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FILOSOFANDO

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Pe. Joacir Soares

joaci rsoa res@hot mail.com

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Escritor por acidente: o “esta” dos “dizeres” e “atos” S E empre ouvi dizer que Posse-GO era a cidade dos grandes acadêmicos. E um destes expoentes era o saudoso monsenhor Zezinho. Contudo, tive a oportunidade de conhecê-lo alguns anos e realmente achei-o fantástico. Todas as pessoas que conheci me relataram sobre as atividades religiosas e civis desenvolvidas pelo monsenhor. Uma destas pessoas foi o escritor Ailton Moura (Ailton de Moura Melo), o qual eu conheci quando ainda era seminarista e estava fazendo Pastoral de Férias na Paróquia Sant’Ana. No último dia 16 de junho houve a Ordenação do Diácono Jesus Joaquim de Sousa natural desta cidade à 10h na Paróquia Sagrada Família e à tarde fui visitar este escritor goiano juntamente com o seminarista Frederico Ornelas. Em nossas conversas o escritor nos disse: “sou um escritor por acidente”. Ao que respondi foi que “por acidente” se têm grandes acadêmicos, porém se precisa ressaltar sua participação naquilo em que esteja focado. Por isso, algo imprescindível é justamente este “estar”. O “estar” diz muito sobre a própria pessoa. Estou aqui.

Que quer dizer isso? Posso estar aqui estando aqui ou posso estar aqui “estando” em outro lugar. Quando aqui estou todo meu ser deve estar também presente. Cada pulsação me mostrará que estou presente. O que pode se dar de distintos modos. Quando se está no colégio, dever estar no colégio; estando em uma biblioteca, deve estar na biblioteca. Escrevendo um livro todo o foco deve ser escrevê-lo. Mas se estou aqui e meus pensamentos divagam, então estou presente/ausente. Presente de

corpo, mas ausente de integração, o que distorce toda nossa capacidade de “estar” focado em um ponto. Quando isso acontece somos agredidos pelos atos das pessoas. Seja humanamente, moralmente e, principalmente, pela indiferença. A agressão está presente no “estar” de cada pessoa. Assim, o homem é extirpado de sua real situação no mundo. Frente a este brutal e inconveniente desrespeito humano ainda se pode ver algum norte? Esta agressão sofrida pela nossa

humanidade remonta a alguma desconectividade entre o homem em relação à realidade? O nosso escritor disse que seu “estar” enquanto escritor foi um “acidente”. No entanto, aqui o mais importante é estar focalizado, não importa nem mesmo se foi acidental. O que se precisa é ter cuidado com o “estar” do homem atual. O homem atual está cheio de “dizeres” e de “atos”. Não burla nenhuma forma de viver os “dizeres” atuais?

Houve-se: “Não tenho religião”, “Não acredito em Deus”, “Ninguém manda em mim”, “O estado é laico”. Todas estas palavras agridem a humanidade, já que o homem está se relacionando com tudo que existe. Mas estes “dizeres” não teriam valor algum se o homem soubesse qual seu valor e sua importância para a atualidade. Cada frase dessas passará com o tempo, porém o homem continua sendo homem neste perfazeres de tempo. Assim sendo, não existirá escritor por acidente. Até por que seu “estar” é ser escritor. Contudo, os dizeres deixam os homens “mudos e telepáticos”, porque sempre terão alguma coisa que lhes justifique. Inclusive seus “atos” são justificados. Todo “ato” tem uma consequência. Os “atos” são justificados. E todo “ato” justificado tem sua consequência: a) “na vida atual próxima”; b) “na vida atual futura”. Na vida atual próxima: deixa o homem sem crise, tira-lhe a responsabilidade e destroi sua criatividade. Na vida atual futura: o homem não mais saberá que é homem, e valorizará os animais mais do que a pessoa.

ilton Moura têm dois livros publicados pela Editora Kelps. Sua primeira publicação foi em 1999 com o livro RASTROS DE ESPORAS. Neste livro o autor nos mostra, com muita graça, através de contos variados, a essência do povo do sertão preso aos seus costumes e tradições. Mostra a simplicidade da vida no sertão, onde os meios de comunicação ainda não roubaram a identidade e a cultura dos sertanejos. Dian-

te disso, pode se perguntar: quem não conhece um sertanejo, com seu linguajar característico, entretanto de muito bom-humor? Este livro tem este gostinho Seu segundo livro À SOMBRA DA SERRA, foi publicado em 2000. É uma coletânea de contos e crônicas que resgatam as raízes da gente pacata dos povoados e vilarejos fronteiriços entre Goiás e Bahia, enfatizando a simplicidade e hospitalidade do povo rural. O livro abre

uma discussão sobre a importância de se valorizar nossas raízes e origens. O terceiro livro está quase pronto pra ser publicado, faltando apenas três poemas, pois o livro terá 100 poesias. Ele chamará ITORORÓ, uma pequena cachoeira. Outro projeto de livro está pronto, mas apenas tem o título MADRIGAIS. O autor disse que irá escrever este livro porque gostou do título. Diante disso, será mesmo que Ailton Moura é um escritor “por acidente”?

A

m nossas conversas falamos sobre meus cinco livros e também a respeito da divulgação na internet por alguns portais especializados em livros por demanda. Algo que o autor se interessou muito mais quando ficou sabendo do livro da poetisa Alto Paraisense Londina Maria do Carmo “LEMBRANÇAS DE UM PASSADO DISTANTE”, o qual publiquei e que se encontra em 4 portais na internet. Estou convencido, caro leitor, que existem muitas pessoas, seja em Posse, Alto Paraíso ou em outra cidade apenas precisando de uma orientação séria a respeito de suas criatividades. Fato este que, por exemplo, já está aprovada a publicação do Livro de Leda Hofmeister “América do Sul Códigos Abertos. BR” e estou esperando a aprovação do Livro de Wiara Di Candia “Enviados ao Paraíso”. Mas se não sei qual é a vontade, os desejos e os sonhos das pessoas, então não saberei como respondê-las positivamente. O escritor Ailton Moura, já sabe que seu “estar” é ser escritor e que seus “dizeres” e “atos” têm consequências reflexivas na vida das pessoas. Você, leitor, sabe qual é seu “estar”? Pe. Joacir S. d’Abadia, Pároco de Alto Paraíso-GO, autor de 5 livros, Bacharel em Filosofia, Pós graduado em Docência do Ensino Superior, Licenciando em Filosofia e membro do Conselho de “Pesquisas e Projetos” da UnB Cerrado.

Artigo premiado na Argentina: A filisofia ao cair na folha Oi! Pensai bem! O texto diz que “a cada folha que cai existe uma folha a mais no chão”. Ops! Não é verdade que cada vez que uma folha cai existe uma folha a mais no chão, porque o texto só anunciou que ela caiu, porém, não falou onde? A folha pode ter caído em uma outra folha ou sobre outras mais... A evolução de o seu cair faz com que a folha seja ela mesma uma folha que cai. Por isso qualquer juízo se possa emitir sobre o seu desenvolvimento até uma outra coisa. Apesar disso, não se pode interpretar uma realidade de forma unitária sem ter em conta uma atualização dos fatos sucessivos. O que está na camada válida da interpretação é que o que se tem na atualidade. Ou seja, se deve perguntar a respeito do cair da folha. Assim, não fica dogmatizado o como se caiu a folha. Tem o quê? A responsabilidade do texto não cabe deixar de não duvidar dele. Quando a dúvida é feita o texto se mostra no seu contexto para possibilitar a interpretação. Todavia, o que se tem não é o modo de cair da folha, mais “a cada folha que cai”. Aqui o limite se apresenta! A análise que se precisa fazer é uma análise literária. Ele, o texto, teve uma história e por trás dele existe pessoas que a seu respeito fizeram várias interpretações (perguntas a pro-

pósito do texto). Então, a cada folha que cai existe uma folha a mais que se cai. Agora o texto dá um passo para dar às claras do próprio texto: ele informa: “que cai”. É uma sucessão unitária de fatos. Sucessão, quando é “a cada folha que cai” e é unitário pelo fato de ser “cada”.

Flutuam as palavras com significados adequados: “folha” e “chão”. Não obstante, conhecendo o texto se têm estas variantes: “cai” e “existe”. Ah! Elas devem ter o seu texto como invariáveis. É imprescindível ter coesão interna para se abranger à conclusão correta do texto.

O texto, de forma literal, não teve coesão, já que seu arremate não levou em conta a coerência interna. Ele tem começo, meio e o fim, portanto. Ele começa: “a cada folha que cai”. Nele se encontra expressão que remete definição: “folha” e surge do mesmo modo variante: “cai”. Isso, só na introdução? Não. O desenvolvimento (do texto apresenta tanto significado “folha” quanto variante “existe”): “existe uma folha”. Encontra-se, agora, o texto em seu fim a conclusão : “a mais no chão”. No acabamento está uma palavra com significado: “chão”. Apesar disso, não se vê nenhuma variante que aparece na introdução: “cai” e no alargamento: “existe”. A falta de coesão da conclusão é apresentar uma síntese que não se tem temas do início e nem do desenvolvimento. Ela da uma perspectiva válida que é apresentar outra possibilidade de reflexão: “o chão”. Porém, não diz nada a respeito do tema em pauta: “folha” (seu modo de se esvair do seu próprio existir). Destarte, a conclusão, em síntese, não carrega em si a responsabilidade em ser ponto fulcral do escrito, assim, ela torna-se inválida. Isso porque, a cada folha que cai existe uma folha a mais que cai. Pensai bem! Todo escrito diz por si mesmo o que aspira dizer, o que muda é somente a interpretação que se faz dele.

Homenagem

Pe. Joacir está de para- saber! É com muita sabedobéns!!! ria que nos faz refletir sobre as inúmeras possibilidades Não só Pe. Joacir, mas tam- que temos em nossa própria bém Alto Paraíso, Goiás e Bra- existência se deixarmos de sil! acreditar apenas no que pareExagero? De forma algu- ce óbvio. ma. Pe. Joacir acaba de ganhar Com essas reflexões e o concurso internacional de Fi- muito mais, Pe. Joacir foi losofia promovido pela revista merecedor do primeiro lugar Antorcha Cultural da Argenti- no concurso internacional de na. Com seu texto “A Filosofia Filosofia promovido por essa ao Cair da Folha” levou para o conceituada revista argentina. mundo o nome da nossa cidade, Agradecemos a esse jodo nosso Estado e do nosso País. vem padre filósofo por mais Em seu texto ele fala da vida essa alegria recebida! Paenquanto descreve a efêmera rabéns, Pe. Joacir Soares existência de uma folha que d’Abadia. se desprende da árvore a qual pertencia e inicia seu trajeto. O Geraldina Lombardi, seu destino certamente será o autora do livro chão. Certamente? Quem pode Altas Histórias do Paraíso

Carta de Notícias Edição 35 - Setembro 2012  
Carta de Notícias Edição 35 - Setembro 2012  

Edição 35 de Setembro de 2012 do Jornal Carta de Notícias

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