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O INFORMATIVO DA FUNDAÇÃO TÊNIS l Nº 25 l MAIO l 2015

Nossa cara, nossos

INDICADORES A Fundação Tênis apresenta seus principais números de 2014. Mais de 1.200 jovens foram assistidos no Brasil e no Uruguai pelo programa social, educacional e esportivo FOTO CRISTIANO SANT’ANNA - INDICEFOTO.COM

Alunos mostram os troféus conquistados durante a sétima edição do torneio integração Rolando Garra em 2014

Procurador Avelar Bastos fala sobre o papel das fundações

Nosso ex-aluno Vanderson Chaves está na seleção brasileira paralímpica

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MENSAGEM

Nossos primeiros 15 anos Estamos em contagem regressiva para comemorar os primeiros 15 anos da Fundação Tênis. A data será 11 de maio de 2016. Mas todos nós, que estamos envolvidos com a organização desde o seu início, trazemos nas nossas lembranças o pequeno grupo de meninos e meninas nas quadras públicas do Parque Marinha do Brasil, ainda em outubro do ano 2000. Era um projeto-piloto que graças à determinação e à competência de todos os envolvidos transformou-se em um programa social, educacional e esportivo que hoje atende a 1.248 jovens, no Brasil e no Uruguai (dados de dezembro de 2014 apresentados nesta edição do informativo NA REDE).

Importante também ressaltar que, nesta caminhada de 15 anos da Fundação Tênis, sempre estivemos comprometidos com a nossa missão e atentos às nossas metas. Naquele início, quando ainda procurávamos a identificação com a missão hoje já sedimentada, fomos suficientemente críticos e até um tanto visionários para não simplesmente levar a prática do tênis às praças públicas a fim de ensinar o esporte a crianças e jovens de comunidades carentes, mas de desenvolver um programa social, a partir dos ensinamentos do esporte, da sua compreensão e da vivência de valores fundamentais na educação de futuros cidadãos.

MISSÃO Promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes provenientes de comunidades mais necessitadas, dando a oportunidade de, por meio da prática sistemática e disciplinada do tênis, reescreverem o seu projeto de vida. Nesta desses edição jovens do NA REDE, a partir dos apresentamos alguns valores – Respeito, dos indicadores referentes Amizade e Excelência ao ano de 2014. Mais do – que o esporte tão bem que números, eles mostram transmite. o crescimento da Fundação Temos muito orgulho Tênis e exigem de todos dos nossos primeiros que nela trabalham o 15 anos, mas queremos comprometimento de que esta década e meia seguir construindo o seu se multiplique. Por isso futuro. Sessenta e quatro por cento de nossos alunos seguimos comprometidos estão na faixa dos 11 aos 14 com nosso trabalho e ferramentas de gestão, anos de idade. Cinquenta sem as quais não e sete por cento dos jovens por nós assistidos estudam teríamos chegado até aqui e dificilmente no quarto, no quinto ou conseguiríamos colocar em no sexto ano do Ensino prática a nossa missão. Fundamental. Temos, portanto, a oportunidade Paulo Roberto Leke de transformar a vida

EXPEDIENTE NA REDE – INFORMATIVO SEMESTRAL DA FUNDAÇÃO TÊNIS – Nº 25 – MAIO/2015 Coordenação: Eduardo Soeiro e Luis Carlos Enck

Produção e edição gráfica: Carolina Porto Ruwer

Superintendente: Luis Carlos Enck

Textos e edição: Cláudia Coutinho

Diretoria da Fundação Tênis: José Francisco Cirne Lima Paulo Roberto Leke

Impressão: Comunicação Impressa

Colaboração: Elaine Lerner

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MINISTÉRIO PÚBLICO

Avelar Bastos: “O papel das fundações no Brasil tem importância extraordinária” CRISTIANO SANT’ANNA – INDICEFOTO – ARQUIVO

Mais do que fiscalizar e inspecionar as fundações, o Ministério Público zela por essas organizações que integram o chamado Terceiro Setor. Nesta entrevista concedida ao NA REDE, o Procurador de Fundações do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Antonio Carlos de Avelar Bastos, aborda temas como o papel que as fundações exercem na sociedade brasileira e os principais obstáculos que elas enfrentam para alcançarem a perenidade. Acompanhe:

mais recursos sejam disponibilizados. Verifica-se também que, ao longo do tempo, algumas fundações, mesmo com boa atuação, acabam perdendo suas finalidades até em razão das transformações sociais que acontecem. O problema que observamos é quando, por mais boa vontade de seus instituidores, se pensa em uma fundação que, desde o seu início, depende de recursos públicos. Por vezes, fica-se no sonho, por mais respeitável que seja. É indispensável que seja traçado um plano objetivo para assegurar o funcionamento da instituição.”

SOBRE O PAPEL DAS FUNDAÇÕES NO BRASIL

SOBRE O TRABALHO DA FUNDAÇÃO TÊNIS

“O Ministério Público vê o papel das fundações no país com uma importância extraordinária, por prestarem um serviço de interesse público relevante, tanto que tem atuado e estimulado a realização desse trabalho. No entanto, cabe reconhecer que, dentro do próprio Ministério Público, ainda falta uma compreensão maior sobre o trabalho e todas as possibilidades que essas organizações oferecem. Sucessíveis governos, de todos os partidos, que já dirigiram o país, não tiveram o alcance sobre a contribuição que o Terceiro Setor pode dar à sociedade, especialmente nas áreas que carecem de maior apoio e às quais o Primeiro Setor atende cada vez menos ou sequer consegue atender. Entre essas áreas, estão a Educação, a assistência aos menores e a atuação junto ao sistema prisional, que está um caos no país inteiro. O trabalho que a Fundação Tênis realiza, assim como a Pescar e outras fundações, tem um alcance extraor-

“O que me impressiona no trabalho da Fundação Tênis é a ideia de estabelecer um vínculo com esses menores, que seriam candidatos potenciais à marginalização, por meio do esporte. Se esse laço fosse estimulado pelo futebol, que é um esporte nacional por excelência, já se teria um grande trabalho. Mas a Fundação optou por divulgar o tênis entre os jovens. Foi ousado. Mas alcançou um resultado extraordinário ao dar a esses garotos a possibilidade de fazer outro esporte. Anualmente vou ao Rolando Garra (torneio integração da Fundação Tênis) e fico impressionado com o vínculo de carinho que existe entre direção, professores e alunos. Vínculo esse que não é apenas formal. Existe uma vivência, uma convivência, pela qual esses jovens se sentem apoiados. É uma grande família que estimula a Educação, no seu sentido mais completo. É um projeto vitorioso e que deveria já ter se expandido.”

Avelar Bastos destaca o vínculo existente entre alunos e professores da Fundação

dinário porque atinge as camadas mais vulneráveis e freia o aumento da marginalização, evitando que esses menores se dediquem à criminalidade.”

SOBRE OS PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO “Nós fizemos um acompanhamento permanente nas fundações, que periodicamente nos prestam contas, e realizamos um trabalho de inspeção a fim de verificar o nível de atuação dessas organizações.

A própria legislação estabelece que as fundações façam consultas ao Ministério Público antes de algumas ações, como aquisição de bens. Fizemos o que a lei diz: zelar pelas fundações privadas do país.”

SOBRE OS OBSTÁCULOS PARA BUSCAR A PERENIDADE “Precisaríamos de uma reformulação na legislação como um todo a fim de viabilizar o trabalho mais intenso, inclusive para que

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RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2014

Mais do que um ano, um marco

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FIQUE POR DENTRO Em todos os anos, a Fundação Tênis promove ações e atividades que buscam a integração e a vivência dos Valores Olímpicos – Amizade, Respeito e Excelência. Entre as realizadas em 2014, destacam-se:

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Daiane dos Santos participa da abertura do 7º Rolando Garra

Norbert Müller em dois momentos: na visita ao Humaitá (esq.) e na entrega da medalha 2014 foi um ano inesquecível para a Fundação Tênis. No dia 1º de outubro, a instituição conquistou o reconhecimento internacional pelo trabalho realizado junto a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, transmitindo e possibilitando a vivência dos Valores Olímpicos – Respeito, Amizade e Excelência. Em cerimônia realizada na PUCRS, a Fundação recebeu a medalha comemorativa aos 150 anos do aniversário de Pierre de Coubertin das mãos do presidente do Comitê Internacional Pierre de Coubertin, Norbert Müller. Essa conquista, ocorrida em pleno ciclo olímpico dos Jogos no Rio de Janeiro, fortalece a impor-

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tância do Esporte na Educação e engrandece o programa social, educacional e esportivo desenvolvido pela Fundação Tênis. Além de entregar a distinção – em todo o mundo, apenas 25 medalhas comemorativas foram distribuídas –, o professor Norbert Müller aproveitou sua estada em Porto Alegre para visitar dois núcleos da Fundação, o Chapéu do Sol e o Humaitá, conhecendo as atividades e interagindo com alunos e professores. Outro momento marcante da Fundação Tênis em 2014 foi a sétima edição do torneio integração Rolando Garra, realizado nos dias 18 e 19 de julho, no

Parque Esportivo da PUCRS. A cerimônia de abertura do evento contou com a presença da gaúcha Daiane dos Santos, a primeira brasileira a conquistar o título de campeã mundial na ginástica artística e que defendeu o país em três Olimpíadas, Atenas/2004, Pequim/2008 e Londres/2012. Carismática, Daiane entregou a Medalha Pierre de Coubertin da Fundação Tênis a 13 alunos, um de cada núcleo, que melhor representam os Valores de Amizade, Respeito e Excelência, e compartilhou parte de sua história com todos. “O esporte pode transformar a vida de uma criança”, disse a jovem.

• Visita ao 31º Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, o mais importante da categoria no circuito mundial realizado na América do Sul, nos dias 26 e 27 de março, na Associação Leopoldina Juvenil. • Em São Paulo, alunos do Núcleo Santana de Parnaíba assistiram aos jogos da primeira rodada de Brasil x Espanha pelo playoff da Copa Davis de Tênis, no dia 12 de setembro, no Ibirapuera. Os convites foram cedidos pela Confederação Brasileira de Tênis. • Terceira edição do Rolando Garra São Paulo aconteceu no dia 25 de outubro, no Bolão, em Jundiaí (SP), reunindo 176 alunos dos dois núcleos paulistas. • Durante o ano, cada núcleo promoveu três encontros com as famílias dos alunos. • A Fundação Tênis realizou três seminários durante o ano com todos os seus colaboradores.


2014 foi também um ano marcado pela conquista de importantes resultados, consequência da busca pelo aprimoramento nos processos, tanto nas aulas, como na gestão. A média do número de alunos assistidos no ano aumentou para 976 no Brasil. Foram 37 os alunos evoluídos, aqueles encaminhados para cursos ou estágios de trabalho. A ocupação instalada alcançou o índice de 96,1%, o melhor na história da instituição. E a evasão efetiva dos alunos foi a menor registrada, 101. Nesta e nas duas páginas seguintes, apresentamos nossos principais indicadores.

QUEM SOMOS • A Fundação Tênis, que completou

14 anos no dia 11 de maio, reúne jovens dos sete

aos

17 anos, todos matriculados e

frequentando a rede pública de escolas. • Em 2014, a média do número de alunos assistidos foi de 976 no Brasil.

ONDE ESTÃO NOSSOS ALUNOS:

• No Uruguai, a Fundación Tenis,

São Paulo: 166

que compartilha os processos de gestão da instituição brasileira, atende a 272

jovens.

Rio Grande do Sul: 810 Uruguai: 272

66%

34%

OBS.: No Brasil, a média total de alunos assistidos foi de 976.

19%

Alunas – 19% Alunos – 81%

GÊNERO 34% meninas 66% meninos

15%

28%

ALUNOS EVOLUÍDOS 1

81%

(1) Alunos Evoluídos são aqueles que ao deixarem a Fundação Tênis são encaminhados para cursos da Fundação Projeto Pescar, Novos Horizontes (Sistema FIERGS) e Aprendiz Legal (CIEE-RS) ou para estágios.

21%

11% 4% 28%

36%

57%

ESCOLARIDADE FAIXA ETÁRIA Dos 7 aos 10 anos – 21% 11 e 12 anos – 36% 13 e 14 anos – 28% Dos 15 aos 17 anos – 15%

Ensino Fundamental – 1º a 3º anos – 11% Ensino Fundamental – 4º a 6º anos – 57% Ensino Fundamental – 7º a 9º anos – 28% Ensino Médio – 1ª a 3ª séries – 4%

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RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2014

Seguimos

CRESCENDO

EVOLUÇÃO DA MÉDIA DO NÚMERO DE ALUNOS NO BRASIL 2010 2011 2012 2013 2014

529 662 814 924 976

Os números mostram que a Fundação Tênis segue crescendo. Em 2001, quando a instituição começou, contava com um único núcleo, no Marinha do Brasil, e assistia a 43 crianças. Hoje são 1.248 jovens assistidos distribuídos em 14 núcleos, no Brasil e no Uruguai.

EVOLUÇÃO Item 2010 Total de núcleos no Brasil 9 Total de unidades no Uruguai 3 Total de alunos no Brasil (*) 529 Total de alunos no Uruguai (*) 211 Total de alunos no Brasil e no Uruguai (*) 740 Total de alunos evoluídos (1) 17 (*) número relativo à média de alunos durante o ano

2011 11 3 662 216 878 23

2012 11 3 814 227 1.041 25

2013 11 3 924 239 1.163 21

2014 11 3 976 272 1.248 37

FIQUE POR DENTRO O trabalho realizado pela Fundação Tênis está alinhado com a Agenda Olímpica 2020, lançada pelo Comitê Olímpico Internacional (IOC, sigla em inglês) em dezembro de 2014. Entre as recomendações relacionadas ao programa de educação esportiva desenvolvido pela Fundação destacam-se:

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• Estimular a participação feminina, buscando a igualdade em 50% entre homens e mulheres. • Trabalhar em sinergia com pessoas e organizações que atuem no Movimento Olímpico a fim de buscar a excelência e reduzir custos. • Difundir a educação baseada nos Valores Olímpicos.


Indicadores de desempenho

INVESTIMENTOS O custo médio mensal de um aluno da Fundação Tênis foi de

R$ 159,60.

Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao término de 2013, mostrou que o custo mensal de um interno na Fundação

Na Fundação Tênis, como a presença não é obrigatória, todos sabem que uma aula cativante é garantia de retorno do aluno (a não ser que problemas extraclasses ocorram). Por isso, manter a taxa de frequência efetiva acima de 75% nos últimos quatros anos é ótimo resultado. Além disso, a taxa de uso da ocupação instalada é de 96,1%.

de Atendimento Socioeducativo (Fase) era de

R$ 12.260 em 2012, valor este que foi contestado pelo governo estadual da época em função da metodologia aplicada.

TAXA DE OCUPAÇÃO INSTALADA

INVESTIMENTOS ANUAIS DA FUNDAÇÃO

2010 2011 2012 2013 2014

2010 2011 2012 2013 2014

R$ 719.585 R$ 847.197 R$ 991.936 R$ 1.427.599 R$ 1.582.004

FREQUÊNCIA EFETIVA

Custo mensal por aluno 2010 2011 2012 2013 2014

80,50% 92,80% 93,60% 95,90% 96,10%

R$ 113,36 R$ 116,31 R$ 122,10 R$ 152,72 R$ 159,60

2010 2011 2012 2013 2014

68,80% 73,30% 76,30% 77,40% 76,70%

EVASÃO EFETIVA ESTRUTURA PARA AS AULAS As aulas da Fundação Tênis são realizadas duas vezes por semana, com duração de 50 minutos, cada. Em 2014, foram ministradas 4.794 aulas, envolvendo uma equipe de 29 colaboradores, da coordenação geral aos monitores. Além disso, as crianças recebem uniformes e lanches.

Quadras de tênis ou poliesportivas utilizadas 29 Kits de uniformes entregues (*) 920 Pares de tênis entregues 920 Raquetes utilizadas 557 Lanches fornecidos 80.848 Total de aulas dadas 4.794 Total de crianças transportadas Equipe de trabalho em quadra (*) camisetas, shorts e abrigos

34.377 29 colaboradores

2010 2011 2012 2013 2014

163 alunos 160 alunos 180 alunos 140 alunos 101 alunos

TEMPO MÉDIO O tempo médio de permanência dos alunos evoluídos na Fundação Tênis vem caindo nos últimos anos. Isso se deve ao fato de que o ingresso dos jovens na instituição está ocorrendo na faixa etária dos 11-12 e não mais na faixa dos sete aos 10 anos. Tempo médio de permanência dos alunos evoluídos

2012 2013 2014

5,3 anos 4,4 anos 3,2 anos

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PARCERIA

Patrocínio renovado valoriza programa CRISTIANO SANT’ANNA – INDICEFOTO – ARQUIVO

Sulgás, que apoia a Fundação há quatro anos, trabalha pelo desenvolvimento econômico e social no Estado

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No âmbito sociocultural e esportivo, a Sulgás possui um programa estruturado para a seleção de projetos aprovados nas diferentes leis de incentivo, o que viabiliza o apoio a diversas iniciativas, entre as quais está a Fundação Tênis. “O trabalho desenvolvido pela Fundação Tênis incentiva o estudo e os valores humanos entre os cidadãos em formação, o que vai ao encontro de uma política adotada pela Sulgás, desde 2008, na preparação de jovens para o mercado de trabalho e para a vida adulta”, ressalta. Ao comentar o trabalho realizado pela Fundação Tênis, o diretor-presidente da Sulgás salienta os resultados alcançados. “Oferecer a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social a oportunidade de contato com o tênis, considerado um esporte de elite, e com os Valores Olímpicos, é o grande diferencial deste projeto”, diz. “Os resultados apresentados ao longo dos anos, auxiliando na frequência escolar, demonstram a aceitação da comunidade e a importância dessas ações para a formação de uma geração de futuros profissionais”, completa Bragagnolo. A Sulgás integra o time de mantenedores da Fundação Tênis desde 2012.

Sulgás está presente nos eventos da Fundação Tênis

FIQUE POR DENTRO • A Sulgás – Companhia de Gás do Rio Grande do Sul – foi criada em 1993. Sociedade de economia mista, é responsável pela comercialização e pela distribuição de gás natural canalizado no estado.

DIVULGAÇÃO SULGÁS

Com mais de 20 anos de atuação, a Sulgás tem compromisso com o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. Por isso, busca investir na ampliação de sua infraestrutura e também na alta tecnologia para a manutenção da rede canalizada de gás natural. No entanto, de acordo com seu atual diretor-presidente da empresa, Claudemir Bragagnolo, a promoção do desenvolvimento econômico implica também no desenvolvimento social. “Anualmente, a Sulgás reforça o compromisso que estabeleceu com a sociedade gaúcha para fomentar a cultura, o esporte, o lazer, a saúde a inclusão no mercado de trabalho”, destaca. Por isso, a Sulgás mantém parcerias com instituições como o SENAI (Sistema FIERGS), o CIEE-RS e a Fundação Projeto Pescar a fim de oportunizar cursos de iniciação profissional ou de formação técnica e profissional. “O objetivo dessas parcerias é ampliar a oferta de profissionais qualificados, principalmente para trabalhar em empresas fornecedoras especializadas em serviços de construção de gasodutos, de redes internas, conversão de prédios e de equipamentos para utilização do gás natural”, explica Bragagnolo.

• Os dados divulgados para fevereiro de 2015 mostram que a Sulgás tem uma rede de distribuição de 835 quilômetros, alcançando 38 municípios e atendendo a 21.590 clientes. Desses, cerca de 20 mil são residências.

“Contribuir com a Fundação Tênis é uma forma de cumprirmos a nossa missão social.” Claudemir Bragagnolo, diretor-presidente da Sulgás


EX-ALUNO

De olho nos Jogos Paralímpicos CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Vanderson Chaves integra a seleção brasileira de esgrima Vanderson Chaves, porto-alegrense, 20 anos, é uma das esperanças brasileiras de medalha nos Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão. Mas, como ele mesmo diz, se surgir alguma brecha já para o Rio, em 2016, certamente, aproveitará a oportunidade. Atualmente, o jovem atleta é o segundo brasileiro mais bem classificado no ranking mundial no florete (classe B), em 18º lugar, e o terceiro mais bem colocado na espada (classe B), em 26º. O número 1 do país nas duas armas é o também gaúcho Jovane Guissone, o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro na modalidade na Paralimpíada de Londres, em 2012. A esgrima surgiu na vida de Vanderson totalmente por acaso. Há cerca de quatro anos, em uma entrevista para uma vaga de emprego na Prefeitura de Porto Alegre, conheceu Maurício Stempniak esgrimista cadeirante e que lhe apresentou o esporte, já com a ideia de levá-lo à competição.

Vanderson durante o Rolando Garra em 2008

O atleta paralímpico com a camiseta da Fundação Tênis “No começo, não levava muita fé. Mas estava parado em casa e, como a minha lesão era recente, me chamou a atenção o fato que o pessoal da equipe conseguia fazer coisas que eu só conseguia fazer com a ajuda de alguém. E, se eles conseguiam, eu também chegaria lá”, explica. Em busca dessa autonomia, Vanderson aprendeu os segredos da esgrima, começou a competir, conquistou vaga na seleção brasileira permanente e está conhecendo o mundo. Já viajou por diferentes lugares, como França, Itália, Hungria e Hong Kong. A rotina do atleta é bem puxada, treina de se-

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gunda a sexta, das 10 às 16 horas, com uma hora de intervalo para o almoço, no CETE (Centro Estadual de Treinamento Esportivo do Rio Grande do Sul). Com frequência, viaja para São Paulo, onde fica uma semana trabalhando com a seleção. Vanderson acredita que sua maior qualidade é a persistência. “Desde quando eu jogava tênis, eu sempre tive a vontade de ganhar. E, quando perdia, vinha aquela garra, aquela força de seguir em frente”, assegura. “E a esgrima, como o tênis, é um esporte individual que tu tens que estar sempre te superando”, completa.

Vanderson aprendeu a jogar tênis quando ainda era um garoto de 11 anos. Foi aluno da Fundação Tênis no Núcleo PUCRS. As lembranças mais fortes desse período de cerca de quatro anos são justamente logo depois do acidente que o deixou sem os movimentos nas pernas. “A minha turma foi muito acolhedora. Eles me mandavam cartas, me visitavam no hospital”, recorda. Lembra também que foi incentivado pelos colegas para continuar no tênis. “O pessoal me pegava no colo para eu entrar no ônibus. Nós éramos uma família, e os laços ficaram ainda mais fortes”, diz. Em especial, lembra-se da força que recebeu do então professor Anderson Moreira (hoje coordenador do núcleo), com quem ainda mantém contato pelas redes sociais. Outro sentimento que Vanderson traz da época da Fundação Tênis é o da autoestima. “Eu aprendi muito no tênis. Aprendi a nunca baixar a cabeça porque morava na vila. Aprendi que poderia ser o que gostaria de ser”, assegura. Por tudo isso, com a garra e a persistência que lhe são características, ninguém duvida que o jovem esgrimista Vanderson Chaves continuará fazendo bonito nas competições e em busca de realizar seu sonho de defender o Brasil nos Jogos Paralímpicos.

VO

“Que a Fundação Tênis continue ajudando muita gente, assim como me ajudou.” Vanderson Chaves

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NOSSOS NÚCLEOS

Chapéu do Sol fortalece parceria com a escola FUNDAÇÃO TÊNIS - ARQUIVO

Fundação Tênis possibilita atividades extraclasses para 90 jovens O Núcleo Chapéu do Sol foi inaugurado em julho de 2004. As aulas eram dadas em quadras montadas nas ruas. Cinco meses depois, já na época das férias escolares, um tiroteio fez com que professores e alunos passassem a desenvolver suas atividades dentro da escola. De lá, nunca mais saíram. Hoje, o núcleo conta com cerca de 90 alunos e uma considerável fila de espera. “A parceria que a escola tem com a Fundação Tênis já é muito antiga”, pontua a educadora Edianie Azevedo Bardoni, há 12 anos no colégio e hoje coordenadora de projetos. “Tanto para os alunos, como para a comunidade, esta parceria é muito importante”, ressalta. “Os passeios que a Fundação realiza com nossos alunos, seja para assistir ao Campeonato Internacional de Tênis de Porto Alegre, seja para participar do Rolando Garra, fazem com que nossos jovens tenham a oportunidade de conhecer outros lugares da cidade, interagir com crianças de outras escolas, perceber outras realidades”, explica. Além disso tudo, Edianie observa que o fato de as aulas da Fundação Tênis serem administradas também por professores tem um peso significativo na formação dos jovens. “Esta presença da figura masculina, que educa, que transmite afeto, é muito importante. Muitos desses jovens têm ausência

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Comemoração do Dia da Criança no Núcleo Chapéu do Sol em 2004 da figura masculina em casa”, observa. Até mesmo para as meninas, este modelo masculino que convive em harmonia com as mulheres é muito valioso. A parceria entre a escola do Chapéu do Sol e a Fundação Tênis vem sendo construída ao longo de uma década com muito respeito e cumplicidade. “Os alunos têm possibilidades de serem encaminhados para cursos direcionados para o mercado de trabalho. Sozinhas, muitas dessas famílias, nem saberiam como fazer. E a comunidade sabe disso, por isso temos fila de espera para ingressar na Fundação. Com ela, existe expectativa de futuro”, afirma Edianie. A escola também desenvolve outros projetos como atividades extraclasses para seus alunos. A Fundação Tênis tem aulas nas terças e quintas no Chapéu do Sol, com turmas pela manhã e tarde. A coordenação do núcleo está sob a responsabilidade de Anderson Moreira.

FOTOS CRISTIANO SANT’ANNA – INDICEFOTO – ARQUIVO

Alunos do Chapéu do Sol durante o Rolando Garra de 2008 (acima) e em 2012 (abaixo)


QUEM FAZ A FUNDAÇÃO

Rafael Hammes:

“Vivencio lições de vida que ficam para sempre” CRISTIANO SANT’ANNA – INDICEFOTO – ARQUIVO

Rafael Hammes completou sete anos de Fundação Tênis em março deste ano. Conhece como poucos a história da instituição nos Vales do Sinos e do Paranhana. Formado em Educação Física pela Unisinos, Rafael segue dando aulas particulares, o que lhe coloca em constante contato com dois mundos que costumam ser bem diferentes, por vezes, antagônicos. Acompanhe os principais trechos da entrevista concedida por Rafael ao NA REDE: Como chegaste à Fundação Tênis? Eu dava aula de tênis para crianças e conheci o Haroldo Zwetsch, que acabou sendo o coordenador do Núcleo Sapiranga quando foi criado. Ele me convidou para participar do projeto. Depois, quando o Haroldo se mudou para São Paulo, o André (André Luiz Werb), que era professor, passou à coordenação e eu fiquei no lugar do André. Mas durante esse período nunca deixei de dar aulas particulares.

Se existem diferenças entre o teu trabalho como professor nos núcleos de Sapiranga e de Igrejinha e nas aulas particulares, quais são elas? As diferenças existem. Na Fundação Tênis, temos como grande desafio manter as crianças moti-

Rafael Hammes durante a cerimônia de entrega de prêmios do torneio integração ao lado de uma de suas alunas vadas, fazer com que elas retornem às aulas para que deem continuidade e para que percebam a oportunidade que têm de conquistar novas oportunidades na vida. Nas aulas particulares, as crianças estão lá por lazer. É muito gratificante perceber a mudança que podemos provocar no aluno. Participamos dessa mudança. Isso traz motivação enorme.

Nestes sete anos de Fundação Tênis, tens alguma história para destacar? Histórias marcantes sempre existem. Mas, de um modo geral, é muito especial para todos nós, professores, receber a visita de um ex-aluno. Tem vezes que o garoto chega, e a gente pensa que ele não gostou e não vai ficar mais de uma semana. Mas, de alguma forma, trabalhamos com esse aluno, ele acaba ficando e, depois que deixa

a Fundação, por diferentes razões, acaba retornando. São nessas visitas que percebemos o quanto fomos importantes para eles. Às vezes, é um ex-aluno que nos chama na rua para nos contar a sua história, conversar, dizer que está trabalhando com carteira assinada, que está namorando e fazendo planos para casar. São histórias da vida. Tudo isso é marcante. Tudo isso é muito legal.

Qual o papel que a Fundação Tênis tem nessas histórias de vida que destacas? A Fundação tem um papel muito importante. A gente nem percebe tal importância durante as aulas. Só nos damos conta depois, nesses encontros. A Fundação Tênis, como diz o nosso slogan, transforma vidas.

Pena que existem inúmeros obstáculos para que projetos como o nosso recebam os recursos suficientes para se manter e se expandir. Vale muito a pena.

E qual a diferença que a Fundação Tênis faz para ti? É difícil até de falar. A gente conhece diferentes histórias de vidas, muitas dessas, nem sabíamos que poderiam existir. São crianças que passam por situações que nem imaginamos e que, certamente, elas não deveriam passar. É outra realidade. E são essas lições de vida que vou levar para sempre. Tenho certeza que se hoje eu deixasse a Fundação Tênis, sairia com uma cabeça totalmente diferente da que entrei e, certamente, continuaria a contribuir, a ajudar para transformar a vida de outros.

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EDUCAÇÃO

BOLETIM ESCOLAR EM 2014 Núcleo

Resultado positivo no desempenho escolar Alunos da Fundação Tênis têm melhor índice de aprovação Por desenvolver um programa social, educacional e esportivo, a Fundação Tênis está permanentemente preocupada com o desempenho escolar de seus alunos. Assim, além de fortalecer o diálogo com as escolas de onde os

jovens são oriundos, a Fundação está atenta aos resultados apresentados em sala de aula. Um dos indicadores utilizados para mostrar a influência do trabalho da Fundação Tênis no processo de educação formal dos alunos é o percentual de alunos aprovados ao término do ano escolar. Na média geral, em 2014, 95,62% dos alunos da Fundação foram aprovados. Este índice é cerca de oito pontos percentuais acima da média registrada nas escolas, de 87,64%.

% aprovação % aprovação alunos Fundação alunos da escola Tênis

Em Porto Alegre Chapéu do Sol

97,72%

90,00%

Marinha do Brasil

97,22%

88,18%

Pão dos Pobres

91,72%

86,10%

PUCRS

86,42%

77,95%

Humaitá

93,62%

88,86%

Sapiranga

94,60%

92,35%

Igrejinha

94,45%

91,62%

Santiago 1

98,90%

84,30%

Santiago 2

99,42%

81,50%

97,72%

92,23%

100,00%

91,00%

95,62%

87,64%

Demais núcleos no RS

Em São Paulo Santana de Parnaíba Pirituba Resultado geral

AV. NOVA YORK • 10 • 408 AUXILIADORA • CEP 90550-070 PORTO ALEGRE • RS • 51 3325.1068 contato@fundacaotenis.org.br • www.fundacaotenis.org.br

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Edição nº 25 Projeto gráfico e diagramação: Carolina Porto Ruwer Edição e textos: Cláudia Coutinho Produção editorial: Capítulo 1 Conteúdo &...

Revista Na Rede - o informativo da Fundação Tênis  

Edição nº 25 Projeto gráfico e diagramação: Carolina Porto Ruwer Edição e textos: Cláudia Coutinho Produção editorial: Capítulo 1 Conteúdo &...

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