Issuu on Google+

E STA D O D E M I N A S

T E R Ç A - F E I R A ,

1 2

D E

J U N H O

D E

2 0 0 7

27

GERAIS DIA DOS NAMORADOS

O TEMPO HOJE PARA MINAS GERAIS CLARO, COM NÉVOA SECA À TARDE, EM TODO O ESTADO

32° 5°

30° 9°

31° 12°

31° 12°

32° 11°

30° 7° 29° 12°

MARCOS VIEIRA / EM

21/3 a 21/6

06h26

17h27

8/6

15/6

22/6

30/6

TEMPERATURA/BRASIL ARACAJU Mínima: 24°C - Máxima: 28°C BELÉM Mínima: 22°C - Máxima: 32°C BELO HORIZONTE Mínima: 14°C - Máxima: 27°C BOA VISTA Mínima: 24°C - Máxima: 30°C BRASÍLIA Mínima: 10°C - Máxima: 26°C CAMPO GRANDE Mínima: 17°C - Máxima: 33°C CUIABÁ Mínima: 19°C - Máxima: 35°C CURITIBA Mínima: 10°C - Máxima: 25°C FLORIANÓPOLIS Mínima: 16°C - Máxima: 26°C FORTALEZA Mínima: 23°C - Máxima: 31°C GOIÂNIA Mínima: 12°C - Máxima: 31°C JOÃO PESSOA Mínima: 23°C - Máxima: 28°C MACAPÁ Mínima: 23°C - Máxima: 32°C

Amores superam tempo e distância CAROLINA LENOIR *

28° 8°

27° 5°

Duas histórias mostram como relacionamentos longos ou curtos são capazes de dar mais alegria e força à vida

MACEIÓ Mínima: 20°C - Máxima: 28°C MANAUS Mínima: 23°C - Máxima: 31°C NATAL Mínima: 22°C - Máxima: 28°C PALMAS Mínima: 19°C - Máxima: 35°C PORTO ALEGRE Mínima: 15°C - Máxima: 22°C PORTO VELHO Mínima: 21°C - Máxima: 33°C RECIFE Mínima: 23°C - Máxima: 28°C RIO BRANCO Mínima: 21°C - Máxima: 33°C RIO DE JANEIRO Mínima: 15°C - Máxima: 33°C SALVADOR Mínima: 24°C - Máxima: 27°C SÃO LUÍS Mínima: 24°C - Máxima: 32°C SÃO PAULO Mínima: 13°C - Máxima: 27°C TERESINA Mínima: 22°C - Máxima: 35°C VITÓRIA Mínima: 16°C - Máxima: 30°C

FONTES: AGÊNCIA ESTADO E INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA

AGENDA

CURSOS Consultório dentário – Estão abertas no site www.fundep.ufmg.br as inscrições para seleção ao curso de auxiliar de consultório dentário. Os interessados devem ter ensino fundamental completo, idade mínima de 18 anos, disponibilidade para aulas teóricas e práticas e estágio. O curso será oferecido de 11 de agosto a 15 de dezembro, na Faculdade de Odontologia/UFMG, no câmpus Pampulha. Informações: (31) 3499-4220. UFOP – Estão abertas as inscrições ao curso de pós-graduação lato sensu em cultura e arte barroca, oferecido pelo Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto. No programa, aulas teórico-práticas em igrejas, monumentos e museus de Ouro Preto, além de viagens de estudo a Congonhas, Ouro Branco, Itaverava, Santa Rita Durão, Catas Altas, Mariana e outras cidades históricas. O módulo 1 será ministrado de 3 a 28 de julho. Informações: (31) 3559-1732 ou pelo e-mail barroco@ifac.ufop.br.

EUSTÁQUIO SOARES/EM

VISITA AO EM Alunos do Movimento Familiar Cristão, da Casa Miguel Magone, em Belo Horizonte, visitaram ontem a redação do Estado de Minas, como parte das atividades do projeto EM Vai às Aulas. Acompanhados por professores, conheceram algumas etapas da produção e edição de reportagens.

Em junho de 1928, na varanda da casa dos pais, José Maria de Andrade toma coragem e se declara à prima Maria Moreira, seis anos depois de se conhecerem, ainda crianças. “Confessei que tinha um amor profundo por ela. Maria me perguntou se eu casaria, caso nossos pais deixassem. Disse que claro, era isso que eu pretendia, e perguntei de volta se ela queria se casar. A reposta foi ‘milhões e milhões de vezes’”, lembra José. Setenta e nove dias dos namorados depois dessa cena, o romantismo de José, de 97 anos, e Maria, de 94, não demonstra nenhum sinal de desgaste, superando a distância causada por revoluções políticas, a perda de quatro dos 15 filhos, um acidente vascular cerebral e, principalmente, as mais de 660 mil horas compartilhadas. Prestes a completar 76 anos de casados, no mês que vem, eles pretendem comemorar o Dia dos Namorados, como se consideram até hoje, com troca de presentes. Vaidosa, Maria dá a dica, por saber que o marido vai deixá-la escolher o quer ganhar. “Gosto de roupa e sapatos bonitos, ou então alguma coisa para cozinha”, diz. O tempo de convivência, grande vilão de muitos relacionamentos, é, na verdade, o trunfo desse casal, que se comunica muito além das palavras, quase não ouvidas por Maria desde que perdeu 80% da audição em um derrame cerebral, na década de 1980. Mesmo assim, não são raros os dias em que os filhos se reúnem para tocar instrumentos, embalados pela voz da mãe, antes participante assídua de serenatas. “Somos primos em 1º grau, mas não nos conhecíamos, porque eu morava em Belo Horizonte e ela em Pirapora, onde o pai dela era chefe das obras da ponte do Rio São Francisco. Eu a vi pela primeira vez quando meu pai, que era militar, foi comandar o destacamento de Pirapora. Tinha 12 anos e ela 9. Fiquei apaixonado naquele instante”, diz.

Primos, José Maria de Andrade e Maria Moreira comemoram, no mês que vem, 76 anos de casamento

Não me declarei antes porque era muito menino ainda e esperei o momento em que teria condições de casar ■ José Maria de Andrade, aposentado

Dois anos depois, a família de José voltou para BH e a de Maria permaneceu no Norte de Minas. O pedido de casamento foi feito quanto José completou 18 anos e entrou para a Polícia Militar. “Não me declarei antes porque era muito menino ainda e esperei o momento em que teria condições de casar. Ela era a mais bonita da família”, conta José, orgulhoso. “Eu era muito alegre, brincalhona e, a partir daquele dia em que ele fez a proposta, só queria saber do meu vestido de noiva”, lembra Maria. Antes do casamento, porém, tiveram que se separar durante a

Revolução de 30, que levou Getúlio Vargas ao poder. “Os militares ficavam de prontidão e a gente passava mais tempo no quartel que em casa”, afirma José. A comunicação era feita por cartas e bilhetes. A situação se repetiu na Revolução Constitucionalista de 1932, durante a qual José, já casado, passou três meses na Serra da Mantiqueira, na divisa entre Minas e São Paulo. Eles se casaram em 25 de junho de 1931, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital. A cerimônia foi muito comemorada pela família, mas a aceitação

dos pais não foi simples. “Meu pai ficou com medo de que nossos filhos nascessem com algum defeito, pelo nosso parentesco, mas minha mãe explicou que o nosso seria um verdadeiro casamento, porque nos amamos desde criança, um amor puro”, diz José. Nove meses depois da lua-demel, Maria deu à luz o primeiro dos 12 filhos, número aumentado depois de três adoções. Apesar de ter esperado até criar condições para sustentar uma família, a escadinha de filhos – o mais velho tem hoje 74 anos e a mais nova, 50 – não foi planejada. “Naquele tempo, não tinha nada preventivo e nós éramos novos, fogosos demais, não tinha como precaver”, diverte-se o militar aposentado. José dá a receita para tanto tempo juntos e, o mais importante, sem perder o carinho. “Muitos casamentos desmoronam com o tempo, mas, para mim, quanto mais os anos passam, mais forte fica o amor”, explica. *Do Diário da Tarde EMANNUEL PINHEIRO / EM

Receita para todas idades LUIZ RIBEIRO Ele já tinha ultrapassado os 85 anos de vida e ela estava com 73, quando decidiram namorar. A relação já dura um ano e seis meses, com muito respeito e romantismo. Dessa forma, o professor aposentado e escritor Jorge Lasmar, de 87 anos, e a funcionária pública federal aposentada Sara de Godói Maia Santiago, de 75, provam que, para o amor, não há idade. Os dois são viúvos e se encontraram pela primeira vez num consultório odontológico, mas se conheceram para valer mesmo numa clínica de fisioterapia, onde faziam tratamento para um problema comum: fratura de fêmur. Ele se recuperava de uma queda sofrida durante uma viagem à França, enquanto ela tentava acabar com as seqüelas de um acidente de carro. Ambos continuam morando em casas separadas. Jorge tem 14 livros publicados. Também é advogado e secretário-geral do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Quase diariamente, visita Sara, no Bairro Santo

Agostinho. Também costuma enviar flores e já fez até uma festa-surpresa. “Eu falo que ele é um anjo. Eu vivia praticamente trancada num quarto. Depois que o conheci, reconquistei a alegria da vida”, entusiasma-se Sara, ao falar do namorado. O primeiro presente que recebeu tocou seu coração: um livro com dedicatória. Sara tem três filhos e cinco netos e conta que a família aceitou o namoro sem objeção. Só enfrenta um pequeno problema: “Meus netos ficam enciumados, achando que dou mais atenção ao Jorge do que a eles”. Ao falar sobre a namorada, o professor aposentado a enche de elogios. “Ela é uma pessoa muito educada, inteligente e afável. Procuro dar a ela o melhor tratamento possível”, afirma Jorge, que se acostumou a uma série de atividades ao longo da vida. Sara acha que pode servir de exemplo para os jovens e os velhos: “Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode namorar e curtir a vida”. Sua receita para manter a harmonia na relação é pensar sempre no presente.

Jorge Lasmar e Sara Santiago começaram a namorar há mais de um ano


Amores superam tempo e distância