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Manual de produção

Linha de maquiagem refil Manual de produção

Um projeto de:

Carmem de Andrade Giulianna Ciuffo Mariana Linhares Michele Pereira Orientado por:

Marcelo Pereira Roberta Portas

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4 Garbo: Linha de maquiagem com refil


Manual de produção

Sumário

06

1. Introdução

08 12

2. A linha de embalagens

1.2 O setor de cosméticos

3. Detalhamento técnico 3.1 Materiais 3.2 Tampa da embalagem 3.3 Recipiente refil 3.4 Base da embalagem 3.5 Processo de produção

24 28

4. Conclusões pessoais 5. Bibliografia 6. Agradecimentos

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6 Garbo: Linha de maquiagem com refil

1. Introdução As embalagens já fazem parte do nosso cotidiano. Todo o produto necessita de um invólucro para protegêlo e aumentar sua vida útil, seja no transporte, no armazenamento ou até mesmo quando já estamos em posse dele e precisamos carrega-lo conosco. Após a utilização do produto, muitas vezes não percebemos a importância de se dar o destino correto a essas embalagens que estão sendo produzidas e logo são descartadas a todo o momento, a maioria delas sendo constituída de forma que impossibilite ou dificulte sua reciclagem. Há maneiras já conhecidas para impedir que isso aconteça com tanta frequência, como a coleta seletiva, a reutilização destes materiais para outros fins e, atuando no campo da produção, os sistemas de refis que reduzem a quantidade de matéria-prima produzida, o que dá a essas embalagens um ciclo de vida maior, já que muitas delas levam centenas de anos para de desfazer espontaneamente na natureza. Portanto, nossa proposta consiste em diminuir o consumo, a produção e consequentemente o descarte de embalagens.


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1.2 O setor de cosméticos O considerável avanço do consumo de bens supérfluos nos últimos anos se deve a alguns fatores, como o aumento do poder aquisitivo das classes sociais mais baixas e a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho. O papel da mulher na família e na sociedade foi recentemente modificado, e o mercado veio se adaptando para oferecer a essa mulher os produtos dos quais ela precisa, projetados para ela. Nesse contexto chegamos ao setor de Perfumaria e Cosméticos que, apesar de maciços investimentos em linhas de produtos, ainda sofre uma carência no desenvolvimento de embalagens que melhorem não só a experiência da consumidora com o produto, mas a política de redução de danos ao meio-ambiente, da empresa fabricante.

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8 Garbo: Linha de maquiagem com refil

2. A linha de embalagens Para um estudo de caso, escolhemos a embalagem de pó compacto, visto que este é um dos produtos mais consumidos quando o assunto é maquiagem, e também o que é mais rapidamente descartado, devido a sua necessidade de reposição contínua e fragilidade. Observamos em nossas pesquisas com embalagens similares já existentes no mercado um mau aproveitamento do produto devido ao formato da embalagem onde o mesmo é armazenado. No caso do pó compacto que é bastante delicado, e requer um maior cuidado em seu manuseio, ocorre sobra de considerável parte do produto nos cantos da peça (geralmente de plástico ou alumínio) que o recebe. Esta peça ou berço se apresenta em sua maioria em formato arredondado, porém possui uma quina em toda sua extensão. O produto, quando perto do final, acaba se acumulando nessas quinas, o que dificulta ou impossibilita a aplicação. Resultado: A consumidora que procura sempre um resultado uniforme e natural, acaba por jogar a embalagem antiga (mas não totalmente usada) fora e opta por usar um produto novo que garante melhor resultado de aplicação. Por esse motivo nossa embalagem apresenta o formato totalmente oval da peça onde é despejado o pó compacto, sem quinas, o que proporciona um total aproveitamento do produto. Um quesito bastante persistente em nossas pesquisas atenta para outra forma recorrente de desperdício do produto: As quedas. O pó compacto é um produto do cotidiano da mulher moderna, portanto está sempre junto dela onde quer que vá, carregando consigo em sua bolsa ou estojo. Por esse motivo, a embalagem


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está sempre sujeita a alterações provocadas por quedas, arranhões, ou variação de temperatura. Devido ao sistema de fecho que a maioria das embalagens atualmente no mercado possuem, onde a tampa se prende à base por uma dobradiça, o pó acaba por vezes se espalhando dentro da embalagem ou mesmo fora dela, sujando os demais pertences que estiverem pertos. Isso além de provocar um desperdício do produto, também provoca aborrecimento e insatisfação por parte do cliente prejudicado. Para que este problema não ocorra, a embalagem aqui apresentada possui um sistema diferenciado de fechamento, mais firme e seguro, priorizando o bom acondicionamento do produto. A tampa possui dois pinos e se separa completamente da mesma, impedindo a embalagem de abrir por acidente dentro da bolsa. O Sistema de refil presente na embalagem é o que agrega maior valor e também seu principal diferencial. Para que menos embalagens sejam descartadas incorretamente, visamos um sistema onde a consumidora vai manter o recipiente principal - constituído de tampa e base - em uso por muito mais tempo, enquanto a troca da peça do refil possibilita a ela uma perceptível economia financeira. Esse refil deverá ser entregue ao produtor quando o produto estiver no fim, no ato da compra de um novo refil. O material do refil, constituído de PP transparente, foi escolhido para que haja um aproveitamento do refil que poderá ser usado na fabricação de outros materiais. O resto da embalagem é constituído de ABS para proporcionar um ótimo acabamento e maior resistência à possíveis quedas. A linha tem como tema ícones atemporais de beleza e moda que até os dias de hoje são seguidos e adorados. No estudo do pó compacto, a atriz Greta Garbo empresta seu sobrenome à embalagem. A atriz Greta Garbo.

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Manual de produção

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12 Garbo: Linha de maquiagem com refil

3. Detalhamento técnico 3.1 Materiais Os materiais escolhidos foram, para a tampa e base da embalagem, o plástico ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno) e, para o recipiente de refil, PP (Polipropileno). Os motivos que justificam esta escolha são a excelente rigidez, boa resistência mecânica e boa aparência após processamento apresentada pelo ABS, e a resistência à flexão prolongada e capacidade de retornar à geometria original do PP. Como características desses materiais, temos: ABS – cristalinidade muito baixa, excelente acabamento superficial e custo médio. Tem capacidade de reproduzir detalhes com excelente precisão (textura, logotipo, etc), porém é sensível a temperaturas superiores a 100ºC, abrasão, exposição aos raios ultravioletas e ao contato com ácidos em geral, MEK, ésteres e óleos lubrificantes. Além disso, possui diferentes formulações que devem ser escolhidas de acordo com o desempenho desejado. A maior presença da acrilonitrila propicia resistência química, resistência a altas temperaturas e ao intemperismo; o butadieno aumenta a resistência ao impacto, flexibilidade e retenção de propriedades a baixa temperatura; e o estireno propicia brilho e moldabilidade. PP – material semicristalino, atóxico, fácil pigmentação e processamento, baixo custo, dificuldade em obter brilho, pintura, impressão e colagem. Resistência ao impacto menor que a do PEBD (Polietileno de Baixa Densidade), que apresenta excelente resistência, resistência térmica (em torno de 80ºC sob solicitações mecânicas), resistência à flexão prolongadas (resistência à fadiga dinâmica) e capacidade de retornar à geometria original após a eliminação de um esforço, considerado assim um plástico com “memória”. Sua limitações são, basicamente, pouca rigidez, estabilidade dimensional, resistência ao riscamento. (LIMA, M. A. Magalhães. 2006)


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3.2

Tampa da embalagem

3.3

Recipiente refil

3.4

Base da embalagem

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14 Garbo: Linha de maquiagem com refil

51

75,439

• Vista superior

• Vista frontal

28,037

A

18,037

A

Có di go

Pr oj et o

It em

Embalagem fechada

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


Manual de produção

15

• Vista frontal

B

SEÇÃO A-A

DETALHE B ESCALA 2 : 1

Có di go

Pr oj et o

It em

Embalagem fechada

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


16 Garbo: Linha de maquiagem com refil

Tampa da embalagem

3.2

• Perspectiva

• Vista superior

Có di go

Pr oj et o

56,563

8

76

5,800

1,975

It em

Tampa

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Acrilonitrila Butadieno Estireno - ABS

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


Manual de produção

17

B

3

2,200

10

B

15,200

• Vista lateral

2,200

7

• Vista frontal

7,994 SEÇÃO B-B ESCALA 1 : 1

62,200 59,400

Có di go

Pr oj et o

It em

Tampa

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Acrilonitrila Butadieno Estireno - ABS

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


18 Garbo: Linha de maquiagem com refil

3.3

Recipiente refil

• Perspectiva

70

4 4,

R3

57,172

• Vista superior

R53,032

Có di go

Pr oj et o

It em

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Polipropileno - PP

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


Manual de produção

19

• Vista lateral 72

16

19

C C 68,941

• Vista frontal

16

0,700

SEÇÃO C-C

16

5

9,500

48,891

Có di go

Pr oj et o

It em

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Polipropileno - PP

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


20 Garbo: Linha de maquiagem com refil

3.4

Base da embalagem

1,633

• Perspectiva

D DETALHE C ESCALA 2 : 1

2,041

C

DETALHE D ESCALA 2 : 1

76

57,172

• Vista superior

Có di go

Pr oj et o

It em

Base da embalagem

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Acrilonitrila Butadieno Estireno - ABS

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


Manual de produção

21

• Vista lateral

0 50 5, R1

18,037

A A

• Vista frontal

49,391

6

SEÇÃO A-A

Có di go

Pr oj et o

It em

Base da embalagem

De si gn er

Ob s

Ma te ri al

Es ca la

Medidas em milímetros Acrilonitrila Butadieno Estireno - ABS

Da ta

1:1

NOVEMBRO 2012


22 Garbo: Linha de maquiagem com refil

Exemplo de personalização.


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3.5 Processo de produção O processo de produção recomendado para todas as peças que compõem a embalagem é a Injeção, método que permite o uso de ambos os termoplásticos PP e ABS como matéria-prima para o objeto a ser produzido. Este processo também é o mais indicado para peças que necessitem de alta precisão no detalhamento, mantendo um bom também acabamento. O material deve ser injetado na forma de grânulos, e conformado a partir de um molde de metal previamente preparado. Haverá três moldes distintos, um para cada item, possibilitando maior personalização da embalagem, caso a empresa que encomende aplique algum tipo de relevo (na tampa, por exemplo). Ainda quanto à personalização, o ABS ainda permite a aplicação de novos detalhes através dos processos usinagem, colagem, pintura, impressão, metalização e ainda outros. Assim a embalagem pode adquirir o aspecto que a empresa desejar, somente na parte exterior.

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24 Garbo: Linha de maquiagem com refil

4. Conclusões pessoais Carmem O ritmo acelerado de desenvolvimento do DSG 1005 assusta um pouco no início do semestre, mas creio que é uma transição necessária, pois todos os projetos anteriores tem uma fase de pesquisa muito extensa, o que acaba encurtando o tempo de desenvolvimento e prototipagem do projeto em si. Fiquei satisfeita com toda a orientação oferecida na disciplina, pois mesmo desenvolvendo um projeto que não é da minha habilitação, para o qual eu não havia sido preparada até então, tive professores aptos a me orientar especificamente sobre as questões que surgiram no decorrer do período. Como uma aluna de comunicação visual, valorizo as oportunidades que a universidade oferece de desenvolver projetos híbridos, e ter uma formação o mais completa possível. Devido à dinâmica da disciplina, dificuldades com relação a esse conflito de habilitações não foram empecilhos para o bom desenvolvimento do projeto. Para mim, o aprendizado começou desde a escolha dos parceiros de projeto, os exercícios propostos no início do período me ajudaram a perceber quais os fatores que devem ser levados em consideração no momento dessa escolha. A opção pelo tema do projeto também veio através de uma reflexão sobre o que seria mais relevante para sociedade, mais do que por uma identificação pessoal com a natureza do produto a ser desenvolvido. Mas as principais habilidades desenvolvidas foram sem dúvida a pesquisa rápida e análise dos dados, comportamento do público-alvo, além das competências necessárias para desenvolver um projeto de produto (os problemas que aparecem em cada etapa do projeto, e como podemos nos antecipar a eles).


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Giulianna O projeto 5 foi bastante desafiador, pois nosso projeto acabou se encaminhando para o lado de elaboracao de um produto e com um grupo formado por alunos de comunicação visual e mídia digital tivemos que pesquisar e estudar bastante a respeito de materiais, modelagem e formas de produtos do ramo que resolvemos trabalhar. Por sorte sempre estivemos acompanhados de excelente professores nos guiando e nos estimulando a criar novas alternativas para nosso projeto. Com o passar do tempo começamos a ver e sentir nosso produto tomando forma e caminhando para uma evolução extremamente perceptível. Gostaria de agradecer aos professores Marcelo Pereira e Roberta Portas por terem nos guiado nessa jornada pelo projeto 5, nos auxiliando e fazendo com que nosso projeto evolui-se e se torna-se possível. Também gostaria de agradecer ao professor Marco Antonio Magalhães Lima que nos auxiliou e sempre se mostrou muito solicito a nos ajudar quando estávamos desesperados com duvidas em questões de tipos de materiais a serem utilizados para desenvolver nosso projeto e alternativas de elaboração de protótipos e produto final. O resultado de nosso produto foi surpreendente, conseguimos reunir todos os conhecimentos adquiridos nesses anos que estamos cursando Design e os novos conhecimentos adquiridos no decorrer do projeto 5. Elaboramos um produto com um estética simples e desafiadora, que pode ser muito bem utilizado pelas empresas do ramo de maquiagem oferecendo ao seu cliente a elegância do design da embalagem e praticidade de comprar um produto e futuramente só precisar adquirir um novo refil.

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26 Garbo: Linha de maquiagem com refil

Esse projeto com toda certeza fez com que meus pensamentos sobre design adquirissem novos valores, pois temos que estar aptos a atender todas as necessidades de nossos futuros clientes, mesmo que não seja da área em que somos habilitados, temos que sempre que estudar e cada vez mais adquirir novos conhecimentos sobre o mundo que cerca o design. Obrigada mais uma vez a todos os professores que contribuíram para o nosso projeto, que compartilharam seus conhecimentos e experiências e que nos ajudaram sempre em que precisamos de ajuda.

Mariana Fazer um projeto de outra habilitação em um período avançado da faculdade pode parecer, para muitos, uma escolha insensata. Como aluna de mídia, apesar de já ter feitos outros projetos de PP, digo que este foi o projeto mais difícil que já fiz até agora. Não pelo tema ou pelas propostas do DSG1005 em si, mas por já estar com conceitos e um pensamento formado em cima de 7 períodos de outros tipos de aula. Ter que aprender tudo relacionado ao nosso projeto em cima da hora, em tão pouco tempo, foi desesperador, mas o resultado final é gratificante. Não só por achar que ficou bem feito, mas por perceber que é possível fazer algo fora da minha área e que não pareça um projeto criado em DSG1001, com a desculpa de estudar uma habilitação completamente oposta. Coisas que antes pareciam “de outro mundo”, como fazer desenho técnico ou escolher materiais, acabaram fluindo e sendo feitos por causa da necessidade de serem feitas, demonstrando a capacidade de trabalho e aprendizagem do grupo. Recebemos muita ajuda durante o processo, ajuda esta que nos enriqueceu enormemente, desde opiniões sobre o resultado que vinhamos tendo até sugestões sobre novas possibilidades.


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Por essa ajuda queria agradecer imensamente ao professor Marco Antonio e ao colaborador Bruno Verschleisser, que nos deram tanta atenção. Agradeço também aos nossos professores, Marcelo e Roberta, por nos terem incentivado independente das dificuldades e sabendo que éramos um grupo de mídia e CV fazendo um projeto de PP.

Michele Neste semestre de 2012.2 tivemos a oportunidade de realizar um projeto que além e contribuir para o campo do design, também possui uma grande responsabilidade social, pois lidamos com o tema do descarte de materiais. Dentre as opções propostas, meu grupo escolheu trabalhar com embalagens, o que se revelou um verdadeiro desafio para todos os componentes do grupo, divididos entre as habilitações de Comunicação Visual e Mídia Digital. Por não estar inserida neste mundo de Projeto de Produto, este fato inicialmente pareceu ser uma dificuldade, porem acabou me proporcionando um imenso aprendizado em uma área ainda não tao explorada, exigindo muito mais esforço. Durante todo o projeto meu grupo contou com a ajuda de professores e colaboradores especializados que tiraram nossas duvidas e nos guiaram para o caminho certo e mesmo com as adversidades ao longo do processo, posso dizer que cheguei ao final do período e do projeto com o sentimento verdadeiro de que novos conhecimentos me foram adicionados. Agradeço profundamente aos professores por se mostrarem sempre solícitos às nossas dificuldades, aos colegas de grupo e a todos os professores e colegas que nos ajudaram de alguma forma para que esse projeto fosse concluído com sucesso.

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5. Bibliografia LIMA, M. A. MAGALHÃES. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2006. NEGRÃO, Celso e CAMARGO, Eleida PEREIRA DE. Design de embalagem: do marketing à produção. São Paulo: Novatec Editora, 2008.

6. Agradecimentos Marcella Monteiro Marco Antônio Magalhães Lima Bruno Novo Verschleisser Marcus Filipe Ribeiros


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