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9. ACENTO NO À: A CRASE

Já se disse (e tem-se repetido) que “a crase não foi feita para humilhar ninguém”. Isso reflete, sem dúvida, as lembranças nada agradáveis do tempo de estudante, com a humilhação de notas baixas causadas ou pela falta ou pela presença indevida de acento grave no a, usado para indicar a CRASE. Mas o que vem a ser crase? Essa palavrinha de origem grega quer dizer “fusão”, ou seja, “mistura”. Por exemplo, quando digo “Beatriz é uma aluna aplicada.”, o a final de uma se mistura com o a inicial de aluna, e o a final de aluna se funde com o a inicial de aplicada: nessa frase houve, na fala, duas crases que não se assinalam na escrita, onde os dois aa permanecem. Nesta outra frase: “Não deu atenção a este nem a aquele aviso.”, faz-se crase, na fala, entre a preposição a e o a inicial do pronome aquele. E neste caso é costume, hoje, escrever apenas o segundo a, e marcar a crase com acento grave: “Não deu atenção a este nem àquele aviso.” O mesmo ocorre com aquela e aquilo (que, antecedidos da preposição a, formam crase e se escrevem àquela, aquilo). Além deste primeiro caso de crase marcada na escrita, há outro mais comum: quando a preposição a (que se usa depois de certos verbos e nomes) se junta, numa frase, com o artigo feminino a (ou seu plural as), que se usam antes de muitíssimos substantivos femininos, como “a Faculdade”, “a Bahia”, “as conclusões do inquérito”, etc. Assim, numa frase como “— Você já foi à Bahia?”, o a se acentua porque o nome feminino Bahia se usa com o artigo a (“a Bahia”), e foi, forma do verbo ir, é seguida da preposição a, como na frase “Você já foi ao Pará?” [Observe que,

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Adriano da Gama Kury - Para falar e escrever melhor o português  

oi.

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