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Coreografias de amor

Poesia

Zito da Fonseca

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Malanje, Angola Autor: Zito da Fonseca Correio eletrónico: Autor Zito da Fonseca Revisão : Manuel Manços Assunção Pedro Paginação e arquitetura: Carlos Margarido Design: Carlos Margarido Capa: Carlos Margarido Impressão e acabamentos: 1ª Edição Tiragem:

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Prefácio Prefaciar o Livro do escritor Zito da Fonseca é , para mim motivo de honra e de alegria, por vários aspectos, que talvez, não consiga enumerar, mas tentarei essencialmente, expressar em poucas palavras . Graças ao estreitamento de relações Via Internet, pude conhecer meu irmão Zito da Fonseca, residente na província de Malanje (Angola ) e de desafiar a Geografia Física “ aumentando minha família de alma. Somos irmão de coração e de letras Seus versos, poemas, exprimem todo o sentimento possível, desde alegria, tristeza, suor, sangue, sorrisos,lágrimas e muito amor. Versos de VIDA Parabéns, querido mano de Angola Minhas reverências ao estimado amigo e escritor Carlos Manuel Alves Margarido, padrinho desta obra . Este Livro escrito em Angola, tem apoio de Portugal e a bênção do Brasil . Abraços de irmâ Mirian Menezes de Oliveira Professora, e escritora Acadêmica estrangeira do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (Portugal) Acadêmica correspondente da (ALG) academia de Letras de Goiás Brasil Acadêmica imortal de Iguaba grande- Rio de Janeiro.

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Agradecimentos Ao Senhor todo-poderoso, pelo privilégio de ter nascido Ao Caríssimo Carlos Manuel Alves Margarido Ao amigo irmão, Gomes Soares (Fredy Ngola) Aos poetas João Morais, Poeta Rasgado, Mirian Meneses de Oliveira Francisco Ngola À escritora Amélia Da Lomba, pelo apoio À professora Kudyalela ao tio Paulo Aos amigos Celso Gaspar, Diogo Miguel, Jojó Vintem, Sebastião Luís, João Leandro, Alberto Jacinto Zonda Aos irmãos, Sabino da Fonseca, Avelino da Fonseca, Joana Pintinho Aos primos, Beto, Avozinho, Manucha Aos tios Faustino Muieba, Armando Muieba (falecido) Às minhas filhas, Joana Fonseca e Adalmira Fonseca Aos meus pais, Manuel Fonseca e Suzana Muieba Aos meus sobrinhos e a todos meus familiares, do fundo da minha alma agradeço. A todos quantos tornaram possível esta obra, Os meus sinceros agradecimentos.

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Dedicatória Dedico esta obra a si, caro leitor, A todos os batalhadores do amor, Aos meninos sem abrigos... Para lhe ser sincero É na profundeza da minha alma que existe a dor. Eu não queria Que um de nós fosse distante do outro, Entre nós alguém ser chamado mendigo, Sem abrigo, Todos nas ruas lhe vissem como inimigo!

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Biografia do autor Nome: José Manuel Fonseca Pseudónimo literário: Zito da Fonseca Nasceu no município de Luquembo, província de Malanje, Em 10/ 10/ 1988, filho de Manuel Fonseca e de Suzana Muieba Começou com os seus estudos em Luquembo onde frequentou os seus estudos primários. Devido à situação de guerra ou o conflito armado, que havia, foi obrigado a abandonar a escola. Tendo-se destacado em Malanje, município onde vive até agora em companhia dos seus pais. Em 2001 começou a dar sequência dos seus estudos, até à actualidade. Por uma questão de curiosidade, começou a compor letras musicais, na altura o sonho ou ideia era ser músico. Compunha assim letras diversas que tinham a ver com a sociedade, mas num estilo mais romantizado. Mais tarde foi-se apaixonando pela literatura, algo que surgiu do nada ( por acaso). Já depois de ter lido muitos livros de poesia, e muitos poemas de autores desconhecidos, bem provável que devido a este hábito de leitura e por ter-se interessado por um livro de poesia De um escritor angolano, intitulado Sagrada Esperança e muitos outros livros, nasceu nele a vontade e a maturidade de compor poesias. Acha que por ter-se aventurado e mergulhado nas letras amargas de um livro do Doutor António Agostinho Neto, por isso ganhou tão rapidamente a flexibilidade de escrever e declamar poesia. Foi a partir dai que começou a escrever a poesia do seu estilo e inclinou-se nessa vontade que se chama poesia até à actualidade. Começou assim a compor letras poéticas; não se lembra da primeira letra que compôs. Lembra-se simplesmente que desde aquela data escreve sem parar. Um batalhador, como a vida o ensinou. Em sua memória sempre recordou de uma frase muito antiga: Deus nunca dá sonhos sem que dê forças para consegui-los. Palavras como estas tornaram-no homem, persistente, e vivenciados os factos. Como prova disso é o livro que compartilha consigo. 6


Lamento Os sentimentos são factos Exprimidos nos teus olhos Sangue sentido no meu Facadas estranhadas No chicote da tua dor O sistema é um problema Da tortura física dos antes queridos Na dor que sentimos No entanto amo te tanto O meu húmico desejo É poder ter o teu amor E prosperar

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Leitura Leio-te aqui, Percebo-te facilmente, Em cada palavra, estranha. Entendo-te aqui, No pouco, no fulgor de mim… No latejar esmagado, Na confiança da amizade. Vasculho aqui, O tom da sensualidade, O erotismo do teu parágrafo, No âmago das vírgulas, Que bem entendo! Quero-te aqui Imagem de prazer e sabor Abrigo eterno Conduz a minha vida

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Malanje a nossa nobreza Malanje terra linda, Agradável postura edificada Quem te odeia Reconhece a tua beleza Malanje porquê? Tanta inveja Se o teu povo é humilde E preserva as quedas de calêndula, E a nossa Palanca Negra gigante Malanje centro do meu país, És raiz da maior nobreza, O contemplar da natureza. Malanje, és imensa, Os teus descendentes Malanjinos Falam de ti com brio Eis-me aqui, Malanje, Orgulho-me Por ser teu filho Malanje minha mãe terra Viveremos no meu tempo Guarda-me a carne Quando o céu me levar a alma

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Maravilha Adoro o teu corpo de mulher Quero ser o espelho Do teu rosto Da tua pele nua Da tua fantasia Vales mais que ouro Que todos os símbolos Ou cores e riquezas És mais brilhante que um diamante Quero ser a tua água Bebido no meu céu Na cama verde da natureza No amarelo sol Quero ser o teu anjo meigo Reconheço o teu cheiro És de uma beleza incomparável És tudo em mim Nos espelhos do amor

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Me ame por Amor de Deus Trago rosas, Serenatas de sombras, Trago versos e beijos, Palavras húmidas, Definidas, Sonho contigo Apesar de sermos amigos. Amo-te, Incompreendido, quero-te possuir Amiga amor da minha vida És o morfológico da minha poesia. Ame-me por amor Do senhor, Ainda que seja por metade. Cá se encontra a saudade…

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Minha rainha Quando me arranhas, Cospes-me, Despes-me; Leva-me pela cama, Ama-me. Quero saber o quanto me amas És o verde do semáforo Das ruas da cidade A vida, a alegria Do gelado da criança Recarregas as emoções A dignidade os costumes O leque, o gume És encantada A luz de vela Neste continente que tudo se revela, Abraço as paredes da tua casa Penso em ti na tua ausência És as páginas do meu amor O livro da minha vida O queijo do pão O beijo do meu desejo Ouço a tua voz Não sei como te encontrar Nas lágrimas da chuva Choro continuadamente

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Música Felicidade da alma, Uma letra que apetece Cantar, gritar, dançar, Fazer crítica literária, Ecoar a voz pelo mundo, Desfazendo maldade, A música poética, Fascinante, Num silêncio do vilão, Ao palco a resistência do cântico, Uma música feita sem letra, Ouvida em coro, em eco, Entoada no desaparecer dos homens. Nas suas alíneas, virgulas, Pausas nos compassos, Em cada estrofe uma outra música, Que simplesmente será tocada no aniversário de sua Excelência Cantada pelos artistas, Articulada no desespero das mulheres. A música que não causa dor nem horror, Nos ouvidos do povo há-de chegar E o povo cantará mesmo em silêncio No calafrio. Música mista, mística Imensa do rosto da humanidade, De canto pelo canto, No encanto, um outro portanto Atravessando as barreiras, Pairando nos oceanos, rompendo os mares. Pelos caminhos, festas da mesma música, O coro em semblante, a mímica Da música lírica Composta e poética. 13


Nada me Pertence A beleza A certeza A tristeza A natureza A vida A saída Nada me pertence A morte A sorte o destino O hino A liberdade A responsabilidade A dignidade A curiosidade A santidade Nada me pertence Nem a existência Nem a exigência nem, Nem a fama Nem calma Nem a esperança Nem a confiança Nem a coragem Nem a imagem Nada me pertence O mal O bem O além O fatal O gosto O desejo O respeito O sonho O carinho Nada me pertence Nem o perfil Nem o possível Nem o agradável 14


Nem o desagradável Nem o pensamento Nem o crescimento Nem o momento Nem o acontecimento Nada me pertence A paixão A solidão O frio O rio O silêncio Nada me pertence Nem o fim Nem o princípio Nem o amanhecer Nem o entardecer Nem o recordar Nem o lembrar Nada me pertence O código O sermos amigos O cantar O agradar Perder O prazer O ganhar O esquecer O ter Nada me pertence Lágrimas só lágrimas Apenas resta perder a vida.

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Não entendo Desconhecia que o choro, causaria azáfama, Consisto atabalhoado, Não percebo o porquê deste juízo. Como poderás condenar Os gritos das palmas das mãos Silenciar cria tumultos As lágrimas matam o sonho Quando o ruído do povo incómodo Os que não sabem mandam Até uma simples sombra é julgada em tribunal, Os pequenos bizarros também são o mal. Mas afinal qual é o mal? Do povo poder falar Ah! Estou com pena de mim, Estou com medo da minha voz, O que direi? Por não aceitar poder amar A minha terra Não vou escrever na escuridão Vou falar não condenar Irei desabafar não caluniar Cantar é calar. Oh! Estou doente de mim, Das palavras das canções não cantadas, Estou doente de nós, de uma febre contagiante. Por não entender a supremacia. Ainda me dizem que há democracia. Não entendo, O porquê da vergonha.

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Nas entrevistas não falo Não vamos criar temáticas políticas. Com quem poderei falar? Com eles não falo, Eles também são como eu, Sem gabinetes, sem direcções; Não, não posso ser testemunha, Nem dar detalhe das vidas alheias. Vamos evitar antes que os humanos nos julguem, De lixo não podemos falar. O que somos, Um programa banal, fatal, Uma ilusão do mal. Enquanto nos for impedido, jamais Seremos capazes de rever o que realmente é de nós.

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O amor Ouve-se não se escuta, É uma sensação que amarra, Não se desata, O amor não se cansa, Do semelhante Do sentido da ordem Da cura sem censura Todo o afecto amadurece Não apodrece, O amor é um sentimento, Bonito, recto, Que caminha no palmo da palavra O amor é a frase certa, Quando se sente no fundo, Só o amor nos une, Habita nos lares, Pondera os seres, O amor é o maior dos sentimento, O melhor dos pensamentos, Quem ama cuida, Recebe, não aborrece Friso, O amor nasce, cresce… Pinta o escuro Lindo e seguro Não tem dor Quando se pretende o melhor, Do calor do amor, Haja amor, Ao semelhante Até aos demais, Clarifica o momento, Do paixão crescente, Quem amo é puro O amor é um sentimento real, O mais espiritual. 18


O esmero Os olhos torturam-me, A vida contraria os meus sentidos, As tuas emoções abandonam-me O desejo descontrola-me profundamente Não me canso Humilde, convido-te Só quero-te dar A alegria a nobreza O melhor de mim Sou um coitado, Sem ti a rodar Esmero-me para te agradar Sozinho não quero ficar, És o prazer da eternidade Não um momento Não me tortures meu amor Fica comigo

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O nosso sentimento numérico Vamos repartir a dor E consumir o amor . Vamos ser 1+1para dar dois (2) Assim seremos nós Vamos subtrair os nossos problemas Nas algemas banais Vamos ser fiéis Triplicarmos os nossos sonhos Os nossos carinhos E caminharmos juntos Vamos na poesia declinar, Na geografia, na história, Na geologia e na pedagogia, Vamos ser matemáticos Para calcularmos a nossa amizade, A nossa liberdade, Exprimirmos a nossa dignidade, Vamos tirar, igualar Os nossos sentimentos Aquáticos que nos afugentam. Vamos ser múltiplos dos nossos conhecimentos, Das nossas parcialidades, Vamos ser definitivamente iguais, De dois (2) para um (1) O nosso amor é ideal, É o zero, É o principio, Vamos contar de zero Até milésimas, Trocar as nossas impressões, Conferir os números Sem fim, até que se engajem em mim.

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Ontem dizia o amor Descobri no teu olhar doce A poesia total da humanidade O teu ser é o significado da minha existência, A solução sem problema. Resolvi então convidar-te, A pisar a minha passarela, Vermelha emocionada Sem saberes que és a minha vida Pensei em ser fiel, Confessei em nunca lhe ser cruel, A primeira palavra que veio à mente. Chorei aos teus pé, Abraçado a ti, Dei-me a conhecer Quero-te pertencer Chamar-te meu amor Não me magoes Com palavras Que não vem no dicionário Dá-me coragem Para poder conquistar O teu coração duro de pedra Dói-me a mudez Que a solidão me veste Só penso em ti Na tua voz linda Suave, encantadora Acredita, senti a magia Chamei-te de rosa formosa Cantei-te a natureza do amor Numa serenata Vem à janela completar o meu sentido de amor. Ontem e hoje amanhã irei-te amar… 21


Oração dos Senhores Senhor dos senhores Conceda-nos o perdão de pecar O pecado de amar Conceda-nos senhor o valor O dom de maltratar O possível de castigar No sangue dói No espírito a vaidade Na alma o castigo de enobrecer A vontade o sonho, em decrescer Senhor dos templos Conceda-nos o dom do espírito santo.

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Os poetas dialogam Nos quartos fechados, Nas casas isoladas, São o barulhos de ninguém, Sussurram os poetas. Calados, mudos, Argumentam Dialogando a sós, Nas cadeias Fechadas, escuras, Nas aldeias do bom ar. Nas conspirações Favoráveis, No pomar do mato. Onde os pássaros Cacarejam, Aí escutas A voz do poeta. Abandonado, Algemado, Sem mãe, sem filho, Sem pai Lança o grito Pela terra. Sem vida A dedicado a alguém, Aí precisa-se também... Mas o poeta que chora. É um poeta Conhecedor dos sacrifício, Adormece nas madrugadas, Dos sonho da vida, Que realiza … 23


Viaja-te do mundo, Reconhece as vozes, Da imortalidade dos pais. Fala da paz da vida Nesta correria Os poetas dialogam, cacarejam, Argumentam, sussurram, Sem medo de ninguém, Sem vergonha, nem timidez Da poluição do ar. Soltam a voz, Como se estivessem cadeados, Lançam gritos De aflição pelo mundo: Socorro, socorro, socorro... De dentro de uma prisão Afinal Ainda não esto perdido, Rocam vozes Que pedem ajuda, Afogadas Nos gritos despercebidos, Afinal quem são eles Os poetas continuando A preparar o mundo, Na fantasia Que afogar do mar, E trás o tempo perdido, percebido. Aí, os poetas rezam, Dando gritos aos sacrifícios perdidos.

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Os sulanos gostam “O sotaque” O meu sangue de coelho Transformado em vida Para além de água O meu espírito Voador, Caçador, Sonhador. O meu corpo Esquecido pelo feitiço, Ainda o meu abraço. O meu dossiê Das mulheres dançarinas, A minha vida Trajada de vida. O mundo dos corajosos, Dorsos, dos invejosos, Pecadores. Do apalpar das coisas inúteis, Do mundo das mulheres, Nas horas difíceis, Gritando pela vida socorro. O meu tempo, Feito o tempo Nas matas de Luquembo, Na saudade perdida Nas sombras queridas, O meu amanhecer Não vê o dia passar Até recordar Acordado pela noite O meu ser difícil, 25


Chora grita Nos coros diários Preenchido de pensamento, Retratando a poema, Falando da poesia A minha magia. Lá fora O sussurro é lembrado agora, Sinto-o no sopro do vento Soprado nos ouvidos, Estando as dúvidas de tudo que perdi, A minha imagem Gravada na tua tatuagem. O gosto, que se perdeu nos copos de capuca, A minha lavra Fez a travessia para peões, O meu esforço incansável, Sem considerações. O sussurro do sulano, Que não abandonou as origens. Fala português, Sem esqueceu a sua língua Ele diz. O mano chegou Eu parti Todas as expressões agradáveis Que os meus ouvidos escutam E sinto saudades de as ouvir.

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Ouço um canto em mim Sinto dentro de mim O prazer de cantar Formular das letras Que nem eu sei, Canto, eu cortei, O chorei, O canto de sonhei, Que todos os ouvidos ouviram O cantar do pescador negro, O canto de qualquer pecador Pedindo socorro Nas horas de aflição. O canto do último adeus Do homem trabalhador, O canto do inventor, O canto do último mundo, O canto do pobre negreiro, Meu irmão verdadeiro, O canto que une o povo, O canto dos viajantes, O canto do marimbeiro, O canto do poeta, O canto do pedreiro. O canto da quissanje, Da prosa, da viola dela, No mínimo no máximo tom Mas o canto que eu ouço É do mundo, É do vento dos quatro cantos, Do grito do meu povo. O canto que não vejo, Auscultado nas veias, Ouço nas madrugadas, 27


O canto, do meu povo Alegremente Para esquecer as tristezas, O hino na voz de um menino. O canto harmoniza a liberdade, O canto dos humildes, da vinha do senhor, O canto da eterna, Da salvação do amor, O canto da verdade Da aliança, Das promessas. Mas à um canto que diz Que o meu é perfeito e real, Mas o canto para salvares, No canto da partida, da chegada. O canto que ouço melancolicamente É retrocesso o meu eu. Canto que ouço, Das lágrimas do meu choro, Da prosa que encantam a alma Do homem vivo É o canto do povo. O canto, do povo, Transformado em canção da ironia, Mas o canto, que não agonia. O canto de emoção, Da paixão perfeito do homem negro. O canto dos antepassados, O canto do heroico, O canto transformado Em cântico Da força do homem. 28


Para não esgotar a vida Não! Não! Podeis chamar-me De refilão Não, não quero ser Para compadecer, Vencer sim, Mas devagar!

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Partir Já não há nada Não restou nada Distante das diferenças O tempo partir A raiva floriu E tudo coloriu Num pequeno cultivado Perdido Oculado no espaço Já não à nada Choram as crias o tédio Não irei de carro Parto de comboio Amar cria malabarismos A quem viver na burrice Quero ir, partir…

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Pedaços do sonho As saias que usas Escritas com o meu nome As tuas tranças Rondadas do meu pensamento Sonho contigo Tens corvas de veludo O teu corpo é a inspira o poeta Mulher imaginária, tu és mais do que uma imagem O teu olhar dócil e selvagem Ai como tu és uma miragem És a ponte da minha margem Entra no meu barco vem navegar

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Perto de Angola Nunca te esquecerei Nunca te abandonarei Por mais que seja difícil Acordarei junto ao teu pé descalço Amargurado Fora desta fronteiras, Cantarei o teu hino com louvores À pátria mãe, Para sempre serão lembrados Os heróis do 4 de Fevereiro. Ó pátria, Nós saudamos teus filhos Tombados pela nossa independência. Cantarei sempre pela paz Esse é o caminho certo Que a sol iluminar as tuas praias Que cada filho teu te respeite Que os turistas em ti se banhem E que riem Que todos te amem E encontrem a própria paixão Que não percam a coragem Da união Guerra não Perdoem-se uns aos outros Construam a nossa nação

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Poesia difĂ­cil Estive a compor Durante todos anos que vivi Estive a ler em todas as horas que aprendi Falo a qualquer minuto do dia Escrevo por amor Escrevo pela vida Pela morte crescente chorada Gritei o castigo que sinto dentro de mim. Cantarei o meu escrever e tudo o que aprendi

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Poesia para todos A poesia é assim Dividida por pedaços Sem braços Sem aroma algum Em cada laço Um aperto Desacreditada por todo o mundo Os poetas declamam-na Mesmo nas escuras noites Nas madrugadas vizinhas armistícios É assim a poesia, Deitada, inclinada, Cheirada de horror, cheia de ardor Nas suas alíneas Uma estrofe à parte Na Composição do próprio poeta Que esquece o parágrafo Mas apenas se lembra que existe rima Neste programa O necessário não é rimar É resolver o problema com calma É assim a poesia Expõe-se em toda volta Sem resposta Trancando por dentro, as minúsculas portuguesas, Sem parágrafo nem vírgula, Com todos os lados semelhantes, Sem igualdade alguma, Descoberta nos algures da terra, Escrita de certeza sem fraqueza, Com toda franqueza É assim a poesia, esquecida, Cantada pelos poetas, Fumada pelos alcoólatras 34


É assim a poesia, trabalhada Sem enxada, Cortada sem catana, Feita sem lirismo, Magoada sem civismo, Que vai e não volta, Homiziada no tempo, Desaparece e não comparece, Jazida nas mentes. É assim a poesia Para os escravos, Para os políticos, Para os paralíticos, Toda mística, Acústica, poética, Apaniguada por matemática, Toda gramaticada, cheia de somas, Subtracção, sem jeito, sem acção, Cheia de choros, arrebatados, Cheia de magia e tanta fleuma. É assim a poesia... Para todos.

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Prosperidade Aqui vai um bouquet De amor A mensagem que aqui vai É de amor Fraternidade Responsabilidade De tudo O que por ti sinto Não é por mal Que te deixo descalça Ficarei ao teu lado Por desejo, amo-te Une-te a mim És o meu elo, O meu sonho A minha família A única amiga Nunca serei inimigo Partilharei a vida comigo Cada momento Por ti trabalharei Para levar a nossa família A prosperar no caminho certo

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Quadro dos apaixonados Pintei um poema Traçado com o teu rosto Fiquei algemado No teu amor Pintei um poema lírico Em forma de cântico Sem fundo Nem quadro No ponto parágrafo Escrevi o teu nome Todas as palavras são pobres Para descrever-te o meu amor Escrevi com a inspiração De te encontrar Com tudo o meu amor Quero ter-te junto a mim Nas profundezas do querer Orar a Deus Entoando uma canção Para te proteger, amar-te Contigo tirar o retrato Mais apaixonado Amar-te XIMBIKA Canta comigo O nosso laço Retratado de sentimentos Ainda a dar voltas Começar a sonhar Com as tintas E os vernizes Dentro de um copo de água Sonhei com o teu beijo 37


Que fazíamos amor na minha cama Pintei um quadro Com o verniz da tua boca No jogo da matemática Pintei a gramática Novamente! Pintei um quadro Com a saliva das tuas glândulas Condecorei a tua nobreza Qual pincel que seja o teu cabelo Nos meus vincos O esboço retocado Do teu corpo nu Do teu retrato Farei um quadro mágico Copio as tuas pestanas A malenconia do verbo amar O teu prazer Pintado com o meu corpo

No cheiro das cores Os aromas cheios de amor Como traçar o teu olhar dócil Completamente apaixonante Gastei todas cores Por amar-te Estou transparente Límpido puro O nosso quadro seremos nós Igual ao que somos Não podemos criar outra cor Pois a cor do amor Meu amor é transparente Seremos um quadro inacabado. 38


Quando a vida disser o não Não me vou calar Continuarei a cantar Descobre à tua volta A beleza desta terra Sentia no sangue, Dos teus antepassados Nos ossos a florir, Colhe nela as flores e os amores Saúda os teus amigos Não me vou calar Até ao último pingo de sangue Irei cantar as raízes Dos costumes do meu povo Que cantem comigo Os santos, os espíritos, os anjos a glória Gloriando a vida eterna E os mortos, todos os mortos, continuem vivos Como se nada estivesse morto Glória, glória, glória.

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Quando for poeta Quando é que serei poeta? Ó Deus o sonho da vida de tanta gente Quando for do fado romântico Nas carpintarias, faria poesias de madeiras, Nas Quitandas, letras de Quitandeiras, Nas ruas, músicas de ardinas, Senhor guia os caminhos da gente, Ajuda-mos Abraço Bons sonhos Bons caminhos Quando é que serei poeta? Quando eu for, Irei ao encontro dos mortos Para que expliquem a razão da poesia, O porquê dessa magia, Das guerras farei a paz, Dos mortos os vivos. Quando for, Entregarei letras felizes ao mundo Confiante, serei poeta de toda a gente A verdade será o meu poema Farei gritar os mudos Para que os surdos ouvirem, Passarei dias e noites a festejar, As nossas glórias. O realizar dos meus sonhos Dos teus sonhos os sonhos de todos Sem tropeçar no caminho Quando é que eu serei poeta? Dos caminhos férteis de Angola Das terras abandonadas, Das guerras passadas 40


Escreverei a paz Que desejo que chegue a todos um dia Quando é que eu serei poeta? Quando o for irei escrever letras Com o meu sangues, Invocar ao Cristo o nome santo de Deus, Da minha vida fazer melodias. Os cadernos escrever Irei envelhecer Com a honra de o ser, poeta Será possível ser? Se o for declamarei Calmamente a minha poesia, Desfraldar ao longo da vida Farei com toda a dedicação Por amor por prazer Irei gritar, derrubar muros Criar um mundo igual para todos Serei louco? Um maluco? Sim se o poeta o for Gostaria de escrever Palavras mágicas Arquitetadas de sonhos Que descobrisses Na minha poesia Gastarei canetas, lápis, Até não haver borracha Para pintar a bandeira Tão pequena Para o sacrifício 41


Da nossa independência Quando for poeta Irei dar de ler Para me contemplares~ Em cada letra Nesses muceques, Aqui onde Faço vida e partilho alegria, Cantarei poesias Nos caminhos escuros do futuro, Por mais que seja duro, Direi, farei, darei, As mesmas poesias A minha mente Dará canções ao mundo, Irei ver cada angolano de cabeça erguida, Tenho os braços E as mãos do meu povo Abraçarem quem me desejar bem Quando for poeta Farei o mundo rir das canções puras, Lançarei panos brancos Para não teres fria fome ou miséria Quando for poeta Dar-te-ei tudo o que me pertence,

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Rasgos da alma Entretanto, No entanto, Em facto de um facto Dos factos. PorĂŠm! Rasgos da alma... Rostos exorbitantes Entre algazarras da alma Ramal... Rasgos da alma.

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Recuar no tempo Vamos retroceder, Ceder, mudar, preservar, Refazer o errado. Sabes, o tempo passa, As pessoas mudam, Os maléficos em benéficos, Os falsos em verdadeiros, Os mentirosos em sinceros, O mundo é construído Por nós. Vamos embelezá-lo, Pensar no que é lógico, cintilar no entusiasmo, Esforçar-me dizendo o que amo, Para colorir a cor em preto.

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Rosas predilectas Essas hei-de pegar, Essas hei-de levá-las Nas apalpadelas Das serenatas morenas, Essas hei-de conquistar, Elas olham para mim, Traem os meus sentimentos. Piscam, Piscam, Pela direita E pela esquerda, Eu permaneço No mesmo sentido. Desejo-as, Almejo-as, Quero levá-las, Quero levá-las Até quando a minha alma Enfunar Nos sucessos do amor.

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Se Eu soubesse Amar Se eu soubesse amar, Amaria o mundo dos idiotas, Mostraria o significado dessa palavra. Faria as estrelas abrochar, encontrava-te no caminho certo, Todas as vezes que eu estivesse próximo de ti. Dava aos inocentes amor… Amaria as letras do alfabeto, O capim do asfalto, Seria camponês, amaria o chinês. Se eu soubesse amar, Guardava em mim, metade do teu corpo Todos os dias Comprava até esgotar, Do nada seria tudo, A dor e a felicidade. Se não estivesse presente, Se te esquecesses do meu nome Iria-te ver nos meus sonos falar-te, Daria amor meu amor, Tiraria do alfabeto as letras I, N, V, E, J, A (INVEJA). Pintava a tua sombra No fundo do meu olhar És a minha opção O meu amor sincero O tempo não terá tempo para dizer-te tudo que sinto. Se eu soubesse amar, Amaria a lei dos pobres, Os condenados sem sentimentos, Aos pobres distribuía riquezas, Das mentiras faria verdade.

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Ser jovem É preciso matricular, Olhar para quem planta as raízes dos ossos, Para quem conquista a paz, Com dialogo, Sem gritar, Acudir a quem pede socorro, Quem deseja a liberdade, Respeita, confia, acredita em Deus Sem fanatismo vive e deixa viver. É preciso ir, Ao encontro das raízes, Herdar a calma, Abrir estradas. É preciso ser Não dizer fazer Ter a coragem de querer vencer, Ter fé, Ir á luta, Ter esperança num amanhã melhor. É preciso Ganhar o pão de cada dia, Não permanecer na expectativa Sonhar alto, Não ser medroso, Mas ponderado pois todos fomos jovens Ser influente, reconstituir, Para nunca ser chamado jerico. Acreditar, lutar para que o impossível Seja possível. É preciso ter olhos molhados de esperança, Saber aguardar O que é ser verdadeiramente jovem, Livrar-se da mente criminosa, Saber agir Saber o que quer, Saber penetrar no caminho do poder, Vencer as dificuldades Alterar o que esta mal num rumo certo. 47


Só tenho ela para mim Escrevo porque o espírito dela Está agarrado a mim. Só tenho o jeito dela Vivo para ela. Sou o sapato do pé dela, Nas tribunas do teu amor, Vivo no teu valor, Valorizando os teus assuntos. Eu sou dela, respiro ela, Cheira a sabonete o corpo dela, Tudo dela me convém, Nos choros da minha vida Encontro ela, Só ela é a felicidade. Só coabito nela, Persuadindo a minha vivência. Clamo por ela, Demonstro a fortaleza Nas imagens da beleza dela, Só vejo a clareza. Ando nas ruas, Em todos os meus caminhos fala dela. Sou burro, sou inútil, Mas só sirvo para ela…

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Sonhos enclausurados A tua voz O teu nome As palavras que de ti escuto Tudo em ti é um sonho O meu sonho, Vem manchar o meu aperto, Com um aperto Das tuas lembranças deixadas No meu sonho, Estás presente, Nos anéis nas aliança, Que quero dar e receber da vida Veem abraçar-me, beijar-me, Queima-me junto a ti. Com a tua simplicidade meiga Com a paixão do teu olhar doce No meu sonho És o símbolo da minha paz Vem trás a tua nudez Fala-me o que nunca falastes Somos o retrato do amor Nas noites de sol O nosso tempo é feito de amor. No meu sonho Vivemos uma vida de admiração e respeito No meu sono és o meu sonho

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Tende piedade de mim Não fui eu Quem inventou o primeiro beijo, As formas do amor, O fluxo da cor, As razões da vida. Não… não Não fui eu quem escolhi conhecer-te, Inventou os versos, Descobriu os desejos, As palavras, os destinos, Não! Não fui eu Quem fugi com o tempo, Distanciou as horas, Criou os choros. Não fui EU Quem calculou as horas, Distanciou os dias, Criou os sentimentos, As historias dos tempos, Geografou os desejos, Apalavrou os olhares. Não fui eu quem pintou a fama, A tua calma, tua forma. O inventor das saudades, O causador dos prazeres, O dono das categorias, O senhor das invenções. Ah! Nas invenções talvez seja, Porque eu tenho Um pró-forma de amar, Um cantar que é só meu, 50


Um gritar que jamais pertencerá a alguém, Somente a mim e a ti… Não venhas dizer Que fui eu Quem inventou a solidão, Apagou a paixão, Quem pecou para não te pertencer. Aceita-me, O amor é o incompreendido Quando não é correspondido. Não fui eu quem causou a dor, Quebrou o amor, Quem inventou as danças do prazer, Diminuiu o açúcar da paz, Não fui eu Que não fiz a poesia, Que criei os símbolos, Distanciei os séculos… Não fui eu. Fui ele que não te amou Te fez juras falsas Ofereceu-te um bouquets sem flores, Cantou-te a morte, Deixo-te só e triste Quero-te dar de novo a vida.

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Tudo agora tem sentido Cada passo neste compasso que marco, Cada abraço no meu troço, Cada espaço que percorro, Semeio um novo olhar, Cada grito da minha sátira Ratifica um erro de mim. Agora tenho vezes, milhares de vezes, Para curtir E mil razões, para sorrir.

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Última Agenda Quando partir Quero que rezes bem alto No meu santuário, Antevê com todas as forças O desejo de propor a glória, Quero que demonstres a expectativa, O maior tesouro que em mim tens, Porque na minha dor de pobre Nascem flores, prosperando amor. Socorre-me Quando estiver a partir, Preciso que entendas, Porque o teu nome ficará nesta agenda. Levo flores, rosas, amor mio, Deposita-as nas sepulturas dos que faleceram, Neste momento vou-me embora, Só quero que isso seja agora.

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Vontade Quero desatar Sobre a raiva que rodeia o meu corpo, Fazer perceber o que ĂŠ certo, Falar na simples razĂŁo da especiosidade.

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Vou Caminhando esqueço as mágoas Chorando porque a vida é assim Já não apetece O dia em que nada amanhece O tudo do todo entardece Caminho Fazendo outra história Agasalho-me a Maria

Espero que a lua se transforme em sol A noite ser dia a clareza ser escuridão Vou, de noite ou de dia Porque o caminho é uma marca de paixão.

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Vozes de poetas Vozes amarradas assustam a gente Ouvidas na dor Na distância de dois homens Irmãos sem cor Que cantam melodias Ignoram poesias Vozes indolentes De tanta angústia, náuseas nos homens.

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Linda Linda, tu és a beleza pura Que me segura. A cintura dos meus sobreviventes, O mundo culminante Para todas as minhas épocas Momentâneas... Tu és a fonte da minha inspiração, A razão da minha formação. A tua liberdade Inspira-se na minha dignidade. O que faria se não tivesse responsabilidade? Tu és a natureza dura, Em tua vida todas as coisas têm cura. E para essa tua beleza que perdura. Tantas vezes questionei-me, O porquê de não te chamarem de lindeza, Para corresponder à tua beleza. Tu apareceste no meu mundo Na minha vida, na tua, tudo ficou profundo... Só quero dizer-te O quanto te amei, O quanto te desejei, O quanto te almejei... O teu corpo feito de argila Feito nas formas da matemática, Para quebrar a minha mente, Afinal, tu és a minha semente… Enlouqueço quando não te vejo Na lembrança daquele beijo, Diz o queres da minha vida, 57


Queres que me transforme em queijo..? Penso que tenhas razão, Quanto te amar na solidão. És a luz de vela Que ilumina todo o meu quarto, O meu castelo para todo gasto. Os teus lábios feitos tatuagem, A forma de efectuar a minha imagem... Tu és o fundamento Do meu pensamento, A visão ampla da minha existência. Linda, És a raiz perfeita, Nas dores de cabeça és a receita. Tu és a fórmula Em descrição de uma parábola. És a raiz quadrada, da matemática, Das palavras mais difíceis que procuro na gramática. Tu és a invenção do verbo amar, Eu quero-te amar, Levar-te ao fundo do mar, Porque tu és o meu lar. Linda.

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Imaginação Vou escrever Com o tassil dos meus dedos A magia deste poema. Vou escrever, nas estradas da vaidade, A pouca vergonha da castidade, O aspecto da caridade. Escrever, nos parágrafos do tempo, No gingar da Mulher que o vento levou, A distância separou. Vou escrever, Pensar em tudo que dei, A favor de quem perdeu E no meu pensar vazio, escrever Letras de subsolo, A pureza do girassol. Escrever a lógica dos caracteres, A semelhança dos verbos, O engatinhar das horas, O casamento do tempo, A tranquilidade do sofrimento. Vou imaginar Que o não, não existe. Traçar metas, entre bem e mal, Oculado em mim. No ser imaginário Em cor diária. Justamente por se falar da odalisca, Pensar logo na Francisca. Vou escrever Sobre as vontades da minha alma Na voz do meu sangue. O capítulo da solidão 59


Escrever em coração Não em vão A razão da existência do pulmão! Escrever no imaginário, No diário, A não existência do meu calendário. Novelar a articula das minhas odisseias, Explanar a ideia Que se engasga no respirar da minha corda vocal. Vou escrever, deixar por escrito, No círculo do meu catecismo, Na ondulação da dor.

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Haja Esperança Quando algo em ti der mal, Não penses que chegou o teu fim, Permaneça certo algo em ti serás melhor. Não desistas, Quando enfrentares um pecador, Luta. Todas as vezes que lutares serás o vencedor. Aproxima-te de algum amigo E faz coisas para que os teus inimigos Dêem conta que tu os amas. Não chores quando algo em ti passar por mal. Imagine que todo individuo é capaz de passar por este Lembra-te que ninguém conhece O bem sem que passe por mal. Lutar é sempre algo ideal, Lutar é ir atrás dos objectivos. Ganhas a calma, Tudo permanecerá ao teu alcance. Quando se perde algo Não penses que perdeste tudo. Ganha coragem e reflecte, Pensa imaginando que não nasceste por mal, Nem que talvez o mal te abalize ou fatigue, Não mergulhes no fatalismo, Tu és do bem Com capacidade que tens, ainda irás além. Também andei dias assim Pensando que isso não tivesse fim. Até agora lembro que não nasci assim Quando o mal acontece Tudo aborrece. 61


Às vezes são capazes de pensar que é o seu destino, Imagina que isso é um hino, Se possível cante, Não te deixes levar pelo inferno. Lembra-te que és um menino Capaz de conseguir os teus objectivos. Quando o mal acontece, Haja a calma. Por vezes és capaz de pensar que ninguém te ama. Cultiva o teu êxito, Verás que tudo que acontece à tua volta a melhorar. Não retrocedas Pensando que talvez o que acontece contigo é familiar, Raciocina, cada caso é um caso, Nada é sucessivo. Quando estiveres diante de algum problema Pensa logo Que todos os humanos também o passaram. Tira as conclusões do problema Não há problema sem solução. Resolve-o cuidadosamente e com calma...

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Gasparito Morreu… Morreu, ele... O compositor das melodias, O tocador das músicas, o pianista, O cantor. Morreu... Deixou a sua voz lírica, O mundo se esqueceu dele. Deixou a sua sombra sobrar, Queimado, o vazio… Perdeu... E o mundo O mundo se esqueceu dele... Estoirou, o seu sangue. E o mundo agora só vive Bebendo o seu vinho. Desapareceu. Morreu. O homem do sorriso Foi-se embora. Partiu. No hino das tempestades Escuras, das cores negras... Foi-se embora, Meu irmão de sangue, De dor, Meu verdadeiro sonhador… Partiu... A dor, a vingança levou-o No discurso do mundo perdido, O mundo se esqueceu dele, A sua voz calou-se

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Frases de poesia A poesia não se escreve, Compõe-se. Pelos detalhes, Pelas palavras, Pelos símbolos, Pelos significados. A poesia é uma ditadura, É uma cura Não precisa de censura. A poesia é dura, Difícil de se quebrar, Possível de se encontrar, A poesia é a forma de amar, O engatinhar...

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Fluxos de Saudades São semanas que não te vejo E dias que não te apalpo, Posso saber o que fazes? Cresce em mim a ânsia de te ter, O desejo de te ver, A nossa cama vazia, O colchão aprisionado na dor. Será que já tens um outro namorado? Na nossa voz de ontem O cheiro do beijo que não trocámos... Cresce em mim o poço das lágrimas, A náusea nos olhos, As saudades de sempre...

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Expressões de romance No rosto Brilha a luz Residem águas sólidas No farfalhar da tua beleza. Ah! Que coisa doida, Que linda mulher, Obra da natureza, No afogar do teu apalpar Palpita a lúcida da vaidade, Da minha claridade. No tactear dessa afável mulher, Na sombra dela, No andar descalçado, No doce olhar da vida dela Eclodiam forças do teu andamento Lúcido. Nós os dois dizemos as mesmas palavras, Sonhamos os mesmos sonhos, No mesmos palpitar, Realizamos as mesmas acções, Exercemos as mesmas funções. Nós os dois falamos o mesmo idioma, Resolvemos os mesmos problemas, Rezamos as mesmo Deus, Aclaramos os mesmos assuntos, Frequentamos as mesmas capelas, Só nós os dois ….

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Eu sou Angola Que aprendeu a te amar, A chamar-te de filho... Que amamentou a tua vida Com leite das tuas articulas. Juro-vos eu sou Angola Que carrego a tua dor, Na minha pele Na minha camisola. Eu sou Angola Que perdeu o Ngola Kiluanje, Esqueceu a Baixa Cassanje. Eu sou Angola Do António Agostinho Neto, Do Agostinho Mendes de Carvalho, Da Nginga Bandy, (a rainha ), Do José Eduardo dos Santos, O carismático político. De minerais, Cheios de rios, De arbustos... Eu sou Angola Por mais que macilento, eu sou Angola, Do carácter único, Por saber fazer cântico Lírico e poético. Eu sou Angola, Da liberdade do povo, Do cuanza (o rio), A moeda. Nunca fui polémica, Os homens puseram-me a liberdade De ser. Hoje sou nua, crua, Fardo de muitos, 67


Alegria de poucos. Mas sou Angola, Que amanheceu na madrugada De 11 de Novembro de 1975, Com grito de liberdade E toda a serenidade. Sou das lutas de Baixa de Cassanje, Sou do algodão não usado, Da solidão não acabada... Sou Angola. Sou Angola, Do reino do Ndongo, Da Matamba, Do rei Ekuikui II, DO REI Kabombo... Eu sou Angola, da riqueza, Sou a natureza afável Tudo tem A dor, do amor, Dos pés descalços, Da cor da vida. Sou Angola, Dos movimentos de Libertação, De Cabinda ao Cunene, Do oceano atlântico, Das 18 províncias, Do território com 1.246 700 km2. Eu Sou Angola, Das tristes vidas, Das alegres vivências. Da mandioca, da massa mbala, Do inhame, Da ginguba, Do milho, sou Angola de todos.

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Eu era Artista de muitas artes, Na paz do espírito e do amor. Eu era, Eu era vida inicial, Imagem sensual, Um facto real, Uma miniatura contente, Brilhante, nascente, Um princípio sem fim. Agora É tudo assim, Lágrimas em mim, Decadência no meu jardim!... Eu era Verbo divino!..

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Eu queria falar de ti Eu queria falar de ti, Dos teus olhos enclausurados Que me apunhalam Nas emoções suculentas, Falar de ti, da tua beleza que ilude. Bom! Eu queria falar de ti, Registar os traços da tuas andanças, Falar delas, Entregar-me na afonia do teu pecado. Eu queria falar de ti, Da beleza que o teu corpo conta, Na embriaguez da raiva Que consome a minha desistência, Falar de ti detalhadamente, Em mim persistes no meu fôlego. Separa o meu coração Com a chama da tua razão. Eu vivo esboçado a ti, Querendo falar de ti, Amargar-me o teu cabelo, Refrescar-me como gelo Falar de ti És a rosa que vive em mim, Dos verbos que por ti conjuguei, Das palavras boas que em ti me inspirei. Eu queria falar de ti, Das emoções realizadas e partilhadas. Bom eu queria rasgar-me em ti, Fazer-me perder, no costume da acefalia, Nesta dor de amor de poucas alegrias, Mas eu queria falar de ti. Esqueci-me quando te vi, És real Todos os sonhos que vivem dentro de mim 70


Espero que entendas Eu não sei de que forma Tenho que amá-la Ou conquistá-la. Todas as mães do mundo Foram conquistadas por este lindo verso Que a ti expresso. Quero declarar ao amor ao teu lado? Acredito na força apaixonada. Olha-me, escuta-me… A chamar-te de amor, És a cura do meu sofrimento No final da vida Serás, as lembranças de todo o meu amor.

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Julieta e Romeu Dissinto, renunciando, Percebi no distante Os meus olhos que não te tocam, Os meus beijos que a ti afluem. És tu, mulher, A razão do meu bem-querer, A sentinela, meu calhamaço, Bíblia da minha continência? Preciso que entendas o meu querer, Flutua no teu, Meu bem prazer... As minhas forças se perdem nas tuas, Palavras do meu ar compadecem. O teu corpo a rarear-se no meu, Quero que sejas a minha vendagem, O canto da miragem, Porque tu és, a principal personagem.

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Dikanza A melodia frisante, A curiosidade, Do espírito da mente, Dicanza A poesia feita de magia, A melodia, a cultura, O símbolo da vida do angolano. Dicanzar É simular, cantar, dançar, É gostar, amar. Dicanzar é fortalecer, Estar em cada partida em cada chegada, O povo que canta enaltece a pátria, Os nossos costumes, A nossa história, A nossa poesia, Os nossos instrumentos, A marimba, a quissanje, Como disse o neto, Havemos de voltar. Ao dicanza, havemos de voltar, A melodia simplifica-te, O poder das mãos, a força dos homens, A inspiração constante, A poesia é uma canção feita de paixão, Em tempo de solidão. Dicanzar é recordar, Lembrar, simplificar, buscar, Falar, cantar, gritar, amar. Dicanza.

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Desejos infalíveis Queria muito escrever um poema Com o ditado único de amar E sobre a terra. Queria colidir vidas sobre vidas, Separar-me do mar, De um mar acastanhado Por preto Sem o branco e a cor azul. Queria o mundo ignorar Para não te abandonar. Queria muito conhecer O branco, o vermelho, o castanho, O verde, o azulado, O cinzento, o amarelo, o preto, As cores predilectas que predominam no Eu. Queria muito falar de ti. Mas não posso, Porque não te vejo.

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Descobrir Descobri que amar é viver, perto de si. Ter-te pertencer-te. Descobri que cantar é macular, Invocar, Fazer poesia, gritar, endurecer. Descobri que tu és a multiplicação, A equação da razão, A palavra, o verbo por conjugar, Amiga, colega, mãe, amigo, pai, Alguém com quem contar. Símbolo, unidade nacional, Descobri que és o calor, amor, A voz da vida, Contigo quero continuar, Enfim acasalar. Descobri-te na palavra certa, Na única forma de ganhar a alma, O espaço de lazer a união, A fórmula das fórmulas da razão.

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Democracia Revê na palavra e dá sentido, O nosso asfalto não pode vir do céu, Os nossos médicos não podem ser camponeses. Já viste No campo da democracia O sentido é a guerra? Candidato-me À presidência desta casa Para fazer sentir, Que demo... Não é guerra, Não é saquear...! Não é separar o trigo do joio. Onde haja o grupo do ter E um do não ter. Democracia significa Que um pouco da minha liberdade Deve ser tua. Entre irmãos, todos de mão dadas, Cada um de nós deve ter um pouco. Não havendo um grupo com excesso E outro não. VOTEM EM MIM Como candidato certo deste campo, Como o homem honesto Que dá liberdade, Com o sangue do teu sangue, Que te dará o direito. VOTEM EM MIM, O meu partido é o ámen, O único sim, Que nunca se tornará em ruim. Votem em mim... Para dar sentido A este vocábulo simples que os homens tornaram Em decadência... Votem em mim, Sou o candidato da paz, o democrata. 76


Deixamos de ser Não existe O mesmo nós, O nós, Que foi nosso. Agora é tédio, Só existe eu e tu Mas em singular. Em plural é simplesmente A mania de amar.

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Deixa-me ser seu Deixa-me escrever O meu nome no teu coração, Deixa-me com a liberdade De dizer, Deixa-me nos teus lábios Perder, Nos teus seios tocar E no teu coração Rever os meus erros, Deixa-me olhar-te com a magia do amor, Sem dor, tudo te fazer No máximo do prazer, Deixa-me contigo divertir, Dançarmos as kizimbas de Angola, Levar-te a Kalandula, Sambar contigo a música do Brasil, Para sempre, para contigo nunca brigar. Deixa-me tudo fazer, No teu corpo me perder, Teus lábios beijar, Teus fantásticos seios tocar, Para sempre te amar. Deixa-me ser a magia Da tua fantasia, Do amor secreto em cortesia, No meu colo te levar, Debaixo desse teto te acariciar, Na nossa cama te preservar, Entrega-me o teu corpo Querida deixa-me amá-lo. Quero ser tudo, Até a dor da tua vida Mergulhar nos teus sonhos, Leva-me os dedos a viajarem 78


Nos teus cabelo, Pegar-te por detrás, Tocar-te nos seios és o meu modelo. Deixa-me ser o que quero, Ser o teu verdadeiro companheiro, Partilharmos os pedaços da vida juntos, Compartilharmos os nossos problemas E tornarmo-nos proprietários. Deixa-me te apalpar, Sentir o gosto que contem o teu olhar. Deixa-me ser em ti o que desejo, O que pretendo, Deixa-me dividir, subtrair, a minha dor contigo, Para nos chamarmos de amigos. Deixa-me ser teu, Demonstrar-te o quanto vale o meu amor, Porque Deus é meu, Pois levar-te-ei ao céu. Deixa-me te apalpar, Deixa-me te apalpar, Deixa-me te apalpar, Penetrar no teu obscurantismo, Nele tirar o proveito de ti. Deixa-me queimar pelo fogo da tua paixão, Pois eu queria viver nessa razão. Deixa-me aliar contigo, fugir do inimigo Que me prossegue, Deixa-me assim ser, Sentir e fazer-ma perceber, Deixa-me ser sigiloso em ti, Ser deglutido pelo cabelo do teu corpo, Ser paixão, símbolo da tua aliança, Expressar o que sei em ti. Descrever o teu nome nos papéis da minha vida; Resumir o que sinto por ti. Deixa-me ser fiel à tua vida. 79


Discernir Há patente Sobre as coisas do Mundo Há um ser sim E há um ser não Nem tudo é E o que parece ser Nem tudo é vermelho Cada passo É um espaço Assim descreve a geografia A república Não pode continuar assim Talvez Ou nunca Mas primem pela mudança Se não troquem de nome Mandioca não pode ser banana Casa, cabana, Alicate, catana, Tudo está criado e distinguido...

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Da cor vermelha O vestido Da minha donzela O meu olhar Igual ao dela Dê-me o que é nosso Os teus braços No meu abraço As palavras escritas no nosso amor Seremos o inventor das mesmas E neste momento Carrego o mundo Para o descrever em ti Mas isso não importa Vem minha Minha dona joaninha Dá os braços Ao meu abraço O teu sorriso ao meu beijo

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Construir Construo-o o alicerce Mais alto do planeta, Com palavras puras, sinceras, Pedra a pedra no muro da vida. Construo-o com um só verbo A palavra certa, Paredes com a massa molhada do sangue, A única água pura, Erguida com sofrimento. Construo-o com um ámen, A filosofia de vencer, De encorajar o homem a dureza A luz da eternidade, Construo-o um povo lindo, unido, Um mundo amplo, de Cabinda ao Cunene, Sem tolerância zero, Ou violência, Todos juntos pela mesma luta, Os filhos da mãe Angola Construo-o um castelo de amor, Cheia de cores, Onde os anjos do senhor clamarão o recomeço, Nuna só aleluia, O suor de cada irmão na reconstrução, Dos alicerces da nossa nação.

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Código da vida Árdua figura No revés da sorte Rasguei as páginas Da sobrevivência, Elogiei, Os símbolos caridosos, Do tempo Partilhando a vida Refez as palavras Dos dicionários acabados Vasculhei, As mesmas nos costumes Nas tradições Iremos sobreviver Com o orgulho dos antepassados Deste povo

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Choro dos factos Todos os dias amanhece mesmo dia, Choram as crianças da minha senzala. Aqui a história não transmite de geração Em geração, Nem de geração para geração, Por isso choro! De facto choro, Por haver factos, não serem contados, Histórias não serem narradas, Mulheres não serem amadas, mimadas. Claramente choro, Quando vejo telejornal da rua Cheio de anúncios menos importantes, Quando sua Excelência, senhor jornalista, Anuncia os números de dinheiro diariamente, As crianças fora das aulas continuamente, Assim choro, afogamento, Porque este é o campo do progresso, Sem sucesso. Ainda emagreço Quando atentamente vejo ecos e factos Cheios de factos. Acidentes constantes. Ah! No olhar destas novelas que nada Transmitem, As minhas meninas usando Xuxuada sem limite, Nada de elite Nas exibições de elite modelo. Choro, Quando vejo a minha cultura nua, Ainda por cima na rua, Toda crua. 84


Choro, por nunca ter beijado a Mulher que gosto, Eu macilento, Como um poeta rasgado, Abandonado, chorado. Choro, pelo facto do facto, O meu corpo verter sangue, No bairro, todos sabem que nunca fui de gangue, Na minha pobreza, falece o meu cadengue. Eu também faleço por viver sem agasalho, Ainda sem trabalho E por saber que o país em que nasci Não me pertence.

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Chamamento Vem, No respirar deste poeta Que vagueia chamando teu nome, No corre-corre das horas, No tempo que vai e depressa volta, Neste aproveitar enquanto sou O que muitos desprezam, Vem, no cantar deste carpinteiro, No suor deste pedreiro, No avança, avança, Que no fundo é um recuo. Vem, enquanto clamo teu nome E perfumo-me de desodorizante latente, Exorbitante...

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Carta de reconciliação Escrevo-a em silêncio, Devagarinho, Sem que ninguém o saiba, Sinto o cheiro o sabor, Do perfume que me leva. Abre simplesmente, A carta que te mandei, Lê em cada palavra a verdade Do meu amor por ti Desenhei nas palavras Todos os sonhos, meu amor Leia em voz alta Para o mundo saber do nosso amor Eu sei que é uma simples carta Escrita com as letras do alfabeto, Mas tem o teu nome o meu nome O meu canto o teu aroma As minhas ilusões Escrevi-a com o coração Sente os meus dedos na tua alma Perdoa-me pelo que não fiz Perdoa-me por te querer Desculpa-me por amar-te

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Cansado Estou cansado de ouvir Promessas não cumpridas, De ver, Os que choram, Os que não consolam, As cantões, Não serem aplaudidas, Dói ver quem vive por viver Estou cansado de mergulhar Na mesma água, De carregar a tua dor, Viver na mesma rigidez, De ver os rostos tristes E sentir o sangue amargurado Das pessoas não sentiram amor De trocarem a paz pela guerra. Estou cansado, Da mesma música, Estou farto da ingratidão As pessoas com fome Não sabem sorrir E dos donos do poder Tenho vergonho Das crianças sem teto sem escola Dos mendigos deste povo sem abrigo Estou cansado. De levar a mesma trouxa, De ser chamado escravo, De sofrer com o sofrimento do povo, Quero ter um objectivo. Não sentir a ANGÚSTIA NO PEITO, Das crianças nuas na rua Quero sentir o respirar Palpitar na liberdade do coração,

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Bíblia da partida Caminho calmamente Na esperança perdida Pelas lutas dispersas sem ninho Sobre o abismo Tantas abelhas Com ardência Sem amor Guardam a noite O riso Dos bananas As manchas disperso Do feitiço sem caminho Das letras da bíblia Incompreendidas Olhando para trás Não vejo a paz O amor ao próximo Chegam as madrugadas Sem nada Quem destrói Não sabe construir Será a morte melhor Que a vida Quem partiu não voltou Quem leio a bebia? A carlota, senhorita. Da paz que nunca vira, Nesta terra desfeita Pedaço a pedaço Enquanto os bananas se riam

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Beleza Sonho contigo linda mulher É tua a minha poesia O meu sentimento O meu querer Toda a minha mente Entrego-me, A ti mulher Com a minha certeza Da tua beleza É teu o meu coração sonhador Só por ti sinto amor

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Até que chegues Espero por ti meu amor Ao luar Na sombra do sol Escuta o meu grito no vento Nas madrugadas Que adormecem sem mim Espero-te nesta cidade Escura volta trás a tua luz Perdi a noção do tempo Dói amor O que só os teus beijos curam E esta estrada escura Sonho com a tua luz Apagada no desejo do peito Como quero ter-te agora Irei permanecer na escuridão Com o olhar no infinito E quando avistar um pouco de luz Serei de novo a sombra do teu amor

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As minhas condolências O meu apreço Pela morte da morte, Pela tarde que não entardeceu, Pela noite que não amanheceu. Os meus pêsames A ti jovem, A ti mundo. Hoje aqui comunico Que o universo morreu. Na disputa da vida, Não á tristeza nem alegria, A miséria acabou Pois tudo morreu Até o bonito faleceu Acabou o sofrimento Não há feridas para cerar Nem escolas, para fazer O pobre o rico O fraco e o forte A formiga o elefante o leão Todos morreram

Sim o mundo acaba para quem morre Quem está vivo deveria o fazer um pouco melhor Porquê os amimais o fazem E tu ser inteligente que fazes pelo mundo Nemos que um burro

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Amor sem distância Amei-te Amo-te Amarei-te Amo-te em todos os minutos Em todas as horas Em todos os dias Em qualquer segundo Em qualquer ano Em qualquer século Amarei-te no choro das letras, Escrevendo a nossa história Amo-te por fora e por dentro, Na força da liberdade Amo-te sem diferenças ou distancias Amei-te Amo-te Amarei-te És o meu terço, A minha religião És o sonho e a solidão Até ao meu ultimo suspiro Amo-te enquanto for vida.

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Amor de soldados Nas batalhas sangrentas Lá vão caminhando No caminho do abismo Juras de amores Para libertarem senzalas No silêncio das invasões dos inimigos Morrem os sonhos Das juras de amor Dei-te o sangue O meu sofrer, defendi-te Do inimigo até à morte Pátria minha pátria querida

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Alma perdida Encontrada Amarrada no escombro das águas, Nos caminhos perdidos, Nas lembranças das horas, Encontrada Desesperadamente perdida, Castigada, magoada, Profundamente sincera Numa cadeia sem casa, Numa cadeia sem parede. Inacreditavelmente sem ninguém, Obcecada nos copos de Kapúca, Esta precisa de socorro De acompanhamento psicológico. Zunga, zunga em todas as ruas da periferia, Na procura da satisfação, No descanso nunca encontrado, Das artérias, das curvas do vento, Tépida, toda descascada sem pressentimentos, Em movimento embriagados, Canta às almas perdidas do passado

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Chorei (Aflição) Quando nas estradas de Angola Aparecia às escuras, Negruras, Quando o céu rubro era indolente, O sol inútil, Chorei demasiadamente Quando a minha alma negava, Fazendo o renuncio de mim, Chorei no pé descalço, No abraço da minha mãe Quando a escuridão Inundou o desejo da fé, Quando vi a caçula Minha irmã gritando pedindo socorro. Quando a pétala, Das rosas da vida murchavam sobre mim Dividi-me em pedaços, O mundo renuncia a guerra Dando sementes à terra, No sangue seco Do meu povo Sofrimento derramando Crianças nuas, descalças, Nas ruas das senzalas. A África tremia de medo, Porque viu os seus filhos mergulhados Nas trevas, Chorei quando caíam Lágrimas no olhar do povo, Pelas perdas choro profundamente Quando o mundo escureceu, Num eclipse total, Todo se silenciou, Não havia palavras Nem poetas, Para descrever Silenciou-se até o chora das crianças Todos se assustaram nas ruas, 96


Os desconhecidos se ajudaram Abriguei-me no meu tugĂşrio. Calara-se o tum, tum de sempre As lĂĄgrimas o sangue, acabou a guerra Que perdure a paz e o sorriso para sempre

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Abandono inexistente Ninguém disse O que sou; Por isso sou Aquilo que para ti não sou. Sou a paz, Sou a alegria, Para os teus dias que não sou. Sou o vento que soprou em ti, Sou a vida que tu carregaste sem sentir o peso Em todos os teus dias. Sou a paixão para o teu grande coração, Sou aquilo que as pessoas desprezam, Sou ignorante, o teu chão, Sou o pagão. Sou o teu cobertor, Para te cobrir nas noites frias, Sou a tua cama onde dormes e descansas, Sou a lágrima caída dos teus olhos, Num dia de tristeza, Sou a natureza, A criação do teu mundo. Sou alguém, Mas para ti Eu não sou ninguém. Eu sou o poema, A poesia, O efeito da fantasia, Sou o teu imaginário, O teu dicionário, Sou o teu diário, O teu calendário. 98


Sou o teu pensamento Em momento de registo. Eu sou, Eu sou, Eu sou, Sou manifestação, A tua forma cultural. Quis deixar de ver, Retrocedi, pensei que ver É deixar de sofrer, Por isso sou aquilo Que para a multidão nunca fui E não sou. Sou a felicidade Para alguém feliz. Sou a responsabilidade, Da tua dignidade. Eu sou a vida Que para ti não é vida, Eu sou a tua alma A desobediência do teu corpo, Sou o meu copo.

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A quem dei a vida Dei a minha vida por amor Ao Cristo que tanto protesto, Aos deuses que não existem, À alma fantasma chamada mulher A quem a dei? Quero-a de volta, Nem que seja em pedaços, Pouco me importa Irei reconstitui-la nas minhas origem Malange, de Cabinda, de Benguela, De ondjiva, de Menongue, Não me importa de ser de qualquer tribo, Raça, cor, etnia, Só quero ser digno desta vida Não me importo com os dia os minutos, Os segundos os séculos O que importa é o que trago no coração Não quero o que dei Mem morrer na solidão A aqui deixo a carne a alma e o coração Malange, Cabinda, Benguela, Ondjiva, Menongue,

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A morte da poesia Há óbito, Gritos em todas as ruas, Vozes de mulheres desesperadas, Gritando sem necessidades, As matas tremendo. Mas quem morreu? Um barulho? Um distúrbio? Uma confusão? Um silêncio? Um olhar de alguém apaixonado? As mamas em mulalas, As senhoritas em panos pretos, Realmente é óbito. Sinto o nervosismo No grito de alguém, As lágrimas inúteis, O bairro todo nas trevas É mesmo óbito. Sinto no sangue Os gritos que seriam guardados Para o amanhã. Morreu o poeta, O dono das senzalas, A própria poesia.

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A mente Solitária Aqui estou, Apegado à vida, Torturado pelo sofrimento, Morto pelos desejos; Aqui estou sem ar, Castigado pelo amor, Ai meu senhor, Curas a minha dor, Vem ao meu clamor, Ai meu salvador. Aqui estou, Preso aos ideais; Os tribunais julgam-me como um inútil, Onde estão os meu direito, A minha liberdade; Onde está O meu sonho de poder, Ser algo… Não quero ser nada!

Só quero respirar.

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Índice Lamento Leitura Malanje a nossa nobreza Maravilha Me ame por Amor de Deus Meigo e crepitante Minha rainha Música Nada me Pertence " " Não entendo Nas entrevistas Não falo O amor O esmero O nosso sentimento numérico Ontem dizia o amor Oração dos Senhores Os poetas dialogam " " Os Sulanos gostam " " Ouço um canto em mim " " Para não esgotar a vida Partir Pedaços do sonho Perto de Angola Poesia difícil Poesia para todos " " Prosperidade Quadro dos apaixonados " " Quando a vida disser o não Quando for poeta " " " " Rasgos da alma Recuar no tempo Rosas Predilectas Se Eu soubesse Amar Ser jovem Só tenho ela para mim Sonho enclausurados Tende piedade de mim " " Tudo agora tem sentido Última Agenda

7 8 9 10 11 12 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 103

Vontade Vou Vozes de poetas Linda " " Imaginação " " Haja Esperança " " Gasparito Frases de poesia Fluxos de Saudades Expressões de romance Eu sou Angola " " Eu era Eu queria falar de ti Espero que entendas Julieta e Romeu Dikanza Desejos infalíveis Descobrir Democracia Deixamos de ser Deixa-me ser seu " " Discernir Da cor vermelha Construir Código da vida Choro dos factos " " Chamamento Carta de reconciliação Cansado Bíblia da partida Beleza Até que chegues As minhas condolências Amor sem distância Amor de soldado Alma perdida Chorei (Aflição) " " Abandono inexistente " " Aquém dei a vida A morte da poesia A mente Solitária

54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102


Coreografias de amor

Poesia

Zito da Fonseca

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Coreografias de amorlivro mexido por mim