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Língua Portuguesa –Terceiro Ano A. Revisão do conteúdo dos aplicados no ano anterior 1. ROMANTISMO Ainda no final do século XVIII, a arte perde o tom clássico O ideal romântico do nacionalismo é lentamente, pende ao gosto dc uma plateia não tão seleta: a expresso pelos indianistas, dos quais se burguesia, que mantinha os traços da influência religiosa. o destaca o poeta Gonçalves Dias apego ao amor pátrio, o gosto pelas lendas e o exotismo das (Primeiros Cantos). O individualismo é representado pela geração novas terra, a admiração pela natureza idílica e pueril, o ultrarromântica – Casimiro de Abreu, culto da história – especialmente histórias da Idade Média. Junqueira Freire, Fagundes Varela e Cultivavam-se o admirável mundo dos sonhos, as fugas e a Álvares de Azevedo –, influenciada pelo loucura, a inspiraçao medieval das novelas de cavalaria. Por poeta inglês Lord Byron. O principal nome da poesia condoreira, que se outro lado, ainda sob forte influência do fracasso ideológico caracteriza pela grandiloquência e pelo havia a tentativa de reformar o mundo, a da construção do uso de antíteses e hipérboles, é Castro homem feliz, a do resgate do homem bom e puro, ainda que Alves (Espumas Flutuantes), conhecido essa traduçao de realidade refletisse uma concepção utopica como o poeta dos escravos. de sociedade. No espírito romântico, estão presentes os dramas da existência, a incerteza, a insatisfação de viver e a ideia da morte. O abandono e o sofrimento sobressaem: o poeta não consegue ter um amor que o satisfaça: por isso, encontra-se sozinho, mas crê na realização de seus sonhos. 1.1 – Romantismo no Brasil  1822 – Grito da Independência do país às margens do Rio Ipiranga por Dom Pedro I.  1836 – Publicações do livro Suspiros Poéticos de Gonçalves Maglhães (marco inicial) No século XIX a saturação dos modelos neoclássicos e a necessidade de uma literatura que expresse o país independente resultam no florescimento do romantismo. O Romantismo Brasileiro está dividido em Gerações Poéticas:  1ª Geração: Indianismo – Gonçalves Dias  2ª Geração: Mal do Século – Álvares de Azevedo  3ª Geração: Condoreirismo – Castro Alves 1.2 – A Prosa Romântica no Brasil


Língua Portuguesa –Terceiro Ano O romance romântico aparece no Brasil como um gênero de fácil aceitação, principalmente para o público burguês, abordando temas comuns da vida cotidiana. Sua produção inicia-se apenas em meados do século XIX, a partir do contato com outras nações decorrente do processo de independência, em 1822, quando países como França, Inglaterra e Alemanha já tinham a tradição da ficção. O romance pioneiro surge dotado de algumas peculiaridades, como o episodismo (sobreposição dos episódios à análise dos fatos), o oralismo (o narrador é um contador de histórias), a linearidade (seguese a ordem cronológica normal dos fatos da vida), a idealização (no ambiente, no enredo e nos personagens - homem, herói autêntico e generoso e mulher, feminina, ingênua e fiel). Inicialmente, não só no Brasil, mas também na Europa, o romance apresenta-se na forma de flolhetins, em publicações periódicas nos jornais de capítulos de obras literárias, atraindo a leitura de mulheres, estudantes, comerciantes e funcionários públicos. Estas publicações desapareceram no século XX, enquanto o romance em si prosseguiu evoluido e se modificando ao longo dos tempos na literatura nacional. Linhas Temáticas do Romance: No Brasil, o romance nasce em meio a uma busca pela identidade nacional e, mais do que a produção poética, busca fornecer as respotas sobre as tradições, o passado histórico e os costumes do país em uma verdadeira investigação sobre os espaços nacionais. A identificação destes espaços caracteriza a formação de quatro linhas temáticas: o espaço da selva é retratado pelos Romances Indianista e Histórico; o campo aparece no Romance Regionalista; a vida na cidade é trazida pelo Romance Urbano. Vejamos cada uma destas linhas:  Romance Indianista: Caracterizado pela idealização do Índio, que não é visto em sua realidade sócio-antropológica, mas sim de uma maneira lírica e poética, figurando como o protótipo de uma raça ideal. Materializa-se no índio o “mito do bom selvagem” de Rousseau (o homem é bom por natureza e o mundo é que o corrompe). Há harmonização das diferenças entre as culturas europeia e americana. O índio é mostrado em diversas condições, como é possível notar nas obras de José de Alencar: em “Ubirajara”, aparece o índio primordial, sem o contato urbano; em “O Guarani”, é mostrado o contato o branco e em “Iracema”, aborda-se a miscigenação.  Romance Histórico: Revela o resgate da nacionalidade a partir da criação de uma visão poética e heroica das origens nacionais. É comum ocorrer a mistura de mito e realidade. Destacam-se as obras “As Minas de Prata” e “A guerra dos Mascates”, de José de Alencar.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano  Romance Regionalista: Também conhecido como Sertanista, é marcado pela idealização do homem do campo. O sertanejo é mostrado, não diante dos seus verdadeiros conflitos, mas de uma maneira mitificada, como um protótipo de bravura, honra e lealdade. Trata-se aqui de um regionalismo sem tensão crítica. Destacam-se obras de José de Alencar (“O Sertanejo”, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “O Gaúcho”), Visconde de Taunay (“Inocência”), Bernardo Guimarães (“O Garimpeiro”) e Franklin Távora, que com “O Cabeleira” diferencia-se dos demais apresentando certa tensão social que pode ser enquadrada como pré-realista.  Romance Urbano: Retrata o ambiente da aristocracia burguesa, seus hábitos e costumes refinados, seus padrões de comportamento, sendo raro interesse pela periferia. Os enredos são em geral triviais, tratando das tramas amorosas e mexericos da sociedade. Os perfis femininos são temas comuns, como em “Diva”, “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar e em “Helena”, “A Mão e a Luva” e “Iaiá Garcia”, de Machado de Assis. É importante perceber que alguns desses romances, tratando do ciclo social urbano, já revelavam características realistas em seus enredos, como algumas análises psicológicas e sintomas de degradação social. 2. REALISMO/NATURALISMO 2.1 – REALISMO Na segunda metada do século XIX, corno efeito da Revolução Industrial, a velha nobreza e o clero começam a sofrer abalos estruturais que mudariam o curso da história e, por conseguinte, da arte. Alguns autores chamavam esse periodo de “o novo século das luzes”, uma vez que o pensamento científico-filosófico provocou urna mudança radical no comportamento da sociedade e nos rumos das próximas gerações. Para entender melhor, é preciso conhecer um pouco alguns “ismos”:  Evolucionismo: O cientista ingles Charles Darwin acreditava que os seres mais bem adaptados às condições do ambiente poderiam evoluir para formas cada vez mais complexas.  Positivismo: Augusto Comte afirmava que a humamdade evoluiu em três estágios: teológico, metafísico e positivista. O teológico associava-se a religião. O estágio metafísico está associado ao abstracionismo. Somente no possitivismo o homem encontraria respostas e ordenação à sua conduta, pois as leis científicas governam o mundo.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano  Socialismo: Conjunto de doutrinas políticas que propunham uma mudança da organização político-social, buscando o lnteresse geral contra os interesses de classes privilegiadas.  Determinismo: Principio filosófico que procura negar à ideia do livre-arbítrio e afirmar que os seres estão sujeitos ao meio, a raca e ao momento. O principal nome do determinismo é Hippolyte Taine.  Pessimismo: Arthur Schopenhauer aponta para a impossibilidade de mudança da realidade, sempre adversa. Nesse contexto, o sonho, a fantasia e a exaltaçao omânticos foram substituidos pelo conhecimento. As crises do coração eram trocadas pela análise do comportamento: a idealização cedia espaço a realidade; havia uma busca frenética pela causa, amparada em conceitos científicos e sociais. A objetividade e a exatidão assumiam um papel preponderante. Na literatura, uma corrente expunha o homem em seu viés psicológico (corrente realista); outra descrevia o homem sob o caráter biológioco o determinista (corrente naturalista). 2.2 NATURALISMO O que difere o Naturalismo do Realismo é a abordagem temática. Enquanto os realistas buscam analisar a realidade interior procurando investigar a intmidade psicológica das personagens de maneira sutil, com recursos expressivos, como a ironia e o sarcasmo, o Naturalismo expõe, de forma objetiva, fotográfica, as circunstâncias da realidade. No Naturalismo, os princípios do evolucionismo, do determinismo e do socialismo estão intimamente associados, o que limita a concepção de vida do ser humano. As mazelas sociais são alvos temáticos: incesto, prostituição, imoralidades, miséria, promuiscuidade, entre outros, são assuntos preferidos. O homem é visto como um ser passivo, resultante das leis biológicas e sociais. PRINCIPAIS AUTORES:  Realismo: Machado de Assis  Naturalismo: Aluísio de Azevedo 2.3 PARNASIANISMO O Parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França, na metade do século XIX e se desenvolveu na literatura europeia, chegando ao Brasil. Esta escola literária foi uma oposição ao romantismo, pois representou a valorização da ciência e do positivismo. O parnasianismo buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os autores parnasianos usavam uma


Língua Portuguesa –Terceiro Ano linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura foram chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os problemas sociais que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho. O nome parnasianismo surgiu na França e deriva do termo "Parnaso", que na mitologia grega era o monte do deus Apólo e das musas da poesia. Na França, os poetas parnasianos que mais se destacaram foram: Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e José Maria de Heredia. PARNASIANISMO NO BRASIL No Brasil, o parnasianismo chegou na segunda metade do século XIX e teve força até o movimento modernista (Semana de Arte Moderna de 1922). Os principais representantes do parnasianismo brasileiro foram:  Alberto de Oliveira. Obras principais: Meridionais (1884), Versos e Rimas (1895), Poesias (1900), Céu, Terra e Mar (1914), O Culto da Forma na Poesia Brasileira (1916).  Raimundo Correia. Obras principais: Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias(1883), Versos e Versões(1887), Aleluias(1891), Poesias(1898).  Olavo Bilac. Obras principais: Poesias (1888), Crônicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906), Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e piedade, crônicas (1916), Tarde (1919).  Francisca Júlia. Obras principais: Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfínges (1903), Alma Infantil (1912).  Vicente de Carvalho. Obras principais: Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções, (1908), Versos da mocidade (1909), Páginas soltas (1911), A voz dos sinos, (1916). Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia formaram a chamada "Tríade Parnasiana". 3. SIMBOLISMO O Simbolismo foi uma escola literária do fim do século XIX, surgida na França como reação ao Realismo e, sobretudo, ao Parnasianismo. Essa escola caracterizou-se por apresentar uma visão subjetiva, simbólica e espiritual do mundo. A primeira obra simbolista foi “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire, datada de 1857. No entanto, o termo Simbolismo foi usado pela primeira vez somente em


Língua Portuguesa –Terceiro Ano 1886, por Jean Moréas, que divulgou um manifesto no qual afirmava que simbolismo era o único termo capaz de designar as tendências artísticas da época. O SIMBOLISMO NO BRASIL No Brasil, o Simbolismo começou em 1893, com a publicação de dois livros: Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambos de Cruz e Sousa. Estendeu-se até o ano de 1922, data da Semana de Arte Moderna. Diferente do que aconteceu na França, onde o Simbolismo sobrepôs-se ao Realismo e ao Parnasianismo, no Brasil o Simbolismo foi quase inteiramente abafado por esses movimentos, que tiveram muito prestígio entre as camadas cultas do país. Principais autores: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens • Exercicios de Fixação: Livro Texto páginas 60, 61 e 62; 175; 200; 210 • Avaliação: Avaliação escrita com consulta. Elaborar uma avaliação com quinze questões de alternatva simples e fazer uma gabarito. • Objetivo Geral: Revisar junto aos alunos o conteúdo aprendido no ano anterior • Cronograma: 12 aulas


Língua Portuguesa –Terceiro Ano PRÉ-MODERNISMO 1. ASPECTOS GERAIS  Cronologia – Cronologicamente, o Pré-Modernismo durou no Brasil de 1902 a 1922.  Início no Brasil – As primeiras obras do Pré-Modernismo foram: a) Os Sertões (romance, 1902), de Euclides da Cunha. b) Canaã (romance, 1902), de Graça Aranha.  Nome – O que se convencionou chamar de Pré-Modernismo não foi propriamente uma escola literária. Não houve manifesto em jornais nem grupo de autores em torno de uma proposta una ou de um ideário. O nome, com o tempo, passou a designar a produção literária do Brasil nas duas primeiras décadas do século XX.  Período Eclético – Depois do Realismo-Naturalismo-Parnasianismo, o Brasil viveu um período eclético. As diversas tendências literárias misturaram-se. Os movimentos não se sucederam, eles passaram a coexistir.  Tendências – Duas tendências básicas podem ser notadas entre os autores da época: a) Conservadora – Percebida na produção poética de Olavo Bilac (e de todos os outros parnasianos) e de Cruz e Sousa, representante da estética simbolista. A poesia é elaborada dentro dos moldes de perfeição, obediente a normas e presa a temas alheios à realidade brasileira. b) Inovadora – Presente nas obras de Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato, Afonso Arinos. As várias realidades do Brasil são expostas, e o leitor começa a perceber que vive em um país de contrastes. A linguagem pomposa e artificial começa a perder terreno para uma expressão mais simples, fiel à fala cotidiana. Nesse aspecto, Lima Barreto é o legítimo representante das classes iletradas. 2. CARACTERÍSTICAS DO PRÉ-MODERNISMO a) Ruptura com o passado: por meio de linguagem chocante, com vocabulário que exprime a “frialdade inorgânica da terra”. b) Inconformismo diante da realidade brasileira – mediante um temário diferente daquele usado pelo romantismo e pelo parnasianismo: caboclo, subúrbio, miséria, etc.. c) Interesse pelos usos e costumes do interior – regionalismo, com registro da fala rural.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano d) Destaque à psicologia do brasileiro – retratando sua preguiça, por exemplo, nas mais diferentes regiões do Brasil. e) Acentuado nacionalismo – exemplo Policarpo Quaresma. f) Preferência por assuntos históricos. g) Descrição e caracterização de personagens típicos - com o intuito de retratar a realidade política, e econômica e social de nossa terra. h) Preferência pelo contraste físico, social e moral. i) Sincretismo estético – Neorrealismo, Neoparnasianismo, Neossimbolismo. j) Emprego de uma linguagem mais simples e coloquial - com o objetivo de combater o rebuscamento e o pedantismo de alguns literatos. 3. PRINCIPAIS AUTORES:  Na poesia: Augusto dos Anjos, Rodrigues de Abreu, Juó Bananére, etc..  Na prosa: Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato, Afonso Arinos, Simões Lopes, Afrânio Peixoto, Alcides Maia, Valdomiro Silveira, etc…

LIMA BARRETO Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 na cidade do Rio de Janeiro. Enfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador. Concluiu o curso secundário na Escola Politécnica, contudo, teve que abandonar a faculdade de Engenharia, pois seu pai havia sido internado, vítima de loucura, e o autor foi obrigado a arcar com as despesas de casa. Como leu bastante após a conclusão do segundo grau, sua produção textual era de excelente qualidade, foi então que iniciou sua atividade como jornalista, sendo colaborador da imprensa. Contribuiu para as principais revistas de sua época: Brás Cubas, Fon-Fon, Careta, etc. No entanto, o que o sustentava era o emprego como escrevente na Secretaria de Guerra, onde aposentaria em 1918. Não foi reconhecido na literatura de sua época, apenas após sua morte. Viveu uma vida boêmia, solitária e entregue à bebida. Quando se tornou alcoólatra, foi internado duas


Língua Portuguesa –Terceiro Ano vezes na Colônia de Alienados na Praia Vermelha, em razão das alucinações que sofria durante seus estados de embriaguez. Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos. Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma, no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira. Lima Barreto faleceu no primeiro dia do mês de novembro de 1922, vítima de ataque cardíaco, em razão do alcoolismo. Vejamos um trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma:

(...) “Demais, Senhores Congressistas, o tupi-guarani, língua originalíssima, aglutinante, é verdade, mas a que o polissintetismo dá múltiplas feições de riqueza, é a única capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais, por sua criação de povos que aqui viveram e ainda vivem, portanto possuidores da organização fisiológica e psicológica pare que tendemos, evitando-se dessa forma as estéreis controvérsias gramaticais, oriundas de uma difícil adaptação de uma língua de outra região à nossa organização cerebral e ao nosso aparelho vocal – controvérsias que tanto empecem o progresso da nossa cultura literária, científica e filosófica. ” (...)

Obras:  Romance: Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909); Triste fim de Policarpo Quaresma (1915); Numa e a ninfa (1915); Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919); Clara dos Anjos (1948).  Sátira: Os bruzundangas (1923); Coisas do Reino do Jambom (1953).  Conto: História e sonhos (1920).

MONTEIRO LOBATO


Língua Portuguesa –Terceiro Ano

José Bento Monteiro Lobato nasceu no dia 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Em 1900, matricula-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Após formar, ingressa no ministério público com o cargo de promotor em uma cidade do Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Alguns anos depois, em 1917, herda de seu avô uma fazenda e torna-se fazendeiro e editor, este último quando funda a Editora Monteiro Lobato e Cia. Através de uma carta enviada ao jornal O Estado de São Paulo, para a seção de Queixas e Reclamações, o autor começa a escrever para o veículo de informação citado, porém, para outra seção: a destinada aos leitores. Neste mesmo tempo o autor cria a personagem Jeca Tatu e publica seu primeiro livro “Urupês”. É após a experiência jornalística que Monteiro Lobato funda sua própria editora e se torna o pioneiro deste tipo de comércio no Brasil. O autor vende a fazenda e muda-se para Nova York por quatro anos, entre 1927 a 1931, onde se surpreende com a exploração dos recursos minerais. Ao retornar para o Brasil funda o Sindicato do Ferro e a Cia. Petróleos do Brasil e passa a apoiar a extração do petróleo do subsolo brasileiro. Diante da sua revolta quanto à monopolização do petróleo por empresas privadas, escreve o livro O escândalo do petróleo. Contudo, Lobato foi preso por seis meses no governo de Getúlio Vargas por debater os interesses nacionais e pela exposição a respeito da cultura nacional. Como é do perfil de Monteiro Lobato, as suas obras literárias não poderiam conter características diferentes, como o regionalismo e a análise da realidade brasileira. Essas últimas propriedades são integrantes da escola literária que Monteiro Lobato pertence: o Pré-modernismo. No entanto, o autor era totalmente avesso ao Modernismo e suas revoluções artísticas, fato que ficou bem claro com o artigo intitulado “Paranoia ou mistificação?” em relação à exposição de Anita Malfatti em 1917. Monteiro Lobato é reconhecido também por sua produção infantil, a qual não era explorada por autores. O primeiro livro de Monteiro Lobato lançado em 1921 foi “A menina do narizinho arrebitado”. Sua literatura voltada ao público infantil tem caráter pedagógico e sempre tem intenção de passar uma moral. No entanto, sua obra-prima infantil é o "Sítio do Pica-Pau Amarelo", o qual retrata em seus personagens a realidade das figuras brasileiras. A obra ficou tão conhecida que foi adaptada para a televisão. Sua obra regionalista é "Cidades mortas", na qual os contos retratam a região do Vale do Paraíba no início do século XX, após a decadência da economia cafeeira. Monteiro Lobato faleceu em 1948, em São Paulo.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano EUCLIDES DA CUNHA Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu no dia 20 de janeiro de 1866, em Cantagalo (RJ). Passou sua infância no Rio de Janeiro, mais precisamente em Teresópolis e São Fidélis, onde foi criado por tias, pois era órfão. Após alguns anos, ingressou na Escola Militar, da qual foi expulso por suas ideias republicanas que o levaram a desacatar o Ministro de Guerra, em 1888. Contudo, com a proclamação da República, o autor voltou à Escola Superior de Guerra e formou-se em Engenharia Militar e Ciências Naturais. Porém, Euclides da Cunha começou a contestar as decisões republicanas e resolveu desligarse totalmente da carreira militar. Em 1897, quando se mudou do Rio para São Paulo, passou a fazer a cobertura da revolta de Canudos para o jornal O Estado de S. Paulo. A experiência como jornalista no nordeste resultou na obra mais conhecida do escritor: Os sertões. Pertencente ao Pré-Modernismo, o clássico Os sertões de Euclides da Cunha tem como característica principal: o regionalismo. A realidade do Nordeste brasileiro é retratada com fidelidade na obra, a qual descreve as condições precárias de vida da região e os motivos pelos quais ocorreu o drama da Guerra de Canudos. O sucesso da obra foi tamanho que o autor foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1903. O livro Os sertões é consagrado como referência na literatura e na sociologia para o estudo do sertanejo. Em seu livro o autor retrata a terra nordestina, o homem sertanejo e a luta travada pelos nordestinos na Guerra de Canudos. Euclides da Cunha foi assassinado em 1909, devido a questões familiares. Vejamos a figura do homem nordestino em um trecho da obra Os sertões: O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. HérculesQuasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. (...)


Língua Portuguesa –Terceiro Ano

Obras: Os sertões (1902); Peru versus Bolívia (1907); Contrastes e confrontos (1907); À margem da História (1909). AUGUSTO DOS ANJOS Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 28 de abril de 1884, no Engenho do Pau d’Arco (PB). Seus pais eram proprietários de engenhos, os quais seriam perdidos alguns anos mais tarde, em razão do fim da monarquia, da abolição e da implantação da república. Foi educado pelo próprio pai até ao período antecedente à faculdade. Formou-se em Direito no Recife, contudo, nunca exerceu a profissão. Criado envolto aos livros da biblioteca do pai, era dedicado às letras desde muito cedo. Ainda adolescente, o poeta publicava poesias para o jornal “O Comércio”, as quais causavam muita polêmica, por causa dos poemas era tido como louco para alguns e era elogiado por outros. Na Paraíba, foi chamado de “Doutor Tristeza” por causa de suas temáticas poéticas. Em 1910, casa-se com Ester Fialho, com quem tem três filhos. O primeiro filho morre prematuramente. Quando a situação financeira da família se agrava, com o advento da industrialização e a queda do preço da cana-de-açúcar, o autor muda-se para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, enfrenta o desemprego até conseguir o cargo de professor substituto na Escola Normal e no Colégio Pedro II, complementandoo com a renda das aulas particulares. Em 1914, transfere-se para Minas Gerais, por causa de uma nomeação como diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, a qual conseguiu com ajuda de um cunhado. Após alguns meses da mudança, o poeta morre aos 12 de novembro do mesmo ano, vitimado por pneumonia. Augusto dos Anjos vivenciou a época do parnasianismo e simbolismo e das influências destas escolas literárias através de seus escritores, como: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Cruz e Souza, Graça Aranha, dentre outros. Porém, o único livro do escritor, intitulado “Eu”, trouxe inovação no modo de escrever, com ideias modernas, termos científicos e temáticas influenciadas por sua multiplicidade intelectual. Pela divergência dos assuntos tratados pelo autor em seus poemas em relação aos dos autores da época, Augusto dos Anjos se encaixa na fase de transição para o modernismo, chamada de prémodernismo. O poeta tinha como tema uma profunda obsessão pela morte e teve como base a ideia de negação da vida material e um estranho interesse pela decomposição do corpo e do papel do verme nesta questão.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano Por este motivo foi conhecido também como o “Poeta da morte”. Sua única obra marca a literatura brasileira pela linguagem e temática diferenciadas. Vejamos um trecho de um poema muito conhecido do poeta, chamado “Versos íntimos”: Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera – Foi tua companheira inseparável!

Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!

Obra: Eu (1912)

Nos três textos a caracterização de tipos regionais brasileiros revela a preocupação dos autores em denunciar nossa distância em relação à imagem pós-republicana e parnasiana de um país civilizado, próximo à Europa, no ritmo da modernidade. Encontre semelhanças e diferenças entre os textos, lendo e relendo as questões da Releitura. TEXTO 01: URUPÊS – MONTEIRO LOBATO


Língua Portuguesa –Terceiro Ano Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico e o país desperta estrouvinhado à crise duma mudança de dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se de novo. Pelo 13 de Maio, mal esvoaça o florido decreto da Princesa e o negro exausto larga num uf! o cabo da enxada, o caboclo olha, coça a cabeça, ‘magina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo. A 15 de Novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quadrienal. O país bestifica-se ante o inopinado da mudança. O caboclo não dá pela coisa. Vem Floriano; estouram as granadas de Custódio; Gumercindo bate às portas de Roma; Incitatus derranca o país. O caboclo continua de cócoras, a modorrar… Nada o esperta. Nenhuma ferrotoada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da vida, Jeca, antes de agir, acocora-se. Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem todas as características da espécie. Ei-lo que vem falar ao patrão. Entrou, saudou. Seu primeiro movimento após prender entre os lábios a palha de milho, sacar o rolete de fumo e disparar a cusparada d’esguicho, é sentar-se jeitosamente sobre os calcanhares. Só então destrava a língua e a inteligência. − Não vê que... De pé ou sentado as ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa. De noite, na choça de palha, acocora-se em frente ao fogo para “aquentá-lo”, imitado da mulher e da prole. Para comer, negociar uma barganha, ingerir um café, tostar um cabo de foice, fazê-lo noutra posição será desastre infalível. Há de ser de cócoras. Nos mercados, para onde leva a quitanda domingueira, é de cócoras, como um faquir do Bramaputra, que vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos. Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! TEXTO 02: O SERTANEJO – EUCLIDES DA CUNHA O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.


Língua Portuguesa –Terceiro Ano É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gigante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava- o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeiramente conversa com um amigo, cai logo — cai é o termo — de cócoras, atravessando largo tempo numa posição de equilíbrio instável, em que todo o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável. É o homem permanentemente fatigado. (...) Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude. Nada é mais surpreendedor do que vê-lo desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes, aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro, reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias. TEXTO 03: TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA – LIMA BARRETO O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos roceiros a ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele "sopapo" que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por que ao redor dessas casas não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas? E não havia gado, nem grande nem pequeno. Era raro uma cabra, um carneiro. Por quê? Mesmo nas fazendas, o espetáculo não era mais animador. Todas


Língua Portuguesa –Terceiro Ano soturnas, baixas, quase sem o pomar olente e a horta suculenta. A não ser o café e um milharal, aqui e ali, ela não pôde ver outra lavoura, outra indústria agrícola. Não podia ser preguiça só ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia para trabalhar relativamente. Na África, na Índia, na Cochinchina, em toda a parte, os casais, as famílias, as tribos, plantam um pouco algumas cousas para eles. Seria a terra? Que seria? E todas essas questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!... Releitura: 1. No texto um, a que atitude o autor se refere repetidamente para simbolizar a apatia de Jeca Tatu? 2. Transcreva a passagem de Os Sertões em que autor descreve a posição doo sertanejo “de cócoras”. Que trecho dessa passagem revela a adesão do autor a sua personagem? 3. Quais as diferenças e semelhanças entre o sertanejo e o caboclo, conforme aparecem nos textos? 4. Em sua opinião, o que este fragmento tem em comum com os dois anteriormente lidos, quanto à caracterização do homem do campo de nosso país? 5. Quanto ao ponto de vista do narrador em relação ao que conta, o texto 3 se aproxima mais do texto 2 que do texto 1. Explique por quê? 6. Pensando no que você aprendeu sobre o Pré-Modernismo, justifique a classificação dos três lidos como pré-modernistas. 7. Considerando que uma das características modernas anunciadas pelos pré-modernistas, no plano formal, é o uso de recursos da oralidade, em busca de uma linguagem mais simples e coloquial, opine: qual (is) dos textos lhe parece(m) mais próximo(s) do Modernismo, desse ponto de vista? Justifique sua resposta.


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