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Hugo Manuel Carvalho da Silva Nº 19100064

Docente: Doutora Teresa Pereira Módulo – Inovação e Empreendedorismo Pós-Graduação em Informação Empresarial Dezembro de 2010


i Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

“O Empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a revolução Industrial foi para o século XX.” Timmons, JefreyA., NewVentureCreation, Irwin, Boston, USA

Hugo Silva Hugo da Silva


ii Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Sumário Sumário ........................................................................................................................ ii Resumo ........................................................................................................................iii 1. Introdução ............................................................................................................... 4 2. O que é o empreendedorismo ................................................................................. 5

2.1 O que significa o termo empreendedorismo............................................ 5 2.2 Formas de empreendedorismo ............................................................... 8 3. O Empreendedor ..................................................................................................... 9

3.1 O que é um empreendedor? Como defini-lo? ......................................... 9 3.2 Qual o perfil o empreendedor?.............................................................. 11 3.3 O que é preciso para ser empreendedor?............................................. 12 3.4 Podemos ser todos empreendedores? ................................................. 13 4. Promoção do empreendedorismo ......................................................................... 13

4.1 Qual a importância do empreendedorismo para a sociedade e para o individuo?..................................................................... 14 4.2 Empreendedorismo em Portugal, as politicas/condições que fomentam o empreendedorismo .......................................................... 15 5. Estudo de caso – Intra-Empreendedorismo........................................................... 19

Hugo Silva Hugo da Silva


iii Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Resumo Trabalho

curricular

desenvolvido

no

âmbito

do

módulo

“Inovação

e

Empreendedorismo” da Pós-Graduação em Informação Empresarial, curso leccionado na ESEIG - Politécnico do Porto A elaboração deste trabalho baseia-se no tema Empreendedorismo e em toda a sua envolvente mais próxima. O trabalho divide-se em cinco pontos considerados fulcrais na análise do tema. Inicialmente é dissecado o termo Empreendedorismo, desde s suas origens, passando pela análise das várias visões e perspectivas sobre o conceito da palavra ao longo dos anos. Posteriormente é analisado o perfil ideal do empreendedor, as suas características mais marcantes, sendo depois analisada a possibilidade de sermos todos potenciais empreendedores ou se só alguns o podem ser. Acaba por ser dada a resposta à pergunta sobre o que é necessário para sermos empreendedores. É analisado o impacto do empreendedorismo na sociedade, o caso de Portugal em particular, o que pode e deve ser feito pela promoção do empreendedorismo. O

trabalho

é

concluído

com

a

apresentação

de

empreendedorismo, mais especificamente Intra.Empreendedorismo.

Palavras-chave

Empreendedorismo, empreendedor, inovação, sociedade, economia

Hugo Silva Hugo da Silva

um

exemplo

de


4 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

1. Introdução O documento aqui apresentado é resultado de um trabalho curricular para o módulo de Inovação e Empreendedorismo do curso de Pós-Graduação em Informação Empresarial. O desenvolvimento de um país ou de uma região é hoje em dia associado à intensidade do investimento em investigação e desenvolvimento e à robustez do seu sistema de inovação e empreendedorismo quer ao nível local, regional ou nacional. A importância estratégica, não só como gerador de emprego, mas também como elemento de atractividade no mercado internacional, explica o lugar de relevo que ocupa nas politicas públicas nacionais e comunitárias, e na mudança para um paradigma económico, que se quer alicerçado no conhecimento, na inovação e no empreendedorismo. Conhecer melhor o contributo do empreendedorismo e a sua importância para a sociedade, bem como o papel da sociedade para promover a atitude empreendedora.

Hugo Silva Hugo da Silva


5 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

2. O que é o empreendedorismo 2.1 O que significa o termo empreendedorismo É a tradução livre da palavra entrepreneurship, a qual contém as ideias de iniciativa e inovação. É um termo que envolve uma forma de ser, uma percepção do mundo, uma forma de relacionamento. O conceito de empreendedorismo não é recente, e desde há vários anos e tem sido utilizado e definido com diferentes significados. A palavra empreendedorismo deriva do francês «entre» e «prendre» que significa «estar no mercado entre o fornecedor e o consumidor». Empreendedorismo tem vindo a ser conotado e definido por vários entendedores, o entendimento não é, nem nunca foi, realmente consensual. Richard Cantillon, um economista francês do século XVIII, terá sido o precursor e responsável pelo aparecimento do termo “empreendedorismo”, dando-lhe uma conotação próxima da que tem hoje. John Stuart Mill (1848) refere-se ao empreendedorismo como sendo a suporte da empresa privada. O conceito de risco foi introduzido por K. Knight (1967) e Peter Drucker (1970). Em 1978, J. Schumpeter associa o empreendedorismo à inovação ao afirmar que “a essência do empreendedorismo está na percepção e aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios; tem sempre que ver com a criação de uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados do seu emprego tradicional e sujeitos a novas combinações”. “Empreendedorismo é a prossecução de um sonho; uma ideia, uma oportunidade; com (é) criação de valor, com (é assumir) risco.” (Teresa Pereira – Docente ESEIG - IPP) Soumodip Sarkar no seu livro “Empreendedorismo e Inovação” (2009) apresenta uma tabela onde é destacada a Evolução conceptual do termo «empreendedorismo».

Hugo Silva Hugo da Silva


6 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ Da evolução conceptual apresentada por Sarkar, destaque para os seguintes pontos marcantes: Autor

Knight (1921)

Schumpeter (1936)

Notas de Sarkar sobre

Abordagem conceptual

tendências de cada autor

Analisou os factores subjacentes ao lucro do empreendedor. Enfatizou o papel do empreendedor como impulsionador da inovação e por conseguinte do crescimento económico. Estudou

as

motivações

empreendedores

quando

estes

desenvolvem negócios existentes, concluindo

Inovação

dos

começam um novo negócio ou McClelland (1961)

Lucro

que

Motivação e perfil psicológico; Investigação baseada nas características.

os

empreendedores se caracterizam por ter altos níveis de realização.

Kirzner (1973)

Brockhaus (1980)

Larson (1992)

Shane; Venkataramann (2000)

Alerta para um conjunto de pessoas que conseguem identificar oportunidades, persegui-las e obter lucros. A propensão para a «tomada de risco» é igual entre empreendedores, gestores e população em geral.

Como os empreendedores desenvolvem e utilizam as networks para acederem à informação, para aumentarem o capital e para aumentarem a sua credibilidade.

Exploração de oportunidades.

Identificação de oportunidades

Não se nasce empreendedor; Investigação baseada em características

Redes e capital social

Explorar oportunidades

A evolução do termo empreendedorismo Fonte: Elaborado por Carvalho L. e Sarkar S. in “Empreendedorismo e Inovação” (2009)

Definições a reter: “O Empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a revolução industrial foi para o século XX” Timmons, JefreyA., NewVentureCreation, Irwin, Boston, USA Hugo Silva Hugo da Silva


7 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ “Empreendedorismo é o processo de identificação, desenvolvimento e captação de uma ideia para a vida. A visão pode ser uma ideia inovadora, uma oportunidade ou simplesmente uma forma de fazer melhor algo. O resultado final deste processo é a criação de uma nova empresa, formada em condições de risco e de incerteza considerável” (EntrepreneurshipCenter, Universidade de Miami) “Uma forma de pensar e agir, obcecada pelas oportunidades, com uma abordagem holística e equilibrada em termos de liderança, com o objectivo de criar riqueza.” (Global Entrepreneurship Monitor (CEM), London Business School) “O empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, empreendedores nascem por influência do meio em que vivem”. (Fernando Dolabela, 2006). “1a busca de uma oportunidade descontínua envolvendo a criação de uma organização (ou sub-organização) com a expectativa de criação de valor para os participantes. O empreendedor é o indivíduo (ou equipa) que identifica a oportunidade, reúne os recursos necessários, cria e é responsável pela performance da organização. Portanto, o empreendedorismo é o meio pelo qual as novas organizações são formadas com os empregos resultantes e a criação de bem-estar” (Cartonet, 1998)

Empreendedorismo será inclusive fortalecer algo que já existe, promovendo uma nova imagem do que para muitos já estaria sem valor.

Hugo Silva Hugo da Silva


8 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Empreendedorismo e suas vertentes Fonte: Sarkar S. in “Empreendedorismo e Inovação” (2009)

2.2 Formas de empreendedorismo Depois de ler o ponto anterior fica-se com a real percepção de que não existe uma única e simples definição do termo, existindo um leque alargado de prismas sobre o que é realmente o empreendedorismo. Numa visão puramente democrática e essencialmente realista poderemos afirmar que empreendedorismo é uma mistura de todas as definições já mencionadas. Mas sendo também o empreendedorismo uma forma de agir, ao longo dos tempos os investigadores descreveram diferentes vertentes deste conceito. Soumodip Sarkar faz referência à recente obra editada por Anne de Bruin e Ann Dupuis, onde são descritos os seguintes tipos de empreendedorismo, cada um correspondendo a um dos capítulos do livro:

Hugo Silva Hugo da Silva


9 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ •

Empreendedorismo por necessidade;

Empreendedorismo ético;

Empreendedorismo de capital;

Empreendedorismo electrónico;

Empreendedorismo familiar;

Empreendedorismo comunitário;

Empreendedorismo municipal;

Empreendedorismo estatal;

Empreendedorismo local;

Empreendedorismo na terceira idade;

Empreendedorismo em jovens.

Sarkar sugere a inclusão na lista do empreendedorismo ligado ao género ou às minorias, expondo ainda duas formas de empreendedorismo que, no seu entender, vêem adquirindo cada vez mais relevância, o empreendedorismo social e o intraempreendedorismo (uma pessoa empreendedora dentro da organização a que pertence).

3. O Empreendedor 3.1 O que é um empreendedor? Como defini-lo? É difícil, se não mesmo inexequível, definir empreendedorismo sem relacionar o próprio conceito com o perfil do empreendedor. O termo empreendedor (entrepreneur) surgiu na Europa, mais propriamente em França, por volta dos séculos XVII e XVIII, o termo adjectivava as pessoas que estimulavam o progresso económico pelas suas características ousadas, as suas novas e melhores formas de agir. Empreendedor é um insaciado que se “alimenta” de criações positivas, tanto para si mesmo, como para os outros. O empreendedor corre riscos e toma decisões, é capaz de gerir recursos limitados com vista à projecção de novos negócios. O empreendedor prefere seguir caminhos incertos, define a partir do indefinido, acredita que seus actos serão capazes de produzir resultados. Provavelmente alguém Hugo Silva Hugo da Silva


10 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ que acredita que pode mudar o mundo. É protagonista e autor de si mesmo e, principalmente, da comunidade em que vive. Richard Cantillon no seu ensaio “Essaisur la nature du com merce en généraI” em 1755, descreve o empreendedor como uma pessoa que paga um determinado preço por um produto para o vender a um preço incerto, tomando decisões sobre obter e usar recursos assumindo o risco empresarial. Também Adam Smith, no seu Wealth of Nations (1776), faz uma referência aos empreendedores como sendo pessoas que reagem às alterações das economias, funcionando como agentes económicos que transformam a procura em oferta. Para Carl Menger, na sua obra Principles of Economics (1871), o empreendedor é aquele que transforma recursos em produtos e serviços úteis, criando oportunidades para fomentar o crescimento industrial. Mais tarde, Jean Baptiste Say (18o3) refere que o empreendedor é o agente que transfere recursos económicos de um sector de produtividade mais baixa para um sector de produtividade mais elevada e de maior rendimento. Resumindo: os empreendedores são criadores de valor. Knight em 1921, invocou a diferença entre os empreendedores e os restantes indivíduos da sociedade, reconhecendo-lhes competências e capacidades que lhes permitem produzir análises mais próximas da realidade, preparando-os para assumir riscos em situações de incerteza. 1

O empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive num ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo e é algo valorizado, terá com certeza mais motivação para criar seu próprio negócio. Poderemos concluir que este é um fenómeno local, ou seja, existem cidades, regiões, países mais — ou menos — empreendedores do que outros. O perfil do empreendedor (factores do comportamento e atitudes que contribuem para o sucesso) pode variar de um lugar para outro. Será esta a razão de Portugal ter um índice de empreendedores ainda é tão reduzido? Provavelmente sim.

1

Ver: SARKAR, S., Empreendedorismo e Inovação, Lisboa, Portugal: Escolar Editora. 2010

Hugo Silva Hugo da Silva


11 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

3.2 Qual o perfil o empreendedor? Certamente que não existirão empreendedores sem debilidades, mas um verdadeiro empreendedor deverá possuir a quase totalidade das características a seguir inumeradas:

1. Os empreendedores são peritos em identificar, explorar e comercializar oportunidades. 2. São exímios na arte de criar (novos produtos, serviços ou processos). 3. Conseguem pensar “fora do quadrado”: a maioria das pessoas, por temer o insucesso e ser avessa ao risco, tem dificuldade em considerar novas formas de abordar problemas e perspectivar a realidade. Quem o consegue fazer beneficia de uma enorme vantagem na detecção de novas oportunidades. 4. Pensam de forma diferente: os empreendedores têm uma perspectiva diferente das coisas; adivinham problemas que os outros não vêm ou que ainda nem existem; descobrem soluções antes mesmo de outros sentirem as necessidades. 5. Vêm o que outros não vêm: o empreendedor vê oportunidades que escapam aos outros, ou a que os outros não atribuem relevância. 6. Gostam de assumir riscos: acreditam nos seus palpites e seguem-nos. 7. Os empreendedores competem consigo próprios e acreditam que o sucesso ou fracasso dependem de si. Na sua maioria não desistem e nunca param de lutar pelo sucesso. 8. Aceitam o insucesso: embora nenhum empreendedor goste de falhar, sabe que a possibilidade de fracassar é inerente ao risco que qualquer actividade empreendedora comporta. O insucesso é encarado como uma possibilidade de aprender e evoluir e previne futuros fracassos. 9. Observam o que os rodeia: a grande maioria das ideias e inovações bem sucedidas foram desenvolvidas a partir de uma realidade próxima ao empreendedor – no âmbito profissional, familiar, de lazer. 10. Os empreendedores nunca se reformam2

2

RODRIGUES, S., Manual Técnico do Formando: “Empreendedorismo”; Lisboa, Portugal: ANJE -

Associação Nacional de Jovens Empresários e EduWeb. 2008, pág. 5 e 6

Hugo Silva Hugo da Silva


12 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ O empreendedor ideal deverá ainda possuir o seguinte naipe de características: • • • • • • • • • • • •

Curiosidade Capacidade de resistência (física e emocional) Orientação para objectivos Independência Exigência Elevada propensão ao risco calculado Tolerância à ambiguidade e à incerteza Criatividade Inovação Visão Empenho Aptidão para resolução de problemas

• • • • • • • • • • •

Capacidade de adaptação Iniciativa Integridade Capacidade de angariação recursos Capacidade de persuasão Forte apetência pela mudança Empatia Tolerância ao fracasso Grande capacidade de trabalho Capacidade de liderança Sorte

3.3 O que é preciso para ser empreendedor? Depois de caracterizar os empreendedores e enumerar as suas várias características, poderemos concluir que bastará ter esses atributos e seremos empreendedores de sucesso, mas na verdade esse processo não será assim tão linear. As características já referenciadas não são suficientes. De acordo com os investigadores Morris e Jones (1999:74), os empreendedores devem estar aptos a realizar cinco tarefas: •

Identificar e avaliar uma oportunidade;

Definir um conceito de negócio;

Identificar os recursos necessários;

Adquirir os recursos necessários;

Implementar o negócio.

Hoode e Young (1993), indicam que as seguintes áreas de capacidades/conhecimento dos negócios são cruciais para o sucesso do empreendedor: •

Liderança;

Comunicação (oral e escrita);

Relações humanas;

Gestão;

Negociação;

Hugo Silva Hugo da Silva

de


13 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ •

Raciocínio lógico e analítico;

Tomada de decisão e definição de objectivos;

Preparação de um plano de negócios.

3.4 Podemos ser todos empreendedores? Abrir empresas, ou empreendedorismo empresarial, é uma das infindáveis formas de empreender. Pode ser empreendedor também o desempregado, o funcionário público, o empregado fabril, o jovem ou o idoso. Podem e devem ser empreendedores os políticos. Os empreendedores podem ser voluntários (têm motivação para empreender) mas também podem ser os involuntários (aqueles que se vêem obrigados a empreender por motivos alheios à sua vontade, o caso de desempregados, dos imigrantes). Para além das características já mencionadas, das quais grande parte são inatas, não podemos deixar de referir que a grande parte das características podem e devem ser potenciadas pelo empreendedor, existe um conjunto de outras competências que um líder deve possuir e desenvolver continuamente: as competências emocionais, o autoconhecimento e a criatividade. O empreendedor está permanentemente receptivo ao conhecimento, à inovação e criatividade, sempre focado na identificação de novas oportunidades. Afinal, para ser sermos empreendedores não precisamos ser ricos, sermos jovens, sermos somente bafejados pela sorte ou termos qualidades inatas. Podemos aprender a sermos empreendedores, a vontade é o passo inicial para alcançarmos os objectivos. O empreendedorismo também se desperta, também se aprende.

4. Promoção do empreendedorismo O contexto em que vivemos interfere na nossa perspectiva e nossa capacidade de reacção. É possível promover o empreendedorismo, ensinar a sermos empreendedores, criar condições que incentivem o empreendedorismo. No que respeita à promoção do empreendedorismo,

o

papel

governamentais é determinante.

Hugo Silva Hugo da Silva

das

universidades,

das

escolas,

das

entidades


14 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Distribuição de empreendedores na sociedade Fonte: Sarkar S.

in “Empreendedorismo e Inovação” (2009)

4.1 Qual a importância do empreendedorismo para a sociedade e para o individuo? Apesar de não ser um termo novo, recentemente tem sido um conceito muito abordado, estudado e discutido, como se tivesse sido uma «descoberta súbita», possivelmente por estarmos num período em que a economia está em mutação, resultado das crises económicas recentes com que vários países se estão a deparar. Nos últimos anos parece “renascer” o empreendedorismo, agora visto como uma espécie de “vacina” que ajudará a relançar a economia, será que o é? É uma alavanca preponderante para o progresso da economia. A importância do empreendedor e da criação de novas empresas, em particular das microempresas, para o desenvolvimento económico e social dum país é apontado pela Comissão Europeia (2003) como motivo que justifica um esforço de investigação sobre o fenómeno. A Comissão Europeia (2003) aponta como razões para considerar o empreendedorismo importante, o seu contributo para:

A criação de empregos;

Hugo Silva Hugo da Silva


15 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ •

O crescimento económico;

Melhorar a competitividade;

Aproveitar o potencial dos indivíduos;

Explorar os interesses da sociedade (protecção do ambiente, produção de serviços de saúde, de serviços de educação e de segurança social).

4.2

Empreendedorismo

em

Portugal,

as

politicas/condições

que

fomentam o empreendedorismo Existirá uma cultura capaz de conduzir a uma maior promoção da criação de empresas inovadoras? Será que é possível criar tais condições? “Apesar dos traços empreendedores prevalecerem mais em alguns indivíduos do que noutros, o empreendedorismo deverá ser promovido, onde os traços empreendedores podem florescer. Enquanto uma cultura empreendedora permite o florescimento do empreendedorismo, dá-se a criação de um círculo virtuoso onde podem aparecer mais empreendedores.” Saumodip Sarkar 2010

4.2.1 Empreendedorismo em Portugal (Estudo GEM3) •

Em 2007, a taxa TEA em Portugal atingiu os 8,8%, o que significa que, em cada 100 adultos, cerca de 9 estiveram envolvidos em actividades empreendedoras

Em 2007, Portugal foi o país melhor classificado entre os 18 países da EU participantes

Em 2004 a taxa TEA em Portugal foi de 4,0%, equivalente ao envolvimento de 4 adultos em cada 100

A actividade empreendedora registada em Portugal ocorreu maioritariamente no sector orientado ao consumidor (cerca de 46%) e no sector dos serviços para clientes organizacionais (cerca de 30%)

3

Global Entrepreneurship Monitor

Hugo Silva Hugo da Silva


16 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Pouco mais de metade (56%) da actividade empreendedora foi induzida pelas oportunidades de mercado (aumentar o rendimento, independência)

Tal como a maioria dos países GEM 2007, a actividade empreendedora desenvolvida em Portugal foi, em grande parte, reflexo de iniciativas de empreendedores de negócios nascentes

De acordo com a opinião dos especialistas nacionais, verificou-se uma melhoria significativa das condições estruturais do empreendedorismo em Portugal entre 2004 e 2007

Os aspectos considerados mais favoráveis na promoção do empreendedorismo em Portugal em 2007 foram o acesso às infra-estruturas físicas, assim como o grau de abertura social e cultural para a inovação e mudança

Portugal é o país onde o impulso reformador das políticas governamentais mais influenciou a redução do período médio para a criação de um novo negócio

Fonte: GEM - Global Entrepreneurship Monitor por intermédio do IAPMEI

Hugo Silva Hugo da Silva


17 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Factores do mercado e ambiente que influenciam a natureza da resposta empreendedora Fonte: Sarkar S.

Hugo Silva Hugo da Silva

in “Empreendedorismo e Inovação” (2009)


18 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Apoio Financeiro ao empreendedorismo Fonte: Projecto GEM Portugal 2007 in - Sarkar S.

in “Empreendedorismo e Inovação” (2009)

Exemplo de Programa Português de incentivo ao empreendedorismo FINICIA JOVEM

Em Março de 2008, foi lançado o Programa FINICIA Jovem. Tem como principais objectivos: •

a promoção do acesso ao financiamento de projectos desenvolvidos por jovens empreendedores;

prestar uma melhor informação aos jovens sobre todos os mecanismos e apoios disponíveis para eles.

As áreas chave de implementação do FINICIA Jovem são a informação, a formação e o financiamento. Hugo Silva Hugo da Silva


19 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ O programa é estruturado em três eixos / medidas:

1. Serviço especializado de informação aos jovens 2. Apoio especializado a iniciativas empresariais 3. Apoio a projectos educativos e iniciativas da sociedade civil

5. Estudo de caso – Intra-Empreendedorismo O estudo de caso que aqui irei relatar reflecte uma experiência vivida no meu posto de trabalho. Sim, não precisamos de “abrir” o nosso próprio negócio para sermos empreendedores. Intra-empreendedorismo é a versão em português da expressão intrapreneur, que significa empreendedor interno, ou seja empreendedorismo dentro dos limites de uma organização. Este conceito nasceu há cerca de 20 anos, altura em que as empresas não estavam dispostas a dar aos empregados a liberdade para criar e, consequentemente, errar, existia muito pouca abertura para o financiamento de uma ideia inovadora. Hoje o conceito já está muito disseminado, sendo reconhecido nas organizações como uma porta que está sempre aberta à entrada de inovações capazes de trazer maisvalias à organização. O intra-empreendedorismo (intrapreneuring) é um sistema para acelerar as inovações dentro de grandes empresas, através do uso melhor dos seus talentos empreendedores. Após poucos meses de trabalho no CATIM – Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica, detectei alguns pontos onde seria possível melhorar, inovar, criar algo novo. Uma das ideias inovadoras, surgiu pela simples detecção da elevada existência de artigos científicos dos colaboradores do CATIM, apresentações, documentos úteis para o desenvolvimento do trabalho dos colaboradores, notícias de imprensa, entre outros documentos variados. Entendi que se poderia criar uma Biblioteca Digital com todos esses documentos. A ideia surgiu, foram analisadas as necessidades para a execução do projecto (no caso optei pelo uso de um software livre) e consequentemente o projecto foi apresentado aos quadro de chefia, tendo sido aceite de imediato. A projecto ganhou forma e desenvolveu-se a Biblioteca Digital Interna do CATIM, a qual é regularmente alimentada com nova informação. Actualmente os colaboradores podem aceder à Biblioteca quando ligados à rede interna do CATIM, mas Hugo Silva Hugo da Silva


20 Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________ pretende-se continuar a inovar. Em 2011 será possível aceder à rede a partir de qualquer parte do mundo, sendo somente necessário para o acesso uma senha e “login”.

Pode-se concluir que este foi um exemplo de intra-empreendedorismo, algo que é cada vez mais visto como parte integrante para o sucesso e desenvolvimento das empresas. Além do empreendedor ser capaz de criar o seu próprio negócio, deverá também ser capaz de motivar a sua equipa para a inovação e empreendedorismo dentro da empresa, sempre focados no sucesso e melhoria da empresa e dos que com e para ela trabalham. Empreendedorismo é um motor do crescimento económico.

Hugo Silva Hugo da Silva


Empreendedorismo ___________________________________________________________________________________

Bibliografia DOLABELA, F. - O segredo de Luisa. São Paulo: Editora de Cultura, 1999. GASPAR, F. [et al.] - A Importância do Empreendedorismo e a Situação em Portugal. Santarém: Escola Superior de Gestão de Santarém: s.d. KELLEY, Tom, As dez faces da inovação, Lisboa:Editorial Presença, 2007 MARQUES, João, Incubadoras de empresas e empreendedorismo – A experiência portuguesa. Lisboa: IAPMEI, 2010 MOREIRA, Daniel, [et al.] – Inovação Organizacional e tecnológica. – São Paulo: Thomson, 2007 SARKAR, S., Empreendedorismo e Inovação, Lisboa, Portugal: Escolar Editora. 2010 FERREIRA, M. Portugal, [et al.] - Ser Empreendedor – Pensar, Criar e Moldar a Nova Empresa. 1ª Edição. Edições Sílabo. 2008. RODRIGUES, S., Manual Técnico do Formando: “Empreendedorismo”; Lisboa, Portugal: ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários e EduWeb. 2008 PEREIRA, Teresa – Slides de Empreendedorismo e Inovação: Empreendedorismo. PósGraduação Informação Empresarial, Módulo Inovação e Empreendedorismo – ESEIG, 2010 – 2011

IAPMEI, – Factores Determinantes para o empreendedorismo – Encontro Empreender

Almada [Em linha].[S.l.], IAPMEI, 2008. [Consult. 29 de Novembro 2010]. Disponível na Internet: <URL: www.almadadigital.pt/ngt_server_acd/attachfileu.jsp?look>.

ALIPIO, Suzana – Guia do Empreendedorismo - Estruturas e Apoios ao Empreendedorismo em Portugal [Em linha].[S.l.], ANJE|Associação Nacional de Jovens Empresários, 2008. [Consult. 29 de Novembro 2010]. Disponível na Internet: < http://www.anje.pt/academia/media/guia_do_empreendedorismo.pdf>.

Hugo Silva

21


Trabalho de Empreendedorismo  

trabalho de sad de Hugo Silva

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