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25 DE

1ª EDIÇÃO

&

SUAS FACES

MARÇO

ME RUA DOS

ÁRABES

MÓ RIAS Conheça um pouco da história da famosa rua que tornou-se parada essencial ao visitar a cidade de São Paulo.


1800

O Tamanduateí, com um importante trecho que corria onde hoje fica a rua 25 de Março, recebia águas do riacho do Anhangabaú, permitia o acesso fluvial ao rio Tietê, no qual deságua, facilitando a entrada dos paulistas para os sertões.

1848 - 1851

O Presidente Provincial Pires da Motta mudou

o leito do Tamanduateí e abriu, ao seu lado, o traçado da futura Rua de Baixo.

CRONO

LOGIA


1859

Um decreto da Câmara Municipal de São Paulo determina a abertura de uma rua que ligasse a Ponte do Carmo ao Porto de São Bento (depois chamado Geral) e ela foi chamada de Rua de Baixo.

1865

1929

O nome da rua de Baixo foi mudado para Rua 25 de

O número de imigrantes duplicava. Os negociantes tinham

Março em homenagem à Primeira Constituição do Brasil,

lojas embaixo e moravam com suas famílias na parte superior.

outorgada por D. Pedro I em 25 de março de 1824.

1930

1901

Por essa época a rua 25 de Março tinha 3 regiões distintas:

A rua já tinha mais de 500 lojas de imigrantes

a mais próxima à Praça da Sé, era o centro que vendia galinhas

sírio-libaneses. Inauguração da Estação da Luz. Os trens

e galinheiro. Na esquina da General Carneiro

dariam um impulso impressionante às vendas, trazendo

com a 25 e do lado oposto estabeleceram-se os primeiros

compradores de todo o interior.

atacadistas de tecidos. Indo no sentido do Anhangabaú havia uma série de pequenas lojas de armações e panos para

1916

Retificação do Tamanduateí e utilização do Porto Geral, para descarregar as mercadorias importadas

cortinas e ao lado nasciam os primeiros bares que vendiam doces sírios e esfihas.

1965

que chegavam de Santos junto com os imigrantes.

A Rua 25 de Março comemora seu primeiro Centenário.

Oficialização da Rua 25 de Março pelo Ato Municipal 972

1982

O que se comprava na 25 de Março por mês era, em média: 300 mil caixas de grampos; 150 milhões de botões; 1 milhão de fivelas; 5 milhões de agulhas; 140 mil dedais; 10 mil duzias de fitas métricas e 15 milhões de metros de renda, nos inumeros armarinhos dos imigrantes.

1990

Invasão dos ambulantes, chegada dos coreanos, brasileiros e comerciantes de todas as raças, cores, credos e religiões. A rua que antes era sírio-libanesa torna-se de todos.


06 SOUQ - MERCADO ÁRABE Um tour pela origem do sucesso dos negociantes árabes e como funcionavam os mercados na terra natal dos fundadores do grande shopping aberto 25 de março.

10 A BELEZA FEMININA NA TRADIÇÃO ÁRABE Os segredos de beleza da mulher árabe, a razão para utilização do véu, o porque do destaque aos olhos na maquiagem e, a origem e significados da pintura com henna.

16 MEMÓRIAS DA RUA DOS ÁRABES Conheça um pouco da história desta famosa rua que tornou-se uma parada essencial ao visitar a cidade de São Paulo.


26

&

ENTREVISTA COM

SUAS FACES

Sampas & suas faces - Cultura

RICARDO CURY

Árabe é um projeto editorial de

O neto do imigrante,

caráter acadêmico e profissional,

fundador do Empório

teórico e prático, desenvolvido

Syrio conta a saga

no 4° período do curso de

de sua família.

Design Gráfico - com ênfase em Tipografia da Universidade Anhembi Morumbi. Além dessa edição, compõe o projeto uma segunda publicação em menor formato com informações sobre a região central da cidade de São Paulo.

31 GASTRONOMIA As delícias da típica culinária árabe.

SEÇÕES CULTURA 06

MATÉRIA DE CAPA 16

Direção de arte: Caroline Paz Matérias: Vanessa Gianasi, Aline Rocha e Patricia Durão Fotografias e Ilustrações: Caroline Paz e Aline Rocha Orientações: Claudio Ferlauto * As fotografias e registros da matéria Souq - Mercado árabe, são de autoria de Gilberto Tadeu Vieira, em viagem ao Iraque em 1984 e foram cedidas pelo mesmo. Já as fotografias da matéria Memória da Rua dos Árabes foram retiradas do livro de mesmo nome da autora Rose Koraicho. As demais imagens presentes na publicação são autorais ou retiradas (com autorização dos autores) do site www.sxc.hu

GENTE 26 GASTRONOMIA 31 NOTAS DE RODAPÉ 36 VISÕES 38

Univerdidade Anhembi Morumbi Av. Roque Petroni Jr., 630 – Morumbi Cep: 04707-000 Tel: (11) 5095-5600


SOUQ

o mercado árabe É notável a capacidade de negociação dos comerciantes árabes, tal capacidade vem dos Souqs - mercados árabes, que geralmente

com suas ruas repletas sempre repletas de gente por todos os lados. Tais mercadores são descendentes dos

ficam em grandes áreas comerciais antigas,

fenícios, que desbravaram os mares da

sendo imensos mercados de estreitas ruelas

Antiguidade, com suas caravanas teceram

com milhares de pequenas tendas com

a rota da seda entre o Ocidente e Oriente,

as mercadorias diversas como: sapatos,

fizeram migrar entre continentes não só

tecidos, pipas de cristal, especiarias, jóias,

objetos, mas hábitos, idiomas e culturas.

6

CULTURA


ร cima (esquerda) o Souq รกrabe da cidade de Bagdad Iraque; negociantes รกrabes (direita); tapeรงaria tradicional Iraquiana (ao lado).

7

CULTURA


As imagens mostram mercadorias (tapeçarias , tecidos e jarros de metal) de um Souq na cidade de Bagdad - Iraque

“Quando os teus comerciantes saíam das ondas, abasteciam os povos. Pela multidão de tuas riquezas e de teus víveres tu enriquecias os reis da terra”, disse o Profeta Ezequiel sobre os comerciantes árabes. Apesar dos metais preciosos constituírem sua linha mais lucrativa de comércio, nenhuma mercadoria que prometesse bom lucro era deixado de lado (essa característica é marcante nesses negociantes até os dias atuais). Ouro, prata, estanho, cobre e ferro. Os metais atraíam os fenícios e os lucros de suas expedições mercantis eram imensos, a margem de lucro nas trocas de bens de menor valor por valiosas cargas de metais era enorme e

8

CULTURA


recompensava amplamente as longas jornadas dos mercadores viajantes. Até hoje o artesanato feito com metais é de forte presença nos mercados árabes. É uma variedade de objetos atraentes, modelados manualmente por artesões, que trabalham com suas abundantes matérias-primas, como cedro, metais diversos, marfim e pedras preciosas. Mas os produtos mais famosos são da indústria têxtil: algodão, linho e lã coloridos e finíssimos, contrastando com suas vestes, geralmente sem cor e grosseiras. A magia dos tecidos e metais árabes está em suas cores brilhantes e vivas.

9

CULTURA


por Patrícia Durão

a beleza

feminina na tradição árabe

10 CULTURA


Embora estejam quase sempre cobertas por burcas, essas mulheres ainda acham uma forma de chamarem atenção e demonstrar sua vaidade.

11

CULTURA


A maquiagem para as mulheres árabes é de suma importância, porque é através dela e de outras poucas formas que esboçam sua beleza. É característica da cultura ressaltar sempre os olhos, dando origem à expressão “olhos árabes”, pois o olhar é um dos poucos pedaços visíveis entre os véus e burcas, além de ser a janela para a alma tanto para homens como para mulheres, apesar de apenas as mulheres valorizá-los. Não é só os olhos que levam a maquiagem, mas também as sobrancelhas que sempre tem que estar impecáveis e bem traçadas.

“ “ Para as muçulmanas, o hijab faz com que elas sejam conhecidas

pelo espírito e não pela aparência.

Magda Aref Abdul Latif

O contorno dos olhos independente do

tamanho devem sempre estar com um traço bem fino e delicado no canto interior e mais espesso no final, devendo estar sempre

bem delineados, pois segundo as próprias mulheres árabes, passa um toque de mistério. Não são permitidos exageros na maquiagem, já que torna a mulher à visão dos homens de honra duvidosa ou vulgar, devendo permanecer então sempre delicadas e sutis.

12 CULTURA


Na cultura árabe é indispensável o uso

aquilo que desperta o desejo. Toda a

do véu (hijab) para as mulheres, pois para

sensualidade, toda a beleza, a mulher

as mulheres dessa cultura, o hijab faz com

esconde isso dos homens e apenas

que elas sejam vistas e conhecidas pelo seu

restringe isso ao seu marido e ao

espírito e alma e não pelo seu corpo ou sua

ambiente familiar, ficando sem o véu

aparência, por isso o grande destaque aos

apenas dentro de casa, na presença do

olhos - janelas da alma.

marido, pais, avós, tios e sogros. A mulher pode se produzir da

Essa cultura vive com base em sua Bíblia (Alcorão), e nele diz que toda mulher

maneira que quiser, podendo se

muçulmana deve andar com o corpo todo

maquear, fazer o cabelo e se vestir

coberto pelo véu, por ser mais conveniente

da forma que achar melhor. Porém

e para evitar de serem molestadas, mas

fora do ambiente familiar é de suma

a verdadeira razão do uso do véu em si é

importância usar o véu.

esconder das vistas dos outros homens tudo

13

CULTURA


N

Na verdade não há uma forma de saber exatamente a origem da arte da Henna, porém os primeiros indícios de seu aparecimento foram na cultura

árabe, originando-se assim da palavra Al-Hinna;

que em termos botânicos significa Lawsonia Enermis, uma espécie de planta encontrada somente na região do Oriente Médio, porém, a Henna é conhecida por muitos outros nomes, incluindo Henne, Al-Khanna, Mignonette Jamaica, Privet egípcio e Lawsonia Smooth.

origem

da henna

A arte de decorar com henna tem sido praticada no Norte de África, Oriente Médio, Ásia Meridional e na Europa, tendo sido utilizada e passada aos povos hindus, sikhs, judeus, muçulmanos, cristãos, pagãos e outros. A Henna tem sido usada durante séculos para a decoração do corpo. Os egípcios antigos usavam henna antes da mumificação. 14

CULTURA


Pessoas de todo o mundo continuam a usar, principalmente para fins cosméticos. No entanto, em países onde a henna é considerada tradição, ela é usada também para fins medicinais e de cura, tendo em alguns casos uso espiritual. A arte com henna varia de região para região. Diferentes modelos têm um significado diferente para os membros de cada cultura, tais como boa saúde, fertilidade, sabedoria, proteção e iluminação espiritual. É característica das hennas árabes os desenhos grandes, com estampas florais, normalmente usados nas mãos e nos pés. Na cultura árabe, principalmente, a Henna é utilizada por gerações em celebrações especiais, como noivos, casamentos, oitavo mês de gravidez, nascimento, circuncisões e etc, todos esses eventos são marcados pela beleza da henna.

a cerimônia Manjha A cerimônia do casamento implica que a noiva seja previamente envolvida numa massagem feita com uma pasta à base de açafrão. Isto acontece na casa da noiva, um a dois dias antes do casamento. A pasta é feita à base de açafrão, sândalo e óleo de jasmim, providenciado pela família do noivo. A noiva também é “tatuada” com henna, por uma mulher solteira para trazer sorte ao novo casal.

curiosidades

Diz a lenda que Maomé usava a henna para tingir a barba e a flor de henna era sua favorita, omo resultado a henna possui até hoje grande significado no universo muçulmano. Essa tradição é tão considerada pelos árabes que as noivas pintadas só fazem os serviços domésticos depois que as tatuagens saem da pele; enquanto elas durarem as esposas ficam livres de fazer os serviços em casa e só fazem antes se assim desejarem. A henna tem propriedades medicinais, tais como refrigerar as zonas tingidas. Os povos do deserto do Saara, do Rajasthan, de Punjab, e de Gujarat, mergulhavam as mãos e os pés na pasta feita de Henna, para baixar a temperatura. Só os pés e as mãos andavam destapados e desprotegidos do sol.

15

CULTURA


MEMÓRIAS DA RUA DOS ÁRABES

16 MEMÓRIAS


Os árabes na formação da Rua 25 de Março e suas histórias. 17

MEMÓRIAS


18 MEMÓRIAS


Rua Direita, Vista em direção à rua de São Bento, onde nascia a 25 de março.

por Vanessa Gianasi

“ principal

encontravam patrícios que lhes davam a

razão para o desen-

mão nos primeiros tempos, ajudando-os

volvimento de uma co-

a ajustar-se à nova vida. À medida que

lônia síria e libanesa

chegavam navios em Santos, transportando

na rua 25 de Março

imigrantes, os sírios e libaneses em

estivesse no fato de lá

São Paulo iam receber seus amigos e

terem se estabelecido

compatriotas. Transportavam-nos

os primeiros sírios e

de Março, e lá lhes ensinavam os termos

libaneses que pra cá

portugueses indispensáveis e os truques

vieram. Seus parentes,

do comércio do mascate. Forneciam-lhes

amigos e conterrâneos,

mercadorias a crédito e depois mandavam-

ao chegar, instalaram-

nos para o interior ou para os subúrbios

se perto deles. Outros

da cidade para mascatear. Gradualmente,

imigrantes sem relações

desenvolve-se colônia considerável em

de parentesco também

torno do Mercado.

Talvez

a

foram para lá, porque

19 MEMÓRIAS

(Knowlton, Clark. Sírios e Libeneses no Brasil)

à

25


O

local

onde

hoje

encontra-se a Rua 25 de

Paulo em duas: a Cidade Alta e a Cidade Baixa.

Março foi, até pouco antes

Foi neste período que os árabes começaram a comandar

de 1850, um leito do rio

o comércio no local. Os alugueis começaram a aumentar,

Tamanduateí que recebia as

e quem chegava, se instalava na parte Baixa, onde os

águas do rio Anhangabaú e

preços eram mais acessíveis. O trecho foi rebatizado em

desaguava no Tietê.

1865 como 25 de Março, homenagem à data da Primeira

Existia ali um porto que recebia

Estação da Luz Ponto de chegada da região, dos imigrantes vindos do Porto de Santo.

A rua então foi chamada de Rua de Baixo, dividindo São

as

mercadorias

Constituição Brasileira que foi criada em 1824. Com a chegada dos imigrantes sírio-libaneses,

importadas e servia como

a região passou a ser vista como um local onde

escoadouro. Este porto era o

as pessoas encontravam mercadorias que supriam

Porto Geral, e ficava localizado

suas necessidades.

onde hoje situa-se a ladeira

Mesmo com o crescimento da cidade, a região ficou concentrada e consolidada como a região da rua 25 de

Porto Geral. No final do século houve uma retificação do Rio, a área foi drenada e surgiram as primeiras chácaras da região.

20

março, onde se encontra mercadoria barata. A primeira loja aberta na rua 25 de março, em 1887, pertencia ao imigrante libanês Benjamin Jafet. No ano de 1893 funcionavam na rua 25 de março MEMÓRIAS


21 MEMÓRIAS

Rua do Centro da Cidade no SÉC XIX


“Mesmo com o crescimento da cidade, a região ficou

consolidada como a

rua 25 de março, berço da

mercadoria barata.”

Mercado Municipal, um dos principais colabores para permanencia e crescimento do numero de imigrantes árabes na região.

22

MEMÓRIAS


clientela vinha vender ou trocar por mercadorias da loja. Já no segundo andar existia uma área reservada para a venda de tecidos e outros artigos de armarinho. A

estratégia

da

concorrência

adotada

por

Benjamin Jafet e outros libaneses e sírios contra os concorrentes portugueses propiciou a criação de um sistema próprio de distribuição paralelo ao sistema dos concorrentes. Criaram um entendimento com os mascates e comerciantes que não ficavam nas suas lojas esperando os clientes. Eles andavam com a loja nas costas em busca da clientela em lugares afastados trazendo uma nova possibilidade de negócio. A

atividade

comercial

de

mascate

oferecia

um retorno rápido e dependia exclusivamente do

trabalho

individual

de

cada

um

deles.

Trabalhando duro e gastando o mínimo para sobreviver, era certa a possibilidade de acumular capital,

sobretudo

para

os

solteiros.

Outro

fator de atração era o fato de trabalhar para os patrícios que eram comerciantes que já tinham passado pela mascateação e que graças ao apenas cinco lojas de armarinho

trabalho de alguns anos, se estabeleceram em

e uma mercearia. Em menos de

lojas e conheciam bem o oficio, o que facilitava o

uma década, em 1901, a região

relacionamento entre o fornecedor das mercadorias

estava tomada por mais de 500

e o iniciante como mascate.

estabelecimentos de propriedade

Em 1901, 90% dos mascates de São Paulo eram sírios

de membros da colônia sírio-

e libaneses. Esses mascates estavam preparados

libanesa. Esses dados dão idéia

para inundar de pequenas lojas toda a região da rua

da rapidez com que o comercio

25 de março. Em 1907 os registros já apontavam que

desenvolvido

imigrantes

das 315 firmas sírias ou libanesas registradas em São

sírios e libaneses tomou conta

Paulo, cerca de 80%, ou seja, 219 delas eram lojas

de uma parte da cidade. Naquele

de tecidos que vendiam no varejo ou armarinhos.

tempo quem percorresse o bairro

No inicio da I Guerra Mundial, os sírios e libaneses

tinha a impressão de estar em um

dominavam a região da 25 de março, porem no setor

bazar a céu aberto.

do comercio por atacado existia ainda certo domínio

pelos

Adotaram uma planta tradicional dos atacadistas da época, que

dos portugueses estabelecidos na rua Florêncio de Abreu.

era manter no primeiro andar

Durante a década de 1920 se promoveu a

aposentos para hospedagem dos

consolidação e ocupação do comercio atacadista

clientes que vinham do interior

de tecidos e armarinhos bem como da indústria

e deposito de produtos agrícolas

de confecções, favorecidos pela interrupção das

nacionais, fumo e cereais que a

importações durante a guerra.

23

MEMÓRIAS


Ao longo dos anos trinta e quarenta

É neste momento que entram em cena os

a consolidação e ampliação dos

imigrantes asiáticos, em especial coreanos e

negócios monopolizou o comercio

chineses.

varejista de tecidos e a pequena

No inicio do ano 2000 a região já começou a ser

industria de trans- formação ligada

vista como um local de produtos importados e

ao setor. Com o enriquecimento dos

vendidos irregularmente.

principais comerciantes da região,

Hoje ainda permanecem três mil lojas sendo

alguns se mudaram para a Avenida

possível encontrar um pouco de tudo. Um

Paulista, perto da nova sede da

verdadeiro shopping a céu aberto, capaz de atrair

Igreja Ortodoxa, construída no bairro

gente de todas as camadas sociais, de todas

do Paraíso.

as regiões do estado e do país, e até mesmo de

As mudanças que ocor-reram na

estrangeiros.

economia tiveram reflexo direto

O aspecto de “bairro-sirio” ainda permanece, hoje

na região da rua 25 de março. Pela

misturado ao sotaque nordestino dos ambulantes e

região ser conhecida como um local

ao dos novos imigrantes vindos do Oriente, em

de merca- dorias de baixo valor

sua maioria coreanos.

unitário, os comerciantes locais se

As cerca de 250 mil pessoas que a rua recebe

adaptaram para vender mercadorias

diariamente - em datas especiais, esse numero

importadas e que poderiam ser

aumenta para 650 mil por dia - vão atrás de tudo

revendidas pelos compra-dores

o que possa imaginar, desde armarinhos, moda,

ao preço de R$ 1,99.

bijuterias, malas, sapatos, tecidos, artigos de couro

24 MEMÓRIAS


e atualmente a grande variedade de produtos eletrônicos. Contudo, hoje a maior força da 25 de Março está nos produtos sazonais.

brasileiros que também se estabeleceram por lá. Fazer compras nesta rua é uma verdadeira aventura, pessoas

Uma estatística feita em 2004 mostra

se espremem nas calçadas e lojas, fazem malabarismo,

que ali trabalham oficialmente mais

pechincham e às vezes é necessário até fugir dos ficais em

ou menos 12 mil pessoas. Existem

busca de ambulantes e mercadorias ilegais. Mesmo assim,

300 lojas de rua, mas no total

um traço do comércio trazido

somando os que estão nos prédios, o

pelos imigrantes árabes ainda permanece com força total, o

número de estabelecimentos chega

prazer de vender por menos para lucrar mais.

a três mil, se contar os funcionários

Os imigrantes trouxeram sua cultura, seus costumes,

não oficiais chega a atingir um

idiomas, sobrenomes, utensílios, esportes, comidas e força

numero surpreende de 30 mil.

de trabalho. A cidade é composta por essa herança cultural

Sendo que os sírios, libaneses e

que prevalece até os dias de hoje.

armênios ainda detêm cerca de

Atualmente, 15 milhões de brasileiros são descendentes de

40 a 50% do comercio local, os

árabes. A maioria é de origem libanesa, enquanto o restante

coreanos estão entre 5 a 15% e há

é, predominantemente, de origem Síria. Também existe a

ainda os chineses, portugueses e

presença de egípcios, marroquinos, jordanianos e iraquianos.

25 MEMÓRIAS


por Aline Rocha | Caroline Paz

D

Depois de trabalhar alguns anos na feira livre de São Paulo, assim que chegou no Brasil, o imigrante

libanês Wadih Cury, percebendo a necessidade que a colônia Árabe

tinha em adquirir produtos de qualidade para sua culinária, cria em 1924 o Empório Syrio.

Desde então, o EMPÓRIO SYRIO preza pela qualidade de seus produtos e atendimento, com frutas, cereais, especiarias, doces nacionais e importados, das melhores procedências, sempre procurando a satisfação de sua exigente clientela. São quase 90 anos de qualidade e tradição.

Conhecido por todos da região o empório, situado à Rua Comandante Abdo Schahin, número 136, paralela a 25 de Março, é ponto de parada obrigatório para visitantes que desejam provar as diferentes delicias àrabes.

A equipe de Sampas procurou o atual dono e gerente Ricardo

Cury, neto dos

fundadores imigrantes, para um bate papo, regado a muitos docinhos e boas histórias.

&

26 SUAS FACES

GENTE


&

SUAS FACES

27 GENTE


“O nome do meu avô era Wadih Cury. A ideia quando ele saiu

do Líbano, em 1910, era bus-

car a América, não necessariamente a América do Sul e sim a do Norte, mas o navio parou aqui em Santos e ele desceu.

Começou então a trabalhar. Ele começou na feira, e na barraca de feira percebeu a dificuldade de encontrar especiarias e alimentos importados, principalmente de origem árabe.

Depois de 4 a 5 anos trabalhando na feira ele montou o

primeiro ‘Empório Syrio’, que era inicialmente um pequeno

armazém, e começou importar alimentos do oriente, de fora,

já que na época o Brasil era muito carente nessa parte. Então em 1924, ele criou o ‘Empório Syrio’ de fato, uma loja de especiarias e alimentos árabes”.

Perguntado sobre se o endereço atual era o mesmo desde a criação, Ricardo responde:

“Não. Anteriormente o empório ficava na Rua José Bonifácio, no centro, aí depois ele abriu aqui na Rua da Cantareira, que tinha o Mercadão (e o CEASA que eles tinham aqui na época era o Mercadão), depois ele abriu em uma rua mais próxima que era a antiga Santo André. E assim foi tocando”.

“MAS O SO

O SO

SEMPR

&

28 SUAS FACES

GENTE


“ Pergunto então, como a gerencia chegou às suas mãos:

“Com o passar do tempo ele foi passando

os segredos e truques de geração a geração,

chegando agora à terceira. Primeiro a meu pai e agora a mim. “

Essa loja, nesse endereço , abriu mais ou

menos em que ano?

“Essa aqui foi por volta de 1999, nós ficamos

na outra na Rua Santo André cerca de 40 anos, de 1959 a 1999. Pro inicio do próximo século

fechamos lá e abrimos então aqui onde já estamos há 12 anos.”

Por que ele quis buscar a América?

“Ah! Como todo imigrante, veio para buscar

oportunidades melhores, condições melhores,

já que lá no Líbano a situação estava realmente difícil.”

E ele veio sozinho?

“Veio, veio sozinho. Com a cara e a coragem, depois trouxe os irmãos para ajudar e,

posteriormente, a mulher. Voltou pra lá, casou e a trouxe para ajudar cuidar de tudo isso e continuar a crescer cada vez mais.

Mas o sonho desses imigrantes, o sonho dele,

sempre foi voltar, né?! Libanês é um cara que saí

do Líbano, faz família, constrói tudo, sempre com a ideia de voltar pro Líbano, pra sua terra, mas acaba não voltando. Ficam por aqui mesmo”.

ONHO DESSES IMIGRANTES,

ONHO DELE

RE FOI VOLTAR, NÉ?!”

. 29 GENTE


O Empório Syrio é, há 3 gerações, exemplo de qualidade no ramo de importação de alimentos complementares, azeites, condimentos a granel, ervas, molhos, óleos, conservas, derivados de leite e massa,

doces e sobremesas, como frutas em calda, geleias, doces típicos, tortas, grãos e líquidos diversos, tabacaria, temperos, especiarias, e objetos da cultura árabe.

&

30 SUAS FACES

GENTE


por Aline Rocha

culinária árabe é uma grande e rica festa! ONDE Grãos, nozes, carnes, azeite e especiarias estão sempre presentes.

31

GASTRONOMIA


Esfiha fechada, quibe, talafel e tabule.

32

GASTRONOMIA


Uma culinária exuberante foi trazida ao Brasil pelos imigrantes árabes, espalhando-se pelas ruas e alamedas de São Paulo, com seu sabor original e apreciado ineditismo. A cozinha, seus temperos e ervas, jorrando pelo ar os aromas das especiarias vindas do Oriente, definitivamente penetraram a culinária brasileira. Os árabes introduziram no Brasil, a partir da 25 de Março, a sua generosidade de anfitriões e a fartura de sua mesa. Sua alimentação caracterizava-se pela utilização de cereais diversos (trigo, lentilhas, favas, grão-de-bico, semolinae principalmente o gergelim), carnes (carneiro, cabra, vaca e peixes), temperos diversos, pouco conhecidos no Ocidente (como a “snubar”, semente extraída do cedro do Líbano, noz-moscada, cominho e páprica), e frutas em abundância (tâmaras, romãs, damascos, figos e uvas). Condimentados, sempre acompanhados do até então desconhecido pão syrio, aqueles pratos deliciosos passaram a ser, imediatamente, apreciado por todos. Os restaurantes árabes da 25 de Março fizeram história. O serviço e a preparação dos pratos pareciam ser precedidos de um ritual de condimentos que não podiam faltar. Os não-iniciados colocavam na boca aquela comida e sentiam algo jamais sentido antes. Paladares nunca dantes navegados...


As receitas são simples de fazer, com ingredientes, facilmente encontrados em todo o Brasil.

carneiro é o principal animal consumido. Sua carne é assada ou guisada, O

normalmente recheada e

ricamente temperada.

Na falta de carne, ganham destaque os grãos, como

trigo, a lentilha, a ervilha, o grão-deo

bico e o arroz. Largamente apreciados também são as verduras e os

legumes recheados e em conserva, os quibes e esfihas, as frutas secas e a coalhada.

As favas são típicas do Egito, presentes no fool midammis, sopa bem grossa à base de feijão, servida normalmente durante o café da manhã e o falafel (bolinho de grãos), que já faz parte dos cardápios de outras nações árabes. O peixe é abundante no litoral do Oriente Médio, temperado com uma rica seleção de

especiarias e molhos e regado a azeites de oliva.

34

GASTRONOMIA


DOCES ÁRABES: Tipo de Culinária: Oriente Médio Categoria: Doces Subcategorias: Docinhos Rendimento: 15 porções 500 gr de capelli d'angelo 100 gr de manteiga Mococa

Doce Árabe, ilustraçao digital.

MODO DE PREPARO:

Coloque em um refratário o macarrão, o açúcar mascavo e a manteiga. Leve ao microondas por 3 a 5 minutos na potência alta, mexendo 2 a 3 vezes. Reserve. Bata no liqüidificador as nozes com o leite condensado formando um creme. Forre um refratário com metade do macarrão, despeje o creme de nozes com leite condensado sobre este macarrão e cubra com a outra

3 colher(es) (sopa) de açúcar mascavo 1 lata(s) de leite condensado Mococa 150 gr de nozes picada(s) 1 xícara(s) (chá) de açúcar 1/2 xícara(s) (chá) de água metade do macarrão reservado. Retorne ao microondas 4 a 5 minutos na potência alta. Misture a água com o açúcar e leve ao microondas por 5 a 6 minutos na potência alta, para fazer uma calda. Ao tirar o doce do microondas, jogue a calda sobre o macarrão.

DOCE DE BANANA: Tipo de Culinária: Culinária Popular Categoria: Doces Subcategorias: Docinhos Rendimento: 20 porções 12 unidade(s) de banana

Doce de banana, ilustraçao digital.

MODO DE PREPARO:

Descasque as bananas e reserve a casca de duas delas. Coloque o açúcar, a água, o cravo e a canela em uma panela em fogo alto. Quando levantar fervura, coloque a banana picada. Acrescente as cascas previamente lavadas à mistura. Abaixe o fogo ao mínimo possível. O cozimento deve ser interrompido

500 ml de água 550 gr de açúcar quanto baste de cravo-da índia quanto baste de canela-da china em pó

no momento em que o doce estiver na cor e consistência desejadas. Isso leva umas 3 horas, para essa quantidade. De vez em quando você deve observar e retirar o excesso de espuma que a fervura forma. Isso evitará o efeito puxa-puxa, característico em alguns doces desse tipo.


Notícias

da 25

São pelo menos 50 milhões de containers de 28

E você acha que economiza na 25 de Março?

metros cúbicos. Foi feita uma comparação para mostrar a diferença de preços da Rua 25 de Março e de sua “mãe” chinesa, Yiwu. Veja as comparações de quanto custa os produtos na compra de 5 mil unidades na China e o preço pago pelo consumidor no Brasi.

As lojas de Yiwu na China possuem mais de 2.600 quilômetros quadrados, é como se fossem seis estádios do Maracanã cheios de

R$ 50,00 produtos, segundo dados oficiais da província R$ 40,00 de Zhejiang. A cidade é conhecida como o R$ 30,00 maior mercado de bugigangas do mundo, R$ 20,00 e estima-se que 70% das quinquilharias R$ 10,00 vendidas no planeta saiam de lá. R$ 0,00 quinquilharias onde são vendidos 320 mil

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NOTAS DE RODAPÉ

25 de Março - Brasil Yiwu - China


Se preparando para as compras Fazer compras na 25 de Março não é tarefa fácil, são milhares de lojas, aglomeração, camelôs. Se você estiver pensando em aproveitar as datas especiais então, prepare-se, pois a situação vai piorar. Temos algumas dicas para auxiliá-los nesta jornada: - Antes de sair de casa, faça um roteiro, para facilitar sua caminhada. Não corra o risco de passar pelo mesmo lugar varias vezes isso vai atrasa-lo e pode impedir que você ache a oferta que está procurando.. - Opte pelo metrô, e antecipe-se à datas comemorativas. - Coloque um sapato confortável, leve água e prepare o corpo, pois são aproximadamente 3.000 lojas concentradas em dezessete ruas. E não se esqueça dos estimados 2.000 camelôs, sendo que apenas 274 são regulares.

Você Sabia? A famosa loja Armarinhos Fernando teve suas portas abertas em 1976 na Rua 25 de Março. Atualmente conta

25 de Março Informatizada

W W

Em agosto, as ofertas da rua 25 de março ganharam um espaço na internet. O endereço possui uma loja

com 5 unidades, sendo 4 na própria

virtual, a 25aqui.com.

Rua 25 e uma na Rua Carlos

O e-commerce disponibilizará por semana, quatro

de Sousa Nazareth, totalizando

produtos em oferta ou aqueles que se destacarem

7.000m². Segundo a Univinco (União dos Lojistas

W

pelas datas comemorativas.

O site foi criado pela empresa Ziaga. Gustavo

da 25 de Março), cerca de 400 mil

Veríssimo, diretor da empresa, afirma “não

pessoas passam por dia na rua, o

venderemos nenhum produto falsificado”.

número chega a um milhão por dia em datas sazonais como natal e carnaval.

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