança e gradualmente há a participação dos utilizadores, através dos seus sites e blogues. Ainda há muito a desbravar… mas lentamente iremos levar a biblioteca para fora das quatro paredes, e atrair novos leitores, contribuindo para o sucesso escolar dos nossos alunos, os seus utilizadores por excelência. Com a Web 2.0, o utilizador/aluno participa na criação de conteúdos; disponibiliza uma experiência multimédia (vídeo, áudio, realidade virtual); interage com os outros utilizadores; procura a inovação e acompanha as mudanças que ocorrem na comunidade. Na sociedade atual, a informação é um dos pilares da vida económica, social, cultural e política da sociedade hodierna. A informação é um instrumento essencial numa sociedade, cada vez mais exigente e competitiva. Nesse sentido, a Biblioteca tem de caminhar lado a lado com este universo predominantemente digital, que valoriza a informação. Deste modo, as BE contribuirão para uma aprendizagem mais colaborativa e funcionarão como uma oportunidade para o desenvolvimento das competências necessárias à participação ativa dos alunos na sociedade, ao longo da vida. António Gonçalves - 3 de março de 2013

Reflexão 1  

Reflexão - WEB 2.0 nas bibliotecas escolares

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