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NOVO MAS JÁ OBSOLETO O Laboratório

Central de Criminalística pouco ajuda no esclarecimento de crimes .16

acapital #471

Director tandala Francisco ano 9 nº 472 01 a 08 de outubro de 2011

sábado. 01 de outubro de 2011 preço 250 Kz

QUEM ganha O FILÃO? “anónimo” assume controlo das empresas Arosfram, Golfrate e Afribelg.04


Q

acapital #471

PROPRIEDADE MEDIVISION, S.A. DIRECTOR Tandala Francisco DIRECTORA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA Marcela da Costa EDITOR CHEFE José dos Santos santocas14@hotmail.com CHEFE DE ARTES GRÁFICAS Licínio Queiroz queiros0077@hotmail.com EDITOR DE SOCIEDADE Lutock Matokisa lulimatokisa@yahoo.com.br EDITOR DE ECONOMIA Presbítero Lundange presbiterolundange@hotmail.com EDITOR DE DESPORTO Zugú Epalanga zuguepalanga@hotmail.com EDITOR DE CRIME Mariano Brás ianobras@hotmail.com Redacção Domingos Júnior, Mirene Cruz, Andreza Dombala, Diniz

Kapapelo, Miguel Daniel, Emanuel Bianco e Dionísia Guerra COLABORADORES PERMANENTES Mário Paiva, Pablo Mendes, Justino Pinto de Andrade e M. Azancot de Menezes Paginação e Designer Vladmír André ‘‘Menongue’’ e Nicholas Marco FOTOGRAFIA Carlos Muyenga, Francisco Botelho e José Diogo Distribuição e Vendas Administração/A Capital Impressão Damer Gráficas S. A. Endereço Rua Padre Manuel, Ruela Pombo, n.º 12, Maianga, Tel. 923254848, 931694059, 931694058, 222 350067 e 222 350567 e-mail: acapitaljornal@gmail.com Luanda - Angola REGISTO MCS - 304 - B - 2001

!

As opiniões expressas pelos colunistas e colaboradores do Semanário A Capital não engajam o Jornal

asfrases “Uma das pessoas que falou isso é o senhor Makuta NKondo que fica a faltar respeito às pessoas que nem conhece, pensa ser o Bakongo mais inteligente mas não é. Eu gostaria de um dia ter um debate com ele na comunicação social no sentido de esclarecer determinadas coisas”..

Bento Kangamba, empresário e político, em entrevista ao Folha 8.

“(…) Não podemos falar do combate à pobreza se as vias de comunicação não forem devidamente reparadas. (…) Não há fomento agrícola, mas sim negócios com os camponeses. Porque os empresários locais que têm inputs agrícolas estão a exigir, dos camponeses, o reembolso num prazo de seis meses”..

amélia judith, secretária provincial da UNITA.

“(...)preocupa muito porque está a aproximar-se da época das chuvas e não sei como vamos fazer. Se fechar a estrada e nós não tivermos como circular, as pessoas tiram o negócio aqui no Lubango uns tiram peixe no Namibe”.

Notícia da voz da américa, referindo-se ao deslizamento de terras na Serra da Leba.

uando entrei naquela sala, estava tão assustado que as mãos tremiam, fugindo-me do controlo. Alguém indicou uma cadeira com estofo de couro preto na qual me sentei rapidamente, olhando para a parte de trás de um computador com a mesma cor, onde um homem forte, a exibir um bigode farto, se preparava para escrever tudo quanto dissesse. A princípio, a sala estava envolta em silêncio tal que quase podia ouvir as batidas do meu ritmo cardíaco acelerado em notas de medo e, até, de algum pânico. André Dambi estava ali, do meu lado direito, a observar como tinha os lábios semicerrados e os olhos esbugalhados enquanto tentava perceber o que seria de mim em seguida. Passou a mão pelo meu ombro esquerdo e, sereno, disse-me que tudo correria bem, que não precisava de estar preocupado. E, felizmente, correu tudo muito bem. São momentos do dia em que conheci o advogado André Dambi, falecido, nesta semana, vítima de uma repentina doença. Já nos comunicávamos antes, por telefone. Mas aquela manhã marcou o nosso primeiro encontro físico, numa das salas da actual sede da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), onde estávamos, eu, acusado de um crime de abuso de liberdade de imprensa e, ele, na qualidade de advogado. Foi-me indicado pelo doutor David Mendes e, quando, ainda ao telefone, contei-lhe os detalhes do caso, rápido percebeu que não havia crime por ali. Logo profetizou que o processo acabaria arquivado como, aliás, foi, felizmente para ambos. Recorri, várias vezes, aos seus serviços noutras ocasiões e indiquei-o como advogado a vários amigos necessitados. A satisfação foi unânime. É comum, em situações como essa, as

aboca

Desabafos de um homem sem fé

t. francisco

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escrita capital pessoas fazerem vários elogios a título póstumo. Mas no caso de André Dambi, penso que ele é merecedor deste texto como, também, de qualquer referência positiva que seja feita ao seu valor como ser humano e como profissional de Direito. Respeitei o doutor Dambi como a poucos, nesse mundo, e nutri por ele uma admiração, inspirada pelo seu elevado envolvimento em causas cívicas. Não tinha, portanto, como evitar o choque ao receber a notícia da sua morte repentina. Deixei o espírito fraquejar a ponto de me ver envolto em análises filosóficas, típicas da ocasião, sobre a justiça divina e, claro, sobre o sentido da vida, procurando entender como se tira, dentre os vivos, uma pessoa tão jovem e dinâmica numa altura em que muitos dos seus semelhantes ainda carecem dos serviços que prestava com inquestionável talento e elevada decência. A filosofia deu lugar a umas tantas lágrimas. Afinal, é apavorante a ideia de não voltar a ver um amigo, uma pessoa

tão querida; mas logo endureceu-se-me a alma, já treinada pelos inúmeros contratempos, testada por um número sem fim de duras experiências que se não me tornaram insensível aos menos roubaram a fé que tinha na doutrina cristã, particularmente no que ensina sobre a justiça divina e sobre vida após a morte. Faltam-me palavras para confortar a família que ficou sem um pai, um irmão, um filho. E gostaria, tal como ele fez comigo, de passar a mão no ombro de cada uma das pessoas que lhe eram queridas e dizer-lhes que tudo acabaria bem. Mas não posso fazê-lo, consciente, como estou, das dificuldades que se lhes hão de cruzar pelo caminho, sejam espirituais ou materiais. Resta-nos, afinal, apenas uma certeza: que se há um sentido na vida, uma razão para a nossa existência, ele cumpriu-a muita bem. E eu sou uma testemunha viva da sua obra bruscamente interrompida. Descanse em paz, doutor, onde quer que esteja agora.


ter 27 ministro do interior ordena expulsão de estrangeiros ilegais no país qua 28 CM aprova decretos sobre regime de crédito habitacional qui 29 Serviço de Migração e Estrangeiros inaugura portal institucional

josé dos santos

S

eu tive um sonho

impressão digital

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m dia eu tive um sonho. Não tão igual, não distante do de Martin Luther King. Sonhei que no meu país, já ninguém queria ser instrumentalizado, controlado, calado e ameaçado. Sonhei que as pessoas, cansadas da guerra, estavam também cansadas do conformismo. Sonhei que ninguém queria mais continuar fechado no seu próprio jardim. Sonhei que todos queriam se ver livres da ignorância. Sonhei que todos os talentos do meu país tiveram direito a oportunidade igual. Sonhei que, mesmo diante de tantas agruras, todos os angolanos, sem excepção, tiveram o direito de voltar a ser feliz. Sonhei que as ovelhas guiadas por um só pastor se tinham dispersado, com o receio de, tal como outros sem rosto, acabarem espetados sob incandescente labaredas.

Sonhei que o meu país, esta pátria que me pariu, queria mostrar a sua verdadeira cara. Que havia, dentro de prenhe cobardia, uma raça que se mostra sem medo. Sonhei e continuava a sonhar que não havia que quisesse trair a pátria. Que todos confiavam em si mesmo. Que com fé e esperança seguiríamos para frente. Sonhei que se havia acabado os limites para que quisesse, na verdade, conquistar o seu pedaço de chão. Sonhei que não havia mais distinção entre aquele que come com garfo de prata e quem, à falta de melhor escolha, come com as mãos. Sonhei que caiu do céu maná suficiente para alimentar todos. Que todos deixaram para trás a ginástica de perscrutar o lixo algo para responder ao apelo do estômago. E o sonho prosseguiu: a ignorância de muitos deu lugar, primeiro, à reflexão. Tinha ficado para trás. No meu sonho, as crianças, de vários extractos sociais e várias cores corriam todas alegres. Não era mais

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destaques

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obrigadas a calcorrearem as ruas, sob forte ameaça de atropelamento, a vender o que lhe caiu às mãos para, ao menos, levar um pedaço de pão à boca. Não havia mais fome, nem miséria. Os homens adultos eram tolerantes com as crianças, a quem, aliás, davam tudo o que elas mereciam. Não havia mais gasolina para cheirar e drogar-se, para assim esquecer do presente e ignorar o futuro. Que as crianças não portavam mais armas de fogo para assaltar o próximo ao virar de qualquer esquina. Naquele sonho vi uma só Angola. Não uma Angola que prospera e outra que sofre. Não aquela Angola onde muitos trabalham e poucos apenas desfrutam. Não meu sonho não houve espaço para colossais assimetrias. Não havia uns de tanga e outros de terno e gravata. Não existia, no meu sonho, uma Angola linda e outra que, por exemplo, exala mau odor. Era uma e a mesma Angola. Era uma Angola que, alem da paz, gozava de muita saúde e trabalho para todos, onde todos frequentavam a escola. Sonhei e fiquei carregado de fé de que a vida é linda. Sem pessimismo, sem negativis-

Naquele sonho vi uma só Angola. não uma angola que sofre e outra que sofre. Não aquela Angola onde muitos trabalham e poucos apenas desfrutameça? Como é que o inavic se tenha feito quedo e mudo

mo. Tudo era positivo. No meu sonho, pelo menos, nunca perdi a confiança de que seria sem norte. No sonho vi que a vida pode melhorar. Eu tive um sonho de que deixaria somente de viver de esperança. No seu sonho, aprendi que apenas queria só amor. Nada de armas. Nada de terror. Sonhei que o filme de terror tinha ficado para trás. No meu sonho pude ver, afinal, que nem sequer é o Diabo que paga para vivermos apenas de esperanças. No meu sonho aprendi a ter fé em Deus. Passei a entender que, mais do que se dizia, Deus não é nada angolano. Que Deus, mesmo que não mande dinheiro para nós, ao menos consola alguns pobres de espírito, alguns desgostados. E tudo, no meu sonho, parecia um paraíso. Havia jardins por todos os lados, onde muitos corriam, havia fartura, não havia mais fome, nem sede na minha terra. E era o meu sonho. E o sonho comanda a vida. Mas, era apenas um sonho. Despertei. Lá se foi o sonho... Eu tive um sonho. Mas, conformado, acabei por ajeitar para enfrentar o pesadelo de todos os dias da minha vida.

afigura

F

GPL. Em condições normais, os fiscais a soldo da edilidade de Luanda deveriam pautar a sua actuação com mais racionalidade. A prosseguir com os métodos musculados, como tem acontecido nos dias que correm, os mesmos estão sujeitos a obterem uma resposta ao mesmo nível por parte das pessoas que se vêem lesadas por troglodita acção. Em nenhum momento está plasmado que tais elementos foram apenas talhados para andarem aos cacetetes com aqueles que, em busca da sobrevivência, invadem o tal casco urbano que se pretende tão guarnecido por esta espécie truculenta de ‘tonton macoute’. D.R.

tendências

ANDRÉ DAMBI faleceu, nesta terça-feira, em Luanda, o advogado e amigos desta casa, que era até à data da sua morte, um dos responsáveis da Associação Mãos Livres. O seu desaparecimento prematuro é associado a problemas respiratórios, que o levaram a internar na Clínica Multiperfil. Dambi foi acérrimo defensor dos direitos humanos, apoiando caso de cidadãos sem recurso a advogados. A direcção deste jornal e o seu colectivo de trabalhadores endereça à família enlutada e os membros da Associação Mãos Livres, sentimentos de profundo pesar e dor.


a capital, sábado, 01 de outubro de 2011

angola 04 S

Arosfran, Afribelg e Golfrate: Que futuro?

novos donos sem rosto

antigos sócios afastados. E agora, quem são os titulares destas três empresas que comandaram a distribuição de bens alimentares para a população angolana, com recurso a uma impressionante teia de contactos?

e, por um lado, embora lacónico o comunicado do Ministério do Interior não deixou dúvidas sobre as razões da expulsão, do território angolano, de um número tão elevado de estrangeiros fica-se, porém, com uma pulga atrás da orelha ao constatar-se a ausência, na lista, do nome de Kasseem Tajideen, libanês conhecido como sócio maioritário da associação entre as empresas Arosfran e Afribelg, e dono da Golfrate Group. Sem estas explicações, levanta-se, de imediato, uma dúvida sobre o futuro das empresas então detidas por esse empresário, algumas delas em sociedade com angolanos, casos da Arosfran e da Afribelg, e, noutra, isoladamente, a exemplo da Golfrate Group. A este respeito, o semanário A Capital contactou o empresário angolano, Kito Dias dos Santos. Este optou por não fazer muitas declarações públicas sobre o caso. Mas disse, entretanto, que a Arosfran era, para ele, “como um amor platónico”, sentimento que estendeu à Afribelg. “Já não há o que dizer sobre isso”, referiu o angolano, ao salientar que “essas empresas já não existem” e que “tudo o que a comunicação social difundiu até aqui, é verdade”. As curtas palavras do empresário remetem-nos às notícias veiculadas no princípio deste ano sobre a existência de pressões, para que os sócios da Arosfran e da Afribelg abrissem mãos dos seus activos a favor de um grupo de empresários nacionais, entretanto não identificados. Quatro meses depois, estas informações foram reforçadas com declarações públicas do angolano Kito Dias dos Santos a darem conta da sua completa desvinculação do grupo Arosfran, incluindo das suas empresas associadas, com destaque para a Afribelg, assim como dos negócios de Tajideen ligados à Golfrate Group. Nem Kito Dias dos Santos, nem Kasseem Tajideen, segundo aquelas declarações, detinham mais interesses nas empresas de que eram proprietários. Em Julho, último, comentou-se sobre uma reunião mantida entre os


a capital, sábado, 01 de outubro de 2011

O empresário Kasseem Tajideen foi identificado, pelo

departamento de tesouro dos EUA, como um dos principais financiadores do Hezbollah, organização libanesa que combate, fundamentalmente, os israelitas, no Médio Oriente e tida internacionalmente como terrorista. Já em Janeiro deste ano, bancos angolanos, entre os quais o Banco Africano de Investimento (BAI), congelaram as contas bancárias das três empresas então detidas por Kasseem, os seus sócios e sua família.

trabalhadores e um novo proprietário, cujo nome é, todavia, desconhecido, sabendo-se apenas tratar-se de um cidadão francês que representa, nestas empresas, interesses angolanos, igualmente desconhecidos.

expulsão de 141 Sinais de tensão social agitam Benguela estrangeiros

Um gigante

s libaneses estão em maior número, na lista de cidadãos estrangeiros que receberam ordem de expulsão de Angola, por violarem, segundo um comunicado do Ministério do Interior, as leis migratórias nacionais. Um comunicado divulgado a meio da semana deu conta da determinação de expulsão de Angola de 141 estrangeiros de várias nacionalidades, com todo o destaque para libaneses, em número de 71. Entre tais libaneses, muitos dos quais já deixaram o país, estão filhos e irmãos do empresário Kasseem Tajideen que, através das empresas Arosfran, Afribelg e Golfrate comandavam uma extensa rede de distribuição de bens alimentares em Angola. Mas a lista, emitida pelo Ministério, não continha apenas cidadãos libaneses. Nela se incluíam, ainda, por ordem decrescente do número de pessoas, sírios (20), tunisinos (20), indianos (14), serra-leoninos (4), egípcios (3), palestinos (3) congoleses democráticos (1) , brasileiros (1), britânicos (1), chilenos (1), portugueses (1) e senegaleses (1). O ministro do Interior, Sebastião Martins, orientou os Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) a agir em conformidade, efectuando diligências para a localização dos referidos cidadãos, para a formalização dos actos da ordem de expulsão e, consequente, interdição de entrada em território nacional por período superior a vinte (20) anos. Como que a elucidar as razões de tamanha decisão, o ministro do Interior reiterou, à opinião pública nacional e internacional, o inequívoco interesse do Estado angolano e do seu Executivo em respeitar e fazer respeitar as leis angolanas e convenções internacionais no que em matéria migratória diz respeito, no actual contexto de globalização, caracterizado pela convergência de interesses que permitam a prevenção, detecção e combate das práticas decorrentes do fenómeno da imigração ilegal e do seu auxilio, bem como das que possam pôr em causa a paz e a segurança mundial.

O que não pode deixar de ser referenciada, é a importância destas empresas na distribuição de bens de primeira necessidade em Angola. Juntas, a Arosfran, a Golfrate e a Afribelg não tinham concorrência, em matéria de abastecimento alimentar à população angolana. Estamos a falar de perto de quase cinco mil trabalhadores, distribuídos pelas distintas unidades das empresas espalhadas por quase todas as províncias do país, sobretudo armazéns grossistas, retalhistas e, ainda, mini mercados. Esse grupo, constituído ainda em 1991, não demorou a crescer, abraçando, além da venda de alimentos, outros sectores da actividade. A Golfrate, por exemplo, não se limita a importar. É responsável pela produção local de vários produtos, assim como a Arosfran fabrica plástico em pvc, além de deter a Zanuza, uma conhecida empresa no ramo de segurança patrimonial.

Pressões internas e externas As pressões sobre Kasseem Tajideen e a sua teia de negócios em Angola datam de 2004, altura em que, em Outubro daquele recuado ano, um oficial dos Serviços de Inteligência Externa (SIE) denunciou o envolvimento de alguns grupos empresariais, instalados em Angola, no apoio a organizações terroristas internacionais. Um mês depois, em Novembro, ao discursar no Namibe, por ocasião dos 29 da independência nacional, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, também referiu-se em termos poucos simpáticos a tais empresas. Acusou-as de dominar o comércio de bens alimentares, de manipularem os preços e de criarem dificuldades à gestão macroeconómica do Governo. Em 2009, porém, as coisas subiram de tom, com os norte-americanos a entrarem em cena.

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Ecos da manifestação dos “sem terra” claro sinal de tensão social Centenas de moradores dos bairros do Quatro e do Onze, arredores da cidade de Benguela, marcharam até à Administração Municipal, no passado dia 26, segunda-feira, em protesto contra o que chamam de retirada de terrenos transformados em reserva fundiária do Estado, exibindo palavras de ordem como «também somos angolanos, queremos a terra».

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Marcos António, em Benguela

s manifestantes, entre homens e mulheres, começaram por ser travados nas imediações do Largo de África, a cerca de 400 metros do local do acto, mas a sua determinação acabou por convencer os Agentes da Polícia que acompanhavam o desfile de uma revolta popular fértil em cenas de agressões. Perante centenas de espectadores, incluindo membros do Governo de Benguela, deram início a uma gritaria tendente a exigir a devolução dos terrenos. «Temos documentos, pagámos algum dinheiro e agora perdemos o espaço», diziam. Com recurso ao bastante conhecido slogan «o mais importante é resolver os problemas do povo», muitos dos munícipes deplora-

“Estamos em casas onde pagamos renda, estamos fartos de tanta espera” “Temos documentos, pagámos e agora perdemos o espaço», diziam.

vam a atitude do Executivo e, tal como em situações anteriores, transportavam as coisas para o território da política. Sem qualquer espanto, o MPLA, partido no poder, acabou por ser sacrificado na sequência do que os homens do Onze e do Quatro dizem representar uma autêntica «injustiça social». É certo que a intenção era chegar à fala com o administrador municipal, José Manuel Lucombo, mas terá sido o nome de Armando da Cruz Neto, governador provincial, o mais ouvido entre o agitado ambiente, reportado em directo por jornalistas que decidiram quebrar as barreiras do medo. De acordo com os manifestantes, as parcelas de terra ora retiradas foram cedidas na zona do Aeroporto, uma das mais apetecíveis de Benguela. Eles pretendiam, acima de tudo, saber algo em relação ao seu destino, sendo certo que a posição da Administração Municipal (reserva fundiária) parece irreversível. «Estamos em casas onde pagamos renda, muitos sem pai e mãe. Nós estamos fartos de tanta espera», atirou uma jovem, pouco antes de ter revelado que uma senhora grávida, também exasperada, estava a passar muito mal. «Olhem para ela, teve uma recaída», indicou. Esta situação acontece pouco depois de uma jornada de campo de José Manuel Lucombo, no termo da qual denunciou a existência de agitadores por detrás dos protestos. «Estes cidadãos, posso dizer abertamente, são bandidos que estão a provocar a confusão. Serão apresentados e estarão a contas com a justiça», reagiu. Do outro lado da barricada, membros da sociedade civil, entre eles o jurista e político Francisco Viena, vão defendendo um espaço de diálogo entre o Governo do MPLA e os milhares de angolanos insatisfeitos com uma ou outra situação.


a capital, sábado, 01 de outubro de 2011

angola 06

“A circulação nestas ruas está muito melhorada”, comentou Augusto Garcia. “Já conseguimos circular à vontade e entrar com as nossas viaturas cá no bairro, coisa que não era possível há atrás”. Afirma Odete Paulo

No Mártires do Kifangondo

Requalificação a todo o vapor Odebrecht garante Até 2012 a requalificação do Mártires do Kifangondo estará concluída e atribui a dores de parto os transtornos que agora se sentem.

O

s transtornos verificados nas ruas 17 e 18 do bairro Mártires do Kifangondo, em Luanda, reportados na última edição do semanário A Capital são, afinal, dores de parto de uma empreitada cujos benefícios para os residentes serão sentidos, tão logo esteja concluída. Uma garantia nesse sentido foi dada por representantes da Odebrecht, empresa encarregue das obras, nomeadamente pelo engenheiro Augusto Garcia, responsável por todo o trabalho de requalificação daquele bairro. Segundo explicou, apesar de os moradores, das ruas 17 e 18, queixarem-se de algum marasmo, as obras decorrem e, mais cedo que o esperado, eles deverão sentir o mesmo alívio, experimentando nas demais nove ruas onde o trabalho já foi concluído. Com efeito, este semanário pode constatar, através de uma visita guiada, as melhorias verificadas ali onde a empreitada está pronta, (ruas 1, 5, 6, 8, 10, 12, 14, 15 e 20). Alem do pavimento, as obras incluem um sistema de es-

coamento de águas residuais, passeios e iluminação pública. “A circulação nestas ruas está muito melhorada”, comentou o engenheiro responsável, ao anunciar que os trabalhos foram, agora, acelerados na rua 13, para que, a breve trecho, tudo se conclua. “Infelizmente, não podemos atacar todas as ruas de uma vez”, acrescentou, chamando, de imediato, a atenção para o que está a ser feito, também, nas ruas 17 e 18 de onde surgiram as reclamações publicadas, aqui, na semana passada. Segundo mostrou, ali foram, já, efectuados trabalhos de canalização e espera-se pelo asfalto e iluminação pública cujo arranque deverá ser breve. Mas, segundo garantia da empresa, tudo está a ser feito para que até ao reinício das chuvas, “não hajam embaraços e constrangimentos para a população”. “Estamos a tomar todas as medidas”, afirmou Augusto Garcia. Enquanto a ansiedade assalta os moradores das ruas com obras ainda em execução, ali onde tudo já está concluído as pessoas dão azo à sua satisfação. Odete Paulo, residente no Mártires há 20 anos, referiu que as obras estão a dar uma nova imagem ao bairro. Fala, particularmente, da rua 14, onde reside. Para ela, “é uma boa obra que está a mudar a nossa vida”, considerou, apelando, sobretudo, para a necessidade de a população contribuir para a manutenção de um trabalho que, segundo a sua opinião, está bem feito. “Já conseguimos circu-

lar à vontade e entrar com as nossas viaturas cá no bairro, coisa que não era possível há anos atrás”. Por sua vez, Paula Simão, também residente, afirmou que estão a viver um período de alívio. Segundo fez saber, anteriormente as águas das chuvas invadiam o bairro. “Quando começar a chover vamos ficar mais a vontade, porque anteriormente não era fácil vivermos naquelas condições. O nosso bairro estava cheio de buracos, não conseguíamos circular à vontade. É de louvar os esforços da administração e do governo provincial de Luanda”. Indo mais longe, disse que, para ela, o projecto de requalificação do Mártires é um orgulho a todos os munícipes daquela área. Para os habitantes a requalificação ainda não está terminada, ficou, entretanto, a garantia do engenheiro Augusto Garcia de que até ao final de 2012 tudo estará concluído. Tudo está a ser feito, segundo reforçou, para que os moradores daquele bairro tenham maior qualidade de vida. Augusto Garcia rebateu as acusações dos moradores de algumas ruas, segundo os quais o lixo tem tomado conta do espaço, desde que foram feitas as escavações. O engenheiro lembrou que, o lixo acumulado nas vias foi ali depositado pelos próprios moradores “e não pela Odebrecht”. Até porque, depois de trabalhar, a empresa recolhe todos os restos e entulhos e os deposita em locais apropriados.

Paula Simão, residente, afirmou

Equipa da Odebrecht mobilizada: as obras decorrem e, mais cedo que o esperado, moradores deverão sentir o mesmo alívio experimentando nas demais nove ruas onde o trabalho já foi concluído. Augusto Garcia rebateu as acusações dos moradores de algumas ruas, segundo os quais o lixo tem tomado conta do espaço desde que foram feitas as escavações.

“Quando começar a chover vamos ficar mais a vontade, porque anteriormente não era fácil vivermos naquelas condições.”


O NOSSO MELHOR PRESENTE DE ANIVERSÁRIO:

VOCÊ, CONNOSCO DESDE 2002 HÁ 9 ANOS, o sonho

concretizou-se ao ser criado, a 03 de Maio de 2002, o jornal A Capital. Hoje, o projecto persiste, com cara nova, mas conservando a dedicação da mesma equipa de jornalistas, com o objectivo de servir a sociedade angolana com a responsabilidade e o rigor que o bom jornalismo exige.

acapital ler para crer


O NOSSO MELHOR PRESENTE DE ANIVERSÁRIO:

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a capital, sábado. 01 de outubiro de 2011

8PROCURAM JOVENS AJUDA DIARIAMENTE NA REMAR

sociedade 12

a aposta de uma instituição

remar contra a dependência Muitos são os jovens que depois de uma longa vivência com álcool e drogas, encontraram na Remar uma porta aberta para a recuperação

O

MANUEL BENTO

consumo exagerado de be bidas alcoólicas e outras drogas são um dos problemas mais bicudos, que a juventude angolana enfrenta nos dias que correm. Na verdade, não têm sido pouca as vozes que se levantam, apelando para a correcção deste comportamento dos jovens. É no meio de vários apelos que algumas instituições sociais vão surgindo propondo-se a ajudar. Um dos mais activos é o Centro Cristão Benéfico de Ajuda e Reabilitação (REMAR), em Luanda. Há muito que este Centro, vem ajudando na recuperação de pessoas tóxico-dependentes e alcoólatras que pretendam vencer o vício. Numa recente deslocação ao município de Viana, local onde estão localizados os centros de recuperação da Remar, o A Capital ouviu histórias, na primeira pessoa, de jovens que estão em processo de recuperação. A rotina do Centro começa logo pela manhã. Todos levantam-se às 06h00, para a habitual missa do dia. Aqui recebem conselhos e orientações bíblicas, no sentido de, pautarem sempre por uma postura mais digna e de civismo. Já às 08h00, tomam o peque-

no almoço, para de seguida, cada um envolver-se naquilo que é sua tarefa diária. As actividade são atribuídas consoante o talento de cada indivíduo. Foi com Pascoal Vunge, que a nossa reportagem começou a conversar. Assumindo-se como “nova ovelha” contou os motivos que o levaram àquele local. Aos 36 anos, o ex-tóxico-dependente acredita ter nascido de novo.Já lá vão dois meses desde que Vunge está internado numa das salas de recuperação da Remar, depois de 20 anos de consumo de substâncias, que só contribuíram para a sua desorientação mental e marginalização social. “Perdi muitas coisas”, foi com esta frase de arrependimento que Vunge iniciou a conversa que durou pouco menos de trinta minutos, com o A Capital. Disse que teve o primeiro contacto com o álcool quando tinha 16 anos, por influência do meio onde vivia. “Os meus amigos eram maiores que eu e já faziam uso de bebidas alcoólicas. Sempre que estivesse com eles, pediam para que tomasse uma cerveja”, até que, um dia, de tanta insistência, “convenceram-me a beber”. Bebeu, bebeu, e perdeu o controlo da situação. Foi por conta disso, que a família passou a rejeitá-lo no seu seio; os amigos, afastaram-


a capital, sábado. 01 de outubiro de 2011

Luís Alexandre:“Sou

o principal responsável, por tudo o que me aconteceu ao longo desses treze anos de envolvimento com as bebidas”

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JOSÉ DIOGO

ponto muito desagradável. Foi assim que a minha irmã resolveu trazer-me”, na tentativa de “transformar-me num novo homem”. Há seis meses internado, Luís Alexandre acredita que já não é o mesmo, mercê das mudanças que, segundo disse, são evidentes dentro e fora dele. Internado por consumir drogas está no mesmo centro, Inácio Luís. Aos 22 anos, o nosso entrevistado referiu que quando as tomava cometia muitos crimes. Luís, que vive no município do Sambizanga, adiantou que já esteve envolvido em muitos casos de furto, violações e assaltos a residências. “Foram os meus familiares que me trouxeram aqui. Eu estava a dar-lhes muita dor de cabeça”, informou. Já Manuel Dala expressou que, até ao memento em que foi parar na Remar, vivia com a família que O processo de ele próprio formou. O internamento desemprego e a falta de condições materiais, no centro de estiveram na base do reabilitação seu envolvimento com da Remar, as drogas. Todas as tendepende da tativas de encontrar emvonta própria prego, fracassaram. Dedo individuo sesperado, encontrou afectado

-se dele e perdeu o emprego que tinha. Sem beber, como frisou, não se sentia uma pessoa normal, para tal, tinha que dormir embriagado todos os dias. Com o afã de mudar de vida, Pascoal Vunge está no centro de reabilitação da Remar, de onde, através da orientação que tem recebido para a sua recuperação, espera sair melhor. Luís Alexandre, também foi parar àquele centro por causa de problemas ligados ao consumo desregrado de bebidas alcoólicas. Diferente de Pascoal Vunge, Alexandre disse que se tornou dependente por gosto e vontade próprios. “Não digo que foram os amigos que me influenciaram. Eu próprio sou o principal responsável, de tudo o que me aconteceu ao longo desses 13 anos de envolvimento com a bebida”, assumiu Alexandre, que só chegou à Remar graças à irmã mais velha, saturada com os comportamentos do irmão quando bebesse. “Estava a chegar a um

JOSÉ DIOGO

JOSÉ DIOGO

fRANCISCO BANDA

subterfúgio nas drogas, como a liamba. “Sentia que a minha vida ia de mal para o pior”, reconheceu, acrescentando que, à dada altura, começou a pensar que as drogas seriam a saída. Só que, os efeitos das drogas, passaram a reflectir-se no seu relacionamento com a família. Recorda que, batia na mulher e nos filhos, quase sempre que chegava a casa. O ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, considerou urgente que o país adopte e formule uma estratégia com políticas abrangentes para o combate ao alcoolismo. João Baptista Kussumua, falava durante o acto de abertura do seminário nacional de consulta pública da “Estratégia de combate ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas” e, considerou que o consumo excessivo de álcool constitui um verdadeiro problema de saúde pública no país.

tUDO É EITO NA BASE DO AMOR

a causa da Remar. A Remar está Francisco Banda em Angola aconselhou as famílias desde 1996 e a levarem os seus mem- conta com mais bros à instituição, sem- de 20 centros pre que precisarem de distribuídos em ajuda, pois, acredita, três províncias é possível moldar o do país. Luanda, comportamento de Kwanza-Sul e um indivíduo que tem Benguela. uma conduta desviada. Salientou ainda que, a recuperação demora entre seis meses a um ano. “Se neste tempo a pessoa não apresentar sinais de recuperação, é feito o internamento por tempo indeterminado”, do qual, segundo explicou, a pessoa só sai depois de a organização e os familiares sentirem que o dependente está totalmente livre dos vícios. O centro conta com uma escola de quatro salas de aulas, onde alunos podem frequentar desde a 1ª à 7ª classe, para além de uma área que cuida do lado espiritual dos necessitados, oferecendo-lhes tratamento terapêutico de recuperação e reabilitação com recurso a Deus. A Remar está em Angola desde 1996 e conta com mais de 20 centros distribuídos em três províncias, nomeadamente, Luanda, Kwanza-Sul e Benguela.

“Todo o individuo

que entra para o nosso centro, não se limita apenas a ouvir a palavra de deus”

Pascoal Vunge

“Sentia que a minha vida ia do mal para o pior, porque procurava emprego e não encontrava”, lamenta Manuel Dala

JOSÉ DIOGO

Os meus amigos pediam sempre para que eu tomasse uma cerveja

JOSÉ DIOGO

O responsável para a área masculina do centro da Remar, Francisco Banda, disse à nossa reportagem que, diariamente recebem no local, cerca de 08 pessoas com os mais diversos problemas, desde o alcoolismo, as drogas, prostituição e outras dependências. Não se fazem milagres para a reabilitação dos dependentes. De acordo com Francisco Banda, simplesmente usa-se a palavra de Deus através da bíblia sagrada, para moldar os indivíduos a uma conduta mais positiva. Outro aspecto segundo ele, é a ocupação dos doentes com as mais diversas especialidades, tais como, pedreira, serralharia, ladrilharia e outras. “Todo o individuo que entra no centro, não se limita apenas a ouvir a palavra de Deus. É, também, inserido no nosso quadro de actividades e tarefas que eles próprios executam para o engrandecimento da obra”, informou o responsável. O processo de internamento naquele espaço, acrescentou o nosso interlocutor, depende da vontade própria do individuo. “Ninguém é obrigado a ser internado na Remar”, asseverou, acrescentando que o internamento é grátis, limitando-se apenas, o individuo, a levar documentos de identificação pessoal. A alimentação e vestuário são suportados por empresas que se solidarizam com


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

sociedade 14

devolvam-me a desde O ano de 2005 que os moradores da zona da Congeral onde durante anos viviam em condições deploráveis, foram retirados no âmbito da intenção do Governo de retirar a população das zonas de risco, transferindo-as para lugares seguros. A desgraça, porém, foi do senhor Vicente Lunga Bambi Gonga, que acabou de ver a casa que seria sua, com o número 100, vendida a uma senhora por supostos fiscais

nem a casa nem o terreno mereceu

lerpou na sapú-2

V

Miguel Daniel

icente Lunga Bambi Gonga, 61 anos, viveu por muito tempo nas imediações da extinta fábrica de sabão, Congeral, localizada por detrás do museu das Forças Armadas. Mas, as condições da área eram precárias, o que levou as autoridades a transferir toda a gente, para um sítio mais seguro. O desalojamento foi forçado. Contudo, cada um teria direito a uma residência no bairro Sapú-2. Só que, na vez de Vicente Gonga receber a que lhe estava destinada na Rua da Larangeira, com o nº 100, viu-a vendida por supostos agentes da Fiscalização do Governo Provincial de Luanda, à uma senhora. Perante ao que Vicente Gonga chama de azar, fez várias diligências junto de algumas entidades, no sentido de reaver a casa. “Quando o meu grupo chegou, começaram a distribuir-nos casas. Fiquei com a ficha da casa número 100. Posto lá, dei com uma senhora, alegando que tinha comprado a casa. Foi assim que começou o meu azar”, manifestou com o semblante carregado, ao esclarecer que diante deste quadro recorreu ao governador de Luanda, Aníbal Rocha. Este, por sua vez, como conta o cidadão, mandou-me contactar o investigador Zovo, nas antigas instalações da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC). O investigador analisou o caso e aconselhou o então coorde-

nador do projecto, Pedro Neto, a atribuir-lhe outra casa. Mas em vez de casa, Gonga recebeu uma parcela de terreno de 25 metros por 15 metros, no qual, construiu uma residência de três quartos, uma sala, uma cozinha e casa de banho, com meios próprios. É que se o azar existe, então Vicente Gonga o tem. Depois de construir a casa no terreno que lhe foi dado, com o croquis de localização e o termo de superfície, “os senhores Gonçalves António, Isaías Sebastião Kuta e Osvaldo Sebastião da Silva, todos do GPL, aproveitaram-se da minha ausência, vieram com uma máquina e demoliram a minha casa, já no princípio de 2011.” “Venderam o terreno a uma outra pessoa, que não conheço, e nem os seus pedreiros aceitam revelar o nome”. Antigo quadro das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), com a patente de major, dedicou quase toda a vida ao cumpri-

Escrevi à 9ª Comissão da Assembleia Nacional, ao Ministério dos Antigos Conbatentes e Veteranos da Pátria, sobre o assunto, mas, até agora, não temho de volta a minha casa. Antes mesmo, havia escrito para o ex-governador Anibal Rocha. Mandadou-me contactar o Investigador Zovo nas instalações da extinta DNIC. Este interveio no caso e pediu ao engenheiro Pedro Neto que me concedesse outra casa. Deu-me um terreno.

mento do serviço militar, no Cunene. “Venho para Luanda depois da desmobilização de 1992, a convite do falecido ministro da Defesa, Pedro Maria Tonha Pedalé, para servir de seu guarda”, com a promessa de receber um carro e uma casa. Porém, depois da morte do ministro, tudo mudo para o pior. “Já não recebi o prometido. Foi assim que fui parar na Congeral”, recordou. Voltando ao cenário do investigador, o lesado diz que chegou a descobrir que o vendedor da casa que perdeu, era o senhor Faria, fiscal do GPL que acompanha as obras no projecto. O ex-major das FAPLA é desempregado e viúvo, e não beneficia do dinheiro da reforma. “Até hoje o meu nome não sai na caixa social. Vivo a custa de alguns biscates. A mulher que me ajudava em certas necessidades já é falecida e, por falta de condições e de como albergar as minhas filhas, tive de as mandar para a província”, contou.


Entre elas estão os sinistrados das chuvas de Janeiro de 2007, no Kilamba Kiaxi, Cazenga, os desalojados do Gika, e do bairro Benfica à Ilha do Cabo

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em Luanda muitas famílias continuam a viver em tendas.

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a Minha casa!... quando as autoridades se furtam

o recurso são os órgãos de comunicação

devem procurar as instituições afins para tratarem dos seus assuntos e não correrem para a imprensa

F

icou então no, «nem uma, nem outra», até que reflectiu e decidiu ir de novo à luta para reaver, pelo menos, uma. É nessa aventura em que se encontra o antigo militar das FAPLA. “Escrevi para a 9ª Comissão da Assembleia Nacional, que, por sua vez, mandou um despacho ao governador provincial, para pôr fim a esta situação”, procedimento que Vicente Gonga repetiu com o Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e ao secretário-geral do MPLA, Díno Matross. “O chefe do departamento dos recursos humanos do Ministério dos Antigos Combatentes veio até aqui, constatou a situação e escreveu para o arquitecto Helder José que, também, orientou a cedência de outra casa”, porém, até hoje, nem água vem, nem água vai. O interlocutor está ciente de que “o senhor Bento Soito domina a situação”. “Quando ainda exercia a função de vice-governador de Luanda, chegou a vir cá, acompanhado, inclusive pela TV Zimbo”, tendo visto e ouvido “as falcatruas que os seus colegas fazem. Uma das alegadas falcatruas é a venda por fiscais do GPL, de acordo com Gonga, dos terrenos localizados depois do colégio, junto à zona comercial. Os mesmos fiscais, até hoje, alega o queixoso, andam impunes. E no local, para além da situação do antigo FAPLA, encontramos esta. Alguns populares que tinham comprado terrenos das mãos de supostos fiscais, construíram neles, casas. “Pediram que, os populares retirassem os seus materiais de cons-

trução. Falo de areia, burgau e blocos”, informou Vicente Gonga. Testemunha de Vicente Gonga é dona Teresa, também ex- moradora da Congeral. Foi falando nessa condição, que confirmou à nossa reportagem, que, na verdade, o senhor Vicente foi seu vizinho de longa data. Condoída, lamenta o facto de este até agora não ter sido contemplado pela distribuição de casas. “Lamento o que estão a fazer ao vizinho Vicente. Ele sempre foi boa pessoa para com todos lá na Congeral. Não seria ele a ficar sem casa. Não sei ao certo, como é que as coisas chegaram até a este ponto”, solidariza-se, ao testemunhar que a venda ilícita de terrenos e casas, naquela zona, é uma realidade. “É só teres sete mil dólares e contactar os fiscais. Tens logo uma casa, porque eles enquadram o nome da pessoa compradora, na lista das pessoas beneficiárias”, como se fosse desalojada, o mesmo acontecendo com os terrenos. “Foi o que fizeram no terreno da Fesa”, voltou a certificar. O Programa de Emergência Habita-

cional foi aprovado em 2000 pelo Conselho de Ministros. E aos 16 de Julho de 2005 os primeiros populares que viviam em situação de risco, na Boavista e Congeral, foram realojados no Zango e na Sapú-2, algures ao município de Viana. De acordo com o engenheiro Pedro Neto, as casas estão a ser construídas em locais que contam com várias infra-estruturas sociais, desde escolas, centros de saúde e de comércio, água canalizada e luz eléctrica. Cada casa ocupa um espaço mínimo de 61 metros quadrados, e, segundo o responsável, o critério de atribuição das mesmas, da responsabilidade do GPL, consiste na identificação prévia de zonas de risco de onde são retiradas as populações. Para evitar que terceiras pessoas reivindiquem a posse de casas, mesmo sem nunca terem morado em locais de risco, o GPL adoptou um sistema de cadastro digitalizado das coordenadas geográficas da antiga casa. O Programa de Emergência Habitacional, do GPL, tem por objectivo construir na Sapú-2, cinco mil casas O Programa de Emergência e realojar 21 mil e 300 faHabitacional foi aprovado mílias no Zango. em 2000 pelo Conselho De acordo com Pedro de Ministros. E aos 16 de Neto, a primeira fase do Julho de 2005 os primeiros programa, que contempopulares, que viviam pla três mil casas, está em situação de risco, na avaliado em cerca de 18 Boavista e Congeral foram milhões de dólares. Cerrealojados no Zango e na Sapú, em Viana. Bento Soito, ca de cinco mil casas, avaliadas em 30 milhões coordenador do Programa de Realojamento de Luanda, de dólares, serão erguidas na segunda fase do disse que dificuldades programa.Entretanto, financeiras têm atrasado o centenas de famílias processo de realojamento continuam a viver em dos sinistrados. A execução tendas, no município do de obras de estradas e Kilamba Kiaxe, Cazenvalas de drenagem provoca desalojamentos não previstos ga, junto ao cemitério de Viana e no Zango. pelo programa. Passados cincos anos desde que foram desalojadas devido às chuvas, e transferidos para áreas consideradas seguras, as casas prometidas continuam intermináveis. Os moradores queixam-se do mau estado das tendas e da insegurança aí vivida, responsabilizando o GPL de não cumprir com os prazos para a entrega das novas casas. Já de acordo com Bento Soito, coordenador do Programa de Realojamento de Luanda, dificuldades financeiras têm atrasado o processo de realojamento dos sinistrados de Luanda.


milhões de dólares investidos

funcionários trabalham no LCC

semanas demora um produto a chegar aos técnicos

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crime 16

Trinta milhões de dólares investidos podem ir para o ralo

Castelo de criminalística com pés de barro O que se conta do Laboratório Central de Criminalística é um papel químico da história da rã que queria ser boi. De tanto inchar, para atingir os níveis das melhores polícias do mundo, a unidade forense doméstica pode acabar por estourar, sem atingir os desideratos que exigiram o seu apetrechamento: facilitar obtenção de prova pericial ou material e, por via disto, acelerar as acções de instrução processual e da condução em juízo

Q

Mariano Brás

uando em Fevereiro do corrente ano, o ministro do Interior, Sebastião Martins, cortava a fita e descerrava a lápide que anunciava a inauguração de um Laboratório Central de Criminalística de Angola (LCC) dotado de equipamentos tecnológicos de ponta, utilizados em departamentos policiais a nível internacional, tudo indicava que estava dado o mote para que o apoio há muito exigido aos tribunais e departamentos de Polícia, visando o esclarecimento de casos criminais em todo o país, quer na esfera cível, quer penal. Na altura da sua inauguração, o ministro garantia que, pela sua dimensão e pelo investimento realizado, o Laboratório serviria o país inteiro,

comprometendo-se, inclusive, a servir também outras instituições policiais da região austral do continente que cooperam com Angola. “Este laboratório afirma-se como um dos mais desenvolvidos e mais apetrechados da nossa região e, por via disso, podemos considerar que ele estará,

Vice- Ministro do interior, Ministro e o director. No começo tudo era promissor e o orgulho imperava

seguramente, a breve trecho, disponível para as acções de cooperação que temos com as polícias da África Austral”, concluiu. Porém, oito meses depois, qual gravidez indesejada, o LCC, mesmo

diante do enriquecimento do seu ‘mobiliário’ tecnológico, começa a dar mostras de que o parto terá sido prematuro, facto que não justifica o investimento de cerca de 30 milhões de dólares norte-americanos anunciados na altura. Fontes conhecedoras do dossier revelaram ao A Capital que, neste momento, aquele organismo está ainda longe de atingir tal desiderato, visto que se encontra com vários serviços paralisados, que vão desde a falta de químicos, oxigénio, papel, luvas, batas, álcool e viaturas, ‘ingredientes’ bastantes para a realização de uma investigação que responda com rigor exigido por este ramo das ciências forenses. A enchente que até às primeiras horas desta quinta-feira se apresentava na parte frontal daquela estrutura, é sintomáticos do grau de solicitação de que o organismo é alvo.

E, logicamente, tem uma razão de ser: são pessoas que por aí acorrem, diariamente, no afã de ver realizado os mais diversos exames, geralmente exigidos pelos tribunais, facto que é sintomático de que alguma coisa não vai bem naquele departamento forense. E tudo acaba por ficar confirmado, quando as pessoas regressam às suas casas, após longas e fastidiosas horas de espera, sem realizar os referidos exames. “Dizem-nos apenas que hoje não é possível, que temos que regressar no dia seguinte ou ainda uma semana depois”, reclamou um popular, a quem foi exigido um exame pericial. Por volta das seis horas da manhã, de segunda-feira, 26, por exemplo, na porta do Laboratório Central de Criminalística encontravam-se mais de 20 pessoas, que quase suplicavam por atendimento.


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

laboratório que se encontra com vários serviços paralisados,

que vão desde a falta de químicos, oxigénio, papel, luvas, batas, álcool e viaturas, ‘ingredientes’ bastante para a realização de uma investigação que responda com rigor exigido por este ramo das ciências forenses.

falência técnica à vista

A montanha pariu um rato?

N Entre eles, encontra-se o Domingos Bernardo, de 38 anos, que afirmou ter um caso em tribunal, que aguarda pelos resultados a realizar no LCC, mas que até aquela segunda-feira estava impossível. “Os senhores do Laboratório dizem que não têm material, para realizar os exames”, revelou. Na mesma situação encontra-se Gaspar Francisco. Conta 40 anos e há já duas semanas, que se diz no vai e vem, “para ver se consigo realizar o tão desejado exame, que me foi exigido”. A verdade é que, até agora não consegue e, mais do que isso, nem sequer tem uma previsão de quando será possível. “Dizem apenas que estão sem material”, frisou, agastado com a situação vigente. Além da gravidade da situação actual para o bom andamento dos trabalhos daquela central criminalística, fontes afectas ao Laboratório asseguram que tudo terá começado tal como o anunciado na cerimónia de inauguração e consideram logo que a situação se desmoronou tão foi nomeado o novo Director Nacional de Investigação criminal (DNIC), Eugénio Alexandre. Aliás, tal como aferiram, foi também nesta circunstância que começou a registar-se a fuga de quadros daquele departamento de investigação, agastados com o ambiente, para outros

E tudo acaba por ficar confirmado, quando as pessoas regressam às suas casas, após longas e fastidiosas horas de espera, sem realizar os exames.

“Dizem-nos apenas que hoje não é possível, que temos que regressar no dia seguinte ou ainda uma semana depois”, reclamou um popular, a quem foi exigido um exame pericial.

organismos. “E saíram bons quadros da nossa instituição, porque não eram valorizados”, reconheceram as fontes deste jornal, conhecedoras do dossier. Acontece que quando se pensou no apetrechamento daquela unidade, foram recrutados especialistas em criminalística das mais variadas ciências, inclusive alguns a residir no exterior do país, que regressaram disposto a abraçar o projecto, ao passo que outros foram arregimentados de outras áreas, com a perspectiva de evoluírem, mas, ao que tudo indica, oito meses depois tudo começa a esfumar-se, nos dias que correm, por o Laboratório começar a dar sinal de não ter pernas para andar, se, entretanto, intervenção urgente não se fazer sentir. “Os principais quadros já pensam em abandonar o navio”, acrescentaram as fontes. Este jornal envidou todos os esforços, no sentido de contar o responsável máximo da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), para, oficialmente, esclarecer o caso, mas tal não foi possível, dada a ausência dos mesmo nos dias em que se este jornal se fez ao seu local de trabalho, nos dias 27 e 28, respectivamente. Mas, nem mesmo por telefone tal foi possível, uma vez que o se mostrou indisponível para abordar o assunto.

este momento, a situação atingiu um ponto que pode ser considerado de ‘nível zero’, pois o laboratório que atende as 18 províncias do país, há praticamente duas semanas não está a realizar exames, por alegada ausências de químicos, papéis, luvas, batas, álcool e tinta para as impressoras. E mais: as três únicas viaturas da instituição encontram-se avariadas, por carecerem de assistência técnica. Ou melhor, são assistidas em oficinas ilegais existentes nos bairros, já que as viaturas de marca Ford, em uso naquela instituição, não são reconhecidas pela representante daquela marca no país. Dado o aproximar de uma falência técnica, todo o investimento feito caminha para o ralo. Isso quer dizer que, os dez departamentos e as diversas repartições técnicas capazes de investigar tanto provas físicas, quanto material humano, das quais se destacam o laboratório de retrato falado, fotográfico, documentos, balística, ADN, química, toxicologia, informática e fluídos humanos, tendem a cair em saco roto. Todas as áreas foram criadas para funcionar integradas entre si, através de sistemas de informação ligados em rede, onde cada caso é acompanhado por responsáveis técnicos, de cada área de investigação.

Contudo, agora, com a redução de departamentos, quem actualmente exerce um cargo de chefia, poderá ver-se relegado para simples funcionário, mas com o mesmo volume de trabalho, o que, para muitos, constitui um contra-senso. Segundo a fonte deste jornal, tudo está como está pelo facto da sua concepção não ter levado em conta, na profundidade, o esforço financeiro que um laboratório do género acarreta. “O Laboratório Central de Criminalística conta com duzentos funcionários e é visto como um departamento da DNIC, que depende do orçamento da DNIC e funciona com fortes limitações”, queixaram-se. E depois explicaram em miúdos: “antes de se comprar qualquer material, é necessário uma factura proforma e a disponibilização das verba consome quase uma semana. Desta forma, os exames e os processos ficam também parados ou andam lentamente”, esclareceram os interlocutores deste jornal. As fontes defendem, por isso, que para o sucesso instituição, o Laboratório deve ser visto como

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um órgão autónomo, ou seja, com orçamento independente. “Só desta forma, poderemos contar com uma Policia científica como tal”, sugeriram as fontes.

Hebraico como língua oficial O grau de descontentamento por parte dos técnicos angolanos afectos ao Laboratório Central de Criminalística estende-se, inclusive, ao nível da própria língua dispostas nas máquinas e manuais. Para os mesmos, este terá sido um outro erro, quando se escolheu o país para cooperar nesta área. “A escola israelita”, disseram, “apesar de boa não é a melhor”. Porquê? quisemos saber. “O idioma tem sido um grande problema”. Defendem que, fica mais fácil realizar formação no Brasil, Espanha ou Cuba. “O idioma desses países facilita a aprendizagem, além de que também têm ainda uma vasta experiencia nesta área e são fabricantes de materiais de laboratório, com manuais em português”. Reclamam, por outro lado, que no período da compra dos materiais, os técnicos angolanos não são tidos, nem achados, para, ao menos, emitirem alguma opinião. Vezes há, por exemplo, disseram, que, ao chegarem no país, os materiais não servem. O inverso também é verdadeiro: “quando servem têm pouca capacidade, para o trabalho desenvolvido naquele laboratório”. Apelam, por isso, que “quando forem comprar qualquer material, façam-se também acompanhar de um especialista da área ou, ao menos, que tenham a humildade de pedir opinião”.

antes de se comprar qualquer material,

é necessário uma factura proforma e a disponibilização das verba consome quase uma semana


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

opinião 18 As vantagens N da monodocência coadjuvada

M. AZANCOT DE MENEZES

a Lei de Bases do Sistema de Educação define-se o Ensino Primário como um período unificado de seis anos. Este subsistema de ensino, em regime de monodocência, como consequência da reforma curricular, portanto, passa de quatro para seis anos de escolaridade. Esta decisão obedece a uma lógica correcta, aliás, mais cedo ou mais tarde irá passar para nove anos, ou seja, esta mudança, na minha opinião, não deve merecer qualquer tipo de polémica. Com esta reforma curricular pretende-se complementar e desenvolver as habilidades, os conhecimentos e as competências dos alunos que completam a 6ª classe ao nível do “saber”, ao nível do “saber-fazer” e ao nível do “saber ser”, portanto, nada há a contestar. Em contexto de gestão do currículo, o que tem merecido alguma polémica relaciona-se com a monodocência. Há vantagens na monodocência? Que entendimento devemos ter da monodocência? Aqui parece haver algumas discordâncias e polémicas no seio da comunidade educativa que importa debater. Antes de abordar propriamente a problemática da monodocência, gostaria de invocar a conceituação de currículo preconizada por Maria do Céu Roldão. Segundo esta consagrada especialista, o currículo deve ser entendido como o conjunto de aprendizagens que se consideram socialmente necessárias num dado tempo e contexto, cabendo à escola garantir e organizar.

ACADEMIA CAPITAL Um dos aspectos mais importantes a reter é que essas aprendizagens são transformadas em currículo por força da existência de um projecto curricular, contextualizado, em que cada escola deve assumir tendo por referência o currículo nacional, contudo, atenta à sua dimensão local, à região, aos estudantes e à comunidade onde a escola está inserida.

No que diz respeito à monodocência, aqui entendida como a responsabilidade de um professor único para o desenvolvimento de um ensino globalizante, em relação aos quatros primeiros anos do ensino primário (1ª à 4ª classe), sou um defensor acérrimo deste princípio por três razões: Em primeiro lugar porque para se

ser professor do ensino primário são necessários saberes e práticas próprios oriundos de uma formação inicial especificamente concebida para esse efeito. Em segundo lugar, por um argumento de cunho psicológico, pois decerto todos concordarão, o aluno do ensino primário, para além da intervenção do encarregado de educação, necessita de ter uma referência única (leia-se: professor em regime de monodocência) que seja fundamental para o ajudar a perspectivar o mundo sem atrito com o seu desenvolvimento afectivo. Por último, numa perspectiva pedagógica, devido à necessidade da visão globalizadora que antecede a aprendizagem de conhecimento especializado. Esta tese de defesa da monodocência, principalmente nos primeiros quatros anos de escolaridade do ensino primário, assenta na importância de haver apenas um único professor responsável pela gestão de todo o currículo, ou seja, o professor do ensino primário deve continuar a ser um

em contexto de gestão do

currículo, o que tem merecido alguma polémica relaciona-se com a monodocência. Há vantagens na monodocência? Que entendimento devemos ter da monodocência? Aqui parece haver algumas discordâncias e polémicas no seio da comunidade educativa que importa debater.

professor generalista e coordenar o processo de ensino-aprendizagem de uma ou mais turmas. No entanto, e aqui vou introduzir um elemento reformista, num quadro de monodocência até à 6ª classe, considerando a existência de disciplinas de especialização com conteúdos e competências a alcançar de outra complexidade, defendo que pode ser benéfico o professor do ensino primário estar integrado numa equipa e beneficiar de coadjuvação, na expectativa de que a coadjuvação vai enriquecer o currículo e os processos do seu desenvolvimento. A monodocência coadjuvada tem sido praticada em outros países com sucesso e penso que, desde que a coadjuvação seja de cooperação e auxílio solidário, poderá ajudar a resolver problemas detectados no processo de avaliação da reforma em algumas disciplinas das 5ª e 6ª classes do ensino primário.


SAmbizanga geradores

viram ‘mobília de luxo’ na petrangol.03

Cazenga buraco na

estrada ‘engole’ camiões e contentores.02

CAcuaco ‘passageiros’ assaltam ‘kupapatas’ durante a boleia.03

suplemento é parte integrante desta edição e não pode ser vendido separadamente

a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

areal  este

QUER VER PUBLICADAS COISAS SOBRE O SEU BAIRRO? escreva para areal.2011@gmail.com

perigo aéreo Stop Quando se pensava que as passagens de níveis seriam a solução para a livre circulação pedonal, como forma de evitar o perigo nas

estradas, eis que em municípios como o Rangel e o Cazenga essas estruturas começam a representar mais perigos que as estradas. Mal instaladas, elas apresentam sinais de alguma saturação, de tal forma que as pessoas não sabem como evitar um possível desastre


página 020 da cápital # 471

areal  02

A Buraco

Epal cavou e não tapou

‘come’ camiões na Cuca

cazenga Após ter recebido recentemente trabalhos de reabilitação ao nível do seu tapete asfáltico, a estrada que liga o bairro São Paulo e Cuca volta a ganhar novos buracos, facto que tem criado vários constrangimentos aos automobilistas e peões

Dionísia Guerra, no Cazenga

situação constatada pela reportagem do Areal é o que se pode considerar de bastante caótica. Jelson Santos, que vive no bairro da Cuca, há 15 anos, reconhece esta realidade, manifestando, por isso, o seu total descontentamento com o actual cenário por que passa aquela zona. “É uma pouca vergonha. Até parece que não temos administrador no nosso município. As estradas estão todas esburacadas e sem as mínimas condições para transitar”, desabafou o morador. Há já quase um ano que a rua se encontra interditada, inicialmente devido a rotura de uma conduta. Acontece que os trabalhos foram realizados pela Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), mas, paradoxalmente, a mesma empresa esqueceu-se de tapar o referido buraco. Resultado: os problemas, sobretudo de engarrafamento, que já eram intensos, aumentaram sobremaneira. Nesses dias que correm, os camiões contentorizados têm vindo a sucumbir à profundidade daquela ‘cratera’, complicando a circulação diária de e para aquela circunscrição da capital angolana. “Muita gente, inclusive crianças, utiliza este troço, pelo que se torna perigoso andar por esta via, sem recear que um desses contentores venha a cair por cima de pessoas e viaturas”, sublinhou um outro morador, bastante preocupado. O caso é ainda mais preocupante, segundo os seus utentes, pelo facto da via não dispor, praticamente, de ‘escapatórias’, com excepção daquela que liga ao Zamba 1, com todos os

transtornos que tal pode representar. Os automobilistas são, por isso, obrigados a procurar vias alternativas para chegarem a tempo aos locais dos seus afazeres diários. Outros, aqueles que optam pela via normal, permanecem, às vezes, até três horas nos infernais engarrafamentos, a aguardar que o trânsito flua. Do São Paulo ao Kikolo praticamente não se vislumbra asfalto. Apenas terra batida. “Solicitamos ao piquete da EPAL para reparar este problema, para ao menos tapar o buraco, mas não se obteve ainda resposta. Fomos, inclusive, à administração do Cazenga, para solucionar o problema”, mas, mesmo naquela edilidade o silêncio foi a resposta. O pior está ainda no porvir. É que, o buraco tornou-se num reservatório de lixo, por as pessoas não conhecerem outro lugar para depositar tais resíduos. “O administrador (do Cazenga) está ciente que o seu município está repleto de sepultura sem cadáveres”, ironizou um morador, abordado pela nossa reportagem. Moradora no bairro da Cuca, Maria Clara é da mesma opinião que Jelson Santos. Ela não tem a mínima dúvida: os buracos existentes no Bairro representam uma séria ameaça, sobretudo para as crianças. Diz-se ainda trémula, depois que viu, no mesmo dia, dois contentores caírem na via pública, por força da presença de buracos. “A sorte é que, não tem havido danos mortais, mas os congestionamento na via atrasam a vida dos populares”, lamentou, mais a mais, por os acidentes acontecerem, sobretudo, nas horas de ponta. “Até que apareça uma grua para liberar a passagem, é uma eternidade”,

os trabalhos de reparação de uma conduta foram realizados pela EPAL mas a

mesma empresa esqueceu-se de tapar o buraco.

O taxista Pedro André está indignado com a periclitante situação. “Já ouvimos falar que este buraco teria solução, mas, o que estamos assistir é que o buraco tem estado a aumentar cada vez mais”... “Somos multados se não cumprimos com as nossas obrigações, mas, curiosamente, ninguém quer pagar pelos danos que as viaturas venham a registar nas estradas”


página 021 da cápital # 471

Cazenga Eternos trabalhos de reabilitação agastam municípes Kilamba Kiaxi Energia pré-paga na Cidade do Kilamba Panguila Novo Roque sem clientes desespera vendedores samba Cresce o número de acidentes rodoviários na estrada principal

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motos é que estão a dar

‘Kupapatas’ na mira de assaltantes

U

João Afonso, em Cacuaco

m motociclista foi ferido, nesta terça-feira, após disparo de arma de fogo, nas imediações do bairro da Nova Urbanização, quando se encontrava a realizar o serviço do moto-táxi, uma actividade que exercem todos os dias, razão pela qual não lhes passou pela cabeça que naquela dia o quadro se inverteria e para o pior. Na manhã daquele fatídico dia, como sempre acontece, dois desses elementos, vulgarmente conhecidos também por ‘kupapatas’, transportavam, normalmente, os seus passageiros, quando esses, contra todas as expectativas, resolveram mudar a rota, sem um aviso prévio aos condutores. Porém, ainda assim, os dois motociclistas decidiram satisfazer a vontade dos passageiros, dentro da máxima de que o cliente tem sempre razão. Só não lhes passava pela cabeça que o pior, afinal, estava no porvir. É que, os passageiros eram delinquentes e, mais do que somente a boleia, pretendiam, acima de tudo, ficar-lhes com a motorizada. E foi só

Cenas de assaltos aos motociclistas são frequentes naquela circunscrição nos últimos dias, sobretudo por uma gritante ausência de policiamento na referida área

Geradores

reconheceu a moradora. De tal forma que para escapar, os becos passaram a ser as vias alternativas. Consequências? “O beco onde os nossos filhos brincam, deixou, agora, de ser um espaço calmo. Em caso de queda dos mesmos contentores, vamos ter mortes. É preciso tapar esses buracos”, advertiu. Além da ameaça dos contentores, outro receio tem sido a chegada da chuva. Auguram uma calamidade, caso a situação perdure, pois não vislumbram que a EPAL seja capaz de pôr cobro ao problema em tempo chuvoso, dada a grande presença de água que se apoderará do buraco. O taxista Pedro André está indignado com a periclitante situação. “Já ouvimos falar que este buraco teria solução, mas, o que estamos assistir é que o buraco tem estado a aumentar cada vez mais”, queixou-se, lamentando o facto de todos os anos serem obrigados a pagar a taxa de circulação, mesmo sem melhorias ao nível das estradas. “Somos multados, se não cumprimos com as nossas obrigações, mas, curiosamente, ninguém quer pagar pelos danos, que as viaturas venham a registar nas estradas”, voltou a reclamar André.

Gato substitui cão na caça da Petrangol

um piscar de olhos para os condutores aperceberem-se que tinham caído numa armadilha. Segundo um morador das redondezas, que se identificou como João Baptista, que presenciou tudo o que se passou, um dos proprietários da motorizada foi atingido no pé esquerdo, quando procurava evitar o assalto. Os assaltantes, como contou, levaram a motorizada. O segundo condutor conseguiu salvar o couro, porque naquele momento, já em desespero, não havia mais tempo por parte dos amigos do alheio para levar a outra motorizada. Avisada a tempo, denunciam os moradores, a Polícia apenas apareceu quando os assaltantes já se tinham ‘evaporado’, ao passo que o homem atingido se esvaía em sangue, tendo sido socorrido por um automobilista que passava pelo local e conduzido ao Centro de saúde de Cacuaco. De acordo com o entrevistado, cenas de assaltos aos motociclistas são frequentes naquela circunscrição nos últimos dias, sobretudo por uma gritante ausência de policiamento na referida área. André Sebastião revelou que, recentemente, já foi vítima de

C

“Não sabemos, agora, quem é o passageiro e quem é o assaltante. Quando menos se espera, estamos a transportar um gatuno”

João Afonso, no Sambizanga

omo quem não tem cão, caça com gato, no bairro da Petrangol, à falta de fornecimento regular de energia eléctrica da rede oficial, a solução encontrada continua a ser os geradores e, sem melhor solução, candeeiros à petróleo e velas quase sempre perigosas, porque causadora de vários incêndios. A ginástica dos moradores é adquirir, diariamente, combustível, para alimentar os geradores, qual deles o mais barulhento, susceptíveis de provocar problemas auditivos. Mas, para quem como Dona Joana, procura, ao menos, contar com uma lâmpada acesa, problemas de saúde causados pelos geradores fazem parte apenas da moral e não da necessidade. Por isso, ignoram. Ela é residente do bairro e garante que, a vida tem sido bastante difícil, por ser uma constante viverem às escuras. “Como muitos, precisamos também de estar informados, conservar alimentos e dispor de outros serviços que a energia eléctrica proporciona, mas não podemos”, lamenta a senhora Joana. E dada a periclitante situação, moradores há que há deixaram de comprar frescos, em quantidade,

Um morador que se identificou apenas de Júlio diz-se exasperado com o barulho que é produzido pela exposição aos moradores. “É irritante. Vivo num quintal comum, onde existem seis casas, cada uma delas usa o seu gerador e temos que viver, diariamente, com esta situação”, contestou.

assaltos, ao mesmo tempo que se viu espancado pelos mesmos por apresentar resistência. “Para escapar com vida, tive que entregar todo o dinheiro que tinha aos assaltantes”, acrescentou. E o estratagema é sempre o mesmo, como contou Sebastião. “Fingem que são passageiros e indicam a rota, mas acabam, um pouco mais à frente, por desviar a rota, porque ameaçam-nos com armas de fogo”, queixou. A passageira Luzia da Silva não se refez ainda do susto por que passou recentemente, quando caminhava sobre o ‘dorso’ de uma dessas motorizadas, em serviço de kupapatas. Quando se aproximava do local onde deveria descer, viu impossibilitada a caminhada por uma dupla de assaltantes, que pretendiam ficar com a motorizada. Houve uma pequena briga, mas tal teve que ser interrompida pelo proprietário da mota, quando se viu rendido por uma pistola apontada na cabeça. Viu-se rendido. Teve que entregar a motorizada. E não só: “Eu e o motociclista tivemos que entregar todos os valores que trazíamos para poupar a vida”, contou Luzia da Silva. Um outro motoqueiro, que falou sob anonimato, visivelmente assustado, revelou que os assaltos acontecem praticamente todos os dias, em todas as horas, de manhã e de noite. “O trabalho dos marginais está a ser facilitada pela fraca presença policial”, considerou. Por isso, avisam, todo o cuidado é pouco. “Não sabemos, agora, quem é o passageiro e quem é o assaltante. Quando menos se espera, estamos a transportar um gatuno”, lamentou. Quem também lamenta, é dona Ângela, que vende nos pontos de concentração dos ‘kupapatas’, lamenta o que tem estado a acontecer, dizendo não compreender os motivos para esta onda de assaltos, sobretudo por as vítimas serem pessoas que penam, com quantas penas tem uma galinha, para, ao menos, responderem ao apelo do estômago. “Eles ajudam muito a população e esses roubos não deveriam estar acontecer”, disse, a concluir. por recearem que os mesmos se deteriorem. “A vida está cada vez mais difícil”, acrescentou ainda a mesma interlocutora, para quem a falta de luz eléctrica empobrece cada vez mais as famílias. “Não entendo, como é possível que outros bairros tenham energia, enquanto, entre nós, a realidade é às escuras”, reclamou. Zito Manuel, um outro morador, é um dos que se junta aos clamores daqueles que vivem quase em completo breu. Afirmou que, com algum esforço é possível ultrapassar-se esta situação, uma vez que há bairros limítrofes que contam com este serviço, embora não seja de grande qualidade, “mas que, ao menos, serve para alguma coisa”. “Gasto todos os dias dinheiro, para que o meu gerador não deixe de funcionar. Confesso que, não tem sido fácil, visto que cinco litros de gasolina vão de 350 a 450 kwanzas. Imagine, agora, o que é comprar todos os dias. Quanto terei de gastar”, interrogou Manuel. E porque a ocasião faz o ladrão, os amigos do alheio estão sempre à espreita, aguardando pela melhor oportunidade para fazer vítimas, contando, para o efeito, com a facilidade que é conferida pelo inexistente serviço de fornecimento de energia eléctrica.


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areal  04

àlupa

passagens de nível

perigo suspenso cazenga e rangel Moradores sentem-se praticamente presos em

casa, com medo de que este tipo de passagens desprovidas de corrimão e cada vez mais ‘mutiladas’ caia a qualquer momento. “Não podemos continuar a viver desta forma. É demais”

A

Helena Maria, no Rangel

má conservação das passagens de níveis localizadas entre a Rua Comandante Cantiga, no Rangel, e a Rua 1 da Comissão do Cazenga coloca sob ameaça a livre circulação de moradores de ambos municípios. É que aquelas estruturas carecem de corrimão, lixo e a delinquência, como não poderia deixar de ser, tem deixado também a sua impressão digital, fazendo dos munícipes reféns, sobretudo aqueles que, por falta de via de passagem melhor, arriscam a vida ao tentar atravessar a linha férrea. De passagem por algumas artérias de ambos municípios foi possível constatar que, as passagens de nível, além de desprovidas de corrimão, estão cada vez mais ‘mutiladas’ nos degraus, uma vez que a placa e a viga de suporte estão danificadas, como reclamou Francisco Pedro, morador da Rua 1 da Comissão do Cazenga. “Reconhecemos que este tipo de passagens foram mal feitas, porque as mesmas não suportam muito peso”, revelando que as mesmas, inclusive, chegam a mexer e as noites os amigos do alheio fazem, o que bem lhes dá na pura gana. Em face do mau estado dessas vias, os moradores optaram por outras, embora nem sempre os resultados sejam os mais esperados. É que se, de um lado, conseguem escapar das ‘garras’ dos marginais, acabam, na caminhada, por ter de enfrentar várias lixeiras que circundam esses locais.

Em face do mau estado dessas vias, os moradores optaram por outras, embora nem sempre os resultados sejam os mais esperados. É que se de um lado conseguem escapar das ‘garras’ dos marginais, acabam, na caminhada, por ter de enfrentar várias lixeiras que circundam esses locais.

Acontece que, por falta de contentores de lixo na área e a irresponsabilidade de uns tantos moradores, os resíduos sólidos são depositados no chão, não raras vezes, junto da linha férrea, com todo o perigo que tal pode representar para uma livre circulação ferroviária. O morador da Rua da Comissão do Cazenga afirmou que, desde os anos 90 contam apenas com uma passagem aérea, que já está danificada. Para minimizar a situação, foi construída uma nova. Mas, para mal dos pecados, teve um efeito contrário. Ou seja, os assaltos aumentaram de forma exponencial, dado que a passagem foi construída entre casas e becos. “Não temos paz”, desabafou Francisco Pedro, referindo-se às crianças que têm de atravessar todos os dias, a caminho de escola, as passagens de nível já danificadas. “Sempre que os nossos filhos saem de casa, não nos sentimos tranquilos, porque não sabemos que perigo podem estar a correr”, lamentaram.

Os problemas, segundo os moradores, são maiores, visto que, praticamente, se sentem presos em casa, com medo de que este tipo de passagens caiam a qualquer momento. “Não podemos continuar a viver desta forma. É demais!”, esbracejou um outro morador. A viver no bairro da Precol, ao Rangel, João Salvador reconhece que a situação por que passam, é, deveras, bastante complicada. “Desde que começamos a registar este tipo de problemas, nunca mais vivemos com tranquilidade, porque somos bastante afectados”, defendeu, referindo-se, sobretudo, aos idosos, que não conseguem passar por essas estruturas, dada a insegurança. Os moradores acusam, por isso, as administrações municipais dos Rangel e do Cazenga de estarem a fazer vistas grossas ante os problemas há muito reclamados pelos munícipes àquelas edilidades. “Estamos cansados com este tipo de situação, porque os danos são cada vez maiores”, afirmou João Salvador, que diz já se ter queixado por diversas ocasiões. Reconhecem que, a empresa responsável pela recolha de lixo está a envidar esforços, no sentido de removê-lo na totalidade, mas os utentes daquela via defendem, por seu turno, que as administrações municipais sejam também lestas a reabilitarem essas passagens de níveis. Esforços foram feitos pela reportagem do Areal, tendentes a contar os responsáveis das administrações comunais do Rangel e Cazenga, mas sem sucesso.

Obras Estrada de ligação Cabolombo/Futungo, na comuna do Benfica, atingiu a fase da construção de passeios laterais e retornos, no âmbito da reabilitação de cerca de sete quilómetros. Idoso No quadro do Dia Mundial do Idoso, a

Fundação Kilamba, uma organização filantrópica angolana, realiza entre 02 e 15 de Outubro, uma Campanha Nacional de Solidariedade para com a Terceira Idade, assinalado no 01 de Outubro. A organização explica que, a iniciativa tem por objectivo arrecadar donativos materiais e fundos para a implementação do “Projecto Faça um Idoso Feliz”.

Violência Entre Janeiro do corrente ano,

o centro de aconselhamento do município da Samba registou mais de trezentos casos de violência doméstica. Entre os casos mais flagrantes, a fuga à paternidade e falta de prestação de alimentos encabeçam a lista de delitos mais comuns.

02

mil casas a construir no sambizanga e cazenga


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

opinião 23 2

Seguramente que esses dois homens nunca se cruzaram. Troy Davis não terá nunca pronunciado o nome de Aristides Pereira, mesmo que este tenha sido Presidente da República de Cabo Verde. Nem sei mesmo se alguma vez Troy Davis conseguiria localizar no mapa-mundo o arquipélago de Cabo Verde. Suspeito ainda que Aristides Pereira nunca soube quem era Troy Davis, nem tomara conhecimento do seu prolongado combate para evitar que lhe fosse executada a pena capital.

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Afinal, a única coincidência é que ambos morreram no mesmo dia, e separados por poucas horas. Troy Davis morreu na cadeia de alta segurança em Jackson, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, e Aristides Pereira nos hospitais da Universidade de Coimbra, em Portugal. Separava-os um longo hiato de 45 anos: Troy Davis tinha 42 anos e Aristides Pereira ia já com a bonita idade de 87 anos.

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Porquê, então, abordar num único texto a morte destes dois homens que nada tinham de comum? Foi a questão que coloquei a mim próprio.

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Escrevo sobre Troy Davis, em princípio, porque sou contra a pena de morte. E porque a sua execu-

a morte a pena de morte

rios de tinta ção veio reforçar a minha posição crítica, já que suspeito que a justiça americana acaba de cometer nova injustiça.

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Escrevo sobre Aristides Pereira porque sempre o situei no panteão dos políticos que honraram a política, dignificando-a, quer pela forma como nela entrou, quer como a exercitou, e como saiu dela.

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Tomado pela emoção e pela saudade, resolvi revisitar Aristides Pereira numa entrevista que concedeu, há cerca de 9 anos, a um diário

português. No preâmbulo do texto, a jornalista Ana Dias Cordeiro teceu considerações que correspondem ao seu retrato: “Aristides Pereira (…) respira serenidade e transmite a calma de um homem realizado, cuja vida lhe deu muito mais do que aquilo que alguma vez imaginou. Por detrás de uns óculos grandes, o olhar risonho diz isto e muito mais. As gargalhadas que por vezes solta nada tiram à sua natural distinção”.

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Seria esse também o retrato que eu faria desse homem justo e simples, do distinto cabo-verdiano que, juntamente com os irmãos Amílcar e Luís Cabral, soube transformar em realidade as aspirações de independência de dois povos, o povo da Guiné-Bissau e o povo de Cabo Verde. E, depois, soube aceitar com humildade a derrota eleitoral, na transição do seu país para um sistema político multipartidário e para um regime democrático.

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São dele ainda as seguintes palavras: “Eu costumo dizer que fiz política sem ser político. O que me levou à política foi a situação de humilhação, de exploração do povo cabo-verdiano e as injustiças do sistema colonial. Na minha geração, começou a ganhar-se absoluta consciência da obrigação que tinham os cabo-verdianos de lutar contra essa situação de injustiça. Nunca sonhei, enquanto jovem, qualquer coisa que se parecesse com a política. Era qualquer coisa que estava fora dos meus parâmetros”.

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Aristides Pereira entrou na política sem ser político. Mas fez na política um enorme percurso da sua vida. Porém, ele não cabe no mesmo quadro em que figuram todos

quantos vêem na política o campo onde não há limites nem fronteiras, um território sem regras e sem ética. Vou agora em busca de Troy Davis, o negro norte-americano que acabou por ser executado com uma injecção letal, depois de 22 anos a clamar pela sua inocência. No dia anterior à sua execução, em carta divulgada pela Amnistia Internacional através do Facebook, Troy Davis escreveu: “A luta por justiça não acaba comigo. Esta luta é por todos os Troy Davis que vieram antes de mim e por todos os que virão depois. Estou com bom espírito, rezando e em paz, mas não deixarei de lutar até ao meu último suspiro”.

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Sobre Troy Davis impendia a acusação de ter morto um polícia que fora em socorro de um mendigo quando estava a ser agredido por dois homens. O polícia era branco. Inicialmente, 9 testemunhas apontaram-no como o autor dos disparos que vitimaram o polícia. Posteriormente, 7 dessas 9 testemunhas renegaram os primeiros pronunciamentos, afirmando que tinham sido pressionadas pela polícia para prestarem falsas declarações. Além disso não foram encontradas evidências materiais que pudessem sustentar a acusação: nem a arma do crime, nem nos resultados dos testes de ADN.

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Perante tais factos, elevou-se um coro de vozes de figuras públicas pedindo a anulação da pena capital contra Troy Davis, inclusive, Chefes de Estado e até mesmo do Papa Bento XVI.

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As autoridades judiciais do Estado da Geórgia mostraram-se insensíveis e Troy Davis foi

mesmo executado. As suas últimas palavras foram dirigidas à família do polícia morto, que manifestou um particular interesse em assistir à execução: “Que Deus tenha piedade da vossa alma. Não matei o vosso irmão. Não estava armado. Não fiz isto”.

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A justiça norte-americana tem sido fértil no cometimento de erros que, depois, se constata serem crassos. Por exemplo, precisamente há dois anos, foi libertado nos EUA um homem que esteve preso durante 26 anos. Fora acusado de ter violado e ter morto uma mulher, quando tinha apenas 15 anos de idade. Os testes de ADN mostraram, porém, o quanto a justiça estava equivocada.

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Os 26 anos passados nos calabouços já tinham passado e nunca serão recuperados – essa é hoje a única certeza. Se o tivessem executado, nunca se saberia que era, afinal, mais inocente.

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Nos EUA, desde a condenação até à execução, geralmente decorre um longo período de tempo, e existem múltiplas instâncias de recurso, o que dá a possibilidade de se corrigirem eventuais erros. Mas há outros países, como por exemplo a China, onde a pena de morte é executada quase que em simultâneo com a sentença, o que torna ainda mais problemática essa penalização que é irreversível.

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Depois da execução de Troy Davis, a luta contra a pena de morte vai pela certeza aquecer vários palcos de debate. Termino, pois, recordando esta frase de Mahatma Ghandi: “A pena de morte é um símbolo de terror e, nesta medida, uma confissão da debilidade do Estado”.

arlindo isabel

Ainda não tinha enxugado totalmente a emoção pela execução, nos Estados Unidos, de Troy Davis, e logo surgiu a notícia do falecimento do primeiro Presidente da República de Cabo Verde, Aristides Pereira. Recebi, pois, e de uma assentada, uma tremenda carga emocional, um exagero para um único dia e em tão poucas horas. Reconheço que os meus alicerces psicológicos abalaram.

justino pinto de andrade

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a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

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crianças, em cem, morrem no Sudão do Sul. A fome é, em grande parte, responsável

áfrica 24 Nobel da Paz sucumbiu ao cancro

Wangari Maathai enluta África quénia de luto Morreu aos 71 anos, domingo, vítima de cancro, Wangari

D.R.

Maathai, Prémio Nobel da Paz em 2004 pela sua intervenção na defesa do ambiente.

D

o mundo inteiro são várias as vozes que se juntam à tristeza queniana. Numa reacção ao seu desaparecimento, o arcebispo sul-africano, Desmond Tutu, também ele galardoado com um Nobel da Paz, considerou que o mundo perdeu “uma verdadeira heroína africana”, que entendeu, como ninguém, a dinâmica social e económica que conduz à pobreza entre os africanos e outros povos do mundo. “Ela percebeu e combateu os laços inextricáveis entre a pobreza, os direitos e a sustentabilidade ambiental. Não podemos deixar de nos maravilhar perante a sua visão e o alcance dos seus sucessos”, referiu, em comunicado. Por seu turno, a Fundação Nelson Mandela, entidade que gere a imagem e o trabalho humanitário do ex-Presidente da África do Sul e também Prémio Nobel da Paz, Nelson Mandela, Maathai foi uma ativista excepcional da causa do ambiente. “Ela deixou-nos como herança uma maior consciencialização e um trabalho mais profundo na protecção do ambiente e do mundo que perdurará por gerações”, salienta uma nota difundida em Joanesburgo pela referida Fundação. Wangari Maathai foi a primeira africana a conquistar o Nobel da Paz. Em 1977, fundou o movimento Cinturão Verde,

um movimento qud procura promover a biodiversidade e, ao mesmo tempo, criar empregos para as mulheres e realçar a sua imagem no continente e no mundo. Desde a data da sua fundação contam-se quase 40 milhões de árvores plantadas em África, 20 milhões só no Quénia, tornando-se num dos programas de maior sucesso de protecção do ambiente. Wangari Maathai foi a primeira mulher a completar o doutoramento na África Central e Oriental, antes de comandar a Cruz Vermelha queniana na década de 70 do século XX. Chegou a ser secretária de Estado para o Meio Ambiente entre 2003 e 2005. Considerava que, em consequência das mudanças climáticas, o meio ambiente degradou-se, sobretudo, o monte Quénia, a sua região natal.
Mas tal não a demoveu de expandir o seu combate ecológico por todo o continente africano, sendo que, nos últimos anos, a sua luta estava centrada na protecção da selva da Bacia do Congo na África Central, tão-somente o segundo maior maciço florestal tropical do mundo. A sua luta não foi, no entanto, favas contadas. A militante teve que enfrentar a corrupção e a repressão policial do seu país, tendo, por várias vezesm sido detida.

D.R.

foi a primeira africana a conquistar o Nobel da Paz. em 1997, fundou

o movimento Cinturão Verde, para promover a biodiversidade

Wangari Maathai, presente

É

com grande tristeza que a família da professora Wangari Maathai anuncia o seu falecimento, a 25 de Setembro de 2011, no Hospital de Nairobi, depois de uma brava e prolongada luta contra o cancro. Os seus entes queridos estavam com ela no momento do falecimento. A partida da professor Maathai é prematura e uma perda muito grande para todos que a conheciam, como uma mãe, parente, colega de trabalho, amiga, modelo de pessoa e heroína, ou para os que a admirava por sua determinação em fazer do mundo um lugar mais pacífico, mais saudável e melhor. Professora Wangari Muta Maathai começou o Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde) em 1977, trabalhando com as mulheres para melhorar os seus meios de subsistência, aumentando o seu acesso a recursos como aq lenha para cozinhar e água limpa. Ela tornou-se uma grande defensora de uma melhor gestão dos recursos naturais e da sustentabilidade, eqüidade e justiça. Deixa três filhos, Waweru, Wanjira e Muta, e neta, Ruth Wangari. Eles são realmente muito gratos por todas as orações e apoio que receberam.


D.R.

responsável das Relações Externas do Movimento para a Democraica e Justiça no Tchad (MDJT, rebelião),  Ousmane Hussein, interpelou as novas autoridades líbias sobre o desaparecimento de Youssouf Togoïmi, presidente fundador deste movimento, ocorrido a 24 de Setembro de 2002, após este ter recusado assinar um acordo de paz patrocinado por Tripoli. «Exigimos das novas autoridades de Tripoli um interrogatório ao antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Líbia, Moussa Koussa, que foi na altura dos factos o primeiro responsável dos serviços de inteligência de 1994 a 2009. Se ele estiver em vida, tem de se explicar. Se não, há Moussa arquivos a consultar. Em Koussa, então chefe todo caso, queremos que dos serviços se diga a verdade sobre a secretos líbios, sorte de Togoïmi”, declaé acusado de rou Ousmane Hissein à PANA em Paris. Ministro ter responem vários Governos de sabilidades na morte de Idriss Déby entre 1990 e 1997, Youssouf Togoïmi, Togoïmi

O

Sobre desaparecimento do seu líder

Rebeldes tchadianos interpelam CNT líbio

Youssouf Togoïmi, após

após divergências com o chefe de Estado tchadiano, entra em dissidência e forma em Abril de 1998 o MDJT.
 Ferido após ter, acidentalmente, accionado uma mina no norte do Tchad, o fundador do MDJT desapareceu misteriosamente a 24 de Setembro de 2002, enquanto estava em tratamento médico num hospital militar de Tripoli, capital líbia. Moussa Koussa, então chefe dos serviços secretos, teria visitado Togoïmi no hospital, indicou o responsável das Relações Externas do MDJT, acrescentando que no dia seguinte a esta visita, o chefe do movimento rebelde tchadiano foi declarado morto, “sem que se entregasse o seu corpo”. «Na sequência deste desaparecimento, vários dos nossos militantes residentes na Líbia foram raptados pelos Líbios e muitos outros não voltaram a ser vistos até agora”, afirmou Hussein, que acusa o regime tchadiano de cumplicidade neste desaparecimento, sugerindo, por isso, ao Conselho Nacional de Transição (CNT, no poder na Líbia) a instauração de uma comissão para apurar os factos.

divergências com o chefe de Estado tchadiano, entra em dissidência e forma em Abril de 1998 o MDJT.

a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

D.R.

Manifestações violentas na Mauritânia violentas manifestações contra uma operação de recenseamento da população em curso na Mauritânia  realizadas no último fim de semana, prosseguiram durante a semana naquele país, em resposta ao apelo da coordenação “Não Toque na Minha Nacionalidade”. As manifestações mais violentas ocorreram em Kaédia, cidade situada no sul do país, onde grupos de jovens saquearam o Palácio da Justiça. Segundo fontes concordantes, a Polícia procedeu  a pelo menos 17 detenções.

Os manifestantes, essencialmente membros da comunidade negro-mauritana, denunciam um censo “discriminatório e racista” da população.

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Na Nigéria

Soldado expulso do Exército

O

Exército nigeriano expulsou um dos dois soldados implicados no rapto do pai do futebolista John Michael Obi no mês passado.

O soldado Jaduwa Thalma foi expulso e entregue à Polícia para processo judicial, indicou a imprensa local, enquanto um segundo soldado, o sargento Victor Essien, será entregue à justiça militar para julgamento conforme à ética militar. Segundo um porta-voz do Exército, o coronel Mohamed Yerima, o regulamento das Forças Armadas prevê a expulsão de soldados com o grau de Thlama, ao passo que os sargentos e os militares de grau superior devem ser entregues às autoridades militares.
 Os dois soldados fazem parte das pessoas detidas no quadro do rapto do pai de Obi Mikel, Michael, na cidade de Jos, no norte da Nigéria, quando regressava à sua casa. Ele foi encontrado vivo 10 dias depois.

Para a sua construção

D.R.

O

Presidente do Sudão Sul, Salva Kiir, que se tornou, a 09 Julho deste ano, na mais jovem nação do mundo e no 193º Estado-membro da ONU,
declarou, durante o recente debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que o seu país “precisa da assistência internacional durante um certo tempo, para desenvolver as suas infra-estruturas básicas e explorar os seus recursos naturais”. “Na maioria das situações pós-conflito, as nações esperam normalmente ser reconstruídas. Não é o caso para nós. Antes mesmos das destruições provocadas pela guerra, o nosso país nunca teve nada que valha a pena reconstruir”, sublinhou. «Consideramos a nossa missão pós-conflito mais como uma missão de construção, do que de reconstrução”, acrescentou. A pretensão do chefe de Estado do Sudão do Sul é a de que o apoio em Salva Kiir e o massa concedido à indeseu chapéu à pendência do seu país, cowboy. Ajuda em Julho último, se traduza, doravante, numa precisa-se assistência ao desenvolagora. vimento tangível do país, Recursos prevendo que «a nosnaturais do sa  caminhada para sair país pagam do abismo da pobreza e depois...

da miséria, para o reino do progresso e da prosperidade, vai ser muito longa». Reconheceu, igualmente, que o seu país possui abundantes recursos petrolíferos, mineiros e outros, mas que não produz, até agora, quase nada para si próprio, mas que deve diversificar a sua economia a fim de não ser muito dependente do petróleo. «A ambição do povo do Sudão Sul é poder transformar o seu país numa potência regional agro-industrial, e a realização deste objectivo continuará a ser uma prioridade. «Precisámos da ajuda externa e esperamos que ela será oferecida em termos que vão, igualmente, respeitar as nossas escolhas económicas e políticas», defendeu Kiir. A segurança, para aquele estadista, continuará a ser um factor essencial, para garantir que o Sudão Sul possa desenvolver-se, assegurando que o país aspira  à paz, tanto no interior das suas fronteiras, como no exterior com os seus vizinhos. Preconizou, ainda, uma resolução rápida do problema da demarcação das suas fronteiras com o Sudão e negociações sérias entre os dois países sobre as questões económicas, em particular os acordos petrolíferos. O Sudão Sul tornou-se independente, na sequência dum referendo após várias décadas de guerra civil.

D.R.

Sudão Sul quer apoio internacional

John Michael Obi, do Chelsa. Um dos raptores do seu pai, um soldado, foi entregue à polícia


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

angola . vai, dentro

de seis meses, começar a exportar gás natural para os Estados Unidos da América

economia 26 Igniam iliquat prat et, quatie magna conulla commolo reriusc

Igniam iliquat prat et, quatie magna conulla commolo reriusc inciliquisse velit aute eraesto conPat wis augait aliquipit, quisislosto

cesta básica para comida C

cesta básica continua a não contemplar itens, como saúde, educação e demais serviços essenciais PRESBÍTERO LUNDANGE

ada pessoa em Angola gasta, em média, 6 mil e 449 kwanzas para fazer face às respectivas necessidades vitais ao longo dos 30 dias de cada mês. Assim mesmo estima o Instituto Nacional de Estatísticas, que apresenta tal montante como o valor

do consumo médio mensal, por angolano a residir no território nacional. Analistas como o economista Mário Andrade tomam isso como um indicador que permite concluir que o angolano “apenas sobrevive”, argumentando que, em condições normais, “nunca ninguém em Angola conseguiria alcançar o bem-estar, com um consumo resumido em 6

mil kwanzas”. O especialista baseia a sua análise, no facto do custo de vida em Angola ser “bastante alto”, como, aliás, tem sido, amiúde, referido em vários estudos a respeito. Seis mil e 449 kwanzas é, por isso, insignificante para fazer face às necessidades de consumo alimentar e não alimentar, assim como de bem-

UNTA bate-se por melhor cabaz

-estar e de conforto, tal como avaliou o economista. Na composição do cabaz de consumo, o mais recente relatório analítico do inquérito integrado sobre o bem-estar da população atribui particular importância ao grupo de despesas associadas à produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, que absorve mais de meta do valor correspondente ao consumo médio mensal, por pessoa. Essa classe representa despesa estimada em 3 mil 149 kwanzas, equivalente a 57 por cento do consumo global per capita. Mas a importância deste grupo, segundo tal documento, aumenta nas áreas rurais, onde atinge dois terços do consumo, e diminui nos meios urbanos, onde é responsável por metade do consumo total. A renda de casa vem logo a seguir na hierarquia de despesas, consumindo em média 739 kwanzas, correspondente a 10 por cento do consumo global, enquanto os serviços de utilidade doméstica, à semelhança de despesas com água, electricidade, gás e outros combustíveis consomem 479 kwanzas. Para além da alimentação, serviços e renda nenhuma outra componente principal do consumo contribui em


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

usd 95 kz 100 eu 112

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inflação

dentro dos marcos traçados

cesta básica. está, ao preço actual de mercado,

francisco botelho

no valor de pouco mais de vinte mil kwanzas, quase o triplo do salário mínimo nacional. Do cabaz está excluso até mesmo o vestuário, considerado uma das necessidades básicas do homem

mais de 5 por cento para o consumo total. Números disponibilizados pelo INE, por via do relatório estatístico do IBEP, permitem concluir que o consumo de alimentos e bebidas não alcoólicas é apenas 40% superior nas áreas urbanas, comparativamente às áreas rurais, enquanto que a média das despesas com habitação, água, electricidade e combustíveis em áreas urbanas é três vezes superior ao gasto médio nas zonas rurais, uma consequência que está relacionada com diferenças, nos níveis de acesso aos serviços. Quanto a componente educação, esta aparece como a mais penalizada. De acordo com o documento, os gastos médios com esta classe de despesa são “extremamente baixos”, representando um peso de apenas 1% do consumo total.

20 % dos mais ricos concentra metade do consumo total

O país dispõe de uma cesta básica, na base da qual foi calculado o salário mínimo nacional em vigor, em Angola. Ocorre que, tal cesta é apenas alimentar, cujo valor não contempla gastos com educação e saúde, nem os demais serviços que também concorrem para o bem-estar de um ser humano.

francisco botelho

Cesta sem educação

francisco botelho

francisco botelho

A classe mobiliário, equipamento doméstico e manutenção foi o que registou o maior aumento de de preçoss

Até mesmo o vestuário foi ignorado numa cesta básica que só comporta arroz (20kgs), açúcar (7kgs), peixe (13kgs), feijão (16kgs), óleo de soja (8 litros), fuba de milho/bombo (18kgs), assim como dez unidades de pão, chá e sal. A cesta básica está, ao preço actual de mercado, no valor de pouco mais de 20 mil kwanzas, quase o triplo do salário mínimo nacional. Quer isso dizer que, o conjunto de produtos que conformam a cesta básica alimentar está agora mais caro, em razão da degradação do poder de compra daquilo que é auferido pela generalidade dos trabalhadores angolanos. Dado o comportamento dos preços no mercado, marcado por constantes subida, a UNTA tem vindo a considerar que SMN anda, por isso mesmo, completamente desactualizado, apresentando-se agora com um poder aquisitivo que só já lhe permite cobrir cerca de 40 por cento do valor da cesta alimentar básica, quando, anos atrás, já comprava pouco mais de 60 por cento deste cabaz. A explicação, segundo Manuel Viage, está no facto, dos preços dos bens continuarem a subir, enquanto o salário mantém-se estático à espera de actualizações proporcionais com a subida

de inflação, agora também impulsionada pela depreciação do kwanza, na sua «disputa» com o dólar norte-americano. Economistas da nossa praça olham para a não actualização do salário, como uma injustiça na distribuição da riqueza nacional, uma vez que a repartição dos ganhos económicos é processada por via dos salários, que cada um aufere. Desde que o governo aprovou para o país um salário mínimo nacional, a trajectória deste indicador foi de constante depreciação. Em 2002, por exemplo, o SMN ainda cobria 63,29 por cento do valor da cesta básica. Já em 2005, com o mesmo ordenado, o trabalhador só já podia adquirir 36,58 por cento do referido cabaz. Dados referentes a Junho passado dizem que, neste período, o SMN fazia uma cobertura da cesta básica, em cerca de 40 por cento. Para tal conclusão a UNTA tem se baseado na evolução do valor da cesta básica alimentar ao longo dos últimos anos. O arroz, um dos produtos que integram os itens da cesta básica angolana, é o exemplo de produtos cujos preços continuam a subir no mercado.

No Orçamento Geral do Estado para o presente ano, as autoridades estabeleceram como propósito barrar a inflação em 12%

francisco botelho

francisco botelho

A

taxa de inflação em Angola não para de crescer, a julgar por aquilo que são os números fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas No seu último Índice de Preços no Consumidor (IPC), a instituição revela que o nível geral de preços na cidade de Luanda registou uma variação de 0,73 por cento, entre o mês de Julho e Agosto de 2011. A classe mobiliário, equipamento doméstico e manutenção foi a que registou o maior aumento de preços, com 1,60 por cento. Destacam-se também os aumentos dos preços verificados nas classes de vestuário e calçado com 1,32 por cento; bebidas alcoólicas e tabaco com 1,25% e saúde com 0,93%. A variação homóloga situa-se agora em 13,68%, ou seja uma baixa de cerca de 0,45 % com relação a variação homóloga no período anterior, o que significa manter-se a tendência decrescente da variação homóloga, iniciada em Novembro de 2010. A classe Alimentação e Bebidas não Alcoólicas é a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, seguida das classes: Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção e Vestuário e Calçado. Olhando para a taxa de inflação acumulada ao longo dos primeiro oito meses do ano, analistas consideram que os números ainda estão dentro daquilo que o Executivo preconizou como meta de inflação para 2011. No Orçamento Geral do Estado para o presente ano, as autoridades estabeleceram como propósito barrar a inflação na casa dos 12 por cento, o que, a julgar pela actual variação de preços verificado até agora, há probabilidade para que tal seja possível. Apesar da resistência da inflação à queda para níveis pretendidos, as condições parecem, agora, mais favoráveis para que as autoridades consigam, este ano, comprimir o nível geral de preços para a meta de 12 por cento. Mas, o mesmo não se pode dizer em relação ao desejo de ver tal variável, reduzida para um dígito.


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

economia 28

Desempregado por não ser criativo autonomia enquanto muitas pessoas se “acotovelam”, disputando um posto em instituições que anunciam vagas nos seus quadros, outras, dotadas de algum espírito empreendedor, criam o seu ganha-pão

A

Mirene da Cruz

vida não corria de feição para Abraão Sungo, um cidadão de nacionalidade congolesa, que há mais de cinco anos reside em Angola. Angola porquê? À semelhança de outros cidadãos estrangeiros, este, veio a este país atraído pela fama de que, em Angola, a vida ganhava-se com alguma facilidade, razão que o fez não pensar duas vezes, para que decidisse arriscar uma travessia da fronteira. Mas, em Angola, Abraão tinha que fazer algo, depois que as necessidades do quotidiano começaram a apertar, ainda mais na sua condição de desempregado. Foi, então, que deita mãos a um dos ofícios que, na altura, safavam a vida a muitas pessoas desprovidas de um emprego formal: o trabalho de bate-chapa. Como bate-chapa não trabalhou por muito tempo, optando depois por ocupar-se com serviços de manicure e pedicure, devido a conflitos com o seu patrão. “Era muito exigente”, disse, servindo-se dessa explicação, para justificar a decisão que o levou a iniciar uma caminhada com as próprias pernas. Hoje, é disso que ele vive, jogando a seu favor o facto de ter conquistado uma clientela que ronda numa média diária de 15 pessoas, que procuram os mais diversos serviços que envolvem esse profissão associada à beleza humana. Com esta iniciativa, Abraão Sungo até já deu ocupação a outros tantos jovens, que, por sua vez, também foram criando o seu próprio espaço. “As pessoas não devem ficar de braços cruzadas”, aconselhou. Em Angola, como em outras paragens, o auto-emprego tem-se mostrado ser a alternativa à exígua oferta no mercado de trabalho, onde a luta pela sobrevivência, obriga a um espírito criativo da parte de quem se vê na situação de desempregado. E foi disso que Beni Mateus, responsável pela Televisão Comunitária do Rangel, se serviu, depois de ver as portas do mercado de trabalho a lhe serem frequentemente fechadas. “Ainda somos uma micro-empresa”, reconheceu, para se referir da pequenez do projecto cujo funcionamento é assegurado por três pessoas. Com habilidades nessa matéria está uma equipa de jovens que detêm a paternidade de um projecto denominado Televisão Comunitária, algo que

Fora do mercado de trabalho, cidadãos criam soluções uteís à sociedade

já constitui fonte de subsistência para muito. Na sua maioria são antigos estudantes do Instituto Nacional de Telecomunicações (ITEL) e outros tantos jovens, com cursos de instalação de antenas

parabólicas, profissão com a qual têm estado a encarar as tendências do mercado de emprego. Os serviços prestados por estes jovens, na maioria dos casos, parece agradarem o seu segmento de merca-

do, a julgar pelo nível de satisfação dos clientes em relação ao trabalho dos jovens. Uma usuária de tais serviços, por exemplo, louva a iniciativa desses pequenos empreendedores, por segun-


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

Pedro Canga.

convidou o sector privado a participar no processo de repovoamento florestal, em curso desde 1993. A antena parabólica é sustentada por uma hack que emite o sinal, de qualidade, para mais de vinte famílias

do ela, permitir o seu auto emprego. A satisfação dos clientes decorre não apenas do serviço recebido, mas também dos preços que tais técnicos cobram por um pacote que inclui múltiplos canais de televisão por

satélite. São 2 mil e 500 kwanzas para todos os canais, valor que Maria Helena considera bastante módico, dada a qualidade com que o sinal chega às casas dos clientes. O responsável da Televisão Comunitária a operar no bairro da Precol disse que os valores, ainda assim, não são da responsabilidade da equipa que presta os serviços daquela casa, que funciona ainda em regime experimental, para além do facto de não ter o aval das autoridades. “Não estamos capacitados para decidir sobre preços”, disse. Beni Mateus, revelou ter sido os próprios usuários que, em reconhecimento do empenho dos agentes, estabelecerem o valor que pagariam pelos serviços a si prestados. A ideia da criação da TV Rangel não veio do nada. Beni Mateus contou que, o pensamento surgiu em 2006, quando terminou o curso médio no ITEL, onde se formou na área de antenas parabólicas, sistemas digitais e seus

25 até ao momento este é o número dos utentes, mas a ambição do grupo vai além

complementares, dotando-se de conhecimentos que lhe permitiram montar uma rede de Televisão Comunitária, que foi, aliás, o seu projecto de fim do curso. “Depois da nota decidimos por em prática o projecto”, contou, dizendo ser, no fundo, um teste a que o grupo de cinco elementos se propôs, para avaliação das suas capacidades por parte da sociedade. “E fomos bem sucedidos”, considerou. Lamenta, por isso, o facto de em Angola valoriza-se mais o estrangeiro em detrimento do nacional, situação que sucede, com frequência, no mercado de emprego, onde a prioridade é, sempre, concedida a quem vem de fora, ainda que o nacional tenha qualificações equiparadas. Segundo ele, tal só acontece porque, “ainda não acreditamos que também somos capazes”. Exemplo de prova de capacidade dos quadros locais é, precisamente, a TV Rangel. Neste projecto, os promotores incluíram todos os canais das televisões por satélite, podendo, por via da sua criação, ser vistos ao mesmo tempo, sem a necessidade de ligar a outros descodificadores. “É isso que mexeu mais com a população”, garantiu.

abraão sungo encontrou nas

unhas o seu próprio negócio, não dependendo de patrões

Beni mateus

o estudante que pretende instalar rede de televisão comuntirária nas zonas periféricas de todo país

29

mercado

O que isso de autoemprego

Banca e empreendedorismo

P

or auto-emprego entende-se como forma de actuação profissional autónoma, na qual o indivíduo não tem vínculo com emprego formal com um único empregador, porque a relação que mantêm com as instituições são baseadas na prestação de serviço. Ou seja, pela sua forma, os promotores exercem a sua actividade sem qualquer compromisso contratual, “porque só prestamos serviço”, disse Estêvão Garcia, um técnico de frio, que, servindo-se desse ofício, criou, ele também, o seu próprio emprego. Emprego que, entretanto, pode ser de vida efémera, se a banca estiver desassociada a pequenas iniciativas geradoras de renda por conta própria. O profissional defende, por isso, a necessidade da banca envolver-se mais, financiando os pequenos negócios, que têm sido de grande valia para subsistência de muitas famílias. “Precisamos de apoios”, disse, referindo-se à disponibilização de crédito que considera determinante, para o crescimento de qualquer negócio. Esta é, também, a posição do presidente da Associação dos Empreendedores de Angola (AEA). Falando durante o fórum “Promover a capacidade empreendedora em Angola”, Jorge Baptista defendeu que, “Angola não pode continua a viver de empreendedorismo de venda ambulante. Precisamos de condições necessárias, para termos melhor qualidade de vida”. Além do mais, é hora de se começar a diversificar a economia, com vista a tira o país da sua grande dependência do petróleo. “Não podemos continuar a depender unicamente do petróleo”, salientou. Defendendo que, para tal, deve haver uma séria aposta na promoção dos pequenos negócios, assegurando-os financiamento.

É cada vez mais grintante a necessidade de financiamento para investimentos privados


a capital, sábado. 17 de Setembro de 2011

Para Massano

“ a economia angolana está numa trajectória de crescimento”

DINHEIRO, N DINHEIRO QUANTO CUSTAS ? vem aí a taxa de juro básica do bna

O BNA vai a perseguir uma política monetária prudencial ajustada ao desiderato de controle da inflação tendo como meta anual uma taxa de menos 12% (em Agosto a inflação acumulada era de 6,8%), mantendo uma política restritiva em matéria de crédito sem descorar o estímulo à economia, reiterou o governador do banco central, José de Lima Massano, num encontro com jornalistas, quinta-feira, 19, em Luanda

a capital

economia 30

Mário Paiva

o encontro, as novidades residiram na apresentação do chamado “novo quadro operacional da política monetária”, tendo sido igualmente anunciada a introdução de uma taxa básica de juros pelo banco central, “que se transformará no seu principal indicador do curso da política monetária”, a decidir pelo já constituído comité de política monetária do BNA, o qual se reunirá mensalmente. Massano reconheceu que no actual contexto da economia mundial ainda a viver cenários de crise com eventuais “ repercussões nefastas” noutras economias se mantém “o sentido de alerta e protecção da economia angolana contra choques externos”. A “manutenção de um nível de liquidez adequado ao crescimento real da economia e ao declínio da taxa de inflação para um nível não superior a 12%” – foram realçadas pelo governador do BNA como prioridades no âmbito das medidas de política macroeconómica, assim como a estabilidade dos preços e o emprego. Para Massano, a avaliar pela evolução do PIB do sector não petrolífero, que no final do primeiro semestre registava já um crescimento próximo de 5%, “ a economia angolana está numa trajectória de crescimento”. Segundo o BNA a inflação confirma uma tendência de desaceleração patente nos 6,8% que a inflação acumulada atingiu no pretérito mês de Agosto, sendo que se prevê atingir o objectivo para este ano “mas mão permitindo o abrandamento da prudência das políticas monetárias”. Para Massano, estas políticas apresentam já resultados visíveis como corolário de uma concertação permanente do banco central com o ministério das Finanças, no âmbito das políticas cambial e fiscal. No chamado novo quadro operacional para a condução da política monetária, assinala-se a “evolução progressiva para o referencial taxa de juro para efeitos de controlo da inflação” sendo que nesta fase “ a gestão da liquidez na economia passará a ser medida permanentemente pelas reservas voluntárias mantidas pelos bancos comerciais junto do Banco Nacional de Angola, enquanto que as operações de mercado aberto continuarão a substituir-se à emissão de títulos do banco central. Na gestão fina

da liquidez”. Em suma, a autoridade monetária está agora manifestamente mais preocupada em conseguir o almejado equilíbrio entre a oferta de mios de pagamento e o crescimento da actividade económica, isto é, ter “papel” (dinheiro) com equivalente mais próximo à economia real. Em matéria de agregados monetários, o aumento em 23% dos depósitos á prazo em moeda nacional ( em finais de Agosto) e de 48% em moeda estrangeira ( em parte explicados pela desmobilização dos depósitos á ordem cuja contracção foi de 9%) dão um certo “conforto” ao nível da economia. Um conforto que segundo um dos especialistas do BNA presentes começa já a reflectir-se também no bolso daqueles que poupam pelo surgimento das renumerações. Em finais de Agosto do corrente ano o crescimento acumulado do crédito á economia foi de 17%, destacando-se o aumento do crédito em moeda nacional em cerca de 34%. Para o governador do BNA, José Massano, outro sinal positivo foi o facto de o crédito de médio prazo ter crescido um pouco mais do que o crédito de curto prazo, ou seja 20%, contra cerca de 16%. Entretanto, o stock de reservas internacionais líquidas do país no final de Junho de 2011 atingiu o valor de 21,468,82 USD contra os 17.326,62 milhões USD em Dezembro de 2010 – mais um resultado visível dos sinais positivos ao nível macroeconómico, segundo José Massano.

O que trará a nova politica monetária A taxa básica de juro de referência, denominada taxa BNA, sinalizará a orientação da política monetária. Se a taxa BNA sobe haverá rédea curta na política monetária, o que pode acontecer quando se prevê um aumento geral dos preços capaz de conduzir à subida da inflação. Ou no caso em que se reduz a taxa BNA, indicando que um curso expansionista da política monetária, por exemplo, o BNA prever uma diminuição da inflação no curto prazo. Esta taxa servirá também de referência para as taxas praticadas nas instituições financeiras no mercado interbancário O Comité de Política Monetária (CPM) criado em Agosto de 2011 que inclui o conselho de administração do BNA, definirá a política monetária e

sobre a taxa BNA. Vai reunir Segundo decidirá mensalmente, sendo promessa que pública as suas decisões, seno BNA a tornará do certo que as mesmas se vão reflectir todas as operações de cedência de inflação em liquidez entre bancos, operações de e renumeração de depósitos confirma crédito em moeda nacional vai procurar seuma parar as operações puras de política e as operações ditas prutendência monetária denciais ( avisos à navegação sobre o do dinheiro, etc) LUIBOR - será de desa- custo a taxa de juro interbancária comunicadiariamente pelo BNA com base na celeração darecolha de taxas que fará no mercado . patente e o dinheiro nos 6,8% OO cidadão governador do BNA sugere uma

que a inflação acumulada atingiu no pretérito mês de Agosto, sendo que se prevê atingir o objectivo para este ano “mas mão permitindo o abrandamento da prudência das políticas monetárias”

preocupação em “promover maior dinamismo e competetividade no sector financeiro, impondo maior rigor e transparência na relação com mercado”, num percurso capaz de gerar “ maior confiança aos agentes económicos”. Desideratos nobres, mas que não fáceis. José Massano chegou ao banco central num contexto difícil onde o tradicional problema do lugar do BNA na arquitectura institucional do pelouro da economia no governo, suscitava dúvidas sobre o seu papel enquanto autoridade monetária, que os agentes económicos esperavam vir a ser contrabaleanceado com desempenho e intenções reformistas. Começam a surgir pois mais reformas significativas que coloquem mais verdade na economia, na performance das empresas, nos bolsos dos cidadãos e das famílias (poupança), na concorrência. O custo do dinheiro diminuí - disseram-nos no encontro. sendo que as taxas de juro na banca comercial que se situavam entre 24 a 26% estão actualmente a 20%. sendo que as taxas activas ( custo do crédito) baixam e as passivas (renumeração depósitos) sobem. Mas o dinheiro ainda tem um custo salgado. O acesso ao crédito por empresas e particulares ainda enfrenta vários obstáculos. Os salários são na generalidade baixos, apesar da inflação “ controlada”. Os empregos são escassos. A indústria financeira moderniza-se, é verdade. Mas só ela, não basta. Do mesmo modo que em resposta ao cidadão comum que me pergunta ávido “vai haver mais dinheiro?”, disse: isso só , também não basta. Para crescer e desenvolver.


sembódromo abre as portas

viagem ao passado. Os

grandes salões de Areia

novo disco no mercado.

a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

Musonguê kilamba.

santocas regressa

artes 32

Adivinhe quem vem tomar o m

O ‘velho’ e o ‘novo sembódromo do semba Um dos mais prestigiados acontecimentos

da música popular angolana vai ser honrado, este ano, com a presença de grandes figuras. Puto Português, depois da sua migração do kuduro para o semba, chega a um clube de notáveis, onde se encontram Calabeto, Zecax e Augusto Chacaiá. No Kilamba, este domingo, a partir das dez da manhã, com muito ritmo.

D

Paulo Filho

uas escolas diferentes, divididas por gerações musicais, desfilarão no ‘sembódromo’ do concorrido Centro Cultural e Recreativo Kilamba para edição do mês Outubro do programa Muzongué da Tradição, a realizar a partir das dez horas deste domingo. De um lado estarão ‘colossos’ da dimensão de Calabeto, Augusto Chacaiá e Zecax, ao passo que a repartir o mesmo palco estará Puto Português, que, cada vez mais, após algum tempo a ve-

francisco botelho

A ‘velha’ e a ‘nova’ geração estará em evidência em mais uma edição do Musonguê da Tradição. Puto Português repartirá o palco com ‘dinossauros da música angolana

getar pelo kuduro, vai conquistando o seu pedaço de chão na arena musical angolana. São gerações diferentes, mas convergem num mesmo denominador comum: preservar a chama da música angolana, não sendo, por isso, mera obra do acaso que, ao figurarem no cartaz de qualquer casa de espectáculo, são, por si só, garantia de casa cheia. Adivinha-se que todos os caminhos irão dar ao Maria da Esquerquenhas, ali na zonas das ‘Bês’, ao Nelito Soares, pelo que o quintal do Kilamba reclamará de espaço, para albergar a mole de gente amante da música que se faz dentro de portas e também pelo ambiente que, geralmente, é proporcionado pela gestão da casa mais famosa do Rangel. Puto Português, responde, assim, às várias solicitações dos habituais ‘inquili-


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

Prado Paím é o primeiro artista angolano a conquistar, em 1974, um disco de ouro, com o álbum ‘bartolomeu’. é ainda autor de músicas como ‘engrácia’ e ‘nzenze’.

ovo’ no Kilamba

francisco botelho

nos’ da casa, mercê do universo de fãs conquistado, entre adultos e jovens, far-se-á suportar instrumentalmente pela sua banda, como já tem acontecido onde quer que se apresente. Por sua vez, a ‘primeira grandeza’ terá o acompanhamento da banda Kimbambas do Ritmo, que nessas coisas tem dado boa conta do recado, superiormente liderado pelo percussionista Manú. A partir das dez horas da manhã fazse, pois, ouvir o ‘gongo’ e dá então o início do combate no ‘ringue’ do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, com animadíssimos seis assaltos, claro está com a sempre agradável presença dos grandes ‘bailadores’, que bailando escrevem no chão. E quem conhece essas coisas do ‘Muzongué do Kilamba’ sabe que poderá contar com um suculento repasto com coisas típicas da terra, a agradável kissângua a acompanhar a cola e o gengibre, além de algumas coisas etílicas que o bom do Estêvão Costa oferece a quem lhe visita no primeiro domingo de todos os meses. Para a animar a roda, os convivas terão uma série de propostas musicais, a começar pelos sucessos do disco ‘Geração do Semba’, de Puto Português, além de “Nzambi”, “Ngolo Yami”, “Tussocana Kiebi”, “Nguami Maka”, “Ngui dia ngui nua”, “Divórcio” e “Samba Samba”. Contudo, tudo lentamente, para não aleijar a donzela...

*o que pode encontrar lá fora para se divertir nesnes dias

out!

musongué?

Literatura “Canto Misterioso que me acena com os pés” é o título do mais recente livro de poesia de António Gonçalves, apresentado, esta semana, em Caxito. O livro, com a chancela da União dos Escritores Angolanos (UEA), integrado na colecção Praxis, será posto à venda em 28 de Outubro. Yuri da Cunha

participou da cerimónia de lançamento do DVD “Xuxa só para baixinhos 11. Na sua participação, o cantor angolano misturou ritmos angolanos numa das faixas. A série “Xuxa só para baixinhos11” já vendeu mais de oito milhões de cópias.

filmes

CADA UM SABE DE SI

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em disco e dvd

A vida e história de Santocas

O

s cerca de 80 mil dólares investido pelo músico Sebastião Vicente ‘Santocas’ para a produção conjunta da obra discográfica ‘Minha vida, Minha história’ e de um documentário em DVD sobre o seu percurso artístico, cuja sessão de lançamento e assinatura de autógrafo acontecem neste domingo, no Parque da Independência, são sintomáticos de um trabalho aturado do músico, ao que se augura um trabalho que responde por alguma qualidade. Após ter sido apresentado em cerimónia singela realizada há pouco mais de uma semana, o trabalho é considerado pela crítica especializada como uma inovação no mercado discográfico, para um trabalho que contará dez faixas musicais, ao passo que o disco digital relatará a vida artística entre o período 1075 e 1990. O destaque deste trabalho vai para

D

a nova roupagem de algumas canções que o celebrizaram, com destaque para ‘Ndengue Iami, ‘Buá Santos’, Nguamiami Jitaua’ e ‘Matrimónio’, além de contar também com poemas por si musicados, como ‘Os Meninos da Minha Escola’ e um outro cujo título não foi revelado, da autoria de Manuel Rui e Agostinho Neto, respectivamente, sem descurar da canção ‘Onkentu’ (Mulher, no acrónimo português), composta por Paulino Pinheiro. Após um longo período desaparecido dos grandes palcos – o que não significa uma travessia no deserto -, Santocas re-

santocas regressa pela porta grande, contando, com a colaboração de betinho Feijó, dividido

entre estúdios angolanos, portugueses, espanhóis e cubanos

gressa pela porta grande, contando, para tal, com a prestativa colaboração do ‘professor’ betinho Feijó, que esteve encarregue da direcção artística, dividido entre estúdios angolanos, portugueses, espanhóis e cubanos, esmerando-se bastante para que este ‘rebento’ conhecesse a luz do dia a partir das primeiras horas deste domingo. já foi considerado também como o ‘rei da música política’ angolana, muito em função da sua inclinação para composições de intervenção, que marcaram um período conturbado da política doméstica, entre as guerras para a libertação do país do jugo colonial, e, posteriormente, com a chamada ‘guerra dos Movimentos. A sua carreira, que conta já com dois LP’s e mais cinco singles, produções que datam dos anos 70, foi bastante influenciada, desde cedo, pela vivência no célebre Bairro Indígena, que viu nascer uma plêiade de talentosos músicos angolanos.

Carlos roque

ois amigos de há muito, Mitch e Dave (Jason Bateman e Ryan Reynolds), seguem percursos diferentes nas suas vidas, e chega uma altura em que Mitch, um libertino inconsequente, e Dave, um advogado de sucesso, pai de dois gémeos e marido bem comportado, numa noite de muita cerveja esvaziada dentro de de uma fonte, insatisfeitos com a sua vida e invejosos da do outro, simultaneamente formulam o desejo de trocarem de existência. O problema é que afinal era uma fonte dos desejos e... trocaram mesmo. Cuidado Com o Que Desejas, de David Dobkin, é uma comédia americana que nos tenta fazer rir à custa dos esforços que cada um faz para se enquadrar na vida do outro, sendo os dois, embora grandes amigos, homens de carácter muito diferente. Dobkin recoorre à escatologia, à caricatura sexual e às capacidades de Ryan Reynolds, um sex symbol falhado aqui não tão bom como nos filmes de acção, como em Um trunfo na Manga, e às de Jason Bateman, que se safa com como o pai de família insípido que de repente mergulha na vida de devassidão do amigo, cheia de desagradáveis surpresas. Não sendo um filme brilhante, como alguns do género que perduram, como Doidos por Mary, diverte.

Mitch (no corpo de Dave) e Dave (no corpo de Mitch) . Após o pânico, tentam viver a vida um do outro. A bela colega de escritório (a deliciosa Olivia Wilde) e as fraldas sujas dos gémeos são prémios bem diferentes


a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

artes 34

da vida luandina

ressurgidos dos salões do antigamente

Os centros culturais e recreativos foram palcos de referências de inúmeras actividades a envolver música, teatro, dança e figuras, entre artistas, animadores e bailarinos

no Sambizanga

Novo ponto de reencontro

francisco botelho

V

ale lembrar e, de alguma forma enaltecer o surgimento de para o Sambizanga e, por arrasto, também para Luanda do Centro Cultural e Recreativo ERME, inaugurado com honras e diante da presença de nomes sonantes da música indígena, como Prado Paím, Lulas da Paixão, Dom Caetano, Zé Abílio e Zecax. Ao primeiro olhar, estas e demais figuras confirmaram ser um centro, por excelência, para a nova geração que canta e que procura, à sua maneira, dignificar os amantes da música nacional. Está, pois, aí um novo espaço a ter em conta, na agenda cultural do fim-de-semana e a servir como alternativa a outros que ajudam na promoção e divulgação dos autores. Seria de todo útil agregar espaços de leituras e tertúlias, como saídas para a ocupação dos tempos livres de muita juventude mergulhada no ócio. Aliás, já dizia um nacionalista angolano que a cultura dos antigos mantém-se, por transmissão, com os mais novos. Mais lugares podem surgir ou ressurgir, abarcando todas essas nuances para a satisfação e um contributo às opções de cada final de semana dos luandenses, que conhecem, na memória, o que foi o Sambizanga doutros tempos. É que, desta forma, os antigos agrupamentos musicais, por exemplo, teriam muito mais vitaminas para fazer acontecer o sonho de regresso aos palcos, mais a mais nesta fase em que é constante ouvirmos lamentos e queixas da falta de espaços para a exibição, ainda que, aqui e acolá, presenciemos a recuperação de lugares com história na nossa música. O Maxinde é um desses casos. Reabilitado, abriu as portas, mas voltou pouco depois à estaca zero; deixou de funcionar. No Prenda, o salão 11 Bravos está com uma produção regular e bem referenciada, sem pôr de parte novos lugares, com pouca visibilidade, mas com uma frequência recomendada por antigos boémios que por eles passam. Com o  ERME, acredita-se, poderemos contar para vários momentos culturais, tal como acontece no Centro Cultural e Recreativo Kilamba.

stes locais não só serviram para momentos de lazer, mas também de espaços de concertação, concentração e influência para uma actividade política revolucionária de muitos angolanos. Dentro de um veículo de vivências e convivência passava a linguagem revolucionária entre a juventude. Cipaios e chimbas entram também na história desses locais, como elementos de vigia e, em muitos casos, protagonistas de confrontos havidos durante a dura intervenção policial. Cazenga, Rangel, Sambizanga, Bairro Operário, Marçal, Bairro Popular, Ilha, Zangado, Samba e Prenda, eram, pois, paragens que conformam os grandes e populares bairros de Luanda. Eram centros recreativos para todos os gostos e ambientes, onde a Música Popular Urbana Angolana era a pala-

francisco botelho

E Viagem ao passado Saudades dos velhos salões de areia

Isaías Afonso

Cazenga, Rangel, Sambizanga, Bairro Operário, Marçal, Bairro Popular, Ilha, Zangado, Samba e Prenda fervilhavam de sítios musicais vra de ordem. Vários artistas alcançaram sucessos nesses locais, onde namoraram as mais belas mulheres. Por exemplo, a mulata Bela Brinca n’Areia, ali no Marçal, próximo ao Kapoloboxi, dona e senhora de beleza de causar inveja, que convencia e atraia meio mundo, chegou a ser capa de disco. Mas, do antigamente na vida não é tudo: nesses tempos de renascimen-


francisco botelho

to da música angolana será, pois, oportuno para as célebres tertúlias, para recordar, por exemplo, sobre discotecários de fama da igualha de Sebinho, Zeca da Suzuki, Chico Vocalista da Rádio Ciel, Santana do Majuba, Marco Pollo, Idalina Costa, Joana Pernambuco, Fernando Mayombola, Terramoto e a ainda Rádio Bety, que era próximo daquelas paragens. O Salão Miradouro, pertencente a um cidadão cabo-verdiano, podia ser assunto para novos e apetecidos debates, assim como a malta dos ‘5 Paus, Berla, Ditas, Pacos, Joãozinho e Adãozinho.

Eram centros recreativos para todos os gostos e ambientes, de Música Popular Urbana Angolana era a palavra de ordem. Vários artistas alcançaram aí sucessos.

Com destaque no cartaz por que não falar do Salão Ginásio, no São Paulo, nas proximidades da conhecida Foto Adriano, que foi o primeiro a apresentar um concurso de vestidos de jornal, na época do A Província de Angola, O Comércio e o ABC? Fala-se do Ginásio como tendo sido um centro que reunia intelectuais da época e onde apenas actuavam conjuntos de elite. O Kudissanga Kua Makamba, de Manuel Faria, era antes o Salão do Franco, depois do Ferraz e dos Ases e só mais tarde tornou-se no tal espaço para o reencontro dos amigos e, claro está, uma marca no município, ao

a capital, sábado. 01 de outubro de 2011

Versejar novo

livro de poemas do arcebispo emérito de benguela, Dom óscar braga

lado do Kebela na Lixeira e do Braguês, onde, geralmente, actuavam os Makambas e os Dikindos. O Salão dos Anjos do Senhor Faria ficava bem próximo do Braguês. O Salão Mini Show era bastante frequentado pela PIDE. E foi, aliás, neste salão que Zecax, por exemplo, cantou o seu Paxi Kua Ngola, quando integrava, então, o agrupamento Luanda Show, que era um claro protesto pela morte, prisão e deportação dos seus amigos pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Mas, seria quase heresia não recordar nestas linhas o Salão dos Malanjinos, o Botafogo, Luandenses e Uníases, lugares de convívio bastante concorridos por malta que, seguramente, ainda poderemos encontrar várias vezes no Erme num novo espaço cultural que acaba de nascer no Sambizanga, inaugurado a 25 de Setembro.

francisco botelho

Música A banda angolana Os Versáteis prepara seu novo álbum “As Nossas Ketas”

setembro

O mês de Jacinto

A

ntónio Jacinto, considerado, por muitos, um dos maiores escritores angolanos, é o pseudónimo literário do poeta António Jacinto do Amaral Martins, nascido em Luanda aos 28 de Setembro de 1924 e falecido em Lisboa a 21 de Junho de 1991. Fez os seus estudos no Golungo Alto e em Luanda, onde concluiu no liceu Salvador Correia o curso complementar de Ciências. Trabalhou durante alguns anos como escriturário, desenvolvendo nessa altura actividades literárias e patrióticas. Orlando Távora é o pseudónimo também utilizado por António Jacinto como contista. Militante do MPLA, foi co-fundador da União de Escritores Angolanos, membro do Movimento de Novos Intelectuais de Angola e participou activamente na vida política e cultural angolana. Foi Ministro da Educação de Angola e Secretário de Estado da Cultura. Foi um dos fundadores do Partido Comunista Angolano que funcionou na clandestinidade, o redactor dos Estatutos do Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA). Por razões políticas esteve preso entre 1960 e 1972, foi preso em 1959, aquando do “Processo dos Cinquenta”. Preso novamente em 1961, onde é condenado após o julgamento de 1963 a 14 anos de cadeia, sendo deportado para o Tarrafal (Cabo Verde). Resultado de uma campanha internacional em 1972, é-lhe fixada residência em Lisboa, onde trabalha na empresa transitária ARNAUD até 1973, data em que foge para Argel (Argélia) para a guerrilha do MPLA. Foi director do Centro de Instrução Revolucionária (CIR) Kalunga na 2ª Região Político-Militar e do CIR Binheco no Mayombe. Integrou a 1ª Delegação Oficial do MPLA que chegou a Luanda em 8 de Novembro de 1974. Após a independência ocupou cargos de responsabilidade no país, como o de Ministro da Educação e Cultura, Secretário de Estado da Cultura, e na Direcção do MPLA. Os seus contos e poemas integram diversas antologias e publicações colectivas entre outras: Antologia dos Poetas de Angola (1950), Caderno da Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1953), Antologia da Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1958), Contistas Angolanos (1960), Estrada Larga (s.d.), Poesia Africana di Rivolta (1969), Antologia da Poesia Pré-Angolana (1976), No Reino da Caliban. Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa II (1976). As suas obras publicadas são: ‘Poemas’ (1961; 1985), ‘Vovô Bartolomeu’ (1979), Em ‘Kiluange do Golungo’ (1984), ‘Sobreviver em Tarrafal de Santiago’ (1985), ‘Prometeu’ (1987), ‘Fábulas de Sanji’ (1988), ‘Vôvô Bartolomeu’ (1989).

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CARTA DE UM CONTRATADO Eu queria escrever-te uma carta amor, uma carta que dissesse deste anseio de te ver deste receio de te perder deste mais bem querer que sinto deste mal indefinido que me persegue desta saudade a que vivo todo entregue... Eu queria escrever-te uma carta amor, uma carta de confidências íntimas, uma carta de lembranças de ti, de ti dos teus lábios vermelhos como tacula dos teus cabelos negros como dilôa dos teus olhos doces como maboque do teu andar de onça e dos teus carinhos que maiores não encontrei por aí... Eu queria escrever-te uma carta amor, que recordasse nossos tempos a capopa nossas noites perdidas no capim que recordasse a sombra que nos caía dos jambos o luar que se coava das palmeiras sem fim que recordasse a loucura da nossa paixão e a amargura da nossa separação... Eu queria escrever-te uma carta amor, que a não lesses sem suspirar que a escondesses de papai Bombo que a sonegasses a mamãe Kieza que a relesses sem a frieza do esquecimento uma carta que em todo o Kilombo outra a ela não tivesse merecimento... Eu queria escrever-te uma carta amor, uma carta que ta levasse o vento que passa uma carta que os cajús e cafeeiros que as hienas e palancas que os jacarés e bagres pudessem entender para que o vento a perdesse no caminho os bichos e plantas compadecidos de nosso pungente sofrer de canto em canto de lamento em lamento de farfalhar em farfalhar te levassem puras e quentes as palavras ardentes as palavras magoadas da minha carta que eu queria escrever-te amor.... Eu queria escrever-te uma carta... Mas ah meu amor, eu não sei compreender por que é, por que é, por que é, meu bem que tu não sabes ler e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também.


a capital, sábado, 01 de outuro de 2011

A selecção Nacional

angolana de hóquei ficou arredada da prova ao perder frente à selcção de moçammbique no mundial de san juan na argentina.

desporto 36 Sport Huambo e benfica 80 anos depois

mambrôa

futebol O clube das Cacilhas é recordado por antigos seus com saudade, tendo em conta o actual estado das suas infra estruturas, como o Estádio do Mambrôa, bastante degradado, para além dos níveis desportivos.

onsiderado como um dos emblemas mais carismático e popular da região centro e sul de Angola, o Benfica do Huambo, antigo Mambrôa, foi fundado a 29 de Setembro de 1931, por um grupo de cidadãos portugueses, simpatizantes do Sport Lisboa e Benfica, de Portugal, ávidos de o transformarem num dos maiores “colossos” das então colónias lusas. 80 anos depois o clube das Cacilhas é recordado por antingos integrantes do seu plantel, tendo em conta o actual estado das suas infraestruturas, como o Estádio do Mambrôa bastante degradadao, para além dos níveis desportivos. Presente no campeonato nacional de futebol da 1ª divisão, hoje Girabola, desde a 1ª edição, disputada em 1979, além de várias presenças em provas oficiais realizadas na era colonial, onde chegou a conquistar o titulo em 1972, o Benfica do Huambo desceu de divisão em 1997. Teve como maior colheita na fina-flor do futebol nacional um 2º lugar (1986) e três 3ºs (1982, 1985 e 1988). Detentor de um vasto património social e desportivo, onde se destaca o estádio de futebol relvado das Cacilhas, com capacidade para 12 mil espectadores, o club presidido por Henrique Deolindo Barbosa, tem tentado, desde 2005, recolocar a sua principal equipa de futebol no Girabola. O português Manuel Cavaco foi o seu 1º presidente que mais tarde passou o legado ao cirurgião Angolano António Freitas de Oliveira. Teve como técnicos de futebol os expatriados Bijev (búlgaro), Vidick (croata), Carlos Sérgio e Manuel de Oliveira, ambos portugueses. Entre os técnicos nacionais, o Benfica do Huambo já foi treinado por António Maria, Arlindo Leitão, Jaime Chimalanga, Carlos Queirós, Horácio Kangato, Zé do Pau. A Capital procurou antigas glórias do Mambrôa, onde o agora comentarista da Rádio 5 Arlindo Leitão foi jogador, depois treinador e mais tarde dirigente . O nosso interlocutor recorda, com saudade, o clube que o marcou muito, embora tenha também passado pelo

carlos muyenga

C

Emanuel Bianco

O Ministério da Recreativo da Cáala e Ferrovia do Huambo Juventude e Desportos, por “Tenho um grande resparte do estado, peito por este clube tem tmabém que que faz 80 anos. E em ajudar, porque conversa que tive com o Mambrôa já é pessoas como João um património Lara, o falecido Rui de do Governo da Carvalho que foi director da Rádio, soube que província do este nome de MamHuambo. brôa vem por que não podia dar prémios, como davam por exemplo o Ferrovia do Huambo, nem o Sporting do Huambo, que estavam todos acima do Mambrôa. Então, no fim do jogo davam sempre uma broa. E como aquela população anasala muito as palavras, dizia então que “vamos ter direito a uma mbroa”, fim de citação. Segundo nos revelou, o Mambrôa era um clube sem muitas condições, mas, entretanto, no período de 68 até 1975, esta equipa teve uma direcção encabeçada por José Guerreiro Cavaco, com outros membros que lá estiveram e que conseguiram projectá-la até ser a melhor equipa de Angola em 1972, no Girabola daquele ano, onde se sagrou campeão. “Esta direcção fez mais e aí admiro que aquele campo do Mambrôa foi o primeiro privado a ser relvado, porque havia também o dos coqueiros aqui em Luanda, mas era do Estado(em 1969). O Estádio do Mambrôa foi relvado em 1972. Hoje é com extrema mágoa que vi uma imagem de como está aquele estádio”, disse Arlindo Leitão que lançou um repto à actual direcção do Clube encarnado do pla-

“O Estádio do Mambrôa foi

relvado em 1972.. foi o primeiro estádio privado a ser relvado vimos crescer e hoje é com extrema mágoa que vi uma imagem de como está aquele estádio. Vi as pessoas a irem para o estádio do Benfica e levarem um tijolo para fazer aquele muro que agora está completamente rebentado.”

nalto central, a fazer aquilo que a direcção liderada por José Guerreiro Cavaco fez naquela altura, quando todas as pessoas davam o seu apoio. “Vi as pessoas a irem para o estádio do Benfica e levarem um tijolo, para fazer aquele muro que agora está completamente rebentado. Estes dirigentes do Benfica que revolucionaram tudo naquela época, diziam assim: você vai ao estádio, leve a sua contribuição e dê o mínimo que quiser e o que puder em dinheiro e também em materiais de construção civil, e, vi em grandes dias do Mambrôa as pessoas a levarem para aquele campo um tijolo na mão, para construirem aquele muro”, revelou o nosso interlocutor, que considera o Mambrôa um clube histórico, ao qual o Ministério da Juventude e Desportos, por parte do Estado, tem também que ajudar, porque o Mambrôa já é um património do Governo da província do Huambo. Disposto a ajudar com a sua experiência, Leitão diz ser inadmissivel que o estádio do Mambrôa fique como se de um fantasma se tratasse. O ex-terinador do Mambrôa revela que quando se disputou o último girabola antes da independência, o Huambo tinha mais equipas que Luanda, ou seja, quatro e Luanda apenas três, Benguela duas. “O futebol no Huambo tem muitas tradições, por isso no Girabola não podem aparecer 8 equipas de Luanda e uma do Huambo. Isto não diz a verdade do que deve ser a província do Huambo. As pessoas que estão lá têm de ter esta ideia”, frizou, tendo manifestado tristeza não só em realção ao Benfica do Huambo, mas também para o Petro do Huambo, porque já foi nos anos 80 a 2ª ou 3ª melhor equipa de Angola, cujos dirigentes também disseram que sairiam do Girabola para se dedicar aos campeonatos jovens, e depois aparecer novamente. “A província do Huambo merece aparecer sempre, porque disputa hegemonia com Luanda e Benguela”, rematou, para depois acrescentar ter feito já uma poroposta para a formação, no Huambo. “Quando apostamos na formação temos sempre os nosso louros. Mesmo depois da independência nos anos 1978/79 apostamos muito na forma-


a capital, sábado, 01 de outuro de 2011 carlos muyenga carlos muyenga carlos muyenga

carlos muyenga

O clube desmembrou-se todo praticamente, tanto da parte da direcção, como dos atletas, onde uns vieram aqui para Luanda, outros foram para Portugal e alguns ficaram no Huambo.

ção e acho que o Huambo estava a frente de qualquer outra porivíncia”, lembrou Arlindo Leitão para quem em termos de infraestruturas o Huambo, a par de Luanda, Benguela, Cabinda e Huila, deveria ter beneficiado da realização do CAN 2010 em Angola, para a reabilitação dos Estádios do Ferrovia, Mambrôa, Sporting e do Recreativo da Caala par além de infraestruturas desportivas. Sobre o futuro do Clube do Mambrôa, Arlindo Leitão augura a sua reabilitação urgente e que quando comemorar o 85º aniversário tenham sido ultrapassados os problemas que o clube enfrenta hoje. Uma outra voz da antiga coqueluche do Huambo ouvida pela Capital é António Fonseca, mais conhecido por Nito, ex-campeão do Mambrôa em 1972 que também já representou as cores do Vitória e da Selecção do Bié. O antigo médio ala direito lembra o facto do emblema do planalto central ter se lançado naquela altura para recrutrar muitos e bons jogadores que o levaram a conquistar o titulo em 1972. Nito também manifestou-se desapontando com o estado em que se encontra o clube em que militou, agora na segunda divisão. “Tenho acompanahdo de perto, infelizmente o nosso Mambrôa tem estado em baixo, sinto essa mágoa, mas penso eu que o Mambrôa irá recuperar”, sublinhou, ele que também promete dar com a experiência que adiquriu em Lisboa ajudar a melhorar o futebol do Mambrôa. Coma-

prando as competições Esta equipa daquela época com as ac- teve uma tuais, o veterano Nito con- direcção siderou que, as condições encabeçada que os jogadores têm ago- por José ra, não as tinham no pas- Guerreiro, que sado. Mesmo assim, disse conseguiu que trabalhavam todos os projectá-la dias, para ter um futebol até ser a que já era de alta comepti- melhor ção. Deixou um recado equipa de para a juventude actual, Angola em para que seja mais discipli- 1972, no nada, e que haja maior in- Girabola, tercambio com clubes da onde se europa. Por ocasião dos sagrou 80º aniversário do Mam- campeã. brôa, António Fonseca “Nito” gostaria que houvesse uma festa de homenagem entre as velhas guardas, na companhia de Lutukuta, Manecas, Arlindo Leitão e outros colegas dos anos setenta, para lembrar o Mambrôa que muito merece.Disposto a ajudar, Daniel Lutukuta, outro nome sonante do Mambrôa, busca do passado experiências para no presente ajudar a resolver os problemas do clube e no futuro mantê-lo para sempre na alta roda do futebol nacional. O ex-craque tem no Mambrôa o seu clube de nascença, onde ainda jovem fez grandes jogos e tentou, como treinador fazer o melhor possivel para o clube. Reconehce que depois de muito tempo de Guerra o clube desmembrou-se todo praticamente, tanto da parte da direcção,

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como atletas, uns vieram para Luanda, outros foram para o Portugal e alguns ficaram no Huambo. A partir daí começou-se a notar a queda do Mambrôa na vertical e que, ultimamente, tem lutado bastante e não tem conseguido subir de divisão. “Vejo que existe um grande esforço do Sr. presidente Barbosa, que tenta imprimir uma dinâmica, para ver se o Mambrôa volta novamente para o lugar que merece, que é a 1ª divisão”. Lutukuta, manifesta-se disponivel a servir e ter uma conversa com o Armindo Magalhães, par ver se dão um pouco mais em equipamentos e o que for necessário para ajudar o Mambroa. Quanto ao espirito que no passado fez do Mambrôa uma equipa de renome, Lutukuta destaca a unidade e entrega de todos que se conseguiu fazer um Mambrôa forte, a par da direcção muito coesa liderada por José Guerreiro Cavaco, e Armindo Magalhães, como Vice- Presidente, que conseguiram fazer um bom trabalho, em que o Mambrôa avançou, conseguiram relvar o campo e tinham um projecto de erguer a bancada à volta do campo. Para recuperar a sua mística, o médio trinco do mambroa defende que pessoas de boa vontade que gostam do Mambrôa façam um gesto, para repor o Clube nos seus níveis e revelou que para o Mambrôa chegar onde chegou naquela altura era fruto da boa organização que o clube tinha. Para ele, a realidade do Mambrôa hoje é dificil, quase que não tem receitas, se as tem, não dão para dar um estágio, ou uma refeiçãoaos jogadores. “O Mambrôa tem que rever os sócios que tem, começar a conquistar mais pessoas, embora muita gente aqui tem me contactado para pagar as suas quotas. É necessário que se reorganize”, frisou, para depois acrescentar que irá ajudar a resolver os problemas dentro da experiência que tem. “Estou pronto a ajudar o actual Mambrôa e vou falar com outras pessoas, que conhecemos, que estão dispostas para ver se podem ajudar o Mambrôa e tentar sair das dificuldades que vive. “Se subir de divisão, vai ter mais dificuldades ainda, porque será preciso viajar para o Moxico, Huila, Cabinda e isso acarreta muitas despesas” e propõe que o Presidete Barbosa convoque uma reunião com antigos atletas e dirigentes, para ajudá-lo a dar um maior alento à direcção do Mambrôa. Nas suas memórias Lutukuta recorda os trumunos, equipas e jogadores do seu tempo. “Aproveito render a memória do senhor João Dimas David, que faleceu a semana passada, que deu muito trabalho em campo, o Manecas, o Xico Negrita, o Flávio e outros. O jogo que me marcou, foi quando ganhamos aqui nos coqueiros com o Sporting de Luanda, outro jogo foi contra o Futebol Clube do Moxico. A outra equipa para qual rendo a minha hoenagem é o Independente do Porto ALexandre, que nunca conseguimos ganhar. Por ocasião do 80º aniversário do seu Clube do coração, Lutukuta dá muita força ao Presidente do club e aconselho os atletas a terem muita força de vontade, coragem, cumprir sempre com aquilo que o treinador estipular, olhar para as vitórias e contar que o Mambrôa consiga subir este ano e manter-se na primeira divisão para sempre.


a capital, sábado, 1 de outubro de 2011

desporto 38

GIRABOLA e Espera-se por muita réplica dos lobitangas, que já não têm nada a perder. Vencer é o único objectivo do Libolo nesta partida onde se espera bom espectáculo de futebol.

José Luís

O Agente FIFA josé luís gomes Residente na Alemanha há cerca

de 23 anos, isto é, desde 1989 que deixou Lobito para concluir a sua formação académica em terras germânicas, é, provavelmente, o único angolano licenciado pela FIFA, para representar, agenciar, negociar, transferir atletas e treinadores ou até mesmo organizar jogos, adoptando os princípios que regem a sua actividade.

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zugu epalanga

os 42 anos, o intermediário de profissionais de futebol mostra-se optimista quanto ao futuro em relação a sua actividade. Na entrevista concedida ao A Capital revela as razões que o fizeram trocar a psicologia para representante de profissionais de futebol. Aliás, José Luís é o principal responsável para vinda de dois técnicos ao nosso país, nomeadamente Miroslav Maksinovic, que representa o Petro de Luanda, e o português António Caldas, ao serviço do Interclube. O que consiste ser agente FIFA ? O profissional deve fornecer aos seus representados (atletas e treinadores) de futebol uma base profissional e financeira, de forma que esses tenham tranquilidade em desempenhar o seu trabalho. São tido como agentes dos jogadores em razão da sua categoria, mas sobretudo goza da liberdade de negociar e transferir jogadores ou treinadores de um para outro clube. O mercado do futebol é um campo muito restrito, entretanto muito visado pelas pessoas. Porém, com crescimento deste mercado e a profissionalização das entidades/ clubes, viu-se a necessidade da criação de carreiras que façam intermediação entre os mesmos e o atleta profissional. Quando é que foi habilitado como agente FIFA? Em 2007, recebi a minha licenciatura de agente UEFA e sete meses depois obtive, igualmente, a minha licença da FIFA. Assim sendo, desde esta data passo a exercer actividade de agente Fifa. Em termos financeiros, um represen­ tante de atletas não tem muito por onde se queixar ? Não é bem assim. Como qualquer actividade, tem os seus prós e contras, mas, ainda assim, isso não me impede de fazer o meu melhor. Contudo, fruto da situação económica menos boa que o mundo atravessa, temos que saber gerir os ganhos desta actividade. As estadias, os telefonemas e outras situações consomem bastante os nossos lucros. Porém, uma coisa é representar um Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, outra é representar treinadores ou jogadores ao nosso nível. Ainda assim, nesta actividade, ganhamos o suficiente para manter, minimamente, o nosso nível de vida. Actualmente negoceia o passe de atle­

Diversas vezes procurei saber porque razão a maioria dos técnicos angolanos não se fazem acompanhar de um representante ligado a FIFA. Hoje por hoje, é raro um técnico europeu, americano ou asiático que não é representada por um agente FIFA.

tas e treinadores ? De momento não. As minhas atenções estão concentradas unicamente na agenciamento de treinadores. No passado, por exemplo, a experiência de negociar atletas não foi boa. Por isso, agenciar treinadores uma vez que não me dá maior contrariedade. 0s treinadores são mais maduros e entendem as coisas da melhor maneira comparativamente aos jovens. Daí a minha preferência para representar treinadores. Todavia, tão logo termine o Girabola, estou a negociar com um atleta que pretendo levar a Alemanha e ,quiçá, consiga rubricar um novo contrato. É possível avançar o número e nomes de treinadores com os quais trabalha ? De momento, em Angola, estou a representar os técnico do Petro de Luanda e do Interclube, designadamente Miroslav Maksinovic e António Caldas. Recentemente, assinei um acordo com o técnico do FC Bravos, Augusto Portela, e brevemente devo também rubricar um acordo com Bernardino Pedroto. São os treinadores com quem trabalho e do qual nutro um grande respeito. Para além destes técnicos existem ou­ tros nomes fora de portas? Não. Estou apenas a trabalhar em Angola, pelo facto de ser angolano e conhecer melhor o mercado. Dizer também que meu o objectivo é contribuir para o desporto nacional, mais concretamente o futebol, através de uma colaboração com os clubes, dirigentes e treinadores. Mas, isso não me tem impedido de manter contacto com outras realidades, como são casos os da Alemanha, África do Sul, Ghana, e Brasil, apenas para citar estes. Sou agente Fifa e posso trabalhar em qualquer parte do mundo. Na sua carteira de clientes são notório ausências de treinadores angolanos? Infelizmente, parece não ser uma cultura dos treinadores angolanos ter um manager, ou como queiram um representante. Diversas vezes procurei saber por que razão a maioria dos técnicos angolanos não se fazem acompanhar de um representante ligado à FIFA. Hoje por hoje, é raro um técnico europeu, americano ou asiático que não é representada por um agente FIFA. Dizer que um treinador que tenha ambição de alcançar o topo, necessita dos préstimos de um agente. Ou seja, um indivìduo que reúne

tão logo termine o Girabola, estou a negociar com atleta que pretendo levar a Alemanha e quiçá lá consiga rubricar um novo contrato

o perfil para o defender em qualquer situação ligada à sua profissão. Existem treinadores que nem sequer são pagos pelos seus clubes. O que fazer? O agente está ai precisamente para ajudar o treinador e pode mesmo levar o caso ao tribunal da FIFA para dirimir o conflito. Por outro lado, é importante assegurar a estabilidade emocional do técnico, uma vez que ele deverá apenas preocupar –se com as questões do treinamento e das tácticas. O que dizer do mercado angolano em relação a figura de um agente –Fifa ? O mercado está numa fase aceitável.A direcção Petro Luanda, por exemplo, quando recorreu aos meus préstimos, apresentou o perfil do técnico que pretendia para a equipa principal de futebol. As outras direcções não fizeram por menos e apresentaram também o “traços” dos treinadores que pretendiam ter à frente dos seus respectivos plantéis. Em Angola actuam uma série de agen­ tes locais sem a licença da FIFA. Isto não é salutar para a modalidade ? Claro que sim. Os agentes que não estão licenciados pela instituição que

gere a modalidade a nível do mundo ficam expressamente proibidos de exercerem a sua actividade local como internacionalmente. O que acontece é que em Angola alguns dirigentes parecem não levarem a sério esse pressuposto. Os presidente dos clubes têm que recorrer aos préstimos de um agente licenciado para trabalhar junto na contratação de jogadores e treinadores. Aliás, na minha condição de agente da FIFA, por exemplo, anualmente, pago uma taxa de 4 mil e 800 euros. Estes valores, na eventualidade de realizar um jogo e em caso de um acidente no estádio, poderá servir para custear as despesas deste encontro. Recentemente, Maradona acusou o seu sucessor no comando da selecção argentina, Sérgio Batista, de receber su­ borno de agentes Fifa para convocar jo­ gadores durante o seu consulado. Esse procedimento é comum num agente? Infelizmente, não acompanhei as declarações de Maradona sobre o assunto. Mas, deixa dizer que este tipo de procedimento não é normal, como é condenável a todos os níveis, uma vez que fere com a ética e os princípios que regem a carteira de um agente-Fifa.


a capital, sábado, 01 de outubro de 2011

acapital

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OS FILHOS MAIS VELHOS

de Michael Jackson viram o pai morrer, segundo o chefe de segurança do cantor, Faheem Muhammad, testemunhando no julgamento do médico Conrad Murray por homicídio culposo.

UNITA CHORA morte de secretário municipal

eainda... PAIXÃO ANTÓNIO JÚNIOR foi recon-

duzido como Presidente do Conselho de Administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC), conforme deu a conhecer uma nota do Conselho de Ministros (CM), divulgada a meio da semana. Pelo documento em referência, o CM revelou, por outro lado, a nomeação de Maria Luísa Perdigão Abrantes para o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), em substituição de Aguinaldo Jaime. Foram, ainda, indicados administradores para o BPC, para a ANIP, EPAL e Angola Telecom, com o devido destaque a ser atribuído a André Luís Brandão, antigo ministro dos Transportes, hoje nomeado para administrador não executivo da empresa pública de telecomunicações.

EM ACTO O MÉDICO INÉDITO, o Tribunal DO MICHAEL JACKSON, Conrad Provincial do Huambo condenou, quinta-feira, em julgamento sumário, o administrador do município do Huambo, José Luís de Melo Marcelino, a 60 dias de pena suspensa, por crime de desobediência às ordens da autoridade pública. O juiz de direito Avelino Yululu e seus assessores da sala dos crimes comuns acordaram, no final das audições, que a pena de prisão ora imposta é suspensa por um período de dois anos. Durante a sessão de julgamento, foram ouvidos os dois cidadãos cujas obras o administrador pretendia demolir, apesar de os mesmos possuírem sentenças proferidas pelo tribunal provincial que ordenou o levantamento do embargo imposto pela administração.

Murray, pediu ajuda para recolher frascos de remédios do quarto do cantor antes de telefonar para os serviços de emergência, segundo o testemunho de um segurança do cantor, ouvido no terceiro dia de julgamento. Alberto Alvarez, o primeiro a chegar ao quarto do astro, disse não ter questionado as ordens que recebeu. Segundo o segurança, Jackson estava na cama, com os olhos abertos. “Quando eu estava no pé da cama, ele (Murray) recolheu alguns recipientes e falou: ‘Aqui, coloque-os em uma sacola’”, disse Alvarez. “Eu acreditava que o dr. Murray tinha as melhores intenções em relação ao sr. Jackson”. Alvarez teria sido o primeiro a chegar ao quarto do cantor depois que o médico pediu ajuda. “Eu não questionei a sua autoridade.”

Januário Sikaleta foi encontrado morto a cem metros de casa, num domingo, depois de ter sido brutalmente espancado por elementos desconhecidos. A UNITA afirmou que o governador de Benguela “recuperou as garras da velha ditadura que o regime havia escondido”.

mas recupera dos ferimentos no Hospital de Benguela. «Pensamos que nos encontramos perante um assassinato político», prosseguiu Victorino Nhany, certo de que situações como estas em nada contribuem para a Reconciliação Nacional. «É também um atentado à democracia. A Polícia está a fazer o seu trabalho, é perfeitamente aceitável, mas nós fazemos a nossa investigação», concluiu, já de malas feitas para a reunião realizada no Huambo. No terreno, fonte independente confidenciou ao A Capital que o assassínio do professor terá como pano de fundo problemas ligados a cenas de ciúmes, afastando, desta forma, a hipótese levantada por Nhany. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia, Lito Mota, disse que as primeiras impressões, apresentadas pelos especialistas que investigam o caso, apontam para um crime passional. Confrontado com a visão da UNITA, respondeu que cabe à Polícia de Investigação Criminal tratar de casos como estes. «É tudo que vos posso avançar nesta altura», afiançou.

asemanade

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www.sme.ao é o endereço do portal institucional do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) apresentado na quinta-feira, em Luanda, em cerimónia orientada pelo seu director nacional, João de Freitas Neto. O site permite uma desburocratização crescente dos serviços prestados e uma relação de interactividade e proximidade com os seus utentes. No portal estão disponibilizados todos os serviços prestados pelo SME, com formulários para preenchimento on-line ou em papel, informações detalhadas sobre cada um e todo o enquadramento legal necessário. Além disso, é possível ao utente, sem sair de casa, marcar a sua sessão de atendimento com os serviços, após o registo no portal.

D.R.

A N O 9 N º 4 7 0. D E 0 A 0 8 D E O U T U B R O 2 0 1 1 . P R E Ç O 2 5 0 K WA N Z AS

O

Direcção da UNITA vê motivações políticas no assassinato, faz amanhã duas semanas, do seu secretário no município do Bocoio, 110 quilómetros a Norte da cidade de Benguela, mas prefere, prudente, esperar pela conclusão da investigação que leva a cabo, paralela à da Polícia de Investigação Criminal. Januário Sikaleta, professor, foi encontrado morto a qualquer coisa como cem metros de casa, num domingo, depois de ter sido brutalmente espancado por elementos até agora desconhecidos. A versão, descrita pelo secretário provincial, Victorino Nhany, indica que o político, vítima de vários golpes na cabeça, acabaria por falecer já no Hospital Central de Benguela, para onde foi transportado algumas horas após a barbárie. Sikaleta, conta o secretário provincial do «galo negro», foi interpelado assim que se ausentou pela segunda vez para comprar medicamentos, a fim de assistir a adoentada mulher. De acordo com a fonte, a cidadã que o acompanhava não escapou da acção dos algozes, cujo número não avançou,


A Capital # 471