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2. O ECONOMÊS E OUTROS ESES: COMO NÃO SE DEVE ESCREVER

“A nível de ideologização (ainda que primariamente dicotômica) há várias leituras para um discurso autoritário enquanto proposta ele mesmo: há uma tríade de condicionantes obsequentes para que se implante num país e/ou nação uma impostura xenófoba caracterizada por um ufanismo...”

Esse pequeno texto de compreensão nada fácil é uma gozação que o humorista Ziraldo (Ziraldo Alves Pinto) fez, numa página ilustrada do “Caderno B” do Jornal do Brasil de 22/10/1985, do estilo em voga especialmente entre os economistas, tecnocratas e sociólogos, motivo por que essa linguagemmistificação foi apelidada de “economês”, “tecnocratês” ou “sociologuês”. O uso de termos difíceis (em geral não dicionarizados), de construções adaptadas de línguas estrangeiras (sobretudo o inglês e o francês) torna muitas vezes a leitura incompreensível — e não há comunicação. Muitos assim escrevem por deformação profissional, e esperam honestamente que pelo menos seus irmãos da opa lhes entendam o jargão; outros, porém, utilizam-se de expressões que não entendem porque pensam que com elas vão adquirir status. Lembram o pobre Fabiano (de Vidas Secas, admirável romance de Graciliano Ramos), personagem de minguados recursos de expressão, que às vezes decorava algumas palavras difíceis e empregava-as inteiramente fora de propósito.

Profile for Carlos Duarte

Adriano da Gama Kury - Para falar e escrever melhor o português  

oi.

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