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ACORDO ENTRE INIMIGOS Engagement Between Enemies

Kathie DeNosky Herdeiros da Paixão 1/6

Noiva de seu pior inimigo! Descobrir que era o neto secreto de uma magnata choca Caleb Walker, especialmente ao ser eleito presidente da empresa da família. Mas a maior das surpresas é Alyssa Merrick. Ameaçada pelo novo chefe e de temperamento esquentado, ela constantemente bate de frente com as ideias inovadoras dele. Contudo, depois de um escandaloso boato, o honrado Caleb faz uma proposta a Alyssa que ela não pode recusar… Digitalização: Simone R Revisão: Carmita

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Obs: A editora lançou o livro com o nome da capa errado. Depois ela publicou uma errata no site, corrigindo a capa. O titulo correto é: Acordo entre Inimigos.

Tradução Leandro Santos HARLEQUIN 2013 PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: ENGAGEMENT BETWEEN ENEMIES Copyright © 2006 by Kathie DeNosky Originalmente publicado em 2006 por Silhouette Desire Título original: Reunion Of Revenge Copyright © 2006 by Kathie DeNosky Originalmente publicado em 2006 por Silhouette Desire Projeto gráfico de capa: Nucleo i designers associados Arte-final de capa: Ô de Casa Editoração eletrônica: EDITORIARTE Impressão: RR DONNELLEY www.rrdonnelley.com.br Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil: FC Comercial Distribuidora S.A. Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171,4° andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

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PRÓLOGO

Caleb Walker estava sentado à pequena mesa redonda no canto de um bar de hotel no centro de Wichita, Kansas, olhando para os dois homens sentados diante dele. Nem mesmo a garçonete loira que sorria de forma interessada para ele e o fato de que não fazia sexo havia mais de um mês eram capazes de distraí-lo do assunto em questão. Passara toda sua vida sem irmãos e sem fazer ideia de quem era seu pai. Porém, pouco menos de uma hora antes, num sofisticado escritório executivo da sede corporativa da Emerald, Inc., tudo mudara. Caleb descobrira que seu pai era ninguém menos que o playboy viajante e herdeiro do império da Emerald, Inc., Owen Larson. O falecido Owen Larson. Agora, Caleb precisava aceitar não apenas o fato de que ele sabia quem seu pai era, mas também o de que o homem morrera num acidente de barco no litoral da França antes que Caleb tivesse oportunidade de confrontá-lo para saber por que engravidara sua mãe e a abandonara sem sequer se despedir. Também descobrira que sua avó era a indomável Emerald Larson e que os dois homens sentados diante dele eram seus meiosirmãos. — Não acredito que passamos a vida inteira sendo vigiados por aquela velhota. — Um músculo se repuxou no maxilar bronzeado de Hunter O’Banyon — Ela sabia tudo que havia para saber sobre nós e não se mexeu para nos deixar cientes do grande mistério até agora. — Aquela “velhota” é nossa avó. E acho que ela fez muita coisa. — Nick Daniels deu um gole na garrafa que estava em sua mão. — Foi necessária muita coragem para contratar detetives particulares para relatar tudo que fazíamos desde que tiramos as fraldas, enquanto nos mantinha alheios a isso tudo. — Muita coragem — acrescentou Caleb. Seu estômago ainda se revirava de raiva por Emerald Larson, fundadora e diretora executiva de um dos conglomerados mais bemsucedidos da nação, ter lhes negado por tanto tempo o direito de saber quem eram. — Não gostei de ela ter chantageado nossas mães, ameaçando não deixar nada da Emerald, Inc. para nós, só para que elas não dissessem que foi aquele filho inútil dela quem as engravidou. Mas admito que a mulher é um gênio da manipulação. Nick assentiu. — Entendo por que nossas mães aceitaram isso. Elas estavam pensando em garantir uma vida melhor para nós. Mas pagaram um preço e tanto. — Não dou a mínima para herdar nada do pequeno império construído por Emerald Larson com as próprias mãos. — Hunter balançou a cabeça. — O inferno vai congelar antes que eu faça o que ela quer. — Quer dizer que vai recusar a oferta dela? — perguntou Caleb. Se eles aceitassem as condições de Emerald, cada um ficaria com uma das empresas. Ela lhes garantira que não haveria nenhum outro compromisso e que não interferiria com a maneira como eles tocassem os negócios. Contudo, Caleb não era 5


suficientemente tolo para acreditar. Parecia que seus irmãos também não. — Não piloto um helicóptero há cinco anos. — A boca de Hunter se afinou para uma ameaçadora linha. — O que eu faria tentando administrar um serviço de regaste médico aéreo? — Bem, faz mais sentido que mandar um executivo administrar um rancho de gado no Wyoming. — Nick franziu ainda mais o cenho. — Passei os últimos 12 anos morando num apartamento em St. Louis. Caleb precisava concordar que era absurdo o que Emerald Larson estava pedindo. Ele fora excelente nos cursos de negócios que fizera no colégio, mas isso acontecera vários anos antes. Ele não gostava muito da ideia de fazer papel de idiota quando ficasse claro que aquilo seria demais para ele. — Como vocês acham que me sinto? — Ele balançou a cabeça ao pensar no que Emerald tinha em mente para ele. — Sou um fazendeiro do Tennessee que só tem o segundo grau completo. Emerald não poderia ter pensado em algo mais ridículo para mim do que assumir o comando de uma firma de consultoria financeira. Hunter pegou um pretzel da tigela no centro da mesa. — Pode apostar que ela está tramando algo e que não está nos dando parte da Emerald, Inc. porque tem um coração bondoso. — Não há dúvida disso — falou Nick. Caleb não sabia ao certo o que Emerald Larson tinha em mente, mas sabia que ela escolhera com algum propósito a empresa que cada um deles deveria administrar. — Imagino que ela queira que provemos alguma coisa. Nick pareceu surpreso. — Tipo o quê? Que não sabemos o que estamos fazendo? — Sei lá. Mas podem apostar que Emerald Larson tem um motivo para tudo que faz. — Caleb deu de ombros ao beber o resto de sua cerveja. — Pelo meu modo de ver, temos duas opções. Podemos recusar e ir embora, transformando numa total perda de tempo os sacrifícios que nossas mães fizeram para garantir nossos futuros. Ou podemos aceitar a proposta de Emerald e mostrar que ela não sabe nada sobre nós e nossos talentos. Hunter pareceu pensativo. — Até que gosto da ideia de desbancar a poderosa sra. Larson. — Seria bem feito para ela quando todos nós quebrássemos a cara — disse Nick, ainda parecendo relutante. — Mas, se vamos fazer isso, ao menos precisamos dar nosso melhor. — Caleb se levantou e jogou algumas notas de dólar na mesa. — Não consigo fazer nada de um jeito meia-boca. — Também não consigo — disseram os outros dois em uníssono ao se levantarem e acrescentarem dinheiro para as bebidas. — Então, acho que tudo que temos a fazer é dar nossa resposta a Emerald. — Subitamente, Caleb se sentiu como se estivesse prestes a pisar numa corda bamba sem rede de segurança. Porém, ao saírem do bar e andarem pela rua até a sede corporativa da Emerald, Inc., Caleb não conseguiu evitar sentir uma nervosa expectativa. Sempre gostara de um 6


desafio. E, por mais inacreditável que isso fosse, estava ansioso por assumir a Skerritt e Crowe Consultores Financeiros. Sua única tristeza era não ter o estudo ou a menor ideia de como fazer bem aquele trabalho.

CAPÍTULO UM

Aproximando-se da recepção da Skerritt e Crowe Consultores Financeiros, Caleb plantou o sorriso profissional que vinha praticando fazia uma semana. — Vim ver A. J. Merrick. — Tem hora marcada, senhor? — perguntou a recepcionista de cabelo grisalho quando ele foi na direção das portas atrás da mesa dela. — Sou Caleb Walker. — Ele deu uma conspiratória piscadela. — Creio que Merrick esteja me esperando. — Pode ir parando, sr. Walton — disse ela, levantando-se para bloquear o caminho. — Walker. — Ele franziu o cenho. Merrick não avisara aos outros funcionários que ele assumiria como presidente da firma? A mulher deu de ombros. — Walker, Walton, tanto faz. Não vai entrar ali sem hora marcada. Aparentemente, ninguém se dera o trabalho de informar àquela mulher. — Vamos fazer o seguinte... — ele olhou para a placa na mesa dela — Geneva. Prometo que, depois que eu conversar com Merrick, volto para me apresentar. — Recebi ordens para não permitir que ninguém incomode. — Geneva apontou para uma fileira de cadeiras. — Se quiser se sentar, posso ver se dou um jeito. Com 1,93 metro de altura, ele assomava a pelo menos 30 centímetros acima da mulher, mas ela não parecia nem um pouco intimidada. Pela expressão no rosto dela, estava tão determinada a mantê-lo fora do escritório quanto ele estava determinado a entrar. Caleb precisou de toda a sua força de vontade para manter uma expressão séria. Geneva fazia com que ele se lembrasse de uma galinha magra que sua avó tinha: puro blefe e penas eriçadas. E, se a expressão dela quisesse dizer alguma coisa, ele não tinha dúvidas de que ficaria sentado um longo tempo na recepção até que ela pegasse o telefone e anunciasse a chegada dele. — Não precisa ter tanto trabalho, Geneva. — Rindo, ele desviou da mulher ao estender a mão para a maçaneta da porta de mogno que tinha uma placa de estanho com os dizeres A. J. Merrick. Pode acreditar, Merrick vai querer me receber imediatamente. — Vou chamar os seguranças — ameaçou Geneva, correndo para o telefone. — Faça isso. Também quero conhecê-los. 7


— Ah, mas vai conhecer, espertinho — prometeu ela, apertando uma tecla. Sem esperar para ver se Geneva tinha conseguido falar com a segurança, Caleb abriu a porta e entrou no espaçoso escritório. Seu olhar se fixou imediatamente na jovem sentada atrás de uma imensa mesa de nogueira diante de uma parede com janelas que iam do chão ao teto. Com o cabelo ruivo-escuro preso num apertado coque e os óculos com uma grande armação de plástico preto, ela parecia mais a diretora de uma daquelas escolas só para mulheres do que uma secretária corporativa moderna. E, a julgar por sua expressão de reprovação, ela era tão inflexível com relação às regras e protocolos quanto uma diretora daquelas. Entretanto, quando ele parou diante da mesa, pensou ter visto um toque de incerteza nela, uma vulnerabilidade que, a julgar pela imagem que ela estava claramente tentando projetar, ele não esperava. — Com licença. Estou procurando A. J. Merrick. — Tem negócios a tratar? — perguntou ela, a voz fria o suficiente para fazer gelo. Pondo-se de pé, ela empurrou os óculos para cima de seu nariz arrebitado com uma delicada mão, chamando inadvertidamente a atenção para seus brilhantes olhos azuis, olhos que lançaram para Caleb um olhar que, provavelmente, teria paralisado um homem mais fraco. Caleb sequer vacilou. Pelo contrário. Ele não sabia ao certo, mas, por algum motivo, achava muito intrigante aquele intenso olhar azul. — Eu... — Se estiver procurando o RH, fica no final do corredor — disse ela, interrompendo-o antes que ele pudesse se apresentar. Fazendo uma pausa, ela arqueou uma de suas perfeitas sobrancelhas. — A sra. Wallace estava na mesa dela? O tom direto da mulher não era capaz de mascarar a qualidade melódica de sua voz, o que fez Caleb perguntar a si mesmo por que o som parecia deixar todos os seus hormônios masculinos em total alerta. Ele concluiu que o responsável por aquilo só podia ser o fato de fazer mais de metade de um ano que ele não ficava com uma mulher. Isso, por si só, era suficiente para deixar qualquer homem adulto normal e saudável louco. E também para deixá-lo exageradamente ciente dos movimentos que uma mulher, qualquer mulher, fazia. Satisfeito por ter encontrado uma explicação para seu interesse pela secretária nada amistosa, ele apontou com o polegar por cima do ombro. — Pelo que sei, Geneva continua lá fora. — Ele riu. — Mas não sei ao certo se ela não quebrou um dos dedos digitando o telefone da segurança. — Ótimo. — Ótimo que ela possa ter quebrado um dedo? Ou ótimo que ela tenha chamado a segurança? — perguntou ele, sorrindo. — Não estava falando de... — Franzindo o cenho, ela parou imediatamente, e, por um segundo, ficou claro que ele a pegara desprevenida. — Ótimo que ela tenha chamado a segurança, claro. — Ei, chega de mau humor. A vida é curta demais para tanta tensão. A mulher contornou a mesa, sua expressão nada acolhedora. — Não sei quem você pensa que é ou por que está aqui, mas não pode simplesmente entrar e... 8


O som da porta batendo contra a parede fez a jovem parar no meio da frase. — É ele. Caleb olhou por cima de seu ombro para ver a recepcionista entrar com tudo no escritório, olhando-o de forma desafiadora. Dois homens de meia-idade, uniformizados e barrigudos, vinham logo atrás. — Vejo que conseguiu falar com os seguranças, Geneva. — Ele olhou para seu relógio de pulso e assentiu, aprovando. — O tempo de reação deles não foi ruim, mas acho que podemos melhorar, não concorda? Geneva o olhou com desprezo. Então voltou sua atenção para a mulher dos incríveis olhos azuis. — Sinto muito, srta. Merrick. — Ela olhou fixamente para Caleb como se o achasse um louco. — Ele não aceitou um não como resposta. Caleb levantou uma das sobrancelhas. Aquela era A. J. Merrick? Interessante. Definitivamente, não era o que ele esperara. Emerald o fizera pensar que Merrick era um indigesto senhor, não uma mulher de 20 e poucos anos com deslumbrantes olhos azuis. Enquanto eles se entreolhavam como oponentes num ringue de boxe, a negligenciada libido de Caleb percebeu que A. J. Merrick não estava vestida como a maioria das mulheres de sua idade. Em vez de o terninho preto acariciar seu corpo e exibir seus dotes, ele ficava pendurado no pequeno corpo dela como um saco vazio. Contudo, a julgar pelas mãos delicadas, o pescoço fino e o que ele conseguia ver das longas e perfeitamente torneadas pernas dela, Caleb apostaria o melhor perdigueiro de seu avô que ela estava escondendo curvas bastante incríveis debaixo de todo aquele folgado linho preto. — Está tudo bem, sra. Wallace. — A srta. Merrick abriu para Caleb um triunfante sorriso que fez coisas estranhas com os sentidos dele, fazendo com que ele se sentisse como se a temperatura do recinto tivesse subido dez graus repentinamente. — Tenho certeza de que você entende que se candidatar a um emprego agora seria perda de tempo para nós dois. — Aos guardas que pararam um de cada lado dele, ela acrescentou: — Por favor, mostrem ao cavalheiro o caminho até o estacionamento. — Isto é muita falta de educação da sua parte — falou Caleb, balançando a cabeça. Permitindo que os homens demonstrassem como lidariam com a situação se ele fosse uma verdadeira ameaça, Caleb quase gargalhou quando, atabalhoadamente, eles seguraram os braços dele e tentaram puxá-los para suas costas. Imediatamente, Caleb concluiu que eles não precisavam apenas melhorar o tempo de reação, mas que também lhes faria muito bem um curso de reciclagem em métodos de imobilização. Se ele quisesse, poderia ter se soltado apenas flexionando os bíceps. — Não estou aqui para me candidatar a um emprego. — Ele sorriu. — Já trabalho aqui. — Ah, é mesmo? — A srta. Merrick inclinou a cabeça, curiosa. — Já que sou eu quem faz as entrevistas finais para todos os novos funcionários, poderia refrescar minha memória e me dizer qual é o seu nome, quando contratamos você e exatamente em que área da Skerritt e Crowe você pensa que trabalha? — Consegui o emprego há uma semana e pretendo trabalhar no escritório ao lado do seu. — Rindo, ele resolveu que se divertiria duelando com A. J. Merrick. — Meu nome 9


é Walker. Caleb Walker. Pelo arregalar dos olhos dela por trás daqueles óculos ridículos, Caleb soube que suas respostas não eram o que ela esperava. Ela, porém, recuperou-se rapidamente e gesticulou para os dois seguranças. — Sr. Norton, sr. Clay, por favor, soltem o sr. Walker imediatamente. — Mas srta. Merrick... — Eu disse para soltá-lo — repetiu ela. Empinou seu teimoso queixo. — O sr. Walker é o novo presidente da Skerritt e Crowe. De algum ponto atrás de si, ele ouviu Geneva arfar no instante em que os seguranças o soltaram. — Desculpe, sr. Walker — disse um dos homens, tentando de forma atrapalhada ajeitar a manga da camisa de Caleb. O silêncio reinou durante vários tensos segundos enquanto Caleb e a mulher diante dele se entreolhavam. De diversas formas, ela o fazia se lembrar de outra mulher e outro momento. Caleb inspirou fundo. Aquilo acontecera fazia muito tempo, e ele aprendera muito nos anos desde então. Não era mais um ingênuo menino do campo com sonhos altos e um coração disposto a confiar. Era um homem adulto que aprendera bem suas lições. — Se pudessem me dar alguns minutos com a srta. Merrick, eu agradeceria — disse ele por fim enquanto continuava a retribuir o intenso olhar dela. Quando ouviu o fraco clique da porta sendo fechada, Caleb sorriu. — O que acha de começarmos de novo? — Ele estendeu a mão. — Sou Caleb Walker. É um prazer conhecê-la, srta. Merrick. Quando, hesitante, ela pôs a mão na de Caleb, a sensação da macia palma contra a dele enviou uma onda de choque até os pés dele. Aparentemente, ela sentiu o mesmo choque elétrico, pois largou rapidamente a mão de Caleb. Ele mal conseguiu evitar rir. — Sei que cheguei antes do esperado, mas não acha que teria sido uma boa ideia informar aos funcionários a meu respeito? Afinal, Emerald Larson ligou para você há vários dias para dizer que eu chegaria no fim desta semana. — A sra. Larson deu a entender que o senhor chegaria na sexta. — Cheguei só um dia antes — disse ele, respirando de forma mais tranquila quando A. J. não se referiu a Emerald como avó dele. Caleb pedira a Emerald para que não mencionasse o parentesco quando telefonasse para a Skerritt e Crowe, e parecia que ela respeitara seu desejo. Ele não queria nenhum preconceito por ser neto da proprietária quando assumisse o comando. — Era minha intenção apresentar o senhor a todos amanhã, na reunião da diretoria — disse ela, soando extremamente eficiente. — Bem, garanto que isso já não pode mais ser feito — falou ele, sorrindo. — Aposto que Geneva e os dois ajudantes dela estão espalhando a notícia como fogo num campo de feno. Para a surpresa dele, ela sequer sorriu. — Tenho certeza de que estão. O comportamento calmo dela fez Caleb se perguntar se A. J. Merrick se permitia perder o controle em algum momento. Algo lhe dizia que isso não acontecia com 10


frequência. Entretanto, ele também sentia que, quando ela se soltasse de fato, seria algo belo de se ver. O que Caleb não conseguia compreender era por que ele gostaria de estar presente quando isso acontecesse. Ela indicou uma das poltronas de couro grená diante de sua mesa. — Por favor, sente-se, sr. Walker. Acomodando-se, ele a viu contornar a mesa para se sentar na cadeira de executivo com encosto alto. — Como vamos trabalhar juntos, por que não deixamos as formalidades de lado? Pode me chamar de Caleb. — Prefiro não fazer isso, sr. Walker — disse ela, arrumando alguns papéis em sua mesa. — Por que não? — Ele não estava nem um pouco surpreso com a insistência dela nas formalidades. Contudo, estava assustado com a própria persistência em fazê-la baixar a guarda. Ela parou de mexer nos documentos para olhá-lo fixamente. — Isso só vai dificultar as coisas quando chegar a hora de o senhor me demitir. De onde surgira aquela ideia? Até onde Caleb sabia, ele não lhe dera nenhum motivo para se sentir ameaçada ou acreditar que ele a demitiria. Ele se postou mais à frente na poltrona. — De onde tirou essa ideia maluca de que vou demitir você? — Quando acontece uma mudança na alta gerência, o resultado é sempre o mesmo. O novo presidente ou diretor executivo traz suas próprias pessoas para os cargos importantes, e a antiga diretoria vira história. — Ela deu de ombros. — Como sou gerente de operações de todos os departamentos, minha cabeça será uma das primeiras a rolar. Caleb não sabia ao certo, mas pensou ter detectado um leve tremor na voz dela. Porém, quando ela continuou a olhá-lo como se ele fosse inferior à sujeira da sola de suas botas depois de uma ida ao celeiro, ele concluiu que era imaginação sua. A. J. Merrick era profissional demais para demonstrar o mínimo de emoção. O que chocava mais que o ferrenho controle dela era seu súbito desejo de ver o que havia por baixo daquela fria fachada, de descobrir o que ela estava claramente tentando ocultar. — Vou acabar com seu medo imediatamente. Não vou demitir você, nem ninguém — disse ele, obrigando sua mente a retornar ao assunto em questão. Ela não tinha como saber, e Caleb não contaria a ela, que ele não fazia a menor ideia de como administrar uma firma de consultoria financeira, nem que ele dependeria fortemente da experiência dela e de outras pessoas para evitar quebrar a cara. — Seu emprego está tão garantido hoje quanto estava antes de a Emerald, Inc. ter comprado esta firma. Ela empurrou os óculos para mais acima no nariz. — Está dizendo isso agora, mas todos sabem que seis meses depois de qualquer mudança no comando, sempre acontecem alterações. — Talvez isso aconteça quando uma empresa é comprada de forma hostil, mas Emerald Larson comprou esta empresa com o consentimento de Frank Skerritt e Martin Crowe. Os dois queriam se aposentar, mas nenhum tinha parentes que quisessem assumir as rédeas da firma. Ao observá-la mordiscando o lábio inferior enquanto considerava as palavras dele, 11


Caleb se flagrou imaginando se aqueles lábios de formas perfeitas seriam tão macios e doces quanto pareciam. Engolindo em seco, ele concluiu que seria melhor manter sua mente nos negócios e longe do fato de que a boca da srta. Merrick implorava por um beijo. — Eu vou. — Ele parou para retirar a ferrugem de sua garganta antes de continuar: — ... fazer algumas pequenas mudanças pontuais. Mas, no que depender de mim, os funcionários só vão perder os empregos se pedirem demissão. — Veremos — disse ela levemente. Sua expressão estava completamente neutra e não dava nenhuma indicação do que ela pensava. Caleb, contudo, sabia que ela não estava acreditando nas garantias dele. Concluindo que tentar convencê-la seria inútil, ele inspirou fundo e se levantou. — Acho que vou sair e me apresentar a alguns de nossos funcionários. — Mas e a reunião que marquei para amanhã às 10h, sr. Walker? — perguntou ela ao se levantar. Teria sido um toque de pânico o que ele detectara nos arregalados olhos azuis dela? Interessante. Parecia que qualquer fuga da tradição deixava A. J. Merrick sem saber o que fazer. Ele precisaria se lembrar disso. — Meu nome é Caleb. — Ele deu de ombros. — A reunião continua de pé. Vou simplesmente usá-la para descrever algumas das mudanças que pretendo fazer na política e explicar meu plano de ação. Ele percebeu a força com que ela segurava a caneta e, sem pensar, estendeu a mão por cima da mesa para colocá-la sobre a dela de forma reconfortante. Entretanto, no instante em que sua palma tocou a pele acetinada dela, uma carga de eletricidade subiu pelo braço de Caleb e se alastrou rapidamente por seu peito. A arfada assustada dela lhe disse que também sentira aquilo. Retirando a mão rapidamente, ele tentou parecer casual. Contudo, levando-se em consideração que seu corpo continuava formigando como se ele tivesse segurando um fio de 220 volts, isso foi muito difícil. — Relaxe, srta. Merrick — disse ele, perguntando a si mesmo que bicho o teria mordido. Certamente, ele não precisava tão loucamente de sexo a ponto de se excitar apenas tocando a mão de uma mulher. — Dou minha palavra de que seu emprego está garantido. E também prometo que o que tenho em mente vai melhorar a moral dos funcionários e aumentar a produtividade. Ao menos era isso que ele esperava. Considerando-se que ele não sabia nada sobre como administrar aquela empresa, e nenhuma outra, ele simplesmente precisaria agir na base das tentativas e erros, consultar o manual de administração que comprara e torcer para que tudo desse certo. Defensivamente, ela cruzou os braços. — Acho que vou ter que acreditar na sua palavra. — Acho que sim — disse ele, rumando para a porta. Precisava pôr alguma distância entre eles para conseguir recuperar sua perspectiva. Estava ali para assumir o comando da firma de consultoria, não para tentar entender por que a relutância daquela mulher em acreditar nele o incomodava tanto. Nem por que ele estava começando a se 12


excitar só de olhar naqueles lindos olhos azuis. — Vejo você amanhã de manhã, srta. Merrick. — C-Caleb? — Ela gaguejou o nome, mas o som dele na delicada voz dela enlouqueceu os hormônios de Caleb. Com a mão na maçaneta, ele se virou para ela. — Sim, srta. Merrick? — Acho que, já que insiste para que eu use o seu primeiro nome, é melhor você me chamar de A. J. — Certo, A. J. — Ele sorriu. Talvez estivessem progredindo, afinal. — Vejo você amanhã cedo. A. J. viu a porta se fechar quando Caleb Walker saiu um instante antes de suas trêmulas pernas se dobrarem e ela desabar na cadeira. Por que seu coração estava em disparada? E por que sua pele ainda formigava do toque dele? Ela tirou os óculos e enterrou o rosto nas mãos. Que bicho a mordera? Nunca fora, e jamais seria, do tipo de mulher que permitia que um homem bonito distraísse sua atenção do que era importante. Ao menos não desde o fiasco com Wesley Pennington III. Ele lhe ensinara uma valiosa lição, uma que ela não podia se dar o luxo de esquecer: misturar negócios e prazer era uma tola ideia, uma ideia que levava ao desastre. Normalmente, aquilo não era problema. Desde que perdera o coração, a virgindade e o primeiro emprego por causa de sua ingenuidade, ela estivera determinada a parecer o mais profissional possível. Isso simplificava as coisas e ajudava a reforçar sua estrita política de manter colegas de trabalho a uma certa distância. A maioria das pessoas, especialmente homens, era repelida por seu comportamento objetivo. E isso estava ótimo para ela. Contudo, Caleb Walker fixara nela seu perturbador olhar cor de mel desde o instante em que entrara no escritório. Um minúsculo tremor a percorreu. Ele tinha um jeito de olhá-la que a deixava mais ciente do que nunca de sua feminilidade. E era isso o que o tornava perigoso. Balançando a cabeça, ela tentou não pensar na louca sensação em seu ventre, sentida quando Caleb sorrira para ela, e se concentrou no fato de que ele era seu novo chefe. Estava ali para assumir a Skerritt e Crowe e, eventualmente, substituí-la por alguém de sua confiança. E, apesar de ele ter lhe garantido que isso não aconteceria, ela sabia a verdade. Tudo que ela lutara para conseguir nos últimos cinco anos estava prestes a ir por água abaixo, e ela não tinha como impedir. A. J. pôs os óculos de volta e girou a cadeira para as janelas. Vendo o sol do fim de junho banhar o centro de Albuquerque com seus cálidos raios vespertinos, ela resistiu à vontade de chorar. Tinha a sensação de que Caleb Walker viraria de ponta-cabeça seu mundo estruturado e bem-ordenado. E não havia nada que ela pudesse fazer para evitar isso. Não havia como saber que mudanças ele pretendia implementar ou com que velocidade ele concluiria que ela era dispensável. E o aspecto mais irritante de todos era o fato de que tudo em que ela conseguia pensar era a intensidade dos olhos dele, a maneira como seu cabelo castanho-claro pendia sobre a testa, deixando-o mais parecido com um rebelde que com um executivo. E o que a combinação de sua profunda voz e seu sexy sotaque do sul fazia com os sentidos dela. — Não seja idiota — resmungou ela, virando-se para a mesa. Ela não estava interessada em Caleb Walker, assim como ele não estava 13


interessado nela. Contudo, ao olhar para os documentos em sua mesa, ela não conseguiu parar de pensar na largura dos ombros dele dentro daquela camisa de botão, na maneira como o jeans se adequava a ele como uma segunda pele ou como sua mão ainda formigava de quando ele a tocara. Quando um pequeno gemido de frustração escapou, ela enfiou rapidamente a pilha de relatórios de contabilidade na pasta, pegou sua bolsa e foi para a porta. — Vou passar o resto do dia fora — disse a Geneva ao passar por ela. A. J. não esperou para ver a reação da recepcionista a seu comportamento atípico. Não tinha tempo para se preocupar com isso. Precisava chegar a seu apartamento antes que a fachada fria que ela aperfeiçoara durante os anos se esvaísse e ela revelasse o que apenas Sidney, seu periquito, sabia a respeito dela. Alyssa Jane Merrick não era o robe frio e sem emoção que todos da Skerritt e Crowe achavam que fosse. Era uma mulher viva que colecionava estatuetas divertidas, derramava baldes de lágrimas em momentos sentimentais ou tocantes e temia o fracasso acima de tudo. Ao atravessar o estacionamento, ela apressou os passos até seu discreto sedã preto. Estava prestes a fazer uma dentre duas coisas. Ou soltaria tudo com um berro alto o suficiente para despertar os mortos, ou começaria a chorar como um bebê. Nenhum dos dois era um comportamento aceitável para sua imagem profissional. Abrindo a porta do motorista, ela jogou a pasta lá dentro, postou-se ao volante e fechou os olhos. Contou até 10, até 20, enquanto duelava com suas emoções. Pela primeira vez em cinco anos, estava quase perdendo o firme controle que sempre tivera sobre si mesma quando estava no trabalho. E ela simplesmente não podia se dar o luxo de permitir que isso acontecesse. Nunca deixara, e jamais deixaria, que nenhuma daquelas pessoas a visse perder o controle. Isso não seria apenas uma séria violação de seu profissionalismo, mas também uma forma de seu falecido pai retornar para atormentá-la por fazer algo tão tipicamente feminino. Desde que ela atingira idade suficiente para compreender, seu pai, um militar, ressaltara a importância de não permitir que seus inimigos vissem nenhum sinal de fraqueza. E não havia dúvida de que Caleb Walker representava uma séria ameaça ao comportamento profissional dela. Entretanto, ele era o inimigo mais lindo que ela já vira.

CAPÍTULO DOIS

— A primeira coisa que quero fazer esta manhã é prometer a vocês que seus empregos estão garantidos — disse Caleb, dirigindo-se aos diretores e gerentes de departamento. Olhou diretamente para A. J. Merrick. — Ao contrário do que é a prática corporativa costumeira, não tenho intenção de demitir nenhum de vocês para trazer meu próprio pessoal. Só perderão o emprego se vocês tomarem a decisão de pedir demissão. A dúvida que ele detectava no olhar azul dela afirmava muito claramente que ela 14


ainda não acreditava nele. O que Caleb não entendia era a importância de ter a confiança dela. A julgar pelo coletivo suspiro de alívio, o resto dos ocupantes da sala acreditava. Por que a opinião dela a respeito dele era tão importante? Decidindo não pensar demais naquele mistério, Caleb voltou a atenção para seus planos para a empresa. — Analisei os relatórios trimestrais do último ano fiscal, e, apesar de o crescimento estar lento, ele é constante. — Ele sorriu. — Como vovô Walker sempre dizia: “Não se mexe em time que está ganhando.” É por isso que não vou fazer nenhuma mudança nas operações diárias da empresa. — Ao menos não antes de concluir alguns cursos de negócios para saber que diabos estou fazendo. — Gosto do jeito de pensar do seu avô — falou Malcolm Fuller, assentindo. Caleb riu. — Fico feliz por ele receber sua aprovação, Malcolm. — Ele conhecera-o no dia anterior, e os dois tinham se dado muito bem. Malcolm fazia Caleb se recordar de Henry Walker, seu falecido avô; cheio de sabedoria do campo e muito disposto a dizer o que pensava. Quando Caleb percebeu várias sobrancelhas erguidas e a troca de curiosos olhares entre os outros chefes de departamento sentados à grande mesa de conferência oval, ele franziu o cenho. Aparentemente, assim como A. J. Merrick, nenhum dos funcionários da Skerritt e Crowe estava acostumado com a abordagem relaxada e informal da administração. Inspirando fundo, ele concluiu que era melhor ver logo como a equipe de gerentes receberia as mudanças que ele planejara. — Apesar de não pretender ajustar os procedimentos operacionais, planejo fazer algumas melhorias na atmosfera de trabalho por aqui. — O que tem em mente, sr. Walker? — perguntou Ed Bentley, parecendo bastante nervoso. — A primeira coisa que vamos fazer é deixar de lado as formalidades. — Caleb abriu um sorriso para todos, torcendo para que isso os acalmasse. — Não acham que não faz sentido trabalhar com alguém durante oito horas por dia, todos os dias, e não usar o primeiro nome da pessoa? Naturalmente, vamos continuar dando a nossos clientes o respeito que merecem e nos referir a eles da maneira formal. Mas quero que todos se sintam livres para me chamar pelo meu primeiro nome, e para fazer o mesmo com os outros funcionários. Os homens e mulheres da mesa começaram a sorrir. Todos menos A. J. Suas mãos unidas, que repousavam sobre a mesa, apertaram-se, deixando os nós dos dedos brancos, o que indicava que ela discordava fortemente daquela decisão. Por que ela seria contra deixar de lado uma tradição antiquada? Não aprendera na faculdade que um ambiente mais relaxado incentivava o trabalho em equipe e aumentava a produtividade? Droga, ele encontrara aquela informação na internet. Sendo assim, aquilo não devia ser um grande segredo. — Quer que chamemos você de Caleb? hesitantemente.

— perguntou Maria Santos

Sorrindo, ele voltou sua atenção para a diretora do departamento de pagamentos. — É o meu nome, Maria. 15


— Quais são as outras mudanças planejadas. Caleb? — perguntou um dos outros homens. — A partir deste instante, vai existir uma política de portas abertas entre a alta gerência e todos os funcionários. — Ele parou para permitir que digerissem a declaração. — Quero que todos os funcionários, independentemente do cargo, sintam-se confortáveis para trazer problemas e reclamações à nossa atenção, e também para compartilhar maneiras de melhorarmos a moral e captarmos novos clientes. — Você tem muitas ideias boas — falou Joel McIntyre, chefe do departamento de faturamento. — Mais alguma? — Na verdade, sim, Joel. — Caleb sorriu. Tinha certeza de que as últimas mudanças que ele estava prestes a anunciar seriam bem-acolhidas por todos, até A. J. Merrick. — Como a maior parte dos nossos negócios é conduzida por telefone e pela internet, não vejo motivo para não afrouxarmos o traje. Vou continuar esperando que vocês se vistam adequadamente quando forem se encontrar com um de nossos clientes, mas, de agora em diante, vocês todos têm liberdade de se vestir como quiserem. — Ele riu. — Quero dizer, contanto que não seja indecente e não pareça algo que você vestiria para limpar o celeiro. Ele soltou uma gargalhada quando vários dos homens se mexeram imediatamente para tirar as gravatas e abrir o botão de cima das camisas. — Acho que isso significa que todos são a favor de acabarmos com a exigência do traje. Ao olhar para A. J., o sorriso dele desapareceu. Quase todos. — Isto é tudo? — perguntou ela tensa. Olhou-o fixamente, e ficou claríssimo que ela não estava feliz. Nenhum dos outros chefes de departamento parecia perceber que a gerente de operações estava ali presente, muito menos que ela não recebera bem as ideias dele. Caleb, contudo, estivera ciente da presença dela desde o instante em que A. J. se sentara na cadeira no canto mais afastado da mesa de conferência. Ele esperara que quando ela ouvisse o que planejara, considerasse suas ideias inovadoras ou, no mínimo, estivesse disposta a dar uma chance a elas. Infelizmente, ela parecia ainda mais infeliz que na tarde anterior, quando ele adentrara o escritório dela e anunciara quem era. Porém, mais perturbadora que a falta de entusiasmo dela era a reação dele à relutância de A. J. Caleb sentia uma vontade quase incontrolável de ir até ela, tomá-la nos braços e lhe garantir que as mudanças planejadas beneficiariam a todos. Ele balançou a cabeça, tanto para dispersar seus incômodos pensamentos quanto para avisar que tinha mais planos. — Tenho mais um anúncio a fazer antes de deixar todos voltarem ao trabalho. — Desviando o olhar de A. J., ele obrigou sua atenção a se voltar para os outros. — Na segunda-feira, haverá um seminário para que todos os gerentes aprendam técnicas de montagem de equipes. Então, uma vez por mês, a firma vai assumir a conta para que vocês e todas as pessoas dos seus departamentos tirem a sexta-feira de folga para pôr em prática o que aprenderam. — Está falando de fazermos piqueniques, jogarmos golfe e coisas assim para melhorar nossa capacidade de comunicação e incentivar a interação com nossos colegas de trabalho, não? — perguntou Joel, parecendo empolgado com as possibilidades. — Esse é o plano — respondeu Caleb. Ao menos outras pessoas conseguiam 16


enxergar os objetivos dele, ainda que A. J. não conseguisse. — Não há motivo para não nos divertirmos enquanto desenvolvemos uma equipe coesa e eficiente. — Sorrindo, ele se levantou. Já lhes dera o suficiente para digerirem em um dia. Na semana seguinte, ele mudaria as coisas um pouco mais. — Agora, o que acham de voltarmos ao trabalho e ganharmos algum dinheiro?

Quando a reunião terminou e seus colegas de trabalho cercaram Caleb para expressar seu entusiasmo com as mudanças que ele faria, A. J. escapou para o santuário de seu escritório. Fechando a porta ao entrar, apoiou-se nela enquanto lutava para respirar. Sentia-se como se estivesse prestes a sufocar com a diversidade de emoções que a percorria. Em menos de uma hora, Caleb Walker destruíra sozinho todos os motivos para que ela trabalhasse na Skerritt e Crowe. E sequer percebera isso. Pensara estar fazendo um favor a todos ao melhorar a qualidade do ambiente de trabalho. E ela precisava admitir que, provavelmente, o que ele planejava motivaria os funcionários, dando vida nova à firma. Entretanto, ela escolhera aceitar aquele cargo na Skerritt e Crowe, em vez de num grupo financeiro mais moderno, justamente por causa das formalidades e da abordagem antiquada à administração. Isso lhe permitia concentrar toda sua atenção no trabalho e mantinha uma distância segura das pessoas com quem ela trabalhava. Afastando-se da porta, ela foi até a mesa e afundou na cadeira de couro. Ainda que não fosse antissocial por natureza, ela aprendera do jeito mais duro a manter seus colegas de trabalho a distância. Era o único jeito garantido de se proteger da traição e da dor emocional que a acompanhava. Contudo, o que a frustrava e a confundia mais que tudo era sua reação a Caleb. Durante todo o tempo que ele passara descrevendo as maneiras como pretendia destruir a rede de segurança dela, tudo em que ela conseguira pensar era a beleza dele e o que aquele profundo sotaque sulista fazia com seus sentidos. Quase não resistindo ao ímpeto de libertar tudo num berro que, sem dúvida, faria Geneva Wallace ter um ataque cardíaco, A. J. se virou para a tela do computador e abriu o arquivo que continha seu currículo. Não havia mais dúvida, seus dias de gerente de operações na Skerritt e Crowe estavam contados, e seria melhor que ela começasse a procurar outro emprego. — A. J., pode vir aqui? — A voz de Caleb, invadindo o escritório dela pelo interfone, causou uma louca sensação no estômago dela. — Tenho algo que preciso discutir com você. O que ele poderia querer agora? Já não fizera o suficiente para virar o mundo dela de ponta-cabeça? Suspirando, ela apertou o botão para falar. — Estou trabalhando numa coisa no momento. Podemos adiar a discussão até a tarde? — Ele não precisava saber que ela estava atualizando seu currículo, nem que planejava encontrar outro emprego. Quando o silêncio reinou, ela apertou novamente o botão. — Sr. Walker? Caleb? A. J. arfou quando a porta que conectava os escritórios deles se abriu e Caleb entrou. — Desculpe se assustei você, mas sou do tipo de cara que gosta de falar 17


pessoalmente — disse ele, sorrindo. — Gosto de olhar nos olhos da pessoa quando falo com ela. O som da voz dele e aquele sexy sorriso fez um calafrio descer pela espinha dela, deixando-a a se perguntar o que mais ele gostava de fazer pessoalmente. Ela perdeu o fôlego e se esforçou ao máximo para esconder o choque com a direção que seus desvirtuados pensamentos haviam tomado. — O que queria discutir, senhor. Ele ergueu uma de suas escuras sobrancelhas ao mesmo tempo em que pigarreou. Resignada, ela fechou o arquivo de seu currículo. — O que queria discutir. Caleb? Ele sorriu, aprovando. — Acho que pensei em outro jeito de melhorarmos a moral de nossos funcionários. Justamente o que ela precisava ouvir, pensou, desgostosa, outra ideia mirabolante que, sem dúvida, aumentaria o nível de ansiedade dela. A. J. fixou seu olhar na testa dele, para evitar olhar diretamente nos impressionantes olhos cor de mel. — O que tem em mente? — Estou pensando em transformar a sala de descanso numa sala de recreação. O queixo de A. J. caiu. — Como é?! — Melhor tomar cuidado. — Ele riu. — Você pode engolir uma mosca. Ela fechou a boca. Ele não levava nada a sério? — Gostaria de explicar o que quer dizer com sala de recreação? — perguntou ela, massageando o súbito martelar em suas têmporas. — Estou pensando em sofás, mesinhas de centro e uma TV de tela grande. Quando nossos funcionários fizerem intervalos, têm que poder relaxar e aproveitar os poucos minutos longe do trabalho. — Se você os deixar confortáveis demais, eles vão dormir — falou A. J. antes que pudesse evitar. Não fora sua intenção ser tão franca. Mas fatos eram fatos, e seria bom que ele tivesse ciência deles imediatamente. Ele sorriu. — Não há nada de errado com um pequeno cochilo revigorante de vez em quando. Estudos mostram que isso dá uma nova energia às pessoas. Ela vira aquela pesquisa e não tinha como discutir com as descobertas, mas isso não significava que ela concordava. — Quer saber o que acho dessa ideia? — perguntou ela cautelosamente. — Na verdade, não. — Ele abriu um sorriso que a aqueceu da cabeça aos pés. — Mas gostaria da sua ajuda para pôr o projeto em prática. A primeira inclinação dela foi a de rejeitar o pedido. Contudo, para sua surpresa, 18


ela se flagrou perguntando: — O que quer que eu faça? — Agradeceria se pudesse me dar sua opinião com relação às cores e ao estilo da mobília. — A expressão dele ficou envergonhada. — Não sei muito desses negócios de decoração. Ah, ele era bom. Sabia exatamente quando aumentar a intensidade daquele sorriso e usar seu charme de menino para conseguir exatamente o que queria. Felizmente, ela era imune a essas táticas. — O que o faz pensar que sei mais que você? — Nada. — Ele deu de ombros. — Mas preciso do ponto de vista de uma mulher. A sala precisa ser confortável para homens e mulheres. Se eu tentar fazer tudo sozinho, ela vai acabar parecendo um bar. — Por que não pede à sra. Wallace para ajudar? Já a ouvi dizendo que nunca perde aquele programa de televisão onde amigos redecoram o quarto um do outro. — Geneva já está ocupada supervisionando outro projeto — disse ele, sorrindo. — Já? — Deus do céu, o que diabos ele convencera aquela enfadonha secretária de 60 anos a fazer? — Dei a ela um orçamento de 5 mil dólares para uniformes e equipamentos e a deixei encarregada de organizar nossas equipes esportivas. A. J. não acreditava no que estava ouvindo. — Só pode ser brincadeira. — Não. — O sorriso dele se intensificou. — Dependendo do interesse dos funcionários, vamos ter equipes de boliche e vôlei neste inverno, e uma de softball no próximo verão. — Você sabe que esta firma de consultoria é composta por contadores e analistas financeiros, não sabe? Não são exatamente atletas. — Não me importo se nossas equipes não forem vencedoras. Estou mais interessado em criar um senso de união entre os funcionários. — Ele foi na direção da porta de seu escritório. — Você tem o final de semana para pensar no que podemos fazer com a sala de descanso. Revisaremos suas ideias na semana que vem. Enquanto ela o observava fechar a porta ao passar, A. J. grunhiu. Seu pai sempre pregara um mantra militar de estrutura e ordem. Dissera que aquilo era essencial para uma vida de sucesso. O capitão John T. Merrick acreditara naquilo, vivera em função daquilo e insistira na adesão de sua filha. Até escolhera o internato que ela frequentara depois da morte da mãe por causa do estrito código de conduta e do rígido conjunto de valores. E, na única vez em que ela se desviara do caminho em que seu pai a pusera, A. J. terminara no centro de um humilhante escândalo em seu emprego. Porém, ela sobrevivera, pois era isso que seu falecido pai teria esperado que ela fizesse. Havia sido extremamente difícil, mas ela recolhera os pedaços de seu orgulho destruído, tornara-se uma virgem renascida e conseguira seu presente emprego na Skerritt e Crowe. E passara os últimos cinco anos contente, ou até feliz. Infelizmente, parecia que esse contentamento tinha encontrado seu fim com a chegada de Caleb Walker. Quando ele adentrara o escritório dela na tarde do dia anterior, com sua atitude de bom moço e sua devastadoramente bela aparência para anunciar que assumiria o comando da firma, ela se sentira como se tivesse sido lançada num furacão. 19


Ele representava tudo que ela fora ensinada a abordar com cautela na vida, ou até mesmo a evitar por completo. Era inovador em sua abordagem de administração, e suas ideias não eram nada ortodoxas e pareciam espontâneas demais. Sendo assim, por que a pulsação dela martelava e o ar parecia faltar sempre que eles estavam no mesmo recinto? Por que o sexy sotaque sulista dele enviava fagulhas elétricas por todo o corpo dela? E por que ver os largos ombros e os esguios quadris dele fazia o corpo dela vibrar, irrequieto como nunca? Mordendo o lábio inferior para impedir que tremesse, ela reabriu rapidamente o arquivo de seu currículo. Não havia a menor dúvida. Ela precisava encontrar outro emprego assim que possível, ou correria o risco de perder o pouco de sensatez que lhe restava.

Na tarde da terça-feira seguinte, Caleb estava sentado à sua mesa, perguntando a si mesmo no que raios Emerald Larson o metera. Ele não tinha menor ideia de como lidar com um dos melhores clientes da Skerritt e Crowe. Suas aulas noturnas na University of New Mexico só começariam no fim do mês seguinte. E ele duvidava que os cursos de administração nos quais se inscrevera já fossem começar falando da interação com a clientela. Ele tamborilou com os dedos no tampo da mesa. Também não conseguira encontrar nada sobre como conduzir reuniões com clientes no manual de administração. Aquela maldita coisa só falava da supervisão de funcionários e jeitos de melhorar o ambiente de trabalho. Era completamente inútil para ensinar como lidar com clientes. Entretanto, não importava se Caleb sabia ou não o que estava fazendo; Raul Ortiz queria uma reunião com ele. Caleb assumira o comando da firma de consultoria financeira que ajudara as Indústrias Ortiz a criar um dos melhores planos de investimento em funcionários do estado, e Caleb suspeitava que Ortiz queria ter certeza de que ele era um comandante satisfatório. Ao ouvir a voz de A. J. do outro lado da porta que ligava os escritórios, o humor de Caleb melhorou. Talvez a mulher o estivesse enlouquecendo, fazendo com que ele quebrasse a cabeça tentando entender como ela funcionava, mas ele lera o arquivo dela. A. J. sabia o que estava fazendo com relação a planejamento financeiro e análise de marketing. Ele também descobrira que ela se formara no colégio com 15 anos e, aos 20, já recebera seu diploma de mestrado em investimentos e administração de negócios. Se ele a levasse consigo quando fosse até Roswell, certamente a reunião com Ortiz transcorreria sem problemas. Ele era bom com pessoas, e A. J. era genial em tudo que tivesse a ver com contabilidade e planejamento financeiro. Juntos, eles seriam uma equipe e tanto. Caleb inspirou fundo e se levantou. Detestava se sentir inadequado em qualquer coisa. Contudo, já concluíra que precisaria depender das pessoas que trabalhavam para ele até fazer os cursos e ter uma compreensão básica da empresa que Emerald lhe dera. Abrindo a porta entre os escritórios, ele sorriu quando A. J. o olhou por cima do monitor. — Acabei de receber um telefonema de um homem em Roswell — disse ele, indo desabar na cadeira diante da mesa dela. — Ele afirma ser nosso cliente mais satisfeito. — É o sr. Ortiz — respondeu ela. — Um dos nossos clientes mais valiosos. 20


— Foi o que ele disse. — Caleb riu. — Também tive a impressão de que ele era um dos nossos clientes mais extrovertidos. — Ele nunca mediu as palavras — falou ela, empurrando os óculos para cima daquele arrebitado nariz. A ação chamou atenção para os incríveis olhos dela, e Caleb precisou lembrar a si mesmo que não entrara no escritório dela para ficar olhando seus olhos azul-bebê. — Quer dizer que você já lidou com ele antes? Ela assentiu. — O sr. Skerritt cuidava do programa de investimento em funcionários das Indústrias Ortiz, mas me designou para assessorar o sr. Ortiz com relação a seu próprio plano de aposentaria. Por quê? — Ele quer que eu vá até Roswell amanhã para uma reunião para nos conhecermos. — Tentando parecer casual, ele acrescentou: — Resolvi levar você comigo. — Eu? — Os olhos dela se arregalaram por trás dos grandes óculos, e o pânico que Caleb viu naquelas profundezas fez com que ele se lembrasse de um veado iluminado pelos faróis de um carro. A ideia de passar algum tempo com ele seria tão perturbadora assim? — Algum problema, A. J.? — Por quê? Quero dizer, não tenho como... — Repentinamente, ela fechou a boca e simplesmente o olhou. Ao retribuir o olhar, Caleb deu o melhor de si para manter sua atenção no problema em questão e longe dos perfeitos lábios dela. — Entendo que foi algo decidido em cima da hora, mas acho que não temos escolha. Como acabei de assumir o comando aqui, não sei nada sobre Ortiz, nem sobre nossos negócios com ele. E, até eu ficar a par de cada cliente nosso, prefiro não correr o risco de perdê-los. O argumento fazia sentido para ele. Caleb só torcia para que soasse razoável para ela. Vendo-a mordiscar o lábio inferior enquanto pensava no que ele dissera, Caleb precisou de todas as suas forças para não grunhir. Por que tinha que achar a boca de A. J. tão fascinante? Ele não aprendera nada sobre mulheres profissionais cuja mente estava voltada para a carreira? — A que horas é a reunião? — perguntou ela. Seria a imaginação dele, ou havia um leve tremor na voz dela? — Ortiz quer me levar para conhecer a fábrica amanhã à tarde e, depois, jantar às 18 ou 19h. — Ficaria tarde para voltarmos amanhã à noite, e tenho duas reuniões por telefone na manhã seguinte. — Ela soou extremamente aliviada ao acrescentar: — Desculpe, mas acho que vai ser mesmo impossível ir com você. Estamos cortejando esses clientes em potencial há vários meses, e existe a possibilidade de perdê-los se eu remarcar as ligações. Ele não desistiria tão facilmente. — De onde eles são? 21


— O sr. Sanchez está em Las Cruces, e a sra. Bailey está em Truth or Consequences. — Os olhos dela se semicerraram. — Por quê? — Se bem me lembro das aulas de Geografia no colégio, esses lugares não ficam muito longe de Roswell. Telefone e diga que estaremos na região deles depois de amanhã e que gostaríamos de nos encontrar pessoalmente. Isso vai mostrar que queremos muito trabalhar com eles e também vai liberar você para ir a Roswell comigo. Voltaremos depois do jantar na noite de quinta. — Resolvendo fazer uma rápida retirada antes que ela pudesse encontrar outra desculpa, ele foi para a porta. — Passo na sua casa por volta das 10h. — N-não será necessário — disse ela, fazendo-o parar. Quando ele se virou, A. J. acrescentou: — Tenho que vir aqui amanhã de manhã para resolver uns assuntos pendentes. Podemos ir daqui. Caleb percebia que ela não estava feliz, mas isso era inevitável. Ele não estava especialmente orgulhoso de ter que depender da experiência dela para evitar fazer papel de idiota diante de um cliente. — Certo — disse ele, assentindo. — Vou pedir para Geneva fazer uma reserva para a noite de amanhã em Roswell. — Reservas, no plural. Dois quartos. — Claro. Saindo pela porta para falar com a secretária deles, Caleb não conseguiu evitar sorrir. Claramente, ele deixara A. J. Merrick nervosíssima. Os dois próximos dias podiam se revelar extremamente interessantes e de uma forma que ele não imaginara. Ele não apenas poderia ver como A. J. lidava com os clientes, mas também tinha a sensação de que poderia ver aquele frio autocontrole ser perdido.

CAPÍTULO TRÊS

Depois de um caminho de carro sem problemas até Roswell, um passeio pelas Indústrias Ortiz e um jantar muito bem-sucedido com o sr. Ortiz, tudo o que A. J. queria era a solidão do quarto de hotel e um belo e relaxante banho quente. Totalmente exausta de tanto se revirar na cama na noite anterior, ela passara o dia inteiro na perturbadora presença de Caleb e estava mais do que pronta para pôr alguma distância entre eles. — Por que não faz o check-in para nós enquanto pego as malas? — perguntou ele ao parar a picape diante da entrada do hotel de beira de estrada. Ela abriu a porta do carona. — Imagino que os quartos estejam no nome da firma. — Sim. Geneva disse que tinha reservado os dois últimos quartos de Ros... — Ele parou abruptamente quando uma família de alienígenas fluorescentes de cabeça oval e 22


grandes olhos passou pela frente da picape e entrou numa minivan azul. — É a semana do festival — explicou A. J. Não conseguiu evitar rir da expressão incrédula no lindo rosto dele. — É provável que você veja muitas coisas assim. — Vi os cartazes quando passamos pela cidade. Mas não sabia que essa história de alienígenas ia tão longe. Saindo da picape, ela assentiu. — É o aniversário do Incidente de Roswell. Vem gente de todo o mundo para a cidade na primeira metade de julho para ir aos seminários, compartilhar experiências que tiveram com extraterrestres e participar de várias atividades, incluindo um concurso de fantasias. Caleb riu quando outro alienígena, este com tentáculos e olhos prateados, acenou ao passar num velho carro amarelo. — Parece que demos sorte de Geneva ter encontrado quartos para nós. — Estou surpresa por ela ter conseguido tão em cima da hora. A. J. fechou a porta da picape e, suspirando de alívio porque teria algum tempo só para si, entrou na recepção. — Sou da Skerritt e Crowe Consultores Financeiros. Creio que vocês tenham dois quartos reservados para nós. A sorridente adolescente atrás da bancada fez uma bola de chiclete enquanto verificava no computador. — Na verdade, temos um quarto com duas camas para vocês. — Deve haver algum engano — disse A. J., balançando a cabeça. Ela sabia que Geneva Wallace era competente demais para cometer tamanho erro. — Pode verificar novamente? Dando de ombros, a garota digitou novamente as informações. Um instante depois, ergueu os olhos e balançou a cabeça. — Só está mostrando um quarto reservado para o pessoal da Skerritt e Crowe. Mas, como eu disse, ele tem duas camas. As têmporas de A. J. começaram a latejar. — Tem outro quarto disponível? A garota sorriu como num pedido de desculpas. — Desculpe. Faz meses que já reservamos todos os quartos para esta semana. Na verdade, se não tivéssemos tido uma desistência, não teríamos esse quarto para vocês. — Estourando a bola de chiclete, ela pareceu pensativa. — Eu diria que o hotel mais próximo com quartos disponíveis deve ser em Artesia. E isso também não é algo certo. — Algum problema? — perguntou Caleb, chegando ao lado de A. J. — Aparentemente, houve uma confusão e eles só têm um quarto para nós. — Subitamente, ela soube como Dorothy devia ter se sentido quando o tornado a capturara e ela fora levada por cima do arco-íris para cair na terra de Oz. — Com o festival, não existem quartos disponíveis por perto. Parece que vamos ter que fazer o caminho até Las Cruces esta noite mesmo. Para a perplexidade dela, Caleb balançou a cabeça. 23


— Já está escuro, nós dois estamos cansados e algumas das estradas até lá são de mão-dupla. Dirigir num lugar desconhecido nessas condições não seria boa ideia. O desespero começou a dominá-la. Ele enlouquecera? — Não podemos ficar no mesmo quarto. — Você pode ficar com a cama, e eu durmo no chão. — Ele falava como se aquilo fosse muito lógico. — O quarto tem duas bicamas — anunciou a adolescente solicitamente. — Vamos ficar com ele — disse Caleb, baixando as malas para pegar a carteira. Se ela se achava desesperada antes, agora estava prestes a ter um ataque de pânico. Puxando o braço de Caleb, ela o levou para a área de estar da recepção para uma discussão em particular. — Você não pode estar falando sério. — Não temos escolha. — O que vai acontecer quando os funcionários da firma descobrirem que passamos a noite no mesmo quarto? — A menos que um de nós conte, eles nunca vão saber. — Não se engane. O que acha que vai acontecer quando você apresentar o recibo para reembolso? — perguntou ela, sabendo que, quando a informação vazasse, as fofocas e as especulações explodiriam. — Vou botar no meu cartão de crédito, e não no da Skerritt e Crowe. — Ele parecia tão racional que ela teve vontade de berrar. — Mas... Caleb pôs as mãos nos ombros dela. — Concordo que é chato não podermos ter nossos próprios quartos. Mas somos adultos, A. J. Sabemos como lidar com isso. — Antes que ela pudesse impedi-lo, ele tirou a carteira do bolso lateral e entregou um cartão de crédito à garota do balcão. O coração de A. J. deu um salto. Talvez ele fosse capaz de lidar com a situação, mas ela não sabia ao certo se ela própria seria. Passar o dia inteiro com ele, primeiro, no confinamento da picape e, depois, na reunião com o sr. Ortiz, causara um efeito nela. Desde o momento em que eles tinham saído da sede da Skerritt e Crowe naquela manhã, os sentidos dela haviam sido atacados pelo homem. O perfume da loção pósbarba, o timbre de sua profunda voz e o ocasional toque do braço dele no dela quando ele abrira as portas para ela haviam carregado todo o ser de A. J. com uma inquietação que ela se recusava a definir. Se tivesse que passar uma noite inteira num quarto com Caleb a poucos centímetros de distância, existia uma possibilidade muito real de que, ao amanhecer, ela já tivesse enlouquecido.

Sentando-se na beira da cama, Caleb tirou as botas. Então pegou o controle da televisão e percorreu apaticamente os canais. Precisava afastar sua mente da mulher que estava trocando de roupa no banheiro. Olhando para a porta fechada, ele balançou a cabeça. Fora um dia infernal, ouvindo a suave voz dela e vendo A. J. se mover com uma graça felina que ele achava 24


absolutamente fascinante. Contudo, tinham sido as poucas vezes que eles se tocaram o que o deixara quase maluco. O que havia em A. J. que fazia os hormônios dele dispararem por seu sangue como as bolas de uma máquina de pinball? Ela era um exemplo de profissional e dava todas as indicações de que estava investindo em sua carreira. E ele aprendera do pior jeito a evitar o tipo dela. Sendo assim, por que tudo em que conseguia pensar desde que a conhecera era ela? O que havia em A. J. que ele achava tão atraente? Definitivamente, as roupas dela não eram provocantes e nem tinham a intenção de hipnotizar um homem. E, apesar de ela não ser nada feia, A. J. não usava maquiagem e nem arrumava o cabelo de forma que a fizesse parecer algo além de comum. Ele franziu o cenho. Era como se ela fizesse todo o possível para evitar chamar atenção. Era isso que ele estava tendo dificuldade para entender. A. J. não parecia e nem agia como uma executiva. Leslie Ann Turner, a mulher com a qual ele se envolvera alguns anos antes, fora o perfeito exemplo de profissional dedicada e se esforçava loucamente para ficar atraente no trabalho e também quando eles saíam à noite. Tinham se conhecido por acaso, quando ele fora a um simpósio rural em um dos hotéis do centro de Nashville e ela parara no bar depois do trabalho para uns drinques com as amigas. Ele a convidara para sair, e assim começara o relacionamento de dois anos deles. À época, ela era uma executiva júnior e ainda não desenvolvera a sede por poder, e também não o tinha desprezado por ele não ter nada além de uma educação de nível médio. Porém, com o passar mudara. Não pedia mais para pensamento de que a medida que ele tinha. E não fora sumariamente.

do tempo, ela conseguira algumas promoções e tudo que ele fosse às festas corporativas com ela e adotara o de um homem era determinada pelo número de diplomas nenhuma grande surpresa quando ela o dispensara

Entretanto, por mais difícil que tivesse sido enfrentar o fato de que ela não o considerara suficientemente bom para ela, Caleb precisava lhe agradecer pela lição. Uma mulher dedicada a sua carreira não era alguém com quem ele quisesse se envolver, por mais atraentes que fossem seus olhos azuis. A. J., porém, não parecia ter os mesmos instintos de barracuda, a mesma atitude de fazer o que fosse necessário para avançar que Leslie Ann tivera. Com ele sentado ali, ponderando sua nada característica fascinação por A. J., a porta do banheiro se abriu. Erguendo o olhar, Caleb ficou boquiaberto. Sem os óculos de coruja e com o comprido cabelo ruivo caindo em torno dos ombros, A. J. Merrick era estonteante. Caleb engoliu em seco quando ela passou por ele, indo até a outra cama. Seu pijama e seu robe de seda cor de esmeralda ressaltavam o brilho vermelho do cabelo e era o contraste perfeito com sua imaculada compleição de porcelana. — O banheiro é todo seu — disse ela com um gesto daquela delicada mão. Ainda não olhara para ele, e Caleb estava feliz por isso. Olhava fixamente para ela como um adolescente olhando sua primeira mulher nua numa revista. Sentindo-se subitamente sufocado, ele se levantou. — Não estou tão cansado assim — mentiu. — Acho que vou até o restaurante tomar um café. — Indo para a porta, perguntou: — Quer que eu traga algo? — Não, obrigada. 25


— Você vai ficar bem sozinha? Ela voltou seus incríveis olhos azuis para ele. — Claro. Por que pergunta? Caleb não lhe diria que ela estava mais bonita e feminina do que ele já imaginara. Também não queria admitir que se sentia um completo idiota por fugir. — Só queria saber. Ela conteve um imenso bocejo. — Provavelmente, já vou estar dormindo antes de você descer a escada. A ideia de vê-la com seu comprido cabelo espalhado pelo travesseiro, os cílios escuros repousando nas faces claras fez o corpo dele se contrair, e Caleb pôs a mão na maçaneta. — Boa noite — disse ela. — Ah, claro, boa noite — resmungou ele, fechando a porta ao sair. Estava na metade do corredor quando percebeu que suas botas continuavam no chão ao lado da cama, dentro do quarto. Caleb parou imediatamente. — Ah, droga. — Flashback? Virando-se, Caleb encontrou um alto e magro homem, com o que parecia um pedaço de papel-alumínio moldado sobre sua careca. — Como? — Perguntei se você estava tendo um flashback do seu último encontro com eles — disse o homem, apontando para o teto. — Alguns de nós temos flashbacks de vez em quando. Especialmente se o contato tiver sido muito imediato. Quando Caleb entendeu que o homem se referia a ETs, ele balançou a cabeça. — Não. Foi mais algo do tipo primeiro avistamento. — Sei como se sente. Pode ser uma experiência bem desconcertante a primeira vez que você os vê. — Sorrindo, o homem esticou a mão para ajustar seu capacete de papel laminado. — Mas, com o passar do tempo, você acaba ficando ansioso e até torcendo para ter um contato de terceiro grau. Caleb assentiu. Já previa como A. J, estaria com uma aparência delicada e feminina quando acordasse na manhã seguinte. E a ideia de um contato imediato de qualquer grau com ela o deixava incrivelmente rígido. Quando o homem continuou a andar pelo corredor, Caleb se virou e voltou para o quarto. — Você não faz ideia, amigo.

No momento em que a porta se fechou quando Caleb saiu, A. J. desabou na beira da cama. Sentira o olhar dele segui-la pelo quarto quando ela saíra do banheiro, e seus joelhos ainda estavam fracos. Como diabos ela conseguiria fechar os olhos, ainda mais dormir? 26


Tudo em que conseguia pensar era no que ele vestiria para dormir e como seria sua aparência quando ele acordasse pela manhã. E só o fato de saber que ele dormiria tão perto dela já lhe dava calafrios. A. J. olhou pelo quarto, quase em pânico. Precisava distrair a mente de seu perturbador chefe. Em desespero, ela pegou o controle remoto e pôs a televisão num canal de filmes clássicos. Sem dúvida, faria bem a ela se perder na trama de um filme antigo. Talvez assim ela conseguisse esquecer que estava prestes a passar a noite no mesmo quarto que o homem mais sexy que ela já conhecera. Quando percebeu que o filme era Tarde demais para esquecer, ela tirou o robe, puxou as cobertas e se deitou na cama. Apesar de já ter visto aquele filme ao menos 20 vezes e sempre acabar chorando até não poder mais, ele era um de seus preferidos. Acomodando-se contra os travesseiros, ela conseguiu esquecer sua situação atual enquanto se preparava para o final do filme. E, obviamente, quando o herói descobriu por que a heroína não o encontrara no topo do Empire State Building, as lágrimas de A. J. começaram a se derramar. Infelizmente, Caleb escolheu justamente aquele momento para voltar ao quarto. — Esqueci meu... — Ele parou abruptamente. — Você está chorando? Envergonhadíssima por ter sido flagrada num momento nada profissional, ela olhou fixamente para a tela da TV. — N-não. Para o horror de A. J., ele foi até o lado da cama dela e se sentou. — Está, sim. — Caleb pegou as mãos dela. — O que houve, A. J.? — N-nada. — Ela sabia que ele voltaria logo. Por que diabos escolhera assistir a um filme que sempre a fazia chorar aos baldes? — Olhe para mim, querida. — O tom gentil da voz dele fez as lágrimas dela caírem mais rapidamente. Por que não podia ir embora e deixá-la em paz? — Não consigo. — Deus do céu, o dia tinha como piorar? Fazia anos desde a última vez que ela permitira que alguém a visse derramar uma lágrima. Contudo, ali estava ela, chorando como um bebê. E, diante dela, ninguém menos que seu novo chefe. A. J. nunca se sentira tão humilhada em sua vida. Por que ele não podia pegar o que tinha esquecido e ir embora? Ele segurou o rosto dela e virou a cabeça de A. J. até os olhares se encontrarem. — Desculpe, querida. Não sabia que você estava tão chateada com a situação. Por favor, não chore. Eu durmo na picape se isso fizer você se sentir melhor. A sinceridade a tocou profundamente, e, por motivos que ela não quis analisar, A. J. não pôde deixar que ele pensasse que a situação emocional dela fosse pelo fato de eles passarem a noite no mesmo quarto. — É... o filme. Olhando por cima do ombro, ele se virou novamente para sorrir para ela um instante antes de abraçá-la. — Esse aí sempre faz isso com a minha mãe também. — O q-que está fazendo? — Está tudo bem, Alyssa. 27


O som da profunda voz dele dizendo o nome dela com tamanha ternura enviou uma onda de choque diretamente ao íntimo dela, e A. J. sequer pensou em afastá-lo. — Como você sabe. o meu nome? — Está no seu arquivo de funcionária. — Ele a puxou para si e passou as mãos pelas costas dela de forma reconfortante. — E não vá achando que vou substituir você. Revisei os arquivos de todos os gerentes. — Por quê? — Que Deus a ajudasse, mas, com aqueles braços fortes a envolvê-la e seu rosto apertado naquele largo peito, ela não sabia se daria alguma importância ao fato de ele ter olhado o arquivo dela ou de qualquer outra pessoa. — Eu estava tentando decidir que atividades de construção de equipes serviriam melhor a cada gerente e seu departamento. — A cálida respiração dele levantou o cabelo dela e lançou calafrios por sua espinha. Ele a abraçou com força. — Está com frio? Incapaz de formar uma frase coerente, ela assentiu. Ainda que tivesse encontrado a voz, não diria a ele o verdadeiro motivo do tremor. No entanto, quando ele recuou para olhá-la, A. J. soube que Caleb não acreditara na desculpa. — Tem certeza? Com seu intenso olhar cor de mel a mantê-la cativa, ela mal sabia o próprio nome, muito menos o que ele lhe perguntara. — Q-qual foi a pergunta? — Não importa, Alyssa. — O lento e sexy jeito de falar dele fez com que tudo dentro dela se transformasse num morno pudim, e, quando Caleb baixou a cabeça, ela sequer conseguiu se lembrar por que devia importar. Quando a boca dele roçou sobre a dela, o coração de A. J. palpitou várias vezes. Ela devia interromper aquela insanidade e expulsá-lo dali para que passasse a noite na picape. Contudo, por motivos que ela sequer conseguiria começar a explicar, desejava o beijo de Caleb, queria sentir seu corpo rígido pressionado ao dela. E, quando ele acomodou os lábios mais plenamente sobre os dela, A. J. mandou a cautela às favas e se derreteu contra ele. Enquanto ele a explorava com uma ternura que a deixava sem fôlego, minúsculos impulsos elétricos percorriam cada nervo do corpo dela, e não teria conseguido impedi-lo nem se sua vida dependesse disso. E ela sequer queria fazer isso. O beijo dele era lento e minucioso, e um cálido formigamento a preencheu quando ele percorreu o contorno de sua boca com a língua. Caleb estava pedindo permissão para aprofundar o beijo, e, sem sequer pensar nas consequências, ela entreabriu os lábios para lhe dar acesso. Um inebriante calor começou a percorrer o corpo dela quando ele deslizou para dentro para acariciar e incentivá-la a reagir. Ela sabia que estava brincando com fogo, mas, com ele a provocá-la com levíssimos movimentos, ela nunca sentira uma tentação tão boa quanto a do hábil beijo de Caleb. Quando ele a deitou no colchão, A. J. sentiu um frio na barriga com o início do desejo, e seus mamilos enrijeceram na expectativa de sentir a mão dele envolvendo o seio através do tecido do pijama. Ela queria as mãos dele em seu corpo, queria sentir a carne salpicada de pelos pressionada contra sua pele sensível. Puxando a gola da camisa dele, foi despertada de seu transe sensual por um 28


gemido feminino de frustração. Aquele som saíra mesmo dela? Céus, o que ela estava fazendo? Envergonhadíssima, Alyssa o empurrou. — Não posso. Por favor, pare. Caleb parecia tão perplexo quanto ela se sentia. — Está tudo bem, querida. — Ele pigarreou e se sentou. — Isto para por aqui. — Levantando-se, sorriu. — Acho que vou tomar aquele café. Tem certeza de que não quer que eu traga nada? Parecia que ele agiria como se nada tivesse acontecido entre eles. Sem saber se ficava decepcionada ou aliviada, ela resolveu fazer o mesmo e ignorar o fato de que eles haviam se agarrado como um casal de adolescentes enlouquecidos pelos hormônios. Ela balançou a cabeça. — N-não, obrigada. Acho que vou dormir mesmo. Ele a olhou fixamente durante vários segundos antes de levantar o queixo dela com o dedo indicador. — Vou tentar não incomodar você quando voltar. — Tenho um sono bem pesado. — O toque dele estava fazendo coisas estranhas com o íntimo dela, e Alyssa soava como se tivesse disputado uma maratona. — Duvido que você vá fazer barulho suficiente para me acordar. — Não falei de barulho, querida. — A profunda risada dele e seu travesso sorriso fizeram a pulsação dela disparar. Alyssa se sentiu como se seu coração tivesse repentinamente caído até a barriga e voltado para martelar contra suas costelas quando percebeu o que ele queria dizer. Antes que ela conseguisse encontrar sua voz, Caleb lhe deu um rápido beijo na testa, pegou as botas e saiu sem olhar para trás. Olhando fixamente para a porta fechada, ela precisou se obrigar a respirar. Agora já sabia com certeza que caíra do outro lado do arco-íris. Ou ela e Caleb tinham sido dominados por alienígenas. Afinal, estavam em Roswell, onde o inexplicável não era apenas aceito, mas também esperado. Contudo, ao desligar o abajur, ela balançou a cabeça. Sabia o que acontecera com ela, e aquilo nada tinha a ver com amigos de uma galáxia distante. Desde o instante em que Caleb Walker entrara em seu escritório, ela resistira, tentara ignorar e até negar a existência do sentimento. A realidade, porém, era que ela se sentia atraída por seu novo chefe. O que diabos faria agora? Nos últimos minutos, havia abandonado as duas regras mais importantes que estabelecera para si mesma. Permitira que um colega de trabalho testemunhasse seu lado emotivo e praticamente se atirara nele quando ele lhe oferecera conforto. Ela suspirou pesadamente. Não havia mais volta. Sua partida da Skerritt e Crowe não era apenas inevitável; era iminente. Fechando os olhos, Alyssa tentou não pensar no estrago que tinha causado a sua reputação profissional e tentou relaxar. Provavelmente, não conseguiria dormir, mas ao menos não estaria chorando como um bebê quando Caleb retornasse dessa vez. Depois do que pareceram apenas alguns minutos, o telefone tocou e a assustou. 29


Quem diabos estaria ligando àquela hora? Ela resmungou algo sobre querer machucar quem estava do outro lado da linha ao ligar a luz e pegar o fone. — Alô? O silêncio a recebeu. — Tem alguém aí? — perguntou ela impacientemente. — Quem é? — perguntou Caleb, soando grogue. Ela inspirou fundo ao olhar para a outra cama. Aparentemente, ela dormira mais do que imaginara. Ele não apenas voltara para o quarto, mas estivera dormindo tão profundamente quanto ela. — Srta. Merrick? — Sim. — Ela olhou o despertador digital sobre o criado-mudo. — Quem é e por que está ligando às 2h? — Aqui é Clarence Norton, A. J.... srta. Merrick. Sinto muito por tê-la acordado — disse o segurança da Skerritt e Crowe. — A recepcionista devia ter me conectado com o quarto do sr. Walker. — Algum problema? — O alarme silencioso da firma disparou na delegacia há cerca de uma hora — explicou ele. — Eles pediram que eu fosse até lá e os deixasse entrar, para que pudessem fazer uma busca pelo edifício. Totalmente desperta, ela perguntou: — Houve uma invasão? — Não — garantiu Clarence. — Mas o sistema de alarme entrou em curto e... — O que está havendo? — Caleb empurrou o lençol e se sentou na beira da cama. — Dê o telefone aqui. Alyssa levantou o dedo para calá-lo, porém era tarde demais. Clarence já ouvira a voz de Caleb. — É... é o sr. Walker? — Pelo tom da voz dele, o segurança estava totalmente chocado. Com Caleb estendendo a mão para o fone e Clarence gaguejando do outro lado da linha, ela entregou o aparelho sem dizer mais nada. Seu pior pesadelo se tornara realidade. Clarence Norton era o maior fofoqueiro de Albuquerque. Quando ela e Caleb retornassem ao escritório dali a dois dias, todos da Skerritt e Crowe saberiam que eles haviam passado a noite juntos.

CAPÍTULO QUATRO

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Caleb olhou para a mulher silenciosa sentada do lado do carona da picape dele. A não ser pelo fato de responder a perguntas diretas, Alyssa não dissera mais do que um punhado de palavras para ele desde o beijo da noite anterior. Fora simpática e extrovertida o suficiente ao discutir as opções financeiras e descrever planos para os dois clientes em potencial com os quais eles haviam se encontrado em Las Cruces e Truth or Consequences. Entretanto, sempre que se flagravam sozinhos, ela se calava. — Tenho quase certeza de que conseguimos transformar o sr. Sanchez e a sra. Bailey em clientes — disse ele, tentando novamente fazê-la falar. Ela assentiu. — Parece que sim. — Vai cuidar pessoalmente das contas deles ou vai deixá-las com outra pessoa? — Provavelmente vou deixá-las com Richard Henshaw ou Marla Davis. Quando ela deixou a discussão morrer novamente, Caleb soltou um frustrado suspiro. — Converse comigo, Alyssa. Diga por que não está falando comigo. É por causa do que aconteceu ontem à noite? Assentindo, ela olhou diretamente à frente. — Não consigo parar de pensar no telefonema de Clarence e nos boatos que devem correr pelo escritório hoje. — Está preocupada com o que está sendo dito no escritório? — perguntou ele, incrédulo. Sequer pensara naquele telefonema. Sua mente estivera ocupada com aquele beijo. Dizer que ela o virara do avesso era pouco. — Não está preocupado? — Ela o olhou como se ele tivesse brotado chifres e um rabo. — Clarence Norton é o maior fofoqueiro do lado de cá do Mississipi, e não vai deixar passar algo como o fato de eu estar no seu quarto às 2h sem dar sua própria versão à história. A esta altura, tenho certeza de que ele já contou a todos que dormimos juntos ontem. — Tecnicamente, nós dormimos juntos — disse Caleb, sorrindo. — Só não na mesma cama. — A cabine da picape se encontrava escura, mas ele apostaria cada centavo seu que o rosto dela estava lindamente corado. — Acho que sim. Mas acha honestamente que alguém vai acreditar nisso? — perguntou ela. — Talvez. — Ele deu de ombros. — Mas, no meu modo de ver, nossa única opção é contar a verdade. Depois que explicarmos as coisas, dependerá de cada um tirar suas próprias conclusões. — Você sabe que conclusões vão ser. — Ela o olhou como se o considerasse um tanto quanto lesado. — Não podemos controlar o que os outros pensam ou dizem de nós, Alyssa. — Ele abriu para ela o que esperava ser um sorriso de incentivo. — Mas, mesmo se estiverem falando de nós agora, na semana que vem, outra pessoa será o assunto da conversa. — Espero que você tenha razão. — Tenho certeza de... Ele parou ao perceber a fumaça saindo de dentro do capô do veículo. Olhando para o termômetro do painel, disse uma palavra que faria sua mãe lavar sua boca com 31


sabão se ela tivesse ouvido. Era uma noite escura e de lua nova, e eles estavam a quilômetros do último posto de gasolina. — Por que está saindo fumaça da picape? — perguntou ela, claramente alarmada. — Imagino que estejamos com problemas no radiador. — Isso não é bom. — Ela empurrou aqueles óculos de coruja para cima do nariz, um gesto que Caleb passara a reconhecer como sinal de nervosismo. — O que você vai fazer? — Preciso encontrar um lugar para parar e verificar. — Ele mal terminara de falar quando passaram por uma placa que indicava uma área de descanso a pouco mais de um quilômetro dali. — Parece que demos sorte. Ao menos vamos ter iluminação e eu vou poder ver o que estou fazendo. Dez minutos depois, Caleb estava de pé no estacionamento da área de descanso, com Alyssa olhando de trás dele para o motor fumegante. — A mangueira do radiador está ferrada — disse ele ao perceber a expressão questionadora dela. — Acha que consegue consertar? Ele balançou a cabeça, recuou e fechou o capô. — Vou ter que chamar o guincho. — Pegando seu celular, ele perguntou: — Tem alguma outra cidade entre aqui e Socorro? Ela não pareceu nada feliz. — Não. Esta área de descanso fica praticamente no meio do caminho entre Socorro e Truth or Consequences. E tenho certeza de que está tudo fechado para os dois lados a esta hora. Apertando o botão do número pré-programado do autoclube, Caleb disse sua localização e a natureza do problema. Então esperou que o atendente, que se identificou como Jason, entrasse em contato com o conveniado mais próximo. Quando o homem retornou ao telefone, a notícia não era a que Caleb queria ouvir. — Como assim eles só vão conseguir chegar aqui amanhã de manhã? — exigiu saber ele. Alyssa fez uma expressão de dor. — Eles só vão vir de manhã? — Desculpe pela inconveniência, senhor. Só temos uma oficina conveniada nessa região, e o mecânico está atendendo um cliente — falou Jason. — Depois, ele tem mais três para atender antes de ir até aí. Pensando rápido, Caleb perguntou: — Você pode mandar alguém com um carro alugado? — Um momento, por favor. — O que ele disse? — perguntou ela, ansiosa. — Está verificando. — Caleb sorriu. — Tenho certeza de que logo vamos ter um carro aqui. — Ao menos ele esperava que fosse verdade. — Senhor, seu carro alugado será entregue à sua localidade até as 4h — disse Jason, soando como se tivesse realizado algo maravilhoso. 32


— Quatro! — Caleb verificou o relógio e balançou a cabeça. — Cinco horas é um tempo inaceitável, Jason. Mesmo se o carro vier de Albuquerque, ele não deveria levar mais que umas duas horas. — Desculpe, senhor — falou Jason, começando a parecer um disco arranhado. — As agências de Truth or Consequences e Socorro estão fechadas, a de Las Cruces está com todos os carros alugados no momento, e a de Albuquerque vai precisar chamar alguém para levar o carro até o senhor. Caleb olhou para Alyssa. Ela parecia desesperada. — Isso é o melhor que dá para fazer? — perguntou ele ao jovem. — Infelizmente, sim, senhor — respondeu Jason. — Se houver algo mais que possamos fazer, basta avisar. Caleb fechou o telefone ao se virar para Alyssa. — Acho que você já percebeu que não vamos a lugar algum antes das 4h. Parecendo mais pálida que alguns minutos antes, ela assentiu e foi até a porta do carona. — Acho que um de nós deve ser parente de Murphy. — Quem diabos é Murphy? — Não sei bem, mas a lei dele vem nos atormentando durante toda esta viagem — Ah, sim. Tudo que puder dar errado vai dar errado e no pior momento possível. — Ele a ajudou a entrar na picape. — Bem, podia ser pior. Ela o olhou como se ele tivesse enlouquecido. — Como podia ser pior? Ele sorriu. — O carro podia ter enguiçado antes de chegarmos à área de descanso. — Que consolo — disse ela, acomodando-se no banco. — Continuamos presos aqui. — Sim, mas ao menos estamos presos numa área de descanso com máquinas de lanches. Vou ver se tem água mineral. Quer? Ela assentiu. — Obrigada. Enquanto Caleb percorria a curta distância até a fileira de máquinas, Alyssa inspirou fundo algumas vezes. Quanta ansiedade uma mulher era capaz de suportar antes de ficar maluca? Já ficara suficientemente tensa com seu comportamento quando ele a beijara. Então, depois do telefonema do segurança, ela passara o resto da noite se revirando na cama enquanto pensava nas fofocas que deviam estar se alastrando como um incêndio. Agora ela precisaria passar outra noite na perturbadora presença de Caleb. Ao vê-lo pegar as garrafas de água e voltar para a picape, ela estremeceu. Ele ficava tão bem com a jaqueta esportiva, a camisa de botão e o jeans. Em alguns homens, essa combinação simplesmente não daria certo. Contudo, em Caleb, ficava indescritivelmente sexy. E ela precisava admitir que passar mais tempo com ele não era uma ideia desagradável. Ele não era apenas devastadoramente lindo; era inteligente, tinha uma boa conversa e um belo senso de humor. E, santo Deus, como beijava bem! 33


As bochechas dela se aqueceram, e ela precisou se forçar a respirar. Quanto mais tempo passava com Caleb, mais queria saber sobre ele, mais queria que a beijasse novamente. E aí estava o problema. Eles trabalhavam juntos! Ela não devia querer ter mais tempo para conhecê-lo melhor. E, sem dúvida, não devia querer beijá-lo. Sabia muito bem, por experiência própria, que se envolver com um colega de trabalho significa desastre com D maiúsculo. No entanto, a escolha lhe fora tirada. O destino interviera e assumira o comando; primeiro, com a confusão do quarto e, agora, com uma mangueira de radiador furada. Quando ele abriu a porta do motorista, entregou a ela duas garrafas de água e um pacote de biscoitos doces antes de tirar a jaqueta, arregaçar as mangas de sua camisa branca e se sentar ao volante, Alyssa perdeu o fôlego e concluiu que estava encrencada se bastava ver os antebraços nus dele para fazer seu íntimo vibrar. Entretanto, enquanto ele levantava as mangas, o movimento chamou atenção para o movimento dos músculos e fez a pulsação dela disparar. — Achei que você pudesse ficar com fome enquanto esperamos o carro chegar — disse ele. Ela olhou para o pacote de biscoitos. Era só um velho lanche de máquina, no entanto a consideração dele a tocou mais do que ela teria imaginado. Ninguém, nem mesmo o pai dela, nunca lhe demonstrara muita consideração. Alyssa sempre fora a nerd estudiosa que ficava praticamente invisível em qualquer lugar ou em qualquer companhia. Depois da morte de sua mãe, houvera até momentos em que ela suspeitara de que seu pai se esquecera de sua existência. — Obrigada — disse ela, mal conseguindo fazer as palavras vencerem o embargo em sua garganta. — Tudo bem com você? — Ele pôs o braço em torno dela e a puxou para o centro do banco. — Sei que ficarmos presos aqui é um incômodo, mas... — Estou bem. De verdade. — Querendo mudar de assunto antes que ela fizesse papel de idiota, Alyssa perguntou: — Acha mesmo que piqueniques e fazer os funcionários se aproximarem vai tornar a Skerritt e Crowe uma firma de consultoria mais eficiente? Ele assentiu. — Vou perguntar uma coisa. Quanto você sabe a respeito dos seus subordinados? Esforçando-se para pensar, ela balançou a cabeça. — Não muito. — Exatamente. — Girando no banco para ficar de frente para ela, Caleb se recostou na porta do motorista. — Você diria que Geena Phillips vem realizando todo o potencial dela ultimamente? Ela não precisou pensar muito. A mulher se atrasara diversas vezes nas últimas semanas. — Não. Ultimamente, ela tem parecido distraída, e tenho pensado em conversar com ela a respeito disso. — Não converse — disse ele, balançando a cabeça. — Uma conversa disciplinar só vai piorar o problema. 34


— Imagino que você saiba de algo que eu não sei. A boca dele se afinou numa séria linha. — Ela está sofrendo com enjoos matinais. É a primeira gravidez, ela não sabe para onde foi o pai do bebê e está morta de medo de não conseguir cuidar de tudo sozinha. Alyssa ficou chocada. — Eu não fazia ideia de que Geena estava passando por algo assim — Porque, no passado, a política da empresa era deixar sua vida particular do lado de fora ao entrar no escritório. — Ele balançou a cabeça. — Geena é uma boa contadora que está num momento difícil da vida. Ela precisa de nosso apoio e nossa garantia de que não vai perder o emprego de que precisa para se sustentar e sustentar o bebê. Esse tipo de incentivo de um patrão pode fazer muito para inspirar lealdade num funcionário, e também inspirá-los a se esforçar mais pela empresa. Alyssa conseguia ver a necessidade de uma mudança nessa área. — Vou falar com ela e dizer que ela pode chegar algumas horas atrasada até começar a se sentir melhor. Bocejando, ele assentiu, aprovando. — Agora, sim, você pensou do jeito certo. — As palavras mal tinham saído da boca dele, e Caleb já adormecera. Apoiando a cabeça no banco e tentando ficar confortável, Alyssa precisou admitir que a abordagem de Caleb aos negócios fazia muito sentido. De acordo com as regras não era necessariamente o melhor jeito de lidar com funcionários. No entanto, a ideia de permitir que os funcionários a conhecessem melhor ainda a deixava extremamente nervosa. Quanto mais alguém soubesse sobre você, mais essa pessoa poderia usar algo contra você. Ao menos essa era a filosofia que o pai dela sempre lhe ensinara. Alyssa suspirou. Se permanecesse na Skerritt e Crowe, ela precisaria, sem dúvida, acostumar-se a ser mais amistosa com as pessoas à sua volta.

Relutante em abrir os olhos e encerrar o sonho de ter dois fortes braços a segurá-la firmemente contra um largo peito masculino, Alyssa se enterrou ainda mais no abraço de seu amante no sonho. Era maravilhoso ser abraçada enquanto dormia, e ela queria desfrutar daquilo até onde pudesse, ainda que fosse apenas um sonho. — Bom dia. Os olhos de Alyssa se abriram imediatamente, e ela começou a se afastar. Céus, ela não estava sonhando! Estava deitada sobre um Caleb Walker muito real e que, no momento, parecia determinado a mantê-la bem ali. — S-sinto muito — gaguejou ela, tentando novamente se libertar do abraço dele. Caleb apertou os braços em torno dela, e a profunda risada abaixo da orelha de Alyssa vibrou até sua alma. — Não sinta. Eu não sinto. Você estava confortável, e achei melhor deixar você dormir. O coração dela deu um esquisito salto. 35


— Foi bondade sua pensar em mim — disse ela, ajeitando os óculos. Conseguiu pôr um pequeno espaço entre eles para olhar nos reluzentes olhos cor de mel dele. — Mas... — Querida, penso mais em você do que imagina. — Ele abriu para ela aquele sexy sorriso, que sempre fazia os dedos dos pés dela se curvarem, enquanto se aproximava, e apoiou a testa na de Alyssa. — Na verdade, você é tudo em que tenho pensado desde a noite de anteontem. Calafrios subiram e desceram pela espinha dela só de lembrar, mas o único jeito que ela encontrara para conseguir encará-lo fora dizer a si mesma que havia sido tudo um sonho. — Nada aconteceu — insistiu ela. Ele riu. — Então devo ter uma imaginação muito fértil, porque, depois daquele beijo, saí daquele quarto mais quente que o sol. Alyssa se sentiu como se seu coração tivesse parado por completo, e, mesmo que suas cordas vocais não tivessem ficado temporariamente paralisadas, ela não conseguiria pensar em nada para dizer. Recostando-se, ele a olhou durante vários segundos. — Quer saber de outra coisa? — E-eu não sei — disse ela, sentindo-se extremamente sufocada. — Quero fazer aquilo de novo. — Ele tirou os óculos dela e os pôs sobre o painel. — Quer que eu beije você outra vez, Alyssa? Hipnotizada pelo incrível olhar e pelo promissor sorriso, ela sequer hesitou. — Sim. Caleb soltou um e, depois, o outro grampo que prendia o cabelo dela. — Você tem um cabelo lindo. Devia deixá-lo solto mais vezes. — Sempre odiei meu cabelo — disse ela honestamente. — Por quê? — Passando os dedos por ele, Caleb pôs a mão na nuca de Alyssa e começou a puxá-la para si. — Parecem fios de seda. Incapaz de respirar, e muito menos de pensar, Alyssa fechou os olhos enquanto permitia que Caleb mordiscasse seus lábios e, em seguida, cobrisse-os com um beijo tão terno que a fez se sentir a mulher mais valiosa do mundo. O que havia de tão irresistível para ela naquele homem? Nunca tivera dificuldade para rejeitar avanços de outros homens. Contudo, quando Caleb a tocava, o pensamento racional parecia além da capacidade dela. Tudo que Alyssa queria era sentir aquele grande e rígido corpo pressionado ao dela, provar o desejo nos lábios dele e ouvir seu sexy sotaque sulista ao dizer o nome dela. No momento em que Caleb usou a ponta da língua para convencê-la a se abrir para ele, Alyssa concluiu que sua falta de força de vontade com relação a ele não importava. A verdade era que gostava da maneira como ele a fazia se sentir quando a beijava, e a última coisa que Alyssa queria era que ele parasse. Quando Caleb deslizou sua língua para dentro, Alyssa o encontrou num sensual jogo de avanço e recuo, e ele se sentiu como se seu coração lhe fosse perfurar o peito. Tentara dizer a si mesmo para deixá-la em paz, que Alyssa Jane Merrick era proibida 36


para ele. Para início de conversa, ela era uma mulher focada na carreira e, levando-se em consideração o passado dele com esse tipo de mulher, Caleb deveria estar fugindo loucamente dela. Além disso, ele dependia da experiência dela e dos outros gerentes da Skerritt e Crowe para manter a firma funcionando até que pudesse concluir alguns cursos empresariais. Não precisava de um envolvimento emocional acrescentado à mistura. Isso só complicaria as coisas e aumentaria a possibilidade de que um deles se magoasse. Porém, sendo algo sábio ou não, ele não fora capaz de resistir à tentação de abraçar o macio corpo dela contra o dele, de, mais uma vez, saborear seus perfeitos lábios. O dia anterior havia sido infernal para ele, a noite fora ainda pior, revivendo aquele beijo, e ele precisava saber se era tão fantástico quanto se lembrava. Quando Alyssa acariciou levemente a língua dele com a dela, a meiga e tímida reação o excitou com tamanha velocidade que o deixou tonto, e Caleb concluiu imediatamente que sua memória estava muito falha. Nunca, em todos os seus 30 anos, ele se sentira tão excitado apenas pelo beijo de uma mulher. Tirando lentamente a blusa da cintura da saia, ele deslizou a mão por baixo da seda bege. A pela lisa dela era como cetim na palma dele enquanto a deslizava até a parte inferior do seio. Envolvendo o monte macio, ele o acariciou delicadamente enquanto descia mordiscando até o pescoço dela. O pequeno gemido de prazer de Alyssa enviou uma nova onda de calor diretamente à virilha dele. Porém, quando Caleb percebeu que ela já desabotoara os primeiros botões da camisa dele e estava fazendo a própria exploração, o corpo dele se retesou com uma intensidade que o fez se remexer para aliviar a pressão do jeans, subitamente apertado demais. Saber que ela estava tão excitada quanto ele fez sua pulsação disparar. Naquele momento, ele a desejava mais do que desejava respirar. Queria deitá-la e descobrir todos os seus segredos. E queria compartilhar todos os dele com ela. — Ei, cara, arrumem um quarto. Olhando pelo para-brisa, Caleb percebeu um grupo de adolescentes sorridentes passando pela picape, indo até a central de informações. Droga! O momento não podia ter sido pior. O banco da frente da picape dele numa área de descanso com Deus e o mundo passando por ali não era exatamente um bom lugar para o tipo de exploração prazerosa que ele tinha em mente. Ele inspirou o oxigênio de que tanto necessitava ao arrumar a blusa de Alyssa. — Querida, tudo que eu queria era continuar beijando você e fazer muito mais. Se continuarmos, porém, alguém vai chamar a polícia. E não gosto muito da ideia de sermos presos por atentado ao pudor. Ela não fez nenhum comentário enquanto o olhava fixamente, mas a forte cor de suas bochechas indicava que, assim como ele, esquecera onde eles estavam — Já está de dia — disse ela, olhando em volta. — Que horas são? Olhando o relógio, ele balançou a cabeça para clareá-la. — Pouco mais de 8h. — Onde está o carro alugado? — Ela deslizou para o lado do carona. — Achei que ele fosse chegar às 4h. Caleb deu de ombros. 37


— Atrasaram. — Não diga. — Ela prendeu a blusa novamente na cintura da saia. — Você ligou para eles? — O motorista pensou que estivéssemos na área de descanso ao norte de Socorro. Quando não nos encontrou lá, voltou para Albuquerque, em vez de ligar e verificar onde estávamos. Caleb não acrescentou que não estava nem um pouco triste com o fato de o homem ser incompetente. Sendo algo sensato ou não, ele gostara de abraçá-la enquanto ela dormia. — Vão mandar outro carro? Ele balançou a cabeça. — Falei para eles não se darem o trabalho. — Você fez o quê?! — O mecânico de Truth or Consequences deve chegar a qualquer momento com uma mangueira de radiador nova. — Ele se espreguiçou para aliviar a tensão nos músculos. — Não vi necessidade de um carro, já que ele vai consertar a picape em menos de 15 minutos. — Acho que faz sentido. — Ela franziu o cenho. — Mas eu estava esperando que conseguíssemos voltar ao escritório bem antes de todos chegarem para trabalhar. Queria passar em casa para tomar um banho rápido e trocar de roupa. — Ela olhou para seu terninho amarrotado. — Estou péssima. — Não se preocupe com isso. Só vamos chegar lá no meio da manhã. — Ele abriu seu sorriso mais reconfortante para ela. — Todos vão estar ocupados, e você vai poder pegar seu carro sem que ninguém saiba. Ela pareceu mais do que um pouco na dúvida. — Espero que você tenha razão. Ele não disse isso a ela, mas também esperava loucamente que tivesse.

CAPÍTULO CINCO

Quando Caleb entrou com a picape em sua vaga reservada, Alyssa percebeu imediatamente que havia algo de errado com o carro dela. Em vez de estar nivelado, ele parecia inclinado para o lado. E lá se ia a ideia de uma fuga rápida antes que alguém do escritório visse a aparência desgrenhada dela. — Parece que o pneu está furado — comentou Caleb ao sair e abrir a porta do carona para ela. — Ótimo. Justamente o que eu queria fazer antes de ir para casa — disse ela, imaginando o que mais poderia dar errado. — Trocar um pneu. 38


Ele franziu o cenho. — Você mesma vai trocar? — Troco pneus desde que aprendi a dirigir. Meu pai insistiu. — Você não tem um serviço de socorro? — Não. Ele estendeu a mão. — Dê a chave aqui. — Obrigada, mas eu cuido disso — afirmou ela, tirando o paletó. — Não comigo aqui. — Ele pegou a chave dela e gesticulou para o edifício. — Por que não entra para fugir deste calor? Ela mordiscou o lábio inferior. A temperatura estava aumentando, mas ela também estava ficando mais apreensiva com a possibilidade de que alguém a visse. — Acho melhor não. Alyssa até conseguia imaginar os olhares se ela entrasse no escritório com aquela aparência. Suas roupas estavam amassadas por ela ter passado a noite na picape, e seu cabelo pendia pelas costas como um esfregão, pois Caleb perdera a maioria dos grampos quando ele o soltara do costumeiro coque. — Não seja boba. — Ele abriu o porta-malas do sedã dela. — Já deve estar fazendo mais de 30 graus e... — Não precisa ficar todo suado e sujo, Caleb — gritou Ernie Clay ao sair do edifício às pressas na direção deles. O segurança parou diante dos dois e, sorrindo, indicou o carro dela com um movimento de cabeça. — Clarence percebeu que o pneu da srta. Merrick estava furado e pediu para que eu chamasse meu cunhado. Ele tem uma oficina e um serviço de guincho e já deve estar chegando para cuidar disso. — Obrigado, Ernie. — Caleb pôs a mão na base das costas de Alyssa e começou a impeli-la rumo à entrada. — Estaremos em nossos escritórios. Avise depois que seu cunhado trocar o pneu. A última coisa que Alyssa queria era entrar no escritório com aquela aparência. Contudo, antes que ela tivesse oportunidade de protestar, Caleb a levou pela entrada do edifício, indo até os elevadores. Quando a porta do elevador se fechou, ela olhou para as próprias roupas. — Estou um completo desastre. Ele franziu o cenho. — Para mim, parece ótima. Ela balançou a cabeça. — Meu cabelo está solto, minha meia-calça está desfiada, e estou parecendo um panda por causa das manchas de rímel debaixo dos olhos. Tirando os óculos dela para observar melhor, ele balançou a cabeça. — Só em um ponto debaixo do seu olho esquerdo. O paletó de Alyssa caiu no chão quando ela foi pega desprevenida pelo inesperado toque dele, e ela apoiou as mãos no peito de Caleb para evitar cair quando o elevador 39


parou no andar deles. — Deixe que eu... As portas se abriram naquele exato instante, e, para o horror de Alyssa, Malcolm Fuller e todo o departamento de relações públicas a viram agarrada a Caleb, enquanto ele usava seu polegar para limpar delicadamente a pele sensível debaixo do olho dela. Pela expressão deles, Alyssa sabia exatamente o que estavam pensando. — Ora, olá — disse Malcolm, sequer se dando o trabalho de esconder seu sorriso de orelha a orelha. — Estamos saindo para nosso primeiro piquenique. Gostariam de ir conosco? — Não, obrigada — respondeu ela antes que Caleb pudesse metê-los em outra coisa que, sem dúvida, causaria ainda mais humilhação a ela. — Divirtam-se. As bochechas dela ardiam de vergonha quando pegou seu paletó e passou pelo grupo, indo diretamente para seu escritório. Não esperou para ver se Caleb a seguira, e também não se importava com o fato de ele ainda estar com seus óculos. Ela passara dois dias e meio totalmente enervantes com ele e precisava de um pouco de espaço. Ainda que seu pai fosse reprovar fortemente e, provavelmente, voltar para assombrá-la por tamanha covardia, tudo que Alyssa queria fazer era se esconder no escritório até que seu carro estivesse consertado. Depois disso, voltaria para casa, iria para a cama e dormiria durante todo o final de semana. Com sorte, quando acordasse na manhã de segunda, ela teria escapado do pesadelo no qual ficara presa na semana anterior. Entretanto, apesar de lamentar a perda de seu ambiente de trabalho bemordenado, Alyssa não tinha como negar que seu corpo ainda vibrava por causa do toque de Caleb. E a simples lembrança dos escaldantes beijos dele era suficiente para deixá-la desejando coisas que ela não devia querer.

Enquanto percorria o corredor rumo à sala de conferência para se reunir com um cliente, Alyssa finalmente começou a relaxar. Fazia uma semana desde que ela a Caleb haviam retornado da viagem a Roswell, e parecia que ele tinha razão com relação à fofoca morrer depois que eles contassem toda a história. Para seu imenso alívio, ela não ouvira sequer uma palavra sobre o fato de eles terem passado a noite juntos ou de terem sido pegos numa posição comprometedora no elevador. — Alguém os viu juntos desde sexta? — Alyssa ouviu alguém perguntar enquanto ela se aproximava da porta da sala de descanso. A voz sussurrada a fez parar imediatamente. — Não. Acho que devem estar tentando ser um pouco mais discretos com o caso deles. — A mulher riu. — Quero dizer, falando sério, ser pega no elevador daquele jeito e, depois, tentar nos convencer de que ele só estava vendo o olho dela? Será que ela acha que somos burras? Ouvi dizer que metade das roupas dela estava no chão do elevador, e que ela estava rasgando a camisa dele quando as portas se abriram. Um calafrio a percorreu. Alyssa quis gritar que elas estavam enganadas, que acontecera realmente como Caleb contara. Mas sabia que seria inútil. — Sabia que tem uma porta que liga os dois escritórios? — disse uma terceira voz. — Quem sabe quantas vezes durante o dia eles se reúnem para um pequeno tête-à-tête. 40


A risada que se seguiu à errônea afirmação deixou Alyssa nauseada. Sentindo-se como se seu mundo tivesse desmoronado, ela voltou para seu escritório. Já ouvira o suficiente para saber que sua reputação profissional na Skerritt e Crowe fora por água abaixo. — Por favor, ligue para Geena Phillips e peça para que ela se encontre com o sr. Holt na sala de conferência — disse ela, pondo o arquivo do cliente na mesa de Geneva. — Algo errado? — perguntou a mulher mais velha, a preocupação óbvia refletida no tom de sua voz. — Não parece que está se sentindo muito bem. — Não estou — respondeu Alyssa ao entrar no escritório e fechar a porta. Ela fora ingênua ao pensar que as pessoas não estavam falando dela e de Caleb. Como pudera ser tão idiota? Os funcionários não discutiriam suas ideias a respeito do assunto diante das duas pessoas envolvidas. Indo diretamente para sua mesa, ela se sentou diante do computador e começou a escrever seu pedido de demissão. Esperara ter outro emprego já de prontidão antes de se demitir, mas essa opção lhe fora tirada. Não havia como permanecer na Skerritt e Crowe agora. Ao fim daquele expediente, ela estaria desempregada. — Geneva me disse que você está passando mal — falou Caleb, entrando no escritório dela sem sequer bater na porta que o conectava ao dele. — Precisa ir ao médico? — Não. — Ela devia ter imaginado que a secretária deles correria para contar a Caleb suas preocupações. Geneva, a traidora, acolhera todas as ideias de Caleb e chamara para si a responsabilidade de mantê-lo informado sobre tudo que acontecia no escritório. — Tem certeza de que você está bem? — Ele franziu o cenho. — Parece pálida. Eu levo você. — Estou ótima. — Ela o olhou fixamente enquanto clicava no comando para imprimir sua carta de demissão. — Agora, pode sair, por favor? — Você está passando mal e está muito rabugenta. Mas está ótima? — Um compreensivo sorriso levantou subitamente os cantos da boca dele. — Aquela época do mês, não é? Irritada, ela levantou as mãos. — Por que os homens pensam automaticamente na TPM quando uma mulher quer ficar sozinha? Já lhe ocorreu que eu posso estar cansada e simplesmente queira um pouco de paz e tranquilidade? Em vez de voltar para seu escritório como ela pedira, Caleb se sentou numa das cadeiras diante da mesa de Alyssa. — Você ia falar de um plano de aposentadoria no qual passou a semana passada inteira trabalhando. Então, de repente, entrega o arquivo para Geena. Se não está doente, qual é o problema? E não me venha com essa história de paz e tranquilidade. O que está havendo? Sentindo-se subitamente cansada demais para discutir, ela retirou a carta de demissão da impressora, assinou e entregou a ele. — Acho que isto é autoexplicativo. Caleb leu rapidamente a carta e balançou a cabeça. 41


— Você não pode pedir demissão. Ela riu, sem nenhum humor. — Acabei de pedir. — Não vou aceitar. — Ele rasgou o papel ao meio, levantou-se e deu a volta na mesa para virar a cadeira dela para ele. Pondo as mãos nos braços da cadeira, ele a prendeu, e Alyssa não teve alternativa a não ser ouvi-lo. — Converse comigo, Alyssa. Diga o que fez você tomar essa decisão repentina de largar um emprego que eu sei que você ama. O rosto dele estava a poucos centímetros do dela, e Alyssa precisou de toda sua concentração para se lembrar do que ele dissera. — Você estava enganado — disse ela finalmente antes que conseguisse evitar. — Com relação a quê? Derrotada, ela se esforçava para manter a voz estável. — A fofoca sobre nós não morreu. Na verdade, surgiram mais especulações entre os funcionários. — Só isso? — Não é suficiente? — Não. O estômago de Caleb se revirava com um misto de raiva e desespero. Sabia que eles continuavam sendo o assunto preferido no escritório e, apesar de não estar feliz com isso, ele se esforçara para ignorar. Tentar esclarecer tudo novamente só pioraria as coisas. Infelizmente, aquela era apenas a ponta do iceberg. A possibilidade de que Alyssa fosse embora da firma era o que o deixava tenso. Caleb não se orgulhava de depender dela sem que ela soubesse, mas precisava do conhecimento dela para manter as coisas funcionando até que entendesse o que devia fazer. Porém, por mais importante que fosse a proficiência dela nos negócios, o verdadeiro motivo de o estômago dele estar girando como um misturador de cimento sempre que pensava na saída dela da Skerritt e Crowe era muito mais simples. Ele detestara admitir isso, até para si mesmo, mas simplesmente não queria ter que ir ao escritório sem que ela estivesse lá. Percebendo uma lágrima no canto de um dos grandes olhos azuis, ele tirou os óculos de Alyssa e a enxugou delicadamente. — Você ouviu alguém falando alguma coisa, querida? Ela assentiu. — De acordo com algumas pessoas, você e eu estamos fazendo a farra aqui. — Ela revirou os olhos. — Várias vezes por dia. Ele riu. — Sou bom, mas não sabia que era tanto assim. As bochechas dela assumiram um bonito tom de rosa. — Não tenho como saber disso. Mas sei que não tenho como supervisionar de forma eficaz se todos acham que estou dormindo com o chefe. 42


Levantando o queixo dela com o dedo indicador, ele a olhou durante vários segundos. Deus, ela era linda, e ele ficava arrasado por vê-la chateada daquele jeito. — Vai ficar tudo bem, Alyssa. Eu prometo. — Não sei como. Ela parecia tão deprimida que Caleb precisou de todas as suas forças para não tomá-la nos braços. Isso só aumentaria os boatos se alguém entrasse no escritório dela e os flagrasse. Enquanto continuava a olhá-la, uma ideia começou a se formar. Era suficientemente louca para dar certo. — Acho que tenho uma solução que vai fazer os linguarudos pararem e permitir que você fique com seu emprego aqui — disse ele, sorrindo. Ela pareceu duvidar. — Estou ouvindo. — Vamos satisfazer os boatos. Caleb riu quando ela o olhou como se ele tivesse um parafuso a menos. — Ficou louco? — Provavelmente. — Ele pegou as mãos dela e, fazendo com que Alyssa se levantasse, abraçou-a. — Meu avô costumava dizer que, às vezes, o único jeito de acabar com um incêndio é jogar querosene nele. — Em outras palavras, a insanidade é de família. Caleb sorriu. — Meu avô tinha mesmo suas peculiaridades, mas, na maior parte do tempo, a lógica dele fazia muito sentido. Se você jogar um pouco de combustível num incêndio, ele termina de queimar bem rápido e acaba. Se deixá-lo quieto, ele pode fumegar por um tempo e se acender novamente. — Gostaria de explicar o que isso tem a ver com nosso problema atual? — Para a satisfação de Caleb, ela envolveu a cintura dele com os braços e pareceu genuinamente interessada em ouvi-lo. — Se revelarmos tudo e contarmos a todos que estamos romanticamente envolvidos, não vai haver mais nada a ser especulado. — Ele parou quando pensou em algo. — Na verdade, a partir de agora, estamos noivos. Depois, daqui a algumas semanas, vamos anunciar que mudamos de ideia e resolvemos ser só amigos. — Agora, sim, tenho certeza de que você pirou. — Afastando-se, ela balançou a cabeça. — Isso nunca daria certo. — Claro que daria. E quanto antes dermos nossa grande notícia, mais rapidamente voltaremos ao normal. — Dando um rápido beijo nela, ele esticou a mão para apertar um botão do interfone. Não esperaria que ela pensasse em outro argumento para mostrar por que o plano dele era falho. — Geneva, convoque uma reunião obrigatória para todos os funcionários para as 14h, no saguão do primeiro andar. — É para já — respondeu a secretária. — Mais alguma coisa? — Não. Só isso. Obrigado, Geneva. — Voltando-se novamente para Alyssa, ele sorriu. Ela estava novamente com aquela expressão do veado flagrado pelos faróis. — 43


Relaxe. Daqui a uma hora, vamos fazer nosso grande comunicado, e o problema vai acabar. Ela afundou na cadeira como se seus joelhos não a aguentassem mais. — Ou apenas começar. — Confie em mim, querida. Um noivado é exatamente o que o médico receitaria para cuidar desse probleminha. Ela suspirou. — Que médico? Kevorkian? Rindo, ele voltou para seu escritório. — Não perca esse senso de humor, que tudo dará certo. Você vai ver. Quando fechou a porta, Caleb foi olhar pela janela atrás de sua mesa. Um noivado falso? O que diabos ele estava pensando? Porém, quando Alyssa se conformara, ele sentira um imenso alívio. E não fora totalmente porque ele precisava que ela ficasse na firma e mantivesse as coisas funcionando enquanto ele frequentava suas aulas. A verdade era que não queria que Alyssa fosse embora porque tinha desenvolvido uma quedinha por ela, algo que parecia inevitável. Nem mesmo lembrar a si mesmo de seu triste histórico com uma mulher focada na carreira reduzira a atração exercida por Alyssa. Desde a viagem a Roswell na semana anterior, tudo em que ele fora capaz de pensar era na maciez e na doçura de Alyssa enquanto ela dormia e na sensação de abraçá-la. Ele inspirou fundo e balançou a cabeça num esforço para limpá-la. Se eles iam convencer os funcionários da Skerritt e Crowe de que estavam loucos um pelo outro, aquilo precisaria ser bem-planejado. Um lento sorriso se espalhou pelo rosto de Caleb. Eles tinham um final de semana inteiro para tramar, e ele conhecia o lugar perfeito para a reunião de definição de estratégia. Agora, tudo que precisava fazer era convencer Alyssa a ir com ele.

— Isso nunca vai dar certo, Caleb — disse Alyssa enquanto saíam do escritório dela para o corredor deserto. — É só me acompanhar e agir como se estivesse mais feliz do que nunca. — Ele esperou que ela entrasse no elevador. — Eu cuido do resto. Pegou sua bolsa? Ela assentiu. — Mas não entendo por que você acha que preciso dela. — Você vai ver. O sorriso dele dizia que tinha uma carta na manga, mas Alyssa não tinha tempo para pensar no que poderia ser. O que estava prestes a acontecer era prioridade em seus pensamentos e a fazia perguntar a si mesma se os dois não teriam enlouquecido. Dali a poucos segundos, a porta do elevador se abriria, e eles contariam a todos os funcionários da Skerritt e Crowe que estavam noivos. Quando o elevador parou no térreo, Caleb sorriu e pegou a mão dela. — Pronta? 44


— Não. — Sorria — sussurrou ele quando a porta se abriu. Ao sair do elevador, Alyssa apostaria qualquer coisa que, em vez de parecer delirantemente feliz, parecia que estava prestes a vomitar. A sensação de náusea se intensificou quando ela viu vários de seus colegas trocando olhares cientes. — Desde nossa viagem a Roswell na semana passada, houve muita especulação a respeito da natureza do relacionamento entre mim e A. J. — disse Caleb, indo diretamente ao assunto. — Foi por isso que chamei todos vocês aqui. Queremos acabar com a especulação e esclarecer tudo de uma vez por todas. Não havia mais volta. Alyssa inspirou fundo e fixou o olhar em Caleb. Não sabia ao certo se conseguiria aguentar os próximos minutos se tivesse que olhar para outra pessoa. — Sim, existe algo acontecendo entre mim e A. J. Merrick. — O coração dela palpitou várias vezes quando ele a olhou e sorriu. — Gostaria de anunciar que, nesta tarde, Alyssa e eu ficamos noivos. Um perplexo silêncio reinou durante vários segundos antes que a multidão explodisse subitamente em entusiasmados aplausos. Contudo, quando Caleb a puxou para si e a beijou como um soldado retornando da guerra, a vibração foi tão barulhenta que quase a deixou surda. Quando ele levantou a cabeça, comunicou: — Alyssa e eu vamos passar o final de semana fora da cidade. Então, não tentem telefonar para nós. Vamos estar ocupados fazendo... — A pausa e o sugestivo sorriso dele causaram vários sorrisos. — Planos para o casamento — completou ele. Apontou para Malcolm. — Você está no comando até voltarmos na segunda. O beijo e o anúncio de Caleb de que viajariam juntos a tinham pegado de surpresa, mas ele a deixou ainda mais chocada quando a ergueu nos braços e a carregou para fora do edifício para as explosivas vibrações e aplausos dos funcionários. Sem conseguir encontrar sua voz e sem saber o que mais fazer, ela pôs os braços em torno dos ombros dele e se agarrou com toda a força. — O que diabos... por tudo que é mais sagrado... o que você pensa que está fazendo? — conseguiu finalmente guinchar Alyssa enquanto ele atravessava o estacionamento rumo à picape. Caleb riu. — Estou levando você embora como qualquer cavaleiro branco que se preze faria ao conquistar a mão de sua bela donzela. — Não acha que está levando a farsa um pouco longe demais? — perguntou ela quando ele abriu a porta da picape e a pôs no banco da frente. Quando Alyssa começou a se mover para o lado do carona, ele se postou ao volante e a puxou para si. — Para isso funcionar, vamos ter que parecer que somos loucos um pelo outro, certo? — Sim, mas. — Não acha que todos esperariam que passássemos algum tempo juntos longe do 45


escritório? — perguntou ele, dando a partida na picape e saindo de ré da vaga. — Especialmente depois de ficarmos noivos? Ela suspirou. — Certo, já me convenceu. Ele abriu para Alyssa um sorriso que fez os dedos dos pés dela se dobrarem dentro dos sapatos pretos. — Vamos passar no seu apartamento para você juntar algumas roupas. Depois, vamos para a minha casa para passarmos o fim de semana escondidos. Sentindo-se como se sua vida estivesse escapando de seu controle sem esperança de ser recuperada, ela arfou. — Como é? Quando foi que esse fiasco chegou ao ponto de eu ficar de verdade com você? Ao sair com a picape para a rua, indo na direção do apartamento dela, Caleb balançou a cabeça. — Pense só, Alyssa. Ed Bentley mora no mesmo prédio que fica na frente do seu. Mesmo se você passasse todo o final de semana dentro de casa, ele perceberia as luzes se acendendo e se apagando e saberia que você está em casa. — Ele a olhou determinadamente. — O sucesso de nosso plano depende disso, querida. As têmporas dela começaram a latejar, e seu estômago parecia cheio de pedras. — Por que fui deixar você me convencer a fazer isso? — Porque os boatos e as fofocas estavam afetando você. — Ele pegou a mão dela e a apertou delicadamente. — Além do mais, precisamos traçar um plano de como vamos desenvolver nosso noivado e o eventual rompimento. Tudo que ele dizia fazia perfeito sentido, mas isso pouco aliviava a apreensão que cresceu dentro de Alyssa quando a picape entrou no complexo de edifícios dela. Alyssa sequer sabia onde ele morava. Como se tivesse lido a mente dela, Caleb sorriu. — Não se esqueça de levar um casaco. Faz frio à noite. — Você mora nas montanhas? — Por algum motivo, ela não estava surpresa. — Sim. A cerca de 30 quilômetros daqui — disse ele, estacionando diante do prédio dela. Caleb deu de ombros. — Nunca fui uma pessoa muito urbana. Alyssa inspirou fundo. — Vou fazer as malas do jeito adequado. — Quando ele começou a sair da picape, ela balançou a cabeça. — Se não se importa, eu gostaria de alguns minutos para recompor meus pensamentos. Ele a olhou fixamente durante um momento antes de assentir. — Não se esqueça de levar roupa de banho. Tenho uma hidromassagem e uma piscina. Ao entrar em seu pequeno apartamento, Alyssa não sabia se ria ou se chorava. Por que diabos permitira que ele a convencesse a fazer um esquema tão ridículo? Entretanto, ao terminar de pôr as roupas em sua pequena mala e, em seguida, pedir à sra. Rogers para cuidar de seu periquito, Alyssa soube exatamente por que aceitara o plano de Caleb. Ela simplesmente não queria largar a Skerritt e Crowe para 46


encontrar um emprego em outro lugar. Outras firmas financeiras podiam oferecer as mesmas oportunidades de trabalhar com o que ela adorava, mas havia uma coisa que elas não tinham: um lindo diretor executivo com olhos cor de mel, um sorriso pecaminosamente sexy e beijos que a transformavam em manteiga derretida.

CAPÍTULO SEIS

Abrindo o portão de ferro forjado, Caleb se perguntou o que estaria passando pela linda cabeça de Alyssa enquanto ele a levava pelo pátio até a porta principal. À medida que se afastavam da cidade, ela ficara mais silenciosa. — Se estiver preocupada com como vamos dormir, não fique — disse ele quando entraram na casa. Baixou a pequena mala dela para digitar o código de desativação do sistema de segurança. — Tem três quartos extras. Você pode escolher. — Eu não tinha pensado em onde dormiria. — Quando ele se virou para ela, Alyssa abriu um tímido sorriso. — Estava calculando mentalmente quanto custam casas de estuque e qual o investimento potencial em imóveis deste lado das Montanhas Sandia. Imagino que o valor deva aumentar bem rápido, já que esta área parece estar crescendo muito. Caleb riu ao pegar a mala de Alyssa. — Uma vez contadora, sempre contadora. — Algo assim. — Ela o olhou de forma estranha. — Com seu histórico empresarial, você não considerou isso quando se mudou para cá? — Na verdade, não. — Ele não lhe diria que a casa lhe fora dada quando ele aceitara a proposta de Emerald para assumir a firma, nem que seu histórico empresarial começara duas semanas antes, quando ele entrara na Skerritt e Crowe. — Eu estava mais interessado no fato de que a casa é bem reservada e tem vários acres de terra. Ela pareceu aceitar a explicação dele, e, suspirando de alívio, ele a seguiu para o salão. Contudo, seu coração quase abriu um buraco no peito quando ela parou para olhar um retrato de uma Emerald Larson de meia-idade e seu infame filho playboy, Owen. O falecido pai de Caleb. — São seus parentes? — perguntou ela, sorrindo. A foto tinha ao menos 25 anos, e parecia que Alyssa não reconhecera a dupla. Com sorte, não reconheceria. — São a minha avó e o meu pai — disse ele cautelosamente. Olhando-o fixamente por um momento, ela assentiu. — Tem uma forte semelhança familiar. Ele pôs a mão na base das costas dela para impeli-la rumo aos quartos antes que Alyssa tivesse oportunidade de analisar mais atentamente a foto e percebesse quem 47


eram aquelas pessoas. Ele não mentira até então e não começaria agora. Se ela reconhecesse os Larson, Caleb precisaria admitir ser um dos herdeiros do conglomerado Emerald, Inc. Mas ela não reconhecera. E, ainda que omitir fatos fosse algo do qual ele não se orgulhava, ser totalmente desonesto estava fora de questão. Simplesmente não fazia seu estilo. — Fique à vontade para olhar os outros dois quartos e decidir qual você quer — disse ele, abrindo a porta do quarto mais perto do seu. O cômodo fora feito em amarelo e verde e parecia um pouco mais feminino que os outros dois quartos. — Todos têm banheiro particular, mas este é o único, além da suíte principal, que tem uma área de estar. — Está ótimo — falou ela, olhando à volta. Foi até as portas duplas do outro lado do cômodo para olhar o pátio e a piscina. — É uma área adorável, e a sua casa é linda, Caleb. Você deve adorar morar aqui. — Obrigado. — Ele pôs a mala de Alyssa na beira da cama e se posicionou atrás dela. — A paisagem aqui é muito diferente da do Tennessee, mas estou me acostumando. — Ele não queria contar que era algo completamente diferente da humilde casa de campo na qual ele fora criado ou que estava tendo sérias dificuldades para considerá-la dele, ainda que a casa tivesse sido passada para seu nome quando aceitara a proposta de Emerald. — Queria saber mais sobre onde você morava — disse ela, soando melancólica. — Nunca fui ao leste do Mississippi, mas ouvi dizer que os estados do sul são muito bonitos. — São, sim. Lá em casa, quando olho as montanhas, estou acostumado a vê-las cobertas de árvores, e tudo é verde. Aqui é igualmente bonito, mas de um jeito diferente. Não há tantas árvores, e tudo tem tons de bege, marrom ou laranja. — Sem pensar, ele deslizou os braços em torno da cintura dela e puxou as costas de Alyssa contra si. — Vou ter que levar você para conhecer as montanhas do leste algum dia. Caleb a ouviu inspirar levemente um instante antes de se virar para ele. — Caleb, o que estamos fazendo? Olhando-a fixamente, ele se perguntou a mesma coisa. Ela era do tipo de mulher do qual ele jurara ficar longe. Entretanto, havia algo em Alyssa Jane Merrick que era irresistível para ele. Caleb queria mostrar a ela o lugar onde crescera, queria que ela soubesse quem ele era e o que o moldara para ser o homem que era, e queria saber tudo sobre ela. E isso o deixava morto de medo. Com uma repentina necessidade de pôr algum espaço entre eles para tentar entender o que diabos dera nele, Caleb beijou a testa dela e, soltando-a, foi para a porta. — Enquanto você guarda suas coisas e se lava, vou ver o que consigo preparar para o jantar. Enquanto Alyssa o observava saindo do quarto, ela suspirou pesadamente. Não deixara de perceber que ele evitara responder à pergunta dela. Estaria tão confuso quanto ela com o que acontecia entre eles? O que estava acontecendo entre eles? Sem dúvida, ela não era uma especialista em assuntos do coração, mas estava claro que havia algo que os atraía. Mal conseguiam ficar no mesmo recinto durante mais de cinco minutos sem um se jogar nos braços do outro. O que havia em Caleb Walker que a fazia esquecer a lição aprendida cinco anos 48


antes, nas mãos de um homem exatamente igual a ele? Alyssa não sofrera humilhação suficiente ao descobrir que homens usavam mulheres para atingir seus próprios objetivos ou avançar na carreira? Sentando-se na beira da cama, ela pensou em Wesley Pennington III, o homem que lhe ensinara quão implacável poderia ser o mundo dos negócios e até onde alguns homens estavam dispostos a ir para se darem bem. Lindo e charmoso, Wesley a deixara nas nuvens cerca de um ano depois de ambos terem começado a trabalhar no prestigiado grupo financeiro Carson, Gottlieb e Howell. E até o fim do relacionamento de seis semanas, ela não tivera ideia de que ele a vinha usando para conseguir informações sobre um possível cliente. No entanto, quando ela comparou mentalmente Caleb a Wesley, o canalha, precisou admitir que havia poucas semelhanças, se é que havia alguma. Wesley não apareceria de jeans e botas, e também não teria escolhido morar numa casa reclusa numa tranquila área rural em vez de em seu ultramoderno apartamento na cidade. E isso era só o início das diferenças. Wesley era exageradamente sofisticado e tendia a agir com superioridade com todos que estivessem abaixo dele na hierarquia corporativa. Caleb, contudo, não era nada assim. Sua personalidade casual e sensata deixava todos imediatamente relaxados, e ele não só tratava como iguais aqueles que trabalhavam para ele, mas também parecia se importar genuinamente com eles. Isso era algo que ela sabia muito bem que estava além da capacidade de Wesley. Ele não se importava com ninguém além de si mesmo, e não pensava duas vezes antes de esmagar aqueles que representavam uma ameaça ou que se punham entre ele e suas altas ambições. Não pensara duas vezes antes de usar o afeto dela para obter informações que o tinham levado a conseguir uma cobiçada conta corporativa e, por fim, a promoção que devia ter sido dela por direito. Quando o confrontara dizendo aquilo, ele admitira prontamente que só começara a sair com ela para conseguir avançar na carreira. Contudo, o golpe mais devastador viera quando ela ouviu os colegas de trabalho fofocando. Fora quando concluíra que não tinha alternativa a não ser procurar outro emprego e acabara encontrando seu cargo atual na Skerritt e Crowe. Mas Alyssa tinha certeza de que Caleb jamais se rebaixaria a fazer aquilo, jamais assumiria crédito pelas realizações dela ou de outras pessoas, mesmo se ele não fosse o chefe da Skerritt e Crowe. E também não a humilharia publicamente. Pelo contrário. Inventara um noivado falso e a fizera passar um final de semana com ele porque estava tentando acabar com os boatos e com as fofocas que a magoavam. Suspirando, ela pôs o restante de suas roupas na gaveta da cômoda e vestiu um short folgado e uma camiseta. Tentara de todos os jeitos não gostar de Caleb. A verdade, no entanto, era que confiava nele mais do que confiara em qualquer pessoa fazia um longo tempo. E, sendo isso algo inteligente ou não, seria melhor que ela admitisse logo: se ainda não tivesse se apaixonado por ele, estava prestes a se apaixonar.

— Obrigada pelo jantar delicioso. Você é um ótimo cozinheiro. — Na verdade, não. — Caleb sorriu. — Jogar algo na grelha e assar alguns legumes é basicamente tudo que sei fazer, além de fritar bacon e preparar ovos mexidos. — Eu achei ótimo. — O doce sorriso dela pregou peças nos sentidos dele. — E estou feliz por você ter sugerido comermos aqui no pátio. — Ele a viu olhar para além da 49


piscina, para o vale lá embaixo. — A vista é absolutamente deslumbrante. Caleb concordava plenamente; a vista era linda. Ele, porém, não estava olhando para os cedros e nem para o vale. A mulher sentada à mesa com ele era muito mais bela que qualquer coisa que já tivesse visto. Levantando-se antes que fizesse algo idiota, como tomá-la nos braços e beijá-la até enlouquecê-la, Caleb juntou os pratos. — Gosto de ficar sentado aqui fora depois que o sol se põe. A não ser pelo ocasional coiote uivando, é bem tranquilo. — Eu ajudo — disse ela, ficando de pé. Ele balançou a cabeça. — Eu cuido da limpeza. — Não é justo — protestou ela. — Você cozinhou. Eu devia tirar a mesa. Ele começou a ir na direção da casa com os pratos. — Enquanto faço isso, por que não vai se trocar? Não sei de você, mas um tempo na hidromassagem antes de dormir me faria bem. — Parece maravilhoso, mas você tem certeza de que não posso ajudar primeiro? Ela o seguiu até a cozinha. Inspirando fundo, Caleb balançou a cabeça. Estava prestes a beijá-la até que os dois precisassem de ressuscitação cardiorrespiratória ou a levá-la para seu quarto e fazer amor com ela durante o resto da noite. Contudo, não podia contar isso a Alyssa. Provavelmente, ela lhe acertaria com um soco e, em seguida, fugiria às pressas de volta para Albuquerque. — Vou só pôr estes pratos na lavadora e encontro você na hidromassagem daqui a dez minutos — disse ele, surpreso por sua voz soar consideravelmente estável. Levandose em consideração seu estado mental e as mudanças pelas quais seu corpo estava passando naquele momento, Caleb considerava um milagre ser capaz de falar. — Certo. — Ela abriu para ele um sorriso que fez sua pressão sanguínea disparar. — Mas vou preparar o café amanhã de manhã. — Temos um acordo, querida. — Ele concordaria com praticamente qualquer coisa, contanto que ela saísse dali e o deixasse controlar sua libido desvairada. Entretanto, enquanto ele via Alyssa se afastar, o coração de Caleb doeu, e seu corpo se contraiu com tamanha velocidade que o deixou tonto. Apesar de o short cáqui e a camiseta cor-de-rosa parecerem grandes demais, não conseguiam disfarçar o sexy balanço dos belos quadris e nem o fato de que as pernas longas e esbeltas pareciam ser capazes de se enroscar em um homem e levá-lo ao paraíso. Caleb fechou os olhos e se obrigou a respirar. O que diabos estivera pensando ao sugerir que eles fossem para a hidromassagem? Se apenas vê-la andar o deixava rígido, o que aconteceria quando ele a visse de roupa de banho? A imagem mental fez os joelhos dele perderem a força e o suor surgir em sua testa e em seu lábio superior. Apoiando-se na bancada da cozinha, ele grunhiu. Como conseguiria não tocá-la nos próximos dois dias? Quando o telefone tocou, ele se sentiu agradecido pela interrupção de seus pensamentos. — Obrigado. — Não há de quê. Agora, quer me dizer o que eu fiz? 50


— Oi, Hunter. — Quando ele e seus irmãos haviam descoberto a existência uns dos outros, tinham feito um tácito acordo para manter contato. E Caleb se sentia feliz com o vínculo que eles estavam criando. — Por que atendeu o telefone daquele jeito? — Só estava pensando em voz alta — disse Caleb, torcendo para que o mais velho de seus irmãos esquecesse seu deslize. — Como vai o mundo financeiro? Algum conselho sobre como posso transformar minha conta de poupança numa fortuna? — Se você quer ganhar dinheiro, o melhor conselho que posso dar neste momento é deixá-lo onde está — disse Caleb secamente. Hunter zombou daquilo: — Você parece tão autoconfiante com esses negócios de finança quanto eu me sinto administrando um serviço de ambulâncias. Caleb sorriu. — Como vai o curso de paramédico? Houve uma pausa antes que Hunter finalmente respondesse. — Estou frequentando aquelas aulas há quase duas semanas e ainda fico tonto toda vez que vejo uma agulha. — Ao menos você parou de desmaiar quando vê uma — falou Caleb, rindo. — Por pouco. — Claramente querendo mudar de assunto, Hunter perguntou: — Você vai à festa de aniversário de Emerald no fim do mês? Foi a vez de Caleb zombar. — Acho que ela não nos deu muita escolha. O convite mais parecia uma convocação que um pedido para ajudá-la na comemoração dos 76 anos. — Exatamente como o que eu recebi. — Hunter riu sem humor. — Eu sabia que a velhota ia segurar nossas rédeas sempre que pudesse. — Tem falado com Nick? — perguntou Caleb. — Ele me ligou ontem à noite e sugeriu que todos nos encontrássemos para uma cerveja antes de irmos à festa de Emerald. — É uma boa ideia. — Caleb riu. — Talvez, se eu estiver um pouco alegre, isso torne a noite mais tolerável. — Gosto do seu jeito de pensar. Concluindo os planos de se encontrarem antes da festa, Caleb desligou e foi para seu quarto se trocar. Estava ansioso por ver Nick e Hunter novamente. E sua única tristeza por ter descoberto que tinha dois irmãos era o fato de não saber da existência deles antes. No entanto, ele não tinha mesmo do que reclamar. Tivera uma ótima infância com o amor e a orientação de seus avós maternos e uma mãe que se dedicara totalmente a criá-lo da forma certa. Ele perguntara sobre seu pai algumas vezes, mas sua mãe apenas sorrira e lhe dissera para ser paciente, que, um dia, ele saberia a respeito do homem. Depois de um tempo, Caleb havia desistido de perguntar e, se sentira falta de um pai, nem conseguia se lembrar disso. Seu avô lhe ensinara tudo que ele precisara saber, desde como prender uma isca num anzol até o que significava ser um homem bom e 51


honesto. Contudo, ao vestir um calção de ginástica, ele concluiu que não sentira falta de conhecer sua manipuladora avó paterna. Independentemente do que ela dissera sobre não se intrometer na vida deles e nem na forma como eles administrariam as empresas que ela lhes dera, Caleb tinha a sensação de que todas as ações deles estavam sendo vigiadas por ela, que não teria o menor pudor em se apresentar para assumir o comando se achasse que devia fazer isso. Entretanto, quando Caleb abriu as portas duplas para sair para o pátio e avistou Alyssa ao lado da banheira de hidromassagem, seus sentimentos por Emerald Larson foram rapidamente esquecidos. Droga, como Alyssa era linda. Seu maiô preto aderia ao corpo e ressaltava todas as curvas com as quais ele vinha fantasiando desde que entrara no escritório dela no dia em que chegara para assumir o comando da firma financeira. Ele engoliu em seco. Tivera razão a respeito das pernas dela. Eram longas, lisas e perfeitas para segurar um homem enquanto fazia amor com ela. — Desculpe. — Indo até ela, ele precisou pigarrear. — Demorei mais do que eu esperava. Um dos meus irmãos ligou. — Eu ouvi o telefone tocando. — Ela sorriu melancolicamente. — Deve ser legal ter irmãos. — Você é filha única? — Ele não estava pronto para contar a ela que, menos de um mês antes, nem mesmo sabia que seus irmãos existiam. Assentindo, ela tirou os óculos e, pondo-os sobre uma cadeira, começou a subir os degraus para entrar na banheira. — Sempre quis um irmão ou irmã com quem compartilhar as lembranças, mas não era o meu destino. Caleb pegou o braço de Alyssa para ajudá-la a se equilibrar ao entrar na água borbulhante. Contudo, no instante em que seus dedos tocaram aquela pele de cetim, uma descarga elétrica subiu pelo braço dele e explodiu em seu abdômen. Entrando na hidromassagem com pernas trêmulas, ele se sentou ao lado dela e tentou pensar no que estavam conversando. — Eu... hã... não tenho estado muito próximo dos meus dois irmãos. — Tem uma diferença grande de idade entre vocês? — perguntou ela, soando genuinamente interessada. — Não, temos praticamente a mesma idade. — Ele sabia que estava andando na corda bamba, mas queria ser o mais verdadeiro possível com ela. — Temos o mesmo pai, mas mães diferentes. Concluindo que era hora de mudar de assunto antes que ele revelasse mais do que pretendia, Caleb sorriu. — Pode me responder uma coisa, Alyssa? — Depende da pergunta e de se vou saber a resposta — disse ela, parecendo um pouco apreensiva. — Por que você usa suas iniciais no trabalho, em vez do seu nome? — Ele quisera saber a resposta desde que analisara o arquivo dela. — Ele é muito bonito. — Assim como você. Ela deu de ombros. 52


— Meu pai sempre me chamou assim. Acho que era o jeito que ele tinha de fingir que eu era o filho que ele sempre quis, mas nunca teve. Estendendo a mão, Caleb percorreu a face de porcelana dela com o dedo indicador. Independentemente das dificuldades que ele poderia enfrentar, não conseguia parar de tocá-la. — Tenho certeza de que ele a ama mais do que você imagina, querida. Ela permaneceu em silêncio durante vários longos momentos antes de assentir. — Acho que era possível que ele tivesse gostado de mim, mas isso é algo que jamais vou saber. Ele morreu numa missão no Oriente Médio durante meu terceiro ano da faculdade. Caleb se sentiu um completo idiota por ter trazido à tona um assunto obviamente doloroso para ela. Sem pensar duas vezes, ele a pôs no colo e deu o melhor de si para ignorar a sensação de ter o belo traseiro dela pressionado contra seu corpo, que enrijecia rapidamente. Ela o olhou fixamente durante longos segundos. — Caleb, isto não é uma boa ideia. — Quieta. — Aninhando-a contra o peito, ele a abraçou enquanto a água borbulhava ao redor deles. Tentou dizer a si mesmo que estava oferecendo conforto a ela, mas a verdade era que a sensação de tê-la nos braços parecia tão certa que ele não conseguia soltá-la. — Desculpe, Alyssa. Não quis ser enxerido. — Tudo bem. — Ele a sentiu começar a relaxar contra ele. — Nunca tive nenhuma ilusão com relação a isso. Meu pai e eu não tínhamos um bom relacionamento. Ele beijou a têmpora dela. — E a sua mãe? Vocês são próximas? — Mamãe morreu quando eu tinha 8 anos. — Ela suspirou. — Foi quando comecei a frequentar um internato para meninas. — Seu pai mandou você para um internato? — A raiva ardeu no interior dele. Como Merrick poderia ter feito aquilo com sua única filha? Caleb mal conseguia imaginar como ela devia ter se sentido solitária e assustada. Naquele momento, ele desprezou o homem por abandoná-la quando ela mais precisara dele. — Na verdade, ele não teve muita escolha — disse ela levemente. — Ele era fuzileiro naval e nunca sabia quando a equipe dele seria enviada numa missão. — Você não podia ter ficado com um parente? Caleb perguntou a si mesmo por que os avós dela não tinham se oferecido para acolhê-la. Os avós jamais teriam dado as costas a um neto. Eles tinham apoiado a mãe dele quando ela se vira grávida e sozinha, e a haviam ajudado a criá-lo. Alyssa balançou a cabeça. — Nunca conheci meus avós. Meu pai foi criado em lares provisórios e meus avós maternos não o consideravam bom o suficiente para a única filha deles. Quando minha mãe fugiu com ele na noite do baile de formatura, os pais dela basicamente a deserdaram. Alyssa não fazia ideia de por que estava contando a Caleb sobre sua família ou, mais precisamente, sobre o fato de ela não ter uma. Normalmente, ela não compartilhava com ninguém detalhes sobre si mesma. Mas era fácil conversar com ele, e a compaixão 53


de Caleb fazia com que ela se sentisse relaxada e livre para discutir aquilo pela primeira vez em anos. — E você? — perguntou ela, gostando da sensação do peito nu dele contra seu braço. — Como foi sua infância? — Foi bem comum — disse ele, dando de ombros. — Cresci numa fazenda na região central do Tennessee... — Se você não tivesse me dito que era do sul, eu nunca saberia — disse ela secamente. Caleb riu. — Você pode tirar o menino do sul, mas não pode tirar o sotaque do sul do menino. — Algo assim — disse ela, rindo. Querendo saber mais sobre a infância dele, perguntou: — Como foi ser criado numa fazenda? — Acho que basicamente igual a ser criado em qualquer outro lugar. Eu fazia a maioria das coisas que as outras crianças da minha idade faziam. Jogava beisebol, ajudava meu avô na fazenda e ia mergulhar sem roupa no riacho sempre que podia. — O malicioso sorriso fez Alyssa ter um calafrio. — Ainda faço isso. O íntimo dela estremeceu. — Você nada nu? Ele assentiu. — Nem tenho sunga. O único motivo de eu estar usando short de ginástica é para proteger sua fraca sensibilidade. Repentinamente, ela sentiu um calor a percorrer, algo que nada tinha a ver com o fato de estar numa banheira quente. — Nunca nadei sem roupa. O sorriso dele fez a água parecer ter aumentado uns 10 graus. — Devia experimentar uma vez. Ela nunca fora boa em conversas sensuais e, incapaz de pensar numa boa resposta, perguntou: — Onde você estudou? Os músculos dele se contraíram levemente antes de ele responder. — Nada de colégios particulares para mim. Estudei em públicos. — Universidade também? — Não existe nenhum time como os Vols da University of Tennessee. — Vols? — É o apelido dos Voluntários — disse ele, sorrindo. Puxou-a para perto. — Mas não quero discutir colégios e equipes de esportes no momento. — Ele roçou os lábios sobre os dela enquanto deslizava o dedo por baixo de uma das alças do maiô. — Você tem ideia de como fica bonita com este maiô preto? Ela ignorara propositalmente o fato de ainda estar sentada no colo dele, mas, de repente, várias coisas se tornaram bastante aparentes. Estavam sozinhos numa semiescuridão; os corpos, escorregadios da água, estavam pressionados juntos, e as musculosas coxas dele debaixo do traseiro dela não eram as únicas coisas que estavam 54


rígidas. Os olhos de Alyssa se arregalaram, e uma carga de desejo a preencheu. — Acho que... vou trocar de lugar. — Gosto de onde exatamente está. — Com um dos braços em torno da cintura de Alyssa, ele a segurou ali ao deslizar a mão do ombro dela para o braço, levando junto a alça da roupa de banho. — Sua pele parece seda, Alyssa. Sentindo um desejo ardente, ela fechou os olhos e suspirou. — Isto é loucura. — Quer que eu pare? — perguntou ele, a voz tão baixa e íntima que a deixou arrepiada. Que Deus a ajudasse, mas ela não queria que Caleb parasse. Queria que a beijasse e a abraçasse. Queria sentir aquelas mãos fortes acariciando seu corpo. E, se fosse verdadeiramente honesta consigo mesma, admitiria que quisera isso desde a viagem a Roswell. Ela balançou a cabeça ao abrir os olhos para encontrar o questionador olhar dele. — Isso é que é loucura. Não quero que você pare. Devia querer. Mas não quero. E isso me confunde. Nunca fui do tipo de pessoa que deixa a cautela de lado. — Um calafrio subiu pela espinha dela quando ele segurou seu rosto com a palma, e Alyssa precisou inspirar fundo antes de conseguir terminar. — Mas, com você, tenho visto que não quero analisar cada movimento que faço. Não quero ser sensata. E viver o momento parece tão tentador. — Só depende de você, Alyssa. Tudo o que precisa fazer é me dizer o que quer, e eu prometo respeitar seu desejo. — Ele sorriu. — Mas, se a decisão for minha, vou tirar esse seu maiô e mostrar a você o que é tentação. O sexy sotaque dele fez o íntimo dela se revirar e todos os lugares secretos dela pulsarem com uma sede mais forte do que tudo que ela já sentira. — Quero que você me faça sentir viva. Quero que me toque e... — Ela inspirou fundo. — Mais.

CAPÍTULO SETE

Enquanto ele a olhava, Caleb perguntou a si mesmo se teria perdido todo o bom senso. Estava com uma mulher incrivelmente desejável sentada em seu colo, dizendo a ele que o desejava. E o que ele estava prestes a dizer poderia encerrar as coisas antes mesmo de elas começarem. Seu senso de honra, porém, não permitiria que ele prosseguisse sem dar a ela a chance de interromper tudo imediatamente. Ele tinha a sensação de que aquela seria uma das noites mais significativas de sua vida e não queria que ela se arrependesse de 55


um minuto sequer do que eles compartilhariam. — Alyssa, vou contar uma coisa, e quero que você pense muito nisso. Ela pareceu apreensiva. — Certo. Caleb inspirou fundo e continuou antes que tivesse chance de mudar de ideia. — Se eu continuar, não vou parar. Vou tirar esse maiô e beijar cada centímetro do seu lindo corpo. Vou tocar em lugares que vão fazer você gemer de prazer. Vou fazer coisas que a enlouquecerão e farão você gritar meu nome quando encontrar a liberação. Então, quando você achar que acabei, vou começar tudo de novo. Para seu imenso alívio, em vez de a pequena fagulha de desejo se reduzir nos luminosos olhos azuis, ela aumentou para uma intensidade que rivalizava com a dele. Contudo, precisava ouvi-la dizer as palavras, precisava que ela lhe dissesse que queria fazer amor com ele. — É isso que você quer, Alyssa? — Sim — Não houve sequer um instante de hesitação na simples resposta, nem um toque de ressalva no fixo olhar dela. Grunhindo, Caleb cobriu a boca de Alyssa com a dele. Então percorreu os perfeitos lábios com a língua. Se ela tivesse dito não, ele teria tido seríssimas dificuldades para encontrar forças para se afastar. Mas ela não dissera. E saber que ela o queria o suficiente para fazê-la baixar a guarda o deixava excitado de formas que ele nunca imaginara. O suspiro contente o incentivou, e Caleb se aproveitou da aceitação de Alyssa para deslizar para dentro e explorar novamente a doçura dela. Enquanto provava e incentivava com carícias que imitavam uma união mais íntima, ele concluiu que beijá-la estava se tornando mais viciante que qualquer droga. A forma como ela se agarrava a ele, a maneira como reagia ao beijo era tudo que qualquer homem poderia sonhar e comprovava o que ele pensara desde o instante em que haviam se conhecido. Alyssa não era a mulher desprovida de emoções que tentava fazer os colegas de trabalho acreditarem que ela fosse. Era terna, afetuosa e, a julgar por aquela entusiasmada resposta ao beijo, incrivelmente apaixonada quando se soltava. Caleb agradecia aos céus por ser ele o homem a tê-la quando isso acontecesse. Ao venerá-la com a boca, ele levou as mãos por cima dos ombros dela, descendo pelos braços para tirar a parte de cima do maiô do caminho. Queria sentir o corpo macio se derretendo nos rígidos contornos do dele. Entretanto, ao puxá-la mais plenamente contra si, Caleb viu que não estava preparado para a realidade de ter os firmes seios pressionados contra seu peito, os mamilos enrijecidos riscando sua pele. — A sensação de estar com você é tão boa — disse ele com a voz rouca enquanto ia beijando da boca até a pele sensível logo abaixo da orelha dela. Estremecendo contra ele, Alyssa sussurrou perto de seu ouvido. — Por favor, não pare. Virando-a para si, ele a ergueu até que seus seios emergissem da água morna. — Querida, não há a menor chance de isso acontecer. Movendo lentamente os lábios sobre a pele clara, ele desceu pelo ombro até o mamilo enrijecido. Tomando o ponto contraído em sua boca, Caleb sugou as gotículas de 56


água da pele dela, saboreando a doçura que era unicamente de Alyssa. Enquanto ele sugava e provocava os mamilos, um gemido de prazer escapou dos lábios entreabertos dela, e, levantando a cabeça, ele perguntou: — É bom? — Hum. — Entrelaçando os dedos no cabelo de Caleb, ela o segurou ali. — Maravilhoso. Subitamente precisando senti-la por completo contra si, Caleb baixou rapidamente a roupa de banho dela pelos quadris e pelas pernas, jogando o tecido preto para fora da banheira. Seu short logo o seguiu. Estendendo as mãos, ele a puxou para si, e a sensação da lisa pele feminina contra sua carne salpicada por pelos incendiou os sentidos dele. Caleb queria ir devagar, fazer todas as coisas que prometera, mas seu corpo o urgia a coletar seu prêmio, a tornála sua. — Alyssa, quero você demais — disse ele por entre os dentes. — Acho que é melhor sairmos daqui e... — Por favor, Caleb — disse ela, envolvendo os ombros dele com os braços. Seus olhos estavam vidrados com um sedento desejo quando ela acrescentou: — Preciso de você dentro de mim. Agora. Com a rouca súplica de Alyssa, o desejo o atravessou à velocidade da luz. Com a mente encoberta para tudo a não ser a vontade de possuí-la, ele se ajoelhou e a levantou para si. Determinado a penetrá-la lentamente, ele cerrou os dentes com tanta força que seria necessária uma cirurgia para separá-los. Entretanto, enquanto guiava a si mesmo para ela, Alyssa provou estar correta a outra teoria dele quando enrolou suas longas e esbeltas pernas em torno da cintura de Caleb e seu corpo o consumiu num único e hábil movimento. Definitivamente, ele se sentia no paraíso. Mas a leve arfada dela e a força que o envolvia penetraram a névoa de paixão. Se ele causasse qualquer desconforto nela, jamais se perdoaria. — Machuquei você? Você é muito apertada, querida. — Já faz... algum tempo. — Ela mordiscou o pescoço dele e quase o fez ter um ataque cardíaco ao sussurrar: — Você está absolutamente maravilhoso onde está agora. Esmagando os lábios dela sob os dele, Caleb a beijou até que os dois arfassem em busca de ar. — Meu corpo está tão quente. — Ele fechou os olhos numa tentativa de reduzir o ritmo. — Acho que vou entrar em combustão espontânea. Ela tocou o rosto dele com um dedo molhado enquanto mexia a parte inferior de seu corpo. — Faça amor comigo, Caleb. O pedido dela e o movimento de seu corpo despertaram o faminto desejo que ele vinha tentando controlar, e, grunhindo, Caleb começou a investir para dentro dela. Nunca vira uma mulher acolher seu corpo de um jeito tão perfeito, nem reagir a ele de formas que, até aquela noite, ele apenas imaginara em suas mais loucas fantasias. No entanto, por mais ideal que fosse o momento, a água morna borbulhando em torno deles intensificou as espirais de paixão flamejante que os unia, e ele sentiu o corpo 57


dela buscando a mesma avassaladora liberação que ele estivera tentando conter desde o momento em que haviam se tornado uma pessoa só. Cedo demais, o íntimo feminino dela o capturou e estremeceu quando Caleb sentiu Alyssa atingir o clímax. O som dela sussurrando seu nome e a incrível sensação do prazer dela desencadearam o próprio orgasmo dele. Grunhindo, ele investiu para dentro dela uma última vez e a segurou contra si enquanto se esvaziava bem dentro dela. Com a energia completamente esgotada, eles ficaram abraçados durante vários longos momentos antes de a realidade começar a limpar o cérebro de Caleb, enevoado pela paixão. Dizendo uma palavra que ele costumava reservar para quando martelava o próprio dedo e para motoristas que o fechavam no trânsito, ele se afastou lentamente dela. — O que houve? — perguntou ela, claramente alarmada pelo ríspido palavrão. Ele passou a mão trêmula sobre a tensão que se acumulava em sua nuca. — Diga que você está tomando pílula ou algum outro tipo de anticoncepcional. — N-não. Fazia vários anos que isso não era necessário. — Enquanto ela o olhava fixamente, os olhos de Alyssa ficaram repentinamente arregalados. — Nós não... Ele balançou a cabeça. — Desculpe. Não havia motivo para que eu não tomasse as precauções. Ela mordiscou o lábio inferior durante um momento. — Provavelmente, não tenho com que me preocupar. — Nós — disse ele, pondo as mãos nos ombros dela. — Quero que você saiba que estamos nisto juntos, Alyssa. Se você engravidar, vou estar ao seu lado o tempo inteiro. — Estou cansada — falou ela repentinamente. — Acho que vou tomar um banho e dormir. Caleb não tentou impedi-la quando ela saiu da água, enrolou-se numa das toalhas e, pegando os óculos, desapareceu às pressas pelas portas. Os dois precisavam de tempo para aceitar o que tinham compartilhado e as possíveis consequências do descuido dele. Ele não conseguia acreditar que não pensara naquilo. Onde diabos estava com a cabeça? No passado, ele nunca deixara de usar proteção. Mesmo antes de saber quem era seu irresponsável pai, Caleb estivera determinado a não ser nada parecido com o homem que engravidara a mãe dele, deixando-a para enfrentar tudo sozinha. Ele sempre fizera questão de jamais se deixar levar a ponto de perder a noção do que poderia significar uma gravidez inesperada para ele ou para sua parceira. Entretanto, ele estivera tão excitado com Alyssa que a ideia de proteção sequer passara por sua mente. Tudo em que havia sido capaz de pensar fora como ela se encaixava perfeitamente nos braços dele, a maciez do corpo dela e a maneira como os doces beijos o aqueciam até os recônditos da alma. Seu corpo se enrijeceu só de pensar em como fora incrível o ato de amor deles e o deixou querendo entrar na casa e fazer amor com ela durante o resto da noite. Soltando um palavrão, ele saiu da hidromassagem e foi diretamente para a piscina. Quando mergulhou na água muito mais fria e começou a nadar, seus músculos protestaram, mas ele não se importou. Precisava se controlar. Ao chegar ao fim da piscina em sua décima volta, ele parou para recuperar o fôlego 58


e, olhando de relance para as portas duplas, balançou a cabeça. Seu corpo ainda latejava com um desejo que o deixava tonto, e Caleb tinha a sensação de que poderia nadar até morrer que sequer chegaria perto de aliviar a ardente vontade de tornar Alyssa sua novamente. Saindo da piscina, ele enrolou uma toalha em sua cintura, pegou seu short e o maiô dela e foi para seu quarto. Tinha a sensação de que uma dentre duas coisas aconteceria naquele final de semana. Ou fariam amor novamente ou a primeira coisa que ele faria na segunda-feira de manhã seria buscar cuidados médicos para uma ereção perpétua.

Alyssa olhava fixamente para o teto enquanto pensava no que acontecera na banheira de hidromassagem Ainda não conseguia acreditar no que ocorrera quando Caleb a tocara, e também não compreendia. Era como se ela tivesse sido dominada por uma versão sua desavergonhadamente desinibida e inconsequente, que não apenas vivia o momento, mas também lançava a cautela às favas e sequer considerava as consequências. Em todos os seus 26 anos, ela jamais agira assim. Nem mesmo quando ela e Wesley estavam juntos e ela pensara estar apaixonada houvera aquela total falta de controle. E isso a assustava mais que tudo. No entanto, tudo o que era necessário era um beijo, um toque das mãos de Caleb, e ela perdia toda a noção. Era como se ela se tornasse parte de algo maior que eles dois, tanto emocional quanto fisicamente. A julgar pela reação, ele também se sentia assim. O melhor que ela poderia fazer por ser próprio bem-estar e paz de espírito seria pedir para que ele a levasse de volta a Albuquerque naquela noite. Então, na segundafeira de manhã, insistir para que ele aceitasse seu pedido de demissão. Ela sabia que seus colegas de trabalho perguntariam por que o “noivado” deles fora cancelado e por que ela não estaria mais trabalhando na Skerritt e Crowe. Mas isso não podia ser evitado. Caleb podia dizer o que quisesse sobre o assunto. Ela não estaria presente para ouvir os comentários e especulações. Jogando as cobertas para o lado, ela saiu da cama e vestiu o robe. Quando mais rápido chegasse à segurança de seu apartamento, melhor. Ela não só poderia terminar de atualizar seu currículo, mas também havia a necessidade de verificar seu calendário pessoal. Antes de fazer isso, ela realmente não sabia ao certo se precisava se preocupar com uma gravidez não planejada. — Caleb? — Ela bateu na porta do quarto dele. — Você ainda está acordado? Quando não houve resposta, ela se virou para voltar a seu quarto. Dera apenas dois passos quando a porta se abriu. — Precisa de alguma coisa? Vê-lo de pé à porta, usando apenas uma cueca de algodão branco, deixou Alyssa temporariamente sem palavras, e ela só conseguiu assentir. Quando eles tinham entrado na hidromassagem, não houvera luz do sol suficiente para ver os detalhes do corpo dele. Depois, quando ele tirara o short, eles já tinham entrado na água. Contudo, a lâmpada do abajur dele lançava luz suficiente para ressaltar os músculos bem-definidos e chamava atenção para o fato de que Caleb Walker era mais do que perfeito. 59


Seus fortes músculos peitorais, os bíceps protuberantes e os ombros esculpidos eram prova de que ele passara anos fazendo muito mais do que apenas nadando nu naquela fazenda. O olhar de Alyssa desceu, e sua pulsação subiu. O abdômen de Caleb tinha tantas ondulações que parecia um tanque de lavar. Entretanto, foi o que havia abaixo da cintura da cueca que a fez arfar em busca de ar. O algodão o abraçava como uma segunda pele e delineava o tamanho e o peso de sua virilidade. A ausência de uma marca bronzeada em suas longas e musculosas pernas era a confirmação de que ele realmente nadava nu. — Você parece meio abalada. Por que ela não estaria? Ele estava ali, praticamente nu, e não parecia ter nem um pouco de vergonha disso. Dando um passo na direção dela, Caleb pôs a mão em seu ombro. — Você está bem? Assentindo, Alyssa tentou recordar por que batera na porta dele, mas a sensação daquela cálida palma a tocá-la através do fino robe tornava extremamente difícil respirar, ainda mais pensar. Ele a olhou durante vários longos segundos antes de sorrir e tocar levemente o rosto dela com o dedo indicador. — Precisamos conversar, querida. Ela sentiu uma louca sensação em seu íntimo e não conseguiu tomar fôlego. — Eu... concordo. Preciso pedir uma coisa a você. Ele recuou e gesticulou para a porta aberta. — Vamos para o meu quarto nos sentarmos. Ela balançou a cabeça. — Não sei se é uma boa ideia. — Acho que é. — Antes que ela pudesse impedi-lo, Caleb segurou a mão de Alyssa e a puxou para dentro de seu quarto. — Preciso fazer uma coisa. — Caleb. — Está tudo bem, Alyssa. — Levando-a para além da cama, até a área de estar perto das portas duplas, ele afundou numa das poltronas e a puxou para seu colo. — Quero que me ouça antes de dizer qualquer coisa. Vai fazer isso? — S-sim. Por que estava permitindo que ele assumisse o comando da situação? Por que não exigia que ele a levasse imediatamente de volta a Albuquerque antes que algo mais acontecesse? Mas, com toda aquela pele máscula nua a cercá-la, Alyssa se flagrou distraída demais para fazer algo além de acatar o que ele queria. — Ótimo. — Ele acariciou delicadamente o cabelo dela enquanto seu olhar cor de mel se fixava no dela. — Quero pedir desculpa pela forma como agi antes e esclarecer as coisas. Não fiquei chateado com você, Alyssa. Fiquei louco de raiva de mim mesmo por ter decepcionado você. Sei que isso não é desculpa. Mas a verdade é que falhei com você e, depois, agi como um verdadeiro canalha. E sinto muito, querida. — A consciência dela não permitiria que ele assumisse toda a responsabilidade. — Não estava sozinho naquela banheira. Tenho tanta culpa quanto você. Eu devia 60


ter pensado. De forma teimosa, ele balançou a cabeça. — É dever do homem proteger a mulher. — Discordo. Ambos os parceiros devem dividir a responsabilidade da prevenção. — Quando pareceu que ele ia protestar, Alyssa levou o dedo aos lábios dele. — Mas não vou discutir isso com você agora. Acho que podemos dizer que nós dois nos deixamos levar pelo momento. — Tem razão, querida. — O sexy sorriso dele enviou ondas de calor pelo corpo dela. — Estava sentindo tanto desejo por você que foi uma surpresa não termos feito a água ferver. O ardor dele e o som de seu arrastado sotaque fizeram Alyssa se sentir como se seu sangue tivesse sido substituído por mel morno. Concluindo que seria do seu interesse agir antes de perder a noção do que precisava pedir, ela começou a se levantar. — Ei, aonde vai? — perguntou ele, segurando-a ali. Roçou seus lábios sobre os dela no mais delicado dos beijos. Quando levantou a cabeça, perguntou: — Você não disse que tinha algo para me pedir? Com o corpo formigando por completo e coração palpitando, como ela conseguiria pensar? Por que fora bater na porta dele? Alyssa não conseguia se lembrar. Caleb, porém, não pareceu se importar com a amnésia temporária dela. Abrindo um promissor sorriso, ele baixou a cabeça novamente para beijá-la com tamanha ternura que lágrimas surgiram nos olhos de Alyssa. Enquanto ele usava a língua para percorrer os lábios dela, espirais de desejo rodopiaram lentamente para todas as partes dela, e um calafrio de excitação lhe subiu pela espinha. Tudo que ele precisava fazer era tocá-la, e a vontade de resistir se esvaía como a névoa sob o sol do início do verão. Quando ele a provocou para que se abrisse para ele e, em seguida, mergulhou com a língua para explorar os recônditos da boca de Alyssa, ela ficou chocada com suas ávidas reações. Acariciando-o de forma ousada, ela envolveu os ombros de Caleb com os braços e se aproximou. O grunhido de prazer dele trovejou profundamente em seu peito, e a vibração que chegou aos seios dela enviou um lampejo de calor pelo corpo de Alyssa à velocidade da luz. Quando ele interrompeu o beijo, seus lábios marcaram a fogo um caminho até a base do pescoço dela, fazendo Alyssa se sentir como se estivesse prestes a se lamber em chamas. Caleb afastou o robe e a camisola dela para continuar com a flamejante trilha de beijos mordiscados até o vale entre os seios, e Alyssa teve certeza de que ficaria marcada com aquela intensidade. O desejo que fluía através dela começou a se acumular em seu ventre, formando uma espiral de sedento desejo em sua parte mais feminina. Sentada no colo dele, soube imediatamente quando o corpo de Caleb começou a mudar, a enrijecer com a mesma paixão que a dominava. Certo ou errado, ela queria ser aquecida pelo calor do desejo dele, queria que ele possuísse novamente seu corpo e sua alma. — Por favor, Caleb. — Quero você outra vez, querida. — O sotaque dele soava rouco e passional. Ele levantou a cabeça para lançar para Alyssa um olhar que ardeu até em sua alma. — Você se lembra do que eu disse na banheira? — E-eu não sei bem. — Ela estava prestes a virar cinzas, e Caleb queria que ela 61


recordasse algo que ele dissera antes? O malicioso sorriso que ele abriu para Alyssa fez a pele dela se arrepiar. — Prometi que iria beijar você inteira. Que tocaria todos os seus lugares secretos e faria você gritar de prazer. Depois, quando você pensasse que eu havia terminado, eu começaria tudo outra vez. As sugestivas palavras dele fizeram o ventre dela se contrair, roubando-lhe o fôlego. — E tenho toda a intenção de manter essa promessa. — O intenso olhar dele fez Alyssa achar que se derreteria ali mesmo. Então, Caleb acrescentou: — Vou amar você do jeito que você merece ser amada. Aqui. E agora. A pulsação de Alyssa martelou em seus ouvidos, e, sem hesitar sequer por um momento, ela assentiu, indicando que também queria aquilo. Passou rapidamente por sua mente a ideia de que ela estava brincando com fogo e que havia uma possibilidade muito real de acabar se queimando. Contudo, ela não queria pensar nisso naquele instante. Queria ser abraçada, e tocada, e amada pelo homem que roubara seu coração.

CAPÍTULO OITO

Se Caleb tivesse lhe dado tempo, Alyssa talvez tivesse entrado em pânico ao perceber que se apaixonara por ele. Mas ele já estava chamando a responsabilidade para si. Erguendo-a como se ela não pesasse absolutamente nada, ele se levantou com ela nos braços e foi até a cama king size. Colocando-a de pé, ele aprisionou seu olhar com o dele enquanto desamarrava lentamente o robe dela e o deslizava de seus ombros. — Desta vez, vamos devagar e com tranquilidade. Quero saborear cada centímetro seu, e, quando eu terminar, não vai haver a menor dúvida na sua mente de como eu considero você especial. Com cada palavra que ele falava, os membros dela pareciam um pouco mais fracos, e a inquietação em seu íntimo ficava mais forte. — Vou cobrar isso de você — disse ela, perguntando a si mesma se aquela sensual voz feminina era mesmo dela. Caleb deslizou as palmas pelos braços dela e, pegando-lhe as mãos, ergueu-as para beijar a ponta de cada um dos dedos antes de pô-las em seus ombros. — Quero que você se agarre em mim. Ela entrelaçou os dedos pelo cabelo na nuca de Caleb e, baixando a cabeça dele para seu beijo, ela se pressionou com força contra a rígida constituição dele. — Também tenho algumas coisas que quero fazer com você. Ficar agarrada a você é só uma delas. 62


Se Alyssa tivesse pensado naquilo, talvez tivesse ficado surpresa com sua falta de vergonha. Contudo, era como se ela se despisse de todas as inibições quando Caleb a tomava nos braços. E, pela primeira vez em sua vida, ela se sentia livre para explorar a própria sexualidade. O sorriso dele aumentou a vibração no íntimo de Alyssa enquanto ele segurava a camisola dela e, devagar, puxava-a por cima de sua cabeça. — Vamos tirar o resto destas roupas. Jogando a seda azul junto do robe no chão, ele passou as mãos pelas laterais do corpo dela, indo até os quadris e enganchando os polegares na cintura elástica da calcinha. Em seguida, empurrou-a sobre os quadris de Alyssa e se afastou para tirar a própria cueca. Alyssa perdeu o fôlego, e um latejamento de puro desejo a preencheu ao vê-lo. Ela estava com a razão. O corpo de Caleb era a pura perfeição. Rígido e esbelto, não havia sequer um grama de carne sobrando nele. Contudo, foi a visão da forte ereção que fez o coração dela quase parar e, em seguida, disparar a galope. Caleb estava acima da média em sua altura, e parecia que havia outras coisas nele também acima da média. Se ainda não tivesse vivenciado o poder do ato de amor dele, talvez Alyssa tivesse ficado um pouco apreensiva. Mas ela confiava implicitamente em Caleb. Ainda que tivesse estado tão excitado com ela quanto ela estivera por ele, tomara um grande cuidado para não machucá-la quando haviam feito amor na banheira de hidromassagem. — Você é linda. — A voz dele estava tão reverente, tão cheia de deslumbramento que ela não tinha dúvidas de que o que ele dizia era verdade. — Eu estava pensando o mesmo de você — revelou ela delicadamente. — Você é perfeito. Quando Caleb deu um passo na direção dela, sua profunda risada fez Alyssa se sentir como se a temperatura do recinto tivesse repentinamente subido vários graus. — Não sou perfeito, querida, mas você sabe o que dizem sobre a prática. Ela sentiu a cor inundar suas bochechas. — Eu não estava falando de... — Eu sei. Mas pretendo passar o resto da noite garantindo que nosso ato de amor seja perfeito para você — disse ele, estendendo a mão para ela. Se as palavras dele não a tivessem feito se derreter por completo, a sensação da rígida carne máscula contra a macia pele feminina faria isso. Um calafrio percorreu o grande corpo dele, e Alyssa soube que ele estava sentindo o mesmo escaldante calor que ela sentia. Fechando os olhos, ela se deleitou com as diferenças entre homem e mulher, no contraste entre os ângulos abruptos e as curvas leves. — Adoro a sensação do seu corpo junto do meu. Quando ele baixou a cabeça, seu lento sorriso continha muitas promessas. — Gosto mais da sensação de estar dentro de você. Os joelhos dela bambearam, e, sentindo-se como se fosse se derreter numa poça aos pés dele, Alyssa desabou contra Caleb. Abrindo os olhos para olhá-lo, ela sussurrou: — Também gosto. 63


Sem aviso, ele a ergueu nos braços, colocou-a no centro da cama e se estendeu ao lado dela, puxando-a para si. — Se continuar falando assim, querida, vou explodir como fogos de artifício no Dia da Independência. Antes que ela pudesse responder, ele capturou os lábios de Alyssa com uma desesperada sede que enviou um incêndio até a alma dela. Entretanto, quando ele interrompeu o beijo para descer mordiscando pela base do pescoço dela até a subida do seio, tomando um dos rígidos mamilos na boca, ela achou que seria completamente tostada. A delicada sucção, a sensação da língua dele em seu mamilo sensibilizado fizeram o calor aumentar a tensão que se acumulava no ventre dela. Um gemido escapou enquanto ela segurava a cabeça de Caleb junto a si. As deliciosas sensações que ele criava com suas provocações eróticas a estavam deixando completamente selvagem. — Gosta disto? — perguntou ele, beijando o abdômen dela. Assentindo, Alyssa estremeceu com a maravilhosa sensação da respiração morna dele sussurrando sobre ela. — Por favor. Ele mergulhou a língua na depressão do umbigo dela enquanto passava as calejadas mãos pelas laterais do corpo de Alyssa. — Diga o que quer, Alyssa. — M-mais. — Tem certeza? Havia uma entrelinha, uma espécie de aviso na tranquila pergunta dele. Estava pedindo a confiança dela, pedindo-lhe permissão para levá-la a lugares aos quais homem algum a levara antes. — Sim! — Se ele não fizesse algo logo, ela morreria de tanto desejo. Sem mais nenhuma palavra, Caleb levantou a cabeça, e a fulgurante paixão que ela viu em seus olhos cor de mel lhe tirou o fôlego. Deslizando as mãos sobre os quadris dela e descendo por suas pernas, ele a manteve cativa com seu cálido olhar enquanto acariciava a parte interna das coxas dela. O coração de Alyssa martelava fortemente por trás de seu seio enquanto, centímetro a centímetro, ele se aproximava do ninho de cachos no ápice das coxas dela. Quando Caleb finalmente atingiu seu objetivo, o prazer se irradiou por todo o corpo dela com o levíssimo toque dele. — Ah, nossa! — É bom? — perguntou ele enquanto continuava a enlouquecê-la. — Sim. — Mais? — O profundo sotaque dele era tão sedutor quanto a sensação de suas mãos nela. — P-por favor! O beijo que ele deu na parte interna da coxa de Alyssa lançou uma formigante excitação até o íntimo dela. Fechando os olhos com força, ela segurou o lençol com as duas mãos. — Parece que. estou pegando fogo. 64


— Calma, querida. Só vai melhorar. — Ele mal tinha dito as palavras quando baixou a cabeça e deu em Alyssa o beijo mais íntimo que um homem podia dar em uma mulher. Ondas de choque de puro êxtase a percorreram, e ela não conseguiu impedir que o gemido escapasse. — C-Caleb, por favor... eu preciso. Subindo novamente com beijos pelo corpo dela, Caleb mordiscou um dos ardentes mamilos. — Precisa de que, querida? — De você. Agora. — Por quê? — perguntou ele, torturando o outro pico rígido da mesma maneira doce. — Não consigo... aguentar... muito mais. — Abra os olhos, Alyssa. — Quando ela obedeceu, ele balançou a cabeça. — Você se lembra do que eu falei? — N-não. — Ele esperava que ela pensasse num momento como aquele? O promissor sorriso dele enviou outra onda de calor pelas veias dela. — Eu disse que, quando você pensasse que eu tinha acabado, começaria tudo novamente. Se ela tivesse sido capaz de encontrar sua voz, teria dito a ele que, se aquilo se prolongasse durante muito mais tempo, ficaria completamente maluca. Porém, antes que ela tivesse essa oportunidade, ele baixou a cabeça e cumpriu sua promessa. Venerando o corpo dela com mãos e lábios, Caleb a levou várias vezes até a beira do clímax. No entanto, sempre que ela pensava que encontraria a paz da doce liberação, ele parava por tempo suficiente para que a tensão dentro dela se aliviasse um pouco, e começava tudo novamente. — Não consigo aguentar. mais nem um segundo. disso. — A tensão dentro de Alyssa estava tão grande que fazia com que ela sentisse que se desfaria por completo. — Por favor... faça amor comigo, Caleb. A-agora. O beijo dele foi tão terno que fez lágrimas surgirem nos olhos dela. — Só um minuto, querida. — Ele abriu a gaveta do criado-mudo para retirar uma embalagem metalizada. — Não vou decepcionar você pela segunda vez — disse ele, rolando o preservativo para seu lugar. Com a proteção providenciada, ele a tomou nos braços e, abrindo as pernas dela, fixou seu olhar com o dele ao se mover para cobri-la. A pulsação de Alyssa trovejava em seus ouvidos enquanto ele, lenta e cuidadosamente, afundava no acolhedor corpo dela. Quando Caleb estava totalmente imerso nela, Alyssa o viu fechar os olhos e soube que ele estava buscando se controlar. — Acho... que morri... e fui para o paraíso — disse ele, a potência de seu esforço evidente na voz rouca. Inclinando os quadris, Alyssa sentiu Caleb afundar nela mais um pouco. — Quero que me leve para o paraíso com você, Caleb — sussurrou ela perto do ouvido dele. 65


O grande corpo dele estremeceu, e um grunhido subiu de seu peito um instante antes de abrir os olhos para olhá-la fixamente. O sedento desejo na profunda cor de mel encontrou par no dela e, quando ele recuou, investindo novamente em seguida, ela o envolveu com os braços e se juntou a ele na maravilhosa dança do amor. Fixando o olhar dela com o dele, Caleb estabeleceu um lento ritmo que fez o abdômen dela se contrair e fez com que Alyssa se sentisse valiosa de um jeito com o qual ela apenas sonhara. Provavelmente, ele percebera que as deliciosas sensações dentro dela estavam crescendo, pois aumentou a força das investidas, e Alyssa se flagrou lutando para atingir o ápice. Repentinamente, ela o alcançou e, quando a espiral dentro dela estourou, libertando-se, ela gritou o nome dele ao se estilhaçar em um milhão de pedaços de luz brilhante. Contraindo os braços em torno dele, tentou absorvê-lo em sua alma enquanto se deleitava nas ondas de total e completa satisfação. Menos de um segundo depois, ela sentiu Caleb se contrair e gritar o nome dela ao encontrar a própria fuga da tempestade. Quando ele desabou em cima dela, Alyssa o abraçou com força enquanto seu coração se enchia de uma emoção diferente de tudo que ela já sentira antes. Dera o melhor de si para resistir. Porém, naquele momento, ela soube, sem a menor dúvida, que fizera o impensável. Ela se apaixonara por Caleb Walker.

Na tarde da sexta-feira seguinte, Caleb estava sentado à sua mesa, batendo com a caneta-tinteiro na superfície polida enquanto olhava para o nada. Não conseguira fazer nada em seu trabalho durante toda aquela maldita semana. Tudo que fizera fora ficar parado com um sorriso bobo no rosto, pensando em como havia sido fantástico o final de semana anterior e como Alyssa era uma mulher totalmente incrível. A reação dela ao toque dele fora tudo que um homem poderia querer, e ele a desejara com igual intensidade. Eles tinham passado o tempo inteiro fazendo amor, adormecendo nos braços um do outro, e acordando para fazer amor outra vez. Quando a parte inferior de seu corpo se contraiu, ele inspirou fundo e se obrigou a relaxar. Tudo que precisava fazer era pensar nela, e ele ficava excitado com tamanha velocidade que o deixava tonto. Contudo, seu desejo de estar com ela não era apenas físico. Depois de conhecer melhor a verdadeira mulher por trás daqueles folgados terninhos e óculos de coruja, ele descobrira que Alyssa era terna, solidária e tinha um grande senso de humor. Ele grunhiu. Como diabos pudera pensar que ela fosse parecida com Leslie Ann? Mesmo que não tivesse verificado os históricos dos funcionários e encontrado as avaliações dela como empregada, ele teria percebido que Alyssa usara seu cérebro e sua educação para chegar aonde estava na Skerritt e Crowe. Ela trabalhara loucamente e não precisara pisar em ninguém para conseguir a promoção para gerente de operações seis meses antes. Leslie Ann, porém, tomara o caminho fácil para chegar ao topo. Fizera de tudo para ascender na hierarquia corporativa. Droga, ele até conseguia se lembrar de algumas vezes em que ela se gabara de ter recebido crédito pelo trabalho duro de seus subordinados. E os instintos de barracuda dela não paravam por ali. Ele não tinha dúvida de que ela daria a vida pela chance de ir a uma festa onde pudesse se socializar com os grandes magnatas. E também não via problema em bajular alguns executivos para conseguir o que queria. 66


Enojado consigo mesmo por ter desperdiçado dois anos correndo atrás de uma mulher tão egoísta e egocêntrica, ele balançou a cabeça. Leslie Ann jamais fora e jamais seria metade da mulher que Alyssa era. E, em algum momento entre sua entrada no escritório dela naquele primeiro dia e agora, com ele sentado ali, pensando no final de semana deles juntos, ele se apaixonara por ela. Seu coração ficou paralisado, e Caleb se sentiu como se não conseguisse respirar. Quando Alyssa vencera as defesas dele? Por que ele não previra aquilo? Ficou sentado ali durante vários longos minutos, sentindo-se como se tivesse acabado de ser atropelado por toda a linha de defesa dos Tennessee Titans. O momento não poderia ser pior. Ele mal tinha assumido o comando da Skerritt e Crowe e não havia frequentado ainda nenhuma de suas aulas na universidade, muito menos conseguido um diploma. Apoiando os cotovelos na mesa, ele enterrou a cabeça nas mãos. Agora que ele encontrara Alyssa, não a deixaria ir embora. Mas o que ele poderia fazer a respeito da situação? Não havia como construírem um relacionamento a menos que ele revelasse tudo e dissesse a ela quem ele era e que não tinha nada além de uma educação de nível médio. Caleb levantou a cabeça para olhar às cegas pela janela de vidro temperado para o centro de Albuquerque. Ele se pusera numa verdadeira sinuca de bico. Como iria contar a ela que era uma fraude, que não estava verdadeiramente qualificado para administrar uma firma de consultoria financeira? E como ela reagiria quando descobrisse que ele era um dos netos de Emerald? — Caleb, você tem uma ligação na linha um — A voz de Geneva vindo pelo interfone interrompeu os perturbadores pensamentos dele. Ele apertou o botão para falar. — Anote o recado, Geneva. — É a sra. Larson — disse Geneva, como se estivesse perplexa por ter falado com Emerald. Ótimo. Exatamente do que ele precisava no momento: uma conversa com sua manipuladora avó. — Obrigado, Geneva. Vou atender a ligação. Inspirando fundo, ele pegou o fone. — Olá, Emerald. — Caleb, querido, como vai? — Emerald Larson podia ter ao menos três quartos de século de idade, porém, parecia e soava como uma mulher muito mais jovem. — Estou ocupado com algo muito importante no momento. — Naquele instante, seus sentimentos recém- descobertos por Alyssa e a tentativa de pensar no que ele faria com relação a eles tinham prioridade. — Posso ligar de volta no final da tarde? — Claro. Você tem o número da mansão, não tem? — Está na discagem rápida da minha casa. — Ótimo. Eu me recolho por volta das 22h — acrescentou ela. — Vou esperar sua ligação antes disso. Antes que ele pudesse dizer mais alguma palavra, ela desligou. — Ora, tchau para você também — resmungou Caleb, pondo o fone de volta no 67


gancho. Perguntou a si mesmo rapidamente o que Emerald estaria querendo, mas logo deixou o telefonema de lado quando a voz de Geneva surgiu novamente no interfone. — Caleb, estão chamando você na sala de descanso. — Não pode esperar? Quando Geneva não respondeu, ele foi impacientemente abrir a porta para a sala externa. A secretária não estava ali. — Você recebeu uma mensagem de Geneva pedindo a sua presença na sala de descanso? — perguntou Alyssa, saindo de seu escritório. Ele assentiu. — Ela disse a você o que estava acontecendo? — Não. — Alyssa olhou pela sala deserta. — Onde estão todos? Dando de ombros, Caleb foi até ela para tomá-la nos braços. — Sei lá. Ao olhá-la, Caleb achou que nunca a vira tão linda. Desde o final de semana deles juntos, ela começara a deixar o cabelo solto e trocara seus largos terninhos escuros por blusas de seda e calças de linho em tons pastel. Naquele dia, estava de rosa e bege e parecia tão adorável que o deixava sem fôlego. — Já disse como você está incrível hoje? — perguntou ele, beijando a ponta do nariz dela. A risada arfante de Alyssa enviou uma lança de desejo até a região logo abaixo da fivela do cinto dele. — Eu estava pensando o mesmo de você. — Precisamos conversar — disse Caleb subitamente. Não sabia ao certo como ela reagiria quando ele lhe dissesse tudo a respeito de si mesmo e do motivo pelo qual ele assumira a firma, mas sabia com certeza que não poderia haver segredos entre eles. — Venha passar o final de semana comigo na minha casa. — Não sei bem. — Eu sei — disse ele, assentindo. — Lembre-se, estamos planejando nosso casamento. Não acha que todos esperariam que passássemos nossos finais de semana fazendo justamente isso? — Meu pobre periquito vai pensar que o abandonei — falou Alyssa, apoiando a cabeça no peito dele. Caleb não deixaria que um pássaro o impedisse de estar com a mulher mais desejável que ele já conhecera. — Vamos levá-lo conosco. — Nós vamos discutir minhas ideias para a sala de descanso? — Entre outras coisas — disse ele, distraído pela sensação da maciez dela. — Aí estão vocês — falou Geneva do meio do corredor. Ela parecia extremamente agitada. — Por favor, depressa. Precisamos de vocês dois na sala de descanso. É uma emergência. — O que houve, Geneva? — Com Alyssa em seu encalço, Caleb correu pelo 68


corredor. Porém, ao entrar na sala, parou imediatamente.

— Mas que diabos?

— O que está havendo? — perguntou Alyssa, trombando com as costas dele. — Parabéns! — gritou em uníssono toda a equipe de funcionários da Skerritt e Crowe. Chocado ao ver todos os funcionários da firma apertados na sala de descanso, Caleb precisou de um momento para entender o que estava acontecendo. Ele e Alyssa eram os convidados de honra de uma festa de noivado surpresa. — Ah, meu Deus. — As faces de Alyssa ficaram coradas com um profundo rosa, e seus olhos azuis ficaram arregalados de incredulidade. — Queríamos que soubessem como estamos felizes por vocês — disse Geneva, enxugando os olhos com um lenço rendado. Caleb envolveu os ombros de Alyssa com o braço para puxá-la para seu lado. — Acho que falo por nós dois quando digo que não esperávamos de forma alguma que vocês fizessem isto. — Eu... nós realmente não sabemos o que dizer — acrescentou Alyssa, apoiandose nele como se seus joelhos estivessem prestes a ceder. — Mas eu sei. — Sorrindo de orelha a orelha, Malcolm Fuller se apresentou e entregou uma taça de champanhe a cada um deles. — Como sou o funcionário mais antigo da Skerritt e Crowe, tenho a honra de fazer o primeiro brinde ao feliz casal. — Pigarreando, ele levantou a própria taça. — É com grande prazer que tenho a oportunidade de celebrar a felicidade de Caleb e Alyssa. Que o noivado de vocês seja rápido e seu casamento, perfeito, e que a lua de mel dure a vida inteira. — A voz dele ficou embargada. — Parabéns, crianças. Vocês formam um lindo casal. Enquanto ouvia vários outros expressando seus desejos de felicidade, Caleb percebeu que aquilo era exatamente o que ele queria: uma vida longa e feliz com Alyssa a seu lado. Queria fazer amor com ela todas as noites e acordar com ela em seus braços todas as manhãs pelo resto da vida. Quando ela ergueu o olhar e sorriu para ele, Caleb soube que seria capaz de ir ao inferno e voltar só para deixá-la feliz. E, se ela permitisse, ele tinha toda a intenção de tornar real o falso noivado deles.

CAPÍTULO NOVE

Depois de um prazeroso mergulho, Alyssa estava sentada entre as pernas de Caleb numa espreguiçadeira ao lado da piscina, vendo as sombras do entardecer desaparecerem na escuridão da noite. O que eles fariam agora?, perguntou a si mesma. A festa surpresa fora um maravilhoso gesto, e ela apreciava de verdade a consideração de seus colegas de trabalho, mas aquilo também complicava demais uma situação já complexa. 69


Ela e Caleb não poderiam romper o “noivado” imediatamente. Pareceria algo suspeito demais, e, sem dúvida, todos saberiam que fora uma farsa desde o início. Infelizmente, continuar o falso compromisso deles representava um problema ainda mais para ela. Quanto mais tempo passava fazendo o papel da amorosa noiva de Caleb, mais ela se flagrava desejando que o noivado fosse real. — Você está muito quieta hoje, querida. — O sussurro de Caleb fez com que uma onda de arrepios percorresse a pele dela quando ele a puxou contra si para envolvê-la com os braços. Alyssa suspirou. Não diria a ele o verdadeiro motivo para seu comportamento pensativo. — Gosto de ver as sombras cobrindo o vale enquanto o sol desce. A grave risada dele pareceu vibrar através dela. — Além da paisagem, tem algo mais de que você goste no fato de estar aqui? — Hum, gosto bastante da piscina — provocou ela. Com o nariz, ele acariciou a lateral do pescoço dela. — Mais alguma coisa? Ela fechou os olhos quando uma onda de desejo a dominou. — A hidromassagem... é muito... legal. — É, sim — murmurou Caleb contra a pele dela. — É muito relaxante. — Ele mordiscou o lóbulo da orelha de Alyssa. — É muito molhada. — Mordiscou o ombro dela. — Sem dúvida, quente. — Deslizando a parte de cima da roupa de banho dela, cobriu o seio desnudo com suas cálidas palmas enquanto beijava a têmpora de Alyssa. — E é um ótimo lugar para fazer amor. O coração dela martelou suas costelas, e a respiração de Alyssa acelerou. — Se bem me lembro, foi o que você disse da piscina, da sua cama, do sofá do salão, do... Ele assentiu. — Qualquer lugar é um bom lugar para fazer amor com você, querida. — Provamos isso no final de semana passado. — Com as mãos dele acariciando os seios dela e sua crescente ereção pressionada no traseiro de Alyssa, o interior dela parecia pudim quente. — Acho que fizemos amor em todos os cômodos da casa, e também aqui fora, do lado da piscina e dentro da hidromassagem. Balançando a cabeça, ele roçou os mamilos dela com os polegares. — Tem um lugar onde não fizemos amor. — Caleb beijou a nuca de Alyssa e a afastou de si. Levantando-se da espreguiçadeira, ele estendeu a mão. — E acho que já passou da hora de mudarmos isso, não acha? Sem hesitar sequer por um instante, ela pôs a mão na dele e permitiu que Caleb a pusesse de pé. Enquanto atravessavam as portas duplas indo até o quarto dele, Alyssa lembrou a si mesma de que devia resistir à tentação, fugir loucamente de volta para seu apartamento e proteger o que restava de seu coração. Entretanto, quando ele a levou para o banheiro da suíte principal e a virou para si, Alyssa percebeu que não tinha escolha. Olhando fixamente para os intensos olhos cor de 70


mel dele, soube que era tarde para se salvar. Seu coração já não lhe pertencia mais. Pertencia a Caleb, e pertencera desde o momento em que ele adentrara o escritório dela no dia em que chegara para assumir o comando da Skerritt e Crowe. Sorrindo, ele tirou a molhada roupa de banho dela e a jogou para longe. — Seu corpo é bonito demais para ser coberto por roupas. Ela sorriu. — Até no trabalho? Quando ele deslizou lentamente as mãos dos montes dos seios dela até os quadris, o malicioso brilho nos olhos dele tirou o fôlego de Alyssa. — Não gosto de dividir. Ver você deste jeito é só para os meus olhos, querida. — Isso vale para nós dois — disse ela, puxando o short molhado dos esguios quadris dele. — Também adoro o seu corpo. Mas não quero que nenhuma outra mulher o aprecie como eu aprecio. Ele a tomou nos braços e baixou a cabeça. — Só para você, Alyssa. Só para você. Caleb fundiu sua boca à de Alyssa, e a promessa contida no delicado beijo, a sensação do musculoso corpo dele a envolver o dela fizeram a pulsação de Alyssa disparar e estrelas começarem a dançar por trás de seus olhos fechados. O calor do desejo que ela vivenciava apenas nos braços de Caleb fluiu através dela, aquecendo seu sangue, enchendo-a com uma paixão tão forte que deixava seus joelhos fracos. Os braços dele se apertaram em volta dela enquanto ele deslizava a língua para dentro, para hipnotizá-la com o sabor de sua sede, e a espiral de desejo começou a se formar no íntimo de Alyssa. No entanto, quando ele passou as mãos, descendo pelas costas dela para segurar o traseiro e a erguer, puxando-a para perto de si, a sensação da rígida ereção pressionada contra o ventre dela fez com que uma profunda reação ocorresse dentro dela, um delicioso latejar que se iniciou em todos os lugares femininos de Alyssa. Perdida em meio às sensações que ele criara dentro dela, percebeu vagamente que ele os estava levando para o grande boxe de azulejos, fechando a porta e abrindo a água. Caleb apertou os braços em torno dela outra vez para puxá-la para si, e a sensação da pele molhada contra a dela enviou fios de excitação para se enroscarem nos lugares mais interessantes. Deslizando as mãos pelas laterais do corpo dela e voltando para envolver a fartura dos seios, ele baixou a cabeça para provar a água que escorria dos doloridos mamilos dela. Provocou primeiro uma das pontas enrijecidas e, em seguida, a outra. E, quando levantou a cabeça para beijá-la, Alyssa já formigava por inteiro. O olhar de Caleb a manteve enfeitiçada enquanto ele pegou o sabonete e o passou pelos ombros dela, por seus seios, descendo pelo abdômen. Suas mãos escorregadias a tocavam em todas as partes, deslizando sobre sua pele, enviando minúsculas fagulhas de eletricidade para saltitar em cada nervo do corpo dela, e Alyssa precisou de toda a sua concentração para simplesmente se lembrar de respirar. Determinada a dar a ele a mesma massagem sensual, ela sorriu ao pegar o sabonete de Caleb. Espalhando-o nas mãos trêmulas, ela as deslizou pelo largo peito dele, pelo abdômen definido e pelos flancos esbeltos. Queria dar a ele o que ele lhe dera e, tomando-o em suas palmas, deslizou os dedos pela pele contraída, mediu a extensão dele e a força de seu desejo por ela. 71


Caleb fechou os olhos, e um profundo grunhido de prazer escapou de seus lábios entreabertos. — Querida, se eu morrer agora, vou embora deste mundo sendo um homem feliz. — Mas não quero que você seja só feliz — disse ela, perguntando a si mesma se teria coragem de levar sua exploração ao próximo nível. — Abra os olhos, Caleb. — Quando ele obedeceu ao comando dela, Alyssa esperou até que a água levasse embora os últimos traços de sabonete. — Quero que você fique saciado. O coração de Caleb quase parou, e ele achou que jamais conseguiria respirar novamente quando viu Alyssa se ajoelhar diante dele. — Querida, você não precisa... Ao sentir os doces lábios dela em seu corpo aquecido, ele parou abruptamente e cerrou os dentes com tamanha força que poderia até fazer sua mandíbula se partir. O íntimo beijo dela lançava um incêndio líquido pelas veias dele à velocidade da luz, e Caleb não sabia ao certo durante quanto tempo suas pernas lhe dariam apoio. Pondo as mãos nos ombros dela, colocou-a de pé. — Se continuar com isto, não vai ser difícil eu me saciar. Ela sorriu. — Não gostou do que eu estava fazendo? — Eu não falei isso. — Ele inspirou para dentro de seus pulmões o ar de que tanto precisava e balançou a cabeça. — O problema é que gostei demais. Contudo, quero que nós dois estejamos presentes para o grand finale. E tenho toda a intenção de estar dentro de você quando isso acontecer. Caleb baixou a cabeça para girar a língua em torno de um retesado mamilo enquanto roçava o outro com seu polegar. Provocando-a com seus dentes e, em seguida, sugando a ponta enrijecida para dentro de sua boca, ele deslizou para baixo a mão entre eles dois para encontrar o ponto sensível no ápice das coxas dela. Alyssa estremeceu quando Caleb a acariciou delicadamente, e ele concluiu que tudo o que queria era passar o resto de sua vida dando prazer a ela. Quando ele levantou a cabeça para olhar o lindo rosto dela, as faces de porcelana de Alyssa estavam tingidas com um rosado fulgor de paixão, e seus olhos azuis cintilavam com um profundo desejo. A excitação dela alimentou a dele, e, de repente, Caleb sentiu a necessidade de possuí-la de corpo e alma. — Você me quer, Alyssa? — Sim — Agora? — Sim De alguma forma, ele encontrou forças para recuar e sair momentaneamente do chuveiro. Quando retornou com a proteção já colocada, ele a virou de costas, envolveu-a com os braços e puxou as costas de Alyssa contra seu peito. — Caleb? — A incerteza estava evidente no tom da voz dela. — Você confia em mim, Alyssa? — Quando ela assentiu, ele deu um beijo no ombro dela. — Vou acariciar seu corpo enquanto faço amor com você. Ele apoiou o peso dela ao levá-la para si e, num leve movimento, penetrou-a por trás. O leve gemido de prazer de Alyssa misturado ao profundo grunhido dele enviou 72


ondas de um quente e urgente desejo à cabeça dela, descendo até as solas de seus pés, e Caleb precisou se esforçar para manter o pouco controle que lhe restava. A sensação de Alyssa a acolhê-lo bem dentro de si, dos músculos internos dela a abraçá-lo enquanto ela se ajustava ao tamanho dele quase o levou além do limite. Entretanto, determinado a garantir o prazer dela antes do seu, ele cobriu os seios dela com as mãos, beijando-lhe o ombro e a esguia coluna do pescoço, começando a investir lentamente contra ela. Os corpos escorregadios da água se movendo em perfeito uníssono fizeram com que a pulsação dentro dos ouvidos dele rugisse, e, querendo que Alyssa encontrasse a mesma liberação que estava prestes a dominá-lo, Caleb deslizou a mão para baixo para tocá-la intimamente. Acariciando-a com um ritmo que combinava com o movimento de seus corpos, sentiu ela se contrair internamente e, em seguida, acariciá-lo delicadamente ao encontrar a culminação que ambos buscavam. A liberação dela desencadeou a dele, e, abraçando-a contra si, Caleb estremeceu ao segui-la rumo ao orgasmo, entregando sua essência à mulher que ele amava. Quando a mente começou a clarear, Caleb baixou Alyssa com cuidado para o piso de azulejos. Então virou-a para si. Mesmo com o cabelo molhado e caído em torno dos ombros, ela era a mulher mais linda que ele já tivera o privilégio de ver, e Caleb tinha toda a intenção de torná-la sua... permanentemente. Porém, ele não poderia fazer isso antes de lhe contar tudo: quem ele era, por que fora enviado para administrar a firma financeira e o fato de que não tinha as qualificações para fazer o trabalho da forma certa. Ele só esperava loucamente que ela o perdoasse por não ter lhe contado a respeito de si desde o início. — Precisamos conversar, querida. Envolvendo a cintura dele com os braços, ela sorriu. — Aqui? Caleb também sorriu ao balançar a cabeça. Num chuveiro e totalmente nu não eram exatamente as melhores condições para o tipo de confissão que ele faria. — Vamos nos secar e nos deitar. — Gostei dessa ideia. Pegando a mão dela, tirou-a do boxe. — Vou fazer você gostar ainda mais.

Na manhã seguinte, quando Alyssa acordou com o som de Caleb cantando uma versão desafinada de uma popular música country, ela não conseguiu evitar sorrir. Achava o hábito dele de cantar enquanto tomava banho algo bastante cativante. Contudo, nas poucas semanas desde que eles tinham se conhecido, Alyssa já percebera que não havia nada nele que ela não achasse completamente irresistível. Ele era extrovertido e solidário e, quando faziam amor, nunca deixava de garantir o prazer dela antes de encontrar o seu próprio. E, apesar de ela ter sérias dúvidas com relação ao comando dele na Skerritt e Crowe, Alyssa precisava admitir que Caleb era um absoluto gênio em sua abordagem à administração. Desde sua chegada, a moral dos funcionários melhorara imensamente, a produtividade estava aumentando, e eles tinham conseguido vários novos clientes. 73


No entanto, deitada ali, pensando em todos os motivos pelos quais se apaixonara por ele, Alyssa não conseguiu evitar perguntar a si mesma o que Caleb queria discutir com ela. Ele mencionara antes da festa, e novamente no chuveiro na noite anterior, que eles precisavam conversar. Mas, depois de se secarem, a insaciável sede deles os dominara e, depois de fazerem amor outra vez, eles haviam adormecido imediatamente. Ele teria concluído que aquela farsa era uma ameaça grande demais a sua paz de espírito? Estaria querendo discutir como lidariam com o rompimento do falso noivado? O estômago dela se contraiu dolorosamente com a ideia de nunca mais ser envolvida pelos fortes braços dele, de nunca mais provar o desejo dele por ela em seu terno beijo. Ela lhe entregara o coração, mas não fazia ideia do que ele sentia por ela. Concluindo que também tinha suas próprias perguntas que precisavam de respostas, ela jogou as cobertas para longe e saiu da cama. Pegou a camisa dele em uma das cadeiras e a vestiu rapidamente. Dormir nua com ele era maravilhoso, mas precisavam conversar sem serem novamente distraídos. Ela chegou até a metade do quarto, mas o toque do telefone a fez parar. Olhando de relance para o relógio, ela se perguntou quem diabos estaria ligando tão cedo numa manhã de sábado. Franziu o cenho ao ler as palavras Não Registrado na identificação de chamada. Enquanto estava parada ali, perguntando a si mesma se devia deixar a secretária eletrônica atender a ligação, Caleb parou de cantar. — Pode atender, Alyssa? — Claro. — Ela atendeu no terceiro toque. — Alô? Houve um momento de silêncio e, então, uma autoritária voz exigiu saber: — Com quem estou falando? Alyssa franziu o cenho para a censura na voz da mulher mais velha. — Com quem deseja falar? — Meu neto, Caleb Walker. Ele está? — No momento, ele não pode atender. Posso anotar algum recado? — É a srta. Merrick? — perguntou a mulher, soando repentinamente muito mais sociável. — Sim, sou eu. — Como diabos a mulher soubera quem ela era? — Aqui é Emerald Larson. Imaginei que eu tivesse reconhecido sua voz. Como tem passado? Acho que não tivemos oportunidade de conversarmos desde que telefonei para avisar que Caleb assumiria o comando da firma. Alyssa se sentiu como se seu estômago tivesse desabado até os pés. Emerald Larson, uma das empresárias mais bem-sucedidas de todos os tempos, a primeira mulher a entrar na lista dos dez mais ricos de uma prestigiada publicação financeira, era a avó de Caleb? — Preciso lhe agradecer por tudo o que você fez por Caleb, minha querida. Fiquei sabendo que vocês dois formam uma ótima equipe — continuou a mulher. — Levando-se em consideração a falta de estudo de Caleb, foi um grande desafio fazer a transição de um simples garoto do campo para o administrador de uma firma financeira do tamanho da Skerritt e Crowe. Mas não estou surpresa por ele ter sido bemsucedido. Afinal, ele tem os genes Larson. 74


— É claro — disse Alyssa, sentindo-se mais nauseada do que nunca em toda a sua vida. — Tenho certeza de que, depois que ele concluir alguns cursos universitários, não vai precisar depender tanto de você para administrar as coisas. Mas fique tranquila, minha querida, vou me certificar de que seja bem recompensada por seus esforços. Alyssa precisava desligar o telefone antes que sua frágil compostura se estilhaçasse em um milhão de pedaços. Ela fizera aquilo outra vez. Apaixonara-se por um homem que só queria usá-la para atingir seus objetivos. A única diferença era que, dessa vez, ela se apaixonara irremediavelmente por Caleb. — Preciso desligar, sra. Larson. Vou dizer a Caleb para telefonar para a senhora. Antes que a mulher pudesse responder, Alyssa interrompeu a conexão. Quando ergueu os olhos, Caleb estava saindo pela porta do banheiro enquanto prendia uma toalha em torno da cintura. — Quem era? — Sua avó. — Indo até Caleb para pôr o telefone sem fio na mão dele, Alyssa lutou para manter sua voz estável enquanto olhava nos incríveis olhos cor de mel dele. — Emerald Larson. Quer que você ligue para ela. Quando Caleb estendeu a mão para ela, Alyssa conseguiu se esquivar do toque dele. — Por favor, não. Com uma expressão estoica, ele deu um passo na direção dela. — Eu posso explicar, Alyssa. — Acho que sua avó já deixou as coisas bem claras. Você vem me usando para manter a firma funcionando enquanto brinca de homem de negócios bem-sucedido. — Uma repentina onda de emoção ameaçou sufocá-la, e Alyssa precisou inspirar fundo antes de conseguir terminar. — Sabe. Nunca dei muita atenção às manchetes dos tabloides que falavam de Owen Larson e de suas peripécias nefastas. — Ela riu sem o menor humor. — Mas devia ter dado. Talvez eu tivesse reconhecido as mesmas características no filho dele e evitado fazer papel de idiota. — Alyssa. Balançando a cabeça, ela enxugou impacientemente uma lágrima do rosto. — Mal consigo imaginar como devo ter parecido pateticamente desesperada em busca de um homem para você. A desalinhada contadora cuja vida inteira girava em torno de seu trabalho. — Empertigando os ombros, ela se alimentou de uma vida inteira sendo ensinada a enfrentar o inimigo com coragem e graça. — Mas isso já não importa mais. Por favor, diga à sua avó que não quero e nem preciso da compensação que ela mencionou. Ele franziu ainda mais o cenho. — Compensação? — Tenho certeza de que ela não estava ciente de que você havia pensado em sua própria forma de me agradecer. Ele balançou a cabeça ao avançar rapidamente para pôr as mãos nos ombros dela. — Não é assim, querida. — Não me chame disso. — Desvencilhando-se da pegada dele, Alyssa lutou para 75


manter suas emoções sob controle enquanto consideravelmente. — Nunca mais me chame disso.

sua

trêmula

voz

se

exaltava

— Droga, Alyssa, ouça o que tenho a dizer. — Por que eu deveria? Até agora, você não foi honesto comigo. Por que eu deveria acreditar agora? — Você precisa se acalmar e ser racional. Esforçando-se para manter sob controle a torrente de lágrimas por mais alguns momentos, ela o olhou, furiosa. — Eu não preciso fazer nada, a não ser ir embora, sr. Walker. E é exatamente o que pretendo fazer. As pernas de Alyssa pareciam que não a aguentariam enquanto ela ia pegar a pequena mala que preparara quando haviam parado no apartamento dela na noite anterior. Descendo pelo corredor, ela parou no primeiro quarto que encontrou, tirou rapidamente a camisa dele, vestindo suas próprias roupas, e chamou um táxi. Quando Alyssa saiu para o hall, Caleb estava esperando por ela. Vestira uma camisa de cambraia, jeans desbotado e botas surradas. Se ele achava que voltar a sua farsa de bom moço faria alguma diferença, estava redondamente enganado. — Com licença — disse ela, começando a passar por ele. — Vou esperar meu transporte lá fora. Ele ficou totalmente parado. — Vou levar você de volta a Albuquerque. — Não vai, não. Cruzando os braços diante de seu largo peito, ele pareceu duvidar. — Então como pensa em voltar para casa? — Se precisar, vou até andando. — Ela passou por ele. — Mas isso já não é mais da sua conta, sr. Walker. — Não seja teimosa a ponto de fazer algo tão idiota — disse ele, seguindo-a até a porta da frente. Quando ela se virou para ele, seu corpo tremia com uma combinação de raiva e dor emocional. — Já sabemos que dominei o mercado da idiotice mesmo. Abrindo a porta, ela saiu e a bateu em seguida. Ao percorrer às pressas a entrada de carros, ela lembrou que deixara a gaiola de Sidney lá dentro. Mas não podia voltar para pegar o periquito. Precisaria telefonar depois e pedir para que Caleb levasse o pássaro para o escritório. No momento, ela precisava pôr o máximo de distância possível entre ela e Caleb. Se Alyssa voltasse, ele perceberia que ela se apaixonara perdidamente por ele. E ela preferia morrer a permitir que isso acontecesse.

Caleb ficou vigiando até Alyssa entrar no táxi. Então, dando as costas para a 76


janela, saiu para o pátio. Tudo dentro dele berrava para que fosse atrás dela, para que a trouxesse de volta e a obrigasse a ouvir a voz da razão, para que a convencesse a ouvir o que ele tinha a dizer. Mas ela estava magoada no momento, e só o fato de saber que ele era a causa já o deixava paralisado. Tivera toda a intenção de contar a Alyssa sobre si mesmo na noite anterior. Contudo, depois de irem para o quarto, ele ficara tão excitado por ela novamente que eles tinham feito amor até adormecerem por completa exaustão. Então ele planejara contar tudo a ela depois de terminar o banho e lhe servir o café da manhã na cama, e, em seguida, ele lhe pediria para que tornassem o noivado deles algo real. Mas Emerald aparecera antes. Isso complicava profundamente a questão, o que não significava que ele estava disposto a jogar a toalha. Alyssa precisava de tempo para se acalmar. E ele precisava de tempo para fazer alguns planos. Se havia uma coisa que ele herdara de sua avó paterna, era a determinação. A velhota não chegara aonde estava sem isso, e Caleb pretendia usar o legado dela para conquistar de volta a única mulher que ele já amara.

CAPÍTULO DEZ

Alyssa fungou para conter uma nova onda de lágrimas, sentada em seu sofá, olhando fixamente para as paredes de seu apartamento. Esperara que Caleb telefonasse na segunda-feira, depois de encontrar seu pedido de demissão sobre a mesa dele juntamente com um pedido para que deixasse Sidney com Geneva. No entanto, ao fim do expediente de quarta-feira, ela percebeu que ele não se importava com o fato de ela ir embora da Skerritt e Crowe. E estava claro que não pretendia devolver o periquito dela. — O mínimo que ele podia ter feito era me devolver Sidney — resmungou ela tristemente. Quando a campainha soou, ela suspirou. Devia ser a sra. Rogers novamente. A senhora de idade estivera varrendo a calçada na manhã de sábado quando Alyssa saíra do táxi e, ao ver os olhos avermelhados de Alyssa, a mulher resolvera lhe dar apoio moral. Desde então, fora à casa de Alyssa duas vezes por dia, mas, naquele, parecia que ela apareceria ali pela terceira vez. Levantando-se do sofá, ela foi abrir a porta. — Estou bem, sra... — Ela parou abruptamente. — Você não é sra. Rogers. O jovem de cabelo ruivo e rosto sardento, usando um uniforme branco de entregador, sorriu e balançou a cabeça. — Infelizmente, não. — Ele olhou para a prancheta em sua mão. — Você é Alyssa Jane Merrick? 77


— Sim — Tenho uma entrega expressa para você — disse ele, entregando-lhe um envelope marcado com “Urgente”. — Pode, por favor, assinar na linha 24? Assinando onde o jovem indicara, ela começou a agradecer, mas ele já estava voltando para a van de entregas. Quando o rapaz saiu cantando pneu ao se afastar do meio-fio, Alyssa concluiu que ele levava a sério demais a afirmação da empresa de ser o serviço de entrega mais rápido do mundo. Ao fechar a porta, ela olhou para o endereço do remetente. Quem diabos ela conhecia que morava Wichita, Kansas? Repentinamente, o coração dela quase parou, e voltou martelando em sua garganta. A sede da Emerald, Inc. ficava em Wichita. As mãos de Alyssa tremiam quando ela puxou a aba para abrir o fino envelope de papelão. Se Emerald Larson tivesse enviado qualquer coisa além do último contracheque dela, Alyssa devolveria com tanta velocidade que Emerald sequer saberia se aquilo fora enviado ou não. Porém, quando Alyssa retirou os papéis do envelope e os folheou, ficou boquiaberta. Era o pedido de demissão dela, juntamente com um bilhete escrito à mão pela própria Emerald Larson. Minha cara Alyssa, Para que seu pedido de demissão do cargo de gerente de operações da Skerritt e Crowe Consultores Financeiros seja considerado válido, você precisará entregá-lo a mim pessoalmente. Providenciei para que um carro fosse buscá-la em seu apartamento amanhã de manhã, às 8h. Por favor, não demore. O avião da empresa estará esperando para trazê-la a Wichita e, depois, levá-la de volta a Albuquerque mais para o final do dia. Cordialmente, Emerald Larson Sentindo-se repentinamente como se seus joelhos fossem feitos de gelatina, Alyssa se sentou no sofá para olhar fixamente para a carta. Nunca ouvira falar de alguém que tivesse precisado entregar seu pedido de demissão pessoalmente. Por que a mulher lhe pediria aquilo? A lei permitia que Emerald Larson exigisse isso dela? Alyssa não sabia ao certo. Mas iria a Wichita se isso fosse necessário para que ela se divorciasse da Skerritt e Crowe, da Emerald, Inc. e do fiasco com Caleb. Depois passaria o resto da vida tentando esquecer o único homem que ela amaria de verdade até o fim dos seus dias.

— Quem é o seu informante na Skerritt e Crowe, Emerald? — Caleb estava sentado no escritório executivo da Emerald, Inc., olhando para o outro lado da mesa em estilo provinciano francês, para sua indomável avó. — E não me diga que não sabe do que estou falando. Só podia ter alguém na firma dando informações a você. Do contrário, não teria dito que Alyssa e eu formamos uma ótima equipe. Para o crédito dela, Emerald sequer tentou fingir que não sabia do que ele estava 78


falando. — Isso faz alguma diferença, querido? — Sim, faz. — Ele não permitiria que ela conseguisse realizar seus joguinhos mentais. — Você disse a mim, a Hunter e a Nick que nós teríamos livre-arbítrio para administrar as empresas que nos deu... sem a sua interferência. — Não interferi na forma como você está administrando a firma financeira. — Ela sorriu. — Eu só queria saber como estava se saindo, nada mais. — Alguma vez lhe ocorreu que você poderia simplesmente me perguntar? Ela ajeitou seu cabelo cor de platina. — Eu queria uma opinião imparcial. Caleb se sentou mais à frente na cadeira. — Posso lhe garantir uma coisa. Se eu estiver prestes a me dar mal, eu aviso, para que você possa mandar um dos seus gênios da administração para limpar a bagunça antes que seja tarde demais. Não vou deixar que os funcionários da Skerritt e Crowe paguem o preço pelo que eu fizer de errado. São boas pessoas, e não quero vê-los prejudicados pelo seu pequeno experimento. Em vez de ficar ofendida com a declaração dele, a mulher pareceu incrivelmente satisfeita. — Tudo bem. — E vou lhe dizer outra coisa. — Se ela achava que ele tinha terminado, estava terrivelmente enganada. — Se eu descobrir que você está fazendo outro desses seus joguinhos comigo ou com a firma, estou fora. Volto para o Tennessee, e você pode esquecer qualquer outra das suas doces propostas de acordo, porque vou recusá-las imediatamente. Para a surpresa de Caleb, ela sorriu. — Eu não esperaria nada menos de um neto meu. — Ela olhou para o relógio incrustado com diamantes em seu punho esquerdo. — Alyssa deve chegar em poucos instantes. Tem certeza de que não quer que eu fique? Talvez eu seja capaz de esclarecer os fatos a respeito do seu pai. Ele balançou a cabeça. — Você fazê-la vir até aqui já foi suficiente. Eu cuido disso de agora em diante. Emerald se levantou e caminhou até a porta. — Se precisar de mim. — Não vou precisar. Inquieto demais para permanecer sentado, Caleb se levantou. Se ele tivesse alguma chance de um futuro com Alyssa, precisaria ser completamente honesto com ela. E as informações sobre ele precisariam vir dele próprio, não de sua avó podre de rica. — Eu me meti nesta encrenca. Eu vou dar um jeito de sair dela. Emerald assentiu, aprovando. — Espero que a sua jovem perceba o bom homem que você é, Caleb. Desejo-lhe sorte, filho. Caleb a olhou fixamente durante vários longos momentos. Havia uma sinceridade 79


na voz dele que ele não esperara. — Obrigado, vovó.

Quando Alyssa saiu do elevador no sexto andar das Emerald Towers, havia um cavalheiro de aparência distinta de cerca de 50 anos a esperá-la. — Srta. Merrick, por favor, venha comigo. Sou o assistente pessoal da sra. Larson, Luther Freemont. Fui instruído para que levasse a senhorita diretamente para o escritório particular dela. Enquanto seguia o homem por um longo corredor, Alyssa apertou com força a pasta que continha seu pedido de demissão. Não estava nervosa, mas ávida por acabar logo com aquela reunião com Emerald Larson. Depois que fizesse isso, ela poderia se concentrar em reconstruir sua vida. O sr. Freemont parou diante de um par de portas de mogno altas e esculpidas de forma ornamental. Abrindo uma delas para Alyssa, ele recuou. — Espero que sua reunião transcorra para a satisfação de todos, srta. Merrick. — Obrigada. Por que o homem lhe diria algo assim? A sra. Larson tentaria convencê-la a não se demitir? Se esse fosse o caso, a mulher se decepcionaria. Não havia como Alyssa continuar trabalhando na firma enquanto Caleb estivesse lá. Entretanto, quando ela entrou no escritório, seu coração pareceu cair ao chão. Em vez de encontrar Emerald Larson no sofisticado escritório executivo, Alyssa viu Caleb olhando pelas janelas de vidro temperado. Quando ele se virou para ela, estava tão devastadoramente lindo que Alyssa perdeu o fôlego, e uma lança de desejo perfurou diretamente sua alma. O jeans de cintura baixa dele enfatizada a cintura fina e suas coxas musculosas, ao passo que o tecido da camisa polo azul-marinho chamava a atenção para os músculos bem desenvolvidos da parte superior do corpo, fazendo Alyssa se lembrar de como ele era forte, de quão facilmente a segurara quando haviam feito amor no chuveiro. Seu cabelo castanho-claro estava ligeiramente bagunçado, como se ele tivesse acabado de passar a mão nele, mas isso apenas aumentava a atração exercida por Caleb. — Bom dia, Alyssa. — Onde está a sra. Larson? Ele deu de ombros. — Imagino que deva estar em algum lugar por aí. O sorriso dele e o som de seu profundo sotaque sulista causaram uma onda de emoção tão forte que ameaçou dominá-la. Alyssa se virou para ir embora. — Não consigo fazer isto — sussurrou ela. — Espere, Alyssa. — Ele atravessou rapidamente o recinto para segurar os braços dela. — Por favor, preciso que você ouça o que tenho a dizer. Depois, se ainda quiser pedir demissão, prometo que não vou tentar impedir. — Este é o único jeito de você aceitar minha demissão? — perguntou ela, já 80


sabendo a resposta. — Infelizmente, sim, querida. — Ele a virou para si. Então recuou e gesticulou para uma área de estar perto das portas. — Venha se sentar. — Prefiro não fazer isso. — Pode demorar um pouco. Ela balançou a cabeça. — Caleb, acho realmente que não faz sentido. Ele cruzou os braços diante do largo peito. — Mas eu acho que faz. Sentindo-se súbita e completamente derrotada, ela foi se sentar na beira de uma das macias poltronas. Olhou fixamente para a pasta em seu colo. — Por favor, seja breve. Ele ficou em silêncio por um momento, e Alyssa percebia que ele estava esperando que ela o olhasse. Mas não conseguia. Se fizesse isso, sabia que desmoronaria, sem a menor dúvida. — Tudo o que eu disse a você a meu respeito era verdade, Alyssa — disse ele tranquilamente. — Fui criado numa fazenda na região central do Tennessee e tenho dois irmãos; Hunter O’Banyon e Nick Daniels. — Ele hesitou como se não gostasse do que diria em seguida. — Nunca menti para você. Mas sou culpado por ter omitido alguns fatos. — M-mas você mentiu para mim, sim — falou ela, detestando o fato de sua voz estar trêmula de emoção. Ela o olhou diretamente. — Você me disse que estudou na University of Tennessee. Caleb sorriu de forma triste e balançou a cabeça. — Eu disse que não existia nenhum time como os Vols da UT. Nunca falei que estudei lá. — Mas você sabia o que eu pensaria. Assentindo, ele passou a mão por sua nuca. — Não me orgulho disso. Contudo, era mais fácil deixar você tirar suas próprias conclusões que admitir que eu não tinha nada além de um diploma de ensino médio. Com a expressão séria, ele se sentou na beira da mesa de centro diante dela. Quando Alyssa percebeu que os joelhos deles estavam quase se tocando, recuou rapidamente na poltrona. Se ele a tocasse de qualquer forma que fosse, ela temia perder o tênue controle que estava mantendo sobre seus sentimentos. Alyssa observou Caleb apoiar os antebraços nas coxas e olhar fixamente para suas mãos, unidas de forma frouxa. — Consegui uma bolsa de estudos para frequentar a UT em Knoxville, mas tive que recusar. Meu avô adoeceu naquele verão, e precisavam de mim em casa para manter a fazenda funcionando. Dali em diante, foi uma questão econômica. Havia um profundo pesar no tom dele, e Alyssa percebia que sua falta de educação universitária o incomodava muito. — Ainda há tempo de você conseguir seu diploma. 81


Caleb deu de ombros. — Estou inscrito para as aulas noturnas no semestre que começa no outono. Alyssa franziu o cenho. Algo não estava batendo. — Espere aí. Emerald Larson é sua avó. Por que ela não pôde ajudar você a estudar? — Eu e meus irmãos só descobrimos no mês passado a existência uns dos outros e o fato de que éramos fruto do finado Owen Larson, que gostava de semear por aí. — Ele soltou uma risada sem humor. — Até então, não fazíamos a menor ideia de quem nosso pai era, nem de que éramos parentes de uma das mulheres mais ricas do mundo. — Está brincando. — Quem me dera — disse ele, balançando a cabeça. — Mas, infelizmente, não estou. Ela mal conseguia começar a imaginar o choque que deveria ter sido para os três homens. — Como você descobriu? — Luther Freemont apareceu na fazenda um dia para me dizer que estavam pedindo minha presença em Wichita. — Ele próprio ainda parecia ter dificuldade de acreditar. — Quando perguntei a ele quem estava pedindo e por que, ele disse que não tinha liberdade de me contar. Então eu o mandei para o inferno e voltei a trabalhar no meu trator. — Imagino que ele não tenha desistido. Caleb balançou a cabeça. — Minha mãe interveio e me disse que era hora de eu saber sobre o meu pai, e falou que queria que eu fosse. — Não entendo — disse Alyssa, perguntando a si mesma por que aquilo havia sido um segredo tão grande. Na realidade, ela não devia se importar. Mas conseguia ver que ele fora profundamente afetado pelo que acontecera e não conseguiu deixar de perguntar: — Por que ela não tinha dito a você quem era o seu pai? — É aí que as coisas ficam complicadas. — Inspirando fundo, ele acrescentou: — Emerald Larson soube da existência de todos nós praticamente desde o momento em que fomos concebidos. Mas ela não queria que acabássemos ficando como o filho dela. o nosso pai. — Então ela não reconheceu nenhum de vocês até recentemente? — Alyssa não conseguia entender como Emerald Larson podia ter vivido no luxo enquanto negava a seus netos as oportunidades que teriam facilitado as vidas deles. Ele balançou a cabeça. — Ela nos disse que sabia que tinha cometido muitos erros por ter dado a Owen tudo que ele queria, em vez de lhe dar o tempo e a atenção de que ele precisava dela. Também disse que sabia que teríamos uma chance maior de nos tornarmos homens decentes se nosso estilo de vida fosse mais sensato e se fôssemos criados por mães que nos ensinassem os valores que ela não conseguira ensinar a Owen. — Ele sorriu. — Por mais louco que isso possa parecer, Emerald estava mesmo tentando nos proteger. Alyssa pensou naquilo por um momento. 82


— Acho que, de um jeito bem estranho, faz sentido. — Ela balançou a cabeça. — Mas não explica por que sua mãe não contou a você sobre o seu pai. A expressão dele ficou sombria. — Ainda estou tendo dificuldades com essa parte dessa confusão sórdida. Minha mãe trabalhava num dos hotéis de luxo de Nashville. Era uma garota do campo, jovem e ingênua, e Owen a deixou deslumbrada. Então, depois que ele foi embora da cidade, Emerald entrou em contato com minha mãe por intermédio de um detetive particular enquanto ela estava grávida e providenciou nosso sustento com uma modesta quantia mensal. A única exigência era que a minha mãe não poderia contar a ninguém, inclusive eu, quem era o meu pai. Emerald chegou até a fazer minha mãe assinar um acordo declarando que, se ela divulgasse quem a tinha engravidado, eu não herdaria nada da Emerald, Inc. e da fortuna dos Larson. E fez o mesmo com a mãe de Hunter e a de Nick. Alyssa conseguia entender o fato de a sra. Larson não querer que os meninos acabassem ficando como o pai. Ninguém em sã consciência iria querer ver uma criança crescer para ser um adulto hedonista e irresponsável, o que ela ouvira dizer que Owen Larson era antes do acidente de barco que lhe tomara a vida seis meses atrás. O que Caleb estava descrevendo, porém, o que Emerald Larson exigira das mulheres, soava muito parecido com chantagem. — E, durante todo esse tempo, sua mãe nunca contou a ninguém que era seu pai? O intenso olhar dele encontrou o dela. — Não. Ela achava que estava garantindo um futuro melhor para mim do que qualquer um que ela pudesse me dar por conta própria. Alyssa não conseguiu evitar sentir um pouco de inveja. Sua mãe a amara e a mimara enquanto vivera. Contudo, depois de sua morte, Alyssa não se sentira mais amada por ninguém. Eles permaneceram em silêncio durante vários longos momentos antes de ele inspirar fundo. — Quando todos chegamos a Wichita e Emerald explicou a respeito do nosso pai, dizendo que iria dar a cada um de nós uma empresa para que as administrássemos, tive toda a intenção de recusar, porque não me sentia qualificado para administrar um lugar como a Skerritt e Crowe. — O que fez você mudar de ideia? — Pensei no sonho da minha mãe, o de me dar uma vida melhor, e soube que eu precisava tentar. — Ele deu de ombros. — Então comecei a ler livros sobre administração e entrei na internet para pesquisar tudo que eu pudesse encontrar sobre como criar uma atmosfera de trabalho melhor e mais união entre os trabalhadores. Lembrei que tinha visto uma matéria no noticiário há cerca de um ano sobre empresas que usavam jeitos inovadores de manter os funcionários motivados. Comprei uns livros, pesquisei um pouco mais no computador, e as mudanças que fiz na Skerritt e Crowe são o resultado disso. — E funcionou. — A consciência de Alyssa não permitiria que ela dissesse o contrário. — Todos na firma estão muito mais felizes do que estavam com a administração anterior. Ele deu de ombros. — Também imaginei que, se eu criasse um bom lugar para trabalhar, deixasse todos sozinhos para fazerem seu trabalho e permitisse que você tomasse as decisões de negócios, eu ficaria bem até conseguir terminar alguns cursos de Administração e ter uma 83


ideia do que eu deveria estar fazendo de fato. A confissão dele fez o peito de Alyssa se contrair, e ela não soube ao certo se seria capaz de respirar. Achar que ele a vinha usando era uma coisa, mas ouvi-lo pôr aquilo em palavras doía mais do que ela jamais poderia ter imaginado. — Eu. eu preciso mesmo, ir embora. — Ela se levantou rapidamente e enfiou a pasta de arquivo que continha seu pedido de demissão nas mãos dele. Se não saísse logo dali, as comportas se abririam. — B-boa sorte com... a firma. Levantando-se, ele jogou a pasta no chão e a puxou para os braços. — Ainda não contei o detalhe mais importante, Alyssa. Ele a aninhou junto de si, e a sensação dos fortes braços fechados em torno dela, a ampla extensão do peito a acomodar sua cabeça e a maneira terna como ele acariciou o cabelo dela fizeram o coração de Alyssa se partir ainda mais. Saber que, ao sair por aquela porta, jamais seria abraçada por ele e nunca mais conheceria a suavidade de seu beijo era quase mais do que ela era capaz de suportar. — C-Caleb, p-por favor. — Não chore, querida. Parte meu coração ver você chorando. — O peito dele subiu e desceu debaixo da orelha dela quando ele inspirou fundo tremulamente. — Quer saber o que aconteceu quando cheguei à Skerritt e Crowe? — N-não. — Eu me apaixonei por uma mulher linda e inteligente que tentava esconder como era maravilhosa por trás de terninhos folgados e óculos gigantescos. — Curvando-se para trás, ele segurou o rosto dela com suas grandes mãos, e a sinceridade que Alyssa viu naquele incrível olhar cor de mel fez seu coração palpitar várias vezes. — Sim, deixei você dar as cartas na firma. Mas nunca usei você. Nunca assumi crédito por nada. Enquanto ela o olhava fixamente, Alyssa percebeu que o que Caleb dissera era verdade. O principal motivo para todos da Skerritt e Crowe estarem tão felizes era o fato de que Caleb os deixara em paz para fazer seu trabalho e não tentara microgerenciar cada ação que eles tomavam. — E-eu sinto muito por ter tirado conclusões precipitadas. — Ela inspirou fundo para se recompor. Repentinamente, tornou-se muito importante que ele compreendesse por que ela se recusara a ouvi-lo naquela manhã, como ela permitira que o medo a cegasse para a realidade. — Antes de eu começar a trabalhar na firma, cometi um grande erro me envolvendo com um colega de trabalho que usou nosso relacionamento para conseguir informações sobre um cliente que eu vinha esperando conseguir. Ele assumiu todo o crédito pela pesquisa e por conseguir a conta, e conseguiu uma promoção por todo o árduo trabalho dele. — Esse idiota devia ser executado por ter feito isso com você. — Caleb balançou a cabeça. — Não é nenhuma surpresa que tenha achado que estivesse usando você para me sair bem. — Acho que, de certa forma, eu estava esperando que isso acontecesse. — A voz dela ficou embargada. — Acho que eu esperava que você me magoasse da mesma forma que ele tinha me magoado. O intenso olhar dele capturou o dela. — Você ainda se sente assim, Alyssa? — Não. — Talvez Caleb tivesse omitido alguns fatos importantes, mas ele lhe 84


dissera o máximo que podia a respeito de si mesmo sem revelar quem era sua avó e que ele não tinha a qualificação para administrar a Skerritt e Crowe. Caleb deu um beijo na têmpora dela. — Amo você, Alyssa Jane Merrick. Nunca duvide disso. E eu nunca faria nada para magoá-la, querida. — Agora eu já sei disso. — Os olhos dela se encheram de umidade, mas, dessa vez, eram lágrimas de alegria. — Eu... também amo você, Caleb. Demais. Ele a esmagou contra si, beijando-a até que ambos arfassem em busca de ar. — Quero passar o resto da minha vida provando o quanto você significa para mim, querida. — Recuando, ele puxou uma pequena caixa de veludo do bolso do jeans e retirou dela um anel de diamante e safira. Então, ajoelhando-se, pegou a mão dela. — Alyssa, quer se casar comigo? O coração dela se encheu com tanto amor que pareceu que ia explodir. — Sim. Deslizando o anel para o dedo dela, Caleb levantou-se para tomá-la nos braços. — Pretendo passar o resto da minha vida garantindo que você nunca se arrependa de ser minha esposa, querida. Ela envolveu a cintura dele com os braços. — Eu nunca me arrependeria de me casar com o único homem que vou amar pelo resto da minha vida. — Deus, como senti sua falta — disse ele, beijando os olhos dela, as faces e a ponta de seu nariz. — E não fui o único. — Também senti sua falta. — Ela se curvou para trás para olhá-lo. — Como assim você não foi o único? Caleb riu. — Sidney também sentiu sua falta. Sorrindo, ela perguntou. — Por que você não o devolveu para mim? O sexy sorriso dele fez Alyssa sentir frio na barriga. — Minha intenção era a de mantê-lo como refém até você dizer sim. — Eu nunca teria dito algo diferente. — Ela olhou de relance para o anel no terceiro dedo de sua mão esquerda. — Como soube o tamanho de anel que uso? Ele balançou a cabeça. — Não sei como Emerald consegue fazer isso, mas, depois que escolhi o anel que eu queria dar a você, ela me disse que cuidaria do tamanho dele. — Mas nós só nos falamos pelo telefone. Nunca nos encontramos pessoalmente. Como ela soube? — Não sei bem, mas ela tem suas maneiras. Agora, vamos apresentar vocês duas e, em seguida, vamos para o aeroporto. — Ele pegou a mão dela e a levou até a porta. — Temos uma coisa nos esperando na minha casa. — E o que seria essa coisa? 85


O sexy sorriso de Caleb lançou ondas de calor por todo o corpo de Alyssa. — Uma banheira de hidromassagem — Gosto do seu jeito de pensar. — Ficando nas pontas dos pés, ela beijou o fino rosto dele. — Amo você com todo o meu coração, Caleb Walker. O terno sorriso dele iluminava os cantos mais sombrios da alma dela. — Também amo você, Alyssa Jane Merrick. Agora, vamos para casa para eu começar a cumprir minha promessa mostrando a você com que intensidade exatamente.

EPÍLOGO

— Quanto tempo falta? — perguntou Caleb, indo olhar pela janela da casa de campo. — Juro por Deus que, se você não sossegar, Hunter e eu vamos amarrá-lo — disse Nick, rindo. Hunter verificou seu relógio de pulso. — Você tem aproximadamente 15 minutos de liberdade restando. — Sorrindo, ele deu um tapinha no ombro de Caleb. — Ainda dá tempo de fugir. Caleb balançou a cabeça. — De jeito nenhum. Alyssa é tudo que eu sempre quis. — Você é um desgraçado de sorte — disse Nick, sorrindo. — Ela é uma ótima garota. — Nick e eu desejamos o melhor a vocês — acrescentou Hunter enquanto eles iam até a porta. — Quando ela vai assumir a direção da firma financeira? — Logo depois de voltarmos da nossa lua de mel nas Bahamas. — Caleb foi na frente, rumando para a pradaria perto do riacho. — Nosso plano é que ela mantenha as coisas funcionando até eu receber meu diploma em Administração. Depois, vamos administrar a empresa juntos. — E Emerald não vê problema nisso? — perguntou Nick, parecendo duvidar. — Foi ela quem sugeriu — respondeu Caleb, assumindo seu lugar ao lado do pastor da igreja metodista local. Ao olhar para a pequena plateia sentada em cadeiras brancas dobráveis debaixo da sombra do carvalho que ele escalara quando menino, Caleb percebeu que vários dos funcionários da Skerritt e Crowe tinham feito a viagem do Novo México até o Tennessee para o casamento. Seu sorriso se alargou quando seu olhar vagou para sua mãe e suas avós. Em lados opostos do corredor, elas estavam conversando de forma simpática. Levando tudo em consideração, ele jamais teria acreditado que aquilo fosse possível, mas sua mãe, sua avó Walker e Emerald tinham se tornado boas amigas. Seu coração se encheu de amor pelas mulheres de sua vida. Quando ele levara 86


Alyssa para casa para conhecer a mãe e a avó, as duas a haviam acolhido imediatamente como a filha e a neta que nunca tiveram Então, para a surpresa de Caleb, a mãe dele telefonara para Emerald, e as quatro tinham se divertido muito planejando o casamento juntas. No entanto, quando o quarteto de cordas que Emerald insistira em contratar começou a tocar a “Marcha nupcial” e os convidados se levantaram, Caleb voltou sua atenção para a mulher que era acompanhada até o altar por Malcolm Fuller. Alyssa estava vestida com um longo vestido de noiva branco, de cetim e renda, e ele nunca a tinha visto mais linda do que naquele instante. O olhar dela não abandonou o dele por um segundo sequer, e, quando Malcolm entregou a mão dela a Caleb, o radiante sorriso de Alyssa iluminou os recônditos mais escuros da alma dele. — Amo você, querida. Está pronta para se tornar a sra. Walker? — Passei a vida inteira esperando por este momento — sussurrou ela.

— Eles formam um casal muito bonito — murmurou Emerald ao ver Caleb levantar o véu de Alyssa. — De fato — concordou Luther Freemont. Observando seu lindo neto beijar a adorável noiva, Emerald sorriu. Estivera certa ao pôr Caleb junto de Alyssa. Desde a primeira vez em que falara ao telefone com a jovem, Emerald ficara impressionada com sua inteligência e sua proficiência nos negócios. Então, depois de uma discreta verificação do passado de Alyssa, ela soubera por instinto que um era exatamente do que o outro precisava. Caleb era um líder nato, e Alyssa tinha um intelecto sensato. Eram o par perfeito e, juntos, seriam uma grande força no mundo financeiro, sem falar que iriam produzir herdeiros lindos e inteligentes. Extremamente satisfeita com os resultados de seu primeiro trabalho, ela voltou a atenção para seus outros netos. Hunter e Nick seriam um desafio. Ambos tinham passados que precisariam ser superados antes que pudessem encontrar a felicidade. Mas ela não estava preocupada. Ela e Luther tinham feito sua pesquisa e posto seus planos em ação. Nos meses seguintes, Emerald esperava que tudo se desenrolasse de forma também satisfatória com Hunter e Nick. Quando Caleb e Alyssa se afastaram do altar como marido e mulher, Emerald se voltou para Luther com um convencido sorriso. — Um já foi. Faltam dois.

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Acordo Entre Amigos