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ENTREVISTA Você tem uma história importante construída no jornalismo político da Bahia: é uma das principais vozes na cobertura política no estado. Como você avalia a cobertura política que é feita atualmente nos principais jornais do estado não só na capital, mas principalmente no interior? Olha, com relação à capital, a cobertura política tem transcorrido durante esta campanha de forma correta, por enquanto, embora existam alguns fatos que normalmente ocorrem durante períodos assim. Com relação ao interior, existe uma lacuna que dificulta a comunicação entre capital e interior porque, infelizmente, nós temos poucos jornais. Há o jornal A Tarde, que entra no interior, mas não como antes, quando ele estava mais presente. Os outros dois jornais, o Correio da Bahia e a Tribuna da Bahia não penetram no interior. Então a política que é gerada na capital e que chega no interior normalmente acontece através dos sites, entre os quais o Bahia Noticias, e através das rádios. Eu recebo muitos pedidos de radialistas que querem ler

a coluna que eu faço no Jornal A tarde, por exemplo, e costumo liberá-los para copiar ou transcrever ou ler o que quiser porque, na medida em que eu solto uma informação em um veículo impresso, aquela informação passa a pertencer à comunidade, ao público. Ela deixou de me pertencer, só a assinatura me pertence. Então, existe este problema: a Bahia tem poucos jornais no interior que merecem, ou que já deveriam ter uma qualidade melhor do que já tem. É uma deficiência contra a qual eu me bato desde que assumi a presidência da Associação Baiana de Imprensa. Eu tenho 24 anos à frente da entidade e estou fazendo agora meu ultimo mandato. Eu sempre lutei pela imprensa interiorana mas sempre também tive complicações com ela, sobretudo as rádios, e principalmente nos períodos eleitorais, até em brigas familiares, fugindo da política. Então o que acontece, é um quadro diferente do que existe em São Paulo, onde os veiculos de comunicação são fortes no município. Aqui são poucos os veículos interioranos que têm a capacidade de reverberar aquilo o que acontece

“Eu acho que o municipalismo é a grande força que ainda vai crescer na Bahia” 12

no país a nível nacional e estadual na política. Como você define o cenário político que se reformulou com o fim da era carlista? Eu sabia absolutamente que a Bahia ia mudar, fundamentalmente, na questão política depois da morte de Antonio Carlos Magalhães, porque ele sozinho segurava o grupo. O homem com quem eu briguei e enfrentei durante muito tempo, e a Bahia tem consciência disso, tentava controlar a imprensa baiana. Ele tinha jornal, um jornal politizado, que não tinha uma opinião neutra, que fazia um jornalismo partidário. Meu jornalismo no jornal A Tarde sempre foi pautado pela independência e pela liberdade, e eu também não podia permitir que este tipo de jornalismo fosse subjugado, não só pelo meu temperamento, não só pela minha forma de pensar, mas também pelo fato de eu ser presidente de uma entidade que preza e que luta pela liberdade de imprensa e pela independência. Com a morte de ACM aconteceu um fato: esse me

“O menino, o ACM Neto, no final, vai ser o herdeiro do Antonio Carlos em termos políticos, mas herdeiro de um minifúndio”

Caro Gestor - edicao 03  

Revista e Portal da Gestao Publica

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