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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Arquitetura e Urbanismo Noturno TAU030 – Materiais e Construção 1

Carolina Guedes Ribeiro

Edifício BH –TEC Parque Tecnológico de Belo Horizonte

Belo Horizonte Outubro de 2013

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Arquitetura e Urbanismo Noturno TAU030 – Materiais e Construção 1

Carolina Guedes Ribeiro

Edifício BH –TEC Parque Tecnológico de Belo Horizonte Trabalho exigido pela disciplina TAU030, Como parte da avaliação referente ao Semestre 02/2013. Orientador: Prof. Ricardo S. Resende

BeloHorizonte Outubro de 2013 2


SUMÁRIO

1. Introdução .............................................................................................4

2. Edicífio BH-TEC: Projeto................................................ ......................5 3. Edicífio BH-TEC: Tipologia....................................................................8

4. Edicífio BH-TEC: Sistema Construtivo.................................................11

5. Material Utilizado: Origem....................................................................14 6. Material Utilizado: Componentes e processo de fabricação................15

7. Materia Utilizado : Propriedades..........................................................17 8. Material Utilizado: Aplicação................................................................19 9. Material Utilizado: Ensaios Tecnologicos.............................................21 10. Material Utilizado: Adequação ao projeto……………………………....24 11. Material Utilizado: Análise………………………………………….……26 12. Material Utilizado: Patologias……………………………………………29 13. Características Arquitetônicas e características do material…………30

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INTRODUÇÃO

O seguinte trabalho tem como objetivo sintetizar informações a respeito do projeto do Edifício BH-TEC, criado pelos arquitetos Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel, em 2006 e concluido em 2012, analisando seu partido arquitetônico e caracterizando seu sistema construtivo.

Além disso, o trabalho também visa avaliar de forma crítica o

principal material ultilizado no projeto: o aço, destacando suas caracteristicas fisicas/químicas, sua aplicação ao projeto, suas patologias e vários outros aspectos.

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EDIFÍCIO BH-TEC: PROJETO

O edifício em questão faz parte do novo Parque Tecnológico de Belo Horizonte – BH-TEC – que é uma associação, de caráter científico, tecnológico, educacional e cultural, sem fins lucrativos, sediada em Belo Horizonte. O parque foi criado em 2005 pelas instituições: Universidade Federal de Minas Gerais, Governo do Estado de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais – SEBRAE-MG e Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG. Trata-se de um condomínio que irá abrigar atividades de pesquisa e desenvolvimento voltadas para acelerar as atividades de inovação tecnológica nas empresas, ou seja, o BH-TEC irá estreitar os laços da universidade e centros de pesquisa com o setor produtivo empresarial, através do desenvolvimento de um sistema local de inovação, institucionalizando a articulação entre a pesquisa da universidade e as atividades de desenvolvimento de produtos e processos nas empresas de base tecnológica, buscando inovações e gerando benefícios para a sociedade. O conjunto, situado ao lado da Universidade Federal de Minas Gerais, Campus Pampulha, irá abrigar um total de cinco edifícios e uma praça de convivência, formando um complexo de 207 mil metros quadrados de área construída. A implantação será realizada em etapas e o investimento total é estimado em R$ 465 milhões.

Área reservada para o parque técnológico de Belo Horizonte.

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O edifício retratado no trabalho é o primeiro a ser construido no parque, foi projetado pelos arquitetos Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel, em 2006 , sua construção teve início em 2008 e terminou em 2012. Ele abrigará o setor de Tecnologia da Informação (TI) dentro do complexo, e sua importância para o empreendimento se deu pela necessidade de constituir através deste prédio, um caráter exemplar para todo o conjunto edificado que virá a ser construido no espaço.

Foto do edifício de TI do BH-TEC

O projeto foi baseado em quatro principais premissas: Os Parâmetros construtivos exemplares, voltados para a construção limpa, a priorização do uso de materiais com alta capacidade de desmonte e reutilização, mecanismos para atenuação da radiação solar entre outros; A acessibilidade universal e ambiental para pessoas portadoras de necessidades especiais; As múltiplas possibilidades de ocupação, permitindo adaptações por parte das empresas ocupantes, em função do caráter de rotatividade do uso do prédio; E os espaços de convivência abertos e integrados à paisagem (natural e edificada).

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Ele conta com uma área construida de 7.553 m² e é formado por cinco andares de garagem , um térreo, com restaurantes, cafeterias, farmácia, gráfica e outros serviços para facilitar o cotidiano dos profissionais das empresas, e outros quatro andares voltados para salas de reunião, escritórios, audotórios, entre outras atividades

. Perspectiva externa do edifício.

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EDIFÍCIO BH-TEC: TIPOLOGIA

A implantação do edifício foi concebida a partir de um planejamento global para a toda a área destinada à ocupação dos edifícios institucionais do parque, se pensando em um crescimento em etapas planejado ao longo do tempo, facilitando o escalonamento de prazos e recursos para futuras expansões.

Planta de implantação do edifício: As linhas tracejadas mostram a futura expanção já planejada.

Modelo 3D do edifício, já com a expanção proposta.

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Outra caracteristica marcante do projeto, sintetizada em suas premissas, é a abordágem arquitetônica ambientalmente eficiente, sustentável e acessível. Para tal, a edificação prioriza estratégias para minimizar o consumo de recursos energéticos, ultilizando de fachadas cegas nas orientações menos favoráveis, entre outros recursos que serão abordados mais a frente no trabalho, além disso, a definição e caracterização de espaços públicos abertos e integrados à paisagem natural e edificada do parque nos dois acessos ao edifício, reforça a premissa do Plano Diretor do Parque Tecnológico de potencializar os recursos e situações geográficas e ambientais existentes, criando aberturas visuais amplas nas áreas de permanência prolongada para as áreas de preservação ambiental. O projeto também

privilegia a

acessibilidade universal e ambiental em todas as áreas do edifício, com rampas de acesso e elevadores ao longo de toda a construção, garantindo assim o trânsito livre e uso facilitado por todas as suas dependências a partir de qualquer um de seus acessos para as pessoas portadoras de necessidades especiais, de acordo com a ABNT-NBR 9050. A criação de condições que permitam múltiplas possibilidades de ocupação do edifício em função das mais diversas situações que possam vir a acontecer ao longo de sua vida útil, é também uma das premissas do projeto. Com isso, os pavimentos tipos foram projetados com o máximo de liberdade possibilidado pela estrutura metálica, que permite grandes vãos livres, tornando o prédio capaz de sofrer alterações internas com o mínimo de transtorno para os seus usuários e sem comprometer sua integridade estrutural.

Modelagem 3D do edifício, perspectiva interna do primeiro pavimento retratando os grandes espaços livres.

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Planta do pavimento típo, mostrando os grandes vãos e espaços livres possibilitados pela estrutura metálica, gerando várias formas de ocupação e possíveis expanções.

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EDIFÍCIO BH-TEC: SISTEMA CONSTRUTIVO

A abordagem arquitetônica ambientalmente eficiente e sustentável só foi possível devido ao sistema construtivo industrializado utilizado em quase toda a estrutura da obra, com exceção do subsolo e dos andares destinados a estacionamento, que possui sua estrutura em concreto armado, devido a necessidade de nivelamento do terreno. O uso de grandes peças pré-moldadas de aço no sistema estrutural garantiu racionalidade construtiva, rapidez de montagem (uma vêz que a obra demorou apenas 2 anos para ser concluida) e de desmontágem, criação de grandes vãos, possibilidade de reaproveitamento do material estrutural, além da redução dos desperdícios e limpeza no canteiro de obras, minimizando assim os impactos na vegetação local, pois grande parte do parque está situado em uma área de preservação ambiental. O sistema de construção a seco ultilizado no edifício contou com peças estruturais de aço patinável (aço corten), além de ultilizar-lo também em grande parte da vedação do prédio.

Parde ta estrutura feita em concreto armado.

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Inicio da etapa de construção ultilizando peças industrializadas.

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Etapas finais da construção, já aparecendo o sistema de vedação em aço corten.

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MATERIAL ULTILIZADO: ORIGEM

O principal material utilizado no edifício é um tipo de aço chamado Aço Patinável ou Aço Cor-Ten (também conhecido pelas marcas Cosacor ou Niocor), foi aplicado tanto em sua estrutura ( agumas vezes aparente) quanto em sua vedação externa e interna. Sabe-se há mais de 80 anos que a adição de pequenas quantidades de cobre, fósforo e outros elementos tem um efeito benéfico sobre os aços, reduzindo a velocidade em que são corroídos, quando expostos ao ar. Mas o grande estímulo ao emprego de aços enriquecidos com esses elementos – chamados aços de baixa liga – foi dado pela companhia norte-americana United States Steel Corporation que, no início da década de 1930, desenvolveu um aço cujo nome comercial era Cor-Ten. O aço Cor-Ten foi desenvolvido originalmente para a indústria ferroviária, e sua vantágem era permitir a construção de vagões mais leves. A propriedade de resistir à corrosão foi alcançada por casualidade, embora desde o fim do século XIX já se conhecessem as influências benéficas do cobre e do fósforo. Em 1958, o arquiteto norte americano Eero Saarinen utilizou-o na construção do edifício administrativo da Deere & Company, em Moline, no estado de Illinois. O aço foi deixado aparente nessa obra, tendo o arquiteto considerado que a ferrugem que sobre ele se formava constituía por si mesma um revestimento não só aceitável, como atraente. A partir daí, os aços patináveis foram se desenvolvendo e passaram a ser utilizados com sucesso em inúmeras obras de arquitetura em todo o mundo, inclusive no brasil.

Vagão de trem em Aço Cor-Tem

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MATERIAL ULTILIZADO: COMPONENTES E PROCESSOS DE FABRICAÇÃO

Aço,

em

geral,

é

uma liga

metálica formada

essencialmente

por ferro e carbono, com percentagens deste último variando entre 0,008 e 2,11%.

Já nos aços chamados de alta resistência e baixa liga, possuem

quantidades de carbono mais baixas que as ligas de aço convencionais e também são adicionados à eles pequenas composições de outros metais como Cromo (Cr), Níquel (Ni), Cobalto (Co), Cobre (Cu), Chumbo (Pb), Molibdênio (Mo), Vanádio (V), Fósforo (P), Silício (Si), Boro (B). No caso do Aço Corten, os dois principais elementos adicionados são o cobre, responsável por retardar a velocidade de corrosão do aço, e o fosforo, que Gera uma certa fragilidade à frio (0,04% - 0,025% no máximo), porém aumenta a resistência dos aços baixo carbono como o aço patinável. O cromo, o níquel e o silício também exercem efeitos secundários, pois são adicionádos em quantidades bem menores que os outros dois elementos. A fabricação desse tipo de aço é bem parecida com a dos aços comuns, com a única diferença da adição dos componentes já citados, que são realizados durante o processo de fundição em alto forno. A produção desse material pode ser dividida em três principais etapas: a preparação da carga, a redução, o refino e a laminação. Na Preparação da carga grande parte do minério de ferro (finos) é aglomerada utilizando-se cal e finos de coque, o produto resultante é chamado de sinter, enquanto que o carvão é processado na coqueria e transforma-se em coque. Durante a redução essas matérias-primas, agora preparadas, são levadas para o alto forno, o oxigênio aquecido a uma temperatura de 1000ºC é soprado pela parte de baixo do alto forno, e o carvão, em contato com o oxigênio, produz calor que funde a carga metálica e dá início ao processo de redução do minério de ferro em um metal líquido: o ferro-gusa. O gusa é uma liga de ferro e carbono com um teor de carbono muito elevado. No refino, as Aciarias a oxigênio ou elétricas são utilizadas para transformar o gusa líquido ou sólido e a sucata de ferro e aço em aço líquido, é nessa etapa que parte do carbono contido no gusa é removido juntamente com impurezas. 15


A maior parte do aço líquido é solidificada em equipamentos de lingotamento contínuo para produzir semi-acabados, lingotes e blocos. Por fim, na ultima etapa de laminação, os semi-acabados, lingotes e blocos são processados por equipamentos chamados laminadores e transformados em uma grande variedade de produtos siderúrgicos, cuja nomenclatura depende de sua forma e/ou composição química.

Etapas de produção do aço.

Fábrica de produção de aço.

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MATERIAL UTILIZADO: PROPRIEDADES

As propriedades fisicas, quimicas e mecanicas do aço patinável são, no geral, parecidas com as dos outros aços estruturais. Eles são soldáveis e trabalháveis de maneira similar ao aço-carbono comum, e possuem uma resistência de compressão entre média e alta (na faixa de 500 Mpa), o que adequa seu uso em estrutuas de edificações, como o prédio BH-TEC, na maior parte dos ambientes encontrados no mundo. A principal característica do aço corten, que o diferencia das outrass ligas de aço comum, é sua alta resistência a corrosão atmosférica. Na presença de umidade e do ar, todos os aços de baixa liga tem a tendência de enferrujar. A velocidade com que o processo se da depende do acesso do oxigênio, umidade e contaminantes atmosféricos a superfície metálica. Conforme o processo progride, a camada de ferrugem forma uma barreira que dificulta o ingresso do oxigênio, da umidade e de contaminantes, fazendo com que a taxa de corrosão do aço diminua com o tempo. A camada de ferrugem formada sobre grande parte dos aços estruturais convencionais se destaca da superfície metálica após certo tempo “critico”, e o ciclo de corrosão inicia novamente, levando a continua perda de massa metálica. Desse modo, a taxa de corrosão progride como uma serie de curvas incrementais que se aproximam de uma reta, cujo coeficiente angular e função da agressividade do ambiente. O processo de enferrujamento, para os aços patináveis, e iniciado do mesmo modo que para os aços estruturais comuns, mas aqueles elementos de liga específicos, adicionados propositalmente ao aço, acabam por produzir uma camada de ferrugem estável, bastante aderente ao metal base, e que e muito menos porosa do que a ferrugem comum. Esta nova ferrugem limita muito a difusão de oxigênio e água, assim como de substancias diversas, até a interface metal/oxido. A nova ferrugem – chamada de patina – somente se desenvolve sob condições de umedecimento e secagem alternadas; o resultado e uma menor taxa de corrosão do que aquela observada para os aços estruturais convencionais.

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O grafico mostra a perda de massa causada pela corrosão em aço estrutural comum e o aço patinável. É possível perceber que o aço apesar de no início sofrer em o processo corrosivo, após a formação da pátina, essa corrosão diminiu com relação às outras ligas de aço.

Figura que mostra a estruturação da camada de ferrugem estável nos aços pativáveis, que os protégem contra a ação da agua e do oxigêneo, comparada com camada de ferrugem em aços estruturais, que permitem desgastes e fissuras.

Logo, pode-se concluir que a ultilização desse aço em estruturas aparentes e em vedações é bastante viável, uma vez que a camada de pática confere ao edificio uma maior durabilidade, menores taxas de manutenção, além de um aspecto visual diferenciado.

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MATERIAL UTILIZADO: APLICAÇÃO

Soldagem: A soldagem de aços estruturais patináveis e bastante similar a empregada para os aços estruturais comuns, embora os primeiros possuam um carbono equivalente (Ceq) algo superior. Como, em geral, possuem alta resistência mecânica, também possuem teores de carbono (ou manganês) um pouco mais elevados. Os aços patináveis disponíveis no Brasil possuem Carbono equivalente (Ceq) inferior a 0,55%, o que os torna facilmente soldáveis, sem a necessidade de pré-aquecimento do material. Aços patináveis necessitam de eletrodos que possuam composição química semelhante, evitando-se, tanto quanto possível, a formação de pares galvânicos. Desse modo, deve-se utilizar, em soldagem com arco elétrico, eletrodos E 7018 W ou E 7018 G (eletrodo revestido), ER 8018 S-G (Mig/Mag), F7AO-EW (arco submerso) e E 71T8 Ni1 ou E 80T1 W (eletrodo tubular). Para soldagem em múltiplos passes, pode-se utilizar eletrodos de composição química especial somente nos dois últimos filetes, que ficam em contato com a atmosfera. Para passe simples (1 cordão), pode-se utilizar eletrodos convencionais, pois haverá diluição na poça de fusão. Conexões parafusadas: Parafusos estruturais de alta resistência, assim como as porcas e arruelas devem atender a composição química prescrita na norma ASTM A325, Tipo 3, Grau A ou equivalente, e devem ser utilizados em todas as uniões parafusadas. Parafusos estruturais com controlador de tensão não devem ser utilizados em estruturas confeccionadas em aços patináveis, pois não são confeccionados em aço patinável. Parafusos ASTM A325 tipo 1, galvanizados a quente devem ser evitados em ambientes classificados pela norma ISSO 9223 como C5, sob risco do desenvolvimento da corrosão galvânica.

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Preparo de superfície O preparo da superfície através do jateamento abrasivo ao padrão mínimo Sa 2 (ISO 8501-1)21 deve ser feito após a fabricação e antes da entrega no canteiro, para auxiliar a formação de uma patina uniforme. O uso de tinta, cera ou lápis crayon, utilizados para a marcação dos componentes metálicos durante a fabricação e montagem devem ser evitados, pois são de difícil retirada, e interferirão com o processo de envelhecimento do aço. Instalação Certo cuidado deve ser tomado no canteiro, tanto com a estocagem quanto com o manuseio dos componentes, para garantir que a patina em formação não seja danificada. Embora a patina seja formada novamente, ela parecera desuniforme ate que isso ocorra.

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MATERIAL UTILIZADO: ENSAIOS TECNOLÓGICOS

Os mesmos ensaios tecnológicos que são aplicado nos aços estruturais, são utilizados também nos aços patináveis que serão aplicados como peças estruturais. Três dos ensaios tecnológicos importantes são: Ensaios de Tração A determinação das propriedades mecânicas dos materiais é obtida por meio de ensaios mecânicos, realizados no próprio produto ou em corpos de prova de dimensões e formas especificadas, que são utilizados quando o resultado do ensaio precisa ser comparado com especificações de normas internacionais. O ensaio de tração consiste em submeter o material a um esforço que tende a alongá-lo até a ruptura. Os esforços ou cargas são medidos na própria máquina de ensaio. No ensaio de tração o corpo é deformado por alongamento, até o momento em que se rompe. Os ensaios de tração permitem conhecer como os materiais reagem aos esforços de tração, quais os limites de tração que suportam e a partir de que momento se rompem.

Máquina de ensaio de tração.

Deformação da estrutura antes do rompimento

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Ensaio de Cisalhamento No caso de metais, o ensaio de cisalhamento pode ser feito com tesouras, prensas de corte, dispositivos especiais ou simplesmente aplicando esforços que resultem em forças cortantes. Ao ocorrer o corte, as partes se movimentam paralelamente, por escorregamento, uma sobre a outra, separando-se. A esse fenômeno damos o nome de cisalhamento. O ensaio de cisalhamento é mais freqüentemente feito em produtos metálicos acabados. Do mesmo modo que nos ensaios de tração e de compressão, a velocidade de aplicação da carga deve ser lenta, para não afetar os resultados do ensaio. Normalmente o ensaio é realizado na máquina universal de ensaios, à qual se adaptam alguns dispositivos, dependendo do tipo de produto a ser ensaiado. Esses dispositivos são fixados na máquina de ensaio e os corpos são inseridos entre as duas partes móveis. Ao se aplicar uma tensão de tração ou compressão no dispositivo, transmite se uma força cortante à seção transversal do produto ensaiado. No decorrer do ensaio, esta força será elevada até que ocorra a ruptura do corpo. No caso de ensaio de solda, utilizam-se corpos de prova semelhantes aos empregados em ensaios de pinos. Só que, em vez dos pinos, utilizam-se junções soldadas. Para ensaiar barras, presas ao longo de seu comprimento, com uma extremidade livre, utiliza-se o dispositivo abaixo:

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Ensaio de Dobramento/Flexão Barras de aço usadas na construção civil são exemplos de materiais que, além de apresentarem resistência mecânica, devem suportar dobramentos severos durante sua utilização, e por isso são submetidos a ensaio de dobramento. Esta característica é tão importante que é normalizada e classificada em normas técnicas. O ensaio consiste em dobrar um corpo de prova de eixo retilíneo e seção circular (maciça ou tubular), retangular ou quadrada, assentado em dois apoios afastados a uma distância especificada, de acordo com o tamanho do corpo de prova, por meio de um cutelo, que aplica um esforço perpendicular ao eixo do corpo de prova, até que seja atingido um ângulo desejado. O valor da carga, na maioria das vezes, não importa. O ângulo determina a severidade do ensaio e é geralmente de 90, 120 ou 180º. Ao se atingir o ângulo especificado, examinase a olho nu a zona tracionada, que não deve apresentar trincas, fissuras ou fendas. Caso contrário, o material não terá passado no ensaio.

Ensaio de Flexão de 3 pontos em vigas.

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MATERIAL UTILIZADO: ADEQUAÇÃO AO PROJETO

O BH-TEC localiza-se ao lado do Campus da UFMG, em área cedida por esta universidade, na Região da Pampulha, ao norte da cidade. O terreno tem como limites a Rua Prof. José Vieira de Mendonça, a Av. Presidente Carlos Luz e o Anel Rodoviário, com fácil acesso a várias rodovias federais. O terreno onde está sendo implantado o BH-TEC possui área total de 535 mil m², sendo 185 mil m² para construção do empreendimento e 350 mil m² de área de preservação ambiental (ZPAM). Além desta vasta Zona de Preservação Ambiental, a área do empreendimento possui áreas de preservação permanente (APP's), compreendendo um trecho do Córrego do Mergulhão (a céu aberto) e um brejo.

Localização do Parque Tecnologico de Belo Horizonte

A construção do edifício e a preservação dos elementos naturais, garantindo assim a manutenção do ecossistema local, exigida pelo plano diretor vigente na área, só foi possível devido a priorização de métodos e materiais construtivos 24


de ponta, principalmente relacionados à utilização do aço patinável, que sendo um sistema construtivo industrializado, gera impactos muito pequenos nos canteiros de obra, garantindo uma construção mais limpa e rápida, contribuindo assim para o desenvolvimento tecnológico na construção local e para a manutenção do ecossistema local, tornando o ambiente do BH-TEC bastante agradável para seus usuários e visitantes.

vistas do edífio junto a mata local preservada 25


MATERIAL UTILIZADO: ANÁLISE

Conforto ambiental: O aço como revestimento, apesar de suas váriadas qualidades, é um bom condutor termico, deixando o ambiente sem uma proteção contra o clima extermo, porém criação, no edifício BH-TEC, de uma segunda pele de fachada com elementos vazados em faixas intercaladas com vazios, criou uma barreira de atenuação da radiação solar nos espaços de trabalho, aumentando seu conforto térmico e reduzindo o seu consumo de energia elétrica através do condicionamento de ar sem comprometer os níveis internos de iluminação natural.

uma segunda pele de fachada com elementos vazados em faixas intercaladas com vazios

Além disso, a adoção de fachadas cegas (sem janelas) nas orientações menos favoráveis, com vedações de aço patinável duplas com colchão de ar interno, 26


proporciona um amortecimento um e retardo da transmissão térmico por radiação solar, melho rando assim o conforto térmico em todo o edifício.

Fachada cega oeste

Resistência e Durabilidade: Como já abordado anteriormente no trabalho, os aços patináveis são até seis vezes mais resistentes a corrosão devido a sua propriedade de formar uma camada de pátina que impede a progressão da ação corrosiva de agentes como o oxigeneo e a água. Devido a essa propriedade, o uso desse material tanto como estrutura, quanto para revestimentos externos é devidamente apropriado e garante uma maior longevidade para a edificação como um todo.

Manutenção: Todas as estruturas necessitam de monitoramento e manutenção ocasional, para garantir um desempenho satisfatório. A esse respeito, as estruturas em aço patinável não são diferentes, entretanto, e importante identificar que esse tipo específico de aço, devido a sua propriedade anticorrosiva, necessida de uma manutenção em prazos maiores do que os aços estruturais comuns.

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A inspeção visual das estruturas de aço patinável deve ser feita por inspetores experientes a cada dois anos, pelo menos. A condição superficial da patina e um bom indicador do desempenho. Uma patina aderente, de grãos finos, indica que a corrosão está ocorrendo a uma taxa de corrosão aceitável, enquanto que camadas

de

ferrugem

delaminadas

e

se

desprendendo

sugere

um

desempenho inaceitável. Se qualquer problema sério se tornar evidente durante a inspeção visual, a causa deve ser determinada e o problema corrigido tão cedo quanto possível. A velocidade de corrosão das estruturas de aço patinável deve ser monitorada a cada seis anos, medindo-se a espessura remanescente naqueles pontos críticos identificados na estrutura. Estes pontos devem ser definidos, em desenhos as-built, ou no manual de manutenção da estrutura. Se após um período de, digamos, 18 anos, a perda de seção estipulada ao longo da vida da estrutura exceder a espessura de sacrifício estipulada na Tabela 1, medidas corretivas deverão ser tomadas. As superfícies contaminadas com sujeira ou entulho devem, quando possível, serem limpas com lavadoras de água de baixa pressão, tomando cuidado para não danificar a patina. Esta mesma limpeza deve ser feita anualmente se houver suspeita de que cloretos estejam afetando de modo adverso a estabilidade da patina.

Sustentabilidade: A utilização do aço corten como vedação em sistema industrializado, ou seja, sub-modulado de acordo com o sistema estrutural estruturas, de montagem a seco, apresenta um acabamento final antes da montagem, o que otimiza o processo de construção e reduzir a produção de rejeitos. Além disso ele é um material construtivo com alta capacidade de desmonte e reutilização sem qualquer processo de reciclagem, de forma a reduzir o consumo energético e de água, tanto no processo de construção das edificações como durante seu desmonte.

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MATERIAL UTILIZADO: PATOLOGIAS

Em geral, as patologias existentes quanto a utilização do aço patinável na construão se assemelham muito com as do aço estrutural, sendo as falhas no projeto (considerando dentro do projeto: o cálculo, detalhamento, as plantas executivas e construtivas, e as plantas de montagem) as principais responsáveis pelos danos localizados e pela degradação precoce da estrutura. A estrutura metálica possui uma metodologia construtiva própria e não ter conhecimento dessa tecnologia implica adotar-se uma solução que pode ser incompatível com o sistema estrutural. Desconsiderando a corrosão, problema típico nos metais comuns, como patologia dos aços patináveis, uma vez que esses possuem mecanismos de proteção conta ela, outros três problemas podem ser citados como próprios do aço cortem: As deformações excessivas, causadas por sobrecargas ou efeitos térmicos não previstos no projeto original, ou ainda, deficiências na disposição de travejamentos. A flambagem local ou global, causadas pelo uso de modelos estruturais incorretos para verificação da estabilidade, ou deficiências no enrijecimento local de chapas, ou efeitos de imperfeições geométricas não consideradas no projeto e cálculo. E por fim, as fraturas e propagação de fraturas, estas iniciadas por concentração de tensões, devido a detalhes de projeto inadequados, defeitos de solda, ou variações de tensão não previstas no projeto.

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CARACTERÍSTICAS ARQUITETÔNICAS E CARACTERÍSTICAS DO MATERIAL

Como foi constatado durante todo o estudo, o edifício tem como uma de suas principais premissas a sustentabilidade, acessibilidade, conforto e várias possibilidades de uso, portanto a escolha do sistema construtivo em aço patinável foi impressindível para atingir todos esses objetivos, já que é uma técnica construitiva considerada sustentável, por ser de rápida e limpa execução, necessitar de poucos gastos em manutenção e possibilitar uma implantação sem grandes impáctos na vegetação do local. Além disso, o uso do aço corten como vedação industrializada e já modulada à estrutura do edifício (também aparente) além acrescentar ao projeto mais uma caracteristica sustentável, uma vez que esse tipo de vedação necessita de pouca manutenção, possui uma alta resistência e durabilidade e evita uma maior produção de rejeitos, confere a obra uma característica única devido a pátina de ferrugem, típica desse tipo de aço bastante explorada pela arquitetura em geral, intensificando o aspecto industrial do prédio.

Imágens do edifício BH-TEC

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REFERÊNCIAS

MATÉRIA A RESPEITO DO PARQUE TECNOLÓGICO DE BH: “BH-TEC lança edital para atrair empresas e firma parceria com a Fiocruz”. Disponível em: http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/contents.do?evento=conteudo&idConteudo=382 67&chPlc=38267. Acesso em: 11 de outubro de 2013

MATÉRIA A RESPEITO DO EDIFÍCIO BH-TEC. Disponível em: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2012/05/16/internas_economia,294 513/bhtec-sai-do-papel-para-a-realidade.shtml. Acessado em: 11 de outubro de 2013.

SITE DOS ARQUITETOS RESPONSÁVEIS. Disponíveil em: http://www.arquitetosassociados.arq.br/?projeto=1a-etapa-doedificio-institucional-do-bhtec. Acessado em: 11 de outubro de 2013.

DOCUMENTO: ANÁLISE DA ÁREA BH-TEC. Disponível em: http://www.bhtec.org.br/downloads/060220131657428237.pdf. Acessado em 11 de outubro de 2013.

INFORMAÇÕES A RESPEITO DO AÇO CORTEM. Disponível em: http://www.metalica.com.br/o-que-e-aco-corten. Acessado em: 11 de outubro de 2013.

INFORMAÇÕES A RESPEITO DO AÇO CORTEM. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7o_corten. Acessado em 11 de outubro de 2013.

INFORMAÇÕES A RESPEITO DO AÇO CORTEM. Disponível em: http://www.xn--aocorten-s0a.com/. Acessado em 11 de outubro de 2013. 32


Trab edificio bh tec tau030