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_______________________________________________________________________Por Carlos Coléct

“CRISTÃOS” ou NAZARENOS ? -ANTES DO SÉC II E DEPOIS DO SÉC II


2 1. Consideração inicial – Os discípulos de Yeshua no 1º séc. foram “cristãos” ou nazarenos ? _____________________________________________________________________________________ O propósito deste texto é propor uma ampliação da visão a cerca daqueles chamados de “cristãos “ no 1º séc d.C .Será que os discípulos de Yeshua no 1º séc podem ser considerados “cristãos” dentro do pensamento atual de “cristão”, ou seja, dentro do Cristianismo atualmente conhecido por meio do Catolicismo e Protestantismo? Veremos que no 1º séc , após a ressurreição de Yeshua, surgem duas realidades distintas.De um lado nós temos os Nazarenos, os quais são os verdadeiros discípulos de Yeshua, e de outro lado temos o “cristianismo helênico” associado aos pensamentos gregos e romanos. 2. O uso do termo “cristão” no séc I se diferencia do séc II. _____________________________________________________________________________________ Para iniciarmos, vejamos o significado do termo “cristão” antes do séc II e depois do séc II. Bom, sabemos que o primeiro relato da palavra "cristão" está em : At 11:26 tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados CRISTÃOS. Em Antioquia,uma cidade da Síria, a terceira cidade principal do império romano, depois de Roma e Alexandria, nessa cidade foram os discípulos de Yeshua, chamados pelos gregos de "cristãos", e muitos pensam que a palavra "cristão" significa "pequenos cristos", mas esta palavra é "Ξριστιανος Christianos", o que traz a idéia de PARTIDARISMO, ou seja, os discípulos estavam sendo considerados DO PARTIDO DO MESSIAS.Em outras palavras, ao serem chamados "cristianos - cristãos", era como serem chamados assim : " OS DO PARTIDO DO MESSIAS".E há estudiosos que dizem que os discípulos foram chamados de “cristianos” de uma forma pejorativa. Mas infelizmente, esta conotação de “Cristão” se tornou um título dentro do Cristianismo.Nos dias de hoje, são poucos os que conseguem perceber uma ruptura no tempo , ou seja, ANTES DO SÉC II E DEPOIS DO SÉC II. O uso do termo "cristão" antes do Cristianismo do séc II d.C é diferente do "cristão" após o séc II.No 1º séc. o termo “cristão” ainda era usado para indicar “partido”, mas depois se tornou uma nomenclatura para aquele que está no “cristianismo”, ou seja, na “igreja universal (católica).E hoje quando se fala em "cristão" ou "cristiano", não se vê essa diferença, e se vê apenas o "cristão" dentro do pensamento do CRISTIANISMO grego-romano após o séc II. E outro ponto importante a se notar, é que os discípulos foram considerados "CRISTIANOSCRISTÃOS" por aqueles que estavam de fora da Comunidade e não por eles mesmos. 3. O Cristianismo “católico” no 1º século _____________________________________________________________________________________ Observemos que em uma epístola endereçada àqueles que se reuniam na cidade de Esmirna , Inácio de Antioquia (68-110 d.C) usa o termo “Igreja católica”, dando início da Igreja cristã católica.


3 Epístola aos Esmirniotas “Segui todos ao bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como aos apóstolos; respeitai os diáconos como à lei de Deus. Sem o bispo, ninguém faça nada do que diz respeito à Igreja. Considerai legítima a eucaristia realizada pelo bispo ou por alguém que foi encarregado por ele. 2 Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja católica”(Inácio) O termo “católica” significa “universal”, e tudo indica que ao usar esse termo, Inácio tinha em mente o pensamento Platônico de “universal”.Resumidamente , Platão dizia que haviam os universais que era o perfeito, dentro do plano superior (celestial) e os particulares que é o físico, imitação do perfeito.Daí nasce algumas correntes filosóficas como o gnosticismo e o ascetismo trazendo uma dicotomia, uma divisão dizendo que tudo o que é terreno é ruim, e tudo o que é transcendental é bom, tudo o que foge da matéria é bom.Sendo assim, essa “igreja católica” estava nascendo dentro do pensamento filosófico de Platão, com um pensamento afastado do plano terreno, desconectado do contexto hebraico e dentro do gnosticismo e ascetismo. 4. Os emissários de Yeshua denunciam um falso movimento paralelo (cristianismo) _____________________________________________________________________________________ Nas cartas dos discípulos à Comunidade do 1º séc, observamos relatos contra um movimento falso acontecendo paralelamente, e este movimento seria o “cristianismo helenizado(grego-romano)” , pois não são relatos contra grupos judaicos legalistas, mas contra outro tipo de grupo, o qual tudo indica seja formado por gentios e não judeus. Vejamos que nesses relatos há uma exposição contra os falsos profetas, falsos apóstolos (enviados), contra a pregação de um falso evangelho(boas novas), outro Messias estava sendo pregado, e havia um Espírito diferente sendo disseminado.Estava havendo uma distorção da mensagem por parte de alguns, e Shaul(Paulo) condena o posicionamento desses em se considerarem como os emissários nazarenos, ele diz que esses falsos emissários(apóstolos) estavam se passando por emissários do Messias, mas não eram verdadeiramente emissários(apóstolos).E na carta de João(Yohanan), está declarado que um espírito(sopro) é falso quando não confessa que Yeshua veio em carne, e isto é um indício de que havia algum movimento semelhante, porém, falso , com características gregas gnósticas, pois nesta época havia uma ramificação da filosofia platônica chama Gnosticismo, a qual dizia que Yeshua não poderia ter vindo em Carne, mas era como um “semi-deus” grego, mas João(Yohanan) denuncia esta doutrina. Vejamos: 2 Co 11.3-5 -Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas ao Messias. 4 Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Yeshua que não temos pregado, ou se aceitais espírito(sopro) diferente que não tendes recebido, ou evangelho(Boas Novas) diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. 5 Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos. 2 Co 11.12 – 15 - Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. 13 Porque os tais são falsos apóstolos(enviados), obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos(enviados) do Messias. 14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 15 Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.


4 Gl 1.6-9 - Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na misericórdia (chessed) do Messias para outro evangelho(boas novas), 7 o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho(boas novas) do Messias. 8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. 9 Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. 1 Jo 4.1-5 - Amados, não deis crédito a qualquer espírito(sopro); antes, provai os espíritos se procedem de Elohim porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. 2 Nisto reconheceis o Espírito (Sopro) de Elohim: todo espírito que confessa que o Messias Yeshua veio em carne é de Elohim; 3 e todo espírito que não confessa a Yeshua não procede do Eterno; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. 4 Filhinhos, vós sois do Eterno e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. 5 Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Portanto, a proposta aqui, é percebermos que o “cristianismo” hoje representado pelo Catolicismo e Protestantismo, quanto sistema religioso, surge desse falso movimento que acontecia paralelamente ao Caminho verdadeiro dos Nazarenos discípulos de Yeshua. 5. Os Nazarenos não são do movimento chamado “cristianismo” _____________________________________________________________________________________ Em fatos e em cartas históricas, podemos ver que há uma diferenciação no uso do termo “cristão” após o séc II.Após o ano 100 d.C, quando morre Yohanan (João) , o último apóstolo(emissário) judeu, começa a se evidenciar o Movimento do Cristianismo afastado dos ensinamentos dos apóstolos, e totalmente desligado do judaísmo, mas com muito pensamento grego dos filósofos, e romano, pois seus representantes, agora, passam a ser “gregos” ou “helenizados” .E como já pudemos perceber um pouco, nesse mesmo período, em que o Movimento do Cristianismo começa a ter mais força com Inácio de Antioquia , paralelamente estão os chamados nazarenos , ainda ligados ao contexto hebraico dos ensinamentos de Yeshua e seus discípulos, e vivendo a Lei e os Profetas. At 24:5

Porque, tendo nós verificado que este homem é uma peste e promove sedições entre os judeus esparsos por todo o mundo, sendo também o principal agitador da seita dos nazarenos,

At 24:14 Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Eterno de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas, A respeito da Seita dos Nazarenos, creio ser interessante comentarmos algo sobre a palavra “seita”, e isto vai nos indicar ainda mais a posição da Comunidade do 1º seculo dentro do judaismo da época.Bem, “seita” no sentido original "heiresis" no grego é uma divisão, uma ramificação, donde vem a palavra " herege", ou seja, alguém que faz parte de uma seita. Bom, seria como no judaismo na época de Yeshua por exemplo, o judaismo tinha a seita dos saduceus, dos fariseus, dos essenios, dos zelotes, e os discípulos de Yeshua no 1º séc eram considerados a como a SEITA DOS NAZERENOS , e isto simplesmente porque eram considerados uma ramificação do judaísmo, eles eram uma divisão do judaísmo.Mas hoje em dia "seita" tem um sentido mais pejorativo e ruim, mas é simplesmente uma ramificação ou uma divisão, e isto pode ser tanto para o bem quanto para o mal.Então pode haver uma seita boa quanto má, pois seita só caracteriza uma divisão ou ramificação de um grupo maior.


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E isto nos mostra que os discípulos de Yeshua e a comunidade do 1º séc eram considerados parte do judaismo , porém sendo uma ramificação e não algo isolado ou afastado do judaismo “bíblico”.Não eram considerados Cristianismo, mas permaneciam na Lei e nos Profetas, pois a Lei e os Profetas é que caracterizam o Judaísmo “bíblico” e não os costumes e tradições.Portanto , quando falamos que os discípulso no 1º séc não estvam afastados do Judaísmo, estamos falando que não estvam afastados da Lei e dos Profetas, e para o grego ou o romano que visse alguém vivendo a Lei e os Profetas de Israel, este era visto como um judeu dentro do Judaísmo. Portanto, compreendo, que aos olharmos para esses nazarenos inseridos na Comunidade do 1º séc , não podemos vê-los como “cristãos” dentro do Cristianismo, e da mesma forma, nós , os que seguem os ensinamentos de Yeshua e de seus discípulos, não podemos nos ver de tal modo.Precisamos nos ver no período antes do séc II , quando ainda não havia se levantado com mais força o Cristianismo helenizado. Mas enfim, os discípulos de Yeshua, chamados de Cristãos pelos de Antioquia, não tinham nada a ver com o MOVIMENTO DO CRISTIANISMO criado pelos "pais filósofos gregos", eles eram os denominados “nazarenos”.Eles não eram nem cristãos dentro do Cristianismo, e também não estavam totalmente ligados ao judaísmo tradicional, mas eram nazarenos, seguidores do Messias e da Torah, e a única coisa que os diferenciava do Judaísmo, era que eles criam em Yeshua como Messias.SOMENTE ISTO, no mais, havia semelhança no modo de vida dentro da Lei e dos Profetas. Vejamos o que o Padre Epifânio (Sec IV) declara sobre os Nazarenos na obra Panarion: “Mas estes sectários... NÃO SE CHAMAVAM DE CRISTÃOS – MAS DE “NAZARENOS”... contudo, são simplesmente JUDEUS COMPLETOS... Eles não possuem diferentes idéias, mas confessam tudo exatamente como a Torá descreve e na forma judaica – exceto, porém, por sua crença na Messias.Pois eles reconhecem tanto a ressurreição dos mortos quanto a criação divina de todas as coisas, e declaram que Elohim é Um, e que o Seu Filho é Yahushua o Messias.Eles são bem treinados no hebraico .Pois dentre eles a Torá inteira, os Neviim(profetas) e... os Ketuvim(Escritos)... são lidos em hebraico... Eles são diferentes dos judeus, e diferentes dos cristãos, apenas no seguinte: Eles discordam dos judeus porque chegaram à fé no Messias; mas eles ainda estão na Tora´... cricuncisão, o Shabat, e o restante... eles NÃO ESTÃO DE ACORDO COM OS CRISTÃOS..ELES NÃO SÃO NADA MAIS DO QUE JUDEUS...Eles possuem as Boas Novas de acordo com Matitiyahu completamente em hebraico...Tal qual foram escritas originalmente.” (Epifânio;Panarion.29) O Cristianismo criado fora de Jerusalém , não tinha nada a ver com o JUDAÍSMO E NEM COM OS DISCÍPULOS DE YESHUA(NAZARENOS).Era um movimento a parte . Por isto, quando se entende que os discípulos, tais como Paulo(Shaul), Kefas (Pedro), eram "cristãos", NÃO PODEMOS CONSIDERAR QUE ELES ERAM "CRISTÃOS" SEGUNDO O PENSAMENTO DO CRISTIANISMO CRIADO PELOS GREGOS E ROMANOS no séc II, mas que apenas foram considerados partidários do Messias.

6. O “cristianismo” nasce afastado do judaísmo (Lei e os Profetas) _____________________________________________________________________________________


6 Vejamos a seguir alguns relatos que nos mostram que o “cristianismo” no 1º e 2º séc está afastado do Judaísmo Bíblico, quanto Lei e Profetas, e que também está misturado em conceitos pagãos , e fora do contexto hebraico. - Inácio de Antióquia (c. 68-107(110) d. C.) [...]Não sejais enganados por doutrinas estranhas, “nem prestai atenção a fábulas e genealogias intermináveis”, e em outras coisas que os judeus ostentarem. “As velhas coisas se passaram; observai pois todas as coisas se tornaram novas“. Se vivêssemos ainda segundo a Lei dos judeus e a circuncisão da carne, teríamos que negar a graça que recebemos[...] [...]Portanto, não precisamos mais manter o sábado, como fazem os judeus, ou alegrar-se pelos dias de ociosidade, pois “aquele que não trabalha, não deve comer”. Também foi dito pelos [santos] oráculos: “É pelo suor da tua face que comerás o teu pão”. Mas deixe todo aquele entre vós que ainda mantém o sábado por motivo espiritual, alegrando-se na meditação da Lei e não no descanso do corpo, admirando a obra de Deus e não comendo coisas preparadas no dia anterior, não fazendo uso de bebidas mornas ou andando um certo limite prescrito, não deleitando-se por dançar e aplaudir, e outras coisas sem sentido. Porém, após a observância do sábado, deve todo amigo de Cristo observar o Dia do Senhor como festa, o dia da ressurreição, a rainha e comandante de todos os dias [da semana].[...] [...]Vamos, portanto, provar-nos dignos desse nome(CRISTÃO) que recebemos. Porque todo aquele que é chamado por outro nome, além desso, ele não é de Deus, pois ele não recebeu a profecia que fala assim a nosso respeito: O povo deve ser chamado por um nome novo, que o Senhor deve nomeá-los, e será um povo santo. [...] ... Permanecei em Cristo, que o estrangeiro não pode ter domínio sobre você. É absurdo falar de Jesus Cristo com a língua, e apreciar na mente um Judaísmo que já chegou ao fim. Onde está o Cristianismo não pode estar o Judaísmo " Magnésios ", cap. 10b. Vemos que nas palavras de Inácio, ele entende que há um nome novo que precisa ser implantado e este nome é “cristão”, e não pode haver outro nome, ou seja, “nazarenos”, ele considera aqueles que possuem outra denominação como não sendo de “deus”.Ele também diz que Jesus Cristo não pode ser associado com o Judaísmo, mostrando assim, que o Cristianismo não foi criado por Yeshua e nem pelos discípulos, pois Yeshua e os discípulos nunca se afastaram da Base “judaica e hebraica”. A seguir temos uma carta de Adriano, onde nos mostra os “cristãos” no séc II, como sendo um Movimento sincretizado, ou seja, já com várias misturas cultuais. - Carta do imperador Adriano ao cunhado Servianus, escrita em 134 d.C. (citada por Flavius Vopiscus, Vita Saturnini, séc. IV d.C.) «8 de Adriano Augusto à Servianus 22 o cônsul, saudação. Da terra do Egito, os louvores que você me tem contado, meu querido Servianus, [...] Há os que adoram Serapis são, de fato, os cristãos, e aqueles que se chamam bispos de Cristo são, de fato, os devotos de Serapis. Adriano , segundo a sua visão dos cristãos do séc II, relata que tais cristãos são adoradores de Serapis, ou seja, o Cristianismo no séc II não tem nada a ver com a Seita do Caminho ou dos nazarenos, não tem nada a ver com Yeshua e os seus discípulos e nem com a Comunidade do 1º séc. 7. Personagens que atestam a superioridade da Igreja Católica cristã Romana _____________________________________________________________________________________


7 - São Cipriano “A Esposa de Cristo não pode adulterar, é fiel e casta. Aquele que se separa dela saiba que se junta com uma adúltera, e que as promessas da Igreja já não o alcança. Aquele que abandona a Igreja não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por mãe na terra.” - São João Crisóstomo “Não te afaste da Igreja: nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece.” - Santo Epifânio -“Há um caminho real, que é a Igreja Católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros.” - Santa Teresa de Ávila “Em tudo me sujeito ao que professa a Santa Igreja Católica Romana, em cuja fé vivo, afirmo viver e prometo viver e morrer.” - Catecismo da Igreja Católica, n. 846 “Esta Igreja, peregrina na terra, é necessária à salvação. De fato, só Cristo é mediador e caminho de salvação. Ora, Ele torna-Se-nos presente no seu Corpo, que é a Igreja. Ao afirmar-nos expressamente a necessidade da fé e do Batismo, Cristo confirma-nos, ao mesmo tempo, a necessidade da própria Igreja, na qual os homens entram pela porta do Batismo. É por isso que não se podem salvar aqueles que, não ignorando que Deus, por Jesus Cristo, fundou a Igreja Católica como necessária, se recusam a entrar nela ou a nela perseverar.” 8. Imagens após o séc II mostram o sincretismo religioso do Cristianismo _____________________________________________________________________________________ Vejamos algumas imagens que remontam a data após o séc II, e veremos que o Cristianismo já estava misturado com a Grécia e Roma. Começaremos vendo a figura do “Bom Pastor” se relacionando ao Cristo.A importância dessas imagens está em percebermos que as imagens que trazem Cristo como o Bom Pastor, vem da imagem de Hermes, associou-se Cristo com Hermes, o carregador de cordeiros. No culto grego antigo, kriophoros (ou criophorus - Κριοφόρος), o "carregador de carneiro", é uma figura que comemora o sacrifício solene de um carneiro. Ele se tornou um dos epítetos do deus grego Hermes (Hermes Kriophoros). - IMAGENS DE CRISTO DO SÉC II E III


8 Fig 1 Pintura do Bom Pastor numa catacumba crist達 200 d.C.

Fig 2 Outro Bom Pastor numa catacumba crist達

Fig 3 Pintura crist達 do s辿culo III d. C.

Fig 4 Escultura do ano 225 d. C.


9 - IMAGENS DE HERMES ANTES DO SÉC II Fig 6

Fig 5

Fig 7

Portanto, pode-se observar que o Cristianismo, quanto movimento religioso já antes de 325 a.C no Concílio de Nicéia, tinha seus sincretismos e misturas gregas.O Cristianismo após o séc II já está em sua essência afastado do contexto hebraico dos nazarenos do 1º séc. Vejamos outras imagens do séc II, III e IV, nas quais poderemos notar um Cristianismo helenizado e romanizado. Fig 8 Pedra tumular de Seberus servidor de vinho retirada das catacumbas, séc. IV d.C., Museu Pio Cristiano, Vaticano. Nota-se que no símbolo do Cristianismo o Chi-Rho encontra-se incluso numa coroa de louros, símbolo de vitória e usada pelos Césares e pelos laureados nos Jogos Olímpicos, alusão ao mito da ninfa Dafne que se transmudou em loureiro para fugir a Apolo e este fez uma coroa com as suas folhas.


10 Fig 9 Jesus ressuscita Lázaro - catacumba - III d.C. Aqui, percebe-se uma figura bem helenizada (grega)

Fig 10 Maria amamentando o Menino Jesus. Imagem do Século II, Catacumba de Priscila, Roma]. Nesta imagem , fica evidente que no séc II, o Cristianismo já tinha um pensamento a cerca da posição superior de Maria.

9. O Pensamento da Reforma continua afastado do contexto hebraico e fora do judaísmo bíblico _____________________________________________________________________________________ A "IGREJA" PROTESTANTE É A "IGREJA" CATÓLICA ROMANA REMENDADA E REAFIRMADA Sabemos que houve a Reforma Protestante no séc XVI d.C, durante o período da Inquisição.Período conhecido como a Idade das Trevas.Um episódio negro da história , no qual a Igreja cristã romana sobrepôs a sua força ao mundo, e forçou a aceitação de sua doutrina e "fé", havendo assim torturas , conversões forçadas (sobretudo de judeus),e muitos dogmas criados e pensamentos estabelececidos, tais como a afirmação do inferno e do céu, por exemplo, para gerar medo no povo, e povo por medo do inferno comprasse mais lugares no céu "criado" pela "igreja. Dentre as maiores personagens da Reforma temos Lutero e Calvino.Esta Reforma teve seu auge quando Lutero fixou suas 95 teses na porta do castelo da Igreja de Wittenberg -Alemanha, e estas 95 teses tinham por objetivo ser um remendo na Igreja Cristã Catolica Romana, ou seja, confrontar e "arrumar" algumas posições da Igreja Medieval, tais como a venda de indulgências, o poder divinizado do Papa, dentre outras.


11 E durante a Reforma surge os chamados "cinco solas" , ou seja, é reafirmado a Fé , a Escritura, Cristo, Graça e a Glória somente a "deus". Sola fide (somente a fé); Sola scriptura (somente a Escritura); Solus Christus (somente Cristo); Sola gratia (somente a graça); Soli Deo gloria (glória somente a "Deus"). Mas entendo , como o próprio nome já diz , foi uma reforma, ou seja, esses cinco "solas", buscam REAFIRMAR a fé, as escrituras, o cristo e a graça que já haviam na Igreja Cristã nascida em Roma, e não mudar o pensamento sobre estes aspectos, apenas há uma reafirmação da Fé estabelecida em Roma, a Escritura interpretada por Roma, o Cristo com roupagem romana, a Graça criada por Roma e uma glorificação do "deus" de Roma.Não há uma mudança, ou um objetivo em se desassociar de Roma totalmente. Continuou-se em Roma, e apenas houve alguns remendos, e a Igreja Protestante continua sendo uma ramificação ROMANA com os credos e dogmas doutrinários dos concílios , ou seja, sem o elemento hebraico, com uma linguagem latina , um pensamento grego e afastada da originalidade da FÉ, ESCRITURAS, MESSIAS, "GRAÇA" E DO ETERNO. Mas como Yeshua disse : "não se pôe remendos em veste velha ", em outras palavras " não se reforma veste velha". O ODRE PRECISA SER NOVO PARA RECEBER VINHO NOVO. Vejamos alguns pensamentos de Calvino e Lutero: - João Calvino (1509-1564 d.C ) – Em um de seus texto falando sobre a aplicação do quarto mandamento ele diz : “Se porventura se teme superstição, muito mais perigo havia nos dias de guarda judaicos, nos dias do Senhor, do que agora observam os cristãos. Pois, visto que para suprimir-se a superstição se impunha isto, foi abolido o dia sagrado observado pelos judeus; e como era necessário para se conservarem o decoro, a ordem e a paz na Igreja, designou-se outro dia, o domingo, para este fim.” Portanto, Calvino continua dentro do mesmo pensamento católico romano. - Martinho Lutero( alemanha 1483- 1546 d.C.) – Em seus escritos, ele mostra que os judeus precisam se converter ao “Cristianismo”, ele mostra compaixão, mas quando se encontra frustrado ao ver que os judeus não estavam se convertendo, ele então escreve um trato com o título “Os Judeus e suas Mentiras”. Segue alguns trechos : “(…) Finalmente, no meu tempo, foram expulsos de Ratisbona, Magdeburgo e de muitos outros lugares… Um judeu, um coração judaico, são tão duros como a madeira, a pedra, o ferro, como o próprio diabo. Em suma, são filhos do demônio, condenados às chamas do Inferno. Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno.” “Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade … são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos


12 parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte.” “Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus.” Entendo que assim como os Nazarenos são uma ramificação do Judaísmo , os Protestantes são uma ramificação do Cristianismo Romano e grego. 10. Consideração final _____________________________________________________________________________________ Pois bem, a proposta que fica aqui, é a ampliação da visão a cerca do movimento do“cristianismo” , e a respeito do uso do termo “cristão”, ou seja, precisamos entender que o Cristianismo , quanto religião ou movimento religioso, não surgiu com Yeshua ou os seus discípulos no 1º séc, mas surgiu paralelamente com os gregos, afastado do contexto hebraico dos chamados “nazarenos”, distanciados dos ensinos dos “apostolos”, da Lei e dos Profetas. Resumindo, no 1º séc nós tinhamos 3 classes dentro da proposta deste texto: - JUDAÍSMO TRADICIONAL - No qual Yeshua participava não estando de acordo com tudo, mas estava inserido.No Judaísmo haviam as seitas[ramificações] dos saduceus, fariseus, essênios e zelotes - SEITA DOS NAZARENOS - discípulos de Yeshua, os quais são judeus naturais e não naturais [ Comunidade do 1º séc ]- ramificação do Judaísmo Tradicional ,dentro do contexto hebraico da LEI e dos PROFETAS, porém não seguindo todas as tradições e costumes judaicas dos rabínos.São os chamados de "cristão -cristianos" antes do Cristianismo Romano.Os nazarenos viviam a "fé" em torno de Jerusalém, e não em torno de Roma. - CRISTIANISMO - dentro do contexto grego assossiado a Roma, dado a luz pelos "pais filosofos gregos " que distorceram a mensagem dos "apóstolos - emissários " de Yeshua, após o 1º séc se distanciaram dos Nazarenos.E com a oficialização como Religião de Roma, cada vez mais entram sincretismos religiosos, doutrinas, costumes e práticas pagãs, desassociadas de Jerusalém.O centro passa a ser Roma, sob os interesses do império. Por isto, não confundamos os discípulos com os "cristãos "do cristianismo, os discípulos de Yeshua estão em uma classe diferente de "cristãos" , estãos ANTES DO CRISTIANISMO DO SÉC II, e também não são do JUDAÍSMO TRADICIONAL.Estão ENTRE , estão no meio, não são nenhum e nem outro, e por isto fomos perseguidos tanto pelos judeus tradicionais quanto pelos cristãos de Roma. VOLTEMOS PARA O CONTEXTO ANTES DO FORTALECIMENTO CRISTIANISMO HELÊNICO NO SÉC II.VOLTEMOS PARA O CONTEXTO NAZARENO.

DO

O propósito aqui não é apenas mostrar o falso, mas trazer a Verdade, a qual é Yeshua, seus ensinamentos, e seus discípulos para dentro do seu contexto hebraico do 1º séc e não cristão após o séc II. Shalom Carlos Coléct www.centroteshuva.blogspot.com


“CRISTÃOS” ou NAZARENOS - ANTES DO SÉC II E DEPOIS DO SÉC II