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CAVALOS, um relincho de liberdade by Cidinha Franzão

Duas histórias de vida em épocas diferentes mas com mesmo enredo: ambos ficaram cegos na adolescência e encontraram no cavalo a força motora para enfrentar a escuridão.

Há mais de dez anos, Luiz Alberto escreveu um livro chamado “Meus Olhos Têm Quatro Patas”, que trata do treinamento e do relacionamento entre o cego e seu cão-guia. Luiz Alberto: “... preenche vazios do meu ser”

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Luiz Alberto: “ ... which fills important spaces in my being”

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Nos últimos anos, vem ensaiando outro: “Meus Olhos Têm Quatro Cascos”, não para ser uma edição eqüestre do primeiro, mas para mostrar o quão importante o cavalo tem sido em sua

nico endurista cego federado do mundo,

vida. “O cão dorme no meu quarto, viaja comigo

Luiz Alberto Melchert de Carvalho e

para todos os lugares para onde vou; é parte

Silva nasceu com glaucoma congênito e sabia

de mim. É como um braço ou uma perna, cuja

que um dia perderia a visão. Desde os 14 anos

falta é sempre sinônimo de mutilação, se não

não enxerga e aos 36 anos foi convidado por

no corpo, pelo menos n’alma. Dá muitas

uma amiga, Priscilla Botton, a fazer parte de um

alegrias, sem dúvida, mas tem uma conotação

projeto visando utilizar a prática do volteio como

diretamente utilitária que o cavalo não tem. Não

terapia para crianças com cegueira. Não parou

preciso do cavalo para o meu trabalho, nem

mais e hoje o cavalo faz parte de sua vida assim

dependo dele para minha locomoção, ao

como seu labrador Ipsilon.

contrário do cão-guia. Trata-se de uma

Aos nove anos de idade, Rodrigo Rossetti

necessidade diferente, mais parecida com a

Vallim de Castro, vitimado por degeneração

paisagem que não vejo, com a lua que não

macular, deixou de enxergar e a família buscou

ilumina minhas retinas. É um quê de plástico

nas cavalgadas uma forma de terapia para

que enche vazios importantes do meu ser”,

aplacar o trauma que afetou a todos. Um tio o

declara Luiz Alberto.

levou ao ZR Training Center e há um ano ele

Após o trauma vivido e a descoberta do cavalo,

dedica-se ao western, sob a orientação de Zezé

Rodrigo diz que “depois que comecei a montar

Rodrigues. O jovem tem hoje 14 anos de idade,

e a treinar, fiquei mais calmo, mais tranqüilo e

está na sétima série e seu sonho é ser

perdi o medo da perda da visão”. Uma de suas

engenheiro civil.

maiores alegrias é competir na modalidade

Casa Branca PRESS 03  

Junho de 2006 / ano 2 - número 03

Casa Branca PRESS 03  

Junho de 2006 / ano 2 - número 03

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