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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS

Fernanda Stelzer Nogueira Mucci

CAMINHO DA ORLA

Santos/2008


Universidade Católica de Santos Centro de Ciências de Comunicação e Artes Curso de Arquitetura e Urbanismo

Fernanda Stelzer Nogueira Mucci

CAMINHO DA ORLA Trabalho de Conclusão de curso para obtenção do título de graduação em Arquitetura e Urbanismo apresentado à Universidade Católica de Santos.

Orientador: José Guilherme Whitaker

Santos/2008


Agradecimentos: Ao meu orientador José Guilherme pela dedicação e paciência, aos meus colegas pelo incentivo, à minha faculdade por me abrir novas portas, aos meus pais por acreditarem e ao Mauricio Z. Moura por ajudar a acontecer.


O projeto Caminho da Orla consiste na revitalização dos calçadões da orla do Guarujá através de uma nova proposta de paisagismo, iluminação, mobiliários, acessibilidade, equipamentos urbanos, desenho de piso e dimensionamento. Porém, respeitando a memória histórica e as características de cada praia ou região conforme o seu uso e criando espaços que atendam as necessidades de cada lugar. O trabalho também apresenta uma breve pesquisa histórica sobre a cidade, intervenções em sua orla e reconhecimentos dos problemas de cada região. Para a proposta foram projetadas praças, pontos de descanso, convívio, comércio e lazer, os restaurantes e postos de bombeiro foram relocados, o revestimento dos passeios foi substituído, houve também a introdução de novas espécies de vegetação em toda a orla. Foram projetadas praças de eventos, uma no calçadão do Guaiúba e outra ao lado da ilha das Pitangueiras, sobre um aterro. A praia do Tombo recebeu um novo posto de apoio para campeonatos de surf e a praia das Astúrias teve uma revitalização no canto de pesca. Já na praia do Perequê foi projetado um complexo de pesca, que auxilia os pescadores e comerciantes da região, nele contem uma marina, um galpão de apoio, um mercado de peixe, restaurantes e uma associação. Outra característica do projeto é o uso da madeira nas suas estruturas, como pergolados, píer e coberturas, sendo nessa ultima utilizado o sistema de estrutura lamelar. Logo, esta monografia tem como principal objetivo incentivar a valorização de uma cidade através de um projeto urbano como o seu principal marco.


Sumário: 1. APRESENTAÇÃO Introdução.............................................................................................................................pág. 1 Região Metropolitana da Baixada Santista...................................................................................pág. 2 A cidade.................................................................................................................................pág. 4 História..................................................................................................................................pág. 8 Entrevista...............................................................................................................................pág. 21 O calçadão..............................................................................................................................pág. 23 Praias....................................................................................................................................pág. 27 A questão da praia do Pernambuco............................................................................................pág. 53 2. DIAGNÓSTICO Justificativa............................................................................................................................pág. 54 Reconhecimento do problema...................................................................................................pág. 55 Experiências semelhantes........................................................................................................pág. 62 3. PROPOSTA Partido..................................................................................................................................pág. 67 Espaço público.......................................................................................................................pág. 69 Diretrizes de projeto...............................................................................................................pág. 73


Projeto.................................................................................................................................pág. 75 Paisagismo............................................................................................................................pág. 76 Mobiliário Urbano...................................................................................................................pág. 78 Desenho de piso....................................................................................................................pág. 87 Praia do Guaiúba ...................................................................................................................pág. 88 Praia do Tombo......................................................................................................................pág. 93 Praia das Astúrias...................................................................................................................pág. 98 Praia das Pitangueiras.............................................................................................................pág. 100 Praia do Perequê....................................................................................................................pág. 107 Estrutura lamelar...................................................................................................................pág. 112 Considerações finais.............................................................................................................. pág. 115 Bibliografia............................................................................................................................pág. 116


1. APRESENTAÇÃO: Introdução: O tema proposto é a revitalização dos calçadões da orla do Guarujá através de um novo projeto de paisagismo,

iluminação,

mobiliários,

equipamentos

urbanos

e

desenho

de

piso,

respeitando

as

características de cada praia ou região conforme o seu uso e criando espaços que atendam as necessidades de cada lugar. Logo, esta monografia tem como principal objetivo incentivar a valorização de uma cidade através de um projeto urbano como o seu principal marco.

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Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS): O Guarujá esta inserido na RMBS, junto a ele fazem parte também os municípios de Bertioga, Cubatão, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Vicente. A RMBS foi criada mediante Lei Complementar Estadual 815, em 30 de julho de 1996, tornando-se a primeira região metropolitana brasileira sem status de capital estadual. É a terceira maior região do estado em termos demográficos, com uma população de cerca de 1,6 milhão de moradores fixos. Nos períodos de férias, acolhe igual número de pessoas, que se instalam na quase totalidade em seus municípios. As atividades industriais, localizadas predominantemente em Cubatão, importante pólo siderúrgico em escala regional, assim como as portuárias em Santos e as ligadas ao comércio, serviços e atividades de turismo e veraneio têm reflexos diretos na economia da região e respondem pela geração de um Produto Interno Bruto de 3,7% do total do Estado de São Paulo. O crescimento de Santos, Cubatão e Guarujá, aliado a outras atividades geradoras de emprego nos setores de comércio e serviços, provocou um movimento altamente pendular em direção a outros municípios, com melhores condições de habitação e espaço disponível. Os municípios de São Vicente e Praia Grande e o distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá, adquiriram características de cidadesdormitório.

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Mapa da RegiĂŁo Metropolitana da Baixada Santista:

Mapa 1 – Fonte: Desconhecida

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A cidade: A área estudada se localiza na cidade de Guarujá que possui 143km² de território,situada na ilha de Santo Amaro, que faz parte da Região Metropolitana da Baixada Santista, litoral do estado de São Paulo e se distancia 87 Quilômetros da capital. Conhecida como a pérola do Atlântico, o Guarujá era muito conhecido pelo seu turismo até os anos 70, pois os maiores nomes da alta sociedade de São Paulo eram proprietários de imóveis na cidade e freqüentavam suas praias, hoje o turismo de alto padrão ainda faz parte da cidade, mas o Guarujá também recebe turistas de todas as classes e esta bem mais acessível aos seus visitantes. O Guarujá é uma cidade turística com uma população residente de 300 mil habitantes e uma população flutuante de aproximadamente 1 milhão de pessoas entre a alta e a baixa temporada, um número considerável e isso se deve a sua proximidade da capital e a beleza de suas praias. Devido a isso a sua economia é baseada, em sua maior parte, no turismo. É na temporada de verão que ocorrem a maior parte dos eventos na cidade, jogos, shows, atividades na praia, feiras, comércios temporários, etc. A cidade apresenta diversos problemas de infra-estrutura, na alta temporada, por exemplo, a cidade não suporta a quantidade de turistas acarretando problemas como congestionamento, falta de vagas para estacionar, falta de espaço nas praias, coleta de lixo insuficiente, poluição nas praias, etc. Alem dos problemas de infra-estrutura há também os econômicos sociais, como favelização, violência e trafico de drogas.

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Apesar de todos os problemas que a cidade apresenta, o Guarujá ainda é um dos pontos mais escolhidos para visitar entre os turistas paulistanos e até mesmo da Região Metropolitana da Baixada Santista o que reflete na valorização de seus imóveis e no seu alto custo de vida.

Foto 1 – Vista do entardecer da praia das Pitangueiras e Astúrias – 31/12/07. Fonte: Foto de Celso Fukushima

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Guarujá:

Mapa 2 – Fonte: Site www.ilhabela.net/praias/guaruja.htm

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Mapa uso do solo

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História: O Guarujá até o final do século XIX era uma ilha, quase toda selvagem. No ano de 1892 a Companhia Prado Chaves adquire junto à Praia das Pitangueiras e parte do Sitio da Glória, extensas áreas de terra fundando a Vila Balneária. Para fundar a Vila Balneária, foi organizado um ousado plano de urbanização, no qual fez parte o engenheiro italiano Tomazo Gaudenzi Bezzi, na região onde hoje é o centro da cidade. Esse plano ousado incluía um hotel de luxo, cassino e a construção de 46 residências, além de uma ferrovia exclusiva para transportar os visitantes. Para isso, foram encomendados nos Estados Unidos 46 chalés residenciais desmontáveis e construídos em Pinho da Geórgia, além de um hotel, um cassino e também uma igreja. A vila também já desfrutava de água encanada, esgoto e luz elétrica, um luxo para a época. A década de vinte foi a fase áurea do jogo e do turismo no Guarujá, os nomes mais importantes de São Paulo freqüentavam a região e a Ilha de Santo Amaro ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Hoje essa vila não existe mais, infelizmente os chalés foram destruídos e o primeiro hotel construído foi perdido em um incêndio em 1894, ele foi reconstruído mais duas vezes, sendo que a ultima versão virou um clube na segunda metade do século XX, mas que hoje dá lugar ao Shopping La Plage. Também muitas edificações que foram construídas neste período foram demolidas a partir dos anos 50 até os anos setenta com o “boom imobiliário”.

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Conforme a cidade crescia a sua orla foi sendo ocupada e devido ao período que ocorreu este crescimento e aos proprietários de alto poder aquisitivo, a orla do Guarujá possui diversas edificações com características da arquitetura moderna, tanto casas ao longo das praias da Enseada, Pernambuco e Guaiúba como também edifícios localizados principalmente na praia das Pitangueiras, os mais famosos entre eles são o Edifício Sobre as Ondas do arquiteto Oswaldo Correa Gonçalves e o Gaivotas. Esses ícones da arquitetura moderna dão atualmente um charme característico à toda orla do Guarujá e devem ser levados em conta no projeto de revitalização dos calçadões. Em 1946, o construtor do primeiro prédio de apartamentos da cidade, um engenheiro alemão, chegou a ser criticado por seus colegas da capital por implantar um espigão na então região semideserta de Pitangueiras. O prédio, que ganhou o mesmo nome da praia, era muito mais que uma audaciosa edificação. Era o prenúncio das incríveis transformações socioeconômicas pelas quais a antiga Vila Balneária iria passar. Menos de 30 anos depois, Guarujá passaria pelo “boom imobiliário”, algo que a tornou, no final dos anos 70, a terceira cidade do país em investimentos imobiliários. Sofisticados prédios de luxo foram encravados ao longo das praias, descortinando um cobiçado mar de esmeralda. Milhares de trabalhadores, atraídos por um insaciável mercado de mão de obra, migraram para a cidade. Os empregos fáceis, as moradias baratas e os indícios de oportunidade fizeram-nos atrair conterrâneos. E o resultado foi que a migração nordestina em Guarujá, na década de 70, foi a maior verificada em todo o litoral centro-sul do estado. E o distrito de Vicente de Carvalho passou a ser, na região, o maior pólo de concentração de nordestinos.

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Os anos 80 chegaram e o que se viu foi a semi-paralização da construção civil. Espalhados por favelas em morros e mangues, os trabalhadores passaram a representar não mais a mão de obra que impulsionava o progresso ou a multiplicação do consumo. Acabaram se tornando um grande fardo social à administração pública de Guarujá. Mas o declínio da construção civil não representou necessariamente a estagnação econômica da cidade. Foram feitos investimentos em vários outros setores. Em 1985, por exemplo, Guarujá foi classificado como o segundo maior centro de captura e pesca do país. Tornou-se sede da maior cooperativa de pesca do Brasil, a Nipo Brasileira (maior exportadora nacional de frutos do mar para o exterior). Além disso, o porto de Santos expandiu-se à margem esquerda do estuário, sendo instalada na região do Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho, os maiores terminais de fertilizantes e contêineres da América do Sul. Ao mesmo tempo, criava-se o CING, Complexo Industrial Naval de Guarujá, que passaria a acomodar estaleiros e demais empresas ligadas à atividade naval. Na década de 90 o turismo caiu consideravelmente devido a violência, a falta de infra-estrutura e investimentos para melhoria da cidade, e o Guarujá deixou de ser um dos principais pontos turísticos de veraneio passando esse posto para o litoral norte de São Paulo. Porem, depois do investimento de cerca de R$ 10 milhões no processo de reurbanização no início deste século (segundo dados da prefeitura), o Guarujá apesar de ainda apresentar diversos problemas, se tornou uma cidade mais agradável, com melhor iluminação, mais pontos turísticos e melhora na balneabilidade das praias, assim, atraindo o turismo novamente para a região.

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Mapa de evolução

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Levantamento fotográfico:

Foto 2 – Chalés de madeira da Rua Central, atual Av. Puglise – 1904. Fonte: J. Marques Pereira, publicada na revista carioca Kósmos nº 5.

Foto 3 – Rua Central, atual Av. Puglise – 1904. Fonte: J. Marques Pereira, publicada na revista carioca Kósmos nº 5.

Foto 4 - ultimo chalé de madeira -1983. Fonte: reprodução do suplemento especial de A Tribuna de 24-41983, Santos-SP. Foto 5 – Igreja e chalés da Rua Central, atual Av. Puglise. Fonte: foto enviada ao site Novo Milenio por Ary O. Célio.

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Foto 6 – Grande Hotel La Plage - 1892 - instalação inicial em madeira importada. Fonte: - coleção Oswaldo Cáfaro, foto enviada ao site Novo Milenio por Ary O. Célio.

Foto 8 – Ultima versão do Grande Hotel La Plage – Dec. 20. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 7 – 2º versão do Grande Hotel e Cassino ao lado. Fonte: Reprodução do Almanaque da Baixada Santista - 1976, edição do autor Olao Rodrigues, Santos-SP

Foto 9 – Ultima versão do Grande Hotel La Plage. Fonte: acervo do historiador santista Waldir Rueda.

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Foto 10 – Ultima versão do Grande Hotel La Plage – Vista lado rua. Fonte: Álbum Exploração do Litoral - 1ª secção - Cidade de Santos á fronteira do Estado do Rio de Janeiro.

Foto 12 – Salão de dança. Fonte: acervo de Oswaldo Cáfaro.

Foto 11 – Vista interna do restaurante do Cassino – Dec. 20. Fonte: autor desconhecido.

Foto 13 – Hall de entrada do hotel. Fonte: acervo de Oswaldo Cáfaro.

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Foto 14– Varanda do Grande Hotel La Plage e vista da antiga estação de trem ao fundo. Fonte: livro Lembranças de São Paulo-II, de Gerodetti-Cornejo.

Foto 16– Estabelecimento comercial em 1915 na região do Sobre as Ondas anterior a construção do Hotel Orlandi. Fonte: Álbum Exploração do Litoral – 2° secção.

Foto 15– Bonde que levava os visitantes ao Grande Hotel. Fonte: enviada ao site Novo Milênio em 2003 pelo pesquisador de bondes Allen Morrison de Nova Yorque.

Foto 17– Hotel Orlandi na região do Sobre as Ondas. Fonte: Autor desconhecido.

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Foto 18– Calçadão Pitangueiras – 1915. Fonte: álbum Exploração do Litoral - 1 secção - Cidade de Santos a fronteira do Estado do Rio de Janeiro.

Foto 20– carros de banho – 1897. Fonte: Obra 100 anos de Republica – Vol. 1 - 1889-1903, Ed. Nova Cultural, São Paulo - SP - 1989

Foto 19– Calçadão Pitangueiras com detalhe do Bonde e do trem a vapor ao fundo. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 21– Trocadouros. Fonte: livro São Paulo e outras cidades, do professor Nestor Goulart Reis, titular de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU-USP.

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Foto 22– Calçadão Pitangueiras e vista da piscina do Grande Hotel – 1959. Fonte: acervo do historiador santista Waldir Rueda.

Foto 24– Vista da ponta das Galhetas na praia das Astúrias – Metade do séc. XX. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 23– Calhambeques estacionados na praia da Enseada para banho dos visitantes - 1930. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 25– Ocupação da orla. Fonte: Autor desconhecido.

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Foto 26– Barracas de praia do Grande Hotel. Fonte: acervo do professor e pesquisador Francisco Carballa.

Foto 28– Calçadão Praia das Pitangueiras já com Ed. Sobre as Ondas ao fundo. Fonte: acervo do professor Francisco Carballa.

Foto 27– Cartão postal que mostra trecho já urbanizado da orla do Guarujá. Fonte: Waldir Rueda.

Foto 29– Calçadão Praia das Pitangueiras – Dec. 50. Fonte: Autor desconhecido – foto retirada do site Sobre as Ondas.

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Foto 30– Ed. Sobre as Ondas em uma propaganda de cerveja. Fonte: foto de Kauffmann, ilustrando o setor de Guarujá no Guia Santista 1956.

Foto 31– Av. Marechal Deodoro da Fonseca em 1973. Fonte: Raymundo R. Moreira.

Foto 32– Vista praia das Astúrias ainda com poucos edifícios. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 33– Campeonato de surf na praia das Pitangueiras já com vários edifícios levantados. Fonte: Autor desconhecido.

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Em 22/08/2005, o site Novo Milênio recebeu esta mensagem, com a foto abaixo:

"Minha querida avó, Dna. Maria Luiza Freitas Guimarães Guerra (nome de solteira), na foto com uns cinco anos aproximadamente, costumava passar com seus pais, Caio e Luizinha, deliciosos finais de semana no luxuoso e imponente Grande Hotel La Plage, localizado na praia das Pitangueiras, no Guarujá. Ela conta que ia-se de bonde e que era o costume de muitas famílias de Santos fazer o mesmo. Lá, provavelmente, a elite santista se juntaria à paulistana e interiorana, estabelecendo laços comerciais, sociais e - porque não? - até amorosos. "O Grande Hotel La Plage infelizmente foi demolido e eu, com 26 anos, não pude vê-lo erguido em frente à orla. Mas felizmente tenho uma avó que viveu esta boa fase da nossa região e que através de suas histórias, me faz conhecer e imaginar estes lugares maravilhosos. Pedro Guerra"

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Entrevista: Segue abaixo uma entrevista retirada do site www.guiaguaruja.com.br com o arquiteto Tolhia Boscov: “O relato de quem viu – Tolhia Boscov Ele viu o boom imobiliário Tolhia Boscov, arquiteto, chegou na cidade em 1970, época do boom imobiliário no Guarujá. Formado em 1958, trabalhou por dois anos em São Paulo e então foi para a França. Lá, trabalhou durante seis meses com o famoso Le Corbusier (veja quadro), arquiteto revolucionário que deixou um legado para a arquitetura urbanística mundial. Nesta entrevista, Tolhia fala um pouco do perfil arquitetônico de Guarujá, bem como reforça a idéia de que não houve a preocupação em preservar a memória da cidade. Como era Guarujá antes do boom imobiliário? O que impulsionou esse boom foi a abertura da Rodovia Piaçaguera-Guarujá. Vi todo o processo que se desencadeou daí. Antes disso, Guarujá tinha alguns edifícios aqui e ali, mas a base era somente composta de construções térreas. Se você pegar o bairro da Barra Funda, por exemplo, vai

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notar que só tinham casas. Na Enseada também. No Astúrias, tinha o edifício Sobre-as-Ondas e só, o resto eram casas, também. Houve a preocupação em preservar as construções antigas, nessa época? Infelizmente não. A maioria das coisas foram demolidas, o que é uma judiação. Até mesmo a antiga estação de trem, que ficava no centro, foi destruída. Então, parece que não existe memória. Para haver uma boa arquitetura, é preciso haver uma boa cidadania. Isso é fundamental. Se há cidadania, há crítica. Cria-se cultura e bom-gosto. A arquitetura guarujaense possui algo das idéias revolucionárias de Lê Corbusier? Tem, mas tudo muito misturado a coisas que não possuem uma linha própria, uma identidade. Isso, aliás, é algo que ocorre em todo o mundo. Temos um estilo arquitetônico? Temos, existem ótimos e bons prédios, que são bem-resolvidos. Mas temos também uma quantidade enorme de construções que foram feitas “no tapa”, somente porque se vendia qualquer coisa naquela época. A duplicação da Imigrantes, a despoluição das praias e a revigoração da cidade fez com que muitos a chamassem de “a nova Miami”. O que você pensa a respeito? Para ser uma nova Miami, Guarujá precisa perder esse estigma de cidade de temporada e de fim de semana. Já temos todas as condições de conseguir isso, pois a cidade melhorou muito nestes últimos

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anos. Até mesmo os bairros mais populares estão melhor cuidados. E não podemos nos esquecer do distrito de Vicente de Carvalho, que é o segundo maior comércio da Baixada e vêm melhorando em qualidade de vida ano após ano.”

O calçadão: Até a década de 70 no Guarujá apenas a praia das Pitangueiras possuía um calçadão, foi por volta de 1978 que o arquiteto Jaime Lerner, ex prefeito e um dos responsáveis pelo plano diretor de Curitiba, projetou o calçadão para o Guarujá. Ele foi contratado na gestão do prefeito Jaime Daiger. No projeto Jaime Lerner criou um módulo no desenho de piso feito com mosaico português preto e branco, esse módulo chamado de petit-pavet é o desenho de um pássaro, que se repete em toda a extensão do calçadão. No projeto original para a praia das Pitangueiras, Lerner fez um deck de madeira para um trecho do calçadão que abrangia quase toda a praia, alternando os níveis e dando continuidade com o mosaico modular. O deck foi colocado em cima da antiga calçada, diminuindo a largura da rua e deixando somente uma faixa para estacionamento e uma para carro em movimento. Os bancos eram de madeira também e funcionavam como guarda-corpo. Grande parte do jardim que existia foi reaproveitado assim

Mosaico português em modulo de pássaro.

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como uma fonte luminosa. Os equipamentos estavam locados estrategicamente nos eixos das ruas perpendiculares a avenida da praia criando uma serie de núcleos no calçadão. Entre esses equipamentos estavam playground, lojas, uma fonte luminosa, alem da existente e os acessos eram feitos por escadarias e rampas. Devido à falta de conservação e as crises administrativas que o município passou, as praias ficaram abandonadas e os calçadões deteriorados. O deck de madeira foi totalmente retirado na gestão do prefeito Maurici Mariano. A praia da Enseada também recebeu uma reforma em seu calçadão na gestão do prefeito Waldir Tamburus com continuação com Ruy Gonzales. Foram plantadas palmeiras e coqueiros nos antigos canteiros, reformas nos postos de salvamentos e a instalação de quiosques em toda a sua orla, ainda muito questionada pela população, porem a estrutura do calçadão se manteve a mesma. As demais praias do Guarujá tiveram pequenas reformas que caíram em esquecimento, como a colocação de equipamentos urbanos não adequados ao clima do litoral e que sem manutenção se deterioraram rapidamente. Com o investimento de 10 milhões feito pela prefeitura para o projeto de reurbanização do Guarujá, os calçadões ganharam mais uma reforma principalmente na praia das Pitangueiras e Enseada, essa reforma consistiu na troca do mosaico português por blocrete, refletores para iluminação das praias, reforma das praças com a colocação de novos mobiliários, iluminação, pergolados, etc. Também foram instaladas câmeras de segurança em boa parte da orla o que ajudou na redução da criminalidade na região.

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O calçadão do Guaiúba recebeu uma reforma no seu acesso principal, onde se encontra uma cancela para restringir a entrada de automóveis, la foi instalado um playground, mesas para descanso, pergolados, e o piso foi trocado. Na praia do Perequê foi substituído apenas o mosaico portuguâs por blocrete, sem outras grandes intervenções. Alem disso, nesta reforma, foi incluído na praia das Pitangueiras, um guia para deficientes visuais e rampas de acesso para deficientes físicos. Com todas estas alterações o calçadão ficou totalmente descaracterizado, perdendo a sua identidade, muitos dos equipamentos utilizados não eram adequados, acabando por não exercer corretamente as suas funções, alem de uma serie de outros problemas que serão apresentados posteriormente no trabalho.

Foto 34 – Deck de madeira projetado por Jaime Lerner para a praia de Pitangueiras já degredado por falta de manutenção. Fonte: Trabalho final de graduação, Guarujá: Reorganização de uma imagem urbana, Lourdes Ferauche Seguin.

Foto 35 – Mosaico português em módulos com forma de pássaro projetado por Jaime Lerner na praia de Pitangueiras. Fonte: Trabalho final de graduação, Guarujá: Reorganização de uma imagem urbana, Lourdes Ferauche Seguin.

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Foto 36 – Calçadão da praia da Enseada com o mosaico português projetado por Jaime Lerner, canteiro com coqueiros e os quiosques. Fonte: Trabalho final de graduação, Guarujá: Reorganização de uma imagem urbana, Lourdes Ferauche Seguin.

Foto 38 – Calçadão da praia de Pitangueiras após a ultima reforma. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 37 – Calçadão da praia de Pitangueiras após a retirada do deck de madeira. Fonte: Trabalho final de graduação, Guarujá: Reorganização de uma imagem urbana, Lourdes Ferauche Seguin.

Foto 39 – Calçadão da praia da Enseada após a ultima reforma. Fonte: Foto retirada do site da prefeitura municipal26do Guarujá.


Praias: Guaiúba: Praia semi-urbana com 700m de comprimento tem na sua maioria residências unifamiliares. Na entrada, um posto da Associação de Moradores do bairro, limita o acesso de veículos à praia. Foi loteada em 1938 por Alexandre Migues Rodrigues, antes desse período a praia era ocupada por pescadores e sitiantes à beira-mar. Se desenvolveu a partir do reflexo do crescimento da Praia de Pitangueiras. Possui areia dura e clara, mar sereno e a proteção de dois costões laterais. Na ponta esquerda, perto do Forte dos Andradas, ficam a Praia da Manduba - área militar de acesso proibido - e as ilhas do Mato e do Pau a Pino (mergulho). Do lado oposto, costeando a Ponta Rasa, alcança-se de barco o Saco do Major. A praia é própria para pesca de vara nos costões, possui um calçadão largo de mosaico português, com jardim, um estacionamento para visitantes, área para barcos de pesca de pequeno porte e também conta com restaurantes de frutos do mar no calçadão. A maior parte dos visitantes são famílias com crianças que vão para almoçar ou ficar na praia, pois a praia não é extensa, o mar é calmo e também o Guaiúba é uma das praias com menos densidade. Isso tudo traz segurança para crianças pequenas e permite a pratica de esportes como o futebol.

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Levantamento fotográfico da praia do Guaiúba:

Foto 40 – Guarita do acesso para praia do Guaúba. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 42 – Detalhe pergula do calçadão do Guaúba. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 41 – Praça de acesso para praia do Guaúba. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 43 – Playground. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 44 – Área para exercícios físicos. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 46 – Restaurantes. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 45 – Calçadão Guaiúba. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 47 – Calçadão Guaiúba e restaurante. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 48 – Posto de Salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 50 – Local utilizado por pescadores para guardar os barcos. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 49 – Detalhe banco. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 51 – Equipamento de iluminação da faixa de areia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Tombo: Praia de queda com 856m de extensão, areia branca e grossa e mar bravo. O calçadão é de mosaico português, possui quiosques em toda a sua extensão e um posto de salvamento e apoio para surfistas. Sua ocupação foi simultânea à praia do Guaiúba, por volta dos anos 50 a praia possuía inúmeras propriedades rurais com estábulos, criações e plantações O gabarito das construções na orla da praia é baixo com edifícios de até 4 andares, o bairro é predominantemente residêncial. No canto esquerdo, morro da caixa d’água, há a pratica de asa delta e paraglider e no canto direito há um bar pé na areia que serve como diversão noturna para os visitantes. A praia é freqüentada em sua maioria por surfistas devido as suas ondas fortes e jovens. Levantamento fotográfico praia do Tombo:

Foto 52 – Calçadão Praia do Tombo. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 53 – Calçadão Praia do Tombo, detalhe da escultura no jardim. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 54 – Calçadão Praia do Tombo, detalhe da escultura no jardim. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 55 – Calçadão Praia do Tombo e escada de acesso à praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 56 – Calçadão Praia do Tombo e posto de salvamento e apoio. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 57 – Posto de salvamento e apoio. No momento funcionava como apoio à uma competição de surf. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 58 – Calçadão Praia do Tombo e restaurante. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 59 – Restaurante. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 60 – Banco do calçadão da praia do tombo. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 61 – Final do calçadão da paia do Tombo. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Astúrias: Com 1km de extensão, estreita faixa de areia e edifícios altos em sua orla a praia das Astúrias é bem familiar, porem muito freqüentada. Seu calçadão de mosaico português é estreito e ela possui apenas 1 quiosque e 1 posto de salvamento localizados no meio do percurso. No canto direito se encontram condomínios residenciais para classe média e alta e também um espaço para pesca e contemplação, já no canto esquerdo a praia é propicia para o surf devido as suas ondas. A orla também conta com uma colônia de férias para funcionários públicos, escola de surf e uma feira de artesanato. Por possuir edifícios altos em toda a sua extensão, a sua insolação é prejudicada no período da tarde. Antes de ser ocupada a região era um grande latifúndio que foi sendo fragmentado conforme as atividades agrícolas foram perdendo prioridade.

Foto 62 – Calçadão praia das Astúrios. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 63 – Calçadão praia das Astúrios. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 64 – Trecho do jardim do calçadão que é cuidado por um dos condomínios em frente à orla. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 66 – Feira de artesanato. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 65 – Equipamento de segurança utilizado em casos de emergência, esses pontos de socorro aparecem distribuídos por quase toda orla. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 67 – Trecho central do calçadão equipado com sorveteria, restaurante banca d jornal e posto de salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 68 – Posto de salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 69 – Área de pesca e contemplação no canto direito da praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 70 – Área de contemplação. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 71 – Área de contemplação. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 72 – Barcos de pescadores atracados. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 73 – Área de apoio aos pescadores. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 74 – Vista da orla das Astúrias. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 75 – Calçadão e vista do restaurante ao fundo no canto esquerdo da praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Pitangueiras: Com 1800m de extensão e edifícios altos em toda a orla a praia das Pitangueiras sofre o mesmo problema de falta de insolação que a praia das Astúrias no período da tarde. É a praia mais freqüentada pois se localiza no centro do Guarujá e também por sua grande quantidade de comércio, durante a temporada é difícil de encontrar lugares vagos para colocação de guarda-sol na areia. O calçadão foi recentemente reformado pela prefeitura e conta com jardins, restaurantes, quiosques, shopping, feira de artesanato, praças e escolas de surf. Alem disso na alta temporada ocorrem eventos na praia como jogos, programas de TV, dança, etc. A praia também é boa para pratica de surf e é na sua maioria freqüentada por quem possui um imóvel na região e tem serviço de praia que reserva um espaço com o guarda-sol. A praia foi a cede de ocupação do Guarujá, sendo assim a região mais antiga da cidade, apesar de não ter conservado essa memória. Ela recebeu este nome devido a grande quantidade de pés de pitangas que existiam antes da sua ocupação.

Foto 76 – Inicio do calçadão da praia das Pitangueiras na região do Sobre as Ondas. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 77 – Restaurante Avellino’s. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 78 – Posto de salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 79 – Calçadão Pitangueiras. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 80 – Calçadão Pitangueiras. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 81 – Orla da praia de Pitangueiras. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 82 – Bancos de concreto. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 83 – Edificação com quiosques salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

e

posto

Foto 84 – Praça e feira de artesanato. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 85 – Acesso para a praia lateral ao shopping. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

de

40


Foto 86 – Shopping La Plage. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 87 – Acesso para a praia lateral ao shopping com mirante ao fundo e outra edificação ao lado. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 88 – Parque de diversão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 89 – Edificação. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 90 – Secretaria de Cultura. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 92 – Quiosques da praça. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 91 – Praça. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 93 – Feira de artesanato. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 94 – Feira de artesanato. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 95 – Edificações. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 96 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 97 – Pérgula em área contemplação. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

de

descanço

em

43


Foto 98 – Playground. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 100 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 99 – Luminária utilizada em um dos trechos do calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 101 – Restaurante Tahiti. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 102 – Escola de surf “Pirata”. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 103 – Vila militar. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 104 – Edifício abandonado. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 105 – Morro do Maluf. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Enseada: A mais extensa de todas as praias do Guarujá, 7km, com uma larga faixa de areia, mar calmo, tem edificações com gabarito baixo em toda a sua orla, o que permite que a praia receba sol durante todo o dia. O calçadão possui trechos com mosaico português e outros com blocretes recém colocados pela prefeitura, ele conta com postos de atendimento em toda a sua extensão, jardins, hotéis, restaurantes, quiosques, etc. Alem disso, como nas Pitangueiras, na alta temporada também ocorre uma serie de eventos para os turistas na areia. É freqüentada por todo tipo de publico. Na sua orla e no canto esquerdo pode se ver residências e condomínios para classe média e alta.

Foto 106 – Inicio do calçadão da Enseada, trecho sem ciclovia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 107 – Praça de eventos em frente à praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 108 – Posto de salvamento. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 109 – Calçadão e inicio da ciclovia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 110 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 111 – Bancos de concreto. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 112 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 114 – Quiosques que ocupam a faixa de areia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 113 – Esculturas no jardim em frente ao Hotel Casa Grande. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 115 – Restaurante Thai. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 116 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 118 – Praça em frente à praia, ponto de encontro de jovens. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 117 – Esqueleto falso de uma baleia em frente ao Aquamundo. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 119 – Restaurante de frutos do mar no final da praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Perequê: praia de pescadores com 2.200m de extensão, de todas as praias citadas essa é a que possui a maior população de baixa renda localizada no mangue e em uma favela no canto esquerdo. Em toda a praia pode se ver barcos de pescadores, bancas de peixe e os famosos restaurantes de frutos do mar. Possui uma larga faixa de areia onde muitos visitantes passeiam de carro e o mar é calmo e raso. O calçadão é de mosaico português porem muito danificado e conta com alguns quiosques.

Foto 120 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 121 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 122 – Barcos de pesca. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 124 – Sociedade Amigos do Perequê, com sua sede locada no calçadão da praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 123 – Barcos de pesca atracados no mar. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 125 – Quiosque. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 126 – Calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 127 – Vista da praia para o calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 126 – Acesso. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 128 – Vista da favela que acaba em frente a praia porem não possui calçadão. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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A questão da praia do Pernambuco: A praia do Pernambuco não fará parte deste projeto de revitalização dos calçadões pois a sua orla esta ocupada irregularmente por casas e pelo Hotel Jequitimar, impedindo a existencia de calçadão e avenida da praia na região. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, existe um projeto dos anos 70, especificando que, nessa praia, deveria haver uma faixa de orla de 23 metros porem com a ocupação irregular na faixa de areia, isso não foi possível. Muitas casas que foram construídas na orla possuem em seu jardim este recuo de 23m, porem nunca houve uma real intenção da prefeitura de resolver este problema.

Foto 129 – Foto aérea da praia do Pernambuco. A linha vermelha representa a Avenida Marjory Prado e abaixo dela, na linha das praia, os lotes que ocupam o recuo obrigatório impedindo a existência de um calçadão e uma avenida da praia. Fonte: Google Earth.

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2. DIAGNÓSTICO Justificativa: O Guarujá por ser uma cidade litorânea e também turística tem o seu calçadão como uma referencia, tanto para moradores como para turistas. Como na maior parte das cidades litorâneas é no calçadão que se encontram todos os equipamentos que dão assistência aos banhistas que freqüentam a praia. Alem disso, nele se agrupam uma serie de atividades, turísticas, econômicas, de lazer, esportivas, alem de ser, junto com a avenida da praia, a principal via da cidade, tanto de pedestres como de automóveis. Também não podemos esquecer que são nas praias que ocorre o maior evento da cidade, o Reveillon, o feriado que reúne a maior quantidade de turistas do ano e, e é na orla que acontece a comemoração. Apesar de sua grande importância para o Guarujá, hoje o calçadão apresenta um serie de problemas de acessibilidade, falta de equipamentos urbanos, irregularidades, além de não estar contribuindo para a paisagem urbana. Por todos esses motivos que o Guarujá carece de um projeto específico para a orla que atenda a essas necessidades dando todo o apoio aos seus freqüentadores, e também valorizando as suas praias, criando alem de um espaço funcional, um lugar que seja lembrado por sua paisagem, não só a de suas belas praias, mas também a urbana.

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Reconhecimento do problema: Para darmos inicio a esta proposta é necessário fazer um reconhecimento dos problemas que atingem a área escolhida, neste caso, o calçadão do Guarujá. Podemos iniciar falando sobre a falta de equipamentos e mobiliários urbanos de apoio para os banhistas que freqüentam as praias. Este é um problema que ocorre em toda a orla e não só em algumas praias. As necessidades mais urgentes seriam a instalação de lavatórios e banheiros públicos, pois não há lugar para os banhistas se lavarem durante o período em que eles permanecem na praia, e os poucos chuveiros que foram instalados provisoriamente não funcionam. Já os sanitários não são em números suficientes para atender a todos e são localizados apenas em alguns postos de salvamento muito distantes uns dos outros. Outra questão é a dos quiosques, equipamento urbano de uso comercial destinado à alimentação, na praia da Enseada que estão implantados de forma irregular invadindo a faixa de areia, tomando o lugar dos banhistas, além disso, não há um local apropriado para que estes quiosques possam atender seus clientes, assim as mesas são locadas na faixa de areia, mais uma vez ocupando a área destinada aos freqüentadores da praia e contribuindo para a poluição do ambiente devido ao lixo produzido. Outro problema que ocorre com os quiosques por estarem locados na faixa de areia é o mar, quando a

maré

sobe

demais,

ela

acaba

causando

grandes

danos,

ou

ate

mesmo

destruindo

esses

estabelecimentos, causando prejuízos aos seus proprietários.

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Tanto os quiosques quanto os restaurantes que estão na orla precisam de um projeto adequado, com mais transparência e que atendam melhor as necessidades dos estabelecimentos e dos seus clientes, também valorizando arquitetonicamente a paisagem urbana. Na praia das Pitangueiras e Astúrias, como não há uma grande estrutura de quiosques, são distribuídas por toda a extensão da praia uma série de barracas de alimentação, que por não terem espaço e condições adequadas acabam poluindo com o lixo gerado, por exemplo o óleo dos alimentos que necessitam de fritura que é jogado diretamente na areia. Outro problema que as barracas acarretam é a ocupação da faixa de areia com mesas e guarda-sóis para seus clientes. Durante o levantamento fotográfico, foi constatado que as Pitangueiras possui muitos edifícios no seu calçadão, isso acaba prejudicando a visualização da sua praia de quem esta a passeio no calçadão ou pela avenida da praia. O Perequê necessita de uma infra-estrutura para dar apoio aos pescadores, que movimentam a maior parte da economia do bairro, os barcos são atracados no mar ou na areia da praia sem nenhum apoio como um píer ou um atracadouro. Ainda no Perequê existe outra questão que é a da favela que existe no canto esquerdo, o calçadão ocupa só um pequeno trecho da praia, assim como a avenida, não integrando a favela com a área urbanizada, para os moradores chegarem a avenida principal, é necessário que eles percorram um percurso maior por dentro da favela ou então que caminhem pela areia até chegar ao calçadão. Nos últimos anos, o calçadão veio recebendo uma serie de reformas em alguns trechos, essas reformas acabaram com o padrão que existia em toda a orla, hoje em cada trecho numa mesma praia

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existe uma variedade de elementos urbanos que se apresentam desconexos, são eles pisos, mobiliários, luminárias, jardins, que acabam prejudicando a harmonia da paisagem urbana. A falta de manutenção e de fiscalização acabam ajudando na degradação do calçadão, como exemplo temos luminárias que não funcionam, lixos quebrados, bancos sujos e em mal estado de conservação, mobiliários enferrujados, etc. Além desses itens citado a orla possui uma serie de outros problemas relacionado a iluminação, mobiliário, equipamentos urbanos e paisagismo e urbanismo que iremos solucionar conforme o desenvolvimento do projeto. Levantamento fotográfico dos problemas constatados:

Foto 130 – Má colocação de banco. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 131 – Mesa de concreto que foi recentemente colocada, caída. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 132 – Base de luminária enferrujada pois o material não é próprio para o local. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 134 – Excesso de elementos que prejudicam o fluxo e a paisagem urbana. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 133 – Acesso precário para a praia. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 135 – Rampa degradada pela falta de manutenção. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 136 – Exemplo de comunicação visual precária. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 137 – Comunicação visual super-dimensionada que prejudica a visibilidade. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 138 – Problema com o caimento do piso que acaba formando poças. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 139 – Acesso de cadeirante mal calculado e obstáculos na calçada. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 140 – Degradação da calçada e do paisagismo. Restaurante não valoriza arquitetonicamente a paisagem. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 142 – Falta de organização do espaço, barracas locadas no meio do passeio, falta de lugar para o lixo. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 141 – Quiosques guardam as cadeiras no calçadão pois não possuem local adequado para armazenagem. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 143 – Passeio estreito. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

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Foto 144 – Obra feita no calçadão. Blocrete colocado no meio do canteiro depredando a vegetação. Fonte: Foto de Fernanda Stelzer.

Foto 145 – Maré alta destruindo os quiosques. Fonte: Autor desconhecido.

Foto 146 – Alta temporada. guarda-sóis ocupando toda a faixa de areia, prejudicando a caminhada dos banhistas. Fonte: Foto de Celso Fukushima.

Foto 147 – Alta temporada. guarda-sóis dos condomínios ocupando toda a faixa de areia. Fonte: Foto de Celso Fukushima.

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Experiências Semelhantes: Calçadão de Santos Um dos exemplos de orla bem sucedida mais próximo da área escolhida que podemos citar é o calçadão de Santos, que alem de atender as necessidades dos usuários, também é um marco para a cidade valorizando toda região. Também não podemos deixar de citar o seu jardim que é o maior jardim frontal de praia em extensão do mundo. O jardim nasceu, como idéia, em 1914, idealizado pelo engenheiro Saturnino de Brito e na década de 20 surgiram os primeiros trechos do calçadão proximo aos hotéis, em 1930 foi construído um trecho com traçado retilíneo em estilo clássico. Adotou-se o mesmo estilo em 1935, quando se iniciaram obras a partir do Gonzaga. Nos anos 50, com a duplicação das avenidas da praia, o calçadão perdeu mais de 15 Km2. Em 1960 recebeu o atual traçado curvilíneo, projetado pelo engenheiro Armando Martins Clemente. Hoje, alem extenso jardim, o calçadão conta com postos de atendimento em toda a sua extenção, ciclovias, trechos projetados exclusivamente para áreas de alimentação, sanitários, lavatórios, praças, locais para eventos, alem de locais para descanso e contemplação. Com tudo isso o calçadão de santos é, apesar de algumas falhas, completo e atende as necessidades da população. Seu traçado curvilineo é modular em toda sua extenção, uma proposta moderna para a época, porem que hoje este traçado deixa de atender as demandas da cidades contemporânea.

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Os postos de salvamento e os quiosques distribuidos ao longo da orla não possuem uma transparencia, são todos fechados com alvenaria prejudicando a visualização da paisagem. Alem de apresentar um bloqueio visual os quiosques são mal dimensionados prejudicando a funcionalidade da área de trabalho. Tambem não acomodam com conforto os usuarios, as mesas e os bancos são mal dimensionados e não possuem ergonomia, eles tambem estão implantados entre os quiosques fazendo com que alem de prejudicar a circulação, são proximos demais da área de preparo de alimentos e dessa forma ficam sujeitos ao cheiro e a fumaça dos alimentos. A área de alimentação tambem esta locada a céu aberto e acaba não proporcionando proteção contra as alterações meteorologicas. Uma solução interessante é a dos pontos de onibos que tem fechamento em vidro permitindo que o usuario tenha total visibilidade da praia e do jardim. As luminárias do passeio possuem uma iluminação indireta, quando posicionadas corretamente, proporcionando um conforto visual para o publico.

Foto 148 – Foto calçadão de Santos com a avenida da praia, ciclovia, passeios e jardins. Fonte: Site http://upload.wikimedia.org/wikipedia.

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Aterro do Flamengo Com 1.300 m2 e 7km de extensão o aterro do flamengo é uma das mais belas áreas de lazer do Rio de Janeiro. A idéia do parque foi de Lota Macedo Soares, ex aluna de Cândido Portinari, esteta com conhecimentos e arquitetura e urbanismo. O Aterro foi uma de várias iniciativas para melhorar o trafego no Rio de Janeiro e a idéia de ganhar território na área marítima por meio de aterros foi uma tentativada administração de diminuir os custos evitando a desapropriação necessárias ao alargamento das principais artérias do Flamengo, Catete, Glória e Botafogo. O aterro com seus parques também permitiu a criação de terrenos valorizados na área central da cidade. Para o projeto Lota teve ajuda do paisagista Roberto Burle Marx, do botânico Luiz Emygdio de Mello Filho e dos arquitetos Affonso Eduardo Reidy, Sérgio Bernardes e Jorge Moreira. Nascia então uma das principais áreas de lazer da cidade, com quadras polivalentes, campos de futebol, playground, anfiteatro, pistas de skate e aeromodelismo. Há ainda um restaurante e quiosques, a Marina da Glória e o Museu de Arte Moderna - MAM. Lota teve a idéia de iluminar o parque para os passeios noturnos e as quadras esportivas, também sua idéia, são alugadas todos os dias do ano, inclusive de madrugada.

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No conjunto do Aterro do Flamengo estão alguns dos mais importantes projetos de Burle Marx que manifestam a sua crescente preocupação com o urbanismo e a sua habilidade de trabalhar em uma escala urbana. O parque recebeu 11.600 árvores de 190 espécies, nativas e exóticas.Entre as 4.400 palmeiras de 50 espécies estão preciosidades como a talipot (Corypha umbraculifera) que floresce apenas um vez e morre. Além do fato de ser um parque urbano, ele tem características muito especiais, como grupos de plantas da mesma espécie, o uso de plantas brasileiras que não eram muito usadas em paisagismo - como o abricó-macaco e o pau-mulato A praça Salgado Filho, se destaca por reunir diferentes espécies naturais, pela concepção do piso mesclando pedra e gramado e pelo banco de pedra sinuoso acompanhando os canteiros. Os jardins ao redor do MAM/RJ apresentam outro perfil: traçado quadrangular, linhas retas e canteiros ortogonais, definindo, segundo alguns estudiosos, uma fase mais construtiva de sua arte paisagista. O parque Brigadeiro Eduardo Gomes (1961), no qual trabalham Reidy, Jorge Moreira, Carlos Werneck de Carvalho e Hélio Mamede, se caracteriza pela articulação de projetos paisagísticos para pequenos recantos e para amplas áreas ajardinadas ao longo das vias expressas do aterro do Flamengo. O projeto cria soluções interessantes dentro deste limite entre terra e mar. Uma delas é o uso de vegetação rasteira ou árvores de copa alta para permitir que quem esta passando de carro na avenida ou quem esta longe da linha da praia possa visualizar o mar e o que esta acontecendo no parque.

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Outra solução interessante é a da Marina da Glória, o aterro foi impantado de forma a proteger as embarcações dos efeitos das marés e ao mesmo tempo acompanhando a forma orgânica que o parque segue em sua maioria. A estrutura tensionada de apoio a marina também tem uma relação direta com o eixo da avenida principal. O desenho dos passeios não segue um modulo, ele tem um traçado orgânico que não se repete trazendo diferentes sensações durante o percurso.

Foto 149 – Aterro do Flamengo. Fonte: Site www.vivercidades.org.br.

Foto 150 – Aterro do Flamengo. Fonte: Site www.e-corredor.com.br.

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3. PROPOSTA Partido: A natureza representa simbolicamente para o homem o desconhecido, o incontrolável, onde o homem fica vulnerável. Para e evolução da humanidade, o homem teve que ganhar um espaço no mundo, conquistar sua liberdade e não se submeter ao jugo da natureza, e fundar, ainda que simbolicamente, seu espaço de liberdade, as cidades. Para isso o homem precisou organizar o espaço, subtrair do desconhecido, da natureza um pedaço de terra que seria seu, seria conhecido e organizado do modo em que ele vivia. Então o homem quando saiu das cavernas, traçou um perímetro, ainda que simbolicamente, negando o que havia ao redor, e disse que ali seria o seu lugar. Esse processo está na origem do mundo como o conhecemos, esses lugares hoje são um lote, uma quadra, um bairro, uma cidade, uma nação. Hoje os espaços naturais, onde não há intervenção humana, é quase inexistente e continuará diminuindo enquanto a necessidade de ocupação do homem crescer. Contudo, ainda há um lugar no mundo que o homem ainda não conquistou, território maior do que qualquer outro que a humanidade já ocupa, e que ainda é um mistério para a mente humana, o mar.

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Apesar das tentativas de ocupação pelo homem no mar, como ilhas artificiais, construções submersas, etc, elas não são totalmente seguras e viáveis.E todas as tentativas se baseiam em colocar limites e recriar dentro desses parâmetros um ambiente semelhante ao que vivemos. Por seu território vasto, dificuldade de ocupação e pela improvável adaptação do homem em seu eco-sistema é que o mar ainda é um dos grandes mistérios da humanidade. O mar traça uma divisão muito clara dizendo onde é o seu território e até onde podemos avançar, é no litoral, mais especificamente na orla, onde podemos visualizar este limite físico e sensorial entre o construído e o natural, entre o conhecido e o desconhecido. Segue abaixo um trecho de uma citação de Georg Simmel que fala sobre essa relação entre o homem, o espaço e a natureza: “A porta representa de maneira decisiva como o separar e o ligar são apenas dois aspectos de um mesmo e único ato. O homem que primeiro erigiu uma porta ampliou, como o primeiro que construiu uma estrada, o poder especificamente humano ante a natureza, recortando da continuidade e infinitude do espaço uma parte e con-formando-a numa determinada unidade segundo um sentido.”

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Espaço público: Com o surgimento das cidades foi gerado também os espaços públicos, pois o homem como criatura social necessita de espaço para convivência, para a troca de idéias e discussão. O espaço público é considerado como aquele que, dentro do território urbano tradicional (especialmente nas cidades capitalistas, onde a presença do privado é predominante), seja de uso comum e posse coletiva (pertence ao poder público). A rua é considerada o espaço público por excelência. A idéia de que as cidades possuem uma esfera pública, pertencente e usada pela coletividade e uma esfera privada, cuja posse e manutenção respondem aos interesses de um ou mais indivíduos específicos, é bastante antiga, mas virá a se definir plenamente com a urbanística grega durante a Antigüidade Clássica. Para os gregos, a ágora era o espaço que inserido na pólis, representava o espírito público desejado pela coletividade da população e onde se exercia a cidadania. A definição clara do limite entre os espaços públicos e privados, porém, perdeu-se em vários momentos ao longo da história. As cidades européias medievais construíram-se através de uma constante apropriação da terra pública e da definição desordenada de ruas, normalmente estreitas e insalubres. Tal situação repetiu-se, grosso modo, até o advento do urbanismo sanitarista no século XIX, através das intervenções de Georges-Eugène Haussmann em Paris e de Ildelfons Cerdá em Barcelona. Ainda que baseados em um discurso muito mais estatizador que

público,

estas

intervenções

colocaram

o

desenho

das

áreas

públicas

(grandes

avenidas,

especialmente) como prioritárias na definição da paisagem urbana.

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O Movimento Moderno na arquitetura e no urbanismo (no início do século XX) representou uma releitura da idéia de público. Segundo vários de seus representantes todo o solo existente dentro dos perímetros urbanos deveria ser de propriedade pública, sendo pertencentes à esfera privada apenas frações ideais destes terrenos correspondentes aos apartamentos particulares. Esta idéia foi pouco posta em prática, sendo considerada por diversos críticos como "ingenuamente utópica". Entre as cidades que adotaram este modelo destaca-se a capital do Brasil, Brasília. Diversos teóricos, entre os quais destaca-se a canadense Jane Jacobs, criticaram as propostas modernas e sua aplicação na cidade real. Todo este conjunto de críticas gerou nas últimas décadas uma grande valorização da rua como o espaço público essencial às cidades. A caracterização de um espaço público é bastante variada: Os espaços públicos livres podem se definir como espaços de circulação (como a rua ou a praça), espaços de lazer e recreação (como uma praça ou parque urbano), de contemplação (como um jardim público) ou de preservação ou conservação (como um grande parque ou mesmo uma reserva ecológica). Nestes locais, o direito de ir e vir é total. Existem ainda os espaços que, ainda que possuam uma certa restrição ao acesso e à circulação, pertencem à esfera do público: portanto, nestes espaços, a presença do privado deve ser teoricamente controlada e, até mesmo, evitado. São, em geral, os edifícios e equipamentos públicos, como instituições de ensino, hospitais, centros de cultura etc. Segue abaixo um trecho de Jean-Pierre Vernant que relaciona cidade, espaço público, política e pensamento racional. Em seu estudo sobre o mundo helênico As Orígens do Pensamento Grego, afirma

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que no advento da pólis, a instituição da cidade grega se vincula ao nascimento de um pensamento racional: “A Grécia se reconhece numa certa forma de vida social, num tipo de reflexão que definem a seus próprios olhos sua originalidade, sua superioridade sobre o mundo bárbaro: no lugar do Rei cuja onipotência se exerce sem controle, sem limite, no recesso de seu palácio, a vida política grega pretende ser o objeto de um debate público, em plena luz do sol, na Ágora, da parte de cidadãos definidos como iguais e de quem o Estado é a questão comum; no lugar das antigas cosmogonias associadas a rituais reais e a mitos de soberania, um pensamento novo procura estabelecer a ordem do mundo em relações de simetria, de equilíbrio, de igualdade entre os diversos elementos que compõem o cosmos. (…) Quando Aristóteles define o homem como animal político, sublinha o que separa a Razão grega da de hoje. Se o homo sapiens é a seus olhos um homo politicus, é que a própria Razão, em sua essência, é política. De fato, é no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu, constituiu-se e formou-se. A experiência social pôde tornar-se entre os gregos o objeto de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O declínio do mito data do dia em que os primeiros Sábios puseram em discussão a ordem humana, procuraram definí-la em sí mesma, aplicar-lhe a norma do número e da medida. Assim se destacou e se definiu um pensamento propriamente político, exterior à religião, com seu vocabulário, seus conceitos, suas vistas teóricas. Este pensamento marcou profundamente a mentalidade do homem antigo; caracteriza uma civilização que não deixou, enquanto permaneceu viva, de considerar a vida pública como o coroamento da atividade humana.”

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Vernant, não podemos esquecer, publicaria estas linhas durante o período da ditadura militar brasileira, uma época de sombras e direitos negados e seu discurso pode ser visto como uma metáfora da necessidade de afirmação da cidadania, um libelo a favor do diálogo à luz da razão, num regime que negava então, o diálogo em praça pública, a liberdade de expressão. Portanto, podemos concluir que o espaço público é essencial para o funcionamento de uma cidade e a convivência e o desenvolvimento de uma população. O calçadão é um espaço público de imensa importância para o Guarujá, por isso a preocupação em fazer um projeto adequado que atenda a todas as necessidades da cidade e dos cidadãos, alem de também ter a responsabilidade de preservar o que restou de sua memória ao longo dos anos.

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Diretrizes de projeto: Em toda a orla: - proposta de paisagismo - desenho de piso - projeto de mobiliário urbano adequado à orla - locação de postos de salvamento - locação de restaurantes e comércio - iluminação - acessibilidade - ciclovia Guaiúba: - praça de eventos - abrir a passagem de automóveis em frente à praia - criação de deck de restaurantes Tombo: - criação de um posto adequado para apoio em competições de surf - criação de decks com restaurantes em diversos pontos da praia

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Astúrias: - projeto de uma praça de contemplação no canto direito da praia - revitalização do canto de pesca da Galhetas com equipamentos apropriados Pitangueiras: - demolição de edifícios incompatíveis com o uso do calçadão - colocação de deck de madeira em trechos da orla como releitura do projeto de Jaime Lerner - criação de um marco na praça em frente à Av. Puglisi - proposta de píer com praça de eventos que fará ligação do calçadão à ilha das Pitangueiras Perequê: - criação de infra-estrutura para pescadores - projeto de mercado para venda de peixe - extensão do calçadão até o final da favela existente em frente à praia

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Projeto: A intervenção acontecerá nas praias do Guaiúba, Tombo, Astúrias, Pitangueiras e Perequê, mas podendo se estender à Enseada a ao Pernambuco. Toda a orla recebeu uma ciclovia devidamente dimensionada formando um agradável passeio por todas as praias. Os jardins foram redesenhados e possuem um novo tratamento paisagístico, novos mobiliários urbanos foram projetados de acordo com a necessidade de cada trecho. O revestimento foi substituído por mosaico português seguindo o padrão petit-pavet porem com uma nova coloração, há também trechos que foram cobertos por decks de madeira. Devido a criação da ciclovia, abertura de ruas e implantação de praças, muitos trechos foram redimensionados e regularizados, o projeto também teve a preocupação com a acessibilidade, criando faixas de pedestre, acesso para deficientes fisicos, escadas padronizadas e rampas. Além disso cada praia possui um projeto específico que a caracteriza de acordo com seu uso e compatibilidade.

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Paisagismo: Para o paisagismo foram escolhidas espécies em sua maioria brasileiras e típicas da região ou que sejam compatíveis com as condições climáticas e de solo da região. Como árvores de grande e médio porte estão sendo utilizados Ipê Roxo, Ipê Amarelo, Ingazeiro, Chapéu de Sol e o Araçá. Além de serem utilizadas para fazer sombra nos passeios e nas áreas de descanso, os Ipês também tem a função de formar uma massa arbórea nas cores roxa e amarela durante a primavera e começo do verão. Na Praia das Pitangueiras, no deck da feira de artesanato serão utilizadas seis Pitangueiras como homenagem à praia, que recebeu esse nome devido a grande quantidade de árvores dessa espécie que existiam antigamente. As espécies de palmeiras escolhidas são o Buriti e o Coqueiro da Bahia. O Buriti será utilizado nos canteiros como espécie decorativa devido às suas proporções e às suas folhas diferenciadas. Já o Coqueiro da Bahia será utilizado para formar uma linha, no limite do calçadão com a areia, demarcando quase toda a orla. Essa espécie foi escolhida por ser a palmeira com importância econômica no mundo, pois todas as suas partes são aproveitáveis e também por ser uma espécie e fácil adaptação e compatibilidade com o clima da região. Também serão utilizadas árvores de pequeno a médio porte para fazer sombra em alguns mobiliários que possuem um canteiro com um jardim, será utilizados espécies como a Jasmim Manga que floresce na primavera em tons que vão do branco, amarelo, rosa e até o vinho, que além de pontuar o caminho com

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suas cores também exalam um agradável perfume tornando o passeio mais sensitivo. Outra alternativa é a Dombéia, que também floresce na primavera, é perfumada e atrai borboletas. No pergolado do Guaiúba serão utilizados trepadeiras das espécies Flor de São Miguel (flores em cacho pequenas e roxas), Alamanda (flores amarelas) e Lágrima de Cristo (flores pequenas e brancas e cachos). Nos jardins estão locados treliças de madeira que suportarão as espécies durante seu crescimento até alcançarem o pergolado. Nos jardins serão utilizados para ornamentação Heliconias e Bromélias, assim como alguns arbustos e flores. Para forração será utilizado a grama Santo Agostinho devido a sua resistência ao trafego intenso e a salinidade, sendo muito apropriada para o litoral, também serão utilizados o Amendoim Rasteiro e a Hera em alguns pontos próximos às árvores.

Ipê Amarelo

Buriti

Flor Jasmim Manga

Coqueiro da Bahia

Ipê Roxo

Heliconia

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Mobiliário Urbano: Para o calçadão foi projetados uma linha de mobiliário que inclui bancos, descansos, lixeira, lavatório, iluminação e equipamento de apoio para pescadores. Os bancos de concreto possuem um desenho contínuo, formando uma linha quase que interrupta na paisagem e em certos pontos ele possui um recuo formado por uma curva que criam áreas de convivência, algumas delas se encontram integradas pelos jardins, permitindo que as árvores façam sombra para melhor conforto térmico. Em alguns decks de madeira o banco, também de madeira, serve como um guarda corpo, pois são locados em todo o perímetro desta área quando ela se encontra no desnível da calçada com a areia. Os descansos são bancos super dimensionados o que permite que os usuários possam alem de sentar, também deitar ou se reunir em grupos. Eles são feitos de concreto revestidos de madeira e possuem um pequeno jardim para o plantio de árvores de pequeno e médio porte, assim fornecendo sombra para o mobiliário. Em alguns pontos eles são reunidos em um deck formando um “lounge” a céu aberto. Onde a faixa do calçadão é estreita, foi projetado um banco no qual o assento fica no nível da calçada, feito de madeira, lembrando uma soleira, apoiado sobre o concreto. O perfil da calçada foi recortado fazendo com que embaixo do banco fosse vazado e prevendo um espaço para o usuário apoiar os pés para melhor conforto.

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Para a praça de pesca, foi criado um banco especial que alem de dar transparência à paisagem também serve de apoio aos pescadores. Esses bancos são feitos de madeira, possuem um rasgo em toda a sua extensão e um guarda corpo permitindo que os usuários apóiem as varas de pesca. Os lavatórios deverão ser locados a cada 100 metros exceto quando entrar em conflito com o uso do local, como por exemplo, ao lado de restaurantes, lojas, playground, praças de eventos e acessos. Cada conjunto de lavatórios contém três duchas que serão acionadas por um sensor no piso, essas duchas serão colocadas em cima de um deck de madeira no nível da areia, próximo a linha do calçadão, dessa forma não tomando espaço da linha de passeio do calçadão facilitando o acesso dos banhistas ao equipamento e evitando que a água respingue e empoce na calçada ou molhe quem esta de passagem. A iluminação será feita em todo o percurso do calçadão e também na faixa de areia e ciclovias, nas áreas em que o passeio é mais estreito será usada apenas uma faixa de iluminação com 2 pontos de luz, um alto direcionado para a faixa de areia e um baixo iluminando a calçada e ciclovia, já onde a faixa do calçadão é mais larga ou há grandes praças, serão utilizados alem dessa faixa de iluminação outros pontos de luz mais baixos para os passeios, praças e ciclovias.

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Guaiúba: A primeira parte do projeto do Guaiúba foi abrir o acesso de carro à orla através da abertura de uma avenida, em seguida o seu jardim foi redesenhado, criando espaços para convivência, áreas de sombra e um novo projeto de paisagismo. No canto esquerdo da praia foi criado um deck no qual foram transferidos os restaurantes, esse deck avança até a faixa de areia e ao lado dele, no final da ciclovia há um estacionamento para bicicletas. Já no lado esquerdo do Guaiúba foi projetado uma área de convívio com grandes bancos com sombra e banheiros. No eixo principal de chegada à praia foi proposto um espaço de eventos e convivência com jardins bancos e decks, toda essa área é coberta por um grande pergolado de madeira que pode ser visto por quês esta chegando á praia.

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Tombo: Os restaurantes da praia do Tombo foram relocados para decks distribuídos pelo seu calçadão. Como a faixa de passeio é estreita foi utilizado o banco do tipo soleira, mas há também bancos de descanso espalhados sobre os decks. A praia recebeu um novo posto de salvamento que também será utilizado para competições de surf, o edifício possui um mirante e esta implantado na área que o deck avança na faixa de areia para melhor visibilidade. Quando houver campeonato, a equipe de coordenação pode montar seu equipamento no pavimento superior. Outro ponto no projeto é o acesso de escadas à praia no deck de salvamento, é uma escadaria curva que serve de arquibancada para dias de competição, ela é coberta por um pergolado de madeira e por ter esse formato também pode ser utilizada como uma arena de premiação ou preparo dos atletas.

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Astúrias: A Praia das Astúrias recebeu uma revitalização no canto de pesca, nele foi criado um espaço de contemplação, um novo jardim, o corredor de pesca recebeu um deck e um banco especial com suporte para vara de pescar. Foram criados dois postos de salvamento para atender melhor a extensão da praia. Para a implantação desses postos o calçadão foi ampliado, avançando na faixa de areia apenas nos locais onde se encontram os edifícios, assim não prejudicando a passagem dos pedestres. Como o calçadão é estreito a praia também recebeu o banco tipo soleira e a sua orla esta demarcada por uma linha de palmeiras. Não foram utilizadas árvores para sombra pois pela posição da praia e pelos edifícios altos o calçadão é pouco ensolarado. No canto do Sobre as Ondas foi demolido o restaurante que havia e foi construído um deck para reloca-lo, assim dando mais visibilidade à paisagem.

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Pitangueiras: Todos os edifícios que haviam em seu calçadão foram demolidos pois bloqueavam a maior parte da paisagem, os únicos mantidos foram o Sobre as Ondas, devido a sua importância arquitetônica e a Vila Militar, devido ao seu valor histórico. A maior intervenção o acontece no meio de eu percurso, onde a faixa do calçadão é larga. Este trecho foi dividido em decks com diversos usos, descanso e convivência, restaurantes, acesso a praça de eventos, feira de artesanato, lojas e playground. No eixo da Av. Puglise que é a chegada da cidade, foi criado um marco, ele é feito de estrutura metálica, revestido de acrílico branco, e possui iluminação interna. Sua forma é retangular e seu propósito é enquadrar a paisagem. Como possui luz, à noite seu efeito é ao contrario, ao invés de destacar a paisagem, ele vira o principal ponto de referencia. Ao lado da Ilha das Pitangueira foi projetado um aterro e implantado nele uma praça de eventos, essa praça possui uma grande cobertura na área do palco de estrutura de madeira do tipo lamelar. Essa praça foi locada de acordo para integrar-se com a ilha na paisagem, Ela possui pequenos desníveis e também um acesso à ilha. Para fazer a ligação dessa praça ao calçadão foi projetado um píer que começa sustentado por estaios e possui um vazio para não interferir na faixa de areia. A partir da linha do mar o píer segue com estrutura de concreto.

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Perequê: A principal atividade nesta praia é a pesca, devido a isso foi projetado um grande complexo com infraestrutura para os pescadores e comerciantes da região. Esse complexo possui uma marina, um galpão de apoio, um mercado de peixe, três restaurantes e uma associação. O objetivo é ajudar na economia local, já que o Perequê possui uma população de baixa renda. Outro projeto que visa atender a comunidade é a extensão do calçadão até o final da vila, auxiliando no acesso da população. Esse acesso foi feito por um deck de madeira solto dos lotes para que as casas continuem com suas características, ou seja, sem uma via entre a faixa de areia e a edificação.

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O projeto Caminho da Orla para os calçadões do Guarujá, leva em conta não só as informações citadas na pesquisa, mas também minha vivencia nesta cidade e minha percepção quanto aos problemas, as qualidades e o potencial da mesma. Contudo o projeto visa atender da melhor forma possível às necessidades da área estudada, respeitando a identidade de cada região e procurando preservar a memória histórica da cidade. Assim, fazendo com que o resultado final cumpra o objetivo de valorizar o Guarujá, criando um ambiente agradável e seguro para seus moradores e visitantes e principalmente destacando a sua bela paisagem urbana.

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Bibliografia: Sites: www.guaruja.sp.gov.br www.guiaguaruja.com.br pt.wikipedia.org www.vitruvius.com.br Livros: BENÉVOLO, Leonardo – “A Cidade e o Arquiteto”, São Paulo: Perspectiva, 2006. LERNER, Jaime – “Acupuntura Urbana”, Rio de Janeiro: Record, 2003. LORENZI, Harri – “Árvores Brasileiras”, São Paulo: Instituto Plantarum, 2002. LORENZI, Harri – “Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas”, São Paulo: Instituto Plantarum, 2004. LYNCH, Kevin – “A Imagem Da Cidade”, São Paulo: Martins Fontes, 1997. MACEDO, Silvio Soares; SAKATA, Francine Gramacho – “Parques Urbanos no Brasil”, São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003. MOTA,Paulo e DAMASCENO,Mônica de Barros " Pérola ao Sol - Apontamento de uma Guarujá moderna ", São Paulo, DEC,1988. ROSSI, Aldo – “A Arquitetura da Cidade”, São Paulo: Editora Martins Fontes, 2001.

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SIQUEIRA, Vera Beatriz – “Burle Marx”, São Paulo: Cosac & Naify, 2001. VILAÇA, Juliana – “Plantas Tropicais – Guia prático para o novo paisagismo brasileiro”, São Paulo: Editora Nobel, 2005.

Monografias: LIMA, Luiz Cláudio Weinfurter – Trabalho de conclusão de curso “Urbanização da praia do Itararé Lazer, Cultura e Turismo”, Santos: Unisantos, 2004. SEGUIN, Lourdes Ferauche – Trabalho de conclusão de curso “Guarujá: Reorganização de uma imagem urbana”, Santos: Unisantos,1998. Projetos: Município do Guarujá – Estrutura Urbana, Projetos para a orla do Guarujá, 1978 – Arquiteto Jaime Lerner. Plantas retiradas na Biblioteca de Arquitetura da Unisantos.

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Projeto de reurbanização da orla do Guarujá.