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PERGUNTAS

Artur Ferreira Filho

Chefe da Unidade Estadual do IBGE na Bahia

“Sem conhecer a condição de vida da população municipal, o poder público municipal não pode se planejar.” A partir de 31 de outubro, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) encerrará a coleta de dados para o Censo 2010, estados e cidades contarão informações importantes para nortear a criação de políticas públicas. Em sua 12ª edição, o Censo conta pela primeira vez com sistema totalmente informatizado de coleta dos dados, já que os recenseadores substituíram os questionários de papel por computadores de mão para dar mais agilidade e segurança ao levantamento demográfico que acontece no país desde 1872.

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Qual a importância do levantamento demográfico? A grande importância do Censo demográfico é o fato dele ser o único levantamento estatístico que visita todos os domicílios brasileiros. Só através do Censo, todos os brasileiros são investigados. Nem sempre eles são entrevistados, mas certamente todos serão contados e os dados de todos os brasileiros contabilizados. É importante ressaltar isso porque acontece muito das pessoas se dizerem não recenseadas porque não tiveram contato com o recenseador. Neste momento, o recenseador pode estar em nossa residência levantando os dados com alguém que está dando a informação. É por isso que a gente diz que todos os brasileiros são recenseados, mas nem todos são entrevistados. Essa importância de se obter dados de toda a população, em todos os municípios, é que dá ao Censo esse caráter de levantamento único da década. Só através dos dados do Censo demográfico é que se pode ter a noção de toda a população brasileira, de todos os municípios. Sem conhecer a condição de vida da população municipal, o poder público municipal não pode se planejar. Ele tem tudo para planejar após o resultado de um Censo, que vale para uma década. O fato do Censo só ser feito de dez em dez anos é um ponto importante para ele valorizar ainda mais esse momento. Nós só vamos poder fazer isso novamente daqui há dez anos, então, se o Censo não for bem feito, nós vamos ter uma década de dados incoerentes. Como é feita a contagem populacional? São estabelecidos dois tipos de questionários. Um questionário mais simples que todos os domicílios respondem com cerca de 30 quesitos básicos, e o questionário da amostra com 120 quesitos, que é aplicado dependendo do tamanho do município: uma amostra de 50%, 30%, ou 20% até de 5% das casas. Numa capital onde a população é mais de 500 mil habitantes, esse questionário só é aplicado de 20 em 20 domicílios, numa amostra de 5%. Estatisticamente, esses dados podem ser extrapolados para todos os municípios. É feito o Censo em todos os municípios, mas nem todas as perguntas são feitas em todos eles. Você pode ter um vizinho onde o recenseador passou 50 minutos, quando na sua residência ele só passou 15. Às vezes as pessoas até reclamam. Quais as maiores dificuldades encontradas pelos recenseadores e de que forma o poder público pode ajudar a saná-las? Nossos recenseadores enfrentam duas dificuldades básicas, dois extremos, na realidade. No interior, em regiões mais distantes, a dificuldade é chegar. O estado da Bahia é muito grande. Para o IBGE fazer o Censo, nós dividimos o estado em setores censitários, que são pedaços dos municípios: cada pedaço desse é a área geográfica de cadastro do recenseador. Muitos desses pedaços ficam distantes da sede do município. São áreas muito grandes que constituem setores onde os domicílios estão rarefeitos, longe um do outro e aí a gente tem

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Caro Gestor - edicao 03  

Revista e Portal da Gestao Publica

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