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23ª Edição

Jornal das Ciências

nº 23 - Ano 13

Setembro de 2013

JornaldasCiências CASA DA CIÊNCIA | PROJETO EDUCACIONAL CTC | HEMOCENTRO DE RIBEIRÃO PRETO | HC-FMRP | USP

Trilha da Ciência

15º Mural

Página 1

16º Mural

Página 2

Extremófilos: Vivendo no limite!

Os alunos do Adote um Cientista, programa educacional da Casa da Ciência, foram apresentados a curiosos organismos que possuem resistência para viver em ambientes extremos, aparentemente desfavoráveis à vida. Conhecidos como extremófilos, eles podem ser encontrados tanto em locais com temperaturas acima de 60º C, quanto em geleiras próximas de 0º C. Alguns conseguem viver em ambientes salinos, alcalinos ou até mesmo ácidos. Essas criaturas foram tema de dois momentos do programa: em 2011 com a Dra. Tie Koide, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), e em 2013 com a mestranda Marjorie Cornejo Pontelli. Como esses micro-organismos resistem a essas condições? Com essas características tão distintas, será que eles podem ser utilizados como modelos de estudo para o desenvolvimento científico e tecnológico?

Página 2-3

Bactérias unem alunos e pesquisadoras em projeto de investigação.

Página 4

As bactérias foram escolhidas por três pós-graduandas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) como tema de um projeto de investigação científica desenvolvido com alunos dos ensinos fundamental e médio do programa Pequeno Cientista. Orientadas pela Casa da Ciência em uma disciplina da pós-graduação oferecida pelo Departamento de Clínica Médica

da FMRP, as pesquisadoras explicitaram e avaliaram o plano de orientação do projeto “Bactérias: sua utilização e sua importância para o ambiente e para o homem”. Nessa troca de experiências, todos aprendem - alunos a pesquisar e os pós-graduandos a ensinar e investigar a aprendizagem dos jovens - e a Casa da Ciência, sempre avaliando e registrando, compartilha o resultado desse processo de construção do conhecimento.

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Jornal das Ciências

Editorial

Há muito tempo as bactérias estão na mira da ciência, por isso - e devido à sua presença nos programas da Casa da Ciência - são as personagens principais desta 23ª edição do Jornal das Ciências. Versáteis, elas não são apenas causadoras de doenças infecciosas, algumas espécies são importantes para nossa flora intestinal e outras estão sendo estudadas no tratamento da diabetes graças ao seu DNA plasmidial. Além disso, há um grupo de bactérias, juntamente com as archaeas, que são capazes de viver em situações extremas e, por possuírem características moleculares muito peculiares, estão sendo estudadas com o objetivo de esclarecer a origem da vida no planeta. Ao longo dos anos, esses organismos vêm mostrando aos pesquisadores suas inúmeras possibilidades de aplicações para o desenvolvimento científico e tecnológico, desmitificando seu papel de vilã. O suplemento “Trilha da Ciência” traz alguns trabalhos apresentados nos Murais realizados em 2012 que revelam o empenho dos alunos no início do Pequeno Cientista, programa que consolidou a iniciação científica realizada pelos alunos sob orientação dos pesquisadores do Hemocentro e da USP de Ribeirão Preto. Boa leitura!

Informações

Esta é uma publicação da Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto (HCFMRP -USP) distribuída gratuitamente nas escolas. O Jornal das Ciências é parte do Projeto Educacional CTC/CEPID e INCTC - Fapesp e CNPq. Coordenadores: Dimas Tadeu Covas, Marco Antonio Zago e Marisa Ramos Barbieri. Coordenadora da Casa da Ciência e MuLEC: Marisa Ramos Barbieri. Jornalista responsável: Gisele Oliveira - MTB 61.339. Redação: Ádamo Siena, Fernando Trigo, Gisele Oliveira, Marisa Ramos Barbieri e Pedro Leopoldo Borges. Imagens: Danielle Castro, Gisele Oliveira e Pedro Leopoldo Borges. Diagramação: Gisele Oliveira. Equipe da Casa da Ciência: Ádamo Siena, Danielle Castro, Fernando Trigo, Flávia Kato Gonçalves, Gisele Oliveira, Marisa Ramos Barbieri, Pedro Leopoldo Borges, Rosemeire R. Tritola. Apoio: Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, USP, Fapesp e CNPq. Endereço: Rua Tenente Catão Roxo, 2501. CEP: 14051-140. Ribeirão Preto - SP. Telefone: (16) 2101-9308. E-mail: casadaciencia@hemocentro.fmrp.usp.br Site: www.hemocentro.fmrp.usp.br/casadaciencia Tiragem: 2.500 exemplares. Distribuição Gratuita | É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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Extremófi

nº 23 - Ano 13

Setembro de 2013

Vivendo no limite!

A archaea H. salinarium necessita de um ambiente com concentração de sal específica.

Imaginar os organismos que podem viver em uma floresta tropical é fácil, mas será que em locais considerados inóspitos para o homem também podemos encontrar vida? Como seria viver em um mar ácido como o vinagre, em um lugar quente como um vulcão ou no deserto sem água? Será que existe vida em um ambiente dez vezes mais salgado que a água do mar? Sim, os organismos que habitam esses locais são os extremófilos. A professora Dra. Tie Koide da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) coordena o Laboratório de Biologia Sistêmica de Microorganismos (LaBiSisMi) onde estuda um desses organismos que vivem em condições extremas e, em uma conversa com os alunos do programa Adote um Cientista em 2011, explicou como eles surgiram e como resistem a essas condições adversas. Este ano, no mês de abril, os extremófilos retornaram à programação da Casa da Ciência com a mestranda Marjorie Cornejo Pontelli, do LaBiSisMi, que mostrou como esses micro-organismos podem ser utilizados como modelo biológico, principalmente se analisado com as perspectivas da Biologia Sistêmica - ramo da ciência que busca entender os organismos biológicos em todos os seus níveis, desde a caracterização de suas partes constituintes (genes, RNAs, proteínas e metabólitos) e das interconexões entre os diferentes membros dessas redes de interações, até a compreensão do organismo como um todo. O tema aguçou a curiosidade dos alunos do programa e da equipe da Casa, que retomou o assunto para conhecer um pouco mais desses curiosos organismos que vivem onde poucos suportariam. Condições extremas Para definirmos condições extremas, nos baseamos na Terra atualmente. Se

imaginarmos o planeta quando começou a se originar há aproximadamente 4,6 bilhões de anos - com base nas evidências científicas -, teríamos um local extremamente quente, com meteoros caindo, sem atmosfera formada e com inúmeras radiações que penetrariam no planeta proporcionando um ambiente hostil para qualquer forma de vida, exceto para os extremófilos. Esses micro-organismos têm sua origem atrelada ao surgimento do planeta e suportam condições ambientais que consideramos adversas. A maioria deles faz parte do domínio Archaea e Bacteria – ambos procariontes, ou seja, não apresentam material genético organizado num núcleo. A archaea do sal O grupo da professora Tie estuda a archaea Halobacterium salinarium, um micro-organismo halófilo, que sobrevive em ambientes com alta concentração de sal. “Comecei a trabalhar com H. salinarum em 2006, quando fui fazer pós-doutorado em Seattle, nos Estados Unidos”, conta. Tie participou de um grupo no Institute for Systems Biology (Instituto de Biologia Sistêmica) que estudava esse organismo como um modelo para entender mecanismos de regulação gênica em escala genômica. Para manter a H. salinarium em laboratório, a professora explica que é necessário simular seu ambiente natural utilizando um meio de cultura chamado CM (complex media ou meio complexo), que contém todos os nutrientes necessários para que


filos

Jornal das Ciências

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Encontro com a professora Tie instigou a curiosidade dos alunos sobre a diversidade e a forma de vida das archaeas

Alunas do Adote um Cientista observam placa com cultura da H. salinarium.

ela cresça: peptona (que é uma mistura de aminoácidos e polipeptídeos) e diversos sais (citrato de sódio, cloreto de potássio, sulfato de magnésio e cloreto de sódio). “O mais interessante é a quantidade de cloreto de sódio que usamos nesse meio de cultura: para fazer 1 litro utilizamos 250 gramas de cloreto de sódio (NaCl). Essa concentração de sal é aproximadamente 10 vezes maior que a água do mar”, revela. Considerando essa exclusiva necessidade por altas concentrações de sal, a cultura dessa archaea se mantém protegida do desenvolvimento de outros micro-organismos, o que facilita bastante seu estudo no laboratório. “Esses extremófilos colonizam um habitat muito específico, se a concentração de sal é alterada eles já não vivem tão bem”, comenta. Durante o encontro do Adote, os alunos observaram placas de Petri com culturas da H. salinarium e perceberam uma tonalidade rosada na archaea. Isso acontece porque, assim como nossos olhos têm uma proteína sensível à luz chamada rodopsina, esse organismo possui a bacteriorodopsina - uma proteína da membrana - que, além de agir como sensor de luminosidade, consegue se conectar a outros componentes celulares e produzir energia. Em algumas condições ambientais, a H. salinarum pode utilizar a luz para obter energia sintetizando o ATP (trifosfato de adenosina) - a principal molécula energética. “Para que isso aconteça, há várias etapas intermediárias, em uma delas tem esses pigmentos que estão envolvidos em como a Halobacterium vai capturar a energia da luz e transformá-la em energia química”, explica Tie. “Essa síntese de ATP a partir da luz depende de pigmentos carotenóides e da bacteriorodopsina”, completa José Vicente, mestrando do LaBiSisMi. A Halobacterium também consegue obter energia de outras formas: por meio da respiração na presença de oxigênio, com respiração anaeróbica utilizando um composto chamado DMSO e também através da fermentação do aminoácido arginina. Com o auxílio de um microscópico,

é possível visualizar pontos brancos na superfície da cultura da H. salinarium, que são vesículas de gases que permitem a ela flutuar em meios líquidos, auxiliando na captação de luz e permitindo que fique em um ambiente com mais quantidade de oxigênio. Bactéria alienígena Durante o encontro do Adote, inúmeras perguntas foram feitas para a professora Tie. O aluno Lucas Kava, da segunda turma do Pré-Iniciação Científica, levantou uma boa discussão: “Por elas serem tão resistentes, não existe alguma bactéria que consiga sobreviver no vácuo, fora do planeta Terra?”. A resposta não poderia ser menos surpreendente: “Existe e isso é uma coisa que quem estuda astrobiologia tem focado bastante, porque tem alguns micro-organismos - archaeas e bactérias, principalmente - que são resistentes ao vácuo. Há hipóteses que

defendem a possibilidade da vida ter vindo do espaço. Isso é interessante, porque alguns micro-organismos, até mesmo a Halobacterium, são resistentes a algumas radiações. Existe uma bactéria chamada Deinococcus radiodurans que vive muito feliz em depósitos de lixo radioativo”, respondeu a professora. A astrobiologia - área que estuda a origem e evolução da vida na Terra e, possivelmente, em outros planetas tem os extremófilos como modelo de estudo, pois alguns ambientes extremos que encontramos na Terra podem imitar perfeitamente locais comuns em outros planetas. “O lago antártico Untersee, que abriga várias formas de vida microscópica, apresenta um ambiente alcalino rico em metano e extremamente frio, é muito parecido com o da lua de Júpiter, a Europa”, comenta José Vicente.

PERGUNTAÇÃO - EXPRESSÃO GÊNICA

Tie: Se todas as nossas células têm o mesmo material genético, por que a célula do seu olho é diferente da célula do seu estômago, que é diferente da célula da pontinha do seu dedo? Aluna – É porque cada uma tem uma determinada função!? Tie: Mas como isso vai ser controlado? Como se determina que a célula do olho seja sensível ao estímulo da luz, ou que a célula do estômago deva digerir? Aluno – Sistema nervoso?! Tie: Mas e se pensarmos no micro-organismo do nosso estudo, ele não possui sistema nervoso. O sistema nervoso só está presente em organismos mais complexos. Aluno – Cada célula tem uma proteína responsável pela função?! Tie: No caso da Halobacterium, ela possui receptores (proteínas) importantes, mas eles não estão presentes na célula o tempo todo. Como ela vai determinar “agora eu preciso dessa proteína”? “Agora eu vou produzir essa proteína”? E toda essa informação está lá no DNA? Vocês concordam que todas as células têm DNA e elas podem ter a informação para produzir a proteína? Provavelmente, ela não vai fazer tudo ao mesmo tempo. Aluna - Isso vai depender de ativação e inibição de genes? Tie: Isso! Esse processo nós chamamos de expressão gênica, que será a regulação. Assim, quando o gene for expresso, aquela informação será manifestada ou não.

TIPOS DE EXTREMÓFILOS Hipertermófilos: vivem em temperaturas cima de 60ºC, incluindo temperaturas acima de 100ºC – fumarolas, fontes termais superficiais e abissais. Psicrófilos: vivem em ambientes com temperatura próxima a 0ºC (-15ºC a 10ºC) - geleiras. Halófilos extremos: vivem em salinidade entre 9 e 30% NaCl – salinas. Acidófilos: vivem em ambientes acídicos, com pH entre 0.1 e 4 –sulfataras e lagos criados em minas pirite. Alcalófilos: vivem em locais com pH superior a 10 – lagos salgados e águas subterrâneas. No site da Casa da Ciência é possível encontrar mais informações sobre a origem dos extremófilos e como eles podem contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico: www.hemocentro.fmrp.usp.br/casadaciencia

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Jornal das Ciências

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Setembro de 2013

Bactérias unem alunos e pesquisadoras em projeto de investigação.

As bactérias são vistas há muito tempo como vilãs e não é para menos, durante séculos esses micro-organismos foram encarados apenas como causadores de doenças infecciosas. Porém, hoje as coisas mudaram. As bactérias presentes na flora intestinal humana, por exemplo, se tornaram alvo de estudo de grupos do mundo inteiro, que veem nos cerca de 100 trilhões de micróbios intestinais um forte potencial para tratar doenças e melhorar a saúde em geral. Com toda essa capacidade de estudo, as bactérias foram tema de investigação de um grupo do Pequeno Cientista no primeiro semestre de 2012. Os jovens foram orientados por três alunas da pós-graduação – Aline Gozzi, Fernanda Ursolli Ferreira Mello e Lílian Figueiredo Moreira–, que participaram da disciplina “Trabalho de Campo do Professor Pesquisador”. Oferecida pelo

Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e coordenada pela professora Marisa Ramos Barbieri, a disciplina propõe que os pesquisadores orientem alunos da educação básica em projetos de iniciação científica explicitados em planos de orientação e de aula. Com mais de 75 horas de dedicação ao longo do semestre, as pesquisadoras desenvolveram uma proposta cujo objetivo era destacar a importância ecológica das bactérias (decomposição da matéria orgânica e biodegradação de lixo tóxico) e sua aplicação na indústria alimentícia, química e farmacêutica, além do seu destaque nos laboratórios de pesquisa, como a aplicação dos estudos de plasmídeos na produção de bactérias recombinantes. Seguindo a proposta metodológica da disciplina, as hipóteses de aprendizagem previstas pelo grupo

eram avaliadas durante os encontros, repletos de perguntas e atividades práticas. Investigar a morfologia, as condições de crescimento, a distribuição e a fisiologia destes micro-organismos levou os alunos a trabalharem com algumas técnicas laboratoriais, como o preparo de meios de cultura específicos, coleta, inoculação e contagem de bactérias de diversos ambientes, procedimentos de extração de DNA, coloração e reconhecimento de estruturas bacterianas. A disciplina sistematiza um processo de construção, o processo educacional, que leva à articulação dos conceitos. Um espaço nobre que aproximou ensino e pesquisa, e que permitiu aos alunos estudarem bactérias, enquanto as pesquisadoras investigavam a aprendizagem dos alunos, e a Casa da Ciência, a interação entre as pesquisadoras e os alunos.

O SENTIDO DA EXPERIMENTAÇÃO: RESPONDER UMA QUESTÃO

EPISÓDIOS QUE SURPREENDERAM AS PESQUISADORAS

“Quando esqueço o iogurte fora da geladeira e ele estraga, as bactérias que aparecem após um período são as próprias bactérias do iogurte que proliferaram muito, e estragam-no, ou são bactérias do ambiente externo?” para responder essa pergunta, as pesquisadoras e os alunos montaram um experimento e discutiram os resultados: Dentro de um fluxo laminar estéril, uma pequena amostra de iogurte foi inoculada em uma placa de Petri com meio de cultura LB Agar. Esse material foi mantido fora da geladeira até que estragasse e a amostra foi novamente inoculada em outra placa. Passados alguns dias, foi realizada uma coloração destas bactérias em lâminas e analisadas suas morfologias, que levou à conclusão de que as bactérias internas e externas participaram na deterioração do iogurte.

●Questionados sobre o porquê das bactérias terem uma fase estacionária quando param de se multiplicar, uma aluna respondeu: “Se ela se reproduzir muito, irá prejudicar a vida da outra, porque elas competem pelos nutrientes e morrem”. ●“Deixei um vidro de requeijão fora da geladeira durante um dia, quando olhei no outro dia estava estragado. Havia fungos e bactérias”. Então, as pesquisadoras perguntaram: “Como você soube diferenciar o fungo da bactéria?” e a aluna respondeu: “Porque a bactéria era leitosa e o fungo parecia um algodão”. ●Algumas dúvidas dos alunos durante o desenvolvimento do projeto: “No contexto de recombinação gênica, quantos vírus entram na célula para inserir genes plasmidiais?”. “Podemos colocar mais vírus para melhorar a recombinação?”, “Podemos ‘reaproveitar’ o vírus em outras células?”. “O DNA ‘morre’ fora da célula?”.

PEQUENO CIENTISTA

O programa nasceu do interesse da Casa da Ciência em sistematizar resultados de iniciação na pesquisa acadêmica, estreitar as relações com os professores nas escolas e também com os alunos do Adote um Cientista (programa criado em 2005), que desejavam desenvolver um projeto científico completo.

PESQUISADORAS

BACTÉRIAS

Aline Gozzi investiga diagnóstico de sepse através da biologia molecular. Fernanda Ursolli pesquisa a transição endotélio-mesenquimal na biologia de células endoteliais. Lilian Figueiredo estuda a diferenciação das células-tronco embrionárias humanas em células do sangue.

As bactérias apresentam toda a “simplicidade” de um procarionte ausência de carioteca e de organelas membranosas - e, diferentemente das archaeas (veja na página 2 e 3), sua expressão gênica não segue os “moldes” das células eucariontes.

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Trilha da Ciência 15º Mural

Fruto de um semestre de investigação dos alunos que frequentam o Adote um Cientista, a Casa da Ciência realizou a 15º edição do Mural no dia 28 de junho 2012. Até então, os alunos extraíam das palestras assistidas temas e hipóteses para testar em um projeto de pesquisa, cujos resultados eram apresentados no evento. Desta vez, a orientação se consolidou em um novo programa: o Pequeno Cientista, no qual professores e pesquisadores parceiros realizaram atividades práticas com os alunos, aproximando-os cada vez mais do laboratório e do ambiente acadêmico.

SOLITÁRIAS E SOCIAIS: DIFERENTES OU SEMELHANTES?

Os jovens, orientados pelo professor Ricardo Couto, os alunos ficaram intrigados quanto à sua reprodução, deobservaram as semelhanças e as diferenças entre senvolvimento e comportamento, recorrendo ao estudo de abelhas sociais e solitárias. campo para comprovar suas hipóteses. Partindo da comparação entre espécies desse inseto, Durante a apresentação do trabalho, o grupo despejou seus conhecimentos num diálogo entusiasmado com Beatriz Felício, uma das avaliadoras do Mural: Ana Luísa: “Os machos da abelha social e da solitária não são muito diferentes”. Maria Eduarda: “Eles servem para fecundar a rainha”. Ana Luísa: “E ambos têm comportamento de patrulha. Esperam a fêmea para copular”. Beatriz: “Mas vocês querem dizer que os machos não têm diferença física?”. Todos: “Não. De comportamento!”. Além dos aspectos comportamentais, os jovens estudaram conceitos genéticos e morfológicos das abelhas Alunos participantes: Ana Luiza Menossi, Bruna Qualio, Leonardo Rodrigues, Letícia para compreender que suas semelhanças e diferenças Miranda, Luana de Souza, Maria Eduarda não se limitam à cor ou ao formato das asas, mas se Bocadini, Mariane dos Santos, Melissa Lopes, devem também aos fatores genéticos de estruturas moNathália Nunes e Ronifer Barrozo. leculares e de adaptação.

BACTÉRIA: A MOCINHA OU A VILÃ? O grupo orientado pelas pesquisadoras Aline Gozzi, Fernanda Ursoli e Lillian Figueiredo, explorou “a utilização e a importância da bactéria para o ambiente e para o homem”, abordando, além dos conceitos de desenvolvimento e reprodução bacteriana, o seu protagonismo na degradação da matéria orgânica e os tabus que as rotulam como “boas” ou “ruins”. Desmitificando a concepção de que só existem bactérias patogênicas, a aluna Bárbara destacou uma situação benéfica que tem a bactéria como peça fundamental: “A pergunta principal do nosso grupo foi se ‘as bactérias só fazem mal?’ Agora, além de sabermos a importância delas na flora intestinal, sabemos que seu plasmídeo tem sido estudado para o tratamento contra a diabetes, [...] já que o DNA plasmidial pode ser transfectado em uma célula do nosso próprio corpo, o que descarta as chances de rejeição e desencadeia nela a produção de insulina para, depois de reproduzida in vitro, ser reintroduzida no nosso corpo”. Contudo, o grupo destacou que as bactérias que causam doenças não deixaram de existir e são de grande importância para a decomposição de orgânicos no controle da cadeia alimentar. De uma pergunta ingênua pode surgir um princípio para iniciação científica; “Por que o álcool 70% mata as bactérias?” “Qual bactéria estraga o iogurte, do ar ou

Alunos participantes: Bárbara Benati, Gabrielle da Silva, Heloisa Alves, Inae Barata, Mariana Costa, Rebecca Paiva e Vinícius Meles.

as do próprio iogurte?”. Dando ênfase para momentos de aprendizagem dentro do laboratório, o grupo trouxe resposta para algumas das perguntas que surgiram durante a orientação com as pesquisadoras. Em resposta a sua própria pergunta, Rebecca sustentou que “o álcool tem a capacidade de eclodir a membrana da bactéria”; já Vinícius resolveu analisar o iogurte estragado, e concluiu que “tanto as bactérias do ar, quanto as que são naturais do iogurte participaram no processo de deterioração, já que nas lâminas analisadas ambas estavam presentes”.

Totalizando 12 grupos temáticos, o 15º Mural abriu portas para a orientação direta entre pesquisador-aluno, mostrando que o sucesso dessa edição era apenas o começo de uma jornada de experimentação e divulgação de resultados e que, apesar do pouco tempo com o orientador, o convívio com ele é uma faísca que desperta no aluno a vontade de conhecer, e mais do que isso, de responder. Para quem tem essa predisposição, não existe certo ou errado, mas apenas o desejo de contribuir com aquilo que é pesquisado.

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NEUROCIÊNCIAS: MEMÓRIA E APRENDIZADO O grupo de Neurociências já é um grande parceiro dos programas educacionais, fez parte de outros Murais da Casa da Ciência, e, desta vez, trouxe novos conceitos e experimentos para demonstrar quais bases das neurociências estão “por trás” de alguns comportamentos. Utilizando dois experimentos denominados “esquiva ativa” e “labirinto diagonal”, os alunos, orientados pelo pósgraduando Danilo Benette Marques, demonstraram como a memória e o aprendizado dos ratos influenciam seus comportamentos. Esquiva ativa - “A gente faz a privação alimentar e chama a atenção deles com um botão ou uma luz piscando para depois eles entenderem que toda vez que apertarem o botão ou a luz piscar eles vão ganhar uma recompensa”. Labirinto diagonal - “O labirinto diagonal é um teste comportamental de memória também e pode ser feito para memória de curto ou longo prazo (...) e nesse caso ele associa uma imagem à comida e vai passar a procurar por essa imagem”.

16º Mural

12 grupos do Pequeno Cientista apresentaram os resultados dos projetos de iniciação científica no dia 29 de novembro de 2012.

Alunos participantes: Jéssica Geroldo, Leonardo Juzo, Letícia Anelli, Maíra Costa Gonçalves, Nataliani Fassini, Nataliely Fernandes Leonel e Wener Mendonça.

COUVE, HERBIVORIA E A DANADA DA CHUVA

Alunos participantes: Leonardo Rodrigues, Letícia Fernandes, Mylena Regina da Silva, Patrick Carvalho de Oliveira e Taís Gomes Soares.

Para o grupo de Ecologia, que participou pela primeira vez do Mural, o desafio foi conhecer a herbivoria no desenvolvimento da couve. Os alunos foram orientados pela professora Luzia Sperandio e estudaram a interferência dos animais no crescimento da couve, observando a relação entre as diferenças nas taxas de herbivoria e as fase de desenvolvimento da planta. A ocorrência da chuva até tentou atrapalhar o andamento do experimento, mas o grupo conseguiu contornar a situação através da pesquisa e aprendeu alguns conceitos e relações ecológicas, como o predatismo, por exemplo.

DESCARBOX... ESPERA AÍ QUE É DIFÍCIL FALAR: DESCARBOXILAÇÃO OXIDATIVA O grupo de Transformações Químicas, coordenado pela pesquisadora Beatriz Schneider Felício, já participou de outra edição do Mural, mas dessa vez o foco foi a fermentação alcóolica, a respiração celular e a cadeia transportadora de elétrons. Diante de mapas metabólicos complicados de se entender, os alunos explicavam como, a partir de uma molécula orgânica (a glicose), pode-se obter energia por meio de ciclos distintos e com a apresentação de resultados diferentes. Durante as explicações, os jovens falaram como os elétrons são carregados de uma molécula para outra com o auxílio fundamental das enzimas, resultando em ATP e energia. Confira um trecho da explicação de um aluno sobre a geração de energia: “Fosforilação oxidativa é apenas um nome para as funções divididas em complexos: no complexo I, quanto mais energia for liberada, mais ubiquinona foi liberada naquele processo; no complexo II, a ubiquinona, com a ajuda do FADH, oxida o succinato e continua seu caminho no processo (...)”.

Alunos participantes: Jéssica Vicente, Laura Chiarelli Jardim, Mariana Costa e Vitor de Lima Ribeiro.

MODELO BIOLÓGICO: UMA SEMELHANÇA QUE A CIÊNCIA ESTÁ APRENDENDO A RESPEITAR

Alunos participantes: Alexssandra Soares, Inaê Barata, Marianne Santos e Thaís Ribeiro.

O grupo Modelo Biológico, orientado pelas pesquisadoras Ana Paula Lange e Cleide Silva, apresentou animais usados em experimentos, em especial o camundongo (Mus musculus). As alunas falaram sobre as razões (temos semelhanças com ratos?) pelas quais estes animais são escolhidos como alternativa na pesquisa científica, ao invés de seres humanos. Lembraram que, antigamente, eram utilizados gatos, cachorros e outros animais, sem muito critério de escolha e também sem muito controle das condições em que a pesquisa era conduzida. O grupo enfatizou as necessidades básicas para a realização dos experimentos e as medidas adequadas para a manipulação dos animais, ressaltando a importância de evitar estresse sobre os sujeitos da pesquisa - tanto pela ética, quanto pela interferência disso nos resultados dos estudos.


JC23  

As bactérias são as personagens principais desta 23ª edição do Jornal das Ciências. Versáteis, elas não são apenas causadoras de doenças inf...

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