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O alerta do ministro Roberto Rodrigues faz sentido. De coadjuvante, o Brasil tornou-se em 2003 o maior exportador mundial de carne bovina, desbancando de uma vez a Austrália (até então líder) e os Estados Unidos (uma potência em qualquer negócio). Mesmo a Argentina, que sempre liderou a comercialização de carne vermelha no continente latinoamericano viu sua supremacia suplantada. Os especialistas brasileiros têm explicação muito clara para o boom da pecuária nacional. “Foi o sólido investimento em melhoramento genético, nutrição animal, manejo e gestão profissional desencadeados especialmente a partir da década de 80, quando o País passou a ser invadido por dezenas de raças bovinas produtoras de carne de qualidade, entre as quais se destacam o Angus e o Simental. Mesmo na década de 90, a chegada ao Brasil da raça Brahman, de origem zebuína, acrescentou muito ao Nelore, opção genética imbatível em quantidade”, argumenta o professor Pedro Eduardo de Felício, especialistas em carne bovina da Unicamp. Por conta desse crescimento rápido e explosivo, é normal que a pecuária brasileira tenha ganho inimigos. “Muitas vezes o Brasil foi acusado de desmatar a Amazônia, usar trabalho escravo e agredir o meio ambiente para aumentar a população bovina. Isso é uma inverdade. A pecuária brasileira cresce de maneira sustentável. As leis de proteção ambiental são claras e rígidas e é no Cerrado –

e não na Amazônia – que a atividade avança”, explica o ministro Roberto Rodrigues. “Para quem não conhece o Brasil, um gigante de 8,5 milhões de km2, é difícil imaginar que a distância dos Cerrados à Floresta Amazônica seja equivalente à dimensão territorial de vários países europeus”. O Brasil utiliza cerca de 47 milhões de hectares para a produção agrícola e tem em torno de 110 milhões de hectares de pastagens nativas, principalmente. O rebanho atual gira em torno de 200 milhões de cabeças e cerca de 70% estão nos Cerrados, concentrados na região central do País. “Podemos duplicar a área de pecuária e agricultura sem invadir o sagrado território da Floresta Amazônica”, reafirma Roberto Rodrigues. Outra estatística é ainda mais esclarecedora: há no Brasil cerca de 5 milhões de propriedades rurais e a pecuária está presente, em maior ou em menor força, em 80% delas. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Assim, não pode causar estranheza que o Brasil seja responsável por 8,5 milhões de toneladas de carne bovina/ano, 9 milhões de toneladas de carne de frangos, 3 milhões de toneladas de carne suína, 1,3 bilhão de dúzias de ovos e 25 bilhões de litros de leite. “Somos uma potência rural”, não se cansa de repetir o ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “E ainda nem usamos todo o nosso arsenal de produção”. Casa Branca Press 1 9

Casa Branca PRESS 03  

Junho de 2006 / ano 2 - número 03

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