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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL- UFRGS FACULDADE DE BIBLIOTECONOMICA E COMUNICAÇÃO – FABICO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – DCI CURSO DE ARQUIVOLOGIA

CARLOS DINARTE DE OLIVEIRA KEPPLER

MEMÓRIA VIAMONENSE: um blog como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento sobre os documentos fotográficos digitalizados pelo Departamento de Memória de Viamão

Porto Alegre 2010


CARLOS DINARTE DE OLIVEIRA KEPPLER

MEMÓRIA VIAMONENSE: um blog como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento sobre os documentos fotográficos digitalizados pelo Departamento de Memória de Viamão

Monografia apresentada ao Departamento de Ciência da Informação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como parte dos requisitos para formação de grau e aquisição do título de Bacharel em Arquivologia. Orientadora: Lizete Dias de Oliveira

Porto Alegre 2010


Dedicat贸ria

Dedico este trabalho aos meus pais


Agradecimento


“Se a memória se dissolve, o homem se dissolve.”

Norberto Bobbio


RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso aborda o tema armazenamento, memória e produção coletiva do conhecimento na Web com o uso de blogs. Busca compreender como um blog pode ser utilizado como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e construção coletiva do conhecimento. Utiliza como metodologia o estudo de caso sobre as fotografias do Departamento de Memória de Viamão. Seguiu a forma de abordagem qualitativa, desenvolvendo-se conforme as fases de coletas de dados com a realização de entrevista, aplicação de questionário, observação direta e análise de dados. Constata que os blogs possuem características que favorecem o desenvolvimento de conteúdo por meio da colaboração entre usuários da Web. Indica que os blogs são espaço para inserção de informações de fácil acesso. Conclui que os blogs podem servir como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e produção coletiva do conhecimento.

Palavras-chave: Blog. Memória Viamonense. Ferramenta de Armazenamento. Memória. Construção Coletiva do Conhecimento. Fotografia. Viamão.


ABSTRACT


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Mapa Mental da Cibercultura ..................................................................... 18 Figura 2: Acesso ao blog pelo site do Memorial Jesuíta ........................................... 20 Figura 3: blog do Memorial Jesuíta ........................................................................... 20 Figura 4: aninhamento de informações, palavras mais postadas em blogs .............. 24 Figura 5: comunidade do centro de Viamão .............................................................. 30 Figura 6: Projetos de inclusão social do Centro Municipal de Cultura de Viamão..... 32 Figura 7: Arquivo Histórico ........................................................................................ 33 Figura 9: Casarões do Centro de Viamão ................................................................. 34 Figura 8: Cine Theatro Central – início do século XX................................................ 33 Figura 10: inter-relações entre áreas distintas da Ciência da Informação no Departamento de Memória de Viamão ...................................................................... 35 Figura 11: Cruz das Almas, monumento preservado. Simbolo das Batalhas Farroupilhas no solo de Viamão ................................................................................ 36 Figura 12: Estancieiro Serapião José Goulart e sua esposa. Maior proprietário de terras de Viamão. 1916 ............................................................................................. 37 Figura 13: Arraial da Alegria. Festa popular da Cidade............................................. 38 Figura 14: organização da informação. Primeira Ordem da Ordem .......................... 40 Figura 15: pesquisa em Segunda Ordem da Ordem ................................................. 40 Figura 16: encontro em Sítio do Coronel Acrísio Prates em Viamão. Foto pousada. 47 Figura 17: Identidade visual do Blog Memória Viamonense...................................... 49 Figura 19: álbum de fotos do Picasa com as fotos de Viamão .................................. 54 Figura 18: aspecto de um blog em 2003 ................................................................... 53 Figura 20: opção de incorporar código HTML do Picasa no Blog ............................. 54 Figura 22: soma de metatags que resultam na apresentação, "em nuvens", de termos chave. ............................................................................................................ 55


Figura 21: em destaque, o campo, marcadores, para a inserção das metatags, após definida a postagem. ................................................................................................. 55 Figura 23: legendas no álbum de fotos do Picasa..................................................... 56 Figura 24: exemplo de widget que apresenta os acessos ao blog ............................ 58 Figura 25: estrutura maleável do Blog Memória Viamonense ................................... 59 Figura 26: opções de tradução do Google tradutor ................................................... 60 Figura 27: conteúdo traduzido ................................................................................... 61 Figura 28: dado informado para a pesquisa .............................................................. 61 Figura 29: resultado da pesquisa .............................................................................. 62 Figura 30: blogs linkados do Memória Viamonense .................................................. 63 Figura 31: exportar, em XML, o conteúdo do Blog .................................................... 64 Figura 32: conteúdo do Blog, em XML, preservado. ................................................. 65 Figura 33: Capa do Blog AHPAMV ........................................................................... 67 Figura 34: Blog AHPAMV .......................................................................................... 68 Figura 35: categorias do Ning, serviço do Blog Sempre ASCOM ............................. 71 Figura 36: página principal do Blog ........................................................................... 72 Figura 37: acesso ao Blog Sempre ASCOM ............................................................. 72


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 11 2 BLOGS: a nova desordem, terceira ordem, pós-custodial........................................ 14 2.1 SOBRE A TERCEIRA ORDEM DA ORDEM .............................................................. 21 2.2 DO CUSTODIAL AO PÓS-CUSTODIAL..................................................................... 25 3 VIAMÃO................................................................................................................... 29 3.1 UM POUCO DE HISTÓRIA ........................................................................................ 29 3.2 ARQUIVO, MUSEU, MEMORIAL: O Departamento de Memória de Viamão .............. 31 3.3 AS FOTOGRAFIAS DO DEPARTAMENTO DE MEMÓRIA........................................ 36 3.4 ATIVIDADES DE SEGUNDA ORDEM DA ORDEM NO DEPARTAMENTO DE MEMÓRIA ........................................................................................................................ 38 3.4.1 Produção Documental.......................................................................................... 39 3.4.2 Método de Classificação ...................................................................................... 39 3.4.4 Difusão ................................................................................................................ 41 3.4.5 Armazenamento e Segurança da Informação ...................................................... 41 4 FOTOGRAFIA COMO MEMÓRIA – A REALIDADE DE VIAMÃO ............................ 42 4.2.1 Análise iconográfica ............................................................................................. 45 4.2.2 Análise e Síntese Iconológica .............................................................................. 48 5 BLOG MEMORIA VIAMONENSE: ........................................................................... 49 5.1.1 Recursos de postagens ........................................................................................... 52 5.1.2 Legendas como auxílio à Descrição ........................................................................ 56 5.2 FERRAMENTAS WIDGETS ....................................................................................... 57 5.2.1 Tradutor ............................................................................................................... 60 5.2.2 Pesquisa .............................................................................................................. 61 5.2.3 Interação entre blogs: hiperlinkados..................................................................... 62 6 BLOGS AMIGOS DA MEMÓRIA. Arquivo Histórico De Porto Alegre Moisés Vellinho AHPAMV e Sempre ASCOM: um comparativo ........................................................... 66 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 75 GLOSSÁRIO............................................................................................................... 80 REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 78


1 INTRODUÇÃO A evolução dos canais de comunicação desde a imprensa, passando pelo telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e a internet é crescente e hoje, transformouse no boom da Comunicação. Uma comunicação que não é mais apenas de massa, tornando-se interpessoal por meio dos novos recursos oferecidos pela Web.

É possível encontrar na literatura uma enorme diversidade de títulos que tratam da Comunicação. Temas como a preservação da memória em meio eletrônico, ou segurança, arquitetura e tecnologia da informação, possuem suas especificidades, mas se relacionam com a Comunicação por conta do próprio fenômeno informação somada às possibilidades que a Internet oferece. Com isso, amplia-se o campo de pesquisa não somente em Comunicação, como no campo todo da Ciência da Informação. Uma nova forma de organização do conhecimento se estabelece em nosso tempo. A informação registrada em papel, hoje pode ser organizada em bytes, em redes, bancos de dados. As enciclopédias impressas que antes traziam informações fechadas, hoje são substituídas por enciclopédias online livre e colaborativas como a Wikipédia. Nestas é possível realizar modificações, edições e acrescentar artigos preservando os direitos de cópia e modificações, e tudo isso desconsiderando o nome verdadeiro dos autores. Muda-se completamente a maneira de ser da Comunicação. Isso tem uma relação entre suporte físico e meio eletrônico. No suporte físico, as maneiras de se obter a informação, dependem da organização das estruturas, formada por átomos, que por si formam a matéria, no caso das enciclopédias, das estruturas do papel. No meio eletrônico, as estruturas da matéria são substituídas pelas estruturas dos bytes. Isso possibilita a organização em redes eletrônicas, uma organização diferente que pode ser confundida até como uma desorganização, se comparada aos sistemas de classificação consagrados por teóricos como Melvil Dewey. Essas estruturas independem de uma forma organizada como no exemplo dos suportes físicos. A Wikipédia é apenas um exemplo, neste caso, de uma enciclopédia universal e multilíngue, a qual constitui uma forma de construção coletiva do conhecimento sem a necessidade de definições de hierarquização de


tópicos, códigos de classificação ou sistemas decimais, sendo necessário apenas, para a recuperação ou acesso a informação desejada, que se informe no campo pesquisar o termo desejado. O presente trabalho propõe um estudo do Blog como ferramenta de armazenamento,

preservação

da

memória

e

da

construção

coletiva

do

conhecimento, considerando todas as implicações de utilização de uma nova ferramenta. Como estudo de caso, foca-se a preservação da memória do Município de Viamão através de fotografias pertencentes ao Departamento de Memória do Município. Essas fotografias foram digitalizadas a partir de originais pertencentes à comunidade. Partimos da hipótese de que os blogs representam uma ferramenta que possibilita, de forma democrática, não só a difusão e o acesso à informação, mas também a construção coletiva do conhecimento do usuário leitor.

O trabalho está desenvolvido da seguinte forma: no Capítulo segundo, apresenta-se o conceito de blog delimitado dentro do próprio contexto da Web, mais especificamente, no contexto da Cibercultura, a qual aborda os elementos de interação entre usuários da Internet. Esse Capítulo apresenta também, os princípios da organização da informação em bytes, proporcionada pela Web e derivada das concepções da taxonomia e da folksonomia.

A organização do conhecimento coletivo, em bytes, é representada como uma nova forma de organização: a própria miscelânea de informações na Web possibilita que a informação consiga se tornar acessível através da utilização de ferramentas como os blogs. Isso se relaciona com Paradigma Pós-Custodial, na medida em que se consegue disponibilizar com facilidade, todo o tipo de informação, incluindo a informação dos acervos arquivísticos, na Internet acessível a todos.

O Capítulo terceiro trata da fotografia como memória. Identifica ser a fotografia, por sua condição de retratar a realidade e despertar sentimentos relacionados ao passado, uma possibilidade de identificação de fatos, épocas, cultura e costumes de Viamão. Para tanto, o Capítulo apresenta a história sintetizada de Viamão e, o Departamento de Memória de Viamão, sua estrutura que compreende principalmente arquivo, museu e memorial. O Capítulo trata também da


apresentação das fotografias de Viamão assim como do tratamento dado a essa documentação pelo Departamento de Memória de Viamão.

O quarto Capítulo apresenta a parte teórica da fotografia como memória, considerando a realidade de Viamão como mantenedor desse tipo de documento. Ainda nesse Capítulo, discorre-se sobre as técnicas de análise iconográfica e iconológica necessárias para a fundamental contextualização de imagens no tempo e espaço.

No quinto Capítulo, discorre-se sobre a criação do blog Memória Viamonense, a ideia, os objetivos do blog, a escolha do serviço, no caso o Blogspot, assim como a ferramenta em si, sua estrutura, as ferramentas de apoio ao blog como o tradutor e demais recursos são apresentados nesse Capítulo. O Capítulo sexto aponta as análises sobre dois blogs, mencionados a seguir, como balizamento para a compreensão do problema do trabalho.

O problema deste trabalho visa saber como um blog pode ser usado como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento sobre os documentos fotográficos digitalizados pelo Departamento de Memória de Viamão, tendo como objetivos os seguintes:

Objetivo geral é o de verificar como um blog pode ser utilizado como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento. Os objetivos específicos pretendem analisar a criação, difusão e acesso atuais das fotografias digitalizadas; examinar a organização da informação no Departamento de Memória; pesquisar a proteção e conservação atuais das fotografias

digitalizadas;

apresentar

proposta,

adequada

à

realidade

do

Departamento de Memória, com a criação de um blog gratuito, verificando o comportamento deste recurso como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento. O trabalho partiu de uma pesquisa aplicada, com um estudo de caso sobre as fotografias do Departamento de Memória de Viamão. Seguiu a forma de


abordagem qualitativa, desenvolvendo-se conforme as fases de coletas de dados, observação direta e análise de dados. A fase de coleta de dados realizou-se em dois momentos: no primeiro, a realização de entrevista (gravada em áudio, com o consentimento do entrevistado) no Departamento de Memória, com observação direta de cinco visitas entre caladas em quinze dias. No segundo momento, realizou-se a aplicação de um questionário contendo sete questões, (APÊNDICE1), direcionado aos responsáveis pelos blogs do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moisés Vellhinho (AHPAMV) e Sempre ASCOM da Assessoria de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A criação do blog Memória Viamonense partiu da necessidade de se obter uma resposta prática, possibilitando também uma observação direta, tendo em vista o questionamento do trabalho. O trabalho se justifica pela necessidade que Viamão possui de divulgação de sua memória e preservação desta, tendo em vista as oportunidades que a Web oferece em relação ao acesso das fotografias. Compreendeu-se justa também, a elaboração deste trabalho, haja vista que, a experimentação, do blog como ferramenta de memória, ofereceu recursos para que sejam as fotos de Viamão acessadas e visualizadas, assim como sua história, não somente pela comunidade Viamonense, mas sim, por todos os pesquisadores potenciais, localizados em qualquer lugar com acesso a Web. A criação do blog Memória Viamonense tem apenas a pretensão de experimentar como essa ferramenta pode contribuir para a memória do Município, e não, nesse momento, de compreender como este veículo está sendo aceito pela comunidade, mesmo podendo-se inferir que o mesmo tenha a pretensão de ajudar a melhorar a auto-estima de uma comunidade carente por sua memória.

2 BLOGS: a nova desordem, terceira ordem, pós-custodial


Os blogs tiveram início na década de 1990, e há quem aponte o ano de 1997 como data de início deste sistema de publicação. O termo Blog surgiu de uma contração das palavras, em Inglês, Web Log. Log significa diário de bordo, contraídas as palavras formam a idéia de diário de bordo na Web.

Os blogs servem para diversos fins, de veículo de comunicação à diário pessoal. Um marco histórico que confirmou em definitivo o uso dos blogs como instrumento de cunho jornalístico foram os atentados de 11 de setembro de 2001. Enquanto os noticiários pelo mundo divulgavam o acontecimento em intervalos, de acordo com as suas programações, alguns blogs já divulgavam informações a todo o instante, sendo acessados e servindo de fonte.

Os blogs estão inseridos em um contexto específico da história contemporânea por suas características que permitem uma versatilidade alinhada as possibilidades da Web como a divulgação de informações em tempo real, com interação de usuários.

Ao longo das últimas duas décadas, os blogs foram se modificando, agregando melhorias, possibilidades, sem perder sua característica de instrumento informativo. Surge também, no desenvolvimento dos blogs, a característica de cooperação. A blogosfera surge como um conceito de que essa é o espaço de interação entre blogs. Os links que são dispostos nos blogs podem, e devem remeter para outros blogs que tenham uma afinidade de conteúdo, conforme o autor:

Os blogs surgidos, nesse momento, se caracterizam por sempre conter linguagem hipertextualizada. Entre 97 a 99, o código narrativo predominante nos blogs era uma espécie de dicas sobre o que há de interessante na internet. O post-link foi o primeiro gênero narrativo dos weblogs, ainda muito associado à cultura hacker (de troca de informação relevante). Os weblogs eram uma espécie de filtro. Seu editor preocupava-se em conduzir o usuário sempre a outros sítios de informação, sem o desejo ainda de tornar o veículo em um instrumento formação de opinião. Estamos aqui no momento em que a lei “blogueiro linka blogueiro” é inaugurada. (MALINI, 2008, p.3)


Sua característica de ser popular, somada ao poderoso caráter informativo, revoluciona a Comunicação. Colabora também, para a concretização do direito de liberdade de expressão e direito de acesso à informação.

2.1 OS BLOGS NO CONTEXTO DA WEB

Cabe uma diferenciação importante: o termo Web com inicial maiúscula recebe uma conotação de nome próprio, por ser a Web uma definição do que é, ou do que são os espaços invisíveis de transmissão de dados eletrônicos por rede, neste caso a Rede Mundial de Computadores. Por outro lado, o significado da palavra web, escrita com a letra inicial minúscula, é o que David Weinberger denomina entrelaçamento.

Este autor descreve em sua obra intitulada A Nova Desordem Digital, três formas de organização do informação, que ao longo dos tempos foram se desenvolvendo, são as Três Ordens da Ordem. Sobre a Primeira Ordem da Ordem, para Weinberger e segundo a autora: a “primeira ordem da ordem” está relacionada ao agrupamento das coisas/objetos respeitando-se uma disposição física por características, associações e semelhanças predeterminadas, como livros que são dispostos sequencialmente em estantes por um esquema de agrupamento por assuntos e produtos que são alocados em prateleiras de supermercados. (CURTY, 2009, p. 147).

Esta é a organização dos átomos que também é verificada na Segunda Ordem da Ordem. Na Segunda Ordem da Ordem, está a informação organizada por meio de instrumentos de pesquisa, por exemplo, catálogos, índices, inventários e etc. Nessa organização, reflete-se a organização da Primeira Ordem.

Na Terceira Ordem da Ordem, a organização não é através das estruturas compostas por átomos e sim, por bytes. São as informações organizadas


de forma desorganizada, ou seja, a miscelânea de informações disponíveis em rede que podem ser facilmente encontradas pelos motores de busca.

Segundo Weinberger, não se é possível encontrar um local físico para os bytes. No entanto, a informação em Terceira Ordem revoluciona a forma como pensamos a organização.

As informações estão entrelaçadas, amarradas como em uma rede. O desenho que imaginamos de uma rede é um emaranhado de ligações, assim complexo como os neurônios cerebrais.

Visualizamos em nossa imaginação o que venha a ser essa tal rede, que pode não ser orgânica como nossas células, que compõem um sistema vivo, mas é sem dúvida, orgânica em sua concepção.

A Rede foi criada por nós, entrelaçamentos resultantes de nossas ações, nossos clics, nossos comandos a partir das interfaces. A Rede Mundial de Computadores, a Internet, pode ser subdivida em outras redes, em outros conceitos. Ciberespaço, Cibercultura, Redes Sociais, são termos emergentes e partes desse tipo de ambiente, o todo.

Temos diante de nossos olhos, uma realidade separada da realidade normal: uma realidade virtual ou paralela. Uma ideia dessa teia pode ser visualizada pela ilustração criada por Primo (2007):


Figura 1: Mapa Mental da Cibercultura Fonte: www.interney.net

Nessa estrutura, encontram-se as ferramentas de cooperação, ou colaboração que são proporcionadas pela Web 2.0. Separados os recursos de Web 1.0 (publicação), e 2.0 (cooperação).

A Cibercultura engloba elementos que representam as atividades e as relações entre usuários da internet. O elemento Redes Sociais, possibilita a interação entre pessoas constituindo uma inteligência coletiva que se concretiza pela interação por meio de comunidades virtuais.

Pode ser dividida em Web 1.0 e Web 2.0. A Web 1.0 significa a implantação das redes. Caracteríza-se pela pouca interação entre os usuários de internet em comparação aos utilizadores da atual Web 2.0. Na Web 1.0, destacaram-se as ferramentas de comunicação como o email. Na Web 2.0, o que


existia na Web 1.0 se incorpora, mas aumentam os recursos de publicação. Por exemplo, o email do Google, Gmail, que engloba, além do serviço gratuito de email, com espaço praticamente ilimitado de armazenamento, ferramentas como álbuns de fotos, editores de documentos online, o Google Docs, agendas eletrônica, criação de sites, pesquisa de blogs, entre outros serviços, tornam essa a marca mais bem sucedida entra outras que também oferecem esses recursos. Na Web 2.0, os servidores dos serviços gratuitos, possibilitam que o usuário, armazene uma grande quantidade de informações fora do seu computador. Surge o conceito de “computação nas nuvens”. O usuário não necessita mais de instalação de softwares em seu computador.

Os Blogs, embora inseridos no contexto distinto da Web 1.0, podem se relacionar, pois, um blog dá a possibilidade de utilizar os recursos de publicação e ferramenta de cooperação. Existe a possibilidade de que colaboradores utilizem um álbum de fotos, para postar comentários, adicionar metatags, linhas de código HTML, ou "etiquetas", que descrevem o conteúdo blog para a busca. Nos metatags são definidas as palavras chaves que facilitarão encontrar o conteúdo no Blog. Desta forma, estarão às partes de Web 1.0 e Web 2.0, relacionadas.

Esse é apenas um exemplo, de como as interações entre essas estruturas se mostram complexas, interligadas, diante de um universo de possibilidades e necessidades da comunicação. Os blogs estão no contexto atual sendo assumidos, por instituições diversas, como uma ferramenta importante de comunicação. Neste caso, normalmente, os blogs são links, dentro de um ambiente maior, um site por exemplo.

Como as informações de um site, não mudam com frequencia, ou seja, não são inseridas, revisadas ou editadas periodicamente, aos blogs assumem esse papel, justamente para suprir essa necessidade de manter os usuários, ou pessoas interessadas nas informações de uma instituição, informadas com novidades, assuntos diversos. Eis o caráter informativo, comunicacional da ferramenta blog.


Para ilustrar, o site do Memorial Jesuíta da Unisinos possui um blog sobre o Memorial. Nesse blog, são atualizadas diariamente, as notícias e novidades relacionadas ao Memorial:

Figura 2: Acesso ao blog pelo site do Memorial Jesuíta Fonte: http://www.unisinos.br/memorialjesuita/index.php

Figura 3: blog do Memorial Jesuíta Fonte: http://unisinos.br/blog/memorialjesuita/


2.1 SOBRE A TERCEIRA ORDEM DA ORDEM

Na tentativa de organizar as coisas, próprio de nossa natureza humana, selecionar ou descartar, criamos a noção de que tudo deve estar ordenado para ser encontrado. Na Arquivologia, a classificação está associada à área da gestão documental, atividade esta que gera um instrumento de pesquisa chamado Plano de Classificação, ou Quadro de Arranjo, quando se trata de arquivos permanentes. Os planos de classificação da gestão em arquivos estão associados às atividades administrativas, embora sejam refletidos nos arquivos permanentes. Segundo os teóricos tradicionais desse campo, a classificação é a forma elementar, junto com a aplicação de outras técnicas da arquivística, para se garantir o acesso à informação.

A ação de selecionar, ordenar, para encontrar, localizar, ou simplesmente organizar dados, não é um problema paradigmático somente associado à prática arquivística, é um problema da organização de todo o conhecimento. Para ilustrar tal situação, Morin (2007, p.10) menciona que:

Qualquer conhecimento opera por seleção de dados significativos e rejeição de dados não significativos: separa (distingue ou disjunta) e une (associa, identifica); hierarquiza (o principal, o secundário) e centraliza (em função de um núcleo de noções-chaves); estas operações que se utilizam da lógica, são de fato comandadas por princípios “supralógicos” de organização do pensamento ou paradigmas, princípios ocultos que governam nossa visão das coisas e do mundo sem que tenhamos consciência disto.

Tem-se nessas palavras, um plano de classificação, ou uma organização de sumário, ou uma ordem qualquer. A lógica opera da mesma forma, onde há uma hierarquização que desconsidera o que “resta”, e somente incorpora o que está de acordo com as convicções simplificadoras. O que se propõe nesse aspecto é determinar a quebra de um paradigma que representa uma visão errada, ou melhor, utilizando as palavras de Morin, uma inteligência cega vivida sobre o paradigma da simplificação.


Quando se menciona a organização de documentos ou livros, periódicos etc. feitos de matéria, organizados em estantes, dentro de caixas ou pastas suspensas, classificados e assinalados por etiquetas de papel sustentadas por outra estrutura física de plástico, esta se falando na organização de Segunda Ordem de Weinberger, pois são técnicas de organização de átomos, organização de matéria física que são os documentos. Contudo quando falamos de bytes, e, no contexto que estes se inserem, estamos considerando certo grau de desordem, mas uma desordem que possibilita o acesso.

Na Termodinâmica, ramo da Física que estuda as mudanças de temperatura, pressão e volume em sistemas físicos, encontra-se uma grandeza física chamada entropia. Essa grandeza nada mais é do que um certo grau de desordem dentro de um sistema. O termo entropia é encontrado também, na Teoria dos Sistemas proposta em meados de 1950 pelo biólogo Ludwig Von Bertalanffy.

A Teoria dos Sistemas foi introduzida na consecução da Cibernética por William Ross Ashby, médico neurólogo Inglês que em meados de 1953 integrou o Macy Conferences, grupo formado por importantes cientistas da época contribuiu para a consolidação da Teoria Cibernética. A Teoria dos Sistemas também influenciou a Teoria do Pensamento Complexo conduzida por Edgar Morin e pode ser pensada também na concepção de desordem da Web, pode-se utilizar como desordem ou Terceira Ordem da Ordem no contexto da informação binária.

Essa desordem, ou entropia, não significa, no entanto, o caos, em que não se é possível encontrar o que procuramos, fala-se aqui, em uma forma diferente de se organizar ideias, pensamentos, através da maneira individual, particular ou coletiva de se classificar em categorias, palavras-chave, metadados, tags, metatags, que representarão o aninhamento, termo cunhado pelo já mencionado David Weidenberger. Segundo Weinberger (2007), a melhor forma de se organizar ideias em sites em que um usuário pode postar é justamente pela atribuição de etiquetas, metatags. Isso é o aninhamento, o entrelaçamento de palavras de acordo com maneiras particulares, subjetivas do próprio usuário no momento de postar. O autor coloca ainda que:


Na terceira ordem da ordem, não só as informações se tornaram entrelaçadas, como o próprio entrelaçamento gera conhecimento. Os identificadores exclusivos permitem o entrelaçamento, muito embora talvez exista um número tão grande de identificadores exclusivos para a mesma coisa, e em níveis de abstração tão variados que todos os identificadores também são twingle. (WEINBERGER, 2007, p. 125).

Essas palavras, identificadores, metadados, metatags, etiquetas, serão contabilizadas e conforme configuração específica de cada serviço, no exemplo abaixo um blog do serviço Blogspot, na configuração cloud (nuvens), estes termos poderão apresentar as postagens em que o termo se encontra. Essa maneira de organizar os termos tem origem em estudos e práticas da taxonomia e da folksonomia.

A Taxonomia como Ciência de Classificar Organismos Vivos, e a Folksonomia, classificação do conhecimento realizada pela coletividade, de acordo com a linguagem local ou popular, influencia a classificação com o objetivo de possibilitar o acesso. A Folksonomia na web é compreendida da seguinte forma:

trata-se de um sistema de indexação de informações que permite a adição de tags (etiquetas) que descrevem o conteúdo dos documentos armazenados. Baseada na livre organização, a folksonomia traz um novo tipo de link, a tag, criada pelos próprios usuários da web, que assim, de forma coletiva representam, organizam e recuperam os dados na Rede. (AQUINO, 2007, p. 3).

Na visão da autora, uma definição da Folksonomia no contexto da Web:

Poderíamos dizer que a folksonomia é uma espécie de vocabulário descontrolado. Isso não quer dizer que o esquema seja uma desordem total, o que poderemos perceber ao longo desse texto. Na verdade, trata-se de um mecanismo de representação, organização e recuperação de informações que não é feito por especialistas anônimos, o que muitas vezes pode limitar a busca por não trazer determinadas palavras-chave, mas sim um modo onde os próprios indivíduos que buscam informação na rede ficam livres para representá-la, organizá-la e recuperá-la, realizando estas ações


com base no senso comum e tendo assim um novo leque de opções ao efetuar uma pesquisa para encontrar algum dado. (AQUINO, 2007, p.10).

Assim, tem-se a apresentação gráfica das palavras mais inseridas em blogs.

Figura 4: aninhamento de informações, palavras mais postadas em blogs

Sobre as ordens, Primeira e Segunda, aponta Weinberger (2007, p.19) “os problemas com as duas primeiras ordens da Ordem remontam ao fato de que elas organizam átomos [. . .] coisas feitas de átomos podem ocupar um único lugar de cada vez”. Weinberger menciona a matéria, por ser feita de átomos, que esta preconiza uma organização de Primeira e Segunda ordem. Ou seja, objetos dependem da classificação ao modo Dewey. No caso da organização misturada da Terceira Ordem, os elementos menores, micro, não são os átomos e sim os bits, conforme segue o autor:


essa é a terceira ordem da ordem que tem nos atingido – usando uma metáfora totalmente inadequada – como uma tonelada de tijolos. A terceira ordem move as limitações presumidas como inevitáveis no modo como organizamos as informações (WEINBERGER, 2007 p.20).

Não se discute, no entanto, se a Terceira Ordem da Ordem é melhor que as duas primeiras. É impossível organizar em terceira ordem, matéria física, em suma, papel, e imaginar que será eficaz a busca de informações nesses documentos. Milhares de documentos, ou centenas de metros lineares de documentos não podem sofrer o processo de aninhamento de informações, com metatags. A informação em meio eletrônico não pode ser ordenada em grande escala como a informação em suporte físico. Logo, as formas de acesso são realmente distintas e complexas no caso da informação binária. O correto é pensar cada forma de se organizar a informação no seu tempo, diante do seu contexto.

O que se vislumbra como ponto positivo para a Terceira Ordem, além da verdadeira facilidade de recuperação da informação é a possibilidade de acesso a informação independente do local físico. A informação, como fotos antigas que por décadas estiveram somente ao alcance de uma comunidade, por exemplo, agora, com a Web, podem estar disponíveis ao acesso de qualquer pessoa conectada à Web, seja a pessoa um pesquisador ou apenas um curioso e, por tanto, um pesquisador potencial. Em qualquer parte do mundo, em qualquer lar, escritório etc. é possível acessar a informação, o que significa uma forma de se confirmar o Paradigma Pós-Custodial.

2.2 DO CUSTODIAL AO PÓS-CUSTODIAL

Na definição do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística (2005, p.62), o termo Custódia, significa “responsabilidade jurídica de guarda e proteção de arquivos, independentemente de vínculo de propriedade”. Além dessa definição, encontra-se o termo Entidade Custodiadora que, segundo o mesmo Dicionário, p. 76, quer dizer “entidade responsável pela custódia e acesso a um acervo”.


Esse paradigma, o Custodial, está sendo cada vez mais questionado, principalmente por pesquisas desenvolvidas na área das Ciências da Informação, a partir do final do século XX. Essas pesquisas propõem que seja repensada a visão de guarda e proteção dos documentos. Há uma veneração ao suporte como se o suporte em papel amarelado fosse mais importante que a própria informação em si contida, é nesse ponto que se questiona o Paradigma Custodial. Para os críticos do paradigma Custodial os próprios arquivos devem ter como objetivo, fornecer, disponibilizar toda a informação, ao invés de guardar, no sentido de reter as informações. Conforme Silva (2006, p. 20), é a “[. . .] sobrevalorização da custódia ou guarda, conservação e restauro do suporte como função basilar da actividade profissional de arquivistas e bibliotecários [. . .]”. Essa realidade é vista em muitas instituições, não sendo característica apenas nas instituições brasileiras.

Na Terceira Ordem da Ordem, o Paradigma Custodial é substituído, por ser a informação acessível na Internet, e podendo ser difundida na blogosfera, uma forma de mostrar o que existe da cultura de diversos arquivos, cidades, empresas, enfim, um conhecimento compartilhado que se insere, adequadamente, no que se chama o Paradigma Pós-Custodial.

Documentos que saem de uma caixa de papelão passam por um scanner, e vão se transformando em dados binários, em bytes, gravados no disco rígido. Escolhe-se um servidor web e pronto. Sai a informação quentinha do arquivo para o Mundo. Parece claro que esta se falando de uma realidade por muito debatida no meio acadêmico.

Nesse exemplo, quem custodia a informação na rede, não é mais o arquivo, e sim, quem tiver a possibilidade de repassar esse conteúdo. É a democratização da informação a qual está no livre acesso à informação, é o Paradigma Pós-Custodial em ação. A INORMA Para o Paradigma Pós-custodial o objeto do pensar arquivístico não é o suporte, e sim, a informação em seu contexto. Conforme ilustra a autora:


O novo paradigma emergente, apelidado de científico-informacional, implica uma alteração profunda de perspectiva, muda o objecto de estudo e de trabalho do “documento” para a “informação”, convoca metodologias de investigação adequadas ao estudo de um fenómeno humano e social (a informação), que não diferem das usadas pelas Ciências Sociais em geral, e encara a Arquivística, não como uma técnica com especificidades próprias, mas sim como uma disciplina aplicada da área da Ciência da Informação. (RIBEIRO, 2002, p.7).

Deve-se, portanto, e segundo esse Paradigma, acrescentar que o que difere na definição do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística para o termo Custódia é a responsabilidade jurídica do arquivo. Os arquivos devem ter como parte de sua atividade fim, a atividade de difusão, divulgação do que o arquivo possui como informação, difusão dos seus serviços, não somente para o público pesquisador, mas para a comunidade em geral.

Todo o trabalho do profissional da Ciência da Informação passa a ser bem visto em decorrência da exposição da informação, para um público mais amplo. Um acervo pode continuar na ideia da supervalorização do suporte, de maneira a preocupar-se

apenas

com

o

suporte

conservado,

acessível

apenas

aos

pesquisadores, que devem permanecer fisicamente no espaço físico de um arquivo, desconsiderando as necessidades de adequação ao mundo dos bytes, ou seja, desconsiderando sua inserção no mundo contemporâneo e as oportunidades do mundo virtual.

É possível compreender, que os projetos realizados em instituições de memória devam considerar a informação voltada para as redes sociais como parte de suas ações implementadas. A informação não deve ser guardada, super protegida do meio externo. Ribeiro (2002, p.8), retrata este fato da seguinte maneira:

as múltiplas consequências teórico-práticas da definição apresentada e da crítica à noção de documento afectam directamente a profissão de arquivista, que não pode continuar a ser aquele que guarda, conserva e arruma papéis e outros documentos ao serviço dos investigadores, mas terá de se assumir como um gestor de informação produzida e usada em qualquer contexto orgânico. Ser arquivista passa a ser um desafio difícil,


mas aliciante, pois urge repensar toda uma herança empírica milenar e questionar o sentido da profissão, já não num quadro de actividades de salvaguarda do património, mas sim numa perspectiva de acesso e conservação da informação como factor de memória identitária do seu organismo produtor.

Enquanto isso, e para o pesar das comunidades onde se encontram arquivos organizados pela Segunda Ordem da Ordem, o cenário está distante de qualquer verdade teórica ou metodológica. É difícil encontrar o que se busca de forma completa. Sempre há lacunas por mais organizados que estejam os papéis, pois nada garante que os índices, Inventários, catálogos estejam completos.

Sente-se a angústia de se pesquisar com a consciência de que sempre pode haver um documento relacionado com a pesquisa que não se encontra devidamente classificado em um quadro de arranjo, neste caso considerando que mesmo se respeitando as normas de descrição sempre há espaço para o erro humano.

De certa forma, é importante a organização proporcionada pelo uso das normas internacionais, mas na realidade atual, deve-se sem, pensar necessária a união dessas organizações, de Primeira, Segunda e Terceira Ordem, com o objetivo único de proporcionar o acesso. A ordem da miscelânea é um, sem dúvida, uma grande aliada sob esse aspecto.


3 VIAMÃO

Este capítulo discorre sobre uma breve história de Viamão, apresentando também o Departamento de Memória de Viamão sua estrutura e serviços. São apresentadas as fotos do departamento, assim, como a sua organização de Segunda Ordem, realizada pelo Departamento.

3.1 UM POUCO DE HISTÓRIA

No ano de 1741 D. Fr. João da Cruz, bispo do Rio de Janeiro, concede licença para a construção da Capela Grande em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, hoje conhecida igreja Matriz, tombada como patrimônio histórico nacional. Nesta região, da Estância Grande, viveu Francisco Carvalho da Cunha, conhecido como fundador de Viamão. Em 1747, Viamão foi elevada a categoria de freguesia. Viamão foi sede do governo da capitania por ocasião da invasão espanhola de 1766 e teve sua importância inicial com o estabelecimento de estâncias de criação de gado, as primeiras no Estado. O Tratado de Madrid no ano de 1750 foi um importante fato para a concretização do povoamento de Viamão. Esse tratado causou a decadência das Missões com a obrigação de desocupação das terras pelos índios Guarani missioneiro. Como explica o autor:

Em 1752, chegou a comissão de demarcação do tratado no porto de Rio Grande, chefiada pelo general Gomes Freire de Andrade. No mesmo ano, imigrantes açorianos chegaram também, com o objetivo inicial de ocuparem as terras a serem abandonadas pelos índios missioneiros. Eles acabaram ficando no Porto dos Casais (Porto Alegre), Rio Pardo e Santo Amaro (1755) às margens do rio Jacuí. (SOUZA, 2008 p.51).

Por esse tratado, a vinda de casais açorianos tornou definitiva a ocupação. No entanto, já haviam sido estabelecidas as bases para a ocupação açoriana. A partir do ano de 1725, tem-se a fixação de sesmarias pelos primeiros colonizadores portugueses. Cosme da Silveira, integrante da frota de João de Magalhães, foi um dos primeiros ocupantes europeus no solo de Viamão. É


possível, afirmar que Viamão, antes das ocupações definitivas dos açores, era uma terra de passagem. Desbravadores e tropeiros reconheciam a importância dos campos de Viamão como um bom caminho entre litoral e centro do continente. Os açorianos que se estabeleceram em Viamão chegaram por embarcações que ancoraram em Itapuã. Em 1763, por motivo da invasão espanhola, a sede que ficava em Vila do Rio Grande foi transferida para Viamão, a qual foi capital do Estado até 1773. Neste último ano a sede foi transferida para Porto dos Casais. Com a Proclamação da República no ano de 1889, institui-se o município de Viamão.

Ao inicio do século XX, entre as três primeiras décadas desse período, Viamão passa a ter sua administração autônoma, e se organiza com o crescimento demográfico. Viamão é reconhecida como cidade em 1938, com o decreto 7.199 de 31 de março de 1938.

Em 1920/30, Viamão passou a contar com 73 casas de negócios, 15 padarias, 3 olarias, 10 alambiques, sendo que, em 1929, já existiam 2521 habitações, um cinematógrafo, a banda municipal e o Grêmio Dramático, demonstrando seu avanço cultural, que conduziu Viamão, de vila à cidade [. . .] (SOUZA, 2008 p.323).

Figura 5: comunidade do centro de Viamão Fonte: Departamento de Memória de Viamão


3.2 ARQUIVO, MUSEU, MEMORIAL: O Departamento de Memória de Viamão

O Departamento de Memória do Centro Municipal de Cultura e Esporte está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e sua criação foi no ano de 1999, durante a administração do prefeito Eliseu Fagundes Chaves o Ridi. A atuação constante na busca da preservação da memória cultural do município em forma de documentação e de bens materiais tornou necessária a criação do departamento que também realiza atividades esportivas como torneios de futebol, incentivando a comunidade local, jovens e principalmente crianças, à prática do esporte.

O Departamento acolhe o Arquivo Histórico Municipal, Museu e o Memorial Sala Açoriana, onde se encontram peças dos Açores. O Museu e o Arquivo histórico foram inaugurados na mesma data, dia 12 de janeiro de 2000. O Departamento reúne um acervo significativo de livros, objetos e fotos antigas. O Arquivo realiza a digitalização de fotos antigas, desenvolve projetos relacionados ao resgate da história e da preservação do patrimônio cultural material e imaterial.

Dentre esses projetos destacam-se: •

Inventário Participativo, projeto que visou fomentar uma maior compreensão do valor cultural através da identificação, registro, estudo, valorização e preservação do passado;

projeto Raízes de Viamão, projeto que teve incentivo do Governo Federal e foi desenvolvido com a participação de comunidade Viamonense, resgatando lembranças, fotos, e artigos escritos por professores

das

universidades

da

região

metropolitana,

especialmente professores do curso de história e, o projeto Museu Itinerante, que desde janeiro de 2009 leva ao encontro da população, de escolas e vilas, um pouco da informação do museu. O objetivo do projeto é relacionar os alunos com a história local,


podendo eles ter uma leitura visual e uma valorização da sua localidade.

Entre as atividades propostas pelo projeto Museu Itinerante estão: •

palestras: a presença açoriana em Viamão, a participação do município na Revolução Farroupilha, importância das tafonas na economia local da época, as lendas locais, a presença afrodescendente e a cultura indígena Guarani.

vídeos: Parque Estadual de Itapuã (assuntos relacionados ao meio-ambiente) com duração de 25min e o Histórico, Turístico e Econômico do Município de Viamão com duração de 20min.

Figura 6: Projetos de inclusão social do Centro Municipal de Cultura de Viamão

Arquivo histórico conta com um acervo de mais de 500 livros que registram parte da história do município. O mais antigo é datado do ano de 1822. São livros que registram a história da administração municipal contendo livros competentes ao poder executivo e legislativo como registros fazendários, lançamentos de óbitos e atas da Intendência Municipal. A Intendência Municipal era a administração do Município antes de se confirmar o Município como Cidade e por tanto, seus intendentes eram os “prefeitos” até esse período o qual antecedeu o ano de 1938.


Figura 7: Arquivo Histórico

Entre as atividades desenvolvidas dentro do espaço do Museu Histórico Municipal estão exposições periódicas com temas ligados a história, cultura e lazer do município, além de passeios orientados pelos principais pontos históricos da área central. O museu abriga entre suas peças mais importantes as seguintes: •

Quadros de vultos históricos do Município, Estado e União.

Objetos da cultura indígena de Município.

Projetor de filme, pertencente ao primeiro cinema do Município, do início

do século XX.

Figura 8: Cine Theatro Central – início do século XX Fonte: Departamento de Memória de Viamão


• Tijolos e telhas de antigas casas do Município.

Figura 9: Casarões do Centro de Viamão Fonte: Departamento de Memória de Viamão

Máquina de costura, balança, marcadores de gado e demais objetos

antigos, pertencentes a antigas propriedades do Município. •

Escrivaninha pertencente ao Prefeito Clodoaldo Prates da Veiga.

Busto de Flores da Cunha e Borges de Medeiros.

Uma característica a ser considerada no Arquivo Histórico é a sua proximidade e relação com o Museu e Sala Açoriana. Esses ambientes ficam próximos, fisicamente, no mesmo andar, 3º andar do Ginásio de Esportes que abriga demais salas da administração da Secretaria de Cultura. Com essa proximidade, as atividades do Departamento são realizadas por poucos funcionários. Não há um número suficiente de funcionários para as demandas de trabalho necessárias para a adequação do Arquivo às práticas aceitáveis da arquivística. Não há projetos que tornem o Arquivo um local adequado segundo as especificações técnicas da área.


As atividades realizadas pelo Departamento mesclam um pouco de cada área. Com o aproveitamento das fotos, em formato de banners, o Projeto Museu Itinerante leva consigo um pouco do arquivo de imagens para diversas vilas e escolas de Viamão, em eventos programados, agendados. Esse trabalho é bem aceito pela comunidade, no entanto, pouco divulgado.

Figura 10: inter-relações entre áreas distintas da Ciência da Informação no Departamento de Memória de Viamão

Além dos serviços internos do Departamento, realizados com o objetivo de preservar a memória com a guarda dos documentos, realiza-se também, a manutenção de objetos externos ao Dapartamento. Estes objetos são bustos e placas de personalidades, monumentos distribuídos pelas praças da cidade, além da conservação e restauração da Cruz das Almas, monumento histórico, que representa uma batalha Farroupilha realizada nos campos de Viamão, durante a Guerra dos Farrapos. Esse é sem dúvida um dos


mais importantes serviços realizados pelo Departamento de Memória: a preservação de monumentos.

Figura 11: Cruz das Almas, monumento preservado. Simbolo das Batalhas Farroupilhas no solo de Viamão Fonte: Departamento de Memória de Viamão

3.3 AS FOTOGRAFIAS DO DEPARTAMENTO DE MEMÓRIA

As fotografias sob a custódia do Arquivo Histórico têm proveniências distintas: fotos registradas por moradores ou famílias de Viamão, doadas para o arquivo, ou emprestadas para a digitalização, fotos de origem da Prefeitura Municipal, e, fotos feitas pelo próprio Departamento. As fotos registradas pelo Departamento de Memória são as mais atuais. O objetivo dos documentos atuais é registrar a arquitetura, casarões antigos,


tafonas, ruínas e a própria natureza local, com uma série de fotos sobre figueiras da Região.

Figura 12: Estancieiro Serapião José Goulart e sua esposa. Maior proprietário de terras de Viamão. 1916 Fonte: Departamento de Memória de Viamão

Fotos antigas da cidade e do meio rural registram acontecimentos importantes para o município, ou apenas casualidades. Valorizam-se, com a divulgação para exposições feita pelo projeto Museu Itinerante, as fotografias que mostram o centro da cidade antigo, pois alguns prédios existem até os dias atuais, fotos da igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, fotos de cidadãos ilustres de épocas passadas.


Figura 13: Arraial da Alegria. Festa popular da Cidade Fonte: Departamento de Memória de Viamão

Essas exposições itinerantes não são realizadas com os originas das fotografias. São produzidos banners que representam as fotos originais, dentro de contextos nas exposições. Em média são produzidas pelo departamento mais de trezentas fotos/ ano. Desse número, em média duzentas fotos são selecionadas para o acervo. Das fotos antigas, o acervo possui aproximadamente duzentos e cinquenta fotos, sendo que nos últimos cinco anos, foram doadas ou emprestadas para o Arquivo, aproximadamente quarenta fotos.

3.4 ATIVIDADES DE SEGUNDA ORDEM DA ORDEM NO DEPARTAMENTO DE MEMÓRIA

A gestão, ou atividades do arquivo envolvendo especificamente as fotografias, podem ser apontadas como atividades empíricas que não consideram os conhecimentos ou práticas da Arquivologia. Uma razão para essa realidade passa pela explicação de que não há arquivistas ou outro profissional da informação responsável por essa gestão. Nem ao menos existem cargos na administração pública do município que contemplem as profissões de arquivista, bibliotecário ou


museólogo. Foram coletadas algumas informações sobre as atividades do arquivo, no que se diz respeito às fotografias. Entre as atividades pesquisadas, podem-se apontar as seguintes questões.

3.4.1 Produção Documental A produção de fotografias é realizada pelo departamento de memória. Fotos digitalizadas são realizadas com certa periodicidade, não há um projeto para as atividades de digitalização de fotos. As fotos atuais, feitas pelo Departamento, são capturadas por meio de câmera digital. Essas fotos são transferidas para um computador, onde é feita uma classificação seguindo critérios estabelecidos para a permanência ou não no Acervo.

3.4.2 Método de Classificação As fotos são separadas por temáticas (assunto), tais como: fotos da região rural, fotos do centro antigo, fotografias ecológicas, fotografias da igreja Matriz. A partir disso são classificadas, as fotos, por pastas, no Sistema Windows e, ou, separadas por assunto nas caixas.

Não há um arranjo estabelecido, as fotos são condicionadas em caixa arquivo ou caixas de transferência, com etiquetas com o assunto e ano. Não há uma forma padronizada na classificação, no entanto, pela classificação estabelecida é possível identificar e estabelecer séries, aparentemente com certa facilidade.


Figura 14: organização da informação. Primeira Ordem da Ordem Fonte: Carlos Dinarte

3.4.3 Acesso: pesquisa em Segunda Ordem da Ordem

As pesquisas atuais são realizadas por estudantes, das redes públicas e privadas, professores historiadores e estudantes universidades. A sistemática de pesquisa segue a seguinte lógica:

Figura 15: pesquisa em Segunda Ordem da Ordem


Não há instrumentos de pesquisa que o usuário pesquisador possa utilizar. Os funcionários do Departamento indicam o material para o pesquisador a partir da busca informada pelo pesquisador.

3.4.4 Difusão

O Departamento de Memória realiza desde sua fundação, no ano de 2000, projetos voltados para a difusão do acervo no meio interno e externo. Projetos já mencionados como o Inventário Participativo, Museu Itinerante e a publicação Raízes de Viamão, foram realizados com êxito e bem aceitos pela comunidade.

Há que se considerar que o livro Raízes de Viamão foi um trabalho realizado em conjunto entre professores pesquisadores, moradores, comunidade em geral do Município, Departamento de Memória, através das fontes publicadas, e Faculdade do curso de História da Universidade Faculdades Porto Alegrenses – FAPA.

3.4.5 Armazenamento e Segurança da Informação

As fotos digitais e digitalizadas são armazenadas no computador, em Sistema Windows Vista. Há antivírus instalado. No entanto, há uma preocupação em relação aos acessos à internet. Segundo o funcionário do local, são evitados os acessos por medo de que se instalem vírus no Sistema. Os arquivos de fotos, então, são gravados em DVD, num processo de backup de periodicidade não informada.

As fotos analógicas são acondicionadas no próprio acervo, em uma caixa grande de papelão. Segundo o Departamento, há consciência em relação à conservação desse material, um profissional de restauro já foi contratado para tratar alguns documentos. Não há controle de temperatura e umidade no Acervo.


4 FOTOGRAFIA COMO MEMÓRIA – A REALIDADE DE VIAMÃO

Paradigmas à parte, a realidade das fotografias de Viamão é a seguinte: documentos

de

diferentes

proveniências,

que

ilustram

diversos

assuntos

relacionados ao Município a partir do início do século XX, armazenados em caixas de papelão, sem um rigoroso tratamento ou controle de temperatura e umidade. Isso, no plano físico, de Segunda Ordem da Ordem.

No plano digital, de terceira ordem, são fotografias transformadas em bytes, através do processo de digitalização, em formato JPEG. Essas fotografias foram digitalizadas pelo próprio departamento, através de equipamentos instalados no Departamento de Memória.

Considera-se que a atividade de digitalizar parte de uma boa intenção, para o caso do Departamento, as fotografias foram digitalizadas sem um objetivo claro. No entanto, a digitalização serve para a divulgação do acervo através do projeto Museu Itinerante, o qual confecciona banners com as imagens ampliadas.

As necessidades reais, das fotografias de Viamão, partem do paradigma custodial, o qual visa à conservação, preservação dos documentos, suportes, por se considerar esses documentos como de valor histórico. Isso deve ser elaborado e detalhado em forma de projetos. Desenvolvidos pelo próprio Departamento. Esse é um primeiro passo. A questão do Arquivo do Departamento de Memória reflete exatamente isso: o trabalho desenvolvido é do empírico.


A associação da fotografia com memória, parte da definição da fotografia como documento, como um elemento que atesta, comprova, ilustra fatos do passado. Na prática, o registro fotográfico, e mais especificadamente as fotos históricas de Viamão, possibilitam a preservação da memória, se for o registro fotográfico preservado de acordo com as práticas da conservação de documentos. Os documentos preservados são importantes para que possibilite que a historicidade permaneça abastecida pelas fontes de informação. Essas são atividades necessárias para a realidade das fotografias de Viamão.

O documento escrito ou fotográfico está diretamente ligado à história o que justifica que essa favoreça a preservação da memória social. A fotografia se diferencia das demais fontes por razões de sua própria natureza, visto que, conforme o autor:

[. . .] as fotografias mostram, em seus conteúdos, o próprio passado. Pelo menos aquelas frações do real visível de outrora, que foram selecionados para os devidos registros: os recortes da primeira realidade na dimensão da vida. (KOSSOY p.152, 2001).

No entanto, memória social e memória histórica são conceitos diferentes, embora, classificados na mesma área do conhecimento. Segundo a autora:

A Memória individual e coletiva se alimenta e tem pontos de contato com a memória histórica e, tal como ela, são socialmente negociadas. Guardam informações relevantes para os sujeitos e têm, por função primordial garantir a coesão do grupo e o sentimento de pertinência entre seus membros. Abarcam períodos menores do que aqueles tratados pela história. Têm na oralidade o seu veículo privilegiado, porém não necessariamente exclusivo, de troca. Já a memória histórica tem no registro escrito um meio fundamental de preservação e comunicação. Memória individual, coletiva e histórica se interpenetram e se contaminam. Memórias individuais e coletivas vivem num permanente embate pela co-existência e também pelo status de se constituírem como memória histórica. (KESSEL p.5,

A oralidade, que também é responsável pela constituição de uma memória social e coletiva, sendo assim, uma forma de apoio de constituição ou


reconstituição da história, parte do indivíduo para a sociedade. De forma oral ou documentada, o compartilhar de conhecimentos sobre fatos ou sobre a segunda realidade captada pela objetiva, solidifica a memória, que tende a delimitar fronteiras socioculturais. A identidade regional está relacionada à preservação da memória e da fotografia como documento. As experiências são compartilhadas pela oralidade, os documentos são uma forma de manter essa memória viva, acesa, enquanto for difundida a informação. Conforme ilustra o autor:

O indivíduo carrega em si a lembrança, mas está sempre interagindo com a sociedade, seus grupos e instituições. É no contexto destas relações que construímos as nossas lembranças. A rememoração individual se faz na tessitura das memórias dos diferentes grupos com que nos relacionamos. Ela está impregnada das memórias dos que nos cercam, de maneira que, ainda que não estejamos em presença destes, o nosso lembrar e as maneiras como percebemos e vemos o que nos cerca se constituem a partir desse emaranhado de experiências, que percebemos qual uma amálgama, uma unidade que parece ser só nossa. (KESSEL p.3,)

As fotos de Viamão podem ser elementos que colaborem para essa solidificação, que garanta durabilidade e estabilidade da memória, e de certa forma, também cumpra as razões para se preservar a memória. Segundo o autor: Na tradição metodológica durkheimiana, que consiste em tratar fatos sociais como coisa, toma-se possível tomar esses diferentes pontos de referência como indicadores empíricos da memória coletiva de um determinado grupo, uma memória estruturada com suas hierarquias e classificações, uma memória também que, ao definir o que é comum a um grupo e o que o diferencia dos outros, fundamenta e reforça os sentimentos de pertencimento e as fronteiras socioculturais. (POLLAK p.1, 1989).

A memória pode ser estimulada com fotografias, mas, deve-se sim compreender que as diferentes formas de se disponibilizar as informações ao acesso público levam em conta o seu contexto, como nos nossos dias, em nosso contexto, as formas de disponibilizar devem contemplar os meios eficazes de comunicação.


Fotografias, assim como a informação que está contida nesse “suporte” necessitam estar contextualizado para fazer sentido para a memória. Pouco extraímos de conhecimento de uma imagem que não esteja inserida no nosso universo de conhecimento, ou na nossa visão de mundo baseada naquilo que vivemos até determinada etapa. Uma fotografia nada prova, atesta ou lembra se estiver despida da contextualização, impossibilitando de ser utilizada para fins de história ou memória. São de dois tipos as análises que se realizam para interpretar as realidades apresentadas pelas fotografias, análise iconográfica, onde o que será investigado é a chamada segunda realidade, e a análise, ou melhor, dizendo, síntese, interpretação iconológica.

4.2.1 Análise iconográfica

Compreendendo que de nada adianta preservar, ordenar, desordenar a informação das fotografias, se estas não estiverem contextualizadas. Não se pretende também, realizar aqui, um manual de como contextualizar fotografias. Apenas, pretende-se reforçar o que estará de acordo com o que se possa imaginar no plano ideal de um trabalho para estes documentos. As análises iconográficas permitem ao pesquisador detalhar, inventariar o conteúdo da imagem. Examina-se aqui, os elementos iconográficos, situando a fotografia no espaço e no tempo.

4.2.1.1 análise do espaço

No momento de fotografar, o autor da imagem realizará uma adequação entre o que é visível por ele, e o que ele pretende mostrar no suporte após o processo de revelação da imagem: Antes de qualquer coisa, a compreensão do espaço representado nas imagens depende, inicialmente, de dois conceitos muito próximos, mas que não podem ser confundidos: o de campo e o de quadro. Em termos gerais, o campo pode ser definido por aquela porção de espaço representativo, imaginário dentro do quadro. Na fotografia, o campo é tridimensional,


suscitando uma impressão de profundidade. O quadro, por sua vez, é plano, bidimensional e diz respeito ao suporte físico da imagem. Enquanto o campo se prolonga indefinidamente sob a forma de fora-de-campo, o quadro é delimitado pela sua moldura. O que está fora-do-campo pode significar alguma coisa, enquanto o que está fora do quadro não faz mais parte da imagem. (SCHNEIDER 2002, p.34).

Na análise iconográfica, vai interessar ao pesquisador, apenas descrever e não interpretar, os elementos relacionados ao espaço. Enquadramento, foco, profundidade serão descritos na análise.

4.2.1.2 análise do tempo

A análise do Tempo está relacionada basicamente ao tempo de exposição e captura da imagem através de um equipamento fotográfico. Esse tempo de exposição ajuda a identificar a técnica utilizada no instante de captura da imagem, e por isso, também, possibilita identificar a época através da análise da técnica empregada. Fotos antigas necessitavam de um tempo de exposição maior, onde era normal que pessoas pousassem para as fotos paradas, estáticas, lado a lado, entre outras pessoas, num momento único e especial.


Figura 16: encontro em Sítio do Coronel Acrísio Prates em Viamão. Foto pousada. Fonte: Departamento de Memória de Viamão

A identificação de fatos, através da fotografia, não e tão simples, embora aparentemente pela riqueza de conteúdo que uma imagem possa conter seja possível fazer considerações. A precisão na contextualização de imagens dependerá das técnicas aqui abordadas, mas o principal é que a contextualização seja balizada pelo conhecimento existente sobre lugares, pessoas, períodos em que a imagem foi realizada, o que será apresentado no próximo tópico de análise iconológica. Em virtude dessa afirmação, as fotografias não contextualizadas não possuem grande valor informativo. Neste caso, a análise do tempo, ou melhor, dizendo a análise do instante, será decisiva para a compreensão de um fato, retrato de uma realidade.

A instantaneidade fotográfica é particularmente interessante para imprimir uma narratividade nas imagens. Porém, nem todos os instantes conseguem transmitir o curso de uma ação. Para produzir esse efeito, é preciso capturar um momento determinado, o instante ideal. É o chamado de instante pregnante, noção largamente utilizada na pintura e na escultura. (SCHNEIDER 2002, p.36).


Existem caracterizações específicas para o instante, como ilustrado anteriormente. O instante pode ser inventado ou capturado com a intenção do fotógrafo de capturar a imagem de uma instante real, acontecendo de fato, sem a armação de cenários. Na foto pousada, o instante é organizado para a captura. Dependendo do equipamento, de uma época, por exemplo, fotos em movimento possam não dar uma foto de qualidade. Dependerá também da capacidade técnica do fotógrafo.

4.2.2 Análise e Síntese Iconológica

Na utilização de técnicas iconológicas é possível segundo o autor:

[. . .] desvendar agora, através do assunto registrado no documento (segunda realidade), a situação que envolveu o referente que o originou no contexto da vida passada (primeira realidade). Aqui, busca-se o significado interior do conteúdo, no plano da interpretação iconológica [. . .]. (KOSSOY p.99, 2001).

Na análise iconológica, realiza-se a interpretação, na tentativa de compreender o contexto, de informações relacionadas com o passado, com relatos do período, com a época e suas implicações no tocante à imagem produzida. É resgatada assim, a primeira realidade.

Somada à análise iconográfica é possível estabelecer, de maneira concisa, o momento que deverá ser descrito na intenção de prover ao pesquisador a clareza e certo grau de confiança sobre a informação contida no documento.

Contextualizada a imagem com as análises iconográficas e iconológicas, torna-se possível a realização da descrição de documentos do gênero iconográfico, permitindo ao pesquisador uma condição maior de confiabilidade sobre a fonte.


5 BLOG MEMORIA VIAMONENSE:

A ideia de criar um blog, o Memória Viamonense, partiu de um ‘estalo’. Ter fotos guardadas em uma pen drive, as quais são parte da memória de toda uma coletividade, já bastava para o tempo em que estiveram custodiadas (trancadas) sob a organização em Segunda Ordem da Ordem. O Blog Memória Viamonense foi idealizado para possibilitar que as fotografias digitalizadas pudessem ser acessadas pela Web. Os blogs, independente dos diferentes serviços gratuitos, possibilitam uma grande quantidade de recursos. Esses recursos foram explorados na tentativa de estabelecer, além de uma boa aparência para o blog, um conjunto de recursos que tornam as imagens inseridas também no contexto atual da Web 2.0.

Figura 17: Identidade visual do Blog Memória Viamonense


Na Web 2.0, a possibilidade de interação entre serviços tornam práticas e flexíveis as maneiras de se apresentar a informação. Não é necessário ter conhecimentos avançados de programação para se poder disponibilizar o conteúdo de uma página de blog.

Conhecer o básico da linguagem HTML possibilita compreender melhor o que acontece por trás dos bastidores, na configuração das páginas de um serviço como esse. O usuário conhecendo um pouco da linguagem HTML consegue maiores possibilidades de configuração de seu blog. Os blogs são maleáveis também nesse aspecto técnico. Uma característica de formatação de texto de postagens padrão dos blogs, por exemplo, determina que os parágrafos sejam apresentados alinhados à esquerda da página. Quase todos os blogs que se encontram na rede, têm textos dispostos dessa maneira. No entanto, é possível informar uma tag container para que o texto seja apresentado de forma justificada.

Exemplo: <div align="justify"> </div>

É possível colorir palavras, se o serviço de blog não dispõe esse tipo de recurso, informando-se outra tag container de HTML.

Contudo, além da publicação de informações em blogs, a programação Web esta num nível bastante avançado em comparação aos tempos da Web 1.0.

Sites são hoje desenvolvidos em plataformas complexas, que exigem uma linguagem de programação mais complexa. A linguagem acrônimo de Hypertext Preprocessor - PHP, por exemplo, possibilita que além de informações serem disponibilizadas em rede, seja possível criar sistemas robustos, responsáveis hoje pelas operações automatizadas em muitas empresas, sem que seja necessária a instalação de aplicativos em PC. A linguagem PHP é livre e responsável por muitos sites famosos da Web como a Wikipédia, por exemplo. O esquema de utilização de sistemas desenvolvidos em linguagem como PHP necessita muitas vezes da configuração de BD em um servidor local e, ou, servidor Web. Esse acesso pode ser intermediado por um SGBD, Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados, este sim, quando utilizado, instalado no equipamento do usuário.


Existem metodologias e melhores práticas no universo da Tecnologia da Informação que estão além da simples e eficiente linguagem dos blogs. O custo para se ter um sistema customizado para atender às necessidades específicas das empresas, inviabiliza o crescimento e o posicionamento no mercado de empresas que não possuem recursos para tal, sendo essas inseridas no contexto da obsolência. Isso significa, para o Município de Viamão, que não possui, e, ou não investe em recursos de tecnologia da informação, uma necessidade de busca de alternativas que, talvez, a Web possa suprir.

Nos tópicos a seguir, serão apresentados os recursos atuais da Web 2.0, associados às configurações possíveis de um Blog. Segue-se como exemplo, os serviços grátis do Blogspot, escolhido para a criação da Memória Viamonense.

5.1 METATAG, TAG, ETIQUETA: O ANINHAMENTO

Há certa confusão na Web em relação aos termos, metatag, tag e etiqueta, ao que se refere à forma de se descrever uma informação através da inserção de metadados. Primeiramente, é possível estabelecer uma associação de metadados às metatags, pois as duas palavras designam a realização da função; inserção de dados, com o objetivo de recuperação de dados informados nas postagens. Esse é o significado do termo metadado, ou seja, dado sobre dados.

Os recursos de metadados possibilitam ao usuário administrador do blog, e aos colaboradores do blog, a inserção de termos relacionados às postagens. Dessa forma, é possível realizar a busca de informações de acordo com o termo especificado. Interessante salientar que não existe um padrão na definição de termos, não há um controle sobre o vocabulário e isso não significa, no entanto, que seja impossível localizar uma postagem que trate de um termo qualquer.


Ao contrário do que se imagina na organização da Segunda Ordem, os metadados informados, na composição de uma postagem, facilitam a recuperação da informação. Esta forma de organizar está determinada pela forma particular e específica de pensamento do indivíduo, caracterizado por sua metacognição. A metacognição é a forma como o indivíduo pensa as suas próprias estratégias cognitivas. É uma forma de organização do pensamento que pode ser confundida com a função da memória, pois essa maneira de organizar para recuperar, ou organizar para assimilar e apreender a informação é utilizada em última análise para o fim de recuperação da informação. Segundo a autora:

Definiu-se, então, metacognição como a cognição sobre a cognição, ou como o processo mediante o qual o indivíduo realiza operações cognitivas, além de acompanhá-las enquanto elas acontecem (Flavell, 1987). Posteriormente, nas últimas décadas, novos conceitos foram sendo incorporados ao estudo de metacognição. Por exemplo, o enfoque do Processamento de Informação, proposto pela Psicologia Cognitiva, considera que o sistema cognitivo é provido de um subsistema de controle que tem a finalidade de monitorar, planejar e regular seus processos. (JOU p.178, 2006).

A colaboração entre usuários de um blog propicia, dessa forma, para uma construção coletiva do conhecimento é viabilizada pelo uso das ferramentas de metatags dos blogs.

Constrói-se, por assim dizer, o plano de classificação, produzido por um ou mais indivíduos, de acordo com as suas diferentes formas de pensar e conhecer. Weinberger conforme já mencionado, denomina essa forma de organização de aninhamento. A intersecção de pensamentos com um objetivo único: o acesso.

5.1.1 Recursos de postagens

Na Web 1.0, os recursos de postagens se limitavam em inserção de textos. Com a interação de serviços possibilitada pela Web 2.O, os recursos de


postagem podem agora, além de texto, possibilitar a inserção de imagens, áudio e vídeo, tudo no contexto multimídia.

Figura 18: aspecto de um blog em 2003

No Blog Memória Viamonense, utiliza-se a interação de um serviço de álbum de fotos do Google, o Picasa. Esse serviço possibilita o armazenamento de fotos com espaço praticamente ilimitado. Através dos álbuns de fotos criados, a partir de um cadastro prévio, pois o usuário terá de realizar autenticação, informar um login e senha para acessar, é possível copiar um código em HTML e colar no editor de HTML do Blog, para que as fotos sejam apresentadas em sequência, com apresentação de suas legendas.


Figura 19: álbum de fotos do Picasa com as fotos de Viamão

No entanto, há possibilidade de se hospedar uma imagem em um servidor web e realizar o mesmo procedimento, de copia e cola do código HTML, para que uma foto seja postada. A partir disso, é possível criar postagens ricas em informação com texto, áudio, vídeo e imagem.

Figura 20: opção de incorporar código HTML do Picasa no Blog

É possível atribuir metatags sobre as postagens considerando e, ou, categorizando a informação dos arquivos postados.


Figura 21: em destaque, o campo, marcadores, para a inserção das metatags, após definida a postagem.

Figura 22: soma de metatags que resultam na apresentação, "em nuvens", de termos chave.


5.1.2 Legendas como auxílio à Descrição

As fotos postadas, através da integração entre o Blog e o serviço de álbum de fotos, podem ser apresentadas com as respectivas legendas, essas últimas inseridas no próprio álbum de fotos. Essas legendas podem auxiliar na descrição das fotografias, utilizando-se informações sugeridas pelas normas de descrição arquivística, servindo como complemento de uma organização de Segunda Ordem da Ordem, para uma organização de Terceira Ordem.

No caso específico das fotos do blog Memória Viamonense, as fotos possuem legendas que foram realizadas pelo Departamento de Memória. Neste caso, muitas informações não estão baseadas em uma correta análise iconográfica e iconológica. Também não estão descritas conforme normas de descrição. Esse trabalho pode ser feito através de um projeto, com o aceite do Departamento de Memória.

Figura 23: legendas no álbum de fotos do Picasa.


Considerando que colaboradores do Blog podem realizar além das postagens de texto, também postagens de fotos, esses podem não compreender o que seja a Norma Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE. Mesmo em se tratando de um colaborador arquivista, poderá esse, não possuir tempo suficiente para elaborar a descrição conforme a Norma. É Importante compreender que a melhor forma de se “descrever” fotos no Blog é através dos recursos de metatags (organização da Terceira Ordem). Os marcadores possibilitarão que se recupere a informação, se esse for o único objetivo.

A contextualização que as normas de descrição sugerem, são importantes para o contexto da Segunda Ordem. Se esse for para promover o acesso, a visualização que desperte a consciência da comunidade de Viamão sobre suas fotos, seu passado, sua identidade, a descrição arquivística pouco significará, ao usuário comum pouco importará uma descrição que ele não compreenderá. Muito mais prático é o acesso através de sua própria linguagem, sua metacognição aplicada, folksômica, atribuída no Blog.

5.2 FERRAMENTAS WIDGETS

Widgets são ferramentas desenvolvidas em diversas linguagens de programação, e servem de complemento aos blogs e sites da Web 2.0. Esses widgets são pacotes prontos, oferecidos para ser colocados no blog, como forma de tornar interessante a navegação pelo blog.

Pode-se considerar no Blog Memória Viamonense, que o uso de widgets torna o Blog atraente, além das postagens. É possível a inserção de widgets que possibilitam a tradução do conteúdo do Blog para diversas línguas, o uso de widgets para monitorar os acessos ao Blog, mostrar os seguidores, notícias sobre Viamão e a história de Viamão apresentada em formato flash em uma apresentação multimídia, criada com o uso de um software específico.


As widgets são características das possibilidades de utilização de mecanismos grátis, que ajudam com sua extrema utilidade, o desenvolvimento de blogs interessantes. Sua aplicação no blog é fácil, bastando apenas acessar os diferentes tipos de widgets e adequar à sua posição na estrutura do blog.

Figura 24: exemplo de widget que apresenta os acessos ao blog

A estrutura do blog dependerá do layout escolhido e do modelo de blog. O serviço da Blogspot oferece uma grande quantidade de modelos prontos, (templates) que possibilitam certa personalização. O conteúdo do blog pode ser movido e adequado conforme a preferência do administrador do blog. A distribuição de conteúdo possibilita também a configuração e adição de widgets, realizada pela ação Editar, onde é possível arrumar o conteúdo do widget, ou adicionar novos widgets pelo comando Adicionar Widget. Com isso, o blog passa a ter uma configuração flexível, o que proporciona a arrumação de conteúdo a todo o momento. Não se trata de uma estrutura estática, engessada. No caso do blog Memória Viamonense, sua estrutura é definida da seguinte forma:

• Cabeçalho: onde está a imagem inicial do blog, com a exibição da logomarca/ identidade do blog;


• corpo do texto: local das postagens; • barra lateral direita: local dos widgets pequenos.

Figura 25: estrutura maleável do Blog Memória Viamonense

Todos os widgets assumem uma importância no blog, mas deve-se considerar que uns são mais importantes que outros dependendo do recurso que oferecem. Como exemplo, os recursos de tradução, que possibilitam que o blog seja compreendido, através da tradução não tão exata, mas compreensível, do conteúdo textual do Blog. Esse recurso é fundamental para que o usuário que acessa o blog de outros países possa ter ideia do que seja o blog. Esse é um recurso mais importante se comparado ao recurso do widget Colaboradores, o qual serve apenas para mostrar o nome dos colaboradores do blog.


5.2.1 Tradutor

O widget tradutor é um recurso que propicia a globalização em termos de linguagem. Por menos exata que a tradução seja apresentada, esse é um recurso que representa uma tendência para uma nova Web, talvez denominada de 3.0, que significará uma organização ainda mais eficaz do conhecimento, em escala global na rede.

Figura 26: opções de tradução do Google tradutor

No exemplo, a tradução do conteúdo do Blog para o idioma Macedônico:


Figura 27: conteúdo traduzido

5.2.2 Pesquisa

Outro widget importante no Blog Memória Viamonense é o campo de pesquisa do Google. O campo de pesquisa possibilita que se busquem informações em três opções: no Blog, em links do Blog, em blogs parceiros e na Web.

Figura 28: dado informado para a pesquisa

As opções de busca são mostradas no topo do Blog da seguinte forma:


Figura 29: resultado da pesquisa

Com o uso do widget de pesquisa do Google, é possível localizar informações, além das informações de palavras chave, representadas pela estrutura de metatags. É uma segunda opção tão importante quanto à opção de recuperação de dados inseridos seguindo a forma de metatags.

5.2.3 Interação entre blogs: hiperlinkados

A interação, ou integração de blogs é o significado da expressão Blogosfera e surgiu como uma característica dos blogs de ser um portal de divulgação de outros blogs e sites. Na evolução para a Web 2.0, manteve-se essa característica, pois é perfil de todo o blogueiro ler outros blogs.

Também é perfil de blogueiro, linkar outros blogs ao seu e vice versa. Existe uma pesquisa realizada por CASAGRANDE e GEJFINBEIN, 2006, que traça um perfil da Blogosfera no Brasil. Essa pesquisa foi realizada no ano de 2006, com respostas de 697 pessoas, dentre as quais, 54,4% do sexo feminino e 45,6% do sexo masculino. Incluem-se na seleção, os parâmetros de idade entre 12 e 71 anos e grau de instrução.

A pergunta sobre links aponta o seguinte resultado:


PESQUISA BLOGOSFERA BRASIL SOBRE UTILIZAÇÃO DE LINKS

Como é formado o conjunto de links do seu blog? n

%

Blogs que leio

435

30,6

Blogs de amigos

338

23,8

Sites diversos, com os quais me identifico

275

19,3

Outros sites ou blogs que mantenho

146

10,3

Serviços (buscas, sites técnicos, etc.)

107

7,5

Não tenho lista de links

71

5,0

Sites de comunidades do qual faço parte, ou que possuam mais informações a meu respeito.

50

3,5

Tabela 1: Links na Blogosfera Fonte: Pesquisa Verbeat Blogosfera Brasil, 2006, p.15.

O serviço da Blogspot oferece um recurso para essa necessidade de linkar blogs. É possível, através da estrutura de widgets apontar e mostrar os blogs parceiros. O Memória Viamonense também está inserido na cultura da Blogosfera, conforme a ilustração:

Figura 30: blogs linkados do Memória Viamonense


A troca de experiências entre blogueiros, e o apoio de divulgação e o que constitui a Blogosfera. Uma realidade a parte. Essa é uma troca de conhecimentos que de certa forma, constitui uma construção coletiva, uma comunicação, interação mediada por computador.

5.3 EXPORTAR BLOG

O recurso de exportação do Blog está associado às configurações do Blogspot. Esse recurso é importante, pois possibilita, além da migração do Blog, para outro serviço de Blog, manter salvo no Disco Rígido, o código XML do Blog, possibilitando assim a preservação das informações.

Figura 31: exportar, em XML, o conteúdo do Blog

A partir disso, o Blog poderá ser editado, ou mantido em sua formatação atual, através de programas como o Adobe Macromedia Dreamweaver.


Figura 32: conteĂşdo do Blog, em XML, preservado.


6 BLOGS AMIGOS DA MEMÓRIA. Arquivo Histórico De Porto Alegre Moisés Vellinho - AHPAMV e Sempre ASCOM: um comparativo

Este capítulo apresenta um comparativo, baseado na aplicação de um questionário, entre dois blogs que atuam sobre a questão da memória institucional. Primeiramente, realiza-se uma breve apresentação do Blog do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moisés Vellinho (AHPAMV), em seguida, a apresentação do Blog Sempre ASCOM, este último, da Assessoria de Comunicação Social (ASCOM) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Logo, cruzam-se as informações que visam o objetivo do trabalho que é compreender como um blog pode ser usado como ferramenta de armazenamento, preservação da memória e de construção coletiva do conhecimento, considerando, em especial, o estudo feito sobre os documentos iconográficos digitalizados pelo Departamento de Memória de Viamão.

6.1 BLOG AHPAMV

O blog do AHPAMV representa uma importante ferramenta de apoio à

memória, estando associado à atividade de divulgação da informação do Arquivo que tem como missão organizar, guardar e conservar cerca de um milhão e 500 mil documentos datados desde 1764.


Figura 33: Capa do Blog AHPAMV

O AHPAMV é vinculado à prefeitura de Porto Alegre, administrado pela Secretaria de Cultura do Município. As páginas do seu blog divulgam notícias relacionadas ao Arquivo e à história, principalmente assuntos relacionados ao Estado e a Porto Alegre do passado.

O Blog mostra, em sua barra lateral, imagens e possibilita um link de acesso ao Guia do Arquivo, importante instrumento de pesquisa.


Figura 34: Blog AHPAMV

Para compreender como o Blog contribui para a memória do AHPAMV e consequentemente do Município, foram coletadas as seguintes informações, através da aplicação de um questionário:

Por que a utilização de um blog?

Devido à necessidade de maior velocidade em divulgar informações sobre os acervos e serviços da instituição, ampliando o público que hoje utiliza seus serviços.

Quais os objetivos e metas pretendidas com o blog?

Estreitar relações e maior aproximação com o público externo do Arquivo Histórico, possibilitando atingir pessoas localizadas fora de Porto Alegre, servindo como um veículo de comunicação. Com o blog, pretende-se ampliar o número de público conhecedor da instituição, dos seus acervos e serviços.


Existe um interesse “do blog” na participação coletiva na criação do conteúdo?

A rotina de publicação das postagens foi elaborada de forma que essas não fiquem restritas à equipe de funcionários do arquivo, sendo que os pesquisadores, visitantes, professores, grupos de alunos, entre outros que tenham interesse, podem encaminhar seus textos para postagem. Internamente, o envolvimento da equipe ocorre conforme a temática da postagem e a especialidade da equipe, essa interdisciplinar.

Qual a visão dos criadores do blog em relação à construção coletiva do conhecimento?

A proposta inicial do blog gira na questão de maior divulgação e visibilidade à instituição, sendo um veículo de apoio para a comunicação com o público externo da mesma, sem ter sido enfocado a questão da construção coletiva do conhecimento na sua concepção.

O blog preserva ou contribui para a memória coletiva? Se sim, como?

O blog não é considerado como um veículo de comunicação formada dentro da estrutura municipal, porém, devido o caráter das postagens publicadas, podemos considerar que o mesmo possa colaborar com a preservação dessa memória. Conforme antes mencionado, o blog não está restrito apenas à informações e textos produzidos internamente, trazendo o textos externos daqueles que mantém alguma relação ou conhecem a instituição, sendo capaz de mostrar olhares diversos sobre a instituição que mantém a documentação permanente do município.


Como o blog é divulgado?

A divulgação ocorre pelo envio de e-mail aqueles que estão cadastrados no mailing do Arquivo Histórico. Também alguns grupos solicitaram a divulgação aos seus pares, tais como associações profissionais e grupos de alunos e professores universitários.

Qual a periodicidade de atualização de conteúdo?

A atualização do conteúdo é semanal, havendo uma reunião de pauta mensal para a definição dos assuntos publicados no período correspondente.

Observa-se com as respostas, que está claro que o objetivo do Blog é a divulgação do Arquivo, seus acervos e serviços para um público maior, não restrito apenas à comunidade porto alegrense. Aproveita-se bem, a característica do Blog de ser veículo de comunicação, sendo que o Blog é atualizado a cada semana com uma proposta de conteúdo predefinida por uma reunião mensal.

O Blog abre espaço para postagens externas, ou seja, o seu conteúdo, embora controlado pelas decisões de pauta, estabelecidas por reuniões mensais, é composto por informações, opiniões, textos, fotos etc., criadas por conhecedores da Instituição. Há, sob esse aspecto, um caráter de colaboração, embora não esteja focada, em seu objetivo, a construção coletiva do conhecimento. O Blog promove a preservação da memória Institucional, à medida que divulga a memória promovendo a Instituição, e, consequentemente, a memória do Município.


6.2 BLOG SEMPRE ASCOM

O Blog Sempre ASCOM, da Assessoria de Comunicação Social da PUCRS, foi criado através de um serviço de plataforma social, o Ning. Esse serviço oferece algumas categorias que possibilitam que esteja pré-configurada, a estrutura de apresentação voltada para a área específica.

Figura 35: categorias do Ning, serviço do Blog Sempre ASCOM

O Blog Sempre ASCOM foi idealizado por um funcionário da ASCOM e mantém entre seus seguidores e colaboradores, funcionários e ex-funcionários da própria ASCOM. O Blog oferece uma grande possibilidade de personalização de páginas, além das ferramentas de caixa postal, alertas, notícias, link direto para a adição de postagens, fotos, vídeos etc.


Figura 36: página principal do Blog

Uma característica do Blog Sempre ASCOM é a forma de acesso. Diferentemente dos Blogs Memória Viamonense e AHPAMV, o Blog Sempre ASCOM utiliza uma política de acesso focada para funcionários e ex-funcionários da ASCOM. O acesso é possibilitado pelo fornecimento de um Login (email) e Senha, criada pelo Administrador do Blog.

Figura 37: acesso ao Blog Sempre ASCOM


Para compreender como o Blog contribui para a memória da ASCOM, foram coletadas as seguintes informações, através da aplicação de um questionário:

Como o blog é divulgado?

Por e-mail, pois é restrito a um grupo de usuários (integrantes e ex-integrantes da Ascom).

Qual a periodicidade de atualização de conteúdo?

Indefinida, pois todos podem postar. Minha função é de mediador. Mas há postagens, no mínimo, quinzenais.

Por que a utilização de um blog?

Pela versatilidade e acessibilidade da ferramenta. Todo o “público alvo” as pessoas podem ter acesso facilitado à Internet.

Quais os objetivos e metas pretendidas com o blog?

Resgatar contatos com pessoas que já saíram da Assessoria de Comunicação Social da PUCRS e fortalecer os vínculos com os que trabalham no setor, basicamente por meio de fotografias.

Existe um interesse “do blog” na participação coletiva na criação do conteúdo?


Total. Ele é baseado em participação coletivo. Todos os membros podem postar o que desejarem.

Qual a visão dos criadores do blog em relação à construção coletiva do conhecimento?

Minha visão é de que esse é um movimento irreversível. Por ser este um blog restrito a um grupo fechado e conhecido, a mediação é praticamente desnecessária. Mas para grupos abertos, vejo como fundamental um mediador para organizar as informações. E isso requer tempo, preparo e profissionalismo, principalmente no caso de ambientes corporativos.

O blog preserva ou contribui para a memória coletiva? Se sim, como?

Com toda certeza. O blog em questão é voltado a manter viva a memória de pessoas que construíram e ajudam a construir a história da Assessoria de Comunicação Social da PUCRS.

Está claro que existe um público alvo. Isso não significa, no entanto, que não haja construção coletiva do conhecimento. Segundo o administrador do Blog, o próprio Blog foi idealizado para possibilitar a colaboração de funcionários e exfuncionários da ASCOM. O Blog visa resgatar contatos de pessoas que passaram pela ASCOM, e que deixaram amizades além de uma história pelas relações de trabalho. O Blog não partiu de uma solicitação formal da Universidade, e partiu sim, da iniciativa de um funcionário da Universidade, ou seja, prioriza as relações informais da organização. Utiliza-se também, como uma característica, o recurso de fotos para registrar o passado de profissionais que não fazem parte do quadro atual de funcionários da ASCOM. O administrador do blog, não considera que seja necessária a mediação, pois o grupo de colaboradores é restrito. Afirma, por fim,


que o Blog contribui para a preservação da memória coletiva, pois esse é o resultado real da colaboração de pessoas que criaram e criam, através do vínculo empregatício, a história da ASCOM.

6.3 ANÁLISE

Os blogs AHPAMV e Sempre ASCOM, embora tendo objetivos diferentes, colaboram para a preservação da memória. Os blogs possuem um compromisso com a participação coletiva, na construção do conhecimento. Mesmo tendo as duas instituições distintas características de atuação, o Blog AHPAMV representa uma Instituição de maneira formal, enquanto o Blog Sempre ASCOM foi idealizado por um funcionário. Diferenças a parte, os objetivos se cruzam, convergindo para um resultado, que é a preservação e divulgação da memória, com a participação de colaboradores, construindo um conhecimento pela interface de um computador. Os blogs possuem identidade e abrangência delineada pelos objetivos. Comprovam a importância da ferramenta blog para os seus contextos, assim como para o contexto histórico e atual da Cibercultura.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Para compreender como um blog pode ser utilizado como ferramenta de armazenamento,

preservação

da

memória

e

de

construção

coletiva

do

conhecimento, foi necessário estabelecer relações com os conhecimentos interdisciplinares. A nova forma de organização do conhecimento, as Três Ordens da Ordem, situada no Capítulo dois, mas, que se estendeu ao todo do trabalho, tornou viável o estabelecer de uma associação à questão do paradigma Póscustodial.

Assumiu-se, que o Paradigma Pós-Custodial contribui para construção coletiva do conhecimento pela forma como a informação acontece na Web e em especial, nos blogs. Na Web, a informação é disseminada, possibilitando um maior alcance e entendimento, da comunidade de Viamão, em relação a sua história.

Na apresentação da História de Viamão e do Departamento de Memória e sua organização de Segunda Ordem da Ordem, Capítulo três, linkados com a fotografia, esta contextualizada através das técnicas Iconográficas e Iconológicas, Capítulo quatro, tentou-se compreender o quanto é importante para as fotos históricas de Viamão estar contextualizadas. Os registros contextualizados devem fazer parte do Blog Memória Viamonense, e assim, tornar de fato, o Blog uma ferramenta de memória. O Capítulo quinto, apresentou os recursos da ferramenta, Blog Memória Viamonense. Procurou-se a identificação dos principais recursos de utilização do serviço de blog, para entender como é possível um local na Web armazenar as informações, favorecendo para a preservação do Blog e de suas informações, através de recursos como exportar/ salvar no formato XML.

O Capítulo sexto, trouxe um comparativo entre dois blogs que são utilizadas, embora com objetivos diferentes, como ferramentas de memória. Através da análise dos questionários, e do cruzamento das respostas, foi possível visualizar o quanto eficientes são os blogs, se utilizados de maneira profissional, para atingir objetivos.

Com as respostas analisadas, é possível afirmar, relacionando-as ao que foi apresentado nos capítulos anteriores, que, em síntese, sim, os blogs podem ser


utilizados para o armazenamento, em dados binários, organizados na Terceira Ordem da Ordem; os blogs possibilitam a preservação da memória, se devidamente planejados para esse objetivo, e sim: os blogs possibilitam a construção coletiva do conhecimento se houver espaço para a colaboração.

Embora pareça claro que os blogs se tornaram um fenômeno por sua aceitabilidade em diversos meios, inclusive, e principalmente no meio jornalístico, não se havia certeza de sua adequação às necessidades de preservação da memória. Comprova-se, em ultima análise, que os blogs são de fato, ferramentas flexíveis, maleáveis para o uso, na intenção de informar, preservar, difundir e cooperar com a memória. Parte disso, sem dúvida é a herança dos estudos que se complementam e fazem dos blogs excelentes para a recuperação de informações, como os exemplos da Taxonomia e da Folksonomia.

Buscou-se

por

esse

trabalho,

contribuir

primeiramente,

para

a

comunidade Viamonense desprovida de investimentos em cultura, indicando o quanto é possível fazer por ela mesma, através dos recursos da Web. Pela Web, e com a ajuda da ferramenta blog, um cidadão pode realizar o seu próprio cenário emancipatório. Falar livremente, dentro dos limites legais, e construir projetos que tendem a serem inovadores.

Deve-se explorar através de pesquisas e, principalmente, pela prática das ferramentas da web, o que se pode fazer com a tecnologia free que temos em mãos. Experiências como o Blog Memória Viamonense podem se tornar viáveis quando não se pode customizar, ou seja, solicitar sob medida um sistema que por vezes necessitamos. Para Viamão, e para quem quiser centralizar suas informações, fotos, imagens e vídeos, suas memórias em uma plataforma confiável, os blogs atendem a esses quesitos.

A memória de Viamão, ou pelo ao menos uma parte dela, está lá, na miscelânea da desorganização dos bytes, misturada na Terceira Ordem da Ordem, ao alcance dos que querem conhecer o Blog Memória Viamonense, em qualquer canto do Mundo. Para isso, basta apenas digitar no browser: www.memoriaViamonense.com, ou


digitar, no buscador, memória de Viamão e certamente, a informação na Terceira Ordem da Ordem será acessada com facilidade.

REFERÊNCIAS


AQUINO, Maria Clara. Hipertexto 2.0, folksonomia e memória coletiva: um estudo das tags na organização da web. Porto Alegre: Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação E-Compós, 2007. 18 p. ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. CASAGRANDE, Tiago. GEJFINBEIN, Leandro. Pesquisa Verbeat Blogosfera Brasil. Disponível em: <http://www.verbeat.org/pesquisablogosferabrasil> Acesso em: 12 jun. 2010. CURTY, Renata Gonçalves. A miscelânea digital para além da desordem. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/2052> Acesso em: 05 jun. 2010. JOU, Graciela Inchausti de; SPERB, Tania Mara. A metacognição como estratégia reguladora da aprendizagem. Psicologia Reflexão e Critica, Porto Alegre: UFRGS, v.19, n.2, p. 177-185, 2006. KESSEL, Zilda. Memória e Memória coletiva. Disponível em: < http://www.museudapessoa.net/oquee/biblioteca/zilda_kessel_memoria_e_memoria _coletiva.pdf > Acesso em: 16 maio 2010. KOSSOY, Boris. Fotografia e memória. In: Fotografia e História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. 163 p. MORIN, Edgar. A inteligência cega. In: Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2007. 120 p. POLLAK, Michael. Memória, Esquecimento e Silêncio. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989. PRIMO, Alex. Mapa mental de cibercultura. Disponível em: <http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2007/09/25/mapa-mentalde-cibercultura/> Acesso em: 16 maio 2010. somente il. RIBEIRO, Fernanda. Os Arquivos na era pós-custodial: reflexões sobre a mudança que urge operar. Disponível em: < http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo10091.pdf > Acesso em 23 maio 2010.

SHNEIDER, Greice. Modos de Fazer Mundos. In: Fotografia e Representação Visual: pressupostos teóricos para uma metodologia de análise fotográfica. Salvador, p. 32-36, 2002.


SILVA, Armando Malheiro. Informação e Cultura. In: A Informação da compreensão do fenómeno e construção do objecto científico. Porto: Edições Afrontamento, p. 15-42, 2006. SOUZA, José Otávio Catafesto de. As sociedades indígenas na região de Viamão. In: Barroso, Véra Lúcia Maciel (Org.). Raízes de Viamão. Porto Alegre: FAPA; EST, 2008. 1456 p.

GLOSSÁRIO


Blog - Um blog (contração do termo "Web Log"), também chamado de blogue em Portugal, é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou "posts". Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog. Blogosfera - Blogosfera é o termo coletivo que compreende todos os weblogs (ou blogs) como uma comunidade ou rede social. Muitos blogs estão densamente interconectados; blogueiros lêem os blogs uns dos outros, criam enlaces para os mesmos, referem-se a eles na sua própria escrita, e postam comentários nos blogs uns dos outros. Byte - Um byte, frequentemente confundido com bit, é um dos tipos de dados integrais em computação. É usado com frequência para especificar o tamanho ou quantidade da memória ou da capacidade de armazenamento de um computador, independentemente do tipo de dados armazenados. A codificação padronizada de byte foi definida como sendo de 8 bits. O byte de 8 bits é, por vezes, também chamado de octeto, nomeadamente no contexto de redes de computadores e telecomunicações.

Cibercultura – O próprio termo Cibercultura tem vários sentidos. Mas se pode entender por Cibercultura a forma sociocultural que advém de uma relação de trocas entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônicas surgidas na década de 70, graças à convergência das telecomunicações com a informática. A Cibercultura é um termo utilizado na definição dos agenciamentos sociais das comunidades no espaço eletrônico virtual. Estas comunidades estão ampliando e popularizando a utilização da Internet e outras tecnologias de comunicação, possibilitando assim maior aproximação entre as pessoas de todo o mundo.

Ciberespaço - espaço cibernético, ciberespaço. O prefixo “ciber.” (cyber) se refere ao uso de computadores. Portanto, o ciberespaço, ou espaço cibernético, é um espaço virtual criado por sistemas de computador. Abrange desde os mundos da realidade virtual até as simples mensagens de correio eletrônico.

Metadados - Metadados ou Metainformação são dados sobre outros dados. Um item de um metadado pode dizer do que se trata aquele dado, geralmente uma informação inteligível por um computador. Os metadados facilitam o entendimento dos relacionamentos e a utilidade das informações dos dados.

Redes Sociais - Uma rede social é uma estrutura social composta por pessoas (ou organizações, territórios, etc.) - designadas como nós – que estão conectadas por um ou vários tipos de relações (de amizade, familiares, comerciais, sexuais, etc.), ou que partilham crenças, conhecimento ou prestígio. Análise de Redes Sociais analisa


as relações sociais com base na Teoria de Redes (network theory). Os nós (nodes), atores individuais que formam a rede, e os laços (ties), as relações que unem os atores, são as duas noções fundamentais da Teoria de Redes. As investigações, em distintos campos do conhecimento, têm mostrado que as redes sociais operam em níveis muito diferentes, desde as estruturas familiares até ao nível dos países (conhecidas, estas últimas, como rede política), e permitem analisar a forma como as organizações desenvolvem a sua atividade, como os indivíduos alcançam os seus objetivos ou medir o capital social – o valor que os indivíduos obtêm da rede social.

Tag - palavra-chave (relevante) ou termo associado com uma informação. Estruturas de linguagem de marcação que consistem em breves instruções, tendo uma marca de início e outra de fim. Rótulos usados para informar ao navegador como deve ser apresentado o website.

Tag container - A tag container, dentro da linguagem HTML, são aquelas que servem para determinar um efeito especial em parte do documento que está entre a TAG. Sua característica principal é que ela sempre aparece aos pares, sendo uma de abertura e outra de fechamento.

Web - A World Wide Web (que em português significa, "Rede de alcance mundial"; também conhecida como Web e www) é um sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet. Web 2.0 - Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa estadunidense O'Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a "Web como plataforma", envolvendo wikis, aplicativos baseados em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da Informação. Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a Web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, o ambiente de interação que hoje engloba inúmeras linguagens e motivações.


APÊNDICE – Questionário sobre blogs


Monografia blog Memória Viamonense  

Monografia sobre o Blog Memória Viamonense, o qual visa preservar e difundir a memória do Município de Viamão através de fotografias digital...

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