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Elpídio Ferreira

Ronaldo Monte rona.monte@uol.com.br

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Anuncie no Contraponto Um jornal de compromisso com a Paraíba

PARAÍBA, 25 a 31 de janeiro de 2013

Espero que esta cidade se encha de arte, que, em cada canto deste lugar, possamos ver arte, sentir arte e viver de arte.”

CAV

Casa das Artes Visuais Cinema e fotografia

RENÉ DSOUZA Kalyne Almeida

F

oi no verão de 2010 que um casal carioca, viajantes e fotógrafos, encontraram em João Pessoa, quando estavam de passagem, um lugar para ficar e sonhar. Mas foi em novembro de 2011, que René Dsouza, juntamente com sua esposa Manu Dsouza, deram início a realização de um sonho: a CAV - Casa das Artes Visuais-, que comporta, atualmente, uma galeria - espaço para de exposição-, oferece cursos, além de possuir um estúdio fotográfico. Com três vertentes principais - fotografia, artes plásticas (desenho e pintura) e cinema e vídeo - a “Casa das Artes”, como o próprio René diz, foi criada para ser mais que um local onde as artes seriam expostas: “a CAV, na verdade, é uma central de ideias, um centro

de convivência cultural. Aqui, quem chega agrega um pouco da criação e da sua criatividade.” E parece ser isso mesmo: o espaço em si já nos convida a vivenciar e a debater sobre cultura e arte. João Pessoa, apesar de ser uma cidade criativa e aberta à criatividade tem, ainda, poucos locais exclusivos para as artes, sendo alguns públicos – a exemplo da ‘Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes’ que completará cinco anos, o ‘Espaço Cultural José Lins do Rego, criado em 1982, e agora, mais recente, o Centro de Convenções que ainda está em fase de construção, e outros privados, como Zarinha Centro de Cultura, o Sebo Cultural e agora a CAV. No entanto, ainda é pouco. Como o próprio René afirma,

Fotografia – início de tudo No início, a ideia era montar uma galeria no Rio de Janeiro com cursos de fotografia, já que o casal de fotógrafos vivia viajando através de um projeto intitulado “Foto família”, onde saiam René, seu filho, na época com dezoito anos, Manu e a filha do casal – com quatro anos. “Era assim: cada lugar que passávamos tirávamos fotos e postávamos num blog. Cada local aonde íamos, ficava registrado em nosso olhar, mas também em fotografias. No final de cada viagem, cada um de nós elegia uma foto que mais marcava. Era a visão da família sobre aquele lugar. Meu filho tinha a visão dele, minha esposa era um olhar mais abstrato, minha filha, de quatro anos apenas, imaginem só(!), registrava o que mais a tinha marcado naquela viagem! Isso porque você fotografa a sua cultura e de acor-

do com o que você viveu... uma criança de apenas quatro anos tem seu repertório cultural e é isso que ela vai mostrar... e isso acontece com todos nós”, relata René, saudosista, relembrando como tudo começou. Quando chegaram em João Pessoa, no entanto, numa dessas viagens, Manu sentiu uma necessidade de fixar-se num lugar e tentou convencer o esposo – René – a morar e montar a empresa aqui: “me convenci numa noite do mês de janeiro: estava com muito calor e ainda não estava convencido, quando avistei uma linda lua nascendo no mar... esta cidade me convenceu a ficar e construir nosso sonho: a CAV. Aqui viabilizamos esse plano de forma concreta, num local adequado com grandes parceiros e alunos que querem sentir a arte”, frisa René.

quando cada canto desta cidade for preenchido por um centro de cultura e artes, por locais de exposição, palcos e cinemas, e esses espaços forem bem aproveitados, João Pessoa valorizará, ainda mais, sua produção cultural, seu povo e permitirá a identificação de valores, de gostos, de gestos e de comportamentos. “Espero que esta cidade se encha de arte, que, em cada canto deste lugar, possamos ver arte, sentir arte e viver de arte”, afirma René. Um amante da fotografia, René, que conheceu sua esposa, sócia e curadora, Manu Dsouza, no curso superior de fotografia no Rio de Janeiro, se declara um observador das artes e entusiasta. Por exemplo, a CAV, que hoje se encontra localizado na Avenida Esperan-

ça, no Bairro de Manaíra, em João Pessoa, já agrega vários professores e artistas, tanto da Paraíba, quanto de fora do Estado. Um destes é o também entusiasta das artes da fotografia, Paulo Rossi – que é bacharel em Fotografia e, atualmente, coordenador dos cursos de fotografia oferecidos pela CAV: “A arte tem um poder muito grande de unir, agregar, juntar e isso é muito bom quando se tem um espaço só para isso. As ideias fluem”, relata Paulo. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando entramos na CAV para fazer a entrevista para o Jornal Contraponto, o que poderia ser uma simples entrevista acabou sendo um momento gerador de ideias e bom convívio, a partir do tema ‘arte e cultura’. E em falar em cultura,

outro ponto importante que é frisado pela CAV e seus criadores é a questão da Cultura enquanto produto. O que muitos outros estados e cidades do Brasil e do mundo já perceberam, é que a Cultura, além de produzir arte, ela tem o poder de recriar a existência humana, ou seja, é na Cultura local que estão timbradas as identidades e as características de um determinado povo. No entanto, é necessário também observar a cultura e as artes enquanto estruturador econômico e gerador de renda para uma cidade, para um estado. Assim, um centro de artes privado – como é a CAV – além de proporcionar arte, gera renda a partir do sensível, do invisível, porém, sem deixar de perceber tudo isso como produto de primeira necessidade para nós humanos.

Cursos e palestras Como o carro chefe da CAV atualmente é a fotografia, lá os alunos e interessados podem viajar por esse universo inspirador através dos cursos de fotografia avançado, cursos de fotografia especializado, como o de gastronomia, fotojornalismo, fotografia com câmeras compactas e até curso de fotografia tendo o smartphone como câmera. “Aqui, nosso foco é formar fotógrafos, aprendendo fotografia, que é muito mais do que aprender a fotografar. Aqui, focamos em fazer com que o aluno entenda a arte, o início de tudo, a teoria, e, claro a manusear uma câmera, mas, sobretudo o ‘ser artista’ nesse processo”, continua o fundador. Além da fotografia, a casa de artes, oferece ainda, cursos de pintura, desenho e palestras em sua maioria gratuitas e abertas ao público. Atualmente, está

Um fato curioso que aconteceu no ano passado foi a parceria com o fotógrafo e diretor de fotografia para cinema João Carlos Beltrão. Na ocasião, a CAV convidou João para expor seu trabalho na galeria da casa. Mas como expor fotografias que foram concebidas para o cinema numa galeria de artes? Foi esse o desafio que João Carlos Beltrão aceitou e, a partir de frames dos filmes, reconstruiu histórias. Com o título da exposição ‘Retiniando-me’, o artista da fotografia expôs alguns dos seus olhares, que, durante sua carreira, um dia tiveram movimento: “o nome dado a exposição foi Retiniando-me porque eu utilizo as imagens em movimento por uma sequência de imagens, que, pela capacidade do olho humano, vamos retendo durante o fluxo do filme”, explica João Carlos. O que era movimento, João Carlos resolveu parar frame a frame e recontar histórias. Os filmes escolhidos foram os rodados na Paraíba, não necessariamente paraibanos, mas que mostrassem um pouco do que é nosso.

Público alvo da CAV

O público alvo, de acordo com a assessora de comunicação Fernanda Eggers, é muito variado e vai desde crianças até a as pessoas da terceira idade. “Para o curso de fotografia mais avançado, geralmente, temos jovens que já lidam com fotografia no seu dia a dia e também adultos. Mas também temos muita gente da terceira idade querendo vivenciar a arte”, explica a assessora. “Um fato curioso é que até jovens mães nos procuram para aprender a arte da fotografia e assim fazer fotografias dos seus próprios filhos no curso voltado para câmeras compactas que, carinhosamente, chamamos de saboneteira (risos)”, complementa Fernanda.

Futuro da CAV

sendo também ofertadas oficinas de artes para crianças em ritmo de Colônia de Férias. Já o espaço reservado para a galeria, tanto é aberto para exposição dos alunos, como também é alugado para artistas que desejam expor suas obras de arte, vender seus produtos, tendo sempre como curadores o professor Paulo Rossi - focado em fotografia- e Manu Dsousa com projetos culturais. Para o segundo semestre de 2013, a direção da Casa de Artes Visuais, irá abrir cursos na área de cinema e vídeo, com professores de roteiro para cinema, assistência de direção, dentre outras áreas.

Com pouco mais de um ano, a CAV já fez, com recursos próprios, seis exposições de fotografias, trazendo grandes nomes das artes para Paraíba, como por exemplo, Evandro Texeira e Renan Cepeda, sem esquecer dos artista da Paraíba, como os fotógrafos João Lobo e João Carlos Beltrão e o Ilustrador Shiko. “Galeria é um local não só pra comprar arte, mas, sobretudo, é um local para apreciação da arte e queremos contribuir para que haja a cultura de visitação de exposições e locais de arte em João Pessoa e na Paraíba. A cultura trás pessoas. Nosso sonho é um dia fechar a rua da CAV para expor arte, fazer cultura na rua”, diz René. “Eu comecei fotografando vacas e bois pra leilão no Rio de Janeiro, depois, viajando com minha família. Um dia, sonhamos com a CAV”, recorda-se René. Hoje a CAV é uma realidade e está aberta para que a arte seja sentida e vivida ainda mais em João Pessoa.

Capa CAV Contraponto  

Capa do caderno de cultura do jornal Contraponto de 18/01/2013, com uma matéria sobre a Casa das Artes Visuais

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