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Ano 2 - n.º 35 - fevereiro 2018

Preço 0,01€

Diretor: Miguel Almeida - Dir. Adjunto: Carlos Almeida

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Carlos Silva Santiago Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe

5º FESTIVAL DE SOPAS DE SERNANCELHE O 5º Festival de Sopas e Encontro de Ranchos que o Município de Sernancelhe organiza, em parceria com 17 associações do Concelho, é uma manifestação cultural autêntica, uma iniciativa que consegue, com muito trabalho e dedicação de todos os envolvidos, revitalizar e valorizar os saberes populares, homenageando, ao mesmo tempo, a gastronomia tradicional e a cultura etnográfica que definem o nosso povo. Integrado na estratégia do Concelho de Sernancelhe de apostar na sua memória como forma dar a conhecer a sua história, o Festival de Sopas, cujo sucesso é notório a cada ano, é um evento visitado e vivido por pessoas de todas as idades, por gente de todos os pontos do País. Procuram o convívio, a cultura e o lazer, mas, acima de tudo, demandam a Sernancelhe pela sopa, por este elemento de extraordinária importância da nossa gastronomia que voltou a estar na moda, que voltou a estar à mesa dos portugueses, que é hoje quase obrigatória na ementa das nossas crianças. Por isso, a agenda de iniciativas que o Município de Sernancelhe oferece ao longo do ano, é a confirmação de que a cultura desempenha um papel determinante na afirmação dos nossos territórios. Promove a identidade que nos define, dinamiza o associativismo, estimula as comunidades locais e tem impacto direto na economia. Tal como sucede, de forma mais evidente, com a castanha, o Festival de Sopas concorre para a valorização dos recursos locais, no caso, dos produtos das hortas e das pequenas parcelas agrícolas onde a população, em especial a mais idosa, cultiva a batata, o feijão, as cebolas, as cenouras, as couves e todos os produtos que estão na base de uma boa sopa. E, verdadeiramente interessante, estamos a falar de produtos totalmente biológicos, hoje cada vez mais uma raridade. Aqui fica o desafio para que nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro venha até Sernancelhe. Visite-nos, prove as sopas, contemple a riqueza etnográfica dos ranchos do nosso País e leve da nossa terra a certeza de que aqui há um Portugal autêntico, uma terra com história porque persiste em honrar a memória dos seus antepassados.


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Ano 2 - n.º 35 - fevereiro 2018

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Saúde no Douro entre atrasos e inovação

• Consultas de especialidade ultrapassam espera de 1000 dias • Walking Clinic, método inovador implementado no Hospital de Lamego > Págs. 16, 17 e 18 Reportagem VivaDouro

São João da Pesqueira

Douro Sul

GNR em ações de sensibilização na região

Jimmy P apresenta livro sobre violência no namoro

Projeto Aldeias Humanitar arranca em Penedono e Sernancelhe

> Pág. 8 e 9

> Pág. 12

> Pág. 14 PUB


4 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Editorial

Alerte para o que está bem e denuncie o que está mal. Envie-nos as suas fotos para geral@vivadouro.org

José Ângelo Pinto

Administrador da Vivacidade, S.A. Economista e Docente Universitário Caros leitores,

Os territórios de baixa densidade populacional continuam a ter que lutar todos os dias e com todas as suas forças para conseguir contrariar os blocos centralistas do estado e aqueles governantes que parece que nunca saíram de Lisboa sem serem acompanhados pelo séquito protetor e que os impede de ver para além do politicamente definido nos gabinetes da Praça do Império como sendo o correto. Esta luta é de todos. É dos autarcas, que procuram aproveitar todas as ocasiões para colocarem os seus territórios nos mapas de Lisboa; é dos empresários que procuram justificar os seus investimentos muitas vezes economicamente injustificáveis, é dos poderes militares, policiais e religiosos que continuam a procurar colocar os seus melhores nos locais em que são mais precisos e é de todos os populares incógnitos que insistem em nascer, viver e morrer nestes territórios. Também é de todos os que nas grandes cidades no litoral mantém ligações e as cimentam com o interior. Apesar de ser uma luta inglória, especialmente nos últimos anos, a verdade é que têm sido ganhas batalhas significativas e até algumas Cumprimentos,

Registo no ICS/ERC 126635 Número de Registo Depósito Legal 391739/15 Diretor: Augusto Miguel Silva Almeida (TE-873) miguel.almeida@vivadouro.org Redação: Carlos Almeida carlos.almeida@vivadouro.org Departamento comercial: Carlos Rodrigues Tel.: 962 258 630 Tel.: 910 599 481 Ana Pinto Tel.: 910 165 994 Paginação: Rita Lopes Administração e Propriedade do título: Vivacidade, Sociedade de Comunicação Social, S.A. Rua Poeta Adriano Correia de Oliveira, 197 4435-778 Baguim do Monte Administrador: José Ângelo da Costa Pinto Estatuto Editorial: http://www.public. vivadouro.org/vivadouro Detentores com mais de 10% do capital social: Lógica & Ética, Lda. Sede de Redação:Rua Poeta Adriano Correia de Oliveira, 197 4435-778 Baguim do Monte Tel.: 916 894 360 / 916 538 409 Colaboradores: António Costa, António Fontainhas Fernandes, Guilhermina Ferreira, José Penelas, Luís Alves, Manuel Cabral, Paulo Costa, Pedro Ferreira, Ricardo Magalhães, Sandra Neves e Silva Fernandes. Impressão: Unipress Tiragem: 10 mil exemplares Sítio na Internet: www.vivadouro.org Facebook: www.facebook.com/ jornalvivadouro E-mail: geral@vivadouro.org Agenda: agenda@vivadouro.org

Próxima Edição 14 MARÇO

Portugal ultrapassou a França tornando-se no maior consumidor de Vinho do Porto no mundo.

NEGATIVO

FOTO: DR

guerras. Uma das guerras que têm vindo a ser ganhas nas regiões do Douro é na atração de pessoas (especialmente do litoral ou dos territórios de alta densidade populacional) para grandes eventos desenvolvidos nos territórios de fraca densidade populacional. Quem merece o reconhecimento por este resultado são, sem dúvida, os autarcas que tiveram e têm a visão para conceber e realizar eventos muito significativos que ocorrem nos seus territórios e que são desenhados para que atraiam as pessoas e para mobilizar a economia local ou regional. Há muito bons exemplos pelo Alto Douro de eventos com estas características e com esta capacidade e alguns deles são verdadeiramente mobilizadores e dinamizadores, impulsionando não só a terra em que está o evento organizado mas também os negócios e as oportunidades regionais. Com boas ideias, criatividade, empenho, dedicação e boa gestão conseguem-se excelentes resultados muitas vezes com um orçamento relativamente pequeno e, apelando à ajuda de todos, fazem-se eventos significativos e com excelente retorno em relação ao investimento.

FOTO: DR

POSITIVO

A estrada N222, entre a Régua e o Pinhão, continua a ter vários troços onde a segurança é posta em causa por blocos de cimento que seguram os deslizamentos de terra.

Sumário: Breves Página 5 Vários Concelhos Páginas 6, 7, 10, 14, 21 e23

“Nova Direcção da Liga dos Amigos do Douro a Património Mundial”

Reportagem VivaDouro Páginas 8 e 9 Carrazeda de Ansiães Página 11 São João da Pesqueira Páginas 12, 24 e 25 Penedono Página 15 Destaque Vivadouro Páginas 16, 17 e 18 Vila Nova de Foz Côa Páginas 19 e 22 Alijó | Armamar Página 20 Opinião Páginas 26, 27 e 28 Lazer Página 29

Luís Braga da Cruz Engenheiro Civil

Quando a UNESCO aceitou a inscrição do Alto Douro Vinhateiro (ADV) na Lista do Património Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, foram feitas algumas recomendações às autoridades portuguesas, traduzindo a preocupação de preservar o Valor Universal Excepcional do bem. Foi por isso que o principal promotor da candidatura - o Dr. Miguel Cadilhe - animou a criação de uma figura associativa, sem fins lucrativos, que assumisse esses propósitos cívicos. A “Liga dos Amigos do Douro a Património Mundial” foi essa instituição, cuja criação efetiva ocorreu na data

do 1º. aniversário do reconhecimento do ADV como Património da Humanidade, em Dezembro de 2002. De acordo com os seus estatutos e nestes 15 anos de vida, a Liga tem procurado ser fiel aos seus fins para a salvaguarda, preservação, valorização e projecção dos atributos de património que foram objecto de reconhecimento. Com meios limitados mas de forma continuada, a Liga soube agregar gente que assume o Douro como uma das suas grandes referências. Soube ter uma actuação discreta mas firme, orientada para conhecer e dar a conhecer os valores do Douro. Promoveu inúmeros debates na região sobre boas práticas de estruturação das novas vinhas. Explorou a relação da viti-vinicutura com outras actividades que aportam valor social e económico ao Douro e podem contribuir para o seu desenvolvimento integrado, como o turismo e a cultura. Facilitou o conhecimento de outras realidades com afinidades sociais e culturais, trazendo até nós testemunhos externos de outras regiões vinhateiras e organizando visitas para conhecer essas realidades “in loco”. Porém, considero que do que foi feito, o mais decisivo e convergente com a sua nobre missão terá sido o trabalho desenvolvido com as escolas e os professores da região. A preservação do Dou-

ro e dos seus valores únicos só pode ser plenamente conseguida se soubermos conquistar para esse fim os que vivem no Douro e dos seus recursos e, muito especialmente, os mais novos, visto que serão eles os agentes de maior proximidade e que podem renovar uma ambição, de prolongar no futuro o carácter patrimonial do ADV. Daqui a relevância estratégica do envolvimento dos professores com toda a sua capacidade pedagógica e multidisciplinar. Apesar da sobrecarga de tarefas que recai sobre os profissionais do ensino, é justo reconhecer a sua empenhada adesão a estes programas de sensibilização para a realidade duriense e para os desafios que se colocam a esta região. Têm sido criados concursos para os alunos sobre temáticas do ADV e acabam de ter lugar os primeiros cursos de formação de professores para a Preservação e Valorização do ADV. Mas pode ser feito muito mais. Foi justamente o que o novo Presidente da Liga - o Dr. António Filipe - pessoa profundamente dedicada ao Douro, anunciou como sua grande prioridade: “garantir a criação de condições para que as actuais e as futuras gerações possam continuar a usufruir de uma região extraordinária e única no mundo”. Vale a pena estarmos atentos a este nova ambição da Liga e desejarmos-lhe bom sucesso.


VIVADOURO FEVEREIRO 2018

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Breves EHT Lamego promove formação em “Revenue Management” Vinho do Porto será um bom investimento em 2018 Numa lista de cinco sugestões, de objetos colecionáveis para investir este ano de 2018, o portal de leilões online Catawiki inclui o Vinho do Porto. “O Vinho do Porto é um produto tendencialmente de elevada rentabilidade e risco reduzido, sobretudo quando se tratam de vinhos Vintage, a classificação mais elevada que pode ser atribuída a um vinho do Porto e lhe atribui uma elevada valorização. Na nossa plataforma este produto português é bastante procurado por investidores internacionais”, sublinha o Diretor-geral da Catawiki.

Com uma duração de 12 horas, a formação vai decorrer nos dias 23, 24 e 27 de Fevereiro e terá um cariz marcadamente prático. Esta acção funciona como preparatória para uma outra que irá decorrer em Maio próximo e que irá desenvolver os temas abordados, com uma duração total de 28 horas.

Decanter “Douro” apresentado em Lisboa 260 anos da Região Demarcada do Douro,

FOTO: DR

Criado no âmbito das comemorações dos o novo decanter “Douro” foi desenhado pelo

Prémio Escola na Europa chega a Vila Real e Bragança

arquiteto Álvaro Siza Vieira, desafiado pelo

Criada em 2011 pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, a iniciativa “Prémio Escola na Europa” visa fomentar o interesse, o conhecimento e o debate acerca do funcionamento da União Europeia e das suas instituições, em questões relacionadas com as diferentes regiões do país, centrando-se este ano em Trás-os-Montes e Alto Douro. O concurso visa estudantes do ensino profissional, secundário, e dos 2º e 3º ciclos das escolas dos distritos de Bragança e Vila Real, e tem por prémio uma visita ao Parlamento Europeu em Bruxelas. O prazo para concorrer é até ao final do 2º período letivo.

Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e pela Zwiesel KristallGlass. A apresentação aconteceu no passado dia 1 de fevereiro no espaço Gourmet Experience do El Corte Inglés de Lisboa.

Requalificação urbana avança em Mesão Frio Região Norte é onde se trabalha menos horas Segundo um estudo do portal PORDATA, em 2016, a região onde menos horas se trabalhou em média, em Portugal Continental, foi a Região Norte, com um total de 34 horas. Segundo o mesmo estudo, apenas nas regiões autónomas da Madeira e Açores se trabalhou menos do que no norte com um total de 33,1 e 32,5 horas, respetivamente.

Douro Rock confirma primeiro nome FOTO: DR

O Douro Rock regressa ao Peso da Régua dias 10 e 11 de Agosto para a sua terceira edição. Os Xutos & Pontapés são os primeiros a serem confirmados num festival que privilegia a melhor música portuguesa. O convite, dirigido a Zé Pedro no final da última edição, é assim concretizado após os Xutos & Pontapés terem anunciado a continuidade da banda.

PROVERE para o Douro aprovado O PROVERE para o Douro foi aprovado em reunião da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM-Douro). Os 8,5 Milhões de euros destinados à região serão divididos em três parcelas: 2 Milhões para um projeto transversal a toda a região; 800 mil euros para promoção da região e o restante valor será dividido de forma igual pelos 19 municípios ficando aproximadamente cada um com 300 mil euros.

A Câmara Municipal de Mesão Frio deu início a mais duas obras inseridas no Plano de Regeneração Urbana (PARU), que integram um conjunto total de nove intervenções, cuja primeira e já concluída, é a obra de reabilitação da Rua da Carreira e sua envolvente. Neste momento, estão já em curso as obras de reabilitação do Largo do Cruzeiro, do Largo da Variante, do Largo da Independência e respetivas envolventes. As obras estarão concluídas até 31 de março deste ano.

XXVII Congresso do CDS-PP em Lamego Lamego é a cidade escolhida para acolher o XXVII congresso dos centristas nos dias 10 e 11 de Março, no Pavilhão Multiusos. A escolha da Comissão Organizadora do Congresso foi unânime após análise das diversas candidaturas apresentadas. Até ao conclave serão ainda eleitos os delegados concelhios e regionais, bem como a apresentação de moções a serem votadas na reunião magna.

RIR SEM BILHETE está de regresso em 2018 e já tem nomes confirmados O Festival de humor e comédia do município de Sabrosa tem a 2.ª edição confirmada para este ano e já tem confirmados os nomes que vão subir a cena. O primeiro espetáculo, dia 18 de Maio, terá Carlos Areia em palco com Ana Ferreira, Rosa Bela, Paulo Patrício e Patrícia Candoso para apresentar QUERO IR PRÁ ILHA, a sua mais recente produção. No dia 7 de julho é a vez de Óscar Branco atuar no auditório municipal, trazendo a palco um espetáculo descontraído e bem disposto. O último evento desta edição está agendado para o dia 17 de novembro. Ângel Fragua apresenta STAND DOWN, “um espetáculo para rir, sorrir, ficar sério, até chorar, se for o caso”. Todos os espetáculos têm horário marcado para as 21h15 e acontecerão no auditório municipal de Sabrosa, com entrada livre.


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Vários Concelhos

Parque Natural do Douro com 900 mil euros para restauro e prevenção

“O plano de restauro e prevenção do PNDI prevê um investimento de cerca de 900 mil euros, que serão distribuídos pela prevenção estrutural e vigilância, restauro e con-

servação de habitats prioritários, tais como os azinhais e zimbrais. A contratação de um grupo de sapadores florestais e campanhas de sensibilização para boas práticas silvopastoris serão outras das prioridades”, especificou Célia Ramos à agência Lusa. No que diz respeito às aves que habitualmente habitam o Parque Natural, a secretária de estado afirmou ainda que serão colocados, ao longo de toda a área protegida, vários alimentadores, ideia que “surge na sequência dos incêndios do verão passado e que deixaram marcas na área do parque natural”, estando já a ser experimentada com sucesso em algumas áreas ardidas do Parque Nacional da Peneda – Gerês. “O que se prende com implementação deste projeto é salvaguardar o valor excecional das áreas protegidas, situadas em território nacional, sendo que é possível, através de um plano de proximidade que envolva os municípios e as populações, desenvolver

ações demonstrativas daquilo que se poder fazer em matéria de previsão e risco de incêndio”, sublinhou Célia Ramos. Segundo dados do Governo, inscritos em Diário da Republica, no ano de 2017 foram registadas, na área do PNDI, 15 ignições que afetaram uma área estimada de 400 hectares, da qual cerca de 30% “reunia um elevado valor ambiental”.

O PNDI inclui os troços fronteiriços do rio Douro e Águeda, bem como as superfícies planálticas confinantes pertencentes aos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta (Bragança) e Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda) e que se estende ao longo de mais de 120 quilómetros de extensão. ■ FOTO: DR

Na sequência dos incêndios de ano passado, a secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza anunciou, em finais de Janeiro, um investimento de cerca de 900 mil euros num projeto de restauro e prevenção estrutural no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Reorganização de freguesias CHTMAD regista deve avançar no primeiro aumento de produtividade semestre de 2018 em 2017 A garantia foi deixada pelo Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, no discurso de encerramento do XVI Congresso da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), que aconteceu entre os dias 26 e 28 de janeiro, em Viseu. FOTO: DR

O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) registou, em 2017, um aumento dos seus indicadores de produtividade relativamente ao período homólogo, principalmente no número de consultas e cirurgias realizadas. Em 2017, a melhoria da produtividade assistencial traduziu-se no aumento total do número de consultas, com a realização de

310.050 consultas (mais 3,1 %), sendo que nas primeiras houve um aumento de 3 % e nas subsequentes de 3,2 %. Nas cirurgias programadas também se registam resultados positivos. Durante o ano passado, realizaram-se 15.845 cirurgias (mais 16,1 %), sendo que na cirurgia convencional houve um aumento de 2,1 %, na ambulatória de 25,8 % e na urgente de 3,3 %. No Hospital de Dia, verificou-se também um aumento significativo da produção (22,3 %), incluindo as sessões de radioterapia (22,6 %) e de hemodiálise (2,3 %). Os episódios de urgências foram os únicos a registar uma queda, neste caso de 2,1 %. ■ FOTO: DR

A reorganização de freguesias tem sido uma reclamação das autarquias desde que o anterior governo definiu o atual mapa em 2013, diminuindo o número de freguesias de 4259 para 3092. “Aquilo que iremos fazer é uma lei-quadro que colocará cada coisa no seu plano e que dará a voz aos autarcas. É essa proposta que, neste semestre, apresentaremos na Assembleia da República para que se volte nesta matéria à normalidade democrática, isto é regras estáveis que definam como é que organizamos o território”, afirmou Eduardo Cabrita, acrescentando que “a questão decisiva não é mais freguesias ou menos freguesias, a questão decisiva é para que é que queremos as freguesias, para que poderes, para que competências, para que relação com as populações. É da resposta a esta questão que decorrerá em cada concelho o modelo mais adequado de organização territorial”. O governante garantiu ainda que esta alteração deverá acontecer “até ao fim da atual sessão legislativa”, em junho. Para Pedro Cegonho, presidente da ANAFRE reeleito no congresso, a lei-quadro agora anunciada é positiva afirmando que o processo passa por “devolver às autarquias locais e populações a decisão quanto à reorganização administrativa do seu território, permitindo a reposição das freguesias extintas contra a sua vontade”, no entanto, o dirigente avisa que o processo deve ter “em conta o novo quadro de competências que possa surgir de um processo de descentralização”. ■


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Vários Concelhos

Modernização da Linha do Douro custará 46,6 milhões

22 Milhões de euros para a Associação Douro Histórico em 2017

A modernização da Linha do Douro, no troço entre Marco de Canaveses e Peso da Régua, cujos estudos estão neste momento em andamento, terá um custo de cerca de 46,6 Milhões de euros.

No total foram cerca de 440 candidaturas a fundos comunitários que totalizaram um investimento de cerca de 22 milhões de euros na área abrangida pela Associação Douro Histórico/Grupo de Ação Local (ADH/GAL).

FOTO: DR

Com algumas candidaturas ainda em curso, a ADH/GAL congratula-se com estes valores, em especial no que diz respeito ao desenvolvimento do empreendedorismo da região e no próprio mundo rural, este último o principal destinatário das várias medidas do PDR 2020. As candidaturas visaram diferentes objetivos: Pequenos Investimentos nas Explorações Agrícolas, Transformação e Comercialização de Produtos Agrícolas, Diversificação de Atividades na Exploração Agrícola e Criação, Expansão e Modernização de Microempresas e Contratação de Postos de Trabalho. Para a Associação este é um sinal do dinamismo da região e da aposta no espaço rural por parte dos empreendedores locais

que assim valorizam o território, fazendo crescer a economia da região e a empregabilidade, fatores considerados essenciais no combate à desertificação a que muitas vezes o interior está sujeito. A ADH/GAL tem sede em Sabrosa, e foi criada em 1991 tendo como objetivo promover o desenvolvimento integral e integrado das populações abrangidas na sua área de intervenção, mais concretamente nos concelhos de Alijó, Mesão Frio, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e Vila Real. ■ FOTO: DR

Num comunicado enviado às redações no final de Janeiro, a Infraestruturas de Portugal (IP) informa ainda que o processo tem sido acompanhado pelos autarcas dos municípios abrangidos por esta modernização, mais concretamente Marco de Canaveses, Baião, Mesão Frio e Peso da Régua. No documento a IP explica ainda que o objetivo desta intervenção é a renovação inte-

gral da via, a sua eletrificação e a instalação de sistemas de sinalização eletrónica e de telecomunicações. Vai também proceder-se, nos túneis, ao rebaixamento da plataforma para eletrificação e reabilitação pontual. Os trabalhos apontam também para a uniformização dos comprimentos e alturas das plataformas das estações e apeadeiros. A ser preparada por uma equipa técnica, esta obra pretende “garantir a melhoria da qualidade e segurança do serviço ferroviário ao dispor das populações servidas pela Linha do Douro”. Esta intervenção irá complementar a que está a ser realizada, também na Linha do Douro, entre as estações de Caíde (Lousada) e Marco de Canaveses, com a eletrificação daquele troço. Quando essa fase estiver concluída, os comboios urbanos do Porto poderão seguir até à estação ferroviária de Marco de Canaveses. ■

Novo comboio do Tua inicia testes a 19 de fevereiro

O regresso do comboio chegou a ser anunciado para o verão de 2017 e o operador turístico, Mário Ferreira, a quem foi subconcessionada a operação, chegou a apresentar publicamente os barcos e os comboios com que promete criar uma nova dinâmica no Tua, depois de um investimento de 15 milhões de euros, dez dos quais disponibilizados pela EDP.

O processo tem sido longo e envolve várias entidades, desde a Infraestruturas de Portugal (IP), dona da linha desativada, ao Governo e a agência criada também como contrapartida para dinamizar projetos de desenvolvimento e gerir as verbas que a EDP disponibilizará durante os 75 anos de concessão da barragem. “Há avanços no processo que há meses tem todo o equipamento pronto”, mas parado a aguardar pelos passos que “começam a ser dados embora ainda falte o acordo final entre organismos estatais”, afirmou Fernando Barros, presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua em declarações à agência Lusa no final de uma reunião com as várias entidades, que decorreu no início deste mês, na secretaria de Estado das Infraestruturas. Referindo-se aos primeiros ensaios agendados já para o dia 19 deste mês, Fernando Barros afirmou ainda que este “é um dado

muito importante porque vai permitir-nos afinar e tirar todas as dúvidas para que esse equipamento seja considerado como adaptado àquelas condições e homologado”. Na mesma reunião ficaram também acertadas “todo o tipo de intervenções que ainda faltam fazer para que esse equipamento

passe a funcionar num plano de mobilidade normal”, afirmou o Presidente da Agência, indicando que a IP vai elaborar um caderno de encargos dos trabalhos ainda necessários, como a retirada de blocos que ameaçam queda nas encostas do Tua e prevenção de deslizamentos. ■ FOTO: DR

O novo Plano de Mobilidade foi a principal contrapartida imposta à EDP pela construção da barragem de Foz Tua, no entanto até agora poucos têm sido os desenvolvimentos conseguidos, apesar da barragem estar já concluída.


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Reportagem VivaDouro

GNR em ações de sensibilização sobre incêndios, burlas e frio

Porta a porta ou em formato palestra, os militares têm-se multiplicado por iniciativas na tentativa de elucidar todos os proprietários de terrenos sobre as suas obrigações. Na freguesia de Fontes, Santa Marta de Penaguião, os militares da GNR do destacamento de Peso da Régua reuniram-se com pouco mais de uma dezena de proprietários, na sede da Junta de Freguesia local. “O nosso objetivo é alertar a população quanto à obrigatoriedade da gestão de combustíveis junto às habitações. Essa

FOTO: DR

A Guarda Nacional Republicana (GNR) tem levado a cabo, pela região do Douro, diversas ações de sensibilização alertando para as alterações à lei sobre a limpeza de terrenos e o risco de incêndio, burlas com faturas da EDP e ainda sobre medidas a tomar em dias de frio extremo como se têm sentido neste início de ano.

gestão deve ser feita até 15 de março, daí estarmos desde já a realizar estas ações”, afirmou o cabo Emanuel Rodrigues no final da sessão durante a qual FOTO: DR

se explica aos presentes “que se deve ter em conta na queima de sobrantes da atividade agrícola e utilização de maquinaria agrícola em determinadas épocas do ano”. Ainda no decorrer da apresentação os militares explicam “quais as diferenças entre os diferentes níveis de alerta e ao que cada um deles obriga”. A acompanhar a iniciativa esteve também Artur Cardoso, Comandante Operacional Municipal da Proteção Civil, que salientou a importância deste tipo de iniciativas “tendo em conta as alterações legislativas, os acontecimentos do último verão e o desconhecimento das populações sobre o que podem ou não fazer e como o fazer”. Artur Cardoso referiu ainda a importância da forte adesão que este tipo de iniciativas apresenta, “é muito importante porque sabemos que a quantas mais pessoas chegarmos, mais irá diminuir o risco de incêndios”. Limpeza dos terrenos é a primeira prevenção contra incêndios

O Comandante Municipal, sublinhando a importância do tema para o concelho, informou ainda que a Câmara Municipal fez um “levantamento exaustivo dos terrenos que devem ser limpos e das situações mais preocupantes para ir ao local falar com os proprietários explicando-lhe o que deve ser limpo e como”. Para Duarte Conceição, um dos participantes na iniciativa, estas ações de sensibilização são muito importantes até porque “nem toda a gente sabe o que deve fazer ou que não pode fazer”. Proprietário de alguns terrenos, Duarte Conceição confessa ainda que os acontecimentos do último verão o fizeram estar mais atento à temática este ano, “percebemos que as desgraças podem acontecer e iniciativas destas podiam ter sido úteis no ano passado, são importantes porque podem ajudar a elucidar as pessoas e torná-las mais atentas”. A ideia de uma maior atenção das populações ao tema, em consequência do sucedido no verão de 2017 é reiterada também pelo cabo da GNR que nota as populações mais atentas e preocupadas, já Artur


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Reportagem VivaDouro FOTO: DR

Cardoso, Comandante da Proteção Civil Municipal fala numa alteração de comportamentos das pessoas, “estão muito mais sensibilizadas, mesmo para fazer queimadas, agora vêm sempre perguntar e procuram ajuda para perceber o que podem ou não fazer e como”.

Burlas com faturas da EDP visam os mais idosos Muitas vezes vivem sozinhos e em locais isolados, são um alvo fácil para todo o tipo de burlões, em especial os que utilizam, de fachada, empresas de reconhecido estatuto e idoneidade. É o que acontece com as faturas da EDP, em especial no início do ano, burlões correm as aldeias mais isoladas apresentando faturas de “acertos” que têm que ser pagas em numerário naquele momento sob pena do fornecimento de luz ser cortado. Conhecedora desse facto, e em colaboração com a empresa de eletricidade, a GNR colocou os seus militares no terreno para, junto das populações, as alertar para estas situações evitando que passem por algum dissabor. “A intenção desta iniciativa da GNR com a EDP é de alertar a população para a não existência de cobrança porta a porta feita por esta empresa, as faturas apenas são cobradas por via eletrónica”, afirma o Tenente Ricardo Portal do destacamento territorial de Peso da Régua durante uma ação na freguesia de Sever, Santa Marta de Penaguião.

Maria da Luz Martins é uma das habitantes da aldeia com quem os militares vão falar, aos 84 anos vive com as duas filhas mas durante o dia está sozinha em casa, tem sempre o portão fechado bem como a porta de casa e é através da janela que vê quem lhe toca à campainha. “Às vezes nem uma pessoa passa aqui, por isso quando a GNR aqui vem é sempre bom, sentimo-nos mais seguros e tam-

FOTO: DR

Novos elementos para prevenção e combate a incêndios O Governo anunciou a contratação de 1000 novos elementos para o reforço da prevenção e do combate aos incêndios florestais: 600 para a Guarda Nacional Republicana, 200 para as Forças Armadas e ainda 200 guardas florestais. A autorização de contratação destes novos elementos foi decidida em Conselho de Ministros e foi apresentada, em conferência de imprensa à comunicação social pelo ministro-adjunto Pedro Siza Vieira. “Para o reforço dos efetivos que serão agora afetos aos GIPS e ao SEPNA foi decidido o recrutamento externo de 600 militares para GNR” anunciou o governante informando ainda “a contratação de 200 efetivos para as Forças Armadas em regime de voluntariado e em regime de contrato”. Dos elementos contratados para a GNR, 500 serão integrados no Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS), enquanto os restantes 100 irão para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA). Na conferência de imprensa, o ministro sublinhou igualmente que, no âmbito do reforço dos equipamentos, o Conselho de Ministros decidiu a autorização de despesa “para reforço das capacidades do SIRESP” (Sistema Integrado de Redes

de Emergência e Segurança de Portugal) e a aquisição de fardamentos e equipamentos de proteção individual para os agentes envolvidos, bem como compra de veículos de transporte e combate aos fogos. Segundo o ministro, foi ainda autorizada a realização de despesa para a aquisição de equipamentos para a engenharia militar e o reforço do sistema da vigilância aérea da Força Aérea Portuguesa (FAP).

bém nos chamam à atenção para estes casos para não sermos enganados”, afirma a idosa confirmando que “felizmente” nunca lhe aconteceu nada do género. A ligação entre a população e os militares da GNR fica evidente nas conversas que têm, é uma política de proximidade que o Cabo Nogueira afirma ser essencial no bem-estar daqueles que guarda. “Em caso de necessidade as pessoas têm o nosso contacto direto e isso é importante porque se sentem mais próximas de nós, mais seguras”. Na região abrangida pelo comando territorial de Peso da Régua existem cerca de 800 idosos referenciados, no entanto o Cabo afirma que sem uma ajuda mais efetiva em especial das Juntas de Freguesia, muitas outras estarão por identificar, “atualizamos anualmente a nossa listagem mas só se fizéssemos uma ação porta-a-porta é que teríamos um número mais próximo do real”. Aproveitando esta ação de sensibilização numa das semanas mais frias do ano até ao momento, os militares aproveitam ainda a oportunidade para alertar as pessoas em especial para o uso de lareiras e braseiros que se podem revelar fatais quando mal utilizados. “Ao longo desta semana vamos também alertar as pessoas para o frio extremo que se faz sentir e os cuidados que devem ter para evitar acidentes graves”. ■


10 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Vários Concelhos

Alteração na selagem do Vinho do Porto satisfaz setor

Em declarações à comunicação social a Diretora Executiva da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP), Isabel Marrana explicou que a medida hoje aprovada pelo Governo “ratifica a decisão em 2017 do Conselho Interprofissional do Instituto do Vinho do Porto (IVDP)”. O decreto-lei que veio trazer esta alteração foi aprovado já este ano numa reunião do Conselho de Ministros (CM) e torna facultativo o procedimento de selagem das garrafas de vinho com denominação de origem “Porto” por aposição de selo no gargalo, sendo retirada a “exigência especial quanto à forma de colocação do selo de garantia, podendo os engarrafadores optar

por outras formas de selagem”, indica comunicado do CM. “Trata-se de algo que o setor entende como positivo e que anula a disparidade entre Porto e Douro”, observou Isabel Marrana, explicando que, até hoje, a certificação que o Instituto do Vinho do Porto e Douro faz ao Vinho do Porto só podia ser “visualizada num selo de bandolete, colocado sobre a rolha da garrafa”. Em contraponto, “no Douro, o IVDP já tinha uma modalidade facultativa, onde essa certificação podia ser exibida ou sobre essa bandolete ou em contrarrótulo, ou num dístico autónomo ao lado do contrarrótulo”, acrescentou, defendendo “não haver razão nenhuma para que no Porto não houvesse um regime similar ao vinho do Douro”. “Este sentimento foi transmitido pelo comércio e pela produção ao IVDP, que concordou e o aprovou em Conselho Interprofissional, seguindo depois os seus trâmites”, elencou a responsável, garantindo que a novidade estética “não provocará nenhuma alteração ao nível do preço das garrafas”. O VivaDouro tentou ainda obter uma reação a esta alteração por parte do IVDP, no entanto até ao encerramento da nossa edição em papel não foi possível obter essa resposta. ■

Foto DR

A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) considerou “positiva” a decisão de tornar facultativa a selagem das garrafas com selo no gargalo, uma vez que “anula a disparidade entre Porto e Douro”.

Teatro de Vila Real é “grande âncora” das artes no Interior Norte

“Julgo que o teatro é indiscutivelmente a grande âncora na área das artes em todo o Interior Norte do país”, afirmou o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, em conferência de imprensa de balanço sobre a atividade desenvolvida pelo Teatro Municipal em 2017. O autarca fez um balanço positivo e realçou que, no ano passado, esta infraestrutura acolheu cerca de 280 eventos, 200 dos quais da programação própria, regis-

tando 245 mil visitantes, 48 mil espetadores e uma taxa de ocupação de 75%. Foram realizadas 23 peças de teatro, 15 exposições, 30 sessões de cinema e 60 concertos de música. A vereadora do pelouro da Cultura, Eugénia Almeida, destacou a relação com a comunidade, com a realização de espetáculos com o envolvimento de populares, e ainda a aposta no serviço educativo. “No último ano demos um passo de gigante na área do serviço educativo, quase quadruplicando o número de ações ligadas ao público jovem”, sustentou Rui Santos. Em 2017, passaram pelo palco transmontano nomes em destaque nas artes nacionais como Salvador Sobral, Luísa Sobral, Camané, The Gift, Capitão Fausto, Miguel Araújo e Maria João, entre outros. E, em 2018, o teatro vai, segundo o diretor Rui Araújo, seguir a mesma “matriz de programação” e “consolidar a qualidade da programação”. Nos primeiros meses do ano, vão passar por Vila Real artistas como Rui Veloso, Gisela João e realiza-se ainda a terceira

edição do festival de inverno Boreal, que se constitui como um “ponto de encontro de músicos emergentes e novos projetos de artistas reconhecidos”. O trimestre termina com o arranque do Festival de Teatro Vinte e Sete, a 27 de março, e o espetáculo a “A grande vaga de

frio”, sobre “Orlando”, de Virgínia Woolf, com Emília Silvestre. Este ano serão ainda preparados mais dois espetáculos originais inspirados na cultura transmontana, que se inserem no projeto “Algures a Nordeste”, promovido pelos teatros de Bragança e Vila Real. ■ Foto DR

O Teatro de Vila Real acolheu 280 eventos em 2017, contabilizando 245 mil visitantes e 48 mil espetadores, números que consolidam a infraestrutura como a “grande âncora das artes” no Interior Norte, disse o presidente da autarquia na apresentação dos resultados do espaço no ano de 2017.


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 11

Carrazeda de Ansiães

Animais de companhia adotados por escolas

O projeto centra-se no território dos cincos municípios da Terra Quente Transmontana, nomeadamente Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor, que são também os concelhos servidos pelo canil intermunicipal onde são recolhidos e podem ser adotados animais abandonados. O primeiro agrupamento de escolas a aderir ao projeto “Mascote Escolar” foi o de Carrazeda de Ansiães que adotou o “Ushi”, um cão que fará agora parte do dia-a-dia das crianças, seguindo-se uma ação de sensibilização de toda a comunidade escolar. Segundo o comunicado da Associação de Municípios, este projeto tem entre os seus objetivos o envolvimento e a sensibilização

da comunidade escolar e da sociedade para com os animais de companhia, fomentando uma relação de bem-estar benéfica para os estudantes com melhorias ao nível afetivo e social”, ao mesmo tempo que se pretende contribuir para “o aumento da adoção de animais alojados no Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia (canil), transmitindo uma imagem melhorada desta instituição de acolhimento e integração de animais, muitas vezes conotada negativamente”. Os animais adotados pelos agrupamentos são previamente selecionados tendo em conta o seu nível de comportamento e o seu estado de saúde (devem estar vacinados, desparasitados e esterilizados), sendo que os cuidados médico-veterinários são assegurados pela Associação enquanto os cuidados com a alimentação, higiene e bem-estar dos animais são da responsabilidade dos respetivos agrupamentos escolares. Esta ação de sensibilização junto dos mais novos não é inédita na região, ainda recentemente os jovens foram desafiados a rebatizar e criar uma nova imagem para o canil intermunicipal.

O projeto irá continuar com entregas de mascotes nos restantes agrupamentos estando prevista ainda a adoção de um gato por um jardim-de-infância.

Após a avaliação dos resultados desta primeira fase os promotores irão avaliar o alargamento da iniciativa a outras instituições. ■ FOTO: DR

As escolas da Terra Quente Transmontana passarão a contar com cães e gatos adotados, uma iniciativa da associação de municípios desta zona do distrito de Bragança.

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12 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

São João da Pesqueira

Violência no namoro leva Jimmy P à Pesqueira

Após a apresentação inicial feita pelo Presidente da autarquia, Manuel Cordeiro, pelo Coordenador do CLDS 3G de S. João da Pesqueira, Eduardo Pinto, e pelo Presidente da CPCJ local, o padre Amadeu Castro, coube a este último a tarefa de conduzir uma breve conversa sobre o tema com a parental coach Ângela Coelho. Durante a conversa discutiu-se a forma de manter uma relação saudável na adolescência com a orientadora a lançar a ideia de que o mais importante é o amor próprio, só assim se consegue evitar que outros nos façam mal. No final da sessão, Ângela Coelho falou com o VivaDouro onde reiterou a sua ideia, “o nosso melhor amigo somos nós próprios, se nos valorizarmos seremos mais fortes para evitar este tipo de situações”. Sobre a organização e discussão destes temas a orientadora não tem dúvidas, “estas iniciativas são importantes até para banalizar esta discussão, não no mau sentido mas no sentido de, tornando-a banal pode ser mais fácil que os jovens falem para que tenhamos conhecimento dos casos que acontecem e poder intervir”. Já Eduardo Pinto, também em declarações

ao nosso jornal, afirmou que esta é uma temática que tem tido muita atenção no concelho e em especial por parte da CLDS, “o CLDS tem um plano de ação específico para combater este tipo de situações e aqui na pesqueira fica fácil porque as diferentes entidades se envolvem nestas causas”. Após a discussão inicial o músico Jimmy P subiu ao palco para apresentar o seu livro “amar-te e respeitar-te”. O livro compreende três histórias ficcionadas sobre casos de violência no namoro, contadas para apresentar três realidades distintas: a realidade percecionada pela vítima masculina, com a história “Os homens não choram!”, a realidade percecionada pela vítima feminina, com o caso “Quanto mais me bates…”, e a realidade de uma relação de namoro vivida (não só, mas também) no mundo virtual, com a história “Todos os dias da nossa vida real e virtual!”. Para o músico, a participação neste tipo de projetos é uma forma de estar na música, “se eu tenho muitos olhos postos em mim e se posso usar a minha notoriedade para influenciar positivamente as pessoas em prol de uma causa nobre, como esta, então não vejo porque não o fazer. Acima de tudo é uma opção, eu escolhi participar nestes projetos porque acredito que posso fazer alguma diferença perante estes miúdos que ainda estão em formação”. Entre a plateia estavam estudantes do concelho, Rita Calçarão foi uma dessas estudantes que assistiu à iniciativa prestando bastante atenção até porque já teve uma amiga que passou por uma situação semelhante, “uma amiga próxima já passou por isso, tentei avisar e ajudar mas não consegui, talvez porque a pessoa não queria a minha ajuda da forma que eu queria ajudar”.

FOTO: CA

Centenas de crianças estiveram presentes no Cineteatro João Costa, em São João da Pesqueira, para ouvirem falar de violência no namoro, um tema ao qual o músico Jimmy P se associou com um livro intitulado, “Amar-te e respeitar-te”.

Outras três estudantes entre os 12 e os 13 anos afirmam nunca ter tido conhecimento de uma situação destas, no entanto Joana Rebelo, Joana Jesus e Letícia Loulé afirmam que este tipo de iniciativas são importantes para que possam “aprender como ajudar e perceber os sinais de violência”. Durante a apresentação Jimmy P cantou três músicas, uma para cada história e existiu ainda uma pequena peça de teatro encenada pelos atores Tiago Abelha e Matilde Martins, para quem, a sociedade em que vivemos abre caminho a estas situações, “cada vez mais vivemos num mundo que se reflete nas redes sociais e expomos o nosso mundo permitindo que as pessoas abusem de nós. Basicamente damos o produto ao nosso abusador à vontade”, afirma a atriz. Também Tiago partilha da mesma opinião, no entanto o facto de uma das histórias ser sobre um homem vítima de

FOTO: CA

FOTO: CA

> Manuel Cordeiro, Amadeu Castro e Eduardo Pinto

abusos, desperta mais as mentalidades, “é importante ter aqui uma vitima homem porque ainda existe muito a ideia de que o homem não chora e isso pode levar a um sofrimento maior até porque nos custa admitir que somos alvos de algum tipo de abuso”. No final da sessão o padre Amadeu mostrava-se satisfeito e afirmava que é importante debater estes temas com os mais jovens, “acima de tudo é importante prevenir, daí termos encontrado esta forma para chegar aos mais jovens, através da música e do teatro”. “Não podemos esconder as coisas, seja a um adulto ou a uma criança. Se temos no nosso concelho um número baixo destes casos é muito fruto do trabalho que as diferentes entidades desenvolvem. No caso da violência doméstica a situação é diferente e aí já falamos de números mais preocupantes”, afirmou ainda o pároco e presidente da CPCJ local. ■

> Jimmy P, Matilde Martins e Tiago Abelha


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14 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Vários Concelhos

Projeto Aldeias Humanitar aposta na melhoria dos cuidados de saúde no Douro Sul

> Domingos Nascimento

Já Carlos Esteves Carvalho não acredita que tal possa acontecer por fatores com maior relevância como a demografia, por exemplo. Este projeto será sempre uma mais valia na valorização dos cuidados de saúde primários, no “cuidar” em proximidade aos cidadãos, através de uma verdadeira humanização do serviço domiciliário. Agora, no que à desertificação diz respeito (para mim existe despovoamento e não desertificação), não conside-

ro que este projeto venha a ter resultados na dita desertificação. Existem duas razões para tal: a questão demográfica (difícil de contrariar) e a dificuldade de fixação de pessoas (ausência de iniciativa privada e consequentemente empregabilidade). Esta só será ultrapassada com políticas e estratégias radicais, de choque que assumam uma verdadeira vontade de alterar o ponto de situação a que chegaram os territórios ditos do interior”. ■ FOTO: DR

FOTO: DR

Nascida no seio da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), englobando os concelhos de Sernancelhe, Penedono e S. João da Pesqueira esta ECCI vê neste projeto a forma ideal de dar resposta a uma população demograficamente mais idosa, “aproveitando os recursos existentes, fomentando o trabalho em parceria”, como afirma Domingos Nascimento, diretor do projeto Aldeias Humanitar, que se mostra ainda bastante satisfeito com a implementação do projeto “é uma data importantíssima para a saúde do Douro Sul, na medida em que o Serviço Nacional de Saúde – Cuidados de Saúde Primários e estruturas da comunidade dão as mãos para dar às pessoas da região mais e melhores cuidados de saúde”. O Projeto Aldeias Humanitar é parceiro estratégico neste processo de criação desta ECCI, cujo objetivo é prestar cuidados de saúde e sociais na casa dos cidadãos! Para Domingos Nascimento, “o projeto Aldeias Humanitar tem como vetores centrais a Proximidade, Integração, e Humanização”. O trabalho desenvolvido “não passa por criar equipas de intervenção mas sim por utilizar os recursos que existem no terreno.

Existem inúmeras associações que prestam apoio de saúde ao domicílio, aquilo que pretendemos fazer é colocar todas essas associações a trabalhar em rede, para tirar maior proveito do seu trabalho, estando mais próximas e disponíveis daqueles que precisam de cuidados”. Os dois primeiros concelhos a se associarem a este projeto foram Sernancelhe e Penedono. Para Carlos Esteves de Carvalho, autarca de Penedono, este projeto tem um papel importante em especial para quem precisa dos cuidados ao domicílio, “a mais valia real que este projeto assume é a oferta da prestação de cuidados no domicílio, no espaço físico familiar e comunitário do cidadão, olhando-o de forma holística. Digamos que os cuidados passarão a ser mais humanizados, procurando-se que envolvam toda a comunidade, sempre numa relação de proximidade”, a mesma ideia é partilhada pelo autarca de Sernancelhe, Carlos Silva, que acredita que “esta é uma forma da autarquia responder às necessidades da sua população, apoiando projetos desta abrangência”. O apoio destes municípios ao projeto “tem sido inexcedível”, afirma Domingos Nascimento, apoio esse que “tem sido dado desde o início do projeto”, afirma Carlos Esteves de Carvalho que não só apoiou financeiramente como incentivando “ao envolvimento das instituições concelhias (IPSS’s, Juntas de Freguesia, Serviços de Saúde e outras)”. “Se a pessoa pode ter todos os cuidados prestados no seu lar, não há necessidade de a deslocar para um hospital ou instituição”, refere o diretor do projeto, Domingos Nascimento. Carlos Silva comunga do mesmo sentimento, no entanto ressalva que “este não será um fator primordial nesse combate”.

FOTO: DR

Apresentado formalmente em janeiro deste ano, o projeto Aldeias Humanitar, criado pela Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) entre Douro e Távora, pretende melhorar a assistência às populações mais idosas e carenciadas.

FOTO: DR

> Carlos Esteves de Carvalho

> Carlos Silva


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 15

João Ferreira: “É necessária uma união de esforços para exportar mais e melhor”

Qual a importância deste evento para a Coopenela e os seus associados? Este evento vem ao encontro daquilo que a Coopenela representa e que tem sido o seu trabalho ao longo destes 20 anos, no fundo é a ideia de que nós sozinhos pouco fazemos, se nos unirmos num âmbito mais corporativo podemos chegar mais longe. Estes eventos são importantes na prespetiva em que são um momento em que podemos debater ideias e apresentar projetos, em especial com os nossos associados. Sente uma preocupação do produtor em acompanhar a evolução do setor participando neste tipo de eventos? Sim, o produtor sente essa necessidade. Claro que a maioria dos produtores da nossa região são de idade avançada e para que participem

nestes eventos é necessário estarem muito motivados, o que nem sempre acontece. Aí entra também o nosso papel de lhes transmitir o que vai acontecendo no setor para que estejam atualizados. Deste evento que ideias saíram que considera serem aplicáveis num futuro próximo nos frutos secos? Bem, nestes encontros temos sempre várias ideias muito interessantes. Este evento em concreto teve um cariz mais técnico e essa não é a minha especialidade, no entanto debateram-se questões interessantes no âmbito do combate fitossanitário das árvores, etc. Nós, na castanha temos já formas muito eficazes de combate a determinadas doenças do castanheiro, que muitas vezes os produtores desconhecem mas que diariamente lhes tentamos dar conhecimento, bem como participando em eventos deste género. Depois há também as questões ligadas ao mercado que são debatidas nestas ocasiões, novos mercados a explorar, como chegar lá, portanto, questões sempre bastante pertinentes. Tudo isto é possível trabalhando em cooperação como fazemos no Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, podendo assim apresentar um produto de excelência, reconhecido lá fora e que traz maiores margens de ganho financeiro para os nossos produtores. Este é o caminho que temos de seguir e não a comercialização que traz um retorno imediato mas baixo, comparativamente. No caso da castanha, por exemplo, nós conseguíamos, caso quiséssemos exportar 100% da nossa produção, ou mesmo 3 ou 4 vezes mais, no entanto apenas exportamos 80% porque também nos queremos manter no mercado nacional. Esta procura é uma van-

tagem para nós porque o mercado quer o nosso fruto e o retorno financeiro que conseguimos obter é substancial. Tendo em conta a idade avançada da maioria dos produtores, como vê o futuro do setor? Essa questão é bastante pertinente e que discutimos várias vezes sem uma resposta concreta. No caso da Coopenela, e pelo facto também de a castanha ser um produto altamente valorizado, já começam a aparecer alguns jovens produtores e isso para nós é muito importante até porque nos trazem ideias diferentes. Obviamente que este sangue fresco é necessário, ainda por cima hoje em dia com a internet e todas as ferramentas disponíveis, os jovens estão mais disponíveis para essas inovações. A proximidade do Douro pode ajudar na promoção dos frutos secos? Sim, claro que sim, em especial a amêndoa. A castanha já está mais nas montanhas, já é diferente. Neste evento também se debateu esse tema e o CNCFS está a fazer um trabalho exemplar nesse sentido criando algumas marcas sob uma marca guarda-chuva para que essa promoção seja mais eficiente. Qual é o caminho que deve ser seguido? Caminhos há muitos, o mais importante já foi feito, a castanha abriu as portas aos frutos secos nacionais pela sua qualidade, por isso agora é necessário que os esforços se congreguem para que consigamos levar os restantes frutos secos lá para fora de uma forma sustentada, sempre apostando na qualidade. Mas repito, o importante é estarmos juntos neste esforço, senão não vamos conseguir lá chegar.

> João Ferreira, Presidente da Coopenela

tanto 15 mil toneladas circulavam o mercado paralelo, isto é um peso muito grande. Olhando à seca que se viveu este ano, que soluções poderiam ser encontradas? Essa é outra questão que leva a longos debates. No meu entender deve ser feita uma melhor gestão dos recursos hídricos, concretamente apostando em mini albufeiras. Na zona onde está a Coopenela existe bastante água mas se estivesse espalhada por mini albufeiras o acesso seria muito mais fácil e democrático. A rega é uma solução? Sim, claro que sim. O castanheiro é uma árvore que não quer muita água, em especial na raiz mas precisa sempre e em longos períodos como o que temos vivido a rega é uma solução que existe e que deve ser utilizada. ■ FOTO: DR

FOTO: DR

E quais os principais concorrentes? Olhando à qualidade do nosso produto considero que não temos concorrente. Os nossos principais obstáculos estão cá dentro, primeiro pela idade dos nossos produtores que é um travão a um crescimento tecnológico mais rápido, e depois porque muitas das nossas produções são de pequena dimensão e isso dificulta muito o trabalho. Depois, não nos podemos esquecer do mercado paralelo, facilitado pela falta de condições das autoridades em fiscalizar. É muito fácil transportar frutos secos e essa economia tem sido um forte travão a um crescimento mais acentuado. Para ter uma ideia posso dar-lhe números, há 6, 7 anos nós produzíamos 40 mil toneladas mas os números oficiais apontavam para apenas 25 mil, por-

FOTO: DR

O Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos (CNCFS), em parceria com a Coopenela, organizou, no passado dia 12 de fevereiro, um Open Day no âmbito do projeto Portugal Nuts, aproveitando o evento, o VivaDouro falou em exclusivo com João Ferreira, presidente da Coopenela sobre o evento, a sua importância para a cooperativa e ainda o presente e o futuro deste setor em Portugal.

Penedono


16 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Destaque VivaDouro

Serviço de saúde

A denúncia partiu do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), no Serviço Nacional de Saúde há doentes que esperam mais de mil Texto e Fotos: Carlos Almeida

afirmando que que estes casos extremos (os atrasos nas consultas) são de menor dimensão, o dirigente do SIM mostrou-se indignado com a afirmação. “Afirmar que estes caso são uma exceção é totalmente falso. E isso é fácil demonstrar pelos dados que nós disponibilizamos e que são públicos. Infelizmente esta postura do senhor ministro é normal, negar a existência de problemas e insistir na ideia de que está tudo bem. Isto é falso, as coisas estão mal, muito mal”. As maiores demoras, com tempos médios de espera acima dos 1000 dias, verificam-se em unidades do interior norte, mas também do centro Litoral. Urologia no Hospital S. Pedro, em Vila Real, chega a ter um tempo de espera de 1600 dias (mais de quatro anos). Para uma consulta de Oftalmologia no Hospital de Chaves pode ter de esperar 1038 dias. Há ainda casos em que uma consulta classificada como muito prioritária (o prazo recomendado neste casos é de 30 dias) pode demorar mais tempo (810 dias) do que uma consulta apenas prioritária (786) dias. De acordo com uma nota divulgada pelo Sindicato Independente dos Médicos, mais de 70% dos hospitais não cumprem os tempos de resposta máximos para a oftalmologia, situação semelhante passa-se na ortopedia, na reumatologia ou na neurocirurgia. “A grande maioria dos hospitais do

SNS debate-se com enormes problemas no cumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos para primeira consulta hospitalar, sendo várias as especialidades em que mais de metade dos hospitais apresenta um tempo médio de resposta superior ao máximo legalmente estabelecido”, refere o Sindicato. Para Hugo Cadavez, a interioridade tem aqui também um peso substancial até porque “aumenta a dificuldade em atrair e fixar médicos nestas regiões”, reiterando que não é apenas uma questão de salário mas também das condições que lhe são disponibilizadas, “um jovem médico que vá para o interior não tem acesso aos melhores equipamentos, sentindo-se muitas vezes limitado na prestação dos cuidados de saúde que pode prestar, daí a opção por ficar no litoral ou ir para o privado”. A abertura de dois hospitais privados em Vila Real “pode agravar as condições no SNS porque os salários e as condições são muito melhores nos hospitais privados”. Indignados com a situação que se vive no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Drouro (CHTMAD), os deputados do PSD na Assembleia da República questionaram o ministro

sobre as soluções que este teria para resolver a situação. Luis Ramos, falou ao VivaDouro, para o deputado social democrata, “a situação do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro é grave, inadmissível e preocupante. Os tempos de espera para as consultas externas em especialidades como a urologia (mais de 4 anos), a oftalmologia (quase 3 anos), reumatologia (2 anos e meio) ou a cirurgia vascular (mais de 2 anos) não são próprios de um país europeu e muito menos compatíveis com a narrativa que ouvimos ao longo dos últimos meses sobre a contratação de novos médicos e a melhoria das condições de funcionamento dos hospitais que integram este Centro. As populações de Trás-os-Montes e Alto Douro foram iludidas, enganadas e desrespeitadas num dos seus direitos fundamentais, o direito a um serviço de saúde de qualidade, isto é com a capacidade de responder adequadamente e atempadamente às necessidades e expectativas das pessoas”. No entender do deputado as responsabilidades estão bem identificadas. “A responsabilidade de toda esta si-

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De acordo com um levantamento feito pelo SIM, há especialidades nas quais mais de metade dos hospitais têm um tempo de espera superior ao prazo máximo definido por lei para uma consulta normal que é de 120 dias. Para o sindicato, os números dão força a uma reivindicação antiga dos médicos que pedem a redução dos horários de urgência. Segundo o SIM, os atrasos nas consultas de especialidade são uma consequência de cerca de metade do horário normal de trabalho, 18 em 40 horas, estar dedicado ao serviço das urgências. Hugo Cadavez, médico e Secretário Regional do Norte do SIM, entrevistado pelo VivaDouro afirmou que “hoje, um médico, num horário de 40 horas semanais passa 18 no serviço de urgência, ficando o restante tempo para consultas, cirurgias, apoio aos doentes hospitalizados e ainda formação”, uma situação que, para o médico, é insustentável. O dirigente sindical identifica ainda outras questões mas destaca “a falta de atratibilidade do setor público face ao privado e face ao estrangeiro, ou seja, assistimos a uma fuga dos médicos recém formados”, dando como exemplo “os 700 médicos que recentemente se formaram e que estão quase à meio ano à espera da abertura de um concurso para ingressarem no SNS, concurso esse que devia ter sido aberto até um mês após a conclusão do seu internato”. Depois existem, no entender do SIM, outras razões como a degradação da carreira e dos meios hospitalares que acabam por afastar os médicos do serviço público, um sinal efetivo “da inação do governo perante esta problemática”. Hugo Cadavez afirma ainda que “uma das reivindicações dos médicos é o baixar das 18 para as 12 horas semanais na urgência, isso libertava seis horas essenciais para todo o trabalho que é necessário fazer e permitia também um acréscimo da qualidade de assistência que é prestada aos doentes”. Confrontado com as declarações do Ministro da Saúde no parlamento,

Infelizmente esta postura do senhor ministro é normal, negar a existência de problemas e insistir na ideia de que está tudo bem. Isto é falso, as coisas estão mal, muito mal”.


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Destaque VivaDouro

l dias por uma consulta.

A situação do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro é grave, inadmissível e preocupante.

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tuação é indiscutivelmente do Dr. António Costa, do Ministro da Saúde e da política deste governo. As cativações e os cortes cegos na saúde têm impedido os conselhos de administração dos hospitais de resolver os seus problemas mais prementes. As dívidas acumulam-se, faltam meios e recursos e, pasme-se, muitos dos jovens médicos formados nos hospitais do Interior acabam por sair para o Litoral e para Lisboa por inépcia ou falta de vontade política do Ministério da Saúde que usa os expedientes centralistas das autorizações prévias, apesar de toda a conversa fiada e da repetição dos anúncios de novas contratações de médicos, para os desviar para outros locais. Aconteceu recentemente em Vila Real e tem acontecido um pouco por todo o país. E, naturalmente, sem médicos não pode haver consultas e os tempos de espera aumentam inexoravelmente. Por vezes fica a impressão que esta degradação dos serviços é propositada e visa transferir para o litoral, por falta de médicos ou de equipamentos, muitas destas especialidades. Para um governo que enche a boca com os slogans da coesão territorial e a defesa do Interior, este é mais um exercício de puro cinismo e hipocrisia política. “Mais do que viver numa realidade paralela, o Ministro da Saúde e o Primeiro-ministro procuram dissimular em permanência a realidade em que o país vive, escondendo dos portugueses muitos factos, como as cativações tornadas permanentes, a espiral de endividamento da saúde, a falta de recursos e a degradação

generalizada dos serviços de saúde em todo o país. Como tem sido hábito noutros domínios, o governo recorre à propaganda para multiplicar e repetir anúncios de novas contratações de profissionais e de investimentos públicos, que são sempre os mesmos ou nunca chegam a acontecer, ou para martelar e até falsear as estatísticas, como já foi denunciado relativamente ao apagão nas listas de espera que alguns hospitais levaram a cabo. À força de querer negar esta realidade e fabricar uma outra, alternativa, é bem possível que o Primeiro Ministro e o Ministro da Saúde acabem por acreditar nas suas próprias fabulações e inverdades”, afirma ainda. Para Luís Ramos a estratégia pode passar por inverter uma situação habitual no verão quando alguns médicos do norte são destacados para o Algarve como forma de dar resposta ao aumento de afluência aos serviços de saúde nesta região. “Compete ao governo, ao Ministro da Saúde e ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar encontrar as soluções adequadas para resolver este problema o mais rapidamente possível. Governar é isso mesmo, resolver problemas. Mas desde já fica a pergunta: se durante os meses do verão o Ministério da Saúde vem á re-

gião buscar médicos para reforçar os hospitais do Algarve, ainda que temporariamente, porque razão não pode fazer o mesmo para acudir à situação de emergência em que vive o Interior Norte? Porque é que não são dados in-

Inspirado em outros modelos já existentes, a consulta de “walking clinic” é uma novidado no CHTMAD centivos específicos aos especialistas do litoral para que, num prazo relativamente curto, os atrasos das listas de espera sejam eliminados? Mas aqui, nos hospitais da região, em Chaves, Lamego e Vila Real, e não no Porto ou em Coimbra como por vezes insinuam os grandes arautos do centralismo e da litoralização do país. Queremos uma resposta rápida, calendarizada e com compromissos claros e quantificados por parte do governo relativamente à redução das listas de espera no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto

A responsabilidade de toda esta situação é indiscutivelmente do Dr. António Costa, do Ministro da Saúde e da política deste governo. Douro. E não nos calaremos enquanto tal não acontecer”. Para o dirigente político, a interioridade é um fator influenciador destes números, até porque no seu entender, “este governo e este Primeiro-ministro já mostraram que o interesse e a causa da defesa e da promoção do desenvolvimento do Interior é meramente circunstancial e tacticista na sua agenda política eleitoral. Serve apenas para adornar discursos redondos, abrir noticiários televisivos ou capear jornais. As declarações da ex-Encarregada de Missão para a Valorização do Interior, a Profª Helena Freitas, que se demitiu no verão passado, são, a esse propósito, eloquentes. Diz ela que nunca sentiu uma vontade genuína e férrea por parte do Dr. António Costa em querer mudar a situação e os status dos vários intervenientes, nomeadamente dos vários membros do governo com responsabilidades diretas no território e no seu desenvolvimento. O Programa de Desenvolvimento do Interior, então apresentado com pompa e circunstância, mais parecia uma mixórdia de medidas sem coerência e sem consistência. Como se previa, morreu no momento da sua apresentação, porque foi para isso que foi concebido: para mais um fogacho mediático. Nunca mais ninguém ouviu falar nesse programa, uma mão cheia de nada! É disso que nos queixamos, de não levarem o país e o Interior a sério”. Questionada sobre toda a situação que se vive em especial nos hospitais de Lamego e Vila real, a direção do CHTMAD respondeu ao VivaDouro por email informando que “o Conselho de Administração juntamente com a Tutela, encontra-se a desenvolver todos os esforços no sentido de se minimizar os impactos menos


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Destaque VivaDouro positivos dos tempos médios de espera para primeiras consultas deste Centro Hospitalar. Nesse sentido, tem sido feito um esforço adicional para a contratação de mais profissionais médicos e de enfermagem sendo que, em algumas especialidades já foram conseguidos mais recursos humanos e, desta forma, combater-se estes tempos de espera de forma mais célere à população que servimos. Mais se informa que, apesar destes constrangimentos, o CHTMAD apresentou no ano de 2017, um balanço positivo da sua atividade assistencial traduzindo-se, principalmente, pelo aumento do número de consultas e de cirurgias realizadas face ao período homólogo. Temos a consciência de que é fundamental a resolução desta situação, mas acreditamos que através de uma gestão atenta e com o apoio da tutela conseguir-se-á responder de forma mais positiva para esta realidade. “Walking Clinic”, um modelo inovador em Lamego Contrariando a tendência negativa registada nas consultas de especialidade, com excessivos tempos de espera, no Hospital de Lamego uma equipa liderada pela médica Lúcia Marinho (Diretora centro integrado de cirurgia de ambulatório do CHT-

MAD) e pelo Enfermeiro Jorge Sousa (Enfermeiro responsável do centro integrado de cirurgia de ambulatório do CHTMAD), implementou um sistema de consultas para os doentes que necessitam de uma cirurgia em ambulatório reduzindo a zero o tempo de espera e com ganhos financeiros tanto para o SNS como para os próprios doentes. Inspirado em outros modelos já existentes, a consulta de “walking clinic” é uma novidado no CHTMAD e a forma como funciona tem sido alvo de muitos elogios estando já pensada ser replicada em outros serviços com os devidos ajustes. Desde que é referenciado pelo seu médico de família, porque tem uma patologia para cirurgia em ambulatório, o doente é logo agendado para esta consulta. Ao chegar ao serviço “é visto por um cirurgião geral, que confirma o diagnóstico, faz o pedido de exames pré-operatórios, e aqui são apenas os necessários para aquele doente, para aquela situação, resultando numa diminuição de custos e tempo, até porque esses exames são logo feitos aqui numa sala que temos preparada para esse efeito, onde inclusivamente podem fazer um eletrocardiograma”, explica a Dra. Lúcia prosseguindo, “no caso de ser necessário um raio-x, um elemento da equipa acompanha o doente ao serviço de Radiologia e é

atendido de imediato. Regressado ao gabinete médico o paciente tem ainda uma consulta de anestesia e finalmente a consulta de enfermagem que é muito importante porque é onde é explicado ao doente tudo o que vai acontecer no dia da cirurgia e como se deve ele preparar em casa antes desse momento.

O nosso foco é sempre o doente, focamos todo o nosso serviço nas necessidades do doente O processo parece longo mas, “demora no máximo uma hora e meia”, afirmam os profissionais. Este modelo, além de mais rápido, eficaz e económico tem outra vantagem para o enfermeiro Jorge Sousa, “o nosso foco é sempre o doente, focamos todo o nosso serviço nas necessidades do doente, é ele que está no centro das nossas atenções, os profis-

sionais estão, durante esse dia todos concentrados no serviço de forma a dar a resposta que pretendemos”. Outra das vantagens que o enfermeiro encontra neste modelo é o acompanhamento ao doente, o doente quando vem no dia da cirurgia encontra a mesma equipa, o que lhe permite desde logo baixar os níveis de stress e ansiedade, fatores muito importantes a ter em conta numa intervenção, mesmo sendo ela em ambulatório”. No total das cirurgias efetuadas, 65% podem ser feitas em ambulatório podendo integrar este modelo com todas as vantagem que daí possam advir. Para os dois profissionais, a inovação deste modelo não é apenas a consulta “walking clinic” mas todo o acompanhamento que é prestado aos pacientes “Quando o doente vem pela primeira vez, é-lhe ainda dado um desdobrável para relembrar tudo o que aqui lhe foi dito e onde consta também o número do serviço para onde o doente pode ligar caso lhe surja alguma duvida. 24 horas antes da cirurgia ligamos aos doentes para confirmar se está tudo bem e se irá comparecer (caso falte podemos chamar outro doente). 24 horas após a cirurgia voltamos a contactar o doente para saber como se sente, se está tudo bem e se não há nenhuma complicação. 30 dias após a intervenção voltamos a contactar o doente para saber se tem tido alguma queixa e é neste prazo que ele tem uma consulta final que confirma o encerramento do processo”, explica a Dra. Lúcia. Um outro aspeto inovador deste serviço é o apoio prestado ao doente no domicílio, não o obrigando a deslocações frequentes ao serviço hospitalar como conta o enfermeiro Jorge Sousa, “o serviço de cuidados domiciliários é inovador no país. É uma equipa composta por um enfermeiro e um operador hospitalar que vai a casa do doente intervencionado prestar os cuidados necessários. Os doentes isentos de taxa moderadora não pagam este serviço, os que não estão isentos pagam o valor da taxa moderadora. A grande vantagem é que é a mesma equipa a seguir o paciente. É bom para ele porque conhece as pessoas e fica mais relaxado, é bom para nós porque nos permite estar sempre em contacto e caso surja alguma questão facilmente ela é resolvida. Isto surge porque nós identificamos essa necessidade, até pela área geográfica que o nosso centro hospitalar abrange”. ■


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Foz Côa

Arte do Côa exposta na Presidência do Conselho de Ministros

Em declarações prestadas à agência Lusa, o presidente da Fundação Côa Parque (FCP), Bruno Navarro, disse que é a primeira vez que a Secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros abre portas a uma iniciativa cultural deste género. “Esta ideia passa por divulgar, o mais que possível, a arte pré-histórica do Vale do Côa, considerando que Lisboa, é um dos alvos preferências da nossa ação de divulgação e, ao mesmo tempo, associar o Côa e a sua arte, a um centro de decisão e de poder como é a

Presidência do Conselho de Ministros”, frisou o dirigente. Para Bruno Navarro, esta exposição representa também um envolvimento do Governo na reabilitação e renovação no projeto arqueológico do Vale do Côa. A mostra é ainda complementada por diversas visitas guiadas, que acontecem à segunda-feira e são dedicadas ao público geral, e ainda uma ação que está a ser desenvolvida junto das escolas de Lisboa, mostrando a arte rupestre pré-histórica, fora dos manuais escolares. “Estes contactos servirão para que, no futuro próximo, os intervenientes possam visitar o Museu e o Parque Arqueológico do vale do Côa, em Vila Nova de Foz Côa”, indicou o presidente da FCP, que afirma ainda que o objetivo desta iniciativa, além de mostrar a arte do Côa, pretende “avançar com uma reflexão no sentido de divulgar o património edificado, o histórico e natural deste território que abranges os concelhos de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Mêda (Guarda) “. A museografia do Côa foi pensada com todo

o rigor científico, numa mostra explicativa dos ciclos de arte rupestre do Baixo Côa e Douro Superior, que se iniciaram no Paleolítico superior, há mais de 25.000 anos. Segundo os especialistas, mais do que um museu de arqueologia, o Museu do Côa é, em primeiro lugar, um museu de arte, com obras quer dos caçadores-artistas do Grave-

tense, quer dos últimos moleiros rupestres da Canada do Inferno. Esta iniciativa é da responsabilidade da Secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros e da FCP, estando inserida nas comemorações no 19.º aniversário da classificação do Vale do Côa, como Patrónimo Mundial da Humanidade, pela Unesco. ■ FOTO: DR

São 25 mil anos de história que chegam agora à Secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa, onde estarão em exibição até março, uma mostra intitulada: “Vale do Côa: singularidades de um território”.

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Alijó | Armamar

Moeda romana “única” recuperada pela PJ em Espanha

A moeda romana em prata, do ano 68/69 d.C., estava presente num leilão em Espanha quando foi recuperada pela Polícia Judiciária e posteriormente entregue ao Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa, em Braga. “É um denário de prata, do período das guerras civis, dos anos 68/69 d.C. (do tempo do imperador romano Galba), e portanto é uma peça única (...), emitida na Península

Ibérica, na Hispânia”, declarou o especialista Rui Centeno em declarações à Agência Lusa, que estudou o furto e o comércio de património numismático, nomeadamente “O caso do tesouro de denários do monte da Nossa Senhora da Piedade, em Alijó”, no seu doutoramento. Apesar de só agora comunicada a coleção de moedas foi recuperada num leilão em Madrid em outubro de 2016, com uma base de licitação de sete mil euros. A descoberta foi feita por Rui Centeno que prontamente reportou o facto à Polícia Judiciária, tendo esta iniciado os trâmites necessários para que se conseguisse transferir aquele espólio de Espanha para Portugal. Encontradas “dentro de um pote” durante umas escavações arqueológicas em 1958, estas moedas teriam sido facilmente vendidas para um dos principais museus arqueológicos europeus fruto da sua importância histórica. Para o historiador Rui Centeno, importa agora assegurar que estas moedas serão bem conservadas e preservadas, em espacial no que diz respeito à sua segurança.

“Temos uma moeda única e deve estar bem acautelada, porque hoje a numismática movimenta biliões em todo o mundo e isto é uma peça muito apetecível em qualquer leilão”, acrescenta o especialista, afirmando que a instituição que vai acolher este património “deve ter condições de segurança e de preservação do património”. O denário, bem como o resto da coleção recuperada, poderão ser vistos pelo público no Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa, em Braga, ao longo deste ano de 2018, afirmou Isabel Silva, uma das responsáveis

pelo Museu em declarações à Agência Lusa. “Acabam por reentrar no museu e ser fruídas pelo público tantos anos depois. Isto significa que, por um lado, há uma polícia que está atenta e empenhada nestes processos de recuperação de obras de arte e, por outro, vem realçar a importância das coleções serem inventariadas e estudadas”, observou a responsável, considerando ainda como “extraordinário” o facto de a brigada da Judiciária ter conseguido recuperar, mais de 30 anos depois, as moedas romanas desaparecidas de Alijó. ■ FOTO: DR

Foi há mais de 30 anos, em 1985, que o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Alijó, foi assaltado tendo desde então desaparecido um denário (antiga moeda romana), bem como a restante coleção de moedas que ali existiam fruto de um achado em 1958.

IV Encontro de Associações Armamar do Vale do Douro implementa serviço realiza-se em Alijó de mobilidade A quarta edição do Encontro de Associações do Vale do Douro realiza-se, este ano, em Alijó, depois de ter passado por Santa Marta de Penaguião (2015), Tabuaço (2016) e Peso da Régua (2017).

Foi lançado, no passado dia 4 de fevereiro, o novo serviço de mobilidade ArmamarSIM, um sistema de mobilidade que vai pôr à disposição dos Armamarenses transportes públicos das localidades à vila sede do município. O serviço, implementado pela Câmara Municipal, terá 5 novos percursos que vêm complementar a oferta de transportes públicos já existente, dando resposta às necessidades de mobilidade das localidades até aqui sem cobertura da rede atual. O preço das viagens é único, no valor de 1 euro, e nas primeiras duas semanas o serviço é gratuito. Os cinco circuitos funcionarão todos os dias úteis, à vez. À segunda-feira, quinzenalmente e a coincidir com o dia de feira em Armamar, funcionarão todos em simultâneo, e a própria carreira pública existente praticará o mesmo preço por viagem.

Este sistema de mobilidade permitirá a realização de viagens a pedido, nos casos das localidades desviadas do normal percurso, casos de: São Joaninho, Coura, Ribeira de Goujoim, Lapinha, Cardais e Vila Nova. Para utilizar o serviço os clientes devem fazer o pedido via telefone, através de linha criada para o efeito, até às 12 horas do dia útil anterior à viagem. Será então feita uma reserva, informando do local e da hora de passagem do transporte. Entretanto toda a informação está a ser disponibilizada nos canais de comunicação digital da Autarquia e via correio contacto por todo o município. ■ FOTO: DR

Esta iniciativa, organizada pela associação Vale d’Ouro, tem por objetivo promover a discussão, no meio associativo, dos problemas mais prementes da região, a este nível. O papel das associações nas comunidades, a interioridade e o trabalho em rede foram algumas das temáticas abordadas ao longo das três edições anteriores. Para este ano, o tema escolhido pela organização é “As associações e a sociedade”. O presidente da direção da Associação Vale d’Ouro, Luís Almeida, justifica o tema escolhido para esta edição, revelan-

do que as associações “estão na ordem do dia com os diversos casos que têm vindo a público, alguns menos bons, mas também pelo trabalho enormemente positivo que têm nas comunidades em que se inserem”. O objetivo da edição deste ano é “mostrar as coisas boas que as associações fazem e, se possível, inspirar a fazer mais e melhor com os exemplos de todos os participantes”, acrescenta o dirigente associativo. O encontro, que acontece durante a tarde do próximo dia 24 de fevereiro no Teatro Auditório Municipal de Alijó, contará com dois painéis de convidados. No primeiro estarão presentes algumas associações locais e nacionais que irão debater “O contributo das associações para a sociedade”. Já no segundo painel, um grupo de individualidades irá debruçar-se sobre o tema, “A perceção da sociedade ao contributo das associações”. O encerramento do encontro será feito pelo Presidente da Câmara Municipal de Alijó, José Paredes, e por um representante do Governo. ■


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Vários Concelhos

Túnel do Marão terá planos de emergência revistos

O Governo determinou a revisão dos planos de Emergência Interno e de Intervenção do Túnel do Marão no passado dia 8, assim como a elaboração de um Plano de Prevenção, até 31 de Março, e a posterior realização de um simulacro de incêndio. O despacho assinado pelos secretários de Estado da Proteção Civil, Artur Tavares Neves, e das Infra-estruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, foi publicado esta quinta-feira, em Diário da República (DR), e surge na sequência do relatório final do inquérito ao incêndio num autocarro de passageiros, que ocorreu em Junho dentro do Túnel do Marão, inserido na Auto-estrada 4 (A4), entre Amarante e Vila Real. Na sequência deste incidente, o secretário de Estado da Protecção Civil ordenou à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) a realização de um inquérito para avaliação da resposta operacional à ocorrência.

FOTO: DR

As novas medidas de segurança surgem depois de dois acidentes com viaturas ardidas, um autocarro e um carro, no interior do túnel, sem causar feridos.

Dois meses depois do incêndio no autocarro, ardeu também um carro ligeiro dentro do túnel. Nos dois casos não se registaram vítimas, contudo, a infra-estrutura ficou fechada ao trânsito por diferentes períodos de tempo. No início de Janeiro, o novo titular da pasFOTO: DR

ta da Protecção Civil revelou ter recebido as conclusões do inquérito e agora, através do despacho publicado no DR, o Governo determinou que, até 31 de Março, deve ser feita a revisão do Plano Prévio de Intervenção (PPI) pela ANPC e também do Plano de Emergência Interno (PEI) pela Infra-estruturas de Portugal (IP), bem como a elaboração de um Plano de Prevenção pela IP. Depois, deverá ser realizado um simulacro de incêndio no interior do túnel para validar a conformidade das novas versões dos planos e de modo a salvaguardar a segurança de pessoas. Segundo o despacho, a revisão do Plano de Emergência Interno, pela IP, deve ser feito ao “nível da evacuação de pessoas em situação de emergência, da actuação das equipas de segurança da entidade gestora, da valorização das potencialidades do posto de controlo, localizado junto à saída do túnel, no sentido de Amarante”. Deputados PS pedem intervenção de ministro para Túnel do Marão, portagens e CTT A elaboração do Plano de Prevenção, pela IP, “deve concretizar os procedimentos de manutenção e conservação das instalações técnicas e dos equipamentos e sistemas de segurança, englobando ainda as medidas de auto-procteção, o plano de formação, bem como os procedimentos de rotina no âmbito da segurança”. A revisão do Plano Prévio de Intervenção, pela ANPC, será feita no “sentido da otimização do despacho de meios em situação de emergência, de modo a assegurar uma res-

posta operacional oportuna e eficaz”. Após a revisão e elaboração dos planos, deverá ser realizado um simulacro de incêndio no interior do Túnel do Marão, “tendente a avaliar a articulação e a resposta à emergência por parte das entidades envolvidas, nomeadamente as equipas de segurança da entidade gestora e as equipas dos agentes de protecção civil”. De acordo com o despacho, “este simulacro não prejudica a realização dos exercícios periódicos definidos no Plano de Emergência Interno”. O presidente da Câmara de Vila Real, o socialista Rui Santos, tem insistido em ter acesso ao relatório e que as conclusões sejam revertidas na melhoria das condições de segurança da infra-estrutura. Já no início deste mês de fevereiro, o PSD, através do vice-presidente da bancada parlamentar, Luís Leite Ramos, exigiu conhecer os resultados do inquérito aos casos de viaturas ardidas, acusando o Governo de estar a “brincar com a segurança” dos utilizadores desta infra-estrutura. Por sua vez, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, garantiu que o Túnel do Marão é uma “infra-estrutura segura” e anunciou que até ao final de Março serão implementadas as conclusões retiradas após os incidentes de Junho e Agosto de 2017. O Túnel do Marão, que liga Amarante, no distrito do Porto, a Vila Real, abriu em Maio de 2016 e tem duas galerias gémeas, cada uma com duas faixas de rodagem e com um comprimento de 5665 metros. ■


22 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Foz Côa

João Paulo Sousa: “É nossa obrigação manter o evento cimentando a nossa posição como Capital da Amendoeira”

Num concelho como Foz Côa, qual a importância de um produto como a amêndoa? Durante muitos anos Foz Côa liderou o mercado da amêndoa, chegando mesmo a ser o maior produtor. Neste momento as coisas estão um pouco diferentes porque houve uma aposta em outros produtos como o vinho. Houve algumas apostas no

passado que nos fizeram perder esse estatuto na amêndoa. Nesse sentido temos continuado a apostar na amendoeira até porque há ainda a questão da paisagem que, quando pintada de branco e rosa (as cores da flor da amendoeira), ganha uma magia especial atraindo muitos turistas. Existe ainda uma questão histórica, fomos o primeiro concelho a organizar estas festividades em torno da amêndoa, por isso é uma obrigação nossa manter este evento cimentando a nossa posição como Capital da Amendoeira em Flor. São 37 anos de experiência que temos acumulada. Tal como diz o nosso presidente, e eu reitero, esta é a maior festividade do concelho e para nós isto é um investimento, até porque o retorno também é grande. São três fins-de-semana e mais de 40 eventos que temos já preparados para quem nos visitar durante estes dias. Falou em investimento e no retorno que ele trás, pode traduzir isso em números? O investimento ronda os 120 mil euros. Quanto ao retorno, se falarmos em termos financeiros para a câmara ele não existe, no entanto para as associações e comerciantes ele é considerável. Depois há outro retorno que para nós é também muito importante, que é um retorno de cariz cultural. Queremos ser a capital cultural do interior e este evento, pela sua dimensão e teor cultural, precisamente, é de uma importância fulcral. Olhando para o programa que temos preparado, podemos ver que ele não é elitista, temos desde ranchos folclóricos, torneios de karaté, passeios pedestres ou de bicicle-

Foto DR

Foz Côa foi líder na produção de amêndoa durante largos anos, no entanto a aposta em outras culturas como o vinho e o azeite fizeram o concelho perder esse estatuto, contudo o concelho liderado por Gustavo Duarte pretende voltar a atingir essa meta. Prova disso é a Festa da Amendoeira em Flor que se irá realizar entre os dias 23 de fevereiro e 11 de março. O VivaDouro esteve à conversa com João Paulo Sousa, vice-presidente da autarquia, sobre esta festividade e o papel que a amêndoa desempenha hoje no concelho do distrito da Guarda.

ta, um vasto leque de atividades que pretendem dar a conhecer o concelho a quem nos visita nesta altura, despertando o interesse para que voltem ao longo do ano com os seus familiares e amigos. Podemos então dizer que este evento funciona quase como um cartão-de-visita do concelho? Nós costumamos usar uma imagem que definirá isso melhor, dizemos habitualmente que o desabrochar das primeiras flores de amendoeira são significado do arranque da primavera e marca também o desabrochar do concelho para um novo ciclo. Por isso esta festividade assume um papel relevante para nós.

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Olhando para o cartaz deste ano, quais serão os principais momentos da Festa da Amendoeira em flor? Antes de mais é importante referir que irão acontecer vários momentos de destaque, momentos esses que não estarão confinados apenas à sede do concelho mas sim distribuídos por 14 das nossas 17 freguesias, em especial aqueles com um cariz mais tradicional e etnográfico. Dando exemplos mais concretos posso referir a título de exemplo: Tertúlias, jogos tradicionais, festivais de folclores, passeios pedestres ligados à arte rupestre, largadas de caça, um conjunto de atividades abrangente e que permite satisfazer a curiosidade de todos que nos visitam. Esta é também uma forma de aproveitarmos da melhor forma o nosso património, seja ele intelectual ou edificado. Gostaria ainda de destacar o envolvimento de algumas associações que aproveitam estas datas para organizar também os seus eventos como, por exemplo, uma prova de cicloturismo, o festival de folclore, etc.

Temos ainda um concurso de fotografia, duas exposições permanentes, um programa televisivo da RTP que também atrai muita gente, entre muitos outros momentos bastante diversificados. Obviamente que no final de tudo não podemos esquecer os concertos com dois ou três artistas de cariz nacional que estão programados. Em termos de visitantes, quais são as expectativas? Olhando para os 37 anos de experiência que já temos a organizar esta festa, sabemos que o primeiro fim-de-semana é sempre mais fraco em termos de adesão, até porque as agências de viagem com quem trabalhamos concentram grande parte das reservas no último fim-de-semana por causa do desfile etnográfico, esse sim, será o ponto alto das festividades e aquele que aglomera mais pessoas. É difícil quantificar em números porque nunca fizemos esse controle mas a verdade é que Foz Côa fica verdadeiramente inundada de gente. Hoje em dia vemos a amêndoa presente em diversos produtos diferenciados, desde cosméticos até à alimentação ou bebidas, todas estas formas de apresentação terão lugar na festa? Claro que sim. Cada vez mais os nossos produtores procuram inovar na forma de apresentar a amêndoa, hoje em dia são vários os produtos derivados que existem e até mesmo a casca que em outros tempos era deitada fora hoje é aproveitada para aquecimento. Havendo esta preocupação de quem produz também nos dá a nós a responsabilidade de os promover durante este evento dando-lhes espaço para isso. ■


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 23

Vários Concelhos

UTAD debate mitos e tabus das alterações climáticas A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai ser palco, nos dias 19, 20 e 21 de fevereiro, de um Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas, com a participação de especialistas de vários centros de investigação e universidades portuguesas (UTAD, Universidade do Porto, Universidade de lisboa e Universidade de Aveiro). A organização envolve uma vasta equipa multidisciplinar da UTAD, que integra estudantes e professores de Biologia, Biologia e Geologia, Genética e Biotecnologia, Arquitetura Paisagista e Engenharia do Ambiente, em simbiose com a Ordem dos Biólogos. O evento surge da necessidade da discussão de uma problemática atual e

pertinente, tendo como destinatários estudantes do ensino superior e secundário, investigadores, docentes, técnicos, auxiliares e público em geral. São vários os mitos e os tabus que rodeiam o diálogo acerca das alterações climáticas e este evento pretende diagnosticar, elucidar e discutir aspetos essenciais de uma problemática que afeta a todos. Entre os vários especialistas convidados, contam-se os nomes de Carlos Borrego, ex-Ministro do Ambiente e Recursos Naturais, e Filipe Duarte Santos, presidente doConselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Em debate estarão temáticas de grande pertinência e inquietação em países como Portugal, que vão desde os impactos das alterações climáticas nos fogos florestais e nos sistemas agroflorestais, à previsão de tendências ecológicas em cenários de alterações climáticas, incidências nos extremos hidrológicos em bacias florestais, assim como estratégias de resiliência das cidades às alterações climáticas e impactos na biodiversidade nos serviços dos ecossistemas. ■

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24 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

São João da Pesqueira

Fernando Rodrigues: “Não quero ser o Santo Milagreiro nem o Cristo

Texto: Carlos Almeida

Qual foi o cenário, sobretudo financeiro, que se deparou ao assumir a liderança da escola? A nível financeiro a escola tinha muitas lacunas que estamos a recuperar com calma. Havia também uma série de projetos que tinham alguma falta de atenção que estamos a recuperar. Neste momento existe um projeto, de toda a equipa que gere a escola e que se pauta por três vetores: a reinvenção, termo utilizado pelo Presidente da República no discurso de Ano Novo e que nos pareceu que encaixa perfeitamente nesta situação; o rigor, uma gestão de rigor que nos obriga a tomar medidas pouco populares mas que são absolutamente necessárias e, a Modernização, quer da imagem da escola com a criação de um novo site, quer da forma de dar aulas. Estamos a trazer ainda novos produtos para a oferta formativa, em especial formação auto-financiada, ou seja aqueles cursos nos quais os alunos pagam para frequentar, tendo em conta as novas ofertas que hoje existem. Isso irá aumentar o leque da oferta formativa? Sim, obrigatoriamente irá aumentar. Posso inclusivamente adiantar que temos um projeto, ainda em fase inicial pois necessita de financiamento, para criar um Centro de Estudo e Ciência Eno-gastronómica. Ou seja um produto novo que pretende ter uma oferta formativa ao nível da pós-graduação e que pretende atrair chefes de cozinha, enólogos, pessoas ligadas à gastronomia e enologia, servindo como motor de alavancagem do turismo na região. Para isso existem já vários protocolos por exemplo com o Politécnico de Viseu onde os nossos alunos terão direito a escolha preferencial. Quando fala de rigor, e tendo em conta a situação que encontrou, está em condições de assumir que não haverão despedimentos? Este período inicial tem sido um misto de emoções para quem aqui está todos os dias. Quando aqui chegamos havia salários em atraso que já foram liquidados, estando apenas a faltar uma parte do subsídio de Natal. Ainda no decorrer do mês de fevereiro queremos paga os salários de janeiro e liquidar esse valor em falta.

Ainda durante este mês de fevereiro queremos liquidar outra dívida que temos em atraso e que nos preocupa muito com os fornecedores. A nossa convicção é que em março todos esses valores estejam liquidados. Por isto é que afirmei que estes têm sido tempos de muitas emoções, sentimos que as pessoas que aqui trabalham estão com um espírito positivo de levar este projeto em frente mas há também alguns que vêm alguns dos direitos adquiridos ao longo destes anos serem retirados, e isso é algo que causa sempre algum desconforto, no entanto também vão conseguindo entender o que aqui estamos a fazer. É preciso ter a noção que temos de gerir melhor os dinheiros que recebemos, não podemos ter uma estrutura com um custo mais elevado do que o financiamento que temos. Vivemos uma dualidade, gastamos mais do que o que recebemos e esta é uma mentalidade que não é fácil alterar. Toda a estrutura terá de fazer alguns sacrifícios nesta fase, desde a diração aos alunos, em prol de um futuro que acreditamos ser possível atingir. Falando dos alunos destaco aqui também o papel da Associação de Estudantes que tem sido fundamental neste processo, dialogando sempre connosco e estando atenta às necessidades dos alunos no dia-a-dia. Acima de tudo queremos ser uma escola de excelência, de referência, já o somos mas queremos alicerçar melhor essa posição. Isso também passa por outros melhoramentos como o parque informático da escola, utensílios de cozinha, e até mesmo na nossa postura. No fundo temos trazido diversas mudanças que o ideal seria serem feitas num período mais alargado de tempo mas isso não é possível, temos pouco tempo o que obriga a um choque e algum desconforto maior por parte das pessoas, são muitas mudanças em pouco tempo. As pessoas sentem que terão perdido alguns direitos adquiridos ao longo dos anos? Nem é tanto a questão dos direitos, muitas vezes. É mais uma questão de procedimentos, de como as coisas se faziam e como se fazem e irão fazer daqui em diante. Posso dar-lhe um exemplo de uma das últimas medidas tomadas mais recentemente, a escola passará a fornecer, nas nossas instalações, a alimentação a todos os funcionários, evitando assim o pagamento do subsídio de alimentação. Obviamente que isto acaba por representar uma quebra nos rendimentos, no valor que vão receber. Também a forma como estamos a gerir os horários está a mudar para buscar maior eficácia, etc. No fundo temos que fazer tudo de forma mito controlada e gerindo bem os poucos recursos humanos que temos, por isso é que não está no nosso plano nenhum despedimento, a ideia é gerir melhor com o pouco que temos. Devo aqui também ressalvar que muitas pessoas, algumas mesmo de forma voluntária aceitaram ver o seu salário reduzido de forma tem-

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Psicólogo, gestor, empresário do ramo formação com uma empresa instalada no Brasil, somando mais de 13 anos de experiência. Foi convidado pela direção da AsDouro para assumir a direção geral e pedagógica da escola, que aceitou pelo período de um ano a pedido do próprio.

> Fernando Rodrigues, Diretor da Esprodouro

porária, como forma de compromisso para com a escola. Na globalidade todos aqui têm o mesmo objetivo e trabalham com vista a atingi-lo. No fundo e como já disse antes, numa gestão de rigor não podemos gastar mais do que o que recebemos. Há aí espaço para atrair novos alunos? Claro que sim, nós estamos a lutar para ter uma maior oferta formativa financiada e para isso estamos a melhorar a nossa estratégia formativa de captação. Estamos muito interessados em aumentar o número de pessoas no Qualifica (pessoas com o quarto ou sexto ano e que agora podem ver revalidadas as suas competências), e aqui o novo coordenador tem feito um trabalho muito meritório. Está aqui a ser feito um grande esforço para atrair pessoas dos concelhos envolventes. Vamos dar formação a pessoas que já estão a trabalhar, etc. No fundo estamos a alargar o nosso leque de ofertas que nesta fase ainda trabalha muito na base das parcerias mas é um trabalho que está a ser desenvolvido como alavancagem do projeto. Existe uma previsão de crescimento, temos o nosso projeto 2018-2021 que foi submetido e que contamos que seja aprovado, ainda recentemente reunimos com a direção do POCH que nos têm dado muito apoio, desde que nós também saibamos manter este rigor que estamos a implementar. Neste momento a escola tem aproximadamente 110 alunos e o objetivo seria atingir os 160, é essa a nossa meta. De onde vêm esses alunos? Temos alunos de vários locais, desde Carrazeda de Ansiães, Foz Côa e todos os concelhos limítrofes de São João da Pesqueira. A nossa preocupação não é apenas de onde vêm

os nossos alunos mas sim na qualidade dos mesmos, queremos ter aqui os melhores formandos, que serão os melhores profissionais na sua área. Quais os cursos mais procurados dentro da oferta que existe neste momento? O curso de técnicos de desporto tem sempre muitos alunos, depois temos a parte dos cursos de gastronomia, restauração, mesa e bar que também atraem muitos alunos. Queremos crescer nesta oferta mas não depende só de nós, para podermos lançar um curso novo temos que nos candidatar e esperar a aprovação do ministério. Neste momento temos quatro meias turmas homologadas, ou seja, não temos turmas completas, o que faz toda a diferença no nosso financiamento, a esse nível, por exemplo, nós temos o equivalente a três turmas e meia. Ou seja, estamos em défice de financiamento quando tínhamos elegibilidade para o ter na totalidade mas o Ministério da Educação não nos permite abrir uma outra turma porque temos de garantir trinta alunos e isto funciona tudo na base da negociação, se abre essa turma aqui ela não abrirá em outro local e isso pesa muito no valor do nosso financiamento. Comparando a sua experiência enquanto gestor de uma empresa de formação e o trabalho que aqui desenvolve, quais são as grandes diferenças que destaca? A grande diferença é o quadro de legislação aplicada diferente para o serviço docente. Ou seja, quando temos uma empresa existe uma mesma normativa para todos os docentes, aqui as coisas são diferentes, obrigando-me também a mim a um conhecimento mais aprofundado. Eu já fui docente do ensino superior mas as coisas mudam e também eu preciso de aprender um pouco até porque existem aqui regras que não conhecia.


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 25

São João da Pesqueira

Crucificado” Para vos dar um exemplo, nós não podemos contratualizar serviços acima de cinco mil euros sob pena de perder financiamento, no ano passado, a nossa despesa total de luz excedeu esse valor e isso levanta-nos um problema porque tem que ser feito um concurso público. São regras que nos obrigam a ter muito cuidado e que, se desconsiderarmos, podermos ser penalizados financeiramente e eu não quero que isso aconteça, em especial durante o período que aqui estou. Mencionou também que para uma turma abrir aqui ela não irá abrir em outro local, pode aqui a localização ter um papel importante na decisão de quem manda? O facto de sermos interior, de uma zona de baixa densidade, já nos permite ter menos alunos para abrir uma turma. No entanto considero que politicamente isso pesa. Temos de ter a noção que isto é uma decisão política, é o ministério que diz que turmas abrem e onde. Neste campo temos tido, felizmente, um apoio gigante por parte da autarquia agora, todas as escolas fazem essa pressão sobre o governo. Ainda recentemente, em conversa com o secretário de estado ele dizia-me que esta é uma guerra antiga, a ideia dele, segundo as suas palavras é que para abrir uma turma sejam mesmo necessários os 30 alunos, caso não se atinja esse número apenas se abrirá meia turma. Isto é muito complicado até porque temos de garantir a inscrição dos 30 alunos em Abril na altura de candidatar a turma que só abrirá em setembro, e chegando essa altura os, caso aprovada, a turma tem que estar completa sob pena de sermos penalizados no futuro com os financiamentos, é uma gestão muito complicada de se fazer. Da mesma forma que os alunos que terminam têm de ser acompanhados, nós temos que garantir que os alunos que terminam a sua formação aqui entrem no mercado de trabalho ou prossigam para a universidade, novamente sob pena de

perder financiamento nos anos seguintes. Tudo isto é, de facto, uma preocupação que temos e aqui, reitero uma vez mais que os nossos recursos humanos têm sido incansáveis neste esforço, desde logo garantindo que temos alunos porque aqui muitas famílias não consideram a escola uma prioridade e isso obriga-nos a um enorme esforço para que entendam a importância da formação no futuro dos seus filhos. Já referiu o apoio da autarquia, tem sentido esse apoio desde que aqui chegou? A 200%. Com todas as dificuldades que a própria autarquia tem, a ajuda te sido incrível. Também por parte do grupo desportivo esse apoio tem sido incansável, mesmo em situações complicadas e que nem sempre devemos ser nós a dar resposta. Ainda me sinto um elemento um pouco estranho até porque não sou de cá mas sinto que o trabalho está a ser feito com calma e que as pessoas entendem o que estamos aqui a fazer, mesmo sendo difícil estamos a conseguir avançar. Sente que o facto de ser de fora também o ajuda nessa gestão? Era mais difícil implementar todas estas alterações sendo daqui da Pesqueira? Tenho duas opiniões quanto a isso, mas não sei dizer qual a acertada. Pessoalmente nunca coloquei a amizade ou o fator familiar acima da gestão de qualquer empresa. Aliás, assim que se soube que eu ia assumir a direção da escola automaticamente recebi pedidos de pessoas que conheço que queriam vir para cá e como facilmente se pode verificar, não está cá ninguém dessas pessoas, nem provavelmente virão, a não ser que seja extremamente necessário e sejam os melhores para a função. Acabei por, depois de já cá estar, encontra aqui um docente que foi meu aluno na universidade. Sinto que as pessoas aqui têm uma relação muito endogâmica com a vila, uma das primeiras

reações que tive à minha contratação foi: “mas que relação tem o senhor com a Pesqueira para vir trabalhar para cá?”. Uma coisa eu posso garantir, a minha preocupação é esta escola e, se não conseguirmos dar a volta à situação atual considero que será uma catástrofe para a vila por três razões: em primeiro pelo apoio social que prestamos aos alunos que aqui estudam, em segundo pelos recursos humanos que aqui trabalham e em terceiro pela forma como esta escola pode catalisar a região como um todo e que pode assim ficar comprometida. E considera que as pessoas têm essa noção de importância desta escola? Sim, acredito que sim. É normal que as pessoas estejam cansadas de lhes estarmos sempre a pedir mais um esforço em prol da escola mas não temos outra solução. Não entendo os esforços anteriores que foram pedidos, por desconhecimento. Provavelmente muito do que lhes peço agora já foi pedido mas agora fazemos as pessoas entenderem o porquê desse esforço. Nesta função o meu papel é olhar para a frente e não ao que ficou para trás e foi isso que expliquei a toda a gente. Foi nessa perspetiva que assinou um contrato de apenas um ano? Sim, fui eu que pedi para ser apenas de um ano por dois motivos: primeiro porque só quero assumir se conseguir e se não conseguir não quero ter que sujeitar a escola ao pagamento de salários e indemnizações, aliás o custo que a escola teve no passado com indemnizações foi gravíssimo do ponto de vista financeiro e eu não quero isso para mim; em segundo porque se eu não conseguir dar a volta à situação então é porque não consigo e é melhor dar lugar a outro. Não quero ser o Nosso Senhor milagreiro mas também não quero ser o Cristo crucificado.

Mas acredita que é possível dar essa volta? Claro que sim, não depende só de nós mas acredito que sim. Há aqui uma vertente política importante, como já expliquei, mas também aí temos um forte apoio da câmara. Temos recorrido a uma série de apoios que temos obtido e que nos têm ajudado, permitindo que em março tenhamos já as nossas contas em dia e isso é muito positivo. Não vamos ter ainda lucros mas também não queremos ter dívidas, seja com alunos, professores ou fornecedores. Um mês depois de assumir o cargo, está arrependido da aposta que fez? Não, sem dúvida nenhuma que não. O desafio que me foi colocado foi grande mas aquilo que vim encontrar foi ainda maior do que o que me foi apresentado. Confesso que têm aparecido algumas surpresas mas temos tido capacidade de os resolver. Quando aceitei este desafio tinha a clara noção da dificuldade que ia ser e quem tem experiência em gestão sabe que se está à espera de 10, no final serão 20 ou 50, ou seja, é sempre diferente do que esperamos. Confesso que me está a custar tomar algumas medidas que tivemos de tomar, apesar de ter noção que estão a ter impacto e que terão reflexo no futuro. Não vou traduzir em número mas havia aqui 4 meses de salários em atraso e uma dívida grande aos fornecedores, agora o cenário está a mudar e para isso muito contribuiu a Câmara mas também o Crédito Agrícola que são os detentores da Asdouro em conjunto com as nossas medidas. O importante é que estamos a conseguir colocar as contas em dia, controlando a despesa para ficar com verba para ir saldando essas dívidas, mesmo quando algumas faturações aparecem de surpresa e já de datas anteriores.

Foto DR

Para terminar pedimos-lhe que deixe uma mensagem aos pesqueirenses. A mensagem que quero deixar não é tanto aos pesqueirenses mas a todos os colaboradores desta escola pedindo-lhes desculpa por tudo isto que estão a reviver e que não é culpa deles. Também não sei de quem é nem me cabe a mim apurar isso. A segunda menagem vai também para eles e é de agradecimento, pela forma como estão a encarar este projeto, acreditando que quando chegarmos a setembro tudo esteja já no caminho certo. Uma mensagem final para a Pesqueira é simples, esta escola precisa da Pesqueira por isso todos aqui são muito importantes, para as diferentes ofertas formativas que temos. Acho que ainda falta as pessoas perderem o estigma da escola profissional. Nós aqui formamos profissionais de excelente qualidade. Um psicólogo com curso superior, muito provavelmente vai para o desemprego e mesmo que vá trabalhar poderá auferir um salário de mil e pouco euros, em contrapartida, um bom cozinheiro pode ganhar três mil euros, por isso é preciso perder este estigma. ■


26 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Opinião

Economia social no presente

Eduardo Graça Presidente da Direcção da CASES

No âmbito da economia social, em Portugal, assinalo dois acontecimentos revelantes que tiveram lugar recentemente. O primeiro diz respeito a uma questão bem mais importante do que possa parecer à primeira vista: a questão estatística.

Na verdade sem conhecer os números de uma determinada realidade torna-se difícil atuar no âmbito da mesma, ainda mais quando se trata de definir, e desenvolver, políticas públicas. Na verdade foi possível, desde a criação da CASES em 2010, criar condições com o apoio inestimável, e obrigatório, do INE elaborar, e publicar, duas Contas Satélites da Economia Social, com dados de 2010 e 2013. Através deste instrumentoestatístico é possível conhecer o peso da economia social na economia nacional quer no que respeita, entre outros indicadores, à criação de riqueza, como de emprego. E a informação obtida confirma a importância da economia social, através das suas mais de 60 000 entidades, em particular, na criação de emprego remunerado (a tempo completo) que se situa na casa dos 6%, o que quer dizer que a economia social é um

dos setores de atividade que, em Portugal, mais contribui para a criação de emprego. Com efeito, a Conta Satélite da Economia Social, no âmbito das suas edições anteriores, com base em dados dos anos de 2010 e 2013, publicadas, respetivamente, nos anos de 2013 e de 2016, revelou-se um instrumento estatístico, singular e inovador, fundamental para aferir da dimensão e da relevância do setor na economia nacional, com repercussões ao nível interno e internacional. Ora, recentemente, nos termos da 50.ª deliberação do Conselho Superior de Estatística relativa ao plano de atividades para o Sistema Estatístico Nacional 2018, que respeita os “Principais objetivos das Autoridades Estatísticas para 2018”, e em concreto ao INE, encontra-se prevista, no âmbito das “Atividades mais relevantes na atividade estatística”, a “Compilação da Conta Satélite da Economia Social 2016

(a divulgar em 2019). Tal decisão significa que, no decurso do presente ano, deverá ser elaborada a terceira edição desta Conta Satélite permitindo, o que não é pouca coisa, constituir uma série estatística que além dos dados estáticos referentes ao ano a que reporta, permitirá realizar análises de evolução do setor ao longo do tempo. Um outro acontecimento com significado diz respeito à reunião realizada no passado dia 7 de fevereiro, em Lisboa,entre Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), representada pela sua direção, e responsáveis técnicos, e a Diretora Geral do Trabajo Autónomo, de la Economía Social y de la Responsabilidad Social de las Empresas, de Espanha, D.ª Carmen CaseroGonzález.

Tal encontro decorreu no âmbito do“Memorando de Cooperação e Assistência Técnica em Matéria de Politica Social, Emprego e Segurança Social”, celebrado entre os governos de Portugal e Espanha, tendo sido debatidas, no que respeita à economia social, diversas questões de interesse comum, assim como delineados os processos para a concretização das propostas previstas naquele memorando. Com este encontro foi dado mais um passo significativo para a cooperação entre Portugal e Espanha, no âmbito da economia social, augurando que, no futuro, cada um dos países possa beneficiar, através de ações concretas, em particular nas regiões fronteiriças, com o conhecimento da realidade e a experiência do outro. Todos ficaremos a ganhar.

O Douro sabe bem...

Campeões que quebram maldições

Jornalista / licenciado em psicologia

A seleção portuguesa de futsal sagrou-se campeã europeia pela primeira vez na história, derrotando, na grande final, os espanhóis por 3-2, após prolongamento. Num jogo recheado de história e emoção, Bruno Coelho abandonara o terreno de jogo por lesão na fase inicial do encontro. Mas um guerreiro lusitano não vira a cara à luta e jamais se verga.

Foto DR

Tiago Nogueira

Por isso, e já muito perto do final do jogo, Portugal perdia por 2-1 e Jorge Braz arriscou tudo, colocando o seu 5 para 4, com Bruno Coelho na quadra. Ironia do destino, Pedro Cary assistiu para Bruno fazer o empate e colocar o país inteiro a sonhar. Estávamos, desta forma, no prolongamento. Já podíamos respirar um pouco melhor. Quando o pior aconteceu. Ricardinho lesiona-se e abandona o terreno de jogo em lágrimas. Onde já tínhamos visto este filme?! Aguenta coração. A 55 segundos do fim da final do Europeu, os deuses do futsal tinham uma prenda reservada para nós. Mas era preciso aproveitar. Livre direto. Bruno Coelho chamado de novo a jogo. O homem que estava lesionado. Cheio de dores no joelho. Lembram-se? O verdadeiro guerreiro lusitano. As unhas dos portugueses não aguentavam mais, já só queriam ver a bola beijar as redes espanholas. Coelho atirou a contar, marcando

o livre como mandam as leis, bem junto ao poste. E assim se fez história na Eslovénia, com Ricardinho a erguer o troféu que tanto desejava(m) e merecia(m). Recordo que o histórico de confrontos da nossa seleção de futsal com Espanha não era famoso: em 26 jogos, Portugal tinha ganho apenas uma vez, sendo que perdeu em 21 ocasiões. Mas os verdadeiros campeões quebram maldições.

Que o digam os nossos heróis de Paris, na final do Euro 2016, que já não derrotavam a França há 41 (!) anos. Num espaço de quatro anos, Portugal foi campeão europeu em Futebol de Praia (2015, ano em que também conquistou o Campeonato do Mundo), Futebol (2016) e Futsal (2018). São 12 as finais desde 2013 - nenhum outro país se pode orgulhar disto -, e ganhámos cinco delas.

Portugal, um país com talento e... personalidade, muita personalidade. Quanto mais sofrimento na luta, maior é o sorriso no final. Só podemos estar agradecidos por vivermos na geração destas seleções que elevam o nome de Portugal até ao ponto mais alto do desporto europeu. O ânimo sofredor e a valentia sem alardes. Mas que orgulho em ser português. Desde sempre. Para sempre.


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 27

Opinião

Como revitalizar o Douro? exige uma boa articulação da utilização dos fundos estruturais, em particular no atual cenário de reprogramação. Esta estratégia deve envolver, obrigatoriamente, uma forte ligação dos municípios da Comunidade Intermunicipal do Douro com o tecido empresarial e o sistema cientifico e, em particular, com a UTAD. Foi anunciado que o governo vai lançar esta semana um roteiro de inovação que envolve a criação de importantes parcerias internacioAntónio Fontainhas nais e a criação de Laboratórios Colaborativos, na qual o DouFernandes ro não pode ficar excluído. No Douro será criado o Laboratório Reitor da UTAD Colaborativo na área do Vinho e da Vinha, ancorada no ADVID A aposta na coesão e no desenvol- e que mereceu grande empenho vimento de regiões como o Douro pela UTAD. Além das conhecidas

parcerias internacionais com o MIT, Austin e Carnegie-Mellon, foi anunciada a criação de uma delegação do Instituto Fraunhoffer em Portugal, uma conhecida instituição pela relevância de articulação e de interação com o sistema cientifico e as empresas, com forte impacto na economia alemã. A criação no Douro de uma delegação do Instituto Fraunhofer no domínio da agricultura inteligente, seria de enorme relevância para o desenvolvimento da vinha e do vinho. Contudo, esta aposta exige a mobilização dos principais atores do Douro. A aposta na estratégia inteligente assente na investigação e inovação como prioridade para a Europa, mantendo a política de

coesão,exige vontade politica. A história mostra que os fundos estruturais de investigação e inovação não potenciaram a convergência. Pelo contrário, agravaram a concentração nos grandes centros urbanos. Atenuar o atual desenvolvimento requer políticas públicas de atraçãodetalentos para o Douro. Isto será possível se apostarmosna utilização inteligente dos recursos, mediante uma rede de polos regionais centrados na bioeconomia e novas tecnologias, caso do “smartfarming”, a dita agricultura inteligente. Mas, nos últimos tempos, foramdivulgadas notícias que irão reforçar Lisboa e Porto. Refiro-me à decisão de multinacionais investirem no digital em Portugal, atendendo à van-

tagem do custo do trabalho. Em contraciclo com o investimento em bens transacionáveis, também foi anunciada a intenção do governo privilegiaras acessibilidades dos grandes centros urbanos nareprogramação do Portugal 2020. Este tipo de investimento pode terum efeito bola de neve, em que melhores acessibilidades nas grandes urbes atraem mais talento, maior investimento eagravam o esvaziamento do resto do País. Estas decisões contrastam coma reflexão da Europa sobre o próximo quadro comunitário,que deve assentarnummodelo de desenvolvimento baseadoem ecossistemas de inovação territorial.Relembro que o atual quadro foi pensado à luz das políticas de coesão, enquanto instrumento de apoio às regiões menos desenvolvidas ou com especiais dificuldades estruturais.

cem destaque os Vinhos do Porto Tawny com Indicação de Idade. Em dezessete anos, as vendas cresceram, no mínimo, uma vez e meia no caso dos 10 e 20 anos. Já os 30 anos mais que duplicaram e os vinhos com mais de 40 anos chegaram a triplicar, em valor. Assim, os Porto com Indicação de Idade, que em 2000 geraram vendas de 352 mil caixas, cujo valor ultrapassava os 39 milhões de euros, foram seguindo um movimento, em geral, crescente. A comercialização destes vinhos acabou por atingir, em 2017, as 548 mil caixas, correspondente a um volume de negócios de mais de 67 milhões de euros.

O ano de 2016 regista um forte aumento nas vendas de vinhos com Indicação de Idade, de 6% em quantidade e de 12% em valor. Já em 2017, é de assinalar o significativo acréscimo dos 30 anos com subidas de 19% e 18% respetivamente. Quanto aos mercados para os Vinhos do Porto com Indicação de Idade, no ano passado, os cinco principais países foram Portugal com 14 milhões de euros, Estados Unidos da América com 13 milhões, França e Reino Unido, ambos com 7 milhões, e Holanda com 6 milhões. No caso de Portugal, todos os vinhos com Indicação de Idade registaram evoluções muito positivas, sendo este um dos fatores que levou

o nosso país a ultrapassar a França no ranking dos principais mercados para este tipo de vinhos. No resto do mundo, enquanto nos E.U.A. se destacaram os 20 anos, no Reino Unido sobressaem os 30 anos e os mais de 40 anos, e na Holanda os 20 e 30 anos. O consumidor estará a mudar, os apreciadores de Vinho do Porto estarão a aprofundar curiosidade, conhecimento e experiências, a informação estará a disseminar-se e a promoção e formação sobre vinhos a surtir efeito. Tanto a produção como a oferta, a distribuição e o trabalho das marcas, dos agentes económicos e de todos aqueles que se dedicam ao vinho, em particular ao Vinho do Porto, criam hoje um conjunto de atrativos e de condições para nos levar a bom porto.

A bom porto

Manuel de Novaes Cabral Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP)

Nesta segunda década do século XXI observamos uma nova tendência nas vendas de Vinho do Porto, que têm vindo a registar uma linha ascendente em valor, apesar de algum decréscimo em quantidade. Para essa evolução positiva no volume de negócios, muito têm contribuído os resultados dos Porto Premium, com um preço médio sempre perto do dobro do preço médio geral e com uma representatividade crescente no total das vendas. Desde 2000 e até 2017, a quota de mercado dos Porto Premium aumentou significativamente, passando de 16,2% para 22,4% em quantidade e de 33,7% para 42,7% em valor. Entre essas categorias, mere-

Um Douro em rede é um Douro melhor

Ricardo Magalhães Vice-Presidente da CCDR-N

Tive há uns dias o gosto de regressar a um dos concelhos mais longínquos da Região Norte, mas que, nem por isso,

ou talvez por isso mesmo, não é seguramente dos menos interessantes. Trata-se de Freixo de Espada à Cinta. Desta terra basta apenas a evocação do seu nome tão poético para logo um manancial de memórias e imaginação fantasistas nos transportar para tempos recuados medievais e suas lutas de reconquista, mas também de mouros inseridos ou de judeus acolhidos numa sociedade para cujo desenvolvimento económico contribuíram decididamente. Vila longínqua seja para quem está na cidade do Porto ou em Vila Real e Régua, mas também em Bragança ou Chaves. Uma terra que, como muitas outras do nosso despovoado Interior, se defronta com sérios problemase para

cuja resolução, reconheça-se, não basta as vontades políticas dos responsáveis locais. Importa que o atual ciclo de planeamento económico e social seja bem aproveitado, mas em Freixo há que pensar, desde já, no novo ciclo que se avizinha, pós 2020. Apesar doelevado grau de atendimentode redes e sistemas básicos, essenciais para a melhoria da qualidade de vida das populações locais ainda há muito a fazer. Basta olhar em torno da Estrada Nacional e no seu percurso. Percebe-se que falta energia falta gente em termos de dinâmicas demográficas, do ordenamento do território, da defesa da floresta. Não há conservação sem economia. E, já o sabemos, desenvol-

vimento e conservação são duas faces da mesma moeda. Mas, para além do valioso património, cultural e natural da região, o que desta vez me trouxe a Freixo foi outro motivo: a participação na mais recente reunião da Rede de Museus do Douro, uma rede que agrega os espaços museológicos da região duriense. Esta rede informal é um importante espaço de partilha e de permuta das experiências de cada um dos seus membros, postas ao serviço de todos, principalmente em termos de competências técnicas das respetivas equipas de trabalho. No Museu da Sede e do Território de Freixo de Espada à Cinta, onde decorreu a reunião, pude observar o ciclo da seda, desde a cultura dos

bichos-da-seda até à fiação e fabrico do fio e à tecelagem de autênticas e elaboradas peças em seda natural. Pude constatar que o Museu da Seda e do Território em Freixo é uma estrutura cultural que vive no território, contribui para o conhecimento, assumindo um papel de destaque na valiosa preservação do património da região, nomeadamente o imaterial. A Rede de Museus do Douro que, presentemente, congrega algumas dezenas de espaços museológicos do Douro, constitui, seguramente, uma plataforma de cultura de cooperação, em que saber estar, saber fazer, saber trabalhar em conjunto, pode concretizar uma demonstração prática de que o Douro funcionando em rede será seguramente um Douro muito melhor!


28 VIVADOURO FEVEREIRO 2018

Opinião

A identidade do Douro Sul

Domingos Nascimento Presidente da Agência Social do Douro

Na última reunião da Agência Social do Douro, essa estrutura que junta pessoas de diversas sensi-

bilidades políticas e sociais, falamos de identidade, a do Douro Sul! A identidade territorial, de forma simplista, entendida como construção da história e do processo relacional. O Douro Sul geograficamente é um território de corpo inteiro que se agiganta da foz do Távora, do Varosa e dos desfiladeiros do Paiva, até às Serras do Montemuro, da Lapa e de Penedono! É um território fantástico, multifacetado, riquíssimo! Para a identidade de um território, fazem quase tudo as pessoas e os seus

sonhos! Ao longo dos séculos as pessoas do lado Sul, subiram e desceram os rios e cruzaram-se nos socalcos da vida e fizeram do Douro o Rio das suas lágrimas, as de tristeza e as de alegria, que depois, desaguam sempre no mar! A organização administrativa, mas principalmente as opções políticas fizeram também muito para a formação de uma identidade que, aparentemente, em alguns concelhos, está adormecida ou, mais do que certo, em estágio vínico! Considerou-se nessa reu-

nião da Agência Social do Douro que, para construirmos futuro juntos, importa fazer crescer e valorizar a riqueza patrimonial e cultural de cada concelho e, dessa forma, mais fácil será fazer emergir, acordar ou respirar, a identidade do Douro Sul a cidade conceptual e simbólica! Para isso, devemos afirmar o Douro Sul como a Marca umbrella que nos une e nos permite sonhar! Cinfães, Resende, Lamego, Tarouca, Moimenta da Beira, Sernancelhe, Penedono, S. João da Pesqueira,

Tabuaço e Armamar - são os 10 concelhos, são as 100.000 pessoas. A Unesco criou um conceito de geoparque, podendo este conceito ajudar-nos na concretização do desígnio de ficarmos juntos. A Agência Social do Douro, vai durante este ano, apelar ao empenho político e de cidadania para a sobrevivência demográfica deste território, que só é possível se construirmos futuro unidos. O Douro Sul - com identidade, será a primeira cidade conceptual e simbólica de Portugal!

consegue identificar e distinguir 150 tons de cores diferentes,mas nem sempre isto acontece”. A incapacidade ou diminuição da percepção das cores designa-se por daltonismo ou discromatopsia.Esta designação surgiu em homenagem ao químico John Dalton, que possuía esta deficiência visual e a descreveu pormenorizadamente. Afeta uma percentagem significativa da população mundial quer em homens como mulheres. No entanto, o daltonismo é mais frequente nos homens. Geralmentea causa mais comumestá associada à genéticarelacionada com o cromossoma X, como os homens possuem apenas um cromossoma X e as mulheres doisocorre com maior frequência nos homens.O daltonismo é uma condição genética hereditária comum, isto é, que pode ser transmitido

pelos pais. O daltonismo também pode ser provocado por danos físicos ou químicos nos olhos, nomeadamente na retina ou nervo ópticoou em partes do cérebro. Doenças como o glaucoma, a diabetes, a esclerose múltipla, entre outras,são também possíveis causas do daltonismo. Existem vários tipos de daltonismo, sendo que os indivíduos com problemas na perceção das cores vermelha e verde são o tipo mais comum, seguindo-se os proble-

mas na perceçãodo azul e amarelo. Em muitos casosos sintomas são tão reduzidos que nem são percetíveis, no entanto, o daltonismo pode dificultar a aprendizagem e a execução de atividades rotineiras, como comprar frutas, escolher roupas e diferenciar as luzes dos semáforos. Nas crianças muitas vezes os sintomas são observados pelos pais, acriança acredita que vê bem e sem qualquer dificuldade de distinção de cores dado que sempre

foi a visão que teve. O daltonismo não tem cura,contudo, existem algumas formas de correçãode modo a melhorar a qualidade de vida do daltónico, como utilização de lentes específicas, constituídas porfiltros coloridos. Para mais esclarecimento, não hesite em visitar-nos na Multiopticas – Óptica Oliveiras emLamego, Régua, São João da Pesqueira e Albergaria-a-Velha, teremos todo o gosto em recebê-loe apresentar a melhor solução para si.

Daltonismo

Dr. Patrícia Optometrista (Ótica Oliveiras Multiopticas Lamego, Peso da Régua, S. João da Pesqueira e Albergaria a Velha)

“Quando se pensa em arco-íris, ou quando pedimos a uma criança para desenhá-lo, imediatamente surge um desenho com várias cores e tonalidades.Só que esta realidade nem sempre é tão colorida para todas as crianças. Há quem não consiga distinguir cores.Uma pessoa com visão normal

Teste de Daltonismo


VIVADOURO FEVEREIRO 2018 29

B OA S FE ST AS

RECEITA CULINÁRIA VIVADOURO

Lazer Piadas de bolso: O Joãozinho telefona para a Assembleia da República: - Bom dia, queria ser um deputado. O que é preciso? Funcionário: - Mas, você é louco? - Sim, o que é preciso mais?

Escola de Hotelaria e Turismo do Douro - Lamego Pão-de-ló com Noz

Ingredientes 5 Ovos 15 Gemas 250 gr açúcar 190 gr farinha 100 gr miolo de Noz

“Em nome da Câmara Municipal de Tabuaço desejo um Natal Feliz e

Preparação

Bater as gemas com os HORÓSCOPO O Presidente da Câmara Maria Helena ovos juntamente com Socióloga, taróloga e apresentadora o açúcar até duplicar a 210 929 000 mariahelena@mariahelena.pt quantidade. De seguida juntar a farinha envolvendo com Amor: Evite uma relação amorosa que já não o faça cuidado. Juntar o miolo feliz. O seu bem-estar depende da forma como ende Noz. cara os problemas. Numa forma de barro Saúde: Alguns problemas familiares poderão fazer própria forrar com pacom que se sinta triste. Cuide da sua saúde. Não é pel de almaço. Verter uma questão de querer, é um dever. o preparado e levar ao Dinheiro: Deverá evitar ter problemas com identidades bancárias. forno a cozer durante 40 minutos a 220º um ano de 2018 pleno de realizações pessoais e profissionais”

(Carlos André Teles Paulo de Carvalho)

Piada do ex-namorado A menina manda uma mensagem para seu ex-namorado: – Tudo bem contigo? O ex responde: – Não, estou com frio, com fome e sem dinheiro. Só faltas tu aqui… – Para te fazer companhia? – Não, para completar a tragédia! O português estava a caminhar na rua e um carro para ao lado dele a pedir informação: – Você viu uma senhora de vermelho a dobrar a esquina? E ele responde: – Não, quando cheguei aqui a esquina já estava dobrada.

Foto: DR

Desafio VivaDouro

SOLUÇÕES:

Solução: 4. De acordo com o princípio de Arquimedes, o volume de água deslocado pelo gelo é igual ao peso do gelo. Inicialmente, quando o pedaço do iceberg se partiu, o nível da água baixou. Mas ao derreter, o gelo tornou-se água com o mesmo peso, compensando o volume. Desta forma, o nível da água não mudará.


Armando Mateus: “Este é o maior festival gastronómico que temos na região” A quinta edição do Festival de Sopas e Encontro de Ranchos realiza-se este ano entre os dias 16 e 18 de fevereiro. Uma mostra gastronómica e de tradições que leva milhares até à Terra da Castanha, Sernancelhe. Esta é a 5ª edição do Festival das Sopas, podemos afirmar que é um evento que veio para ficar? Com certeza. As anteriores edições revelaram, desde muito cedo, que este é um evento com grande capacidade e aceitação e que interessa ao concelho desde logo porque atrai muita gente. Acredito que a potencialidade do evento está ligada à essência do próprio festival, quer pela parte da gastronomia quer pela parte da etnografia e das tradições. A gastronomia porque está em voga, Portugal é cada vez mais uma referência neste setor, em especial pelo nosso tipo de dieta conhecida por mediterrânica da qual faz parte a sopa. A sopa é também um elemento muito ligado à etnografia e às tradições, em especial em zonas do interior. Porquê a realização do festival nesta altura do ano? Comer sopa torna-se mais agradável no inverno, num tempo mais frio que gere a necessidade de ingerir produtos mais quentes, mais reconfortantes como é o caso. Como são selecionadas as sopas que são apresentadas? Esse é um trabalho feito pelas associações participantes, são eles quem pesquisa no baú as receitas mais típicas da região, recorrendo aos nossos produtos endógenos. A realização em simultâneo do Encontro de Ranchos Folclóricos é evidência da ligação às tradições e etnografia que referiu? Quando pensamos no Festival de Sopas ele não era novidade, já se realizava em outros locais, por isso pensamos logo em fazer algo diferente, daí surgir a oportunidade de realizar o Encontro de Ranchos. Outra explicação é que o Rancho Folclórico Sernancelhe, Terra da Castanha, já realizava um encontro mas na época do verão. Do nosso ponto de vista esse evento não era devidamente potencializado, daí ter surgido a ideia de juntar os dois eventos num só. A participação do Rancho Sernancelhe, Terra da Castanha é essencial até porque é um parceiro fundamental na organiza-

ção do encontro, desde logo por serem os responsáveis pelo convite aos outros grupos participantes, tentando ter sempre connosco os melhores. O que pesa mais neste Festival, as sopas ou os ranchos? Podemos dizer que o grande atrativo são as sopas, no entanto os ranchos são essenciais. Utilizando uma comparação gastronómica podemos dizer que os ranchos são a sobremesa do evento, ou seja, sem eles a refeição não ficaria completa. Mencionou já que são as associações locais que são responsáveis pela elaboração das sopas, como surge esta fórmula? Quando organizamos um evento desta dimensão é essencial a participação dos diferentes agentes do concelho e as associações representam aqui um papel muito importante. Há ainda um outro fator que é o financiamento dessas associações. Elas não podem ser dependentes de subsídios camarários e a participação neste evento é também importante para que possam realizar algum dinheiro para as suas atividades. Um sinal do sucesso desta fórmula é o crescente pedido de participações que temos tido, começamos com 14 e vamos já em 17. Importante aqui ressalvar que para além das sopas nós incentivamos as associações a apresentarem mais produtos. A sopa pode ser o chamariz para que a pessoa chegue até eles podendo depois adquirir outras iguarias, aumentando assim também a possibilidade de realizar mais dinheiro. Não faria sentido alargar o âmbito de festival e abrir o mesmo a restaurantes locais, por exemplo? Não, não faria sentido. A essência do festival é esta, a participação das nossas associações, por isso o foco devem ser elas. E para quem visita, como funciona o Festival? Acima de tudo este festival pretende ser um festival de provas. À entrada cada pessoa, pelo preço de 3 euros, adquire uma tigela, que aqui chamamos de malga, e é-lhe também dado um passaporte. À medida que vai percorrendo o recinto pode provar todas as 17 sopas, sendo assinalado no passaporte as provas que já fez. Há uma eleição da Melhor Sopa no final do evento? Inicialmente a ideia era essa e o passaporte surge como forma de ajudar as pessoas a classificar as sopas que iam provando, no entanto acabamos por nunca fazer essa eleição, até porque percebemos que a participação das associações não tinha esse propósito. Optamos por apostar na união em promover os nossos produtos e a nossa região em vez de

uma aposta na rivalidade, se bem que saudável, entre as associações. Apesar disso acabamos por manter a ideia do passaporte que acabou por servir outro propósito, o de registar quais as sopas que cada pessoa já tinha provado. Isto porque, começamos a reparar que se uma pessoa gostava de uma sopa acabava por repetir a prova e essa não era a ideia que nós queríamos, até porque acabava por se desperdiçar muita sopa. A ideia não é punir as pessoas mas sim que elas entrem no espírito do evento provando todas as 17 sopas apresentadas. Referiu já que a pesquisa das sopas é feita pelas associações, existe algum critério a seguir nessa pesquisa? Sim, desde logo têm que ser sopas que estejam ligadas às nossas tradições e costumes. Como é obvio a castanha tem aqui um papel de destaque com presença em diversas sopas: a própria sopa de castanha, sopa à lavrador com castanha, entre outras. Depois temos muitas mais também com forte ligação à nossa história: a sopa de gravanços (grão-de-bico) com bacalhau, a sopa de cebola com moira, a sopa de javali, a sopa de caça, a sopa de peixe que é feita com peixe do rio, a sopa de feijoca, de nabo, são imensas as sopas que temos para apresentar. Depois temos ainda sopas ligadas a tradições e lendas como é por exemplo a sopa das 3 Marias que eram três irmãs muito pobres e que basicamente faziam uma sopa com os ingredientes que tinham disponíveis, o que lhe dá uma característica única pois acabava por nunca ser igual. Para quem vem de fora este Festival é um cartão-de-visita gastronómico do concelho? Sem dúvida, essa é a nossa ideia. Este é o maior evento gastronómico que temos e não só as sopas mas também a decoração do espaço aca-

bam por ser um espelho do que melhor se produz e faz no concelho a este nível. Como já referi atrás, as associações são incentivadas a apresentar mais produtos além das sopas e aí conseguimos alargar o leque de iguarias que contam a nossa história gastronómica. Por exemplo, a Associação Cinco Reis de Gente apresenta os Fálgaros do Carregal, um doce conventual único da freguesia de Tabosa do Carregal, da zona ribeirinha chegam petiscos como os peixes do rio em escabeche, da montanha vêm os enchidos. Tudo muito tradicional e típico. As sopas são o mote para um vasto manjar. Para além das sopas e da etnografia, que outros aspetos podemos salientar deste Festival? Sim, temos também uma pequena mostra de artesanato mas um artesanato associado a um ofício. Aí as pessoas poderão encontrar um sapateiro, uma costureira, tecelagem, ourives, doceiras, entre outros. Depois temos também um lado mais expositivo que fica entregue ao Rancho Folclórico Sernancelhe, Terra da Castanha. Este ano essa exposição será composta por fotografias antigas do nosso concelho, dos anos 20, 30 e 40. A exposição etnográfica também está presente com a montagem de uma cozinha regional, uma sala e um quarto, acabando por complementar toda a essência deste festival. Uma última mensagem, um convite, para aqueles que pensam visitar Sernancelhe durante os dias do festival? O convite que faço é que as pessoas aproveitem este inverno para rumarem até Sernancelhe e que durante este três dias venham experimentar os nossos produtos endógenos e conhecer um pouco melhor o nosso concelho.


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Vivadouro fevereiro 2018  

Edição de fevereiro de 2018 do jornal VivaDouro #VivaDouro #jornal #Douro #notícias

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