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Setembro 2012


Mistura de 10% de biodiesel não compromete abastecimento de soja A produção brasileira de biodiesel tem plenas condições de atender uma mistura superior aos 10% por litro de diesel fóssil em 2020, para quando o Governo Federal tem dado sinais de autorizar este percentual.

Fonte: Expresso MT

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afirmação é do chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, José Manuel Cabral de Sousa Dias, feita na última quarta-feira (29/8) no seminário “O Biodiesel na Agroenergia”, promovido pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), na 35ª Expointer, uma das maiores exposições internacionais de agropecuária do mundo, em Esteio (RS). Segundo José Cabral, com a mesma área plantada de soja (30 milhões de hectares, pelas previsões do Ministério da Agricultura), em 2020, a produção

de biodiesel para 10% de mistura consumirá 35,4% da produção projetada do grão para aquele ano (86,5 milhões de toneladas). “Isso não comprometerá nem o abastecimento interno, nem as exportações”, disse ele. Hoje, 14% da soja brasileira vira óleo para a produção de biodiesel. O seminário na Expointer não se limitou à produção de biodiesel a partir de soja. O próprio chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa falou sobre as pesquisas com o pinhão manso e com crambe, oleaginosa não alimentar, com semente que concentra de 35% a 60% de óleo.

O conselheiro da APROBIO, Alexandre Pereira, falou sobre a produção do biocombustível a partir de sebo bovino. Ele explicou os investimentos em georeferenciamento da localização dos rebanhos na Amazônia legal para evitar o abate de animais criados em reservas ecológicas. O sebo bovino, antes refugo da indústria bovina, hoje responde por 15% da matéria prima do biodiesel. Segundo Alexandre, cada animal Vivo consome até 8 litros de diesel em sua criação, até o abate. Depois de industrializado, o sebo do mesmo animal gera 20 litros de biodiesel.


Balança comercial Em sua palestra no evento, o diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Rafael Schechtman lembrou o impacto positivo do biodiesel na balança de pagamentos do comércio exterior brasileiro. Ele citou dados da balança no ano passado, quando o país desembolsou US$ 7,4 bilhões com a importação de biodiesel. Para Rafael, com 10% de mistura do biodiesel no diesel o alívio nos pagamentos seria muito maior, com impactos positivos também na logística de importação de diesel, enquanto as refinarias de diesel da Petrobras não ficam

prontas. Dados da Fundação Getúlio Vargas, não mencionados pelo diretor do CBIE no seminário, apontam uma economia de US$ 2,84 bilhões, de 2005, quando foi criado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), a 2010 nas compras externas de diesel devido à produção de biodiesel. O mesmo estudo da FGV calculou que, num cenário de B10 esta economia seria de US$ 1,67 bilhão em 2010, com base no preço FOB (no porto de embarque do país vendedor) do ano anterior. No mesmo dia do seminário da APROBIO, realizado em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio do

Rio Grande do Sul, a Petrobras anunciou que dobrará as importações de diesel até 2014. Além de autoridades estaduais e de lideranças do agronegócio no RS, a iniciativa contou com as participações do representante do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, Marco Antonio Viana Leite; e do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, João Abreu. Participaram, ainda, o deputado federal Jerônimo Goergen, presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional, e o coordenador de Política Agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado, professor Dilson Bisognin.

Petrobras Biocombustível crê em mistura maior de etanol em 2013 Fonte: Reuters

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averá oferta de etanol no mercado brasileiro em 2013 para que o Brasil eleve mistura na gasolina, mas o governo deveria definir já o novo percentual para produtores se preparem para a mudança, disse o presidente da Petrobras Biocombustível nesta segunda-feira. Desde outubro do ano passado, o Brasil mistura 20 por cento de etanol na gasolina. Antes disso, o percentual era de 25 por cento. A redução realizada em 2011 foi feita em decorrência de uma que-

bra da safra de cana-de-açúcar pelo tempo adverso no centrosul e por conta de investimentos insuficientes nos canaviais. No entanto, o cenário para o próximo ano indica agora uma oferta mais folgada no Brasil, segundo o presidente da subsidiária de biocombustíveis da Petrobras, Miguel Rossetto. “Eu defendo isso (o aumento no percentual). Eu defendo que o governo tem que sinalizar para a próxima safra. Quanto mais rápido o governo sinaliza, melhor é a

capacidade de planejamento do setor para a próxima safra. Acho isso muito importante, e todos nós avaliamos que teremos condições de abastecer a volta de 25 por cento de etanol na gasolina já no ano que vem”, afirmou ele em entrevista à Reuters. Questionado se o aumento da mistura para 25 por cento de uma só vez seria um salto muito grande, Rossetto disse que não. “Há condições, mas acho importante que haja essa sinalização do governo. Quanto antes


(sinalizar), melhor a capacidade de planejamento”, acrescentou ele, antes de um evento que lançará um plano de iniciativas para apoio à cadeia de fornecedores da indústria de petróleo. O executivo admitiu que, para 2012, não é possível elevar a mistura, considerando a baixa oferta do biocombustível. “Para este ano, obviamente já não dá mais, porque estamos na metade da safra e a safra está

cerca de 17 por cento atrasada por conta das chuvas”, declarou. Em seu relatório quinzenal sobre o andamento da safra, a Unica (associação que reúne os produtores do centro-sul) estimou que a moagem tenha atingido 216,8 milhões de toneladas até 1o de agosto, 16,6 por cento abaixo do que foi moído até a mesma data na safra anterior. Por outro lado, a Unica afirmou ainda que, se as chuvas afe-

taram a moagem e a qualidade da cana, deverão favorecer a produtividade agrícola. A entidade no mesmo relatório disse que o volume de cana a ser moída na temporada poderá ficar acima das expectativas iniciais. Na semana passada, o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Allan Kardec também havia afirmado que o aumento da mistura pode ser possível no ano que vem.

Biocombustível avança, mas ainda depende de incentivos Produção necessita de apoio governamental para se manter competitiva com a queda dos preços do petróleo Fonte: Agência USP de Notícias

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esquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, mostra os efeitos das políticas de incentivo a produção de biocombustíveis no Brasil e em países da Europa. O trabalho do economista Leandro Menegon Corder aponta que entre os europeus, as metas de implantação gradativa têm garantido o avanço do biocombustível. No Brasil, sete anos após o início do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) em 2005, são precisos ajustes ambientais e no funcionamento das usinas, além do desenvolvimento de combustíveis mais avançados. Em ambos os casos, porém, os incentivos governamentais ainda são indispensáveis para manter

a competitividade da produção. A pesquisa concluiu que, na década de 2000, houve crescimento no valor total da produção dos produtos agrícolas mais utilizados para a geração de energia, como soja, cana-de-açúcar e canola. Porém, em muitos casos, percebese que os efeitos positivos sobre essas variáveis já vem de anos anteriores, não podendo ser, assim, esse crescimento creditado totalmente às políticas adotadas. De acordo com o estudo, a maioria dos países europeus cumpriu, pelo menos parcialmente, os objetivos das políticas. Corder explica o resultado positivo devido às metas de adoção do biocombustível não serem tão difíceis de atingir e também por serem implementadas

aos poucos, com metas crescentes, mas discretas. “Pode-se citar Itália e Reino Unido como aqueles que não cumpriram essa diretiva da União Europeia, e Espanha e Alemanha como exemplos que, além de cumprirem o acordo, apresentam metas internas superiores aos níveis indicados pelo parlamento europeu”, ressalta o economista. O estudo destaca também as políticas alemãs e suecas como casos que afetaram clara e positivamente o mercado. “Percebe-se, nesses dois casos, a inversão da tendência de queda para um crescimento elevado, diferentemente do que se vê em outros países, quando a mudança ocorre um pouco depois desse período”, explica Corder. Apesar de as políticas terem sido


Etanol: segundo estudo, setor de biocombustível depende de apoio governamental para seguir competitivo

eficientes em vários pontos, ao analisar o cenário atual, Corder concluiu que o setor de biocombustíveis tornou-se um mercado insustentável em vários países. “Os principais programas de incentivo às fontes alternativas de energia tiveram início com a alta cotação do petróleo. Agora, com a queda desses preços, o setor passará a depender da muleta governamental para manter-se competitivo”, observa. Segundo o pesquisador, o Brasil detém larga experiência em produção e comercialização de biocombustíveis, principalmente o etanol. “O País teve em sua história um dos maiores programas de produção e utilização de álcool do mundo, o Proálcool”, afirma. “Além disso, esse novo mercado traz vantagens ambientais, sociais e econômicas, embora

ainda seja pequeno dentro das possibilidades da introdução de um combustível complementar e substituto da gasolina e do diesel”. A pesquisa verificou que alguns pontos do PNPB tiveram êxito, como o aumento de produção, mas em outros, como nos aspectos relacionados ao meio ambiente, os resultados ficaram aquém do esperado. “Se o Brasil deseja prosseguir com o Programa do modo como ele foi idealizado, terá de fazer vários pequenos ajustes para adequá-lo à realidade na qual se inseriu”, aleta o economista. “O ponto mais urgente é manter as usinas em funcionamento, pois a maioria não é economicamente viável, ao lado dos ajustes nas questões ambientais e da matéria-prima utilizada. Devese também incentivar a pesqui-

sa de biocombustíveis de outras gerações, que trazem maior aproveitamento de resíduos e novas tecnologias para minimizar o efeito sobre cultivos tradicionais”. O interesse pela produção e uso de biocombustíveis vem crescendo nas ultimas décadas por conta das previsões de escassez do petróleo. Segundo levantamentos da Comissão Europeia de Energia, todo o petróleo do mundo acabará em 2047, se não houver mudanças significativas no consumo e nas reservas. Para que isso não ocorra, os governos das principais nações do mundo estão buscando fontes alternativas de energia limpas e renováveis. Consequentemente, este maior interesse por biocombustíveis gerou mudanças na produção agrícolas e a criação de políticas de incentivo ao seu uso.


Exportação de etanol brasileiro para EUA deve crescer As exportações de etanol brasileiro para o mercado norte-americano provavelmente aumentarão, mesmo que o Brasil aumente sua mistura do biocombustível na gasolina no início de 2013, afirmou a consultoria Fonte: Reuters

A

s exportações de etanol brasileiro para o mercado norte-americano provavelmente aumentarão, mesmo que o Brasil aumente sua mistura do biocombustível na gasolina no início de 2013, afirmou a consultoria especializada em açúcar e etanol Datagro. As exportações brasileiras de etanol aumentaram em julho para 410 milhões de litros, com a maior parte desse volume sendo enviado aos EUA, segundo o Ministério do Comércio do Brasil. Nos meses anteriores, as exportações ficaram entre 140 e 64 milhões de litros por mês. "Esse aumento de julho, em particular, é um fenômeno sazonal", afirmou Plinio Nastari, presidente da Datagro, durante o seminário que abriu a Fenasucro, feira da indústria de açúcar e etanol em Sertãozinho, no centro do maior cinturão produtor de cana do mundo. O Brasil tem tentado reverter as quedas nos rendimentos de suas lavouras de cana. A menor

produtividade têm limitado a produção de etanol. Isso tem causado escassez no mercado de combustíveis e elevado os preços. Proprietários de carros flex têm optado pela

g a s o lina, que tem sido uma melhor opção que o etanol na maior parte do país. Como consequência, a Petrobras tem se voltado

para os mercados internacionais de gasolina para compensar seu déficit de refino do combustível. A Petrobras está importando cerca de 80 mil barris de gasolina por dia. E se os fatores fundamentais para a produção do etanol não melhorarem, os analistas estimam que esses números poderão triplicar até 2020. A falta de infraestrutura para esse nível de importações poderia causar escassez no mercado doméstico. O cinturão da cana no centro-sul brasileiro, que representa 90 por cento da produção nacional de açúcar e etanol, já esmagou metade de sua safra estimada em cerca de 510 milhões de toneladas, segundo previsões do mercado. Nastari disse que a Datagro está revisando sua estimativa de safra que, no momento, é de 499 milhões de toneladas. As chuvas em maio e junho têm potencial para ajudar a produção da safra 2013 de cana,


mas que a secura do mês de agosto deve conter as altas das estimativas nesta temporada. "O Brasil vai exportar mais etanol para os EUA por causa da seca no país norte-americano, mas ainda vai haver espaço para aumentar a mistura de etanol aqui em abril de 2013", afirmou Nastari. O Brasil reduziu sua a mistura do etanol na gasolina para 20

por cento, ante 25 por cento, em outubro do ano passado, após uma seca e rendimentos reduzidos terem diminuído a oferta. Atualmente, o preço do biocombustível está mais baixo no Brasil que nos Estados Unidos, e as usinas estão perdendo dinheiro com suas operações com etanol. Aumentando a mistura novamente para o máximo de 25 por cento na gasolina deve aliviar

a Petrobras de cerca de 40 por cento de suas necessidades de importações de gasolina, e pode melhorar os rendimentos da produção de etanol das usinas. Analistas estimam que a Petrobras está perdendo cerca de 40 centavos de real por litro no preço da gasolina que importa, devido aos preços domésticos controlados pelo governo ser menor que os preços internacionais.

Sumo de melancia pode ser o novo biocombustível

Fonte: Jornal de Notícias

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m estudo recente do Governo norte-americano aponta o sumo da melancia como um possível biocombustível no futuro. A ideia é aproveitar as melancias que não são comercializadas e, através dos compostos açucarados do seu sumo, produzir etanol. O Governo norte-americano chegou à conclusão, através de

um estudo recente, que é possível aproveitar as melancias para produzir biocombustível. O fruto é especialmente procurado no verão por ser refrescante mas, a partir de agora, poderá ser procurado para fazer mover os automóveis. Assim, a ideia do Governo dos EUA é aproveitar a enorme quantidade de melancias que é rejeitada pelos consumidores porque têm algum defeito e dar-lhe um outro fim. “Aproximadamente um quinto das melanciasquesecultivamtêmmarcas que as tornam pouco atrativas para o consumidor”, explica Wayne Fish, co-autor do estudo e químico do Serviço de Investigação Agrícola de Lane, no estado de Oklahoma.

Os investigadores começaram, então, a procura pelas potencialidades desconhecidas da melancia e descobriram que, depois de retirar os compostos antioxidantes da fruta, era possível produzir etanol através dos compostos açucarados que restavam. Os investigadores prepararam vários litros do novo do combustível em laboratório e optimizaram o processo de modo a produzir cerca de 87 litros de etanol a partir de um acre de melancia rejeitada. “As quintas entre 121 e 405 hectares poderiam conservar elas mesmas o etanol e utilizá-lo na sua produção”, afirma Wayne Fish. Para a produção deste biocombustível seria sempre necessário passar por um laboratório mas, segundo o investigador,“o processo não é muito diferente de fazer cerveja caseira”. Para além disto, seria uma possibilidade para as quintas que produzissem grandes quantidades de biocombustível a partir do sumo da melancia venderem o excedente no mercado.


Estudo alemão critica biocombustíveis e elege hidrogênio como fonte alternativa ideal para produção de energia O otimismo quanto à capacidade dos biocombustíveis de funcionar como fonte ecologicamente correta e de reduzir significativamente as emissões de CO² da Europa é exagerado, e a Alemanha deveria se concentrar no uso de energia solar e eólica para atingir suas metas de corte de emissões, além de investir mais em pesquisas sobre o uso do hidrogênio, a fonte "ideal". Essas são as conclusões de um relatório elaborado pela Academia Nacional de Ciências Leopoldina da Alemanha, divulgado no início de agosto de 2012.

Fonte: Inovação Unicamp

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e acordo com o relatório, é difícil afirmar que os biocombustíveis sejam, de fato, uma fonte que reduz as emissões líquidas de gases causadores do efeito estufa e que não agride o meio ambiente, já que a preparação da biomassa para a geração de combustível envolve emissões, e a própria atividade agrícola pode causar danos ambientais, por meio de assoreamento, contaminação do solo e das águas. "A agricultura intensiva, com a utilização de fertilizantes e com o impacto na biomassa do subsolo, por meio da aragem e da colheita, é quase sempre acompanhada de emissão de gases do efeito estufa", lembra o relatório.

Exportando problemas No caso de o biocombustível ser importado de outros países, o que ocorre, de acordo com os autores, é "a exportação das pressões ambientais da agricultura intensiva, a

menos que se possa garantir" que a produção no país exportador é sustentável; que não afeta a segurança alimentar do país exportador; e que não causa dano ambiental, por exemplo, por meio da destruição de florestas.

No caso específico do território alemão, dizem os autores, o melhor seria concentrar esforços no desenvolvimento de fontes como energia solar e eólica, "cuja necessidade de área, emissão de gases e outros impactos ambientais são menores que os da bioenergia". Quando utilizados, os biocombustíveis deveriam ter como foco preferencial o abastecimento de veículos, e não aquecimento ou a geração elétrica. "A conversão de biomassa deve concentrar-se em biocombustíveis para veículos pesados, aviões e navios que, provavelmente também no futuro, não poderão usar eletricidade". A análise afirma ainda que são necessários mais estudos para que se possam avaliar as emissões de gases


do efeito estufa relativas ao uso da terra -- seja para agricultura, produção de carne ou de biocombustíveis. O uso de detritos urbanos e rurais para a produção de biogás merece estímulo, diz o relatório, "na perspectiva da destinação final dos resíduos".

drogênio usado em processos industriais no mundo vem de fontes fósseis, mas "uma economia baseada em hidrogênio vai requerer fontes renováveis, dispositivos adequados de armazenamento e transporte em larga escala e uma infraestrutura acessível", escrevem os autores, reconhecendo, porém, que nenhuma das Hidrogênio fontes renováveis de hidrogênio "O hidrogênio molecular é um disponíveis hoje é capaz de comportador de energia único e petir economicamente com o hiamigo do ambiente", afirma o drogênio extraído do gás natural. relatório. "Sua conversão em O trabalho da academia alemã eletricidade ou calor produz ap- nota que, dada a disponibilienas H2O, sem nenhum CO²". dade "quase ilimitada" de água e Atualmente, mais de 90% do hi- radiação solar, a produção de hidrogênio, por meio da sepa-

ração dos elementos presentes nas moléculas de água pela luz, poderá ser a fonte de energia ideal do futuro já que seria "renovável, amiga do ambiente e sustentável". "Portanto, sistemas naturais e artificiais de fotossíntese para a geração de hidrogênio são um foco atual e futuro de pesquisa básica", diz o texto, que especula a respeito da criação de organismos geneticamente modificados ou catalisadores sintéticos capazes de separar a água em oxigênio e hidrogênio usando a luz do sol. "Trata-se de uma área de pesquisa com alto potencial de inovação que merece ser acompanhada", dizem os alemães.

FAO quer que EUA suspendam uso do milho como biocombustível País enfrenta pior seca dos últimos 50 anos. Segundo a Organização, uso do milho como bioetanol favorece encarecimento de alimentos. Commerzbank anuncia fim de especulação com gêneros básicos "por razões morais". Fonte: Deutsche Welle

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evido à seca inclemente nos Estados Unidos, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) instou Washington nesta sexta-feira (10/08) a suspender imediatamente a produção de biocombustível a partir de milho. Falando ao Financial Times britânico, o secretário-geral da FAO,

José Graziano da Silva, classificou como um "prejuízo gigantesco" o processamento de cerca de 40% da safra nacional em forma de bioetanol. Diante da alta dos preços dos alimentos, a suspensão da produção de biocombustível nos EUA reduziria a pressão sobre o mercado, permitindo a utilização de mais milho como

alimento e ração animal, propôs. Graziano acrescentou que a situação do abastecimento de gêneros alimentícios já é "delicada", podendo transformar-se rapidamente numa crise. Alguns países do grupo G20, entre eles França, Índia e China, já haviam expressado anteriormente preocupação quanto à política do bioetanol.


Menos de um quarto da colheita de milho nos EUA está em boas condições Há anos essa fonte renovável de energia é criticada por ambientalistas. Eles argumentam que a utilização de terras aráveis para a produção de combustível reduz as áreas utilizáveis para a alimentação, impulsionando a alta de preços. Além disso, o cultivo para fins energéticos seria também responsável pela destruição das florestas naturais em amplas regiões do planeta.

Perigo global A atual seca nos EUA é a pior das últimas cinco décadas. O famoso "Corn Belt" (cinturão do milho), no centro-oeste do país, onde se cultiva a maior parte do

cereal, encontra-se no epicentro da seca. Desde junho passado as temperaturas estão elevadas e em julho alcançaram as maiores marcas desde 1895. Segundo a Secretaria norte-americana de Agricultura, apenas 23% dos pés de milho ainda estão em estado bom ou excelente. Desde o princípio de junho, o preço do produto já subiu 40%. O órgão governamental calcula que a safra deste ano será 13% inferior à de 2011, com o volume mais baixo dos últimos seis anos. A colheita de soja, por sua vez, deverá reduzir-se em 12%. No total, este ano as colheitas de cereais do país cairão 13%, alcançando seu recorde negativo em 17 anos,

estima a secretaria norte-americana. Tais expectativas fomentam os temores de um encarecimento global dos alimentos.

Primeiros sinais Em 2007 e 2008, a escalada acentuada dos preços do milho e trigo, entre outros, foram causa de fome e distúrbios sociais nos países pobres. Tendo em vista esses dados, a organização humanitária Oxfam adverte que a atual tendência poderá trazer consequências devastadoras para os mais carentes. Dados divulgados pela FAO na quinta-feira, em Paris, confirmam que uma espiral de preços já está em ação. Após três me-


ses de recuo, em julho os preços dos alimentos subiram, em média, 6%, estando os cereais e o açúcar entre os mais afetados. Há várias semanas, os preços de cereais e sementes oleaginosas sobem na Bolsa de Chicago, maior mercado para títulos financeiros sobre matérias primas. A tendência é atribuída, sobretudo, às condições meteorológicas: a onda de seca e calor nos EUA teria causado a valorização do milho em 23% em julho, enquanto os prognósticos de uma má safra na Rússia fizeram o trigo subir 19%. Em contrapar-

tida, os preços da carne desceram, pelo terceiro mês consecutivo.

Fim da especulação Segunda maior instituição de crédito da Alemanha, o Commerzbank confirmou na quintafeira que não mais participará da especulação com preços de alimentos básicos no mercado financeiro internacional. Assim, todos os produtos agrícolas foram retirados de sua oferta. O banco atribuiu a medida a

“razões morais”, em resposta a uma série de estudos internacionais. Estes demonstraram que o papel dos títulos financeiros sobre produtos agrícolas é significativo na elevação artificial dos preços dos alimentos, contribuindo, assim, para disseminar a fome em várias regiões do planeta. O diretor da ONG Foodwatch Germany, Thilo Bode, saudou a decisão. “Se um banco não pode ter certeza de quanto dano esse tipo de especulação é capaz de causar, ele deve deixar de oferecer tais fundos, para estar em campo seguro.”

Brasil pode produzir 40% mais energia alternativa Estudo aponta que, se houver vontade política, dá para aumentar em, pelo menos, 40% a produção de eletricidade por fontes renováveis alternativas Fonte: Planeta Sustentável

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ados do Balanço Energético Nacional 2012 revelam que a energia hídrica representa mais de 81% da matriz elétrica brasileira. Mas será que essa dependência das grandes usinas hidrelétricas é realmente necessária para suprir a demanda da população por eletricidade? O novo estudo Além de grandes hidrelétricas: políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil, do WWF-Brasil, aponta que não.

Segundo a publicação, o país já tem capacidade para aumentar em, pelo menos, 40% a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis alternativas - sobretudo se investir na geração de energia eólica, de biomassa e nas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). No caso da eletricidade gerada a partir do vento, por exemplo, o estudo revela que o Brasil é capaz de produzir 300 milhões de kW por ano. Atualmente, no entanto, não produz nem a

metade, gerando cerca de 114 milhões de kW anualmente. A energia solar também não fica atrás no quesito potencial. De acordo com a publicação do WWF, se o lago de Itaipu fosse totalmente coberto com painéis fotovoltaicos, por exemplo, seria possível produzir, anualmente, 183 milhões kW, o que representa o dobro de toda a energia elétrica produzida pela usina de Itaipu em 2011. E mais: segundo o estudo, o país sinaliza para uma tendência de


queda nos preços das fontes renováveis alternativas nos próximos 10 a 15 anos - enquanto o valor da produção de eletricidade nas usinas hidrelétricas seguirá o caminho oposto, de aumento -, transformandoas interessantes, também, do ponto de vista econômico. No entanto, para que o Brasil realmente consiga atingir todo o potencial que possui na geração de energia a partir de

fontes renováveis alternativas, é preciso vontade política. Isso porque a criação de novos subsídios ou, ainda, o redirecionamento dos subsídios já existentes - que atualmente são voltados para a viabilização da produção energética por fontes fósseis - é fundamental no processo de transição para uma matriz elétrica menos dependente das usinas hidrelétricas. “A conclusão do estudo é clara: o

potencial das fontes renováveis alternativas é imenso e pouco aproveitado. Havendo vontade política, o governo brasileiro tem como promover as ações sugeridas no documento e, assim, atender a uma significativa parte das demandas de eletricidade do país a partir de fontes limpas e de baixo impacto ambiental”, diz Carlos Rittl, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

No caso da eletricidade gerada a partir do vento, por exemplo, o estudo revela que o Brasil é capaz de produzir 300 milhões de kW por ano


FAO: biocombustível não é responsável pela alta de preços O diretor da organização, José Graziano, advertiu, porém, que os biocombustíveis podem contribuir para o aumento

Colheita de milho: Graziano criticou a produção americana dos grãos; segundo ele, o milho é "como o petróleo"

Fonte: EFE

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diretor da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, disse nesta quarta-feira em entrevista à Agên-

cia Efe que "os biocombustíveis de cereais não são responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos", mas são elementos que podem contribuir para isso. Graziano sugeriu recentemente

aos Estados Unidos, em artigo publicado pelo jornal britânico “Financial Times”, uma suspensão imediata e temporária da legislação que destina cotas das colheitas de milho à produção de biocombustível.


“O milho entra em todas as cadeias de produção agropecuárias, como carnes, aves, frangos, porco, leite e derivados”, produtos que estão sendo levados ao mercado porque são mais rentáveis dado a alta do preço do milho, que é um produto “como o petróleo”. Para o diretor-geral da FAO, “os EUA pretendem usar 40% para o milho e a mesma porcentagem para a exportação”, mas deixar o uso do milho na produção de biocombustíveis é mais um item de uma longa lista de recomendações da FAO, esclareceu. No entanto, o diretor reconheceu que a alta do preço do pão foi uma das causas da explosão da primavera árabe. A FAO quer evitar que cada país queira determinar sua segurança alimentar de forma isolada. “Não há segurança alimentar isolada para um país, é para todos. É uma segurança global, por isso que é necessária a coordenação de políticas de atuação”,

disse. Graziano ainda se mostrou convencido de que “não há crise alimentícia, há aumento de preços”, e não espera, por enquanto, “o aumento do número de pessoas que passam fome”. O diretor apostou em “uma boa coordenação de políticas” para “evitar a crise”, aproveitando um organismo criado após 2008, o Sistema de Informação sobre o Mercado Agrícola (SIMA), que é formado pelos países do G20 e os principais produtores, e pretende fazer uma reunião em breve. O diretor da FAO também disse que para os países do sul, os preços elevados resultam em uma oportunidade para aumentar a produção em 2013, enquanto solicitou que os países desenvolvidos não coloquem impedimentos aos mercados, porque isto são dificuldades que não beneficiariam ninguém. “Todos os tipos de barreiras nestes momentos são dificul-

dades adicionais aos ajustes dos mercados”, disse Graziano. O diretor do órgão internacional, com sede em Roma, reconheceu que um grupo de países pobres da África, Chifre da África e Sael serão afetados pelas altas de preços, e por isso pediu aos países ricos que não cortem a ajuda humanitária, e aproveitou para comentar que o melhor que esses países podem fazer é estimular os mercados locais mediante uma contribuição econômica. Graziano Da Silva acrescentou que, com o aumento dos preços, não cresce o número de famintos, mas sim o número de obesos porque os legumes, as frutas e verduras são substituídas por alimentos hipercalóricos. “Este efeito de substituição afeta crianças, mulheres e idosos” e a FAO propõe políticas de educação alimentar para cuidar da nutrição, insistindo em produtos substitutos do trigo, como o arroz, a batata e a mandioca.


Cresce o interesse brasileiro pela produção de biocombustível Previsão de escassez do petróleo deve fazer com que muitos países criem políticas de incentivo ao uso de fontes renováveis de combustível

Fonte: Infomoney

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interesse brasileiro pela produção e uso de biocombustíveis vem crescendo nas últimas por causa das previsões de escassez do petróleo. De acordo com um levantamento feito pela Comissão Europeia de Energia, o petróleo deve acabar em 2047, caso não sejam realizadas mudanças significativas no consumo e nas reservas da matéria-prima. Segundo o economista da USP/ ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), Leandro Menegon Corder, para o mundo não sofra com a escassez de petróleo, é importante que os governos das principais nações do mundo estão buscando fontes nativas de

energia limpas e renováveis. tados em alguns pontos do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, mas em outBrasil ros, como meio-ambiente, os De acordo com Corder, o Bras- resultados ficaram aquém do il detém larga experiência em esperado. “Se o Brasil deseja produção e comercialização prosseguir com o Programa do de biocombustíveis, principal- modo como ele foi idealizado, mente o etanol. “O País teve terá de fazer vários pequenos em sua história um dos maiores ajustes para adequá-lo à realiprogramas de produção e uti- dade na qual se inseriu”, avalia. lização de álcool do mundo, Segundo Corder, o ponto mais o Proálcool. Além disso, esse urgente é manter as usinas em novo mercado traz vantagens funcionamento, pois a maioria ambientais, sociais e econômi- não é economicamente viável, cas, embora ainda seja peque- ao lado dos ajustes nas questões no dentro das possibilidades da ambientais e da matéria-prima introdução de um combustível utilizada. “Deve-se também incomplementar e substituto da centivar a pesquisa de biocomgasolina e do diesel”, explica. bustíveis de outras gerações, que O economista revela que o trazem maior aproveitamento Brasil vem trazendo bons resul- de resíduos e novas tecnologias


para minimizar o efeito sobre cultivos tradicionais”, completa.

No mundo Na pesquisa feita por Corder, viu-se que maioria dos países europeus cumpriu, pelo menos parcialmente, os objetivos das políticas. Para o economista, o resultado positivo é devido às metas não serem tão difíceis de atingir e também por serem implementadas aos poucos, com metas crescentes, mas discretas. “Pode-se

citar Itália e Reino Unido como aqueles que não cumpriram essa diretiva da União Europeia, e Espanha e Alemanha como exemplos que, além de cumprirem o acordo, apresentam metas internas superiores aos indicados pelo parlamento europeu”, explica. O estudo destaca também as políticas alemãs e suecas como casos que afetaram clara e positivamente o mercado. “Percebe-se, nesses dois casos, a inversão da tendência de queda para um crescimento elevado, diferentemente do que se vê em outros países, quando a

mudança ocorre um pouco depois desse período”, comenta Corder. Apesar de as políticas terem sido eficientes em vários pontos, ao analisar o cenário atual, Corder concluiu que o setor de biocombustíveis tornou-se um mercado insustentável em vários países. “Os principais programas de incentivo às fontes nativas de energia tiveram início com a alta cotação do petróleo. Agora, com a queda desses preços, o setor passará a depender da muleta governamental para manter-se competitivo”, finaliza o economista.

Publicações Além de Grandes Hidrelétricas: Políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil

Para visualizar o documento acesse: http://migre.me/aBEXU

Conferência Internacional de Biodiesel


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Direção: Marco Ortega Projeto gráfico e Diagramação: Caroline Esser Críticas, sugestões de matérias ou elogios: caroline.esser@iica.int


Biocombustíveis em Foco (Setembro 2012)