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No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o gozo da vida, marcada que estava à sociedade pelos anos de sofrimento da guerra. Numa época de mudanças, surgia uma corrente intelectual inédita contrária à antiga política, rebeldia está refletida na literatura, no cinema e na música.

Chuck Berry - Divulgação

Com o incentivo do consumo excessivo, a população branca começou a buscar nos guetos algo diferente. Ali se tocavam ritmos improvisados que dariam origem ao Blues, focado basicamente no vocal, acompanhado apenas por violão. A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita, e o Rock estava criado! O "inventor" do termo Rock and Roll e grande responsável pela difusão do estilo foi o disk jokey Allan Freed, radialista de programas de rhythm and blues de Cleveland, Ohio, que primeiro captou e investiu na carência do público jovem consumista por um novo tipo de música mais energética e primeiro percebeu o potencial comercial da música negra. Musicalmente falando, quem primeiro definiu o estilo rock and roll foi Bill Haley, que baseado principalmente no country criou uma batida diferente

acentuada no segundo e quarto tempos de uma marcação 4x4. A data mais comumente aceita como a da criação do rock and roll é a do lançamento da música (We’re Gonna) Rock Around The Clock de Bill Haley and The Comets, em 12 de Abril de 1954. Embora criado um ano antes o rock and roll só viria a explodir definitivamente em 1955, em grande parte influenciada pela inclusão de Rock Around The Clock como música de abertura de filme. Um importante músico do gênero foi Chuck Berry, que pela primeira vez adaptou uma música country ao novo ritmo cativando ainda mais os jovens. Apesar da devida importância a Berry, quem ganhou o título de rei do rock foi Elvis Presley, que se tornou um ícone de gerações e que atingiu vendas extraordinárias já nos seus primeiros discos. No final da década de 60, cercado de escândalos envolvendo os precursores do rock, houve um declínio do estilo em solo americano, do outro lado do Atlântico, a Inglaterra começava a ceder aos encantos do rock’n’roll, com destaque para a cidade de Liverpool, onde o rock se tornou um imenso movimento cultural, lançando ao estrelado mundial uma das bandas mais conhecidas até hoje The Beatles.

Os Beatles em 1964 (Topo: John Lennon e Paul McCartney. Abaixo: George Harrison e Ringo Starr.).


As novidades da década de 60 abrangem a contracultura hippie e o folk rock que tinham um caráter político de contestação principalmente da Guerra do Vietnã e a disseminação do rock por diversos países, surgindo sucessos como Bob Dylan, Rolling Stones, The Doors, Yardbirds e The Who. Nessa década também temos a evolução das letras e melodias que exploravam instrumentos exóticos e arranjos mais complexos, experimentais e inesperados. No final desses anos, o rock foi marcado pelo uso excessivo de drogas alucinógenas, como o LSD. Sob efeito de tal, músicas foram compostas e chamadas de psicodélicas. Sht Peppers’ Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, lançado em 1967, foi possivelmente o álbum mais revolucionário da história do rock e foi feito sob efeito dessa devastadora droga, além de ser o marco do nascimento do rock progressivo, hoje considerado um estilo “fora de moda” por Peter Gabriel, um dos maiores vocalistas dessa vertente, que liderava a banda Gênesis. Outra banda muito importante da época foi o Pink Floyd.

No final da década, em 1969, o festival Woodstock se torna um símbolo para muitos jovens, interpretado por muitos como o marco do início de uma nova era de paz e amor, com apresentações entre outros de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane e The Who. Instrumentistas virtuosos, solos e improvisações de tempo indeterminado começavam a se destacar, a partir daí a simplicidade característica do rock dos

primeiros tempos havia sumido. O rock evoluiu de diversão e produto de consumo e foi encarado como expressão artística e social.

Queen - Divulgação

Na década de 70, com o fim dos Beatles, o público jovem se dividiu em algumas frentes: o Rock Progressivo que continuava em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito baseada no apelo fácil da rebeldia (o Glam Rock) como David Bowie, e bandas com uma batida mais pesada, o Heavy Metal, como Black Sabbath, Led Zeppelin e o Hard Rock, como Queen e Deep Purple. Nessa década, o rock ganha um estilo mais popular com o surgimento do videoclipe e da emissora MTV. A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana Kiss. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante nesse momento. Já no fim da década e começo da próxima, o punk foi criado nos Estados Unidos e popularizado na Inglaterra foi uma resposta necessária ao rock que estava se levando a sério demais, aos álbuns duplos conceituais, aos solos de dez minutos e às bandas que perdiam de vista o caráter de diversão do rock.


O estilo também influenciaria, embora indiretamente, na sonoridade de novas bandas que surgiam, como Motörhead e AC/DC. Bandas como The Police, Simple Minds e Pretenders, e um pouco mais tarde U2, adotariam um estilo que viria a ser conhecido como new wave. O que marcou profundamente os anos 80 foi à convivência de vários estilos de rock. Começava a se formar na Inglaterra bandas como Judas Priest, Samsom e, principalmente, Iron Maiden, o que viria a ser conhecida como New Wave Of British Heavy Metal, a resposta do som pesado e elaborado à sonoridade simples do punk.

“O Rock é um gênero musical importante no mundo e marca uma maneira de execução musical”.

ROCK AND ROLL BRASILIS!

Eddie Van Halen - Divulgação

A história do rock mais recentemente volta à fusão de ritmos. A década de 1990 foi marcada pelo sucesso, em nível mundial, do rap e do reggae. Bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith no More fundem o heavy metal e o funk, ganhando o gosto dos roqueiros e fazendo grande sucesso. Surge, ainda, o movimento Grunge em Seattle, na Califórnia, sendo o grupo Nirvana, liderado por Kurt Cobain, o maior representante deste novo estilo, com destaque também para R.E.M., Soundgarden, Pearl Jam e Alice In Chains nesse cenário. Não esquecendo, o rock britânico ganha novas bandas como Oasis, Green Day e Supergrass. Hoje em dia, o Rock é bem popular e composto por diversas vertentes que agradam gostos de gregos e troianos. Pode ser como bandeira de luta de tribos urbanas, fã que estudam músicas para serem Rock Stars, o Rock está presente na vida da grande massa, seja por diversão ou trabalho, apesar de todos os estigmas que o estilo sofreu desde a sua criação, como preconceitos raciais, drogas e satanismo. Como diria Gilberto de Syllos, um grande músico do gênero na região do interior paulista,

Já no Brasil o primeiro sucesso no cenário do rock brasileiro apareceu na voz de uma cantora. Celly Campello estourou nas rádios com os sucessos Banho de Lua e Estúpido Cupido, no começo da década de 1960. Em meados desta década, surge a Jovem Guarda com cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, que com letras românticas e ritmo acelerado, começa fazer sucesso entre os jovens. Já em 1970, surge Raul Seixas e o grupo Secos e Molhados, e com o movimento Tropicalista, Os Mutantes e os Novos Baianos.

Raul Seixas – Por Juan Luís Guerra

Na década seguinte, com temas mais urbanos e falando da vida cotidiana, surgem bandas como: Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Blitz e Os Paralamas do Sucesso. Na década de 1990, fazem sucesso no cenário do rock nacional: Raimundos, Charlie Brown Jr., Jota Quest, Pato Fu, Skank entre outros.


10 bandas de rock de todos os tempos:

As 10 mĂşsicas mais famosas de rock: 1-Snow (Red Hot Chili Peppers)

1. The Beatles

2-Sweet child O' mine (Guns N' Roses)

2. Queen

3-Through the Fire and flames (Dragon Force)

3. U2 4. The Rolling Stones 5. Led Zeppelin 6. Pink Floyd 7. Black Sabbath 8. Nirvana 9. The Who 10. Ramones

4-Before I forget (Slipknot) 5-Back in Black (AC/DC) 6-Paradise city (Guns N’ Roses) 7-Fear of the dark (Iron Maiden) 8-Walk This Way (Aerosmith) 9-Smells like teen spirit (Nirvana) 10-Sweet dreams (Marylin Manson)


ENTREVISTA Gilberto de Syllos Bacharel em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) dedica-se também ao baixo acústico desde 1995. Iniciou seus estudos musicais a partir do violão e tornou-se baixista aos 17 anos. É diretor e produtor musical do estúdio N&R. Já atuou como baixista e violonista em diversos musicais apresentados em São Paulo, foi compositor de trilha sonora do filme “Noir” de Diego Ruiz e atua em estúdios de gravação, tendo participado de inúmeros CDs e shows de artistas com estilos variados. Atua também como professor de música.  Qual instrumento você mais toca? Gilberto: Contrabaixos elétrico e acústico, assim como o violão. Instrumentos de cordas.  Em que você se inspirou? G: A música foi quem me inspirou a tocar esses instrumentos.  Você já fez parte de um grupo musical ou banda? G: Toco com vários músicos e formações diferentes. Ivan Vilela Trio, Marcelo Onofri Quarteto, Hot Jazz Club. Esse ano, acompanhei o filho do Tom Jobim - Paulo Jobim, com a orquestra de Ribeirão Preto.  Qual instrumento é mais procurado para aprender? G: Contrabaixo. Já escrevi dois livros sobre técnicas e aplicações na música brasileira, o primeiro que se chama Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira e o último Técnicas para baixo elétrico na Música Popular Brasileira, que foi lançado na Europa e Estados Unidos em inglês e espanhol.

 Você começou a ensinar com quantos anos? G: Aos 18 anos.  Qual seu tipo de música favorito? G: Gosto muito de música brasileira, jazz, música erudita.  O que é Rock para você? G: É um gênero musical importante na música mundial. Marca uma maneira diferente de execução musical.  O que é música para você? G: Minha profissão, vivo com ela, dependo para sobreviver dela, portando sou casado com ela.  O que recomenda para as pessoas que vão começar a tocar? G: Empenho e dedicação.  Quando você começou a tocar? E por quê? G: Com 12 anos de idade, sempre quis tocar um instrumento.  O que você pensa sobre música eletrônica e sertaneja? G: Existem coisas muito boas de música eletrônica e sertaneja, mas o que gosto não toca nem em rádio e não aparece na televisão. Toco música sertaneja com o Ivan Vilela, que é um grande violeiro.  Você toca instrumento de percussão? G: Sim, surdo.  Qual é sua banda favorita? G: De rock, Queen.  Você conhece ou já tocou com um músico famoso? G: Sim - Paulo Jobim, Ivan Vilela, Roberto Menescal, Derico do Jô Soares.  Você relaciona a arte com a música? G: Fazer música é fazer arte. ■


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