Page 1

revistaBRASILsocial nº01 francisco neves

entrevista com o superintendente do Instituto Ronald McDonald

construção social um fórum para a igualdade

franquias sociais uma forma de multiplicar boas idéias

políticas públicas

o BRASIL rumo às parcerias na visão de Valéria Pires, vice-governadora do Pará

u a s s a n l a i núcleo soc

capa:

c id o s e r o v fa s e d s n e v jo d im e n t o a n e t a o n o ã ç a c u d o e ix o a r t e -e


su m ár io 6POReditorial PATRÍCIA CHALAÇA

15 atendimento Câncer Infanto-juvenil

A presidente do Projeto CASA DA CRIANÇA nos fala sobre o primeiro número da Revista Brasil Social, mais uma importante conquista nos seis anos do Projeto.

Ampliando o atendimento às crianças e adolescentes socialmente desfavorecidos de nosso país, o Projeto Casa da Criança lança um Modelo de Aplicação nas Unidades de apoio e tratamento de câncer. Vamos conhecer essa proposta?

9O que vocêé oSCIP sabia?

28 ação - FNICS FÓRUM NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO SOCIAL

O que foi o primeiro FNICS, as propostas, os debates, a repercussão. Idéias que levaram à formatação dos sete workshops que serão realizados em diversas capitais brasileiras ainda esse ano.

Tirando dúvidas sobre essa Organização do Terceiro Setor.

32 ação - CULTURAL

ÁRIA SOCIAL E CECÍLIA BRENNAND

17 multiplicação Franquias Sociais

Conhecendo melhor o que são as Franquias Sociais. Objetivos, público alvo e o que as diferem das Franquias Comerciais

Ária Social: A inclusão social através da arte e cultura. Conhecendo a proposta pelos olhos de quem tem a arte na alma, Cecília Brennand.

18 entrevista com leonardo lamartine

Uma entrevista exclusiva com Leonardo Lamartine, diretor N/NE da Associação Brasileira de Franquias.

19 FRANQUIA SOCIAL DO PROJETO

Como funciona a Franquia Social do Projeto Casa da Criança

11COMentrevista A PALAVRA, FRANCISCO NEVES

20 O PROJETO CASA DA CRIANÇA Evolução do Atendimento do Projeto de 1999 a 2006

O superintendente do Instituto Ronald McDonald nos fala sobre as ações e conquistas do Instituto no Brasil.

revistaBRASILsocial

35 ação - POLÍTICAS PÚBLICAS A POLÍTICA DE TRABALHAR PARA O SOCIAL

Na opinião de Valéria Pires Franco, Vice-Governadora do Pará, a importante tarefa de se trabalhar pelo social.

ex pe di en te

www.projetocasadacrianca.com.br

A Revista Brasil Social é uma publicação semestral da Associação Projeto Casa da Criança. Presidente: Patrícia Chalaça Vice-Presidente: Marcelo Souza Leão Redação: R. Raul Lafayette, 191/1401 Recife - PE CEP 51021-220 Tel: (81)3467-9968 Editora: Patrícia Chalaça Jornalista Responsável: Lívia Galvão Textos: Lívia Galvão e Carla Cibele Melo Projeto Gráfico e Diagramação: Geovana Vieira Impressão: Gráfica Flamar. Os textos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista.



revi staB RASI Lsoc ialn º01


su m ár io

capa 45 enquete RESPONSABILIDADE SOCIAL

36 3º Setor Ashoka

Perguntamos o que leva grandes empresas e instituições a participar de projetos sociais como o Projeto Casa da Criança.

A Ashoka é uma instituição que apóia empreendedores sociais por todo o mundo. Vamos conhecer um pouco mais essa proposta e alguns desses empreendedores, quem são e o que fazem.

38 homenagem PRÊMIOS EM DESTAQUE Premiações e reconhecimentos de organizações e empreendedores de destaque no Terceiro Setor

47 BRASIL TERESINA, CIDADE VERDE 41 um exemplo MATÉRIA DE CAPA: NÚCLEO SOCIAL NASSAU O Núcleo Social Nassau abre suas portas para nos mostrar a experiência que vem transformando a vida de dezenas de jovens socialmente desfavorecidos da região norte do Estado de Pernambuco.

Os cantos e encantos de uma cidade acolhedora e seu roteiro de turismo social

39 futuro melhor Cia dos Anjos

45 aconteceu NOTÍCIAS DO PROJETO

Programa Cia Dos Anjos: Uma proposta do Projeto Casa da Criança que dá suporte às Instituições pósintervenção, capacitando o profissional para a mobilização de parcerias.

Novidades, lançamentos, inaugurações, promoções e outros eventos do Projeto Casa da Criança em todas as cidades atendidas.



revi staB RASI Lsoc ialn º01


ed it or ia l

U M B R ASIL SOLIDÁRIO Somos um só povo, de muitas cores, credos, desejos, uns com mais oportunidades, outros com menos, mas todos igualmente brasileiros, vivendo e pisando nesta nossa terra,“Pátria amada Brasil”. Conhecer o nosso país, pelo lado dos mais necessitados foi o caminho que nos aprofundamos e tivemos o privilégio de fazer parte. Nesta história de seis anos trouxemos milhares de pessoas a se unirem ao nosso trabalho, a se dedicarem ao seu próprio povo, onde avançamos barreiras geográficas, econômicas e políticas e construímos um Projeto social capaz de se multiplicar pelo país, germinando nesta terra fértil o amor e a esperança em tantos corações. Sabemos que foi possível graças a uma força nata do povo brasileiro: a solidariedade. Esta revista nasce do desejo de fazer com que haja o conhecimento mútuo dos diferentes estados brasileiros das ações sociais do Projeto CASA DA CRIANÇA e ainda do desejo de proporcionar a outros segmentos da sociedade, que estão à parte da área da construção, arquitetura, indústrias do ramo, possam ter de conhecer um Brasil solidário, não apenas através das mãos das milhares de pessoas que fazem o Projeto CASA DA CRIANÇA, mas pelo vasto, belo, verdadeiro e concreto mundo social, que permite que nós acreditemos que o Brasil pode ser motivo de orgulho para o mundo. Pretensioso? Não! Dito por Viviane Naigboring da Ashoka, organização social presente em 55 paises e reforçado por

Dorte Verner do Banco Mundial de Washington no encontro da construção social que promovemos na FEICON, “o Brasil é exemplo para o mundo em iniciativas sociais bem sucedidas”. E pergunto – quantas iniciativas você, leitor, conhece? E o setor governamental, têm contribuído para aplicabilidade destes projetos de baixo custo e significativos impactos sociais? Muitos exemplos – se concretizadas parcerias intersetoriais, os recursos públicos, oriundos dos nossos próprios trabalhos – estariam mais bem empregados. Nosso lema é “fazer mais e melhor com menos recursos”. Esta revista é apenas uma ferramenta que pode levar a informação às pessoas da sociedade, empresários, governantes políticos, objetivando o interesse de todos pelas causas sociais, pois apenas neste dia em que estaremos todos atuando por causas comuns, independente de partido político, religião ou classe social teremos o país que queremos. Todo este conceito nos leva a ver o setor social como um poder paralelo, que vem ganhando força por estar aos poucos conseguindo integrar a iniciativa privada, o poder público e permitindo que uniões entre estes setores fortaleçam os resultados positivos dos impactos sociais ao qual nos destinamos. É por acreditar na importância e relevância de que cada brasileiro deve sentir-se tão importante para o país quanto os governadores dos seus Estados, que queremos levar dados e informações a milhares de pes-



revi staB RASI Lsoc ialn º01

soas, através desta revista permitindo reflexões do quanto podemos fazer, cada um de nós, para contribuir com o nosso povo, com o nosso Brasil. Nasce assim este primeiro exemplar, com a participação de lideres sociais brasileiros, pessoas comuns que arregaçam as mangas e lutam por um país mais justo, como nesta edição o exemplo de Cecília Brennand que exerce importante papel na vida de jovens de baixa renda, matéria com associações internacionais como é o caso da Ashoka, que atua mundialmente e no Brasil realiza importante papel dando oportunidade a profissionalização do “empreendedor social”. Todos os brasileiros deveriam saber quem é e o que faz a Ashoka, quem são estes “empreendedores sociais”, bem como apresentaremos sempre uma entrevista sobre o Brasil Social, nesta matéria com o Francisco Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald, que atua no combate ao câncer infantil. Entendendo ainda e querendo firmar o conceito que o terceiro setor não pretende cumprir o papel do Estado, abrimos uma pauta “Políticas públicas”, nesta edição Valéria Pires, vice-governadora do Pará que nos faz acreditar que unidos venceremos mais rápido e construiremos este Brasil que tanto queremos. Há ainda seções de “curiosidades do terceiro setor”, abordagens a temas como OSCIP e matéria sobre “franquias sociais”. Assim sabemos que esta revista já é um sucesso, e não poderia ser diferente do Projeto CASA DA CRIANÇA, que


atrai do cosmos as mais puras auras e almas. Exemplo disto são nossos franqueados sociais, que trabalham em busca daqueles que querem ajudar e precisam ser ajudados, fazendo eterna a nossa sintonia que está viva de norte a sul do país. Uma sintonia de amor puro, verdadeiro e profissional, do qual teremos muita honra de, a cada exemplar, apresentar os resultados em uma unidade atendida. Neste primeiro número apresentamos o Núcleo Social Nassau, onde os relatos dos meninos atendidos já fazem valer nossa dedicação. Esta nossa presença em todas as regiões do país nos faz ainda mais apaixonados pelo Brasil e querendo dividir um pouco dos encantos com que nos deparamos a cada viagem, com a seção “Brasil” apresentamos uma viagem à terra da cristalina cajuína, Teresina. Por fim, não posso deixar de relatar minha admiração a nossa equipe interna, a Lívia Galvão, Carla Melo, Lavínia Mata e especialmente à talentosa Geovana Vieira, as quais se dedicaram e permitiram a concretização deste trabalho. Esta revista dará orgulho a cada leitor de ser brasileiro e o fará refletir, “o que posso fazer para contribuir com meu país?“, convido a todos a mergulhar e fazer parte desta época revolucionária do Brasil , que nos levou a batizar a revista, Brasil Social.

Dedicatória Dedico esta revista àquele que possibilita a concretização dos meus sonhos, àquele que está sempre ao meu lado, me trazendo a “razão” necessária, que me falta tantas vezes em virtude da ideologia tão forte que trago em minha alma a favor dos menos favorecidos. Àquele que fundou comigo o Projeto CASA DA CRIANÇA, gerou comigo a franquia social com os mais de 50 franqueados, expandiu ao meu lado o Projeto atendendo a mais de 30 casas, o pai dos meus filhos Marcela e João – meu marido, Marcelo Souza Leão. Dedico-a a ele, pois cada ato e conquista do nosso trabalho é muito, muito nosso, fruto de muitas conversas e cumplicidade, a tantas horas dedicadas aos menos favorecidos. À admiração que tenho por ele e o quanto cresce este amor a cada vez que o vejo em diferentes Estados brasileiros, junto a governantes políticos ou hospitais de tratamento ao câncer infantil, debater e defender com tanta veemência as crianças da população de baixa renda. Sem com isto afastar-se da sua mulher e dos seus filhos ou mesmo do seu escritório de arquitetura, que fez crescer por merecimento, fruto de muita dedicação e competência. Tenho a certeza que tamanha cumplicidade só pode ter uma resposta: viemos juntos nesta vida dar continuidade a uma missão maior, estamos juntos há muito mais tempo que a vã filosofia possa explicar. Peço sempre a Deus que nos abençoe, e olhe pelos nossos filhos em nossas ausências, hoje e sempre!

Patrícia Chalaça Presidente Fundadora Projeto CASA DA CRIANÇA



revi staB RASI Lsoc ialn º01


vo cê sa bi a?

O QUE É

OSCIP? O reconhecimento das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – conhecidas como OSCIPs – veio facilitar a captação de recursos do terceiro setor Em agosto de 1935, o presidente Getúlio Vargas editou a primeira lei brasileira que regulamentava as regras para a Declaração de Utilidade Pública Federal. As sociedades civis, as associações e as fundações constituídas no país, deveriam ter o fim exclusivo de servir à coletividade. Desde então, as instituições sem fins lucrativos que trabalhavam em prol do interesse público, amadureceram em seu formato, abrangência, atuação e formas de financiamento. Mas os amparos jurídicos que as qualificam e oferecem benefícios, não acompanharam as transformações do setor. Para se obter um Título de Utilidade Pública Federal, que permite uma série de isenções fiscais e acessos a financiamentos públicos, era preciso muita paciência. Toda operação podia levar até 2 anos para ser concluída. Além disso, a legislação que qualificava a Utilidade Pública, determinava que os dirigentes das entidades beneficiadas não poderiam receber remuneração alguma, e apenas reconheciam as organizações que atuavam nas áreas de assistência social, saúde e educação. Estas regras tão rígidas acabavam

lançando ONGs em um ciclo vicioso e pouco produtivo. A falta de uma boa equipe e os entraves ao acesso à recursos públicos, levava a extinção de algumas entidades, ou forçava a malabarismos jurídicos para garantir o custeio de suas atividades. Felizmente há cerca de dois anos este cenário começou a mudar. O Ministério da Justiça lançou uma nova qualificação: as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, mais conhecidas como OSCIP`s (lei nº. 9.790, de 23 de março de 1999). O novo reconhecimento veio agilizar e facilitar a captação de recursos do terceiro setor, já que permite a remuneração da diretoria, embora tenha tido o cuidado de não torná-la obrigatória. Os grandes atrativos do título de OSCIP são o seu rápido e desburocratizado deferimento à ampliação nas áreas de atuação (defesa de direitos, proteção do meio ambiente e modelos alternativos de crédito). Outra importante conquista na lei, foi a possibilidade de dedução no imposto de renda de pessoas jurídicas nas doações feitas às OSCIP`s. Desta forma, as empresas podem contribuir com as causas sociais tendo, além do retorno de ima-



revi staB RASI Lsoc ialn º01

GETÚLIO Vargas exerceu importante papel na História da OSCIP


vo cê sa bia ? gem, a possibilidade de abater até 2% de sua receita bruta. No âmbito dos financiamentos públicos, a lei facilita o acesso às linhas de crédito. Junto com ela, foi criado o Termo de Parceria, uma forma mais simples e direta do que os convênios ou licitações. Essas parceiras são feitas unicamente entre o

poder público e a OSCIP para a execução de projetos. É, na verdade, um acordo de cooperação onde o governo entra com o recurso e as entidades com a execução dos seus projetos. As novas regras foram bem recebidas pelas instituições sem fins lucrativos. Segundo o Ministério da Justiça, houve em 2001 um crescimento de 200% em

relação ao ano anterior no número de pedidos para a qualificação. E entre os anos de 1999 e 2002, foram registrados 1.346 pedidos para qualificações como OSCIP. Destes, 60% foram deferidos, num total de 814 qualificações.

Podem pleitear o título de OSCIP as entidades que promovam pelo menos uma das seguintes atividades:

Mesmo que se dedique às atividades ao lado elencadas, não podem obter o título de OSCIP:

• Assistência social; • Cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; • Educação gratuita; • Saúde gratuita; • Segurança alimentar e nutricional; • Defesa, preservação e conservação do meio ambiente, gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável; • Trabalho voluntário; • Desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; • Experimentação não lucrativa de novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; • Defesa dos direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita; • Defesa da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; • Estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; • Fomento do esporte amador.

• a sociedade comercial; • o sindicato, a associação de classe ou representativa de categoria profissional; • a instituição religiosa ou voltada para a disseminação de credo, culto ou prática devocional e confessional; • a organização partidária e assemelhada e suas fundações; • a entidade de benefício mútuo destinada a proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; • a entidade ou empresa que comercialize plano de saúde e assemelhados; • a instituição hospitalar privada não gratuita e sua mantenedora; • a escola privada dedicada ao ensino formal não gratuito e sua mantenedora; • a cooperativa; • a fundação pública; • a organização creditícia a que se refere o art. 192 da Constituição da República, que tenha qualquer vinculação com o sistema financeiro nacional; • a entidade desportiva e recreativa dotada de fim empresarial.

* Fonte: site do Ministério da Justiça

PARA MANTER O TÍTULO DE OSCIP A ENTIDADE PRECISA (até 31 de janeiro de cada ano em exercício): • • • • • • •

Relatório descritivo das atividades executadas no período e resultados sociais obtidos; Demonstração de resultados do exercício; Balanço patrimonial; Demonstração das origens e aplicações de recursos; Demonstração das mutações do patrimônio social; Certidões trabalhistas e do FGTS; Outras informações que a entidade considerar relevantes.

* Fonte: site do Ministério da Justiça

10

revi staB RASI Lsoc ialn º01


en tr ev is ta

AMAMOS MUITO AJUDAR FRANCISCO NEVES – O CHICO – FALA SOBRE AS AÇÕES DO INSTITUTO RONALD MCDONALD NA LUTA CONTRA O CÂNCER INFANTO-JUVENIL Fundado em 8 de abril de 1999, pelo McDonald’s com o apoio de instituições ligadas ao combate ao câncer infanto-juvenil, o Instituto Ronald McDonald é uma sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, e com total autonomia administrativa. O superintendente do Instituto, Francisco Neves, conversa com os leitores sobre o trabalho que realiza durante todo o ano, no combate ao câncer infanto-juvenil no Brasil. O Instituto surgiu em 1999. Como foi a identificação do McDonald´s com a causa? FN: Desde a primeira realização do McDia Feliz, em 1988, o McDonald’s Brasil identificou o grande impacto que poderia dar para aumentar os índices de cura do câncer infanto-juvenil. O McDia Feliz junto com muitas outras ações e com o avanço do tratamento contribuiu para o aumento do índice de cura que era, em média, 35%, em 1988, e hoje já chega a 70%. Qual é o principal objetivo do Instituto Ronald McDonald? FN: Atuar no combate ao câncer infanto-juvenil. Para isso, o Instituto identifica os problemas de uma localidade, busca parceiros, capta e destina recursos para viabilizar os projetos e promove a sustentabilidade dos mesmos. Todo esse processo é acompanhado e os resultados mensurados, resultando na melhora do quadro de atendimento e, principalmente, contribuindo para o aumento dos índices de cura do câncer infanto-juvenil.

Hoje, quantas instituições são cadastradas? Essas instituições somam um total de quantas crianças atendidas? FN: O Instituto realizou no final do ano de 2005 o recadastramento das instituições que atendem crianças e adolescentes com câncer, estabelecendo novos critérios que alinhem e aproximem essas instituições com as estratégias do Instituto. Com isso, atualmente, há 92 instituições cadastradas que atendem mais de 2500 crianças por ano. O IRM concentra as suas atividades em que áreas? FN: O IRM concentra suas atividades em quatro áreas específicas. São elas: Incentivar ações do voluntariado (assistencial e de suporte psicossocial, nas instituições que atendem crianças e adolescentes portadores de câncer); Apoiar a melhoria da infra-estrutura hospitalar; Promover e divulgar conhecimentos relativos ao câncer infanto-juvenil; Incentivar a pesquisa e o intercâmbio técnico-científico entre especialistas em câncer infanto-juvenil. De onde vem os recursos para manutenção do Instituto? FN: Para manutenção de suas atividades, o Instituto Ronald conta, majoritariamente, com recursos do Sistema McDonald’s – corporação, funcionários, franqueados, fornecedores. Além dessa, o IRM conta também com parcerias de pessoas físicas e jurídicas que apóiam com doação de recursos, serviços, materiais e competência técnica. Quais as principais fontes de recursos? FN: O Instituto Ronald McDonald desenvolve uma

11

revi staB RASI Lsoc ialn º01

série de ações de arrecadação, a fim de garantir recursos para o combate ao câncer infanto-juvenil. Esses recursos são usados na compra de material e equipamentos hospitalares, na reforma de instituições, casas de apoio e hospitais que atendem crianças e adolescentes com câncer, além de também propiciarem desenvolvimento na área de conhecimento e pesquisa através de seminários, congressos e grupos que estudam e estabelecem protocolos para o tratamento, contribuindo para o sucesso do tratamento. Mais de 100 instituições em 22 estados já foram beneficiadas com recursos provenientes dessas ações. Entre elas, podemos destacar: McDia Feliz, Cofrinhos, Instituto Ronald McDonald Invitational Golf Cup, McLanche Feliz, e o Licenciamento de Marcas. Dessas fontes de arrecadação, qual é a maior ação nacional coordenada pelo IRM, para captação de recursos? Quanto arrecada? FN: É o McDia Feliz, uma campanha do McDonald’s, coordenada nacionalmente pelo IRM e realizada pelas instituições e pelos funcionários da Rede. Este ano, as 65 instituições beneficiadas mobilizaram mais de 30.000 voluntários nos 520 restaurantes McDonald’s que contaram com cerca de 36.000 funcionários. No último ano, 2005, foram arrecadados 8,6 milhões com a campanha. Como funciona a campanha McDia feliz? FN: No McDia Feliz, todo o dinheiro arrecadado com a venda de sanduíches Big Mac (exceto impostos), vendido separadamente ou incluído na promoção número 1, - além de materiais promocionais como camisetas, bonés, chaveiros, entre


en tre vis ta outros produtos vendidos pelas instituições - é revertido para o combate ao câncer infanto-juvenil beneficiadas em todo país. O evento sempre é realizado no último sábado do mês de agosto, dia da semana de maior movimento nos restaurantes McDonald’s, para aumentar ainda mais a arrecadação e conta com uma enorme mobilização voluntária. Além dos recursos obtidos com a venda dos sanduíches, a campanha conta ainda com os apoiadores nacionais, que são empresas que doam serviços, materiais e conhecimentos contribuindo para a divulgação e realização da campanha. Este ano podemos citar alguns como: Tim (doou as camisetas dos funcionários), Sistema McDonald’s (funcionários, franqueados e corporação), Voluntários, Padrinhos nacionais do McDia Feliz (Felipe Dylon e Cissa Guimarães) entre outros colaboradores.

sente em mais de 170 localidades, este sistema já viabilizou a doação de mais de US$ 400 milhões para programas voltados à infância e adolescência, constituindo-se num dos líderes beneficentes mundiais dedicados à saúde e ao bem estar das crianças. Com o lema: uma mente forte, um corpo forte e um lugar seguro e incentivador para se crescer. Isso é o que toda criança precisa e merece, o sistema RMHC tem como objetivo, ajudar a prover esse ambiente e estrutura para as crianças e adolescentes com câncer.

nóstico e melhorando a qualidade de tratamento. Para a implantação e sucesso do programa, que une setor privado e público, foi realizada uma pesquisa extensa sobre o cenário do câncer infantil no Brasil, realizando um mapeamento da situação. Esse estudo indicou níveis de atendimento para crianças e adolescentes com câncer no país e destacou as regiões capazes de atrair grandes parcelas da população ao seu redor. A partir desse mapeamento, foram delineadas ações e determinado o foco em 22 capitais, nas quais há elevado grau de atração de crianças e alto potencial para estruturação de um serviço de excelência. Nesses 2 anos de parceria, das ações do Projeto Casa da Criança, o que mais chamou a sua atenção? FN: Quando tivemos o contato inicial com o Projeto Casa da Criança o que mais chamou a atenção foi a capacidade e o potencial de mobilização para transformar um ambiente em um espaço de conforto, lazer e de resgate da dignidade e, durante esses dois anos, o que mais me impressionou foi a sinergia e a facilidade que conseguimos criar e colocar em prática para que realizássemos um projeto em que ambas não perdessem seu foco e conseguissem alinhar suas complementaridades. Foi um verdadeiro trabalho em rede.

A prim e i r a C a s a R o n a l d f o i c r i a d a e m 1974. Pre s e n t e e m m a i s d e 1 7 0 l o c a l i d a d e s , este s i s t e m a j á v i a b i l i z o u a d o a ç ã o d e mais de U S $ 3 0 0 m i l h õ e s p a r a p r o g r a m a s volta d o s à i n f â n c i a e a d o l e s c ê n c i a .

Qual é o vínculo que as lojas McDonald´s possuem com o Instituto Ronald McDonald? FN: Os restaurantes McDonald´s são importantes espaços para ações de divulgação e captação de recursos do Instituto Ronald. Campanhas como o McDia Feliz e Cofrinhos são realizadas com a participação direta dos funcionários dos restaurantes. Os cofrinhos inclusive são instrumentos não só de captação como também de divulgação através dos folhetos informativos disponíveis para o público. Outras iniciativas como o Dia do Instituto, ação mensal na qual os funcionários divulgam as realizações e oferecem produtos do Instituto para os clientes e as diversas promoções realizadas em parceria com outras empresas nos restaurantes McDonald´s também são importantes espaços de divulgação e captação e contam com o envolvimento e participação dos funcionários.

Existe alguma outra iniciativa de arrecadação que mereça destaque? FN: Sim, são elas: Promoção Visa / Visa Eletron; Venda de Cartões de Natal; Promoção Pulseiras “Amo Muito Ajudar”; e os Cartões de Recarga Tim. Como e onde o IRM investe essa arrecadação? FN: Para receber qualquer tipo de apoio do Instituto Ronald, é necessário que a instituição seja previamente cadastrada no IRM. Após essa fase, são encaminhados os projetos que são analisados pelo Conselho Científico e Executivo do Instituto e são selecionados aqueles que estão alinhados com as estratégias do Instituto e necessidades de cada região. Os projetos apoiados irão então receber recursos e serão acompanhados pelo IRM para que sejam realizados conforme propostos. Fale um pouco do sistema RMHC. FN: O IRM foi estruturado nos moldes da Ronald McDonald House Charities (RMHC), funcionando como a representação brasileira deste sistema beneficente global criado, em 1984, em memória do fundador do McDonald’s, Ray Kroc, sendo que a primeira Casa Ronald foi criada em 1974. Pre-

Quais são as empresas parceiras do IRM? FN: O McDonald’s é o principal parceiro do Instituto. Além da Rede, os principais parceiros que investem recursos na luta contra o câncer infanto-juvenil são a Coca-Cola, Martin-Brower, Sadia, FSB Foods, Braslo, Polenghi, Odontoprev, Toymania entre outros. O Instituto Ronald McDonald também conta com parceiros colaboram com a doação de materiais, serviços e competências técnicas essenciais para a realização das atividades e o cumprimento da missão do IRM. Os principais são: Atlântica Hotels, Bank Boston, Íon, Bradesco Saúde, Ernst & Young, Comunique-se, Taterka, Publicom, Brasilgráfica e Suprinter, Kalunga, Neumann Salusse Maragoni Advogados entre outras. O IRM se preocupa em apresentar algum relatório com os resultados das ações realizadas? De que forma? FN: O trabalho do Instituto Ronald McDonald é pautado na transparência das suas ações. Anualmente, é auditado por uma empresa externa, tendo sido nesses últimos dois anos pela Ernst&Young, que fornece um parecer que é analisado pelo Conselho Fiscal e de Administração e homologado em Assembléia Geral. Além disso, o Instituto produz seu relatório de atividades anual, contendo todas as suas principais realizações, além dos balanços, tabelas de destinações de recursos, realizações com recursos destinados e reconhecimento aos parceiros. Esse material é distribuído para seu público-alvo, além de ser disponibilizado no site para acesso, leitura e conferência do público geral. O que é o Programa Tsuru? Como ele funciona? FN: O Programa Tsuru consiste em uma nova forma de tratar os investimentos aplicados nas instituições de atendimento às crianças e adolescentes com câncer, ampliando as possibilidades de diag-

12

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O IRM firmou parceria com o Projeto Casa da Criança por meio do Programa Tsuru. O que levou o Instituto a firmar esta parceria? FN: Em 2002, durante o Encontro de Voluntários, houve o primeiro contato entre o IRM e o Projeto Casa da Criança, através da Célia Cruz e da Patrícia Chalaça. A partir dessa primeira conversa, houve o interesse nesse projeto, pois vem de encontro a uma necessidade do Instituto de buscar ambientes mais adequados e adaptados aos pequenos pacientes e ao foco de trabalho do projeto que é atender a crianças e adolescentes socialmente desfavorecidos de diferentes regiões do país. A partir daí, firmou-se uma parceria em que o Instituto entra com todo o seu know-how em câncer infanto-juvenil, e a Casa da Criança com sua vasta expertise na criação de espaços bemplanejados e equipados, ambientes vivos, com instituições práticas e confortáveis para o atendimento de crianças. Com essa mudança no ambiente, os pequenos pacientes reagem muito melhor ao tratamento possuem uma qualidade de vida melhor nos hospitais e casas de apoio, pois contam com salas de tv, brinquedotecas, parquinhos e diversos outros espaços dedicados exclusivamente ao bemestar das crianças em tratamento. O IRM investe em outras ações especiais? Quais? FN: Sim. O IRM atua em diversas linhas como apoio a pesquisa, eventos, além de intermediar doações e parcerias que beneficiam às instituições e os pequenos pacientes. Alguns exemplos realizados em 2005 foram: Apoio ao 12º Congresso Nacional de Voluntários e Instituições de Apoio à Criança com câncer e Encontro Nacional de Grupos Cooperativos; manutenção da CIOPE – Central Informatizada de Oncologia Pediátrica - que consiste em um


banco de dados com protocolos médicos sobre o tratamento de câncer, elaborados pelos Grupos Cooperativos, que são constituídos por profissionais da área de oncologia que realizam estudos para sistematizar as formas de tratamento para cada patologia oncológica na infância -, a parceria com a Ciranda Discovery Kids é um circuito de atividades inspiradas nas propostas de alguns desenhos do canal, que ajudam a promover o desenvolvimento social e educativo das crianças e a doação de 14 mil caixas de McFlakes, com 160 unidades de sucrilhos cada, ao Instituto Ronald que repassou essa destinação para suas instituições cadastradas, entre outras. Qual é o procedimento que uma instituição deve seguir para se cadastrar ao IRM? FN: De acordo com seu calendário anual, o Instituto abre a possibilidade de receber novos cadastros no mês de setembro. As instituições devem, antecipadamente, acessar o site (www.institutoronald.org.br) para identificar e providenciar a documentação necessária, garantindo o envio do processo completo em setembro. O pedido de um novo cadastro é analisado pelos Conselhos do Instituto e só então um parecer é expedido. O principal objetivo desse rigoroso processo é trabalhar com organizações regularmente constituídas e manter o foco nas crianças e adolescentes com câncer. E o Programa Casas Ronald McDonald, como funciona? FN: O conceito do Programa Casas Ronald McDonald é simples: “uma casa distante de casa” para crianças com sérias doenças que recebem tratamento nos hospitais próximos. As Casas Ronald provêm uma confortável alternativa de apoio. Elas servem como residência temporária com a facilidade de serem próximas aos hospitais, permitindo que os acompanhantes das crianças atendidas possam dormir, relaxar e encontrar apoio e consolo em outras famílias que estão passando pela mesma situação. Esse programa das Casas Ronald McDonald também é muito importante porque permite que alguns leitos que são ocupados por pacientes que estão internados porque não têm como se hospedar para o tratamento sejam desocupados e cedidos àqueles que realmente necessitam de internação permanente. Dessa forma, eles são encaminhados à Casa Ronald e vão ao hospital somente realizar os procedimentos de tratamento. Isso aumenta o número de crianças atendidas, contribuindo para a cura.

podem depositar suas moedinhas), do McLanche Feliz que doa um percentual de cada lanche comprado para o Instituto, participando de ações promocionais, e também se tornando membro contribuinte – realizando uma contribuição mensal para o Instituto - e através do trabalho voluntário que beneficia milhares de crianças em todo Brasil. Falando um pouco do “Chico”, como você é conhecido no terceiro setor, e o que o levou a entrar na área social? FN: O meu engajamento na causa do combate ao câncer infanto-juvenil ocorreu após eu ter vivenciado como pai o quanto essa doença desestabiliza a criança e a família. Foram seis anos e seis meses de batalha contra a Leucemia (LLA) do meu filho Marquinhos. Nesse período eu, minha esposa Sonia e meu outro filho Carlos aprendemos muito sobre a doença e a solidariedade das pessoas. Nós fizemos de tudo para salvar a vida dele. Formou-se uma corrente de solidariedade, que não podíamos desperdiçar. Não foi possível salvar a vida do Marquinhos, mas ele deixou uma lição de vida muito forte e foi esse legado que me motivou a trabalhar no combate ao câncer infanto-juvenil. Em 1990, quando voltamos ao Brasil, depois de ter ficado hospedado em uma Casa Ronald McDonald para o tratamento do meu filho, eu e minha família nos reunimos a um grupo de amigos que nos ajudaram na campanha para fazermos algo em favor de outras crianças e adolescentes portadores de câncer. O primeiro trabalho como voluntário na causa ocorreu a partir de 7 de novembro de 1990, com uma Sala de Recreação no INCA, junto com um grupo de 11 grupo de pessoas. Ela foi inaugurada em 1990 e funciona até hoje no 11° Andar. Após a inauguração, começamos a vivenciar um problema recorrente com as famílias

sanduíches Big Mac no McDonald’s Barra-Drive, que ficava ao lado do Carrefour-Barra da Tijuca. Neste dia, tive uma reunião com o Peter Rodenbeck no Restaurante McDonald’s Barra-Drive e voltamos a conversar sobre o projeto Casa Ronald no Brasil e ele me convidou para conhecer o trabalho do Centro Infantil Domingos Boldrini, em Campinas-SP. Aceitei o convite e, três anos depois, em 24 de outubro de 1994, foi inaugurada a primeira Casa Ronald McDonald da América Latina, localizada na Rua Pedro Guedes, no Maracanã, Rio de Janeiro. Fui convidado e aceitei o convite para implantar e presidir a Diretoria Executiva, de 1994 a 1998, junto com 12 pessoas, responsável pela administração da Casa Ronald. Vencida esta etapa e ainda focado na causa do combate ao câncer infanto-juvenil, com a intenção de realizar um trabalho a nível nacional, em 1998 fui convidado pelo McDonald’s para implantar o Instituto Ronald McDonald no Brasil. Trabalho como Superintendente desde a sua fundação em 08 de abril de 1999 (dia mundial de combate ao câncer) até a presente data. Desde o seu ingresso neste setor, muitas experiências devem ter sido vividas. Com base nessas experiências, que mensagem você deixaria? FN: Tenho constatado que o trabalho do Terceiro Setor tem crescido muito no Brasil e já está influenciando em mudanças de políticas públicas. Com o crescimento, aumentou a profissionalização do Terceiros Setor que é muito importante para consolidar as ações das Instituições, mas é preciso ter cuidado para que o Terceiro Setor não perca a sua essência, a sua alma. Pelo que tenho aprendido ao longo dos anos, creio que o segredo do sucesso é movido a ousadia, desafios, empreendedorismo, sem medo do fracasso. A persistência, a abnegação e o entendimento do que estamos realizando, são elementos fundamentais para alcançarmos nossas metas e melhores resultados. É essencial a dedicação ao trabalho, pois no caso do IRM, o nosso resultado é mensurado em vidas de crianças e adolescentes salvos. Por isso, deixo aqui uma mensagem que não é minha, mas sem dúvidas é inesquecível: “O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos” (Pitágoras). Portanto, todos devemos ser ousados e otimistas em tudo o que fizermos e aproveitarmos cada momento para sermos felizes e construirmos um mundo melhor.

Uma men t e f o r t e , u m c o r p o f o r t e e u m lugar s e g u r o e i n c e n t i v a d o r p a r a s e crescer - e s t e é o l e m a d o I n s t i t u t o R o n a l d McDonal d , e s t r u t u r a d o n o s m o l d e s d o RMHC (Ron a l d M c D o n a l d H o u s e C h a r i t i e s ) .

Quem é responsável pelo planejamento de Programas e administração do portifólio dos projetos efetivamente apoiados pelo instituto? FN: A responsabilidade é da área de Projetos, com o apoio do Conselho Científico do Instituto. Qualquer pessoa pode ajudar o Instituto Ronald McDonald? Como? FN: Sim. Através de campanhas como o McDia Feliz, dos cofrinhos (que estão localizados nos caixas dos restaurantes McDonald’s onde as pessoas

carentes vindas de outros Estados e Municípios distantes que, não tendo para onde ir ficavam internadas no hospital, utilizavam o leito do hospital como estadia. Então, iniciamos um outro sonho: a construção de uma Casa de Apoio para essas crianças e seus familiares. Em 1991, quando o McDonald’s destinou os recursos do McDia Feliz ao Instituto Nacional de Câncer (INCA), foi feita uma coletiva de imprensa no auditório do INCA. Eu me aproximei do Presidente do McDonald´s Brasil, Peter Byrd Rodenbeck, e perguntei por que eles não criavam uma Casa Ronald no Brasil. Na época, existiam apenas 15 voluntários e cerca de 23 lojas do McDonald’s funcionando no Rio de Janeiro. No McDia Feliz de 1991, eu e alguns amigos do Tijuca Tênis Clube participamos do evento ajudando a vender os

13

revi staB RASI Lsoc ialn º01

* Francisco Neves é engenheiro civil formado pela UFRJ em 1974, tendo atuado no Serpro/ Ministério da Fazenda. Fundador do Grupo de Recreação infantil do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e voluntário de 1990 a 1998. Fundador da AACN (Associação de Apoio à Criança com Neoplasia do Rio de Janeiro) em 1992 Fundador da Casa Ronald McDonald em 1994 e presidente da Diretoria Executiva de 1994 a 1998. Membro do Conselho de Administração desde sua fundação e atual voluntário. Fundador do Instituto Ronald McDonald, em 1999 e atual Superintendente deste.


ate nd im en to

BONS VENTOS Ampliando o atendimento ao câncer infanto-juvenil

No ano de 1999 o Projeto Casa da Criança deu início às suas atividades, com a reforma do abrigo público da Cidade do Recife, Casa de Carolina. A transformação arquitetônica do abrigo e a mobilização da sociedade foi motivo de referência a outros Estados do país que desejavam levar o Projeto Casa da Criança a beneficiar crianças e adolescentes das suas regiões. Desde então, o projeto não parou mais, e vem expandindo sua atuação nos diversos segmentos de atendimento à criança e ao adolescente: abrigos, creches, espaços de atendimento ao adolescente, ao portador de necessidades especiais e às crianças em tratamento de câncer. Atualmente, o Projeto Casa da Criança recebe apoio de instituições e empresas que custeiam as despesas administrativas e de mobilização para atuar nas diferentes regiões do Brasil, a exemplo do Parceiro Máster Cimento Nassau que desde 1999 está ao lado do Projeto Casa da Criança e do Instituto Ronald McDonald. O Instituto Ronald McDonald, parceiro do Projeto Casa da Criança desde 2004, promove ações de combate ao câncer infantil, indicando quais cidades e instituições devem ser atendidas pelo Projeto Casa da Criança. Essa ação direciona as intervenções nas regiões brasileiras, visando preencher os vazios geográficos e atender a tríade: Hospital (internamento), Ambulatório (tratamento) e Casa de Apoio (acolhimento). “Desta forma, estamos unindo forças para combater o câncer infanto-juvenil”, comenta Patrícia Chalaça, Presidente do Projeto Casa da Criança. Roberto Mack, Gerente Geral do Instituto Ronald MacDonald, explicou que a união de forças entre o Instituto Nacional do Câncer (Inca), Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobop), União de Entidades de Apoio à Criança com Câncer (Uneacc) e Instituto Ronald Mcdonalds, visa atender amplamente a criança com câncer através de tratamento ambulatorial, quimioterápico, das internações hospitalares e das casas de apoio, que hospedam pacientes e familiares de outras cidades. Na seleção das instituições que serão beneficiadas, é utilizado o mesmo sistema de geo-marketing que define o local ideal para um novo restaurante da rede Mcdonalds. A escolha é feita através do cruzamento de informações da Sobop, do Inca e dos dados sobre internações da APAC - Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade. O estudo aponta o número de crianças que são atendidas em cada cidade e aponta também a migração dos pacientes para outras localidades que oferecem atendimento especializado. “É uma ferramenta que ajuda o Inca definir a quantidade de leitos, hospitais e médicos que são necessários para o atendimento em todo o Brasil”, afirmou. No Brasil são diagnosticados 420 mil novos casos de câncer por ano. Cerca de 12 mil (3%), são em crianças. Diante dessa triste realidade, o Projeto Casa da Criança em parceria com o Instituto Ronald McDonald tem como objetivo, reformar cada vez mais um maior número de unidades destinadas a este tipo de atendimento.

15

revi staB RASI Lsoc ialn º01


o

No Manual de Franquia Social do Projeto Casa da Criança já vinha se percebendo a necessidade de elaborar um Modelo de Aplicação Específico para a área do câncer infanto-juvenil, que orientasse os diferentes atores envolvidos e pudesse suprir a demanda existente de forma mais eficaz, já que o Projeto havia realizado uma experiência com essa clientela ao humanizar os ambientes da Apala – Associação dos pais e amigos dos leucêmicos de Alagoas, em Maceió, no ano de 2003. Este Modelo de Aplicação resultou de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Tecnologia da Coordenação Nacional do Projeto Casa da Criança. Essa pesquisa possibilitou identificar peculiaridades no trato com crianças e adolescentes em tratamento de câncer, resultando no Manual de Atendimento ao Câncer Infanto-Juvenil. No intuito de promover mais eficientemente as ações de intervenção nessas Instituições o Manual possibilitará a existência de instalações e mobiliários mais adequados e seguros, melhoria nos acessos, no tratamento e apoio, bem como, trará diminuição do quadro depressivo das crianças em tratamento promovendo assim, grandes benefícios à auto-estima das crianças. Humanizar o espaço físico é possí-

carinh

amoçãro

APOIO Manual de Atendimento ao Câncer Infanto-juvenil

aten

apoio

alegria

nça

espera

saúde m

corage

vida TO IM E N AT E N D J U V E N IL AL DE OM A N U E R IN FA N T ÇA ÂNC CRIAN de Melo SA DA AO C lcanti TO CA PROJE

ação:

Organiz

Carla

Cava

Cibele

5

O DE 200

ZEMBR

, DE RECIFE

vel e necessário, desde que se conheça as peculiaridades das crianças acometidas de câncer. Por isso, conhecer os sintomas, as características da doença, bem como, as conseqüências que o câncer pode trazer é fundamental para se planejar espaços mais adequados, seguros, aconchegantes e, sobretudo, mais dignos para atender aos pequenos pacientes. O que antes não se pensava passar

Depoimento da mãe de uma paciente

“Você não sabe como hoje me sinto forte para continuar a luta que venho enfrentando. Não é fácil ver minha filha sofrer, estar longe de casa, da família... Quando vi a quantidade de pessoas aqui, unidas para ajudar a gente, vi que não estou só e senti uma força muito grande para continuar, se Deus quiser tudo vai dar certo. Não vou dizer que estar num hospital mesmo lindo assim é bom, mas ao menos vamos esquecer um pouco a tristeza do hospital porque vocês deixaram tudo muito diferente, muito mais alegre, nem parece um hospital”.

INST Cuiabá - MITUIÇÕES O Hosp ital do T (a (abaixo) focima) e a APALA, e Câncer de m ram reform adas pelo Alagoas Projeto

16

revi staB RASI Lsoc ialn º01

de um sonho, hoje se percebe que é possível realizá-lo: possibilitar maior qualidade de vida a tantas crianças e adolescentes de nossa sociedade. Os esforços somados aos grupos de franqueados sociais, os quais sem eles nada disso seria possível, pessoas de diversas áreas profissionais espalhados pelo Brasil, fazem crescer essa semente de solidariedade e respeito à criança e ao jovem de nosso país.


m ul ti pl ic aç ão

F ranquia S ocial

Um caminho de investimento seguro para o setor empresarial De um lado, empresários preocupados que se torna filosofia de negócios, a partir da e executivos vêem a atividade comunitária como pressão da sociedade em favor de empresas forma de motivar seus funcionários e colaboraem investir nos conceitos de marketing e responsabilidade social. Do outro, instituições do que cumpram o seu papel social. Cedo ou tarde, dores atuais, de adquirir a admiração do conterceiro setor à procura de parceiros que posa empresa investirá ou irá ampliar seu investisumidor e da comunidade e de atrair uma nova mento no Terceiro Setor. Resta saber qual será a geração de funcionários e colaboradores que sibilitem o seu crescimento. E, para unir os dois interesses, um novo termo começa a ganhar esforma escolhida por esta empresa para realizar valorizam esse tipo de atitude. paço: a franquia social. seu investimento. Um investimento equivocado em projetos que, por falhas de concepção e/ou de O conceito é novo e ainda polêmico. A franquia social surge como uma posVárias são as semelhanças com o modelo cosibilidade muito promissora, dentro desse cenáimplementação, acabam não sendo bem sucemercial, amplamente adotado por redes de fast didos, podem levar empresários e executivos a rio. Ela é uma forma de investimento social cuja food e lojas em geral. eficiência e resultados já foram efetivamente perderem o estímulo para continuar investindo comprovados, a partir de um modelo consolinessa área, na qual o Brasil tanto precisa de in Alguns aspectos diferem a franquia social da comercial nos seus objetivos, meios e dado ao longo de anos de experiência. Neste vestimentos. Por isso, se torna tão necessária a fins. A franquia comercial possui fins lucrativos, sentido, a franquia social difere pouco de suas cautela no momento de avaliar a credibilidade enquanto que toda franquia social é sem fins similares comerciais: ela parte de uma sólida e aceitação de uma organização do Terceiro lucrativos. Para uma franquia comercial o lucro concepção, que pode ser multiplicada por uma Setor. Avaliar a respeitabilidade e importância final é a garantia do sucesso do empreendimenrede que compartilha de seus ideais e objetivos de uma organização, passa pela análise do imto e, para uma franquia social, o termômetro do – no caso, proporcionar benefícios à comunidapacto social e da sua inovação em implementar sucesso é o atendimento às necessidades sociais de e ao desenvolvimento social. Como toda franidéias simples que trazem resultados significatias quais a franquia se destina, é o impacto soquia, a social tem parâmetros de implementação vos ao que se propõe. cial. que garantem o sucesso da iniciativa. Fica clara a importância que a franquia social exerce também para o mundo em Existem também alguns aspectos em Além de dar maior visibilidade às instique a franquia comercial e a social se assemetuições que fazem os projetos sociais, permitindo presarial pois, dentre outros aspectos, a franquia lham, pois, assim como a franquia comercial, a sua expansão, o franchising vem atraindo tamsocial possibilita à classe empresarial um meio social também busca multiplicar o conhecimento bém a atenção das empresas. Hoje, mais do que mais eficaz de exercer sua responsabilidade sode metodologias, técnicas e experiências já viem qualquer outra época da história brasileira, cial, além de ser uma alternativa para atender venciadas. No entanto, a franquia social utiliza há um número enorme de pessoas conscientes de a grande demanda social do país. esse recurso multiplicador para atuar como mais sua responsabilidade social. Muitos empresários Através da disseminação de casos bem uma ferramenta de gestão de sucedidos, as instituições sociais Características das franquias comercial e social projetos que têm como objetivo, têm, cada vez mais, projetos efinão apenas a disseminação das experiências bem-sucedidas mas, principalmente, o benefício à sociedade. Ser uma empresa-cidadã não é mais uma mera questão de marketing. É uma necessidade

FRANQUIA COMERCIAL

FRANQUIA SOCIAL

MERCADO

COMUNIDADE

FRANQUEADOR / EMPRESÁRIOS (COM FINS LUCRATIVOS)

ENTIDADE FRANQUEADORA / ORGANIZAÇÕES (SEM FINS LUCRATIVOS)

FRANQUEADO (VISANDO FINS COMERCIAIS - LUCRATIVOS)

ENTIDADE FRANQUEADA (VISANDO FINS SOCIAIS – NÃO LUCRATIVOS)

SEGMENTO / RAMO REDE COMERCIAL

ÁREA DE ATUAÇÃO

RESULTADO / LUCRO

BENEFÍCIO SOCIAL

MIX DE PRODUTOS

PROGRAMAS OU PROJETOS

REDE SOCIAL

INVESTIMENTO

IMPLANTAÇÃO

INDICADORES DE IMPACTO COMERCIAL (MARKETING)

INDICADORES DE IMPACTO SOCIAL

ÉTICA

ÉTICA

AVALIAÇÃO DA FRANQUIA

INDICADORES SOCIAIS

FONTES DE INVESTIMENTO

FONTES DE RECURSOS

FONTES DE RECURSOS

PATROCINADORES, APOIADORES E MANTENEDORES

GERAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS

PRESTAÇÃO DE RECURSOS

ATIVIDADE-MEIO

PROGRAMA

ATIVIDADE-FIM

DISSEMINAÇÃO DOS RESULTADOS DO PROJETO

CLIENTE

ASSISTIDOS

PÚBLICO ALVO

COMUNIDADE

KNOW-HOW

METODOLOGIA E TECNOLOGIA APLICADAS

17

revi staB RASI Lsoc ialn º01

cientes a que se dedicar e as empresas passam a ter um leque de possibilidades de investimentos na área social. E o mais importante, a sociedade poderá ser privilegiada com projetos consistentes, testados e aprovados.


mu lti pli ca çã o

ENTREVISTA COM LEONARDO LAMARTINE o diretor norte/nordeste da abf (associação brasileira de franchising) fala um pouco mais sobre franquias sociais e comerciais O que leva um empresário a aderir a uma franquia comercial? Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens de ingressar nesse ramo de investimento? LM: O conceito de franquia está ligado ao conceito de negócios, e este último, por sua vez, ao conceito de empresa. Por fim, consolidou-se na cultura brasileira sob o espectro da lucratividade Um negócio testado e formatado, com transferência de know-how, mídia cooperada, suporte operacional, cuidado minucioso nos aspectos técnicos, gastronômicos e financeiros caracteriza nossas marcas Bonaparte, Galileu, Monalisa, Dojô, Over Point e Donatário. A preferência do nosso cliente indica que satisfazemos plenamente uma hierarquia de exigências que podem ser relacionadas como: qualidade do produto, higiene e limpeza, sabor dos Alimentos, preço justo e rapidez. O Grupo Bonaparte se preocupa com segurança alimentar em toda a rede, trabalhando dentro de todas as exigências da ANVISA. A segurança alimentar não é passível de negociação. Servir alimento seguro é nossa obrigação, como profissionais de serviços de alimentação e do setor de fornecimento de alimentos. O treinamento adequado constitui uma das melhores maneiras de criar uma cultura de segurança alimentar dentro dos estabelecimentos de alimentação, como é o caso do Grupo Bonaparte. A convivência das franquias com outras lojas geram sinergia com negócios complementares, e tem ainda o potencial de alavancar novas marcas ou consolidar e divulgar as já existentes. A definição sobre a modalidade de negócio mais vantajosa é exclusiva de cada rede. Nos casos de franquias de alimentação, é quase consensual a visão de que há mais prós do que contras. Quase sempre centralizadas em um único ponto, enfrentam enorme concorrência, mas o benefício do afluxo de público é ainda maior. Para cada rede ou franqueado, existe um objetivo diferente e isso implica em maneiras mais ou menos adequadas para trabalhar a expansão e consolidação da marca. Quais os principais indicadores para avaliar a credibilidade e aceitação no mercado de uma franquia comercial? LM: Tem gente que não tem a menor idéia do que

seja uma franquia. Acha que é um tipo de sociedade, ou que apenas se compra a licença de uso da marca. É preciso avaliar o perfil empreendedor, habilidades e competências, e a capacidade financeira do empresário. Pois, apesar de ser um negócio formatado de conceito testado, o investidor deve ter em mente que não há receita para o sucesso. Avaliar o perfil de cada franquia, levando em conta o mercado, os concorrentes e a cultura local. O candidato à franquia deverá analisar também a sua capacidade empreendedora e financeira, o histórico do franqueador e o suporte que o mesmo oferece aos franqueados. A procura da classe empresarial por investimentos nesse setor tem aumentado ou diminuído? Há dados que identifiquem quantas franquias comerciais existem atualmente no Brasil? Destas, quantas são associadas a ABF (Associação Brasileira de Franchising)? LM: No Brasil, de cada 100 empresas independentes (não-franquias) que são criadas, apenas 38 completam o primeiro ano de vida. Ou seja: 62% das pequenas e médias empresas que não integram uma rede quebram ou fecham suas portas por qualquer outro motivo antes de completar seu primeiro aniversário. Já entre as franquias, a situação é bem outra: 97% chegam ao final do primeiro ano de vida. O Franchising é uma estratégia de sucesso, se bem formatada e com um conceito amplo de gestão participativa. O Brasil é o sexto maior pólo de empresas franqueadoras do mundo, superando a marca de 800 franqueadoras que juntas geram cerca de 531 mil postos de trabalho. No ano passado, o setor movimentou cerca de R$ 31 bilhões de reais. Esses dados demonstram que o negócio de franquias continua sendo uma boa opção de investimento no Brasil, tanto para empresas nacionais e estrangeiras. Quais os aspectos positivos de se associar a ABF? LM: Um deles é o associativismo que vem se apresentado como um fator importante para as corporações hoje em dia. Compartilhar problemas, desafios e soluções vem se tornando cada vez mais necessário. A ABF propicia isso aos seus associados. Como você vê a multiplicação de iniciativas sociais através das franquias sociais? LM: É um novo conceito que ganha força entre os que integram o chamado Terceiro Setor no Brasil. É uma alternativa para reaplicar e disseminar experiências sociais de sucesso, evitando erros desnecessários, acelerando a curva de aprendizado

18

revi staB RASI Lsoc ialn º01

e gerando resultados positivos rapidamente. Trata-se da franquia social, a adoção de modelos bem-sucedidos de ação social por uma empresa. A idéia permite a reedição de estratégias e metodologias já testadas e aprovadas na prática e a conquista de resultados em prazo mais curto. Além de propiciar condições para a implantação ou continuidade de ações de filantropia, voluntariado e preservação do meio ambiente, as franquias sociais também divulgam as melhores práticas das empresas atuantes. Quais os principais indicadores para avaliar a credibilidade e aceitação no mercado de uma franquia social? LM: A AFRAS mantém um cadastro de organizações do Terceiro Setor e um levantamento completo das ações sociais de redes franqueadoras e empresas que integram o sistema de franchising. Quais as principais semelhanças e diferenças entre as franquias comercial e social? LM: As características que distinguem esse tipo de franquia, social, da tradicional franquia comercial é que a diferença entre elas não é remuneração da entidade proprietária da marca, mas a natureza da atividade franqueada, da metodologia. A remuneração pela cessão também não revela imediatamente seu caráter comercial. ONGs podem manter comércio para suportar suas atividades de caráter público. É a aquisição final desse lucro, a privatização desse lucro e de todos os outros resultados da atividade que revelam se ela é ou não de interesse público, de caráter público, do Terceiro Setor. Sabemos que o número de franquias sociais tem aumentado no Brasil. Sob seu ponto de vista, a que se deve esse crescimento? LM: As oportunidades para as pequenas e médias redes de franquia participarem de projetos de responsabilidade social estão se ampliando, principalmente porque não implicam altos gastos. Com isso, o grande número de redes franqueadoras envolvidas com projetos sócio-ambientais e a perspectiva de atrair mais empresas socialmente responsáveis levaram à criação da AFRAS (Associação Franquia Solidária), braço social da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Organizar e estimular atividades sociais são objetivos da AFRAS, criada para integrar empresas do franchising em ações no Terceiro Setor. Lançada em junho de 2005, a entidade centraliza as práticas de responsabilidade social, estimula novas atividades e fomenta parcerias entre empresas do setor e organismos assistenciais. Considerando essas premissas, a AFRAS definiu três pilares para seu trabalho social em 2006: educação, capacitação profissional e geração de empregos. A especialização profissional ganha cada vez mais importância em uma conjuntura de elevadas taxas de desemprego e dificuldades para entrar no mercado de trabalho.


A FRANQUIA SOCIAL DO PROJETO CASA DA CRIANÇA

Com o objetivo de desenvolver um trabalho social e beneficente para crianças, sem fins lucrativos, os arquitetos Patrícia Chalaça e Marcelo Souza Leão reuniram no ano de 1999, arquitetos e decoradores para a reforma de um Abrigo público da Cidade do Recife, numa proposta moldada de forma similar a uma mostra de decoração, nascendo assim o Projeto Casa da Criança. O Abrigo Casa de Carolina foi a unidade escolhida e tornou-se a primeira instituição em que o Projeto Casa da Criança atuou. Esta instituição pertence ao Governo do Estado de Pernambuco e atende a 100 crianças órfãs vítimas do abandono e maus tratos. O trabalho desenvolvido por todos os profissionais que aderiram ao Projeto Casa da Criança nessa ocasião envolveu um total de setenta profissionais das diversas áreas da construção civil, fabricantes, arquitetos, entre outros. Este trabalho despertou a consciência do termo Responsabilidade Social e um sentimento de satisfação ao ver a alegria nos olhos daquelas crianças ao verem o abrigo reformado. A transformação arquitetônica dos ambientes em alegres e criativos e acima de tudo dignos, demonstrou que é possível proporcionar uma melhor qualidade de vida às crianças socialmente desfavorecidas de nosso país. Com a inauguração da Casa de Carolina, veio a repercussão nacional em emissoras de televisão, jornais e revistas, o que resultou, desde o primeiro momento, numa procura de profissionais de diferentes regiões do país interessados em reaplicar o Projeto Casa da Criança em seus Estados. Isto fez crescer ainda mais a responsabilidade do Projeto em levar seu conhecimento a outras cidades através da Franquia Social e possibilitar a expansão das áreas de atuação com a multiplicação das idéias do Projeto, possibilitando assim, beneficiar crianças e adolescentes das diferentes regiões do país. O grande mérito do Projeto Casa da Criança não é simplesmente o de reformar as instituições de atendimento à criança e/ou adolescente, mas sim, de como viabilizar a realização destas obras, pois sempre que implantado em um Estado, passa a agir como um processo multiplicador. O Projeto Casa da Criança não recebe dinheiro para as reformas, e sim, produtos, materiais de construção e serviços prestados. O valor é estimado ao preço do m² de cada região e o total tem como base levantamentos realizados que contabilizam desde a mão-de-obra, cimento, tijolo, revestimentos cerâmicos, materiais de acabamento, à decoração final (colchões, brinque-

dos, cortinas, luminárias, quadros), dentre outros doados às unidades reformadas. Em 2006, o Projeto Casa da Criança está completando 7 anos. Desde seu início até os dias atuais o Projeto vem ampliando suas ações e com o desenvolvimento da tecnologia “Franquia Social do Projeto Casa da Criança”, no ano de 2001, vem multiplicando suas idéias de forma bastante sistematizada. A Franquia Social atua com equipes voluntárias que representam o Projeto Casa da Criança nos diferentes Estados. Essas equipes, os chamados Franqueados Sociais recebem treinamento e estando aptos passam a integrar a rede

CONVENÇÃO Franqueados trocam figurinhas

de franqueados do Projeto, hoje composta por mais de 50 profissionais ativos em 15 Estados brasileiros que atendem a todas as regiões do país, numa atuação em rede, resultado de um grande trabalho de equipe. Os franqueados representam o Projeto em suas cidades e realizam o trabalho de acordo com a Franquia Social. O trabalho é desenvolvido em uma equipe formada por 4 ou 5 profissionais por Estado e a Coordenação Nacional, sediada em Recife, acompanha cada etapa do processo, desde a análise e definição da unidade, acompanhamento de todas as etapas da obra até a sua inauguração.

CONCENTRANDO esforços para aperfeiçoar

19

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O Projeto Casa da Criança realiza também uma Convenção Anual com sua rede de franqueados sociais. Nessa Convenção é feita uma avaliação por parte de toda a equipe dos trabalhos desenvolvidos, bem como, são realizadas dinâmicas de grupo que possibilitam a troca de experiências entre os franqueados sociais, onde são aprofundados assuntos de interesse às crianças e jovens socialmente desfavorecidos das diferentes regiões do Brasil.

Dentre as assessorias realizadas durante o ano às Franquias Sociais destacamos: - Apoio dos Patrocinadores Nacionais: Captando Patrocinadores Nacionais de produtos para doação de material às obras realizadas pelas Franquias Sociais. - Escolha das unidades: Avaliando a documentação jurídica e analisa dentre as unidades selecionadas pelas equipes dos franqueados aquela que mais atende aos quesitos indicados na Franquia Social e a definição da unidade se faz apenas quando da visita de um integrante da Coordenação Nacional à respectiva unidade. - Supervisão de Franquias Sociais: Disponibilizando um profissional que supervisiona as Franquias Sociais. Esta supervisão é realizada na sede nacional (Recife) e acompanha todas as etapas inerentes a realização do Projeto, desde os eventos, aos assuntos jurídicos, contábeis (específicos de projetos), obra e solicitações de materiais aos Patrocinadores Nacionais. - Gerência de Obras: Realizando visitas durante o período efetivo das mesmas em todas as cidades. - Apoio Mobilização:Fazendo-se presente nos lançamentos com a responsabilidade de contribuir com a mobilização do respectivo Estado. - Apoio de Comunicação: Disponibilizando um profissional (Comunicador Visual) que contribui com o material de comunicação específico de cada Franquia Social. - Assessoria de Imprensa: Disponibilizando um profissional (Jornalista) que contribui com a assessoria de imprensa específica de cada Franquia Social. - Assessoria Jurídica: Disponibilizando assessoria jurídica que contribui com ajustes contratuais específicos de cada Franquia Social. O Projeto Casa da Criança desenvolve uma ação social que permite mostrar para a sociedade que é possível desenvolver um trabalho onde a força motriz é o reflexo da atuação conjunta entre os diversos segmentos da sociedade em beneficio das crianças e jovens desfavorecidos de nosso país.


mu lti pli ca çã o

ATENDIMENTO 1 999 A 2006 A trajetória do PROJETO CASA DA CRIANÇA

1 999

Recife - PE O : ABRIG Atendimento o: Instituiçã sa Abrigo Ca a de Carolin

Refeitório

Sala de Aula

teca

Brinquedo

2000

Bras Atendim ília - DF ento: C Instituiçã RECHE Casa d o o Can : dango romo

Escovód

Refeitório

Quar to - 3 a 5 anos

2001

Natal - RN HE : CREC Atendimento o: Instituiçã triz de Creche Bea nha Souza Ara Sala Jardim II

s

a WC Menin

20

rev ista dop roj eto nº0 1

Sala Es

timulaç

ão


2001

Ma Atendim ceió - AL ento: AD Instituiçã OLESCENTES o: AMAI Copa

Sala Estar TV

Dormitório

2001

Jundiaí - SP O Atendimento: ABRIG : ão Instituiç a sa Ca Transitóri N. S. Aparecida Salinha de Estudos

Lazer E

xterno

Quar to

2002 - CE Fortaleza RIGO : AB Atendimento o: iç u Instit ã Júlia Abrigo Tia Fachada

Quar to

21

rev ista dop roj eto nº0 1


mu lti pli ca çã o

2002

ATENDIMENTO 1 999 A 2006 A trajetória do PROJETO CASA DA CRIANÇA

Goiânia - GO Atendimento: ABRIGO Instituição: r La das Meninas de Pai Joaquim

Sala de TV

Refeitório

Quarto

2002

São Pau Atendimen lo - SP to: ABR LIB. ASSIST IGO/ IDA Instituição: Abrigo S antana Refeitório

rio

Dormitó

Teatro

2002

- SP São Paulo ECHE R :C Atendimento o: ã iç u it Inst l c u aciona Centro Ed o Belém Infantil d Cozinha

Minigrupo B

22

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Berçário


2002 lo - SP São Pau ento: Atendim S ENTE

ADOLESC

Sala Multiuso

Sala de aula

Dentilândia

: Instituição o t Recan a r Primave

2002

- SP ulo ECHE a P São ento: CR im : Atend Instituição ntônio oA Sant e h Crec ncionários

fu Refeitório

Berçário Maior

Minigrupo A

2003 Maceió - AL Atendimento :

CÂNCER IN

FANTO-JUV

Pátio Externo

Cozinha

WC

23

º01 1 ialnnº0 Lsoceto RASIroj staBdop reviista rev

EN

IL Instituição: APALA Associaç ão Pais e Amig dos dos Leucê os mic de Alago os as


mu lti pli ca çã o

ATENDIMENTO 1 999 A 2006 A trajetória do PROJETO CASA DA CRIANÇA

Refeitório

2003

Sal va Aten dor ABR B d IGO imento A : Insti e CREC tuiçã HE AMAC o:

Repouso

Cozinha

2003 Cuiabá - MT Atendimento: ABRIGO Instituição: Fundação Abrigo Bom Jesus ministra

Sala Ad

tiva

Enfermaria

Quarto Meninos

2003

Aten Goiana dim - PE E A ento: À O AD

CR

IAN O Institu LESCENTE ÇA i Núc leo ção: Nass Social au Biblioteca

Lavanderia

Oficina

24

revi staB RASI Lsoc ialn º01

de Pape

l Recicla

do


2003 São Paulo - SP O Atendimento: ABRIG : ão Instituiç Centro de Assistência e al Promoção Soci Nosso lar

a da rio Turm ó it m r o D

Mônica Recepção

Horta

2003

E ju - S IGO a c a R Ar nto: AB ime : Atend Instituição iso r o r go S i r Ab Cozinha

Dormitório Feminino

2005

Sala de Artes

Sala de

WC

Aula

25

º01 1 ialnnº0 Lsoceto RASIroj staBdop reviista rev

de Poços - MG Caldas CRECHE ento: Atendim uição: Instit Centro al ion Educac ol Rouxin


mu lti pli ca çã o

2005 a - PI Teresin ABRIGO ento: Atendim uição: Instit a Crianç Lar da o de Deus Joã Maria

Sala de

aula

Hall

2006

Cuiabá - MT O CÂNCER Atendimento: A ENIL INFANTO-JUV DO Instituição: HOSPITALBÁ CÂNCER DE CUIA Enfermaria

Recepção

Enfermaria

2006

Blumenau - SC Atendimento: CRECHE Instituição: CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTO -JUVENIL PRIMEIRO SÃO JOÃO

200 6:

OBRAS EM ANDAMENTO: INAUGURAÇÃO NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2006

Maceió - AL NTO-JUVENIL INFA AO CÂNCER HOSPITAL DO AÇÚCAR Atendimento: DO AMBULATORIAL Instituição: ALA Maquete eletrônica do

Hospital do Açúcar

Belém - PA Atendimento: ABRIGO PARA CRIANÇAS COM NEC ESSIDADES ESPECIAIS Instituição: EAPE - ESPAÇO DE ACOLHIMENTO PROVI SÓRIO ESPECIAL

26

revi staB RASI Lsoc ialn º01


S E L E Ç ÃO

2006 :

UNIDADES A SEREM ATENDIDAS E INAUGURADAS ATÉ DEZEMBRO DESTE ANO Fortaleza - CE Atendimento: AO CÂNCER INFANTO-JUVENIL Instituição: ABRIGO MENINO JESUS - CASA DE APOIO

- SC Florianópolis AO ADOLESCENTE TO EN IM D EN AT e E H Atendimento: CREC JOÃO PAULO II SOCIEDADE : ão iç itu st In João Pessoa - PB Atendimento: ABRIGO Instituição: ABRIGO DOM ULRICO

Recife - PE SCENTE DIMENTO AO ADOLE EN AT e HE EC CR : to Atendimen Instituição: LAR DE CLARA

Aracaju - SE Atendimento: AO CÂNCER INFANTO -JUVENIL Instituição: SETOR DE ONCOLOGIA INFANTIL DO HOSPITAL GOV. JOÃO ALVES FILHO

Porto Alegre - RS Atendimento: ABRIGO PARA CRIANÇA S PORTADORAS DO VÍRUS HIV Instituição: CLÍNICA ESPERANÇA DE AMPARO À CRIANÇA

Teresina - PI NIL NCER INFANTO-JUVE Atendimento: AO CÂ APOIO DE C.A.C.C. - CASA MARIA DE LAR : ão uiç Instit

27

º01 1 ialnnº0 Lsoceto RASIroj staBdop reviista rev


aç ão FNICS

em pauta : a construç ã o

socialmente responsável

O I Fórum Nacional da Indústria da Construção Social, em 2005, firma e divulga parcerias que são referência de um momento histórico de integração do setor da construção civil para a formação de um Brasil melhor O Projeto CASA DA CRIANÇA, desde 1999, atua promovendo a mobilização social das empresas da área da construção e decoração, através de reformas e construções de espaços de atendimento e acolhimento às crianças e jovens socialmente desfavorecidos. Mediante o fato do Projeto CASA DA CRIANÇA contar com a participação direta de algumas empresas que atuam doando produtos para todas as unidades em território nacional, proporcionamos uma ampliação desta rede, a partir do I Fórum Nacional da Indústria da Construção Social, que foi realizado em São Paulo, paralelamente a Feicon, nos dias 09 e 10 de março de 2005. O fórum permitiu estreitar relações entre este setor e outras organizações sociais sem fins lucrativos, a partir de casos bem sucedidos, que atuam na melhoria da estrutura física de atendimento a comunidade de baixa renda, como também abrindo espaço com dimensão nacional para que as empresas que aplicam atividades sociais pudessem expor seus exemplos e influenciar o setor privado a investir no social. O Fórum Nacional da Indústria da Construção Social teve como objetivo promover a integração das empresas do ramo da construção civil como indústrias da construção, decoração, Home Centers, sindicatos e associações das construtoras, associações profissionais, objetivando gerar uma iniciativa orga-

nizada entre este setor para promover uma mento à comunidade de baixa renda a exemnova visão às responsabilidades dos proble- plo de restauração, reforma e construção de mas sociais do Brasil. escolas públicas, creches, abrigos, hospitais, Sendo assim, a FEICON, maior feira intervenções de infra-estrutura e saneamento da América Latina no segmento da indústria nas comunidades, etc... As propostas que foda construção, foi parceira do FÓRUM NA- ram apresentadas pelos projetos sociais: ManCIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO dalla, Ação Moradia, Lua Nova e PAP, foram SOCIAL, um grande exemplo de investimento sempre modelos multiplicadores, possibilitanna área social do país por potencializar este do uma reaplicação das ações nas diferentes encontro de responsabilidade social. regiões do país bem como proporcionando um A FEICON gerou a “oportunidade” meio de participação das empresas dentro de de união entre as partes potencialmente trans- suas áreas de atuação. formadoras: empresas da área da construção, Empresas privadas ou associações construtores e ações sociais que foram apre- também estavam dando exemplos de casos sentadas no Fórum, com amplo impacto social de empresas socialmente responsáveis, que e potencial multiplicador. realizam atividades na área da construção Compreendendo seu papel mobi- ou reforma, intervindo com contribuição social lizador, a Alcântara Machado, através da para comunidade. O objetivo destas apresenparceria FEICON & FÓRUM NACIONAL DA tações foi o fortalecimento da visão empresaINDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO SOCIAL, con- rial às responsabilidades sociais para com o tribuiu significativamente para o fortaleci- seu país. mento da visão empresarial às responsabilidades sociais para com o país. A ASHOKA, associação internacional que apóia líderes sociais no mundo, também foi parceira deste evento. O Fórum contou com a participação de alguns convidados especiais, profissionais com profundo conhecimento na área social e econômica da América do Sul e demais continentes, como por exemplo: Viviane Naigeborin e Célia Cruz, representando a Ashoka; Dorte Verner, representando o Banco Mundial, Demetre Anastassakis, reEstiveram presentes neste momento histórico da Solenidade presentando o Instituto dos de Abertura oficial do I FÓRUM NACIONAL DA INDÚSTRIA Arquitetos do Brasil - IAB e DA CONSTRUÇÃO SOCIAL representantes das diversas ainda a professora Nádia áreas da iniciativa privada e organizações sociais sem fins Somekh, da FAU/USP. lucrativos, ocorrida em 09 de Março do ano de 2005: (em Houve ainda pé, da esq. para a dir.) Patrícia Chalaça e Marcelo Souza apresentação de ONGs e Leão (Projeto CASA DA CRIANÇA), Paulo Harry Schmalz OSCIPs, Institutos, Funda(Amanco), Paulo Pepino (representando os Franqueados ções Nacionais e InternaSociais), Dorte Verner (Banco Mundial), Mª Antônia Civita e cionais somando um total João Armentano (representando arquitetos e decoradores), de 05 (cinco) propostas Viviane Naigeborin (Ashoka), Bruno Ferraz (IAB-PE), Diana inovadoras de melhoria nas Servera, da Fabrimar(representando os patrocinadores estruturas físicas de atendinacionais do Projeto CASA DA CRIANÇA) e Cláudio Cons

28

revi staB RASI Lsoc ialn º01

(ANAMACO). Na mesa, Jair Saponari, da Alcântara Machado.


Vivianne Naigeborin Ashoka

ficia quando também se bene “O poder público setor social parcerias com o da realização de ida em que, ed m privado, na r to se o m m co e/ou governo també ciedade civil, o m ue por meio da so ntrib ções, as quais co recebe contribui sociais. as m le ob pr s o do para a resoluçã nde que

cial ente não pode O setor so zinho o o governosso blemas sociais. resolver pro em e que se pense rtant Por isso, é impo s. Assim, entre os 3 setore s ia er rc pa r ze fa ia e terão nc ciê efi com mais estes operarão iniciativas.“ res para novas resultados melho Internacional

com a palavra CITAÇÕES & EXEMPLOS NO FÓRUM

eiarnl er, V e t r o D co Mund Ban

que por isso consiga transformar esta realidade mais rapidamente. Realizamos uma pesquisa bastante trabalhosa, mas que garante uma imagem real do Brasil. Nesta pesquisa, foram entrevistados não só os pobres, mas psicólogos, universitários, ongs, representante dos direitos humanos e, dentre os assuntos discutidos, estão a gravidez juvenil, sexologia, uso de drogas, violência, criminalidade, baixo índice de escolaridade. Tantas pessoas com nada e muitas pessoas com um mundo, com muitas coisas... É esta a preocupação do Banco Mundial, é por isso que trabalhamos. ” *Dorte Verner é economista sênior da Unidade de Desenvolvimento Social da Região da América Latina e do Caribe - do Banco Mundial

lz

“Precisamos

pensar na construção de um desenho coletivo. O arquiteto tem que traduzir esse desenho coletivo ouvindo os agentes. O papel do arquiteto se amplia em dois pontos: prevê a inclusão social e preocupa-se com a continuidade de implementação do seu projeto através da construção de um debate, e uma continuidade defendida pela sociedade civil. “

* Nádia Somekh é professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie - SP

Nádia Somekh,

Deme

e IAB - Bratr sil

Anastassaki,

Prof. Arquitetura e Urb. Mackenzie - SP

“Poucas prefeitu ras ou governos de estados dão pessoas constru material para qu am suas casas. e as Depois que entre virem! E é impr gam o material essionante como diz: se conseguem real do que acontece mente se virar. na área médica Diferente . Já imaginou o remédio e manda governo dar um r a pessoa se vi saco de ra r, sem uma rece até a impressão ita, sem orientaç de que a arquite ão? Dá tura e a engenh pessoas mais po aria são supérfl bres conseguem uos. As ter acesso aos m aos advogados.. édicos através . O IAB decidiu do SUS, fazer de 2005 direito da arqu o ano da discus itetura. Em g sã o do e ra l, movim reivind

ica o direito à e moradia, nmtoass poopulares tem que dm is tr ib u ir governo la jes para morad com arquitetura ia s o ? u moradias Q ua nt as prefeituras um arquiteto

brasileiras tem ou sequer um en sequer genheiro civil? brasileiras tiver Se em todas as em 2.000 profi prefeituras ssionais nessas *Demetre Anas áreas, é muito...” do Instituto do tassakis é presidente naciona Brasil

IA

Moraes é pres o de Janeiro) *Jerônimo de Arquitetos do Brasil no Ri s do to tu (Insti

começou bem antes dos outros países a questão do terceiro setor, acredito

s Arquitetos do

Moraes,

ão foi to pobres. N quenas e mui pe s la sas na ve ca fa s o da elhoria hamos em cinc alhando a m ab tr is. O s “No RJ trabal ia to c ite so qu s e õ ç a rama de ar s a og s pr ri á um v pe as apen grama da epúblico não existe, por isso asso tessmoa ro p m u os i o F . favela Por is engenhari vários erros. quitetura ou m, cometendo r assistência de serviço de ar da po e o m ho al co as casas ra este trab pa s ica. to ite m constroem su qu ar sidência éd : aperfeiçoar ograma da re pr terão o e os qu dois objetivos m ia a, ci ores. Cop experiên a ad uc or m po mo. s m ao co a técnic mais entusias ados, mas em casas com quitetos form ej ão, ar an os o pl pl sã e ex o , qu tã to En esabamen adores para (d nt ie da vi or e de es o supervisor eliminar riscos nitária (esgot prioridades: dequação sa A ; l).” o) ra rp tu Tínhamos três co na aão , iluminaç lta de guard ão fa , aç til de en da (v ci ri elet tisfatório ; conforto sa - RJ funcionando) idente do IAB

borin é Diretora ka * Vivianne Naige tégicas da Asho tra Es ias er rc de Pa

“Começamos um estudo para analisar a realidade do Nordeste. O objetivo desta pesquisa não é apenas os pobres das ruas, os bairros pobres, mas a causa desta pobreza. Analisamos os pais, os adultos e os jovens e, observamos que forma-se uma espiral que muitas vezes não é positiva, pois a linha de pobreza dos filhos é mais baixa que a dos pais. O Brasil

JeBr-RôJnimo de

l

29

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Harry Sc hma Paulo NCO AMA

Nós temos o l to sustentáve mos muito desenvolvimen ial. Trabalha ar es pr cidadania em ia o exemplos de nd como estratég da o rn te mento público in e o desenvolvi com o nosso social. Por qu e os, ad m lid a bi it d sa e respon io? Acre óc g ne m bo um resas sustentável é , que as emp

zo nde a longo cpera sociedadsuecoess a se o. o ss terão suão inseridas tenha as com o elas est queremos sim, ter lucro, m ltados. co m bons resu Nós da Aman ncionando co fu l o ta en bi odutos que nã social e o am alhar com pr ab utos tr od de pr os os m Não gosta os. Utilizam ad cl ci re r se o. s de biental mínim sejam possívei um impacto am A. em S/ m il as lte Br su re co que ente da Aman alz é Presid

* Paulo Schm

c ha, RenNaFEtAo/CRRoEA CO

é

te pertinente, at

icon é totalmen

cial, a questãodoso ir z Fazer es u que d o tr in s , o m sa rca para e m to n a porque preci u q n a e rc , indústria l seja hoje, parte do me u do enquantoçã so cia enas progrraampaopulação a constru aro qso p a o sã e u e não achue se fazem para ajuda emplo o seguinte: favores q renda. No Brasil, temos como expela manhã e à de baixa anciar um carro, chega na agência com a habitação. l dentro da Fe se encontro socia

o acontece quem quiser fin rro. O mesmo nã to Sustentável ca um m co i sa mo - Planejamen nis ba Ur tarde já e ra tu Arquite é *Renato Rocha

mestre em


aç ão FNICS

ORGANIZA Ç Õ E S NÃO - G O V E R N A M E N TAI S NO FÓRUM NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO SOCIAL A casa na vida das pessoas é metade do caminho para a transformação social. Nós despertamos para jovens grávidas que viviam nas ruas e iriam ficar sem seus filhos porque não estavam prontas para assumir a maternidade. Na época, abrimos um espaço para acolher essas jovens e oferecer as mesmas a chance de exercer a maternidade. No início

tti, OswOaMldOoRASDeIA AÇÃ

Desde 93, a Ação Moradia contribui basicamente no processo de desenvolvimento de comunidades, utilizando como estratégia fundamental a reconstrução da moradia, um bem que toda família deseja. Dentro da estratégia da construção da casa, iniciamos pela construção dos tijolos que é um momento importante de inserção social, onde marido e mulher começam um processo suado e sofrido e, é isso que dá o valor ao processo como um todo quando ele vê a casa pronta. Ninguém se desfaz de nada que fez com seu próprio esforço. No processo de fabricação dos tijolos, tanto a mulher, como o marido e os filhos participam comunitariamente junto com outras famílias. É nessa hora

imaginávamos trabalhar apenas o lado emocional, mas algum tempo depois, nós já estávamos trabalhando geração de renda, fabricação de bonecas, educação sexual. O sonho dessas meninas tornou-se comprar uma casa e poder sustentar os filhos. Trabalhamos então a inserção social dessas meninas. Surgiu então a idéia de trabalhar junto com Oswaldo Setti. Estamos aprendendo com ele para fazer acontecer casas para que essas mulheres possam criar seus filhos. As meninas estão aprendendo a tecnologia para poder construir as suas próprias casas.

Raq

LUA NuOel Barros , VA

que começam a aflorar os valores mais importantes que a gente quer despertar na comunidade: a solidariedade e o respeito às outras pessoas.

30

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Will

y Pessoa AGÊNC IA MAN , DALLA Um dos maiores paradigmas é o desperdício, e nós desperdiçamos imensamente. O Brasil é um país imensamente rico em potencial, mas muito pobre em consciência, isto resulta em pobreza, miséria, fome e marginalização social. A Mandalla é uma extensão da casa. E, a figura principal desde processo estruturante, é a mulher, dona-de-casa. Se você pergunta a qualquer pessoa porque ela trabalha, evidentemente será para ganhar dinheiro, para poder então comprar comida. Sem comida a coisa não funciona. As escolas e os conjuntos habitacionais deveriam ter uma área para produzir a sua alimentação, mesmo que fosse um espaço no fundo do quintal. O primeiro ganho com a Mandalla, é o ganho onde você deixa de gastar dinheiro comprando alimentos. Sem contar que a sobra da produção é vendida por 50% a menos do que custa no mercado. O Brasil tem clima, solo, água, tudo para produzir a nossa alimentação. E esse alimento seria de excelente qualidade. O Brasil é um país propício para gerar emprego e renda. Mas nós não sabemos comer o feijão que produzimos.


atua ç ão 2 0 0 6 / 2 0 0 7

FÓRUM NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO SOCIAL as ações do fórum em 2006: work shops em sete cidades, percorrendo todas as regiões do país ATUAÇÃO 2006

Em 2006, o Fórum Nacional da Indústria da Construção Social (FNICS) realizará work shops em todas as regiões do país, levando em consideração as dimensões geográficas do Brasil, suas diversidades culturais e suas distintas realidades sociais. Ao todo, serão 07 cidades brasileiras que irão tratar nos work shops 2006, temas sociais que serão levados ao Fórum Nacional da Indústria da Construção Social -2007- FEICON- SP, proporcionando oportunidades no setor social às empresas do ramo da construção civil como: indústrias da construção, decoração, Home Centers, sindicatos e associações das construtoras, associações profissionais, gerando efetivamente uma iniciativa organizada entre este setor, promovendo uma nova visão às responsabilidades dos problemas sociais do Brasil. São Paulo – SP - Em São Paulo, o workshop do Fórum abordará o tema “Os espaços de acolhimento a adolescentes em conflito com a Lei”. O motivo da escolha foi o fato de nós, brasileiros, conhecermos – em parte – os espaços de acolhimento a adolescentes em conflito com a Lei, lamentavelmente em virtude do grande número de matérias que apontam as rebeliões em todo Brasil. O que leva estes espaços a viverem sempre em “alerta”? Será que as medidas sócioeducativas têm na prática aplicado atividades “sócio-educativas”? E os espaços físicos? Descentralizar, esta é a palavra chave encontrada para solucionar a questão, mas não será apenas descentralizar que gerará mudanças, é preciso pensar estes novos espaços, suas necessidades e principalmente as propostas socioeducativas. Este é um dos grandes desafios do FNICS, fomentar a reflexão do tema e gerar propostas que contribuam física e humanamente com este grande público de jovens e conseqüentemente com o desenvolvimento social do Brasil. Visando aspectos físicos - está sendo

lançado um concurso nacional “Por trás dos tratados nas cidades de São Paulo, Belém, Muros - uma visão arquitetônica” em par- Teresina, Fortaleza, Recife, Goiânia e Floceria com o IAB (Instituto dos Arquitetos do rianópolis. A Divulgação do FNICS-2007, Brasil), objetivando reconhecer profissional inicia-se em cada um destes Work Shops, de arquitetura que desenvolva um modelo momento em que será realizado cadastro de espaço de acolhimento a adolescentes dos interessados em participar do evento em conflito com a Lei. Visando aspectos hu- na FEICON-2007. Na realização do FNICSmanos – para contribuir com o atendimento, 2007 teremos a solenidade de premiação o FNICS em parceria com a ASHOKA, re- referente ao concurso “Por trás dos Muros conhece organizações sociais que realizam – uma visão arquitetônica” a ser lançado no trabalho e geram mudanças sociais na vida ano de 2006. destes adolescentes. Em 2007, oportunidades participativas CIDADES ONDE SERÃO REALIZADOS OS WORK SHOPS - 2006 para a Indústria da Construção CIDADE WORKSHOP COM O TEMA serão apresentadas de acordo Belém-PA Portadores de Necessidades Especiais com o desenvolvimento dos teTeresina – PI Educação e Esporte mas dos Work Shops, onde “Os espaços de acolhimento a adoMeio-Ambiente Fortaleza – CE lescentes em conflito com a Lei” Arte e Cultura Recife – PE será apenas um dos meios partiHabitação (Favelas) Goiânia – GO cipativos considerando o enorme Espaços de Acolhimento a Adolescentes potencial dos jovens brasileiros, São Paulo - SP em Conflito com a Lei unidos, poderemos transformar o tema “rebelião” em “evolução”. Florianópolis - SC Sustentabilidade na Habitação Popular

ATUAÇÃO 2007

Em 2007, o Fórum Nacional da Indústria da Construção Social (FNICS) será fruto do desenvolvimento dos Temas realizados nos work shops de todas as regiões do país, serão os 07 (sete) Temas,

Belém, Teresina, Fortaleza, Recife, Goiânia, São Paulo e Florianópolis receberão os Work Shops do Fórum Nacional da Indústria da Construção Social em 2006

31

revi staB RASI Lsoc ialn º01


aç ão CULTURAL

D anç a:

a ARTE como

INCLUSÃ O

O Ária Social desenvolve atividades de Ballet E Dança Criativa, Laboratórios Coreográficos, História da Arte, Canto e Iniciação Musical. Todas conciliadas com as atividades escolares, Atende atualmente 150 crianças e adolescentes socialmente desfavorecidos

O Ária Social é um projeto desenvolvido por Cecília Brennand, Diretora do Ária Espaço de Dança e Arte, que atendia apenas crianças de classe média e desde 1999 atende, voluntariamente, crianças da população de baixa renda, a exemplo do Abrigo Casa de Carolina, encaminhadas pelo Projeto Casa da Criança, bem como, adolescentes da rede municipal de ensino, de Jaboatão dos Guararapes e algumas crianças e adolescentes, encaminhadas pelo Pró-Criança. Observando a transformação que a dança é capaz de realizar na auto-estima desses alunos, Cecília vinha amadurecendo a necessidade de ampliar o projeto social que já existia no Ária, com o objetivo de aumentar, de forma significativa, o número de alunos socialmente desfavorecidos, nascendo assim, o Ária Social. O Ária Social beneficia jovens na faixa etária entre 4 e 25 anos, de comunidades carentes e da rede municipal de ensino, do município de Jaboatão dos Guararapes. Para desenvolver esse trabalho o Ária Social conta com uma equipe de trabalho com 17 profissionais de diferentes áre-

as, tais como, setor administrativo (direção, coordenação, funcionários administrativos), Psicologia, professores, voluntários e monitores, que atendem aos eixos de educação complementar, desenvolvimento da arte, da música, da dança e de serviços de apoio. Objetivando constituir instrumentos, através da arte, para o resgate de jovens socialmente desfavorecidos que se encontram à margem da sociedade, esse projeto social visa ajudar esses jovens a transformar seus horizontes, melhorando sua auto-estima e conseqüentemente transformar sua vida e a de sua comunidade. As ações que o Ária Social promove viabilizam o acesso à educação complementar, através de módulos voltados para informática e inglês básicos, bem como, reforço escolar e estímulo às práticas de cidadania e formação da consciência coletiva tendo sempre como enfoques a arte, a dança e a música, desenvolvendo talentos e buscando priorizar o resgate da cultura local. O Projeto Casa da Criança é parceiro do Ária Social e oferece serviços voluntários de consultoria na área social, que vai desde assessoria de comunicação, jurí-

32

revi staB RASI Lsoc ialn º01

dica e de mobilização social, até o planejamento estratégico para multiplicação das atividades do Ária Social, possibilitando ao Ária vir a atender crianças de outras localidades. Hoje vemos que o trabalho vem gerando bons frutos, pois tem contribuído para melhorar a qualidade de vida desses jovens. Através dos caminhos que a arte e a cultura podem oferecer, reforçados pelas palestras educativas oferecidas pelo Ária Social, o jovem se torna mais bem preparado para o mercado de trabalho, tem a sua auto-estima elevada e se reconhece como cidadão. Esse acesso a novos conhecimentos possibilita que ele possa se munir de ferramentas que o preparem para a conquista de novas perspectivas de vida e de um futuro melhor. ÁRIA SOCIAL Avenida Canal do Setúbal, 766 Piedade, Jaboatão dos Guararapes - PE Tel: (81)3341-1014 ariaarte@terra.com.br


ENTREVISTA COM CECÍLIA BRENNAND DIRETORA DO ÁRIA SOCIAL, CECÍLIA FALA SOBRE O SEU ENVOLVIMENTO COM A ARTE E A RESPONSABILIDADE SOCIAL Como se deu seu ingresso na área social? Fale-nos um pouco sobre a experiência do Ária Social. CB: O Espaço ARIA está completando 15 anos. Iniciamos nossas atividades em 1991. E sempre foi uma grande preocupação, a minha responsabilidade social. Desde que abri a escola, sempre disponibilizei vagas para alunos que não podiam pagar pelas aulas de Ballet. Acho que a arte é inerente ao ser humano e necessária para a construção sólida da cidadania. Mas sempre atuei, de forma mais filantrópica do que profissional, achando que este era o meu papel como empresária, artista e cidadã. Quando conheci Patrícia Chalaça do Projeto Casa da Criança, hoje nossa parceira, tive uma compreensão maior da minha responsabilidade social no atendimento às crianças e jovens desfavorecidos socialmente e depois de amadurecer muito esta idéia, chegamos ao que eu considero hoje maturidade, com a criação de uma OSCIP, para atendimento do Aria Social. Como está sendo a experiência de trabalhar com esses jovens? CB: A mais rica experiência da minha vida. Pois eles aproveitam com muita garra e desprendimento, tudo o que podemos oferecer, com uma vivacidade imensa e muita vontade de aprender. São jovens muito talentosos que aguardavam uma chance na vida. Fico feliz de poder contribuir com tantos sonhos, fazendo da arte uma ferramenta para a ética, a moral e a conquista da cidadania. Como tem sido o envolvimento da equipe profissional do Ária com esse projeto social? CB: A melhor possível. Toda a minha equipe já vinha crescendo no social, junto com a Escola. Abraçar este projeto e toda a complexidade do trabalho que realizamos, nos dois módulos de atendimento (o primeiro com crianças a partir de quatro anos, exclusivo para aulas de ballet e dança criativa e o segundo, com jovens a partir de doze

anos de idade, com aulas de ballet, dança contemporânea, canto, história da arte, alimentação, vale transporte e assistência médica), é conseqüência do amadurecimento da Escola e de toda a sua equipe, funcionários e professores. O jovem que entra para o Ária Social precisa ter conhecimento artístico (dança, música)? Como se dá o processo seletivo para que ele ingresse nesse projeto? CB: A primeira turma de jovens que ingressaram na Escola, vieram a partir da divulgação do projeto, tendo como ponto de partida uma turma da Escola Visconde de Suassuna em Jaboatão, que já estava conosco há três anos, fazendo aula de Dança Criativa. Portanto, quando iniciamos as atividades do módulo de atendimento aos jovens, nosso único critério era de que estivessem estudando e tivessem vontade de aprender sobre dança e música. Agora em 2006, foi necessária uma audição, pois a demanda está sendo imensa. Muitas crianças e jovens nos procuram para o atendimento no Módulo I, de atendimento exclusivo de aulas de Ballet. Para o Módulo II a procura é ainda maior, pois o projeto já é um sucesso e a cada apresentação que realizamos com canto coral ou com espetáculos de dança, mais jovens nos procuram. Como não temos ainda recursos para atender a esta demanda que cresce a cada dia, fizemos no início deste ano, uma audição com entrevista para selecionarmos os novos alunos. Levamos em consideração muito mais a vontade e o empenho, do que o talento nato, pois sabemos que a arte é transformadora de duras realidades e o nosso papel é muito mais social do que artístico, muito embora conseguimos produzir bons artistas num curto espaço de tempo. Esses jovens interagem com os demais alunos do Espaço Ária? Como se dá essa interação? CB: Esta interação se dá de forma muito tranqüila e saudável. No Módulo I de atendimento, inserimos crianças e jovens nas turmas normais de ballet e elas são sempre bem vindas por todos os alunos. No Módulo II, esta interação é maior nos ensaios e apresentações, de forma igualmente tranqüila, pois nossa experiência nos mostrou

33

revi staB RASI Lsoc ialn º01

que o brasileiro, de forma geral, é solidário e aberto para questões sociais, basta que alguém dê o primeiro passo. Você tem observado mudanças nas vidas desses jovens? Fale-nos de sua percepção. CB: Várias mudanças. Seria difícil enumerar todas elas. Mas o que mais observamos é a mudança na auto-estima. Percebemos que eles se descobrem cidadãos e esta descoberta é linda. Ser cidadão significa ter direitos, mas também ter obrigações e saber exercer isso de forma democrática é um exercício e tanto para a auto-estima. Aprender que são capazes de cantar e dançar e serem aplaudidos por isso também é uma experiência de construção da auto-estima maravilhosa. Eles aprendem a lidar com regras e com a disciplina, que muitos deles não tinham noção. Aprendem a respeitar seus limites e ao próximo com regulamentos que eles próprios construíram e isso, quando parte deles mesmos, é um aprendizado para toda a vida. Observamos a mudança de comportamento num curtíssimo espaço de tempo que nem eu, nem minha equipe achávamos possível. Quais são as expectativas de inserção desses jovens no mercado de trabalho? CB: São grandes, pois como trabalhamos muito sua auto-estima, eles passam a ter outra postura diante da vida. Temos alguns jovens estagiando na área da dança e desses, dois já estão assumindo de forma gradativa a sala de aula como professores assistentes. Em breve teremos também estagiários na área de música e percussão. Além disso, vimos trabalhando todo o ano de 2005


aç ão CULTURAL

Cecília no

encerramen

m alunos

em Brasil, co

táculo Tr to do espe

com professora de artesanato voluntária e tivemos vários trabalhos artesanais confeccionados por eles, o que ajuda a gerar renda para suas famílias. Qual / quais as atividades que você gostaria de desenvolver no Ária Social que ainda não foram implantadas e por que? CB: Ainda este ano pretendemos desenvolver como atividade permanente do projeto, mas com voluntários, reforço escolar na parte da tarde, em Português e Inglês e Iniciação à Informática, visando a inclusão desses jovens no mercado de trabalho. Mas para isso aguardamos o fim das reformas, pois estamos sem espaço para o desenvolvimento adequado destas atividades. Qual a importância das parcerias para a continuidade do projeto Ária Social? Como vem sendo a busca por parcerias? CB: A importância das parcerias é fundamental para a continuidade do projeto. Elas se dão em serviços e apoios, como por exemplo, o SESI, que nos apóia na área de assistência médica e odontológica e é um benefício imenso, pois vivemos num país, onde temos uma população inteira sem assistência médica de nenhuma qualidade. A doação de alimentos feita pelo Hipermercado Ibérico, pela Vitarella e agora pela Coca-Cola, é extremamente importante, pois precisamos continuar oferecendo lanche e almoço a estes jovens, que muitas vezes saem de casa sem o café da manhã. Enfim, estamos conseguindo várias parcerias em serviços que estão sendo de vital importância para o nosso trabalho, e muito tem contribuído com o projeto Aria Social. Mesmo assim, busco diariamente pessoas e empresas que possam nos apoiar e nos ajudar, pois as necessidades são sempre grandes e muitas vezes urgentes, como agora em que estamos reformando a Escola para abrigarmos melhor o projeto.

do Ária

Muito já conseguimos em doação e muito ainda estamos tentando conseguir. Mas o Alunos do mais importanÁria Social se apresent te de tudo é dividiram em Trem Brasil mos o compromisso de buscarmos amigos e parceiros que abracem conosco esta cauCecília Cavalcanti Brennand sa e isso estamos aos poucos conseguindo, Experiência Profissional e Qualificação dentro e fora de nossa Escola. E busco essas parcerias através da sensibilização da cau• BAILARINA Iniciou os seus estudos na dança clássisa social. ca e moderna com a bailarina e coreógrafa Mônica Cite-nos alguns dos momentos especiais vivenciados em todos esses anos de carreira artística. CB: Comecei minha carreira artística com aulas de ballet clássico e contemporâneo com Mônica Japiassú, de lá para cá foram vários momentos especiais. Tenho sempre mais carinho pelo que estou vivenciando no presente. Como produtora e bailarina, fiz Lua Cambará, de Ronaldo Brito com coreografia de Zdenek Hampl, que está conosco no Ária Social. E tantos outros espetáculos que difundiram de forma muito digna a história da dança em Pernambuco. Como marchande, tive também uma experiência muito rica, trazendo para Pernambuco grandes nomes das artes plásticas, no Brasil. Você se sente realizada profissionalmente? CB: Realizo-me um pouco todos os dias. Sou uma artista que vê o mundo através da beleza da arte e do que ela pode modificar, transformar. Danço, crio, experimento a sala de aula, aprendo todos os dias. Enquanto estamos aprendendo, não estamos realizadas. Tenho muito que realizar, como bailarina, como arte-educadora, como cidadã e como mulher. Mas me sinto cada vez mais feliz, por atuar naquilo em que acredito e no que a vida escolheu para mim.

34

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Japiassú, em 1974, dando prosseguimento a sua formação com outros importantes nomes da dança clássica, moderna, contemporânea, expressão corporal e dança afro-brasileira, como: Ruth Rozembaum, Flávia Barros, Bernot Sanches, Klauss Viana, Zdenek Hampl, Bill Groves, Rolf Gelewsky, Suzana Yamanchi, Othon Gripp, Tony Vieira, Lennie Dale, entre outros. Participou de diversos espetáculos e montagens como bailarina profissional.

• PRODUTORA Em 1988 funda a produtora Sopro de Zéfiro, com a qual realiza, desde então, diversos espetáculos de importante repercussão no Estado (Peles da Lua, Festa da Pedra, Lua Cambará), vindo a representar a dança de Pernambuco em Portugal, em 1994, com o espetáculo Cerimônias. • EMPRESÁRIA Há 15 anos fundou a escola de dança e galeria de arte, ARIA – Espaço de Dança e Arte, que funciona em Jaboatão dos Guararapes, tornando-se grande incentivadora de nossa cultura. Este espaço passou a ser referência para o movimento artístico do grande Recife, promovendo encontros para discussão de política cultural. • CURADORA Vasta experiência em curadoria, realizando diversas exposições com artistas de renome nacional e internacional, tais como: Volpi, Cícero Dias, Siron Franco, Fernando Lucchesi, Luiz Paulo Baravelli, Fernando Velloso, Cláudio Tozzi, Luciano Pinheiro, José Barbosa, José Cláudio, Leda Catunda, Marco Giannotti, Francisco Brennand, Montez Magno, João Câmara, Rodrigo Andrade, Ismael Caldas, Joelson Gomes, Samico, Roberto Lúcio, Dantas Suassuna, Mestre Didi, Solange Magalhães, entre outros.


aç ão POLÍTICAS PÚBLICAS

parceria

é a chave carta ao leitor da vice-governadora do pará, valéria pires franco

O Brasil rumo às parcerias entre o setor público e as organizações sociais A parceria tem sido uma das palavraschaves no governo do Pará. Desde que assumimos a Vice-Governadoria e a Secretaria especial de Proteção Social - que trata das áreas de Saúde, Assistência Social e Trabalho – temos pautado o nosso trabalho no que considero fundamental para enfrentarmos os dois maiores desafios do governo Simão Jatene: o combate à pobreza e a redução das desigualdades sociais. A partir dessa diretriz, procuramos em todas as nossas ações bater e/ou abrir sempre as portas às empresas, às entidades ou mesmo às pessoas individualmente que quisessem entrar conosco nessa luta. Em pouco mais de três anos de governo, a certeza que temos é que esse trabalho não foi em vão, porque muito do que se fez foi construído com a união de várias mãos, fru-

to dessa palavra mágica que é a parceria. De programas como o “Padrinho Solidário”, que apóia crianças recolhidas em abrigos, até a reforma de Espaços importantes dentro da política de acolhimento, as ações tiveram como ingredientes maiores, o amor e o espírito de solidariedade. Não podia aqui deixar de agradecer ao Projeto Casa da Criança que, por meio da arquiteta Patrícia Chalaça e das franqueadas locais - Beth, Lílian, Fátima, Roberta e Conceição - transformaram o sonho de dezenas de crianças em realidade. Elas acreditaram que podiam assegurar a mais de 200 crianças e adolescentes portadores de deficiência um lugar mais amplo e humanizado para elas viverem. O trabalho mobilizou cerca de 200 profissionais, entre arquitetos, enge-

Valéria Pires na obra do abrigo E.A.P.E., com operários, a equipe de franqueadas sociais do Projeto CASA DA CRIANÇA e a fundadora-presidente do Projeto, Patrícia Chalaça

35

revi staB RASI Lsoc ialn º01

“Nada se iguala à paixão que envolve um projeto que mobiliza e mexe com muitos corações. Sem dúvida, esse é o grande diferencial que nos faz acreditar que, quando se quer, é possível a construção de uma sociedade mais justa, humana e igualitária. É um pedacinho, sim, mas que pode se espraiar por muitos cantos deste Estado, do Brasil e do mundo” nheiros e designers, que emprestaram o seu talento, de forma voluntária, para reformar o Espaço de Acolhimento Provisório Especial, que abriga esse público diferenciado. Claro que o Estado teria condições financeiras de fazer essa obra, mas nada se iguala à paixão que envolve um projeto que mobiliza e mexe com muitos corações. Sem dúvida, esse é o grande diferencial que nos faz acreditar que, quando se quer, é possível a construção de uma sociedade mais justa, humana e igualitária. É um pedacinho, sim, mas que pode se espraiar por muitos cantos deste Estado, do Brasil e do mundo a partir de exemplos como esse. Muito obrigada ao Projeto Casa da Criança e a todos que estão ajudando na construção de um Pará melhor. Valéria Pires Franco


3º se to r

conhecendo o terceiro setor

ASHOKA EMPREENDEDORES SOCIAIS UMA ORGANIZAÇÃO QUE INVESTE NO DESENVOLVIMENTO ATRAVÉS DE EMPREENDEDORES SOCIAIS E SUAS SOLUÇÕES INOVADORAS A Ashoka é uma organização internacional sem fins lucrativos, fundada em 1980, na Índia, por Bill Drayton, com o objetivo de identificar e investir em líderes empreendedores com idéias criativas e inovadoras capazes de provocar mudanças sociais positivas e de amplo impacto social. A Ashoka apóia os empreendedores sociais - e suas idéias - com um suporte financeiro e com uma estrutura profissional que os ajuda a disseminar suas idéias e soluções inovadoras tanto individual como coletivamente. Em suas viagens pela Ásia, na juventude, Bill Drayton se perguntava como poderia ajudar a pôr fim às desigualdades sociais e econômicas entre os hemisférios norte e sul. E como poderia, ao mesmo tempo, acelerar a revolução democrática

por meio do terceiro setor em países em desenvolvimento. A criação da Ashoka foi a resposta a essas indagações. Os empreendedores sociais da Ashoka (também chamados de fellows) são pessoas com visão, experiência e talento que buscam soluções inovadoras para problemas sociais em grande escala nas áreas do meio ambiente, educação, direitos humanos, saúde, participação cidadã e desenvolvimento econômico. Os escolhidos no processo de seleção da Ashoka são apoiados por uma bolsa mensal, que lhes permite uma dedicação integral ao desenvolvimento de suas idéias. Além disso, a Ashoka contribui para sua profissionalização, oferecendo serviços como seminários, programas de capacitação e consultorias através do Centro de

Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey (CCES). Os empreendedores sociais da Ashoka integram uma rede local que, no Brasil, conta com cerca de 240 pessoas. Em todo o mundo, a rede global integra mais de 1.500 líderes. Essa rede possibilita aos empreendedores sociais da Ashoka o intercâmbio de experiências e informações, a realização de colaborações com outros empreendedores e a divulgação de seus projetos. A Ashoka estimula projetos colaborativos entre seus empreendedores sociais e destes com outras redes, de acordo com a visão de Bill Drayton, para quem a integração de empreendedores com idéias originais é ainda mais poderosa do que as suas atividades individuais. Site: www.ashoka.org.br

Origem do Nome A associação mundial de empreendedores sociais tem o nome de Ashoka, que em sânscrito significa “ausência de sofrimento”. Ashoka foi o nome de um imperador que governou a Índia durante o século III a.C e é lembrado como um dos maiores inovadores sociais do mundo. Os ideais que inspiraram Ashoka estão no coração da Fellowship, a associação que hoje leva seu nome. Depois de uma guerra pela unificação do país, Ashoka renunciou à violência e dedicou sua vida à promoção do bem-estar social, da justiça econômica e da tolerância. O imperador Ashoka instituiu serviços de saúde, lançou um amplo programa de abertura de poços, construiu alojamentos para viajantes e plantou milhares de árvores para fazer sombra nas estradas quentes e poeirentas da Índia. Seus éditos, gravados em pilares de pedra em todo o império, testemunham sua fé na ética como guia para a ação pública.

36

revi staB RASI Lsoc ialn º01


fel low s AS HO KA

DESTAQUE

Vera Cordeiro Organização: Associação Saúde Criança Renascer Área de Atuação: Saúde Cidade: Rio de Janeiro-RJ Vera Cordeiro criou a Associação Renascer, no Rio de Janeiro RJ, para ajudar crianças e adolescentes miseráveis a escapar do círculo vicioso misériadoença-internação-reinternação-morte que acompanha as famílias após a alta hospitalar.

JOSÉ PEREIRA DE OLIVEIRA JÚNIOR Organização: Grupo Cultural Afro Reggae Área de Atuação: Direitos Humanos Cidade: Rio de Janeiro-RJ José Pereira de Oliveira Júnior fundou o Grupo Cultural Afro Reggae (GCAR), que desenvolve atividades socioculturais, recreativas e educativas para ampliar o espaço de intervenção social de jovens negros residentes em comunidades de baixa renda. O objetivo básico do GCAR é resgatar valores culturais e contribuir para uma efetiva afirmação dos jovens, rompendo preconceitos ao utilizar meios de comunicação acessíveis a jovens de classes média e alta e transformando música e cultura em veículo de luta contra a discriminação social. Outra função dos núcleos de cultura é criar alternativas educacionais e profissionalizantes, dentro da perspectiva de construção de autonomia dos jovens favelados como cidadãos. O trabalho de José Pereira e dos membros do Afro Reggae transforma as comunidades em pólos de produção sociocultural. Em todos os projetos desenvolvidos pelo grupo, a música, a dança, a capoeira e outras manifestações positivas de alegria, autoestima e cidadania assumem a linha de frente de um processo de transformação social através da cultura.

PATRÍCIA CHALAÇA Organização: Projeto CASA DA CRIANÇA Área de Atuação: Participação Cidadã Cidade: Recife - PE O Projeto CASA DA CRIANÇA tem como principal objetivo atender as crianças e/ou adolescentes da população de baixa renda do país, dando-lhes acomodações dignas, com instalações adequadas possibilitando assim a assistência nas áreas de educação, saúde, esportes e lazer.

André Fernando Organização: OIBI-Associaçao Indígena da Bacia do Içana Área de Atuação: Desenvolvimento Econômico São Gabriel da Cachoeira-AM André Fernando é responsável pela criação de um mecanismo de articulação entre comunidades indígenas isoladas, desfavorecidas e marginalizadas do Amazonas e pela elaboração de novas abordagens para solucionar os problemas sociais enfrentados por essas comunidades. Um exemplo é a criação da Escola Indígena Baniwa, que enfatiza a formação individual e coletiva dos integrantes do povo baniwa através de treinamento em desenvolvimento sustentável e da interação entre as culturas indígena e ocidental.

Rodrigo Baggio Organização: Comitê para Democratização da Informática Área de Atuação: Educação Cidade: Rio de Janeiro-RJ Em 1995, aos 24 anos, Rodrigo Baggio criou o Comitê para a Democratização da Informática (CDI), organização não governamental que promove a inclusão social de populações menos favorecidas por meio da apropriação das tecnologias de informação e comunicação. O CDI é reconhecido internacionalmente como uma iniciativa qualificada para a promoção de novas oportunidades para jovens em situação de risco social.

37

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Maria da Conceição Paganele Organização: AMAR - ASSOCIAÇÃO DE MÃES E AMIGOS DE ADOLESCENTES EM RISCO Área de Atuação: Direitos Humanos São Paulo-SP Maria da Conceição Paganele criou a Associação de Mães e Amigos de Crianças e Adolescentes em Risco (AMAR) com o objetivo de transformar realidade da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem). Através do fortalecimento social e político das mães dos internos, com base nos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Conceição criou para a AMAR um papel não só de fiscalizadora da Febem, mas também de mediadora na relação entre a fundação, os meninos e as famílias.

Wellington Nogueira Organização: Doutores da Alegria Área de Atuação: Saúde Cidade: São Paulo-SP Wellington Nogueira criou a organização Doutores da Alegria para levar alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde, com base em sua experiência no projeto The Big Apple Circus Clown Care Unit, em Nova York, Estados Unidos. A organização mantém programas em hospitais de São Paulo SP, Rio de Janeiro RJ e Recife PE, reunindo uma equipe de atores profissionais especializados na arte do palhaço e em técnicas circenses, que visitam crianças enfermas com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida durante a internação.

Fidela Ebuk, Nigéria. Organização: Health and Economic Development Assoc. of Nigeria Área de Atuação: Saúde. Desenvolve ações para criar fundos de empréstimos e crédito em comunidades rurais e com eles gerar o atendimento à saúde da população.

CONHEÇA OUTROS FELLOWS EM www.ashoka.org.br


ho m en ag em

PRÊMIOS

PARA DESTAQUES NO TERCEIRO SETOR Prêmio do IAB-CE para ação do Projeto CASA DA CRIANÇA em Fortaleza-CE

Os franqueados de Fortaleza com Patrícia Chalaça

A Rede SACI, da empreendedora social da Ashoka Marta Gil, foi classificada entre os 15 projetos finalistas do concurso Experiências em Inovação Social na América Latina A Rede SACI (Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação), da empreendedora social da Ashoka Marta Gil (1989), conquistou uma menção honrosa ao ser classificada entre os 15 projetos finalistas do concurso Experiências em Inovação Social na América Latina e no Caribe, promovido pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, das Nações Unidas), em parceria com a Fundação Kellog. Concorreram à premiação 1.600 projetos de diversos países caribenhos e latino-americanos. A Rede SACI participou do concurso com seu projeto de rede virtual para portadores de necessidades especiais que, além das páginas tradicionais disponíveis na Internet com dados sobre legislação e direitos, divulga informações sobre oportunidades de trabalho e educação e sobre atividades para os portadores de deficiências. Outras duas organizações de empreendedores sociais da Ashoka foram incluídas entre os finalistas do concurso: o Projeto Saúde e Alegria, de Eugênio Scanavino

A ação do Projeto Casa da Criança, desenvolvida no Abrigo Tia Júlia, em Fortaleza, ganhou uma menção honrosa do prêmio IAB-CE de Gentileza Urbana. Os franqueados Paulo Pepino, Isabel Figueiredo, João Mendonça e André Verçosa estavam presentes na homenagem representando o Projeto Casa da criança, os mais de 100 arquitetos cearenses que participaram da causa e ainda as construtoras responsáveis pela obra do Abrigo Tia Júlia. (L.G.)

Neto (1989), e a Associação de Pequenos Agricultores do Município de Valente BA (Apaeb), de Ismael Ferreira de Oliveira (1990). Marta Gil começou a ampliar a sua ação com a criação da Reintegra, um sistema de informação e comunicação sobre deficiência, que em 1999 daria origem à Rede SACI. De início, a rede tinha como gestores a Universidade de São Paulo (USP), o Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Depois, estas instituições assumiram o papel de parceiros, juntamente com outros aliados, colaboradores e apoiadores. A Rede SACI atua como facilitadora da comunicação e da difusão de informações e conhecimentos entre pessoas com deficiência, profissionais, órgãos públicos, instituições de ensino e pesquisa, responsáveis pela elaboração de políticas públicas, empresas e, especialmente, setores de recursos humanos, formadores de opinião, fabricantes de equipamentos, movimentos e entidades. A proposta de Marta é influir decisivamente na vida dos brasileiros com deficiência, estimulando a inclusão social e a inclusão digital e, conseqüentemente, o exercício da cidadania. Maiores informações sobre o concurso nos sites www.cepal.cl e www.wkkf-lac.org ou pelo endereço de correio eletrônico innovacionsocial@eclac.cl.

38

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Ação Moradia conquista através de lei a construção de casas com tijolo ecológico A organização Ação Moradia, do empreendedor social da Ashoka Oswaldo Setti, assinou com a Caixa Econômica Federal contratos de financiamento que permitirão a realização do sonho da casa própria a 50 famílias da cidade de Uberlândia MG, em sua maioria chefiadas por mulheres sem comprovação de renda. As casas, dotadas de sistema de aquecimento solar de baixo custo, serão construídas em regime de mutirão, com tijolos ecológicos. Graças ao aval da Ação Moradia, foi dispensada a análise cadastral das famílias beneficiadas, com renda entre R$ 200 e R$ 300. O financiamento foi conseguido graças a uma longa negociação junto ao Ministério das Cidades realizada pela Central de Movimentos Populares (CMP), parceira de Oswaldo Setti na iniciativa. A Ação Moradia, que desde 1993 atua na promoção do desenvolvimento de comunidades e pela melhoria da qualidade de vida da população de baixa renda, coordenou a seleção das famílias e a elaboração do projeto técnico e organizou o mutirão. As casas, localizadas no Loteamento Campo Alegre, no bairro São Jorge, deverão estar prontas em cerca de dez meses. Os tijolos ecológicos são produzidos pelas próprias famílias, em fábrica montada e administrada pela Acão Moradia. A iniciativa conta também com o apoio da organização cidadã Moradia e Cidadania, integrada por funcionários da Caixa Econômica Federal. Site Ashoka: www.ashoka.org.br


fu tuedroit orm iael lho r

cia dos anjos

MOBILIZANDO PARCERIAS O PROJETO CASA DA CRIANÇA AMPLIA AS AÇÕES PÓSINTERVENÇÃO NAS UNIDADES, PARA FORTALECER O ATENDIMENTO ÀS CRIANÇAS E JOVENS DESFAVORECIDOS NO BRASIL As atividades do Projeto Casa da Criança inicialmente se concentraram nas reformas arquitetônicas das unidades. As transformações físicas ocorridas nas Instituições já refletiam diretamente na qualidade de vida dos envolvidos, desde as crianças e adolescentes atendidos, bem como, a equipe de funcionários das unidades e a comunidade a qual a Instituição pertence. No entanto, o Projeto Casa da Criança identificou a necessidade de ampliar as ações de atendimento a essas crianças e adolescentes, no intuito de fortalecer o atendimento após a devolução das Unidades (pósintervenção). É nesse momento que surge a idéia do Programa Cia. dos Anjos. O Programa Cia. dos Anjos - Mobilização de Parcerias, é o resultado da proposta do Projeto Casa da Criança que dá suporte às Instituições pós-intervenção, contribuindo para a manutenção física dos espaços e dos serviços de atendimento nas unidades, bem como, capacitando o profissional para a mobilização de parcerias. O Programa Cia dos Anjos foi sendo amadurecido ao longo dos anos, simultaneamente com o Projeto Casa da Criança. No final do ano de 1999, logo após a conclusão da reforma do primeiro Abrigo na Cidade do Recife, o Abrigo Casa de Carolina, foi iniciado o Programa Cia. dos Anjos. Tendo como objetivo fortalecer os atendimentos tornando vivos os espaços destinados às atividades nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e esportes. Como parceiros pioneiros desse Programa temos o Ária Social com aulas de balé e o ELC com aulas de Inglês. O fruto desse trabalho foi sendo logo percebido através das melhorias na autoestima das crianças, no desempenho escolar e melhoria na área de atendimento à saúde. No ano de 2000 foi realizada mais uma conquista, a Escola Madre de Deus ingressa como parceira aplicando um trabalho de orientação pedagógica para a equipe do Abrigo Casa de Carolina. A partir de então, o Programa Cia. dos Anjos inicia um trabalho de orientação às equipes das novas unidades reformadas para captação de parceiros com a finalidade de complementar e promover novas atividades nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e esportes junto às crianças e adolescentes de suas unidad e s . Esta ação se estende de maneira tímida até o ano de 2004. Nesse mesmo ano, percebemos que o Programa Cia. dos Anjos precisava de uma ação mais estruturada e organizada, pois agora tínhamos 21 unidades espalhadas por todo território nacional e sentíamos a necessidade de um parceria que nos orientasse e apoiasse na elaboração de um progra-

39

revi staB RASI Lsoc ialn º01


fut ur o me lho r

Crianças ate

ndidas pelo

Projeto em

SP: felicidad

e estampada

ma que melhor atendesse todo esse universo de crianças e adolescentes. Encontramos então o nosso primeiro Anjo-parceiro a AVINA (Instituição suíça que investe em projetos sociais na América Latina). Com o apoio do novo parceiro pudemos realizar uma pesquisa em todas as Instituições beneficia-

Hora do

nos rostinho

s

o Centr lanche n

das pelo Projeto Casa da Criança, desde 1999 até 2004, com objetivo de diagnosticá-las nos aspectos de manutenção e principalmente nos serviços de atendimento as crianças e adolescentes. Com base nesse diagnóstico das unidades foi possível elaborar um Programa de Treinamento Cia. dos Anjos – Mobilização de Parcerias que será ministrado em 2006 para todas as equipes das unidades pesquisadas. O treinamento tem como objetivo básico a capacitação desses profissionais para captação de parcerias

lo - SP

São Pau

fan

cional In

o Educa

lém, em til do Be

que contribuam para a manutenção física e serviços de atendimento às crianças e adolescentes, através da mobilização da sociedade. De acordo com o Programa Cia dos Anjos, a partir deste ano de 2006, todas as unidades beneficiadas pelo Projeto Casa da Criança e treinadas pelo Programa passam a integrar a rede Cia. dos Anjos, cuja intenção é criar e fortalecer o elo entre essas Instituições, tornando possível a troca de informações e experiências. Essa interação entre as diversas Instituições permitirá um melhor atendimento às crianças e adolescentes das diferentes regiões do Brasil. Hoje, crianças e adolescentes em Creches, Abrigos, Espaços Educativos para Adolescentes e Casas de Apoio à Criança e/ou Adolescente com Câncer beneficiadas pelo Projeto Casa da Criança podem usufruir de ambientes mais aconchegantes e humanizados. E, ao alcançar os objetivos do Programa Cia. dos Anjos será possível também reforçar elos entre as Instituições e possibilitar que esses espaços mantenham seu grau de excelência no atendimento e nas atividades oferecidas às crianças e adolescentes de nosso país. Atendimento Odontológico na AMAC, em Salvador - BA.

40

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Para ajudar ou saber mais, acesse www.projetocasadacrianca.com.br ou ligue (81)3467-9968 Doações: Associação Projeto CASA DA CRIANÇA Caixa Econômica Federal - AG. 0867 - Conta 102-2


umed itexoremiapll o

conhecendo uma unidade

NÚCLEO SOCIAL NASSAU

Inaugurado em Dezembro de 2004 em Tejucupapo, Município de Goiana - PE, o Núcleo Social Nassau atende a jovens socialmente desfavorecidos da região, Tendo como principal meta de atuação o eixo Arte-Educação.

41

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O Núcleo Social Nassau foi construído em Goiana, Estado de Pernambuco, através de uma parceria entre o Projeto Casa da Criança, o Cimento Nassau e a Prefeitura daquela cidade. O Núcleo presta atendimento às crianças e jovens socialmente desfavorecidos do município. A idéia do projeto social que resultou no Núcleo vem sendo amadurecida ao longo dos anos. Nas últimas seis décadas, as empresas que fabricam o Cimento Nassau desenvolvem ações sociais junto às comunidades carentes da região onde estão instaladas. No ano de 2001, foi dado início a um projeto social na Ilha de Itapessoca, em Goiana – PE, que tinha como foco principal o desenvolvimento da comunidade através da capacitação profissional da população jovem da região. Este projeto resultou em uma grata surpresa, pois foram capacitados na ocasião 159 jovens para a produção de papel reciclado e trabalhos em artes plásticas, gerando renda para a comunidade. Com base nessa experiência embrionária com resultados bastante positivos, as ações sociais começaram a despertar o interesse de um número considerável de jovens da região que buscavam novas perspectivas de vida. A partir de então, a necessidade de ampliação das ações se tornou imprescindível, vindo assim a resultar na criação e, então, construção do Núcleo Social Nassau. O Núcleo Social Nassau foi construído pelo Projeto Casa da Criança no ano de 2004, numa ação conjunta com a Cimentos Nassau e com o apoio de empresas locais, patrocinadores nacionais, arquitetos e construtoras: Santo Antônio, Vale do Ave, Moura Dubeux, Aveloz, Hermano Nascimento, Queiroz Galvão e GC Tenório. Segundo a Presidente da Associação Núcleo Social Nassau, Neide Marques, os espaços projetados para o Núcleo “proporcionaram condições adequadas à melhoria do processo ensino / aprendizagem, com ambientes dotados de boa estrutura física, contribuindo para melhoria nos resultados. A ambientação dos espaços impacta positivamente na elevação da auto-estima dos alunos, motivando-os para a conquista de um mundo melhor.” As atividades de arte-educação funcionam como principal estratégia de ação frente aos jovens atendidos na Instituição, no intuito de impulsioná-los ao mercado de trabalho e, consequentemente, lhes possibilitar uma melhor geração de renda. As atividades oferecidas pelo Núcleo Social Nassau servem como um atrativo bastante positivo para os adolescentes que, de forma


um ex em plo

Oficina de Escultura

geral, precisam contribuir para a renda familiar, pois são atividades voltadas ao desenvolvimento psicossocial e, sobretudo, profissional desses jovens. O eixo das ações voltadas à arte e à educação abrange uma diversidade de atividades que favorecem ao jovem conhecer e desenvolver suas aptidões, frente à pintura, escultura, reciclagem de materiais diversos (papel, plástico, matéria prima da região, etc.), música, dança, informática, esportes (futsal e capoeira), além de ampliar os conhecimentos sobre a cultura local e/ou regional. O contato que o jovem passa a ter com essa gama de atividades, além das noções práticas de empreendedorismo e o suporte psicopedagógico dado ao estudante, possibilita a sua formação integral, preparando-o para o mercado de trabalho, bem como, para sua inserção na sociedade como multiplicador do conhecimento adquirido. O jovem passa então, a contribuir, efetivamente, para transformar não apenas a sua realidade, mas também a de sua comunidade. Hoje, muitos dos jovens monitores do Núcleo são aqueles que um dia foram alunos do projeto inicial realizado na região, possibilitando que eles exerçam na prática seus aprendizados, bem como, gerando uma oportunidade de crescimento e reconhecimento profissional. Um outro aspecto positivo que deve ser mencionado é quanto ao enfoque dado ao empreendedorismo desses jovens artesãos. Esse eixo de aprendizado prático vem sendo apoiado através da parceria firmada com o Shopping Paço Alfândega, localizado no centro da Cidade do Recife, que vem cedendo um espaço para exposição e venda dos produtos elaborados pelos alunos do Núcleo. Os trabalhos produzidos nas oficinas do Núcleo vêm sendo comercializados e em muitos casos, vendidos sob encomenda para artistas plásticos, decoradores, turistas e para a população em geral.

Essa ação promove a divulgação dos trabalhos e, sobretudo, possibilita ao jovem conhecer na prática todo o processo de comercialização das peças: desde a sua produção até a venda do produto. Este eixo de aprendizado tem obtido resultados visivelmente positivos, alcançando várias metas do projeto social do Núcleo: ampliar conhecimento teórico e prático, despertar aptidões, desenvolver a autoconfiança e elevar a auto-estima do jovem para, a partir de então, poder estar mais bem preparado para o mercado de trabalho. Nesse aspecto, a experiência adquirida com os anos de práticas sociais que resultaram no Núcleo vem despertando o interesse da classe empresarial que vêem o Núcleo como uma referência para trabalhos na área social. A exemplo da visita monitorada de 17 representantes empresariais ao Núcleo Nassau, ocorrida em Novembro de 2005 e que foi coordenada pelo Instituto Ação Empresarial. A preocupação com a formação de espaços educativos como o Núcleo Social Nassau que se concentra especialmente na sua sustentabilidade e gestão vem sendo o mote principal que desperta o interesse da classe empresarial frente às ações do Núcleo. Sob esse aspecto, a Presidente da Instituição, Sra. Neide Marques opina que “a sustentabilidade e gestão de uma Instituição do terceiro setor devem orientar-se por uma avaliação contínua do planejamento à vista dos recursos disponíveis e dos resultados obtidos. No momento inicial do projeto é necessário o investimento dos parceiros e, à medida que a Instituição se consolida, no caso de uma Instituição de geração de trabalho e renda, os alunos podem participar também, com percentual para a gestão, decorrente de recursos oriundos do produto da atividade, como: venda de objetos de arte, apresentação artístico-cultural ou ainda prestação de serviços de monitoria a outras instituições, o que normalmente ocorre a partir do segundo ano de atividade.

Oficina de Música

42

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Oficina de Pintura

Os resultados positivos obtidos constituem fortes atrativos às parcerias que buscam cases de sucesso. A sociedade anseia por transformações efetivas. Juntos, a direção da Instituição, os parceiros públicos e privados, a sociedade e os alunos devem buscar as soluções. Enfim, a busca de alternativas melhores deve ser contínua e a ampliação de parcerias comprometidas com os objetivos da organização deve ser uma constante.” As parcerias firmadas com o Núcleo possibilitam a ampliação do leque de atividades desenvolvidas na Instituição. Atualmente, o Núcleo desenvolve Módulos de Reforço Escolar para as disciplinas de português e matemática, em parceria com a Secretaria de Educação de Goiana – PE. O Módulo Biblioteca também se encontra em funcionamento e apóia os estudantes nas aulas de reforço. Em parceria com o CDI (Comitê de Democratização da Informática) e com o Instituto Telemar que doou os equipamentos, vem sendo desenvolvido o Módulo de Informática, que está em fase de capacitação de monitores para o curso de Informática e Cidadania. Todas as atividades desenvolvidas pela Instituição vêm sendo divulgadas através de reuniões realizadas no auditório do Núcleo, com os pais e familiares dos alunos. Esta ação integra a família com os objetivos da Instituição, bem como, divulga os trabalhos e reforça o apoio da comunidade. As ações sociais do Núcleo Nassau vêm alcançando objetivos bastante satisfatórios, pois têm possibilitado aos jovens socialmente desfavorecidos da região vislumbrar novas perspectivas de vida, através dos conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas e práticas da Instituição. Estas ações fazem parte de um processo transformador que precisa ser abraçado por toda a sociedade, para que possamos permitir aos nossos jovens o direito de exercer sua cidadania em um futuro mais digno.


jovens atendidos pelo núcleo social nassau

falam de sua experiência

Jéssica Marques da Silva. Oficina de Música. Jéssica Marques da Silva, 19 anos, segundo grau completo. Faz parte do Núcleo Social Nassau há 1 ano e 03 meses, integra o grupo de música. Jéssica fala da descoberta de sua aptidão para a música e da emoção de aprender a tocar um instrumento. Participar de um grupo de música como esse tem sido uma experiência maravilhosa: “Eu não tinha nenhuma noção de música. Me identifiquei e quero entrar para o conservatório de música. Ainda não estou completa, estou buscando meu ideal: ser flautista profissional e professora de música. A maior emoção foi a primeira vez que toquei uma música na flauta. Com 04 meses toquei “Asa Branca”, foi uma emoção muito grande, muito forte. A primeira viagem que fizemos para Paratibe para uma apresentação lá, tiramos muitas fotos, foi muito emocionante também.”

Marciana Maria da Silva. Oficina de Dança. Marciana Maria da Silva, 17 anos, Cursa a Oitava Série. Faz parte do Núcleo Social Nassau há quase 1 ano, integra o grupo de dança. Hoje é monitora do grupo e recebe remuneração pelo seu trabalho. Marciana está no Núcleo há quase 01 ano e fala de sua experiência na oficina de dança. “Com 04 meses fui chamada para ser monitora. Esse foi um momento muito especial, passar meus conhecimentos para as outras pessoas. Na minha vida mudou muita coisa pessoal e material, porque trabalho como monitora e mudou também o modo de pensar, fiquei mais madura, aprendi a dizer não. As palestras educativas ajudaram muito, são muito importantes no Núcleo. Tenho muita vontade de ser professora de dança. Me sinto hoje com muita esperança de um futuro melhor”.

José Ricardo da Silva. Oficina de Música. José Ricardo da Silva, 17 anos, primeiro ano do Ensino Médio. Integra o grupo de música. José Ricardo fala da experiência de freqüentar o Núcleo e como tem mudado sua vida: “Antes eu frequentava aula à tarde, o resto do tempo ficava só em casa treinando e jogando bola. Agora mudou muita coisa, ligo mais para o Núcleo, estudar cavaquinho. O Núcleo é minha segunda casa. Estou muito melhor nos estudos. Me sinto outra pessoa. Sempre quis estudar música e não tinha oportunidade. Quero ser um profissional na área de música: “Ricardo do Cavaco”. Um momento especial foi na primeira apresentação de música em Paratibe. Foi uma emoção muito grande, espero que a primeira de tantas. Hoje já me sinto realizado.”

Vanessa Lima. Oficina de Artes Vanessa Américo de Lima, 18 anos, concluiu o Ensino Médio. Faz parte do Núcleo Social Nassau desde o seu início, em 2001, faz trabalhos em papel reciclado. Atualmente trabalha no espaço destinado ao Núcleo, no Shopping Paço Alfândega, Bairro do Recife Antigo, Recife – PE. Vanessa opina como o Núcleo mudou sua vida: “Antes não sabia o que era a arte, mudou muita coisa hoje. Tenho como saber o que é a arte e o que ela transforma na vida. Dias especiais no Núcleo? Desde a primeira exposição fora, em Gaibú, no Hotel Blue Tree Park; estar aqui na Loja do Shopping e a inauguração do Núcleo, que daí firmou o conceito de olhar pra si mesmo e dizer: “Eu agora sou uma artista plástica”, por ser monitora e passar o conhecimento para as outras pessoas, é muito legal ter essa experiência de vida.”

ELIAS FRANCISCO DA SILVA JR. OFICINA DE ARTES. Elias Francisco da Silva Jr., 18 anos, cursa o segundo ano do segundo grau. Integra a oficina de artes. Elias é um dos jovens artistas que se destacaram na produção de suas peças no Núcleo. Já teve alguns de seus produtos exibidos em reportagem e tem vendido peças no espaço do Shopping Paço Alfândega. Ele nos fala que “Antes só estudava e jogava bola, agora que faço parte do Núcleo, estudo, ajudo na construção da minha casa, tenho aula de cidadania e coloco em prática aqui mesmo, porque era arrogante, agora sou mais dedicado, mais calmo. Um momento especial foi quando fui entrevistado pela Tribuna, vi meu trabalho na televisão. Senti uma satisfação e orgulho de todo mundo ver o que fiz.” mília. sco e sua fa Elias Franci a casa que está su à e nt Em fre uir. pai a constr ajudando o

43

revi staB RASI Lsoc ialn º01

Elias Francisco co peças feitas so m uma de suas b encomenda , em fase final de produção .


um ex em plo “O projeto de geração de trabalho e renda precisa estar apoiado em bases educacionais, com envolvimento do públicoalvo e do setor público, das empresas e das instituições do terceiro setor, atuando como Neide M arqu modelo integrador presidente doeNs, úcleo para assegurar a sustentabilidade das ações, ampliar oportunidades de sucesso e impactar positivamente em políticas públicas”.  Na visão de um educador a importância que as atividades oferecidas pelo Núcleo exercem frente aos jovens da região: Charles Roberto da Silva. Instrutor da Oficina de Música. Charles Roberto da Silva, 27 anos, faz curso de música na Universidade de João Pessoa, PB. Trabalha no Núcleo como Instrutor da Oficina de Música há 7 meses. A experiência de trabalhar com esses jovens está sendo bem proveitosa, diante das condições que o Núcleo oferece, porque faltam ainda muitos instrumentos musicais. Mas o interesse dos jovens é grande. Batalhamos muito com eles a cultura musical. Apesar da cultura ser tão próxima a eles, mas eles não tinham tanto costume de ouvir uma música de frevo, maracatu, mpb. A cultura musical que está sendo passada para eles é muito boa, eles estão sendo reeducados musicalmente. (...) Atualmente temos 22 alunos, as aulas são teóricas e práticas de instrumentos de sopro (flauta, clarinete, saxofone) e percussão. Os jovens que entram para essa oficina não necessariamente precisam ter conhecimento musical, aliás, acho até bom que não tenham, pois trabalhamos com eles desde o início. É só dar a oportunidade que eles desenvolvem. Acho muito importante esse trabalho desenvolvido pelo Núcleo, pois dá oportunidade para todos e em diversas áreas. Quando acontece alguma apresentação, a maioria dos alunos participa. Nós já tocamos no Paço Alfândega, no Sesi de Paratibe e na Fábrica Nassau.”

Mini-caboclos de lança (material: papel reciclado, conchas de ostra, materiais da região): R$ 15

Quadro artesanal (material: papel reciclado): R$ 150

Buda (em cimento): R$ 60

ARTE sacra (material: papel reciclado): R$ 90 a R$ 120

Utilitários (representando frutas da região: cajú – material: papel reciclado): R$ 30 a R$ 50

Caixas em tamanhos diversos (material: papel reciclado): R$ 2 a R$ 18

A procura maior é por arte sacra e peças com motivos regionais. Núcleo Social Nassau: Rodovia PE – 49, Tejucupapo – Goiana – PE (Rodovia de acesso à praia de Ponta de Pedras, após a entrada do Distrito de Tejucupapo) Fone: +55 (81) 3616-9322

44

revi staB RASI Lsoc ialn º01


en qu et e

a m u a v e l e O qu m e r i t s e v n i e m p r e s a aõ e s s o c i a i s o r g a n i rzeaa lçi z a d a s p e l o

“A Siemens tem contribuído com o Projeto Casa da Criança nesses 6 anos de atuação em vários Estados Brasileiros, e nos sentimos orgulhosos por fazer parte deste que tem contribuído para o bem estar de crianças e adolescentes carentes do País. Desejamos sucesso ao projeto e que ele possa continuar proporcionando uma melhor qualidade de vida aos atendidos pelo projeto, e esperamos continuar essa parceria que muito nos gratifica.”

como as A? Ç N A I R C A D A Projeto CAS

a Sr. Paulo GBIOeNzeALrrRECIFE GERENTE RE SIEMENS

Sr. Manoel Felix

PRESIDENTE BM&F

“A BM&F, desde sua fundação, cultiva no mais alto grau os conceitos de responsabilidade social e empresacidadã. Permanecer no centro de São Paulo, por exemplo, quando muitas empresas deslocavam suas sedes para áreas novas, foi um passo nesse sentindo, contribuindo para consolidar uma área carente da cidade - mas bem servida em infra-estrutura - deixando de pressionar por recursos que poderiam ser levados para bairros pobres. A criação da Associação Profissionalizante BM&F (APBM&F) o apoio ao atletismo, os investimentos em educação superior e o apoio a mais de 30 instituições beneficentes fazem parte de um contexto em que o apoio à CASA DA CRIANÇA se inclui pelos seus próprios méritos.”

“A crença na capacidade destas organizações de contribuir positivamente para a transformação social.”

Sr. Jo arlos Santoãs oNC o ro nha SUPERINTEN

DEN CIMENTOS N TE ASSAU

Neves Sra. CEaNrAla DORA DE COORD BILIDADE A RESPONS MANCO A SOCIAL -

“A AMANCO acredita que o êxito de uma empresa depende do êxito da sociedade. Por isso se orgulha em apoiar o projeto Casa da Criança que vem melhorando a vida das futuras gerações”.

45

revi staB RASI Lsoc ialn º01


en qu et e

“Prazer maior é saber que estamos beneficiando muitas crianças e sempre apostamos em projetos sérios e competentes como o Casa da Criança.”

Sr. Marcelo ItoIAL GERENTE COMERC ARAFORROS

“Nossa missão é atender aos nossos clientes com produtos desenvolvidos com inovação e produzidos com qualidade. Nosso compromisso social é investir no futuro do nosso país, e por essa razão nos orgulhamos muito em fazer parte do Projeto Casa da Criança.”

Sr. Paulo LuciettoBRASILIT DIRETOR COMERCIAL

“A integração cultural e social é o fundamento para a igualdade entre todos os brasileiros. A Brasilit está orgulhosa em participar do Projeto Casa da Criança que visa atender as carências das crianças deste país.”

era Sra. Diana Serv- FAB RIMAR GERENTE DE APOIO

“A Florense está presente no Projeto Casa da Criança desde sua primeira edição, porque entendemos que o primeiro passo para construir um mundo melhor é preocupar-se com as crianças, que responderão pelo seu futuro.”

llan Sr. Gelson CasteREN SE VICE-PRESIDENTE FLO

Sra. Ângela Sebba

DIRETORA COMERCIAL SICMOL

Sr. Antonio Carlos Loução

DIRETOR COMERCIAL ELIANE

“A Sicmol - empresa cidadã que se preocupa com as desigualdades sociais do nosso país escolheu o Projeto Casa da Criança por se tratar de um projeto sério que tem como foco o futuro de nosso país, a criança.”

“É um orgulho para a Eliane ter a oportunidade de construir um futuro melhor para todas estas crianças.”

46

revi staB RASI Lsoc ialn º01


Br as il

TERESINA Os encantos e os cantos

de uma cidade acolhedora A capital do Piauí, conhecida pelo turismo de eventos e pela excelência na área de saúde, possui grandes exemplos de ações sociais Por Ana Regina Rego Fotos Paulo Barros

Conhecida como “Cidade Verde”, Teresina, a única capital do nordeste brasileiro que não se situa em região litorânea, tem seus encantos. A começar pelos rios que a atravessam e que são responsáveis pela densa vegetação e pelo clima quente e úmido, mas que também embelezam e proporcionam um pôr-dosol inesquecível às margens dois rios, Parnaíba e Poty, cujas águas se encontram no Parque Ambiental, denominado Encontro dos Rios. Para lá correm teresinenses e turistas atraídos pela beleza natural do lugar e pelas manifestações culturais da região. Os rios são fontes de inspiração para lendas como o “Cabeçade-cuia” e “Num-si-pode” que ainda hoje povoam o imaginário simbólico das populações ribeirinhas. Os rios são ainda, fontes de sobrevivência para o povo, através da pesca, e do artesanato desenvolvido nas olarias que acompanham a orla do Parnaíba até o bairro Poty Velho, local onde nasceu a cidade. É ainda à beira dos rios que a cidade se desenvolve. Um dos primeiros núcleos urbanos, na verdade, o primeiro núcleo com edificações administrativas nasceu às margens do Parnaíba, rio que divide o Piauí do Maranhão. Esse espaço urbano de grande representatividade histórica possui belos exemplares de arquitetura eclética, colonial e moderna que abrigam hoje a Prefeitura de Teresina, o Museu do Piauí, a Receita Federal e o Mercado Público de Teresina, além da Igreja do Amparo, que se destaca imponente na paisagem. Ainda no rio Parnaíba, encontramos a Avenida Maranhão que abriga alguns dos exemplares arquitetônicos mais belos da cidade. Como o edifício da CEPISA -Centrais Elétricas do Piauí S.A, uma construção em estilo modernista; a Praça Da Costa e Silva, que apresenta paisagismo de Burlemarx, e ainda,

o Troca-troca, um espaço de comercialização pública, onde se troca e se vende de tudo, e, que é um dos pontos turísticos mais visitados de Teresina. No entanto, desse lado da cidade é a ponte metálica João Luiz Ferreira, que se destaca como o principal cartão postal, sobretudo, ao pôr-do-sol. O nosso passeio continua por uma faixa de terra, localizada entre os rios, que abriga o centro da cidade. E, é por entre ruas e praças, que no século XIX possuíam nomes curiosos e bem peculiares, como Praça Aquidabã e Rua Grande, que novamente nos deparamos com edificações históricas, que hoje compõem o corredor cultural de Teresina. Uma dessas praças justamente a Aquidabã, hoje Pedro II, é o coração do complexo formado pelo Clube dos Diários, Teatro 4 de Setembro, Clube Rex e Central de Artesanato, responsável pela maior parte dos eventos que compõem o calendário cultural da cidade.

47

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O Clube dos Diários é uma construção da década de 1920 e atualmente possui um pequeno teatro, um salão de exposições e um espaço aberto para shows. Já o Teatro 4 de Setembro, que nasceu nas últimas décadas do século XIX e que já foi inclusive um cinema durante muito tempo, abriga hoje os maiores espetáculos nacionais que visitam o Piauí, além dos grandes shows e encenações de artistas locais. A praça Pedro II, por sua vez, também acolhe inúmeras apresentações de caráter cultural, a maior delas, o Salão Internacional de Humor do Piauí já acontece há mais de vinte anos e reúne, ao longo de uma semana, cartunistas e humoristas de todo o Brasil e de vários países como Rússia, Cuba, Cazaquistão, entre outros. O roteiro histórico pela capital do Piauí se estende ainda por outras regiões, dentre as quais, vale a pena destacar a que se forma em torno da Praça Saraiva, com gran-


Br as il des casarões como a Casa da Cultura, anteriormente residência do Barão de Gurguéia, ou o centenário Colégio Diocesano, além da Igreja de Nossa Senhora das Dores, Catedral da Diocese de Teresina. Na Casa da Cultura encontramos dois acervos valiosos, que destacam a atuação de dois piauienses que atuaram em veículos de comunicação de abrangência nacional. O primeiro, do fotógrafo e cenógrafo José Medeiros, repórter-fotográfico da Revista Cruzeiro, e, o segundo, do jornalista Carlos Castelo Branco, colunista político do Jornal do Brasil por mais de 30 anos. O caminho entre os rios vai se abrindo conforme a evolução urbana da cidade, e, é no final do século XIX, durante a construção da Igreja de São Benedito, que uma pequena trilha aberta pelos operários da obra até o rio Poty para pegar areia e água, vai se consolidar e dar origem à Avenida que hoje conhecemos como Frei Serafim, a principal via pública da cidade. É exatamente no início desta Avenida, que se situa o referido templo, circundado pela Praça da Liberdade e pelo Palácio de Karnak, que abriga a Sede do Governo. A Frei Serafim reflete a prosperidade e o progresso do Piauí em meados do século XX, época em que são erguidos vários casarões em estilo eclético, que ainda hoje se destacam, como o que abriga o Palácio Episcopal, ou o Edifício Paulo VI e o Colégio das Irmãs. Mas essa via, em que a tradição e a modernidade convivem, e, em cujo canteiro central podemos

visualizar fontes desativadas, é palco de uma pluralidade cultural sem medidas. Por ela passam milhares de pessoas diariamente, pessoas de muitas tribos, com muitos objetivos, muitas delas fazem um “turismo” de saúde, e são normalmente oriundas dos Estados do Maranhão e Pará. Cruzando a Frei Serafim surge a Avenida Miguel Rosa, onde localizamos a Estação da RFFSA, um dos cartões postais da cidade mais referenciados pela população local. Na estação funcionam espaços culturais como o Clube do Choro, onde os amantes desse estilo musical se reúnem todas as quintas-feiras. E chegamos ao Rio Poty, em cuja margem erguem-se os ícones da modernidade, edifícios e shoppings que dão a Teresina uma nova paisagem verticalizada. No entanto, mesmo em meio ao progresso e a evolução da especulação imobiliária que assola grande parte das áreas verdes, Teresina faz jus ao título de Cidade Verde, tendo a maior parte de seu território ainda coberto por uma densa vegetação de chapada, com grandes árvores como o Ipê amarelo e o Caneleiro, este último árvore símbolo da cidade.

O RIO POTY É PALCO PARA A NOVA PAISAGEM VERTICALIZADA DE TERESINA. EDIFÍCIOS E SHOPPINGS MODERNOS ENFEITAM A ORLA

48

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O passeio turístico por Teresina deve incluir ainda o calendário de eventos, sobretudo, os eventos culturais. Já em março, um festival de música, teatro, dança, fotografia e artes plásticas contempla os piauienses com manifestações de todo o país, é o Artes de Março que acontece em um Shopping local. Em junho, o destaque fica por conta do Encontro Nacional de Folguedos que já entra na terceira década de realização e que reúne ao longo de vinte dias, grupos folclóricos de todo o país, com concursos e shows que proporcionam grande visibilidade às tradições, sobretudo, as nordestinas. Em novembro, o Salão Internacional de Humor, ao qual já nos referimos anteriormente, invade as praças, ruas e avenidas de Teresina, com exposições de desenhos de humor e shows em vários espaços culturais da cidade. Em dezembro, o Festival de Vídeo de Teresina recebe filmes de todo o país que durante cinco dias são exibidos para a população e concorrem a prêmios. TRABALHO SOCIAL Apesar de bela, Teresina carrega consigo a sina de ser a capital de um dos Estados mais pobres da nação, e, que, tem ao longo dos últimos dez anos, amargado as conseqüências de uma ausência de políticas públicas direcionadas ao interior, o que força o homem do campo a vir para a cidade. As invasões de terra na zona urbana de Teresina têm se tornado uma ação diária,


TROCA-TROCA Um dos pontos turísticos mais visitados da cidade

POTY VELHO Artesanato em cerâmica

e junto com as invasões chegam os problemas sociais que vão desde a inexistência e emprego para as famílias que chegam, até a ausência de vagas nas escolas públicas deixando muitas crianças e jovens sem educação. A realidade se agrava a cada dia, com mais crianças pedintes nas ruas e com mais jovens sem uma ocupação digna. Contudo, é diante de uma conjuntura de problemas que muitos se organizam para proporcionar a melhoria da qualidade da vida da população, alguns sem esperar pelo poder público, outros em parceria com o poder público e com a iniciativa privada. O fato é que no terceiro setor encontramos os cidadãos que não se conformam com as injustiças da realidade, invariavelmente agrupados em ONGs, OSCIPs, Associações, Fundações, e, portanto, é também aqui que as iniciativas sociais proliferam trazendo resultados mais rápidos e mudando de fato a vida das pessoas beneficiadas. O Lar da Fraternidade é um exemplo de determinação dos voluntários que lá trabalham. De propriedade da ASA-Ação Social Arquidiocesana, o Lar da Fraternidade abriga pessoas com AIDS. Junto com a implantação do Lar e visando a arrecadação de fundos para equipar a instituição, nasceu a Caminhada da Fraternidade, hoje com mais de dez anos e,

ABRIGO O Lar Maria João de Deus foi reformado

ROTEIRO PARA TURISMO SOCIAL: LAR DA FRATERNIDADE, LAR MARIA JOÃO DE DEUS E LAR DE MARIA. PASSEAR É BOM, AJUDAR É MELHOR que reúne anualmente mais de cem mil pessoas nas ruas de Teresina durante um domingo de junho. O mega-evento hoje contempla além do Lar, diversos outros projetos da ASA. Outro belo exemplo de determinação é o da corajosa Graça Cordeiro que há muitos anos se dedica a cuidar de pessoas portadoras de AIDS. Graça criou o Lar da Esperança e o mantém com doações e ajuda de voluntários. O Lar abriga em média 50 pacientes, inclusive crianças e há cerca de 3 anos ganhou finalmente uma sede, construída somente com doações, mas que proporciona um maior conforto aos internos. O Lar Maria João de Deus, orfanato do Governo do Estado foi a instituição contemplada com o Projeto Casa da Criança que reformou uma área construída de 1.500 m², beneficiando cerca de 60 crianças órfãs ou em situação de risco. Os franqueados do Projeto

49

revi staB RASI Lsoc ialn º01

EMBOLADA Cantadores fazem versos em meio ao passeio

entregaram a obra para a mantenedora em março de 2005. Foram investidos recursos da ordem de R$ 1,5 MILHÃO. A reforma teve início em agosto de 2004, a partir da adesão das construtoras másters Estrela da Manhã, SOFERRO, GTEC, MTV Edificações, SKORA Construções, BETACON, PROLUX e GARRA e dos 62 profissionais que adotaram os ambientes do Lar Maria João de Deus. Já o Lar de Maria, que atende a crianças com câncer, destaca-se no universo da assistência social e cidadania, pelo primoroso trabalho com os pacientes e com suas famílias. O Lar, mantido pela Rede Feminina de Combate ao Câncer, e conta com o apoio do Hospital São Paulo, funciona através de doações e de projetos que realiza para angariar fundos que ajudem na manutenção da casa e na aquisição dos medicamentos não fornecidos pelo SUS ou pelo Hospital parceiro. A casa também recebe o apoio do Instituto Ronald McDonald. Esses são apenas, alguns dos inúmeros exemplos de ações sociais que encontramos em Teresina, mas que refletem a generosidade do povo brasileiro que não se conforma com uma realidade cultural de corrupção que impede o desenvolvimento por completo do país e influi na melhoria da qualidade de vida da população.


anuncio piauĂ­


ac on te ce u

Inauguração em Blumenau

Foi inaugurada em abril a creche CEIJ - Centro de Educação Infanto-Juvenil I São João, uma entidade não governamental fundada em 1992, que atende crianças e jovens de zero a 16 anos, na Educação infantil, Jornada Ampliada e Programas de Erradicação do Trabalho Infantil. A creche vinha apresentando já há alguns anos, problemas físicos como fissuras, pisos desgastados, infiltrações e até problemas elétricos. Em 2005 o Projeto Casa da Criança deu início à reforma de todo o espaço, implementando e criando ambientes de acordo com seus usos específicos e aumentando as instalações da creche em quase OS FRANQUEADOS DE BLUMENAU com Patricia 700 m² de área.

Chalaça: Adalberto, Vilma Karsten, Vitor Faria, Ana Paula Aisensee e Roberto Reichert

Mais uma unidade é inaugurada em Cuiabá Segundo o Instituto Ronald McDonald, Cuiabá é a segunda capital que mais recebe crianças que sofrem com o câncer – em proporção ao número de habitantes - isso em função da demanda dos Estados do norte do País. Por esse motivo, o Projeto Casa da Criança e o Instituto uniram forças para promover a reforma da Ala de Internamento de Pediatria Oncológica do Hospital do Câncer do Mato Grosso, inaugurada em 24 de março deste ano.

Casa Cor MT: A solidariedade entrou na passarela

Para lançar a sua coleção primavera-verão, a Green desfilou uma tendência que nunca sai de moda: a solidariedade. Toda a arrecadação com a venda dos ingressos foi revertida para o Projeto Casa da Criança, que este ano reformou a Ala Pediátrica do Hospital do Câncer de Cuiabá - MT. Naquela cidade, o Projeto é representado pelos franqueados sociais Alan Malouf, Emili Giglio, Leila Malouf, Michel Ayoub e Vagner Giglio. O desfile aconteceu na Casa Cor Mato Grosso 2005.

INAUGURAÇÃO A entrega do Hospital do Câncer é um marco para o Projeto CASA DA CRIANÇA - é a primeira ala hospitalar reformada com a ajuda dos voluntários e parceiros do Projeto, em especial o Instituto Ronald McDonald

Porto Alegre divulga Projeto Casa da Criança

de forma diferente

Inspirado em um carrossel, o arquiteto Mário César Sperb, franqueado do Projeto em Porto Alegre, idealizou um quiosque de forma oitavada, todo de vidros coloridos, que foi montado no Shopping Iguatemi daquela cidade. Com o objetivo de divulgar o Projeto no Rio Grande do Sul, o quiosque traz em seu interior uma TV, onde filmes infantis são intercalados com imagens de unidades beneficiadas pelo Projeto Casa da Criança em todo Brasil. Uma idéia para chamar a atenção não só dos adultos mas também das crianças.

52

Leilão em PORTO ALEGRE

A CRIARE e a Cooperativa dos Criadores de Avestruz do RS (CPARS), firmaram parceria com o Projeto CASA DA CRIANÇA através do arquiteto Mário Cesar Sperb, franqueado social do Projeto Casa da Criança-RS e realizou um evento artístico social com ovos de avestruz em abril, na loja da CRIARE. O leiloeiro José Luís Santayana, também apoiador do evento, comandou o leilão onde 40 ovos doados pela CPARS foram coloridos artisticamente por personalidades, dentre elas a empresária Suzana Sirotsky Melzer, Olga Krell (editora da Revista Espaço D’), André Streppel (velejador e membro da Equipe Olímpica Brasileira), a atriz global Lady Francisco, Isabela Fogaça (primeira-dama de Porto Alegre) e a querida cantora Daniela Mercury, entre muitos outros.

revi staB RASI Lsoc ialn º01


Projeto Casa da Criança é beneficiado com promoção das Lojas Visão, em Belém-PA

Belém-PA

As Lojas Visão fazem uma promoção anualmente, o Lanche Feliz, e toda arrecadação é doada a uma instituição que tem programas sociais. Este ano o beneficiado foi o Projeto Casa da Criança, em Belém. O total arrecadado foi de R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais), a maior arrecadação dos últimos anos, que será 100% revertida para a obra do abrigo EAPE – Espaço de Acolhimento Provisório Especial, instituição de atendimento a crianças especiais, que está sendo reformada em Belém-PA, onde as franqueadas sociais Conceição Pinto, Elizabete Grunvald, Lílian Almeida, Maria de Fátima Petrola e Roberta Frigeri representam o Projeto. Estão de parabéns todos aqueles que participaram desta iniciativa, consumindo o Lanche Feliz, um exemplo a ser seguido.

Fafá de Belém vestiu a camisa do Projeto Casa da Criança na sua terra natal. Gravou um filme institucional do projeto ao lado dos 78 arquitetos envolvidos e das franqueadas sociais daquela cidade: Conceição Pinto, Elizabete Grunvald, Lílian Almeida, Maria de Fátima Petrola e Roberta Frigeri.

LAR DE CLARA As Franqueadas Sociais do Projeto CASA DA CRIANÇA em Recife – Silvia Marques, Teresa Cristina Melo, Wanuyre Souza e Virginie Marques – estarão liderando uma

PROJETO CASA DA CRIANÇA RECEBE PRÊMIO TOP DECOR

ação para reforma da nova unidade do Lar de Clara, em Pontezinha. O espaço foi cedido pelo empresário Roberto Cavalcanti e, graças à ação do Projeto Casa da Criança neste ano de 2006, irá receber uma casa novinha, concebida especialmente para as atividades que realiza e ainda possibilitando uma ampliação de atendimento para a nova comunidade onde estará inserida. Dentre os participantes, já confirmaram as construtoras RIO AVE, VALE DO AVE, SANTO ANTÔNIO, QUEIROZ GALVÃO , L. PRIORI e CONIC. O Lar de Clara é uma entidade civil, filantrópica, sem fins lucrativos, que atende a crianças e adolescentes, estendendo a ação a suas famílias. As franqueadas de Recife aproveitam a oportunidade para convidar a sociedade, os empresários e os arquitetos a participarem deste lindo projeto de amor em prol da infância carente. Através da união de nossos esforços, iremos não só transformar os espaços físicos da instituição, mas a vida de todas as crianças e famílias assistidas.

LANCHE FELIZ Fátima, Beth, Lilian, Conceição e Roberta, com a Presidente da FUNCAP, Ana Chamma e Paloma Lobato, das Lojas Visão. Abaixo, Citröen doado pelo Top Decor para compra de equipamentos fisioterápicos para o EAPE, espaço que está sendo reformado pelo Projeto Casa da Criança em Belém.

A Facilit Tecnologia em parceria com o Projeto Casa da Criança A Facilit Tecnologia é uma empresa de capital nacional, com onze anos de existência, atuando no mercado de tecnologia da informação realizando desenvolvimento de softwares em geral e em projetos específicos para grandes corporações, além de atuar em consultorias, vendas e treinamentos de várias tecnologias. Mantém parcerias com o CESAR - Centro de Estudos Avançados do Recife, com o Porto Digital, CNPq e GPSID/UFPE. A empresa vem regularmente investindo na atualização e modernização de seu parque tecnológico, certificação do pessoal e em pesquisas e desenvolvimento. A Facilit tem ainda investido em projetos de inovação e P&D. Exemplo disso é o Projeto COMMUNIS - Software na área de Gestão de Conhecimento aprovado pelo CNPq-RHAE–INOVAÇÃO. A tecnologia do COMMUNIS foi recentemente implantada no Projeto Casa da Criança e irá facilitar a dinâmica de trabalho entre Coordenação Nacional e todas as franquias sociais do Projeto dos diversos Estados brasileiros. O Projeto COMMUNIS possibilita a sistematização das informações resultando em uma solução prática e precisa para quem necessite inserir, alterar, atualizar, apagar ou receber informações à distância, como é o caso do Projeto Casa da Criança.

53

revi staB RASI Lsoc ialn º01

O Núcleo de Decoração Top Decor entregou ao Projeto Casa da Criança um automóvel Citroen C3. A doação será revertida para a compra de equipamentos de fisioterapia do EAPE (Espaço de Acolhimento Provisório Especial), da Fundação da Criança e do Adolescente (Funcap). O Espaço abriga mais de 30 crianças portadoras de necessidades especiais, abandonadas pelos pais. Após a reforma, a unidade passa a servir a mais de 200 crianças - entre abrigadas e atendidas para o tratamento fisioterápico. A entrega do veículo aconteceu, na estação das Docas. Esteve presente a Vice-Governadora e Secretária Especial de Proteção Social de Belém-PA, Valéria Pires Franco, que agradeceu: “Em nome do Governo Simão Jatene e da área da Proteção Social, agradeço ao Núcleo Top Decor e a todos os profissionais que aceitaram esse compromisso social”. O Núcleo Decoração Top Decor, que tem como Presidente Antônio Sérgio Figueiredo, é uma entidade sem fins lucrativos que busca unir e valorizar empresas e profissionais das áreas da engenharia, arquitetura, design e decoração, promovendo uma série de ações com esse fim. “Em que pese todo o apoio dos órgãos governamentais, a sociedade também precisa ajudar”, disse Antônio Sérgio em seu discurso.


Revista Brasil Social I  

Revista Brasil Social I

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you