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Carpe

Diem Edição 01 Ano 0001 - Nº 01 Outubro de 2010

R$ 5.00

GRUPO SAMBA DE SAIA Um samba formado apenas por mulheres

CÂNCER DE MAMA Como se preveniar antes que seja tarde demais

BLOGS

O boom de acessos em busca da moda

PRIMAVERA/VERÃO 2011 Quas as tendências para a próxima estação


Editorial Alexandra Fernandes

Curta bem o seu dia! Sejam todas bem vindas mulheres modernas. Como o nome já diz, Carpe Diem - “viver o dia como se fosse o último”, é um estilo de vida. Adotamos esse estilo e transmitimos ás nossas leitoras, tendo como objetivo fazer com que as mulheres do século XXI ampliem seus conhecimentos, sem esquecer-se da beleza, é claro. Na nossa revista, cara leitora, você encontrará matérias exclusivas sobre moda, sexo, cultura, beleza, saúde, educação, entre outras. Temos a certeza que uma delas se encaixará no seu perfil. Nesta edição apresentamos uma entrevista com a cantora e atriz Jana Mundana, integrante da descolada Banda Denorex 80, que fala sobre seus sonhos, desejos, carreira e esbanja vitalidade. Contamos ainda com uma reportagem inédita sobre a mulher na política e ainda um editorial com a moda de rua para você. Carpe Diem veio para ficar e marcar. Quebraremos juntas o paradigma atual de que intelecto e beleza não combinam. Pelo contrário, eles não só combinam, se completam.

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Aproveite bem o seu dia! Expediente Edição 01 Ano 0001 - Nº 01 Outubro de 2010 Editorial – Alexandra (editora) Artigo – Sheila Rigler (diretora da Agência de Relacionamentos Par Ideal) Coluna – Ricardo Virmond Entrevista – Oswaldo Montenegro Crônica – Alexandra Fernandes Perfil – Pryscila Vieira (cartunista da Amely) Humor - Amely Reportagem - Priscila Ribas Moda - Milene da Mata Beleza - Fernanda Zaremba Comportamento - Robson Leandro Professor orientador - Maria Teresa Marins Freire Tiragem: 10.000 •

Endereço para correspondência: Rua Reinaldo Pazelo, nº 2.086 – Santa Quitéria – Curitiba 05


ÍNDICE EDITORIAL

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ARTIGO Sheila Rigler Mulher solteira ou mulher casada

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CULTURA Grupo Samba de Saia Um grupo de samba formado apenas por mulheres

MODA Primavera/Verão 2010-2011 Quais as tendências para a próxima estação

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24 ESPECIAL

CUIDE-SE Câncer de Mama Os cuidades que se deve ter para previnir essa doença

32 COLUNA Sexo Por que muitas pessoas se dizem íntimas ao assunto

26 APROVEITE ESTA Irreverente mas nem tanto Uma entrevista com Jana Mundana

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C@RPE TECNO Blogs O boom de acesso em busca de moda

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PAPO RETO Uma conversa com a cartunista Pryscila Vieira, criadora da Amely

44 CRÔNICA Agora é que são Elas... Será? 07


Artigo

Sheila Rigler Mulher Solteira ou mulher casada

N

unca houve tantas mulheres bemsucedidas, bem cuidadas e bem de vida. E nunca houve tantas solteiras. Por opção, distração ou falta de oportunidade, elas não encontram o seu príncipe encantado, ou simplesmente, um marido. A grande maioria das solteiras de hoje são mulheres bem sucedidas profissionalmente, ganham o seu sustento, tem o seu carro, moram sozinhas e querem um homem para casar, para formar uma família, mas não a qualquer preço, são mais seletivas. Mesmo quem nunca teve dificuldades para encontrar um par na balada reclama que não acha aquele alguém espacial. E casar está virando um sonho difícil de se realizar para milhares de pessoas. Em uma sociedade em que não há a obrigatoriedade do casamento e que as mulheres de classes A e B possuem acesso a bens de consumo, diversão e estabilidade financeira, seu nível de exigência em relacionamentos amorosos subiu muito. Não basta encontrar um homem que queira compromisso, é preciso que esse homem as faça felizes, possua o mesmo nível intelectual, social e financeiro que elas. Estas mulheres não estão dispostas a abrir mão de seu modo de vida em nome de um companheiro ou filhos. Gostam de suas vidas, e só as mudariam para melhor. Assim, podemos arriscar concluir que existem homens disponíveis, mas que talvez eles não cumpram o grau de exigência de algumas mulheres. Ir desacompanhada a um local da 10

moda, viajar sozinha, não choca mais. Mesmo que estejam conscientes ou inconscientes se dedicando a vida profissional, o tempo vai passando e após os 30, parece que a vontade de ter alguém começa. Relacionamento e sexo casual são constantes em suas rotinas. No entanto é difícil para as mulheres, dissociar amor de sexo e elas se casam e começam a sonhar com um único e grande amor, para formar uma família. Adiar a união até a carreira estar relativamente bem encaminhada e a independência econômica consolidada tem uma vantagem evidente: o eventual marido deixa de ser tábua da salvação financeira, a garantia de sobrevivência. Isso, por sua vez,


E cria uma espécie de ciclo vicioso. Como não precisa, a todo custo, ter um homem para lhe assegurar o status social e econômico, a mulher profissionalmente bem sucedida é também mais exigente na hora de escolher seu parceiro. “Mulheres que se dedicaram à carreira e se tornaram qualificadas se dividem na população como uma pirâmide, ou seja, quanto mais qualificadas e bem remuneradas, mais raro o parceiro. Elas terão mais dificuldades em achar um homem do seu nível”. É quando uma legião de mulheres bem sucedidas começa a se cadastrar na Par ideal, pois querem alguém compatível, do mesmo nível cultural, social e econômico.

scrito por Sheila Chamecki Rigler – Pedagoga e diretora da agência de relacionamentos Par Ideal. Possui formação em Pedagogia com especialização em Orientação Educacional e habilitação em Sociologia e Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Também possui curso de especialização em Psicomotricidade e Afetividade. Há 15 anos é diretora e proprietária da Par Ideal Consultoria em Relações Humanas e Agência Matrimonial.Aempresa tem conquistado destaque e reconhecimento nacional graças ao trabalho sério e comprometido que presta. Em 2008, foi selecionada pelo SEBRAE e pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) como uma das 100 Melhores Empresas do Paraná. Como profissional recebeu diversos prêmios de destaque, como o “Prêmio SEBRAE Mulher Empreendedora” (2007), oferecido pelo SEBRAE Nacional, Federação das Associações das Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil e Secretária Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Tem extensa experiência com palestras, já tendo ministrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Associação Comercial do Paraná, Amcham Brasil, SEBRAE Curitiba entre outros. 11


Samba f

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formado por mulheres

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Cultura

Grupo Samba de Saia Fernanda Zaremba

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Grupo Samba de Saia se apresentando em noite curitibana.

C

om a proposta de fazer samba apenas por mulheres, o grupo Samba de Saia consolidou-se ao longo de seus três primeiros anos de carreira na cena musical curitibana. Formado por quatro mulheres que se conheceram no primeiro ano de faculdade que queriam tocar e fazer um grupo. A partir daí elas começaram a ter idéia de um grupo formado somente por mulheres que cantassem e tocassem samba-raiz e com todas elas sempre vestida de saia, daí a origem do nome, Grupo Samba de Saia. O grupo é formado por Cintia Albuquerque (voz, violão, flauta transversal e percussão), Maristela Ávila (teclado e percussão), Daniela

Saad (voz e percussão) e Luana Godinho (voz e percussão), o grupo pretende gravar um CD com músicas próprias. Procurada pela nossa redação, a vocalista da banda Cíntia Albuquerque, carioca radicada em Curitiba há quatro anos, diz que o samba é bem recebido na vida noturna de Curitiba. “Sou do Rio de Janeiro, mas desde que eu cheguei aqui eu só vejo o samba fazer sucesso. Não só ele, mas a Música Popular Brasileira em geral. Inclusive a música folclórica. Temos um espaço muito grande para o maracatu”, garantiu.

*Confira a entrevista na íntegra com o Grupo Samba de Saia na próxima página. 15


Cultura Fernanda Zaremba

Carpe Diem: O samba é um ritmo bem recebido pelos Curitibanos? É muito bem recebido. Eu sou do Rio de Janeiro, mas desde que eu cheguei aqui eu só vejo o samba fazer sucesso. É um ritmo que tomou uma proporção gigantesca na cidade, e isso me deixou muito feliz.

Há espaço para tocar na cidade? Das quatro, só uma é musicista, só ela tem mais experiência. O resto teve que crescer junto com o grupo Samba de Saia. Então temos o espaço que a gente criou. Tivemos que aprender fazendo até mesmo de conquistar o espaço de maneira diferente. O samba como também a música popular brasileira tem ganhado cada vez mais espaço em Curitiba.

Vocês já possuem composição própria? Temos algumas. Estamos cantando as nossas composições aos pouquinhos durante os shows.

Como é e quem faz o trabalho de escolha do repertório?

Ary Barroso, Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva que servem como fonte de inspiração. Além das nossas pesquisas.

Todas nós participamos da escolha do repertório. É bem variado, incluindo choro, bossa nova, esses novos sambas e as que não são samba também, mas que conseguimos abordar.

Hoje você sente que o grupo se fixou na cena musical curitibana? O que ainda falta?

O grupo já tem canções próprias. Vocês se inspiram em algum nome do samba brasileiro na hora de compor? É muito difícil responder isso, mas sempre tem 16

Acho que não falta. Chegamos a um patamar em Curitiba no qual não tem mais para onde ir fazendo o que a gente faz. Temos que ter agora uma proposta diferenciada. Gravar o nosso CD e fazer grandes shows que é bem diferente que tocar em bares.


Cintia Albuquerque, Maristela テ」ila, Daniela Saad e Luana Godinho.

Cintia Albuquerque.

Apresentaテァテ」o do grupo em um canal de TV paranaense. 17


Primavera

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- Ver達o

2010/2011

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Moda

TendĂŞncias da Moda Primavera - VerĂŁo 2010/2011

Milene da Mata

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Moda

S

mais ousados, aposte em colares e brincos exy e ao mesmo tempo romântico, os discretos. Por outro lado, se estiver usando o modelitos das próxima estação irão pretinho básico, ou uma camisa branca, pode valorizar a feminilidade da mulher. abusar do strass e dos colares compridos! Babados, rendas e transparências voltam com tudo e prometem marcar presença em todas as vitrines. As saias cós alto, vestidos Fique atenta a essas dicas e arrase nas justos, lenços e cintos também têm presença estações mais aguardadas do ano! marcante e aparecerão definindo a cintura da mulher, valorizando o corpo no formato “violão”. Porém, quem não gosta de roupa justa de jeito nenhum, pode apostar nos tecidos fluídos que dão um ar esvoaçante os deixam mais soltinhos e confortáveis, sem perder a feminilidade. Flores nos cabelos e nas estampas dão um toque alegre no look e podem ser usadas tanto de dia quanto à noite. Para não errar no look noturno, a consultora de moda, Marcia Basko, diz que as estações mais quentes do ano pedem as pernas a mostra, portanto invista nos mini vestidos e na sandália de salto alto que valorizam as pernas “o importante é valorizar o corpo sem apelar para a vulgaridade, escolha acessórios delicados e ombros à mostra, ao invés do decote, quando optar pelos mini vestidos ou saias curtas”, afirma. Maquiagem e acessórios fazem toda a diferença! Para finalizar em grande estilo, aposte no contraste do make up: brilho nas sobras, blushes, e em contrapartida boca e esmaltes foscos. Os acessórios, por sua vez, devem entrar em equilíbrio com a roupa A mistura de cores brilhantes é o forte para a próxima estação. escolhida: para os looks 23


Coluna

Vamos falar de SEXO?

Ricardo Virmond

F

alar de sexo é sempre um tabu. Com os filhos, com os pais, com os amigos, em público, entre quatro paredes. Até mesmo as mulheres que se dizem totalmente liberais encontram em certo momento o seu limite e freiam a conversa. “O que vão pensar de mim?”, “Tá todo mundo ouvindo!” e “Não faço essas coisas” são apenas algumas das frases que surgem quando o sangue sobe à cabeça e as pernas tremem ao perceber o rumo que o assunto pode tomar. Sabe quem é a maior prejudicada com isso? Você. É. Você, que não gosta de dar a cara a tapa e conversar sobre experiências, desejos, sexo, masturbação, tesão...ops, melhor parar. Entramos na tal zona proibida. “Também”, você pensa, “homens adoram falar sobre sexo porque só pensam nisso”. De fato, em uma sociedade machista, os homens estabelecem contato precoce com o corpo feminino (seja pessoalmente ou nas famosas “revistas de sacanagem”). Conversam com os amigos, conhecem também o próprio corpo, enfim, tornam-se esses pervertidos que vocês mulheres conhecem muito bem. Afinal, o que será que se passa na cabeça destes tarados? Se você conversa abertamente sobre um assunto desde pequeno, suas chances de conhecer a fundo a sua libido e expressar o que você realmente quer aumentam infinitamente. Sendo assim, as chances do seu parceiro saber exatamente o que você gosta (e o que não gosta) também são muito mais altas. Aliás, se você não conversa sobre sexo nem com suas amigas, é possível que nem 24

mesmo você saiba exatamente do que gosta. As experiências alheias podem despertar idéias que você nunca sequer sonhou, e levar o seu prazer às alturas. Falar sobre sexo não é uma perversão, é uma necessidade. Seja em casa, em uma roda de amigas ou a dois, você pode descobrir um mundo novo na sua própria cabeça e, principalmente, nos seus relacionamentos. Sejam eles para a vida toda ou apenas por uma noite.


C@arpe Tecno

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Blogs sĂŁo bons artifĂ­cios para estar antenado no mundo da moda.


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C@arpe Tecno Robson Leandro

O boom dos blogs 28


Blogs viraram sensação. Como o mundo fashionista não pode ficar atrás das tendências, o número de espaços virtuais para o assunto é gigante. E tem para todos os gostos.

N

ão faz muito tempo que houve um boom de blogs na internet. Eles começaram como espécies de diário eletrônico, porém, perderam esta característica e recentemente explodiram como uma das mais contemporâneas formas de difusão e geração de informação na internet. Assim, como todos os outros sites ou veículos de mídia, os blogs também acabaram se especializando em determinados assuntos, e um deles é moda. E num meio – ainda mais aqui no Brasil – onde publicações são tão escassas e revistas internacionais são muito caras, os blogs acabam sendo uma das mais valiosas fontes de informação e opinião. “Pequeno espaço para publicação de minhas opiniões sobre qualquer coisa que tenha relação com moda. Resolvi criar esse blog em 2006 com a intenção de combinar minhas duas paixões: jornalismo e moda”, declara Clara Dourado, dona do blog: The Nerd Fashionist. Os blogs também acabam funcionando com uma vitrine para trabalhos dos mais variados. Pode se encontrar blogs de dicas de maquiagem, como se vestir, tendências e

até de personal stylist. “Através do meu blog vendo o meu produto. Faço o meu marketing pessoal e de outras lojas que me patrocinam já que pago para a hospedagem de um site para ter o meu blog”, relata Andréa Fialho, personal stylist radicada em Fortaleza. A network e rede de amigos que se faz através deles acabam gerando uma vasta gama de possibilidades e oportunidades profissionais que não necessariamente tem a ver com aquilo que é feito no blog. “Conheço donos de blogs de moda do mundo inteiro e com ele troco idéias. Já fui convidada até para dar entrevista em rede de televisão e ser consultora de moda tudo através do meu blog, afirma Andréa Moreira. Existem atualmente, milhares de blogs de moda. Não se sabem ao certo quantos, mas que todos os grandes sites hoje, hospedam algum tipo de blog de moda. O que antes era feito por pessoas comuns para descontração atingiu de forma inexplicável até os grandes nomes renomados da moda como Thaís Losso, Alexandre Herchovitch e Glória Kalil. 29


Cuide-se

C창ncer d

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de mama A cada ano, cerca de 20% dos casos novos de c창ncer em mulheres s찾o de mama. 33


Cuide-se Priscila Ribas

Em teus seios O câncer de mama é uma doença silenciosa, muitas nem desconfiam da doença. Quanto antes for descoberto, mais fácil será o tratamento.

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ó liberdade

Mulheres entre 40 e 60 anos são mais propensas a ter o câncer.

O Brasil deve registrar 49 mil casos em 2011.

enti um caroço estranho em minha mama direita. Procurei um ginecologista que me encaminhou a um oncologista, confirmando minha suspeita, estava com câncer de mama,” diz Alcione de Lima Freitas, 47 anos. As mulheres venceram muitos desafios e têm muito a comemorar, especialmente no que diz respeito à saúde. Porém, em relação às principais doenças que atingem o público feminino, o câncer de mama ocupa o centro, é o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo. A cada ano, cerca de 20% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama. O Brasil deve registrar no ano que vem mais 49 mil casos, mantendo-se estável em relação a 2009, segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer. O câncer de mama é a doença com maior mortalidade entre o sexo feminino, sendo que 10 mil mulheres vão a óbito por ano no Brasil e um terço delas logo no primeiro ano. Entre as principais causas, segundo

o mastologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), José Clemente Linhares, estão a idade dos 40 aos 60 anos, a existência de histórico da doença na família, a menstruação precoce e menopausa tardia. “Já temos comprovação científica de que a obesidade também é um fator de risco para o câncer de mama. Além disso, estudos recentes dizem que estresse, alimentação irregular, consumo de bebidas alcoólicas e o fumo também contribuem. Se você se enquadra neste grupo, lembre-se o diagnóstico precoce da doença, faz com que as chances de cura sejam maiores. O especialista relata que os recursos para detectar precocemente o câncer são a mamografia, os exames clínicos e o auto-exame. O médico alerta que, quanto maior o nódulo, mais agressivo será o tratamento e, conseqüentemente, menor é a possibilidade de cura. Assim, o auto-exame, mesmo sendo um exame realizado pela própria mulher, não substitui a mamografia. 35

“S


Cuide-se “O auto-exame é complementar, mas nunca a mulher pode deixar de realizar os exames de rotina e substituílos pelo auto-exame das mamas”, assinala. Linhares informa, ainda, que na maioria das vezes câncer de mama não apresenta sintomas. Daí a necessidade de realizar os exames de rotina. No entanto, existem algumas alterações que podem ser encontradas durante o auto-exame, como nódulos na mama e nas axilas, espessamento na mama, secreção no mamilo, pele retraída, alteração do formato ou tamanho das mamas, entre outros sintomas.

“Faltou isso, a mamografia. Sempre fiz o autoexame, mas meu nódulo já estava grande quando procurei ajuda.” Alcione comenta, lembrando que a mamografia é o único exame capaz de identificar lesões ainda em fase inicial, diminuindo em 35% a mortalidade por câncer de mama se realizada anualmente. O tratamento do câncer é agressivo, não apenas para a paciente, mas para todos ao seu redor. “Com a doença você passa a ver a vida com outros olhos. O medo da morte está presente 24 horas”, ressalta Alcione. Ele pode ser tratado por meio de radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e cirurgia, e as técnicas crescem dia após dia. Mesmo com a evolução tecnológica da medicina, o diagnóstico precoce do câncer é ainda a principal arma para conter os avanços da doença, mas chegar ao público é o maior desafio da comunidade científica e dos governos. Contudo, com as paranaense é diferente. O governo e sociedade se uniram nessa luta e hoje existem desde associações que tratam do problema até leis estaduais para o combate da doença. Há palestras de Detecção Precoce do câncer de mama, onde são levadas informações que conscientizem as mulheres do seu compromisso com sua saúde em especial com a saúde da mama. Nestas palestras acontece a Oficina do Chaveiro da Vida, produto social de alerta de prevenção do câncer, criado por Tania M. Gomez, diretora da FEMAMA - Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama e ex-paciente de câncer de mama desde 2001. Ainda há o encontro com as primeiras Damas dos Municípios do Estado do Paraná. Cada primeira Dama assume a responsabilidade de alertar, demobilizar seu município, incentivando para a formulação de

“Com a doença você passa a ver a vida com outros olhos”.

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políticas públicas que venham beneficiar as mulheres. O compromisso pela saúde da população é do poder público, com o dever dos seus cidadãos de procurarem os serviços e cumprirem o que seus médicos determinam. Ainda no Paraná a lei 14. 854 de autoria da Deputada Cida Borghetti, foi um marco no estado, estabelecendo o Dia de Luta conta o Câncer de Mama no Paraná e o projeto de Lei criando os Comitês de Tolerância Zero para o Câncer Avançado. “Vitória. Hoje sei o que significa essa palavra. Contribuo com a associação das amigas da mama, para dar base para quem como eu enfrenta esse problema. Hoje sou ex-paciente e defensora nata da saúde feminina”, conclui Alcione, que auxilia no grupo Associação das Amigas da Mama (AAMA), existente há sete anos, sendo uma entidade sem fins lucrativos e que tem como propósito fundamental apoiar e ajudar as mulheres com vivência em câncer de mama, compartilhando vivências e experiências diante do diagnóstico e do tratamento da doença.

“A mamografia é o único exame capaz de identificar lesões ainda em fase inicial, diminuindo em 35% a mortalidade por câncer de mama”. Reportagem especial por Priscila Ribas.

“Hoje sou ex-paciente e deferensora nata da saúde feminina”. A prática de exercícios físicos, ao menos 20 minutos por dia pode evitar diversas doênças. 37


Cuide-se Priscila Ribas

O Câncer de Mama

O

câncer de mama ocorre quando as células deste órgão passam a se dividir e se reproduzir muito rápido e de forma desordenada. A maioria dos cânceres de mama afetam as células dos ductos das mamas. Por isso, o câncer de mama mais comum se chama Carcinoma Ductal. Ele pode ser “in situ”, quando não passa das primeiras camadas de célula destes ductos, ou invasor, quando invade os tecidos em volta. 38

Os cânceres que começam nos lóbulos da mama são chamados de Carcinoma Lobular e são menos comuns que o primeiro. Este tipo de câncer freqüentemente acomete as duas mamas. O Carcinoma Inflamatório de mama é um câncer mais raro e normalmente se apresenta de forma agressiva, comprometendo toda a mama, deixando-a vermelha, inchada e quente.


Aproveite Esta!

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Irreverente mas nem tanto Uma entrevista com Jana Mundana Alexandra Fernandes

D

eusa, diva, musa. Essa é a frase tatuada no antebraço direito da atriz e cantora Janaina Izar, 35 anos. Jana mundana como é artisticamente conhecida, começou sua carreira repentinamente aos 18 anos, e desde lá acumula duas minisséries Globais, um longa-metragem, vários prêmios Gralha Azul (premiação curitibana para a cultura) e ainda, protagonista/vocal da banda teatro Denorex 80. Quem é Janaina Izar? Janaina Izar é família, passear, pura emoção, alegre, fiel ao ditado “oito oitenta”, enfim, sou uma artista nata. Vivo a vida como se ela fosse uma linda peça teatral. Como surgiu o nome Jana Mundana? Estava na rua com amigos e tive uma vontade tremenda de fazer “xixi”. Falei que iria fazer no meio da rua. Como sempre fui muito agitada meu amigo me disse: “Nossa Jana você é muito mundana!”, apaixonei-me por esse codinome: Jana Mundana. Amor até o fim. Sua carreira, como começou? Desde sempre sou artista. Quando pequena sempre cantei, dancei e interpretei. Aos 12 anos já tinha uma grupo de teatro. Mas minha carreira decolou por acaso. Uma paquera era acrobata e encenava em um grupo teatral, eu assistia todas as peças. Quando um belo dia a protagonista teve um problema e não poderia encenar. Como conhecia a peça muito bem e as pessoas do grupo sabiam que levava

jeito para a vida artística, me encaixaram no lugar da protagonista. Fui à sensação do momento. Só não ganhei prêmios por não ter a DRT. De lá pra cá não parei mais. E quais foram seus trabalhos mais significativos? A minissérie “Os quintos dos Infernos” e o seriado “Os Normais”, além das inúmeras peças feitas para crianças, o longa-metragem que participei. Enfim, para mim todo trabalho é muito significativo. E falando em trabalho, e a banda Denorex 80, como surgiu? Como a maioria das coisas em minha vida, brincando. Eu, Maurício Vogue e Alexandre Nero, nos reunimos numa tarde de sábado para nunca mais nos separar. Tivemos apenas três ensaios e já foi o suficiente para a Denorex prosseguir com muito amor, sexo e anos 80. Quais são os sonhos e projetos futuros de Jana? Ser mãe aos 37 anos, ir para São Paulo, inclusive passarei um temporada lá para renovação da minha vida artística, ainda quero ir ao Rio de Janeiro para expandir minha carreira de atriz, tudo sem prejudicar a Denorex é claro. Pretendo estudar mais. Também quero abrir uma academia, um salão de beleza, ser perua com um lindo bofe que me sustente. (risos). 41


Papo Reto

Pryscila Vieira Por que você criou a Amely? Do desespero masculino nasceu a Amely – Uma Mulher de Verdade. Batizei a personagem com esta graça devido ao samba de Mário Lago intitulado “Ai! Que saudades da Amélia” cujo tema é o comparativo entre a mulher atual, vaidosa e luxuosa, e a anterior chamada Amélia, um exemplo de resignação e desprovida de vaidade. No samba, Amélia era considerada uma mulher de verdade, embora eu ache que ela vivia uma mentira por se anular para viver a vida de um homem. Nos meus quadrinhos, Amélia torna-se Amely. Esta sim é uma mulher de verdade, embora paradoxalmente seja uma boneca inflável. A primeira vista, Amely é apenas uma boneca inflável, ou seja, um objeto sexual perfeito. Ela é desejada, plasticamente bonita 42

Alexandra Fernandes

e eternamente feliz. Numa segunda análise Amely frustra os homens ao mesmo tempo em que se projeta como salvação das mulheres. Ela gera todo este impacto por um único motivo: ela pensa. Isto a transpõe do patamar de “mulher inflável” para o de “mulher infalível”. A partir deste momento, Amely torna-se “uma mulher de verdade”. Ela tem vontade, iniciativa, independência apesar de que seus “proprietários” não esperem nada dela além de uma boa transa. Os quadrinhos da Amely tratam dos sentimentos e pensamentos de alguém que não esperamos que os tenha, muito menos que os expresse tão veementemente. Além de Amely, ainda temos sempre um outro personagem que interpreta o


Comprador da boneca. Ele resolve comprar uma Amely exatamente porque desistiu de tentar compreender as mulheres. Ele tem a esperança de que ela Amely será uma mulher perfeita, visto que não tem vontade própria, logo não tentará trabalhar nem subjugá-lo e além de tudo tem um preço módico e fixo. Mas a solução de sua crise existencial dura pouco. Para seu desespero, Amely chega pensando e falando. E pior: recusa-se a ser um mero objeto sexual. Ela quer ser seduzida, quer preliminares, quer amor e carinho como toda mulher. Ela reflete seus pensamento a respeito da mulher? Procuro mesclar política social com piadas atemporais. Numa tirinha a Amely empunha uma bandeira feminista reclamando da sobrecarga feminina de funções e propõe uma campanha pelos direitos desiguais da mulher. Em outra tirinha ela esta estourando porque um vampiro tarado tentou sugar seu sangue (inexistente). Se ela fica só falando em temas feministas pode ficar chata demais e odiada pelos homens. A Amely tenta agradar todo o eleitorado. Mas o grande intuito da Amely é representar o público feminino, é dar voz as injustiças que as mulheres sofrem. Como é ser umas das únicas cartunistas do Brasil? Historicamente, o humor é feito por homens, o que o tornou machista. As mulheres eram alvo central das piadas. Eram as gostosas da piada, eram as mulheres chatas que esperavam os maridos em casa, etc. Então por que iriam fazer piadas, sendo que eram estereotipadas dessa maneira? Cartunistasfêmeas desbravam esta selva de idéias estereotipadas, para que talvez numa próxima geração a mulher possa fazer humor sem se comprometer em hastear bandeiras que se refiram as suas próprias angústias. Outra coisa: Mulheres são sobrecarregadas de ofícios, o que não deixa muito espaço para bom humor. Ao invés de ir para um happy hour, a maioria delas volta do trabalho para fazer comida, limpar a casa, cuidar de filhos, marido, ficar magra, linda e com apetite sexual. Em meio a tanta cobrança e responsabilidade, sobra tempo para ser bem

humorada? Para a maioria, a resposta é não. Você começou com a Amely em um blog. Como vê a repercussão da “boneca inflável”? Amely foi criada despretensiosamente no natal de 2005 para ser publicada apenas no meu site. Mas a tal boneca agradou tanto que começou a receber convites, foi selecionada em concursos de humor gráfico (Salão Carioca, concurso da Folha de São Paulo) e hoje é publicada diariamente na maior rede de jornais do planeta, o grupo Metro Internacional e na Folha de São Paulo. Também foi convidada para várias exposições de quadrinhos no mundo todo (Peru, Espanha, Grécia, Colômbia) que tratam do universo feminino e da luta pelos direitos iguais da mulher, embora Amely defenda exatamente o contrário: os direitos desiguais da mulher. Ela faz sucesso. Mas, tem muito mais por fazer ainda.

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Crônica

Agora é que são.. Alexandra Fernandes

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.. Elas... Será?

O

ano de 1928 foi marcante na vida das mulheres brasileiras, foi o inicio da vida eleitoral. E em 1932, além da conquista do voto a mulher conseguiu chegar ao poder com Alzira Soriano, prefeita em Lajes no Rio Grande do Norte. Cerca de oitenta anos se passaram e hoje, 2010 a corrida para a presidência tem duas mulheres: Dilma Rouseff e Marina Silva. Uma evolução para a mulher? Talvez. Conversando com a deputada estadual Rosane Ferreira sobre que fato de duas mulheres concorrerem à presidência recebi a resposta genial: “é uma avanço, porém não uma evolução”. As mulheres ainda ocupam poucas cadeiras parlamentares. No Paraná por exemplo apenas 3 dos 54 deputados são mulheres, não há deputadas federais e ainda nas prefeituras contamos com apenas 12 mulheres. A questão do poder ainda está muito ligada com o homem, às mulheres são 52% do eleitorado e ainda são não possuem representação significativa. De fato somos um país hipócrita, dizemos que a liberdade reina aqui, mas em nossas atitudes mostramos ao contrário. Seria como os fariseus da Bíblia, talvez faça o que digo mas não faço o que faço seria o melhor ditado. A deputada Rosane ainda ressaltou que com relação ao respeito e poder alcançamos igualdade. Não é porque é mulher que se trata diferente, avanço. O grande desafio está em conseguir gerenciar todos os papeis que a sociedade lhe impõe: mãe, esposa e dona do lar. “A cobrança vem de dentro de casa. Tenho dois filhos, um de 13 e outro de 17 anos, estes dias o de 13 chegou e me disse que estava sem calças. Meu filho cresceu e na correria do dia a dia nem percebi.” Isto ocorre com todas as mulheres, certo leitora? Enfrentar dupla ou tripla jornada já é habito das mulheres, não basta trabalhar fora e não trabalhar com a família. Agora cabe a nos decidirmos: teremos uma mulher no maior patamar de poder deste país? 45


Papo Reto - Cartoon

Amely

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CARPE DIEM