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Sparrow Fisher está se transformando. Não mais vestida com roupas antiquadas e ideais, ela está finalmente experimentando sua liberdade. Antes de ela se mudar para Nova York, ela conhece Ian Sterling, um músico com quem Sparrow tem sonhado desde que o viu pela primeira vez. A atração é instantânea, mas o relacionamento não é tão simples. Ao longo de um período de cinco anos, Sparrow e Ian se encontram em lugares inusitados. Em cada vez, Sparrow tem que decidir se ela pode confiar nele, se ele sente o mesmo por ela e, finalmente, se o amor é realmente suficiente.


Para o meu Ian da vida real. Sem amor complicado aqui. Eu te amo. Sempre.


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Descanso no Inferno

Passou um ano, dois meses e 17 dias desde que eu o vi pela última vez. Dois anos, dez meses e cinco dias desde que ele quebrou meu coração – bem, desde que eu soube que ele havia quebrado o meu coração. Tecnicamente, ele começou quebrando meu coração no momento em que o conheci, cinco anos, 11 meses e um dia atrás. Eu viajei por todo o país para ficar longe dele, mudei o meu número de

telefone

para

que

ele

não

pudesse

continuar

chamando,

tive

um

relacionamento frustrado após o outro, tudo em um esforço para esquecer. E agora eu estou a 1.600 milhas de casa, à espera de outro voo para dirigir 500 milhas mais ao sul, e ele está andando na minha direção no aeroporto DFW1. Ian Sterling está alheio ao fato de que nossas vidas vão chocar em... cinco, quatro, três, dois... Não posso me mover enquanto ele caminha até o meu portão e começa a falar com o agente. Eu vi o pequeno avião no qual estamos prestes a entrar juntos. Não há como escapar dele. Aceitando o inevitável, eu o observo. Ele é a perfeição, e eu não sou a única que pensa assim. A bilheteira parece toda excitada enquanto olha para ele e gagueja. Seu cabelo espesso está saindo em todas as direções, do jeito que eu gosto. Ele parece sonolento e obsceno, eu quero dar um tapa nele e envolver meus braços e pernas ao redor dele e respirar o seu ar – eu e todas as outras mulheres que colocam os olhos em cima dele. A guitarra em seus pés é como outro apêndice, raramente eu o vi sem ela.

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Aeroporto Internacional de Dalas - Fort Worth


Antes mesmo de eu saber o que estou fazendo, eu estou de pé e correndo através da bagagem de mão e pés dos viajantes. Eu tenho que sair daqui. Se ele me vê, eu não posso garantir o que vai acontecer. Eu só não acho que posso arriscar. Meu coração não aguenta mais. Eu evito sua direção e estou fazendo progresso quando fico presa a uma elegante mala roxa com estampa de zebra. A barra da minha saia prende na alça da bolsa e um puxão não resolve. Minha saia não vai ceder. O pânico começa a me dominar; minhas mãos estão trêmulas. Estou prestes a rasgar um buraco no material para que eu possa seguir em frente, quando eu ouço-o. Sua voz rouca corta a conversa em torno de nós. Eu senti falta dessa voz. — Sparrow? Meu corpo fica imóvel. Exceto os tremores em minhas mãos, joelhos e vísceras. Eu pego minha saia novamente, e desta vez ela milagrosamente se solta. Traidora! Ian está segurando o balcão em frente a ele com força e, por um momento, eu acho que ele vai cair. — Sparrow? — Ele diz novamente e dá um puxão nervoso em seu cabelo. Seus olhos engolem-me, e eu sei que tenho que sentar antes que eu seja a única caindo aqui. Eu deixo meu rosto mais calmo e dou um sorriso educado, mas frio. — Não tenha ideias, — Eu digo. Ele assente e estende a mão para tocar meu rosto. Eu dou um passo atrás. Se ele me toca, acabou. Eu finjo não ver a dor em seus olhos. — Senta comigo? — ele pergunta. Eu desmorono no primeiro lugar vago. Tanta coisa para ficar longe.


Ian coloca sua guitarra na minha frente e se senta na extremidade superior: os cotovelos sobre os joelhos, os joelhos contra o meu, seus olhos tentando me ler. Aqueles olhos foram minha morte muitas vezes. Eu afundo neles muito facilmente. Ele tem os cílios que todas as mulheres invejam e eu estudo-os em vez disso, lembrando todas as vezes que eu brinquei com ele sobre ser tão bonito. Ele se inclina ainda mais perto. Eu não posso me afastar mais no lugar do que já fiz. De repente, ele retrocede e olha em volta. — Sua mãe está com você? Eu sabia que eu deveria ter feito a barba, — ele resmunga. Uma risada surpresa sai. — Não, Charlie não está aqui. Sossegue. — Ufa. — Ele esfrega a barba ao longo de sua mandíbula e sorri. — Eu não posso acreditar que você está aqui na minha frente. Você parece bem, Sparrow. Tão bonita. Ele se estica e puxa suavemente um dos meus cachos, observando seu retorno ao lugar. Ele coloca a mão em cada lado do meu rosto, seus olhos me estudando até que eles param em meus lábios. Ele sempre teve uma coisa pela minha boca. E o meu cabelo. Ele costumava listar o que amava sobre cada uma das partes do meu corpo, entrando em tantos detalhes que o meu pescoço ficaria manchado. E então ele me importunava sobre todas as manchas, enquanto beijava cada uma. Eu tenho que parar meu cérebro. — Eu vejo este rosto toda noite quando fecho meus olhos. Durante todo o dia, eu acho que vejo você, onde quer que eu vá... — Seus olhos turvam, e ele deixa suas mãos. — Eu sonhei isso tantas vezes, eu nem sei se você é real agora. Você está realmente aqui? Um nódulo grosso queima minha garganta, tornando-se cada vez mais difícil de engolir. Eu sei tudo sobre ver seu rosto em todos os lugares. E não dormir. E quanto tempo me levou até para comer de novo depois que ele rasgou o meu coração e pisou nele com as botas pretas de combate que eu comprei para ele naquele Natal infernal. Empurrando a dor para baixo, eu respiro fundo e deixo o


meu rosto como uma lousa em branco, vazio de todos os sentimentos. Exceto o ódio que eu gostaria de ter por ele. No nosso estupor, acho que perdi algumas das chamadas de embarque porque a bilheteira olha incisivamente em nossa direção enquanto, em voz alta, faz a ÚLTIMA CHAMADA PARA EMBARCAR. Todos os outros passageiros estão sentados e esperando por nós quando entramos no avião. Sinto alguma hostilidade. Eu não quero irritar um texano. — Bem, quem diria, nossos lugares são próximos um do outro, — ele sorri. — Tenho certeza que ajuda sermos os últimos, — eu mordo o lado da minha boca. Sento-me e puxo o decote da camisa mais alto quando vejo seus olhos vagando. Ele se senta e ri. — Vamos lá, baby, eu tenho você por uma hora. Deixe-me olhar para você. — O jeito que ele diz tenho você me faz sentir febril. — Não me chame assim. — Deixe-me ver o seu bilhete. — Ele agarra-o antes que eu possa dizer não. — 4B. — Ele tem o seu para que eu possa ver 4A. — Eu mesmo não poderia ter planejado isso melhor... Eu inclino a minha cabeça de volta no lugar e fecho os olhos. Não passa nem dois minutos antes de nós estarmos rolando e decolando. Agora eu sei por que é que há um olhar geral em nossa direção dos outros passageiros – atrasámos o voo. O ar é denso, com tristeza e desejo. Eu sempre soube o minuto em que ele entra em uma sala. Não importava se era uma sala com uma centena de pessoas, ou através de milhares, eu poderia marcar seu cabelo manchado de preto e arrogância a um quilômetro de distância. Estar em tal proximidade depois de tanto tempo separados está ameaçando me deixar doente. Ian está me observando, com a cabeça inclinada sobre o assento e todo o seu corpo virado em direção ao meu.


Um lampejo de cor me chama a atenção – não, certamente aquelas coisas não estão ainda em circulação. — Diga-me que você não está ainda vestindo as meias de elefante. Seu sorriso assume todo o seu rosto, parando o meu coração no processo. — Elas estão um pouco furadas agora. Eu ronco. É uma coisa boa que a minha mãe não está aqui, ela ficaria mortificada. — Sim, eu aposto. — Eu nunca deixei de te amar, Sparrow Fisher. Eu me concentro na respiração e em não perder meu café e bolinho em cima dele. O que seria bom. — Eu nunca amei ninguém exceto você. — Ele continua, aparentemente não se incomodando com o meu silêncio. Eu viro minha cabeça e o olhar na minha cara parece assustá-lo. Seus olhos se arregalam. — Não importa, Ian. Amor... isso não significa nada, neste ponto. E eu sou a única nesta não-relação que pode verdadeiramente dizer que nunca amou ninguém, exceto VOCÊ. Portanto, nem sequer me dê essa bobagem de só me amar. Isso é um monte de crack. — Eu bufo e olho para fora da pequena janela, tentando esquecer que ele está lá. Ele ri e eu viro meu rosto ao redor para ver o que poderia fazê-lo rir. — Você ainda me ama, — Ian sussurra, acariciando minha bochecha. — E você disse, crack. — Ele sorri tristemente para mim, seus olhos procurando os meus, me puxando... profundo. — Nós não dizemos porcaria; nós dizemos crack. — Eu recito.


— Nós não dizemos merd... — Eu aperto sua boca fechada antes que ele possa dizer o resto. — Nós dizemos atirar2, — ele termina, abafado. Ele beija minha mão e eu estou afundando, afundando rapidamente. Meu estômago está de volta no chão, e meu coração está na minha garganta. Eu não tenho certeza de quanto tempo sua boca me fascina. Sua língua agita em volta do meu dedo do meio, e eu desperto. Tiro minha mão. — Oh, Spar... — ele começa. — Você sabe o quê? Estamos presos neste voo juntos. Eu não quero falar desta maneira mais. Podemos falar de outras coisas. Como - o que há de novo com você? Ou, o que está acontecendo com a sua carreira? Como está sua mãe? Coisas como essa... o resto, eu apenas não quero nem ouvir sair da sua boca. Entendeu? E se você não pode manter sua parte do acordo, eu posso te ignorar o resto do voo. Feito? Seus olhos estão dançando, e eu quero sufocá-lo com o saco de enjoo. Sim, eu não posso dizer saco para vomitar também, ok? Eu tenho essa coisa com palavras. Às vezes parece como doença, outras vezes, é como um presente quando estou escrevendo e aparecem palavras significativas em vez de gírias e asneiras. Doença ou não, o meu editor aprecia. — Feito, — ele diz e estende as mãos para um aperto de mão. Suas mãos ásperas se sentem em casa, reivindicando a mim mais uma vez.

Eu gradualmente descongelo apenas o suficiente para manter uma conversa. Eu acho que por todas as vezes que eu quis saber onde ele estava, o que estava fazendo... esta é a minha chance. Eu posso pegar a dor novamente mais tarde. O resto do voo avança rápido como uma brisa. Falamos sobre os detalhes de sua Trocadilho com as semelhanças das palavras. Ela diz que não fala CRAP (porcaria) e sim CRACK. Enquanto ele brinca dizendo que não fala SHIT (merda) e sim SHOOT (atirar). 2


carreira, embora eu estivesse a par de muito disso online. Ian é um músico profissional e passou muito tempo em Los Angeles e Nova Iorque, tocando nos projetos de qualquer um e de todo mundo. Ele é considerado o melhor guitarrista lá fora, as empresas de guitarra disputam por ele, porque Ian Sterling tocando sua guitarra uma vez irá aumentar as suas vendas em porcentagens insanas. Mas ainda mais do que isso, suas músicas... ele pode escrever uma música como nenhum outro. E depois há a voz dele, é rouca e intimista, única. Ele me fala sobre sua nova amizade com J. Elliot, seu ídolo ao longo da vida. — Trabalhar com Elliot tem sido um sonho. Ele está realmente empurrandome para fazer um projeto solo com as músicas que eu tenho escrito ao longo dos últimos anos. — Ele faz a sua coisa ansiosa de puxar o cabelo e olha para mim, observando por uma reação. Eu sei o que isso significa, mas não reconheço. Eu soube que chegaria a isso. As músicas que ele escreveu para mim há alguns anos estarão tocando cada vez que for ao shopping, toda vez que eu ligar o rádio do carro e, provavelmente, em uma comédia romântica bonita que eu preciso evitar. Ian Sterling tem sido bem sucedido durante anos, mas com Elliot por trás deste projeto, ele vai explodir. E eu serei a bola amarrada de tristeza. Isso é o que o meu futuro nos reserva ali mesmo. Pequenos tópicos espinhosos de devastação saem do meu deformado e saqueado coração. — Você merece todos os royalties. Cada música é sobre você. — Ele se inclina e apoia a testa na minha. — Deus, eu quero te beijar. Meus olhos se fecham e por um momento, eu só o inalo. Quantas vezes eu sonhei em estar tão perto dele? Eu sinto a força que ele sempre teve em mim e estou tentada a ceder mais uma vez. A sanidade felizmente retorna. Eu o afasto, e ele levanta as mãos enquanto eu o encaro. — Tudo bem, tudo bem! Vou me comportar! Implacável. Estou dividida entre vomitar e ficar com ele neste pequeno avião.


— O que você está fazendo em Nova Orleans? Além de estar do meu lado dia e noite? — Ele sorri enquanto meus olhos estreitam. — O quê? — Ele pergunta com um encolher de ombros. — É uma pergunta razoável. — Tessa vai se casar no sábado. Eu sou a dama de honra. Há muito a fazer nos próximos cinco dias. — Ah, Tess. Eu tenho saudade dela. — Eu também. Eu inclino a cabeça para trás no banco novamente. Ian está me olhando e eu estou exausta. — Sparrow, não temos muito tempo de sobra neste voo. — Ele aperta os olhos com os dedos e respira fundo. — Dê-me o seu número. Por favor. Eu prometo que não vou... bem, eu realmente não posso prometer isso. Basta dizer que você vai me ver de novo, enquanto você está aqui. — Não é uma boa ideia. — Eu balanço minha cabeça, tanto para mim como para ele. — Bem, meu número é o mesmo. Eu nunca vou mudar isso. Você sabe, esperando que um dia você vá ligar e dizer que me aceita de volta, — ele diz com sinceridade. — Você é impossível. — Você é deliciosa. — Você é incorrigível. — Você é comestível. Eu suspiro, frustrada e excitada. — Você sabe que é verdade. — Ele diz centímetros mais perto. — Não, eu realmente não posso dizer que eu sei.


— Bem, eu posso. — Ian! Seus olhos estão perturbados quando ele olha para mim. — Sparrow, eu sei que você já me ouviu dizer que sinto muito, cerca de mil vezes... mas se você não pode ouvir qualquer outra coisa, ouça isso... você me mudou. Por favor, deixe-me... Eu seguro a minha mão para cima e olho para frente. Isso ajuda a não ver seu rosto. — Não faça isso. Apenas... não. Seu rosto se desfaz e eu acho que vejo sua mão tremer quando ele passa os dedos pelo cabelo. Seus olhos se enchem e por um momento, ele não parece ter dezenove anos. Ele não parece ter trinta. Eu vejo o que ele vai parecer aos sessenta e me atormenta. O avião já está começando a sua descida. Eu olho para fora e vejo as luzes da cidade e penso em como eu daria qualquer coisa para me perder nas palavras de Ian. É um sentimento poderoso, saber que este homem magnético, perigoso, divertido, bonito, sexy... me quer. A agonia quase vale a pena se eu pudesse apenas estar com ele. É como se o tempo não tivesse passado. Vejo com clareza enojada que eu nunca vou superar Ian Sterling. Nunca. Ele está me observando, esperando por eu dizer alguma coisa. Apenas uma palavra para dar a ele esperança que estaremos de volta em nosso pequeno mundo de amor, luxúria e brincadeiras. Eu me viro para encará-lo e ele olha para mim com expectativa, desejando que o deixe entrar. Querendo que eu diga que sim... Eu balanço minha cabeça e as teias de aranha limpam. Eu me lembro. Lembro-me de tudo. Eu quero que ele se machuque. — Como está Laila?


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O Passado + de 5 anos atrás O Encontro

É difícil ser filha de um pastor. Meu pai é pastor da maior igreja nãodenominacional em San Jose, CA3, e embora eu tenha sido sempre o orgulho dos meus pais, a pressão, por vezes, pode ser esmagadora. Se você quiser conhecer o trabalho da filha de um pastor, é este: ser perfeita. Meus pais são pessoas maravilhosas, amorosas... apenas um pouco rigorosos com sua única filha. Eles me adoram, porém, e infelizmente, eles gostam de me mostrar. Charlie, minha mãe, é uma força a ser reconhecida – eu acho que meu pai é o único que já foi capaz de dizer a ela o que fazer – e raramente. Caso contrário, ela governa com um punho de pérola: lisa e branca do lado de fora, mas se você mordê-la, você só pode acabar com um dente quebrado. Ela sabe como fazer as coisas. Tenho certeza de que, se depender de Charlie, haverá um casamento antes que eu faça vinte anos. Eu não sou cega; sei que não estou pronta. Eu tive alguns namorados no meu pouco tempo de namoro, mas para os meus pais, eu sou absolutamente linda, incrivelmente inteligente, a menina mais talentosa de SEMPRE, e eles querem que eu me case com outro igualmente lindo, inteligente, PREGADOR talentoso. Eu não vejo mulher de pregador no meu futuro.

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Califórnia


Nos últimos quatros anos as pessoas andam falando que eu pareço mais velha do que realmente sou. Eu gostaria de pensar que é porque eu ajo de forma madura, mas algo me diz que não é isso. Aos treze anos, cheguei a 1,75m e tenho ficado em torno disso, adicione um ou dois centímetros, desde então. Vestir-me como uma mulher mais velha também pode ter tido algo a ver com isso. Tudo bem, mulher mais velha pode ser um exagero – vamos apenas dizer, eu me visto cerca de uma década mais velha do que a maioria das meninas da minha idade. Em apenas algumas semanas, me mudarei para o outro lado do país para começar a faculdade na Universidade de Nova Iorque. Levar todo meu guardaroupa conservador e muito largo para Goodwill4 está no topo da minha lista de coisas a fazer. Eu vou comprar um novo mais jovem quando eu chegar lá.

Eu analisando a minha enorme coleção de livros quando minha mãe bate na minha porta e abre-a. — Você está quase pronta para o nosso encontro para o almoço? — Minha mãe está sempre um pouco excessivamente vestida, e um de seus brincos enormes ameaça cegar meu olho esquerdo quando a luz o atinge bem no centro. — Sim, eu continuo tentando eliminar alguns livros. Eu reduzi a duas caixas de livros agora, — eu me encolho. — Não posso pensar em não ter todos os que eu quero comigo. Um pouco de casa... — Não me faça chorar, querida. — Charlie se inclina e me abraça. — Eu só agora estou me acostumando com você indo embora. Você não pode levar todos os seus livros também, seu quarto vai parecer como se tivesse ido para sempre. — Eu estarei de volta. Acho que deveria deixar meus livros favoritos aqui, então terei um motivo para voltar para casa, — eu provoco. 4

Local onde se entrega donativos.


— Hey agora... — ela belisca meu nariz. — Que bom que o seu namorado vai ficar para trás... isso deve ajudar a atraí-la para casa. Eu penso sobre isso por um momento. Michael está quieto sobre a separação se aproximando ultimamente, e isso me faz pensar pela milionésima vez como a distância vai nos afetar. — Se apresse, então não vamos todos ficar à espera de você. Estou animada por você ver Jeff e Laila. Já passou muito tempo. E eu sei o quanto Michael está ansioso para conhecê-los. Ele deveria estar aqui em breve para buscá-la, não é? — Sim... Eu vou apressar.

Eu estava namorando Michael durante os últimos quatro meses. Ele tem vinte e dois anos e é além de quente. Nossa diferença de idade de quatro anos seria um problema para alguns pais, mas isso é onde a minha maturidade entra. Ah, e Michael é o braço direito do meu pai e pastor de jovens da nossa igreja. Problema resolvido. Tenho um encontro com Michael mais tarde esta noite, também. Ele está falando de um restaurante que ele quer experimentar em San Francisco. Ele também tem falado muito sobre o encontro de Jeff Roberts, agora que penso nisso. Jeff é um palestrante internacional e escreveu pelo menos três best-sellers. Ele e sua esposa são amigos da nossa família há anos, mas eu nem lembro a última vez que o vi. Eu mal me lembro de sua esposa. Avisto o relógio e salto para cima. Após o chuveiro mais rápido do mundo, eu procuro algo que não preciso passar. Odeio passar roupa. Coloquei um novo vestido básico justo e curto que eu comprei na semana passada por um capricho. Esta é a exceção para a minha expedição Todas as Coisas Novas Em Nova York.


Eu não poderia ficar sem este vestido. É muito bonito e eu estou tão pronta para uma mudança. Eu rapidamente espalho meu cabelo comprido e tenho a discussão interna do costume que a minha mãe sempre tem sobre o meu cabelo, só que normalmente não é interna. Ela prefere o meu cabelo para cima, porque eu pareço mais velha, ou abaixado com rolos quentes. Meu cabelo naturalmente encaracolado a deixa nervosa. É muito selvagem, muito devasso. Sua palavra, não a minha. Mas, secretamente, eu acho, realmente, que pode ser a minha única característica sexy, pelo menos das que mostro. Ou talvez a minha mãe colocou isso na minha cabeça, usando a palavra devassa. Michael tem vindo a explorar mais das minhas características sexy recentemente quando ficamos. Com todas as camadas e tal, eu não sei se ele nunca irá encontrar alguma coisa neste ritmo. Ele tem uma paciência incrível, eu vou dar isso a ele. Eu dou uma última olhada no espelho, dando ao meu cabelo uma afofada final. Michael definitivamente vai aprovar este vestido.

Eu salto descendo as escadas, de repente me sentindo um pouco animada com o almoço. Eu li o último livro de Jeff e fiquei impressionada. Talvez eu possa entrar na cabeça dele sobre como o processo de escrita é para ele. Os escritores alguma vez realmente acham que são ótimos? Se assim for, eu gostaria de andar dentro de seu cérebro e deixar toda essa autoconfiança esbanjar sobre minhas entranhas, poros e células. Tornaria a escrita muito mais simples. Michael está apenas entrando na porta. Incomoda-me um pouco que ele entra sem bater. Meus pais mantêm a porta aberta a maior parte do tempo, o que é uma loucura, até mesmo no nosso agradável bairro. No entanto, o meu pai deu a Michael uma chave antes mesmo que nós começamos a namorar, quando ele


tomava conta da casa para nós. Meus pais não acham nada de errado nisso, na verdade, eles o incentivam a ir e vir como quiser. Eles veem Michael como o filho que nunca tiveram. Isso me preocupa, mas só porque eu não quero que ninguém fique desapontado se não funcionar. Tenho a sensação de que se terminarmos, eles escolheriam Michael. Ele realmente é lindo. Michael é o primeiro cara loiro por quem já fui atraída – geralmente prefiro o alto, moreno e misterioso. Michael é alto, loiro e não há nada de misterioso sobre ele. Ele é tão divertido... tão engraçado. Toda garota se senta mais ereta e ri mais alto quando ele entra na sala. Até a minha mãe. Seus olhos se enrugam quando ele ri. Eu ainda nem sequer comecei em seu corpo. Oh meu, os braços, os músculos abdominais inferiores. Agora eu conheço o termo músculo em corte V, graças a Michael. Eu nem sabia que me preocupava com tudo isso, até que eu o vi sem camisa e de repente eu me importava. Eu me importava muito. Ele me convidou para sair meia dúzia de vezes antes de eu dizer sim. Se ele tivesse me mostrado seu peito, poderíamos ter resolvido a questão mais cedo. O fato de que eu iria embora para a escola me perturbava, mas havia também a pequena complicação de me envolver com alguém que trabalhava para o meu pai... e toda a coisa em si de pregador. Posso apenas limpar o ar agora, dizendo que eu amo Jesus? Eu amo. Eu acredito que ele é muito melhor do que lhe damos crédito. Eu amo cristãos. Ok, eu amo ALGUNS cristãos e o resto só porque EU PRECISO. Eu amo meus pais, ponto. Eu só não quero ser uma esposa de pregador. Agora que isso está resolvido, espero que possamos seguir em frente. Michael tem uma coisa pelos meus pés. Quando eu disse que nós ficamos, não é que fazemos uma tonelada disso, mas algumas noites atrás, ele fez essa coisa onde ele lavou os meus pés – eu sei, é um pouco estranho quando eu penso sobre isso, mas eu aceitei e não tenho arrependimentos. Depois que ele terminou de lavá-los, ele lentamente lambeu e chupou cada um dos meus dedos. Ele tomou o seu doce tempo, e eu pensei que ia enlouquecer. Nunca em um milhão de anos eu acho que iria querer isso feito comigo NUNCA, mas amor da terra, isso fez coisas comigo. Coisas que eu não posso até mesmo explicar totalmente ainda.


Chupar os dedos de alguém é até mesmo considerado ficar? Os olhos de Michael arregalam quando ele dá uma olhada em mim. Ah, sim, ele não vai ter dificuldade em encontrar qualquer coisa agora. Droga. Eu não pensei bem nesse vestido. — Você está incrível! — Ele me beija e me abraça apertado. Eu acho que eu o ouvi gemer. Eu ouço o meu pai antes de vê-lo. — Hey crianças, vocês estão prontos? Michael recua como um cão escaldado. Eu rio e ele balança a cabeça para mim, sabendo que ele foi pego. Eu beijo sua bochecha e chamo o meu pai. — Nós estamos prontos. — Vamos lá, vamos juntos, — ele grita pela porta dos fundos. Michael se inclina em meu ouvido e diz: — Eu não sei se peço para você usar este vestido todos os dias ou para nunca usá-lo novamente. — Uau, quem sabia que algo realmente justo poderia causar tal tormento? — Eu sorrio maliciosamente. — Você me levará para tantos problemas. — Eu tenho certeza que você tem os meus pais embrulhados no dedo. Estamos na esquina, e meu pai está segurando a porta dos fundos aberta para nós. — Michael, boa aparência. Hey, Rosie, você está muito bem. Eu poderia usar um saco de estopa e meu pai acharia que eu estou bem. — Obrigada, pai, — eu beijo sua bochecha. — Anthony, como você está? — Michael aperta a mão do meu pai.


Quando chegamos ao restaurante, eu entro com a minha mãe. Michael e meu pai estão terminando uma discussão e estão demorando muito para entrar. Eu estou COM FOME, e você não fica no meu caminho quando estou com fome. Estou prestes a perguntar a minha mãe se ela vê os Roberts quando eu vejo ele. — MÃE, Ian Sterling está aqui. Esse é Ian Sterling. Olhe! — Estou segurando o braço dela e prestes a desmaiar. Ela lança um olhar sobre o galã na nossa frente e balança a cabeça: — Eu acho que não, querida. No entanto, ele está falando com Jeff e Laila. — É ele. Eu sei que é ele. Só então Jeff e Laila se viram e avistam a minha mãe. — Charlie, Olá! — Eles andam para frente e se revezam, abraçando-a e, em seguida, me veem. — Sparrow, oh minha palavra5, você está crescida! Eu não posso acreditar! — Jeff parece bem feliz em me ver. Laila é uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Eu timidamente abraçoa, e ela comenta sobre quão bonita eu sou. — Obrigada. Você é tão linda, — eu nervosamente digo e então me sinto idiota. Jeff se vira e diz: — E nós trouxemos um querido amigo nosso, Ian Sterling? Ian, venha conhecer Charlie e Sparrow. Onde está Anthony? Ian avança e pega a minha mão. Imediatamente sinto minha pele incendiar, as chamas começam em meus cabelos, pelo meu rosto, pescoço, entranhas, todo o caminho até o meu corpo inteiro... pelo menos é assim que se sente. Ele está olhando nos meus olhos. A maneira como ele olha para mim, eu me sinto exposta, crua, acordada... Eu estive procurando por você, seus olhos estão dizendo. Você encontrou-me agora, tenho certeza que meus olhos estão respondendo. Gíria americana usada principalmente por cristãos, a fim de não quebrar o mandamento "Não tomarás o nome do seu Deus em vão." 5


Na verdade, o que ele realmente diz é: — Sparrow Fisher. Há uma história lá, tenho certeza. Eu sou Ian. — Ele sorri e aperta minha mão. Eu derreto. — Prazer em conhecê-la. — Eu estive procurando por você, — eu digo. NÃO! Acabei de dizer isso em voz alta? Ohdeusohdeusohdeus. Por favor, me diga que eu não disse isso em voz alta. Ele sorri. Oh, ele é tão quente. Muito, mesmo. No entanto, não há nada exceto masculinidade crua saltando dele. — Você esteve? Bem, agora você me encontrou. Eu não estava ciente que nos conhecíamos? Eu teria me lembrado deste rosto. — Ele corre os olhos da minha cabeça até os dedos dos pés e faz o percurso de novo, dolorosamente lento. — Eu teria me lembrado com certeza, — ele se inclina e sussurra. Eu estou morrendo. Desejo que um buraco me engolisse agora. Eu tenho que encontrar uma maneira de sair disto. Eu não posso dizer a ele... — Jeff! — A voz barulhenta do meu pai enche o ar e eu respiro um suspiro de alívio. Eles se abraçam e sinto um braço em volta da minha cintura. Eu suponho que é a minha mãe até Michael dizer: — E você é? Eu esqueci Michael completamente. Opa. Ian solta minha mão para apertar a de Michael e minha mão nunca se sentiu tão desprovida. Eu ouço Michael dizer: — O namorado de Sparrow, — mas parece muito longe. Meus olhos nunca deixam o rosto de Ian. Ian olha para mim, e ele parece divertido. — Ela é impressionante, você é um homem de sorte. — Eu ouço-o dizer. — Eu sei. Estou tão feliz que ela é minha. Isso me puxa para fora do meu estupor e meu temperamento acende. Eu encaro Michael, mas ele está distraído. Ele está muito ocupado suportando suas penas de pavão para notar que eu quero arrancar a cabeça dele.


Quando eu olho para trás, para Ian, seus olhos estão rindo, e tem uma luz neles que me faz sentir fraca. Seus lábios se curvam para cima e eu olho para aquela boca, desejando que estivesse na minha. O que no mundo está acontecendo comigo. Eu tento sair dessa enquanto encontramos nossos lugares. Não tenho certeza de como mesmo isso acontece, eu me encontro com Michael à minha esquerda e Ian à minha direita. — Aí está você, Brady, — Laila dá um tapinha no assento ao lado dela e do outro lado do meu. — Brady, estes são Sparrow e Michael. E você se lembra de Anthony e Charlie da visita deles no ano passado? — Brady assente e aperta a mão de todos. Ele parece ter cerca de doze anos e ser muito tímido. Tento concentrar-me no menu, mas a perna de Ian está alinhada contra a minha. Estamos no lado cabine da mesa. O outro lado tem cadeiras. Eu deveria ter sentado em uma cadeira, para que eu pudesse respirar e para que eu pudesse olhar ele. Não, isso é melhor. Eu não preciso respirar de qualquer maneira. Depois que pedimos, Ian vira todo o seu corpo em direção ao meu, coloca o cotovelo na mesa, descansa sua cabeça na mão e olha para mim. Ele lentamente começa a fazer pergunta após pergunta. É neste ponto que eu digo a Deus, eu vou fazer o que Ele quer, eu vou mesmo me COMPORTAR – e isso é dizer MUITO para mim – se Ele apenas, por favor, não me der urticária e se Ele também, por favor, deixar todas as minhas palavras saírem de forma inteligível. — Então do que você gosta, Sparrow Fisher? — ele pergunta. — Além de Michael, quero dizer... Eu reviro os olhos para ele. Ele sorri. — A menos que você queira falar sobre isso. Tenho certeza que Michael ficaria satisfeito. Eu olho para Michael e, no momento, ele está hipnotizado por algo que Jeff está dizendo.


— Há quanto tempo vocês estão namorando? — ele pergunta. Eu não quero falar sobre Michael com ele. — Quatro meses, — Respondo. — Ah, um novo romance, — ele brinca. — Então, ele não deve levar isso muito difícil... — Sua voz some. Algo em seu tom de voz me deixa na defensiva. Minha mãe me disse para ser difícil de obter até onde eu consigo me lembrar. — Estamos indo muito bem, obrigada. Ele levanta as sobrancelhas e continua estudando meu rosto. No ensino médio costumavam dizer: — Tire uma foto, ela vai durar mais tempo. — Mas eu estou estudando-o também e não quero que ele me questione, então eu resisto à insolência. — E quanto a você? Você tem namorada? — Por quê? Você quer preencher a vaga? — O mal está de volta. Ele é algo de diferente. — Você é muito provocador, não é, — eu rio e quero dizer, sim, eu vou preencher a vaga. Pegue-me, pegue-me. Estou assustada quando Michael pega a minha mão, e sinto a primeira pontada de culpa. Demorou bastante, eu repreendo a minha consciência. — Você parece ser capaz de pegar, — Ian responde. A garçonete chega com a nossa comida, e eu juro, ela coloca praticamente todo o seu peito em Ian enquanto coloca a minha comida para baixo. Ele olha para ela e sorri. — Bem, olá, — ele diz. Ela se levanta e descaradamente dobra seu número no bolso dele... o bolso da calça jeans, nada menos. — Tudo bem... obrigado? — Ele olha para mim e levanta as sobrancelhas. — Isso acontece muitas vezes? — Pergunto. — Acontece, — ele dá de ombros.


— Ah, é coisa muito antiga, então. — Eu me sinto indescritivelmente zangada, e, triste que eu não tenho direito a essa emoção quando se trata de Ian Sterling. Ele puxa o número de seu bolso e estende para mim. — Se você colocar o seu número neste papel, valeria alguma coisa, — diz ele em voz baixa. — Você está realmente dando em cima de mim com o meu namorado sentado aqui? — Estou orgulhosa e chocada com sua audácia. Risque isso, eu estou amando sua audácia. Eu sou uma pessoa horrível. Não vamos nem tentar dourar a pílula. Ele olha para Michael, que tem a minha mão, mas está rindo de algo que Jeff disse. — Jeff está mantendo-o ocupado. Ele está bem assim. — Ele se inclina para mais perto e fica bem na minha cara. — Seu namorado não parece muito atencioso, — ele sussurra. — Oh, ele é atencioso, — eu sussurro de volta. — Bem, eu acho que você gosta deles assim. — Não se preocupe com o que eu gosto. — Não posso prometer isso. — Por que não? — Bem, olhe para você. Eu já quero roubar você. — Com estas duas últimas palavras, seu nariz colide no meu e por um momento, eu acho que ele está realmente indo para me beijar. Meu estômago despenca em meus pés. Eu tenho certeza que eu fiquei magenta. A garçonete devassa – agora essa é uma descrição melhor para essa vagabunda do que o meu cabelo, certo? – tem que estragar o momento, verificando para ver se todos estão bem. Eu não dei uma única mordida. Encaroa enquanto ela retorna para mais de Ian. Ela não me nota. Ela, no entanto,


certifica-se de fazer um show, enquanto caminha para outra mesa. Se houvesse um mastro nas proximidades, ela estaria traaaba-lhando nele agora. — Então, você mudou de assunto antes... o que você gosta de fazer, Sparrow? — Uh, bem, um monte de coisas, — Minha voz soa frágil e quero levantar a minha mão aos céus e obrigar a Deus a honrar nosso acordo, unilateral, no entanto. Ian sorri. — Um monte... do quê? — Livros, — eu digo com firmeza. — Eu sou louca por livros. Ele ri. — Ok. Isso é legal. — Eu gosto de lê-los e escrevê-los, — eu digo timidamente. Olá, meu nome é Sparrow e eu sou uma nerd. Ele ergue as sobrancelhas e os olhos pousam em minha boca. — Deus, tudo que você diz é quente. — Ele passa as mãos pelo seu cabelo, fazendo-o ir em outra direção igualmente fabulosa. Eu gostaria de poder fazer isso. — Então me deixe ver se entendi... você parece como isto, — Acena a mão para cima e para baixo em minha direção, — e você é uma leitora inteligente e deusa escritora também? — Ele se aproxima mais do meu rosto, e tenho certeza que ele pode ouvir meu coração batendo. — Você tem óculos e usa o cabelo com um lápis, também? Isso seria muito... — Ele fecha os olhos por um segundo e quando ele os abre, suas pupilas são enormes piscinas. — Eu não sei se eu poderia até mesmo aguentar. — Ele balança a cabeça. Eu rio forte, então, chegando muito perto de bufar para o meu conforto. Mantenha a compostura, Fisher. Eu limpo minha garganta e olho para a minha comida, momentaneamente, pensando que pode me salvar. Ela não faz nada para ajudar, mas olha fixamente para mim, parecendo saborosa. Eu tento cavar, mas pareço ter perdido o apetite. Ian não parece estar comendo também. — Como você conhece Jeff e Laila? — Pergunto, tentando aliviar o ar.


— Jeff é realmente meu primo de terceiro grau. Encontramos-nos novamente há alguns anos e temos ficado um pouco mais próximos. Eu fico com eles quando venho até San Francisco. Eles também têm uma casa em LA, eu estou muito lá, também. — Você passa muito por aqui? — Não San Jose, realmente, — diz ele. — Eu estarei de volta em San Francisco na próxima semana, no entanto. Laila mencionou que estão todos saindo no próximo fim de semana? — Ele acena com a cabeça em minha direção. — Todos? — Sim, este clã inteiro, — seus olhos brilham. — Vai trazer Michael? — ele sussurra. — Você é impossível. — Você é deliciosa. Eu ignoro-o. É a única maneira que eu não vou beijá-lo. — Para onde você vai esta semana? — Dallas. Eu estou tocando no House of Blues algumas noites esta semana. Tem alguns ensaios para fazer... eu sou um músico, — Explica. — Eu sei. — Oh, tudo bem. — Eu ouvi você tocar... há quatro anos. — Confesso. — Realmente! Onde foi isso? — Foi um grande concerto no Central Park. — Central Park? Você me viu no Central Park há quatro anos e está me dizendo agora?


— Acabamos de nos conhecer. — Sim, há uma hora. Nós cobrimos um lote de terreno nesse tempo, você não acha? Eu fico corada novamente. Droga, justo quando eu acho que estou acalmando meus nervos um pouco. — Sim, eu preciso concordar. Ele sorri aquele sorriso de satisfação e eu juro que ele está pensando em mim vestida como uma bibliotecária de novo... o que não me ajuda a acalmar. Eu levanto uma sobrancelha e ele passa a mão sobre a boca, tentando parecer sério. — Então, Central Park... diga-me sobre isso. — Eu vi você antes de você tocar. Eu não tinha ideia de quem era. Eu estava lá com meus pais. Meu pai estava lá para uma cruzada. Será que Jeff disse que meu pai é um pregador? Ian concorda. — Nós realmente só tínhamos um dia livre e o passamos no parque, ouvindo música. A certa altura, vi você no palco, e a próxima coisa que eu soube, você ia lá em cima. Sua atuação arrasou todos completamente. Eu nunca ouvi nada parecido com isso. É a sua vez de corar. Eu fico tocada que ele parece um pouco envergonhado por minha lisonja. Eu tenho certeza que é algo que ele ouve o tempo todo. Ele é verdadeiramente surpreendente. Seu telefone toca e ele olha para baixo, frustrado que nossa conversa é interrompida. — Oh, wow. Eu tenho que ir. Honestamente, pensei que ia ficar feliz por ter uma desculpa para sair, mas eu daria qualquer coisa para ficar, agora que eu conheci você. — Seus olhos são tão genuínos que eu realmente acredito nele. — Eu tenho uma reunião em meia hora. — Oh. Bem... foi muito bom conhecê-lo, — gaguejo. Estou surpresa com a emoção na minha voz. Sua voz soa grossa também.


— Sparrow, o prazer é todo meu, eu posso assegurá-la. Você fez um dia esquecível memorável. Inferno, você fez isso de forma positivamente interessante. — Ele está sorrindo, mas há uma tristeza por trás de seus olhos. Ele pega minha mão e a beija. Nesse gesto, eu sinto minha infância escorregar de mim como um velho casaco desgastado que foi mal pendurado por um único lado. Eu sei que alguma coisa mudou em mim. É primordial. Eu quero este homem. Eu sorrio para ele. Ele continua a segurar a minha mão e se inclina ao redor para ver Michael. — Michael, eu estou indo embora. Cuide bem dessa menina aqui. E com isso, ele se levanta e sai. Eu o vejo caminhar pela janela. Parece que ele acabou de perder seu melhor amigo.

O que eu não disse a Ian sobre vê-lo pela primeira vez foi que eu chorei o tempo todo em que ele tocou. Eu nunca ouvi nada tão bonito. Eu encontrei seu nome em um programa e achei que se encaixava perfeitamente. Quando cheguei em casa, peguei meu diário intitulado Coisas Importantes Que Aconteceram Nos Meus 14 Aanos e escrevi: Eu vi Ian Sterling. Eu estive procurando por ele desde então.


-3-

O Quê? O estupor vago de conhecer Ian Sterling paira sobre mim o dia todo. Lembrando e relembrando cada toque, cada inflexão e cada palavra dita, eu venho com várias teorias sobre o que poderia realmente significar. Minha mente louca joga um jogo sério de contradição consigo mesma que é algo como isto: Acho que Ian Sterling se apaixonou por mim hoje. Não há nenhuma maneira que Ian Sterling sinta algo real por mim. Eu me apaixonei por ele à primeira vista, há quatro anos. Claro, eu não acredito em amor à primeira vista. Ok, se não for amor à primeira vista, então eu me apaixonei por ele hoje, quando conversamos... quando ele pegou minha mão na sua. Isso foi pura luxúria, não seja confundida com amor. Eu nunca me senti assim. Eu sou jovem e não sei o que estou sentindo. Eu não sou uma idiota, eu conheço minha mente melhor do que ninguém. Ele é um mestre em paquerar e foi sem sentido. Acho que eu abalei seu mundo.


Eu odeio quando faço a coisa de menina. Tenho certeza de que Ian deixou o almoço esta tarde e não me deu outro pensamento. Por que não posso ser assim?

Tempo sério com Tessa é o que eu preciso. Ela tem sido minha melhor amiga desde que tínhamos nove anos e me conhece melhor do que ninguém. Eu mandei uma mensagem para ela após sair do restaurante dizendo que conheci Ian Sterling e ela pirou, mas eu não tive a chance de falar com ela ainda. Tanto quanto eu sei, ela é a única que não é completamente empolgada com Michael. Eu não posso obter uma resposta direta sobre ela não gostar dele, só que ela acha que ele não é a pessoa certa para mim.

E Michael... Eu tenho meia hora antes de ele me pegar para o nosso encontro, e tudo o que posso pensar é em Ian. Eu tenho que me recompor. Michael é perfeito. Realmente, ele é. Meus pais dizem isso o tempo todo. O cara é extremamente hilário. Ele pode retirar uma linha aleatória de qualquer filme e fazer todas as vozes. Ele me mata cada vez com isso. E eu sei que isso não é tudo, mas ele era o cara mais bonito que eu já vi... até que eu vi Ian de perto e pessoalmente. Eu acho que eu poderia estar em apuros. Tudo sobre Ian me atrai. Sensualidade exala dele como vapor, me puxando em sua aura e me fazendo querer fazer todo tipo de coisas más. Ele está em toda outra faixa no que se refere a sua aparência. Eu me sinto mal por pensar isso, mas em todas as áreas... bem... ele faz Michael parecer um pouco caseiro, em comparação. Eu sou um horrível, horrível ser humano.


As coisas que saíram de sua boca; ele é tão irreverente. Eu não estou acostumada com as pessoas dizendo exatamente o que elas pensam. Conversa filtrada é tão popular como água filtrada nos dias de hoje. Mais do que tudo isso, porém, naquela hora ele me fez sentir mais viva - mais acordada - do que eu já senti. Eu percebo que a paixão não faz uma relação, mas pelo amor, sentir-se viva é digno. — Spaaaaarrrow! Miiiichael está aqui! — Minha mãe grita. — Eu vou descer, — grito de volta. Eu deslizo sobre meus sapatos e pego uma jaqueta leve. A cidade sempre esfria à noite. Michael parece digno de desmaiar em seu terno. Retiro o que disse sobre ele ser algo perto de caseiro. Ele não é. Meu interior dá uma pontada de culpa quando penso sobre como Ian ficaria com esse terno.

Os quilômetros passam rapidamente enquanto aceleramos e cantamos junto com o rádio. O clima alegre muda um pouco, uma vez que chegamos ao restaurante. Eu tenho feito muito bem em não ficar obcecada com Ian, mas está tomando um esforço considerável. Michael parece mais sério do que o habitual quando estamos sentados em uma bela mesa à luz de velas, com vista para o oceano. Há rosas na mesa e quando eu olho mais perto, vejo um pequeno cartão com o meu nome nele. — Michael! Você fez isso?


Ele sorri e, por um momento, eu acho que julguei mal sua seriedade. Ele beija a minha bochecha e me diz que eu sou bonita. — As flores são lindas! Obrigada! — Eu abro o cartão que diz: Para uma noite inesquecível com uma garota inesquecível. Seu para sempre, Michael

Eu abraço-o. Não mereço nada dessa doçura de Michael depois de praticamente arrancar todas as roupas de Ian – eu sei que foi apenas em minha mente, mas eles dizem que o que está no coração é que importa. Quem disse isso mesmo? Oh yeah, a Bíblia. — Isso é tão doce. Eu não posso acreditar em você. — Bem, eu tenho grandes planos para hoje à noite, então prepare-se, — ele sorri para mim. — Quais são os planos? Flores? Um restaurante chique? O que você está fazendo? — Eu sorrio de volta para ele. Ele ri e bloqueia seus lábios, jogando a chave fora. Talvez eu não precise estar toda acordada de qualquer maneira quando tenho um cara tão atencioso na minha frente. Para ser honesta, eu estive realmente nervosa sobre o que ir embora significará para Michael e eu. Nós mal conversamos sobre isso, mas nas últimas duas semanas, eu sinto a nuvem que paira sobre nós dois. Eu realmente sentirei falta dele. Skype, mensagens de texto e falar ao telefone o tempo todo - não é minha ideia de um relacionamento divertido. Ele prometeu vir me ver e eu tentarei voar para casa nas pausas.


Eu olho pela janela e me perco na água. Dê-me o mar e é o equivalente a uma aula de yoga ou meditação na Índia... não que eu já fiz nenhuma dessas coisas. Onde quer que as pessoas vão para encontrar a paz - é o que eu encontro no oceano. Esperançosamente, eu vou encontrar uma praia preferida no leste. Michael limpa a garganta e me assusta. Viro-me e vejo-o mexer com a gravata. — Então, hoje foi interessante, — diz ele. — Sim, foi. Você gostou de Jeff? Ele é bom, não é? — Sim, ele realmente é. Eu gostei muito dele. Eu pego o meu menu e leio lentamente através dele. Um minuto ou cinco se passam e quando olho para cima Michael ainda está me observando. — O que é? — Ian Sterling certamente gostou você. Meu rosto fica quente. — Ele estava apenas sendo simpático. — Sim, muito simpático, — Resmunga. Eu olho para o meu menu novamente e estou dividida entre estar entusiasmada com Ian, ao mesmo tempo, sentindo-me mal que Michael estava lá para testemunhar isso. Eu pensei que ele estava muito envolvido em conversar com Jeff para notar. Gostaria de saber quanto ele ouviu. Como eu me sentiria se ele conversasse com outra garota assim comigo sentada ali? E mesmo que ele não tenha ouvido nada, ele deve ter notado como nós olhamos um para o outro. Quanto mais penso nisso, mais horrível eu me sinto. Agora eu sei que eu não imaginei a coisa toda com Ian. Quem sabe? Pode ser o jeito que ele fala com todas as mulheres, mas eu deveria tê-lo parado. Era apenas uma emoção inesperada. Ian Sterling, pelo amor de Deus.


Michael pega a minha mão e seus olhos são intensos. — Você é tão linda. Qualquer homem seria louco para não querer você. Aproveito o guardanapo no colo e, de repente dobro-o de quadrado após quadrado até que ele está muito apertado para dobrar o outro. Minha própria vergonha está ameaçando me engolir. Michael parece pensativo. Eu tenho medo de saber o que ele está pensando. A garçonete vem e nós pedimos. O pôr do sol gradualmente toma conta da nossa conversa; é espetacular. Não há nada como ver o sol desaparecer na água. Michael relaxa mais e mais. Logo eu me vejo fazendo o mesmo. A ansiedade se derrete, e eu estou feliz por estar aqui com ele. Estou feliz que ele não menciona Ian novamente. Os leões-marinhos estão fazendo barulho no cais abaixo. As gaivotas pairam em torno dos leões marinhos, provocando-os com a sua captura do dia. Nossa comida chega e o bife e vieiras estão deliciosos. Eu como cada mordida. Estamos compartilhando um suflê de chocolate quando Michael fica sério para mim novamente. É difícil eu me concentrar em algo a não ser o chocolate. Eu sou apaixonada por boa comida e esta é a perfeição: bolo quente com um centro de chocolate pegajoso e dois molhos de chocolate ao lado. Eu derramo outro montão de molho de chocolate escuro sobre a minha última mordida e gemo – é tão bom. Eu desejo que não tivesse concordado em compartilhar. Por que eu fiz isso? Talvez possamos pedir outro... Assim que eu coloco a minha colher para baixo, Michael pega as minhas duas mãos. — Eu quero falar com você sobre algo. Eu tomo uma respiração profunda, e flashes de Ian atravessam meu cérebro. Chocolate e Ian. E Ian com chocolate. Ian e eu e chocolate... — Sparrow?


Eu pisco e Michael entra em foco. Dang6, estou desesperada. Vou tirar Ian da minha mente e me concentrar no meu namorado. — Você sabe que eu sou apaixonado por você, né, Ro? Eu tenho sido desde que eu coloquei os olhos em você há um ano. Estar com você nos últimos meses tem sido o melhor momento da minha vida. — Ele se abaixa e beija minha mão. Ele olha para mim com aqueles olhos sorrindo, enrugados, e eu não posso deixar de sorrir de volta para ele. Ele é tão doce. — Eu pensei que nós esperaríamos - eu sei você que é jovem - mas eu não posso esperar. Eu sei que eu quero estar com você pelo resto da minha vida. Meus freios interiores gritam e meus olhos saltam para fora. O que foi que ele disse? Michael continua, completamente inconsciente de que eu estou começando a entrar em pânico. Ele está tão sério quanto o cara dos comerciais sobre a disfunção erétil. — Eu já falei com seus pais, e eles me deram a sua aprovação integral. — Michael enfia a mão no bolso e tira uma caixa e coloca sobre a mesa. Eu começo a engasgar. Não, realmente, eu perco todo o fôlego e não posso obtê-lo de volta. A expressão amorosa de Michael se transforma em medo quando ele percebe que o meu engasgo não está parando. Ele se levanta e bate em minhas costas. Ouvi dizer que bater na parte de trás não é realmente o que você deve fazer quando alguém está sufocando, mas parece bater algum sentido em mim e eu solto um suspiro que finalmente funciona. — Você está bem? — Michael está ao meu lado e pega o meu copo de água. Ele parece tão preocupado; eu quero chorar. Tomo um gole de água e concentro-me na respiração. Michael retorna ao seu lugar e pega minhas mãos novamente de forma insegura.

6

Palavra usada por sulistas, o mesmo que Maldição.


— Nós vamos ter uma boa história para contar aos nossos filhos, — ele tenta brincar, mas paira no ar, plano. — O que você diz, Sparrow? Quer se casar comigo? Ele tem coragem, eu vou dar isso a ele. Aparentemente, eu estava errada sobre a paciência. Ele abre a caixa do anel, e eu olho para o lindo solitário. Eu abro minha boca para falar, mas não sai nada. Estou em estado de choque. A cena pisca na minha cabeça, de mim aos oitenta, a boca ainda entreaberta e a enfermeira na casa de repouso falando de mim como se eu não estivesse lá – "Ela não tem falado por mais de 60 anos!" Ficar muda certamente ajudaria a me manter longe de problemas. Gostaria de saber se meu cérebro continuaria funcionando totalmente, no entanto, se eu ficasse esse tempo sem falar... isso seria muito difícil. Depois de sentarmos ali, olhando um para o outro por uma eternidade, Michael finalmente diz: — Eu te assustei, não é. Uh, sim, eu penso. Mas as palavras ainda não saem. Eu também penso, Que inferno? Mas minha mãe me ensinou a não pensar coisas assim. Então, eu estou em conflito, você vê. — Diga alguma coisa, Ro. Qualquer coisa. — Michael insiste. Eu tomo outro gole de água e, finalmente, coloco a minha cabeça em minhas mãos. Michael está dizendo algo, mas eu não estou nem ouvindo. Eu só quero ir para casa. Este dia precisa terminar. É demasiado. Ele agarra meus braços e eu levanto os meus olhos para encontrar os dele. — Michael... — Eu coaxo. — Sparrow, basta pensar nisso... — Michael, o que? Eu tenho dezoito anos! — Eu balanço a cabeça para ele.


— Você vai ter dezenove em pouco tempo. Ambos os nossos pais estavam casados aos dezenove anos. Olha como eles fizeram isso. Meus pais só namoraram por seis semanas, e eles só sabiam. Eu me sinto assim sobre você... nós apenas nos encaixamos. — Sua voz enfraquece no final. Ele olha para mim e espera eu dizer alguma coisa. — Eu não vi isto vindo, Michael. Eu nem sei o que dizer. Eu vou para a NYU7 em poucas semanas. Eu quero ser capaz de me concentrar na escola e... — Você ainda pode fazer tudo isso. Nós apenas estaríamos noivos, enquanto você faz isso. Talvez casar no verão? Você estará fazendo vinte até então. E você pode transferir para Stanford ou Berkeley no ano que vem... — Ele dá o seu sorriso mais encantador, o que geralmente me vence. — Michael, — eu digo com tristeza. — Se eu quisesse ir para Stanford ou Berkeley, eu iria. Eu não quero ir para Nova Iorque pensando em quanto tempo eu posso sair de lá. — Eu não posso acreditar que ele está fazendo isso agora. — Quatro meses. Nós temos namorado por quatro meses. Isso não é tempo suficiente para saber. Além disso, você sabia sobre Nova Iorque antes de começarmos a namorar. — É para mim. Eu tento não fazer careta para ele. — O que é para você? — Quatro meses é tempo suficiente para eu saber. — Eu gosto de como estamos agora. Nós nos divertimos. Isso é bom. Simples. Vamos apenas mantê-lo assim, — eu imploro. — Por que você não me diz que me ama? — ele pergunta. — Você sabe como eu me sinto sobre isso.

7

Universidade de Nova Iorque.


Não é algo que eu posso dizer de ânimo leve, não com namorados de qualquer maneira. Eu não pretendo dizer a um cara que eu o amo até que eu tenha certeza. — Você me ama? — Michael, por favor. Você sabe que eu te amo. Você é maravilhoso, e eu me importo tanto com você. — Isso não é o que quero dizer e você sabe disso. Você me ama? Eu respiro fundo e não posso olhá-lo. — Eu te amo, mas... eu não tenho certeza se estou apaixonada por você. Isso o atordoa. — Eu sei que você não disse de volta, mas eu pensei que você sentia isso, — ele sussurra. Ele coloca a caixa de volta no bolso, afrouxa a gravata e olha pela janela por um longo tempo. Quando a garçonete vem, Michael paga a conta e me joga uma hortelã. Eu me sinto terrível por machucá-lo. Eu tento pensar em uma maneira de tornar o clima mais leve, mas só não está acontecendo. Finalmente, ele olha para mim e tenta me dar um sorriso tranquilizador. — Eu posso esperar. Nós vamos ficar bem, não vamos? Você não quer se casar comigo... ainda. Mas algum dia? — Eu... não sei. — Eu respondo. Mas por dentro eu estou receosa de que eu realmente sei. E mesmo que eu esteja envergonhada com a direção que meus pensamentos me levam, eu estou quase totalmente certa de que eu teria dito exatamente a mesma coisa, mesmo se eu não tivesse conhecido Ian Sterling. Mas visto que eu o conheci, isso de repente é tão claro como esse sinal enorme na rua do aeroporto de LAX8, que costumava 8

Aeroporto Internacional de Los Angeles


dizer: AO VIVO AO VIVO NUS NUS! Não havia nenhum questionamento do que estava dentro. Você sabia exatamente o que estava recebendo se você entrasse no edifício com um sinal com essas letras gigantescas. Eu fico olhando para Michael e vejo a vida que ele tem planejado para nós. Casaríamos

jovens,

trabalhando

juntos

na

igreja

do

meu

pai,

sendo

financeiramente estáveis, tendo dois filhos por volta dos meus vinte e quatro anos e ser como nossos pais. Eu sei que é o que os meus pais querem para mim também, e eu queria que tudo isso fosse também o meu desejo. Eu só... não. E tanto quanto eu gostaria de poder mudar a minha mente, na placa está escrito: Eu não posso me casar com Michael. Os próximos dias são ásperos. Meus pais parecem desapontados por eu dizer não para Michael, mas não pressionam muito. Ainda assim, estou frustrada com eles por ainda considerá-lo como uma opção agora. Eles não entendem por que eu não posso ter certeza sobre Michael. Ele é perfeito para mim, e é óbvio para eles que nós deveríamos ficar juntos. Eles acham que é só uma questão de tempo antes que eu veja isso e que, se eu não posso dizer sim para ele agora, eu não devo tomar quaisquer decisões em tudo. Em outras palavras, deixá-lo em suspenso. Eles apenas querem que eu seja feliz, então eles recuaram, mas apenas saber como eles realmente se sentem é confuso. Não é suposto ser o contrário? Eles não deveriam me incentivar a esperar e ter certeza? Acho que devo viver em um universo alternativo e certamente vou acordar logo. Michael vem ao longo de quatro dias seguidos e, pela primeira vez em nosso relacionamento, brigamos. Felizmente, meus pais ficam completamente fora dessas discussões. Eu acho que eu bato minha cabeça contra a parede se eles três me encurralarem de uma vez. Eu meio que pensei que terminamos quando recusei sua proposta, mas parece que foi apenas uma fase de me desgastar para um ponto importante. O primeiro dia ele está deprimido e triste. O segundo dia ele está nervoso e marcado. O terceiro dia ele está triste e todo mãos. (Eu sei que ele acha que a


abordagem de toque vai funcionar, porque ele sabe que eu tenho uma ligeira fraqueza para a sacanagem. Ok, não apenas ligeira.) O quarto dia ele está meio abatido/meio nervoso, e estou desgastada da situação. O quinto dia, ele liga e diz que vai ver sua família em Seattle durante uma semana. Ele precisa pensar. Um mês atrás, eu teria ficado triste por ele ir, especialmente tão perto de sair para a escola, mas eu estou tão aliviada.

Tessa liga depois de eu desligar o telefone com Michael. — O Garoto Apaixonado está aí? — Não, ele vai para casa na semana. Para meditar sobre seu desgosto. — Eu estalo. — Você não tem coração, — ela ri. — Eu me sinto sem coração depois deste drama! É loucura pura. É como se eu fosse a única adulta por aqui! — Bem, eu não iria tão longe... mas bem... sim, soa como se você fosse a única a pensar com clareza. — Obrigada por não saltar na ideia do casamento. Você poderia ter sido a emocionada dama de honra. Ela suspira. — Sim, eu pensei nisso. Acredite em mim. Eu poderia ficar um pouco emocionada. Um casamento teria sido divertido... apesar da pequena complicação de você ser casada depois. Isso seria completamente ruim. Você sabe, destruiria todo o nosso plano de Nova Iorque. — É triste que minha vida seja a sua maior forma de entretenimento. Você definitivamente precisa de amigos mais emocionantes, — eu suspiro. — E você


sabe que eu nunca poderia destruir o nosso plano de Nova Iorque. Nós trabalhamos muito duro para isso! — Você está certa. Eu teria MUITA dificuldade em te perdoar se você me abandonasse. — Bem, agora todo mundo não vai me perdoar, então eu vou precisar de você como melhor amiga um pouco mais... quer fazer algo mais tarde? — Yes! É hora de você me pagar alguma atenção. Venha passar a noite. Vamos fazer uma maratona de filmes. — Parece perfeito. Eu estarei aí em uma hora.

Tessa é exatamente o que eu precisava. Encontro-me relaxando pela primeira vez desde o Projeto Noiva Criança. Fazemos uma enorme pilha de nachos, pegamos nossas cocas-colas apoiadas ao nosso lado e colocamos um filme no DVD player. Fazemos isso desde que nos conhecemos na quinta série. Eu não acho que já passamos mais de duas semanas sem nos vermos. Tessa foi a primeira pessoa que eu conheci quando comecei uma nova escola no meio da quinta série. Ela era uma pequena ninfa loira que praticamente deslizou no ar quando ela correu para me conhecer, toda a personalidade borbulhante. Vi calor em seus olhos e agarrei-me a ela como se fosse o cinto de segurança em uma montanha russa de cabeça para baixo. Nós queríamos ir para Nova Iorque desde que somos amigas. Honestamente, eu comecei a olhar para NYU minimamente por causa de seu programa de escrita. Eu realmente só queria ser capaz de dizer que eu morava em Nova Iorque, uma vez em minha vida. Foi uma agradável surpresa ao saber que a escola tem uma excelente reputação no mundo literário. O mesmo para Tessa – ela vai para


Parsons, embora haja um perfeitamente bom instituo Fashion em San Fran. Assim somos nós, porém, nunca fazemos as coisas da maneira mais fácil. Nós ainda não assistimos a um único filme. Ele ainda está em pausa, e Tessa está fazendo pergunta após pergunta sobre Ian. A proposta de Michael mal fez um bip no seu radar, ela está no tópico mais urgente... — Então me diga novamente o que ele disse quando você disse a ele que gosta de ler livros e escrevê-los? Por alguma razão, isto a faz rir mais a cada vez. Eu conto toda a história, pelo menos três vezes antes que ela esteja totalmente satisfeita. Sim, ela confirma. Ele é o certo para mim. — Mas você não deu o seu número, não é? — Ela franze o nariz. — Não! Michael estava bem ali! — Pssssshhh, — ela zomba. — Isso não te impediu de quase se beijarem! Você pode muito bem ter dado o seu número, enquanto ele pedia por isso. Eu me encolho. Ugh. Isso é ruim. Isso é muito ruim. — Você pode imaginar se eu acabasse com Ian Sterling algum dia? É muito improvável, mas vamos dizer que acontecia. Quando as pessoas perguntassem como nos conhecemos, o que eu diria? Bem, eu estava almoçando com amigos da família e tinha o meu namorado de um lado e Ian no outro. Foi amor à primeira vista. Ahhh! — Eu coloco minha cabeça em minhas mãos. — Eu nunca viveria isso. Ou o que dizer se eu me casasse com Michael e todos quisessem saber sobre como ele propôs? Bem, vamos ver... ele propôs logo depois que eu conheci o homem dos meus sonhos. Não há resultado para arrumar esta situação. A voz de Tessa me assusta no meio da minha espiral descendente. — Oh, desde quando você se importa com o que alguém pensa? — Desde sempre?


Ela está enrugando a testa para mim agora, parecendo como se tivesse crescido um chifre no meio do meu nariz. — Nããão, você é agradável e respeitosa, mas você ainda sempre fez sua própria coisa. Isso pode ser um pouco inconveniente, mas todo mundo que te conhece vê que você segue a batida de um menino baterista diferente. As pessoas ficariam desapontadas se você fizesse o esperado. Agora eu estou olhando para ela como se ela tivesse uma terceira orelha. Estou acostumada com ela dando o seu próprio toque de expressões, não isso. Isso é novidade para mim: eu sei que sou um pouco esquisita, mas eu não sabia que não estava fazendo um trabalho melhor em esconder. — Isso pode ser a coisa mais linda que você já me disse, — digo. — E é a uma batida diferente, não entra nenhum menino na expressão... Ela continua, nem um pouco intimidada pelo meu comentário e não registra minha correção também. — Estou surpresa que ele não te ligou de qualquer maneira. Ele parece que não tem medo de ser persistente. Ele poderia ter obtido o seu número com Jeff. — Acho que ele ia ter uma semana agitada. Gostaria de saber se este fim de semana ainda continua combinado... eu acho que vou vê-lo depois de amanhã! Era suposto irmos para a casa de Jeff e Laila no sábado. — Você não me contou essa parte! Como poderia esquecer de me dizer ISSO? Aqui, pergunte a sua mãe... mande mensagem para ela realmente rápido e veja. — ela animadamente joga meu telefone. Dentro de minutos minha mãe retorna a mensagem que o plano ainda está em pé para o fim de semana e Tessa grita. — Ok, o que MAIS você deixou de fora? Comece a partir do início DE NOVO.


-4-

Visões Ser alheio tem suas vantagens. E quando se trata da minha aparência, esse sempre foi o meu lema. Uma semana atrás, quando eu estava me preparando para encontrar os Roberts, eu acho que não me preocupei em raspar minhas pernas. Agora, é como se eu estivesse possuída. Tenho passado por todos os rituais de beleza possíveis dentro dos limites do meu orçamento limitado. Tenho esfoliado, alisado e polido. Meus folículos pilosos estão completamente livres de pelos nos lugares onde isso é desejoso, e os cabelos da minha cabeça nunca pareceram tão bons, deixe-me dizer. Os cachos, eles estão praticamente brilhando com toda a atenção que receberam. Ondas soltas caem pelas minhas costas, com apenas um frizz à vista. Minha mãe vai se orgulhar. Tessa é tão doce... ou talvez ela simplesmente não conseguiu suportar a ideia de eu usar minha roupa normal e sabia que eu era teimosa demais para quebrar a minha missão de Nova Iorque/Roupas de novo, mas ela mostrou-se esta manhã com a minha roupa. A pobre menina esteve morrendo de vontade de me vestir por anos e eu não a deixo perder seu tempo – ela está muito ocupada fazendo alterações em seu trabalho de costurar para mim. Seja qual for sua motivação, estou muito agradecida. A menina é além de talentosa. Ela fez um vestido longo, ameixa, que desliza e se encaixa perfeitamente. É confortável e parece sem esforço, que é realmente o que eu quero, mesmo que eu me contradiga com minhas ações. Suspiro. Não é um encontro, eu percebo isso. Verdade, eu sei. Eu simplesmente não consigo parar de me enfeitar. Este conceito é estranho para mim e tenho medo que levará a uma desastrosa queda de caráter se isso continuar. Além do desprezo superficial, eu realmente não quero perder a minha, digamos assim, distância – sobre um cara. Distante tem sido meu nome do meio, durante anos, e depois de apenas um almoço com Ian Sterling, isso parece seriamente ameaçado.


Estou afivelando minhas sandálias quando Charlie chega ao meu quarto. Sua boca escancara-se quando ela dá uma olhada em mim. — Uau, querida. Você está linda! — E então, com um ligeiro franzir de testa, — Tem certeza que você não precisa algo sob isso? Eu olho para baixo e vejo que estou muito satisfeita com onde as coisas estão e não estão. — Não, eu não penso assim. — Eu não tenho certeza que eu já vi o... — ela aponta para a esquerda e para a direita, para frente e para trás em direção ao meu peito — ... tão visível. Eu bufo. — Seu pai não vai gostar... — ela continua a me estudar. — Você perdeu peso? — Não. — Bem, com certeza parece que sim, — diz ela, meio preocupada e meio impressionada. — Você já ouviu de Michael? — Não. Mas tem apenas dois dias. E você? Ela ainda está franzindo a testa por cima do meu vestido, por isso leva um tempo para responder. — Papai falou com ele ontem. Ele disse que ele parecia tão triste. — Hmm. — Eu não sei o que dizer sobre isso. — Eu só vou pegar meu casaco e estou pronta. — Tudo bem.


Nós paramos o carro na bela casa Vitoriana dos Roberts. Sua casa fica alta e orgulhosa em uma colina, com vista para toda a baía, como a Madre Superiora. Meus pais visitam Jeff e Laila cada vez que estão na cidade, mas eu só lembro duas ou três vezes, quando criança. A casa é memorável. Eu tenho um sonho recorrente sobre as portas da frente – duas portas de madeira com gravuras intrincadas que se destacam contra a casa branca. O sonho nunca é exatamente o mesmo, na verdade, a única parte recorrente é as portas. Eu paro e olho para as portas de cada vez, mas nunca abrem para a mesma sala. Eu tive todas as idades nos sonhos. Devo ter olhado para aquelas portas durante muito tempo quando criança. Quando Laila abre a porta, eu percebo que estou segurando a minha respiração – na expectativa de que sala eu vou ver essa vez, mas também de quem vai estar nela. — Olá! — Laila abraça todos nós e Jeff segue o exemplo. Sobre seus ombros, eu faço um inventário rápido da sala. Ele não está aqui. Confere. Eles atualizaram a sala de estar. Confere. É adorável. Confere. Meu pai e Jeff vão para o deck para verificar a carne na grelha, enquanto Laila apresenta minha mãe na cozinha. Eu estou ficando para trás, tentando não ser muito óbvia, mas espiando através de uma porta ou duas. Muito sutilmente, é claro. — Sparrow, eu esperava que você trouxesse Michael, — Laila diz em voz alta. Eu contorno a esquina e entro na cozinha. Ele não está aqui também. Confere. — Michael foi ver sua família em Seattle esta semana, — Respondo. — Ele é tão bonito, — brinca Laila, abanando seu rosto.


Eu rio. — Sim, ele é. — Ele pediu á Ro para se casar com ele no sábado passado, — a minha mãe, a traidora, diz para Laila. — Você está brincando! — Laila olha para mim. — Como é emocionante. Você é tão jovem, no entanto. Jeff e eu nos casamos demasiado jovens – eu tinha dezoito anos! Eu gostaria de ter esperado. Você precisa viver um pouco! Eu resisto ao desejo de tripudiar em Charlie. Começamos a transportar o restante da comida para o lado de fora. — Ele seria extremamente difícil de recusar. Eu não culpo você! Quando é o casamento? — Laila ri. — Quem vai se casar? As chamas se enraízam novamente, lambendo em volta dos meus pés, minhas pernas e peito, chiando em brasa os meus poros... apenas com o som de sua voz. Eu quase derrubo a enorme tigela de salada que estou levando. Felizmente, apenas as pinças vão voando, pousando no deck com uma forte paulada. Eu sou patética. Minha femininisse está me traindo, droga. Ian está atrás de nós e eu não tenho certeza de quanto tempo ele esteve lá. Seu cabelo está molhado e de pé em todas as direções. Ele avança para as pinças e me dá um sorriso ofuscante pouco antes de ele se abaixar para pegá-las. — Oi, — diz ele. — Oi, — sussurro de volta. — Nossa linda Sparrow aqui... — Responde Laila. Eu olho para ela, horrorizada. Ian vê a minha expressão e parece confuso.


— Nossa linda Sparrow aqui o quê? — Pergunta ele, sorrindo para mim de novo. — Michael pediu a ela para se casar com ele, — Laila anuncia. — Mais tarde, eu vou puxar o champanhe! O sorriso de Ian vacila e ele olha para as pinças, como se ele esqueceu por que as tem. Por um completo minuto ou dois. Eu não tenho certeza se todo mundo continua falando ou se todos eles estão nos observando. Eu só o vejo. — Bastardo sortudo... parabéns. — Diz ele em voz baixa. Deixo escapar um suspiro exasperado. — Eu não disse sim. Ele respira fundo e sopra para fora lentamente, os ombros cedem por um momento enquanto ele me olha fixamente. Ele dá um passo mais perto, de pé no que, normalmente, seria meu espaço pessoal. Minha garganta trava enquanto eu espero para ver o que ele está prestes a fazer. — Ora, sua pequena... destruidora de corações. — Ele fica sério por um momento e então seus olhos se dobram e ele está sorrindo novamente. Na verdade, todo o seu rosto se parece com o gato de Cheshire9 na manhã de Natal. — Então você teve bom senso sobre Mike, hein? — Eu não sei sobre isso. Eu apenas não estou pronta para me casar com Michael. Ele espera para eu dizer mais. Quando não faço isso, ele acena com a cabeça e dá um passo para trás. Tenho a impressão de que eu acabei desapontando-o e quero corrigir, dizer mais, voltar atrás... mas o momento passa e ele está tomando o meu braço e me levando para a mesa.

9

O gato do filme Alice no País das Maravilhas.


— Aqui, Ian, me entregue a pinça, — Laila zomba. — Se deixamos isso para você, nós encontraremos sujeira em nossa carne. — Ela vai para a cozinha e volta com um jogo limpo. É mais difícil falar com ele no pequeno ambiente. Nós principalmente ouvimos os meus pais, Jeff e Laila. Concentro-me em colocar pedaços de bife na boca e não no meu colo. E em tomar uma bebida sem ter todo o gelo correndo para frente. Eu odeio quando isso acontece. Nunca é bonito ou favorável. Gelo apenas sabe quando você está tentando impressionar alguém e sempre escolhe esse momento para ir voando até o seu nariz. A mudança ocorre na conversação e meus pais querem saber tudo sobre Ian. Eles realmente não conseguiram falar com ele da última vez. Ele responde com respeito e quando eles perguntam sobre a sua música, ele parece honesto, mas humilde em sua resposta, o que é impressionante para mim. Eu sei que ele pode ser arrogante por ser tão talentoso. — Eu tenho tocado desde que me lembro, e é a única coisa que eu sou realmente bom. — Seu sorriso é autodepreciativo, mas quando ele olha para mim, eu vejo maldade. Estou absolutamente certa de que ele é bom em muitas, muitas outras coisas. — Estou feliz por ganhar a vida fazendo o que eu amo fazer. E enquanto as pessoas continuarem ouvindo, eu vou continuar tocando. Na verdade, mesmo depois disso – eu teria que tocar música mesmo se ninguém nunca ouvisse. É só... como respirar. Ele parece tímido quando termina de falar. Eu não o percebi sendo tímido no outro dia. Suas bochechas estão ainda um pouco coradas. Estou afetada ainda mais. Meus pais também parecem intrigados com ele e continuam questionando ele sobre com quem ele trabalhou, a história por trás de algumas de suas músicas favoritas e sua próxima programação. Eu quero que eles parem o interrogatório, mas também está me proporcionando tempo suficiente para estudá-lo. Ele completamente tece-os em seu feitiço. Ele é bom, ele é muito bom.


Após o almoço, levamos tudo para dentro e Laila enxota-nos para fora da cozinha, dizendo que ela vai encará-la mais tarde. Eu estou seguindo todos na sala quando meu braço puxa em outra direção. Ian me puxa para o que parece ser um escritório. — Vamos sair daqui. — Seus olhos perfuram os meus. — E quanto a Jeff e Laila? — Não se preocupe com eles. Você topa? — Claro, — eu digo, não sei exatamente com o que eu estou concordando. — Seu vestido pode ser um problema, — ele franze a testa. — O quê? Ele ri com meu tom e passa a mão de leve sobre meu braço, enviando um arrepio em seu rastro. — Você está eletrizante. Esse vestido poderia acordar um homem morto. — Ele pega a minha mão e me vira lentamente, fazendo-me muito desconfortável com os seus sons de aprovação. — Você trouxe uma muda de roupa? — Não! — eu olho de cara feia para ele. — Ok, não é um problema. Nós vamos trabalhar com isso. Vamos lá, vamos lá enquanto ainda está tão agradável fora. Tudo acontece tão rapidamente. Deixo Ian falar e antes de eu saber, meus pais, Jeff e Laila estão dizendo que vão se encontrar com a gente hoje à noite. Caminhamos até a garagem e Ian para na frente de uma Harley. Eu não conheço motocicletas, mas mesmo eu posso ver que é uma beleza. Ian acaricia-a com amor. Ele se parece com um personagem de um romance de novela - e não o tipo brega do Fabio10 - ou ele poderia ser uma estrela de cinema, apenas mais alto. Amplamente conhecido simplesmente como Fabio, é um modelo de moda italiano, autor e ator, que apareceu na capa de centenas de romances ao longo de 1980 e 1990. 10


Ou uma estrela de novela, só que um que pode realmente representar. Ou talvez um modelo, embora completamente hetero. Eu me orgulho de minhas habilidades de escrita, mas quando eu considero escrever sobre ele, eu percebo que ele traz meu lado de menininha. O cabelo de carvão, os olhos em constante mudança... eles são realmente apenas avelã? Tal palavra é comum para olhos que são às vezes verde, às vezes caqui, com manchas de azul e ouro, e, em seguida, os lábios vermelhos macios. Este homem é combustível. Adicione a moto e eu sinto que se eu olhar para ele por muito tempo, eu vou me eletrocutar. — Nunca esteve em uma moto? — Sua voz é toda sedução rouca. Oh, céus. E depois há a voz. De repente, eu não consigo olhar para ele. Ele é demais para mim. — Sparrow? — Não. — Eu respondo, em um tom demasiado alto. — Bem, e quanto a isso? — Ele já está levantando a porta da garagem enquanto ele faz a pergunta, nunca duvidando que eu vá andar com ele. Ele me entregou um capacete e, interiormente, eu gemo. É por isso que eu nunca deveria gastar tanto tempo me preparando. Que desperdício. Eu tomo um longo olhar para ele. Se controla Fisher! Eu não estou a ponto de estar toda de olhos arregalados por um garoto. Eu nunca estive e eu estarei. — Seu rosto vai ficar eternamente assim, se você não relaxar o sorriso, — eu digo enquanto coloco o capacete. Ele joga a cabeça para trás e ri, sobe na moto e estende um braço para me ajudar a subir. Eu levanto meu vestido acima dos joelhos e subo. — Eu estava errado. Essa é a roupa ideal para a moto, — Ian diz enquanto traça um dedo para cima de uma das minhas coxas nuas.


Eu sinto a necessidade súbita de pensar sobre baseball e cuecas da avó. Ouvi dizer que ajuda. Mas então ele se inclina para trás, com o rosto a uma polegada do meu, quando diz, — Segure por sua vida. — E todos os pensamentos de grandes calcinhas estão para fora da janela.

Eu nunca estive na traseira de uma motocicleta. Eu nunca tive qualquer desejo de estar. Mas quando Ian e eu passeamos pelas ruas íngremes e sinuosas, eu entendo o apelo. Ter uma desculpa para segurar Ian é libertador; no início, eu desconfortavelmente envolvi meus braços em volta de sua cintura, mas quando nós fomos voando em torno das esquinas e subimos e descemos morro após morro, eu me inclino para ele e seguro com tudo que eu tenho. Eu amo isso. Nós seguimos e paramos em um sinal, e Ian olha para as minhas pernas e vê minha pele arrepiada de frio. Ele esfrega as mãos juntas e, em seguida, sobre as minhas pernas para tentar me aquecer. Ela só torna meus arrepios quentes, mas na verdade não os faz ir embora. — Vamos deixá-la quente, — diz ele antes de decolar novamente. Nós dirigimos para Fillmore Street e estacionamos em frente ao Peet, a casa do meu café favorito. Ele sai primeiro, ainda segurando a moto e vê como eu apressadamente puxo meu vestido para baixo, sorrindo maliciosamente o tempo todo. Ou este homem é seriamente feliz ou há algo em mim que o faz rir. Tenho a sensação de que é o último e se eu não me sentisse tão feliz, eu iria colocá-lo em seu lugar um pouco mais. — Vamos verificar esse... — Ele para no meio da frase, a boca entreaberta, quando eu tiro o capacete e aperto meu cabelo.


— O quê? Está mau? — Eu tento passar o dedo pelo meu cabelo, suavizando os emaranhados. Ele limpa a garganta. — Uh, não. Não está mau. De todo. Ele parece sem saber o que fazer. Por um minuto, eu acho que ele vai pegar minha mão, mas ele faz uma pausa e põe a mão nas minhas costas. O pensamento de que ele está retendo carinho me deixa dividida. Estou aliviada porque eu sei que agora mais do que nunca eu tenho que resolver as coisas com Michael para sempre. Não pode haver qualquer questão de saber se estamos juntos ou não. O tempo não vai fazer me importar mais com ele do que eu faço agora. No entanto... a dor que toma conta do meu corpo pela cautela de Ian tornase um peso a mais quando estou perto dele. Minhas mãos anseiam por ele. Em vez de ir para o Peet, Ian me leva até a rua para uma boutique bonita. — Deixe-me comprar alguma coisa para você. — Não! — Eu balanço minha cabeça e olho para ele para me certificar de que ele está ouvindo. — Você não precisa me pagar nada. — Você estava congelando na moto. E eu só... quero te comprar alguma coisa, — diz ele, abaixando a cabeça até meu ombro por um segundo breve. Ele segura um par de jeans fabulosos. — Você vai pensar em mim toda vez que você usar isso? Os jeans são fabulosos. Eu estou balançada por um momento. — Eles são ótimos. Mas não! Você não precisa gastar dinheiro em mim. — Eu pretendo mantê-la aquecida. Você pode muito bem procurar o tamanho certo, porque estamos saindo daqui com uma roupa. — Ele esfrega as mãos para cima e para baixo em meus braços. — Está vendo? Você ainda está fria. E eu não quero levá-la de volta para a casa. Por favor. A menos que você queira voltar? — Não... não quero. Mas...


— Ok, está combinado. Será que estes servem? — Ele me entrega o jeans e quando eu tento olhar para o preço, ele rasga-o. Minha boca cai aberta. Ele ri e levanta meu queixo com as costas da mão. Ele pega uma camisa de manga longa justa e prende-a até mim. — Sim, você é perigosa em vermelho. — É muito baixo. — Eu sei. — Você é sorrateiro. — Eu acuso-o. — Você é esperta. Até agora, ele tem sempre a última palavra. Eu meio que gosto disso. — Você vê alguma coisa que gostaria de experimentar? — Ele pede educadamente, tentando parecer inocente e falhando. Eu não sou muito de uma cliente – eu acho que nós já podemos ter estabelecido isso, mas quando tenho um dia com Ian Sterling, eu realmente não quero perder tempo fazendo compras. Eu balanço minha cabeça e vou para o provador. O jeans se encaixa como um sonho. Eu nem sabia que eu tinha essa bunda. Minhas pernas parecem ter quilômetros de comprimento. E bem... o topo... estou sem palavras. Esta camisa me deixa sexy. Eu NUNCA... eu não sei se eu posso fazer isso. Eu faço mais uma tentativa de ajustar meu decote e olho no espelho. Meu cabelo quase alcança a cintura da calça e ele está segurando-se razoavelmente bem, considerando o passeio ventoso. Eu não me reconheço muito, mas é uma COISA BOA. Dobrando o meu vestido, eu respiro fundo e saio. Eu ouço-o antes de eu vê-lo. Ele amaldiçoa em voz baixa. Eu me viro e levanto uma sobrancelha. Você gosta? Meus olhos perguntam.


— Oh inferno, SIM, — diz ele em voz alta. Ele não vai mesmo me deixar agradecê-lo corretamente, muito menos pagar por nada disso. Agradeço de qualquer maneira, e ele diz: — Não, obrigado você. Saímos e eu estou quente de dentro para fora agora. Ian está quieto, mas não tira os olhos de mim. É desconcertante. Ele aponta para o Peet quando voltamos para a moto. Concordo com a cabeça e acho que este é o melhor dia que já tive. Enquanto bebemos nossas bebidas quentes, nós sentamos e observamos um ao outro. Uma vez que eu percebo que ele não está esperando que eu diga alguma coisa, eu relaxo e olho de volta para ele. Tanta coisa está sendo dita, sem uma única palavra. Eu não tenho certeza de quanto tempo passa, pelo menos o suficiente para nós dois terminarmos o nosso café/mocha. Finalmente Ian rompe o silêncio. — O que você está fazendo a mim, Sparrow Fisher? — ele diz completamente sério. Eu não sei o que dizer. Como você responde a isso? Eu não sei por que ou como o clima mudou, mas é menos brincalhão e uma dúzia de tons mais intenso quando eu subo na traseira da moto neste momento. Quando eu envolvo meus braços em torno de seu peito, ele coloca as mãos em cima das minhas e prende-as lá. Ele vira a cabeça e diz: — Você está pronta para um pouco de aventura? — Eu estou pronta para qualquer coisa.

Quando estamos subindo, subindo, subindo, eu coloco minha cabeça sobre as costas de Ian e fecho os olhos. A moto, finalmente, nivela, e quando eu abro


meus olhos, estamos no topo da Lombard Street, a rua torta de tijolo com oito curvas fechadas em uma quadra. Eu engulo. — Você confia em mim? — ele pergunta sobre seu ombro. — Eu acho? Ele balança a cabeça. — Mulher sábia. — Vamos fazer isso, — eu digo. Estou um pouco apavorada quando subimos e ficamos atrás de dois carros para descer a rua íngreme. A vista no topo é aquela que seria fácil de reconhecer quando você está acostumada a vê-la o tempo todo. Há quase muitas vistas panorâmicas para absorver todas elas, mas nós enchemos os pulmões de ar e fazemos o nosso melhor. As nuvens ondulantes estão perto o suficiente para tocar. Coit Tower está à distância e a Golden Gate Bridge muito além disso. Eu acho que posso até ver Alcatraz. Quando é a nossa vez de fazer o declínio gradual, não estou com medo, mesmo que a moto parece que poderia inclinar para frente se não formos cuidadosos. Temos que nos inclinar cada vez, rindo todo o caminho para baixo. Na parte inferior, Ian encosta e olhamos para trás até a rua. — Vamos fazer isso de novo! — grito. E assim fazemos.

Nós estamos indo para o outro lado da cidade, perto da água. Demora um pouco. Vamos pelo caminho mais longo, pegando desvios para ver os pontos mais bonitos. Nós dois conhecemos a cidade muito bem e continuo pensando em mais


um lugar para conduzir. O crepúsculo está se instalando e as luzes começam a piscar como milhares de vaga-lumes. Está se tornando cada vez mais encantador com cada novo mergulho no crepúsculo. Uma pontada de remorso sobre Michael aperta meu intestino quando estamos perto do cais, mas eu tento minimizá-la. Nós dirigimos passando as áreas turísticas e atravessamos a estrada para a terra das casas flutuantes. Sempre fui intrigada com a ideia de viver na água. Eu acho que eu poderia fazêlo. Ian para em um lugar de sushi singular. — Você gosta de sushi? Este lugar é ótimo. — Eu amo isso. — Você já está com fome? — Eu posso comer praticamente a toda a hora. Seus lábios se levantam em seu sorriso adorável. Ele desliga a moto e fica lá por um momento com os meus braços ao redor dele. Eu percebo que eu tenho que deixar ir, se ele vai sair e então eu, relutantemente, movo os braços para os meus lados. Ele olha para mim, e eu gostaria de saber o que ele estava pensando. Ele esteve todo contemplativo em mim desde a boutique. Nós pedimos como se não tivéssemos comido em uma semana, mesmo que ambos devoramos o bife na casa dos Roberts. — Então me diga uma coisa que ninguém sabe sobre você, — diz Ian. — Hmm. Bem, muito poucas pessoas sabem que eu tenho um farejador seletivo. Meu nariz nunca funcionou corretamente. Eu nunca senti um gambá. Ninguém acredita em mim quando eu digo a eles, por isso eu desisti de falar sobre isso. Eles vão segurar o nariz e engasgar e vou fazer um pesado SNIFF e nada. Nem mesmo uma leve brisa. Mas então, eu posso sentir o cheiro de algumas coisas. Apenas aqui e ali e suficiente para me fazer pensar que funciona... até que eu vá para descrever o cheiro e perceber que eu não tenho a


menor ideia – eu não posso nem começar a fazer uma comparação sensorial. Por isso, é geralmente uma referência muda. Tipo, esse cheiro... é bom? Ele olha para mim por um momento antes de deixar uma enorme gargalhada. — Eu nunca sei o que vai sair de sua boca. Você seriamente NUNCA cheirou um gambá? — Nunca. — Louco! — Eu sei! Ian limpa a garganta. — Posso perguntar sobre sua escrita? — Claro. — O que você gosta de escrever? — Bem... Eu gosto de escrever sobre coisas simples, realmente, mas de uma forma engraçada, honesta. Eu não sou muito florida ou até mesmo profunda. Quero dizer... Eu posso ir lá, mas é mais divertido colocar uma torção em um assunto de cada dia. Ou escrever uma história de amor que tem personagens imperfeitos, reais. Eu não gosto de coisas sendo embrulhadas com um laço vermelho. A vida não é assim. Ele acena com a cabeça. — Eu sei o que você quer dizer. É difícil escrever desse jeito? Nem todo mundo gosta de ouvir a verdade. — Sim, — eu estou surpresa que ele vai direto à raiz das coisas. — Este é um tema que eu penso muitas vezes, especialmente com todas as pessoas conservadoras na minha vida. Eu não quero incomodar ninguém, mas eu só consigo vomitar honestidade. Ele solta um riso abafado, entre uma mordida de sushi. — Como isso pode ser errado?


— Oh, existem muitas, muitas maneiras, — suspiro. — Eu não publiquei ainda... mas estou tentando preparar a minha família que eles podem não gostar quando eu estiver. — Nunca hesite em dizer a verdade. É a única maneira que vai ser bom. Após uma breve pausa, eu penso em como é fácil me abrir para ele. Minha escrita é um tema que eu não estou confortável em aprofundar com qualquer um. Há algo sobre ele, ele parece tirar todas as vulnerabilidades de dentro de mim. É realmente libertador estar exposta. — E quanto a você? Qual é o seu processo de escrita? Ele suspira. — Eu tenho que lutar para escrever uma música honesta. Há um monte de pessoas vazias lá fora e o público parece comer isso. Eu acho que a minha missão é desafiar os ouvintes – eu nunca vou estar satisfeito para sacar uma música apenas por uma questão de criar um sucesso. A boa música tem que ser algo que evolui, algo que nasce a partir de uma emoção, uma ideia... um vazio que precisa ser preenchido. E não é apenas suficiente escrever tudo de uma vez e terminar. Eu trabalho e retrabalho letras do jeito que você provavelmente faz quando está escrevendo uma história. — Você é tão intenso, — eu brinco. — Ha. Você... você... você é quem fala. — Ele aponta para mim e balança a cabeça. — Você está me fazendo gaguejar como um colegial. — Eu não acho que você já gaguejou em sua vida. E você é como um colegial reformado... então... eu não acho que sou culpada... — Eu rio. No momento em que terminamos cada mordida da comida – sério, como é que comemos tudo isso? – eu sinto que posso dizer qualquer coisa para ele. Enquanto aguardamos a conta, Ian inclina o queixo na mão e me observa. — O quê? — Eu nunca conheci ninguém como você, — diz ele.


— Eu nunca conheci ninguém como você também, — respondo. — Sim, mas eu sou errado e você é maravilhosa, — diz ele, sem um pingo de ironia. Eu ronco. — Nããão. — É verdade. — Você mal me conhece, — eu digo. — Eu conheço o suficiente. Você é... despreocupada, inteligente, muito engraçada... honesta. Minha nova blusa decotada não está ajudando a cobrir as manchas que estão tomando conta do meu pescoço. É a minha maldição. Eu não posso lidar com todos esses elogios. Agradecemos a garçonete enquanto ela leva nossos pratos e deixa a conta. Ele se inclina ainda mais. — E você é a mulher mais linda que eu já vi. Ok, agora todo o meu corpo é uma enorme mancha. Me colore de vermelho. Ele aponta para o meu pescoço. — Continue assim, e eu vou ter o meu caminho com cada um desses pequenos rubores. Eu não posso ser confiável. Eu não sei quanto tempo nós estamos lá, nós dois estamos tão profundamente nesta conversa. Lembro-me vagamente de ouvir o telefone de Ian tocar várias vezes, mas uma vez que ele está ignorando isso, eu também. Finalmente, deixa um zumbido contínuo. Eu acho que alguém realmente quer entrar em contato com ele. Ele lança um olhar sobre ele. — Desculpe, eu deveria atender essa, eu acho. Este é um aspecto de telefones celulares que eu não gosto. — ele sussurra enquanto atende ao telefone. — Hey... sim. O quê? (Pausa) (Suspiro) Pergunte quando eles estão prontos para ir e eu vou levá-la de volta, então, que tal? (Ele sorri para mim, as


sobrancelhas levantadas. Sorrio de volta em acordo) (Longa pausa) (Outro suspiro) Deus, Laila, relaxe. Eu vou levá-la lá. (Silêncio) Eu disse que vou levá-la lá! Ele desliga o telefone e franze a testa. — Eu acho que seus pais estão bem. Eu não sei por que Laila dá tanto chilique. Vamos encontrá-los no Caffé Greco e comer uma sobremesa, se você quiser. — Claro. Se eu posso encaixar outra mordida de algo até então. Você não está cheio? Isso estava tão bom. — Sim, estava. Eu acho que eu estaria dizendo isso mesmo que a comida tivesse gosto de merda, apesar de tudo. Eu rio. — Sua companhia, Srta Fisher... é excepcional. Eu nem sequer tenho que pensar sobre o que dizer sobre isso, porque ele se levanta, estende a mão e eu tomo-a. Eu iria aonde quer que ele quisesse que eu fosse. Os Roberts e meus pais estão sentados em uma bonita mesa do lado de fora com seus lattes e cheesecakes quando chegamos. Minha mãe dá uma olhada na minha roupa e seus olhos se arregalaram, mas ela não diz nada. Eu vou ouvir falar disso pelos próximos dois meses, eu tenho certeza. Ian e eu estamos entrando para pedir quando Laila agarra o braço de Ian e o puxa para o lado. Eles ficam do lado de fora e eu entro para pedir tiramisu. Com quem eu estou brincando? Eu sempre posso comer. Eu olho pela janela e vejo Laila e Ian por um momento. Ela está falando, e ele está passando as mãos pelos cabelos. Ambos me parecem com raiva, mas talvez eu esteja imaginando. Eu saio com café em uma mão e minha sobremesa na outra. Tentando não olhar na direção de Laila e Ian, eu me sento à mesa mais próxima de meus pais. Mmm, tiramisu...


Ian se afasta de Laila e caminha para dentro. A garçonete se ilumina quando o vê. Meus olhos se estreitam quando ela ri de algo que ele diz. Ele se vira e vê a mim vendo-o, e ele se vira e puxa seu cabelo novamente. Ian volta para fora com café e fica bebendo ele, olhando para a rua. Ele não olha para mim e se eu não soubesse melhor, eu acharia que havia feito alguma coisa para deixá-lo louco. — Gostaria de experimentar um pouco disso? É delicioso... — Eu levanto meu prato e ele olha por cima por um segundo antes de se virar. — Não... obrigado. — Sua voz é plana. Ian tem mais um par de balas de café e coloca-as sobre minha mesa. Ele se abaixa e olha para cada centímetro do meu rosto, quase como se ele estivesse memorizando. — Obrigado por um dia espetacular, Sparrow Fisher. — Obrigada você, Ian Sterling. Ele se levanta, diz o seu adeus a todos, salta em sua motocicleta e some na noite. O que aconteceu? Meu coração começa a bater, e eu estou horrorizada quando meus olhos ameaçam chorar. Eu não faço a coisa de chorar. Eu não vou chorar. Eu não vou chorar. Eu não vou chorar. Eu acho que cada dia perfeito tem que chegar a um fim.


-5-

Acabou

A ligação de Michael me acorda cedo na manhã seguinte. Eu mal dormi. Cenas do dia correram a noite toda na minha cabeça, tornando o sono impossível. Eu me inclino em meus cotovelos e coaxo um Olá. Michael é todo doçura e encanto... até que pergunta o que eu venho fazendo, e eu digo que estive em San Francisco ontem com os Roberts... e Ian. Ele fica muito quieto e, em seguida, diz que precisa ir. Eu volto a dormir e sonhar com a abertura dessa porta de madeira. Ian está em pé do outro lado. Ela não abre na sala de estar dos Roberts, mas na entrada da minha casa. O resto do sonho foi um borrão.

Minha mãe vem duas horas mais tarde. Ela se senta na beira da cama e quer saber tudo sobre o meu tempo com Ian. Eu digo os detalhes - o quanto nós nos divertimos e como era fácil estar com ele. Isso ajuda a aliviar o desespero do qual não consigo me livrar, por pelo menos um minuto, e então eu volto a pensar sobre como ele partiu. Por que, de repente, ele ficou tão frio comigo? Eu sou grata que Charlie não tenta me convencer de todos os maravilhosos atributos de Michael, mas ouve e parece bem animada quando eu conto a ela sobre Ian. Talvez o fato de que ele é famoso me dá um passe livre para ter um encontro quando não estou totalmente terminada com o meu namorado/que quer


ser noivo. Ou talvez ela realmente gostou dele. Eu não menciono o quão estranho o final da noite foi, e ela não diz nada sobre isso também. Eu não tenho certeza se ela sequer notou, uma vez que ela não viu em primeira mão como estávamos um com o outro durante o dia. O céu está cinza como o meu humor. Eu tenho dificuldade em focar em alguma coisa. Eu arrumo as minhas gavetas, organizo o que sobrou do meu armário, tento ler um pouco, assistir a um filme... qualquer coisa para me distrair de pensar em todos os machos que seja. Eu preciso de uma pausa de todos eles. Minhas tentativas não funcionam. Meu cérebro está na configuração do menu de um DVD onde se vê um círculo interminável de clips. Meus pais sempre disseram que eu tenho uma mente de uma faixa. É mais uma maldição. Sparrow Mente Obcecada. O sol mal se põe e já estou desejando minha cama. O estresse da semana e do dia às avessas com Ian me deixou exausta. Tomo banho e estou apenas vestindo meu moletom e camisa favoritos quando ouço a campainha tocar. Eu não dou muita atenção até que ouço a voz de Michael. — Sparrow? — Minha mãe bate na minha porta e entra. — Michael está aqui, — ela sussurra. Sento-me na cama e puxo o meu cabelo molhado em cima da minha cabeça, prendendo-o com um rabo de cavalo. — Mande ele vim aqui, — suspiro. — Ele está uma ruína. Seja gentil com ele. — Eu vou fazer o meu melhor, — murmuro. Michael chega poucos minutos mais tarde, parecendo agitado. Seus olhos têm sombras ao seu redor. Seu cabelo é casual, e ele não costuma fazer o look bagunçado. Ele se senta ao meu lado na cama. Eu coloco meu braço em volta dele. Um abraço de lado. O abraço de amigos... amigos cautelosos. Ele solta um suspiro irregular.


— Como é que você chegou aqui tão rápido? — Eu estava em Portland quando liguei esta manhã. Fiquei com a tia Patrícia nos últimos dois dias. Pulei no carro assim que desliguei o telefone e dirigi direto. Ele ainda não olhou para mim. Ele está dizimado e olhando desanimado para o espaço. — Eu estou perdendo você. Isso é o que está acontecendo aqui, né? — Com isso, ele se vira e olha para mim, seus olhos sombrios. — Michael... — Eu preciso saber. Eu quero passar minha vida com você. Eu pensei que poderia esperar o tempo que levasse e você viria. Eu pensei que voltaria hoje à noite e você ficaria tão feliz em me ver que você desceria as escadas quando ouvisse a minha voz... — Ele balança a cabeça. — Isso não está acontecendo, não é? Você nunca vai... Meus olhos se enchem. Toda a discussão que eu tive com ele durante a semana passada está desaparecida. — Eu gostaria de poder te amar como deveria, Michael. Você merece muito mais do que o que eu te dei, — eu finalmente admito. — O que me falta? — Nada. Você é... excepcional. Verdadeiramente. Eu só não sinto isso. Eu me importo tanto com você. — Nunca houve qualquer dúvida em minha mente sobre o meu amor por você. — Sinto muito, — sussurro. — Eu não quero que você sinta muito! — Ele diz em voz alta, fazendo-me saltar. — Não olhe para mim desse jeito, Sparrow, — sua voz é calma novamente.


— Eu sei que você não está tentando me machucar... mas não sinta pena de mim. — Eu não tenho pena de você... Eu sinto muito, no entanto. — Uma lágrima cai na ponta do meu nariz e faz cócegas. Eu limpo o meu rosto e coloco minha cabeça no ombro dele. Ele levanta abruptamente e passa os dedos pelo cabelo. — Eu tenho que sair daqui. — Por favor, não vá assim. Eu tenho que saber que você está bem. Michael, olhe para mim. Ele sai do quarto e da minha vida.

As próximas semanas são preenchidas com toda a agitação de ir embora. Eu divido meu tempo entre a família e os amigos, eu vou a restaurantes e praias favoritas que sentirei falta quando estiver longe de casa. Michael não liga ou passa por aqui, mas eu vejo-o na igreja... à distância. Eu tento pegar seus olhos e um sorriso, mas ele parece ter um medidor de olho que diz a ele à distância exata para olhar apenas perto o suficiente, mas nunca realmente pousar em mim. É inquietante. Estou acostumada a ele sempre encontrando meus olhos em toda a sala e compartilhar um sorriso sobre algo que nos diverte. Eu vou sentir falta dele mais do que eu posso até compreender. Estou tentando ter um minuto com Michael um dia antes de ir embora. Várias meninas rindo cercam ele. A notícia de que terminamos espalhou rapidamente. Tenho certeza de que a nova posição de namorada será preenchida logo. Uma senhora idosa se levanta e me dá um abraço de despedida. — Eu vou orar para a sua viagem, — diz ela.


— Muito obrigada, Beverly, — sorrio. — Seja abençoada lá. E corra para casa para Michael. Deus tem grandes planos para vocês dois. Eu mordo meu lábio e resisto dizer que nós terminamos antes de ir embora. Eu sei que não posso competir com o que ela acha que Deus tem reservado para nós. Eu vejo uma abertura com Michael e movo em direção a ele. Ele me vê chegando e, por um momento, eu acho que ele vai fugir, mas ele não faz. Ele sorri levemente e eu quero me chutar por quebrar seu coração. Pouco antes de alcançá-lo, Josie Sanders desliza na frente dele. Ele olha por cima do ombro para mim e eu paro. Josie não perde uma oportunidade. Espero mais alguns minutos e, em seguida, dou uma tchau tímido antes de sair. Ele sorri e acena de volta e meu coração levanta um pouco. Acho que pode dar tudo certo. Com o tempo.

Nova Iorque é exatamente o que eu esperava que fosse. É agitada e energética. Coisas divertidas para fazer estão disponíveis em todas as horas do dia ou da noite – não que Tessa e eu totalmente aproveitamos ainda, mas apesar disso – absolutamente amamos. Nós finalmente ficamos estabelecidas em nosso apartamento. É pequeno, mas aconchegante, e nós colocamos nossos corações em torná-lo tão bonito quanto possível. Sou louca pelo meu quarto: uma cabeceira em tufos rosa que Tessa e eu fizemos com tecidos brancos, rosas e vermelhos. Há toques azuis Tiffany adicionados ao longo do quarto. O quarto de Tessa é completamente o oposto: arrojado com cabeceira em tufos pretos e tecidos coloridos envolta do teto até o chão em torno de sua cama.


Na nossa sala de estar aconchegante só se encaixa um sofá, estante e TV. O sofá de couro vermelho foi a nossa primeira grande compra. Nós vamos ter um concurso de queda de braço sério quando sairmos, para ver quem vai herdá-lo. A nossa cozinha é a menor cozinha que eu já vi. É quase impossível para nós duas estarmos lá ao mesmo tempo. Eu posso, ocasionalmente, rastejar sobre o balcão para passar por Tessa quando ela não está se movendo tão rápido quanto eu gostaria. Ok, eu totalmente faço, mas vou ter que parar. Eu bati minha cabeça muitas vezes no armário acima do balcão. Eu amo que estamos vivendo por nossa conta, completamente no outro lado do país, longe de tudo que é familiar, exceto uma a outra. É um pouco surreal ter momentos de sentir como verdadeiras adultas. O fato de sempre dizermos uma a outra que estamos crescidas pode significar que nós não chegamos lá, mas com certeza está parecendo assim mais e mais. Desta vez seria perfeito se não fosse por todo o drama antes de eu sair. Eu realmente sinto falta de Michael – sua amizade acima de tudo. Eu acho que talvez devêssemos ter sido sempre apenas amigos. Eu sei isto agora, mas esse é o tipo de coisa que você só pode saber depois que é tarde demais. A escola tem sido a melhor distração. Estou atolada em casa em todos os momentos. Teria sido difícil ter um relacionamento sólido com ele quando estou tão focada em meus estudos. Bem, isso não é inteiramente verdade. Seria difícil ter espaço para ele no meu cérebro quando o espaço está tão cheio de Ian. Desde que Ian olhou para mim e saiu em sua motocicleta, ele tem ocupado quase todos os momentos de acordar e dormir. Estou realmente muito decepcionada comigo mesma e profundamente culpada também, quando penso em como eu feri Michael. Ainda assim, eu não consigo tirar Ian da minha mente. Eu joguei e reproduzi cada parte do dia e não consigo descobrir o que aconteceu. Por que ele foi tão frio comigo? Como poderíamos aparentemente ter uma faísca tão intensa e depois... nada? Eu não ouvi uma única palavra dele.


Isso me atingiu no meio de uma reprise em uma noite – eu acho que nunca foi feita uma menção sobre eu vir para Nova Iorque. Minhas entranhas apertaram e agitaram com esta descoberta. Eu não posso ver como isso não foi falado, só que quando eu estava no meio da minha neblina rosada em torno dele, eu não pensei em nada, nem ninguém, exceto ele e aquele momento que estávamos vivendo! Era o melhor. As coisas terminaram com uma nota tão estranha de qualquer maneira. Não é como se ele estivesse chamando noite e dia na casa dos meus pais me procurando ou qualquer coisa. O que eu pensei que era especial foi, provavelmente, o que ele faz com cada garota com quem ele sai. Vi como todas as mulheres... e homens, para que conste, o encaram. Ele provavelmente não me deu um segundo pensamento. Eu tento me enterrar em meus livros e projetos de escrita. Um cara muito bonito na minha aula de Sociologia me convida para sair, e eu o rejeito. Eu não faço um trabalho muito bom fazendo amigos. Tenho Tessa e estou de outra forma no piloto automático. Afinal de contas, eu machuquei Michael bem o suficiente. Não há muito espaço na minha cabeça ou coração agora para envolver outra pessoa. Então, quando meus pais ligam na semana de Ação de Graças para me dizer que faremos uma viagem de esqui improvisada durante as férias de Natal e que os Roberts e Ian farão parte do grupo, eu sufoco e fico fora de controle. Convido Tessa, mas ela tem planos com a família dela. Nessa noite, eu recebo um e-mail com os meus dados de voo. Estamos todos reunindo em Colorado e programados para esquiar em Breckenridge durante uma semana inteira. Eu acho que poderia estar em estado de choque. Eu estou contente que verei Ian novamente e ainda machucada que não ouvi nada dele em todos esses meses. Pobre Tessa, fica com o ouvido cheio de meus devaneios sobre todo o assunto. Deus a abençoe, ela me deixa ir em frente. Até que ela percebe que eu não tenho roupas de esqui bonitas. — O que você vai usar nas pistas?


— Eu não sei. — Eu xingo. — Eu nunca sequer esquiei. Como é que eu sei o que estou vestindo? — Bem, nós precisamos descobrir isso. — Ela sorri maliciosamente. — Você tem que mostrar a Ian o que ele está perdendo! — Você pode me ajudar? — Eu lamento. — Eu nem mesmo tenho um casaco que vai funcionar. Aaagggh. Por que meus pais concordaram com isso? — Bem, eles provavelmente não sabem que você está obcecada por Ian desde o dia em que o conheceu. Caso contrário, tenho certeza de que não iriam. Eles desistiram de ter esperanças com Michael? — Eu tenho certeza de que eles nunca vão desistir da ideia de Michael e eu. Toda vez que eu falo com eles, eles me dizem o quão terrível ele parece. Ele vai lá e fala sobre o quanto ele sente falta de mim. Tessa levanta as duas mãos e sacode-as para mim. — Você não morreu! Ele ainda poderia ser seu amigo, pelo amor de Deus. Eu ronco. — Eu adoro quando você é toda apaixonada. E eu desejo que nós pudéssemos ser amigos... talvez eventualmente. — Esta viagem vai ser divertida. Nem pense sobre Ian agora. Pense em quão ótima você vai estar nas pistas. — Ah por favor, sim. Você sabe que eu sou uma desajeitada monumental. Como é que eu vou sobreviver em esquis? — Você é uma boa skatista. Talvez você vá ser uma boa esquiadora também, — diz Tessa. — Desde quando você se tornou a senhorita motivacional do século? — resmungo. — Desde que você precisava de uma boa sacudida. — Ela se inclina e dá uma cutucada macia em meus ombros. — Sério, Ro. Você mal saiu do


apartamento, exceto para ir à escola. Espero que esta viagem vá mexer com você e te tirar dessa depressão em que estava. — Eu não estive deprimida! Eu amo isso aqui. Tem sido tão bom estar em nossa própria... — Você não foi a um único encontro. Talvez isto seja apenas o que você precisa. Você vai ver Ian e ou descobre por que você não está destinada a ficar com ele, OU você vai ter certeza de mantê-lo dessa vez. Eu olho para ela. — Eu não sabia que você pensava tudo isso. Por que eu deveria ir a um encontro quando estou pensando em outra pessoa... e eu já quebrei um coração? Eu não gosto de machucar as pessoas! — Eu sei que não, mas estamos na faculdade, longe de casa... você deveria estar vivendo perigosamente. Eu deveria estar vivendo perigosamente. Eu reviro os olhos. — Ok, Pequena Srta. Perigosa. Eu não vou parar você. Apenas me ajude a encontrar algo para vestir, certo? E então você pode ir viver com toda a sua periculosidade selvagem e louca! — Com prazer. — Tessa sorri. Ela começa a teclar em seu laptop e puxa várias opções de roupa de esqui. Minha ira suaviza um pouco, porque estou impressionada que ela encontrou algo tão rapidamente. Ela é um gênio pesquisando. Tessa Googlelot pode ter que ser o seu novo apelido. Ela limpa a garganta e eu pulo fora do meu trem Googlático de pensamento. Uma roupa é azul elétrica e a outra é um rosa vibrante. Ela se vira para mim e fica um centímetro do meu rosto. Se ela não estivesse tão perto, eu seria capaz de ver claramente que as sobrancelhas estão trabalhando horas extras, mas como isso está, elas são um grande borrão com todo seu balanço. Eu não posso deixar de rir. — Estas são ótimas, mas tão Olá, eu sou um coelho

da

neve.

E

elas

são

realmente...

coloridas.

E

mostram...

surpreendentemente muito para algo que cobre cada centímetro de pele. — Ele precisa ser capaz de vê-la chegando, — ela enfatiza.


— Bem, ele certamente não seria capaz de me perder em uma dessa. — Eu aponto para a roupa azul. Ela definitivamente se destacaria na neve. Ou em qualquer lugar, realmente. É verdadeiramente muito fabulosa. Eu poderia precisar fazer mil abdominais e agachamentos todas as noites antes de tentar sair na Roupa de Esqui Mulher Gato. — Eles têm todo o equipamento nessa loja na 43, — disse Tessa. — Nós poderíamos correr até lá agora mesmo para que você possa experimentá-la. Você sabe, sair de casa por um tempo, e ver como é lá fora, nesta grande cidade velha que nós viemos DE TÃO LONGE PARA VIVER. — Não precisa ficar irritada, — eu sorrio e salto para cima. — Vamos lá, vamos lá. Tanto quanto eu odeio admitir isso, Tessa está certa. Sair ao ar livre é ótimo. Eu não posso acreditar o quanto eu tenho ficado no meu quarto e livros nos últimos meses. Eu sou toda sobre ser uma boa aluna, mas talvez eu tenha levado isso um pouco longe demais. Sinto a nuvem espessa derramando fora de mim, como uma camada de óleo flutuando para o topo da superfície. A cidade é linda enquanto caminhamos pelas ruas lotadas. As árvores já estão iluminadas com luzes de Natal. Eu não posso acreditar que não tenha notado até agora. Talvez o término e mudança através do país me afetaram mais do que eu percebi. — Terra para Sparrow. — Tessa está estalando os dedos na frente do meu rosto. — Ro? Você está comigo? Fiz a mesma pergunta três vezes. — Oh, desculpe... o quê? — Eu me viro e vejo a preocupação em seus olhos. — Você está bem? — ela pergunta em voz baixa. — Sim, — eu bato seu ombro com o meu. — Me desculpe, eu estive tão deprimida nos últimos dois meses. Eu não posso acreditar como você foi paciente comigo.


— Eu sei que você estava louca por Michael. Não como um namorado, necessariamente, mas ele foi um dos seus melhores amigos. E Ian... — ela balança a cabeça. — Ele realmente mexeu com você. Eu estou meio brava com ele agora. — Ugh. Eu sei. Eu também estou. Mas eu não posso estar, ele não fez nada de errado. Eu estou mais louca comigo mesma por quanto eu senti tão rapidamente... e... como estou animada para vê-lo novamente em algumas semanas. — Todo o meu rosto enruga em um grande vinco. — Eu tenho vergonha de admitir isso, mesmo em voz alta. Eu preciso ser apenas fria com ele e não dar chance para ele. — Mas, na verdade, por que você faria? Como você disse, ele realmente não fez nada de errado e talvez ele só não foi capaz de encontrá-la, — ela termina com esperança. Eu olho para ela. — Nós duas sabemos que ele poderia ter me encontrado, se quisesse. Ela suspira. — Basta esperar e ouvir o que ele tem a dizer. — Sim, se ele se preocupar em falar comigo. Nós não nos separamos na melhor nota. — Aqui estamos! — Tessa canta e puxa meu braço para a loja. Oh, tantas opções. Tão pouco tempo. Tessa também está certa sobre a roupa azul. Não haverá como negar que eu estou na vizinhança quando colocá-la. Ian Sterling não vai saber o que o atingiu.


-6-

Habilidades Algumas semanas mais tarde, eu estou empacotando todas minhas lindas roupas novas em uma mala, junto com alguns livros que eu adiciono, apenas no caso de ser um desastre nas pistas. Oh espere, eu já embalei meia dúzia de livros. Isso vai ficar pesado. O que posso dizer? Eu sou uma leitora rápida. Seria muito triste chegar lá e ficar sem material de leitura. Este é um período de férias depois de tudo. Depois da minha viagem de compras com Tessa, confesso que algo pode ter nascido em mim. Eu finalmente entendo todo o alarido sobre as compras. Tessa não podia estar mais feliz com esta nova transição. Eu não posso ficar muito viciada nisso, até que eu tenha mais dinheiro no meu currículo, mas é muito divertido finalmente gastar o dinheiro que eu tenho guardado para sempre em roupas que eu realmente gosto. Eu nunca diria isso em voz alta, mas é possível que eu esteja completamente bem com apenas uma boa aparência nessa viagem. E leitura. Se acontecer do meu jeito, eu vou parecer bem enquanto leio. Você não ouviu isso aqui. Mas realmente, quem precisa de esqui quando eu tenho todas essas roupas fabulosas para escolher vestir? Oh Deus. Eu nem me reconheço mais. Mas voltando à moda... Meus Uggs de malha11 são os sapatos mais confortáveis que eu já usei em toda a minha vida. Eu não entendia a campanha publicitária sobre Uggs, até que eu experimentei um par. Eu não quero nunca mais tirá-los, então, naturalmente,

11


eu vou usá-los, juntamente com um vestido curto creme de malha, quando entrar no avião e nervosamente voar para Denver. Ok. Eu deveria ser completamente honesta. Eu procurei qualquer tipo de desvio, incluindo moda, para tirar minha mente do fato de que estou com medo de quebrar uma perna. Especificamente, eu estou com medo de quebrar uma perna na frente de Ian. Eu nunca sequer tive o desejo de esquiar. Não chegou perto de passar pela minha mente desde que várias vezes eu caio SUBINDO as escadas. Eu posso tropeçar em qualquer coisa. Meus próprios pés são totalmente capazes de me trair, sem qualquer aviso. Eles são cruéis, realmente. Estes pensamentos estão guerreando no meu cérebro quando eu olho pela janela e olho para as nuvens como um sopro de algodão. Eu acho que é melhor do que a obsessão por ver Ian novamente. Eu não vou negar que eu luto para empurrá-lo para fora do meu cérebro, decidindo não pensar demais em qualquer coisa com ele. Eu verei o que ele tem a dizer, se alguma coisa, quando eu vê-lo. Consequentemente, tudo o que pensei por dias foram todas as maneiras em que eu posso ficar FORA das pistas. Eu tenho um arsenal de razões/desculpas para sair, se alguém me encurralar sobre por que eu estou evitando meus esquis. Essas teorias são todas destruídas durante o passeio de carro com meus pais para o resort. Depois que muitos abraços e beijos são passados ao redor, eles começam diretamente. — Nós estamos programados para ter uma aula de esqui as 8:00 da manhã, — Charlie me informa. — Sobre isso... — Começo. — Sua mãe e eu vamos acompanhá-la. Vai correr tudo bem, Rosie. — Vocês sabem como esquiar, não precisam esperar por mim. Tirem proveito de tudo isso, — eu aceno minha mão, freneticamente apontando para as montanhas cobertas de neve. Não funciona. — Não, vai se bom fazer um curso de reaprendizagem, — diz meu pai.


— Eu também. Quanto tempo se passou desde que nós fizemos isso? — Charlie continua. Isto leva a uma viagem de dez minutos pela estrada da memória. A última vez que eles esquiaram foi quando passaram seu aniversário em Lake Tahoe. Eu sintonizo para longe por um minuto, admirando o belo pôr do sol, quando ouço o nome de Laila. Meus ouvidos animam e eu volto à conversa. — Você já viu Jeff e Laila? Já está todo mundo aqui? — Nós os vimos brevemente quando saímos para pegar você. Há um grupo consideravel aqui. — Sério? Quantos? — Eu quero detalhes. — Oh, eu diria que, pelo menos, quinze, talvez vinte... — Minha mãe olha para mim e sorri. — Ian perguntou sobre você. Ele perguntou se você estava chegando... pareceu surpreso que você não estava com a gente. — Hmmm. — Eu digo com toda a indiferença que eu possa reunir. Enquanto isso, minhas entranhas estão fazendo truques de trampolim de circo.

Está escuro no momento em que chegamos ao Crystal Peak Lodge. As luzes cintilantes do resort como pano de fundo contra as montanhas e o céu estrelado são uma grande visão. Cada pensamento estressante dos últimos dois meses escurece, e expectativa toma o seu lugar. Isso vai ser maravilhoso. Estou determinada a fazê-lo assim. Eu pensei que não estava pronta para ver Ian ainda, mas meus olhos analisam o lobby, buscando a cada esquina por ele. De repente, é muito real de


que LOGO VEREI IAN. Eu não posso esperar. Mesmo que não corra da maneira que eu poderia esperar, eu só quero olhar para ele. — Aí está você! Eu me viro e estou imediatamente ingerida em um abraço de Jeff. Laila está ao lado dele e sorri, seu calor alguns graus mais frio do que a última vez que a vi. Isso me confunde momentaneamente, e então o seu sorriso se alarga e eu empurro meus pensamentos de lado. — Sparrow, olá! Você está tão bonita. Será que você teve um bom voo? — Laila me olha mais da cabeça aos pés e faz o backup novamente. Eu quero perguntar se eu passei pela inspeção. — Obrigada. Sim, foi bem, — eu sorrio. Fico feliz quando meus pais pegam a conversa. Meu pai vai para o nosso condomínio para colocar a minha bagagem, enquanto a minha mãe e eu seguimos os Roberts para o restaurante do hotel. Nosso grupo já está lá e as apresentações são feitas de todos os lados. Ainda sem Ian. Todo mundo parece bastante agradável. Meus pais vão para o grupo o mais velho – o lado dos pais – congregando no lado esquerdo da mesa enorme, e atrevo-me para o lado mais jovem. Sento-me perto de Wendy, que parece ser da minha idade. Do outro lado da Wendy está Carl, e eu acho que eles são um casal. Do outro lado da Wendy está uma linda loira, Jade. Ela é um pouco fria, mas eu acho que você pode ir longe com isso quando você é tão bonita. Ao lado de Carl estão dois irmãos bonitos, Jake e Jared. Eu percebo tardiamente que eles também são irmãos de Jade. Os irmãos J. Eles poderiam ser todos modelos. Eu percebo que sou o bebê quando todos ao meu redor ordenam sofisticados coquetéis e cerveja. Ninguém diz nada sobre a minha escolha de Coca-Cola com limão. Conversa fiada corre e ao que parece, eles estão espalhados por tudo: Califórnia, Indiana, Texas e até mesmo Nova Iorque. Jared se anima quando eu digo que estou na NYU. Ele está terminando seu último ano na Universidade de Columbia. A comida chega e meu filé é delicioso. Eu nunca consigo resistir a um bom bife. Eu estou gostando muito de conhecer todos, especialmente Wendy e


Jared, quando o sinto na sala. Eu me viro e com certeza, Ian está entrando no restaurante. Carl o vê em seguida. Ele acena e Ian levanta a mão para Carl, mas seus olhos estão sobre mim. Ele caminha direto para mim e para logo atrás da minha cadeira. Eu olho para ele e não posso evitar. Estou bastante certa de que eu acendo como um gramado brega no Natal, completo com um flamingo. — Sparrow... — Seus lábios se curvam para cima. — Você veio. Como você está? — Eu estou bem. E você? — Igual. Vejo que trouxe a beleza para Colorado. — Eu acho que ela estava indo bem por conta própria. O sorriso de Ian se alarga. — Não... não, eu não acho que você sabe o que você faz... Nós olhamos um ao outro... até que Jade limpa a garganta. — Guardei um lugar, Ian, — ela grita. — Você está apenas a tempo para a sobremesa. Ian não a olha de imediato, mas quando o faz, a magia quebra. Ele acaricia minhas costas em um gesto amigável e vai sentar perto dela. Eu não posso evitar. Estou picada. Eu não sei o que esperava, mas era algo um pouco... mais. Eu quero me chutar por ter qualquer expectativa. Eu passo sobremesa e principalmente ouço as conversas em torno de mim. Eu não posso ouvir o que Jade e Ian estão dizendo, mas parece que eles não têm nenhuma parada entre os tópicos. — Sparrow? — Wendy está olhando para mim, esperando minha resposta. — Eu sinto muito, você me perguntou alguma coisa?


— Eu perguntei se você quer ir ao nosso apartamento, — ela aponta para os outros, — nós só vamos ficar um pouco da noite no condomínio e levantar cedo para esquiar de manhã. Venha com a gente. — Ah, obrigada. É melhor eu... voltar para minha própria noite. Tem dois meses que não vejo os meus pais. E eu tenho uma aula de esqui na primeira parte da manhã. — Eu tento não fazer uma careta quando digo isso. Jake assobia, — Você não esquiou antes? — Não, nunca. A mesa fica em silêncio quando digo isso. Jared acena sua mão indiferente. — Oh, você vai ficar bem. Eu acho que tive minha primeira aula aqui... Eu sorrio para ele e, em seguida, volto para os outros, faço contato visual com todos, exceto Ian e Jade. — É muito bom conhecer todos vocês. Estou cansada esta noite, mas eu gostaria de conversar com vocês amanhã à noite. Todos concordam de me encontrar no dia seguinte, e eu me levanto para voltar para o meu quarto. Meus pais ainda estão em discussão profunda com os seus novos amigos e os Roberts. Poderia demorar um pouco antes de eles estarem prontos para ir. De repente, eu percebo que não estou inventando isso eu realmente estou exausta. Vou para o outro lado da mesa para beijar meus pais e estou me virando para sair quando quase colido com Ian. — Deixe-me levá-la para o seu quarto, — diz ele. Eu não confio em mim mesma para falar, então não falo. Saímos do restaurante e através do corredor do lobby. Ele olha para o cartão segurando a minha chave do quarto para ver qual direção ir. Ele coloca a mão entre minhas omoplatas e inclina a cabeça sobre a minha, me dando um abraço de lado. Quando ele se afasta, seus olhos estão luminosos. — Oi, — ele diz novamente. Misericórdia. Ele só... faz isso para mim. Seja o que for isso, ele o faz.


— Oi, — sussurro. Ele deixa sua mão nas minhas costas, abrindo o caminho para o meu apartamento, mesmo antes de eu começar a dizer para onde vamos. Ele fica me olhando, sorrindo e me avaliando com aqueles olhos. Eu não posso pensar em uma coisa a dizer, e eu não quero estragar o momento com pensamentos triviais ou perguntas acusativas. Muito em breve, estamos na minha porta. Ele pega minhas duas mãos e as aperta firmemente na sua. — Quando você terminar sua aula de manhã, você vai esquiar comigo? — Oh, — Uma risada nervosa escapa. — Eu não tenho certeza que é uma boa ideia. Na verdade, eu tenho certeza que NÃO é. Eu realmente não espero ser boa nisso. — Eu franzo meu rosto e balanço a cabeça. Ele ri para mim, seus dentes brancos e direitos brilhando como um comercial de pasta de dente perfeito. — Você vai se sair bem. E se não, eu posso ajudá-la. — Certo. Porque você é um excelente esquiador, não é? — Como você sabe? — Ele brinca, enquanto o polegar suavemente descreve o meu polegar e a palma da minha mão. Eu tremo. — Você está com frio? — ele pergunta. — Não, — eu suspiro, sentindo-me mais do que um pouco tola. — Você realmente deve ir em frente e fazer sua coisa - eu não quero retê-lo e eu tenho certeza que não vou dominar a técnica depois de uma lição. — Pare com isso. Vai ser divertido. A que horas você termina? Meio-dia? Mais tarde? — Eu acho que um pouco antes do meio-dia. — Ótimo. Que tal nos encontrarmos em torno da uma. Venha se aquecer por um tempo após a sua aula, descansa, come, e depois esteja pronta para esquiar de verdade.


Eu relutantemente concordo. — Você deve estar cansada. É, o que – duas horas mais tarde para você? Concordo com a cabeça e abro a porta, sorrindo timidamente para Ian. — Sparrow... Eu fico completamente parada e espero ele falar. — Você é uma visão, — ele soa quase tímido quando o diz. Eu começo a dizer alguma coisa, mas dá um branco. Meu rosto aquece e minhas bochechas doem de sorrir. Abro a porta e entro. A última coisa que eu vejo antes de fechar a porta são os seus olhos claros brilhando para mim, quando sua mão toca brevemente os seus lábios macios. Eu sei com quem eu vou sonhar esta noite. A mudança de horário trabalha para meu benefício na manhã seguinte, quando estou acordada bem cedo. A vista é tão espetacular na luz da manhã, eu realmente suspiro quando eu saio. Os picos das montanhas nem sequer parecem reais. Eu tenho um caso sério de estômago como geleia quando pego nossos esquis e embaralho através da neve nas estranhas botas de neve. Eu não estive tão nervosa em... eu não me lembro quando. Nossa pequena classe se reúne, na parte inferior da colina do coelho. Há apenas sete de nós, incluindo Lars, o instrutor. Ele parece um cara surfista que está um pouco fora do lugar, mas ele me surpreende. Em pouco tempo, ele nos tem fazendo coisas que nunca pensei possível. Eu domino a cunha, deixe-me dizer, tenho trabalhado em como parar. Como um último cenário, Lars nos mostra a melhor maneira de cair, se não podemos parar. Fazemos voltas largas na parte inferior do morro por um longo tempo e antes de eu saber, eu estou pronta para mais. Você acredita que eu nem sequer caí uma vez? Na verdade, a parte mais assustadora de toda a lição é quando nós mudamos para o teleférico. Agora, isso poderia destruir toda a experiência para


mim lá. Eu quase entro em pânico quando chego tão perto de perder o lugar, mas me carrega na hora certa. Eu recupero o fôlego enquanto tento não pensar sobre o quão alto ele está indo... sem nada me segurando dentro. Meu pai grita no banco de trás de mim, — Você está bem, Rosie? Não me atrevo a virar, mas grito de volta, — Sim! — Minha voz aproximadamente duas oitavas acima do normal. Lars está na minha frente, e eu estudo de perto como ele sai do elevador. Quando é minha vez, eu copio seus movimentos. Ufa. Isso foi intenso. E então eu me viro e vejo que eu tenho que ir para baixo. O que eu estava pensando? Eu faço alguns grandes tragos, ignoro a tremedeira que voltou em minhas entranhas e, em seguida, desço a montanha. Um enorme sorriso está esperando por mim quando eu chego a parte inferior. Lars está tão orgulhoso. Tenho certeza que meu sorriso corresponde ao dele. Eu nunca senti uma corrida tão eufórica. Passamos a próxima hora aperfeiçoando o que aprendemos. As últimas corridas, Lars divide o elevador comigo. Ele é charmoso e me faz rir, assim o tempo passa depressa. Depois que ele terminou a sua última dica e disse que todos podem desfrutar o resto de sua estada, ele esquia para mim. — Parecia ótima lá, Sparrow, — diz ele, ainda sorrindo. Sua voz me faz lembrar Owen Wilson. Na verdade, isso é que é – eu estive quebrando a cabeça a manhã inteira para descobrir quem ele parece. Ele é muito mais jovem e mais bonito do que Owen, mas o cabelo loiro confuso, nariz que foi quebrado uma ou duas vezes e o sorriso constante à espreita em seus lábios parece de alguém que acabou de sair de uma comédia romântica. — Sparrow? — Eu sinto muito. O que você disse? — Eu mentalmente me chuto por me distrair por quem sabe quanto tempo.


— Eu perguntava se você quer me encontrar mais tarde? Eu sei onde fica a neve principal... e alguns lugares ao redor da cidade. Eu vejo que ele tem a linguagem de tapinha dos surfistas. Talvez seja assim que os esquiadores falam também. — Bem... isso soa divertido. Você tem sido muito... divertido. Eu realmente deveria me encontrar com um amigo mais tarde. Mas há um monte de gente aqui, todos melhor nisso do que eu. Você está convidado a se juntar a nós em qualquer momento. — Se eu digo divertido mais uma vez, eu vou me sufocar. Dê-me muita atenção, e eu encontro uma maneira de me humilhar. — Eu adoraria isso, — diz ele. Ele enfia a mão no casaco e tira um cartão. — Vou ficar de olho em você, mas aqui está o meu número. Estou livre na maioria das tardes e noites da semana. — Obrigada, — eu pego o cartão e guardo-o sem jeito dentro do meu bolso. Ele puxa suas varas e coloca por cima do ombro. — Há algo sobre você, Sparrow. Você é linda, mas... é mais do que isso. Não há muitas pessoas que vêm por aqui que eu quero conhecer melhor... você é uma exceção. — Ele levanta a vara e faz uma pequena reverência antes de decolar. Eu apenas decidi que amo roupas de inverno. Eu posso me humilhar no reino e mesmo assim ninguém vai ser mais sábia.

Eu me sinto mais leve enquanto me preparo para encontrar Ian. Saber que não vou cair a cada passo deixou minha mente à vontade. Além disso, encontrar algo no qual sou minimamente boa no departamento atlético me deixa absolutamente maravilhada. Eu nunca sonhei que poderia fazer aquilo. Eu como


excessivamente, escovo os dentes e suspiro quando percebo que ainda tenho cerca de 20 minutos antes da hora em que concordamos de nos encontrar. Estou distraidamente colocando minhas luvas quando saio. O ar fresco é tão bom depois do calor no hotel. A risada estridente agarra a minha atenção e eu olho para cima para ver Ian e Jade em pé no bar café. Ela se inclina e puxa o rosto de Ian mais perto dela para sussurrar algo em seu ouvido. Ele sorri e balança a cabeça, enquanto Jade se parece com o gato que comeu o canário. Ela abana os cabelos loiros para trás e coloca a mão em seu peito quando ela diz algo que requer senti-lo. Eu sinto meus olhos se estreitando enquanto meu sangue ferve quase fora da minha pele. Eu nunca pensei que eu fosse uma pessoa ciumenta, mas eu posso ser. Eles não me veem, tão ocupados com seu próprio pequeno tête-à-tête, que estão absortos de qualquer um ao seu redor. Eu estudo os dois e me pergunto o que ela é para ele. Jade parece impressionante. Seu cabelo é longo, perfeitamente no lugar, seus fios loiros estão em uma linha perfeita em seu casaco rosa. Sua pele é rosada e sem falhas. Mesmo a essa distância, os olhos se destacam. Não é a sua aparência que faz o meu monstro de olhos verdes ir à espreita, porém, é a facilidade completa que ela tem com ele e a maneira como ele nem sequer olhou em volta à minha procura uma única vez. Vou dar a ele cinco minutos e, se ele não se afastar de Jade, eu vou convenientemente me esquecer de encontrá-lo. Cerca de 4 minutos e 30 segundos mais tarde, e com 10 minutos restantes antes que ele deveria me encontrar, eu vejo Ian olhar para o relógio gigantesco do lado de fora da loja de aluguel de esqui. Ele coloca a mão no ombro de Jade, ela agarra-o em um abraço e ele vai embora. Eu quase tento esconder para que isso não pareça como que se estivesse esperando e espionando, mas imagine que eu tropeço ou algo igualmente embaraçoso.


Quando Ian me vê encostada no prédio, ele pisca seu brilho na minha direção. Seus olhos me tomam, e por um momento, eu esqueço tudo sobre Jade e me deleito em sua atenção. — Sparrow. Você está iluminando toda a maldita montanha, — ele sorri. Eu sorrio porque estava pensando o mesmo sobre ele. — Você teve um bom dia? — Tem sido ótimo. Todos nós saímos cedo. Eu estou vendo um cochilo no meu futuro. — Oh, você quer encontrar-se mais tarde? — Nããão, você está brincando comigo? Você me acordou imediatamente. — Você parecia bem acordado mesmo antes que você me viu, — eu sorrio. O sorriso de Ian não se desvanece, mas seus olhos se estreitam um pouco, enquanto ele tenta medir o que eu estou realmente dizendo. — Como foi sua aula? — Foi surpreendentemente bem! — Eu não posso mesmo baixar o tom de emoção na minha voz e o que me choca mais, é que eu realmente quero voltar lá fora. — Eu não estou surpreso. Bem, vamos lá. Mostre-me o que você tem. Ian me leva a um dos trajetos mais longos e mais difíceis, um que eu não cheguei perto ainda. Uma vez que estamos no elevador, percebo que estou muito perto de Ian. Eu nem tinha certeza se o veria novamente. — Então, Sparrow... Olho para ele. Se nós nunca tivermos outro momento juntos, eu sei que ainda sempre me lembrarei desse momento aqui, agora, com o rosto fenomenal perfeitamente rodeado pelos picos nevados.


— Seu nome... conte-me sobre ele. — É desse versículo da Bíblia sobre como o Pai vê quando cada pardal12 cai. E os meus pais são meio-hippies, assim que meu nome precisava ser único. Meu nome do meio é Kate igual a minha avó, e eu costumava escrever em tudo porque estava com vergonha de Sparrow, mas agora eu meio que gosto disso. Estou feliz por eles não me nomearem com algo como Zípora. Não que haja algo de errado com isso, — eu sorrio. — Combina com você. Mas, novamente, você poderia provavelmente até mesmo fazer Zípora funcionar, — sua risada ecoa sobre a montanha. Nós descemos um elevador e entramos no outro para ir mais alto. Estou começando a ficar nervosa sobre o quão alto nós estamos. — Então, qual é o seu nome do meio? — Oh, não. Não. Eu não acho que você está pronta para isso ainda. — Ohhhh, — eu rio — É assim, então? Ok, pelo menos me dá uma inicial. — O. — Oh, o quê? — Não, O. Esse é o meu nome do meio. — Hmm. É provavelmente algo horrível como Orville, esse seria tão engraçado... — Eu rio distraidamente. — Ou... — Eu olho para ele, porque ele não está rindo. Ele está voltado para frente e, enquanto ele ainda tem um enorme sorriso no rosto, quase parece que ele está corando. Oh, não. Eu fico sóbria rápido. — Ah... não é realmente... Orville. É? Ele acena com a cabeça. — Nããão!

12

Pardal em inglês é ‘sparrow’.


Ele acena com a cabeça novamente. — Você está brincando. Ele balança a cabeça e, em seguida, o mais alto estrondo sai dele e ele está rindo tanto que o elevador está tremendo. Eu me sinto tão mal. — Eu sinto muito. Eu não posso acreditar nisso. Não é horrível... mas realmente? Por que sua mãe faria isso com você? Quero dizer... — Eu desisto, porque agora ele está enxugando os olhos e é realmente muito engraçado. Ele mal consegue respirar, mas entre suspiros e risos, ele está dizendo: — Eu não posso acreditar que você adivinhou... — Bem, O não me dá muito com o que trabalhar... Ele se endireita e olho em frente. Estamos quase no topo. — Há Oliver ou Oscar... Omar... — ele começa a rir de novo. — Sou em homenagem ao meu avô. — Bem, agora eu realmente me sinto mal. — Não faça isso. Essa é a coisa mais engraçada que aconteceu comigo há muito tempo.


-7-

Brincadeira de Criança Meu estômago está rugindo ao cruzar a linha de chegada e até no momento em que tiramos os nossos esquis e caminhamos até o condomínio. Meus pés parecem ainda deslizar na neve. Encontramos Wendy e Jade fora da loja e elas nos convidam para comer com o grupo. Eu sinto os olhos de Jade em mim, pegando cada olhar que Ian me dá. Até agora, ele parece bom para ambas, Wendy e Jade, e não é tão sedutor quanto parecia antes. Ela não chega a me apunhalar com os olhos, mas posso dizer que ela está avaliando a situação e avaliando quanto de uma ameaça eu sou. Lars está andando para fora do prédio quando nós estamos indo para dentro. — Sparrow! — Sua voz ressoa. — Como foi o resto do seu dia? Todo mundo se vira para olhar para mim, esperando ansiosamente para eu dizer. Eles agem como se fosse um conceito estranho eu já ter feito um amigo. — Hey, Lars! Foi tão ótimo! EU ADOREI! Seu sorriso se estende largamente. — Bem, você é natural. Jade coloca a mão sobre o braço de Ian. Ian olha para trás e para frente, para mim e para Lars. — Você não vai nos apresentar o seu amigo? — Jade fala. — Oh! Sim, este é Lars. Ele foi meu instrutor esta manhã. Ian assente e estende a mão para apertar sua mão. — Ian. — Jade e Wendy. — Eu estendo um braço em sua direção. — Você deveria se juntar a nós, — Jade anuncia. — Nós vamos para aquela pizzaria na esquina. Venha com a gente.


Lars olha para mim e levanta as sobrancelhas. — Bem, com certeza. Eu não quero me intrometer, mas pizza parece bom, na verdade. Jade liga seu braço com Ian, e ele olha para mim com um misto de confusão e desculpa. — Sparrow, — pergunta Lars. — Você está vindo, né? — Uh, sim... Eu vou. Estou morrendo de fome. Lars conversa todo o caminho até o bonde. Jade e Ian andam na frente de nós, e ela está pendurada em cima dele. Jared e Jake nos encontram no bonde. Lars se senta no assento ao meu lado e eu sinto os olhos de Ian em nós todo o passeio. Eu evito olhar para ele. Se ele quer Jade ligada ao seu quadril esta noite, ele pode tê-la. No restaurante, eu me encontro entre Lars e Ian. Parece o dia que eu conheci Ian novamente. Exceto que Lars é muito mais atento do que Michael foi. No momento em que a noite acaba, eu estou exausta com a tentativa de bloquear os níveis de testosterona que parecem saltar das paredes a cada minuto. Ian mantém seu braço na parte de trás da minha cadeira, com a mão levemente apoiada nas minhas costas, mas Lars parece alheio e continua a me interrogar com perguntas de primeiro encontro. Jade está ficando cada vez mais agitada, porque agora ela não só não tem a atenção de Ian, mas ela não tem do novo cara também. É óbvio que ela está acostumada a ser o centro do furacão. Estou morrendo com toda a atenção e desejo que eu poderia voltar para o condomínio e cobrir minha cabeça. Após eu responder de onde sou, onde estou indo para a escola, qual o meu curso, a minha cor favorita, se eu tenho animais de estimação, se eu quero algum animal de estimação e que eu nunca pensei em passar o verão em Colorado, Ian finalmente fala. — Ei, passarinho... você tem planos para amanhã à noite? Isso cala Lars.


Ele me cala também e eu nem estava falando. Passarinho, eu meio que gosto disso. Faz-me sentir delicada e não tão... alta e esguia. — Ohhh... — diz Lars. Ele sorri fracamente para mim. Me sinto mal por Lars e apunhalo Ian com os olhos. Ele ri e dá de ombros, então ele se inclina e sussurra: — Eu vou deixar você voltar a este pequeno... o que quer que isso... — ele sutilmente aponta para Lars, — ... seja... por esta noite. Contanto que eu possa, por favor, ter você amanhã à noite? Eu quero matá-lo e agradecer, ao mesmo tempo. As Vinte Questões de Lars estavam prestes a me mandar correndo para as colinas. — Se. Cale. — Meu sussurro sai com uma mordida. Ele ergue a cabeça para trás e ri e depois volta para a minha orelha. Quero socar a travessura direto fora de seu rosto. — Só tentando ter uma palavra, — ele sussurra. — Eu quis dizer isso, embora... Ele olha para a minha boca e todo o pensamento razoável deixa meu cérebro. Felizmente, Jade vem em meu socorro e puxa o foco de volta para si mesma. — Ian! Eu conversei com Milly no outro dia. Há uma mudança no ar quando Ian reconhece a declaração de Jade. Parece um pouco mais denso, como se um enorme nevoeiro acabasse de entrar para o restaurante. — Legal, — diz ele. — Como ela está? — Ótima! Ela está amando a vida. Acho que ela vai ficar grávida antes de nós sabermos. — Jade olha para mim e, em seguida, diz: — Você sabe... você meio que se parece com a Milly. — Seus lábios enrolam apenas um toque quando ela diz isso. Eu não quero dar a ela a satisfação, mas estou curiosa. — Quem é Milly?


Eu posso dizer pelo sorriso de Jade que eu fiz exatamente o que ela esperava que fizesse – pegar sua isca. Ela está muito contente por ser a única a me dizer que Milly é ex-namorada de Ian. — Eles namoraram para sempre, — diz ela. — Eu amo aquela garota. Ela é tão engraçada... e linda. — Vocês não parecem iguais, — ele me assegura. — E nós, obviamente, não namoramos para sempre. De alguma forma, isso não me faz sentir melhor. Eu não gosto da sensação na sala. A mudança de humor de Ian é suficiente para dissipar quaisquer vibrações alegres que eu peguei com ele a noite toda. Eu estou pronta para ir e não me importo se nunca vir Jade novamente. Ela é problema. — Você acha que alguma vez vai se casar com outra coisa senão a sua música, Ian? — Aparentemente, Jade está apenas começando. Eu me viro para Ian e não gosto de quão triste seus olhos se tornaram. — Bem, essa é a única coisa que eu sou bom, — diz ele em voz baixa. — Lars, eu estou pronta para ir. E você? Lars ilumina e há uma momentânea pontada de culpa quando percebo que poderia dar esperanças a ele. Eu determino endireitar isso no caminho para o hotel. Ian se levanta enquanto coloco meu casaco. — Sparrow, espera, eu posso... — Eu tenho certeza que vou vê-lo amanhã, Ian... obrigada pelo dia de diversão. Boa noite a todos. Jared assiste toda a troca. Ele não falou muito durante toda a noite. Eu me pergunto o que ele está pensando.


Na manhã seguinte, meus pais e eu saímos para esquiar juntos. Quando abrimos a porta do nosso condomínio, Ian está vindo com 4 cafés fumegantes. — Oh, Ian, que bom! — Minha mãe diz efusivamente. Ela não diz a ele que nós terminamos duas xícaras de café com o nosso café da manhã. — Eu estou provavelmente muito atrasado, mas eu esperava que eu pegasse vocês antes de saírem. Se importam de ter mais alguém com vocês hoje? — Ele olha para todos nós enquanto pergunta, mas seus olhos pousam em mim em último. Eu não respondo a sua pergunta, mas tomo o café e agradeço a ele por isso. Eu olho para o meu pai e ele responde por todos nós. — Claro! Quanto mais, melhor! — Meu pai ri. Ele é o cara mais legal, ele realmente é. — Ótimo, — Ian solta um suspiro e por um minuto eu acho que ele está nervoso. Ian Sterling está realmente nervoso. — Você está parecendo doce, esta manhã, Passarinho, — diz ele baixo e sexy. E lá foi. Todo nervosismo sai dele e volta a mim aos montes. Os olhos de minha mãe acendem em seu carinho, enquanto eu balanço minha cabeça para ele. — Passarinho? Eu pareço pequena para você? — Você tem um ponto aí, — ele sussurra e eu juro que seus olhos fazem uma varredura sobre o meu peito. Oh minha palavra. É isso aí. Eu digo aos meus pais que vamos encontrá-los em cinco minutos e assim que eles se afastam, eu o encaro.


— Olha. Eu não posso lidar com as pequenas insinuações na frente dos meus pais hoje. Eu não tenho certeza que eu posso quando estamos apenas nós dois, mas o meu coração de Passarinho REALMENTE não pode aguentar na frente deles. Se você quer estar conosco hoje, comporte-se! Ele ri tanto que ele tem de curvar-se para recuperar o fôlego. — Oh, Sparrow... você é... perfeição. Ele está enxugando as lágrimas dos cantos dos seus olhos, sua reação padrão para mim agora, eu noto enquanto olho fixamente para ele. — Você não acha que foi só um pouquinho engraçado? — Ele levanta o polegar e o indicador juntos e levanta a sobrancelha. — Você... é... problema. — Eu bufo. Ele balança a cabeça e faz uma cara solene. — Você está certa sobre isso.

Ian se comporta no resto do dia. Meus pais o amam. Nós nos divertimos imenso nas pistas, e o sentimento que temos quando terminamos é bom. Enquanto caminhamos de volta para o condomínio, ele fala do nosso encontro. — Você ainda vai sair comigo hoje à noite? — Eu não me lembro de concordar com isso. Ele para e põe a mão no meu braço. — Você está certa. Você não fez isso. — Não há qualquer provocação em sua voz agora. Ele está completamente sério. — Hoje à noite.


— Bem, meus pais esperavam que eu fosse me juntar a eles esta noite. Eu acho que eles estão querendo fazer uma surpresa de aniversário antecipado para Jeff, enquanto todos estão juntos. — Oh, Laila mencionou algo sobre isso. Eu não sabia que era hoje. Tudo bem. Amanhã à noite? — Amanhã à noite é a competição de adivinhação de Wendy! — Bem, nós certamente não podemos perder isso! — Diz ele, combinando com o meu tom. — Isso nos deixa a última noite. Você acha que pode separar um tempo de sua movimentada agenda para sair comigo na sexta? — Eu acho que posso espremê-lo dentro. Ele me olha para cima e para baixo e eu não quero nem saber o que sua pequena mente suja está cozinhando. Estou com muito medo de saber.

A festa do Jeff acontece no elegante restaurante do hotel. A diversão parece estar em pleno andamento quando meus pais e eu chegamos lá. Eu imediatamente encontro Ian. Ele está cercado por belas mulheres e parece completamente à vontade. Eu não sei como ele pode ver além da loira na frente dele, ela conduz com seus seios, mas de alguma forma ele consegue me identificar imediatamente. Eu vejo como ele se desculpa e avança em minha direção. Ele está me encarando como se eu fosse uma sobremesa que ele quer inalar. Parece que o meu vestido de cocktail vermelho foi a escolha certa, afinal. — Droga, Sparrow. Fo... — ele limpa a garganta e dá um puxão em seu cabelo. Eu adoro quando ele faz isso. Ele faz o seu cabelo já bagunçado parecer


ainda mais desgrenhado. Isso me nivela. Como um trator que achata completamente o chão e não deixa um único grão de sujeira no lugar errado. Eu não quero nem pensar direito quando ele parece tão bom. — Ian. — Você... — Ele está quieto pelo que parece minutos, mas provavelmente não é. — Sim? Ele faz a coisa do cabelo novamente e eu tento me segurar, sem a) ir para baixo, ou b) corar. Até agora, eu ainda estou de pé. Certeza que o meu pescoço e rosto estão da cor do meu vestido. — Você está bonito hoje, — eu digo a ele. — Você... — ele balança a cabeça. — Deus, menina, você me deixou sem palavras. — Bem, essa é a primeira vez. — Eu sorrio. — Vem sentar comigo? Ele pega meu braço e entrelaça com o dele, colocando minha mão em seu braço e segurando-a lá. Nós nos sentamos em uma mesa pequena ao lado da grande mesa de aniversário e percebo que Ian meio que conseguiu o que queria – parece que estamos em um mini encontro aqui, na frente de todos. Após os pedidos, Laila vem até a nossa mesa e comenta sobre quão bonita eu pareço esta noite. Ela está de pé sobre Ian, com as mãos em seus ombros enquanto diz. Eu cumprimento-a também, ela é realmente muito bonita. Ian não diz muito, ele apenas me observa. Toda a noite, ele me observa. Ele está mais silencioso do que o habitual, mas o restaurante está tão barulhento que nós dois desistimos de tentar ter muita conversa.


É a mesma coisa na noite seguinte, não há muita chance de ter uma conversa. Estou feliz pelo tempo nos teleféricos de esqui durante o dia, onde podemos aprender tudo sobre o outro. — Então o que você gosta além de livros? — ele pergunta. — Você não pode ter o seu nariz em um livro o tempo todo... Pode? Quero dizer, você sabe que eu adoro seu clima bibliotecária sexy, mas... Eu reviro os olhos para ele e digo: — Bem, de vez em quando eu faço alguma outra coisa nerd. — Não, você tem uma maneira de fazer tudo parecer sedutor. Você é essa... mulher da Renascença… uma raridade estranha mas encantadora. — Estas linhas apenas derramam de você ou tem um repertório que você recicla? Você é muito rápido para que possam ser... Ele coloca seus dedos nos meus lábios e os mantém lá enquanto sua testa toca a minha. — Você puxa a verdade de mim, Sparrow. Eu não sei o que dizer sobre isso, especialmente quando seu dedo está traçando meu lábio superior desse jeito. — Diga-me alguma coisa, qualquer coisa, sobre você, — diz ele, movendo o dedo ao longo do meio do meu lábio inferior. — Uh... flauta. — Atiro. Por que eu deixei sair isso? Ele se inclina para trás, surpreso. — Flauta? Você toca flauta? O que mais você toca? — Seus olhos estreitam quando um grande sorriso assume sua face. — Piano. — Suspiro.


— Oh, isso é muito bom. Passarinho é musical. Oh, nós vamos nos divertir com isso, — ele promete. Eu gemo. — Não. Eu não tocarei para você. Nunca. Ele me dá um olhar magoado de brincadeira e volta para perto da minha cara. — Oh, você vai. E eu não posso esperar...

Eu ainda estou interiormente gemendo sobre isso quando vamos para o condomínio de Wendy. O pensamento de que um dia eu tocaria para Ian Sterling é ridículo. Ian e eu estamos em uma equipe de Pictionary13 juntos. Jade gradualmente entendeu que Ian não está interessado nela nesta viagem. Ela fecha a cara para nós quando ganhamos. Eu não sou uma artista, mas ele é, por isso estamos acumulando os pontos. Cada vez que marcamos, Ian aperta minha mão e parece que ele quer vir para um beijo. Ele não faz. Mas eu gostaria que ele fizesse.

Nosso último dia de esqui é agridoce. Eu nunca sonhei que viria nesta viagem e realmente a amo. Estou decepcionada com o pensamento de não ser capaz de esquiar novamente por um tempo. Se eu sou honesta comigo mesma, eu também estou um pouco deprimida que estarei dizendo adeus a Ian amanhã e Este é um grande jogo de adivinhação de palavras onde você desenha imagens para dar pistas para os seus parceiros de equipe. 13


não tenho ideia de quando ou se vou vê-lo novamente. Isso não surgiu em qualquer conversa – o tópico Quando Vou Ver Você De Novo? E eu não vou ser a única a abordar isso. Encontramos Lars quando voltamos para o hotel. O vimos algumas vezes durante a semana, e todas as vezes foi agradável. Ele mesmo esquiou com todos nós uma tarde. Ele é realmente um cara legal. — Sparrow! — ele chama. — Você está saindo amanhã? — Sim, eu estou, — grito de volta. — Obrigada por me mostrar como se faz! — Eu sorrio para ele. — Com prazer. — Ele se aproxima e bate o punho com Ian. — Se cuide, homem. Espero ver vocês dois aqui de novo. Dou-lhe um grande abraço e seguimos nosso caminho. Fico feliz que ele não detém quaisquer ressentimentos. Isso teria sido mais complicado do que já era.

A tão esperada Noite do Encontro chega. Eu estive bastante relaxada em torno de Ian toda a semana, mas ficar sozinha com ele é uma história diferente. Eu sei como o ar está carregado o suficiente quando estamos em torno de um grupo de pessoas. Ele tem esse jeito de olhar para minha boca que me deixa enlouquecida. Eu tive a proteção de Wendy e até de Jade, para manter que qualquer coisa acontecesse, mas meu Deus, a forma como ele olha para mim... eu não tenho certeza que vou manter a minha virtude. E o fato é... eu estou completamente pronta para ser contaminada. Claro, eu me vesti para matar. Minhas roupas têm confundido a minha mãe. Ela apenas achava que estava chocada quando eu finalmente usei algo justo da


outra vez em casa. Cada vez que ela me vê em qualquer outra coisa, eu acho que ela poderia ter um acesso de raiva, mas ela conseguiu manter suas farpas para um mínimo - enorme de proeza da parte dela. Estou aliviada. Pelo menos tudo o que eu tenho usado é de bom gosto... mas eles também são extremamente lisonjeiros e tsc tsc, sedutor. Eu nunca vou usar gunnysacks14 outro dia na minha vida. Nunca. Nunca.

Eu estava certa – parece diferente. O ar que nos rodeia está cheio de tensão. Desde o minuto que Ian deu uma olhada em mim, eu sei que algo vai acontecer. Eu não tenho certeza o que ainda, mas algo... Assim que fechamos a porta, ele estende a mão e enlaça seus dedos nos meus. Nós não fizemos isso ainda, então eu tenho um pequeno momento tonto dentro do meu peito. Nós acabamos na gôndola. Eu tenho vontade de montar em uma desde que chegamos aqui, mas não tive a chance. Subimos e Ian fica no mesmo lado que eu. Seu braço gira em torno de mim e eu acho que meu coração vai bater para fora do meu peito. As luzes estão lindas, brilhando sobre a neve. A cidade vitoriana de Breckenridge é tão elegante e bela. Nós dois estamos estranhamente quietos. Durante toda a semana, estivemos tagarelando na orelha do outro em cada oportunidade. — Você está bem? — Pergunto. Ele segura meu rosto, a mão em minha mandíbula. — Olhe para esse rosto, — ele parece memorizar cada feição.

14 Um tecido pesado grosseiro feito de juta ou cânhamo.


Ele olha para mim e eu olho de volta, até a gôndola fazer uma ligeira guinada. Nossos narizes batem – por que ele não me beija? Eu quase posso sentir isso, estamos tão perto. Ele olha para o lado e diz: — Oh, olhe, é hora de sair. — Eu ouço um pouco de alívio na voz dele e isso faz o meu estômago doer. Talvez ele queira apenas conversar e não é bem o que eu estou sentindo por ele. Nosso elevador vai cerca de dez metros adiante e depois para. Saímos e Ian não solta minha mão. Não são muitas mãos que cabem em minhas mãos. Meus dedos são longos e delgados. Caras com as mãos gordas e dedos curtos simplesmente não funcionam com a minha. Eu arquivo isso na minha lista do Cara Perfeito Para Mim. Antes que eu saiba, estamos entrando em uma churrascaria chique. — Espero que essa seja aprovada. Eu já ouvi coisas boas sobre ela, — diz Ian. — Com certeza é bonita. — VOCÊ com certeza é bonita, — ele fala. — Mais do que bonita... Ele parece nervoso novamente. Ele puxa palavras como doce e bonita quando está nervoso. Estou pronta para chegar ao fundo da questão. Mal estamos sentados, e antes que eu possa parar as palavras, eu digo: — O que você gosta de mim além de minha aparência? — O fato de que você iria me perguntar algo assim é uma indicação clara do tipo de pessoa que você é, Sparrow Fisher. Você tem essa qualidade sólida sobre você. Eu não sei a melhor maneira de colocá-lo. Fico nivelado. Eu nunca estive em casa em qualquer lugar, mas eu estou com você. Eu olho para ele e sei exatamente o que ele quer dizer. Toda a minha vida eu disse o que todo mundo queria que eu dissesse, vesti o que todo mundo queria que eu vestisse, agi exatamente assim – sem perceber até este exato momento que eu esperava por alguém que olhasse além de tudo isso e realmente me visse.


— Você me faz sentir como se eu pudesse ser completamente eu mesma, Ian. Isso é uma coisa rara para mim. — Eu não quero que você seja ninguém exceto você mesma, — Ian diz com um sorriso. — Sparrow? — Ele limpa a garganta. — Eu preciso te perguntar uma coisa. Ou... te contar uma coisa... Nossa garçonete chega e eu posso dizer que Ian está perturbado e desejando que ela fosse embora. Temos pressa em pedir nossas bebidas. Eu gostaria que ele segurasse a minha mão de novo, porque ele está me deixando nervosa. — Eu estive pensando... você sabe quantos anos eu tenho? Eu não sei o que eu esperava, mas não era isso. — Bem, eu acho que achei que você tinha 22, talvez 23. — Eu olho para o seu rosto de menino. Eu realmente acharia que ele era mais novo se eu não soubesse que ele criara uma grande carreira musical até agora. Seu rosto é perfeito, sem linhas, em absoluto. Se eu tivesse que adivinhar, sem saber nada sobre ele, eu diria mais como 19 ou 20. Ele faz uma careta e afasta sua mão da minha para fazer aquela coisa de puxar o cabelo que ele faz. Ele realmente está começando a me deixar ansiosa. — Por quê? Quantos anos você tem? — Pergunto. — Bem, eu pensei que você tinha em torno de 22 ou 23 anos quando saímos aquele dia em San Francisco. — Ele põe a cabeça na mão e olha para mim lentamente. — Você é alta, eu acho que faz você parecer muito mais velha. Eu não tinha ideia que tinha 18... — ele engole. — Eu fiz aniversário desde então... — Eu sorri. — Oh, graças a Deus, — diz ele. Ele parece um pouco verde. Ele ainda não pegou minha mão. — Sparrow, eu vou fazer 29 este ano... bem, no próximo ano.


— Nãããããoo. — Eu não posso evitar. Estou chocada. Ele suspira. — Sim. Não por mais nove meses, mais ou menos, mas ainda assim. — Ele olha para baixo e eu estudo a forma como seus cílios curvam para cima nas extremidades. Muito melhor do que qualquer curvex jamais poderia fazer. — Então você tem 28. — Eu digo o óbvio. Ele acena com a cabeça. — E eu tenho 19 anos. Ele assente novamente. — Uau. — Sim. Uau. — Bem... — Eu começo a puxar o meu cabelo agora. — Uau. — Eu acho que você poderia dizer que estou impressionada. — Bem, ok, — digo finalmente. — É estranho para você? — Ele pergunta. — Hum, sim, um pouco. E eu já sei que te deixa estranho. Mas... você realmente não age como se tivesse 28! E você certamente não parece isso. Ele sorri. — Obrigado? — Ele limpa a garganta. — Eu só precisava esclarecer isso... Laila chamou a minha atenção em San Francisco e me fez sentir como uma aberração. Eu sou velho. E eu nunca em um milhão de anos sairia com alguém que não estivesse pelo menos em seus vinte e poucos anos em circunstâncias normais. Eu só não fiz muito bem em ficar longe de você. Eu tentei. Eu realmente tentei. Eu rio de sua expressão séria. — Bem, não é como se você fosse velho ou algo assim. Embora, você está chegando lá. — Dou um sorriso malicioso. — Mas, isso não precisa importar. Eu nunca saberia a sua idade e você nunca saberia a


minha, se não fosse por alguém. A forma como estamos em torno um do outro – não parece que temos dificuldade em nos relacionarmos. — Não... Surpreendentemente, esta revelação não nos impede de seguir em frente e conversar sobre um milhão de outras coisas durante a noite. Eu mal penso na coisa da idade, uma vez que mudei de assunto. Quando terminamos de comer, vamos para o piano-bar do outro lado da rua. É muito escuro lá dentro, eu me pergunto o que eles fariam se soubessem que Ian Sterling estava no lugar.

Muito breve, já é tarde e estamos de volta na gôndola, andando de volta para o hotel. Ian tem um braço em volta de mim e o outro está brincando com a minha mão, tocando cada dedo e me dando calafrios com cada afago. Eu tremo e ele me segura apertada. — Frio? — ele pergunta. — Um pouco, — sussurro. Ele me embrulha em seu casaco e levanta meu queixo com uma mão. — Você tem os melhores lábios, eu não posso tirar meus olhos deles, — ele sussurra. Seu dedo traça minha boca novamente e desta vez, eu sei que ele vai me beijar. Minhas pálpebras parecem pesadas. Tão suave que eu quase penso que estou imaginando, seus lábios estão nos meus. Então, não há dúvida. Ele me beija docemente, primeiramente, e depois quando as nossas línguas se tocam, avidamente, como se ele não pudesse ficar mais um momento até que tenha completamente reivindicado cada parte da minha boca. Suas mãos estão no meu rosto e as minhas estão, finalmente, puxando seu cabelo, exatamente onde


minhas mãos queriam estar desde o dia em que o vi pela primeira vez. Eu puxo-o mais e mais fundo; eu não posso ter o suficiente.

Todos os beijos antes deste tem sido brincadeira de criança. Eu bebo-o e sei que meu destino está selado: Eu sou sua.


-8-

Flutuando e Caindo Mesmo depois de sair do elevador, ele tem seu braço em volta de mim, segurando-me firmemente ao seu lado. Ele inclina a cabeça para baixo e beija meu cabelo, minha testa, minha bochecha. Eu sorrio para ele e seus olhos estão brilhando mais do que nunca. Ele tira o meu fôlego. Acabamos na frente da minha porta. Ele se inclina para baixo, corre a língua levemente sobre meu lábio inferior e geme. — Eu não quero deixá-la ir, — ele sussurra. Eu não posso nem falar. Meu coração parece um despertador antiquado com os sinos tocando com tanta força que ele cai da mesa. Ele me pressiona contra a porta, chegando para mais, quando ouvimos um clique alto. A porta se abre e nós quase caímos para dentro. Charlie está lá, e ela tem a decência de não agir muito chocada com o nosso estado desalinhado. — Eu pensei ouvir você bater, — diz ela. Quando nós apenas olhamos para ela, ela fecha a porta. Embaraçoso. Ian e eu nos entreolhamos e, se eu não me sentisse tão bem, eu desejaria rastejar em um buraco agora mesmo. — Obrigado por uma noite maravilhosa, — diz Ian, beijando minha mão. Ele se inclina e sussurra: — Você tem um gosto ainda melhor do que eu imaginava. Eu sei que estou tão vermelha que beira o roxo, mas não posso evitar. Isto é muita sobrecarga sensorial para uma noite. — Passarinho? Você está bem?


Concordo com a cabeça e ele sorri. — Boa noite. Ainda estamos bem para o café da manhã antes de seu voo? Concordo com a cabeça novamente. Ian dá uma batida forte na porta e quando a minha mãe abre a porta desta vez, ele diz aos meus pais boa noite e me dá uma última piscadela antes de ir.

Minha mãe olha em meus lábios e eu sei que ela sabe. Eu começo a rir e não consigo parar. — Como você soube? — Pergunto. — Bem, seus olhos estavam iluminados como o Natal quando você caiu dentro da porta, — ela bufa. — Fomos a um ótimo restaurante e tivemos um tempo maravilhoso, — suspiro. Meu pai não disse uma palavra. Eu olho para ele com cautela e ele me dá um sorriso fraco. — Basta ter cuidado com esse menino, Sparrow, — minha mãe avisa. — Ele é muito mais experiente que você... e ele está habituado a ter qualquer garota que ele quer. — Eu sei... e ele não é um menino. Eu descobri quantos anos ele tem, mamãe... 28! Você pode acreditar nisso? — Nãããããooo. — Seu rosto ligeiramente composto é agora substituído por um vinco preocupado no meio de suas sobrancelhas.


Uh-oh. Não é bom. — Eu sei, isso é o que eu disse também, — eu disse suavemente. Meu pai fala em seguida: — Jeff me disse quantos anos ele tinha naquele dia em San Francisco... — Ele volta a ler o seu livro. Minha mãe e eu nos entreolhamos e, em seguida, ataco meu pai. — O que você quer dizer? Por que você não disse nada? — Eu nunca pensei que idade importava muito. Eu me casei com uma mulher mais velha eu mesmo, — ele sorri. É verdade. Charlie é cinco anos mais velha que meu pai. — Hmm, — digo. — Eu não acho. Ainda parece como algo que você CONTARIA. — Ele ri na minha ênfase. — Não foi realmente nada importante até agora, já que eu não tinha ideia. Eu acho que se isso não incomodá-lo, também.... Charlie balança a cabeça. — Basta ter cuidado, Sparrow. — Sim, mamãe, eu sei... Eu preciso...

Quando entro no restaurante na manhã seguinte, eu imediatamente vejo Ian. Ele está sentado na frente de enormes janelas com as montanhas brancas atrás dele. Ele poderia estar em um set de filmagem, só que ele é mais bonito do que qualquer ator que eu já vi. Seu sorriso não chega a atingir os seus olhos esta manhã, e meu coração cai no meu estômago. Eu acho que talvez eu tenha imaginado. Talvez ele esteja apenas cansado.


— Bom dia, — digo baixinho. — Bom dia, Sparrow. — Ele esfrega o rosto com as duas mãos, e eu penso que se estivéssemos realmente juntos, ele parecia como quem ia acabar comigo. — Tudo bem? — Pergunto. — Sim... — ele sorri, mas não vou acredito. Eu pego o menu e tento descobrir o que eu poderia comer enquanto o estômago ainda não voltou ao seu devido lugar. O garçom chega e pergunta se gostaríamos de café. Nós dois agradecidos dizemos sim. Ele não diz nada por um tempo, e eu só olho pela janela e tento controlar meus pensamentos – o que eu perdi aqui? Finalmente, ele diz: — Então... você tem um semestre inteiro chegando? Conversa fiada, realmente? — Sim, muito cheio. Ele assente. Isto é doloroso. — E quanto a você – você tem uma turnê de inverno ocupada? — Sim, eu estarei em todo o lugar pelos próximos meses. Nós fazemos o nosso pedido com o garçom, e eu sento desajeitadamente enquanto esperamos a comida. Eu não posso acreditar como isso parece. Por que tem que acabar assim toda vez que estou com ele? Eu gostaria de ter coragem de perguntar a ele, mas tenho medo de que se fizer isso eu acabarei chorando. Eu não estou acostumada com as minhas emoções sendo uma bagunça. Eu não gosto deste negócio de para cima e para baixo.


Eu só consigo dar algumas mordidas no bagel15 antes de eu desistir. Ele lentamente come sua omelete e não a termina também. Ele toma um gole de café e, em seguida, um gole de água. — Sparrow... Eu olho para cima do meu prato e espero. — Eu realmente gostei de estar com você esta semana. Assistindo você esquiar e apenas estar perto de você, te conhecer... foi... uma das melhores semanas que eu me lembro. — Ele parece tímido quando está dizendo isto. — Você é... a mulher mais linda que eu já vi... Minha boca deve cair aberta, porque ele diz: — Você é! — E então ele se estica e levanta meu queixo para cima suavemente com a mão. — Você é gentil e inteligente e... beijar você... — ele balança a cabeça e fecha os olhos. — ... eu estarei pensando sobre isso por um longo tempo. — Ele abre os olhos e apoia o queixo em sua mão. Ele me olha fixamente até que eu estou desconfortável. Só quando eu acho que ele está esperando por mim para responder, ele diz: — Você sabe que eu sou problema. Certo? E, em seguida, antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele corre os dedos pelo cabelo, fazendo-o ir em todas as direções. Seus olhos parecem verdes com a luz do sol atrás dele. Eles parecem assombrados. Ele se aproxima mais e pega a minha mão e enlaça nossos dedos juntos. — Você vai quebrar meu coração, Sparrow Fisher. E eu penso, não antes de você quebrar o meu. Ele diz algumas outras coisas sobre todos os outros corações que eu vou quebrar ao longo do caminho e realmente, eu concordo por que não sei nem o que pensar. Eu esperava estender um pouco a noite romântica de ontem. Eu não sei por que não pensei sobre como seria a próxima semana ou o próximo mês ou o próximo, porque eu estava muito ocupada supondo que ele estaria no quadro.

Produto de pão tradicionalmente feito de massa de farinha de trigo fermentada, na forma de um anel, feito sob-medida à mão e que primeiro é fervido em água e depois assado. 15


Quando é hora de ir, nos levantamos e ele me dá um longo e doce abraço. Seu beijo é suave e breve. Eu tenho que sair daqui e rápido. — Bem... se eu não vê-lo de novo, eu acho que te verei no céu... se você conseguir lá chegar. — Eu faço o meu melhor para sorrir alegremente e ele faz também. Eu vou embora antes que perca a compostura, mas cometo o erro de virar mais uma vez antes de virar a esquina. Ian Sterling tem a cabeça entre as mãos e todo o mundo em seus ombros. Adivinha quem está no meu voo de regresso? Jared. Eu quero me esconder quando eu o vejo – não porque não gosto dele, eu gosto. Ele parece tão diferente de sua irmã, e ainda melhor do que Jake. Mas estou exausta e estive adiando um bom choro toda a manhã. Eu tenho medo que se alguém me mostrar o mínimo de grosseria OU bondade, eu começarei a vazar grandes, gordas e desleixadas lágrimas. Estou tão fora do meu elemento. Ele pisca seu sorriso doce para mim e levanta sua mão em um aceno. — Sparrow! Fico feliz em vê-la! Eu desejava a chance de dizer adeus. Isto é ainda melhor. Seus olhos castanhos são tão sinceros, estou imediatamente à vontade. — Oi, Jared. Sim, é bom vê-lo. Você está pronto para voltar para a escola? Ele ri. — Bem, eu não sei sobre isso... eu prefiro esquiar uma semana. — Eu também. — Pelo o que eu posso dizer, com certeza você pegou rapidamente. — Eu ainda estou em choque sobre isso, me deixe dizer. Atlética NÃO é meu nome do meio. — Bem, você poderia ter me enganado. — Ele sorri. — Ei, onde você está sentada?


Eu retiro o meu bilhete e encontro a fila. Ele está olhando por cima do meu ombro. — 12D — diz ele. — Você gostaria de ver se podemos mudar os nossos lugares? Sentar juntos? Eu prefiro dormir o sono dos mortos, mas concordo. — Claro. Ele vai até o bilheteiro e você não sabe, eles conseguem encontrar dois assentos vazios juntos. Quando estamos voando por cerca de 28 minutos, Jared vai direto ao ponto. — Então, qual é a história de você e Sterling? — Ele nem sequer olha para mim quando diz isso, mas se ocupa com a mesinha na frente dele. Ele a abaixa. Empurra. Abaixa novamente. — História? — Sim. Como se vocês já tivessem uma história? — Ele diz isso como uma pergunta e, eu olho para ele, esperando que ele diga mais antes de eu tentar decidir o que dizer em resposta. — Vocês estão, você sabe... saindo? Eu sempre pensei que saindo era uma forma tão estranha de dizer que você está em um relacionamento. Não há realmente nenhuma grande maneira de dizer. Ele é seu namorado? Soa tão retro. Saindo me faz pensar em obter algum ar fresco. Encontro só parece... antigo. — Bem, as vezes que eu estive perto dele... eu gostei muito dele. — Viro-me para ele quando digo isso. Estou tentando ser o mais honesta que puder, já que eu realmente não tenho ideia do que Ian Sterling é para mim, ou melhor ainda, o que eu sou para ele. Mas eu sei isso: eu gosto muito dele. É o suficiente. Jared entende. Ele acena com a cabeça e parece... desapontado. Eu não sei se é decepção em mim ou de mim. Eu sei que eu realmente não quero pensar nos sentimentos de ninguém agora. Mal consigo suportar os meus. — Basta ter cuidado, Sparrow, — diz Jared, ainda olhando para frente.


Eu aceno com a cabeça e sinto o meu estômago afundar por causa de Ian, ao mesmo tempo, sinto alívio que talvez Jared e eu possamos realmente ser apenas amigos. Eu inclino a minha cabeça de volta no lugar e mudo de assunto. — Foi difícil dizer adeus a sua família esta manhã? Ou você está acostumado com isso? — Eu só posso aguentá-los em pequenas doses, então foi apenas certo. Eu sorrio para ele. É difícil imaginar que ele é irmão de Jade. Eles são tão completamente

diferentes.

Tudo

sobre

Jade

grita

mimada,

rica,

esnobe

desagradável. Jared parece ser um tipo ursinho escondido debaixo de braços tonificados. — E você? — Vou sentir falta da minha família. Foi ótimo vê-los... mas sim, eu estou feliz por voltar. Estive um pouco distraída. Estou pronta para me focar agora. Espero, de qualquer maneira... — Eu paro. — Ei, o que você vai fazer amanhã à noite? — Amanhã à noite? — Sim, véspera de Ano Novo? — Ah, eu ainda não pensei nisso! Eu não sei – preciso ver o que Tessa planejou. — Bem, vocês duas devem ir para a festa que Asher Caldwell está dando – venham comigo. — Asher Caldwell – isso soa familiar. — Produtor musical? Ele é um amigo da família. Cara legal. Sua carreira decolou nos últimos três anos.


— Sério? — Eu não posso deixar de rir. — Quantas pessoas famosas você conhece? Ele ri e encolhe os ombros. — Uns poucos, eu acho. Eu estou tão relaxada que a próxima coisa que eu sei, minha cabeça está caindo no ombro de Jared enquanto derrapamos na pista, pousando com velocidade. Eu sorrio desculpas para ele e seus olhos se enrugam. — Sente-se melhor? — Sim, obrigada por proporcionar o ombro. Eu não sabia que estava tão cansada. — Não é um problema. Na bagagem, trocamos números de telefone. Ele promete ligar sobre a festa, e eu prometo pensar seriamente em ir. No momento, porém, tudo o que eu sinto vontade de fazer é visitar minha cama. Minhas férias estão finalmente a aproximar-se de mim. É TÃO bom ver Tessa. Ela imediatamente me acorda, querendo saber tudo sobre a minha viagem. Assim que chegamos à porta, ela está fazendo chocolate quente e, em seguida, puxando-me para o sofá, fazendo pergunta após pergunta. Eu não estou tão participativa quanto ela gostaria, e, finalmente, ela franze a testa para mim e diz: — Qual é o problema? Foi ótimo ou não? O que aconteceu com Ian? E eu não posso ignorar o nó que está na minha garganta durante todo o dia... bem, desde o café da manhã com Ian. Estou à beira de lágrimas e começo a choramingar. — Foi perfeito. Cada dia foi perfeito e, em seguida, na noite passada... saímos e foi tão maravilhoso e nos beijamos. E oh minha palavra, ele é o melhor. MUITO melhor do que Bobby, que você sabe que eu sempre pensei que era o melhor beijador. Sempre. E então esta manhã, ele me pediu para tomar café da manhã, mas quando eu cheguei lá, ele estava tão distante e disse que eu iria


quebrar seu coração, mas também disse que ele era o problema, então isso foi tão confuso e foi como se estivéssemos começando tudo ou como se fôssemos estranhos e... — Eu busco fôlego e sento-me ali, desejando ter um saco de papel. Em vez de respirar nele, eu cobriria minha cabeça e iria em frente e despejaria meu sofrimento. A testa de Tessa está dobrada em um profundo V. Ela NÃO parece feliz. — Espere. Comece de novo. O que? Essa não vai muito melhor do que a minha primeira tentativa, mas pelas duas horas da manhã, eu tenho suficientemente explicado cada palavra, cada olhar, cada toque e cada suposição que fiz sobre o que ele pensava e o que eu pensava sobre cada coisa. Você sabe, nós fazemos a coisa de menina e DISCUTIMOS.

Acontece que, Tessa não tem um grande plano para a véspera de Ano Novo. Ela queria manter suas opções em aberto. Então, quando eu disse a ela sobre o convite de Jared para a festa de Asher Caldwell, ela era tudo sobre isso. Na parte da manhã, Jared liga e pergunta se nós, por favor, vamos. Eu digo sim. Enquanto nos preparamos naquela noite, Tessa está muito mais animada do que eu. Acabo de ter a melhor semana da minha vida e a decepção é espessa. Quando eu penso sobre Ian e como as coisas ficaram entre nós, eu tenho que lutar muito para não cair em um poço... tudo isso é nojento. Principalmente, eu me sinto muito estúpida por me deixar tão apanhada no romance da viagem. Eu não me senti exatamente jogada porque ele certamente não se aproveitou de mim, mas é quase pior, porque ele agiu como se ele realmente tivesse fortes sentimentos por mim. Como se ele quisesse dizer cada palavra e cada toque.


Eu estou tão confusa. Eu escolho um vestido preto curto e meu cabelo está caindo em ondas soltas pelas minhas costas. Eu não cortei meu cabelo desde que eu vim para Nova Iorque e cresceu como louco. Eu passo um pouco de maquiagem, mas meu coração não está em nada disso. Tessa está usando um vestido verde, que realça o verde em seus olhos. Seu cabelo é esse tom perfeito que todas as mulheres com cabelo loiro querem. Ela parece impressionante.

A festa já está no auge quando Tessa e eu chegamos lá. É na cobertura ostentosa de Asher. Eu nunca vi nada parecido. A única palavra que eu consigo pensar é: opulência. Em todos os lugares. Tudo é tão exagerado, é quase berrante. Eu estou usando saltos assassinos por isso posso ver a maior parte da multidão e onde Jared está imediatamente. Eu agarro o braço de Tessa e nós vamos até ele. A música está bombeando e há casais já suando enquanto dançam. Alguns deles estão me deixando desconfortável, à medida que avalio as danças eróticas que estão traumatizando meus olhos ao ponto de causar arrepios e de precisar ir lavas minhas córneas. Eca. Jared se vira assim que estamos a centímetros dele, e ele grita sobre a música, — Sparrow! Hey! — Ele começa a se mover em nossa direção, e eu posso ouvir Tessa murmurando baixinho. Ela gosta do que vê. Ah, sim. Isso é bom. Por que eu não pensei nisso antes? Não é sempre que eu encontro um homem digno de Tessa. Jared poderia ser. Ele me dá um abraço e beija minha bochecha. — Você parece incrível esta noite, Sparrow, — diz ele.


— Você parece muito bem, também, Jared. Ei, essa é Tessa! Ele já se virou para ela, e eu posso dizer que ele gosta do que vê, também. Ela está radiante para ele, enquanto ele pega a mão dela e prende-a até seus lábios. Ah, isso é bom. Isso é muito bom. Conversamos por alguns minutos e em pouco tempo, Tessa só não pode ficar parada mais. — Você quer dançar? — Jared pergunta. Ela agarra seu braço e saem na pista de dança e começam a fazer a sua coisa. Eu estou em pé e tento limpar o enorme sorriso do meu rosto. É muito cedo para estar animada. É só uma dança. Eu decido pegar uma bebida e no meu caminho para o bar, eu vejo Asher Caldwell falando com uma loira do tipo Playboy. Ele é mais alto do que eu esperava e ainda mais bonito. A menina está segurando em seu braço e se aproxima dele a cada segundo. Eu pesquisei os projetos em que Asher tem trabalhado e estou impressionada. Ele fez que várias bandas que estavam em dificuldades retornassem com a sua produção. Eu me pergunto o que Ian pensaria de eu estar na casa de Asher Caldwell atravessa minha mente. Quem se importa? Estou cansada de imaginar o que Ian Sterling pensa. Enquanto passo até o bar, eu estou tão perto de Asher que posso ouvir sua voz rouca. Eu sempre tive uma coisa por vozes roucas. Em minha opinião, é a única parte que vale a pena de ter um resfriado. Ou eu acho que no caso dele, ele é apenas sortudo. Isso seria ainda melhor. Ian é mais alto e sua voz é ainda mais sexy, mas quem está comparando? Estou tomando minha flirtini16 de framboesa quando me viro para encontrar Tessa e Jared, e quase atropelo Asher. Ele apareceu de repente em meus calcanhares. Eu levanto a bebida para evitar que derrame em cima dele e isso derrama em minha mão. Ele parece divertido.

16

Coquetel contendo vodca, champanhe e suco de fruta.


— Eu sinto muito. Eu quase arruinei sua jaqueta. — Eu digo antes que eu tenha tempo para pensar. Asher parece só ter olhos para o meu peito. Eu limpo minha garganta. Ele levanta os olhos lentamente, tomando seu tempo. Até que ele percebe que eu estou olhando para ele, e ele amaldiçoa em voz baixa e segura sua mão para mim. — Sinto muito. Você me pegou boquiaberto. Quem é você? — Ele pega a bebida da minha mão e se inclina no bar para um guardanapo. — Aqui, isso vai ajudar. — Ele faz um gesto para o garçom e o cara começa a trabalhar, fazendo outro para mim. Enxugo meu lado o melhor que posso com um guardanapo. — Vamos lá, vamos deixá-la limpa. — Ele ignora minha mão pegajosa e enfia-a em seu braço. Eu ainda não disse uma palavra. Acho que eu deveria me sentir nervosa, quando ele me leva por um corredor longe de todos, mas ele está sendo tão educado que não me sinto preocupada. Ele abre a porta do quarto e eu abro minha boca para protestar quando ele diz: — Meu quarto tem o melhor banheiro. Vou guardar a porta para que ninguém incomode você. — Obrigada. — Eu sigo onde ele está apontando, e ele mantém sua palavra e fica à porta. O barulho da festa é inexistente aqui. É definitivamente o melhor cômodo da casa, muito mais discreto. Talvez sua velha tia rica decorou o resto do lugar. Eu rapidamente lavo as mãos e ignoro a minha tentação de bisbilhotar. Quando abro a porta do banheiro, Asher está encostado na porta do quarto fechado e me estudando. — Você é linda, — diz ele. — Obrigada, — eu digo, em voz baixa. — Qual é o seu nome? — Sparrow.


— Bonito. — Ele parece obcecado pelas minhas pernas agora, e estou ficando desconfortável. Eu chego até a porta e estou chegando para pegar o puxador quando ele coloca a mão no meu braço. — Dança comigo? Abro a porta e saio agora. Ele está logo atrás de mim. — Ei, eu não sou tão lascivo como eu pareço, prometo, — ele ri. — Sim, é preciso alertar os seus globos oculares. Coloque-os de volta em sua cabeça, amigo. — Eu reviro os olhos para ele. Infantil, eu sei, mas realmente. Sua risada ecoa no corredor. — Oh, ela tem uma boca também. Eu gosto disso. — Seus olhos estão rindo de mim. Assim que estou prestes a chegar ao fim do corredor, ele estende sua mão novamente. — Sparrow. Uma dança? Eu suspiro. — Claro. — Eu aceito. Realmente acho que ele é inofensivo. Sem mencionar, realmente muito bonito. Ele é como o oposto de Ian. Cabelos descoloridos loiros, olhos azuis, tatuagens espreitando para fora de sua camisa. Já vi fotos na People sem camisa e ele é coberto de tinta. Ele faz com que pareça quente, isso é tudo que eu sei. A garota Playboy é uma das primeiras pessoas que eu vejo quando saio, e Asher coloca o braço em volta de mim quando passamos por ela. Isso me faz estremecer. Eu não quero que ele tenha a ideia errada, e eu também me sinto mal por ela. Viro-me para dizer alguma coisa e seu rosto está tão perto que meu nariz toca seu queixo. — Talvez isso não seja uma boa ideia, — digo. — O quê? — A música está muito alta, mas eu sei que ele me ouviu. — Eu não acho que... Ele agarra minha cintura e me puxa, tão perto quanto ele pode possivelmente pode. O que uma dança vai doer? Começo a me mover e deixo o ritmo tomar conta. Asher está combinando movimento por movimento. Quanto


mais danço, mais eu coloco Ian fora da minha mente e curto a noite. Uma canção para outra e outra e outra. É bom deixar ir. Asher não sai do meu lado o resto da noite. Acaba por se revelar que o cara é muito engraçado. Eu esqueço tudo sobre ele ser o Sr. Richie Rich17, mesmo quando fomos para sua lareira banhada a ouro para recuperar o fôlego e tomar uma bebida. Tessa e Jared chegam e Jared apresenta Tessa para Asher antes de eu ter uma chance. Jared e Tessa estão claramente interessados um no outro. Tessa se inclina, — Você está bem, Ro? Está se divertindo? — Concordo com a cabeça e ela corta os olhos para o lado, olhando para Asher com o canto do olho, avaliando-o. Ela se inclina para mais perto e diz no meu ouvido. — Bem, você sabe o que eu sempre digo: A melhor maneira de acabar com um figurão da música é encontrar outro. Eu posso ter acabado de inventar isso. — Ela pisca para mim enquanto eu a abraço e rio. — É uma boa, certo? — Eu acho que você pode ter razão. — Eu sussurro em seu ouvido. — Eu não achei que iria me divertir esta noite. — Estou tão feliz por você se divertir, — diz ela e beija minhas duas bochechas. — Sparrow, está pronta para voltar lá? — Asher aponta sobre seu ombro. Eu nunca estive com um cara que gosta de dançar como ele gosta. O homem pode se mover. Realmente se mover. Nós finalmente paramos de dançar quando a contagem regressiva para a meia-noite começa. Eu olho em volta por Tessa e ela e Jared ainda estão unidos pelo quadril. Estamos todos gritando: — 5, 4, 3, 2, 1 – Feliz Ano Novo! — Serpentinas e confetes voando e enquanto eu ainda estou olhando para todas as cores no ar, Asher Caldwell me puxa e me beija.

17

O riquinho, o menino mais rico do mundo.


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Na Manhã Seguinte Na manhã seguinte, eu acordo e estico os músculos cansados. Eu estou grata por não beber muito na noite passada, porque eu realmente estaria miserável esta manhã. Meu corpo dói como se eu estivesse morrendo. Eu não sabia que estava tão fora de forma. Eu rastejo para fora da cama e vou para a cafeteira. Eu tive uma noite divertida, mas não consigo me livrar dos sentimentos conturbados que estou tendo sobre Ian. Parece que eu o traí de alguma forma. O beijo com Asher. Eu não vi isso vindo. Foi um bom beijo. Mas... isso não parece certo. Lembro-me que Ian e eu não fizemos nenhuma promessa para o outro. Na verdade, eu acho que peguei a escova quando nos separamos. Eu não deveria me sentir culpada por agir como qualquer menina da faculdade faria. E Asher Caldwell. Eu ainda não envolvi minha mente em torno disso. Primeiro Ian Sterling e depois Asher Caldwell. Eu me pergunto se eles se conhecem. Eu estou tentando fazer sentido quando uma onda de náusea me impede de dar um meio-passo. No segundo seguinte, eu estou correndo para o banheiro, e café é uma memória distante. O dia começa e acaba assim. Eu não consigo parar de vomitar. Cada parte de mim dói. Eu tenho uma febre e sonhos loucos. Tessa trata de me verificar e eu a enxoto para fora do quarto, para que ela não pegue o que quer que eu tenha. Meu telefone toca e eu desligo, e durmo o dia inteiro. No dia seguinte, Tessa vem com torradas e chá quente e tenta me convencer a comer. Eu ainda estou me sentindo horrível. Ela está olhando para mim como se ela tivesse um grande segredo e eu me inclino e coaxo, — Cuspa. O que está acontecendo com você?


— Bem. Podemos falar quando você estiver se sentindo melhor. — Ela não consegue parar de sorrir. — Por enquanto, você precisa descansar. — Estou cansada de descansar. O que é? — E então isso me bate. — Jared. — Eu sorrio de volta. Todo o seu rosto se ilumina. — Ele é incrível! Doce mãe de Judas... você viu seus braços? E nós nos beijamos a meia-noite. — Ela fecha os olhos e seus lábios estão praticamente tocando seus olhos, eles estão tão elevados. — Eu vou sair com ele hoje à noite. — Você vai? Oh, Tess. Eu gosto muito dele! — Falando de beijos... — Os olhos de Tessa estão brilhando. — Hum, olá. Você beijou Asher Caldwell na outra noite. Eu me escondo debaixo dos cobertores. — Eu não posso acreditar que eu fiz isso. Eu não sei o que estava pensando. — Eu gemo e cubro a cabeça com o travesseiro também. — Vocês pareceram QUENTES dançando juntos. Eu vi aquele beijo vindo a uma milha de distância. Eu gemo novamente. — Eu vou te dar uma pausa desde que você esteve tão doente, mas quando você sair dessa cama, vamos falar sobre isso. Eu fico debaixo do travesseiro até que ela sai. Minha febre termina em algum momento da noite e eu acordo na manhã seguinte sentindo-me melhor. É uma coisa boa, porque eu tenho que ir para a aula de tarde. Quando eu chego à cozinha, um jornal está na mesa – nunca temos jornal. Está aberto na seção de entretenimento, e dou apenas um olhar quando vejo uma foto de Asher e eu ocupando mais da metade da primeira página. Estamos em uma pose provocante, dançando e olhando um para o outro parecendo como se não houvesse mais ninguém na sala. Então, talvez eu tivesse


bebido um pouco demais. Eu já estou me sentindo fraca de estar doente, mas isso não ajuda. Eu olho novamente. Corro para o meu computador e pesquiso Asher Caldwell e uma dúzia de fotos de nós na festa aparece. Eu olho para todas elas e quando eu vejo a última, eu deixo cair a minha cabeça em minhas mãos. Somos nós, nos beijando. Nenhum beijo inocente. Suas mãos estão em ambos os lados do meu rosto e as minhas mãos estão em seu cabelo. E se bem me lembro, nossas línguas estavam goela abaixo um do outro. Você pode dizer pela imagem, também. Meu rosto está em chamas, e não é febre. Eu pego meu celular e vejo que eu perdi 27 chamadas. 4 de meus pais, me desejando um Feliz Ano Novo e, em seguida, perguntando por que não estou retornando as suas chamadas... 3 de Tessa, me verificando, perguntando se ela deve trazer um pouco de sopa de macarrão e frango, e, em seguida, dizendo que não preciso responder, ela está trazendo um pouco de sopa de macarrão e frango. 17 são de várias revistas de fofocas e canais de notícias. Eu apago todas elas. 2 são de Asher. Muito doce. Dizendo que ele amou dançar comigo e que me encontrar foi a melhor coisa que aconteceu com ele no ano passado. Bonito. Ah, e quando poderíamos nos ver outra vez? E, em seguida, a última. Ian. Meu coração acelera quando ouço sua voz. — Uh, Sparrow? Hey, é Ian. Olha, eu gostaria de falar com você. Queria ter certeza de que você chegou em casa bem... e dizer Feliz Ano Novo. Então... Feliz Ano Novo. Ele soa mais estranho que eu já ouvi.


— Além disso, eu vou tocar aí, dentro de algumas semanas. Vou mandar mensagem com a data exata, mas... eu adoraria vê-la quando estiver na cidade. Pausa. — Bem, desculpe pela longa mensagem. Tenho certeza de que você tem coisas melhores a fazer do que me ouvir divagar. — Ele ri baixinho. — Tchau, Passarinho. E... diga oi para Asher por mim. E lá está. Eu deveria saber que ele sairia da toca quando me viu com outro cara. Asher, não menos. Por um capricho, eu pesquiso seus nomes e encontro várias fotos deles juntos em vários shows beneficentes e premiações de música. Vendo todas as fotos de Ian me faz pensar porque nunca houve quaisquer paparazzi em nós. Nunca. A única coisa que posso imaginar é que Asher parece AMAR a câmera, e Ian sempre parece se esconder dela. Interessante. Estou mortificada e aqui está o motivo: * Beijei alguém dentro de horas de encontrá-lo * 48 horas depois de beijar o que eu quero * Gostei de ambos

Deus. O que Charlie diria?

Na semana seguinte, recebo flores de Asher. Ele liga todos os dias. Às vezes, eu respondo. A maioria, não.


Finalmente, no dia 7 ele diz: — Por que você está jogando tão difícil de conseguir? — Eu não estou jogando nada, — digo. — Eu sei que você estava na minha. Aquele beijo... a forma como nos movemos juntos. — Gostei muito da festa. E adoro dançar. — Eu sei que estou soando má, mas não estou tentando ser. Eu realmente não quero incentivá-lo, e, ao mesmo tempo, eu realmente gosto do cara. — E às vezes eu gosto de beijo ocasional, — acrescento, tentando amolecer meu tom de voz, mas também tentando deixá-lo saber que não quero mais com ele. — Você está saindo com alguém? Faço uma pausa antes de responder. — Há alguém em quem estou interessada. — Eu mentalmente repreendo Ian por tornar isto complicado. Como ele me conseguiu tão envolvida? — Oh. Bem, você é exclusiva com esse cara? — Não. — Um suspiro escapa antes que eu possa pará-lo. — Então sai comigo. Vamos, Sparrow. Vai ser divertido. Eu não consigo parar de pensar em você. — Eu não estou à procura de um relacionamento, Asher. — Ok, perfeito, — ele responde. — Eu realmente não quero estar em todas as revistas de fofocas, tampouco. — Minha voz está soando agitada, mas não me importo. — Por que não? Você parece uma modelo! — Ele ri. Ele abaixa a sedutora voz rouca. — Você já pensou em modelar para a Victoria Secret?


Eu não sei o que dizer sobre isso. Eu aperto o telefone tão forte que acidentalmente aperto o botão mudo com o meu rosto. Eu rapidamente corrijo-o. Ele ri mais. — Olá? Você está aí? Você sabe que você tem um corpo que precisa ser visto. — Não! — Gemo. — Esqueça isso. Por que você está me atormentando? — Relaxa, garota. Hoje à noite? Busco você ás 7? — Como amigos. — Eu animo. Sim, por que não podemos ser apenas amigos? — Sim, — ele diz lentamente, — que seja. Nós desligamos e eu tento obter o trabalho de casa feito até que absolutamente preciso começar a me preparar. Eu continuo me lembrando do beijo – foi bom. Muito bom. Não é como beijar Ian... mas Ian não está aqui.

Meu encontro com Asher é de uma maneira mais suave do que eu esperava que fosse, o que é um alívio. Ele foi tão intenso na outra noite, gritando sexy em cada movimento... Eu estava um pouco com medo do que poderia ser estar a sós com ele. Eu gosto de pensar que tenho limites, mas bem, ele é um músico quente e, aparentemente, eu tenho uma coisa por esses. Vamos a um pequeno restaurante. Se há câmeras em volta, eu não as vejo. Asher é cheio de histórias hilariantes e é difícil ser sério sobre qualquer coisa. Tem sido um longo tempo desde que eu ria tanto. Eu estou tendo um grande momento e não me sinto nada desconfortável. Eu não posso pensar muito sobre


isso, mas é tudo um pouco muito Twilight Zone18. Talvez Deus esteja me testando para ver se eu posso evitar a tentação. Eu olho os braços protuberantes de Asher enquanto ele está falando, deixando de escutá-lo para estudar suas tatuagens. Eu nunca gostei de tatoos até este momento. A forma como seus músculos lutam contra sua camisa. Sim, os céus estão definitivamente brincando comigo, e eu tenho certeza que vou falhar. Falando de uma mudança – eu brevemente me pergunto sobre Michael e sinto falta dele um pouco. Algo sobre Asher me faz lembrar Michael – eu acho que é o nível de conforto que eu sinto com ambos. Antes que eu possa ficar mais distraída, Asher está de pé e estendendo a mão para mim. — Você ainda está comigo? Seus olhos estão vidrados. Eu chacoalho-os para ele e ele se inclina e me beija. Tanta coisa para ser apenas amigos. As próximas semanas varrem com a escola e encontros e muitas e muitas conversas, com eu dizendo: Amigos. E Asher dizendo: Sim, que seja. Ele parece muito bem sabendo que eu ainda verei outras pessoas, mas eu realmente não tenho tido tempo para testar isso. Ele poderia estar vendo uma série de outras garotas, eu realmente não tenho pensado nisso. Eu sei que não me incomodaria se ele estiver. Eu ouvi de Ian uma vez, desde aquele correio de voz, e foi um texto me dando a data e hora do seu show. Estou tentada a não ir, mas... com quem eu estou brincando? Eu não posso deixar de ir. E quem sabe, talvez vê-lo me dará o fechamento de alguma forma.

Série de TV americana conhecida no Brasil como Além da Imaginação e Quinta Dimensão em Portugal, criada por Rod Serling e dirigida por Stuart Rosenberg, apresenta histórias de ficção científica, suspense, fantasia e terror. 18


Tessa está determinada a conhecer Ian. Eu não falei sobre ele desde aquela noite que voltei da viagem de esqui, e ela sabe que é melhor não abordar o assunto. Mas quando eu disse que ele viria para o Village, ela imediatamente fez planos com Jared para que eles se juntem a mim. Jared e Tessa estão firmes, eu adoro-os juntos. Ele está completamente apaixonado. Ela age como se fosse indiferente sobre a coisa toda, mas eu posso ver a maneira como ela olha para ele quando acha que ninguém está olhando. Desde que ela namorou um monte de sapos, é provavelmente melhor ela ser cautelosa, mas estou secretamente esperando que Jared seja o certo. Quando a noite do show de Ian finalmente chega, e Tessa e eu estamos nos preparando juntas em nosso pequeno banheiro, Tessa diz séria para mim. — Ro. — Ela diz tão severamente que eu paro de brincar com o meu cabelo e olho para ela no espelho. — Eu sei que você tem uma queda por Ian. Eu não me incomodo em negar. — Basta ter cuidado. Jared diz que ele é um jogador – ele tem uma garota diferente em todos os lugares que vai. Eu só não quero que você se machuque. Meu coração está batendo. Eu estou ouvindo. Eu não queria pensar sobre isso, mas eu sei que ela provavelmente está certa. — Obviamente, ele sente algo por você, ou ele não iria continuar voltando para mais. Mas você pode ter qualquer cara... não perca seu tempo com alguém que não aprecia o que está recebendo. Eu aceno com a cabeça e sinto-me estranhamente à beira das lágrimas. Ian parece ter esse efeito em mim. — Por outro lado, se você acha que você o tem embrulhado, — ela sorri maliciosamente agora, — então ataca. Não brinque. Coloque TUDO lá fora, e caia na libertinagem de uma vez por todas. — Com essa última afirmação, ela ajusta a


minha camisa então mostra o decote. Eu o coloco no lugar. Ela puxa-o de volta e vamos continuar nossa batalha de camisa meia dúzia de vezes até que ela bufa e diz: — Confie em mim! — Eu deixo assim. Ela é assustadora quando está falando sério.

Eu sou um emaranhado de nervos. Quando chegamos ao clube de blues no subsolo, eu dou os nossos nomes para o segurança e ele nem sequer pede pela identidade. Sou levada para dentro de uma cabine de camurça coberta, na frente. Estou feliz pelo escuro. O ambiente é romântico e eu digo a Tessa e Jared para irem buscar uma bebida e tomarem o seu tempo. O tratamento de luva do garoto está me deixando mais ansiosa. Uma ruiva mais velha vem para o palco, junto com um guitarrista e um cara com um contra-baixo. A mulher parece já ter experiência. O clube está lotado e barulhento. Quando ela se senta ao piano e começa a cantar, o barulho suaviza um pouco, mas não acaba. Ela é boa, mas não parece merecer a atenção. Quarenta e cinco minutos mais tarde, Ian sai. O lugar fica louco com aplausos e vaias. Ian disse uma vez que ele adora esses lugares pequenos e que se contentaria com isso para o resto de sua carreira. Eu me pergunto se ele quer dizer isso, ou se ele secretamente quer ser mais famoso. Quando ele atinge a primeira nota em sua guitarra elétrica, a multidão é ensurdecedora. Eu tiro meus olhos de cima dele o tempo suficiente para olhar para as pessoas que saltaram para fora de seus assentos e agora estão tão perto do palco quanto podem chegar. Sua voz ecoa, um cascalho sensual que atravessa a sala. Todo mundo está totalmente imerso em Ian Sterling. Ele comanda a sala.


Mais tarde, quando ele se muda para o violão e canta uma balada soul, a sala está silenciosa enquanto o absorve. Eu não posso parar de olhar para ele. Ele me enfeitiçou. Muito em breve, ele termina. Eu não posso nem ficar feliz por isso significar que estarei com ele, eu estou muito triste ao ouvi-lo terminar de tocar.

Ian sai do palco e pela primeira vez em algumas horas, eu olho para Tessa e Jared. Eles estão olhando paralisados para o palco. Bato em Tessa. — Você está bem, Tess? — Puta merda, — diz ela. — Desculpe, Ro. — Eu sei, — eu confirmo. — Eu entendo agora. — Ela olha para mim e balança a cabeça. — Eu entendo. E Deus, ele é lindo. — Ela limpa a garganta. — Desculpe, Jared. Jared encolhe os ombros. — Eu não sou cego. — Não é apenas a coisa da música, no entanto. — Eu sinto a necessidade de explicar o que sobre ele tem me encantado. — Realmente, não é. Ele é muito mais... — Eu desisto. É impossível descrever algo que eu não entendo. Um homem enorme, com bíceps protuberantes vem para a mesa. — Sr. Sterling me pediu para acompanhar o seu grupo aos bastidores. — Ele estende um braço e eu me levanto e o pego. — Você me lembra o cara daquele filme... qual é? É antigo. Stephen King. The Green Mile! — Eu digo, estendendo o pescoço para olhar para ele.


— Eu ouço muito isso. — Ele sorri para mim. Ele balança a cabeça e dá um tapinha no meu braço. Um gigante querido. Tessa e Jared estão atrás de mim e quando o Querido atinge uma porta vermelha, ele para e bate. Ian abre a porta e está me abraçando antes de eu ter a chance de pensar. Depois de um longo abraço, que me deixa mole e inútil, ele recua e pega meu rosto em suas mãos. — Passarinho, — diz ele. Ele parece quase aliviado quando diz isso. Eu o amo.


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Expectativas Estamos todos amontoados em um Lincoln Town Car, com Ian ao volante. Ele parece completamente não se incomodar com o trânsito de Nova Iorque. Ele para em um pequeno restaurante no Village. Todos falando sem parar durante todo o caminho. Excitação dividia o espaço conosco. Estou feliz por ver Ian e que Tessa parece realmente gostar dele. Tessa está feliz de conhecer Ian e parece surpresa com isso. Jared está feliz que Tessa está feliz. E Ian só parece feliz em me ver. Meu coração está cheio. Nossa conversa nunca vacila uma vez. Tessa atormenta Ian sobre onde ele esteve no último mês. Eu sei que ela está querendo ficar ainda mais pessoal e perguntar por que diabos ele não me ligou, mas ela restringe a si mesma. Agradeço a Deus por pequenos milagres. Há apenas um momento de constrangimento quando Tessa fala de Asher. Eu acho que ela mesma se surpreende, mas tenta cobrir rapidamente. Ian está respondendo a sua pergunta sobre tocar com Jagged, a banda alternativa que foi disco de platina nos últimos seis meses. — Asher produziu, não foi, Ro? — Parece que todos os olhos se viram para mim de uma só vez. — Hum, sim. Eu acho que foi, — gaguejo. Ian olha para mim, então, com o olhar diferente do que tem sido ao longo da noite. Eu odeio a palavra ardente, mas não consigo pensar em outra palavra para o que seus olhos estão fazendo neste momento. É como se eles escurecessem e estão nadando com sentimento. Ugh. O que ele fez comigo? Estou falando em termos de romances.


No entanto, não posso ler o que o olhar está dizendo. Então, ele sorri e meu coração se eleva. O momento perde a sua estranheza. É algum tempo depois, quando deixamos Tessa e Jared no apartamento. Eu olho para Ian. — Gostaria de entrar? — Pergunto. — Eu estava pensando que poderíamos estender a viagem... se você estiver pronta para isso. — Eu não tenho aula amanhã. Por mim tudo bem, — desajeitadamente respondo. — Perfeito.

Nós dirigimos através do tráfego e acabamos no Prospect Park. É lindo, mesmo no escuro. — Este é um dos meus lugares favoritos em Nova Iorque, — diz Ian. — É lindo durante o dia. Nós vamos ter que voltar. Minha respiração acelera só de pensar em um encontro futuro, mesmo que eu tente ir com calma. O clima é frio mas a sensação é boa na minha pele corada. Perto de Ian, eu estou em um estado constante de calor. Pense nisso como quiser, vai se encaixar. Paramos próximo ao lago e olhamos para a pequena ponte que atravessa o caminho. A água é calma e serena. Eu não consigo lembrar os nervos anteriores que ameaçavam me ultrapassar. Eu estou calma e contente. Ian segura a minha mão, e olha para a minha boca. Seus dedos escovam sobre meus lábios. Leve como uma pena, as pontas de seus dedos me provocam.


— Eu poderia ser tão ruim com você. — Ele geme e se afasta, segurando as mãos no ar. Ele dá a seu cabelo um puxão casual. — Deus, menina. Você está me deixando louco. O sentimento é mútuo. Ele me faz querer esquecer meu próprio nome. Andamos um pequeno trajeto, o luar saltando fora da água e fazendo tudo brilhar. — Isso me faz lembrar um lago que temos próximo de casa, — Ian diz baixinho, apontando para os patos saindo da água. — Eu gosto de visitar esse parque cada vez que eu estou na cidade. E lembrar quando as coisas eram mais simples. Ele se inclina para trás contra uma árvore e me puxa de volta contra ele. Nós olhamos para a água e eu sinto seus lábios contra meu pescoço, beijando tão baixinho que me faz tremer. Meu corpo está em erupção, e minhas terminações nervosas estão saltitando. — Eu sinto falta do mar, mas isso é pacífico, também, — sussurro. — Sparrow, — diz ele contra o meu pescoço. Sua respiração é quente contra a minha pele arrepiada. Eu não posso pensar quando ele faz isso. Ele me vira para encará-lo e segura meu rosto com as mãos. Quando ele se inclina para me beijar, meu corpo parece pesado. Meus joelhos têm o desagradável artifício de enfraquecerem. Seus lábios me provocam, assim como seus dedos fizeram antes. E então sua língua agita suavemente e eu acho que estou caindo. Eu não posso segurar por mais tempo. Eu agarro seu cabelo e beijo-o tão forte quanto venho querendo todo esse tempo. Ele geme e suas mãos começam a vaguear enquanto ele tem o seu caminho com a minha boca - e de repente, ele para. Ele se inclina para trás para que possa olhar nos meus olhos. — Baby. Devemos ir. — Ele envolve seus braços em volta de mim e me abraça enquanto recuperamos o fôlego.


Ele estende a mão e vamos caminhando de volta para o carro. Eu suspiro e volto para o meu lugar, afivelando o cinto de segurança. Esse sentimento de irritação volta, e eu tento ignorá-lo. Eu deveria estar feliz que ele está sendo tão atencioso comigo. Eu não estou, apesar de tudo. Machuca. Nós dois estamos em silêncio. Antes que eu saiba, estamos na frente do meu apartamento e Ian está me dando um casto beijo de boa noite. — Posso vê-la amanhã? — ele pergunta. — É claro. — Eu vou deixar você dormir. Que tal se eu buscá-la ás 11? Eu aceno. — Isso soa perfeito. Ele põe a mão no meu rosto e inclina sua testa contra a minha. — Sparrow. Você é perfeita. — Não, eu não sou. — Para mim, você é. Eu balanço minha cabeça e ele coloca o dedo em meus lábios. — Você é, — ele sussurra. Eu tento sair do carro sem entrar em colapso. Esse homem. Ele faz coisas para o meu interior, deixando tudo bagunçado.

No dia seguinte, eu visto a calça jeans que Ian me comprou aquele dia em San Francisco e uma nova e discreta blusa verde que Tessa diz que combina loucamente com meus olhos. Espero ser irresistível para Ian. Ele aparece logo ás 11 e estou um pouco tímida ao mostrar a ele o nosso pequeno apartamento.


— Eu gosto disso, — diz ele, logo que entra pela porta. Eu rio. — Você mal viu. — Eu posso dizer. É aconchegante. É agradável aqui. — Venha ver o meu quarto, — eu pego a mão dele timidamente e levo-o para o meu quarto. Ele fecha a porta atrás dele e me puxa para dentro. — Mmmhmm. É agradável aqui também. — Ele beija meu nariz e, em seguida, toca levemente meus lábios com os dele. Eu sorrio contra sua boca. — Você sequer olhou? Ele me pega e rodopia em círculo. — Hum. Sim? É lindo, — ele responde e suas mãos fecham em torno de minha cintura. — Temos uma cidade para ir explorar, — diz ele, brincando com um dos meus cachos. — Você está pronta? Nós descemos para o carro. — Está com fome? Concordo com a cabeça. — Eu estou. Não comi ainda. — Ok, isso soa como café da manhã, então? Eu conheço um lugar que você vai adorar... — Ele se inclina e beija minha bochecha antes de abrir a porta. — Vamos fazer isso. — Eu sorrio para ele.


Entramos em um restaurante que parece saído do filme Grease. Em vez de ficar sentado em frente de mim, Ian desliza ao meu lado. Ele olha para mim e seu dedo percorre meu rosto, meu pescoço e para um pouco abaixo de onde minha blusa mergulha em um V. Seus olhos estão sedutoramente escondidos e eu não consigo desviar o olhar, nem se eu tentasse. — Você é um anjo. — Você tem problemas, — eu rio. — Eu não posso manter minhas mãos longe de você, — diz ele. — Eu não quero que você mantenha. — É assim que você fala com Asher? Minha mão estava brincando com as veias em seu braço e fica completamente imóvel. — Não. Ele enlaça seus dedos nos meus. — Bom. — Ele fecha os olhos por um momento. — Quero dizer, você está livre, Sparrow. Eu sei que não tenho nenhuma reivindicação sobre você, eu espero que você saiba disso. Eu só... eu gosto de pensar que temos... alguma coisa aqui... — Sua voz some. — Há algo sobre você que me faz sentir que eu poderia fazer isso... — Ele acena com a mão para trás e para frente entre nós e, em seguida, coloca a cabeça entre as mãos e fica em silêncio pelo que parece uma hora. A garçonete traz a nossa comida, entretanto, nenhum de nós faz um movimento para tocá-la. — Eu não sei o que estou dizendo, Sparrow. Eu sou problema. Você deve correr agora. Corra enquanto você pode. Antes de eu estragar tudo. Asher é um cara legal.


— Ian. Eu estava brincando. Por quê? Por que você faz isso? Toda vez que estamos juntos, parece que... — Eu paro quando ele coloca as pontas dos dedos em meus lábios. — Sparrow - esqueça o que eu disse, ok? Vamos... vamos aproveitar este dia. Eu balanço minha cabeça. — Por favor? — ele pede. Contra o meu melhor julgamento, eu concordo com ele e o humor alivia consideravelmente. É como se nada tivesse acontecido. Só assim, Ian é o seu autodespreocupado habitual. Eu engulo o medo do que isso realmente é desta vez e tomo a decisão consciente de fazer o que ele disse: Aproveitar o dia. Enchemos o dia com memórias incríveis. Ensopado de amêndoas em uma bacia de pão. Alimentando os patos no Central Park. Olhando para a Estátua da Liberdade através da água. Comprando badulaques em Chinatown. E seus olhos durante todo o dia, como se estivessem memorizando cada traço de mim.

Muito em breve, já é tarde. Eu odeio admitir isso, mas estou exausta. Nós chegamos até o meu apartamento, e eu não quero deixá-lo ir. — Sobe? — Pergunto. — É melhor não. Eu mastigo meu lábio nervosamente e ele se inclina e coloca sua testa contra a minha.


— Eu acho que eu te amo, — diz ele. Eu zombo dele. — Não diga isso a menos que esteja falando sério. Ele encolhe os ombros. — Eu estou falando sério. — Seus olhos parecem luminosos, mesmo no escuro. E assim, eu tenho esperança. Todos os avisos, medos e apreensão sobre Ian Sterling derretem e paz toma o seu lugar. Eu não tenho nenhuma ideia do que ele vai fazer a seguir, mas no Lincoln Town Car alugado fora do meu apartamento, não importa. Vai dar tudo certo. Ele me leva até a porta e, pela primeira vez, as nossas palavras de partida, não me deixam em desespero.

Eu flutuo dentro e Tessa está lá esperando por mim. Ela vê o olhar no meu rosto e sorri de orelha a orelha. — Ahhh, você parece uma mulher satisfeita. Você... fez... vocês? — Ela tenta ler a minha expressão e enruga suas sobrancelhas juntas. — Nããão, nós não fizemos, — respondo. — Mas... foi um bom dia. Eu sinto que nós fizemos progresso. Finalmente. E ele disse que acha que ele me ama, — eu digo, tentando suavizar a minha emoção. — O quê? — Ela grita. — Bem, não é que - bem, ele é cheio de surpresas, não é. Isso é um pouco... repentino. — Eu sei. Eu, basicamente, ridicularizei quando ele disse isso, mas... eu não sei. Eu não disse de volta. Não estou pronta para isso, mas – e se ele realmente amar? Me amar?


— Ele seria louco se não o fizesse! — diz Tessa. — Isto é ruim. Ele está em todo o lugar. Próximo e então distante e depois volta novamente e, em seguida, apaixonado. Eu não posso acompanhá-lo. Assim, quando você vai vê-lo novamente? Cubro meu rosto. — Eu não sei. Eu não sei! Isso realmente é uma loucura. Tudo o que eu sei é que ele me faz sentir coisas que eu nunca senti, e eu não me importo – ele pode ser todo errado para mim, mas eu não me importo! — Espero que ele valha a pena, então, — Tessa diz enquanto me envolve em um grande abraço. — Se ele te machucar, eu vou caçá-lo e cortar seus dedos das mãos e dos pés até as juntas. Eu me inclino para trás e olho para ela. — O quê? — Não importa. OBA! — Ela sorri de novo e eu não posso evitar, eu rio até chegar aos soluços.

Na manhã seguinte, meu telefone me acorda. Eu sorrio quando ainda grogue respondo, segura de que é Ian, chamando antes de deixar a cidade. Eu olho para o relógio. 09:00 da manhã. Whoa. Ele saiu horas atrás. — Olá? — Eu tento uma grande voz sexy. — Hey, — diz Asher. — Sentindo sua falta. Quer tomar café da manhã comigo hoje? Eu sinto uma pontada no meu peito. Eu preciso falar com Asher e melhor fazê-lo em pessoa do que por telefone. — Claro, eu posso encontrá-lo em 40 minutos.


Eu ando para a pastelaria que Asher e eu temos frequentado desde que nos tornamos amigos e ele já está lá, esperando por mim. Seu rosto se ilumina quando me vê e a culpa é mais do que uma forte pontada neste momento. Ele se levanta e me abraça quando me aproximo de sua mesa. — Ei, linda. Como você está? — Estou muito bem. E você? Ele ouve a melodia distante na minha voz e me estuda. — Você tem certeza? — Sim. Asher, nós precisamos conversar. — Uh-oh. Vamos, sente-se. Quer o seu habitual? — Sim, por favor. Quando ele volta com o meu café e um croissant, agradeço e acerto depois. — Asher, lembra como eu disse a você que estou interessada em alguém? — Claro, eu lembro, — diz ele. — Mas parece que você está gastando uma enorme quantidade de tempo comigo. — Sim. E eu adorei. Você é maravilhoso. Estou tão feliz que nós nos tornamos amigos. — Eu me aproximo e tomo sua mão. Ele faz uma careta. — Ouch. Eu esperava que eu pudesse ajudá-la a esquecer. — Você ajudou, mas você não me ajudou a esquecer.


— Quem é esse cara, Sparrow? E ele sabe o que tem? Porque eu não estou disposto a desistir de você, se ele não sabe. — Bem, o engraçado é que, você o conhece... — Eu olho para ele e gostaria de não ter que dizer quem ele é. — Quem? — ele exige. — Ian Sterling. Uma risada aguda sai dele, me fazendo pular. — Você deve estar brincando comigo. Ian Sterling? Esse é para quem você está me jogando aos lobos? — Vamos lá, Asher, não coloque assim. Eu já te disse o tempo todo que eu só quero ser amiga. — Seus beijos não tinham vontade de amizade. — Eu sinto muito por isso. Acontece que gosto um pouquinho de beijo, — eu digo, com um meio-sorriso careta. — Eu realmente sinto muito. Ele ri, contra a sua vontade. — Sparrow... você é... Eu não posso ficar com raiva de você! Você me contou tudo ao longo do caminho. Eu deveria ter escutado. É como se eu fosse a garota aqui. — Ele balança a cabeça, mas seus olhos ainda estão sorrindo. — Você realmente pensou nisso? Ian Sterling é um vagabundo. Já para não falar, ele gosta das mulheres. Inferno, eu sei o que é ter mulheres à minha disposição. No entanto, eu não sei se Ian pode desistir disso. Eu sei que você não está pronta para sossegar ainda, mas quando estiver, eu já tenho tudo no lugar. Eu tenho certeza que Ian nunca irá se acalmar. — Eu não posso evitar por quem eu me apaixono, — respondo. Ele parece triste enquanto concorda. — Eu estarei aqui se você mudar de ideia. Gostaria de saber quando Asher decidiu que ele era capaz de assentar. De todas as coisas que eu li sobre ele, ele parecia ser tanto um jogador como Ian. É confuso.


— Asher... — Ainda podemos sair? — ele pergunta. — Sim! — Estou aliviada, mas ainda cautelosa quando pego suas duas mãos. — Sim, por favor. Se pudermos, você sabe... não fazer a coisa de beijar e realmente ser apenas amigos agora? — Eu vou tentar, — ele promete. Ele retira a mão da minha e a segura de novo para balançar. Esperançosamente, conseguimos finalmente chegar a um entendimento.

Estou um pouco decepcionada quando Ian não liga ao longo do dia. Eu realmente pensei que ele ligaria. No momento em que a noite cai, eu me convenço a ficar bem com isso. Ele não é uma pessoa de telefone. Por que ele começaria a ser agora? Eu provavelmente vou ouvi-lo amanhã. Ou talvez no dia seguinte, quando ele estiver estabelecido em algum lugar.


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Agonia Dois meses se passam.

O se perguntar é uma agonia. * Onde ele está? * Por que ele não ligou? * Será que ele estava falando sério sobre alguma coisa que ele disse? * Será que ele conheceu alguém? * Por que ele não apenas liga?

E, em seguida, as pseudo-respostas. * Ele está tocando em todo o maldito país. * Ele deve realmente odiar o telefone. Ou é a sua agenda. * Ele estava falando sério; ele só não sabe o que fazer sobre isso. * Ele tem um encontro com alguém diferente a cada noite. * O tempo de diferença ferra tudo.

Depois, há a auto ridicularização.


* Eu estava louca por pensar que ele alguma vez seria uma parte permanente de minha vida. * Ele não iria perder seu tempo falando comigo no telefone. * É claro que ele não quis dizer uma palavra. Quem eu penso que sou? * Existem mil meninas lá fora mais bonitas, mais inteligentes, mais talentosas, mais engraçadas, com peitos maiores, mais cabelos, melhores pernas, que nunca são cabeludas, muito mais sexy. * Ele nunca vai me ligar.

E então ele liga! Ele liga. É tarde, em uma sexta-feira à noite, e eu estava estudando. E estou tão feliz de ouvir a voz dele, eu não posso nem ficar brava. Em primeiro lugar, eu estou distante, mas ele continua fazendo pergunta após pergunta. Falamos da escola, família, Nova Iorque, Tessa, Jared e mais escola. Já faz mais de uma hora e ele não parece disposto a me deixar ir. Ele está em todo o país, assim como eu pensava. Mas isso não parece chegar ao fim em breve, assim eu não sei por que ele está ligando agora. — Passarinho... você está feliz? — Bem... eu não sei. Eu estou bem. Você está feliz? — Eu sinto sua falta, — diz ele em voz baixa. — Sinto falta de você também. — Você deve vir me ver. Você tem alguma folga em breve? Eu estarei no Texas por um tempo. Eu vou voar para fora.


— Eu tenho um longo fim de semana em algumas semanas. — Isso seria ótimo. Ele pede as datas exatas e eu marco no calendário de minha mesa: IR VER IAN! — Você deve estar cansada. É tarde aqui e até mais tarde para você. O que você vai fazer amanhã? E depois mais uma hora se passou. Por agora, eu estou na minha cama, telefone agarrado ao meu ouvido e nós dois estamos falando em sussurros sonolentos. Nenhum de nós quer que isso acabe. Mas, eventualmente, ele pode dizer que eu estou prestes a adormecer. — Boa noite, Sparrow Kate Fisher. Sonhe comigo esta noite. Eu já estou sonhando com você. — Eu vou, — eu digo e sei que é verdade.

Meus sonhos estão em todo o lugar, mas Ian está em cada cena.

Na noite seguinte, ele liga novamente. E repetimos nossa gloriosa maravilhosa dança da conversa doce e de como foi o dia. Eu estou tão feliz, eu não posso nem aguentar. Ele deve ter passado o que quer que estivesse o


segurando. Eu tomo a decisão antes de adormecer para não analisar demais. Ele está ligando para mim! Estamos no caminho certo.

Quando ele não liga na noite seguinte ou na próxima ou na próxima, eu ainda estou voando alto daquelas duas conversas. Ele disse que estava voando para a Califórnia, então eu sei que ele está ocupado e agora há uma diferença de tempo ainda maior.

Quando ele ainda não ligou na próxima semana e as datas para IR VER IAN! estão pairando sobre a minha cabeça como um gorila furioso no calor, eu começo a minha espiral descendente.

As datas vêm e vão.


Nada. Nem uma palavra dele.

Eu estou com raiva. Não, você sabe o quê? Estou puta. Sim, é isso mesmo que eu disse. Puta, puta, puta, puta, puta. Enlouquecida de raiva.

Mais um mês se passa e é a última semana de escola. Estudei até que eu sinto que poderia desenroscar minha cabeça e tudo o que restaria é queijo de corda. Depois de ter sido deixado fora da geladeira. Quando está todo flexível. Estou exausta, mas consigo passar nas finais. Eu não tenho nenhuma ideia de como estou fazendo e, neste momento, eu não me importo. Eu escrevi trabalho após trabalho após trabalho e não poderia dizer do que qualquer um se trata. Vai ser um choque se algum fizer sentido. Ian Sterling invadiu o espaço da minha cabeça, do meu corpo, das minhas entranhas, se você quiser. Mesmo agora, ele está lá agitando os braços ao redor, sacudindo todos os meus órgãos, músculos, nervos e sangue e me deixando toda destruída. Asher é uma presença constante. Ele sabe que estou triste com Ian, mas eu não disse muito a ele sobre isso. Metade do tempo, eu estou contente por sua companhia e distração. A outra metade do tempo, eu estou brava com ele,


também. Ele continua tentando me mostrar o quão maravilhoso é, quão apaixonado, quão doce. Em cada vez, eu jogo algum comentário ou gesto para lembrá-lo que somos amigos e isso é tudo que sempre será. Tenho a sensação de que ele acha que se continuar fazendo as coisas certas por tempo suficiente, ele vai me convencer do contrário. É cansativo. Eu não posso lidar com a culpa de ferir alguém. Ele continua empurrando, e eu continuo colocando mais distância entre nós. Concordo em ir a um evento de caridade com ele. Ele me perguntou meses atrás e pareceu divertido na época. Ele liga para ver se eu ainda vou com ele. — Claro, eu vou. Eu só... sim, sim, eu vou. — Eu posso ter comprado uma coisinha. — Você comprou? Você não deveria. — Espere até vê-lo para decidir. Mais tarde naquela noite, eu abro a caixa que Tessa colocou na minha cama. Ela está esperando para me ver abri-la. — Asher a deixou esta manhã. Ele parece animado com o que está aí dentro. Eu solto um grande suspiro. Eu tenho feito um monte de suspiros nestes dias. Dentro da caixa estão sapatos de cor champanhe com pequenas flores de joias costuradas ao longo de um lado. Eles são excelentes. O par de sapatos mais bonito que eu já vi.

Um pequeno cartão de nota diz:

Estes me lembram você.


Asher

Eu coloco minha cabeça em minhas mãos. — Isso é forte, — diz Tessa. — O que eu vou fazer com ele? — Por que você tem que fazer alguma coisa? Ele gosta de você. Ele sabe como você se sente ou não se sente... — Ela se senta ao meu lado na cama e puxa minha cabeça em seu ombro. — Olha, eu sei que você é uma confusão sobre Ian. Mas, você tem um grande cara aqui que está disposto a deixá-la ser uma bagunça. Vá, divirta-se por um tempo. — Ela aperta-me com mais força. — E não se sinta mal com isso! Estou falando sério! Vamos às compras mais tarde e encontro o vestido perfeito. É um vestido vintage curto, sem mangas, com um corpete justo e saia plissada no mesmo tom que os sapatos. É como se os dois fossem feitos para ir juntos.

A boca de Asher cai quando me vê. Meu cabelo está puxado para trás. Eu me sinto elegante. Talvez Tessa esteja certa e eu preciso ter esse tempo de diversão. Eu estive triste por muito tempo. — Você está impressionante, — diz Asher. — Obrigada. E muito obrigada pelos sapatos, Asher. Eles são lindos. — Sapatos bonitos para a menina bonita. — Ele sorri para mim e, em seguida, seu olhar fica malicioso. — Suas pernas parecem ter mil quilômetros de


comprimento, hmmm, hmmm, hmmm, — ele balança a cabeça e faz um assobio silencioso. Eu reviro os olhos. — Vamos lá, você, vamos. Depois de meu pequeno ajuste com as fotos da Véspera de Ano Novo, Asher faz o seu melhor para manter as nossas aparições nas revistas de fofoca ao mínimo. De vez em quando, um fotógrafo nos encontra e vejo uma imagem na pilha de revistas de Tessa, que é apenas surreal, mas na maior parte temos mantido certa distância. No entanto, todos os cães de grande porte estão fora esta noite. Quando Asher e eu chegamos na sua limusine e saímos, os cliques das câmeras são um rugido maçante. Ele pega a minha mão e me conduz através do caos. Pouco antes de entrar, Asher se vira e dá aos paparazzi um aceno. Eu olho para trás e também estou cega por todos os flashes. O jantar é delicioso. O entretenimento divertido. Asher é um encontro perfeito. Ele tem nossa mesa cativada e continua a conversar sempre que há um período de calmaria. Estou me esforçando para ser divertida, mas meu humor ainda está escuro. Eu não consigo sair completamente. Asher dá lances em um espelho antigo de ouro que pertenceu a primeira esposa de John Hughes, Ella Rice. É lindo, mas eu sempre preferi prata para mim. É por uma boa causa. No entanto, ele vai se encaixar bem com o apartamento berrante de Asher. Uma grande quantidade de dinheiro é levantada para manter as artes nas escolas públicas. E todo mundo vai para casa satisfeito. Depois do champanhe, eu estou mesmo me sentindo bastante quente e satisfeita, até Asher me levar para a casa dele em vez da minha. Eu nem sequer percebi onde estávamos, até que saímos. — O que estamos fazendo aqui? Eu pensei que você estava me levando para casa. — Meu tom é nervoso. Estou cansada e apesar de ter sido uma noite divertida, eu só quero ir para a cama.


— Eu pensei que seria bom se nós tivéssemos uma bebida aqui antes de eu levá-la para casa, — diz Asher, esfregando meu ombro. Ele se inclina para baixo e fuça meu pescoço. Eu escovo-o fora. — Asher, — digo com aviso. — Teria sido bom se você tivesse me perguntado antes. — Eu olho para baixo. Asher concorda. — Você está certa. Mas vamos lá, você teria dito não. Você já esteve no limite durante semanas. Eu só quero que você tenha um bom tempo. Eu estou pronto para te ver feliz novamente. Minhas mãos estão em meus quadris. Eu quero olhar de cara feia para ele, mas realmente não posso ficar irritada com ele. Ele tem feito tudo que pode para me fazer sentir melhor, e eu não posso nem passar uma hora com ele? — Ok. Mas só por pouco tempo. Estou muito cansada.

Um tempo indistinguível depois... tive inúmeros flirtinis de framboesa e estou me sentindo mais leve do que eu estive em meses. Eu giro ao redor da sala de estar ampla e vejo como a saia do meu vestido voa perfeitamente. Eu sei que algo está me incomodando apenas sob a superfície, mas eu não posso nem pensar nisso hoje à noite. Pensar nisso está me matando. Isto está me cansando. Eu não quero estar desgastada. Eu quero dançar. Eu quero rir. Eu quero tirar esse vestido agora. Está quente aqui, e eu estou tão cansada. Eu só preciso rodar mais. Asher está se sentindo feliz também. Ele ri quando meu vestido cai no chão. Ele estende a mão e toca minha pele e eu pulo, flirtini espirrando em meu peito. Eu nunca posso manter um cocktail todo no copo quando estou na casa dele. Ele me puxa para perto e se inclina para baixo, e tão baixo que eu mal posso senti-lo,


ele lambe o líquido, sua língua sacudindo apenas sob a parte superior do meu sutiã. Isso me dá solavancos frios. Eu fecho meus olhos. É bom. Eu realmente quero esquecer. Talvez isso me ajude a esquecer.

Lembro-me vagamente de Asher me deitando na sua cama. Posso imaginá-lo em cima de mim, mas depois – nada. O resto é um borrão. Quando eu acordo na manhã seguinte, minha cabeça está batendo, e num primeiro momento, eu não sei onde estou. Os lençóis se sentem tão suaves contra a minha pele. Sento-me. Pânico. Eu estou completamente nua. Deus. O que eu fiz? Eu olho e Asher ainda está dormindo. Ele está levemente roncando. Eu saio da cama e olho para baixo onde eu dormi. Meu estômago revira. Eu corro para o banheiro e vomito. Eu pego uma toalha e envolvo-a em torno de mim, querendo que a náusea pare. Isso não acontece. Eu vomito novamente, até que não sobrou nada.

Eu perdi minha virgindade. Eu nem sabia que ela desapareceu, mas agora é muito tarde. O sangue nos lençóis foi a minha primeira pista. A dor entre minhas pernas, a confirmação.


Poderia ser minutos ou poderia ser horas, eu não tenho certeza, mas toda a dor dos últimos meses bate, e eu choro no chão frio do banheiro de Asher. Eu nunca me senti tão desolada, tão sozinha, tão zangada. E mesmo que eu tenha me metido nessa confusão, eu ainda me sinto violada. Eu nem sei o que aconteceu. Eu me ofereci a Asher? Estávamos tão bêbados que não podiamos evitar? Por que não me lembro de nada?

Em seguida, isso volta para mim. Lembro-me de tirar meu vestido. Eu causei esse acontecimento. Eu não me lembro de mais nada, mas eu sei que não posso culpar Asher por minha estupidez. Eu me forço a levantar e rastejar até a porta, certificando-me de que Asher ainda esteja dormindo antes de esgueirar-me para fora do banheiro. Ele está. Eu pego minha calcinha, faço o meu caminho para a sala e pego o meu vestido. Minhas mãos estão tremendo tanto, eu mal posso colocá-lo. Eu vejo os sapatos de Asher e quero vomitar de novo. Só porque eu não quero que um motorista de táxi ignore a menina descalça louca, eu coloco os sapatos e fecho a porta atrás de mim.

Uma frota de motoristas de táxi espera do lado de fora do prédio de Asher, e eu estou em casa em pouco tempo. Eu calmamente me deixo entrar e entro no chuveiro. As lágrimas derramam em mim como água fervendo socando na minha pele.


Eu me guardei todo esse tempo - dezenove anos, para ser exata. Eu queria que a minha primeira vez fosse especial. Meus pais me ensinaram a esperar pelo casamento e eu sempre pensei que iria... até que eu conheci Ian. Então tudo que eu conseguia pensar era como eu o queria. Por um piscar de olhos, parecia que eu poderia tê-lo e, em seguida, eu o perdi novamente. Não, eu não o perdi. Eu nunca realmente o tive. Apenas a quase promessa dele. Pelo menos, eu acreditava que estaria presente para a experiência. Agora, eu não estava nem mesmo tendo isso. Apenas um encontro bêbado com um cara que eu achava que era meu amigo. Ele estava tão bêbado que não podia ter se incomodado em esperar até que estivéssemos coerentes? A raiva se instala em meu peito. Quando eu saio do chuveiro, o vapor é grosso. Minha pele está vermelha beterraba e tem listras sobre ela a partir da água. Eu coloco meu moletom e vou para o meu quarto. Meu telefone está na cama com uma mensagem de Tessa dizendo que está com Jared e uma dúzia de chamadas não atendidas de Asher. Eu nem sequer ouço suas mensagens, eu só apago cada uma. Tomo alguma coisa para a minha cabeça e engatinho na minha cama, quando há batidas na porta. Continua por um tempo. Eu ignoro. Eu ouço-o gritando: — Sparrow, por favor! Eu preciso falar com você. Abra a porta! — Cubro minha cabeça e coloco um travesseiro sobre os cobertores. Ele para por alguns minutos e então começa a bater novamente. — Sparrow, me desculpe! — Finalmente está silencioso. Eu adormeço sob a pilha.

Passou duas semanas desde aquela noite, e eu ainda me sinto entorpecida. Asher liga uma vez por dia. Eu ainda não falei com ele. Eu comecei um hábito


compulsivo de tomar banho várias vezes ao dia desde que aconteceu. Eu sei que não estou bem da cabeça sobre tudo isso, mas eu não sei o que fazer para melhorar. Parte de mim gostaria que eu soubesse o que aconteceu, mas, principalmente, estou feliz por não saber. Eu me pergunto se algo disso vai voltar para mim. Tessa e eu temos mais três dias na cidade antes de voar para casa. Ela vai passar a maior parte do tempo com Jared e mesmo que ela continue tentando me convencer a vir junto com eles em todos os lugares, eu digo não. Eu não contei a ela o que há de errado comigo. Ela sabe que é ruim, mas ela não está me pressionando. Eu disse energicamente uma vez que não posso falar sobre isso e ela recuou, em seguida. Ela sabe que eu direi, quando estiver pronta. Eu encontrei um novo café, onde tenho certeza que não vou me esbarrar em Asher, e eu estou prestes a me dirigir para lá quando o telefone toca. Eu agarro-o do meu bolso e estou tentando ver quem é, mas estou toda desajeitada. Eu acidentalmente aperto conversar. Oh, crack. Eu seguro-o até minha orelha. — Olá? — ele está dizendo. — Passarinho? Você está aí? — Olá? — Respondo e depois me repreendo por dizer algo. Eu deveria ter apenas desligado. — Como você está? — ele pergunta. — Oh, eu estou bem, Ian. Muito bem. — Minha voz é cortante. — E como você está? Eu não quero saber como ele está. Mesmo na minha hostilidade, as maneiras intermináveis em que fui criada forçam o seu caminho para fora. — Eu estou bem. É tão bom ouvir a sua voz, Sparrow. Tão bom. Estou em Atlanta agora, no meu caminho...


— O que você quer, Ian? — Interrompo. — O que você quer dizer? — Quero dizer, o que você quer? Por que você está ligando? — Eu só precisava ouvir a sua voz, — diz ele. — Bem, agora que você já ouviu isso. Mais alguma coisa? — Sparrow... eu... — O quê? Sparrow, o quê? — Zombo de seu tom confuso. — Desembucha, Ian. — Estou no aeroporto agora, eu estarei em Nova Iorque esta tarde. Eu quero ver você. — Ele desembucha. Eu não sabia que ele podia falar tão rapidamente. Completo silêncio. — Sparrow? — Eu não penso assim, Ian. — O que você quer dizer? — Quer dizer, eu não penso assim, Ian. — Eu afasto o telefone do meu ouvido e estou prestes a desligar quando eu o ouço. — Sparrow, espere! Por favor. Por favor, apenas uma vez? Eu desligo o telefone e saio pela porta para conseguir o meu café.


- 12 -

Ajeitar as coisas Eu pego os sapatos da minha bolsa e entrego ao cara que está aceitando doações em Goodwill. Tchau, sapatos mais bonitos que eu já vi. Eu gostaria de nunca ter posto os olhos em você. Em seguida, eu ando por um mercado e apesar de viajarmos em poucos dias, eu decido levar um pouco de flores para casa. Eu amo as flores roxas e verdes da alface. Eu as levo no braço e tento sentir o cheiro, até mesmo uma pitada de algo. Não. Eu suspiro. Eu não consigo desistir da esperança de cheirar algo algum dia. Eu quase fui sugada para a livraria, mas resisti à tentação. Eu já tenho cerca de vinte livros que eu quero levar para casa. Eu senti falta da leitura por prazer. É tão bom colocar os livros didáticos de lado para o verão. Assim quando estou perto da esquina do meu apartamento, o vento vem e o ar de repente parece carregado, elétrico. Dirijo-me, e ali, nas escadas que vão até minha casa, está Ian sentado. Eu quero correr para o outro lado, mas ele me vê e se levanta. Ele está sorrindo e segurando uma enorme bandeira branca. Acena-a como um louco enquanto eu ando em direção a ele. Seu sorriso vacila quando não digo uma palavra, mas caminho direto por ele, subo as escadas e entro no meu prédio. A porta está se fechando atrás de mim, quando ele a segura. — Sparrow, — sua voz é uma carícia. Essa voz será a minha ruína.


Eu chego às escadas e paro para olhar para ele. Ele levanta as sobrancelhas, preocupado neste momento, e acena a bandeira novamente. — Eu me rendo. — Ressoa na escada e ecoa de sua boca para a parede, para as caixas de correio, para as escadas, e direto ao meu coração. Ping! Volta novamente. Eu me viro e subo as escadas. Todos os três andares. Ele me segue e quando chegamos a minha casa e vou abrir a porta e entrar, ele faz uma pausa e fala novamente. — Por favor, posso entrar? Eu abro mais a porta e, ele humildemente caminha dentro, eu ando direto para a cozinha e coloco as flores na água, organizando-as em nosso único vaso. Lá, parecem tão bonitas. — Sparrow, por favor, olhe para mim. Eu coloco o vaso sobre a mesa ao lado do sofá e sento, olhando para ele. Ele senta, apressadamente. — Você está com raiva de mim. Eu ronco. Eu não posso evitar, isso simplesmente sai. — Eu mereço isso, — diz ele. Ele olha para mim, tentando avaliar como deve me tratar, eu tenho certeza. Ele perdeu toda a sua arrogância e parece completamente vulnerável. Ele parece uma criança que espera por sua punição. — Você merece, — finalmente respondo. Sua respiração sai correndo em uma explosão, e ele estende a mão para pegar minha mão e a deixa cair tão rapidamente quando ele vê o gelo em meus olhos. — O que posso fazer? — ele pergunta. — Eu não sei, Ian. Eu não sei o que esperar.


— Eu sinto muito. Eu simplesmente não podia vir para a cidade e não vê-la. — E você pensou que pularíamos de volta de onde paramos, como sempre fazemos? Ele parece envergonhado. Isso é exatamente o que ele pensava. Eu levanto do sofá. Eu tenho que manter alguma distância entre nós. Eu passo na frente dele. — Você me convidou para ir vê-lo, Ian. Nós até combinamos datas específicas e depois nada. Meses se passaram. E não só neste momento, mas toda vez, nos despedimos e eu nunca sei se vou ouvir você novamente! — Minha voz está ficando cada vez mais alta com cada frase. — Só quando eu acho que isso realmente passou, você volta e tudo é apenas ótimo? Eu não entendo! — Eu estou tão louca, eu quero chorar. Ao invés, eu respiro profundamente. — Você me disse que achava que me amava. Não que eu realmente acreditei, mas... quão confuso é? Você diz isso e depois sai de novo e eu não o ouço por meses novamente? Sento novamente, mas tão longe dele quanto posso. — Eu não posso continuar fazendo isso, — digo, sentindo-me espremida. — Estou cansada de ficar longe da vista, longe do coração. O zumbido da minha geladeira é sinistro em contraste com a sala silenciosa. Com o canto do meu olho, eu vejo Ian puxando seu cabelo até que ele é uma bagunça. É uma maravilha que o cara tem tanto cabelo sobre a cabeça, com todo o arrancar. Finalmente, ele fala. — Eu sinto muito, Sparrow. Eu... eu não fui justo com você. Eu queria que você tivesse toda a experiência da faculdade. Você é jovem, você precisa fazer exatamente o que você quer e não ter nenhum arrependimento depois. Isso é o que eu quero para você. Quando estou com você, no entanto, eu não posso ver além de você. Eu só quero você e mais ninguém, e eu não quero que mais ninguém a tenha também. Isso não é justo.


— Isso não é a sua escolha, — digo a ele. — Eu só queria você, e você continua me deixando na montanha-russa por mim mesma. Ele está centímetros mais perto de mim, e eu levanto minha mão. Ele para onde ele está e não vai mais longe. — Eu não sou bom com relacionamentos, Sparrow. Eu não sou. Eu rio, um riso oco escuro. — Sim, isso eu sei. — Nem um único homem na minha família tem conseguido manter um relacionamento. Nem um. Todos eles destruíram as mulheres em suas vidas. Meu pai, o pior de todos. Minha mãe era uma mulher forte, cujo único delito foi amálo. Ele a esmagava. Todos os dias. No início, ela não lutou, mas quando o fez, a gritaria e abuso iam por dias a fio. Abusava dela até que ela estava no hospital, doente e incapaz de sobreviver com ele outro dia. Assim que ela estava longe dele por qualquer período de tempo, ela ficava bem novamente. Ela se perdeu por um tempo, eu não sabia se eu a teria de volta. Agora, você nunca saberia que ela algum dia esteve doente. Mas ela não estaria viva se tivesse ficado com ele. Os homens Sterling são amaldiçoados. Eu procuro sua mão, em seguida, e ele levanta os olhos para os meus, grato. — Eu não acredito que você seja amaldiçoado, — digo a ele. Ele passa os dedos sobre a minha mão e sua expressão é de dor. — Eu não sou uma boa pessoa, Sparrow. Eu... eu não sou. Eu olho para você e vejo tudo de bom e eu sei que nunca poderia merecer alguém como você. Levanto meus olhos. — Isso também não é escolha sua. Eu não sou perfeita, Ian. E você é uma boa pessoa. Eu não sei tudo que há para saber sobre você, mas eu sei de muita coisa. Seus olhos escurecem e ele fica de pé, olhando pela minha janela. Seus ombros estão caídos, derrotados. Eu não posso evitar sentir que estou perdendo alguma coisa. Quando ele se vira, seus traços são suaves novamente e ele parece mais calmo.


— Eu penso em você o tempo todo. Eu só... eu não sou bom nisso, e eu não quero mantê-la toda amarrada em mim quando eu sou uma bagunça... Eu espero por ele dizer mais. Isso não é o bastante. Ele se vira para mim e, em seguida, toma a minha mão na sua. — Você me faz querer experimentar. Eu quase sinto que eu poderia fazer quando estou com você. — Poderia fazer o quê? — Estou um pouco confusa. — Estar em um relacionamento. Com você. Eu realmente não faço a coisa de relacionamento, Sparrow. — O que significa isso? Você simplesmente dorme por aí com quem agrada a você no lugar certo, na hora certa? — Bem, não exatamente, embora, passei por uma fase dessa... quando tinha a sua idade. — Ele olha para mim de forma significativa, então, tendo certeza que estou ouvindo. — Espero que eu esteja um pouco mais esperto do que isso agora, eu não quero que o meu pau caia, depois de tudo... com toda a... — Ele acena os braços em volta e para quando vê o olhar no meu rosto. — O quê? — Eca. — Que parte? — Tudo isso. — Eu sinto muito, eu só estou tentando ser honesto com você. Deveria dizer, Não, eu não durmo por aí com estranhas aleatórias? Eu ainda estou tentando limpar o olhar de nojo do meu rosto. — Sim, talvez. Ele balança a cabeça e os cantos de sua boca levantam, mas ele tenta escondê-lo.


— E quando você não está comigo? O que acontece quando você me deixa? — Pergunto, finalmente jogando tudo pra fora. — Você tem alguém em cada cidade? Amigas que não são estranhas aleatórias? — Bem, eu sou solteiro. Claro, eu tenho amigas, mas nenhuma delas jamais chegou perto de me fazer sentir o que você fez em apenas uma conversa... Eu absorvo isso e processo por alguns minutos. Eu cometo o erro de olhar para ele enquanto penso. Ele é inebriante. E ele está olhando para mim como se ele fosse mover céus e terra para fazer o que eu peço. Eu belisco o interior do meu cotovelo para ver se isso está realmente acontecendo. — Au! — eu grito. Ele levanta sua testa e volta para se sentar ao meu lado. — O que aconteceu? — Isso está acontecendo. Eu apenas tive que me beliscar para ter certeza. Ele ri e, em seguida, o alívio no rosto é o que me convence. Ele realmente gosta de mim. Eu acho que ele realmente gosta. — O que você precisa de mim? Eu gostaria de tentar. Fazer isso. Só - me diga o que fazer. — Ele parece tão sincero, e eu acredito que ele está falando sério. — Bem, para começar, você não pode assumir que, se passarmos meses sem nos falar, que nós voltaremos a agir como um casal quando nos vemos outra vez. Ele acena com a cabeça, sua expressão grave. — Concordo. — E você não tem que me ligar o tempo todo, mas não ligar nunca, definitivamente, não funciona para mim. — Eu posso ligar. Quanto você quer que eu ligue? O que é demais? O que é muito pouco? — Bem, quantas vezes você quer falar comigo?


— A cada minuto de cada dia. — Ele deixa escapar um pequeno sorriso em seguida. Permito-me um pequeno sorriso de volta, mas então eu aprofundo novamente. — E se você me convidar para ir vê-lo e até mesmo definir uma data para eu ir, então você NUNCA desista disso sem me deixar saber. E é melhor ter uma boa razão para isso, se você fizer isso novamente. Não havia nenhuma razão para você não apenas ligar e me dizer se estava trabalhando ou se mudou de ideia... ou o que quer que aconteceu. — Eu sou um idiota. — Sim. Isso ainda não é desculpa. — Você está certa. Sinto muito. Você vai me perdoar? — Vamos ver, — respondo. — Posso te abraçar? — ele pergunta. — Sim, — eu sussurro. Seus braços me envolvem e eu amo como me sinto quase pequena em seus braços

enormes.

Meus

braços

longos

e

desajeitados

são

pequenos

em

comparação. Seu coração está batendo através de nossas camisas e o torna mais querido para mim. Ele parece tão frágil agora, tão vulnerável. Eu fecho meus olhos e mesmo tendo medo de esperar, eu quero acreditar nele. Eu o quero mais do que eu quero estar segura. Eu o quero mais do que eu quero ficar sã. Eu o quero mais do que eu quero qualquer outra coisa. — Provavelmente, não vai funcionar para você ligar cada minuto de cada dia. — Porra, eu já estraguei tudo. O sorriso é maior desta vez - eu não posso parar. Ele se inclina e me beija levemente. Deixa-me tonta.


Ele se afasta. — Eu não vou pedir que você só pertença a mim, Passarinho. Tanto quanto eu quero você só para mim, eu ainda acho que você precisa desfrutar de seus próximos dois anos na escola e não ser demasiada presa em mim. Eu coloco minhas mãos em seus lábios. — Eu já estou presa a você. Ele coloca uma mão em cada lado do meu rosto e me beija novamente. — Calma. Estou falando sério. Você deve sair com outras pessoas. Mas só quando eu não estou por perto. Quando estamos na mesma cidade, você é minha. Gostaria de saber se o mesmo é verdade para ele. Eu sou sua quando ele não está por perto. Ele é meu? Porém, não pergunto isso. Minha cabeça está nadando com a forma como as coisas viraram de cabeça para cima novamente. E, verdade seja dita, eu tenho medo que eu não poderia realmente querer saber a resposta para essa pergunta. O que isso significa para todas as suas amigas? Decidi arriscar e não tentar descobrir tudo hoje. Antes que eu possa entrar em pânico com onde meus pensamentos já estão me levando, seus lábios estão nos meus novamente, silenciando qualquer coisa exceto o desejo que está despertando de seu sono. Eu não consigo pensar direito quando ele faz isso com a língua. Meus joelhos realmente ficam fracos, e eu o seguro com força. Eu quero sentir sua pele na minha. Penso em Asher e isso quase me derruba. Eu realmente sou uma vagabunda. Faz apenas algumas semanas que acabei nua na cama de Asher sem lembrar o que aconteceu na noite anterior e agora desejo arrancar a roupa de Ian. A culpa é uma nuvem que tudo consome, ameaçando abrir e absorver-me com a chuva. Meus breves minutos de felicidade genuína estão agora encharcados. Eu afasto Ian e limpo minha garganta. Ele parece preocupado. — Você está bem, Passarinho? O que há de errado? — Eu não sou melhor do que você, — eu digo. — Confie em mim.


Seu sorriso sedutor está de volta. — Não, eu sou muito pior do que você, eu prometo. — Não, realmente — Não, você realmente é. De forma brincalhona empurro seu peito. Seu peito duro, musculoso. Ele nem sequer se moveu. Eu fecho meus olhos e inclino minha cabeça contra ele. Quase como se ele ouvisse meus pensamentos, ele diz suavemente: — Eu sou seu, Sparrow. Se você me quiser, eu sou seu. Eu não digo nada. Eu não tenho certeza do que pensar ainda. — Eu gostaria de levá-la em algum lugar. Eu acho que você vai gostar. — Ele corre as mãos para cima e para baixo em meus braços. Eu olho para ele. — Onde? Ele estende a mão. — Vamos lá, vamos lá.

Pegamos um táxi e seguimos para Cupcake Heaven. Eu ouvi falar desse lugar, mas eu nunca fui. A vitrine é mágica. As flores sobre os cupcakes são sonhadoras, tão elegantes. — Eles são tão bonitos. Como podemos comê-los? Eles são muito bonitos para comer. — Ah, mas eles têm um gosto tão bom. — Ele beija minha mão. — Quase tão bom quanto você.


Minha pele fica quente. Eu me pergunto se isso durar entre nós, se nunca vou ser curada das manchas ao redor dele. A menina atrás da bancada fica nervosa quando vê Ian. Claramente ela reconhece. — Oi, Ian, como você está? — Hey, Daisy. Eu estou ótimo. — Seus olhos se enrugam quando ele sorri para mim. Ela balança a cabeça e sorri, olhando para mim brevemente antes de seus olhos serem atraídos de volta para Ian. Eu entendo. Eu não posso parar de olhar para ele também. — Um segundo, eu tenho seu pedido lá trás. Eu levanto minha sobrancelha para ele. Pedido? Ela vai até a porta e quando volta, ela tem uma grande caixa branca com uma etiqueta bonita que diz Sparrow. Agora eu estou levantando minhas duas sobrancelhas para ele. E ele parece um pouco envergonhado. Ele se inclina e sussurra em meu ouvido: — Então eu encomendei esse pedido ANTES de você e eu falarmos esta manhã. — Ele fica de pé a espera da minha reação. — Meio presunção sua assumir que eu ainda estaria falando com você depois de todo o... — Eu aceno meus braços para trás e para frente entre os dois nós. — Você está completamente certa. Eu não vou cometer esse erro de novo, — ele promete. — Mas você está aqui, não está? Eu olho para ele até que eu vejo seus ombros tremerem. Ele está me provocando novamente. Eu mordo o interior da minha bochecha para não sorrir.


Eu empurro-o, desta vez com força suficiente para fazê-lo recuar. Ele está rindo, e ele parece absolutamente lindo. O sol brilha através das janelas e destaca-o tão... Ele me agarra e me segura perto. — Sinto muito, querida. Eu nem estava pensando. Você pode ter que me esclarecer sobre o protocolo de mantê-la feliz... — Eu não sou difícil de agradar. Pobre Daisy. Eu finalmente percebo que ela está ali o tempo todo, a cabeça nos seguindo para frente e para trás. Sua boca está pendurada um pouco aberta e ela parece com inveja. — Sinto muito, — eu digo a Daisy enquanto pego a caixa — Não nos dê importância. Uma vez que tem o meu nome, isso significa que eu posso abri-la? — Com certeza, Passarinho. — Ian sorri docemente. Eu abro a caixa e suspiro. Situados no interior estão 6 cupcakes. O glacê é azul Tiffany e em cada cupcake está um belo e branco pardal, cada um único. — Eles são perfeitos! Eu os amo. Obrigada! — Eu olho para Ian e coloco minha cabeça em seu ombro e, em seguida, olho para Daisy. — Você fez isso? Ela acena com a cabeça timidamente. — Eles são espetaculares. Cada um. — Obrigada, — ela murmura. — Qual deles você vai comer primeiro?— Ian pergunta. — Oh, eu não posso comê-los. Não. Eu não vou ser capaz de fazer isso. Ian me solta. — Nuh-uh. Eu vou te comprar mais, baby. Você vai comer isso. — Ele olha para o menu. — Precisa de um café para ir com ele? Ele pode ser meio devagar no relacionamento, mas ele com certeza sabe como fazer algumas coisas direito.


Pegamos nossos cupcakes – Ian comprou alguns para ele, então ele não iria comer todos os meus e andamos até Bryant Park. Nós nos sentamos perto o suficiente para ouvir o pianista, mas longe de todas as pessoas. Nosso próprio pequeno piquenique de cupcake. Ian pega um cupcake da minha caixa e remove cuidadosamente o papel. Ele se inclina e coloca-o na frente dos meus lábios, esperando eu dar uma mordida. Eu olho para ele nervosamente. É gigantesco, eu não sei como caberá na minha boca. O glacê torna o cupcake ENORME. Sei que não há nenhuma maneira de parecer sexy e comer a coisa, então eu apenas o como. Eu abro toda a boca e... — Ohhhh. Meeeuu. DEUS. É muuuito booooom. Mmmm, — eu gemo e fecho os olhos. — Inferno, baby, você está causando problemas para mim, — diz ele contra os meus lábios. — Geme assim de novo e eu não posso ser responsável pelo que eu faço. — Ele lambe o glacê da minha boca e, em seguida, com o dedo, ele adiciona mais glacê e repete o processo. Quando sua língua, certamente ficou toda com glacê, ele levanta a parte de trás do cupcake para eu dar outra mordida. Suas pupilas estão assumindo um tom brilhante de um ônix preto. Eu dou outra mordida enorme. — Mmmmmmm. — Eu não estou exagerando. É sério, é a melhor coisa que eu já comi. Ele não apenas levemente lambe o glacê dessa vez. Ele agarra meu rosto e mergulha sua língua na minha boca. Ele não está brincando. Acho que ele quer um pouco do meu cupcake para si mesmo. Estou feliz por dar a ele. Até o momento que violamos completamente um cupcake, nós dois estamos pegajosos e extremamente excitados.


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Quebra — Então, eu nem sequer perguntei ainda, o que você está fazendo na cidade? Estamos de volta no meu lado da cidade. Depois de ficarmos todos quentes e incomodados com os cupcakes, decidimos descansar no meu apartamento e tentar se comportar durante o dia. Pelo menos, eu acho que isso é o que nós decidimos. Eu poderia ser tentada a me comportar mais mal se a situação se apresentar. Por enquanto, nós estamos andando ao redor do Village. — Estou tocando com Jagged neste fim de semana. Eles estão chegando amanhã e tem shows esgotados amanhã à noite e sábado à noite. Cheguei um dia antes para vê-la. — Ainda bem que eu estava na cidade. — Eu não posso resistir atirar isso. Ele assente e olha para mim com aquela expressão envergonhada que apenas parece me derreter mais. — Sim, é. — Eu estou indo para casa na segunda-feira, então eu realmente estou feliz que não perdi você. Ele se inclina e beija minha bochecha. — Eu também. Me desculpe, eu fui um bastardo presunçoso. Perdoado. — Só não deixe que isso aconteça novamente, — digo com firmeza. — Concordo. Eu farei o meu melhor para nunca assumir, — ele promete. — A parte do bastardo, eu não posso garantir. Falando de presunçoso... eu meio que te surpreendi hoje por apenas aparecer. Se você precisa fazer outra coisa, eu entendo completamente.


Eu paro na frente de uma livraria e me jogo sobre um carrinho de promoção. — Não, eu tinha um par de recados e lavanderia na agenda. Nada emocionante. Apenas me preparando para ficar fora por algumas semanas e Tessa está gastando cada minuto com Jared. — Eu sorrio pensando em como eles são bonitos juntos. — Eu tenho bilhetes para você, se você quiser ir. Ambas as noites, se você quiser. Tessa e Jared também... — Isso parece divertido. — Eu olho para ele e não posso acreditar que estamos aqui, fazendo coisas cotidianas e parecendo mais como um casal de verdade, algo que nunca fomos. Ele está olhando para mim tão intensamente que eu fico nervosa e finjo ficar absorta em um livro. Eu não tenho ideia do que dizer. Eu sinto seus olhos chamuscando onde quer que eles toquem. — O-onde você está ficando? — eu gaguejo, determinada a retroceder. Sua voz é um raspar de seda, como se ele estivesse me cobrindo com veludo em cada sílaba. — Eu estou em um lugar chique - o Chatwal, já ouviu falar dele? Eu estou em uma suíte grande o suficiente para, oh... pelo menos seis pessoas? Você deve vir visitar. — Eu gostaria de vê-la, — admito. Eu tenho uma coisa por hotéis. Eu os amo. Estou tão fora de si com o seu olhar fixo em mim que não vai a lugar nenhum, que eu passo para o próximo carrinho para ganhar alguma distância. E tropeço em aparentemente nada, mas nos meus próprios pés. Eu bato o meu dedão do pé, desde que eu estou usando somente flip-flops e dói. — Dagnabbit!19 Ian está ao meu lado rápidamente. — Você está bem? Meu dedo do pé está sangrando e muito. — Eu estou bem, — suspiro. — Eu sou uma desajeitada. 19

Uma expressão suave de frustração proferida de forma educada. Vem de "God Damn It".


— Vamos limpar isso. Não parece bom. — Oh, eu faço esse tipo de coisa o tempo todo, não é grande coisa. — Acho que estamos perto do meu hotel, quer pegar um táxi para lá agora? Assistir a um filme no meu quarto ou algo assim? — Isso realmente parece muito bom. Estamos no táxi e Ian diz: — Hum, Sparrow... eu realmente ouvi você dizer Dagnabbit? Eu chicoteio minha cabeça para encará-lo, meu rosto vermelho, os olhos arregalados. Minha estupidez acabou aparecendo. — Porque parecia que você... disse Dagnabbit... e bem, eu não sei se eu já ouvi qualquer pessoa com menos de 70, na verdade, dizer essa palavra. — Seus ombros estão tremendo agora, e seus olhos estão começando a ficar aguados dele tentando segurar o riso. Eu bato em sua mão e olho para trás para fora da janela, tentando esconder meu sorriso. — Eu tenho um problema com palavrões. — Ah, é mesmo? Qual é o seu problema? — Bem, além do fato de que eu não posso dizer isso, eu apenas não posso. Não soa certo saindo da minha boca. — Tente algo. Diga algo impertinente. — Não! — Vamos lá, Passarinho, deixe-me ouvir você dizer algo ruim. — Agora ele está enxugando os olhos. O idiota. Nós chegamos ao hotel e só então eu dou um suspiro de alívio. Nós saímos e caminhamos através do belo lobby e quando entramos no elevador, ele diz: — Você não é normal.


— Temos uma política rígida de palavras impecáveis na minha casa, — eu digo recatadamente. — Tudo bem, é justo. Mas você não está na sua casa agora. — Seu sorriso cobre o rosto, mal se contendo. — O que você diria agora se pudesse? — Essa é a coisa. É como se fisicamente minha boca não me deixasse. Eu não me importo quando as outras pessoas falam, é só eu que não posso. Eu tenho essa coisa estranha sobre palavras. Até mesmo as normais. Por exemplo, você nunca vai me ouvir dizer Ú-M-I-D-O20. Estamos saindo do elevador e agora Ian para em sua porta. — ÚMIDO? — Ele praticamente grita. — O que há de errado com ÚMIDO? Eu tremo com cada palavra começada por M. — POR FAVOR, não, — imploro. — Você pode falar a palavra com F, só não, por favor, a palavra com M. Ele está uivando agora. Oh por favor. — Eu estou feliz por poder te divertir, — eu atiro. — Então você está realmente bem se eu disser foda, mas não úmido? — CHEGA COM O ÚMIDO! — Eu suspiro e cubro minha boca. A boca dele cai e ele aponta para mim. — Você disse isso! — Ele grita, e depois ele ri tão forte, eu acho que ele vai estourar um vaso sanguíneo. Está pegando, especialmente quando ele envolve o braço em volta de mim e me abraça apertado. — Você é muito bonita, — diz ele, recuperando o fôlego. — Então... o que você diz quando está realmente… com raiva. — Ele ri de si mesmo novamente, e eu sei que ele tinha outra palavra na ponta da língua. Eu sorrio para ele. — Você acha que é tão engraçado, — digo, cutucando-o no estômago. — Beeem, eu te direi como será. Nós não dizemos, Porcaria,

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No orginal: Moist.


dizemos Crack. Nós não dizemos, M-E-R-D-A, dizemos Atirar. Nós não dizemos EFFFF, dizemos Bobagem. E assim por diante.21 Ian tenta desesperadamente levar a sério e acena. Quando eu chego ao EFFFF, ele se perde novamente. — O quê? — Você não pode sequer SOLETRAR foda, não é? — Agora você está entendendo, — admito. — Ah, querida. Isso pode ser a melhor coisa que eu já ouvi. — É estúpido é o que é. — Não, é você. É hilário e eu não tenho certeza se entendo porque você pode dizer bobagem quando você realmente QUER DIZER foda, mas não posso questionar o seu cérebro. — Ele sorri aquele sorriso irritante novamente e eu sei que ele está tentando não perdê-lo novamente. — Essa é a coisa, eu realmente quero dizer bobagem. Meu cérebro não vai para outra. — Uau. Vê? Você é perfeita. — Mais como limitada... E então percebo nossos arredores. Ele me distraiu tanto que eu nem sequer apreciei a grandeza que estamos em pé dentro — Este quarto é incrível! Ou apartamento, devo dizer! Eu não sabia que eles tinham quartos tão grandes de hotel em Nova Iorque! — Aparentemente Jagged gosta de viver grande. — Ele sorri. — Vamos limpar seu pé e, em seguida, eu vou te mostrar a minha parte favorita.

Aqui ela explica como evita falar palavrão. Por exemplo, em vez de dizer shit (merda), ela diz shoot (atirar). 21


Depois que o sangue é lavado do meu dedo do pé e ele parece muito melhor, Ian pega a minha mão e saímos para o terraço. Estamos em cima do telhado. O deck privado é enorme, maior do que todo o meu apartamento. Podemos ver mais da 44th Street. Há cadeiras de pelúcia para desfrutar do sol e da vista. — Eu amo isso! — Esta é a Suíte do Produtor. — Ian pisca os olhos. — Eu acho que Serge, o baixista, vai ficar no outro quarto amanhã à noite, mas por hoje é todo meu. Eu acho que ele poderia estar aqui agora e nós nunca saberíamos. — Então é essa a sensação de ser um músico famoso, — eu brinco. — Eu posso ver o fascínio. Ele encolhe os ombros. — Eu também vivi em uma van antes. Não é que eu não gosto de tudo isso, eu gosto. É muito melhor do que uma van, isso é certo. Eu só sei que tudo isso pode desaparecer em um instante. O clima já mudou e ele parece sério. Eu estudo seus olhos que mudam de cor em cada situação e me pergunto para onde ele vai quando seus olhos nublam como estão agora. Eu pretendo descobrir. Talvez não agora, mas em breve. Eu quero saber tudo sobre ele. Ele muda de repente e coloca a mão na minha bochecha. — Sparrow? Eu sei que eu realmente errei com você. Eu vi você... aquele primeiro dia quando você estava com... Dave. — Ele faz uma pausa e espera para ver se eu vou reagir. — Michael. — Oh sim. Mike. — Michael. — Michael, Mike... Dave, qualquer que seja. — Ele me dá um sorriso irritante, mas logo fica sério de novo. — Eu - senti algo naquele dia que não senti, eu não sei, talvez nunca. Talvez quando eu era um garotinho, e quando as coisas iam bem com meus pais. Muito tempo para lembrar, de qualquer maneira. Mas


vendo você, estando perto de você, falando com você, ouvindo sua risada, observando seus lábios se moverem, tudo isso. Me senti acordado. Vivo. Enlouquecido, quase. E eu não sabia o que fazer com isso. Vê-la a cada vez, apenas se intensifica, o que nunca acontece para mim. Com você, eu só quero mais - em vez de querer correr, eu quero mais. Mas você está aqui, e eu estou em todo o lugar. Você está apenas começando, realmente, e eu já estou desgastado e... velho. Penso em cada palavra sua. Sua expressão é tão sincera. Parece muito, muito cedo ainda, para todas as nossas paradas e arrancadas, mas quando eu olho para ele, eu quase podia jurar que eu vejo amor. Para dissipar a gravidade do momento, eu faço um som de escárnio. Pfft22. — Você não é velho. — Isso é tudo o que você ouviu do que eu disse? — Seus olhos se enrugam e seus peculiares lábios se levantam enquanto ele se inclina para um beijo. Beijá-lo é como o sol rompendo uma profunda névoa. Eu sei exatamente o que ele quis dizer. Ele se inclina para longe e alisa meu cabelo para baixo, puxando o fim de uma onda. — Eu sou um pessimista, — diz ele. — Eu sou uma otimista. — Eu dou de ombros com indiferença. Ele olha para mim com uma expressão doce. — Você é uma idealista completa, é o que você é. — O que há de errado com isso? — Nada. — Ele beija meu cabelo, minha mão e minhas pálpebras. — Eu não tenho certeza que você está certo sobre isso. Acho que eu vejo as coisas como elas realmente são. — Eu quero ser quem você pensa que eu sou. 22

Expressão de escárnio quando se desaprova alguma coisa.


— Eu quero que você seja quem você é. — Eu pego seu rosto e olho para ele, estudando os olhos e tentando chegar dentro de seu cérebro. Eu gostaria de poder entrar em sua cabeça e ficar lá por dias e dias. Há tanta coisa por trás da superfície, eu sei que ele está tentando me deixar entrar, mas ainda parece como se camadas e camadas agitassem sobre um monte de pensamentos e sentimentos. Ian Sterling é um profundo filhote de cachorro. — Isto sou eu, baby. Isto é o mais eu que consigo. — Ele sorri e vem para outro beijo. Ele me levanta, na verdade, porque a próxima coisa que eu sei, é que ele me pegou e está me levando de volta para dentro. Eu tive meu primeiro momento limite.

Ele me coloca de volta na cama e me beija lentamente, tomando seu tempo enquanto seus dedos vagueiam no meu ombro, ao longo dos lados do meu braço, na minha barriga, até o meio do meu peito, onde eles descansam por um momento. Minha camisa está apenas baixa o suficiente para que seus dedos toquem exatamente onde os meus seios começam e eu tenho medo de respirar por medo de que ele vai se afastar. Seus dedos fazem cócegas levemente para baixo do meu decote, mas não vão mais longe. Seus lábios trilham abaixo em meu pescoço e seguem seus dedos. Ele olha para mim, então, parecendo um anjo travesso. Mantendo os olhos nos meus, sua língua segue onde os lábios estiveram. Cada toque é lento e deliberado e isso está me deixando louca. Ele move o material no meu ombro, então, abaixa o meu sutiã com ele e para apenas no topo do meu sutiã. Ele beija ao longo de toda a parte superior do meu peito, mas só parece como brincar. A imagem repentina de Asher aparece na minha cabeça e eu posso vê-lo jogando meu sutiã em toda a sala. Eu tento agitar isso fora, mas algo deve voar no meu rosto, porque Ian vê e para.


— Passarinho? — Sua cabeça chega até a minha e ele se inclina sobre mim, seu nariz tocando o meu quando ele olha para mim. — Sinto muito. Eu não teria feito mais do que beijá-la. Isso é demais? Eu tomo uma decisão. — Por favor, não pare. — Eu quero fazer muito mais do que beijar. Ele beija meu rosto e todo o meu rosto, parando em meus lábios. Seu toque é suave e leve. — Você sabe o quê? Que tal pedirmos comida? Assistir esse filme. Você parece distraída. Você está com fome? — Ele belisca meu nariz e se inclina para trás. Eu quero dizer a ele que eu estou com fome por ele, porque essa é a verdade, mesmo que seja extravagante. Mas ele está certo. Eu realmente estou distraída. Eu estou tão brava com Asher por destruir este momento para mim. O que aconteceu naquela noite? O que eu fiz? O que o fez pensar que eu queria ele? Posso dizer que Ian pensa que eu estou pesando mais a opção de fazer com ele, por razões mais virtuosas, mas eu realmente só quero ligar para Asher e gritar com ele. — Eu sou a única a se desculpar, — digo a ele. — Você sabe o quê? Comida soa bem. Você pode escolher algo? Temos comido juntos várias vezes, você sabe o que eu gosto. — Eu tento sorrir tranquilizadora enquanto pego minha bolsa e sinto meu telefone, mas retiro meu gloss em vez disso. — Eu estarei lá fora, tomando um ar. — Eu saio correndo do quarto, para a varanda e até o telhado. Ian vai pensar que eu sou uma louca. Eu disco o número de Asher e me irrito enquanto ele toca. — Sparrow! Estou muito fel... — Só me responda uma coisa, Ash. O que aconteceu naquela noite? — Você não se lembra?


— Diga-me a verdade. O que fez você pensar que eu queria fazer sexo com você? Por que você fez isso? Ele deixa todo o seu fôlego. — Sparrow. Eu não tinha ideia de que você... — Isso não importa agora. Por quê? Por que você fez isso? — Eu pensei que você quisesse... em primeiro lugar. Você dizia que você estava tão quente. E você tirou seu vestido... Eu pensei... — Eu estava tão quente! — Eu estalo. — Eu estava bêbada, e eu nunca deveria ter tirado o meu vestido, mas você sabia que eu estava bêbada. E eu desmaiei. Eu não posso acreditar que você pensou que era um convite aberto... — A minha voz pega a última palavra e eu pisco rapidamente. Eu não vou chorar. Eu não vou chorar. Eu não vou chorar. — Sparrow, eu sinto muito. Sinto muito. Eu não queria. Você parecia tão bonita e eu estava bêbado demais... muito bêbado... — ele vai sumindo. — Sparrow, por favor... — Ele parece chorar agora. — Não há um segundo que eu não me arrependo do que fiz. Eu queria você por tanto tempo. Agora eu estou chorando. — E assim isso lhe deu o direito de me tomar quando eu estava no meu momento mais vulnerável? Achei que você fosse meu amigo, Asher. — Eu sou seu amigo, Sparrow. Eu cometi um erro. Eu soube disso quando eu acordei e vi... — Não se atreva! Não se atreva a falar sobre isso. Você não é... você não... — Um soluço sai exatamente quando ouço os passos. Ian envolve seus braços em volta de mim, escova meu cabelo para trás e olha para mim, preocupado. Eu desligo o telefone com Asher ainda falando, e enterro minha cabeça no pescoço de Ian. As lágrimas derramam para fora de mim e ele me mantém tão apertada como ele pode. Quando eu finalmente começo a me acalmar, ele puxa minha cabeça para trás e enxuga meu rosto. Eu tento limpá-lo também, sabendo


que eu pareço aterrorizante. Eu nunca fui capaz de chorar na frente das pessoas. Nunca. Estou horrorizada. — Baby? Você pode me dizer o que está acontecendo? Eu vim para te dizer o que eu pedi, caso você quisesse mudar alguma coisa, mas... você estava no meio disso. — O que você ouviu? — Pergunto com medo. — Eu ouvi você dizer o nome de Asher, — diz ele em voz baixa. — Eu não tentava escutar, eu realmente não tentava. Você, uh, você está vendo Asher ainda? Quer falar sobre isso? Vou até a espreguiçadeira e me lanço sobre ela, a cabeça nas mãos. — Não, eu não estou. Eu pensei que ele fosse meu amigo. Ele queria mais, mas eu... eu estava muito presa a você. Ian suspira e se senta ao meu lado. — Eu fui um idiota. Mas com o que você está tão chateada? E eu não sei como ele faz isso, mas eu conto tudo. Pelo menos o que eu me lembro.

Ian andou por vinte minutos e ainda está andando quando a comida vem. Ele ordenou um banquete e não pode parar de andar tempo suficiente para apreciar. Raiva está fervendo fora dele, derramando sobre a panela e correndo o fogão. Seus olhos cinza, verde, azuis estão praticamente brilhando amarelo, neste ponto, e eu tive que impedi-lo de bater com o punho em uma parede. Eu morreria de vergonha se eu o levasse a prejudicar a sua mão. Eu estou em uma espécie de entorpecimento. Eu sempre fui capaz de guardar as coisas, até mesmo de Tessa, às vezes, quando eu não quero aborrecê-la ou é apenas demais, mas Ian


continuou insistindo e fazendo perguntas-chave que puxaram tudo para fora. Nós fomos nos movimentando e eu acabei no sofá de dentro com meus braços abraçando meus joelhos. Apenas observando ele andar, desejando que eu pudesse ajudá-lo agora. Eu, surpreendentemente, me senti melhor. Eu não sinto a necessidade de tomar banho mais. Eu acho que não me lembrar fez minimizar isso, mas eu acho que ainda precisava falar sobre isso. Sabendo quão irritado Ian está com Asher me faz sentir justificada em meus sentimentos. Talvez eu possa parar de me sentir mal agora.


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Laço Roxo Ian e eu ficamos acordados a noite toda conversando. Por horas é tudo pesado, sobre Asher, sobre a raiva que eu sinto em relação a ele, até mesmo a tristeza que minha virgindade se foi e eu nem sequer cheguei a apreciar. Eu falo para Ian desistir da ideia de bater em Asher até virar uma polpa. Para ser honesta, eu ainda não confio que ele não vai. O pensamento me deixa nervosa, embora, eu não me importaria se Asher tivesse a mandíbula quebrada. Eu preferiria ser a única a fazer. Depois, falamos sobre alguns dos problemas de raiva de Ian porque é óbvio agora que ele tem algum. Como resultado, eu descobri mais sobre seu pai e o que aconteceu com sua mãe. Ian teve que ficar entre uma tia que não queria ele e os avós idosos que realmente não podiam cuidar dele, enquanto sua mãe se recuperava em um manicômio por um ano. Ian diz tudo como se ele estivesse falando de um estranho. — Logo antes de ela ser enviada para longe, ele bateu tanto nela que eu precisei chamar uma ambulância. Eu cheguei da escola e ele estava usando-a como um saco de pancadas. Eu cheguei atrás dele... batendo, chutando, mordendo. Cada pingo de ódio que eu tinha levado para ele, eu coloquei bem ali. — Ele levanta seus punhos e seus olhos parecem tão tristes. — Ele me bateu de volta... As palavras pairam no ar... — Quando finalmente nós paramos de lutar, eu percebi a forma que minha mãe estava. Ela ficou no hospital por duas semanas, com nariz e costelas quebradas e hemorragia interna que não parava. De lá, eles a mandaram embora, e essa foi a última vez que falei com o meu pai. Eu tinha onze anos.


— Foi quando você foi para a casa de sua tia? — eu pergunto, incapaz de parar de tocá-lo. Nós não deixamos de nos tocar o tempo todo em que falamos. Ele acendeu a lareira e ligou o ar condicionado, então não estaríamos muito quentes. Estamos sentados de pernas cruzadas no meio da cama, de frente um para o outro. São duas da manhã. — Sim, eu fiquei lá por quatro meses, mas a minha tia tinha dois filhos e não precisava de um garoto de onze anos de idade genioso. Meus avós me levaram e me deram rédea livre. Quando minha mãe voltou, eu praticamente tive rédea solta também. Ela ficou isolada por um longo tempo. Eu entrei em um monte de problemas durante esse tempo. Nem tudo foi mau. — Seus olhos brilham a luz do fogo e eu gemo. — Garotas? — Sim. — Você começou jovem, não é? — Treze. — Não! — Eu não posso evitar, estou chocada. Ele ri. — A minha namorada era quatro anos mais velha... Eu era alto para a minha idade, — ele diz por meio de explicação. — Isso é... nojento. — Eu enrugo meu nariz. — Isso é muito jovem. E se fosse o contrário e fosse você deflorando ela, — eu digo com aspas no ar detestável, — teria sido um inferno para pagar. Ele assente, descruza as pernas e estende-se, com os cotovelos para cima e com a cabeça apoiada na mão. — Não é algo que eu estou necessariamente orgulhoso... agora. Naquela época, era uma espécie de - espere um minuto, você acabou de dizer inferno? — Ele me agarra pelo braço e cintura e me puxa para baixo com ele, me fazendo cócegas em todos os lugares que ele pode chegar sem sinais de desistir. Eu estou bufando e chiando no peito e cuspindo, e gritando quando consigo pegar um fôlego. Sinto tantas cócegas. Isso só o incentiva. —


Você disse inferno, você disse inferno! — Ele é implacável. Em breve, porém, ele está rindo tanto para mim que ele perde o controle por um segundo e eu escapo de seus braços. Eu pulo para fora da cama e ele me persegue, mas eu sou apenas um pouco mais rápida. Eu corro em volta da suíte e acabo no outro quarto. Eu pego um travesseiro e o seguro para proteção quando percebo que não foi a ideia mais inteligente entrar neste quarto menor. Ele se inclina contra o batente da porta e me assiste presunçosamente. Ele não pode apagar a travessura de seu rosto e de vez em quando ele simula caminhar em minha direção, apenas para me fazer saltar mais alto. Ele me envia em um ataque de riso cada vez que ele ameaça vir para mim. Eu sou como uma criança que grita apenas com a ameaça de ser cutucada, mesmo sem ser tocada. Eu me inclino e coloco minhas mãos em meus joelhos enquanto tento colocar um rosto sério e recuperar o fôlego. — Tio, — eu finalmente digo quando me inclino de volta. — O que é isso? — Tio, você sabe... tipo, eu desisto? — Oh, eu só não ouvi você. Você estava dizendo que você desiste? — Ele ri quando ele estica os braços em cada lado da porta, lembrando-me que não há saída, exceto passando por ele. Eu cruzo meus braços e tento um olhar furioso. — Sim, eu já tenho o suficiente de cócegas. Ele cruza os braços, então, me copiando. — Oh, você tem? Você tem certeza? Algo sobre o jeito que ele diz faz meu sangue esquentar. — Sim, — sussurro. Seu sorriso enche a cara e você nunca saberia que falávamos de coisas traumáticas durante toda a noite. Meu coração se sente mais leve do que nunca senti. — Vem cá, baby, — diz ele em voz baixa.


Eu me movo lentamente para mais perto dele, ainda não confiando nele para estar terminado com as cócegas. Eu chego perto o suficiente e ele me mergulha em seus braços e me leva de volta para seu quarto. Ele me coloca na cama e levanta o dedo para eu esperar um segundo. Ele abre a mala e tira uma camisa grande. — Quer usar isso? — ele pergunta. Concordo com a cabeça. — Posso colocá-la em você? Concordo com a cabeça novamente. Ele pega a minha mão e me puxa até que nós dois estamos de joelhos. Ele lentamente levanta minha camisa por cima da minha cabeça, olhando em meus olhos o tempo todo. Quando ela está fora, ele se inclina para trás e corre as pontas dos dedos exatamente acima de onde o tecido do meu sutiã começa. Estou tão feliz por usar um bonito rendado. Ele coloca leves beijos no meu pescoço – para baixo, para baixo, para baixo – mas volta para cima olhando para mim de novo. Estou sem fôlego e não quero que ele pare. — Deus, você é outra coisa, Sparrow. Você é... eu poderia beijar cada centímetro, a noite toda... Ok. Ele desfaz os botões no meu jeans e lentamente puxa-os. Eu faço uma rápida verificação para certificar-me que minha calcinha está combinando, feliz quando vejo que elas estão. Suas mãos pegam em concha na minha bunda e por um momento, seus olhos se fecham e ele respiração fundo. Quando abre os olhos, ele morde seu lábio inferior e eu gostaria de ser eu fazendo isso. — Roxa, — diz ele, tocando no meu sutiã e sorrindo. — Eu nunca amei tanto roxo. — Ele está tomando seu tempo, seus olhos itinerantes para cima e para baixo do meu corpo, fazendo com que meus mamilos animem e tomem nota. Eu não me movo. Deixo-o olhar, surpresa por não tentar me cobrir. Eu quero que ele me veja e se divirta.


— Eu odeio fazer isso. Eu odeio tanto, mas devemos... dormir um pouco. — Seus olhos estão traindo o que ele está dizendo, enquanto ele mesmo coloca a sua camisa sobre a minha cabeça e lentamente a puxa para baixo. Ele para logo abaixo da minha calcinha. Ele puxa sua camisa e calça jeans, deixando a cueca boxer preta. Eu tento não olhar, mas simplesmente não consigo evitar. Uau. Ian geme quando ele me abraça perto e me puxa para baixo na cama, me afastando dele e embalando o meu corpo por trás. Nós seguramos as mãos um do outro, todas as quatro mãos em uma moita quente perto do meu rosto, e, eventualmente, eu divago no sono, pensando que esta é a melhor noite que eu já tive.

Na manhã seguinte, ainda estamos na mesma posição, só que eu estou suando como uma vaca. Eu sempre fico tão quente quando durmo. Ian tem seus braços apertados em torno de mim, seu corpo delineando o meu. Ele se sente divino. Eu respiro fundo e ele agarra-me ainda mais apertado. Eu me esforço para não rir como uma colegial sobre a maneira como seu corpo está pressionando contra o meu. Ele inconscientemente esfrega em minha bunda e um pouco de risada escapa. Ele faz um gemido grogue e diz: — Vamos esquecer que eu fiz isso, ok? Eu estava tendo um sonho tão bom. — Eu rio abertamente e, em seguida, seu corpo responde, mas ele não se deixa ir. — Se nós simplesmente ignorarmos, isso vai embora, — ele sussurra. Eu rio mais. — Ah, inferno, com quem eu estou brincando, — resmunga e começa a se desembaraçar de mim. — Você não precisa ir a lugar nenhum, — digo baixinho.


Ele se aninha novamente. — Mmm, tudo bem. — Ele passa a mão pelo meu braço e minhas terminações nervosas parecem como bacon, chiando e estalando em todo o lugar. — Você está quente! — Ora, muito obrigada, — eu digo como a boba que eu sou. Ele dá risadinha. — De nada. Mas, falando sério, você é como um aquecedor. — Ele se inclina sobre mim e se sustenta sobre suas mãos. Sua camisa está folgada em mim e tem um decote em V, por isso está pendurado baixo. Com um dedo, ele enxuga entre meus seios. — Você está suando. — Uh. Sim? — Isso é quente. Eu rio dele. — Você é louco. Ele inclina a cabeça para baixo e lambe onde o dedo acabara de estar. — Você tem um gosto bom, também. — Ele corre a língua logo abaixo da renda e, em seguida, ele coloca a cabeça no meu peito e dá um grande suspiro. Ele ainda permanece por um minuto e, em seguida, seu dedo toca levemente a alça do meu sutiã, como se ele não pudesse evitar o toque. Acho que parei de respirar quando eu acordei, então quando meu estômago cai em si mesmo com apenas um toque, eu fico tonta. A próxima coisa que eu sei, Ian está em pé, fora da cama e corre o mais rápido possível para o banheiro. Ele me deixa olhando ansiosamente para as costas dele, apoiada em ambos os cotovelos e desejando que eu pudesse ter pegado uma melhor olhada.


Eu ouço o chuveiro ligando e cinco minutos depois, Ian está fora e andando pelo quarto com um roupão do hotel. Seu cabelo negro está todo molhado, mas ainda de pé por toda parte. Parece que ele nem se secou, apenas colocou o roupão. Ele está escovando os dentes e eu pulo para cima e passo por ele para o banheiro. Eu escovo os dentes primeiro e olho para mim na camisa de Ian. Na luz da manhã, eu estou um pouco envergonhada pela forma como eu pareço. Minhas bochechas estão coradas. Meu cabelo está enorme e um pouco crespo do suor. Tessa diria que eu tenho cabelo de sexo, mas, infelizmente, é sempre sem o sexo. Eu decido não pensar em excesso alguma coisa hoje e salto no chuveiro. Eu tomo o banho mais rápido de sempre, parando apenas tempo suficiente para ver se eu posso sentir o cheiro do xampu. Eu acho que cheira bem. Esperemos. Quando termino, eu coloco o outro roupão e saio me perguntando o que eu vou usar para o dia. Não foi exatamente planejado eu ficar aqui durante a noite. O quarto está vazio, na verdade, todo o apartamento está vazio. Meu telefone está ao lado da cama e há uma mensagem de Ian.

Estarei de volta em 15, sua Gostosura.

Eu sorrio e começo a trabalhar no meu cabelo molhado. Eu tenho 15 minutos – espere, não, 7 minutos! – para conseguir parecer fabulosa. Eu rapidamente desisto da ideia de sequer tentar quando percebo que não tenho um único produto na minha bolsa. Este só vai ter que ser um dia crespo. Eu apressadamente coloco um toque de maquiagem da minha bolsa e estou começando o rímel quando Ian entra e fica ao meu lado, observando. Ele está quieto. Eu olho para ele através do espelho e continuo com a varinha do rímel. Ele estende a mão e toca o meu cabelo com reverência, seguindo o rastro de uma onda da coroa da minha cabeça por todo o caminho até a minha cintura. — Eu amo o seu cabelo. — Sua voz soa rouca e doce, como molho de uísque forte derramado sobre pudim de pão. Doce, mas forte.


— Eu amo a sua voz, — sussurro de volta. Ele pula no balcão do banheiro e me encara, correndo cuidadosamente o dedo em meus lábios. — Você tem o tipo de rosto que artistas querem pintar. Eu paro o que estou fazendo e apenas olho para ele. — Você deve considerar - oh, eu não sei - escrever músicas como uma profissão. — Eu sorrio para ele. — É a verdade. — Ele levanta sua mão quando eu começo a preparar uma resposta. — Eu posso dizer isso se estiver dizendo a verdade, — ele grita em cima de mim. Ele está rindo e puxando-me, levando-me para o quarto. — Você não precisa fazer mais nada. Se você parecer melhor, eu vou maltratar você nesta cama, aqui e agora. — Seu rosto cai quando ele pensa sobre o que ele disse. — Quero dizer... mer-rar23, Sparrow. Sinto muito. Eu não quis dizer isso. Asher paira sobre nós, não dito. — Você acabou de dizer, mer-rar? — Eu não quero que o ar pareça pesado. Eu envolvo meus braços ao redor de sua cintura, tentando encontrar um ponto delicado. Ele está rindo por eu tentar fazer cócegas, mas ele não está nem pestanejando. — O quê? Você não tem cócegas? — Não, — diz ele com orgulho. — Você tem que sentir cócegas. Todo mundo sente. — Eu aprendi como não sentir. — Isso é impossível. — Estou fazendo cócegas em cada ponto que eu posso pensar, mas ele não se mexeu. — Bem, você não é divertido. Ele se inclina e me beija na ponta do meu nariz. — Pegue isso de volta, — diz ele. — Ok, eu o pego de volta.

No original ele diria merda, mas lembra que ao invés de merda ela diz atirar e acaba misturando as duas palavras. 23


— Eu tenho um pouco de café e essa coisa de pastel de chocolate que parece realmente bom, quer um pouco? — Sim! Você está brincando? — Corro para o saco e retiro um enorme croissant de chocolate. — Oh, como você sabia? EU ADORO ESSAS COISAS. — Você é tão divertida para alimentar. — Ian ri. Nós nos sentamos e começamos a comer. O café está perfeito e o croissant é tão bom que eu não consigo pensar direito. Ian me olha com uma expressão divertida. Seu olhar de adoração é algo que eu certamente poderia me acostumar. Enche-me com mais ousadia do que estou acostumada a sentir. Eu gosto, eu gosto do que ele faz para mim. — Passarinho, — ele diz baixinho. — Eu não sou o melhor para falar as coisas, mas eu acho que nós deveríamos falar sobre Asher e mais sobre o que aconteceu com você. — Eu não sei mais o que dizer sobre isso. Eu nem sei como fazer sentido. Não sabendo tudo o que aconteceu, eu não posso nem mesmo processar como me sinto sobre isso. Eu lembrei um par de coisas. Uma delas foi ontem, quando estávamos... — minha voz trilha desajeitadamente para fora. — É por isso que correu para fora daqui tão rápido? Você se lembrou de algo? Eu apenas pensei que você precisava confrontá-lo. — Bem, isso também. — De repente, o quarto parece como se estivesse se aproximando de mim e eu não quero ele olhando para mim. — Eu me lembro dele jogando meu sutiã no outro lado do quarto, — digo, envergonhada. — E depois, nada. Eu devo ter desmaiado logo depois. Então, talvez eu fiz totalmente os movimentos sobre ele. O olhar de Ian me corta enquanto ele ouve. Quando eu não digo mais nada, ele diz: — Não, Sparrow. Se você desmaiou, você não estava incentivando-o. Quanto você bebeu, afinal? Você acha que ele colocou algo em sua bebida?


Eu ainda não havia pensado nisso. Eu não quero nem pensar nisso. Apesar de tudo, eu ainda preciso pensar que Asher não é sangue frio. Eu não digo para Ian quão dolorida eu estive por dias após o ocorrido. Isso provavelmente é normal. Eu não sei. — Ele ficava me dando flirtinis e eu não bebo muito frequentemente. Eu nunca sequer cheguei a ficar bêbada antes, — eu gemo. — Eu não posso acreditar que fiz isso. Mas eu confiava nele.... Ian salta e pega o telefone. — Eu estarei lá fora, eu preciso fazer um telefonema. Você está bem por um minuto? — É claro. Ele está lá fora por perto de 10 minutos, e ele parece mais relaxado quando vem para dentro. Ele beija minha testa antes de se sentar novamente. — Eu espero que você não se importe – eu chamei Jared. Tessa estava com ele e ela se ofereceu para trazer algumas de suas coisas. Tudo bem? Eu disse a eles sobre os bilhetes e eles gostariam de ir. Você ainda não tem que vir para o show, se você não quiser, você pode ficar por aqui, se isso soa melhor. — Ele olha para mim, tentando ler o que eu estou pensando. — Eu quero ir para o show! Se você me quer lá, eu estarei lá. — Eu quero você onde quer que eu esteja, — ele se inclina sobre a mesa e me beija suavemente. Quando não conseguimos parar, ele se levanta, nunca quebrando o contato e me puxa da minha cadeira. Eu me perco nele. Quando sua boca me toca - em qualquer lugar - eu sinto por todo o meu corpo. Suas mãos estão apenas roçando as bordas do meu roupão e ele está começando a movernos em direção à cama, quando alguém bate na porta. Ele se inclina para trás e sorri. — Isso é provavelmente Tessa. — Como ela chegou aqui tão rápido? — Bem, estamos beijando por cerca de... oh, vinte minutos? — Não!


Ele ri. — O tempo para quando você está comigo, baby? — Eu reviro os olhos e pego sua mão enquanto caminhamos para a porta. Meus lábios parecem um pouco crus. — O tempo parou para mim, — ele sussurra: — Eu acabei de ver aquele relógio ali, quando me levantei para beijá-la. — Ele aponta para o enorme relógio na parede. Tessa está de olhos arregalados quando abrimos a porta. Eu em meu roupão branco e macio e Ian em suas roupas. Seu rosto está gritando, mas ela mantém a compostura. Ela tem um carregamento – uma pequena mala de rodinhas e um par de sacos plásticos de vestuário envolto no braço. Ela sorri para mim e me abraça depois de Ian aliviá-la da bagagem. — Você fez isso! — ela sussurra. Eu belisco seu braço. — Shhh. Ela se inclina para trás e avalia meu rosto. Ela franze a testa quando ela vê minha expressão. — Sparrow? Eu preciso dar um rápido recado. Você se importa se eu sair, enquanto você está se preparando? — Ian pergunta. Ele está me distraindo passando a mão pelo meu cabelo. — Claro, vá em frente. — Tessa, sinta-se em casa, — diz ele, sorrindo. Assim que ele sai pela porta, Tessa se ajusta dentro. — O quê? Ainda não? Porqueee... — Se ela estivesse digitando, seria em letras maiúsculas. — Ro, você é a última na Terra ainda segurando seu cartão de virgindade. Esse cara com quem você devaneia ao longo de anos está olhando para você como se você fosse a última deusa em pé. Eu rio para ela e ela espera por mim para responder seu absurdo. — O que você trouxe? — Distração é sempre a melhor maneira de evitar o confronto.


Ela abre a mala e orgulhosamente me mostra todos os meus produtos de higiene pessoal, babyliss, a minha mais bela roupa interior e, escondido debaixo disso, ela segura uma camisola de noite sexy. — Para dar uma força, — ela sorri. — Tess, — eu gemo. No entanto, eu buscá-la e vejo se é o tamanho certo. É. — Este é um bom hotel. — Ela sabe uma coisa ou duas sobre distração. — Não é mesmo uma coisa? — Eu abro a mala de roupas e vejo um vestido verde lindo que é tão curto que parece uma blusa longa. Parece pequeno, mas o material estica, por isso deve caber. É algo que a namorada de um rockstar usaria e eu engulo quando penso em sair nele. Vou ter que evitar inclinar até um pouco. Então me ajude, se eu jogar alguma coisa, eu NÃO estou pegando-a. — Abra esse zipper, eu coloquei os sapatos lá dentro. — Tessa movimenta em direção ao bolso do lado de fora da minha mala. Um par incrível de sapatos está lá. — Como é que você escolhe essas coisas? Ele mal ligou para você, nem mesmo uma hora! — Bem... eu poderia ter ouvido falar dele ontem. E ele poderia ter me pedido para pegar algo para hoje à noite, então, — Tessa sorri maliciosamente. — Realmente. Bem, obrigada, Tess. — Eu penduro o saco de roupa. — Mas você poderia ter pegado algo que, pelo menos, cobre a minha... — Oh, eu tinha os requisitos específicos a serem seguidos. Este homem AMA suas pernas, deixe-me dizer. Sob nenhuma circunstância eu estava autorizada a comprar algo para cobri-las. — Ela ri. — Agora, essas duas roupas foram apenas supostas a serem confortáveis, mas é claro, eu precisava achar bonito E confortável. — Uau, eu não posso acreditar que vocês dois fizeram tudo isso. Eu não acredito que você não me disse que ele estava vindo! Ela olha para mim timidamente e encolhe os ombros. — Surpresa? — ela diz.


Eu penso sobre todo o trabalho que Ian teve este fim de semana – quando eu não fazia ideia de que ele estava mesmo vindo – e eu sorrio para Tessa. — Eu acho que poderia dar a ele uma chance, — eu digo a ela. E por poderia, quero dizer que eu estou indo definitivamente esquecer todos os meus temores em relação a este homem e ir com o meu coração.


- 15 -

Enfeitiçado Assistindo Ian na guitarra elétrica é uma experiência sensorial completa. Eu o vi tocar guitarra elétrica e acústica, e ele diz que prefere a acústica, mas há algo sobre ele na elétrica que me faz querer derrubá-lo no palco e me lançar sobre ele. Ele parece selvagem; seus olhos claros assumindo cores diferentes com os holofotes e, seu cabelo com toda a sua improvisação. Ele veste uma camisa justa azul que delineia os braços tonificados e o tronco. Eu só quero tirá-la... Ian faz back vocal, aqui e ali, mas na maioria só toca guitarra como um maníaco. É óbvio que a banda está feliz que ele está com eles. Eles o colocaram em solos de guitarra praticamente em todas as músicas, sorrindo e o destacando quando toca essas loucas corridas, gritando. Eu não posso tirar meus olhos de Ian. De vez em quando, ele faz uma cara hilária, e me puxa para fora do meu estado lascivo apenas o suficiente para rir dele. As meninas gritam como loucas quando Ian faz um solo. Elas gritam seu nome, e as mais próximas ao palco esticam seus braços para ele, como se apenas tocar o fundo do sapato vai satisfazê-las. Quando o show acaba, vamos para os bastidores, onde Ian nos disse para encontrá-lo. Eu já recebi uma mensagem dele, dizendo: Onde está você? Leva-nos um pouco para chegar ao meio da multidão, apesar de estarmos na frente. Nós serpenteamos nosso caminho e chegamos ao guarda que está bloqueando a porta. Ele pergunta o meu nome e quando eu digo a ele, nós passamos. Várias pessoas do show ou estão conversando ou ocupadas separando os equipamentos para colocar no ônibus. Eu estou tentando não ser paranoica, mas parece que a sala fica em silêncio e todos os olhos estão em mim. Eu abaixo a cabeça para evitar fazer qualquer contato visual com os curiosos. Eu só quero chegar a Ian.


Ele está de pé do lado de fora da sala onde nos disse para vir. Ele está imprensado entre duas modelos altas que têm as mãos em cima dele. Ele não parece incomodado, o que me irrita. Ele parece divertido e um pouco distraído. Pode ser a única vez que eu já estive feliz com a minha altura. Eu sou tão alta como elas são. No entanto, elas são lindas. Uma está inclinando-se e sussurrando algo em seu ouvido, e ele ri e balança a cabeça. Estou pronta para virar e continuar caminhando quando ele me vê. — Baby, — ele diz, soltando-se das sanguessugas. Minhas entranhas esquentam por ele me chamar de baby na frente das duas. — Puta merda! — Diz ele e, em seguida, levanta as mãos para o alto. Ele está tentando arrastar seus olhos de volta para o meu rosto, mas com dificuldade. Ele me puxa para ele e pega cada lado do meu rosto. — Sinto muito. Isso só saiu. — Você não precisa se desculpar. Eu sei que você tem uma boca. — Eu vou ter essa boca em você... a noite toda... Meu corpo ganha algumas dezenas de graus de calor com essa afirmação. — Você parece tão… effff — ele ri. — Deus. Quem escolheu esse vestido para você merece uma medalha. — Ele sorri para Tessa enquanto ele diz e envolve seu braço em volta do meu ombro, beijando meu cabelo. Tessa sorri de volta. Seja o que for que eles dois trabalharam em sua conversa por telefone para acertar toda esta visita surpresa completamente conquistou Tessa. — Ei, cara. — Jared está enrolado em torno de Tessa, mas Ian e Jared fazem a coisa toda da colisão de punho com as mãos disponíveis. Ian tomou banho e está vestindo roupas diferentes. Ele parece ainda melhor do que no palco. Ele passa uma colônia a qual eu posso realmente sentir o cheiro, e é como um feromônio direto para minhas narinas. Quero abandonar a festa e ir direto para o hotel. Ian parece ler a minha mente. Ele me dá um sorriso abrasador que faz meu estômago cair no chão e voltar para minhas regiões mais baixas. As regiões inferiores, como minha mãe diria, embora agora eu não consiga me lembrar por


que ela diria isso para mim. Eu não quero pensar nisso agora. Está estragando o meu momento sexy. As modelos estão se escondendo contra a parede enquanto andamos, me olhando por cima da cabeça aos pés, e aparentemente, não muito satisfeitas. Eu tento ignorar o sentimento presunçoso que se instala no meu intestino e me concentrar apenas em andar sem tropeçar.

A noite inteira é como preliminares infinitas. Não que eu já tive muito disso até agora, preliminares reais talvez seja muito melhor, mas essa é a próxima melhor coisa. Vou aceitar. Por enquanto. Ian e eu dançamos a noite toda. Eu sou decente na pista de dança, mas com ele, cada movimento que eu faço é o certo. Eu fui feita para dançar com ele. Ele antecipa cada movimento meu e está em sintonia com meu corpo, uma extensão dele. O meu favorito é quando ele me vira e corre suas mãos pelo meu corpo enquanto está pressionado contra minhas costas. Eu sou uma poça só de pensar nisso. No caminho de casa, depois do nosso táxi deixar Tessa e Jared, Ian não tira os olhos de mim. Ele passa os dedos ao longo de minha pele, e parece que ele quer atacar. Quando parece que ele não aguenta mais, sua boca está a uma polegada de distância da minha... e o táxi para. Ele me perguntou no clube se eu iria passar a noite com ele de novo, e eu não disse a ele, mas eu assumi que era o ponto desde que Tessa trouxe minha mala. Quando chegamos ao hotel e entramos no elevador, ele beija ao longo da minha bochecha. Sua contenção está me deixando louca. Seus olhos percorrem toda a parte que seus lábios querem estar. Seus dedos seguem, tentadores e prometendo mais. O elevador soa e caímos em nosso quarto.


Ele me apoia contra a parede e faz coisas com a língua que me deixam sem fôlego. Para baixo, sua boca vai para baixo do meu pescoço, com as mãos em cima de mim. Ele ama meus seios e minha bunda e minhas pernas. Eu sei por que ele diz isso quando passa as mãos ao longo das bordas de cada parte, nunca tocando o bastante, mas apenas o suficiente. Seus olhos estão inflamados e minhas pernas parecem ceder debaixo de mim. Eu puxo sua camisa e depois a arranco. — Eu queria fazer isso à noite toda, — sussurro. — Eu queria fazer muito mais do que isso a noite toda, — ele sussurra de volta. Ele se inclina para trás e olha para mim. Ele geme e dá ao meu cabelo um leve puxão e nossas bocas colidem novamente. Quando eu acho que não aguento mais sem rasgar todas as roupas dele, ele afasta e beija meus ombros e suas mãos alcançam o zíper de trás do meu vestido. Ele levanta a sobrancelha, como se pedisse permissão. Eu sorrio, dando a ele. — Eu só quero olhar para você, — diz ele, enquanto lentamente descompacta e puxa meu vestido para baixo, pouco a pouco. Ele beija o meu corpo em cada centímetro de pele que expõe. Ele desliza sobre os meus seios, beijando minha barriga nua, roçando sobre minha calcinha e para baixo da minha coxa. Quando o meu vestido está no chão, ele está de volta e olha. — Baby... — diz ele com uma voz rouca. — Eu nunca quis tanto alguém, Sparrow. No entanto, eu quero fazer as coisas direito com você, está bem? Então, nós não vamos - vamos apenas... — Você fala demais, — eu sussurro, pegando-o de surpresa e me envolvo em torno dele. Eu, então, consigo risos pela minha agressividade. Maldição, eu sempre rio na hora errada. Como quando tivemos de escolher uniformes da banda e Laura chorou porque eles eram tão feios e eu ri na cara dela, até que percebi que ela falava sério. Ou quando meu pai caiu muito forte nas pistas de esqui e realmente quebrara o pulso.


Ou o tempo durante o funeral de Casey, no palco, quando o coro se preparava para cantar. Ri tanto que eu não conseguia parar. — Você pensa demais, — diz ele, vindo para outro beijo, mas antes que fizesse, eu chego e abro meu sutiã, deixando-o cair no chão com o meu vestido. Seus olhos se arregalam. Ele não esperava isso. Ele parece atordoado, sem palavras. Tome isso. Eu tenho que morder o interior da minha bochecha. Eu não vou estragar esse momento com riso nervoso. Felizmente, ele está muito fascinado por meu peito para perceber. Esta é apenas a única parte do meu corpo com o qual estou completamente feliz – eu me pergunto o que ele pensa. Eu sei que ele viu mais do que suficiente de mulheres. — Sparrow... — Seu sorriso assume seu rosto, mas ele ainda não olhou para cima. Quando o faz, suas pupilas estão dilatadas e ele parece bêbado mesmo ele não estando. — Você é perfeita. — Ele estende a mão e, em seguida, toca levemente as pontas dos meus mamilos com os dedos médios. E, em seguida, suas mãos enormes pegam nos meus seios. — Mmm, você foi feita para mim. Olhe. — Eu olho para baixo para ver como meus seios enchem suas mãos. Ele se inclina para baixo e desliza sua língua, onde as mãos estavam, sacudindo ao redor dos meus mamilos e em seguida, puxando um para sugá-lo. Meus olhos se fecham por sua própria vontade e um gemido escapa. Eu não posso acreditar que isso está realmente acontecendo. Suas mãos estão em toda parte, deixando vestígios de eletricidade onde quer que ele faça contato. De repente, ele me vira, como fez quando estávamos dançando e puxa minhas costas para ele, enquanto suas mãos correm por todo o meu corpo. Eu posso sentir o quanto ele me quer. Lentamente, ele me leva para o quarto, beijando meu pescoço todo o caminho. Quando meus joelhos batem na cama, ele me vira e aperta-me a ele, pele a pele. Depois ele me abraça apertado contra ele, ele afasta e tira meu cabelo do meu rosto. Ele respira fundo e algo muda. Sua expressão está me confundindo. Eu olho para ele, sentindo-me vulnerável com a minha nudez pela primeira vez.


Ele inclina sua testa na minha. — Olha... eu estou voando amanhã. Você está também. Sparrow, eu – eu não vou fazer amor com você e, em seguida, deixá-la. Por mais que eu queira, eu só não quero que a nossa primeira vez seja apressada de qualquer maneira. Ou que você seja deixada para lidar com tudo o que você pode sentir mais tarde, sozinha. Você já passou por muita coisa no último mês. Eu não acho que tem tudo totalmente registrado ainda. Eu envolvo meus braços contra meu peito, envergonhada por tirar meu sutiã. Eu olho para baixo e aceno. Ele levanta meu queixo para cima, então eu vou olhar nos olhos dele. — Eu quero você mais que tudo. — Ele coloca minha mão em seu peito, onde seu coração ainda está batendo tão rápido. Ele aponta para baixo para a tenda em suas calças e sorri. Eu ruborizo e ele ri, me puxando para outro abraço. — Quando fizermos isso, eu quero ter dias e dias em que eu não faço nada, exceto mostrar o que você significa para mim, — ele sussurra em meu ouvido. Cada fio de cabelo no meu corpo se levanta e toma conhecimento. Mesmo que cada nervo do meu corpo esteja cantando, eu ouço o que ele está dizendo e estou aliviada. Eu preferiria ter relações sexuais com ele neste minuto, mas eu sei o tormento de estar longe dele. Ele está certo, seria mais difícil se eu desse essa parte de mim para ele hoje à noite e então tivesse que dizer adeus. Eu ainda tenho que ver o que vai acontecer quando ele for embora – se desta vez vai ser realmente diferente. Eu me afasto e agarro a minha camisola da mala, colocando-a rapidamente. É vermelha e não deixa muito para a imaginação. — Você está me matando, você sabe disso, né? Eu dou de ombros e um sorriso. — É uma pena.


Nós não conseguimos dormir muito. Falamos até as primeiras horas da manhã e quando tentamos dormir, os braços de Ian envolvem ao redor de mim e as suas mãos continuam encontrando meus seios. Agora que ele tocou, ele não consegue evitar. Não me importo. Ele está deixando uma dor, embora, eu quero mais e meu corpo está praticamente cantarolando com a necessidade. Nós nos beijamos. Muito. Mas continua sendo só até certo ponto e, em seguida, ele afasta, lembrando-se do sistema de retenção que ele prometeu. Eu posso dizer que seria incrível: sexo com Ian seria explosivo.

Na manhã seguinte, nós nos arrastamos para fora da cama. Tristeza paira sobre nós. Ian ainda tem um olhar envergonhado a respeito dele. — Você parece triste, — eu digo o óbvio. — Eu não quero deixá-la, — diz ele. — E eu não estou acostumado a me sentir assim. Eu apenas deixo isso pairar no ar e não digo nada de volta. Minhas emoções estão muito perto da superfície. Eu não quero dizer muito ou, pior ainda, chorar. Eu não posso evitar, mas tenho medo de que todo o progresso que fizemos ao longo dos últimos dois dias acabará mais uma vez quando dissermos adeus. — Eu estarei em Detroit e Chicago nos próximos dias e, em seguida, dirijome para Seattle. Eu não quero interromper seu tempo em casa, mas... — Ele olha para mim com expectativa. Eu não preencho os espaços em branco para ele.


Há uma pausa constrangedora, e ele limpa a garganta. — Estaria tudo bem? Se eu fosse vê-la enquanto você está em casa? Eu tento conter meu sorriso apenas um toque, mas eu tenho certeza que todo o meu rosto se ilumina. — Eu adoraria isso. — Eu tenho um show em San Francisco em duas semanas. Você estará lá por três semanas? Concordo com a cabeça. — Eu poderia vir na última semana antes da 4°. Eu não tenho que tocar até domingo à noite... o resto do tempo, eu estarei livre. Concordo com a cabeça de novo, mordendo meu lábio, porque meu estômago está fazendo a coisa toda de cair-para-o-chão. Mas eu apenas digo: — Claro... — Tudo bem. — Ele deixa um grande fôlego e parece aliviado. Ele pega a minha mão e me puxa para um beijo. Seus dedos suavemente acariciam meu rosto e se eu não soubesse melhor, eu acharia que Ian Sterling me adora.

Horas mais tarde, quando estou no voo com Tessa e contando os destaques, ela diz: — Eu dei a ele um momento difícil, você sabe, no telefone. — Você fez? — eu rio. — O que você disse? — Bem, depois que ele me contou sobre alguns de seus planos para este fim de semana, eu poderia dizer que ele realmente gosta de você. Eu não tenho a certeza de quão profundamente ele se sente. Então, eu disse que se ele realmente se preocupa com você, pare de descamar em você. Você poderia ter qualquer cara, mas ele parece ser o que você quer. Ele disse: Ela é a única que eu quero. E


eu acreditei nele. — Ela me olha para ver como eu estou tomando. Ela franze o nariz e, em seguida, timidamente diz: — E então eu disse: É melhor você não machucá-la ou eu vou te caçar e cortar você, onde é mais importante. Não vai ser bonito. — Ela levanta os ombros e mantém a cabeça baixa, como se esperasse que eu puxasse suas orelhas ou algo assim. — Eu tive que beliscá-lo na bunda, — diz ela. — Raiz24. — O quê? — A raiz. Cortar o mal pela raiz. — Eu gosto mais da outra maneira. Eu não consigo parar de rir. Ela finalmente começa a rir também, uma vez que ela sabe que não vou matá-la. Quando pousamos, eu ligo o meu telefone, e há duas mensagens de Ian.

A primeira: Eu já sinto sua falta, Passarinho. A segunda: Você já pousou?

Eu sorrio. Já é diferente de todas as outras vezes. Talvez isso realmente vá acontecer.

Eu retorno a mensagem: Eu sinto sua falta também. Acabamos de desembarcar.

Trocadilho com as palavras. Tessa fala butt (bumbum), enquanto sparrow corrige dizendo que o certo é bud (raiz). 24


Meu telefone começa a tocar e é ele. — Olá? — O que você fez para mim, baby? Eu rio. — Eu não sei. O quê? — Você me enfeitiçou. — Hmm. Bem, eu não posso dizer que sinto muito. — Você sente minha falta? — Eu sinto, — eu digo. — Ok, bom. Divirta-se com sua família. Diga oi á Dave por mim, se você precisar ver esse sapo. Um bufo. Droga. — Eu não conheço um Dave, mas vou dizer a Michael que você disse olá, se eu vê-lo. Ele suspira. — Tudo bem. Eu vou deixar você ir agora. Tchau, baby. — Tchau.


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Thumpity-Thump-Thunk As próximas duas semanas são tranquilas e divertidas. É bom estar em casa. Meus pais são mesmo corujas, e passamos cada minuto juntos. Eles me contam na primeira noite que Michael renunciou ao seu cargo na igreja e está retornando para Seattle. Eu não tenho certeza se vou vê-lo, e eu tenho que pensar que talvez isso seja o melhor. Sinto por causa dos meus pais que não tenha dado certo para ele ficar. Eu sei que eles terão um tempo difícil para substituí-lo e já estão de luto pela perda dele em suas vidas. Eu queria não ter destruído isso para eles, todos eles. Ian liga quase todas as noites, e nós conversamos até que estamos prestes a adormecer. Ele envia mensagens ao longo do dia também, e envia fotos engraçadas de objetos aleatórios, ou flagrante procura de alimentos após estar muito tempo no camarim, ou panfletos com erros engraçados. Também tenho uma foto de uma livraria de todas as cidades e pelo menos uma por dia de café em vários estabelecimentos. Se eu recebo uma foto dele, não é uma atrativa. É uma cara engraçada ou tirada muito perto. Ele pede uma foto dos meus seios pelo menos uma vez por dia. Eu ignoro. Ele também pergunta regularmente por Asher - se eu o vi ou ouvi falar dele. Mas Asher desapareceu da minha vida, e eu não estou fazendo nada para tentar encontrá-lo.


Estou usando meus novos shorts curtos vermelhos e cintura alta quando o pego no aeroporto. Minha camiseta listrada de branco e marinho tem um decote cavado que Ian vai gostar. Eu saio rápido de casa, antes que meus pais deem uma boa olhada em mim. Eles não estão acostumados a me ver mostrar qualquer pele. Eu passei algum tempo na piscina uma vez que estou em casa, e estou feliz que minha pele não parece tão branca leitosa, como estava após o inverno em Nova Iorque. Eu contorno a bagagem e preciso dar uma volta extra antes de vê-lo. Ele está em pé esperando por sua mala, com duas guitarras perto. Ele me vê e mantém os dois braços para o alto no ar, sorrindo de orelha a orelha. Meu coração faz sua habitual batida - thumpity-tump - que só pode associar com Ian Sterling. Eu pulo e ele corre para mim, me abraçando tão forte que não consigo respirar. Ele me traz de volta e me olha mais, assobiando baixinho. — Mmm, caramba essas pernas. Você parece muito bem. — Ele se inclina e me beija, com gosto de hortelã-pimenta. Sorrio com o pensamento de ele escovar os dentes antes de me ver. Eu entrego as chaves e nós dirigimos para o Bertolucci, um antigo restaurante italiano não muito longe do aeroporto. Ele vai dirigir a San Jose comigo e ficar alguns dias na minha casa e depois vamos voltar para San Francisco para o seu show no final de semana. Isso levou algum tempo para convencer meus pais. Eles não necessariamente desejam me compartilhar, mas eles sabem como eu estou animada sobre a visita dele. Eles também querem conhecê-lo melhor, então eu acho que eles poderiam até estar um pouco animados. Então eles também concordaram que eu os deixe alguns dias antes do planejado, e passar o resto do tempo em San Francisco. Nós devemos ficar com Jeff e Laila. Ian continua olhando para mim. Seus olhos estão brilhando e ele não parou de sorrir uma vez. Seus olhos ficam caindo para minhas pernas. — Você pegou algum sol. — Suas sobrancelhas meio que dobram em uma semicareta. Eu nunca conheci um cara que não me prefere com um bronzeado. Eu estive bronzeada toda a minha vida, eu acho que era apenas mais fácil na Califórnia. Eu


não precisava trabalhar para isso. Até que me mudei para Nova Iorque, eu pensava que minha pele era naturalmente tom oliva. Acontece que eu sou tão pálida quanto posso ser. — Eu estava feliz por não ser tão fantasmagórica, — murmuro. — Eu gosto de você branca como o dia em que você nasceu, — diz ele com um sorriso. — Mas a cor fica bem em você também. — Ele se inclina e esfrega minhas pernas. — Não posso suportar a ideia de você queimando-as. — Ele me dá outro sorriso travesso. — Caramba, você está bem. Estou tão feliz em te ver. Chegamos ao restaurante e quando ele desliga o carro, eu inclino-me e beijoo. — Eu estou tão contente em vê-lo também, — eu sussurro.

Meus pais se apaixonam por Ian durante seu tempo na minha casa. Ele é encantador, e eles não podem evitar, ele os ganha. Eu os vejo lutando um pouco no início, mesmo eu tendo conversado com eles antes e dito que gostava dele. Conhecendo a idade dele e sua experiência era problema para eles. Mas ele vence-os completamente. Ele leva tempo para responder a cada pergunta, está interessado em tudo o que eles têm a dizer, e me olha como se eu controlasse a lua. Ele é respeitoso e permanece em seu quarto à noite, embora tenhamos sessões loucas de amassos no carro e antes de irmos para os nossos próprios quartos durante a noite. É óbvio que tudo isto é novo para ele, estar em um relacionamento, levando as coisas devagar, e ele está apreciando o processo. No entanto, eu estou prestes a ficar louca de desejo por ele. No dia 4 de julho, nós dirigimos para Monterey e Carmel pelo mar e passamos o dia olhando as lojas e percorrendo a estrada 17-mile25. Ao pôr do sol, 25

Estrada panorâmica na Califórnia.


pegamos o nosso cobertor e encontramos um local na praia, onde esperamos os fogos de artifício começarem. Sento-me entre suas pernas, colocando a minha cabeça contra seu peito. Meu coração está contente, cheio, sobrecarregado com a felicidade. Estar com Ian assim é além de qualquer coisa que eu nem sabia que queria. Ele me faz rir. Ele faz meu coração bater. Um olhar dele faz meu interior brilhar. E o que o torna ainda melhor é que eu acho que ele se sente da mesma maneira.

Nós chegamos muito tarde a minha casa nessa noite e tropeçamos no meu quarto, intoxicados pelo dia que tivemos juntos. Ele me beija e me coloca de volta na minha cama. — Pijama? — Ele aponta para o meu armário e eu aponto para a gaveta direita. Ele pega um top e calções e levanta as sobrancelhas. Concordo com a cabeça. Ele faz um sorriso malicioso quando ele olha para o meu corpo. Ele puxa meu vestido branco por cima da minha cabeça e acena com a aprovação quando vê minha calcinha rendada. — Aqui, você provavelmente está pronta para tirar isso, — ele brinca enquanto desengata meu sutiã e levanta-o. Ele enterra a cabeça no meu peito. Sua língua conduz uma trilha dos meus seios, descendo do meu umbigo para o tecido fino da minha calcinha e ele sopra seu hálito quente lá. Eu sinto através da renda e gemo. Ele olha para mim e eu espero, desafiando-o a fazer mais. Ele vê nos meus olhos e ele tira minha calcinha e coloca a boca em mim. Sua língua, os dedos, os lábios. Eu tento ficar quieta, mas eu não consigo. Ele começa um ritmo com a língua e os dedos e vai mais e mais fundo. Eu puxo seu cabelo, e o caos que ele está criando no meu corpo se sente tão bom, eu perco-o. Ele não para, ele continua indo até que eu sinto que vou gritar. Eu cubro meu rosto com o travesseiro e grito enquanto meu corpo é sacudido com onda após onda... após onda. Ele levanta a cabeça para olhar para mim, e eu mal posso concentrar nele.


Ele sorri e volta para baixo para mais. Eu não acho possível sentir de algum modo melhor, mas... é. Desta vez, eu mordo meu travesseiro. Ian beija lentamente acima do meu corpo e, em seguida, quando ele atinge a cabeça, ele levanta o travesseiro. Ele beija todo o meu rosto e verifica os meus olhos. — Você está bem? — pergunta ele docemente. — Ta-Ps-sheah, — gaguejo. Ele ri baixinho e depois fica completamente imóvel. — Eu amo você, baby. — Eu também te amo. — Minhas entranhas parecem como geleia, e ele acabou de dizer que me amava. Eu não acho que poderia ficar melhor do que isso. Ele corre o dedo sobre minhas sobrancelhas e através do meu nariz e bochechas. — Provavelmente não é justo eu dizer isso logo em seguida. Você não tem que dizer isso de volta. Eu ainda estou um pouco sem palavras. — Eu quis dizer isso. Mas sim. Você é realmente... bom nisso. Você provavelmente poderia me convencer a falar... qualquer coisa... — Eu admito com um sorriso. — Eu vou sair do seu quarto, antes que eu perca o pouco que resta da minha limitação. Mas isso foi apenas uma pequena amostra do que eu pretendo fazer com você. Você parecia muito atraente, deitada aí, olhando para mim desse jeito. — Ele me beija e senta-se rapidamente. — Assim que sairmos amanhã, se você estiver pronta para isso, eu tenho um plano. — Seus olhos nunca deixam minha boca quando ele fala. Eu me inclino em meus cotovelos. — Oh, eu estou pronta para isso. Ele passa a mão pelos meus seios novamente e seus olhos têm aquele olhar encapuzado que ele faz que exala sexo. — Eu tenho que sair daqui. Se o seu pai me pega aqui assim, não seria nada bom para mim. — Ele coloca meus shorts primeiro, deixando meu top por último. — Eu odeio encobri-los, — ele sussurra, inclinando-se para dar a cada lado mais um beijo.


— Quando você dormir comigo todas as noites, eu quero você nua. — Ele ri, antes de sair do meu quarto.

Eu vou dormir pensando em dormir com ele todas as noites. Nua.

Meus pais preparam um enorme café da manhã antes de irmos embora na manhã seguinte. Tivemos uma visita muito agradável. Charlie me puxa na cozinha quando estamos limpando. — Então, Ian... — Ela olha para mim e espera que eu diga alguma coisa, e eu olho para ela e espero ela dizer mais. Finalmente, ela diz: — Ele é louco por você. Esse homem é apaixonado por você. — Você acha? — Pergunto, incapaz de parar de sorrir. — Eu acho, — ela responde. — Você está pronta para isso, Sparrow Kate? — Eu estou apaixonada por ele também, — digo a ela. — Bem, só proceda com cuidado, menina. Nós realmente não queremos ver você se machucar. Ele é o primeiro que eu vi você namorar que eu sei que tem o potencial de realmente machucá-la. Mas é também porque eu vejo o quanto você se preocupa com ele. Assim, por favor... — ela me abraça e encosta a testa na minha.


— Eu vou tentar, Mamãe, — digo. Eu sei que já estou muito afundada. Se eu perder ele agora, eu posso também me enrolar em um buraco e deixar os vermes ultrapassarem meu corpo. Ela acaricia meu rosto e me olha com olhos preocupados. Quero levar as suas preocupações embora, mas eu sei que tenho as mesmas incertezas. É um grande risco que eu estou correndo, eu sei disso. Eu não posso parar agora. — Ok, certifique-se... — Ela balança a cabeça e para de dizer qualquer outra coisa. — Deixe Jeff e Laila saberem que pegaremos o carro na terça-feira à tarde. Eu odeio não podermos ir para o show. Nós apenas não podemos faltar neste fim de semana com Michael indo embora. — Ela beija minha bochecha. — Eu realmente gostaria que você pudesse tê-lo visto, enquanto você estava aqui. Talvez terminar corretamente com ele. — Eu não sei quanto mais correta eu poderia ser com ele, — digo a ela. — Eu queria que tivéssemos ficado amigos, mas eu entendo. — É, talvez, eventualmente, ele entenda isso. — Amo você, Charlie. — Eu também te amo.

Ian e eu subimos no carro, tudo embalado e com aperitivos de Charlie, embora nós apenas estamos indo 45 minutos ao sul para San Francisco. Nós olhamos um para o outro com a promessa tácita. Minha barriga tem cócegas como se eu tivesse acabado de passar por um enorme buraco na estrada. Eu tenho que olhar para fora da janela e recuperar o fôlego. Ian pega a minha mão e nós dirigimos todo o caminho para San Francisco com as nossas mãos unidas. Nós não falamos muito. É um dia lindo e estamos confortáveis em nosso silêncio.


Ian solta uma respiração profunda e exclamativa, e eu olho e percebo que ele está nervoso. — O que você está tramando? — Pergunto. — O que faz você pensar que eu estou tramando algo? — Ele sustenta os ombros com falsa inocência. Eu cutuco-o no abdômen. Ele passa por cima da ponte Golden Gate, o que significa que não estamos indo para Jeff e Laila. A habitação em Sausalito está tão bonita, flutuando alegremente na água. Isso me lembra da noite em que viemos e comemos aqui, observando as casas flutuantes. Acho que Ian ama tanto quanto eu. — Oh, olhe para isso! — Eu aponto para uma enorme, branca, com janelas a toda a volta de cada lado. Tomamos uma virada para as casas-barco e admiramos várias. Algumas delas têm jardins cheios em seus decks. Uma delas é pintada de todas as cores imagináveis. Algumas parecem grandes demais para se mover. — Estas enormes são realmente muito boas, mas eu pensei que poderia preferir uma mais assim... — Ian disse, parando em frente a mais bonita pequena casa-barco que eu já vi. Tem um lindo jardim em uma das extremidades do deck. O telhado pontudo, e a casa-barco parece com uma casa na árvore na água. — Acha que você gostaria de ficar aqui por alguns dias? Ou você estaria mais confortável com Jeff e Laila? — Isso é apenas certo! Estou tão animada. Eu pulo para fora do carro antes mesmo de percorrermos todo o caminho. É absolutamente perfeito. O pensamento de estar neste pequeno refúgio pitoresco com Ian por três dias é suficiente para me fazer hiperventilar.


Ian fecha a porta do carro e vem atrás de mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura. — Ok, Cachinhos Dourados, por que não damos um passo para dentro e ver se ela realmente é? Damos um passo para dentro e eu vasculho toda a área. Eu não posso evitar. Parece como se eu tivesse entrado em um livro de histórias. É acolhedora, com tecidos confortáveis de pelúcia, um piso de madeira e uma lareira a lenha à moda antiga no canto. A cozinha tem armários de vidro na porta e uma mesa de bistrô com vista para a água. Duas cortinas penduradas em ambos os lados do teto e por trás da cortina está uma enorme cama coberta com travesseiros macios. O loft tem os tetos inclinados e uma cama toda branca. Fora do loft está um deck com ventos ao redor de todo o nível superior. A vista do deck é extraordinária. — Eu amo isso, Ian. Eu não posso acreditar que você encontrou este lugar. — É como eu consegui me distrair de esgueirar de volta para seu quarto no último par de noites, — diz ele, colocando meu cabelo atrás da minha orelha e me beijando. Suavemente. Gentilmente. Nós ainda estamos no sótão e eu sinto o barco flutuando mais aqui do que os outros dois níveis. Beijar Ian e flutuar, isso soa certo. — Alguém estava programado para estar aqui, mas eu apresentei o meu caso. Um tanto desesperadamente, — acrescenta. — Estas são as nossas primeiras férias juntos? — Eu levanto as sobrancelhas. — Sim, sim, eu acho que são. — Ele me faz cócegas enquanto diz e eu pulo fora de alcance. Ele está atrás de mim, e eu desço as estreitas escadas para a sala de estar. Dou um olhar de advertência quando ele se aproxima, e ele levanta a mão, deixando-me saber que ele terminou com as cócegas. Por enquanto. Vou dar uma olhada melhor na cozinha e vejo que está totalmente carregada com alimentos: garrafas de vinho, pão francês, e uma enorme cesta de legumes e frutas frescas. Dentro da geladeira, há queijos especiais, ovos e bacon. Presunto fatiado e um frango assado. Flores sentadas na bancada e duas caixas de chocolates Ghirardelli.


— Eu tive um pouco de ajuda. Acontece que Judi, o proprietário, é um romântico. — Oh meu Deus, olha, nós ainda temos dois tipos de sorvete no congelador. Chocolate com Manteiga de Amendoim e Maple Nut, meus favoritos. Como você sabia? — Eu fico olhando para Ian, atordoada. — Tessa. — Ele sorri. — Tessa! — Essa menina. Eu não posso acreditar o quão bem ela está fazendo em manter segredos de mim. Eu vou ter que ter uma conversa com aquela garota. Já chega. É melhor ela começar a derramar. — Bem, se você não estiver com fome, devemos ir explorar a cidade? Andar de caiaque? Hum... pescar? — Ele tem um pequeno livro e recita todas as coisas que estão disponíveis para fazer dentro de um raio de 10-20 quilômetros. — Passeio de balão de ar quente? Olhar para as sequoias? — Estou feliz só de ficar dentro. Nós temos tudo que precisamos aqui. Vai nos levar um tempo para comer toda essa comida. E olhe para todos os filmes que eles têm. Além disso, a cabo. — Eu seguro a longa lista de canais. — A menos que você queria ir fazer algumas coisas temerárias esta tarde. — Eu dou de ombros. — Eu topo qualquer coisa. — Eu topo qualquer coisa também, mas tudo o que eu realmente quero fazer é olhar para você, — diz ele. É o jeito que ele olha para mim que diz muito mais. Ploft. Lá se foi a minha autocontenção caindo para o fundo do oceano e ancorando-nos neste mesmo lugar. — Eu estarei de volta. — Vou embora antes de eu o atacar e vou ao banheiro para jogar água fria no meu rosto. Eu levo minha escova de dente na minha bolsa, é sempre útil carregar uma escova de dente onde quer que vá. Você nunca sabe quando você vai ter sexo pela primeira vez... que você possa lembrar.


Quando eu saio, Ian trouxe nossas malas. Parece que ele poderia ter jogado água fria em seu rosto também. Eu sei que ele puxou o cabelo dele, porque ele tem uma cadência extra nele que não estava lá antes. Ele fica entre as cortinas do quarto e eu ando para ele, olhando-o. Seus olhos vagueiam por cima do meu corpo e pousam em meus lábios. Ele dá outro puxão em seu cabelo e percebo que ele está tentando não praguejar. Isso só me mostra que ele está se contendo em mais áreas do que uma. Eu não posso parar o sorriso que se amplia a cada passo em direção a ele. Quando eu chego, ele me pega e envolve minhas pernas em volta de sua cintura, segurando-me como se não pesasse nada. Beija-me como se estivesse morrendo de fome. Ele se vira e me joga na cama e inclina-se sobre mim, me beijando tão forte. Eu tiro sua camisa, ansiosa por chegar a sua pele. Ele tira o vestido e amaldiçoa quando vê a minha calcinha vermelha e sutiã. Um riso escapa dos meus lábios e ele parece corado. Eu desabotôo suas calças então, iniciando uma nova etapa. Ele puxa-as o resto do caminho para baixo e eu tenho uma extremamente grande surpresa. Estava escuro ou ele estava bem escondido sob as calças ou as cobertas, mas não há como esconder o quanto ele agora quer sair de suas calças e em mim. Ele sorri timidamente para mim. — O que posso dizer? — diz ele em voz baixa. — Diga que você não vai parar dessa vez. — Se é isso que você quer, eu não vou. Estendo a mão e retiro cuidadosamente sua cueca boxer, não tendo certeza de onde concentrar meus olhos. Qual é a coisa certa a fazer aqui? Este é um bom momento para cobiçá-lo? Ou tento me concentrar em seus olhos de uma forma amorosa? Eu não posso evitar, eu tenho que ver. E isso é o que um homem de verdade se parece. Eu não tinha ideia de que seria assim... impressionante. Ele está me beijando e eu não posso mais pensar. Eu me perco um pouco em sua língua e braços e todos os lugares que seus dedos exploram. Ele me faz gritar


seu nome antes mesmo que ele se coloca gentilmente em cima de mim e lentamente – muito lentamente – ele se move dentro de mim. Meus olhos estão bem nos seus enquanto ele toma o seu doce tempo. — Você está dentro de mim, — eu sussurro. — Eu sei, — ele sorri. — Eu amo isso. Ele fecha os olhos por um segundo e diz: — Eu não posso continuar quando você diz coisas desse tipo. Ele se inclina e me beija e enquanto a doçura não vai embora, todo um novo nível de desejo assume. Começamos a nos mover, lento e constante. Ele prossegue mais e mais, até que eu sinto que ele deve estar esbarrando em cada órgão interno e dando-lhe um beijo. É muito bom e de repente eu estou ofegante, — Eu não posso ir mais devagar, — em uma voz que eu não reconheço. — Vá, baby, eu estou aqui com você. — Seus olhos nunca deixam meu rosto enquanto ele guia meus quadris e encontramos um novo ritmo. Eu faço. Eu vou. E o prazer aumenta a tal frenesi que eu tenho medo de assustar cada casa-barco vizinha dentro de 1.000 metros.


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Suave Navegação Para o dia seguinte e meio, não saímos da cama a menos que seja para conseguir comida, ir ao banheiro, tomar banho juntos, ou para batizar as outras duas camas na casa-barco. Estamos na cama do loft agora, olhando para a água, enquanto Ian faz cócegas levemente em minha pele com a ponta dos dedos. Meu corpo se sente abatido, ou como minha mãe diria, mole como um pano de prato. Estou completamente gasta, mas ainda quando ele se vira para mim, me querendo de novo, meu corpo se aquece mais. Eu diria que mais do que uma meia dúzia de vezes não seria esticar a verdade... eu acho que perdi a conta após a quinta vez. E eu sei que fizemos no deck e o segundo banheiro pelo menos uma vez. Oh espera, duas vezes no deck. Eu não me canso dele. Ele me toca e me faz sentir como uma ninfa com fome. Eu estou tentando não olhar para ele agora, porque precisamos nos levantar e nos preparar para o seu show, mas enquanto ele continua fazendo isso em meu peito, eu não vou me mover. Eu nunca me senti mais bonita na minha vida do que agora, aqui, deitada completamente nua na cama com Ian Sterling. Ele tem estado ao longo de cada milímetro do meu corpo e age como se estivesse descobrindo algo novo com cada olhar. Eu também o estudei com muito cuidado e acho que não pode haver um espécime mais fino no planeta do que ele. Ele é a perfeição em todos os sentidos. Seu corpo é o tipo que você vê em outdoors, mas realmente não acredita que pode existir na vida real. E cada anúncio de cueca que eu vi, bem. Eles não têm nada em Ian, deixe-me deixar isso claro. Se houvesse uma sequência de mil pênis, eu reconheceria o seu num piscar de olhos. Eu começo a rir com esse pensamento e não posso parar. Ian inclina-se sobre o cotovelo. — O quê?


Eu balanço minha cabeça e não posso dizer nada, eu estou rindo muito. Quando eu rio tão forte, eu faço um longo chiado e parece que não estou respirando. Porque eu não estou. Ele começa a rir, também, porque o chiado é contagiante. Você não pode deixar de rir com a respiração ofegante. É impossível. — Eu quero saber o que há de tão engraçado. Eu enxugo as lágrimas dos meus olhos e tento dizer a ele, mas tudo que posso dizer é: — Seu pênis! Ele ri, mas não tão forte quanto antes. — Uh, meu pênis te faz rir? — Nããão. Sim. Não! — E eu pensei que você diria: partes ou Willy ou algum outro nome engraçadinho. — É onde meu pai bateu o pé. Minha mãe queria chamar o pênis de uma fonte, mas meu pai disse que de jeito nenhum. É a sua vez de bufar. — Estou tão feliz que ele não deixou isso passar. — Ele se senta e me puxa com ele. — E o que sobre meu pênis? — Eu amo isso. — Eu bufo. — Sinto muito. Eu não sou boa em falar sobre estas coisas. — Bem, eu estou feliz. Embora, você me tem um pouco autoconsciente no momento. — Nããão, você não precisa estar. Acho que você tem o melhor que eu já vi. Quer dizer... eu não vi muitos. Ou qualquer um, realmente. Além de fotos, mas... — Eu lanço a minha cabeça em minhas mãos. — Por favor, não me faça falar sobre pênis. — Você trouxe o assunto! Apenas me diga por que você está tão empolgada. — Ele me dá uma boa sacudida.


Eu sussurro, — Eu pensei que se houvesse uma sequência de mil pênis, eu seria capaz de escolher o seu. Porque ele é o melhor. Maciço. Aqueles anúncios de cuecas são carinhas insignificantes com nada... Eu acho que vendo um como o seu deixaria moças e mulheres com tesão e velhinhas em ataques em público. Ian está apenas olhando para mim como se eu fosse uma lunática e, em seguida, ele cai de volta na cama e ri até que ele chora. Acho que vou ter de lhe dar CPR26 do jeito que ele está agindo. — Oh meu DEUS! Você é maluca! Você é louca! Você é louca e eu te amo e isso é a coisa mais engraçada que eu já ouvi. — Bem, é só verdade, — eu fungo, não sei se gosto de ser chamada de maluca, mas meu coração acelera para quando ele diz que me ama. Ele limpa os olhos e continua a rir, sacudindo a cabeça e, em seguida, percebe que eu não estou rindo mais. — Ei, venha aqui. Não fique ofendida por mim. Eu acho que você é adorável. Eu reviro os olhos. — Baby, você me disse que eu sou grande e que os anúncios de cuecas têm carinhas insignificantes com nada. Eu poderia não estar pensado direito quando eu te chamei de maluca ou louca. Claramente, você é a pessoa mais inteligente com a melhor vista de SEMPRE, e eu elogio você pela sua excelente visão. — Assim é melhor. — Eu faço uma carranca por um tempo e, em seguida, quebro novamente. Se arrumar é divertido, com Ian. Leva o dobro do tempo, porque acabamos fazendo sexo no

chuveiro, mas eu

espalho o meu

cabelo, deixando-o

encaracolado, o que ajuda a economizar muito tempo. Ian me disse que está é a maneira que ele mais gosta do meu cabelo depois que ele o viu molhado naquele dia em Nova Iorque. Pálida e cabelos naturalmente cacheados. Em seguida, ele vai dizer que me prefere sem maquiagem.

26

Ressuscitação cardiorrespiratória


Coloquei um vestido tubo prata que se encaixa como uma luva. — Falando em enorme, — Ian murmura, empurrando para baixo a parte superior

do

meu

vestido

para

beijar

meus

seios

antes

de

cobri-los

relutantemente. — Eles - quero dizer - VOCÊ faz com que eu nunca queira deixar a minha cama. Meu corpo arde com esse pensamento. — Eu pensei que você fosse um cara de pernas, — digo quando entro no carro. — Eu adoro as suas pernas, — ele concorda. — Até eu ver seus peitos e depois eu não me canso deles. Mas realmente o seu aaa-bumbum. Seu bumbum é fora deste mundo. Eu não posso evitar, mas rio dele. — Sua boca, no entanto, essa é a minha favorita. Seus lábios. Seu sorriso. Quando você sorri, todo o resto desaparece. — Se eu tirar minha camisa. — Bem, sim, isso é perturbador quando você faz isso. Eu sempre volto para sua boca, porém, não é? — Ele passa os dedos sobre meus lábios. Suspiro. Ele me derrete.

Nós carregamos todo o equipamento para a parte de trás do The Great American Music Hall e corremos para os caras da banda de Ian - Charlie, Chris, e Aaron. Eles são todos bonitos, desalinhados, e amigáveis. Reagan Waters passa e Ian grita. — Reagan, venha aqui. Reagan, eu gostaria que você conhecesse Sparrow. Sparrow, Reagan.


Reagan me dá o tempo de avaliação que a maioria das meninas sempre fazem comigo em primeiro lugar e sorri quando vê as duas mãos de Ian em mim. Seus olhos felinos chegam aos meus, e ela me dá um sorriso lento. — Bem. É hora de Ian encontrar seu par, — diz ela. Ela joga o cabelo loiro-avermelhado para trás e estende a mão. — Prazer em conhecê-la, — eu digo. — Oh, prazer em conhecê-la. — Reagan está abrindo esta noite, — explica Ian. — E, durante todo o verão, ela estará abrindo os shows. O pensamento me faz sentir um pouco enjoada. Ela é realmente linda. — Eu adoraria saber como os dois se conheceram, — diz ela. Ian ainda está envolto em torno de minhas costas e ele se inclina para beijar minha bochecha. — Nós nos conhecemos em um restaurante com amigos em comum. Ela trouxe seu namorado... Eu rio. — Isso não soa muito bem, não é... mas sim... isso é certo. — Há quanto tempo foi isso? — Reagan olha entre Ian e eu. Eu olho para ele. Ele aumenta sua testa. — Você sabe que eu sou horrível com datas – mas isso foi o que? Um ano atrás? — Ele olha para mim. — Isso pode ser certo? Uau. A pouco mais de um ano atrás. — Bem, desde que nos conhecemos, sim. Reagan fica parada nos olhando com a boca ligeiramente aberta. Um pouco de fogo brilha em seus olhos que não estava lá há alguns minutos atrás. Ela chama a si mesma e fecha a boca, balançando a cabeça. — Parece que você tem tudo certo agora, — diz ela com uma leve picada. — Estou feliz por você, Ian. — Obrigado, Reagan, — Ian diz com sinceridade.


Ou ele não sabe que ela não quer dizer isso ou ele é realmente um bom ator, fingindo que não percebeu. É óbvio para mim que Reagan está tentando dizer para ela mesma que está feliz por Ian ter encontrado alguém. Certeza que eles tiveram algo entre eles. Quando Reagan vai embora, eu assisto Ian para ver se ele olha para ela andar ou se ele não se importa. Ele não olha. Ele me beija e diz: — Onde você gostaria de estar? Eu preciso falar algumas coisas com os caras. Nós ensaiamos como demônios até agora, por isso estava bem eu não praticar esta semana, mas eu preciso tocar na base com eles antes de ir em frente. Você pode estar comigo, seja na sala verde ou o que eles criaram para nós. Ou apenas onde quer que você queira estar... — Você acha que está tudo bem se eu ir em frente e sentar-me no auditório? Eu posso ler um pouco antes do show começar. — Eu não vejo porque não. Se você tem certeza... — Ele parece decepcionado por eu não ir com ele.

Após eu ficar de boca aberta pelo belo edifício, eu leio e pego as mensagens de voz no meu telefone. Estou tentando ignorar a sensação de mal estar que eu tenho sobre Reagan. E ela estar na estrada com Ian pelos próximos meses. E tudo o que quer que seja essa vibração que estava com ela. O show está prestes a começar, e eu guardo meu telefone e observo as pessoas. — Sparrow? Eu me viro e vejo Laila em uma mesa atrás de mim. Ela está sozinha e parece impressionante, com um vestido vermelho decotado que se parece muito com o que eu tenho. A sala está lançando um brilho quente e seu cabelo


castanho na altura do ombro brilha na luz. Ela está tomando um coquetel e eu debato caminhar até a mesa dela, mas eu realmente não quero ser pega lá com o show prestes a começar. A coisa educada a se fazer seria perguntar a ela se ela gostaria de sentar-se comigo, pois estou mais perto, mas algo sobre seu comportamento me dá uma pausa. — Como vai você, Laila? — Pergunto do meu assento. — Maravilhosa. Como você está, Sparrow? — Realmente ótima. — Eu sorrio. — Cadê o Jeff? — Eu olho atrás dela, procurando por ele. — Ele não está aqui. Ele está trabalhando em seu livro, — ela diz e dá mais um longo gole de seu coquetel até que esteja vazio. — Ele está sempre trabalhando em um livro, você sabe. Concordo com a cabeça, desconfortável. Eu nunca fui tão grata a sentir as luzes se apagarem e ouvir os sons dos acordes iniciais tocando. — Bem, aproveite o show, — eu digo sem jeito para Laila e ela segura o copo para mim. Reagan está sentada ao piano e vestiu um vestido de noite preto recortado. É glamuroso na parte superior, mas a parte inferior está desfiada em comprimentos diferentes. Ela parece uma sereia exótica. Quando ela começa a tocar, a sala fica em silêncio e ela nos põe sob seu feitiço, assombrados pelos próximos 45 minutos ou assim. Eu olho para trás, Laila, e ela está cuidando de outra bebida e olhando para mim. Ela levanta-a novamente, e eu aceno e viro, confusa com o comportamento dela. Ian sai e o lugar ganha vida, gritando e aplaudindo. Sua banda entra em ação e eu gosto de ver Ian na frente e no centro com a sua própria banda. Eles soam muito bem juntos. Tendo a banda atrás dele dá a todas as suas canções uma sensação diferente. Um pouco mais ousado, mais do que o som de blues que ele tocou sozinho. Sua voz, mesmo polida e afiada, sai dele sem esforço. Quando


ele atinge o teto, ele ainda está controlado. Mas você sente a emoção por trás de cada nota, cada inflexão. Acredita em cada linha que ele canta. Algumas pessoas estão dançando na frente. Não posso me mover. Eu não quero perder nada. Cedo demais, acabou e Laila vem até minha mesa e se senta. Eu acho que ela está pronta para visitar agora. Ela tem realmente um bom zumbido sobre ela. — Você está muito sexy hoje, — ela pronuncia. — Eu aposto que Ian gosta de você com esse vestido. — Obrigada. — Eu não tenho certeza se ela está me elogiando ou não, mas eu não quero parecer rude e dar a ela algo para informar a Charlie... Nós apenas descansamos por cerca de 15 minutos, observando as pessoas ao nosso redor esvaziar da sala. Um arrumador vem para a mesa e diz: — Sr. Sterling está pedindo para que você possa encontrá-lo atrás do palco. — Isso me lembra daquela noite em Nova Iorque e o gigante gentil que me levou a Ian. Eu me levanto e assim faz Laila. Eu esperava ela dizer adeus e ir em sua direção, mas ela não faz. Aparentemente, ela está indo nos bastidores comigo. Quando chegamos mais perto, Laila pega meu braço e quando chegamos à porta que diz Sala Verde, ela apenas abre a porta, mesmo sem bater. Ian está tirando sua camisa e está puxando outra sobre sua cabeça. Ele olha para cima, surpreso. — Hey, baby, — diz ele. — Laila? Eu não sabia que você estava aqui. Laila olha entre nós dois, estreitando os olhos, e tenho um momento de déjà vu. Primeiro Reagan e, em seguida, Laila. Qual é o negócio de todos comigo namorando Ian? Será que é porque eu sou tão jovem? Não sou boa o suficiente para ele? Demasiado boa para ele? Eu gostaria que alguém simplesmente cuspisse isso. — Ótimo show, — digo a ele. — Eu adorei, Ian.


— Eu estou tão feliz. — Ele parece satisfeito. Ele beija minha testa e sorri para mim. É um pouco estranho com Laila na sala. — Vocês dois parecem acolhedores, — diz ela. — Sim, — ele diz, — essa garota é algo mais, Laila. — Ele sorri com orgulho para mim e se vira para Laila. — Sem Jeff hoje à noite? — Não, você o conhece. Ele não é muito de socializar. Você soou incrível, Ian. Você é um rockstar. Ninguém nunca te disse isso, não é? — Ela ri e dá uma volta exagerada, do tipo que você dá quando está bêbado. Ian tem o seu braço. — Você está bem, Laila? Você está pegando um táxi, né? — Vocês dois deveriam ir para minha casa, — diz ela com um choramingar para Ian. Eu realmente esqueci tudo sobre isso. Eu acho que no meu estupor induzido pelo sexo, eu convenientemente deixei isso de fora da minha mente. — Nós fizemos outros planos. Eu a deixei saber disso, Laila. — Bem, isso é muito ruim. Eu esperava que você ficasse comigo, — ela coloca a mão no peito de Ian e deixa-as lá, enquanto olha para mim. — Ian e eu somos amigos por um longo tempo. Muito antes de Jeff entrar em cena. — Ela dá uma risada sombria. — Eu acho que você deve ir para casa, Laila, já é tarde. Jeff deve estar se perguntando onde você está. — Ian a leva até a porta. — Não, ele não está. Você sabe que essa não é verdade. Não seja condescendente comigo, Ian! — Sua voz é rala quando ela lamenta. Ela olha para mim. — Sparrow. Você é muito jovem para estar presa com este, acredite em mim. — Ela dá um tapinha no peito de Ian de novo e sai da sala. Ian parece com raiva quando ele fala com o guarda do lado de fora da porta e pede a ele para ter certeza que ela entre com segurança em um táxi.


Quando ela está fora da porta, ele me dá um grande abraço, sua raiva desaparece. — Eu senti sua falta, — diz ele. — Eu senti sua falta, também. Parece que faz muito tempo que estávamos em nosso próprio pequeno mundo na casa-barco. — Vamos voltar para lá. — Eu estou pronta.

Naquela noite, depois de fazermos amor e eu cair no sono, eu sonho com as portas. As portas da casa de Laila. E quando a porta se abre, é a sala verde do American Music Great Hall e Reagan está dentro com Ian. Em meu sono, eu tento mudar meu sonho, e funciona. Eu tento reabrir a porta, e quando eu faço, Laila está no interior com Ian.

Eu acordo com Ian suavemente me sacudindo. — Baby, você está bem? Você está sonhando? Eu tento me concentrar nele e chego para ele, segurando-o com força. — Hey. — Ei, você está bem? Achei que você estava sonhando um bom sobre nós em primeiro lugar, — Ian diz no meu ouvido, — mas depois você estava fazendo este


som triste, choramingando. NÃO os sons que você faz comigo. — Ele estuda meu rosto e beija o meu nariz. — Você está bem? Eu aceno, ainda grogue. — Vamos lá, eu quero fazer alguma coisa. — Ele me toma pela mão e sai da cama. — É o meio da noite. — São 02:00 hrs. Nós apenas tivemos uma soneca. Ian envolve um cobertor sobre nossos ombros e me leva até as escadas e sai para o deck principal. É quase tão quente como sempre fica na noite de San Francisco. O ar é calmo e a lua está dividida em duas. Nossa casa-barco está mal balançando, apenas o suficiente para ser calmante. — É uma noite perfeita para um mergulho. — Realmente, agora? Ele puxa o cobertor e agarra a minha mão. Nós corremos fora do deck e respingamos na água. Está FRIA. O Oceano Pacífico não é para os fracos de coração. Assim que eu chego, estou arrepiada e tremendo. — À luz do luar, seus lábios parecem azuis, — ele sussurra. — Isso é provavelmente porque eles estão! Nós vamos pegar uma pneumonia. — Venha aqui. Eu sei como aquecê-la. Ele envolve o seu corpo em torno do meu e meu corpo parece queimar. Eu sou doente por este homem. Eu não posso suportar a ideia de deixá-lo amanhã, então eu empurro isso para fora da minha mente e me concentro na forma como a sua pele se sente.


— Eu pensei que as coisas não deveriam funcionar corretamente em temperaturas tão frias, — digo entre calafrios. — Oh, bem, aí está você. O quê? Você está apenas sempre pronto para tudo? — Você não estava reclamando, — diz ele enquanto se dirige em mim. — Não. — Sem fôlego. — Isso é o que você faz para mim, Sparrow. Em questão de segundos, eu estou gemendo e assim ele também, mas baixinho para não acordar os outros moradores de casa-barco. Três leõesmarinhos nadam perto e olham para nós com curiosidade, mas continuam passando flutuando. — Da próxima vez, podemos ser tão barulhentos quanto quisermos e culpar os leões marinhos, — digo, quando ele me envolve de novo com o cobertor no deck. Ele solta uma gargalhada que provavelmente destruiu todos os nossos esforços de qualquer maneira. Eu adoro quando eu o surpreendo.


- 18 -

Me leve Para Casa O nosso último dia no barco tem um tom mais sério. Para alguém que normalmente é descontraído, Ian ainda parece um pouco ansioso.

Minha mente está reparada. Eu não vou perguntar quando vou vê-lo novamente. Não vou pensar no que vai acontecer quando eu deixá-lo ir. Eu não vou deixar meu cérebro perpetuamente em movimento me deixar louca. Isso vai acontecer em breve.

Se eu nunca mais o ver, esses dias, em nosso próprio mundinho, foram encantados o suficiente para durar toda a minha vida. Eu nunca mais serei a mesma. É apenas a maneira que é. Eu sei disso como eu sei que os livros são feitos para serem saboreados e escrever é o que me mantém sã. É apenas a verdade. Ian está me observando fazer as malas. Estamos no quarto principal, e suas coisas já estão embaladas. — Você está me deixando nervosa. — Eu fecho a minha mala e olho para ele. — Por quê? Eu só estou olhando para você enquanto eu posso, — diz ele. — Ohhh-kay.


Ele coloca as duas mãos em sua boca e prende-as lá, enquanto ele observa cada movimento meu. — Eu adoro a forma como você canta suas palavras. É como se tudo o que sai de sua boca é uma canção. Você pode até mesmo fazer Ok soar exótico. Eu ruborizo. — Oh, por favor... — murmuro. Ele se inclina para cima, os cotovelos nos joelhos. — Por favor, o quê? — Por favor, não seja ridículo. Se estamos falando de vozes, tudo o que sai de sua boca soa como sexo em uma vara. Ele se lança sobre mim, me jogando de costas na cama. — Senhorita Fisher, você sabe o que faz para mim quando você fala sujo. — Pssh. Eu, falando sujo. Eu só posso dizer sexo e pênis. Todo o resto está fora dos livros. — Essas são as duas únicas palavras que eu preciso ouvir, — ele brinca. — Você disse que eu era maluca, — eu digo, enquanto viro por cima dele e chego ao topo. Meu cabelo cai em ambos os lados de seu rosto enquanto me inclino para beijá-lo. — Eu realmente queria fazer aquela coisa de lápis com o seu cabelo, — diz ele entre beijos. — Coisa de lápis? — Onde vamos colocá-lo e fazer você parecer como uma bibliotecária. Meu rosto dói de tanto sorrir. — Ah, eu vou sentir sua falta. Ele pega meu rosto e marca meus lábios com os seus. Nós aproveitamos nossa última hora.


Estou no avião antes de eu ver Tessa. Ian e eu estávamos correndo para lados separados do aeroporto. Gastamos muito tempo dizendo adeus. Tessa está na fila, praticamente pulando. — Você me deixou preocupada, menina. — Ela ajuda a pegar minhas coisas e me dá um longo olhar. — Oh. Meu. Deus. Aconteceu. Não há dúvida neste momento. Eu sei que você teve algum amor. Ela faz uma pequena dança com os braços, enquanto ela diz. Eu inclino a cabeça para trás na cadeira e digo: — Eu tenho tanto para te dizer. Eu nem sei por onde começar. Estou exausta. — Eu olho para ela e, em seguida, levanto uma sobrancelha. — De tanto amor. — Eu pisco um sorriso mostrando todos os dentes possíveis. — WOOOOO! — Ela grita, fazendo com que todos os passageiros se voltem para nós, seus rostos expressando desde bom humor até exacerbação. — Boa notícia, — diz ela a qualquer um cujos olhos demoram mais de um segundo, apontando para mim. — Boa. Notícia. Eu cubro meu rosto e rio. Eu tento agir como se estivesse cansada demais para falar e não vou compartilhar esses detalhes íntimos, mas ela ficou a primeira meia hora em cima de mim. — Sterling o Fodão. — Ela sorri com aprovação. — Você pode simplesmente dizer, olhando, que ele sabe o que fazer com o que foi dado, — diz ela com um suspiro. — Mas a resistência! — Ela diz tão enfaticamente que ambas nos engasgamos de rir. — Eu estou falando sério, Ro. Não, realmente. Você simplesmente não sabe a sorte que tem de obter tal garanhão. — Perdemos novamente. Ela não terminou. — Quero dizer Jared ama o sexo, mas ele nem


sequer fez isso no começo! Olha, nem todo cara pode continuar depois de muitas vezes. — Ela balança a cabeça. — Eu sabia que deveria ter esperado para te dizer quando estivéssemos no chão. — Eu tenho que me abanar com a revista SkyMiles. Ela está me matando. — Não havia como guardar essa notícia. Isso está brilhando em seu rosto para bater o homem. — Bater a banda. — Sim, isso também.

Voltar ao nosso apartamento é agridoce. Estou feliz por estar com Tessa e até mesmo Nova Iorque, mas minha mente ainda está vivendo naquela casabarco. É preciso uma boa semana para mim, para limpar o olhar sonhador do meu rosto. Tessa está me provocando sem piedade, e eu não a culpo. Estou revivendo cada momento com Ian. À noite depois que eu volto, eu estou na cama e no telefone com Ian. Ele tem sido doce e isso me faz sentir mais sua falta. Antes de desligarmos, ele atira: — Você me arruinou. — Sua voz é brincalhona. — Ah, é? — Os caras estão me chamando de Vermelhão. Cotovelos Vermelhos, para ser exato. — Ha, Cotovelos Vermelhos? Por quê?


— Meus cotovelos estão vermelho brilhante, como tapete queimado... feridos, — ele diz e faz uma pausa. Eu rio, mas eu não entendo. — Por passar muito tempo sobre os cotovelos nos últimos dias? De repente, eu imagino-o inclinando-se sobre mim, apoiado em seus cotovelos, olhando para mim com os olhos insondáveis, beijando-me toda... — Ah... ohhhh. — Eu rio. — Ai. Hum, desculpe... — Você está brincando? Estou usando meu infortúnio com orgulho. Eu nunca tive cotovelos vermelhos antes. — Hmm. Então, uma primeira vez para você? — Você é uma primeira vez para mim, Sparrow.

Depois de alguns dias de procura, eu consegui um emprego a tempo parcial em uma loja de café no Village. É o trabalho perfeito para mim. É ocupado, não o suficiente para ser esmagador, e isso me deixa tempo o suficiente para escrever na parte da tarde. Professora Shutes, de um dos meus cursos de escrita criativa, realmente me incentivou a desenvolver um trabalho e quando entreguei, ela considerou

expandir

para

um

romance.

Eu

fiquei

chocada.

Agradeci

profusamente e prometi que mostraria algo a ela no outono. Só de saber que eu sou responsável perante ela, ajuda a estimular-me. Estive trabalhando nisso todos os dias, e estou me sentindo muito bem com isso. Assim, a minha vida está ocupada, mas sem brilho em comparação com o meu tempo com o Ian. Falamos o tempo todo, mas não é o mesmo que estar com ele. Eu trabalho, escrevo, falo ao telefone, envio mensagens, vejo Tessa e Jared e


rejeito encontro de caras... mesmo que, do jeito que tecnicamente deixamos, Ian e eu somos livres para namorar outras pessoas. Eu não gosto de estar em um relacionamento de longa distância. Eu odeio isso. Mas é um mundo melhor do que aqueles trechos onde eu não o ouvi e não sabia o que ele estava pensando. Sempre que estou realmente deprimida por ele, eu penso sobre o quão pior era. Pelo menos agora eu sei que ele deseja poder estar comigo. É o que eu digo á mim mesma, de qualquer maneira, quando estou olhando ansiosamente para todos os casais fofos que vêm ao café juntos. Vendo todas as pessoas de mão dadas apaixonadas... os longos beijos no metrô... é um sentimento solitário. Os dias arrastam e voam. Antes que eu saiba, é o final de agosto. Já faz quase dois meses desde que eu vi Ian e as coisas estão indo bem, mas é hora de vê-lo. Ultimamente, tenho estado um pouco irritada com ele ao telefone. Estou voltando para casa do trabalho e ele liga. — O que você está fazendo neste fim de semana? — Uh, bem... Eu estou fora do trabalho, por isso eu só ia escrever. — Eu pensei que este era o seu fim de semana livre, — ele parece aliviado. — Ok, eu queria confirmar antes de comprar os bilhetes, mas - você pode me encontrar em LA? Quinta-feira a segunda-feira, talvez? Meu show foi cancelado na sexta à noite e eu vou ter a casa só para mim. Jeff e Laila não vão estar lá agora. Vamos, eu preciso te ver, e você pode escrever lá, também... — diz ele em um só fôlego. Estou animada. Eu não tenho que pensar muito para saltar sobre isso. — Eu vou ter que trocar os turnos de quinta-feira e segunda-feira, mas não deve ser muito difícil. Nadine está querendo turnos extras. Seria a última vez que eu poderia fazê-lo antes da escola começar... tudo bem! Ele solta um suspiro. — Doce. Vou pegar os ingressos agora. Eu tenho um ensaio de uma hora para o nosso show hoje à noite. Então, posso apenas te enviar uma mensagem com os detalhes e vamos conversar mais tarde?


— Sim! E obrigada, Ian! Vai ser tão bom ver você. — Eu não posso esperar, baby. Estou surpresa com quão nervosa me sinto ao vê-lo. Depois da nossa última vez juntos e, em seguida, falar com ele todos os dias, eu não esperava estar tão ansiosa. Mas quando o vejo, e ele me pega e me beija como se nunca fosse me deixar ir, isso vai embora. Pura adrenalina e luxúria tomam seu lugar. Não podemos parar de sorrir um para o outro. — Deus, você é quente, — diz ele. — Não esqueço quando estamos separados - nada - mas isso meio que me choca mais uma vez quando vejo você. — Você é o único quente nesta relação. — Eu não tenho nada em você. — Esperamos que isso vá mudar em breve. — Passarinho! O que eu fiz para você? Eu rio e fico roxa. Acontece que eu ainda não posso realmente fazer a conversa suja. De vez em quando, tento falar, e isso só nos faz rir. Ele puxa meu corpo contra o dele e faz minhas pernas cederem quando ele me beija novamente. Então, talvez ele trabalhe um pouco. Ele lentamente solta e abre a porta do carro. Todo o seu rosto está brilhando. Eu me pergunto se o meu parece o mesmo. Ele se inclina após eu me sentar. — Vou levá-la onde quer que você queira ir. Você está com fome, né? Eu aceno. Eu realmente não posso pensar em linha reta quando ele está olhando para mim como se quisesse me devorar. — Ok, é melhor termos toda a nossa diversão externa agora porque uma vez que te ter na cama, eu não vou deixar você sair. — Ele beija a ponta do meu nariz e fecha a porta.


Quando ele entra no carro e sai da garagem, dirijo-me a ele e digo: — Que tal a gente ir para a praia, comer lá, e há o píer de Santa Monica, poderíamos passear de bicicleta... e uma divertida livraria não é muito longe dali. E eu poderia fazer compras por um tempo. Eu preciso de algumas novas... hum, calcinhas e... — eu engasgo, em seguida, rindo da maneira que seu rosto está mudando quanto mais eu continuo, — ... e a farmácia para... esmalte para unha e... papel higiênico... — Eu preciso arrancar este carro e foder você insensatamente? — Sim? Ele geme e puxa seu cabelo. Ele olha para mim, correndo os olhos para cima e para baixo do meu corpo dessa maneira lenta que me permite saber que ele está me imaginando sem roupa. Ele sorri seu sorriso maroto, e meu coração faz o seu flip-flop. — Hey, baby, — diz ele, — você está aqui. — Eu sei. — Eu irradio alegria para ele. Eu não acho que eu poderia estar mais feliz do que estou agora.

Nós demoramos mais tempo para chegar à casa dos Roberts do que eu esperava. Acho que Ian sente que me deve um pouco de diversão desde que estou na Califórnia, então ele me leva para a praia e comemos em um ótimo restaurante de frutos do mar junto à água. Nós caminhamos ao longo da praia por um tempo e Ian continua me olhando, sem se preocupar em esconder o seu desejo, até eu perceber que ele está me provocando de volta. Só esperando para ver quanto tempo eu posso aguentar antes de quebrar e atacá-lo.


Eu ajo bem, não deixando que a cada toque que ele me dá se torne cada vez mais difícil pensar direito. Quando ele entra no estacionamento de uma farmácia, eu perco isso e começo a rir. — O quê? — ele pergunta, inocentemente. — ME LEVE PARA CASA! — Bem, eu pensei que você nunca pediria. — Ele sai do estacionamento e acelera até as colinas. A casa dos Roberts não é nada como o seu lugar em San Francisco. É grande e moderna, ao sul da Califórnia. O interior é forte, mas bonito. Janelas alinhadas em cada lado da casa, com vista para uma vista deslumbrante. Tudo é limpo, sem bagunça alguma. — Lindo lugar. — Agradável, não é. — Onde é que ficamos? Ele agarra meu braço e me tem confortavelmente contra ele antes que eu possa piscar. — Você está pronta para ser colocada na cama? — Eu acho. — É melhor SE COMPORTAR, — Ele me suspende em seu ombro e corre pelo corredor para o quarto, batendo-me todo o caminho. — Estou sendo COMPORTADA! — Eu estou rindo e chego a morder a bunda dele, uma vez que está bem na minha cara. Ele deixa escapar um grito quando mordo. — Este é o seu quarto? — Pergunto quando ele abre a porta. — Sim.


Eu tento olhar ao redor, mas ele não deixa. Logo, eu não me importo se estamos em uma tenda ou no Taj Mahal, eu preciso tê-lo.

Não conseguimos dormir muito naquela noite. Na manhã seguinte, meu corpo se sente dolorido da melhor maneira possível. Ainda no horário de Nova Iorque, eu acordo antes de Ian e apenas fico lá um tempo, desfrutando de seus braços em volta de mim. Logo, meu estômago começa a roncar e eu levanto a mão de Ian do meu peito e coloco-a nos cobertores, enquanto caio fora da cama. Eu coloco uma camisola e calcinha e sonolenta caminho até a cozinha para ter um pouco de café. Dez minutos mais tarde, eu tenho bacon e estou trabalhando em um ovo mexido quando Ian vem por trás e envolve seus braços em volta de mim. — Eu senti sua falta, — ele sussurra enquanto beija meu pescoço. — Meu estômago está pedindo por algo. — Eu me viro e encaro-o, inclinando-me para beijá-lo. Ele parece divino na luz da manhã. Eu ainda não consigo acreditar que ele é meu. Ele se inclina e dá um beijo em um mamilo que se animou logo que ele chegou perto. — Bem, vamos deixá-la alimentada. Parece muito bom, — ele olha por cima do meu ombro. Eu desligo o fogão e ele me dá mais um abraço. Suas mãos estão vagando pelo meu peito e no estômago, como se ele simplesmente não pudesse largar. Alguém limpa a garganta e as mãos de Ian continuam. Ambos viramos e Jeff e Laila estão lá. Jeff está tentando não rir e o olhar de Laila é indecifrável. Eu me dobro para trás do corpo de Ian para me esconder.


Jeff fala primeiro. — Hey! Desculpe te assustar! Acho que você não sabia que nós estávamos vindo? — Ele olha para Laila. — Eu pensei que você havia ligado anteontem para deixar Ian saber... — Eu liguei para ele. Eu não te disse que estávamos chegando, Ian? — Ela franze o cenho e olha para Ian. — Não, você não fez, — diz ele, sua voz controlada mas fria. Eu não estou acostumada com esse tom vindo dele. — Eu te disse que Sparrow vinha neste fim de semana. — Ele olha fixamente para Laila. — Bem, quanto mais, melhor! — Laila diz com um sorriso frio. — Parece que o café da manhã está pronto. É melhor comer antes que esfrie. — Eu só vou... colocar algumas roupas, — eu digo sem jeito. — Nós vamos arrumar nossas coisas. É bom ter você aqui, Sparrow, — Jeff diz gentilmente. Posso dizer que ele está quase tão envergonhado como eu estou. Ele praticamente puxa Laila para fora da sala. Eu não me movo até que ouço-os subindo as escadas. Ian olha para mim, e eu recuo ante o olhar em seus olhos. Ele está furioso. Quando eu cubro meu peito com os braços, seus olhos amolecem e ele me abraça. — Sinto muito, Sparrow. Eu não fazia ideia de que eles estariam aqui neste fim de semana. Eu vou corrigir isso. — Está tudo bem. Quer dizer, eu teria usado roupas, se eu soubesse que eles estavam vindo esta manhã, mas... — Eu tento rir, mas não soa verdadeiro. — Eu vou colocar a comida na mesa, enquanto você se veste, — diz ele. — Você traz uma camisa para mim quando voltar? — Claro.


Eu preciso mais do que alguns minutos para me vestir. Sabendo que temos companhia, eu sinto a necessidade de fazer muito mais do que eu teria com apenas Ian. Quando eu volto para fora, Ian e Laila estão no deck, e Ian está dizendo algo muito enfático para ela. Ela tem as mãos nos quadris e balança a cabeça. Não parece agradável. Isso parece muito desconfortável. Ian olha na janela e me vê observando e começa a andar em direção à porta de tela. Antes de abri-la, ele diz mais uma coisa para Laila e seu rosto cai. Eu lanço a ele uma camisa quando ele entra e ele tenta acalmar suas feições, mas a tensão no cómodo não vai a lugar nenhum. Sentamos e Laila, como uma tempestade, atravessa a porta e sai da cozinha. — Sinto muito, querida. Vamos ficar em outro lugar. Meu apetite desapareceu, mas eu tento comer através do nó na minha garganta. Eu não sei por que isso é tão estranho. Eu só quero sair daqui. Nós realmente não falamos, exceto Ian, que elogia a comida e tenta fazer com que eu me sinta mais à vontade. Ele desiste quando eu realmente não tenho nada a dizer em retorno. Limpamos os pratos, e eu volto para o quarto para tomar um banho. Eu pulo quando Ian anda no chuveiro, não muito tempo depois de mim. — Ian... isso não é uma boa ideia. — O quê? Estar perto de você depois que você veio até aqui? — Você sabe o que quero dizer. — Vamos, dê-me esse xampu, e vamos sair daqui. Eu tenho um lugar em mente. — Ele começa a lavar meu cabelo e quando ele massageia meu couro cabeludo, isso me acalma. Nós ficamos prontos em tempo recorde, com o carro lotado, e estamos na estrada antes mesmo de eles saberem que estamos indo.


— Vou chamar Jeff e dizer que saímos. — Ian me encara com cautela, não sabendo o que fazer com o meu sossego. Eu ouço a conversa unilateral. Parece que não há nenhum problema entre Jeff e Ian. Quando Ian desliga o telefone, ele pega a minha mão na sua, e nós dirigimos nos limites da cidade de Santa Monica. Ele vira no estacionamento do The Viceroy Hotel. — Eu me sinto mal com todo o dinheiro que você está gastando agora, — digo baixinho. — Não faça isso. Isso não está me machucando de qualquer maneira. Nós temos shows constantes e royalties estão vindo do Jagged gravando duas das minhas músicas. Minhas acomodações são geralmente coberturas. Eu estou melhor do eu que alguma vez estive, baby, — ele me tranquiliza. As funcionárias do Hotel não podem tirar os olhos de Ian. O atendente do Hotel não pode tirar os olhos de mim. Por toda a sua atenção, você pensaria que éramos celebridades. A atendente canta em uma voz baixa e sexy para Ian, — A suíte Monarch está disponível, Sr. Sterling. Eu ficaria feliz em melhorá-la para você sem nenhum custo extra. — Ela se inclina para mostrar seu decote estilo globos bulbosos. Eu tenho um pensamento não-tão-bom sobre ela, algo sobre o fato de que meus seios são igualmente grandes, mas sem o fator globo bulboso. E então eu interiormente me chuto por ser tão arrogante. Charlie ficaria horrorizada. Na verdade, Charlie ficaria horrorizada com muito mais do que isso. Eu me pergunto se Laila dirá a ela que me encontrou seminua em sua cozinha esta manhã. Eu não disse exatamente a minha mãe que estou dormindo com Ian. Não cairia muito bem. De jeito nenhum. Em uma névoa, eu ando com Ian para a suíte. É linda. Vista total para o mar. A cama está contra uma parede espelhada e um sofá branco em tufos – que iria perfeitamente com a minha cama – fica no final da cama. Na verdade, seria incrível se eu pudesse livrar da nuvem que paira sobre mim. Sento-me no sofá e Ian se agacha na minha frente.


— Diga-me o que está errado, — diz ele. — Qual é o negócio da Laila com você? Ele olha firme para mim por um minuto. Parece que para sempre. — Ela é um pouco... protetora de mim, — ele finalmente diz. — Protetora? Ela agiu com ciúmes. Por que ela estaria com ciúmes de mim? Ela estava bem comigo namorando Michael... completamente a favor. Por que ela não me quer com você? — Eu realmente nunca tive uma namorada perto deles. Quando estou na cidade, é só nós e acho que ela está apenas... eu não sei. Eu não sei por que ela agiu assim. — Ele inclina sua testa no meu peito, entre os meus seios nãobulbosos. Sim, eu não consigo esquecer aquelas coisas que a atendente ostentava. — Baby, o que você está pensando? Volte para mim. — Ele beija a pele bem em cima da minha blusa. — Nós não temos muito tempo. Eu não quero pensar sobre Laila. — Bem, foi muito estranho, — digo irritada. — Eu sei e sinto muito por colocá-la em uma posição tão desconfortável. Eu disse isso a ela, também. — Sim, eu sinto muito. Preciso sair dessa... Ian fica na cama atrás de mim e esfrega meus ombros. Eu olho para o oceano e sinto todo o meu corpo relaxar. Lentamente, as preocupações desaparecem, exceto por um pensamento persistente: Eu não vou deixar Laila arruinar isso.


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Recesso de Inverno Avanço rápido: 1 ano e 2 meses depois

Eu termino minha última final e corro para casa desmoronando na minha cama para uma soneca. Eu só tenho 20 minutos, mas eu não posso manter meus olhos abertos por mais tempo. Quando o meu alarme dispara, eu me arrasto para fora da cama e fico pronta. Meus pais e Ian estão chegando hoje à noite e vamos passar o Natal aqui, em Nova Iorque. Na noite de Natal, meus pais vão conduzir para Cape Cod pelo resto da semana. Ian e eu vamos voar para Minnesota, onde eu vou conhecer sua mãe. Isso parece como um grande passo, mesmo sabendo que estamos namorando há um ano e meio. Eu conto o tempo quando Ian apareceu na varanda do meu apartamento com a bandeira branca como quando oficialmente começamos a namorar, mesmo ele tendo meu coração por muito mais do que isso. Eu coloco um vestido verde curto com uma perfeita saia rodada e amontôo meu cabelo em cachos grandes, macios. Estamos indo ao Per Se, um restaurante chique que soa incrível. Ian foi recentemente, quando ele se encontrou com uma gravadora que foi cortejá-lo, e enquanto ele estava lá, ele fez uma reserva para nós esta noite. Tudo está indo muito bem. Ian e eu estamos mais próximos do que nunca, e ambos temos coisas interessantes acontecendo com nossas carreiras. Professora Shutes tem uma conexão na Penguin e meu livro acaba de ser apanhado. Por esta altura no próximo ano, eu vou ter um livro nas livrarias! Eu não posso nem acreditar. Eu percebo que sou muito jovem para isso estar acontecendo, por isso estou um pouco nervosa, cautelosa em acreditar que está. Ian tem várias gravadoras disputando por ele, e ele está apenas tentando escolher a melhor. Nós


estamos trabalhando a coisa de longa distância. É muito difícil, mas nós estamos fazendo isso. Nosso único desafio, além da distância, é o rumor ocasional que às vezes vem com o namoro com um músico que está ficando mais famoso a cada minuto. Ian fica fora da imprensa na maior parte do tempo, mas ele tem sido associado com Reagan algumas vezes e outra musicista chamada Jules. Eu tento não ter ciúmes ou duvidar dele, mas quando passamos quatro meses sem nos vermos, durante as turnês no exterior de Ian, isso tende para o ciúme. Eu tenho feito a minha parte em jogar complicação na mistura – involuntariamente, mas desastroso, no entanto. Saí com Zach, um amigo de trabalho – eu pensei que era um almoço casual – quando ele abriu a porta do carro para mim e eu me levantei, ele enfiou a língua na minha garganta. Eu disse a Ian sobre isso imediatamente, e ele levou isso melhor do que eu esperava. E então houve um amigo com quem eu estudei que estava em Nova Iorque de férias. Ele me procurou e saímos para jantar. Eu disse que estava namorando Ian, mas no final da noite, ele ainda me beijou. Aquele beijo não caiu tão bem, mas Ian ainda me perdoou e nós seguimos em frente. Ocasionalmente nós discutimos sobre Laila. Eu não a vi desde o ano passado em sua cozinha, mas Ian ainda a vê de vez em quando, e parece que sempre há drama envolvido. Eu sei que ele tem que estar próximo de Laila com Jeff sendo seu primo, mas às vezes, isso realmente não parece valer a pena. Ela sempre briga. Eu quero que ele pare de ficar com eles. Fiz vinte e um no início deste mês. Tessa me surpreendeu com uma festa. Isso ajudou a aliviar a minha tristeza por estar longe de Ian. Ele estava em uma turnê pela Europa e não podia fugir, e a escola estava muito louca para eu ir estar com ele. Ian enviou-me um colar que ele encontrou em uma loja de antiguidades em Paris. Tem um ramo com um pardal sentado sobre ele. Tão perfeito. O olho do pardal é um minúsculo topázio azul, minha pedra. Ele acrescentou a pedra. Ele originalmente tinha um cristal. É lindo e delicado e eu uso-o o tempo todo. A porta bate, e Tessa e Jared entram, os dois tagarelando ao mesmo tempo.


— Ro, resolve um debate para nós, — Tessa caminha até a porta, o ar frio ricocheteando dela. Jared fica um pouco para trás, sorrindo. — Uau, você está incrível, Ro! — Tessa estende a mão para tocar no meu cabelo e olha-me. — Ian vai estar fora de si na frente de seus pais. Você sabe como ele se sente sobre suas pernas. Ele não pode ser responsabilizado. Ok. Essa canção que Nat King Cole canta, você sabe, aquela sobre Jack Frost... — Chestnuts roasting on an open fire27... — eu canto, atirando algum vibrato extra. — Sim! Essa. Resolve isso para nós. Cante um pouco mais. — Uh... Jack Frost nipping at your nose... youletide carols be...28 Jared solta um riso enorme e Tessa grita: — Nããão! — enquanto ele faz cócegas nela por trás. Seu bom humor é contagiante. — Por quê? O que você achava que era, Tess? — Eu rio. Eu já sei que isso vai ser bom. Ela resmunga algo baixinho. — O quê? — Você, eu e Carol29... — diz ela mais alto. Eu tenho que repetir antes de registrar. — Ohhh! Certo! Você, eu e Carol! — E então eu não posso parar de rir. Eu vou cantar desse jeito para o resto da minha vida agora. Tessa revira os olhos, mas ri muito. — Eu sempre pensei que a letra era estranha, — ela admite. Isso nos dá outro ataque de riso. — Quando Ian chega? — Jared pergunta após se acalmar. Castanhas assadas em um fogo aberto. Jack Frost beliscando seu nariz… canções natalinas sendo... 29 No original: You, I and Carol. Ela confunde a parte ‘youletide carols’ (canções natalinas) com ‘You, I and Carol’ (que seria um trio, daí a música ficar estranha para ela). 27 28


— Seu voo pousa bem antes dos meus pais, então terá um carro esperando por eles. Eles vão me pegar em... 15 minutos! — Bem, eu estou tão feliz que chegamos a vê-la. — Tessa me dá um longo abraço. — Eu vou sentir sua falta. Acabamos de chegar para pegar nossas malas. Nosso voo sai em poucas horas. — Eu vou sentir sua falta também. Duas semanas. Não se esqueça de voltar. — Ha. Você não vai se livrar de mim tão facilmente. VOCÊ certifique-se de voltar! — Minnesota não vai me manter! Isso eu sei! — Eu levanto o meu punho no ar. Tessa bufa. — Melhor não. Eles saem na mesma onda que vieram. Eu ando com energia animada. Já se passaram três meses desta vez... desde que eu o vi. Quatro meses desde que eu vi os meus pais. Estou tão animada para ver todos os três, mas eu vou ter um tempo duro me contendo com Ian.

Meus pais vêm primeiro. Todos nós nos abraçamos, e eu olho ao redor procurando por Ian. — Ele não veio, — meu pai brinca. — Não é engraçado, pai. Onde ele está? — Eu acho que ele queria fazer uma entrada triunfal, — minha mãe diz, sorrindo por cima do meu ombro.


Eu me viro, e ele está em pé na porta. Eu vou voando em direção a ele, e ele me encontra na metade, me pega e me abraça até eu chiar. Nós nos beijamos como se fosse três meses: apaixonado, ainda tímido, com fome e hesitante, todos de uma vez. Meu pai limpa a garganta, e nos separamos e rimos sem jeito. Ian se inclina e sussurra em meu ouvido: — Você está tentando me matar, aqui na frente de seus pais. Mas que diabos? Por que você tem que parecer tão malditamente linda? Eu rio e me inclino para outro beijo. Nós olhamos um para o outro, intensos e tímidos. É sempre assim quando nos vemos. Faz toda a saudade valer a pena – essa corrida vertiginosa de estar juntos novamente. — Você está linda, Rosie, — meu pai diz. — Obrigada, pai. Ambos os braços de Ian estão em torno de mim, e de repente ele solta um e agarra seu cabelo em um puxão violento. Então, ele está de volta, e ele suavemente coloca um beijo na parte de trás do meu pescoço. — Tão linda, — ele geme.

Tempo de Natal em Manhattan é mágico. No ano passado, passamos o Natal na Califórnia, e foi lindo. Parece que é o momento mais ensolarado do ano lá. Mas eu adoro ter a neve e ar vivo durante as férias. Todas as luzes brancas nas árvores fazem parecer como uma encantada terra dos sonhos, e é ampliada quando eu estou segurando a mão de Ian.


Nossa experiência gastronômica é uma excelente refeição requintada. Eu nunca tive essa boa comida em toda a minha vida. Temos um tempo maravilhoso durante o jantar. Estou tão feliz que meus pais amam Ian. Eles ainda ocasionalmente trazem Michael, mas sabem que eu nunca fui apaixonada por ele. Eu acho que eles acreditam que Ian combina mais comigo, também, o que é um alívio. — Passarinho? Você está com a gente? — Ian sorri para mim. Entre nós dois, nós somos dois seres excêntricos. Ele pode estar escrevendo uma música em sua cabeça, e eu tenho dificuldade em desligar os meus pensamentos e histórias. Enfim, é incrível que possamos nos comunicar um com o outro. — Eu estou aqui. — Eu estendo a mão e toco sua bochecha. Ele é deslumbrante. Olhar para ele ainda deixa meu coração desnorteado. Seu terno preto ainda tem uma vibe de roqueiro, ele parece ser bom o suficiente para comer. Meu rosto cora com o pensamento, e eu tenho que controlá-lo. — Eu só estou pensando em como estou feliz que estamos todos juntos. Eu não sei quando eu já estive tão contente como estou agora, aqui com vocês três. Tenho tantas saudades de vocês. — Eu olho para cada um deles no olho e pisco as lágrimas que ameaçam transbordar. Ian beija minha mão e meu pai afaga minha outra mão. Todos nós temos um momento emocionante e, em seguida, a sobremesa vem... depois de uma refeição de nove pratos. Eu não posso nem explicar o quão espetacular as sobremesas são. É um pequeno buffet de mini sobremesas que chega a nossa mesa, e eu experimento todas. Céus. Após o jantar, os meus pais voltam para o meu apartamento, alegando que estão cansados do longo dia de viagem. Tenho a impressão de que eles estão por dentro do que Ian preparou para mim. Nós pegamos um táxi e vamos para Swing 4630. — Seu vestido é perfeito para isso, — Ian diz quando chegamos lá dentro, — quando eu giro você, eu posso pegar totalmente uma olhadinha, — ele sussurra.

30

Clube de Dança Jazz.


Dou um pequeno sorriso. — Eu queria vir aqui! — Vamos fazer isso. Nós dançamos a noite toda, e é tão divertido. Eu não posso ter o suficiente. Ian foi feito para mim. Eu tenho certeza disso. Nós apenas nos encaixamos. Seus olhos não saem de mim a noite toda, seu olhar é hipnótico, puxando-me mais profundo com cada olhar. Não é tudo a sério. Temos um momento difícil para não rir quando estamos juntos, então há muito disso também. A noite parece como uma longa carta de amor, com toques doces e parece falar altas verdades. Eu acho que nós somos os últimos a sair. Eu inclino a cabeça para trás sobre o ombro de Ian na viagem de volta ao meu apartamento. — Você está sonolenta, Passarinho? — Eu estou feliz. — Eu sorrio para ele. Viro-me para beijá-lo quando sua mão toca suavemente meu pescoço. — Eu te amo, Sparrow Kate Fisher. — Eu te amo, Ian Orville Sterling.

Minha mãe tem o sofá todo preparado para Ian quando entramos. Ele sorri quando vê. Ele me abraça apertado e me dá um beijo casto. — Obrigado por uma das melhores noites de sempre, — diz ele. — Boa noite, baby. — Boa noite. — Eu olho para ele ansiosamente quando vou para o meu quarto. É muito difícil deixá-lo lá. Os próximos dias são excruciantes. Estar em torno um do outro constantemente, depois de tanto tempo separados e ainda não ter muito tempo


sozinhos, é uma luta para mim. Não consigo me concentrar no que ninguém perto de mim está dizendo. Quero Ian mais do que comida ou água. Mais do que ar. Ele está agindo como se não fosse grande coisa. Como se pudesse estar perto de mim e não ceder. Passaram três malditos meses. Eu esperava ele esgueirar-se em meu quarto à noite. Eu pensei que ele não seria capaz de ficar longe de mim. Mas ele é. E isso me deixa LOUCA. Pela véspera de Natal, eu estou agitada com ele. Eu sou arrogante no nosso doce jantar de família. Eu praticamente rosno para Ian, e ele olha para mim, amoroso e divertido. Meus pais parecem preocupados. Charlie pergunta se eu estou ficando doente. Eu não posso esperar para ir para Minnesota. Eu tento ir para a cama mais cedo do que o normal, porque estou tendo um momento muito difícil não tirando Ian da cabeça. Ele está me fazendo sentir ainda pior por ser tão doce. Ele me dá um beijo suave em minha porta. — Eu amo estar aqui assim, com você e sua família... sentindo-me parte de algo mais... desculpe, eu estou apenas... eu amo você, baby, — ele sussurra. — Eu te amo. — Vá dormir, assim Papai Noel pode vir. — Ele pisca, e depois parece que ele quer dizer mais, mas ele não diz. Eu beijo sua bochecha e me sinto como um canalha quando fecho a porta. O que há de errado comigo? Eu deveria estar feliz que ele está aqui, não um cão chifrudo ambulante.


Eu estou dormindo e sonhando com Ian. É um sonho tão bom e eu começo a gemer. Ele está me fazendo sentir tão bem. Acordo arrepiada quando uma mão levemente aperta a minha boca. A cabeça de Ian está entre as minhas pernas, sua língua trabalhando maravilhosamente, e ele está tentando me manter calma. Eu puxo o travesseiro sobre minha cara e tento me conter. É impossível. Ele é muito bom no que faz. Eu pego seu rosto. — Entre em mim. AGORA. Ele não hesita. Ele desliza para cima do meu corpo e afunda dentro de mim, profundo. Eu estou pronta para ele. Ele me beija forte e segura firme à medida que ambos perdemos imediatamente o controle. Ele acaricia o meu cabelo enquanto eu caio em um sono profundo.

Na manhã de Natal, eu acordo cedo e estendida, sorrindo de orelha a orelha. Eu tive o melhor sono e os melhores sonhos. Eu escovo os dentes e vou para a sala para ver se Ian está acordado. Ele está. Ele tem os braços apoiados atrás de sua cabeça, e está olhando para a árvore. Ele parece perdido em pensamentos. Eu ando até o sofá e ele olha para mim. — Aí está a minha menina. Feliz Natal. — Feliz Natal. — Eu sorrio para ele e ele retorna provisoriamente. — Você gosta de mim de novo? — Ele parece sério quando o diz. — Claro que eu gosto, eu nunca deixei... — eu gemo. — Eu sinto muito pela forma como tenho agido. Estive podre.


Ele me puxa para baixo em cima dele e me beija. — Você não estava podre. Eu só pensei que talvez você fosse ter segundos pensamentos sobre mim. Inclino a minha testa na dele. — Sinto muito. Você estava tão bem em não estar comigo. Estava... me afetando. Eu escondo o meu rosto em seu ombro. Eu estou tão envergonhada, tanto pela forma como eu agi e o que eu disse a ele. — Baby, — ele segura meu rosto com as mãos e suaviza meu cabelo, — eu estava morrendo. Eu apenas estive tentando ser respeitoso com seus pais. Ontem à noite, eu não aguentei mais. Eu deixei escapar uma risada de alívio. — Eu me sinto como uma nova mulher esta manhã. — Se eu soubesse que você estava tão quente para mim, eu teria pegado você na escada e te resolvido. Você tem estado tão no limite, eu pensei que talvez eu estivesse te irritando. Deixei escapar um longo suspiro. — Você nunca me irritou. Só lamento desperdiçar qualquer momento com você. Eu não vou deixar isso acontecer novamente. Da próxima vez, eu vou pular seus ossos31 antes que você me deixe na seca. Ele ri. — Você disse: pular seus ossos. — Você está me corrompendo.

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Ter relações sexuais, com intenção impura ou de forma agressiva.


Ian e eu sentamos na frente da árvore e demos nossos presentes um ao outro. Ele tem um pequeno monte e eu tenho uma pequena pilha. As luzes da árvore fazem seus olhos brilharem mais do que nunca. — No Natal passado foi a primeira vez que eu dei presentes para uma menina, — ele sussurra. — Sério? Você não me disse isso. — Estou chocada. Ele levanta seu pé e está vestindo as meias de elefante que eu dei no Natal passado. Eu rio sempre que vejo. Elas são feias, mas ele ainda ama. — Eu não queria assustá-la no nosso primeiro Natal, mas sim, um novo começo para mim. — Ele sorri e quando eu entrego um presente, ele parece um menino, ele está tão animado. Entre cada presente, beijos doces, beijos brincalhões que fazem meu coração vibrar. Dou o cobertor mais macio que eu já toquei, para as noites no ônibus quando ele está sentindo minha falta e precisa de algo para se lembrar de mim. Ele me dá um perfume de Paris que eu posso realmente sentir – cheira divino. Dou um álbum de fotos de todas as nossas viagens juntos. Ele me dá uma blusa vermelha sexy e sussurra que há algo para combiná-la que ele vai me dar mais tarde. Dou uma camisa de beisebol – branca com mangas vermelhas que diz: Cotovelos Vermelhos sobre ela. Eu aponto para as mangas vermelhas e, em seguida, as palavras: Cotovelos Vermelhos. Rimos muito sobre isso. Cada um de nós tem uma coisa a dar ao outro. Eu ouço os meus pais farfalhar na outra sala. Eu sei que eles provavelmente não querem perder, mas estamos gostando desta vez, só nós dois. Toda a manhã parece que estamos em uma bolha mágica, em nossa própria pequena nuvem. — Aqui, você vai primeiro, — digo e seguro o seu último presente. Ian se inclina e fica na minha cara. — Eu só quero que você saiba... que se você não me desse um único presente... o jeito que você me ama seria mais do que suficiente.


Ele faz meu coração apertar quando fala assim. Ele lentamente desembrulha a caixa, não rasga um único pedaço. Ele dobrao com cuidado e coloca de lado para não estragar papel. Eu o amo por essas pequenas peculiaridades. Ele abre a caixa para ver outra caixa no interior – uma pequena caixa de madeira, com entalhes no lado de fora. É uma bela obra de arte em si, feita à mão por um cara que eu vi em uma feira de artesanato ao ar livre. — Olhe dentro, — incito. Quando ele abre a caixa, sua respiração engata. Há 100 palhetas em todas as cores. Algumas delas têm pequenas fotos de mim, algumas de nós dois. Outras têm um pardal sobre elas. Ele passa os dedos por elas e estuda cada uma. Ele não diz uma palavra. Eu pensei que ele iria rir e talvez tirá-las para fora em sua forma lúdica, mas seu rosto é sério quando olha para todas elas. — Este é o melhor presente que já ganhei, — diz ele em voz baixa. Quando ele olha para mim, os olhos estão cheios de água. Eu nunca os vi ficarem marejados. — Eu amo isso. Obrigado, Sparrow. — De nada. Estou tão feliz que você gostou delas. — Eu me sinto tímida de repente. Ele me beija, com a testa enrugada em concentração ou paixão. Eu não tenho certeza, mas é significativo. — Ok. Mais um para você. Saiba que se você não gostar disso, podemos fazer outra coisa. Eu franzo a testa para ele. — Não seja bobo. O embrulho é tão bonito. O que é isso? — Dou uma boa sacudida. — Abra-o! Eu rasgo-o, incapaz de desembrulhar cuidadosamente como ele faz. Dentro está uma pulseira de prata esterlina com amuletos pendurados. É maravilhosa.


Cada amuleto me faz sorrir e amá-lo mais. Há um cupcake, um livro, uma pequena réplica do barco, um pardal e a única coisa com cor são dois laços32 vermelhos espaçados entre os outros amuletos. — Nós estávamos na mesma sintonia com isso, — ele diz, enquanto aponta com os dedos para os laços vermelhos: — Eu simplesmente não conseguia descobrir como retratar ‘ferido’ com um amuleto. Hilário. — Eu amei, Ian. Muito. É perfeito. — Eu seguro-a para que ele coloque em mim. Ele beija o interior do meu pulso antes de bloquear o fecho. — Este é o melhor presente que já ganhei. Estamos nos beijando quando meus pais saem. Eles estão chocados que abrimos nossos presentes sem eles, mas quando eles veem o quanto estamos felizes, eles não podem ficar perturbados. — Este é o melhor Natal de sempre, — Ian canta no lugar de uma saudação. — Ah, é só você esperar. Nós estamos apenas começando, — meu pai canta de volta.

Laços em inglês é ‘bow’, que é o que está no nome em inglês que os amigos chamavam ‘red raw bows’, mas que ficou traduzido como Cotovelos Vermelhos para entrar no contexto. 32


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Vínculo em Minnesota Minnesota é realmente uma das maravilhas do inverno. Eu não sabia que poderia haver tanta neve em um só lugar. É de tirar o fôlego. Enquanto Ian e eu dirigimos desde o aeroporto até a casa de sua mãe, eu fico colada à minha janela. A neve está pendurada fortemente nos membros das árvores, delineando cada ramo. Ian diz que acabaram de ter uma queda de neve para a neve ainda estar anexada assim. Ian para perto de um dos muitos lagos e me dá um sorriso travesso. — Quer fazer um pequeno desvio? — ele pergunta. — Uh... tem certeza? — Eu não tenho nenhuma ideia do que ele está fazendo. A próxima coisa que eu sei, nós estamos dirigindo em direção a um lago congelado. Dirigindo! — O que… você está fazendo? — eu grito. Ian faz oitos com o carro e acentuadamente gira o suficiente para deslizar sobre o gelo. — Ian! — Eu mantenho minhas mãos firmes no meu assento, com medo de me mover. — Vê todas as casas de gelo? — Ele aponta para trás. Eu me viro e vejo toneladas de minúsculas casas no gelo. — É seguro agora. Mais alguns meses, e eu não faria isso... Eu respiro muito mais fácil quando estamos de volta em uma estrada normal. Eu amo todas as casas antigas e noto que não há praticamente nenhuma cerca em qualquer lugar. Todos na Califórnia tem uma cerca, mesmo que seus


quintais são pequenos. O sol está se pondo e Ian dirige por uma rua sem saída e entra na garagem de uma antiga fazenda, de dez hectares. — Minha mãe se mudou para cá quando eu estava me formando, então eu não passo muito tempo aqui, mas é a única casa que eu tenho, — diz Ian. — É lindo no verão. Ian parece mais vulnerável do que o habitual. Me faz querer envolvê-lo e protegê-lo de tudo e quem o feriu. Eu me inclino e beijo-o antes de sair do carro. — Obrigada por me trazer aqui. Ele olha para mim atentamente. — Estou feliz por você estar aqui, Sparrow. Eu vou para o porta-malas pegar minha bagagem e Ian tem tudo isso. — Posso carregar alguma coisa? — ofereço. — Só carregue a sua beleza, baby. Isso deve pesar muito. Eu bufo. — Só você mesmo. — O quê? Eu só estou falando a verdade. Eu ainda estou rindo quando a porta se abre e a mãe de Ian sai correndo. Ela está me abraçando e beijando Ian e falando a mil por hora. — Eu estou tão animada que você está aqui. Oh, você é apenas linda. Eu não posso acreditar nisso. Feliz Natal! Eu sou Ellen. Ian, você está melhor do que eu já vi. Sparrow deve ser boa para você. — Ela respira e ri nervosamente, com as mãos entrelaçadas. — Venha, venha, eu tenho o peru e recheio tudo pronto para vocês. Ellen é linda e tão amável. Ela é alta e graciosa, e seus olhos me fazem lembrar os de Ian, cheios de expressão e de mudança de cores. Eu me sinto em casa imediatamente. Nós nos sentamos para comer, só nós três, e ela pega nossas mãos, para agradecer. Ian a paparica tanto. É divertido ver os dois interagindo. Ele é tão doce com ela.


— Passou um longo tempo desde que eu vi o meu filho, — diz ela, acariciando seu rosto. — Desculpe, mãe. Tem sido um ano louco, e quando eu não estou tocando em um show, eu estou tentando descobrir como chegar a Sparrow. — Estou feliz que você tenha encontrado alguém que faz você colocar esse esforço. — Ela olha para mim. — Eu estava começando a me perguntar se nunca iria acontecer. Eu sorrio para ela e meu peito se expande com alívio que ela realmente gosta de mim.

Mais tarde, Ian está lá em cima tomando um banho, e Ellen e eu estamos conversando na sala de estar. — Eu não sei se você sabe quão significativo é você estar aqui, — diz ela. — Bem, em todos os lugares que vamos, Ian nunca parece sofrer de falta de atenção do sexo feminino, — digo a ela. — Eu apenas assumi que você teria encontrado um monte de namoradas ao longo dos anos. — Ele não me disse nada, e ele nunca trouxe ninguém em casa, especialmente para o Natal. É por isso que eu sabia quando ele me contou sobre você no ano passado por esta altura, que deve ser alguém especial. — Ela se inclina para mais perto e diz em voz baixa: — Ele tem um monte de ressentimentos sobre o compromisso e ainda mais sobre o casamento. — Ela balança a cabeça. — Eu só espero que ele possa deixar tudo isso ir com você, querida. Ele não teve nenhum exemplo de um bom casamento em sua vida. Nenhum.


Eu aceno com a cabeça e quero que ela continue a falar, apesar de um malestar se instalar no meu intestino. Porque, de todos os modos, Ian me mostra que ele me ama, ele realmente não fala sobre o compromisso, e ele não exige de mim. Ele não gosta quando os caras me beijam, mas não foi um grande negócio para ele. Eu estava grata por isso na época, mas agora está me incomodando. Eu tentei tanto não fazer qualquer tipo de pressão sobre o futuro. Eu ainda sou jovem, mas também, eu acho que tenho medo de assustá-lo. Em alguns aspectos, é possível que eu tenha dado a ele a perfeita configuração. Temos estes tempos felizes a cada dois meses, e então nós dois vamos viver nossas vidas separadas. Quanto tempo isso vai ser o suficiente para mim? Quando Ian entra na sala, parecendo todo perfeito depois de seu banho, eu decido tomar outro banho sozinha. É tarde e estou sentindo o cansaço do dia aproximar-se de mim. Eu vou em frente e digo boa noite, pensando que Ian irá desfrutar de algum tempo sozinho com sua mãe. Ele me dá um olhar de preocupação quando beija a minha bochecha quando saio da sala. Às vezes eu queria que ele não pudesse ler minha cara tão bem. O quarto do Ian é uma adição posterior à velha casa. É acima da cozinha e tem piso de madeira e lambris33 até a metade da parede. É um quarto grande, mas ainda parece confortável. Quando eu saio do chuveiro, eu me arrasto em sua enorme cama e empilho os cobertores pesados em cima de mim. Eu nem sequer ouço quando Ian vem para a cama. Na manhã seguinte, quando eu abro meus olhos, Ian está apoiado em sua mão, olhando para mim. — Você está me observando dormir? — Murmuro, mudando de posição, então eu não respiro bafo da manhã nele. Ele traça levemente os dedos pelas minhas costas... para baixo, para baixo, para baixo. — Uma das minhas coisas favoritas a fazer.

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Revestimento até certa altura de parede interna, feito de madeira, mármore, estuque, etc.


— Hmm. Ele se inclina e beija a minhas costas. — É bom ter você na minha cama. — Será que isso parece diferente de todas as outras vezes que eu estive na sua cama? — Sim, meio que é. — Hmm. Ele ri. — Hmm, — diz ele de volta. — Você não se mexeu quando eu vim para a cama na noite passada. Eu estava aqui dentro de vinte minutos após você subir e você estava fora. — Ele abaixa a minha calcinha e beija meu rosto. — Você ainda me quer por perto, mesmo se eu não estiver com vontade de diversão? Ele congela. Ele vem até o meu rosto e beija meu cabelo. — O que está acontecendo com você, Passarinho? Fala comigo. Eu apenas olho para a parede, até que ele me vira e empurra suavemente meu queixo para encará-lo. Eu olho para ele, mas não digo nada. — Não fique calada comigo, Sparrow. Você sabe que me tortura quando você faz isso. O que eu fiz? — Seus olhos estão ansiosos e franze as sobrancelhas juntas em uma grande carranca. Eu olho para longe, e ele se move, então não posso olhar para qualquer lugar, senão para ele. Eu empurro-o de cima de mim e murmuro: — Eu vou escovar os dentes. Ele suspira e se levanta para escovar os dentes ao meu lado. Ele tenta me fazer rir, fazendo caretas no espelho para mim, mas eu não posso fazer mais do que abrir um sorriso. Meu coração parece tão pesado. — O que estamos fazendo, Ian? — eu tremo. Eu não queria dizer exatamente.


— O que você quer dizer? Eu volto para cama. — Eu não sei. Eu nem sei o que eu estou sentindo agora. Apenas... algo que sua mãe disse e que eu comecei a pensar... — O que ela disse? — Ele olha para mim com medo. — Que ela espera que você possa deixar ir todos os seus ressentimentos com o compromisso para estar comigo. — Merda. — Ele esfrega o rosto asperamente com as duas mãos. — Eu nunca escondi isso de você. — Eu sei, e eu nunca te pressionei para nada... exceto para ligar regularmente. — Eu reviro os olhos quando ouço o quão ridículo isso parece. Quanto mais eu penso nisso, mais louca eu fico. — Eu só estou percebendo como te dei uma pequena situação perfeita. Você viaja pelo mundo, encontra pessoas em todo lugar, faz quem sabe o que, e eu estou à sua disposição sempre que você quer... o que é realmente apenas a cada mês ou dois... às vezes três ou quatro. Ele parece confuso. — Eu não entendo. O que você queria que fosse diferente? Pensei que só fomos capazes de ver um ao outro tão pouco por causa de quão ocupado ambos somos... e que na verdade tem sido muito, considerando que estamos do outro lado do mundo, distantes um do outro a metade do tempo. Há um nó na minha garganta do tamanho de um punho. Está batendo para sair, me esmurrando. — O que você faria se eu namorasse outros caras? Você não tem ciúmes, e isso é muito estranho! Ian se levanta e começa a andar. — Eu não gostaria, mas não posso impedila disso. — Sim, você pode! — Eu bato minha mão para baixo nos lençóis. — Você poderia. — Como? — Ian para em um meio passo para olhar para mim.


— Diga: Sparrow, eu não quero você saindo com alguém, exceto eu ou pensar em você com outra pessoa me deixa louco - que é tipicamente como isso funciona em outros relacionamentos. — Bem, isso não é óbvio? — Ian dá puxão de cabelo com as duas mãos. — Quero dizer, você sabe que não gostei de você beijar esses caras, mas você saiu com eles. Eu não podia fazer nada sobre isso. Achei que, se você não quisesse ser beijada, você não teria se colocado nessa situação. Eu não gosto, mas se é isso que você precisa, então eu não vou parar você. — Eu não preciso de ninguém além de você, Ian. Você é o único que eu quero. — Você é a única que eu quero, — ele diz enfaticamente e para em frente de mim. Ele me puxa para cima dele e beija todo o meu rosto - minhas pálpebras, minhas bochechas, os meus lábios sem realmente beijá-los. — Eu me sinto assim quando estamos juntos. Eu só... eu não sei. Eu não sei o que estou sentindo. — Balanço a cabeça e gostaria de poder sacudir o meu humor também. — Eu não sou bom nisso, baby. Você sabia disso desde o início, mas eu sei que eu te amo e que você é a única pessoa por quem eu já me senti assim. Digame o que você precisa, e eu vou tentar dar isso. Você é jovem. Eu quero que você esteja certa. Eu não quero empurrá-la para algo que você não está pronta. — Você não me empurrou para nada. A idade é irrelevante quando se trata de nós. Eu não preciso sair e namorar um monte de caras para provar que eu te amo. Eu sei o que eu sei. — Então... se eu fosse... pedir para você se casar comigo, o que você diria? Meu coração bate no chão. — Eu não vou responder a isso até você me pedir de verdade. — Eu olho para ele e tento não agir afobada como estou sentindo.


— Você nem vai me dar uma resposta hipotética? Então, se eu sair e perguntar, eu poderia ter uma ideia do que você pode dizer? Ele não está brincando. Na verdade, Ian parece tão sério como eu já vi. Ele está realmente esperando eu responder. — Hum. Bem, eu diria que temos algumas coisas para descobrir, antes de falar sobre o casamento. Onde viveríamos? Quando seria o momento certo? Espere... você sabe, a poucos minutos atrás, você ainda estava bem comigo saindo com outras pessoas. E agora, você está falando sobre casamento? — Eu sou a única que está chocada agora. Eu não posso acreditar como essa conversa se transformou. — Eu nunca estive bem com isso. Vamos apenas ficar claros sobre isso, — Ian me corrige. — Eu estava apenas tentando deixá-la descobrir isso. Se você diz que só me quer, eu acredito em você, — diz ele. — E você mencionou compromisso. Estou empenhado em fazer a gente funcionar. Você é a única pessoa que já me fez considerar o casamento, e nós nunca conversamos sobre isso. Fico feliz que você tocou no assunto. — Eu não quis dizer... — Não, eu sei. Eu penso sobre isso, porém, eu faço. O tempo todo, — confessa. Ele está me tocando de novo - o momento estranho passa, e uma onda de emoção toma conta do quarto. — Você pensa? — Eu penso. — Ele se inclina e me beija suavemente. — E em nossos bebês. Eu engulo. Eu só me permito pensar nisso quando estou no meu quarto, sozinha, sentindo falta dele. Caso contrário, eu poderia esperar muito, o meu desespero por ele poderia aparecer quando estivesse com ele e ele correria. — Eu gostaria que a nossa menina parecesse exatamente como você, — diz ele.


Eu abraço-o apertado, antes que ele possa ver as lágrimas que estão enchendo meus olhos. — Seu coração está batendo fora do seu peito. Estou assustando você, baby? — Não, — sussurro. — Eu não estou com medo. — Vamos ser um daqueles casais que tem que combinar nossos dois nomes para fazer o nome dela? — Ele pergunta, com um sorriso lento cruzando seu rosto. — Você quer dizer algo como Sparian? Ou Ianow? Oh, eu sei! Orvillate! Sim, Orvillate, é perfeito. — Eu rio. — E Orvate? Ou Korville? Fico agradada e não posso parar. — Wonai! Ele parece confuso por um segundo. — Ahh... — Vê o que eu fiz ali? Ele ri. Ele me inclina de costas e quando me puxa de volta, ele me gira em uma pirueta. Eu me sinto amada e bonita até que eu toco meu dedo do pé no chão. Isso destrói a minha unha polonesa. — Caramba! Ian verifica meu pé e depois se levanta e começa a dançar sensualmente em minha frente. Ele tira sua camisa e começa a cantar em voz alta em falsete, — Menina caramba, menina caramba, menina caramba, menina caramba, caramba. — Ele se vira e começa lentamente tirando a calça do pijama, adicionando um impulso pélvico. — Menina caramba, menina caramba, menina caramba, menina caramba, caramba. No começo eu estou olhando com os olhos arregalados para ele e então eu perco. Ele passa as mãos pelo cabelo e, em seguida, vai para a cueca, arrancando-a e minha boca cai antes de eu morrer.


— Você me tem dizendo, menina caramba, você está tão bem. A maneira que você me deixa fazer isso, menina, apenas sopra minha mente. Eu acho que eu tenho que fazer isso – hoje. Eu preciso fazer isso... — ele canta. Ele me pega e está me colocando para baixo na cama. Estou limpando os olhos e tentando recuperar o fôlego. Finalmente, ele para e olha para mim, sorrindo. — Menina caramba, menina caramba, caramba... — ele sussurra enquanto beija no meu peito. — Você acabou de envergonhar Justin Timberlake, — digo a ele. — Obrigada, você me inspirou com o seu caramba. — Eu vejo isso. — Eu pulo quando ele faz cócegas nas minhas costelas. — É realmente maldito embora. MAAAALDITO, — Eu grito quando ele faz mais cócegas. O resto da nossa estadia vai sem problemas. Nós nos divertimos muito. Parece que já passamos por outra mudança em nosso relacionamento. Uma enorme – uma tão significativa como quando cheguei em casa para encontrá-lo sobre os degraus para o meu apartamento. Se eu fosse esse tipo de garota, eu iria para casa e começaria a procurar um vestido de noiva. Ainda bem que eu não sou.


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Seja Minha 2 meses mais tarde

Estou correndo da aula para o café para cobrir um turno da tarde para Nadine. Meu telefone começa a tocar com Ian cantando menina caramba. Faz-me rir cada vez que ele toca. — Olá? — Eu dou uma risadinha. — Você colocou um novo toque já? Então, eu posso ouvir o seu sexy, sem fôlego olááá quando você responde, ao invés de você em meados de gargalhada. — Eu pensei que você amava minha gargalhada. — Você realmente não gargalha, eu só achei que você iria gostar dessa palavra. — Você me conhece tão bem. Eu gosto. — O que está fazendo, bayyyby? — Estou prestes a iniciar um turno da tarde. E quanto a você? — Bem, eu estou sentindo falta de você, e eu estava pensando em tentar mudar meu voo para vir mais cedo... — Antes de amanhã? — pergunto animadamente. — Faça isso! Vamos lá! Eu só tenho que trabalhar quatro horas. Você pode estar aqui, então? — Bem, eu posso estar lá em seis, se tudo correr bem com o voo que estou esperando.


— Ohhhh. Isso é bom. Posso dormir com você hoje à noite! — eu grito. Várias pessoas na rua se viram e olham para mim. Uma mãe andando com seu filho me dá um olhar furioso. — Desculpa! — Murmuro para ela e, em seguida, mordo o lábio até doer. — Sim! Eu esperava você me permitir em sua cama. — Se você se comportar, — sussurro. — Agora, vamos lá, baby, você sabe que eu não posso fazer isso. — Eu tenho um turno cedo amanhã. — Ok, talvez eu arraste a minha bunda para fora da cama para que eu possa vê-la trabalhar. — Vamos ver como você se sente depois de eu mantê-lo acordado a noite toda. — Mmm, eu amo a sua mente suja. Eu rio. — Depressa, chegue aqui! Eu não posso esperar! — Ok, Passarinho. Feito. Esta noite, eu vou foder.... — Desculpe, querido. Eu cheguei. Tenho que correr! Eu desligo, rindo para mim mesma que eu o cortei em meio ao vapor.

Corro para casa depois do meu turno e tomo outro banho. Eu arrumo todo o apartamento. Tessa tem passado cada vez mais tempo na casa de Jared. Eu


decido que eu deveria ligar para ela, mas apenas consigo sua caixa de mensagens. — Ei menina, sou eu. Apenas ligando para que você saiba que Ian está chegando HOJE À NOITE! E eu pensei que você deveria ser avisada em caso de acontecer de voltar para casa hoje à noite pela primeira vez e me ouvir gemer... NÃO venha me salvar, eu estou MUITO BEM. Ok. Amo você. Tchau. Spaghetti está cozido no forno, o marinara e molhos alfredo estão aquecendo no fogão – Ian gosta metade com marinara e metade com alfredo derramada sobre ele – torta de limão na geladeira já está feita e o vinho está refrescando. Ian decidiu há muito tempo que ele sempre pega um táxi do aeroporto. Ele não gosta que eu vá para o aeroporto esperar por ele sozinha. Me deparo com alguns malucos que são difíceis de abanar cada vez que eu vou. Parece que eu atraio os loucos, como uma mariposa para uma luz. Ian diz que os insetos vêm à luz. Ele ganhou um beijo por isso. Mesmo sabendo que posso cuidar de mim, isso realmente é muito mais fácil dessa maneira. Eu estou vestindo uma longa camisola preta que tem uma fenda para o reino, e saltos pretos que são sapatos naturalmente sedutores. Eu tinha tudo pronto para amanhã à noite, mas ele está vindo mais cedo! Quero fazer valer a pena. Ele manda uma mensagem quando está perto, e eu abro a porta. Eu pulverizo o perfume que ele me deu e ando através. Eu escovo os dentes mais uma vez e coloco algum gloss saboroso. Eu não posso sentar. Estou muito tonta. Cerca de quatro minutos antes de eu esperar ele aparecer, eu vou para a cozinha e finjo estar ocupada no fogão. Mexer, mexer, mexer. A visão de eu cozinhando em lingerie sexy é QUASE tão inebriante para ele como Sparrow a bibliotecária. Não é bem assim, mas quase. É por isso que eu coloquei o meu cabelo para cima e prendi com lápis. Prendi quatro para segurar o meu cabelo grosso. Eu me pergunto se isso é um exagero.


Ele dá uma leve batida na porta e, em seguida, abre-a. — Sparrow? — Aqui, — eu chamo. — Você TEM que bloquear a sua por… uau. O que você fez? — Ele está me olhando de cima e abaixo e pousa em meu cabelo. Porra, eu ouço-o sussurrar. Eu escondo a minha gargalhada atrás de uma tentativa de pose sexy. Honestamente, este homem é tão fácil. Ele corre pela minha cozinha minúscula em um passo de gigante e esmagame contra ele. Ele me beija forte, não tomando seu tempo para qualquer construção lenta ou suave. Ele está completamente dentro. Agora. Deus, eu amo ele. Ele se abaixa para me pegar e começa a caminhar para o quarto. — Espere, — eu digo, balançando a cabeça. — Jantar primeiro. — O quê? — Seus olhos realmente parecem vidrados. — Ponha-me no chão. Ele obedece, rigidamente, porque todo o sangue deixou seu cérebro. Caso contrário, ele estaria me fazendo sofrer agora. — Jantar. — Eu aponto para o forno e tento fazer uma caminhada sexy. Eu faço isso sem bater em nada. — Sente-se. — Eu aponto para a mesa onde tudo parece tão bonito. Ele puxa seus lábios para fora entre o polegar e o dedo indicador até que eles estão firmemente espremidos. Ele respira fundo e vai sentar-se como disse. Uma vez que ele senta, ele parece recuperar seu atrevimento e começa a murmurar. — Só porque você parece toda... — acena com a mão para cima e para baixo, — ... e tem o cabelo todo...


— Sim? — eu pergunto. Isso é tão divertido. Eu deveria ter feito isso há muito tempo. Ele rosna para mim.

A piada sou eu, uma vez que começamos a comer. A comida está deliciosa, eu posso dizer isso. Mas Ian dá duas mordidas, diz como está boa e fica branco. Eu acho que é um truque da luz no início. Ele está me observando comer com um leve sorriso nos lábios, os olhos arregalados e calmos. E então ele fica verde. — Desculpe-me. — Ele vai para o banheiro e está lá por cerca de dez minutos. Oh, isso não é bom. Ele volta e parece um pouquinho melhor, mais próximo do branco do que o verde. — Você está bem? — pergunto, então preocupada. — Eu estou, — diz ele enfaticamente. Ele tenta mais algumas mordidas e, novamente, verde. Ele coloca seu garfo para baixo e coloca o fundo da garrafa de vinho gelada em seu rosto. — Você está me assustando, — sussurro. — Você precisa ir deitar? — Se você tivesse apenas me deixado levá-la para a cama como eu estive tentando, nada disso estaria acontecendo. — Ah, é?


— Sim, — ele grasna para fora antes de correr para o banheiro. Bem, isso não chegou a ir como eu estava esperando. Eu levo mais algumas mordidas de espaguete e levo tudo para o balcão para cobrir e arrumar. Parece que vai haver muitas sobras. Quando Ian sai, ele fica na porta da cozinha. — Você conseguiu comer o suficiente? — ele pergunta. — Sim, eu fiz. Você está se sentindo melhor? — Sim. Eu estou... muito bem. — Ele pega minha mão. — Podemos sentar no sofá? Eu pensei que eu poderia esperar, mas não posso. Eu... — Ok, agora você está me assustando. O que está acontecendo, Ian? Eu seguro sua mão enquanto ele me leva para o sofá. Sento-me e olho para ele, esperando ele se sentar ao meu lado. Ele fica de joelhos na minha frente. — Sparrow, eu... Espere um minuto. Ohdeusohdeusohdeusohdeusohdeus. Ele sorri para mim, e um pouco da cor no rosto retorna. Seus olhos azulcinza, verde, em constante mudança me beijam com cada olhar. Ele me ama. — O dia em que te conheci, fui para casa e disse a Jeff que eu havia encontrado a garota que eu me casaria... não no sentido em que ia realmente acontecer, mas, mais como no sentido em que se eu pudesse casar com qualquer garota no mundo... qualquer garota... eu escolheria você. Ele riu, e eu concordei que era a ideia mais absurda que eu já tive, porque não há nenhuma maneira que eu poderia merecer alguém como você. Ele engole, em seguida, e seus olhos se enchem, tornando-os ainda mais bonitos. Lágrimas começam a rolar pelo meu rosto e ele as enxuga uma por uma.


— Mas então você me amava. Eu não sei por que, mas você fez. E algo pequeno dentro de mim cresceu e eu esperava que eu pudesse ser tudo o que você viu em mim. Eu te amo, Sparrow Kate Fisher. Eu te amo tanto que dói. Eu te amo tanto, isso assumiu aqui... — ele coloca a mão no peito, — ... e engoliu-me todo, até que eu não consigo pensar em alguém ou alguma coisa, exceto você. Você me cativou completamente. E eu só quero mais. Ele para e, em seguida, puxa um anel do bolso. Minha respiração para. O brilho do anel está refletindo ao redor da sala, lançando prismas em todos os lugares. É lindo. — Você vai se casar comigo, Sparrow? — Ele ergue as sobrancelhas enquanto segura o anel, como se o anel é o que vai me seduzir. É realmente um lindo anel. Eu olho para ele e para o anel e pego ambos os lados de seu rosto e beijo-o. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo, — eu sussurro entre cada beijo. — Você me acordou no dia em que nos conhecemos, Ian. Talvez até mesmo antes disso quando vi você pela primeira vez - o suficiente para eu escrever no meu diário. — Eu sorrio e inclino minha cabeça contra a sua. — Você me faz sentir como se eu pudesse ser exatamente quem eu sou, e você vai me amar ainda mais, aconteça o que acontecer. — Eu rio. — E você vira minhas entranhas em mingau... — Quando eu me afasto para vê-lo melhor, ele ainda parece preocupado. — Sim, eu vou casar com você, — digo. — Aaaahhh, — ele grita, e se levanta, me levando com ele. — Sim? Você está dizendo que sim? Você tem certeza? Você não se importa que não temos tudo planejado ainda? — Sim, — eu rio, cobrindo-o de beijos. — Não, nós vamos descobrir isso. É por isso que você esteve verde durante o jantar? — Sim. — Ele abaixa a cabeça e espreita para mim com aqueles longos cílios encaracolados. — Eu ia levá-la para um extravagante jantar amanhã à noite, quando cheguei, e então eu vi você, e este anel queimando um buraco maldito no


meu bolso! — ele grita. — E então você não me deixou transar para esquecer os nervos, — disse ele timidamente. — Oh! É isso o que você estava tentando fazer? — eu bato em seu peito. — Bem, eu não sabia que você ia jogar duro com os lápis e cortar até aqui. — Ele coloca o dedo exatamente aonde o topo da fenda vai. — E então você foi toda bibliotecária em mim com: Não. Jantar. Coloque-me no chão, — ele diz, imitando a minha voz. — Coloque o anel no meu dedo e me leve para a cama. — Eu franzo a testa. Seu pomo de Adão vai para baixo e aparece de volta quando engole. — Sim, senhora.

É tarde, mas eu tenho que ligar a Tessa e dizer a ela. — Olá? — Ela parece meio adormecida. — Tess, eu sinto muito por acordá-la. Eu só precisava dizer algo. — Tá. — Você está acordada o suficiente para entender o que estou dizendo? — Aham. Eu não tenho tanta certeza de que ela está. — Ian me pediu para casar com ele!


— O quê? O QUÊ? Ele fez? — Ela solta um grito. E então eu ouço Jared dizer alguma coisa. — Está tudo bem, é só Sparrow, — ela diz. — IAN A PEDIU EM CASAMENTO? O QUE VOCÊ DISSE? Isso é mais parecido com ela. — Eu disse sim! SIM! — grito de volta. — Oh meu Deus, Ro. Eu não posso nem acreditar. Estou indo amanhã para ver se você parece diferente e olhar o seu anel. Ele conseguiu um bom? Se vocês dois estiverem lá, eu só vou entrar rapidinho para dar uma olhada... — Ela respira. — Eu não vou nem conseguir dormir agora. Eu não posso acreditar nisso. Estou em estado de CHOQUE. — Me desculpe, eu deixei você toda desperta. Me envia uma mensagem quando você estiver vindo pra cá amanhã, e eu vou tentar manter Ian longe de mim por cinco minutos. Acontece que ficar comprometido é excitante para ele. — Eu dou uma espiada em Ian pelo canto dos meus olhos e dou um sorriso meio culpado, meio estremecido. — O que não é excitante para aquele cara? Nossa. Aw, Ro. Eu te amo. Eu não posso esperar para vê-la. Estou tão feliz por você. Passe para o Ian. Eu entrego o telefone para Ian. — Olá, — ele diz e, em seguida, mantém o telefone longe de sua orelha enquanto Tessa grita. Ele olha para mim e ri, encolhendo os ombros. — Obrigado. (Pausa) Sim, eu ia esperar até amanhã à noite, mas se eu não fosse em frente e perguntasse, eu teria ficado no banheiro o resto da noite... sim, você vai ter que perguntar a ela sobre isso. Não foi o meu melhor momento. (Pausa) Eu sei. (Pausa) Eu sei. Eu não posso acreditar. (Pausa) Obrigado, Tess. Isso significa muito. (Pausa) (Rindo forte e balançando a cabeça). Entendido. Ok, te amo também.


Eu ligo para meus pais também. Minha mãe ouve a minha voz e grita: — Anthony, pega o telefone, é Sparrow! Algo me diz que eles sabem o que eu estou prestes a dizer. — Hey, Rosie, — meu pai diz. — Ei, vocês dois. Então... tem alguma coisa que vocês querem me dizer? — eu pergunto. Há uma longa pausa e então minha mãe diz: — Bem... uh, por que você não vai em frente e nos diga sobre o motivo de você ligar... Leva-me um minuto para parar de rir com a forma como eles estão agindo estranho. — Bem, Ian me pediu para casar com ele hoje à noite. — Querida! Isso é maravilhoso! Parabéns! — Os dois falam ao mesmo tempo. — Vocês totalmente sabiam! — grito. Meu pai fala. — Bem, Ian veio me fazer uma visita na semana passada e... bem... ele pediu minha permissão para casar com você. — Ele fica engasgado no meio. — Awww. — Eu olho para Ian. — Você foi ver o meu pai? — Sim, — ele sussurra. Eu me inclino e beijo-o. Meu pai limpa a garganta. — Então, o que você disse? — Eu disse sim! — digo a eles alegremente. Ambos soam felizes por mim. Falamos mais alguns minutos e quando eu desligo, meu coração está completamente cheio. Quero me lembrar deste


momento - agora - esta felicidade que eu estou sentindo, para o resto da minha vida. Eu nunca quero esquecer.

Nós dormimos talvez duas horas, quando meu alarme dispara na manhã seguinte. Eu removo sua perna e seu braço de mim e com muito cuidado tento me arrastar para fora da cama. Ele geme, — Nããão, — e tenta agarrar-me. Eu beijo sua mão e salto antes que ele possa me parar. Estou no banheiro quando ele vem atrás de mim, beija a minha nuca e diz grogue: — Eu vou com você. Eu vou ser bom. Eu rio. — Tudo bem. — Eu me viro e me aninho em seu pescoço. — Mas nós temos que ser rápidos. Ele começa a desabotoar minhas calças. — Eu posso ser muito rápido, — ele promete. Eu escovo suas mãos fora. — Isso não é o que eu quis dizer! — Eu rio. — Você é incessante.

Há algo cósmico que acontece sempre que eu sinto os olhos de Ian em mim. Eu posso saber que ele está em uma sala antes mesmo de vê-lo. É mais do que a consciência é agravada - todo o espaço circundante está me estalando. Se


pudéssemos ver a energia, eu estaria completamente envolta com ela. Nada além de uma massa de energia colorida. Isso me faz levantar mais alto, rir mais brilhante, ouvir mais, e respirar mais fácil. Faz-me saber – saber que eu sou uma bela bagunça peculiar de algo maravilhoso. Deve ser o amor em seus olhos. Eu não tenho outra explicação para isso. Trabalhar meu turno com ele na loja é um desafio. Digo a Nadine e Chloe e a alguns dos meus clientes regulares que eu vou me casar, e Ian sorri e acena quando o parabenizam também. Ele está trabalhando na letra de uma nova canção, mas sempre que eu saio de trás do balcão e vou a qualquer lugar perto dele, ele me dá um sorriso sexy e encontra uma maneira de jogar Sra. Sterling em uma sentença rápida. Estou pronta para dar o bote em cima dele quando deixamos o café, mas ele está tomando seu tempo, sem pressa, andando com minha mão na sua. — Então, quando você está pensando que você gostaria de se casar? — ele pergunta. — Eu... não sei. Assim que chegar o verão eu posso planejar um casamento. Devemos esperar até que eu me forme? — Pergunto. — Isso são outro ano e três meses... o que acontece com o fim do verão? Antes de voltar para a escola no outono. — Isso é muito breve. — Eu olho para ele com os olhos arregalados. — Que tipo de casamento você está querendo? — Um onde você está lá. Eu não me importo com mais nada. — Bem, isso reduz, — brinco. — Eu não preciso de um grande baile também, embora, se Charlie se envolver, ele vai crescer exponencialmente. Eles vão querer que a gente se case na igreja, — eu percebo. Minhas visões de um casamento de praia apenas dispararam e caíram no mesmo minuto.


— O que você quiser, baby. Apenas me diga onde estar, e quando, e eu estarei lá. — Que tal um casamento em dezembro? Vou ter três semanas de folga e podemos nos casar na igreja. — Eu gosto disso. A gravadora está falando sobre eu estar no estúdio em janeiro e eles já sabem que estou determinado a gravá-lo aqui, para que eu possa estar com você. Eles estão bem com isso. Concordo com a cabeça. Eu já estou ansiosa para isso, mesmo que esteja a quase um ano de distância. — Eu poderia ter mencionado a eles que iria pedir você em casamento. — Ele se vira para mim e sorri docemente. — Uau. Assim, um casamento em dezembro. E então você estaria aqui. Comigo. — Eu tenho que dizer isso em voz alta para se tornar real. Ele beija minha mão quando subimos os degraus para o meu apartamento. — Sim. Tudo isso só se tornou real.


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Veneno 5 meses mais tarde

Já faz cinco meses desde que Ian e eu ficamos noivos. Eu tenho o meu vestido escolhido. Eu o encontrei em uma loja de luxo vintage no Soho e me apaixonei por ele. O único problema é o que Charlie vai fazer quando ela o ver. A parte de trás é o que torna fabuloso - aberto até a cintura com um aplique de miçangas. Eu já sei que ela vai querer que eu encha com algum tipo de material. Ela provavelmente vai querer que eu adicione mangas também. É um tom de champanhe pálido com um V profundo no pescoço, que provavelmente também precisa ser preenchido com algo menos aberto. É o perfeito vestido de casamento de praia, é o que é. Os convites me fazem sorrir cada vez que os vejo. Eles são simples na frente, mas tem um pequeno pardal de prata esterlina pendurado no centro de um cordão fino. Eu terminei de endereçá-los a noite passada. Assim que as aulas terminaram a mais de um mês, eu comecei a planejar o casamento. Eu vou para casa no próximo mês, e Charlie, Tessa e eu enviaremos o resto antes de escola começar novamente no outono. Eu não quero ter que fazer muito uma vez que estiver na escola. Ian estava na cidade e na manhã de ontem foi embora. Ele ficou em silêncio durante toda a semana, e não o seu habitual. Se ele tivesse sido retraído comigo, teria realmente me preocupado, mas ele foi ainda mais amoroso, se isso é possível. Ele não dormiu bem. Toda vez que eu acordei, ele estava imerso em pensamentos. Eu ficava perguntando se ele estava bem, e ele não parava de dizer sim. Ainda nos divertimos. Eu acho que ele estava tendo uma semana de cansaço.


Ele deixou o planejamento para mim. Tudo o que ele pediu é para que o mantenha simples e não fazer uma enorme explosão. Ele concordou com todo o resto. Eu tive que cortar drasticamente a lista que Charlie me deu. Eu não quero pessoas lá que eu nem conheço. Uma vez que reduzi a apenas nossos amigos mais próximos e familiares, eu tenho sido capaz de escolher as coisas que são mais especiais para o nosso dia... os convites são apenas um exemplo disso. Estou em pé para me esticar quando o telefone toca. — Alôoo, — tento uma voz sexy. — Heyyyy, baby, — diz Ian. — O que você está fazendo? — Bem, eu estou indo para a casa de Aaron. Eu vou passar a noite por lá. — Oh, ok. Você não vai ficar com Jeff e Laila? — Não. Eles estão de volta na cidade, então eu só vou para Aaron por um tempo. Dar a eles um pouco de espaço. — Laila está sendo estranha? — Ela é sempre estranha, — ele responde. — Eu pensei que ela estivesse melhor da última vez. — Eu discuti com ela por ter sido rude com você na casa de seus pais. — Você não me disse isso! O que você disse? — Eu disse a ela que vou me casar com você e qualquer problema que ela tem com você, é melhor ela trabalhar isso. — Ian. Por que você não me contou? Ela estava louca? — Ela não disse nada. E eu saí.


— Hmm. Isso é intenso. E vai ser tão estranho quando a vê-la novamente. Ela está tratando bem a minha mãe, mas minha mãe diz que Laila ainda está dizendo que sou muito jovem para casar. — Ela provavelmente está certa sobre isso, — diz ele. Meu estômago começa uma lenta agitação. — Não é decisão dela, — digo. — Você está certa, baby. É só que... você é? Você tem certeza? — O que você está perguntando, Ian? Você está perguntando se eu acho que sou muito jovem? Ou se eu estou certa sobre você? Ou você é o único que não está certo? Ele fica quieto por um minuto. O relógio na sala de estar ecoa com cada ticktack. — Eu não posso responder para você. Eu sei que eu quero me casar com você, — diz ele. — Eu sei que quero me casar com você ,— digo a ele. — Isso é tudo que eu preciso saber.

Estou muito inquieta depois da nossa conversa telefônica. Eu decido dar um passeio e acabo andando mais do que eu pretendia. Eu acabo na frente de um restaurante com uma calçada bonita e paro. Eu sempre sinto um pouco de pena das pessoas que comem sozinhas, mas eu nunca realmente me sinto mal por mim, desde que eu tenha um livro para ler. Estou com fome. Eu faço isso.


Eu estou apenas começando uma boa parte do meu livro quando ouço meu nome. Eu olho para cima e Asher Caldwell está de pé na minha frente. Ele olha em volta nervosamente e então de volta para mim. Seu cabelo está mais escuro do que a última vez que o vi, mas por outro lado, ele tem a mesma aparência. — Sparrow. Você está aqui sozinha? — Ele faz outra análise rápida ao nosso redor. — Asher. — Parece que eu estou engolindo veneno por apenas dizer seu nome. — Se importa se eu sentar? — ele pergunta. — Na verdade, eu me importo. — Ok, eu mereço isso, — ele diz com pesar. — Eu vou ficar aqui. Eu vi você sentar e não podia sair sem dizer olá. Passou um longo tempo. — Sim, você poderia ter saído sem dizer olá. — Dou um olhar aguçado. — Nós dois sabemos por que já faz tanto tempo. — Você sabe? Porque eu queria vê-la desde aquela noite. — O rosto de Asher passou para vermelho tomate. — Eu queria explicar o meu lado das coisas. Mas o seu amigo Ian ameaçou acabar com a minha vida, na noite em que ele me colocou no hospital. Ele disse que se eu me aproximasse de você, ele terminaria o que começou. — Ele se levanta e espera por minha reação. — O que você está falando? Asher sorri. — Eu sabia que você não sabia. Ian me fez uma visitinha poucas semanas depois daquela noite e quase me matou. — Eu acho difícil de acreditar nisso. — Eu aponto para ele. — Você está de pé aqui, não é? Ele encolhe os ombros. — Acredite no que quiser. Eu não te estuprei, Sparrow.


— Eu não sei, desde que eu DESMAIEI. — Levanto-me para sair e Asher me empurra na cadeira. Agora estou com medo. Ele se senta na minha frente e fica a centímetros do meu rosto. — Ouça-me, eu não te estuprei. Você estava me iludindo por meses e naquela noite você tirou o seu vestido bem na minha frente. Se isso não diz que você me queria, eu não sei o que diz. Você sabia como eu me sentia sobre você – se você não me queria naquela noite, por que veio para casa comigo? — Esse pensamento nunca passou pela minha cabeça. — Eu balanço minha cabeça. — Eu pensei que nós éramos amigos, Asher. Eu posso ver agora que eu fui tola por acreditar nisso. Isso se deve a mim, finalmente, crescer um pouco. Era esse então o seu plano? Levar-me para casa com você e me embebedar? Não, você sabe o quê? Eu não quero falar sobre aquela noite. Foi há muito tempo, graças a Deus eu não me lembro de nada, a não ser acordar na sua cama, com sangue por toda parte e estar dolorida pela próxima semana. Não há algo muito certo sobre isso, Asher. Felizmente, na maioria das vezes, eu consegui tirar isso da minha mente. Eu não preciso ou quero vê-lo ou falar com você de novo. Nunca. — Eu ergo meu dedo para mostrar o meu anel. — E eu estou noiva de Ian, então mais uma razão para me deixar em paz. — Nós éramos amigos, até que deixou de ter qualquer coisa a ver comigo, — Asher encaixa. — Tentei durante semanas conversar sobre isso com você. Eu estava apaixonado por você, e eu sei que você sabia como eu me sentia. Eu pensei que você me queria naquela noite, mas eu ainda... eu me senti mal quando acordei e vi que havia saído e todo o... sangue. Eu balanço minha cabeça para ele e seguro a minha mão. — Não adianta ir lá, Asher. — Deus, eu não acredito que você vai se casar com ele. Você não se importa por ele quebrar todas as minhas costelas e me deixar com uma concussão? Eu dou a ele um olhar afiado, e minha voz é glacial. — Asher, eu queria ter sido a única a quebrar todos os ossos do seu corpo. — Eu me levanto. — Agora, fora ou vou fazer valer esse desejo.


Asher balança a cabeça em desgosto. — Eu falei besteira para Ian, mas eu não quis dizer isso. Ele foi tão arrogante, chegando a minha casa como se fosse dono de você. Você sabe o que? Você merece-o. Você não sabe de nada. Você pode me ouvir, Sparrow? Você não sabe nada sobre Ian Sterling. Eu começo a andar para longe e ele ainda está gritando. Eu viro a esquina e começo a tremer incontrolavelmente. Um táxi fica nas proximidades, e eu corro e vou para casa. Quando chego em casa, eu corro até os degraus de dois em dois, fecho a porta e tranco-a. Eu ligo o chuveiro, e quando a banheira enche eu entro na banheira e encosto-me, esperando que a água quente acalme as agitações. Eu respiro. Eu choro e respiro um pouco mais. E choro mais um pouco. E enxaguo e repito até que estou toda enrugada. Eu coloco meu pijama mais confortável e fico debaixo das cobertas, puxando meu laptop comigo para que eu possa pesquisar sobre Asher. Eu não estava prestando atenção à fofoca sobre Asher, caso contrário, eu saberia que cerca de um mês após o episódio com ele, ele desapareceu por dois meses. Ele perdeu vários trabalhos de produção significativos e fez um cruzeiro para o Caribe. Houve especulações sobre cirurgia plástica. Quanto mais eu leio, mais eu sei que Ian provavelmente fez o que Asher disse. Eu gostaria de poder estar mais chateada com isso do que eu estou. Eu, obviamente, não quero estar com alguém que é violento, mas eu nunca vi nada disso dentro dele. Eu não tenho medo de Ian. Absolutamente. Eu não posso dizer o mesmo sobre Asher. Eu só queria que Ian tivesse me dito. Quando Ian liga novamente mais tarde naquela noite, pela primeira vez em todo o nosso relacionamento, eu evito a sua ligação. Eu deixo ir para a caixa postal e não ligo de volta. As coisas que Asher disse estão dando voltas e voltas na minha cabeça. Tudo isso. Adormeço em torno das 2 e acordo algumas horas mais tarde, sentindo-me como se tivesse passado por uma secadora – como se minha cabeça tivesse batido contra as paredes laterais enquanto eu rodopiava. Estou tonta e minhas têmporas estão batendo.


Eu deveria ter ligado e avisado que estava doente para trabalhar, porque eu estrago uma tonelada de pedidos. Eu tomo algo para minha dor de cabeça, e Nadine tenta compensar minha falta. Quando eu termino o dia, há quatro chamadas não atendidas de Ian. Vou para casa e, sem pensar sobre o que eu vou dizer, eu finalmente aperto retornar chamada. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele está falando. — Sparrow? Você está bem? Eu estive preocupado com você... se isso é sobre a nossa conversa, me desculpe, eu só..... — Eu estou bem, — Minha voz vacila e tudo vem rapidamente para fora. — Encontrei com Asher depois que conversamos, e não foi muito bem. — O que aconteceu? Ele machucou você? — A voz de Ian soa instantaneamente dura. — Não, mas foi terrível. — Conte-me tudo o que ele fez? — Bem, ele me disse que você o colocou no hospital, — digo calmamente. Silêncio. — Ian? — Sim, eu fiz, — diz ele. — Por que você não me contou? Ele não diz nada por um longo tempo e quando o faz, é lento e resignado. — A noite que fomos ao The Chatwal, a única vez que eu deixei você, lembra? Quando Tessa veio? Fui ver Asher. Eu queria ouvir o que ele tinha a dizer. Eu não fui lá planejando fazer o que eu fiz. — Ele deixa escapar uma respiração irregular. — Ele tinha um sorriso estranho no rosto o tempo todo e quando eu o confrontei sobre você, ele se gabava de ser o seu primeiro... baby, você tem certeza que quer...


— Diga-me o que ele disse, Ian. — Minhas palavras são afiadas. — Eu vi vermelho, Sparrow. Perguntei se aquela era a única maneira que ele conseguia transar – conseguir uma virgem e fazê-la desmaiar e ele riu... e disse que deixou isso muito menos complicado... Meu peito dói. Eu já desisti de tentar não chorar e as lágrimas estão caindo, caindo no meu peito ou sobre a mesa da sala de jantar. — Eu comecei a bater nele e eu não podia parar. A única vez que eu lutei eu estava no ensino médio. Eu não faço isso, baby. Você tem que saber isso. Você sabe, né? Eu não digo nada. Então, ele continua a falar. — Mas Asher só ficava com aquele sorriso da porra em seu rosto o tempo todo. Eu disse que iria quebrar todos os ossos do corpo dele, se ele se aproximasse de você de novo e contaria a sua constante pequena caravana de paparazzi a verdade sobre ele se ele dissesse uma palavra ruim sobre qualquer um de nós. — Ian solta um enorme suspiro. — E então eu chamei a ambulância e saí de lá. — Ele disse que você quase o matou. Ian solta uma risada oca. — Ele não estava morrendo, Sparrow. Longe disso. Eu o machuquei, muito ruim, mas ele não estava nem perto de morrer. Chamei a ambulância porque eu queria no registro exatamente o que aconteceu com ele, apenas no caso de ele aparecer com algo parecido com isso. Eu pondero sobre tudo isso. Minha dor de cabeça está de volta. Eu coloco minha cabeça em cima da mesa e tento processar tudo. — Eu ainda não estou convencido de que ele não colocou algo em sua bebida. Mas mesmo se ele não o fez, ele sabia o que estava fazendo... — ele faz uma pausa. — Baby? Por favor, diga alguma coisa. — Eu preciso ir, Ian. Eu vou falar com você mais tarde, ok?


Ele está falando enquanto eu desligo, e não me importo. Eu ando no meu quarto em transe, entro em minha cama, e adormeço.

Eu acordo com Tessa pairando sobre mim. — Ro? Acorde. Ro? Eu tento me concentrar no rosto dela. — Que horas são? — Eu grogue me sento. — É manhã. Você está trabalhando hoje? — Ela escora os meus travesseiros, e eu sonolenta encosto neles. — Não até esta tarde. — Ok. Bem, eu estava no Jared e não vi o meu telefone até esta manhã e há, como, uma dúzia de chamadas de Ian. Você provavelmente tem mais. Ele está pirando, Ro. O que está acontecendo? — É uma longa história, — eu digo, olhando nos olhos dela e, em seguida, para os meus dedos. Eu escolho a minha unha. Ela senta na cama. — Você sabe que eu tenho tempo. Derrame. O que está acontecendo com vocês dois? — Bem, é mais sobre Asher Caldwell. — Eu inclino a cabeça para trás e fecho os olhos. Eu ainda estou tão cansada. O corpo de Tessa fica tenso. — Há algo que eu nunca te disse sobre ele. Eu conto toda a história, do começo ao fim. Depois disso, nós estamos uma segurando a outra na minha cama, ambas chorando e soprando nossos narizes. Ela está furiosa com Asher, tão triste que eu passei por isso sozinha, e tentando me convencer de que Ian estava apenas me protegendo.


— Eu sei, mas ele ainda errou. E então ele deveria ter me dito o que fez – e não me deixar ouvir de Asher! O que ele estava pensando? Ele poderia ter ido para a cadeia. — Sim, ele deveria ter dito. Acho que ele está lamentando isso agora. Ele soa muito estressado. Ele deixou uma longa mensagem dizendo que ele se sente impotente, porque ele está percorrendo o país e não pode ficar com você agora. Eu estava com medo que vocês dois tivessem terminado ou algo assim. — Não, mas eu praticamente desliguei na cara dele ontem. Ela sorri. — Eu adoro quando você fica atrevida.

A próxima vez que Ian liga, eu respondo, e falamos sobre isso. Ele está tão triste por não me contar o que fizera. Eu o perdoo, mas também o deixo saber que não quero ouvir quaisquer outros segredos sobre meu noivo de outra pessoa que não o meu noivo. Se não podemos ser honestos entre nós, então estamos condenados.


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Respire 2 meses mais tarde

— Só pensando que, da próxima vez que você estiver em casa será para o seu casamento, — minha mãe diz quando trabalhamos nas lembrancinhas para o meu chá de panela. — Apenas alguns meses agora. — Dezembro chegará antes de você poder piscar, — diz Tessa. — Você tem certeza que quer fazer isso? O casamento é tão permanente. Todas nós rimos e continuamos amarrando pequenas fitas em torno de cada frasco de doce. Trinta e cinco mulheres virão para o meu chá neste fim de semana. Nos divertimos muito deixando tudo pronto para isso. É um trabalho tedioso, mas, na verdade, mais relaxante do que o resto do planejamento do casamento. Ian veio na segunda semana da minha viagem. Tivemos uma das melhores visitas. Foi completamente apagada qualquer preocupação que eu estava tendo. Falamos tudo e enterramos todo o drama com Asher. Ele prometeu ser sincero sobre tudo, de agora em diante. Eu garanti, também, que estou pronta para isso. Parecia uma discussão oportuna, colocar tudo sobre a mesa e seguir em frente com o nosso futuro. Eu não posso esperar para ser sua esposa. Fiquei animada quando ele me pediu, mas agora estou em êxtase. Quanto mais conheço Ian, mais apaixonada por ele eu fico. Ele só fica melhor e melhor. Ian parece mais animado agora, também. Nos primeiros meses do nosso noivado, eu nem sempre estava confiante de que ele não tinha dúvidas, mas sei sem sombra de dúvida que ele está certo agora.


Eu não consigo vê-lo por mais duas semanas, e isso é tortura! Vou ficar muito feliz quando estivermos no mesmo lugar ao mesmo tempo. A carreira de Ian está indo bem – ele está muito feliz com o rumo que tomou. Suas canções estão sendo gravadas por vários artistas, e os royalties estão aumentando. Eu dei um salto na outra noite, quando ouvi uma de suas músicas no rádio. Ele está fazendo um show em Vegas agora, mas em janeiro, a turnê foi finalizada por ele para iniciar seu projeto solo em Nova Iorque. Sua turnê começará em abril e assim que eu me formar em maio, vou me juntar a ele na turnê. Penguin adiou a minha data de lançamento, o que foi decepcionante no início, mas agora eu sei que é o melhor. Eu estaria trabalhando nas edições enquanto planejava um casamento e isso teria sido demais. Agora, eu vou trabalhar nas edições enquanto estiver em turnê com Ian. Quando todas as coisas do casamento parecem muito estressantes, eu nos imagino viajando: eu com o meu laptop, Ian com sua guitarra. É isso que desejo – não tanto o casamento, e sim iniciar a minha vida com ele. Após Tessa sair naquela noite, eu envio uma mensagem á Ian para que ele saiba que vou para a cama cedo. Ele tem um show hoje à noite, e não acho que posso ficar acordada por ele. Ele responde a mensagem: Dorme, passarinho. Eu vou falar com você amanhã. Eu te amo. Eu adormeço logo. No início da manhã, eu me sinto um pouco fria e coloco mais um cobertor sobre mim. Quando volto a dormir, eu sonho.

Eu vejo as portas. Elas são as mesmas de sempre, só que desta vez eu me sinto como uma pequena criança na frente delas. Elas são maiores do que nunca. Estou com medo de abrir o lado direito, mas eu faço. Asher é o primeiro que eu


vejo. Ele aponta para mim, rindo. Ele tem uma bebida na mão e ele passa para Laila. Ela me olha enquanto toma a bebida e em seguida, ela começa a rir de mim. Michael senta, afundado em uma cadeira gigante, mas quando ele me vê, ele ajusta sua postura e solta uma risada alta para minha perplexidade. Eu olho em volta. Onde estão meus pais? Onde está a Tessa? Preciso de Ian. Eu não posso respirar. E então o vejo. Ele está perto de Laila agora, no piscar estranho que os sonhos fazem. Ele se inclina e toma um gole de seu copo, seus olhos em mim o tempo todo. Eu começo a chorar para ele me tirar da sala e ele me olha, nunca piscando. Eu me viro e tento abrir as portas, mas também não abrem. Estou trancada dentro.

Sento-me em um suor frio. Meu coração está batendo e eu empurro as cobertas, esperando me acalmar. Em vez de tentar voltar a dormir, eu tomo um banho. São estes tremores do casamento? Durante toda a manhã, tento afastar o medo, mas eu simplesmente não consigo tirá-lo de mim. Ian liga algumas horas mais tarde, e ele ouve em minha voz imediatamente. Depois de tentar mudar de assunto, eu finalmente conto a ele sobre o meu sonho. Quando termino, ele está completamente tranquilo. Nada, nenhuma palavra. Então, algo sai da minha boca, e eu nunca vou saber por que ou de onde veio ou por que não antes, mas eu digo: — Quando você acha que vai superar Laila? Minhas próprias palavras me chacoalham, como o fôlego saindo de mim pelo meu próprio ato sem sentido.


A voz de Ian soa estrangulada e muito longe. — O que você quer dizer? — Eu-quero-dizer-quando-você-acha-que-vai-superar-Laila? — Uma ilha de palavras isoladas, espalhadas juntas que arruinarão a minha vida inteira. Eu já sei, sem ele dizer uma coisa, que isso vai mudar tudo. — O que você quer saber? — ele sussurra. — Eu quero saber tudo. Comece desde o início. — Eu nem mesmo conheço esta pessoa que está usando a minha voz para falar. As palavras e a calma não são certamente minhas. — Você está tendo um caso com ela? — Não, — diz ele. — Você já teve um caso com ela? Ele faz uma pausa e sua voz racha quando ele diz, — Sim. — Quando? — Baby, eu não... — Foi quando estávamos juntos? Silêncio. — FOI QUANDO ESTÁVAMOS JUNTOS? — grito, meu coração saindo da minha garganta como um animal devastado. — Sim, — diz ele, quebrado. Meu corpo inteiro começa a tremer, a partir da coroa da minha cabeça e correndo sobre todos os poros como o sangue que escorre depois de um corte profundo. Ele está dizendo, em uma corrida de palavras, — Ouça-me, eu te amo. Eu não posso te perder, Sparrow. Você pode me ouvir? Eu cometi um erro, mas eu não posso te perder. Eu estou indo para você. Você está ouvindo?


Eu jogo o telefone do outro lado do quarto e vejo como a tela se estilhaça. Eu vou ao meu closet e fecho a porta, deixando a luz apagada. Eu não sei quanto tempo fico sentada lá, chorando e furiosa, mas quando me levanto e saio, eu enxugo as lágrimas e vou fingir que nada aconteceu. Se eu falar sobre isso com uma única pessoa, eu vou surtar.

Durante o jantar a minha mãe e meu pai estão tagarelas sobre a recepção. Eu empurro o alimento em torno do meu prato e quando eles perguntam se não estou me sentindo bem, eu digo que não estou e vou para a cama. Na manhã seguinte, Charlie vem no meu quarto cedo e me acorda, — Sparrow? Querida? Acorda. Abro os olhos e sinto tanta raiva por estar acordada. Eu esperava a morte, eu sinto que paira sobre mim me reivindicando, mas é apenas o meu interior que está morto. O resto de mim, aparentemente, tem de continuar a viver. — Sparrow, por que Ian está estacionado na frente de casa? Ele está lá fora, desde o início desta manhã, e eu só percebi que é ele. — Há alguns problemas, — digo, como se estivesse discutindo uma nova cor de esmalte de unha. — Que tipo de problema? Devo deixá-lo entrar? — Charlie parece completamente confusa. — Eu acho que quando ele chegar à porta, você pode deixá-lo entrar, — digo a ela.


Ela me dá um olhar estranho, mas quando ela percebe que é tudo que eu vou dizer, ela não pressiona pela primeira vez. Eu puxo as cobertas até o queixo e viro. Tão cansada. Eu me levanto algumas horas mais tarde e refresco-me antes de ir para a cozinha. Quando eu entro, Ian está sentado no bar, conversando com meus pais. Eles todos parecem agitados. O rosto da minha mãe está manchado, como se estivesse chorando. Meu pai parece triste e com raiva. Ian tem círculos ao redor dos olhos e parece que ele não dormiu a noite toda. Ele corre quando me vê. Ele começa a me abraçar, mas para quando vê a expressão em meus olhos. Ele estende a mão para tocar meu rosto e pensa melhor. — Baby, você vai, por favor, falar comigo? — Eu não tenho nada a dizer para você agora. — Eu me afasto dele. Ian olha para os meus pais e depois de volta para mim. — Eu disse a seus pais, e pedi perdão. Eu olho para eles e eles olham com o coração partido. Minha mãe vem e me abraça. Eu sinto que sou a única a consolá-la enquanto acaricio-a enquanto ela chora. Quando ela se afasta, Ian põe a mão no meu braço. Eu vacilo. — Por favor, deixe-me falar com você, — ele pede. Eu me viro e saio da cozinha e volto para o meu quarto. Ele me segue e caminha próximo quando eu paro de repente na minha porta. Temo que o quarto vá fechar-se sobre mim, se eu entrar no pequeno espaço com ele. Quando entramos, eu me sento na minha cama e ele se senta ao meu lado. Olhando para mim. Eu olho para frente. — Olhe para mim, por favor. Você vai saber como me sinto sobre você se você olhar para mim. Eu continuo olhando para frente. — Eu nunca amei ninguém, só você. Eu nunca amarei.


— Eu acho que o amor não é suficiente, — digo. — O amor é tudo para mim, Sparrow. Você mudou minha vida por me amar. Eu não vou deixar você ir. Eu não posso desistir de você. — Eu acho que você deveria ter pensado nisso antes de você foder Laila. — E com isso eu olho para ele. Vazia. Oca. Ele visivelmente se encolhe e mantém a cabeça em suas mãos. Quando ele levanta a cabeça, as lágrimas estão fluindo de seu rosto. — Minha vida não começou até que você soprou-a. Eu sei o que eu tenho em você, Sparrow. Eu sei. Eu nunca vou arruinar isso de novo. Eu prometo a você. — Eu não quero ouvir suas promessas, — grito. — Apenas me diga sobre Laila! Ian enxuga o rosto e as lágrimas continuam a despejar para fora. Ele sempre disse que ele deixou de ser capaz de chorar quando era uma criança, mas as comportas foram abertas. — Tudo começou há muito tempo. Fomos amigos, nós realmente fomos amigos muito antes de Jeff conhecê-la... — Eu meio que peguei isso do que ela disse naquela noite em seu show. Ian olha para mim, aliviado que estou falando de volta. — Jeff estava sempre fora e Laila começou a aparecer onde quer que eu fosse. Se eu estivesse em L.A., ela acabava ali. Se eu estivesse na casa de San Francisco, ela ia lá. Eu sabia que ela se sentia sozinha, e me senti mal por ela. Ela era divertida nessa altura, não esta pessoa grosseira que ela se tornou. — Eu acho que ver o homem por quem você está apaixonada ficar noivo de outra pessoa faz isso para você, — respondo. Ele faz o som ofegante que você faz quando tenta não chorar, mas ainda está por vir. — Não é isso. Eu me levanto e giro para encará-lo. — Se você realmente acredita nisso, então você é mais idealista do que eu já fui.


O rosto dele cai. — Eu amo quão idealista você é. — Fui, — eu digo. — Fui. Isso o atinge com força, e ele não pode falar por alguns minutos. Finalmente, ele se levanta e anda no quarto. Ele vê meu celular, pega e coloca-o na mesa de cabeceira. — Nós vamos mandar consertar, — diz ele. — Então, me diga, o que Laila tem que a torna tão irresistível? — O sarcasmo escorre minha voz. — Ela é linda, eu vou te dar isso. Mas você me disse que eu era a mulher mais linda que você já viu, então... deve ser toda a... experiência dela. É isso? — Não foi assim. — Bem, isso é o que eu estou querendo saber, Ian. Eu tenho que fazer a pergunta exata para que você me diga a resposta? Você provavelmente diria que isso não foi tudo uma mentira – você e eu – porque eu nunca te PERGUNTEI até agora se você dormiu com Laila. A verdade é que a omissão de informações como esta É mentira. Toda a nossa relação é uma mentira! — Não. Não diga isso. Não é. Por favor, não diga isso. — Ele pega a minha mão e prende-a, mesmo eu tentando puxá-la para longe dele. — Sparrow, por favor, ouça-me. — Ele inclina a cabeça na minha e algo em mim quebra mais fundo ainda, e isso me tira o fôlego. Eu sufoco. As lágrimas começam a cair e eu não consigo respirar. Eu começo a entrar em pânico, e ele me olha nos olhos e sussurra: — Respire, baby. Eu estou aqui. Sinto muito. Eu te amo. Respire. Aos poucos, eu acalmo e minha frequência cardíaca retorna a um ritmo acelerado, em vez da corrida fora de controle que ela estava apenas fazendo. Quando eu posso falar, digo: — Apenas me diga quando começou e quando acabou. — Você tem que saber que eu estive em um ciclo vicioso toda a minha vida de me sabotar quando algo de bom vem. Eu sabia que não merecia você e Laila jogou sobre isso. Não estou culpando ela, eu assumo a responsabilidade por


minhas ações nisso, mas é apenas a verdade. Eu nunca senti nada por Laila, na verdade, eu a odeio, — diz ele em voz baixa. — Eu desprezo tudo sobre ela. — Então, você arriscou tudo por alguém que você odeia. Eu não sei se isso me faz sentir melhor ou não. Quando começou, Ian? Seus olhos embaçam. — Depois de nosso dia em San Francisco. Lá vai o vento, batendo em mim novamente. Quando eu recupero o controle, eu digo: — E quando isso acabou? — Houve uma vez depois que ficamos noivos... essa foi a última vez que alguma coisa aconteceu. Se eu pudesse ir dormir agora e nunca precisar abrir os olhos novamente. Eu fecho meus olhos e vai acontecer. Eu não posso suportar esse tipo de dor. É muito. Ele era a minha vida e agora ele não é nada. — Nós não fizemos sexo, paramos antes de chegar a esse ponto. Eu sabia que não poderia continuar destruindo a minha vida. Eu sabia que queria você mais do que eu quero qualquer coisa neste mundo. Você é tudo para mim. Eu parei e eu não toquei nela desde então. — Eu deveria ter orgulho de você por isso? — Dou a ele um olhar de desgosto. — Não, eu só... eu precisava saber que era capaz de ser o tipo de marido que você precisa, o tipo de marido que eu quero ser, e agora eu sei que sou. — Seus olhos buscam os meus, à procura de qualquer indício de esperança. Eu balanço minha cabeça. — Não. Ele coloca a mão no meu braço e eu escovo-a fora. — Quem mais? — Pergunto. — Reagan?


— Nós nos beijamos uma vez, mas nunca nada mais que isso. Ela queria mais e foi persistente por um tempo, mas percebeu que eu queria dizer isso quando disse não. — Quando? — Antes de você conhecê-la. — Quem mais? Quem é que eu não conheço? — Ninguém. Ninguém, eu prometo. — Não. Diga isso para mim. — Eu fecho meus olhos. Meu corpo inteiro dói. Isto é o que se sente com a mágoa. Agonia. Tortura. Angústia. Tormento. — Sparrow, se eu ficasse na frente de testemunhas hoje e prometesse te amar e honrar, você e somente você para o resto da minha vida, eu falaria sério cada palavra. Por favor – eu sei que vai levar tempo para você acreditar em mim, mas se você me der apenas uma chance, eu passarei cada dia, enquanto eu viver, provando o meu amor por você. — Eu gostaria de nunca ter dado o meu coração para você. — Eu torço o anel no meu dedo, o anel que se tornou uma segunda natureza desde que ele colocou em mim, e o tiro. Eu estendo até ele e o coloco em sua mão. — Não. — Ele balança a cabeça. — Não. Eu não vou aceitá-lo. Eu não o quero de volta. — Ele tenta entregá-lo de volta para mim, e eu não deixo. Ele coloca-o na minha cômoda e diz: — É seu. Eu ando até meu closet e fecho a porta. Ele tenta falar comigo através da porta por duas horas, mas eu caio no sono, então não sei quando ele parou, se ele parou.


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Cartas 21 de setembro Sparrow Estou com saudades. Eu te amo. Por favor, me perdoe. Ian

22 de setembro Eu te amo, Sparrow. Você me pegou pelo coração.

23 de setembro Sparrow. Eu sei que há milhares de milhões de pessoas no mundo. Em meus 31 anos, eu encontrei alguém que me fez acreditar que eu poderia amar e ser amado, para sempre. Eu não posso deixar você ir.


Ian

25 de setembro Sparrow Minha oração tem sido para que Deus de alguma forma deixe você sentir o verdadeiro alcance e a profundidade do amor que eu tenho por você. Eu sacrificaria qualquer coisa terrena para fazer você saber que meu coração é realmente seu. Por favor, tente encontrar uma maneira de me perdoar por magoar você. Perdido sem você... Ian

26 de setembro Oh, Sparrow... Se você pudesse conhecer meu coração. Se você pudesse saber os meus motivos. O nobre e o vil. O egoísta e o puro. Se você pudesse realmente me conhecer... Se você pudesse sentir a minha tristeza e a minha vergonha. Saber como eu odeio as coisas que eu fiz – meus pecados, minhas falhas, minhas fraquezas. Como eu desprezo-as. Como eu detesto a memória delas e como eu gostaria que elas pudessem ser apagadas. Conheça a frustração de um homem que esteve tão perto de viver seus ideais mais elevados e ainda caiu tão longe....


Conheça o medo de um menino que nunca conseguiu confiar em outro ser humano com a própria vida. Escondendo-se atrás da cortina da sala de perigos razoáveis. Se você pudesse conhecer os meus desejos mais profundos. Meus sonhos. Minhas orações. Meus desejos mais íntimos. Amar sem preconceitos ou ganância. Ser real... Ser conhecido. Ser amado. Se eu pudesse de alguma forma, abrir meu peito, e meu cérebro, ou onde quer que minha alma esteja mantida, e me revelar a você em um instante. Que você pudesse me ver completamente. A verdade. Não apenas os fatos, mas toda a verdade. A pessoa. Esta é a única esperança que nunca ousei esperar. No entanto, no coração do meu coração, eu sei que sempre ansiei por isso mais do que qualquer coisa na terra – ser conhecido. Verdadeiramente. Completamente. Intimamente. Como Deus conhece. E ainda, ser amado. Oh, Sparrow. Se você pudesse conhecer todo o meu coração. Quanto amor está lá por você. O amor que você não viu ainda. O amor que ninguém jamais viu. Uma vida de amor retido. Escondido. Amor que poderia curar e segurar. E resistir. Sparrow, você me viu. E você me conhece. Mais do que ninguém jamais fez. O mau e o feio que você já viu, assim como o bem, são eu. Mas há ainda um coração. Uma alma. Uma pessoa que dói para ser seu. Para ser liberado. Para envolver-se dentro de você e saber que ele está seguro. Profundamente... Ian P.S.: Eu imploro seu perdão, minha liberdade...


27 de setembro Sinto sua falta. Todos os dias. Eu te amo, Sparrow. Ian

30 de setembro Sparrow, Sparrow, Sparrow Pensando em você... Sentindo sua falta... Cheguei em St. Paul na tarde de ontem. O percurso foi longo e belo. Eu preciso te contar sobre isso. Por enquanto, alguns destaques: Dormi em uma montanha a leste de Salt Lake City. Foi inspirador. Um lago abaixo, refletindo um céu cheio de estrelas. Eu tinha a sensação de que estava sendo coberto na criação de Deus (uma ilusão, eu acordei congelando). A oeste de Des Moines, um veado correu à frente do carro. Horrível. Eu fiquei bem (não o veado, lamento). St. Paul foi uma visão bem-vinda. Tudo é tão verde e a temperatura era de cerca de 27-32 ºC. Choveu ontem e hoje. Queria que você estivesse aqui.


Escrever é estranho e difícil para mim agora. Escrevo estas poucas frases, enquanto minha mente pensa mil pensamentos – atrai milhares de imagens. Meu coração bate com mil emoções. É por isso que eu finalmente comecei a rezar. Talvez seu pai estivesse no caminho certo com essa coisa toda. Porque eu sei que não posso expressar adequadamente o que está dentro de mim. Sinto muito por todas as mensagens. Eu gostaria que você me deixasse consertar o seu telefone. Meu número é o mesmo. Eu carrego meu celular onde quer que eu vá e adormeço segurando ele... só no caso. Eu sempre esperarei por você. Ian

04 de outubro Sparrow Estou passando uns dias com a mãe em Lutsen, MN, uma estância de esqui no Lago Superior. Lindo. Ondas, rochas, penhascos, bétulas, pinheiros, flores silvestres, vasto horizonte azul. Pensando em você Sentido sua falta Amando você Ian


05 de outubro Mergulhões são o pássaro do estado de Minnesota. Há um par vivendo fora do nosso quarto. Eles são conhecidos por companheiro para a vida. Minha mãe e eu assistimos On Golden Pond34 na noite passada.

06 de outubro A Lady Slipper35 é a flor do estado de Minnesota, também chamada de sapatinhos. Cântico dos Cânticos 2:236 (Este livro sobre flores silvestres me faz lembrar de nós. Podemos sobreviver a qualquer coisa também.)

07 de outubro Todo dia e toda noite, eu vou te amar. Inalterável no meu coração. Nada pode tirá-lo. Todo o meu amor... Ian 34 Num lago dourado. Filme de 1981, drama. Sinopse: Norman Thayer Jr. e sua esposa Ethel viajam para uma antiga casa de campo onde passaram os primeiros anos de casamento. Lá, o casal recebe a visita da filha que não veem há anos, Chelsea. Ela pede a seus pais para cuidarem do filho do seu noivo enquanto eles passam algumas semanas na Europa. No início, Norman não se dá tão bem com o garoto, mas aos poucos um forte laço de amizade aumentará entre eles. 35 Popularmente conhecida como Sapatinhos ou Sapatinhos-de-Venus pelo fato de sau labelo geralmente apresentar aparência de concha ou saco 36 Como um lírio entre os espinhos é a minha amada entre os jovens.


12 de outubro Sparrow Eu te amo. Com cada respiração profunda, cada suspiro que eu tomo, a cada batida forte do meu coração. Toda vez que eu coloco minha cabeça no meu solitário travesseiro. Toda manhã, quando o primeiro sol rompe meus sonhos. Eu lembro. Eu sinto você. Eu amo você. Você está em mim. Na parte mais profunda de mim. Mais profundo do que as minhas memórias, meus pensamentos inconscientes. Mais profundo do que as minhas emoções em constante mudança. Você está no lugar certo, ao lado de onde eu mantenho minha fé em Deus (a fé que não deixarei ir agora, apesar de ela ser abalada, muitas vezes, a partir de dentro e de fora). Você está profundamente dentro de mim. Não foi desta forma a primeira vez que nos conhecemos. Mas algo em mim sabia que um dia seria assim. Abismo chamava outro Abismo. Eu ouvia esperanças e sentia desejos que eram impossíveis para eu entender plenamente. Eu disse: — Eu estou apaixonado. Esperançosamente. Ceticamente. Eu nunca experimentara o amor verdadeiro. Eu não acreditava em amor verdadeiro. Eu aprendi sobre paixão e decepção. Eu já havia tentado no amor romântico e falhei. Eu tinha certeza de que nunca vi um exemplo de amor verdadeiro na vida real. Eu amei você, então. Mas somente tanto quanto eu poderia. Eu olho para trás agora e vejo o amor crescendo. Amadurecendo. Gradualmente. Por dia. Por momentos. Abraços a luz do fogo. Andar pelas montanhas. Rostos marejados de beijos. Terrível, irritado, silêncios frustrados. Apagadas

com

um

sorriso

indulgente.

Descalço

caminho

sobre

escorregadias. Segurando. Demolindo. Abrindo. Machucando. Curando.

pedras


Lentamente descasco o calo a partir de uma cicatriz, o coração assustado. Se eu pudesse voltar correndo para trás e sussurrar no ouvido daquele pobre tolo no restaurante. Se eu pudesse dizer o que estava à frente. Dizer a ele sobre a alegria, sofrimento, prazer e agonia de encontrar o verdadeiro amor. Se eu pudesse de alguma maneira convencê-la de que a ideia que ele sentia era exatamente o que ele queria acreditar que era, ele poderia ter mudado imediatamente. Mas, eu não posso voltar atrás. Ele vai ter que aprender sobre o amor por si mesmo. Uma e outra vez em minha memória. E cometer os mesmos erros repetidamente até que sejam perdoados. Passarinho, o nosso amor foi suado, desde o início. É mais precioso para mim do que qualquer coisa na terra. Eu não posso simplesmente deixá-la ir. E eu não vou parar de lutar por isso. Apenas acabou se você quiser que tenha acabado. Minha esperança é que o que se passou antes é apenas o capítulo introdutório da nossa história de amor. Há mais memórias a serem feitas. Por nós, Ian

14 outubro É uma meia-lua esta noite e está brilhando meio brilhante Como se o céu pudesse entender o que eu sinto por dentro Metade de mim está vivendo meio mundo a partir daqui Metade de mim está morrendo, chorando uma lágrima solitária


Silenciosamente À luz da meia-lua Sparrow. Nada vai ser completamente certo até que você esteja comigo. Ian

16 de outubro Se você já pensou em mim, eu pensava em você naquele momento. Todo o meu amor Ian

17 de outubro Eu acredito em você e eu. Ian

21 de outubro Pertencemos um ao outro. Bem, Baby Pense. Palavras começam, portanto, seriam palavras ternas – mas é verdade. Palavras verdadeiras.

maravilhosas,

bonitas,

pensativas,

mas

seriam

palavras


Acredite nelas. Desejos se tornam verdadeiros. Sabedoria traz confiança. Estamos sendo testados. Nós dois somos resistentes. Quem compra isso? Esperar junto ao telefone. Acordar antes das doze. Trabalhar antes de televisão. Mexer o dedão. Bem… está pensando Apaixonado Teddy O mundo é maior que a Turquia Caminhar naquela época Tocar o ventre quente Nós começamos a tremer Menino chorando pensa: Onde está o toque do bebê? Que grandes lágrimas.


Pertencemos um ao outro37

25 de outubro Querida Sparrow Fui acordado às 5h30 desta manhã com o som de sua voz no telefone. Eu odeio sonhos que terminam no meio. Eu não tive tempo para ouvi-la dizer qualquer coisa, só: Oi, é Sparrow. Eu não tive tempo para te dizer que eu te amo. Mas, eu comecei cedo no dia. E algumas horas para pensar e escrever esta carta. Acho que vou ficar aqui por um tempo. Eu não consigo funcionar sem você. Sem pressão, mas... eu não posso viver sem você. Você provavelmente pensa que quando eu te digo o quanto eu te machuquei, e descrevo a dor de perder você, eu estou tentando ganhar sua simpatia ou compaixão. Eu não estou. O que estou tentando fazer é ajudá-la a conhecer a verdade de quão profundamente eu te amo. Quanto você realmente significa para mim. Quanto você é uma parte de mim. Nem dor, nem rejeição, nem separação, nem depressão, nem oposição, nem fogo do inferno podem te levar para fora do meu coração. Este fato é comprovado. Caí o máximo que eu posso possivelmente ir. Eu provei o núcleo amargo. Eu fui abandonado, desamparado. Estive à beira do desespero. Eu tinha todos os motivos para romper com toda a esperança. E eu sei que é tudo culpa minha. Eu sou o único que nos arruinou. Mas eu não perdi a minha fé.

37

No original, com exceção de duas linhas, todas as frases começam com a letra W.


E não perdi o meu amor por você. É mais forte do que nunca. Acho que eu poderia nunca ter conhecido ou acreditado que o amor pudesse ser tão forte se eu não visse isso arrastando por este inferno. Agora eu sei que o amor realmente pode suportar qualquer coisa. Meus velhos medos sumiram. Eu costumava ter medo de nunca ter a capacidade de realmente amar alguém. Ser vulnerável a alguém. Confiar em alguém com o meu coração. Eu temia não ter a força para perseverar através dos tempos difíceis. Eu temia a rejeição. Eu temia que o amor não durasse. Eu temia que o amor seria usado contra mim. Para me machucar. Eu temia que ninguém poderia realmente me amar. Medos reais. Estes receios voltam. E agora percebo que eles desempenharam um papel enorme na forma como eu formei meus relacionamentos desde que eu era criança. Tentando me sentir amado sem me tornar vulnerável. Tentando encontrar afeto e proximidade, sem o perigo de compromisso. Mantendo sempre uma maneira de escapar. Nunca confiando em ninguém. Nunca. Nunca dando qualquer razão para confiar em mim completamente. Nunca acreditando no amor verdadeiro.


Foi assim que eu me protegia. Isto era como um menino misericordioso decidiu sobreviver. Eu estava assim quando nos conhecemos? Será que eu trouxe isso em nosso relacionamento? Sim. Esses temores, os padrões e as defesas eram tão parte de mim, como os calos nos meus dedos. Depois, veio o amor. Inesperado. Aparentemente do nada. Aos poucos, criando raízes e crescendo. Rompendo. Lutando contra tudo o que eu cheguei a acreditar sobre isso. Invadindo meu lugar seguro e solitário. Amolecendo meu coração. Eu estava com medo. Sinto muito. Eu não acho que posso terminar esta carta. Mas eu ainda quero que você leia isso. Está cheia de verdade. Eu não espero que você entenda. Mas espero que sim. Eu quero falar com você. Por favor. Liga. Diga-me como e quando posso ligar para você. Escreva. Deixe-me encontrar você. Deixe-me trazê-la para mim. Qualquer coisa. É bom para nós falarmos.


Você é o meu primeiro, E último, E único, Verdadeiro amor, Ian

29 de outubro Eu te amo, Sparrow. W.B.T.38

01 de novembro Eu amo você mais do que ninguém sabe. Seria preciso uma vida inteira para te mostrar. Ian

03 de novembro Eu te amo hoje e para sempre. É um amor que não cresceu durante a noite. Ian

38

We Belong Together – Nós pertencemos um ao outro


04 de novembro Seu sorriso faz o sol brilhar. Eu vivo para ver esse sorriso em mim novamente. 05 de novembro Minhas noites são uma constante tentativa de alcançar você....

08 de novembro Querida Sparrow Não sei onde você está ou com quem você está ou o que está fazendo. Como você está se sentindo, o que você está pensando. Quando você está sorrindo, quando você está chorando. Se você sente falta de mim como eu sinto sua falta. Se você tem alguém para conversar. Eu sei que ainda estou aqui e ainda te amo. E eu sempre amarei. Ian

12 novembro SparrowSparrowSparrowSparrow Mais um dia fabuloso. Eu ouvi a sua voz na noite passada. Dormi até as 9.


Espero que eu ouça de você antes de começar esta carta. Sobre o que falámos? Estou tão feliz que nós conversamos. Eu te amo. Ian

13 de novembro Há um milagre na forma que o amor continua resistindo... em um milhão de milhas.

14 de novembro Sparrow Eu quero escrever, eu quero falar, eu quero comunicar de alguma forma As palavras não vêm fácil. Eu machuquei a minha alma. Eu sinto sua dor e não estou autorizado a consolá-la. Eu sei a certeza do meu amor por você e não tenho maneira de dá-lo a você. Eu vou parar por aqui. Eu sei que não posso me expressar nesta carta. Mas, por favor, saiba que eu te amo. Estou fazendo tudo o que eu sei fazer. Eu quero o que é certo e o que é melhor para você.


Eu não acredito que nós estarmos separados por toda a vida seja necessário, ou melhor. Você acredita? Eu gostaria de dizer muito mais. Por nós Ian

15 de novembro Você se cansa de pessoas que tentam ajudá-la a superar isso? Para sempre amor. Ian

16 novembro Sparrow. Eu sinto muito sua falta. Ian

18 de novembro Eu lamento pelo tempo que perdemos. Há muita vida pela frente. Eu não quero que percamos mais da mesma. Eu sou tão solitário sem você. Eu amo você, doce Sparrow. Meu amor. Estou pronto para estar com você.


19 de novembro Ainda esperando por você…

20 de novembro Ontem eu fui à biblioteca e apenas me sentei, imaginando você lá.

22 de novembro Passarinho Passou cerca de meia hora desde que eu escrevi as duas palavras que precederam esta frase. É tão difícil ter uma conversa unilateral. Eu não posso responder a qualquer um dos seus pensamentos ou sentimentos e eu quero muito. Nós não somos estranhos, Sparrow. Eu continuo suplicando para você, porque eu sei que ninguém pode realmente entender o que está entre nós. Essas pessoas bem-intencionadas que dizem: A vida tem que continuar, não fazem ideia. Eu não posso mais continuar sem você assim como não poderia se metade do meu corpo estivesse cortado. Minha alma está unida na sua. Minha vida está articulada á sua. Eu me movo, respiro, mas eu realmente não vivo sem você. Tudo o que mantém meu coração batendo é a esperança de que ele um dia vai bater ao seu lado novamente. Eu te amo, Sparrow.

24 de novembro Está frio. Você está longe. Estou guardando o seu lugar.


25 de novembro Eu te amo. Dê-me uma chance de mostrar o quanto. Dê a si mesma a chance de saber. Por nós. Sempre. W.B.T.

01 de dezembro Você pode ter que quebrar esse coração Antes que você possa usá-lo. Você pode ter que desmontá-lo e começar tudo de novo comigo. Eu sei que dói mudar, mas eu não quero ficar na mesma Leve-me. Me quebre. Faça o que for preciso para tornar-me o que você precisa que eu seja. Feliz aniversário, meu passarinho. Eu te amo. Eu sempre vou te amar. Estas não são palavras adequadas. Eu escrevo-as, e um fluxo de desejos meio-preenchidos,

memórias

instantâneas,

emoções

profundas

da

alma,

sentimentos sem nome correm através de mim. Eu acho que de tudo que eu já amei, possuí, quis, trabalhei, esperei, guardei em minha vida.


Eu te amo mais. Mais do que a minha música. Mais do que a minha carreira. Mais do que minha reputação. Mais do que a minha independência. Mais do que minha vida. Eu abriria mão de qualquer um ou cada um deles por sua causa. Eu nunca seria tão ousado a ponto de fazer tais declarações, exceto que cada palavra tem sido testada e comprovada verdade para mim para além de qualquer dúvida. Nos últimos dois longos meses, eu, em alguma medida, senti a perda de todas estas coisas. Foi doloroso – mas nada comparado com a perda de você. Meu amor por você é puro. Em setembro, algo começou em mim, que, eu acredito, eu posso passar o resto da minha vida tentando compreender plenamente e descrever. Eu te amei antes então – profundamente. Mas naquela noite, em seu quarto, depois que você finalmente saiu de seu closet, algo mudou. Eu vi tantas coisas naquela noite. Eu me vi. Minha indignidade. Minha falta de fé. Vi a amargura que estava em mim, me segurando por tantos anos. E eu senti o peso de meus pecados. Você estava lá, Sparrow, você sabe. Eu abri meu coração. Implorei para você, Deus e qualquer outra pessoa que quis me ouvir procurar, purificar e me libertar de tudo isso. Para me mudar e me perdoar. E Deus me ouviu. Eu vi outra coisa. Quando olhei para o rosto choroso, vermelho da pessoa que eu mais amava e feri mais do que qualquer outra pessoa na minha vida, eu vi misericórdia e compaixão. E eu vi a dor que custou dar isso.


Eu nunca vou esquecer aquele momento. Eu tenho memorizado aquele rosto. Eu não deixo ir a esperança que me deu. Desde aquela noite, nunca mais parei com a esperança de me reconciliar com você. Tenho abandonado meus antigos caminhos completamente. Eu tenho sido fiel a você. Eu fui quebrado, uma e outra vez. Purgado, testado, refinado. Tenho novos desejos, novas prioridades, um novo coração. Me envergonha dizer essas coisas sobre mim mesmo. Eu só espero que você vá entender. Uma coisa que eu não tenho medo ou vergonha de dizer é que eu te amo, Sparrow Kate Fisher. Eu posso suportar qualquer coisa, porque eu tenho certeza sobre o nosso amor e eu me determinei a lutar por ele até a morte. Se você tem medo, se você estiver em dúvida, eu posso fazer a diferença. Você fez isso por mim quando eu estava com medo, e agora eu quero fazer isso por você. Eu te amo. Ian P.S.: Utilize este cartão telefônico. :) P.S.S.: Se você não quer falar comigo, você pode ligar e falar com a minha caixa de mensagem.


- 25 -

Rosas e Tempo Nossa data do casamento vem e vai. Fed Ex traz uma carta expressa para Sparrow Kate Fisher de Ian Orville Sterling. Tão oficial. Eu leio a carta de Ian e passo o resto do dia escondida no meu quarto. Essa me mata, assim como todas as outras.

Sparrow Estes dias e estas noites. Elas são infinitas. Impiedosas. O tempo apenas parece engatinhar. Eu rezo para que passe depressa, mas sei que a cada momento que desliza é mais um momento que eu nunca serei capaz de compartilhar com quem eu amo. Essa é você. Este é o dia em que deveríamos nos casar. Eu não consigo parar de ver o seu rosto e desejar que você estivesse dizendo sim para mim hoje. Para sempre. Eu tenho uma centena de beijos para cada lágrima que eu causei. Um abraço para todas as dores de cabeça. Oh, eu sinto sua falta. Meu corpo dói. Meu coração geme. Eu chamo o seu nome e espero que em algum lugar no fundo do seu espírito, você vai ouvir... Eu te amo. Ian


Meu vestido de noiva está pendurado em um pesado saco de roupa no quarto de hóspedes. Eu provavelmente não seria capaz de usá-lo agora de qualquer maneira, iria apenas pendurar em mim. Comida não está cooperando comigo agora. Eu tento comer, mas além de não ter absolutamente nenhum apetite pela primeira vez em toda a minha vida, isso me faz fisicamente doente, de uma forma ou de outra, toda vez que eu como. Meus pais acham que eu tenho uma úlcera, e eles estão tentando me forçar a ir ao médico, mas até agora, eu consegui evitar ir. Eu mal funcionei na escola nos últimos meses e agora que estou em casa para as férias de Natal, eu não tenho tanta certeza de que foi uma boa ideia vir aqui também. Vejo Ian em todos os lugares. Não há como escapar dele. Meu quarto está coberto de rosas de todas as cores. Vermelha, vários rosa, e minha favorita, as rosas Sterling. Desde que eu afastei Ian, ele me bombardeia com flores e cartas de amor, livros e doces e tudo o que ele diz que o faz se lembrar de mim. É engraçado – ele nunca me deu flores ou uma carta de amor quando estávamos juntos. O casamento de Jeff e Laila está em frangalhos, mas eu acho que sempre esteve e nós simplesmente não sabíamos. Jeff está arrasado. Eu acho que machuca mais ser Ian tendo um caso com Laila do que o fato de que ela teve um caso. Laila me ligou uma vez. Se eu tivesse sido capaz de ver que era ela, eu nunca teria atendido, mas meus pais têm um telefone antiquado em casa. Ela está com medo de perder Jeff. Ela disse que realmente terminou com Ian há muito tempo, e ela tentou ser boazinha. Mas depois ela disse algo sobre eu realmente ser tão ingênua, e esse comentário dizimou qualquer chance de paz. Um minuto eu sinto que fiz a coisa certa, terminando com Ian, e no próximo, eu estou desesperada por ele. Eu choro. Muito. Anseio por esse breve intervalo que eu tive antes das lágrimas assumirem. Eu li suas cartas uma e outra vez, e fazem-me irritada e esperançosa, com medo e perdida, amarga e amada. Eu acredito que ele me ama. Eu simplesmente não acredito que seja suficiente.


Eu não era o suficiente para ele nos últimos dois anos, por que eu acho que poderia ser suficiente agora? Quando estou em Nova Iorque, ele escreve ou envia e-mails obsessivamente. Quando estou em casa, ele sabe que tem uma chance de alcançar-me no telefone de casa, então ele liga e liga até um de nós atendermos. Um dos meus presentes de Natal para os meus pais é uma nova caixa de telefones para espalhar por toda a casa, com um enorme identificador de chamadas. Já está embrulhado, e estou tentada a dar a eles mais cedo. Há poucos dias, ele me pegou em um momento vulnerável versus um momento amargo. Quando ele pediu para deixá-lo, por favor, vir me ver, eu finalmente cedi e disse que ele podia. Ele estará aqui em breve. Meus pais ainda estão furiosos com ele também, então ele está tomando suas chances de voltar a esta casa. Eles saíram por algumas horas, para nos dar uma chance de conversar. Eu me arrumo e me sento na sala, esperando por ele. Quando a campainha toca, parece estranho responder a porta para Ian. Ele costumava entrar e sair desta casa como se fosse a sua própria. Eu lentamente abro a porta e um som distorcido sai da garganta de Ian. Ele corre em minha direção e para, assim que ele me atinge, sem saber o que fazer. — Baby, — ele sussurra. Ele olha para mim interrogativamente e meus olhos devem dizer que está tudo bem, porque ele envolve suavemente os braços em volta de mim e me puxa para perto. Apesar de tudo, estar em seus braços é o único momento que eu me senti completa desde que tudo isso aconteceu. Eu fecho meus olhos e inspiro-o, sentindo a mudança no ar em torno de mim... essa respiração profunda que eu lutei para conseguir desde que ele me deixou, finalmente, fazendo o seu caminho em meus pulmões e me dando alívio. Ele passa as mãos pelo meu cabelo, sussurrando seu amor por mim, me acariciando com suas palavras e fazendo-me fraca com o alívio momentâneo da dor. E então eu abro meus olhos e o nevoeiro levanta e o vejo e o que ele fez para mim. Eu retrocedo e entro em casa. Janelas fechadas, persianas puxadas. Eu


não posso me dar ao luxo de baixar a guarda. — Você não pode me chamar assim. Ian fica na porta e olha abertamente acanhado para mim. — Passarinho, — diz ele com a voz embargada. — Ou isso, — sussurro. Ele estremece. — Sinto muito. Sparrow. Você não parece... — ele balança a cabeça e não termina o pensamento. Eu estudo-o pela primeira vez e sinto uma pontada de horror no quão terrível ele parece. Sua cor está toda errada. Seus olhos parecem embaçados e há círculos escuros ao redor deles. Ele perdeu muito peso e seu quadro muscular magro agora parece esquelético. Seu cabelo está mais longo do que eu já vi, ondas suaves caindo sobre seu pescoço. O cabelo está realmente bom, mas com o resto dele tão mau, ele só acrescenta à sua aparência quase frágil. Ele limpa a garganta e diz: — E se a gente for ao parque? Talvez nos agasalhar e sentarmos junto à água? — Ok. Está frio para a Califórnia. Eu levanto meu casaco à medida que caminhamos para o carro. Ian está quieto e vigilante. Ele continua a começar a dizer alguma coisa e depois para. Eu não me incomodo tentando falar. Vamos para um parque que costumávamos sempre visitar e sentamos no nosso banco que tem vista para o lago. — Há tanta coisa que eu quero dizer, Sparrow. Tanta. Mas primeiro - há algo que você quer me dizer? — Ele se vira para mim, e eu olho para ele brevemente antes de voltar para a água. — Eu realmente não sei mais o que dizer a você, Ian. Eu costumava ser capaz de dizer tudo, e agora - eu me sinto realmente estúpida por todas as vezes que eu o fiz.


Ele acena com a cabeça, seus olhos doem. — Eu nunca, nunca pensei que você fosse nada, senão brilhante. Eu amo a sua opinião. Ter o luxo de suas opiniões de repente desaparecidas da minha vida é como a morte. Toda a luz se foi. — Eu não sou tão luminosa mais, — digo a ele. — Você está cuidando de si mesma, Sparrow? Você parece – estou preocupado com você. — Ele acaricia meu rosto com os dedos e quando eu tremo, ele coloca os braços em volta de mim, me aquecendo. Eu não digo nada. — Eu queria dizer que você não pode imaginar o quanto eu sinto sua falta, te amo - como vazio eu sou sem você. Mas agora que eu te vejo, eu me pergunto. Talvez você possa imaginar? É como uma sensação constante de que parte de mim está faltando e que as coisas nunca mais serão certas sem essa parte. Isso me corrói durante todo o dia e noite. Você sente alguma coisa assim? Lágrimas rolam pelo meu rosto, e eu com raiva as limpo. — Claro que sim. Eu coloquei todas as minhas esperanças, desejos e amor... em você. Você acha que eu não sinto isso? Imagine como você se sente e, em seguida, adicione a dor de saber que eu nunca fui o suficiente para você, que você não valorizou o que eu te dei, que estava com outra pessoa o tempo todo que você estava comigo... coloque isso tudo junto e, em seguida, você vai saber como eu me sinto. — Eu sei que você é a única que ficou ferida, Sparrow, eu sei disso. Tudo o que eu te digo em minhas cartas não diminui a sua dor, mas para que você saiba o quanto estou triste e quão profundamente eu sofro por você, a cada minuto de cada dia maldito. É excruciante. Eu acho que o seu silêncio fez-me perguntar se você já encontrou uma maneira de superá-lo de alguma forma. — Eu não encontrei. — Por favor, volte para mim, — diz ele, tocando suavemente meu rosto. Eu empurro sua mão e levanto-me.


— Eu quero ir para casa. Ian passa as mãos pelo cabelo. Não fica direito mais. — Ok. Tudo bem, eu vou levá-la para casa. Posso ainda estar com você? Concordo com a cabeça. Os próximos dias são mais do mesmo. Eu não sei por que eu continuo vendo ele. Eu só não posso deixar de vê-lo. Ele é o meu ar. Mesmo que seja um pesadelo, eu posso respirar quando ele está na minha proximidade. É tenso com Ian e meus pais. Ele tenta falar com eles e eles escutam, mas não muito progresso é feito. Eles lhe deram um pedaço de suas almas mais de uma vez, e ainda assim, eles também têm sido gentis com ele. Na maior parte, eles estão tentando nos dar o nosso espaço. Charlie pede detalhes todas as noites quando Ian sai, mas eu acho que ela sabe que não posso discutir isso agora, então ela não empurra muito. Natal vem e Ian ainda está aqui. Ele não disse quanto tempo vai ficar na cidade e eu não perguntei. Eu sei que não é saudável para qualquer um de nós continuarmos assim – dar esperança a ele, e eu realmente não tenho nenhuma para dar. Quando ele vem mais tarde no Natal, segurando um bonito pacote embrulhado com um laço de prata brilhante, eu coloco dois presentes ao lado dele. — Você não precisa me dar nada, — ele sussurra. Ele parece mais exausto hoje, como se estes dias estivessem pesando sobre ele. — Eu ia te dar esses presentes na noite antes do nosso casamento. — Oh. — Ele tenta reunir um sorriso, mas se parece mais com uma careta. — Obrigado. — Ele tenta persuadir um sorrir para fora de mim, mas eu não tenho nada. — Vá em frente e abra-os.


— Devo abrir o grande ou o pequeno por primeiro? — Talvez o grande... Ele lentamente desembrulha a caixa, da maneira que ele faz, onde parece que ele está valorizando cada pedaço de papel. Ele não rasga uma única peça e quando ele está fora da caixa, ele cuidadosamente dobra-o e coloca-o de lado. Ele abre a caixa de sapatos e vê as botas de combate pretas. Ele sorri, então, e eu não posso evitar, eu sorrio de volta. — Eu queria que você usasse-as no casamento. Ele acena com a cabeça. Ele nunca foi um de sapatos. — Eu as amo, Sparrow, — diz ele em voz baixa. — Você me conhece, eu provavelmente vou usálas até que elas estejam caindo aos pedaços. Aqui, abra isso. Tomo a caixa dele e uma vez que tirei o laço, eu rapidamente rasgo-a. Dentro da caixa está um relógio lindo em ouro branco, pequenos diamantes estão na face no lugar dos números. — Eu queria te dar isso antes do casamento também, — ele admite. — Olhe ali. — Ele aponta para trás. Eu viro-o e diz: O tempo está do nosso lado. — Isso significaria algo diferente se tivéssemos nos casado, mas... não o fez, então... eu estou feliz que não coloquei a data, — ele tenta soar alegre. — É lindo. Obrigada. — Eu o coloco no meu braço e ele se encaixa perfeitamente. — Uau, geralmente relógios não se encaixam no meu pulso na primeira tentativa. — Eu sei que seu pulso é algo assim. — Ele levanta o polegar e o indicador e faz o tamanho do meu pulso. — Você estava certo. De repente estou sobrecarregada com opressão. Eu aponto para o seu presente para manter as lágrimas de saírem. — Abra o outro.


Ele pega e quando ele abre, ele deixa escapar uma pequena risada. — A mesma página... — Ele puxa o relógio para fora da caixa e dá-lhe um longo olhar. — É muito bonito. Nunca tive nada tão bonito. — Ele vira-o e sua respiração fica presa. — Meu coração vai sempre bater o seu nome. — O ‘coração’ é em símbolo por isso cabe tudo. Não havia espaço para data no seu também. — Você quer dizer isso? — ele pergunta, com a voz mais brilhante do que tem sido, esperançosa. — Isso é verdade? — Eu tenho medo que possa ser, — eu digo. Toda a luz vai de seus olhos quando ele percebe que não quero que isso seja verdade. O pensamento realmente me faz ter medo. Ele agarra o relógio e olha para mim, todo o seu corpo angustiado. — Eu nunca vou desistir de esperar você querer dizer o que isto diz. — Ele acena o relógio de volta e dá um tapa no pulso, segurando seu braço quando ele está afivelando. Ele vem até mim e agarra os meus ombros com as mãos. — O que será necessário, Sparrow? Eu vou fazer o que for preciso, por favor, apenas fique comigo. Deixe-me mostrar que eu quero dizer tudo o que eu disse. Nós vamos trabalhar com isso, vamos... estou indo para Nova Iorque e eu vou ficar. Meu contrato de gravação não deu certo, mas... — Espera? O que quer dizer? Você já assinou, o que...? — Eu balanço minha cabeça. — Eu não entendo! — Eles queriam que eu fosse para Los Angeles em outubro e novembro e eu disse que eu precisava... — Ele deixa cair meus ombros e caminha até a janela. Ele olha pela janela um longo tempo antes de continuar. — Eu só precisava de um tempo. Eu não tenho sido capaz de fazer qualquer coisa. Exceto escrever cartas patéticas para você. — Ele se vira e me dá um sorriso forçado. — E eu tenho escrito músicas. Canções que fariam as pessoas quererem pular de uma ponte, mas músicas, no entanto. — Ele encolhe os ombros. — Eles tinham shows agendados todas às noites. Eu disse que precisava de tempo, e eles não dariam para mim. Eu fui embora. Eu estou te dizendo: não posso fazer nada, Sparrow, não sem você.


Por alguma razão, isso é mais difícil para eu aceitar do que toda a troca de presentes foi. — Eu não posso acreditar que você fez isso. Ian! Você vai se arrepender quando você estiver se sentindo melhor. A sua gravação! E a turnê – você trabalhou tão duro para isso! Você não pode simplesmente se afastar de tudo isso. — Isso não significa nada para mim, Sparrow. Talvez eu me arrependa, como você diz, mas agora, eu não posso ver além disso. Eu tenho que ver isso com você. Nós temos que trabalhar isso. Eu não vou me sentir melhor sem você! Vou até ele e fico ao lado dele. — Ian. Você precisa fazer o que puder para ficar bem com a gravadora. — Eu toco o braço dele e ele olha para mim. Seus olhos estão com fome, ele se inclina na minha mão. — Ian, você tem que me deixar ir. Seu peito esvazia e ele se afasta de mim. — Não. Não. Não diga isso. — Eu não posso... eu não posso estar com você. Eu não sei como vou viver sem você. Mas eu não acho que eu posso viver com você também. Você me quebrou, — minha voz emite. — Eu não vejo como posso confiar em você de novo. — Você pode, você simplesmente não quer, — ele chora. — Você está certo. Eu não quero. Com isso, ele se inclina e me esmaga com um beijo, e depois anda pela sala, pega suas botas e o papel de embrulho e sai pela porta. — Eu ainda acredito em nós, Sparrow. Eu nunca vou parar, — diz ele antes que a porta se feche atrás dele.


- 26 -

Inconstante 9 meses mais tarde

Outono em Nova Iorque está excepcional este ano. As árvores estão mais brilhantes e mais coloridas do que eu me lembro. Eu ando até casa, arrastando os pés por entre as folhas caídas repassando a lista de coisas a fazer na minha cabeça. Hoje à noite Tessa está preparando uma pequena festa para mim para comemorar o lançamento do meu livro. Ele sai na próxima semana e o alívio de finalizar o projeto é imenso. Estou feliz com a maneira como ele saiu, e com a forma como o meu cérebro tem trabalhado, eu não tinha certeza de que algum dia poderia dizer isso. Eu pego meu vestido da lavagem a seco e mentalmente retiro isso da lista. Quando chego ao apartamento, há flores de Ian no lado de fora da minha porta. O entregador já me chama pelo primeiro nome agora e, geralmente, abana a cabeça tristemente quando eu abro a porta. Estou contente por ter perdido a sua pena hoje.

Meu Passarinho, Estou muito orgulhoso de você. Eu ouvi sobre seu livro. Eu serei o primeiro na fila para comprá-lo. Eu te amo. Ian


Passou um ano desde que Ian e eu terminamos. Exatamente um ano. E ele ainda não desistiu. Eu ainda recebo cartas, embora elas sejam progressivamente menos frequentes. Próximo a graduação, ele enviou um CD de músicas que ele escreveu para mim ao longo do ano. Elas eram comoventes, canções excruciantes sobre amor, perda e saudade. Chorei por dias e, em seguida, coloquei o CD em uma caixa, no alto de minha prateleira do armário e não revisitei. Eu tenho trabalhado em uma carta nos últimos dois meses. A carta em que eu trabalho todas as noites antes de dormir, dizendo todas as coisas que eu queria dizer a ele desde que tudo se desfez. Eu pego o caderno no qual tenho escrito tudo e leio onde eu parei:

Eu não posso mais fazer isso. Eu preciso que você pare. As cartas, os presentes, as flores, tudo isso. Eu não aguento mais. Isso está me matando. Cada vez que você envia algo, outro pedaço de mim corta ainda mais fundo. Eu não posso estar com você. Bem que eu queria, mas eu não sou apenas capaz de passar por isso. Todas estas cartas de você parecem como uma maneira de aplacar sua culpa e portanto estou libertando você. Eu te perdoo, mas não posso esquecer. Eu vou te amar para sempre, mas eu não posso ficar com você.

Eu releio todas as páginas do caderno que detalham todos os pensamentos de amor, perda e saudade que eu tenho sentido e percebo que não posso dizer mais do que isso. Já foi tudo dito. Eu coloco-a em um envelope e antes que eu possa pensar até a morte, selo-o e endereço-o á Ian Sterling. Vou enviá-la no caminho para a minha festa. Confere. Andy liga para se certificar de que eu não preciso de uma carona para o restaurante. Garanto a ele que não e que vou vê-lo lá. Tenho saído com Andy por


algumas semanas agora. A primeira vez que ele me beijou, eu chorei. Nós estávamos lá fora, então eu era capaz de culpar o vento, mas desde então tenho vindo a colocar distância entre nós. Ele sabia que estava em uma tangente euodeio-homens quando nos conhecemos e de forma confusa se tornou meu amigo. Disse a ele que não estou pronta para um relacionamento, mas ele continua obstinadamente perseguindo. Eu sei que uma grande conversa é necessária porque não tenho nenhum desejo de beijá-lo novamente. Ou tocá-lo. Ou realmente sequer olhar para ele. Eu sei que eu nunca deveria ter saído com ele para começar, mas Tessa continua me dizendo que eu tenho que começar a sair. Todo mundo está preocupado comigo. Talvez esta carta/livro de Ian é o que permitirá que eu siga em frente... estar bem. Eu não sei. Eu acho realmente que nunca vou ficar bem, mas estou exausta de olhar para o mundo através deste véu nublado, odioso e negativo. Eu desprezo a desconfiança que eu tenho por todos. Eu acho que neste tempo eu desenvolvi uma pele mais cínica, em vez de ser tão ingênua ou idealista. Se eu aprendi alguma coisa com Ian – e Asher, também, para esse assunto – é que o mundo não é este lugar bonito e feliz que eu sempre imaginei. É cheio de feiura bruta de todos os lados. Ninguém pode ser confiável. Todo mundo vai decepcionar. E cabe á mim cuidar de mim mesma. Ninguém mais vai fazer isso por mim. Bem, exceto por Tessa. Ela não conta na minha dura nova visão de mundo. Ela é uma pessoa única, e, eu não sei o que eu faria sem ela.

Jared e Tessa estão esperando por mim na frente do restaurante. Eu abraço a ambos, e então eles lideram o caminho. Jared é uma exceção para a minha campanha Todos os Homens São Maus. Por pelo menos seis meses após Ian e eu


terminarmos, eu observei Jared como um falcão, apenas esperando por ele fazer um movimento errado. Ele não fez. Ele realmente ama Tessa e trata-a tão bem. Eu não posso deixar de amá-lo por isso. A festa é boa. Eu sou grata pelos amigos da escola que eu fiz na NYU. Duas amizades eu sei que vão durar para sempre. Minha editora, Louise, é ótima também. Todo mundo me quer bem, e é uma noite divertida. Eu me acostumei a esse sentimento oco no meu peito sempre presente, mesmo quando tudo é bom. Eu esquivo-me após dizer á Andy que eu não preciso de uma carona para casa. Antes de eu dizer boa noite, porém, eu puxo-o de lado. — Andy, eu sei que este não é o momento certo para falar, mas eu - eu não posso sair com você. Se você não está bem com sermos apenas amigos, deixe-me saber. Se estiver, ótimo. Me desculpe se eu o feri de alguma maneira. Ele balança a cabeça e diz: — Eu vi isso acontecer. E com isso, eu saio e respiro o ar vivo da noite. — Ei, linda. Viro-me rapidamente ao ouvir o som de sua voz. A mesma que ouço em meus sonhos. Ian está de pé do lado de fora da porta. Ele aponta para a janela do restaurante. — Eu vi você lá com os seus amigos... Eu estava dividido sobre o que fazer. Devo entrar e arruinar a sua noite apenas com a minha presença? — Ele ri uma risada forte. — Ou desaparecer e fingir que você não está a menos de 100 metros de mim? O que fazer? Acabei parado aqui em um dilema. Você me pegou. Eu fico olhando para ele. Ele parece melhor do que a última vez que o vi. Seu cabelo está curto novamente, o caos aleatório, e, seu rosto está um pouco mais cheio, quase de volta a ser como era quando éramos felizes. Finalmente, eu falo. — O que você está fazendo aqui?


— Jagged me chamou para a sua nova gravação... estou gravando faixas de guitarra amanhã. Eu deveria encontrá-los aqui em alguns... Andy sai do restaurante e para em frente de nós. Ele olha para Ian e para mim e volta para Ian. Ele reconhece Ian e move-se para perto de mim. — Sparrow? Que tal uma carona? — Eu estou bem, Andy. Obrigada, apesar de tudo. Realmente, — acrescento, quando parece que ele não acredita em mim. — Ok, se você tem certeza. Eu ligo para você mais tarde. — Ele acena para Ian e vai embora. — É seu namorado? — Ian pergunta, com o rosto inexpressivo. — Não. — Ele quer ser, — Ian diz enfaticamente. — Sim. Ian acena com a cabeça e solta um longo suspiro. — Podemos ir a algum lugar, Sparrow? Em qualquer lugar? Você comeu sobremesa? — Você disse que encontrará a banda aqui. — Dane-se a banda. Eu estou vendo você. Eu não posso perder a chance de estar com você. Eu teria ligado para dizer que vinha, mas toda a questão do número de telefone... caramba, eu gostaria que você me desse o seu número. Eu escrevi para te dizer. Talvez você não tenha recebido ainda? Eu balancei minha cabeça negando. — Ahhh. Bem, o que você diz? Vem comigo? Vamos recuperar o tempo perdido? Comemorar? Você tem um monte de celebração para fazer...


Dentre todas as pessoas no mundo com quem eu gostaria de comemorar, lá no fundo, Ian ainda é o único. Mas eu digo: — Eu deveria ir para casa. É... foi um dia longo. O rosto dele cai. — Eu entendo, — diz ele densamente. — Eu vou ficar aqui até segunda-feira... a hora que for melhor para você, Sparrow, é só me ligar, se quiser me encontrar. Eu faço um número no interior da minha boca, mordendo forte para não cair em seus braços e sair com ele à noite. — Espero que tudo corra bem, — digo baixinho. — É bom ver você, Ian. — É tão bom te ver, Sparrow. — Ele estende a mão e toca o meu braço. — Eu ainda te amo. — Eu ainda amo você, também, Ian. Isso só não quer dizer nada. Eu vou embora antes que eu possa digerir totalmente o olhar machucado de quem levou um soco em seus olhos, causado pelas minhas palavras.

Estou me arrastando na mercearia na manhã seguinte. Foi uma longa noite insone. Alguém diz: — Sparrow Fisher? Eu me viro e não reconheço o cara que está andando para mim. — Você é Sparrow Fisher? — Quem é você? — Pergunto. — Eu sou Leo Naik. Baixista do Jagged.


Concordo com a cabeça. — Ah, sim, desculpe, eu não o reconheci. Nós nos encontramos antes? — Não. — Ele ri. — Desculpe, eu acabei de perceber que não nos conhecemos. No entanto, eu sinto como se eu conhecesse. Ian fala sobre você o tempo todo. Eu vi um monte de fotos. Esse cara é louco por você. Eu desvio o olhar, desconfortável. — Ele estava fodido ontem à noite, cara. O que você fez com ele? Ele estava mijado de bêbado no momento em que chegamos ao restaurante – tivemos que arrastá-lo para casa. Ele falou sobre você toda a noite. — Ele está bem? — Pergunto. — Ele nunca fica bêbado. Nunca. Ele quase não bebe. Leo se inclina para perto e diz em voz baixa: — Eu estou preocupado com ele. O cara está confuso – ele estava no chão a noite toda, encolhido como uma bola, falando bobagens sobre você. Fecho meus olhos e coloco minha mão sobre meus lábios. Quando abro meus olhos, eu desloco em direção a Leo e encaro seu rosto. — Não fale sobre isso, ok? Ian gosta de sua privacidade, e ele não quer que ninguém saiba disso. Leo levanta suas mãos. — O cara é meu amigo. Eu só estou dizendo a você, porque, bem – o quão louco é eu esbarrar em você aqui, hoje, depois da noite que tive com o seu ex? Estou pegando alguns Advil39 e levando-os para ele. Se há alguma parte de você que quer dar a ele outra chance, pegue a sua bunda e volte para ele e dê ao pobre homem um descanso. Eu viro para longe dele, a raiva tomando conta. — Cuide da sua vida. Você não me conhece, — eu atiro. — Oh, eu conheço muito. Eu ouvi sobre você durante um longo tempo. Não me interprete mal, eu tenho certeza que você é boa e tudo, mas você já fodeu com ele regiamente. Ele se afastou de sua carreira e tudo mais por você. 39

Ibuprofeno – um anti-inflamatório.


— Eu nunca pedi para ele fazer isso. E da próxima vez que vocês conversarem sobre mim, por que não pergunta a ele como chegamos a esse ponto? — Tudo o que sei, é que Ian Sterling nunca vai superar você. Com isso, ele se afasta e me deixa olhando para ele, imaginando como minha vida se tornou tão complicada.

Toda vez que eu saio do apartamento, eu meio que espero ver Ian em cada esquina. Estou em guarda e nervosa. Sábado de manhã, eu abro a porta para buscar o meu correio, e há um bilhete colado à minha porta.

Sparrow Kate Eu esperava vê-la novamente. Eu decidi ir embora hoje. Eu sei que se eu ficar por mais tempo, vou tentar torcer seu braço para me ver. Terminei meu trabalho mais cedo e tenho a oportunidade de tocar em Cape Cod hoje à noite. Eu ficarei lá mais uns dias. Se você quiser me encontrar antes de eu ir para casa, eu posso passar na volta por aqui. Eu gostaria muito disso. Eu prometo que me comportaria. Ian

Eu afasto a decepção que corre em mim. Minha vontade inconstante é repugnante. Mandei-o embora.


Estou furiosa por ele ir. Eu não posso amá-lo. Eu não posso odiá-lo também.

Ian Sterling me arruinou. E ele me arruinou para qualquer outra pessoa.


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Ano Novo, Vida Nova 4 meses mais tarde

Eu não faço quaisquer resoluções de Ano Novo este ano. Eu não jurei nada. Qualquer coisa que me faça sentir culpada ou exija muita reflexão ou é ser muito responsável – estou dando ao meu cérebro responsável um ano de descanso. Eu resolutamente resolvo não decidir nada, ponto final. Vamos ver se estou no caminho certo. A carta deixada na minha porta há quatro meses foi a última vez que eu ouvi de Ian.

Eu analisei isso na minha cabeça umas mil vezes: Ele deixou essa nota com grandes esperanças de que eu fosse vê-lo novamente quando estivesse na cidade. Ele não ouviu de mim e foi para casa ainda mais desanimado. Quando chegou em casa, a minha enorme carta para ele estava esperando. Ele finalmente desistiu.

Eu sei que pedi isso, mas uma parte do meu coração rompe mais uma vez com a realização. Em alguns aspectos, porém, o silêncio ajudou. Sinto-me melhor para descartar todos os meus pensamentos e, finalmente, fechar a porta para sempre. Mas, oh, eu sinto muita falta dele. Percebo agora que eu não tenho isso,


o quanto cada pequeno pedaço de informação dele ainda me fazia presente sobre sua preciosa vida. Agora é uma dor maçante ao invés de uma mordida que costumava vir com cada carta. É melhor eu ter terminado completamente, mas não para o tormento que eu sinto a cada dia.

Eu estou namorando alguém novo. Seu nome é Carl. Ele é bonito e divertido, e não espera muito de mim. Ele é um escritor também, e nós nos encontramos em um almoço para autores emergentes. Estávamos sentados na mesma mesa e tivemos uma conversa agradável. Saímos para jantar e fomos ao cinema hoje à noite, e tivemos um tempo realmente bom. Seus beijos ainda são agradáveis. Eles quase me ajudam a esquecer. Por apenas alguns momentos em um momento, eu quase posso esquecer. Tessa foi para casa de Jared, mas ela pegou o correio antes de sair e eu agradeci por isso. Meu coração começa a bater quando vejo uma carta de Ian.

Sparrow, É Ian. Eu comecei a escrever esta carta um tempo atrás. Nesse meio tempo eu recebi sua carta. Isso me relaxa um pouco. Obrigado por compartilhar alguns de seus sentimentos – eu entendo a maioria deles perfeitamente. Tenho certeza que sabe

o

quão

difícil

é

expressar

verdadeiramente,

completamente

seus

pensamentos e emoções em um pedaço (ou em uma centena de pedaços) de papel. Aqui está mais uma tentativa. Eu sei que a sua intenção ao escrever não era abrir um diálogo (muito ruim). Você quer que seja apenas finalizado. Acabado. Terminado. Não mais. Nada.


Destruído. Final. Vá para o inferno. Fim. Sair. Parar. Vá-se embora. Dê uma caminhada. Bye-bye. Ponto final. Ponto de exclamação! (Estou entendendo sua intenção?) Então, eu realmente não estou escrevendo para responder, embora eu adoraria. Há tantas coisas que eu gostaria de poder fazer você entender – eu, meu coração, meus motivos, minhas verdadeiras intenções para com você (o que elas foram, o que são agora, o que poderiam ser), o que quero dizer quando eu digo: Eu te amo – mas eu não posso. Eu não posso te obrigar a fazer algo contra sua vontade. Eu não tenho certeza de quando eu comecei a entender esse fato. Talvez eu sempre tenha entendido. Mas eu sei que quando eu te vi em Nova Iorque na última vez, tornou-se vividamente claro para mim. Eu senti como se eu estivesse olhando através de você e ainda não a vendo completamente. Como se cada parte de você tivesse se afastado. E eu sabia que eu era impotente para fazer qualquer coisa sobre isso. Deus sabe que eu teria feito absolutamente qualquer coisa para fazer o nosso relacionamento funcionar. Eu passei o ano passado (mais alguns meses), esperando e rezando para o milagre que nos reuniria e me daria a chance de te amar e compartilhar minha vida com você novamente. Agora eu passei a acreditar que isso pode nunca acontecer. Não há nada que eu possa fazer. Se você não quer ficar comigo, você não ficará. Estou tentando deixar você ir. Eu decidi começar a ver alguém. Eu não sei como deixar de estar apaixonado, mas, aparentemente, isso é possível. Vamos ver. Levei meses para escrever isso. Ela não diz uma fração do que eu quero dizer, mas acho que algumas coisas vão ter que ficar sem dizer. Talvez nós conversemos de novo algum dia. Vai depender de você.


Com as mãos trêmulas, seguro a carta e deslizo minhas costas pela parede até que eu esteja no chão. Minhas lágrimas caem sobre o que está escrito, deixando a tinta borrada em seu lugar. Eu choro por tudo o que está perdido. Eu choro por ele ter desistido. Eu choro pela raiva em suas palavras. Eu choro por ele encontrar alguém que o fez considerar me deixar ir. Eu choro pelo dia que eu o conheci e pensei que poderia lidar com alguém como ele. Eu choro pela menina que ele conheceu aquele dia, naquele restaurante, estar muito longe. E eu choro, porque eu não sei o que fazer com essa pessoa que restou.


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Casa 6 meses mais tarde

Tessa lacra a última de suas caixas e se levanta, limpando os resíduos de papelão de suas mãos. — Eu acho que é a última. — Ela enxuga a testa e olha para mim com um sorriso. — Eu acho que nós devemos sair pela cidade esta noite. Eh? O que você acha? Eu sei que ela está tentando me animar e eu estou determinada a mostrar a ela que ficarei bem. Tessa, Jared, e nosso sofá vermelho fabuloso estão se mudando para Nova Orleans amanhã. Jared conseguiu um emprego com um excelente escritório de advocacia lá. Eles estão noivos, mas sem data de casamento em breve. Tessa quer todos os sinos e assobios para o seu casamento, ou como ela diz, todas as bolas e apitos. Vou sentir falta dela desesperadamente, mas eu estou tão feliz por ela. Ela está animada para um novo começo. Nós concordamos em ligar e enviar mensagens o tempo todo, nos visitar muito, e Skype sempre que possível. Ainda assim, não será o mesmo. Eu a tive ao meu lado desde a quinta série. — Sim. Sim, eu definitivamente acho que deveríamos. E devemos ficar acordadas a noite toda e ver filmes. Jared pode levar tudo amanhã. Isso é o que ele merece por levá-la para tão longe. — Sim! É isso mesmo! — ela grita de volta. — Ok, vamos ficar limpas e prontas!


Estamos em nossa segunda bebida quando ela traz à tona o tema de eu voltar para casa. — Você tem pensado nisso? — Muito, na verdade. Eu acho que é a hora. Com você indo embora, não há realmente nada mais que me mantém aqui. Tenho saudades dos meus pais e da Califórnia. E com a venda de livros indo bem, eu acho que eu poderia finalmente dar ao luxo de viver na Califórnia por mim mesma. Eu já comentei com Louise, e ela não vê por que não podemos lidar com tudo através de e-mails e chats de vídeo, então... eu estou indo para isso. Tessa parece aliviada. — Eu acho que vai ser uma boa jogada, Ro. Você precisa de uma mudança. Sei que casa pode não parecer muito de uma mudança, mas talvez seja exatamente o que você precisa. Concordo com a cabeça. — Há outra coisa que eu quero falar com você. Por favor, não fique brava comigo. Minhas sobrancelhas dobram-se e eu rio. — Você sabe que é impossível eu ficar com raiva de você, Tess. — Bem, só me ouça e saiba que eu estou dizendo isso porque eu te amo. — Você está me assustando. — Eu só quero que você seja cuidadosa, — diz ela. — Tudo bem... o que você quer dizer? — Bem, eu sei que você já passou por um inferno com tudo com Ian e você parece melhor do que estava – o que me deixa TÃO feliz – mas eu só estou


preocupada com a maneira que você está tentando ficar cada vez melhor recentemente. Minha pele ruboriza e eu olho para o meu copo e limpo um pouco da condensação com o guardanapo. — Ro, — ela diz baixinho: — Eu não acho que você tenha feito nada de errado. Deus sabe, eu teria feito muito pior na sua situação. Já fiz muito pior NÃO estando em sua situação... — Ela ri e pega a minha mão. — Só não é você, Ro. Não é você e nunca vai ser. Alguns desses caras que você leva para casa – eu não confio neles. Nem um pouco. E eu não estarei por perto para chutar suas bundas, se te machucarem – não que você precisa de mim para isso neste momento, eu te vi na aula de Taekwondo. Eu só estou preocupada com você. Não deixe o que ele fez para você transformá-la em alguém que você não é. Uma única lágrima cai. Passou um longo tempo desde que eu chorei. A última carta foi a última vez. Eu olho para Tessa e agarro as nossas mãos com a minha mão livre. — Eu amo você, Tess. Eu ouço você. Eu preciso parar esta espiral descendente em que entrei. Eu estive procurando por alguma coisa que o tirasse da minha cabeça. Não está funcionando, nada está. — Talvez seja a hora de parar de fugir dele e hora de começar a correr para ele, — diz ela. Eu balanço minha cabeça e sorrio fracamente. — Quando você se tornou tão... inspirada? Ela ri. — Isso soou muito bom, não é? — Você sabe que ele está namorando outra pessoa agora. Ele seguiu em frente. — Acho que ele só está fazendo a mesma coisa que você está fazendo – tentando sobreviver.


Penso sobre essa conversa com Tessa muitas vezes. O apartamento parece solitário, e estou tentando me afastar dos meus maus hábitos. Assim, vou começar a fazer os preparativos para voltar para a Califórnia. Tudo se encaixa, quase como se isso estivesse destinado a acontecer. Poucas noites antes de eu sair, eu tive apenas um último jantar com Louise e estou em um táxi indo para casa. Paramos do lado de fora do The Living Room, um local legal de música eclética. Andando a passos largos com sua guitarra nas costas, eu o vejo. Ele anda com um propósito. Ele deixou um pouco de sua presunção para trás, o que me faz sorrir. Ele parece saudável. Talvez me deixar ir foi a melhor coisa para ele. Claro que me destrói, mas eu anoto no meu diário como um dia significativo. Acho que Ian vai ficar bem e agora eu preciso ficar também.

Meus pais tentaram me convencer a me mudar novamente para o meu antigo quarto. Além do fato de eu ter 24 anos e com a esperança de evitar retroceder com a minha vida, estar no meu quarto me dá claustrofobia. Eu preciso ficar uma semana antes de poder mudar para o meu novo lugar, e eu quero escalar as paredes. Eu encontrei uma pousada em Los Gatos, um subúrbio bonito de San Jose. A casa na parte de trás é tão encantadora. Eu absolutamente amo isso. Jenny, a proprietária da casa principal, é maravilhosa. Ela era modelo. Ela é linda e


praticamente flutua a cada passo. Nós nos demos bem em poucos minutos de reunião e ela disse que o lugar é meu. O dia da mudança é um lindo dia ensolarado. Estou feliz por estar de volta nas temperaturas amenas e sol. E este lugar – parece muito bom. Enquanto arrumo o lugar, Jenny vem com um prato de biscoitos. Eu poderia me acostumar com isso. — Você fica tão bonita aqui dentro! — Jenny canta suas palavras. — Obrigada. Estou pensando em pintar isso... — eu aponto para a mesa no meio do piso. Tudo o resto está em seu lugar, exceto a mesa. — Eu acho que tem que ser pintada de azul, — digo a ela. Ela acena a cabeça como se concordasse totalmente, e me sinto aliviada, e não por causa da mesa. Este é o lugar onde eu tenho que estar.

Os dias vêm e vão, sem muita emoção, mas mais paz do que eu tive em muito tempo. Até eu começar a namorar Reggie. Quem nomeia o seu filho de Reggie afinal? Reginald, Sr., esse é quem. Eu deveria ter me afastado quando ouvi o nome, mas dei a ele uma chance. Ele é engraçado e isso conta muito comigo. Ele é bonito em um jeito nerd – de cabelo ondulado, olhos azuis e óculos. Ele é o tipo de cara que provavelmente será bonito, quando for muito mais velho. Agora, ele ainda parece apenas desajeitado. Mas, por alguma razão, eu saio com ele e depois não consigo me livrar dele. Nós discutimos. Muito. Eu nunca briguei com ninguém, muito menos um namorado, e é meio terapêutico. Eu digo exatamente o que eu penso e zombo quando não concordo com ele. Talvez seja a maneira que eu deveria ter sido em qualquer outro relacionamento, eu não tenho certeza, mas o fato é que, depois de


meses de discussão, eu percebo que realmente não gosto de Reggie. Como uma pessoa. Absolutamente. Na verdade, tudo que ele faz me incomoda. Ele parece com o coração partido quando termino com ele. — Você nem sequer gosta de mim! Você não concorda com nada o que eu digo! — Eu amo não concordar com você, — ele grita. Por favor.

Poucos meses depois, eu saio com Art, abreviação de Arthur. Eu sei. Não é muito melhor do que Reggie, mas ele é escuro e pensativo e isso meio que me atrai. Veja isso – ele é um artista – quão perfeito é isso? Claro, eu causo alguma preocupação sobre isso, mas ele lida com isso com calma. Nada de briga. Art, nada... exceto quando eu digo a ele, depois de dois meses, que eu não quero namorá-lo exclusivamente. De repente, ele entra em um acesso de raiva e joga uma cadeira do outro lado da sala. Era uma leve cadeira dobrável, mas ainda assim, eu saí de lá rapidamente. Ele liga de vez em quando, mas eu não o vejo novamente até que estou parada em um cruzamento, esperando o sinal abrir. Ele está de frente para mim, esperando o sinal do outro lado. Eu levanto minha mão para acenar, quando um carro bate no meu carro... do meu lado. Os airbags incham e quase quebram meu nariz. O vidro está em todos os lugares. Meu joelho está me matando. Meu pescoço também. O impacto empurra o carro do outro lado da estrada e eu sento em estado de choque por tempo indeterminado. Art fala comigo através da janela e, em seguida, abre a porta.


— Não se mova, — diz ele, pegando minha mão. — Fique quieta. Eu chamei a ambulância. — E então ele olha para baixo com ternura e um toque de malícia e diz: — Eu me lembro quando você costumava segurar a minha mão assim... Bastardo.

Com carro destruído e problemas nas costas para toda vida, posteriormente eu encontro Cam, o trabalhador da construção civil bonitão que vem trabalhar na casa de Jenny. Ele é maravilhoso – pé no chão, divertido, realmente bonito e gosta de mim. Ele acha que eu pendurei a lua40, ele fala com seriedade. Eu saio com ele e me divirto. Ele consegue me fazer rir TANTO, e ele pensa que eu sou histérica. Ele me leva em todos os tipos de diversão, encontros únicos – como um passeio de balão de ar quente e corridas de kart! Eu gosto tanto dele que eu acabo com ele antes que possamos começar a namorar oficialmente. Ele não precisa da minha bagagem.

Tessa liga de madrugada. — Olá? — eu digo grogue. — SINTO MUITO, eu não podia esperar para ligar para você!

Expressão usada para indicar que algo ou alguém é incrível, ou transmitir admiração por uma pessoa. Pode ser usada com sarcasmo. 40


— O que está acontecendo? — Eu escoro em ambos os cotovelos. — Nós temos uma data! Isso me acorda. — Tessa! Quando? — 21 de setembro! — Como seis meses a partir de agora, 21 de setembro? O quê? Como você fez isso? Onde? — Você não vai acreditar, Ro. Houve um cancelamento em – espera por isso – RITZ CARLTON! Eu afasto o telefone enquanto ela grita. Eu grito também. — O Ritz? — grito. — COMO você conseguiu isso? — É tudo muito louco. A esposa de um dos advogados da firma de Jared é uma conselheira de casamento lá. Que loucura é essa? Nós nos demos bem quando vim para uma das coisinhas de trabalho de Jared, você sabe, quando mudamos... — ela toma um fôlego enorme e continua, — ... ela me colocou na lista de espera e, em seguida, disse que me ligaria no minuto que tivesse cancelamento... que eu estaria no topo da lista. Ela acha que Jared e eu esperamos por muito tempo. — Tessa ri. — De qualquer forma, ela ligou às 7 da manhã e me deu a boa notícia. Bem, uma boa notícia para mim, uma má notícia para a pobre noiva que deveria se casar naquele dia... — sua voz arrasta. — Tessa, não vamos pensar nela agora. Vamos apenas ficar felizes por você, ok? — Ok! — diz ela feliz. — Eu vou voltar para casa para ir me vestir para as compras – quando eu tiver algumas datas definidas eu falo com você. — Mal posso esperar. — E você vai chegar mais cedo, antes do casamento também, certo?


— SIM! Com certeza! Se você dissesse que era este fim de semana, eu pularia em um avião agora para chegar lá. — Amo você, Ro. — Eu também te amo. E então Michael vem para uma visita. Meus pais me informam que ele está vindo durante o jantar de domingo na semana anterior. Quando Michael voltou para Seattle, ele se formou e entrou na faculdade de medicina. Ele decidiu que o ministério não era realmente para ele. Meu pai ficou em contato com ele, mas esta será a primeira vez que o vejo desde que ele foi embora. — Ele ficará com a gente apenas no fim de semana. Ele queria ver todo mundo antes dele começar sua residência, — diz a minha mãe. — Ele vai ficar aqui? — Meus olhos estreitam para ela, tentando decifrar se ela está arrumando isso para nos unir de novo ou se ela está tão surpresa quanto eu. Eu não posso ter certeza. Ela acena com a cabeça e fica muito ocupada esfregando uma panela. Estou ansiosa para vê-lo... desde que ele não tente nada comigo.

Enquanto me preparo para jantar com Michael e meus pais, eu penso no nosso tempo juntos e como muita coisa mudou. Eu me pergunto se nós ainda reconheceremos um ao outro, se seremos as mesmas pessoas que costumávamos ser. Eu arrumo uma mala. Eu vou ficar em casa enquanto ele estiver lá, para que possamos passar o máximo de tempo juntos durante a visita.


Eu sigo até a casa e ajudo a minha mãe com os preparativos de última hora. Quando Michael chega, todos nós vamos para a porta e gritamos com entusiasmo quando nos vemos. Michael abraça meus pais primeiro e, em seguida, seus olhos se viram para mim. Ele me embrulha em um grande abraço e sorri seu sorriso enorme. — Hey, Ro. Com certeza é muito bom ver você. — Eu estou tão feliz de vê-lo! — digo a ele e eu quero dizer isso. — Você está ótimo! — Você está mais linda do que nunca. Eu não posso acreditar quanto tempo passou desde que eu vi você. — Eu sei, eu não posso também, — eu digo enquanto o pego pelo braço e ando com ele para dentro. Conversa flui facilmente, enquanto todos nós estamos presos a ele. Michael sempre teve uma forma de contar uma história e sua risada é contagiante. Meu coração está cheio, quando penso sobre tudo o que ele realizou e como ele se saiu. Eu sabia que ele seria um homem maravilhoso e ele é. Mais tarde, depois que meus pais foram para a cama, eu fico conversando com Michael. — Eu ouvi pedaços sobre o que aconteceu com você e Ian, — diz ele depois que alguns tópicos já esgotaram. — Sim, foi... difícil. — Eu me sinto horrível, mesmo falando sobre isso com ele depois que eu quebrei seu coração... por causa de Ian. — Eu não vou mentir, eu queria que o cara sofresse por um longo tempo... depois que eu perdi você. Mas eu nunca quis que você passasse por nada parecido com isso. — Michael olha para mim, e eu vejo a sinceridade em seus olhos. — Você está bem, Ro? Você está realmente bem? — Eu não tenho estado, — admito. — Já passou tempo o suficiente, eu já deveria ter ultrapassado. — Rio sem jeito. — Mas eu não consigo...


— Bem, ele foi um idiota por destruir suas chances com você. Eu sei que ninguém é perfeito, mas você está muito perto. — Ele se estica e toca o meu rosto suavemente. — E eu quero matá-lo por ferir você. — Você é um bom homem, você sabe disso, Michael? — sorrio. — Eu senti sua falta. Há momentos em que eu estou passando por algo e eu gostaria que pudesse falar... só para ter alguém que conhece o velho eu, sabe? A divertida, alegre. Você sabe o que eu quero dizer? Eu não me reconheço mais. Eu sou malhumorada, escura e cínica. Eu não gosto disso. — Você ainda está aí. Eu ainda vejo você. Só que agora você veste roupas melhores, é ainda mais quente, e tem uma parte escura de você que não é de todo ruim! — Ele se esquiva quando eu jogo um travesseiro para ele.

O resto do meu tempo com Michael é mais do mesmo: divertido, fácil, doce. Depois de todos nós o abraçarmos na despedida, e ele entrar em seu carro, eu grito mais uma vez para que ele dirija com cuidado. Ele ri por cima do ombro, acena mais uma vez e essa é a última vez que o vejo. Ele vai para casa e decide, finalmente, comprometer-se a sua namorada.


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Acho que não Há uma pequena mesa da cafeteria que eu escolhi para escrever quando minha casa está desabando sobre mim. É perto da janela, tem um canal simplesmente debaixo da mesa e é, simplesmente, o melhor local. Eu venho cerca de quatro vezes por semana e está sempre aberto, apenas esperando por mim para começar a trabalhar. Trabalhando um pouco mais tarde do que o habitual, eu impaciente espero na fila para pegar meu café da manhã com creme. Quando eu me viro, o vejo. Ele não é difícil de notar – ele tem, pelo menos, 1,97 e é gostoso. Muito gostoso. Eu organizo tudo na minha mesa e estou me preparando para mergulhar em uma nova ideia do livro, a qual eu não consigo parar de pensar, quando sinto alguém em cima de mim. Eu olho para cima, e ele está ali, pairando sobre a minha mesa, franzindo o cenho. — Eu costumo sentar aqui, — diz ele. Eu levanto uma sobrancelha. — Boa escolha. — Sim, é a melhor mesa no local. — Eu concordo, é por isso que eu sempre sento aqui. — Bem, você não esteve aqui nenhuma outra vez... — Olha, — eu interrompo, sorrindo docemente, — se você queria uma desculpa para falar comigo, você poderia apenas ter dito isso. Realmente, eu não mordo. Sua boca cai aberta e os cantos de seus lábios começam a levantar. Eu reviro os olhos. — Perdeu. Eu estava aqui primeiro.


Ele rapidamente fecha a boca, mas o sorriso permanece... cresce, mesmo. — Olha, eu tenho uma ótima ideia. Que tal compartilhar esta mesa? Sim, eu gosto disso. Eu olho-o. Camisa impecavelmente apertada, preenchida com o peito largo e ombros definidos, abotoaduras polidas, cabelo castanho penteado sem um único fio fora do lugar. Talvez esta seja a perfeição. Claro que se encaixa no projeto. Deixo escapar um longo suspiro. — Não. — Vamos, vai ser divertido. Eu vou ficar quieto. Há espaço de sobra. — Ele ergue as sobrancelhas e junta as duas mãos em uma pose cômica de súplica. — Ah, tudo bem, — eu atiro. Ele ri e estende a mão. — Sou Shane. Desculpe, se fui muito rabugento. Preciso beber um pouco disso antes que eu possa ser agradável. — Ele levanta sua caneca de café. — Sou Sparrow. Sente-se.

Nós não terminamos nosso trabalho, mas marcamos um encontro para sexta-feira. — A menos que eu veja você antes disso na nossa mesa, — Shane diz quando ele sai.


Um encontro leva a dois e antes que eu perceba, eu estou namorando Shane por três ou quatro meses. Minha posição sobre Todos os Homens São Maus terminou um tempo atrás, mas eu ainda não confio plenamente. Eu acho que eu nunca irei. Shane é inteligente, divertido, espirituoso, tão sexy, e ele desperta alguns pensamentos lascivos que eu não tinha desde...... No entanto, ele joga golfe. Obcecado com isso. Qualquer cara que eu conheci que é um jogador de golfe não apenas joga para se divertir de vez em quando. Eles jogam sempre que o tempo está acima de 13º C, se os céus não estão chovendo granizo, e se acontecer de ter um dia de folga do trabalho. Na Califórnia, isso é praticamente todos os dias, a menos que você seja um viciado em trabalho. Shane não é. E já que eu não tenho um trabalho real – palavras de Shane – ele acha que eu deveria ser capaz de jogar golfe com ele todos os dias. Talvez se ele fosse um homem velho, aposentado, mas ele tem 25 anos! Acho que não. É uma coisa boa que ele sabe como usar suas mãos.

Tessa conhece Shane, quando ela vem. Depois de fazer compras por dois dias seguidos, nos encontramos com Shane para beber. — Meu Deus, ele é lindo, — ela sussurra quando ele caminha até o bar. — Você não faz nada, só olha para ele todos os dias? Eu faria isso. — Eu gosto de olhar para ele. — Sorrio para ela, olhando para ele tocando os dedos contra a madeira enquanto espera. — Eu acho que é o que eu mais gosto sobre ele.


— Uh-oh, — diz ela. — Eu pensei que este era... — ela para quando Shane se vira e coloca nossas bebidas na mesa. Fazemos conversa fiada pelos primeiros quinze minutos, até que Shane começa a falar sobre um livro de autoajuda que ele está lendo. O fato de que ele lê é um plus, mas seu tipo de leitura me irrita. Ele fala por sólidos 20 minutos sobre o assunto, cantando seus louvores para ajudá-lo em seu trabalho de vendas. Os olhos de Tessa embaçam. Ela olha para mim e levanta as sobrancelhas. Então, ele é um tanto maçante, também.

Quando eu levo Tessa ao aeroporto, ela diz: — Você é bem-vinda para trazer Shane para o casamento – isto é, se você ainda estiver namorando ele até então. Eu reviro os olhos. — Vamos ver.

Shane ficou na minha casa ao longo das últimas noites. Meu lugar parece como se fosse um buraco de rato quando ele está aqui por mais tempo do que um dia. As paredes estão se fechando em mim. — Por que não vamos sair por um tempo? Filme? Praia? — Eu sugiro tudo o que vem à mente enquanto ele fica lá e joga uma bola de golfe. Para cima, para baixo, pega. Para cima, para baixo, pega. Para ciiiiima, para baixo, pega.


— PARE! Ele se vira para mim com uma careta. — O quê? — Pare com a bola por um segundo. Quer ir para Santa Cruz? — Eu pensei que talvez pudéssemos ir por pelo menos 9 buracos... vamos lá. Vai ser divertido. Cada parte de mim se encolhe. Eu tenho que consertar o meu olhar, para evitar revirar os olhos. — Eu não vou passar o dia dirigindo seu carrinho. Não. — Poderíamos caminhar... bom exercício? — Ele se move na minha frente e se inclina para beijar meu pescoço. Eu escovo-o. — Vá em frente. Eu preciso ir ver os meus pais hoje, de qualquer maneira. Eu preciso pegar uma das malas da minha mãe para o casamento. Estamos negociando, ela vai levar uma das minhas pequenas, quando ela for. — Eu balanço minha cabeça. Eu não sei por que estou explicando tudo isso para ele. Ele desligou quando eu disse: Não. — Ok, bem, talvez eu encontre com você depois? Jantar hoje? — Eu acho que vou sair com eles esta noite. Tem um tempo que não vou lá. — Será que vou vê-la antes de sua viagem? — ele pergunta enquanto amarra seus cadarços. — Sabe o quê? Provavelmente não. Eu tenho uma chamada de conferência com Louise amanhã para discutir o meu novo manuscrito. E então eu tenho algumas coisas para fazer antes de sair no dia seguinte. Essa é provavelmente a última vez. — Tudo bem. — Ele se inclina e me beija. — Divirta-se. Diga para Tessa que ela ainda tem algum tempo para desistir. — Ele ri da própria piada, pega sua mochila, e acena enquanto sai pela porta. Estou tão feliz por não convidá-lo para o casamento.


Em vez de ficar na casa dos meus pais, eu pego a mala e volto para casa fazer as malas. Normalmente, eu gosto de planejar uma roupa para cada dia e noite – sem extra. Mas desde que estou arrumando por quase uma semana e Tessa foi um pouco dispersa em detalhes, ultimamente, eu jogo um par de vestidos extras e uma roupa de yoga extra, apenas no caso. Tessa queria fazer o meu vestido, mas encontramos um lindo vestido enquanto comprávamos o seu vestido. Eu a convenci de que ela não precisa da pressão adicional de fazer os vestidos de dama de honra. Todos os vestidos são um vermelho abafado. O meu tem detalhe extra desde que eu sou a dama de honra, com um longo decote na frente, apertando na cintura, e um pequeno recorte na parte de trás. É requintado. Eu deixo-o pendurado, então não amassa na minha mala. Louise e eu fizemos muito no dia seguinte. Nós conversamos por algumas horas, antes de discutir as próximas contratações e, em seguida, cobrindo a linha do tempo para o meu novo livro. Eu amo cada pedaço desse trabalho. É a única vez que estou realizada. Após finalizar todos os recados, eu vou para a casa dos meus pais e passo a noite. Eles vão me levar ao aeroporto pela manhã. Temos uma noite divertida, mas eu me arrasto para a cama mais cedo, me sentindo acabada. Eu penso sobre Shane e gemo interiormente. Não vai durar com ele. Na verdade, eu preciso apenas terminar com homens completamente. Isso não vai fazer nenhum bem. Eu não posso esquecê-lo. Eu fico olhando para o teto, e como sempre, instala-se em mim. O luto. Já se passaram dois anos, dez meses e quatro dias e ainda corta tão profundo. Eu viro e abro minha gaveta do criado mudo. Eu não tenho feito isso há muito tempo. Não é inteligente, mas eu puxo o pequeno álbum de fotos de Ian e eu. Tem cerca


de 100 fotos 4x6 de nós, desde o início até o fim. Eu folheio as fotos e vejo a maneira como ele olhava para mim, o amor em seus olhos. A luz na minha cara que foi embora no dia em que eu soube o que ele havia feito. Eu nunca vou amar ninguém como eu o amo. Nunca. Tudo isso em busca de algo, alguém, QUALQUER COISA para aliviar a dor que ele deixou... eu sei que nunca será preenchida. Ele é o único que eu sempre amarei. Eu enxugo as lágrimas do meu rosto e balanço a cabeça em frustração. Eu pensei que não choraria mais por ele. Eu coloco o álbum de volta na gaveta, e quando o faço, meus dedos roçam a caixa. Eu a pego e abro. Meu anel de noivado brilha para mim. Eu coloco no meu dedo e adormeço usando-o.

Eu fico de frente para elas por uma eternidade, encarando a complexidade das portas de madeira por um longo tempo. Finalmente, eu dou um passo e entro. O quarto é um azul pacífico. Eu tomo uma respiração profunda. É uma sensação quente aqui, segura. Viro-me e vejo Ian perto da janela. Ele sorri, estendendo a mão para mim, e eu não tenho medo.


- 30 -

4A e 4B 2 anos, 10 meses e 5 dias após ele quebrar meu coração

— Como está Laila?

Um silêncio longo e doloroso se estende em minutos. Quando Ian finalmente fala, é com um tom calmo e controlado. — Eu não vi Laila em mais de três anos. Eu falo com Jeff muitas vezes – nós conseguimos construir meio que uma relação. Ele ainda está tentando resolver as coisas com Laila. Eu não sei como ele me perdoou, mas ele... — sua voz some. Concordo com a cabeça e puxo minha saia, desejando poder estar fora deste avião agora. — Ouvi dizer que você está namorando alguém, — Ian diz, olhando para frente. — Eu já namorei alguns alguém, — digo baixinho. — O último que ouvi, você estava sério sobre alguém. — Ian vira para mim agora, e a dor em seus olhos está ameaçando me desfazer. — Não, não realmente, — digo a ele. — No entanto, ouvi dizer que com você também. — Nós terminamos. Eu a namorei por 9 meses, mas estamos terminados por um tempo agora.


O comandante começa a dar as últimas instruções antes de pousar. Ian toma meu copo e joga no saco quando o comissário de bordo anda passando. Meu cérebro ainda está ligado a nós terminamos, e eu quero saber mais sobre isso. — Será que você a traiu? — Isso sai da minha boca antes que eu possa parar. Ian respira antes de falar. — Bem, se você considerar estar apaixonado por outra pessoa o tempo todo que nós namoramos, então sim. Mas não, eu não a traí – ela sabia sobre você o tempo todo. Éramos amigos em primeiro lugar, e ela pensou que poderia me curar. Ele me dá um sorriso fraco, e meu coração precipita-se. Só então, as rodas entram em contato com o asfalto e vamos saltando até parar. Nós sentamos e esperamos até que o sinal do cinto de segurança dispara, Ian olha para mim o tempo todo. É um pouco desconcertante. Eu não consigo parar de olhar para ele, também. Seu rosto – seus olhos, seus lábios, aquele sorriso lento, sexy, suas sobrancelhas completas que podem mostrar tanta expressão. Eu amo este homem. Eu não posso parar de amá-lo. Finalmente estamos fora do avião e agora que eu realizei o meu desejo, eu só quero refazer a última hora com ele.

Ian está silencioso quando vamos reivindicar a bagagem. Quando paramos na frente da esteira para esperar a nossa bagagem, Ian toca meu braço com a mão. Eu olho para ele e ele sorri.


— Quando eu disse que você me mudou, era verdade. — Ele agarra minha mão e coloca-a em seu coração. — O tempo só tem solidificado isso para mim. E hoje foi simplesmente a cereja do bolo. — Seus olhos brilham com a memória. Ele coloca minha mão em minha bolsa e lhe dá um tapinha antes de deixar ir. Eu não sei o que dizer, então eu finjo procurar minha bagagem. Estou procurando, mas não realmente vendo. Ian apanha sua mala e pergunta como a minha parece. Eu dou a ele a descrição, e já está rolando por nós na esteira. Ele persegue-a e pega-a de volta para mim. — Precisa de uma carona? — ele pergunta. — Não, Tessa estará aqui. Ela provavelmente já estava enviando mensagens. — Eu estive alheia ao meu telefone. — Você se importa se eu perguntar onde você vai ficar? Eu coro. — No Ritz Carlton. — Não! — Ele ergue a cabeça para trás e seu riso ecoa. — Eu também. — Ele sorri de orelha a orelha. — Nuh-uh! Você só está dizendo isso. — Eu não estou brincando, — ele promete. — O que está acontecendo aqui? — Minhas sobrancelhas têm desenvolvido uma mente própria, essa carranca provavelmente vai me dar rugas para a vida. Ele levanta as duas mãos antes de tomar as alças de ambas as nossas malas e abrir caminho para fora. — Se você estava procurando um sinal do céu, baby, eu diria que eles estão todos ao seu redor. Tome nota. Ali está o homem arrogante que eu conhecia. Eu continuo carrancuda e sigo-o para fora da porta.


Tessa está esperando lá fora. Eu a vejo a poucos carros atrás e começo a acenar freneticamente. Ela segue lentamente e salta para fora do carro, com os olhos esbugalhados. — Sparrow! Ian... — Ela para bruscamente na nossa frente, não sabendo o que fazer com ela mesma. Eu ando e abraço-a. — Hey! Ian e eu estávamos no mesmo voo! — Eu digo com uma voz irritantemente maliciosa. Ian ri. — Oi, Tessa. Ótimo ver você. Ouvi dizer que você e Jared estão selando o negócio. — Ele se inclina e a abraça. — Parabéns. Ela sorri para ele, momentaneamente impressionada com sua beleza. Eu conheço esse olhar em seu rosto. — Oi, — ela sussurra. Dou um empurrãozinho em seu braço para tirá-la de seu estupor. Ela estala com isso e olha fixamente para ele. Eu não quis dizer para ela ir tão longe com ele, só para fechar a boca um pouco. — Sim. Sim, nós estamos fazendo isso, — diz Tessa e, em seguida, ela cora, o que pode ser a primeira vez para ela. Meus olhos encontram os de Ian e nós rimos baixinho. — Você precisa de uma carona? — Tessa pergunta a Ian e, em seguida, olha rapidamente para mim como se estivesse chutando a si mesma. — Eu estava, uh – bem, eu vou voltar para alugar um carro. Eu só queria andar com Sparrow para fora, — ele olha para mim timidamente. — Eu sei que você tem coisas a fazer para o casamento, mas se você quiser ficar junto, mesmo que por alguns minutos, por favor... me liga. — Ele levanta seu telefone celular e acena-o. — Ou eu estarei registrado como Ian Sterling, — diz ele maliciosamente. — Talvez a gente se esbarre, então – você sabe – sinal do céu e tudo, — eu digo com uma leve picada.


Ele pega minha mão e a beija. — Eu vou olhar em cada esquina, canto e fenda, então, — ele promete. — Sparrow, — ele respira fundo antes de continuar, — 4A e 4B... pense sobre o quão louco é isso. Apenas... pense nisso. Talvez os céus realmente pararam e orquestraram essa coisa toda, apenas talvez. Ele observa quando entro no carro e quando viro a esquina, eu olho para trás e ele ainda está de pé ali, observando enquanto conduzimos para longe.

— Que diabos? — Tessa salta dentro do carro. — Comece desde o início. — Eu acho que ainda estou em estado de choque. Acabei de passar a última hora com Ian – que foi como se não tivesse passado momento nenhum. Ele me disse que ainda me ama. Oh, e ele terminou com sua namorada. — Sarcasmo arrasta pela minha voz com essa afirmação. — Você vai vê-lo esta semana? — Ele está hospedado no nosso hotel, Tessa! Ela se vira para olhar para mim rapidamente e, em seguida, atenua sua expressão quando vê meu rosto. — É um lugar grande. É possível que você não vá realmente encontrar com ele. — É... realmente não posso contar com isso, visto a forma como este dia se passou. — Você acha que – hum, e se isso realmente for, você sabe, um sinal ou algo assim? — ela pergunta. — Eu desisti de acreditar em sinais há muito tempo, Tess. — Eu olho para fora da janela. Ao me ouvir dizer isso, eu quase acredito.


— Você sabe que eu queria matá-lo quando tudo veio à tona. Eu ainda quero. Mas, todas as cartas, todo esse tempo... eu realmente acredito que ele te amava, Sparrow. E se ele está dizendo que ainda ama, apesar do tempo que passou desde que você sequer o viu – eu só acho que você pode precisar pensar nisso. Ouça-o. Eu sei que você ainda o ama. Eu sabia disso antes de eu ver vocês dois olhando todos sentimentais um para o outro, mas se torna ainda mais claro! — Ela ri e depois fica sóbria rapidamente quando me vê olhando para ela. — Ro, não leve a mal... eu sei que você é a única que ficou ferida e você sofreu e estou TÃO brava com ele por isso! E se, no entanto, se talvez ele já sofreu o suficiente agora? — Ela diz isso tão suavemente e com uma expressão de culpa. Ela morde o lábio, esperando minha reação. Eu não digo nada. Eu preciso pensar. Minha cabeça está muito nebulosa. Finalmente, eu digo: — Nunca foi sobre o fazer sofrer ou mesmo sobre o meu orgulho, apesar de que certamente ele sofreu uma queda brusca há muito tempo. — O que te segura então? Agora, depois de todo esse tempo, o que te impede? Eu penso sobre isso por um tempo. — É uma questão de confiança. Eu não acho que poderia confiar nele. — Você acredita que ele mudou? Quando eu pensei sobre isso ao longo das semanas, meses e anos, eu odiava admitir para mim mesmo que eu acredito – eu acredito que ele mudou. Eu não sei se foi quando ele decidiu acabar com Laila para sempre. Ou se foi quando eu descobri a verdade. De qualquer maneira, eu acreditei por um longo tempo que ele realmente mudou. Parte de mim percebeu que eu o curei para alguém. Eu solto um grande suspiro. — Chega de conversa pesada. Sim, eu acho que ele mudou. Eu ainda não sei o que fazer com isso. Esta é a sua semana, Tessa. Eu quero que seja tudo sobre você, não a minha vida louca. — Foi sobre mim por muito tempo, — disse Tessa. — Você esteve comigo durante a minha relação com Jared, me ajudou a planejar o casamento mais


espetacular, mesmo vivendo do outro lado do país, você já me ouviu divagar no telefone sobre o quão ótima é a minha vida quando você está sofrendo. Eu acho que é a sua vez agora. Eu chego a mais e aperto o braço dela. — Eu te amo, Tessa. E eu amo todas as suas divagações. — Nós duas rimos e, em seguida, o ar parece mais leve.

Quando chegamos ao nosso quarto, Tessa salta na cama e diz: — Você sabe o quê? Nós realmente não temos que fazer nada nos próximos dias, só nos divertir! Tudo já foi feito ou foi entregue para outra pessoa. — Eu pensei que tinha todos os tipos de trabalho a fazer! — eu brinco atirando o travesseiro para ela. — Então, o que vamos fazer com nós mesmas? — Bem, eu tenho um dia de spa agendado para nós amanhã, — ela diz com orgulho. — Oba! — Eu salto da cama. — Há alguns jantares especiais aqui e ali e COCK-tails41. — Ela sempre gostava de enfatizar o pau para o puro propósito de me atormentar. — Eu gosto de um pouco de pau com meu rabo42, — eu digo, rindo. — Ou um monte de pau, eu deveria dizer. Tessa fica vermelha. — SPARROW! — O quê? Eu não estou autorizada a dizer isso? — Não! Não, você não está! — Ela parece mortificada. 41 42

Trocadilho que ela faz com a palavra COCK que também se refere a pênis, pau. Novamente trocadilho com cock-tail, visto que tail é rabo.


Eu rio até doer. — Eu desisto! Eu acho que não posso dizer foda-se tudo também, então, certo? Tessa me puxa de volta na cama, cobrindo minha boca e fazendo cócegas. — Devolva a minha Ro! O que você fez com ela? — ela grita. — Porramerdabundadrogafodamerdamerdamerda! — grito para ela. — Eu acho que não sou a única para quem você precisa dizer isso, — ela grita de volta. Nós rimos até chorar e depois abraçamos até que estamos rindo novamente.

Nós nos preparamos para uma ceia tardia e descemos para o lobby, quando Jared chega. Quando saímos do elevador, eu não deveria estar surpresa ao ver Ian e Jared conversando, mas estou. Eu sinto como quando caí de uma árvore e perdi o ar. Ian vira assim que chegamos perto dele e seus olhos estão brilhando tão forte que eles são como duas estrelinhas iluminadas. Eu não esqueci completamente como ele era lindo, mas eu realmente acho que ele pode estar ainda mais agora. Seus olhos queimam lentamente em cima de mim, passando por cada curva, cada centímetro do meu corpo, como se ele estivesse lembrando todas as maneiras que ele costumava adorá-lo. Calor corre através de mim, e eu xingo meu corar, auto traidor sempre aparecendo. — Sparrow, — sua voz sai rouca, — você não poderia estar mais linda. Você... — ele balança a cabeça e puxa seus lábios nesse gesto nervoso que sempre transmite o que ele está pensando. — Deus, você faz meu interior tremer. — Ele ri e então ele percebe que tem uma audiência. — Desculpe, isso foi, provavelmente, muito mais do que qualquer um de vocês precisava saber. — Ele


olha para Jared e Tessa que estão olhando para ele com a boca frouxa. — A Sparrow aqui me transformou em um homem sentimental, quando ela expôs meu lado negro. Eu costumava ser tão estoico e misterioso, e agora eu vomito coisas como Deus, você faz meu interior tremer. — Ian olha ao redor e ri sem jeito e agora minha mandíbula está completamente aberta também. Jared, Deus o abençoe, pega essa oportunidade para me abraçar e diz: — Bem, ela faria o interior de alguém agitar neste vestido! — Ele olha para Tessa se desculpando, quando diz, e ela sorri para ele. Ela sabe que ele está apenas tentando apaziguar a situação. — Você é tão perfeito para Tessa, — sussurro em seu ouvido. Ele me olha com gratidão e sorrisos. — Então, uh, eu acho que vocês estão saindo para jantar? — Ian pergunta e meu coração está com ele. Eu não sei por que, mas eu simplesmente não posso deixá-lo parado aqui parecendo tão sozinho. — Sim? — Jared e Tessa olham para mim, sem saber o que fazer a seguir. Ian sorri tristemente. — Tenham uma boa noite. — Ele faz um mini arco e acena e começa a retroceder. — Você é bem-vindo para se juntar a nós, se você quiser, — digo. E então eu fecho minha boca em descrença. Eu não posso controlar essa boca nunca, ao que parece. Ele para imediatamente. — Sim! Sim, eu adoraria. Você tem certeza, Passarinho? — Sim. — Eu desvio meus olhos, porque ele está me olhando como se quisesse me devorar. Eu não posso suportar a intensidade. Durante o jantar, temos um tempo surpreendentemente calmo, agradável. Espalhados por todos os outros temas que cobrimos, eu descubro que Ian começou um centro para adolescentes problemáticos e passa muito tempo com eles. Como se eu precisasse ouvir algo emocionante sobre ele. Ele não deixa


surgir na conversa para meu benefício ou, na verdade, ao longo da noite, ele escapa de ser o centro das atenções de todos os custos. Quando Tessa finalmente começa a insistir para descobrir onde Ian Sterling tem gastado o seu tempo, temos algumas relutantes respostas dele. O centro de adolescentes é uma, o fato de que ele ainda está escrevendo músicas como um louco é outra. Ele quer saber tudo sobre o meu livro. Ele leu, mesmo não sendo realmente um grande leitor, e achou brilhante. Eu não deixo isso subir à minha cabeça desde que ele realmente não lê muito, mas devo dizer que o fato dele ser um escritor faz com que seja lisonjeiro. Durante toda a noite, ele devora tudo o que digo. Eu não digo muito, porque desenvolvi uma confusa gagueira nervosa, mas mesmo quando eu estou ouvindo, ele está vendo a minha reação e medindo meus pensamentos. Ele me conhece muito bem. Eu simplesmente sei que ele conhece. Quando chegamos ao hotel, Jared e Tessa sobem até o quarto, e eu fico com Ian para dar a eles um minuto sozinhos. Pelo menos, é isso que eu digo a mim mesma. — Posso vê-la amanhã? — ele pergunta. — Tessa planejou um dia de spa para nós. — Eu torço os dedos juntos, quando digo. Minhas mãos coçam para tocá-lo, então eu tenho que mantê-las ocupadas. — Amanhã à noite? Eu estarei com Elliot amanhã, mas posso contornar para ajustar aos seus planos, — diz ele. — Vamos ver. Eu ainda não sei o que está acontecendo amanhã à noite. — Ok, — ele diz com um sorriso. — Obrigado por esta noite. Ela significou... tudo para mim. — Ele estende a mão para tocar meu rosto, e eu não me afasto.


Uma massagem facial, pedicure, manicure, um surto temperamental, e três taças de champanhe mais tarde, eu me sinto como uma nova mulher. Depois de um dia inteiro de mimos, eu estava preocupada de que tudo o que eu quisesse fazer é ir para a cama mais tarde, mas eu me sinto bem. — Precisamos ir dançar enquanto estamos parecendo quentes, — diz Tessa. — Jared disse que deveríamos ter um tempo de garota, mas eu disse que ele não precisava deixar de me ver assim. Mesmo que ele só dance por alguns minutos, ele precisa ver o meu CABELO! — Ela ri e dá uma sacudida em sua cabeça. Ela está se sentindo um pouco feliz devido ao champanhe. Eu faço um bufo rindo dela – ela sempre traz isso de mim – e fecho a parte de trás do meu vestido. Tessa para quando me vê. — Oh, não. Não, não, não. É melhor você esperar que nós não encontremos com Sterling esta noite. Ele estará em você, — ela canta as duas últimas palavras e, em seguida, ri de si mesma. Ela balança a cabeça, ainda rindo, enquanto saímos. Nós nos sentamos na sala de estar enquanto esperamos Jared, e, claro, lá está ele. Desta vez, ele está com outro homem, eu acho que pode ser J. Elliot, mas eu não tenho certeza. Ian me vê de imediato, e eu o vejo gesticulando para o homem segui-lo. Eles estão em frente de nós dentro de momentos. — Sparrow Fisher, é pecaminoso ter um corpo assim, — Ian diz com um sorriso. — Você sabe como preencher um vestido. — Isso deveria ser um elogio? — pergunto, inclinando a cabeça para o lado. — Inferno, sim. — Ele ri. — Você sabe o que é. Sparrow, conheça J. Elliot. J, eu gostaria que você conhecesse Sparrow Fisher, o amor da minha vida. Meus olhos se arregalam quando aperto a mão de J. Elliot. — Eu não posso acreditar que você acabou de dizer isso, — digo a Ian, mesmo ainda olhando para o Sr. Elliot. Concentre-se, Fisher.


Ambos riem e Elliot disse: — Senhorita Fisher, eu queria conhecê-la há um longo tempo. Eu precisava ver de perto a garota que virou Ian Sterling. — Eu estudo o Sr. Elliot e, em seguida, tento ler o quanto ele sabe. — Olá, Sr. Elliot, — respondo. — Sem Sr., por favor. Chame-me J... ou Elliot. Você sabe o que? Eu vou responder a qualquer coisa que você dizer, — diz ele sem problemas. Ian apresenta Tessa, e ela rapidamente alivia a pressão de cima de mim. — Vamos dançar! — ela diz com emoção. — É isso mesmo? Bem, vamos levá-las – não há necessidade de pegar um táxi, certo, Ian? Estávamos prestes a dirigir para fora na cidade nós mesmos. Eu me pergunto qual travessura eles estavam prestes a levantar-se para... pensando bem, não, eu não quero saber. Jared entra nessa altura, salvando-nos, mais uma vez. Com os três conversando em torno de nós, Ian toca meu cotovelo. — Sparrow? Eu adoraria estar onde você está, mas não quero fazer você se sentir desconfortável. Eu vou? Podemos estar juntos esta noite? — Ian pergunta inocentemente, mas minha mente vai para todas as noites que tivemos e está longe de ser inocente. Quando fico roxa, Ian sorri um sorriso malicioso e se inclina na minha orelha, sua respiração fazendo cócegas no meu pescoço e enviando solavancos frios por toda a minha pele. — Vou me comportar, — ele sussurra. — Você não sabe o significado de ser comportado, — sussurro de volta. É incrível como é fácil cair em nossa brincadeira sensual.


O Maison 508 está cheio quando chegamos lá. Tessa e Jared começam a dançar imediatamente. J vê um músico que conhece e fica envolvido em uma conversa. Ian fica ao meu lado, não me toca, mas não mais do que centímetros de distância em todos os momentos. — Dança? — ele pergunta. — Eu não tenho certeza de que seja uma boa ideia. — Tudo bem. — Ele assente, como se eu tivesse dito algo muito inteligente. — Você sabe o quê? Eu quero. Passou um longo tempo desde que eu dancei. Ele se ilumina e estende a mão para me levar. É uma sensação estranha depois de ter conhecido alguém tão intimamente, manter qualquer tipo de distância ou fingir que você não conhece o seu corpo melhor do que você conhece o seu próprio. Quando Ian me puxa e seu corpo entra em contato com o meu, a vibração aumenta entre nós dois. Eu sei o que ele sente, sem olhar para ele. Eu sei que se eu tocar um pequeno ponto em suas costas assim ou ligeiramente esfregar meu peito contra o seu vai deixá-lo louco. Ele sabe que meu pescoço é sensível e que eu adoro quando ele puxa minhas costas contra ele. Nós tentamos por cerca de 10 minutos evitar esses gatilhos, mas o ritmo pega na sala e o impulso é muito forte. Primeiro ele afasta o meu cabelo do meu pescoço a diz algo no meu ouvido, eu esfrego meu peito contra o dele, toco levemente suas costas, ele me chicoteia ao redor e me aperta contra a frente dele. Como dominós caindo um por um, os nossos pretextos caem e nós dançamos. Minhas mãos dizem o que minha boca não consegue. Eu olho em seus olhos e vejo o amor que sinto olhando de volta para mim.


Ele toca o meu rosto, meu cabelo, meus ombros, meu coração, minhas costas, minhas coxas. Eu me perco nisso. Eu me movo, combinando-o toque por toque. É inebriante. Suas mãos em mim parecem como encontrar água depois de anos no deserto. Isso me enche, como só ele pode fazer.


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Resumo de Tudo Jared e Tessa já saíram faz tempo. Elliot saiu antes deles. Ian prometeu me levar para o hotel assim que eu pedisse, mas seu olhar também me implorou para não parar com isso – o que seja que está acontecendo. Nós fechamos o clube e pegamos um táxi para o hotel. Ian é desajeitado com as mãos, agora que não estamos dançando. Ele continua a me tocar de alguma forma, mas parando quando percebe o que ele está fazendo. Ele está cheio de energia nervosa. No elevador, ele me estuda. — Fale comigo? — Ele estende a mão e agarra a minha mão entre as suas e prende-a até seu peito enquanto aguarda a minha resposta. Concordo com a cabeça. O ar sai de seus lábios quando eu concordo. Subimos, subimos, subimos, subimos silenciosamente. Quando saímos do elevador e caminhamos no andar, o único som é o nosso pé tocando o tapete. É quando ele fecha a porta atrás de nós – eu inclino minhas costas contra a porta e ele estica os dois braços de cada lado de mim – que eu percebo que não serei capaz de falar nada. Eu olho para ele e tudo o que vejo são os lábios, tão perto que se eu me mover, mesmo um pouco, eu vou encontrar com eles. Eu descanso minha cabeça contra a porta para conseguir algum espaço, mas então eu posso ver o desejo em seus olhos. — Diga-me que você já não me ama, Sparrow, e não vou tocar em você. Diga-me que você já não precisa de mim, que o seu corpo já não dói por mim. Diga-me, — ele sussurra com urgência.


Eu fecho meus olhos e viro a cabeça para longe. Ele me chama de volta, tomando meu queixo e endireita-o novamente. — Olhe para mim, Sparrow, por favor. Abro os olhos e uma lágrima rola pelo meu rosto. Estou cansada de lutar contra isso. Ele beija cada lágrima que cai. — Você não está cansada de correr? — Seus lábios seguem uma lágrima no meu pescoço, e então ele passa a mão pelo meu rosto. — Eu não quero viver outro dia sem você. Eu estou te implorando por outra chance. Por favor. Ele está segurando meu rosto com as mãos agora, seus olhos procurando. Ele espera que eu diga alguma coisa, mas agora, eu sou incapaz de falar. Eu não quero falar. Eu só quero ficar com ele – sem ter tudo planejado ou conhecer o futuro – eu preciso estar com ele mais uma vez. Ele vê a mudança nos meus olhos. Isso é o quão bem ele me conhece. — Você tem certeza? — ele pergunta. Dou um leve aceno de cabeça. — Passarinho, — diz ele suavemente enquanto se aproxima para um beijo. Ela começa tão suave como um nascer do sol, mas rapidamente ganha terreno quando a urgência de todos os sentimentos, dores de coração e anos de angústia colidem. Eu abro minha boca para ele e ele geme enquanto sua língua encontra a minha. Eu agarro seus cabelos, puxando sua cabeça mais forte para mim. Não há uma lufada de espaço entre nós, e ainda assim, eu não posso chegar perto o suficiente. Ian sente o mesmo, pois enquanto me beija, ele também me pega e me leva para a cama. Ele me deita de costas com cuidado e toca suavemente meu rosto antes de esmagar a minha boca novamente. Eu quero sentir sua pele. Ele está sendo tão cauteloso comigo. Eu desabotoo alguns botões de sua camisa e puxo-a sobre a sua cabeça, aproveitando a oportunidade para olhar para ele. Seu peito parece ainda mais definido do que antes. Talvez ele aumentou sua rotina de pesos. Eu aprovo.


Ele sorri. Sento-me e sigo a minha língua ao longo de sua pele, seu pescoço, seu peito, seus mamilos minúsculos que são franzidos ao meu toque. Ele geme e abre o meu vestido e puxa-o sobre a minha cabeça. Ele estende a mão e toca meus seios com reverência e em seguida, com um toque lento e deliberado, ele esfrega os meus mamilos através do meu sutiã azul antes de chegar perto para tirá-lo completamente. Quando ele cai, suas pupilas se dilatam com luxúria e ele me empurra para trás e segue com a cabeça. Sua língua sacode em volta do meu mamilo, e então ele agarra-o na boca e chupa até que eu não consigo pensar direito. Agora que estou sem sutiã, as mãos estão em toda parte. Seus dedos empurram para o lado minha calcinha e ele me acaricia lá, provocando: fora, dentro e fora, até que eu estou ofegante. — Eu senti sua falta, — ele sussurra. E então ele rasga minha calcinha, e eu abro sua calça, puxando-as o mais rápido que minhas mãos me deixam. Suas cuecas e calças descem ao mesmo tempo e ele se inclina sobre mim, mantendo-se com os braços, olhando para mim. — Eu te amo, Sparrow Kate, — diz ele. Eu puxo sua boca até a minha, e mostro a ele o quanto eu o amo. Ele me beija de volta e, em seguida, se inclina para trás. — Eu não fiz isso – com qualquer pessoa – desde você, — diz ele e então ele lentamente entra em mim. Eu estou tão pronta para ele. Estou processando o que ele disse, mas não consigo focar nisso agora. Eu estou tão pronta que não espero por ele, eu envolvo meus pés em volta e empurro-o o resto do caminho, até que ele esteja profundo; meus olhos embaçam e rolam para trás na minha cabeça. Começamos a nos mover, incapazes de ir devagar ou tomar o nosso tempo ou esperar mais um segundo. Eu começo a gemer e depois, quando não aguento mais, — IAN! — Corre para fora da minha garganta em um gemido devastado. As lágrimas derramam de mim, enquanto meu corpo estremece. Ian fica mais lento, mas assim que o meu corpo desce do alto, nosso ritmo aumenta


novamente. Ele dirige em mim profundamente, todo o caminho, no fundo, lentamente, profundamente, ARRASTANDO para fora, DENTRO, fora. E apenas quando eu não aguento mais, ele dirige-se novamente. Com força. Isso me envia até a extremidade. Ian solta um gemido rouco e a vibração alcança a nós dois. E então ele está beijando meu rosto. Ele procura meus olhos quando percebe que meu rosto está molhado. Ele lentamente sai de mim e me abraça apertado, envolvendo os braços em volta de mim e levando o cobertor até meu rosto. — Baby? — Suas mãos enxugam as lágrimas e elas continuam chegando. — Você está bem? Eu não estou. Sinto-me como se todo o meu peito estivesse aberto e exposto. Meu corpo sente-se contente e saciado, mas minha mente acabou de acordar depois de um longo sono. Eu começo a tremer incontrolavelmente. Ian solta um grito sufocado. — Sparrow, baby... — Ele beija meu cabelo e puxa meu rosto para trás para olhar para mim. Seus olhos estão apavorados, e eu gostaria de poder parar, mas as comportas foram abertas e não há como parálas agora. As lágrimas escorrem no meu rosto e ele tenta limpá-las. Ele inclina sua testa na minha. — Fale comigo, por favor, Sparrow. Qualquer coisa, por favor, diga alguma coisa. — Por quê? — Isso jorra para fora, soando estranho por todas as lágrimas. — Porque, Ian? O que ela tinha que eu não tinha? Por que eu não fui suficiente? Como você pôde tomar os meus sentimentos e simplesmente jogá-los fora como lixo? Eu vivia por você. — Eu estou sufocando agora e fazendo sons horríveis, ofegando, mas eu não posso parar. — Eu acreditava que você me amava. Eu confiei em você. Eu pensei que o que tínhamos era além de qualquer amor que eu já havia visto. Por que você jogou fora? Uma e outra vez? — Sento-me e o cobertor cai em torno da minha cintura, eu o levanto rapidamente, desconfortável agora com a minha nudez. Eu balanço para trás e para frente e tento sacudir os tremores.


Faixas de luz provenientes da lua atravessam o quarto, lançando sombras estranhas. Ian e eu estamos no meio de uma, a nossa pele com destaque para a lua. Ian se senta ao meu lado e me esmaga em seu peito. — Eu sinto muito, Sparrow. Eu sei que nunca será o suficiente, mas eu sinto. Você foi mais do que suficiente para mim. Eu não achava que poderia te merecer. Com cada grama de respiração em mim, eu desejo poder voltar e fazer isso direito. Eu fugiria de Laila. Eu diria a você cada dúvida, insegurança e medo meu. Eu quebraria todos os meus maus hábitos e nunca estaria longe de você de novo. Quando estávamos juntos, eu poderia quase me atrever a esperar que eu pudesse ter você, mas quando estávamos separados, eu estava atormentado, sabendo que eu nunca seria bom o suficiente. Por um longo tempo, eu tentei provar que essa teoria era certa. Mas eu parei. Você sabe quando foi? Pouco antes dessa semana que eu encontrei você – você estava tão preocupada comigo essa semana, dizendo que eu não era eu mesmo. Mas nós estávamos noivos e eu percebi que eu poderia realmente ser capaz de ser feliz. Eu nunca acreditei nisso antes. Eu pensei que estava preso... — ele se inclina para trás e olha para mim, empurrando para trás o cabelo que está aderindo ao meu rosto. — Diga-me, novamente, como foi que tudo isso... começou? — eu pergunto. — Eu sei que nós falamos e falamos novamente, mas eu só preciso ouvir mais uma vez. — Não muito tempo depois de nosso dia em San Francisco, eu voei para Los Angeles e fiquei na casa dela. Eu estava dormindo uma noite e Laila entrou, eu pensei que eu estava sonhando com você, para ser honesto. Eu ainda estava no topo do nosso encontro, mas ela me contou como você era jovem. Ela sabia que eu achava que não tinha uma oportunidade real duradoura com você e jogou com isso, e com toda a minha loucura. Eu acordei e ela me tinha em sua bo... — ele balança a cabeça. — Sinto muito. Você não precisa ouvir isso de novo. — Eu preciso ouvir. Eu sei que você tentou me dizer muitas vezes, e eu não fui capaz de ouvir plenamente tudo. — Eu poderia ter parado. Eu não posso culpá-la por tudo isso. Eu não posso. Eu deveria ter cortado todos os laços com ela...


Falamos até o sol nascer, e nossos estômagos estão rosnando. Nenhum de nós se moveu da cama. Ouço – todas as coisas que ele me disse desde o momento que eu descobri, mas os detalhes estão finalmente se encaixando no lugar, e eu sou finalmente capaz de registrar tudo isso. A dor não vai embora; ainda dói como o inferno. Existem algumas peças que eu nunca entenderei, nunca. E muita coisa que eu não entendo. Eu respiro fundo e lentamente começo a me sentir mais calma. — O que fez você acreditar em nós, finalmente? E isso teria durado? Foram sete meses que você não estava com ela, mas se eu não tivesse descoberto, isso teria acontecido de novo? E se não com ela, com outra pessoa? — Não, eu realmente acho que eu nunca faria novamente, Sparrow, mesmo se você nunca descobrisse. O que eu sei, sem dúvida, porém, é que após a verdade vir à tona e eu perceber o que eu arriscara e a agonia de saber a dor que causei a você... — Um suspiro irregular sai dele e ele com raiva tira as lágrimas de seu rosto, — ... eu mudei. Definitivamente. Você fez isso. Eu sei que era tarde demais, mas prometi ser o homem que você pensou que eu fosse. Eu nunca fui o mesmo, graças a você. Mesmo que eu já devesse ser esse homem quando nos conhecemos, você é a única que me fez finalmente crescer. — Ele encolhe os ombros. — Nada disso soa bastante significativo quando digo, mas ainda é a verdade. Eu olho para ele e realmente vejo, talvez pela primeira vez em todos estes anos, a verdade em suas palavras. Eu corro minha mão ao longo de sua bochecha. — Eu acredito em você, — sussurro. Sua respiração engata e ele esfrega os olhos antes de olhar para mim, sua expressão assombrada. — Obrigado, — ele sussurra de volta. Nós sentamos lá ainda mais, nossos membros emaranhados debaixo dos lençóis, sem dizer nada, mas sentindo como se um monte estivesse sendo dito. Finalmente eu falo. — Você não fez sexo desde que você esteve comigo? E sobre o seu relacionamento de 9 meses? Acho isso difícil de acreditar.


— É verdade. Tara ficaria feliz em confirmar, — ele ri baixinho. — Eu me sinto mal por magoá-la. Nós éramos amigos, mas ela tinha sentimentos. Ela sabia que eu não estava superando você, mas ela queria tentar me ajudar a esquecer. E nesse ponto, eu sabia que estava enlouquecendo, então eu concordei em tentar um relacionamento com ela. Eu simplesmente não podia esquecer você. Eu me identifico com isso. Eu também sinto culpa pelos caras que queriam me ajudar a esquecer. Por que eu os coloquei nisso? — Nós nos beijávamos, mas cada vez que chegava a certo ponto, eu parava. Eu sentia como se estivesse traindo você. Eu era uma bagunça. Uma noite, Tara estava tomando conta de sua sobrinha e A Bela e a Fera estava passando. Eu vi Belle na biblioteca com todos os livros – ela até mesmo parecia com você – e eu surtei. — Ele se inclina e beija meu cabelo. — Tudo o choro também é graças a você. Eu estou pronto para as lágrimas voltarem para dentro agora, — confessa. — Nesse ritmo vou ficar seco. — Sua boca ergue ligeiramente para cima nos cantos. — Fomos a um filme em outra ocasião, e a atriz tinha um cabelo semelhante ao seu. Comecei de novo com a crise de choro, — ele balança a cabeça, — tão fodido. Tara me tirou do cinema e brigamos sobre isso. Ela disse que você nunca voltaria. Eu disse a ela que sabia que, mesmo se você não voltasse, eu nunca pararia de esperar e esperar por você. Nós terminamos em seguida, e realmente ficamos amigos. Ela está namorando alguém agora e é muito mais feliz. Penso nisso e percebo que meu tremores pararam. Olho para Ian e ele está me olhando timidamente, parecendo quase com medo de respirar. — Eu nunca superei você também, Ian. Passei de um relacionamento para o outro, tentando preencher o vazio que você deixou. A noite antes de eu sair para vir para cá, eu ainda estava chorando por você, olhando fotos antigas e sentindo sua falta... — Eu olho para ele e mordo o lábio. — Eu tive um monte de sexo... — Eu sinto seu corpo estremecer ao meu lado. — Sinto muito. — Eu torço o nariz e sigo em frente. — Eu tive. E nada disso me fez sentir amada ou querida, como eu senti ontem à

noite... mesmo tendo o colapso depois...

Eu acabo


desajeitadamente e respiro engolindo. — Depois de tudo, eu ainda sei que você é o único para mim... Ian beija minha mão e esfrega-a ao longo de sua bochecha. — Cada dia que eu acordo, eu penso em você, — diz ele. — Quando eu vou dormir à noite... você. No outro dia, quando eu estava pronto para ir para o aeroporto, eu me perguntava o que você acharia da minha camisa, se você ainda gostaria de olhar para mim, — disse ele timidamente. — Eu penso sobre o que você está fazendo e com quem você está rindo – isso me mata, que você pode ser feliz sem mim, e ainda assim, eu queria que você fosse feliz mais do que eu queria viver. — Ele se vira para me encarar, levemente correndo os dedos sobre meus ombros. — Ter esse tempo para falar com você e ouvir o que você está pensando – é tudo que eu esperava. Me desculpe, eu não sabia como fazer da maneira certa. Naquele primeiro ano, eu só – eu perdi. Eu, aparentemente, tenho algumas tendências de perseguidor quando se trata de você. Eu simplesmente não conseguia NÃO tentar dizer para você tudo o que estava no meu coração e mente. Talvez se eu tivesse deixado você pensar sobre isso por um tempo e permanecido em silêncio... eu não sei... eu só não sabia o que fazer. — Nós não podemos voltar atrás. Para ser honesta, eu não sei o que eu quero neste exato momento, mas estou tão feliz que tivemos esse tempo. — Eu inclinome e beijo-o. Desta vez, quando fazemos amor, tomamos nosso tempo. E quando ele sussurra que me ama, eu sussurro de volta. — Sparrow? — ele diz suavemente quando nós respiramos. — Se você me der uma chance, eu vou passar o resto da minha vida mostrando para você o quanto eu te amo. Nunca haverá uma dúvida, eu prometo.


Quando eu saio do seu quarto para ir ao meu, é o início da tarde. Tenho algumas explicações a dar a Tessa. Eu mandei uma mensagem para ela algumas vezes, mas ela vai querer mais detalhes. Eu levemente bato na porta, e ela abre imediatamente, me puxando para dentro. Ela não consegue parar de sorrir e eu não consigo parar de sorrir de volta para ela. — Conte-me tudo. — Então eu conto. Naquela noite, Tessa e eu temos um jantar com os pais dela, Jared, e seus pais. Discutimos alguns detalhes do que precisa ser feito para o jantar de ensaio na noite seguinte, mas para além disso, nós simplesmente passamos um tempo juntos. É uma linda noite. Eu sinto como se um peso enorme tivesse sido tirado de mim. Estive arrastando uma grande pedra, tentando viver com o peso por tanto tempo que eu nem sei o que fazer com esse sentimento irreal. Minhas emoções estão por todo o lugar, mas na melhor das formas. Eu finalmente dei a Ian meu número de telefone, e ele liga quando estamos andando de volta para o hotel. — Olá, Sparrow, — diz ele, hesitante. — Olá, — eu digo baixinho. — Eu estou terminando com J e pensei em ligar para você. Você teve um bom tempo? — Tem sido ótimo. — O pai de Tessa está dirigindo, e Tessa e eu estamos no banco de trás. Eu sorrio para ela. Ela está me observando como um falcão e sorri de volta com alívio. — Bem, eu não vou segurá-la. Só queria dizer – se você sentir vontade de me ver mais tarde – eu ouvi dizer que são realmente boas as sobremesas no salão... — Hmm, bem, eu vou pensar sobre isso, — digo maliciosamente. — Vamos ver se o destino permite... Ian geme e ri. — Tudo bem...


Tessa movimenta para o telefone e sussurra, — Posso? — Concordo com a cabeça e digo a Ian para esperar enquanto eu passo o telefone para ela. — Oi, Ian, é Tess. Desculpe interromper o seu telefonema. Eu só queria convidá-lo para o jantar de ensaio amanhã à noite e também o casamento no sábado. — Ela olha para mim e sorri. — Sim, eu já discuti isso com Ro, e ela está bem com isso. Ok, eu entendo. Sim, eu vou deixar isso para vocês dois, só sei que você é bem-vindo para vir. Jared e eu adoraríamos ter você lá.

Nós chegamos ao hotel e dizemos boa noite aos pais de Tessa. Nossos braços estão entrelaçados e estamos rindo de alguma coisa que o pai de Jared disse durante o jantar. Estamos prestes a abrir a porta, quando esta se abre para nós. — Senhoritas, uau, que timing perfeito. Eu estou apenas chegando aqui. É quase como se o destino projetasse, — Ian diz com um sorriso. Tessa ri e me beija na bochecha e sobe até o quarto. Ian e eu nos sentamos em um sofá luxuoso e um garçom chega e pergunta se gostaríamos de algo. — Eu estou sempre pronta para crème brûlée, — eu falo. — Eu vou ter as bananas foster, — diz Ian. Depois de um doce e breve tempo juntos, eu castamente beijo-o na bochecha e digo que preciso dormir. Ele beija minhas duas bochechas e caminha comigo até minha porta.


Os próximos dois dias são uma enxurrada de atividades movimentadas. O casamento é espetacular. Cada detalhe – desde o arranjo de lírio preto das damas de honra e buquês de plumas aos arcos coberto com material rico e colorido – é único e completamente Tessa. Ela está deslumbrante em seu vestido. Seu cabelo está preso, com cachos soltos. Ela tem um brilho pacífico sobre ela que me faz mais feliz do que eu posso dizer. Enquanto eu ouço Tessa e Jared recitarem seus votos, segurando os buquês meu e de Tessa, eu desvio o olhar e encontro Ian. Seus olhos me hipnotizam através do espaço. E eu sei. Eu sei que estou pronta para assumir o risco. Eu sei que já sobrevivemos o nosso pior. E eu sei que nós estamos saindo disso como o ouro após passar pelo fogo do refinador.


Epílogo 1 ano mais tarde

Eu não me arrependi de casar com Ian por um único segundo. Quando eu disse aceito há sete meses, fiz cabeças girarem com a minha decisão. Os pessimistas: — Você está louca! — Como você pode ser tão estúpida? — Você está apenas pedindo para ser ferida... — Ele não merece você. — Uma vez um trapaceiro! Sempre um trapaceiro. — Você vai se arrepender!

Mas há também alguns crentes: — Eu nunca vi duas pessoas se amarem mais. — Vocês foram feitos um para o outro. — Você sobreviveu a isso, você vai sobreviver a qualquer coisa. — Se você tem certeza, eu confio em você... — Eu acredito que ele mudou.


E os que ficam em cima do muro: — Ohhhkay... mas se ele te machucar, eu vou enfiar o maldito pau para baixo de sua maldita garganta. (Talvez isso realmente não pertença a esta categoria) — Eu acho que nós vamos esperar e ver o que acontece. — Eu espero que você saiba o que está fazendo. — Nós estaremos aqui para você de qualquer maneira.

Acredite em mim, eu pensei muito sobre isso. Qualquer um que me conhece sabe que eu não posso tomar uma decisão sem pensar nela até a morte. E mais um pouco. Realmente o que decidiu tudo foi o amor.

O amor é o suficiente. O amor conquista tudo. O amor realmente sempre protege, confia, espera, persevera... Eu mesmo vou tão longe como dizer que o amor nunca falha. Eu finalmente acredito nisso.

E uma vez que Ian e eu fizemos nossos votos diante de Deus e de nossos amigos e familiares em uma bela praia em Maui, certamente tínhamos uma melhor compreensão do verdadeiro amor. Nós dois choramos durante toda a cerimônia e não choramos desde então.


Até ontem à noite em nosso ônibus de turnê, quando eu prendi meu cabelo com lápis e dei a Ian um presente. — Oh, baby, nós podemos brincar de bibliotecária E você está me dando um presente? O que eu fiz para conseguir esse tratamento? — Ele agarra minha bunda e pressiona contra mim. Eu aponto para o presente. — Abra esse primeiro e depois eu... Com esse incentivo, ele retira o papel de embrulho um pouquinho mais rápido do que o habitual, mas ele ainda dobra-o tão bem. — Depressa! — eu me inclino contra ele e acaricio seu pescoço. — Você só está brincando comigo agora, — ele resmunga. Ele levanta a parte superior da caixa e olha. Aninhado em um bonito papel de seda, então ele não tem que tocá-lo, eu tenho o teste de gravidez, com a face para cima. Esse sinal de positivo poderia muito bem estar piscando por quão brilhante parece contra o tecido. Ian abaixa a caixa e eu olho para cima para ver sua reação. Ele olha espantado, e então ele está rindo e tem lágrimas escorrendo pelo rosto, ao mesmo tempo. Ele agarra meu rosto com as duas mãos, beijando-me com força. Em seguida, ele beija seu caminho até meu estômago. — Ianow Orvillate Sterling, — ele sussurra, sorrindo para mim, — você foi feita com amor.

Fim


Créditos Tradução Ju

Revisão Inicial Thais

Revisão Final e Formatação Laura


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True love story ( uma verdadeira histori willow aster