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GUIAR A E D N O CO D L A N O R

A I U GDO

O D A S S A P

ças: ias n a r e p s as eseuas adjacênc r u t n e v e s, Alegrioas anos 1950

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Sumário

Nós sempre teremos a nossa Amarcord Linha do tempo – Y así se pasaran diez años Capítulo 1 Guia do teatro de revista ou viva o rebolado! Capítulo 2 Guia das chanchadas Capítulo 3 Guia dos bondes, reboques e taiobas Capítulo 4 Guia dos velhos carnavais Capítulo 5 Guia das boates de Copacabana Capítulo 6 Guia dos crimes que abalaram o Brasil Capítulo 7 Guia do futebol carioca e paulista Capítulo 8 Guia do samba-canção e da marcha-rancho Capítulo 9 Guia do futuro Teste a sua memória E para terminar... Bibliografia

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Nós sempre teremos a nossa Amarcord Antes que me acusem ou torturem, vou logo entregando o ouro: este Guia do passado é seletivo, foi trabalhado em cima das minhas referências e saudades pessoais, que com certeza não coincidem inteiramente com as referências e saudades dos leitores, inclusive os da minha geração. Muitas recordações, no entanto, serão comuns. Os anos 1950 tiveram no Brasil duas bandas: a primeira compreendeu o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954), que lançou um grande projeto nacionalista, voltado para a emancipação do país. Foi o período da criação da Petrobras, da Lei de Remessa de Lucros, do esforço de criação da Eletrobrás, do enfrentamento de uma série de obstáculos internos e externos ao desenvolvimento brasileiro. A segunda banda da década de 1950 correspondeu ao governo de Juscelino Kubitschek, período em que o Brasil foi bafejado por um profundo sentimento de euforia e desenvolvimentismo. Criamos, nessa época, a Bossa Nova, o Cinema Novo, a poesia concreta. Ganhamos a Copa do Mundo da Suécia, construímos Brasília em três anos (e não em cinco, como se proclama),

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fizemos a nossa grande marcha para o oeste. Surgiram os grandes eixos rodoviĂĄrios. O projeto de governo de JK sĂł foi possĂ­vel porque houve antes o projeto de nação de Vargas. Um completou o outro. Tinha-se a ideia de que o Brasil iria dar certo. Os anos 1950 sĂŁo os anos da minha geração – e neles fincamos os alicerces daquilo que somos ou deixamos de ser. Os anos seguintes foram apenas consequĂŞncias naturais das nossas sementes. Minha geração viu de tudo nos anos 1950: vimos um presidente se matar e transformar a sua derrota numa vitĂłria polĂ­tica; tivemos um presidente bossa nova, bem-humorado, sorridente; e, depois, jĂĄ nos anos 1960, uma ditadura militar, cruel e antipopular, cujos tiranos nĂŁo sabiam rir. VivĂ­amos uma ĂŠpoca em que a televisĂŁo praticamente inexistia – o Ăşnico canal no ar, a Tupi, sĂł funcionava das 18 Ă s 22 horas. Computador, internet, Ipad, Ipod, celular, DVD e demais parafernĂĄlias eletrĂ´nicas, hoje tĂŁo corriqueiras nas mĂŁos de crianças, eram inimaginĂĄveis nos anos 1950. Emaranhado quântico, nanotecnologia, universos paralelos, viagens Ă s imensidĂľes galĂĄcticas, seleção de embriĂľes para gerar bebĂŞs mais saudĂĄveis, livres de doenças provocadas por genes defeituosos – como poderĂ­amos imaginar que a ciĂŞncia fosse chegar tĂŁo longe? Comparando com os dias atuais, tudo era precĂĄrio nos anos 1950. Viagem ao espaço, por exemplo, era coisa de Flash Gordon e de suas fantĂĄsticas naves suspensas por fios e barbantes. Lembro-me de que passamos – eu e outros meninos – uma tarde inteira de sĂĄbado diante de um aparelho de TV aguardando a sensacional transmissĂŁo de um jogo de futebol diretamente do “confortĂĄvel estĂĄdio do Pacaembuâ€?, em SĂŁo Paulo. Como nĂŁo existiam satĂŠlites artificiais, uma prosaica chuva pelos lados de TaubatĂŠ cortou as comunicaçþes entre Rio e SĂŁo Paulo, inclusive as telefĂ´nicas (jĂĄ em si precĂĄrias, mesmo em dia de sol). NĂŁo vimos o jogo, mas gastamos inutilmente uma tarde de sĂĄbado sentados diante de um aparelho de TV que sĂł tocava o irritante prefixo da emissora. Os meninos de hoje, que podem assistir ao vivo e em tempo real aos Jogos OlĂ­mpicos de Pequim, Ă  Copa do Mundo da Ă frica do Sul e aos clĂĄssicos dos campeonatos europeus, nĂŁo imaginam como nĂłs, meninos dos anos 1950, sofremos. Resta o consolo de saber que naquele tempo nĂłs tĂ­nhamos a chanchada e o teatro de revista. TĂ­nhamos VirgĂ­nia Lane e Carmem VerĂ´nica, no auge de sua beleza. TĂ­nhamos Garrincha e PelĂŠ. TĂ­nhamos o bonde e a RĂĄdio Nacional. TĂ­nhamos Marlene e Emilinha. TĂ­nhamos Ary Barroso e Lamartine Babo. TĂ­nhamos SĂŠrgio Porto e AntĂ´nio Maria. TĂ­nhamos Mazzaropi e o Tico-Tico. TĂ­nhamos Oscarito e Grande Otelo. TĂ­nhamos as boates de Copacabana e a Praia do Flamengo sem aterro, onde os casais namoravam e pecavam, sem medo, sentados na mureta de pedra. TĂ­nhamos a PRK-30 e o Balança, mas nĂŁo cai. TĂ­nhamos JerĂ´nimo, o herĂłi do sertĂŁo, e o Moleque Saci. TĂ­nhamos Reco-Reco, BolĂŁo e Azeitona. GUIA DO PASSADO 12튗퇝 튚튚튚튚튚튚 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝

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De lĂĄ para cĂĄ, o mundo mudou rapidamente. Primeiro, o Sputnik. Depois a viagem do Gagarin, autor da frase luminosa: “A Terra ĂŠ azul!â€? Frase que Vinicius de Moraes, na canção “O astronautaâ€?, dele e de Baden Powell, complementou: “Isso ĂŠ bom saber. Porque ĂŠ bom morar no azul, amor.â€? A seguir, tivemos o passeio dos americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin na superfĂ­cie lunar. As primeiras canetas esferogrĂĄficas falhavam, fediam e vazavam – hoje, elas tĂŞm design e cores variadas, nĂŁo fedem, nĂŁo falham e nĂŁo vazam, uma maravilha. Tanto que Ulysses GuimarĂŁes assinou a Constituição de 1988 com uma delas, fato que a imprensa registrou como algo formidĂĄvel. E foi. Com o advento das esferogrĂĄficas, canetas Parker 51 e as esterbrooks foram aposentadas e, hoje, sĂŁo peças de coleçþes ou de museus. As escolas exigiam que os meninos usassem uniformes impecĂĄveis; hoje os meninos vĂŁo Ă s escolas de bermudas, chinelos e cara de sono. O homem dominou a energia nuclear, pĂ´s uma geringonça para passear em Marte (ao som alegre de “Coisinha do paiâ€?, de Jorge AragĂŁo, na voz de Beth Carvalho), enviou naves a MercĂşrio, a Saturno, a JĂşpiter, aos espaços sem fim. A internet mudou hĂĄbitos e comportamentos, encurtou as distâncias e pĂ´s Ă  disposição dos usuĂĄrios um nĂşmero infinito de informaçþes Ăşteis e inĂşteis. Verdade: o saber e o besteirol navegam lado a lado na internet. A genĂŠtica e a biologia revolucionaram o mundo, com os seus DNAs, com suas cĂŠlulas-tronco, com seus clones. Convivemos hoje gostosamente com o que era absolutamente impensĂĄvel nos anos 1950. Como foi possĂ­vel a vida sem as maravilhas tecnolĂłgicas de hoje? O mundo mudou muito a partir da segunda metade dos anos 1950. Para pior ou para melhor? Machado de Assis disse tudo: a vida diferente nĂŁo quer dizer necessariamente vida pior ou melhor; ĂŠ outra coisa. Tem razĂŁo: os conceitos de bom ou mau nĂŁo cabem e nĂŁo explicam as transformaçþes do mundo, as transformaçþes que ocorreram em nosso redor. A verdade ĂŠ que os meninos e adolescentes da geração dos anos 1950 vivem, hoje, idosos, em um mundo diferente, nem pior nem melhor do que o mundo em que viveram no passado. Outro. Como notou James Joyce, o passado nĂŁo morre e nunca passa: ele vive dentro da gente, em geral de forma furtiva, silenciosa e dissimulada. Vivemos e gozamos o moderno, mas temos dentro de nĂłs o passado prĂŠ-tecnolĂłgico. Pensar o passado, ĂŠ bom que se diga, nĂŁo ĂŠ uma maneira esquiva de temer a morte. A cada dia nĂłs morremos um pouco, o que ĂŠ uma fatalidade biolĂłgica da qual nĂŁo se pode escapar. Jean Baudrillard observou que existe em nĂłs algo que procuramos ocultar de nĂłs mesmos, a nossa inevitĂĄvel morte, que Vinicius de Moraes, no “Soneto de fidelidadeâ€?, chamou de “angĂşstia de quem viveâ€?. O que torna a nossa vida razoavelmente suportĂĄvel, disse Baudrillard, ĂŠ o esquecimento da morte. O sociĂłlogo francĂŞs sacou que seria insuportĂĄvel viver com a ideia de que vamos morrer a martelar permanentemente a nossa cabeça. Nelson NĂ“S SEMPRE TEREMOS A NOSSA AMARCORD 13 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝튗튚튚튚튚튚튚

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Rodrigues, que certamente nĂŁo conhecia Baudrillard, foi mais preciso: somos perecĂ­veis, mas esquecemos de que somos perecĂ­veis. É sempre melhor pensar que somos imortais. E imperecĂ­veis. Bem verdade que o passado nos ensina a viver o hoje, embora ele Ă s vezes nos provoque lembranças e saudades que doem e fazem chorar. A visĂŁo do tempo presente estĂĄ ou estarĂĄ sempre (e fortemente) embasada em memĂłrias individuais e coletivas. Saudade – que mestre Ary Barroso, na bela “Canção em tom maiorâ€?, definiu como “uma dor que nĂŁo maltrata e que ĂŠ boa de doerâ€?. Se a saudade pode nos causar tristeza, ĂŠ bem possĂ­vel que a ausĂŞncia de saudade possa provocar o sentimento de que nossa vida passou em vĂŁo. Escrevi este Guia do passado com alegria. Ao escrevĂŞ-lo percebi que, embora vivendo na periferia do mundo, vivi e assisti a momentos significativos da histĂłria, da cultura e da evolução cientĂ­fica. O que fiz no Guia foi registrar aquilo que, em geral, nĂŁo se aceita como histĂłria: o cotidiano humano. Uma nação ĂŠ, por assim dizer, o resultado de trajetĂłrias coletivas e individuais. A histĂłria dos anĂşncios (“reclamesâ€?, como se dizia nos anos 1950), a histĂłria da paixĂŁo popular pelos seus Ă­dolos e herĂłis (Marlene, Emilinha, GetĂşlio Vargas, Garrincha), a histĂłria do futebol, da mĂşsica popular, do carnaval, do folclore, as histĂłrias dos “Arquibaldosâ€? e dos “Geraldinosâ€?, daquela gente que grita apaixonadamente “Mengo!â€? ou “Curinthia!â€? sĂŁo tĂŁo importantes quanto a histĂłria militar do Brasil, quanto a histĂłria dos ciclos econĂ´micos, quanto a histĂłria da evolução polĂ­tica brasileira. HistĂłria ĂŠ tudo aquilo que tornou o hoje possĂ­vel. O Brasil ainda ĂŠ um paĂ­s em busca do seu rumo. E ele, sem dĂşvida, passa pela retomada do seu projeto de nação, que jĂĄ houve e foi (ainda ĂŠ) duramente combatido pelas elites econĂ´micas, polĂ­ticas e intelectuais. O populismo legitimou o ingresso do “povĂŁoâ€? no jogo polĂ­tico, antes espaço restrito das elites. Somos, na realidade, uma nação inconclusa, que submergiu na internacionalização imposta de fora para dentro. O Brasil integrou-se e, ao mesmo tempo, se desintegrou na internacionalização. SupĂľe-se ainda que a internacionalização inviabilizou o projeto nacional. SerĂĄ? SĂł superaremos o estĂĄgio de nação que ainda nĂŁo se fez mediante a retomada de um projeto nacional que nos realize plenamente como nação e como povo. Escolhi livremente os temas tratados neste Guia, sem a pretensĂŁo, que seria descabida, de esgotar o assunto. A escolha dos temas aqui tratados obedeceu a um Ăşnico critĂŠrio: o que eu acho de melhor nos anos 1950. Como todo autor, fui soberano. Teatro de revista – vi, talvez, dois ou trĂŞs, me aproveitando do fato de estudar num prĂŠdio ao lado do Teatro RepĂşblica, jĂĄ derrubado. O porteiro do teatro franqueava clandestinamente a entrada de um grupo de meninos, que se aboletava nos cantos mais escuros do auditĂłrio. Vi, extasiado, as pernas exuberantes da vedete NĂŠlia Paula – e como ela zombava dos velhinhos da chamada GUIA DO PASSADO 14튗퇝 튚튚튚튚튚튚 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝

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fila do gargarejo. NĂŠlia, no final da vida, residiu no Retiro dos Artistas, onde faleceu, em 2002. Assisti – e assisto atĂŠ hoje – Ă s chanchadas, termo que nasceu como um adjetivo depreciativo, mas hoje se transformou em substantivo. Considero a dupla Oscarito e Grande Otelo do balacobaco, ou seja, do cacete. Se os dois fossem americanos estariam no mesmo panteĂŁo de Chaplin e Buster Keaton. Seriam reverenciados mundo afora pelo talento que tinham. Mostrei aos meus alunos o filme Aviso aos navegantes. Foi surpreendente a reação positiva da meninada. A ponto de uma aluna, terminada a exibição, afirmar: “Eu nĂŁo tinha a menor ideia da existĂŞncia dessa dupla, professor. Eles sĂŁo gĂŞnios!â€? A chanchada desapareceu no final dos anos 1950. O golpe militar, por sua vez, quase matou o cinema brasileiro, na medida em que perseguiu, prendeu e exilou os cineastas do chamado Cinema Novo, tidos como subversivos. Sem a chanchada, vencida pela histĂłria, e sem o Cinema Novo, vencido pela truculĂŞncia, abriu-se, com a complacĂŞncia das autoridades, a era das pornochanchadas, cujos filmes merecem uma Ăşnica classificação: lixo. A pornochanchada estimulou a rejeição, que dura atĂŠ hoje, de parte do pĂşblico ao cinema brasileiro. O cinema brasileiro nĂŁo ĂŠ ruim; ruim eram as pornochanchadas. Passei minha juventude e parte da adolescĂŞncia andando de bonde. No bonde, li, nas pĂĄginas do Ăšltima Hora, o folhetim Asfalto selvagem, de Nelson Rodrigues, e centenas de A vida como ela ĂŠ. Li as crĂ´nicas de AntĂ´nio Maria e Stanislaw Ponte Preta, os artigos polĂ­ticos de Adalgisa Nery e OtĂĄvio Malta. Li muita literatura nos bondes: Jorge Amado, Lima Barreto, Erico Verissimo, Fernando Sabino, Somerset Maugham. Por outro lado, nunca fui a uma boate de Copacabana: nĂŁo tinha idade nem dinheiro. Vi o incĂŞndio do Hotel Vogue por acaso, ia passando pelo local. Chocante. Muitos anos depois, em SĂŁo Paulo, vi o incĂŞndio do EdifĂ­cio Andraus. Duas experiĂŞncias terrĂ­veis. Fiquei espantado ao rever os crimes que abalaram os anos dourados. O pior de todos foi o assassinato da menina Taninha – tĂŁo ou mais horrendo que a morte da menina Isabella Nardoni, em 2008. O crime do SacopĂŁ sempre me encucou. Na ĂŠpoca, tinha certeza de que o tenente Bandeira nĂŁo matara o bancĂĄrio Afrânio ArsĂŞnio de Lemos. Depois, concluĂ­ que Bandeira, sem dĂşvida, assassinara Afrânio. Hoje, tenho dĂşvidas. O assalto ao trem pagador virou filme. Na ĂŠpoca ninguĂŠm acreditava que o assalto tivesse sido feito por brasileiros, mormente favelados – pobres, negros e semianalfabetos. O assalto tinha sido tĂŁo bem bolado e executado que sĂł poderia ter sido coisa de quadrilha internacional. Como se vĂŞ, isso de achar que o de “foraâ€? ĂŠ superior ao de “dentroâ€? ĂŠ um traço do carĂĄter brasileiro – mesmo quando o papo diz respeito a um crime. No fundo, o brasileiro ĂŠ um povo corroĂ­do pela autocomiseração.

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Sou vascaíno desde o dia 7 de setembro de 1952, quando meu pai, que era torcedor do Flamengo, resolveu me levar ao Maracanã para assistir ao jogo Vasco e Bangu, no qual o Vasco ganhou por seis a dois. Não sei por que ele me levou ao Maracanã naquele dia. O negócio dele talvez fosse ver o Zizinho (estava no Bangu) jogar. Fui acompanhå-lo, gostei de ver Mestre Ziza – um gênio! –, mas acabei por me tornar vascaíno. O pai flamenguista nunca reclamou nem lamentou o erro estratÊgico que cometeu. Sempre gostei do bom e velho samba-canção – e disso não me envergonho, ao contrårio. A cultura musical de um povo, sobretudo do povo brasileiro, que se espalha por mais de 8 milhþes de quilômetros quadrados, que sofreu as mais variadas influências históricas e culturais, constitui um mosaico de sons, ritmos e cantos. Dos sons, ritmos e cantos que nascem nas ruas, vilarejos e sertþes aos sons, ritmos e cantos que nascem nas favelas, apartamentos da zona sul do Rio e saraus. Existem muitas músicas brasileiras – e essa Ê uma das nossas maiores riquezas. Gosto de todas, mas escrevi especialmente no Guia sobre o samba-canção e a marcha-rancho porque ambos estão sendo (ou jå foram) sufocados pelo mercantilismo que domina hoje os meios de divulgação. Entre um capítulo e outro, organizei sessþes passatempos, ou seja, pequenos textos ou crônicas de fatos, circunstâncias e personalidades da dÊcada de 1950. Em suma, creio que expliquei as razþes que me levaram a escrever o Guia do passado. Minha esperança Ê que ele provoque nos leitores as mesmas emoçþes que senti ao escrevê-lo. Afinal, todos têm dentro de si uma Amarcord.

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OPPPPPPPPPP 1950 Ꮀ GetĂşlio vence as eleiçþes em 18 das 24 unidades da Federação. Recebe 3.849.000 votos e a faixa presidencial ouvindo a frase de Carlos Lacerda: “O senhor GetĂşlio Vargas, senador, nĂŁo deve ser candidato Ă  PresidĂŞncia. Candidato, nĂŁo deve ser eleito. Eleito, nĂŁo deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer Ă  revolução para impedi-lo de governar.â€? O cronograma golpista serĂĄ seguido Ă  risca. Ꮀ Criada, em SĂŁo Paulo, a TV Tupi, onde ocorre o primeiro beijo televisado e cujos protagonistas foram a atriz Vida Alves e o ator Walter Forster. E por falar em beijo, na inauguração da TV Tupi, Hebe Camargo, ainda morena, e Ivon Curi, de peruca, cantaram “Beijinho doceâ€? (NhĂ´ Pai). Ꮀ A imprensa denuncia: trĂĄfico de flagelados nordestinos, vendidos por caminhoneiros aos latifĂşndios do centro-sul. A canalhice vem de longe. Ꮀ Começa a guerra da Coreia. MorrerĂŁo mais de 3 milhĂľes de pessoas. Ꮀ O senador Joseph McCarthy lança campanha contra comunistas e supostos comunistas infiltrados no governo norte-americano. SerĂŁo perseguidos escritores, jornalistas, polĂ­ticos e artistas, entre os quais Charles Chaplin, Paul Robeson, Joseph Losey, Martin Ritt, Dalton Trumbo, Hanns Eisler, Lillian Hellman, Lee J. Cobb, Howard da Silva, Edward G. Robinson, JosĂŠ Ferrer, Dashiell Hammett, Lena Horne, Howard Fast, Langston Hughes, Zero Mostel. Muitos outros terĂŁo comO indiozinho da Tupi

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portamento lamentåvel, denunciando colegas e amigos: Elia Kazan, Robert Taylor, Ronald Reagan, John Wayne. Ꮀ Henri Matisse, um dos grandes mestres franceses da arte contemporânea, recebe prêmio da Bienal de Veneza. É considerado o primeiro representante da escola fauvista. Ꮀ Anísio Teixeira inaugura em Salvador o Centro Popular de Educação, pondo em pråtica a sua ideia de escola-classe e escola-parque, avós dos Centros Integrados de Educação Pública, os CIEPs, do Brizola e do Darcy Ribeiro. Ꮀ Bertrand Russell, filósofo, matemåtico e lógico, ganha o Prêmio Nobel de Literatura. Ꮀ Elvira Pagã Ê eleita Rainha do Carnaval. Ꮀ Inaugurado o Maracanã, o maior estådio do mundo. É preciso ler o livro Maracanã: meio sÊculo de paixão, de João Måximo. Ꮀ 1o Congresso do Negro Brasileiro, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, liderado por Abdias do Nascimento, na Êpoca um dos diretores do Teatro Experimental do Negro. Ꮀ O país chora: o Brasil perde do Uruguai, que se torna campeão do mundo em pleno Maracanã. O Vasco da Gama Ê o campeão carioca. O primeiro da era do Maracanã. O AmÊrica fica em segundo lugar. Ꮀ O Palmeiras Ê o campeão paulista. Destaque para os craques Oberdan e Jair (o da Rosa Pinto). LINHA DO TEMPO 19 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝튗튚튚튚튚튚튚

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Ꮀ É criado o Instituto TecnolĂłgico da AeronĂĄutica, o ITA, que renova a engenharia brasileira. Ainda hoje ĂŠ um centro de excelĂŞncia da pesquisa brasileira. Ꮀ Joaquim Tenreiro renova o desenho e a arte do mobiliĂĄrio brasileiro. Ꮀ Publicados O cĂŁo sem plumas, de JoĂŁo Cabral de Melo Neto, e GeopolĂ­tica da fome, de JosuĂŠ de Castro. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Marcha do gagoâ€? (KlĂŠcius Caldas e Armando Cavalcanti); “Olhos verdesâ€? (Vicente Paiva); “Balzaquianaâ€? (AntĂ´nio NĂĄssara e Wilson Batista); “Assum pretoâ€? (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira); “Boa noite, amorâ€? (JosĂŠ Maria de Abreu e Francisco Matoso).

1951 Ꮀ GetĂşlio manda ao Congresso projeto de lei que cria a Petrobras. O projeto foi elaborado por sua assessoria, cujo chefe, o economista Jesus Soares Pereira, serĂĄ cassado em 1964 justamente por isso. Ꮀ Maurice Chevalier se apresenta no Brasil, na festa de inauguração do “Golden Roomâ€? do Copacabana Palace. A plateia vai ao delĂ­rio quando ele canta “Sous le ciel de Parisâ€? e â€œĂ‡a sent si bon la Franceâ€?. A elite carioca era deslumbrada por Paris. Ꮀ Maria Clara Machado cria o grupo teatral Tablado, um marco no ensino e na histĂłria do teatro brasileiro. Ꮀ Dalva de Oliveira ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ Criada, no Rio de Janeiro, a TV Tupi (canal 6).

Ꮀ O Fluminense Ê o campeão carioca, após derrotar o Bangu, com Zizinho, numa melhor de três. Ꮀ O Corinthians Ê o campeão paulista. O ataque do Timão – Clåudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mårio – marca 103 gols em 28 jogos (mÊdia de 3,67 gols por jogo). Um fenômeno. Ꮀ Aprovada a Lei Afonso Arinos, que transforma o racismo em crime. Ꮀ I Bienal Internacional de Arte de São Paulo, no MAM: 1.800 obras de 21 países. Ꮀ A aviadora brasileira AnÊsia Pinheiro Machado realiza voo entre Nova York e Rio de Janeiro. Ꮀ Estreia a peça Valsa no 6, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Milton Rodrigues. Ꮀ Julius e Ethel Rosenberg são declarados culpados de espionagem. Foram acusados de ter roubado e entregue à União SoviÊtica segredos sobre a bomba atômica dos Estados Unidos. Ꮀ O New York Times publica estudo que revela que a televisão estå mudando a maneira como a sociedade norte-americana encara o lazer, a política, a leitura e se expressa culturalmente. Ꮀ O Prêmio Nobel de Literatura vai para Pär Lagerkvist. Seu livro Barrabås, escrito após ele ter recebido o prêmio, deve ser lido. Ꮀ Gilberto Freyre lança Sobrados e mucambos. Erico Verissimo publica O retrato (segundo volume da trilogia O tempo e o vento).

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Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Retrato do velhoâ€? (Haroldo Lobo e Marino Pinto); “Delicadoâ€? (Waldir Azevedo); “Canção de amorâ€? (Chocolate e Elano de Paula); “Tomara que chovaâ€? (Paquito e Romeu Gentil); “Palhaçoâ€? (Nelson Cavaquinho, Osvaldo Martins e Washington).

1952 Ꮀ Campanha O petróleo Ê nosso! O povo vai para as ruas e pressiona o Congresso, que aprova o projeto de criação da Petrobras.

Ꮀ Sai o primeiro nĂşmero da revista Manchete. Trazia na capa uma bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Alardeava como exclusividade uma grande reportagem de Jean Manzon: “A verdadeira vida amorosa de Ingrid Bergman.â€? A imprensa conservadora (brasileira e internacional) nĂŁo perdoava a atriz sueca, que havia se separado do marido para ir viver com o diretor italiano Roberto Rossellini. Ꮀ Elizabeth II torna-se rainha da Inglaterra.

Ꮀ Dois filmes brasileiros alcançam sucesso: SimĂŁo, o caolho e Tico-Tico no fubĂĄ. O Ăşltimo contava a vida de Zequinha de Abreu. Quem escreverĂĄ a biografia do compositor? Ꮀ Inaugurado por Paschoal Carlos Magno o Teatro Duse, que abriga o Teatro do Estudante do Brasil. O Duse ĂŠ desativado quatro anos depois e encenou, nesse perĂ­odo, 21 espetĂĄculos de autores brasileiros, como Antonio Callado, Francisco Pereira da Silva e Hermilo Borba Filho. Ꮀ Rondon e Darcy Ribeiro inauguram o Museu do Ă?ndio. Ꮀ Dois aviĂľes da Força AĂŠrea Brasileira se chocam em pleno ar. Morrem oito tripulantes. Ꮀ Mary Gonçalves ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ O Vasco da Gama ĂŠ o campeĂŁo carioca. Ăšltimo tĂ­tulo conquistado pelo time que recebera, nos anos 1940, o nome de “Expresso da vitĂłriaâ€?. Ꮀ O Corinthians ĂŠ o campeĂŁo paulista. Ꮀ O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou que estĂĄ realizando um inquĂŠrito de grande amplitude sobre objetos voadores nĂŁo identificados. Ꮀ Morre Eva PerĂłn. A Argentina fica de luto. A manchete do jornal ClarĂ­n diz tudo: “Unânime e profunda ĂŠ a dor nacional.â€? A verdade ĂŠ que, atĂŠ hoje, a Argentina nĂŁo se recuperou do choque. Ꮀ O rei Faruk, do Egito, ĂŠ obrigado a abdicar. Sucede-o, com o nome de Ahmed Fuad II, o filho de 6 meses. NĂŁo podia dar certo. Logo depois, em meio a crises polĂ­ticas contĂ­nuas, Gamal LINHA DO TEMPO 21 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝튗튚튚튚튚튚튚

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Abdel Nasser assume o poder e tenta modernizar o país. Ꮀ A neurologista alagoana Nise da Silveira cria o Museu de Imagens do Inconsciente, no Hospital Psiquiåtrico D. Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Ꮀ Morre em acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra (São Paulo-Rio) o cantor Francisco Alves, o Rei da Voz. Ꮀ Adhemar Ferreira da Silva ganha medalha de ouro nas Olimpíadas de Helsinque. Ꮀ Um coração artificial Ê usado pela primeira vez em um ser humano, no Hospital Pennsylvania, da FiladÊlfia, EUA. Ꮀ Dwight Eisenhower Ê eleito presidente dos Estados Unidos. Farå, no final de seu mandato, um discurso denunciando o que chamou de complexo industrial-militar. No início dos anos 1960, Fred J. Cook escreveu O estado militarista, que, partindo do discurso de Eisenhower, disseca a estrutura do poder nos EUA. Imprescindível, atÊ hoje. Ꮀ A Comissão de Energia Nuclear dos EUA anuncia: a bomba H estå pronta para ser usada. Ꮀ É implantado o CNPq, Conselho Nacional de Pesquisa, e o INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Ꮀ François Mauriac, autor de O deserto do amor, O ninho de víboras e Le feu sur la terre, ganha o Prêmio Nobel de Literatura. Ꮀ Criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ꮀ É fundada a TV Paulista (canal 5).

Ꮀ A seleção brasileira ganha o Campeonato Pan-Americano de Futebol, no Chile. Vence o Uruguai por 4 x 2, vingando-se da derrota de 1950. O time-base do Brasil era: Castilho; Pinheiro e Nilton Santos; Djalma Santos, BrandĂŁozinho e Bauer; Julinho, Didi, Baltazar, Ademir (Pinga) e Rodrigues. O artilheiro do Brasil foi Baltazar, com quatro gols. Ꮀ Inventa-se a pĂ­lula anticoncepcional. Ꮀ Jorge Amado lança a trilogia Os subterrâneos da liberdade (Os ĂĄsperos tempos, Agonia da noite e A luz no tĂşnel). Adonias Filho publica MemĂłrias de LĂĄzaro. Era um excepcional escritor, pena que reacionĂĄrio demais. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “AlguĂŠm como tuâ€? (JosĂŠ Maria de Abreu e Jair Amorim); “Maria CandelĂĄriaâ€? (KlĂŠcius Caldas e Armando Cavalcanti); “Sassaricandoâ€? (Jota JĂşnior, LuĂ­s AntĂ´nio e Oldemar MagalhĂŁes); “Menino grandeâ€? (AntĂ´nio Maria); “SĂĄbado em Copacabanaâ€? (Dorival Caymmi).

1953 Ꮀ Criação da Petrobras. Os grupos reacionĂĄrios juravam que a Petrobras nĂŁo iria dar certo. Ꮀ O filme O cangaceiro, de Lima Barreto, recebe, em Cannes, o prĂŞmio de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora com a mĂşsica “OlĂŞ muiĂŠ rendeiraâ€?, do compositor ZĂŠ do Norte, interpretada por Vanja Orico.

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Ꮀ Com mais de 1 milhão de votos, Emilinha Borba Ê eleita Rainha do Carnaval. Ꮀ Jânio Quadros Ê eleito prefeito de São Paulo. Ꮀ A peça A raposa e as uvas, de Guilherme Figueiredo, Ê levada ao palco por SÊrgio Cardoso, com direção de Bibi Ferreira. Ꮀ Carlos Lacerda cria o Clube da Lanterna. Ꮀ Morre o generalíssimo Josef Stalin. Os russos choram, se lamentam, sentem que o mundo deles caiu. Hå filmes e livros que mostram o desespero dos russos. Ꮀ O Flamengo Ê o campeão carioca. Ꮀ 16 de maio de 1953, quinta-feira. No gramado, Botafogo e Vasco da Gama disputam partida pelo Torneio Rio-São Paulo. De repente, num

lance na ĂĄrea do Vasco, o jogador Zezinho desembesta contra o goleiro Barbosa. O goleiro vascaĂ­no sofreu fratura exposta na perna direita. Um horror. Ꮀ O SĂŁo Paulo ĂŠ o campeĂŁo paulista. O grande destaque do time foi o mĂŠdio Bauer, um craque que nunca foi campeĂŁo do mundo. Ꮀ Emilinha Borba ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ Estreia a peça A falecida, de Nelson Rodrigues, sob a direção de JosĂŠ Maria Monteiro. Ꮀ SĂŁo executados Julius e Ethel Rosenberg. O casal foi condenado, em março de 1951, sob a acusação de ter violado a lei norte-americana contra espionagem. Ꮀ Assinado o armistĂ­cio de Pan-Mun-Jon, que apenas suspendeu as hostilidades bĂŠlicas entre as duas Coreias. Ꮀ 91o aniversĂĄrio do nascimento de JĂşlio de Mesquita. O EstadĂŁo inaugura novas instalaçþes. Ꮀ Winston Churchill ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. Ꮀ JosĂŠ Lins do Rego lança Cangaceiros e Graciliano Ramos, MemĂłrias do cĂĄrcere. Logo depois, o escritor alagoano falece. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “JoĂŁo ValentĂŁoâ€? (Dorival Caymmi); “Risqueâ€? (Ary Barroso); â€œĂ‰ tĂŁo gostoso, seu moçoâ€? (Chocolate e MĂĄrio Lago); “BarracĂŁoâ€? (LuĂ­s Antonio e Oldemar MagalhĂŁes); “Se eu morresse amanhĂŁâ€? (AntĂ´nio Maria).

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1954 Ꮀ Morre, em atentado na rua Tonelero, o major-aviador Rubens Florentino Vaz. Ꮀ GetĂşlio se mata. O paĂ­s chora. O povĂŁo sai Ă s ruas, disposto a fazer a sua histĂłria. A reação percebe que perdeu a parada. Ꮀ Sucesso da chanchada Nem SansĂŁo nem Dalila. SansĂŁo, claro, era o grande Oscarito. Ꮀ Elizeth Cardoso grava o seu primeiro LP e Cauby Peixoto lança o seu primeiro grande sucesso, o fox “Blue Gardeniaâ€?, ao qual se seguirĂĄ a belĂ­ssima “Conceiçãoâ€?. Ꮀ Martha Rocha perde nos EUA o tĂ­tulo de Miss Universo. Foi o preço das duas polegadas a mais que tinha nos quadris. Ꮀ Festas do IV centenĂĄrio da cidade de SĂŁo Paulo. Ꮀ A fortaleza de Dien Bien Phu cai em poder das forças vietnamitas. Ꮀ O furacĂŁo Ava Gardner chega ao Rio. Os homens da cidade morrem de inveja do cantor Carlos Augusto, escolhido pela atriz, que o arrastou para seu apartamento. Os invejosos se vingam de forma torpe: espalham que na hora H Carlos Augusto negou fogo. Ꮀ Morre Oswald de Andrade. Morreu triste e amargurado, depois de nos deixar obras do porte de MemĂłrias sentimentais de JoĂŁo Miramar, Serafim Ponte Grande e Rei da vela (teatro). Ꮀ Ă‚ngela Maria ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ O Flamengo ĂŠ o campeĂŁo carioca. Melhor: bicampeĂŁo. Ꮀ O Corinthians ĂŠ o campeĂŁo paulista do quarto centenĂĄrio. O tĂŠcnico

Osvaldo Brandão estå a merecer uma biografia. Foi um vitorioso. Ꮀ Ernest Hemingway, autor de O velho e o mar, Por quem os sinos dobram e Adeus às armas, ganha o Prêmio Nobel de Literatura. Ꮀ O filme Sinhå Moça, de Tom Payne, produzido pela Vera Cruz, recebe o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza, na Itålia.

Ꮀ Exposição de Di Cavalcanti no Museu de Arte Moderna. São expostas 67 telas. Ꮀ Burle Marx projeta os jardins do Largo do Machado. O Largo, que jå foi bonito, hoje estå feio e sujo. Ꮀ Luís da Câmara Cascudo lança o Dicionårio do folclore brasileiro. Viana Moog publica Bandeirantes e

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pioneiros. Ferreira Gullar escreve e divulga Luta corporal. Dinah Silveira de QueirĂłz lança A muralha. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Vida de bailarinaâ€? (Chocolate e AmĂŠrico Seixas); “Piada de salĂŁoâ€? (KlĂŠcius Caldas e Armando Cavalcanti); “NeurastĂŞnicoâ€? (Betinho e Nazareno de Brito); “Teresa da praiaâ€? (Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco); “Valsa de uma cidadeâ€? (Ismael Neto e AntĂ´nio Maria).

1955 Ꮀ Juscelino Kubitschek Ê eleito presidente da República. Ꮀ No Rio, desmonta-se o Morro de Santo Antônio, aterra-se parte da baía de Guanabara e realiza-se o 34o Congresso Eucarístico Internacional. Mais ou menos onde hoje se encontra o Monumento aos Pracinhas. Ꮀ Golpe de Estado na Argentina derruba Juan Perón. Ꮀ O concretismo invade o Rio de Janeiro. Ꮀ Morre nos Estados Unidos a cantora Carmen Miranda. Ꮀ Surge o Romi-Isetta, carrinho de dois assentos. Ꮀ Oscar Niemeyer funda a revista Módulo, de arquitetura, urbanismo e artes. Publicada intermitentemente durante quase 35 anos. Ꮀ Di Cavalcanti publica o primeiro volume de suas memórias: Viagem da minha vida – o testamento da alvorada. Nesse livro, Di confirma ter sido o idealizador da Semana de Arte Moderna.

Carmem Miranda

Ꮀ Nelson Pereira dos Santos lança o filme Rio, 40 graus. Um marco. Ꮀ Vera Lúcia Ê eleita Rainha do Rådio. Ꮀ O Flamengo Ê o campeão carioca. Pior para os demais clubes cariocas: tricampeão. Ꮀ O Santos (sem PelÊ) Ê o campeão paulista. Na Êpoca, o goleador do Santos era o meia-esquerda Del Vecchio. Ꮀ Morre o violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). Tinha 40 anos. LINHA DO TEMPO 25 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝튗튚튚튚튚튚튚

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Deixou pelo menos duas obras-primas: “Duas contasâ€? e “Gente humildeâ€?, cuja letra seria composta muitos anos depois por Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Ꮀ Assinado o Pacto de VarsĂłvia, tratado de defesa militar que envolvia os paĂ­ses socialistas do leste europeu comandados pela UniĂŁo SoviĂŠtica. Ꮀ Rosa Parks recusa-se a dar lugar a um branco num Ă´nibus do Alabama e vai presa por isso. Ꮀ Inaugurada em Los Angeles, EUA, a Disneylândia, primeiro parque de diversĂŁo do impĂŠrio Disney. Ꮀ O islandĂŞs HalldĂłr Laxness, autor de A luz do mundo, Gente independente e O sino da Islândia, ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. Ꮀ Ariano Suassuna lança Auto da Compadecida. Ꮀ Encenada a peça A moratĂłria, de Jorge Andrade, no Teatro Maria Della Costa, em SĂŁo Paulo. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Amendoim torradinhoâ€? (Henrique BeltrĂŁo); “Escurinhoâ€? (Geraldo Pereira); “Maniasâ€? (FlĂĄvio Cavalcanti e Celso Cavalcanti); “DĂł rĂŠ miâ€? (Fernando CĂŠsar); “Saudosa malocaâ€? (Adoniran Barbosa).

1956 Ꮀ Início das obras de construção de Brasília. Ꮀ Relatório Kruschev ao XX Congresso do Partido Comunista da URSS denuncia os crimes de Stalin. Crise no movimento comunista bra-

sileiro. O “farol da humanidadeâ€? cai do pedestal. Ꮀ Vinicius de Moraes conhece Tom Jobim no bar Villarino. Começa aĂ­ uma parceria que renderia clĂĄssicos como “Amor em pazâ€?, “Chega de saudadeâ€?, “Derradeira primaveraâ€?, “Eu nĂŁo existo sem vocĂŞâ€?, “Eu sei que vou te amarâ€?, “A felicidadeâ€?, “Garota de Ipanemaâ€?, “Se todos fossem iguais a vocĂŞâ€? e mais uma penca de obras-primas. Ꮀ Estreia a peça musical Orfeu da Conceição, com mĂşsicas de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, AntĂ´nio Maria e Luiz BonfĂĄ. Ꮀ Ă lvaro Moreyra e Jorge Amado fundam o jornal Para Todos, quinzenĂĄrio de cultura brasileira, tendo Nelson Werneck SodrĂŠ como redator-chefe e James Amado como secretĂĄrio. Ꮀ Os painĂŠis Guerra e Paz foram montados ao fundo do palco do Theatro Municipal. Muito bem iluminados, e com o teatro praticamente Ă s escuras, ficaram impressionantes. Em fevereiro de 1956, foram solenemente inaugurados pelo presidente JK, que, na ocasiĂŁo, entregou a Portinari a Medalha de Ouro de Melhor Pintor do Ano (de 1955) concedida pelo International Fine Arts Council de Nova York. Ꮀ Inteiramente renovado, o Vasco da Gama ĂŠ o campeĂŁo carioca. No MaracanĂŁ, em 26 de agosto, o Fluminense enfiou dois a zero no Vasco no primeiro tempo, gols de TelĂŞ e Valdo. No segundo tempo, o Vasco marcou trĂŞs gols (Pinga, Pinga e Livinho). Uma bela virada, que quase me matou de emoção.

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Ꮀ Santos (ainda sem PelĂŠ) ĂŠ o campeĂŁo paulista. Ꮀ DĂłris Monteiro ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ Juan RamĂłn JimĂŠnez, autor de Platero e eu, editado no Brasil, ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. Ꮀ SĂŠrgio Buarque de Holanda lança VisĂŁo do ParaĂ­so. GuimarĂŁes Rosa: Grande SertĂŁo: Veredas. Lançada a peça Moral em concordata, de AbĂ­lio Pereira de Almeida. Fernando Sabino publica O encontro marcado. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Conceiçãoâ€? (Dunga e Jair Amorim); “Exaltação Ă  Mangueiraâ€? (EnĂŠas Brites da Silva e AloĂ­sio Augusto da Costa); “Maracangalhaâ€? (Dorival Caymmi); “Mulata assanhadaâ€? (Ataulfo Alves); “A voz do morroâ€? (ZĂŠ KĂŠti).

1957 Ꮀ Maria Esther Bueno vence o torneio de tênis de Wimbledon.

Ꮀ Ângela Maria, a Sapoti, canta em São Paulo com Louis Armstrong. Ꮀ Lançado pela União SoviÊtica o primeiro satÊlite artificial. O artefato (Sputnik I) possuía 58 centímetros de diâmetro, pesava 83 quilos e a cada 95 minutos dava uma volta na Terra. Ꮀ Sputnik II coloca em órbita da Terra o primeiro ser vivo, a cadela Laika. Ꮀ Estado de sítio na cidade e província de Buenos Aires. Ꮀ Dóris Monteiro Ê reeleita Rainha do Rådio. Ꮀ Morre JosÊ Lins do Rego. Ꮀ Antonio Callado publica A madona de cedro. Ꮀ Estreiam duas peças de Nelson Rodrigues: Perdoa-me por me traíres (direção: LÊo Júsi) e Viúva, porÊm honesta (direção: Willy Keller). Ꮀ Criado o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, principal veículo de sustentação do movimento concreto no Rio de Janeiro e, a partir de 1959, do neoconcretismo.

Ângela Maria e Louis Armstrong LINHA DO TEMPO 27 퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝퇝튗튚튚튚튚튚튚

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Ꮀ O Botafogo, treinado por JoĂŁo Saldanha, ĂŠ o campeĂŁo carioca. Garrincha estava endiabrado. Didi e Nilton Santos eram os mestres da equipe botafoguense. Ꮀ O SĂŁo Paulo, treinado pelo hĂşngaro Bela Gutman, que dirigira o famoso Honved, de Puskas e Kocsis, ĂŠ o campeĂŁo paulista. O regente do grande time sĂŁo-paulino foi o craque Zizinho, em quem PelĂŠ afirmou que se espelhara. Ꮀ Jânio Quadros, governador de SĂŁo Paulo, proĂ­be em todo o estado os bailes que tocam rock. Ꮀ Albert Camus, autor de A peste, CalĂ­gula (teatro), O homem revoltado, O estrangeiro, O mito de SĂ­sifo, ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. MerecidĂ­ssimo. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Mocinho bonitoâ€? (Billy Blanco); “Chove lĂĄ foraâ€? (Tito Madi); “A flor e o espinhoâ€? (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha); “Ouçaâ€? (Maysa); “Se todos fossem iguais a vocĂŞâ€? (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

1958 Ꮀ O Brasil ganha a Copa do Mundo da SuÊcia. Garrincha e PelÊ (com 17 anos) extasiaram o mundo. Ꮀ Flåvio de Carvalho desfila de saias pelas ruas de São Paulo. Causa estupor e controvÊrsias. Ꮀ Nasce a Bossa Nova, cuja história estå contada em Chega de saudade, de Ruy Castro.

Ꮀ JosĂŠ Pancetti morre no Rio de Janeiro, apĂłs longa enfermidade. Durante sua internação no Hospital Central da Marinha, Pancetti escreveu um diĂĄrio onde se pode ler esta tristeza: “Passo o dia inteiro em repouso. Estando reduzido apenas a ossos, meu corpo nĂŁo suporta nem o leito. Conto minutos e horas dos dias e das noites do meu martĂ­rio. SerĂĄ que nĂŁo hĂĄ um meio, um gesto supremo de uma junta mĂŠdica para pĂ´r fim ao meu sofrimento? Ă€ noite, apĂłs a injeção, Ă s 21h, apaguei a luz e fiquei olhando o cĂŠu estrelado.â€? Ꮀ Morre Cornelio Penna. Escreveu: Fronteira, Repouso, A menina morta e Dois romances de Nico Horta. Ꮀ Julie Joy ĂŠ eleita Rainha do RĂĄdio. Ꮀ Gianfrancesco Guarnieri lança o Teatro de Arena, em SĂŁo Paulo, com Eles nĂŁo usam black-tie. Ꮀ Estreia Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Willy Keller. Ꮀ Boris Pasternak ĂŠ excluĂ­do da UniĂŁo de Escritores SoviĂŠticos. Ꮀ ApĂłs duas ou trĂŞs tentativas anteriores, suicida-se no Rio de Janeiro o compositor Assis Valente, autor de obras-primas como “Fez bobagemâ€?, “Boneca de panoâ€?, “Brasil pandeiroâ€?, “Camisa listradaâ€?, “Cai, cai, balĂŁoâ€? e “Maria boaâ€?. Ꮀ Eleito o papa JoĂŁo XXIII. Ꮀ O cartunista e escritor Ziraldo lança, na revista O Cruzeiro, a Turma do PererĂŞ. Ꮀ Boris Pasternak ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. A burocracia soviĂŠtica fica furiosa: proĂ­be o livro Doutor

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Jivago na UniĂŁo SoviĂŠtica e impede que Pasternak vĂĄ receber o prĂŞmio. Ꮀ Raymundo Faoro lança Os donos do poder. Jorge Amado: Gabriela, cravo e canela. Eneida de Moraes lança HistĂłria do carnaval carioca. É lançada, em dois volumes, a obra completa de Manuel Bandeira. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Madureira chorouâ€? (Carvalhinho e JĂşlio Monteiro); “Os rouxinĂłisâ€? (Lamartine Babo); “Balada tristeâ€? (Dalton Vogeler e Esdras Silva); “Chega de saudadeâ€? (Tom Jobim e Vinicius de Moraes); “Estrada do solâ€? (Tom Jobim e Dolores Duran).

1959 Ꮀ A União SoviÊtica lança foguete lunar. Ꮀ Morre o compositor Heitor Villa-Lobos. Ꮀ Guerrilheiros cubanos, liderados por Fidel Castro, entram em Havana. Fulgencio Batista foge e refugia-se na República Dominicana. Ꮀ Oficiais da Aeronåutica, liderados pelo tenente-coronel Haroldo Veloso, tentam criar uma sublevação contra JK. Não recebem apoio de militares e são presos. Ꮀ Começa a guerra do Vietnã. Sangrenta e absurda. Ꮀ O rinoceronte Cacareco, do zoológico de São Paulo, recebe 90 mil votos na eleição para vereador da capital do estado. Naquele tempo os eleitores escreviam na cÊdula o nome do candidato. A candidatura de Cacareco foi lançada pelo jornalista Itaboraí Martins.

Ꮀ O Fluminense ĂŠ o campeĂŁo carioca. Em 22 jogos, o tricolor sĂł perdeu um, para o Bangu. Ꮀ O Palmeiras ĂŠ o campeĂŁo paulista. No jogo decisivo, no Pacaembu, o Palmeiras bateu no Santos (com PelĂŠ e tudo) por dois a um. Ꮀ Jogavam Vasco da Gama e AmĂŠrica, no MaracanĂŁ. Numa bola dividida entre os jogadores Almir, do Vasco, e HĂŠlio, lateral-esquerdo do AmĂŠrica, o primeiro sola a perna de apoio do segundo. HĂŠlio sofreu ruptura dos ligamentos do joelho esquerdo e teve a carreira abreviada. A pergunta que ficou foi a seguinte: Almir agiu com maldade? As opiniĂľes se dividiram. Eu, que estava no MaracanĂŁ, nĂŁo tive nem tenho dĂşvidas: Almir quis atingir o jogador HĂŠlio. Ꮀ Morre Dolores Duran. Tinha 29 anos, mas deixou uma obra inesquecĂ­vel, como “A noite do meu bemâ€?, “Fim de casoâ€?, “Castigoâ€? e “SolidĂŁoâ€?. Com Tom Jobim fez “Estrada do solâ€?, “Por causa de vocĂŞâ€? e “Se ĂŠ por falta de adeusâ€?. Com Ribamar fez “Ideias erradasâ€? e “Ternura antigaâ€?.

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Ꮀ Estreia Boca de ouro, de Nelson Rodrigues. Direção de JosĂŠ Renato. Ꮀ O primeiro nĂşmero da revista Senhor ĂŠ publicado, tendo como editor-redator-chefe Nahum Sirotsky, como editor assistente Paulo Francis e como editor assistente executivo Luiz Lobo. SerĂĄ um sucesso. Ꮀ Salvatore Quasimodo ganha o PrĂŞmio Nobel de Literatura. Ꮀ Antonio Candido lança Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Antonio Callado publica Os industriais da seca e os galileus de Pernambuco. JosĂŠ CondĂŠ publica Um ramo para LuĂ­sa. LĂşcio Cardoso lança CrĂ´nica da casa assassinada. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “Eu sei que vou te amarâ€? (Tom Jobim e Vinicius de Moraes); “A noite do meu bemâ€? (Dolores Duran); “Desafinadoâ€? (Tom Jobim e Newton Mendonça); “Ela disse-me assimâ€? (LupicĂ­nio Rodrigues); “Quero beijar-te as mĂŁosâ€? (ArsĂŞnio de Carvalho e Lourival Faissal).

1960 Ꮀ Juscelino Kubitschek inaugura BrasĂ­lia, discursa e chora. O antigo Distrito Federal transforma-se no novo estado da Guanabara, cujo hino oficial serĂĄ “Cidade maravilhosaâ€?, de AndrĂŠ Filho. Carlos Lacerda, de olho na presidĂŞncia da RepĂşblica, candidata-se a governador da Guanabara. FarĂĄ um bom governo, reconhecem, hoje, os seus mais ferrenhos inimigos.

Ꮀ Dwight Eisenhower, presidente norte-americano, visita o Brasil. Vai ao Congresso Nacional, onde tem a mão beijada por Otåvio Mangabeira, líder da UDN. Darcy qualificou o episódio: vexame nacional. Ꮀ Realiza-se no Rio de Janeiro o V Congresso do Partido Comunista Brasileiro. Ꮀ Eleiçþes presidenciais: Jânio Quadros Ê eleito presidente (recebe 5,6 milhþes de votos, 48% do total) e João Goulart, vice-presidente. Jango recebe 4,5 milhþes de votos. Ꮀ São criados, no Rio de Janeiro, o Museu Villa-Lobos e o Museu da República, sediado no antigo Palåcio do Catete. Ꮀ Surge, na UNE, o Centro Popular de Cultura, CPC. Serå extinto, em 1964, a ferro e fogo. Foi um dos mais

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importantes polos de agitação cultural da ĂŠpoca. Produziu filmes, como Cinco vezes favela, e um disco precioso, O povo canta, no qual Nora Ney interpreta, como ninguĂŠm, a mĂşsica “JoĂŁo da Silvaâ€?, de Billy Blanco. Ꮀ Estreia no Teatro Brasileiro de ComĂŠdia (TBC) a peça O pagador de promessas, de Dias Gomes, com direção de FlĂĄvio Rangel. Ꮀ A tecnologia revoluciona a TV: surge o videoteipe. Ꮀ A peça Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri, recebe o prĂŞmio de melhor expressĂŁo do teatro popular, no Festival das Naçþes, em Paris. Ꮀ O AmĂŠrica Futebol Clube torna-se campeĂŁo carioca. No jogo final, o AmĂŠrica vence o Fluminense por dois a um. O gol da vitĂłria foi marcado pelo lateral-direito Jorge, aproveitando um rebote do goleiro Castilho. Ꮀ O Santos vence o Palmeiras por dois a um e torna-se bicampeĂŁo paulista. PelĂŠ marcou 34 gols. Foi o artilheiro do campeonato. Ꮀ Oscarito quase nos mata de rir em Os dois ladrĂľes, de Carlos Manga. Ꮀ SĂŁo criados Os Flinstones e o ZĂŠ Colmeia. Ꮀ A Casa de Rui Barbosa publica a obra de Araripe JĂşnior, atĂŠ hoje um grande fato cultural. Merece ser reeditada. Nelson Werneck SodrĂŠ publica O que se deve ler para conhecer o Brasil. Ă lvaro Vieira Pinto publica ConsciĂŞncia e realidade nacional. Vinicius de Moraes lança Antologia poĂŠtica e Fernando Sabino, O homem nu, coletânea de crĂ´nicas. Começa a ser

publicada HistĂłria geral da civilização brasileira, coordenada por SĂŠrgio Buarque de Holanda Ꮀ Éder Jofre: campeĂŁo mundial de boxe, na categoria peso galo. Ꮀ Cinco mĂşsicas muito cantadas no ano: “O amor e a rosaâ€? (Pernambuco e AntĂ´nio Maria); “Mulher de trintaâ€? (LuĂ­s AntĂ´nio); “Samba tristeâ€? (Baden Powell e Billy Blanco); “Meditaçãoâ€? e “Samba de uma nota sĂłâ€? (ambas de Tom Jobim e Newton Mendonça). Ꮀ Os restos mortais de 454 soldados da FEB, mortos durante a II Grande Guerra, sĂŁo transladados do cemitĂŠrio de PistĂłia, na ItĂĄlia, para o Monumento Nacional dos Mortos da Segunda Guerra Mundial, situado no aterro da GlĂłria, no Rio de Janeiro. O Monumento merece ser visto.

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Leia um capítulo do livro Guia do passado, de Ronaldo Conde Aguiar