Issuu on Google+

"A Panela de Ferro e a Panela de Barro" A panela de ferro, um certo dia, Ao sair do esfregão da cozinheira, Mui fresca e luzidia, Disse à de barro sua companheira: "Vamos dar um passeio,  Fazer uma viagem de recreio." ­ "Iria com prazer, disse a de barro, Mas sou tão delicada,  Que, se acaso em seixo ou tronco esbarro,  Lá fico esmigalhada! Acho mais acertado aqui ficar, Ao cantinho do lar. Tu, sim, que vais segura. A pele tens mais dura." ­ "Se é só por isso, podes ir comigo, É medo exgerado o teu, ­ contudo, Se houver qualquer perigo,  Serei o teu escudo." A tal dedicação, a tal carinho, Não pôde a companheira replicar,  E as duas, a caminho, Lá vão nos seus três pés a manquejar. Mas, ai! não tinham dado quatro passos, Numa vereda estreita, Eis que se tocam ­ e a de barro é feita, Coitada, em mil pedaços! Para sócio, não busques o mais forte, Que te arriscas decerto à mesma sorte. 

Acácio Antunes (fábulas de Lafontaine)


a panela de ferro e a panela de barro