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_______________________________________________________________________Por Carlos Coléct

Pais da Igreja Cristã e ações antissemitas-

Retorno ao Judaísmo Nazareno


2 1. Pais da Igreja Cristã e ações antissemitas _____________________________________________________________________________________ Neste ponto podemos notar a presença da Patrística, o que segundo consta no livro “Pensamento humano na história da filosofia “de José Augusto Fiorin é o período do pensamento cristão que se seguiu à época neotestamentária, e chega até ao começo da Escolástica: isto é, os séculos II-VIII da era vulgar. Este período da cultura cristã é designado com o nome de Patrística, porquanto representa o pensamento dos Padres da Igreja, que são os construtores da teologia católica, guias, mestres da doutrina cristã. A Patrística do II século é caracterizada pela defesa que faz do cristianismo contra o paganismo, o hebraísmo e as heresias. Os padres deste período podem-se dividir em três grupos: os chamados padres apostólicos, os apologistas e os controversistas. Vejamos a seguir algumas ações da Patrística que contribuíram para criar uma base e uma imagem falsa de uma igreja que não nasceu no Sinai. - Inacio (98 - d.C Antioquia) : Cria o termo cristianismo e é o primeiro a usar o termo Igreja Catolica, reconhecia a superioridade de Roma. Opunha-se aos judeus. - Justino Mátir(grego 100-170 d.C) : Apologista,Filósofo e cristão, escreveu duas obras “Apologias” - contra os pagãos - e “um Diálogo com o judeu Trifão” - contra os hebreus.Escreveu Em um diálogo com Trifon , um judeu, Justino diz “ a Biblia não é mais vossa, mas nossa” . Ele também era convencido de que a filosofia grega tende para Cristo. - Marcião de Sinope( 110 – 160 d.C) : cria o termo Velho testamento e Novo Testamento.Dizia que o cristianismo veio para substituir o judaísmo e que o D’us dos judeus era imperfeito.Diz-se que Marcião considerou o ato de gerar um ato de grande indecencia de D’us, pois se referia a localização da vagina.Afirma ele: “nascemos entre as fezes e a urina” Na metade do Segundo Século, Márcion eliminou de suas cópias do Evangelho segundo Lucas todas as referências feitas a formação judaica de Jesus(Yeshua).”(Metzger, The Text, Pag 201) - Cipriano de Catargo (200-258 d.C) –Em 250, escreveu:” o diabo é o pai dos judeus” - Concílio de Nicéia (325 d.C) : Constantino oficializa o cristianismo como religião oficial de Roma.Ocorre o sincretismo religioso, união entre o paganismo, judaismo e cristianismo. Uma fusão entre o Estado e a Igreja.Uma outra evidência do Anti-semitismo foi que, mudou-se a Pascoa para o domingo, para que não fosse realizada no mesmo dia que a Pessach (pascoa ) judaica, com a justificativa : "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum com esse povo abominável". "Seria o cúmulo da falta de reverência seguirmos as tradições dos judeus nesta maior de todas as festas. Não devemos ter nada em comum com esse povo abominável". - João Crisostomos ( 344d.C) Pregava contra os judeus, em um de seus sermões ele diz o seguinte: «Não vos deixem surpreender por eu ter chamado os Judeus de desastrosos. Porque eles são mesmo desastrosos e miseráveis. Aqueles que rejeitaram tão ferverosamente e recusaram as muitas boas coisas que o céu lhes colocou nas mãos. Eles conheceram os profetas desde a infância e crucificaram aquele que tinham profetizado. Aqueles que foram chamados a ser filhos desceram à raça de cães.»


3 «Animais sem entendimento, quando gozam de manjares que enchem e engordam, tornam-se mais difíceis e incontroláveis e não tolerarão uma canga ou rédeas, ou a mão do condutor. E o mesmo com a nação dos Judeus: porque eles se voltaram para o mal extremo, tornaram-se irrequietos e não aceitaram o jugo de Cristo nem serem colhidos pela ceifa dos seus ensinamentos.» «Tais animais que não pensam são próprios para o abate, porque eles não são próprios para trabalhar. Os Judeus não têm experiência nisso: porque se mostraram inúteis para o trabalho, eles tornaram-se apropriados para serem mortos. Eu sei que muitas pessoas respeitam os Judeus e vêem a sua vida como honorável. Eu exortovos por isso a colher esse preconceito depravado pelas raízes. Já disse que a sinagoga não é melhor do que um teatro. Na verdade, a sinagoga não é apenas um bordel e um teatro, mas também um antro de ladrões e abrigo para selvagens. E não apenas para selvagens mas mesmo para selvagens impuros.» Após a sua morte em 407, os seus oito sermãos acerca dos judeus circularam por toda a Igreja e foram traduzidos, entre outras línguas, para latim, sírio e russo. Fragmentos destes sermões foram incluídos na Liturgia Bizantina para a Semana Santa e só dela removidos já no século XX. (ver o que Paulo diz em Rm 9.1) - Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C) - Em 415, ele escreve que os judeus carregam eternamente a culpa pela morte de Jesus.Ele também cria a chamada teologia da substituição, a qual descreve a substituição da nação Israel pela Igreja e que antes do advento de Cristo, quem representava Deus era Israel , mas após a sua vinda é a Igreja (com a exclusão dos judeus) que tem essa função sendo o “Israel espiritual” ou o “novo Israel”.Por isso era necessária a conversão dos judeus ao catolicismo.Essa teologia tornou-se popular em seu livro “ A cidade de Deus”. As escrituras nada falam sobre isso, pelo contrário, as nações(gentes) no Messias são enxertadas em Israel e desfrutam das mesmas promessas.(Rm 11) Reforma Protestante Sec XVI: - Martinho Lutero( alemanha 1483- 1546 d.C.) : Embora ele tenha contribuido muito para a separação de Roma, ele também influenciou o afastamento da Igreja de suas raizes judaicas escrevendo um tratado anti-semita e que também pode ter servido de base ao nazismo ( pois o texto foi citado pelos nazistas durante o Julgamento de Nuremberg para justificar a Solução Final). Vejamos alguns trechos de seu tratado “os judeus e suas mentiras” “(…) Finalmente, no meu tempo, foram expulsos de Ratisbona, Magdeburgo e de muitos outros lugares… Um judeu, um coração judaico, são tão duros como a madeira, a pedra, o ferro, como o próprio diabo. Em suma, são filhos do demônio, condenados às chamas do Inferno. Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno.” “Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Forceos a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade … são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte.” “Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus.”


4 - Inquisição ou “santo oficio” – encabeçado pela igreja catolica. 1231 a.C, papa Gregório IX dá início ao “santo ofício” - Inquisição espanhola (1478-1834): Segundo estudiosos a Inquisição foi considerada um importante instrumento na política chamada limpeza de sangue contra os descendentes de judeus e de muçulmanos convertidos e difundia um ideologia anti-semita.Sabe-se que os candidatos a ocupação de um cargo no Tribunal do Santo Ofício deveria comprovar a pureza do sangue, ou seja, não deveria ter descendência judaica. Houve muita perseguição para com os judeus por parte da Igreja. Os judeus que tinham origem na peninsula iberica são chamados de Sefarditas e os Maranos(hebr. “mar + anuss” / “conversos a força”) eram os judeus convertidos á força, mas não conversos de coração.E ambos mulçumanos e judeus convertidos eram chamados Cristãos – novos. Gostaria de fazer a citação de um artigo muito interessante que fala da inquisição e os judeus. A Inquisição e a expulsão dos judeus Fernando e Isabel indicaram Tomás de Torquemada em 1481 para investigar e punir os conversos — judeus e mouros que diziam teremse convertido ao catolicismo, mas que continuassem a praticar suas antigas religiões em segredo. Alguns judeus disfarçados tornaram-se padres e mesmo bispos. Os detratores chamavam os judeus convertidos de marranos, uma expressão pejorativa, que se crê significar porcos. Entre os anos 1486 e 1492, 25 autos-de-fé ocorreram em Toledo. Um total de 464 autos-de-fé contra judeus ocorreram entre 1481 e 1826. No total, mais de 13 mil conversos foramjulgados entre 1480 e 1492. A Inquisição contra os conversos culminou com a expulsão dos judeus da Espanha em 1492.

Fernando e Isabel indicaram Tomás de Torquemada em 1481 para investigar e punir os conversos — judeus e mouros que diziam terem-se convertido ao catolicismo, mas que continuassem a praticar suas antigas religiões em segredo.

Modo de atuação A Inquisição, como uma corte religiosa, era operada por autoridades da igreja. Porém se uma pessoa fosse considerada herege, a punição era entregue às autoridades seculares, pois "a igreja não derramava sangue". A tortura freqüentemente era usada como modo de penitência. As punições variavam: da mais comum (quase 80% dos casos), que era a vergonha pública (obrigar o uso do sambenito, uma roupa de penitente, usar máscaras de metal com formas de burro, usar mordaças) até ser queimado em praça pública, quando o crime era mais grave. A morte pelo garrote (estrangulamento) era usada para os arrependidos. Essas punições eram feitas em cerimônias públicas, chamadas autos-de-fé, que aconteciam uma vez por ano na maioria dos casos. Algumas pessoas acusavam outras por vingança, ou para obter recompensas da Coroa. A própria Coroa Espanhola beneficiava-se, ao desapropriar os bens dos conversos(http://pt.wikipedia.org/wiki/Inquisi%C3%A7%C3%A3o_espanhola)


5 Segue parte do Extrato de Conversão de um judeu ao cristianismo na época da inquisição. “Eu, aqui e agora, renuncio a todo rito e observância da religião judaica, detestando todas as suas mais solenes cerimônias e dogmas, os quais outrora eu guardei e mantive. No futuro, eu não praticarei nenhum rito ou celebração relacionada com essa religião, nem qualquer costume do meu erro passado, prometendo não busca-la ou cumpri-la...[Eu] prometo nunca retornar ao vômito da superstição judaica. Nunca mais eu realizarei nenhum dos ofícios das cerimônias judaicas as quais eu fui ligado, nem nunca mais as apreciarem. [Eu] evitarei todo relacionamento com outros judeus, e manterei meu círculo de amizades entre apenas outros cristãos. [Nós não] nos associaremos com os judeus amaldiçoados, que se mantém sem batismo...Nós não praticaremos a circuncisão carnal, ou celebraremos a páscoa, os sábados, ou outros dias de festas relacionadas com a religião judaica...Com relação a carne de porco, prometemos observar a seguinte regra: De que se devido a um antigo costume, não somos capazes de come-la, não iremos por melindre ou erro, recusar as coisas que são cozidas com ela... E se em todos os pontos tratados acima fomos achados culpados de qualquer forma... [então] aqueles entre nós que forem achados culpados, ou perecerão pelas mãos de nossos companheiros, por fogueira ou apedrejamento ou, [se nossas vidas forem poupadas], perderemos imediatamente nossa liberdade, e vocês nos entregarão juntamente com toda nossa propriedade a quem lhes convier para a escravidão perpétua... [Eu] renuncio a toda adoração dos hebreus, à circuncisão, todos os seus legalismos, pão na levedado, a páscoa, o sacrifício de cordeiros, as festas das semanas, os jubileus, as trombetas, a expiação, os tabernáculos, e todas as outras festas hebraicas, seus sacrifícios, orações, aspersões, purificações, expiações, jejuns, sábados, luas novas, comidas e bebidas. E [eu] renuncio a todo costume e instituição das leis judaicas...Em uma palavra, eu renuncio a absolutamente tudo o que é judeu...Juntamente com os antigos, eu excomungo também os rabinos chefe e os novos doutores malignos dos judeus...Se eu me desviar do caminho reto em qualquer modo e profanar a santa fé, e tentar observar a qualquer rito da seita judaica, ou se eu enganar a vocês, de qualquer forma, nos juramentos desse voto...Então que caiam todas as maldições da Lei sobre mim...Caiam sobre mim, sobre minha casa, e todos os meus filhos, todas as pragas que feriram o Egito, e para o horror de outros, que eu sofra em acréscimo, o destino de Data e Abirão, ou seja , que a terra me engula vivo, e depois de eu ter sido privado desta vida, serei ainda entregue ao fogo eterno, na companhia do diabo e seus anjos, compartilhando com os habitantes de Sodoma, e com Judas a punição do fogo; e quando eu chegar diante do tribunal do temível e glorioso juiz, nosso Senhor Jesus Cristo, possa eu ser contado naquela companhia a quem o glorioso e temível juiz, com semblante ameaçador dirá: Apartai vos de mim, malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos"( Dubnow, Simon. Manual de la história Judia. Buenos Aires, Ed. S. Sigal, 4ª Ed. 1955.)

Outro lado da inquisição é a vinda de judeus para o então mundo novo, no qual está incluso o Brasil.Creio que o artigo Do Rabino Marcelo M. Guimarães citado a seguir tem muita importância para uma maior compreenssão histórica da vinda dos judeus para o Brasil durante a inquisição e a importrancia de sua participação na colonização de nosso país.


6 Em 1499, já quase não havia mais judeus em Portugal, pois estes agora tinham uma outra denominação: eram os cristãos-novos. Eles eram proibidos de deixar o país, a fim de não desmantelar a situação financeira e comercial daquela época, pois os judeus eram prósperos. Os judeus sefarditas, então, eram obrigados a viver numa situação penosa, pois, por um lado, eram obrigados a confessar a fé cristã e por outro, seus bens eram espoliados, viviam humilhados e confinados naquela país. Voltar para Espanha, de onde foram expulsos, era impossível, bem como seguir em frente, tendo à vista o imenso oceano Atlântico. O milagre do Mar Vermelho se abrindo, registrado no Livro de Exôdo, precisava acontecer novamente.

Naquele momento de crise, perseguição e desespero, uma porta se abriu: providência divina ou não, um corajoso português rasga o grande oceano com sua esquadra e, em abril de 1500, o Brasil foi descoberto.Na própria expedição de Pedro Álvares Cabral já aparecem alguns judeus, dentre eles, Gaspar Lemos, Capitão-mor, que gozava de grande prestígio com o Rei D. Manuel. Podemos imaginar que tamanha alegria regressou Gaspar Lemos a Portugal, levando consigo esta boa nova: - descobria-se um paraíso, uma terra cheia de rios e montanha, fauna e flora jamais vistos. Teria pensado consigo: não seria ela uma “terra escolhida” para meus irmãos hebreus ? Esta imaginação começou a tornar-se realidade quando o judeu Fernando de Noronha, primeiro arrendatário do Brasil, demanda trazer um grande número de mão de obra para explorar seiscentas milhas da costa, construindo e guarnecendo fortalezas na obrigação de pagar uma taxa de arrendamento à coroa portuguesa a partir do terceiro ano. Assim, milhares e milhares de judeus fugindo da chamada “Santa Inquisição” e das perseguições do “Santo Ofício” de Roma, começaram a colonizar este país. Afinal, os judeus ibéricos, como qualquer outro judeu da diáspora, procurava um lugar tranqüilo e seguro para ali se estabelecer, trabalhar, e criar sua família dignamente. O tema é muito vasto e de grande riqueza bibliográfica e histórica. Assim, queremos com esta matéria abordar ligeiramente o referido tema, despertando, principalmente, o leitor interessado que vive fora da comunidade judaica. Neste pequeno estudo, queremos mencionar a influência judaica na formação da raça brasileira, apresentando apenas alguns fatos históricos importantes ocorridos no Brasil colonial, destacando uma lista de nomes de judeus-portugueses e brasileiros que enfrentaram os julgamentos do “Santo Ofício” no período da Inquisição. Os fatos históricos são muitos e podem ser encontrados em vários livros que tratam com detalhes desse assunto, como já mencionado. Comecemos, então, apresentando um pequeno resumo da história dos judeus estendendo até ao período do Brasil Colonial. Desde a época em que o Rei Nabucodonosor conquistou Israel, os hebreus começaram a imigrar-se para a península ibérica. A comunidade judaica na península cresceu ainda mais durante os séculos II e I A.C., no período dos judeus Macabeus. Mais tarde, depois de Cristo, no ano 70, o imperador Tito ordenou destruir Jerusalém, determinando a expulsão de todo judeu de sua própria terra. A derrota final ocorreu com Bar Kochba no ano 135 d.C, já na diáspora propriamente dita. A história confirma a presença dos judeus ibéricos, também denominados “sefaradim”, nessa península, no período dos godos, como comprovam as leis góticas que já os discriminavam dos cristãos.


7 As relações judaico-cristãs começaram a agravar-se rapidamente após a chegada a Portugal de 120.000 judeus fugitivos e expulsos pela Inquisição Espanhola por meio do decreto dos Reis Fernando e Isabel em 31.03.1492. Não demorou muito, a situação também se agravava em Portugal com o casamento entre D. Manoel I e Isabel, princesa espanhola filha dos reis católicos. Várias leis foram publicadas nessa época, destacando-se o édito de expulsão de D. Manoel I. Mais de 190.000 judeus foram forçados a confessar a fé católica, e após o batismo eram denominados “cristãosnovos”, quando mudavam também os seus nomes. Várias atrocidades foram cometidas contra os judeus, que tinham seus bens confiscados, saqueados, sendo suas mulheres prostituídas e atiradas às chamas das fogueiras e as crianças tinham seus crânios esmagados dentro das próprias casas. O descobrimento do Brasil em 1500 veio a ensejar uma nova oportunidade para esse povo sofrido. Já em 1503 milhares de “cristãos-novos” vieram para o Brasil auxiliar na colonização. Em 1531, Portugal obteve de Roma a indicação de um Inquisidor Oficial para o Reino, e em 1540, Lisboa promulgou seu primeiro Auto-de-fé. Daí em diante o Brasil passou a ser terra de exílio, para onde eram transportados todos os réus de crimes comuns, bem como judaizantes, ou seja, aqueles que se diziam aparentemente cristãos-novos, porém, continuavam em secreto a professar a fé judaica. E é nesses judaizantes portugueses que vieram para o Brasil nessa época que queremos concentrar nossa atenção De uma simples terra de exílio a situação evoluiu e o Brasil passou a ser visto como colônia. Em 1591 um oficial da Inquisição era designado para a Bahia, então capital do Brasil. Não demorou muito, já em 1624, a Santa Inquisição de Lisboa processava pela primeira vez contra 25 judaizantes brasileiros. (http://www.anussim.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=27) . Já em 1503 milhares de “cristãos-novos” vieram para o Brasil auxiliar na colonização. Em 1531, Portugal obteve de Roma a indicação de um Inquisidor Oficial para o Reino, e em 1540, Lisboa promulgou seu primeiro Auto-de-fé.

Segue abaixo parte do Álvaro de expulsão do judeus da Espanha. E ordenamos previamente neste édito que todos os judeus e judias de qualquer idade que residem em nossos domínios e territórios, que saiam com os seus filhos e filhas, seus servos e parentes, grandes ou pequenos, de qualquer idade, até o fim de julho deste ano, e que não ousem retornar a nossas terras, nem mesmo dar um passo nelas ou cruzá-las de qualquer outra maneira. Qualquer judeu que não cumprir este édito e for achado em nosso reino ou domínios, ou que retornar ao reino de qualquer modo, será punido com a morte e com a confiscação de todos os seus pertences.*

Com base em todo este histórico da permanência dos judeus no Brasil, vemos que vários âmbitos da sociedade brasileira foram influenciados por esta cultura, inclusive o campo das artes.A formação da musica popular brasileira recebeu grande influência da música judaica.Vemos isto em algumas canções como o choro “Lamento de idish”, o frevo “klezmer” e a ciranda brasileira “Hoira”.Quem fundou a primeira gravadora do Brasil, a saber a Casa Edison e Odeon foi Fred Figner um tcheco de origem judaica.Uma outra evidência da grande participação dos judeus nos primeiros anos do Brasil é que na Europa o Pau Brasil era chamada de “madeira judaica”, devido aos judeus que desempenharam um papel fundamental na exploração desta madeira. *

Alvará de expulsão dos judeus da Espanha assinado em 1º de março de 1492 pelo Rei Fernando e pela Rainha Isabel da Espanha. Traduzido do Inglês por Thiago Costa. Disponível em http://www.geocities.com/brasilsefarad/.


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A formação da musica popular brasileira recebeu grande influência da música judaica Crianças inocentes mortas: É importante ressaltar que durante estes quase 3 séculos de perseguição por parte da inquisição, muitas crianças foram mortas e tiradas de suas famílias. D. João II (1455-1495), durante seu reinado em Portugal que teve inicio em 1477, mandou pegarem as crianças de 2 à 10 anos e lançarem na Ilha de São Tome(África) pra serem mortas pelas feras1. D Manuel, sucessor de D. João II em 1495 até 1521, tirou as crianças de 14 anos do seio de suas famílias para serem criadas pelas famílias cristãs. Filósofo e economista alemão nascido em - Karl Eugen Dühring (1833-1921 d.C) Berlim.Declarou em sua obra "A questão judaica como questão de raça, nociva à cultura e à existência dos povos"(1880) : “A origem do desprezo generalizado pelos judeus reside em sua absoluta inferioridade em todos as áreas intelectuais... Trata-se de uma raça inferior e degenerada. É tarefa dos povos nórdicos "arianos" exterminar raças parasitárias desse tipo, assim como costumamos exterminar cobras e outros predadores.”

- Perseguição aos judeus pelo Nazismo 1933-1945 – Creio que a maioria tem conhecimento sobre este episódio que causou a morte de 6 milhões de judeus(dentre estes 1,5 milhões de crianças), embora alguns descartem a existência do holocausto, mas a verdade é que é um fato. Este episódio terrível ocorreu pela liderança de Hitler , na Alemanha nazista, na segunda guerra mundial.

...morte de 6 milhões de judeus(dentre estes 1,5 milhões de crianças)

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“Em navios providenciados pelo monarca, esses judeus foram obrigados a se retirar [...]. Aqueles que permaneceram no país, após o prazo dado para emigrar, foram transformados em escravos, e seus filhos, crianças entre dois e dez anos, foram transportadas para as ilhas de São Tomé ou Perdidas. A maioria das crianças morreu durante a viagem e as que sobreviveram tornaram-se, segundo os cronistas, ricos plantadores” (Carneiro, 2005, p. 42).


9 Há um esquema de comparação entre leis cristãs anti-judaicas e as leis nazistas anti-emitas baseado no texto The Destruction of the European Jews, Prof Raul Hilberg - 1985 - Holmes and Meier - New York, o qual mostra que as leis nazistas não foram nenhuma novidade. Leis Cristãs anti-judaicas Proibição de casamentos mistos e relações sexuais entre cristãos e judeus – Sínodo de Elvira 306 Proibição aos judeus de comerem junto com cristãos – Sínodo de Elvira 306 Exclusão dos judeus de todas as funções públicas – Sínodo de Clermont 535 Proibição aos judeus de terem empregados cristãos ou de terem escravos cristãos – Sínodo de Orleans 538

Proibição aos judeus de aparecerem nas ruas durante a Semana Santa – Sínodo de Orleans 538 Destruição pelo fogo do Talmud e outros livros 12º. Concilio de Toledo 681

Leis Nazistas

Leis para proteção do sangue e da honra alemães; 15 de Setembro de 1935

Exclusão dos judeus dos vagão-restaurante na rede ferroviaria alemã; ministério dos transportes 30 de dezembro de 1939

Lei de reorganização dos serviços publicos 7 de abril de 1933

Leis para proteção do sangue e da honra alemães; 15 de Setembro de 1935

Decreto proibindo acesso aos judeus às ruas em determinados dias (dias de festejos nazistas) 3 de dezembro de 1938

Queima de livros judaicos na Alemanha nazista

Proibição aos cristãos de se tratarem com médicos judeus – Sínodo de Trulanic 692 Idem decreto de 25 de julho de 1938 Diretiva de Göring ordenando a concentração de judeus em Proibição a cristãos de morarem com familias judias Sínodo moradias separadas 17 de janeiro de 1939 de Narbonne 1050 Obrigação aos judeus de pagarem imposto igual aos cristãos para manutenção da Igreja Sínodo de Gerone 1078

"Os judeus deverão pagar um imposto de renda especial em vez dos donativos obrigatórios exigidos dos membros do partido nazista" 24 dezembro 1940

Proibição de trabalhar aos domingos – Sínodo de Szabolcs 1092 Proibição a judeus de deporem contra cristãos em tribunais 3º. Concilio de Latran 1179 Cânone 26 Proibição aos judeus de reterem bens a herdeiros que se converteram ao cristianismo -

Proposição da Chancelaria proibindo aos judeus de processarem civilmente 9 de setembro de 1942

Decreto autorizando ao ministerio da Justiça de anular testamentos contrários ao "julgamento são do povo" 31 de julho de 1938


10 3º. Concilio de Latran 1179 Cânone 26 Símbolo a ser usado pelos judeus em sua vestimenta

Proibição de construir novas sinagogas Concilio de Oxford 1222 Proibição a cristãos de assistirem a cerimônias judias - Sínodo de Viena 1267

Decreto de 1 de setembro de 1941 Destruição das sinagogas em todo o Reich 10 de novembro de 1938 (Heydrich a Göring em 11 de novembro de 1938)

Proibição a não judeus manterem relações de amizade com judeus diretiva da Gestapo 24 de outubro de 1941)

Proibição aos judeus de discutir doutrinas da religião cristã com cristãos do povo – Sínodo de Viena 1267 Guetos obrigatórios – Sínodo de Breslau 1267

Ordem de Heydrich 21 de setembro de 1939

Proibição aos cristãos de venderem ou alugarem bens imobiliários a judeus – Sínodo do Ofen de 1279

Decreto permitindo a venda forçada de bens imobiliários judeus – 3 de dezembro de 1938

Conversão de um cristão ao judaismo ou retorno ao judaismo de um judeu batizado é considerado heresia – Sínodo de Mayencia 1310

Um cristão convertido ao judaismo corre o risco de ser tratado como judeu (julgamento de alto Tribunal Regional) de Konigsberg 26 junho de 1942

Proibição de vender ou transferir a judeus objetos pertencentes à Igreja – Sínodo de Lavour 1368 Proibição a judeus de agirem como intermediários em transações comerciais, imobiliárias ou contratos de casamentos – Concílio de Basileia 1434 Proibição de dar títulos universitários a judeus Concílio de Basileia 1434

Decreto de 6 de julho de 1936 liquidando corretoras de bolsa e de bens imóveis edas agencias matrimoniais que ofereciam seus serviços a não judeus

Lei contra a presença de de judeus em escolas e universidades 25 de abril de 1933

Percebemos então que há muito a similaridade entre as leis. - Governo de Gaspar Dutra(1946 – 1951) - Segundo uma reportagem da Veja Online (02/02/08 VEJA 6 – Anti-semitismo no Brasil: pior do que se pensava), feita por Reginaldo Azevedo, a historiadora Maria Lucia Tucci, da Universidade de São Paulo (USP), encontrou documentos no Itamaraty que comprovam a presença de anti-semitismo no governo pós-guerra.Estes documentos oficiais, secretas e telegramas relatam a dificuldade de judeus, negros e asiáticos para entrarem no Brasil. No exterior a imagem passada era de um governo liberal, mas no oculto não era bem o que se tinha. Sabe –s e que foi um brasileiro que presidiu a I Assembléia Geral da ONU.Oswaldo Aranha decidiu pela criação do Estado de Israel , tendo em vista a preocupação com os refugiados, principalmente judeus. De acordo com Tucci Carneiro : "A criação do estado de Israel acabou sendo um alívio para o governo


11 brasileiro. Não pela questão dos refugiados, mas porque resolvia o problema interno da imigração dos judeus”. O historiador Fábio Koifman diz :"Havia um projeto de branquear a população do Brasil baseado no princípio de que o atraso do país podia ser explicado pela má formação étnica de sua população”.No momento pós-guerra este projeto ainda estava com força total, pois o pensamento da existência de uma raça pura ainda vigorava e era disseminada um ideal eugênico como era comum nas universidades européias e nos Estados Unidos, que acreditavam que haviam raças mais propensa para o desenvolvimento tecnológico e material que outras, e nisso tinham os judeus como usuários e os negros, e asiáticos como preguiçosos. Segue-se parte de um telegrama do governo Dutra encontrado no Itamaraty que consta na reportagem aqui indicada. “A questão dos refugiados ainda não recebi ofício de 28 de dezembro, mas seria de interesse não admitir facilidades de entrada em massa de elementos exóticos. Ainda estamos a braços com o quisto da imigração japonesa e não desejaríamos agravar nossa situação com a entrada de elementos judeus, embora gente capaz e de trabalho, mas, em geral, com fraco poder de assimilação.” (http://www.judaismomessianico.net/reportagemasb02.htm)

Vemos claramente que a imagem do governo brasileiro no exterior não era exatamente o que se tinha nas repartições. Uma outra citação que creio ser de muito valor é da própria reportagem da Veja: “Na circular reservada nº 129, de 1946, fica instituído que o visto a estrangeiros de origem judaica e asiática deveria ser sujeito, caso a caso, à aprovação do Conselho de Imigração e Colonização, que respondia diretamente ao presidente da República. Nesse mesmo ano, a circular n° 200 determina que "viajantes israelitas" sem visto, mesmo que viessem de passagem, deveriam ter seus passos monitorados para não se fixarem no país. Outra resolução reservada, n° 161, de 1949, impunha regras à concessão de visto a um parente de judeu, uma vez que, "dentro da nossa política imigratória, há correntes alienígenas que não atendem a nossos interesses".(veja online)

Bem, este é um pouco do contexto do qual a Igreja protestante veio.E desta forma fica mais fácil compreendermos o por quê de certas ações e pensamentos antissemitas correntes nas ramificações que surgiram de Roma e sabemos que para a retirada desses pensamentos e ações de nossa mentalidade é


12 necessário algum tempo, pois são séculos de história implantados em nossa memória.Porém, o Senhor vem restaurando esta situação, fazendo com que haja reconciliação e perdão e levantando homens e mulher para trabalharem prol deste objetivo.Que o Eterno de Israel seja bendito pelo despertar dos corações e mentes para esta Teshuvá, este Retorno a Ele dentro do contexto das Escrituras hebraicas, dentro de um judaismo bíblico no Nazareno Yeshua.

Shalom Carlos Coléct www.centroteshuva.blogspot.com


PAIS DA IGREJA CRISTÃ E AÇÕES-ANTISSEMITAS