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C APÍTULO U M

Retalhando as folhagens secas do outono e estilhaçando os pequenos gravetos que estavam em sua frente, uma bala disparada de uma SIG Sauer P226 atinge um dos vários troféus expostos em cima da estante da sala de estar. Por uma pequena porta que dava para o porão, Beatriz descia ligeiramente a escada composta por estreitos degraus que nem se deu conta do cheiro de mofo e da madeira apodrecida. A cada passo, o ranger das madeiras tornava-se mais alto, até o momento em que ela ouviu um forte estalo do degrau abrindo-se ao meio. Instantes depois, ela sentiu uma ardência aguda no seu tornozelo esquerdo, o que a fez perder o equilíbrio e cair escada abaixo quebrando os demais degraus. O barulho provocado pelo tombo direcionou a atenção dos quatro homens armados, que percorriam os cômodos compostos por um mobiliário de estilo clássico perseguindo Beatriz. Desviavam-se dos móveis distribuídos com graça e dotados de tanta beleza que faziam lembrar o movimento Rococó. Com agilidade, Christian saiu da cozinha e atravessou a sala de estar encontrando-se com André e Pedro, que saíram dos quartos superiores e pularam, num piscar de olhos, a escada do mezanino situada em cima da porta do porão. Enquanto isso, Julius andava pesadamente, vindo ao encontro dos três, por um extenso corredor que interligava o hall de entrada com os fundos da casa. Ao escutar os passos aproximando-se da porta, Beatriz, ainda caída no chão, procurava ao seu redor, em meio à luz fraca, uma maneira de sair de lá. Havia muita poeira assentada nos móveis, nas antigas máquinas de costura, em um

O Sumiço de Beatriz  

Uma trama envolvente pelos personagens, pela intriga, por possuir fatos históricos e um toque de romance. Em meio a acordos entre a petrolíf...

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