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sso é quanto tempo faz desde que Eliza viu Gage pela última vez e ambos se sentem como se não merecessem o perdão um do outro. Ele estragou tudo. Ela foi embora sem olhar para trás. Eles vão tentar compensar todo o tempo que perderam um com o outro, isto é, até que eles enfrentam as escolhas que levaram a ambos se separarem, ou não se soltarem e lutrem pela vida. As lutas serão infinitas. Suas mágoas serão reais. Os demônios vão voltar, e eles não vão desistir sem lutar. Há alguns que vão fazer qualquer coisa para manter o verdadeiro amor separadp, e essas mesmas pessoas vão cavar fundo em suas formas demoníacas até que Eliza e Gage serem, literalmente, nada mais. Pode Eliza e Gage superar tudo isso? Serão eles capazes de enfrentar os verdadeiros demônios que buscam destruí-los? Ou será que eles simplesmente esquecerão tudo o que trabalharam tão duros e seguirão caminhos separados? Às vezes você tem que passar por lutas, a fim de chegar a um final de paz ... mas sua luta vale a pena?

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ÓDIO sto é fodido, Eliza. Isto é realmente fodido de você. Eu ficava pensando, mas por que diabos ainda estava andando por aí com a minha colega de quarto, a garota que eu não aguentava mais, Teala Morris? — Tem que continuar, se você estiver pendurada comigo, menina. — Disse ela, puxando a bainha de seu colante vestido preto. Eu tive que passar, sobre usar um dos seus vestidos. Em vez disso, eu fui com meus jeans skinny básico e uma blusa curta cinzenta. Foi instinto, realmente, sair com Teala, de todas as pessoas. Eu odiava a menina com paixão e a única razão pela qual combinei com ela foi porque ela era minha colega de quarto e seria muito aborrecido tentar me mudar. Fora isso, eu poderia ter me importado menos com ela. Eu estava com ela esta noite porque estava preocupada sobre estar nos bastidores sozinha, mas estar com ela era como estar sozinha. O plano era bastante inútil. Teala era o tipo de garota que fazia piadas de pessoas como eu. Meninas simples. As meninas que iam à biblioteca para ler em vez de festas nos fins de semana. Ela era o tipo de garota que zombava de alguém como eu na minha cara e não pensava duas vezes sobre se tinha machucado meus sentimentos ou não. É triste dizer, mas a única vez que amei Teala foi quando ela não estava no dormitório, o que era a cada noite. A música bateu mais alto, e a cada passo mais perto, meu coração subia contra meu peito. Eu sabia qual era a banda tocando. Eu sabia qual era a música. Eu conhecia cada única maldita palavra, e a parte ruim sobre isso é que era uma música que ele compôs por causa de algo que eu disse. Era a música que ele cantou para mim duas noites antes de deixá-lo para trás, que se tornou extremamente popular. Toda vez que eu a ouvia no rádio, era uma lembrança constante do que realmente fiz para ele. Eu odiava o que fiz, e era estúpida de ir com a Teala nesta droga de concerto, mas eu tinha que aparecer. Era a minha única maneira de voltar para casa. Ben (meu pai e melhor amigo) me disse que estaria esperando por mim perto dos portões da frente. Esse era meu único caminho para casa e eu não queria deixar passar a

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oportunidade novamente. Ir para casa significava relaxar por alguns dias antes de começar o meu estágio. Durante o estágio, eu iria para meu próprio apartamento (fornecido por eles) e a única coisa que eu tinha de me preocupar era com roupas, alimentos e transporte - mas eles pagariam pelo transporte - e eu tive a sorte de conseguir o estágio. Era Artes Globais, uma gigantesca agência de arte onde fantasiava trabalhar desde que eu era uma criança. Eu estava finalmente conseguindo viver os meus sonhos, pintando, desenhando e conhecendo pessoas novas com os mesmos interesses. Várias vezes Ben me ligou e me perguntou se eu queria voltar para casa para uma pausa. Eu sempre lhe dizia que não, porque sabia exatamente o que ele estava tentando fazer. Eu sabia que era sempre por causa dele e não queria enfrentá-lo novamente. Eu era uma covarde, era egoísta, mas não podia evitar. Eu literalmente rasguei o coração daquele garoto em pedaços. Aproximamos-nos do topo da colina e longos portões de prata apareceram. Engoli o nó na minha garganta enquanto via Ben de pé perto da bilheteria, verificando o relógio. A fila ao lado dele estava extremamente longa e quando eu olhei para trás para ver até onde ela iria balancei minha cabeça. Ela curvava ao redor do quarteirão e o show já tinha começado. Eu acho que as pessoas estavam muito empolgadas com FireNine para sair. Ben me viu chegando, mas quando ele viu Teala, as sobrancelhas cerraram. — Está atrasada, Liza. — Ele retrucou. — Eu tenho que voltar lá antes da próxima canção. — É bom ver você também, Ben. — Eu suspirei, seguindo-o através dos portões. Ele abrandou ao chegar ao meu lado e, em seguida, olhou por cima do ombro para Teala, que seguia atrás de nós, cobiçando e batendo os cílios para alguns caras. — Sinto muito. Você sabe que eu te amo, querida. — Ele olhou para mim de novo, beijando minha bochecha. — Mas você tinha que trazer esse lixo no reboque com você? Mordi com uma risada e ele riu profundamente quando nos aproximávamos do outro portão. O guarda de segurança careca em pé em frente a ele acenou para Ben quando chegamos mais perto e ele apertou um botão para abrir as portas. Teala arrastava seu caminho atrás de nós, seus saltos de algum modo mais altos do que a música. Quando nos aproximamos de uma porta, a multidão gritava e eu estremeci. Tinha se passado tanto tempo desde que eu ouvi um grito 4


assim. Oito meses para ser exata. Minhas mãos começaram a suar quando Ben abriu a porta. Fazia realmente tanto tempo desde a última vez que o vi? Eu estava com muito medo do que aconteceria hoje à noite. Eu fui deixada sem nenhuma escolha a não ser enfrentar Gage Grendel após seu show. Eu estava orgulhosa de Ben por ser seu empresário bem-sucedido, mas durante esta noite, queria que ele não tivesse nada a ver com Gage ou FireNine. — Tudo bem, Liza. — Ben suspirou. — Sinta-se em casa. Refrescos estão sobre a mesa ali. — Eu balancei a cabeça e ele beijou minha bochecha antes de caminhar em direção a um homem em um terno perto das cortinas para ver os meninos tocarem. Teala veio para o meu lado, seu perfume queimando minhas narinas. Era uma mistura de cereja e álcool. Horrendo. — Isto é fodidamente legal de vocês. — Disse ela, batendo no meu ombro. Eu cedi um pouco com seu golpe, mas apertei os lábios para sorrir. — Yeah. — Eu não posso esperar para conhecer a banda. Eles são totalmente fodidamente gatos. Esse Montana... Oh, ele poderia então me ter agora. Qualquer dia. Em qualquer lugar. E Gage! — Ela gritou, saltando para cima e para baixo. — Oh, foda-se, eu iria deixá-lo cantar para mim enquanto estamos fodendo. Isso seria incrível, né? Eu fiz uma careta para ela. Quantas vezes uma pessoa pode usar uma palavra derivada de "foder"? Teala usava em cada frase e, francamente, era pouco atraente... Não que ela já não fosse atraente. Usava tanto laquê que eu ficava surpresa que não tinha se engasgado com ele. Seu cabelo era preto sólido, seus lábios estampados com batom vermelho berrante, e ela estava magra demais. Eu não quero saber o que ela fez para se tornar tão magra. Eu tinha certeza de que tinha algo a ver com drogas pesadas e que usava demasiadamente. — Teala, que tal você ir assistir? —Insisti. Eu a queria o mais longe possível de mim. — Ótima ideia! — Ela correu para longe, seus saltos dançando quando puxou a cortina e olhou para frente em reverência. Eu poderia dizer que ela nunca esteve nos bastidores antes.

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Suspirando, virei-me para as bebidas e peguei uma garrafa de água. Eu realmente queria cair fora. Eu não poderia enfrentar Gage novamente. Eu não conseguiria olhar para aqueles olhos cor de avelã ou ver aquele sorriso casual, seu amplo peito, ombros firmes... Sua figura sexy. Eu não tenho que vê-lo para saber que ele parecia mais quente que o inferno. Nunca houve uma manhã ou noite que ele parecesse ruim. A multidão foi à loucura quando sua voz ecoou por todo o estádio. Engoli em seco, esperando que meus joelhos não bambeassem com o êxtase de sua voz profunda no cômodo. Fechei os olhos, respirando pelas narinas e segurando minha garrafa de água. Eu tinha que ser madura. Eu tinha que agir como se estivéssemos exatamente como tínhamos começado. Em uma aventura. Eu sabia que éramos muito mais do que isso, mas disse a mim mesma uma e outra vez que não éramos. Não era suposto sermos mais do que isso. Mas, então, Gage disse algo que me fez largar a minha garrafa de água com um suspiro. — Eu ouvi ontem à noite que uma das garotas mais quentes que eu já conheci poderia estar aqui agora. — Ele riu e eu parei minha próxima respiração, mantendo meu olhar focado sobre a mesa. Pena que eu era todo ouvidos. — Essa garota... Eu sei que ela está aqui agora. Ela realmente quebrou a porra do meu coração. Eu estraguei tudo, ela me deixou ir. Eu me abri para ela, ela se fechou em mim. Alguém nesta multidão já se apaixonou? — Ele perguntou. Assim como ele, a multidão gritou e houve até um “eu estou apaixonada por você, Gage!” — Isso é ótimo para vocês. Isso é ótimo. Eu quero que ela saiba esta noite o quão ruim ela me ferrou - como me machucou quando a vi partir. Ela não só quebrou meu coração, mas levou os pedaços com ela. Esta menina - onde quer que esteja - não vai gostar dessa música, mas... — Eu sabia que ele estava dando de ombros despreocupadamente. — Oh bem. Eu não dou a mínima. Isso é como esta música se chama: “Nós não damos a mínima.” É explícito, mas vocês sabem como nós somos... Se você não dá, então fique com a gente. — Ele riu de novo, mas o meu coração caiu. Olhei para baixo. Peguei a minha garrafa de água quando ele começou a cantar em voz alta, a raiva fluía através do microfone. Cada palavra esfaqueando o meu intestino, fazendo-me querer dobrar, mas eu afundei. Eu queria fugir para a saída, respirar o ar fresco da noite, mas sabia que ainda ouviria suas letras. A pior parte foi que ele

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escreveu. Ele era o letrista principal, e me matou ainda mais sabendo que isso era definitivamente do seu coração. — Foi ruim deixá-la. — Ele cantou. — Foi difícil te esquecer. Eu era estúpido por estar com você. Você me magoou quando eu nunca fiz nada para você. Eu vou gritar “foda-se” para os telhados. Eu vou deixar todo mundo saber que eu não estou... Eu não estou apaixonado por você. Foda-se você. Foda-se nós. Como a banda sempre diz... NÓS NÃO DAMOS A MINIMA! Engoli em seco novamente, lágrimas quentes rastejando para as bordas dos meus olhos. Pisquei rapidamente, mas eu não podia me mover. Eu estava presa no lugar, implorando ao meu corpo para deixar apenas eu me virar e correr para a porta. Eu não tinha que enfrentá-lo. Eu tinha planejado ser agradável e madura, mas ele estava cantando isso? Ele estava mentindo, eu sabia. Ele me disse várias vezes o quanto ele estava apaixonado por mim. O quanto ele precisava de mim para ficar bem, antes que eu me afastasse dele. Depois de ouvir estas palavras, porém, eu queria dar um tapa nele. Uma mão tampou meu ombro e eu virei, olhando para os olhos brilhantes marrons de Ben. — Liza, você está bem? — Ele perguntou. — Eu sinto muito... Você sabe como ele é. Ele sempre canta músicas que não são planejadas. — V-você disse a ele que eu ia estar aqui? — Eu perguntei baixinho. — Não, Eliza. Eu nunca faria isso. Montana e eu estávamos conversando sobre como você estava na escola ontem à noite. Gage ouviu que estaria nos bastidores e eu acho que o levou a... Isso. — Os olhos de Ben suavizaram quando ele me puxou pelos ombros e me segurou enquanto esfregava minhas costas. — Não deixe que isso chegue até você. Ele ainda está chateado. Você sabe que ele te ama. É apenas um ato. — Bem, seu ato parece real. — Eu suspirei por cima do ombro. Ele se afastou, olhando nos meus olhos. — Não é, Eliza. Mantenha sua cabeça erguida e faça o que fizer, não deixe que ele te chateie esta noite. Eu quero dizer isso. Você está voltando para casa de qualquer maneira. Eu balancei a cabeça, pressionando meus lábios enquanto eu dava um passo para trás. Alguém chamou o nome de Ben e ele

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suspirou, olhando-me por cima mais uma vez antes de se virar e encontrar o mesmo homem alto, com cabelos loiros. A banda cantou mais três músicas antes de Gage finalmente dizer aos fãs de Virginia boa noite. Eu os ouvi recolhendo suas coisas e, em seguida, buzinando e gritando enquanto corriam nos bastidores. Tentei achar Ben, mas ele estava longe de ser encontrado. Eu precisava sair de lá. O show acabou, eu fiquei e ouvi sua canção de coração partido, e agora era hora de ir. Eu apertei minhas mãos, olhando para todos até que a cortina abriu, e os dois primeiros a voltar foram Deed P. e Montana. Deed me viu primeiro e seu sorriso expandiu quando ele correu em minha direção. — Santo inferno, porra! — Montana gritou, correndo para mim também. — Oh merda, nós temos a nossa Eliza de volta! — Eu ri quando Deed me deu um abraço caloroso, e ri ainda mais quando Montana me pegou em seus braços e me apertou. Ele, então, deixou-me cair e deu um abraço de verdade, e eu suspirei porque sabia quem voltaria em seguida. — Senhorita Eliza, tem sido um tempo. Como estão as coisas? — Ótimas, Montana. — Eu sorri, olhando-o em sua camiseta cinza e calça jeans azul escura. Ele mudou os piercings dos lábios e da sobrancelha para aros de prata, em vez dos antigos pregos de prata, e seu moicano loiro estava poucos centímetros mais longo, as pontas tingidas de um laranja feroz. — Você parece ótimo. — Bem... Você sabe como eu faço. Eu nunca posso estar feio. — Ele piscou. Eu ri antes de voltar a olhar para Deed, que já estava sorrindo para mim. — Deed, como você está se sentindo? — Ótimo, Eliza. Nunca estive melhor. — Ele piscou, bem como deu um passo atrás. — Eu sei que nós deveríamos sair daqui a poucos minutos, então vou pegar minhas coisas. Espero que possamos conversar mais tarde? — Sim, com certeza. — Eu balancei a cabeça, olhando ele tomar um lento passo para trás. Ele balançou a cabeça rapidamente, em seguida, virou-se para descer o corredor e Montana riu, trazendo minha atenção de volta para

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ele. — Tenho certeza que você pegou o desempenho de Gage. — Disse ele, ainda rindo. Engoli em seco. — Eu fiz, na verdade. Mas seja o que for. Ele franziu a testa. — Está longe de ser “seja o que for”. Eu disse a ele para relaxar, mas quando Gage quer alguma coisa, ele vai para isso. — Ele me olhou quando eu abaixei meu olhar. — Está tudo bem... Certo? Eu sei que provavelmente vai ser estranho vê-lo novamente... — Eu estou bem Montana. É o passado. Eu já superei isso. Tenho certeza que ele também. Olhei em seus olhos azul-claros e ele abriu os lábios para dizer algo, mas levou apenas um segundo para calar a boca e acenar com um suspiro. — Bem, eu só vou voltar e pegar minhas coisas. Falamos mais tarde. Eu balancei a cabeça e ele se virou, correndo para seu camarim. Ben finalmente chegou ao fundo do corredor com o homem loiro de terno, e eu estava mais do que aliviada ao vê-lo. Quando eu comecei a andar em seu caminho, porém, a cortina foi puxada para trás e meu coração literalmente caiu. Eu não sei se é possível ter o seu coração caindo fora de sua bunda, mas isso é o que senti que estava acontecendo comigo. Ele estava glorioso, como sempre. Seu cabelo ainda era o mesmo, talvez alguns centímetros mais longos. Mais despenteado do que eu já tinha visto antes, e algumas partes estavam incrementadas, mas parecia incrível para ele. Ele estava magro em uma camiseta FireNine preta com impressão vermelho vivo. Calças jeans azul-escuras estavam confortáveis e casuais, ele tinha Chuck Taylor em seus pés. Ele me viu e fez uma pausa em seu próximo passo, como eu fiz. Seus olhos castanhos se estreitaram quando ele me olhou dos pés à cabeça. O sorriso que estava em seus lábios da multidão delirante evaporou e os cantos de sua boca se voltaram para baixo. Suas sobrancelhas cerraram e, em seguida, ele dobrou seus sólidos braços, fazendo sua tatuagem tão clara como o dia. Roy recuou passando e parou ao lado dele, tendo-me diante dos olhos também. Ele estava prestes a dizer algo para Gage, mas antes que pudesse, Gage murmurou para ele e Roy balançou a cabeça, afastando-se. Assim que Roy estava fora de vista, eu me virei para olhar para Gage, mas ele ainda estava olhando para mim. Seus olhos ainda

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estavam apertados, seu queixo talhado marcando. Eu sabia que ele não diria nada primeiro, por isso murmurei: — Oi, Gage. — Eliza. — Ele zombou, soltando os braços e pisando ao meu redor, indo para o seu camarim. Algumas meninas já estavam esperando nos bastidores e quando ele passou por elas, piscou, mandou beijos, e até puxou uma delas para envolvê-la em seus braços, enquanto beijava o canto da boca. Minha garganta queimou enquanto eu o observava se afastar. Ben pegou o pequeno ato entre nós com os olhos cheios de culpa, enquanto observava Gage ir para seu camarim e batendo a porta atrás de si. Ben olhou para mim com os olhos cheios de tristeza e eu dei de ombros, como se eu não me importasse, mas no fundo doeu. No fundo, eu senti como se alguém tivesse acabado de me apunhalar - duas vezes. Eu sabia que isso seria fodido. Eu só sabia. Eu deveria ter apenas dito a Ben para me pegar no meu dormitório... Porém, de qualquer forma, eu veria Gage. Ben andava com a banda para chegar até aqui e certamente eu tinha que andar atrás deles. Teala veio até mim, sorrindo como uma idiota. — Esse Grendel... Eu juro que ele é tão fodidamente quente. Revirei os olhos e me virei de costas para ela. Peguei outra garrafa de água da mesa e fechei os olhos por alguns instantes. Eu só queria que esta noite acabasse. Eu queria ir para casa e fingir que não vi o ódio nos olhos de Gage. Mas teria sido impossível. O ódio era claro. Ele estava chateado comigo e ele não acabaria com isso... Não até que nós conversássemos. Porém, eu não queria falar. Eu só queria que fôssemos amigos... Ok, isso foi um pensamento estúpido, mas não poderia voltar para o que Gage e eu estávamos antes. Se eu fizesse, seria apenas como machucá-lo novamente. E eu não queria machucá-lo. Por mais que eu não pudesse suportá-lo pela música que ele cantou, ou mesmo a sua atitude em relação a mim, teria sido errado trazer mais dor a ele. Na parte de trás da minha mente, eu sabia que merecia seu ódio.

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LÁBIOS RAIVOSOS epois de Ben e eu deixarmos Teala cair fora em alguma pós-festa e pegarmos minhas malas no dormitório, nós estávamos em nosso caminho de volta para o ônibus. Durante toda a viagem de volta ao estádio para pegar os meninos, Ben e eu estávamos em silêncio. Eu fiquei sem palavras. Ao ver a raiva nos olhos de Gage me fez reviver tudo o que tinha atravessado e o quanto ele odiava minha decisão. Ben sabia também, por isso que ele ficou quieto. Ele não sabia como me fazer sentir melhor, mas não precisava. Eu realmente não me importo. Mentiras. A parte mais estranha sobre a noite era estar indo para casa com a banda. Eu compartilhei algumas risadas com Montana, mas cada vez que o meu riso enchia o carro, Gage tremia, sua mandíbula se apertava, ou ele dizia ao motorista para ligar o rádio. Peguei as pequenas coisas que ele fez. Era como se cada som que eu fizesse o irritasse. Eu tinha certeza de que até a minha presença o irritava. — Tente não deixá-lo chegar até você. — Sussurrou Montana. Encolhi-me, olhando para fora da janela, pronta para o passeio acabar. Quando eu não estava olhando para fora da janela, disfarçadamente olhava para Gage. Eu estava na fila muito para trás com Montana e Deed. Deed tinha adormecido com fones de ouvido, a testa pressionada contra a janela, e Montana estava muito ocupado com o nariz em seu telefone para me ver. Roy e Gage estavam sentados na segunda fila. Ben estava na frente com Stan, nosso motorista. Eu levei um tempo tranquilo para estudar Gage de novo quando as luzes piscando dançavam no seu rosto enquanto os carros passavam. Suas feições eram severas e agravadas, sem dúvida, mas apesar de tudo, ele era de tirar o fôlego - seu queixo talhado pontudo, nariz um pouco torto, lábios rosados cheios e luxuosos, cabelos desgrenhados à perfeição. Havia um rastro de luz em torno de sua boca, e ele aleatoriamente lambia o lábio inferior, enquanto mexia e tentava ficar confortável em seu assento. Quando ele apoiou a cabeça na janela e olhou para fora, o pescoço ficou exposto e eu tinha o desejo de me inclinar para frente e beijá-lo. Sua pele, como creme, estava bronzeada. 11


Eu queria tocá-lo, acariciá-lo... Talvez até lambê-lo. Eu era uma idiota, eu sei, mas era irresistível. Era difícil não olhar para o homem que tinha tomado a minha virgindade e me trouxe para a feminilidade. O homem que me deu sorrisos sem esforço, provocou inúmeras borboletas debatendo no poço da minha barriga, e o primeiro homem, depois de meu pai, que disse que me amava. Não havia nenhuma maneira no inferno que ele me odiasse. O amor que eu costumava ver nos olhos dele era muito forte, e só tinha passado oito meses desde a última vez que vimos um ao outro. O amor não pode desaparecer tão rápido... Não é? Eu com certeza ainda o amava. A sensação tinha que ser mútua. Não foi muito tempo antes de nós chegarmos à nossa casa e todos gemeram e se estenderam antes de pular fora. Gage e Roy deram um passo para o lado, quando Montana , Deed, e eu andávamos depois de Ben para chegar a casa. Quando Ben abriu a porta e entrou, olhei por cima do meu ombro para Gage e Roy, que ainda estavam do lado de fora do SUV. Eles não estavam falando, apenas encostados nele, de braços cruzados. Eu fiz uma careta, querendo explodir a ambos, mas eu segurei. Teria sido difícil para ele vir dentro de qualquer maneira. — Fico feliz que estejamos aqui. Eu tinha que mijar seriamente. — Montana disse, passando as mãos molhadas em sua camisa quando ele reentrou na sala de estar. Eu sorri, abaixando-me na cadeira, mas antes que pudesse me estabelecer e me sentir confortável, lembrei-me que as minhas malas ainda estavam no SUV. Pensei em pedir um favor para um deles, mas Montana e Deed estavam confortáveis nos sofás e Ben sumiu em seu quarto. Eu suspirei, pulando do sofá e indo para fora. Deixei a porta aberta, mas o meu olhar foi para frente, olhando de frente para Roy e Gage em pé na calçada falando agora. Bom. Suas costas estavam de frente para mim e ele não estava perto do SUV. Isso me salvou de um momento de constrangimento. Eu calmamente caminhei para a porta de trás e dei outra saudação para Stan, que apenas sorriu, seus olhos extremamente cansados. Eu disse a ele que precisava das minhas coisas, e depois que as peguei, Ben saiu, gritando por Roy e Gage parados do lado de fora como idiotas. 12


Eu congelei então, lentamente descongelando e ligando a alça da minha bolsa no meu ombro. Virei-me lentamente e encontrei os olhos castanhos de Gage, mas ao contrário do meu olhar confuso, o dele era duro e intenso. Ben veio correndo do meu lado, me ajudando com minhas malas e materiais de arte. — Eles vão passar a noite? — Eu perguntei para que só ele pudesse ouvir. Os lábios de Ben pressionaram, seu olhar reduzido. — Sinto muito, Liza. É só por hoje. Eu disse a eles para não desperdiçar dinheiro em um hotel e ficar na minha casa só até a hora deles irem amanhã. Fiz uma careta, batendo a porta e apressando-me para a casa. Foi uma atitude vadia da minha parte. Eu nunca fui aquela a ser egoísta, mas com Gage era um cenário completamente diferente. Eu não poderia estar sob o mesmo teto com ele. Nós não estávamos em boas condições e eu não ficaria confortável na minha própria casa com ele por perto me observando com olhos irritados. Bati a porta do quarto atrás de mim, mas momentos depois, houve uma batida na porta. — Basta deixá-lo em frente à porta, Ben. — Eu disse, suspirando quando afundei na borda da cama. Eu ouvi algo cair fora da porta, mas depois ficou em silêncio. A TV ainda estava na sala da frente e a porta se fechou, deixando-me saber Gage e Roy estavam lá dentro. Porém, então, meu estômago roncou e amaldiçoei-me uma e outra vez por não comer antes de chegar em casa. Suspirando, eu saí da minha roupa e encontrei um par de shorts de pijama rosa e um top branco. Puxei meu cabelo, envolvendo um elástico em torno dele, e então esperei cerca de dez minutos segurando a maçaneta da porta. Meu coração batia a mil por hora quando eu torci e olhei para o corredor escuro. Eu podia ver a cintilação da TV da sala de estar e também podia ouvir um ronco. Eu esperava que o ronco pertencesse a Gage. Quando fechei a porta atrás de mim, eu literalmente andei na ponta dos pés o meu caminho em direção à cozinha. O corredor parecia mais e mais escuro do que nunca. Era quase como se enquanto estava me aproximando meus pulmões forçavam-se a funcionar. Eu senti como se cada passo podia ser ouvido, junto com as batidas do meu coração. A pior parte era que para chegar à cozinha, eu tinha que passar na sala. Ugh. Eu amava aquela casa, mas odiava a configuração mais do que tudo neste momento. 13


Passei pela sala lentamente e vi cobertas embrulhadas. Eu não conseguia distinguir quem era, com as luzes piscando da TV, mas vi quatro edredons e lençóis com o que parecia ser corpos debaixo deles. Suspirei então, esperando que todos eles estivessem dormindo depois de uma noite cansativa cantando e tocando instrumentos. Porém, então, entrei na cozinha... E ele estava ali, sentado no banco na ilha. Os cotovelos estavam plantados nos balcões de mármore, suas mãos em ambos os lados de sua cabeça, e ele estava olhando para baixo. Ele estava curvado, então eu não podia ver sua expressão, mas ele estava mordendo o lábio inferior. Eu quase engasguei, mas segurei dentro, estava prestes a me virar, mas os olhos castanhos pesados encontraram os meus e parei em minhas pernas. Quando me viu suas sobrancelhas ficaram em linha reta em sua testa. Ele mordeu o lábio inferior e, em seguida, empurrou-se a partir do balcão, marchando em direção a mim. Um milhão de coisas correram pela minha cabeça. Eu pensei que ele me pegaria, sacudiria-me, e gritaria comigo pelo que fiz para ele. Pensei que ele me diria que eu era a pior pessoa do planeta e que me odiava... Porém, não aconteceu. Em vez disso, ele segurou meu rosto e nossos lábios colidiram. Sua língua deslizou em minha boca e minhas costas colidiram contra a borda do balcão mais próximo. Eu emaranhei meus dedos em seus cabelos e gemi quando seu aperto ao redor do meu rosto ficou mais forte, mas não era muito apertado para me machucar. Prazer queimando através de mim, seu perfume me encheu, e os meus braços fecharam ao redor de seu pescoço, tentando puxá-lo para mais perto, mas era impossível. Estávamos tão perto, eu podia senti-lo cada vez mais duro a cada segundo. Sua língua traçou o céu da minha boca, o meu lábio superior. Eu não ousava quebrar o beijo, porque tinham sido tantos meses desde a última vez que beijei alguém. Gage foi a última pessoa que eu tive nos meus lábios e eu senti falta pra caramba disso. Seus lábios eram como veludo, tão suave, o rosto de bebê, macio, exceto a barba por fazer em torno de sua boca. Ele resmungou quando ele me apertou, balançando sua ereção massiva contra mim. Ele então me levantou em cima do balcão com rígida respiração que não podia ser controlada. Seus dedos correram sobre meus ombros, meus quadris, 14


minhas coxas. Um deles encontrou o seu caminho sob meu short e deslizou para dentro de mim. Engoli em seco, mas nossos lábios permaneceram trancados. Deus, senti falta disso. Era tão bom. Ele gemeu, bombeando o dedo em mim, acrescentando outro, enquanto circulando o dedo em meu núcleo. Eu estava ficando mais alta, meu corpo implorando por mais. Eu queria que a excitação que pressionava contra a minha perna viesse para dentro de mim. Eu o queria em todos os sentidos possíveis, mas era como se ele estivesse segurando. Eu não tinha mais autocontrole e foi sempre assim com Gage. Sempre que eu estava ao seu redor, ele tinha o controle completo do meu corpo. Ele poderia fazer alguma coisa para mim e eu iria gostar. Porém, quando todo esse prazer queimou através de mim, percebi que algo não estava certo. Ele tirou os dedos de dentro de mim e, em seguida, começou a tremer, até que finalmente ele arrancou os lábios a distância. O fogo em seus olhos era intenso, chocante. Eu ainda podia ver o agravamento atrás deles, a dor, mas então ele piscou tudo fora e me soltou, dando um passo para trás. Ele piscou novamente e, em seguida, correu o topo de seu braço em seus lábios, quase como se estivesse se livrando do beijo áspero que tínhamos acabado de compartilhar. Ele abriu a boca como se quisesse falar, mas em um instante, ela se fechou. Lágrimas formaram nas bordas de seus olhos quando ele sacudiu a cabeça, piscando duro. Eu não pude deixar de notar os sacos finos abaixo deles, a vermelhidão em torno das pálpebras, como se ele tivesse chorado, mas eu não estava muito certa porque isso poderia facilmente ter sido um sinal de falta de sono. — Eu queria aquele beijo para ser um lembrete do que você poderia ter tido, mas acabou deixando para trás. — Ele finalmente disse, sua voz profunda, estranha, e grave. — Eu ainda não posso acreditar que você foi embora assim, Eliza. Sem olhar ao redor e falar comigo. Eu, eu... Porra, cara! Eu vacilei quando ele voltou para o seu curto copo de álcool e engoliu antes de batê-lo de volta no balcão. Ele passou por mim, roçando meu ombro enquanto sua picante colônia soprava passando pelas minhas narinas e enchendo meus pulmões. E eu odiava como ele me levou – excitando-me e me deixando ansiosa por seu duro e delicioso corpo, mas nada aconteceu. Nada veio disso. Porém, então, eu pensei que foi, 15


provavelmente, como ele se sentiu após se abrir para mim. Depois de me dizer coisas que nunca contou a ninguém. Depois de passar tanto tempo juntos e cair profundamente no amor, ele caiu de bruços no final e não deu em nada... Por minha causa. Eu o deixei para baixo e isso lhe desagradou, agora, ele estava retornando o favor. Ele estava me mostrando como era a sensação de ser deixado aberto e acabar sem qualquer tipo de encerramento. Porém, não fui apenas eu. Ele me decepcionou também. E a parte triste sobre isso é que eu queria ir atrás dele e arrastá-lo para o meu quarto. Eu queria satisfazer a nós dois. Eu queria pedir desculpas um milhão de vezes, mas sabia que o meu pedido de desculpas não significaria nada para ele. Eu tinha certeza de que, agora, ele tinha acabado muito bem comigo e era melhor assim. Foi melhor para ele seguir em frente porque eu não tinha feito ainda. Eu ainda tinha um trabalho a fazer e tinha certeza de que no momento em que terminasse e me graduasse com um emprego bem remunerado, ele estaria com alguém... Alguém que valesse o seu tempo. Esse alguém não era eu.

Passei a tarde do dia seguinte limpando e reorganizando meu quarto. Mudei a minha cama para a parede em frente para dar mais espaço para os meus materiais de arte e minha mesa, mudei as folhas, e reuni todas as minhas roupas sujas. Lavar roupa na faculdade estava longe de ser a coisa mais fácil de fazer. Eu odiava levar minhas roupas em uma cesta ou um saco de lixo e ficar na lavanderia durante todo o dia. Eu estava mais do que grata por estar em casa para lavar as minhas coisas. Eu também estava agradecida aos meninos que tinham que sair mais cedo para ir para casa. Eu não tinha certeza de onde qualquer uma de suas casas era, mas sabia que eles não estavam mais vivendo em Virginia. Eu estava contente que Gage tinha ido embora. Depois de ontem à noite, não conseguia parar de pensar nele. Meus lábios ainda estavam formigando por aquele beijo. Minhas pernas ainda estavam apertando e eu estava latejando por seus dedos terem bombeado dentro e fora de mim. Era quase como um beijo de reencontro... Só que ele estava chateado. Eu podia sentir a paixão, apesar de tudo. Eu poderia dizer que ele não queria deixar ir, mas fez mesmo assim. O que ele disse me machucou, mas eu tentei o meu melhor para passar sobre isso. 16


Eu fiz tudo que pude para ocupar meu tempo e não pensar sobre isso, mas era um fracasso. Depois que eu fiz tudo, ainda estava no início da tarde e toda a casa estava limpa. Eu fiz lasanha para o jantar, pintei minhas unhas, esbocei na varanda de trás por um tempo, mas eu não conseguia parar de pensar em Gage. Seus olhos castanhos me assombravam, fazendo-me querer apenas dar-lhe uma ligada e trazê-lo de volta. Porém, trazê-lo de volta não era parte do plano. Trazê-lo de volta significaria que ele esperava que eu largasse tudo que eu tinha trabalhado tão duro para ter e estar com ele. Soou egoísta, mas éramos completamente opostos. Ele não queria me ver levantar um dedo mindinho, mas eu queria trabalhar pra caramba. Ele não queria que eu me preocupasse ou estressasse, mas eu queria ter uma vida normal. Sua vida não era para mim e ele sabia disso tão bem quanto eu. Nunca houve um dia que passasse que eu não pensasse em como o esmaguei. Como ele literalmente dobrou os joelhos, com lágrimas escorrendo. Eu revivi esse momento todos os dias da minha vida e isso me matou uma e outra vez. Eu sei que o matou. Porém, não teria durado. Eu sabia de profundamente que nada estava encaminhado para nós. Eu sabia que com Penelope ao redor, sempre haveria conflito entre nós. O resto da minha tarde levei com um romance, e assim que Ben chegou, devorou a lasanha e, finalmente, discutiu a atitude de Gage. Claro que eu não contei a ele sobre o beijo na noite passada. Isso teria o feito assumir coisas e eu não estava a fim de suposições. Para fazer com que toda a conversa fosse mais fácil, era melhor fazer parecer que Gage realmente me desprezava. — Eu estive preocupado com ele, apesar de tudo. — Ben suspirou quando ele deixou cair o guardanapo em seu prato vazio. Encostei-me na cadeira, olhando em seus olhos. — Por quê? — Eu não sei. Ele está tão morto... Tão fora de si. Montana me disse que quase não dorme e sempre que eles falam sobre fazer uma nova música, suas letras são... Deprimentes. Ele está mal-humorado. — Ele olhou nos meus olhos por mais um breve momento antes de deixar cair o seu olhar. — Eu não quero assumir que é sobre você. Tem sido meses, Liza. Ele não pode estar mais tão magoado. Acho que ele teria mudado agora. Engoli em seco ruidosamente, pegando o garfo e deslizando minha 17


comida ao redor. — Eu quero pedir desculpas... Eu só não sei como. E não sou a única culpada desta situação, Ben. Ele mentiu para mim. Ele disse que estava se livrando de Penelope por mim, mas passou as duas últimas noites que eu estava lá com ela. Ele acenou com a cabeça. — Eu sei, Liza Bear. Eu sei. — Ele pegou o guardanapo para limpar o canto da boca. — Vocês só tem que falar. Esclarecer as coisas um pouco. Eu dei de ombros. — Eu sei. Ben decidiu mudar de assunto e eu balancei a cabeça algumas vezes para a conversa sobre o trabalho, mas não estava realmente escutando. Gage estava pesando em minha mente e eu sabia que Ben estava certo. Eu só não sabia como fazê-lo. Eu não sabia como fazê-lo ver que não era ele... Era eu. Tão clichê, mas é a verdade. Eu tinha uma vida que queria fazer direito. Eu tinha metas, sonhos e prioridades. Eu queria fazer direito por mim mesma antes de incluir outra pessoa. Nós nos divertimos no verão passado, sim, mas enquanto eu estivesse na escola, eu teria que focar. Eu tinha que ir por mim. Eu cresci com ambição e não deixaria tudo isso ir para o lixo. Eu não quero ser como a minha mãe, a canalha com o inútil marido abusivo. Eu amava Gage, mas realmente tinha que cuidar de mim mesma em primeiro lugar... E ele estar com Penélope não tornava isso melhor. Antes que Ben pudesse seguir em frente com outro tema de discussão, perguntei-lhe: — Ben, por que você pediu aos seguranças para me puxar para longe de Gage no verão passado? Apertando a boca fechada, Ben me olhou com grandes olhos castanhos. Ele desviou os olhos, limpou a garganta, e agarrou seu copo de água. Depois de tomar um gole, disse: — Eu sabia que você iria se arrepender se ficasse, Eliza. Ele teria te convencido a fazer a escola esperar... E eu sei o quanto você quer ser bem sucedida na vida. Eu não podia vê-la ir para o caminho errado... Eu balancei a cabeça, entendendo exatamente o que ele queria dizer. Ele estava certo. Conhecendo-me e sabendo o quanto de amor que eu tenho por Gage, eu teria ficado. Quando o vi quebrar, tudo o que eu 18


queria fazer era envolver meus braços em torno dele, segurá-lo e nunca deixá-lo ir. Eu queria estar lá para ele, para sempre e sempre. Eu sabia que Gage queria o melhor para mim, que era por isso que ele decidiu por para fora. Depois de ouvir tudo o que eu tinha passado, ele provavelmente sabia melhor para me parar. Eu odiava que não nos falávamos há tanto tempo. Eu queria fazer as coisas melhor, mas quando Ben me deu o número do Gage, Gage respondeu uma vez, ouviu-me em algumas coisas, e depois desligou. Quando liguei de novo, ele não respondeu. Cada vez que eu ligava, não houve resposta. Eu realmente não podia culpá-lo por não querer ter nada a ver comigo. Para ele, eu era apenas uma garota importante em sua vida que se afastou quando ele mais precisou de mim. Eu acho que ele estava tentando se livrar de mim. É estranho como eu só conseguia me imaginar com Gage, no entanto. Eu só o imaginava no meu futuro e me assustava, mas me fazia feliz ao mesmo tempo. Isso me assustava, pois eu não sabia se ele queria a mesma coisa. Eu não sabia se ele queria ser temporário ou permanente. Permanente me assustava. Eu nunca pertenci a ninguém, então tentar pertencer a ele poderia ter falhado e que poderíamos ter quebrado os corações um do outro ainda mais. Eu era uma pessoa fodida. Eu não queria machucá-lo novamente e, definitivamente, não queria que ele me machucasse, mas parecia que era tudo o que eu estava conseguindo ao lidar com ele. Machucando.

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18º ANDAR ma semana mais tarde e eu estava no Brooklyn, New York, em pé na frente da Artes Global, pronta para enfrentar o primeiro dia do meu estágio. Eu tinha meu portfólio escondido debaixo do meu braço, de pé firmemente em um par de calças cáqui, uma blusa verde-menta, e um par de sapatilhas brancas. Ben escolheu a roupa para mim e era perfeita. Não muito. Nem muito pouco. Ele também me levou para o seu cabeleireiro para que eu pudesse ter meu cabelo lavado, escovado, e enrolado. Eu costumo odiar mexer no meu cabelo e parecer certinha, mas isso era necessário. Eu tinha que parecer apresentável. Enquanto eu estava diante do prédio, deslizei minha mochila no meu ombro e olhei para o relógio no meu telefone. Eu estava vinte minutos adiantada, e isso só porque tive que andar pelas ruas e pegar um táxi para desviar do tráfego. Senti-me além de tola em pé no meio da calçada em frente a um prédio de trinta andares. Lembrava-me de Nova York como se fosse ontem, no entanto. Foi a última cidade que estive durante a turnê, antes de ter que voltar para a escola. A última cidade que eu dividi com Gage. Eu suspirei, afastando as memórias e segurando meu portfólio debaixo do meu braço, caminhando para frente. Eu tinha que manter meu foco. Assim que entrei no prédio, eu achei muito mais calmo do que o esperado. Eu achava que haveria pessoas correndo em volta, correndo para chegar aos seus escritórios ou mesas, mas era muito longe disso. Estava sereno. Algumas pessoas estavam na área de estar com os copos de café na mão e seus narizes enterrados em livros. Outras estavam esboçando ou desenhando. A maioria das pessoas esboçando e desenhando era muito jovem. Havia um grupo deles sentados em círculo no chão, movendo-se com afinco as suas mãos ao longo do papel liso. Era uma visão reconfortante. Eu adorava isso. Observar os outros se apaixonando pela sua própria obra-prima me fez querer me juntar a eles e esboçar a distância. Eu queria, tinha 20 minutos, mas em vez disso, eu corri para a recepção, onde uma mulher com óculos de armação fina e um coque alto grisalho estava sentada. Quando me aproximei da mesa, ela olhou para cima e sorriu, seus dentes brancos e reluzentes por conta do candelabro de ouro em cima dela.

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— Olá. — Ela disse. — Bem vinda a Artes Global. Meu nome é Gloria Watkins. Como posso ajudá-la hoje? — Oi. — Eu respirei, ajustando a alça da minha mochila. — Hum... Hoje é o primeiro dia do meu estágio. Disseram-me para chamar por Franklin McGuire. — Eu puxei o cartão branco do bolso e deslizei por cima do balcão. Ela pegou e balançou a cabeça, estendendo a mão para o telefone. — Dê-me apenas um segundo. Vou dar-lhe um sinal. Eu balancei a cabeça, dando um passo para trás e observando o lobby novamente. Havia alguns escritórios com janelas de vidro. A maioria das pessoas em seus escritórios usavam ternos. Todas as mulheres tinham coques altos apertados como Gloria, enquanto todos os homens tinham o cabelo cortado. Eu vi um escritório com um logotipo em sua janela que causou uma queda do meu coração. Era um logotipo FireNine, laranja feroz e amarelo com autógrafos de cada membro da banda. Por um momento, eu congelei, olhando para ele, perguntando o que diabos estava naquele escritório. Eu tinha certeza de que estava exagerando, mas por que alguém que trabalha na Artes Global teria um cartaz FireNine assinado? Eu tinha certeza de que a maioria das pessoas que trabalhavam aqui eram indivíduos adultos e a base de fãs FireNine era composta de pessoas mais jovens, adolescentes dirigidos por hormônios. — Senhorita Smith? — Gloria chamou, puxando-me de volta ao presente. Desviei o meu olhar e suas sobrancelhas subiram em curiosidade. — Está tudo bem, querida? — Ela perguntou. — Uh... Sim. Eu estou bem. — Engoli em seco e ela balançou a cabeça quando ela clicou em seu teclado. — Diz aqui que o encontro é às nove. Isso é daqui quinze minutos. Sr. McGuire perguntou se poderia esperar do lado de fora de seu escritório, no trigésimo andar. Se precisar de ajuda, haverá um assistente para dizer-lhe para aonde ir e o que fazer. Eu respirei fundo, balançando a cabeça e a agradeci antes de girar sobre os calcanhares e chegar ao elevador mais próximo. Infelizmente, para chegar ao elevador, eu tinha que passar em frente ao cartaz FireNine. A porta estava aberta e eu pude ver no que a sala consistia. Tudo FireNine. Canecas de café FireNine sobre a mesa, dezenas de cartazes assinados, chaveiros, camisetas presas na parede... Isso estava em toda 21


parte. Eu tentei encontrar uma pessoa dentro, mas devido à minha distração curiosa, eu bati direto em um peito largo. Um par de chaves deslizou pelo chão e eu ofeguei, quase caindo de cara no chão, mas a sua grande mão agarrou meu braço antes que eu pudesse entrar em colapso. Quando eu estava puxando para trás e cambaleando contra ele, o meu coração batia contra minhas costelas, porque ele parecia muito familiar. Ele cheirava familiar, e quando olhei para cima, eu o achei mais do que familiar. Seus olhos castanhos brilhavam a luz do sol entrando pela claraboia acima. Seus lábios se curvaram em um sorriso diabólico e, em seguida, a cabeça inclinada, fazendo com que o cabelo caísse em seus olhos. Naquele momento, eu queria me afastar, mas não podia. Eu estava presa no meu caminho, esperando que estivesse vendo coisas. Esperando que esta pessoa na minha frente não fosse quem eu pensava que fosse. Talvez eu só visse esse rosto por ser o único cara que vi desde que ele esteve em minha mente muito ultimamente, mas quando eu estendi a mão e deslizei o dedo em seu macio lábio rosado inferior, sabia que eu não estava vendo coisas. Era ele. Era Gage. — Cuidado, Ellie. — Seus lábios se estenderam mais longe e revelaram um sorriso cheio. — Quase quebrei seu pescoço lá. Seu tom arrogante me fez arrancar meu dedo longe dele. — Eu não estava prestando atenção. — Eu murmurei, tirando-me de seus braços. — Sinto muito. Eu passei por ele, mas não fiz porque ele me pegou pela cintura e me segurou novamente. Meu estômago enrolou com seu toque, seu braço firme na minha cintura, e seu aroma agradável. — Você não vai me perguntar por que estou aqui? — Ele sussurrou em meu ouvido, enviando calafrios na minha espinha. Eu estava prestes a sacudir a cabeça, mas quando ele deu um beijo na minha orelha me derreti em seu alcance. Eu quase choraminguei, mas me segurei para salvar o meu constrangimento. — Deixe-me ir, Gage. — Eu suspirei, empurrando o braço para longe. — Eu tenho que chegar ao andar de cima antes das nove. — Deixe-me ir com você. — Disse ele, sorrindo enquanto eu o enfrentava. — Não. — Por que não?

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Eu fiz uma carranca. — Hum... Eu sinto muito. Você não é aquele que me odeia? Ele estreitou os olhos, o queixo travando. Ele correu os dedos pelos cabelos e sua camisa preta levantou, revelando a pele cremosa acima de sua cintura. Eu tinha o desejo de puxá-lo pela cintura, mas desviei e dei um passo para trás. — Eu não posso te odiar. — Ele murmurou. — Bem, parece que você fez na outra noite. — Eu estou chateado com você sim, mas nunca poderia odiá-la. Você provavelmente me odeia, também, hein? Por alguma razão, meu coração acelerou a partir da visão de seu sorriso torto. Eu queria fazer tantas perguntas, mas tinha que chegar ao andar de cima. Eu não poderia estar atrasada por causa dele, embora me perguntasse por que diabos ele estava na Artes Global, de todos os lugares. Em vez de responder, eu me virei nos calcanhares das minhas sapatilhas e corri para o elevador prateado. Quando eu apertei o botão subir, Gage parou do meu lado, enfiando os dedos nos bolsos da frente. — Ok. — Eu respondi. — Eu vou morder. Por que diabos você está aqui? Ele zombou, observando os números vermelhos descendo até a porta do elevador se abrir. Ele entrou primeiro e eu fiz uma careta para ele. — Vamos lá, Ellie. Não quero chegar tarde. Revirei os olhos e peguei o canto mais distante dele. Apertei o botão para o trigésimo andar e cruzei os braços quando eu me inclinei contra a parede. Ele ficou em silêncio primeiro enquanto eu assistia os números subirem. Era óbvio que seus olhos estavam em mim. Eu podia senti-los me examinando. Eu sabia que tinha um sorriso nos lábios. Ele gostava de ficar sob a minha pele e eu odiava que ele soubesse. — Sério, Gage. — Eu suspirei. — Por que você está aqui? Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, ele apoiou as costas contra a parede e seus olhos finalmente afastaram dos meus para ver os números. Nós ainda tínhamos mais de vinte andares para subir. — Lembra quando nós dançamos quadrilha no Texas no verão passado e você me disse que queria se tornar uma designer? Eu fiz uma careta, mas sabia exatamente o que ele estava falando. — O que tem isso? — Franklin McGuire será o seu chefe, mas ele trabalha com um dos designers gráficos de FireNine. Ele tem toda uma equipe aqui. Eu 23


disse a ele sobre você e o quanto gosta de arte, até mesmo recomendei você e ele queria automaticamente conhecê-la. Minha boca se abriu. — Mas como? Eu requeri aqui por minha conta. — Ben é o único que lhe disse para se candidatar ao estágio, né? — Sim, mas — Eu parei de falar abruptamente, percebendo que este tempo todo que Ben estava trabalhando com Gage por mim neste estágio. Ah, como eu desprezava Ben nesse exato momento. Ele era um homem subserviente. — Ainda é necessário algo para um estagiário requerer aqui fora a recomendação, mas vamos apenas dizer que Frank encontrou logo o nome que ele estava procurando, ele puxou seu requerimento e lhe enviou no mesmo dia. Olhei para ele de novo, no máximo de descrença. Eu não podia acreditar nisso. Eu me senti como uma séria idiota para cair com Ben e na pequena armadilha de Gage. Na verdade, eu pensei que tinha sido procurada por minhas habilidades no meu portfólio que passei tanto tempo criando. Maldita a minha emoção! É o que eu recebo por não fazer mais investigação. — Você é bem-vinda. — Gage suspirou. Eu não ia agradecer-lhe. Eu queria trabalhar para isso. Eu não quero ser uma parte de um trabalho só porque um homem estava em favor para um deus do rock. Eu queria estar lá por minha habilidade e trabalho. Em vez disso, eu estava aqui, porque Gage puxou uns pauzinhos para mim. Achei que era o que eu queria, quando ele me disse que poderia arrumá-lo para mim, mas queria fazer pelo menos um pouco do trabalho. Eu não quero isso tudo entregue a mim. Nós ainda tínhamos dez andares para subir e com cada um que passava, meu coração tornou-se mais pesado. Eu não estava tão confiante como antes. Os olhos de Gage ainda estavam em mim e quando eu realmente dei uma olhada nele, ele estava franzindo a testa. — Isso não explica por que você está aqui. — Eu disse. — Eu quero ver o quão bem a minha Ellie vai em seu primeiro dia. — Mas eu juro que você estava chateado comigo na semana passada. Você mal me disse nada e agora você está agindo como se nunca tivesse raiva... Qual deles é você? Feliz ou com raiva, porque eu não posso dizer. Você está sendo insosso.

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— Bem, vamos apenas dizer que Roy me teve pela mesma razão. Disse-me que agir como uma criança só estava fazendo a merda pior entre nós. Eu pensei sobre isso e ele estava certo... Por isso estou aqui para fazer as pazes e ver onde nós realmente ficamos... De que maneira que isso vai. Mas conhecendo você e como gosta de fugir e se esconder de seus sentimentos, talvez nós não tenhamos ido muito longe. Admito que doeu um pouco, mas eu fui mesmo assim. — Bem, é inútil Gage. Você veio aqui por nenhuma razão e, muito sinceramente, só porque está aqui agora não significa que cobre a atitude que você me deu há poucos dias. — Meus olhos rolaram. Gage fez uma careta, inclinando a cabeça para o lado. Seus olhos pareciam escurecer quando ele deu alguns passos em minha direção. Seu rosto estava a menos de uma polegada de distância do meu e ele inclinou a cabeça para baixo para dar uma boa olhada em meus olhos. — Eu queria falar, Eliza. Eu queria tanto ir com você, mas você nem sequer me deu uma chance de mesmo explicar o que estava acontecendo. Você acabou saindo, e todo santo dia eu penso sobre isso. Todo santo dia eu me preocupo com você. Eu entendo que você estava chateada também, mas você poderia ter ficado ao redor e me deixar informado. O mínimo que pode me deixar fazer agora é estar perto de você, enquanto eu estou livre da banda. Eu não estou pedindo pelo seu coração novamente, embora eu tenha certeza de que ainda o possuo. Minha respiração sufocou enquanto eu olhava em seus olhos. Eu estava prestes a explodir nele, dizer-lhe que poderia facilmente ter falado na casa de Ben quando ele estava lá, mas o elevador apitou, as portas se abriram, e alguém limpou a garganta. Gage e eu estávamos tão perto que parecia que tínhamos acabado dar uns amassos, mas pelas linhas traçadas entre as sobrancelhas, eu tinha certeza de que este homem de terno estava pensando de outra forma. — Sr. Grendel. — O homem disse, limpando a garganta novamente. Sem olhar para ele, Gage disse: — Frank. Como está indo? — Ele continuou com seu olhar em mim por apenas um segundo antes de se afastar e caminhar pelas portas abertas do elevador. Minha boca se fechou enquanto eu olhava para o homem de terno novamente. Ele era muito jovem e impecável. Terno ajustado, bigode bem aparado juntamente com um cavanhaque, e rosto de bebê como covinhas. Ele tinha cabelo preto liso e era em torno da mesma altura que Gage, um pouco mais de seis pés.

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— Você deve ser a fenomenal Eliza Smith. — Disse ele, sorrindo para mim com olhos azuis penetrantes. Eu balancei a cabeça, saindo do elevador e apertando a mão que ele ofereceu. — Eu sou. — É um prazer, realmente. Sou Franklin McGuire, um dos muitos executivos aqui, mas você pode me chamar de Frank. Eu sorri. — Prazer em conhecê-lo, Frank. — Eu podia ver Gage no meu periférico, mas o ignorei. Ele queria ficar por nenhuma razão. Eu não podia controlar isso, mas poderia fazer parecer que ele não era um incômodo. — Vamos para o meu escritório. Eu adoraria conhecê-la. — Disse Frank, enganchando o braço em volta dos meus ombros. Seguimos para seu escritório simples. Uma mesa toda preta com um computador Mac estava perto da grande janela, que revelava torres enormes. Um sofá de couro preto abraçava a parede leste, juntamente com uma mesa de café, e uma estante ancorada na parede oposta. A enorme janela revelava algumas das ocupações de Nova York e uma grande quantidade de sol. Pedestres fugazes estavam por toda parte, pessoas de terno, mulheres com copos de café, homens da construção de capacetes. Era muito para ver, considerando que eu vinha de uma cidade tranquila. — Eu assumo que você já se estabeleceu em seu apartamento? — Frank perguntou, sentando-se na cadeira e esticando o braço para fora na frente dele, apontando-me para tomar um assento. Eu deslizei para o assento em frente a ele. — Sim, eu fiz. — Ótimo, e é confortável o suficiente para você? Não há necessidade de mudar? — Não. É perfeito. — Sorri. — Obrigada. — Maravilhoso. — Frank cruzou os braços e olhou por cima do meu ombro. Olhei com ele, e Gage estava entre os quadros da porta, com um sorriso diabólico nos lábios. — Você pode entrar, Sr. Grendel. — Frank disse sarcasticamente, sorrindo. — Eu só estou trabalhando. — Muito obrigado. — Disse Gage, retornando o sarcasmo. Com um sorriso e um ligeiro rolar de seus olhos, Frank levantou de sua cadeira e pegou uma garrafa de água em cima do seu armário. — Acho que devemos começar, então, senhorita Smith. Dei uma olhada no seu portfólio e devo dizer que estou animado para ver o que aquelas mãos criativas podem proporcionar. Você vai trabalhar no décimo oitavo 26


andar hoje, mostrando algumas das suas outras habilidades antes de realmente chegar ao trabalho pesado da FireNine. Você estará trabalhando com uma tonelada de tinta, lápis, papeis e computadores, então eu espero que você esteja pronta para um verão muito longo. Ele piscou para mim e eu sorri, balançando a cabeça ansiosamente. — Estou mais do que pronta. — Adorável. — Eu espero que sim. — Gage se intrometeu. Eu queria responder, mas em vez disso, fiquei com o meu plano de ignorá-lo. Ele conseguiu o estágio para mim e eu iria apreciá-lo sem preocupações e sem irritações. Com um pequeno sorriso, eu me levantei e segui Frank fora de seu escritório. Gage pulou do sofá e eu roubei uma olhada para ele. Logo depois que fiz, eu me amaldiçoei. Ele estava sorrindo para mim e assim que me chamou a atenção, ele piscou e franziu os lábios, enviando um pequeno beijo pelo ar. Revirei os olhos e continuei seguindo Frank fora da porta. Fui apresentada a sua assistente Maria, que tinha o cabelo loiro brilhante puxado em um coque. Ela também usava um terno, mas ao contrário do cinza normal e preto, o dela era vermelho junto com seus saltos e unhas. À primeira vista, parecia jovem e saltitante, mas quando ela apertou minha mão com um sorriso quente e doce, eu sabia que ela era pé-no-chão e humilde. Pegamos o elevador e Frank se arrumou, esfregou as mãos ao longo de suas calças, e depois apertou o botão para o décimo oitavo andar logo que Gage estava lá dentro. As portas se fecharam e um momento de constrangimento encheu o pequeno espaço enquanto eu olhava para os meus sapatos. — Então, — Frank finalmente disse, cruzando os dedos na frente dele. — Como vocês se conheceram? — Meu pai é o seu empresário. — Ela estava comigo na turnê do verão passado. — Gage murmurou ao mesmo tempo. Fiz uma careta para ele e, em seguida, olhei para Frank, um tom claro de vermelho inundando meu rosto. A cabeça de Frank estava inclinada, mas seus olhos estavam se divertindo. — É isso mesmo? Se você não se importa pela minha pergunta, o que aconteceu depois que a turnê acabou? Parece que vocês dois não estão em condições muito boas. 27


Gage riu em silêncio e eu estava prestes a responder, mas ele me bateu com um soco. — Eu pedi para ela ficar comigo. Ela deu o fora. — Isso não é verdade. — Rebati. — Não é? — Perguntou Gage. Acenei uma mão de desaprovação para ele, observando os números em queda do elevador. Apenas seis andares mais para descer. — Qual é a sua opinião sobre isso, Srta Smith? — Frank perguntou. — Não é nada. — Eu murmurei. — Eu só tive que colocar minhas prioridades antes de qualquer outra coisa. Isso sempre foi um objetivo meu de pós-graduação da Universidade de Virginia e buscar o meu bacharelado em arte. — Eu virei meu olhar sobre Gage. — É muito triste que algumas pessoas não entendam o quanto a minha vida e meu futuro realmente significam para mim. As mesmas pessoas que não podem cumprir as promessas. Gage riu secamente, seus olhos amplos. — Você está fodidamente brincando, certo? Eu acho que nós apenas conversamos sobre isso há menos de cinco minutos. Alguém não me deu a chance de me explicar. Ela apenas partiu. — Ah, o que for Gage. — Eu murmurei. Assim que o elevador apitou, Frank limpou a garganta e deu um sorriso. Ugh, que embaraçoso. — Bem, então. — Frank suspirou, dando um passo a frente. — Não era para transformar nisso... Mais ou menos. Eu ignorei sua declaração, os meus olhos para baixo, e Gage passou por mim para sair do elevador. Olhei para cima e seus ombros estavam curvados. Se eu estivesse a uma milha de distância, provavelmente poderia sentir sua raiva, mas eu não estava prestes a bancar a acusada nessa situação. Foi um pouco mais de oito meses. Você pensaria que ele superaria isso até agora... Bem, mais ou menos. O décimo oitavo andar era constantemente ocupado. Enquanto eu seguia Frank e Gage, havia pessoas marchando para trás e para frente com papéis, café ou materiais de arte na mão. Alguns estavam na sala de descanso, na distribuição de donuts e café, e alguns estavam comendo seu próprio café da manhã leve. Quando olhei para frente, uma garota com uma pálida sombra de cabelo violeta, com um anel nos lábios e nariz bateu no meu ombro, quase me derrubando na minha bunda. — Merda. — Ela sussurrou. — Seria bom se você olhasse onde você está indo, certinha. 28


Fiz uma careta para ela, fixando os meus lábios para voltar com uma observação ainda mais rude, mas quando uma mão pesada pousou no meu ombro direito, eu bati a cabeça erguida, olhando nos olhos de Frank e segurando minha língua. — Oh grande. — Disse ele, o canto superior direito de seus lábios levantando. — Só a menina talentosa que eu estava procurando. Monica, como você está esta manhã? — Muito bem, Frank. — A chamada “Monica” bateu os cílios para Frank, se recolhendo. Ela não estava vestida como as outras meninas. A maioria das meninas estava em roupas simples, que consistia de calças jeans e blusas. Monica, por outro lado, estava em shorts de couro, meias sob-botas de combate pesadas, e uma camiseta peituda-rosa, que combinava com seu brilho labial. Ela era linda, eu admito, mas a sua atitude que tinha acabado de me tornar uma testemunha para colocá-la em minha categoria feia. — Quem é a nova garota? — Ela perguntou, colocando uma mão em seu quadril. Eu olhei para as várias cores de tinta em seus braços, mãos e sob as unhas bem cuidadas. Ela era magra, mas curvilínea em todos os lugares certos. — Eliza Smith. — Eu disse, oferecendo a mão antes que Frank pudesse falar por mim. Ela não a tomou. Em vez disso, ela olhou para a minha mão como se atirando punhais para ela. Eu empurrei para trás quando ela olhou para Frank, que ainda tinha a mão pesada no meu ombro. Seus olhos castanho-escuros observavam a maneira como seu polegar acariciava meu ombro. E então, enquanto suas sobrancelhas puxavam juntas, eu percebi. Ela gostava de Frank... E eu podia ver o porquê. Frank era quente para um homem de meia-idade, mas ele não era o meu tipo. Ele não parecia ser o tipo dela também, mas havia, obviamente, algum tipo de química. Talvez um relacionamento passado... Ou talvez um caso atual. Sexo casual? Eu não tinha certeza. — Eu espero que você não pense que eu estou treinando ela. — Disse ela, quase num rosnado. — Se você gostaria do pagamento extra que está sempre pedindo, eu espero que seja instrutora da Srta. Smith, até que ela pegue o jeito das coisas por aqui. — Frank disse simplesmente. — Sério? — Ela me olhou, a mão ainda em seu quadril. — Ela é muito... Elegante. Feminina. Eu não faço o elegante ou feminino. Eu já posso dizer que ela pensa que ela é melhor do que todo mundo aqui. Eu fiz uma careta, então, afastando Frank para dar um passo para o lado. Um: Eu estava chateada que ela estava falando de mim 29


como se eu não estivesse bem na frente dela. Dois: ninguém falava comigo como se eu não fosse nada. Eu percorri um longo caminho e eu não estava prestes a me tornar uma covarde só porque era o meu primeiro dia como estagiária. — Desculpe-me, mas ninguém aqui está julgando você, Monica. Eu vim aqui como estagiária e para alcançar os meus sonhos e ao mesmo tempo me divertir nisso. Eu não vim para um drama ou uma atitude feia e nojenta sua. Ela ficou boquiaberta, arqueando as sobrancelhas quando ela me digitalizava com grandes olhos marrom-escuros de novo. Frank abafou uma risada, o que a tornou um vermelho beterraba, e em seguida, ela saiu correndo. — Foda-se essa merda. — Ouvi-a murmurar sob sua respiração. — Não se preocupe com ela. — Frank disse, cruzando os braços. Eu olhei para ele, mas seu olhar estava à frente, observando-a andar. Ele tinha um brilho nos olhos, que eu tinha visto antes. Atração. Luxúria. Dominação. Eu vi nos olhos de Gage antes, e sabia automaticamente que entre Frank e Monica tinha alguma coisa acontecendo. — Ela vai ficar bem mais tarde. Eu acho que vou ter que encontrar um novo treinador, e não que ele vai ser um problema. Monica é apenas uma das melhores por aqui. — Eu não me importo. Eu não acho que teria sido confortável trabalhando com alguém que me odeia, de qualquer maneira. — Eu disse, rindo secamente. Ele tampou meu ombro, sacudindo a cabeça. — Monica nunca poderia odiar ninguém. Ela só tem uma personalidade forte. Ela é uma espécie de... — Ciumenta com todas as garotas que você falar? — Perguntei. Ele arregalou os olhos, surpreso, como se eu tivesse acabado de terminar a sua declaração. — Precisamente. Então, não acho nada disso. Ela vai se sentir idiota por seu comportamento em algumas horas. Frank sorriu e meu rosto ficou vermelho sangue, percebendo o que estava acontecendo. Sim, ele e Monica estavam definitivamente compartilhando algum tipo de relacionamento. — Frank, já acabou? — Gage chamou do fundo do corredor. Nós viramos para olhá-lo, ele tinha acabado de sair da sala de descanso, migalhas em sua boca e uma rosquinha de chocolate crocante na mão. 30


— Só falta encontrar para Srta. Smith outro treinador. — Frank suspirou. — O que eu tinha em pensado com meu coração não queria isso. — Assim que Frank falou, uma morena de short, cabelo encaracolado com óculos retangulares e uma tez caramelo suave bateu contra seu lado. Ela estava prestes a cair de bunda, mas Frank a pegou pelo braço e ela cambaleou para dentro. Seus olhos viajaram e ela encontrou o olhar suave de Frank. Ela deve ter percebido que estava muito perto, porque recuou imediatamente, forçando um sorriso. Ela empurrou os óculos para cima da ponte de seu nariz, em seguida, deu mais um passo, segurando o caderno aberto na mão. — Eu - sinto muito, Sr. McGuire. Eu estava olhando para o meu trabalho e eu... A risada de Frank a cortou no meio da frase. — Não são necessárias desculpas, Kelsey. — Eu ainda sinto muito. — Ela guinchou, seu sotaque sulista pouco espesso. Ela olhou de Frank para mim e, em seguida, Gage, que tinha acabado de chegar ao meu lado. Ao vê-lo, seus olhos se expandiram e ela respirou fundo. Ela estava obviamente atenta ao fato de que Gage estava completamente de tirar o fôlego, mesmo se ele fazia me dar nos nervos. — Vo-você é— Gage Grendel, vocalista do FireNine? — Gage completou por ela. — Porque sim, sim, eu sou. Mas não conte a ninguém. — Ele piscou, mas eu revirei os olhos. Filho da puta arrogante. Gage sorriu calorosamente para ela e ela se atrapalhou ao redor com seu caderno de rascunhos, puxando a caneta do bolso. — Oh meu Deus! Por favor, assine isso. Estava morrendo de vontade de correr para a banda desde que comecei aqui. A assinatura é tudo que estou pedindo. Rindo, Gage pegou seu caderno e rabiscou sua assinatura. — A qualquer hora. Ela quase derreteu, mas recuou e encontrou o olhar de Frank novamente. — Mais uma vez, desculpe-me, Sr. McGuire. Eu vou ter cuidado da próxima vez. — Kelsey, você não treina? — Perguntou Frank. — Eu treino. — Ela olhou para mim, seus lábios rosados torcendo. — Mas eu não sou a melhor no que faço. — Seu trabalho é maravilhoso. Não duvide de si mesma. Todos na AG são talentosos. Espetaculares. Se não, não estariam trabalhando aqui. Isso é um fato. A senhorita Smith aqui está precisando de uma 31


bela treinadora e mentora até que ela pegue o jeito das coisas. O décimo oitavo e vigésimo nono andar será onde ela estará trabalhando mais neste verão. — Ohhh... O vigésimo nono andar. O andar mais louco de sempre. — Disse Kelsey, olhos castanhos em expansão. — Bem, eu estou sempre pronta para treinar e ajudar. Eu não me importo, Sr. McGuire. Enquanto estiver perdoada por... Você sabe... Correr direto para cima de você e tudo. Não quero perder o meu emprego, nem nada. Eu dependo desse dinheiro, sabe? — Ela estava com o intuito de ser engraçada, mas eu poderia dizer que ela estava nervosa, especialmente porque continuou roubando olhares para Gage, que estava mordiscando seu donut. — Tudo está perdoado. Apenas certifique-se de que a senhorita Smith tem a melhor experiência de sua vida aqui na AG. — Frank tampou meu ombro e, em seguida, olhou para Gage. — Fica aqui em baixo ou volta para cima? — É com Ellie. — disse Gage, fixando os olhos em mim. Eu fiz uma careta para ele, as sobrancelhas juntando. — Eu vou ficar bem. Você vai ser uma espécie de nervo estressante para eu trabalhar se ficar por perto. — Fique à vontade. — Gage deu de ombros. — Mas eu vou estar de volta. Eu o ignorei, em vez disso olhei para Kelsey, que estava sorrindo radiante para mim. Pelo menos ela parecia mais doce que bala. — Bem, vamos começar, estagiária. Eu vou lhe dar um tour pelo décimo oitavo andar. — Boa sorte, senhorita Smith. — Frank disse, afastando-se para ficar ao lado de Gage. Agradeci e encontrei-me com Kelsey. Apertamos as mãos, trocamos sorrisos, e então ela começou a descer o corredor. Senti um par de olhos em mim por trás e olhei por cima do meu ombro, sabendo exatamente a quem aqueles olhos pertenciam. Quando eu vi a íris castanha brilhante e um sorriso de derreter o coração, meu coração trovejou. Ele ainda estava andando com Frank para chegar ao elevador, mas ele estava olhando para trás, olhando para mim e meus quadris. Ele lambeu os lábios e eu dei-lhe o meu dedo do meio. Ele apenas riu. — Mal-humorada. Eu amo isso. — Ele murmurou.

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— Idiota. — Eu murmurei de volta. Logo depois, eu me virei e sorri um pouco amplamente, lembrando como ele e eu costumávamos brincar no verão passado. Kelsey percebeu meu sorriso e parou de andar, dando um olhar por cima do ombro para Gage, que tinha acabado de se virar. — Espere um minuto. — Disse ela, mexendo com seu caderno novamente. — Eu sabia que você parecia familiar. Você, não. Não. Não pode ser. Você é tão... Simples. Eu tentei não rir dela. — O quê? — Venha comigo. — Disse ela apressadamente, agarrando o meu pulso e correndo para o quarto de descanso. Estava vazio quando entramos e ela me liberou para ir para a prateleira no canto. Ela cavou através das revistas empilhadas até que finalmente encontrou uma e a segurou na frente dela. Entrei devagar, minha boca entreaberta quando peguei a revista. Com certeza, era um retrato de Gage e eu de mãos dadas em Nova York. Ele estava olhando para mim com amor e eu estava sorrindo para ele. Foi quando as coisas estavam tão fáceis, tão livres. Foi quando estávamos lenta, mas seguramente, nos apaixonando. — Você é a garota que foi embora. — Kelsey murmurou. Eu balancei minha cabeça, empurrando a revista de volta em suas mãos. — Devemos começar. — Eu sussurrei. — Espere um minuto. — Ela sentou-se na mesa. — Vamos, nós temos o dia todo. Além disso, é seu primeiro dia. Se há uma coisa que eu sei, é que o Sr. McGuire não vem para o décimo oitavo andar a menos que seja importante. Nós temos os nossos chefes, é claro. — Disse ela, acenando com a mão e revirando os olhos. — Mas eles não dão a mínima, desde que nós tenhamos o nosso trabalho feito até o final do dia. — Ela me olhou e mudei o meu peso, pedindo apenas para sair de sua presença. — Não me considere intrometida nem nada. Estou apenas curiosa. Já ouvi muitas coisas sobre Gage, não só da imprensa, mas de meninas que trabalham aqui, e elas estão todas ainda de luto por ter perdido ele... E isso foi anos atrás. É engraçado, na verdade. Elas são burras, de pensar que alguma estrela do rock vai cair de joelhos sobre uma garota... Mas eu ouvi dizer que ele fez por você. Havia um artigo inteiro sobre isso na revista É Real. Eu engasguei com o título familiar da revista e, em seguida, a peguei. Folheei e havia pelo menos quatro páginas... Tudo sobre nós. — É Real? — Eu repeti em voz alta. Meu pensamento imediatamente foi para Cal Avery. Ele realmente tinha testemunhado Gage desmoronando 33


de joelhos? Por que ele iria colocar isso na imprensa, sabendo que isto faria ele e a banda parecerem fracos? Porém, depois me lembrei... Assim antes de eu sair para Virginia no verão passado, ele tinha uma câmera. Eu vi o flash. Ele foi o único que tirou fotografias. E, em vez de escrever sobre toda a banda e sua experiência com FireNine, ele escreveu sobre... Nós... E nossa separação. Por que ele faria isso? Ele é realmente tão baixo? — Sim. — Disse Kelsey, seus olhos castanhos brilhantes quando eu lancei para a última página e viu o nome e foto de Cal. — Ele mencionou como Gage queria que você ficasse, mas você não fez. Você o deixou. E ele ficou chateado... E então disse que os dois eram muito próximos, que vocês dois foram provavelmente feitos um para o outro. E então havia algo sobre Gage realmente ter um lado mais suave em torno de você... Eu não sei, mas foi muito interessante e profundo. É muito bonito provar que FireNine pode ser adorado e amoroso. Ela bufou, soprando a franja longe de seus óculos. — Uau... Então você é, tipo, famosa? — Não. — Eu soltei. — Não. Eu não sou. Longe disso. Somos apenas amigos agora. — Isso não foi apenas amigos lá. — Disse ela, sorrindo. — Se eu não me engano, você estava corada e ele... Ele estava olhando, observando, absorvendo. Vocês estavam flertando. Droga, ele é tão gostoso. Você é uma garota de sorte. O olhar em seus olhos era muito mais do que amigos, eu vou te dizer isso. Mordi um sorriso enquanto me levantava de minha cadeira para chegar ao seu lado. — Só tente não dizer muito sobre isso. — Eu implorei a ela. — Eu quero que este estágio seja livre de drama e de estresse e ele já vai ser difícil de fazer com Gage ao redor. — Oh yeah! — Ela gritou. — Sim, é claro! Eu tenho suas costas, menina. Estou literalmente obcecada com FireNine. Sua música, seus rostos, seus corpos. Tudo. Eles são o sexo em uma vara. E suas tatuagens de dragão harmonizadas... Oh, eu adoro isso. Eles são perfeitos. Eu levantei uma sobrancelha para ela, sorrindo um pouco. — Você é fã do FireNine? — Yeah. Eu li todas as revistas sobre eles. Eu vi todas as entrevistas envolvendo-os. Cada vídeo de música. Fiz o download de todos os... Álbuns de música. Eu quero trabalhar para a indústria FireNine da AG um dia. Parece que eu estou obcecada... — Seus lábios 34


se retorceram, e depois ela olhou os meus olhos. — Bem, eu meio que sou. — Ela encolheu os ombros. Eu ri, balançando a cabeça enquanto eu a segui para fora da sala de descanso. — De quem você mais gosta da banda? Ela ponderou sobre isso, acariciando o queixo, enquanto continuamos no corredor ocupado. — Montana teve o meu voto no início, mas como o tempo passou, meio que mudou. Eu teria que dizer que é Roy. Ele é tão quente e misterioso. E sua tatuagem... É como arte. Para morrer. Eu estive procurando por artigos sobre ele em todos os lugares, mas nunca consigo encontrar nenhum. Eu procuro nas entrevistas, fotos, vídeos... Quase nada. Ele é muito conservador. Isso me morde porque eu quero saber tudo sobre o cara. A maneira que ele toca... Faz essa coisa com sua boca e a sua língua. — Ela parou de andar e tocou com a ponta da sua língua acima de seus lábios. — Assim. — Ela disse, com a voz abafada. Eu ri, balançando a cabeça. Kelsey era uma mistura de corajosa, nerd, e adorável. Eu sabia que ia me divertir com ela já. — De qualquer forma, ele é quente e eu meio que posso dizer que ele está quebrado, você sabe? Apertei os olhos em sua declaração. — Como? — Bem, porque nas fotos com a banda, seus olhos estão sempre distantes. Ele não revela qualquer emoção, mas parece que um dia ele só vai... Quebrar ou explodir ou algo assim. Eu não sei. — Ela balançou a cabeça, acenando com a mão no ar. — Estúpido, eu sei. É só que... Eu já vi esse olhar antes. Aquele em que você só quer desaparecer. Eu já passei por isso. É uma merda dolorosa. Eu balancei a cabeça, entendendo completamente. Eu queria entrar em detalhes com ela sobre mim e Gage. Ela não parece ser o tipo de garota que conta o negócio de ninguém, mas eu decidi manter minha boca fechada. Ela colocou uma mecha de cabelo escuro encaracolado atrás de sua orelha, seu olhar caindo à medida que continuou pelo corredor. Eu sabia que ela queria parar de falar sobre isso. Eu podia ver a dor em seu rosto, a culpa em seus olhos. Isso me surpreendeu e eu sabia, tão bem como eu me conhecia, que ela estava se recuperando de alguma coisa. Talvez desgosto? A perda de um membro da família? Um

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passado trágico e abusivo como o meu? Eu não sei exatamente, então ao invés de fazer as coisas difíceis, eu me animei e sorri para ela. — Bem, nós definitivamente devemos começar algum desenho e pintura. Eu tenho uma enorme quantidade de criatividade em meus dedos que venho tentando segurar para este estágio, e eu preciso soltar. Ela sorriu, um sorriso branco e chamativo, acenou com a cabeça, como se os meus pensamentos fossem dela mesma. — Ótima ideia. Vamos. Deixe-me mostrar-lhe onde é a sala de arte, que por sinal, é enorme e extremamente ocupada. Há sempre mais de cinquenta pessoas dentro, mas é perfeita. A vista é ótima para inspiração e tudo. — Parece ótimo.

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POMBOS dia continuou rapidamente. Fui apresentada a um grande número de artistas talentosos. Alguns eram estagiários e alguns eram empregados. Todos eles mencionaram como amavam seus empregos e não trocariam por nada no mundo. Eu podia sentir a sua paixão. Pintar, desenhar e esculpir a cada dia era um sonho. Era algo que eu sabia que nunca me cansaria. Assim que foi dado o ding do sino da liberdade de Kelsey, eu estava no meu caminho para o canto cheio de material de arte. Eu fiz a varredura da área em reverência. Havia tintas, barro molhado e duro, lápis de cor, giz de cera, toneladas de papeis de desenho, lápis de desenho, canetas, pinceis atômicos delineadores, e alguns vasos de flores que haviam sido deixados de lado. Eu decidi ir com a pintura. Fazia tanto tempo. Eu sabia que seria ruim para fazer com a nova roupa que Ben me comprou, mas não poderia me segurar. Minhas mãos estavam doendo para sentir os golpes do pincel. Apenas para misturar com ele um misturando uma e outra vez com uma nova cor, criando uma nova criação. Eu estava tão ansiosa, especialmente porque eu vi algumas pessoas alegremente desenhando, pintando ou esculpindo. Kelsey foi esculpir argila úmida em um canto perto da janela, então depois eu peguei uma tela de pintura, juntamente com um cavalete, alguns pincéis finos e grossos e enchi minha paleta de pintura com todas as cores do arco-íris, eu fiz o meu caminho em direção a ela. Criei o meu espaço com lona ao lado de Kelsey, que me deu um leve sorriso. Assim que estava tudo pronto, eu queria começar a trabalhar. Não foi fácil no começo. Enquanto eu observava cada pessoa nesta sala grande, juntamente com suas obras de arte, fiquei levemente insegura de como a minha seria. Frank não estava mentindo quando disse que todos na AG eram talentosos. Eles eram, e eu queria ser como eles. Se fosse pintura, desenho, escultura, ou até mesmo fotografia, seus trabalhos eram maravilhosos. Peguei meu pincel e levantei minha cabeça, olhando para as torres à espreita. Era um dia brilhante, embora algumas nuvens 37


estivessem à deriva em direção ao sol, provando que a chuva viria em breve. Suspirei pesadamente, olhei para baixo, mergulhado meu pincel no laranja e, em seguida, misturando com um pouco de amarelo e um pingo de vermelho. Eu plantei a ponta do meu pincel na tela, trazendo-o para cima e para baixo, criando colinas suaves. O sol estava longe de expor, mas eu queria que fosse assim. Esta era a minha criatividade. Minha imaginação. Eu amava a visão de um sol poente. É glorioso. Kelsey estava certa sobre essa sala ser uma grande inspiração. Estávamos perante uma parede de janelas. Torre após torre empilhadas diante de mim, fazendo-me sentir-me como uma formiguinha. Mergulhei o pincel na água, o sequei com a minha toalha de papel e, em seguida, coloquei a ponta no branco antes de misturá-lo com o preto. Eu comecei a criar as torres. Eu estava prestes a entrar profundamente em minha pintura, mas alguém pigarreou atrás de mim, fazendo-me parar. Eu pensei que era alguém que eu não conhecia, um funcionário da Artes Global talvez, mas quando a cabeça de Kelsey se virou e seus olhos expandiram com temor, eu sabia que estava errada. Girando lentamente, agarrei o meu pincel e encontrei os olhos castanhos suaves. Um sorriso largo acariciou seus lábios, a cabeça abaixada, cabelo tombando sobre a testa. Com todo mundo conversando antes, o quarto estava como uma colmeia, mas parecia que todo mundo tinha parado de falar com a visão de Gage. Olhei em volta, percebendo que eu estava correta. Eles estavam todos olhando para nossa direção, alguns com admiração, alguns obviamente confusos sobre por que todo mundo estava olhando, e alguns com os olhos saltados, provavelmente querendo pegar este homem bonito para um autógrafo. — Gage, por que você está aqui? — Perguntei. Ele deu de ombros, olhando para as torres atrás de mim. — Eu pensei que você pudesse precisar de alguma inspiração. — Eu não sei. — Eu menti. — Eu estou bem. Ele apertou os lábios, deslizando as pontas dos dedos nos bolsos da frente. — Eu vou sentar aqui. — Disse ele, estendendo a mão para uma cadeira atrás dele. Ele a colocou atrás da minha tela, virou-a para trás e sentou-se com os braços em cima do encosto da cadeira. — Isso é um tipo de distração. — Murmurei. — Eu não vou dizer uma palavra. 38


Eu suspirei, revirando os olhos. Eu sabia que não seria capaz de fazê-lo ir embora, então mudei minha tela um pouco para a esquerda para bloquear meu ponto de vista dele. Era óbvio que ele ainda estava olhando dessa forma. Eu podia sentir os olhos pesados voltados em minha direção, mas deixei para lá. Eu mergulhei o meu pincel na tinta novamente, olhando para as torres, e depois comecei a pintar. E quando eu comecei, não podia parar. Minha mão deslizou sem esforço, meus dedos não estavam rígidos em torno do pincel. Eu não estava mais nervosa. Minha mão tinha um cérebro próprio e estava fazendo todo o trabalho com afinco, sem se preocupar em parar até que tudo estivesse completo. Gage ainda estava sentado. Eu podia ver o topo de sua cabeça sobre a tela. Seu desgrenhado cabelo castanho escuro espiava para mim, e de alguma forma eu usei isso a meu favor. Mergulhei o pincel em várias cores, criando um tom claro de marrom. Eu não tinha certeza de onde diabos estava indo por adicionar este marrom, mas eu trabalhei com ele. Mas então eu descobri que não era mais apenas a pintura das torres. Eu estava criando um rosto. De quem era o rosto? E os pássaros? Por que os pássaros? Mas que diabos? Porém, eu não podia parar. Estava tão feliz. Os movimentos rápidos das minhas mãos me levaram a profundidades que nem sequer percebi que estava indo. Peguei pincel depois de pincel, a mudança de fino para grosso e até mesmo um pincel de tamanho médio. Fiquei paralisada, a transição para outra pessoa. Eu não era mais a comum Eliza Smith. Eu era a artista Eliza Smith e, caramba, ela estava fazendo um inferno de um trabalho. Depois de alguns minutos, percebi Kelsey estava bem atrás de mim, respirando com a palavra "wow" por cima do ombro uma dúzia de vezes. Eu não tinha certeza do porquê, isto é, até que a minha mão parou e eu respirei fundo. Fechei os olhos por um instante, engoli o caroço na minha garganta, e depois os abri. Foi uma pena que eu sabia exatamente o que pintei antes mesmo ter vista plena do mesmo. Lá estavam as torres e até o pôr do sol no topo da tela. Havia alguns raios de luz e os pássaros que voavam em direção ao pôr do sol. Pombas brancas puras estavam todas empoleiradas em um galho de árvore na parte inferior. Em algumas das pombas havia notas musicais flutuando acima de suas cabeças, enquanto algumas simplesmente assistiam. Percebi, então, o pássaro observando era eu. E o que estava cantando era Gage. E no meio de toda a tela estava um rosto bonito. Um sorriso brilhante que eu senti tanta falta. Olhos castanhos espetaculares com manchas de verde e amarelo dentro deles. O restolho de luz circundante 39


em seus lábios rosados suntuosos. A fenda ao redor de seus olhos de menino. Os lábios que eu queria provar mais uma vez. E o mais notável, ele estava sorrindo para mim. Não importa se eu me mudasse para a esquerda ou para a direita, ele me olhava, sorrindo. Quase como se seu comportamento arrogante tivesse encontrado o seu caminho para a pintura e eu sabia porque encarava como uma louca. — Posso ver? — Perguntou Gage, em pé de seu assento. Meu coração bateu, pensando que a pintura que eu estava olhando por tanto tempo havia falado. Eu tinha esquecido completamente que Gage estava sentado na cadeira atrás da minha tela. Não parecia, mas 15 minutos tinham passado. — Uh... Meus lábios apertados enquanto Kelsey disse: — Claro que sim! Olhe para isso! Algumas pessoas foram pegas de surpresa pela sua voz estridente. Alguns se voltaram para nossa direção e alguns tinham mesmo vindo para olhar. Gage vagarosamente fez o seu caminho para o meu lado, olhando nos meus olhos por todas as três etapas antes de virar e olhar para baixo. Eu não tenho que olhar para saber que seus olhos estavam inchados para fora de sua cabeça. Ouvi sua respiração sufocar e até mesmo o senti congelar ao meu lado. Algumas pessoas estavam respirando "wow", assim como Kelsey tinha, mas eu não estava preocupado com eles. Eu queria saber o que Gage estava pensando e como ele estava se sentindo. Eu sabia que só esta pintura trouxe de volta lembranças que ele provavelmente não queria reviver. Lembrei-me da última noite nós dividimos na turnê juntos, como se fosse ontem. A maneira como ele tocava seu violão e cantou para mim no Times Square, olhando só para os meus olhos, ou concentrando-se em seu instrumento, enquanto as pessoas o assistiam. Embora houvesse alguns espectadores, eu me senti como se fôssemos os únicos na existência. Como se as nossas almas se tornassem uma e nada fora de nós importava. Eu me senti tão especial naquela noite. — Uau. — Gage respirava. Era uma palavra simples, assim como todos os outros, mas isso significava muito, porque o seu foi um uau aliviado. Eu olhei para ele e ele me olhou nos olhos, apertando os polegares em torno dos laços de sua calça jeans. — Eu vou... Pegar algo para beber. — Disse ele antes de empurrar a multidão para sair pela porta. Eu o assisti todo o caminho, confusa. 40


— Merda, novata. Continue assim e você poderá sair viva do vigésimo nono andar. — Monica disse, batendo no meu ombro. Eu sabia que sua intenção era a de machucar meu ombro, mas eu simplesmente sorri, colocando meus pincéis para baixo e afastando-me. — Eu suponho que você goste. — Eu disse. Ela apontou o nariz no ar. — Está tudo bem. Eu ri. O ciúme era muito feio para ela. Ela se afastou e depois que algumas pessoas me cumprimentaram e eu agradeci a elas graciosamente, eles voltaram para suas obras de arte, enquanto Kelsey deu um passo para o meu lado, olhando para mim com um queixo caído. — Sério? — Ela gritou. — Apenas amigos? Eu sabia que algo estava acontecendo! — Não, não está! Pare de falar tão alto. — Eu assobiei, lutando contra um sorriso. — Ei, eu estou dizendo. — Ela encolheu os ombros. — Alguma coisa está acontecendo. Por que ele saiu assim? Como ele estivesse atordoado ou louco ou algo assim? — Eu não sei. — Eu murmurei. — Eu não acho que ele estava esperando por isso. — Eu disse, apontando para minha tela. — E para ser honesta, nem eu estava. Kelsey soltou um suspiro, colocando seu cabelo atrás da orelha. — Bem, que tal colocar este no armazenamento e pegar para você uma tela nova, mas desta vez, não pinte o rosto. — Brincou ela, rindo. — Talvez algo na linha de sua música? Seu logotipo? FireNine. — Eu vou tentar. — Eu disse, apesar de Gage estar pesando em minha mente. Mesmo quando eu comecei a minha nova pintura, recusei-me a fechar os olhos com medo de ver aquelas íris castanhas e lábios carnudos assumindo um maldoso sorriso doce. Por que ele saiu assim? Ele estava tão chocado quanto eu estava? Eu não queria, quero dizer, eu fiz, mas não podia evitar aquilo. Ele era o único em minha mente. Ele era a minha inspiração e eu não podia perdê-lo. Na verdade, eu meio que gostei.

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ELLIE NO CAFÉ DA MANHÃ meu dia foi completamente desgastante, mesmo assim valeu a pena. Assim que eu cheguei ao meu apartamento temporário, deixei minhas chaves em cima do balcão, coloquei Laura Welsh no aparelho de som e, em seguida, marchei para o chuveiro. A água era calmante. Eu não queria sair do vapor, especialmente porque fui bombardeada por memórias. Gage e eu no ônibus da turnê FireNine. Gage me beijando, lambendo-me, cobrindo-me com seus beijos ardentes. Eu tremia, correndo um dedo em meus lábios, lembrando o beijo que nós compartilhamos, quando ele passou a noite no Ben alguns dias atrás. A paixão que eu sentia, o poder. Era muito, mas eu não conseguia o suficiente. Meus lábios ainda estavam formigando por ele... Do quanto senti falta. Quanto eu senti falta dele. Logo, a água caiu gelada contra minha pele e eu a desliguei, corri uma toalha sobre o meu cabelo úmido, e peguei uma toalha extra para embrulhar em torno de minha pele molhada. Eu escovei os dentes, limpei meu rosto com um punhado de água fria, e então fui para o meu quarto. Laura Welsh cantava sobre tambores ocos e era como se ela falasse para mim fazendo-me lembrar do quanto eu realmente senti falta de Gage. Como oca e vazia eu me sentia sem ele, enquanto estava na escola e até mesmo agora. Na escola, era pior. Cada pequena coisa me lembrava dele. Cada casal que andava de mãos dadas para me lembrar dele. Todas as meninas que estavam sorrindo para seus namorados com amor, agarrando-se a seus lados, mantendo-os como se elas nunca quisessem deixa-los ir... Tudo isso me fazia lembrar dele. Eu não aguentava... Porém, eu o perdi. Revirei os olhos, tentando livrar minha mente dele, mas era quase impossível. Mesmo quando eu coloquei um short e um top e deixei cair a toalha do meu cabelo, eu ainda pensava nele. Mesmo quando eu me servi de uma tigela de cereal e a comi escutando a música sincera, eu ainda pensava nele. Mesmo enquanto eu descansava de costas no sofá, minha mão na minha testa, olhando para os pontos no teto, eu ainda pensava nele. Seus olhos, seus lábios carnudos rosados que sempre enviavam um raio de eletricidade fluindo através de mim, sempre conectados com 42


os meus. Seu corpo duro, ondulado, a luva perfeita da tatuagem em seus antebraços, seu peito largo, suas costelas, e até mesmo suas costas. O teto parecia girar em cima de mim quando a música me enchia, e depois senti as bordas dos meus olhos picando, segurando as lágrimas agrupadas para serem derramadas. Eu não podia acreditar. Eu senti falta de tudo sobre ele. Eu tinha saudades dele, porra. Totalmente demais. Houve uma batida na porta e me puxei de volta duramente, olhando para frente. Bateram de novo, e enxuguei minhas lágrimas, confusa. Quem poderia estar na minha porta a essa hora? Eu cautelosamente fiz meu caminho para a entrada, meu coração batendo, meus passos macios, certificando-me de que não atravessava todos os pontos fracos para fazer rangidos no chão. Dei uma olhada pelo olho mágico e vi uma bagunça despenteada de cabelo sedosos castanho escuro e ombros largos. Sua cabeça estava abaixada, escondendo o rosto, mas eu sabia exatamente quem era e abafei um suspiro. Minha mente em seguida entrou em marcha. Deveria deixá-lo entrar? Deveria espantá-lo? Deveria explodi-lo e pedir-lhe para me deixar em paz? No final, eu sabia que não poderia fazer qualquer uma dessas coisas, não importa o quão chateada eu possa ter estado com ele. Eu o amava, depois de tudo. Abri a porta e ele se afastou do batente da porta, dando um passo rápido para trás, seus olhos cor de avelã encontrando os meus. — Gage? — Eliza. — Ele sussurrou. Seus olhos estavam cansados, inquietos. Seus lábios estavam tensos, como se quisesse dizer alguma coisa, mas depois relaxaram e ele passou a mão pelo cabelo. — Por que você está aqui? — Eu perguntei, abrindo mais a porta. Ele pressionou a palma de sua mão na porta e passou por mim, sua pesada colônia enchendo meus pulmões misturada com o aroma leve e arejado de água, como se ele tivesse propositadamente tivesse andado na garoa. Eu podia imaginá-lo andando para lá e para cá na frente do prédio, debatendo sobre se deveria vir ou não. — Melhor ainda. — Eu disse. — Como você sabia onde este apartamento era? — Eu tranquei a porta antes de olhar para ele. 43


— Frank me disse. — Ele suspirou. — Olha... Eu não posso fazer isso. — Ele disse, passando a outra mão rígida através de seu cabelo. Alguns pedaços caíram sobre sua testa, provando que ele precisaria de um corte de cabelo em talvez três dias no máximo. Seus olhos estavam tristes e cheios de culpa e eu estreitei os meus, inclinando minha cabeça. — Fazer o quê? — Eu perguntei, dando um passo para frente. — Isso... Eu não posso ficar com raiva mais. Eu não posso agir como se não me importasse. Eu quero — Sua frase se quebrou e seu olhar baixou até o chão. Ainda bem que a música estava tocando, enchendo o silêncio, porque eu não tinha certeza do que dizer, mas sabia onde ele queria chegar. — Eu pensei que evitando você, ignorando, e talvez até mesmo sendo rude com você, eu iria superar isso, porque nunca aprendi a lidar com merda como esta antes. Toda vez que alguém que amo me deixa, eu só... Eu o perco. Eu me perco. Eu nunca sei o que fazer para fazer as coisas certas. Eu não devia ter vindo aqui. Eu nem deveria vê-la na Artes Globais. Essa foi uma ideia estúpida. Era para eu lutar contra mim mesmo de ficar perto de você de novo, para o seu bem, mas... Eu não posso. Eu não posso lutar contra isso. É tão difícil ficar longe de você, Eliza. Quer saber o que eu pensava hoje? — O quê? — Eu sussurrei com um pouco de medo de sua resposta. — Eu pensei na maldita pintura. Como é que você realmente deve se importar, já que você pintou o meu rosto de todas as coisas... E as aves? — Seus olhos estavam abertos e eu engoli, cruzando meus dedos na minha frente. — Eu pensei sobre acariciar sua pele novamente, como fiz no verão passado. Eu pensei em chupar aqueles lábios, olhando em seus olhos, respirando você tudo de novo. Eu queria beijá-la em todos os lugares, Eliza. Todo-fodido-lugar. Pensei em levá-la nos meus braços e se tivesse que cair de joelhos novamente e te pedir para apenas me aceitar, apenas me levar... E me amar. Você não entende o quanto significa para mim. Hoje, vendo você tão empolgada com esse estágio, era como um abrir de olhos. Eu finalmente descobri o quão difícil deve ter sido sua batalha entre seu amor por mim e seu amor pela arte, seu futuro e sua carreira. Só dói saber que a arte venceu, é tudo. Ele deu passos lentos em direção a mim e com cada um recuei até que eu esbarrei contra a porta. Não. Ele não poderia estar fazendo isso. Por que ele veio agora? Quando estava no meu momento mais

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vulnerável? É como se ele soubesse que eu estava pensando nele e apareceu bem na hora. Bem quando eu mais sentia falta dele. — Gage... — Você ainda diz o meu nome assim. — Ele murmurou e deu mais um passo para frente. — Como um aviso. Como se você não me quisesse perto de você. Eu posso ver isso em seus olhos, Eliza. Eu posso ver isso em seu rosto. Eu vi em sua pintura. Você me quer tanto, mas está lutando contra isso. Por quê? — Ele perguntou, pegando a minha mão e me levando para ele. — Por que você acha que eu vou te machucar novamente? Por que você acha que vai ter que largar tudo por mim? — Ele passou o polegar calejado em todo o lado suave da minha bochecha. Seus lábios pairaram apenas alguns centímetros acima dos meus, e eu fechei os olhos, respirando seu perfume picante novamente. — Eu nunca faria você largar algo que ama. Eu nunca larguei o que eu amo - por ninguém. Eu abriria mão por outra coisa que eu amo, apesar de tudo. Abriria mão por você. Eu respirei enquanto ele segurava meu rosto e me puxava para mais perto, mas não estava me beijando. Seus lábios roçaram nos meus, tão perto e os meus vibravam novamente. Eu lambia meu lábio inferior e os olhos baixos para assistir a ação suave. Ele, então, encontrou meu olhar novamente, segurando meu rosto um pouco mais apertado e me puxando em todo o caminho. Sua boca esmagou a minha, sua língua passou por cima de meus lábios antes de se esconder completamente entrelaçando com a minha. Ele gemia, eu gemia, e a próxima coisa que eu sabia era que estava em seus braços e minhas costas estavam no sofá. Ele cutucou minhas pernas com o joelho, seus olhos duros nos meus. Eles estavam tão duros como aço, as manchas amarelas e verdes de suas íris brilhantes a partir da luz da lâmpada fraca acima de nós. — Eu te amo, Eliza. — Disse ele no oco do meu pescoço, logo antes de beijar na mesma área. Eu tremia, deliciosamente, é claro. — Você é a primeira garota que eu já amei fora da família e eu tenho sido um porra louca por você. Você não entende o quanto preciso de você. O quanto eu sinto sua falta. Você era tudo o que eu tinha, mas eu... Estou fodido. Eu choraminguei enquanto suas mãos deslizavam pelo meu corpo, explorando sob a minha camisa, apalpando um dos meus seios. Eu queria que ele parasse, mas ele se sentia tão bem contra mim, e eu senti muita falta. Ele tinha o controle completo do meu corpo e não havia nenhuma maneira em torno de como eu me sentia. Eu o queria tão perto, mas o queria o mais longe possível de mim. Mordi o lábio inferior duro quando ele se sentou e olhou para mim. 45


— Deixe-me cuidar de você. — Ele sussurrou asperamente sobre a música. — Eu tenho que te sentir de novo. Eu quero o que você me faz sentir. Eu quero te mostrar o quanto senti sua falta. As palavras não são suficientes. Eu balancei minha cabeça e comecei a me afastar dele, mas ele agarrou meus pulsos, puxou-os em cima da minha cabeça, e prendeu minhas mãos. — Gage, isso não vai dar certo. — Por que não? — Ele perguntou, roçando o nariz na minha bochecha, a língua sacudindo na concha da minha orelha. Porra, ele era tão bom nisso. — Tudo o que nós sentimos é certo, Eliza. Nunca houve nada de errado. O que tínhamos era real. — Eu - eu não quero machucá-lo novamente. — Então me aceite. Deixe-me ser uma parte de sua vida. Eu faria qualquer coisa para torná-la parte da minha de novo. — Gage... Eu não posso ser a garota que você quer que eu seja. Ele recuou um pouco, estreitando os olhos. — Tudo que eu quero é o seu amor... Mas você está com medo. — Eu não estou com medo. Eu só sei o que quero e, e não vejo você se encaixando em qualquer lugar até que eu tenha, pelo menos, me formado. Ele olhou nos meus olhos, os seus estavam duros como granito. Ele ainda tinha as minhas mãos presas em cima de mim, mas em nenhum momento ele puxou uma das mãos para trás, empurrando meu joelho contra o meu peito, e me derrubando ainda mais. — Isso é o quanto você vai me fazer esperar? — Sua respiração era quente e agradável, uma vez que fluía através do vinco entre meu pescoço e ombros. Ele deu um beijo lá também e eu estremeci. — Eu não posso esperar tanto tempo, Eliza. — Se você me ama, vai esperar... Certo? — Não, Eliza. O que há de errado com agora? Eu vou te dar o que você quiser. Apenas me diga. Eu não disse nada. Não sabia o que dizer. Ele se acalmou contra mim, a respiração dele escorrendo pelo meu peito, até que finalmente suspirou e soltou minhas mãos. Afastando-se de pé, ele correu uma mão pesada em seu cabelo e olhou para longe. Sua mandíbula marcada de muitas maneiras para contar e os lábios fechados um pouco apertados. — Gage desculpe. Eu— 46


— Eliza. — Disse ele asperamente, sacudindo a cabeça. — Não faça isso. Eu entendo que todos nós temos sonhos. Todos nós temos uma coisa que queremos na vida, mas não posso fazer parte disso? Não posso ser uma parte sua realizando esses sonhos? Não estou pedindo para você sair da escola ou largar tudo para me seguir. Além de qualquer coisa, eu quero que você termine, mas quero que você faça isso comigo. Se você está feliz na UV, ok! Estou feliz. Eu quero que você termine lá... Mas onde é que eu me encaixo? Se você me ama, por que não pode simplesmente me incluir na sua vida? Eu acho que é onde estamos confusos. Eu não quero que você desista de tudo por mim. — Eu nunca disse que eu não podia. — Eu disse, empurrando os cotovelos e ficando em pé. — Mas ficou claro no ano passado que não estávamos encaminhados para isso enquanto Penelope ainda está ao seu redor. Ele se virou, pegando-me pelo braço para me puxar contra ele. — Eliza... — Sua voz quebrou. — Vai levar algum tempo... Por favor. — Gage... — Eu hesitei. — Eu - eu não sei se posso confiar em você. Eu não quero que você me machuque e definitivamente não quero machucá-lo também. Ele olhou os meus olhos, apertando a minha mão na sua. Ele trouxe meus dedos aos lábios e beijou cada um, enviando uma massa de borboletas esvoaçantes no poço da minha barriga. — Eu sei que tenho que trabalhar por sua confiança novamente. Eu sei que você ainda está chateada com Penelope. Eu vou me livrar dela. Eu queria acreditar nele, tanto, mas sabia que ele estava mentindo. Eu vi alguma coisa sobre ele e Penelope recentemente por acidente, é claro. Foi durante um dos dias chuvosos, quando Teala estava presa no dormitório durante a semana, surfando pelos canais. Simplesmente aconteceu dela parar no canal de entretenimento no dia que eles estavam falando “Deus do Rock Grendel”. — Não se trata apenas de Penelope. — Eu dei de ombros. — É sobre tudo. O meu futuro. O seu futuro. Vivemos duas vidas completamente diferentes, Gage, e você sabe disso. Eu sou simples, humilde, e um pouco distante. Você é aberto, lívido, e emocionante. Você é tudo o que não sou. Eu vou estar trabalhando e fazendo minhas próprias coisas aqui, ou em qualquer lugar, enquanto você vai estar viajando, cantando e fazendo as suas coisas com a banda. — Mordi o lábio inferior, cruzando meus braços. Era algo que eu tinha que saber antes de qualquer outra coisa. Antes que eu encontrasse seus olhos, hesitantemente perguntei: — Você dormiu com ela em qualquer momento durante aquelas duas últimas noites? 47


Ele piscou rapidamente com as sobrancelhas cerradas. — Não, Eliza. Eu juro. Tive a certeza de que saímos mais do que ficamos sozinhos. Eu tenho certeza de que fui a lugares onde ela não podia me tocar em público. Ela tentou, você sabe como ela é, mas não deixei. Eu... Não podia. O tempo todo que estava com ela, eu estava pensando em você. Mas ela não me deixou ir, não sem ela. Eu prometo que não dormi com ela, Eliza. Eu juro por tudo o que amo. As bordas dos meus olhos ardiam antes de arrancar o meu olhar. Eu não sabia se podia confiar nele. Ele me disse que iria deixar Penelope por mim, que me amava... Porém, ao longo desses oito meses, eu o considerei um mentiroso. Eu odiava mentirosos. Eu não podia suportar pessoas que não poderiam manter sua palavra, mas tinha que admitir que ele não dormir com ela trouxe alívio a minha consciência. Gage se inclinou e beijou minha bochecha. Eu olhei para ele, pegando meu pulso. Ele estava mais perto, os lábios a um pedaço de distância. Uma polegada para frente e nós estaríamos nos beijando. Ele se atreveu na polegada, deslizando mais perto, segurando meu osso ilíaco, e devorando meus lábios. Seus dedos escapando pela minha camisa, os meus na sua, e eu senti os cumes, os músculos e a dureza. Sentia-me bem. Eu sentia falta disso. Eu sentia falta dele. Tirei minhas mãos de sua camisa para ligá-las ao redor de seu pescoço, puxando-o mais perto possível. Ele agarrou meus quadris, levantando-me, e atei minhas pernas em volta de sua cintura. Sua respiração ofegante era rígida e áspera. Seu peito estava afundando e subindo com o meu, só que o seu parecia doloroso. Ele estava se segurando, e pela primeira vez eu estava feliz porque não queria que a curtição passasse. Eu poderia dar tanto. Apenas simples atos de amor do quanto eu realmente sentia falta dele. Eu não sabia sobre ir tão longe como nós fizemos no verão passado. A relação? Eu estava aterrorizada com a palavra, porque a maioria dos relacionamentos falhava. Eu não queria que a gente falhasse. Eu queria levar as coisas devagar. Eu queria ter certeza antes que eu desistisse e fizesse nada por ele novamente. Eu tinha que ser independente e sábia... Algo que Ben sempre disse e algo que a minha mãe nunca foi. Ela era egoísta e codependente, sempre querendo alguém para fazer as coisas para ela. Ela era preguiçosa, mal intencionada, e autocentrada. Não poderia ser como ela. Não queria que ninguém trabalhasse por mim. Eu queria trabalhar por mim. Parece loucura, mas eu apreciava as noites intermináveis de estudar, ler e trabalhar duro. Abracei as longas horas gastas em um 48


projeto de arte para receber um A + do meu professor. Momentos como aqueles que eu jamais poderia deixar ir porque estava avaliada por algo que eu gostava de fazer. As costas das minhas pernas bateram na borda do sofá e eu caí, mas ele veio comigo, nossos lábios nunca se soltando. Ele colocou os lábios no meu rosto, minha orelha, na curva do meu pescoço, meu peito. Eu estava prestes a detê-lo, ele estava muito perto de meus seios, mas eu não podia, especialmente porque ele balançou seu pau contra mim. Senti um aperto entre as minhas pernas e gemi quando ele trouxe um dedo manhoso, deslizando minha blusa e revelando um dos meus seios. Ele não hesitou em lamber meu mamilo. Chupa-lo. Devorá-lo. Ele estava lambendo deliberadamente, seus dentes amassando suavemente, fechando os lábios para sugar, e depois amassando novamente. Eu disse o nome dele ofegante, mas ele não parou. Eu estava prestes a dizer o nome dele e dizer-lhe para parar antes que me empolgasse, mas era como se ele soubesse e se recusasse porque subiu e envolveu meus lábios com os seus, impedindo-me de dizer qualquer coisa. Sua língua quente rodou sobre a minha, tocou o céu da boca, antes de puxar para fora e lamber a curva do meu lábio superior. Seus dentes roçaram meu lábio inferior e com um gemido profundo, ele segurou meus seios e empurrou entre as minhas pernas. Ele estava grosso, duro. Eu queria. Fazia tanto tempo e tudo o que eu conseguia pensar neste exato momento era nele dentro de mim. — Deixe-me levá-la. — Ele sussurrou em meu ouvido. Concordei, sem colocar qualquer pensamento nisso. A próxima coisa que eu soube era que estava sentada e ele estava se ajoelhando para trás, vendo-me desatar seu cinto. Eu desabotoei sua calça jeans, abri o zíper, e ele observava cada movimento avidamente. Baixei sua calça jeans, revelando boxers pretas com corações brancos. Eu sorri para isso e ele sorriu, encolhendo os ombros antes de chegar para baixo puxando minha blusa sobre a minha cabeça. Eu estava sem sutiã e me tornei insegura automaticamente. Eu estava prestes a me cobrir, mas ele estendeu a mão para me parar, balançando a cabeça. — Você é linda, Ellie. Pare com isso. — Ele bicou meus lábios com os seus e eu sorri. Ele puxou a camisa sobre a cabeça e eu engoli a bile na minha garganta, deixando meu olhar ao longo da rocha em suas boxers. Ele abaixou-se, plantando os cotovelos no sofá de cada lado da minha cabeça, pressionando contra mim, os lábios ainda mais perto. Sua 49


excitação descansou na minha coxa e era mais pesada e mais quente agora que suas calças jeans tinham ido embora. Ele estava quente, duro como uma rocha e pronto para mim. Ele estendeu o braço para baixo, puxou meu short e eu levantei meus quadris para ajudá-lo. Assim que eles foram embora, ele abriu minhas pernas com o joelho novamente e deslizou entre elas. Seu pênis esticado contra suas boxers, pressionando minha entrada, e eu cerrei, segurando seus ombros. — Se fizermos isso, você tem que me dar algo, Eliza. Eu tenho que ter você. Qualquer parte de você. Eu vou fazer o que você quer que eu faça, apenas... Nunca me deixe como você fez antes. Não sem uma despedida apropriada. Estendi a mão para acariciar seu rosto, acenando com a cabeça. — Você me perdoa? Sinto muito. Eu, eu... Não era para acontecer daquela maneira. Eu estava chateada com Penelope... Sobre a noite no hotel que nós compartilhamos e como você simplesmente desapareceu. Sobre tudo. Você quebrou meu coração também, Gage. Você não pode por a culpa de tudo isso em mim. — Eu não culpo você por nada. Eu me culpo muito mais do que posso culpar alguém, Eliza. Eu estraguei tudo. Esse foi o meu erro. Sinto muito, Ellie. Eu posso consertar seu coração, apesar de tudo. Eu posso recolher todas as peças e colocá-las de volta novamente. — Como? Ele beijou minha testa, sua bochecha direita levantando. — Com o tempo, Doce Ellie. Meu estômago vibrou com o apelido completo. Fazia tanto tempo que o tinha ouvido. Eu senti falta disso. Todos os problemas pareciam desaparecer quando ele enfiou a mão no bolso da calça jeans e tirou um preservativo. Ele rasgou o pacote com os dentes, levantou-se um pouco para baixar a cueca, e depois rolou sobre seu comprimento espesso. Inclinou-se sobre os cotovelos novamente, beijando meus lábios enquanto ele se aproximava. — Você tem certeza disso? — Ele perguntou. — Não mude comigo depois que terminarmos. Eu não quero qualquer merda estranha. Vamos resolver isso. Vamos conversar a noite toda, não importa quanto tempo leve. Eu balancei a cabeça, puxando-o para mais perto. Poderíamos trabalhar em algo. Levaria tempo e eu gostaria de ter certeza de que 50


Penelope estava realmente fora de cogitação, mas eu podia fazer alguma coisa funcionar. Tudo isso podia esperar, no entanto, porque neste exato momento tudo o que eu queria era ele. Um sorriso enfeitou seus lábios e, desta vez, a voz de Lucy Rose fluiu através dos alto-falantes. Gage brincou na minha entrada e eu olhei nos olhos dele, agarrando-o pelo pescoço. Fazia tanto tempo, mas lembrei-me da sensação dele dentro de mim como se fosse ontem. Eu estremeci, mas não foi tão ruim quanto a primeira vez. — Porra, você é tão apertada, Ellie. — Ele resmungou, abaixando a cabeça no oco do meu pescoço. Ele continuou empurrando seu caminho, esticando-me apenas um pouco até que estivesse completamente dentro. Ele não puxou para trás para me olhar quando começou a empurrar os quadris. Eu estava espremida contra ele, não havia espaço entre nós. O atrito construído, seu rosnar se aprofundando, e meus gemidos eram mais altos do que nunca. A sensação de plenitude no estômago me deixou louca. Sua profanação leve, sussurros com meu nome, o corpo duro contra o meu, era tudo o suficiente para me levar em espiral. Ele finalmente se inclinou para trás para me dar um beijo feroz. Sua língua não hesitou em deslizar na minha boca, abrindo meus lábios ao longo do caminho. Seus dentes roçaram meu lábio inferior, enviando arrepios ao longo da minha pele suada. Ele estava encharcado de suor, mas nenhum de nós parecia se importar. Ele quebrou o beijo para ir mais forte, mais rápido. Seu grunhindo tornou-se mais pesado e com cada um deles era um grito ou um gemido profundo passando por meus lábios. — Tem sido assim por muito tempo, Eliza. Eu senti falta de você. Disso. Nós. Eu balancei a cabeça, concordando. Tinha sido um caminho muito longo e eu odiava. Eu odiava colocá-lo através dessa dor. A dor. Ele valia muito mais do que alguém como eu. Alguém que era egoísta o suficiente para escolher seus sonhos porque... Bem, isso era o que eu queria. Sim, ele me machucou, mas algo no fundo da minha mente estava me deixando saber que ele realmente estava tentando entrar em contato comigo, que queria me dizer tudo o que estava acontecendo e por que ele não poderia estar comigo nas minhas últimas duas noites. Alguma coisa me avisou que ele lamentou perder aquelas duas noites comigo. Eu estava esperando por tanto tempo que ele não tivesse dormido com ela, e estava tão feliz que finalmente sabia a verdade. Ele pegou o ritmo, levantando-se num cotovelo e empurrando meu joelho contra o meu peito. Eu me senti mais completa depois que 51


ele bateu em mim, seu suor escorrendo no meu peito, meu rosto e meus lábios. Eu provei o sabor salgado enquanto ele me observava. Seus olhos estavam acesos com fogo, fluindo com paixão, desejo. Ele tinha um aperto no meu joelho e meu quadril, e foi me trazendo mais e mais. Quanto mais eu observava seus olhos, mais eu tremia, mais estremecia, e mais me doía. Ele puxou longe a mão na minha cintura, trazendo o polegar para baixo e aplicando pressão no meu clitóris. Eu rebolava contra seu dedo quando ele circulava meu meio, fazendo minhas costas arquearem e minha respiração ofegante aumentar. — Eu quero sentir isso, Ellie. Fique molhada para mim, baby. — Ele murmurou. Eu podia ouvi-lo claramente, mas não o via mais. Minhas costas arqueadas tão longe que eu podia ver a parede na frente dele. Meu estômago estava afundando e subindo, e ele estava indo cada vez mais rápido, cada vez mais duro. Áspero e grosseiro. Seu polegar circulou, fazendo pressão suficiente para enviar-me em cacos. Eu gritei o nome dele e explodi em torno dele, desintegrandome, tremendo. Mudei meus quadris com o seu, querendo tudo. Eu era gananciosa, desejosa, ainda absorvendo o comprimento dele. Senti a libertação vindo de todas as partes do meu corpo... E me senti absolutamente perfeita. Ele gemia, apreciando a vista de mim caindo aos pedaços. Ele, então, tirou o polegar, deixou cair meu joelho, segurou meus quadris, e bateu em mim. — Minha vez, hein? — Ele perguntou através de um grunhido profundo. Eu balancei a cabeça, segurando seu rosto, mordendo o lábio inferior, beijei-o profundo... Deslizando minha língua sobre seu gosto e que eu senti tanta falta. — Foda-se. — Ele rosnou. — Porra, Eliza! Eu te sinto tão bem pra caralho. Eu juro que senti falta dessa porra. Fiquei emocionada pela rouquidão de seu rosnar. Isso significava que ele estava perto, e com a minha língua traçando sobre seu pescoço e, em seguida, encontrar a boca de novo, eu percebi isso. Ele ficou tenso, mas seus quadris continuaram se movendo. Ele enterrou-se dentro de mim e faíscas voaram, como fogos de artifício explodindo no céu à noite. — Venha comigo, Ellie. — Ele sussurrou contra meus lábios. Sua voz. Sua maltida voz. Ela sempre fazia algo para mim. Eu me agarrei com mais força, e nossos corpos moldados em um. Ele sussurrou que estava perto. Eu estava perto, também. Meus olhos estavam exprimindo apertados e as estrelas voltaram, brilhantes e 52


resplandecentes e, em seguida, explodiu como cacos de vidro. Assim como eu. Estremeci uma dúzia de vezes, desvendando em seus braços, e então ele resmungou, batendo em mim inúmeras vezes até que, finalmente, ele tremeu tenso, estremeceu, e, em seguida, bateu em mim uma última vez, rosnando o meu nome no meu cabelo como eu chorei o dele. Ele caiu em cima de mim, soltando um profundo suspiro, seu rosto pousando suavemente na curva do meu pescoço. Meus olhos ainda estavam fechados, olhando para os imaginários cacos de vidro espalhados dentro do céu noturno. Eles estavam flutuando descuidadamente. Eu os assisti flutuar enquanto estava sentada na crista da lua. Peguei um, apertei-o e não me cortei. Ele derreteu na minha pele e eu sorri porque estava colocando-os juntos novamente. Eu estava em alta euforia, esperando que este sentimento não acabasse nunca. Esperando que isso pudesse ficar assim para sempre. Porém, eu sabia que não iria. Isso nunca foi assim. Havia sempre algo no caminho. Mal sabia que alguma coisa estava vindo para Gage e eu mais cedo ou mais tarde. O alarme soou e eu gemi, passando a palma da mão em cima dele para parar com o barulho. Algo quente e pesado estava na minha perna, mas eu olhei grogue observando o meu redor. Eu estava na cama, o sol aparecendo pelas cortinas escuras. Era o nascer do sol, com certeza. Eu poderia dizer pelo filtro baixo que se estendia através dos lençóis brancos na minha cama. E então eu olhei para baixo, sabendo exatamente a origem do peso na minha perna e todo o lado direito do meu corpo. Gage. Seus lábios estavam entreabertos, seu cabelo caindo na testa. Ele tinha um braço travado em torno da minha cintura, como se eu fosse apenas sair e deixá-lo durante o meio da noite. Eu olhei para o despertador, os números em negrito e letras verdes me avisando que era hora de começar o segundo dia do meu estágio. Tentei empurrar Gage fora de mim, mas ele apertou seu braço, formando uma linha entre as sobrancelhas. Ele murmurou algo sob sua respiração e eu revirei os olhos. Eu o empurrei de novo, ele não se mexeu. Eu apertei seu nariz e sua cabeça sacudiu. Outra carranca. Okay. Ele estava realmente acabando com a minha paciência. Ele era adorável enquanto dormia e eu não queria acordá-lo, especialmente porque me lembrei de como ele estava inquieto na noite 53


anterior, mas eu tinha que me levantar e me arrumar para Artes Global. Eu não podia me dar ao luxo de me atrasar. — Gage. — Eu assobiei. Bati no braço tonificado com tatuagem. Tenho certeza de que ele sentiu como nada nele. — Droga, Gage. Acorde! Ele fungou e depois um sorriso serpenteou em seus lábios. Ele está acordado? Inclinei-me quando ele enterrou seu rosto no meu lado, mas então seus olhos se abriram, assustando a merda para fora de mim. Ele riu, inclinando-se para roubar um beijo meu, e depois pendurou as pernas em volta para se sentar na beira da cama. — Ouvi esse despertador até pelo meu rabo. — Ele resmungou, sua voz de uma maneira muito intoxicante. A partir do som de sua voz, o meu núcleo apertou, mas eu empurrei para longe os cobertores e lençóis e saí da cama. Então percebi que estava completamente nua. Gage sabia e virou-se rapidamente, com os olhos passando por todo o meu corpo, enviando uma onda de insegurança através de mim. — Eu pensei que você tinha ido. — Eu disse para distrair os olhos errantes. Peguei os lençóis para tentar me cobrir, mas ele os agarrou assim como eu fiz e os puxou para fora da minha mão. Engoli em seco, franzindo a testa. — O que você está fazendo? — Tem sido meses, Eliza. Estive desejando de vê-la nua novamente. — Eu não conseguia controlar o fogo queimando em meu rosto, mas tentei manter meu rosto severo. — É tão sexy. Você simplesmente não sabe disso. Mordi um sorriso, passando os braços em volta de mim. — Eu vou tomar um banho. — Ótimo. Eu vou te acompanhar. Eu fiz uma careta por cima do meu ombro e, felizmente, ele levou o seu tempo para chegar ao banheiro. Quando entrei, tranquei a porta atrás de mim, e momentos depois, ele bateu na porta. — Eliza. Deixe-me entrar, por favor. — Não, Gage. Eu não posso me dar ao luxo de chegar tarde, e eu acho que nós dois sabemos exatamente o que vai acontecer entre nós e água corrente. Ele riu, sua sexy, profunda e revigorante risada. — Fico feliz que você saiba. Deixe-me entrar.

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— Não. — Eu liguei o chuveiro. Quando a água desceu, eu o ouvi suspirar enquanto pegava uma toalha da prateleira para colocá-la na haste. Porém, então, a maçaneta da porta balançou, clicando, e Gage entrou segurando um grampo simples entre os dedos. Minha boca se abriu, mas a fechei quando ele sorriu e inclinou a cabeça. — Eu tinha muitas garotas jogando este jogo, Eliza. Fechando a porta, fazendo-me trabalhar para começar. Normalmente, o trabalho vale a pena, apesar de tudo. — Eu não sou uma dessas garotas. —Respondi. — Eu realmente não quero você aqui. Ele riu. — Muito fodidamente ruim. — Ele empurrou alguns fios de cabelo da testa. — E eu sei que você não é uma daquelas garotas. Você é muito mais. — Ele examinou meu corpo nu. — Eu estou aqui. Poderia muito bem ter um pouco de diversão, certo? Eu fiz uma careta. — Sério? — Sério. — Gage, desculpe-me, mas eu só tenho uma hora e o tráfego de Nova York nunca é fácil. — Não se desculpe. Eu entendo. Nós vamos lavar um ao outro e rir como meninas. Nada muito grande. Revirando os olhos e balançando a cabeça, virei-me e afastei a cortina de chuveiro. Eu entrei e permiti que o vapor de água corresse sobre mim. Através do meu cabelo, na minha espinha, e ao longo dos vincos da minha cintura. Sentia-me bem, mas depois de ouvir metal raspando e algo quente e grosso pressionado contra minhas costas, acendeu-me o fogo. Girei nos braços de Gage e ele sorriu para mim. — Você está tornando difícil de me comportar. — Ele murmurou, inclinando a cabeça para beijar minha bochecha. — Eu estou me limpando. — Eu disse estupidamente. Eu não podia negar o fato de que tinha as malditas borboletas. — Mas você tem sua cabeça jogada para trás. Você está brilhando da cabeça aos pés, Ellie. É sexy como o inferno vê-la assim. Molhada. — Bem, se você não pode lidar com isso, saia e espere até que eu tenha acabado de modo que você pode tomar um banho em paz. — Eu sorri para ele, biquei seus lábios e, em seguida, me virei. Peguei meu 55


sabonete e me ensaboei por cima de mim, mas depois Gage me virou pela cintura novamente. Fixei meus lábios para protestar, mas ele veio para frente, esmagando-os. — Eu preciso de um café da manhã, Eliza. — Disse ele, sem se afastar. — Eu - eu posso fazer alguma coisa para comer depois... — Eu prefiro comer você, se estiver tudo bem. Um sorriso diabólico jogou em seus lábios e me senti corar. Deus, ele queria me comer... No café da manhã? — E o que vai sair disso? — Eu perguntei corajosamente. Ele deu de ombros, deslizando o dedo pelas minhas dobras. Ele me disse para virar e exigiu que eu abrisse minhas pernas, e com os hormônios correndo através de mim, sabia que não podia dizer não. Meus mamilos estavam mais duros do que pedras. Eu estava encharcada escorrendo como uma torneira vazando. Eu sabia que não havia tempo para isso, mas quando suas mãos subiram na parte de trás das minhas coxas e ele segurou minha bunda, eu não pude evitar. Eu ansiava por ele mais uma vez. Ele me observava atentamente, com a cabeça inclinada, os lábios entreabertos. Ele lambeu o lábio inferior, em seguida digitalizou todo o meu corpo com os olhos famintos. Uma de suas mãos me segurou na cintura quando ele se agachou abaixo de mim. Algumas gotas de água caíram do meu corpo e no seu, rolando pelas costas, pelo seu vincado e firme abdômen... Seu cabelo sedoso. — Só não escorregue e caia. — Ele murmurou, rindo. Eu tremi, concordando. Seus dedos deslizaram até minhas coxas e, em seguida, ele conheceu a minha entrada, traçando o seu polegar em meu clitóris latejante. Estremeci com os joelhos vacilantes. — Gage, temos que – hur... Antes que eu pudesse terminar minha frase, ele deslizou a língua para fora e a apertou dura no meu clitóris. Eu gritei, enfiando meus dedos por seu cabelo quando ele enganchou as duas mãos sobre as costas das minhas pernas para me colar em seu rosto. Oh bondade. Era maravilhoso. Ele estava realmente indo para isso. Ele não estava tomando seu tempo, como de costume, ele estava tentando me levar mais alto da forma mais rápida possível, e eu estava chegando lá. Meus dedos trancados em seu cabelo enquanto sua cabeça se movia para trás e para frente. Eu me movi contra ele, implorando e

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respirando seu nome e nem sabia o porquê. Olhei para baixo e ele estava me olhando com intensos olhos castanhos. A língua deste homem era mágica. Eu nunca poderia imaginar como isso era tão bom com ele. Ele conhecia todos os lugares, quando metia o dedo em mim e quando não. Eu pulsava, contraindo a frente, e ele moveu as mãos para cima, aumentando seu aperto na minha bunda. Eu estava implorando para ele me deixar soltar. Eu estava tão perto. Eu trancei meus dedos através de seu cabelo úmido novamente, apertando firmemente quando um profundo gemido estrangulado saiu do coração de sua garganta. Ele gemeu contra a minha carne sensível e, em seguida, elas chegaram - as estrelas explodiram. Eu quebrava, contorcia-me, e ele gemia deliciosamente enquanto sua língua continuava lambendo, sugando e chupando. Eu gritei o nome dele, até que finalmente empurrei a cabeça para trás, quase escorregando no chão do chuveiro, mas ele se levantou rapidamente e me pegou em seus braços. Meus olhos estavam baixos, preguiçosos, e ele me olhava enquanto lambia os lábios molhados. — Melhor café da manhã da porra que eu já tive, Doce Ellie. — Ele disse, sorrindo. Eu não poderia deixar de sorrir com ele.

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AMIGA roga. Eu estava atrasada. Eu me empurrei para frente, quase sendo atropelada por uma dúzia de carros e táxis enquanto atravessava a rua. Eu tenho certeza de que deveria esperar, mas não tinha tempo. Eu não poderia estar atrasada no meu segundo dia. — Eliza, devagar! — Gage gritou atrás de mim. Eu fiz uma careta por cima do meu ombro. Era culpa dele que eu estava atrasada... Bem, parcialmente. Eu o queria tão mal e droga, era tão bom. Mas agora eu estava atrasada. Eu finalmente cheguei à calçada e agarrei a maçaneta da porta. A girei aberta e corri para frente nas minhas sapatilhas bailarina vermelhas. Eu dei uma pequena saudação a Gloria na recepção do prédio e ela sorriu, sabendo exatamente o porquê que eu não tinha tempo para parar e falar. Apertei o botão de subida e vi os números descendo. Ugh, eu estava impaciente. Eu odiava o quão atrasada estava. Eu chequei a hora no meu celular e estava 13 minutos atrasada. — Caramba, você é rápida. — Disse Gage atrás de mim. Ele parou ao meu lado e eu fiz uma careta para ele. — Estou muito chateada com você, Grendel. Ele soltou uma risada rouca que ecoou pelo saguão. — Chateada comigo? Então, eu sou o culpado por colocar um sorriso em seu rosto esta manhã? Meu rosto queimou um tom claro de vermelho quando ele beliscou minha bochecha. — Você sabia que eu tinha que ir. — Eu disse, enxotando sua mão e apontando o dedo para o peito. — É... Eu sabia. — Ele sorriu infantilmente. — Então, por que você não me deixou me arrumar? — Porque eu queria que você tivesse um bom dia. Estou tentando conquistá-la de volta. — Bem, não estou tendo um bom dia mais. Estou atrasada e sei que provavelmente vou ser olhada por cima por sua causa e... — Eu 58


abaixei meu olhar, olhando para sua virilha — Aquela coisa em suas calças. Ele riu e, assim quando ele fez, as portas do elevador se abriram. Corri para dentro, apertei o botão do décimo oitavo andar e ele lentamente entrou atrás de mim, com os olhos duros para mim. As portas se fecharam, mas eu mantive o meu olhar para frente. — Você não pode me dizer que você não gostou, Ellie. — Ele sussurrou, dando um passo em minha direção. — Não gostei. — Eu menti. Essa foi a maior mentira que já tinha saído da minha boca. O que Gage e eu fizemos após o banho foi glorioso. Mesmo quando estávamos fora, meu corpo ainda estava em necessidade. Sua língua era celeste, mas eu queria mais. Foi como se ele lesse meus pensamentos, porque depois que se secou e entrou no quarto, ele trancou as mãos em volta dos meus braços, correu para a cama, e se inclinou sobre meu rosto em frente. Ele permitiu que não houvesse tempo para eu me preparar para ele. Eu realmente não precisava. Eu estava mais do que animada com o quão rápido ele empurrou-se dentro de mim. Pena que ocupou a maior parte do meu tempo e levou ainda mais tempo para que eu encontrasse uma roupa decente para vestir. — Você gostou. — Gage sussurrou em meu ouvido. — Você está mordendo o lábio. É o que você faz quando você me quer. É o que você fez antes. — Eu olhei nos olhos dele, liberando o meu lábio inferior. Seus olhos eram suaves, assim como o sorriso em seus lábios. Ele sabia o quanto eu gostei, inferno, gemer e gritar o seu nome era prova suficiente disso. — Gage, isso é importante para mim. — Eu murmurei quando ele beijou a ponta do meu nariz. — Eu sei, e sinto muito. Mas você sabe que eu tenho cobertura. Frank não vai nem perceber que você estava atrasada. — Eu não quero ser tratada de forma diferente. Eu queria este estágio, tanto como os outros artistas e gostaria de ser tratada da mesma forma. Se eu ficar em apuros, vou estar em apuros. Eu tenho que confessar minhas ações. Sofrer as consequências. — Eu sei, Ellie. Mas eu vou levar a culpa desta vez. Eu não vou deixar que isso aconteça novamente. — Ele beijou minha bochecha e gradualmente moveu a cabeça para beijar meus lábios. Eu passei meus braços ao redor do pescoço, deixando meus lábios agradecessem a ele agora. Eu sabia que ele não estava levando isso como uma piada mais.

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Eu quebrei o beijo para colocar meus lábios no seu queixo. — Okay. Mas esta é a única vez. Você não pode vir assim novamente. Não sem um aviso. — Eliza, eu quero estar com você toda esta semana. É a minha única semana de folga antes de eu e a banda estarmos de volta ao trabalho. Você é o meu paraíso, por enquanto. — Gage, temos que ter algum tipo de espaço. Seus lábios nos meus me impediram de falar. — Eliza, não. — Ele murmurou contra minha boca. — Não. Apenas deixe-me ter essa liberdade agora. Estamos trabalhando em algo, lembra? Você tem que confiar em mim. Eu estou fazendo o meu melhor. As portas do elevador se abriram e alta vibração encheu meus tímpanos. Colocando meu cabelo atrás das orelhas, eu puxei de volta e suspirei antes que alguém pudesse me ver com o vocalista do FireNine. — Tudo bem. Mas só por esta semana. Falaremos mais sobre nós mais tarde. — Almoço? — Ele perguntou quando eu pisei fora. Ele deu um passo à frente para manter as portas abertas, os olhos me varrendo da cabeça aos pés. — Há este lugar muito legal na mesma rua que serve a melhor pizza no estilo de Nova Iorque. Propriedade familiar, também. — Yeah. — Eu balancei a cabeça. — O almoço cairia bem. — Ótimo. — Ele se inclinou, colocando um beijo úmido em meus lábios. — Tenha um ótimo dia, Ellie. — E com isso, ele recuou no elevador e vi as portas se fecharem. Eu não sabia para onde estava indo ou o que ele estava prestes a fazer, mas algo me incomodava com isso. Eu meio que queria que ele ficasse por aqui e me visse como da última vez. Era uma espécie reconfortante saber que ele foi minha inspiração para minha primeira pintura na Artes Global, e o que o fez melhor foi que todos gostaram. Isso me agradou no início, mas ele foi necessário para tornar a pequena obra-prima. — Eliza, eu vi isso! — A voz estridente de Kelsey soou em meus ouvidos. Ela colocou o braço em volta do meu ombro e correu em direção à sala de descanso. — Que porra é essa? Amigos minha bunda. Derrame. Eu ri quando ela me puxou para me sentar na cadeira ao lado dela. — Somos apenas amigos. — Beijando nos lábios? Você sorrindo como uma estudante apaixonada? Isso não são amigos. — Pensou ela, sacudindo a cabeça com os olhos arregalados. 60


Rindo, eu corri as palmas das minhas mãos ao longo da minha blusa preta. — Nós somos amigos agora, Kelsey. Nós estamos... Trabalhando nisso... Eu acho. — Você sabe que vai ser meio difícil não falar sobre Gage quando vejo coisas assim. Eu não sou cega. Sei o que é amor quando eu o vejo. — Oh? E como você sabe o que é amor? — Porque eu estive nisso. — Ela se levantou, pegando sua xícara de chá. — Vamos lá. Hoje vamos terminar o nosso trabalho de ontem à tarde e, em seguida, eu estarei levando-a para o vigésimo nono andar. Emocionante, né? — Sim. — Eu respirei, levantando com ela. Então, ela tinha se apaixonado antes. Eu sabia que estava certa sobre uma coisa. Ela provavelmente tinha um coração partido. De repente, tornei-me irritada com o fato de que alguém pudesse machucar alguém tão doce como Kelsey. Ela era adorável e carinhosa. Ela sabia que não era perfeita, mas fazia o seu melhor em tudo. Eu odiava o bastardo que a machucou e eu nem sabia quem era ele, e eu tinha acabado de conhecê-la! Isto fala por si só. Isso é o quanto eu amava sua personalidade. Ela era quase como uma lufada de ar fresco para mim. Eu nunca conheci ninguém como ela. Eu andei ao seu lado para chegar à grande sala de arte e depois que nós reunimos nossas coisas, fomos para o nosso ponto do dia anterior e direto para o trabalho. Durante a minha pintura e sua escultura, eu podia sentir seus olhos em mim. Sempre que eu olhava em sua direção, ela desviava o olhar imediatamente. Este pequeno jogo continuou até que eu finalmente a questionei sobre isso. — Okay. O que há? — Eu perguntei a ela, sorrindo. Ela bateu os cílios inocentemente. — O que você quer dizer? — Quer dizer que você está olhando para mim. — Eu ri. Ela balançou a cabeça, fixando um pedaço de sua escultura em argila. — Eu só... Eu quero saber como você chegou até ele, não que você seja uma garota má, nem nada. Você é linda, muito linda! Você é só... Tão simples... Tão humilde... Enquanto ele é um maldito famoso cantor. Você não questiona isso? Como você, uma garota média, puxou um gostosão popular como ele? Eu sempre imaginei Gage Grendel namorando uma modelo loira quase anoréxica com uma atitude convencida. Eu bufei uma risada em sua última frase, mas sua afirmação me fez pensar um pouco. — Bem, para ser honesta, eu não penso nele 61


dessa forma. Eu acabei conhecendo muito de Gage no verão passado e conhecê-lo realmente fez dele um cara normal. O flerte com as meninas e outras coisas... É só para o show. Quando estamos juntos, é como se nada mais importasse. Ele não fala sobre música. Ele não se preocupa como o próximo show que está indo... Ele não me pergunta como achei que ele foi. Quando não está no palco, ele é apenas um cara normal com uma personalidade média. — Eu dei de ombros. — Mas ele é mais quente que o inferno. — Acrescentou. — Yeah. — Eu ri, pegando outro pincel. — Mas sua boa aparência e seu estrelato são apenas um bônus. Eu tive um bom vislumbre do Gage real no verão passado e há definitivamente mais nele. E a parte ruim disso é que as pessoas nunca vão saber porque ele nunca vai dizer, não a menos que haja um incidente em que realmente tenha que fazer isso. — Ele lhe contou tudo, né? Eu balancei a cabeça, os lábios selados. — Sorte. Eu mataria por esses segredos. — Ela pegou outro pedaço de argila e rolou nas palmas de suas mãos. — Mas eu entendo. Você provavelmente lhe prometeu... Ou prometeu a si mesma e, além disso, você mal me conhece. É bom que você não seja toda boca frouxa sobre isso. A maioria das meninas com certeza gostaria de contar seus segredos mais sombrios em um piscar de olhos. Eu sorri, pegando meu pincel para iniciar a pintura novamente. É uma pena que a primeira pessoa que vem à mente em contar seus segredos seja Penelope. — Eu não quero que ele conte o meu. — Eu disse, encolhendo os ombros. Kelsey assentiu com a cabeça, esfregando os polegares ao longo de sua intrincada escultura de um homem para suavizar os grumos. Ela não se incomodou em ir mais longe sobre o tema. Em vez disso, ela mudou de assunto e me contou tudo sobre o vigésimo nono andar ao mesmo tempo incluindo suas piadas e me dizendo como era difícil trabalhar lá em cima, porque é muito ocupado e ninguém sai do caminho. Ela mencionou que era um andar do tipo "cada um por si". E por deixar ir a conversa sobre os segredos de Gage e não me atormentar para contá-los, eu a adorava ainda mais. Ela tinha respeito pela privacidade. Ela estava definitivamente fazendo este estágio dez vezes melhor do que eu pensava que seria, e acho que pela primeira vez eu começava uma verdadeira amizade com alguém do meu sexo.

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BALCÃO oi-me dito por Frank para encontrar Gage assim que eu tivesse saído do vigésimo nono andar. Fiquei meio feliz porque o vigésimo nono andar estava longe de ser o mais fácil de trabalhar. Por um momento pensei que eu teria um ataque cardíaco. Foi tão rápido que fiquei surpresa que eu peguei tudo. Kelsey era uma profissional, claro. É quase como se ela morasse lá. Teria sido mais como uma brisa se não tivesse Monica observando cada movimento meu. Juro que a garota estava tentando encontrar qualquer coisinha que me faria voltar alguns passos e me fazer recomeçar minha tarefa. Cheguei à pizzaria familiar oito minutos depois e vi a decoração humilde. Fotos de família nas paredes, pisos de linóleo marrom, e azulejos pretos e brancos. Era decente, mas não parecia ser um lugar aonde Gage viria, apenas para constar. Quando o sino soou acima da minha cabeça, o vi no canto, com a cabeça abaixada, uma mão descansando em sua têmpora. Ele estava no telefone e assim que ouviu a campainha, ele olhou em minha direção com um sorriso inquieto em seus lábios. Eu marchei para ele, puxando a minha mochila no meu ombro, mas antes que pudesse chegar a sua mesa, um homem entrou na minha frente com um grande sorriso sufocando seu rosto. — Bem-vinda ao Dino, querida. — Disse ele, cruzando os dedos na sua frente. Seu sotaque de Nova York era grosso e pesado e quase incompreensível, mas tive sorte que pudesse entender o que ele disse. — Procurando por uma mesa? Sorri calorosamente, olhando do homem a Gage, que agora estava franzindo a testa e olhando para fora da janela. — Não, obrigado. — Eu apontei para Gage. — Eu estou com ele. O homem olhou por cima do ombro e, em seguida, assentiu. — Você deve ser Eliza. Inclinei a cabeça, dando ao homem toda a minha atenção. — Eu sou. Como você sabe disso? O homem apontou o polegar para trás na direção de Gage e riu. — Não para de falar sobre você. — Conhece Gage pessoalmente? 63


— Na verdade, sim. — Ele suspirou. — Gage e eu cruzamos nossos caminhos. Eu vivi em Suffolk por um tempo e, enquanto estava lá, eu namorei com a irmã dele. O menino me odiou por meses até que ele percebeu que eu era realmente bom para ela, mas é claro que ele não soube até depois de terminamos. — O homem passou os dedos pelo cabelo escuro. — Não sei onde ela está ou o que está fazendo agora, mas pela aparência das coisas, pela forma como ele está evitando as minhas perguntas, eu acho que algo de ruim aconteceu. Porém, não quero ficar muito pessoal, sabe? — Sim. — Eu respirei, dando um olhar para Gage. Ele apenas bateu o telefone na mesa enquanto eu olhava para ele. Ele então encontrou meus olhos, olhando por apenas um segundo antes de olhar para longe e para fora da janela. — Bem, eu vou deixar você aproveitar seu almoço. Deixe-me saber quando você estiver pronta para pedir. Ah, e eu sou Zion por aqui. — Prazer em conhecê-lo, Zion. — Eu disse, apertando a mão dele. Zion acenou com a cabeça e, em seguida, saiu em direção à cozinha. Olhei para Gage, esperando que ele olhasse pro meu lado. Ele não fez. Eu tomei uma respiração longa e profunda, apertando a minha mão ao redor da alça da minha mochila antes de ir até à mesa e tomar o assento em frente a ele. — Oi. — Sorri. — Hey. — Ele sorriu, um sorriso real. Eu estava contente. — Quer me dizer o que está errado? — Eu perguntei, puxando minha mochila pela minha cabeça e a colocando do meu lado. — Nada, Ellie. — Ele me assegurou. — Eu estou bem. — Com quem você estava no telefone? ... Se você não se importa que eu esteja perguntando. — Mordi o canto do meu lábio inferior, esperando que não estivesse pressionando seus nervos. — Só um velho amigo. — Você parecia muito chateado. — Gage me olhou depois da minha declaração, franzindo as sobrancelhas um pouco. — Eu estou bem, Ellie. — Disse ele, pegando a minha mão para beijar o topo. — Juro sobre isso. — Tudo bem. — Eu suspirei, forçando um sorriso. Era melhor manter minha boca fechada. Eu não queria ficar em seus nervos. Eu gostava do que estávamos fazendo. Eu gostei de como era fácil de 64


estarmos ao redor um do outro de novo e definitivamente não quero arruinar isso tão cedo. Esta era a perfeição no melhor e não havia necessidade de demoli-la com o caos. — Então, você está com fome? — Ele perguntou, sorrindo. — Muita. — Eu suspirei enquanto olhava ao redor. — O que te fez escolher esse lugar? Gage deu de ombros, olhando ao redor. — Só queria me sentir normal, por uma vez, sabe? — Normal? — Em casa. Não incomodado por paparazzi, meninas loucas... Normal. — Oh. — Meus lábios pressionados. — Tudo bem. — Ele definitivamente estava atuando fora do personagem, mas em vez de questioná-lo, eu mudei o assunto. — Então, o que você gosta? Eu adoraria comer uma pizza de queijo com frango e abacaxi. — Eu sorri calorosamente para ele e ele sorriu de volta, dando a metade do calor. Em seguida, ele virou a cabeça, gesticulando com a mão para que Zion viesse. Depois que Gage pediu e Zion voltou com nossas bebidas, Gage olhou para mim mais do que o esperado, e eu forcei um sorriso. — O quê? — Eu perguntei, insegura colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Nada. — Um sorriso fantasmagórico apareceu em seus lábios. — Só admirando. — Você tem certeza de que é tudo? — Na verdade, não. — Ele soltou um suspiro, agarrando o copo de Pepsi. — Eu quero passar a noite com você também, se você não se importar. — Ele sorriu, indo para o outro lado da mesa para colocar sua mão grande em torno da minha. — Eu tenho um projeto para começar hoje à noite, no entanto, Gage. Para o vigésimo nono andar. É um tipo pesado. — Eu odiava dizer isso, mas tinha que fazer. Este era meu negócio. Era o meu futuro e carreira em risco. Eu não queria estragar nada e não poderia começar a faltar apenas porque queria passar mais tempo abraçando e namorando. Teríamos bastante tempo para isso mais tarde. — Eu não vou incomodá-la. — Disse Gage, levantando as mãos no ar inocentemente. — Eu juro. Vai ser como se eu não estivesse lá. Apertei os olhos de brincadeira. — Você promete? 65


— Prometo, Ellie. Eu suspirei, passando a mão pelo meu cabelo. — Ok. — Eu respirei. — Você pode vir, mas é melhor não me ferrar. Tenho que me concentrar. — Eu estava brincando com ele. — Eu só vou assistir. — Nós sorrimos um para o outro. Era tão difícil resistir ao seu charme. Aquele sorriso. Sua graça. Eu não podia dizer não. Além disso, eu meio que queria ele por perto.

Eu não podia acreditar o quão tranquilo estava Gage. Quero dizer, ele literalmente não falou nada. Mas só porque ele não estava falando não quer dizer que ele não estava olhando. Ele estava. Intensamente. Em um ponto, eu juro que ele não piscou por cinco minutos seguidos. Eu estava sentada à mesa, olhando para o portfólio que Monica me deu, a fim de saber o que deveria estar fazendo para o meu projeto. Ela estava tentando fazer minha experiência na AG um inferno, mas mal ela sabia que eu tinha mais novidades sobre FireNine do que qualquer outra pessoa no prédio. Eu praticamente morei com os meninos por dois meses. Eu sabia do que eles gostavam, o que não gostavam, qual era a sua criatura mítica favorita, quais eram cada uma de suas canções favoritas, e até mesmo qual a cor de suas boxers favoritas. Todos eles tinham personalidades únicas, mas era o que fazia deles uma banda maravilhosa. Enquanto eu mastigava o fim da minha caneta, olhei para cima e Gage estava em pé, com as costas e a sola de seu sapato encostados contra a parede. — Você está bem? — Eu perguntei com um ligeiro humor. Seu silêncio estava realmente me incomodando agora. Não era normal. Não importa o quão ocupado eu possa ter parecido, Gage era do tipo que me incomodava um pouco antes de me deixar em paz. — Yeah. — Ele sorriu. — Eu estou bem. Só assistindo. — Ele se empurrou da parede e fez o seu caminho através do quarto para sentarse na cadeira à minha frente. — Você realmente gosta dessas coisas, né? — Ele perguntou, pegando uma das fotos. — Eu gosto. — Você está olhando para isso a noite toda. Você não está indo para começar a desenhar ou pintar ou algo assim? Eu balancei minha cabeça. — Ainda não. Eu quero que o resultado seja perfeito. Eu não quero apressar as coisas. — Eu olhei

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para ele de novo, afundando meus dentes em meu lábio inferior. — Na verdade, eu sei o que vai ajudar. Os olhos de Gage ampliaram. — Yeah? O que é? De pé, eu empurrei a mesa e peguei minha câmera. — Eu vou tirar fotos de você... Para o meu projeto. Disseram-nos para encontrar fotos online e transformá-los em outra coisa, mas eu acho que seria melhor para começar do zero. — Então você vai enganar? — Ele perguntou, rindo um pouco. Eu ri. — Não, seu bobo. Isso não é trapaça. É ser criativo. Agora, vamos! — Eu disse, agarrando-lhe o pulso e arrastando-o para a sala de estar. Gage entrou na minha frente e sorriu. — O que eu faço? — Perguntou ele, aquele sorriso ainda puxando os cantos dos lábios. — Apenas uma pose... Nada. Pareça sexy... Sério... Fofo. Qualquer que seja. Você sabe o que fazer. Você faz isso o tempo todo. — Eu segurei minha câmera na frente dos meus olhos e a inclinei para ele. Rindo, Gage fez algumas poses. Algumas impertinentes. Algumas agradáveis. E algumas apenas francamente sexy. Cada vez que a câmera brilhava, ele mudava, e cada uma era perfeita. Seria difícil escolher apenas três para o meu projeto. Uma imagem eu sabia que usaria. Ele cravou os dentes em seu lábio inferior e lambeu. Seus olhos castanhos se estreitaram direito para a câmera, sua postura firme, ainda que casual. Depois que eu bati a minha última foto, eu abaixei minha câmera e sorri para ele. — Você é um profissional com isso, hein? Dando de ombros, ele caminhou em minha direção. Eu disse a ele para parar e segurei a câmera no ar para tirar uma foto de nós juntos. Agarrando a câmera das minhas mãos, Gage beijou meu rosto e, em seguida, deu um passo para trás. — Minha vez. Pose para mim, e pareça sexy! Sem besteira. — Ele riu alto, essas fendas adoráveis formando ao redor dos olhos, como de costume. Engoli um pouco quando meus nervos levaram o melhor sobre mim, mas quando Gage entrou na minha frente e deu um beijo na minha testa e depois em meu rosto, eu olhei para ele e conforto esgueirou-se por mim. — Só se divirta. É o que eu faço. Eu costumava odiar, mas agora... É muito legal. — Certo. — Eu soltei um suspiro e tomei o lugar na frente da janela de onde Gage se levantou. Ele colocou a câmera na frente de seus olhos, seus lábios insinuando um sorriso. Eu sabia que ele estava 67


olhando para mim. Minha colocação em primeiro lugar era tola e evidentemente brega, mas quando o flash da câmera piscou mais e mais, eu decidi ficar mais sexy para ele. Eu mordi meu lábio, sorrir-lhe debaixo dos meus cílios. Cada flash da câmera levou mais e mais, até que finalmente Gage puxou a câmera longe e olhou diretamente para mim. Seus olhos estavam com fome, com o rosto duro. Ele estava falando sério agora, e eu estava confusa, ligada, e um pouco animada com isso. Em um instante, ele marchou para mim, pegando-me em seus braços e esmagando os meus lábios com os dele. Meu peito pressionado no seu e meu fôlego saiu quando nossas línguas colidiram. Ele arquejou difícil, quase ganancioso com suas ações. Ele se afastou alguns centímetros e ergueu a mão para escovar o polegar calejado pelo meu úmido lábio inferior. A outra mão dele ainda estava colada na minha cintura, puxando-me para mais perto. Não era assim que a noite era para ser em tudo, mas me recusei a combatê-lo. Gage sorriu um pouco, os olhos cor de avelã encapuzados e pequenos olhando para os meus lábios. O olhar vidrado em seus olhos provou que estava pensando em coisas impróprias. Eu queria descobrir exatamente o que ele estava pensando, então ao invés de empatar por mais tempo, pressionei meus lábios nos dele e enganchei os braços em volta de seu pescoço. Ele me puxou para que eu pudesse colocar minhas pernas ao redor de sua cintura e, em seguida, virou-se, correndo para a cozinha e colocando as minhas costas na mesa com uma pequena quantidade de força adicional. Era o tipo de força que me fazia gemer de um tipo áspero, mas bizarro. Não muito para me machucar. Sexy. Perfeito. Eu arqueei minhas costas e as palmas das suas mãos deslizavam pelas minhas coxas. Ele resmungou, mudando e me puxando para baixo, centrando meu corpo entre as suas pernas. Suas mãos deslizaram seu caminho pelos meus quadris, barriga, costelas, até que finalmente ele encontrou meus seios. Deu-lhes um aperto, enquanto gemia contra os meus lábios, e eu tranquei meus dedos em seu cabelo, pedindo-lhe para continuar. Implorando por mais. Ele continuou me regando com beijos, puxando uma mão longe do meu peito para tira meu short. Ele o abriu, deslizando-o para baixo com uma mão, e se afastou apenas o suficiente para deslizá-los pelos 68


meus tornozelos. Tão logo eles foram descartados, ele me puxou, esmagando-me contra seu corpo mais uma vez. Eu estava atordoada, joelhos travados, minha mente se perguntando o que ele faria a seguir. — Você quer isso na mesa, Doce Ellie? — Ele perguntou, sua voz quase um rosnado. — Na mesa de trás ou no balcão? Eu segurei um suspiro, olhando em seus olhos castanhos duros. Oh Deus. Seu sorriso era tão diabólico. Porém, eu adorei. A maneira perfeita para me deixar ir. — Eu quero que você escolha. — Eu sussurrei. — Eu? — Ele questionou como se ele não estivesse ouvindo corretamente. — Sim. Você. — Olhei para baixo e tive o desejo de fazer algo realmente fora do personagem. Com este homem me ligando, eu estava ficando louca. Querendo tudo de uma vez. Eu não estava pensando direito. Eu nunca poderia com ele por perto. Abaixei-me e fui para algo que eu normalmente não teria feito em um momento feroz assim. Eu soltei e desabotoei seu jeans, deslizando-os até os tornozelos e alcançando através da fenda da cueca para agarrar seu pênis. — Oh, merda. — Ele rosnou, puxando-me para ele. Seus lábios estavam em meu ouvido e o estrondo de sua voz exigiu persistência. E eu fiz. Eu o acariciava e acariciava enquanto ele grunhia, empurrando-me para trás e espalmando a bochecha da minha bunda, segurando-a sempre que ele fazia um chiado através de seus dentes. Porém, eu senti como se algo estivesse faltando. Algo que sempre ficava ausente. Excitá-lo estava ficando velho e jogado fora. Eu tinha certeza que ele teve muitos trabalhos manuais antes. Outro pensamento impertinente veio à mente e eu tinha certeza de que ele tinha muito desses também, mas eu fui para isso. Caí de joelhos, correndo as palmas das minhas mãos para baixo de suas coxas levemente peludas. Quando eu parei de baixar, olhei para cima e ele estava me olhando, observando com olhos de falcão. Aqueles olhos estavam me implorando para fazê-lo, quase suplicando. Sua ereção na minha frente já estava esperando. Esperando por mim para completar uma tarefa que eu nunca tinha feito antes. Lambi uma vez e ele estremeceu. Lambi de novo e de novo. Isso era novo, mas ele parecia estar gostando, então não me incomodei em parar. Eu queria que ele estivesse pronto como eu estava. Isso acabava comigo com o tanto quanto lhe agradava. Eu amei a visão dele apertando os olhos fechados. Eu amei a sensação de sua mão agarrando meu cabelo, movendo a cabeça para trás e para frente. Eu 69


amava o jeito que ele sussurrou meu nome entre os dentes enquanto gemia. Estava quente e tentador em todos os sentidos. Eu queria assumir o comando depois de conquistar algo que pensei que nunca faria. Quer dizer, eu não era uma profissional, mas acho que foi bom o suficiente para ele. Gage assobiou novamente, mas agarrou meu braço e puxou-me para cima. Ele não falou quando esmagou meus lábios, deslizando sua língua em minha boca e me puxando para perto. Ele me pegou em seus braços e se virou. Minha bunda caiu no balcão de mármore frio e ele ofegou bruscamente, arrancando seus lábios longe e rosnando enquanto puxava minha camisa sobre a minha cabeça. Ele desabotoou o sutiã logo depois, jogando-o no chão, e então me deslizou mais perto. Eu gemi quando sua ereção conhecia minha entrada e ele se moveu, pressionando os lábios no canto da minha boca. — O que aconteceu com a minha Doce Ellie, huh? Eu solucei. Ele estava protelando propositadamente. Estava me fazendo implorar com o meu corpo e era uma pena que estava ganhando. Eu estava doendo por baixo, tentando ter toda a sua extensão dentro de mim, mas sempre que se aproximava, ele puxava de volta. Gage apertou ambos os lados do meu rosto e lambeu meu lábio inferior. Seus dentes suavemente roçaram e este gemido saiu muito mais pesado. Ele, então, beijou-me, puxando-me pelos meus quadris e deslizando dentro de mim o tempo todo. Engoli em seco atrás de seus lábios, apertando um braço em volta de seu pescoço e pressionando a palma da minha mão sobre o mármore atrás de mim. Gage bombeando para dentro de mim e as coisas ficaram mais quentes, fumegantes e penetrantes. Eu estava ofegante e gritando, ele estava assobiando e roncando. Ele acertou todos os pontos certos e cada vez que fazia, eu gritava. Eu estava tão perto do clímax, e ele sabia, porque pegou o ritmo. Ele agarrou minha bunda, puxando-me para mais perto, aprofundando seus golpes. Suor construiu entre nós, alguns escorrendo no peito e brilhando sob a luz fluorescente acima. — Venha para mim, Ellie. — Ele murmurou em meu ouvido, sua respiração grossa perfurando a minha pele molhada. Sua voz. Droga, não era apenas algo sobre ele. Algo que me deixava louca. Era tão profunda, tão hipnotizante. Eu comecei a tremer mais em seus braços e ele murmurava em meu ouvido. Minhas pernas tremeram violentamente ao redor dele enquanto ele empurrava dentro e fora de 70


mim, resmungando em meu ouvido, e roçando os dentes em meu ombro. — Tão perto. — Ele murmurou. Eu gemi escandalosamente então. Quebrei e fechei meus olhos, observando a explosão das estrelas explodindo, se espalhando por todo o céu noturno mais uma vez. Oh, eu amava esse sentimento. Este sentimento livre. Tudo se foi. Não havia preocupações ou dificuldades. Era tão bom como gritar com nada além de prazer. Gage fez um último silvo e rosnou, então me puxou para perto, tremendo e tremendo ao liberar seu calor. Minhas paredes latejavam em torno dele, mas era agradável. Eu sorri por cima do ombro, desfrutando da paz que encheu a sala. Depois de um tempo, Gage saiu de mim e me ajudou a sair do balcão. Nós concordamos em tomar um banho juntos e, claro, fizemos sexo de novo, mas desta vez foi diferente. Fizemos amor contra a parede do chuveiro e foi celestial. Ele me beijou inteira. Ele até me lambeu na parte mais doce de todo o meu corpo. Eu adorei, mas algo estava diferente. Notei como Gage mal falava. Ele olhava nos meus olhos, mas não por muito tempo. Eu estava provavelmente muito presa no meu transe de sexo para notar, mas algo estava acontecendo. E eu não tinha certeza se isso era bom ou ruim. Fizemos amor incrível, mas depois de nos secar e nos colocarmos em roupas mais confortáveis, ele ainda não tinha dito nada. Gage estava deitado atrás de mim e meus quadris estavam enterrados nele. Sua respiração corria pela curva do meu pescoço e seus dedos estavam entrelaçados com os meus, descansando em meu estômago. Ele colocou beijos suaves no lóbulo e na parte superior do meu ouvido quando ouvimos os carros passando por fora da janela da varanda. Finalmente, Gage falou, e ouvir a sua voz trouxe alívio à minha consciência insegura. — Eliza. — Ele sussurrou, acariciando as bordas do meu cabelo. — Sim. — Eu sussurrei de volta quando ele beijou minha testa. Ele ficou em silêncio por um momento desconfortável. Seu hálito quente correu na minha bochecha e não muito tempo depois, ele suspirou e me puxou para ele ainda mais. Ele puxou os cobertores em cima de nós e eu empurrei um pouco para trás, apreciando nosso abraço quente e carinhoso. — Eliza, eu te amo. Não importa o que aconteça. — Gage finalmente disse, beijando minha bochecha.

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Virei-me em seus braços para encará-lo. Deslizei para mais perto e ele passou o braço em volta de mim novamente, beijando minha testa. Ele sorriu, era fraco, mas era um sorriso. Inclinei a cabeça para cima e pressionei a boca na dele. Seus lábios aveludados consumiram os meus quando ele agarrou meu rosto, acariciando todo o meu corpo com as mãos. Nossos lábios se separaram e nossas línguas se moldaram quando estávamos ofegantes, o calor subindo e construindo sob os lençóis. Eu finalmente quebrei o beijo, sabendo que, se fôssemos continuar, outro banho teria que ser arranjado. Suspirando, conectei meu braço em volta da cintura de Gage e o beijei. — Eu também te amo, Gage. Eu sempre amarei. Ele sorriu, seus dentes brilhando pelas fendas do luar derramando pela janela varanda, e então ele me puxou para perto, beijando minha testa mais uma vez quando eu me aconchegava contra seu peito de pedra. Não foi muito tempo antes de nós adormecermos e foi o sono mais tranquilo que eu tive em muito tempo.

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DESAPARECIDO a manhã seguinte, o lado esquerdo da minha cama estava mais frio do que deveria ter estado. Corri meus dedos pelos lençóis, abrindo lentamente os meus olhos, meus dedos vagando para o corpo quente que estava ao meu lado na noite anterior. Saltei para o alto, olhando para o lado vazio da cama. Balancei minhas pernas em volta e pousei-as na borda do colchão, agarrando meu short e camiseta regata do chão, e, em seguida, esfreguei os olhos. Imaginei que Gage devia ter acordado cedo, então verifiquei o banheiro primeiro. Estava escuro e vazio. Saí do quarto, fazendo a volta para a cozinha. Infelizmente, estava vazia também. Chequei a sala, nem sinal dele. Meu coração bateu um pouquinho mais pesado quando eu abaixei ao virar da esquina e verifiquei o chão, no lado esquerdo da cama. As malas não estavam lá. Nada estava lá. Estava vazio. Pânico veio à tona, mas o balancei, pressionando meus lábios e procurando no armário por uma toalhinha. Talvez ele só saiu para um café da manhã, pensei. Ele me disse que suas férias estavam chegando ao fim neste fim de semana e estaria indo de volta para se reunir com sua banda e começar a sua nova temporada em breve. Talvez ele saiu mais cedo. Eu tentei pensar nada sobre seu desaparecimento. Eu tentei pensar positivo. Eu tomei uma respiração profunda quando a água quente jorrou para fora e lavei meu rosto. Eu encontrei uma roupa passada para o dia, e em seguida me dirigi para a cozinha para fazer alguns ovos mexidos. Porém, o tempo todo, eu estava preocupada. Ontem à noite ele estava agindo assim... Fora do normal. Eu sabia que deveria ter perguntado a ele o que estava acontecendo, mas realmente parecia que ele queria ficar perto de mim. Não me pareceu ser o seu problema. Outra coisa estava em sua mente. Eu queria perguntar, mas a nossa noite estava indo tão perfeitamente. Eu não queria arruiná-la. Eu suspirei, jogando meus ovos em uma tigela e sentei à mesa. Meu celular estava sobre a mesa e um pensamento impulsivo me veio à mente. Ligue para ele. Sim, isso é o que eu faria. Ligar para ele. Talvez ele tivesse que encontrar alguém em algum lugar. Talvez ele tivesse

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algumas coisas para cuidar. Ele tinha posto o seu número no meu telefone por um motivo. Era melhor dar-lhe um toque. Peguei o telefone e disquei. Eu respirei fundo quando o telefone tocou no meu ouvido e eu olhava para a minha refeição amarela quente. Com cada toque, meu coração bateu nos meus tímpanos. Por que diabos eu estava me preocupando tanto? Talvez porque eu sabia que alguma coisa estava acontecendo. Talvez porque conhecia Gage, e ele nunca iria pegar todas as suas coisas e ir embora sem me dizer para aonde estava indo. E talvez porque o telefone foi para a caixa postal depois da minha quarta tentativa de chamada. Eu coloquei o meu telefone para baixo, comi meus ovos, e depois fui para o meu banheiro para escovar os dentes e me vestir. Eu não poderia estar atrasada de novo, mas isso me incomodaria, até que o ouvisse de volta. Em vez de pensar sobre isso, peguei minhas chaves, minha carteira, minha mochila e meu almoço, e em seguida, corri para fora do apartamento, trancando-o atrás de mim.

Ainda bem que meu dia foi ocupado. Eu fiz um monte de trabalho com Monica e Kelsey, mais Kelsey do que Monica. Monica ainda estava sendo uma pirralha com ciúmes, especialmente quando Frank descia e me cumprimentava por um novo desenho ou design gráfico para FireNine. Eu não estava preocupada com Monica, no entanto. Eu não ligava para seus olhares ou comentários inteligentes. Já era ruim que estava trabalhando em uma tonelada de coisas FireNine. Era um lembrete claro de que estava chateada com Gage. Eu chequei meu telefone cada vez que tive a chance e não havia nada. Eu mesma liguei no meu horário de almoço, ainda sem resposta. Coloquei meu celular em minha bolsa e voltei a comer. Eu não tinha percebido que estava franzindo a testa até que Kelsey entrou na sala de descanso com um romance paranormal grosso dobrado debaixo do braço, os óculos sentados na ponte de seu nariz antes dela os empurrar. — O que é essa atitude de hoje, garota? — Ela perguntou, sentada na minha frente. Eu me animei quando ela tirou um sanduíche. — Eu estou bem. — Eu menti. — Psshh. — Ela revirou os olhos, mordendo um enorme pedaço de seu sanduíche. — Isso — disse ela, segurando sua mão para fora e apontando para mim com a boca cheia, — Não é bom. Você está pulando fora. O que aconteceu? 74


— Nada. É apenas um daqueles dias. — Como foi o almoço com Gage ontem? Ouvir seu nome me fez estremecer. Ela não viu, no entanto. — Foi muito bom. — O almoço foi ótimo, mas ontem à noite foi ainda melhor. Eu não queria pensar nisso. Eu não queria que ele dormisse comigo e depois fosse embora. Nós não éramos uma coisa de uma noite só antes, por isso não seria agora. — Ótimo? O que te fez na noite passada? — Kelsey, podemos mudar de assunto, por favor? — Perguntei bem, eu queria perguntar. Isso saiu parecendo mal-humorado ao invés. — Estou apenas não querendo falar sobre a noite passada... Ou ontem. Período. — Ah... Sim. Claro. Sinto muito. — Kelsey me olhou com olhos castanhos simpáticos. — Quero dizer... Bem, se há alguma coisa que você quiser falar, estou aqui para ouvir, você sabe, quero dizer, não agora, mas mais tarde talvez. Eu estou aqui. Eu sorri agradecida. — Obrigada. Sei que você está e isso significa muito para mim. Kelsey forçou um sorriso e começou a comer seu sanduíche novamente. Ela abriu o livro para ler, e eu estava feliz que ela não falou mais nada durante a nossa pausa. Ela leu o tempo todo enquanto eu girava sobre a minha escolha de ensopado. Era difícil comer quando Gage estava correndo pela minha mente. Um monte de merda estava acontecendo lá dentro, que não pude controlar. Foi este um troco para o que eu fiz com ele no verão passado? Ele estava tentando fazer me apaixonar por ele mais uma vez e, em seguida, sair sem um compromisso formal de adeus? — Oh, Deus. — Eu gemia, e eu estava feliz Kelsey não estava mais na sala de descanso, porque ela definitivamente teria comentado sobre o meu desabafo sombrio. Isso era ruim. Realmente ruim.

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TRABALHO ERA TRABALHO. heguei em casa e vesti uma confortável calça de yoga e um top. Escolhi uma refeição leve de Frosted Flakes1 e achei que assistindo Looney Tunes ajudaria a limpar a minha mente. Meu celular estava sobre a mesa de café e dei uma olhada para ele a cada poucos minutos. Nenhuma chamada. Nenhuma mensagem. Nada. Era definitivamente tempo para me preocupar. Isso não era como Gage, e eu odiava como estava ficando incomodada. Eu não queria ligar de novo e parecer desesperada, mas, novamente, precisava saber o que estava acontecendo e para onde ele tinha ido. Peguei o controle remoto e desliguei a TV. Eu estava de pé, peguei meu telefone, e fiz meu caminho em direção ao meu quarto. Do meu ponto na beira da minha cama, podia ver os topos dos carros que passavam. Estava chovendo mais uma vez e trovões caíam. Os carros montavam ao longo das estradas escorregadias, e eu até ouvi algumas pessoas gritando por táxis. Era um tipo de calmante. Acho que foi porque isso provou que eu estava acordada e não sonhando. Eu olhei para baixo, segurando meu telefone na mão. Eu não sei quanto tempo olhei para a tela, mas depois de alguns minutos de debate, virei a tela, disquei o número de Gage, e apertei o receptor no meu ouvido. O telefone tocou. Ele tocou de novo. E mais uma vez. E uma última vez antes de chegar a sua caixa postal. Era melhor deixar uma mensagem, apenas no caso de que ele estivesse ocupado, então eu disse: — Gage. Oi. É Eliza... Hum... Você provavelmente já sabe que sou eu. — Eu ri. Eu me senti tão piegas dizendo isso. — Olha, eu estou preocupada com você. Eu não achava que você sairia tão cedo de manhã ou tão rápido, mas se algo surgiu com a banda, eu entendo. Apenas me dê uma chamada quando você estiver livre. Eu... Te amo. Muito. — Eu suspirei, baixando a cabeça enquanto as lágrimas picavam nas bordas dos meus olhos. Eu queria lutar contra o sentimento negativo tomando conta de mim, mas era 1

Sucrilhos

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impossível. A cada hora, desaparecia. — Boa noite.

a

minha

positividade

nesta

situação

Eu desliguei o telefone e apertei a ponte do meu nariz com o polegar e o indicador. As lágrimas ainda estavam queimando meus olhos, mas me recusei a chorar, assim, os fechei e permiti que minhas pálpebras se refrescassem do calor. Era melhor apenas ir para a cama. Talvez ele foi pego com o trabalho. Ele era famoso, depois de tudo. Eu não sei por que sempre esquecia que ele não vivia uma vida normal. Ele nem sempre tem tempo para verificar seu telefone ou responder às suas chamadas. Talvez ele tivesse que tomar um voo para algum outro Estado que era há poucas horas de distância e seu telefone estava desligado. Fosse o que fosse, estava esperando que ele me respondesse e fizesse essa preocupação ir embora. Apenas.

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NOITE DAS MENINAS u trabalhava sozinha no dia seguinte. Gostei da minha temporada pendurada com Kelsey, mas ela era uma daquelas pessoas que sempre eram simpáticas, com olhares preocupados, e eu odiava aquilo. Odiava quando as pessoas se sentiam mal por mim. Eu estava bem. Ainda estava segurando. Eu estava bem. Isso só tinha sido um dia. Era sexta-feira à tarde e estava feliz porque precisava do fim de semana para limpar a minha cabeça. Depois que terminei o meu dia no vigésimo nono andar, arrumei minhas coisas e joguei minha bolsa no meu ombro. Antes que eu pudesse virar, bati direto em Monica. — Desculpe. — Eu murmurei, recuando rapidamente. Monica me olhou, cruzando os braços sobre o peito, o cabelo lavanda brilhante das luzes fluorescentes acima. Ela estava com um maxi vestido preto, botas pretas, e sua maquiagem realmente estava ótima. — Não se desculpe. — Ela disse, desdobrando seus braços. Ela deu um passo ao meu redor e se sentou na beirada da minha mesa. Virei-me, olhando-a discretamente. Alguma coisa estava acontecendo. O que diabos ela queria? — Olha. — Coloquei meu polegar sob a alça da minha mochila. — Se você está aqui para me incomodar, ficar com raiva de mim, pegar no meu pé, ou até mesmo me odiar por trabalhar aqui, não venha. Sinto muito que se sinta como se eu fosse a concorrência aqui, mas não sou. Estou aqui para nenhuma coisa senão para trabalhar e ganhar a vida e um futuro para mim. Não quero Frank e ele definitivamente não é meu... — Whoa, pare agora. — Monica riu, me cortando no meio da frase. — Não fique com essas calcinhas todas em seu rabo, menina. Eu suspirei, baixando meu olhar. — Tudo bem. — Ela pegou um clipe da minha mesa e inclinou-o para trás. — Eu fui uma grande puta. Sim, pensei que você estava tentando roubar meu homem, embora, e sinto muito. Sou muito... Protetora sobre o que é meu. Frank e eu somos muito mais do que parece. Temos visto um ao outro por quatro anos.

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Meus olhos se expandiram chocados. — Tudo isso? — Eu sussurrei. — Yep. — Ela sorriu, obviamente orgulhosa que tenha durado com ele. — Frank é um cara doce e ontem à noite, quando estava na casa dele, conversamos... Sobre você. No começo pensei que ele me diria que ele estava interessado em você e eu fiquei puta... Joguei algumas coisas em suas bolas, mas no final acabei massageando-as para ele. Engoli em seco. Uau. Ela não tinha filtro algum. — De qualquer forma, Frank queria me pedir desculpas. E quer saber o que eu pensava a princípio? — Ela perguntou, olhando para mim. Eu pressionei meus lábios. Ela inclinou o clipe novamente e cruzou as pernas. — Eu pensei “Foda-se ela.” Não daria uma merda sobre você... Mas então percebi o quão inocente você era. E então, depois de assistir alguns programas de TV de fim de noite, percebi exatamente quem você era. Meus olhos se estreitaram. — O que você quer dizer? — Meu tom foi cauteloso. Será que eu realmente quero saber? — Quero dizer, sei quem você é. Sei por que FireNine é tão importante para você. Sei por que Frank lhe deu este estágio. Para Gage Grendel. Você o ama. Você é a garota que “fugiu”. — Monica revirou os olhos, fazendo aspas no ar com os dedos. Eu balancei minha cabeça, acenando com ela. — Gage e eu somos apenas amigos. — Sim. — Ela zombou. — E eu não sei como dar um bom boquete. Ok. Embaraçoso. Porém, novamente, ela parecia como uma profissional da cama. Frank não estava com ela sem nenhum motivo. — Olha, vim aqui para pedir desculpas. Não vou ser uma cadela para você, não vou incomodá-la, e não vou ser uma espertinha com você. Você é uma menina muito talentosa e acho que, apesar do fato de Gage ser viciado em você, você merece estar aqui tanto quanto o resto de nós. Eu sou uma garota invejosa, e quando vejo Frank todo sorridente e sedutor, eu me torno... vadia. E ele sabe disso. Ele gosta do meu lado feroz. Acho que fez isso de propósito. — Ela saiu da minha mesa, sorrindo quando largou o clipe de papel no lixo. — Uh... Obrigada. — Eu disse. 79


— Não há de quê. Se precisar de ajuda, pergunte-me. — Ela passou por mim e fez o seu caminho para fora da porta, mas antes que virasse a esquina, olhou por cima do ombro para mim. — E... Hum... Sei o quão difícil deve ser para você namorar alguém como ele. Você é tão tranquila e doce. Eu te vi ontem e esta manhã, e não sei o que diabos está acontecendo, mas sei que é ruim. E temo que você vá perder seu toque por isso. Não. Atenha-se ao que você ama. Segure-se. Às vezes, algumas pessoas não valem a pena o sacrifício, mas se valerem, você saberá. Monica forçou um sorriso para mim e, em seguida, saiu, desaparecendo ao virar da esquina. Eu respirei fundo, olhando para o piso do chão. Meus olhos encheram de lágrimas, mas balancei a cabeça e peguei minhas chaves da minha bolsa. Corri para fora do escritório temporário que compartilhei com Kelsey, trancando-o atrás de mim, e depois fiz o meu caminho para o elevador mais próximo, esperando que ninguém que eu conhecesse fosse correr para mim e tentar falar comigo. Eu só queria ser deixada sozinha. Quando cheguei em casa, sabia que tinha que terminar o projeto que Monica tinha me mandado. Tanto quanto amava meu trabalho, odiava esse projeto pois ele lidava com FireNine... Tudo o que tinha lidado com a banda. Não poderia suportar isso, mas era o meu trabalho dos sonhos e tinha que ficar com ele. Porém, esta noite, sabia que ficaria cada vez mais difícil de suportar. Peguei minha câmera e laptop e sentei-me à mesa. Respirando fundo, eu liguei o laptop, conectando o cabo USB na minha câmera, e, em seguida, abri o arquivo onde as imagens iriam ser encontradas. E no começo estava bem. Encontrei algumas fotos de Gage que viria a calhar para o projeto e as imprimi. Estava firme, e estava orgulhosa disso, isto é, até que chegou a imagem que eu tinha tirado de nós juntos. Ele estava de pé ao meu lado, seu rosto no meu, sorrindo carismaticamente. E eu estava... Feliz. Era estranho como a merda virou de cabeça para baixo depois disso. Doía pensar. Era como se uma faca tivesse sido penetrada no meu peito e afundasse mais e mais enquanto olhava as fotos. Continuei passando por elas, porém, vendo as imagens que Gage tirou de mim. Elas eram boas, mas a cada passagem, as lágrimas agrupavam em meus olhos. Meu coração estava batendo, palmas suando, lembrando o que aconteceu depois da nossa pequena sessão de fotos. Como nos beijamos apaixonadamente, fizemos amor, sorrimos... Não havia nada que pudesse dizer. Não podia sequer pensar com clareza. Eu estava apenas... Machucada. Quebrada. As 80


lágrimas pingaram em cima da mesa e quebrei, cruzando os braços e enterrando meu rosto dentro deles. Nunca fui uma chorona, mas este era o momento de chorar, o tempo para deixar tudo ir. Não podia evitar. Não sabia o que tinha feito de errado. O que aconteceu? Estávamos indo tão bem e estava pronta para finalmente fazer essa coisa com ele. Eu acho que ele não estava. Eu estava uma bagunça nas próximas duas semanas. Eu estava dopada de café, donuts, e qualquer coisa que pudesse adoçar a agonia. Eu quase não falei com Kelsey, porque ela ficava me dando olhares preocupados, e por algum motivo estava ficando cada vez mais perto de Monica. Ela, na verdade, não era tão ruim para uma menina quando cheguei a conhecê-la. Ela era uma aberração no quarto, no entanto, e gostava de entrar em detalhes sobre como fazer um boquete ou como montar em um homem, mas eu podia lidar com isso. Eu estava feliz que ela estava mais para um tipo de pessoa autocentrada e não perguntava sobre como eu estava passando. Eu não sabia quem eu era. Não sabia no que estava me tornando, mas sabia que não estava feliz, a simples Eliza Smith que fui uma vez. Eu estava com raiva e amarga. As pequenas coisas me irritavam e às vezes eu chorava à noite, porque cheirava Gage no lado esquerdo da minha cama, mesmo depois de ter mudado os lençóis. Doía. Isso estava me matando. Ele estava, provavelmente, dando-me o troco por quebrar seu coração. Agora eu sabia o quão ruim ele deve ter se sentido sobre mim. Não é como se eu não me machucasse, porém. Eu fiz. Eu sentia falta dele todos os dias. Eu pensava nele todos os dias. Eu o queria a cada. Único. Dia. Ele foi meu primeiro em um monte de coisas, então é claro que não estava indo apenas para passar por cima disso. Durante a minha hora de almoço, alguns dias depois, Kelsey finalmente decidiu desistir e me importunar. Ela estava fazendo um bom trabalho em me dar o meu espaço e pude apreciar isso, mas sabia que ela estava de saco cheio com isso. Ela entrou na sala de descanso com um recipiente de comida na mão. Depois de colocar a comida no micro-ondas pressionando alguns botões, ela virou-se e forçou um sorriso para mim. — Ainda não vi Gage voltar a AG até agora. — Disse ela. — Yeah. Eu sei. — Baixei a cabeça, concentrando-me no meu livro de terror. O romance não era o que eu queria ler. Nada sentimental. Eu estava mais do lado violento. Kelsey suspirou e, em 81


seguida, o micro-ondas apitou. Ela não se incomodou em abrir. Em vez disso, ela se sentou ao meu lado, pegou o meu livro, e o deslizou por cima da mesa. — Hey! — Eu fiz uma careta, olhando para ela e para o meu livro. — Diga-me o que diabos está acontecendo. — Ela retrucou. — Sério. Eu te vejo por aí com Monica, a cadela egoísta, em vez de mim. Você tem sacos sob seus malditos olhos como se você não tivesse dormido por dias. Você não está realmente comendo nos intervalos do almoço. Só lê, toma café bunda-suja, desenha ou pinta. — Ela jogou os braços no ar, os dobrou e se sentou. — Eliza, sério. Eu sei o que é este olhar. Eu sei que está doendo. Eu vivi isso por 385 dias antes de finalmente conseguir superar isso. Eu vou entender se você acabar dizendo isso. — Eu não sei o que você está falando. Por favor, me dê o meu livro. — Eu apontei para o meu livro, mas ela o empurrou mais longe. — Não até que você derrame. — Eu não quero. Estou tentando não pensar sobre isso. — Você não tem que pensar. Basta dizer. — É difícil dizer em voz alta. — Eu tomei uma respiração profunda e, em seguida, estendi a mão sobre a mesa para o meu livro novo. Antes que pudesse agarrá-lo, Kelsey bateu minha mão para trás, sacudindo a cabeça e empurrando os óculos para cima da ponte de seu nariz. — Olhe para mim, Eliza, e me diga o que ele fez. Eu não conseguia olhar para ela, e não podia suportar sua simpatia. Isso estava me fazendo desmoronar e eu não tinha necessidade de desmoronar. Eu estava indo bem. Não falar ou pensar sobre isso estava me fazendo bem... Pelo menos eu pensava assim. Eu estava entorpecendo a sua ausência. Era tão bom quando não pensava nisso. — Kelsey, eu — Eu tomei outra respiração profunda. — Eu realmente sinto muito que tenha evitado você. Eu só sei que se estiver perto de você, vou quebrar e lhe dizer. E então, se eu te contar, vou começar a pensar nele de novo e eu não quero. Kelsey permaneceu em silêncio. Era como se soubesse que eu lhe diria de qualquer maneira. — Ok. — Eu respirei após um silencioso dez segundos. — Gage não falou comigo desde que almoçamos e saímos. Silêncio. — O que você acha que está fazendo? Eu ouvi que a banda está fazendo um novo CD. Montana twittou ontem. 82


— Sim, mas ele só gastaria o quê? Dez segundos para me dar uma chamada de volta? — Eu respondi para ela. Eu não queria. Eu realmente não queria. — Eu sinto muito. — Minha voz falhou. — Eu estou sendo uma cadela. Sinto muito. Eu estou apenas ... — Foda-se! Pensar nele me rasgava ao meio. — Eu só estou preocupada como o inferno. Você sabe que meu pai é o seu empresário e eu liguei para ele, mas ele disse que não vai ver os meninos por mais uma semana ou assim quando o seu período de férias terminar. — Oh. — Voz de Kelsey estava cheia de tristeza. Ela colocou a mão em cima da minha e olhei para ela debaixo dos meus cílios, sentindo as lágrimas nos cantos dos meus olhos implorando para cair. Recusei-me a permitir isso. — Hmm... Talvez devêssemos fazer desta noite uma noite das meninas. Podemos vegetar por algumas pizzas, sorvetes, donuts, até mesmo assistir filmes engraçados. Você escolhe isso. Quero falar com você sobre isso. Acho que posso ajudar, se não for muito, então um pouco. — Ela sorriu de orelha a orelha e sorri de volta, mas, em seguida alguém limpou a garganta da porta e os nossos olhares desviaram para Monica que estava parada com os braços cruzados. — A pausa para o almoço acabou, cadelas. Nós temos um projeto para terminar. — Disse ela, entrando na sala. Nós suspiramos, pegando nossas coisas e de pé perto da mesa. — Mas — Monica disse, sorrindo, — Se vocês me convidarem para coisa desta noite das meninas, eu vou deixar você terem mais vinte minutos. Iluminei-me com alívio, assistindo a uma forma de sorriso nos lábios de Monica. Então eu olhei para Kelsey que estava franzindo a testa para Monica. — Você é uma coisa intrometida, hein? — Ela murmurou, puxando a cadeira para trás e sentando novamente. — Há quanto tempo você estava ouvindo? — Eh. — Monica deu de ombros. — Fica chato como o inferno por aqui algumas vezes. E se estamos sendo honestas, talvez o tempo todo. — Ela agarrou meu saco de batatas fritas, abriu, e colocou uma em sua boca. — Então sou bem vinda ou não? Frank vai sair da cidade para alguma reunião e vou ficar sozinha. Sem trabalho em casa ou trabalho para fazer até amanhã... E eu poderia ter uma boa noite de meninas. — Claro. — Eu disse. — Eu não sei. — Disse Kelsey ao mesmo tempo. — O que quer dizer com você não sabe? — Perguntou Monica, olhos arregalados, franzindo a testa. — Sério, Kelsey. Eu não vou 83


estragar nada. Eu vou ser doce. Eu sou o tipo mudada. Pergunte a Eliza. Eu não sou mais uma cadela para ela. — Mas você ainda é uma cadela. — Kelsey rebateu, bufando sobre a comida. — Seja o que for. — Monica acenou com ela. — Nós estamos indo para a casa de Eliza, né? Como ela disse que sim, eu posso ir, então vou estar lá. Por volta das sete? Eu ri. — Sete é perfeito. — Ótimo. — Monica deixou cair o saco de batatas fritas e bateu as mãos em cima da mesa, empurrando a cadeira. — Nós vamos começar tirando esse filho da puta da sua mente. — Ela me disse, levemente repreensivo. — Hoje a noite vai ser divertido. Forcei um sorriso antes dela se virar e sair. — Ugh. — Kelsey balançou a cabeça. Eu ri. — O quê? — Sério? Monica de todas as pessoas? — Ela está bem. Prometo. Não acho que será chata quando formos só nós. — Vamos ver. — Kelsey murmurou, comendo seu macarrão. — Mas eu juro que se ela falar sobre chupar Frank - como ela diz, “bolas incríveis e longo pau” eu vou embora. — Ela fez aspas com os dedos e comecei a rir. — Ele é sexy e tudo, mas essa garota não tem classe alguma. Eu não preciso saber todos os detalhes sexuais sobre meu chefe. Meio que me deixa estranha quando o vejo agora. Tudo o que posso imaginar é Monica pendurada nele e chupando o pau dele. Ela realmente estava me matando. Eu não pude deixar de rir porque vendo Frank me deu a mesma visão. Talvez isso fosse o que eu precisava. Sair com as meninas. Indivíduos que conseguiam entender a minha dor. Sabia que seria uma boa noite com elas... Pelo menos esperava que sim.

Meu motivo: fazer uma noite divertida e não pensar em Gage Grendel. Era um motivo inteligente, e era o melhor a fazer, já que as meninas estavam vindo. Eu liguei para Ben logo que cheguei em casa e disse-lhe sobre minha pequena noite das meninas. 84


— Oh, Liza Bear, isso é ótimo! Estou tão feliz que você está jogando limpo aí em cima. — Disse ele. Eu ri, puxando para baixo uma grande tigela de pipoca do gabinete. — Eu sempre jogo limpo. — Não com as meninas. Eu ri porque sabia exatamente ao que ele estava se referindo. Minhas lutas de gaiola não-tão-agradáveis. — Qualquer que seja. Então, como é o Havaí? — Hawaii é in-crí-vel, Liza. Você teria amado isso. — Eu tenho certeza. — Sorri. Havia uma coisa que eu nunca disse a Ben. Eu não lhe disse que Gage não tinha falado comigo por um tempo. Eu não queria drama entre eles, e por algum motivo isso parecia ser a melhor coisa a fazer. Eu estava crescida. Eu não precisava arrastar o meu pai gay dramático em nossos problemas. — Então, como foi seu fim de semana com Gage? — Perguntou Ben. Eu parei de abrir a caixa de pipoca, meu pulso parou. Então respirei fundo, balançando a cabeça. — Foi bom. — Só bom? — Eu poderia dizer que ele estava franzindo a testa no outro lado. — Sim. Só bom. Ele saiu no dia seguinte. — Ah, é? Bem, espero que tenha sido divertido. Parece que você está chateada com isso. Eu pressionei meus lábios. Eu estava além de chateada. Eu estava irada! Era melhor deixar Ben fora, no entanto. — Eu estou bem. — Forcei uma risada e perguntei-lhe sobre o novo cara com os olhos azuis penetrantes que ele estava falando. Ben esqueceu completamente o meu humor sombrio e entrou em todos os detalhes sobre a personalidade do novo homem. O nome do cara era Leo Clark e ele era um dos coordenadores da gravadora dos meninos. De acordo com Ben, Leo tinha perguntado-lhe em primeiro lugar, mas conhecia o meu pai. Para chamar a atenção, ele flertava muito. Honestamente, ele flertava melhor do que eu. Ele e Leo tinham se falado por cerca de quatro meses. Era fofo. Pelo menos alguém estava feliz. — Bem, Liza, eu tenho que ir. Eu tenho uma chamada de telefone para fazer e então vou correr para a praia para aproveitar um pouco mais do sol. Eu te amo e espero que você tenha uma boa noite com suas novas amigas! 85


— Eu vou. Obrigada, Ben. Eu amo você, também. Eu terminei a chamada e então suspirei, cruzando os braços e inclinando minhas costas contra o balcão. Realmente precisava que as meninas viessem essa noite. Estava cansada de pensar sobre Gage. Minha motivação era tirá-lo da minha mente e sabia que, para fazer isso, tinha que agir como se nada estivesse errado comigo. Em vez de enrolar, coloquei um saco de pipoca no micro-ondas, saí da cozinha para entrar na sala de estar, escolhi uma mistura aleatória de Fall Out Boy e Paramore, e então pulei no chuveiro. Era hora de começar de novo. Tempo de me divertir e ser feminina... O que fosse.

Kelsey chegou primeiro com uma pilha de filmes e um saco de dormir. Assim que ela entrou no meu apartamento, colocou as coisas, então me puxou para um abraço. — Como está se sentindo? — Ótima. — Eu sorri, puxando para trás para olhar em seus olhos. Pelo menos ela não tinha mais o olhar simpático. — Então, ouça. — Disse ela, batendo palmas. Ela foi para a pilha de filmes, mas depois parou , batendo palmas de novo, fazendo algum tipo de dança louca. — Oh merda! Eu amo essa música. OneRepublic, certo? Seu novo CD é incrível. Eu sorri para ela. — Yeah. Eu os amo muito. Eles são demais. — Ok, que seja. — Ela pegou alguns filmes e examinou-os. — Eu tenho a primeira temporada de True Blood, a primeira e segunda temporada de The Vampire Diaries, e a primeira temporada de Teen Wolf. Tentei ficar longe de todas as coisas sentimentais realmente. Peguei os filmes dela. — Hum... Talvez pudéssemos começar com True Blood. Parece o mais intenso. — Yeah. Claro que sim. Ah, e também... — Kelsey se virou e foi para a bolsa da noite. Procurou por ela e, em seguida, tirou uma caixa, com um sorriso de orelha a orelha. — Estamos fazendo brownies. Vamos. Chocolate apaga todos os problemas. — Ela fez um gesto em direção à cozinha e eu ri, seguindo atrás dela. — Você está realmente colocando um grande esforço para hoje à noite. — eu disse, chegando até o gabinete para pegar uma tigela. — Eu me sinto idiota desde que tudo o que eu pensei em fazer foi pipoca.

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Kelsey explodiu com uma risada, pegando a tigela de mim e colocando-a sobre o balcão. — Bem, não esperava mais de você. Você não parece o tipo de garota que pensa sobre cozinhar. — Você me pegou. — Eu suspirei, sorrindo enquanto pegava todos os ingredientes de que ela precisava. — Portanto, antes que Monica possa chegar aqui e se intrometa... — Kelsey começou, colocando um ovo fora da caixa. — Acho que talvez devêssemos falar sobre por que estou aqui. — Você quer falar sobre Gage? — Murmurei, pulando em cima do balcão. Eu balançava meus pés quando Kelsey concordou e pediu uma colher. Eu puxei uma fora da gaveta e entreguei a ela. — O que tem ele? — Por que ele simplesmente te deixou assim? — Ela perguntou. — Você está me perguntando? — Zombei. — Realmente não sei. E isso é uma merda, pois nas últimas duas semanas venho tentando descobrir o que diabos fiz de errado, o que foi que o fez ir. Eu não quero pensar que fui eu. Eu não quero assumir que ele está tentando me esquecer. Kelsey, na noite antes de ir, Gage estava agindo assim... Por fora. Ele mal falava, mas me observava. Ele me deixou dormir em seus braços e ele mesmo me disse que me amava e sempre amaria, antes que eu adormecesse... Mas então recebo isso? O tratamento de silêncio? — Eu pulei do balcão e comecei a andar para trás de Kelsey enquanto ela misturava a massa de brownie. Ela permaneceu em silêncio. — E você quer saber o que eu acho? — Perguntei. — O quê? — Sua voz era fraca. Ela provavelmente não esperava que eu começasse pela ferida e ficasse irritada por isso. Porém, estava segurando isto por duas semanas e dane-se se não me sentia bem por dizer o que tinha estado pesado na minha mente. — Eu acho que ele está descontando em mim pelo último verão. Acho que está tentando provar um ponto - e entendi! Eu o feri. Deixei o nosso amor ir. Eu-eu realmente não queria. Eu amo Gage. Eu o amo com todo o meu maldito coração, mas... Como diabos poderia respirar quando ele está me ignorando assim? Como é que vou focar quando todos os meus pensamentos estão com ele? Não há um segundo que passe que não estou pensando nele. Nenhum. — Cada manhã, sinto o cheiro dele. Mesmo quando já mudei meus lençóis, sinto o cheiro dele. Quando rolo para o lado da cama que ele estava dormindo, sinto seu cheiro. Eu quase posso senti-lo e, em seguida, quero ligar para ele. Quero chamá-lo, porque me sinto tão indefesa. Tão só. Tudo o que quero fazer é ouvir sua voz. Só quero a 87


garantia de que ainda estamos bem. Só quero ter certeza de que está tudo bem, mas... Ele obviamente não se importa se está ou não. — Joguei minhas mãos no ar enquanto as lágrimas queimavam as bordas dos meus olhos, e desta vez, permiti-lhes cair. Meu discurso era o que precisava. Todo esse tempo estava tentando descobrir como me sentia, mas tudo o que precisava fazer era dizer isso em voz alta. Eu funguei e Kelsey parou de misturar a massa de brownie. Ela se virou, agarrou meus ombros e sorriu para mim. — Isso é bom. — Ela respirava. — Isto é o que você precisava fazer, de tudo. Pôr para fora. Tudo isso estava em seu peito e estou feliz que a maior parte disso se foi. Entendo a sua dor. Sua mágoa. Isto é apenas o começo, Eliza. — Seus olhos se estreitaram com simpatia. Mais algumas lágrimas escaparam e fechei os olhos, pedindo-lhes para parar. Kelsey me puxou pelos ombros e segurou em mim, proporcionando um abraço apertado. — Eu não quero estragar a nossa noite das meninas. — Eu disse, rindo e fungando um pouco. — Você não vai. Este é o porquê realmente vim. — Kelsey se afastou e colocou a mão em seu quadril. — Sabe o que acho? — Ela perguntou. Eu corri as costas da minha mão sobre meu nariz. — O quê? — Eu acho que tudo isso é apenas um grande mal-entendido. Eu fiz uma careta. — Como? — Não me leve a mal. — Disse ela, levantando as mãos inocentemente. — Ele não tem desculpa para ignorá-la assim, mas... Você já assistiu ao canal de entretenimento? Tudo o que tem a falar é FireNine. — Eu tento evitar assistir esse canal. — Eu murmurei. — Bem, você tem um laptop? — Sim, eu tenho. Está no meu quarto. Vou pegá-lo. — Bom, pois o que estou prestes a mostrar provavelmente vai explicar por que Gage não te respondeu.

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PEDIDO DE CASAMENTO udo bem, prepare-se, pintinho. — Kelsey disse quando clicou se afastando no teclado. — Seriamente, no entanto, como você não ouviu falar sobre isso? Está em todo lugar. — Eu tento ficar longe de qualquer coisa que lida com pessoas famosas. A maioria das coisas são rumores de qualquer maneira. — Hmm. Verdade. — Kelsey encolheu os ombros. — Tudo bem. — Ela pulou e me disse para sentar em sua cadeira. — Isso é o que vi ontem à tarde depois do trabalho. Kelsey bateu play no vídeo e assim que ela fez, uma carga de gritos encheu a sala. No início mostrou as fãs de FireNine usando suas mercadorias, as meninas chorando descontroladamente quando viram a banda na rua, e depois houve uma imagem clara de Gage. O narrador falou e eu prestei atenção, já confusa com este vídeo. — Gage Grendel é conhecido por ser o sexy e único vocalista da nossa geração. Ele nos disse uma vez que, além de sua banda, ele não tem mais nada para viver... Mas todos sabemos que isso mudou. Depois de ouvir sobre a quebra de Grendel no último verão no artigo popular de Calvin Avery em sua revista É Real, alguns nos disseram que Gage se encantou por outra pessoa e está mais feliz do que nunca. Seu nome é Penelope Binds, filha de Richard Binds, que é CEO e chefão do FireNine. Depois de ter sido visto andando na cidade com Penelope, Grendel vem fazendo menos aparições em público, mas conseguimos isso! Penelope está balançando um anel de noivado, e na noite passada, os paparazzi perguntaram a Binds o que estava acontecendo entre ela e Gage e foi assim que ela respondeu... Eu tomei uma respiração irregular enquanto observava Penelope empurrando através da multidão, tentando chegar à sua carona. Antes que o motorista abrisse a porta do carro para ela, Penelope se virou e sorriu para uma das câmeras. Ela, então, disse: — Todos vocês devem saber, sim, eu e Gage vamos nos casar quando for a hora certa. Nenhuma data oficial ainda.

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Meu coração caiu. Ouvi-la dizer isso me fez faltar o ar. Acho que meus pulmões literalmente pararam de funcionar. — Tire isso. — Murmurei. — Espere, vai começar a parte boa. — Kelsey disse, inclinando os cotovelos sobre a mesa e olhando para a tela. A próxima coisa que foi mostrado Gage e Penélope no meio de uma demonstração pública de afeto. Ele a beijou, passou os dedos pelo cabelo dela, agarrou a bunda dela, e beijou sua testa. Os beijos na testa eram como ele sempre me recebeu. Eu os amava, e odiava que ele os compartilhava. — Esse é um vídeo de dois anos atrás. — Disse Kelsey, esfregando meu ombro. — Muito antes de te conhecer. Sabe como a mídia gosta de estragar merda. — Só esta manhã — o narrador disse: — Grendel foi flagrado tocando seu violão no Central Park com o guitarrista de FireNine, Roy Sykes. Antes que os meninos pudessem fugir, alguém perguntou a eles o que aconteceu com sua amante anterior. Gage respondeu com: — Não temos mais nada. Nós nunca fomos um casal. Nós éramos apenas uma coisa de uma vez durante um curto período de tempo, e se quero manter a minha vida do jeito que está, eu provavelmente nunca mais vou conseguir falar com ela novamente. Às vezes, é o que é. É a vida. — Grendel está machucado, mas estamos tão felizes que ele se encantou por alguém que ele parece estar apaixonado. — Deus, Kelsey! Tire isso. — Gritei, empurrando para longe da mesa. Eu invadi o corredor com a garganta seca. Lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto enquanto eu corria para o meu quarto e para o banheiro. Bati a porta atrás de mim e foi aí que tudo começou a desmoronar em mim. Era quase como se o telhado desabasse e me esmagasse, quebrando-me em pedaços. Meus joelhos cederam e deslizei minhas costas na porta. Meu traseiro aterrissou no piso de ladrilho frio e então eu passei meus braços em torno de minhas pernas, colocandoos contra o meu peito. Eu estava certa. Ele estava tentando me fazer sentir a sua dor. Ele não me quer como pensei que fazia quando voltou, e eu me senti tão estúpida por me apaixonar por ele mais uma vez. Eu devia saber que era tudo uma coincidência... Porém, por que ele iria me dizer tudo isso? Por que ele viria para o meu apartamento tarde da noite e me diria o quanto ele sentiu falta e, em seguida, faria amor comigo? Por que ele iria passar pelo incômodo apenas para me fazer sentir miserável de novo? 90


Eu solucei. Eu solucei novamente. E mais uma vez, mas era mais alto. Dez vezes mais alto. Tão alto que eu nem percebi que Kelsey estava batendo na porta. — Eliza, abra, por favor. — Ela implorou. Sua voz era fraca atrás da porta e, mais uma vez, simpática. Simpatia não é o que uma garota precisa ao se sentir do jeito que eu estava. — Eliza, desculpe-me. Mas eu pensei que você devia vê-lo. Ele não parece feliz. — Eu não me importo. — Eu soluçava. — Eu deveria ter sabido. Parecia que ele estava falando sério. Tudo isso. Kelsey suspirou ofegante do outro lado da porta e, em seguida, houve uma batida distante. — Oh grande. Monica, a bruxa, está aqui. Eu vou buscá-la. Limpe-se. Eu a ignorei. Eu queria ficar assim para o resto da noite. Como ele poderia dizer isso sobre mim? Como ele poderia vir na minha cara e mentir? Todo esse tempo eu pensei que nosso amor era real. Senti que poderia ter realmente feito alguma coisa funcionar, mas depois ele voltou e colocou um anel no dedo da porra da Penélope? Ele me prometeu que iria deixá-la. Eu acreditei nele. Ele mentiu para mim, porra. Novamente. Era esse plano dele? Me foder, fingir que me ama, e depois me deixar para trás como um monte de lixo? Eu não estava nisso. Fiquei furiosa e essa Eliza chorando não estava fazendo isso por mim. Eu tinha que endurecer. Não importa o quanto estava sofrendo, tinha que dizer a mim mesma uma e outra vez que esta era a vida. Este era Gage. Ele nunca foi do tipo que permanece fiel a alguém fora a si mesmo, sua banda e sua família, então por que ele iria fazer uma exceção para alguém como eu? Alguém tão típico? Levei 20 minutos para me arrumar e ir de volta para terminar a nossa noite das meninas. Não ajudou nem um pouco quando eu fiquei olhando para meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam vermelhos e inchados. Meus lábios estavam rachados e secos. Olhei quebrada e fraca, quando eu estava em cima do balcão. Eu acho que essa é a forma quando se sente desgosto, pensei. Agora podia ver a confusão que eu devo ter feito a ele. Ponto feito, Grendel. — Ok, Eliza. — Eu expirei, balançando a cabeça. — Recomponha-se. Nós estamos nos divertindo esta noite. — Eu olhei no espelho uma última vez e, em seguida, abri a torneira, mergulhando 91


minhas mãos debaixo da água fria e a salpiquei no meu rosto. Eu sequei meu rosto com uma toalha e, em seguida, respirei fundo, segurando a maçaneta da porta e a abri. Música tocava a partir da sala e eu estava feliz que as meninas encontraram uma forma de se distrair enquanto eu me recompunha. Que terrível anfitriã eu sou. Eu lentamente me levei para o corredor e ouvi as meninas na cozinha. Quando eu pisei lá, Monica estava encostada no balcão, lendo mensagens de texto, e Kelsey estava junto ao forno, com os braços cruzados. — Os brownies estão quase prontos. — Kelsey disse, forçando um sorriso. — Yeah. — Monica sorriu. — E eu comprei sorvete e calda. — Ótimo. Deixe-me ir colocar o filme. — Eu vou ajudar. — Monica insistiu. Kelsey revirou os olhos. — Eu não acho que ela precisa de ajuda para colocar um filme, amplamente intrometida. Monica olhou por cima do ombro para Kelsey enquanto dava o dedo do meio. — Foda-me. — Esse é o trabalho de Frank. Sinto muito. — Kelsey sorriu dominantemente e inclinou a cabeça. — O que seja. Vamos, Eliza. — Monica colocou o braço sobre meus ombros e abriu o caminho para a sala de estar. — Então, o que está acontecendo? — Nada. — Eu murmurei. — Não. Não fique toda chateada. É a nossa noite. Nós estamos nos divertindo, lembra? — Ela parou de andar e se afastou para juntar minha bochecha, e eu forcei um sorriso. — Kelsey me contou o que aconteceu... Bem, um pouco. Eu vi o vídeo também. Mas eu pensei que você soubesse. Eu pensei que era por isso que você estava tão... — Monica interrompeu, os olhos arregalados. — Bem. — Limpou a garganta. — Eu estava obviamente errada. Mas eu queria dizer o que disse. Ele não vale a pena. — Yeah. — Eu pressionei meus lábios e peguei o DVD de True Blood. Abri o aparelho, o bati no leitor de DVD e, em seguida, peguei o controle remoto para ligar a TV. — Olha. — Monica suspirou, sentada no braço do sofá. — Eu tive o meu quinhão de idiotas. Eu sei como se sente ao ser ferida e fodida. Estou aqui para ajudar. Você é uma garota legal. Eu sinto que o mínimo que posso fazer é ouvir como você se sente. 92


Eu fiquei em silêncio e balancei a cabeça. Inclinando-me, eu desliguei a música e, em seguida, joguei-me no sofá, suspirando profundamente. — Ok, vocês querem me ajudar? — Eu perguntei, alto o suficiente para que Kelsey pudesse ouvir da cozinha. Kelsey veio correndo ao virar a esquina, um largo sorriso nos lábios. — Você sabe que nós queremos! — Yeah. Vamos. — Monica acrescentou. — Tudo bem. — Bati minhas mãos em minhas coxas, causando uma forte bofetada. — Parem de falar sobre isso. Parem de sentir pena de mim. Eu chorei, mas estou refeita. Eu não vou chafurdar sobre alguém que não me aprecia. Você está certa, Monica. — Eu disse, colocando o meu olhar sobre ela. Ela engoliu em seco. — Você está certa. Ele não vale a pena. Havia uma razão para que o deixasse no verão passado e estou feliz que o fiz. Eu estou feliz que escolhi o meu sonho. Algumas coisas simplesmente não funcionam. — Tudo bem... — As sobrancelhas de Mônica cerradas. — Do que diabos você está falando? — Isso significa que ela está feliz que deixou Gage no verão passado pela faculdade. Ela está feliz por não lhe dar uma chance, porque ele teria fodido tudo a longo prazo com a galinha da Penélope... Pelo menos, é isso que estou supondo. — Kelsey disse, olhando para mim. — Por que Gage não poderia deixar Penelope sozinha, certo? A revista disse que não a viu por duas noites inteiras, porque estava saindo com ela. — Sim. — Eu respirei. — Certo. — Ok, bem, dane-se. — Monica pulou o braço do sofá e colocou as mãos nos quadris. — Desde que ela não quer falar sobre si mesma, podemos falar sobre eu e Frank. — Ela sorriu. — Ou — Kelsey intrometeu. — Poderíamos assistir alguns vamps viciosos até nossas pálpebras fecharem sobre nós. — Sim, eu acho que eu gosto mais da ideia de vampiros viciosos. — Eu disse, rindo. — Tudo bem. — Monica franziu a testa. — Fiquem à vontade. Mas eu tenho algumas histórias picantes e vocês vão odiar não querer ouvir. Logo antes de Frank partir para a viagem de negócios, eu dei-lhe este boquete incrível em seu... — Ok, Monica! — Kelsey gritou, pegando duas almofadas do sofá e cobrindo as orelhas. — Suas histórias com o nosso chefe são realmente estranhas de ouvir. Eu não te disse isso, mas quando vejo 93


Frank agora, tudo o que posso imaginar são as suas bolas penduradas para fora e você as lambendo. — Sério? — Monica sorriu, cruzando os braços. — Isso é bem legal. É assim que deve ser. Frank é meu. — Sim, nós temos isso. — Kelsey disse, rindo. Eu ri silenciosamente, desfrutando de suas brigas. Monica e Kelsey eram hilariantes juntas e eu estava feliz que elas estavam por perto para roubar meus pensamentos. Eu estava feliz que, por enquanto, as tinha ao meu lado. Vimos uma tonelada de True Blood e comemos montes de brownies, biscoitos, sorvetes e pipoca. Nós definitivamente não estávamos contando nossas calorias, mas não dou a mínima. Era a noite das garotas e aprendi que a noite das garotas é um tipo de noite onde nós não temos limites. Noite das meninas é quando nós não julgamos e agimos apenas por impulso. Dizemos e fazemos o que diabos nós queremos, rimos ou roncamos sem sermos humilhadas, e dizemos umas às outras histórias picantes durante as cenas chatas, mesmo que doesse um pouco por nos abrir. Kelsey e Monica me salvaram de um afogamento em minhas próprias lágrimas naquela noite. Eu não poderia agradece-lhes o suficiente por não trazerem Gage à tona novamente. Elas eram meninas e ambas foram machucadas antes. Elas entenderam a minha dor e a última coisa que queriam fazer era me manter de joelho no fundo da minha agonia. Kelsey e Monica eram como dois Band-Aids em minhas piores cicatrizes. Com elas por perto, eu me senti melhor.

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ENCONTRO u acordei grogue na manhã seguinte. Monica e Kelsey saíram mais cedo para o trabalho e desde que eu tive o sábado de folga, dormi muito. Normalmente era um grande feito dormir, mas não desta vez. Acordei com uma dor de cabeça e sabia automaticamente que o meu dia seria um passeio cheio de merda. Afastando as mantas, saí da cama e fiz o meu caminho para o banheiro. Olhei para o espelho e vi que parecia completamente horrível. Nossa, isso só tinha sido há duas semanas, mas parecia que tinha sido meses. Esta merda de desgosto era para os pássaros... E, infelizmente, eu era um dos corvos que se alimentavam disso. Eu precisava sair. Precisava de um pouco de ar. Uma corrida ao redor do Central Park era o melhor. Se corresse lá conseguiria tirar toda essa tristeza de dentro de mim e, em seguida, voltaria e pintaria durante todo o meu dia. Depois que eu comi meu café da manhã, vesti-me e escovei os dentes, peguei meu iPod e coloquei meus fones nos ouvidos. A cidade estava ocupada como de costume. Depois que fui diretamente para os corpos ocupados que se encontravam na entrada do parque, comecei a descer a trilha. Na verdade, era um bom dia para Nova York. Não estava mais chovendo, mas havia nuvens espalhadas, advertindo a todos de que alguns chuviscos estariam acontecendo em breve. Eu não me importava com a garoa. Eu precisava esfriar. Passei por algumas pessoas sentadas nos bancos, lendo jornais, revistas, livros e comendo seu almoço. A maioria das pessoas sentadas ao redor estava em ternos e roupas vistosas. As outras pessoas eram homens e mulheres idosas. Mulheres corriam com seus sutiãs esportivos e shorts, como eu, a maioria dos homens corriam com shorts justos. Algumas crianças corriam brincando de esconde-esconde. Algumas pessoas caminhavam com seus cães. Era muito tranquilo. Enchi meus ouvidos com uma mistura aleatória de Natasha Bedingfield, Fall Out Boy, e OneRepublic. Era bom executar as vozes otimistas. Eu tinha que limpar a minha cabeça e esta era a melhor maneira de fazer. Eu peguei o meu ritmo e continuei na trilha, ofegante, 95


o mais rápido que pudesse. A trilha dividia-se em um garfo e fui com a do meio, que era ladeada por árvores. Uma brisa suave soprava, refrescando-me um pouco, mas me recusei a parar. Eu não estava pensando. Eu não estava sentindo. Não pensar e sem sentir era bom. Eu queria que isso durasse para sempre. Por alguma razão eu não poderia dizer se estava ficando cansada ou não. Eu só sabia que estava correndo. Eu estava correndo como uma gazela maldita e não me atrevia a parar. Eu finalmente cheguei à trilha principal novamente e continuei em frente. Eu estava indo fazer a trilha de volta e, em seguida, esticar meus membros. Esse era o plano, de qualquer maneira, mas é claro que o plano ficou fodido. Cheguei a uma parada brusca, coração batendo no limite enquanto eu olhava para frente, com os olhos arregalados. Eu os vi tocando suas guitarras. Havia uma multidão ao redor deles (principalmente meninas), mas eu podia vê-los claros como o dia. Roy Sykes tinha uma guitarra acústica preta amarrada em torno dele e estava tocando com alma, quando eu tirei meu fone para escutar. As meninas estavam silenciosamente torcendo na frente dele, vendo como seus dedos magicamente corriam para cima e para baixo em suas cordas. Seu cabelo estava longo e pendurado em seus olhos. Ele usava uma camiseta regata e todas as suas tatuagens estavam reveladas. Eu nem sabia que ele tinha tatuagens no peito até agora. Roy era coberto por toda parte. E então o meu olhar mudou para o menino vestindo uma blusa gola V preta. Seu firmes braços tatuados estavam em volta da sua acústica vermelha. Ele cantava com as profundezas de sua alma. Eu sabia qual música. Era a versão acústica de “Single Dove”, e parecia incrível. Gage tinha feito um corte de cabelo desde a última noite em que passou comigo no apartamento. Eu não podia ver seus olhos por trás dos óculos Ray-Ban que ele usava, mas sabia que estavam fechados. Quando eu os assisti à distância, minha respiração engatou, mesmo quando estava ainda tentando recuperar o fôlego. As meninas continuaram assistindo até Gage fazer seu último verso lento, com tom profundo e, em seguida, todas elas lamentaram. Os guardas de segurança por trás do banco manteram as meninas furiosas para trás enquanto os meninos empacotavam suas guitarras, e quando eles acabaram, Gage se virou e de alguma forma me pegou de pé a poucos metros de distância. Eu não podia ver seus olhos, mas sabia que estava olhando diretamente para mim. 96


Eu queria correr como o inferno. Eu deveria ter mantido minha corrida e nunca mais olhar. Vendo ele trouxe tudo de volta, a mágoa e a dor. As lágrimas que derramei sobre ele na noite passada. As palavras ofensivas que ele disse no vídeo. Minha cara, obviamente, revelou toda a dor porque Gage parou momentaneamente e olhou para mim. Seu sorriso desapareceu e seus lábios pressionaram em uma linha fina. Ele sussurrou algo para Roy e Roy olhou para cima rapidamente, encontrando meus olhos. Por alguma razão, o rosto de Roy era simpático. É quase como se ele sentisse a minha dor em um quilômetro de distância, mas como sempre, ele ficou de fora. Com um aceno de cabeça, Roy saiu e todas as meninas seguiram atrás dele. Gage disse algo para o guarda de segurança e o guarda acenou com a cabeça antes de vir para o meu lado. Meu coração batia forte quando Gage saiu e, quando ele fez, eu queria bater em seu crânio. Ele estava fazendo o guarda seu mensageiro? Ele pediu ao guarda para me dizer para sair? Fosse o que fosse, não queria ouvi-lo, então em vez de ficar à espera do guarda vir, eu me virei e saí em disparada. — Hey! Espere! — O guarda gritou atrás de mim. Eu não olhei para trás, isto é, até que ouvi Gage gritar meu nome. Eu parei, virando ao redor. Gage estava de pé no meio do campo, os óculos de sol levantados. E então eu vi tudo. A emoção. O sofrimento. Mágoa. Dor. Foda-se, ele estava me confundindo. O segurança chegou a mim. — Ele quer que você o encontre debaixo da ponte norte. Pegue o caminho de volta. Ele quer falar com você. Engoli em seco, encontrando dificuldades para respirar. Eu não desviei o olhar de Gage, enquanto olhava para mim um pouco mais e, em seguida, virou-se, passando a mão sobre o rosto antes de colocar seus óculos de sol de volta. O segurança me deu um leve aceno de cabeça e, em seguida, saiu correndo depois de Gage antes que alguém pudesse pisar nele. Eu assisti até que não podia mais vê-los e, em seguida, tomei uma respiração profunda, irregular. — Ok. — Eu respirei. Eu estava indo encontrá-lo, só para bater a merda viva fora dele. Ele merecia

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minha ira... Porém, novamente, eu merecia a sua também. Eu acho que nós estávamos nuca e pescoço em ferir um ao outro. Eu pressionei meus lábios e dei uma varredura rápida no que me rodeava. Ninguém estava prestando atenção em mim. Todo mundo ainda estava cuidando de seu próprio negócio, mesmo quando eu senti como se tivesse causado uma cena danada. Eu sabia onde a ponte norte ficava por isso tornei a descer a trilha, esperando que fosse obter todas as respostas que precisava de Grendel.

Eu estava no túnel em algum momento e, quando vi Gage, tive que tomar algumas respirações profundas antes de ir matá-lo. Ninguém mais estava abaixo dela, nem mesmo o guarda de segurança. Era melhor ficarmos sozinhos, e eu estava contente que ele soubesse. Quando comecei a descer o túnel, vi Gage encostado na parede, de braços cruzados. Sua cabeça estava pendurada, e de onde eu estava, podia ver cada tatuagem única em seus braços... Mas talvez seja porque eu as conhecia onde cada uma era depois de vê-las mais de uma dúzia de vezes. Gage ouviu meus passos e virou a cabeça para a direita. Quando ele me viu, seu rosto se iluminou com alívio, mas não o fiz. Nenhuma parte minha se aqueceu por ele. Tenho certeza de que eu tinha uma aparência horrivelmente fria no meu rosto. Eu podia sentir isso. Eu não podia acreditar que estava fazendo isso. Eu sabia como um fato o que ele tinha a dizer causaria ainda mais danos para as minhas emoções, mas tinha que descobrir o que era o seu negócio. Isso não era como ele. Eu sabia. Ele desprezava Penelope. Eu parei quatro passos longe dele e respirei fundo. Gage exalou também e, em seguida, descruzou os braços. Ficamos em silêncio por um momento, ambos tentando obter os nossos pensamentos e perguntas juntos. Eu estava realmente tentando o meu melhor para não espancá-lo e, felizmente, estava bem sucedida em manter-me calma. — Você está bonita. — Gage disse finalmente. Eu não sorri. Não me movi. Apenas olhei. Eu não estava prestes a deixar a sua arrogância chegar até mim. Seu sorriso caiu enquanto tomava o frio olhar nos meus olhos azuis gelados. — Por que você fugiu assim? — Perguntou ele, os olhos apertados. — Por que você me deixou na manhã seguinte sem dizer adeus? — Eu rebati. 98


Ele franziu a testa, balançando a cabeça. — No meu dicionário, “adeus” é um termo usado quando eu já não quero estar por perto ou ver alguém mais. Eu não poderia dizer adeus para você. — Então você só saiu? Você tinha me deixado doente de preocupação, Gage! E então vejo essa porra de vídeo sobre você ficar noivo de uma puta idiota como Penelope? Ela é a única que você deveria estar dizendo adeus! — Eliza, por favor. — Gage balançou a cabeça, empurrando-se para fora da parede. Ele deu um passo em minha direção, mas eu levei um de volta, balançando a cabeça. — Você me conhece, Eliza. Você sabe como eu sou. Eu-eu não estou seguro ao seu redor. Não com ela sabendo. — É melhor você explicar algo para mim agora, Gage. — Eu rosnei. Meu temperamento estava realmente em ascensão. Gage olhou para meus punhos fechados e recostou-se um pouco. — Foda-se. Okay. — Ele segurou a ponta do nariz com o polegar e o indicador. — Kristina está em Nova York. Ok? Ela me encontrou. Ela pediu para morar comigo e queria que eu a levasse para a reabilitação. Ela está comigo há um mês, e não vou perdê-la novamente. Eu estreitei meus olhos. — O que Kristina tem a ver com Penelope? Gage suspirou, lambendo os lábios. — Penelope parou na minha casa ao acaso um dia, quando eu não estava em casa. Ela ficou toda amiguinha de Kristina e propositalmente tirou uma foto com ela. Eu não te disse isso antes porque nunca pensei que haveria um problema com isso, mas o pai de Penelope é o nosso patrão. Ele é o cara que nos trouxe onde estamos agora. Ele fodidamente nos possui, Eliza. — Engoli em seco, piscando rapidamente quando Gage olhou nos meus olhos. Ele estava falando sério. Isso não era mais um jogo ou brincadeira. Isto era verdadeiro. — Eu me encontrei com Penelope através dele. Quanto à foto dela e Kris... Ela vai dar a Cal Avery para que ele possa colocá-la em uma revista se eu não cooperar com ela. — O-o quê? — Ela e Calvin - fodido - Avery se reuniram em algum momento na turnê do verão passado e ele mudou seu artigo por ela. Ela pagou a ele para nos ver... Para manter um olho em nós, e ele, obviamente, prometeu fornecer-lhe com uma colher. É por isso que ela continuava chegando ao meu redor. Eu não estava convidando-a para esses lugares, Eliza. O tio de Cal é o dono da revista Escape e a É Real é uma marca dele. Cal queria uma posição melhor com a empresa, Penélope 99


concordou em pagá-lo e levá-lo a mais leitores, então ele concordou em assistir e escrever sobre nós, para dar a Penelope todas as informações e sujeiras que ela precisava para provar que você e eu estávamos namorando. — Eu ouvi, mas pensei que fosse apenas um rumor... — Ele me fez parecer fraco em seu artigo. Felizmente, as mulheres gostam de ver o lado macio de homens. — Ele encolheu os ombros. — Eu acho que tudo era apenas um jogo para ele. Ele veio para um artigo sobre a banda inteira, reuniu-se com Penelope, ficou ganancioso, e começou a fazer merda para ela. Ele mentiu. — Uau. — Eu respirei. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Todo esse tempo eu pensei Cal era o único que teve o bom senso de todos nós naquela turnê. Cal estava colocando Penelope por dentro de tudo que estávamos fazendo, e ela estava tentando seu melhor para nos impedir, nos separar. E dane-se se ela não ganhou. Se não fosse por ela, Gage e eu não teríamos deixado um ao outro em condições ruins no verão passado. — De qualquer forma, cheguei em casa, Penélope estava esperando na cozinha e, Eliza, eu juro que eu nunca convidei Penelope para a minha casa. Eu estava colocando distância entre nós. Eu mudei minha fechadura tudo mais, mas Kris a deixou entrar por que Penelope disse que era minha namorada. Ela me mostrou a foto de Kris e me disse que se eu chegasse perto de você de novo, se eu não ficar com ela, ela diria para Cal colocar Kris na revista e que ela diria a seu pai para largar a banda. Há muita coisa acontecendo agora. Eu não dou a mínima se ela tocar fogo na história de Kris. Eu tentei conseguir uma maneira de contornar isso. Mas quando ela cruzou a linha com a banda, quando ela foi para níveis baixos eu soube que ela não estava brincando mais. Eu não posso perder a banda, Eliza. Eu não posso decepcioná-los. Nós chegamos muito longe. E Kris... Mesmo que eu tenha certeza que ela iria fingir que não se importa, ela não quer que ninguém veja seu rosto. Se eles descobrirem que a minha irmã uma vez foi uma usuária de drogas e, agora, está numa clínica de reabilitação, eles vão colocar essa merda por toda parte. Eles não vão largá-la ou a banda por um bom tempo, porra. Estou fazendo isso pela minha família. Pela minha banda. Por sua segurança. Eu não quero que Kris se estresse. Eu quero o melhor para ela agora. Ela está... Morrendo, Eliza. — Mo–morrendo? — Eu perguntei, minha voz rouca. — Sim. Morrendo. Eu não quero perdê-la, então estou fazendo tudo que posso. Ela me disse que foi diagnosticada com câncer de 100


pulmão há alguns meses atrás. — Seus olhos estavam tristes e eu abaixei minha cabeça. Era muito, muito pior do que eu pensava. — Eliza. — Gage segurou meu rosto, levantando minha cabeça e olhando nos meus olhos. — Eu sinto muito. Eu juro. A última coisa que eu queria era te machucar. Você sabe o quanto significa para mim. Tudo isso com Penelope é um ato. Eu não a pedi em casamento. Ela me pediu em casamento em público, onde eu não podia dizer não ou conseguir uma maneira de contornar isso. Ela me perguntou na frente de seu pai, Eliza. Meu patrão. E ele estava esperando que eu dissesse sim. Eu não posso perder minha carreira. Eu não posso deixar a banda para baixo, e definitivamente não quero deixar Kris para baixo. Você sabe que eu te amo. — Não parece que você me ama tanto assim, Gage. Você não respondeu meus telefonemas. Minhas mensagens. — Ela está traçando toda essa merda. Ela tem conexões. Ela é uma porra louca! — Então basta deixá-la. — Gritei. — Apenas deixe-a dizer. Deixe que ela fale sobre Kristina! Quem no inferno se importa? Os rumores se espalham cada maldito dia, Gage. As pessoas mentem todos os dias. Uma foto não vai determinar quem você é ou o que a banda é. Você deveria usar essas coisas agora! E quanto ao pai dela, porra, eu tenho certeza de que ele não seria burro o suficiente para deixar a sua banda mais popular ir! — Eu não posso fazer isso, Eliza! — Por que não? — Porque eu tenho implorado para que este dia chegasse desde que Kris sumiu. Eu queria esse sonho desde que era criança! Estou cuidando dela e não preciso que uma cadela louca obcecada como Penelope arruíne isso. Eu não preciso que Kristina se preocupe sobre como ela vai a pé para o centro de reabilitação na rua ou como ela vai voltar para casa sem ser vista. As pessoas não precisam saber quem ela é. Eles descobrem o que há de errado com ela e com o problema entre FireNine e nosso chefe e vamos ser perseguidos, Eliza. Vai estragar o que representamos... O que defendemos. Lealdade. O pai de Penelope é o chefe de Ben. Pense em Ben. Ele não terá um emprego. Ele vai começar a lutar novamente. Ele não vai ter dinheiro... E vai ser toda minha porra de culpa. Ben terá de procurar outra pessoa. Ele vai ser considerado um péssimo empresário. Ninguém vai querer trabalhar com um homem que eles acham que não pode controlar sua banda. Eu tenho pensado sobre isso - tentei encontrar maneiras de contornar essa merda, mas... Eu não sei mais o que fazer. Esta parece ser a única 101


forma agora... Apenas até que esta merda com ela se acalmar e os golpes acabarem. Eu balancei minha cabeça, as lágrimas queimando meus olhos. Umas poucas escaparam, mas eu me virei, abaixando minha cabeça. Eu não podia chorar na frente dele. Nada disso valia a pena. Nada disso. — Eliza, você sabe que eu te amo. — Sussurrou Gage, pisando perto de mim, ele colocou seus braços ao meu redor e me puxou de volta, colocando o queixo no meu ombro. — Você não acha que eu estou sofrendo por isso? Esta foi uma decisão difícil. — Ele beijou minha bochecha e meu sistema hidráulico realmente soltou. Eu sabia o que ele diria a seguir e doeu meu coração. Eu estava morrendo lentamente por dentro, implorando para que a dor parasse. Meu coração estava girando como um jogo de tabuleiro em perigo, implorando para pousar em um bom lugar. — Você é meu primeiro amor. Eu estou apaixonado por você, e eu sempre estarei. Mas quando se trata de minha família e minha banda, ninguém pode entrar no meio disso. A família sempre vem em primeiro lugar. Minha banda é como meu sangue. Eu vou fazer o que puder para minha irmã, para a banda. E se isso significa deixar isso ir por agora... Tenho que fazer. Nós não podemos fazer isso agora, Eliza. Eu não posso deixar Penelope ganhar. Eu vou encontrar um jeito de sair dela... Só vai me levar algum tempo. Você não pode segurar isso contra mim. Eu quebrei então. Meus joelhos dobraram, mas Gage me apanhou, apertando os braços em volta de mim. Ele me virou em seus braços e me apertou contra ele, acariciando minhas costas e meu cabelo enquanto eu conectei meus braços ao redor de seu pescoço. Eu não quero ir para a minha vida, mas era isso. Este foi o seu adeus, pelo menos aos meus olhos. — Você já a está deixando ganhar, Gage. — Eu sussurrei em seu ombro. — Ela já está ganhando. Ela sempre fez. Desde o verão passado. — Ela não está. — Gage me empurrou pelos ombros e me olhou nos olhos. Ele, então, colocou um beijo doce e suave nos meus lábios e minha barriga vibrou com borboletas. — Amanhã. — Disse ele, beijando-me novamente. Eu funguei, afastando-me. — Amanhã o quê? — Amanhã eu vou pegar outro telefone. Eu ligarei para você todos os dias. Eu mandarei mensagens todas as manhãs. Eu vou 102


encontrá-la sempre que puder. Eu vou fazer os caminhos, Eliza. Nós vamos dar um jeito. Não é isso que você me disse? Parecia promissor, mas depois pensei nisso e não era suficiente. Eu não era um pintinho de lado. Eu não deveria ser a garota com quem ele estava se esgueirando. Era para eu ser a única. Sua única. Eu não era uma opção. Eu era uma só. Eu sabia qual era o meu valor e, infelizmente, isso não era tudo. — Eu não estou fazendo isso, Gage. — Eu sussurrei. — É ela ou eu. Eu ou Penelope. Eu não estou a ponto de estar em segundo plano. Eu quero você. Você me quer. Você não a ama para transar com ela! O que era tudo aquilo que falava sobre sacrifícios na outra noite, hein? Por que você não pode fazer o sacrifício? Gage abaixou a cabeça, deixando cair os braços para os lados. — Eliza, você está fazendo isso tão difícil para mim. Não é apenas Penelope nesta situação. É Kristina, Penélope, e minha banda! — Mas você pode alterá-lo para Kristina, eu e sua banda. Nós podemos consertar isso. Você apenas tem que falar com eles! — Eu não posso fazer isso. Os meninos nunca vão entender. Eles não querem perder tudo pelo que temos trabalhado só porque eu cometi o erro de brincar com a filha do meu chefe. Eu realmente não podia acreditar no que estava ouvindo. — Então esqueça isso. — Eu murmurei, dando um passo para trás. — Esqueça isso. Eu sei que você quer cuidar de Kristina. Eu sei que você quer ficar com ela e a banda para fora do caminho do mal, mas... Às vezes algumas coisas não valem a pena perder, Gage. Às vezes você tem que fazer um sacrifício a fim de ser verdadeiramente feliz. Enquanto você está com ela, você nunca vai ser meu. Alguma coisa tem que ceder. Há opções. Você está apenas escolhendo o caminho errado. — Eu dei de ombros. — Pela maneira que você descreveu Kristina para mim no verão passado, eu sei que ela preferiria que você fosse mais feliz do que ela. Você sabe disso também, mas está sendo um idiota sobre toda esta situação. Você está deixando de lado alguém que ama por uma garota que, obviamente, não tem respeito por você. Kristina iria querer o melhor para você, não importa o que ela tem que passar. Eu conheço os rapazes e se eles tivessem que fazer, eles fariam o que pudessem para você. Todos eles te amam, porra! Você está sendo fraco no momento. Gage apertou os lábios e olhou para longe de mim. Ele não tinha nada a dizer e, francamente, nem eu. Era isso. Ele não desistiria dela por mim. Ele disse que iria deixar Penelope verão passado, mas agora está dando para trás, agora que realmente o quero na minha vida e 103


quero que as coisas funcionem, ele vai voltar com a sua palavra? Ele só vai me deixar como o deixei? Acho que era justo, certo? Eu merecia isso depois de tudo. Doeu, mas eu entendi. Era óbvio. E no fundo da minha mente, meio que fazia sentido. Eu era apenas uma pessoa. Uma menina que tinha acabado de conhecer. Ele conhecia sua irmã toda a sua vida e sua banda, a maior parte de sua vida. Isso estava apenas começando para onde ele queria estar com sua carreira... E, para manter as coisas se movendo para frente, havia coisas que ele tinha a perder ao longo do caminho. Eu. Eu me aproximei, colocando um beijo carinhoso na bochecha. — Eu não sei mais o que dizer. — Eu sussurrei. — Mas eu entendo. — Ele agarrou minha mão, entrelaçando os dedos, com lágrimas no canto de seus olhos. Eu queria segurar. Eu queria ficar com ele, tanto, mas não podia. Eu tinha que deixar ir. Eu não poderia ser uma opção. Soltando meus dedos, eu me afastei dele e recuei. — Adeus, Gage. Eu andei para fora, tentando o meu melhor para manter minhas lágrimas e estava bem sucedida com isso. Quando saí debaixo do túnel, a voz de Gage quebrou quando ele chamou meu nome, mas eu não olhei para trás. Eu queria olhar para trás, só para ver o seu belo rosto e estimá-lo pela última vez, mas não o fiz. Eu tinha que ser forte. Eu pensei que tinha passado por algo muito pior. Eu pensei que o abuso e a dor de minha mãe e meu padrasto eram ruins, mas isso? Esta mágoa? Esta dor? Esta depressão? Este momento doloroso, angustiante? Este sentimento de nó no meu intestino, o aperto na garganta, a dor em meu peito? Era lento, mas seguramente estava me matando. A cada passo que eu dava longe desse túnel, morria por dentro. Meu coração estava encolhido e se tornando cinzas. Eu estava entorpecida por toda a corrida de volta ao meu apartamento. Começou a garoar e eu não me importei nem um pouco quando cheguei encharcada. Tomei um banho longo e quente quando cheguei em casa, forcei-me a comer novamente, e depois me enrolei no sofá. A TV não estava ligada. Sem música. Havia apenas o silêncio. O silêncio era mortal, porque meus pensamentos gritavam comigo. Parecia que meu coração estava diminuindo de ritmo, batendo devagar, vacilante. Eu fiquei assim todo o fim de semana. Eu fiquei assim todo o verão, e até o próximo, porque os dias de verão me faziam lembrar dele. Os verões me lembravam do tempo que passamos em turnê. O tempo que estava... Tudo bem. Eu estava perdendo o meu caminho e esperando que um dia fosse encontrar a felicidade e a paz novamente. 104


Infelizmente, a felicidade n찾o estava do meu lado e minha paz desapareceu no dia a dia. Eu estava vazia. Danificada. Sozinha. O p창nico acontecia tudo de novo... S처 que desta vez, n찾o havia maneira de sair dele.

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DEBRA e formar na faculdade é muito diferente de se formar no colegial. Por quê? Porque quando você está se formando no colegial e indo para a faculdade, tudo que você tem que se preocupar é o sabor do macarrão que você vai comer no dormitório, como você está indo para fechar o próximo teste, e talvez lidar com algumas saudades. Mas sair da faculdade para a vida real? É bem diferente. Após a faculdade, você tem que se preocupar sobre como está indo ganhar a vida, como está indo obter o seu emprego dos sonhos, com um salário bem remunerado, como você está indo fazer isso por conta própria. Há um momento em que você não pode viver com seus pais, bem, você pode, se você quer ser olhado como inútil, mas se você quiser fazer algo de si mesmo, você tem que ser independente. Ambicioso. Forte. Após a faculdade, você tem que começar a pagar suas próprias contas, fazer o seu próprio dinheiro, fornecer o seu próprio transporte, começar a pagar aluguel, etc. Os anos depois da faculdade são assustadores, mas já passei por coisa pior, então sabia que eu poderia fazê-lo. Eu finalmente consegui meu diploma de bacharel em arte. Quando eles chamaram meu nome e atravessei essa parte, eu era a menina mais feliz viva. Eu sobrevivi a quatro anos de sofrimento. Quatro anos de determinação. Quatro anos de altos e baixos. Isso sempre foi um objetivo meu de graduação na Universidade de Virginia, e finalmente tinha conseguido isso. Mas este era apenas um dos muitos objetivos a cumprir. Durante o meu estágio na Artes Global, Frank viu que estava ficando cada vez melhor e me disse que eu poderia vir trabalhar para ele sempre que estivesse pronta. Oh, eu estava pronta. Mais do que pronta, na verdade. Artes Global era perfeita para mim. Eu tinha amigos reais lá. Nova York era como minha segunda casa, depois de passar os últimos dois verões lá.

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A maioria das pessoas tinha que se preocupar, mas eu não o fazia. Meu trabalho estava bem na minha frente, começaria em agosto. Este verão seria baseado unicamente na diversão, e eu estava aceitando. Após a cerimônia de formatura, achei Ben no estacionamento com um buquê de flores. Ele me viu chegando antes de me encontrar com ele e um largo sorriso se formou em seus lábios. Normalmente Ben faria uma cena e correria para o meu lado, mas ele permaneceu no lugar. E eu acho que sabia o porquê. Eu não era mais uma garotinha. Ele me viu transformar-me de uma menina para uma mulher, e pensar nisso me fazia um tipo de lágrimas nos olhos. Quando me encontrei com ele, a primeira coisa que fiz foi abraçá-lo. Ben era tudo o que eu tinha. Ben era tudo o que eu precisava. Eu não me importava se o mundo inteiro estivesse aqui para me ver. Tudo o que importava era o meu pai. — Eu te amo tanto, Eliza. Estou muito orgulhoso de você. — Ben me apertou e fungou. Eu tinha a minha maquiagem feita por alguém que ele conhecia e estava feliz era à prova d'água, pois as lágrimas realmente jorraram. Ele sabia o quão longe eu havia chegado. Ele sabia o quanto eu tinha atravessado apenas para chegar aqui. — Eu também te amo, Ben. — Eu disse por cima do ombro. Ben suspirou e continuou segurando. — Isso vai ser tão diferente agora. Você me deixando para viver em seu próprio lugar. — Ele engasgou novamente e eu sabia que ele estava tentando seu melhor para se manter sem suas lágrimas. Eu ri por cima do ombro, mas a minha corrente de lágrimas continuou. — Eu sei. Será diferente. Vou sentir sua falta todos os dias, mas vou te visitar sempre que puder. — Oh, eu sei que você vai, querida. — Ele se afastou, mas manteve um braço em meus ombros. Ele estudou o meu rosto e sorriu antes de se inclinar e beijar minha testa. — Você significa muito para mim. Estou realmente orgulhoso de você, Eliza. Desculpe-me, eu não estava lá para você durante tudo isso... Eu sei que não tenho sido um bom pai para você, mas eu faria qualquer coisa por você. Eu ainda estou trabalhando nisso. — Ele apertou minhas bochechas, sorrindo. — Obrigado, pai. — Surpreendentemente, ele não me corrigiu e me disse que era “Ben” e não “pai”. Eu o amava ainda mais por me deixar ter o nosso momento pai e filha. Ben estava prestes a dizer algo, mas antes que pudesse, alguém gritou meu nome e eu virei. Kelsey estava empurrando através da 107


multidão com um envelope na mão. Ela sorriu de orelha a orelha, e eu ri, passando meus olhos quando a assisti fazer o seu caminho em minha direção. — Kelsey! Você fez isso! — Eu gritei. — Inferno sim! — Ela me puxou para um abraço apertado. Eu a abracei tão apertado antes de me afastar. — Estou assim muito orgulhosa de você! Eu ri. — Obrigado. Kelsey me entregou o envelope e então olhei para Ben, que já estava olhando para ela. Não era o olhar normal. Ele a estava olhando, olhando de cima a baixo, tentando descobrir o que diabos ela tinha diante. — Um... — Não diga isso, Ben. — Eu suspirei, balançando a cabeça. — Dizer o quê? — Perguntou Kelsey, as sobrancelhas cerradas. Olhei em seus olhos verdes e pressionei meus lábios. Eu não estava prestes a dizer-lhe que Ben não gostava de seu traje. Eu conhecia Kelsey, e eu poderia dizer que ela trabalhou duro por esta aparência. Ela usava calça cáqui, sapatilhas vermelhas, e uma blusa vermelha que parecia de uma avó. Ela ainda tirou seus óculos e seu cabelo estava puxado em um rabo de cavalo, mas parecia bom para mim. — Não. Você me conhece, Eliza. Esta é a primeira vez que ela realmente vem me conhecer, e eu estou apenas... — Ben apertou a mão contra o peito de forma dramática. — Estou chocado. Você não disse a ela como eu sou? — Chocado sobre...? — Kelsey ainda usava uma máscara confusa. Fiquei quieta e rindo um pouco. Ben, por outro lado, balançou a cabeça e disse: — Bem, se ela não vai dizer isso, eu vou dizer. Eu sou um grande fashionista, e quando vejo o verdadeiro potencial em alguém, eu vou para ele. Se vamos ser honestos aqui, eu não... Gosto... Do que você está... Vestindo — Ben olhou Kelsey mais uma vez e depois cobriu a boca com a mão. Kelsey olhou para baixo, estudando suas roupas, e, em seguida, olhou nos olhos de Ben novamente. Eu pensei por um momento em que ela ficaria chateada, mas todo meu pensamento mudou quando ela

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disse: — Bem, que tal você me arrumar, então? — Ela encolheu os ombros. Os olhos de Ben quase saltaram para fora de sua cabeça. — Realmente! Droga. — Ele riu. — Você foi muito mais fácil do que Eliza. — Eh. — Kelsey deu de ombros novamente. — Eu estou necessitando de uma reforma por um tempo. — Ótimo. E já que você está passando o verão com a gente, nós podemos fazer toneladas de compras. — Isso soa in-crí-vel! — Kelsey cantava. — É um prazer finalmente conhecê-la, Kelsey. Kelsey piscou para ele. — O prazer é todo meu. Eu ri, balançando a definitivamente o melhor verão.

cabeça.

Sim,

este

verão

seria

Ben teve que se encontrar com alguém depois do meu café da manhã da graduação, tão rapidamente quanto ele nos deixou em casa, ele decolou e Kelsey e eu nos acomodamos. — Então, como é AG agora? — Perguntei. — Engraçada. — Disse Kelsey, zombando enquanto mordiscava uma cenoura. Inclinei a cabeça, elevando as sobrancelhas com curiosidade. — Engraçada? Como? — Eu ri. — Bem, você sabe que Frank deu a promoção a Monica? — Sim? — Bem... Vamos apenas dizer que ela não tenha pegado o jeito ainda. Ela ainda está aprendendo e estava chorando ontem à noite porque disse que era muito estresse, mas precisava do dinheiro extra. Ela sente falta de seu antigo trabalho de gestão. — Pobre Monica. — Eu mordi o meu lábio inferior. — Ela merece esse trabalho, no entanto. Ela está trabalhando lá por tanto tempo. Ela é, tipo, uma das melhores. — Sim, mas conseguiu isso. — Kelsey girou na minha cadeira de rodinhas, terminando sua cenoura. — Frank pediu a mão de Monica em casamento. Eu quase engasguei com meu refrigerante. — O quê? Como perdi isso? 109


— Foi o que aconteceu esta manhã. Mary me ligou mais cedo e me contou. — Mary era assistente de Frank, que também era muito divertida para sair. — Oh meu Deus! Temos que ligar para Monica! — Eu gritei, pulando para fora da cama. Peguei meu telefone no criado-mudo e rolei com ele pelo seu número. — Eu tenho tentado ligar para ela durante toda a manhã. — Disse Kelsey, girando na cadeira novamente. Ela pegou um dos meus lápis de desenho e o esfregou entre os dedos. — Eu acho que Frank disse a ela para tirar o resto do dia de folga e, em seguida, a levou para o café da manhã. — Uau. — Eu respirei. — Eu não esperava isso de Frank, especialmente com todas as histórias Monica tem sobre ele brincando com outras meninas. — Deixe-me dizer uma coisa. — Kelsey deixou cair o lápis e levantou- se da cadeira. — Frank é apaixonado por Monica. Acho que ela tem, tipo, uma vagina mágica ou algo assim. Ele olha para ela o tempo todo. Sempre que temos uma reunião de conferência, ele sempre pede para ela ficar depois. Quando é a vez de Monica de falar durante uma reunião, ele sorri e pisca para ela. São os pequenos sinais de paquera que provam seus sentimentos. Os homens não fazem isso, especialmente os homens de sucesso, como Frank. Monica tem a vagina-chicoteada. Comecei a rir enquanto Kelsey fez a sua cara de dúvida. — Você acha? — Eu sei que sim. Levou alguns anos para finalmente selar o negócio. Eles estão brincando desde que Monica começou a AG. Isso é muito tempo. — Sim, isso é. Estou tão feliz por eles! Temos que comemorar com ela quando voltarmos para Nova York. — Malditamente que sim. — Kelsey deixou-se cair na beira da cama e me olhou nos olhos. Eu conhecia que o olhar que ela estava me dando. Seu sorriso desapareceu, os lábios apertados. Ela estava prestes a dizer algo que eu não gostava. — Falando em casamentos... Grendel está para ter um em cerca de uma semana. Revirei os olhos. — Grendel pode fazer o que diabos ele quiser. Já se passaram dois anos desde a última vez que conversamos. — Não, Eliza. Eu lhe disse antes. Eu realmente acho que tudo isso é falso. Ele não disse uma coisa sobre isso. A única a falar sobre o 110


casamento é Penélope cadela. Gage não twitta sobre isso, e... Roy Sykes realmente respondeu a um tweet postado por Penelope. Eu dei de ombros. — E? — E? Roy nunca tweeta, porra! — Kelsey disse, pulando para seus pés. — Como, sempre! Ele retweeta, mas nunca tweeta a sua própria opinião. — Bem, o que ele disse no seu tweet? — Penelope twittou como o casamento seria incrível para ela e Gage. Roy respondeu e disse: “Você quer dizer incrível para você. Não vai ser para ele.” Está em todos os lugares! Eles estão soprando essa merda. Por causa de sua pequena resposta, todo mundo está pensando o casamento é encenado... E eu sei que é! Não há nenhuma maneira no inferno que um homem vá se casar com uma garota que ele vê menos de cinco vezes por ano. — Ok, mas o que isso tem a ver comigo? — Perguntei. — Eu acho que você sabe muito bem o que isso tem a ver com você. Sabe que algo está acontecendo com Gage. Toda vez que eu tento trazê-lo para cima, você me enrola. Sabe de uma coisa, então me diga. Seu pai é o seu empresário, pelo amor de Deus! — Sim, mas Ben não é o tipo de estar no negócio dos meninos. Ele tem sua própria bagunça que se preocupar. — Ah, sei lá. Você sabe de alguma coisa. — Por que você supõe que eu sei alguma coisa? — Porque... Bem. — Ela soltou um suspiro. — O dia depois de nossa pequena festa do pijama há dois anos, você deveria me chamar, mas você não fez. E, em seguida, na segunda-feira no trabalho, você estava triste novamente. Eu percebi que algo deve ter acontecido com Grendel, mas não disse nada. Monica não fez porque achamos que ainda estava doendo. Mantivemos tranquilas por você. A depressão durou todo o verão, Eliza. Eu pressionei meus lábios e me levantei da cama. — Kelsey, Gage e eu está feito. Eu posso garantir isso. — Não, você não pode garantir isso. Eles têm uma nova música e, francamente, parece que é sobre você. — Como? — A letra. Duh. — Kelsey revirou os olhos. — A canção diz coisas como: “Deixá-la ir estava errado, eu gostaria de poder fazer isso direito”, e, “Eu tentei cuidar de seu frágil coração, querida. Eu deveria 111


ter segurado para você.” — Kelsey cantou as letras para mim, e meus olhos se ampliaram com surpresa. — Isso não significa nada. — Ugh. Que seja. Você está sendo ingênua agora, Eliza. Você sabe que ele está com você. Eu sei que eles estão com você! Gage foi seu primeiro amor e você foi o dele! Você disse isso, então me diga! Eu balancei minha cabeça, dando um passo para trás. — Eu eu não posso, Kelsey. Estou tentando deixá-lo no passado. — Eliza. — Kelsey bufou um suspiro, franzindo a testa. — Eliza, você pode confiar em mim. Eu sou sua melhor amiga. Você me conhece. Diga-me o que está acontecendo. Eu tomei uma respiração profunda. Ela era minha melhor amiga, mas falar sobre Gage sempre me feria. Depois de dois anos, eu ainda não tinha superado ele. Eu ainda estava apaixonada por ele, mas encontrei maneiras de lidar com isso. Pendurada com Kelsey e Monica era um delas. Concentrando-me na escola era outra. Porém, é claro que sempre houve espaço em minha mente para ele. Sempre. — Tudo bem. Tudo bem. — Eu cruzei os braços, inclinando-se contra a parede. — Gage e Roy estavam tocando no Central Park, no dia após a festa do pijama. Tomei uma corrida pelo parque naquele dia e ele me viu e me disse para encontrá-lo debaixo da ponte. Eu o encontrei e... Ele me disse que sua irmã voltou... — Gage tem uma irmã? — Kelsey interrompeu, chocada. — Sim. E ela está doente, com estágio um de um câncer de pulmão. Na verdade pode estar muito além desse estágio agora. Ninguém fora da banda sabe que Gage tem uma irmã exceto Penelope e eu. Gage sabe que eu nunca diria o seu negócio, mas Penélope, por outro lado... — Eu suspirei, balançando a cabeça. — Ela é uma cadela. Eu não sabia que seu pai era o chefe dos meninos. O pai dela é o motivo da banda ser bem-sucedida. Gage me disse que se ele fizer alguma coisa para irritar Penelope, ela vai arranjar alguém para escrever sobre sua irmã em alguma revista e vai dizer a seu pai para deixar a banda. Ela o está chantageando. Forçando-o a fazer coisas que ele não quer fazer pela segurança de sua família e sua carreira. O pai de Penelope é o melhor que existe. — Droga. Ela é muito parecida com a porra de uma cobra? — Ela é pior do que uma cobra. Ela é uma anaconda maldita. Kelsey começou a rir e eu ri com ela. — Essa é realmente a merda mais triste que eu já ouvi. 112


Eu dei de ombros. Admito que foi uma linha muito brega. — Então Gage está preso a Penelope? — Sim. — Porra, eu sabia! — Kelsey gritou. — Ele se preocupa com sua reputação tanto assim? — Isso é o que me pergunto todos os dias. Rumores vão se espalhar de qualquer maneira. — Uau. — Kelsey balançou a cabeça, se jogando na cama deitada de costas. — Isso é ridículo. Ainda bem que eu não sou famosa. Deitei-me ao lado dela e olhei para o teto. Nós duas estávamos em silêncio por um momento. Eu não sei o que ela estava pensando, mas eu estava pensando em Gage. — Eu sinto falta dele, Kelsey. — Eu sei que você sente. — Kelsey empurrou para cima em seus cotovelos para olhar para mim. — Sabe o que eu acho? Eu olhei para ela. — O quê? — Eu acho que nós deveríamos encontrar Penelope e chutar a bunda dela... Ou quando chegarmos de volta a Nova York, descobrir onde Gage vive e convencer a irmã a dizer-lhe para se livrar de Penelope. Ela é mais velha do que ele, certo? Eu balancei a cabeça. — Irmãs mais velhas sempre ajudam seus irmãos menores. É, tipo, uma coisa automática na vida. Ele pode me dar nos nervos, mas eu mato alguém, se machucarem meu irmãozinho. — Acho que ela enfrentaria a publicidade para o bem e felicidade de seu irmão. Gage não pensa assim , porém. Ele não acha que os meninos vão entender, também. Vai ser tudo culpa dele, se perderem o contrato com o pai dela. Ele prometeu à sua irmã que a manteria fora dos holofotes da mídia, porque ela não gostaria de aparecer. Ele realmente a quer de volta em sua vida e agora que a tem, ele está fazendo tudo que pode para mantê-la por perto. — Isso é besteira... Mas eu admito que isso faz sentido. — Ela se jogou de costas novamente e soltou um suspiro. — Yeah. — Eu concordei. — Então, quando foi a última vez que você falou com David? Revirei os olhos. — Eu não sei. David foi... David. — Eu murmurei. — Isso significa que... ? — Kelsey ponderou. 113


— Eu não sei. — Eu empoleirei em meus cotovelos. — Eu não estava me sentindo bem com ele. Parecia forçado. E eu acho que ele sentiu isso também. — Eu levantei meus ombros, dando de ombros. — Sempre que ficava com ele, pensava em Gage. Eu não queria, mas eu podia evitar. Eu o comparava muito com Gage, e Gage acabava com David, porque era muito mais divertido estar ao redor dele. Era melhor para David e eu sermos apenas amigos. Eu não podia deixá-lo chegar profundo demais comigo. Não posso pegar alguém e quebrar seu coração agora. Eu pensei que por estar com ele que eu iria superar Grendel, mas isso só me fez sentir ainda mais falta dele. Kelsey riu um pouco. — Bem, eu acho que você fez a coisa certa. Esperemos que ele não faça nada estranho na AG quando voltar. Meus lábios fecharam quando eu desabei novamente. — Eu não acho que ele vai ficar muito chateado com isso. Eu disse a ele desde o começo não estava tentando ficar muito sério, especialmente depois de tudo que tinha passado com o meu passado... O que quer que fosse. — Eu acenei minha mão no ar. Eu não poderia mesmo chamá-lo de um relacionamento com Gage. Éramos apenas... Nós. —Não se preocupe, garota. — Kelsey se sentou. — É preciso tempo para superar as coisas. Algumas mais do que outras. — Yeah. — Eu suspirei. — Eu sei.

No dia seguinte, Ben acordou Kelsey e eu bem cedo. — Levantem-se gatinhas! — Ben gritou, puxando o cobertor. Eu gemi e Kelsey resmungou algo sob seu fôlego antes de voltar a deitar de bruços. — Vamos lá! Levantem-se! — Ben gritou. — Ben. — Eu puxei o cobertor do meu rosto para olhar para ele. — Você está brincando, certo? Estamos cansadas! — Não, eu não estou brincando. Tirei o dia de folga para passar com as senhoras... E levar Kelsey às compras. Kelsey se virou de costas, franzindo a testa. — Eu não faço compras tão cedo. Talvez na próxima vez, no entanto. Ela bocejou, mas Ben cruzou os braços e franziu o cenho. — Por favor. — Ele implorou. — Oh, Deus. — Eu gemi, revirando os olhos quando Ben deu suas patéticas piscadinhas de olhos de cachorrinho.

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— Eliza, por favor? Eu minha filha antes que ela se começar a sua vida adulta. É homem muito ocupado. Eu nem

quero passar o meu tempo livre com mude de volta para Nova York para pedir muito? Você sabe que sou um sempre tenho tempo livre.

Apertei os olhos para ele. — Oh, você está realmente puxando esse cartão? — O quê? O cartão de culpa? — Ele coçou o queixo sem cabelo. — Hmm. Sim. Levante-se. Eu ri e Kelsey se sentou. — Eu desisto. — Ela disse. — Uma vez que estou acordada, não posso voltar a dormir, de qualquer maneira. — Perfeito. — Ben apertou as mãos contra o peito dele com um sorriso largo. — Aprontem-se! Nós o olhamos sair para a sala antes de olharmos uma para a outra com expressões maçantes. — Ele é sempre assim? — Perguntou Kelsey, exasperada. — Uma vez que ele é seu “fashionista” neste verão — Eu disse, fazendo aspas com os dedos. — Ele vai ficar cada vez pior. — Eu ri. — Oh menino. —Ela disse, seu tom de voz monótono. — Mal posso esperar. Kelsey e eu nos vestimos em um instante, e depois tomamos café da manhã, nós estávamos em nosso caminho para fora. Ben decidiu ir ao shopping, e logo que estávamos lá, ele nos arrastou por todo o lugar. Lojas de departamentos, depois lojas de departamento. Ben era um verdadeiro maníaco quando vinha para fazer compras e melhorar a aparência. Admito que ele escolheu algumas coisas agradáveis para Kelsey e eu. Kelsey realmente não ligava para como as roupas pareciam enquanto elas se encaixassem e não a fizessem parecer uma vagabunda. A resposta de Ben ao seu comentário mal-humorado foi: — Eu deixo elegante. Nunca sem classe. Experimentamos um monte de roupas para que Ben pudesse aprovar ou desaprovar e tínhamos mesmo parado pelo escritório de um oftalmologista para Ben conseguir para Kelsey alguns contatos. Disselhe que os óculos eram um enorme "não-não" em público. Ele queria que ela tivesse um olhar sexy casual, e por algum motivo eu temia o resultado que Kelsey teria dentro dos próximos dias. — Tudo bem, meninas. — Ben suspirou, puxando seus óculos de sol para colocá-los sobre os olhos. Apressamos-nos para fora da porta de saída com uma carga de sacos em nossas mãos e andamos 115


pelo estacionamento para chegar ao BMW de Ben. — Fizemos toneladas de compras. Estou quebrado. — Nós nos encontramos no carro e ele bateu o porta-malas aberto para nós. Nós o recheamos com nossos sacos, deixando escapar um suspiro de alívio antes de fecha-lo. — O que vocês querem comer? — Ele perguntou enquanto subia no carro. — Eu não sei quanto a vocês, mas eu poderia comer um grande hambúrguer saudável agora. — Disse Kelsey, colocando o cinto de segurança. — Há um lugar agradável ao virar da esquina, que serve ótimos hambúrgueres. — Ben olhou para mim quando ele ligou o carro. Eu dei de ombros. — Em qualquer lugar está bom para mim. Depois que comemos nosso almoço e Ben nos fez um monte de perguntas embaraçosas sobre os meninos e o que nos interessa , fomos para casa. Fiquei contente que Ben tirou o dia para mim, mas também estava desgastada e era apenas três horas da tarde. Ele queria assistir filmes mais tarde, naquela noite, e eu podia lidar com isso. Eu não sei se poderia passar por outra loja de departamento sem desmaiar. Optamos por assistir a um filme estrelado por Rachel McAdams e Channing Tatum. Cerca de vinte minutos depois, Ben e Kelsey tinham adormecido. Eu ri com os dois antes de voltar minha atenção para o filme. Eu não podia deixá-lo ir para o lixo. Além disso, Channing Tatum era mais quente que o inferno. Cerca de 45 minutos no filme, houve uma batida na porta. Eu peguei meu telefone e verifiquei a hora. Era tarde demais para alguém estar batendo à nossa porta, mas tivemos algumas meninas vizinhas chatas que sempre queriam ver se FireNine estava por perto. Eu suspirei, levantando do sofá e colocando a tigela vazia de pipoca em cima da mesa. Marchei em direção à porta e espiei pelo olho mágico. E quando eu fiz, ofeguei e meus joelhos se dobraram. Fiz uma careta para a pessoa que estava do outro lado. Que diabos ela estava fazendo aqui? Como ela sabia onde eu morava? De repente, a raiva tomou conta de mim e eu abri a porta rapidamente, pronta para cuspir fogo. Ela parecia terrível. Seus lábios estavam rachados. Seu cabelo loiro estava encaracolado, uma bagunça crespa em cima da cabeça dela. Tinha perdido muito peso (provavelmente pelo abuso de drogas), e seu sorriso revelava dentes terrivelmente podres. Ela parecia nojenta. — Olá, Liza. — Debra, minha mãe, disse sorrindo.

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VISITA INESPERADA ue diabos você está fazendo aqui? — Eu rosnei. — Estou aqui para dizer olá — Ela disse, ainda sorrindo. — Como você soube onde vivemos? — Eu sei um monte de coisas. Conheço as pessoas. — Fiz uma careta para ela e comecei a fechar a porta na cara dela, mas ela me parou com a mão. Para uma drogada parecendo merda que poderia ter passado por uma anoréxica, ela estava muito forte. — Segure-se agora. — Eu abri a porta, franzindo a testa. — Eu queria falar com você. Eu ouvi sobre sua graduação. Não posso acreditar que você realmente fez alguma coisa por você mesma. — Por que. Você. Está. Aqui? — Estou aqui para apanhar, é tudo. — Não há nada para apanhar. — Eu comecei a fechar a porta novamente, mas sua gargalhada me fez parar. — Que diabos é tão engraçado? — Você tem bolas agora. Há quanto tempo elas caem? Quando você disse adeus ao menino bonito da banda? Ou foi quando Jason te levou a todas aquelas lutas com garotas? Meus olhos se estreitaram e verdadeira raiva encontrou o seu caminho para a superfície. — Desculpe-me? — Você me ouviu. — Ela revirou os olhos. — Olha, eu tenho um pequeno favor para lhe pedir. Jason está tendo dificuldade em encontrar um emprego. Precisamos de um empréstimo. Ben tem todo esse dinheiro agora. Você saindo com aquele garoto roqueiro. Um de vocês poderia nos dar alguma coisa. — Ben não está lhe dando uma merda depois que você lhe roubou tudo o que tinha. — Eu fervia. — Você realmente tem a audácia de ficar na minha frente e pedir dinheiro? — Ben me deve um monte de pensão de anos atrás. — Ela disse, cruzando os braços ossudos.

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— Ben não lhe deve nada, mãe! Ou devo chamá-la de Debra? Você com certeza maldita não era uma mãe para mim. — Eu cruzei os braços, refletindo sua postura e encostando na armação. Debra riu, olhando-,e por cima enquanto lambia os lábios rachados. — Isto é di-ver-ti-do. Eu juro que é. Olhe para você, toda crescida. Pé no chão. Tentando ser uma mulher. — Debra deu um passo para trás. — Deixe-me apenas chamar Jason aqui. Aposto que ele vai levá-la a quebrar. Ela realmente estava me irritando. Eu dei um passo para fora e fechei a porta, ficando cara a cara com ela. — Foda-se você e foda-se Jason. Vocês não me assustam mais. — Diga isso na minha cara, menina bonita. — A voz profunda de Jason explodiu atrás de Debra e ela sorriu, dando um passo para o lado para que eu pudesse vê-lo. E assim que eu o vi, pânico prevaleceu. Eu inalei, engasgando com minha própria saliva. Jason estava maior. Desleixado e maior. E ainda repulsivo. E intimidante. Toda a minha coragem foi pelo ralo com a visão dele. Era quase como se todas as memórias dele me jogando de costas voltassem. Ele deu passos lentos para frente com seu macacão cascudo. Sua barriga de cerveja se expandiu e alguns dentes estavam faltando em seu sorriso misterioso. — Você está bem. — Disse Jason. — Boa como o inferno. E se você parecer bem, então pode nos dar algum dinheiro que ela pediu. Nós criamos você. Nós cuidamos de você. É só isso mesmo. Você nos deve. — Foda-se. — Eu disse asperamente. — Oh? Foda-me? — Risada de Jason cresceu em todo o pátio. — A pequena velha Eliza cresceu parecida comigo. Eu balancei minha cabeça. Eu não ia deixá-los ganhar. Não esta noite. Não depois de toda a merda que me fizeram passar. Não depois que me atiraram ao redor e abusaram de mim. Não depois que eles roubaram de meu pai todos os seus pertences. Não depois de tudo que diabos eu tive que passar na vida simplesmente porque não tinham coração suficiente para cuidar de mim ou do meu bem-estar. — Sim. — Eu respondi. — Foda-se. Jason deu mais um passo e agarrou meu braço. Debra deu um passo de distância, sarcástica quando ela cruzou os braços e observou. — O que diabos você acabou de me dizer? — Foda-se! 118


Jason me agarrou pelo pescoço com a mão livre e eu me engasguei quando ele me levantou pelo pescoço como uma pluma. Ele me prendeu contra a grade da varanda e eu ofeguei por ar, agarrando sua mão de urso. — O que é isso agora? — Jason resmungou, seus olhos verdes furando buracos nos meus. — Não a deixe ferida, J. Nós ainda precisamos dela para levar algum dinheiro. — Foda-se o dinheiro agora. Ninguém fala comigo desse jeito. — Jason segurou com mais força, e eu tentei gritar por socorro, mas era inútil. Eu não conseguia respirar. Ele estava quase esmagando meu esôfago. — Precisamos ensinar-lhe uma lição. Só porque ela vivendo com um menino rico e um viado da porra não significa que algo mudou. Você vai me respeitar e me como sempre fará. Você entendeu? Eu preferia ser sufocada até a morte a dar-lhe qualquer tipo de satisfação. Jason agarrou cada vez mais duro, à espera de eu dizer alguma coisa. Nada. Eu queria falar. Eu queria dizer-lhe que sim e que ele sempre tem algum tipo de poder sobre mim. Ele assustou a vida fora de mim, e eu sabia que seria assim para o resto da minha vida. Sempre com medo. Sempre preocupada. Mas eu o odiava. Eu queria ser forte pela primeira vez. Porém, assim quando eu estava prestes a pedir-lhe para parar, alguém segurou Jason pelo ombro e o puxou para trás. Eu caí no chão e suspirei por ar, mas eu vi tudo. Roy empurrou Jason para trás e pulou em cima dele. No início, eu pensei que estava vendo merda, então olhei para Debra, que estava olhando para eles, chocada, e soube que talvez fosse real. E então Montana correu para a varanda, ajudando-me a levantar. — Está tudo bem, Eliza? — Ele perguntou, com os olhos cheios de preocupação. Eu balancei a cabeça, mas não pude deixar de observar a briga acontecendo na minha frente. Roy estava em cima de Jason e seus punhos estavam batendo em seu rosto. Jason estava tentando empurrá-lo para fora, mas Roy não estava com ele. Eu não podia ver o rosto de Roy, mas sabia que ele estava chateado. Por que ele iria ficar puto? Que diabos ele estava fazendo aqui? E por que ele iria lutar por mim? Mudei um pouco, ouvindo algo como ossos rangerem. Roy estava espancando a merda fora de Jason... E eu não ia impedi-lo. Nem Montana.

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— Pare! — Debra lamentou, correndo as escadas da varanda para pegar Roy. Roy não se moveu. Ele continuou batendo até os dedos sangrarem. E então levantou o punho no ar, enrolando-se para o seu último golpe. Ele bateu na cara de Jason e a cabeça de Jason caiu para o lado. Roy o nocauteou frio. — Que porra é essa, por que você fez essa merda nele? — Debra gritou para Roy. Roy pulou para cima, com o rosto mais pálido do que uma folha de papel. Ele estava zangado e vendo a sua ira era chocante. — É melhor começar a dar o fora daqui ou você é a próxima. — Roy rosnou. Assim que ele disse isso, a porta da frente se abriu atrás de mim e Ben tropeçou com os olhos arregalados. — O que diabos está acontecendo aqui? — Ben deu uma olhada ao redor e então suspirou. — Debra. — Ele chamou, olhando para ela com as sobrancelhas vincadas. Debra fez uma careta para ele antes de se abaixar para pegar o marido desleixado. Ela lutou o tempo todo, mas conseguiu eventualmente. — O que diabos está acontecendo? — Ben perguntou de novo, desta vez franzindo a testa. — Não está acontecendo merda nenhuma. Nós estamos saindo. — Debra estalou. — O inferno que você está. Eu tenho contas para acertar com você. — Uma outra vez, rapaz gay. — Debra acenou com a mão no ar antes de se virar. A carranca profunda tomou conta do rosto de Ben então. A próxima coisa que eu soube, ele invadiu descendo as escadas da varanda e marchando para ela. Debra o viu chegando e virou-se, sem se atrever a recuar, mas antes que Ben pudesse chegar até ela, Roy e Montana correram para ele e agarraram Ben para detê-lo. — Você vem na porra da minha casa de novo e vai se arrepender, cadela! Você está me ouvindo? — Ben rugiu. — Eu deveria te bater, te foder por deixar aquele bastardo sujo colocar as mãos na minha filha! — Oh, não importa. — Debra acenou novamente e virou-se, arrastando um Jason quase inconsciente. Ela o jogou na caçamba de seu caminhão esfarrapado e, em seguida, correu para o assento do motorista. Ela estava tentando ser ousada, mas eu sabia que ela estava com medo de seu juízo. Ela era uma covarde, sempre tinha sido, e teve sorte que estava fugindo. Jason tinha perdido a luta ela pensou que ele ganharia. Todos nós vimos seu abalado caminhão sair da calçada, deixando um rastro de poeira atrás dele. Eu respirei fundo, balançando 120


a cabeça e baixando-me na cadeira de balanço mais próxima. E então ele veio até mim, como um tijolo jogado em meu peito. Agarrei meu coração pela minha camisa, respirando irregularmente, implorando por todas as memórias para parar. Eu não conseguia respirar. Foda-se. Eu não conseguia respirar. — Eliza? — Ben chamou, marchando até os degraus da varanda. — Eliza, bebê? Eu não poderia responder a ele. Eu não poderia dizer-lhe que estava tudo bem, porque não estava. Eu pensei que todos os pesadelos tinham ido embora, que nunca teria que me preocupar com ela ou Jason novamente, mas estava errada. Vendo ele trouxe tudo de volta, e eu odiava o quão fraca eu era. Eu não tinha pensado sobre eles por tanto tempo. Eu quase esqueci sobre eles, o que estava bem. Os pesadelos pararam. Tudo. — O que diabos está acontecendo com ela? — Eu ouvi Montana perguntar. — Ela só tem que respirar. — Ben murmurou. — Respire, Eliza. Eles não valem a pena. — Roy Disse. Fiquei surpresa que ele falou. Fiquei ainda mais surpresa quando ele continuou falando. — Eu posso dizer que você está lutando contra isso há anos de modo a manter combatendo-os. Não os deixe ganhar. — Olhei para ele sob meus cílios e minha respiração pesada sufocando. Ele estava olhando para mim, seus olhos escuros bem abertos, os dedos enfiados nos bolsos. — É tudo uma questão de respirar e seguir em frente hoje em dia. Por alguma razão, ouvindo-o me acalmou um pouco. Eu não esperava que ele falasse ou desse um mini discurso. E a maneira como ele falou o fez parecer sábio, como se tivesse passado por tudo isso antes. Como se ele soubesse o que é ser forte em tudo. Roy olhou para mim e eu mexia na minha cadeira de pé com os joelhos vacilantes. Ben perguntou se eu estava bem e assenti. — Precisa de seu inalador. — Ele perguntou. — Não. — Respondi asperamente. — Eu estou bem. — Tem certeza? — Perguntou Montana, inclinando a cabeça. Eu balancei a cabeça sorrindo para ele. — Por que vocês estão aqui? — Perguntou Ben, verificando o relógio. — Isso não parece algo de vocês.

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— Nós estávamos na cidade e pensei que seria melhor vir falar com a Senhorita Eliza enquanto estávamos por perto. — Montana disse, encolhendo os ombros. — Tem alguma merda séria acontecendo e é hora de liquidá-la. — Oh. Será que isso tem a ver com a banda? Ambos concordaram. — Vou ficar chateada? Eles acenaram novamente. — É... Não... Algo que eu deveria saber? — Trata-se de Gage e Eliza. Apenas alguns assuntos pessoais. — Disse Roy. Isto me pegou completamente desprevenida. Eu bati o meu olhar sobre ambos. Ben levantou as sobrancelhas e suspirou. — Assuntos pessoais, hein? Normalmente, eu sou o único a ser intrometido, mas acho que vou ficar de fora desta vez. Não se pode misturar negócios com questões pessoais. Vou de cabeça para a cama. — Ele tampou meus ombros, e eu olhei em seus olhos. — Você tem certeza que está bem? — Eu estou bem, Ben. Prometo. Ele suspirou, passando os dedos pelo cabelo. — Deveria ter me deixado chutar a bunda dela. — Ele murmurou, agarrando a porta aberta. — Isso não teria sido muito bonito, chefe! — Montana começou a rir. — Eu acho que você está esquecendo que ainda carrega bolas naquelas suas calças apertadas. Ben soltou uma risada boa. — Touché, Delray. — Com isso, Ben entrou na casa e fechou a porta atrás de si. Eu sentei no primeiro degrau da varanda e Roy suspirou, empurrando seu cabelo fora de seus olhos. — Você acha que é uma loucura aparecermos aleatoriamente, não é? — Ele perguntou. Eu dei de ombros. — Você me salvou, assim, não em tudo. Ele desviou os olhos e riu enquanto Montana incrementou. — Nós não deveríamos vir para cá. — Disse Montana. — Gage disse para nós não virmos e nós tentamos, mas não vamos deixar essa merda continuar por mais tempo. — Do que você está falando? — Eu perguntei, vendo a troca de olhares entre os dois. 122


— Gage e Penélope, isso é o que é. — Roy disse. Era tão estranho ouvi-lo falar tanto comigo. Eu nunca pensei que veria isso acontecendo. — Ele não tem coragem de dizer ou fazer, então eu vou dizer. Ele não está feliz. Ele está indo para fora de sua mente fodida lidando com Penélope e sua irmã doente. — Gage está perdido, homem. — A voz de Montana vacilou, e foi ruim ouvi-lo assim. Isso me assustou, porque ele estava assustado e preocupado, e eu nunca pensei que fosse possível. Não de Delray. Ele nunca se preocupava. — Isto está fodendo com a banda. Eu geralmente não ligo para o seu drama ou daquela vadia, mas quando nos envolve, eu tenho que fazer alguma coisa. — Você sabe? — Eu perguntei, estreitando os olhos. Roy concordou. — Yeah. Nós sabemos. Não foi muito difícil descobrir. Sabemos o que o pai de Penelope é para nós. E nós sabemos que Gage não pode suportá-la. — Ela é uma puta merda subserviente. — Montana murmurou. Roy olhou para mim com os escuros olhos tristes. — Gage é fodidamente apaixonado por você. Ele sente sua falta. Ele fala sobre você o tempo todo que estamos juntos, o que é muito. Viemos porque queremos que você o ajude. Nós ouvimos que você está indo para o trabalho em Nova York agora... por Ben. Queremos que volte cedo e fale com Gage, enquanto ele está de volta à cidade com Kristina. — Eu - eu não posso fazer isso. Tem sido assim por muito tempo. Gage e eu não somos... — Você e Gage foram felizes juntos. Eu sei como é esse sentimento. Quando você sente vontade de dar o seu tudo para alguém, mas escolhe o caminho oposto... — Roy murmurou. — Senti-me como Gage quando você entrou em turnê com a gente há alguns verões. —

O

que

você

quer

dizer?

Eu

sussurrei.

Roy suspirou, mordendo o lábio. — Quero dizer, eu sei como se sente ao pensar que alguém vai ficar com você pelo resto da sua vida, mas, em seguida, vai embora quando você mais precisa deles. — Droga. Talvez Kelsey estivesse certa sobre Roy ter estado apaixonado antes. — Havia uma razão pela qual eu sempre fiquei longe de você. — Roy disse. — E havia uma razão pela qual eu estava tão amargo quando você estava por perto... — Oh, isso é bom. — Montana zombou, deslizando os dedos nos bolsos. Roy deu-lhe um olhar severo e Montana simplesmente encolheu os ombros. 123


— Por quê? — Perguntei. — Bem, agora que penso nisso, era meio rude e falho da minha parte... Mas era porque você me fazia lembrar dela. O nome dela era Rosemarie. E a chamava de Rose. Ela tinha cabelos loiros, como os seus. Ela sorria... Como você. E ela estava correndo atrás de um sonho... Assim como você. Você tinha muito em comum com ela e isso assustou a merda fora de mim. — Roy olhou para mim com olhos severos. Depois de um momento, ele desviou o olhar, olhando para frente, no campo em frente a nossa casa. — Eu deveria ter visto isso vindo, no entanto. Não é como se ela não falasse sobre seu trabalho dos sonhos a cada dia. Ela queria ser professora. Ela adorava crianças, e ainda falou sobre ter filhos. Ela era uma pessoa do povo... Longe de ser o que eu era. O que eu nunca vou ser. Eu não podia suportar estar perto de pessoas. Era só eu, ela, meu violão e minha banda. Nada mais. A banda tem sido como irmãos desde então. — Roy riu, abaixando o olhar. Montana riu com ele, como se lembrassem do dia em todos eles se conheceram. — Eu me lembro de quando a banda teve a grande chance. Estávamos entusiasmados como o inferno, eu estava animado como o inferno. A primeira pessoa a quem contei foi a minha mãe. Ela estava mais do que feliz por mim. A segunda e última pessoa que eu disse foi Rose, e ela estava feliz por mim... Mas não em êxtase sobre isso. Este trabalho com a banda significava viajar, e... Bem, ela não estava triste com isso. Discutimos muito sobre isso. Eu queria que ela viesse comigo, ela queria ficar. Comecei a viajar mais, ela começou a se afastar de mim. Voltei para casa de uma excursão um dia e pensei em pedir para ela se casar comigo. Eu amava aquela garota. Eu teria feito qualquer coisa por ela e eu a queria na minha vida, para o resto da minha vida. — Roy parou de falar de repente, engolindo um caroço pesado em sua garganta. — O que aconteceu? — Perguntei. Ele permaneceu em silêncio. Ele olhou para o campo novamente e respirou fundo antes de liberá-lo. — Eu a vi... Com outro cara. E o que mais dói é que ela parecia feliz com ele... De um jeito mais feliz do que ela já tinha sido comigo. E não muito tempo depois, minha mãe morreu. Nesse ponto, foi demais para me segurar. Engoli em seco. Sua mãe estava morta? Uau, isso explica muito sobre Roy. Eu aqui pensando que Roy era um garoto emo que cortava a cabeça de gatinhos e dissecava lagartos quando o que ele realmente estava passando era pela dor. Mágoa. Eu vi o que Kelsey estava falando.

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A dor que estava sempre atrás de seus olhos. O olhar distante, ele não tinha nenhum controle sobre isso. Eu fui ao verão passado na minha cabeça e lembrei-me de como Roy não podia sequer suportar a minha visão durante o início da turnê. — Roy, eu sinto muito. Ele me dispensou. — Não precisa se desculpar. Aconteceu há vários anos. Eu aprendi a lidar com isso. — Em silêncio? — Eu perguntei. — Yep. Eu não sou uma pessoa muito falante. Além disso, caí ainda mais apaixonado por música e, até hoje, vou me concentrar apenas nisso. Eu nunca dirigiria para fora desse caminho. Falta de direção significa merda como a que Gage está passando, e eu realmente não estou procurando esse tipo de drama. — Roy riu e eu ri. — O que Gage está passando é estreita besteira. — Montana murmurou. — Olha, gente... Estou feliz que vocês vieram por ele e tudo, mas eu não acho que possa ajudar. Gage vai deixar Penelope ganhar. Ele disse isso no último dia que o vi. — Então você prefere que ele se case com ela? E quanto a você? — Perguntou Montana. — Você vai ser infeliz. Você vai odiá-lo por isso. Eu posso não namorar, mas sei como as meninas pensam. — Bem, se ele se casar com ela, vai ser além do meu controle. Se ele realmente não quisesse isso, iria sair fora. Montana coçou o piercing na sobrancelha. — Ele já adiou o casamento quatro vezes. Há tanta coisa que ele pode fazer para adiar. Penelope está em sua última palha com ele. Ela quer que seja feito agora. Roy suspirou, levantando-se e tirando a poeira de sua bunda. — Sabemos que é muito para você resolver agora, então vamos deixá-la pensar sobre isso. Deixe marinar. Dissemos a Gage que nós não nos importamos. Ele tem esses grilhões enrolados em torno de seus tornozelos e faríamos qualquer coisa para libertá-lo, mesmo que isso signifique quebrar o contrato e encontrar outra pessoa. Conhecemos Blinds, e quando algo der errado com sua filha, isso vai ser ruim para todos. Ele vai nos despedir... E nós estamos preparados para isso. Mas Gage não quer ser o culpado, por isso ele está preso. Agora, o que está mais o preocupando é Kris. Não é nem mesmo sobre a banda. — Eu me levantei com Roy e ele enfiou a mão no bolso atrás de uma folha de papel dobrada. — Me ligue quando você mudar de ideia, Eliza. — Eu 125


peguei a folha de papel com ele e o assisti andar para longe com os dedos nos bolsos da frente. Quando ele pulou em seu Porsche, eu suspirei. — Eliza, é justo. — Montana disse, olhando nos meus olhos. — A vida de Gage sem você é apenas... Deprimente. Você ainda o ama, não é? — Claro que sim. — Retorqui. — Então aja como tal. Não estou dizendo que Gage está certo dessa vez. Ele está sendo um idiota, mas vejo onde ele está indo. A família sempre vem em primeiro lugar, não importa o quê. Faríamos qualquer coisa por ele... É por isso que viemos. Ele sabe disso, mas não aceita. — Ele me puxou para um abraço. — Ele ama a sua Doce Ellie. Ele sente falta dela. — Ele brincou. Eu ri em seu peito duro. — Pense nisso. — Ele disse, afastando-se. — Neste momento, ele acha que você perdeu o seu amor por ele. Mas eu vejo isso. E se você puder provar para ele que há algo para se segurar e lutar por isso, talvez ele vá fazer o que é certo. Ele sabe que vai acabar perdendo sua irmã um dia e acha que não terá nada. Você deve provar a ele que depois que ela se for, ele ainda vai ter alguém. Você tem que lutar com ele agora. Estaremos aqui até amanhã à tarde. — Montana forçou um sorriso para mim, depois virou-se, correu para o carro, e eles se foram. Eu os assisti desaparecer e, em seguida, entrei na casa, indo para o meu quarto para tomar um longo banho muito necessário. Depois do banho, deitei-me de costas e olhei para o teto. Tanta coisa estava correndo pela minha mente e eu odiava que tudo que conseguia pensar era em Gage. Eu não queria que ele se casasse com Penélope, mas o que poderia fazer sobre isso? Ele já me disse que estava escolhendo a segurança de sua família em cima de mim, e eu não podia competir com isso. Montana estava certo. A família vem em primeiro lugar. É sempre assim. Mas mesmo que eu fosse vê-lo, como saberia que ele iria lutar? Durante o meu tempo olhando com o teto, algo me veio à mente. Saltei para cima e olhei para frente, lembrando-me do que Kelsey disse no dia anterior: “Eu acho que nós deveríamos encontrar Penelope e chutar a bunda dela... Ou quando chegarmos de volta a Nova York, descobrir onde Gage vive e convencer a irmã a dizer a Gage para se livrar de Penelope.” Eu não chutaria a bunda de Penelope, mas poderia ir adiante com a segunda parte disso - convencendo Kristina. Falando com 126


Kristina sobre isso poderia ajudá-lo. Poderia ajudar a banda. Gage amava sua irmã e ele faria qualquer coisa por ela. Acho que ela não tinha ideia sobre o que estava acontecendo e ele queria ficar desse jeito. E talvez se ela descobrisse, entraria em ação. Ela ajudaria seu irmão. Eu pulei da cama num piscar de olhos e peguei a folha de papel da minha mesa discando o número de Roy e esperando que este meu plano funcionasse.

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OLHOS ARREGALADOS en nos acordou cedo novamente no dia seguinte para que ele pudesse dar a Kelsey sua “reforma” antes de sair para o trabalho. Eu não consegui dormir muito na noite anterior. Talvez duas horas. Havia tantas coisas correndo pela minha mente e eu não poderia desligá-las. Tudo o que eu podia ver era os olhos cor de avelã. Os olhos esverdeados. Olhos irritados. Olhos felizes. Olhos aliviados. Era tudo uma mistura da paz de espírito que eu estava e da dor que uma vez carreguei. Eu ainda não podia acreditar que Debra veio com Jason à nossa casa. Era melhor não pensar nisso, Ben insistiu, mas era difícil. As lembranças eram sempre duras, mas depois de um tempo pensando, a visita de Roy e Montana me veio à mente e, em seguida, veio Gage. Eu nunca poderia pensar em outra coisa quando chegava a ele. Eu admito que era um tipo de ajuda para esquecer a noite anterior. Depois que pegamos as lentes de contato de Kelsey e comemos o café da manhã no restaurante mais próximo, estávamos de volta em casa em um momento. Era engraçado ver Kelsey inquieta em sua cadeira enquanto Ben arrancava as sobrancelhas, ajeitava o cabelo, e lhe dava uma escolha de brincos. Ela estava completamente ignorante sobre que brincos usar com a roupa que Ben escolheu, e para ser honesto, eu sabia exatamente como ela se sentia, porque não sabia nada sobre moda, até meu pai me arrastar para isso. — E agora, para o rímel. — Ben disse, sorrindo quando ele pegou um tubo de rímel. — Você tem cílios lindos, mas tem que fazê-los ficar para fora e ser ousada dando-lhes um apelo impecável. Estou tentando ir para o olhar mais natural, como o de Eliza. Nenhuma base e sem batom. Apenas gloss, delineador e rímel. Claro, senhorita Exigente lá nunca usa a maquiagem que eu digo para ela usar de modo que não esperava que você quisesse. — Ben suspirou, abrindo o tubo. Eu ri, cruzando os braços e inclinando-me contra o marco da porta. Assim quando Ben começou a aplicar o rímel, a campainha tocou e eu lhes disse que iria atender. Comecei a descer o corredor, sabendo exatamente quem estava esperando do lado de fora da porta. Quando fui abri-la, achei Roy ali em uma blusa amarelo e cinza, calça jeans escura e um par de tênis Nike. 128


Eu encontrei seus olhos e ele forçou um sorriso, dando uma onda de luz. — Bom dia. — Ele disse. — Hey. Venha. — Eu insisti. Ele entrou e eu liderei o caminho para a cozinha. — Quer alguma coisa? Cerveja? Água? — Vou tomar uma água. Eu balancei a cabeça, abrindo a geladeira para tirar uma garrafa de água. Roy realmente não bebia muito, mas não era o meu negócio. Depois de entregar -lhe a garrafa de água, sentei-me em um dos bancos abaixo da ilha e Roy sentou perto de mim. — Portanto, aqui está o endereço para o seu condomínio. — Ele disse, deslizando uma folha de papel para mim. Roy tinha tatuagens em todos os lugares. Literalmente. Suas mãos e dedos, também. Isso me surpreendeu. — Ele normalmente pratica no estúdio no período da manhã entre oito e onze horas, por isso é provavelmente melhor ir assim que ele sair. Sempre que você estiver pensando em aparecer, basta ligar para mim para que eu possa ter certeza de que ele está fora do seu lugar. Eu balancei a cabeça, apertando os lábios. — Você acha que isso vai funcionar, Roy? — Por que não? — Bem, porque eu não sei nada sobre sua irmã além de que ela está doente e costumava ser como uma segunda mãe para ele. Roy suspirou, pegando a água e torcendo a tampa. Ele tomou alguns goles e, em seguida, colocou a garrafa no balcão, levantando os braços para descansá-los sobre os topos das cadeiras ao lado dele. — Eu falei com Kristina algumas vezes, e ela é uma das mais generosas mulheres que eu conheço. Ela age como Gage, só que ela é pateta e tem uma vagina. Eu ri quando Roy fez. — Então isso significa que...? — Isso significa que eu sei que Kristina irá ajudá-la. Ela vai fazer qualquer coisa por ele, como ele vai fazer qualquer coisa por ela. Ela se sente horrível pelo que diabos o fez passar. Por roubá-lo. Ele não lhe disse nada sobre Penelope. Ela acha que ele realmente a ama e que está adiando o casamento para cuidar dela. Por alguma razão ela não está questionando por que ele está adiando. Ela está tipo... Olhando por cima disso. Eu meio que percebi algo. — Você sabe sobre isso?

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— Sobre o quê? Kris roubá-lo? — Ele encolheu os ombros. — Ele não me disse. Ela o fez. — Uau. — Yep. E ela se arrepende. Tudo o que ela fala sobre o que teria feito de forma diferente ou o que quer fazer por ele agora. Ela é uma boa pessoa, e não tenho dúvida de que quando você for lá, ela vai perceber o quanto o ama. Eu posso ver isto, então sei que ela vai ser capaz de fazer. Ele falou sobre você para Kris algumas vezes, mas não o fez um grande negócio. Você conhece a música nova que acaba de ser lançada? — Não, mas eu ouvi falar sobre isso. — Bem, Kris ajudou a escrevê-la e todos nós sabemos que é sobre você. Nós só mentimos para o público e concordamos em dizer que eu escrevi. Agora todo mundo está me perguntando sobre tudo, porque o estou cobrindo. Besteira, certo? Eu dei de ombros. — Eu acho que sim. Roy inalou, em seguida, lançou uma expiração profunda. — Eu sei que isso vai funcionar. Você sabe que vai funcionar. Acho que uma vez que ele a ver novamente depois de tanto tempo, vai abrir os olhos e perceber que não tem sido o mesmo nos últimos dois anos. — Roy inclinou-se e sua colônia soprou passando pelo meu nariz. Ele cruzou os dedos e olhou nos meus olhos, sorrindo. — Isso pode parecer loucura e tudo mais, mas eu confio em você. Eu me importo com Gage. Eu me importo com a sua felicidade. Quando a vi pela primeira vez, eu disse-lhe para ter cuidado com você. Eu podia ler você como um livro, e por algum motivo eu sabia que você seria a única que acabaria o prejudicando, e não o contrário. Uma menina com sonhos e prioridades não é alguém para se brincar. Quando ela sabe o que ela quer, ela vai atrás disso. — É verdade. — Lembra-se da precipitação com Deed no verão passado? — Yeah. — Eu estremeci com o pensamento disso. — Eu vi essa merda vindo há uma milha de distância, e não sobre o seu padrasto abusando dele, mas sobre ele ficar chateado com Gage pendurado em você. Eu estava lá quando Deed disse a Gage para ser seu parceiro de turnê. Eu estava lá quando Deed disse a Gage que precisaria dele mais do que nunca, durante a turnê. Eu não sabia a razão por trás disso, mas sabia que era algo ruim. Nunca perguntei sobre isso. Não era o meu negócio. — Roy passou as mãos pelo rosto. — Você sabe que é amor quando se arrisca a destruir uma amizade por 130


uma garota que acabou de conhecer. É amor quando você quer gastar todo momento com essa pessoa, pois isso te faz se sentir inteiro. Vivo. — Eu admito que não gostava de você porque Gage sempre quis estar perto de você. Não era saudável para a banda. Ele não estava se concentrando tanto quanto deveria porque ele estava com o objetivo de chamar sua atenção. Para capturá-la. Eu disse a Gage desde o início para não levá-la mais longe do que um caso leve, mas então ele se vira e cai de malditos joelhos com lágrimas nos olhos. Eu sabia que estava prestes a acontecer, especialmente quando o vi com Penelope logo depois que ele passou a tarde e noite inteira com você. Ele fodeu tudo. Ele sabe disso. Ele fala sobre como mudaria essas duas últimas noites a cada dia. Ele teria feito qualquer coisa para mantê-la por perto... E era isso que eu temia. Seu apego a você quando soube que partiria de qualquer maneira. Eu disse a ele que não era seguro te amar muito, mas ele me ignorou e eu não o culpo. Você não pode lutar contra o amor. É impossível. Eu estava apenas dando-lhe uns toques. — Eu não tinha muita escolha. — Eu murmurei. — E eu me desculpei. — Eu sei. — Roy sorriu, me olhando por cima. — E eu estou feliz que você realmente tentou dar-lhe outra chance. Só é ruim que ele seja o único que fodeu tudo dessa vez. — Yeah. — Forcei um sorriso, baixando meu olhar. Eu estava prestes a dizer algo mais, mas quando o grito de Kelsey ecoou pela casa, eu apertei minha boca fechada. Passos começaram a descer pelo corredor e em apenas um segundo, ela apareceu na cozinha com um largo sorriso estampado no rosto. Ela estava prestes a falar, mas quando ela olhou para Roy, ela fechou a boca e seu sorriso caiu em um instante. — Uh... Puta merda. — Ela deu um passo para trás, os olhos verdes arregalados. Roy olhou para ela e inclinou a cabeça, um leve sorriso nos lábios. — Eu estou vendo merda, né? — Ela perguntou, ainda olhando para Roy. — Certo, Liza? Ele é... Ele não está aqui. Por que Roy Sykes estaria sentado em sua cozinha agora? Eu ri e Roy continuou seu sorriso, cruzando os dedos em cima do balcão. Nem uma vez ele olhou para longe de Kelsey. E se eu não estava enganada, ele a estava admirando. Eu não acho que já vi Roy olhar para ninguém dessa forma. Normalmente, ele olhava como punhais, mas com Kelsey, parecia que corações imaginários flutuavam acima da cabeça e as estrelas brilhavam em seus olhos. Olhei para 131


Kelsey novamente e sorri. Ela parecia incrível. Ela usava jeans branco skinny, sandálias, joias e uma blusa verde-oliva. Seu cabelo estava reto, liso, e parava apenas na altura do peito. Seus lábios estavam encobertos, e Ben estava certo. Com o rímel, ela parecia extremamente impecável. Kelsey já era muito para mim, mas neste momento, ela estava linda. De tirar o fôlego. Roy finalmente arrancou seu olhar e limpou a garganta. Ele se levantou de seu banquinho e empurrando-o, agarrando a garrafa de água. — Bem, Eliza, eu tenho que ir. — Disse ele, roubando outro olhar para Kelsey antes de encontrar meus olhos. — Eu tenho que ir buscar Montana na casa de sua mãe. Apenas deixe-me saber quando você está pronta e vamos a partir daí. — Yeah. Eu ligo para você. Roy concordou com a cabeça e, em seguida, olhou para Kelsey novamente, com um sorriso suave espalhando em seus lábios. Eu pensei que ele ia dar a volta e seguir para a porta , mas em vez disso, ele fez o seu caminho para ela e estendeu a mão. — Seria indelicado da minha parte não me apresentar. — Ah... Eu já sei quem você é, então não... — Roy Sykes. — Ele agarrou-lhe a mão, levantou-a aos lábios e a beijou, ao mesmo tempo, olhando em seus olhos. — O guitarrista de FireNine. — K- Kelsey. Kelsey Prior. — Prazer em conhecê-la, Kelsey. — Roy sorriu para ela uma última vez e, em seguida, virou-se, apontando para mim. — Mais tarde, Eliza. Acenei quando ele saiu da cozinha e seus passos batiam em todo o assoalho de madeira. A porta se abriu, se fechou, e eu respirei, olhando para Kelsey. Ela estava olhando para frente, ainda em choque completo. A mão que Roy tinha beijado ainda estava em frente a ela e sua boca estava aberta. Eu ri, fazendo meu caminho para o seu lado. — Bem, isso não era como Roy. — Não. — Ela suspirou. — Claro que não, não era. Ele nunca flerta. Tipo, nunca. — Eu acho que ele está interessado em você. — Sério? Você acha?

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— Yeah. Nem uma vez Roy falou com uma menina enquanto estava em turnê no ano passado. O que ele fez com você foi uma espécie de... Chocante. Doce. Eu honestamente não esperava por isso. — Eliza. — Kelsey agarrou minhas mãos, sorrindo de orelha a orelha. — Você tem que nos ajudar. Você tem! Eu dei um leve sorriso. — Eu posso tentar na próxima vez que conversarmos. — Okay. Oh meu Deus. Caramba, ele é tão quente. E seus lábios eram suaves e perfeitos. Quero senti-los nos meus! Agh! — Ela saltou para cima e para baixo, apertando as mãos contra o peito. Eu não podia deixar de rir com ela. — Então o que é toda essa conversa sobre você ligar para ele? O que ele está fazendo na Virgínia? — Ele e Montana estavam na cidade e pararam para uma conversa. Nós pensamos que seria inteligente falar com a irmã de Gage em pessoa como você disse. Para convencê-la. Ele diz Kristina faria qualquer coisa por Gage, e nós vamos descobrir isso. Vale a pena um tiro, né? — Espere, não é a sua irmã que fica em seu apartamento em Nova York? Você vai voltar cedo? — Sim, Kelsey. Eu sinto que não tenho escolha. O casamento é no próximo sábado e Montana disse que Penelope não está deixando Gage adiar novamente. Eu não quero que ele cometa esse erro. Eu vou me arrepender de não falar com ele sobre isso. Tudo isto é estúpido. A banda está disposta a fazer qualquer coisa por Gage. Se eles vão, eu sei que Kris vai. Eu não sei o que está acontecendo com Gage agora. Ele precisa de alguém para esbofeteá-lo fora disso. — Isso é tudo o que precisa? — Ela perguntou, sorrindo. Eu fiz uma careta. — Do que você está falando? — Tudo o que foi preciso foi Roy Sykes para você agir? Eu pressionei meus lábios, mordendo um sorriso. — Honestamente... Sim. Roy nunca fala merda. E ao ouvi-lo falar com sabedoria... A merda me chocou. Mas eu sinto falta de Gage. Não importa quão magoada eu esteja, eu quero ajudar enquanto eu posso. — Bem. — Kelsey suspirou, passando os dedos pelos cabelos. — Se você está indo, eu vou com você. — Eu não quero que você seja apanhada na nossa merda. 133


— Sua merda é minha merda. Comecei a rir, assim como ela fez. — Isso soou grosseiro. — Hey. — Ela encolheu os ombros. — Você sabe o que eu quis dizer. Você é minha garota e eu quero ajudar. Você ainda o ama. Eu vejo isso em todo seu rosto. — Ela apertou minhas bochechas e eu ri, afastando a mão dela, brincando. — Você está certa. — Eu suspirei. — Eu estou. Eu ainda estou apaixonada por ele.

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CONVERSA urpreendeu-me que a semana voou. Eu pensei que meus dias se arrastariam enquanto esperava para a próxima quinta-feira, mas com Kelsey ao redor, não era tão ruim. Fomos com Ben comprar roupas que fariam Gage babar. Era bobagem, mas eu queria uma aparência nova. Eu queria que a minha aparência, depois de não vê-lo por dois anos, fosse nada menos que arrebatadora, então fiz algo que eu nunca pensei que faria... Eu cortei meu cabelo. Claro que Ben influenciou e disse-me que seria um bom aspecto, e logo Kelsey pensou a mesma coisa. Eu passei com isso, também. Depois de contar a Ben tudo o que aconteceu entre Gage e eu, ele estava tendo certeza de que eu acabaria sendo a coisa mais quente andando em Nova York. Ele estava chateado que eu escondi isso dele por tanto tempo, mas ele entendeu o quanto isso me machucava e decidiu deixar por isso mesmo. Ele também sabia que teria ido para o lado pessoal com a banda e tinha que manter as coisas entre ele e FireNine profissionais. Ben sabia o tempo todo que Gage e Penelope tendo essa coisa de casamento era um golpe publicitário. — Essa menina não pode dar qualquer coisa para Gage. — Ben falou depois que lhe disse sobre Penelope. — Eu a vi em seu caminho muitas vezes, e não gosto dela. Eu tentei dar-lhe uma chance, mas em cada vez ela cuspia. Não gosto dela. Nunca gostei. Além disso, minha Liza Bear é mais bonita. Não é à toa que ela está indo a extremos apenas para mantê-lo. Ela se sente ameaçada. — Kelsey e eu explodimos em um ataque de risos e Ben franziu os lábios. — Quando você for lá, é melhor você dar um tapa nela, só por mim. Eu ri. — Não haverá luta. E além disso... — Eu suspirei. — Roy disse que ela está fora da cidade até sábado de manhã. Ela não vai estar por perto. — Sim, bem, ela tem sorte. — Ben sorveu sua raspadinha, balançando os quadris para sair da cozinha. — Sortuda como o inferno. Se fosse comigo, eu iria encontrá-la apenas para enterrá-la viva. — O mesmo aqui. — disse Kelsey, mordiscando um biscoito. Eu balancei a cabeça para os dois, mas foi impossível conter o riso. Sem os dois, eu não teria estado tão confiante em todo este plano 135


de ir para Nova York mais cedo do que deveria. Mas não eu não só estava fazendo isso por Gage, estava fazendo por mim mesma. Pela minha felicidade e meu futuro. Eu poderia só me ver com ele, e eu não queria que isso mudasse. Quando você está apaixonado por alguém, mesmo que o machuque e o deixe para trás sem dizer adeus, é real. Normalmente você acaba com ele ou o deixa ir, mas com Gage... Eu não podia. Havia muito amor dentro de mim por ele, e eu nunca o deixaria ir. Eu não podia deixá-lo se casar com Penélope, porque para o resto da minha vida, eu teria sido miserável sabendo que poderia tê-lo parado, mas não fiz. Meu amor era mais forte que o meu ódio, depressão e mágoa. Porém, eu estava indo. Eu não iria deixá-la ganhar novamente. Ela sabia que Gage e eu estávamos felizes juntos e estragou tudo. Ela sabia que éramos reais, mas estava tentando nos derrubar. Eu não dou a mínima se eu tinha de estar no noticiário como a louca ex-namorada que voltou para ele, gostaria de ir aos extremos pelo homem que eu amava. Eu aprendi muito com ele alguns verões atrás, e a última coisa que eu queria fazer era virar as costas para Gage novamente. Ele precisava de mim. Eu precisava dele. Ele só tinha que abrir os olhos, e eu estava indo para ajudá-lo a fazê-lo. Não importa quantas lágrimas eu derramei por causa do meu coração partido, eu daria qualquer coisa por ele. Eu acho que Roy estava certo. É impossível lutar contra o amor.

O voo para Nova York foi mais lento do que o habitual. Era provavelmente por causa da minha expectativa. Eu estava pronta para ver Gage novamente, mesmo que tivesse levado dois anos. Eu não tinha certeza do que esperar, mas queria o melhor. Eu estava esperando que este plano fosse funcionar, porque se não, eu seria uma merda sem sorte. Se não conseguisse convencer Kristina a dizer a Gage para abandonar Penelope, nada estaria funcionando. E uma coisa que eu sabia sobre Gage era que quando ele tinha um plano, ele se prendia a isso. A não ser que fosse convencido por alguém importante para ele, ele não se incomodaria de mudar sua mente ou ações. Agora, Kristina era a pessoa mais importante na Terra para ele. Ele não estragaria isso... Por ninguém. Depois de pegar as malas e sinalizarmos para um táxi, Kelsey e eu estávamos em nosso caminho para o apartamento dela. Ela sempre me fazia me sentir em casa no seu apartamento, e nos últimos dois 136


verões, nós éramos companheiras de quarto. Ela pensou que era inútil para Frank manter-me em um apartamento quando eu poderia compartilhar com ela. E eu não me importei nem um pouco, porque nos aproximou. Nós éramos praticamente irmãs. — Ah, estar em casa é tão bom. — Kelsey suspirou, deixando cair as malas na sala de estar. Eu fiz meu caminho pelo corredor até chegar ao quarto extra e deixei minhas malas ao lado da cama. Meu telefone tocou no bolso de trás e, quando eu verifiquei a tela, fiquei curiosa. Era Roy. Roy: Mudança de planos. Esqueci o concerto privado desta noite na celebração do lançamento do nosso CD mais recente. Amanhã seria melhor. Eu: Amanhã é perfeito. Amanhã era perfeito. Isso me daria mais tempo para chegar a uma forma de lidar com sua irmã, falar com ela, e convencê-la de que eu era apaixonada por ele e tinha sido há quase três anos. Meu telefone tocou novamente. Roy: Eu ainda acho que você deveria falar com Gage. Fica @ The Beacon Theater @ 8:30. Encontro você no lobby antes de tocar. Você vai ter que estar na plateia. Não há mais espaço nos bastidores, a menos que Ben a receba. Eu fiz uma careta para sua mensagem. Não havia nenhuma maneira no inferno que eu apareceria no show sem avisar. E definitivamente não queria falar com Gage até depois que eu conversasse com Kristina. Eu sabia que era a última pessoa que ele queria ver com tudo o que tinha acontecido, então pensei na primeira desculpa que me veio à mente. Eu: Eu vim com Kelsey. Eu não quero deixá-la sozinha em casa. Roy lançou um texto de volta em menos de um minuto. Roy: Kelsey pode vir. Eu vou lhe fazer companhia enquanto você acaricia Grendel. Eu ri. Era oficial. Roy tinha tesão por Kelsey, e eu não podia esperar para contar a ela. Eu acho que isso era necessário. Talvez precisasse falar com Gage para ver se poderia convencê-lo antes de trazer sua irmã para isso... E Também ver se ele ainda me amava do jeito que eu o amava. Eu: Na plateia está bem. Nos vemos lá. 137


— O que é tão engraçado? — Perguntou Kelsey, entrando no quarto de hóspedes com um biscoito de manteiga de amendoim mordido na mão. Eu olhei para ela e mordi um sorriso. — Parece que nós estaremos assistindo a um concerto privado do FireNine esta noite. Seus olhos se ampliaram, com um sorriso tecendo seu caminho através de seus lábios. — Sério? — Ela engasgou, boca cheia. Eu tinha certeza de que teria sido um grito, se ela não tivesse uma boca tão cheia. — Quero dizer, você vai se deparar com Gage, antes de ver a sua irmã? — Ela tentou manter a voz casual, mas eu sabia o que sua era excitação. Ver Roy. — Eu vou tentar falar com ele hoje à noite e ver se consigo chegar até ele. Se não, então eu vou falar com sua irmã. — Então, enquanto você está com o objetivo de ter um tempo com Grendel, o que vou fazer? — Seu sorriso provando que ela já sabia o que estaria fazendo. — Roy disse que iria lhe fazer companhia até que eu tivesse tudo feito. Kelsey gritou e eu cobri meus ouvidos, rindo. Ela, então, saltou para cima e para baixo, fazendo com que seu rabo de cavalo batesse no ar. — Oh, sim... Ok. Relaxe, Kelsey. Ele é só um cara. — Ela respirou fundo, segurando as mãos para se preparar, mas, em seguida, ela balançou a cabeça, revirando os olhos. — Oh, quem eu estou enganando? Ele é Roy-porra-Sykes? O guitarrista de FireNine! Estive morrendo de vontade de conhecer este homem por tanto tempo! Eu tenho que parecer quente, Eliza. Eu quero ver esse homem babar no meu peito. — Bem, esta é sua noite de sorte. — Eu tirei minha carteira da minha mochila e a segurei no ar. — Ben me deu algum dinheiro e nós temos algumas horas. Vamos às compras.

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NO MEIO DA PLATEIA uando o táxi parou no meio-fio, o meu coração trovejava contra o meu peito. Eu respirei fundo antes que os pneus fizessem uma parada completa, e então olhei para Kelsey, que estava sorrindo como uma boba, olhando para mim com admiração. Olhei para o prédio antes de entregar algum dinheiro para o motorista, abrindo a porta e saindo. Nós nos apresentamos na porta e fiquei surpresa que nossos nomes estavam na lista. Fomos autorizados a passar, sem pensar duas vezes desde Sykes nos encaminhou, e logo que estávamos entrando, nós pegamos nossos ingressos e fomos para dentro. — Deus, isso me deixa muito nervosa. — Disse Kelsey, mordendo o canto do lábio inferior. — Eu sinto como se estivesse exagerada. Será que eu exagerei? — Ela me perguntou, virando na minha direção. Eu ri, tampando-lhe o ombro com a minha mão livre. Kelsey usava um vestido marfim apertado que funcionava bem contra a sua pele naturalmente caramelada. Ser do sul trabalhava a seu favor, porque ela tinha um brilho natural. Seu cabelo escuro estava alisado e colocado contra seus ombros e ela usava saltos de cor de ouro para combinar seus acessórios de ouro. Sua maquiagem foi feita apenas como Ben lhe disse para fazê-lo, e isso a fazia parecer absolutamente impecável. Esta não era a Kelsey nerd dos meus estágios de verão em Artes Global. Esta era uma renovada Kelsey refrescada que poderia puxar qualquer cara em que pusesse os olhos se ela quisesse. — Kelsey, você está bem. — Eu assegurei a ela, sorrindo. — Sério, não é você aquela que deveria estar preocupada. Eu deveria. — Engoli em seco quando a música tocou. — Não fique nervosa. — Disse uma voz profunda atrás de nós. Kelsey e eu nos viramos para a voz familiar e enquanto Kelsey se iluminava como um fogo de artifício, eu inclinei minha cabeça para Roy. Roy usava um camiseta cinza, calça cáqui justa, e botas pretas vintage. Seus cabelos escuros pendurados na testa e mechas em seu olho direito, até que ele o empurrou para trás com a mão livre. A outra mão continha uma garrafa de água. — Não achei que você iria aparecer.

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— Yeah. Estamos aqui. — Eu disse, mas eu não pude deixar de sorrir com a forma como ele continuava olhando para Kelsey, mesmo sem tentar escondê-lo. Ele queria que ela soubesse. Eu olhei para ela e parecia que ela tinha derretido em uma poça. — Ótimo. Eu vou encontrá-las depois. Aproveitem o show. — Tenha um ótimo show, Roy! — Kelsey gritou atrás dele quando ele saiu. Roy piscou o olho por cima do ombro antes de andar através das portas duplas guardadas por dois homens grandes. — Tão. Fodidamente. Quente. Eu juro. — Kelsey sussurrou. Eu ri e continuamos nossa caminhada subindo as escadas. Eu estava nervosa como o inferno, mas tinha que focar. Eu tinha que pensar sobre o que diria. Isto era uma situação de fazer ou quebrar. Se eu dissesse ou fizesse algo de errado, eu perderia Gage. Encontramos a porta e assim que foi aberta para nós, a música soou. As meninas estavam gritando; caras estavam gritando como arruaceiros. Era selvagem. As luzes estavam fracas e névoa fluía de algumas aberturas acima da multidão, provavelmente para mantê-los frescos. Isso não parecia estar funcionando, embora, porque à medida que entramos em cena, a atmosfera era grossa e quente. Senti o suor chegando e eu ainda não tinha estado no estádio por mais de um minuto. — Provavelmente, podemos encontrar um lugar lá em cima! — Eu gritei com Kelsey, que estava olhando para o palco em reverência. Seus olhos estavam arregalados e eu olhei com ela, perguntando o que tinha a sua atenção. Sem dúvida, era a banda. Montana estava com uma camisa branca rasgada, seu moicano estava espetado, e um sorriso perverso agraciava generosamente seus lábios. Ele estava amarrando sua guitarra ao seu redor, piscando para algumas garotas enquanto sugava seu piercing labial em sua boca, e logo que sua guitarra estava ao seu redor, ele ergueu as mãos no ar e a multidão foi à loucura com ele. — Eu te amo pra porra, Montana Delray! — Uma garota ao lado de nós gritou. Ela podia ter estourado meu tímpano por quão alto foi. Olhei para Kelsey, sabendo que ela não se moveria tão cedo. Eu agarrei o braço dela e a empurrei através da multidão. Isso era novo. Realmente novo. Eu sempre fui uma fã nos bastidores, então eu não tinha que me preocupar em ficar com a massa, mas foi terrível. Suor dos outros derramado em mim. As meninas não iriam dar o fora do meu caminho. E os caras eram piores. Eles eram como um grupo de 140


jogadores de futebol se preparando para o jogo final. Nada poderia detêlos. Nada poderia passar por eles. Eles eram como paredes de tijolo. De alguma forma, eu consegui sobreviver, apesar de tudo. Minha mão ainda estava trancada em torno do pulso de Kelsey e logo que cheguei à fila da frente, a voz hipnótica de Gage gritou através do microfone e as meninas gritavam como macacas. — Vocês estão incríveis esta noite! — Disse ele, rindo. — Sério. Esse amor que eu estou sentindo de vocês é incrível. As garotas gritaram ainda mais alto, alguns esbarrando em nós. Eu empurrei para frente para conseguir um lugar melhor e assim que eu parei, olhei para cima. Eu liberei Kelsey, que estava olhando para Roy. Roy estava olhando de volta. E então eu olhei para Gage. Ele sempre foi tão malditamente bonito. Sempre. Seu cabelo estava um pouco mais longo, confuso, e sua barba foi aparada por uma tesoura. Ele vestia uma camiseta preta com FireNine pintada com spray nela, calça jeans azul-escura, e como sempre, tênis Chuck Taylor. Afastou o cabelo do rosto enquanto ele falava no microfone de novo, e ouvi-lo assim, vê-lo assim, era incrível. Agora eu podia ver por que as meninas no meio da multidão eram tão selvagens sobre ele. Ele ficou em cima de mim como uma espécie de rei em um trono. Ele tinha olhos para flertar e uma voz suave e profunda que me enchia. Eu queria agarrá-lo fora desse palco e atacá-lo com beijos. Eu queria montá-lo por horas. Sob esse ângulo, o título Deus do Rock Grendel finalmente fez sentido para mim agora. Gage disse outra coisa e então ele alinhou com os dedos na sua guitarra. Ele começou o show cantando sozinho. A banda não estava tocando ainda. Era apenas sua voz enchendo o estádio, fazendo com que as meninas ficassem mais loucas. Sua voz era hipnótica e ele estava realmente cantando... Como, realmente, realmente cantando. Das profundezas da sua alma. Seu coração. Este era o amor dele. Ele gostava. Ele estava dando o seu tudo e tinha seus motivos. Lembrei-me dele me dizendo como cantar o fazia desaparecer, como isso o fazia sentir como se não houvesse nada para se preocupar. Nenhum problema. Cantar era seu escape, seu lugar feliz. E então, ele arregalou os olhos e apertou a boca fechada, dando um ligeiro interlúdio. Erguendo o braço, ele dedilhou sua guitarra e a banda entrou com seus instrumentos. A música soou pelo estádio e Kelsey gritou ao meu lado, admirando a performance. Ela estava saltando para cima e para baixo, torcendo, gritando, avançando para tentar obter uma sensação de Roy. Era estranho vê-lo ficar tão perto da 141


borda do palco. Isso não era como ele. Ele sempre manteve distância, mas, como ele roubou olhares de Kelsey, percebi que ele estava dedicando esse desempenho a ela... E ele estava fazendo um inferno de um trabalho. A voz de Gage ficou menor, mais poderosa, e eu olhei para ele. Assim quando eu fiz, um suspiro me escapou. Ele estava olhando diretamente para mim. Ele ainda estava tocando, ainda cantando, mas seus olhos estavam fixos em mim. Assistindo-me. Levando tudo de mim. Mordi o lábio inferior e ele estreitou os olhos, provavelmente se perguntando por que diabos eu estava aqui, no meio da multidão de todos os lugares. Ele não estava me esperando, e não conseguia tirar os olhos de mim. Sua voz vacilou um pouco por um lado, quase quebrando, mas ele se recompôs. As letras eram sobre a falta de alguém. Amar alguém. As letras literalmente trouxeram lágrimas aos meus olhos.

Ela era tudo que eu tinha e eu estraguei, A única por quem chorei, e ela sabia. Eu lutaria pelo resto da minha vida, Só para mantê-la ao meu lado. Ela foi minha única...

Droga. As letras eram bonitas. E, quando ele cantou cada palavra, ele olhava direto nos meus olhos. Eu acho que vi lágrimas nos seus, mas antes que pudesse fazê-las sair, ele piscou e desviou o olhar. E ele não olhou para mim depois que ele desviou o olhar. Nem mesmo quando as músicas mudaram. Ele evitou meus olhos, e isso provou que ele não estava nada, além de rasgado e confuso.

Depois que Roy encontrou Kelsey e eu após seu show, ele nos levou aos bastidores e me disse para esperar por Gage. Roy então tomou Kelsey em seu braço e eles me disseram que estariam esperando na frente. Ben veio, correndo por aí como um louco. Ele bicou minha bochecha com os lábios e me disse que estava decolando com seu brinquedinho. Depois que ele foi embora, eu respirei fundo, olhando para cada porta. Deed e Montana me viram esperando e me deram abraços. Montana fez piada com o meu corte de cabelo, mas disse que ficou bom 142


para mim. Deed disse que era perfeito. Agradeci a ambos, mas quem eu realmente estava esperando era por Grendel. É como se ele soubesse que estaria esperando por ele e estava tomando seu tempo, como se não quisesse me enfrentar novamente depois de ter sido há tanto tempo. Merda, para ser honesta, eu não sabia se queria enfrentá-lo também. Eu pensei que tinha tudo planejado, mas quando o vi tocando e seus olhos cheios de água, todas as palavras foram perdidas. Tudo o que eu queria fazer era abraçá-lo e dizer-lhe que tudo ia ficar bem. Ele estava machucado. Ele estava confuso. Ele sabia que errou e era óbvio que não sabia mais o que fazer com isso. Eu pensei em simplesmente desistir. Ele estava hospedado em seu camarim por uma razão, e era para evitar me ver. Como você cumprimenta alguém que você ama depois de não vê-lo por dois anos de qualquer maneira? O que você faz? Tornei-me insegura e preocupada, pensando que talvez nada disso fosse dar certo. Quando me virei, uma porta se abriu e eu parei em meu caminho. Passos vieram na minha direção e eu engoli em seco, apertando os dedos juntos. Ele parou a menos de uma polegada de distância e eu estremeci como hálito quente escorrendo pelas minhas costas. Meu vestidinho preto era cortado baixo nas costas e o corte parava logo acima da minha cintura, para que eu pudesse realmente sentir o calor de sua respiração. Familiares, as mãos calejadas pela guitarra agarraram meu braço e me viraram, e eu apertei com força contra o peito firme diante de mim. Eu fiquei parada em meus calcanhares, olhando nos olhos castanhos vidrados. Minha respiração ficou presa, tendo a visão dele de perto depois de tanto tempo. Dois anos e nada mudou, exceto o olhar deprimido em seus olhos. Eu não podia deixar de olhar quando ele olhou no fundo dos meus olhos, inclinando a cabeça. Eu sabia o que era esse olhar. O olhar de amor. Talvez ainda há uma chance, pelo menos isso é o que eu pensei até que ele perguntou: — O que você está fazendo aqui , Eliza? — Seu tom era rude. Áspero. Eu engoli o caroço na minha garganta, dando um olhar ao redor para olhar em qualquer lugar, menos em seus olhos agravados. — Eu estou aqui... Para conversar. — Sobre? Eu o olhei e ele franziu a testa. Talvez eu estivesse errada. Ele parecia chateado. — Uh... — Foda-se. O que eu devo dizer? Eu fiquei nervosa, então dei outro passo para trás, mas esbarrei na parede. Eu estava encurralada, cara a cara com Gage Grendel, e tudo me parecia... Errado. Eu queria que ele estivesse feliz em me ver. Em vez disso, ele 143


parecia irritado. — Não importa. — Eu disse rapidamente antes de abaixar sob seus braços. Vi a porta de saída e fui para ela, mas antes que eu pudesse fazê-lo, ele pegou o gancho do meu braço e me virou novamente. — Venha comigo? — Ele sussurrou. Eu não podia falar. Olhar para ele sempre me deixava sem palavras, então em vez de falar e, possivelmente, tropeçar nas minhas próprias palavras, eu balancei a cabeça e ele abriu o caminho para seu camarim. Ele ainda estava com a mão em meu braço e mesmo que fosse um simples toque, me senti bem. Era bom estar perto dele. Sentir o cheiro dele. Ver seu rosto. Eu senti o inferno falta disso, e estava esperando que ele estivesse me levando para esse espaço para fazer algo que meu corpo precisava. Gage correu para o quarto e me liberou. Dei um passo em frente e algo estalou atrás de mim. Voltando, eu enfrentei Gage que tinha acabado fechar e trancar a porta. — Por que você está aqui, Eliza? — Ele perguntou de novo. — Eu disse a você. Estou aqui para conversar com você. — E eu te perguntei sobre o que? Seu tom era escuro... E doloroso. Eu não sabia o que fazer assim que meus nervos tinham o melhor de mim novamente. Talvez ele me trouxe a este espaço por uma razão completamente diferente. Talvez ele quisesse me avisar claramente que o que aconteceu entre nós acabou e ele nunca iria querer falar comigo. Lágrimas se formaram nas bordas dos meus olhos enquanto eu tentava formular palavras, mas nada saiu. Eu queria perguntar qual era o problema dele. Por que ele estava sendo tão cruel? — Por que você está chorando? — Ele perguntou. Eu balancei minha cabeça. — Não é nada. — Droga. Eu sabia que era uma má ideia. Eu sabia desde o início. — Eu vou sair, se você quer que eu vá, Gage. Eu só queria conversar... Mas obviamente você não me quer aqui. — Eu limpei meus olhos e dei um passo em volta dele, segurando a maçaneta da porta, mas antes que eu pudesse desbloqueá-la, ele deu um passo atrás de mim e seus lábios suaves e quentes tocaram a parte de trás do meu pescoço. O cabelo das minhas costas arrepiaram quando ele disse, — Eu não quero nada mais do que você estar nesta sala comigo, Ellie. Eu só quero saber o que te trouxe aqui.

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Calafrios percorreram minha espinha quando eu parei de me atrapalhar com a fechadura. Minha respiração engatou em apenas um segundo, quando Gage trouxe as mãos para cima e segurou um dos meus seios. Ele deu um beijo na parte de trás do meu pescoço, beijoume atrás da orelha, e eu engasguei porque isso era completamente inesperado, mas exatamente o que eu queria. — Você sabe por quanto tempo foi isso? — Ele perguntou rispidamente. — Um caminho muito longo. — Ele me virou e não demorou muito para que seus lábios devorassem os meus. Eu gemi quando ele me levantou e eu passei meus braços ao redor de seu pescoço, minhas pernas em volta de sua cintura. Ele me beijou fervorosamente, e me recusei a parar. Eu queria isso. Eu quis isso por tanto tempo. Eu senti falta de seu toque, seus beijos. Tudo. — Deus, Eliza, eu sinto sua falta pra caralho. Eu podia sentir o esforço através de seus jeans. Ele estava duro e mais do que pronto para mim tão rápido. Gage colocou meus pés no chão, puxou meu vestido pela minha cabeça, e jogou para o lado. Ele puxou a camisa sobre a cabeça e a jogou também. Seus olhos ardiam, querendo, desejando. Ele me olhou dos pés à cabeça, lambendo os lábios enquanto ele avançou. — Há algo diferente em você. —Ele disse. — O que você quer dizer? — Eu sussurrei. Houve um breve silêncio. Tudo o que eu podia ouvir era a nossa respiração. Finalmente, ele perguntou: — Algum outro cara esteve dentro de você, Eliza? Hesitação tomou conta de mim e eu desviei o olhar. Eu não queria olhar em seus olhos. Porém, não olhar tornou óbvio. — Quantos? — Ele perguntou. Surpreendentemente, sua voz era calma. — Apenas um... Mas foi depois que nós seguimos nossos caminhos separados, Gage. Seus lábios comprimiram e quando olhei, ele olhou diretamente nos meus olhos. Depois de alguns segundos, ele desviou o olhar e me senti horrível. Porém, em questão de segundos, ele deu um passo para frente, segurou meu rosto e me deu um beijo feroz. Eu gemia enquanto apertava meus dedos em sua camisa, ofegando enquanto seus lábios se separaram dos meus momentaneamente. Ele ainda tinha uma posse no meu rosto. Seus olhos estavam abrindo furos sólidos direto nos meus. Estava magoado por trás deles, ferido por saber que alguém 145


compartilhou algum tipo de intimidade comigo, mas havia também desejo. Paixão. Ele queria tudo de volta. Ele me queria de volta. — Eu sei que te machuquei, chateei, e você ainda pode estar confusa sobre a forma como as coisas terminaram com a gente, mas eu vou fazer você ser minha novamente. E o que eu estou prestes a fazer a você será parte do meu pedido de desculpas. Você é minha, Eliza, e isso nunca vai mudar, não importa o tipo de merda que nós passamos. Eu balancei a cabeça inocentemente e ele se afastou, olhando para meus lábios. Ele, então, pediu que eu colocasse minhas costas contra a parede e abrisse as pernas. Fiz o que disse num piscar de olhos . Eu estava em pé apenas com minhas roupas rendadas e eu não tinha tanta certeza do que ia acontecer ou onde ele realmente estava levando isso, mas eu sabia que ia ser celestial. Gage pegou o cós da minha calcinha e puxou para baixo as minhas pernas. Saí dela e quando o fiz, ele me disse para espalhar minhas pernas mais abertas. Fiz o que disse, e depois ele se inclinou sobre os joelhos. Engoli em seco quando ele roçou o nariz em toda a minha doce entrada molhada. Ele gemeu, inalando e lambendo os lábios novamente. — Você tem um cheiro tão bom. Eu tenho que provar você, Ellie. Eu não tinha certeza de como responder e assim continuei tranquila, mas minha respiração ofegante aumentou junto com a minha expectativa. As coisas estavam acontecendo tão rápido. Eu não estava esperando para ir direto ao assunto... Porém, meu corpo estava ansiando por isso. Fazia anos. Eu não sabia que estava desejando tanto ele. — Olhe para mim. — Ele murmurou, beijando minha coxa. — Não olhe para longe. — Ele começou a beijar a minha perna de novo, deslizando pela minha área delicada propositalmente. Eu gemia, sabendo que logo o meu próprio suco iria começar a pingar no chão, se ele não parasse de me provocar. Gage então achatou a sua língua, lentamente, lambendo toda a parte mais doce do meu corpo, e eu estremeci, contraindo para frente. Meu núcleo pulsava quando ele apalpava minha bunda, puxando-me para mais perto de seu rosto. Meus dedos enfiaram-se através de seu cabelo, torcendo e apertando e querendo algo para segurar. Ele rosnou quando enterrou sua língua em mim e espalhou minhas pernas ainda mais para obter um sabor de cada parte minha. Meu suco escorregava enquanto ele estava de joelhos. Sua língua tinha a agilidade e velocidade de um guepardo, e toda a cintilação empurrou-me mais perto de uma erupção. 146


E então eu percebi isso. Eu comecei a ficar mais quente, desesperada por sua língua doce acabasse comigo e me satisfizesse. Puxei sua cabeça para mais perto e gritei seu nome. Gage terminou com mais três lampejos de sua língua, e então ele ficou de pé. Ele tinha muita expectativa, muito fogo em seus olhos. Ele não queria parar o que estava acontecendo. Ele me puxou em direção à mesa e disse-me para me curvar. Eu sorri enquanto abaixava meu estômago em primeiro lugar na mesa. Eu senti tanta disso e mesmo que soubesse que as coisas provavelmente seriam mais difíceis depois que fossem feitas, eu não me importava. Eu precisava disso depois de dois anos de depressão. Dois anos de solidão, angústia e lágrimas. Mesmo quando eu estava com David por seis meses, tudo o que eu queria era o toque de Gage novamente. Eu estava doendo abaixo, implorando-lhe para me levar no tanto ele me queria. Agora David era apenas uma pergunta. David não podia sequer se comparar. Eu queria pele contra pele. Suor com suor. Quando Gage achou minha entrada e acariciou dentro de mim, um assobio passou por entre os dentes, juntamente com um pequeno grito, e agarrou a borda da mesa. Eu queria tudo dele dentro de mim. Eu me senti como uma espécie de viciada em sexo, mas não poderia mudar isso. Gage e eu quase não dissemos nada um ao outro e estávamos de volta para isso... E me sentia bem. Eu devia ter me queixado sobre a nossa falta de comunicação, mas não havia necessidade de parar com isso ainda. A conexão entre nós era feroz, exigente e enchia toda a maldita sala. Isto era necessário. Gage segurou minha cintura mais apertado e bateu em mim incontáveis vezes. Ele se inclinou para colocar seus lábios quentes no meu ouvido e sussurrou: — Eu posso dizer que você sentiu minha falta. Eu gemi. — Como? — Quando ele agarrou uma das minhas nádegas. — Não discutindo. — Ele bombeou mais. — Sem ódio em seus olhos. — Ainda mais difícil. — Apenas... Amor. Eu senti sua falta, também. Meu amor por você não se desvaneceu. Eu gritei depois de sua última declaração e ele terminou seu ato. Ele me bateu por trás e rosnou por entre os dentes. Um de seus dedos encontrou meu clitóris, e sabia que ele queria que eu terminasse com ele. Ele circulou seu dedo em volta do meu núcleo ferozmente, até que finalmente ele amaldiçoou sob sua respiração, eu gritei de excitação, e ele bateu em mim mais algumas vezes antes de cair em cima de mim. 147


Sua respiração correu pelo meu cabelo emaranhado e resfriado pelo suor no meu pescoço. Eu sorri, feliz que ele não pudesse ver meu rosto porque eu tinha certeza que parecia uma boba completa. Gage finalmente saiu de mim, beijando minha bochecha ao longo do caminho. Ele me ajudou a levantar e, em seguida, fui para o meu vestido e calcinha empilhados no canto. Ficamos em silêncio quando nos vestimos, mas ambos tínhamos sorrisos ridículos rebocadas em nossos rostos. Ele estava tão feliz como eu estava? Eu pensei que depois de tanto tempo ficaria chateada de vêlo novamente, mas não estava. Eu estava em êxtase, e sem palavras. Isso provou que eu tinha amadurecido tremendamente ao longo desses dois anos. Depois que pegou refrigerantes de máquina de venda automática e o bebeu, Gage finalmente falou. — O que aconteceu para você cortar o cabelo? Eu tomei um gole da minha Coca-Cola antes de colocá-la em cima da mesa e correr os dedos pelas camadas de meus cabelos. — Eu queria algo novo. Você não gostou? Um sorriso enfeitou seus lábios enquanto se aproximava de mim. — Eu amo isso. Convém. Eu só achei que você nunca mudaria nada sobre si mesma... Mas mais uma vez... — Ele disse, recuperandome pela cintura, — Posso dizer que muita coisa mudou em você. — Eu sorri de orelha a orelha quando ele beijou meu rosto. — Você ainda não respondeu à minha pergunta. — Ele se inclinou para trás, deslizando a ponta do seu nariz na minha bochecha e queixo. — Por que você está aqui? Eu não falei de imediato. Eu não podia dizer-lhe a verdade. Roy e Montana pensaram que era uma boa ideia eu falar com você, e eu pensei em tentar falar com sua irmã. Eu tinha que fazer alguma coisa rápido. — Eu tenho um trabalho na Artes Global. Eu começo em agosto, mas vim cedo para terminar alguns projetos grandes. — Oh. — Ele deixou isso afundar antes de falar novamente. — Mas como é que você sabia sobre o concerto de hoje à noite? Era um convite privado. Apenas poucos selecionados foram autorizados. — Ben. Ele é o seu empresário. — Eu disse sarcasticamente. Definitivamente outra mentira. — Oh. — Ele deu de ombros. — Certo. Só não achei que você se importava o suficiente para manter-se com a banda. — Ele sorriu por um momento, mas depois seu rosto endureceu. Ele olhou nos meus 148


olhos como se procurasse alguma coisa, algum tipo de resposta, mas eu não sabia o quê. — Por que você está me olhando assim? — Eu perguntei, rindo. Ele suspirou, mas ainda estava olhando. — Depois que sairmos desta sala... Eu não posso ser visto com você, Eliza. — Isso fez com que o meu coração a gaguejar. — Eu sei. — Eu murmurei. — Mas tudo isso pode mudar, Gage. — Eu-eu não posso, Eliza. É tarde demais para tentar mudar as coisas. Doeu ouvir, mas eu continuei falando. — É aí que você está errado. Nunca é tarde demais. Não é tão difícil acabar com o casamento, Gage. Eu queria vê-lo para convencê-lo que tudo isso é errado. Você não a ama. Você não tem que fazer isso apenas para manter sua irmã longe dos holofotes. Ela é da família. Tenho certeza que ela entenderia. — Ela está doente. Eu não quero que ela fique estressada por causa disso. — Ugh! — Saí de sua mão e joguei minhas mãos no ar. — Você percebe o quão idiota você soa agora, Gage? — Não, o que é idiota é aparecer aqui sem aviso prévio, Eliza. Qualquer um poderia ter visto você e descobrir quem você era. Você teve sorte. Nós tivemos sorte! Eu não posso arriscar a vida dela sobre alguma merda que eu estou dentro! — Você acha que eu dou a mínima para o que qualquer uma dessas pessoas vai pensar? — Oh, eu estava vendo vermelho agora. Isso realmente estava acontecendo. Eu não vim todo o caminho para Nova York para perder, e não estava recuando agora... Não como da última vez. — Roy me contou tudo. Você está miserável. Ben disse que todas as suas músicas são deprimentes. Montana acha que a banda vai se separar em breve, quero dizer, ele não disse isso, mas eu sei que ele está pensando. Todo mundo está! Você não é o mesmo e eu não tenho que estar perto de você para saber. Ela é inútil. Apenas a deixe já. Você só está tornando mais difícil para si mesmo. Ele abaixou a cabeça. Ele não disse nada, mas eu pude ver lágrimas se formando nas bordas dos olhos. Foi então que notei as pequenas bolsas abaixo deles. Ele não estava em qualquer lugar perto de satisfeito com a sua vida ou qualquer coisa que estivesse passando. Ele estava rasgado e todos nós sabíamos que estava indo para o caminho errado.

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Eu agarrei o rosto dele para levá-lo a olhar para mim. Ele foi teimoso num primeiro momento, mas fiz isso novamente e ele encontrou meus olhos. — Você tem que desistir disso, Gage. Ela não vale isso, você ficar assim. Você não está feliz. Se você ficar com ela, a banda vai estar fodida de qualquer maneira, e se Kristina descobre a verdade, ela vai ficar chateada por você não ter contado a ela. — Estou fazendo o que posso para manter Kris feliz. Ela não precisa saber, Eliza. Ela está indo bem. — Será que ela sabe sobre mim? Ele hesitou. — Talvez. — O que quer dizer, talvez? Ele estreitou os olhos. — O que você sabe? Eu cruzei os braços. — Eu sei que você falou sobre mim com a Kristina antes. Ele gemeu. — Porra Roy. Desde quando vocês dois são amigos íntimos? — Desde que descobriu que a banda estava indo ladeira abaixo por sua causa. Quando percebeu que ele se importava o suficiente com a sua felicidade ao ponto de falar com uma garota que ele não gostava de estar claramente ao redor desde o primeiro dia. Nós todos nos preocupamos com você, mas você está perdendo o mais importante aqui. Se Penelope se preocupasse com você, ela não estaria tão disposta a fazer chantagem e te entregar para a imprensa. Ela está te usando. Ela é uma puta. Tudo com o que ela se preocupa é ela e sua aparência para o público. — Eu sei disso, mas — Ele parou quando caiu na cadeira atrás dele. Eu vi quando ele correu os dedos sobre seu rosto e pelo cabelo, deixando marcas vermelhas e brancas sobre as maçãs do rosto e testa. — Eliza, eu tenho feito tudo o que posso, mas é como se Penelope tivesse armadilhas em toda porra de lugar. Ela disse a Kristina que tirei a virgindade dela e agora Kristina acha que é errado da minha parte deixá-la. Eu disse-lhe como Kris é sobre virgindade. Ela quer que eu a respeite. Eu fiz uma careta. — Você não... Tirou sua virgindade... Não é? — Eu estava hesitante em perguntar, mas queria saber. Eu não queria Penelope tendo o tipo de intimidade que Gage e eu uma vez compartilhamos. Eu queria que a minha virgindade fosse a única que ele tomou. Era uma espécie de egoísmo da minha parte pensar em mim

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neste momento, mas eu esperava que ele não tivesse mentido para mim sobre nunca tomar o cartão V de uma menina. — Claro que não. Alívio. Graças a Deus. — Okay. Isso está apenas fora de controle, então. — Eu sei que está. — Ele se levantou e colocou as mãos em concha no meu rosto. Ele trouxe o meu rosto para o dele e beijou a ponta do meu nariz antes dos meus lábios latentes. Sua língua entrou em minha boca e meu persuadiu, jogando pequenos truques para me fazer gemer. Virei-me suavemente como manteiga derretendo e entrelacei os braços ao redor de seu pescoço enquanto ele se afastava para beijar a curva do meu pescoço. — Eu pensei que você me odiasse por meses após o jeito que me deixado sob a ponte. Eu queria entrar em contato com você por alguma maneira, mas, foda-se. Eu não sei. Eu não tinha certeza de como você reagiria. Eu não quero te confundir. Eu sabia que não poderia tê-la com ela por perto. — Gage levantou meu queixo para que eu pudesse olhar em seus olhos. Ele bicou minha boca duas vezes, mas seus olhos nunca deixaram os meus. — Você estava certa sobre não ser uma opção. Você vale muito mais do que isso. Você merece ser alguém única. Eu não mereço alguém tão bela e doce como você. Eu me sinto como se tivesse arruinado você e sinto muito. Juro pela alma da minha mãe, desculpe-me, Eliza. Nunca quero te machucar assim novamente. Suspirei, inclinando-me para beijar o canto da boca. — Você sabe que a única maneira que não vai me machucar desse jeito de novo é se deixá-la ir e aceitar as consequências de andar com uma cadela troll louca. Ele riu e as fendas adoráveis apareceram ao redor dos olhos. Foi um verdadeiro sorriso genuíno e eu estava feliz que pudesse lhe dar um. Parecia que ele não vinha sorrindo por um tempo muito longo. — Eu vou... Falar com ela. Vou tentar um acordo. Alguma coisa. — Ele deu de ombros e, em seguida, beijou meu rosto. — Pode não funcionar, mas vou tentar. Consequências e tudo. Apenas prometa estar aqui comigo, Ellie. Não fuja de mim. Eu vou fazer o meu melhor. Ele me beijou de novo e o beijei de volta, mas eu meio que sabia que ele não iria fazê-lo imediatamente por causa de sua reputação e de sua irmã. Mesmo que a banda não se importasse em perder seu contrato com o pai de Penelope por Gage, ele ainda não queria ser o culpado por isso. Gage tinha que ter uma espinha dorsal, uma multidão de pessoas que poderiam apoiá-lo e mantê-lo junto. A única coisa que 151


eu poderia fazer para finalizar sua decisão, se isso acontecesse imediatamente era ir em frente com o meu plano de conhecer Kristina amanhã. Porém, eu disse: — Eu prometo. — De qualquer maneira. — Nós podemos nos encontrar para almoçar amanhã ou algo assim. Por minha conta. — Ele ofereceu, pegando sua carteira. Eu hesitei. — Eu... Não sei nada sobre isso, Gage. Ele franziu a testa. — Por que não? — Porque... — Eu olhei para longe. — Sim, eu ainda te amo, mas até Penelope estar realmente fora de sua vida, não podemos chegar tão perto como nós éramos antes. Não quero passar por isso de novo. Estou aqui para você, mas não quero ser a única a lutar por alguma coisa. Ele inalou e exalou enquanto eu o olhava de novo. — Eu vou fazer o que posso, Eliza. — Ele disse, pegando meu rosto com sua mão grande. — Eu sei que o que fiz com você foi errado. Eu não quero nada mais do que consertá-lo. — Eu sei. É só que... Até que as coisas acabem com ela... Então poderemos realmente falar de nós. — Forcei um sorriso, o beijei para o que provavelmente seria a última vez em quanto isso, e depois atei meus dedos com os dele. — Claro. Vamos sair daqui. — Ele sorriu para mim, deu um beijo na minha bochecha, e eu abri a porta para sair. Quando nos aproximamos da porta de saída, Gage pediu meu número. Depois que o dei ele me disse que ligaria mais tarde naquela noite para falar sobre as coisas um pouco. Era melhor que Kelsey e eu fôssemos indo, antes que alguém descobrisse quem eu era e fizesse a merda pior, então eu balancei a cabeça e parti para encontrá-la e Roy. Eu sabia que Penélope havia baixado a guarda após a minha inquisição há dois anos. Ela provavelmente achava que eu tinha desistido... Bem, eu meio que fiz, mas agora que estava de volta, sabia que ela não iria sequer me ver chegando. Foi uma coisa boa que ela estava fora da cidade, mas um deslize de qualquer um de nós e ela estaria de volta em pouco tempo para anexar-se a ele como uma sangue suga. Pronta para sugá-lo seco. Tropecei no térreo, sentindo-me muito melhor descendo do que eu fiz subindo. O hall de entrada estava sem pessoas, então eu puxei o meu telefone fora do meu sutiã para dar a Kelsey uma chamada. Em torno do terceiro toque, eu estava pisando fora e vi... E eu literalmente soltei uma gargalhada.

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Roy estava sentado em um banco nas sombras e Kelsey estava em seu colo. Seus lábios estavam trancados, línguas colidindo. Eu acho que estava certa sobre seus olhares quentes para Kelsey. Aparentemente, minha risada não chegou até eles, porque eles ainda estavam cravando a língua pela garganta um do outro, então eu cancelei a minha chamada, colocando meu telefone em meu sutiã novo. Roy estava prestes a apertar a bunda de Kelsey e puxá-la para mais perto, mas quando me ouviu, ele a empurrou um pouco para trás, os lábios vermelhos e inchados. — Gage está tomando cuidado. — Eu disse para quebrar o gelo. Ele limpou a boca com as costas da mão e acenou com a cabeça. — Ah... merda. — Kelsey pulou do colo de Roy, limpando o lábio inferior com a parte superior de seu braço. — Hum... Uau. Okay. Essas tequilas eram, obviamente, má ideia. — Elas eram? — Roy perguntou, inclinando a cabeça para Kelsey e sorrindo. — Eu achei um pouco... Divertidas. — Comigo? — Kelsey desatou a rir, tropeçando em seus calcanhares. Roy levantou-se e a pegou pela cintura antes que ela pudesse se mover mais e, possivelmente, cair de bunda. — Sim, com você. — Ele disse. Ele olhou para mim. — O que Gage disse? — Ele disse que ia tentar e fazer um acordo com Penelope, mas sei que não vai ser em breve, então ainda estou devendo a Kristina uma visita. Roy levantou uma sobrancelha, olhando-me desconfiado. — É só isso? Seu cabelo parece meio crespo. Não estavam assim antes de você ir lá dentro. — Ele riu. Mordi um sorriso. Eu sabia onde isso estava realmente chegando, mas não estava prestes a ir lá com ele. — Ele também queria me encontrar para o almoço de amanhã. Eu lhe disse que não. Roy zombou. — Claro que você fez. — Ele olhou para Kelsey, que estava balançando com o objetivo de manter o equilíbrio. — Ela está bêbada? — Eu perguntei com as sobrancelhas cerradas. Roy suspirou quando ele ajudou Kelsey a voltar para o banco e se sentou com ela. Ele puxou os pés dela para cima de seu colo para tirar seus sapatos, e eu sorri em reverência. Uau, ele era muito mais doce do que eu pensava. — Yeah. Eu a levei para o bar ao lado. Ela 153


queria ir. Vou chamar Stan e tê-lo levando as duas para casa, assim você não terá que pegar um táxi. Kelsey oscilou um pouco mais e murmurou algo sob sua respiração. Roy riu e colocou os calcanhares para baixo sobre o concreto, obviamente, pegando o que ela disse. — Ela continuou ordenando doses. Eu pensei que era melhor levá-la para fora e por um pouco de ar para levá-la longe das bebidas, mas, em seguida, levou a... Isso. — Ele deu de ombros, jogando seu cabelo desgrenhado de seu rosto e puxando o seu telefone. Eu ri um pouco. Sim, esse cara definitivamente não poderia arrancar a cabeça de um gatinho. Ele era muito bom e eu estava feliz que realmente comecei a conhecê-lo um pouco. Eu estava feliz por seu comportamento distante tivesse ido embora porque assim como Montana e Deed, Roy poderia ser como um irmão para mim também. Depois que Roy deu Stan uma chamada e esperamos discutindo os eventos para o dia seguinte, Kelsey bêbada e eu estávamos em nosso caminho para o apartamento dela. Durante todo o passeio, eu não conseguia parar de sorrir e estava feliz com o momento que Kelsey estava quase desmaiada no assento ao meu lado. Mesmo que não estivesse onde eu queria estar, no entanto, estar me reunindo com Gage me fez sentir uma espécie de... Completa. Eu não podia esperar para finalmente começar tudo de novo com ele e ser feliz novamente. Nós merecíamos um ao outro. Ele só tinha que lutar também. Cheguei ao apartamento e ajudei Kelsey a trocar de roupa antes de colocá-la na cama. Antes que pudesse sair e desligar a luz, Kelsey chamou meu nome e eu virei. — Sim? — Respondi. — Eu me diverti com Roy hoje a noite. Eu nunca pensei em um milhão de anos que isso iria acontecer, mas ele me pediu para ir a um encontro com ele neste fim de semana. — Eu ri enquanto caminhava para o lado vazio da cama. Seus olhos ainda estavam fechados e suas mãos estavam enfiadas debaixo de sua bochecha. — Bem, você vai ao encontro com ele? — Eu não sei. — Ela murmurou. — Eu pensei sobre isso, enquanto ele tinha a língua na minha boca, e lhe disse antes. Eu não gosto de ser divulgada. Eu gosto da minha privacidade. Nós não teremos se estivermos juntos... Mas eu gosto dele... — Eu acho que ele gosta de você, também. 154


— Você acha? — Yeah. Eu não achava que ele poderia gostar de alguém de fora de sua banda, para ser honesta. Mas a forma como ele olha para você... Vê-a. É bonito. — Sorri quando ela sorriu, com os olhos ainda fechados. Sua respiração nivelando momentos depois, o que foi a minha sugestão de que ela estava dormindo. Eu fechei a porta do quarto atrás de mim, indo para o quarto de hóspedes para tomar banho, atirar-me em algum pijama, escovar os dentes, e depois me aconchegar debaixo dos cobertores, tudo isso feito com Gage em minha mente. Quando consegui tudo estabelecido, meu telefone tocou na mesa de cabeceira e atendi, sabendo exatamente quem era. — Olá. — Eu respondi. — Ellie. — Gage disse ao telefone. — Como está se sentindo? Eu fiz uma careta e sentei-me contra a cabeceira. — Bem... Eu acho. E quanto a você? — Três batidas vieram da porta da frente, interrompendo o meu apelo, saí da cama rapidamente, confusa sobre quem poderia estar na porta do apartamento de Kelsey tão tarde. Eu sabia que Kelsey tinha alguns amigos espontâneos da AG alguns andares abaixo, mas duvido que eles viessem a essa hora. — Espere um pouco. Alguém está na porta. — Ok. Corri pelo corredor, acendi um interruptor de luz e olhei pelo olho mágico. E quando eu o vi ali com o telefone contra sua orelha, eu despertei e me iluminei como uma estrela. Joguei meu celular no sofá, abrindo a porta. — Você me perguntou como eu estou sentindo? Muito melhor agora. — Gage retumbou, sorrindo carismaticamente e puxando o telefone de sua orelha. Eu não deixei tempo para ele voltar a falar. Em vez disso, eu joguei meus braços ao redor de seu pescoço e colei a boca na dele. Seus lábios se espalharam para sorrir por trás do beijo e ele tropeçou em seu caminho, fechando a porta atrás de si. Nós nos beijamos todo o caminho até o quarto de hóspedes, e logo estávamos no quarto, eu o liberei e fechei a porta. — Como você sabia onde eu estava? — Eu perguntei, não que realmente me importava. Eu estava feliz que ele estava comigo. Eu não poderia lutar contra a minha alegria. — Eu peguei Roy fora e ele conseguiu o endereço com Stan para mim. Eu peguei uma carona assim que pude. — Seus lábios esticaram 155


quando ele inclinou a cabeça. — Eu não posso ficar longe de você. Ver você hoje à noite me fez perceber quantas noites eu perdi não compartilhando com você. Eu sou um fodido. Mau. Eu sei que eu errei e me desculpe Ellie. Eu realmente sinto muito. — Ele agarrou minhas mãos, beijou meus dedos, mas eu balancei minha cabeça. — Não. Está tudo bem. — Eu coloquei minhas mãos em concha no seu rosto. Dei-lhe um beijo duro nos lábios e sorri. — Gage, está tudo bem. Vivemos e aprendemos, certo? Você não é um fodido, portanto, pare de dizer isso. Apenas me prometa que você vai realmente deixá-la ir desta vez, não importa o que aconteça. Você sabe que há pessoas que irão apoiá-lo. Você não pode deixar isso continuar com ela por mais tempo. Isso está destruindo você e mais cedo ou mais tarde isso vai destruir a banda. Você é mais forte do que isso e sabe disso, então a combata. Ele engoliu em seco e debateu sobre se era uma coisa boa para fazer. Comecei a preocupar-me após o seu silêncio crescente através do quarto, mas quando um sorriso se espalhou pelo seus belos lábios, eu sorri com ele. — Eu prometo, Doce Ellie. Eu te amo. Eu sorri. — Eu também te amo. Depois de mais alguns minutos de amassos, nós despojamos as roupas um do outro, caímos em cima da cama, e fizemos amor incrivelmente apaixonado. E por alguma razão, ainda que soubéssemos que teríamos problemas a frente, fizemos amor da melhor maneira possível. O futuro não importava. O passado não importava. Penelope não importava. A vida não tinha importância. Era apenas nós, em nosso próprio universo, nunca querendo deixar o outro ir. Estávamos felizes, devolvendo todo o amor que nos levou longe um do outro. Foi muito bom. Estávamos bem. Nós iríamos trabalhar por isso. Eu não tinha nenhuma dúvida sobre isso. Eu podia ver em seus olhos enquanto ele acariciava meu queixo e respirava através do momento, sem dizer uma palavra que ele me queria de volta mais do que qualquer coisa, mas havia um pequeno obstáculo, Penelope. A fim de me manter, ele tinha que passar por ela. Eu só esperava que ele realmente cumprisse com a sua palavra e não voltasse atrás, como fez há dois anos. Eu queria que ele fosse mais forte. Permiti a volta e isso não era muito inteligente da minha parte, mas como eu não poderia? Eu o amava — inferno, eu estava apaixonada por ele — e raiva nunca poderia conquistar o que meu coração sentia verdadeiramente. Depois de um tempo, eu já não estava 156


puta com ele quando descobri porque ele me deixou sem dizer adeus. Eu estava sentindo falta dele, porque ele era bom para mim em Nova York, mas foi uma decisão idiota, e infelizmente, eu não era uma parte do resultado. Porém, a família vem primeiro. Família sempre vem em primeiro lugar. E eu entendi porque ele estava tão preocupado. Eu não podia tomar mais danos no meu coração, então fechei os olhos e rezei para o melhor antes de me abraçar contra ele para o resto da noite. Eu rezei para que amanhã fosse melhor do que o esperado e que a paz finalmente chegasse de volta para nós. Nós éramos muito mais do que qualquer um de nós podíamos ver. Ele tinha colocado uma estaca no meu coração pela primeira vez, ele disse que me amava, e desde então tenho sido sua. Eu não acho que poderia ter sido de qualquer outra pessoa, não importa quanto tempo que passássemos separados ou quanto tempo que passamos com o outro. Onde havia escuridão, ele me enchia e eu transbordava com a luz. Ele era a minha luz. Minha sanidade. Meu mundo.

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PUTA LOUCA sol derramava e eu me mexi, gemendo enquanto puxava os cobertores para o meu rosto. Minha mão pousou sobre a pele quente e nua , e eu sorri, lembrando-me da noite anterior. Espantava-me que uma pessoa poderia me fazer tão tonta e quente de excitação. Eu podia sentir o cheiro dele e respirava seu cheiro picante antes de me sentar. Estava feliz por ele não ter fugido novamente. Nunca quis reviver esse medo no meu coração. Gage ainda estava dormindo, com os lábios entreabertos, antebraço na testa, e seu cotovelo tatuado apontando para o teto. Ele estava roncando, então eu decidi deixá-lo ficar em repouso. Empurrando para fora da cama, eu escorreguei em um par de shorts, um top, e depois sai do quarto. Café pairava no ar e eu fiz uma careta. Eu tinha certeza de que Kelsey teria dormido mais depois de ficar bêbada na noite passada. Quando eu dobrava a esquina, lá estava ela, inclinada sobre a ilha, com uma caneca de café em uma mão e outra na testa. Seu cabelo escuro estava emaranhado (mas eu poderia dizer que ela arrumou isso) e sua maquiagem estava manchada, provando que ela teve uma noite agitada. — Bom dia, senhora. — Sorri quando eu cheguei ao seu lado e inclinei os cotovelos no balcão com ela. — Bom dia. — Ela suspirou. — Dormiu bem? — Foi decente. Minha cabeça está me matando... Mas pelo menos tive o que fazer com Roy ontem à noite. — Ela sorriu quando olhou nos meus olhos, tomando um gole de café. — Ainda não posso acreditar que isso aconteceu. Tipo, sério. Ele é, sem dúvida, o melhor beijo de sempre. Eu ri, virando-me para a cafeteira. Peguei uma caneca do armário acima e servi-me um pouco antes de adicionar o creme e açúcar. — Então, o que Grendel está fazendo aqui? Eu bati meus olhos nos dela. — Você sabe que ele está aqui? 158


— Bem, sim. Eu fui para o quarto para ver como você está, mas o vi todo abraçado na sua bunda. Eu ri, tomando meu café e entrando na área de refeição. Senteime em uma das cadeiras e Kelsey sentou ao meu lado. — Eu estou indo para ver sua irmã hoje. — Eu sussurrei. — Oh? — Kelsey arqueou as sobrancelhas. — Yeah. Eu só estou esperando ele sair. Eu quero fazer isso mais cedo e tirá-lo do caminho. Quanto mais cedo melhor, sabe? — Tirar o que fora do caminho? — A voz profunda de Gage encheu a sala e Kelsey e eu levantamos a cabeça para olhar para ele. Ele tinha um sexy cabelo de cama com certeza. Sem camisa. Magro, corpo deliciosamente tatuado. Jeans que pendiam logo abaixo da cintura, revelando o profundo V quente ao longo de sua pélvis. Droga, já houve um tempo que ele não estivesse tão atraente? — Uh, nada. — Eu fiquei na mesa quando ele puxou a camisa sobre a cabeça e puxou a barra para baixo. — Se importa se eu tomar um café antes de ir? — Ele perguntou, olhando para Kelsey. — Sim, com certeza. Sinta-se livre, mas não lave a caneca. Eu posso vendê-la no eBay. As meninas vão adorar. Mordi com um sorriso quando risada de Gage retumbou do coração de sua garganta. — Vão adorar. — Onde você está indo? — Eu perguntei, seguindo-o até a cozinha. Vi quando ele pegou o pote de café e encheu a caneca até a borda. — Roy ligou e quer me encontrar no estúdio. Pensei em fazer isso com ele desde que eu tive toneladas de inspirações na noite passada. — Ele piscou o olho por cima do ombro e um rosa rastejou em cima de mim. Eu podia sentir o calor fervendo no meu rosto, mas eu o afastei um pouco em outro sorriso. — Bem, não posso esperar para ouvir o fruto dessa inspiração. — Eu fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha, passando minha mão em seu peito. Ele sorriu, saboreando seu café. Eu sabia que esse era o plano de Roy para obter Gage fora do caminho por algumas horas para que eu pudesse fazer a minha visita, então depois que ele tomou seu café e comeu uma rosquinha, eu o deixei ir sem hesitação. Eu não queria, mas tinha coisas mais importantes a fazer, não só para mim, mas para ele também.

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Depois de beijá-lo um adeus, corri para o meu quarto e me vesti em uma camiseta de algodão e shorts jeans. Estava um dia muito quente em Nova York, mas em vez de sandálias, eu fui com o Chuck Taylors que Gage me comprou alguns verões atrás, enquanto estávamos em turnê juntos. Admito que o coloquei na parte de trás do meu armário e jurei nunca mais usá-los novamente, junto com o vestido que comprou para mim, mas quando o tempo passou, eu comecei a usá-los de novo para provar que poderia ser forte sem ele. Agora eu estava mais feliz do que um porco na lama porque os sapatos que eu usava era um presente dele, de modo que poderíamos combinar. Eu sabia o quanto ele amava seus Chucks. — Você quer que eu vá com você? — Perguntou Kelsey, ainda agarrada à testa quando passei por ela para chegar até a porta. — Não. Não devo demorar muito. Além disso, você não se sente bem. Vá se deitar. — Peguei minha bolsa do cabide e a joguei sobre meus ombros. — Ok, mas se a merda ficar feia me ligue... Mas se eu não responder, corra como o inferno. Eu não poderei fazê-lo a tempo. Vou me deitar com um pouco de Advil agora. Eu balancei a cabeça quando ela passou por mim e então saí do apartamento. Eu cavei ao redor da minha bolsa pelo papel com o endereço que Roy me deu quando atravessei o térreo para chegar à rua principal e, em seguida, respirei fundo antes de sinalizar para um táxi. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso, dizia a mim mesma, mas estava nervosa como o inferno e eu não tinha certeza do porquê. Eu tinha que ser confiante. Eu tinha que provar que o meu amor por Gage era real e tinha que fazê-lo corretamente. Qualquer erro poderia estragar tudo... E o que piorou muito ao pensar. Eu nunca fui boa em falar com as pessoas sobre como me sentia. Eu nunca tive a oportunidade de dizer nada a ninguém sobre mim até que Ben, Gage, e a banda vieram junto. Eu dei o endereço ao motorista e ele me disse que levaria uns vinte a trinta minutos, se incluísse o tráfego, então sentei e pensei em todas as formas possíveis para fazer isso. Porém, é claro que todas as formas possíveis parecia que seria um fracasso completo. Eu estava tão envolvida com o pensamento sobre como iria abordar Kristina que nem percebi que estávamos nos aproximando de um complexo de condomínios momentos depois. Eu fiquei nervosa quando ele parou em um estacionamento e disse: — Nós estamos aqui.

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— Obrigada. — Eu dei-lhe o seu dinheiro junto com uma gorjeta decente e, em seguida, pulei fora. O taxista saiu quase imediatamente, e eu suspirei, olhando para frente. Dei uma olhada no papel para o apartamento número -104G. Coloquei o papel em meu bolso de trás e encontrei a ousadia de pegar meus pés e chegar ao lobby. Enquanto eu subia no elevador, o meu coração batia cada vez mais. Minhas mãos tornaram-se pegajosas, suadas. Minha mente estava em todo lugar. Eu não conseguia pensar direito pela minha vida. Só esperava que isso não fosse uma má ideia. Eu estava na frente do 104G e dei um enorme suspiro. — Ok, Eliza. Você pode fazer isso. — Eu inalei, enchendo meus pulmões com oxigênio tão necessário e, em seguida, lancei-o por entre os lábios entreabertos. Eu levantei minha mão para bater e, por algum motivo, as batidas soaram altas como o inferno... Ou talvez eu as confundi com meu coração batendo. — Indo! — Quem diabos é? Eu fiz uma careta, porque havia duas vozes. Ambas femininas. E a primeiro soava muito malditamente familiar. Antes que eu pudesse processar de quem a voz era, a fechadura tilintou, correntes balançaram, e a porta se abriu. E quando eu a vi de pé diante de mim, eu imediatamente odiei esse plano todo. Eu sabia que seria fodido. Eu só sabia. Nada do que fiz sempre foi de acordo com o plano. Ela estava de pé em um par de calças cinzentas de yoga e um sutiã esportivo amarelo. Ela, obviamente, estava malhando, porque o suor umedecia sua pele e seu peito estava afundando e subindo. Quando ela me viu em pé na frente dela, fez uma careta e colocou o cabelo escuro atrás da orelha. — Posso perguntar por que você está aqui? — Perguntou Penelope. Não havia sensualidade em sua voz. Nenhum sino harmonioso. Nada. Apenas frio puro ódio. — Eu não estou aqui por você. — Dei uma olhada por cima do ombro e vi alguém passando parecendo pálido. — Estou à procura de Kristina. — Hmm... Muito ruim. Kristina está se preparando para ir para a reabilitação da manhã. — Penelope cruzou os braços e abriu as pernas. Okay. Ela não me deixaria entrar... E eu estava cansada de jogar limpo. Isso não ia acabar bem. 161


— Olhe, deixe-me entrar, é importante. Eu não estou aqui para discutir com você, ou... — Vadia. — Penelope assobiou. Eu estreitei meus olhos. — Desculpe-me? — Você me ouviu. Você é uma vadia. Uma destruidora de lares, louca, vadia desesperada. Você está aqui por Gage, não sua irmã, como diabos você sabe sobre ela? — Ele me disse. Ao contrário de você, não havia necessidade de escutar. E me chama de puta de novo e todo o seu sangue estará polindo o chão. Penelope jogou a cabeça para trás e riu. — É mesmo? Eu deveria ter medo da pequena velha Eliza? — Ela esfaqueou o dedo para o meu peito com tanta força que me fez estremecer e dar um passo para trás. — Eu vou te dizer isso uma vez e apenas uma vez. Fique. Longe. Da. Porra. Do. Meu. Noivo. Ele não quer você. Ele não te ama. Ele me ama. Ele diz cada vez que estamos juntos. Ele diz cada vez que ele está enterrado dentro de mim. Ele me quer. Vamos sua cabeça dura. Você era apenas uma peça temporária de bunda. Ele sabe o que realmente quer para levar o seu rabo de volta para o lixo onde você pertence e pare de tentar arruinar o nosso casamento! Vai acontecer entre nós, quer você goste ou não, e não há nada que você vai ser capaz de fazer sobre isso. E enquanto falava, ela esfaqueava o dedo para o meu peito inúmeras vezes - Eu rachei... Como, literalmente rachado. Todos os meus dedos estalaram quando eu apertei minhas mãos. Um tom de vermelho assumiu todos os meus sentidos, e as memórias de como eu os usava para bater nos rostos das meninas que falaram merda para mim durante as lutas gaiola voltaram. Tudo o que eu conseguia lembrar era me defender sempre que alguém falava merda na minha cara. Tudo o que eu conseguia lembrar era ver o sangramento do nariz de uma menina por causa dos meus punhos. Havia homens gritando, mulheres gritando para nós batermos nas bundas umas das outras. Eu fazia toda as lutas, quando era uma adolescente para a minha mãe e Jason... Porém, não desta vez. Eu nunca quis que essas lutas acontecessem, mas queria essa. Eu queria esta mal. Eu estava muito, muito cansada de sua merda. Ela tinha ido longe demais. Eu a empurrei para a casa e ela engasgou quando ela aterrissou de costas. Eu cambaleei meu braço de volta, pronta para espancar um golpe contra o rosto dela, mas ela me empurrou e rolou para longe. Eu

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caí contra o sofá, mas me virei num piscar de olhos. Ela era forte, mas eu era mais forte. Eu sempre tinha sido. — Você pensa que lutar contra mim vai levá-lo a amá-la mais? — Ela jogou a cabeça para trás novamente rindo, mas desta vez ela apertou a barriga e foi a oportunidade perfeita para buscá-la. Corri para ela, trazendo de volta o meu punho. Esmaguei seu rosto com o meu punho e ela gritou quando caindo no chão. Subi em cima dela novamente, mas ela empurrou meu rosto, segurando minha mão, com o objetivo de manter-me de volta. — Não. Eu sei que ele faz. Ele me disse o quanto ele me amava ontem à noite. — Eu disse, lutando para atingi-la novamente. Ela arregalou os olhos com um olhar de traição. Ela ficou chocada, e eu estava feliz. — Sua. Puta. Estúpida! — Ela rosnou. — Sai de cima de mim! — Ela tentou me empurrar, mas eu não estava com isso. Eu estava cega pela fúria. Meu coração disparava, ainda estava vendo sangue. Eu queria fodidamente a demolir. Eu tentei fazer limpo e jurei que não lutaria, mas ela trouxe isso sobre si mesma. Ninguém falava comigo desse jeito, ninguém, só minha mãe e seu rabo de marido... E que não podiam mais. Eu não estava mais aceitando a derrota. Eu vim para ganhar, e se tivesse que bater esta cadela para fora, a fim de fazê-lo, eu o faria. Se tivesse que aceitar acusações de agressão, eu o faria. Eu não me importava. Ela era a única que nos arruinou, então eu queria arruinar sua cara. Eu apertei o meu punho e puxei de volta, pronta para atingi-la, mas antes que pudesse, uma voz suave e relaxada falou e me fez parar. — Então você é a única. Eu olhei para cima, com um suspiro e havia uma menina que estava atrás do sofá, seus braços tatuados cruzados sobre o peito. Seu cabelo era longo, marrom escuro, e quebradiço. Paravam apenas em seus quadris, e ela estava um pouco calva. O lábio perfurado estava enrolado em um sorriso e ela estava descascando em um lado, mas era linda. Eu sabia quem ela era só de olhar para ela. Quando ela sorriu, ela tinha a mesma fenda ao redor dos olhos, assim como Gage. Os mesmos lábios cheios, rosa e mesmo casual, descuidado, e comportamento descontraído... Assim como Gage. Seu rosto estava pálido e eu poderia dizer que ela estava doente, mas ela ainda estava linda. — Q-quê? O que você quer dizer? — Você estava assistindo neste momento essa porra toda? — Penelope bateu, empurrando-me para o lado. Caí de costas quando ela 163


pulou a seus pés, mas eu não podia deixar de olhar para Kristina. Penelope encontrou o olhar de Kristina e fez uma careta. — Você poderia ter ajudado, Kristina. Somos amigas. Eu estava em perigo! Kristina sorriu. — Eu não tenho amigos. A carranca de Penelope aprofundou e Kristina apenas riu, sacudindo a cabeça. Ela então olhou para mim como eu estava. — Desculpe-me. Eu não queria que você me encontrasse assim... Kristina ergueu a mão para me impedir de falar. Ela estava rindo, e eu estava completamente confusa. — Você é Eliza. Eu vejo isso. Você quase quebrou o pescoço da garota por ele. — Kristina gesticulou para Penelope, que ainda estava carrancuda. — Eu vim falar com você. — Eu disse antes de olhar para Penelope. — Sozinha. — Bem, isso é muito fodidamente ruim. Eu não vou deixar. Este lugar é meu tanto como é de Gage. Você quer falar, então dê sua bunda lá embaixo. — Você sabe, agora eu vejo porque Eliza queria te bater, Penelope. Você é tão. Fodidamente. Chata! — O-o que você acabou de dizer? — Penelope questionou em um sussurro. — Você me ouviu. Eu venho tentando manter isso uma vez que o meu irmão diz amar você, mas UGH! Que tal você dar o fora, hein? Que tal se eu chamá-lo e deixá-lo saber que você acabou destratando a sua convidada. Eu sabia que havia algo feio e falso sobre você. Eu só não sabia o que diabos era... Mas eu vejo isso claramente agora, e para ser franca, eu não estou me fodendo para isso... ou para você. Penélope riu. — Eu duvido que Gage escolheria Eliza acima de mim. — Hmm... E por que isso? — Eu perguntei, cruzando os braços. — Porque eu estou confiante na nossa relação. Estamos apaixonados. Estamos felizes. — Ou talvez seja porque você o está chantageando por anos? — Eu ofereci. Kristina fez uma careta, segurando as mãos, como se estivesse fazendo uma pausa na grande cena. — Espera... Segure a merda. Chantageando? Como? 164


Penelope ficou quieta, mas eu falei. — Penelope não era namorada de Gage quando você a conheceu. — Eu disse. — Ela mentiu para você e disse que ela era, e Gage vem a mantendo junto com ele desde então, porque acha que você gosta dela... E porque ela tirou uma foto sua com ela juntas e ameaçou dar a uma revista com sua história. Ela também ameaçou a banda. O pai de Penelope foi o único que deu à banda o seu início. Ele é o executivo. Ele praticamente é dono deles. Ela disse a Gage que, se ele não ficar longe de mim, diria a seu pai para deixar os meninos e iria expor você. Ele não quer abdicar de nada, por isso que ele vem fazendo o que ela diz. — O quê? — Kristina cuspiu. — Você está brincando comigo, né? — Olhos de Penélope se arregalaram quando ela engoliu em seco. — Você está mantendo meu irmãozinho refém em seu fodido pequeno mundo egoísta, só porque ele está apaixonado por outra pessoa? — Kristina deu a volta no sofá, aproximando-se Penélope. — Gage me ama! — Penelope gritou. Lágrimas construindo nas bordas dos olhos e não muito tempo depois, elas caíram. — Ele não te ama. Ele nunca fala sobre você. — Kristina estalou. — Droga, eu sou tão estúpida. Fiquei me perguntando por que diabos ele ainda estava com você... Toda vez que eu trago isso ele sempre muda de assunto. Você é tão sortuda que eu tenho que respeitar sua privacidade. — Ela beliscou a ponta de seu nariz, sacudindo a cabeça. — Você precisa dar o fora daqui. Agora. Antes de eu acabe fazendo algo que vou me arrepender. — Você é louca. — Penelope disse com uma voz vacilante. — Se eu sair, essa imagem vai estar em todo o lugar. — Ameaçou. — E eu não estou brincando. Você será exposta como a drogada que você é. Você vai ser conhecida como a irmã que destruiu a vida de seu irmão, antes que ele chegasse ao estrelato. Você vai ser criticada por ser a puta que fez da sua vida um inferno, antes que ele ficasse famoso. Pensei que Kristina iria quebrar - que talvez ela virar para fora, mas tudo o que ela fez foi dar de ombros. — Para o inferno com a imagem do caralho. Espero que ela apodreça junto com você. A vida é muito malditamente curta. E, além disso, ele sabe a verdade. Opinião de ninguém mais importa. Especialmente não a sua. — Ugh! Foda-se! — Penelope pegou sua bolsa da mesa de café e saiu em torno de mim para chegar até a porta. — Eu vou ligar para Gage! Ele me ama e vai ficar do meu lado se sabe o que é melhor para ele e sua carreira. Ele sempre fica do meu lado, especialmente quando se trata dele e sua banda. 165


— Sim, continue a dizer isso para si mesma, puta louca! — Kristina gritou atrás dela, revirando os olhos. Penelope bufou e abriu a porta. Ela saiu correndo e bateu atrás dela, e eu vacilei. Virei-me lentamente para olhar para Kristina, mas ela já estava olhando para mim, sorrindo. — Eu só fiz um Sweet Tea2 de matar. Eu supostamente não deveria estar bebendo, mas oh bem. Vamos ter algum enquanto falamos. Eu sorri de volta, balançando a cabeça enquanto a seguia até a cozinha.

2

Bebida alcoólica

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TRÊS MESES ristina colocou um pouco de gelo em nossos copos cheios de Sweet Tea antes de colocar o meu na minha frente e, em seguida, sentar-se tomando a dela. — Obrigada. — Sem problema. — Ela tomou outro gole e suspirou com satisfação. — Tem que amar Sweet Tea. Eu tomei um gole, assentindo. Eu nunca fui uma fã de Sweet Tea, mas este era realmente bom, longe de ser amargo. Perfeitamente doce, não muito. Tomei outro gole e Kristina suspirou, cruzando os braços tatuados. — Então, o que te trouxe aqui? Só queria uma briga cheia com essa maluca? — Ela apontou para trás como se Penelope estivesse de pé ao virar da esquina. — N- não, eu estava apenas... — Brincadeira, brincadeira. — Ela riu, segurando suas mãos. — Eu sei por que você está aqui... Bem, mais ou menos. Por Dalton, certo? — Dalton? — Eu questionei, com as sobrancelhas franzidas. — Oh! — Ela começou a rir, deixando cair as mãos sobre a mesa. — É seu nome do meio. Era chamado por ele desde que nasceu. Ele se encaixava mais. Mamãe pensava assim também. Eu ri um pouco. — Oh. Houve uma pequena pausa. — Então, diga-me o que está acontecendo, Eliza. — Ela sentou-se na cadeira e pegou o chá novamente para saborear. — Bem, Roy e eu conversamos na semana passada sobre Gage. Roy achou que seria uma boa ideia falar com Gage em pessoa, mas eu pensei que nunca iria funcionar, porque não o tinha o visto por dois anos. — Droga. Dois anos? Tudo isso? Eu balancei a cabeça, encolhendo os ombros. — Yep. Parece que tem sido mais, sinceramente. Kristina deu um leve sorriso. — O amor. — disse ela simplesmente. 167


— Yeah. — Eu suspirei. — De qualquer forma, eu pensei que seria uma boa ideia vir e falar com você, pois é a única pessoa que ele parece admirar. Você é a única com quem ele se preocupa. Kristina bufou. — Admirar? — Seus lábios se curvaram em sorriso. — Antes de tudo, eu admiro o garoto. Eu o amo pelo o que ele está fazendo e quão longe ele chegou. Ele é bem-sucedido e fez tudo por conta própria. Eu não desempenhei nenhum papel no seu sucesso. — Bem, eu só pensei – pela forma como Gage fez parecer - que você não teria nenhum problema mostrando-lhe o caminho certo. Gage está cometendo um grande erro com Penelope e ele pensa que estar com ela é a única maneira de manter você segura e feliz. Ele está mentindo para si mesmo. Ela está fazendo de sua vida um inferno. Kristina bufou novamente. — Deixe-me dizer uma coisa. Eu poderia dar uma merda sobre com quem Dalton dorme, beija, namora – qualquer coisa. É a sua vida, mas sei quando ele não está feliz. Ele tem estado miserável quando o que merece é estar animado sobre a vida. Eu vejo como ele está entediado sempre que a menina está ao seu redor. Eu vejo como ele força sorrisos e sempre quero comentar sobre isso, mas... Eu simplesmente não posso. Eu não quero me meter, quando ele me pegou e está fazendo tudo que pode para cuidar de mim e me manter viva. A última coisa que quero fazer é irritá-lo, não quando ele tem sido tão bom para mim. — Eu entendo isso. — Eu disse, mantendo minha voz forte. — Mas esta é a vida de Gage e seu futuro. Acho que eu cheguei a ele um pouco, mas eu conheço Gage. No momento em que ele tentar fazer uma jogada, vai ser tarde demais. Ele vai andando por aquele corredor e não vai querer vê-lo terminar. — Eliza, eu — Ela balançou a cabeça, baixando o olhar. — Eu sei muito bem que fazer isso pode arruinar a representação perfeita do FireNine. Eu não quero ser a culpada pela feiúra que vem do outro lado. Penelope pode não gostar de mim, mas eu não a quero esmagando o meu irmão. Eu não quero que ele perca tudo por minha causa. Ele trabalhou duro por esta merda. — Disse ela, olhando ao redor da cozinha. — Kristina, por favor? — Eu implorei. Ela estava olhando para uma parede distante. — Eu vim todo o caminho de Virgínia para Nova York por ele. Eu não tinha, mas eu o amo, então eu fiz. Você desistiu de sua infância para criá-lo. Você deu a sua vida e teve que passar por algumas merdas difíceis. Eu entendo isso. Eu sei. Ele me disse... Mas adivinhe? Minha vida era a mesma coisa. Tivemos que crescer cedo e aprender a nos defender. Tivemos que fazer sacrifícios por aqueles que 168


amamos, mesmo quando não queremos. Nós só queríamos uma vida perfeita, com sorrisos perfeitos e perfeito céu azul, mas ao invés disso, acabamos com as nuvens cinzentas sombrias e trovoadas. Eu entendo. Isso acontece com as pessoas. — Encheram de lágrimas seus olhos, mas eu não parei. Eu sabia que estava a atingindo. Eu tinha que levá-la a rachar. Ela pressionou os dedos pálidos e ossudos contra o lábio inferior para combater a tremedeira assumindo. Seus olhos ainda estavam distantes. — Você criou Gage. Você o ajudou mais do que o destruiu. Sei que cometeu alguns erros e se sente terrível sobre eles, mas ele te perdoa. Ele perdoou anos atrás, e eu sei que você acha que ele vai romper com você se tentar e não concordar com ele ou tentar fazê-lo mudar os seus caminhos, mas eu conheço Gage. Eu vejo o que está em seu coração. Ele precisa de um grupo de pessoas atrás dele, para apoiálo. Tão forte quanto ele possa parecer, ele não vai fazer isso sozinho. Eu estou aqui. Roy está aqui. Eu sei que o resto da banda vai estar definitivamente do seu lado... Tudo se resume a você, Kristina. Você está mais perto de seu coração do que qualquer um de nós poderia estar. Minha garganta arranhou enquanto eu observava as lágrimas derramarem por suas bochechas pálidas. Seus dedos ainda estavam pressionados contra a boca e, em seguida, do nada, ela pulou para seus pés e olhou para mim. Ela bateu com o punho na mesa, olhando-me profundamente nos olhos, as sobrancelhas puxadas juntas. Engoli em seco o chocalho da mesa, olhando para a mão ossuda e depois para seus olhos verdes duros. — Eu devo a ele pra caralho, Eliza! Eu não posso nem começar a imaginar como tem sido para ele. Eu me sinto como a pior irmã da porra do planeta. Eu jurei que estaria lá para ele e então... E então eu desisti. Eu dei o fora. Eu queria sair tão mal, só queria viver uma vida normal, por uma vez. Eu conheci algumas pessoas realmente fodidas. Eles me mostraram um caminho para sair... Drogas. Crack. Metanfetamina. Cocaína. Heroína. Qualquer uma que você possa pensar. — Ela disse, os contando em seus dedos. — Eu pensei que estava vivendo a vida, quando na realidade a estava destruindo. Não só estava me matando, mas também estava emocionalmente assassinando Dalton. Eu me odeio cada vez que vejo seu rosto. Eu sei que poderia ter feito melhor por ele. Ele precisava de mim e eu só... Eu desapareci. Não sei como compensar isso, e a última coisa que quero fazer é dizer-lhe o que fazer.

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— E você está certa. Penelope não o merece... Mas nem eu. Eu não mereço um irmão que cuida de mim a cada vez e quer fazer nada além de me ajudar. Socorre-me. Apoia-me. Eu não preciso disso. Eu mereço a sua ira, mas ele é tão bom, tão generoso que faz mal ao meu estômago. Eu poderia ter feito melhor... Eu poderia ter ajudado - ficado. Ele me queria lá, mas... — Ela quebrou em um soluço, tropeçando e caindo em sua traseira. A cadeira deslizou um pouco, mas eu levantei para me certificar de que ela não cairia. — Eu - eu o amo até a morte. Eu nem sequer merecia estar aqui. Eu estraguei tudo... Eu - eu estou fodida. Eu sei. Eu não quero ser a razão dele perder tudo. Minha garganta arranhou novamente e, em seguida, uma lágrima me escapou. As suas palmas das mãos estavam em seus olhos, como se ela pudesse conter as lágrimas, mas eu vi claramente. Elas estavam realmente correndo. Ela engasgou com seus próprios soluços, soluçando, amaldiçoando sob sua respiração, e eu estava... Quebrando. Como eu poderia quebrar por alguém que mal conhecia? Ou talvez a conhecesse. Eu sabia que ela não queria nada além do melhor para Gage. Eu sabia que ela não queria deixá-lo como tinha feito há alguns anos atrás, mas talvez ela pensasse que era melhor para ele cuidar de si mesmo. Talvez ela soubesse que teria arruinado sua vida, tanto como ela arruinou a dela e não queria isso, então acabou saindo. Eu funguei, tentando controlar minhas emoções, mas doía. Se isso estava me machucando, eu sabia que a estava destruindo. Ela estava o revivendo novamente, passando por cima toda a mágoa e dor que ela o fez passar. Inclinei-me de joelhos e olhei para ela. Eu, então, peguei as mãos dela e as apertei. Seus olhos ainda estavam fechados, mas eu disse-lhe para olhar para mim. Ela abriu os olhos e parecia uma criança perdida, com dor, medo, sozinha, mas eu queria estar lá para ela. Eu queria que ela soubesse que estava no passado. Tudo foi perdoado. — Kristina, Gage te ama. Você é sua irmã mais velha. Você é sua melhor amiga. Ele faria qualquer coisa por você. — Eu sei, mas... — Não, não há, mas. Todos nós fodemos as coisas, ok? Todos nós cometemos erros. O que você fez foi bom e ruim. Bom porque motivou Gage para alcançar a vida que ele tem agora, mas ruim porque ele precisava de você lá com ele e você não podia estar. Tentou - Eu sei que você fez. Eu posso dizer que você fez. Você se importa... Você o ama. Você não queria que ele passasse pela mesma coisa que passou.

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— Eu tentei o meu melhor. Eu juro. — Ela sussurrou. E então ela tossiu, uma petrificante, tosse forte, doente. Pisquei rapidamente quando gotas de sangue espirraram no meu antebraço. — Oh, Deus. Você está bem? — Eu perguntei, minha voz em pânico. Eu pulei para os meus pés, mas ela simplesmente balançou a cabeça e limpou a boca. — Sinto muito. Foda-se. — Ela sussurrou, agarrando uma toalha de papel em cima da mesa. — Não é contagioso nem nada. — Disse ela, limpando o sangue do meu braço e me olhando debaixo de seus cílios. — Eu juro. Eu poderia ter me importado menos sobre o sangue no meu braço. Eu sabia que não era contagioso. Minha expressão de horror poderia ter parecido como se eu estivesse um pouco irritada com o sangue, mas não estava. Era apenas o fato de que ela o tossiu. Ela realmente estava doente. — Você ainda está indo para a terapia? — Eu perguntei, baixando em um joelho novo. Ela balançou a cabeça, revirando os olhos antes de limpar as lágrimas. — Claro que não. — Por que não, Kristina? É importante... Certo? — Isso só torna pior. — Ela murmurou antes de pegar seu copo de chá. — Eu parei de ir há um tempo atrás. Não disse a Dalton porque ele iria chutar a minha bunda. — Ela riu, mas eu não podia. Isso era ruim para ela. — Eu sei que você acha que é errado, mas... É só o meu tempo, Eliza. Eu irei em breve, mas não sei como dizer Dalton. Ele pensa que eu tenho mais alguns anos, mas é mais como mais alguns meses. Três para ser exata. Eu não posso continuar segurando. Há apenas muita luta no que posso fazer, e além disso — Disse ela, dando de ombros. — Eu fiz, aceitei isso. — Três? — Eu sussurrei. Nada mais do que ela disse realmente importava. Eu não podia acreditar. — Sim. Três. — Desta vez, ela segurou minhas mãos e me olhou nos olhos. — Você não pode dizer a ele. Eu não quero que ele saiba porque então vai tentar colocar tudo em espera por mim. Eu não quero isso para ele. Eu quero que ele continue a fazer música, agarrado em sua banda... Agarrado em você. Eu não quero que ele escorregue por mim. Eu o quero feliz - pensando que tudo é perfeito. A última coisa que quero é ele se preocupando com a minha saúde. Você pode fazer isso por mim? Promete-me? 171


Baixei a cabeça, sentindo um aperto forte no meu estômago. A pressão girou, amarrada, e eu senti como se estivesse indo arremessar, mas me mantive forte. Talvez fosse assim que tivesse que ser. E ela estava certa. Gage teria colocado tudo em espera por ela, porque ele tinha acabado tê-la e não iria perdê-la novamente. Não permanentemente. Eu balancei minha cabeça. — Isso é errado, mas eu vou fazer isso por você. Você está certa. Ele não precisa saber agora. Seus lábios esticaram para sorrir. Ela então me puxou pelos ombros e me abraçou. Eu a abracei de volta, levando-me em seu perfume de melão antes de me afastar. — Você pode fazer isso por mim, e vou tentar convencê-lo a ficar longe da cadela da Penélope. Eu vou apoiá-lo se for preciso. Eu não me importo se o mundo me ver. Espero que vocês dois possam voltar a ficar juntos e que sejam felizes novamente. Espero que a banda vá finalmente ficar livre de todas as cargas. — Mas o que acontece com você? Penelope é louca. Ela vai enviar sua foto para alguém em segundos. Uma vacilada de Gage e ela vai explodir. Kristina encolheu os ombros, revirando os olhos e eu soltei um suspiro pesado. — Estou prestes a ir, Eliza. A última coisa que eu quero fazer é dar a minha satisfação a essa diaba. Se ela tem que se inclinar tão baixo, ela não vale a atenção. Eu posso lidar com isso. Não é como se eu fosse ser muito vista de qualquer maneira. Eu vou estar aqui a maior parte do tempo. Gage será usado para toda a atenção. Ele sabe quando falar e quando não. Nós apenas temos que realmente estar lá para ele, especialmente se o pai dela for estúpido o suficiente para deixar a sua melhor banda ir. — Mas você provavelmente vai ficar mais doente. O estresse pode... Matá-la. — Eu vou ficar bem. — Ela estava sendo ousada, mas eu sabia. Ela não ficaria bem. Paparazzi iriam perfurá-la e o FireNine por isto. Eles não dariam qualquer folga com uma história tão boa. Todo mundo achava que o FireNine era perfeito - que não tinham quedas, sem feiura. Todos pensavam que o FireNine não tinha preocupações ou problemas, que eles estavam andando nas nuvens. Porém, esse não era o caso. Assim quando a história de irmã Gage Grendel batesse nos tabloides, explodiria. Eu suspirei, correndo os dedos pelo meu cabelo. — Isso vai matar Gage. — Eu respirei fora. 172


— Dalton vai entender. Ele sempre faz. Pode levar algum tempo e toneladas de apoio, mas ele vai passar por isso. Seus verdadeiros fãs vão ficar com ele. — Ela encolheu os ombros. — É a vida. Merda ruim tem que acontecer para que as coisas sejam boas de novo. Seus lábios se curvaram em um sorriso. Eu sorri de volta, e mesmo que eu soubesse que ela estava arriscando sua saúde e seus três meses de vida, sabia que isso era o que ela queria fazer. Este era o seu pagamento de sua dívida para com o seu irmão mais novo compassivo. Pensei que ela achava que isso era o mínimo que podia fazer depois de tudo o que ela fez Gage passar. E não a culpo. Na verdade, eu a amava ainda mais. Eu estava preocupada que haveria muita coisa acontecendo e, mais cedo ou mais tarde ela iria partir. Ela já estava fraca fisicamente. Emocionalmente... Agora, era uma história completamente diferente. Ela não seria capaz de se manter por muito tempo. E eu não sabia se Gage aguentaria tanto.

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VARANDA age chegou em casa cerca de duas horas mais tarde, e eu nem percebi que tinha passado tanto tempo com Kristina. Ela era divertida, mas assistindo a chocada expressão fantasmagórica assumindo o rosto de Gage quando ele entrou por aquela porta todo o divertimento despencou em espiral. — Kris? Eu comprei filmes! — Gage gritou, fechando a porta e girando. Assim que ele se virou, seus olhos se arregalaram. Olhando-me sentada a menos de dois centímetros de Kristina, ele deu um passo para trás e depois escaneou seu perímetro, como se Penelope fosse aparecer a qualquer momento e explodi-lo. Estávamos todos em silêncio por alguns momentos, isto é, até Kristina falou. — A cadela louca não está aqui. — disse ela, ficando de pé com um estremecimento. Eu fiquei com ela ajudando-a e Gage correu para o lado dela, mas ela ergueu as mãos para nós dois, seu gesto para provar que estava bem. — O que diabos está acontecendo? — Ele perguntou, trocando olhares entre nós. — Gage, eu tinha que fazer. — Eu disse, olhando em seus olhos. — Era o único jeito. Você não faria isso em breve. — Eu estava indo fazê-lo, Eliza! Eu lhe disse para me dar tempo. — Dalton, o tempo não está do seu lado com um presente. Você está esquecendo que o casamento está previsto para amanhã? — Kris se intrometeu. Ele cruzou os braços. ��� Eu iria adiá-lo. Eu não apareceria. Kris balançou a cabeça, rindo um pouco. — Há tanta coisa que você pode fazer para adiar. E, além disso — Disse ela, agarrando uma almofada e a afofando. — Eliza está certa. — Kris... — Gage descruzou os braços, dando um passo para trás. — Kris, você me disse para te proteger, para mantê-la fora da publicidade. Isso é o que eu estava fazendo. Era o único jeito.

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— Sim, bem, você é um idiota por fazer isso e pensar que era o único caminho. Gage franziu a testa, perplexo. — Eu sou um idiota porque não quero que você se estresse com a minha vida? Por que eu não quero que você morra? Eu escolhi este estilo de vida, não você. Eu não preciso de você se preocupando com alguma merda em que fui me meter. — Não, você é um idiota por pensar que eu seria egoísta o suficiente para dizer-lhe para ficar com Penelope apenas para que não tenha que ser vista ou falada. Essa é a merda mais estúpida que eu já ouvi, Dalton. E ouvir isso dela, uma garota que é tão apaixonada por você que não pode mesmo ser considerada uma piada, é apenas... Chocante. Eu não posso acreditar que você está se colocando por esta merda por tanto tempo. Ele estava prestes a dizer algo, mas então sua boca ficou bem fechada. Gage olhou para sua irmã e, em seguida, olhou para mim. Lágrimas picando em seus os olhos e as piscou, dando um passo para trás. Meu coração doía enquanto eu observava os dois brigando. Ambos se importavam um com o outro. Eles não queriam ver o outro se machucando. — Dalton. — Disse Kris, acelerando e segurando seu rosto. Sua voz era uma mistura de doçura e seriedade. Seus olhos olhavam para os dele, mas ele não estava olhando para ela, ele estava olhando para mim, e eu estava confusa. Eu esperava que ele não estivesse com raiva de mim. Eu não queria que ele estivesse. Eu estava fazendo isso por ele. — Dalton, olhe para mim. Levou apenas um segundo para os olhos dele encontrar os dela. — Kris, me desculpe, cara. Eu estava tentando. Eu tentei. Eu não sabia o que fazer. Eu odiava que tivesse que deixá-la ir. Queria falar com você sobre isso, mas você me fez prometer que a manteria fora da minha merda. — Shh, shh, shh. — Ela segurou o rosto dele mais apertado em suas mãos. — Dalton, você sabe que eu faria qualquer coisa por você. Qualquer coisa. Eu não me importo se tenho que ser vista. Eu não me importo que a porra do mundo me conheça pelo que fiz para você. Eu não me importo se sou conhecida como a menina que te arruinou, a irmã que poderia ter feito muito melhor pelo seu irmão. — Sua voz tornou-se mais espessa, provando que as lágrimas estavam a caminho. — Eu não me importo com o que tenho que passar, porque lhe devo muito. Devo-lhe a minha própria vida depois de fazer você sofrer. Eu faria qualquer coisa para te fazer feliz. 175


Gage embargou, tentando conter as lágrimas. Os cantos de seus olhos estavam vermelhos injetados de sangue e quanto mais ele olhava nos olhos de sua irmã, mais isso provocava suas lágrimas. Elas escorriam pelo seu rosto e sua testa caiu sobre seu ombro. Ela agarrou sua alta estatura nos braços e o calou. Ela murmurou quando ele se sentou no sofá com ela. Inclinando o queixo, ela sorriu para ele, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto, também. — Dalton. Você é meu irmãozinho. Mamãe me fez prometer nunca sair do seu lado e mesmo que eu tenha quebrado essa promessa, estou aqui agora. Eu não vou sair de novo. Você tem a minha palavra. Sinto muito por toda a merda que eu te fiz passar, por deixá-lo, mas nunca vou fazer isso de novo. Sinto muito, ok? — Ela beijou sua bochecha e ele abaixou a cabeça, forçando um sorriso em seus lábios. Eu assisti os dois com os olhos molhados. O amor deles era profundo, compassivo. O relacionamento deles era forte, mesmo depois deles não terem visto um ao outro nos últimos anos. Mesmo depois que ela o roubou, o deixou sozinho... Ele estava lá. Seu amor nunca havia desaparecido, e eu acho que sabia o porquê. Gage sabia que a Kristina que roubou dele não era realmente Kristina. A Kristina real era aquela quem estava em suas costas, a que o criou como um filho, aquela que o banhou e o alimentou, aquele que queria dar-lhe o mundo, no entanto ela não pôde. A Kristina real era a única que lutava dia e noite só para manter um teto sobre a cabeça de seu irmãozinho. A Kristina real odiava a Kristina drogada, e ela jurou nunca mais voltar. Não por um longo tempo. Eu vi a tristeza em seus olhos. Ela sabia que isso iria machucá-lo, mas conhecia seu irmão. Ele nunca poderia machucá-la de volta. Não importa o que, Kristina era sua irmã e ele iria cuidar dela. Ela era toda a família que lhe restava. — Você está bem? — Kristina perguntou a ele, inclinando o queixo novamente e enxugando as lágrimas. Ele sorriu como um menino, olhando-a sob seus cílios. — Yeah. Eu estou bem. — Ele olhou para mim e eu bati em meus olhos, proporcionando um leve sorriso. Kristina olhou por cima do ombro para mim e mostrou todos os seus dentes. — Eu vou pegar a pizza que eu pedi. Vocês dois conversem. — Ela se levantou, bagunçou o cabelo de Gage, e em seguida pegou as chaves fora do gancho, saindo pela porta. Assim que a trava se fechou atrás dela, Gage se levantou e fez o seu caminho em minha direção. Ele se reuniu a mim, segurando meu rosto e conectando seus lábios nos meus. Eu não me contive. Eu queria isso. Sabia o que ele 176


estava sentindo... Bem, mais ou menos. Sabia que ele estava todo agitado com emoções, mas não ousei quebrar o beijo. Queria que ele colocasse para fora. Queria que ele tivesse o seu caminho comigo, no entanto, ele queria. Não me importava, porque ele merecia isso. Nós merecíamos isso. Nós não estávamos pensando quando ele agarrou meus quadris e me puxou. Nós não estávamos pensando quando enrolei meus braços ao redor do pescoço dele e ele tomou passos lentos em direção à varanda. Nós definitivamente não estávamos pensando quando ele abriu a porta, saiu, e nossos lábios permaneceram colados. Ele me desceu, nossos lábios nunca se soltando, com as mãos sem se atreverem a parar de tocar um ao outro. Ele agarrou a barra da minha camisa, puxou-a por cima da minha cabeça, e a jogou para o lado. Eu agarrei a bainha dele e fiz o mesmo. Eu o queria tão mal quanto ele me queria. Eu não estava disposta a estragar esse momento com conversa fiada. Poderíamos falar o que todos nós queríamos mais tarde, porque isso era uma vez na vida. Um ponto em que já não tínhamos que nos preocupar sobre estarmos separados. Já não tivemos que fazer sacrifícios. Eu sabia que ele faria o que era certo por ele, sua irmã, e eu, e mesmo que ele levasse um tempo, eu estava feliz que ele teve a força para ir em frente com isso. Eu estava feliz pois ele já não se preocupava com as repercussões de mexer com uma troll louca como Penelope. Ele não se preocupava com a sua reputação, enquanto ele nos tinha. Ele só tinha que ter esse impulso, o tapa da realidade. — Eu te amo pra caralho, Ellie. — Ele sussurrou, beijando a curva do meu pescoço. — E eu sinto muito por colocá-la em tanta merda. Eu juro que não te mereço, nem mesmo por um segundo, mas eu estou feliz por ter alguém como você comigo. Alguém que se importa. Alguém que luta para mim quando sinto que vou desistir de tudo. — Eu faria qualquer coisa por você. — Eu sussurrei enquanto seus lábios úmidos abafavam no meu pescoço. — Eu te amo, Gage. — Estendi a mão para a fivela de seu cinto e o arranquei. Eu estava precisando de cada parte dele. Cada centímetro que eu queria dentro de mim. — Eu não posso esperar mais. — Eu sussurrei. Seus lábios eram apenas um fôlego. — Eu não posso, Gage. Eu preciso de você. Agora. — Eu sei. Eu sei, Doce Ellie. Eu preciso de você, também. Mais do que você pensa. — Gage puxou para trás e desabotoou as calças por si mesmo. Ele, então, estendeu a mão para os meus jeans, os desabotoou, puxou-os para baixo, e depois devorou meus lábios de novo. Ele enfiou a língua entre os meus lábios, mergulhando, brincando com cada parte da minha boca. Ele era doce. Sempre com gosto doce. 177


Puxando-me para ele, ele agarrou o cós da minha calcinha e deslizou para baixo. Deixando-me sem nada só com meu sutiã e eu não me importei nem um pouco. Sua sacada era isolada, de frente para o telhado de outro prédio. Ninguém podia nos ver, a menos que eles estivessem olhando com binóculos. Eu deslizei as boxers de Gage para baixo, e sua grossa ereção surgiu livre. Lambi meus lábios e ele riu, olhando para seu pênis antes de encontrar meus olhos. — Eu amo quando você faz isso. — Ele murmurou. — Faço o quê? — Eu sussurrei ofegante quando me puxou para ele. Sua excitação mexeu em meu estômago, fazendo-me gemer. — Lamber os lábios, como se você quisesse o gosto de cada parte minha. — Talvez eu queira. — Você quer? — Yeah. — Ellie. — Ele riu, uma risada profunda e sexy, e abaixou a cabeça. — Você não tem ideia do quanto eu quero um sabor de seu corpo agora. Todo ele. Cada centímetro. — Gage me levantou com uma ação repentina, e liguei minhas pernas em volta de sua cintura, mais uma vez. — Eu acho que nunca vou ser capaz de ter o suficiente. — Eu podia sentir seu pênis na minha entrada e gemi quando ele atacou meus lábios. Minhas costas bateram na porta de vidro e assim que o fez, ele me abaixou, colocando-me em cima dele e minhas dobras o consumiram. Ele assobiou por entre os dentes e eu engoli em seco quando o sentimento completo assumiu todas as partes do meu corpo. O gemido que tentei conter solto sem qualquer tipo de remorso. Isto era tudo dele, e isso era exatamente o que eu queria. E quando ele começou, não parou. A porta de vidro da varanda balançando, eu gemia e gritava o nome dele, e ele grunhia contra meu pescoço enquanto eu trancava meus braços ao redor dele. Batendo em mim, sussurrando pequenas coisas no meu ouvido, o quanto ele me amava, como ele nunca iria me deixar de novo, e quanto precisava de mim. E eu acreditei nele desta vez, porque quando você perde algo que te faz ver o mundo de forma diferente, você não quer nada mais do que obtê-lo de volta. Ele me perdeu... Duas vezes. E eu o perdi. Porém, agora que eu tinha o meu caminho endireitado agora que a vida estava sendo tão boa para mim e eu já não tinha que me preocupar, estava indo para fazer isso funcionar. Neste exato momento, enquanto ele acariciava seu caminho dentro de mim e 178


fizemos todo o amor apaixonado, eu jurei que, enquanto Grendel colocasse tanto esforço quanto eu colocasse, iria continuar a fazer isso funcionar. Eu jurei a mim mesma nunca abandonar, nunca desistir, e ter certeza que estava em suas costas, não importa o quê. Ele cometeu alguns erros, mas queria fazer tudo certo de novo. Ele não tinha acabado. Nós não estávamos nem perto da linha de chegada, mas a partir de agora, neste momento, não importava. Os problemas não importavam. Os demônios que nos assombravam, que queriam nos ver falhar miseravelmente, ainda estavam ao redor, mas era hora de cair na real. Era hora de encarar a realidade e que faríamos isso como deveríamos ter feito isso desde o início. Juntos, como um.

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ANIVERSÁRIO uando voltei para o apartamento, Kelsey tinha um aspirador de pó agarrado na mão e "Blurred Lines" de Robin Thicke tocando através de seus alto-falantes. Achei que ela se sentia melhor. Quando ela me viu, sorriu e virou o aspirador ao redor. — Como foi? — Ela gritou por cima do barulho. Eu sorri, dando um passo ao redor dela para desligar o aparelho de som. Ela desligou o aspirador e colocou-o para o lado. — Bem? — Com grandes olhos, ela colocou a mão em seu quadril. — Foi bom. —Eu suspirei, entrando na cozinha. — Eu tive que bater na Penelope vadia, mas além disso... Bom. — Eu sorri por cima do meu ombro enquanto Kelsey corria na cozinha atrás de mim. — De jeito nenhum! Não... De jeito nenhum. Você disse que não haveria nenhuma luta! — Bem, ela estava pedindo por isso. E a merda que ela disse na minha cara... Eu não estava prestes a deixar para lá mais uma vez. Eu tinha que fazer. — Eu dei de ombros. — Não... Isso é uma coisa boa. Eu não queria dizer isso de uma maneira ruim. — Disse ela, agarrando meus ombros. — Estou muito feliz que você chutou a bunda dela. Não a conheço, mas realmente a tenho sob a minha pele. — Ela soltou meus ombros e abriu a geladeira, pegando uma caixa de suco de laranja, enquanto ria. — Então, o que está acontecendo com Grendel? Sua irmã? Você ficou lá mais tempo do que o esperado. — Oh sim. — Eu disse, pegando uma maçã verde e a limpando. — Sua irmã é muito doce e Gage está finalmente disposto a lutar e enfrentar as consequências. Sua irmã ficou chateada quando descobriu que Penelope estava o chantageando. Parecia que ela queria arrancar o pescoço dela. Kelsey revirou os olhos. — Eu aposto. — Eu vou voltar a falar com Kristina amanhã. Ela quer que eu passe por lá quando Gage sair. Ela disse que é importante e quer fazer uma surpresa para ele. — Eu torci meus lábios e cruzei os braços, sentindo uma tristeza repentina assumindo as minhas emoções. Isso

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tinha estado comigo desde que deixei o apartamento de Gage e não importa o quanto eu tentasse, não conseguia me livrar disso. Kelsey me olhou com os olhos arregalados enquanto ela tomava um gole de suco. — Diga-me o que está errado, Eliza. — Ela disse, apoiando a parte inferior das costas contra a borda do balcão. — Nada... É só que... Bem... — Eu engoli o tijolo na minha garganta. — Ela só tem três meses de vida e... O suspiro de Kelsey me cortou. — Três meses! — Sim. Três meses. Mas ela me fez prometer não contar para Gage. Ela não quer que ele saiba que sua hora está chegando. Ela disse que fez as pazes com isso, mas isso vai matar Gage, porque ele acha que ela tem anos ainda. — Três meses, Eliza? Sim, isso vai matá-lo! Isso vai destruí-lo! — Eu sei, mas é isso que ela quer. Ela não quer que ele saiba porque ele vai tentar e colocar tudo em espera por ela. Ele não vai mesmo tocar sua guitarra ou se atrever a cantar se ele souber que ela tem apenas algumas semanas de vida. Vai passar cada momento ao seu lado e ela sabe disso, eu sei disso - é por isso que acho que não devemos dizer. Ele merece ser feliz. Nós não queremos acumular mais merda sobre seus ombros. A merda com Penelope é suficiente. — Ugh, eu sei, mas, Eliza... — Kelsey parou, mordendo o canto do lábio inferior. — Eu entendo, eu realmente faço, mas acho que ele merece saber. Você deve falar com ela. Sim, ele vai ficar chateado que ela tem apenas algumas semanas de vida, mas ele vai chegar à paz com isso, assim como ela. Não lhe dizer vai piorar as coisas. Ele não vai querer fazer nada. A mesma coisa aconteceu com a minha avó e eu. Aquela mulher me criou, ensinou-me tudo o que sei sobre a arte e a vida, e quando descobri que ela morreu, eu não quis falar com ninguém. Eu não quis fazer nada por meses, ou seja até que eu conheci Rick. E... É claro que ele quebrou meu coração, mas isso é além do ponto. — Ela cruzou os braços, soprando um suspiro. — Eu só... Eu acho que seria melhor para ele saber. Ela é a sua irmã, Liza. Ela é alguém que ele não planeja perder tão cedo. Ele não deveria ter que acordar um dia e vê-la morta. Isso vai matá-lo. Pelo menos se você contar-lhe antes do tempo, ele vai esperar por isso. Enquanto ela falava, eu percebi que estava certa. Eu sabia que era uma má ideia, mas parecia a coisa certa a fazer por ele. Ele faria qualquer coisa para fazê-la ficar por aqui. Ele iria levá-la para manter a 181


terapia, mesmo quando ela não quisesse ir, ele iria forçá-la a ir, se fosse preciso, só assim ela ficaria viva. Eu gemi, balançando a cabeça. Isso era difícil. Muito difícil. — Você está certa, Kelsey. Eu vou falar com ela amanhã sobre isso. Espero que possamos fazê-lo entender também.

Não foi fácil convencer Kristina, mas no final, eu consegui que ela realmente pensasse sobre o assunto. Pedi-lhe para se colocar no lugar dele. Eu a fiz olhar para isso assim: — Se Gage estivesse doente, à beira da morte, e você pensasse que tivesse anos de vida, quando na realidade ele tinha apenas meses, você iria querer saber disso, certo? Ela ficou em silêncio por alguns minutos. Ela até se levantou do sofá e parou na frente da janela da varanda com a mão no queixo. Seus olhos lacrimejavam, o rosto estava pálido. Ela estava pensando e eu sabia que estava pensando muito, mas ela sabia que eu estava certa. Quando ela se virou para olhar para mim, a enxurrada de lágrimas estourou e eu pulei para cima, agarrando-a. Eu a segurei enquanto ela se agarrou a mim, fungando no meu ombro, chorando. Esta menina estava sofrendo. Ela foi danificada, e a última coisa que ela queria fazer era causar ainda mais dano em Gage. Eu sabia o que ela estava pensando. Ela não queria acrescentar mais peso em seus ombros. Ela o queria feliz e despreocupado. Depois eu ajudei Kristina ir ao banheiro e limpei seu rosto com uma toalha fria, ela sorriu para mim de seu poleiro na borda da banheira, e eu me sentei no chão na frente dela. — Eliza, tenho pensado sobre algo legal para Gage. Seu aniversário é na semana que vem, e quando era criança, costumava sempre me pedir para levá-lo para uma destas casas de lago na Virgínia. Havia comerciais para isso, famílias estariam lá e eles tinham uma explosão de anúncios de TV e nas revistas. Nesse lago enorme dão flutuadores e jet skis a você. Há um balanço de pneu e uma doca... Tem tudo. Mamãe prometeu que ela levaria Gage quando era mais jovem — antes de morrer — e alguns anos depois, ele me perguntou se eu poderia levá-lo e eu lhe disse que um dia. Eu sei que ele é mais velho agora, mas acho que ainda gostaria de ir. Só para fugir. Você conseguiu chegar onde eu estou com isso, não é? — Ela perguntou, sorrindo. — Você quer levar Gage para uma dessas casas de lago para o seu aniversário? Entendi.

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— Certo. Mas estou pensando que devemos levar toda a banda. Devemos todos ficar longe por um tempo e ser uma... Família, sabe? Todos nós precisamos de um pouco de diversão... Juntos. — Yeah. Eu sei o que você quer dizer. Eu acho que os meninos merecem uma pequena pausa da realidade. Especialmente Gage. Com essa cobra rondando, nunca sabemos quando ela vai realmente atacar. Estou surpresa que ela já não tenha. Kristina acenou com a mão no ar, revirando os olhos. — Dane-se ela. Ela não vale a pena e não vamos pensar sobre ela quando formos para o lago. Você pode dizer aos meninos qual é o plano e eu vou alugar a casa. Gage me forçou a manter algum dinheiro dele, mas eu não posso usá-lo para mim mesma como ele quer. Eu acho que usá-lo com ele vai me fazer sentir melhor. Vamos sair na próxima sexta-feira. Nós duas nos levantamos e saímos do banheiro. — Próxima sexta-feira então.

Fui para o estúdio para contar aos meninos o plano e todos eles concordaram que era uma boa. Tudo o que precisavam era de descanso, assim eles limparam suas agendas para o próximo fim de semana e colocaram seus corações e mentes estabelecidos na diversão. Eu acho que Gage era o mais animado. Ele estava realmente ansioso por isso e eu estava bem, mas eu não estava olhando adiante falando com ele sobre Kristina e seus últimos três meses. Ela achou que seria melhor dizer a ele junto para que ele pudesse ter algum tipo de apoio. Gage não estava estável. Ainda não. Ele tinha um monte de bagagem e eu podia vê-la em todo o seu rosto. Ele estava estressado, preocupado, incomodado. Ele estava tentando esquecer tudo, mas com uma irmã doente e uma cobra como ex-namorada, era obviamente difícil de fazer. Havia um artigo de revista flutuando sobre o casamento sendo cancelado e como o paparazzi viu Penelope chorando em um café. Todos nós sabíamos que ela fez isso por publicidade. Ela não se preocupava com o casamento ou Gage. Ela estava chateada que ela perdeu e Gage estava finalmente não sendo um idiota sobre isso. Houve também um boato sobre Penélope estar grávida e que foi a última palha. Gage virou a merda quando ouviu isso. Ele levou Penelope a um hospital e a fez provar isso. Os resultados do teste deram negativos e os tabloides tinham se divertido muito fazendo piadas com a troll. Eu ri um pouco, também. Claro que todos nós estávamos querendo saber por que Penélope não tinha dedurado a irmã dele ainda, mas sabíamos que isso estava 183


chegando. Nós não sabíamos que tipo de plano que ela estava marquetando, o que ela estava dizendo, ou quando este evento explodiria, mas sabíamos olhando as nossas costas, mantendo Kristina conosco em todos os momentos, e tendo certeza de que ninguém sabia quem ela era até Penelope espalhar a notícia. Estávamos fazendo um inferno de trabalho com isso, também. Às vezes, Kelsey e Roy andavam com Kristina pelo Central Park, e sempre que Gage estava livre, nós a levávamos para comer ou para pequenos festivais étnicos. O nosso festival favorito era o Arabian - só porque eles sabiam como fazer uma boa tatuagem de henna. Gage e eu pensamos que era melhor para ele falar com Penelope cara a cara. Estava explodindo seu telefone e ele não sabia o que dizer, então ele nunca respondeu. Ele pensou que ignorá-la era a melhor maneira, mas eu disse a ele que só iria piorar as coisas. Nós nos encontramos com ela em um restaurante na Broadway, onde algumas pessoas estavam apresentando um show para todos os clientes. Infelizmente, não pudemos apreciar o show porque Gage estava muito preocupado em perder sua carreira. — Ellie. — Gage virou a cabeça para olhar para mim. — Eu não posso fazer essa merda. Eu sei que ela vai pirar. Eu só sei isso. Peguei a mão dele, olhando-o nos olhos. — Você pode. Não se preocupe. Eu estou aqui. — Exatamente. Você definitivamente irritá-la.

está

aqui.

Vendo

você

comigo

irá

Dando de ombros, eu soltei a mão e agarrei o meu copo de água. Assim que eu estava colocando-o de volta para baixo, Penelope entrou no restaurante. Claro que ela tentou usar algo revelador. Um vestido branco cortado em um V profundo em seu decote com um blazer preto desabotoado sobre ele. Ela usava saltos pretos, toneladas de joias, e maquiagem... Era bom, mas um pouco demais para um simples almoço. Ela deu uma olhada ao redor e assim que nos viu, fez uma careta. Correndo por entre as mesas, ela se aproximou de nós, dando um sorriso falso demoníaco. — Eu vejo que você trouxe companhia. — Disse ela, despindo-se de seu blazer. E quando eu digo "despindo", quero dizer se despindo. Ela estava tirando o blazer de uma maneira sedutora, atraente aos olhos de alguns homens sentados no bar. Colocou o casaco nas costas da cadeira, sentou-se na cadeira em frente a Gage, e ele abaixou a cabeça para olhar para o seu menu. — Ele fez. — Eu disse, devolvendo o sorriso diabólico.

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— Se eu não me engano, eu acho que eu estava falando com Gage. Não Eliza. — Ela apertou os lábios e pegou seu menu. — Vamos chegar ao ponto. — Gage balbuciou, olhando para Penélope. — Eliza, na verdade estou sentindo a necessidade de nos dar alguma privacidade. O quê? Eu queria sacudi-lo fora tão mal. Eu me virei para olhar para ele e ele forçou um sorriso. Ele levou a mão para baixo para passar a palma da mão na minha coxa, dando-me um olhar sincero. — Você pode confiar em mim. Eu juro. Olhei para Penélope e ela estava sorrindo para mim. Puta. — Eu vou estar no bar. — Eu sussurrei, beijando seu rosto. Eu me levantei do meu assento, recusando-me a olhar para a troll sentada em frente a Gage. Eu sabia que ela estava tentando entrar sob minha pele. Eu admito que não estava confortável com eles tendo qualquer tempo sozinhos, mas este era o tempo de Gage para falar, e sabia que ele iria fazer as coisas direito de uma vez por todas. Mal sabia Penelope que o seu tempo acabou. Eu tinha certeza que ela pensava que teria outra chance. Fiz questão de me sentar no banco mais próximo à sua mesa. Eu queria ser capaz de ouvir o que eles estavam dizendo. Depois de pedir um Martini de maçã, eu virei minha cabeça um pouco e ouvi. Eu seria intrometida, mas não me importava. — Por que você a trouxe aqui? — Penelope assobiou. — Porque ela é com quem eu quero estar Penélope. Deveria ser óbvio para você agora. — Eu não me importo. Você me pediu para encontrá-lo aqui assim que deveria ter sido apenas de você. Não ela. Isto não é nenhum de seus negócios... — Olha, eu só vou direto ao assunto. Terminamos, Penelope. Tudo o que havia entre nós acabou. Penélope riu e eu balancei minha cabeça. A cadela realmente riu! — Você está brincando, né, Gage? Você é realmente tão estúpido? Você sabe o dano que eu posso fazer para você, certo? Eu posso fazer você parecer como merda e desejar que você nunca fosse famoso. — Percebi que você iria por a merda a baixo, mas eu superei isso. Eu não me importo. Vá em frente e diga. E se o Sr. Binds estiver disposto a por fogo na banda, ele pode ir em frente, mas não vai ser a gente perdendo o dinheiro. Será ele. Os fãs vão acompanhar a banda... Não um homem que nunca viram antes. 185


— Não, se eu fizer você parecer um merda, imbecil. — Ela cuspiu. Gage riu um pouco. — Penelope... Sinto muito. Sinto muito que você se sinta como se tivesse que demolir a mim e a minha reputação por não estar com você, mas eu não posso ter você em minha vida. Você alegou que me amava, que faria qualquer coisa por mim, mas agora está provando que não me ama, que você não se importa, e que é uma vadia egoísta. Vá em frente e faça o que quiser. Eu pensei que ao vir aqui, poderíamos fazer as pazes, mas você é muito imatura e muito criança para recuar. E eu estou preparado para qualquer coisa que você tentar jogar em mim... Com Eliza. Meu coração acelerou um tanto e eu sorri por cima do meu Martini. Eu ouvi o arranhar da cadeira no chão e seus passos arrancando, mas Penelope chamou o seu nome e os passos pararam. — Gage, por favor. — Ela sussurrou. Eu não ousei olhar. Eu sabia que ela o estava tocando em algum lugar e eu teria virado a merda e estragado tudo se eu olhasse... Assim eu continuei perfeitamente imóvel. — Gage... Sinto muito. Ok? Mas você me conhece. Eu fico com ciúmes. Eu fico louca... Mas é porque eu te amo. Eu sinto algo por você que nunca senti antes. Eu sabia que você era o cara que faria de mim uma mulher de verdade, e você fez. Eu quero você na minha vida, é tudo. Eu posso fazer muito por você e a banda. Podemos juntos parecer tão bem para o público. Cada casal vai querer ser como nós. Eles vão querer o que temos. Gage soltou um suspiro. — O que nós temos, Penelope? Ela hesitou por um momento. E depois outro. — Isso é o que eu pensei. — Ele murmurou. — Nada. Nós não temos nada. — Gage suspirou e seus passos começaram seu caminho na minha direção novamente. — Tchau, Penelope. Penelope chamou atrás dele, mas nesse momento Gage pegou meu braço e me virei para encará-lo. — Pronta para ir? — Sim. — Eu respirei. Eu saí do meu banquinho e meus dedos entrelaçaram com os dele. Dei uma olhada por cima do meu ombro para Penélope que tinha acabado de arrebatar seu blazer largo das costas da cadeira e agora estava marchando para nós. — Oh homem. — Eu murmurei, revirando os olhos.

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— Você vai se arrepender dessa merda, Gage. Eu juro que você vai. Eu vou ter certeza de que você não terá merda nenhuma na hora que eu terminar com você. — Sim. — Gage zombou, apoiando os cotovelos no balcão. — Ok. — Ugh! — Ela saiu correndo, rasgando a sua bolsa e retirando seu celular. Ela estava fora da porta antes que pudesse colocar o telefone no ouvido. E eu sabia que neste exato momento tinha acabado de começar uma guerra. E eu estaria ferrada se saíssemos como perdedores. — Você está bem? — Eu perguntei quando fizemos o nosso caminho para a saída. Nossos dedos ainda estavam ligados. Ele sorriu um pouco, revelando a fenda de menino ao redor dos olhos. — É... Eu estou bem. Para ser honesto... A sensação é boa. — Eu aposto. — Eu disse, rindo. — Só não se preocupe. Ok? — Contanto que eu tenha você, não haverá necessidade de me preocupar. Tem sido sempre assim com você por perto. — Nós estávamos a meio caminho de sua BMW antes dele se virar e me girar em seus braços. — Eu amo você, Ellie. Obrigado por ter vindo... E obrigado por não chutar a bunda dela. Estourei em uma gargalhada. — Oh meu Deus! Kristina lhe disse? — Yeah! — Ele riu, e eu envolvi meus braços ao redor de seu pescoço. — Além disso, Roy me falou sobre sua mãe e seu padrasto aparecendo em sua casa. Ele tem sorte que eu não estava lá, mas ouvi dizer que você ficou forte. Temos que falar mais sobre isso. — Um sorriso enfeitou seus lábios e eu dei de ombros. — Mesmo que você odeie, eu acho que toda aquela luta da gaiola valeu a pena, heim? — Ele beijou a ponta do meu nariz e eu voltamos para o beijo. — Eles estão no meu passado agora. Eles são a menor das minhas preocupações. E eu lutei por você. Eu te amo. — Eu também te amo, Doce Ellie.

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BOLO fim de semana para ir ao lago finalmente chegou, e antes que todos nós nos encontrássemos no apartamento de Gage, eu corri ao mercado para pegar algo que Gage merecia. Eu sabia que ele não tinha um em anos, então vendo o produto final trouxe lágrimas aos meus olhos. Ele iria adorar. Quando eu entrei no condomínio com o saco de papel marrom em minhas mãos, todos se viraram na minha direção. Roy e Kelsey estavam sentados no sofá. Kelsey estava no colo dele e eu poderia dizer que eles estavam se beijando por seus lábios inchados e as faces coradas. Montana e Deed estavam sentados no sofá em frente à TV de tela plana e sessenta e duas polegadas, jogando algum jogo de zumbi, mas uma garota estava sentada no colo de Deed. Ela era impecável. Cabelo castanho-dourado, alta, as maçãs do rosto vermelhas sufocadas com sardas e um sorriso doce. Ela era adorável, e eu sabia que ela não era apenas uma menina que Deed deparou e queria os ossos. Ela era alguém que ele tinha seu respeito, o que era raro. — O que é isso? — Perguntou Montana, pausando o jogo e pulando do sofá. Ele correu para o meu lado, quando eu cheguei na mesa e coloquei a sacola para baixo na superfície. — É um bolo. — Eu sussurrei. — Para Gage. — Ohh. — Montana piscou. — Peguei. — Onde ele está, afinal? — Perguntei. — E Kristina? — Eles correram na farmácia, mas devem estar de volta em breve. — Montana passou a mão sobre o rosto e se sentou em um dos bancos na mesa. Ele baixou o olhar para o saco de papel marrom e cruzou os dedos em cima da mesa. Sentei-me com ele, balançando minha cabeça. Algo obviamente o estava incomodando. Eu podia ver em todo o seu rosto. — O que há de errado? — O que você quer dizer? — Perguntou ele, animando-se um pouco. — Você parece um pouco... Para baixo. 188


Ele apertou os lábios e inclinou-se contra a traseira de seu assento. Ele, então, deu uma olhada por cima do ombro. Deed estava agora jogando o vídeo game com a menina, e Roy e Kelsey estavam todos melosos novamente. — Okay. Não ria de mim, Eliza, mas vê-los com garotas realmente me irrita. Eu ri um pouco de qualquer maneira. — Por quê? Você não está feliz por eles? — Sim, eu estou! Estou mais do que feliz por eles. Esses são meus irmãos. Eu estive esperando por uma merda como esta acontecer por um longo tempo. Especialmente para o burro velho mal-humorado do Roy. — Ele murmurou. — Eu estou apenas... Bem, eu conheci essa garota. Quente pra caralho. Bela bunda. Peitos perfeitos. Lábios que poderiam me sugar por dias... Ela tem tudo isso, Eliza. E eu quero que ela... Mal. Como, muito mal. Não consigo pensar em merda nenhuma fora ela recentemente. Nenhuma menina me fez pensar sobre ela do jeito que eu penso nessa garota. Eu literalmente não posso. Parar. De. Pensar. Sobre. Ela. — Bem, por que você não a convida? Ele revirou os olhos, dando-me um olhar sarcástico. — Você não acha que eu fiz? Você me conhece. Mas a coisa é que eu normalmente não tenho que perguntar. Elas simplesmente vêm... Mas não ela. Eu perguntei e ela me dispensou como se eu não fosse nada. Disse que não tem tempo para jogos ou um "menino", como ela mesma disse. — Ele disse, fazendo aspas no ar com os dedos. Eu ri e ele sacudiu a cabeça. — Veja, você está rindo. Eu pareço estúpido falando sobre uma garota como essa. — Não estúpido. Você só realmente gosta dela. Isso acontece. Ele deu de ombros. — Eu sei, mas o que diabos eu estou fazendo de errado? — Como você a convidou? — Uh... bem. Deixe-me demonstrar. — Ele correu as palmas de suas mãos ao longo de sua calça jeans e, em seguida, levantou de sua cadeira. — Tudo bem. Estava nos bastidores quando a vi. Eu andei até ela e disse: “Eu vi você olhando para mim antes. Você é mais quente que o inferno. Que tal você sair comigo para que possamos obter merda chapados?”. Comecei a rir e todos se viraram na nossa direção. Eu coloquei minha mão sobre a boca, quando Montana desabou em sua cadeira com uma careta. Ele estava lutando contra um sorriso e logo desistiu e 189


riu comigo. — Sério, Montana? — Eu disse, rindo. — Isso é o que você disse? — Bem, sim. Essa merda funciona normalmente. Eu ri novamente. — Uau. T-tem que ser a coisa mais sentimental que eu já ouvi. Não vejo por que ela disse não. — E essa foi a primeira vez que eu perguntei. — Ele murmurou. — Eu a vi de novo e perguntei a ela de maneira agradável - sabe, quando você apenas flerta, sorri e perguntei - e ela disse que não. Na terceira vez, ela apenas riu de mim e saiu. Fez minhas bolas encolher um pouco. Nem vou mentir. — Eu aposto. — Eu disse, rindo. — Olha, — Eu suspirei, sentando. — Se você realmente gosta de uma menina, basta ser você mesmo, Montana. Não tente agir como alguém que você não é. Veja o jeito que você está comigo, como está tão calmo e relaxado? Este é o verdadeiro você. Não se exiba. Não pegue seu pacote... Não faça nada disso. Basta. Ser. Você. É provavelmente o que ela quer ver. — Sendo eu não funciona. É imperfeito como merda. Eu sou imperfeito como merda. — Você não é imperfeito. Eu amo andar com você. Você tem essa personalidade que todo mundo adora. Você nos faz rir, sorrir... Esqueça. Você é uma pessoa positiva, com um bom coração e isso é provavelmente o que ela quer ver... Não o Montana show, mas o Montana real. É triste que eu tenha que dizer isso, mas Gage era do mesmo jeito. Tudo o que mostrava com outras meninas era apagado. Sua arrogância, apagada. Sua petulância... apagada. Eu não gostava de nada, porque eu sabia que era falso. Não era ele. Eu podia ver através dele, assim como eu posso ver através de você. Eu não entendo por que vocês dois gostam de ostentar tanto seus paus. É tão pouco atraente. Guarde isso para o quarto. — Hey... — Ele encolheu os ombros. — As vadias gostam. Isso é tudo que importa. — Bem, se você a quer, e só ela, não pode haver mais mostras para as “vadias”, ok? Ele respirou fundo, plantando os cotovelos sobre a mesa. Seus olhos azul-céu olharam no fundo dos meus e, em seguida, ele assentiu. — Tudo bem. Bom. Quando eu voltar, vou ser... eu. Apenas, para onde essa merda vai. — Ele empurrou da mesa e entrou na cozinha. — Eu preciso de uma cerveja. — Ele murmurou baixinho.

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Eu balancei minha cabeça com um pequeno sorriso, e quando Montana entrou na cozinha, Gage e Kristina entraram pela porta da frente. Todo o rosto de Gage se iluminou quando ele me viu. Ele correu para a mesa, deixou cair suas chaves, e me pegou pela cintura. Ele beijou meu rosto, minha testa, e eu ri antes de devolver os beijos e me afastar. — Eu comprei uma coisa. — Eu disse. — O quê? — Seus olhos se voltaram para o saco de papel pardo sobre a mesa. Peguei-o, tirei o bolo, e os olhos castanhos de Gage ampliaram com a visão dele. Havia um brilho infantil nos olhos. Eu sabia o que ele estava sentindo. Kristina disse que após a sua mãe morrer, ela nunca poderia se dar ao luxo de comprar-lhe outra coisa senão um grande cupcake para o seu aniversário, então eu pensei que seria melhor lhe comprar um inteiro. Mesmo que ele fosse um homem crescido, eu sabia que isso significava muito para ele. Ele não tinha um bolo de aniversário desde que tinha quatro anos de idade, por isso as lágrimas se formando nos cantos de seus olhos eram compreensíveis. — Ellie... — Ele parou, sacudindo a cabeça com um pequeno sorriso. — Porra, Ellie. Você sempre me consegue na hora errada. Eu sorri para ele. — Eu pensei que todos nós poderíamos compartilhar um pouco e em vez de você cantar, poderíamos cantar para você. Você merece isso. Gage olhou para o bolo novamente. No bolo tinha um retrato de sua mãe segurando-o nos braços. Ele era apenas uma criança, mas adorável como o inferno. Ele parecia um pouco doente, mas ele estava sorrindo. Isso é tudo o que importava. Kristina tinha a imagem de anos e deu-me para usar no bolo. Eu pensei que era uma má ideia, pois sua mãe sempre desencadeava suas emoções, mas ela pensou que ele poderia lidar com isso, então eu fui com ela. Depois de ver o produto final, eu não queria cortar o bolo. Esta era a sua mãe. Alguém que ele sentia falta. Alguém que ele desejava a cada dia que pudesse voltar e segurá-lo mais um pouco. Sua mãe parecia como Kristina, só que mais velha. Cabelos compridos castanho-escuros, olhos verde-claros, o tipo mais magro, ela era linda. Felizmente, Gage se equipou. Ele sorriu para mim outra vez, beijou meu rosto e, em seguida, passou o braço sobre meus ombros. — Tudo bem, todo mundo! — Kristina gritou, batendo palmas acima da cabeça. Ela tinha uma bandana preta na cabeça e usava tudo preto. — Coloquem suas bundas aqui. É o aniversário do meu irmão e vamos torná-lo melhor ainda. 191


Todos se reuniram ao redor da mesa enquanto eu acendia as velas. Estes eram os meus meninos. Eram todos meus meninos. Eu adorava cada um deles. Perguntei a Gage por que ele não comemorou seu aniversário no ano em que eu estava em turnê com eles, e ele disse que era porque seu aniversário lembrava sua família. Ele não gostava da lembrança então ele apenas considerava um outro dia. Esta era outra coisa a acrescentar ao meu banco de memória. Dezessete de junho. Aniversário de Grendel. Eu tinha que fazê-lo especial para ele. Kristina fez uma contagem regressiva e todos nós começamos a cantar, e quando eu dei uma olhada ao redor, eu soube exatamente o que Kristina entende por ficar juntos como uma família. Éramos todos da família. Cada pessoa ao redor desta mesa amava duramente. Todos nós nos importávamos uns com os outros de alguma forma, e eu estava feliz por ver isso. Nós éramos um. Éramos uma unidade. Uma equipe. Nada poderia quebrar nossos laços. Podemos não ter o mesmo sangue, mas isso não importava. Nada pode ficar entre nós. Mesmo que todos nós tivemos nossas falhas – nossos choques – nós ainda nos amávamos. Esta banda era única em sua própria maneira. Essa banda me ensinou muito, não só sobre mim, mas também sobre a vida em geral. Todas as pessoas em torno da mesa mereciam estar no apartamento de Gage, pois cada pessoa se importava com ele. Cada pessoa que o amava. Todo mundo tem suas provações e tribulações, mas, a fim de passar por eles, você tem que ficar junto. Você tem que se abrir e confiar. Amar. Estimar. Não foi fácil — inferno, demorou muito para Gage eu chegarmos onde nós realmente queríamos estar — mas mesmo quando experimentamos a dor real, a quebra de nossos corações, em algum lugar ao longo dessa linha, nós sabíamos que voltaríamos juntos. Sabíamos que não queríamos dizer adeus. Nós sabíamos que aguentaríamos, porque segurar às vezes é a melhor coisa a fazer. Segurando a prova que somos muito mais fortes do que pensávamos que seríamos.

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SER FORTE viagem para Virginia foi uma explosão. Nós cantamos músicas juntos, zoamos por aí, comemos um monte de porcarias e lanches, cochilamos, e ainda teve um monte paradas em banheiros para um grupo de adultos, mas todos nós nos divertimos. Era o que estávamos procurando. Assim que Kristina pegou as chaves para a casa do lago, todos corremos para reivindicar nossos quartos. Kristina fez questão que Gage e eu tivéssemos o melhor quarto da casa. Estávamos no segundo andar, com uma espaçosa varanda e uma vista maravilhosa do lago. O quarto consistia em uma cama king-size com cortinas douradas, lençóis negros e dourados e um edredom combinando. Os balcões do banheiro e as paredes do chuveiro eram feitos de mármore preto com manchas douradas e também tinha uma grande banheira de hidromassagem que Gage jurou que iríamos sujar constantemente. A casa do lago era nada menos do que bonita. Nada poderia estragar isso para nós. Esta era a nossa fuga. Nosso tempo sozinhos. E eu iria obter o melhor dele com Grendel. Depois que eu tomei banho, corri para a cozinha, onde Kristina e Montana estavam cozinhando. Montana, na verdade, tinha seu moicano penteado para trás e um grande espátula na mão enquanto mexia alguns camarões ao redor de uma panela. — O que há para o jantar? — Eu pedi, olhando por cima do ombro e inalando o sabor. — Linguini de camarão e pão de alho. Não diga a Grendel. Ele não tem permissão para ver, mas a senhorita Kris diz que é o seu favorito. — Montana piscou por cima do ombro e eu balancei a cabeça, tomando uma olhada na geladeira. Havia garrafas de cerveja, vinho, suco, e uma caixa de leite... Oh, e mais cerveja. Eu tinha certeza de que Montana escolheu aquelas. Peguei uma garrafa de cerveja e Kristina olhou por cima do ombro, sorrindo. — Gostou daqui? — Ela perguntou. — Gostei. É lindo. A vista para o lago é incrível. — Eu sei. Se a vista do meu quarto é agradável, a do seu e Dalton tem que ser de tirar o fôlego. 193


Eu balancei a cabeça em concordância, destapando a minha cerveja. Momentos depois, Roy e Kelsey entraram na cozinha de braços dados. Era bonito vê-los juntos. Foi bom ver Roy realmente sorrir pela primeira vez. Eu poderia dizer que ele adorava passar o tempo com Kelsey. Eu vi nos olhos dele que nada fora ela e de todos nesta casa do lago importava. Ele tinha tudo o que queria aqui. Eu não sabia muito sobre o seu passado, o que ele passou, ou como sua vida costumava ser, mas sabia que ele provavelmente teve uma vida difícil. Eu estava feliz que ele estava se abrindo para todos. — O que vocês dizem sobre um jogo de espadas? — Pergunteilhes, apontando para voltar à mesa com meu polegar. — Eu sou um rei em espadas. Você tem certeza disso? — Perguntou Roy, levantando uma sobrancelha. Eu sorri, tomando um gole da minha cerveja e pegando a caixa de cartas da prateleira. — Eu digo para provar isso. Mas precisamos de mais uma pessoa. — Estou na equipe da Eliza. — Deed disse, sorrindo quando ele entrou na cozinha. — Incrível. — Liguei meu braço no de Deed e fomos para a mesa. Claro, era só papo furado. Eu só tinha jogado espadas uma vez quando estava com Teala em um dia chuvoso. Estávamos entediadas, sem energia, então consideramos que cartas à luz de velas era um o truque. Ela chutou a minha bunda naquele dia, mas Roy e Kelsey assassinaram as nossas bundas esta noite. Deed riu porque ele nunca tinha jogado, mas para a sua primeira vez, ele fez bem. Depois que terminou cerca de três partidas, Kristina disse que a comida estava pronta e Gage e Megan (namorada de Deed) correram lá embaixo. Eles estavam jogando algum videogame na sala de bônus. Era estranho, porque Megan não se parecia com uma jogadora, mas a maneira como falava sobre os diferentes níveis de diferentes jogos durante o jantar provou que ela era e sempre tinha sido. Esta menina cresceu jogando videogames. Não a fazia menos bonita ou muito menino. Ela ainda tinha os seus caminhos femininos, especialmente em torno de Deed. Seu corar e rir provou isso, mas videogames eram, obviamente, uma grande parte da sua vida, assim como eles foram para Deed. Eles eram perfeitos juntos. Depois do enrolado jantar, todos foram para a sala de estar com cervejas na mão para fazer algum karaokê. Foi engraçado. Muito, muito engraçado. Gage, é claro, tinha a melhor voz, mas todos nós vaiamos e o consideramos um trapaceiro porque ele tinha talento natural. Ele 194


simplesmente deu de ombros e riu de todos nós. Roy e Kelsey cantaram um dueto de "Rolling in the Deep”, de Adele e parecia absolutamente horrível. Especialmente Roy. Ele não podia cantar uma porcaria, mas estava se divertindo e nós torcemos por eles no final. Montana fez uma canção do 3 Doors Down, e Deed e Megan cantaram um dueto de "Misery” do Maroon 5. Kristina e eu estávamos ao lado e nós cantamos com nossos corações para "Counting Stars", do OneRepublic. Podíamos muito bem ter feito uma disputa. Kristina e eu seríamos o primeiro lugar. Nós éramos uma merda. Mais tarde naquela noite, todos nós saímos para a varanda principal e bebemos mais cervejas. Contamos estrelas, comemos biscoitos e queijo, e falamos sobre um monte de bobagens, ou seja, até que Kristina disse algo que nos fez realmente pensar. — Vocês já se perguntaram por que estamos realmente aqui? — Ela perguntou, olhando a garrafa de cerveja. Montana engasgou com uma risada, mas quando viu o quão sério ela estava, olhou em volta e endireitou-se, passando a mão sobre seu cabelo liso. — O-o que você quer dizer? — Perguntou ele. — Quero dizer... Você sabe... Às vezes me pergunto por que eu estou realmente aqui nesta terra. O que eu deveria vir aqui e fazer? Todo mundo ficou em silêncio por um momento. Todos nós olhando um para o outro com olhos arregalados, mas depois encontrei o olhar de Kristina e sorri. — Eu acho que estamos todos aqui para fazer alguém feliz, cuidar de alguém que pode estar precisando, ou para fazer a diferença em algumas vidas, boas ou más. — Todo mundo ainda estava quieto, mas Kelsey assentiu com a cabeça como se ela entendesse onde eu queria chegar. — Por exemplo — eu disse, me sentando no colo de Gage e apontando para seu peito. Ele olhou para mim com as sobrancelhas cerradas antes de encarar a minha mão. — Sua mãe faleceu quando você era mais jovem, mas ela morreu por algo bom. Ela deu a Gage seu coração. Ela se sacrificou. E então, quando faleceu, você prometeu cuidar dele, não importa o que... — Mas eu não queria ficar não importa o quê, então acho que fiz uma diferença ruim em sua vida. Sou meio confusa. — Ela disse, bufando uma risada. — É verdade, mas lembre-se... Isso é a vida. Nós somos apenas humanos. Nós todos bagunçamos. Todos nós cometemos erros. E às vezes esses erros nos mostram quem realmente somos. — Eu virei minha cabeça para olhar Gage. — Você a perdoa, certo, Gage? — Claro que sim. — Ele disse rapidamente. 195


— Okay. Veja. O perdão é uma parte enorme da vida. Ele te perdoa. É tudo sobre você perdoar a si mesma. Fique em paz com isso, Kristina. Ela olhou nos meus olhos. Sob a luz da lua, seus cantos começaram a brilhar e ficar vermelhos, mas ela desviou seu olhar. — Confie em mim, eu estou tentando. Megan estendeu a mão para esfregar círculos em suas costas. — Você sabe, minha mãe sempre me dizia que a vida é uma merda até você limpar tudo. Até você se regar com positividade, e nada mais, a vida vai continuar a ser uma merda. Você tem que se limpar. Você tem que se tornar alguém que sempre quis ser... E eu acredito nela. É assim que eu vejo as coisas. — Kristina inclinou a cabeça para Megan, que lhe deu um sorriso caloroso. — Você é uma menina boa, pelo que eu posso dizer. Você apenas tem que ser positiva. — E positividade te leva longe, confie em mim. — Roy retumbou antes de beber sua cerveja. — Oh, o que você sabe sobre ser positivo, mal-humorado Lumpkins? — Kristina brincou, jogando um biscoito nele. Ele se abaixou fora do caminho, rindo e erguendo as mãos. — Ei, eu sei um monte. Você não é a única a tentar se perdoar por algo, quero dizer, eu tenho, mas, você sabe... Leva tempo para realmente passar por isso. Isso é tudo o que realmente temos. Tempo. — Certo. Tempo. — Kelsey sussurrou, beijando seu rosto. — E espero que com o tempo você possa me dizer sobre o que �� realmente. Roy esfregou o queixo. — Um dia. A noite continuou dessa maneira, com a gente conversando e relembrando - bem, principalmente Kristina. Ela tinha um bom coração e alma, e todos nós sabíamos disso, mas também sabíamos que ela se culpava cada vez que olhava nos olhos de Gage. Por alguma razão, ele estava meio quieto enquanto ela contava sobre o que ele costumava fazer quando era criança, ou como sua mãe costumava cantar uma certa melodia para eles. Ela realmente cantou a melodia com um violão, e eu pensei que Gage se rasgaria quando ouvisse, mas ele não fez. Ele simplesmente sorriu e bateu palmas para ela quando terminou. Montana contou sobre a garota que ele não conseguia pegar, e todos nós rimos. Ele sacudiu a todos antes de pegar outra cerveja no refrigerador. Não é que nós estávamos tirando sarro dele, era apenas engraçado como ele estava realmente pensando nela. Eu nunca pensei que veria o dia em que ele permitisse que uma menina ficasse sob sua 196


pele. Mas eu conhecia Montana. Ele não era um desistente. Ele iria continuar tentando até que a tivesse de alguma forma. Deed e Megan haviam se conhecido um ano e meio atrás e ainda estavam fortes, o que era chocante, mas bonito. Eles tinham planos de morar juntos e, claro, jogar toneladas de videogames. Eu estava contente que Deed estava finalmente feliz com alguém. Kristina e eu realmente fomos falar com ele sozinho, quando todos foram jogar pong cerveja3 na mesa. — Então, você realmente gosta dessa menina? — Perguntou Kristina, bebericando sua cerveja e apontando em direção à casa. Deed encolheu os ombros. — Eu gosto. — Eu gosto muito dela. Acho que ela é muito doce. E posso dizer que ela realmente se preocupa com você. — Eu disse a ele. — Yeah. Eu não quero dizer que ela é perfeita, porque não existe tal coisa, mas ela está perto. Muito, muito perto. Ela é boa para mim... Algo que eu nunca tinha experimentado com uma garota... Bem, além de você me salvando. — Disse ele, sorrindo para mim. Eu ri quando ele correu as palmas das mãos ao longo de seus jeans. — Então, Bentley tem tentado entrar em contato com você? — Ele tentou sim. Ele quer falar sobre as coisas, mas... Eu não sei. Eu não acho que posso deixá-lo entrar na minha vida novamente. Ele me ensinou muito e me levou nessa carreira, sim, mas como você disse, todo mundo entra em nossas vidas por uma razão, boa ou má. Sua razão era para me mostrar o meu talento e como me tornar mais forte como pessoa. Ele não era justo em tudo, e eu realmente falei com minha mãe sobre ele e o que ele fez. Ela disse que sabia desde o primeiro dia que Bentley estava me batendo e me sacudindo por aí... Mas ela nunca se preocupou em ajudar. — Deed engoliu em seco, apoiando os cotovelos tatuados em suas coxas e balançando a cabeça. — Eu costumava pensar que a minha mãe me amava, sabe? Eu costumava pensar que ela nunca deixaria que nada acontecesse comigo, mas já que ela sabia o tempo todo que eu estava sendo ferido e abusada por ele, isso prova que ela não dá a mínima para mim. Não queria dizer, mas eu terminei com eles. Ela sempre será minha mãe, mas isso não significa que eu tenho que lidar com ela. Engoli em seco. Era uma loucura o quanto Deed e eu tínhamos em comum. Péssimas mães e padrastos abusivos. Louco.

3

Jogo com uma bola de ping-pong e copos de cerveja

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— É verdade. — Disse Kristina, assentindo. — Você sempre pode ir embora. Não há necessidade de olhar para trás quando o seu futuro é muito brilhante. — Ela agarrou seu ombro e ele a olhou sob seus cílios. Ele então forçou um pequeno sorriso em seus lábios antes de suspirar, sentado na posição vertical, e depois em pé. — Bem, eu acho que eu vou levar Megan para a cama. Ela pode ficar um pouco louca quando ela está bêbada. — De jeito nenhum! Não é justo! Eu fiz isso! — Megan gritou. Todos nós nos viramos para olhar para trás e ela estava apontando para um copo e carrancuda para Montana. Montana estava rindo pra caramba. Ele tinha o mau hábito de rir na hora errada. — Viu o que eu quero dizer? — Deed disse, rindo. — Ela pode ficar muito competitiva. Eu vou pegar vocês na parte da manhã. — Boa noite, Deed. — Kristina e eu dissemos ao mesmo tempo. Quando Deed saiu, nós suspiramos e olhamos uma para a outra. — Eu amo aqueles meninos malditos. — Ela disse, colocando uma mecha fina de cabelo atrás da orelha. — Eu também. Eles são como família. Todos eles. — Yep. Eu sei o que você quer dizer. — Kristina apertou os lábios e engoliu um nó na garganta. Ela me olhou por um momento e eu inclinei minha cabeça, confusa. — Acho que devemos dizer-lhe esta noite, Eliza. Eu balancei minha cabeça rapidamente. — Kristina, eu não acho que esta noite é a melhor. Ele está se divertindo muito. Eu não quero arruinar isso. — Eu sei. Eu sei. Eu me sinto da mesma maneira, mas... Não estou bem. Eu fui para o hospital há duas noites e eles disseram que meus pulmões estão... Podres. Isto pode ser menos de três meses. Quando eles me deram um prazo, que terminou há seis meses. Eu estou em transição para a fase quatro agora e desde que já desisti da quimio... Bem, eles dizem que não há nada que possam fazer. Meus olhos expandiram. Eu corri para o lado dela e a puxei perto. — Você está falando sério? — Eu sussurrei. — Como um ataque do coração, querida. — Oh, Deus... Não. — Eliza, está tudo certo. Falaremos com Dalton juntas. Vamos dizer a ele.

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— Dizer-me o quê? — A voz profunda de Gage perguntou atrás de nós. Nós duas engasgamos e olhamos por cima dos ombros. Gage estava em pé na porta com uma cerveja na mão, sorrindo ligeiramente. Eu pulei para os meus pés quando Kristina soltou um suspiro. — Uh... — Dalton, venha sentar-se. — Kristina insistiu, apontando para o assento em frente a nós. Ela parecia estar calma... Mais do que eu estava. — Ok. — Gage riu. Eu tinha certeza que ele não estaria rindo depois que ele ouvisse a má notícia. Sentei-me e Kristina se sentou em frente, olhando para mim. Estávamos todos em silêncio por um momento. Fiquei me perguntando o que diabos dizer a ele. Eu não queria matar o sorriso agradável de seu rosto. Ele merecia segurá-lo. Era bom para ver. — Olha, eu vou direto ao assunto, ok? — Kristina começou. — Você sabe que estou... Morrendo, Dalton. Que estou ficando mais doente a cada dia. O sorriso dele caiu e seu rosto endureceu automaticamente. — Sim. — Ele engoliu em seco. — Eu sei. — Bem, Eliza e eu estamos de acordo no pensamento de lhe dizer que eu não poderia ter alguns anos mais. Eu nem tenho os três meses que pensei que tinha. Eu tenho um mês... No máximo. — De vida? — Ele perguntou, saindo de sua cadeira. — Sim. De vida. — Você está brincando comigo? Você está escondendo isso de mim? Por quê? — Ele rugiu. — Porque sabia que você não levaria a notícia levemente, Gage. Isso é sério. Isto é a vida dela. — Eu disse, de pé. — Sim, é a vida dela e eu tenho todo o direito de saber tudo o que acontece com ela. Eu mereço conhecer toda essa merda! — Ok, Dalton, mas ficar chateado não vai melhorar as coisas. — Sim, e eu estar ansioso para ver seu rosto novamente, mas em vez disso encontro seu corpo morto no chão quando chegar em casa, vai? — Ele retrucou. — Kris... Caralho, cara! Eu não posso perder você também porra! Você deveria ter me contado essa merda antes! Gage passou por nós e correu para a porta. Montana e Roy já estavam ali com máscaras confusas. 199


— O que diabos está acontecendo? — Perguntou Roy, olhando de Gage para nós. — Saiam do meu caminho. — Gage retrucou, empurrando por eles. — Whoa! Gage! Calma, cara! — Montana correu atrás dele e agarrou seu ombro, mas Gage puxou para longe. — Eu estou avisando, Montana. Agora não. Montana ergueu as mãos no ar, vincando a testa com a confusão. — Você não pode sair esta tarde, Gage! — Eu gritei, correndo para dentro da casa. — Eliza, agora não. — Ele rosnou quando eu corri atrás dele. Eu agarrei o braço dele, mas ele se afastou com o nariz vermelho. Eram as bebidas que estavam realmente fazendo-o desta maneira. Ele estava longe de estar sóbrio, de modo que este era o verdadeiro ele. Suas emoções cruas estavam sendo colocadas em exposição e ele não conseguia controlá-las. Nós deveríamos ter esperado. — Gage... Confie em mim, queria lhe dizer, mas sabíamos que não seria capaz de lidar com isso! Olhe para você! Você já está fazendo um péssimo trabalho com a notícia! — Essa é a porra da minha irmã, Eliza! A porra da minha irmã! Eu... Merda! Eu não quero perdê-la! Eu vou encontrar uma maneira de mantê-la. Assista. — Gage pegou a maçaneta da porta do armário e a puxou. Pegando uma jaqueta, ele invadiu a varanda e agarrou o braço de Kristina. — Ai, porra, Dalton! Saia de cima de mim! — Não. Nós estamos encontrando uma maneira, Kris. Eu não posso perder você também porra. Eu simplesmente não posso, cara. — Ele colocou o casaco em volta dela, com lágrimas se acumulando nos olhos. — Dalton, você não pode me levar lá para fora. Não há nada que possamos fazer. — Ela se virou para ele. — Eu tenho dinheiro! Há muita merda que podemos fazer! Eu vou gastar tudo com você se pudermos encontrar algo para ajudar. — Ele estava fechando o casaco agora. Ele agarrou o braço dela, mas ela puxou longe. — Dalton... — Kris, vamos lá! 200


— Não! Droga Dalton, pare! Apenas pare, porra! — Eu não posso parar, Kris! Você não está me deixando! — As lágrimas corriam pelo seu rosto, pingando na sua T-shirt cinza claro. Ele fungou, limpando os olhos. — Kris, vamos lá. Eu posso encontrar um caminho. Eu vou fazer o que puder. Você sabe que vou. Eu sempre faço. — Sim, Dalton. Dalton. — Ela segurou o rosto dele. — Sim, eu sei que você quer. Ok? Eu sei que você faria qualquer coisa por mim. Nós todos sabemos isso. E eu te amo por isso, mas não há nada que você possa fazer. Eu quero isso. Tudo bem? Eu quero isso. Assim como a mamãe queria. Há tanta coisa que podemos fazer. Estou sofrendo, Dalton . Eu não quero mais esta dor. Esta miséria. É... ruim. — Deus, Kris. Não, cara. — Ele descansou sua testa na dela e engasgou um pouco, juntamente com seus olhos fluindo com lágrimas. — Não. — Ele a agarrou em seus braços e ela colocou os dela ao redor dele. Seu rosto estava enterrado na curva do pescoço dela e o dela estava descansando em seu peito. — Dalton, apenas deixe isso ir. Ok? Você é forte. Não faça isso pior do que precisa ser. Apenas o aceite. Ok? Apenas... Não o combata. — Ela se afastou para olhar em seus olhos. Ela forçou um sorriso em seus lábios, e eu mordi meu lábio inferior, com o objetivo de lutar contra as lágrimas que estavam construindo o seu caminho para fora. Isso foi lamentável, porque elas caíram de qualquer maneira. Kelsey me puxou contra ela, fungando bem. — Kris... Você é tudo que eu tenho, cara. Você não percebe isso? — Não. É aí que você está errado. — Ela sussurrou, beijando seu rosto. — Você tem a sua banda. Eles são a sua família também. Eles estiveram com você e não saíram do seu lado nenhuma vez. Eu saí duas vezes. Eles não. E tenho certeza que eles nunca irão. Você tem Eliza. — Ela sussurrou. — Ela sempre estará aqui para você, e sabe disso. — Ela beijou-lhe a outra face, e isso é o que realmente o quebrou. Ele foi cegado por lágrimas. Ele deu o fora e afundou-se na cadeira atrás dele. Roy e Montana se agitaram, pensando que ele cairia. Kris se sentou ao lado dele e olhou para nós. — Vocês vão em frente e suba as escadas. Precisamos de algum tempo sozinhos. — Claro. — Montana sussurrou antes de se virar. Seus olhos azul-celeste encontraram os meus e ele me tirou de Kelsey. Ele colocou um beijo suave na minha testa e disse: — Está tudo bem, senhorita Eliza. Ele vai ficar bem. Nós vamos ficar bem. — Olhei para cima e 201


lágrimas se formavam nas bordas de seus olhos. Ele lutou contra elas, no entanto. Ele se recusou a deixá-las cair enquanto me ajudava a ir para o andar de cima e no meu quarto. Ele sabia tão bem quanto eu que isso era errado em tantos níveis, mas absolutamente necessário. Não podíamos continuar arrastando-o para longe. Nós deveríamos ter lhe dito mais cedo do que agora. — Você quer que eu fique aqui até que ele venha? — Perguntou Montana. — Não. Você pode ir. Está tudo bem. — Certeza? — Yeah. — Forcei um sorriso. — Eu só vou tomar um banho. — Tudo bem. Se você precisar de alguma coisa, é só me avisar. — Eu vou. Montana fechou a porta atrás dele e quando ele fez, mais lágrimas escaparam de minhas pálpebras inchadas. Isso foi duro, mas eu sabia que era o melhor para Gage. Isso era o que ele tinha de ouvir, mesmo que o estivesse matando. Momentos depois, houve uma batida leve na porta. Ela abriu e Roy entrou em cena com um leve sorriso nos lábios. — Só queria dizer boa noite... E me certificar de que estava tudo bem. — Uh... Sim. — Eu afastei as minhas lágrimas. — Yeah. Eu estou bem. — Não se parece com isso. — Disse, rindo um pouco. — Bem, é claro que não estou, Sykes. — Eu tentei rir. Parecia rouco e forçado. — Sim, bem... — Ele suspirou, dando uma olhada ao redor do quarto. — As coisas vão melhorar. — Ele deslizou suas mãos nos bolsos da frente. — Você começa a trabalhar em agosto... — Isto foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Eu balancei a cabeça. — Sim. Roy ficou em silêncio por um momento, olhando para mim com olhos escuros. — Faça o que fizer, não quebre o coração da criança novamente. Depois que Kris se for, você vai ser tudo o que ele tem. E se ele perder você de novo... Bem, merda só não vai ser bom para ele ou a banda. Não estou aqui para te dizer que você tem estar com ele, mas se você sabe que tem outros planos na vida e quer fazê-los sem ele, resolva isso da maneira certa. Nunca o vi tão fraco. Não desde que Kristina o deixou pela primeira vez. 202


— Eu-eu não vou deixá-lo, Roy. Eu o amo. — Eu sei que você ama. E ele é loucamente apaixonado por você. Mas sei que você é uma garota que tem prioridades. — Roy parou de falar e me observou, olhando para cima e para baixo, com os olhos semicerrados. — Gage se tornou uma prioridade para você? — Sim. — Eu sussurrei. — Você promete? — Eu prometo. Fiz de Gage o meu tudo. Eu não vou perdê-lo novamente. Nós vamos trabalhar com isso. Um sorriso teceu o seu caminho através dos lábios de Roy. — Isso é o que eu queria ouvir. — Ele virou para a porta e agarrou a maçaneta. — Eu disse a você antes que me lembra de Rose... Ela estava perto de mim e ela... Machucava-me. Mas eu a machucava, também. Fiz coisas que ela não podia lidar, ouvir ou ver. As coisas simplesmente não deram certo entre nós, mas eu a amava mais do que tudo nesta porra de mundo... Mesmo quando eu sabia que ela não merecia. — Ele disse tudo isso de frente para a porta. — Mas eu acho que você é melhor que ela. Eu acho que quando diz algo, você realmente quer dizer isso. Quando quer alguma coisa, você ficar com ela. Eu gosto disso em você. E eu respeito isso. O amor é... É irreal. É incrível. Você e Gage são o tipo que me fez acreditar nele novamente. Eu não quero ver o que vocês têm lutado descendo em espiral pelo ralo. Ele olhou por cima do ombro para mim, sorrindo calorosamente. — Estou contente, Roy. — Eu sussurrei. Balançando a cabeça, ele agarrou a maçaneta da porta e saiu. Ele a fechou atrás dele suavemente e eu suspirei, levantando-me da cama e indo para o chuveiro. Depois do banho de vinte minutos de tristeza, enrolei uma toalha em torno de mim e saí. Eu não estava esperando de ver Gage sentado na beira da cama quando entrei no quarto. Seus cotovelos estavam em suas coxas, com a cabeça pendurada para baixo. Quando a porta se abriu e a luz brilhou sobre ele, ele olhou para mim com os olhos injetados de sangue. — Ellie. — Com pressa, ele se levantou e se juntou a mim. Ele me agarrou e me puxou em seus braços, beijando-me com fervor. Eu gemia, enganchando os braços ao redor de seu pescoço enquanto ele me levava para a cama. Quando eu caí de costas, sua língua mergulhou em minha boca, suas mãos segurando minha cintura. — Ellie, eu estou tão arrependido. Eu não queria falar com você desse jeito. Eu só estava... 203


Eu estava chateado. Eu sabia que estava chegando, mas eu não queria ouvir isso. — Eu sei. — Eu coloquei o rosto dele nas minhas mãos e quando ele piscou os olhos, as lágrimas pousaram na minha bochecha. — Eu sei. Está tudo bem, Gage. Ele fungou, olhando nos meus olhos por alguns instantes. A próxima coisa que eu soube foi que minha toalha e suas roupas tinham desaparecido. Ele deslizou sua excitação dentro de mim, gemendo quando trancou seus dedos com os meus. Eu gemia sem fôlego enquanto ele banhava meus lábios e pescoço com beijos doces. — Dói, Ellie. Pra caralho. — Eu sei. — Eu sussurrei. Era tudo que eu conseguia dizer. Eu nunca perdi ninguém, mas sabia o que era dor. Lágrimas escorriam pelo meu rosto quando ele mergulhou mais fundo. Gage estava sofrendo, mas ele não queria sentir a dor, então foi soltá-la da melhor maneira que pôde. Ele não estava me magoando, no entanto. Não. Isto era amor. E era incrível, porque por alguma razão, eu pude sentir tudo o que ele sentia. Sua agonia. Sua raiva. Sua dor. Isso foi só me enchendo, e eu queria tornar isso melhor. Eu queria que ele soubesse que tudo o que ele sentiu, eu estava sentindo. Tudo o que ele teve que passar, eu estava passando, também. Ele não estava sozinho com isto. Eu queria que ele soubesse que, aconteça o que acontecer, eu estava aqui e sempre estaria. Não importa o que eu tivesse que passar, eu faria isso por ele. Por nós. Isso é o que nós éramos agora. Sacrifícios. Consequências. Ele não podia fazer tudo sozinho.

Mais tarde naquela noite, Gage e eu descemos as escadas para pegar uns copos de chá gelado e alguns goles de Jack Daniels. Depois tivemos a nossa quota de bebidas, estávamos voltando para o quarto e nos sentamos na varanda. A varanda era enorme e a vista à noite não era nada menos que impressionante. A água ondulava com o vento e a lua pairava acima, criando um brilho suave. Havia alguns vagalumes flutuando e grilos cantando entre manchas de grama, mas tirando isso, era sereno. Pacífico. Gage se apoderou do corrimão da varanda. Ele estava quieto e ele tinha suas razões para estar. A morte da irmã dele estava a caminho, e por todo o rosto dele estava uma sombra de dor insuportável. Felicidade não ficaria do seu lado por um tempo. Não estaria em qualquer um dos nossos lados. Eu não queria dizer nada. Eu só queria estar lá para ele, e assim continuei tranquila e fiquei ao seu lado, observando o fluxo de água 204


com a brisa. Descendo Gage pegou minha mão e eu olhei para ele enquanto fechava os dedos. Ele já estava olhando para mim, um sorriso suave em seus belos lábios. — Vai ser difícil fazer as pazes com Kris morrendo, Ellie. — Ele engoliu em seco, baixando o olhar. Seu rosto estava pálido sob o luar, seu cabelo caindo sobre a testa. Ele parecia desgastado, como se só quisesse desistir de tudo e ir quando ela fosse. — Eu nunca fiquei em paz com minha mãe morrendo. Tento o mais difícil possível não pensar nisso. Fiquei quieta. Esta era a sua vez de falar. Ele estava colocando tudo fora de seu peito. — Eu me lembro de uma vez, — ele disse, rindo um pouco. O sorriso dele era bom de ver. Como os olhos balançando e afundando suas bochechas, ele era adorável - quase pueril. Inocente. — Kris encontrou uma garrafa de cerveja de vidro vazia que nosso pai deixou dessa vez. Estava jogada na calçada e eu desafiei Kris a pegá-la e atirála. — Ele riu um pouco novamente quando uma lágrima se arrastou para baixo sua bochecha. Seu olhar era diretamente para frente, olhando para a lua. — Bem, ela jogou longe, mas não o suficiente. Ela pousou bem ao meu lado e todo o vidro estilhaçou. Duas peças pegaram na minha perna e eu comecei a chorar como um covardezinho e Kris me levou para casa, implorando-me para ficar quieto. Ela tirou o vidro, enrolou minha perna com uma bandagem, até me deu um Band-Aid do Aladdin apenas para o inferno disso, e então me disse que se eu sangrasse, ela me dava seu sangue em troca. Ela me disse que me daria tudo o que precisasse, desde que eu parasse de chorar - enquanto estivesse bem. — Minha mãe entrou no quarto depois de me ouvir chorar e a única coisa que ela podia fazer era rir. Ela ouviu o que Kris disse. Como ela iria me dar tudo o que eu precisava, enquanto eu estivesse bem. — Ele engasgou um pouco, mas ainda estava sorrindo. — Deus, eu as amo muito. Eu sabia desde que era uma criança que eram duas pessoas que mantinham sua palavra sobre qualquer coisa. Elas se importavam muito comigo. Mas sei que ambas terão partido — que não verão meus filhos quando eles nascerem, ou até mesmo ser capaz de assistir meu casamento um dia... Bem, é apenas uma droga, Ellie. Eu juro que faria qualquer coisa para manter Kris aqui. Qualquer coisa. Não me interessa o que tenho que passar. Enquanto ela estiver ao meu lado pelo menos mais alguns anos... — Ele bateu em seus olhos. — Mais uns anos, cara. Isso é tudo que preciso. Posso lidar com isso. Mas um mês... Não.

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Mordi em minhas lágrimas de volta como Gage estava fazendo. Ele estava tentando se livrar de todas e cada uma delas, mas não estava funcionando para ele. Ele realmente estava chorando. Ele estava relembrando sua família e o quanto realmente precisava delas para apoiá-lo. Eu sabia do fato de que Gage desistiria de tudo o que ele tinha por sua irmã, ou mesmo para buscar sua mãe. Desde que ele as tivesse, tinha certeza de que ele se importava como a vida dele acabasse. — Gage. — Eu sussurrei, puxando sua cabeça para baixo e abraçando-o. — Ouça-me. Kristina te ama. Ela faria qualquer coisa para estar aqui para você. Mas sempre estará aqui em espírito. Sua mãe, ela está, provavelmente, aqui e agora, segurando você, e você nem sabe disso. Ela provavelmente está chorando tanto quanto você está. Tenho certeza de que dar seu coração era seu último recurso, mas isso prova o seu amor por você. Você era o filho dela. Ela o amava. E Kristina não quer que você desista de tudo por ela. Ela quer que você seja feliz... Que continue com sua vida. — Eu gentilmente o empurrei pelos ombros e segurei seu rosto em minhas mãos. Seus olhos estavam fechados, mas seu rosto ainda estava tingido com lágrimas. — Gage, olhe para mim... Por favor. Suas pálpebras injetadas de sangue se abriram e suas íris molhadas cor de avelã encontraram os meus olhos. — Fique em paz com isso. — Eu sussurrei. — Nos próximos dias, se divirta. É o que Kristina quer. Esteja feliz com sua decisão. Eu entendo que você quer chorar, mas o luto não é o que ela quer de você agora. Eu sei que você está machucado, mas seja forte. Eu sempre serei o ombro que você pode chorar, mas seja forte por mim agora. Por ela. — Eu sei, Ellie, mas é muito difícil. Ela é toda família que me resta. Meu pai não é, e continua uma merda. Kris é o único sangue que tenho... Eu o parei com um beijo doce e de alguma forma o seu corpo ganhou vida. Ele me puxou para ele, ofegante, mas não se atreveu a parar. Eu estiquei meus braços em volta de seu pescoço, recuperandoo, querendo fornecer algum tipo de conforto. Nós nos beijamos assim por três minutos direto até que ele me soltou. Eu coloquei meus lábios em sua bochecha, na testa, e em sua outra face, e, quando eu o puxei de volta, ele me deu um sorriso de criança, mas ainda havia dor por trás dele. — Vai ser difícil, Eliza. Duro como o inferno. Mas eu vou tentar. Por você e por ela. Eu sorri, acariciando seu queixo com a ponta do meu polegar. — Enquanto estiver tentando, é tudo o que importa. Você vai ficar bem. 206


O LAGO a manhã seguinte, senti o cheiro de canela junto com panquecas e xarope. Eu gemi um pouco, animandome contra a cabeceira. Gage ainda estava dormindo com as costas de frente para mim, roncando como um urso. Eu não me incomodei em acordá-lo. Eu chequei meu telefone para a hora - 8:32, era muito cedo para acordar alguém enquanto estamos de férias. Eu deslizei em um short de pijama e uma camiseta, amarrei meu cabelo, e coloquei meus pés em minhas acolhedoras pantufas cor de rosa. Tropeçando meu caminho lá para baixo, ouvi barulhos de pratos e algo chiando. Tomei a volta para a cozinha e encontrei Kristina chicoteando acima de uma tonelada de alimentos. Ela me viu e deu um largo sorriso, piscando. — Bom dia! — Ela opinou. Ela parecia estar em um estado de espírito muito melhor do que eu esperava, então fui junto com ela. — Bom dia! — Eu disse de volta. Ela riu de mim. — Quer me ajudar a agitar algumas panquecas? Já tenho a rabanada aqui. Os rapazes provavelmente estarão aqui em breve. — Sim, com certeza. Agarrei a vasilha da mistura para panquecas do balcão e fiquei em cima do fogão. A frigideira já estava quente e pronta. Derramando pouco de massa na frigideira e pegando uma espátula, Kristina entrou para o meu lado para virar a rabanada e, em seguida, colocou algumas linguiças e bacons no forno. — Então, eu ouvi o que você disse a Dalton na noite passada. Minha cabeça virou enquanto a olhava com grandes olhos. — Sim? — Yeah. Só quero te agradecer. Eu acho que ele sente como se estará sozinho sem mim, mas se ele realmente pensar sobre isso, eu o deixei sozinho por alguns anos. Mais do que deveria ter deixado. Ele vai sobreviver, com ou sem mim. — Ela encolheu os ombros. Virei-me quando ela passou por mim para lavar as mãos. — Sim, mas acho que ele meio que sabia que você estava viva. Isso provavelmente fez a diferença para ele. 207


— Sim, bem... Eu não sei. Eu não quero que ele se machuque muito, sabe? Quer dizer, quase não fiz nada para essa criança crescer. Eu desapareci quando ele tinha o quê? - Quinze anos? Quando ele mais precisava de mim. Eu balancei a cabeça um pouco, mas fiquei quieta. — Eu me sinto como se eu não merecesse suas lágrimas. — Ela estava brincando com o pão francês no forno agora, seu olhar longe do meu. — Kristina. — Eu sussurrei. — Você tem que perdoar a si mesma. Você não pode continuar se culpando pelo passado. Gage te perdoa, e você sabe disso. Basta parar. — Vai levar tempo, Eliza. Talvez depois que esta viagem acabar Eu não sei. — Meu quarto está ao virar da esquina, porra, e essa conversa não está fazendo nada por mim. — Resmungou Montana, entrando na cozinha e esfregando os olhos. Eu ri, e Kristina olhou por cima do ombro, rindo. — Não me culpe. Eliza começou a falar primeiro. — O quê? — Eu gritei, rindo. — Eu não fiz isso! — Tudo o que sei é que vocês duas têm as vozes muito irritantes... Especialmente na parte da manhã. — Montana riu quando chegou a geladeira pegando o leite. Ele tirou a tampa e estava prestes a levá-lo à boca, mas eu corri para frente e bati em seu peito. — Montana! Não! Isso é tão nojento. Este não é o ônibus da turnê, ok? Há outras pessoas que têm de beber o leite. Nós não queremos o seu cuspe em nossos copos. Ele estava sorrindo para mim com os olhos arregalados. — Eu odeio beber em copos, apesar de tudo. Inclinei a cabeça um pouco. — Por quê? — Não ria, mas foi uma vez que eu joguei todos os copos da minha mãe em alguns cães vadios, e ela me fez lavar todos os copos que ficaram na casa como castigo, mesmo os limpos. E eu jurei a mim mesmo que nunca iria tocar em um copo de novo. — Ele riu e começou a trazer a embalagem a sua boca de novo, mas eu agarrei seu cotovelo. — Bem, você está indo para isso hoje. Me dê o leite. — Hmm... Nah.

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— Montana, sério. Eu quero leite quando tomar café da manhã. Não beba assim. — Ele riu, dando um passo para trás com a caixa levantada acima de sua boca. — Eu juro que se você beber da embalagem, estou lhe enviando para fora para comprar um pouco mais. — Eu ameacei. Era tão difícil manter uma cara séria com ele, mas eu consegui. A próxima coisa que eu sabia, Montana encolheu os ombros e seus lábios estavam ao redor do topo da embalagem. Ele engoliu cerca de três vezes, colocou a caixa para baixo, e limpou seu lábio superior após arrotar. — Oops. — Ele sussurrou, segurando as mãos inocentemente. — É um mau hábito, senhorita Eliza. Não posso fazer nada. Eu balancei minha cabeça, lutando contra uma risadinha quando voltei para as panquecas. Claro que Kristina já estava rindo de nós o tempo todo. Isso estava além de ultrajante. — Eu vou sair e comprar mais. Preciso de um pouco de ar, de qualquer maneira. — Montana saiu da cozinha e piscou o olho por cima do ombro para mim. — Você é um porco, Delray. — Eu gritei quando ele desapareceu. — Yeah! Eu tenho dito! — Ele gritou para o corredor. Olhei para Kristina e nós duas rimos alto, retornando para o café da manhã. Eu acho que a nossa brincadeira acordou todo mundo, porque 20 minutos depois, Roy e Kelsey estavam descendo as escadas completamente vestidos. Kelsey usava jeans skinny azul- escuro, uma blusa toda pêssego e sandálias. Roy estava com uma camiseta preta básica, calça jeans, e chinelo Nike. — Vocês poderiam gritar mais alto? — Perguntou Roy, levantando sua bochecha direita. — Não me culpe. — Eu disse, lançando uma panqueca. — Isso era tudo Montana e sua farsa desagradável com copos e leite. — Seja como for, senhorita Eliza! — Montana gritou pelo corredor. Roy e Kelsey riram quando eles se encontraram na mesa. Sentaram-se um ao lado do outro e Kelsey beijou sua bochecha. Roy a olhou, lambendo os lábios. Eu não tinha dúvida de que já tinham feito o ato. Eu poderia dizer. Momentos depois, Montana chegou com um pouco de leite e Deed, Megan, e Gage foram descendo as escadas. Deed e Megan se sentaram à mesa, enquanto Gage entrou na cozinha e deu a 209


Kristina um beijo na bochecha e depois me deu um beijo rápido nos lábios. — Bom dia, senhoras. — Disse ele, pegando um pedaço de salsicha. Kristina franziu a testa, golpeando a mão dele quando ele estendeu a mão para outro. — Você vai comer quando isso estiver pronto, assim como todos os outros. — Assim como a mamãe. — Ele suspirou, sorrindo. — É verdade. — Disse ela, rindo.

Depois de todo o alimento que nos permitimos digerir, decidimos que era melhor irmos para o lago. Era lindo lá fora. O sol brilhou sobre nós, e havia uma brisa suave correndo. Todos os garotos pularam em um barco e foram para o esqui aquático. Roy era o motorista, mas não sabia nada sobre o barco e teve que testá-lo antes de deixar qualquer um. Montana foi primeiro e, claro, ele levou cerca de cinco tentativas antes que finalmente conseguisse pegar o jeito disso. Ele fez alguns truques e virava sobre a água, mas, em seguida, Roy pegou a velocidade propositadamente e Montana foi completamente exterminado. Todas as meninas estavam sentadas na praia, deitadas em toalhas de praia e de tomando banho ao sol, com Smirnoff4 nas mãos. Eu estava sentada entre Kelsey e Kristina. Megan estava do outro lado da Kristina, suspirando e absorvendo todo o sol que podia. O dia continuou com os rapazes se revezando no esqui aquático. Houve um momento em que Gage e Montana estavam esquiando ao mesmo tempo e foi um desastre completo. Eles estavam em todo o lugar, e Roy tinha deslocando o barco em marcha mais rápida e acabou derrubando os meninos um sobre o outro. O dia acabou por ser surpreendente, e nenhuma vez o sorriso que Gage usava desapareceu de seu rosto. Eu sabia que ele estava realmente tentando.

Nossa viagem para a casa do lago estava chegando ao fim na segunda-feira de manhã, para celebrar pela última vez, todos nós saímos na noite de domingo. Nós fomos tomar algumas bebidas em um bar, dançar um pouco, nos divertir um pouco. Eu usava um vestido cintilante dourado, saltos altos, e um pouco de maquiagem. Eu não era geralmente de usar merda como esta, mas tive que admitir que eu parecia completamente foda. Desde que comecei a trabalhar na Artes 4

Marca de Vodca

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Global, vestir-me tornou-se uma prioridade. Eu amei o look que estava nesta noite, e tinha certeza de que Gage iria amá-lo também. — Eliza, nós temos que ir. Estão todos esperando... A voz de Gage teve uma parada completa quando ele me viu com a minha bolsa na mão. — Você gostou? — Eu perguntei, olhando-o sob meus cílios. — Como? — Ele sussurrou, seus olhos quase arregalados para fora de sua cabeça. — Porra, Ellie, você está incrível. Eu ri quando ele fechou a porta atrás dele e correu para a minha direção. — Obrigada. Em um instante, Gage foi me puxando para ele e colocando beijos no meu pescoço, minha bochecha, e então meus lábios. Ele atacou os meus lábios com força total, e eu gemi em sua boca, ligando meus braços ao redor de seu pescoço enquanto ele me pegava. Circulando minhas pernas ao redor dele, ele segurou minha bunda com as duas mãos e tropeçou seu caminho em direção à parede mais próxima. Seu pênis esticado contra sua calça jeans esfregando contra o meu núcleo. Gemendo abaixei-me para a fivela do cinto e o soltei. Ele me colocou em meus pés, desabotoou as calças, mas olhando diretamente nos meus olhos. Eles estavam duros, saudosos. Eles estavam quase pegando fogo, e eu queria acalmá-lo da melhor forma que pudesse com meu corpo. Isso estava acontecendo muito mais rápido do que isso já esteve e eu estava... Gostando. — Quanto tempo nós temos? — Eu perguntei ofegante, beijando seu pescoço. — A namorada do Deed ainda está se preparando. Cinco minutos no máximo. Acendi todos os meus dentes para ele antes de esmagar seus lábios com os meus. — Perfeito. Gage sorriu quando suas calças caíram. Ele empurrou meu vestido por cima da minha cintura e, em seguida, estendeu a mão para escorregar minha calcinha. Assim que elas saíram, seu polegar deslizou entre minhas dobras, correndo pelo meu clitóris, e eu gemia, sugando a respiração através dos meus dentes. — Eu quero que você se vire, Doce Ellie. — Gage sussurrou em meu ouvido, afundando um de seus dedos grossos dentro de mim. Fiz o que disse, gemendo quando ele deslizou mais seu dedo. Gage puxou o dedo para longe e agarrou minha bunda com as duas 211


mãos, abaixando-se para beijar cada banda. Eu coloquei minha bochecha contra a parede, implorando com o meu corpo para que ele me levasse. Nós só tínhamos cinco minutos e eu não queria ser interrompida. Eu queria os fazer os melhores cinco minutos de minha vida. Estando em linha reta de novo, Gage beijou a minha nuca e todo o cabelo na minha espinha arrepiou contra a minha pele. Ele beijou seu caminho para cima, pressionando seu pau nas covinhas das minhas costas, deslizando a mão em volta brincando com meu clitóris. Eu nem sequer percebi que estava arfando tão duro, até que ele abriu minhas pernas com os pés. Ele deslizou lentamente dentro de mim, ainda brincando com minha protuberância ao longo do caminho, e eu soltei uma respiração profunda, apertando o canto da parede. E com isso, não havia como pará-lo. Assim que ele estava dentro, ele gemeu e balançou os quadris contra os meus, empurrando para dentro de mim, resmungando baixinho. Inclinei a cabeça para trás e Gage chupou meu pescoço, batendo seu pau em mim. Ele ia cada vez mais fundo, atingindo o mesmo lugar que ele sempre soube como provocar. Um ponto que sempre tinha o meu corpo implorando por mais. Seu dedo não se atreveu a parar de circular meu clitóris. Eu gritei um pouco mais alto do que o esperado e tinha certeza de que alguém tinha escutado, mas não me importei. A parte de trás da minha cabeça descansou em seu ombro e ele sussurrou coisas perigosamente sensuais em meu ouvido. — Venha para mim, Doce Ellie. Em cima de mim. — Ele sussurrou, ofegante. Meus olhos fechados quando ele me encheu ainda mais, girando seus quadris, perfurando-me profundamente em meu núcleo. — Porra, Eliza. — ele rosnou. Sua voz maldita. Era sempre a sua voz. Era sempre a sua espessura, comprimento total dentro de mim junto com uma mistura de sua voz sussurrada que me enviava oscilando. Ele me mandou muito perto da borda, mesmo quando eu não queria alcançá-la ainda. Eu gritei quando me inclinei para frente e agarrei o canto da parede novamente. Gage se inclinou para frente comigo, sufocando o meu pescoço com os lábios, circulando o mesmo dedo em volta do meu núcleo. Eu gritei o nome dele e ele vaiou alguns palavrões suaves com os dentes presos. Nós dois estávamos chegando. Estávamos quase lá. Gage acariciou dentro de mim uma dúzia de vezes e entre uma delas, meus olhos rolaram para trás e eu espremi todo o comprimento dele, gritando ao longo do caminho. Eu tinha certeza de que o grito 212


pôde ser ouvido. — Porra, isso é tão bom, Ellie. Foda-se. — Ele rosnou. Sua voz vacilou. Ele estava quase lá. Eu sabia porque o dedo que uma vez tinha estado brincando com a minha área mais doce tinha sido retirado e ele tinha um aperto de cada lado da minha cintura. Gage vaiou, empurrou, bateu, e depois caiu contra mim, se contorcendo quando ele enfiou os dedos pelo meu cabelo curto. Ficamos assim por alguns minutos. — Eu acho que eu nunca vou ter o suficiente. — Disse ele, rindo com os seus lábios contra meu ouvido. Eu ri com ele. Honestamente não acho que eu teria o suficiente. — Posso sair agora? — Eu pedi. — Ainda não, Ellie! Seja paciente! Revirei os olhos e batei a cabeça para trás. Minhas costas estavam de frente para a porta do quarto e eu não tinha ideia do que diabos ele estava fazendo, mas estava esperando por dez minutos já. Em cima disso, eu estava quase bêbada por ter tomado umas doses com Kelsey e Megan no bar e pronta para apenas colocar a minha bunda para baixo. A porta finalmente se abriu e eu me virei quando Gage estava pisando dentro. — Agora? — Eu perguntei, impaciente. — Agora. Mas feche os olhos. — Disse ele, pegando minha mão. Revirei os olhos, mas fiz o que ele disse de qualquer maneira. Gage me levou para fora do quarto e desceu as escadas. — Onde você está me levando? — Perguntei. — Estamos quase lá. — Ele disse. Meus pés descalços tocaram o linóleo frio do chão da cozinha e, em seguida, de madeira. Ou era a sala de jantar ou sala de estar. Eu não tinha certeza. A porta se abriu e Gage me levou para fora, mas fez questão de me dizer para manter meus olhos fechados. A porta se fechou atrás dele e enquanto caminhávamos um pouco mais, meus pés tocaram a areia granulada. — Gage! Ele riu. — Tudo bem. Agora. — Ele sussurrou, agarrando meus ombros. Eu abri meus olhos e assim que fiz, olhei para frente em reverência. Ele realmente teve trabalho para fazer isto romântico. Velas foram acesas em uma trilha, levando a água brilhante. Pétalas de rosa foram espalhadas bem como em direção ao lago, e eu engasguei porque era completamente deslumbrante. Não era o que eu esperava. 213


— Como está? — Ele perguntou no meu ouvido, envolvendo os braços em volta de mim por trás. — Gage, eu adoro isso. — Voltei ao seus braços. — Você realmente sabe como me surpreender. — Eh, bem. — Ele deu de ombros e piscou para mim. Sua mão abriu a parte de trás do meu vestido, a outra escorregou a alça esquerda. — O que você está fazendo? — Eu ri. — Desnudando minha Doce Ellie. —Ele disse, deslizando para fora da alça direita, também. — E o que você pretende fazer depois disso? — Eu desafiei. Eu sabia que estávamos sozinhos, e não podia deixar de provocá-lo. Todo mundo ainda estava no bar e estávamos aproveitando a casa do lago, enquanto tínhamos a chance. Estar bêbada com Gage sempre tirava a minha inocência - inferno, estando meio bêbada fazia. — Hmm... — Ele sorriu, inclinando a cabeça um pouco e permitindo que o meu vestido caísse nos meus tornozelos. — Você vai ver. Meu coração batia em um ritmo mais rápido quando ele deslizou suas suaves mãos calejadas pelo meu peito. Suas mãos estavam quentes. O meu sentido do tato foi intensificado a partir do álcool correndo em mim, e eu queria tudo. Eu soluçava enquanto ele pegava minha calcinha fio dental vermelha, enfiando os dedos debaixo de cada lado da minha cintura, e deslizando para fora. Gage entrou em cena e bateu contra mim, fazendo minhas costas baterem contra a borda da mesa. — Deite-se sobre a mesa, Ellie. — Ele sussurrou. Fiz o que disse e quando eu estava deitada, ele estava debruçado sobre os joelhos. Ele lambeu os lábios, correndo as mãos ao longo do lado de fora das minhas coxas. — Não se mova. Oh Deus. Toda vez que ele me dizia para não me mover, eu queria torcer por toda parte. Porém, eu continuei, ainda porque onde ele estava indo com isso era o que eu queria. Os olhos de Gage nunca deixaram os meus. Eles estavam em chamas com fome, vendo meu rosto atentamente. Eu não tinha certeza do que estava fazendo, talvez mordendo meu lábio inferior ou olhando de volta, mas ele estava recebendo algum tipo de emoção com isso. — O que você vai fazer? — Eu respirei.

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Ele apertou os lábios, olhando nos meus olhos. — Apenas relaxe para mim, Ellie. Eu balancei a cabeça, fechando os olhos por um instante, mordendo o canto do lábio inferior. Gage espalhou minhas pernas, trazendo meus quadris em sua direção e mergulhando para baixo, colocando seus doces lábios carnudos no meu núcleo. Um suspiro pesado explodiu em mim quando ele me comeu como um lobo comeria a sua primeira refeição do dia. Seus olhos estavam pesados no meus, e eu tentei ficar com ele, mas não adiantava. Deslizando sua língua ao longo do meu clitóris, ele deslizou um dedo dentro de mim, e eu gemi, permitindo que minha cabeça caísse para trás. Eu rebolava contra sua boca, trançando os dedos frenéticos por seu cabelo sedoso. Ele estava realmente indo para isso, mas, novamente, quando não estava? — Porra. Tão. Bom. Ellie. — Ele murmurou entre minhas dobras, agarrando meus quadris e os levantando. Ele se levantou e olhou para mim, os olhos brilhando de desejo, sua boca nunca deixando minha área doce. Eu gritava e pensei que ele iria me dizer para manter a calma pois havia outras casas de lago nas proximidades, mas ele não fez. Ele não deu uma merda e eu tampouco. Eu costumava me importar, mas queria isto. E estava cheia de álcool. Eu não tinha nenhuma preocupação neste momento. Gage parou antes que eu fosse capaz de estourar. Ele lançou os meus quadris, despojou de suas roupas com pressa, arrancando meu sutiã, e então ele agarrou meu braço, arrastando-me para o lago. Nós estávamos na água em um instante, nossos lábios colados, corpos moldados. Deslizando as mãos dos meus seios para o meu clitóris entre minhas pernas, ele me torceu ao redor e gemeu no meu ouvido antes de beijar por trás dele. — No lago, vamos?— Sua voz era mais profunda. Rouca. Mais sexy. Ele me deixou ir e nadei de volta um pouco flutuando de costas. O pau dele cutucou sobre superfície da água e ele riu. Sim, ele está definitivamente bêbado. Eu olhei para baixo com ele e ele lambeu os lábios, empunhando sua espessura. Ele se baixou na água novamente, gesticulando para que eu fosse com ele. Eu estava tão ansiosa como ele estava, pronta para tudo. Eu nadei em direção a ele e atei as minhas cintura, certificando-me de que não deslizasse comprimento espesso ainda. Ele gemeu, levantando a curva do meu pescoço, meu peito, mamando 215

pernas em volta da ao longo de seu a cabeça e beijando nos meus seios e


mordiscando um pouco. Nós estávamos ambos ofegante incontrolavelmente prontos para que as coisas só... Acontecessem. Porém, levando as coisas devagar sempre fez isso muito melhor. Eu lhe provocava moendo meus quadris nele, deslizando para cima e para baixo enquanto chupava seu lábio inferior. Ele agarrou a minha bunda e me puxou para mais perto dele, suspirando suavemente quando afundou seus dentes em meu lábio inferior. Olhamos nos olhos um do outro quando eu levantei meus quadris. Com movimentos lentos, desci no pau dele e ele segurou meus ombros, sugando uma respiração através de seus dentes. — Foda-se.— Ele rosnou, pressionando os lábios no meu pescoço. Eu gemi quando deslizei mais baixo e ele foi mais fundo. Assim que ele estava todo em mim, Gage agarrou meus quadris para cima e para baixo para me mover. Coloquei meus braços ao redor de seus ombros para apoio, gemendo e ofegando enquanto ele me olhava com olhos carentes. Ele queria tudo, mas eu não estava dando tudo. Ainda não. Agarrando seus ombros, eu comecei a me mover com ele, trabalhando meus quadris e sentindo-o na boca do estômago. A água espirrou entre nós. Era perfeita para fazer amor. Porém, o ato de amor não durou tanto quanto eu pensei que teria, e eu não me importei nem um pouco. As coisas ficaram mais ásperas. Picantes. Gage parou por um momento e nadamos até a costa. Nós batemos na areia e ele me soltou, exigindo que eu ficasse de quatro. Assim que eu fiz, ele deslizou dentro de mim. Meus gemidos transformados em gritos enquanto ele bombeava cursos completos dentro de mim. Eu estava certa de que agora as pessoas que viviam nas outras casas de lago poderiam nos ouvir. Ele estava dando tudo em mim. Nenhum centímetro dele estava aparecendo quando ele enterrou seu pênis. Cavei meus dedos na areia, querendo arranhar alguma coisa, segurar alguma coisa, mas ele bateu mais forte, mais rápido. Ele assobiou por entre os dentes quando se inclinou para frente, chegando a redor e brincando com meu clitóris. Ele estava perto. Eu estava perto. Rosnando, ele perfurou mais profundamente, causando um barulho de batida. — Porra, Ellie. — Ele ofegou, pegando meu peito. Ele me trouxe e me colocou na posição vertical. Nós dois estávamos de joelhos, e de onde estávamos, eu podia ver o nosso reflexo através do vidro fumê da porta traseira... E parecia maravilhoso. Gage pegou uma mecha do meu cabelo e inclinou minha cabeça para trás. Ele chupou meu pescoço, batendo em mim, enquanto olhava 216


para mim através do vidro fumê. Seus olhos estavam escuros e sexys. Ele queria que eu visse como ele fazia isso. Eu estava ficando mais úmida com cada centelha de sua língua no meu pescoço. Ele estava ficando mais áspero quanto mais tempo olhava nos meus olhos, até que eu finalmente percebi isso. Calor úmido escorreu e eu gritei. Movendo os lábios para cima, os apertou no meu ouvido e mordiscou o lóbulo. Ele fez isso por alguns segundos até que finalmente se afastou, segurando meus quadris, e rosnou mais alto do que eu já tinha ouvido antes. Ele tremia quando caiu nas minhas costas, quase me derrubando. Eu caí com meu estômago pela primeira vez na areia e ele estremeceu uma dúzia de vezes, esvaziando-se e liberando um gemido satisfeito. Depois de alguns segundos, ele caiu de costas. Deitamos lado a lado e ele me deu um torto sorriso bonito. Ele pegou um punhado de areia e jogou-a no meu peito. — As crianças podem vê-lo. — Ele brincou. Ele apertou os meus seios, puxou-me para cima dele, e eu ri. Ele era adorável. Gage se levantou comigo nos braços e voltamos para o lago para nos livrar da areia. Enxaguamos um ao outro e nadamos um pouco, para garantir que nós estivéssemos molhados da cabeça aos pés. Ele deslizou suas mãos por todo meu corpo. Meus ombros, seios, quadris, e até mesmo a minha área doce. Eu fiz o mesmo por ele, certificando-me de atrasar os meus dedos ao redor de sua excitação enquanto olhava em seus olhos castanhos vidrados. Ele ficou mais duro do que uma rocha dentro de pouco tempo e pediu mais, e eu lhe dei o que ele queria. Porém, nós não fizemos no lago novamente. Nem mesmo na praia. Voltamos para a casa, no andar de cima, e na nossa varanda onde a lua pairava logo acima de nós. Fizemos amor incrivelmente apaixonado. Olhamos nos olhos um do outro antes de atacar os lábios um do outro, desejando mais do que já tinha. As fagulhas voavam entre nós, quando ele segurou a parte de trás do meu pescoço e eu o montei tanto quanto poderia. Ele estava me dando o controle e eu gastando em toda a extensão. A intensidade cresceu. Nosso amor um pelo outro cresceu. Eu nunca pensei que veria o dia em que terminaria com Gage Grendel, mas me recusei a duvidar. Mesmo se tudo fosse um sonho, eu não gostaria de ser despertada dele. Eu queria dormir para sempre apenas para tê-lo ao meu lado. Neste ponto, eu percebi que Gage estava em paz. Ele deixou toda a preocupação e estresse sobre sua irmã ir, e eu estava feliz que, neste 217


momento, era a única que poderia ajudar a aliviá-lo dos problemas. Eu estava feliz que poderia fornecer algum tipo de conforto para a sua mente e seu coração.

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CHAMADA RUIM hegamos a Nova York segunda à tarde e estávamos completamente exaustos. Todos os rapazes se separaram após dizerem tchau. Kelsey e eu ficamos no condomínio um pouco com Gage e Kristina, falando sobre a nossa viagem e o quão divertida tinha sido. Mais tarde naquela noite, Kelsey e eu fomos para casa, mas não antes de Gage me parar e me atacar com beijos. — Eu tenho uma entrevista amanhã e a banda estará gravando na quarta-feira, então vou te ver quinta-feira? — Ele perguntou, beijando o canto da minha boca. — Sim. Quinta-feira está ótimo. Kelsey e eu temos uma tonelada de trabalho para pôr em dia. Gage parou de me beijar, inclinando-se para trás um pouco para olhar nos meus olhos. — Para... Trabalho, certo? — Sim, Gage. Para o trabalho. — Ele engoliu, piscando rapidamente. Ele então soltou um suspiro, puxando-me em seus braços. — O que está errado? — Eu perguntei. — Trabalho envolve arte... E eu sei o quanto você ama arte. — Ele disse, rindo um pouco. E então me apareceu como um relâmpago. Ele estava preocupado que eu fosse deixá-lo novamente pelo o que gostava de fazer. Ele estava preocupado que o esqueceria para me focar no trabalho. Bem, talvez se fosse alguns anos atrás, sim. Porém, ele estava errado nisso. Quando disse que trabalharia nisso — que trabalharíamos nisso — era verdade. — Gage, eu não vou a qualquer lugar. Você sabe disso, certo? — Eu perguntei, afastando-me e agarrando o queixo dele. Ele deu de ombros e olhou para outro lugar. — Eu vou te cobrar isso, Ellie. — Ele colocou seus lábios macios na minha bochecha, segurando-me pela cintura. — Eu estou aqui. Eu não vou a qualquer lugar. — Olhei para cima e a boca dele se espalhou, revelando um sorriso completo, branco. — Promete? — Eu sussurrei, puxando-o para mim e enterrando meu rosto em seu peito. 219


— Eu prometo, Doce Ellie. Só consegui você de volta. Mataria-me te perder de novo. Não vou foder mais. Você é tudo que eu quero. Tudo o que preciso. Eu sorri, olhando para cima. Liguei os meus braços em volta de seu pescoço e sufoquei seus lábios com os meus próprios. Ele gemeu, torcendo os dedos nos laços do meu jeans e em seguida deslizando suas mãos para baixo para agarrar a prega da minha bunda. Estávamos fora do apartamento de Gage onde ninguém podia ver. Porém, mesmo se alguém conseguisse ver nossa demonstração pública de afeto, eu não teria me importado. Eu queria que o mundo soubesse que acabamos com fugir um do outro. Acabamos com jogos. Acabou de fazer a merda difícil. Era hora de sermos adultos e viver direito. Juntos. Surpreendentemente, Gage afastou-se, sorrindo como um bobo. — Eu deveria ir embora. Prometi levar Kris a um show da Broadway esta noite. O cara que interpreta Wolverine em X-men está nele. Eu ri quando ele encolheu os ombros. — Tudo bem. Se divirta. — Coloquei um tenro beijo rápido em seus lábios e em seguida ativei meus calcanhares, ajustando a alça da minha mochila no meu ombro. — Me liga mais tarde? — Você sabe que eu vou. — Olhei por cima do meu ombro, e ele tinha uma mão na maçaneta da porta, mas estava olhando diretamente para a minha bunda. — Eu te disse! — Ele gritou quando dei um passo para baixo. — O quê? — Eu gritei de volta. — Sexy! Só não sabe isso! Eu balancei minha cabeça e me conduzi pelo resto da escada a baixo mordendo um sorriso.

Na noite seguinte, Gage disse-me que iria para o ensaio com os meninos quando cheguei ao apartamento dele. Foi legal. Eu não vinha por ele, embora ele tenha feito meu coração palpitar quando o vi e me deu o beijo de despedida. Quando cheguei lá, Kristina parecia meio para baixo, mas ela continuou assegurando-me que estava bem. — Dalton se divertiu. — Ela disse, levantando as pernas dela e as apoiando na mesa de café. Minhas sobrancelhas se elevaram. — Sim? — Sim. Ele não parava de falar sobre o quanto vocês dois tinham se divertido. — Ela riu um pouco, pegando a garrafa de água e 220


bebendo alguns goles. — Eu queria falar com você sobre uma coisa, porém. Animei-me um pouco, balançando a cabeça. — Tenho certeza. Atire. — Gage estava me contando como você começa a trabalhar em agosto. Ele está preocupado que você vá se esquecer dele. Eu estreitei meus olhos. — Não me esqueceria dele, Kristina. Por que eu faria? — Eu não sei... Ele pensa que com ele trabalhando tanto e você trabalhando todos os dias, nunca vai conseguir passar um tempo com você e você vai acabar concentrando unicamente na sua carreira. Eu balancei minha cabeça, pegando minha garrafa de água. — Eu não entendo por que ele duvida tanto de mim. Eu jurei que ficaria com ele. Eu o amo, Kristina. Isso eu garanto. Kristina sorriu simplesmente. — Confie em mim. Eu sei. Digame, quando você pensa em seu futuro... Há Gage? — Sim. — Minha voz foi abrupta, e estava dizendo a verdade. — Sim. Ele é o único que eu posso imaginar. Ela assentiu, um sorriso ainda insinuando nos lábios. Ela tossiu um pouco, bebeu mais água e então se levantou. — Só quero que Gage fique bem mais tarde. Eu o quero feliz com alguém — alguém ele possa olhar de frente quando acordar ou ver no dia seguinte, você sabe? — Sim. Eu sei o que quer dizer. Kristina estava muito para baixo sobre si mesma. Ela tinha tão pouco tempo. Ela não deveria estar pensando nisso tanto. Em vez de reclamar sobre Gage e eu, animei-me outra vez e sorri para ela. — Então, um tempo atrás um homem chamado Zion disse-me que namorou você. Os olhos de Kristina expandiram e ela se sentou de volta no sofá. — O que? Você o conhece? — Sim. Gage e eu comemos pizza juntos no almoço há alguns anos e Zion se apresentou para mim, disse-me que te namorou por algum tempo. — Oh Deus. — Ela gemeu, mas ela estava lutando com um sorriso. — Vocês dois ainda se falam? — Eu perguntei. Foi bonito vê-la corar. 221


— Uh... Um pouco. Ele sabe que não o deixo chegar muito perto para que ele mantenha uma certa distância, mas de vez em quando falamos, flertamos... O que seja. Foi dele que comprei a pizza da semana passada. — Ela corou um pouco. — Isso é tão adorável! — Oh, pare com isso. O que é adorável é você e o meu maninho. Ele ama o inferno fora de você. Nunca o vi tão entusiasmado com uma garota antes. Ele é metido, e pelo que vejo, não vai deixar você ir de novo. Ele se recusa a te perder como fez antes. Ainda não acredito que ele se colocou nisso. Isso deve ter doído, para os dois. — Bem, sim. — Vamos. — Ela disse, novamente de pé. — Vamos andar pela cidade e pegar cachorros-quentes. Eu não posso continuar sentada neste apartamento sem nada para fazer. Gage ficará fora por mais algumas horas. Concordei, e naquela noite nós tínhamos nos divertimos mais de uma maneira que imaginei que podíamos. Kristina acabou caindo numa fonte quando ela estava na brincando no parapeito. Eu apontei e ri dela, mas ela acabou agarrando o meu braço e me puxou também. As pessoas olhavam para nós como se nós estivéssemos fora das nossas malditas mentes e talvez nós estivéssemos, mas não ligávamos. Eu queria levar a mente de Kristina longe do que o futuro tinha reservado tanto quanto eu pudesse. Tínhamos criado algum tipo de ligação fraternal e era legal. Ela me compreendia; Eu a compreendia. A noite terminou com a gente andando pela cidade, pegando algo para comer e depois indo a Times Square observando as estrelas e as pessoas olhando. Kristina era hilária quando apontava algumas pessoas e fazia vozes engraçadas para suas ações. Esta noite foi divertida, mas tive que levá-la de volta para o apartamento após uns trinta minutos, porque ela estava tossindo sangue. Isso me assustou um pouco. Havia muito sangue e ela jurou que estava bem, mas eu sabia que não estava. Ela só queria ser forte. Eu tinha até me oferecido para levá-la ao prontosocorro, mas ela me disse não. Depois que Kristina adormeceu, eu esperei por Gage chegar em casa, então poderia dar-lhe um beijo de boa noite. Ele insistiu em me levar para casa em seu brilhante Mercedes de duas portas. — Bom. — Eu disse, olhando por cima. — Só um pequeno brinquedo meu. — Gage disse, seu tom indiferente. Ele abriu a porta para mim e entrei. Ele pulou no assento do motorista, ligou o carro e fomos embora. Estávamos quietos durante 222


nossa volta de carro, nossos dedos entrelaçados, a música fluindo através dos alto-falantes. Eu queria falar com ele sobre Kristina, mas ele estava muito calmo e sereno. Ele estava feliz e não queria estragar seu humor, então guardei meus pensamentos para mim. Eu sabia que Kristina não iria querer que eu dissesse alguma coisa para estragar as coisas depois da nossa viagem ao lago, fingindo que tudo estava bem era melhor. Depois do carro de Gage estacionar, por uns bons cinco minutos, colocou um beijo na minha bochecha e me disse boa noite. Eu acenei para ele por cima do meu ombro, tomando as escadas. Ele me viu até que desapareci, mas com cada degrau acima, minha preocupação aumentava. Eu queria dizer-lhe, mas não pude. — Isto é o que ela quer. — Disse sob a minha respiração, destrancando a porta. — É a vida. — Eu abri a porta e acenei para ele uma última vez antes de entrar. Minhas costas bateram na porta e apertei os olhos fechados, combatendo o sentimento de culpa em torno de meu coração. — É o que ela quer. — Repeti em um sussurro. Isso mataria Gage, mas no meu coração eu sabia que o tempo de Kristina vinha muito mais cedo do que ela pensava. Ela sabia, também. Eu podia ver nos olhos dela. Gage, por outro lado, era mais provável que estivesse esperançoso sobre isso. Fui dormir triste, mas não importava. Gage estava feliz... Porém, os dias de sorrisos e arco-íris iriam logo chegar ao fim por um tempo.

No dia seguinte, Kelsey e eu tínhamos muita coisa para pôr em dia. Falamos sobre ela e Roy e foi muito bom ouvir que ele não era um assassino de animais. Eu sabia que Roy tinha algo nele; Eu não podia dar um jeito... E nem poderia Kelsey. Eles só estavam namorando e saindo por pouco mais de uma semana, mas ela me disse que sentiu que podia confiar nele — como, se ela dissesse-lhe, ele não diria a ninguém, não importa o quanto as pessoas o pressionassem para obter respostas. Eu acreditei nela. Roy tinha essa mentalidade. O dia seguinte começou muito bem. Kelsey e eu estávamos no meio do caminho através de nosso primeiro projeto, mas depois recebi um telefonema que fez meu coração parar de bater — uma chamada que matou toda a esperança.

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SEM ESPERANÇA assei pelas portas, passando a recepção com pressa e correndo pelas escadas. Meu coração acelerava. Eu estava completamente confusa. Foi apenas 15 minutos de carro passando por atalhos, mas pareceu levar uma eternidade para chegar até aqui. Movimentei-me subindo os degraus, apertei o botão para subir do elevador. Eu assisti os números vermelhos descerem, mas eles estavam levando tempo demais então fui pelas escadas. Eram uns bons oito andares, mas tinha que passar sobre isso. Tinha que seguir em frente. Assim que alcancei o oitavo andar, agarrei a maçaneta me apressando, e virando a esquina. Quando ouvi a notícia, não conseguia sentir realmente uma merda. Só tinha que ir. Porém vê-lo... Vendo isso... Quebrou-me. Gage estava no banheiro com Kristina em seus braços. Suas costas estavam de frente para mim, mas ele estava fungando. Asfixiando. Não pude ver muito de Kristina além dos braços e pernas balançando. — Gage? — Eu sussurrei, dando um passo. Eu toquei suas costas, mas ele não se moveu. Segurei seu ombro e ele se virou, seus olhos injetados de vermelho, os lábios beliscados apertados. Então olhei para o corpo frágil de Kristina em seus braços. Os olhos dela estavam fechados, o rosto estava pálido e o sangue escoava pelos cantos de sua boca. — Oh Deus! — Ela me disse para não levá-la para um hospital. — Ele sussurrou. — Não. Gage, você precisa! Vamos lá! — Minha voz estava em pânico. Eu estava em pânico. Eu esperava que ela não estivesse morta. Gage não falava. Ele não estava nem olhando para mim. Ele estava chorando. Quebrando. Olhando para a irmã dele e querendo saber o que fazer. Inclinei-me pressionando minha orelha contra o peito dela. Eu ainda podia ouvir o batimento cardíaco, o que trouxe alívio para minha consciência. 224


Eu sabia que Gage não se moveria tão cedo. Eu não tinha certeza se ele poderia levá-la para fora do banheiro. Ele parecia fraco dos joelhos, como se fosse cair a qualquer momento. Eu peguei meu telefone chamando Roy e Montana. Roy não atendeu, mas Montana fez, e felizmente, Roy e Deed estavam com ele. Depois que lhes contei a notícia, disse a Gage para colocar Kristina no sofá. Eu tive que literalmente puxá-lo para longe dela, então poderia limpar a boca dela. Ele não se mexeu muito. Ele sentou-se no braço do sofá, olhando para ela com os olhos molhados. Montana, Deed e Roy estouraram no apartamento meia hora mais tarde com a preocupação de afogando em cada um dos seus rostos. Roy não perdeu tempo com a posição de Kristina. Ele a pegou em seus braços e correu para fora da porta para chegar ao elevador. Eu trouxe Gage a seus pés, dizendo-lhe tudo estaria bem, mas senti que estava mentindo para ele. Eu não sabia se ela ficaria bem. Ela nos disse que tinha um mês, mas tinha sido menos de uma semana. Rezei para que ela ficasse melhor... Por um milagre, pelo menos.

Chegamos ao hospital e eles levaram Kristina imediatamente. Gage lutou o seu melhor para tentar ir ao quarto com ela, mas eles não permitiriam isso. Ele gritou que ela era sua irmã, que merecia estar no quarto com ela, mas Montana e Roy o detiveram. Sem eles, eu não sabia o que Gage teria feito. O relógio passava, e isso só foi ficando cada vez mais tarde. Estávamos todos na sala de espera e Gage se sentou na cadeira em frente a mim, quase sem vida. Ele estava encarando o chão ou relógio o tempo todo. Seu cabelo caía em seu rosto, sua perna saltava para cima e para baixo, pronto para tudo ter acabado. Eu me levantei e sentei ao lado dele, trazendo sua cabeça para colocá-la no meu peito. Ele estava pondo-se para fora. Minha única esperança era que alguém sairia e diria que Kristina iria viver, que ela ficaria bem. Felizmente, dez minutos depois, um homem saiu, mas o olhar no rosto dele provou que ele não tinha boas notícias. Gage pulou sobre os pés e correu para o homem, o resto de nós seguindo atrás. — Você deve ser Gage. — Disse o homem, sorrindo enquanto olhava nos olhos do Gage. — Eu sou. O homem ficou em silêncio por um momento. Ele olhou de Gage para os meninos e depois para mim. — Senhorita Grendel... Ela não

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está muito bem. Na verdade, não acho muito que podemos fazer mais por ela. Gage engoliu seco. — O que isso significa? — Isso significa que ela pode ter menos de algumas horas. Ela quase não está nos respondendo. Tivemos que colocá-la no respirador, mas mesmo com isso, é difícil para ela respirar confortavelmente. Os pulmões estão danificados, Sr. Grendel. O tumor só vai continuar crescendo e nós tentamos sugar a maior parte do fluído e sangue de seus pulmões, mas continua crescendo. Ela atingiu o estágio quatro... A fase final. Não há nada mais que possamos fazer além de esperar. — Foda-se! — Gage estalou, alcançando e empunhando seu próprio cabelo. Ele foi com o objetivo de se machucar, mas Roy correu até ele, balançando a cabeça. O médico só ficou ali, como se tivesse visto pior. — Desculpe-me, Sr. Grendel. Detesto ser o portador de más notícias. Nós vamos deixar você saber quando pode vir e vê-la. O médico assentiu para nós, antes de dar a volta e desaparecer no corredor. Gage assistiu o homem antes de desaparecer passando por nós e correndo para fora da porta. — Gage! — Eu gritei atrás dele. — Não. Não, Eliza. — Roy disse, pegando-me antes que eu chegasse até a porta. — O que quer dizer? Eu tenho que fazer alguma coisa, Roy! — Não. Só não. Deixe-o esfriar. Ele vai voltar. — Lágrimas espetaram nos cantos dos meus olhos quando Roy me olhou. Ele me levou a uma cadeira e sentou-se comigo, e quando me sentei, as lágrimas eclodiram. Porra, eu odiava a chorar. Odiava tanto. Porém, saber que Kristina morreria, estava me matando. Tinha que estar assassinando Gage. Isto não era o que queríamos ouvir. Nada disso. Não era o que eu queria ouvir, também.

Quarenta e cinco minutos mais tarde, Gage pisou de volta no hospital. Ele não ousou fazer contato visual conosco. Ele se sentou na cadeira à minha frente e travou os dedos dele, descansando os cotovelos em suas coxas. Sua cabeça pendurada e as pernas batendo mais uma vez, como se esperasse impacientemente. Eu queria falar, mas Roy balançou a cabeça para mim. — Não. — Ele murmurou. — Dê-lhe seu tempo. 226


Concordei, mas não pude deixar de observá-lo. Ele estava muito machucado. Eu não sabia como aliviar a dor desta vez. Não havia como em tudo. Pelo menos com sua mãe, ele não descobriu até depois que ela faleceu, mas saber que ele tinha que olhar para sua irmã e então possivelmente assisti-la o deixando... Era terrível. O mesmo médico apareceu na sala de espera dez minutos depois e disse-nos que poderíamos vê-la. Os meninos pensaram que seria melhor ficar na sala de espera. Eu me agarrei a mão do Gage e fizemos o nosso caminho pelo corredor. Meu coração batia a mil. Minhas mãos ficaram suadas e eu esperava que Gage não pudesse sentir. Ele parecia frio... Morto. Gage nos deixou sem tempo para nos prepararmos. Balançando a porta aberta, ele soltou a minha mão e entrou. Fechei a porta atrás de nós, virando-me lentamente para ver uma Kristina mal respirando deitada na cama. — Deus, Kris. — Gage sussurrou, puxando uma cadeira para o lado da cama. — Kris? Sentei-me na cadeira em frente a cama. Eu não sabia o que fazer — o que dizer. — Kris, você é forte. Você pode lutar por isto. — Sussurrou Gage, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Lutou com tanta merda antes. Você pode passar por isso, também. Ela permaneceu em silêncio. Os olhos dela estavam selados apertados, o peito indo para cima e para baixo. Gage envolveu sua mão ao redor dela, apertou firmemente. Ele beijou suas juntas, ainda chorando. A noite continuou desta forma. Gage chorando por causa de sua irmã, implorando-lhe para falar com ele — dizendo nada. Tudo enquanto estava sentado no mesmo lugar, cego pelas lágrimas, esperando e rezando que ela acordasse e dissesse nada. Senti-me impotente. Eu queria dizer que ficaria tudo bem, mas já não acreditava nisso. Não ficaria bem. O médico provou isso. Nenhuma esperança que eu tinha armazenada dentro de mim estava lá... Havia apenas desespero. Dor. Foi por volta da meia-noite quando Kristina finalmente se moveu. Adormeci, mas Gage ficou acordado o tempo todo e ele me acordou quando a sentiu. Primeiro foram os dedos dela, e então as pálpebras dela vibraram. Ela piscou lentamente antes de virar a cabeça um pouco e encontrar os olhos preocupados de Gage. Ela tentou falar, mas choramingou e agarrou o próprio pescoço. Dor gravada no seu rosto quando ela baixou a mão. 227


— Não. — Sussurrou Gage. — Você está bem? Ela deu de ombros, pressionando os lábios. Então olhou para mim, sorrindo e gesticulando para que eu fosse até ela. — Você nos assustou. — Eu disse, sorrindo um pouco. Seus olhos entristecidos, mas ela ainda estava sorrindo um pouco. Ela então olhou atrás de Gage e apontou para a prancheta no balcão. Gage a olhou questionando antes de virar. — Papel? — Ele perguntou. Ela assentiu com a cabeça e depois fez um gesto com as mãos, como se ela estivesse escrevendo. — Oh. Certo. — Gage agarrou a prancheta, uma caneta e em seguida, entregou a ela. Vimos quando ela rabiscou em uma das folhas. Ela olhou para mim, sorrindo quando a virou. — Posso ficar com ele sozinho por alguns minutos? — Eu li em voz alta. — Oh! Sim! É claro. — Eu me adiantei e beijei a bochecha dela. — Você vai sair dessa. Você é forte. Ela deu de ombros outra vez, fechando os olhos brevemente. Quando eu puxei de volta, olhei Gage, que estava forçando um sorriso. — Obrigado. — Ele sussurrou. Eu beijei sua bochecha e então me virei com um aperto subindo por minha garganta. Eu puxei a porta aberta e caminhei para fora. Eu estava no meio do corredor, quando percebi que tinha esquecido meu celular. Quando eu corri pelo corredor e cheguei à porta, parei completamente e engasguei. Gage estava sorrindo, mas quando Kristina abanou a cabeça e desviou o olhar, o sorriso dele se evaporou e entrou em colapso. Literalmente quebrou. Seu rosto caiu ao lado dela e ela acariciava seus cabelos. Uma lágrima caiu de seu rosto pálido quando ela começou a cantarolar com ele. Não era um zumbido alto, mas poderia ser escutado fora da porta. Era a melodia da sua mãe. Com cada golpe de sua mão na cabeça dele, meu coração doeu e as lágrimas rolaram. Eu não podia ver mais, então me virei rapidamente e caminhei pelo corredor com lágrimas me cegando. Kristina morreu duas manhãs depois, e eu estaria mentindo se dissesse que não dilacerou Gage em pedaços.

O funeral foi no sábado. Eu usava um vestido preto com pérolas. Ben não conhecia muito sobre Kristina, mas pensou que era melhor vir. 228


Do lado do Gage, observá-los baixando o caixão na terra, foi devastador. Kristina era uma pessoa doce. Ela tinha um coração bondoso. Ela se importava com seu irmão. Ela o amava e eu sabia que faria qualquer coisa por ele, mas sabendo que ela se foi — que ele nunca poderia segurá-la novamente. Tocá-la. Estar perto dela... Era horrível. Isso era como pisar no vidro... Pisar em ovos... Caminhar sobre brasas. Doloroso. O padre falou, mas eu não acho que nenhum de nós estava realmente ouvindo. Os meninos estavam atrás de Gage. Roy tinha o braço enganchado em torno de Kelsey, a cabeça abaixada e seu cabelo em seu rosto. Montana tinha um aperto no ombro do Gage, e Deed e Megan estavam de pé ao meu lado, quietos e imóveis. Zion estava lá e ficou bastante destroçado. Ele não suportou vê-la no caixão, sem vida. Entrou em colapso quando a viu. Nenhum de nós poderia dizer uma palavra, porque, tal como era, Kristina tinha desaparecido. Assim de repente, ela já não era uma parte de nossas vidas. Segurei Gage, mas ele estava imóvel. Sem vida. Ele não se moveu. Não podia nem dizer se ele estava respirando até que algumas lágrimas derramaram pelo seu rosto e ele as empurrou fora. Era difícil, mas o que tornou mais difícil foi o fato de que o pai de Gage apareceu. Ele tinha ficado parado na parte de trás do funeral, o tempo todo, e o que mais surpreendeu a Gage foi que seu pai estava chorando. — Você tem muita coragem. — Sibilou Gage, marchando até ele. — Gage. — Seu pai abanou a cabeça. Ele era um homem alto com músculos volumosos. Ele parecia Gage. Ele tinha os mesmos olhos cor de avelã, mesma barba em torno de seus lábios, só que ele era um pouco mais alto. — Olha, eu sei que fodi tudo. Está bem? Depois que sua mãe morreu... Eu só... Eu não sabia lidar. Eu sei que era um péssimo marido para sua mãe... Eu era um pai ruim para você e Kris, e peço desculpa. Vocês mereciam alguém melhor do que eu. — Certíssimo. — Murmurou Gage, olhando para longe. — Olha, não estou aqui para discutir. Não estou aqui para fazer você se sentir pior do que você está agora. Se eu pudesse voltar atrás, faria. Perdi minha esposa e minha filha. Eu poderia estar lá para as duas, mas estraguei tudo. Grande momento. Mataria-me se eu perdesse você, também. — Seu pai agarrou os ombros e Gage olhou para a mão com uma carranca. Ele não empurrou, no entanto. Mesmo quando seu pai lhe balançou e apertou-lhe em um abraço, ele não se afastou. Gage estava fazendo um bom trabalho em controlar suas emoções antes, mas com o abraço de seu pai, desencadeou todas as 229


lágrimas. Ele chorou por cima do ombro de seu pai e o segurou. Sabia que era o que ele queria há muito tempo. Família. O pai dele. Alguém em quem se agarrar que tivesse o seu sangue. — Você nos deixou como isca, pai. — Gage engasgou para fora por cima do ombro. — Ela não estaria morta, se você tivesse cuidado de nós como deveria. Lágrimas caíram na face de seu pai. — Você acha que eu não sei, Gage. Eu sei. Desculpe-me. Quando ela ligou e disse o que estava passando... Eu não sei. Nem acreditei. Ela me disse que me perdoou... Por tudo. Por tudo o que a fiz passar. Ela estava se libertando do ódio, encargos... Tudo. E me fez me sentir como merda. Gage afastou-se e o olhou nos olhos. — É por isso que ela me deu a nota sobre onde queria ser enterrada e o tempo... — Eu sabia sobre o bilhete. Kristina deu para Gage na noite no lago, quando ela lhe disse quanto tempo ela ainda tinha. — Sim. Ela me queria aqui. Seu último desejo foi que eu acertasse as coisas com você. Não posso perder mais ninguém, filho. Você é tudo que me resta. Eu sei que é tarde demais, mas tem que me dar uma chance. Só uma. Eles encararam um ao outro até seu pai puxou seus braços o agarrando para abraço mais apertado. E Gage não combateu isso. Ben parou do meu lado e me puxou contra sua lateral. Ele beijou minha bochecha e baixou sorrindo para mim calorosamente. — Você tem que cuidar dele. — Ele sussurrou. — Lidar com ele. Ajudá-lo a se curar. Vai ser difícil e vai levar tempo, mas você é tudo o que ele tem agora. É só você e a sua banda. — Eu sei. — Sussurrei, enterrando meu rosto em seu peito. — Eu vou.

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INSTALAÇÃO stava ocupada na Artes Global, e me perguntava por que diabos Frank me puxou fora do andar e me tinha sentada em seu escritório. Estava treinando alguém, mas ele me disse que era urgente. Enquanto eu olhava pela janela, as pessoas estavam correndo por aí com pilhas de papel na mão. Eram todos os empregados do FireNine, todas as pessoas que criavam as coisas para a banda. FireNine só tinha aterrado um acordo internacional. Agora podiam viajar e se apresentar na Inglaterra, Brasil, Argentina, Havaí, África... Você escolhe. Eles estavam tão entusiasmados com isso também. Assim que Gage assinou o contrato, ele me ligou e gritou no meu ouvido. Eu estava feliz por eles, e Ben estava mais feliz do que um porco no chiqueiro. Isto significou mais liberdade para ele. Queria tanto viajar mais com a banda, e esta era sua grande chance. Eles seriam conhecidos em todo o mundo. Pensamos que a merda iria descer após o funeral de Kristina — e desceu um pouco — mas as coisas estavam melhorando agora. Gage não conseguiu dormir por semanas após o funeral. Ele não tocou sua guitarra. Ele não falava muito com os rapazes. Ele não queria gravar ou escrever músicas ou falar com ninguém. A única pessoa com que ele queria estar era comigo. Assim fiquei com ele tanto quanto eu poderia. Como ele queria que eu fizesse. Uma semana após o funeral, havia uma revista flutuando. Ela tinha tudo sobre o passado do Gage, coberta e polida com um monte de mentiras e até mesmo fotos de nós no funeral. Havia coisas sobre Kristina sendo uma drogada e sobre abandoná-lo quando era um adolescente. Coisas sobre como seu pai era proprietário de um clube de strip e se preocupava mais com suas strippers do que com sua família. Coisas sobre como sua mãe era "burra" o suficiente para deixar seus filhos num mundo confuso por conta própria. A parte sobre a mãe o destruiu. Eles a estavam chamando de burra, quando na realidade ela 231


era inteligente e generosa o suficiente para salvar seu filho. Finalmente descobrimos que Penelope devia ter recolhido mais fotos e provas de que a irmã do Gage estava realmente morrendo. Ela queria a história mais dramática possível. Cadela sorrateira, imbecil. Por outro lado, ela não ganhou sobre seu pai deixar a banda. Sr. Binds estava do lado do dinheiro. Sim, ele amava a sua filha e mataria por ela, mas ele não era estúpido o suficiente para largar sua melhor banda. Todos nós sabíamos disso, e eu odiava que Gage não viu isso. Foi uma decisão difícil para o Sr. Binds porque ele era o tipo de homem que faria qualquer coisa por sua filha. Ouvi dizer que Penélope se lamentou e brigou com ele sobre como Grendel partiu o coração dela, mas o pai dela não pôde fazer isso. Disse-lhe que tinha que superar isso. Logo que a revista atingiu a imprensa, ele soube que sua "princesa" estava chantageando Gage e forçando-o a ficar por perto. Ele foi esperto em não deixar os meninos ir, e fez uma promessa para eles, que afastaria Penelope da banda. Ela já não podia ir nas excursões ou shows... E eu estava agradecida por isso. Gage esclareceu a maioria dos boatos. Ele geralmente não era de falar às pessoas sobre a vida dele, mas ele foi convidado para um programa popular para falar sobre isso. Ele disse a verdade sobre sua infância, o bem e o mal, e por isso, sua base de fãs cresceu. A banda cresceu pelo nome e todos queriam saber sobre FireNine. Além de tudo, Penelope os ajudou no final. Ela pensou que acabaria com a banda, mas estava errada. Fez Gage lutar. Ele não queria fazê-lo, mas para ter um pouco de respeito, ele teve que ir a público com isso. Eu estava orgulhosa dele finalmente tomar o risco. No final, o risco dele tornou-se uma recompensa — não só para ele, mas também para toda a banda. O nome FireNine estava muito maior do que qualquer um de nós pensamos que um dia seria. Ben me chamou com boas notícias... Enquanto Gage estava no meio de esclarecer as coisas. Debra tentou apresentar queixa contra Ben para a merda que aconteceu no passado. Claro, ela estava sendo uma idiota. Nunca pensei que ela faria uma coisa estúpida dessas, mas ela e Jason fizeram só por causa de dinheiro. Era óbvio que eles não pensaram nas coisas. Jason foi condenado por abuso doméstico e infantil. Ben tinha tirado fotos de todas as minhas cicatrizes e hematomas, quando fui morar com ele quando era adolescente e tinha nos salvado nesta situação particular. Ele sabia que, apesar de toda merda ele poderia cobrar de Debra, ela estava prestes a ser gananciosa e levá-lo ao tribunal um dia.

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Ben nunca realmente tinha conseguido a minha custódia oficial. Ele disse que admitiu não ser um bom pai quando eu era mais jovem, mas nunca iria me prejudicar. Eu disse a Ben para retirar todas as acusações, porque era uma adulta agora e isso acabou. Ele estava chateado, mas depois de um tempo, ele se acalmou e concordou que era melhor ajudá-los em vez de tirar tudo o que tinham. Ela ainda era minha mãe. Se não fosse por ela, nem estaria viva. Ela e Jason foram sentenciados à reabilitação por um juiz por um período máximo de dois anos e pelo que ouvi, eles estavam fazendo no melhor centro de recuperação de drogas, mas Jason ainda era um idiota e Debra ainda era uma egoísta. Sim, Debra escreveu a Ben cartas odiosas sobre como ele nunca seria um bom pai para mim, mas ele não se importava. Ele preferiu que ele recebesse as cartas a mim. Jason acabou escapando da reabilitação e uma overdose de comprimidos o matou cerca de dois meses após o incidente do tribunal. Debra provavelmente não se importou, mas o Ben disse que ela estava tentando se limpar, depois que descobriu que ele morreu para as drogas. Porém, eu sabia que mesmo que ela estivesse se limpando, poderia nunca aceitá-la como uma mãe novamente. Eu manteria contato com ela, só para ver como estava e ver se ainda estava viva, mas era só isso. Acho que não poderia ter feito mais do que isso depois de tudo que me fez passar. Porém, eu a perdoei. Ela pode não saber disso, mas eu fiz. Ela tinha que perdoar a si mesma. — Estas pessoas estão me deixando louco! — Frank bateu com a porta da sala atrás dele e interrompeu meus pensamentos. Recuperei-me quando ele se dirigiu ao redor de sua mesa para se sentar. — O que está acontecendo? — Eu perguntei. — Há pessoas aqui com câmeras. Eles ouviram que o FireNine estará aqui parar tocar para os empregados hoje. — Eles estão tocando hoje? — Eu perguntei, confusa. — Sim. No auditório do 12º andar. Kelsey pensou nisso. Pensei que era melhor para clarear algumas cabeças e terem alguma motivação. — Oh. — Sim. Então eu preciso de você para ajudá-la. — Isso é o para o que você me chamou aqui? Frank, eu tenho muito trabalho a fazer. O projeto que estou trabalhando não estará pronto em uma semana se estou brincando com a criação... — Sr. Grendel quer que esteja lá. 233


Eu apertei meus lábios calados, mas não podia lutar contra as borboletas que havia assumido o poço da minha barriga. — Por quê? Ele encolheu os ombros. — Não sei. Ele disse que está com uma nova música que quer que todo mundo ouça. Vai ser a primeira vez dele a cantando. Ele precisa da aprovação dos empregados... E, claro, da namorada dele. Eu suspirei, dobrando meu cabelo de comprimento médio atrás das orelhas. — Tudo bem. Tudo bem. Eu vou ficar por essa música e só essa música. Eu realmente tenho que terminar. — Oh, há outra coisa. — Frank disse antes que eu pudesse me levantar. — Vamos mandar você embora do prédio da Artes Global. Meu coração quase parou de bater. — O - o que? Por quê? Frank sorriu, agarrando seu mouse e clicando fora do seu Mac. — Você viajou com FireNine antes, estou correto? — Sim. — Eu sussurrei. — E você quer viajar com eles novamente... Permanentemente, certo? — Sim, mas como você sabia disso? Eu só disse... — Kelsey. Droga, Kelsey! — Bem, estou dando a oportunidade a você agora. Você terá de viajar a qualquer um e em todos os lugares com FireNine e em troca, você irá criar a arte-final e gráficos para a banda e AG. Tudo o que você gostaria de criar, vamos ter a certeza de vender para as pessoas certas. E quando não estiverem em turnê, você pode vir aqui e trabalhar. Meu queixo caiu literalmente. — Sério, Frank? Você faria isso por mim? — FireNine é o mais popular cliente da Artes Global. Temos de ter a certeza que eles estão felizes com a gente a todo custo. A única coisa que estava impedindo-os de estarem cem por cento satisfeitos com a gente... Era mantê-la aqui. Franzi a testa. — O que você quer dizer? — Sr. Grendel negociou duramente. Mas eu disse a ele que você é uma das minhas melhores empregadas. Sua arte-final é surpreendente, e nós precisamos disso. Precisamos de alguém que se esforça para a perfeição, e essa é você. Eu queria mantê-la aqui diariamente, mas ele quer você com ele. Então eu pensei que podíamos resolver as coisas então ambos teríamos algo disso. — Ele dobrou os dedos em cima da sua mesa. — Eu disse-lhe que havia empregos 234


itinerantes. Você poderia viajar com ele, enquanto continuaria trabalhando para nós... Onde quer que esteja. E contanto que você venha aqui após as turnês. Você pode nos enviar sempre o que criar, enquanto estiver na estrada — qualquer que seja. Há maneiras. Desde que você tem um bebê a caminho, bem, nós pensamos em deixar você sair mais cedo, antes do tempo devido. Nós sabemos há uma turnê chegando. Uau. Eu não podia acreditar. Eu queria bater em Frank por brincar comigo, mas também abraçá-lo extremamente duro. Viajar com FireNine e criar a arte-final era um privilégio que poucos poderiam ter. Porém, ele estava me dando isso... Permanentemente. Não podia agradecer-lhe. Desde que descobri que estava grávida... Sabia que eu tinha que ir com calma. Eu queria o melhor para o meu bebê, não importa o quê. Eu queria que Gage fosse capaz de testemunhar o primeiro chute e talvez meu lado mal-humorado de vez em quando, só para assustá-lo um pouco. — Frank, uau. Obrigada! — Não me agradeça. Agradeça ao vocalista. — Ele piscou e ficou aos seus pés. Pisando em torno de sua mesa, ele começou a abrir a porta. — Agora, se despache e encontre Kelsey. Vamos ajudar. Eles estarão aqui em breve. Podemos fazer toda a papelada amanhã. Eu assenti com a cabeça... E corri para fora da porta, abraçando Frank ao longo do caminho. — Obrigada, Frank. Isso realmente significa muito para mim. — Eu sei, senhorita Smith.

Eu disse a Kelsey a notícia enquanto montávamos as cadeiras, e isso não nos levou muito tempo. Minha excitação pode ter sido a causa disso. Eu realmente não podia acreditar. Tinha tentado resolver algo com Frank por um tempo, e ele sempre me dizia que falaria comigo. Ele não queria perder um dos seus melhores funcionários, mas fiquei contente que estava me dando essa liberdade. Eu poderia pintar, desenhar e tirar fotos, sempre que quisesse. Não teria que ir com uma agenda ou acordar às sete da manhã e vomitar por todo o lado mais. Eu estava em êxtase com o meu futuro. A sala se encheu rapidamente. Havia mais funcionários trabalhando para o departamento do FireNine do que eu pensava. Kelsey e eu decidimos ficar com a multidão. Nós nos sentamos na primeira fila, ansiosas como alunas vendo sua paixão pela primeira vez cada dia. Pelo o que vi, ela e Roy estavam indo muito bem. E em algum momento durante os últimos seis meses Roy tinha se aberto para ela. 235


Ela não me disse, mas eu posso respeitar isso. O negócio dele não era meu. Não tinha o direito de ser intrometida, mas fiquei curiosa. Os rapazes finalmente entraram no palco e a multidão ficou selvagem com eles. Eles não eram tão selvagens como as multidões do FireNine normais, mas estavam próximos disso. Não acho que qualquer um poderia bater os fãs reais — aqueles que assistiam cada único show e certificavam-se de gritar até que sua voz ficasse rouca. Gage chegou ao microfone com Montana e Roy amarrados em suas guitarras e Deed pulou na bateria. — Boa noite! — Gage gritou no microfone. A multidão gritou e gritou novamente. — Espere... Realmente não ouvi vocês. — Disse Gage, virando a cabeça um pouco e colocando uma mão em volta da sua orelha. — Eu disse, BOA NOITE! A multidão gritou ainda mais alto, especialmente as meninas. Dei uma risadinha quando ele deu uma olhada ao redor, sorrindo e piscando para algumas pessoas, as meninas mais provavelmente, mas eu tinha certeza que era tudo para o show. — Está muito melhor! Certo... — Ele disse, pegando a guitarra preta e azul ao lado dele e a prendendo nele. Estudei a guitarra e quando a reconheci, eu sorri. Era a guitarra que ele usou quando ele cantou "Single Doves" para mim no Times Square. — Hoje, estamos fazendo as coisas um pouco diferentes. Eu tenho essa música em que tenho trabalhado e preciso da aprovação de vocês. Agora, é fácil. Vocês não tem que escrever merda ou pensar nisso, só grite se você gostar, e vaie se você odiá-la. Entenderam? — Ele deu um sorriso encantador, balançando a cabeça com os gritos. Deed, em seguida, fez uma contagem regressiva, Montana e Roy rasgaram em suas guitarras e com isso, a multidão foi à loucura. Ele nem tinha começado a cantar ainda, mas eles estavam loucos. Apoiando-se nisso, Gage dedilhou sua guitarra e cantou no microfone. E enquanto ele tocava, meu coração bombeava mais rápido. Ele sorriu divertidamente, vibrando de novo e de novo até que finalmente lançou sua guitarra e agarrou o microfone. Colocou em concha, com ambas as mãos e cantou para isso.

Já passamos por tudo. Não vou embora, não mais. Já nos machucamos e tudo, 236


Mas não vou embora, não mais.

Esta é minha declaração, Estou aqui para ficar. Este meu coração, Estou aqui para ficar.

Doce Ellie... Eu te amo. Case comigo hoje. Doce Ellie... Eu te amo. Case comigo, baaabe.

Kelsey ofegou ao meu lado e agarrou meu braço, mas engasgou com força, sem palavras. Foi por isso que Frank me pediu para ajudar — porque Gage queria que eu estivesse aqui. Ele estava me pedindo... Para casar com ele. Frank sabia. — Onde está minha menina? — Gage perguntou quando os meninos continuaram tocando. Ele deu uma varredura rápida e assim que encontrou meus olhos, pisou longe do microfone e ficou na minha frente. Gesticulando para que eu fosse para ele, ele sorriu o sorriso de menino, revelando todos os dentes, e Kelsey me empurrou para cima. — Se levanta, louca! — Ela gritou. Eu estava quase congelada, mas seu sorriso quente me derreteu. Gage segurou a minha mão e eu a peguei, marcada com nada além de temor quando subimos as escadas. Segurei minhas lágrimas enquanto ele me levava para o centro do palco. — Eu vou fazer algo que nunca pensei que faria. — Ele disse para o microfone. Eu olhei para trás e Roy e Montana estavam sorrindo para mim, ainda tocando suas guitarras. Deed piscou para mim e eu sorri, permitindo que as lágrimas caíssem. Gage pegou o microfone do pedestal, curvou para baixo em um joelho e a multidão gritou como o inferno. Ele manteve uma mão minha segura com sua mão livre e a beijou enquanto me olhava através de seus cílios. — Eliza Smith... — Ele disse para o microfone. Eu estava com a minha mão livre em concha sobre a minha boca. Tive que lutar contra as lágrimas, mas vê-lo assim, sabendo tudo o que passamos e 237


chegamos a este ponto na vida, estava me deixando tão emocional. — Minha Doce Ellie. — Ele riu. — Vá em frente! Meus dedos doem! — Montana gritou. Gage mostrou-lhe o dedo e Montana riu. — Eliza, eu nunca na minha vida me senti assim por ninguém. Não há um momento em que não penso em você. Você é bonita por dentro e por fora e mesmo que eu seja provavelmente difícil de lidar, às vezes, eu sei por grosso e fino, que você sempre estará aqui para mim. E eu sempre estarei aqui para você. Você e meu filho. — Ele esfregou minha barriga, sorrindo. — Ellie, não importa o que passamos, eu quero ter a certeza de que estará ao meu lado em todos os momentos. Eu quero ter a certeza de que quando sentir como se estivesse no meu último membro, você vai ser minha coluna vertebral. A muleta. Já esteve aqui para mim desde o primeiro dia. Você conhece o meu eu verdadeiro. Eu morreria por você, lutaria por você. Faço qualquer coisa contanto que possa mantê-la em minha vida. Enquanto eu tiver seu amor, seu coração e minha família, estou bem. Eu não preciso de mais nada. — Ele chegou no bolso, tirou uma caixa de joias preta e abriu, revelando um enorme diamante em um anel de ouro. — Eliza Smith, vai me fazer o idiota mais feliz na terra agora e se casar comigo? Eu ofeguei quando ele tirou o anel e o deslizou no meu dedo anelar. As lágrimas estavam me cegando sem dúvida, mas não me importei. — Sim! Quando eu disse que sim, a multidão gritou. Gage ficou de pé e esmagou os meus lábios com os dele, travando seus dedos com os meus. Ele sorriu um pouco por trás do beijo, abraçando-me, certificando-se de que o espaço não estava entre nós. E neste momento, percebi que nada nos quebraria. Nada poderia nos separar. Nós trabalhamos duro para chegar onde queríamos estar. Nós lutamos por nossa felicidade, e no final nós ganhamos. Dizem que a vida está longe de ser fácil, e acredito em cada palavra disso. Merda nenhuma vai ser entregue a nós — nunca será. Você tem que trabalhar para isso. Lutar por isso. Persegui-lo. Gage e eu éramos a prova viva de que, enquanto estivermos presos ao lado um do outro, nossa ligação seria inquebrável, nossa felicidade completa. Nós não terminamos — nem perto. Sabíamos que haveria mais obstáculos no caminho. Sabíamos que haveria mais armadilhas, mais demônios, mais rumores... Porém, a coisa é que nós não nos importávamos. Sabíamos onde ficaríamos um com o outro. Sabíamos

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que teríamos que colocar nossa confiança um no outro, porque com confiança teríamos um longo caminho. Nós éramos duas pessoas diferentes, com duas vidas diferentes, mas de alguma forma levamos nossas vidas e as fizemos uma só. Eu aprendi que o nosso passado e nossas dificuldades são o que nos torna quem somos. Nossa mágoa, sofrimento e dor... Gage e eu teríamos um longo caminho a percorrer, mas agora, enquanto estávamos no palco, compartilhando um abraço que sabíamos que iria acontecer de novo e de novo, eu não poderia pedir nada melhor. Estávamos finalmente completos.

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GAGE ste era o grande dia, e eu senti como se fosse vomitar por todo o maldito chão, talvez por todo o terno de Roy se eu pudesse, só para fazê-lo calar a boca. — Só esfrie. — Disse Roy. — Você está bem. Ela está bem. Eu queria concordar, mas Roy não sabia nada sobre casamento. Ele sempre jurou que tudo ficaria bem. Eu admito, ele podia me acalmar às vezes, mas não desta vez, porque ele não tinha experiência alguma neste departamento da vida. Não era comigo que eu estava preocupado. Era com a minha noiva. Ela tinha acabado de dar a luz ao meu filho, um pouco menos de três meses antes e eu estava com medo que ela não estivesse pronta para isso, que talvez ela estivesse deprimida por tudo. Kris me alertou sobre uma menina se abater. Ela me avisou de toda a responsabilidade e noites sem dormir... Porém, eu não me importava isso. Eu conhecia Eliza. Eu sabia que ela fingiu ser forte na hora errada. — Eliza parece muito bem. — Disse Roy, verificando o relógio. — Kelsey disse que está mais animada do que qualquer coisa. — Você acha que eu corri com isso para cima dela? — Eu perguntei, ajustando a gravata no espelho e dando-lhe um olhar de soslaio. Roy balançou a cabeça e deu um passo para frente, empurrando a minha mão. — Não. E pare de ferrar com o nó! Fiz uma careta para ele, assim que Montana irrompeu pela porta. — Tudo bem, seu merda! Preparem-se. É sua hora de brilhar! — Montana usava um terno branco apertado com um colete de seda azulceleste, assim como o resto de nós. Azul e branco foram as cores que Ellie escolheu. Azul era a minha favorita, mas eu teria preferido preto sobre o branco em qualquer dia. 240


— Merda. — Eu assobiei, passei olhando Montana e saí pela porta. Eu podia ver as pessoas esperando. Estávamos no Havaí. Era lindo, com o sol alto no céu, brilhando sobre nós, e com o oceano a apenas alguns metros de distância. Eu não queria essa merda. Eu prefiro muito mais o tradicional, com uma igreja e tudo mais, mas é o que a minha Doce Ellie queria e eu prometi torná-lo o melhor dia de sua vida. Estávamos na varanda da mansão à beira-mar que Ben alugou para nós. Roy me empurrou para fora da porta, deixando-me sem tempo para me preparar. Enquanto eu caminhava pelo corredor e saí pela porta traseira, todos os olhos se voltaram para mim, e engoli o tijolo na minha garganta. Merda, eu desejava que Kris estivesse aqui. Ela teria acalmado muito meus nervos. Eu não poderia ver Ellie, até que ela estivesse andando pelo corredor, então agora tudo o que eu tinha era eu. Eu tinha que fazer. Eu estava nervoso como o inferno, mas estava fazendo isso por ela. Porque eu a amava e meu amor era mais forte do que um maço de nervos. Eu andei pelo corredor com Roy, Montana, e Deed seguindo atrás de mim. O órgão tocou e eu dei uma olhada em volta lentamente, vendo a namorada de Deed, Frank com sua noiva Monica, o namorado de Ben, Leo, Mr. Blinds, que me fez estremecer, e, claro, Kelsey segurando nosso bebezinho, Dalton Christopher Grendel. Cal Avery estava lá, e eu queria dar um soco em sua cara maldita, mas joguei limpo. Fomos informados que Cal não publicou o artigo para Penelope sobre Kris, que ele achou que era errado, então eu deixei isso ir... Um pouco. Algum outro imbecil fez isso para ela. Cal não tinha parte nisso. Ele ainda nos ferrou, na primeira vez, no entanto. Eliza achava que era melhor convidá-lo e ele jurou que lamentou a forma como as coisas correram. Eu aprovei que ele participasse, mas jurei que se ele tentasse qualquer coisa estúpida como essa novamente, agarraria seu pescoço. Eu até o ameacei na minha despedida de solteiro. Ele não levou isso calmamente. Havia alguns outros rostos familiares - pessoas que eu realmente não conhecia pessoalmente, mas sabia que trabalhavam para a banda, isso era tudo. Foi uma espessa multidão, mas não tão grande como em um casamento normal. Ela queria que fosse um tipo pequeno e simples. Ela sempre gostava das coisas simples. Cheguei à frente, onde o sacerdote estava em pé e me virei. Meu pai estava sentado na fila da frente, sorrindo com orgulho. Eu realmente não queria que o filho da puta estivesse aqui, mas ele era o meu pai e toda a família que me restava. Eu acho que isso só estava 241


certo... E minha mãe e Kris teriam gostado de que ele fosse uma testemunha. Ele estava tentando. Isso é o que importava, eu suponho. Finalmente, a porta traseira foi aberta, e só quando pensei que o meu coração não poderia bater mais rápido, lá estava ela. Ela estava toda de branco, juntamente com um véu de renda clássico. Ela estava sorrindo por trás dele. Maldição, ela tinha um belo sorriso. Toda bela. Ela carregava um buquê de flores brancas e azuis e, quando começou a descer pelo corredor com Ben ao seu lado, todo mundo se levantou e sorriu como idiotas. Câmeras saíram piscando enquanto minha Ellie desceu o corredor e os órgãos e harpas tocaram. Ela era como uma princesa caminhando. Perfeita. Linda. Deslumbrante. Ela finalmente se encontrou na minha frente e Ben sorriu para mim, permitindo que algumas lágrimas escapassem dele. Ele a beijou no rosto e, em seguida, entregou-a para mim. Eu peguei a mão dela, puxando-a ao meu lado. — Tome cuidado com a minha menina. — Ben sussurrou, fungando. — Eu vou sempre. — Eu sussurrei de volta. Ele se virou, tendo um assento na primeira fila com Leo. O padre virou Eliza e eu de cara um do outro e de mãos dadas. Eu levantei o véu, revelando seu rosto angelical. Ela estava deslumbrante, como sempre. Desde o primeiro dia, eu sabia que iria fazê-la minha de alguma forma. Eu não sei como, mas sabia. Havia algo sobre essa garota... Eu podia ver sua dor. Podia lê-la como um livro. Ela era inocente e eu sabia que não podia prejudicá-la. Eu jurei que iria esquecê-la e deixá-la sozinha quando ela veio pela primeira vez em turnê, mas acho que estraguei tudo dando-lhe um apelido. Desde aquela primeira noite, os olhos azul-celeste bloqueados com os meus, eu não conseguia parar de pensar nela. Não passava um dia que não pensasse nela. Eu a queria, mas sabia que um cara como eu não a merecia. Isso ainda me surpreende que eu realmente a tinha em minha vida depois de toda a merda estúpida que fiz e tudo o que tinha passado. Quando o padre falou e recitou os votos, eu não podia deixar de olhar em seus olhos. Eu não podia acreditar. Eu estava realmente passando por algo permanente. Isso era algo que eu nunca pensei que iria acontecer, mas não poderia ter pedido nada melhor. Todo mundo que eu amava estava aqui, fisicamente e espiritualmente. Mamãe e Kristina estavam provavelmente olhando para mim, ou melhor ainda, de pé ao meu lado, torcendo pelo futuro. Eu acho que nunca pediria para que uma mulher fosse minha esposa, mas com Ellie, eu vi isso vindo há um quilômetro de distância. 242


Esta menina era o meu mundo. Meu coração. A porra do meu tudo. Eu daria tudo por ela. Eu jurei que nunca a machucaria de novo, nunca quebraria seu coração. Eu jurei que estaria lá, não só para ela, mas também para o meu filho que eu amava mais do que pensei que pudesse amar qualquer coisa ou pessoa na Terra. Ela e Dalton eram minha família, tanto quanto a minha banda era. Nenhuma mulher poderia entrar no meu coração como ela podia. Nenhuma mulher poderia me fazer sorrir, me confortar, ou estar lá para mim como ela poderia. Ela lutou comigo. Ela lutou por mim. Enquanto o padre se levantava e me perguntava se eu honrava essa mulher, a confortaria e ficaria com ela na doença e saúde, até que a morte nos separasse, eu olhei diretamente nos olhos dela e disse: — Sim. — Porque eu seriamente faria, porra. Eu jurei que não iria a lugar nenhum, que eu não iria estragar de novo, e quando olhei profundamente em seus olhos gentis, sabia que ela não iria a lugar nenhum também. Fizemos uma promessa e eu estava mantendo a minha. Eu estive no inferno e de volta com Ellie. Nós passamos por muita merda dura, mas tudo levou a isso. Para nos tornarmos um. Para nós ficarmos juntos, não importa o quê. Para estarmos juntos... Para sempre e sempre. Com esta incrível e bela garota na minha vida, com seu sorriso iluminando os meus dias, seu coração bondoso me fazendo sentir nada além de bem, e seu corpo que eu sabia que nunca seria capaz de obter o suficiente, eu não poderia ter pedido nada melhor na vida. Ela era tudo que eu precisava. Ela era a minha Eliza Grendel

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Algumas histórias não são fáceis de contar. Algumas situações não são fáceis de reviver. Mas fui criado para ser forte, para me mater sozinho. Por causa disso, eu estava machucado, derrubado, espancado e até mesmo tive meu coração arrancado direito para fora do meu peito. Mas eu estou pronto agora. É hora de falar. Você quer saber o que realmente se passa dentro da minha cabeça, bem, eu estou bem aqui. Real. Bruro. Intenso. Isso é tudo que eu sou. Roy Sykes. Esta é a minha história, e confie em mim ... está longe de ser bonita.

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TRADUTORAS

REVISORAS

FORMATADORA

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Shanora williams [firenine 02] who we are