Page 1

Apresenta��o

Amor. A gente passa a vida toda querendo sofrer de amor e quando estamos apaixonados desejamos que nunca acabe. Tudo se torna melhor, voc� emagrece porque n�o come mais e fica o dia inteiro pensando na pessoa amada. Aquela lasanha vira p� quando voc� relembra o beijo com o carinha por quem voc� sup�e estar apaixonada. Pois �, eu j� sofri de amor v�rias vezes, mas houve uma �poca em que aconteceu tudo ao contr�rio. � como se fosse uma hist�ria de amor invertida. Como tudo na minha vida � muito bizarro e as coisas sem nexo realmente acontecem, resolvi contar a minha hist�ria. Eu me chamo Gabriela, sou morena, tenho 1 metro e 66 cent�metros, e o peso, prefiro n�o comentar. S� posso dizer que estou na m�dia das garotas da minha idade. Hoje tenho 22 anos, mas na �poca em que se passou esta hist�ria eu estava com 15, usava aparelho nos dentes e tinha um corpinho muito avan�ado para a minha idade. A minha irm� at� me deu o apelido de pera por causa do meu bumbum avantajado, do culote acentuado e da cinturinha fina.

Garota Apaixonada em Apuros


Carolina Estrella


Era uma tarde de inverno em Niter�i e eu estava no intervalo das aulas do primeiro ano do ensino m�dio com Talita, uma amiga, lanchando no canteiro perto da portaria da escola. Eu estava bastante feliz, pois Talita era de uma s�rie acima da minha, ent�o eu conhecia muita gente mais velha, e isso me trazia vantagens nas festinhas e na popularidade. Sempre fui muito simp�tica, n�o vou negar, falava com todos os grupinhos, seja dos nerds, seja dos grunges (ainda n�o existia "emo", sen�o eu estava l� tamb�m). Eu estava contando a Talita sobre os passos de dan�a que tinha aprendido na aula de lambaer�bica, que faz�amos juntas, quando um amigo dela do segundo ano veio correndo, como uma gazela, abra��-la. Eu me assustei, porque em um momento voc� est� dan�ando e em outro tem um animal estranho, magrelo, Garota Apaixonada em Apuros


loiro com barba nascendo e, ainda por cima, com nome de Nelson, pulando a seu lado. Por ironia do destino foi exatamente por ele que me apaixonei. Quando eles sa�ram, falei para Talita que ele era bonitinho, interessante, nada de mais. Havia algo nele que me chamou aten��o, mas no momento eu n�o sabia dizer o que era. Mais tarde descobri o que me chamou aten��o nele: o olhar. Porque atrav�s do olhar eu pude perceber muitas coisas que ele tentava esconder de mim.

Quando acabou a aula, fui direto para o ponto de �nibus com Talita. A essa altura, Tha�s, minha melhor amiga, tamb�m j� sabendo da situa��o, contou para as outras meninas do nosso grupinho � L�via e Carol � e Gustavo, meu melhor amigo, que estava rolando um clima entre mim e Nelson. A fofoca corria r�pido nos corredores do col�gio. Contei a todos, e a expectativa para conhecer o tal sujeito foi grande, mas isso s� iria acontecer no dia seguinte, no �nibus em que Nelson e Talita costumavam pegar para retornar a Pendotiba. Ali�s, eu e Tha�s tamb�m sempre peg�vamos o mesmo �nibus, mas nunca encontr�vamos Nelson porque nossas aulas terminavam mais cedo que as dele. No dia seguinte, eu e Talita combinamos de tomar o mesmo �nibus que eles, o das 12h45. E l� fui eu, toda arrumada, com a Carolina Estrella


minha sand�lia cor-de-rosa preferida me encontrar com Talita na hora marcada. Nelson estava l�, mas n�o nos falamos at� sentarmos juntos, pr�ximo ao trocador, e Talita fazer as apresenta��es. � Gabi, este � Nelson. Nelson, esta � Gabi. Nelson respondeu meio encabulado. � Ah, oi. Tudo bem, mo�a? Zzzzz. Alguns segundos depois: � Oi, Nelson � respondi, bastante envergonhada. E n�o conseguimos falar mais nada at� eu chegar em casa. Nelson tinha v�rios amigos, mas somente tr�s eram seus fi�is escudeiros: Pedro, Julio e Lucas. Pedro achou estranho algu�m se interessar por Nelson, que ele considerava o mascote do grupo, mas ficou empolgado e deu at� certo apoio. Julio inventou apelidos horrorosos para mim, que nem cabem nesta p�gina. E Lucas foi o pior conselheiro poss�vel. Vejam s� o que o menino costumava falar para Nelson: � Ah, n�o acredito que voc� vai ficar com ela, Nelson. Ela � mais nova do que voc� e ainda usa aparelho. E Nelson sempre respondia: � N�o, nem sei quem ela � e nem estou a fim dela.

Como se isso fosse verdade...

O que os amigos de Nelson n�o sabiam era que ele, havia muito tempo, tinha uma paix�o secreta por mim e, por isso, ligava todos os dias para Talita para falar sobre mim, com muita admira��o e carinho. Foi por esse motivo que minha amiga resolveu nos Garota Apaixonada em Apuros


apresentar de uma vez por todas e fazer com que Nelson perdesse a vergonha de me conhecer. Mas, mesmo assim, ele tentou dar um jeito de os meninos n�o ficarem sabendo.

Bilhetinho de Nelson para Talita:

"Talita, Gabi � muito bonita e inteligente, mas ela n�o pode saber que estou a fim dela, sen�o os meninos v�o me zoar muito. Arruma um jeito da gente ficar a s�s. Tenho uma ideia: voc�s podem combinar de lanchar no canteiro logo na entrada da escola, assim finjo que estou indo na diretoria e passo por l�. Faz isso por mim amiga!?"

Bilhetinho de Talita para Nelson: "Nelson, o que eu n�o fa�o pela sua amizade, hein!? Tudo bem, ent�o vamos marcar amanh� mesmo. Seja pontual e n�o fique nervoso. Beijos."

Esse foi o jeito que Nelson encontrou para me conhecer. O impressionante � que Talita escondeu t�o bem, que s� fui descobrir isso bem mais tarde, quando encontrei os bilhetes no quarto dela. Por isso achei estranho o modo como Nelson saiu correndo pelo p�tio at� a portaria. Na verdade, nunca engoli aquela hist�ria de ir pagar a mensalidade na diretoria.

Carolina Estrella


J� que Nelson era muito t�mido, resolvi agir por conta pr�pria. Estava aberta a temporada de ca�a � gazela. Eu j� havia

lido muitos livros sobre adolescentes e revistas teens e sabia como conquistar um garoto. Pelo menos levava jeito. Eu n�o era BV (Boca Virgem). Havia namorado duas vezes antes e sempre me sa� muito bem nas paqueras. Mas dessa vez eu estava totalmente desarmada, n�o sabia o que fazer. Talita me falava o tempo todo que Nelson estava caidinho por mim, mas tinha vergonha de ficar comigo. Teve um dia em que Talita at� tentou armar tudo, mas n�o fui bem-sucedida na miss�o. � Sabe como �, Gabi!? O menino � encabulado e muito t�mido. N�o beija ningu�m em p�blico. Voc� tem de ter calma � pediu Talita. � Mas, Talita. Eu tenho paci�ncia. � que n�o costumo dar o primeiro beijo. Sou orgulhosa! � bati duas vezes no peito. Garota Apaixonada em Apuros


� Bom, faz o seguinte: vou colocar voc�s pra sentarem juntos no �nibus hoje, e a� voc� desenvolve o resto. � Tudo bem � respondi pensativa. No entanto, n�o consegui pegar o �nibus naquele dia porque fiquei at� mais tarde na escola, ajudando a professora de portugu�s com o projeto da Feira do Livro, e perdi a oportunidade de ficar com ele. Depois desse dia, o tempo foi se passando, e nada aconteceu. Foi quando, em uma determinada tarde, o telefone tocou e minha m�e me chamou, dizendo que tinha um menino querendo falar comigo. Pensei logo em Gustavo. Por�m, para minha surpresa, era Nelson. Ficamos horas conversando sobre novelas, pe�as, filmes, tudo. Como se f�ssemos os melhores amigos. Foi maravilhoso. E, por mais surpreendente que pare�a, ele me ligava todos os dias. Falava durante duas horas no telefone, mas n�o me dirigia a palavra no col�gio e fugia de mim o tempo todo. Eu n�o conseguia entender essa atitude e me sentia um lixo, de vez em quando. Mas como a esperan�a � a �ltima que morre, em um dos telefonemas combinamos voltar de �nibus juntos para casa e tentar um certo contato f�sico. Pelo menos era um encontro. Afinal, quantas pessoas n�o descobrem seus amores em lugares estranhos? O �nibus iria se tornar o lugar mais rom�ntico do mundo para mim, custasse o que custasse. Nesse dia, eu me arrumei toda. Coloquei meu t�nis mais bonito, passei perfume e fui para o col�gio. Foram quatro horas intermin�veis de aula. Combinei com Talita para n�o pegarmos o mesmo �nibus, porque queria ficar sozinha com Nelson. Ningu�m Carolina Estrella


poderia tirar a aten��o dele hoje, pois finalmente a gazela estava entrando na minha mira. Depois da aula, encontrei Nelson no ponto. Ent�o entramos no �nibus, sentamos atr�s do trocador (� lugarzinho ruim!) e ficamos conversando durante toda a viagem. Ele n�o tomou nenhuma atitude, o m�ximo que fez foi passar o bra�o por tr�s da minha cabe�a e dar um beijo na bochecha.

Ah, na trave n�o vale, n�?!

No final, quando j� est�vamos chegando perto da minha casa, resolvi dar o primeiro passo. Mas n�o tinha tanta coragem assim; ent�o perguntei: � Posso te dar um beijo? Ele respondeu, todo encabulado: � Pode. E eu o beijei, de l�ngua, tr�s vezes antes de apertar o sinal e descer. J� estava satisfeita, pois havia conseguido o que queria. Eu era a garota mais feliz do mundo!

Cheguei em casa e fui correndo contar para Talita tudo que tinha acontecido nos m�nimos detalhes. Mas, para minha surpresa, eu estava atrasada, ele j� havia ligado para ela e falado sobre o beijo. Fiquei radiante com a not�cia e, logo depois de falar com Talita, ele Garota Apaixonada em Apuros


me ligou, mas n�o tocou no assunto do beijo. Ent�o ficamos rindo e comentando sobre o pessoal l� da escola, feito crian�as inocentes, um com vergonha do outro... Eu estava entusiasmada. Tinha certeza de que havia conquistado Nelson e me sentia cada vez mais apaixonada por ele. At� combinamos de enviar postais um para o outro de todos os lugares para onde viaj�ssemos. Isto seria uma forma de demonstrar que, em qualquer lugar em que estiv�ssemos, lembrar�amos um do outro. Ai, no come�o, � tudo t�o rom�ntico...

Carolina Estrella


Garota apaixonada em apuros -Primeiro capítulo  

Primeiro capítulo do livro Garota apaixonada em apuros de Carolina Estrella

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you