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DIÁRIOS do VAMPIRO O RETORNO


Stefan foi capturado por es pí ri tos demoní acos e es tá pres o na Di mens ão Sombri a, onde rumores di zem que vampi ros e demôni os andam l i vremente, mas humanos s ão manti dos como es cravos por s eus mes tres s obrenaturai s . E l ena pede aj uda a Damon e, com M att, vai até l á res gatar Stefan. O probl ema é que a tens ão entre el a e Damon conti nua aumentando. Qual dos i rmãos Sal vatore E l ena real mente quer?


L.J. Smith Des cobri u que queri a s er es cri tora em al gum momento entre o j ardi m de i nfânci a e o pri mei ro ano. M ui tos de s eus l i vros foram i ns pi rados nos própri os pes adel os . O pri mei ro romance, The Ni g ht of the Solsti ce, foi publ i cado no ano em que el a s e formou na facul dade. Atual mente, vi ve na Cal i fórni a com um cachorro, três gatos e cerca de dez mi l l i vros . A s éri e Di ári os do Vampi ro foi l ançada ori gi nal mente em 1991.


s éri e Diár ios do Vamp ir o O Despertar O Confronto A Fúri a Reuni ão Sombri a s éri e Diár ios do Vamp ir o: O Retor no Anoi tecer Almas Sombri as Mei a-Noi te s éri e Diár ios de Stefan Ori g ens Sede de Sang ue The Cravi ng The Ri pper The Asylum The Compelled s éri e Diár ios do Vamp ir o: Caçador es Espectro Moonsong Desti ny Ri si ng s éri e Diár ios do Vamp ir o: A Salvação Unseen Unspoken TB A Contos de Diár ios do Vamp ir o Matt & Elena: Pri mei ro Encontro ( s e pas s a antes da s éri e ori gi nal ) B onni e & Damon: Depoi s do Expedi ente ( s e pas s a durante a s éri e ori gi nal ) O Sang ue Di rá ( fi nal al ternati vo de Reuni ão Sombri a) As Árvores ( s e pas s a após Reuni ão Sombri a) Matt & Elena: Déci mo Encontro no Lag o Wi ckery ( s e pas s a antes da s éri e ori gi nal ) O Natal de Elena


L.J. Smith

DIÁRIOS do VAMPIRO O RETORNO

Almas Somb r ias


1 Queri do Di ári o — E l ena s us s urrou — i s s o não é frus trante? E u te dei xei no porta-mal as do Jaguar e s ão duas horas da madrugada. — E l a fi ncou o s eu dedo na perna da cami s ol a, como s e ti ves s e uma caneta e es ti ves s e fazendo um ponto. E l a s us s urrou ai nda mai s s uave, i ncl i nando s ua cabeça contra a j anel a —, E eu es tou com medo de i r lá fora — no es curo — para pegar você. E u es tou com medo! — E l a fez outra fi ncada e depoi s , s enti ndo as l ágri mas des l i zarem pel o s eu ros to, vi rou rel utante o s eu cel ul ar para gravar. E ra um des perdí ci o i núti l de bateri a, mas el a não podi a evi tar. E l a preci sava di s s o. — E ntão, aqui es tou —, el a di s s e s uavemente —, s entada no banco tras ei ro do carro. Is to s erá o meu di ári o por hoj e. De qual quer forma, nós fi zemos uma regra para es s a vi agem de carro — eu durmo no banco de trás do Jaguar e todo o l ado de fora fi ca para M att e Damon. Agora mes mo es tá tão es curo l á fora que eu não cons i go ver M att em l ugar nenhum... M as eu tenho fi cado l ouca — chorando e me s enti ndo perdi da — e mui to s ozi nha s em Stefan... — Nós temos que nos l i vrar do Jaguar — é mui to grande, mui to vermel ho, mui to chamati vo, e mui to memorável quando es tamos tentando não ser lembrados enquanto vi aj amos para o l ugar onde poderemos l i bertar Stefan. Depoi s que o carro for vendi do, o l ápi s -l azúl i e o pi ngente de di amante que Stefan me deu no di a antes de des aparecer s erão as coi s as mai s preci os as que me res tarão. O di a antes ... Stefan foi enganado para i r, pens ando que poderi a s e tornar um s er humano comum. E agora... — Como eu pos s o parar de pens ar no que Eles podem es tar fazendo com el e, nes te exato s egundo — s ej a l á quem ‘E l es ’ s ej am? Provavel mente a ki ts une, o es pí ri to mal i gno da rapos a na pri s ão chamada de Shi no Shi . E l ena fez uma paus a para l i mpar s eu nari z na manga de s ua cami s ol a.


— Como eu sempre me meto nessas si tuações?E\a bal ançou a cabeça, batendo no encos to com o punho fechado. — Tal vez s e s eu pudes s e des cobri r i s s o, eu poderi a i magi nar um Pl ano A. E u s empre tenho um Pl ano A. E meus ami gos s empre têm um Pl ano B e C para me aj udar. — E l ena pi s cou forte, pens ando em Bonni e e M eredi th. — M as agora eu tenho medo de que eu não pos s a vol tar a vê-l os novamente. E eu tenho medo por toda a ci dade de Fel l ’s Church. Por um momento el a s e s entou com o punho s obre s eu j oel ho. Uma pequena voz dentro del a es tava di zendo, — E ntão pare de s e l amentar, E l ena, e pens e. Pense. Começando pelo i ní ci o. O começo? Qual começo? Stefan? Não, el a havi a vi vi do em Fel l ’s Church mui to antes de Stefan chegar. Lentamente, quas e s onhadora, el a fal ou em s eu cel ul ar. — E m pri mei ro l ugar: Quem eu s ou? E u s ou E l ena Gi l bert, dezoi to anos . — Ai nda mai s de vagar, el a di s s e —, E u... não acho que é banal di zer que eu s ou boni ta. Se eu não s oubes s e que eu era, então eu deveri a nunca ter ol hado em um es pel ho ou ouvi do um el ogi o. Is to não é al go do qual eu deva es tar orgul hos a — é apenas al go que me foi trans mi ti do de mi nha M ãe e meu Pai . — Como eu me pareço? E u tenho cabel o l oi ro que caem em pequenas ondul ações s obre os meus ombros e ol hos azui s que al gumas pes s oas di zem que é como l ápi s -l azúl i : azul es curo com raj adas de ouro. — E l a deu uma ri s ada um pouco s ufocada. — Tal vez s ej a por i s s o que vampi ros gos tam de mi m. A s egui r, com os l ábi os apertados e ol hando para a es curi dão total em s ua vol ta, el a fal ava s eri amente. — Um monte de meni nos me chamaram de a garota mai s angel i cal do mundo. E eu bri nquei com el es . E u apenas os us ei — por popul ari dade, por


di vers ão, por qual quer coi s a. E u es tou s endo hones ta, tudo bem? E u os cons i derava como s e fos s em bri nquedos ou troféus . — E l a paus a. — M as havi a al go mai s . Al go que eu s abi a, por toda a mi nha vi da, que es tava chegando — mas eu não s abi a o que era. E u me s enti a como s e es ti ves s e procurando por al guma coi s a que eu nunca poderi a encontrar com os garotos . Nenhum dos meus pretendentes ou dos j ogos com el es nunca tocou o meu coração... mai s profundo... até que um garoto mui to es peci al chegou. E l a parou, engol i u s eco e fal ou novamente. — Um garoto mui to es peci al . — Seu nome era Stefan. — E acabou que el e não era o que pareci a, um normal — mas maravi l hos o — es tudante de ens i no médi o com cabel o es curo ondul ado e ol hos verdes como es meral das . — Stefan Sal vatore acabou por s er um vampi ro. — Um vampi ro de verdade. E l ena teve que fazer uma paus a para tomar ar antes que pudes s e col ocar as próxi mas pal avras para fora. — E também s eu l i ndo i rmão mai s vel ho, Damon. E l a mordeu os s eus l ábi os , e pareci a um l ongo tempo até que el a acres centou: — E u teri a amado Stefan s e eu s oubes s e que el e era um vampi ro des de o i ní ci o? Si m! Si m! Si m! E u teri a caí do de amor por el e não i mporta o que fos s e! M as as coi s as mudaram — e i s s o me mudou. Os dedos de E l ena traçavam um padrão em s ua cami s ol a. — Vej a você, vampi ros demons tram amor através da troca de s angue. O probl ema era... que eu es tava comparti l hando s angue com Damon, também. Na verdade não por es col ha, mas porque el e es tava atrás de mi m, di a e noi te. E l a deu um s orri s o. — O que Damon di zi a é que el e queri a me fazer a


s ua Pri nces a da Noi te. O que pode s er traduzi do como: el e me queri a toda para el e. M as eu não confi o em Damon em nada a menos que el e dê a s ua pal avra. E s ta é uma qual i dade que el e tem, el e nunca quebra com a s ua pal avra. E l ena pôde s enti r um s orri s o es tranho curvando os s eus l ábi os , mas el a es tava fal ando com cal ma agora, fl uentemente, o cel ul ar quas e es queci do. — Uma

meni na

envol vi da

com

doi s

vampi ros ... bem,

não é

neces s ari amente um probl ema, é? E ntão, tal vez eu mereça o que eu es tou pas s ando. — E u morri . — Não apenas morri como quando o s eu coração pára e el es reani mam você e você vol ta à vi da fal ando s obre quas e i r para a Luz. E u entrei na Luz. — E u morri . — E quando eu vol tei — que s urpres a. E u era uma vampi ra. — Damon era... genti l comi go, eu acho, quando eu acordei como vampi ra a pri mei ra vez. Tal vez s ej a es s a a razão de eu ai nda ter... s enti mentos por el e. E l e não s e aprovei tou de mi m quando el e poderi a ter fei to i s s o tão faci l mente. — M as eu s ó ti ve tempo de fazer al gumas coi s as em mi nha vi da como vampi ra. E u ti ve tempo de me l embrar de Stefan e amá-l o mai s do que nunca des de que eu s oube, então, o quão di fí ci l era tudo para el e. E u pude ouvi r o meu própri o funeral . E h! Todo mundo deveri a ter uma chance de fazer i s s o. E u aprendi a s empre, sempre usar o l ápi s -l azúl i para eu não me tornar uma vampi ra Cri s py Cri tterred. E u ti ve que di zer adeus para a mi nha i rmãzi nha de quatro anos , M argaret, e vi s i tei Bonni e e M eredi th. As l ágri mas ai nda es tavam des l i zando quas e des percebi das pel o ros to de E l ena. M as el a fal ou cal mamente. — E então — eu morri de novo. — E u morri da manei ra como um vampi ro morre, quando el es não es tão us ando l ápi s -l azúl i s obre a l uz do s ol . E u não me des moronei em pó; eu ti nha


apenas dezes s ete anos . M as o s ol me envenenou de qual quer forma. Ir foi quas e... pací fi co. Foi quando eu fi z Stefan prometer que i ri a tomar conta de Damon, s empre. E eu acho que Damon prometeu cui dar de Stefan, em s ua mente. E foi as s i m que eu morri , com Stefan me s egurando e Damon ao meu l ado como s e s i mpl es mente eu me afas tas s e, como s e fos s e dormi r. — Depoi s di s s o, eu ti ve s onhos dos quai s eu não me l embro, e de repente, um di a todos s e s urpreenderam por que eu es tava fal ando com el es através de Bonni e, que é mui to ps í qui ca, tadi nha. E u acho que eu ti nha pegado o trabal ho de s er o es pí ri to guardi ão de Fel l ’s Church. Havi a um peri go na ci dade. E l es ti nham que l utar e de al guma forma, quando el es ti nham certeza de que el es ti nham perdi do, eu fui mandada de vol ta para o mundo dos vi vos para aj udar. E — bem, quando a guerra foi venci da eu fi quei com es s es poderes es tranhos que eu não entendo. M as havi a Stefan, também! Nós es távamos j untos de novo! — E l ena col ocou os braços envol ta de s i mes ma e s egurou-os como s e es ti ves s e s egurando Stefan a el a, i magi nado s eus braços em torno del a. E l a fechou os ol hos até a s ua res pi ração des acel erar. — A res pei to dos meus poderes , vamos ver. Há a tel epati a, o que eu pos s o fazer s e a outra pes s oa for tel epata também — coi s a que todos os vampi ros s ão, mas em di ferentes graus a menos que el es tenham real mente comparti l hado s angue naquel e momento. E depoi s tem as mi nhas As as . — É verdade — eu tenho As as ! E as As as têm poderes que você não vai acredi tar — o úni co probl ema é que eu não tenho a menor i dei a de como us ál os . Há uma que eu pos s o s enti r às vezes , como agora mesmo, tentando s ai r de mi m, tentando model ar o meu l ábi o para nomeá-l a tentando mover o meu corpo para a pos tura correta. São as Asas da Proteção e i s s o s oa como al go que eu poderi a real mente us ar nes s a vi agem. M as eu não cons i go nem me l embrar como eu


fi z as vel has As as funci onarem — mui to menos como us ar es s a nova. E u di go as pal avras até que eu me s i nta uma i di ota — mas nada acontece. — E ntão eu s ou uma humana novamente — tão humana quanto Bonni e. E , oh, Deus , s e eu pudes s e apenas vê-l a e M eredi th agora! M as todo o tempo eu di go para mi m mes ma que eu es tou fi cando mai s próxi ma de Stefan a cada mi nuto. Quero di zer, s e você não l evar em conta as i das e vi ndas de Damon e, todas as di reções para des pi s tar qual quer um que tente nos ras trear. — Por que al guém i ri a querer nos s egui r? Bem, vej a você, quando eu vol tei da outra vi da, foi uma expl os ão mui to grande de Poder que todos no mundo que podem ver Poder, vi ram. — Agora, como pos s o expl i car Poder? É al go que todo mundo tem, mas os humanos — exceto médi uns genui nos como Bonni e — nem mes mo o reconhecem. Vampi ros

defi ni ti vamente

têm

Poder,

e

us am-no para

Infl uenci ar os humanos a gos tar del es , ou pens ar que as coi s as s ão di ferentes da real i dade. — Oh, como da vez que Stefan i nfl uenci ou o pes s oal da es col a para que pens as s em que s eus regi s tros es tavam todos em ordem, quando el e s e ‘trans feri u’ para Robert E . Lee Hi gh School . Ou el es us am o Poder para expul s ar outros vampi ros ou cri aturas das trevas — ou humanos . — M as eu es tava fal ando s obre a expl os ão de Poder quando eu caí do céu. E ra tão grande que atrai u duas cri aturas horrí vei s do outro l ado do mundo. E então el es deci di ram vi r ver o que ti nha fei to o di s paro, e s e de al guma manei ra el es poderi am us á-l o para s i . — E u não es tou bri ncando, tão pouco, s obre el es terem vi ndo do outro l ado do mundo. E l es eram ki ts une, es pí ri tos mal i gnos de rapos a do Japão. E l es s ão al go como os nos s os l obi s omens aci dentai s — mas mui to mai s poderos os . Tão poderos os que el es us aram malach, que s ão na verdade pl antas , mas s e


parecem com i ns etos que podem s er do tamanho de uma cabeça de al fi nete ou grande o s ufi ci ente para engol i r o s eu braço. E o mal ach s e prende aos s eus nervos e s e es ti cam ao l ongo de todo o s i s tema nervos o e, fi nal mente, te domi nam de dentro para fora. Agora E l ena es tava tremendo, e s ua voz es tava abafada. — Is s o foi o que aconteceu com Damon. Um pequeno entrou dentro del e e o domi nou de dentro para fora para que el e fos s e apenas um fantoche de Shi ni chi . E u me es queci de di zer, os ki ts unes s ão chamados de Shi ni chi e M i s ao. M i s ao é a garota. Ambos têm o cabel o preto com vermel ho ao redor das pontas , mas o de M i s ao é l ongo. E el es s ão s upos tamente i rmão e i rmã — mas el es certamente não agem como fos s em. — E , uma vez que Damon es tava total mente pos s uí do, Shi ni chi obri gou o corpo de Damon... a fazer coi s as terrí vei s . E l e o fez torturar M att e a mi m, e mes mo agora eu s ei que às vezes M att ai nda quer matar Damon por i s s o. M as s e el e ti ves s e vi s to o que vi — um s egundo corpo fi no, mol hado e branco que eu ti ve que arrancar com as mi nhas unhas da col una de Damon — com Damon fi nal mente des mai ando de dor — então M att i ri a entender mel hor. Eu não pos s o cul par Damon pel o que o Shi ni chi o fez fazer. E u não posso. Damon es tava... você não pode i magi nar quão di ferente. E l e foi es magado. E l e chorou. E l e foi ... — De qual quer forma, eu não es pero s empre vê-l o daquel a manei ra novamente. M as s e eu cons egui r mi nhas As as de Poder de vol ta, Shi ni chi es tará em apuros . — E u acho que es s e foi o nos s o erro da úl ti ma vez, vej a você. Nós fi nal mente s erí amos capazes de l utar contra Shi ni chi e M i s ao — e nós não os matamos. Nós es távamos mui to morai s ou mui to amávei s ou al go as s i m. — Foi um grande erro.


— Porque Damon não foi o úni co que fi cou pos s uí do pel os mal ach do Shi ni chi . Havi a meni nas , j ovens , catorze e qui nze anos e mai s j ovens . E al guns meni nos . Agi ndo... l oucamente. Feri ndo a s i mes mos e às s uas famí l i as . Nós não s abí amos o quão grave era até depoi s que j á tí nhamos fei to um trato com Shi ni chi . — Tal vez nós fos s emos mui to i morai s, fazendo um trato com o di abo. M as el es ti nham s eques trado Stefan — e Damon, que es tava pos s uí do por el es até então, ti nha aj udado. Uma vez que Damon foi des pos s uí do, tudo que el e queri a era que Shi ni chi e M i s ao nos di s s es s em onde Stefan es tava, em s egui da, que el es fos s em embora de Fel l ’s Church para s empre. — E m troca di s s o, Damon dei xou Shi ni chi entrar em s ua mente. — Se os vampi ros s ão obcecados por Poder, ki ts une s ão obcecados por memóri as . E Shi ni chi queri a as memóri as de Damon daquel es úl ti mos di as — do tempo em que Damon es tava pos s uí do e nos torturou... e do tempo em que mi nhas As as ti nham fei to Damon perceber que el e ti nha fei to i s s o. E u não acho que Damon queri a es s as l embranças , s ej a do que el e ti nha fei to ou de como el e mudou quando el e encarou que ti nha fei to i s s o. E ntão, el e dei xou Shi ni chi tomá-l as , em troca que Shi ni chi col ocas s e a l ocal i zação de Stefan em s ua mente. — O probl ema é que es távamos confi ando pal avra de Shi ni chi de que el e i ri a

s ai r em

s egui da,

quando a

pal avra

de

Shi ni chi

s i gni fi cava

abs ol utamente nada. — Al ém do mai s , des de então el e vem us ando o canal tel epáti co que foi aberto entre a mente del es e para tomar mai s e mai s memóri as s em Damon s equer s aber. — Foi o que aconteceu na noi te pas s ada, quando fomos parados por um pol i ci al que queri a s aber o que três adol es centes em um carro caro es tavam


fazendo tarde da noi te. Damon Infl uenci ou-o a i r embora. M as poucas horas mai s tarde Damon ti nha es queci do compl etamente do pol i ci al . — Is s o as s us ta Damon. E qual quer coi s a que o as s us ta — não que el e fos s e admi ti r i s s o — as s us ta-me até a morte. — E , você pode perguntar, o que estavam três adol es centes fazendo no mei o do nada, em Uni on County, Tennes s ee, de acordo com a úl ti ma pl aca na es trada que eu vi ? E s tamos i ndo em di reção a um portão para a Di mens ão E s cura... onde Shi ni chi e M i s ao dei xaram Stefan em uma pri s ão chamada Shi no Shi . Shi ni chi s ó col ocou a l ocal i zação na mente de Damon, e eu não cons i go fazer Damon di zer mui to s obre que ti po de l ugar é es s e. M as Stefan es tá l á e eu vou pegá-l o de al guma forma, mes mo que i s s o me mate. — M es mo s e eu ti ver que aprender a matar. — E u não s ou a doce meni na da Vi rgí ni a que eu cos tumava s er. E l ena parou e s ol tou s ua res pi ração. M as , então, abraçando a s i mes ma, el a conti nuou. — E porque M att es tá conos co? Bem, por caus a de Carol i ne Forbes , mi nha ami ga des de o j ardi m de i nfânci a. No ano pas s ado... quando Stefan vei o a Fel l ’s Church, el a e eu o querí amos . M as Stefan não queri a Carol i ne. E depoi s di s s o el a s e tornou mi nha pi or i ni mi ga. — Carol i ne também foi a grande ganhadora da pri mei ra vi s i ta de Shi ni chi a qual quer garota em Fel l ' s Church. Indo di reto ao as s unto: el a era namorada de Tyl er Smal l wood um pouco antes de el a s er s ua ví ti ma. Gos tari a de s aber quanto tempo el es es tavam j untos e onde Tyl er es tá agora. Tudo o que s ei é que, no fi nal , Carol i ne s e s egurou no Shi ni chi porque el a ‘preci s ava de um mari do.’ E ra as s i m que el a di zi a a s i mes ma. E ntão, eu s uponho — bem, Damon s upõe. Que el a vai ter... cachorri nhos . Uns bebês l obi s omens , você s abe? Já que Tyl er é um l obi s omem.


— Damon di s s e que ter um bebê l obi s omem te trans forma em um l obi s omem mai s rápi do do que s e você ti ves s e s i do mordi do, e que em al gum ponto da gravi dez você ganha o poder de s er todo l obo ou todo humano, mas antes des s e ponto você é apenas um mi s to de confus ão. — A coi s a tri s te é que Shi ni chi mal deu uma s egunda ol hada em Carol i ne quando el a dei xou es capar tudo. — M as antes di s s o Carol i ne es tava des es perada o s ufi ci ente para acus ar de M att de — atacá-l a — em um encontro que deu errado. E l a devi a s aber al go s obre o que Shi ni chi es tava fazendo por que el a afi rmou que s eu — encontro — com M att ocorreu no mes mo momento em que um dos M al l ach engol i dores de braços o atacou, fazendo com que as marcas em s eu braço pareces s em ri s cos de uma unha de garota. — Is s o envi ou a pol í ci a atrás de M att, tudo bem. E ntão, bas i camente eu apenas o fi z vi r com a gente. O pai de Carol i ne é uma das pes s oas mai s i mportantes em Fel l ’s Church — e el e é ami go do promotor públ i co em Ri dgemont e o l í der de um des s es cl ubes de homens , onde el es têm apertos de mão s ecretos e outras coi s as que te torna, você s abe, ‘des taque na comuni dade.’ — — Se eu não ti ves s e convenci do de M att de fugi r em vez de enfrentar acus ações de Carol i ne, os Forbes teri am li nchado-o. E eu s i nto a rai va como um fogo dentro de mi m — não apenas rai va e dor por M att, mas a rai va e a s ens ação de que Carol i ne es tá l evando todas as garotas para al gum l ugar mui to bai xo. Por que a mai ori a das meni nas não s ão menti ros as patol ógi cas , e não di ri a al go as s i m s obre um meni no fal s amente. E l a es tá envergonhando todas as garotas , fazendo o que el a fez. E l ena fez uma paus a, ol hando para as mãos , e depoi s acres centou, — Às vezes , quando eu fi co com rai va de Carol i ne, copos s e agi tam ou l ápi s rol am


para a di rei ta para fora da mes a. Damon di z que tudo i s s o é caus ado pel a mi nha aura, a mi nha força vi tal , e des de que vol tei da vi da após a morte tem s i do di ferente. E m pri mei ro l ugar, i s s o faz qual quer um que bebe o meu s angue i ncri vel mente forte. — Stefan era forte o s ufi ci ente para que os demôni os rapos a nunca pudes s em tê-l o forçado em s ua armadi l ha s e Damon não o houves s e enganado no i ní ci o. E l es s ó poderi am l i dar com el e quando es ti ves s e debi l i tado e cercado por ferro. O ferro é uma má notí ci a para qual quer cri atura s obrenatural , e os vampi ros preci s am s e al i mentar ao menos uma vez por di a ou el es fi cam fracos , e eu apos to — não, eu tenho certeza que el es us aram i s s o contra el e. — É por i s s o que eu não cons i go pens ar na forma que Stefan pode es tar nes te mi nuto. M as eu não pos s o me dei xar as s us tada ou rai va ou eu vou perder o control e da mi nha aura. Damon me mos trou como manter mi nha aura na mai ori a do tempo dentro de mi m, como uma garota humana normal . É ai nda um ouro pál i do e boni ta, mas não é um farol para cri aturas como vampi ros . — Porque há outra coi s a que meu s angue — tal vez mes mo s ó a mi nha aura — pode fazer. Pode... oh, bem, eu pos s o di zer qual quer coi s a que eu quero aqui , certo? Hoj e em di a, mi nha aura pode fazer os vampi ros me des ej ar... do j ei to que rapazes humanos fazem. Não apenas para morder, entendeu? M as para bei j ar e todo o res to. E as s i m, natural mente, el es vêm atrás de mi m s e s enti rem i s s o. É como s e o mundo es ti ves s e chei o de abel has e eu fos s e a úni ca fl or. — E ntão eu tenho que prati car manter a mi nha aura es condi da. Se é para mos trar, então eu pos s o fugi r com al go pareci do como um s er humano normal , e não como al guém que morreu e vol tou. M as é di fí ci l l embrar


s empre de es conder i s s o — e dói mui to puxá-l a de vol ta s e, de repente, eu es quecer! — E então eu s i nto — i s s o é abs ol utamente parti cul ar, certo? E s tou col ocando uma mal di ção s obre você, Damon, s e você ouvi r i s s o. M as é então que eu s i nto como s e eu qui s es s e que Stefan me mordes s e. Is s o al i vi a a pres s ão, e i s s o é bom. Ser mordi do por um vampi ro s ó dói s e você combatê- l o, ou s e o vampi ro qui s er te feri r. Cas o contrári o, i s s o pode s i mpl es mente s er bom — e depoi s você toca a mente do vampi ro que fez i s s o, e... oh, eu si nto tanto a falta de Stefan! — E l ena es tava tremendo agora. Tão forte que el a tentou acal mar s ua i magi nação, el a conti nuava pens ando nas coi s as que os carcerei ros de Stefan poderi am es tar fazendo com el e. Tri s temente, el a s egurou s eu cel ul ar novamente, dei xando as l ágri mas caem s obre el e. — E u não posso me dei xar pens ar no que fari am a el e, porque então eu real mente vou começar a enl ouquecer. E u me tornei i núti l e agi tada e i ns ana pes s oa que s ó quer gri tar e gri tar e nunca mai s parar. E u tenho que l utar a cada s egundo para não pens ar ni s s o. Porque apenas uma fri a e cal ma E l ena com um pl ano A e B e C vai aj udá-l o. Quando eu o ti ver s egurado em meus braços , eu pos s o me dei xar abal ar e chorar — e gri tar, também. E l ena parou, mei o ri ndo, com a cabeça i ncl i nada contra o encos to do banco do pas s agei ro, a voz rouca com o es forço. — E s tou cans ada agora. M as eu tenho um pl ano A, pel o menos . E u preci s o obter mai s i nformações com Damon s obre o l ocal onde es tamos i ndo, a Di mens ão Sombri a, e el e qual quer coi s a que el e s ai ba s obre as duas pi s tas que M i s ao me deu s obre a chave que vai des trancar a cel a de Stefan. — E u acho que... eu acho que eu não menci onei nada di s s o. A chave, a chave da rapos a, que é o que preci s amos para ti rar Stefan de s ua cel a, es tá


quebrada em duas partes que es tão es condi das em doi s l ugares di ferentes . E quando M i s ao es tava i ns ul tando-me s obre o quão pouco eu s abi a s obre es s es l ugares , el a dei xou es capar al gumas pi s tas s obre onde el as es tavam. E l a nunca s onhou que eu real mente vou entrar na Di mens ão Sombri a; el a es tava apenas s e mos trando. M as eu ai nda me l embro das pi s tas , e el as eram as s i m: a pri mei ra metade es tá ‘no i ns trumento prata do rouxi nol .' E a s egunda metade es tá ‘enterrado no s al ão Bl oddeuwedd.’ — — E u preci s o ver s e Damon faz al guma i dei a s obre i s s o. Porque i s s o s oa como s e, uma vez dentro da Di mens ão Sombri a, vamos ter que nos i nfi l trar nas cas as de al gumas pes s oas e outros l ugares . Para procurar um s al ão de bai l e, é o mel hor de al guma forma, s er convi dada para o bai l e, certo? Is s o s oa como mai s fáci l di zer do que fazer, ' mas o que for preci s o, eu vou fazer. É s i mpl es as s i m. E l ena l evantou a cabeça com determi nação e fi cou parada, em s egui da, di s s e em um s us s urro, — Você acredi ta ni s s o? E u ol hei para ci ma agora e eu pos s o ver a pal eta de cores do amanhecer: rai os verde cl aro e l aranj a cremos o e um fraco aqua... E u fal ei durante toda a es curi dão. E s tá tão cal mo agora. Só agora o s ol apareceu n... — Que di abos era i s s o? Al go como um BANG no topo do Jag. M ui to, mui to al to. E l ena des l i gou o gravador do s eu cel ul ar. E l a es tava as s us tada, mas um barul ho como aquel e — e agora s ons es tranhos no tel hado... E l a teve que s ai r do carro o mai s rápi do pos s í vel .


2 E l ena s al tou para fora do banco tras ei ro do Jaguar, e correu um para l onge do carro, vi rando para ver o que ti nha caí do em ci ma del e. O que ti nha caí do, era M att. E l e es tava tentando s e l evantar. — Ai , meu Deus ! M att! Você es tá bem? Você es tá machucado?E l ena chorava ao mes mo tempo em que M att fal ava com uma voz angus ti ada: — E l ena — Ai meu Deus ! O Jag es tá bem? E l e es tá es tragado? — M att, você enlouqueceu? Você bateu a cabeça? — E l e es tá arranhado? Será s e o teto s ol ar ai nda funci ona? — Sem arranhões . E o teto s ol ar es tá bem — E l ena não ti nha i dei a s e o teto s ol ar ai nda funci onava, mas el a percebeu que M att es tava del i rando, el e es tava fora de s i . E l e es tava tentando des cer s em s uj ar o Jag de l ama, mas acabou não adi antando nada, poi s s uas pernas e s eus pés es tavam cobertos de l ama. Des cer do carro s em us ar os pés era di fí ci l . E nquanto i s s o, E l ena es tava ol hando ao s eu redor. E l a mes ma ti nha caí do do céu uma vez, s i m, mas el a es tava morta a s ei s mes es , e chegou nua, e M att, não fez nenhuma coi s a nem outra. E l a ti nha em mente uma expl i cação mai s pl aus í vel . E l á es tava, encos tado em uma árvore de madei ra amarel a ol hando a cena, com um pequeno s orri s o pervers o no ros to. Damon. E l e era bai xo. Não tão al to quanto Stefan, mas com uma i ndefi ní vel aura de ameaça,

que compens ava em

mui to a s ua al tura. E l e es tava

i mpecavel mente ves ti do, como s empre: Jeans Armani , pretos , j aqueta de couro preto, botas pretas , tudo combi nando com s eu cabel o l i s o, voando com o vento, e com os s eus ol hos es curos . E l e fez com que E l ena tomas s e cons ci ênci a de que es tava us ando uma l onga cami s ol a branca, que ti nha trazi do como propós i to de trocar as roupas í nti mas , cas o fos s e neces s ári o quando el es es ti ves s em acampando. O


probl ema era que, el a s empre fazi a i s s o de madrugada, e hoj e el a ti nha s e di s traí do es crevendo em s eu di ári o. E nfi m, uma cami s ol a não era a roupa i deal para bri gar com Damon, l ogo ao amanhecer. Não era trans parente, parecendo mai s fl anel a do que nyl on, mas era rendada, es peci al mente em vol ta do pes coço. Um pes coço boni to — Damon di s s e para el a — era como um manto vermel ho bal ançando na frente de um touro furi os o. E l ena cruzou os braços s obre o pei to. E l a s e certi fi cou também de s egurar o poder de s ua aura. — Você parece a Wendy — di s s e Damon, com um s orri s o mal éfi co, pi s cando, real mente apreci ando. E l e i ncl i nou a cabeça, pers uas i vamente. E l ena s e recus ou a s er pers uadi da. — Que Wendy?el a di s s e, no momento que s e l embrava da garota em Peter Pan, e tremeu por dentro. E l ena s empre foi um bom exempl o des s e ti po. O probl ema era que Damon, era mel hor. — Por que, Wendy... queri da — Damon di s s e, s ua voz uma carí ci a. E l ena s enti u um arrepi o i nterno. Damon havi a prometi do não Infl uenci á-l a — de não us ar poderes tel epáti cos para mani pul ar a s ua mente. M as às vezes , E l ena s e s enti a, como s e el e ti ves s e quas e ul trapas s ado es s a promes s a. Si m, Damon defi ni ti vamente é o cul pado, pens ou E l ena. Bem, el a não ti nha nenhum afeto por el e — a não s er o de i rmã. M as Damon, nunca des i s ti u, não i mporta quantas vezes E l ena o rej ei tou. Atrás de E l ena um baque de es borrachar pi s ando que s em dúvi da s i gni fi cava M att ti nha fi nal mente des ci do do teto do Jaguar. E l e pul ou para o mei o da bri ga i medi atamente. — Não chame E l ena de queri da! — el e gri tou, vi rando-s e para E l ena, — Wendy provavel mente era o nome de s ua ul ti ma namorada, E — e — e você s abe o que el e fez? Como el e me acordou es s a manhã? M att tremi a de


i ndi gnação. — E l e o j ogou em ci ma do carro?E l ena arri s cou. E l a fal ou por s obre o ombro de M att, poi s a bri s a fraca da manhã ameaçava l evantar a cami s ol a de s eu corpo. E l a não queri a Damon atrás del a, j us to agora. — Não! Quero di zer, s i m! Si m e não! M as — quando el e fez i s s o, el e s equer s e preocupou em us ar as mãos del e! E l e s ó fez as s i m — M att bal ançou s eu braço — e daí eu pri mei ro, caí em um buraco de l ama, e depoi s a úni ca coi s a que em l embro é eu ter caí do s obre o Jag! E l e poderi a ter quebrado o teto s ol ar, ou me quebrado! E agora es tou todo s uj o de l ama — M att acres centou, s e exami nando com noj o, como s e apenas com el e i s s o ti ves s e aconteci do. Damon fal ou. — E o que me l evou a ti rar você do chão e te des cer de novo? O que você real mente es tava fazendo quando eu col oquei uma certa di s tânci a entre nós ? M att pas s ou a mão em s eus cabel os l oi ros . Seus ol hos azui s , normal mente cal mos , es tavam em chamas . — E u es tava s egurando um pedaço de madei ra — el e di s s e, em um tom ameaçador. — Um pedaço de madei ra. Um pedaço de madei ra, do ti po, que você encontra na bei ra es trada? E s s e ti po de pedaço de madei ra? — Si m, eu achei na bei ra da es trada! — di s s e ai nda ameaçador. — M as em s egui da al go es tranho parece ter aconteci do com i s s o — E m s ó agora E l ena pode ver, Damon de repente fez uma es taca mui to l onga e forte, com uma extremi dade que ti nha s i do reduzi da a uma ponta extremamente afi ada. E ra defi ni ti vamente fei ta de madei ra rí gi da: era obvi amente carval ho. E nquanto Damon exami nava a s ua estaca — de todos os ângul os , com uma aguda perpl exi dade, E l ena vol tou-s e para um bravej ante M att.


— M att! — di s s e el a, reprovadoramente. Is s o era defi ni ti vamente um ponto bai xo na guerra fri a entre os doi s garotos . — E u apenas pens ei — conti nuou M att, tei mos amente, — que i s s o poderi a s er uma boa i dei a. Já que es tou dormi ndo ao ar l i vre, à noi te, e outro vampi ro podi a aparecer... E l ena es tava s e vol tando para Damon, quando M att es tourou de novo. — Conte a el a, como é que você real mente me acordou! — di s s e el e, expl odi ndo. E em s egui da, s em dar a chance de Damon res ponder, di s s e: — E u es tava abri ndo os ol hos quando el e j ogou i sso em ci ma de mi m! — M att, em s i l ênci o, pas s ou al go a E l ena, que s egurou, e tornou a devol vê-l o. Pareci a um toco de l ápi s ras pado, que antes era de uma cor cas tanho-avermel hado. — E l e j ogou i s s o em mi m e di s s e ‘funci onou com doi s ’ — di s s e M att. E l e ti nha matado duas pes s oas , e es tava s e gabando di s s o! E l ena, de repente não queri a mai s s egurar o l ápi s . — Damon! — el a di s s e em mei o a um gri to angus ti ado, quando el a tentou fazer al go fora da expres s ão del e de s em-expres s ão. — Damon — você não... real mente não... — E l ena, não peça a el e. A úni ca coi s a que temos que fazer... — Se al guém me dei xar di zer pel o menos uma palavra — di s s e Damon, aparentemente exas perado, — E u poderi a di zer, que antes mes mo que eu pudes s e expl i car s obre o l ápi s , alg uém tentou meter uma es taca em mi m, antes mes mo de eu s ai r do s aco de dormi r. E o que eu i ri a di zer em s egui da, é que el es não eram pes s oas . E l es eram vampi ros , bandi dos , mus cul os os e contratados , mas es tavam pos s uí dos por M al achs do Shi ni chi . E es tavam na nos s a tri l ha. E l es ti nham s e di s tanci ado até Warren, no Kentucky, provavel mente fazendo perguntas s obre o carro. E ntão nós defi ni ti vamente teremos que nos l i vrar del e...


— Não! — gri tou M att, defens i vamente. O carro — o carro s i gni fi ca mui to para Stefan e E l ena ... — E s s e carro s i gni fi ca al go para você— Damon corri gi u. E eu deveri a di zer que ti ve que dei xar a mi nha Ferrari em um ri acho, para que pudés s emos levar você nes ta expedi ção... E l ena ergueu a mão. E l a não queri a ouvi r mai s nada. E l a ti nha s enti mentos pel o carro. E ra grande, vermel ho bri l hante e chamati vo, e vi vo — e expres s a o j ei to que el a e Stefan es tavam s e s enti ndo no di a em que el e o comprou para el a, cel ebrando o i ní ci o de s ua nova vi da j untos . Só de ol har para el e, fazi a el a l embrar do di a, o pes o do braço de Stefan em torno de s eus ombros , e do j ei to que el e ol hou para el a — quando el a ol hou para el e — s eus ol hos verdes bri l hando com mal í ci a e al egri a de dar al go que el a real mente queri a.

***

Para vergonha, e fúri a de E l ena, el a percebeu que es tava tremendo um pouco, e que s eus ol hos ti nham s e enchi do de l ágri mas . — Vi u?di s s e M att ol hando para Damon. Agora você es tá fazendo-a chorar... — Eu? Não fui eu que menci onei meu queri do i rmãozi nho des apareci do — di s s e Damon. — Para! Ag ora! Os doi s ! — E l ena gri tou tentando s e recompor. E eu não quero es s e lápi s, s e você não s e i mporta— el a acres centou, cruzando os braços . Quando Damon o pegou, E l ena l i mpou s uas mãos na cami s ol a, s enti ndo a cabeça um pouco mai s l eve. E s tremeceu, ao pens ar nos vampi ros no ras tro del es .


E ntão de repente, havi a um braço quente e forte em torno del a, e a voz de Damon ao l ado del a, di zendo: — O que el a preci s a é de ar fres co, e eu darei i s s o para el a... Abruptamente, el a es tava nos braços de Damon, e el es i am mai s al to. — Damon, s erá que, por favor, você poderi a me por no chão? — Agora, meu bem? É uma l onga di s tânci a... E l a conti nuou a protes tar contra Damon, mas el a podi a di zer que i s s o a fazi a bem. E o ar fres co da manhã l i mpava um pouco a s ua mente, embora, também a fazi a es tremecer um pouco. E l a tentou parar de tremer, mas não cons egui a. Damon ol hou para el a, e para a s ua s urpres a, com ol har s éri o, começou a ti rar o s eu cas aco. E l ena di s s e rapi damente, — Não, não, apenas di ri j a... Voe... eu quero di zer... E u pos s o s uportar — E pres tar atenção, para não col i di r com gai votas — di s s e Damon, s ol enemente, mas com um l eve s orri s o no canto do ros to. E l ena teve que vi rar s eu ros to, por que el a corri a um s éri o ri s co de cai r na gargal hada. — E ntão, quando você apreendeu a pegar as pes s oas e a j ogá-l as em ci ma de carros ?el a ques ti onou. — Ah, apenas recentemente. Is s o é que nem voar: um des afi o. E você s abe que eu amo des afi os . E l e es tava ol hando-a com mal í ci a nos s eus ol hos negros , com s eus cí l i os l ongos e negros l i ndos demai s para s erem des perdi çados em um garoto. E l ena s e s enti u como l uz, como s e el a fos s e um dente-de-l eão, mas também um pouco tonta, quas e como s e es ti ves s e bêbada. E l a es tava mui to mai s quente agora por que — el a percebeu — Damon ti nha envol vi do-a em s ua aura, que es tava quente. Não s ó na temperatura, tão pouco, quente, como uma apreci ação i nebri ante, quas e embri agada, quando el e a envol veu, os ol hos del a, s eu ros to, e s eus cabel os fl utuando como uma


nuvem de ouro, s em pes o ao s eu redor. E l ena não pôde s e i mpedi r de corar, e el a prati camente ouvi u o seu pens amento, que o rubor l he convi nha mui to bem, ros a contra a s ua pel e cl ara e pál i da. E as s i m como o rubor foi s ua res pos ta fí s i ca i nvol untári a ao s eu cal or e apreci ação, E l ena s enti u no s eu coração uma res pos ta i nvol untári a de grati dão pel o o que el e ti nha fei to, de grati dão por s ua apreci ação, e da apreci ação não i ntenci onal de Damon por s i mes mo. E l e s al vou a vi da del a es ta noi te, s e el a s abi a al go s obre vampi ros pos s uí dos por M al achs do Shi ni chi , que eram vampi ros bandi dos , s ó para começar. E l a s equer podi a i magi nar o que es s as cri aturas i ri am fazer para el a, e el a não queri a i magi nar. E l a s ó poderi a fi car grata por Damon ter s i do i ntel i gente o bas tante, e s i m, cruel o bas tante para cui dar del es , antes que el es a pegas s em. E el a teri a que s er cega e s i mpl es mente es túpi da para não apreci ar o fato de que Damon es tava maravi l hos o. Depoi s de ter morri do duas vezes , um fato que não a afetava como afetari a a mai ori a das outras garotas — mas ai nda era fato que, Damon es tava pens ati vo, ou dando um daquel es s orri s os genuí nos , que pareci a pertencer s omente a E l ena. O probl ema era que Damon era um vampi ro, e el e poderi a l er a s ua mente, ai nda mai s com el es es tando tão próxi mos , e com s uas áureas entrel açadas . E Damon apreci ava a apreci ação de E l ena, e i s s o s e tornou em um pequeno ci cl o de experi mentações , tudo por conta própri a. Antes que el a cons egui s s e s e concentrar, el a es tava derretendo, o corpo com uma s ens ação de pes o mai or, uma vez que s e mol dava aos braços de Damon. O outro probl ema era que Damon não es tava Infl uenci ando-a; el e es tava pres o no ci cl o de experi mentações , do j ei to que E l ena es tava — mai s ai nda, poi s el e não encontrou barrei ras contra i s s o. E l ena ti nha, mas el as foram s e ofus cando, s e di s s ol vendo. E l a não cons egui a raci oci nar di rei to. Damon a


es tava contempl ando com um ol har maravi l hado, que el a es tava acos tumada a ver, mas el a não s e l embrava aonde. E l ena ti nha perdi do o s eu poder de anal i s ar. E l a es tava s i mpl es mente domi nada pel o cal or, na honra de s er es ti mada, a s er real i zada, amada e protegi da com uma i ntens i dade de s acudi r até os os s os . E quando E l ena deu de s i mes ma, el a s e deu compl etamente. Quas e s em es forço cons ci ente, el a vi rou a cabeça para trás para expor s ua garganta, ol hos fechados . Damon genti l mente s egurou s ua cabeça de outra forma, s egurando-a com uma mão, e a bei j ou.


3 O tempo parou. E l ena des cobri u que el a es tava tateando i ns ti nti vamente a mente de quem es tava bei j ando-a tão docemente. E l a nunca ti nha apreci ado real mente um bei j o até que ti nha morri do, s e tornado um es pí ri to, e então retornado a Terra com uma aura que revel a o s i gni fi cado ocul to dos pens amentos de outras pes s oas , pal avras e até mes mo s uas mentes e al mas . E ra como s e el a ti ves s e ganhado um s enti do novo e boni to. Quando duas auras s e mi s turavam tão profundamente como agora, as al mas des cobri am uma a outra. Semi -cons ci ente, E l ena dei xou s ua aura s e expandi r, e conheceu a mente quas e i medi atamente. Para s ua s urpres a, el a recuou da del a. Is s o não es tava certo. E l a cons egui u prendê-l a antes que el e pudes s e recuar para trás de uma grande pedra dura, como uma rocha. As úni cas coi s as dei xadas fora da rocha — que a l embrava a foto de um meteori to que ti nha vi s to, com a s uperfí ci e perfurada e carboni zada — foram as funções do cérebro rudi mentar, e um meni no, pres o à rocha por ambos os punhos e os tornozel os . E l ena fi cou chocada. Tudo o que el a es tava vendo, el a s abi a que era s ó uma metáfora, e que el a não devi a j ul gar rápi do demai s o s i gni fi cado. As i magens di ante del a eram real mente os s í mbol os da al ma nua de Damon, mas de uma forma que s ua própri a mente podi a compreender e i nterpretar, s e apenas el a ol has s e a parti r da pers pecti va correta. Ins ti nti vamente, porém, el a s abi a que es tava vendo al go i mportante. E l a vei o através do prazer s em fôl ego e doçura es tonteante de uni r s ua al ma com outro. E agora, o s eu amor i nerente e preocupação a l evaram a tentar s e comuni car. — Você es tá com fri o?el a perguntou à cri ança, cuj as correntes eram l ongas o s ufi ci ente para permi ti r que el e envol ves s e s eus braços s obre as pernas dobradas . E l e es tava ves ti do de preto es farrapado.


E l e concordou em s i l ênci o. Seus grandes ol hos es curos pareci am engol i r s eu ros to. — De onde você vem?di s s e E l ena com dúvi da, pens ando em manei ras de aquecer a cri ança. — Não de dentro di sso?E l a fez um ges to em di reção à pedra gi gante. A cri ança acenou com a cabeça novamente. — E s tá mai s quente l á dentro, mas el e não vai mai s me dei xar entrar. — E l e? E l ena es tava s empre à procura de s i nai s de Shi ni chi , es s e es pí ri to de rapos a mal i ci os o. — Que ' el e' , queri do?E l a j á ti nha s e aj oel hado e tomado a cri ança nos braços , e el e es tava fri o, gel ado, e o ferro es tava congel ando. — Damon — o meni no mal trapi l ho s us s urrou. Pel a pri mei ra vez os ol hos do meni no des vi aram de s eu ros to, para ol har medros amente ao s eu redor. — Damon fez i s s o?A voz de E l ena começou forte e acabou tão s uave como s us s urro do meni no, quando el e s e vi rou com ol hos s upl i cantes s obre el a e des es peradamente afagou-l he os l ábi os , como a garras s edos as de gati nho. Tudo i s s o s ão apenas s í mbol os , E l ena l embrou a s i mes ma. É a mente de Damon — s ua al ma — quem você es tá ol hando. ‘M as e você?’ uma parte anal í ti ca del a perguntou de repente. Não havi a — um tempo antes , quando você fez i s s o com al guém — e você vi u um mundo dentro del e, pai s agens i ntei ras de chei as de amor e da bel eza do l uar, tudo i s s o s i mbol i zando o funci onamento s audável de uma mente extraordi nári a. E l ena não cons egui a l embrar o nome da pes s oa agora, mas el a s e l embrou da bel eza. E l a s abi a que s ua própri a mente poderi a us ar es s es s í mbol os para s e apres entar a uma outra pes s oa. Não, el a percebeu de forma abrupta e defi ni ti va: el a não es tava vendo a


al ma de Damon. A al ma Damon es tava em al gum l ugar dentro daquel a enorme e pes ada bol a de rocha. E l e vi vi a apertado dentro daquel a coi s a horrí vel , e el e qui s des s a forma. Tudo o que foi dei xado de fora era uma anti ga memóri a de s ua i nfânci a, um meni no que havi a s i do bani do do des cans o de s ua al ma. — Se Damon te col ocou aqui , então quem é você?E l ena perguntou devagar, tes tando s ua teori a, pres a aos ol hos pretos da cri ança, e os cabel os es curos e os traços que el a reconheci a mes mo es tando tão j ovem. — E u s ou... Damon — o meni no s us s urrou, branco ao redor dos l ábi os . Tal vez até mes mo revel ando que i s s o foi mui to dol oros o, E l ena pens ou. E l a não queri a magoar es s e s í mbol o da i nfânci a de Damon. E l a queri a que el e s enti s s e a doçura e o conforto que el a es tava s enti ndo. Se a mente Damon ti ves s e s i do como uma cas a, el a teri a gos tado de arrumá-l a, e encher todo o quarto com fl ores e com a l uz das es trel as . Se ti ves s e s i do uma pai s agem que el a teri a col ocado uma auréol a em vol ta da branca l ua chei a, ou um arcoí ri s entre as nuvens . M as em vez di s s o, apres entou-s e como uma cri ança fami nta acorrentada a uma bol a que ni nguém poderi a vi ol ar, e el a queri a confortar e acal mar a cri ança. E l a ni nou o meni no, es fregando fi rme s eus braços e s uas pernas e ani nhando-o contra o s eu corpo es pi ri tual . No começo, el e s e s enti a tens o e des confi ado em s eus braços . M as depoi s de al gum tempo, quando nada de terrí vel aconteceu com o contato entre el es , el e rel axou e el a s enti u s eu corpo pequeno fi car quente, s onol ento e pes ado em s eus braços . E l a s e s enti u i mens amente protetora e amável pel a pequena cri atura. E m poucos mi nutos , a cri ança em s eus braços es tava dormi ndo, e E l ena pens ou que havi a al i a s ombra de um s orri s o em s eus l ábi os . E l a abraçou s eu


pequeno corpo, bal ançando-o s uavemente, s orri ndo de s i mes ma. E l a es tava pens ando em al guém que a s egurou as s i m quando el a havi a chorado. Al guém que foi — não foi es queci do, nunca es queci do — mas que fez s ua garganta doer com tri s teza. Al guém tão i mportante — era des es peradamente i mportante que el a s e l embras s e del e agora, ag ora — e i s s o el a... el a ti nha que... encontrar... E , de repente, a noi te cal ma do es pí ri to de Damon es tava di vi di da — pel o s om, pel a l uz e pel as energi as que mes mo E l ena, j ovem como el a era nos cami nhos do Poder, s abi a que ti nha s i do ati çado pel a l embrança de um nome úni co. Stefan. Oh, Deus , el a ti nha esqueci do del e — el a ti nha real mente, por al guns mi nutos , permi ti do a s i mes ma formar uma i magem do que s i gni fi cava es quecer-s e del e. A angús ti a por todas as horas s ol i tári as de fi m de noi te, s entada e derramando a s ua dor e medo em s eu di ári o — e, em s egui da, a paz e o conforto que Damon ti nha ofereci do ti nha real mente fei to-a esquecer Stefan — de es quecer o que el e pode es tar s ofrendo nes te mes mo momento. — Não... não! — E l ena es tava l utando s ozi nho na es curi dão. — dei xeme... E u tenho que encontrar... E u não pos s o acredi tar que eu es queci ... — E l ena. A voz de Damon es tava cal ma e genti l — ou pel o menos s em emoções . — Se você conti nuar empurrando as s i m você vai s e s ol tar — e é um l ongo cami nho até o chão. E l ena abri u os ol hos , todas as s uas l embranças s obre rochas e cri anças voaram para l onge, es pal hando-s e como um dente-de-l eão branco s oprado em todas as di reções . E l a ol hou para Damon acus adoramente. — Você — você... — Si m — di s s e Damon com compos tura. — Ponha a cul pa em mi m. Por que não? M as eu não te Infl uenci ei , e eu não te mordi . E u apenas a bei j ei .


Seus Poderes fi zeram o res to; el es podem s er i ncontrol ávei s , mas el es s ão extremamente atraentes do mes mo j ei to. Francamente, eu nunca pretendi s er s ugado tão profundamente — s e você perdoar o trocadi l ho. Sua voz era l eve, mas E l ena teve uma s úbi ta vi s ão de uma cri ança chorando, e el a s e perguntou s e el e es tava real mente tão i ndi ferente quanto pareci a. M as es s a é s ua es peci al i dade, não é? el a pens ou, de repente amarga. E l e oferece s onhos , fantas i as , o prazer de es tar na mente de s eus ... doadores . E l ena s abi a que as meni nas e j ovens mul heres que Damon... predava... adoravam-no, s uas úni cas recl amações era que el e não as vi s i tava o s ufi ci ente. — E u entendo — di s s e E l ena a el e enquanto el es s e di ri gi am para mai s perto do chão. — M as i s s o não pode acontecer novamente. Há apenas uma pes s oa que eu pos s o bei j ar, e é Stefan. Damon abri u a boca, mas s ó então houve o s om de uma voz que es tava tão furi os a e acus adora como E l ena ti nha es tado, e que não s e preocupava com as cons equênci as . E l ena s e l embrou de outra pes s oa que el a ti nha es queci do. — DAM ON, SE U BASTARDO, TRAGA-A PARA BAIXO! M att. E l ena e Damon chegaram em um gi ro, parando el egantes , exatamente ao l ado do Jaguar. M att correu i medi atamente para E l ena e arrebatou-a para l onge, exami nando-a como s e ti ves s e s ofri do um aci dente, com es peci al atenção para s eu pes coço. M ai s uma vez E l ena es tava des confortavel mente cons ci ente de es tar ves ti da com uma cami s ol a de renda branca, na pres ença de doi s meni nos . — E u es tou bem, hones tamente, — di s s e a M att. — E u s ó es tou um pouco tonta. Vou es tar mel hor em al guns mi nutos .


M att s ol tou um s us pi ro de al í vi o. E l e podi a não es tar mai s apai xonado por el a, como ti nha es tado antes , mas E l ena s abi a que el e s e i mportava mui to com el a e s empre s eri a as s i m. E l e cui dou del a como a namorada de s eu ami go Stefan, e também por s eus própri os méri tos . E l a s abi a que el e j amai s es queceri a o momento em que es ti veram j untos . M ai s , el e acredi tava nel a. E ntão, agora, quando el a prometeu que es tava bem, el e acredi tou ni s s o. E l e es tava mes mo di s pos to a dar a Damon um ol har que não era compl etamente hos ti l . E então os doi s garotos s e di ri gi ram para a porta do l ado do motori s ta do Ja guar. — Oh, não — di s s e M att. — Você di ri gi u ontem... E ol ha o que aconteceu! Você mes mo di s s e — há vampi ros nos pers egui ndo! — Você es tá di zendo que a cul pa é mi nha? Vampi ros es tão pers egui ndo es s e motor potente — pi ntado de vermel ho — gi gante, e de al guma forma i s s o é mi nha cul pa? M att s i mpl es mente ol hou tei mos o: s ua mandí bul a apertada, s ua pel e bronzeada rubori zando. — E u es tou di zendo que devemos revezar. Você j á teve a s ua vez. — Não me l embro de nada que tenha s i do di to s obre ‘turnos ’. Damon cons egui u dar à pal avra uma i nfl exão que a fez s oar como uma ati vi dade pervers a. — E s e eu for em um carro, eu di ri j o o carro. E l ena l i mpou a garganta. Nenhum del es s equer notou. — E u não vou entrar em um carro s e você es ti ver di ri gi ndo! — M att di s s e furi os amente. — Eu não vou entrar em um carro s e você es ti ver di ri gi ndo! — Damon di s s e l aconi camente. E l ena pi garreou mai s al to, e M att fi nal mente l embrou-s e de s ua


exi s tênci a. — Bem, E l ena mal pode es perar por nos conduzi r todo o cami nho para onde es tamos i ndo, — di s s e el e, antes que el a pudes s e s ugeri r a pos s i bi l i dade. — A menos que nós cheguemos l á hoj e, — acres centou el e, ol hando para Damon dras ti camente. Damon bal ançou a cabeça es cura. — Não. E u es tou tomando a rota cêni ca. E quanto menos pes s oas s ouberem onde nós es tamos i ndo, mai s chances temos de chegar l á. Você não pode contar s e você não s abe. E l ena s enti u como s e al guém ti ves s e tocado de l eve os cabel os na parte de trás do s eu pes coço com um cubo de gel o. A forma como Damon di s s e es s as pal avras ... — M as el es j á s abem para onde es tamos i ndo, não é mes mo?perguntou el a, agi tando-s e para trás com prati ci dade. — E l es s abem que nós queremos res gatar Stefan, e el es s abem onde Stefan es tá. — Oh, s i m. E l es s abem que es tamos tentando entrar na Di mens ão Sombri a. M as por qual portal ? E quando? Se nós pudermos des pi s tá-l os , a úni ca coi s a com que preci s aremos nos preocupar é com Stefan e os guardas da pri s ão. M att ol hou em vol ta. — Quantos portai s exi s tem l á? — M i l hares . Onde três l i nhas de poder s e cruzam, há o potenci al para um portal . M as des de que os E uropeus ti raram os Nati vos Ameri canos para fora de s uas cas as , a mai ori a dos portai s não es tão s endo uti l i zados ou manti dos como eram nos vel hos tempos . Damon deu de ombros . M as E l ena es tava formi gando toda com entus i as mo, com a ans i edade. — Por que não encontramos o portal mai s próxi mo e atraves s amos , então? — Vi aj ar por todo o cami nho para a pri s ão pel o s ubmundo? Ol ha, você não


entende nada. Pri mei ro de tudo, você preci s a de mi m com você para você entrar em um portal — e mes mo as s i m, não vai s er agradável . — Não é agradável para quem? Nós ou você?M att perguntou s everamente. Damon deu-l he um l ongo ol har vazi o. — Se você tentar por conta própri a s eri a breve e termi nantemente des agradável para você. Comi go, deve s er des confortável , mas apenas uma ques tão de roti na. E quanto ao porque não vi aj ar al guns di as l á por bai xo — bem, vocês vão ver por s i mes mos no futuro, — di s s e Damon, com um s orri s o es tranho. — E i s s o l evari a mui to, mui to mai s do que pas s ar por um portão pri nci pal . — Por quê?M att exi gi u — s empre pronto para fazer perguntas das quai s E l ena real mente não queri a s aber as res pos tas . — Porque é como uma s el va, onde s angues s ugas de um metro e mei o cai ndo das árvores vão s er a menor de s uas preocupações , ou um terreno bal di o, onde qual quer i ni mi go pode atacá-l o — e todo mundo é s eu i ni mi go. Houve uma paus a enquanto E l ena pens ava duramente. Damon fi cou s éri o. Cl aramente, el e real mente não queri a fazer i s s o — e não eram mui tas as coi s as que i ncomodavam Damon. E l e gos tava de lutar. M ai s s ó s e fos s e para perder tempo... — Tudo bem, — di s s e E l ena l entamente. — Nós vamos conti nuar com s eu pl ano. Imedi atamente, os doi s rapazes chegaram à porta do l ado do motori s ta s egurando novamente. — Ouça, — di s s e E l ena s em ol har para nenhum del es . — Eu vou di ri gi r o meu Jaguar até a próxi ma ci dade. M as pri mei ro eu vou entrar e trocar de roupa e tal vez até mes mo ti rar al guns mi nutos de s ono. M att vai querer encontrar um ri acho ou al go onde el e pos s a s e l i mpar. E então eu vou para qual quer ci dade mai s próxi ma para tomar café-da-manhã e... a bri ga pode começar de novo, — Damon termi nou para el a. —


Você pode fazer i s s o, Queri da. E u vou encontrá-l os em qual quer l ugar gorduros o que você es col her. E l ena concordou com a cabeça. — Você tem certeza que você vai s er capaz de nos encontrar? E u estou tentando s egurar a mi nha aura bai xa, real mente. — Ol ha, um Jaguar motor potente — pi ntado de vermel ho — em qual quer s obrevoo s obre uma ci dade você pode encontra, es s a rota vai s er tão evi dente como um OVNI, — di s s e Damon. — Por que el e não vem apenas com... A voz de M att parou. De al guma forma, embora tenha ti do o mai s profundo res s enti mento contra Damon, mui tas vezes el e cons egui u es quecer que el e era um vampi ro. — E ntão você es tá i ndo para l á pri mei ro para encontrar al guma j ovem garota cami nhando para a es col a de verão, — di s s e M att, s eus ol hos azui s parecendo es curecer. — E vai des cer rapi damente s obre el a e l evá-l a onde ni nguém pos s a ouvi r s eus gri tos e então você vai puxar a cabeça para trás e vai afundar s eus dentes em s ua g arg anta. Houve uma paus a rel ati vamente l onga. E m s egui da, Damon di s s e em um tom l evemente feri do — E u não vou. — Is s o é o que você — s eu povo — faz. Você fez i s s o comi go. E l ena vi u a neces s i dade de uma i ntervenção drás ti ca: a verdade. — M att, M att, não foi Damon quem fez i s s o. Foi Shi ni chi . Você sabe di s s o. E l a del i cadamente tomou M att pel os braços e vi rou-o até que el e es tava de frente para el a. Por um l ongo momento M att não ol hou para el a. O tempo s e es ti cava e E l ena começou a temer que el e es ti ves s e fora do s eu al cance. M as então, fi nal mente, el e l evantou a cabeça para que el a pudes s e ol har em s eus ol hos . — Tudo bem, — di s s e el e bai xi nho. — E u vou j unto com el e. M as você s abe que el e es tá s ai ndo para beber s angue humano.


— De um doador di s pos to! — Damon, que ti nha uma boa audi ção, gri tou. M att expl odi u novamente. — Porque você os torna di s pos tos ! Você os hi pnoti za... — Não, eu não. —... ou ‘os Infl uenci a, ’ ou o que quer que s ej a. Como você gos tari a que... Pel as cos tas de M att, E l ena es tava fazendo agora um furi os o movi mento à Damon de conti nue com as mãos , como s e el a es ti ves s e es pantando um bando de gal i nhas . No começo Damon apenas l evantou uma s obrancel ha para el a, mas depoi s el e deu de ombros com el egânci a e obedeceu, s ua forma des focando quando el e s e trans formou em um corvo e rapi damente s e tornou um ponto no s ol nas cente. — Você acha que, — E l ena di s s e cal mamente, — que você poderi a s e l i vrar de s ua es taca? Is s o es tá dei xando Damon compl etamente paranoi co. M att ol hou por toda parte exceto para el a e fi nal mente concordou. — E u vou j ogá-l a fora quando eu des cer para me l avar, — di s s e el e, ol hando para s uas pernas enl ameadas s everamente. — De qual quer forma, — acres centou — você entra no carro e tentar dormi r um pouco. Parece que você preci s a. — Acorde-me dentro de al gumas horas , — di s s e E l ena — s em a menor i dei a de que dentro de al gumas horas el a i a me arrepender di s s o mai s do que el a poderi a di zer.


4 Você es tá tremendo. Dei xa que eu faço i s s o s ozi nha — M eredi th di s s e, col ocando uma mão nos ombros de Bonni e enquanto es tavam j untas em frente a cas a de Carol i ne Forbes . Bonni e começou a s e s enti r pres s i onada, mas l ogo s e control ou. E ra tão humi l hante tremer em uma manhã na Vi rgí ni a, no fi nal de j ul ho. E ra humi l hante s er tratada como uma cri ança, também. M as M eredi th, que era apenas s ei s mes es mai s vel ha do que el a, pareci a mai s adul ta do que o habi tual . Seu cabel o negro es tava s ol to, s eus ol hos pareci am mai ores , s ua pel e ol i vácea, corada nas maçãs do ros to, el a es tava l i nda. E la

prati camente

poderi a

s er

mi nha

babá,

pens ou

Bonni e

des ani madamente. M eredi th us ava s apatos de s al to al to, ao i nvés de s uas us uai s s apati l has . E m comparação, Bonni e s e s enti u mai s nova e mai s bai xa do que nunca. E l a pas s ou as mãos pel os s eus cachos l oi ro-morango, tentando l evantá-l os pel o menos uma pol egada mai s al to. — E u não es tou as s us tada. E u es tou com f-fri o — Bonni e di s s e com toda di gni dade que pode reuni r. — E u s ei . Você s ente al go vi ndo de l á, não é? M eredi th acenou com a cabeça para a cas a em frente del as . Bonni e ol hou de s os l ai o para el a e depoi s para M eredi th. De repente, a maturi dade de M eredi th era mai s reconfortante do que i rri tante. M as antes que el a ol has s e para a cas a da Carol i ne novamente el a s ol tou, — Por que você es tá de s al to al to? — Ah — di s s e M eredi th ol hando para bai xo. Prati ci dade. Se al guém tentar pegar no meu tornozel o, eu faço i sso — E l a bateu o pé, fazendo um es tal o. Bonni e quas e s orri u. Você trouxe s eu s oco i ngl ês de bronze também? — E u não preci s o di s s o também; E u vou bater em Carol i ne, des armada,


s e el a tentar qual quer coi s a — M as não mude de as s unto. E u pos s o fazer i s s o s ozi nha. Bonni e col ocou s ua mão s obre a mão fi na com dedos l ongos de M eredi th. E l a apertou. E u s ei que você pode. M as eu s ou a úni ca que deveri a. Foi a mi m quem el a convi dou. — Si m — M eredi th di s s e, com s eus l ábi os fi nos e el egantes curvados . E l a s empre s abe aonde enfi ar a faca. Bem, aconteça o que acontecer, Carol i ne que fez i s s o a el a mes ma. Pri mei ro vamos tentar aj udá-l a, por nós e por el a mes ma. E m s egui da faremos com que el a busque aj uda. Depoi s di s s o... — Depoi s di s s o — di s s e Bonni e com amargura, — não temos como prever — E l a ol hou para a cas a de Carol i ne mai s uma vez. Pareci a di s torci da... de al guma forma, como s e el a es ti ves s e vendo através de um es pel ho di s torci do. Al ém di s s o, el a ti nha uma áurea rui m: preto, ri s cado com ci nza es verdeado. Bonni e nunca ti nha vi s to uma cas a com tanta energi a antes . E era fri a, es s a energi a, como res pi rar dentro de um fri gorí fi co. Bonni e s e s enti u como s e s ua energi a vi tal es ti ves s e s endo s ugada e fos s e trans formada em gel o, s e ti ves s e oportuni dade. E l a dei xou M eredi th tocar a campai nha. E l a ti nha um l eve eco, e quando a Sra. Forbes atendeu, s ua voz pareci a ecoar um pouco também. O i nteri or da cas a também pareci a um refl exo di s torci do, Bonni e pens ou, mas ai nda mai s es tranho foi a s ens ação. Se el a fechas s e os ol hos , podi a s e i magi nar em um l ugar mui to mai or, onde o chão decl i nava. — Vocês vi eram ver a Carol i ne — a s enhora Forbes di s s e. Sua aparênci a chocou Bonni e. A mãe de Carol i ne pareci a uma i dos a, com cabel os gri s al hos e um pál i do ros to vazi o. — E l a es tá em s eu quarto. Vou mos trá-l o a vocês — di s s e a mãe de Carol i ne.


— M as s enhora Forbes , nós s abemos onde.. M eredi th s e cal ou quando Bonni e col ocou a mão em s eu braço. A des botada e encol hi da mul her des apareceu. E l a quas e não ti nha áurea nenhuma, Bonni e percebeu como uma facada no coração. E l a conheci a Carol i ne e s eus pai s a tanto tempo — como era pos s í vel que i s s o tenha aconteci do com el es ? E u não vou xi ngar Carol i ne, não i mporta o que el a fez, Bonni e prometeu s i l enci os amente. Não i mporta. M es mo... s i m, mes mo depoi s do que el a fez com M att, eu tentarei l embrar al go de bom del a. M as j á era di fí ci l pens ar nes s a cas a, mui to menos pens ar al go de bom. Bonni e s abi a que a es cada s e aproxi mava do fi m; el a podi a ver cada pas s o que dava. M as todos os s eus outros s enti dos l he di zi am que el a es tava descendo. E ra uma s ens ação horrí vel , que a es tava dei xando tonta: es s a i ncl i nação acentuada para bai xo era como as s i s ti r s eus pés s ubi rem. Havi a também um chei ro es tranho e pungente, de ovos es tragados . Um odor podre que s e podi a provar no ar. A porta de Carol i ne es tava fechada, em frente a el a uma bandej a de comi da com um garfo e uma faca. A s enhora Forbes correu à frente de Bonni e e M eredi th, e rapi damente pegou a bandej a, abri u a porta de Carol i ne e o col ocou l á dentro, fechando a porta atrás del a. M as pouco antes de des aparecer, Bonni e pens ou que ti nha vi s to um movi mento na comi da dentro da porcel ana fi na. — E l a quas e não fal a mai s comi go — di s s e a s enhora Forbes , com a mes ma voz vazi a que ti nha us ado antes . M as el a di s s e que es tava es perando por vocês ... E l a correu, dei xando-as s ozi nhas no corredor. O chei ro de ovos podre, não, de enxofre, Bonni e percebeu, era mui to forte. E nxofre — el a reconheceu o chei ro da aul a de quí mi ca do ano pas s ado.


M as como um chei ro tão horrí vel foi chegar na cas a el egante da s enhora Forbes ? Bonni e vi rou-s e para perguntar a M eredi th, mas el a j á es tava bal ançando a cabeça. Bonni e conheci a es s a expres s ão. Não di ga nada. Bonni e engol i u em s eco, l i mpou s eus ol hos , e vi u M eredi th vi rar a maçaneta da porta de Carol i ne. O quarto es tava es curo. A l uz do corredor revel ava que as corti nas de Carol i ne ti nham s i do reforçadas por col chas . Não havi a ni nguém na cama. — E ntra l ogo! E fecha es s a porta, rápi do! E ra a voz de Carol i ne, com a tí pi ca i mperti nênci a de Carol i ne. Uma enxurrada de al í vi o tomou conta de Bonni e. A voz não era mas cul i na que chocava o quarto, ou um ui vo, era Carol i ne de mal humor. E l a entrou na penumbra di ante del a.


5 E l ena entrou no banco de trás do Jaguar e col ocou uma cami s a aqua mari nha e j eans s ob a cami s ol a, apenas para o cas o de um pol i ci al — ou mes mo al guém

tentando aj udar os

propri etári os

de

um

automóvel

aparentemente parado em uma es trada des erta — parar por al i . E então el a s e dei tou no banco de trás do Jaguar. M as , apes ar de agora s e s enti r quente e confortável , o s ono não vi nha. O que eu quero? Real mente quero agora? el a s e perguntou. E a res pos ta vei o de i medi ato. E u quero ver Stefan. E u quero s enti r seus braços em vol ta de mi m. E u quero apenas ol har para s eu ros to — em s eus ol hos verdes com aquel e ol har es peci al que s ó el e j á mos trou para mi m. E u quero que el e me perdoe e me di ga que el e s abe que eu s empre vou amá-l o. E l ena s e s enti u rubori zar com o cal or que atraves s ou s eu corpo, eu quero que Stefan me bei j e. E u quero os bei j os Stefan... quente e doce e reconfortante... E l ena es tava pens ando ni s s o pel a s egunda ou tercei ra vez, el a fechou os ol hos e mudou a pos i ção, mai s uma vez as l ágri mas brotando. Se ao menos pudes s e chorar, chorar mui to, por Stefan. M as al go a i mpedi a. E l a tentou mui to es premer uma l ágri ma. Deus , el a es tava exaus ta... E l ena tentou. E l a manteve os ol hos fechados e s e vi rou para trás e para frente, tentando não pens ar em Stefan por apenas al guns mi nutos . E l a ti nha que dormi r. Des es perada, el a deu um s us pi ro poderos o para tentar encontrar uma pos i ção mel hor — quando de repente tudo mudou. E l ena es tava confortável . M ui to confortável . E l a não podi a s enti r o l ugar ao todo. E l a s e ergueu e congel ou, s entando-s e no ar. E l a es tava quas e batendo a cabeça contra o teto do Jag. E u perdi a gravi dade de novo! pens ou el a, horrori zada. M as , não — i s to


era di ferente do que ti nha aconteci do da pri mei ra vez quando el a vol tou da outra vi da, e ti nha fl utuado como um bal ão. E l a não cons egui a expl i car o porquê, mas el a ti nha certeza. E l a es tava com medo de s e mover em qual quer di reção. E l a não ti nha certeza da caus a da s ua angús ti a, mas el a não ous ou s e mover. E então el a vi u. E l a vi u a si mesma, com a cabeça para trás e os ol hos fechados no banco de trás do carro. E l a poderi a di zer cada pequeno detal he, des de as dobras em s ua cami s a aquamari nha de vel udo até a trança que el a fez em s eu cabel o dourado pál i do, que, por fal ta de um prendedor de cabel o, es tava s e des fazendo. E l a pareci a como s e es ti ves s e dormi ndo s erenamente. E ntão foi as s i m que tudo termi nou. Is to é o que el es vão di zer, que E l ena Gi l bert, em um di a de verão, morreu tranqui l amente em s eu s ono. Nenhuma caus a de morte j amai s foi encontrada... Porque el es nunca poderi am ver o coração parti do como caus a de morte, pens ou E l ena, e em um ges to ai nda mai s mel odramáti co do que s eus habi tuai s ges tos mel odramáti cos , tentou s e l ançar para bai xo para s eu própri o corpo com um braço cobri ndo o ros to. Não funci onou. As s i m que el a começou a s e l ançar, vi u-s e fora do Jaguar. E l a ti nha pas s ado di retamente através do teto s em s enti r nada. Suponho que é i s s o o que acontece quando você é um fantas ma, el a pens ou. M as nada é como da ul ti ma vez. Quando eu vi o túnel , fui para a Luz. Tal vez eu não s ej a um fantas ma. De repente, E l ena s enti u uma onda de eufori a. E u s ei o que é i s s o, pens ou el a, tri unfante. E s ta é uma experi ênci a fora do corpo! E l a ol hou para s i mes ma dormi ndo de novo, procurando cui dados amente.


Si m! Si m! Havi a um cordão anexando s eu corpo dormi ndo, s eu verdadei ro corpo — ao s eu eu es pi ri tual . E l a es tava pres a! Onde quer que fos s e, el a poderi a encontrar s eu cami nho de cas a. Havi a apenas doi s des ti nos pos s í vei s . Um era vol tar para Fel l ' s Church. E l a conheci a a di reção do s ol , e el a ti nha certeza de que al guém que tenha uma OOB1 ( como Bonni e, que havi a pas s ado por um modi s mo es pi ri tual i s ta e ti nha l i do mui tos l i vros s obre o as s unto, fami l i armente chamavam) s eri a capaz de reconhecer o cruzamento de todas as l i nhas de poder. O outro des ti no, é cl aro, era Stefan. Damon poderi a pens ar que el a não s abi a para onde i r, e era verdade que el a s ó podi a s enti r vagamente que Stefan es tava no s enti do opos to ao s ol nas cente — a oes te del a. M as el a s empre s oube que as al mas dos verdadei ros amantes es tavam l i gadas de al guma forma... por um fi o de prata de coração para coração ou um cordão vermel ho do dedo mi ndi nho para dedo mi ndi nho. Para s eu del ei te, el a achou quas e que i medi atamente. Um cordão da cor do l uar, que pareci a es tar es ti cada entre coração s onol ento de E l ena, e... s i m. Quando el a tocou no fi o, que res s oou tão cl aramente del a para Stefan, el a s abi a que el e i ri a l evá-l a a el e. Nunca houve dúvi da em s ua mente s obre qual o rumo que el a tomari a. E l e ti nha es tado em Fel l ’s Church. Bonni e era uma médi um com al guns poderes i mpres s i onantes , e também a vel ha s enhori a de Stefan, a Sra. Theophi l i a Fl ores . E l es es tavam l á, j unto com M eredi th e s eu i ntel ecto bri l hante, para proteger a ci dade. E todos el es entenderi am, di s s e a s i mes ma um pouco des es perada. E l a não poderi a j amai s ter es s a chance novamente. Sem hes i tar por nenhum outro momento, E l ena vi rou-s e para Stefan s e dei xou l evar.


Imedi atamente el a s e vi u correndo no ar, mui to rápi do para reparar em s eu entorno. Tudo o que pas s ou por el a era como um borrão, di feri ndo apenas na cor e textura como E l ena percebeu, com um nó na garganta, que es tava passando por obj etos . E as s i m, em apenas al guns i ns tantes , el a s e vi u ol hando para uma cena de cortar o coração: s obre um pal ete puí do e quebrado, aparentando uma cara ci nza e magra. Stefan em uma cel a hedi onda, i nfes tada de pi ol hos , com es s as maldi tas barras de ferro das quai s nenhum vampi ro poderi a es capar. E l ena vi rou-s e por um momento de manei ra que quando o acordas s e el e não vi s s e s ua angús ti a e s uas l ágri mas . E l a es tava apenas recompondo-s e, quando a voz de Stefan atraves s ou por el a. E l e j á es tava acordado. — Você tenta e tenta, não é?di s s e el e, s ua voz carregada de s arcas mo. — E u acho que você deve ganhar pontos por i s s o. M as você s empre comete al gum erro. A úl ti ma vez foi a pequena ponta das orel has . Des ta vez é a roupa. E l ena não us ari a uma cami s a enrugada como es s a e não teri a os pés s uj os e des cal ços s e s ua vi da dependes s e di s s o. Vá embora. E ncol hendo os ombros s ob o cobertor puí do, el e vi rou-s e contra el a. E l ena ol hou. E l a ti nha mui tos ti pos de s ofri mento para es col her s uas pal avras : el as es touram del a como um gêi s er. Oh, Stefan! E u s ó es tava tentando adormecer nas mi nhas roupas no cas o de um pol i ci al parar enquanto eu es tava no banco de trás do Jaguar. O Jag que você comprou de mi m. M as eu não acho que você s e i mporta! M i nhas roupas es tão amas s adas , porque eu es tou vi vendo com a mi nha mochi l a e meus pés s e s uj avam quando Damon — bem — bem — es queça i s s o. E u tenho uma cami s ol a de verdade, mas eu não fi quei com el a quando eu s aí do meu corpo e eu acho que quando você s ai , você ai nda aparenta com você em seu corpo... E ntão el a ergueu as mãos em es tado de al arme quando Stefan vi rou-s e.


M as — maravi l ha das maravi l has — agora havi a uma mancha de s angue em s eu ros to. Al ém di s s o, el e não es tava mai s ol hando des denhos a. E l e es tava ol hando mortal , s eus ol hos verdes pi s cam com ameaça. — Seus pés fi caram s uj os — quando Damon fez o quê?perguntou el e, enunci ando cui dados amente. — Não i mporta. — É uma droga que não i mporta... Stefan parou. — E l ena?el e s us s urrou, ol hando para el a como s e el a ti ves s e apenas apareci do. — Stefan! — E l a não podi a aj udar envol vendo os s eus braços nos del e. E l a não cons egui a control ar nada. — Stefan, eu não s ei como, mas eu estou aqui . Sou eu. E u não s ou um s onho ou um fantas ma. E u es tava pens ando em você e adormeci — e aqui estou eu. E l a tentou tocá-l o com as mãos fantas magóri cas . — Você acredi ta em mi m? — E u acredi to em você... porque eu es tava pens ando em você. De al guma forma — de al guma forma i s s o te trouxe aqui . Por caus a do amor. Porque nós nos amamos! — E el e fal ou as pal avras como s e fos s em uma revel ação. E l ena fechou os ol hos . Se el a pudes s e es tar aqui em s eu corpo, el a i ri a mos trar Stefan quanto o amava. Como não es tava, el es ti veram que us ar pal avras des aj ei tadas — cl i chês que pas s aram a s er uni camente verdadei ros . — E u s empre te amarei , E l ena — di s s e Stefan, s us s urrando novamente. — M as eu não quero você perto de Damon. E l e encontrará uma manei ra de te machucar... — E u não pos s o aj udar com i s s o, — E l ena i nterrompeu. — Você tem que fazer i s s o! porque é a mi nha úni ca es perança, Stefan! E l e não vai me machucar. E l e é capaz de morrer para me proteger. Oh, Deus , tanta coi s a aconteceu!


E s tamos a cami nho de — E l ena hes i tou, s eus ol hos pi s cam ao redor cautel os amente. Os ol hos de Stefan s e al argaram por um i ns tante. M as quando el e fal ou s eu ros to era i nexpres s i vo. — Al gum l ugar onde você es tará s egura. — Si m — di s s e el a, apenas s éri a, s abendo que as l ágri mas fantas mas es tavam agora correndo pel o ros to s em corpo. — E ... oh, Stefan, há tanta coi s a que você não s abe. Carol i ne acus ou M att de atacá-l a enquanto el es es tavam em um encontro porque el a es tá grávi da. M as não foi M att! — Cl aro que não! — Stefan di s s e, i ndi gnado, e teri a di to mai s , mas E l ena es tava conti nuando com pres s a. — E eu acho que — a ni nhada é na verdade de Tyl er Smal l wood por caus ado tempo, e porque Carol i ne es tá mudando. Damon di s s e que... — Um bebê l obi s omem s empre vai trans formar a s ua mãe em um l obi s omem... — Si m! M as a parte l obi s omem vai ter que l utar contra o M al ach que j á es tá dentro del a. Bonni e e M eredi th me di s s eram coi s as s obre Carol i ne — s obre a forma como el a es tava ras tej ando no chão como um l agarto — i s s o me apavorou. M as eu ti nha que dei xá-l os l i dar com i s s o para que eu pudes s e — pudes s e chegar a es s e l ugar s eguro. — Lobi s omens e mei o-rapos as , — di s s e Stefan, s acudi ndo a cabeça. — É cl aro que, a ki ts une, as rapos as , s ão mui to mai s potentes magi camente, mas l obi s omens tendem a matar antes de pens ar. E l e bateu em s eu j oel ho com o punho. — E u queri a poder estar l á! E l ena arfou em uma mi s tura de admi ração e des es pero. — E em vez di s s o, estou aqui — com você! E u nunca s oube que eu poderi a fazer i s s o. M as eu s ou capaz de trazer-l he al guma coi s a as s i m, nem a mi m mes mo. M eu s angue. E l a fez um ges to i ndefes o e vi u a pres unção de ol hos


Stefan. E l e ai nda ti nha o vi nho de M agi a Negra Cl ari on Loes s que el a ti nha contrabandeado para el e! E l a s abi a! E ra o úni co l í qui do que podi a — comum gol e — aj udar a manter um vampi ro vi vo quando o s angue não es tava di s poní vel . — Vi nho — de M agi a Negra — s em ál cool , e j amai s fei to para humanos em pri mei ro l ugar, era a úni ca bebi da que os vampi ros real mente gos tavam al ém do s angue. Damon ti nha di to para E l ena que el e era magi camente fei to de uvas es peci ai s que foram cul ti vadas no s ol o nas bordas das gel ei ras , em um s ol o férti l e amarel ado — Loes s -, e que eram s empre manti dos na es curi dão compl eta. Is s o é o que l he dá o s abor avel udado es curo, el e di s s e. — Não i mporta — di s s e Stefan, s em dúvi da para o benefí ci o de quem poderi a es tar a es pi ar. — E xatamente como i s s o aconteceu?el e perguntou então. — E s ta coi s a de fora do corpo? Por que você não vem aqui e me di z mai s s obre i s s o?E l e dei tou s obre o s eu catre, vi rando os ol hos s ofri dos nos del a. Lamento que eu não tenha uma cama mel hor para l he oferecer. Por um momento a humi l hação s e mos trou cl aramente em s eu ros to. Todo es s e tempo el e cons egui u es conder del a: a vergonha que s enti a em aparecer di ante del a des ta forma — em uma cel a i munda, com farrapos de roupas , e i nfes tados com Deus s abe o quê. E l e — Stefan Sal vatore, que ti nha s i do... Que ti nha s i do... O coração de E l ena real mente s e quebrou então. E l a s abi a que el e es tava quebrando, porque el a podi a s enti r s e quebrando como o vi dro dentro del a, com cada pedaço — como fragmentos afi ados cortando a carne dentro do s eu pei to. E l a s abi a que es tava quebrando, também, porque el a es tava chorando, enormes l ágri mas es pi ri tuai s cai am s obre o ros to de Stefan como


s angue, trans l úci da no ar enquanto caí am, mas s e trans formando em um vermel ho profundo quando tocavam o ros to de Stefan. Sangue? É cl aro que não era s angue, el a pens ou. E l a não podi a nem mes mo trazer al go tão úti l para el e des s a forma. E l a es tava real mente chorando agora; s acudi ndo os ombros enquanto as l ágri mas conti nuaram a cai r s obre Stefan, que agora ti nha uma mão l evantada como s e para pegar uma... — E l ena... Havi a al go maravi l hado em s ua voz. — O quê — o quê?E l a s e entus i as mou. — Suas l ágri mas . Suas l ágri mas me fazem s enti r... E l e es tava ol hando para el a com um ti po de res pei to. E l ena ai nda não cons egui a parar de chorar, embora s oubes s e que el a ti nha acal mado s eu orgul hos o coração — e fei to al guma outra coi s a. — E u n-não entendo. E l e pegou uma de s uas l ágri mas e bei j ou-a. E ntão, el e ol hou para el a com um bri l ho nos s eus ol hos . — É di fí ci l fal ar s obre i s s o, adorável pequeno amor... Então, por que usar palavras? Pens ou el a, ai nda chorando, mas des cendo ao ní vel del e para que el a pudes s e fungar bem aci ma de s eu pes coço. É só que... eles não são mui to li berai s com as bebi das por aqui , di s s e a el a. Como você adi vi nhou. Se você não ti vesse — me aj udado — eu estari a morto ag ora. Eles não conseg uem entender porque eu não estou. Então, eles — bem, eles fog em antes de cheg ar a mi m, às vezes, você entende... E l ena l evantou a cabeça, e des s a vez l ágri mas de pura rai va pura caí ram de s eu ros to. Onde estão eles? Eu vou matá-los. Não me di g a que eu não posso, porque eu vou encontrar um j ei to. Vou encontrar uma manei ra de matá-los mesmo estando nessa formaE l e s acudi u a cabeça. Anj o, anj o, você não vê? Você não temque matá-los. Porque tuas lág ri mas, as lág ri mas fantasma de uma donzelapuraE l a bal ançou a cabeça para el e. Stefan, se alg uém sabe que eu não sou uma donzela


pura, esse é você- — de uma donzela pura, Stefan conti nuou, nem ao menos perturbado por s ua i nterrupção, pode curar todos os males. E eu fi quei mal essa noi te, Elena, embora eu tenha tentado esconder. Mas eu estou curado ag ora! Tão bom quanto novo! Eles nunca serão capazes de entender como i sso pode acontecer. Você temcerteza? Olhe para mi m! E l ena ol hou para el e. O ros to de Stefan, que ti nha es tado ci nza e marcado antes , agora era di ferente. E l e era normal mente pál i do, mas agora s eus traços fi nos pareci am rubori zados — como s e el e ti ves s e es tado parado em frente a uma foguei ra e a l uz ai nda es tava refl eti ndo as l i nhas puras e traços el egantes do ros to amado. Eu... fi z i sso? E l a l embrou da pri mei ra l ágri ma que cai u, e como el a ti nha pareci do com s angue em s eu ros to. Não como o s angue, el a percebeu, mas como a cor natural , afundando-o, refres cando-o. E l a não podi a dei xar de es conder o ros to novamente em s eu pes coço enquanto el a pens ava, estou feli z. Ah, eu estou tão contente. Mas eu g ostari a que pudéssemos nos tocar. Eu quero senti r seus braços emvolta de mi m. — Pel o menos eu pos s o ol har para você, — Stefan murmurou, e E l ena s abi a que mes mo i s s o era como água no des erto para el e. — E s e pudéssemos nos tocar, eu i ri a col ocar meu braço em vol ta de s ua ci ntura aqui , e bei j á-l a aqui e aqui ... E l es s e fal aram des ta manei ra por um tempo — apenas trocando bri ncadei ras de amantes , cada uma s us tentada pel a i magem e s om do outro. E então, s uave, mas fi rme, Stefan pedi u-l he para l he contar tudo s obre Damon — tudo des de o começo. Agora E l ena es tava de cabeça fri a o s ufi ci ente para l he contar s obre o i nci dente com M att, que fez Damon s oar como um vi l ão. — E Stefan, Damon real mente es tá nos protegendo da mel hor manei ra pos s í vel . E l a contou-l he s obre os doi s vampi ros pos s uí dos que es tavam os s egui ndo e s obre o que Damon ti nha fei to. Stefan apenas encol heu os ombros e di s s e com i roni a — A mai ori a das


pes s oas es creve com l ápi s ; Damon es creve nas pes s oas com el es . E l e acres centou — E a s ua roupa es tava s uj a? — Porque eu ouvi um enorme baque — que acabou por s er M att em ci ma do carro — di s s e el a. — M as , para s er j us ta, el e es tava tentando enfi ar uma es taca em Damon no momento. E u o fi z s e l i vrar da es taca. E l a acres centou, em um l eve s us s urro: — Stefan, por favor,, não s e i mcomode por Damon e eu termos que — es tar j untos por mui to tempo agora. Stefan i s s o não muda nada entre nós . — E u s ei . E o mai s s urpreendente era que el e s abi a. E l ena foi banhada pel o bri l ho profundo de s ua confi ança nel a. Depoi s que el es s e — apoi aram — E l ena s e aconchegou s em pes o aci ma da curva do braço de Stefan... e i s s o era o paraí s o. E então de repente o mundo — todo o uni vers o — es tremeceu ao s om de uma bati da vi ol enta. Is s o puxou E l ena. Al go que não pertenci a aquel e l ugar com amor e confi ança e a doçura de comparti l har todas as partes do s eu eu com Stefan. Is s o começou de novo — um es trondo mons truos o que aterrori zava E l ena. E l a s e agarrou i nuti l mente a Stefan, que es tava ol hando para el a com preocupação. E l e não ouvi u o barul ho que es tava derrotando-a, el a percebeu. E então al go ai nda pi or aconteceu. E l a foi arrancada dos braços de Stefan, e el a es tava correndo para trás , para trás atravez dos obj etos , de vol ta mai s rápi do e mai s rápi do até que com um abal o el a des embarcou em s eu corpo. Apes ar de toda a s ua rel utânci a, el a aterri s ou perfei tamente no corpo s ól i do que até agora ti nha s i do o úni co que el a conheci a. E l a pous ou s obre el e e fundi u-s e, e então el a es tava s entada e os s ons eram os de M att batendo na j anel a.


—Já s e pas s aram mai s de duas horas des de que você foi dormi r, — di s s e el e enquanto abri a a porta. — M as eu percebi que você preci s ava di s s o. Você es tá bem? — Oh, M att— di s s e E l ena. Por um momento, pareci a i mpos s í vel que fos s e capaz de não chorar. M as então s e l embrou do s orri s o Stefan. E l ena pi s cou, obri gando-s e a l i dar com s ua nova s i tuação. E l a não ti nha vi s to Stefan por tempo s ufi ci ente. M as s uas l embranças de s eu doce e curto tempo j untos foram embrul hados em narci s os e l avanda e nada poderi a l evál os para l onge del a.

***

Damon es tava i rri tado. Como el e voava mai s al to em s eu hori zi nte, as as negras de corvo, a pai s agem s ob el e s e des dobrava como um magní fi co tapete, o di a amanheci a fazendo as pas tagens e as col i nas bri l harem como a es meral da. Damon i gnorou. E l e ti nha vi s to i s s o mui tas vezes também. O que el e procurava era una donna splendi da. M as s ua mente conti nuava à deri va. M utt e s ua es taca... Damon ai nda não entendi a por que E l ena queri a ter um fugi ti vo da j us ti ça j unto com el es . E l ena... Damon tentou evocar os mes mos s enti mentos i rri tados por el a que ti nha por M utt, mas s i mpl es mente não cons egui a. E l e ci rcul ou em di reção a ci dade abai xo, mantendo-s e no bai rro res i denci al , em bus ca de auras . E l e queri a uma aura tão forte quanto bel a. E el e ti nha es tado na Améri ca tempo s ufi ci ente para s aber que nes te i ní ci o da manhã você poderi a encontrar três ti pos de pes s oas acordadas e do l ado de fora. Al unos eram os pri mei ros , mas era verão, por i s s o havi a menos para es col her.


Apes ar das pres unções de M utt, Damon raramente afundou-s e em meni nas do ens i no médi o. Corredores eram o s egundo. E o tercei ro, com pens amentos bel os , as s i m como aquele al i em bai xo... eram j ardi nei ros . A moça com a tes oura de poda ol hou para Damon, vi rou a es qui na e s e aproxi mou de s ua cas a, correndo del i beradamente e então abrandando o pas s o. Seus pas s os dei xaram cl aro que el e fi cou encantado ao s enti r a extravagânci a de fl ores na frente da encantadora cas a vi tori ana. Por um momento a meni na ol hou as s us tada, quas e com medo. Is s o era normal . Damon us ava botas pretas , cal ça j eans preta, uma cami s eta preta e j aqueta de couro preta, al ém de s eus Ray-Bans . M as então el e s orri u e, no mes mo i ns tante começou a pri mei ra del i cada i nfi l tração na mente de la bella Donna. Uma coi s a era cl ara, mes mo antes di s s o. E l a gos tava de ros as . — Um compl eto es pl endor de Dreamweavers — di s s e el e, bal ançando a cabeça em admi ração quando ol hou para os arbus tos cobertos de fl ores ros a bri l hante. — E aquel as Whi te Icebergs na trel i ça... Ah, mas as s uas M oons tones ! — E l e tocou de l eve uma ros a aberta, s uas pétal as cor de l uar, s ombreada com um ros a pál i do nas bordas . A j ovem mul her — Krys ta — não podi a conter o s orri s o. Damon s enti u o fl uxo de i nformações s em es forço de s ua mente para a del e. E l a ti nha apenas 22 anos , não era cas ada, ai nda morando na cas a dos pai s . E l a ti nha preci s amente o ti po de aura que el e es tava procurando, e apenas um pai dormi nhoco em cas a. — Você não parece do ti po que s abe mui to s obre ros as , — di s s e Krys ta francamente, e depoi s deu uma ri s ada auto-cons ci ente. — Si nto mui to. E u conheci todos os ti pos no Creekvi l l e Ros e Shows . — M i nha mãe é uma ávi da j ardi nei ra — Damon menti u fl uente e s em


um traço de des confi ança. — E u acho que eu herdei mi nha pai xão del a. Só que eu não fi co em um l ugar por tempo s ufi ci ente para cul ti vá-l as , mas ai nda pos s o s onhar. Gos tari a de s aber qual é o meu mai or s onho? A es s a autura Krys ta s enti u como s e es ti ves s e fl utuando s obre uma del i ci os a nuvem de ros as perfumadas . Damon s enti a cada nuance del i cada com el a, gos tava de ver o s eu rubor, apreci ou o l eve tremor que s acudi u s eu corpo. — Si m — Krys ta di s s e s i mpl es mente. — E u adorari a s aber o s eu s onho. Damon s e i ncl i nou para frente, bai xou a voz. — E u quero um es péci e de verdadei ras ros as negras . Krys ta ol hou as s us tada e al go pas s ou pel a s ua mente rápi do de mai s para Damon pegar. M as depoi s el a di s s e em uma voz i gual mente abafada: — E ntão, há al go que eu gos tari a de te mos trar. Se... s e você ti ver tempo para vi r comi go. O qui ntal era ai nda mai s es pl êndi do do que a frente e l á havi a uma rede bal ançando s uavemente, Damon regi s trou com agrado. Afi nal , el e l ogo preci s ari a de um l ugar para col ocar Krys ta... enquanto el a dormi a. M as na parte de trás do pavi l hão ti nha al go que fez acel erar s eu ri tmo i nvol untari amente. — Ros as Bl ack M agi c! — el e excl amou, ol hando para o vi nho-es curo, quas e cor de Borgonha. — Si m, — Krys ta di s s e s uavemente. — Bl ack M agi cs . O mai s próxi mo que al guém j á chegou de uma ros a preta. E u cons i go três col hei tas por ano, — el a s us s urrou trêmul a, s em dei xar de ques ti onar quem es te j ovem homem pos s a s er, tão domi nada por s eus s enti mentos que quas e tomou Damon para si.


— E l as s ão magní fi cas — di s s e el e. — O mai s profundo vermel ho que eu j á vi . O mai s próxi mo do preto j á cri ado. Krys ta ai nda es tava tremendo de al egri a. — Você pode fi car com uma s e qui s er. E s tou l evando-as para o Creekvi l l e s how na próxi ma s emana, mas pos s o dar-l he uma des abrochando agora. Tal vez você pos s a s enti r o chei ro. — E u... adorari a — di s s e Damon. — Você pode dar a s ua namorada. — Não tenho namorada — di s s e Damon, fel i z por vol tar a menti r. As mãos de Krys ta tremeram l evemente quanto el a cortou uma das mai s retas e l ongas has tes para el e. Damon es tendeu a mão para pegá-l a e s eus dedos s e tocaram. Damon s orri u para el a. Quando de j oel hos Krys ta fi caram mol es com prazer, Damon a pegou faci l mente e conti nuou com o que es tava fazendo.

***

M eredi th es tava bem atrás de Bonni e quando el a entrou no quarto de Carol i ne. — E u di s s e, feche a porta! — Carol i ne di s s e — não, ros nou. E ra natural ol har para ver de onde a voz vi nha. Pouco antes de M eredi th cortar o úni co fei xe de l uz fechando a porta, Bonni e vi u Carol i ne no canto da penteadei ra. A cadei ra que s e cos tumava us ar para s entar na frente del a ti nha des apareci do. Carol i ne es tava embai xo da mes a. E s s e poderi a s er um bom es paço para s e es conder aos dez anos de i dade, mas Carol i ne, de dezoi to anos de i dade, ti nha s e enrol ado em uma pos i ção


i mpos s í vel para caber l á. E l a es tava s entada em uma pi l ha que pareci a s er pedaços de roupas . Suas melhores roupas , Bonni e pens ou de repente, quando um bri l ho dourado pi s cou e s e foi quando a porta s e fechou. Depoi s eram s ó as três j untas na es curi dão. Nenhuma i l umi nação vei o de ci ma ou de bai xo da porta do corredor. É

porque

es s e

s al ão es tá

em

outro mundo,

pens ou

Bonni e

des control adamente. — O que há de errado com um pouco de l uz, Carol i ne?M eredi th perguntou cal ma. Sua voz era fi rme, reconfortante. — Você nos pedi u para vi r vê-l a... M as não podemos ver você. — E u di s s e para vi r e convers ar comi go, — Carol i ne corri gi u i medi atamente, exatamente como el a s empre era nos vel hos tempos . Is s o deve ter s i do confortante também. E xceto — exceto agora quando Bonni e podi a ouvi r s ua voz como s e es ti ves s e res s oando s ob a mes a, el a podi a di zer que ti nha uma nova qual i dade. Não s ó rouca, quanto... Você realmente não quer pensar i sso. Não na escuri dão sombri a desta sala, a mente de Bonni e di s s e a el a. Não tão rouca quanto, confusa, Bonni e pens ou i mpotente. Você poderi a até di zer que Carol i ne ros nou res pos tas . Pequenos s ons avi s aram Bonni e que a meni na debai xo da mes a es tava s e movendo. A res pi ração de Bonni e acel erou. — M as nós queremos ver você, — M eredi th di s s e cal mamente. — E você s abe que Bonni e tem medo do es curo. Pos s o s i mpl es mente l i gar o abaj ur da cabecei ra? Bonni e poderi a s enti r-s e trêmul a. Is s o não era bom. Não foi i ntel i gente mos trar para Carol i ne que es tava com medo del a. M as a es curi dão a fazi a tremer. E l a podi a s enti r que es te quarto es tava errado em s eus ângul os — ou


tal vez fos s e apenas s ua i magi nação. E l a também podi a ouvi r coi s as que a fez pul ar — ti po es s e dupl o cl i que l ogo atrás del a. O que ti nha fei to i s s o? — Tubo bbbem então! Li i i gue aquel a ao l ado da mi nha cama. Carol i ne es tava defi ni ti vamente ros nando. E el a es tava s e movendo em di reção a el as ; Bonni e podi a ouvi r o ruí do e a res pi ração s e aproxi mando. Não dei xe-a cheg ar até mi mno escuro! Foi um pens amento apavorado e i rraci onal , mas Bonni e não podi a dei xar de pens ar ni s s o mai s do que poderi a aj udar tropeçando cegamente de l ado em... Al go grande — e quente. Não é M eredi th. Nunca, des de Bonni e ti nha conheci do-a, M eredi th ti nha chei rado a s uor ranços o e ovos podres . M as a coi s a quente pegou as duas mãos ergui das de Bonni e, e l á es tavam os es tranhos cl i ques dupl os quando s e aproxi mou. E as pontas cutucaram es tranhamente a pel e de Bonni e. E ntão, quando uma l uz ao l ado da cama acendeu, el as s e foram. A l âmpada que M eredi th ti nha encontrado col ocou uma mui to, mui to fraca l uz rubi — e foi fáci l perceber porquê. Uma l i ngeri e rubi e um robe ti nham s i do amarrados ao redor da s ombra. — Is s o pode caus ar um i ncêndi o — di s s e M eredi th, mas até o s eu ní vel de voz pareci a abal ado. Carol i ne es tava di ante del as na l uz vermel ha. E l a pareci a mai s al ta do que nunca para Bonni e, al ta e mus cul os a, exceto pel a protuberânci a de s ua barri ga. E l a es tava ves ti da normal mente, com cal ça j eans e uma cami s eta apertada. E l a es tava mantendo as mãos es condi das atrás de s uas cos tas como em uma bri ncadei ra, e s orri ndo s eu vel ho e i ns ol ente s orri s o mal i ci os o. E u quero i r para cas a, pens ou Bonni e. M eredi th di s s e — Bem?


Carol i ne não parava de s orri r. — Bem, o quê? M eredi th perdeu a paci ênci a. — O que você quer? Carol i ne apenas ol hou de s os l ai o. — Você j á vi s i tou s ua ami ga Is obel hoj e? Teve um pouco de convers a com el a? Bonni e ti nha um poderos o i mpul s o de gol pear aquel e s orri s o pres unços o para fora do ros to de Carol i ne. E l a não o fez. Is s o era apenas um truque com a l uz da l âmpada — el a s abi a que ti nha que s er — mas pareci a quas e como s e houves s e um ponto vermel ho bri l hante no centro de cada um dos ol hos de Carol i ne. — Nós vi s i tamos Is obel no hos pi tal , s i m — di s s e M eredi th s em expres s ão. E ntão, com uma rai va i nconfundí vel na voz, el a acres centou — E você s abe mui to bem que el a não pode fal ar ai nda. M as — com um pequeno tri unfante contra-ataque — os médi cos di zem que el a s erá capaz de fal ar. Sua l í ngua vai curar, Carol i ne. E l a pode ter ci catri zes por todos os l ugares que el a perfurou s ozi nha, mas el a vai s er capaz de fal ar de novo mui to bem. O s orri s o de Carol i ne havi a des apareci do, dei xando o ros to pál i do e ol har chei o de fúri a maçante. E o quê? Bonni e perguntava. — Fari a bem a você s ai r um pouco des s a cas a — M eredi th di s s e à meni na de cabel os cobre. Você não pode vi ver no es curo... — E u não vou fi car aqui para s empre — Carol i ne di s s e brus camente. Só até os gêmeos nas cerem. E l a es tava de pé, as mãos ai nda atrás del a, e arqueou as cos tas para que s eu es tômago fi cas s e mai s evi dente do que nunca. — Os gêmeos ?Bonni e fi cou s urpres a em fal ar. — M att Juni or e M atti e. É as s i m que eu vou chamá-l os . O s orri s o s oberbo de Carol i ne e o ol har i ns ol ente foram quas e demai s para Bonni e fi car de pé. Você não pode fazer i s s o! — el a ouvi u a s i mes ma gri tando.


— Ou tal vez eu chame a meni na Honey. M atthew e Honey, de s eu pai , M atthew Honeycutt. — Você

não pode fazer i s s o, — gri tou Bonni e, mai s es tri dente.

E s peci al mente quando M att nem mes mo es tá aqui para s e defender... — Si m, el e fugi u mui to de repente, não foi ? A pol í ci a es tá s e perguntando por que el e ti nha que fugi r. É cl aro — Carol i ne bai xou a voz a um s us s urro s i gni fi cati vo — el e não es tava s ozi nho. E l ena es tava com el e. E u me pergunto o que os doi s fazem no tempo l i vre?E l a ri u, uma al ta e tol a ri s ada. — E l ena não é a úni ca pes s oa com M att — di s s e M eredi th, e agora s ua voz era bai xa e peri gos a. — Al guém es tá, também. Você s e l embra de um contrato que você as s i nou? Sobre não contar a ni nguém s obre E l ena ou trazer publ i ci dade em torno del a? Carol i ne pi s cou l entamente, como um l agarto. Há mui to tempo atrás . E m uma vi da di ferente, para mi m. — Carol i ne, você não vai ter uma vi da s e você quebrar es s e j uramento! Damon i ri a matá-la. Ou... você j á...?M eredi th parou. Carol i ne ai nda es tava ri ndo daquel a manei ra pueri l , como s e el a fos s e uma meni na e al guém ti ves s e di to a el a uma pi ada marota. Bonni e s enti u o s uor fri o quebrar por todo o s eu corpo ao mes mo tempo. Fi nos cabel os ergueram em s eus braços . — O que você es tá ouvi ndo, Carol i ne?M eredi th mol hou os l ábi os . Bonni e podi a ver que el a es tava tentando s egurar os ol hos de Carol i ne, mas a meni na de cabel os acobreados s e vi rou. — É ... Shi ni chi ?M eredi th avançou de repente e agarrou os braços de Carol i ne. — Você us ou para ver e ouvi -l o quando você ol hou no es pel ho. Você o es cuta o tempo todo, agora, Carol i ne? Bonni e queri a aj udar M eredi th. E l a o fez. M as el a não poderi a ter s e


movi do ou fal ado por nada. Lá es tavam — fi os ci nzas — no de cabel o Carol i ne. Cabel os gri s al hos , Bonni e pens ou. E l es bri l havam monótonos , mui to mai s cl aros do que o rui vo fl amej ante do qual Carol i ne era tão orgul hos a. E l á es tavam... outros fi os que não bri l havam tanto. Bonni e ti nha vi s to es s a col oração mes cl ada em cães ; s abi a vagamente que al guns l obos têm a mes ma aparênci a. M as i s s o era real mente de mai s , vê-l os no cabel o de s ua ami ga. E s peci al mente quando el es pareci am cerdas e tremi am, l evantando como os pel os do pes coço de um cão... E l a es tá l ouca. Não l ouca de rai va; l ouca de l ouca, Bonni e percebeu. Carol i ne ol hou para ci ma, não para M eredi th, mas di retamente para os ol hos de Bonni e. Bonni e s e encol heu. Carol i ne es tava ol hando para el a como s e cons i derando s e Bonni e era ou não o j antar ou apenas l i xo. M eredi th entrou para fi car ao l ado de Bonni e. Seus punhos es tavam cerrados . — Não encarrre, — Carol i ne di s s e abruptamente, e vi rou as cos tas . Si m, i s s o foi defi ni ti vamente um ros nado. — Você real mente queri a que nós te ví s s emos , não é?M eredi th di s s e s uavemente. — Você es tá — exi bi ndo-s e na nos s a frente. M as acho que tal vez es ta s ej a a s ua manei ra de pedi r aj uda... — Di fi ci l mente! — Carol i ne — di s s e Bonni e, de repente, s urpreendi da por uma onda de pi edade que a i nundou — por favor, tente pensar. Lembre-s e de quando você di s s e que preci s ava de um mari do? E u E l a parou e engol i u. Quem i ri a s e cas ar com es s e mons tro, que há al gumas s emanas atrás pareci a uma adol es cente normal ? — E u te compreendi antes , — Bonni e termi nou s em j ei to. — M as ,


hones tamente, não fará nenhum bem conti nuar di zendo que M att te atacou! Ni nguém... — E l a não teve coragem de di zer o óbvi o. Ni ng uémvai acredi tar emalg o como você. — Oh, eu pos s o fi car rrreal mente boni ta— Carol i ne ros nou e depoi s deu uma ri s adi nha. — Você fi cari a s urprrres a. No i nteri or de s eu ol ho, Bonni e vi u o anti go i ns ol ente fl as h es meral da do ol har de Carol i ne, a expres s ão as tuta e res ervada em s eu ros to, e o bri l ho em s eus cabel os rui vos . — Por que es col hou M att?M eredi th exi gi u. — Como você s abi a que el e foi atacado por um M al ach naquel a noi te? Será que Shi ni chi os envi ou atras del e s ó para você? — Ou M i s ao?Bonni e di s s e, l embrando que era a fêmea dos gêmeos ki ts une, o es pí ri to da rapos a, que ti nha fal ado mai s com Carol i ne. — E u fui a um encontro com M att naquel a noi te. De repente, a voz de Carol i ne era uma canti l ena, como s e es ti ves s e reci tando poes i a — mal . E u não me i mportava de bei j á-l o — el e é tão boni ti nho. E u acho que foi quando el e recebeu o chupão no pes coço. E u acho que eu poderi a ter mordi do s eus l ábi os um pouco. Bonni e abri u a boca, s enti u a res tri ção da mão de M eredi th em s eu ombro, e fechou-a novamente. — M as então el e fi cou l ouco — Carol i ne conti nuou. — E l e me atacou! E u o arranhei com mi nhas unhas , aci ma e abai xo do braço. M as M att era mui to forte. M ui to forte. E agora... E agora você vai ter fi l hotes , Bonni e queri a di zer, mas M eredi th apertou s eu ombro e el a dei xou-s e novamente. Al ém di s s o, Bonni e pens ou com uma pontada s úbi ta de al arme, os bebês podem parecer humanos , e podem não s er gêmeos , como di s s e Carol i ne. E ntão, o que fari am? Bonni e s abi a como as mentes adul tas trabal havam. M es mo s e Carol i ne


ti ngi s s e s eu cabel o de vol ta para o cobreado, el es podi am di zer, ol ha quanto s tres s el a foi s ubmeti da: el a real mente es tá fi cando prematuramente gri s al ha! E mes mo s e os adul tos vi s s em a aparênci a bi zarra de Carol i ne e comportamento es tranho, como Bonni e e M eredi th ti nham, el es i ri am j ul gál o como s endo provocado pel o choque. Oh, pobre Carol i ne, s ua pers onal i dade mudou des de aquel e di a. E l a es tá com tanto medo de M att, que el a es conde debai xo da es cri vani nha. E l a não vai s e l avar — tal vez es s e s ej a um s i ntoma comum depoi s do que el a pas s ou. Al ém do mai s , quem s abi a quanto tempo l evari a para esses bebês l obi s omem nas cer? Tal vez o M al ach dentro Carol i ne pudes s e control ar i s s o, fazer parecer com uma gravi dez normal . E , de repente, Bonni e foi ti rada de s eus própri os pens amentos para entrar em s i ntoni a com as pal avras de Carol i ne. Carol i ne es tava apenas ros nando no momento. Soava quas e como a vel ha Carol i ne, ofendi da e des agradável , quando el a di s s e — E u s ó não entendo por que você tem que col ocar s ua pal avra contra a mi nha. — Porque — M eredi th di s s e categori camente — nos conhecemos você o bas tante. Terí amos fi cado s abendo s e M att es ti ves s e namorando com você — e não es tava. E el e não é o ti po de cara que s ó aparece em s ua porta da frente, es peci al mente quando s e cons i dera como el e s e s enti a s obre você. — M as você j á di s s e que es te mons tro que atacou... — M al ach, Carol i ne. Aprenda a pal avra. Você tem um dentro de você! Carol i ne s orri u e bal ançou a mão, des cartando i s s o. — Você di s s e que es s as coi s as podem pos s uí -l o e fazer você fazer coi s as fora do normal , certo? Houve um s i l ênci o. Bonni e pens ou, nós nunca di s s emos i s s o na sua frente.


— Bem, s e eu admi ti r que M att e eu não estávamos namorando? E s e eu di s s es s e que o encontrei di ri gi ndo em torno do nos s o bai rro, a cerca de ci nco qui l ômetros por hora, apenas ol hando perdi do. Sua j aqueta es tava em pedaços e s eu braço es tava todo mas ti gado. E ntão eu o trouxe para dentro da mi nha cas a e tentei fazer uma atadura em s eu braço — mas de repente el e fi cou l ouco. E eu tentava arranhá-l o, mas as ataduras es tavam no cami nho. E u acabei arrancando-as del e. E u ai nda as tenho, todas cobertas de s angue. Se eu l he di s s es s e i s s o, o que você di ri a? E u di ri a que você es tá nos us ando como um ens ai o antes de di zer ao xeri fe M os s berg, Bonni e pens ou, fri amente. E eu di ri a que você es tava certa, você provavel mente pode s e l i mpar e parecer bem normal quando fi zer um es forço. Se você ti ves s e parado com es s e ri s o i nfanti l e s e l i vrado do ol har as tuto, fi cari a ai nda mai s convi ncente. M as M eredi th es tava fal ando. Carol i ne — el es j á têm tes tes de DNA de s angue. — Cl aro que eu s ei di s s o! — Carol i ne es tava tão i ndi gnada que, por um momento el a s e es queceu do ol har as tuto. M eredi th es tava ol hando para el a. — Is s o s i gni fi ca que el es podem di zer s e as ataduras têm o s angue de M att ou não, — di s s e el a. — E s e el es es tão no padrão correto para coi nci di r com a s ua hi s tóri a. — Não há nenhum padrão. Os curati vos es tão apenas encharcados . — De repente, Carol i ne cami nhou até um armári o e abri u-o, arrancando um pedaço de que poderi a ter s i do ori gi nal mente uma atadura de es portes . Agora el a bri l hava avermel hada na l uz fraca. Ol hando para o teci do duro, à l uz de rubi , Bonni e s abi a duas coi s as . Não era qual quer parte do empl as tro que a Sra. Fl owers ti nha col ocado no braço de


M att pel a manhã depoi s de ter s i do atacado. E el a es tava encharcada com s angue verdadei ro, exatamente nas pontas duras do pano. O mundo pareci a es tar gi rando. Porque apes ar de Bonni e acredi tar em M att, es ta nova hi s tóri a a as s us tou. E s ta nova hi s tóri a podi a até funci onar — j á que não s e poderi a encontrar M att e tes tar s eu s angue. M es mo s e M att admi ti s s e que houve um momento i nexpl i cado naquel a noi te — el e não cons egui a s e l embrar. M as i s s o não s i gni fi ca que Carol i ne es tava di zendo a verdade! Por que el a começou com uma menti ra, e s ó a mudou quando os fatos fi caram no cami nho? Os ol hos de Carol i ne eram da cor de um gato. Os gatos bri ncam com os ratos , s ó por di vers ão. Só para vê-l os correr. M att ti nha corri do... Bonni e bal ançou a cabeça. De repente el a não podi a fi car nes ta cas a por mai s tempo. Ti nha res ol vi do i s s o de al guma forma em s ua mente, fazendo-a acei tar todos os ângul os i mpos s í vei s das paredes di s torci das . E l a ti nha até s e acos tumado com o chei ro horrí vel e a l uz vermel ha. M as agora, com Carol i ne s egurando uma bandagem embebi da de s angue e di zendo que era de M att, que havi a s angrado por todo... — E u es tou i ndo para cas a, — Bonni e anunci ou de repente. — E M att não fez i s s o, e — e eu nunca vou vol tar! — Acompanhada pel o s om dos ri s os de Carol i ne, el a s e vi rou, tentando não ol har para o ni nho que Carol i ne ti nha fei to embai xo de s ua mes a. Havi a garrafas vazi as e pratos com res tos de comi da empi l hados l á com as roupas . Qual quer coi s a podi a es tar al i embai xo — i ncl us i ve um M al ach. M as quando Bonni e s e moveu, o quarto pareceu mover-s e com el a,


acel erando s ua rotação, até que el a ti nha dado duas vol tas ao redor antes que pudes s e l ançar um pé para s e conter. — E s pere, Bonni e — es pere, Caroli ne — M eredi th di s s e, s oando quas e frenéti ca. Carol i ne es tava dobrando s eu corpo como um contorci oni s ta, vol tando para debai xo da mes a. — Carol i ne, e s obre Tyl er Smal l wood? Você não s e i mporta que el e s ej a o verdadei ro pai do s eu — s eus fi l hos ? Há quanto tempo você es tava s ai ndo com el e antes que el e s e j untas s e a Kl aus ? Onde el e es tá agora? — Porrrr tudo que eu s ei que el e es tá morto. Você e s eus s ami gos o mataram. O ros nado es tava de vol ta, mas não era vi ci os o. E ra mai s um ronronar tri unfante. — M as eu não s i nto fal ta del e, então es pero que el e fi que morto, — acres centou Carol i ne, com um ri s o abafado. Ele não s e cas arrri a comi go. Bonni e ti nha que i r embora. E l a s e atrapal hou até a maçaneta, achou-a, e es tava cega. Pas s ara tanto tempo na penumbra rubi que a l uz do corredor era como o s ol do mei o-di a no des erto. — Des l i gue a l uz! — Carol i ne exi gi u de debai xo da mes a. M as quando M eredi th s e moveu para faz i s s o, Bonni e ouvi u um barul ho al to de expl os ão e vi u a l âmpada envol ta em tom vermel ho fi car es cura por s i mes ma. E mai s uma coi s a. A l uz do corredor varreu a s al a de Carol i ne como um farol que a porta s e fechou. Carol i ne j á es tava ras gando a al go com s eus dentes . Al go com a textura de carne, mas não de carne cozi da. Bonni e afas tou-s e para correr e quas e derrubou a s enhora Forbes . A mul her ai nda es tava de pé na s al a onde es tava quando foram para a o quarto de Carol i ne. E l a nem s equer pareci a com quem fi cava es cutando atrás


da porta. E l a es tava apenas de pé, ol hando para o nada. — E u tenho que mos trar-l hes a s aí da, — el a di s s e em s ua voz s uave e ci nza. E l a não l evantou a cabeça para encontrar os ol hos de Bonni e ou M eredi th. — Cas o contrári o, vocês podem s e perder. E u mos tro. E ra uma pequena reta até as es cadas e para bai xo e quatro pas s os para a porta da frente. M as enquanto el as cami nhavam, M eredi th não di s s e nada, e Bonni e não cons egui u. Uma vez l á fora, M eredi th s e vi rou para ol har para Bonni e. — Bem? E l a es tá mai s pos s uí da pel o M al ach ou pel a parte l obi s omem del a? Ou você poderi a di zer qual quer coi s a de s ua aura? Bonni e ouvi u-s e ri r, um s om que era quas e um choro. — M eredi th, s ua aura não é humana... e eu não s ei o que fazer com i s s o. E s ua mãe não parece ter uma aura afi nal . E l as s ão apenas — es s a cas a é apenas ... — E s quece, Bonni e. Você não tem que i r l á novamente. — É como... mas Bonni e não s abi a como expl i car as paredes que pareci am s e di verti r ou a forma como as es cadas des ci am em vez de i r para ci ma. — E u acho — di s s e el a, fi nal mente — que é mel hor você fazer mai s al gumas pes qui s as . Sobre as coi s as como — como pos s es s ão do ti po Ameri cano. — Quer di zer, como pos s es s ão por demôni os ?M eredi th ati rou um ol har afi ado. — Si m. Acho que s i m. Só não s ei por onde começar a l i s tar o que há de errado com el a. — E u tenho al gumas i dei as , — M eredi th di s s e cal mamente. Ti po... você notou que el a nunca mos trou-nos as mãos ? Is s o foi mui to es tranho, eu achei .


— E u s ei o porquê — Bonni e s us s urrou, tentando não dei xar s ai r o ri s o s ol uçando. É por que — el a não tem mai s unhas ... — O que você di s s e? — E l a col ocou as mãos em vol ta dos meus pul s os . E u pude senti -las. — Bonni e, você não es tá fazendo nenhum s enti do. Bonni e s e forçou a fal ar. Carol i ne tem garras agora, M eredi th. Garras de verdade. Como um l obo... — Ou tal vez — M eredi th di s s e em um s us s urro — como uma rapos a.


6 E l ena es tava us ando todos os s eus tal entos cons i derávei s de negoci ação para acal mar M att, i ncenti vando-o a pedi r o s egundo e tercei ro Waffl e Bel ga; s orri ndo para el e do outro l ado da mes a. M as não foi mui to bem. M att es tava s e movendo como s e es ti ves s e preparado para uma corri da, enquanto ao mes mo tempo, não cons egui a ti rar s eus ol hos del a. E l e ai nda es tá i magi nando Damon aterrori zando e atacando al gumas garotas , pens ou E l ena, i mpotente. Damon não es tava l á quando el es s aí ram da cafeteri a. E l ena vi u as s obrancel has de M att uni das por ci ma de s eus ol hos azui s , e começou a ter uma i déi a geni al . — Por que não l evamos o Jag para uma revendedora de carros us ados ? Se nós vamos dar o Jaguar, quero o seu cons el ho s obre o que poderí amos obter em troca — — Si m, meu cons el ho s obre monte de des troços cai ndo aos pedaços deve s er o mel hor— M att di s s e, com um s orri s o i rôni co, que di zi a que s abi a que E l ena o es tava mani pul ando, mas que não s e i mportava. A úni ca conces s i onári a na ci dade não pareci a mui to promi s s ora. M as mes mo as s i m não pareci a tão depri mente que nem o propri etári o. E l ena e M att o encontraram dormi ndo em um pequeno es cri tóri o com j anel as s uj as . M att bateu s uavemente na j anel a manchada, e fi nal mente o homem começou a s e s entar em s ua cadei ra, e acenou furi os amente para que fos s em embora. M as M att bateu novamente na j anel a, quando o homem tornava a abai xar a s ua cabeça mai s uma vez, e des ta vez o homem s entou-s e mui to l entamente, deu-l hes um ol har amargo e foi até a porta. — O que vocês querem?perguntou el e. — Um negóci o— M att di s s e em voz al ta, antes de E l ena poder di zer i s s o em voz bai xa. — Vocês , adol es centes , tem um carro para negoci ar— o homem bai xo


di s s e s ombri amente. E m todos os meus vi nte anos como propri etári o des s e l ugar.. — Ol ha— M att deu um pas s o para trás para revel ar o Jaguar vermel ho bri l hando s ob o s ol da manhã, como uma gi gante ros a s obre rodas . Um Jaguar XZR noví s s i mo. De zero a s es s enta qui l ômetros em 3.7 s egundos ! M otor Supercharg ed AJ-V8 GEN III R com 550 caval os de potênci a, com s ei s vel oci dades de marcha ZF! Adapti ve Dynami cs e Acti ve Di fferenti al para excepci onal tração e manobragem! Não exi s te um carro como o XZR! — M att termi nou cara a cara com o homem bai xo, cuj a boca ti nha l entamente s e aberto, e s eus ol hos pi s caram, al ternando entre o carro e o guri . — Você quer

trocar aqui lo por

al go nesse l ugar?E l e di s s e, chocado,

francamente des crente. Como s e eu ti ves s e di nhei ro para... es pere um mi nuto! — el e s e i nterrompeu. Seus ol hos pararam de pi s car, e s e tornaram ol hos de um j ogador de poker. Seus ombros s e ergueram, mas s ua cabeça não, dando a el e uma aparênci a de abutre. — E u não quero— di s s e categori camente, e fez como s e qui s es s e vol tar ao s eu es cri tóri o. O que quer di zer com ‘não quero’?Você es tava babando um mi nuto atrás ! — M att gri tou, mas o homem parou de es tremecer. E u deveri a ter fal ado, pens ou E l ena. E u não teri a começado uma guerra com uma pal avra — mas agora é tarde demai s . E l a tentou s e es quecer das vozes mas cul i nas e ol hou para os carros defi nhando no l ote, cada um chei o de poei ra, pal avras ri s cadas no pára-bri s a:

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E l a es tava com medo de cai r em l ágri mas a qual quer s egundo.


— Sem chance de ter um carro como es s e aqui — O dono di s s e, ros to s em expres s ão. Quem i ri a comprá-l o? — Você enl ouqueceu? E s s e carro vai te trazer cl i entes ! É ... é publ i ci dade! M el hor do que o hi popótamo roxo l á! — — Não é um hi popótamo. É um el efante — — Quem poderi a di zer, mei o murcho do j ei to que es tá? Com di gni dade, o propri etári o deu um l ongo ol har para o Jaguar. Não é novo. E l e tem mui tas mi l has — — Foi comprado há apenas duas s emanas — — E ntão? E m al gumas s emanas a Jaguar anunci ará os carros do ano que vem. O propri etári o acenou com a mão para o veí cul o parecendo uma ros a gi gante de E l ena. Obs ol eto — — Obs ol eto! — — Um carro grande como es s e... Bebedor de gas ol i na — — E l e é mai s efi ci ente que um hí bri do! — Você acha que as pes s oas s abem di s s o? E l es vêem i s s o.. — — Ol ha, eu poderi a l evar es s e carro em qual quer outro l ugar.. — — E ntão l eve. E m meu l ote, aqui e agora, es s e carro s omente val e para troca! — — Doi s carros — A nova voz vei o di retamente de trás de M att e E l ena, mas o comerci ante de carros arregal ou os ol hos como s e ti ves s e vi s to um fantas ma. E l ena s e vi rou e encontrou com o i ns ondável ol har negro de Damon. E l e es tava com s eus ócul os de s ol pres os em s ua cami s a, e es tava parado com s uas mãos atrás das cos tas . E l e ol hava fi xamente para o vendedor. Al guns momentos pas s aram, e então... — O Pri us prata... no l ado di rei to de trás ... embai xo... embai xo do tol do— o


comerci ante de carros di s s e l entamente, e com uma expres s ão atordoada — em res pos ta a nenhuma pergunta pronunci ada em voz al ta. — E u... l evarei você até l á— acres centou el e com uma voz que combi nava com s ua expres s ão. — Pegue as chaves que es tão com você. Dei xe o guri fazer o tes te- dri ve— Damon ordenou, e o propri etári o s e atrapal hou ao mos trar um chavei ro em s eu ci nto, e cami nhou l entamente para l onge, encarando o nada. E l ena s e vi rou para Damon. Um pal pi te. Você perguntou a el e qual era o mel hor carro em s eu l ote — — Troque para ‘menos repugnante’— e você es tará perto. E l e mos trou a el a um s orri s o bri l hante por um déci mo de s egundo, e depoi s o apagou. — M as ... Damon, por que doi s carros ? E u s ei que é mai s do que j us to, mas o que vamos fazer com doi s carros ? — Caravana— di s s e Damon. — Ah, não — M as até E l ena pôde ver os benefí ci os di s s o — pel o menos depoi s que el es real i zarem uma votação s obre um es quema de rotas para E l ena. E l a s us pi rou. Bem... s e M att concordar.. — Mutt vai concordar— Damon di s s e, parecendo brevemente — mui to brevemente — i nocente como um anj o. — O que você tem nas s uas cos tas ?E l ena di s s e, deci di ndo não pros s egui r com a ques tão do que Damon pretendi a fazer com M att. Damon s orri u novamente, mas des ta vez um s orri s o es tranho, apenas com um l ado de s ua boca. Seus ol hos di zi am que não era nada demai s . M as s ua mão di rei ta s ai u, e el a es tava s egurando a mai s bel a ros a que E l ena j á ti nha vi s to na vi da. E ra a ros a com o vermel ho mai s profundo que el a j á ti nha vi s to, não havi a i ndí ci os de roxo — era apenas uma cor de vi nho avel udada aberta no


exato momento de fl oração. E ra como de pel úci a ao toque, e s eu ví vi do caul e verde, com apenas al gumas fol has del i cadas , aqui e al i , ti nha pel o menos dezoi to centí metros de compri mento, reto como uma régua. E l ena res ol utamente col ocou s uas mãos atrás , nas cos tas . Damon não era do ti po s enti mental — nem s e quer em s eus momentos — Pri nces a da Noi te — A ros a provavel mente ti nha al go a ver com a vi agem del es . — Você não gos ta?Damon di s s e. E l ena poderi a es tar i magi nando, mas el e quas e s oava como s e es ti ves s e decepci onado. — É cl aro que eu gos to. Para que i s s o? Damon s e recos tou. É para você, Pri nces a — E l e di s s e, parecendo magoado. Não s e preocupe, eu não a roubei — Não — el e não teri a roubado. E l ena s abi a exatamente como el e teri a cons egui do a ros a... mas era tão li nda... Como el a ai nda não ti nha fei to nenhum movi mento para pegar a ros a, Damon a ergueu, e permi ti u que as pétal as de s eda acari ci as s em o ros to del a. Is s o a fez es tremecer. Pare com i s s o Damon— el a murmurou, embora não pareces s e capaz de dar um pas s o para trás . E l e não parou. E l e us ou o s uave, maci o farfal har das pétal as para del i near o outro l ado de s eu ros to. E l ena automati camente res pi rou fundo, mas o que el a chei rou não era uma fl or qual quer. Chei rava a al go s ombri o, vi nho es curo, al go anti go e perfumado, que a fez s e s enti r embri agada i medi atamente. E mbri agada na M agi a das Trevas e com s ua própri a exci tação l he s ubi ndo a cabeça... apenas por es tar com Damon. M as aqui l o não era o meu verdadei ro eu, uma voz bai xa protes tou em s ua cabeça. E u amo Stefan. Damon... E u quero... E u quero... — Você quer s aber por que eu tenho es s a parti cul ar ros a?Damon di zi a s uavemente, s ua voz s e mi s turando entre as l embranças del a. E u a tenho por


caus a de s eu nome. É uma ros a Bl ack M agi c{1} — — Si m— E l ena di s s e s i mpl es mente. E l a j á s abi a antes del e di zer. E s s e era o úni co nome que s e encai xava. Agora Damon es tava dando a el a um bei j o de ros a, um turbi l hão fl ori u em um cí rcul o em s ua bochecha e então apl i cando pres s ão. As pétal as mai s fi rmes do mei o pres s i onaram a s ua pel e, enquanto as pétal as externas roçaram- na. E l ena es tava s e s enti ndo di s ti ntamente com a cabeça l eve. O di a j á es tava quente e úmi do; então como a ros a poderi a s er tão fri a? Agora as extremi dades das pétal as s e moveram para traçar s eus l ábi os , e el a queri a di zer não, mas nenhuma pal avra vi nha. E ra como s e el a ti ves s e s i do trans portada no tempo, de vol ta aos pri mei ros di as em que Damon ti nha apareci do para el a, ti nha pri mei ro afi rmado a el a por s i própri o. Quando el a quas e ti nha dei xado el e a bei j ar antes de el a s aber o s eu nome... E l e não ti nha mudado de i dei a des de então. Vagamente, E l ena s e l embrou de ter pens ado em al go como i s s o antes . Damon mudou outras pes s oas , enquanto el e mes mo permaneci a i nal terado. M as eu mudei , pens ou E l ena, e de repente, l á es tava, arei a movedi ça s ob s eus pés . E u mudei mui to des de então. O bas tante para ver coi s as em Damon que nunca i magi nei que poderi am exi s ti r. Não apenas as partes de s el vageri a e fúri a demoní aca, mas as partes genti s . A honra e a decênci a que foram pres as como vei as de ouro no i nteri or des s a rocha que era a s ua mente. E u tenho que aj udá-l o, pens ou E l ena. De al gum j ei to, eu tenho que aj udá- l o — e ao garoto acorrentado na rocha. E s s es pens amentos es corri am devagar através de s ua mente, enquanto el a pareci a es tar s eparada de s eu corpo. E l a es tava tão envol vi da nel es , que de


fato, que de al guma forma el a perdeu a noção de s eu corpo, e s ó agora el a percebeu que Damon es tava mai s próxi mo del a. Suas cos tas es tavam contra um dos vel hos carros . E Damon fal ava l evi anamente, mas com um tom de s eri edade. — E ntão, uma ros a por um bei j o?perguntou el e. E l a é chamada Bl ack M agi c, e eu a conseg ui hones tamente . O nome del a era... era... Damon s e i nterrompeu, e por um momento um ol har de i ntens a perpl exi dade fai s cou em s eu ros to. E ntão el e s orri u, mas era um s orri s o de um guerrei ro, que bri l hou e s umi u quas e antes de você ter certeza de que o vi u. E l ena s enti u probl emas . Cl aro, que Damon ai nda não l embrava o nome de M att corretamente, mas el a nunca o vi u es quecer o nome de uma garota de que el e real mente es tava tentando l embrar. E s peci al mente de ter s e al i mentado des s a garota mi nutos antes . Shi ni chi de novo? E l ena s e perguntou. E l e ai nda es tava tomando as memóri as de Damon — apenas al guns fl as hes , não é? A s ens ação é boa ou rui m? E l ena s abi a que Damon es tava pens ando a mes ma coi s a. Seus ol hos negros es tavam em chamas . Damon es tava furi os o — mas havi a uma certa vul nerabi l i dade em s ua fúri a. Sem pens ar, E l ena col ocou s uas mãos nos braços de Damon. E l a i gnorou a ros a, mes mo quando el e traçou a curva da s ua maçã do ros to com el a. E l a tentou fal ar com s everi dade. Damon, o que vamos fazer? Foi quando M att apareceu andando até el es . Bem, correndo, na verdade. E l e teceu o cami nho através de um l abi ri nto de carros , contornou um SUV{2} branco com um pneu furado, gri tando, — E i , vocês , aquel e Pri us é.. E então el e parou. E l ena s abi a o que el e es tava vendo: Damon acari ci ando-a com a ros a, e el a prati camente o abraçando. E l a s e s ol tou dos braços de Damon, mas não s e


afas tou, i mpedi da pel o carro atrás del a. — M att E l ena começou, mas em s egui da a s ua voz s umi u. E l a es tava pres tes a di zer — Isso não é o que parece. Nós não estávamos nos abraçando. Eu realmente não i a tocá-lo — M as era i s to o que pareci a. E l a s e i mportava com Damon; el a ti nha tentado pens ar bem s obre el e. Com um pequeno choque, o pens amento s e repeti u com a força de um rai o de l uz s ol ar na pel e de um vampi ro des protegi do. Ela se i mportava comDamon. E l a real mente s e preocupava. Geral mente, era di fí ci l es tar com el e, por que el es eram pareci dos em mui tas manei ras . Cabeça dura, cada qual querendo s egui r s eu própri o cami nho, i mpul s i vo, ans i os o... Damon e ela erampareci dos. Pequenos choques percorri am E l ena, e s eu corpo i ntei ro pareci a vul nerável . E l a fi cou contente por encos tar-s e no carro atrás del a, mes mo que i s s o s uj as s e s uas roupas de poei ra. E u amo o Stefan, el a pens ou, quas e hi s téri ca. E l e é o úni co que eu amo. M as eu preci s o de Damon para poder res gatá-l o. E Damon pareci a es tar cai ndo em pedaços na frente del a. Todo o tempo el a es teve ol hando para M att, os ol hos del a, chei o de l ágri mas que não i ri am cai r. E l a pi s cou, mas el as pers i s ti am em permanecer em s eus cí l i os . — M att el a s us s urrou. E l e não di s s e nada. E l e não preci s ava. E s tava tudo em s ua expres s ão: E s panto s e vol tando para E l ena em uma forma que el a nunca vi u antes , não quando el e es tava ol hando para ela. E ra uma es péci e de al i enação que a cal ou compl etamente, que cortou qual quer l aço exi s tente entre el es . — M att não.. M as s ai u apenas em um s us s urro. E então para s eu es panto, Damon fal ou.


— Você acha que s abe tudo s obre mi m, não é? Você pode cul par uma garota por tentar s e defender — E l ena ol hou para s uas mãos , que agora tremi am. Damon conti nuava, — Você sabe que é tudo mi nha cul pa. E l ena nunca.. Foi quando E l ena percebeu. Damon es tava Infl uenci ando M att. — Não! — E l a pegou Damon des preveni do, o agarrando, s acudi ndo-o novamente. Não faça i s s o! Com M att não! — Os s eus ol hos negros encontraram os del a, e o que el a vi u, real mente não era bom. Damon ti nha i nterrompi do o us o de s eu Poder. Se fos s e qual quer outra pes s oa, teri a acabado como uma mancha de graxa no chão. — E u es tou te s al vando— Damon di s s e em tom gél i do. Você es tá me recus ando? E l ena s e s enti u vaci l ando. Tal vez, apenas uma vez, e para benefí ci o de M att... Al go apareceu do i nteri or del a. Tudo o que el a podi a fazer era não dei xar s ua aura es capar compl etamente. — Nunca mai s tente i s s o em mi m novamente— E l ena di s s e. Sua voz era cal ma, e fri a como gel o. Não ouse tentar me Infl uenci ar novamente! E dei xe M att em paz! — Al go como aprovação ci nti l ou nas trevas s em fi m do ol har de Damon. Que des apareceu antes que el a pudes s e ter certeza de que ti nha vi s to. M as quando el e fal ou, pareci a menos di s tante. — Tudo bem— di s s e a M att. O que você pl anej a j ogar agora? Dê o nome M att res pondeu devagar, s em ol har para nenhum dos doi s . E l e não es tava Infl uenci ado, mas com uma cal ma mortal . E u i a di zer que, o Pri us não é de todo rui m, e o negoci ante, tem outro. E s tá em boas condi ções . Nós poderí amos ter doi s carros i guai s —


— E ntão nós poderí amos pros s egui r a vi agem, e s e di vi di r cas o al guém es tej a nos s egui ndo! Não s aberi am qual pers egui r — Normal mente, E l ena teri a j ogado os braços em torno de M att nes s e momento. M as M att encarava s eus s apatos , o que provavel mente é uma boa i déi a, j á que Damon, com os s eus ol hos fechados , s acudi a a cabeça como s e não pudes s e acredi tar em uma i déi a tão i di ota. E s tá certo, E l ena pens ou. É a mi nha áurea — ou a de Damon — que el es es tão s egui ndo? Não podemos confundi -l os com carros i guai s , s e não ti vermos auras i guai s , também. O que real mente s i gni fi cava, era que el a teri a que di ri gi r com M att todo o traj eto. M as Damon nunca acei tari a i s s o. E el a preci s ari a de Damon para chegar até o s eu amado. Seu úni co companhei ro de verdade: Stefan. — E u l evarei um dos carros noj entos — M att es tava di zendo, s e arranj ando com Damon, a i gnorando. E u us ava carros noj entos . E u j á fi z um acordo com o comerci ante. Nós deverí amos i r — Ai nda convers ando apenas com Damon el e di s s e, — Você deveri a me di zer para onde nós es tamos i ndo. Nós poderí amos nos s eparar — Damon fi cou em s i l ênci o por um l ongo tempo, então di s s e brus camente, — Sedona, no Ari zona, para começar — M att o ol hou, enoj ado. E s s e l ugar chei o de l unáti cos da Nova E ra? Você es tá bri ncando — — E u di s s e que vamos começar a parti r de Sedona. É um compl eto des erto — nada al ém de rochas — em vol ta. Você poderi a s e perder... mui to faci l mente. Um s orri s o bri l hante apareceu no ros to de Damon, mas l ogo el e o apagou. — Nós vamos es tar no Juni per Res ort, North Hi ghway 89A— adi ci onou el e, s uavemente.


— E ntendi — M att di s s e. E l ena não podi a ver nenhuma emoção na expres s ão de s eu ros to, mas s enti a que a s ua áurea es tava borbul hando em vermel ho. — Agora, M att— E l ena começou, — nós real mente deverí amos nos encontrar a noi te, então s e você nos s egui r E l ena s e i nterrompeu, com uma res pi ração profunda. M att ti nha s e vi rado. E l e não s e vi rou enquanto el a fal ava. E l e conti nuou andando, s em di zer nenhuma pal avra. Não ol hou para trás .


7 E l ena acordou com o s om de Damon i mpaci ente batendo na j anel a do Pri us . E l a es tava compl etamente ves ti da, s egurando o di ári o para el a. Ti nha pas s ado um di a des de que M att ti nha os dei xado. — Você dormi u a noi te toda as s i m?Damon perguntou, ol hando-a de ci ma para bai xo enquanto E l ena es fregava os ol hos . Como de cos tume, el e es tava i mpecavel mente ves ti do: todo de preto, é cl aro. O cal or e a umi dade não ti nham nenhum efei to s obre el e. — E u j á tomei meu café da manhã, — di s s e el e breve, s entando no banco do motori s ta. — E eu te trouxe i sso. Isso era um copo de i s opor com café fumegante, que E l ena agarrou com grati dão, como s e fos s e vi nho Bl ack M agi c, e um s aco de papel marrom que revel ou a exi s tênci a de donuts . Não é exatamente o mai s nutri ti vo café-damanhã, mas E l ena ans i ava por cafeí na e açúcar. — E u preci s o de uma parada de des cans o, — al ertou E l ena enquanto Damon fri amente s entou-s e ao vol ante e l i gou o carro. — Para mudar mi nhas roupas e l avar o ros to e es s as coi s as . E l es di ri gi ram di retamente para o oes te, o que es tava de acordo com o que E l ena ti nha pes qui s ado, ol hando um mapa na i nternet na noi te pas s ada. A pequena i magem em s eu cel ul ar combi nada com o s i s tema de navegação do Pri us . Ambos ti nham mos trado que Sedona, Ari zona, es tava em uma l i nha reta hori zontal quas e perfei ta à pequena es trada rural onde Damon ti nha es taci onado durante a noi te em Arkans as . M as l ogo Damon vi rou para o s ul , tomando uma rota i ndi reta que pode ou não confundi r os pers egui dores . No momento em que el es encontraram uma parada para des cans o, a bexi ga de E l ena es tava pres tes a es tourar. E l a pas s ou s em rancor mei a hora no banhei ro das mul heres , fazendo o mel hor que podi a para s e l avar com toal has de papel e água fri a, es covar os cabel os e ves ti r um j eans novo e um fres co top


branco que amarrava na frente, como um es parti l ho. Afi nal , um des tes di as , el a poderi a ter outra experi ênci a fora do corpo enquanto cochi l ava e veri a Stefan novamente. O que el a não queri a era pens ar que com a parti da de M att, el a es tava s ozi nha com Damon, um vampi ro s el vagem, vi aj ando pel o i nteri or dos E s tados Uni dos para um des ti no que era l i teral mente fora des te mundo. Quando E l ena fi nal mente s ai u do banhei ro, Damon es tava fri o e i nexpres s i vo — embora, el a notou, el e teve tempo para ol há-l a. Ah, drog a, E l ena pens ou. E u dei xei o meu di ári o no carro. E l a es tava tão certa que el e ti nha l i do como s e ti ves s e vi s to-o fazendo i s s o, e el a es tava fel i z por não ter nada nel e s obre dei xar s eu corpo e encontrar Stefan. E mbora el a acredi tas s e que Damon queri a Stefan l i vre, também — el a não s eri a nes te carro com el e s e el a não acredi tas s e ni s s o — el a também s enti u que era mel hor que el e não s oubes s e que el a ti nha chegado l á pri mei ro. Damon gos tava de es tar no comando das coi s as , tanto quanto el a. E l e também gos tava de i nfl uenci ar cada pol i ci al que o parou por expl odi r o l i mi te de vel oci dade. M as hoj e el e es tava mal -humorado mes mo para s eus própri os padrões . E l ena

s abi a

por experi ênci a

própri a

que

Damon

poderi a

tornar-s e

notavel mente uma boa companhi a quando queri a, contando hi s tóri as e pi adas ul traj antes que fari a até o mai s preconcei tuos o e taci turno dos pas s agei ros ri r apes ar de tudo. M as hoj e el e não i ri a s equer res ponder a perguntas de E l ena, mui to menos ri r de s uas própri as pi adas . A úni ca vez que el a tentou fazer contato fí s i co, tocando l evemente s eu braço, el e s e afas tou, como s e o s eu toque pudes s e arrui nar s ua j aqueta de couro preta. Óti mo, maravi l hos o, pens ou E l ena, depri mi da. E l a i ncl i nou a cabeça


contra a j anel a e ol hou a pai s agem, que pareci am s empre i guai s . Sua mente vagava. Onde es tava M att agora? À frente del es ou atrás ? E l e ti nha cons egui do al gum l ugar para des cans ar na noi te pas s ada? E s tari a di ri gi ndo através do Texas agora? E s tava comendo corretamente? E l ena pi s cou as l ágri mas que brotaram quando s e l embrou do j ei to que el e ti nha andado para l onge del a, s em ol har para trás . E l ena era uma l í der. E l a podi a fazer quas e qual quer s i tuação revel ars e boa, contanto que as pes s oas ao s eu redor fos s em pes s oas normai s e s ãs . E l i derar os meni nos era s ua es peci al i dade. E l a ti nha l i derado-os — mani pul ado-os — des de a es col a s ecundári a. M as agora, cerca de duas s emanas e mei a des de que el a ti nha vol tado da morte, de al gum mundo es pi ri tual do qual el a não s e l embrava, el a não queri a mani pul ar ni nguém. Is s o era o que el a amava em Stefan. Uma vez que el a cons egui u ul trapas s ar o s eu i ns ti nto refl exi vo de s e manter l onge qual quer coi s a que amas s e, el a não ti nha neces s i dade de control á-l o. E l e não preci s ava de manutenção, exceto pel o mai s del i cado dos i ndí ci os de que el a s e tornou uma es peci al i s ta em vampi ros . Não para caçá-l os ou matá-l os , mas em amá-l os com s egurança. E l ena s abi a quando podi a morder ou s er mordi da, e quando parar, e como manter-s e humana. M as al ém daquel as del i cadas di cas , el a nem s equer queri a l i derar Stefan. E l a queri a, s i mpl es mente, estar com el e. Depoi s di s s o, tudo s e res ol veu por s i mes mo. E l ena podi a vi ver s em Stefan — el a pensou. M as , as s i m como es tar l onge de M eredi th e Bonni e era como vi ver s em as duas mãos , vi ver s em Stefan s eri a como tentar vi ver s em s eu coração. E l e foi s eu companhei ro na Grande Dança; s eu i gual e s eu opos to; s eu amado e s eu amante no mai s puro s enti do


i magi nável . E l e era s ua outra metade nos M i s téri os Sagrados da Vi da. E depoi s de vê-l o na noi te pas s ada, mes mo que ti ves s e s i do um s onho, o que el a não es tava di s pos ta a acei tar, E l ena s enti a tanta fal ta que s enti a uma dor forte dentro del a. Uma dor tão grande que el a mal podi a evi tar apenas s entar-s e e debruçar s obre os j oel hos . Se fi zes s e i s s o el a poderi a fi car l ouca e fari a Damon di ri gi r mai s rápi do — e E l ena podi a es tar machucada por dentro, mas el a não era s ui ci da. E l es pararam em al guma ci dade s em nome para o al moço. E l ena não ti nha apeti te, mas Damon pas s ou o tempo i ntei ro como um pás s aro, o que por al guma razão, enfureceu-a. No momento em que el es es tavam di ri gi ndo de novo, a tens ão no carro es tava tão grande que até o vel ho cl i chê foi i mpos s í vel evi tar: você pode cortá- l o com um guardanapo dobrado, quanto mai s com uma faca, E l ena pens ou. Foi quando el a percebeu exatamente que ti po de tens ão era. A úni ca coi s a que es tava s al vando Damon era s eu orgul ho. E l e s abi a que E l ena ti nha des coberto coi s as . E l a parou de tentar tocá-l o ou de fal ar com el e. E i s s o era bom. E l e não deveri a es tar s e s enti ndo as s i m. Vampi ros des ej avam garotas por s uas l i ndas gargantas brancas , e o s ens o de es téti ca de Damon exi gi a que o res to do doador es ti ves s e dentro do s eu padrão. M as agora a aura de di mens ão humana de E l ena es tava anunci ando uma força vi tal úni ca em s eu s angue. E a res pos ta de Damon era i nvol untári a. E l e não ti nha s equer pens ado em uma meni na nesta es trada de cerca de 500 anos . Os vampi ros não eram capazes di s s o. M as Damon era — mui to capaz — agora. E quanto mai s perto el e fi cava de E l ena, mai s forte foi s ua aura fi cava em torno del e, e mai s fraco fi cava o s eu control e.


Graças a todos os pequenos demôni os no i nferno, s eu orgul ho era mai s forte que o des ej o. Damon nunca pedi u qual quer coi s a para qual quer pes s oa em s ua vi da. E l e pagou o s angue que ti rou dos s eres humanos em s ua própri a moeda es peci al : do prazer e da fantas i a e s onhos . M as E l ena não preci s a de fantas i a; não queri a s onhos . Não queri a el e. E l a queri a Stefan. E o orgul ho Damon nunca l he permi ti ri a pedi r E l ena al go que el e des ej ava, e também que nunca i ri a permi ti r que el e tomas s e s em o cons enti mento del a... el e es perava. Apenas al guns di as atrás , el e havi a s i do como uma concha vazi a, s eu corpo um fantoche dos gêmeos ki ts une, o que o ti nha fei to machucar E l ena de formas que agora o fazi a s e encol her dentro. Damon não ti nha exi s ti do al i com s ua pers onal i dade, mas s eu corpo ti nha pertenci do aos j ogos de Shi ni chi . E , embora el e mal pudes s e acredi tar, o gol pe ti nha s i do tão forte que s ua concha ti nha obedeci do a todos os comandos de Shi ni chi : el e havi a atormentado E l ena, el e poderi a mui to bem tê-l a matado. Não havi a senti do em não acredi tar ni s s o; ou di zer que i s s o não podi a s er verdade. Is s o era verdade. Is s o ti nha aconteci do. Shi ni chi era mui to forte quando s e tratava de control e da mente, e as ki ts une não ti nham o di s cerni mento dos vampi ros a res pei to de garotas boni tas — do pes coço para bai xo. Al ém do mai s , el e pas s ou a s er um s ádi co. E l e gos tou da dor das outras pes s oas . Damon não podi a negar o pas s ado, não poderi a perguntar por que el e não ti nha — des pertado — para i mpedi r Shi ni chi de machucar E l ena. Não havi a nada para des pertar. E s e uma parte s ol i tári a de s ua mente ai nda chorava por caus a do mal que ti nha fei to — bem, Damon era bom em bl oquear i s s o. E l e não i ri a perder tempo s e l amentando, mas el e ti nha a i ntenção de control ar o


futuro. Is s o nunca i ri a acontecer de novo — não para dei xar Shi ni chi vi vo. O que Damon real mente não cons egui a entender era por que E l ena o pres s i onava. Agi ndo como s e el a confi asse nel e. De todas as pes s oas no mundo, el a era a úni ca com o di rei to de odi á-l o, de apontar um dedo acus ador para el e. M as el a nunca ti nha fei to i s s o. E l a nunca ti nha s equer ol hado para el e com rai va com s eus ol hos azul es curo, manchados de ouro. Só el a pareci a entender que al guém tão compl etamente pos s uí do pel o mes tre do M al ach, Shi ni chi , como Damon ti nha es tado, s i mpl es mente não ti nha es col ha, não estava lá para fazer uma es col ha — que el e ou el a fez. Tal vez fos s e porque el a ti nha puxado a coi s a que o M al ach havi a cri ado para fora del e. O pul s ante, al bi no, s egundo corpo que es tava dentro del e. Damon s e obri gou a repri mi r um tremor. E l e s ó s abi a di s s o porque Shi ni chi ti nha j ovi al mente menci onado i s s o, enquanto ti rava todas as memóri as de Damon des de o momento em que os doi s , ki ts une e vampi ro, havi am s e conheci do na Vel ha Fl ores ta. Damon es tava feli z por ter perdi do es s as memóri as . Des de o momento em que el e ti nha trocado ol hares com os ol hos dourados e ri s onhos do es pí ri to da rapos a, s ua vi da ti nha s i do envenenada. E agora... agora el e es tava s ozi nho com E l ena, no mei o do des erto, com poucas

e di s tantes

ci dades

entre s i . E l es

es tavam

compl etamente,

s i ngul armente s ozi nhos , com Damon querendo des es peradamente de E l ena o que todo garoto humano que el a j á ti nha encontrado queri a. O pi or de tudo era o fato de que as meni nas encantadoras , as meni nas enganadas ,

eram prati camente a própri a rai son d' être de Damon. E ra

certamente a úni ca razão pel a qual foi capaz de conti nuar a vi ver pel o mei o mi l êni o pas s ado. E ai nda as s i m el e s abi a que não devi a, não devi a nem mes mo começar o proces s o com es ta meni na que, para el e, era a j oi a dei tada


em um monte de es terco da humani dade. Para todas as aparênci as , el e es tava em perfei to control e, fri o e preci s o, di s tante e des i nteres s ado. A verdade era que el e es tava fi cando l ouco. Naquel a noi te, depoi s de ter certeza de que E l ena ti nha comi da e água e es tava s eguramente trancada no Pri us , Damon i nvocou uma névoa úmi da e começou a tecer s ua guarda mai s s ombri a. E l a era o anúnci o para quai s quer i rmãs ou i rmãos da noi te que podi am pas s ar s obre o carro, que a meni na dentro del e es tava s ob a proteção de Damon; e que Damon i ri a caçar e es fol ar vi vo qual quer um que tentas s e perturbar o des cans o da meni na... e então el e i ri a dar a vol ta e realmente puni r o cul pado. Damon então voou al guns qui l ômetros ao s ul como um corvo, encontrou um bar com um bando de l obi s omens bebendo e al gumas charmos as garçonetes s ervi ndo al guns del es , e bri garam e s angraram a noi te toda. M as i s s o não foi o s ufi ci ente para di s traí -l o — nem de perto o s ufi ci ente. De manhã, vol tando cedo, el e vi u a proteção em torno do carro em frangal hos . Antes que el e pudes s e entrar em pâni co, el e percebeu que E l ena ti nha quebrado do i nteri or. Não havi a nenhum avi s o para el e por caus a de s ua i ntenção pací fi ca e i nocente coração. E , em s egui da, E l ena apareceu, s ubi ndo a margem de um ri acho, com as pecto l i mpo e refres cante. Damon fi cou s em pal avras di ante da vi s ão. Por s ua graça, pel a s ua bel eza, pel a proxi mi dade i ns uportável . E l e podi a s enti r o chei ro da pel e recém-l avada, e não podi a evi tar res pi rar del i beradamente mai s e mai s da s ua fragrânci a ori gi nal . E l e não vi u como poderi a s uportar mai s um di a as s i m. E então Damon de repente teve uma i déi a. — Você gos tari a de aprender al go que i ri a aj udá-l a a control ar es s a s ua aura?el e perguntou quando el a pas s ou por el e, i ndo para o carro.


E l ena l ançou-l he um ol har de s os l ai o. — E ntão você deci di u fal ar comi go novamente. E u devo des mai ar de al egri a? — Bem — i s s o s erá s empre apreci ado. — Será?di s s e el a brus camente,

e Damon percebeu

que havi a

s ubes ti mado a tempes tade que ti nha cri ado dentro des s a meni na formi dável . — Não. Agora, eu es tou fal ando s éri o, — di s s e el e, fi xando o s eu ol har es curo s obre el a. — E u s ei . Você vai me di zer que me tornar um vampi ro pode aj udar a control ar a meu Poder. — Não, não, não. Is to não tem nada a ver com s er um vampi ro. A recus a de Damon era um argumento e i s s o deve ter i mpres s i onado E l ena, porque, fi nal mente, el a di s s e, — Sobre o que é, então? — É s obre aprender a ci rcul ar o s eu Poder. O s angue ci rcul a, não é? E Poder pode s er ci rcul ado, também. Até mes mo os humanos s abem di s s o há s écul os , embora el es chamem i s s o de força vi tal ou chi ou ki . Como es tá, você es tá s i mpl es mente di s s i pando s ua energi a no ar. Is s o é uma aura. M as s e você aprender a ci rcul á-l a, você pode cons truí -l a para al gum momento grande, e você pode s er mai s di s creta também. E l ena es tava cl aramente fas ci nada. — Por que você não me di s s e antes ? Porque eu s ou es túpi do, Damon pens ou. Porque para os vampi ros é tão i ns ti nti vo como a res pi ração é para você — M enti u des pudoradamente. — Is s o requer certo ní vel de competênci a para real i zar. — E eu pos s o fazer i s s o agora? — E u acho que s i m. Damon col ocou uma l eve i ncerteza em s ua voz. Natural mente, i s s o dei xou E l ena ai nda mai s determi nada. — M os tre-me! — el a di s s e. — Você quer di zer agora? E l e ol hou ao redor. — Al guém pode es tar


di ri gi ndo por aí . — Nós es tamos fora da es trada. Oh, por favor, Damon? Por favor? E l ena ol hou para Damon com os enormes ol hos azui s que mui tos homens ti nham achado total mente i rres i s tí vei s . E l a tocou em s eu braço, tentando mai s uma vez fazer al gum ti po de contato, mas quando el e automati camente s e afas tou, el a conti nuou, — E u real mente quero aprender. Você pode me ens i nar. Apenas mos tre-me uma vez, e eu vou prati car. Damon ol hou para s eu braço, s enti u o bom s ens o e s ua vontade vaci l ante. Como ela faz i sso? — Tudo bem. Sus pi rou. Havi a pel o menos três ou quatro bi l hões de pes s oas nes te grão de poei ra de pl aneta que dari am tudo para es tar com es s a quente, i mpaci ente e ans i os a E l ena Gi l bert. O probl ema era que el e pas s ou a s er um del es — e que el a cl aramente não dava a mí ni ma para el e. Cl aro que não. E l a ti nha des ej ado Stefan. Bem, el e gos tari a de ver s e s ua pri nces a ai nda s eri a a mes ma quando — s e — el a cons egui s s e l i bertar Stefan e s ai r de s eu des ti no vi va. E ntretanto, Damon concentrou-s e em manter a s ua voz, ros to e aura i mparci al . E l e ti nha um pouco de práti ca ni s s o. Apenas ci nco s écul os , s omados . — Pri mei ro eu tenho que encontrar o l ugar, — di s s e a el a, ouvi ndo a fal ta de cari nho em s ua voz, o tom que não era meramente i mparci al , mas real mente fri o. A expres s ão de E l ena não s e al terou. E l a podi a s er i mparci al , também. Até s eus profundos ol hos azui s pareci am ter tomado um bri l ho gel ado. — Tudo bem. Onde el e fi ca? — Perto de onde o coração es tá, porém mai s para a es querda. E l e tocou o es terno de E l ena, e depoi s moveu s eus dedos para a es querda. E l ena l utou contra a tens ão e um arrepi o — el e podi a ver i s s o. Damon


es tava s ondando pel o l ocal onde a carne fi cava maci a s obre o os s o, o l ugar que a mai ori a dos humanos achava que o s eu coração es tava, porque era onde s e podi a s enti r s eu coração batendo. Deveri a es tar bem por... aqui ... — Agora, eu vou mover s eu Poder através de um ou doi s cí rcul os , e quando você puder fazer i s s o por s i mes ma — é aí que você es tará pronta para real mente es conder s ua aura. — M as como vou s aber? — Você vai s aber, acredi te em mi m. E l e não queri a que el a fi zes s e perguntas , então s i mpl es mente l evantou uma mão na frente del a — s em tocar s ua pel e, ou s e quer s ua roupa — e col ocou a força vi tal del a em s i ncroni a com a s ua. Al i . Agora, para começar o proces s o. E l e s abi a qual s eri a a s ens ação de E l ena: um choque el étri co, começando do ponto onde el e havi a tocado pel a pri mei ra vez e rapi damente es pal hando cal or por através do s eu corpo. E m s egui da, uma rápi da s eqüênci a de s ens ações enquanto el e pas s ava um exercí ci o de rotação ou doi s com el a. Na di reção del e, por s eus ol hos e ouvi dos , onde el a de repente percebeu que podi a ver e ouvi r mui to mel hor, então des cendo por s ua es pi nha e s ai ndo pel a ponta dos dedos , enquanto o s eu bati mento cardí aco acel erava e el a s enti a al go como el etri ci dade em s uas pal mas . Subi ndo por s eus braços e des cendo pel as l aterai s do s eu corpo, até o ponto em que um tremor i ri a defi ni -l o. Fi nal mente, a energi a podi a des cer pel a s ua magní fi ca perna todo o cami nho até s eus pés , onde el a i ri a s enti r i s s o em s uas s ol as , enrol ando os dedos dos pés , antes de vol tar para onde ti nha começado, perto de s eu coração. Damon ouvi u E l ena s us pi rar l evemente quando o pri mei ro choque bateu nel a, e então s enti u s eus bati mentos cardí acos acel erar e s eus cí l i os pes tanej ar como s e o mundo de repente ti ves s e fi cado mui to cl aro para el a;


s uas pupi l as di l atam como s e el a es ti ves s e apai xonada, s eu corpo fi cou rí gi do ao menor s om de al guns roedores na grama — um s om que nunca teri a ouvi do s em energi a di ri gi da aos s eus ouvi dos . E as s i m, todo s eu corpo, uma vez e, novamente, para que el a pudes s e ter uma i déi a de proces s o. E ntão el e a dei xou i r. E l ena es tava ofegante e exaus ta; e ele ti nha s i do o úni co que gas tou energi a. — E u nunca — vou s er capaz — de fazer i s s o s ozi nha, — el a ofegou. — Si m, você vai , no tempo certo e com práti ca. E quando você puder fazêl o, você s erá capaz de control ar todo o s eu poder. — Se você... di z. Os ol hos de E l ena foram s e fechando agora, os cí l i os es curos cres cendo s obre s eu ros to. E ra evi dente que el a ti nha s i do forçada até s eu l i mi te. Damon s enti u a tentação de puxá-l a para el e, mas s upri mi u. E l ena ti nha dei xado cl aro que não queri a que el e a abraças s e. E u me pergunto apenas quantos garotos el a não afas tou, Damon pens ou abruptamente, com amargura. Is s o o s urpreendeu um pouco, a amargura. Por que el e deveri a s e i mportar com quantos meni nos ti nham tocado E l ena? Quando el e a tornas s e s ua Pri nces a das Trevas , el es doi s teri am que i r à caça de pres as humanas — às vezes j untos — às vezes s ozi nho. E l e não teri a ci úmes del a então. Por que el e deveri a s aber quantos encontros românti cos el a teve agora? M as el e achou que estava amargo, amargo e i rri tado o s ufi ci ente para res ponder s em entus i as mo, — E u di go que você i rá. Apenas prati que fazer i s s o s ozi nha.

***

No carro, Damon tentava fi car i rri tado com E l ena. Is s o era di fí ci l , poi s


el a era uma companhei ra de vi agem perfei ta. E l a não convers a, não tenta cantarol ar — graças à s orte — ou cantar j unto com o rádi o, não mas ca chi cl ete ou fuma, não s e mexe no banco tras ei ro, não preci s a de mui tas paradas para des cans o, e nunca perguntou — Já chegamos ? De fato, era di fí ci l para qual quer pes s oa, homem ou mul her, fi car i rri tado com E l ena Gi l bert por qual quer perí odo de tempo. Você não poderi a di zer que el a era mui to exuberante, como Bonni e, ou mui to s erena, como M eredi th. E l ena era doce o s ufi ci ente para compens ar s ua bri l hante, ati va, e s empre maqui nadora mente. E l a ti nha apenas compai xão s ufi ci ente para compens ar o s eu auto-confes s ado egoí s mo, e era obl í qua s ó o s ufi ci ente para garanti r que ni nguém i ri a chamá-l a de normal . E l a era mui to l eal aos s eus ami gos e apenas perdoa o s ufi ci ente j á que el a cons i dera quas e ni nguém como um i ni mi go — ki ts une e Anti gos do ti po vampi ro s ão uma exceção. E l a era hones ta, franca e amoros a, e é cl aro que el a ti nha um l ado es curo em s i , que s eus ami gos s i mpl es mente chamavam de s el vagem, mas que Damon reconheceu o que real mente era. E ra uma compens ação pel o l ado cândi do, s uave e i ngênuo da s ua natureza. Damon es tava mui to certo de que el e não preci s a de nenhuma des s as qual i dades nel a, em es peci al agora. Ah, s i m... e E l ena Gi l bert es tava l i nda o s ufi ci ente para fazer qual quer de s uas caracterí s ti cas negati vas compl etamente i rrel evantes . M as Damon es tava determi nado a fi car i rri tado e ele ti nha uma vontade forte o s ufi ci ente que o permi ti a es col her o s eu humor e cumpri -l o, apropri ado ou não. E l e i gnorou todas as tentati vas de convers a de E l ena, e com o tempo el a des i s ti u de tentar fazê-l as . E l e manteve s ua mente pres a a dezenas de rapazes e homens a quem a requi ntada meni na ao l ado del e deve ter l evado para cama. E l e s abi a que E l ena, Carol i ne, e M eredi th ti nham s i do membros — s eni ores — do quarteto, quando todas eram ami gas , enquanto a pequena


Bonni e ti nha s i do a mai s j ovem e ti nha s i do cons i derada um pouco i ngênua para s er total mente i ni ci ada. E ntão, por que el e es tava com E l ena agora? el e s e encontrou perguntando amargamente, perguntando-s e apenas por um s egundo s e Shi ni chi es tava mani pul ando-o enquanto tomava s uas memóri as . Será que Stefan nunca s e preocupou com s eu pas s ado, es peci al mente com um anti go namorado — M utt — ai nda andando por aí , di s pos to a dar s ua própri a vi da por el a? Stefan não deve ter s e preocupado, ou el e teri a col ocado um fi m — não, como poderi a Stefan pôr fi m a qualquer coi sa. E l ena queri a fazer i s s o? Damon ti nha pres s enti do o choque de s ua vontade, mes mo quando E l ena es tava com uma mente de cri ança exatamente após s eu retorno da vi da após a morte. Quando i s s o vei o para o rel aci onamento de E l ena e Stefan, E l ena es tava defi ni ti vamente no control e. Como os humanos di zem: Ela usava as calças na famí li a. Bem, em breve el a poderi a ver como gos tava de us ar cal ças de harém, Damon pens ou, ri ndo em s i l ênci o, embora s eu humor es ti ves s e mai s es curo do que nunca. O céu s obre o carro es cureceu em res pos ta, e o vento arrancou fol has de verão dos ramos antes da hora. Patas de gato de chuva ponti l haram o pára-bri s a, e então vei o o cl arão do rel âmpago e o s om do trovão ecoando. E l ena pul ava l i gei ramente, i nvol untari amente, cada vez que um trovão s e s ol tava. Damon as s i s ti a i s s o com uma s ati s fação s ombri a. E l e s abi a que el a s abi a que el e podi a control ar o cl i ma. Nenhum dos doi s di s s e uma pal avra s equer s obre i s s o. E l a não vai i mpl orar, el e pens ou, s enti ndo aquel e rápi do orgul ho s el vagem nel a de novo e, em s egui da, s enti ndo i ncômodo cons i go mes mo por s er tão s uave. E l es pas s aram um motel , e E l ena acompanhou a s i nai s el étri cos borrados com os ol hos , ol hando por ci ma do ombro, até que foi perdi do na


es curi dão. Damon não queri a parar de di ri gi r. Não ous ou parar, real mente. E l es

se

di ri gi am

para

uma

des agradável

tempes tade

agora,

e,

ocas i onal mente, o Pri us aquapl anava, mas Damon cons egui u mantê-l o s ob control e — mui to mal . E l e gos tava de di ri gi r nes s as condi ções . Foi s omente quando um s i nal procl amou que o próxi mo l ocal de abri go fi cava a mai s de cem mi l has de di s tânci a que Damon, s em cons ul tar E l ena, entrou em uma es trada i nundada e parou o carro. As nuvens ti nham s e s ol tado agora; a chuva es tava cai ndo em bal des ; e o quarto que Damon cons egui u era um pequeno anexo, s eparado do motel pri nci pal . Damon havi a s e adaptado à s ol i dão mui to bem.


8 E nquanto el es s e apres s aram em s ai r do carro para o s ol i tári o quarto de hotel , E l ena teve que pres s i onar s uas pernas para manter o ri tmo es tável . As s i m que a porta do quarto foi fechada, com a tempes tade mai s ou menos do l ado de fora e el a mes ma rí gi da e com dores em s eu corpo, foi para o banhei ro s em s e quer acender a l uz do quarto. As s uas roupas , s eus cabel os , e s eus pés es tavam encharcados . As l âmpadas fl uores centes do banhei ro pareci am mui to bri l hantes após a es curi dão da noi te e da tempes tade. Ou tal vez s ej a começo de s eu aprendi zado para fazer o s eu Poder ci rcul ar por s eu corpo. Isso certamente foi uma s urpres a. Damon s e quer ti nha tocado-a, mas o choque que el a ti nha s enti do, ai nda reverberava em s eu i nteri or. E quanto a s ens ação de ter s eu Poder mani pul ado pel o l ado de fora de s eu corpo, bem, s i mpl es mente não havi a pal avras . Tudo bem, ti nha s i do uma experi ênci a de ti rar o fôl ego. M es mo pens ar ni s s o agora, fazi a s eus j oel hos tremerem. M as fi cou mai s cl aro do que nunca que Damon não queri a fazer nada com el a. E l ena confrontou s eu própri o refl exo no es pel ho e fez uma careta. Si m , el a pareci a um rato afogado que ti nha s i do arras tado por uma mi l ha até a s arj eta. Seu cabel o es tava mol hado, trans formado em tufos de cachos j ogados ao redor de s ua cabeça e de s eu ros to; el a es tava tão branca quanto s e es ti ves s e doente, e s eus ol hos azui s encaravam o ros to de uma cri ança exaus ta e es quel éti ca. Por um momento, el a s e l embrou de que um di a el a es teve em uma s i tuação mui to pi or — s i m, apenas há al guns di as — atrás , e tendo Damon tratando-a com extrema del i cadeza, como s e s ua aparênci a de gato mol hado não s i gni fi cas s e nada para el e. M as aquel as memóri as de Damon ti nham s i do roubadas por Shi ni chi , o era mui to es perar que aquel e ti ves s e s i do tal vez s eu verdadei ro es tado de es pí ri to. Ti nha s i do... fantas i a... como todas as s uas outras


fantas i as . Furi os a com Damon — e cons i go mes ma pel o formi gando atrás dos ol hos — E l ena s e afas tou do es pel ho. O pas s ado, era o pas s ado. E l a não ti nha i déi a do porquê Damon deci di u de repente s e afas tar de s eu toque, ou ol har el a com um ol har gél i do e rí gi do de um predador. Al go o ti nha fei to odi á-l a, apenas por s entar-s e no carro com el a. E s ej a l á o que fos s e, E l ena teve que aprender a i gnorá-l o, poi s s e Damon parti s s e, el a não teri a nenhuma chance de encontrar Stefan. Stefan. Ao menos s eu coração i nqui eto podi a encontrar s os s ego ao pens ar em Stefan. E l e não s e i mportava com o a s ua apareci a: s ua úni ca preocupação era o s eu bem-es tar. E l ena fechou os ol hos enquanto l i gava a água quente da banhei ra, e des pi u s uas roupas úmi das , perdi da em s ua i magi nação do amor e apreci ação de Stefan. O hotel ti nha forneci do uma garrafi nha de s ai s de banho, mas E l ena os dei xou de l ado. E l a trouxe s eu própri o s aqui nho trans parente de cri s tai s de banho de bauni l ha em s ua bagagem, e es ta era a pri mei ra oportuni dade que teve de us á-l os . Cui dados amente, el a des pej ou cerca de um terço do s aqui nho na banhei ra que enchi a rapi damente, e foi recompens ada com uma expl os ão de vapor de bauni l ha, abs orvi do por s eus pul mões com mui ta grati dão. Al guns mi nutos depoi s , E l ena afundou s eus ombros na água quente, coberta com uma es puma cremos a de bauni l ha. Seus ol hos es tavam fechados , e s eu corpo i mers o no cal or. Os s ai s de banho s uavemente s e des i ntegraram enquanto al i vi avam toda a s ua dor. E s s es não eram s ai s de banho comuns . E l es não ti nham chei ro de remédi o, mas ti nham s i do dados a el a, pel a s enhori a de Stefan, Sra. Fl owers , que era uma genti l bruxa branca {3} . Recei tas com ervas eram a es peci al i dade


da Sra. Fl owers , e agora E l ena poderi a j urar que a tens ão dos úl ti mos di as es tava s endo s ugada de s eu corpo e l evadas para l onge. Oh, era exatamente di s s o que el a preci s ava. E l ena nunca apreci ou um banho como es te antes . Agora, há apenas uma coi s a, di s s e a s i mes ma fi rmemente, então, em s egui da i nal ou o del i ci os o vapor de bauni l ha. Você pedi u a Sra. Fl owers s ai s de banho rel axantes , mas você não pode cai r no s ono aqui . Você i rá s e afogar, e você j á s abe qual é a s ens ação. E s ti ve l á, fi z i s s o, nem s equer tenho que comprar uma mortal ha. M as agora os pens amentos de E l ena es tavam obs curos e mai s fragmentados , enquanto a água quente conti nuava a rel axar os s eus mús cul os , e o aroma de bauni l ha rodopi ava em torno de s ua cabeça. E l a es tava perdendo a conti nui dade, s ua mente s e prendendo em devanei os ... E l a es tava cedendo ao cal or e ao l uxo de não fazer nada... E l a es tava dormi ndo. E m s eu s onho, el a s e movi a rapi damente. E s tava apenas mei o i l umi nado, mas de al guma forma el a podi a afi rmar que es tava cai ndo, através de uma profunda névoa aci nzentada. O que a preocupava era que el a pareci a es tar rodeada por vozes di s cuti ndo, e el as es tavam di s cuti ndo s obre el a. — Uma seg unda chance ? Eu falei comela sobre i sso — — Ela não se recordará de nada — — Não i mporta se ela lembrará. Tudo permanecerá no i nteri or dela, adormeci do — — Isso g ermi nará dentro dela... até que cheg ue a hora certa — E l ena não fazi a i déi a do que i s s o s i gni fi cava. E ntão a névoa foi s e di l ui ndo, as nuvens abri ndo pas s agem para el a, e el a des ci a, mai s e mai s devagar, até que el a foi depos i tada del i cadamente em um campo coberto de agul has de pi nhei ros .


As vozes des apareceram. E l a es tava dei tada no chão da fl ores ta, mas el a não es tava nua. E l a es tava ves ti ndo s ua cami s ol a mai s boni ta, com l aços rendados . E l a ouvi a s ons bai xos da noi te ao s eu redor quando de repente s ua aura reagi u de uma forma como nunca ti nha reagi do antes . E l a l he di s s e que al guém es tava chegando. Al guém, que l he trouxe uma s ens ação de s egurança em tons quentes amadei rados , em s uaves tons de ros a e em profundos azui s vi ol etas que a envol veram antes mes mo da pes s oa chegar. E s s es ... eram... s enti mentos de al guém por el a. E por trás do amor e da preocupação que el a s enti u, havi a profundo verde-fol ha, fei xes quentes de ouro e um mi s teri os o tom trans l úci do, como uma cachoei ra que bri l hava enquanto cai a e es pumava como di amantes ao redor del a. Elena, a voz s us s urrou. Elena. E ra tão fami l i ar... Elena. Elena. E l a conheci a... Elena, meu anj o. Is s o s i gni fi cava amor. M es mo s e E l ena es ti ves s e l evantada e rodopi ando em s eu s onho, el a l evantando s eus braços . E s s a pes s oa deveri a es tar com el a. E l e era s ua magi a, s eu cons ol o, s eu mel hor-amado. Não i mporta como el e chegou até l á, ou o que ti nha aconteci do antes . E l e era a s ua eterna al ma gêmea. E ntão... Braços fortes a s eguraram com ternura... Um corpo quente próxi mo ao del a... Bei j os doces ... M ui tos ... M ui tas vezes ... O s enti mento fami l i ar de s e derreter em s eus braços ... E l e era tão genti l , mas quas e feroz em s eu amor por el a. E l e havi a


j urado não matar, mas el e matari a para s al vá-l a. E l a era s eu bem mai s preci os o em todo o mundo... Qual quer s acri fí ci o val i a a pena s e el a es ti ves s e em s egurança e l i vre. Sua vi da nada s i gni fi cava s em el a, então el e fi cari a fel i z em dá-l a, ri ndo e bei j ando s uas mãos até o s eu úl ti mo s us pi ro. E l ena res pi rou o maravi l hos o chei ro de fol has do outono de s eu s uéter, e s e s enti u confortada. Como um bebê, s e dei xou s er al i vi ada s i mpl es mente por chei ros fami l i ares , pel a s ens ação de s ua bochecha encos tada em s eu ombro e pel a maravi l ha de es tarem res pi rando j untos em s i ncroni a. Quando el a tentou dar um nome a es s e mi l agre, apareceu em s ua mente. Stefan... E l ena nem mes mo preci s ava ol har para o s eu ros to para s aber que os ol hos verde-fol ha de Stefan es tari am dançando como águas de um pequeno l ago agi tado pel o vento e com es pumas refl eti ndo mi l di ferentes pontos de l uzes . E l a enterrou a cabeça em s eu pei to, com medo de dei xá-l o parti r, embora não pudes s e l embrar o porquê. Eu não sei como cheg uei aqui , el a l he di s s e. Na verdade, el a não l embrava de nada antes de ouvi r o s eu chamado, apenas i magens embaral hadas . Isso não i mporta. Eu estou comvocê. O medo s e apoderou del a. Isto não é... apenas umsonho, não é? Nenhumsonho é apenas umsonho. Eu sempre esti ve comvocê. Mas como cheg amos aqui ? Shhh... Você esta cansada. Eu vou te seg urar. Por mi nha vi da, eu j uro. Descanse apenas. Dei xe-me te abraçar, apenas mai s uma vez. Só uma vez? Mas... M as agora E l ena es tava preocupada e confus a, e el a dei xou s ua cabeça trombar para trás , ti nha que ver o ros to de Stefan. E l a i ncl i nou s eu quei xo para trás , e encontrou ol hos ri s onhos de uma i nfi ni ta es curi dão, em um ros to pál i do, aci nzentado e i ncri vel mente l i ndo.


E l a quas e gri tou de horror. Calma, calma, meu anj o. Damon! Os ol hos es curos encontraram os del a, chei os de amor e di vers ão. Quem mai s? Como você se atreve —como você cheg ou aqui ? E l ena es tava cada vez mai s confus a. Eu não pertenço a lug ar alg um, apontou Damon, de repente parecendo tri s te. Você sabe que eu sempre estarei comvocê. Eu não quero; eu não quero — devolva-me o Stefan! M as era tarde demai s . E l ena ti nha conheci mento da água morna vazando da banhei ra ao s eu redor. E l a acordou bem na hora em que s ua cabeça i a s er s ubmers a pel a água. Um s onho... E l a s enti a que s eu corpo es tava mai s fl exí vel e l eve, mas não podi a dei xar de s e s enti r tri s te com o s onho. Is s o não ti nha s i do uma experi ênci a fora de s eu corpo, tampouco — ti nha s i do s i mpl es mente um i ns ano e confus o s onho com el a mes ma. Eu não pertenço a lug ar nenhum. Eu eternamente estarei comvocê. Agora, o que es s e j argão queri a di zer? M as al go dentro de E l ena tremeu, enquanto el a l embrava. E l a rapi damente s e trocou — mas não para uma cami s ol a de renda Val enci ennes , e s i m para um mol etom ci nza e preto. Quando el a s ai u, es tava s e s enti ndo mui to cans ada, i rri tada e pronta para bri gar cas o Damon des s e qual quer s i nal de ter mani pul ado os s eus pens amentos enquanto el a dormi a. M as Damon não deu s i nal nenhum. E l ena vi u a cama, focal i zou-a, tropeçou na di reção del a e s e j ogou, afundando s ua cabeça nos traves s ei ros que afundaram i ns ati s fatori amente s ob a s ua cabeça. E l ena gos tava de s eus traves s ei ros fi rmes . Fi cou dei tada por al guns i ns tantes , apreci ando s uas s ens ações pós -


banho, s ua pel e gradual mente es fri ou — e então a s ua cabeça também. Tanto quanto podi a confi rmar, Damon es tava exatamente do mes mo j ei to que ti nha fi cado quando el es entraram no quarto. E el e ai nda es tava s i l enci os o que nem de manhã. Fi nal mente, para acabar com i s s o, el a fal ou com el e. E s endo E l ena, el a ati ngi u o coração do probl ema. — O que há de errado, Damon? — Nada — Damon encarou a j anel a, como s e es ti ves s e concentrado em al go por trás do vi dro. — Como não há nada? Damon bal ançou a cabeça. M as de al guma forma i s s o expres s ou a opi ni ão del e por es s e quarto de hotel . E l ena exami nou o quarto com s ua vi s ão mui to bri l hante de al guém que ti nha forçado o s eu corpo al ém dos l i mi tes . E l a contempl ou as paredes beges , tapete bege, uma pol trona bege, uma mes a bege, e é cl aro, uma col cha bege. M es mo Damon não podi a rej ei tar o quarto por el e não combi nar com s eu preto bás i co, el a pens ou, e depoi s : Ah, es tou cans ada. E des norteada. E as s us tada. E ... i ncri vel mente es túpi da. Há apenas uma cama aqui . E eu es tou dei tada nel a. — Damon.. Se es forçando, el a s e s entou. O que você quer? Tem uma cadei ra. E u pos s o dormi r na cadei ra — E l e deu mei a vol ta, e el a vi u que el e não es tava aborreci do, nem fazendo j ogui nhos . E l e es tava furi os o. E s tava l á, as s as s i no mai s -rápi do-do-que-os ol hos -humanos -pudes s em-acompanhar, e s eus mús cul os rel axaram antes mes mo de começar a s e contrai r. Damon com s eus movi mentos brus cos e s eu s i l ênci o as s us tador. E l e es tava ol hando pel a j anel a novamente, o corpo pos i ci onado, como s empre para...


al go. Agora el e pareci a pronto para s ai r pel a j anel a. — Vampi ros não preci s am dormi r, — di s s e el e em voz mai s gél i da e mai s control ada que el a ti nha ouvi do des de que M att os abandonou. Is s o l he deu energi a para s ai r da cama. — Você s abe que eu s ei que i s s o é uma menti ra — — Fi que com a cama, E l ena. Vá dormi r. M as s ua voz era a mes ma. E l a ti nha es perado uma ordem, uma ordem maçante. Damon pareceu mai s tens o, mai s control ado do que nunca. M ai s agi tado do que nunca. Suas pál pebras s e fecharam. — É por caus a de M att? — Não. — É por caus a de Shi ni chi ? — Não! — Aha. — É , não é? Você es tá com medo de que Shi ni chi pas s e por todas as s uas defes as e te pos s ua novamente. Não é? — Vá para a cama, E l ena, — Damon di s s e s em emoção. E l e ai nda es tava i gnorando-a compl etamente, como s e el a não es ti ves s e l á. E l ena fi cou furi os a. — O que é preci s o para mos trar a você que eu confi o em você? E s tou vi aj ando s ozi nha com você, s em qual quer i déi a para onde es tamos i ndo real mente. E u es tou confi ando em você, a vi da de Stefan. E l ena es tava atrás de Damon agora, no tapete bege que chei rava a... nada, ti po como a água fervi da. Nem mes mo como pó. Suas pal avras eram como pó. Havi a al go s obre el as que s oava oco, errado. E l as eram verdadei ras — mas el as não es tavam fazendo nada em Damon... E l ena s us pi rou. Tocar Damon i nes peradamente s empre era um negóci o


compl i cado, com todos os ri s cos de des encadear o i ns ti nto as s as s i no del e por aci dente, mes mo quando el e não es tava pos s uí do. E l a es tendeu a mão, agora, com mui to cui dado, para col ocar as pontas dos dedos na s ua j aqueta de couro. E l a fal ou do j ei to mai s di reto e s em emoção que el a podi a. — Você também s abe que agora tenho mai s s enti dos do que os ci nco habi tuai s . Quantas vezes terei que te di zer i s s o, Damon? E u sei que não era você torturando a M att e a mi m na s emana pas s ada — A des pei to de s i mes ma, el a podi a ouvi r a s úpl i ca em s ua própri a voz. — E u s ei que você me protegeu nes s a vi agem, quando eu es tava em peri go, até mes mo matou por mi m. Is s o s i gni fi ca — mui to para mi m. Você pode di zer que não acredi ta no s enti mento humano de perdão, mas eu não acho que você o es queceu. E quando você s abe que não há nada para perdoar, em pri mei ro l ugar — a — — Is s o não tem abs ol utamente nada a ver com a s emana pas s ada! — A mudança em s ua voz — a força nel a — machucou E l ena como s e fos s e uma chi cotada. M achucava-a... e as s us tava. Damon es tava s éri o. E l e também es tava s ob uma tens ão terrí vel , não como s e es ti ves s e l utando contra a pos s e de Shi ni chi , mas di ferente. — Damon.. — — Dei xa-me empaz! — Agora, onde eu j á ouvi al go pareci do antes ? Confus a, s eu coração batendo, E l ena tateando s uas memóri as . Ah, s i m. Stefan. Stefan quando ti nham es tado pel a pri mei ra vez j untos em s eu quarto, quando el e es tava com medo de amál a. Quando el e ti nha certeza de que a condenari a s e mos tras s e que s e i mportava com el a. Poderi a Damon s er assi m como o i rmão, de que el e s empre zombou? — Pel o menos , vi re-s e e fal e comi go cara a cara. — E l ena. E ra um s us s urro, mas s oou como s e Damon não cons egui s s e


conj urar s ua ameaça s empre s edos a. — Vá para a cama. Vá para o i nferno. Vá a qual quer l ugar, mas fi que long e de mi m. — Você é tão bom ni s s o, não é?Agora a voz de E l ena es tava gél i da. De forma i mprudente, com rai va, el a s e aproxi mou ai nda mai s . — E mpurrando as pes s oas para l onge. M as eu s ei que você não s e al i mentou es ta noi te. Não há nada que você quer de mi m, e você não pode s er o márti r fami nto, tal como Stefan... E l ena ti nha fal ado s abendo que s uas pal avras i nci tari am uma res pos ta de al gum ti po, mas a us ual res pos ta de Damon para es te ti po de coi s a era encos tar-s e a al guma coi s a e fi ngi r que não ouvi u. O que aconteceu foi compl etamente di ferente do que el a es perava. Damon s e vi rou, pegou-a preci s amente, s egurando-a pres a em um i nquebrável aperto. E ntão, com um s ó gol pe de s ua cabeça, como um fal cão em um rato, el e a bei j ou. E l e era forte o s ufi ci ente para s egurá-l a, e não machucá-l a. O bei j o foi l ongo e duro e por um bom tempo E l ena res i s ti u por puro i ns ti nto. O corpo de Damon era fri o contra o del a, ai nda úmi do e quente do banho. O j ei to que el e a s egurava — s e el a col ocas s e pres s ão em pontos es pecí fi cos — podi a machucá-l a s eri amente. E depoi s — el a s abi a — el e i ri a l i bertá-l a. M as s erá que el a real mente s abe o que el a s abi a? Será que el a es tava di s pos ta a quebrar um os s o para des cobri r? E l e es tava acari ci ando s eu cabel o, o que era tão i nj us to, enrol ando as pontas e es magando-as entre os dedos ... Apenas horas antes el e a ens i nou a s enti r coi s as com as pontas do cabel o. E l e conheci a os s eus pontos fracos . Não os pontos fracos de qual quer mul her. E l e conheci a os del a; el e s abi a como fazê-l a querer gri tar de prazer, e como acal má-l a. Não havi a nada para fazer al ém de tes tar a s ua teori a, e tal vez, quebrar


um os s o. E l a não i a entregar-s e quando el a não o ti nha permi ti do. E l a não i ri a! M as então el a s e l embrou da curi os i dade que s enti a pel o garoti nho, e da rocha, e então el a abri u s ua mente para Damon. E l e cai u na s ua própri a armadi l ha. Tão l ogo s uas mentes s e conectaram aconteceu al go pareci do com fogos de arti fí ci os . E xpl os ões . Foguetes . E s trel as nas cendo. E l ena comandou s ua mente para i gnorar o s eu corpo, e começou a ol har para a rocha. E s tava fundo, profundo dentro da parte mai s trancada de s eu cérebro. Profundo nas eternas trevas que dormi am l á. M as E l ena pareci a ter trazi do um hol ofote com el a. Para onde quer el a s e vi ras s e, tei as negras de aranhas e arcos de pedras cai am no chão. — Não s e preocupe, — E l ena encontrou-s e di zendo. — A l uz não vai fazer i s s o com você! Você não tem que vi ver aqui . E u vou te mos trar a bel eza da l uz. O que es tou di zendo? E l ena s e perguntou como até mes mo as pal avras s aí ram de s eus l ábi os . Como pos s o prometer-l he, s e tal vez el e gos te de vi ver aqui no es curo! M as no s egundo s egui nte, el a ti nha chegado mui to mai s perto do meni no, perto s ufi ci ente para ver s eu pál i do e pens ati vo ros to. — Você vei o de novo, — di s s e el e, como s e fos s e um mi l agre. — Você di s s e que vi ri a, e você vei o! — Is s o derrubou todas as barrei ras de E l ena de uma vez. Aj oel hou-s e, e puxando o pel as correntes ao máxi mo, pegou-o no col o. — Você es tá fel i z que eu tenha vol tado?perguntou del i cadamente. E l a j á es tava acari ci ando os s eus cabel os l i s os . — Oh, s i m! — Is s o era um g ri to, e as s us tou E l ena quas e tanto quanto


agradou. — Você é a mel hor pes s oa que eu j á — a coi s a mai s l i nda que eu j á.. — Cal ma, — E l ena l he di s s e: — Cal ma. Tem que haver al guma manei ra de aquecê-l o. — É o ferro, — a cri ança di s s e humi l demente. — O ferro mantém-me fraco e fri o. M as tem que s er de ferro; cas o contrári o el e não s eri a capaz de me control ar. — E u vej o, — E l ena di s s e s everamente. E l a es tava começando a ter uma i déi a s obre que ti po de rel aci onamento Damon ti nha com es te meni no. Por um momento, em um pal pi te, el a pegou doi s pedaços de ferro nas mãos e tentou s epará-l os . E l ena ti nha uma s uper l uz aqui ; porque não s uperpoderes ? M as tudo o que aconteceu foi que el a torceu e vi rou para nada, e cortou s eu dedo contra uma s al i ênci a do ferro. — Oh — Os enormes ol hos es curos do garoto s e fi xaram na es fera es cura de s angue. E l e pareci a fas ci nado... E com medo. — Você quer i s s o?E l ena es tendeu a mão para el e, hes i tante. O que é uma pequena quanti dade para quem cobi ça o s angue de outras pes s oas , el a pens ou. E l e as s enti u ti mi damente como s e el e es ti ves s e certo de que el a es tari a i rri tada. M as E l ena apenas s orri u e el e s egurou o dedo com reverênci a e tomou todo o gl obo de s angue de uma vez, fechando os l ábi os como um bei j o. Quando el e l evantou a cabeça, el e pareci a ter um tom de cor a mai s em s eu ros to pál i do. — Você me di s s e que Damon mantém você aqui , — di s s e el a, s egurando-o novamente, o cal or de s eu corpo s endo s ugado pel o corpo fri o del e. — Você pode me di zer por quê? A cri ança ai nda es tava l ambendo os l ábi os , mas el e i medi atamente vi rou o ros to em s ua di reção e di s s e, — E u s ou O Guardi ão dos Segredos . M as .. — tri s te os s egredos tem s i do tão grandes , que nem eu s ei o que el es


s ão — E l ena s egui u o movi mento da cabeça del e, de s eus pequenos membros para as correntes de ferro l i gadas em uma bol a metál i ca. E l a s enti u um naufrági o dentro de s i , e uma profunda pena para com o pequeno guardi ão. E el a s e perguntou o que na terra poderi a es tar dentro des s a grande es fera de pedra que Damon guardava tão atentamente. M as el a não teve chance de perguntar.


9 Quando E l ena abri u a boca para fal ar, el a s e s enti u ergui da como s e es ti ves s e em um furacão. Por um momento el a s e agarrou ao meni no que es tava s endo arrancado de s uas mãos , el a s ó teve tempo de gri tar, — E u vol tarei , — e de ouvi r a s ua res pos ta, antes de s er puxada para o mundo comum de banhos e mani pul ações e quartos de hotel . — E u vou manter o nos s o s egredo! — Is s o foi o que o meni no chorou para el a no úl ti mo i ns tante. E para o que i s s o poderi a s i gni fi car j á que el e i ri a manter os s eus encontros em s egredo do real ( ou — comum — ) Damon? Um momento depoi s E l ena es tava em um quarto de motel s ombri o, e Damon es tava s egurando s eus braços . Quando el e a l i berou, E l ena pode s enti r o s al . Lágri mas es tavam fl ui ndo l i vremente por s uas bochechas . Não pareci a fazer di ferença al guma para s eu agres s or. Damon pareci a s er a mi s eri córdi a do des es pero vi vo. E l e es tava tremendo como um meni no que bei j a pel a pri mei ra vez s eu pri mei ro amor. Is s o é o que es tava ti rando o control e, E l ena pens ou confus amente. Quanto a el a, s enti u como s e el a fos s e des mai ar. Não! E l a ti nha que fi car cons ci ente. E l ena empurrou e gi rou, s e machucando del i beradamente contra o l aço aparentemente i nquebrável que a s egurava. E l e s egurou. O pos s es s or? Shi ni chi novamente, ocul to na mente de Damon para obri gá-l o fazer coi s as -? E l ena l utou mai s , forçando tanto que poderi a real mente gri tar de dor. E l a chorami ngou uma vezO l aço s e quebrou. De al guma forma E l ena s abi a que Shi ni chi não es tava envol vi do ni s s o.


A verdadei ra al ma de Damon era um garoti nho pres o em correntes por Deus s abe-quantos s écul os , que nunca ti nha conheci do o cal or e a proxi mi dade, mas ai nda ti nha uma l ágri ma de apreço por el as . A cri ança que es tava acorrentada em vol ta de uma rocha era um dos s egredos mai s profundos de Damon. E agora E l ena tremi a tanto que não ti nha certeza s e poderi a fi car de pé, e es tava s e perguntando s obre a cri ança. E s tava com fri o? E s tava chorando como E l ena? Como el a poderi a s aber? E l a e Damon s e s ol taram ol hando um para o outro, ambos res pi rando com di fi cul dade. O cabel o l us tros o de Damon es tava des al i nhado, fazendo-o parecer devas s o como um cors ári o. Seu ros to, s empre tão pál i do e control ado, es tava vermel ho de s angue. Seus ol hos caí ram para ver E l ena automati camente mas s ageando os pul s os . E l a podi a s enti r al fi netes e agul has agora: es tava recuperando a ci rcul ação s anguí nea. As s i m que el e des vi ou o ol har, não cons egui u ol har nos ol hos del a novamente. Contato ocul ar. Tudo bem. E l ena reconheceu uma arma, tateando em bus ca de uma cadei ra e encontrando a cama i nes peradamente perto atrás del a. E l a não ti nha mui tas armas agora; e el a preci s ava us ar todas que ti nha. Sentou-s e, cedendo à fraqueza em s eu corpo, mas manteve s eus os ol hos no ros to de Damon. Sua boca i nchada. E i s s o era i nj us to. O bei ci nho de Damon era parte da s ua mai s bás i ca arti l hari a. E l e ti nha a boca mai s boni ta que el a j á ti nha vi s to em al guém, homem ou mul her. A boca, o cabel o, as pál pebras s emi -fechadas , os cí l i os pes ados , a del i cadeza de s eu quei xo... i nj us ti ça, mes mo para al guém como E l ena, que há mui to tempo ti nha s e i nteres s ado em uma pes s oa apenas por caus a de al guma bel eza aci dental . M as el a nunca ti nha vi s to aquela boca i nchada, o perfei to cabel o des ordenado, os cí l i os tremendo porque el e es tava ol hando por toda parte, exceto


para el a e tentando não demons trar i s s o. — E ra i sso o que você es tava pens ando enquanto es tava s e recus ando a fal ar comi go?perguntou el a, e s ua voz era quas e cons tante. A s úbi ta qui etude de Damon era a perfei ção as s i m como todas as outras perfei ções . Sem a res pi ração, é cl aro. E l e ol hava fi xo para um ponto no carpete bege que agora deveri a es tar ardendo chamas . E ntão, fi nal mente, el e l evantou aquel es ol hos es curos enormes para el a. E ra mui to di fí ci l di zer al guma coi s a s obre os ol hos de Damon porque a í ri s era quas e da mes ma cor da pupi l a, mas E l ena ti nha um pres s enti mento de que s e encontravam nes te momento tão di l atadas que era tudo pupi l a. Como podi a ol hos tão negros como uma armadi l ha de mei a-noi te manter a l uz? E l a pareci a ver nel es um uni vers o de es trel as . Damon di s s e, bai xi nho, — Corra. E l ena s enti u as pernas tens as . Shi ni chi ? — Não. Você deve correr agora. E l ena s enti u os mús cul os da coxa rel axar l i gei ramente e fi cou grata por não ter que tentar provar que el a era capaz de correr — ou mes mo s e arras tar — nes te exato i ns tante. M as s eus punhos s e fecharam. — Você quer di zer que i s s o é apenas você s e tornando um bas tardo?E l a di s s e. — Você deci di u me odi ar outra vez? Você gos tou-? Damon vi rou novamente, a qui etude no movi mento mai s rápi do do que os ol hos del a poderi am acompanhar. E l e bateu na mol dura da j anel a, uma vez, puxando o punho quas e compl etamente no úl ti mo i ns tante. Houve um es trondo e depoi s mi l hares de pequenos ecos de vi dro choveram como di amantes contra a es curi dão l á fora. — Is s o pode... trazer al guém para aj udá-l a. Damon não es tava tentando


fazer as pal avras parecem mai s do que um pens amento. Agora que el e es tava afas tado del a, el e não pareci a s e preocupar em manter as aparênci as . Pequenos tremores percorri am s eu corpo. — E s tá tarde, nes s a tempes tade, tão l onge do es cri tóri o — eu duvi do. O corpo de E l ena es tava s us pens o em um j orro de adrenal i na que a permi ti u l utar de s ua manei ra contra o l aço de Damon. E l a es tava formi gando toda e ti nha que trabal har para manter-s e s obre control e e não começar a tremer. E el es es tavam de vol ta à es taca zero, com Damon ol hando para a noi te e el a ol hando fi xamente para s uas cos tas . Ou, pel o menos , era as s i m que el e queri a que es ti ves s em. — Você poderi a ter perguntado, — di s s e el a. E l a não s abi a s e i s s o era pos s í vel para um vampi ro entender. E l a ai nda não ti nha ens i nado Stefan. E l e fi cou s em coi s as que queri a porque el e não entendi a como perguntar. Com toda a i nocênci a e com todas as boas i ntenções , Stefan dei xava as coi s as até que ela, E l ena, era forçada a perguntar a ele. Damon, pens ou el a, não ti nha es s e probl ema normal mente. E l e tomava tudo o que queri a tão cas ual mente como s e es col hes s e i tens de uma pratel ei ra da merceari a. E bem agora el e es tava ri ndo s i l enci os amente, o que s i gni fi cava que es tava real mente i mpres s i onado. — Vou tomar i s s o como um pedi do de des cul pas , — E l ena di s s e s uavemente. Agora Damon es tava ri ndo al to, e E l ena s enti u um cal afri o. Aqui es tava el a, tentando aj udá-l o, e — — Você pens a, — el e i nterrompeu em s eus pens amentos , — que i sso era tudo que eu queri a? E l ena s enti u-s e congel ar novamente enquanto el a refl eti a s obre tudo


i s s o. Damon podi a faci l mente ter tomado s eu s angue enquanto a s egurava i móvel . M as — é cl aro — i s s o não era tudo que el e queri a del a. Sua aura... el a s abi a o provocava nos vampi ros . Damon a havi a protegi do o tempo todo de outros vampi ros que pudes s em vê-l a. A di ferença, a hones ti dade nata de E l ena di s s e a el a, era que el a não dava a mí ni ma para qual quer um dos outros . M as Damon era di ferente. Quando el e a bei j ava el a podi a s enti r a di ferença dentro de s i . Al guma coi s a el a nunca ti nha s enti do antes ... até Stefan. Oh, Deus — era real mente el a, E l ena Gi l bert, trai ndo Stefan pel o s i mpl es ato de não fugi r des ta s i tuação? Damon es tava s e portando como uma pes s oa mel hor do eu el a es tava; el e es tava di zendo-a para l evar a tentação de s ua aura para l onge del e. Para que el a pudes s e começar a tortura de novo amanhã. E l ena ti nha es tado em mui tas ci rcuns tânci as onde j ul gou que era mel hor para el a s ai r antes das coi s as fi carem quentes demai s . O probl ema aqui era que não havi a l ugar nenhum onde el a pudes s e i r s em aumentar o cal or — col ocando-s e em grande peri go. E , al i ás , perdendo s ua chance de encontrar Stefan. E l a deveri a ter i do com M att? M as Damon ti nha di to que não poderi am entrar na Di mens ão Sombri a, não doi s humanos s ozi nhos . Di s s e que el es preci s avam del e. E E l ena ai nda ti nha al gumas dúvi das quanto a Damon, s e el e teri a s e meti do nes s a encrenca di ri gi ndo até o Ari zona, mui to menos procurado por Stefan, s e el a não es ti ves s e com el e a cada pas s o do Cami nho. Al ém do mai s , como M att poderi a protegê-l a na es trada peri gos a que el a e Damon ti nham tomado? E l ena s abi a que M att morreri a por el a — e era i s s o que teri a aconteci do, também, s e el es fos s em para ci ma de vampi ros ou l obi s omens . M orri do. Dei xando E l ena frente a frente com s eus i ni mi gos


s ozi nha. Ah, s i m, E l ena s abi a o que Damon fazi a todas as noi tes enquanto el a dormi a no carro. E l e col ocava al gum ti po de fei ti ço es curo ao redor del a, as s i nando-o com s eu nome, vedando-o com o s eu s el o, e i s s o manti nha as cri aturas da noi te l onge do carro até de manhã. M as s eus mai ores i ni mi gos , os gêmeos ki ts une, Shi ni chi e M i s ao, havi am vi ndo com el es . E l ena pens ou em tudo i s s o antes de l evantar a cabeça para ol har nos ol hos de Damon. Ol hos que, naquel e momento, l embravam-l he os da cri ança es farrapada acorrentada à rocha. — Você não vai s ai r, não é?el e s us s urrou. E l ena bal ançou a cabeça. — Você real mente não es tá com medo de mi m? — Oh, eu es tou com medo. Novamente E l ena s enti u es tremecer por dentro. M as agora el a es tava voando para al gum l ugar, el a ti nha es col hi do a di reção, e não havi a manei ras de cons egui r parar i s s o. E s peci al mente não quando el e ol hava para el a daquel e j ei to. Is s o a recordou da al egri a feroz, o orgul ho rel utante que el e s empre mos trou quando el es derrotaram um i ni mi go j untos . — Não vou me trans formar em s ua Pri nces a das Trevas , — di s s e a el e. — E você s abe que eu nunca poderi a des i s ti r de Stefan. O fantas ma de s eu vel ho s orri s o zombetei ro tocou-l he os l ábi os . — Há mui to tempo para convencê-l a s obre a mi nha manei ra de pens ar s obre i s s o. Não há neces s i dade, E l ena pens ou. E l a s abi a que Stefan i ri a entender. M as mes mo agora, quando pareci a que o mundo i ntei ro es tava gi rando em torno del a, al guma coi s a fez E l ena confrontar Damon. — Você di z que não é Shi ni chi . E u acredi to em você. M as tudo i s s o é por caus a — do que Carol i ne


di s s e?E l a podi a ouvi r a dureza s úbi ta em s ua própri a voz. — Carol i ne?Damon pi s cou como s e fos s e arrancado de s ua tranqüi l i dade. — E l a di s s e que antes de conhecer Stefan eu era apenas uma E l ena des cobri u que era i mpos s í vel di zer a úl ti ma pal avra. — Que eu era... promí s cua. A mandí bul a de Damon endureceu e s eu ros to corou rapi damente — como s e ti ves s e s i do ati ngi do rapi damente de uma di reção i nes perada. — Aquel a garota — , el e murmurou. — E l a j á fi xou s eu des ti no e s e fos s e qual quer outra pes s oa eu poderi a ter al guma pi edade. M as el a foi ... al ém... el a foi ... al ém... de qual quer propri edade... E l e fal ou s uas pal avras devagar, e um ol har de es panto encobri u s eu ros to. E l e es tava ol hando para E l ena, e el a s abi a que el e podi a ver as l ágri mas de paradas em s eus ol hos , porque el e s e aproxi mou para ti rá-l as com os dedos . Quando el e fez i s s o, no entanto, el e parou em um l ento movi mento, e, com s eu ros to de repente perpl exo, l evou uma de s uas mãos até os l ábi os , s aboreando as l ágri mas . Sej a l á qual gos to ti nha para el e, el e não pareci a acredi tar. E l e l evou a outra mão aos l ábi os também. E l ena es tava abertamente encarando-o agora; el e deveri a ter pos to para fora s eu s embl ante, mas não o fez. E m vez di s s o, um cal ei dos cópi o de expres s ões pas s ou por s eu ros to, rápi do demai s para que s eus os ol hos humanos pegas s em todos . M as el a vi u es panto, i ncredul i dade, a amargura, mai s es panto e, fi nal mente, uma es péci e de choque al egre e um ol har como s e houves s e l ágri mas em s eus própri os ol hos . E então Damon ri u. Foi uma ri s ada rápi da e auto-j ocos a, mas era verdadei ra, eufóri ca, mes mo as s i m. — Damon— E l ena di s s e, ai nda pi s cando para conter as l ágri mas — tudo ti nha aconteci do mui to rápi do, — o que há de errado com você? — — Nada de errado, tudo es tá certo, — di s s e el e, ao l evantar um dedo


erudi to. — Nunca tente enganar um vampi ro, E l ena. Vampi ros têm mui tos s enti dos que humanos não tem — al guns que nós s e quer conhecemos até preci s armos del es . Levou um l ongo tempo para eu perceber o que s ei s obre você. Porque, cl aro, todo mundo es tava me di zendo uma coi s a, e mi nha mente me di zendo que era outra coi s a. M as eu percebi i s s o, no pas s ado. E u s ei o que você real mente é, E l ena. Por mei o mi nuto E l ena fi cou em um chocante s i l enci o. — Se você s abe, então eu poderi a mui to bem di zer-l he agora que ni ng uém vai acredi tar em você. — Tal vez não, — di s s e Damon, — es peci al mente s e el es forem humanos . M as os vampi ros s ão programados para reconhecer a aura de uma donzel a. E você é uma i s ca para Uni córni os , E l ena. E u não s ei e não me i mporto com como você cons egui u s ua reputação. E s ti ve enganado por um l ongo tempo, mas eu fi nal mente encontrei a verdade. De repente el e es tava i ncl i nado s obre el a de forma que el a não pudes s e ver nada al ém del e, s eu cabel o fi no cai ndo s ob a tes ta, os l ábi os perto dos del a, s eus ol hos es curos , i ns ondávei s , capturando s eu ol har. — E l ena— el e s us s urrou. — E s te é o s eu s egredo. E u não s ei como você cons egui u i s s o, mas ... você é uma vi rgem. E l e s e i ncl i nou para el a, s eus l ábi os apenas roçando os del a, parti l hando s ua res pi ração com a del a. E l es permaneceram as s i m por um l ongo, l ongo tempo, Damon pareci a fas ci nado por s er capaz de dar a E l ena al go de s eu própri o corpo: o oxi gêni o que ambos preci s avam, mas que adqui ri ram de manei ras di ferentes . Para mui tos humanos , a qui etude de s eus corpos , o s i l ênci o e o contato vi s ual fi xo — para aquel es que não ti nham fechado os ol hos — teri a s i do de mai s . E l es podi am s enti r como s e ti ves s em mergul hado dentro da pers onal i dade de s eu parcei ro tão profundamente, que es tavam perdendo defi ni ção e s e tornando uma parte etérea do outro antes mes mo que


bei j o ti ves s e s e compl etado. M as E l ena es tava fl utuando no ar: no ar que Damon l he dava — l i teral mente. Se as mãos fortes , l ongas e fi nas de Damon não es ti ves s em s egurando s eus ombros , el a teri a s e s ol tado de s eus braços compl etamente. E l ena s abi a que havi a outra manei ra para que el e pudes s e mantê-l a no chão. E l e poderi a i nfl uenci á-l a para que a gravi dade fi zes s e i s s o com el a. M as , até agora, el a não ti nha s enti do o menor toque de s ua Infl uênci a tentadora. E ra como s e el e es ti ves s e es perando para dar-l he a honra da es col ha. E l e não i ri a s eduzi -l a com qual quer um dos s eus mui tos métodos de cos tume, os truques de domi nação que aprendeu durante mei o mi l êni o de noi tes . Apenas a res pi ração, que vi nha mai s e mai s rápi da, enquanto E l ena s enti u s eus s enti dos começarem a nadar e s eu coração começar a martel ar. E l a ti nha certeza abs ol uta de que Stefan não i ri a s e i mportar com i s s o? M as Stefan ti nha dado a el a a mai or honra pos s í vel , confi ando em s eu amor e j ul gamento. E el a es tava começando a s enti r verdadei ro Damon, s ua es magadora neces s i ta por el a; s ua vul nerabi l i dade por que es s a neces s i dade es tava s e tornando como uma obs es s ão. Sem tentar i nfl uenci á-l a, el e es tava es pal hando grandes , maci as e es curas as as ao redor del a para que não houves s e l ugar para correr, para onde es capar. E l ena s enti u-s e começando a des mai ar com a i ntens i dade da pai xão que havi a de formado entre el es . Como um ges to fi nal , não de repúdi o, mas de convi te, el a i ncl i nou s ua cabeça para trás , expondo s ua garganta nua para el e, e dei xando-o s enti r a s ua s audade. E , como s e grandes s i nos de cri s tal es ti ves s em tocando ao l onge, el a s enti a a al egri a del e em s ua entrega vol untári a à es curi dão de vel udo que es tava tocando-a.


E l a nunca s enti u os dentes que perfuraram s ua pel e e rei vi ndi caram s eu s angue. Antes di s s o, el a es tava vendo es trel as . E ent達o o uni vers o foi engol i do pel os es curos ol hos de Damon.


10 Na manhã s egui nte, E l ena s e l evantou e s e ves ti u rapi damente no quarto do hotel , grata pel o es paço extra. Damon ti nha i do embora, mas el a j á es perava i s s o. E l e normal mente toma o s eu café-da-manhã cedo quando el es es tão na es trada, devorando garçonetes em paradas noturnas de cami nhão ou em l anchonetes . E l a pens ava em di s cuti r s obre i s s o com el e al gum di a, el a pens ou enquanto col ocava o pó de café na cafetei ra que foi provi denci ada pel o hotel . Ti nha um chei ro bom. M as el a preci s ava urgentemente fal ar com alg uém s obre o que ti nha aconteci do na noi te pas s ada. Obvi amente, Stefan era a s ua pri mei ra opção, mas

el a des cobri u

que,

experi ênci as

fora do corpo não acontecem

s i mpl es mente quando el a queri a. O que el a preci s ava fazer era l i gar para Bonni e e M eredi th. E l a ti nha que convers ar com el as — era s eu di rei to — mas agora, j us to agora, el a não podi a. Intui ti vamente, s enti a que qual quer contato entre el a e Fel l ’s Church poderi a s er rui m. E M att não ti nha checado. Nenhuma vez. E l a não ti nha i dei a de onde el e es tava na es trada, mas era mel hor el e es tar em Sedona a tempo, era i s s o que i mportava. E l e del i beradamente ti nha cortado o contato com el es . Certo. Contanto que el e apareça onde prometeu. M as ... E l ena ai nda preci s ava convers ar. Se expres s ar. É cl aro! E l a era uma i di ota! E l a ai nda ti nha o s eu fi el companhei ro, que nunca di s s e uma pal avra, e nunca a manteve es perando. Servi ndo-s e de uma xí cara de café preto pel ando, E l ena des enterrou o s eu di ári o do fundo de s ua mochi l a, e o abri u em uma pági na em branco. Não havi a nada tão bom como uma caneta e uma pági na em branco para el a es crever. Qui nze mi nutos depoi s , houve um rangi do na j anel a, e um mi nuto depoi s Damon pas s ava por el a. E l e ti nha vári os s acos de papel com el e e


E l ena s e s enti u i nexpl i cavel mente fel i z e acol hi da. E l a ti nha provi denci ado o café, que es tava mui to bom apes ar de ter s ubs ti tuí do o creme, por um em pó e Damon ti nha forneci do... — Gas ol i na— el e di s s e tri unfantemente, erguendo s eus ol hos cas tanhos para el a, enquanto col ocava as s acol as em ci ma da mes a. Apenas para o cas o de el es tentarem us ar pl antas contra nós . Não obri gado— el e acres centou quando vi u a xí cara chei a de café que el a es tendi a para el e. E u encontrei uma mecâni ca enquanto es tava comprando i s s o. Vou l avar as mãos — E então el e des apareceu pas s ando na frente de E l ena. Pas s ando por el a, s em a ol har, apes ar del a es tar ves ti ndo o úni co conj unto de roupa l i mpa que s obrou: uma cal ça j eans s uti l , e um top col ori do que de pri mei ra vi s ta pareci a branco, mas em l uz mai s forte, revel ava que ti nha del i cadas s ombras de um arco-í ri s . Sequer uma olhadi nha, E l ena pens ou, s enti ndo uma es tranha s ens ação de que a s ua vi da rodava em torno de s i mes ma. E l a começou a j ogar o café fora, mas deci di u que preci s ava del e, e o bebeu em es cal dantes gol es . E ntão el a foi até o s eu di ári o, e começou a l er as úl ti mas duas ou três pági nas . — Você es tá pronta para parti r?Damon gri tava por s obre o s om de água corrente no banhei ro. — Si m... apenas em um mi nuto — E l ena l eu as i ntroduções nas pági nas de s eu di ári o, e depoi s deu uma rápi da ol hada nos textos depoi s di s s o. — Nós podemos mui to bem s egui r na di reção oes te daqui — Damon gri tou. Poderemos fazer i s s o em um di a. E l es vão pens ar que é uma fars a para


chegar a um portal em parti cul ar, e bus carão por outros menores . E enquanto i s s o conti nuaremos s egui ndo para o Portal Ki mon, com di as a frente de qual quer um que pos s a es tar nos s egui ndo. É perfei to — — Aham— E l ena di s s e, l endo. — É provável que nos encontremos com M utt amanhã... Tal vez es ta noi te, dependendo do ti po de probl emas que el es nos caus arem — — Aham — — M as pri mei ro eu queri a te perguntar: você acha que é uma coi nci dênci a nos s a j anel a es tar quebrada? Por que eu s empre col oquei proteções nel a todas as noi tes , e eu tenho certeza que.. E l e pas s ou a mão na tes ta. — E u tenho certeza de que eu devo ter fei to i s s o ontem à noi te, também. M as al go quebrou a j anel a e s ai u s em dei xar nenhum ras tro. Foi por i s s o que eu comprei toda a gas ol i na. Se el es tentarem al go com as árvores , eu vou gol peá-l os de vol ta a Stonehenge — E

metade

dos

moradores

i nocentes

do es tado,

E l ena

pens ou

s ombri amente. M as el a es tava tão chocada, que não cons egui a s e expres s ar mel hor s obre i s s o. — O que você es tá fazendo agora?Damon es tava obvi amente pronto para s e l evantar e parti r. — Li vrando-me de al go que eu não preci s o— E l ena di s s e, correndo ao banhei ro, obs ervando pedaços do s eu di ári o gi rando e gi rando, até por fi m des aparecer. — E u não me preocupari a com a j anel a, porém— el a di s s e, vol tando para o quarto e ti rando os s eus s apatos . — E fi que ai por um mi nuto Damon, eu preci s o fal ar com você s obre uma coi s a — — Ah, por favor. Is s o pode es perar até es tarmos na es trada, não pode? — Não, não pode, por que temos que pagar por es s a j anel a. Você a


quebrou na noi te pas s ada, Damon. M as você não s e l embra de tê-l a quebrado, não é? Damon a encarou. E l a podi a di zer que el e es tava tentado a ri r. M as o que el e fez foi pens ar s e el a ti nha enl ouqueci do. — E u es tou fal ando s éri o, — di s s e el a, uma vez que el e havi a s e l evantado e começou a andar em di reção a j anel a parecendo que des ej ava que um corvo a ti ves s e atraves s ado. — Não s e atreva a i r a qual quer l ugar, Damon, porque eu ai nda não acabei — — E u fi z mai s coi s as do que não me l embro?Damon encos tou na parede, em s ua conheci da pos tura arrogante. Tal vez tocado al gumas gui tarras , e dei xado o rádi o l i gado até as quatro da manhã? — Não. Não neces s ári amente coi s as ... da noi te pas s ada — E l ena di s s e, ol hando para l onge. E l a não podi a ol har para el e. Outras coi s as , de outros di as . — Como tentar s abotar toda a vi agem — el e di s s e, s ua voz l acôni ca. E l e ol hou para o teto e s us pi rou profundamente. Tal vez eu tenha fei to i s s o, s ó para fi car s ozi nho com você.. — — Cala a boca, Damon! — De onde i s s o vi nha? Bem, el a s abi a, é cl aro. De s eus s enti mentos da noi te pas s ada. O probl ema era que el a também ti nha que cons egui r determi nadas coi s as — s éri o, s e el e fos s e l evá-l os . Pens ando ni s s o, pareci a haver um j ei to mel hor de fazer i s s o. — Você acha que s eus s enti mentos por Stefan — bem, mudaram recentemente? E l ena perguntou. — O quê? — Você acha que ah, era tão di fi ci l de ol har nos s eus profundos ol hos es curos . E s peci al mente quando a noi te pas s ada ti nha s i do chei a de mi rí ades


de es trel as — — Você acha que você chegou a pens ar nel e de manei ra di ferente? Para honrar os des ej os del e mai s do que você cos tumava fazer? Agora Damon es tava exami nando-a abertamente, tal como el a es tava exami nando-o. — Você es tá fal ando s éri o?di s s e. — Compl etamente— el a di s s e, e com um es forço s upremo mandou as l ágri mas para onde s upos tamente el as deveri am i r. — Al guma coi s a aconteceu na noi te pas s ada, — di s s e el e. E l e es tava ol hando fi xamente para o ros to del a. Não é? — Alg uma coi sa, aconteceu, s i m— E l ena di s s e. — Foi ... mai s uma.. el a ti nha que s ol tar a res pi ração, e quas e dei xou tudo s ai r. — Shi ni chi ! Shi ni chi , che bastardo! Imbrog li one! Ladrão! E u vou matá-l o lentamente! — De repente, Damon es tava em todo o l ugar. E l e es tava ao l ado del a, s uas mãos nos ombros del a; no mi nuto s egui nte, el e es tava gri tando i mprecações na j anel a, então el e es tava de vol ta s egurando ambas s uas mãos . M as s omente uma pal avra i mportava para E l ena. Shi ni chi . O ki ts une com s eu cabel o preto com pontas es carl ates , que os fez ceder tanto apenas para a l ocal i zação da pri s ão de Stefan. — Mascalzone! Maleducato.. E l ena perdeu novamente a noção das mal di ções de Damon. E ntão era verdade. A noi te pas s ada foi compl etamente roubada de Damon, ti rada de s ua mente compl eta e s i mpl es mente, no i nterval o que el a ti nha us ado as As as da Sal vação e as As as da Puri fi cação nel e. Anteri ormente el e ti nha concordado. M as noi te pas s ada... Que outras coi s as a rapos a vi nha tomando? Para arrancar todo o anoi tecer e a noi te — e aquel e entardecer e noi te em


parti cul ar, i mpl i ca que... — E l e nunca encerrou a conexão entre a mi nha mente e a del e. E l e ai nda pode pos s ui r mi nha mente s empre que el e qui s er — Damon fi nal mente ti nha parado de praguej ar, e parado de s e mover. E l e es tava s entado no s ofá em frente à cama com as mãos pous adas nos j oel hos . E l e pareci a mui to des amparado. — E l ena, você tem que me di zer. O que foi roubado de mi m da noi te pas s ada? Por favor! — Damon pareci a que i a cai r de j oel hos na frente del a, s em exagero. — Se — s e — foi o que eu acho... E l ena s orri u, embora as l ágri mas ai nda corres s em por s ua face. Não foi al go que al guém pudes s e i magi nar, exatamente, eu acho— el a di s s e. — M as ...! — — Vamos apenas di zer que es te momento... foi meu, E l ena di s s e. — Se el e roubou qual quer outra coi s a de você, ou s e el e tentar roubar no futuro, então o j ogo del e é j us to. M as i s s o... s erá o meu s egredo — Ou até você abri r o s eu rochedo de s egredos , el a pens ou. — Até eu arrancar el e de mi m, j unto com a s ua l í ngua e a s ua cauda! — Damon ros nou, e o que pareci a mes mo um ros nado de ani mal . E l ena es tava fel i z que a fúri a del e não es tava di ri gi da a el a. Não s e preocupe— Damon acres centou em uma voz tão gél i da que era mai s as s us tadora do que a fúri a s el vagem. E u o encontrarei , não i mportando aonde el e tente s e es conder. E eu peg arei i s s o del e. E u podi a pegar toda a pel e pel uda em que el e s e es conde. E eu l he farei um par de l uvas , que tal ? E l ena tentou s orri r, e fez um bom trabal ho. E l a es tava tentando chegar em termos s obre o que aconteceu com el a, embora el a ti ves s e certeza de que Damon não parari a de i mportuná-l a s obre es s e as s unto, até que forças s e Shi ni chi a l he devol ver a memóri a. E l a percebeu que puni a Damon em al gum


ní vel , pel o o que Shi ni chi ti nha fei to, e i s s o era errado. E u prometo que ni ng uém s aberá de nada da noi te pas s ada, el a di s s e a el a mes ma. Não até que Damon s ai ba. E u s equer di rei a Bonni e e M eredi th. Is s o tornou as coi s as mui to mai s di fí cei s para el a e, portanto, provavel mente mai s eqüi tati va. E nquanto el es l i mpavam os des troços cons equentes da recente fúri a de Damon, el e de repente s e aproxi mou e enxugou uma l ágri ma da bochecha de E l ena. — Obri gada...! — E l ena começou. E ntão el a s e i nterrompeu. Damon tocava os l ábi os del e com os s eus dedos . E l e ol hou para el a, s urpres o e um pouco decepci onado. E ntão el e encol heu os ombros . — Ai nda uma i s ca para uni córni o, — di s s e el e. Por acas o eu di s s e i s s o na noi te pas s ada? E l ena hes i tou, mas percebeu que as pal avras del e não eram cruci ai s ao s eu s egredo. — Si m, você di s s e. M as ... M as você não vai me i gnorar, não é? acres centou, s ubi tamente ans i os a. E u prometi que nem aos meus ami gos di rei al go — Damon es tava ol hando fi xamente para el a. — Por que eu deveri a di zer al go s obre al guém? A menos que você es tej a fal ando da pequena rui va? — E u te di s s e, eu não es tou di zendo nada. Só que Carol i ne, obvi amente, não é uma vi rgem. Bem, com toda a confus ão s obre el a es tar grávi da. — M as você s e l embra, — Damon i nterrompeu, — E u vi m para Fel l ’s Church antes de Stefan; eu s ó me es condi a mai s nas s ombras . A manei ra como você fal ou... — Oh, eu s ei . Nós gos tamos de meni nos e meni nos gos tam de nós , e nós j á ti vemos reputações . E ntão nós convers amos e de al guma manei ra,


s enti mos vontade de fal ar. Al gumas del as podem s er verdadei ras , mas mui to daqui l o você poderi a tomar de duas manei ras .... e depoi s é cl aro que você s abe como os meni nos fal am... Damon s abi a. E l e concordou. — Bem, e as s i m l ogo todos es tavam fal ando como s e es ti vés s emos fazendo tudo e com todos. E l es ai nda es creveram i s s o no j ornal e no anuári o e nas paredes do banhei ro. M as nós ti vemos um pequeno poema, também, e às vezes o as s i návamos . Como era?E l ena fez a mente del a vol tar um ano, doi s anos , mai s . E ntão, el a reci tou:

— Só porque você ouvi u, não si g ni fi ca que sej a verdade. Apenas por que você leu, tambémnão o faz verdade. Dá próxi ma vez que ouvi r i sso, talvez possa ser sobre você. Não pense que você pode mudar as suas mentes, apenas por que você sabe... você sabe! —

As s i m que E l ena termi nou, el a ol hou para Damon, de repente s enti ndo uma urgênci a para res gatar Stefan. E s tamos quas e l á — el a di s s e. M el hor nos apres s armos …


11 O Ari zona era um es tado tão quente e ári do quanto E l ena ti nha i magi nado. E l a e Damon s e di ri gi ram di retamente para o Juni per Res ort, e E l ena es tava depri mi da, e nada s urpres a, ao ver que M att não ti nha chegado. — E l e não pode ter l evado mai s tempo do que nós para chegar até aqui , — di s s e el a, l ogo que ti nham s i dos l evados até s eus quartos . — A menos — oh, Damon, Deus ! A menos que Shi ni chi tenha pegado-o de al guma forma. Damon s entou na cama e ol hou para E l ena s everamente. — E u acho que es perava não ter que l he di zer i s to — que o i di ota ti ves s e pel o menos a cortes i a de l he di zer el e mes mo. M as eu es ti ve ras treando a s ua aura, des de que el e nos dei xou. E l a foi fi cando cada vez mai s di s tante, na di reção de Fel l ' s Church. Às vezes , más notí ci as real mente l evam um tempo para di geri r. — Você quer di zer, — di s s e E l ena, — que el e não vai aparecer aqui , afi nal ? Quero di zer que, em l i nha reta, es tá tão l onge de nós quanto es tamos de carro até Fel l ' s Church. E l e foi nes s a di reção. E el e não vol tou. — M as por quê?E l ena exi gi u, como s e a l ógi ca pudes s e de al guma forma mudar os fatos . — Por que el e i ri a s ai r e me dei xar? E s peci al mente, porque el e i ri a para Fel l ' s Church, onde el es es tão procurando-o? — Quanto à razão del e parti r: eu acho que el e tem uma i déi a errada s obre mi m e você — ou tal vez uma i dei a certa um pouco antes da hora, Damon ergueu as s obrancel has para E l ena e el a j ogou um traves s ei ro nel e — — e deci di u nos dei xar ter um pouco de pri vaci dade. Quanto ao porquê Fel l ' s Church... Damon deu de ombros . — Ol ha, você conhece o cara mai s do que eu. M as até mes mo eu pos s o di zer que el e é do ti po Gal ahad. O parfai tg enti l caval hei ro, sanspeur et sans reproche. Se eu ti ves s e que di zer, di ri a que el e foi ao


encontro da acus ação de Carol i ne. — Oh, não — E l ena di s s e, i ndo até a porta como s e ti ves s e ouvi do uma bati da. — Não depoi s do que eu di s s e a el e e eu di s s e. — Oh, si m— Damon di s s e, agachando-s e. M es mo com o s eu s ábi o cons el ho s oando em s eus ouvi dos . A porta s e abri u. E ra Bonni e. Bonni e, com s ua pequena es trutura, com os cabel os encaracol ados de morango, s eus l argos e expres s i vos ol hos cas tanhos . E l ena, em uma s i tuação de des acredi tar nas evi dênci as de s eus própri os ol hos , e ai nda mai s depoi s do argumento de Damon, fechou a porta s obre el a. — M att vai s er li nchado, — E l ena quas e gri tou, vagamente i rri tada por caus a de bati das vi ndo de al gum l ugar. Damon l evantou. E l e pas s ou por E l ena no cami nho até a porta, di zendo, — E u acho que é mel hor você s e s entar, — e então a s entou, col ocando-a em uma cadei ra e s egurou até que el a parou de tentar s e l evantar novamente. E ntão el e abri u a porta. Des ta vez, era M eredi th que es tava batendo. Al ta e es gui a, com os cabel os cai ndo em nuvens es curas ao redor dos ombros , M eredi th i rradi ava a i ntenção de conti nuar a bater até que a porta s e abri s s e. Al go aconteceu dentro de E l ena, e el a achou que poderi a col ocar a s ua mente em torno de mai s de um as s unto de uma vez. E ra M eredi th. E Bonni e. E m Sedona, Ari zona! E l ena pul ou da cadei ra onde Damon a ti nha col ocado e j ogou os braços ao redor de M eredi th, di zendo coi s as i ncoerentes , — Você vei o! Você vei o! Você s abi a que eu não poderi a chamá-l a, as s i m que você vei o! — Bonni e parou em torno do abraço e di s s e a Damon em um tom bai xo, — Será que el a vol tou a bei j ar todo mundo que el a conhece? — Infel i zmente, — di s s e Damon, — não. M as es tej a preparada para s er es premi da até a morte.


E l ena s e vol tou contra el e. — E u ouvi i s s o! Oh, Bonni e! E u s i mpl es mente não pos s o acredi tar que vocês duas es tão real mente aqui . E u queri a mui to fal ar com vocês ! — E nquanto i s s o, el a es tava abraçando Bonni e, Bonni e es tava abraçando E l ena, e M eredi th es tava abraçando as duas . Si nai s s uti s da i rmandade vel oci raptor es tavam s endo pas s ados de uma para a outra ao mes mo tempo — uma s obrancel ha arqueada aqui , um l i gei ro aceno lá, um franzi r de tes ta e ombros termi nando com um s us pi ro. Damon não s abi a, mas ti nha acabado de s er acus ado, j ul gado, abs ol vi do e res taurado ao dever — com a concl us ão de que a vi gi l ânci a extra s eri a neces s ári a no futuro. E l ena s eparou-s e pri mei ro. — Vocês devem ter encontrado com M att — el e deve ter di to a vocês s obre es te l ugar. — E l e di s s e, e em s egui da el e vendeu o Pri us e nós ti po que nos preparamos correndo e cons egui mos bi l hetes de avi ão para cá e nós es távamos es perando — nós não queremos perder você! — Bonni e di s s e s em fol ego. — E u não acredi to que i s s o tenha aconteci do ha apenas doi s di as , des de que você comprou s eus i ngres s os para cá, — Damon ques ti onou para o teto cans ado enquanto el e des cans ava com um cotovel o na cadei ra de E l ena. — Dei xe-me ver — — Bonni e começou, mas M eredi th di s s e categori camente, — Si m, foi . Por quê? Is s o faz com que al go aconteça com você? — Nós es távamos tentando manter as coi s as um pouco ambí guas para o i ni mi go, — di s s e Damon. — M as como el e cai u fora, i s s o provavel mente não tem i mportânci a. Não, pens ou E l ena, porque Shi ni chi pode chegar dentro de s eu cérebro quando el e qui s er e tentar ti rar as s uas memóri as e tudo que você pode fazer é tentar combatê-l o. — M as i s s o s i gni fi ca que E l ena e eu devemos tomar a es trada agora


mes mo. Damon conti nuou. — E u tenho que fazer uma coi s a pri mei ro. E l ena deve embal ar as coi s as . Pegue o mi ni mo que você puder, apenas o abs ol utamente es s enci al — mas i ncl ua comi da para doi s ou três di as . — Você

di s s e... agora?Bonni e

res pi rou,

e

então el a s entou-s e

abruptamente no chão. — Is s o faz s enti do, s e nós j á perdemos o el emento s urpres a, — Damon res pondeu. — E u não pos s o acredi tar que vocês duas vi eram di zer adeus para mi m enquanto M att vi gi a a ci dade, — di s s e E l ena. — Is s o é tão doce! — E l a s orri u radi antemente antes de acres centar, em s ua própri a mente, e tão burro! — Bem. — Bem, eu ai nda tenho uma mi s s ão, — di s s e Damon, acenando enquanto s e vi rava. — Di gamos que vamos s ai r daqui a mei a hora. — M es qui nho, — Bonni e recl amou, quando a porta foi fechada com s egurança atrás del e. — Is s o pode ter nos dado apenas al guns mi nutos para fal ar, antes de nós começarmos . — E u pos s o me preparar em menos de ci nco mi nutos , — di s s e E l ena tri s temente, e então fi cou enros cada na fras e anteri or de Bonni e. ' Antes de nós começarmos ' ? — E u não pos s o empacotar apenas es s enci al , — M eredi th es tava cal mamente angus ti ada. — E u não pos s o guardar tudo no meu cel ul ar, e não tenho i déi a de quando vou poder recarregar as bateri as . E u tenho uma mal a de coi s as em papel! — E l ena es tava ol hando para trás e para frente para el as nervos amente. — Hum, eu tenho certeza que eu s ou a úni ca que s upos tamente tem que preparar a mal a, — di s s e el a. — Porque eu s ou a úni ca que vai ... certo?Outro ol har para trás e para frente.


— Como s e nós fos s emos dei xá-l a parti r para al gum outro uni vers o, s em nós ! — di s s e Bonni e. — Você preci sa de nós ! — — Não é outro uni vers o, apenas uma outra di mens ão, — di s s e M eredi th. — M as o mes mo pri ncí pi o s e apl i ca. — M as , ... eu não pos s o dei xar vocês vi rem comi go! — — É cl aro que você não pode. E u s ou mai s vel ha do que você, — di s s e M eredi th. — Você não preci s a me ‘dei xar’ fazer coi s a al guma. M as a verdade é que temos uma mi s s ão. Queremos encontrar Shi ni chi ou a Bol a E s trel a de M i s ao s e pudermos . Se cons egui rmos fazer i s s o, nós achamos que podemos parar a mai ori a das coi s as que es tão acontecendo em Fel l ' s Church i medi atamente. — Bol a E s trel a?E l ena di s s e i nexpres s i vamente, enquanto em al gum l ugar nas profundezas de s ua mente, uma i magem s e agi tava i nqui eta. — E u vou expl i car mai s tarde. E l ena es tava s acudi ndo a cabeça. — M as — você dei xou M att l á para l i dar com qual quer coi s a s obrenatural que es tej a acontecendo? Quando el e es tá foragi do e tem que s e es conder da pol í ci a? — E l ena, até mes mo a pol í ci a tem medo de Fel l ' s Church agora e, francamente, s e o col ocarem s ob cus tódi a em Ri dgemont, es s e pode s er o l ugar mai s s eguro para el e. M as el es não vão fazer i s s o. E l e es tá trabal hando com a Sra. Fl owers e el es s ão bons j untos , é um ti me s ól i do — M eredi th parou para tomar fol ego, e pareci a es tar pens ando em como di zer al guma coi s a. Bonni e di s s e para el a em uma voz mui to pequena. — E eu não era boa, E l ena. E u comecei — bem, comecei a fi car hi s téri ca e ver e ouvi r coi s as que não es tavam l á, ou pel o menos i magi ná-l as e tal vez até mes mo torná-l as real i dade. E u es tava me as s us tando pel o l ado de fora da mi nha mente, e eu


acho que na verdade es tava col ocando pes s oas em peri go. M att é mui to práti co para fazer i s s o. E l a enxugou os ol hos . — E u s ei que a Di mens ão Sombri a é mui to rui m, mas pel o menos eu não vou col ocar cas as chei as de pes s oas i nocentes em peri go. M eredi th as s enti u. — E s tava tudo... fi cando pi or com Bonni e l á. M es mo que não qui s és s emos i r com você eu teri a que ti rá-l a de l á. E u não quero s er dramáti ca, mas eu acredi to que os demôni os foram atrás del a. E j á que Stefan s e foi , Damon pode s er a úni ca pes s oa que pode mantê-l os l onge. Ou tal vez você pos s a aj udá-l a, E l ena? M eredi th... dramáti ca? M as E l ena podi a ver os tremores fi nos atraves s ando a pel e de M eredi th, e o l eve bri l ho de s uor na tes ta de Bonni e de que es tava umedecendo s eus cachos . M eredi th tocou o pul s o de E l ena. — Nós não des erdamos ou coi s a as s i m. Fel l ' s Church é uma zona de guerra agora; é verdade, mas nós não dei xamos M att s em al i ados . Tem a Dra. Al pert — el a é l ógi ca — el a é a mel hor medi ca do paí s — e el a pode até convencer al guém que Shi ni chi e M al ach s ão reai s . M as al ém de tudo i s s o, os pai s as s umi ram. Pai s e ps i qui atras e deteti ves . E el es tornam quas e i mpos s í vel trabal har abertamente de qual quer manei ra. M att não es tá em qual quer des vantagem. — M as — em apenas uma s emana. — Dê uma ol hada no j ornal de domi ngo des s a s emana. E l ena pegou o Ri dg emont Ti mes de M eredi th. E ra o mai or j ornal na área de Fel l ' s Church. A manchete di zi a: POSSE SSÃO NO SE CULO 21? Sob o tí tul o havi am mui tas l i nhas de i mpres s ão ci nza, mas o que real mente chamava a atenção era uma foto de uma l uta entre as garotas , as quai s pareci am es tar s ofrendo convul s ões ou contorções i mpos s í vei s para o


corpo humano. As expres s ões de duas das garotas eram apenas os de dor e terror, mas a da tercei ra meni na gel ou o s angue de E l ena nas vei as . Seu corpo era corcunda de modo que s eu ros to es tava de cabeça para bai xo, e el a es tava ol hando di retamente para a câmera com os l ábi os es fol ados em vol ta de s eus dentes . Os ol hos del a — não havi a outra forma de expl i car i s s o — eram demoní acos . E l es não es tavam revi rados em s ua cabeça ou mal formados ou qual quer coi s a as s i m. E l es não es tavam bri l hando as s us tadoramente em vermel ho. E ra apenas uma expres s ão. E l ena nunca ti nha vi s to ol hos fazerem- na s enti r mal do es tômago antes . Bonni e di s s e bai xi nho, — Você j á s enti u uma s ens ação de des l i ze e começou a s enti r como, ' Oh, ops , l á s e vai todo o uni vers o? — Cons tantemente, des de que conheci Stefan, — di s s e M eredi th. — Sem querer ofender, E l ena. M as o ponto é que tudo i s s o aconteceu em apenas um par de di as ; des de o mi nuto em que os adul tos que s abi am que al go es tava acontecendo s e reuni ram. M eredi th s us pi rou e correu os dedos com unhas perfei tamente cui dadas pel os cabel os del a antes de conti nuar. — E s s as meni nas s ão o que Bonni e chama de pos s uí das , no s enti do moderno. Ou tal vez el as es tej am pos s uí das por M i s ao — a fêmea ki ts une é a s us pei ta de provocar i s s o. M as , s e pudés s emos encontrar es s as coi s as chamadas de Bol as E s trel a — ou até mes mo — s e pudés s emos obri g á-los a l i mpar tudo i s s o. E l ena col ocou o j ornal para bai xo para que el a não ti ves s e que ver aquel es ol hos de cabeça para bai xo ol hando para os del a. — E enquanto tudo i s s o es tá acontecendo, o que o s eu namorado es tá fazendo durante a cri s e? Pel a pri mei ra vez, M eredi th pareci a genui namente al i vi ada. — E l e pode es tar a cami nho enquanto fal amos . E u es crevi para el e s obre tudo o que es tá acontecendo, e el e foi real mente o úni co que di s s e para ti rar Bonni e de l á.


E l a l ançou um ol har de des cul pas para Bonni e, que s i mpl es mente l evantou as mãos e o ros to para o céu. — E as s i m que el e termi nar o s eu trabal ho em uma i l ha chamada Shi nmei no Uma, el e vem para Fel l ' s Church. E s s e ti po de coi s a é a es peci al i dade de Al ari c, e el e não s e as s us ta com faci l i dade. As s i m, mes mo s e fi carmos l onge por semanas, M att terá um reforço. E l ena j ogou s uas própri as mãos em um ges to s emel hante ao de Bonni e. — Há apenas uma coi s a que é mel hor vocês s aberem antes de com eçarm os . Eu não pos s o aj udar Bonni e. Se vocês es tão contando comi go para fazer uma das coi s as que fi z quando l utamos contra Shi ni chi e M i s ao da úl ti ma vez, bem, eu não pos s o. E u tentei vári as vezes , tão forte quanto eu pude, fazer todos os meus ataques de as as . M as nada acontece. M eredi th di s s e l entamente, — Bem, então, tal vez Damon s ai ba de al guma coi s a. — Tal vez el e s ai ba, mas , M eredi th, não force-o agora. Não nes te exato mi nuto. Tudo o que s abemos é que Shi ni chi pode al cançar e ti rar s uas l embranças — e, quem s abe, tal vez até pos s uí -l o novamente. — Aquel a ki ts une menti ros a! — Cus pi u Bonni e, s oando quas e dona. Como s e, pens ou E l ena, Damon fos s e s eu namorado. — Shi ni chi j urou que não i ri a. — E el e j urou que i a dei xar Fel l ' s Church em paz, também. A úni ca razão para eu ter fé nas pi s tas que M i s ao me deu s obre a chave da rapos a, é que el a es tava me provocando. E l a nunca pens ou que nós farí amos um acordo, e s endo as s i m el a não es tava tentando menti r ou s er mai s i ntel i gente, eu acho. — Bem, é por i s s o que es tamos aqui com você, para l i vrar Stefan, — di s s e Bonni e. — E s e ti vermos s orte, para encontrar as Bol as E s trel a que nos permi ti rá control ar Shi ni chi . Certo? — Certo! — E l ena di s s e fervoros amente.


— Certo, — M eredi th di s s e s ol enemente. Bonni e concordou. — Irmandade Vel oci raptor para s empre! — E l as pus eram as mãos por ci ma uma da outra rapi damente, formando um ci rcul o com três rai os . Is s o l embrou E l ena dos di as em que havi a quatro rai os . — E Carol i ne?perguntou el a. Bonni e e M eredi th cons ul taram uma a outra com os ol hos . E ntão M eredi th abanou a cabeça. — Você não quer s aber. Seri o, — el a di s s e. — E u pos s o aguentar. Seri o, — E l ena di s s e quas e num s us s urro. — M eredi th, eu es ti ve morta, l embra? Duas vezes . M eredi th ai nda es tava s acudi ndo a cabeça. — Se você não pode ol har para es s a i magem, você não deve ouvi r fal ar s obre Carol i ne. Fomos vê-l a duas vezes — Você foi vê-l a duas vezes , — Bonni e i nterrompeu. — A s egunda vez que eu des mai ei e você me dei xou na porta. — E eu percebi que eu poderi a ter te perdi do para s empre, e eu me des cul pei M eredi th parou quando Bonni e col ocou uma mão em s eu braço e deu-l he um pequeno empurrão. — De qual quer forma, não era exatamente uma vi s i ta, — di s s e M eredi th. — E u fui correndo para a s al a de Carol i ne à frente de s ua mãe e a encontrei dentro de s eu ni nho — nunca tente i magi nar o que é i s s o — comendo al guma coi s a. Quando el a me vi u, el a apenas ri u e conti nuou a comer. — E ?E l ena di s s e, quando a tens ão começou a s er demai s para el a. — O que era? — E u acho, — di s s e M eredi th fri amente, — que eram vermes e


l es mas . E l a ti nha que es ti cá-l os e es ti cá-l os e el es enrol avam pouco antes del a mordê- l os . M as i s s o não era o pi or. Ol ha, você ti nha que ter es tado l á para apreci á-l a, mas el a apenas s orri u para mi m e di s s e com uma voz gros s a, ‘Quer uma mordi da?’ e de repente mi nha boca s e encheu com es ta mas s a s e contorcendo — e es tava des cendo pel a mi nha garganta. E ntão eu es tava doente, al i mes mo em s eu tapete. Carol i ne apenas começou a ri r, e eu corri para bai xo novamente e peguei Bonni e e corri para fora e nós nunca mai s vol tamos . M as ... a mei o cami nho de cas a, percebi que Bonni e es tava s ufocando. E l a ti nha — mi nhocas e coi s as — em s ua boca e s eu nari z. E u s ei CPR; E u cons egui ti rar a mai ori a del es antes que el a acordas s e vomi tando. M as E s s a foi uma experi ênci a que eu real mente prefi ro não ter de novo. A mes ma fal ta de expres s ão na voz de Bonni e di s s e mai s do que qual quer tom de horror poderi a. M eredi th di s s e, — Ouvi di zer que os pai s de Carol i ne s e mudaram daquel a cas a, e eu não pos s o cul pá-l os . Carol i ne tem mai s de dezoi to anos . Tudo o que pos s o acres centar é que todo mundo reza para que de al guma forma o s angue do l obi s omem ganhe do s eu, porque parece, pel o menos , s er menos terrí vel do que o do M al ach ou o — o demoní aco. M as s e não vencer... E l ena des cans ou o quei xo s obre os j oel hos . — E a Sra. Fl owers pode l i dar com i s s o? — M el hor do que Bonni e pode. Sra. Fl owers fi cou grata por ter M att por perto; como eu di s s e, el es s ão uma equi pe s ól i da. E agora que el a fi nal mente fal ou com a raça humana do s écul o vi nte e um, eu acho que el a gos tou. E el a es tá prati cando artes anato cons tantemente. — Artes anato? Oh — Si m, é o que el a chama de fei ti çari a. E u não tenho i déi a s e el a é boa ni s s o ou não, porque eu não tenho nada com o que comparar s eu — com —


— Suas catapl as mas funci onam como mági ca! — Bonni e di s s e fi rmemente enquanto E l ena di zi a, — Seus s ai s de banho certamente funci onam. M eredi th s orri u l evemente. — Pena que el a não es tá aqui , em vez de nós . E l ena bal ançou a cabeça. Agora que el a ti nha s e reconectado com Bonni e e M eredi th el a s abi a que nunca poderi a i r para a es curi dão s em el as . E l as eram mai s do que s uas mãos ; el as eram mui to mai s para el a... e aqui es tavam el as , cada uma preparada para arri s car s ua vi da por Stefan e Fel l ' s Church. Naquel e momento, a porta da s al a abri u. Damon entrou, carregando um par de s acos de papel pardo na mão. — E ntão todo mundo di s s e tchau-tchau l egal ?perguntou el e. E l e pareci a ter di fi cul dade em ol har para qual quer uma das duas vi s i tantes , então el e ol hou parti cul armente forte para E l ena. — Bem — não real mente. Não é as s i m, — di s s e E l ena. E l a s e perguntava s e Damon era capaz de j ogar M eredi th pel a j anel a do qui nto andar. M el hor tornar i s s o fáci l para el e, aos poucos . — Porque nós vamos com você, — di s s e M eredi th e Bonni e di s s e, — E s quecemos de nos preparar, no entanto. E l ena des l i zou rapi damente para fi car entre Damon e as outras . M as Damon s ó ol hava para o chão. — É uma má i dei a, — di s s e el e bai xi nho. — Uma mui to, mui to, mui to má i dei a. — Damon, não as Infl uenci e! Por favor! — E l ena bal ançou as duas mãos para el e, num ges to de urgênci a, e Damon l evantou uma das mãos em um ges to de negação — e de al guma forma s uas mãos s e tocaram e enros caram.


Choque elétri co. M as um bom, pens ou E l ena, embora real mente el a não tenha ti do tempo para pens ar ni s s o. E l a e Damon es tavam ambos tentando des es peradamente trazer s uas mãos de vol ta para s i , mas não pareci am s er capazes de fazer i s s o. Pequenas ondas de choque es tavam correndo da pal ma de E l ena através de todo o s eu corpo. Fi nal mente, a el es s e s ol taram, e, em s egui da, ambos vol taram, em um uní s s ono cul pado, a ol har para Bonni e e M eredi th, que es tavam ol hando para el es com ol hos enormes . Ol hos des confi ados . Ol hos que pertenci am a ros tos que di zi am: — Aha! O que temos aqui ? Houve um l ongo momento em que ni nguém s e moveu ou fal ou. E m s egui da, Damon di s s e a s éri o, — Is to não é al gum ti po de vi agem de prazer. Nós vamos , porque não há outra es col ha. — Não s ozi nhos , vocês não es tão, — M eredi th di s s e em um tom neutro. — Se E l ena vai , todos nós vamos . — Sabemos que é um l ugar rui m, — di s s e Bonni e, — mas nós es tamos defi ni ti vamente i ndo com você. — Al ém di s s o, temos a nos s a própri a agenda, — acres centou M eredi th. — Uma manei ra de l i mpar Fel l ’s Church do dano que Shi ni chi fez — e ai nda es tá fazendo. Damon bal ançou a cabeça. — Vocês não entendem. Vocês não vão g ostar, — di s s e el e fi rmemente. E l e bal ançou a cabeça para s eu cel ul ar. — Não há energi a el étri ca l á dentro. M es mo pos s ui r um des s es é cri me. E o cas ti go para qual quer cri me é tortura e morte. E l e deu um pas s o em s ua di reção. M eredi th s e recus ou a i r para trás , s eu es curo ol har fi xo no del e. — Ol ha, você nem percebe o que você tem que fazer s ó para entrar, — di s s e Damon fri amente. — Pri mei ro, você preci s a de um vampi ro — e você tem s orte de ter um. E ntão você tem que fazer todos os ti pos de coi s as que você não


vai gos tar — Se E l ena pode fazer i s s o, podemos fazer também— M eredi th i nterrompeu cal mamente. — E u não quero que nenhuma de vocês s e machuque. E u es tou i ndo por caus a de Stefan, — E l ena di s s e apres s adamente, fal ando em parte aos s eus ami gos e, em parte, ao núcl eo mai s profundo do s eu s er, onde as ondas de choque e os pul s os da el etri ci dade chegaram fi nal mente. Como uma fus ão es tranha, uma doçura l atej ante por al go que ti nha começado como um choque. Um choque feroz caus ado pel o s i mpl es toque da mão de outra pes s oa. E l ena afas tou s eus ol hos do ros to de Damon e vol tou para o argumento do por que es tava i ndo. — Você es tá i ndo por Stefan, s i m, — M eredi th es tava di zendo a el a, — e nós vamos com você. — E u es tou di zendo, você não vai g ostar. Você vai s e arrepender por — por s ua vi da, i s s o s i m, — Damon es tava fal ando s em rodei os , a s ua expres s ão s ombri a. Bonni e s i mpl es mente ol hou para Damon com s eus l argos e s upl i cantes ol hos cas tanhos em s eu ros to pequeno em formato de coração. Suas mãos es tavam entrel açadas na bas e da s ua garganta. E l a pareci a uma fotografi a em um cartão Hal l mark, E l ena pens ou. E s eus ol hos val i am mai s do que mi l argumentos l ógi cos . Fi nal mente, Damon ol hou para E l ena. — Você provavel mente es tá l evando-as para a morte, você s abe. Você, eu provavel mente poderi a proteger. M as você e Stefan, e s uas duas pequenas ami gas adol es centes ... Eu não posso. Ouvi r i s s o des s a forma foi um choque. E l ena não havi a pens ado ni s s o des s a forma. M as el a podi a ver a determi nação na mandí bul a de M eredi th e na forma que Bonni e ti nha s ubi do um pouco na ponta dos pés para tentar parecer mai or.


— E u acho que j á foi deci di do, — di s s e el a cal mamente, cons ci ente de que s ua voz tremeu. Houve um l ongo momento, enquanto ol hava para os ol hos es curos de Damon, e então de repente el e mos trou s eu s orri s o de 250 qui l owatts para todas el as , fechou-o tão rápi do quanto ti nha começado, e di s s e, — es tou vendo. Bem, nes s e cas o, eu tenho que fazer outra coi s a. E u pos s o não es tar de vol ta por um bom tempo, então s i ntam-s e à vontade para us ar o quarto. — E l ena deveri a vi r para o nos s o quarto, — di s s e M eredi th. — E u tenho mui to materi al para mos trar a el a. E s e não podemos l evar mui to com a gente, vamos ter ver tudo i s s o es ta noi te. — E ntão, vamos di zer que nos encontramos novamente aqui de madrugada, — di s s e Damon. — Nós parti remos para o Portal do Demôni o daqui . E l embrem-s e — não tragam di nhei ro; i s s o não é bom l á. E i s s o não s ão féri as — mas vocês vão perceber i s s o em breve. Com um ges to i rôni co e graci os o, el e entregou a bol s a de E l ena a el a. — O Portal do Demoni o?B onni e di s s e enquanto el as i am para o el evador. Sua voz tremeu. — Cal ma, — di s s e M eredi th. — É apenas um nome. E l ena des ej ou não perceber tão bem quando M eredi th es tava menti ndo.


12 E l ena bus cou por s i nai s do amanhecer através das bordas da corti na da j anel a do quarto de hotel . Bonni e es tava enrol ada, cochi l ando em uma cadei ra perto da j anel a. E l ena e M eredi th es ti veram acordadas por toda a noi te , e agora es tavam cercadas por i mpres s os da i nternet de j ornai s e fotos . — Já s e es pal hou para al ém Fel l ' s Church, — M eredi th expl i cou, apontando para um arti go em um dos papéi s . E u não s ei s e es tá s egui ndo as l i nhas de Poder, ou s e es tá s endo control ado por Shi ni chi — ou s e es tá apenas s e des l ocando por conta própri a , como um paras i ta — — Você tentou contatar o Al ari c? M eredi th ol hou para a fi gura adormeci da de Bonni e. E l a fal ou bai xi nho, — E s s a é a boa notí ci a. E u es ti ve tentando encontral o por um l ongo tempo, e fi nal mente cons egui . E l e es tá chegando em Fel l ' s Church em breve — el e s ó tem que fazer mai s uma parada em um l ugar, pri mei ro — E l ena res pi rou fundo. M ai s uma parada é real mente mai s i mportante do que o que es tá acontecendo na ci dade? — É por i s s o que não contei a Bonni e que el e es tava vi ndo. Se quer a M att. E u s abi a que el es não entenderi am. M as ... eu vou dar-l he uma pi s ta s obre que ti po de l endas el e es tá ras treando no E xtremo Ori ente — M eredi th fi xou s eus ol hos negros em E l ena. — Não... é i s s o, não é não? Ki tsune? — Si m, el e es tá i ndo para um l ugar mui to anti go, onde el es s upos tamente des truí ram a ci dade... As s i m como em Fel l ’s Church. Não há mai s ni nguém vi vendo l á agora. O nome — Unmei No Shi ma — s i gni fi ca Il ha da M orte. Tal vez el e encontre al go i mportante s obre es pí ri tos de rapos a l á. E l e es ta fazendo al gum ti po de es tudo i ndependente, mul ti cul tural com Sabri na Del l .


E l a é da i dade de Al ari c, mas el a j á é uma famos a antropól oga forens e. — — E você não es tá com ci úmes ?E l ena di s s e des aj ei tadamente. Ques tões pes s oai s eram di fí cei s de fal ar com M eredi th. Perguntar-l he coi s as pes s oai s s empre a fez s e s enti r i ndi s creta. — Bem — M eredi th j ogou s ua cabeça para trás . Não é como s e es ti ves s emos em um rel aci onamento s éri o — — M as você nunca contou a ni nguém s obre tudo i s s o. M eredi th bai xou a cabeça e deu uma ol hada rápi da em E l ena. — E u contei agora, — el a afi rmou. Por um momento, as meni nas s e s entaram j untas em s i l ênci o. E ntão E l ena di s s e bai xi nho, — O Shi No Shi , ki ts une, Is obel Sai tou, Al ari c e a s ua Il ha da M orte — el es podem não ter nada a ver uns com os outros . M as s e el es ti verem al go, eu es tou certa de que vamos des cobri r o que é. — E eu vou aj udar, — di s s e M eredi th s i mpl es mente. — M as eu pens ei que depoi s que me formas s e... E l ena não aguentava mai s . M eredi th, eu l he prometo, que l ogo que res gatarmos Stefan e a ci dade s e acal mar, nós vamos fazer Pl anos de A a Z até você prender Al ari c— el a di s s e. E l a s e i ncl i nou e bei j ou a bochecha de M eredi th. — É um j uramento de i rmandade vel oci raptor, ok? M eredi th pi s cou duas vezes , engol i u o nó na garganta, e s us s urrou, — Okay — E então, abruptamente, el a es tava no control e de s í novamente. Obri gada— el a di s s e. M as l i mpar a ci dade não vai s er um trabal ho tão fáci l . O caos em mas s a s e propagou por l á — — E M att queri a es tar no mei o de tudo i s s o? Sozi nho?E l ena perguntou. — Como di s s emos , el e e a Sra. Fl owers formam uma equi pe s ól i da— di s s e M eredi th s i l enci os amente. — Foi i s s o que el e es col heu —


— Bem, — E l ena di s s e s ecamente, — el e pode vi r a ter o mel hor negóci o no fi nal , depoi s de tudo. E l as vol taram para os papéi s es pal hados . M eredi th pegou vári as fotos de s antuári os de Ki ts une no Japão. — Di z que el es s ão geral mente repres entados com uma ' j ói a’ ou uma chave. E l a ergueu uma i magem de um ki ts une s egurando uma chave em s ua boca na porta pri nci pal do Santuári o de Fus hi mi . — Aha, — di s s e E l ena. — Parece que a chave tem duas as as , não é? — E xatamente o que Bonni e e eu pens amos . E as ' j ói as ’... bem, ol he mai s de perto — E l ena ol hou e s eu es tômago s e contrai u. Si m , era como o — gl obo da neve — que Shi ni chi havi a us ado para cri ar as armadi l has i nquebravei s no Anti go Bos que. — Nós des cobri mos que el es s ão chamados hoshi no tama, — di s s e M eredi th. — E i s s o s e traduz em — Bol as E s trel a. Cada ki ts une col oca uma quanti dade de s eu poder em cada uma del as , j untamente com outras coi s as , e des trui r as bol as é a úni ca forma de matá-l os . Se você encontrar a Bol a E s trel a de um ki ts une, você pode control ar a ki ts une. É i s s o que Bonni e e eu pretendemos fazer — — M as como vocês vão encontrar i s s o? E l ena perguntou, exci tada com a i dei a de control ar Shi ni chi e M i s ao. — Sa... M eredi th di s s e, pronunci ando a pal avra — s ah — como um s us pi ro. E ntão el a deu um dos s eus raros s orri s os radi antes . — E m j aponês , i s s o s i gni fi ca, ’E u me pergunto; humm; não gos tari a de comentar; M eu Deus , M eu Deus , eu real mente não poderi a di zer.’ Nós poderí amos us ar uma pal avra como es s a em Ingl ês . Apes ar de s i mes ma, E l ena ri u. — M as , outras hi s tóri as di zem que ki ts une pode s er morto pel o Pecado


Do Arrependi mento ou por armas abençoadas . E u não s ei o que é Pecado do Arrependi mento, mas .. E l a remexeu em s ua bagagem, e pegou um anti quado, mas úti l revól ver para o futuro. — M eredi th! — — E ra do meu avô — uma de um par. M att es tá com o outro. E l es es tão carregados com bal as abençoadas por um padre. — M as que padre no mundo benzeri a balas, pel o amor de Deus ?E l ena exi gi u. O s orri s o de M eredi th s e tornou s arcás ti co. Aquel e que percebe o que es tá acontecendo em Fel l ’s Church. Você s e l embra de como Carol i ne fez com que Is obel Sai tou fos s e pos s uí da, e o que el a fez a s í mes ma? E l ena as s enti u. E u me l embro— el a di s s e. — Bem, você s e l embra de que contamos que Obaas an — Avó Sai tou — ti nha pertenci do a um Santuári o de Vi rgens ? É uma s acerdoti s a j apones a. Ela abençoou as bal as para nós , tudo bem, es peci fi camente para matar ki ts unes . Você devi a ter vi s to como o ri tual foi as s us tador. Bonni e quas e des mai ou de novo — — Você s abe como Is obel es tá agora? M eredi th bal ançou s ua cabeça es cura l entamente. M el hor, mas ... E u não acho que el a s ai ba s obre Ji m ai nda. Is s o vai s er mui to duro para el a — E l ena tentou s e i mpedi r de tremer. Não havi a nada al ém de tragédi a na vi da de Is obel , bem quando el a es tava bem. Ji m Bryce, s eu namorado, ti nha apenas pas s ado uma noi te com Carol i ne, mas agora el e ti nha Sí ndrome de Les ch-Nye- ou s ej a l á o que os médi cos di zem. Na mes ma terrí vel noi te em que Is obel ti nha s e perfurado em toda parte, e cortado a s ua l í ngua como s e el a ti ves s e s i do bi furcada, Ji m, um l i ndo j ogador de bas quete ti nha comi do s eus própri os dedos e l ábi os . Na opi ni ão de E l ena, ambos es tavam pos s uí dos , e


s eus feri mentos eram mai s uma razão para que os gêmeos ki ts une s ej am deti dos . — Nós vamos detê-l os — E l ena di s s e em voz al ta, M eredi th s egurando ambas s uas mãos pel a pri mei ra vez, como s e E l ena fos s e Bonni e. E l ena fi ngi u des mai ar, mas deu um s orri s o determi nado para M eredi th. Nós vamos res gatar Stefan, e nós deteremos Shi ni chi e M i s ao. Nós temos que cons egui r — Agora foi M eredi th quem concordou. — Há mai s — fi nal mente di s s e. Você quer ouvi r? — E u preci s o s aber de tudo — — Bem, todas as fontes eu veri fi quei concordam que a ki ts une pos s ui as meni nas e, então, gui a os meni nos para a des trui ção. Que ti po de des trui ção, depende da forma como você vê. Pode s er s i mpl es como al guma coi s a obs cura que o gui a a um pantano ou a pul ar de um penhas co, ou al go mai s di fi ci l , como a metamorfos e — — Oh s i m— E l ena di s s e com fi rmeza. — E u entendi i s s o des de o que aconteceu com você e Bonni e. E l es podem parecer exatamente como uma pes s oa — — Si m, mas s empre com al guma pequena fal ha, s e você ti ver a i ntel i gênci a para perceber i s s o. E l es nunca podem fazer uma repl i ca perfei ta. M as el es podem ter até nove caudas , e quanto mai s caudas el es têm, mel hores em tudo el es s ão. — Nove? Fantás ti co. Nós nunca vi mos um com nove caudas . — Bem, nós temos o que apreender, ai nda. E l es s upos tamente s ão capazes de cruzar um mundo para o outro l i vremente. Ah s i m, e el es s ão es peci fi camente res pons ávei s pel o Portal ‘IKi mon’ entre as di mens ões . Quer adi vi nhar a tradução di s s o? E l ena a encarava. Oh não —


— Ah s i m — — M as por que Damon es tá nos fazendo cruzar o paí s apenas para chegar ao Portal do Demôni o que é control ado pel o es pí ri to de rapos a? — Sa... M as quando M att nos di s s e que você es tava i ndo para al gum l ugar perto de Sedona, foi o que fez Bonni e e eu nos deci di rmos — — Óti mo. E l ena pas s ou as mãos pel os cabel os e s us pi rou. — M ai s al guma coi s a?E l a perguntou, s enti ndo-s e como um el ás ti co que es tava es ti cado ao máxi mo. — Só i s s o — o que deveri a real mente fazer você es quentar s eus mi ol os — depoi s de tudo o que pens amos . Al guns del es s ão bons . Ki ts unes , eu quero di zer. — Al guns del es s ão bons — bons como? Bons l utadores ? Bons as s as s i nos ? Bons menti ros os ? — Não, verdade, E l ena. Al guns del es s upos tamente s ão como deus es e deus as quem tes tam você, e s e você pas s ar no tes te el es te recompens am. — Você acha que devemos contar em encontrar com um des s es ? — Não de verdade — E l ena dei xou cai r s ua cabeça para mes a do café, onde os i mpres s os de M eredi th es tavam es pal hados . M eredi th, s i nceramente, como vamos l i dar com el es após chegarmos ao Portal do Demôni o? M eu Poder é tão confi ável quanto uma bateri a fraca. E não é s ó os ki ts unes , s ão todos os di ferentes demôni os e vampi ros — os Anti gos , também! O que nós faremos? E l a ergueu a cabeça, e ol hou profundamente para os ol hos da ami ga — aquel es ol hos es curos que el a nunca ti nha s i do capaz de di zer de qual cor eram. Para s ua s urpres a, M eredi th ao i nvés de parecer cal ma, engol i u o res tante de uma Coca Zero e s orri u.


— Nenhum Pl ano A, ai nda? — Bem... tal vez s ó uma i déi a. Ai nda nada concreto. E quanto a você? — Al gumas coi s as boas para Pl anos B e C. E ntão o que nós vamos fazer é o que nós s empre fazemos — tentar o nos s o mel hor, e cai r em ci ma de nós mes mos , e cometer erros até que você faça al go geni al que pos s a nos s al var — — M erry M eredi th pi s cou. E l ena s abi a o porquê. E l a não us ava es s e di mi nuti vo para M eredi th há tantos anos que el a não podi a nem s e l embrar. Nenhuma das três garotas gos tava de apel i dos , e mui to menos os us avam. E l ena es tava s éri a enquanto s us tentava o ol har de M eredi th, — Não há nada que eu quei ra mai s al ém de s al var todos — todos daquel es ki ts unes bas tardos . E u dari a mi nha vi da por Stefan e todos vocês ... M as des s a vez pode s er que al guém mai s tome uma bal a — — Ou uma es tacada. E u s ei . Bonni e s abe. Nós convers amos s obre i s s o enquanto voávamos até aqui . M as ai nda es tamos com você E l ena. Você tem que s aber di s s o. E s tamos todos com você — Havi a apenas um j ei to de res ponder a i s s o. E l ena agarrou ambas as mãos de M eredi th. E ntão el a dei xou s ua res pi ração s ai r, e, como uma dor no dente, tentou obter i nformações s obre um as s unto del i cado. Como M att — el e — como es tava M att quando você o dei xou? M eredi th ol hou para outra di reção. Não mui to i ncomum para M eredi th. E l e pareci a bem, porém... di s traí do. E l e fi cava encarando o nada, e el e não te ouvi a quando convers ava com el e — — E l e l he contou o porquê de parti r? — Bem... mai s ou menos . E l e di s s e que Damon es tava te hi pnoti zando e que você não es tava — não es tava fazendo tudo o que podi a para i mpedi -l o. M as el e é um garoto, e garotos tem ci úmes .. — — Não, el e es tava certo s obre o que vi u. É s ó que eu — conheço Damon


um pouco mel hor. E M att não gos ta di s s o — — Uh-hum— M eredi th a obs ervava com as pál pebras entreabertas , res pi rando fracamente, como s e E l ena fos s e um pas s ari nho que voari a para l onge s e fos s e perturbado. E l ena ri u. Não é nada rui m— el a di s s e. Pel o menos não pens o as s i m. É s ó que... de certa forma, Damon preci s a de mai s aj uda do que Stefan quando chegou a Fel l ’s Church — Os ol hos cas tanhos de M eredi th s e arregal aram, mas tudo o que el a di s s e foi , — Uh- hum — — E ... eu acho que Damon s e parece mui to mai s com Stefan do que el e dei xa trans parecer — Os ol hos de M eredi th es tavam atentos . E l ena fi nal mente ol hou para el a. E l ena começou a fal ar uma ou duas vezes , mas por fi m apenas encarou M eredi th. E u es tou enras cada, não é?, el a di s s e des amparada. — Se i s s o tudo aconteceu apenas andando de carro com el e por uma s emana... então s i m. M as não podemos es quecer que mul heres s ão a es peci al i dade de Damon. E el e pens a que es tá apai xonado por você — — Não, el e real mente es tá E l ena começou, mas mordeu s eu l ábi o i nferi or. Oh Deus , é s obre Damon que es tamos falando. E u estou mes mo enras cada — — Vamos apenas ver o que acontece— M eredi th di s s e, s ens atamente. E l e defi ni ti vamente mudou, também. Antes , el e teri a di to que s eus ami gos não poderi am vi r — e pronto. Hoj e, el e fi cou por perto, e es cutou — — Si m. E u s ó tenho que — fi car em guarda agora— E l ena di s s e um pouco i ns tável . Como el a i a poder aj udar a cri ança do i nteri or de Damon, s e el a não puder chegar perto del e? E como el a poderi a expl i car es s a neces s i dade ara Stefan?


— Provavel mente vai dar tudo certo— murmurou Bonni e s onol enta. M eredi th e E l ena s e vi raram para ol har para el a e E l ena s enti u um arrepi o l he s ubi r pel a es pi nha. Bonni e es tava s entada mei o recos tada, mas s eus ol hos es tavam fechados e s ua voz era i ndi s ti nta. A verdadei ra ques tão é: O que Stefan vai di zer s obre aquel a noi te no hotel com Damon? — O que?A voz de E l ena es tava al ta e aguda o s ufi ci ente para acordar qual quer dormi nhoco. M as Bonni e não s e moveu. — O que aconteceu emque noi te e emque hotel ?M eredi th exi gi u. E l ena não a res pondeu i medi atamente, el a agarrou o braço de E l ena, e a vi rou de modo que fi cas s em cara a cara. E l a fi nal mente ol hou para ami ga. M as s eus ol hos , el a s abi a, não expres s avam nada. — E l ena, do que el a es tá fal ando? O que aconteceu comDamon? E l ena manteve s eu ros to perfei tamente s em expres s ões , e us ou uma pal avra que ti nha aprendi do noi te pas s ada. Sa.. — — E l ena, você es tá i mpos s í vel ! Você não vai chutar Stefan após res gatá-l o, não é? — Não, é claro que não— E l ena es tava magoada. — Stefan e eu fi caremos j untos ... para s empre — — M as você pas s ou uma noi te com Damon, e al guma coi s a aconteceu entre vocês — — Al guma coi s a... eu s uponho — — E essa alg uma coi sa, foi ? E l ena s orri u, s e des cul pando. — Sa.. — — E u vou arrancar i s s o del e! Vou col ocá-l o na defens i va.. — — Você pode fazer um Pl ano A e um Pl ano B e tudo mai s — E l ena di s s e.


M as não vai funci onar. Shi ni chi l he roubou es s a memóri a. M eredi th, eu s i nto mui to... Você não s abe o quanto eu l amento. M as eu j urei que ni nguém s aberi a di s s o — E l a ol hou para a garota mai s al ta, e s enti u s eus ol hos s e i nundarem de l ágri mas . Você pode — apenas uma vez — dei xar i s s o des s e j ei to? M eredi th afundou na cadei ra. E l ena Gi l bert, o mundo é s ortudo por exi s ti r apenas uma de você. Você é a.. E l a paus ou, deci di ndo s e di ri a ou não as pal avras . E ntão el a di s s e, — E s tá na hora de i r para cama. O amanhecer es tá próxi mo, e então tem o Portal do Demôni o... — M erry? — O que é agora? — Obri gada...


13 O portal do Demôni o. E l ena ol hou por ci ma do ombro para o banco de trás do Pri us . Bonni e es tava pi s cando s onol enta. M eredi th, que ti nha cons egui do dormi r mui to menos , mas ouvi u mui to mai s notí ci as al armantes , es tava parecendo uma l âmi na de barbear: cortante, afi ada como gel o, e pronta. Não havi a mai s nada a ver, exceto Damon com s eus s acos de papel no banco ao l ado del e, conduzi ndo o Pri us . Fora das j anel as , onde a ári da madrugada do Ari zona ofus cava a es trada no hori zonte, não havi a nada al ém da névoa. Is s o era as s us tador e des concertante. E l es ti nham tomado uma pequena es trada fora da Rodovi a 179 e, gradati vamente, o nevoei ro creceu, envi ando redemoi nhos de névoa ao redor do carro e, fi nal mente, engol i ndo-o i ntei ro. Pareci a para E l ena que el es es tavam s endo del i beradamente arrancados do vel ho e comum mundo de M cDonal d’s e Target, e es tavam cruzando a frontei ra para um l ugar que não foram fei tos para conhecer, mui to menos adentrar. Não havi a tráfego na outra di reção. Nada mes mo. E por mai s forte E l ena ol has s e para fora da j anel a, era como tentar ol har através de nuvens em movi mento rápi do. — Não es tamos i ndo rápi do demai s ?Bonni e perguntou, es fregando os ol hos . — Não, — di s s e Damon. — Seri a — uma notável coi nci dênci a — s e al guém mai s es ti ves s e na mes ma rota ao mes mo tempo que nós . — Is s o s e parece mui to com o Ari zona— di s s e el a, decepci onada. — Pode ser o Ari zona, por tudo que eu s ei , — Damon res pondeu. — M as nós não cruzamos o Portal ai nda. E i s s o não é qual quer l ugar no Ari zona onde você poderi a s i mpl es mente entrar aci dental mente. O cami nho s empre tem s eus pequenos truques e armadi l has . O probl ema é que você nunca s abe o que você vai enfrentar.


— Agora es cutem, — acres centou el e, ol hando para E l ena com uma expres s ão que el a j á conheci a. E l a queri a di zer: eu não es tou bri ncando; es tou fal ando com você como um i gual ; eu es tou fal ando séri o. — Você fi cou mui to boa em mos trar apenas a aura do tamanho de um humano, — di s s e Damon. — M as i s s o s i gni fi ca que s e você pode aprender mai s uma coi s a antes de entrar, você pode real mente usar a s ua aura, us á-l a para fazer al go bom quando você preci s ar, em vez de apenas es condê-l a até que el a fi que fora de control e e l evante três mi l qui l os de carros . — Que ti po de coi s a boa? — Como o que eu vou mos trar para você. Antes de mai s nada apenas rel axe e dei xe-me control ar. Depoi s , pouco a pouco, vou afrouxar os control es e vai tomá-l os . Ao fi nal , você deve s er capaz de envi ar s eus poderes para s eus ol hos e ver mui to mel hor, para os s eus ouvi dos e ouvi r mui to mel hor, para s eus membros e s e mover mui to mai s rápi do e com preci s ão. Tudo bem? — Você não poderi a ter me ens i nado i s s o um pouco antes de começarmos es s a excurs ão? E l e s orri u para el a, um i mprudente s orri s o s el vagem que a fez s orri r também, mes mo el a não s abendo do que s e tratava. — Até que você mos tras s e o quão bem você pode control ar s ua aura por todo o cami nho — o cami nho até aqui — eu não pens ei que você es tava pronta, — di s s e el e s em rodei os . — Agora eu s ei . Há coi s as em s ua mente apenas es perando para s er des bl oqueadas . Você vai entender quando des bl oqueá-l as . E nós vamos des bl oqueá-l as — com o que? Um bei j o? E l ena pens ou des confi ada. — Não. Não. E es s e é o outro moti vo você tem que aprender i s s o. Sua tel epati a es tá fi cando fora de control e. Se você não aprender a parar de proj etar s eus pens amentos , você nunca vai pas s ar no pos to de i ns peção do Portal como


um s er humano. Pos to de i ns peção. Is s o s oou ameaçador. E l ena bal ançou a cabeça e di s s e, — Tudo bem, vamos fazer o quê? — O que fi zemos antes . Como eu di s s e, rel axe. Tente confi ar em mi m. E l e col ocou s ua mão di rei ta no l ado es querdo do s eu pei to, s em tocar no pano de s eu top dourado. E l ena pôde s enti r-s e rubori zando, e el a perguntou o que Bonni e e M eredi th devem pens ar di s s o. E , em s egui da, E l ena s enti u al go di ferente. Não era fri o, não era quente, mas era al go como o mai s extremo dos doi s . E ra puro Poder. Is s o poderi a ter nocauteado-a s e Damon não es ti ves s e s egurando-a pel o braço com a outra mão. E l a pens ou, el e es tá us ando s eu própri o poder para aperfei çoar o meu, para fazer al go— — Al go que dói — Não! E l ena tentou, vocal e tel epati camente, di zer a Damon que o Poder era demai s , que machucava. M as Damon i gnorou s eu pedi do as s i m como i gnorou as l ágri mas que derramavam s obre s eu ros to. Seu poder es tava l i derando o del a agora, dol oros amente, em todo s eu corpo. E s tava em s ua corrente s anguí nea, arras tando s eu própri o poder atrás do del e, como a cauda de um cometa. E s tava forçando-a a l evar o Poder para di ferentes partes do s eu corpo e dei xá-l o cri ar e cons trui r al i , não dei xando-a exal á-l o, não dei xando-a mover-l o. E u vou expl odi r— Todo es s e tempo s eus ol hos es tavam fi xados nos de Damon, trans mi ti ndo s eus s enti mentos a el e: de rai va i ndi gnada ao choque da dor agoni zante — e agora... Sua mente expl odi u. O res to de s eu poder pas s ou a andar em cí rcul os , s em caus ar qual quer


dor. Cada novo fôl ego que el a tomou adi ci onou mai s poder a el a, mas i s s o s i mpl es mente ci rcul ava através de s eu s angue, s em aumentar s ua aura, mas aumentando a energi a que es tava dentro del a. Depoi s de mai s duas ou três res pi rações rápi das el a percebeu que el a es tava fazendo i s s o s em es forço. Agora o Poder de E l ena não es tava s i mpl es mente des l i zando s uavemente dentro del a, parecendo de fora como qual quer outro s er humano. Foi também preenchendo vári os nódul os i nchados es tourados dentro del a e onde i s s o aconteci a, coi s as mudavam. E l a percebeu que es tava ol hando para Damon com os ol hos redondos . E l e poderi a ter di to a el a o que i s s o a i ri a fazer s enti r, ao i nvés de dei xál a i r às cegas . Você

realmente

é

um bastardo total, não é?

Pens ou

E l ena,

e,

s urpreendentemente, el a podi a s enti r Damon receber o pens amento, e pode s enti r a s ua res pos ta automáti ca, que es tava al egremente de acordo, e não o contrári o. E ntão E l ena es queceu del e no al vorecer de um novo entendi mento. E l a es tava percebendo que poderi a manter o s eu Poder ci rcul ando dentro del a, e até mes mo cons truí -l o mai s e mai s , preparando-s e para verdadei ra expl os ão, e não mos trar nada do que es tava fazendo na s uperfí ci e. E quanto aos nódul os ... E l ena ol hou à s ua vol ta no que há poucos mi nutos ti nha s i do um des erto es téri l . E ra como ati rar bal as de l uz através de ambos os ol hos . E l a fi cou des l umbrada; el a es tava encantada. As cores pareci am vi r à vi da em uma gl óri a dol oros a. E l a achava que podi a ver mui to mai s l onge do que j á vi u, mai s e mai s dentro do des erto, e ao mes mo tempo, el a podi a di s ti ngui r as pupi l as de Damon de s ua í ri s .


Ora, el as s ão pretas , mas tons di ferentes de preto, el a pens ou. Cl aro, el as cami nham j untas — Damon nunca teri a í ri s que não compl ementas s em s uas pupi l as . M as a í ri s é mai s avel udada, enquanto s uas pupi l as eram mai s s edos as e bri l hantes . E ai nda as s i m, é um vel udo que pode reter a l uz dentro del e — quas e como o céu noturno com es trel as — como as Bol as E s trel a da ki ts une que M eredi th me fal ou. Nes te momento as pupi l as es tavam bem defi ni das e fi xadas em s eu ros to, como s e Damon não qui s es s e perder um momento de s ua reação. De repente, o canto de s eus l ábi os curvaram em um s orri s o. — Você cons egui u. Você aprendeu a canal i zar s ua energi a para os s eus ol hos . E l e fal ou em um s us s urro que el a não poderi a ter detectado antes . — E para os meus ouvi dos , — el a s us s urrou de vol ta, ouvi ndo a s i nfoni a i ncrí vel de s ons mi nús cul os em torno del a. Al to no ar, um morcego gui nchou em uma freqüênci a mui to al ta para qual quer ouvi do humano normal notar. As s i m como a queda de grãos de arei a ao redor del a, el es formaram al go pareci do com um mi ni concerto enquanto bati am contra a rocha e s al tavam com um pequeno s i bi l o antes de cai r no chão. Isso é i ncrí vel, di s s e a Damon, ouvi ndo a pres unção de s ua própri a voz tel epáti ca. E eu posso falar com você desse j ei to a qualquer momento? E l a teri a que tomar cui dado para que a tel epati a não ameaças s e revel ar mai s do que el a podi a querer envi ar a um des ti natári o. É melhor ter cui dado, Damon concordou, confi rmando s uas s us pei tas . E l a envi ou mai s do que el a pretendi a. Mas Damon — B onni e pode fazer i sso também? Devo tentar mostrar a ela? — Quem s abe?Damon res pondeu em voz al ta, fazendo E l ena es tremecer. — E ns i nar os humanos a como us ar o Poder não é exatamente o meu forte. E os meus di ferentes Poderes de Asas? Serei capaz de controlá-los, ag ora ? — Sobre i s s o eu não tenho abs ol utamente nenhuma i déi a. E u nunca vi


nada pareci do. Damon fi cou pens ati vo por um i ns tante e depoi s s acudi u a cabeça. — E u acho que você preci s a de al guém com mai s experi ênci a que eu para l he ens i nar a control á-l os . Antes que E l ena pudes s e di zer qual quer coi s a, el e acres centou, — É mel hor vol tar para os outros . E s tamos quas e no portal . — E eu s uponho que eu não deveri a es tar us ando a tel epati a então. — Bem, i s s o é uma oferta bem óbvi a. — M as você vai me ens i nar mai s tarde, não vai ? Tanto quanto você s abe s obre como control ar o poder? — Tal vez o s eu namorado deves s e es tar fazendo i s s o, — di s s e Damon quas e rudemente. E l e es tá com medo, pens ou E l ena, tentando manter s eus pens amentos ocul tos s ob uma parede de ruí do branco, para Damon não captá-l os . E l e tem medo de que vá revel ar mui to para mi m a ponto de eu ter medo del e.


14 M ui to bem — di s s e Damon, enquanto E l ena al cançava Bonni e e M eredi th. — Agora vem a parte compl i cada. M eredi th ol hou para el e. — Ag ora vem... — Si m. A parte real mente di fí ci l . — Damon fi nal mente ti nha aberto o zí per de s ua mi s teri os a bol s a de couro preta. — E s cutem — di s s e el e num murmúri o bai xo —, é por es te Portal que temos de atraves s ar. E podem dar o ataque que qui s erem, mas todas vocês têm que fi ngi r que s ão mi nhas es cravas . — E l e pegou vári os pedaços de corda. E l ena, M eredi th e Bonni e s e uni ram numa demons tração i ns tantânea de ami zade. — Para que... — di s s e M eredi th devagar, como s e qui s es s e dar a Damon o úl ti mo benefí ci o da dúvi da — ... s ão es s as cordas ? Damon tombou a cabeça de l ado em um ges to de “me poupe.” — São para amarrar s uas mãos . — Por quê? E l ena fi cou s urpres a. Nunca vi ra M eredi th com tanta rai va. E l a mes ma não teve oportuni dade de fal ar. M eredi th j á es tava a 10 centí metros de Damon, encarando-o. E os ol hos del a eram ci nza! , excl amou, em al guma parte di s tante, a mente de E l ena, as s ombrada. De um ci nza-cl aro i ntens o. Durante todo es s e tempo eu pens ei que eram cas tanhos mas não s ão. E nquanto i s s o, Damon ol hava mei o al armado para a expres s ão de M eredi th. Um Ti ranossauro rex teri a fi cado as s us tado com a expres s ão de M eredi th, pens ou E l ena. — E es pera que a gente ande por aí de mãos amarradas ? E nquanto i s s o, você faz o quê?


— E nquanto aj o como s eu dono — di s s e Damon, refazendo-s e de repente com um s orri s o gl ori os o que s umi u rapi damente. — Vocês três s ão mi nhas es cravas . Houve um tempo de s i l ênci o des confortável . E l ena afas tou a pi l ha de cordas com um ges to. — Não vamos fazer i s s o — di s s e el a categori camente. — Não vamos . Deve haver outra manei ra... — Quer li bertar Stefan ou não? — perguntou Damon de repente. Havi a um cal or abras ador nos ol hos negros que el e fi xava em E l ena. — É cl aro que quero! — rebateu E l ena rapi damente, s enti ndo um cal or em s eu ros to. — M as não como es crava, arras tada por você! — É a úni ca manei ra de qual quer humano entrar na Di mens ão das Trevas — res pondeu Damon. — Pres os , como propri edade de um vampi ro, ki ts une ou demôni o. M eredi th bal ançava a cabeça. — Você nunca nos di s s e... — E u di s s e que vocês não i am gos tar! Ao res ponder a M eredi th, os ol hos de Damon não des grudaram de E l ena. Por bai xo de s ua pura fri eza, el e pareci a es tar s upl i cando a el a que compreendes s e, pens ou E l ena. Se fos s e há al gum tempo, el a refl eti u, Damon teri a s i mpl es mente s e recos tado em uma parede e ergui do as s obrancel has , di zendo: “Tudo bem; não quero i r mes mo. Quem quer fazer um pi queni que?” M as el e queri a que el as fos s em, percebeu E l ena. E s tava des es perado para que concordas s em. Só não s abi a a mel hor manei ra de trans mi ti r i s s o. O úni co j ei to que conheci a era aquel e. — Você tem que nos prometer uma coi s a, Damon — di s s e E l ena, ol hando nos ol hos del e. — E tem que s er agora.


E l a podi a ver o al í vi o nos ol hos de Damon, mes mo que para as outras meni nas o ros to del e es ti ves s e perfei tamente fri o e i mpas s í vel . E l a s abi a que el e es tava fel i z por el a não di zer que s ua deci s ão anteri or era defi ni ti va e ponto fi nal . — Prometer o quê? — perguntou Damon. — Terá que j urar... dar a s ua pal avra... que i ndependentemente de deci di rmos entrar ou não na Di mens ão das Trevas agora, você não vai tentar nos i nfl uenci ar. Não vai nos col ocar para dormi r, nem nos i nci tar a fazer o que você quer. Não vai us ar nenhum truque de vampi ro em nos s a mente. Damon não s eri a Damon s e não di s cuti s s e. — M as ol ha s ó, i magi ne que você quei ra que eu faça i s s o... Pode s er mel hor pas s ar por umas coi s as l á dormi ndo... — E ntão nes s e cas o vamos di zer que mudamos de i dei a, e vamos l i berar você da promes s a. E ntendeu? Não tem o que di s cuti r. Vai ter que j urar. — Tudo bem — di s s e Damon, ai nda s us tentando o ol har. E u j uro não us ar nenhum ti po de Poder na mente das três ; não vou i nfl uenci ar vocês de manei ra al guma, a não s er que me peçam. Dou a mi nha pal avra. — M ui to bem. — Por fi m E l ena des vi ou os ol hos com o menor dos s orri s os e um l eve as s enti r. E Damon as s enti u também. E l a s e afas tou para s e ver ol hando nos ol hos cas tanhos , i ndagati vos e arregal ados de Bonni e. — E l ena — s us s urrou Bonni e, puxando o braço da ami ga. — Venha aqui um mi nuti nho, es tá bem? — E l ena mal pôde evi tar. Bonni e era forte como um pequeno pônei . E l ena foi , l ançando um ol har i mpotente para Damon por s obre o ombro. — O que foi ? — s us s urrou el a quando Bonni e fi nal mente parou de arras tá-l a. M eredi th vi nha l ogo atrás , i magi nando s er as s unto da i rmandade


vel oci raptor. — E então? — E l ena — des abafou Bonni e, como s e fos s e i ncapaz de conti nuar repri mi ndo as pal avras —, você e Damon agem como s e... Vocês es tão di ferentes . Anti gamente vocês não... Quero di zer, o que realmente aconteceu entre vocês quando es tavam s ozi nhos ? — Não é hora para i s s o — s i bi l ou E l ena. — E s tamos com um probl emão aqui , cas o não tenha percebi do. — M as ... e s e... M eredi th compl etou a fras e, ti rando uma mecha de cabel os pretos dos ol hos . — E s e for al go de que Stefan não vá gos tar? Como “o que aconteceu com Damon quando vocês es tavam s ozi nhos no hotel naquel a noi te”? — concl ui u, ci tando as pal avras de Bonni e. A boca de Bonni e s e es cancarou. — Que hotel ? Que noi te? O que aconteceu? — E l a es tava prati camente gri tando, o que fez M eredi th s er mordi da quando tentou cal á-l a. E l ena ol hou pri mei ro para uma, depoi s para outra — duas ami gas que vi eram morrer com el a, s e neces s ári o. E l a podi a s enti r a res pi ração fi car mai s fraca. E ra tão i nj us to, mas ... — Podemos di s cuti r i s s o depoi s ? — s ugeri u, tentando trans mi ti r com a expres s ão que Damon podi a ouvi r! Bonni e s e l i mi tou a s us s urrar: — Que hotel ? Que noi te? O que... E l ena des i s ti u. — Não aconteceu nada — res pondeu categori camente. — M eredi th s ó es tá ci tando você, Bonni e. Você di s s e es s as pal avras na noi te pas s ada, quando es tava dormi ndo. E tal vez no futuro você vá nos contar o que es tava fal ando, porque eu não sei .


E l a termi nou ol hando para M eredi th, que ti nha ergui do uma s obrancel ha perfei ta. — Tem razão — di s s e M eredi th, compl etamente des i l udi da. — Nos s a l í ngua podi a mes mo ter uma pal avra como “s a”. Dei xa-as convers as mui to mai s curtas , para começar. Bonni e s us pi rou. — Tá l egal , então, vou des cobri r s ozi nha — di s s e el a. — Pode achar que não s ou capaz, mas vou. — Tudo bem, tá, mas enquanto i s s o al guém tem al go de úti l a di zer s obre a i dei a de Damon nos amarrar? — Ti po di zer a el e onde enfi ar es s e troço? — s ugeri u M eredi th à mei avoz. Bonni e s egurava um pedaço da corda. Pas s ou nel a a mãozi nha de pel e cl ara. — Não acho que foi comprada por rai va — di s s e el a, os ol he cas tanhos des focados e a voz as s umi ndo o tom mei o s i ni s tro que s empre adqui ri a quando el a es tava em trans e. — Vej o um meni no e uma meni na, j unto ao bal cão de uma l oj a de ferragens ... E l a es tá ri ndo e o meni no di z, “Apos to qual quer coi s a que o que você vai fazer na es col a no ano que vem tem a ver com arqui tetura”, e a meni na, com o ol har vago, di z, s i m, e... — E es s a é toda a es pi onagem paranormal de hoj e. — Damon ti nha s e aproxi mado del as s em fazer barul ho. Bonni e deu um s al to e quas e l argou a corda. — E s cutem — conti nuou Damon com as pereza —, a úl ti ma traves s i a fi ca a cem metros daqui . Ou vocês us am i s to e ag em como es cravas ou não entram para aj udar Stefan. Nunca. E ponto. E m s i l ênci o, as meni nas trocaram ol hares . E l ena s abi a que s ua


expres s ão di zi a cl aramente que el a não i a pedi r a Bonni e ou M eredi th que a acompanhas s em, mas que el a mes ma i a, s e neces s ári o, de quatro atrás de Damon. M eredi th, encarando E l ena, fechou l entamente os ol hos e as s enti u, s ol tando a res pi ração. Bonni e j á concordava com a cabeça, res i gnada. E m s i l ênci o, Bonni e e M eredi th dei xaram E l ena amarrar s eus pul s os na frente do corpo. E l ena dei xou que Damon amaras s e os del a e prendes s e as três com uma grande corda, como s e fos s em uma corrente de pri s i onei ras . E l ena podi a s enti r um rubor s ubi ndo da parte i nferi or do pei to, quei mando-l he o ros to. Não cons egui a ol har nos ol hos de Damon, não as s i m, mas s abi a, s em preci s ar perguntar, que el e pens ava na época em que Stefan o expul s ou de s eu apartamento como um cão, di ante des ta mes ma pl atei a, al ém de M att. Gros s o, vi ng ati vo, pens ou E l ena, com a mai or i ntens i dade que pôde, na di reção de Damon. E l a s abi a que a pri mei ra pal avra o magoari a mai s . Damon s e orgul hava de s er um caval hei ro... Mas ” cavalhei ros” não entram na Di mensão das Trevas, a voz de Damon di s s e em s ua cabeça num tom de zombari a. — M ui to bem — acres centou Damon em voz al ta, pegando a corda pri nci pal . Começou a andar ani madamente em di reção à caverna es cura, as três meni nas s e es premendo e tropeçando atrás del e. E l ena j amai s s e es queceri a daquel a breve j ornada e s abi a que Bonni e e M eredi th também não. E l as atraves s aram a abertura ras a da caverna e entraram no pequeno es paço ao fundo, que s e abri a como uma boca. Foi preci s o al guma manobra para cons egui r que pas s as s em. Do outro l ado, a caverna s e al argava de novo e l ogo as três s e vi ram numa cavi dade mai or. Pel o menos foi o que di zi am os s enti dos apri morados de E l ena. A nebl i na perene havi a vol tado,


e E l ena não fazi a i dei a de que rumo tomavam. M i nutos depoi s s urgi u uma cons trução naquel a névoa dens a. E l ena não s abi a o que es perar do Portal do Demôni o. Tal vez i mens as portas de ébano, com s erpentes ental hadas e cravej adas de j ói as . Tal vez um col os s o de pedra precári o e des gas tado, como as pi râmi des egí pci as . Tal vez até uma es péci e de campo de energi a futuri s ta que tremel uzi s s e e pi s cas s e com l as ers vi ol etas -azul ados . O que el a vi u pareci a uma es péci e de depós i to cai ndo aos pedaços , um l ugar para guardar e des pachar bens . Havi a um curral vazi o, fortemente cercado, enci mado por arame farpado. Aqui l o fedi a, e E l ena fi cou fel i z por el a e Damon não terem canal i zado o Poder para o ol fato. E havi a gente l á, homens e mul heres ves ti dos el egantemente, cada qual com uma chave, murmurando al go antes de abri r uma porta de um l ado da cons trução. A mes ma porta — mas E l ena ti nha certeza que aquel a gente toda não i a para o mes mo l ugar, s e as chaves fos s em como a que el a “pegara empres tada” da cas a de Shi ni chi havi a mai s ou menos uma s emana. Uma das mul heres pareci a es tar ves ti da para um bai l e de más caras , com orel has de rapos a que s e mi s turavam ao s eu l ongo cabel o cas tanho. Foi s ó quando vi u o farfal har de uma cauda de rapos a por bai xo do ves ti do na al tura do tornozel o que E l ena s e deu conta de que a mul her era uma ki ts une fazendo us o do Portal do Demôni o. Damon apres s adamente — e s em genti l eza al guma — as l evou para o outro l ado do prédi o, onde uma porta de dobradi ças quebradas s e abri a para um es paço deteri orado que, es tranhamente, pareci a mai or por dentro do que vi s to do l ado de fora. Todo ti po de mercadori a era anunci ada e vendi da al i : mui tas davam a i mpres s ão de ter rel ação com ges tão de es cravos . E l ena, M eredi th e Bonni e s e ol haram, as s us tadas . O cenári o que el as vi ram dei xava óbvi o que as pes s oas que trazi am es cravos s el vagens do mundo


exteri or os torturavam e aterrori zavam di ari amente. — Pas s agem para quatro — di s s e Damon ao homem de ombros arri ados , mas corpul ento, atrás do bal cão. — Três s el vagens de uma vez? — O homem, que devorava com os ol hos o que podi a ver das três meni nas , ergueu-s e para obs ervar Damon com des confi ança. — O que pos s o di zer? M eu trabal ho é também meu pas s atempo. — Damon o encarou s em s e abal ar. — Si m, mas ... — O homem ri u. — Ul ti mamente recebemos em médi a uma ou duas por mês . — São l egal mente mi nhas . Não houve rapto. Aj oel hem-s e — acres centou Damon des preocupadamente às três meni nas . Foi M eredi th quem entendeu pri mei ro e arri ou no chão como uma dançari na de bal é. Os ol hos ci nzentos es tavam focal i zados em al go que ni nguém podi a ver. Depoi s E l ena, de al gum modo s e des embaraçou das outras . Concentrou a mente em Stefan e fi ngi u que es tava s e aj oel hando para bei j á-l o em s eu catre na pri s ão. Pareceu funci onar e el a s e aj oel hou. M as Bonni e conti nuou de pé. A mai s dependente, mai s del i cada e i nocente do tri o achava que s eus j oel hos ti nham s e s ol i di fi cado. — Rui vas , hei n? — di s s e o homem, ol hando Damon i nci s i vamente enquanto abri a um s orri s o mal i ci os o. — Tal vez s ej a mel hor comprar um ati çador para es s a daí . — Tal vez — di s s e Damon com fi rmeza. Bonni e ol hou para el e s em expres s ão, vi rou-s e para as meni nas e s e j ogou no chão, fi cando i móvel . E l ena podi a ouvi r s eu choro bai xo. — M as des cobri que uma voz fi rme e um ol har de cens ura funci onam mel hor. O homem des i s ti u e arri ou os ombros de novo.


— Pas s agem para quatro — grunhi u el e, es tendendo a mão e puxando a corda s uj a de um s i no. A es s a al tura Bonni e chorava de medo e humi l hação, mas ni nguém al ém das ami gas pareceu perceber. E l ena não s e atreveu a tentar reconfortá-l a tel epati camente; não combi nari a com a aura de “meni na humana normal ”, e quem poderi a s aber s e não haveri a armadi l has ou di s pos i ti vos es condi dos al i , al ém do homem que prati camente as des pi a com os ol hos ? E l a queri a poder apel ar a uma de s uas As as , bem al i , naquel e l ugar. Is s o arrancari a aquel a expres s ão pres unços a da cara del e. M i nutos depoi s , tudo s e apagou compl etamente, exatamente como E l ena des ej ara. Damon s e i ncl i nou no bal cão e cochi chou al guma coi s a que trans formou o ar mal i ci os o do homem em uma cor es verdeada, mei o doenti a. Ouvi u o que ele di sse?, E l ena tentou s e comuni car com M eredi th us ando os ol hos e as s obrancel has . M eredi th, com o própri o cenho franzi do, pôs a mão di ante da barri ga de E l ena, gi rando a mes ma em s egui da. Bonni e s orri u. E ntão Damon as l evou para es perar do l ado de fora do depós i to. E s tavam paradas al i havi a al guns mi nutos quando a nova vi s ão de E l ena l ocal i zou um barco des l i zando em s i l ênci o pel a névoa. E l a percebeu que a cons trução devi a fi car na margem de um ri o, mas mes mo com o Poder di ri gi do uni camente aos ol hos , mal cons egui a di s ti ngui r onde a terra opaca dava l ugar à água bri l hante, e mes mo com o Poder di ri gi do apenas aos ouvi dos , mal cons egui a es cutar o s om vel oz de água corrente. O barco parou, mas E l ena não vi u nenhuma âncora s er j ogada na água nem nada que o s eguras s e. M as o fato era que el e havi a parado. E o corcunda bai xou uma prancha, por onde el es embarcaram: pri mei ro Damon, depoi s s eu


grupo de “es cravas ”. A bordo, E l ena vi u Damon oferecer, s em di zer uma úni ca pal avra, s ei s peças de ouro ao barquei ro — duas para cada huma que pres umi vel mente não vol tari am, pens ou el a. Por um momento el a s e perdeu em uma l embrança de quando era mui to nova — devi a ter s ó 3 anos —, s entada no col o do pai enquanto el e l i a um l i vro i l us trado maravi l hos o que fal ava dos mi tos gregos . Contava do barquei ro, Caronte, que l evava os es pi ri tos pel o ri o E s ti ge à terra dos mortos . E o pai contando a el a que os gregos punham moedas nos ol hos daquel es que morri am, , para que pudes s em pagar ao barquei ro... Essa vi ag em não tem voltai , pens ou el a de repente e com veemênci a. Não há como es capar! E l as podi am mui to bem es tar mortas ... E s tranhamente, foi o pavor que a s al vou de todo aquel e terror. Ao l evantar a cabeça, tal vez para gri tar, a fi gura s ombri a do barquei ro s e afas tou brevemente, como s e contas s e os pas s agei ros . E l ena ouvi u o gui ncho de Bonni e. M eredi th, tremendo, tentava frenéti ca e i l ogi camente pegar a arma es condi da na bol s a. Nem Damon pareci a capaz de s e mexer. O es pectro al to no barco não ti nha ros to. Havi a depres s ões fundas onde deveri am es tar os ol hos , uma boca oca e um buraco tri angul ar onde o nari z devi a s e proj etar. O horror s obrenatural daqui l o, al ém do fedor do l ugar, s i mpl es mente foi demai s para Bonni e e el a des mai ou, s eu corpo fl áci do cai ndo contra M eredi th. E l ena, compl etamente apavorada, teve um momento de revel ação. No crepús cul o es curo, úmi do e gotej ante, el a s e es quecera de parar de tentar us ar todos os s enti dos ao máxi mo. Sem dúvi da era mai s capaz de ver a face i numana do barquei ro em vez de, di gamos , M eredi th. Também podi a ouvi r coi s as , como os s ons dos mi nei ros mortos havi a mui to tempo, batendo na pedra aci ma


del as , e o es voaçar dos morcegos , das baratas enormes ou coi s a as s i m, dentro das paredes de pedra que as cercavam. M as agora E l ena de repente s enti u l ágri mas quentes no ros to gel ado ao perceber que el a s ubes ti mara compl etamente Bonni e, poi s s abi a dos poderes paranormai s

da

ami ga.

Se

os

s enti dos

de

Bonni e

es ti ves s em

permanentemente s us cetí vei s aos ti pos de horror que E l ena vi vi a agora, não era de s urpreender que Bonni e vi ves s e com medo. E l ena s e vi u prometendo s er mui to mai s tol erante na próxi ma vez em que Bonni e vaci l as s e ou começas s e a gri tar. Na verdade, Bonni e mereci a um prêmi o por s e manter s ã até agora, concl ui u E l ena. M as el a não s e atrevi a a fazer mai s do que ol har a ami ga, que es tava compl etamente i ncons ci ente, e j urar a s i mes ma que, de agora em di ante, Bonni e teri a uma defens ora em E l ena Gi l bert. Sua promes s a e s eu cal or ardi am como uma vel a em s ua mente, uma vel a que E l ena i magi nava s egurar para Stefan, e cuj a l uz dançava em s eus ol hos verdes e bri ncava com s uas fei ções . Foi o bas tante para evi tar que el a perdes s e a s ani dade pel o res to da j ornada. Quando o barco aportou — num l ugar um pouco mai s movi mentado do que aquel e onde embarcaram —, as três meni nas es tavam exaus tas do terror prol ongado e do s us pens e l anci nante. M as não ous aram pens ar nas pal avras “Di mens ão das Trevas ” nem i magi nar as vári as manei ras com que as trevas podi am s e mani fes tar. — Nos s o novo l ar — di s s e Damon, carrancudo. Ol hando para el e em vez de ol har para aquel e novo cenári o, E l ena percebeu, pel a tens ão em s eu pes coço e em s eus ombros , que Damon não es tava gos tando nada daqui l o. E l a pens ava que, para el e, era como entrar em s eu paraí s o parti cul ar, um mundo de es cravos humanos , onde a tortura era di vers ão, cuj a úni ca regra era a pres ervação do ego i ndi vi dual . Agora percebi a que es tava errada. Para Damon,


es te era um mundo de s eres com poderes i guai s aos del e... Ou até mai ores . E l e i a ter de l utar por um l ugar aqui entrei el es , como qual quer mal andro nas ruas — s ó que não podi a cometer erro nenhum. E l es preci s avam achar um j ei to não apena de vi ver, mas vi ver no l uxo e s e mi s turar com a al ta s oci edade, s e qui s es s em ter al guma chance de res gatar Stefan. Stefan — não, el a não permi ti ri a a si o l uxo de pens ar nel e a es s a al tura, poi s corri a o ri s co de fi car arras ada e começar a exi gi r coi s as ri dí cul as , como que el es fos s em à pri s ão, s ó para ol har, como uma es tudante apai xonada por um meni no mai s vel ho que queri a apenas que a l evas s em de carro “perto da cas a dele” para poder admi rá-l o. E depoi s , o que i s s o trari a de bom a s eus pl ano de l i bertá-l o? O Pl ano A era: não cometer erros, e E l ena s e ateri a a el e até que achas s e outro mel hor. Foi quando Damon e s uas “es cravas ” chegaram a Di mens ão das Trevas , através do Portal do Demôni o. A menor del as preci s ou s er reani mada com água no ros to antes de cons egui r s el evantar e andar.


15 Apres s ando-s e atrás de Damon, E l ena tentou não ol har para os l ados . Podi a ver bem mai s do que aqui l o que para M eredi th e Bonni e era apenas uma es curi dão uni forme. Havi a depós i tos dos doi s l ados , l ugares onde es cravos obvi amente eram comprados , vendi dos ou trans portados pos teri ormente. E l ena podi a ouvi r gemi dos de cri anças no es curo e s e el a própri a não es ti ves s e tão as s us tada, teri a corri do para acudi r as cri anças choros as . M as não pos s o fazer i s s o, porque agora s ou uma es crava, pens ou el a, com um choque que começava pel a ponta dos dedos . Não s ou mai s um s er humano de verdade. Sou propri edade de al guém. E l a s e vi u mai s uma vez ol hando a nuca de Damon e perguntando-s e como fora convenci da a s e meter nes s a. E l ena entendi a oque s i gni fi cava s er uma es crava — na verdade pareci a ter uma compreens ão i ntui ti va e s urpreendente di s s o —, e defi ni ti vamente era boa coi s a. Si gni fi cava que el a podi a s er... Bom, que qual quer coi s a podi a s er fei ta com el a e não era da conta de ni nguém, s ó de s eu dono. E s eu dono (como el e a convencera daqui l o mes mo?) era ni nguém menos que Damon. E l e podi a vender as três meni nas — E l ena, M eredi th e Bonni e — e s ai r dal i uma hora depoi s com o l ucro. E l es andaram apres s adamente pel as docas , com as meni nas ol hando para bai xo para não tropeçar. Depoi s s ubi ram uma col i na. Abai xo do grupo, numa es péci e de formação em cratera, havi a uma ci dade. Os corti ços fi cavam às margens e s e es tendi am quas e até o ponto onde el es es tavam. M as havi a uma tel a de arame di ante del es , que os manti nha i s ol ados , ao mes mo tempo que proporci onava uma vi s ta de ci ma da ci dade. Se ai nda es ti ves s em na caverna por onde entraram, es ta teri a s i do a mai or


caverna s ubterrânea i magi nável — mas não es tavam mai s no s ubs ol o. — Is s o às vezes acontece durante a traves s i a de bal s a — di s s e Damon. — Nós pegamos ... Bom... Um des vi o no es paço, di gamos as s i m. — E l e tentou expl i car e E l ena s e es forçou para entender. — Você entra pel o Portal do Demôni o e quando s ai não es tá mai s na di mens ão da Terra, mas em outra compl etamente di feremte. — E l ena teve que ol har o céu para acredi tar nel e. As cons tel ações eram outras ; não havi a Urs a M enor nem Urs a M ai or, nem E s trel a Pol ar. E havi a o Sol , que era mui to mai or, mas mui to mai s fraco que o da Terra, e j amai s dei xava o hori zonte. A qual quer momento cerca de metade del e apareci a, di a e noi te — termos que, como M eredi th obs ervou, perdi am s eu s i gni fi cado al i . Ao s e aproxi marem de um portão de tel a que fi nal mente os ti rari a da área de armazenagem de es cravos , foram deti dos que E l ena mai s tarde des cobri ri a s er uma Guardi ã. E l a aprenderi a i s s o, de certo modo; os Guardi ões eram os governantes da Di mens ão das Trevas , embora el es mes mos vi es s em de um l ugar di s tante; era como s e el es prati camente ti ves s em ocupado es te pedaci nho do Inferno, tentando i mpor a ordem entre os rei s dos corti ços e s enhores feudai s que di vi di am a ci dade entre el es . E s ta Guardi ã era al ta, s eu cabel o da cor do de E l ena — verdadei ramente dourado — cortado reto na al tura dos ombros , e prati camente i gnorou a pres ença de Damon, mas de i medi ato perguntou a E l ena, que es tava l ogo atrás del e na fi l a: — Por que es tá aqui ? E l ena fi cou fel i z, mui to fel i z, por Damon ter l he ens i nado a control ar s ua aura. E l a s e concentrou ni s s o enquanto o cérebro zumbi a a uma


vel oci dade s upers ôni ca, perguntando-s e qual s eri a a res pos ta certa para aquel a pergunta. A res pos ta que os dei xari a l i vres e não os mandas s e de vol ta para cas a. Damon não nos trei nou para i s s o, foi a pri mei ra coi s a que E l ena pens ou. E a s egunda foi , porque el e nunca es teve aqui . E l e não s abe como tudo funci ona por aqui , s ó al gumas coi s as . E se ti ves s e a i mpres s ão de que es ta mul her pudes s e tentar s e meter nos negóci os del e, Damon s i mpl es mente enl ouqueceri a e a atacari a, acres centou uma voz de al gum l ugar no s ubcons ci ente de E l ena. E l ena dupl i cou a vel oci dade de s eu es tratagema. Antes , E l ena cos tumava s er uma es peci al i s ta na arte de menti r, e, naquel e momento, el a di s s e a pri mei ra coi s a que l he pas s ou pel a cabeça e mos trou o pol egar para ci ma. — Fi z uma apos ta com el e e perdi . Uau, pareceu bom. As pes s oas perdem todo ti po de coi s as quando apos tam: l avouras , tal i s mãs , caval os , cas tel os , l âmpadas gêni os . E s e por acas o aqui l o não fos s e moti vo s ufi ci ente, el a podi a di zer que era s ó o começo de s ua tri s te hi s tóri a. M el hor ai nda, de certo modo aquel a hi s tóri a era verdade. Havi a tempos , dera s ua vi da por Damon e por Stefan, e Damon não vi rou exatamente a pági na, como E l ena pedi ra. M ei a pági na, tal vez. Apenas um pedaci nho. A Guardi ã a encarava com uma expres s ão confus a nos ol hos azui s . As pes s oas havi am encarado E l ena a vi da toda — quando s e era j ovem e boni ta, s ó s e fi ca i rri tada quando as pes s oas não ol ham para você. M as aquel a expres s ão era mei o preocupante. Será que a mul her al ta es tava l endo s ua mente? E l ena tentou acres centar outra camada de ruí do branco. O que apareceu foram al guns vers os de uma mús i ca da Bri tney Spears . E l a aumentou o vol ume ps í qui co.


A mul her al ta col ocou doi s dedos na cabeça como al guém que s ente a pontada de uma s úbi ta cefal ei a. Depoi s ol hou para M eredi th. — Por que... es tá aqui ? E m geral M eredi th não menti a, mas quando era neces s ári o tratava a menti ra como uma arte i ntel ectual . Fel i zmente, el a também nunca tentava cons ertar nada que não ti ves s e defei tos . — Aconteceu a mes ma coi s a comi go — di s s e el a com tri s teza. — E você? — A mul her ol hava para Bonni e, que dava a i mpres s ão de que i a des mai ar novamente. M eredi th deu um pequeno cutucão em Bonni e. Depoi s ol hou bem para el a. E l ena a encarou s everamente, s abendo que Bonni e s ó preci s ava murmurar um “eu também”. E Bonni e era boa em concordar uma vez que M eredi th fi zes s e i s s o. O probl ema era que Bonni e ou es tava em trans e, ou perto demai s di s s o para s e i mportar. — Al mas Sombri as — di s s e Bonni e. A mul her pes tanej ou, mas não como pi s camos quando al guém di z al go que não tem res pos ta. E l a pi s cou de as s ombro. Ah, meu Deus , pens ou E l ena. Bonni e cons egui u a s enha del es ou coi s a pareci da. E s tá fazendo previ s ões , profeti zando ou s ei l á o quê. — Al mas ... Sombri as ? — di s s e a Guardi ã, ol hando Bonni e atentamente. — A ci dade es tá chei a del as — di s s e Bonni e num tom i nfel i z. Os dedos da Guardi ã dançaram s obre o que pareci a um pal mtop. — Sabemos di s s o. É para es te l ugar que el as vêm. — E ntão devi am i mpedi r. — Nos s a j uri s di ção é l i mi tada. A Di mens ão das Trevas é regi da por uma dezena de facções de s enhores , que têm chefes nos corti ços para l evar s uas


ordens a cabo. B onni e, pens ou E l ena, tentando atraves s ar o l abi ri nto mental da ami ga mes mo que a Guardi ã a ouvi s s e. Eles são a pol í ci a. No mes mo i ns tante, Damon as s umi u. — O moti vo del a é o mes mo das outras — di s s e el e. — Só que é paranormal . — Ni nguém pedi u a s ua opi ni ão — rebateu a Guardi ã, s em s equer ol har na di reção del e. — Não me i mporta que ti po de fi gurão você era l á. — E l a apontou a cabeça com des dém para a ci dade de l uzes . — Atrás des ta cerca, es tá em meu terri tóri o. E es tou perguntando à rui vi nha: o que el e di z é verdade? E l ena entrou em pâni co por um i ns tante. Depoi s de tudo por que pas s aram, s e agora Bonni e es tragas s e tudo... Des ta vez Bonni e pi s cou. O que quer que es ti ves s e tentando comuni car, a verdade era que era i gual a M eredi th e E l ena. E era verdade que el a era paranormal . Bonni e menti a mui to mal quando ti nha tempo demai s para pens ar, mas el a s ó res pondeu s em hes i tar: — Si m, é verdade. A Guardi ã encarou Damon. Damon s us tentou s eu ol har como s e pudes s e fazer i s s o a noi te toda. E ncarar era a es peci al i dade del e. E a Guardi ã acenou para s e afas tarem. — Imagi no que até uma paranormal pos s a ter um di a rui m — di s s e el a. Depoi s acres centou a Damon: — Cui de del as . Você s abe que todas as paranormai s devem ter l i cença para trabal har, não s abe? Damon, com s uas mel hores manei ras de g rand sei g neur, res -j ondeu: — Senhora, el as não s ão paranormai s profi s s i onai s . São mi nhas as s i s tentes parti cul ares .


— E eu não s ou uma “s enhora”; s ou tratada como “M eri tí s s i ma”. A propós i to, os vi ci ados em j ogo cos tumam encontrar um fi m terrí vel por aqui . Ra, rá, pens ou E l ena. Se el a s oubes s e que ti po de j ogo todos es tamos fazendo... Bom, provavel mente fi carí amos pi or do que Stefan.

***

Do outro l ado da cerca havi a um páti o, onde es tavam al gumas l i tei ras , as s i m como ri qui xás e pequenas charretes . Nenhuma carroça, nem caval os . Damon pegou duas l i tei ras , uma para el e e E l ena, outra para M eredi th e Bonni e. Bonni e, ai nda com a expres s ão confus a, ol hava o s ol . — Quer di zer que nunca acaba de nas cer? — Não — di s s e Damon paci entemente. — E es tá s e pondo, e não nas cendo. O crepús cul o eterno da Ci dade das Trevas . Verá mai s enquanto avançarmos . Não toque ni s s o — acres centou el e, enquanto M eredi th tentava des amarrar a corda dos pul s os de Bonni e antes de s ubi r na l i tei ra. — Vocês duas podem ti rar as cordas na l i tei ra, s e fecharem as corti nas , mas não as percam. Ai nda s ão es cravas e preci s am us ar al go s i mból i co nos braços para mos trar i s s o... M es mo que s ej am s ó pul s ei ras i guai s . Cas o contrári o, eu terei probl emas . Ah, e vocês terão que entrar na ci dade de véu. — Nós ... o quê? — E l ena l ançou um ol har i ncrédul o para el e. Damon s e l i mi tou a abri r o s orri s o de 250 qui l owatts e, antes que E l ena pudes s e di zer al guma coi s a, ti rou al guns teci dos trans parentes e fi nos da mochi l a preta e entregou-os a el as . O tamanho dos véus era s ufi ci ente para cobri r todo o corpo. — M as vocês s ó preci s am col ocar na cabeça, prender no cabel o ou coi s a


as s i m — di s s e Damon com des dém. — É fei to do quê? — perguntou M eredi th, s enti ndo o teci do s edos o e l eve, trans parente e tão fi no que o vento ameaçava arrançá-l o dos dedos . — E como vou s aber? — A cor é di ferente do outro l ado! — Bonni e des cobri u i s s o ao dei xar o vento trans formar o véu verde-cl aro em um prata ci nti l ante. M eredi th bal ançava uma s eda vi ol eta-es curo em um azul mi s teri os o ponti l hado de uma mi rí ade de es trel as . E l ena, que es perava que s eu véu fos s e azul , vi u-s e ol hando para Damon. E l e s egurava o teci do dobrado nas mãos . I — Vamos ver como fi ca em você — murmurou el e, as s enti ndo para el a s e aproxi mar. — Adi vi nhe a cor. Outra meni na teri a percebi do os ol hos negros e as l i nha puras e ental hadas no ros to de Damon, ou tal vez o s orri s o s el vagem e cruel — um tanto mai s s el vagem e mai s doce do que nunca, como um arco-í ri s no mei o de um furacão. M as E l ena também obs ervou a ri gi dez de s eu pes coço e dos ombros , onde a tens ão s e acumul ava. A Di mens ão das Trevas j á es tá cobrando s eu preço, fi s i camente, mes mo com as zombari as de Damon. E l a s e perguntou quantas s ondagens de Poder da parte dos curi os os el e ti nha de bl oquear a cada s egundo. E l a es tava pres tes a oferecer aj uda, abri ndo- s e para o mundo s obrenatural , quando el e di s s e: — Adi vi nhe! — E s eu tom não era mui to s uges ti vo. — Dourado — di s s e E l ena de i medi ato, s urpreendendo-s e. Quando es tendeu a mão para pegar o quadrado dourado que Damon l he ofereci a, uma forte e agradável corrente el étri ca di s parou de s ua pal ma, s ubi ndo pel o braço e parecendo torcê-l a di retamente pel o coração. Damon s egurou o dedos de E l ena brevemente e el a s enti u como s e pudes s e captar a el etri ci dade pul s ando da ponta dos dedos del e.


O vers o do véu s oprou branco e ci nti l ou como s e fos s e i ncrus tado de di amantes . M eu Deus , tal vez fossem mesmo di amantes , pens ou el a. Como ter certeza, em s e tratando de Damon? — Seu véu de noi va, quem s abe? — s us s urrou Damon, com os l ábi os próxi mos do ouvi do del a. A corda nos pul s os de E l ena fi cou frouxa demai s e el a, i ndefes a, afagou o teci do trans parente, s enti ndo as mi nús cul as pedras preci os as , do l ado branco, fri as em s eus dedos . — Como s abi a que i a preci s ar de todas es s as coi s as ? — perguntou E l ena, com um pragmati s mo contundente. — Você não s abi a de tudo, mas pareci a s aber o bas tante. — Ah, pes qui s ei em bares e em al guns l ugares . E ncontrei pes s oas que es ti veram aqui e cons egui ram s ai r... Ou foram expul s as . — O s orri s o s el vagem de Damon fi cava cada vez mai s s el vagem. — À noi te enquanto você dormi a. Comprei i sto numa l oj i nha es condi da. — E l e as s enti u para o véu e acres centou: — Não preci s a cobri r o ros to com el e. Pres s i one no cabel o e el e vai s e prender. E l ena obedeceu, us ando o l ado dourado para fora. Caí a até s eus cal canhares . E l a pas s ou o dedo no véu, j á podendo ver as pos s i bi l i dades de s edução nel e, as s i m como as de des dém. Se el a pudes s e ti rar es s a mal di ta corda dos pul s os ... Depoi s de um momento, Damon s e retrai u para a pers ona do s enhor i mperturbável e di s s e: — Para o bem de todos nós , preci s amos s er ri goros os com es s as coi s as . Os chefes dos corti ços e a nobreza que governa es ta abomi nável bagunça que chamam de Di mens ão das Trevas s abem que es tão à bei ra de uma revol ução, e s e dermos o menor moti vo, el es vão fazer de nós Um E xempl o Públ i co. — Tudo bem — di s s e E l ena. — Toma, s egure mi nha corda que vou


s ubi r na l i tei ra. M as depoi s que ambos es tavam s entados na mes ma l i tei ra, não havi a mui to s enti do na corda. A l i tei ra era carregada por quatro homens — não grandes , porém mus cul os os , e todos da mes ma al tura, o que tornava o percurs o s uave. Se E l ena fos s e uma ci dadã l i vre, j amai s teri a s e permi ti do s er carregada por quatro pes s oas que ( el a s upunha) eram es cravos . Na real i dade, teri a fei to um es tardal haço por caus a di s s o. M as a convers a que teve cons i go mes ma nas docas a fez refl eti r. Ela era uma es crava, mes mo que Damon não ti ves s e pagado nada por el a. Não ti nha o di rei to de fazer es tardal haço com nada. Nes te l ugar carmes i m com chei ro mal i gno, s eus gri tos provavel mente cri ari am ai nda mai s probl emas para os própri os carregadores fazendo com que s eu s enhor ou quem admi ni s tras s e o negóci o das l i tei ras os cas ti gas s e, como s e fos s e cul pa del es . Por ora, mel hor s e ater ao Pl ano A: fi car de boca fechada. Havi a mui to para ver. Ti nham pas s ado por uma ponte, que cobri a corti ços de odor des agradável , e becos chei os de cas as pres tes a cai r. E m s egui da pas s aram por uma área de comérci o, as pri mei ras l oj as eram fortemente gradeadas e fei tas de pedra, depoi s vi nham cons truções mai s res pei távei s , e de repente el es es tavam andando por um mercado a céu aberto. M as mes mo aqui o s el o da pobreza e da fadi ga apareci a em mui tos ros tos . E l ena es perava no máxi mo uma ci dade fri a, s ombri a e as s épti ca, com vampi ros i mpas s í vei s e demôni os de ol hos vermel hos andando pel as ruas . E m vez di s s o, todos que vi a pareci am humanos e vendi am coi s as — de remédi os a comi da e bebi da, produtos dos quai s os vampi ros não preci s avam. Bom, tal vez os ki ts une e os demôni os preci s em del es , raci oci nou E l ena, tremendo com a i dei a do que um demôni o i a querer comer. Nas es qui nas


havi a grupos de meni nas e meni nos mal ves ti dos de expres s ões rudes , e pes s oas es farrapadas e fami ntas s egurando pl acas depri mentes que di zi am UM A LE M BRANÇA POR UM A RE FE IÇÃO. — O que el as querem di zer com i s s o? — perguntou E l ena a Damon, mas el e não l he res pondeu de i medi ato. — É as s i m que os humanos l i vres da ci dade pas s am a mai or parte do tempo — di s s e el e. — E ntão, l embre-s e di s s o antes de pens ar em s e meter em uma de s uas mi s s ões ... E l ena não es cutava. Ol hava um dos que s eguravam uma pl aca. O homem era terri vel mente magro, com uma barba enorme e dentes podres , mas o pi or era a expres s ão de des es pero em s eu ros to. De vez em quando es tendi a a mão trémul a na qual s egura uma bol a pequena e cl ara, murmurando: “Um di a de verão quando eu era j ovem. Um di a de verão por uma peça de dez gel d.” E m geral não havi a ni nguém por perto quando el e fal ava. E l ena ti rou o anel de l ápi s -l azúl i que Stefan l he dera e o es tendeu para el e. Não queri a i rri tar Damon s ai ndo da l i tei ra, então teve de di zer: — Venha cá, por favor. — E es tendeu o anel para o barbudo. E l e ouvi u, e chegou à l i tei ra com rapi dez. E l ena vi u al go s e em s ua barba — pi ol hos , tal vez — e s e obri gou a ol har para el e ao fal ar. — Pegue. Rápi do, por favor. O vel ho ol hou o anel como s e fos s e um banquete. Não tenho troco — gemeu el e, l evantando a mão e enxugando a boca com a manga. E l e pareci a pres tes a cai r i ncons ci ente ao chão. — Não tenho troco! — Não quero troco! — di s s e E l ena vencendo o i mens o i nchaço que s e formava na garganta. — Pegue o anel . Rápi do, ou vou dei xá-l o cai r. E l e o arrancou de s eus dedos enquanto os carregadores avançavam de


novo. — Que os Guardi ões a abençoem, s enhora — di s s e el e, tentando acompanhar o trote dos carregadores . — Que eles a abençoem! — Não devi a ter fei to i s s o — di s s e Damon a E l ena quando a voz do homem es moreceu atrás del es . — E l e não vai comprar uma refei ção com i s s o, s abi a? — E l e es tava fami nto — di s s e E l ena com brandura. E l a não cons egui a expl i car que el e l he l embrava Stefan, não agora. — E ra o meu anel — acres centou el a na defens i va. — Acho que s ei o que vai di zer. Que el e vai gas tar tudo em ál cool e drogas . — Não, mas também não vai comprar uma refei ção com el e. Vai comprar um banquete. — Bom, que s ej a... — Na i magi nação del e. Vai comprar um gl obo empoei rado com al guma l embrança anti ga de um vampi ro em um banquete romano, ou a l embrança de al guém da ci dade em um banquete moderno. Depoi s vai repeti r es s a recordação s em parar enquanto morre de fome aos poucos . E l ena fi cou chocada. — Damon! Rápi do! Tenho que vol tar e encontrá-l o... — Recei o que não pos s a. — Devagar, Damon ergueu a mão. Segurava fi rmemente a corda de E l ena. — Al ém di s s o, el e j á foi . — Como el e pode fazer i s s o? Como al guém pode fazer i s s o? — Como um paci ente de câncer de pul mão s e recus a a parar de fumar? M as concordo que aquel es gl obos podem s er as s ubs tânci as mai s vi ci antes do mundo. Cul pe os ki ts une por trazer s uas es feras es tel ares para cá e fazer del as uma obs es s ão. — E s feras es tel ares ? Hoshi no tamci í — E l ena arfou.


Damon a ol hou, i gual mente s urpres o. — O que você sabe del as ? — Só s ei o que M eredi th des cobri u. E l a di s s e que os ki ts une geral mente s ão retratados ou com chaves — el a ergueu as s obrancel has para el e — ou com es feras es tel ares . E que s egundo al gumas l endas , el es podem col ocar parte do s eu poder, ou todo el e, na es fera, e as s i m, s e você a encontrar, pode control ar o ki ts une. E l a e Bonni e pretendem encontrar as es feras es tel ares de M i s ao ou Shi ni chi para poder control á-l os . — M as ai nda as s i m, meu coração i ndomável — começou Damon teatral mente, mas no s egundo s egui nte j á es tava todo práti co. — Lembra o que o vel ho di s s e? Um di a de verão por uma refei ção? E l e es tava fal ando di sso. — Damon pegou o pequeno gl obo que o vel ho havi a l argado na l i tei ra e l evou-a à têmpora de E l ena. O mundo des apareceu. Damon havi a s umi do. A vi s ão e os s ons — s i m, e os chei ros — do mercado ti nham s umi do. E l a es tava s entada na rel va verde que ondul ava com a bri s a l eve e ol hava um s al guei ro-chorão curvado na margem de um regato acobreado e ao mes mo tempo verde-es curo. Havi a um chei ro doce no ar — madres s i l va, frés i a? Al go del i ci os o agi tava E l ena enquanto el a s e recos tava para ol har as nuvens brancas e perfei tas como uma pi ntura rol ando no céu. E l a s enti u... Não s abi a como di zer. Senti u-s e j ovem, mas em al gum l ugar de s ua mente s abi a que na verdade era mai s nova do que a pers onal i dade es tranha que s e apoderara del a. Ai nda as s i m, fi cou ani mada por s er pri mavera e por cada fol ha verde e dourada, cada pequeno j unco, cada nuvem branca e l eve s e rej ubi l arem com el a. E de repente s eu coração es tava aos s al tos . E l a acabara de ouvi r o s om de pas s os . E m um momento de al egri a na pri mavera, el a es tava de pé, os braços


es tendi dos em s eu amor extremado, a l ouca devoção que s enti a por... ... es s a j ovem? Al go dentro do cérebro do us uári o da es fera pareceu recuar de as s ombro. Aci ma de tudo, porém, foi pego rel acvi onando as perfei ções da meni na que s e es guei rava com tanta l eveza pel a real va ondul ante: os cachos es curos s e reuni ndo no pes coço, os ol hos verdes e fai s cantes s i b as s ombrancel has arqueadas , o l eve bri l ho da pel e de s eu ros to enquanto el a ri a para o amado, fi ngi ndo fugi r em pés l eves como os de um el fo... ! Pers egui dor e acos s ada caí ram j untos no tapete maci o da rel va al ta... E as coi s as rapi damente fi caram tão apai xonadas que E l ena, a mente di s tante ao fundo, começou a s e perguntar como di abos s e parava uma coi s a des s as . Sempre que l evava a mão à têmpora, tateando era apanhada e bei j ada por... Al l egra... e Al l egra era uma meni na. Certamente era boni ta, em es peci al pel os ol hos des te es pectador. Sua pel e maci a e s edos a... E m s egui da, com um choque tão grande quanto o que s enti u quando o mercado des apareceu, el a es tava de vol ta. E l a era E l ena; es tava na l i tei ra com Damon; havi a uma cacofoni a ao s eu redor — e mi l chei ros di ferentes . M as E l ena res pi rava com di fi cul dade, e parte del a ai nda res s oava John — era es s e o nome del e —, o amor de John por Al l egra. —M as ai nda não entendo—el a cai u de j oel hos . — É s i mpl es — di s s e Damon. Você col oca uma es pera es tel ar vazi a do tamanho que qui s er na têmpora e pens a no momento que quer regi s trar. A es fera faz o res to. — E l a ges ti cul ou para que el a não o i nterrompes s e e s e i ncl i nou para a frente com mal í ci a naquel es ol hos negros e i ns ondávei s . — quem s abe você teve um di a de verão es peci al mente quente? —di s s e el e, acres centando s uges ti vamente: — E s s as l i tei ras têm corti nas . — Dei xa de s er bobo, Damon — di s s e E l ena, mas os s enti mentos de John ati çaram os del a, como s í l ex e l enha. E l a não queri a bei j ar Damon,


di s s e a s i mes ma com s everi dade. Queri a bei j ar Stefan. M as como s egundos antes es ti vera bei j ando Al l egra, es te não pareci a um argumento mui to forte. — Acho —começou el a, ai nda s em fõl ego, enquanto Damon es tendi a-l he a mão — que es ta não é uma boa... Com um l eve petel eco na corda, Damon des amarrou as mãos de E l ena. E l e teri a puxado os pul s os del a, mas E l ena i medi atamente s e vi rou um pouco, es corando-s e com a mão. Preci s ava s e es corar. Naquel as ci rcuns tânci as , porém, não havi a nada mai s s i gni fi cati vo — ou mai s ... exci tante... do que o que Damon fi zera. E l e não puxou as corti nas , mas Bonni e e M eredi th es tavam numa l i tei ra l ogo atrás , fora de vi s ta. E certamente l onge da mente de E l ena. E l a s enti u uma onda de puro amor e apreço por Damon, por s ua compreens ão de que el a j amai s fari a i s s o como es crava com um s enhor. Nós doi s somos i ndomávei s, el a ouvi u em s uas mente, l embrando-s e de que quando rel axava a mai or parte de s uas capaci dades paranormai s , es queci a-s e de bai xar o vol ume des ta. Ah, que s ej a, pode bem vi r a cal har... Nós doi s g ostamos de ser venerados, res pondeu el a tel epati camente, e s enti u o ri s o de Damon nos l ábi os del a enquanto el e admi ti a a verdade. Ul ti mamente, não havi a nada mai s doce em s ua vi da do que os bei j os de Damon. E l a podi a vagar nel es para s empre, es quecendo-s e do mundo. E era bom, porque, para E l ena, hai va depres s ão de mai s e fel i ci dade de menos no mundo. M as s e el a pudes s e recorrer a i s to s empre, a es ta doçura, es te êxtas e bem-vi ndo... E l a s obres s al tou-s e, l ançando o pes o para trás com tal rapi dez que os carregadores da l i tei ra quas e caí ram amontoados . — Seu creti no —s us s urrou el a com cruel dade. E l es ai nda es tavam ps i qui camente l i gados e E l ena fi cou fel i z por ver, pel os ol hos de Damon, que el a era como uma Afrodi te vi ngati va: s eu cabel o dourado erguendo-s e


vergas tando atrás del a como uma tempes tade, os ol hos vi ol eta bri l hando em s ua fúri a el ementar. — Nem um di a — di s s e el a. — Você não cons egue manter s ua promes s a nem por um di a que s ej a! — E u não fi z! Não i nfl uenci ei você, E l ena! — Não me chame as s i m. Agora temos uma rel ação profi s s i onal . E u o chamo de “amo”. Você me chama de “es crava”, “cadel a” ou o que qui s er. — Se temos uma rel ação profi s s i onal de s enhor e es crava — di s s e Damon, com os ol hos peri gos os —, então pos s o s i mpl es --mente ordenar que você... — E xperi mente! — E l ena ergueu os l ábi os no que real mente não era um s orri s o. — Por que não tenta e vê o que acontece?


16 Damon deci di u apel ar à cl emênci a de E l ena e l ançou um ol har comovente e mei o des equi l i brado a el a, o que el e fazi a com faci l i dade s empre que queri a. — E u real mente não tentei i nfl uenci á-l a — repeti u el e, mas l ogo acres centou: — Tal vez s ej a mel hor mudar de as s unto... Quem s abe contar mai s s obre as es feras es tel ares . — E s ta — di s s e E l ena em s ua voz mai s fri a — pode s er uma óti ma i dei a. — Bom, as es feras gravam as memóri as di retamente de s eus neurôni os , entendeu? Tudo o que você vi veu es tá armazenado em al gum l ugar do s eu cérebro, e a es fera s ó traz para fora. — As s i m você pode s e l embrar daqui l o s empre e as s i s ti r quantas zes qui s er, como um fi l me? — perguntou E l ena, bri ncando com o véu para es conder o ros to e pens ando que uma es fera es tel ar s eri a um óti mo pres ente para Al ari c e M eredi th antes do cas amento. — Não — di s s e Damon, carrancudo. — Não é as s i m. Pri mei ro, a l embrança s ai de você... E s tamos fal ando de bri nquedos de ki ts une, l embra? Depoi s que a es fera ti ra a memóri a de s eus neurôni os , você não s e l embra mai s de nada. Segundo, a “gravação” ma es fera es tel ar vai s umi ndo aos poucos ... Com o us o, com o pó, com outros fatores que ni nguém compreende. M as a es fera mai s turva e as s ens ações enfraquecem, até que por fi m não pas s a de um gl obo de cri s tal vazi o. — M as ... Aquel e pobre homem es tava vendendo um di a da vi da del e. Um di a maravi l hos o! É de s e pens ar que el e qui s es s e fi car com el e. — Você o vi u. — Si m. — M ai s uma vez E l ena teve a vi s ão do vel ho i nfes tado de pi ol hos , fami nto, a pel e ci nzenta. Senti u al go gel ado des cendo pel a es pi nha ao


pens ar que um di a el e fora o j ovem John ri s onho e al egre que el a vi u e s enti u. — Ah, que coi s a tri s te — di s s e el a, e não es tava fal ando da l embrança. M as , pel a pri mei ra vez, Damon não acompanhou s eus pens amentos . — Si m — di s s e el e. — E xi s tem mui tos pobres e vel hos aqui . E l es trabal ham para s e l i bertar da es cravi dão, ou s eu s enhor generos o morre... E é as s i m que el es acabam. — M as e as es feras es tel ares ? São fei tas para os pobres ? Os ri cos podem s i mpl es mente vi aj ar para a Terra e vi ver um di a de verão por s i mes mos , não é? Damon ri u s em mui to humor. — Ah, não, el es não podem. A mai ori a del es es tá amarrada a es te l ugar. E l e pronunci ou amarrada de um j ei to es tranho. E l ena s e arri s cou: — Ocupados demai s para ti rar féri as ? — Ocupados demai s , poderos os demai s para pas s ar pel as proteções que cercam a Terra del es , preocupados demai s com o que s eus i ni mi gos farão enquanto el es es ti verem fora, fi s i camente decrépi tos , famos os demai s , mortos demai s . — Mortos? — O horror do túnel e da névoa com chei ro de decompos i ção pareci a pres tes a envol ver E l ena. Damon abri u um de s eus s orri s os cruéi s . — E s queceu-s e de que s eu namorado é de morti us? Para não fal ar de s eu i l us tre amo? A mai ori a das pes s oas , quando morre, vai para outro ní vel , que não é es te... Um ní vel s uperi or ou i nferi or. E s te é o l ugar dos maus , mas é um ní vel aci ma. M ai s para bai xo... Bom, ni nguém quer i r para l á. — Como o Inferno? — E l ena arquej ou. — E s tamos no Inferno? — É mai s como o Purgatóri o, pel o menos onde es tamos . E tem o Outro Lado. — E l e as s enti u para o hori zonte, onde o s ol poente ai nda es tava parado.


— A outra ci dade, que pode ter s i do s eu des ti no em s uas “féri as ” no al ém. Aqui a chamam de “O Outro Lado”. M as pos s o l he contar duas hi s tóri as que ouvi de meus i nformantes . Lá, chamam de Corte Cel es te. E l á o céu é azul cri s tal i no e o s ol es tá s empre nas cendo. — A Corte Cel es te... — E l ena s e es queceu de que fal ava em voz al ta. E l a s abi a, por i ns ti nto, que era o ti po de corte de rai nhas -e-caval ei ros -efei ti cei ras , e não uma corte j udi ci al . Seri a como Camel ot. Só de pronunci ar as pal avras el a teve uma nos tal gi a dol oros a e... não l embranças , mas a s ens ação de que as l embranças es tavam trancadas atrás de uma porta. E ra uma porta, porém, bem trancada, e s ó o que E l ena podi a ver pel o buraco da fechadura eram fi l as de mul heres que pareci am com as Guardi ãs , al tas , de cabel os dourados , ol hos azui s , e uma del as — do tamanho de uma cri ança entre mul heres adul tas — ol hava para ci ma e de uma forma penetrante, a uma l onga di s tânci a, encontrou di retamente os ol hos de E l ena. A l i tei ra s aí a do mercado e entrava em outros corti ços , que E l ena avi s tou es pi ando rapi damente para os doi s l ados , es condi da atrás do véu. Pareci am com qual quer favel a, barri os ou comuni dades pobres da Terra — s ó pi ores . Cri anças , com o cabel o vermel ho quei mado do s ol , amontoavam-s e em vol ta da l i tei ra de E l ena, as mãos es tendi das num ges to de s i gni fi cado uni vers al . E l ena s e s enti u di l acerar i nti mamente por não ter nada de val or para l hes dar. E l a queri a cons trui r cas as al i , certi fi car-s e de que aquel as cri anças ti ves s em comi da e água potável , e também educação, e um futuro prós pero. Uma vez que não ti nha i dei a de como l hes dar qual quer uma des s as coi s as , el a as ol hava correrem com tes ouros , como s eu chi cl ete Jui cy Frui t, s eu pente, s ua es cova, o gl os s , a garrafa de água e os bri ncos . Damon bal ançava a cabeça, mas s ó a deteve quando el a s e atrapal hou com o pi ngente de l ápi s -l azúl i e di amante que Stefan dera a el a. E l ena


chorava ao tentar abri r o fecho quando de repente a corda em vol ta de s eu pul s o s e encurtou. — Já bas ta — di s s e Damon. — Você não entende. Ai nda nem entramos na ci dade. Por que não dá uma ol hada na arqui teturaem vez de s e preocupar com es s es pi rral hos i nútei s que vão morrer de qual quer j ei to? — Que fri eza, a s ua — di s s e E l ena, mas não cons egui a pens ar em um j ei to de fazê-l o entender e es tava com rai va demai s para tentar. M es mo as s i m, el a parou de mexer na corrente e ol hou al ém dos barracos , como Damon s ugeri u. Al i podi a ver uma s i l hueta i mpres s i onante, com prédi os que pareci am exi s ti r havi a uma eterni dade, cons truí dos com pedras , como as pi râmi des egí pci as e os zi gurates mai as devi am parecer quando novos . Tudo porém, era ti ngi do de vermel ho e preto por um s ol agora es condi do por repenti nas nuvens carmi m. Aquel e s ol i mens o e vermel ho dava à atmos fera um cl i ma di ferente para di ferentes es tados de es pí ri to. Às vezes pareci a quas e românti co, ci nti l ando em um grande ri o pel o qual E l ena e Damon pas s aram, des tacando mi l marol as no movi mento l ento da água. E m outras ocas i ões , s i mpl es mente pareci a es tranho e agourento, aparecendo cl aramente no hori zonte como um pres s ági o mons truos o, ti ngi ndo as i ns truções , por mai s magní fi cas que fos s em, da cor do s angue. Quando el es s e afas taram di s s o, enquanto os carregadores entravam na ci dade onde fi cavam aquel es prédi os i mens os , E l ena pôde ver s ua própri a s ombra l onga e ameaçadora atrás de s i . — E então? O que acha? — Damon pareci a tentar apl acá-l a. — Ai nda acho que parece o Inferno — di s s e E l ena devagar. — E u detes tari a morar aqui . — Ah, mas quem di s s e que vamos morar aqui , mi nha Pri nces a das Trevas ? Vamos vol tar para cas a, onde a noi te é negra e avel udada e a l ua


bri l ha, dei xando tudo prateado. — Lentamente, Damon pas s ou um dedo na mão de E l ena, s ubi ndo por s eu braço até chegar ao ombro, provocando um arrepi o por dentro de E l ena. E l a tentou manter o véu al to como uma barrei ra contra el e, mas era trans parente demai s . E l e ai nda l he abri a aquel e s orri s o rel uzente e des l umbrante, pel o branco ponti l hado de di amantes — ros ado, é cl aro, por caus a da l uz — que es tava de s eu l ado do véu. — E s te l ugar tem uma l ua? — perguntou el a, tentando di s traí -l o. E l ena es tava com medo, com medo del e, com medo de s i mes ma. — Ah, s i m; acho que três ou quatro. M as s ão pequenas demai s e é cl aro que o s ol nunca bai xa, então não s e pode vê-l as bem. Não é... românti co. — E l e s orri u novamente, des ta vez l entamente, e E l ena vi rou o ros to. E ao ol har para o l ado, el a vi u al go di ante de s i que prendeu toda a s ua atenção. Numa rua trans vers al , uma carroça vi rava, derramando grandes rol os de pel o e couro. Havi a uma vel ha magra de aparênci a fami nta pres a à carroça como uma bes ta, pros trada no chão, e um homem al to e col éri co as s omando s obre el a, des cendo gol pes de um chi cote em s eu corpo des protegi do. O ros to da mul her es tava vol tado para E l ena. Contorci a-s e numa careta de angús ti a, enquanto el a tentava em vão s e enros car, com as mãos na barri ga. E s tava nua da ci ntura para ci ma, mas o chi cote vergas tava s ua carne, e o corpo, do pes coço à ci ntura, recobri a-s e de uma camada de s angue. E l ena s enti u que i nchava de Poderes das As as , mas de al gum modo não aconteci a nada. Des ej ou com toda s ua força vi tal ci rcul ante que al guma coi s a — qualquer coi sa — s e l i bertas s e de s eus ombros , mas não adi antou. Tal vez ti ves s e al go a ver com us ar os res tos das pul s ei ras de es crava. Tal vez fos s e Damon, ao l ado del a, di zendo-l he em uma voz vi goros a para não s e meter. Para E l ena, as pal avras del e não pas s avam de pontuação para a bati da do


coração em s eus ouvi dos . Brus camente, el a s e l i vrou da corda, depoi s s ai u da l i tei ra. E m s ei s ou s ete pas s os es tava ao l ado do homem com o chi cote. E ra um vampi ro, as pres as al ongadas ao ver o s angue, mas não parou s eu açoi te frenéti co. E ra forte demai s para E l ena, mas ... Com um pas s o a mai s E l ena s e pos tou aci ma da mul her, s eus braços es tendi dos num ges to de proteção e defes a. Uma corda pendi a de um pul s o. O dono da es crava não fi cou i mpres s i onado. Já es tava des cendo a chi batada s egui nte e acertou o ros to de E l ena, abri ndo ao mes mo tempo um ras go grande em s ua cami s eta fi na de verão, cortando e l ancetando a carne por bai xo. E nquanto el a ofegava, a ponta chi cote cortou s eus j eans como s e o teci do fos s e mantei ga. Lágri mas s e formaram i nvol untari amente nos ol hos de E l ena, mas el a as i gnorou. Cons egui ra não pronunci ar um s om que fos s e al ém daquel e ofegar no i ní ci o. E ai nda es tava fi rme, exatame onde s e pos tara para proteger a mul her. E l ena podi a s enti r o vento vergas tar s ua bl us a ras gada, enquanto o véu i ntocado os ci l ava às cos tas , como que para proteger a pobre es crava que des mai ara j unto à carroça arrui nada. E l ena ai nda tentava, des es peradamente, i nvocar qual quer As a. Queri a l utar com armas de verdade, e as ti nha, mas não cons egui a obri gá-l as a s al var a s i ou àquel a pobre es crava. M es mo s em el as , E l ena s abi a de uma coi s a. Aquel e canal ha di ante del a na i a tocar na es crava novamente, não s em pri mei ro cortar E l ena em pedaços . Al guém parou para ol har e outra pes s oa s ai u de uma l oj a, correndo. Quando as cri anças que s egui am a l i tei ra a cercaram, gemendo, formou-s e uma mul ti dão. Ao que pareci a, uma coi s a era ver um mercador es pancando s ua s erva des gas tada — as pes s oas daqui devi am ver es s e ti po de coi s a todos os di as .


M as ver es s a l i nda meni na ter as roupas cortadas , es ta meni na de cabel os como s eda s ob um véu branco e dourado, e ol hos que tal vez fi zes s em al guns s e l embrar de um céu azul , do qual mal s e recordavam — i s to era bem di ferente, di s s o, a meni na nova obvi amente era uma es crava bárbara e novata que, s em dúvi da, havi a humi l hado s eu s enhor ao romper as cordas das mãos del e e agora es tava parada al i , trans formando a s anti dade de s eu véu em es cárni o. Um teatro de rua terrí vel . E mes mo com tudo i s s o o s enhor armava outro gol pe, l evantado o braço bem al to e s e preparando para des pej ar toda a s ua forçanel a. Al gumas pes s oas na mul ti dão ofegaram; outras murmuraram, i ndi gnadas . A nova audi ção de E l ena, agora el evada, podi a captar cada s us s urro. Uma meni na assi m não ti nha s i gni fi cado al gum para os corti ços ; devi a s er des ti nada ao coração da ci dade. Sua aura j á mos trava i s s o. Na verdade, com aquel e cabel o dourado e os ol hos azul -cl aros , el a podi a até s er uma Guardi ã do Outro Lado. Quem poderi a s aber? O chi cote que s ubi ra ai nda não des cera. Antes de des cer, houve um cl arão de rai o negro — de puro Poder — que di s pers ou metade da mul ti dão. Um vampi ro, de aparênci a j ovem e ves ti do com roupa do mundo s uperi or, a Terra, ti nha aberto cami nho e s e pos tado entre a meni na de cabel os dourados e o s enhor da es crava — ou mel hor, agora as s omava s obre o s enhor da es crava, que s e encol hi a. Os poucos na mul ti dão que não s e abal aram pel a meni na de i medi ato s enti ram o coração bater mai s forte ao ver aquela fi g ura. E l e era o amo da meni na, certamente, e agora cui dari a do probl ema. Nes s e i ns tante, Bonni e e M eredi th chegaram à cena. E s tavam recl i nadas na l i tei ra, decoros amente enrol adas nos véus , M eredi th num azul -es curo es trel ado e Bonni e num verde-cl aro e s uave. E l as podi am s er uma


i l us tração de As mi l e uma noi tes. M as no momento em que vi ram Damon e E l ena, el as s al taram mai s de manei ra i ndecoros a da l i tei ra. Agora a mul ti dão era tão dens a que abri r cami nho até a frente exi gi a o us o de cotovel os e j oel hos , mas em s egundos el as es tavam ao l ado de E l ena, as mãos des afi adoras des fazendo ou dei xando pender a corda s ol ta, os véus fl utuando ao vento. Quando chegaram ao l ado de E l ena, M eredi th ofegou. Os ol hos de Bonni e s e arregal aram e as s i m fi caram. E l ena entendeu o que el as vi am. O s angue es corri a em abundânci a do corte em s eu ros to e s ua bl us a fi cou aberta ao vento, revel ando a combi nação, também ras gada e ens anguentada. Uma perna do j eans rapi damente fi cava vermel ha. M as , atraí da para a proteção de s ua s ombra, havi a uma fi gura mui to mai s depl orável . E enquanto M eredi th l evantava o véu trans parente de E l ena para aj udar a manter s ua bl us a fechada e mai s uma vez ves ti -l a com decênci a, a mul her l evantou a cabeça, ol hando as três meni nas com os ol hos de um ani mal s endo caçado. Atrás del as , Damon di s s e com brandura: — E s te prazer s erá meu. — E rgueu o homem corpul ento no ar com uma das mãos e atacou s eu pes coço como uma cobra. Houve um gri to horrendo, contí nuo, que não ces s ava. Ni nguém tentou i nterferi r, ni nguém tentou i ncenti var o s enhor da es crava a encarar a bri ga. E l ena, ol hando os ros tos na mul ti dão, percebeu o moti vo, e as ami gas j á es tavam acos tumadas com Damon — ou como al guém pode s e acos tumar a s eu ar um tanto i ndomado de feroci dade. M as es s as pes s oas es tavam vendo pel a pri mei ra vez o j ovem ves ti do de preto, de al tura medi ana e corpo magro, que compens ava a pouca mus cul atura com uma el egânci a s uave l etal . Is to era


ampl i ado pel o s eu dom de domi nar todo o es paço à s ua vol ta, de modo que el e s e tornava faci l mente o foco de qual quer i magem — como uma pantera negra podi a s e tornar o foco s e andas s e pregui ços amente por uma rua movi mentada uma ci dade. M es mo aqui , onde a ameaça e a franca cruel dade eram caracterí s ti cas comuns , es te j ovem i rradi ava um peri go que fazi a todos fi carem fora de s eu campo de vi s ão e j amai s s e col ocarem em s eu cami nho. E nquanto i s s o, E l ena, M eredi th e Bonni e ol havam em vol ta, procurando por al guma as s i s tênci a médi ca, ou mes mo al go l i mpo que es tancas s e o s angue. Depoi s de cerca de um mi nuto, el as perceberam que não cons egui ri am nada, então E l ena apel ou à mul ti dão. — Al guém conhece um médi co? Um curandei ro? — gri tou el a. A pl atei a apenas a ol hou. Pareci a rel utar em s e envol ver com uma meni na que des afi ara o demôni o de preto que agora torci a o pes coço do s enhor da es crava. — E ntão vocês todos acham que não tem nada de mai s — gri tou E l ena, percebendo a perda de control e, o noj o e a fúri a em s ua própri a voz — um canal ha como es s e açoi tar uma grávi da fami nta? Al guns bai xaram os ol hos , outros davam res pos tas que s egui am o raci ocí ni o “E l e era o s enhor del a, não era?”. M as um j ovem que es ti vera recos tado em uma carroça endi rei tou-s e. — Grávi da? — repeti u el e. — E l a não parece grávi da. — M as es tá s i m! — Bem — di s s e o j ovem devagar. — Se for verdade, el e s ó es tá prej udi cando a própri a mercadori a. — E l e ol hou nervos o para onde Damon agora es tava, aci ma do s enhor da es crava derrotado, em cuj o ros to s e formava uma careta medonha de agoni a. E l ena ai nda não havi a cons egui do aj uda nenhuma para uma mul her


que el a temi a es tar à bei ra da morte. — Será que ni ng uém s abe onde pos s o encontrar um médi co? — Agora houve murmúri os em vári os tons na mul ti dão. — Tal vez a gente cons i ga al go s e oferecer al gum di nhei ro a el es — di s s e M eredi th. E l ena de i medi ato col ocou a mão no pi ngente, mas M eredi th foi mai s rápi da, abri ndo o col ar de ameti s ta no pes coço e o es tendendo. — Is to vai para quem nos i ndi car um bom médi co pri mei ro. Houve uma paus a enquanto todos pareceram aval i ar a recompens a e o ri s co. — Não tem nenhuma es fera es tel ar? — perguntou uma voz ofegante. E ntão uma voz aguda e l eve gri tou: — Is s o s erve para mi m! Uma cri ança — s i m, um genuí no pi vete — di s parou para a frente da mul ti dão, pegou a mão de E l ena e apontou, di zendo: — O Dr. M eggar, bem al i na rua. Só a al gumas quadras podemos i r a pé. A cri ança es tava enrol ada num ves ti do vel ho e es farrapado, mas devi a s er apenas para s e aquecer, porque el a, ou el e, também ves ti a cal ças . E l ena não cons egui a s aber s e era meni no ou meni na até que a cri ança l he abri u um s orri s o doce e i nes perado e s us s urrou: — M eu nome é Laks hmi . — O meu é E l ena — di s s e el a. — É mel hor correr, E l ena — di s s e Laks hmi . — Os Guardi ões vão chegar a qual quer mi nuto. M eredi th e Bonni e havi am col ocado a es crava es tupefada de pé, mas el a pareci a s enti r mui ta dor para deci di r s e el as queri am aj udá-l a ou matá-l a. E l ena s e l embrou de como a mul her s e agachara em s ua s ombra. Pôs a mão no braço ens anguentado del a e di s s e em voz bai xa:


— Agora es tá s egura. Vai fi car bem. E s te homem... Seu... s eu s enhor... es tá morto e eu prometo que ni nguém vai machucá-l a novamente. E u j uro. A mul her a ol hou, i ncrédul a, como s e o que E l ena di zi a fos s e i mpos s í vel . Como s e vi ver s em s er es pancada cons tantemente — mes mo com todo o s angue, E l ena podi a ver ci catri zes anti gas , al gumas como cordões , na pel e da mul her — fos s e al go di s tante demai s da real i dade del a para s equer s er i magi nado. — Eu j uro — di s s e E l ena de novo, s em s orri r, mai s s eri amente. E l a entendeu que es te era um fardo que el a tomava para toda a vi da. Está tudo bem, pens ou el a, e percebeu que havi a al gum tempo envi ava s eus pens amentos a Damon. Eu sei o que estou fazendo. Posso assumi r a responsabi li dade di sso. Temcerteza?, a voz de Damon chegou a el a, i ns egura, como E l ena nunca ouvi ra. Porque eu não vou cui dar de uma bruxa velha quando você se cansar dela. Nemmesmo sei se estou preparado para li dar como que vai me custar ter matado esse creti no do chi cote. E l ena s e vi rou para el e. Damon fal ava s éri o. B om, então porque você o matou?, el a o des afi ou. Está bri ncando? Damon l he provocou um choque com a veemênci a e a mal i gni dade daquel e pens amento. Ele feri u você. Eu o devi a ter matado mai s devag ar, acres centou el e, i gnorando um dos carregadores que s e aj oel hava ao l ado del e, s em dúvi da perguntando o que fazer. Os ol hos de Damon, porém, es tavam fi xos no ros to de E l ena, no s angue que ai nda es corri a do corte. IIfi g li o de cafone, pens ou Damon, os l ábi os s e repuxando nos dentes enquanto el e ol hava o cadáver. Até o carregador fugi u às pres s as , engati nhado. — Damon, não os dei xe i r embora! Traga-os aqui , agora... — começou E l ena, e depoi s , com uma es péci e de ofegar col eti vo a s eu redor, conti nuou s em fal ar: Não dei xe os carreg adores parti rem. Nós preci s amos de uma li tei ra para levar esta pobre mulher ao médi co. E por que todo mundo está me encarando ? Porque você é uma escrava e está fazendo coi sas que nenhumescravo faz e ag ora está dando


ordens, a mi m, seu amo. A voz tel epáti ca de Damon era amarga. Isso não é uma ordem. É um... Olha, qualquer cavalhei ro aj udari a, uma dama comproblemas, não é? B om, somos quatro aqui e uma tem mai s problemas do que você pode i mag i nar. Não, são três. Acho que vou preci sar de umas suturas e B onni e está aponto de desmai ar. El ena es pi caçava os pontos fracos e s abi a que Damon entendi a o que el a es tava fazendo. M as el e ordenou que um dos grupos de carregadores pegas s e a es crava e que o outro l evas s e as meni nas . E l ena fi cou com a mul her e termi nou numa l i tei ra com as corti nas fechadas . O chei ro de s angue era cúpri co e l he dava vontade de chorar. M es mo que não qui s es s e ol har as l es ões da es crava de perto, o s angue es corri a pel a l i tei ra. E l a s e vi u ti rando a bl us a e a combi nação e ves ti ndo apenas a bl us a, us ando a combi nação para entancar um corte no pei to da mul her. Sempre que a mul her ergui a os ol hos cas tanho-es curos e as s us tados para el a, E l ena tentava s orri r para l he dar coragem. E l as es tavam em al gum l ugar nos fos s os da comuni cação, onde um ol har e um toque s i gni fi cavam mai s do que as pal avras . Não morra, pens ava E l ena. Não morra, você tem al go por que vi ver. Vi va para s er l i vre e por s eu fi l ho. E tal vez parte do que el a pens ava es ti ves s e chegando à mul her, porque el a rel axou contra as al mofadas da l i tei ra, s egurando a mão de E l ena.


17 O nome del a é Ul ma — di s s e uma voz que fez E l ena ol har para bai xo e avi s tar Laks hmi puxando as corti nas da l i tei ra, col ocando a mão na cabeça da mul her. — Todo mundo conhece o Vel ho Drohzne e s eus es cravos . E l e bate nel es até que des mai em, então es pera que el es peguem o ri qui xá e s ai am l evando uma carga. E l e mata ci nco ou s ei s por ano. — E s ta el e não cons egui u matar — murmurou E l ena. — E l e teve o que mereceu. — E l a apertou a mão de Ul ma. E l ena fi cou i mens amente al i vi ada quando a l i tei ra parou e Damon apareceu, no momento em que el a es tava pres tes a negoci ar com um dos carregadores para l evar Ul ma nos braços até o médi co, Sem l i gar para a própri a roupa, Damon ai nda cons egui ra, de al guma forma, trans mi ti r des i nteres s e enquanto pegava a mul her — Ul ma — e as s enti a para E l ena s egui -l o. Laks hmi pul ava em vol ta del e e cami nhou na frente, entrando em um páti o de pedra de des enho i ntri ncado, des cendo um corredor envi es ado com al gumas portas s ól i das , de aparênci a res pei tável . Por fi m, bateu em uma porta e um homem enrugado, com uma cabeça i mens a e o mai s l eve ves tí gi o de barba, abri u-a com cautel a. — Não tenho nenhum ketterri s aqui ! Nem hexen, nem zemeral! E não gos to de fei ti ços ! — Depoi s , es pi ando, com os ol hos mei o fechados , como s e fos s e mí ope, el e pareceu focal i zar no pequeno grupo. — Laks hmi ? — di s s e el e. — Trouxemos uma mul her que preci s a de aj uda — di s s e E l ena pi damente. — E que es tá grávi da. O s enhor é médi co, não é? Um curandei ro? — Um curandei ro de capaci dade um tanto l i mi tada. E ntrem, entrem. O médi co s e apres s ava para uma s al a dos fundos . Todos o s egui ram, Damon ai nda carregando Ul ma. Depoi s de entrar, E l ena vi u que o curandei ro


es tava no canto do que pareci a um s antuári o mági co, onde havi a vodu e bruxari a de médi co. E l ena, M eredi th e Bonni e s e ol haram, nervos as , mas E l ena ouvi u um barul ho de água e percebeu que o médi co es tava no canto porque havi a uma baci a de água al i , onde el e l avava bem as mãos , enrol ando as mangas até os cotovel os e fazendo bas tante es puma. E l e podi a s e cons i derar " curandei ro" , mas entendi a os pri ncí pi os bás i cos da hi gi ene, pens ou E l ena. Damon col ocara Ul ma no que pareci a uma mes a de exames , forrada com um l ençol branco e l i mpo. O médi co as s enti u para el e. Depoi s , com um muxoxo, puxou uma bandej a de i ns trumentos e mandou que Laks hmi pegas s e panos para l i mpar os cortes e es tancar o s angue. Também abri u vári as gavetas de onde ti rou al guns s acos de chei ro forte e s ubi u numa es cada para pegar mol hos de ervas medi ci nai s que pendi am do teto. Por fi m abri u uma pequena cai xa e s e s ervi u de um pouco de rapé. — Rápi do, por favor — di s s e E l ena. — E l a perdeu mui to s angue. — E você não, né? — di s s e o homem. — M eu nome é Kephar M eggar... E es ta é es crava do chefe Drohzne, não? — E l e os ol hou como al guém que us ava ócul os , mas no momento não os ti nha. —vocês também devem s er es cravas , não? — E l e ol hou a corda que E l ena ai nda trazi a, depoi s vi rou-s e para Bonni e e M eredi th, uma del as com uma corda i gual . — Si m, mas ... — E l ena parou. E l a era a i nvas ora. Quas e di s s e “mas não de verdade; apenas para cumpri r com as convenções ”. E m vez di s s o, contentou-s e em di zer: — M as nos s o amo é mui to di ferente do del a. — E l es eram real mente mui to di ferentes , pens ou E l ena. Para começar, Damon não ti nha o pes coço quebrado. E depoi s , por mai s cruel e mortal que pudes s e s er, el e j amai s bateri a numa mul her, mui to menos fari a al go como o que aquel e homem fez a Ul ma. E l e pareci a ter uma es péci e de bl oquei o i nterno contra


i s s o — a não s er quando es tava pos s uí do por Shi ni chi e não cons egui a control ar os própri os mús cul os . — E no entanto Drohzne permi ti u que trouxes s em es ta mul her a um curandei ro? — O homenzi nho es tava chei o de s us pei tas . — Não, el e não nos dei xari a fazer i s s o, di s s o eu tenho certeza — di s s e E l ena categori camente. — M as por favor... E l a es tá s angrando e vai ter um bebê... As s obrancel has do Dr. M eggar s ubi ram e des ceram. M as s em pedi r a ni nguém para s ai r enquanto a tratava, el e pegou um es tetos cópi o anti quado e aus cul tou atentamente o coração e os pul mões de Ul ma. Chei rou s eu hál i to, depoi s genti l mente apal pou s eu abdome abai xo da combi nação ens anguentada de E l ena, tudo com um ar extremamente profi s s i onal . Depoi s col ocou uma garrafa marrom nos l ábi os da mul her, da qual el a tomou al guns gol es , e então afundou de novo, de ol hos fechados , res pi rando l entamente. — Agora — di s s e o homenzi nho — el a vai des cans ar confortavel mente. Vai preci s ar de mui tas s uturas , as s i m como você, mas i magi no que s ó s e o s eu amo qui s er. — O Dr. M eggar di s s e a pal avra amo com uma i mpl i cação cl ara de anti pati a. — M as pos s o prati camente garanti r que el a não vai morrer. Quanto ao bebê, eu j á não s ei . Pode nas cer marcado como res ul tado do que acabou de acontecer... M arcas de nas cença, tal vez... Ou pode ter uma s aúde perfei ta. M as com boa ali mentação e repouso — as s obrancel has do Dr. M eggar s ubi ram e des ceram novamente, como s e o médi co qui s es s e di zer i s s o na cara do s enhor Drohzne —, el a vai s e recuperar. —Cui de de E l ena pri mei ro, então — di s s e Damon. — Não, não! — di s s e E l ena, empurrando o médi co. E l e pareci a um bom homem, mas obvi amente, por aqui , os s enhores eram os s enhores , e Damon era mai s s enhori al e i nti mi dador do que a mai ori a.


M as não nes te momento, para E l ena. E l a não s e i mportava cons i go mes ma. Fez uma promes s a — as pal avras do médi co i mpl i cavam que el a podi a cumpri -l a. E ra com i s s o que s e i mportava. Subi ndo e des cendo di vers as vezes , as s obrancel has do Dr. M eggar pareci am duas l agartas em uma corda el ás ti ca. Uma s e atras ava um pouco em rel ação à outra. Não havi a dúvi da de que o comportamento que el e vi a era anormal , i ncl us i ve pas s í vel de s er s eri amente puni do. M as E l ena s ó o percebi a peri feri camente, as s i m como notava a pres ença de Damon. — Aj ude-a — di s s e el a com veemênci a; e vi u as s obrancel has do médi co s ubi rem como s e el e mi ras s e o teto. E l a dei xou s ua aura es capar. Não i ntei ramente, graças a Deus , mas s em dúvi da des carregara uma onda, como um cl arão de rai o na s al a. E o médi co, que não era vampi ro, apenas um ci dadão comum percebeu. Laks hmi percebeu; até Ul ma s e agi tou na mes a de exames , i nqui eta. Terei que s er mui to mai s cui dados a, pens ou E l ena. E l a l ançou um rápi do ol har a Damon, que es tava pres tes a expl odi r — el a ti nha certeza di s s o. E moções demai s , s angue demai s na s al a e a adrenal i na de matar ai nda pul s avam em s ua corrente s anguí nea. Como E l ena s abi a di s s o tudo? Porque Damon também não es tava compl etamente control ado, percebeu E l ena. E l a s enti a coi s as di retamente da mente del e. E ra mel hor ti rá-l o dal i , e bem rápi do. — Vamos es perar l á fora — di s s e el a, pegando o braço de Damon, para choque evi dente do Dr. M eggar. As es cravas , mes mo as boni tas , não agi am des s a manei ra. — E s perem

no páti o,

então — di s s e

o médi co,

control ando

cui dados amente s eu ros to para não s e di ri gi r es peci al mente a E l ena. —


Laks hmi , dê umas ataduras para que el es pos s am es tancar o s angramento da j ovem. Depoi s vol te; vou preci s ar de s ua aj uda. — Só uma pergunta — acres centou el e enquanto E l ena e outros s aí am da s al a. — Como você s abe que es ta mul her grávi da? Que ti po de fei ti ço pode afi rmar i s s o? — Não é fei ti ço — res pondeu E l ena. — Qual quer mul her que a vi s s e s aberi a. — E l a vi u Bonni e l he l ançar um ol har ofendi do mas M eredi th conti nuou i nes crutável . — Aquel e es cravagi s ta horrí vel ... Drogs i e... s ei l á o nome del e... a es tava chi coteando perto do abdome — di s s e E l ena. — E vej a es s es cortes . — E l a es tremeceu, ol hando doi s ras gos que atraves s avam o es terno de Ul ma. — Qual quer mul her tentari a proteger os s ei os , mas el a tentava cobri r a barri ga. Is s o quer di zer que el a es tá grávi da, e há tempo s ufi ci ente para s aber di s s o. As s obrancel has do Dr. M eggar des ceram — depoi s el e ol hou para E l ena, como s e es pi as s e por ci ma dos ócul os , e as s enti u devagar. — Pegue as ataduras e es tanque o s angramento — di s s e el e a E l ena, não a Damon. Ao que pareci a, es crava ou não, el a havi a conqui s tado o res pei to del e. Por outro l ado, E l ena pareci a ter perdi do pontos com Damon — ou, pel o menos , el e des l i gou s ua mente da del a mui to del i beradamente, dei xando-a de frente para um muro branco. Na s al a de es pera do médi co, el e acenou i mperi os amente para Bonni e e M eredi th. — E s perem nes ta s al a — di s s e el e, ou mel hor, ordenou. — Não s ai am antes que o médi co venha. Não dei xem ni nguém entrar pel a porta da frente... Tranquem-na agora e a mantenham fechada. E l ena vi rá comi go até a cozi nha... Pel a porta de trás . Não quero s er i ncomodado por ni ng uém, a não s er que uma mul ti dão furi os a ameace i ncendi ar a cas a, entenderam? As duas ?


E l ena podi a ver Bonni e pres tes a expl odi r, “M as E l ena ai nda es tá s angrando!”, e os ol hos e a tes ta de M eredi th i ndi cavam que es tava aval i ando s e devi am aci onar recurs os da i rmandade vel oci raptor. Todas s abi am que o Pl ano A era es te: Bonni e s e ati rari a braços de Damon, chorando copi os amente ou bei j ando-o com pai xão, o que mai s combi nas s e com a s i tuação, enquanto E l enan e M eredi th s e aproxi mavam pel o l ado e... Bom, fazi am o que devi a s er fei to. E l ena, com um ol har s éri o, vetou categori camente i s to. E ra Irdade que Damon es tava furi os o, mas el a podi a s enti r que era mai s com Drohzne do que com el a. O s angue o agi tara, s i m, mas el e es tava acos tumado a manter o control e em s i tuações s angrentas . E el a preci s ava de al guém para aj udá-l a a cui dar dos feri mentos , que começaram a doer mui to, des de que ouvi ra que a mul her que ti nha res gatado vi veri a e que até poderi a ter o bebê. M as s e Damon es tava pens ando em al guma coi s a, el a queri a s aber o que era... agora. Com um úl ti mo ol har reconfortante para Bonni e, E l ena s egui u Damon pel a porta da cozi nha. Havi a uma tranca. Damon ol hou para el a e abri u a boca; E l ena a fechou. Depoi s ol hou para s eu “amo”. E l e es tava parado j unto à pi a, bombeando água metodi camente, com uma das mãos na tes ta. O cabel o caí a nos ol hos e a água es pi rrava nel e, mol handoo todo, mas el e não pareceu s e i mportar. — Damon? — di s s e E l ena, i ns egura. — Você es tá... bem? E l e não res pondeu. Damon?, tentou tel epati camente. Eu dei xei que você se feri sse. Sou bemrápi do, podi a ter matado aquele creti no do Drohzne com apenas umg olpe de Poder. Mas não i mag i nava que você poderi a se machucar. Sua voz tel epáti ca era ao mes mo tempo chei a do ti po mai s s ombri o de ameaça que podi a exi s ti r e uma cal ma es tranha, quas e genti l . Como s e el e tentas s e manter toda a feroci dade e rai va l onge del a.


Eu nem mesmo di sse a ele... Nem mesmo lhe envi ei palavras para di zer o que ele era. Não conseg ui a pensar. Ele era telepata; teri a me ouvi do. Mas eu não ti nha o que di zer. Só conseg ui g ri tar... E m mi nha mente. E l ena fi cou mei o tonta — um pouco mai s tonta do que j á es tava. Damon es tava angus ti ado des s e j ei to... por caus a del a? E l e não es tava i rri tado porque el a quebrava todas as regras na frente de uma mul ti dão, tal vez es tragando s eu di s farce? E l e não s e i mportava por ter s i do di famado? — Damon — di s s e el a. E l e s e s urpreendeu quando el a fal ou em voz al ta. — Is s o... Is s o... não i mporta. Não é cul pa s ua. Você j amai s teri a me dei xado fazer... — Mas eu devi a saber que você não pedi ri a! Pens ei que você i a ataca-l o, pul ar nos ombros del e e montar no homem, e es tava pronto para aj udá-l a ni s s o, a derrubá-l o como s e fôs s emos doi s l obos pegando um al ce. M as você não é uma es pada, E l ena. Pens e o que qui s er, mas você é um es cudo. E u devi a s aber que você mes ma l evari a o gol pe s egui nte. E por mi nha caus a, você recebeu... — Seus ol hos vagaram para o ros to de E l ena e el e es tremeceu. Depoi s el e pareceu s e recompor um pouco. — A água es tá fri a, mas é pura. Preci s amos l i mpar es s es cortes e es tancar o s angramento agora. — Será que tem al gum Bl ack M agi c por aqui ? — di s s e E l ena, mei o de bri ncadei ra. Aqui l o i a doer. Damon, porém, i medi atamente começou a abri r armári os . — Tome — di s s e el e, depoi s de vas cul har em apenas três , ergendo tri unfante uma garrafa de Bl ack M agi c pel a metade. — M ui tos médi cos us am i s s o como remédi o e anes tés i co. Não s e preocupe; vou pagar bem por i s s o. E ntão acho que devi a tomar também — di s s e E l ena com ous adi a. —


Vamos , vai fazer bem a nós doi s . E não s eri a a pri mei ra vez. E l a s abi a que a úl ti ma fras e afetari a Damon. Seri a uma forma de recuperar parte do que Shi ni chi ti rara del e. Ai nda não s ei como, mas vou recuperar todas as l embranças que Shi ni chi ti rou de Damon, deci di u E l ena, fazendo o máxi mo para es conder s eus pens amentos del e com ruí do branco. Não s ei como, e não s ei quando terei es s a chance, mas eu j uro que vou. Euj uro. Danon encheu duas taças com o vi nho encorpado e de chei ro i nebri ante e entregou uma a E l ena. Comece beberi cando — di s s e el e, cedendo ao papel de i ns trutor — É de uma boa s afra. E l ena beberi cou, em s egui da bebeu o res tante de uma s ó vez. E s tava com s ede e o vi nho Cl ari on Loes s Bl ack M agi c não ti nha ál cool al gum — per se. Certamente o s abor não era de vi nho comum. Ti nha gos to de uma água de fonte extraordi nari amente refres cante e eferves cente, aromati zada com uvas doces , es curas e avel udadas . Damon, pel o que E l ena percebeu, também s e es quecera de beberi car. E el a acei tou de bom grado quando el e l he ofereceu uma s egunda taça para acompanhá-l o. A aura de Damon havi a s e acal mado mui to, pens ou el a, quando el e pegou um pano mol hado e começou, del i cadamente, a l i mpar o corte que quas e s egui a a l i nha da maçã do ros to de E l ena. Foi o pri mei ro a parar de s angrar, mas agora el e preci s ou refazer o fl uxo de s angue, para l i mpá-l o. Com duas taças de Bl ack M agi c e s em comer nada des de o café da manhã, E l ena s e vi u rel axando no encos to da cadei ra, dei xando a cabeça pender um pouco para trás , fechando os ol hos . E l a não vi u o tempo pas s ar, enquanto el e es fregava o corte s uavemente. E el a perdeu o control e es tri to de s ua aura.


Quando abri u os ol hos , não foi em res pos ta a nenhum s om ou es tí mul o vi s ual . Foi um cl arão na aura de Damon, de determi nação repenti na. — Damon? E l e es tava de pé ao l ado del a. Sua fi gura es cura rel uzi a atrás del e como uma s ombra, al ta, l arga e quas e hi pnóti ca. Sem dúvi da as s us tadora. — Damon? — di s s e el a de novo, i ns egura. — Não es tamos fazendo i s s o di rei to — di s s e el e, e os pens amentos de E l ena l ampej aram num áti mo a s ua des obedi ênci a como es crava e as i nfrações menos graves de Bonni e e M eredi th. M as a voz del e era como vel udo negro, e o corpo de E l ena reagi u com mai s preci s ão do que s ua mente. De repente el a tes tava remendo. — Como... vamos fazer i s s o di rei to? — perguntou el a, depoi s cometeu o erro de abri r os ol hos . Des cobri u que el e es tava s e curvando s obre el a, s entada na cadei ra, e afagava — não, apenas tocava — s eu cabel o com tal s uavi dade que el a nem havi a s enti do. — Os vampi ros s abem cui dar de feri das — di s s e el e confi ante, e s eus ol hos grandes , que pareci am reter todo o uni vers o de es trel as , s e fi xaram nos del a. — Podemos l i mpá-l as . Podemos recomeçar o s angramento... Ou detê-l o. Já s enti i s s o antes , pens ou E l ena. E l e j á fal ou comi go des s e j ei to, mes mo que não s e l embre. E eu... E u es tava as s us tada demai s . M as i s s o foi antes ... Antes do hotel . Na noi te em que el e di s s e para el a fugi r, mas el a s e recus ou. A noi te que Shi ni chi ti rou del e, como ti rou a pri mei ra vez que el es di vi di ram o vi nho Bl ack M agi c. — M os tre-me — s us s urrou E l ena. E el a s abi a que al go em s ua mente também s us s urrava, mas eram pal avras di ferentes . Pal avras que el a j amai s di ri a s e, por um s egundo que fos s e, pens as s e em s i mes ma como es crava. Eu sou sua...


Foi quando el a s enti u os l ábi os de Damon roçando de l eve os del a. E depoi s el a s ó pens ou, Oh e Ah, Damon... Até que el e pas s ou a tocar genti l mente s eu ros to com a l í ngua maci a e s edos a, mani pul ando s ubs tânci as , pri mei ro para formar um fl uxo s anguí neo de l i mpeza e, fi nal mente, quando as i mpurezas ti nham s i do varri das com tanta s uavi dade, cons egui u parar o s angramento e curar a feri da. E l a podi a s enti r o Poder de Damon, o Poder s ombri o que el e us ara em mi l l utas , i nfl i gi ndo centenas de feri das l etai s , s endo refreado para s e concentrar nes ta tarefa s i mpl es e humi l de, curar a marca de uma chi batada no ros to de uma meni na. E l ena pens ou que aqui l o era como s er afagada pel as pétal as daquel a ros a Bl ack M agi c, as pétal as fri as e s uaves genti l mente al i vi ando toda a dor, até que el a tremeu de prazer. E parou. E l ena s abi a que, mai s uma vez, ti nha bebi do demai s . M as des ta vez não s enti u náus eas . A bebi da enganos amente l eve s ubi ra para s ua cabeça, dei xando-a embri agada. Tudo ti nha um caráter i rreal , de s onho. — Agora vou termi nar de curar você — di s s e Damon, tocando s eu cabel o novamente, com tanta s uavi dade que el a mal s enti a. M as des ta vez el a s enti u, porque mandou dedos de Poder para encontrar a s ens ação e des frutar cada momento. E ma uma vez el e a bei j ou — tão de l eve —, os l ábi os mal roçando os del a. Quando a cabeça de E l ena tombou para trás , porém, el e não a acompanhou, mes mo quando, decepci onada, el a tente puxar a nuca del e, Damon s i mpl es mente es perou que E l ena des l i gas s e... l entamente. Não deví amos es tar nos bei j ando. M eredi th e Bonni e es tão bem aqui do l ado. Por que eu s ó me meto em encrenca? M as Damon nem es tá tentando me bei j ar... E a gente devi a... Oh! As outras feri das . E l as agora real mente doí am. Que pes s oa cruel pens ari a em us ar um


chi cote daquel e j ei to, pens ou E l ena, com uma ponta fi na como naval ha, que corta tão fundo que nem dói no começo — ou não dói tanto... M as fi ca cada vez pi or com o tempo? E não para de s angrar... Temos que es tancar o s angramento até que o médi co pos s a me ver... M as s ua outra feri da, aquel a que agora ardi a como fogo, atraves s ava a cl aví cul a em di agonal . E a tercei ra fi cava perto do j oel ho... Damon começou a s e l evantar para pegar outro pano na pi a e l i mpar o corte com água. E l ena o deteve. — Não. — Não? Tem certeza? — Tenho. — Só quero l i mpar i s s o... — E u s ei . — E l a s abi a. A mente de Damon es tava aberta a el a, todo o Poder turbul ento correndo com cl areza e tranqui l i de. E l a não s abi a por que es tava aberta des s e j ei to, mas es tava. — Pres te atenção, E l ena, não dê s eu s angue a nenhum vampi ro mori bundo; não dei xe ni nguém prová-l o. Pode s er pi or do que Bl ack M agi c... — Pi or? — E l a s abi a que el e a es tava el ogi ando, mas não entendeu. — E l e vi ci a. Quanto mai s s e tem, mai s s e quer — res pondeu Damon e, por um momento, E l ena vi u a turbul ênci a que de fato havi a caus ado naquel as águas cal mas . — E quanto mai s s e bebe, mai s Poder s e pode abs orver — acres centou el e, s éri o. E l ena percebeu que nunca pens ara ni s s o como um probl ema, mas era. E l a s e l embrou da agoni a que foi tentar abs orver s ua própri a aura antes de aprender a mante-l a em movi mento com a corrente s anguí nea. — Não s e preocupe — acres centou el e, ai nda s éri o. — Sei em quem es tá


pens ando. — E l e fez um movi mento para pegar o pano. M as s em s aber, ti nha fal ado demai s , pres umi do demai s . — Você s abe em que es tou pens ando? — perguntou E l ena com brandura, e fi cou s urpres a ao ver como s ua própri a voz podi a s oar peri gos a, como o bater s uave das patas pes adas de um ti gre. — Sem me perguntar? Damon tentou s e s afar s uti l mente: — Bom, eu deduzi ... — Ni ng uém s abe o que es tou pens ando — di s s e E l ena. — Até que eu di ga. — E l a s e mexeu e o fez s e aj oel har para ol há-l a, i ndagati vamente. Fami nto. E então, as s i m como o fi zera aj oel har, foi el a que o puxou para s eu feri mento.


18 Com mui to es forço, E l ena vol tou aos poucos para o mundo real . Cravou as unhas no couro da j aqueta de Damon, vi u-s e perguntando brevemente s e aqui l o es tari a i ncomodando, depoi s s eu es tado de es pí ri to foi quebrado novamente por aquel e s om — uma bati da i mperati va e rí s pi da. Damon l evantou a cabeça e ros nou. Nós s omos mes mo uma dupl a de l obos , não é?, pens ou E l ena. Lutando com unhas e dentes . M as outra parte de s ua mente arrematou, Is s o não es tá fazendo as bati das pararem. E l e avi s ou àquel as meni nas ... Aquel as meni nas ! Bonni e e M eredi th! E el e di s s e para não i nterromper a não s er que a cas a es ti ves s e pegando fogo! M as o médi co — ah, Deus , al go aconteceu com a pobre coi tada da mul her! E l a es tá morrendo! Damon ai nda ros nava, com um ves tí gi o de s angue nos l ábi os mas era s ó um ves tí gi o, j á que a s egunda feri da de E l ena fora tão bem curada como a pri mei ra, aquel a que atraves s ava a maçã do ros to. E l ena não fazi a i dei a de quanto tempo s e pas s ara des de que puxou Damon para bei j ar s eu corte. M as agora, com o s angue del a nas vei as e s eu prazer i nterrompi do, el e pareci a uma pantera negra i ndomada nos braços del a. E l a não s abi a s e podi a fazê-l o parar ou reduzi r o ri tmo s em recorrer ao s eu Poder. — Damon! — di s s e el a em voz al ta. — Lá fora... São nos s os ami gos . Lembra? Bonni e, M eredi th e o curandei ro. — M eredi th — di s s e Damon, e novamente s eus l ábi os recuaram, expondo cani nos l ongos e apavorantes . E l e ai nda não havi a vol tado para a real i dade. Se vi s s e M eredi th agora, não fi cari a as s us tado, pens ou E l ena, e, ah, s i m, el a s abi a como s ua ami ga mai s raci onal e ponderada dei xava Damon i nqui eto. E l es vi am o mundo por óti cas di ferentes . E l a o i rri tava como uma


pedra no s apato. M as agora el e podi a l i dar com es s a i nqui etação de uma forma que fari a de M eredi th um cadáver di l acerado. — Dei xe-me ver o que é — di s s e el a, quando es cutou outra bati da; s erá que não podi am parar com i s s o? E l a j á não ti nha probl emas s ufi ci entes ? Os braços de Damon meramente s e es trei taram em E l ena. E l a s enti u um l ampej o de cal or, porque s abi a que, mes mo enquanto a res tri ngi a, el e es tava repri mi ndo grande parte de s ua força. Apenas um déci mo do Poder nos mús cul os da mão era s ufi ci ente para es magá-l a. M as el e tomava todo o cui dado para não fazer i s s o. A onda de s enti mento que a banhou a fez fechar os ol hos brevemente, i ndefes a, mas el a s abi a que aqui l o era a voz da s ani dade. — Damon! E l es podem es tar tentando nos avi s ar al go i mportante... Ou Ul ma pode ter morri do. A morte o fez acordar. Seus ol hos eram fendas , a l uz s angrenta das s corti nas da cozi nha l ançando grades de es carl ate e preto pel o s eu ros to, dei xando-o mui to mai s boni to — e mai s demoní aco — do que nunca. — Você fi ca aqui — di s s e Damon categori camente, s em ter i déi a de es tar s e comportando como um “amo” ou um “caval hei ro”. E ra como uma fera s el vagem protegendo a parcei ra, a úni ca cri atura no mundo que não era concorrênci a ou al i mento. Não havi a como di s cuti r com el e, não nes te es tado. E l ena fi cari a al i . Damon fari a o que fos s e preci s o e pel o tempo que el e j ul gas s e neces s ári o. E l ena não s abi a s e es s es úl ti mos pens amentos ti nham vi ndo del e ou del a. E l es ai nda tentavam s eparar s uas emoções . E l a deci di u obs ervá-l o e s ó s e el e real mente não cons egui s s e s e control ar... Você não i ri a querer me ver descontrolado. Senti -l o s al tar do puro i ns ti nto ani mal para o domí ni o mental gél i do e perfei to era ai nda mai s as s us tador do que s eu l ado ani mal . E l a não s abi a s e


Damon era a pes s oa mai s s ã que conhecera ou s ó a que mel hor encobri a s ua s el vageri a. E l a fechou a bl us a e o vi u cami nhar com uma el egânci a tranqui l a até a porta e, então, de repente e com vi ol ênci a, quas e arrancá-l a das dobradi ças . Ni nguém cai u; ni nguém es tava ouvi ndo s ua convers a parti cul ar. M as M eredi th es tava al i , refreando Bonni e com uma das mãos e a outra ergui da, pronta para bater de novo. — Si m? — di s s e Damon num tom gl aci al . — Pens ei ter di to a vocês ... — Você di s s e, e tem mes mo — di s s e M eredi th, i nterrompendo este Damon, numa tentati va i ncomum de cometer s ui cí di o. — Temo quê? — ros nou Damon. — Tem uma mul ti dão do l ado de fora ameaçando col ocar fogo no prédi o. Não s ei s e es tão aborreci dos por Drohzne ou por trazermos Ul ma, mas es tão defi ni ti vamente enfureci dos e trouxeram tochas . Não queri a i nterromper o “tratamento” de E l ena mas o Dr. M eggar di s s e que el es não vão l he dar ouvi dos . E l e é humano. — E j á foi es cravo — acres centou Bonni e, l i bertando-s e da mão s ufocante de M eredi th. E l a ol hou para Damon com os ol hos cas tanhos s e derramando e as mãos es tendi das . — Só você pode nos s al var — di s s e el a, traduzi ndo a mens agem de s eu ol har em voz al ta, o que s i gni fi cava que as coi s as es tavam real mente fei as . — M ui to bem, mui to bem. Vou cui dar del es . Vocês cui dem de E l ena. — Cl aro, mas ... — Não. — Damon ou fi cara i mpi edos o com o s angue, e as l embrancas que ai nda i mpedi am que E l ena formas s e uma fras e coerente, ou de al gum modo perdera todo o medo de M eredi th. E l e pôs as mãos nos ombros del a e, como era apenas uns ci nco centí metros mai s al to do que el a, então não teve


probl emas para ol har fi xamente em s eus ol hos . — Cui de você de E l ena. Por aqui tragédi as acontecem a todo i ns tante: coi s as i mprevi s í vei s , horrí vei s , mortai s. E não quero que aconteça uma del as com E l ena. M eredi th fi cou ol hando para el e por um bom tempo e pel a pri mei ra vez não cons ul tou E l ena com os ol hos antes de res ponder a uma pergunta s obre um as s unto que a envol vi a. Si mpl es mente di s s e “Vou protegê-l a” numa voz bai xa e s em emoção. Pel a pos tura que ti nha, por s eu tom de voz, quas e s e podi a ouvi r um acrés ci mo mudo, “com a mi nha vi da” — e i s s o nem pareci a mel odramáti co. Damon a s ol tou, andou até a porta e, s em ol har para trás , des apareceu da vi s ta de E l ena. M as a voz mental del e era cri s tal i na em s ua mente: Você fi cará seg ura se houver alg uma manei ra de salvá-la. Eu j uro. Se houver al guma manei ra de s er s al va. Óti mo. E l ena tentou fazer o cérebro funci onar novamente. M eredi th e Bonni e a ol havam. E l ena res pi rou fundo, automati camente atraí da a um pas s ado l ongí nquo, quando uma meni na recém-s aí da de um encontro românti co podi a es perar um i nterrogatóri o l ongo e s éri o. — Seu ros to... es tá mui to mel hor! — foi s ó o que Bonni e di s s e. — É — di s s e E l ena, us ando as duas pontas da bl us a para amarrar um top i mprovi s ado. — O probl ema é a mi nha perna. Nós ai nda não... termi namos . Bonni e abri u a boca, mas a fechou, deci di da, o que, vi ndo del a, era uma demons tração de heroí s mo s emel hante à promes s a de M eredi th a Damon. Quando a abri u de novo, foi para di zer: — Pegue meu cachecol e amarre na perna. Vai aj udar a es tancar o s angue. — Acho que o Dr. M eggar termi nou com Ul ma — di s s e M eredi th. — Tal vez el e pos s a ver você.


Na outra s al a, o médi co mai s uma vez l avava as mãos , us ando uma bomba grande para col ocar mai s água na baci a. Havi a panos s uj os de s angue numa pi l ha e um chei ro que E l ena fi cou grata ao médi co por ter camufl ado com ervas . E m uma cadei ra grande que pareci a confortável , s entava-s e uma mul her que E l ena não reconheceu. E l ena s abi a que o s ofri mento e o terror podi am mudar uma pes s oa, mas nunca teri a percebi do o quanto — nem o quanto al í vi o e a l i bertação da dor podi am al terar um ros to. E l a havi a s al vado uma mul her que, em s ua mente, s e enros cou até fi ca quas e do tamanho de uma cri ança, e cuj a face pequena e arrui nada, retorci da por uma agoni a e um pavor i mpl acávei s , parecera quas e uma es péci e de des enho abs trato de um duende. A pel e era de um tom ci nzento doenti o, o cabel o fi no mal pareci a s ufi ci ente para cobri r a cabeça e pendi a em mechas como al gas mari nhas . Tudo nel a gri tava que era uma es crava, das pul s ei ras de ferro nos pul s os , a nudez e o corpo com ci catri zes e s angue, a s eus pés des cal ços e chei os de ferrugem. E l ena nem s abi a di zer a cor dos ol hos da mul her, porque pareci am tão ci nzentos como o res to do corpo. Agora E l ena es tava di ante de uma mul her que tal vez es ti ves s e na cas a dos 30 anos . Ti nha um ros to magro, boni to e um tanto ari s tocráti co, com um nari z marcante e nobre, ol hos es curos que pareci am pers pi cazes e bel as s obrancel has que pareci am as as de uma ave em pl eno voo. E s tava rel axada na pol trona os pés num di vã, es covando l entamente o cabel o, que era es curo com al guns fi os gri s al hos que empres tavam um ar de di gni dade ao roupão azul es curo e s i mpl es que us ava. Seu ros to ti nha rugas que l he davam pers onal i dade, mas , em geral , obs ervava-s e nel a uma es péci e de ternura nos tál gi ca, tal vez devi do ao l eve vol ume na barri ga, em que agora genti l mente col ocaa mão. Quando fez i s s o, s eu ros to corou e todo o s eu s embl ante pareceu bri l har.


Por um i ns tante E l ena pens ou que devi a s er a es pos a ou a empregada do médi co e quas e perguntou s e Ul ma, a pobre es crava, ti nha morri do. Depoi s vi u o que um punho do roupão azul -es curo não podi a es conder: um vi s l umbre de uma pul s ei ra de ferro. E s ta mul her ari s tocráti ca, morena e magra era Ul ma. O médi co operara um mi l agre. Um curandei ro, como el e s e nomeava. E ra evi dente que, como Damon, el e podi a curar feri das . Ni nguém que ti ves s e s i do açoi tado como Ul ma podi a aparecer nes te es tado s em uma magi a poderos a. Obvi amente s eri a i mpos s í vel tentar s i mpl es mente s uturar a confus ão s angrenta que E l ena trouxera, e ai nda as s i m o Dr. M eggar a curou. E l ena es ti vera em uma s i tuação des s as , então recorreu às boas manei ras com que fora cri ada na Vi rgí ni a. — É bom ver a s enhora. M eu nome é E l ena — di s s e el a, es tendendo a mão. A es cova cai u na cadei ra. A mul her es tendeu as duas mãos para E l ena. Aquel es ol hos es curos e penetrantes pareci am devorar s eu ros to. — É você — di s s e el a, depoi s , ti rando os pés com chi nel os do di vã, col ocou-s e de j oel hos . — Ah, não, s enhora! Por favor! O médi co l he di s s e para des cans ar. Agora é mel hor fi car s entada e qui eta. — M as é você. — Por al gum moti vo, a mul her pareci a preci s ar de confi rmação. E E l ena es tava di s pos ta a fazer qual quer coi s a para tranqui l i zál a. — Sou eu — di s s e E l ena. — E agora acho que a s enhora deve s e de novo. E l a obedeceu i medi atamente e, no entanto, havi a uma l eveza al egre em tudo o que Ul ma fazi a. E l ena entendeu i s s o depoi s de al gumas horas de


es cravi dão. Obedecer quando s e ti nha al ternati va era i ntei ramente di ferente de obedecer porque a des obedi ênci a podi a s i gni fi car a morte. M as mes mo enquanto s e s entava, Ul ma permaneceu com os braços es tendi dos . — Ol he para mi m! Serafi m, deus a, Guardi ã... quem quer que s ej a: ol he para mi m! Depoi s de três anos vi vendo como um ani mal eu me tornei humana de novo... Graças a você! Você apareceu como um anj o de l uz e s e pos tou entre mi m e a chi bata. — Ul ma começou a chorar, mas s uas l ágri mas pareci am de al egri a. Seus ol hos procuraram o ros to de E l ena, demorando-s e na maça do ros to marcada. — M as você não é Guardi ã; el es têm fei ti ços que os protegem, mas nunca i nterferem. Por três anos , nunca i nterferi ram. E u vi todos os meus ami gos , meus companhei ros es cravos , caí rem ao chi cote dele e à fúri a dele. — E l a bal ançou cabeça, como s e fos s e fi s i camente i ncapaz de di zer o nome Drohzne. — E u l amento mui to... Lamento tanto... — E l ena es tava atrapal hada. Ol hou para trás e vi u que Bonni e e M eredi th es tavam i gual mente abal adas . — Não i mporta. Soube que s eu companhei ro o matou na rua. — E u contei a el a — di s s e Laks hmi com orgul ho. Ti nha entrado na s al a s em que ni nguém percebes s e. — M eu companhei ro? — E l ena gaguej ou. — Bom, el e não é meu... Quero di zer, el e e eu... Nós ... — E l e é nos s o dono — di s s e M eredi th com franqueza, de trás de E l ena. Ul ma ai nda ol hava para E l ena com os ol hos chei os de emoção. — Vou rezar todo di a para que s ua al ma as cenda daqui . E l ena fi cou s urpres a. — As al mas podem as cender daqui ? — M as é cl aro. O arrependi mento e as boas ações podem res ul tar ni s to,


e as orações dos outros s empre s ão l evadas em cons i deração, eu crei o. E l a não fal a como es crava, refl eti u E l ena. E l a tentou pens ar numa manei ra de abordar o as s unto com del i cadeza, confus a, s ua perna doí a e s uas emoções es tavam num turbi l hão. — A s enhora não parece... Bom, com o que eu es perari a de uma es crava — di s s e el a. — Ou es tou s ó s endo mui to i ngênua? E l a podi a ver as l ágri mas s e formarem nos ol hos de Ul ma. — Ah, Deus ! Por favor, es queça o que eu perguntei . Por favor... — Não! Não há ni nguém a quem eu quei ra mai s contar. Se qui s er ouvi r como cheguei a es te es tado de degradação... — Ul ma es perou, ol hando E l ena — es tava cl aro que es s e úl ti mo des ej o de E l ena era para Ul ma uma ordem. E l ena ol hou para M eredi th e Bonni e. Não ouvi a mai s gri tos da rua e o prédi o certamente não pareci a es tar pegando fogo. Fel i zmente, nes s e momento, o Dr. M eggar entrou de novo. — Já fi zeram as apres entações ? — perguntou el e, as s obrancel has agora em movi mentos contrári os : uma s ubi a e outra des ci a. E l e es tava com a garrafa de Bl ack M agi c nas mãos . — Si m — di s s e E l ena —, mas eu es tava me perguntando s e devemos evacuar o prédi o ou coi s a as s i m. Parece que tem uma mul l ti dão... — O companhei ro de E l ena vai dar trabal ho a el es — di s s e Laks hmi com s ati s fação. — Todos foram para o Ponto de Reuni ão para res ol ver a hi s tóri a da propri edade de Drohzne. Apos to que ele vai es murrar al gumas cabeças e vol tar l ogo — acres centou el a ani mada, s em dei xar dúvi das de quem ele era. — Queri a s er meni no para es tar l á. — Você foi mai s coraj os a do que qual quer meni no; foi você quem nos mos trou como chegar aqui — di s s e-l he E l ena. Depoi s cons ul tou M eredi th e Bonni e com os ol hos . Pareci a que a comoção ti nha s e trans feri do a outro l ugar e


Damon era um mes tre em s e s afar de comoções . E l e podi a também... preci sar l utar, l i vrar-s e da energi a exces s i va do s angue de E l ena. Uma comoção podi a em a el e, pens ou E l ena. E l a ol hou para o Dr. M eggar. — Acha que meu... que nos s o amo es tá bem? As s ombrancel has do Dr. M eggar s ubi ram e des ceram. — Tal vez el e tenha de pagar aos parentes do Vel ho Drohzne com s angue, mas não deve s er grande coi s a. Depoi s el e pode fazer o que qui s er com a propri edade daquel e vel ho canal ha — di s s e el e. — E u di ri a que o l ugar mai s s eguro para vocês agora é aqui , l onge do Ponto de Reuni ão. — E l e reforçou s ua opi ni ão s ervi ndo a todos em taças de l i cor, percebeu E l ena, vi nho Bl ack M agi c. — Faz bem aos nervos — di s s e el e, e tomou um gol e. Ul ma abri u s eu s orri s o boni to e cal oros o para el e, enquanto o médi co ci rcul ava a bandej a. — Obri gada... E obri gada... E obri gada — di s s e el a. — Na vou i ncomodál as com mi nha hi s tóri a... — Não, conte... Conte, por favor! — Agora que não havi a peri go i medi ato para el as ou para Damon, E l ena es tava ans i os a para ouvi r a hi s tóri a. Todos os outros as s enti ram. Ul ma corou um pouco, mas começou cal mamente: — Nas ci no rei nado de Kel emen II — di s s e el a. — Sei que i s s o não s i gni fi ca nada para vocês , apenas para os que conheceram a el e e s uas ... i ndul gênci as . E s tudei com mi nha mãe, que s e tornou uma es ti l i s ta mui to popul ar. M eu pai era um des i gner de j ói as quas e tão famos o quanto el a. Ti nham uma propri edade nos arredores da ci dade e podi am pagar uma cas a tão el egante quanto a de mui tos de s eus cl i entes mai s ri cos ... M as ti nham o cui dado de não os tentar s ua ri queza. E u era Lady Ul ma na época, e nãoUl ma,


a bruxa. M eus pai s fi zeram o máxi mo para me manter fora de vi s ta, para mi nha própri a s egurança. M as ... Ul ma — Lady Ul ma, pens ou E l ena, tomando um bom gol e do vi nho. Seus ol hos mudaram; el a es tava vendo o pas s ado e tentava não aborrecer s eus ouvi ntes . M as quando E l ena es tava pres tes a pedi r que paras s e, pel o menos até s e s enti r mel hor, el a conti nuou: — M as apes ar de todos os cui dados de meus pai s ... al guém... me vi u e exi gi u mi nha mão em cas amento. Não Drohzne, el e era apenas um vendedor de pel es es trangei ro, eu s ó o vi há três anos . E ra o s enhor feudal , o general , um demôni o que ti nha uma fama terrí vel ... M eu pai s e recus ou a ceder, mas el es nos vi s i taram à noi te. E u ti nha 14 anos quando aconteceu. E foi as s i m que me tornei es crava. E l ena des cobri u que s enti a a dor emoci onal di retamente da mente de Lady Ul ma. Ah, meu Deus , eu fi z i s s o de novo, pens ou el a, apres s adamente tentando control ar s eus s enti dos paranormai s . — Por favor, não preci s a nos contar i s s o. Tal vez em outra hora... — Quero contar a você... a você... para que s ai ba o que fez. E eu preferi a contar tudo de uma vez. M as , s e não quer mai s ouvi r... E ra uma guerra de educação. — Não, não, s e preferi r contar... conti nue. E u... s ó queri a que s oubes s e o quanto l amento. — E l ena ol hou o médi co, que es perava por el a paci entemente perto da mes a com a garrafa marrom nas mãos . — E s e não s e i mporta, gos tari a de ter mi nha perna... curada, s i m? — E l a s abi a que di s s e a úl ti ma pal avra em dúvi da, perguntando-s e como al guém podi a ter o poder de curar Ul ma daquel e j ei to. E l a não s e s urpreendeu quando el e bal ançou a cabeça. — Ou s uturada, enquanto a s enhora fal a, s e não s e i mporta — di s s e el a. Vári os mi nutos s e pas s aram antes de Lady Ul ma s uperar o choque e a


afl i ção de ter dei xado s ua s al vadora es perando, mas por fi m E l ena foi à mes a e o médi co a es ti mul ou a beber da garrafa, que ti nha chei ro de xarope de cerej a para tos s e. Ah, bom, el a podi a mui to bem experi mentar a vers ão de anes tés i co da Di mens ão das Trevas — em es peci al porque a s utura podi a doer, pens ou E l ena. E l a tomou um gol e da garrafa e s enti u a s al a gi rar. Acenou, rej ei tando a oferta de um s egundo gol e. O Dr. M eggar des amarrou o cachecol arrui nado de Bonni e da perna del a e começou a cortar o j eans ens anguentado l ogo aci ma do j oel ho. — Bom... Você é uma boa ouvi nte — di s s e Lady Ul ma. — M as eu j á s abi a que era boa. Vou poupar vocês dos detal hes dol oros os de mi nha es cravi dão. Tal vez bas te di zer que pas s ei de um s enhor a outro ao l ongo dos anos , s endo s empre uma es crava, s empre decai ndo. Por fi m, como pi ada, al guém di s s e: “Dê-l he ao Vel ho Drohzne. E l e vai es premer a úl ti ma gota úti l que s e pode arrancar del a.” — M eu Deus ! — di s s e E l ena, e teve es peranças de que todos s oubes s em que el a s e referi a à hi s tóri a e não à pi cada da s ol ução des i nfetante que o médi co pas s ava em s ua perna i nchada. Damon era mui to mel hor ni s s o, pens ou el a. E u nem percebi a s orte que ti ve antes . E l ena procurou não es tremecer quando o médi co começou a us ar a agul ha, mas s ua mão apertou a de M eredi th até ; que E l ena teve medo de quebrar s eus os s os . E l a tentou afrouxar o aperto, mas M eredi th apertou mai s . Sua mão l onga e maci a era quas e como a de um meni no, apenas mai s s uave. E l ena fi cou fel i z por apertar com a mai or força que pôde. — M i nhas forças ul ti mamente me abandonaram — di s s e Lady Ul ma com brandura. — Pens ei que fos s e aqui l o — aqui el a us ou uma expres s ão parti cul armente rude para s eu dono — que es ta me l evando à morte. Depoi s


percebi a verdade. — De repente todo o bri l ho mudou s eu ros to, de modo que E l ena podi a ver como Ul ma deve ter s i do na adol es cênci a e a bel eza que um demôni o des ej ava como es pos a. — E u s abi a que uma nova vi da s e agi tava em mi m... E s abi a que Drohzne a matari a s e ti ves s e a oportuni dade... E l a não pareceu reconhecer as expres s ões de es panto e pavor no ros to das três meni nas . E l ena, porém, teve a s ens ação de que es tava em um pes adel o, à bei ra de um abi s mo, e que teri a de fi car tateando no es curo, por fi s s uras trai çoei ras e i nvi s í vei s no gel o da Di mens ão das Trevas até chegar a Stefan e cons egui r l i bertá-l o des s e l ugar. E s ta referênci a cas ual à abomi nação não era o pri mei ro de s eus pas s os em vol ta de um abi s mo, mas era o pri mei ro que el a reconheci a e cons i derava. — Vocês , j ovens , s ão mui to novas aqui — di s s e Lady ul ma, enquanto o s i l ênci o s e es tendi a i nfi ni tamente. — E u não pretendi a di zer nada i nadequado... — Aqui s omos es cravas — res pondeu M eredi th, pegando uma corda. — Acho que quanto mai s s oubermos , mel hor. — Seu amo... Nunca vi ni nguém tão rápi do com o Vel hi o Drohzne. M ui ta gente fi cou es pantada, mas ni nguém s e atreveu a fazer nada. M as s eu amo... — Nós o chamamos de Damon — i ntrometeu-s e Bonni e i nci s i vamente. Foi de pronto acei to por Lady Ul ma. — O amo Damon... Acham que el e pode fi car comi go? Depoi s de pagar o preço de s angue aos ... parentes de Drohzne, el e es col herá o que qui s er de s eus bens . Sou uma das poucas es cravas que el e não matou. — A es perança no ros to da mul her era quas e dol oros a demai s para E l ena. Foi s ó então que el a percebeu quanto tempo ti nha s e pas s ado des de que vi ra Damon. Quanto tempo os negóci os de Damon i am durar? E l a ol hou com angús ti a para M eredi th.


M eredi th entendeu exatamente o que aquel e ol har s i gni fi cava e bal ançou a cabeça, i mpotente. M es mo que pedi s s em a Laks hmi que as l evas s e ao Ponto de Reuni ão, o que poderi am fazer? E l ena repri mi u um tremor de dor e s orri u para Lady Ul ma. — Por que não nos conta de quando era cri ança? — di s s e el a.


19 Damon não teri a pens ado que haveri a um ami go para um vel ho tol o e s ádi co que era capaz de açoi tar uma mul her a chi cotadas por não cons egui r puxar uma carroça no l ugar de um caval o. E o Vel ho Drohzne, na verdade, podi a não ter nenhum. M as a ques tão não era es s a. Nem o as s as s i nato, o que era es tranho. As s as s i natos eram corri quei ros nos corti ços , e o fato de Damon começar uma bri ga e a vencer não era s urpres a para os que trans i tavam por es s as vi el as peri gos as . A ques tão es tava em fugi r com uma es crava. Ou tal vez fos s e al go mai s profundo. A ques tão era como Damon tratava as própri as es cravas . Uma mul ti dão de homens — todos homens , nenhuma mul her, pel o que Damon notou — havi a s e reuni do di ante do prédi o do médi co, e de fato trazi am tochas . — Vampi ro l ouco! Vampi ro l ouco à s ol ta! — Ti re-o daí para que a j us ti ça s ej a fei ta! — Quei me o l ugar s e não o entregarem! — Os anci ãos di s s eram para o l evar a el es ! Is to pareceu ter o efei to que a mul ti dão des ej ava, l i vrando ruas de mai s gente decente e dei xando apenas os de mental i dade s angui nári a, que s e deti nham aos menores probl emas e adoravam uma bri ga. A mai ori a, é cl aro, era de vampi ros . E de vampi ros fortes. M as nenhum del es , pens ou Damon, abri ndo um s orri s o rel uzente pel o cí rcul o que s e fechava nel e, ti nha o i nteres s e de s aber que a vi da de três j ovens humanas dependi a — e que uma del as era a j ói a da coroa da humani dade, E l ena Gi l bert. Se el e, Damon, fos s e des pedaçado nes s a l uta, as três meni nas teri am uma vi da de i nferno e degradação. M as mes mo es te pens amento não pareceu aj udá-l o a vencer, uma vez que Damon foi chutado, mordi do, cabeceado, es murrado e perfurado com


adagas de madei ra — do ti po que corta a carne de um vampi ro. No i ní ci o el e pens ou que ti nha uma chance. Vári os vampi ros mai s novos e mai s fortes caí ram como pres as de s eus gol pes rápi dos como botes de s erpente e s eus s úbi tos ataques de Poder. M as a verdade era que s i mpl es mente el es eram mui tos , pens ou Damon, enquanto quebrava o pes coço de um demôni o cuj as pres as l ongas j á havi am cortado s eu braço, quas e atraves s ando o mús cul o. E l á vi nha um vampi ro i mens o, certamente em trei namento, com uma aura que fez Damon s enti r a bi l e no fundo da garganta. E s te cai u com um chute cara, mas não fi cou no chão; l evantou-s e, agarrando-s e à perna de Damon e dei xando que vári os vampi ros menores com gás de madei ra avanças s em e cortas s em s eu tendão. Damon s enti u-s e des fal ecer enquanto s uas pernas não mai s res pondi am a s eu cérebro. —Que o s ol os condene — ros nou el e através de uma bol ha de s angue enquanto outro demôni o de pres as e pel e vermel ha o es murrava na boca. — Vão todos para o mai s bai xo dos i nfernos ... Is s não foi bom. Vagaros amente, ai nda l utando, ai nda us ando deros as ondas de Poder para muti l ar e matar o máxi mo que pudes s e, Damon percebeu i s s o. Depoi s tudo foi como num s onho di s ti nto — não como s eu s onho com E l ena, que el e pareci a ver cons tantemente pel o canto do ol ho, chorando. M as num s onho no s enti do febri l , como s e fos s e um pes adel o. E l e não podi a us ar s eus mús cul os com efi ci ênci a. Seu corpo es tava s urrado e, enquanto el e curava as pernas , outro vampi ro abri a um grande corte em s uas cos tas . Pareci a-l he cada vez mai s que es tava num pes adel o em que s ó cons egui a s e mexer em câmera l enta. Ao mes mo tempo, al go em s eu cérebro s us s urrava para el e des cans ar. Des cans ar... E tudo i s s o acabari a. Por fi m, em grande número, el es o derrubaram e al guém apareceu com uma es taca.


— A l i berdade para a nova es córi a — di zi a o portador da es taca, o hál i to fedendo a s angue choco, a face mal i ci os a e grotes ca, ao us ar os dedos de l epros o para abri r a cami s a de Damon e não fazer um buraco na s eda preta e refi nada. Damon cus pi u nel e e em troca l evou um tabefe no ros to. E l e vi u tudo es curo por um i ns tante e depoi s , l entamente, a dor vol tou. E o barul ho. A mul ti dão ani mada de vampi ros e demôni os , bêbada de cruel dade, bati a os pés , ri tmadamente, numa dança i mprovi s ada em vol ta de Damon, ri ndo ao l ançarem es tacas i magi nári as , entrando em frenes i . Foi quando Damon percebeu que real mente i a morrer. Foi um choque, embora el e s oubes s e o quanto es s e mundo era mui to mai s peri gos o do que aquel e que dei xara; mes mo no mundo humano, el e al gumas vezes s ó es capou da morte por um fi o. M as agora não ti nha ami gos poderos os , nenhum ponto fraco da mul ti dão a expl orar. Pareci a-l he que os s egundos de repente s e es tendi am em mi nutos , cada um del es de extens ão i ncal cul ável . O que era i mportante? Di zer a E l ena... — Cegue-o pri mei ro! Dei xe es s a es taca em bras a! — E u pego as orel has ! Al guém me aj ude a s egurar a cabeça del e! Di zer a E l ena... Al guma coi s a. Al go... Des cul pe... E l e des i s ti u. Outro pens amento tentava romper s ua cons ci ênci a. — Não s e es queça de arrancar os dentes ! Prometi um col ar novo a mi nha namorada! Pens ei que es tava preparado para i s s o, refl eti u Damon l entamente, cada pal avra vi ndo s eparadamente. M as ... não tão cedo. Pens ei que encontrari a mi nha paz... mas não com a úni ca pes s oa que i mportava... Si m, a que mai s i mportava. E l e não s e deu tempo de pens ar mai s no as s unto.


Stefan, el e envi ou a onda mai s poderos a e cl andes ti na de Poder que podi a i nvocar nes s e es tado obs curo. Stefan, escutei Elena está i ndo até você... Ela vai salválo.! Ela temPoderes que mi nha morte li bertará. E eu estou... Estou... Nes te momento houve uma brecha na dança em vol ta del e. O s i l ênci o cai u nos i nebri ados parti ci pantes daquel a fes ta. Al guns bai xaram a cabeça apres s adamente ou vi raram a cara. Damon fi cou i móvel , perguntando-s e o que poderi a ter parado a mul ti dão frenéti ca no mei o de s ua orgi a. Al guém andava em s ua di reção. O recém-chegado ti nha cabel os cor de bronze que pendi am em mechas des ordenadas , s eparadas pel a ci ntura. Também es tava nu até a ci ntura, expondo um corpo de caus ar i nvej a ao demôni o mai s forte. Um pei to que pareci a ter s i do ental hado em uma pedra de bronze

ci nti l ante.

Bí ceps

extraordi nari amente

es cul pi dos .

Abdome

perfei tamente es cul pi do. Não havi a um grama a mai s de gordura em toda a s ua compl ei ção al ta e l eoni na. Ves ti a cal ças pretas e s i mpl es , com os mús cul os ondul ando s ob o teci do a cada pas s o. E m um braço des pi do, dava para ver ni ti damente a tatuagem de um dragão negro devorando um coração. E não es tava s ozi nho. Não s egurava uma cadei ra, mas ao s eu l ado havi a um cão preto, l i ndo, de expres s ão mi s teri os amente i ntel i gente, que pareci a al erta s empre que el e parava. Devi a pes ar perto 100 qui l os , mas não havi a um grama de gordura nel e também. E num ombro el e trazi a um grande fal cão. Não es tava encapuzado, como a mai ori a das aves de caça nas i nves ti das de s uas caval ari ças . Também não es tava em nada al mofadado. Segurava-s e no ombro nu do j ovem de bronze, cravando as três garras da frente na carne e gerando fi l etes de s angue que des ci am por s eu pei to. E l e não pareceu perceber. Havi a fi l etes s emel hantes e s ecos ao l ado dos novos , s em dúvi da de j ornadas anteri ores . Nas cos tas , uma


garra produzi a uma tri l ha vermel ha e s ol i tari a. Um s i l ênci o abs ol uto cai u na mul ti dão e s ai ram do cami nho os úl ti mos demôni os entre o homem al to e a fi gura pros trada e ens anguentada no chão. Por um momento, o homem l eoni no fi cou i móvel . Não di s s e nada, não fez nada, não emanou nenhum ves tí gi o de Poder. Depoi s as s enti u para o cão, que avançou com as patas pes adas e farej ou os braços e o ros to ens anguentados de Damon. E m s egui da farej ou s ua boca e Damon podi a ver os pêl os s e eri çando em s eu corpo. — Cachorro bonzi nho — di s s e Damon, s onhador, enquanto o foci nho úmi do e fri o fazi a cócegas em s eu pes coço. Damon conheci a es te ani mal em parti cul ar e também s abi a que el e não s e encai xava no es tereóti po popul ar do “cachorro bonzi nho”. E ra uma fera acos tumada a pegar vampi ros pel o pes coço e s acudi -l os até que s uas artéri as j orras s em s angue a 2 metros de al tura. E s s e ti po de coi s a podi a manter você tão ocupado que ter uma es taca entrando pel o s eu coração pareceri a não i mportar mui to, refl eti u Damon, mantendo-s e i móvel . — Arrêtez-le! — di s s e o j ovem de cabel os cor de bronze. O cão recuou, obedi entemente, s em des vi ar os ol hos pretos e bri l hantes dos de Damon, que também não os des vi ou até que es ti ves s e a certa di s tânci a. O j ovem de cabel os cor de bronze ol hou a mul ti dão brevemente. Depoi s , s em nenhuma veemênci a, di s s e: — Lai ssez-k seul. — Cl aramente, não era neces s ári a nenhuma tradução aos vampi ros , e el es começaram a s e afas tar i medi atamente. Os de menor s orte foram os que não s aí ram com rapi dez s ufi ci ente e ai nda es tavam al i quando o j ovem de bronze deu outra ol hada l enta em vol ta. Para onde ol has s e, encontrava ol hos bai xos e corpos encol hi dos , paral i s ados no ato de s e afas tar,


mas aparentemente trans formados em pedra, numa tentati vade não chamar atenção. Damon s e vi u rel axando. Seu Poder es tava vol tando, permi ti ndo que s e curas s e. E l e percebeu que o cachorro i a de um i ndi ví duo a outro e farej ava cada um del es com i nteres s e. Quando cons egui u l evantar a cabeça de novo, Damon deu um s orri s o fraco para o recém-chegado. — Sage. E por fal ar no di abo... O breve s orri s o do homem de bronze foi macabro. — E l ogi a-me, mon cher. Não vê? E s tou corando. — E u devi a s aber que você es tari a aqui . —O es paço é i nfi ni to para os andari l hos , mon peti t tyran. M es mo que eu deva fazer i s s o s ozi nho. — Ah, que l ás ti ma. Agora os vi ol i nos , por favor... — De repente Damon não cons egui a mai s . Si mpl es mente não podi a. Tal vez fos s e por ter es tado com E l ena ou porque es s e mundo horrendo o depri mi a i ndi zi vel mente. M as quando vol tou a fal ar, s ua voz era compl etamente di ferente: — E u nunca pens ei que me s enti ri a tão grato. Você s al vou ci nco vi das , embora não s ai ba di s s o. M as como nos encontrou... Sage s e agachou, ol hando-o preocupado. — O que aconteceu? — di s s e num tom s éri o. — Você bateu a cabeça? Sabe como s ão as coi s as : as notí ci as correm por aqui . Soube que chegou com um harém... E i sso mesmo! Cheg ou si m” , os ouvi dos de Damon pegaram um s us s urro na margem da rua onde s ofreu a embos cada. ” Sepeg armos as meni nas como reféns... Se as torturarmos... ” Os ol hos de Sage encontraram os de Damon brevemente, demons trando que el e também ti nha ouvi do o s us s urro. — Sabber — di s s e el e ao cão. — Apenas o que fal ou. — E l e apontou com


a cabeça para a di reção do s us s urro. De i medi ato, o cachorro preto s al tou para a frente e, mai s rápi do do que Damon podi a i magi nar, cravou os dentes no pes coço daquel e que s us s urrou, vi rou-o uma vez provocando um es tal o di s ti nto e s al tou de vol ta, arras tando o corpo entre as pernas . As pal avras Je vous ai i nforme au suj et de ceci ! expl odi ram numa onda de Poder que fez Damon es tremecer. E Damon pens ou, s i m, el e j á avi s ara — mas não fal ou quai s s eri am as cons equênci as . Lai ssez lui et sés ami s dans Ia pai x! E nquanto i s s o, Damon s e l evantou devagar, fel i z em acei tar a proteção de Sage para s i e as ami gas . — Bem, i s to s em dúvi da deu res ul tado — di s s e el e. — Por que não vol ta para um dri nque ami s tos o comi go? Sage ol hou para Damon como s e el e fos s e l ouco. — Sabe que a res pos ta é não. — E por que não? —Já l he di s s e: não. — Is s o não é moti vo. — O moti vo para eu não vol tar para um dri nque ami s tos o... mon ang e... é que não s omos ami gos . —Já es ti vemos em al gumas trapaças j untos . — II y a long temps. — Abruptamente, Sage pegou mão de Damon. Ti nha um arranhão profundo e s angrento, que Damon ai nda não havi a curado. Sob o ol har de Sage, o corte s e fechou, a carne fi cou ros ada e s e curou. Damon dei xou que Sage conti nuas s e s egurando s ua mão por um momento, e depoi s , s em urgênci a, a reti rou. — Não faz tanto tempo as s i m — di s s e el e. — Longe de você? — Um s orri s o s arcás ti co s e formou nos l ábi os de Sage.


— Contamos o tempo de formas mui to di ferentes , mon peti t tyran. Damon es tava chei o de uma al egri a es tonteante. — E aquel e dri nque? —Junto com s eu harém? Damon tentou i magi nar M eredi th e Sage j untos . Sua mente hes i tou. — M as agora você é res pons ável por el as , de al guma fora — di s s e el e. — E a verdade é que nenhuma del as é mi nha. Dou mi nha pal avra. — E l e s enti u uma pontada quando pens ou em E l ena, mas o que di zi a era a verdade. — Res pons ável por el as ? — Sage pareceu pens ar em voz al ta. — Você j urou s al vá-l as . M as eu s ó herdo s eu j uramento s e você morrer. M as s e morrer... — O homem al to fez um ges to de i mpotênci a. — Você preci s ari a vi ver, s al var Stefan, E l ena e as outras . — M i nha res pos ta s eri a não, mas i s s o dei xari a você i nfel i z, E ntão di rei s i m... — E s e não cons egui r, j uro que vou vol tar para caçá-l o. Sage o ol hou por um momento. — Não acho que j á fui acus ado de s er i ncapaz de cons egui r al guma coi s a — di s s e el e. — M as é cl aro que i s s o foi antes de eu me tornar un vampi re. Si m, pens ou Damon, o encontro entre o “harém” e Sage podi a s er i nteres s ante. Pel o menos s eri a, s e as meni nas des cobri s s em quem Sage real mente era. M as tal vez ni nguém contas s e a el as .


20 E l ena s enti u o mai or al í vi o de s ua vi da quando ouvi u Damon bater na porta do Dr. M eggar. — O que aconteceu no Ponto de Reuni ão? — perguntou el a. — Não fui para l á. — Damon expl i cou s obre a embos cada enquanto as outras meni nas , di s farçadamente, exami navam Sage com vari ados graus de aprovação, grati dão ou s i mpl es mente des ej o. E l ena percebeu que havi a bebi do Bl ack M agi c demai s , quas e des mai ou em vári os momentos — embora ti ves s e certeza de que o vi nho ti nha aj udado Damon a s obrevi ver ao ataque da mul ti dão, que poderi a tê-l o matado. E l as , por s ua vez, expl i caram a hi s tóri a de Lady Ul ma o mai s breve pos s í vel . No fi nal , a mul her es tava pál i da e trémul a. — E s pero — di s s e el a ti mi damente a Damon — que, j á que herdou os bens do Vel ho Drohzne — el a parou para engol i r em s eco —, o s enhor tenha deci di do fi car comi go. Sei que as es cravas que trouxe s ão boni tas e j ovens ... M as pos s o s er mui to úti l como cos turei ra e coi s as as s i m. M i nhas cos tas perderam as forças , mas mi nha mente não... Damon fi cou i móvel por um momento. Depoi s andou até E l ena, que por acas o era a mai s próxi ma del e. E s tendeu a mão para o pul s o del a e des fez o úl ti mo l aço da corda que ai nda es tava em s eu pul s o e o ati rou com força pel o quarto. A corda s e agi tou e s e retorceu como uma s erpente. — Por mi m, todas que es ti verem us ando uma des s as podem fazer o mes mo — di s s e el e. M enos o arremes s o — di s s e M eredi th rapi damente, vendo as s ombrancel has do médi co s e uni ndo enquanto el e ol hava os mui tos bécheres de vi dro j unto às paredes . M as el a e Bonni e l ogo s e l evaram de quaquer ves tí gi o de corda que ai nda res tas s e. — Recei o que a mi nha s ej a... permanente — di s s e Lady Ul ma,


afas tando o teci do do pul s o e expondo as pul s ei ras de ferro s ol dadas . E l a pareceu envergonhada por s er i ncapaz de obedecer à pri mei ra ordem de s eu novo s enhor. — Pode s uportar um i ns tante de fri o? Tenho Poder s ufi ci entepara congel á-l as , e as s i m el as s e quebrarão — di s s e Damon. Ouvi u-s e um murmúri o s uave de Lady Ul ma. E l ena nunca notara tanto des es pero em uma voz humana antes . — E u s eri a capaz de fi car enterrada na neve até o pes coço por um ano para me l i vrar des s as coi s as — di s s e Lady Ul ma. Danon pôs as mãos s obre a pul s ei ra e E l ena s enti u a onda de Poder que emanava del e. Ouvi u-s e um es tal o agudo. Damon afas tou as mãos e ergueu doi s pedaços de metal . Depoi s fez o mes mo do outro l ado. O ol har de Lady Ul ma provocou mai s humi l dade do que orgul ho em E l ena. E l a s al vou uma mul her da degradação terrí vel . M as quantos ai nda res tavam? Jamai s s aberi a, mui to menos s eri a capaz de s al var todos , s e os encontras s e. Não com s eu Poder como es tava agora. — Acho que Lady Ul ma real mente preci s a des cans ar um pouco — di s s e Bonni e, es fregando a tes ta s ob os cachos arrui vados . E l ena também. Você devi a ter vi s to quantas s uturas el a l evou na perna, Damon. M as o que vamos fazer, procurar um hotel ? — Podem fi car na mi nha cas a — di s s e o Dr. M eggar, com uma s ombrancel ha ergui da e outra arri ada. Obvi amente, el e s e envol vera na hi s tóri a, l evado por s eu mero poder e bel eza... e pel a brutal i dade. — Só peço que não des truam nada e, s e vi rem um s apo, não o bei j em, nem o matem. Tenho mui tos l ençói s , pol tronas e s ofás . E l e não acei tou um aro que fos s e da pes ada corrente de ouro que Damon


trouxera para us ar como moeda de troca. — E u... agora tenho de aj udar vocês todos a s e prepararem para dormi r — murmurou Lady Ul ma para M eredi th com uma voz fraca. — É você quem es tá mai s machucada e deve fi car com a mel hor cama — res pondeu M eredi th com tranqui l i dade. — E nós vamos aj udar você a s e dei tar. — A cama mai s confortável s eri a a do anti go quarto de mi nha fi l ha. — O Dr. M eggar mexeu em um mol ho de chaves . — E l a s e cas ou com um portei ro... Odi ei vê-l a parti r. E es s a j ovem, a Srta. E l ena, pode fi car com a anti ga câmara nupci al . Por um i ns tante, o coração de E l ena fi cou di vi di do por emoções confl i tantes . E l a es tava com medo — s i m, ti nha certeza de que era medo o que s enti a — de que Damon a pegas s e nos braços e fos s e para a s uí te nupci al com el a. Por outro l ado... Nes te momento, Laks hmi a ol hou, i ns egura. — Quer que eu vá embora? — perguntou el a. — Você tem para onde i r? — E l ena qui s s aber. — As ruas , eu acho. E u cos tumo dormi r num barri l . — Fi que aqui então. Venha comi go, uma cama nupci al parece grande o bas tante para duas pes s oas . Agora você é uma de nós . O ol har que Laks hmi l he deu era de uma profunda grati dão. Não por ter onde fi car, pel o que E l ena entendeu. Pel a decl aração, —Ag ora você é uma de nós” . E l ena podi a s enti r que Laks hmi nunca pertencera a nenhum grupo antes . As coi s as es tavam tranqui l as até quas e o “amanhecer” do “di a” s egui nte, como di zi am os habi tantes da ci dade, embora a l uz vari as s e a noi te toda. Des ta vez havi a uma mul ti dão di ferente na frente do prédi o do médi co. E ra compos ta pri nci pal mente de homens i dos os , us avam mantos es farrapados mas l i mpos — mas havi a também al gumas mul heres mai s vel has . E ram


l i derados por um homem de cabel os prateados que ti nha um es tranho ar de di gni dade. Damon, com Sage ao s eu l ado, s ai u do prédi o do médi co e fal ou com el es . E l ena j á es tava ves ti da, mas es perava no s egundo andar, na tranqui l a s uí te nupci al .

Queri do Di ári o, Ah, meu Deus, eu preci so de aj udai Oh, Stefan... Eu preci so de você. Preci so que me perdoe. Preci so que me mantenha sã. Estou há tempo demai s comDamon e completamente emoti va, pronta para matá-lo ou... ou... não sei . Eu não sei lll Somos como madei ra e sí lex j untos — meu Deus! Somos como g asoli na e um lança-chamas! Por favor, me ouça, me aj ude e me salve... de mi m mesma. Sempre que ele di z meu nome... — E l ena. A voz atrás de E l ena a fez s al tar. E l a fechou o di ári o rapi damente e s e vi rou. — Si m, Damon? — Como es tá s e s enti ndo? — Ah, óti ma. E s tou bem. Até a mi nha perna es tá... Quero di -, es tou bem. E você? — E u... es tou mui to bem — di s s e el e, e s orri u, e era um s orri s o verdadei ro, não um es gar que s e di s torci a em al go di ferente no ul ti mo s egundo, nem uma tentati va de mani pul ação. E ra apenas um s orri s o, embora preocupado e tri s te. E l ena s ó percebeu a tri s teza nel e quando s e l embrou daquel e momento mai s tarde. De repente s enti u que não ti nha pes o nenhum; que s e não s e s eguras s e podi a voar por qui l ômetros antes que al guém pudes s e detê-l a — qui l ômetros , tal vez até as l uas des te l ugar l ouco.


E l a cons egui u abri r um s orri s o trémul o para Damon. — Que bom. — Vi m convers ar com você — di s s e el e. — M as ... Pri mei ro... De al gum modo, no i ns tante s egui nte, E l ena es tava nos braços de Damon. — Damon... Não podemos conti nuar com i s s o... — E l a tentou s e afas tar genti l mente. — Não podemos mes mo conti nuar as s i m você s abe di s s o. M as Damon não a s ol tou. Havi a al go no modo como el e a abraçava que a dei xou um tanto apavorada, e ao mes mo tempo l he deu vontade de chorar de al egri a, mas el a repri mi u as l ágri mas . — E s tá tudo bem — di s s e Damon com tranqui l i dade. — Pode chorar. Temos um probl ema e tanto nas mãos . Al go na voz del e as s us tou E l ena. Não do j ei to mei o al egre com que s enti u medo um mi nuto antes . Aqui l o era defi ni ti vamente mai s s éri o. Is to porque el e ti nha medo, pens ou E l ena s ubi tamente, admi rada. E l a vi ra Damon col éri co, mel ancól i co, fri o, des denhos o, s edutor — até s ubj ugado, envergonhado — mas nunca o vi ra com medo de nada. E l ena mal cons egui a que s ua mente acei tas s e aquel e concei to. Damon... com medo... por ela. — É por caus a do que eu fi z ontem, não é? — perguntei — E l es vão me matar? — E l a fi cou s urpres a com a cal ma com que di s s e i s s o. Não s enti a nada, s omente uma vaga afl i ção e o des ej o de fazer com que Damon não ti ves s e mai s medo. — Não! — E l e a manteve à di s tânci a de um braço, ol hando para el a. — Pel o menos não s em matar a mi m e Sage... Al ém de todas as pes s oas nes ta cas a, s e bem os conheço. — E l e parou, aparentemente s em fôl ego, o que era i mpos s í vel , l embrou E l ena. E l e es tá ganhando tempo, pens ou el a. — M as é o que el es querem fazer — di s s e el a. E l ena não s abi a por que


ti nha tanta certeza. Tal vez es ti ves s e captando al guma coi s a tel epati camente. — E l es fi zeram... ameaças — di s s e Damon devagar. — Não por caus a do Vel ho Drohzne; acho que s empre há as s as s i nos por aqui e o vencedor l eva tudo. M as ao que parece, a notí ci a do que você fez s e es pal hou da noi te para o di a. Os es cravos das propri edades próxi mas es tão s e recus ando a obedecer a s eus s enhores . Todo es te quartei rão de corti ços es tá em pol voros a... E el es temem o que pos s a acontecer s e outros s etores s ouberem di s s o. Al go preci s a s er fei to as s i m que pos s í vel ou toda a Di mens ão das Trevas pode expl odi r como uma bomba. E nquanto Damon fal ava, E l ena podi a ouvi r os ecos do que el e l he contara pel a mul ti dão l á fora. Eles também ti nham medo. Tal vez aqui l o pudes s e s er o começo de al go i mportante, pens ou E l ena, a mente s e afas tando de s eus própri os probl emas . Nem a morte era um preço tão al to para l i bertar es s es mi s erávei s de s eus s enhores demoní acos . — M as não é o que vai acontecer! — di s s e Damon, e E l ena percebeu que devi a es tar proj etando s eus pens amentos . Havi a uma angús ti a genuí na na voz de Damon. — Se ti vés s emos pl anej ado as coi s as , s e houves s e l í deres que pudes s em fi car aqui para control ar a revol ução... Se pudés s emos encontrar l í deres fortes o bas tante para fazer i s s o... E ntão haveri a uma chance. M as todos os es cravos es tão s endo cas ti gados , em todos os l ugares onde a notí ci a s e es pal hou. E s tão s endo torturados e mortos pel a mera s us pei ta de s i mpati a por você. Seus s enhores es tão fazendo del es exempl os para toda a ci dade. E as coi s as s ó vão pi orar. O coração de E l ena, que decol ara num s onho de real mente fazer a di ferença, es pati fou-s e no chão e el a ol hou, apavorada, nos ol hos negros de Damon. — M as preci s amos i mpedi r i s s o. M es mo que eu tenha que morrer...


Damon a puxou de vol ta para el e. — Você... Bonni e e M eredi th. — Sua voz era rouca. — M ui ta gente vi u as três j untas . M ui ta gente agora vê as três como des ordei ras . O coração de E l ena parou. Tal vez o pi or fos s e que el a podi a entender, do ponto de vi s ta da economi a es cravagi s ta, que s e um i nci dente de tal i ns ol ênci a pas s as s e s em puni ção e a hi s tóri a s e es pal has s e... E quem conta um conto aumenta um ponto... — Fi camos famos os da noi te para o di a. Seremos l endas amanhã — murmurou el a, ol hando, mental mente, um domi nó cai r em outro, ati ngi ndo o s egui nte até que uma l onga fi l a tombava, formando a pal avra " heroí na" . M as el a não queri a s er uma heroí na. Só vi era aqui para res gatar Stefan. E embora pudes s e dar a própri a vi da para i mpedi r que os es cravos fos s em torturados ou mortos , el a mes ma matari a qual quer um que tentas s e encos tar um dedo em Bonni e ou M eredi th. — E l as s entem o mes mo — di s s e Damon. — Ouvi ram o que a congregação ti nha a di zer. — E l e s egurou os braços del a com força, como s e tentas s e es corá-l a. — Uma j ovem chamada Hel ena foi es pancada e enforcada es ta manhã porque ti nha um nome pareci do com o s eu. E el a ti nha 15 anos . As pernas de E l ena cederam, como frequentemente aconteci a quando es tava nos braços de Damon... M as nunca antes por es te moti vo. E l e arri ou j unto com el a. E s ta era uma convers a que preci s avam ter s entados . — Não foi cul pa s ua, E l ena! Você é o que é, as pes s oas a amam pel o que você é! A pul s ação de E l ena acel erou. A s i tuação j á era bem rui m el a cons egui ra pi orar. Por não ter pens ado antes . Por i magi nar que apenas a s ua vi da es tava em ri s co. Por agi r antes de aval i ar as cons equênci as . M as s e pudes s e vol tar no tempo, fari a tudo de novo. Ou... com vergonha,


pens ou el a, fari a al go pareci do. Se eu s oubes s e que col ocari a em peri go todos a quem amo, teri a i mpl orado a Damon para negoci ar com aquel e verme s enhor de es cravos . Comprar a mul her por um preço exorbi tante... Se ti vés s emos o di nhei ro. Se el e ti ves s e ouvi do... Se outro gol pe do chi cote não matas s e Lady Ul ma... De repente s eu cérebro parou também. Is to era pas s ado. E es te é o pres ente. Trate de li dar comi sso. — O que faremos ? — E l a tentou s e s ol tar e s acudi u Damon: es tava furi os a. — Deve haver al guma coi s a que pos s amos fazer! E l es podem matar Bonni e e M eredi th... E Stefan morrerá s e não o encontrarmos ! Damon a apertou com mai s força. M anti nha a mente protegi da del a, percebeu E l ena. Is s o podi a s er bom ou rui m, el a não s abi a. Podi a haver uma s ol ução que el e rel utava em l he apres entar. Ou podi a s i gni fi car que a morte das três “es cravas rebel des ” era a úni ca coi s a que os l í deres da ci dade acei tari am. — Damon. — E l e a s egurava com força demai s , que a i mpedi a de s e l i bertar, então E l ena não pôde ol há-l o no ros to. M as podi a i magi ná-l o e tentava s e di ri gi r a el e di retamente, através de s ua mente. Danon, se houver al guma coi s a — um j ei to de salvarmos B onni e e Meredi th — você preci sa me di zer. Temque me contar. Eu ordeno que me conte! Nenhum del es es tava di s pos to a ver graça nes ta úl ti ma fras e ou notar que a “es crava” dava ordens a s eu “s enhor”. M as por fi m E l ena ouvi u a voz tel epáti ca de Damon. Eles di zem que se eu a levar de volta ao Jovem Drohzne e você pedi r desculpas, pode se li vrar di s s o comapenas sei s g olpes. De al gum l ugar Damon ti rou uma vara fl exí vel , fei ta de uma madei ra cl ara. Provavel mente frei xo, pens ou E l ena, s urpres a com a


s ua própri a cal ma. E ra um materi al que funci onava com todos : até com vampi ros — até nos Anti gos , que s em dúvi da exi s ti am por aqui . Mas deve ser fei to empúbli co para que eles possamdar i ní ci o a boatos di ferentes. Eles acham que o tumulto vai parar, se você —que começou i sso tudo —admi ti r seu status de escrava. Os pens amentos de Damon pareci am s ufocados , as s i m como o coração de E l ena. Quantos de s eus pri ncí pi os el a es tari a trai ndo s e fi zes s e i s s o? Quantos es cravos es tari a condenando a uma vi da de s ervi dão? De repente a voz mental de Damon era col éri ca. Nós não vi emos aqui para reformar a Di mensão das Trevas, l embrou-l he el e, num tom que fez E l ena es tremecer. Damon a s acudi u de l eve. Vi emos resg atar Stefan, lembra? Não preci so di zer que nunca mai s teremos outra chance de fazer i sso se tentarmos bancar o Spartacus... se começarmos uma g uerra que nós s abemos que não podemos vencer. Nemos Guardi ões podemvencer essa g uerra. Uma l uz s urgi u na mente de E l ena. — É cl aro — di s s e el a. — Porque não pens ei ni s s o antes ? — Pens ou no quê? — di s s e Damon, des es perado. — Não faremos a guerra... pel o menos por enquanto. E u nem mes mo domi nei meus Poderes bás i cos ai nda, e mui to menos o Poder das As as . As s i m, el es nem i magi nam que el as exi s tem. — E l ena? — Vamos vol tar — expl i cou E l ena a el e, ani mada. — Quando eu puder control ar meus Poderes . E traremos al i ados ... Al i ados fortes que recrutaremos no mundo humano. Is s o pode l evar mui tos anos , mas um di a vamos vol tar e termi nar o começamos . Damon a ol hava como s e el a ti ves s e enl ouqueci do, mas não i mportava. E l ena podi a s enti r o Poder correndo pel o s eu corpo. E ra uma promes s a, pens ou, que el a cumpri ri a, mes mo que l he cus tas s e a vi da. Damon engol i u em s eco.


— Agora podemos fal ar... do pres ente? — perguntou el e. E ra como s e el e ti ves s e acertado na mos ca. O pres ente. Agora. — Si m. Si m, é cl aro. — E l ena ol hou a vara de frei xo com des dém. — É cl aro, eu vou fazer i s s o, Damon. Não quero que mai s ni nguém s e machuque por mi nha caus a antes de eu es tar preparada para l utar. O Dr. M eggar é um bom curandei ro. Se me permi ti rem vol tar a el e. — Si nceramente, não s ei — di s s e Damon, s us tentando s eu ol har. — M as de uma coi s a eu tenho certeza. Você não s enti rá um úni co gol pe, eu l he prometo — di s s e el e rápi da e s i nceramente, os ol hos negros cres cendo. — Vou cui dar di s s o; tudo s erá canal i zado para fora. E você nem mes mo verá um ves tí gi o de marca no di a s egui nte. M as — concl ui u mai s l entamente — você terá de me pedi r des cul pas de j oel ho, a mi m, s eu s enhor, e àquel e vel ho s uj o, abomi nável e degenerado... — As i mprecações de Damon o di s traí ram por um momento e el e res val ou no i tal i ano. — A quem? — Ao l í der dos corti ços , e tal vez também ao i rmão do Vel ho Drohzne, o Jovem Drohzne. — Tudo bem. Di ga a el es que me des cul parei com quantos os Drohzne qui s erem. M as di ga l ogo, para não corrermos o ri s co de perdermos nos s a chance. E l ena podi a ver o ol har que el e l he l ançava, mas s ua mente es tava vol tada para dentro. Será que el a dei xari a M eredi th e Bonni e fazerem i s s o? Não. Será que permi ti ri a que aconteces s e com Carol i ne, s e ti ves s e al gum mei o de i mpedi r? De novo, não. Não, não e não. Os s enti mentos de E l ena em rel ação a brutal i dade com meni nas e mul heres s empre foram extraordi nari amente fortes . Seus s enti mentos para com a condi ção s ecundári a das mul heres em


todo o mundo s e tornaram mui to cl aros des de que vol tou do al ém. Se el a vol tara ao mundo com al gum propós i to, deci di ra E l ena, era aj udar a l i bertar as meni nas e mul heres da es cravi dão que mui tas nem mes mo cons egui am perceber. M as es te cas o não era de um ci cl o vi ci os o de mul heres e homens anôni mos opri mi dos e es cravi zados . Tratava-s e de Lady Ul ma, e de manter a mul her e o bebê em s egurança... E tratava-s e de Stefan. Se el a cedes s e, s eri a apenas uma es crava i ns ol ente que provocara um pequeno tumul to pel o cami nho, mas fora col ocada em s eu l ugar com fi rmeza pel as autori dades . Cas o contrári o, s e s eu grupo pas s as s e por uma i ns peção mi nuci os a... Se al guém percebes s e que es tavam aqui para l i bertar Stefan... Se E l ena des afi as s e as autori dades : “Pas s e-o para a s egurança mai s s evera — l i vrems e daquel a coi s a i di ota de chave ki ts une...” Sua mente ardi a de i magens dos vari ados cas ti gos que Stefan poderi a s ofrer, de como podi a s er l evado, ou perdi do s e es te i nci dente nos corti ços ganhas s e proporções i ndevi das . Não. E l a não abandonari a Stefan agora para travar uma guerra que não podi a s er venci da. M as também não s e es queceri a del a. Vou vol tar por todos vocês , prometeu E l ena. E depoi s a hi s tóri a terá um fi nal di ferente. E l a percebeu que Damon ai nda não a s ol tara. Ol hava-a nos ol hos , penetrante como um fal cão. — E l es me mandaram l evar você — di s s e Damon em voz bai xa. — Não acei tam um não como res pos ta... — E l ena podi a s enti r brevemente a feroci dade de s ua fúri a para com el es e pegou a mão de Damon, apertando-a. — Vol tarei com você no futuro, pêl os es cravos — di s s e el e. —Você s abe que pode contar comi go, não é?


— Cl aro que s ei — di s s e E l ena, e s eu bei j o rápi do tornou-s e um bei j o mai s demorado. E l a não abs orvera real mente o que Damon di s s e s obre canal i zar a dor para fora. Senti a que devi a apenas um bei j o pel o que es tava pres tes a s uportar; Damon afagou s eu cabel o e o tempo nada s i gni fi cou até M eredi th bater na porta. O amanhecer vermel ho-s angue as s umi ra um caráter bi zarro, quas e oní ri co, quando E l ena foi l evada à es trutura ao ar l i vre onde os chefes dos corti ços que mandavam naquel a área es tavam s entados em pi l has de al mofadas que há mui to eram el egantes , mas agora es tavam s urradas . E l es pas s avam de um l ado a outro garrafas e fras cos i ncrus tados de j ói as , chei os de Bl ack M agi c, o vi nho que os vampi ros real mente des frutavam, fumando nargui l és e de vez em quando cus pi ndo nas s ombras mai s es curas . Is to s em l evar em cons i deração o povaréu atraí do pel a novi dade da puni ção públ i ca de uma humana j ovem e boni ta. E l ena havi a ens ai ado s ua fal a. Foi obri gada a andar, amordaçada e al gemada di ante das autori dades que s ol tavam pi garros e cus pi am. O Jovem Drohzne es tava s entado em certa gl óri a des confortável num s ofá dourado, e Damon es tava de pé entre el e e as autori dades , parecendo es tar tens o. E l ena nunca fi cara tão tentada a i mprovi s ar um papel des de s ua atuação na peça que parti ci pou quando es tava no gi nás i o, quando ati rou um vas o de fl ores em Petrúqui o e derrubou a cas a na úl ti ma cena de A meg era domada. M as es te as s unto era mortal mente s éri o. A l i berdade de Stefan e as vi das de Bonni e e M eredi th dependi am di s s o. E l ena pas s ou a l í ngua pel o i nteri or da boca, que es tava s eca como os s o. E , es tranhamente, encontrou os ol hos de Damon, o homem com o bas tão, ani mando-a. E l e pareci a di zer a el a, corag eme i ndi ferença, s em us ar a tel epati a. E l ena s e perguntou s e el e mes mo j á es ti vera em s i tuação pareci da.


E l a l evou um chute de al guém de s ua es col ta e s e l embrou de onde es tava. Pegara empres tado um traj e “adequado” do guarda-roupa que a fi l ha cas ada do Dr. M eggar dei xara para trás . O que tom que entre quatro paredes , pareci a perol ado, fi cava mal va s ob o eterno s ol carmi m do l ugar. M ai s i mportante, s em a combi nação de s eda por bai xo, des ci a até abai xo da l i nha da ci ntura de E l ena, dei xando s uas cos tas compl etamente nuas . Agora, s egundo os cos tumes , el a s e aj oel hou di ante dos anci ãos e s e curvou até que a tes ta tocas s e um tapete decorado e mui to s uj o aos pés del es , mas vári os degraus abai xo. Um dos homens cus pi u nel a. Houve uma gri tari a ani mada, e murmúri os , e a mul ti dão começou a ati rar coi s as em E l ena. Aqui , as frutas eram preci os as demai s para des perdi çá-l as . M as excremento s eco não era, e E l ena des cobri u as pri mei ras l ágri mas vi ndo a s eus ol hos ao perceber o que es tavam l he ati rando. Coragem e i ndi ferença, di s s e E l ena a s i mes ma, s em s e atrever a ol har para Damon. Agora, quando a mul ti dão s enti ra que j á ti vera di vers ão s ufi ci ente, um dos anci ãos ci vi s que fumavam nargui l é l evantou-s e. E l ena não cons egui u entender o que el e l i a em um pergami nho amas s ado. Pareceu durar uma eterni dade. E l ena, de j oel hos , com a tes ta encos tada no tapete s uj o, achou que i a s ufocar. Por fi m o pergami nho foi col ocado de l ado e o Jovem Drohzne s al tou, des crevendo numa voz aguda e quas e hi s téri ca, e numa l i nguagem os tentos a, a hi s tóri a de uma es crava que des afi ou s eu própri o s enhor ( Damon, notou E l ena mental mente) para s e l i bertar de s ua s upervi s ão, depoi s atacou o chefe de s ua famí l i a ( o Vel ho Drohzne, pens ou E l ena) e s eu pobre mei o de vi da, s ua carroça, e s ua es crava i núti l , i ns ol ente e pregui ços a, e como tudo i s s o res ul tou na morte de s eu i rmão. Aos ouvi dos de E l ena, no i ni ci o, el e pareci a


es tar cul pando Lady Ul ma por todo o i nci dente, porque el a des abara s ob a carga que l evava. — Todos vocês conhecem o ti po de es crava a que me refi ro... E l a não s e i ncomodari a em afugentar uma mos ca que es ti ve em s eu ol ho — gri tou el e, apel ando à mul ti dão, que reagi u com novos i ns ul tos e uma arti l hari a renovada s obre E l ena, uma que Lady Ul ma não es tava al i para s er cas ti gada. Por fi m, o Jovem Drohzne termi nou contando des ta atrevi da vi l ( E l ena) que, ves ti da como homem, pegara a i mpres tável es crava de s eu i rmão ( Ul ma), carregara es s a propri edade val i os a ( tudo i s s o s ozi nha?, perguntou-s e E l ena i roni camente) e a l evara para a cas a de um curandei ro al tamente s us pei to ( Dr. M eggar), que agora s e recus ava a devol ver a es crava ori gi nal . — Quando s oube di s s o, entendi que j amai s veri a meu i rmão ou s ua es crava de novo — gri tou, no gemi do es tri dente que el e, de al gum modo, cons egui ra s us tentar por toda a narrati va. — Se a es crava era tão pregui ços a, devi a fi car fel i z com i s s o — gri tou um pi adi s ta na mul ti dão. — E ntretanto — di s s e um homem mui to gordo cuj a voz fazi a E l ena s e l embrar de Al fred Hi tchcock: a di cção l úgubre e as mes mas paus as antes de pronunci ar pal avras i mportantes , acentuando o es tado de es pí ri to mai s macabro e dando a hi s tóri a um caráter mai s s éri o do que qual quer um ti ves s e pens ado até então. E s te era um homem poderos o, percebeu E l ena. As obs ceni dades , o bombardei o, até os pi garros e cus paradas ti nham parado. O grandal hão s em dúvi da era o equi val ente l ocal de um " chefão" para es s es pobres moradores dos corti ços . Seri a s ua pal avra que determi nari a o des ti no de E l ena. — E des de então —di zi a el e l entamente, mas ti gando, a cada poucas pal avras um doce de formato i rregul ar e dourado, que ti rava de uma ti gel a


res ervada para el e —, o j ovem vampi ro Dami en fez a reparação... e mai s generos amente também... pel os danos à propri edade. — Aqui houve uma l onga paus a enquanto el e fi tava o Jovem Drohzne. — Portanto, s ua es crava, Al i ana, que começou toda es s a confus ão, não s erá pres a ou col ocada em l ei l ão públ i co, mas fará s ua reverênci a e rendi ção humi l de aqui e, pel a própri a vontade, receberá a puni ção que s abe merecer. E l ena s e vi u mui to confus a. Não s abi a s e era por caus a de toda aquel a fumaça que fl utuava para s eu ní vel antes de s ubi r em es pi rai s , mas as pal avras “col ocada em l ei l ão públ i co” provocaram um choque que quas e a fez des mai ar. E l a não s abi a que i sso podi a acontecer — e as i magens que l he vi nham à mente eram extremamente des agradávei s . E l a também percebeu s eu novo apel i do, e o de Damon. Aqui l o na verdade era óti mo, pens ou el a, uma vez que Shi ni chi e M i s ao j amai s s aberi am des s a pequena aventura. — Traga-nos a es crava — concl ui u o gordo, s entando-s e numa grande pi l ha de al mofadas . E l ena foi col ocada de pé e l evada ri s pi damente para ci ma até as s andál i as douradas do homem, e os pés i ncri vel mente l i mpos , enquanto manti nha os ol hos bai xos como uma es crava obedi ente. — Ouvi u todo o protocol o? — O Chefão ai nda mas ti gava s uas i guari as e uma l ufada de bri s a trouxe um chei ro forte ao nari z de E l ena; de repente, toda a s al i va que podi a reuni r i nundou s eus l ábi os s ecos . — Si m, s enhor — di s s e el a, s em s aber que tí tul o dar a el e. — Di ri j a-s e a mi m como Sua E xcel ênci a. Você tem al go a acres centar em s ua defes a? — perguntou o homem, para es panto de E l ena. Sua res pos ta automáti ca era, “Por que pergunta, j á que tudo foi arranj ado de antemão?” fi cou pres a nos l ábi os . E s te homem era al go — mai s — do que qual quer um dos outros que havi a conheci do na Di mens ão das Trevas — ou mel hor, em toda a


s ua vi da. E l e ouvi a as pes s oas . E l e ouvi ri a a mi m s e eu l he contas s e s obre Stefan, pens ou E l ena de repente. M as , pens ou el a, recuperando s eu equi l í bri o mental , o que el e fari a a res pei to di s s o? Nada, a não s er que l he des s e al go em troca e el e l ucras s e al guma coi s a com i s s o — ou aumentas s e poder, ou derrubas s e um i ni mi go. Ai nda as s i m, el e podi a s er um al i ado quando el a vol tas s e es te l ugar para l i bertar os es cravos . — Não, Sua E xcel ênci a. Nada a acres centar — di s s e el a. — E es tá di s pos ta a s e pros trar e i mpl orar meu perdão e o do amo Drohzne? E s ta era a pri mei ra fal a do rotei ro de E l ena. — Si m — di s s e el a, e cons egui u pronunci ar s uas des cul pas préfabri cadas com cl areza e com o engol i r em s eco no momento certo no fi nal . No al to, E l ena podi a ver pontos dourados no ros to do gordo, em s eu col o, na barba. — M ui to bem. Determi no uma pena de dez chi batadas de vara de frei xo nes ta es crava, como exempl o a outros badernei ros . A pena s erá apl i cada por meu s obri nho Cl ewd.


21 Pandemôni o. E l ena l evantou rapi damente a cabeça, confus a, s em s aber s e ai nda devi a agi r como a es crava arrependi da. Os l í deres da comuni dade tagarel avam entre s i , apontando dedos , l ançando as mãos para ci ma. Damon res tri ngi ra fi s i camente o Chefão, que pareci a cons i derar concl uí da s ua parte na ceri môni a. A mul ti dão ui vava e gri tava. Pareci a que haveri a outra bri ga; des ta vez entre Damon e os homens do Chefão, em es peci al aquel e que s e chamava Cl ewd. A cabeça de E l ena gi rava. E l a s ó cons egui a pegar al gumas fras es des conexas . “... s ó s ei s chi batadas e que eu apl i que...”, Damon gri tava. “... acha real mente que es s es cal uni adores di zem a verdade?”, gri tava outra pes s oa — provavel mente Cl ewd. M as o Chefão não era exatamente i s s o também? Apenas um cal uni ador mai or, mai s as s us tador e, s em dúvi da, mai s efi ci ente que s e reportava a al gum s uperi or e não tol dava a mente com fumaça tóxi ca?, pens ou E l ena; depoi s abai xou a cabeça apres s adamente quando o gordo ol hou para el a. E l a podi a ouvi r Damon novamente, des ta vez aci ma da al gazarra. E l e es tava j unto do Chefão. —E u achava que mes mo aqui haveri a al gum res pei to depoi s de fi rmado um acordo. — Sua voz dei xava evi dente que j á não s eri a mai s pos s í vel negoci ar e que el e es tava pres tes a parti r para o ataque. E l ena es tava apavorada. Nunca ouvi ra tão abertamente uma ameaça de Damon, em voz al ta. — E s pere. — O tom do Chefão es tava rel axado, mas fez da bal búrdi a um s i l ênci o. O gordo, tendo reti rado a mão de Damon de s eu braço, vi rou a cabeça para E l ena. — Abro mão da parti ci pação de meu s obri nho Cl ewd. Di armund, ou quem


quer que s ej a, es tá l i vre para cas ti gar s ua es crava, com os própri os i ns trumentos . De s úbi to, s urpreendentemente, o vel ho es panava pedaços de ouro da barba e fal ava di retamente com E l ena. Seus ol hos eram experi entes , cans ados e s urpreendentemente s agazes . — Cl ewd é um mes tre nas chi batadas , como deve s aber. Tem s ua própri a i nvençãozi nha. Chama-s e bi godes de gato e um gol pe é capaz de es fol ar a pel e do pes coço aos quadri s . A mai ori a dos homens morre com dez chi batadas . M as recei o que

el e

fi ca

decepci onado hoj e. — Depoi s ,

expondo dentes

s urpreendentemente brancos e regul ares , o Chefao s orri u. E s tendeu para el a a ti gel a de doces dourados que es ti vera comendo. — Pode prova um antes de s ua Di s ci pl i na. Pegue. Com medo de experi mentar e, ao mes mo tempo, receos a de não provar, E l ena pegou um dos pedaços i rregul ares e col oco na boca. Seus dentes mas ti garam o doce de s abor agradável . A metade de uma noz! E ra es s e o mi s teri os o doce. Uma mei a noz del i ci os a, mergul hada em uma es péci e de xarope doce de l i mão com pedaços de pi menta ou al go dourado que s e grudava nel a com aquel a coi s a comes tí vel que pareci a ouro. Ambrós i a! O Chefao di zi a a Damon: — Apl i que s ua própri a “di s ci pl i na”, rapaz. M as não dei xe de ens i nar a meni na a encobri r s eus pens amentos . E l a é i ntel i gente demai s para s er des perdi çada num bordel de corti ço. M as então por que não acho que el a quer s e tornar uma cortes ã famos a? Antes que Damon pudes s e res ponder ou E l ena cons egui s s e l evantar a cabeça, ai nda de j oel hos , el e s e foi , l evado pel os carregadores de pal anqui m para a úni ca carruagem puxada por caval os que E l ena vi ra nos corti ços . Agora os l í deres ci vi s que di s cuti am e ges ti cul avam, i nci tados pel o


Jovem Drohzne, com mui to cus to, chegaram a um acordo. — Dez chi batadas , el a não preci s a s e des pi r e você mes mo pode apl i cál as — di s s eram. — M as nos s a úl ti ma pal avra é es ta: dez. O homem que negoci ou com você j á não pode mai s di s cuti r. Quas e des preocupadamente, al guém ergueu, por um tufo de cabel o, uma cabeça s em corpo. O abs urdo era es tar coroada de fol has poei rentas , na expectati va do banquete depoi s da ceri môni a. Os ol hos de Damon l ampej aram de uma fúri a genuí na, fazendo com que todos os obj etos em vol ta vi bras s em. E l ena podi a ver o Poder del e como uma pantera recuando contra uma trel a. E l a s enti u como s e es ti ves s e fal ando a um furacão, que devol vi a cada pal avra que di zi a para dentro de s ua garganta. — Concordo com i s s o. — O quê? — Acabou, Da... Amo Damon. Chega de gri tari a. E u concordo. Agora, enquanto s e pros trava no tapete di ante de Drohzne, ouvi u repenti nas l amentações de mul heres e cri anças e uma fuzi l ari a de proj étei s que mi ravam — às vezes mal — o s enhor da es crava, com s eu s orri s o des denhos o. A cauda da roupa s e es pal hava atrás de E l ena como de um ves ti do de noi va, a s ai a perol ada dei xando a anágua borgonha rel uzente na eterna l uz vermel ha. O cabel o ti nha s e s ol tado do al to, cai ndo como uma nuvem por s eus ombros , Damon teve de s epara-l os com as mãos . E l e tremi a, de fúri a. E l ena não s e atreveu a encará-l o, poi s s abi a que as mentes dos doi s s e conectari am. E ntão s e l embrou de fazer s eu di s curs o formal di ante del e e do j ovem Drohzne como parte da fars a. Fal e com s enti mento, a profes s ora de teatro, a Srta. Courtl and, s empre di zi a para a turma. Se não houver s enti mento em você, não poderá haver na


pl atei a. — Amo! — gri tou E l ena, numa voz al ta o bas tante para s er ouvi da por s obre as l amentações das mul heres . — Amo, não pas s o de uma es crava, não s ou apta a me di ri gi r ao s enhor. M as cometi um erro grave e acei to mi nha puni ção avi damente... Si m, avi damente, s e i s to res taurar no s enhor um fi o da res pei tabi l i dade de que des frutava antes de mi nha trans gres s ão i ndes ej ada. Impl oro que cas ti gue es ta es crava em des graça, que s e pros tra como tri pas j ogadas em s eu pi edos o cami nho. O di s curs o, que el a gri tara nurn tom i nvari ável e ví treo de al guém que decorou cada ví rgul a, não preci s ava pas s ar de quatro! pal avras , “Amo, i mpl oro s eu perdão”. M as ni nguém pareceu ter reconheci do a i roni a que M eredi th havi a col ocado nel e, mui to menos o achou engraçado. O Chefão o acei tara; o Jovem Drohzne o ouvi ra, e agora era a vez de Damon. M as

o Jovem

Drohzne

ai nda

não havi a

termi nado.

Sorri ndo

mal i ci os amente para E l ena, el e di s s e: — É o que terá, moci nha. M as quero ver es s a vara de frei xo pri mei ro! — di ri gi ndo-s e a Damon. Deu al guns gol pes nas al mofadas em vol ta del es ( que encheram o ar de uma poei ra cor de rubi ) e fi cou s ati s fei to, mos trando que aquel a vara era tudo o que el e podi a querer. Com a boca vi s i vel mente s al i vando, el e s e acomodou no s ofá dourado, ol hando E l ena da cabeça aos pés . Fi nal mente chegou a hora. Damon não s uportava mai s . Lentamente, como s e cada pas s o es ti ves s e no rotei ro de uma peça que el e não ens ai ou di rei to, el e s e pos tou ao l ado de E l ena para acertar o ângul o. E , enfi m, enquanto a mul ti dão reuni da fi cava cada vez mai s i mpaci ente e as mul heres mos travam s i nai s de que i ri am s e perder na embri aguez, em vez de l amentar aqui l o, el e es col heu l ocal .


— E u peço s eu perdão, amo — di s s e E l ena numa voz i nexpres s i va. Se dei xas s e por conta del e, pens ou el a, Damon nem teri a s e l embrado des s as exi gênci as . Agora era a hora. E l ena s abi a o que Damon l he prometera. E l a também ti nha cons ci ênci a que mui tas promes s as j á ti nham s i do quebradas naquel e di a. Pri mei ro, dez eram quas e o dobro de s ei s . E l a não es tava ans i ando por i s s o. M as quando vei o o pri mei ro gol pe, el a s abi a que Damon não quebrari a s ua promes s a. Senti u um baque s urdo, um torpor, e curi os amente uma umi dade que a fez ol har as nuvens através da grade de ri pas aci ma del es . E ra des concertante perceber que a umi dade era s eu própri o s angue, derramado s em dor, es correndo pel a l ateral do corpo. — Comece a contagem — ros nou o J ovem Drohzne com a voz arras tada e E l ena automati camente di s s e “Um”, antes que Damon pudes s e di s cuti r. E l ena conti nuou contando na mes ma voz cl ara e i nabal ável . E m s ua mente el a não es tava al i , naquel a s arj eta horrí vel e fedi da. E s tava dei tada s obre os cotovel os para apoi ar o ros to, e fi tava os ol hos de Stefan — aquel es ol hos verdes e vi vos como a pri mavera, ol hos que j amai s envel heceri am, por mai s que el e vi ves s e por s écul os e s écul os . E l a contava s onhadoramente para el e, e no dez os doi s pul ari am para di s putar uma corri da. Caí a uma chuva s uave, mas Stefan l he dava uma vantagem, e mui to em breve el a s e s eparari a del e e correri a pel a rel va l uxuri ante. Fari a uma corri da j us ta e real mente s e es forçari a, mas Stefan, é cl aro, a al cançari a. Depoi s el es s e dei tari am na rel va j untos , ri ndo s em parar, como s e es ti ves s em tendo um ataque hi s téri co. Até os ruí dos vagos e di s tantes de expres s ões rapaces e ros nados embri agados gradual mente mudavam. Tudo ti nha a ver com al gum s onho bobo s obre Damon e uma vara de frei xo. No s onho, Damon açoi tava com força


s ufi ci ente para s ati s fazer o mai s exi gente dos es pectadores , e os gol pes , que E l ena podi a ouvi r no s i l ênci o cres cente, pareci am fortes , dei xando-a mei o naus eada quando refl eti u que aquel e era o s om da s ua pel e s e ras gando, mas el a não s enti u mai s do que l eves tapas nas cos tas . E Stefan l he mandava um bei j o! “Serei s empre s eu”, di zi a Stefan. “Somos um do outro s empre que você s onha.” E u s empre s erei s ua, di s s e-l he E l ena em s i l ênci o, s abendo que receberi a a mens agem. Pos s o não cons egui r s onhar com você o tempo todo, mas s empre es tarei com você. Sempre, meu anj o. E s tou es perando por você, di s s e Stefan. E l ena ouvi u a própri a voz di zer “dez”, e Stefan l he mandou outro bei j o e s e foi . Pi s cando, des norteada e confus a com o s úbi to fl uxo de ruí dos , el a s e s entou cautel os amente, ol hando em vol ta. O j ovem Drohzne es tava agachado, cego de fúri a, decepção e mai s bebi da do que podi a s uportar. As mul heres que gemi am há mui to havi am s e s i l enci ado, pas mas . As cri anças eram as úni cas que ai nda fazi am barul ho, s ubi ndo e des cendo as ri pas , cochi chando com as outras e correndo s e E l ena por acas o ol has s e na di reção del as . E m s egui da, s em qual quer ceri môni a, tudo havi a acabado. Quando E l ena s e l evantou, o mundo deu duas vol tas em torno del a e s uas pernas s e dobraram. Damon a s egurou e chamou os poucos j ovens ai nda cons ci entes , que s e i ncl i naram para el e. — Dê-me uma capa. — Não era um pedi do, e o mai s bem-ves ti do dos homens , que pareci a fazer turi s mo nos corti ços , ati rou-l he uma capa pes ada e preta, forrada de azul es verdeado, e di s s e: — Fi que com el a. O es petácul o foi maravi l hos o. É um ato de hi pnos e?


— Não foi um es petácul o — ros nou Damon, numa voz que deteve os outros vi s i tantes no ato de es tender cartões de vi s i ta. — Pegue-os — s us s urrou E l ena. Damon pegou os cartões de uma das mãos , s em a menor el egânci a. M as E l ena s e obri gou a ti rar o cabel o do ros to e s orri r l entamente, com as pál pebras pes adas , para os j ovens . E l es s orri ram ti mi damente para el a. — Quando vocês ... Se apres entarem de novo... — Vocês s aberão — di s s e-l hes E l ena. Damon j á a carregava de vol ta ao Dr. M eggar, cercado pel a i nevi tável comi ti va de cri anças que puxavam os mantos . Foi s ó então que ocorreu a E l ena perguntar-s e por que Damon pedi ra uma capa a um es tranho, quando el e, na verdade, es tava ves ti ndo uma.

***

— E l es farão ceri môni as em al gum l ugar, agora que s ão tantos — di s s e a Sra. Fl owers com certa agoni a. E l a e M att es tavam s entados , bebendo chá de ervas na s al a de es tar do pens i onato. E ra hora do j antar, mas ai nda es tava mui to cl aro l á fora. — Ceri móni as para fazer o quê? — perguntou M att. E l e não fora à cas a dos pai s des de que dei xou Damon e E l ena, havi a mai s de uma s emana, para vol tar a Fel l s Church. Pas s ou na cas a de M eredi th, que fi cava na peri feri a da ci dade, e el a o convenceu a procurar a Sra. Fl owers pri mei ro. Depoi s da convers a que os três ti veram com Bonni e, M att deci di u que era mel hor fi car es condi do. Sua famí l i a fi cari a mai s s egura s e ni nguém s oubes s e que el e es tava em Fel l ’s Church. E l e morari a no pens i onato, mas nenhuma daquel as cri anças pos s uí das perceberi a i s s o. Depoi s , com Bonni e e M eredi th parti ndo em s egurança para encontrar Damon e E l ena, M att podi a s er uma es péci e de


agente s ecreto. Agora el e des ej ava ter i do com as meni nas . Tentar s er agente s ecreto num l ugar onde todos os i ni mi gos pareci am capazes de ouvi r e ver mel hor do que você, e s e movi mentar mui to mai s rápi do, não s e mos trou tão úti l quanto pareci a. E l e pas s ava a mai or parte do tempo l endo bl ogs na i nternet, que M eredi th havi a i ndi cado, procurando di cas que pudes s em aj udar-l hes de al guma manei ra. M as não l eu s obre a neces s i dade de nenhuma ceri môni a. E l e s e vi rou para a Sra. Fl owers enquanto el a beberi cava o chá pens ati va. — Ceri móni as para quê? — repeti u M att. Com o cabel o branco e maci o, o ros to genti l e os ol hos azui s bondos os e vagos , a Sra. Fl owers pareci a a vel hi nha mai s i nofens i va do mundo. M as não era. Bruxa de nas cença e j ardi nei ra por vocação, el a s abi a tanto s obre toxi nas vegetai s de magi a negra quanto de catapl as mas curati vas de magi a branca. — Ah, para fazer coi s as des agradávei s — res pondeu el a com tri s teza, ol hando as fol has de chá na xí cara. — E l es s ão em parte como um encontro de torci das , s abe?, para ani mar a todos . Provavel mente também fazem al guma magi a negra l á. Tal vez com al guma chantagem e l avagem cerebral ... E l es podem di zer a qual quer novo converti do que el e é cul pado por s i mpl es mente comparecer às reuni ões . E l es podem também s e render e s e tornar pl enamente i ni ci ados ... E s s e ti po de coi s a. M ui to des agradável . — M as des agradável como? — i ns i s ti u M att. — Na verdade eu não s ei , queri do. Nunca fui a uma des s as ceri môni as . M att refl eti u. E ram quas e 19h, hora do toque de recol her para menores de 18 anos . Jovens até 18 anos corri am o ri s co de fi car pos s uí dos . É cl aro que não era um toque de recol her ofi ci al . A pol i ci al pareci a não fazer i dei a de como l i dar com aquel a curi os a doença, que ati ngi a os j ovens de


Fel l ’s Church. Dar-l hes um s us to, tal vez? M as era a pol í ci a que es tava as s us tada. Um j ovem xeri fe s ai u correndo da cas a de Ryan para vomi tar depoi s de ver Karen Ryan arrancar a dentadas a cabeça de s eu camundongo de es ti mação e dar um fi m no que res tou del e. Trancafi á-l as ? M as i s s o os pai s não queri am, por pi or que fos s e o comportamento de s eus fi l hos , por mai s evi dente que fos s e s ua neces s i dade de aj uda. Al gumas cri anças eram l evadas à ci dade vi zi nha para uma s es s ão com o ps i qui atra. E l as s e comportavam normal mente, fal avam com cal ma e de manei ra raci onal ... Durante os 50 mi nutos de cons ul ta. Depoi s , ao vol tar para cas a, vi ngavam-s e dos pai s , repeti ndo tudo o que el es di zi am numa i mi tação perfei ta, fazendo ruí dos as s us tadores que pareci am s ons de ani mai s , travando convers as cons i go mes mas em l í nguas que pareci am as i áti cas ou fal ando de trás para a frente. Nenhuma ci ênci a comum ou médi ca pareci a ter uma res pos ta para o probl ema das cri anças . M as o que mai s as s us tava os pai s era quando s eus fi l hos des apareci am. No i ní ci o, s upunha-s e que as cri anças fos s em para o cemi téri o, mas quando os adul tos tentaram s egui -l as a uma das reuni ões s ecretas , encontraram o cemi téri o vazi o — i ncl us i ve a cri pta s ecreta de Honori a Fel l . As cri anças pareci am ter s i mpl es mente... s umi do. M att pens ou que s abi a a res pos ta para es te mi s téri o. Aquel a mata no anti go bos que ai nda fi cava perto do cemi téri o. Ou os poderes de puri fi cação de E l ena não chegaram tão l onge, ou o l ugar era tão mal i gno que cons egui u res i s ti r à l i mpeza que el a fi zera. E M att s abi a mui to bem que os anti gos bos ques agora es tavam s ob domí ni o dos ki ts une. Se você des s e doi s pas s os para a mata corri a o ri s co de pas s ar o res to da vi da tentando s ai r de l á.


— M as tal vez eu s ej a j ovem o s ufi ci ente para s egui -l os — di s s e el e agora à Sra. Fl owers . — Sei que Tom Pi erl er vai com el as e el e tem a mi nha i dade. E tem aquel es que começaram tudo: Carol i ne pas s ou a Ji m Bryce, que pas s ou a Is obel Sai tou. A Sra. Fl owers pareci a di s traí da. — Preci s amos pedi r à avó de Is obel mai s daquel as proteções xi ntoí s tas que el a abençoou — di s s e el a. — Acha que pode dar um pul i nho l á qual quer di a des s es , M att? Pel o que s ei , l ogo teremos de nos preparar para uma embos cada. — É o que di zem as fol has de chá? — Si m, queri do, e é o mes mo que mi nha pobre cabeça di z. Avi s e à Dra. Al pert para el a ti rar a fi l ha e os netos da ci dade antes que s ej a tarde demai s . — Vou dar o recado a el a, mas acho que vai s er mui to di fí ci l s eparar Tyrone de Deborah Kol l . E l e real mente gos ta del a... M as tal vez a Dra. Al pert pos s a convencer os Kol l a parti r também. — Boa i dei a. Is s o s i gni fi cari a menos cri anças para nos preocuparmos — di s s e a Sra. Fl owers , pegando a xí cara de M att para dar uma ol hada. — E u farei i s s o. — E ra es tranho, pens ou M att. Naquel e momento, el e ti nha três al i ados em Fel l s Church e todos eram mul heres de mai s de 60 anos . A Sra. Fl owers , ai nda forte o bas tante para acordar toda manhã para dar uma cami nhada e cui dar de s uas pl antas ; Obaas an — confi nada ao l ei to, pequeni na como uma boneca, com o cabel o preto pres o num coque —, que s empre es tava pronta com óti mos cons el hos , devi do à experi ênci a adqui ri da nos anos que pas s ou como donzel a do s antuári o; e a Dra. Al pert, a médi ca de Fel l ’s Church, que ti nha cabel os gri s al hos , pel e morena l us tros a e uma ati tude abs ol utamente pragmáti ca com rel ação a tudo, i ncl us i ve a magi a. Ao contrári o da pol í ci a, el a s e recus ava a negar o que aconteci a di ante de s eus


ol hos e fazi a o máxi mo que podi a para al i vi ar os temores das cri anças e acons el har os pai s apavorados . Uma bruxa, uma s acerdoti s a e uma médi ca. M att i magi nou que es tava pi s ando em terreno fi rme, es peci al mente porque também conheci a Carol i ne, meni na que havi a começado tudo aqui l o — quer fos s e por pos s es s ão de rapos as , l obos ou as duas coi s as — ou mai s . — Vou à reuni ão es ta noi te — di s s e el e com fi rmeza. — O pes s oal es teve cochi chando e s e fal ando o di a todo. Vou me es conder em al gum l ugar à tarde, onde pos s a vê-l os entrando na mata. Depoi s vou s egui -l os ... Des de que Carol i ne ou... Deus nos l i vre, Shi ni chi ou M i s ao... não es tej a com el es . A Sra. Fl owers l he s ervi u outra xí cara de chá. — E s tou mui to preocupada com você, M att, queri do. Parece-me s er um di a de mau agouro. Não é um di a para s e correr ri s cos . — Sua mãe tem al go a di zer s obre i s s o? — perguntou genui namente i nteres s ado. A mãe da Sra. Fl owers morreu al gum momento por vol ta do i ní ci o dos anos 1900, mas i s s o não a i mpedi a de s e comuni car com a fi l ha. — O probl ema é j us tamente es te. Não ouvi uma pal avra del a o di a todo. Vou tentar mai s uma vez. — A Sra. Fl owers fechou os ol hos e M att pôde ver as pál pebras enrugadas s e mexendo enquanto el a pres umi vel mente procurava pel a mãe, tentando entrar em trans e ou coi s a as s i m. M att tomou s eu chá e, cans ado de es perar, começou a j ogar no cel ul ar. Por fi m a Sra. Fl owers abri u os ol hos de novo e s us pi rou. — Hoj e a queri da mama ( el a s empre fal ava as s i m, com a tôni ca na s egunda s í l aba) es tá s endo rebel de. E l a não quer me dar uma res pos ta cl ara. E l a di z que a reuni ão s erá mui to turbul enta, e depoi s mui to s i l enci os a. E es tá cl aro que el a acha que s erá mui to peri gos a também. Acho mel hor eu i r com você, meu queri do.


— Não, não! Se s ua mãe acha que é peri gos o, nem eu vou — di s s e M att. As meni nas o es fol ari am vi vo s e aconteces s e al guma coi s a com a Sra. Fl owers , pens ou el e. M el hor agi r com cautel a. A Sra. Fl owers s e recos tou na cadei ra, parecendo al i vi ada. — Bem — di s s e el a por fi m —, acho mel hor cui dar das mi nhas pl antas . Também tenho que col her e s ecar artemí s i a. E os mi rti l os devem es tar maduros . Como o tempo voa. — Bom, a s enhora es tá cozi nhando para mi m e tudo — di s s e M att. — Gos tari a de pagar pel a hos pedagem. — E u j amai s me perdoari a! Você é meu hós pede, M att. E também meu ami go, as s i m es pero. — M as é cl aro que s i m. Sem a s enhora, eu es tari a perdi do. Vou dar uma cami nhada, preci s o quei mar cal ori as . E u queri a... — E l e s e i nterrompeu. Ia di zer que queri a poder bater uma bol a com Ji m Bryce. M as Ji m não bateri a bol a de novo, nunca mai s . Não com as mãos muti l adas . — Só vou dar uma cami nhada — di s s e el e. — Si m — di s s e a Sra. Fl owers . — Por favor, M att queri do, tenha cui dado. Lembre-s e de l evar um agas al ho. — Si m, s enhora. — E ra i ní ci o de agos to, es tava quente e úmi do o bas tante para s e andar de s unga de natação. M as M att era educado o s ufi ci ente para res pei tar os mai s vel hos , mes mo que fos s em bruxas e, em mui tos as pectos , tão peri gos as como a faca que el e col ocou no bol s o ao s ai r do pens i onato. E l e pegou uma es trada que dava no cemi téri o. Agora, s e fos s e para lá, onde o chão des ci a abai xo da mata, el e teri a uma óti ma vi s ão de quem es ti ves s e entrando no que res tava do anti go bos que, ao pas s o que ni nguém no cami nho abai xo cons egui ri a vê-l o.


Ele correu para o es conderi j o es col hi do s em fazer barul ho, abai xando-s e atrás das l ápi des , mantendo-s e atento a qual quer mudança no canto dos pas s ari nhos , que i ndi cari a que as cri anças es tavam chegando. M as o úni co canto era o gui ncho rouco de corvos na mata e el e não vi u ni nguém... ... até entrar de mans i nho em s eu es conderi j o. E de repente el e s e vi u cara a cara com uma arma e, atrás del a, a face do xeri fe Ri ch M os s berg. As pri mei ras pal avras que s aí ram da boca do xeri fe pareci am s er parte de um di s curs o decorado, como s e al guém ti ves s e puxado uma cordi nha num boneco fal ante do s écul o XX. — M atthew Jeffrey Honeycutt, o s enhor es tá pres o por atacar e es pancar Carol i ne Beul a Forbes . Tem o di rei to de permanecer cal ado... — E o s enhor também — s i bi l ou M att. — M as não por mui to tempo! Ouve os corvos voando ao mes mo tempo? E l es es tão chi gando no anti go bos que! Já es tão perto! O xeri fe M os s berg era uma daquel as pes s oas que nunca paravam de fal ar até que real mente ti ves s em termi nado, então agora el e di zi a: — E ntendeu s eus di rei tos ? — Não, s enhor! Mi ne komprenas bal el a! Uma ruga apareceu entre as s obrancel has do xeri fe. — E s tá tentando me enrol ar com i tal i ano? — É es peranto... Não temos tempo! Lá vêm el as ... E , ah, meu Deus , Shi ni chi es tá com el as ! — A úl ti ma fras e foi di ta no mai s l eve dos s us s urros enquanto M att abai xava a cabeça, es pi ando pel o mato al to à bei ra do cemi téri o s em s e mexer. Si m, era Shi ni chi , de mãos dadas com uma garoti nha 12 anos . M att a reconheci a vagamente, s abi a que el a morava perto de Ri dgemont. Qual era


mes mo o nome del a? Bets y, Becca...? M att ouvi u um ruí do fraco e angus ti ado do xeri fe M os s berg. — M i nha s obri nha — s us s urrou el e, s urpreendendo M att por fal ar com tanta s uavi dade. — É mi nha sobri nha, Rebecca! — M ui to bem, agora fi que qui eto — cochi chou M att. Havi a uma fi l a de cri anças s egui ndo Shi ni chi como s e el e fos s e uma es péci e de Fl auti s ta de Hamel i n s atâni co, com o cabel o preto de pontas vermel has bri l hando e os ol hos dourados ri s onhos s ob o s ol do fi m de tarde. As cri anças ri am e cantavam, al gumas ti nham vozes doces de j ardi m de i nfânci a, uma vers ão mui to di s torci da de uma canti ga popul ar. M att s enti u a boca s eca. E ra uma agoni a ver as cri anças marcharem para a mata; era como ver cordei ros s ubi ndo uma rampa para um matadouro. E l e teve que pedi r ao xeri fe para não ati rar em Shi ni chi . Is s o provocari a um i nferno na terra. M as as s i m que M att vi u a úl ti ma cri ança entrar na mata, el e l evantou a cabeça. O xeri fe M os s berg s e preparava para s e l evantar. — Não! — M att s egurou o pul s o del e. O xeri fe o afas tou. — Tenho de entrar l á! E l e pegou mi nha s obri nha! — E l e não vai matá-l a. Eles não matamas cri anças. Não s ei por que, mas não matam. — Você ouvi u as obs ceni dades que el e es tava ens i nando a el as . E l e vai cantar uma mús i ca di ferente quando vi r uma Gl ock s emi automáti ca apontada para cabeça del e. — E s cute — di s s e M att —, o s enhor tem que me prender, não é? E u exi j o que me prenda. Mas não entre naquele bosque! — Não vej o nenhum bos que — di s s e o xeri fe com des dém. — M al tem es paço entre aquel e grupo de três carval hos para todas as cri anças s e


s entarem. Se qui s er s er de al guma aj uda, pode pegar uma ou duas das pequenas quando el as s aí rem correndo. — Saí rem correndo? — Quando me vi rem, el as vão correr. Provavel mente vão s e es pal har, mas al gumas pegarão o cami nho pel o qual vi eram. Você vai aj udar ou não? Não, s enhor — di s s e M att com l enti dão e fi rmeza. — E ... e es cute... Ol ha, es tou i mplorando para que o s enhor não entre l á! Acredi te, eu s ei o que es tou fal ando! — Não s ei que ti po de droga tomou, rapaz, mas de fato não tenho tempo para es s a convers a. E s e tentar me i mpedi r de novo... — el e gi rou a Gl ock para M att — ...vou i ndi ci á-l o por outra acus ação, de obs trução à j us ti ça. E ntendeu? — Tá, entendi — di s s e M att, des i s ti ndo. E l e arri ou em s eu es conderi j o enquanto o pol i ci al , prati camente s em fazer barul ho, foi para a mata. Depoi s o xeri fe Ri ch M os s berg andou entre as árvores e s ai u do campo de vi s ão de M att. M att fi cou s entado no es conderi j o, preocupado, por uma hora. E s tava quas e cochi l ando quando ouvi u um barul ho na mata e Shi ni chi s ai u, l i derando as cri anças ri s onhas que cantavam. O xeri fe M os s berg não s ai u com el es .


22 Na tarde s egui nte à “di s ci pl i na” de E l ena, Damon pegou um quarto no prédi o onde o Dr. M eggar morava. Lady Ul ma fi cou na s al a do médi co até que el es , Sage, Damon e o Dr. M eggar, a curas s em compl etamente. E l a agora não fal ava mai s s obre coi s as tri s tes . Contou-l hes vári as hi s tóri as da cas a em que cres ceu que el es s enti am que poderi a andar por el a e reconhecer cada cômodo, por mai or que fos s e. — Imagi no que a cas a agora s ej a l ar de ratos e camundongos — di s s e el a tri s tonha ao concl ui r uma hi s tóri a. — E aranhas e traças . — M as por quê? — di s s e Bonni e, s em ver os s i nai s que M eredi th e E l ena l he fazi am para não perguntar nada. Lady Ul ma tombou a cabeça para trás e ol hou o teto. — Por caus a... do general Verantz. O demôni o de mei a-i dade que me vi u quando eu ti nha apenas 14 anos . Quando el e mandou o exérci to atacar mi nha cas a, matou cada s er vi vo que encontraram l á dentro... M enos a mi m e meu canári o. M eus pai s , meus avós , mi nhas ti as e ti os ... M eus i rmãos e i rmãs mai s novos . Até meu gato, que dormi a no pei tori l da j anel a. O general Verantz me col ocou di ante del e, eu ai nda pequeni na, de cami s ol a e des cal ça, com o cabel o des penteado, com a trança s e des fazendo, e ao l ado del e es tava meu canári o com a cobertura noturna da gai ol a. Ai nda es tava vi vo e s al tava com a mes ma ani mação de s empre. E i s s o fez com que todo o res to que aconteceu pareces s e pi or... No entanto, também pareci a um s onho. É di fí ci l de expl i car. “Doi s dos homens do general me s eguraram e me l evaram di ante del e. Na verdade mai s me es coravam do que me i mpedi am de correr. E u era j ovem demai s , entendam, e tudo apareci a e s umi a di ante de mi m. M as l embro exatamente o que o general me di s s e. E l e fal ou, ' E u mandei es s e pas s ari nho para cantar e el e cantou. Di s s e a s eus pai s que queri a l he dar a honra de s er mi nha es pos a e el es recus aram meu pedi do. Agora pens e bem.


Você fará como o canári o, ou como s eus pai s ?’ E el e apontou para um canto es curo da s al a — é cl aro que tudo era i l umi nado por tochas , e as tochas ti nham s i do apagadas naquel a noi te. M as havi a l uz s ufi ci ente para que eu vi s s e que havi a um amontoado de coi s as , coberto com pal ha ou mato de um l ado. Pel o menos foi o que i magi nei — é verdade. E u era i nocente e crei o que o choque fez al guma coi s a com mi nha mente.” — Por favor — di s s e E l ena, afagando genti l mente a mão de Lady Ul ma. — Não preci s a fal ar mai s nada. Nós entendemos ... M as Lady Ul ma não pareceu ouvi -l a. — Depoi s um dos homens do general ergueu uma es péci e de coco com uma

pal ha

mui to compri da

no al to,

com

tranças .

E le

bal ançou

des preocupadamente... De repente vi o que era aqui l o. E ra a cabeça de mi nha mãe. E l ena engas gou i nvol untari amente. Lady Ul ma ol hou as meni nas com os ol hos fi rmes e s ecos . — Vocês devem me achar mui to i ns ens í vel por fal ar des s as coi s as s em cai r no choro. — Não, não... — E l ena começou apres s adamente. E l a mes ma tremi a, mes mo depoi s de bai xar os s enti dos paranormai s ao mí ni mo. Torci a para Bonni e não des mai ar. Lady Ul ma fal ava novamente. — A guerra, a vi ol ênci a fortui ta e a ti rani a s ão tudo o que conheço des de que mi nha i nfânci a i nocente foi des truí da naquel e momento. Agora é a genti l eza que me as s ombra, que dei xa meus ol hos ardendo de l ágri mas . — Ah, não chore — pedi u Bonni e, abraçando a mul her i mpul s i vamente. — Por favor, não chore. Nós es tamos aqui com a s enhora. E nquanto i s s o E l ena e M eredi th s e ol havam com as s obrancel has


uni das e um dar de ombros rápi do. — Si m, por favor, não chore — i ntrometeu-s e E l ena, s enti ndo-s e um tanto cul pada, mas deci di da a tentar o Pl ano A. — M as conte, por que a propri edade de s ua famí l i a acabou em condi ções tão rui ns ? — Por cul pa do general . E l e foi envi ado a terras l ongí nquas para travar guerras tol as e i ns i gni fi cantes . Quando parti u, l evou a mai or parte de s eu s équi to... Incl us i ve os es cravos preferi dos naquel a época. Quando parti u de vez, três anos depoi s de ter atacado nos s a cas a, eu não era mai s uma de s uas favori tas e não fui es col hi da para i r com el e. Ti ve s orte. Todo s eu batal hão foi el i mi nado; os cri ados que foram com el e foras apri s i onados ou abati dos . E l e não ti nha herdei ros e s uas propri edades foram reverti das para a Coroa, que não vi a uti l i dade nel as . Permaneceu des ocupada por todos es s es anos ... Foi s aqueada mui tas vezes , é cl aro, mas ni nguém s oube de s eu verdadei ro s egredo, o s egredo das j ói as ... Até onde eu s ei . — O Segredo das Jói as — s us s urrou Bonni e, cl aramente col ocando em mai ús cul as , como s e fos s e uma hi s tóri a de mi s téri o. E l a ai nda abraçava Lady Ul ma. Que s egredo das j ói as ? — perguntou M eredi th com mai s cal ma. E l ena não cons egui a fal ar, poi s s enti ra arrepi os de ans i edade. E ra como fazer parte de uma peça mági ca. — Nos tempos de meus pai s , era comum es conder s ua ri queza em al gum l ugar em s ua propri edade... E s ó os donos s abi am onde era o es conderi j o. É cl aro que meu pai , como ouri ves e comerci ante de j ói as , ti nha mai s a es conder do que a mai ori a das pes s s oas poderi a i magi nar. E l e ti nha uma s al a maravi l hos a que me fazi a pens ar na caverna do Al adi m. E ra a ofi ci na del e, onde manti nha as gemas brutas e as peças prontas que havi am s i do encomendadas , ou as que el e cri ava e des enhava para mi nha mãe.


— E ni nguém j amai s a encontrou? — qui s s aber M eredi th. Havi a um l eve tom de ceti ci s mo em s ua voz. — Se encontraram, nunca s oube di s s o. É cl aro que na época el es podi am ter arrancado a i nformação do meu pai ou da mi nha mãe.... M as o general não era um vampi ro ou um ki ts une meti cul os o e paci ente, era um demôni o rude e i mpaci ente. M atou meu pai s enquanto as s al tava a cas a. Nunca ocorreu a el e que eu, uma cri ança de 14 anos , podi a ter es s a i nformação. — M as

a

s enhora

s abi a... — s us s urrou

Bonni e,

fas ci nada,

es ti mul ando Lady Ul ma. — M as eu s abi a. E ai nda s ei . E l ena engol i u em s eco. Tentava conti nuar cal ma, s er mai s pareci da com M eredi th, manter a cabeça fri a. M as as s i m que abri u a boca para demons trar tranqui l i dade, M eredi th di s s e, “O es tamos es perando?”, e s e col ocou de pé. Lady Ul ma pareci a s er a pes s oa mai s tranqui l a no ambi ente. Também pareci a um tanto confus a e quas e tí mi da. — Quer di zer que devemos pedi r uma audi ênci a a nos s o amo? — Quero di zer que devemos i r até l á e pegar es s as j ói as ! excl amou E l ena. — M as s i m, Damon s erá de grande aj uda s e ti vermos de l evantar al guma coi s a pes ada. Sage também. — E l a não entendi a por que Lady Ul ma não es tava mai s ani mada. — Não entende? — di s s e E l ena, a mente di s parando. —A s enhora pode ter s ua cas a de vol ta! Podemos tentar dei xá-l a do j ei to que era em s ua i nfânci a. Quero di zer, s e é o que des ej a fazer com o di nhei ro. M as eu adorari a, enfi m, ver a caverna de Al adi m! — M as ... Bem... — Lady Ul ma de repente fi cou angus ti ada. — E u teri a de pedi r outro favor ao amo Damon... E mbora o di nhei ro das j ói as pos s a aj udar


ni s s o. — É o que a s enhora quer? — di s s e E l ena com a mai or genti l eza que pôde. — E não preci s a chamá-l o de amo Damon. E l e a l i bertou há al guns di as , l embra? — M as certamente foi apenas ... o cal or do momento, não foi ?— Lady Ul ma ai nda es tava confus a. — E l e não ofi ci al i zou na Chefatura de E s cravos nem nada. — Se não fez i s s o, foi por que não s abi a! — excl amou Bonni e ao mes mo tempo em que M eredi th di zi a: — Não s abemos nada des s e protocol o. E o que el e preci s a fazer? Lady Ul ma pareceu capaz apenas de as s enti r. E l ena fi cou morti fi cada. Imagi nou que es ta mul her, que havi a s i do es crava por mai s de 22 anos , devi a achar di fí ci l acredi tar que es tava real mente l i vre. — E ra o que Damon queri a quando di s s e que es távamos todas l i vres — di s s e el a, aj oel hando-s e perto da cadei ra de Lady Ul ma. — E l e s ó não s abi a tudo o que preci s ava fazer. Se nos contar, podemos di zer a el e, depoi s podemos todos i r para s ua anti ga propri edade. E l a es tava pres tes a s e l evantar de novo quando Bonni e fal ou. — Tem al guma coi s a errada. E l a não es tá fel i z como antes . Temos de des cobri r o que é. Ao abri r um pouco s ua percepção paranormal , E l ena entendeu que Bonni e ti nha razão. E l a permaneceu aj oel hada ao l ado da cadei ra de Lady Ul ma. — O que é? — perguntou el a. A mul her pareci a des nudar ai nda mai s s ua al ma quando E l ena fazi a as perguntas . — E u ti nha es peranças — di s s e Lady Ul ma l entamente — de que o amo Damon pudes s e comprar... — E l a corou, mas conti nuou com es forço. —


Pudes s e ter a generos i dade de comprar mai s um es cravo. O... O pai do meu fi l ho. Houve um momento de compl eto s i l ênci o, depoi s as três meni nas fal aram. As três , pens ou E l ena, tentando freneti camente fazer o mes mo que el a, não menci onar que achavam que o Vel ho Drohzne era o pai . M as é cl aro que não podi a s er el e, E l ena s e repreendeu. E l a es tava com a gravi dez — e quem fi cari a fel i z por ter um fi l ho de um mons tro como o Vel ho Drohzne? Al ém di s s o, el e não ti nha a menor i dei a de que el a es tava grávi da — e não s e i mportava. — Pode s er mai s fáci l fal ar do que fazer — di s s e Lady Ul ma, quando a tagarel i ce para tranqui l i zá-l a e as perguntas ti nham es moreci do um pouco. — Lucen é um j oal hei ro, um homem renomado que cri a peças que... que me l embram as de meu pai . E l e s erá caro. — M as temos a caverna de Al adi m para expl orar! — di s s e Bonni e al egremente. — Quero di zer, a s enhora terá o bas tante para i s s o s e vender as j ói as , não é? Ou preci s a de mai s ? — M as as j ói as s ão do amo Damon — di s s e Lady Ul ma, apavorada. — Tal vez el e não tenha s e dado conta di s s o, mas herdou todos os bens do Vel ho Drohzne, e s e tornou meu dono e o dono de tudo que pos s uo... — Vamos tratar de s ua l i berdade e vamos dar um pas s o de cada vez — di s s e M eredi th em s ua voz mai s fi rme e mai s raci onal .

Queri do Di ári o, B om, ai nda estou escrevendo em você como escrava. Hoj e li bertamos Lady Ulma, mas deci di mos que Meredi th, B onni e e eu devemos conti nuar como ” assi stentes pessoai s” de Damon. Isto porque Lady Ulma di sse que seri a estranho e fora de moda se ele não ti vesse vári as meni nas boni tas como cortesãs. Na verdade há uma vantag em ni sso, a de que, como cortesãs, preci samos usar roupas boni tas e j ói as o tempo todo. Como esti ve vesti ndo a mesma calça j eans desde que o sacana do Velho Drohzne


rasg ou a calça com que entrei neste lug ar, você pode i mag i nar como estou ani mada. Mas não estou ani mada só por causa das roupas boni tas. Tudo o que aconteceu desde que li bertamos Lady Ulma e depoi s, quando fomos a sua anti g a casa, foi umsonho maravi lhoso. A casa estava emruí nas e obvi amente abri g ava ani mai s selvag ens. Até achamos rastros de lobos e outros ani mai s no seg undo andar, o que nos levou a perg untar se os lobi somens habi tavameste mundo. Ao que parece, si m, e alg uns em posi ções mui to elevadas sob a tutela de vári os senhores feudai s. Talvez Caroli ne g ostasse de passar umas féri as aqui para aprender sobre os verdadei ros lobi somens — di zem que odei am tanto os humanos que nem têm escravos humanos ou vampi ros (que anti g amente eram humanos). Mas de volta à casa de Lady Ulma. Sua fundação é de pedra e ela é revesti da de madei ra de lei , então a estrutura bási ca está óti ma. As corti nas e tapeçari as estão arrui nadas, é claro, então é mei o si ni stro entrar com tochas e ver tudo pendurado no alto e em volta da g ente. Para não falar das tei as das aranhas g i g antescas. Odei o aranhas mai s do que qualquer coi sa no mundo. Mas entramos, com nossas tochas parecendo versões menores daquele sol carmi m g i g ante que está sempre se pondo no hori zonte, ti ng i ndo tudo da cor do sang ue, fechamos as portas e acendemos um fog o numa larei ra i mensa no que Lady Ulma chama de Grande Salão. Acho que é onde as refei ções são servi das ou se onde dá festas — de umlado, temuma mesa enorme numa plataforma, e umespaço para menestréi s aci ma do que deve ser a pi sta de dança. Lady Ulma di sse que era onde os cri ados dormi am à noi te também (o Grande Salão, não a g aleri a dos menestréi s). Depoi s subi mos e encontramos — eu j uro — dezenas de quartos comcamas de dossel enormes que vão preci sar de novos colchões, lençói s, cobertas e corti nas, mas não fi camos para olhar. Havi a morceg os dormi ndo no teto. Fomos ao ateli è da mãe de Lady Ulma. Era uma sala mui to g rande onde pelo menos quarenta pessoas podi am se sentar e costurar as roupas que a mãe dela desenhava. Mas aqui vema parte boa! Lady Ulma foi a um dos armári os da sala e afastou todas as roupas esfarrapadas e roí das por traças que estavam ali . Em seg ui da, apertou uns lug ares di ferentes no fundo do armári o, e toda aquela parte desli g ou para fora! Lá dentro havi a uma escada mui to estrei ta que desci a di reto! Lembrei -me da cri pta de Honori a Fell e me perg untei se alg um vampi ro sem-teto podi a ter morado nesta sala do seg undo andar, mas eu sabi a que aqui lo era toli ce, porque havi a tei as de aranha bem do lado de dentro da porta. Damon ai nda i nsi sti u em descer pri mei ro


porque enxerg ava melhor no escuro, mas acho que a verdade é que ele estava curi oso para ver o que havi a lá embai xo. Cada um de nós o seg ui u, um de cada vez, tentando ter cui dado com as tochas e... B om, não tenho palavras para descrever o que descobri mos. Por alg uns mi nutos fi quei decepci onada, porque tudo na enorme mesa lá embai xo era poei ra, e não bri lhava, mas Lady Ulma começou a espanar as j ói as deli cadamente comumteci do especi al e B onni e achou vári os sacos e os vi rou — e era como despej ar umarco-í ri s! Damon achou umarmári o chei o de g avetas e mai s g avetas de colares, pulsei ras, anéi s, braceletes, tornozelei ras, bri ncos, anéi s de nari z, g rampos e enfei tes para cabelo! Nem acredi tei no que vi . Vi rei uma bolsa e pareci a que ti nha umpunhado i menso de di amantes brancos e g lori osos cai ndo pelos meus dedos, alg uns g randes, do tamanho de meu poleg ar. Vi pérolas brancas e neg ras, ambas menores e combi nando perfei tamente, e formas i mensas e maravi lhosas: quase do tamanho de damascos, comum bri lho rosado, dourado ou ci nza. Vi safi ras do tamanho de moedas g randes, com estrelas que podí amos ver quase do outro lado da sala. Seg urei punhados de esmeraldas, peri doti to, opalas, rubi s, turmali nas e ameti stas —e mui to lápi s-lazúli , para umvampi ro exi g ente, é claro. E as j ói as que j á estavamprontas eramtão li ndas que senti um aperto na g arg anta. Lady Ulma soltou umg ri ti nho, mas acho que foi de feli ci dade enquanto todos nós elog i ávamos por suas j ói as. Em apenas alg uns di as, dei xou de ser uma escrava que nada ti nha e passou a ser uma mulher i ncri velmente ri ca, dona de uma casa e de todos os mei os necessári os para vi ver emg rande esti lo. Deci di mos que embora ela fosse se casar com o namorado, era melhor que Damon pri mei ro o comprasse e o li bertasse semalarde, para bancar o ‘Dono da Casa ” pelo tempo que fi cássemos aqui . Durante esse tempo, nós tratarí amos Lady Ulma como se ela fosse da famí li a e colocarí amos o j oalhei ro Lucen de volta ao trabalho até que partí ssemos. Assi m, ele e Lady Ulma, aos poucos, assumi ri am o lug ar de Damon. Os senhores feudai s por aqui não são mai s demôni os, e si m vampi ros, e eles não se opõemtanto a ter humanos como propri etári os de terras. Já contei sobre Lucen? É umarti sta de j ói as maravi lhoso! Tem uma necessi dade ardente de cri ar — em seus pri mei ros di as como escravo, cri ava comlama e mato, i mag i nando que fazi a j ói as. Depoi s teve sorte e trabalhou como aprendi z de um j oalhei ro. Ele lamentou durante mui to tempo por Lady Ulma, e a amava há tanto tempo, que é um pequeno mi lag re eles verdadei ramente fi carem j untos — e mai s o i mportante, como ci dadãos li vres. Estávamos commedo de que Lucen não g ostasse da i dei a de nós o comprarmos como escravo e não o li bertarmos antes de i rmos embora, mas


ele nunca achou que seri a li bertado devi do ao seu talento. Ele é umhomemcalmo, g enti l e g eneroso, comuma barba pequena e eleg ante e olhos ci nzentos que me lembramos de Meredi th. E ele fi cou tão maravi lhado por ser tratado com di g ni dade e não trabalhar 24 horas por di a que teri a acei tado qualquer coi sa, só para fi car perto de Lady Ulma. Acho que ele era um aprendi z quando o pai dela era j oalhei ro, e se apai xonou por Lady Ulma, mas ele achava que nunca, j amai s conseg ui ri a fi car com ela, porque ela era uma j ovem dama de esti rpe e ele, apenas um escravo. Ag ora eles são tão feli zes j untos! A cada di a Lady Uli ma fi ca mai s boni ta e mai s j ovem. Ela pedi u permi ssão a Damon para ti ng i r o cabelo de preto, e ele di sse que ela podi a ti ng i r de rosa, se qui sesse, e ag ora ela está i ncri velmente boni ta. Nemacredi to que cheg uei a pensar nela como uma bruxa velha, mas é o que a ag oni a, o medo e a falta de esperança f azem com uma pessoa. Cada umdos fi os g ri salhos de seu cabelo estava ali por ela ser uma escrava, sem bens, sem perspecti va de futuro, sem seg urança, sem capaci dade nemmesmo de sustentar seus fi lhos, se ela os ti vesse. Esqueci de contar a outra vantag emde Meredi th, B onni e e eu sermos “ assi stentes pessoai s ” por um tempo. É que podemos empreg ar mui tas mulheres pobres que g anham a vi da costurando, e Lady Ulma na verdade quer desenhar e mostrar a elas como fazer roupas mai s refi nadas. Di ssemos a ela que podi a relaxar, mas ela respondeu que a vi da toda qui s ser costurei ra como a mãe e ag ora estava morrendo de vontade de fazer i sso — com três ti pos completamente di ferentes de meni nas para vesti r. Eu estou louca para ver o que ela vai aprontar: ela j á ti nha desenhado alg uma coi sa e amanhã o vendedor de teci dos vi rá e ela escolherá o materi al. Enquanto i sso, Damon contratou umas duzentas pessoas (é séri o! ) para li mpar a propri edade de Lady Ulma, pendurar corti nas novas, renovar o encanamento, poli r os móvei s que ai nda estavam em bom estado e comprar móvei s que ai nda faltavam. Ah, e plantarflores j á cresci das e árvores adultas nos j ardi ns, e i nstalarfontes e todo ti po de coi sas. Com tanta g ente trabalhando, devemos nos mudar em questão de di as. Tudo i sso ti nha apenas um propósi to, além de fazer Lady Ulma feli z. Para que Damon e suas “ assi stentes pessoai s” sej am acei tas na alta soci edade na temporada de festas que começa este ano. Lady Ulma e Sag e podem i denti fi car de i medi ato as pessoas das charadas que Mi sao nos deu!


Isso só prova o que pensei antes, que Mi sao nunca i mag i nou que realmente cheg arí amos aqui , ou que conseg ui rí amos entrar nos lug ares onde eles esconderamas duas metades da chave de raposa. Mas há uma manei ra mui to fáci l de conseg ui r convi te para as casas nas quai s preci samos entrar. Se formos os mai s recentes e mai s espalhafatosos nouveau ri che (como se faz o plural mesmo?) por aqui , e se espalharmos a hi stóri a de que Lady Ulma foi recolocada emseu lug ar de di rei to, e se todo mundo qui ser saber dela — seremos convi dados para as festas! E é assi mque vamos entrar nas duas mansões que temos de vi si tar, à procura das metades da chave que preci samos para li bertar Stefan! E temos uma sorte i ncrí vel, porque esta é a época do ano emque todo mundo começa a dar festas, e as duas casas que queremos vi si tar estão promovendo as pri mei ras comemorações: uma é umbai le de g ala, e outra uma soi rée de pri mavera para comemorar as pri mei ras flores. Sei que ag ora mi nha letra está tremi da. Eu mesma estou tremendo ao pensar que realmente vamos procurar as duas metades da chave de raposa que nos permi ti rá li bertar Stefan. Ah, di ári o, está tarde —e não posso —não posso escrever sobre Stefan. Estar aqui , na mesma ci dade que ele, saber onde fi ca a pri são... E não poder i r lá para vê-lo. Meus olhos estão tão embuçados que nem enxerg o o que estou escrevendo. Queri a dormi r um pouco para me preparar para outro di a de correri a, supervi são e ver a casa de Lady Ulma florescer como uma rosa — mas ag ora tenho medo de ter pesadelos coma mão de Stefan lentamente escorreg ando da mi nha.


23 Naquel a “noi te” el es s e mudaram, es col hendo a hora em que as outras cas as por onde pas s as s em es ti ves s em es curas e s i l enci os as . E l ena, M eredi th e Bonni e fi caram em quartos vi zi nhos no s egundo andar. Perto havi a um l uxuos o banhei ro, com um pi s o de mármore azul -cl aro e branco e uma banhei ra na forma de uma ros a gi gante, tão grande que pareci a uma pi s ci na, aqueci da a carvão. Na cas a havi a uma cri ada de aparênci a ani mada, pronta para s ervi -l os . E l ena fi cou del i ci ada com o que aconteceu em s egui da, Damon comprou di s cretamente vári os es cravos numa venda pri vati va de um negoci ante res pei tável , depoi s prontamente os l i bertou e l hes ofereceu s al ári os e horas de fol ga. Quas e todos ex-es cravos gos taram da propos ta e concordaram em fi car, nas al guns preferi ram i r embora ou fugi ram, pri nci pal mente as mul heres que es tavam em bus ca de s uas famí l i as . Os outros conti nuaram l á e l ogo s eri am a cri adagem de Lady Ul ma depoi s que Damon, E l ena, Bonni e e M eredi th parti s s em para l i bertar Stefan. Lady Ul ma fi cou com o mel hor quarto do pri mei ro andar, embora Damon quas e ti ves s e de us ar a força bruta para i ns tal á-l a al i . E l e mes mo es col heu um quarto que, durante o di a, era us ado como es cri tóri o, uma vez que não pas s ava mui to tempo da noi te na cas a. Houve um l eve cons trangi mento em rel ação a i s s o. A mai ori a da cri adagem s abi a como os s enhores vampi ros vi vi am, e as j ovens meni nas e mul heres que i am cos turar ou as que moravam e trabal havam na propri edade pareci am es perar uma es péci e de rodí zi o, no qual cada uma del as s e revezari a para s er doadora. Damon expl i cou i s s o a E l ena, que vetou a i dei a antes que pudes s e s er i mpl ementada. E l a s abi a que Damon contava com um fl uxo cons tante de meni nas , daquel as em botão às rechonchudas de cara ros ada, que fi cari am


fel i zes em s er “bebi das ” como s e fos s em barri s de cervej a em troca das pul s ei ras e bugi gangas que tradi ci onal mente recebi am. E l ena também des cartou a i dei a de caça de al uguel . Segundo Sage, havi a até boatos de uma pos s í vel l i gação com o mundo exteri or: um curs o de trei namento mui to avançado de SE ALs da M ari nha, o corpo de M ergul hadores de Combate. — E el es s ó podem s ai r des te mundo com um s el o vampi ro — di s s e E l ena s arcas ti camente, des ta vez di ante de um grupo de es cravos homens . — Depoi s vão poder morder uns tubarões . Certamente vocês , homens , podem s ai r e caçar os humanos como um par de coruj as caça camundongos ... M as não s e dêem ao trabal ho de vol tar para cas a, porque as portas es tarão trancadas ... Permanentemente. — E l a s us tentou o ol har de Sage até que s ua expres s ão tornou-s e uma encarada ví trea, e el e s e foi , em bus ca de al go para s e ocupar. E l ena não s e i mportava com a movi mentação i nformal de Sage entre el es . E depoi s de s aber que el e s al vara Damon da mul ti dão que o embos cara a cami nho do Ponto de Reuni ão, el a deci di ra que s e Sage qui s es s e o s angue dela, el a o dari a s em hes i tar. Depoi s de al guns di as , el e ti nha fi cado na cas a perto da do Dr. M eggar e s e mudou com el es para a propri edade de Lady Ul ma — E l ena s e perguntou s e s ua aura reduzi da e a rel utânci a de Damon não o es tavam pri vando de al go que el e devi a s aber. E ntão el a começou a provocá-l o até que uma vez, depoi s del e ter s e dobrado de ri r e com l ágri mas nos ol hos ( s erá que eram apenas de ri s o?), el e s e aproxi mou del a e di s s e que os ameri canos ti nham um di tado... Pode levar umcavalo para a ág ua, mas não pode obri g á-lo a beber. Nes te cas o, di s s e el e, você podi a l evar uma pantera negra e furi os a — a i magem mental i côni ca que E l ena ti nha de Damon — à água, s e ti ves s e es ti mul adores el étri cos de gado e ankusha para el efante, mas que depoi s di s s o s eri a uma tol a em dar as cos tas a el e. E l ena ri u até começar a chorar também,


mas ai nda i ns i s ti ra que, s e el e qui s es s e, uma parcel a razoável de s eu s angue s eri a del e. Agora el a s i mpl es mente es tava fel i z por tê-l o por perto. Seu coração j á es tava chei o, com Stefan, Damon — e até M att, apes ar de s ua aparente des erção — para el a correr o ri s co de s e apai xonar por outro vampi ro, por mai s bem-apes s oado que el e fos s e. E l a gos tava de Sage como ami go e protetor. E l ena fi cou s urpres a com o quanto pas s ou a depender de Laks hmi a cada di a. Laks hmi começou como uma es péci e de faz tudo, mas aos poucos tornous e a dama de companhi a de Lady Ul ma e a fonte de i nformações de E l ena s obre es te mundo. Lady Ul ma ai nda es tava ofi ci al mente de cama e ter Laks hmi pronta para mandar recados a qual quer hora do di a e da noi te era maravi l hos amente conveni ente. Al ém di s s o, el a era al guém a quem E l ena podi a fazer perguntas que fari am com que outras pes s oas a ol has s em como s e fos s e l ouca. E l es preci s avam us ar pratos ou a comi da era s ervi da em um grande naco de pão s eco, que fazi a as vezes de guardanapo para dedos gorduros os ? ( Os pratos foram i ntroduzi dos há pouco tempo, j unto com garfos , que agora es tavam na moda.) Quanto os homens e as mul heres da cas a deveri am receber de s al ári o? ( Que ti nha de s er cal cul ado do zero, uma vez que nenhuma cas a pagava a s eus es cravos um gel d que fos s e, apenas os ves ti am com um uni forme padrão, permi ti ndo que el es ti ves s em um ou doi s “di as de fes ta” por ano.) E mbora fos s e j ovem, Laks hmi era ao mes mo tempo s i ncera e ous ada, e E l ena a preparava para s er o braço di rei to de Lady Ul ma, depoi s que el a es ti ves s e pronta para s er a dona da cas a.


24 Queri do Di ári o, É noi te, véspera da noi te de nossa pri mei ra festa — ou melhor, bai le de g ala. Mas não me si nto nada festi va. Si nto mui ta saudade de Stefan. Também esti ve pensando em Matt. Em como ele foi embora, com rai va de mi m, semnemmesmo olhar para trás. Ele não entendeu que eu podi a... g ostar... de Damon, e ai nda amar tanto Stefan que pareci a que meu coração estava se despedaçando. E l ena bai xou a caneta e ol hou o di ári o, entedi ada. A mágoa s e nani fes tou em dores verdadei ras no pei to que a teri am as s us tado s e el a não ti ves s e certeza do que real mente era. E l a s enti a tanto a fal ta de Stefan que mal cons egui a comer e até dormi r. E l e era como uma parte de s ua mente que es tava cons tantemente em chamas , como um membro fantas ma que nunca des apareci a. Nem mes mo es crever no di ári o aj udari a es ta noi te. E l a s ó cons egui ri a es crever s obre l embranças torturantes dos bons tempos que el a e Stefan parti l haram. Como era bom quando podi a vi rar a cabeça e s aber que o veri a — que pri vi l égi o E l ena teve! M as acabou, e agora havi a a tortura da confus ão, da cul pa e da ans i edade. O que es tari a acontecendo com el e, agora, quando el a não ti nha mai s o pri vi l égi o de vi rar a cabeça e vê-l o? Será que el es ... o machucavam? Ah, meu Deus , s e ao menos ... Se eu o ti ves s e obri gado a trancar as j anel as de s eu quarto no pens i onato... Se eu ti ves s e des confi ado mai s de Damon... Se eu ti ves s e adi vi nhado que el e ti nha al guma coi s a em mente naquel a noi te... Se... Se...


Tornou-s e um refrão que martel ava no compas s o do s eu coração. E l a s e vi u res pi rando aos s ol uços , de ol hos bem fechados , agarrada ao ri tmo da res pi ração e com os punhos cerrados . Se eu conti nuar me s enti ndo as s i m — s e dei xar que i s s o me es mague —, vou me tornar um ponto i nfi ni tes i mal no es paço. Serei es magada até o nada — e mes mo i s s o s erá mel hor do que preci s ar tanto del e. E l ena l evantou a cabeça... E vi u s ua cabeça pous ada no di ári o. E l a ofegou. M ai s uma vez s ua pri mei ra reação foi i magi nar que ti ves s e morri do. Depoi s , aos poucos , confus a de tantas l ágri mas , el a percebeu que ti nha cons egui do de novo. E s tava fora do corpo. Des ta vez nem tomou conheci mento de uma deci s ão cons ci ente s obre aonde i r. De repente es tava voando tão rápi do não s abi a que rumo tomava. E ra como s e es ti ves s e s endo puxada, como s e el a fos s e a cauda de um cometa que di s parava rapi damente para bai xo. E m um determi nado momento, E l ena percebeu, com um pavor fami l i ar, que atraves s ava as coi s as , depoi s s e des vi ava, como s e es ti ves s e na ponta de um chi cote que s e agi tava no ar, l ançada para a cel a de Stefan. E l a ai nda s ol uçava quando pous ou na cel a, s em s aber s e ti nha forma s ól i da ou gravi dade e s em s e i mportar com i s s o. A coi s a que teve tempo de ver foi Stefan, mui to magro, dormi ndo, mas com um s orri s o no ros to, depoi s E l ena cai u em ci ma del e chorando enquanto s e bal ançava, l eve como uma pl uma. Stefan acordou. — Ah, não pode me dei xar dormi r em paz por al guns mi nutos ? — perguntou Stefan, acres centando al gumas pal avras em i tal i ano que E l ena não queri a nem tentar entender. De i medi ato E l ena teve um dos ataques de Bonni e, s ol uçando tanto que


mal cons egui a ouvi r — não cons egui a escutar — nenhum conforto que l he ofereces s em. E l es fazi am coi s as horrí vei s com Stefan e es tavam us ando a i magem dela, de E l ena, para torturá-l o. E ra cruel demai s . E l es condi ci onavam Stefan a odi á-la. E l a s e odi ava. Todos em todo o mundo a odi avam... — E l ena! E l ena, não chore, meu amor! Num torpor, E l ena s e l evantou, cons egui ndo uma breve vi s ão anatômi ca do pei to de Stefan antes de cai r em prantos de novo, tentando enxugar o nari z no uni forme da pri s ão de Stefan, que dava a i mpres s ão de que s ó mel horari a s e el a fi zes s e al guma coi s a com el e. É cl aro que não podi a; as s i m como não cons egui a s enti r o braço que tentava envol vê-l a com del i cadeza. E l a não havi a l evado o corpo. M as de al gum modo cons egui u s egurar s uas l ágri mas , e uma voz fri a e dura fei to arame dentro del a di s s e: Não as desperdi ce, di ota! Use-as. Se vai chorar, chore sobre o rosto ou as mãos dele. E, ali ás, todo mundo odei a você. Até Matt odei a você, e olha que Matt g osta de todo mundo, a vozi nha cruel e cri ati va conti nuava e E l ena cedeu a uma nova onda de choro, percebendo, di s traí da, o efei to de cada l ágri ma. Cada gota trans formava a pel e s ob el a em ros a, e a cor s e es pal hava em ondas , como s e Stefan fos s e um l ago e el a des cans as s e nel e, água na água. Só que s uas l ágri mas caí am com tamanha rapi dez que pareci am uma tempes tade num l ago tranqui l o. E i s s o s ó a fez pens ar na vez em que M att s e ati rou no l ago para res gatar uma garoti nha que havi a es corregado pel o gel o, e que M att agora a odi ava. — Não, ah, não; não, meu l i ndo amor — pedi a Stefan com tanta s i nceri dade que qual quer um teri a acredi tado nel e. M as como el e podi a? E l ena s abi a como devi a es tar, o ros to i nchado e deformado pel as l ágri mas : não havi a “l i ndo amor” aqui ! E el e ti nha de es tar l ouco para querer que el a paras s e de chorar: as l ágri mas l he davam uma nova vi da s empre que tocavam


s ua pel e — e tal vez a tempes tade tenha dado res ul tados em s eu í nti mo, porque s ua voz tel epáti ca era forte e s egura. Elena, me perdoe — ah, Deus, só me dê um momento com ela! Posso suportar qualquer coi sa depoi s, até a verdadei ra morte. Só quero ummomento para tocá-la! E tal vez Deus tenha ol hado para bai xo por um i ns tante, api edado. Os l ábi os de E l ena pai ravam aci ma dos de Stefan, tremendo, como s e de al gum modo, el a pudes s e, roubar um bei j o, como cos tumava fazer quando el e ai nda dormi a. M as s ó por um i ns tante pareceu a E l ena ter s enti do a carne quente abai xo da del a e o bater das pál pebras de Stefan contra s eus cí l i os enquanto os ol hos del e s e abri am de s urpres a. De i medi ato el es fi caram paral i s ados , de ol hos arregal ados nenhum dos doi s ous ou s e mexer um mi l í metro que fos s e. M a E l ena não cons egui u evi tar, enquanto o cal or dos l ábi os de Stefan provocava um fl uxo de cal or por todo s eu corpo, el a derreteu, mantendo o corpo cui dados amente na mes ma pos i ção e s enti ndo o ol har fi car des focado e as pál pebras s e fecharem. Quando s eus cí l i os roçaram em al guma coi s a com s ubs tânci a o momento termi nou s i l enci os amente. E l ena ti nha duas opções : podi a gri tar e bri gar tel epati camente com Il Si g nore por l hes dar apenas o que Stefan pedi ra, ou podi a cri ar coragem e s orri r, e tal vez reconfortar Stefan. Sua mel hor natureza venceu e quando Stefan abri u os ol hos , el a pai rava s obre el e, fi ngi ndo es tar pous ada nos cotovel os e no pei to de Stefan, s orri ndol he enquanto tentava aj ei tar o cabel o. Al i vi ado, Stefan s orri u para el a também. E ra como s e el e pudes s e s uportar tudo, des de que el a não es ti ves s e s ofrendo. — Agora, Damon teri a s i do práti co — provocou el a. — E l e teri a me manti do chorando, porque, no fi m, a s aúde del e s eri a a coi s a mai s i mportante. E el e teri a rezado para... — E l a parou e fi nal mente começou a ri r, o que fez Stefan s orri r. — Não faço i dei a — di s s e E l ena por fi m. — Acho que


Damon não reza. — Provavel mente não — di s s e Stefan. — Quando éramos j ovens ... e humanos ... o padre da ci dade andava com uma bengal a que el e gos tava de us ar em j ovens del i nquentes mai s do que como i ns trumento de apoi o. E l ena pens ou na cri ança del i cada acorrentada ao i mens o e pes ado rochedo de s egredos . Será que a rel i gi ão é uma das coi s as que es tão trancadas , col ocada atrás de vári as portas fechadas e em s egredo al i , como um náuti l o com s ua concha, até que quas e tudo de que el e gos tas s e es ti ves s e l á dentro? E l a não perguntou i s s o a Stefan. E l ena di s s e, bai xando a “voz” ao menor s us s urro tel epáti co, mal perturbando os neurôni os do cérebro recepti vo de Stefan: Que outras coi sas práti cas pode pensar que Damon teri a pensado? Coi sas relaci onadas a uma pri são? — Bom... A uma pri s ão? A pri mei ra coi s a em que pos s o pens ar é você s aber andar pel a ci dade. E u fui trazi do aqui vendado, mas como el es não têm o poder de ti rar a mal di ção dos vampi ros e torná-l os humanos , ai nda tenho todos os meus s enti dos . E u di ri a que é uma ci dade do tamanho de Nova York e Los Angel es j untas . — Uma ci dade grande — obs ervou E l ena, tomando nota nental mente. — M as fel i zmente as úni cas partes que nos i nteres s ari am aqui es tão no s udoes te. A ci dade devi a s er governada pel os Guardi ões ... M as el es s ão do Outro Lado e os demôni os e vampi ros daqui há mui to tempo perceberam que as pes s oas ti nham mai s medo deles do que dos Guardi ões . Agora é organi zada com uns 12 a 15 cas tel os feudai s ou propri edades rurai s , e cada uma des s as propri edades control a uma parte cons i derável das terras nos arredores da ci dade. Cul ti vam s eus produtos excl us i vos e os vendem em negóci os fei tos por aqui . Por exempl o, s ão os vampi ros que cul ti vam o Cl ari on Loes s Bl ack M agi c. — Sei — di s s e E l ena, que não fazi a i dei a do que el e fal ava, mas conheci a o vi nho Bl ack M agi c. — M as tudo o que real mente preci s mos s aber é


como chegar à Shi no Shi ... À s ua pri s ão. — É verdade. Bom, o j ei to mai s fáci l s eri a achar o s etor ki ts une. A Shi no Shi é um grupo de prédi os , com o mai or... Aquel e s em o topo, mas na verdade é curvo e não dá para s aber pel o chão... — Aquel e que parece um col i s eu? — i nterrompeu E l ena, ans i os a. — Ti ve uma vi s ta de ci ma da ci dade quando cheguei aqui . — Bom, a coi s a que parece um col i s eu é real mente um col i s eu. — Stefan s orri u. E l e s orri a verdadei ramente; agora el e s e s enti a bem o bas tante para s orri r, e E l ena al egrou-s e, mas em s i l ênci o. — E ntão, para cons egui r entrar e s ai r, bas ta i r da bas e do col i s eu ao portão atrás do nos s o mundo — di s s e E l ena. — M as para l i bertar você há... umas coi s as que preci s amos pegar... e tal vez es tej am em partes di ferentes da ci dade. — E l a tentou s e l embrar s e havi a contado s obre as chaves gêmeas de rapos a a Stefan. Tal vez fos s e mel hor não vol tar ao as s unto, s e el a j á ti ves s e comentado. — Depoi s eu contratari a um gui a nati vo — di s s e Stefan de i medi ato. — Não s ei real mente nada s obre a ci dade, s ó o que os guardas me contam... E não s ei s e devo confi ar nel es . M as as pes s oas mai s s i mpl es ... o povo... deve s aber o que você quer. — É uma boa i dei a — di s s e E l ena. E l a traçou des enhos i nvi s í vei s com um dedo trans parente no pei to de Stefan. — Acho que Damon real mente pl anej a fazer tudo o que puder para nos aj udar. — E u o res pei to por vi r — di s s e Stefan, como s e es ti ves s e pens ando em voz al ta. — E l e es tá cumpri ndo s ua promes s a, não es tá? E l ena as s enti u. No fundo, bem no fundo de s ua cons ci ênci a fl utuavam os pens amentos : A palavra dele a mi mde que ele cui dari a de você, e a palavra dele a você de que cui dari a de mi m. Damon sempre cumpri a sua palavra. — Stefan — di s s e el a, comuni cando-s e de novo com o que havi a de mai s


í nti mo na mente del e, onde podi am parti l har i nformações , as s i m es perava, em s egredo, você devi a tê-l o vi s to. Quando eu abri as As as da Redenção e acabei com cada coi s a rui m que havi a endureci do ou tornado cruel . E quando us ei as As as da Puri fi cação e toda a pedra que cobri a s ua al ma s e des fez em pedaços ... Não acho que pos s a i magi nar como el e es tava. E l e era tão perfei to... E tão novo. E mai s tarde, quando el e chorou... E l ena podi a s enti r dentro de Stefan três camadas de emoção, s obrepondos e uma à outra i ns tantaneamente. Incredul i dade por Damon chorar, apes ar de tudo o que E l ena l he contara. Depoi s , crença e as s ombro enquanto el e abs orvi a as hi s tóri as e as l embranças que E l ena contava. E por fi m a neces s i dade de cons ol á-l a por E l ena ver Damon apri s i onado para s empre. Um Damon que j amai s exi s ti ri a de novo. — E l e s al vou você — s us s urrou E l ena —, mas não s al vou a s i mes mo. E l e j amai s negoci ari a com Shi ni chi e M i s ao. Si mpl es mente os dei xou pegar todas as s uas l embranças daquel a época. — Tal vez s ej am dol oros as demai s . — Si m — di s s e E l ena, del i beradamente bai xando as barrei ras para que Stefan pudes s e s enti r a dor que o s er novo e perfei to que el a cri ara s uportara ao s aber que cometera atos de cruel dade e trai ção que... Bom, que fari am até a al ma mai s forte s e encol her. — Stefan? Acho que el e deve s e s enti r mui to s ozi nho. — Si m, meu anj o. Acho que tem razão. Des ta vez E l ena pens ou mui to mai s antes de arri s car: — Stefan? Não s ei s e el e entende como é s er amado. — E enquanto el e pens ava na res pos ta, el a ans i os amente es perou. Quando res pondeu, foi com brandura e mui to l entamente: — Si m, meu anj o. Acho que tem razão.


Ah, el a o amava. E l e s empre compreende. E el e s empre era coraj os o, el egante e confí ável ao máxi mo quando el a preci s ava que fos s e. — Stefan? Pos s o fi car de novo à noi te? — É hora de dormi r, meu l i ndo amor? Você pode fi car... A não s er que el es venham me bus car para me l evar a al gum l ugar. — De repente Stefan fi cou mui to s éri o, s us tentando o ol har de E l ena. — M as s e vi erem... Você me promete que vai embora? E l ena ol hou bem nos ol hos verdes del e e di s s e: — Se é o que você quer, eu prometo. — E l ena? Você... mantém s uas promes s as ou não? — De repente el e pareceu mui to s onol ento, não por es tar es gotado, mas por es tar s e s enti ndo renovado, por es tar s endo ni nado num s ono perfei to. — E u as mantenho perto de mi m — s us s urrou E l ena. M as mantenho você mai s perto, pens ou el a. Se al guém vi es s e feri -l o, des cobri ri a o que uma advers ári a s em corpo podi a fazer. Por exempl o, e s e el a es tendes s e a mão para dentro do corpo deles e cons egui s s e contato por um i ns tante? Por tempo s ufi ci ente para es premer um coração entre os l i ndos dedos brancos ? Is s o j á s eri a al guma coi s a. — E u te amo, E l ena. E s tou tão fel i z... Por nos bei j armos ... — Não foi a úl ti ma vez! Você vai ver! E u j uro! — E l a dei xou cai r novas l ágri mas nel e. Stefan apenas s orri u genti l mente. Depoi s adormeceu. Pel a manhã, E l ena acordou em s eu quarto grandi os o na cas a de Lady Ul ma, s ozi nha. M as ti nha outra l embrança, como ros a prens ada, guardada num l ugar es peci al dentro del a. E em al gum l ugar, no fundo do coração, el a s abi a que um di a es s as l embranças podi am s er tudo o que teri a de Stefan. E l ena s abi a que es s es momentos frágei s e doces s eri am al go a guardar com cari nho — s e Stefan


j amai s vol tas s e para el a.


25 Ah, eu s ó queri a dar uma es pi adi nha — gemeu Bonni e, ol hando o caderno proi bi do, aquel e em que Lady Ul ma des enhara as roupas de al tacos tura das três para a pri mei ra fes ta, o bai l e que aconteceri a naquel a noi te. Ao l ado del e, havi a al gumas amos tras quadradas de teci do em ceti m bri l hante, s eda ondul ante, mus s el i na trans parente e vel udo maci o e l uxuos o. — Vocês farão a úl ti ma prova daqui a uma hora... Des ta vez de ol hos abertos ! — E l ena ri u. — M as não podemos nos es quecer de que es ta noi te não é para nos di verti rmos . Teremos de dançar al gumas mús i cas , é cl aro... — É cl aro! — repeti u Bonni e, extas i ada. — M as es taremos l á para encontrar a chave. A pri mei ra metade da chave dupl a de rapos a. Tudo o que a gente preci s ava era de uma es fera es tel ar que mos tras s e o i nteri or da cas a es ta noi te. — Bom, todos nós s abemos mui to s obre i s s o; podemos convers ar e tentar i magi nar — di s s e M eredi th. E l ena, que es ti vera mexendo na es fera es tel ar da outra cas a, agora bai xou o gl obo l evemente embaçado e di s s e: — Tudo bem. Vamos pôr a cabeça para funci onar. — Pos s o parti ci par também? — uma voz bai xa e conti da perguntou da s ol ei ra da porta. As meni nas s e vi raram, l evantando-s e ao mes mo tempo para receber uma Lady Ul ma s orri dente. Antes de s e s entar, el a deu um abraço e um bei j o parti cul armente afetuos os em E l ena e es ta não cons egui u dei xar de comparar a mul her que ti nham vi s to na cas a do Dr. M eggar com a dama el egante que a agora es tava na s ua frente. Antes , el a mal pas s ava de pel e e os s os , com os ol hos de uma cri atura s el vagem e as s us tada s ob grande tens ão, us ando um ves ti do l argo e comum, com chi nel os de homem. Agora fazi a E l ena s e l embrar de uma dama, romana, com o ros to tranqui l o e começando a s e encher s ob uma coroa de


tranças pretas e rel uzentes , pres as atrás por grampos cravej ados de pedras preci os as . O corpo também havi a s i do preenchi do, es peci al mente a barri ga, embora el a cons ervas s e s ua el egânci a natural ao s e s entar em um s ofá de vel udo. E s tava com um ves ti do de s eda pura, cor de açafrão, com uma anágua damas co chei a e rel uzente. — E s tamos tão ani madas com a prova de roupa des ta noi te — di s s e E l ena, as s enti ndo para o caderno de des enho. — E u também es tou ani mada como uma cri ança — admi ti u Lady Ul ma. — Só queri a poder fazer por vocês um déci mo do que fi zeram por mi m. — A s enhora j á fez — di s s e E l ena. — Se cons egui rmos encontrar as chaves de rapos a... Será apenas porque nos aj udou. E i s s o... Nem i magi na o quanto i s s o s i gni fi ca para mi m — concl ui u quas e aos s us s urros . — M as nunca pas s ou pel a s ua cabeça que eu podi a aj udá-l a quando i nfri ngi u a l ei por uma es crava arrui nada. Si mpl es mente qui s me s al var... E s ofreu mui to por i s s o — res pondeu Ul ma voz bai xa. E l ena s e remexeu, pouco à vontade. O corte que des ci a pel o ros to dei xou apenas uma l eve ci catri z branca e fi na pel a face. Anti gamente — as s i m que el a vol tou à Terra, vi nda do al ém teri a el i mi nado a ci catri z com um s i mpl es toque de Poder. M as agora, embora pudes s e canal i zar s eu Poder pel o corpo e us á-l o para apri morar s eus s enti dos , por mai s que tentas s e, não cons egui a obri gá-l o a obedecer a s ua vontade. E anti gamente, pens ou el a, i magi nando a E l ena que s e pos tava no es taci onamento da Robert E . Lee School e babava por um Pors che, el a teri a cons i derado a marca em s eu ros to a mai or cal ami dade da vi da. M as com todos os el ogi os que recebera, com Damon a chamando de “marca branca da honra” e s ua certeza de que s i gni fi cari a tão pouco para Stefan quanto uma ci catri z no ros to del e s i gni fi cava para el a, E l ena des cobri ra que não devi a s e preocupar


mui to com el a. Não s ou a mes ma de anti gamente, pens ou E l ena. E es tou fel i z com i s s o. — Não i mporta — di s s e el a, i gnorando a perna dol ori da que às vezes ai nda l atej ava. — Vamos fal ar da Rouxi nol de Prata e do bai l e de gal a. — M ui to bem — di s s e M eredi th. — O que s abemos s obre el a? Como era mes mo a di ca, E l ena? — M i s ao di s s e, “Se eu di s s es s e que uma das metades es tari a dentro do i ns trumento de prata do rouxi nol , i s s o l he dari a al guma i dei a?”... ou rouxi nol de prata, ou coi s a as s i m — repeti u E l ena obedi entemente. Todas el as s abi am as pal avras de cor, mas fazi a parte do ri tual s empre que di s cuti am o as s unto. — E “Rouxi nol de Prata” é o apel i do de Lady Fazi na Darl ey, e todos na Di mens ão das Trevas s abem di s s o! — excl amou Bonni e, batendo as mãozi nhas de puro del ei te. — Decerto, es te é s eu apel i do há tempos , des de quando el a chegou aqui e começou a cantar e tocar s ua harpa com cordas de prata — acres centou Lady Ul ma com gravi dade. — E as cordas de harpa preci s am s er afi nadas , e s ão afi nadas com chaves — conti nuou Bonni e, ani mada. — Si m. — M eredi th, por s ua vez, fal ava devagar e pens ati vamente. — M as não é uma chave de afi nação de harpa que es tamos procurando. E l as s ão mai s ou menos as s i m. — Numa mes a ao l ado, el a col ocou um obj eto fei to de bordo, cl aro e l i s o, que pareci a um T mui to pequeno ou, s e vi ras s e de l ado, uma árvore que s e curvava graci os amente com um gal ho curto e hori zontal . — Cons egui es ta com um dos menes tréi s que Damon contratou. Bonni e ol hou i mponente a chave de afi nação. — M as pode s er uma chave de afi nação de harpa que es tamos procurando


— i ns i s ti u el a. — Pode s er us ada para as duas coi s as , de al guma manei ra. — Não s ei como — di s s e M eredi th, obs ti nada. — A não s er que mudem de forma de al guma manei ra quando as duas metades s ão uni das . — Ah, meu Deus , s i m — di s s e Lady Ul ma, como s e M eredi th ti ves s e acabado de di zer al go mui to óbvi o. — Se s ão metades mági cas de uma úni ca chave, el as provavel mente mudarão de forma quando forem uni das . — Vi u? — di s s e Bonni e. — M as s e podem as s umi r qual quer forma, então como di abos vamos s aber quando as acharmos ? — perguntou E l ena com i mpaci ênci a. Só o que l he i mportava era encontrar o que fos s e preci s o para s al var Stefan. Lady Ul ma s e cal ou e E l ena s e s enti u mal . Odi ava us ar um l i nguaj ar rí s pi do ou até demons trar i rri tação na frente da mul her que teve uma vi da de tanta s ubmi s s ão e horror des de o i ní ci o da adol es cênci a. E l ena queri a que Lady Ul ma s e s enti s s e s egura, que fos s e fel i z. — De qual quer manei ra — di s s e el a rapi damente —, de uma coi s a nós temos certeza. E s tá no i ns trumento da Rouxi nol de Prata. E ntão o que es ti ver dentro da harpa de Lady Fazi na, tem que s er a chave. — Ah, mas ... — começou Lady Ul ma, depoi s s e deteve quas e antes de pronunci ar as pal avras . — O que foi ? — perguntou E l ena com genti l eza. — Ah, nada — di s s e Lady Ul ma, apres s adamente. — Quero di zer, vocês gos tari am de ver os ves ti dos agora? E s ta úl ti ma prova é s ó para ter certeza de que cada cos tura es tá perfei ta. — Ah, nos adorarí amos ! — excl amou Bonni e, ao mes mo tempo mergul hando para o caderno, enquanto M eredi th tocou s i no, fazendo uma cri ada entrar correndo e s egui r apres s adamente para a s al a de cos tura. — Só queri a que o amo Damon e Lorde Sage concordas s em em me dei xar


cri ar al guma coi s a para el es ves ti rem — di s s e Lady Ul ma com tri s teza para E l ena. — Ah, Sage não vai . E tenho certeza que Damon não s e i mportari a... Des de que des enhas s e para el e uma j aqueta de couro preta, uma cami s a preta, j eans pretos e botas pretas , i dênti cos ao que el e us a todo di a, el e fi cari a fel i z em us ar es s as roupas . Lady Ul ma ri u. — E ntendi . Bem, nes ta noi te haverá es ti l os fantás ti cos o bas tante para el e es col her cas o mude de i dei a no futuro. Agora vamos fechar as corti nas de todas as j anel as . O bai l e de gal a acontecerá dentro da cas a, apenas com a i l umi nação de l âmpadas a gás , as s i m veremos as cores como real mente s ão. Ah, é por i s s o que os convi tes di zi am “i nteri or” — di s s e Bonni e. — Achei que tal vez fos s e por caus a da chuva. É por caus a do s ol — di s s e Lady Ul ma com s eri edade. — àquel a l uz carmi m abomi nável , que muda todo azul para roxo, todo amarel o para marrom. Vej a você, ni nguém us ari a azul -cl aro ou verde numa s oi rée ao ar l i vre... Nem mes mo você, com es s e cabel o arrui vado que fi cari a óti mo com i s s o. — E ntendi . Dá para perceber que ter es s e s ol pai rando aqui todo di a dei xa a gente depri mi da depoi s de al gum tempo. — Será que percebe mes mo? — murmurou Lady Ul ma, depoi s acres centou rapi damente: — E nquanto es peramos , pos s o mos trar o que cri ei para s ua ami ga al ta que duvi da de mi m? Ah, por favor, s i m! — Bonni e es tendeu o caderno. Lady Ul ma fol heou até uma pági na que pareceu agradá-l a. Pegou canetas e l ápi s de cor como uma cri ança ans i os a para mexer novamente em s eus bri nquedos favori tos . — Aqui es tá — di s s e el a, us ando os l ápi s de cor para acres centar uma l i nha aqui e um traço al i , s egurando o l i vro para que as l meni nas pudes s em


ver o des enho. Ai , meu Deus ! — excl amou Bonni e, vi s i vel mente atôni ta, e E l ena s enti u os ol hos s e arregal arem. A meni na no des enho era s em dúvi da M eredi th, com metade do cabel o pres a e metade s ol ta, mas com um ves ti do... Que ves ti do! Preto como ébano, s em al ças , col ava-s e na l onga fi gura magra perfei tamente des enhada na i magem, des tacando as curvas , apri morando-as por ci ma do que E l ena aprendera s e chamar decote “coração”, poi s fazi a com que a frente do ves ti do de M eredi th l embras s e exatamente i s s o. E ra j us ti nho até os j oel hos , onde de repente s e abri a de novo, dramati camente chei o. — Um ves ti do de “s i rena” — expl i cou Lady Ul ma, enfi m s ati s fei ta com o des enho. — E aqui es tá — acres centou el a quando vári as cos turei ras entraram, s egurando com reverênci a o mi l agros o ves ti do entre el as . Agora as meni nas podi am ver que o teci do era um vel udo preto e maci o, ponti l hado de retângul os dourados e metál i cos . E ra preto como a noi te em nos s o mundo, pens ou E l ena, com mi l es trel as cadentes no céu. — E com i s s o, você us ará es s es bri ncos de ôni x negro e ouro bem grandes , es s es grampos de ouro e ôni x negro para prender o cabel o no al to e al gumas l i ndas pul s ei ras e anéi s do conj unto que Lucen fez para es ta roupa — conti nuou Lady Ul ma. E l ena percebeu que em al gum momento, nos úl ti mos mi nutos , Lucen entrou na s al a. E l a s orri u para el e, depoi s os ol hos de Lady Ul ma caí ram na bandej a que el e trazi a. Por ci ma, contra um fundo marfi n, havi a duas pul s ei ras de ôni x negro e di amantes , as s i m como um anel com um di amante que quas e a fez des mai ar. M eredi th ol hava a s al a como s e ti ves s e numa di s cus s ão parti cul ar e não s oubes s e como s ai r. Depoi s ol hou do ves ti do para as j ói as e para Lady Ul ma. M eredi th não era de perder a compos tura com faci l i dade. M as depoi s de um


i ns tante, s i mpl es mente foi até Lady Ul ma e a abraçou com força, depoi s foi a Lucen e mui to genti l mente pôs a mão em s eu braço. E s tava cl aro que el a não cons egui a fal ar. Agora Bonni e exami nava o des enho com os ol hos de connoi sseur. — E s s as pul s ei ras do conj unto foram fei tas es peci al mente para es te ves ti do, não foram? — perguntou el a com um ar de cons pi ração. Para s urpres a de E l ena, Lady Ul ma fi cou pouco à vontade. Depoi s di s s e l entamente. — A verdade é que... Bem, que a Srta. M eredi th é... uma es crava. É obri gatóri o que todos os es cravos us em uma es péci e de pul s ei ra s i mból i ca quando s aem de s uas cas as . — E l a bai xou os ol hos para o pi s o de madei ra encerado. Seu ros to es tava corado. — Lady Ul ma... Ah, por favor, não vê que i s s o não tem i mportânci a para nós ? Os ol hos de Lady Ul ma l ampej aram enquanto el a ergui a a cabeça. — Não i mporta? — Bem — di s s e E l ena com orgul ho —, não i mporta mes mo... Porque não há nada que s e pos s a fazer a res pei to di s s o, não agora. — É cl aro que as cri adas não s abi am dos s egredos da rel ação entre Damon, E l ena, Bonni e e M eredi th. Nem Lady Ul ma cons egui a entender por que Damon não l i bertara as três meni nas para o cas o de “al guma coi s a acontecer. Que os Guardi ões Cel es tes nos l i vrem di s s o”. M as as meni nas ti nham formado uma fal ange s ól i da contra i s s o; s eri a como trazer má s orte a todo o empreendi mento. — Bom, de qual quer forma — Bonni e tagarel ava —, achei as pul s ei ras l i ndas . Quero di zer, el a não pode achar nada mai s perfei to para o ves ti do, não é? — conti nuou, afagando a s ens i bi l i dade profi s s i onal do ouri ves . Lucen s orri u com modés ti a e Lady Ul ma o ol hou amoros amente.


M eredi th ai nda es tava radi ante. — Lady Ul ma, não s ei como agradecer. Vou us ar es s e ves ti do... E à noi te s erei al guém que nunca fui na vi da. É cl aro que a s enhora des enhou meu cabel o pres o no al to, ou parte del e. E m geral não o us o as s i m — M eredi th termi nou com a voz fraca. — E s ta noi te... us ará no al to, por ci ma des s es l i ndos ol hos cas tanhos que você tem. E s te ves ti do é para mos trar as curvas encantadoras de s eus ombros e braços . É um cri me cobri -l os , s ej a di a ou noi te. E o penteado é para expor s eu ros to exóti co, e não para es condê-l o! — di s s e Lady Ul ma com fi rmeza. Que bom, pens ou E l ena. E l as s aí ram do as s unto da es cravi dão s i mból i ca. — Vai us ar um pouco de maqui agem também... Ouro cl aro nas pál pebras e kohl para aperfei çoar e al ongar s eus cí l i os . Um toque de batom dourado, mas s em ruge; acho que não funci ona, para j ovens . Sua pel e morena compl etará a i magem de uma donzel a s ens ual com perfei ção. M eredi th ol hou i ndefes a para E l ena. — E u também não cos tumo us ar maqui agem nenhuma di s s e el a, mas as duas s abi am que el a não ti nha como es capar. A vi s ão de Lady Ul ma ganhari a vi da. — Não chame de ves ti do de si rena; el a s erá uma s erei a — di s s e Bonni e cora entus i as mo. — M as é mel hor col ocarmos um fei ti ço nel e para afas tar todos os mari nhei ros vampi ros . Para s urpres a de E l ena, Lady Ul ma as s enti u com s ol eni dade. — M i nha ami ga cos turei ra mandou uma s acerdoti s a hoj e para abençoar todas as roupas e evi tar que vocês s ej am ví ti mas de vampi ros , é cl aro. Is s o tem a s ua aprovação? — E l a ol hou E l ena, que as s enti u.


— Des de que dei xem Damon fora di s s o — acres centou bri ncando, e s enti u o tempo paral i s ar enquanto M eredi th e Bonni e de i medi ato l he vol taram os ol hos , bus cando qual quer na expres s ão de E l ena que a entregas s e. M as E l ena conti nuou com a expres s ão neutra, e Lady Ul ma pros s egui a: — Natural mente, as res tri ções não s e apl i cari am a s eu... ao amo Damon. — Natural mente — di s s e E l ena, s éri a. — E agora tratemos de como a l i nda bai xi nha i rá ao bai l e de gal a. — Lady Ul ma s e di ri gi a a Bonni e, que mordeu o l ábi o, corando. — Tenho uma coi s a mui to es peci al para você. Não s ei quanto tempo es perei para trabal har com es s e teci do. E u o namorava nas vi tri nes ano após ano, roendo-me para comprar cri ar al go com el e. E s tá vendo? — E em s egui da o grupo de cos turei ras avançou, s egurando um ves ti do menor e mai s l eve, enquanto Lady Ul ma ergui a o des enho. E l ena j á ol hava maravi l hada. O teci do era gl ori os o — i nacredi tável — mas foi es peci al mente i ntel i gente como ti nha s i do cos turado. O teci do era azul -es verdeado, com o mai s maravi l hos o bordado repres entando as pl umas com ol hos de um pavão s e abri ndo a parti r da ci ntura. Os ol hos cas tanhos de Bonni e s e arregal aram de novo. — Is s o é para mi m? — s us s urrou el a, quas e temeros a de tocar o teci do. — Si m, e vamos prender s eu cabel o para trás até que você fi que s ofi s ti cada como s ua ami ga. Ande, experi mente. Acho que vai gos tar. — Lucen havi a s e reti rado e M eredi th j á es tava s endo cui dados amente col ocada no ves ti do de s erei a. Bonni e começou a ti rar a roupa, fel i z.

***


E vi u-s e que Lady Ul ma ti nha razão. Bonni e adorou ver como fi cari a naquel a noi te. Agora recebi a os úl ti mos retoques , como um borri fo del i cado de ci trus e água de ros as ; uma fragrânci a fei ta es peci al mente para el a. E l a fi cou di ante de um es pel ho i mens o de mol dura prateada, mi nutos antes de el es parti rem para o bai l e dado por Fazi na, a Rouxi nol de Prata em pes s oa. Bonni e vi rou-s e um pouco, ol hando, encantada, o ves ti do em al ças e de s ai a rodada. Seu corpete era fei to — ou pareci a s er fei to — i ntei ramente com penas de pavão, organi zados num l eque que s e uni a na ci ntura, mos trando como era magra. Havi a outro l eque de pl umas mai ores que apontavam para bai xo a parti r da ci ntura, na frente e nas cos tas . As cos tas na real i dade ti nham uma pequena cauda de penas de pavão contra a s eda es meral da. Na frente, abai xo da rama mai or que apontava para bai xo, um des enho em prata e ouro, de pl umas ondul antes es ti l i zadas , todas i nverti das , abri a cami nho para a bai nha do ves ti do, debruada com um brocado de ouro fi no. Como s e não bas tas s e, Lady Ul ma ti nha um l eque fei to de pl uma de pavão verdadei ras i ncrus tados em um punho de j ade es meral da, com uma franj a de j ade que s e ti ni a s uavemente, e pi ngentes de es meral das e ci tri nos na bas e. No pes coço de Bonni e havi a um col ar também de j ade, i ncrus tado com es meral das , s afi ras e l ápi s -l azúl i . E em cada pul s o havi a vári as pul s ei ras de j ade es meral da que es tal avam s empre que el a s e mexi a, o s í mbol o de s ua es cravi dão. M as os ol hos de Bonni e mal s e demoraram nel as e el a não cons egui a odi ar as pul s ei ras . Pens ava em como um cabel ei rei ro es peci al vi era “al i s ar” os cachos arrui vados de Bonni e até que, es cureci dos até o vermel ho verdadei ro, fi caram col ados no crâni o e pres os com grampos de j ade e es meral da. Sua cari nha de coração nunca pareceu tão madura, tão s ofi s ti cada. As pál pebras


es meral da e aos ol hos es cureci dos com kohl , Lady Ul ma acres centara um batom vermel ho vi vo e ti nha a um s ó tempo quebrado as regras e a s ens atez, portando el a mes ma a es cova, retocando aqui e al i o bl us h para que a pel e quas e trans parente de Bonni e des s e a i mpres s ão de es tar cons tantemente corando com al gum el egi o. Bri ncos de j ade de l api dação del i cada com s i nos de ouro por dentro compl etavam o conj unto, e Bonni e s e s enti a uma pri nces a do Anti go Ori ente. — É mes mo um mi l agre. E m geral , eu pareço um duende tentando me fantas i ar de l í der de torci da ou dama de honra — confi denci ou el a, bei j ando Lady Ul ma s em parar, del i ci ada ao des cobri r que o batom fi cava nos l ábi os , e não trans feri do para o ros to de s ua benfei tora. — M as es ta noi te eu pareço uma mulher verdade. E l a conti nuari a tagarel ando, i ncapaz de s e conter, embora Lady Ul ma j á tentas s e di s cretamente enxugar as l ágri mas dos ol hos . M as nes s e momento E l ena entrou e Bonni e arfou. O ves ti do de E l ena ti nha fi cado pronto à tarde e s ó o que Bonni e cons egui ra ver del e foi o des enho. M as de al gum modo el e não trans mi ti a o que es te ves ti do real mente fazi a por E l ena. Bonni e no fundo s e perguntava s e Lady Ul ma es tava dei xando demai s para a bel eza natural de E l ena, e ti nha es peranças de que a ami ga fi cas s e ani mada com o própri o ves ti do como todas es tavam com os de Bonni e e M eredi th. Agora Bonni e entendi a. — O model o é chamado de ves ti do da deus a — expl i cou Lady Ul ma no s i l ênci o que pai rou na s al a enquanto E l ena entrava, e Bonni e pens ava perpl exa que s e as deus as ti vessem mesmo vi vi do no M onte Ol i mpo, certamente i am querer um ves ti do daquel es . O truque do ves ti do es tava em s ua s i mpl i ci dade. E ra fei to de s eda branca


l ei tos a, com uma ci ntura pregueada del i cada ( Lady Ul ma chamava de pregueado i rregul ar “em fi ta”) que s us tentavam duas ti ras s i mpl es de corpete formando uma gol a em V, mos trando a pel e de pês s ego de E l ena entre el es e atrás . E s s as ti ras , por s ua vez, eram manti das nos ombros por doi s fechos ental hados — de ouro cravej ado de di amantes e madrepérol as . A parti r da ci ntura, a s ai a caí a reta em dobras graci os as e s edos as até as s andál i as del i cadas de E l ena — também des enhadas em ouro, madrepérol as e di amantes . Nas cos tas , as duas ti ras que s e prendi am nos ombros trans formavam-s e em al ças e s e cruzavam,

reuni ndo-s e na ci ntura

pregueada. Um ves ti do s i mpl es , que fi cava magní fi co na meni na certa. No pes coço de E l ena, um col ar fei to de ouro e madrepérol as , na forma es ti l i zada de uma borbol eta e cravej ado de tantos di amantes que pareci a rel uzi r com um fogo mul ti cor s empre que el a s e movi a e a l uz bati a nel es . E l a es tava com o pi ngente de l ápi s -l azúl i e di amante que Stefan l he dera, uma vez que s e recus ou termi nantemente a ti rá-l o. Não i mportava. A borbol eta cobri a i ntei ramente o pi ngente. E m cada braço E l ena us ava uma pul s ei ra l arga de ouro e madrepérol a cravej ada de di amantes , cri ações que el as acharam na s al a s ecreta das j ói as , obvi amente fei tas para combi nar com o col ar. E era s ó. O cabel o de E l ena foi es covado e es covado e escovado até que formou uma cas cata s edos a e dourada de ondas que pendi am nas cos tas abai xo dos ombros , e havi a um toque de batom ros ado. M as s eu ros to, com os cí l i os pretos e gros s os e as s obrancel has arqueadas mai s cl aras — e agora s eu ol har de empol gação que s eparava os l ábi os cor-de-ros a e trazi a uma cor vi va às faces — fi cara i ntei ramente por conta própri a. Bri ncos que caí am como cas catas de di amantes es pi avam através das mechas douradas .


E l a i a enl ouquecer a todos es ta noi te, pens ou Bonni e, ol hando o l i ndo ves ti do com i nvej a, mas no bom s enti do, em vez de s e al egrar com a i dei a da s ens ação que E l ena cri ari a. E l a es tava com o ves ti do mai s s i mpl es das três , mas ai nda cons egui a ofus car Bonni e e M eredi th compl etamente. No entanto, Bonni e nunca vi ra M eredi th mai s boni ta — nem mai s exóti ca. Também nunca vi ra o corpo des l umbrante de M eredi th, apes ar do ampl o s orti mento de roupas de gri fe da ami ga. M eredi th deu de ombros quando Bonni e l he di s s e i s s o. E s tava com um l eque também, de l aca preta, que dobrou. Agora o abri u e o fechou de novo, batendo no quei xo pens ati vamente. — E s tamos nas mãos de um gêni o — di s s e el a s i mpl es mente. — M as não podemos es quecer o que vi emos fazer aqui .


26 Temos que manter nos s o foco no res gate de Stefan — di zi a E l ena na s al a que Damon tomara para s i , a anti ga bi bl i oteca da mans ão de Lady Ul ma. — Onde mai s mi nha mente es tari a? — di s s e Damon, s em ti rar os ol hos do pes coço de E l ena, com s eus enfei tes de madrepérol a e di amantes . De al gum modo, o ves ti do branco real çava o pes coço magro e maci o de E l ena, e el a s abi a di s s o. E l ena s us pi rou. — Se achás s emos que real mente é o que pretende, então podí amos todas rel axar. — Quer di zer rel axar como você es tá fazendo agora? E l ena tremeu um pouco por dentro. Damon podi a parecer compl etamente abs orto em uma coi s a e apenas nel a, mas s eu s ens o de autopres ervação cui dava para que el e es ti ves s e cons tantemente em guarda, e vendo não s ó o que queri a ver, mas tudo o que o cercava. E era verdade que E l ena es tava quas e i ns uportavel mente ani mada. Que os outros pens em que era o ves ti do maravi l hos o. — E era o ves ti do maravi l hos o. E E l ena es tava profundamente grata a Lady Ul ma e s uas aj udantes por cons egui rem fazê-l o a tempo. O que real mente ani mava E l ena, porém, era a oportuni dade — não, a certeza, di s s e el a a s i mes ma com fi rmeza — de que es ta noi te encontrari a a metade da chave que l hes permi ti ri a s al var Stefan. A l embrança do ros to del e, a i dei a de vê-l o em carne e os s o era... E ra apavorante. Pens ando no que Bonni e di s s era enquanto dormi a, E l ena es tendeu a mão, procurando conforto e compreens ão, e de al gum modo des cobri u que em vez de s egurar a mão de Damon es tava nos braços del e. A verdadei ra perg unta é: o que Stefan di rá sobre aquela noi te no hotel comDamon ? O que Stefan di ri a? O que poderi a s er di to? — E s tou com medo — el a ouvi u, e um mi nuto tarde demai s reconheceu


a própri a voz. — Ora, não pens e ni s s o — di s s e Damon. — Só vai pi orar as coi s as . M as eu menti , pens ou E l ena. Você nem s e l embra di s s o, ou também es tari a menti ndo. — O que quer que tenha aconteci do, eu prometo que fi ca com você — di s s e Damon com brandura. — Já l he dei a mi nha pal avra, al i ás . E l ena podi a s enti r a res pi ração del e perto de s eus cabel os . — E manter o foco na chave? Si m, si m, mas não me ali mentei bem hoj e. E l ena s e s obres s al tou, depoi s puxou Damon para mai s perto. Por um i ns tante el a s enti u não apenas uma fome voraz, mas uma dor aguda que a confundi u. M as agora, antes que pudes s e l ocal i zá-l a no es paço, a dor pas s ara e s ua l i gação com Damon foi abruptamente i nterrompi da. Damon. — Si m? Não me i s ol e. — Não es tou i s ol ando você. Apenas di s s e tudo o que há para di zer, é s ó. Você s abe que vou procurar a chave. Obri g ada. E l ena tentou novamente. Mas não pode passarfome... Quemdi sse que estou passando fome? Agora a l i gação tel epáti ca de Damon vol tara, mas fal tava al go. E l e es tava del i beradamente escondendo al guma coi s a, concentrando-s e em atacar os s enti dos de E l ena com outra coi s a — a fome. E l ena podi a s enti -l a gras s ando nel e, como s e el e fos s e um ani mal s el vagem que andas s e havi a di as — havi a s emanas — s em matar. A s al a gi rou l entamente em vol ta de E l ena. — E s tá... tudo bem — s us s urrou el a, s urpres a por Damon s er capaz de fi car fi rme e abraçá-l a, com s eu í nti mo s e di l acerando daquel e j ei to. — O que você... preci s ar... tomar...


E el a s enti u a s onda mai s del i cada no pes coço, de dentes afi ados como naval ha. E l ena cedeu, rendendo-s e às s ens ações . E nquanto s e preparavam para o bai l e da Rouxi nol de Prata, onde i ri am procurar a pri mei ra metade da chave dupl a de rapos a para l i bertar Stefan, M eredi th l era al go no i mpres s o que enfi ara na bol s a. A i nformação era fruto do que el a des cobri ra pes qui s ando na i nternet. E l a fez o máxi mo que pôde para des crever a E l ena e aos outros tudo o que cons egui ra des cobri r. M as como podi a ter certeza de que não dei xara de fora uma pi s ta es s enci al , al guma i nformação i mens amente i mportante que fari a toda a di ferença entre o s uces s o e o fracas s o des ta noi te? E ntre encontrar uma manei ra de s al var Stefan e vol tar derrotados para cas a, enquanto el e padeci a na pri s ão? Não, pens ou el a, parada di ante do es pel ho de prata, quas e com medo de ol har a bel eza exóti ca que s e tornara. Não, não podemos pens ar na pal avra fracasso. Pel a vi da de Stefan, temos de cons egui r. E temos de cons egui r s em que s ej amos apanhados .


27 E l ena es tava confi ante e um tanto zonza quando parti ram para o bai l e de gal a da Rouxi nol de Prata. M as quando os quatro chegaram à cas a pal aci ana da i l us tre Lady Fazi na em l i tei ras — Damon com E l ena, M eredi th com Bonni e ( Lady Ul ma foi proi bi da pel o médi co de i r a qual quer fes ti vi dade enquanto es ti ves s e grávi da) —, E l ena foi tomada por certo terror. A cas a era verdadei ramente um pal áci o, na mel hor tradi ção dos contos de fadas , pens ou el a. M i naretes e torres s ubi am ao céu, provavel mente pi ntados de azul , com uma generos a camada dourada, mas aparecendo na cor l avanda ao s ol , e quas e pareci am mai s l eves do que o ar. Para compl ementar a l uz do s ol , havi a tochas aces as dos doi s l ados do cami nho das l i tei ras , na s ubi da da col i na, e pareci a que havi a al guma s ubs tânci a nel as — ou magi a —, poi s as l uzes bri l havam em vari adas cores , e as s i m i am do ouro ao vermel ho, ao roxo, ao azul , ao verde, ao prata, e as cores pareci am reai s . Is s o dei xou E l ena s em fôl ego como as úni cas coi s as que não eram ti ngi das de vermel ho em todo o mundo à s ua vi s ta. Damon trouxera uma garrafa de Bl ack M agi c e ti nha o es pí ri to quas e el evado demai s — s em trocadi l ho, pens ou E l ena. Quando as l i tei ras pararam no al to da col i na, Damon e E l ena receberam aj uda para des cer e andaram por um corredor que i nterrompi a grande parte da l uz do s ol . Aci ma del es pendi am, aces as , del i cadas l anternas de papel — al gumas mai ores do a l i tei ra em que es ti veram mi nutos antes — fortemente i l umi nadas e com formas el egantes , conferi ndo um ar fes ti vo e j ovi al a um pal áci o tão magní fi co que chegava a i nti mi dar um pouco. E l es pas s aram por fontes i l umi nadas , al gumas guardando s urpres as — como a fi l a de s apos mági cos que cons tantemente s al tavam dos l í ri os : plop, plop, plop, como o s om de chuva no tel hado, ou uma i mens a s erpente dourada que des l i zava entre as árvores e por ci ma da cabeça dos vi s i tantes , des cendo s i nuos a ao chão e, em s egui da, s ubi ndo nas árvores novamente.


E ra como s e o chão s e tornas s e trans parente, com toda s orte de cardumes mági cos de pei xes , tubarões , engui as e gol fi nhos dando cambal hotas , enquanto as s omava a fi gura de uma bal ei a gi gante nas profundezas azui s . E l ena e Bonni e andaram apres s adamente por es s a parte do cami nho. E s tava cl aro que a dona des ta propri edade podi a pagar por qual quer di vers ão que s eu coração des ej as s e e que, amava pri nci pal mente a mús i ca, porque tocando em cada área havi a orques tras ves ti das de modo es pl êndi do — e às vezes bi zarro —, ou então apenas um s ol i s ta famos o, cantando em uma gai ol a de ouro no al to, a quas e 10 metros do chão. M ús i ca... M ús i ca e l uzes em toda parte... A própri a E l ena, embora emoci onada com as vi s ões , s ons e aromas gl ori os os que vi nham de i mens os cantei ros de fl ores e dos convi dados , homens e mul heres , s enti u um l eve temor, como um fri o na barri ga. Quando s ai u da cas a de Lady Ul ma, pens ou em s eu ves ti do e nos di amantes tão bem trabal hados . M as agora que es tava no pal áci o de Lady Fazi na... Bem, havi a cômodos demai s , g ente demai s , tão el egante e l i ndamente ves ti da quanto a própri a E l ena e s uas i rmãs , ou “as s i s tentes ”. E l ena ti nha medo de que... Bem, de que aquel a mul her al i , j orrando pedras preci os as de s ua ti ara del i cada de di amantes e es meral das até os fi nos s apatos debruados de di amantes , fi zes s e s eu própri o cabel o s em enfei tes parecer des al i nhado ou ri dí cul o. Sabe quantos anos ela tem? E l ena quas e deu um pul o ao ouvi r a voz de Damon em s ua mente. Quem?, res pondeu E l ena, tentando ao menos es conder a i nvej a — a preocupação — de s ua voz tel epáti ca. Eu estou proj etando alto demai s?, acres centou el a, al armada. Não tão alto assi m, mas é melhor abai xara volume. E você sabei mui to bem —' quem aquela


g i rafa que estava olhando, res pondeu Damon. Para sua i nformação, ela tem uns duzentos anos a mai s que eu e está tentando aparentar 30, i sto é, dez anos mai s nova que quando se transformou emvampi ra. E l ena pes tanej ou. O que está querendo di zer comi sso? Envi e alg umPoder a seus ouvi dos, s ugeri u Damon. E pare de se preocupar! Obedi entemente, E l ena aumentou um pouco o Poder para o que el a ai nda achava s er o ponto certo em s eus ouvi dos , e as convers as de repente fi caram audí vei s . ... ah, a deusa de branco. Ela é apenas uma cri ança, mas fi g ura... ... si m, aquela de cabelo dourado. Mag ní fi ca, não é? ... Oh,por Hades, olhe aquela meni na... ... Vê o prí nci pe e a pri ncesa ali ? Será que concordari am com um ménag e... ou... ou um quarteto, queri do? M ai s pareci a o que E l ena es tava acos tumada a ouvi r em fes tas . Is s o l he deu mai s confi ança. E também, enquanto s eus ol hos vari am mai s ous adamente a mul ti dão ves ti da de forma opul enta, afl orou-l he uma onda s úbi ta de amor e res pei to por Lady Ul ma, que des enhara e s upervi s i onara a fei tura de três gl ori os os ves ti dos em apenas uma s emana. Ela é umg êni o, E l ena i nformou a Damon s ol enemente s abendo que através do el o mental el e s aberi a de quem el a fal ava. Olha, Meredi th j á temuma multi dão em volta dela. E... E... E ela não está ag i ndo como a Meredi th, concl ui u Damon, demons trando certa i nqui etação. M eredi th não pareci a nem um pouco preocupada. Ti nha o ros to vi rado del i beradamente para mos trar o perfi l cl ás s i co a s eus admi radores , mas não era o perfi l da M eredi th Sul ez equi l i brada e s erena. E ra uma meni na s ens ual e exóti ca, que pareci a pl enamente capaz de cantar a Habanera de Carmen. Ti nha o l eque aberto e s e abanava graci os a e l angui damente. A s uave mas cal oros a l uz i nteri or fazi a s eus ombros e braços nus bri l harem como pérol as aci ma do ves ti do de vel udo preto, que pareci a ai nda mai s mi s teri os o e


i mpres s i onante do que em cas a. Na real i dade, pareci a ter conqui s tado um devoto s i ncero; el e es tava aj oel hado di ante del a com uma ros a vermel ha na mão, tão apres s adamente col hi da de um dos arranj os que um es pi nho o furara e o s angue s urgi a no pol egar. M eredi th pareceu não perceber. E l ena e Damon l amentavam pel o j ovem, que era l ouro e extremamente boni to. E l ena s enti u pena... E Damon, fome. Ela parece ter saí do da concha, arri s cou-s e Damon. Oh, Meredi th j amai s sai de concha nenhuma, res pondeu E l ena. Só está atuando. Mas esta noi te acho que é obra dos vesti dos. Meredi th está vesti da como uma serei a, e por i sso está comessa ati tude tão sensual. O vesti do de B onni e foi fei to compenas de pavão e... Vej a só. E l a as s enti u para o l ongo corredor que l evava a um s al ão i mens o di ante del es . Bonni e, ves ti da por pl umas , ti nha s ua própri a mul ti dão de s egui dores — e era s ó i s s o que el es fazi am: s egui am-na. Cada movi mento de Bonni e era l eve, como o de pas s ari nho, e s uas pul s ei ras de j ade ti l i ntavam nos pequenos braços maci os , os bri ncos ti ni am a cada vez que bal ançava a cabeça e os pés pareci am bri l har nas s andál i as douradas di ante da cauda de pavão. — Sabe de uma coi s a, é es tranho — murmurou E l ena, enquanto el es chegavam ao s al ão e por fi m o s om emudeceu para que el a cons egui s s e ouvi r a voz de Damon. — E u não ti nha percebi do, mas Lady Ul ma des enhou nos s os ves ti dos em di ferentes ní vei s do rei no ani mal . — Hmmm? — Damon es tava ol hando o pes coço del a novamente. M as fel i zmente naquel e momento um homem boni to, com roupas formai s da Terra, s moki ng, fai xa e tudo que ti nha di rei to, aproxi mou-s e com Bl ack M agi c em grandes taças de prata. Damon s ecou a del e num s ó gol e e pegou outra do garçom que s e curvava com el egânci a. Depoi s el e e E l ena s e s entaram — na fi l a de trás , do l ado de fora, mes mo s abendo que i s s o era uma gros s eri a com a anfi tri ã. E l es preci s avam de es paço de manobra. — Bom, M eredi th é uma s erei a, que é da mai s al ta ordem, e es tá


agi ndo como uma s erei a. Bonni e é um pas s ari nho, que faz parte da ordem s egui nte, e el a está agi ndo como uma ave: vendo todos os homens s e exi bi rem enquanto el a ri . E eu s ou uma borbol eta... E ntão acho que es ta noi te devo agi r como uma borbol eta s oci al . Com você ao meu l ado, es pero. — Que... l i ndo — di s s e Damon coma voz embargada. o que exatamente a faz pens ar que é uma borbol eta? — Ora, os ves ti dos , s eu bobo — di s s e E l ena, e l evantou l eque de madrepérol a, ouro e di amantes , dando-l he um tapi nha na tes ta com el e. Depoi s o abri u, mos trando um des enho pri moros o, s emel hante ao de s eu col ar, decorado com pontos mí ni mos de di amantes , ouro e madrepérol a onde havi a dobras . — E s tá vendo? Uma borbol eta — di s s e el a, s ati s fei ta com a i magem. Damon acompanhou o contorno com um dedo l ongo e afi l ado do que a l embrou tanto de Stefan que s ua garganta doeu, e parou nas s ei s l i nhas es ti l i zadas aci ma da cabeça. — Des de quando borbol etas têm cabel o? — O dedo de Damon pas s ou em duas l i nhas hori zontai s entre as as as . — Ou braços ? — São pernas — di s s e-l he E l ena, di verti ndo-s e. — Que ti po de coi s a com braços e pernas e uma cabeça tem s ei s pel os e as as ? — Um vampi ro embri agado — s ugeri u uma voz aci ma del es , fazendo E l ena l evantar a cabeça, s upres a ao ver Sage. — Permi tem que me s ente com vocês ? — perguntou el e. — Não cons egui uma cami s a, mas mi nha avó fada conj urou um col ete. E l ena, ri ndo, puxou uma cadei ra para que Sage pudes s e s e acomodar ao l ado de Damon. E l e es tava mui to mai s l i mpo do que quando el a o vi ra trabal hando em cas a, embora o cabel o ai nda es ti ves s e compri do, com s eus cachos rebel des . E l a, porém, notou que s ua avó fada o perfumara com cedro e


s ândal o, e l he dera j eans Dol ce & Gabbana e col ete. E l e es tava... mag ní fi co. Não havi a s i nal de s eus ani mai s . — Pens ei que você não vi es s e — di s s e-l he E l ena. — E me di z i s s o? Traj ada como es tá, de branco e ouro cel es ti ai s ? Você fal ou no bai l e; tomei s eu des ej o como uma ordem. E l ena ri u. É cl aro que todo mundo a tratava de um j ei to di ferente nes ta noi te. E ra o ves ti do. Sage, murmurando al go s obre s ua heteros s exual i dade l atente, j urou que a i magem no col ar e no l eque eram de uma féni x. O demôni o educado à di rei ta del a, que ti nha a pel e mal va es cura e chi fres pequenos , brancos e curvos , s ugeri u com deferênci a que l he pareci a a deus a Is htar, que aparentemente o mandara à Di mens ão das Trevas , um mi l éni o antes , por tentar as pes s oas à pregui ça. M ental mente, E l ena regi s trou aquel a i nformação para perguntar a M eredi th s e i s s o s i gni fi cava tentá-l os a comer bi chos -pregui ça, que el a s abi a s er um ani mal s el vagem que não s e mexi a mui to ou coi s a pareci da. E depoi s E l ena pens ou que Lady Ul ma ti nha chamado o traj e de “ves ti do da deus a”, não foi ? Certamente era um ves ti do que s ó podi a s er us ado s e s eu corpo fos s e mui to j ovem e mui to próxi mo da perfei ção, porque não havi a como col ocar um es parti l ho nel e ou drapeá-l o para atenuar um corpo que não aj udas s e. As úni cas coi s as por bai xo do ves ti do era o própri o corpo fi rme de E l ena e uma cal ci nha de renda l eve, cor da pel e. Ah, e um borri fo de perfume de j as mi m. E ntão eu pareço uma deus a, pens ou el a, agradecendo ao demôni o ( que s e l evantou e fez uma mes ura). As pes s oas tomavam l ugar para a pri mei ra apres entação da Rouxi nol de Prata. E l ena ti nha de admi ti r que es tava ans i os a para ver Lady Fazi na e, al ém di s s o, era cedo demai s para uma i da ao toal ete — E l ena j á percebera que havi a guardas pos tados em todas as portas . Havi a


duas harpas em uma pl ataforma no mei o de um grande cí rcul o de cadei ras . E de repente todos es tavam de pé, apl audi ndo. E l ena não teri a vi s to nada s e Lady Fazi na não ti ves s e deci di do andar pel o mes mo corredor que el a e Damon tomaram. E l a parou bem ao l ado de Sage para agradecer pel a acl amação e E l ena teve uma vi s ão perfei ta del a. E ra uma l i nda j ovem, mas para s urpres a de E l ena pareci a ter bem mai s de 20 anos , e era quas e tão bai xa quanto Bonni e. E s ta cri atura di mi nuta obvi amente l evava s eu apel i do mui to a s éri o: traj ava um ves ti do de mal ha prateado. O cabel o também era prata metal i zado, al to na frente e mui to curto atrás . A cauda mal es tava pres a a el a, doi s fechos s i mpl es a s eguravam nos ombros . Fl utuava hori zontal mente as s uas cos tas , cons tantemente em movi mento, mai s como um rai o de l uar ou uma nuvem do que o verdadei ro teci do até que el a chegou ao pal co central e s ubi u, depoi s contornou a harpa al ta e des coberta, e a es s a al tura a parte s us pens a da capa cai u s uave e graci os amente no chão em um s emi cí rcul o a s ua vol ta. E então vei o a magi a da voz da Rouxi nol de Prata. Começou tocando a harpa al ta, que pareci a ai nda mai s al ta em comparação com s eu corpo pequeno. E ra como s e el a fi zes s e a harpa cantar s ob s eus dedos , l evava-a a gemer como o vento ou produzi r uma mús i ca que pareci a des cer do paraí s o em gl i s s andos . E l ena chorou durante a pri mei ra mús i ca, embora fos s e cantada numa l í ngua que des conheci a. E ra de uma doçura tão penetrante que a l embrava de Stefan, de s eus momentos j untos , comuni cando-s e s omente pel as pal avras e toques mai s doces ... M as o i ns trumento mai s i mpres s i onante de Lady Fazi na era s ua voz. Seu corpo mí ni mo podi a gerar um vol ume extraordi nári o quando queri a. E enquanto el a cantava uma canção pungente em tom menor depoi s de outra, E l ena podi a s enti r s eus pel os arrepi arem, e s uas pernas tremerem. Achava


que a qual quer momento podi a cai r de j oel hos com as mel odi as que enchi am s eu coração. Quando al guém l he tocou nas cos tas , E l ena tomou um vi ol ento s us to. Fora arrancada rápi do demai s do mundo fantás ti co que a mús i ca tecera em torno del a. M as era apenas M eredi th que, apes ar de s eu amor pel a mús i ca, ti nha uma s uges tão mui to práti ca ao grupo. — Não s eri a mel hor começarmos agora, enquanto todos os outros es tão ouvi ndo? — s us s urrou el a. — Até os guardas es tão des l i gados . Vamos em dupl as , es tá bem? E l ena as s enti u. — Vamos ter que dar uma ol hada na cas a. Tal vez a gente ache al guma coi s a enquanto todo mundo ai nda es tá aqui , ouvi ndo a mús i ca, por mai s uma hora. Sage, tal vez você pos s a es tabel ecer uma es péci e de l i gação tel epáti ca entre os doi s grupos . — Será um pri vi l égi o, Madame. Os ci nco entraram na mans ão da Rouxi nol de Prata.


28 E l es pas s aram di retamente pel os l amentávei s guardas das portas . M as l ogo des cobri ram que, enquanto quas e todo mundo ouvi a Lady Fazi na, havi a, em cada cômodo do pal áci o aberto ao públ i co, um gui a de roupa preta e l uvas brancas , pronto para dar i nformações e vi gi ar atentamente as pos s es s ua s enhora. O pri mei ro cómodo que l hes deu al guma es perança foi o Sal ão de Harpas de Lady Fazi na, uma s al a dedi cada i ntei ramente à exi bi ção dos i ns trumentos . Obj etos anti gos , em arco, de uma s ó corda, s em dúvi da tocados por i ndi ví duos que devi am parecer homens das cavernas , a harpas al tas , douradas e orques trai s como a que Fazi na tocava agora, a mús i ca audí vel pel o pal áci o. M agi a, pens ou E l ena novamente. E l es parecem us á-l a aqui , em l ugs r da tecnol ogi a. — Cada ti po de harpa tem uma chave excl us i va para afi nar as cordas — cochi chou M eredi th, ol hando o corredor. De cada l ado a fi l a de harpas marchava ao l onge. — Uma des s as chaves pode s er a chave. — M as como vamos s aber? — Bonni e s e abanava com o l eque de penas de pavão. — Qual é a di ferença entre uma chave de harpa e uma chave de rapos a? — Não s ei . E também nunca ouvi fal ar de guardar uma chave dentro de uma harpa. Deve fazer barul ho dentro da cai xa res s onânci a s empre que a harpa é ti rada do l ugar — admi ti u M eredi th. E l ena mordeu o l ábi o. E ra uma ques tão s i mpl es e razoável . E l a devi a fi car des ani mada, devi a s e perguntar como encontrari am a metade pequena de uma chave nes te l ugar. E s peci al mente ao pens ar que a pi s ta que ti nham — que es tava no i ns trumento da Rouxi nol de Prata — de repente pareci a abs urda. — E s pero — di s s e Bonni e, s em refl eti r mui to — que o i ns trumento não


s ej a a voz del a, e s e enfi armos a mão pel a goel a da mul her... E l ena s e vi rou para ol har M eredi th, que pareci a ol har o céu — ou o que es ti ves s e aci ma des s a di mens ão horrenda. — E u s ei — di s s e M eredi th. — Chega de bebi da para a avoada aqui . M as acho pos s í vel el es darem pequenos api tos de prata ou al gum i ns trumento como l embrança... Todas as grandes fes tas cos tumavam ter i s s o, s abe como é... Dar um bri nde. — Como — di s s e Damon num tom des preocupadamente i nexpres s i vo — el es podem dar a chave de bri nde s emanas antes da fes ta, e como podem ter a es perança de recuperá-l a? M i s ao podi a mui to bem ter di to a E l ena “Nós j ogamos a chave fora”. — Bom — começou M eredi th —, não tenho certeza s e el es qui s eram di zer que as chaves podi am s er recuperadas , mes mo por el es . E M i s ao podi a ter a i ntenção de di zer: ccVocê tem que vas cul har todo o l i xo da noi te des s e bai l e de gal a”... Ou de outra fes ta em que Fazi na s e apres entas s e. Imagi no que el a s ej a convi da a tocar em vári as outras fes tas . E l ena odi ava bate-boca, embora el a fos s e campeã ni s s o. M as es ta noi te era uma deus a. Nada era i mpos s í vel . Se cons egui s s e se lembrar... Al go pareci do com um rai o de l uz ati ngi u s ua cabeça. Só por um i ns tante — um i ns tante — el a es tava de vol ta, l utando com M i s ao. M i s ao es tava em s ua forma de rapos a, mordendo e arranhando — e ros nando uma res pos ta à pergunta de E l ena s obre onde es tavam as duas metades da chave de rapos a. “ Até parece que você poderi a entender as respostas que eu dari a. Se eu lhe contasse que uma metade está dentro do i nstrumento de prato do rouxi nol, i sso lhe dari a alg uma i dei a?” Si m . Estas foram as exatas pal avras , as verdadei ras pal avras que M i s ao di s s era. E l ena ouvi ra em s ua própri a voz, repeti ndo-as agora di s ti ntamente. Depoi s el a s enti u aquel a l uz dei xar s ua mente — para encontrar outra


não mui to di s tante. E m s egui da, el a s e deu conta de que, s eus ol hos s e abri am de s urpres a, porque Bonni e fal ava daquel e j ei to i nexpres s i vo que s empre us ava quando fazi a uma profeci a: — Cada metade da chave de rapos a tem a forma de uma úni ca rapos a, com duas orel has , doi s ol hos e um foci nho. As duas metades da chave de rapos a s ão de ouro, cobertas de pedras preci os as ... E s eus ol hos s ão verdes . A chave que procura ai nda es tá no i ns trumento da Rouxi nol de Prata. — Bonni e! — di s s e E l ena. E l a podi a ver que os j oel hos da ami ga tremi am, e s eus ol hos es tavam des focados . Depoi s el es s e abri ram e E l ena obs ervou a confus ão encher o vazi o. — O que es tá havendo? — perguntou Bonni e, ol hando em vol ta e vendo que todo mundo ol hava para ela. — O que... o aconteceu? — Você nos di s s e como s ão as chaves de rapos a! — E l ena não cons egui u evi tar quas e gri tar de al egri a. Agora que s abi am o que procuravam, poderi am l i bertar Stefan; el es li bertari am Stefan. Agora nada i mpedi ri a E l ena. Bonni e aj udara a l evar a bus ca a um ní vel i ntei ramente di ferente. M as enquanto E l ena tremi a de al egri a por dentro, por caus a da profeci a, M eredi th, com s eu j ei to equi l i brado, cui dava da profeti s a. — Acho que el a vai des mai ar — di zi a M eredi th em voz bai xa. — Poderi a, por favor... M eredi th não teve tempo de concl ui r o pedi do porque os vampi ros , Damon e Sage, foram rápi dos e s eguraram Bonni e, amparando-a de cada l ado. Damon ol hava a meni na bai xi nha com s urpres a. — Obri gada, M eredi th — di s s e Bonni e, e s ol tou a res pi ração pi s cando. — Acho que não vou des mai ar — acres centou el a ol hando para Damon por entre as pál pebras : — M as acho que é mel hor ter certeza. Damon as s enti u e s egurou mel hor, com um ar s éri o. Sage s e vi rou um


pouco, parecendo ter al go pres o na garganta. — O que foi que eu di s s e? Não me l embro! Séri a, E l ena repeti u as pal avras de Bonni e, e M eredi th perguntou: — Agora você tem certeza, Bonni e? Is s o parece certo? — Eu tenho certeza. Abs ol uta — i nterrompeu E l ena. Sua certeza era compl eta. A deus a Is htar e Bonni e abri ram-l he o pas s ado e l he mos traram a chave. — M ui to bem. E s e Bonni e, Sage e eu fi carmos nes ta s al a e doi s de nós di s trai rmos o gui a, enquanto o tercei ro procura as chaves nas harpas ? — s ugeri u M eredi th. — Certo. Vamos ! — di s s e E l ena. O pl ano de M eredi th s e mos trou mai s di fí ci l na práti ca do que pareci a. M es mo com duas gl ori os as meni nas e um homem tremendamente mus cul os o na s al a, o gui a conti nuava andando em pequenos cí rcul os e de vez em quando, fl agrava um ou outro mexendo na harpa e es pi ando dentro del a. E ra es tri tamente proi bi do mexer em qual quer coi s a. Podi a des afi nar as harpas e faci l mente dani fi cá-l as . M as a úni ca manei ra de ter absoluta certeza de que uma chave pequena e de ouro não es tava na cai xa de res s onânci a era s acudi r o i ns trumento e ver s e fazi a barul ho. E o pi or era que cada uma das harpas ti nha s eu própri o ni cho, compl eto, com uma i l umi nação teatral , na frente de uma tel a os tentos a ( a mai ori a del es mos trava Fazi na tocando a harpa em ques tão) e uma corda de vel udo vermel ho na frente com as pal avras “mantenha di s tânci a”, tão evi dente quanto numa pl aca. No fi nal , Bonni e, M eredi th e Sage recorreram ao Poder de i nfl uênci a de Sage para dei xar o gui a i ntei ramente pas s i vo — al go que el e s ó foi capaz de fazer por al guns mi nutos por vez, ou o gui a perceberi a os hi atos no programa de Lady Fazi na. E l es então procuravam freneti camente nas harpas enquanto o


gui a fi cava i móvel fei to uma fi gura de cera.

***

E nquanto i s s o, Damon e E l ena vagavam pel o pal áci o, procurando no res to da mans ão que era proi bi do a vi s i tantes . Se não achas s em nada, pretendi am dar uma bus ca em todos os cômodos di s poní vei s enquanto o bai l e conti nuas s e. E ra um trabal ho peri gos o, es te entrar e s ai r furti vamente de ambi entes es curos , cercados por cordas — em geral trancados — e vazi os : peri gos o e es tranhamente emoci onante para E l ena. De certo modo, pareci a que o medo e a pai xão eram mai s próxi mos do que el a real mente percebera. Ou pel o menos pareci a que era as s i m com el a e Damon. E l ena não pôde dei xar de perceber e admi rar al guns detal hes de Damon. E l e pareci a capaz de abri r qual quer tranca com um pequeno i ns trumento que ti rava da j aqueta preta, como s e es ti ves s e pegando uma caneta-ti ntei ro, e, de um j ei to rápi do e el egante, el e arrombava a tranca e a devol vi a a s eu es tado ori gi nal . E conomi a de movi mentos , el a s abi a, conqui s tada em ci nco s écul os de experi ênci a. Al ém di s s o, ni nguém podi a ques ti onar: Damon pareci a manter a cabeça fri a em qual quer s i tuação, o que fazi a del e um bom companhei ro agora, quando el a es tava andando como uma deus a e ni nguém podi a obri gá-l a a s egui r as regras dos mortai s . Is to era real çado pel os s us tos que E l ena tomava: formas que pareci am guarda s enti nel as as s omando para el a s e mos travam na real i dade um urs o empal hado, um pequeno armári o e al go que Damon não permi ti u que el a ol has s e por mai s de um s egundo, mas que pareci a um homem mumi fi cado. Damon não s e i nti mi dava com nada di s s o.


Se eu pudes s e canal i zar al gum Poder para os ol hos , pens ou E l ena... e as coi s as i medi atamente s e i l umi naram. Seu Poder obeci a! M eu Deus ! Terei que us ar es s e ves ti do pel o res to da vi da faz com que eu me s i nta tão... poderos a. Tão... des i ni bi da. Vou us ar na facul dade, s e entrar para uma facul dade, para i mpres s i onar meus profes s ores ; e para Stefan e no meu cas amento — s ó para que as pes s oas entendam que não s ou uma qual quer; e — na prai a, para os homens terem pel o que babar... E l a repri mi u uma ri s ada e fi cou s urpres a ao ver Damon ol har com uma reprovação fi ngi da. É cl aro que el e es tava es trei tamente focal i zado nel a, como E l ena es tava nel e. M as era um cas o um tanto di ferente, é cl aro, porque, aos ol hos de Damon, el a us ava uma pl aca que di zi a GE LÉ IA DE M ORANGO amarrada no pes coço. E el e es tava fi cando com fome de novo. Com mui ta fome. Da próxi ma vez vou cui dar para que se ali mente di rei to antes de sai r de casa, pens ou el a para el e. Vamos nos concentrar no sucesso desta mi ssão antes de planej armos a próxi ma, retorqui u el e, com um l eve s orri s o s e i ns i nuando. M as es tava tudo mi s turado com um pouco da s ati s fação s arcás ti ca que Damon s empre exi bi a. E l ena j urou a s i mes ma que por mai s que el e pudes s e ri r para el a, pedi r, ameaçar ou baj ul ar, es ta noi te el a não dari a a Damon a s ati s fação nem mes mo de um bel i s cão. E l e que encontras s e outro pote de gel ei a, pens ou el a. Por fi m, a doce mús i ca do concerto parou, e E l ena e Damon correram para encontrar Bonni e, M eredi th e Sage no Sal ão das Harpas . E l ena era capaz de deduzi r as notí ci as pel a pos tura de Bonni e, mes mo que j á não s oubes s e pel o s i l ênci o de Sage. M as as notí ci as eram pi ores do que E l ena podi a i magi nar: não s ó os três não acharam nada no Sal ão das Harpas , como fi nal mente recorreram a um i nterrogatóri o do gui a, que podi a fal ar, mas não s e mexer,


s ob a i nfl uênci a de Sage. — E adi vi nhe s ó o que el e nos contou — di s s e Bonni e, l ogo compl etando antes que outro s e arri s cas s e a fal ar. — E s s as harpas s ão l i mpas e afi nadas , cada uma del as , todo santo di a. Fazi na tem ti po um exérci to de cri ados para fazer i s s o. E qual quer coi s a, qualquer coi sa mesmo que não pertença à harpa é i nformada i medi atamente. E não havi a nada! Não tem nada al i ! E l ena s enti u que encol hi a da deus a oni s ci ente para a humana des norteada. — Imagi nei que i s s o pudes s e acontecer — admi ti u E l ena, s us pi rando. — Teri a s i do fáci l demai s de outra manei ra. Tudo bem, pl ano B. Vocês s e mi s turam com os convi dados do bai l e e tentam dar uma ol hada em cada cômodo que es tej a aberto ao públ i co. Procurem i mpres s i onar o companhei ro de Fazi na e arrancar i nformações del e. Tentem des cobri r s e M i s ao e Shi ni chi es ti veram aqui recentemente. Damon, e eu vamos conti nuar ol hando as s al as que devi am es tar fechadas . — Is s o é tão peri gos o — di s s e M eredi th, franzi ndo a tes ta. —Tenho medo do que pode acontecer s e vocês forem apanhados . — Tenho medo do que pode acontecer com Stefan s e não acharmos a chave es ta noi te — retorqui u E l ena ri s pi damente e deu mei a-vol ta para s ai r. Damon a s egui u. Procuraram por i ntermi návei s cômodos es curos , agora s em nem s aber s e es tavam procurando uma harpa ou outra coi s a. Pri mei ro Damon veri fi cava s e havi a um corpo res pi rando dentro do cômodo ( é daro que podi a haver um guarda vampi ro, mas não havi a mui to a fazer a res pei to di s s o),

depoi s

arrombava

a

fechadura.

As

coi s as

es tavam

correndo

tranqui l amente até que chegaram a uma s al a no fi nal de um l ongo corredor que dava para o oes te — E l ena havi a mui to s e perderano pal áci o, mas s abi a que era o oes te porque era onde s e punha aquel e s ol enorme.


Damon arrombou a fechadura da s al a e E l ena i medi atamente avançou, ans i os a. Procurou pel a s al a que conti nha, o que foi frus trante, a pi ntura emol durada em prata de uma harpa, mas s em nada vol umos o como a metade de uma chave de rapos a em s eu i nteri or, mes mo quando el a us ou cui dados amente a ferramenta de Damon para des atarraxar o fundo. Foi quando devol vi a o quadro à parede que os doi s ouvi ram uma pancada. E l ena es tremeceu, rezando para que nenhum dos “cri ados da s egurança” ves üdos de preto ti ves s e ouvi do o barul ho ao perambul ar pel o pal áci o. Damon rapi damente pôs a mão na boca de E l ena e reduzi u a l uz do l ampi ão, es curecendo a s al a. M as os doi s ouvi ram pas s os s e aproxi mando pel o corredor. Al guém es cutara a pancada. Os pas s os pararam na porta e el es ouvi ram o s om di s ti nto de uma tos s e di s creta de um cri ado s uperi or. E l ena gi rou, s enti ndo nes s e momento que as As as da Redenção es tavam ao s eu al cance. E xi gi ri a apenas o mai s l eve aumento da adrenal i na, e el a teri a o s egurança aj oel hado, chorando, peni tenci ando-s e por uma vi da i ntei ra de trabal ho para o mal . E l ena e Damon es tari am l onge antes ... M as Damon ti nha outra i dei a, e E l ena fi cou as s us tada ao concordar com el a. Quando a porta s e abri u, s em fazer barul ho, um s egundo depoi s , o funci onári o achou um cas al pres o num abraço tão apertado que pareci a nem ter percebi do a i ntrus ão. E l ena prati camente s enti a a i ndi gnação del e. E ra compreens í vel o des ej o de um cas al de convi dados s e abraçar di s cretamente na pri vaci dade dos mui tos ambi entes públ i cos de Lady Fazi na, mas es ta parte da cas a era pri vati va. E nquanto el e acendi a as l uzes , E l ena es pi ou pel o canto do ol ho. Seus s enti dos paranormai s es tavam abertos o bas tante para l er os pens amentos del e. E l e repas s ava os obj etos de val or na al a com um ol har


experi ente mas entedi ado. O del i cado vas o em mi ni atura com as ros as da borda pres as em fol hagem cravej ada de rubi s e es meral das ; a l i ra s uméri a de madei ra de 5 mi l anos , magi camente pres ervada; o par i dênti co de candel abros de ouro maci ço na forma de dragões ergui dos ; a más cara funerári a egí pci a com as órbi tas es curas e al ongadas , parecendo fi tar de s uas fei ções mui to bem pi ntadas ... E s tava tudo al i . A s enhora nem mes mo guardava nada de grande val or naquel a s al a, mas ai nda as s i m: — E s ta s al a não faz parte da exi bi ção públ i ca — di s s e el e a Damon, que s e l i mi tou a apertar E l ena ai nda mai s . Si m, Damon pareci a mui to deci di do a dar um bom s how ao funci onári o... Ou coi s a pareci da. M as el es j á não... havi am termi nado? Os pens amentos de E l ena perdi am a coerênci a. A úl ti ma a... A úl ti ma coi s a que el es podi am fazer... era... perder a oportuni dade de... encontrar a chave de rapos a. E l ena começou a s w afas tar e percebeu que não devi a. Não devi a. Não podi a. E l a era uma propri edade, uma propri edade cara, é verdade, l uxuos amente ves ti da como es tava es ta noi te, mas de Damon, para que el e fi zes s e del a o que bem entendes s e. E nquanto outra pes s oa es ti ves s e ol hando, el a não devi a mos trar-s e des obedi ente aos des ej os de s eu s enhor. Ai nda as s i m, Damon l evava i s s o l onge demai s ... E l e j á havi a tomado mui ta l i berdade com el a, embora, pens ou E l ena com i roni a, el e não s oubes s e di s s o. E l e acari ci ava a pel e del a, des protegi da pel o ves ti do marfi m de deus a, os braços de E l ena, s uas cos ta até s eu cabel o. E l e s abi a que el a gos tava di s s o, que podi a s enti r quando s eu cabel o era s egurado e as pontas acari ci adas s uavemente, ou genti l mente es magadas em s eu punho. Damon! E l a agora apel ava ao úl ti mo recurs o: i mpl orar. Damon, se eles nos deti verem, ou se fi zeremqualquer coi sa que i mpeça de encontrar a chave esta noi te — quando é que teremos outra chance?... E l a dei xou que el e s enti s s e s eu des es pero, s ua cul pa, até


o des ej o trai çoei ro que E l ena ti nha de es quecer tudo e dei xar que cada mi nuto a l evas s e mai s nes s a onda de ardor que el e cri ara. Damon, eu vou... di zer, se qui ser. Eu... estou i mplorando a você. E l ena podi a s enti r os ol hos ardendo enquanto as l ágri mas os i nundavam. Nada de lág ri mas. E l ena ouvi ra a voz tel epáti ca de Damon com grati dão. M as havi a al go es tranho al i . Não podi a s er fome bebera s eu s angue havi a pouco mai s de duas horas . E não era pai xão, pel o que el a podi a ouvi r — e s enti r — com cl areza de demai s . E ntretanto, a voz tel epáti ca de Damon era tão tens a de control e que era quas e as s us tadora. M ai s do que i s s o, el a s abi a que podi a s enti r que a as s us tava e que el e preferi ra não fazer nada a res pei to di s s o. Nenhuma expl i cação. Nenhuma expl oração também, percebeu el a enquanto des cobri a que, por trás de todo aquel e control e, a mente de Damon s e fechava i ntei ramente a el a. A úni ca coi s a que el a podi a comparar com a s ens ação que recebi a do control e de aço de Damon era dor. Dor que es tava próxi ma do i ns uportável . M as por quê?, perguntou-s e E l ena, i mpotente. O que l he provocari a uma dor des s as ?

***

E l ena não podi a perder tempo perguntando-s e o que havi a de errado com Damon. Canal i zou s eu Poder na audi ção e começou a ouvi r as portas abri ndo antes de os doi s entrarem. E nquanto ouvi a, uma nova i dei a s ubi tamente s e s ol i di fi cou na mente de E l ena e el a parou Damon no corredor es curo, tentando l he expl i car que ti po de s al a procuravam. O que, nos tempos modernos , s eri a chamado de es cri tóri o. Damon, fami l i ari zado com a arqui tetura de grandes mans ões , l evou-a,


depoi s de al guns fal s os começos , ao que era cl aramente o es cri tóri o da dona da cas a. Os ol hos de E l ena agora es tavam tão afi ados quanto os del e no es curo, e ambos procuravam s ob a l uz de uma úni ca vel a. E l ena fi cou frus trada depoi s de dar uma bus ca em uma mes a extraordi nári a com es cani nhos para gavetas s ecretas , s em achar nada, e Damon ol hava o corredor. — Ouvi al guém l á fora — di s s e el e. — Acho que es tá na hora de s ai rmos . M as E l ena ai nda procurava. E — s eus ol hos di s paravam pel a s al a — el a vi u uma pequena es cri vani nha com uma cadei ra anti quada e um s orti mento de canetas , de anti gas a modernas , exi bi ndo-s e em s uportes el aborados . — Vamos enquanto não há ni nguém — cochi chou Damon, i mpaci ente. — Si m — di s s e E l ena, di s traí da. — Tudo bem... E então el a vi u. Sem hes i tar nem por um s egundo, el a andou pel a s al a até a es cri vani nha e pegou uma pena, uma pl uma prateada e bri l hante. Não era uma pena autênti ca, é cl aro; era uma caneta-ti ntei ro fei ta para parecer el egante e anti ga — com uma pl uma. A caneta em s i era curvada para s e encai xar na mão e a madei ra pareci a quente. — E l ena, eu não acho mui to... — Damon, s hhhh — di s s e E l ena, i gnorando-o, abs orta demai s no que fazi a para real mente es cutar. E l a tentou es crever. Nada. Al go bl oqueava o cartucho. Depoi s , des atarraxar a caneta-ti ntei ro com cui dado, como s e fos s e recarregar o cartucho, e, o tempo todo, s eu coração bati a apres s ado e as mãos tremi am. Conti nue devagar... Não perca nada... Pel o amor de Deus , não dei xe que nada cai a nes s e es curo. As duas partes da caneta s e s epararam em s ua


mão... ... e s obre o tampo al mofadado verde-es curo da mes a cai u um pequeno pedaço de metal curvo e pes ado. Cabi a perfei tamente na parte mai s l arga da caneta. E l ena o ti nha na mão e notou que era s emel hante à caneta, antes que pudes s e dar uma boa ol hada nel e. M as então... Elena preci sava abri r a mão e ver. O pequeno obj eto em formato de l ua cres cente ofus cou s eus ol hos na l uz, mas era como a des cri ção que Bonni e dera a E l ena e M eredi th. Uma repres entação mi nús cul a de uma rapos a com um corpo ani mal e cabeça cravej ados de j ói as , exi bi ndo orel has achatadas . Os ol hos eram de pedras verdes e ci nti l antes . E s meral das ? — Al exandri ta — di s s e Damon, num s us s urro. — Segundo o fol cl ore, el es mudam de cor à l uz de vel as ou da l arei ra. E l es refetem a chama. E l ena, que es ti vera recos tada nel e, l embrou-s e, com um l eve arrepi o, que os ol hos de Damon refl eti ram a chama quando el e es teve pos s uí do: a chama vermel ho-s angue do mal ach — da cruel dade de Shi ni chi . — E ntão — perguntou Damon —, como fez i s s o? — E s ta é mes mo uma das duas partes da chave de rapos a? — Bom, não é al go que pertença a uma caneta-ti ntero. Um bri nde? M as você foi di reto a el a no momento em que entramos na s al a. Até os vampi ros preci s am de tempo para pens ar, mi nha preci os a pri nces a. E l ena deu de ombros . — Na verdade foi bem fáci l . Quando percebi que todas aquel as chaves de harpa não s ervi am, perguntei a mi m mes ma que outro i ns trumento s e achava na cas a de al guém. Uma caneta é um i ns trumento de es cri ta. E ntão s ó ti ve de des cobri r s e Lady Fazí na ti nha um es túdi o ou es cri tóri o. Damon s ol tou a res pi ração. — M as que di abos , es perti nha. Sabe o que es ti ve procurando? Al çapões .


E ntradas s ecretas para mas morras . O úni co outro i ns trumento em que eu pude pens ar foi um “i ns trumento de tortura”, e você s e s urpreenderi a ao ver quantos del es achari a nes ta bel a ci dade. — M as não na cas a dela...! — A voz de E l ena s e el evou peri gos amente e os doi s fi caram em s i l ênci o por um s egundo para pens ar, es cutando, em s us pens o, s e havi a al gum ruí do no corredor. Não havi a nenhum. E l ena s ol tou a res pi ração. — Rápi do! Onde, onde fi cará em s egurança? — E l a des cobri u uma fal ha no ves ti do de deus a: não havi a l ugar nenhum onde es conder nada. Teri a de fal ar com Lady Ul ma s obre i s s o da próxi ma vez. — No fundo do bol s o do meu j eans — di s s e Damon, parecendo es tar tão trémul o e apres s ado quanto E l ena. Quando meteu a chave no fundo do bol s o do j eans Armani preto, Damon pegou as mãos de E l ena. — E l ena! Você percebe? Cons egui mos . Nós fi nal mente cons egui mos ! — E u s ei ! — Lágri mas es corri am dos ol hos de E l ena e toda a mús i ca de Lady Fazi na pareci a cres cer em um acorde úni co e perfei to. — Cons egui mos j untos ! E , de al gum modo — como todos os outros “al guns modos ” que es tavam s e tornando um hábi to entre el es —, E l ena es tava nos braços de Damon, pas s ando os própri os braços s ob a j aqueta del e para s enti r s eu cal or, s ua s ol i dez. E l a tampouco s e s urpreendeu ao s enti r uma dupl a pontada no pes coço quando tombou a cabeça para trás : s ua l i nda pantera real mente era pouco domes ti cada e preci s ava aprender al gumas l i ções bás i cas de eti queta em encontros ; por exempl o, bei j ar antes de morder. E l e j á ti nha di to que es tava com fome, l embrou-s e E l ena, e el a o i gnorou, enfei ti çada demai s com a caneta de prata para as s i mi l ar as pal avras .


M as agora as as s i mi l ou, e compreendeu — a não s er o moti vo de el e parecer tão excepci onal mente fami nto es ta noi te. Tal vez até... fami nto em exces s o. Damon, pens ou el a com genti l eza, você está bebendo mui to. E l a não s enti a res pos ta, apenas a fome rude da pantera. Damon, i sso pode ser peri g oso... Para mi m. Des ta vez E l ena pôs o máxi mo de Poder que pôde nas pal avras que envi ara. Ai nda nenhuma res pos ta de Damon, e el a agora fl utuava, i mers a na es curi dão. E i s s o l he deu uma vaga i dei a. Cadê você? Está aí ?, chamou el a, procurando pel o garoti nho. E então el a o vi u, acorrentado ao rochedo, enros cado cor uma bol a, com os punhos cobri ndo os ol hos . O que foi ?, perguntou E l ena de pronto, fl utuando para perto del e, preocupada. Ele está machucando! Está machucando! Você estáferi do? Mostre-me, di s s e E l ena. Não. Ele está machucando você! Pode te matar! Calma. Calma. E l a tentou ani nhá-l o. Temos que obri g á-lo a nos ouvi r! Tudo bem, di s s e E l ena. E l a real mente s e s enti a es tranha e fraca. M as s e vi rou, j unto com a cri ança, e gri tou s em voz: Damon! Por favor! Elena di sse para parar! E aconteceu um mi l agre. E l a e a cri ança s enti ram. As pres as começaram a s e afas tar. A i nterrupção do fl uxo de energi a de E l ena para Damon. E , i roni camente, o mi l agre começou a afas tá-l a da cri ança, com quem el a queri a mui to fal ar. Não! Espere! , E l ena tentou di zer a Damon, agarrando-s e às mãos da cri ança com a mai or força que pôde, mas es tava s endo catapul tada para a


cons ci ênci a, como s e l evada por um furacão. A es curi dão des apareceu. E m s eu l ugar havi a uma s al a, i l umi nada demai s , s ua úni ca vel a ardendo como um hol ofote apontado para el a. E l ena fechou os ol hos e s enti u o cal or e o pes o de um Damon corpóreo em s eus braços . — Des cul pe! E l ena, cons egue fal ar? Não percebi o quanto... — Havi a al go de errado na voz de Damon. Depoi s el a entendeu. As pres as del e não ti nham s e retraí do. O quê...? E s tava tudo errado. E l es es tavam tão fel i zes , mas ... M as agora o braço di rei to de E l ena pareci a mol hado. E l ena s e afas tou compl etamente de Damon, ol hando os braços , vermel hos de al go que não era ti nta. E l a ai nda es tava emoci onada demai s para fazer as perguntas certas . Des l i zou para trás de Damon e ti rou s ua j aqueta de couro preta. Na l uz bri l hante, el a pôde ver s ua cami s a de s eda preta arrui nada por vári as l i nhas de s angue s eco, parci al mente s eco, ou ai nda úmi do. — Damon! — A pri mei ra reação de E l ena foi de pavor, s em cul pa ou compreens ão. — O que houve? Você s e meteu numa ri ga? Damon, me di g a! E al go em s ua mente s e apres entou a el a com um número. E l a aprendera a contar bem cedo. Na real i dade, antes de s eu pri mei ro ani vers ári o el a aprendeu a contar até dez. As s i m, E l ena ti nha 17 anos chei os de aprendi zado para contar o número de cortes i rregul ares , fundos , que ai nda s angravam nas cos tas de Damon. Dez. E l ena ol hou os própri os braços ens anguentados e o ves ti do da deus a, que agora era aterrori zante, porque s ua brancura pura de l ei te es tava marcada de vermel ho vi vo. Um vermel ho que devi a s er o s angue dela. Um vermel ho do que devi am parecer gol pes de es pada nas cos tas de Damon enquanto el e canal i zava a dor e


as marcas da Noi te da Di s ci pl i na de E l ena para el e. E el e me carregou para cas a. A i dei a apareceu fl utuando, do nada. Sem di zer uma pal avra. E u nunca s aberi a... E el e ai nda não ti nha s e curado. Será que um di a s e curari a? Foi quando el a começou a gri tar em todas as frequênci as pos s í vei s .


29 Al guém tentava fazê-l a beber de um copo. O ol fato de E l ena es tava tão aguçado que el a j á s enti a o gos to — era o vi nho Bl ack M agi c. E el a não queri a aqui l o! Não! E l ena cus pi u. E l es não a obri gari am a beber. — Mon enfant, é para o s eu bem. Agora beba. — E l ena vi rou a cabeça. Senti u a es curi dão e o furacão preci pi tando-s e para pegá-l a. Si m. Is s o era mel hor. Por que não a dei xavam em paz? No mai s fundo fos s o da comuni cação, um garoti nho es tava com el a no es curo. E l a s e l embrava del e, mas não de s eu nome. E l ena es tendeu os braços e el e vei o, e pareci a que s uas correntes eram mai s l eves do que... Quando? Antes . Is s o era tudo o que cons egui a l embrar. Você está bem?, s us s urrou el a para a cri ança. Al i embai xo, no cerne da comunhão, um s us s urro era um gri to. Não chore. Sem lág ri mas, pedi u el e, mas as pal avras a l embravam de al go em que E l ena não s uportava pens ar, e el a pôs os dedos nos l ábi os del e, s i l enci ando-o genti l mente. Al to demai s , uma voz exteri or chegou num trovão: — E ntão, mon enfant, você deci di u s e tornar une vampi re encore une foi s. É o que está havendo?, s us s urrou el a para a cri ança. Estou morrendo de novo? Para me tornar vampi ra? Não sei ! , excl amou a cri ança. E u não s ei de nada. E l e es tá com rai va. E u tenho medo. Sag e não vai machucá-lo, prometeu E l ena. Ele j á é umvampi ro e é seu ami g o. Não é Sag e... Então de quemvocê temmedo? Se você morrer de novo, vou fi car preso nas correntes. A cri ança l he mos trou uma i magem l amentável de s i mes ma coberta por vári as pes adas correntes . Na boca, uma mordaça. Os braços nas l aterai s do corpo e as pernas pres as na bol a. Al ém di s s o, as correntes ti nham es porões , para que o s angue es corres s e onde


furas s e a carne maci a da cri ança. Quem fari a uma coi sa dessas?, excl amou E l ena. Vou fazê-lo desej ar j amai s ter nasci do. Di g a quemvai fazer i sso! A cri ança es tava tri s te e perpl exa. Eu farei , di s s e el e com tri s teza. Ele fará. Ele / eu. Damon. Porque teremos matado você. Mas se não é culpa dele... Nós teremos. Teremos. Mas talvez eu morra, o médi co di sse... Houve um cl aro tom de es perança nes ta úl ti ma fras e. Is s o fez E l ena s e deci di r. Se Damon não es tava pens ando com cl areza, tal vez el a não es ti ves s e pens ando com cl areza também, raci oci nou l entamente. Tal vez... Tal vez el a deves s e fazer o Sage queri a. E o Dr. M eggar. E l a podi a di s cerni r a voz del e como s e através de uma névoa dens a. — ... bem, você trabal hou a noi te toda. Dê uma chance a mai s al guém. Si m... A noi te toda. E l ena não queri a acordar de novo e ti nha uma vontade poderos a. — Tal vez trocar de l ado? — s ugeri a al guém... Uma meni na... Uma j ovem... De voz pequena, mas também de vontade forte. Bonni e. — E l ena... É M eredi th. Pode s enti r que s eguro s ua mão? — Uma paus a, depoi s mui to mai s al to, ani mada: — Ei , ela apertou mi nha mão! Vi ram? Sage, di ga a Damon para vi r aqui rápi do. Vagando... — Beba um pouco mai s , E l ena. E u s ei , eu s ei , você es tá enj oada di s s o. M as beba un peu por mi ni , es tá bem? Vagando... — Três bon, mon enfant! Mai ntenant, que tal um pouco de l ei te? Damon acha que você pode conti nuar humana s e beber l ei te. E l ena ti nha duas i dei as a res pei to di s s o. Uma era que s e el a bebes s e


mai s de qualquer coi sa, i ri a expl odi r. Outra era que el a não i a fazer nenhuma promes s a boba. E l a tentou fal ar, mas s ai u um fi apo de s us s urro: — Di ga a Damon... que não vou me l evantar s e el e não l i bertar o garoti nho. — Quem? Que garoti nho? — E l ena, meu bem, todos os garoti nhos des ta cas a s ão l i vres . M eredi th: — Por que não dei xa que el a di g a a el e? Dr. M eggar: — E l ena, Damon es tá bem aqui no s ofá. Vocês doi s es ti veram mui to doentes , mas vão fi car bem. Vej a, E l ena, podemos mover a mes a de exames para que você fal e com el e. Pronto, agora pode fal ar. E l ena tentou abri r os ol hos , mas tudo era de uma l uz feroz. E l a res pi rou e tentou de novo. Ai nda bri l hante demai s . E el a não s abi a como es curecer mai s s ua vi s ão. E l a fal ou com os ol hos fechados para a pres ença que s enti a di ante del a: Não posso dei xá-lo sozi nho de novo. Especi almente se você vai enchê-lo de correntes e amordaçá-lo. Elena, di s s e Damon, trémul o, eu não ti ve uma vi da boa. Mas nunca ti ve escravos, eu j uro. Perg unte a qualquer um. E eu não fari a i sso comuma cri ança. Vocêfez e eu sei o nome dele. Sei que só o que ele temég enti leza, bondade, caráter... e medo. O trovão da voz de Sage —... dei xando-a agi tada... O murmúri o mai s al to da voz de Damon: — E u sei que el a es tá fora de s i , mas ai nda prefi ro s aber o nome des s e garoti nho a quem pos s o ter fei to i s s o. Por que i s s o a dei xa agi tada? M ai s trovões , depoi s : — M as não pos s o s ó perguntar a el a? Pel o menos pos s o me l i vrar des s as acus ações . — Depoi s , em voz al ta: — E l ena? Pode me di zer que cri ança eu


s upos tamente torturei ? E l a es tava tão cans ada. M as res pondeu em voz al ta, s us s urrando: — O nome del e é Damon, é cl aro. E o s us s urro exaus to de M eredi th: — Ah, meu Deus . E l a es tava di s pos ta a morrer por uma metáfora.


30 M att ol hava a Sra. Fl owers revi rar o di s ti nti vo do xeri fe M os s berg, s egurando-o l evemente em uma das mãos e pas s ando os dedos nel e com a outra. O di s ti nti vo vi nha de Rebecca, a s obri nha do xeri fe M os s berg. Pareci a uma grande coi nci dênci a M att es barrar nel a mai s cedo. E l e l ogo percebeu que el a es tava us ando uma cami s a de homem como ves ti do. A cami s a era fami l i ar — uma cami s a do xeri fe de Ri dgemont. Depoi s el e vi u o di s ti nti vo ai nda pres o nel a. Havi a vári as coi s as a fal ar s obre o xeri fe M os s berg, mas era i mpos s í vel i magi nar que el e perderi a o di s ti nti vo. M att s e es quecera de toda educação e arrebanhou o pequeno es cudo de metal antes que Rebecca pudes s e i mpedi -l o. Senti a um i ncômodo na boca do es tômago, que s ó pi orou des de então. A expres s ão da Sra. Fl owers não aj udava em nada para reconfortá-l o. — Não es teve em contato di reto com a pel e del e — di s s e el a s uavemente —, então as i magens s ão mei o nebul os as . M as ah, meu queri do M att — el a ergueu os ol hos es cureci dos para el e —, es tou com medo. — E l a tremeu, s entando-s e na cadei ra da mes a da cozi nha, onde duas canecas de l ei te quente es tavam i ntocadas . M att deu um pi garro e tocou o l ei te es cal dante com os l ábi os . — Acha que preci s amos s ai r para dar uma ol hada? — Devemos — di s s e a Sra. Fl owers . E l a bal ançou a cabeça, com s eus cachos maci os e fi nos , tri s temente. — A queri da mama es tá i ns i s ti ndo mui to, e pos s o s enti r i s s o também; uma grande perturbação nes te artefato. M att s enti u a mai s l eve s ombra de orgul ho ti ngi ndo s eu medo por ter garanti do es s e “artefato” — depoi s pens ou, ah, tá, roubar di s ti nti vos de cami s as de meni nas de 12 anos é mes mo moti vo de orgul ho. A voz da Sra. Fl owers vei o da cozi nha:


— É mel hor ves ti r al gumas cami s as e s uéteres e um par di s to aqui . — E l a entrou de l ado pel a porta da cozi nha, s egurando vári os cas acos compri dos , aparentemente vi ndos do armári o frente da porta da cozi nha, e vári os pares de l uvas de j ardi nagem. M att l evantou para aj udá-l a com a braçada de cas acos e teve uma cri s e de tos s e com o chei ro de naftal i na e de... mai s al guma coi s a, al go pi cante — que o cercava. — Por que... parece... Natal ? — di s s e el e, obri gado a tos s i r entre uma pal avra e outra. — Ah, ora, es ta s eri a a recei ta de cons ervação da ti a-avó M orwen — res pondeu a Sra. Fl owers . — Al guns des s es s ão do tempo da mi nha mãe. M att acredi tou nel a. — M as ai nda es tá quente l á fora. Por que temos que tantos cas acos ? — Para proteção, queri do M att, para proteção! E s tas roupas têm fei ti ços que vão nos proteger do mal . — Até as l uvas de j ardi nagem? — perguntou M att, perdi do. — Até as l uvas — di s s e a Sra. Fl owers com fi rmeza. E l a parou e di s s e numa voz bai xa: — E é mel hor pegarmos al gumas l anternas , M att queri do, porque i s to é al go que vamos ter que fazer no es curo. — E s tá bri ncando! — Não, i nfel i zmente não es tou. E preci s amos l evar uma corda para nos amarrarmos . E m hi pótes e nenhuma devemos entrar no bos que à noi te. Uma hora depoi s , M att ai nda refl eti a. Não es tava com fome na hora do j antar. A Sra. Fl owers preparara beri ngel a grel hada aufromag e da Sra. Fl owers , e as engrenagens de s eu cérebro não pararam de gi rar. Será que é as s i m que E l ena s e s ente, pens ou el e, quando es tá bol ando s eus Pl anos A, B e C? Será que el a s e acha uma i di ota quando faz i s s o?


E l e s enti u um aperto no coração e, pel a mi l és i ma vez des de que dei xou E l ena e Damon, perguntou-s e s e agi u corretamente. Tem de s er, di s s e el e a s i mes mo. Doí a mui to, e es ta era a prova di s s o. As coi s as que real mente doí am eram as ati tudes certas . M as eu queri a ter me des pedi do del a... M as s e você ti ves s e s e des pedi do, nunca teri a i do embora. E ncare a real i dade, i mbeci l . Para E l ena, você é o mai or mané do mundo. Des de que el a encontrou um namorado de quem gos ta mai s , você anda agi ndo como s e fos s e M eredi th e Bonni e, aj udando-a a fi car com el e e s e afas tar do Cara M au. Tal vez vocês todos deves s em us ar cami s etas com os di zeres Sou um cachorri nho. Mi -tlha dona é a pri ncesa Ele... SMACK! M att s e col ocou de pé num s al to e cai u agachado, o que era mai s dol oros o do que pareci a nos fi l mes . Tec-tec-tec! E ra a pers i ana frouxa do outro l ado da s al a. M as o pri mei ro barul ho foi uma pancada. O exteri or do pens i onato es tava em pés s i mo es tado, e às vezes as pers i anas de madei ra s e s ol tavam de repente de s eus pregos . M as s eri a apenas uma coi nci dênci a?, pens ou M att, as s i m que s eu coração s e acal mou. Nes te pens i onato onde Stefan pas s ou tempo? Tal vez de al gum modo ai nda houves s e res quí ci os de s eu es pí ri to por aqui , captando o que as pes s oas pens avam dentro des s as s al as . Se fos s e as s i m, M att ti nha acabado de l evar um murro no pl exo s ol ar, a j ul gar pel o que s enti a. Des cul pe, ami go, pens ou el e, quas e di zendo i s s o em voz al ta. E u não pretendi a cri ti car s ua garota. E l a es tá s ob mui ta pres s ão. Cri ti car a garota del e? Cri ti car E l ena? M as que i nferno, el e era a pri mei ra pes s oa a bater em qual quer um que cri ti cas s e E l ena. Des de que Stefan não us as s e truques de vampi ro para


entrar na bri ga pri mei ro! E o que E l ena s empre di zi a mes mo? Nunca s e es tá real mente preparado. Nenhum pl ano res erva é demai s , porque, as s i m como Deus fez uma cas ca i rri tante em vol ta de um amendoi m, s eu pl ano pri nci pal s empre terá al gumas fal has . E ra por i s s o que E l ena também trabal hava com o mai or número de pes s oas pos s í vel . M es mo que os trabal hadores extras j amai s preci s as s em s e envol ver, el es es tavam al i para o cas o de s erem neces s ári os . Pens ando ni s s o, e com a cabeça funci onando mui to mel hor des de que vendeu o Pri us e deu o di nhei ro de Stefan a Bonni e e M eredi th para as pas s agens de avi ão, M att s e entregou ao trabal ho. — E depoi s demos um pas s ei o pel a propri edade e vi mos o pomar de maçãs , o l aranj al e as cerej ei ras — Bonni e contou E l ena, que es tava dei tada, parecendo pequena e i ndefes a em s ua cama de bal daqui no, coberta por corti nas douradas es curas que agora es tavam abertas e pres as por cordões de s eda em vári os tons de dourado. Bonni e es tava s entada confortavel mente em uma pol trona dourada que ti nha s i do arras tada até a cama. Ti nha os pezi nhos des cal ços nos l ençói s . E l ena não era uma boa paci ente. Queri a s e l evantar e não parava de i ns i s ti r. Queri a poder andar. Sabi a que i s s o fari a mai s bem a el a do que toda a avei a, carne, l ei te e ci nco vi s i tas por di a de Dr. M eggar, que pas s ou a morar na propri edade. M as el a s abi a o que todos temi am. Bonni e ti nha s ol tado tudo em um gemi do s ol uçante e tri s tonho numa noi te, quando a rui vi nha es tava de s ervi ço ao l ado de E l ena. — V-você gri tou e todos os v-vampi ros ouvi ram, e Sage pegou M eredi th e eu como duas gati nhas , uma em cada braço, e correu até os gri tos . M as n-na


hora prati camente todos

ti nham

chegado a você pri mei ro!

Você es tava

i ncons ci ente, e Damon também, e al guém di s s e, “E l es foram at-atacados e eu ach-cho que es tão mortos !” e todo m-mundo d-di zi a, “Chamem os Guardi ões !” E eu des mai ei . — Shhhh — di s s era E l ena com genti l eza... e as túci a. — Beba um pouco de Bl ack M agi c e vai s e s enti r mel hor. Bonni e obedeceu. E bebeu um pouco mai s . Depoi s conti nuou com a hi s tóri a: — M as Sage devi a s aber de al guma coi s a, porque di s s e: “E s perem, eu s ou médi co e vou exami ná-l os .” E todos acredi taram nel e, pel o modo como fal ou! “Depoi s el e ol hou os doi s , e acho que el e s oube no ato o que ti nha aconteci do, porque di s s e, ' Preparem uma carruagem! Preci s o l evá-l os ao Dr. M eggar, meu col ega.’ E Lady Fazi na em pes s oa apareceu e di s s e que podí amos us ar uma das carruagens del a, mandando de vol ta quando ququi s es s em. E l a é tããão ri ca! E aí , l evamos vocês pel os fundos porque... ti nha u m a s creti nas que di s s eram: el es que morram. E l as eram demôni os de verdade, brancas pra caramba, conheci das como M ul heres de Neve. E aí , es távamos na carruagem e, ai , meu Deus ! E l ena! E l ena, você morreu! Você parou de res pi rar duas vezes ! E Sage e M eredi th tentaram ani má-l a. E eu... E u rezei t-t-tanto.” A es s a al tura E l ena es tava total mente i mers a na hi s tóri a e ani hara a ami ga, mas as l ágri mas de Bonni e conti nuaram vi ndo. — E nós batemos na cas a do Dr. M eggar como s e fôs s emos derrubar a porta... E ... al guém fal ou com el e... E l e exami nou você e di s s e “E l a preci s a de uma trans fus ão”. E eu di s s e “Us e o meu s angue”. Porque l embra na es col a, quando apenas nós duas podí amos doar s angue a Jody Wri ght porque


tí nhamos o mes mo ti po? E depoi s o Dr. M eggar preparou duas mes as as s i m. — Bonni e es tal ou os dedos — e eu es tava com tanto medo que mal cons egui fi car parada para a agul ha, mas acabei cons egui ndo. E u cons egui , de al gum j ei to! E el es deram um pouco do meu s angue a você. E , enquanto i s s o, s abe o que M eredi th fez? E l a dei xou Damon mordê-l a. Dei xou mes mo. E o Dr. M eggar mandou a carruagem de vol ta à cas a para pedi r cri ados que “qui s es s em uma boni fi cação”, porque é as s i m que s e chama aqui ... E a carru — agem vol tou chei a. Não s ei quantos Damon mordeu, mas foram mui tos ! O Dr. M eggar di s s e que era o mel hor remédi o. E M eredi th, Damon e todos n��s convencemos o Dr. M eggar a vi r para cá, quero di zer, para morar aqui , e Lady Ul ma vai trans formar todo o prédi o em que el e morava num hos pi tal para os pobres . E des de então es tamos tentando fazer você mel horar. Damon mel horou l ogo na manhã s egui nte. E Lady Ul ma, Lucen e el e... Quero di zer, foi i dei a del es , mas el e fez, mandou uma pérol a a Lady Fazi na... E ra do pai del a, que nunca achou uma cl i ente ri ca o bas tante para comprar, porque é grande demai s , do tamanho de um punho, mas i rregul ar, com umas vol tas , e tem um bri l ho de prata. E l es a col ocaram numa corrente gros s a e mandaram para el a. Os ol hos de Bonni e es tavam chei os de novo. — Porque el a salvou você e Damon. A carruag emdela salvou a vi da de vocês . — Bonni e ti nha s e i ncl i nado para a frente par s us s urrar: — E M eredi th me di s s e... É um s egredo, mas não para você... Ser mordi da não é tão rui m as s i m. Pronto! — E Bonni e, como a gati nha que era, bocej ou e s e es pregui çou. — E u teri a s i do mordi da depoi s — di s s e el a, quas e com tri s teza, e l ogo acres centou: — M as você preci s ava do meu s angue. Sangue humano, mas o meu es peci al mente. Acho que el es s abem tudo s obre ti pos s anguí neos por aqui , porque cons eguem i denti fi cá-l os pel o gos to e pel o chei ro. — Depoi s


el a deu um pul i nho e di s s e: — Quer ol har a metade da chave de rapos a? Tí nhamos tanta certeza de que es tava tudo acabado e que j amai s acharí amos , quando M eredi th foi ao quarto para s er mordi da... E eu garanto que foi s ó i s s o que el es fi zeram... Damon deu a chave a el a e pedi u que el a guardas s e. E ntão el a guardou e toma conta del a di rei ti nho, e es tá numa pequena cai xa que Lucen fez de al guma coi s a que parece pl ás ti co mas não é. E l ena ti nha admi rado o pequeno cres cente, mas a não s er por i s s o, não havi a nada a fazer na cama a não s er convers ar e l er uns cl ás s i cos ou al gumas enci cl opédi as da Terra. E l es nem a dei xaram des cans ar no mes mo quarto de Damon. E l ena s abi a o moti vo. Ti nham medo de que el a não s e l i mi tas s e a convers ar com Damon. Ti nham medo de que el a fi cas s e perto del e e s enti s s e s eu chei ro exóti co e fami l i ar, compos to de bergamota i tal i ana, tangeri na e cardamomo, e que s e el a ol has s e em s eus ol hos negros capazes de comportar uni vers os em s uas pupi l as , s eus j oel hos podi am fraquej ar e el a des pertari a como vampi ra. E l es não s abi am de nada! E l a e Damon trocaram s angue com s egurança durante s emanas antes da cri s e. Se não houves s e nada que o trouxes s e de vol ta à s ani dade, como a dor fi zera antes , el e s e comportari a como um perfei to caval hei ro. — Hmmmm — di s s e Bonni e, depoi s de ouvi r os protes tos de E l ena, empurrando um traves s ei ri nho com os dedos dos pés , as unhas pi tadas de prata. — Tal vez eu não deva contar a el es que você andou trocando s angue com Damon recentemente. Pode s er que el es di gam “Arrá!” ou coi s a pareci da. Sabe como é, podem i nterpretar i s s o errado. — Não há nada para i nterpretar. E s tou aqui para res gatar meu amado Damon e Stefan es tá me aj udando.


Bonni e a ol hou com as s obrancel has uni das e a boca num bi co, mas não s e arri s cou a di zer nada. — Bonni e? — Hei n? — E u acabei de di zer o que acho que di s s e? — Arrã. E l ena, em um s ó movi mento, pegou al guns traves s ei ros e os col ocou s obre a cabeça. — Pode, por favor, di zer ao cozi nhei ro que quero outro bi fe e um copo de l ei te grande? — pedi u el a numa voz abafada pel os traves s ei ros . — Não me s i nto bem.

***

M att ti nha uma nova l ata-vel ha. Sempre acabava com um carro des s es quando real mente preci s ava. E agora es tava di ri gi ndo, aos trancos e barrancos , para a cas a de Obaas an. A cas a da Sra. Sai tou, corri gi u-s e el e apres s adamente. Não queri a s e i ntrometer em cos tumes cul turai s des conheci dos , não quando i a pedi r um favor. A porta da cas a dos Sai tou foi aberta por uma mul her que M att nunca vi ra na vi da. E ra atraente, es tava ves ti da mui to dramati camente com uma s ai a es carl ate l arga — ou tal vez com cal ças es carl ates mui to l argas — e s e pos tava com os pés tão s eparados que era di fí ci l ter certeza. E s tava com uma bl us a branca. As fei ções eram i mpres s i onantes : doi s fei xes de cabel o preto e l i s o emol duraram o ros to e um fei xe menor e mai s el egante de mechas que chegavam às s obrancel has .


M as o mai s i mpres s i onante era que el a s egurava uma es pada l onga e curvada, apontada di retamente para M att. — O-oi — di s s e M att, quando a porta s e abri u e revel ou es ta apari ção. — E s ta é uma cas a do bem — res pondeu a mul her. — Não é uma cas a de es pí ri tos maus . — Nunca pens ei que fos s e — di s s e M att, afas tando-s e enquanto a mul her avançava. — Si nceramente. A mul her fechou os ol hos , parecendo procurar al go em s ua mente. Depoi s , de repente, bai xou a es pada. — Você fal a a verdade. Não tem i ntenção de fazer o mal . E ntre, por favor. — Obri gado — di s s e M att. E l e nunca fi cou tão fel i z com a acei tação de uma mul her mai s vel ha. — Ori me — vei o uma voz fi na e fraca do s egundo andar. — É uma das cri anças ? — Si m, Hahawe — di s s e a mul her que M att não cos egui a dei xar de pens ar como “a mul her da es pada”. — M ande-o s ubi r, s i m? — Cl aro, Hahawe. — Ha ha... quer di zer, “Hahawe”? — di s s e M att, trans formando um ri s o nervos o numa fras e des es perada enquanto a es pada era embai nhada na ci ntura da mul her. — Não é Obaas an? A mul her-es pada s orri u pel a pri mei ra vez. — Obaasan s i gni fi ca avó. Hahaw e é uma das manei ras de s e di zer mãe. M as el a não s e i mportará s e você a chamar de Obaas an; é uma s audação s i mpáti ca para uma mul her da i dade del a. — Tudo bem — di s s e M att, s e es forçando para parecer ami s tos o. A Sra. Sai tou fez s i nal para el e s ubi r a es cada, e M att es pi ou em vári os


quartos antes de entrar em um com um grande futon bem no mei o de um pi s o compl etamente nu, e nel e uma mul her tão pequena como uma boneca, que não pareci a real . Seu cabel o era maci o e preto como o da mul her da es pada. E s tava arrumado de modo que caí a como um hal o em vol ta da i dos a dei tada na cama. M as os cí l i os es curos no ros to pál i do es tavam fechados , e M att s e perguntou s e el a caí ra num daquel es s onos repenti nos , tí pi co de s enhoras de i dade avançada. M as , abruptamente, a i dos a-boneca abri u os ol hos e s orri u. — Ora, é M as ato-chan! — di s s e el a, ol hando para M att. Um mau começo. Se el a es tava confundi ndo um j ovem l ouro com um ami go j aponês de uns s es s enta anos atrás ... M as depoi s el a ri u, cobri ndo a boca com as mãozi nhas . — E u s ei , eu s ei — di s s e el a. — Você não é M as ato. E l e agora é um banquei ro mui to ri co. Tem mui ta abundânci a. E s peci al mente na cabeça e na barri ga. E l a s orri u novamente para M att. — Sente-s e, por favor. Pode me chamar de Obaas an, s e qui s er, ou de Ori me. M i nha fi l ha tem o meu nome. A vi da tem s i do dura para el a, as s i m como foi para mi m. Ser uma donzel a do s antuári o... e uma s amurai ... requer di s ci pl i na e mui to trabal ho. E mi nha Ori me es tava s e s ai ndo mui to bem... Até vi rmos para cá. Procurávamos uma ci dade pací fi ca e tranqui l a, mas aí , Is obel conheceu... Ji m. E Ji m foi ... i nfi el . M att teve o i mpul s o de defender o ami go, mas o que el e poderi a di zer? Ji m pas s ou uma noi te com Carol i ne — por pres s ão del a, é cl aro. E el e fi cou pos s uí do e l evou a pos s es s ão para a namorada Is obel , que perfurou o corpo de modo bi zarro — entre outras coi s as .


— Temos que encontrá-l os — M att s e vi u di zendo com s i nceri dade. — Foram os ki ts une que começaram tudo... com Carol i ne. Shi ni chi e s ua i rmã, M i s ao. — Ki ts une. — Obaas an as s enti u. — Si m, des de o i ní ci o eu di s s e que provavel mente haveri a um envol vi do. Dei xe-me ver; abençoei al guns tal i s mãs e amul etos para s uas ami gas ... — E al gumas bal as . E s tou mei o com os bol s os chei os del a di s s e M att, cons trangi do, enquanto col ocava um monte de bal as de di ferentes cal i bres na bei ra da coberta do futon. — Até umas orações na i nternet para me proteger del es . — Si m, vej o que não perdeu tempo. Que bom. — Obaas an ol hou as orações que el e i mpri mi ra. M att s e encol heu, s abendo que ti nha apenas s egui do a l i s ta de afazeres de M eredi th e que o crédi to na real i dade era del a. — Vou abençoar pri mei ro as bal as e depoi s es creverei amul etos — di s s e el a. — Col oque-os onde preci s ar de mai s protecão. E , bem, i magi no que s ai ba o que fazer com as bal as . — Si m, s enhora! — M att procurou as úl ti mas nos bol s os , col ocando-as nas mãos es tendi das de Obaas an. Depoi s el a entoou uma l onga e compl i cada oração, col ocando as mãos mi nús cul as s obre as bal as . M att não achou o encantamento as s us tador, mas el e ti nha cons ci ênci a de que era uma negação como paranormal e que Bonni e provavel mente veri a e ouvi ri a coi s as que el e não podi a ver e ouvi r. — Devo me concentrar em al guma parte es pecí fi ca del es ? — perguntou M att, ol hando a vel ha e tentando acompanharem s ua cópi a das orações . — Não, qual quer parte do corpo ou da cabeça s erve. Se ti rar uma cauda, vai torná-l os mai s fracos , mas vai enfurecê-l os também. — Obaas an parou e tos s i u, uma tos s e rápi da e s eca. Antes que M att pudes s e s e oferecer para


des cer e pegar-l he al go para beber, a Sra. Sai tou entrou no quarto s egurando uma bandej a com três pequenas xí caras de chá. — Obri gada por es perar — di s s e el a, educada ao s e aj oel har tranqui l amente para s ervi -l os . Ao pri mei ro gol e, M att des cobri u que o chá verde e fumegante era mui to mel hor do que es perava, cons i derando s uas poucas experi ênci as em res taurantes . E fez-s e s i l ênci o. A Sra. Sai tou es tava s entada, ol hando a xí cara de chá, Obaas an dei tava-s e branca e murcha s ob a coberta do futon, e M att s enti u uma tempes tade de pal avras formando-s e em s ua garganta. Por fi m, embora o bom-s ens o o acons el has s e a não fal ar, el e não res i s ti u e s ol tou. — M eu Deus , eu s i nto tanto por Is obel , Sra. Sai tou! E l a não mereci a nada di s s o! E u s ó queri a que a s enhora s oubes s e que eu... E u s i nto mui to, e vou pegar os ki ts une que fi zeram i s s o. E u l he prometo, eu vou pegá-l os ! Ki ts une? — di s s e a Sra. Sai tou i nci s i vamente, ol hando-o como s e el e ti ves s e enl ouqueci do. Obaas an ol hou api edada de s eu traves s ei ro. Depoi s , s em es perar para recol her as coi s as do chá, a Sra. Sai tou s e col ocou de pé num s al to e s ai u às pres as do quarto. M att fi cou s em pal avras . — E u... E u... Obaas an fal ou do traves s ei ro. — Não fi que tão afl i to, meu j ovem. M i nha fi l ha, embora s ej a s arcedoti s a, tem uma pers pecti va mui to moderna. E l a provavel mente l he di ri a que os ki ts une não exi s tem. — M es mo depoi s ... Quero di zer, como el a acha que Is obel ...? — E l a acredi ta que há i nfl uênci as mal i gnas nes ta ci dade, mas ti po “comum, humano”. E l a acha que Is obel fez o que fez devi do ao es tres s e que


s uportava, tentando s er uma boa al una, uma boa s acerdoti s a, uma boa s amurai . — Quer di zer que a Sra. Sai tou s e s ente cul pada? — E l a cul pa o pai de Is obel por grande parte di s s o. E l e trabal ha no Japão. — Obaas an s e i nterrompeu. — Não s ei por que es tou l he contando tudo i s s o. — Des cul pe — di s s e M att apres s adamente. — Não era mi nhat i ntenção s er i ntrometi do. — Não, mas você s e i mporta com os outros . Queri a que Is obel ti ves s e dado a l uz a um meni no como você, em vez da fi l ha del a. M att pens ou na fi gura depl orável que vi ra no hos pi tal . A mai ori a das ci catri zes de Is obel acabari a i nvi s í vel s ob as roupas . Supondo-s e que el a aprendes s e a fal ar de novo. Reuni ndo coragem, el e di s s e: — Bom, es tou preparado para pegar os doi s . Obaas an deu um s orri s o para el e, depoi s col ocou a cabeça no traves s ei ro novamente. — não, era um apoi o de madei ra, percebeu M att. Não pareci a mui to confortável . — É uma pena haver uma ri xa entre uma famí l i a humana e os ki ts une — di s s e el a. — Porque há boatos de que um de nos s os ances trai s foi cas ado com uma ki ts une. — O quê? Obaas an ri u, novamente es condendo a boca nas mãos . — Mukashi -mukashi , ou, como vocês di zem, há mui to tempo. Di z a l endas que um grande Shogun fi cou furi os o com todos os ki ts une de s uas terras pel o mal que fazi am. Durante mui tos anos , el es pregavam todo ti po de peça, mas quando o Shogun s us pei tou que eram el es que es tragavam as l avouras nos campos , fartou-s e. Reuni u cada homem e mul her em s ua cas a e l hes di s s e


que s e armas s em de es tacas , fl echas , pedras , enxadas e vas s ouras , e el i mi nas s em todas as rapos as que ti nham toca em s ua propri edade, até aquel as entre o s ótão e o tel hado. Ia matar cada uma del as s em pi edade. M as na vés pera em que fari a i s s o, el e teve um s onhoem que apareceu uma l i nda mul her e di s s e que el a era res pons ável por todas as rapos as daquel as terras . “E ”,

di s s e el a,

“embora s ej a verdade que fazemos

mal dades ,

nós

compens amos comendo os ratos , camundongos e i ns etos que real mente es tragam a l avoura. Você concordari a em j ogar s ua i ra em mi m e me executar, s ó a mi m, em vez de todas as rapos as ? E s tarei aqui ao amanhecer para s aber s ua res pos ta”. “E el a cumpri u com s ua pal avra, es ta ki ts une bel í s s i ma, chegando ao amanhecer com 12 l i ndas donzel as como acompanhantes . M as el a bri l hava mai s do que todas , como a l ua bri l ha mai s que uma es trel a. O Shogun não cons egui u matá-l a, e acabou pedi ndo s ua mão em cas amento, e cas ou s uas 12 acompanhantes com s eus 12 mai s l eai s cri ados . E di zem que el a s empre foi uma es pos a fi el , deu-l he mui tos fi l hos fortes como Amateras u, a deus a-s ol , e l i ndos como a l ua, e que foram fel i zes até um di a em que o Shogun matou uma rapos a em uma vi agem por aci dente. E l e correu para cas a para expl i car à es pos a que não foi i ntenci onal , mas quando chegou encontrou s eu l ar aos prantos . Sua es pos a j á o havi a dei xado e parti ra com os fi l hos del e.” — Ah, que pena — murmurou M att, tentando s er educado, quando s eu cérebro l he deu uma cotovel ada nas cos tel as . — E s pere aí . M as s e todos foram embora... — Vej o que é um rapaz atento. — A i dos a del i cada ri u. — Todos os fi l hos e fi l has foram embora... M enos a mai s nova, uma meni na mui to boni ta, embora fos s e s ó uma cri ança. E l a di s s e, “E u o amo demai s para dei xá-l o, meu queri do pai , fi carei mes mo que eu tenha que us ar a forma humana a


mi nha vi da toda”. E foi as s i m que as s i m que s oubemos des cender de uma ki ts une. — Bom, es s es ki ts une não es tão s ó fazendo mal dades e es tragando l avouras — di s s e M att. — E s tão aqui para matar. E temos que detê-l os . — Cl aro, cl aro. E u não pretendi a aborrecê-l o com mi nha hi s tori nha. — di s s e Obaas an. — Vou es crever es s es amul etos para você agora. Foi enquanto M att s aí a que a Sra. Sai tou apareceu na porta e pôs al guma coi s a na mão del e. E l e ol hou e vi u a mes ma cal i grafi a que Obaas an l he dera. Só que era mui to menor e es cri ta em... — Um Pos t-i t? — perguntou M att, pas mo. A Sra. Sai tou as s enti u. — M ui to úti l para col ar na cara dos demôni os ou em gal hos de árvores . — E , enquanto el e a ol hava num compl eto as s ombro: — M i nha mãe não s abe tudo s obre tudo. E l a também l he deu uma boa adaga, menor do que a es pada que ai nda portava, mas mui to úti l — M att de i medi ato s e cortou nel a. — Confi e em s uas ami gas e em s eus i ns ti ntos — di s s e el a. M ei o perpl exo, mas s e s enti ndo encoraj ado, M att pegou o carro e foi até a cas a da Dra. Al pert.


31 E s tou me s enti ndo bem mel hor — di s s e E l ena ao Dr. M eggar. — Gos tari a de dar uma cami nhada pel a propri edade. — E l a tentou não parecer i nqui eta. — Comi bas tante carne, bebi l ei te e até tomei aquel e ól eo de fí gado de bacal hau que o s enhor mandou. Também es tou com os doi s pés na real i dade: es tou aqui para res gatar Stefan, e o garoti nho dentro de Damon é uma metáfora de s eu i ncons ci ente, que o s angue que parti l hamos me permi ti u “ver”. — E l a qui cou uma vez, mas di s farçou, es tendendo a mão para um copo dagua. — E s tou me s enti ndo como um cachorri nho fel i z es perando para pas s ear. — E l a exi bi u s uas novas pul s ei ras de es crava recémdes enhadas : prata com l ápi s -l azúl i i ncrus tados em des enhos l eves . — Se eu morrer de repente, es tou preparada. As s obrancel has do Dr. M eggar s ubi am e des ci am. — Bem, não há nada de errado em s ua pul s ação ou s ua res pi ração. Não vej o como uma boa cami nhada à tarde poderi a prej udi cá-l a. Damon j á es tá de pé mas não dê nenhuma i dei a a Lady Ul ma. E l a ai nda preci s a de al guns mes es de repous o. — E l a tem uma es cri vani nha l i nda, fei ta de uma bandej a de café da manhã — expl i cou Bonni e, ges ti cul ando para mos trar o tamanho. — E l a des enha as roupas l á. — Bonni e s e i ncl i nou para a frente, com os ol hos arregal ados . — E s abe de uma coi s a? Os ves ti dos del a s ão mág i cos. — E u não es perari a menos que i s s o — grunhi u o Dr. M eggar. M as , no momento s egui nte, E l ena s e l embrou de al go des agradável . — M es mo quando cons egui rmos as chaves — di s s e el a —, ai nda teremos que pens ar em como s ai remos da pri s ão. — Como as s i m? — perguntou Laks hmi , toda ani mada. — Bom... Nós cons egui mos as chaves da cel a de Stefan, mas ai nda preci s amos pens ar em como vamos entrar na pri s ão e ti rá-l o de l á s em que


ni nguém nos vej a. Laks hmi franzi u a tes ta. — Por que não entram com os outros na fi l a e s aem com el e pel o portão? — Porque — di s s e E l ena, s e es forçando para parecer paci ente — el es não vão dei xar que a gente entre para pegá-l o. — E l a s emi -cerrou os ol hos enquanto Laks hmi col ocava a cabeça nas mãos . — No que es tá pens ando, Laks hmi ? — Bom, pri mei ro você di s s e que es tará com a chave quando for à pri s ão, depoi s vai agi r como s e não dei xas s em que o ti ras s em de l á. M eredi th bal ançou a cabeça, des norteada. Bonni e pôs a mão na tes ta como s e es ti ves s e doendo. M as E l ena s e i ncl i nou para a frente devagar. — Laks hmi — di s s e el a, num tom mui to bai xo —, es tá di zendo que s e ti vermos a chave da cel a de Stefan é como s e ti vés s emos um pas s e para entrar e s ai r da pri s ão? Laks hmi s e i l umi nou. — M as é cl aro! — di s s e el a. — Se não, para que s ervi ri a a chave? E l es podi am trancá-l o em qualquer cel a. E l ena

mal

acredi tava

na

maravi l ha

que

acabara

de

ouvi r,

i medi atamente procurou por fal has naqui l o. — Is s o s i gni fi cari a que podí amos i r di reto da fes ta de Bl oddeuwedd para a pri s ão e ti rar Stefan de l á — di s s e el a com o mai or s arcas mo que podi a i nj etar na voz. — A gente s ó preci s ari a mos trar a chave e el es nos dei xari am l evar Stefan. Laks hmi as s enti u, ans i os a. — Is s o! — di s s e el a al egremente, s em notar o s arcas mo entrando. — E não fi que chateada, es tá bem? M as por que você nunca qui s vi s i tá-l o? — Nós podemos vi si tá-lo?


— M as é cl aro, s e marcarem hora. M eredi th e Bonni e havi am vol tado à vi da e s eguravam E l ena dos doi s l ados . — E quando podemos mandar al guém para marcar uma hora, é rápi do? — perguntou E l ena entre os dentes , poi s preci s ava de todo o es forço do mundo para fal ar — todo s eu pes o es tava pous ado nas duas ami gas . — Quem podemos mandar para marcar hora? — s us s urrou el a. — E u i rei — di s s e Damon da es curi dão carmi m atrás del as . — Irei es ta noi te... M e dê ci nco mi nutos . M att podi a s enti r que s ua expres s ão era zang ada e tei mos a. — Ah, tenha dó — di s s e Tyrone, parecendo se di verti r. Os doi s es tavam s e preparando para uma i da à mata. Is s o s i gni fi cava ves ti r doi s dos cas acos chei os de naftal i na e us ar fi ta ades i va para prender as l uvas nos cas acos . M att j á es tava s uando. M as Tyrone era um cara l egal , pens ou el e. De repente, M att fal ou: — E i , s abe a coi s a bi zarra que aconteceu com o coi tado do Ji m Bryce na s emana pas s ada? Bom, es tá tudo rel aci onado com uma coi s a ai nda mai s bi zarra... Tem al go a ver com es pí ri tos rapos a e o anti go bos que, e a Sra. Fl owers di s s e que s e não nos prepararmos para o que vai acontecer, es taremos ferrados. E a Sra. Fl owers não é s ó a vel ha mal uca do pens i onato, como todo mundo acha. — Cl aro que não — a voz brus ca da Dra. Al pert vei o da s ol ei ra da porta. E l a bai xou a mal eta preta; ai nda era uma médi ca do i nteri or, mes mo quando a ci dade es tava em cri s e, e s e di ri gi u ao fi l ho — Theophi l i a Fl owers , a Sra. Sai tou e eu nos conhecemos há mui to tempo. E l as s empre foram mui to pres tati vas . É da natureza del as . — Bom... — M att vi u uma oportuni dade e a aprovei tou de i medi ato. —


Agora é a Sra. Fl owers que preci s a de aj uda. Preci s a mesmo de aj uda. — E ntão, o que es tá fazendo s entado aí , Tyrone? Vá l ogo aj udar a Sra. Fl owers . — A Dra. Al pert aj ei tou os própri os cabel os cas tanhos gri s al hos com os dedos , depoi s acari ci ou os cabel os pretos do fi l ho com ternura. — E eu i a mesmo, mãe. Já es távamos s ai ndo quando você chegou. Tyrone, vendo a hi s tóri a de terror que M att ti nha como carro, educadamente ofereceu-s e para l evá-l os à cas a da Sra. Fl owers em s eu Camry. M att, temeros o que s eu carro pudes s e l i teral mente morrer em um momento cruci al , acei tou com mui ta s ati s fação. E l e fi cou fel i z porque Tyrone s eri a o es tei o do ti me de futebol ameri cano da Robert E . Lee no ano que vem. Ty era o ti po de cara com quem s e podi a contar — como comprovava s ua oferta i medi ata de aj uda hoj e. E l e l evava tudo na es porti va e era i ntei ramente correto. M att não cons egui a dei xar de ver como as drogas e o ál cool arrui naram não s ó os j ogos atuai s , mas o es pí ri to es porti vo de outros ti mes do campus . Tyrone também era um cara que s abi a fi car de boca fechada. Ele não perguntou nada a M att no cami nho até o pens i onato, mas ; s ol tou um as s ovi o quando chegaram, não para a Sra. Fl owers , mas para o M odel o T amarel o vi vo que el a di ri gi a para o anti go es tábul o. — Caramba! — di s s e el e, s al tando para aj udá-l a com a s acol a de compras , enquanto s eus ol hos varri am o M odel o T de um para-choques a outro. — É um Ford s edã M odel o T! Seri a um carro boni to s e... — E l e parou de repente e s ua pel e morena ardeu com um bri l ho de poente. — Ah, meu caro, não s e cons tranj a com a Di l i gênci a Amarel a! — di s s e a Sra. Fl owers , permi ti ndo que M att l evas s e outra s acol a de manti mentos para a cozi nha. — E l a s ervi u a mi nha famí l i a por quas e cem anos e acumul ou al guma ferrugem e arranhões com o tempo. M as faz quas e 45 qui l ómetros por


hora em es tradas pavi mentadas ! — acres centou a Sra. Fl owers , fal ando não s ó com orgul ho, mas com um res pei to temeros o que merece uma vi agem em al ta vel oci dade. Os ol hos de M att encontraram os de Tyrone e M att entendeu que os doi s pens avam a mes ma coi s a. Res taurar à perfei ção o carro di l api dado, gas to, mas ai nda boni to, que pas s ou a mai or parte de s eu tempo em um es tábul o converti do. — Podemos fazer i s s o — di s s e M att, s enti ndo que, como repres entante da Sra. Fl owers , devi a fazer a oferta pri mei ro. — Cl aro que podemos — di s s e Tyrone, s onhando com a i dei a. — E l e j á es tá numa garagem grande... Não teremos probl ema com es paço. — Nem terí amos que des montar tudo até o chas s i ... E l e real mente roda como um s onho. — Tá bri ncando! M as podemos l i mpar o motor; dar uma ol hada nas vál vul as , nas correi as , manguei ras e es s as coi s as . E ... — com os ol hos es curos bri l hando s ubi tamente — meu pai tem uma des bas tadora. Podemos ti rar a pi ntura e pi ntar novamente com o mes mo tom de amarel o! A Sra. Fl owers de repente fi cou radi ante. — Is s o era o que a queri da mama es perava que você di s s es s e, meu j ovem — di s s e el a, e M att s e l embrou de s uas manei ras por tempo s ufi ci ente e apres entou Tyrone a Sra. Fl owers . — Agora, s e você di s s es s e vamos pi ntá-l a de “borgonha”, ou “azul ” ou qual quer outra cor, tenho certeza de que el a i ri a s e opor — di s s e a Sra. Fl owers enquanto preparava s anduí ches de pres unto, s al ada de batatas e uma grande panel a de fei j ão. M att vi u a reação de Tyrone à menção da " mama" e fi cou


s ati s fei to: houve um s egundo de s urpres a, s egui do por uma expres s ão tranqui l a. A mãe del e havi a di to que a Sra. Fl owers não era uma vel ha mal uca: portanto el a não era uma vel ha mal uca. Um pes o i mens o pareceu s ai r dos ombros de M att. E l e não es tava mai s s ozi nho com uma s enhora frági l a quem ti nha que proteger. Ti nha um ami go em quem confi ar, que era um pouco mai or do que el e. — Agora vocês doi s comam um s anduí che de pres unto, enquanto eu faço a s al ada de batata. Sei que os meni nos — a Sra. Fl owers s empre fal ava dos homens como s e fos s em um ti po es peci al de fl or — preci s am de uma boa refei ção antes de entrar em uma batal ha. E não há moti vos para s ermos formai s , podem comer. E l es obedeceram, s ati s fei tos . Agora s e preparavam para a batal ha, s enti ndo-s e prontos para combater ti gres , uma vez que a i dei a de s obremes a da Sra. Fl owers era uma torta de noz, que s eri a di vi di da entre os meni nos , j unto com xí caras i mens as de um café capaz de l i mpar o cérebro como uma des bas tadora. Tyrone e M att foram para o cemi téri o na l ata-vel ha de M att, s egui dos pel a Sra. Fl owers no M odel o T. M att s abi a mui to bem o que as árvores podi am fazer com os carros e não i a fazer o Camry l i mpi nho de Tyrone correr es s e ri s co. E l es des ceram a col i na até o es conderi j o de M att e do s argento M os s berg. Os doi s rapazes aj udaram a frági l Sra. Fl owers nas partes mai s compl i cadas . E l a tropeçou e quas e cai u uma vez, mas Tyrone cravou as pontas de s eus s apatos na col i na e s e fi rmou como uma montanha enquanto el a tombava contra el e. — Ah, meu Deus ... Obri gada, Tyrone, queri do — murmurou el a, e M att entendeu que “Tyrone, queri do” ti nha s i do acei to grupo. O céu es tava es curo, a não s er por um trecho de es carl ate enquanto el es chegavam ao es conderi j o. A Sra. Fl owers pegou o di s ti nti vo do xeri fe, mui to


s em j ei to, devi do às l uvas de j ardi nagem que us ava e o l evou à tes ta, em s egui da, o afas tou l entamente ai nda s egurando-o di ante dos ol hos . — E l e fi cou parado aqui e s e curvou, e fi cou de quatro aqui — di s s e el a, abai xando-s e no que era real mente — o l ado correto do es conderi j o. M att as s enti u, s em s aber o que es tava fazendo, e a Sra. Fl owers di s s e s em abri r os ol hos : — Não me dê nenhuma pi s ta, M att, queri do. E ntão el e ouvi u al guém atrás del e e gi rou, s acando a arma. M as era M att, e el es convers aram bai xi nho por um tempo. “Depoi s el e de repente s e l evantou.” A Sra. Fl owers l evantou-s e de s úbi to, e M att ouvi u s eu corpo vel ho e del i cado es tal ar. “E l e s ai u andando... rápi do... para aquel a mata. Aquel a mata do mal .” E l a parti u para a mata como o xeri fe Ri ch M os s berg havi a fei to quando M att es tava com el e. M att e Tyrone s aí ram correndo atrás del a, prontos para i mpedi -l a s e el a mos tras s e al gum s i nal de querer entrar no que ai nda res tava do anti go bos que. E m vez di s s o, el a vol tou, s egurando o di s ti nti vo na al tura dos ol hos . Tyrone e M att as s enti ram um para o outro e, s em di zer nada, cada um del es pegou um braço da Sra. Fl owers e deram a vol ta pel a bei ra da mata, uma vol ta compl eta, com M att na frente, a Sra. Fl owers atrás e Tyrone por úl ti mo. De repente, M att percebeu que as l ágri mas des ci am pel o ros to enrugado da Sra. Fl owers . Por fi m, a frági l i dos a parou, pegou um l enço de renda — depoi s de uma ou duas tentati vas — e enxugou os ol hos com um arquej ar. — A s enhora o encontrou? — perguntou M att, i ncapaz de repri mi r a curi os i dade por mai s tempo. — Bem... Teremos que ver. Os ki ts une parecem s er mui to, mui to bons em i l us ões . Tudo que vi pode ter s i do uma i l us ão. M as — el a s ol tou um


s us pi ro pes ado — um de nós terá de entrar no bos que. M att engol i u em s eco. — E ntão s erei eu... Tyrone o i nterrompeu. — E i , de j ei to nenhum, cara. Você s abe como a coi s a funci ona, s ej a l á que for. Tem que ti rar a Sra. Fl owers des s a... — Não, não pos s o permi ti r que você corra o ri s co de s e machucar... — M as o que es tou fazendo aqui , então? — perguntou Tyrone. — E s perem, meus queri dos — di s s e a Sra. Fl owers , quas e chorando. Os meni nos s e cal aram de i medi ato, e M att s enti u vergonha de s i mes mo. — Acho que s ei como os doi s podem me aj udar, mas é mui to peri gos o. Peri gos o para os doi s . M as tal vez, s e fi zer-mos i s s o apenas uma vez, podemos el i mi nar o ri s co e aumentar nos s a chance de des cobri r al guma coi s a. — M as como? — perguntaram Tyrone e M att ao mes mo tempo. Al guns mi nutos depoi s , el es es tavam preparados . Dei taram-s e l ado a l ado, de frente para o muro formado pel as árvores al tas e os arbus tos emaranhados da mata. Não s ó foram amarrados com cordas , mas também es pal haram os Pos t-i ts da Sra. Sai tou pel os braços . — Agora, quando eu di s s er “três ”, quero que os doi s es tendam a mão e tatei em o chão. Se s enti rem al guma coi s a, s egurem fi rme e puxem o braço. Se não s enti rem nada, movam a mão um pouco e puxem o mai s rápi do que puderem. E a propós i to — acres centou el a cal mamente —, s e s enti rem al go tentando puxar vocês ou i mobi l i zar s eu braço, gri tem, l utem, es pernei em e berrem, e vamos aj udar a s ai r. Os três fi caram qui etos por bom tempo. — E ntão bas i camente acha que exi s tem coi s as pel o chão da mata, que podemos pegar s i mpl es mente tateando às cegas — di s s e M att.


— Si m — res pondeu a Sra. Fl owers . — Tudo bem — fal ou Tyrone, e mai s uma vez M att ol hou para el e com aprovação. E l e não ous ou perguntar: ‘Que ti po de coi sas podemnos puxar para o bosque?” Agora el es es tavam pos i ci onados e a Sra. Fl owers contava, “Um, doi s , três ”, e M att l ançou o braço di rei to o mai s l onge que pôde, e movi a o braço enquanto tateava. E l e ouvi u um gri to ao l ado. — Peguei ! — M as i medi atamente depoi s ouvi u: — Temalg uma coi sa me puxando! M att puxou o própri o braço para fora da mata antes de aj udar Tyrone. Al go cai u nel e, mas bateu num Pos t-i t e o gol pe como s e ti ves s e s i do gol peado por um pedaço de i s opor. Tyrone s e debati a l oucamente e j á ti nha s i do arras tado até os ombros . M att o pegou pel a ci ntura e us ou toda a s ua força para puxá-l o de vol ta. Houve um momento de res i s tênci a e então Tyrone s ai u da mata de repente, como uma rol ha que es tourava. Ti nha arranhões no ros to e no pes coço, mas não onde os cas acos o cobri am ou onde es tavam os Pos t-i ts . M att teve vontade de di zer “obri gado”, mas as duas mul heres que havi am fabri cado os amul etos es tavam l onge dal i , e el e s e s enti u i di ota di zendo i s s o ao cas aco de Tyrone. De qual quer modo, a Sra. Fl owers es tava agi tada, agradecendo às pes s oas o bas tante pel os três . — Ah, M att, quando aquel e gal ho grande des ceu, achei que você i a, no mí ni mo quebrar o braço. Graças ao bom Deus as mul heres Sai tou fi zeram amul etos excel entes . E Tyrone, queri do, por favor, tome um gol e de s eu canti l ... — E u não cos tumo beber...


— É apenas l i monada quente, recei ta mi nha, queri do. Se não fos s e por vocês doi s , não terí amos cons egui do. Tyrone, achou al guma coi s a, não foi ? Depoi s você foi apanhado e não es tari a s al vo : s e M att não es ti ves s e aqui para aj udar você. — Ah, eu tenho certeza de que el e teri a cons egui do s ai r — di s s e M att apres s adamente, porque devi a s er cons trangedor para qual quer um como o Tyremi nator admi ti r que preci s ava de aj uda. Tyrone, porém, di s s e com s eri edade: — E u s ei . Obri gado, M att. M att s e s enti u corar. — M as no fi nal das contas não peguei nada demai s — di s s e Tyrone, revol tado. — Senti um pedaço de cano vel ho ou coi s a as s i m... — Bom, vamos dar uma ol hada — di s s e a Sra. Fl owers com a expres s ão s éri a. E l a j ogou a l uz forte da l anterna no obj eto que Tyrone arri s cara tanto para ti rar da mata. No i ní ci o, M att achou que era um enorme os s o do corpo para cachorros . M as uma forma mui to fami l i ar o fez ol har mai s de perto. E ra um fêmur, um fêmur humano. O mai or os s o do corpo, o os s o da perna. E ai nda es tava branco. Fres co. — Não parece de pl ás ti co — di s s e a Sra. Fl owers numa voz que pareci a mui to di s tante. Não era pl ás ti co. M att podi a ver as marcas de pequenas mordi das enros carem-s e no exteri or. Também não era de couro. E ra... Bom, era real . Um os s o humano. M as o mai s apavorante não era i s s o; M att gi rou no es curo. O os s o es tava pol i do de tão l i mpo e trazi a a marca de dezenas de


denti nhos mi nĂşs cul os .


32 E l ena es tava radi ante de fel i ci dade. E l a foi dormi r fel i z, e acordou ai nda mai s fel i z, s erena, s abendo que em breve, mui to em breve vi s i tari a Stefan, e que depoi s di s s o — s em dúvi da mui to em breve também — cons egui ri a l i bertar s eu amado. Bonni e e M eredi th não fi caram s urpres as quando el a qui s ver Damon, pens ando em quem deveri a i r com el es , e o que deveri a ves ti r. M as s uas deci s ões dei xaram as ami gas s urpres as . — Se todos es ti verem de acordo — di s s e el a devagar no i ní ci o, traçando um cí rcul o com o dedo na grande mes a de uma das s al as de es tar quando todos s e reuni ram na manhã s egui nte —, eu gos tari a que al gumas pes s oas fos s em comi go. Stefan tem s i do mui to mal tratado — conti nuou el a — e i ri a odi ar que outras pes s oas o vi s s em as s i m. Não quero que el e s e s i nta humi l hado. O grupo corou ao ouvi r i s s o. Ou tal vez fos s e um rubor col eti vo de res s enti mento — em s egui da um rubor col eti vo de cul pa. Com as j anel as que davam para o oes te entreabertas , para que a l uz vermel ha da manhã caí s s e s obre tudo, era di fí ci l s aber. M as uma coi s a era certa: todo mundo queri a i r. — E ntão, es pero — di s s e E l ena, vi rando-s e para ol har nos ol hos de M eredi th e Bonni e —, que vocês não fi quem magoadas s e eu não es col hê-l as para me acompanhar. Is s o s i gni fi cava que as duas es tavam fora, pens ou E l ena ao ver a compreens ão s urgi ndo no ros to das ami gas . Grande parte de s eus pl anos dependi a da reação das duas mel hores ami gas . M eredi th el egantemente mordeu a i s ca pri mei ro. — E l ena, você pas s ou pel o i nferno... l i teral mente... e quas e morreu ao fazer i s s o... para encontrar Stefan. Leve as pes s oas que mai s poderão aj udá-l a. — Sabemos que i s s o não é um concurs o de popul ari dade — acres centou


Bonni e, engol i ndo em s eco, tentando não chorar. E l a realmente queri a i r, pens ou E l ena, mas compreendi a perfei tamente. — Stefan pode fi car mai s cons trangi do na frente de uma meni na do que de um meni no — di s s e Bonni e. E el a nem acres centou “embora j amai s fi zéssemos alg uma coi sa para constrang êlo” , pens ou E l ena, avançando para um abraço e s enti ndo o corpo maci o e pequeno de Bonni e. Depoi s s e vi rou e s enti u os braços quentes , magros e rí gi dos de M eredi th e, como s empre, s enti u parte de s ua tens ão s e es vai r. — Obri gada — di s s e el a, enxugando as l ágri mas . — E você te razão, Bonni e, acho que s eri a mai s di fí ci l para el e encarar meni nas do que meni nos na s i tuação em que es tá. Também s erá mai s di fí ci l encarar os ami gos que el e j á conhece e ama. Por i s s o, gos tari a de pedi r que Sage, Damon e o Dr. M eggar fos s em comi go. Laks hmi s al tou, i nteres s ada, como s e ti ves s e s i do es col hi da. — E m que cadei a el e es tá? — perguntou el a, mui to ani mada Damon res pondeu. — Na Shi no Shi . Laks hmi arregal ou os ol hos . E l a ol hou Damon por um momento, depoi s s ai u correndo para a porta, a voz trémul a fl utuando atrás del a: — Tenho umas coi s as para fazer, amo! E l ena ol hou di retamente para Damon. — E o que foi i s s o? — perguntou el a numa voz capaz de congel ar l ava a tri nta metros . — Não s ei . Real mente, eu não s ei . Shi ni chi me mos trou caracteres kanj i e di s s e que a pronúnci a era " Shi no Shi " e que s i gni fi cavam “a M orte da M orte”... Como a el i mi nação da mal di ção morte de um vampi ro. Sage tos s i u. — Ah, meu pequeno crédul o. Mon cher i di ot. Não procurou uma s egunda


opi ni ão... — Na verdade, procurei . Perguntei a uma s enhora j apones a de mei ai dade na bi bl i oteca s e o romaj i , as pal avras j apones as es cri tas em nos s o al fabeto, s i gni fi cavam a M orte da M orte. E l a di s s e que s i m. — E você deu mei a-vol ta e s ai u — di s s e Sage. — Como s abe di s s o? — Damon es tava fi cando i rri tado. — Porque, mon cher, es s as pal avras podem s i gni fi car mui tas coi s as . Tudo depende

de

como os

caracteres

j apones es

es tão di s pos tos ... O que

provavel mente você não mos trou a el a. — E u não os ti nha! Shi ni chi os es creveu no ar para mi m, em fumaça vermel ha. — Depoi s , com uma angús ti a col éri ca perguntou: — O que mai s eles podemsi g ni fi car? — Bom, podem s i gni fi car o que você di s s e. Também podem s i gni fi car “a nova morte”. Ou “a verdadei ra morte”. Ou até... “os Deus es da M orte”. E dado o modo como Stefan vem s endo tratado... Se um ol har pudes s e matar, Damon agora s eri a um cadáver. Todos o ol havam com uma expres s ão acus ati va. E l e s e vi rou como um l obo acuado e mos trou s eus dentes naquel e s orri s o bri l hante de s empre. — De qual quer forma, não i magi nei que fos s e al go agradável — di s s e el e. — Só pens ei que o aj udari a s e l i vrar da mal di ção de s er um vampi ro. — De qual quer forma — repeti u E l ena. Depoi s di s s e: — Sage, s e você puder i r e cui dar para que el es nos dei xem entrar quando chegarmos , eu fi cari a i mens amente grata. — Cons i dere fei to, Madame. — E ... Dei xe-me ver... Quero que todos us em al go um pouco di ferente para vi s i tá-l o. Se todos concordarem, convers arei com Lady Ul ma a res pei to. E l a podi a s enti r os ol hares as s us tados de M eredi th e Bonni e em s uas


cos tas ao s ai r. Lady Ul ma es tava pál i da, mas s eus ol hos bri l haram quando E l ena foi acompanhada até o quarto del a. Seu caderno de des enho es tava aberto, o que era um bom s i nal . Foram neces s ári as apenas al gumas pal avras e um ol har s i ncero antes de Lady Ul ma di zer com fi rmeza: — Teremos tudo pronto em uma ou duas horas . É s ó uma ques tão de chamar as pes s oas certas . E u prometo. E l ena apertou o pul s o del a com mui ta del i cadeza. — Obri gada. Obri gada... mi l agrei ra! — Quer di zer que vou de pri s i onei ro — di s s e Damon. E l e es tava bem ao l ado da porta de Lady Ul ma quando el a s ai u e E l ena des confi ou de que el e es ti ves s e ouvi ndo. — Não, i s s o nunca me ocorreu — res pondeu el a. — Só que s e vocês es ti verem ves ti dos como es cravos Stefan fi cará menos cons trangi do. M as por que acha que eu i a querer cas ti gar você? — E não quer? — Você es tá aqui para me aj udar a s al var Stefan. Você j á pas s ou por... — E l ena parou e ol hou as mangas , procurando um l enço l i mpo, até que Damon l he ofereceu o s eu, de s eda preta. — Tudo bem — di s s e el e —, não vamos bri gar por i s s o. Des cul pe. E u s i mpl es mente fal o, s em pens ar antes . — E nem mes mo ouve outra vozi nha? Uma voz que di z que as pes s oas podem s er boas e tal vez não es tej am tentando prej i car você? — perguntou E l ena com tri s teza, perguntando-s e como a cri ança acorrentada es tari a agora. — Não s ei . Tal vez. Às vezes . M as como es s a voz geral mente es tá errada nes te mundo cruel , por que devo dar atenção a el a?


— E u gos tari a que você às vezes tentas s e — s us s urrou, E l ena — As s i m s eri a mai s fáci l di s cuti r com você. Eu g osto mui to destas condi ções, di s s e-l he Damon tel epati camente e E l ena percebeu — como i s s o aconteci a? — que el es s e fundi am num abraço. Pi or, el a es tava com s eus traj es da manhã — um ves ti do de s eda compri do e um penhoar do mes mo teci do, os doi s no tom mai s cl aro de azul perol ado, que fi cava vi ol eta nos rai os do eterno s ol poente. Eu... eu também g osto, admi ti u E l ena, s enti ndo o poder percorrer Damon a parti r da s ua pel e, pas s ando por s eu corpo, e no fundo, bem no fundo do poço i mpenetrável que podi a s er vi s to ao ol har nos ol hos del e. Só estou tentando ser si ncera, acres centou el a, as s us tada com a reação del e. Não posso esperar que alg uémsej a si ncero comi g o, se eu não for. Não sej a si ncera, não sej a si ncera. Odei e-me. Despreze-me, i mpl orou-l he Damon, ao mes mo tempo acari ci ando s eus braços e a duas camadas de s eda, que era s ó o que havi a entre as mãos del e e a pel e de E l ena. — M as por quê? Porque não mereço confi ança. Sou um lobo mau e você é um cordei ri nho branco puro e recémnasci do. Não permi ta que eu a mag oe. E por que você me mag oari a? Porque eu podi a... Não, não quero morder você... Só quero bei j á-la, só umpouco, assi m. Houve uma revel ação na voz mental de Damon. E l e a bei j ou com tanta doçura, e el e s abi a exatamente quando os j oel hos del a es tavam pres tes a ceder e a pegava antes que el a caí s s e no chão. Damon, Damon, pens ava el a, s enti ndo-s e mui to amoros a, porque s abi a que es tava l he dando prazer, quando de repente cai u em s i . Oh! Damon, por favor, me solte... Tenho uma prova de roupag ora! E nvergonhado, el e devagar e com rel utânci a bai xou-a, pegando-a antes que el a pudes s e cai r e a col ocou de pé. Acho que eu também estou passando por uma prova ag ora, di s s e l he Damon com


s i nceri dade enquanto andava trôpego pel a s al a, errando a porta da pri mei ra vez. Não uma provação... uma prova de roupa! di s s e E l ena às cos tas del e, mas não s oube s e el e ouvi u. M as es tava s ati s fei ta por el e tê-l a s ol tado, s em real mente entender nada, a não s er que el a di zi a não. Is s o era um grande progres s o. Depoi s el a correu para o quarto de Lady Ul ma, que es tava chei o de todo ti po de gente, i ncl us i ve doi s model os , que us avam cal ças e cami s as compri das . — As roupas de Sage — di s s e Lady Ul ma, as s enti ndo para o mai s al to — e de Damon. — E l a apontou para o homem mai s bai xo. — Ah, s ão perfei tas ! Lady Ul ma a fi tou com a mai s l eve dúvi da no ol har. — São fei tas de es topa genuí na — di s s e el a. — A roupa mai s mi s erável e i nferi or na hi erarqui a da es cravi dão. Tem certeza que el es vão us ar? — Si m, ou não i rão comi go — di s s e E l ena categori camente, e pi s cou. Lady Ul ma ri u. — Um bom pl ano. — Si m... M as o que você acha do meu outro pl ano? — perguntou E l ena, genui namente i nteres s ada na opi ni ão de Lady Ul ma, mes mo enquanto corava. — M i nha queri da benfei tora — di s s e Lady Ul ma. — Anti gamente eu acompanhava mi nha mãe preparar as roupas ... Depoi s de eu ter fei to 13 anos , cl aro... E el a me di zi a que s empre a dei xavam fel i z, porque el a es tava l evando al egri a a doi s de uma s ó vez, e que o propós i to não era outro s enão a al egri a. E u l he prometo, Lucen e eu termi naremos a tempo. Agora, você não devi a es tar s e arrumando? — Ah, s i m... Oh, eu amo você, Lady Ul ma! É tão engraçado. Quanto


mai s gente você ama, mai s quer amar! — E di zendo i s s o E l ena correu de vol ta a s eus apos entos . Suas damas de companhi a es tavam preparadas , es perando el a. E l ena tomou o banho mai s rápi do e mai s ani mado da vi da — el a es tava nervos a — e s e vi u num s ofá, no mei o de um bando s orri dente de ol hos pers pi cazes , cada uma del as fazendo s eu trabal ho. E l a fez depi l ação, é cl aro — nas pernas , nas axi l as e fez as s obrancel has . E nquanto duas mul heres trabal havam nel a, outra, com os cremes maci os e unguentos , cri ava uma fragrânci a úni ca para E l ena, e uma quarta cons i derava pens ati vamente s eu ros to e corpo como um todo. E s s a mul her es cureceu um pouco as s obrancel has de E l ena e cobri u as pál pebras com um tom dourado e metal i zado antes de us ar al go que acres centou pel o menos mei o centí metro aos cí l i os . Depoi s real çou s eus ol hos com l i nhas hori zontai s exóti cas de kohl . Por fi m, dei xou cui dados amente os l ábi os de E l ena num vermel ho bri l hante que, de al gum modo, l he dava a i mpres s ão de es tarem permanentemente franzi dos para um bei j o. Depoi s di s s o, a mul her borri fou um l eve pó furta-cor em todo o corpo de E l ena. Fi nal mente, um di amante canári o mui to grande, envi ado da bancada de j oal heri a de Lucen, foi fi rmemente col ado a s eu umbi go. E nquanto as cabel ei rei ras cui davam das úl ti mas mechas na tes ta de E l ena, el a recebeu duas cai xas e uma capa es carl ate das mul heres de Lady Ul ma. E l ena agradeceu com s i nceri dade a todas as damas de companhi a, as cabel ei rei ras e a maqui adora, pagou-l hes uma boni fi cação que as dei xou bem agi tadas e pedi u que a dei xas s em s ozi nha. Quando el as hes i taram, el a pedi u novamente, com a mes ma educação, mas num tom mai s s éri o. As mul heres s aí ram. As mãos de E l ena tremi am quando pegou as roupas que Lady Ul ma


havi a cri ado. E ram decoros as como um traj e de banho, mas pareci am ter j ói as es trategi camente col adas em ti ras de tul e dourada. Tudo combi nava com o di amante canári o: do col ar às braçadei ras e pul s ei ras que denotavam que, embora E l ena es ti ves s e ves ti da com traj es caros , ai nda era uma es crava. E ntão era i s s o. Ia us ar tul e e j ói as , perfume e maqui agem, para ver Stefan. E l ena pôs o manto es carl ate com mui to cui dado para não amas s ar nem s uj ar nada por bai xo e cal çou os pés em del i cadas s andál i as douradas com s al tos mui to al tos . E l a des ceu correndo a es cada e chegou bem a tempo. Sage e Damon es tavam ves ti ndo mantos bem fechados — o que s i gni fi cava que es tavam com a roupa de es topa por bai xo. Sage dei xara o coche de Lady Ul ma preparado. E l ena aj ei tou as pul s ei ras de ouro, odi ando-as porque preci sava us á-l as , embora fi cas s em l i ndas contra o debrum de pel es brancas do manto es carl ate. Damon l he es tendeu a mão para aj udá-l a a s ubi r no coche. — E u vou aí dentro? Is s o quer di zer que não preci s o us ar... — M as , ol hando para Sage, s uas es peranças foram es magadas . — A não s er que quei ra fechar as corti nas de todas as j anel as — di s s e el e —, você es tá vi aj ando l egal mente s em as pul s ei ras es crava. E l ena s us pi rou e deu a mão a Damon. De pé contra o s ol , el e era uma s i l hueta es cura. M as enquanto E l ena pi s cava para a l uz, el a encarava, pas mo. E l ena s abi a que el e vi ra s uas pál pebras douradas . Os ol hos de Damon caí ram nos l ábi os del a, prontos para um bei j o. E l ena corou. — E u o proí bo de me ordenar a mos trar o que es tá por bai xo do manto — di s s e el a rapi damente. Damon fi cou frus trado. — O cabel o em cachos mí ni mos por toda a tes ta, manto cobri ndo tudo, do pes coço aos pés , batom como... — E l e ol hou novamente. Sua boca s e retorceu como s e el e es ti ves s e s endo i mpel i do a encai xar s eus l ábi os nos del a.


— Já es tá na hora de i r! — cantarol ou E l ena, entrando apres s adamente na carruagem. E l a es tava mui to fel i z, embora entendes s e por que es cravos l i bertos nunca mai s us as s em pul s ei ra na vi da. E l a ai nda es tava fel i z quando chegaram à Shi no Shi — aquel e prédi o grande que pareci a conj ugar uma pri s ão com uma i ns tal acão de trei namento para gl adi adores . E quando os guardas no grande pos to de control e da Shi no Shi os dei xaram entrar s em mos trar nenhum s i nal de hes i tação, mas era di fí ci l di zer s e o manto teve al gum efei to s obre el es . E ram demôni os : rabugentos de pel e mal va, fortes como touros . E l a percebeu al go que no i ní ci o foi um choque, mas depoi s s e trans formou em um ri o de es perança em s eu í nti mo. Havi a uma porta do l ado do s aguão, na frente do prédi o, que pareci a a porta l ateral do depós i to de es cravos : es tava s empre fechada; s í mbol os es tanhos no al to; pes s oas andando para el a nos traj es mai s vari ados e anunci ando um des ti no antes de gi rar a chave e abri r a porta. E m outras pal avras : uma porta di mens i onal . Bem al i , na pri s ão de Stefan. Só Deus s abi a quantos guardas i ri am atrás del es s e tentas s em us á-l a, mas era al go para s e ter em mente. Os guardas nos pi s os i nferi ores do prédi o da Shi no Shi , o que pareci a mai s um cal abouço, ti veram reações cl aras e agres s i vas a E l ena e s eu grupo. E ram de al guma es péci e mai s bai xa de demôni o — demoni ozi nhos , tal vez, pens ou E l ena — que di fi cul tavam tudo para os vi s i tantes . Damon teve de s uborná-l os a fi m de cons egui r permi s s ão para entrar na área onde fi cava a cel a de Stefan e i r s ozi nho, s em um guarda por vi s i tante, e permi ti r que E l ena, uma es crava, fos s e ver um vampi ro l i vre. E mes mo quando Damon l hes deu uma pequena fortuna para pas s ar por es s es obs tácul os , el es ri ram com es cárni o e s ol taram gorgol ej os guturai s .


E l ena não confi ava nel es . E ti nha razão. E m um corredor onde E l ena s abi a, por s uas experi ênci as fora do corpo, que devi am vi rar à es querda, el es s egui ram reto. Pas s aram por outro grupo de guardas , que quas e des mai aram de ri r. Ah — meu Deus — es tão nos l evando para ver o cadáver de Stefan?, perguntou-s e E l ena de repente. E ntão foi Sage quem real mente a aj udou. E l e amparou E l ena até que el a s enti u as pernas fi rmes novamente. E l es conti nuaram andando, entrando cada vez mai s no que agora era um cal abouço s uj o e fedorento, com pi s o de pedra. Depoi s , abruptamente, vi raram à di rei ta. O coração de E l ena di s parou. Di zi a errado, errado, errado, mes mo antes de el es chegarem à úl ti ma cel a do corredor. E ra compl etamente di ferente da anti ga cel a de Stefan. E ra cercada não por grades , mas por uma es péci e de tel a enci mada por es petos afi ados . Não havi a como pas s ar uma garrafa de Bl ack M agi c por al i , nem como pos i ci onar a garrafa para s ervi r o vi nho di reto na boca que aguardava do outro l ado. Nenhum es paço, até, para col ocar o dedo ou a abertura de um canti l para o habi tante da cel a. A cel a em s i não era s uj a, mas não ti nha nada, a não s er um Stefan apáti co. Sem comi da, s em água, s em cama para es conder al guma coi s a, s em pal ha. Só Stefan. E l ena gri tou. Não fazi a i dei a s e real mente di s s e al guma coi s a ou s e apenas berrou. Ati rou-s e na cel a — ou tentou fazer i s s o. Suas mãos s eguraram rol os de aço afi ados como naval ha, e verteram s angue i ns tantaneamente onde tocavam, e Damon, que normal mente reagi a mai s rápi do, puxou-a para trás . E então el e ti rou-a, empurrando-a, e ol hou boqui aberto o i rmão mai s novo — um j ovem de cara ci nzenta, es quel éti co, que mal res pi rava. Pareci a uma cri ança perdi da em s eu uni forme pri s ão amarrotado, s uj o e puí do. Damon l evantou a mão como s e ti ves s e s e es queci do da barrei ra — e Stefan


encol heu. Stefan pareci a não reconhecer nenhum del es . E s pi ou mai s de perto as de s angue que fi caram na cerca afi ada onde E l ena a s egurou, chei rou, e depoi s , como s e al guma coi s a ti ves s e penetrado a névoa de s ua confus ão, ol hou em vol ta. Stefan l evantou a cabeça para Damon, cuj o manto ti nha caí do, mas s eus ol hos vagaram. Damon s ol tou um ruí do s ufocado e s e vi rou, es barrando em outras cri aturas ao s ai r, correndo para o outro canto. Se ti nha es peranças de que todos os guardas o s egui s s em, para que s eus al i ados pudes s em ti rar Stefan de l á, es tava enganado. Al guns o s egui ram, como macacos , gri tando i ns ul tos . O res tante fi cou, atrás de Sage. E nquanto i s s o, a mente de E l ena s e agi tava de pl anos . Por fi m el a s e vi rou para Sage. — Us e todo o di nhei ro que ti vermos al ém des te — di s s e el a, col ocando a mão s ob o manto, pegando o col ar de di amante canári o, de mai s de duas dúzi as de pedras preci os as do tamanho de um pol egar — e me di ga s e preci s ar de mai s . M e dê mei a hora com el e. Vi nte mi nutos que s ej am! — Sage bal ançava a cabeça. — Atras e-os de al gum modo; cons i ga pelo menos vi nte mi nutos . Vou pens ar em al guma coi s a mes mo que i s s o me mate. Depoi s de um momento Sage ol hou-a nos ol hos e as s enti u. — Farei i s s o. Depoi s E l ena ol hou s upl i cante para o Dr. M eggar. Será que el e ti nha al guma coi s a — s erá que exi s ti a al guma coi s a — que pudes s e aj udar? As s obrancel has do Dr. M eggar des ceram, depoi s a parte i nterna s ubi u. E ra um ol har de pes ar, de des es pero. M as el e franzi u o cenho e cochi chou: — E xi s te uma coi s a nova... Uma i nj eção que di zem aj udar em cas os extremos . Pos s o tentar.


E l ena s e s egurou para não cai r aos pés del e. — Por favor! Por favor, tente! Porfavor! — Só vai aj udar por al guns di as ... — Não preci s amos de al guns di as ! Vamos ti rá-l o daí antes di s s o! — M ui to bem. — Sage cons egui ra conduzi r todos os guardas para fora, di zendo que era um negoci ante de pedras preci os as e que ti nha umas coi s i nhas que todos deveri am ver. O Dr. M eggar abri u s ua mal eta e pegou uma s eri nga. — Agul ha de madei ra — di s s e el e com um s orri s o mel ancól i co enquanto a enchi a com um l í qui do vermel ho cl aro que es tava num fras co. E l ena pegou outra s eri nga e exami nou-a ans i os amente enquanto o Dr. M eggar tentava atrai r Stefan para perto del e, fazendo-o l evantar os braços até a grade. Por fi m Stefan fez o que o Dr. M eggar queri a — s ó para dar um s al to com um gri to de dor e se afas tar enquanto uma s eri nga era enfi ada em s eu braço o l í qui do urti cante i nj etado. E l ena ol hou des es perada para o médi co. — Quanto el e tomou? — Cerca da metade. E s tá tudo bem... E u col oquei o dobro da dos e e i nj etei com a mai or força que pude para cons egui r que o... — di s s e um termo médi co que E l ena não reconheceu — ... penetras s e nel e. E u s abi a que doeri a mai s , i nj etando com tal rapi dez, mas cons egui o que queri a. — Que bom — di s s e E l ena em êxtas e. — Agora quero que encha es s a s eri nga com o meu s angue. — Sangue? — o Dr. M eggar fi cou des ani mado. — Si m! A s eri nga é grande o bas tante para pas s ar pel a grade. O s angue vai pi ngar do outro l ado. E l e pode beber à medi da que pi ngar. Is s o pode s al vál o! — E l ena pronunci ou cada pal avra com cui dado, como s e fal as s e com uma


cri ança. E l a queri a des es peradamente trans mi ti r o que pretendi a. ' — Ah, E l ena. — O médi co s e s entou, com um ti ni do, e pegou uma garrafa de Bl ack M agi c es condi da no col ete. — E u s i nto mui to. M as para mi m é mui to di fí ci l ti rar s angue de al guém. M eus ol hos , cri ança... E l es es tão arrui nados . — M as os ócul os ... as l unetas ...? — Não me s ervem mai s . É um probl ema compl i cado, você deve cons egui r pegar uma vei a, de qual quer manei ra. A mai ori a dos médi cos não me s erve de nada; s ou cas o perdi do. Des cul pe, cri ança. M as j á faz vi nte anos que ti ve al gum s uces s o ni s s o. — E ntão vou encontrar Damon e fazê-l o abri r mi nha aorta. Não l i go s e i s s o me matar. — Mas eu li g o. A nova voz que vi nha da cel a fortemente i l umi nada di ante del es fez com que o médi co e E l ena l evantas s em a cabeça derepente. — Stefan! Stefan! Stefan! — Sem s e i mportar com o que a cerca afi ada fari a com s eu corpo, E l ena i ncl i nou-s e para tentar s egurar as mãos del e. — Não — s us s urrou Stefan, como s e parti l has s e um s egredo preci os o. — Col oque os dedos aqui e aqui ... Por ci ma dos meus . E s ta cerca é s ó aço com tratamento es peci al ... E l a di mi nui meu Poder, mas não pode me feri r. E l ena pôs os dedos onde el e i ndi cou e es tava tocando Stefan. Real mente tocando-o. Depoi s de tanto tempo. Nenhum dos doi s di s s e nada. E l ena ouvi u o Dr. M eggar s e l evantar e s e es guei rar para fora em s i l ênci o — até Sage, s upunha el a. M as s ua mente es tava repl eta de Stefan. E l a e el e apenas s e ol havam, tremendo, com l ágri mas vaci l antes nos cí l i os , s enti ndo-s e mui to j ovens . E mui to próxi mos da morte.


— Você di s s e que eu s empre fazi a você fal ar pri mei ro, então vou des concertá-l a. E u te amo, E l ena. Lágri mas caí ram dos ol hos del a. — E s ta manhã mes mo que es tava pens ando em quantas pes s oas há para amar. M as na verdade é apenas porque exi s te uma em pri mei ro l ugar — s us s urrou E l ena. — Uma para s empre. E u te amo, Stefan! E u te amo! E l ena recuou por um i ns tante e enxugou os ol hos como todas as meni nas es pertas s abi am fazer s em es tragar a maqui agem: pas s ando os pol egares por bai xo dos ol hos e i ncl i nando-s e para trás , col hendo as l ágri mas e o kohl em gotí cul as i nfi ni tes i mai s no ar. Pel a pri mei ra vez, el a cons egui a pensar. — Stefan —s us s urrou el a —, eu s i nto tanto. Perdi tempo me ves ti ndo es ta manhã... Bom, s endo ves ti da... Para te mos trar o que o es pera quando s ai rmos . M as agora... E u me s i nto... Como... Agora não havi a l ágri mas nos ol hos de Stefan também. — M os tre-me — s us s urrou el e, ans i os amente. E l ena s e l evantou e, s em encenação, ti rou o manto com um dar de ombros . Fechou os ol hos , o cabel o em centenas de cachi nhos , pequenas es pi rai s fi nas col adas por todo o ros to. As pal pebras douradas , com a pi ntura à prova d' água, ai nda bri l havam. Sua úni ca roupa de ti ras de tul e dourada com j ói as a dei xava res pei tável . Todo o corpo radi ante, a perfei ção da pri mei ra fl or da j uventude que j amai s podi a s er i gual ada ou recri ada. Ouvi u-s e um l ongo s us pi ro... depoi s s i l ênci o, e E l ena abri u os ol hos , apavorada com a pos s i bi l i dade de Stefan ter morri do. M as el e es tava de pé, agarrado ao portão de ferro como s e pudes s e arrancá-l o para chegar a el a. — E u tenho tudo i s s o? — s us s urrou el e. — Tudo i s s o para você. Tudo para você — di s s e E l ena. Nes te momento houve um s om s uave atrás del a e el a s e vi rou, vendo doi s


ol hos bri l hantes na es curi dĂŁo da cel a Ă  frente a de Stefan.


33 Para s ua s urpres a, E l ena não demons trou rai va, apenas determi nação em proteger Stefan, s e el a pudes s e. Na cel a que el a i magi nava es tar vazi a, havi a um ki ts une. O ki ts une não era nada pareci do com Shi ni chi ou M i s ao. Ti nha cabel os mui to compri dos , brancos como a neve — mas s eu ros to era j ovem. E s tava ves ti do todo de branco, col ete e cal ça de al gum teci do l eve e s edos o, e s ua cauda prati camente enchi a a pequena cel a, poi s era mui to pel uda. Também ti nha orel has de rapos a que s e torci am de um l ado a outro. Os ol hos eram do ouro de fogos de arti fí ci o. E l e era l i ndo. O ki ts une tos s i u de novo, depoi s pegou — provavel mente ti rou de s eu cabel o compri do, pens ou E l ena — uma bol s i nha de couro mui to pequena e de um materi al mui to fi no. A bol s a perfei ta para uma j ói a perfei ta, pens ou E l ena. E m s egui da, fi ngi u pegar uma garrafa i magi nári a de Bl ack M agi c ( era pes ada, e um gol e i magi nári o foi del i ci os o) e encheu a bol s a com o vi nho. Depoi s pegou uma s eri nga i magi nári a ( as s i m como o Dr. M eggar havi a fei to e bateu nel a para ti rar as bol has de ar) e a encheu com o l í qui do da bol s i nha. Por fi m, enfi ou a s eri nga i magi nári a entre as grades e apertou o êmbol o, es vazi ando-a. — Pos s o al i mentar você com o vi nho Bl ack M agi c — di s s e E l ena, ao entender o que o ki ts une es tava tentando mos trar a el a. — Com a bol s i nha, pos s o s egurá-l a e encher a s eri nga. O Dr. M eggar podi a me aj udar. M as não há tempo, então terei de fazer eu mes ma. — E u... — começou Stefan. — Beba o mai s rápi do que puder. — E l ena amava Stefan, queri a ouvi r a voz del e, queri a encher s eus ol hos com s ua i magem do amado, mas havi a uma vi da a s er s al va, e es s a vi da era a del e. E l a pegou a bol s i nha,


agradecendo ao ki ts une e dei xou o manto no chão. E s tava concentrada demai s em Stefan para s e l embrar como es tava ves ti da. E l a não permi ti u que s uas mãos tremes s em. Havi a três garrafas de Bl ack M agi c al i : a del a, em s eu manto, a do Dr. M eggar e outra es condi da, no manto dele, de Damon. As s i m, com a efi ci ênci a de uma máqui na, el a repeti u vári as vezes o que o ki ts une mos trara. M ergul har a s eri nga, puxar o êmbol o, pas s ar pel as grades , apertar. Vári as vezes , s em parar. Depoi s de umas dez vezes , E l ena des envol veu uma nova técni ca. E l a encheu a bol s i nha de vi nho e s egurou-a no al to para Stefan pos i ci onas s e a boca e pudes s e beber, num s ó gol e, q el a es premes s e a bol s a com as mãos . Suj ou as grades , s uj ou Stefan; j amai s teri a dado certo s e o aço pudes s e feri r Stefan, mas acabou forçando uma quanti dade s urpreendente de Bl ack pel a garganta del e. E l a deu a outra garrafa de vi nho ao ki ts une, cuj a cel a era de grades normai s . E l a não s abi a como agradecer, mas ao parar por um s egundo, vi rous e para el e e s orri u. E l e bebi a o vi nho di reto da garrafa e s eu ros to ti nha uma expres s ão de prazer fri o e apreço. Aqui l o acabou rápi do demai s . E l ena ouvi u a voz de Sage trovej ando, “Não é j us to! Elena não es tará pronta! Elena não tempo s ufi ci ente com el e!” E l ena não preci s ava que l he di s s es s em que s eu tempo acabara. E nfi ou a garrafa de Bl ack M agi c na cel a do ki ts une, fez uma úl ti ma mes ura e l he devol veu a bol s i nha — mas com o di amante canári o que es tava em s eu umbi go. E ra a mai or j ói a que l he res tava e el a o vi u vi rá-l a com preci s ão com dedos de unhas compri das e col ocar-s e de pé para l he agradecer. Houve uma troca de s orri s os e depoi s E l ena pegou a mal eta do Dr. M eggar e ves ti u o manto vermel ho. E m s egui da s e vi rou para Stefan, mai s uma vez mol e por dentro,


ofegando: — Des cul pe. E u não pretendi a que fos s e uma vi s i ta tão rápi da. — M as você vi u a chance de s al var mi nha vi da e não pôde des perdi çar. Aquel es i rmãos às vezes eram pareci dos demai s . — Stefan, não! Oh, eu amo você! — Elena. — E l e bei j ou s eus dedos compri mi dos na grade. Depoi s , s e vi rou para os guardas : — Não, por favor, por favor, não a l evem embora! Tenham pi edade, nos deem mai s um mi nuto! Só um mi nuto! M as E l ena teve de s ol tar os dedos para fechar o manto. Na úl ti ma vez que vi u Stefan, el e s ocava as grades com os punhos e gri tava, “E l ena, eu te amo! E l ena!” E ntão E l ena foi arras tada pel o corredor e uma porta s e fechou atrás del es . E l a des fal eceu. Braços es tavam ao s eu redor, aj udando-a a andar. E l ena es tava furi os a! Se Stefan fos s e col ocado em s ua anti ga cel a tomada de pi ol hos — como devi a es tar, agora —, el e poderi a andar. E aquel es demôni os não fazi am nada de boa vontade, el a s abi a. E l e provavel mente es tava s endo tratado como um ani mal , podi a até mes mo es tar s endo torturado. E l ena j á cons egui a andar s ozi nha. Quando chegaram na frente do s aguão da Shi no Shi , E l ena ol hou em vol ta. — Onde es tá Damon? — No coche — res pondeu Sage com uma voz mui to genti l . — E l e preci s ava de um tempo. Parte de E l ena di s s e, ‘Eu vou dar umtempo a ele! Tempo para g ri tar uma vez antes que eu rasg ue sua g arg anta! ” M as no fundo el a es tava apenas tri s te. — Não cons egui fal ar nada do que queri a. E u queri a contar a el e o


quanto Damon es tava arrependi do; que el e mudou. E l e nem s e l embrava de ver Damon l á... — Ele falou com você? — Sage pareci a s urpres o. Sage e E l ena, s aí ram pel as úl ti mas portas de mármore do prédi o dos Deus es da M orte — nome es col hi do mental mente por E l ena para a pri s ão. A carruagem es tava j unto ao mei o-fi o di ante del es , mas nenhum dos doi s entrou. Sage conduzi u E l ena genti l mente a certa di s tânci a dos outros , pôs as mãos grandes em s eus ombros e fal ou, ai nda naquel a voz mui to s uave. — Mon Di eu, mi nha cri ança, não quero l he di zer i s s o. M as devo. Temo que mes mo que ti remos Stefan aqui no di a da fes ta de Lady Bl oddeuwedd... Temo que s ej a tarde demai s . E m três di as el e pode es tar... — E s ta é s ua opi ni ão médi ca? — perguntou E l ena i nci s i vamente, ol hando para el e de ci ma. E l a s abi a que s eu ros to es tava i nchado e pál i do e que el e ti nha mui ta pena del a, mas queri a era uma res pos ta s i ncera. — Não s ou médi co — di s s e el e devagar. — Sou apenas outro vampi ro. — Apenas outro Anti go, você quer di zer? As s obrancel has de Sage s e ergueram. — Ora, o que l he fez pens ar i s s o? — Nada. Des cul pe s e eu es ti ver enganada. M as pode, por favor, trazer o Dr. M eggar? Sage a ol hou por mai s um l ongo i ns tante, depoi s foi bus car o médi co. Os doi s homens vol taram. E l ena es tava preparada para el es . — Dr. M eggar, Sage s ó vi u Stefan no i ní ci o, antes de o s enhor l he dar a i nj eção. E l e acha que Stefan es tará morto em três di as . O s enhor concorda com i s s o, mes mo depoi s da i nj eção? O Dr. M eggar ol hou para el a e E l ena podi a ver as l ágri mas s urgi ndo em


s eus ol hos mí opes . — É ... pos s í vel ... apenas pos s í vel que, s e el e ti ver força de vontade s ufi ci ente, pos s a s obrevi ver. M as é mai s provável ... — O que você di ri a s e eu di s s es s e que el e tomou tal vez um terço da garrafa de Bl ack M agi c es ta noi te? Os doi s homens a encararam. — E s tá di zendo... — E s te é s ó um pl ano s eu? — Por favor! — E s quecendo-s e da capa, es quecendo-s e de tudo, E l ena s egurou as mãos do Dr. M eggar. — E ncontrei uma manei ra de fazer com que el e bebes s e es s a quanti dade. Faz al guma di ferença? — E l a apertou as mãos vel has do Dr. M eggar até s enti r os os s os . — Certamente s i m. — O Dr. M eggar pareci a des norteado e com medo de dar es peranças . — Se real mente cons egui u que es s a quanti dade entras s e em s eu organi s mo, el e provavel mente vi verá até a noi te da fes ta de Bl oddeuwedd. É i s s o que quer, não é? E l ena s e curvou e deu um pequeno bei j o em s uas mãos antes de s ol tál as . — E agora vamos contar as boas -novas a Damon — di s s e el a. Na carruagem, Damon es tava s entado ereto, o perfi l del i neado contra um céu vermel ho-s angue. E l ena entrou e fechou a porta. Sem expres s ar nada, el e perguntou: — Acabou? — Se acabou? — E l ena não era burra, mas queri a ter certeza do que Damon es tava fal ando. — E l e es tá... morto? — di s s e Damon, cans ado, apertando os ol hos . E l ena dei xou que o s i l ênci o duras s e mai s al gumas bati das do coração. Damon certamente s abi a que Stefan não morreri a na mei a hora


s egui nte. M as enquanto não ti nha uma confi rmação, pareci a angus ti ado. — E l ena, me conte! O que aconteceu? — perguntou el e, com urgênci a na voz. — Meu i rmão está morto? — Não — di s s e E l ena em voz bai xa. — M as provavel mente morrerá em al guns di as . Des ta vez el e es tava l úci do, Damon. Por que não fal ou com el e? Damon s e encol heu. — O que eu di ri a a el e? — perguntou, ri s pi damente. — “Ah me des cul pe por quas e ter matado você?” “Ah, es pero que aguente por mai s uns di as ”? — Si m, s e você cons egui s s e evi tar o s arcas mo. — Quando eu morrer — di s s e Damon de um j ei to afi ado — es tarei s obre os própri os pés , l utando. E l ena l he deu um tapa na boca. Não havi a es paço para tormar i mpul s o, mas el a col ocou no movi mento o máxi mo de Poder que s e atreveu s em s e arri s car a quebrar a carruagem. Depoi s di s s o, houve um l ongo s i l ênci o. Damon tocava o l ábi o que s angrava, acel erando a cura, ao engol i r o própri o s angue. Por fi m el e fal ou. — Nunca l he ocorreu que você é mi nha es crava, não é? Que eu s ou s eu s enhor? — Se vai apel ar para a fantas i a, o probl ema é s eu — di s s e E l ena. — Tenho de l i dar com o mundo real . E a propós i to, l ogo depoi s de você fugi r, Stefan es tava não s ó de pé, mas também ri ndo. — E l ena... — di s s e el e em um tom cres cente. — Você cons egui u l he dar s angue? — E l e s egurou o braço del a com tanta força que a machucou. — Sangue, não. Um pouco de Bl ack M agi c. Se nós doi s es ti vés s emos l á, teri a s i do duas vezes mai s rápi do.


— Vocês eram três l á dentro. — Sage e o Dr. M eggar ti veram de di s trai r os guardas . Damon afas tou a mão. —Já s ei — di s s e el e s em expres s ão. — E ntão fal hei com el e de novo. E l ena ol hou para el e, s ol i dári a. — Você agora es tá dentro da pedra, não é? — Não s ei do que es tá fal ando. — A pedra em que você guarda qual quer coi s a que pos s a te machucar. Você até s e reti ra para dentro el a, embora deva s er apertado l á dentro. Katheri ne deve es tar l á, i magi no, emparedada em s eu própri o quarti nho. — E l ena s e l embrou da noi te no hotel . — E s ua mãe, é cl aro. E u deveri a di zer a mãe de Stefan. Ela era a mãe, você s abi a di s s o. — Não... M i nha mãe... — Damon mal cons egui u formar uma fras e coerente. E l ena s abi a o que el e queri a. E l e queri a s er abraçado e tranqui l i zado, ouvi r que tudo es tava bem — s ó os doi s , s ob o manto de E l ena, envol vi do em s eus braços quentes . M as el e não i a cons egui r i s s o. Des ta vez el a i a di zer não. E l a prometera a Stefan que i s s o era para el e, e s ó para el e. E , pens ou E l ena, el a manteri a s ua pal avra mes mo que s ó em es pí ri to.

***

À medi da que a s emana avançava, E l ena i a s e recuperando da dor de ver Stefan. E mbora nenhum del es pudes s e fal ar a res pei to, a não s er por excl amações breves e s ufocadas , el es ouvi ram quando E l ena di s s e que ai nda havi a uma tarefa a s er cumpri da e que, s e el es a executas s em com s uces s o,


poderi am i r para cas a l ogo — ao pas s o que, s e não a concl uí s s em, E l ena não s e i mportava s e i ri a para cas a ou fi cari a al i , na Di mens ão das Trevas . Ir para cas a! Pareci a um paraí s o, embora Bonni e e M eredi th s oubes s em em pri mei ra mão o i nferno que es perava por el as em Fel l ' s Church. M as de al gum modo qual quer coi s a s eri a preferí vel a es ta terra de l uz de s angue. Com a es perança aumentando as chamas de s eu entus i as mo, el as mai s uma vez s enti ram prazer com os ves ti dos que Lady Ul ma l hes fazi a. Des enhar era uma ati vi dade de que a dama ai nda podi a des frutar durante s eu repous o, trabal hando arduamente em s eu caderno de des enhos . Como a fes ta de Bl oddeuwedd s eri a ao ar l i vre e no i nteri or da mans ão, todos os três ves ti dos ti veram de s er cui dados amente des enhados para parecer atraentes tanto s ob a l uz de vel as quanto s ob os rai os carmi m daquel e s ol vermel ho gi gante. O ves ti do de M eredi th era de um azul -es curo metal i zado, vi ol eta ao s ol , e mos trava um l ado i ntei ramente di ferente da garota no ves ti do de s erei a col ado que foi ao bai l e de Fazi na. Fazi a, E l ena s e l embrar de uma pri nces a egí pci a. Novamente, dei xava os braços e os ombros de M eredi th à mos tra, mas a s ai a modes ta e es trei ta que caí a em l i nhas retas até a al tura de s uas s andál i as , e a del i cadeza das contas de s afi ra que enfei tavam as al ças , conferi am a M eredi th um vi s ual des pretens i os o. E s te efei to era real çado pel o cabel o del a, que Lady Ul ma determi nou que es ti ves s e s ol to, e s eu ros to, quas e s em maqui agem, a não s er por um l eve toque de del i neador em vol ta dos ol hos . No pes coço, um ornato fei to de grandes s afi ras de l api dação arredondada formavam um col ar el aborado. E l a também ti nha pedras preci os as azui s nos pul s os e nos dedos magros . O ves ti do de Bonni e era uma pequena i nvenção i ntel i gente: fei to de um teci do s edos o que as s umi a um tom pas tel da cor da l uz ambi ente. Num ambi ente fechado rel uzi a como a l ua, bri l hava num ros a cl aro, l embrando o


tom arrui vado do cabei e Bonni e. O vi s ual era compos to por ci nto, col ar, pul s ei ras , bri ncos e anéi s de opal as brancas em l api dação cabuchão. Os cachos de Bonni e foram cui dados amente pres os e afas tados do ros to, numa mecha ous ada com gel , dei xando s ua pel e trans parente bri l hando num ros ado s uave à l uz do s ol e de uma pal i dez éterea no i nteri or da cas a. M ai s uma vez, o ves ti do de E l ena era o mai s s i mpl es e o mai s i mpres s i onante. E ra es carl ate tanto s ob o s ol vermel ho-s angue quanto s ob as l uzes a gás do i nteri or. E ra bem decotado, dando à s ua pel e cremos a um bri l ho dourado à l uz do s ol . Fi cava j us to no corpo e ti nha uma fenda ao l ado para que el a pudes s e andar ou dançar confortavel mente. Na tarde da fes ta, Lady Ul ma fez com que o cabel o de E l ena fos s e cui dados amente es covado em uma nuvem el aborada de bri l ho dourado-avermel hado ao ar l i vre, mas apenas dourada dentro de cas a. E l a es tava coberta de di amantes , des de a bas e do decote, pas s ando pel os dedos , pul s os , um antebraço. Também us ava uma garganti l ha de di amantes que cobri a o col ar de Stefan. Tudo i s s o bri l hava vermel ho como rubi ao s ol , mas de vez em quando emi ti a outra cor i mpres s i onante, como uma expl os ão de pequenos fogos de arti fí ci o. Os es pectadores , prometeu Lady Ul ma, fi cari am des l umbrados . — M as não pos s o us ar es s as j ói as — protes tou E l ena com Lady Ul ma. — Pode s er que não os vej a mai s ... Depoi s de pegar Stefan, teremos que fugi r! — Nós também — acres centou M eredi th rapi damente, ol hando cada uma das meni nas em s uas cores azul -prateado, es carl ate e opal a “dentro da cas a”. — Todas es taremos us ando as j ói as com que fi caremos dentro ou fora da cas a... M as a s enhora pode perder todas ! — E vocês podem preci s ar de todas el as — di s s e Lucen em voz al ta. — M ai s um moti vo para cada uma de vocês us á-l as . Pode s er que preci s em trocar por carruagens , s egurança, comi da, o que for. O des i gn del as é s i mpl es ...


Vocês podem arrancar uma pedra e us ar como pagamento, e el as têm um engas te s i mpl es também, di fí ci l não s er do gos to de al gum col eci onador. — Al ém di s s o, todas s ão da mai s al ta qual i dade — acres centou Lady Ul ma. — São os exempl ares mai s perfei tos de s eu ti po que cons egui mos em tão pouco tempo. A es s a al tura as três meni nas chegaram a s eu l i mi te e avançaram para o cas al — Lady Ul ma em s ua cama enorme, com o caderno s empre ao l ado, e Lucen de pé, perto del a — e choraram, bei j aram, borrando a bel a e bem-fei ta maqui agem. — Vocês s ão como anj os para nós , s abi am? — E l ena s ol uçava. — Como fadas madri nhas ou anj os da guarda! Não s ei como vou s egui r me des pedi r de vocês ! — Como anj os — di s s e Lady Ul ma então, enxugando uma l ágri ma do ros to de E l ena. Depoi s s egurou E l ena, di zendo, “Ol he!” e ges ti cul ou para s i mes ma confortavel mente na cama, acompanhada de duas j ovens de ol hos l acri mos os e radi antes , prontas para atender a s eus des ej os . Lady Ul ma então as s enti u para a j anel a, pel a qual s e vi a um pequeno curs o d’agua e al gumas amei xei ras com os frutos maduros ci nti l ando como j ói as nos gal hos ; em s egui da, com um ges to, i ndi cou os j ardi ns , o pomar, os campos e as fl ores tas da propri edade. Depoi s pegou a mão de E l ena e a pas s ou na barri ga de curvatura s uave. — E s tá vendo? — E l a fal ava quas e aos s us s urros . — Vê tudo i s s o... e pode s e l embrar como me encontrou? Quem de nós é o anj o agora? Às pal avras “como me encontrou”, as mãos de E l ena voaram para cobri r o ros to — como s e el a fos s e i ncapaz de s uportar a l embrança que l he vi nha à mente naquel e momento. E l a abraçou e bei j ou Lady Ul ma de novo, e deram i ní ci o a uma nova rodada de abraços que des truí ram de vez a maqui agem.


— O amo Damon foi mui to genti l em comprar Lucen — di s s e Lady Ul ma — e você pode não acredi tar, mas — el a fi tou com os ol hos chei os de l ágri mas o j oal hei ro cal ado e barbudo — eu s i nto por el e o que você s ente pel o s eu Stefan. — E el a corou e es condeu o ros to nas mãos . — E l e es tá l i bertando Lucen agora — di s s e E l ena, aj oel hando-s e para pous ar a cabeça no traves s ei ro de Lady Ul ma. — E pas s ando a propri edade para o nome da s enhora, i rrevogavel mente. E l e contratou um advogado... Um bacharel , como di zem... para trabal har na papel ada a s emana toda com um Guardi ão. M es mo que que aquel e general horrí vel vol te, não poderá tocar na s enhora. Terá a s ua cas a para s empre. M ai s choros . M ai s bei j os . Sage, que i nocentemente pas s ava pel o corredor, as s ovi ando, depoi s de dar uma vol ta com s eu cão, Sabber, pas s ou pel o quarto de Lady Ul ma e foi atraí do para el e. — Também vamos s enti r a s ua fal ta! — E l ena chorava. — Ah, obri gada! Naquel e mes mo di a, Damon cumpri u todas as promes s as que fi zera a E l ena, al ém de dar uma grande boni fi cação a cada i ntegrante da cri adagem. O ar fi cou chei o de confete metál i co, pétal as de ros a, mús i ca e gri tos de des pedi da enquanto Damon, E l ena, Bonni e e M eredi th eram l evados à fes ta de Bl oddeuwedd — e parti am para s empre. — Pens ando bem, por que Damon não l i bertou a g ente? — perguntou Bonni e a M eredi th, enquanto s egui am em l i tei ras para a mans ão de Bl oddeuwedd. — Sei que preci s ávamos s er es cravas para entrar nes te mundo, mas agora j á es tamos nel e. Por que não fazer de nós garotas hones tas ? — Bonni e, nós j á s omos garotas hones tas — l embrou-l he M eredi th. — E acho que a ques tão é que nunca fomos es cravas de verdade. — Bom, quero di zer... Por que el e não nos l i berta para que todo mundo sai ba que s omos meni nas hones tas . M eredi th, você entendeu o que eu quero


di zer. — Porque não s e pode l i bertar al guém que j á é l i vre, é por i s s o. — M as el e podi a ter pas s ado pel o ceri moni al — i ns i s ti u Bonni e. — Ou é tão di fí ci l as s i m l i bertar uma es crava por aqui ? — Não s ei — di s s e M eredi th, fi nal mente cedendo a es ta i nqui ri ção i ncans ável . — M as vou l he di zer por que eu acho que el e não fez i s s o. E u acho que é porque as s i m el e é res pons ável por nós . Quero di zer, as es cravas podem mui to bem s er cas ti ga-l as ... Nós vi mos o que aconteceu com E l ena. — M eredi th parou. As duas es tremeceram com a l embrança. — M as no fi m as contas é o dono dos es cravos quem pode perder a vi da. Lembre-s e, el es queri am enfi ar uma es taca em Damon pel o que E l ena fez. — E ntão el e es tá fazendo i s s o por nós ? Para nos proteger? — Não s ei . E u... acho que s i m — di s s e M eredi th devagar. — E ntão... Acho que es ti vemos erradas s obre el e antes ? —Bonni e generos amente di s s e “es ti vemos ” em vez de “você es teve”. No grupo de E l ena, M eredi th s empre foi a mai s res i s tente aos encantos de Damon. — E u... acho que s i m — di s s e M eredi th de novo. — M as parece que todo mundo es queceu que até bem pouco tempo foi Damon quem aj udou os gêmeos ki ts une a col ocarem Stefan aqui ! E Stefan s em dúvi da não fez nada para merecer i s s o. — Bom, i s s o é verdade — di s s e Bonni e, parecendo al i vi ada por não ter es tado tão equi vocada, e ao mes mo tempo es tranhamente mel ancól i ca. — E s ó o que Stefan s empre qui s de Damon: paz e s os s ego — conti nuou M eredi th, como s e es ti ves s e em terreno mai s s eguro as s i m. — E E l ena — acres centou Bonni e automati camente. — Si m, s i m... E E l ena. M as s ó o que E l ena queri a era Stefan! Quero


di zer... Só o que E l ena quer' ... — A voz de M eredi th fal hou. A fras e pareci a ter pedi do o s enti do no pres ente. E l a tentou de novo. — Só o que E l ena quer agora é... Bonni e a ol hava, boqui aberta. — Bom, s ej a l á o que for — concl ui u M eredi th, abal ada —, el a quer que Stefan faça parte di s s o. E el a não gos tari a que nenhuma de nós fi cas s e aqui ... nes te... nes te buraco do i nferno. Na l i tei ra bem ao l ado del as , as coi s as es tavam mui to cal ma Bonni e e M eredi th es tavam tão acos tumadas a vi aj ar em l i tei ras fechadas que nem perceberam que outro pal anqui m s e col oca ao l ado del as , e que s uas vozes eram trans portadas com cl areza no ar quente e parado da tarde. Na l i tei ra ao l ado, Damon e E l ena ol haram mui to duro pel as corti nas de s eda que adej avam. Agora E l ena, com um ar de quem preci s ava fazer al guma coi s a, apres s adamente des amarrou a corda e as corti nas s e fecharam. Aqui l o foi um erro, poi s i s ol ou E l ena e Damon em um retângul o de bri l ho vermel ho s urreal , em que s ó as pal avras que el es ti nham acabado de ouvi r pareci am ter val i dade. E l ena s enti u a res pi ração acel erar. Sua aura l he es capava. Tudo l he es capava. Elas não acredi tamque eu só quero fi car comStefan! — Aguente fi rme — di s s e Damon. — E s ta é a úl ti ma noi te. Amanhã... E l ena l evantou a mão como s i nal para el e parar de fal ar. — Amanhã j á teremos achado a outra parte da chave e pegado Stefan e es taremos fora daqui — di s s e Damon mes mo as s i m. Deus quei ra, pens ou E l ena. E fez uma oração. E l es s egui ram para a mans ão grandi os a de Bl oddeuwedd em s i l ênci o. Por um tempo s urpreendentemente l ongo, E l ena não percebeu que Damon


tremi a. E ra al go l eve e i nvol untári o, mas a al ertou. — Damon... M eu... M eu Deus do céu! — E l ena fi cou abal ada, perpl exa, não s em pal avras , mas s em as pal avras certas . — Damon, ol he para mi m! Por quê? Por quê?, res pondeu Damon na úni ca voz que s abi a que não i a tremer, nem fal har. Porque... Já pensou no que está acontecendo com Stefan enquanto você vai a uma festa com roupas esplêndi das, sendo carreg ada, para beber o vi nho mai s refi nado e dançar... Enquanto ele... Enquanto ele... O pens amento não foi concl uí do. E ra exatamente o que eu preci s ava pouco antes de s er vi s ta em públ i co, pens ou E l ena, enquanto el es chegavam à l onga entrada para a cas a de Bl oddeuwedd. E l a tentou apel ar a s eus recurs os antes que as corti nas fos s em puxadas e el es es ti ves s em l i vres para s ai r e encontrar a s egunda metade da chave.


34 Não pens e nes s as coi s as , E l ena res pondeu da mes ma manei ra que Damon fal ava e pel o mes mo moti vo. E u não pens o, porque s e eu pens ar, vou enl ouquecer. M as s e eu enl ouquecer, como poderei aj udar Stefan. E m vez di s s o, bl oquei o tudo com paredes de ferro e me mantenho à di s tânci a a qual quer cus to. — E cons egue fazer i s s o? — perguntou Damon, a voz fal hando um pouco. — Cons i go... Porque preci s o. Lembra no i ní ci o, quando es távamos di s cuti ndo s obre as cordas que amarravam nos s os pul s os ! M eredi th e Bonni e ti nham dúvi das . M as el as s abi am que eu us ari a al gemas e ras tej ari a atrás de você, s e fos s e neces s ári o. — E l ena s e vi rou para ol har Damon na es curi dão carmi m e acres cente e acres centou: — E você es tá s empre fazendo conces s ões , você s abe di s s o. — E l a pas s ou os braços em vol ta del e e tocou s uas cos tas curadas , para que el e não ti ves s e dúvi das do que el a es tava fal ando. — Is s o foi por você — di s s e Damon ri s pi damente. — Na verdade, não — res pondeu E l ena. — Pens ando bem, s e você não ti ves s e concordado com a Di s ci pl i na, poderí amos ter fugi do da ci dade, mas j amai s cons egui rí amos aj udar Stefan. Se pens ar bem, tudo o que fez, tudo mes mo, foi por Stefan. — Se você pens ar bem, verá que fui eu quem col ocou Stefan aqui , antes de mai s nada — di s s e Damon, cans ado. — E m que pé s erá que es tamos agora? — Até quando vamos bri gar por caus a di s s o, Damon? Você es tava pos s uí do quando Shi ni chi o convenceu a parti ci par di s s o — di s s e E l ena, s enti ndo-s e el a mes ma exaus ta. — Tal vez você preci s e s er pos s uí do de novo... Só um pouco... Para s e l embrar de como é. Cada cél ul a do corpo de Damon pareceu s e encol her com a i dei a. M as el e apenas di s s e em voz al ta:


— Parece que todos s e es queceram de uma coi s a mui to i mportante. A hi s tóri a arquetí pi ca de doi s i rmãos que s e mataram num confronto e s e tornaram vampi ros porque gos tavam da mes ma garota. — O quê? — di s s e E l ena i nci s i vamente, es quecendo-s e do cans aço. — Damon, o que você quer di zer com i s s o? — E xatamente o que eu di s s e. Há uma coi s a que todos vocês es queceram. Rá. Tal vez até Stefan tenha s e es queci do. A hi s tóri a é contada e recontada, mas ni nguém a entende. Damon vi rou o ros to. E l ena s e aproxi mou del e, apenas um pouco, para que el e s enti s s e s eu perfume, que era de es s ênci a de ros as naquel a noi te. — Damon, me di ga. Porfavor! Damon começou a s e vi rar para el a... E foi nes s e momento que os carregadores pararam. E l ena s ó teve um s egundo para enxugar as l ágri mas , e as corti nas foram puxadas .

***

M eredi th ti nha contado a todos s obre a hi s tóri a de Bl oddeuwedd, que des cobri ra em um gl obo de hi s tóri as . E l a s abi a tudo: como Bl oddeuwedd ti nha s i do fei ta de fl ores e trazi da à vi da pel os deus es , que traí ra o mari do até s ua morte e que, como puni ção, foi condenada a pas s ar cada noi te, da mei a- noi te ao amanhecer, como coruj a. E , ao que pareci a, havi a al go que as l endas não menci onavam. O fato de que el a foi condenada a vi ver aqui , que fora bani da da Corte Cel es ti al para as profundezas do crepús cul o vermel ho da Di mens ão das Trevas . Pens ando bem, fazi a s enti do que s uas fes tas começas s em às 6 da tarde. E l ena des cobri u que s ua mente s al tava de um as s unto a outro. E l a


acei tou a taça de Bl ack M agi c de um es cravo enquanto os ol hos vagavam. Cada mul her e grande parte dos homens na fes ta ves ti am traj es i ntel i gentes que mudavam de cor no s ol . E l ena s e s enti u mui to modes ta — afi nal , tudo do l ado de fora pareci a s er ros a, es carl ate ou vi nho. Bebendo de s ua taça de vi nho, E l ena fi cou um tanto s urpres a ao s e ver entrando no modo fes ta automati camente, cumpri mentando as pes s oas que conhecera naquel a s emana com bei j os no ros to e abraços , como s e os conheces s e há anos . E nquanto i s s o, el a e Damon s egui am para a mans ão, às vezes com o fl uxo de pes s oas que s e movi a s em parar, às vezes contra el a. E l es chegaram a uma es cada de mármore branco ( ros a s ob o s ol ), que exi bi a cantei ros de es pori nhas azui s ( vi ol eta) e ros as s i l ves tres cor-de-ros a ( es carl ates ) de cada l ado. E l ena parou al i por doi s moti vos . Um del es era cons egui r uma taça nova de Bl ack M agi c. A pri mei ra j á l he dera um bri l ho s audável — embora, cl aro, tudo al i bri l has s e conti nuamente. E l a es perava que a s egunda dos e a aj udas s e a s e es quecer de tudo o que Damon trouxera à tona na l i tei ra, a não s er a chave — e a aj udas s e a s e l embrar do que a havi a dei xado nervos a antes . Antes que s eus pens amentos fos s em s eques trados pel a convers a de Bonni e e M eredi th. — E s pero que a mel hor manei ra s ej a perg untar a al guém — di s s e el a a Damon, que de s úbi to e s i l enci os amente es tava em s eu cotovel o. — Perguntar o quê? E l ena i ncl i nou-s e um pouco para o es cravo que l he s ervi a uma nova taça. — Pos s o l he fazer uma pergunta... Onde fi ca o s al ão de bai l e pri nci pal de Lady Bl oddeuwedd? O es cravo uni formi zado fi cou s urpres o. Depoi s , com a cabeca, fez um ges to engl obando tudo. — E s ta praça... Sob a abóbada... Ganhou o nome de Grande Sal ão de Bai l e


— di s s e el e, curvando-s e s obre a bandej a. E l ena o encarou, depoi s ol hou em vol ta. Sob uma i mens a abóbada — pareci a-l he s emi permanente e s us tentava em toda parte l i ndas l anternas em tons que fi cavam mai s boni tos no s ol — o gramado s uave s e es tendi a por centenas de metros por todos os l ados . E ra mai or do que um campo de futebol . — O que eu queri a s aber — perguntava Bonni e a uma convi dada, uma mul her que di zi a ter i do a vári as fes tas de Bl oddeuwedd e conheci a cada canto da mans ão — é qual s al a é o s al ão pri nci pal ? — Ah, mi nha cara, depende do que quer di zer — res pondeu a convi dada ani mada. — Há o Grande Sal ão externo... Você provavelmente o vi u enquanto s ubi a... O grande pavi l hão? E há o Sal ão Branco, l á dentro. É i l umi nado com candel abros e s uas corti nas fi cam fechadas . Às vezes é chamado de Sal ão de Val s a, uma vez que é s ó o que s e toca l á. M as Bonni e ai nda as s i mi l ava, apavorada, as pal avras anteri ores . — Tem um s al ão de bai l e do lado de fora ? — perguntou el a, tremendo, na es perança de que de al gum modo não ti ves s e ouvi do di rei to. — Is s o mes mo, mi nha cara, e você pode vê-l o através daquel a parede al i . — E era verdade. E ra pos s í vel ver através da parede, porque todas eram de vi dro, uma depoi s da outra, permi ti ndo que Bonni e vi s s e o que pareci a s er uma i l us ão cri ada por es pel hos : s al a após s al a i l umi nada, todas chei as de gente. Só a ul ti ma s al a do pri mei ro andar pareci a s er fei ta de al guma coi s a s ól i da. Devi a s er o Sal ão Branco. M as , pel a parede opos ta, onde a convi dada apontava — ah, s i m. Havi a um teto abobadado. E l a s e l embrou vagamente de pas s ar por al i . A outra coi s a de que s e l embrava era... — E l es dançam na grama? Nes s e... gramado enorme?


— É cl aro. Foi es peci al mente cortado e s uavi zado. Fi ca tranqui l a que ni nguém i rá tropeçar num rami nho nem monti nho de terra. Tem certeza de que es tá s e s enti ndo bem? Você es tá mui to pál i da. Bem... — a convi dada ri u —, tão pál i da quanto al guém pode fi car nes ta l uz. — E s tou bem — di s s e Bonni e, perpl exa. — E u es tou... mui to bem.

***

Os doi s grupos s e encontraram l ogo depoi s e fal aram dos horrores que ti nham des coberto. Damon e E l ena s ouberam que o chão do s al ão externo era prati camente duro como pedra — qual quer coi s a que ti ves s e s i do enterrada al i antes de o chão s er s uavi zado por rol os compres s ores agora es tari a es premi da em al go pareci do com ci mento. Só era pos s í vel cavar pel o perí metro. — A gente devi a ter trazi do um cl ari vi dente — di s s e Damon. — Al guém capaz de l ocal i zar uma pes s oa us ando um pêndul o ou um pedaço da roupa daquel e que des apareceu. — Tem razão — di s s e M eredi th, o tom de voz cl aramente acres centando desta vez. — Por que não trouxemos um cl ari vi dente? — Porque não conheço nenhum — di s s e Damon, com s eu s orri s o mai s doce e feroz. Bonni e e M eredi th des cobri ram que o pi s o do s al ão de bai l e i nterno era de pedra — de um l i ndo mármore branco. Havi a dezenas de arranj os fl orai s no s al ão, mas s ó o que Bonni e cons egui ra ti rar del es ( o mai s di s cretamente pos s í vel ) foram s i mpl es mente fl ores que es tavam num vas o com água. Sem terra, nada que pudes s e j us ti fi car o us o do termo “enterrado”. — E al ém di s s o, por que Shi ni chi e M i s ao col ocari am a chave na água s e el es s abi am que s eri a j ogada fora l ogo depoi s ? — perguntou Bonni e, com a


tes ta franzi da, enquanto M eredi th acres centava: — E como achamos uma tábua s ol ta no mármore? E ntão não vemos como pode ter s i do enterrada aqui . Al i ás , eu veri fi quei ... E o Sal ão Branco foi cons truí do há anos , então não é pos s í vel que el es tenham es condi do debai xo das pedras do prédi o. E l ena, j á na tercei ra taça de Bl ack M agi c, di s s e: — Tudo bem. E ntão vamos pens ar o s egui nte: uma s al a ri s cada da l i s ta. Já temos metade da chave... Ol ha como foi fáci l ... — Tal vez el es es ti ves s em apenas nos provocando — di s s e Damon, erguendo uma s obrancel ha. — Para nos ani mar, antes de des trui r nos s as es peranças compl etamente... Aqui . — Não pode s er — di s s e E l ena, des es perada, fuzi l ando-o com os ol hos . — Vi emos de tão l onge... M i s ao não i magi nava que farí amos i s s o. Vamos encontrá-l a. Nós vamos encontrá-l a. — M ui to bem — di s s e Damon, de repente s éri o. — Vamos encontrá-l a, nem que para i s s o s ej a preci s o pas s armos por empregados e us armos pi caretas na terra do l ado de fora. M as pri mei ro, vamos procurar dentro da cas a. Deu certo da úl ti ma vez. — E s tá certo — di s s e M eredi th, pel a pri mei ra vez ol hando di retamente para el e e s em reprovação. — Bonni e e eu fi camos com os andares s uperi ores e vocês podem fi car com os i nferi ores ... Tal vez pos s am dar uma ol hada no Sal ão de Val s a. — Tudo bem. E l es parti ram para o trabal ho. E l ena queri a poder s e acal mar. Apes ar da mai or parte do vi nho que tomou os ci l ar dentro del a — ou tal vez graças a es tas taças —, el a vi a al gumas coi s as s ob uma nova óti ca. M as devi a s e concentrar na bus ca — e s ó na bus ca. Fari a qual quer coi s a — qualquer coi sa, di s s e el a a s i


mes ma —, para cons egui r a chave. Qual quer coi s a por Stefan. O Sal ão Branco ti nha chei ro de fl ores e era ornado com botões grandes e opul entos no mei o de uma fol hagem abundante. Inúmeros arranj os protegi am uma área em vol ta de uma fonte, formando um recanto í nti mo em que os cas ai s podi am s e s entar. E , embora não houves s e uma orques tra à vi s ta, a mús i ca s e derramava no s al ão, exi gi ndo uma reação do s us cetí vel corpo de E l ena. — Acho que você não s abe dançar val s a — di s s e Damon de repente, e E l ena percebeu que es ti vera bal ançando no ri tmo da mús i ca, de ol hos fechados . — Cl aro que s ei — res pondeu E l ena, mei o ofendi da. — Todas nós fi zemos aul as com a Srta. Hopewel l . E m Fel l ’s Church i s s o era o equi val ente a frequentar aul as de eti queta — acres centou el a, vendo o l ado engraçado di s s o e ri ndo cons i go mes ma. — E a Srta. Hopewel l adorava dançar e nos ens i nou cada dança e movi mento que cons i derava el egante. M as eu ti nha 11 anos na época. — Seri a um abus o pedi r que danças s e comi g o? — di s s e Damon. E l ena o fi tou com o que el a s abi a que eram ol hos grandes e confus os . Apes ar do ves ti do es carl ate decotado, el a não s e senti a uma s erei a i rres i s tí vel es ta noi te. E s tava nervos a demai s para abs orver a magi a teci da na roupa, magi a que agora percebi a l he di zer que era uma chama dançante, um el emental do fogo. E l a i magi nou que M eredi th deveri a es tar s e s enti ndo um regato tranqui l o, fl ui ndo rápi da e cons tantemente a s eu des ti no, mas ci nti l ando por todo o cami nho. E Bonni e — Bonni e, é cl aro, era um es pí ri to do ar, o que s i gni fi cava dançar com a l eveza de uma pl uma naquel e ves ti do opal es cente, que mal s ofri a a ação gravi dade. M as de repente E l ena s e l embrou de certos ol hares de admi ração que


vi ra em s ua di reção. E agora, de uma hora para outra, Damon es tava vul nerável ? Será que el e não i magi nava que el a dançari a com el e? — Cl aro que adorari a dançar — di s s e el a, percebendo um l eve choque o q u e não ti nha percebi do antes , que Damon us ava um s moki ng branco i mpecável . E vi dente, era a úni ca noi te em que i s s o podi a atrapal há-l os , mas o fazi a parecer um prí nci pe do s angue. Os l ábi os de E l ena s e retorceram l evemente com o tí tul o. Do s angue... Ah, s i m. — Tem certeza de que sabe dançar val s a? — perguntou el a a Damon. — Boa pergunta. Aprendi em 1885 porque na época era cons i derado devas s o e i ndecente. M as depende s e você es tá s e referi ndo à val s a i ngl es a, à val s a vi enens e, à val s a l enta ou... — Ah, tenha dó, ou vamos perder outra dança. — E l ena pegou a mão del e, s enti ndo faí s cas mí ni mas , como s e ti ves s e afagado o pel o de um gato do j ei to errado, e o puxou para a mul ti dão que dançava. Começou outra val s a. A mús i ca i nundava o s al ão e quas e fazi a E l ena fl utuar enquanto os pel i nhos de s ua nuca s e eri çavam. Todo o s eu corpo formi gava, como s e el a ti ves s e bebi do al gum el i xi r cel es ti al . E ra s ua val s a preferi da des de a i nfânci a: aquel a com que foi cri ada. A B ela Adormeci da, de Tchai kovs ky. M as uma parte i nfanti l de s ua mente j amai s podi a dei xar de combi nar as notas envol ventes e doces que vi nham depoi s do i ní ci o es trondos o e el etri zante com a l etra da vers ão da Di s ney: Eu conheço você; dancei comvocê uma vez numsonho... Como s empre, provocavam l ágri mas em s eus ol hos ; fazi am s eu coração cantar e s eus pés quererem voar, em vez de dançar. Seu ves ti do era decotado nas cos tas . A mão quente de Damon es tava em s ua pel e. E u s ei , al go s us s urrou para el a, por que cons i deravam es ta dança


devas s a e i ndecente. E agora, certamente, E l ena s enti u a chama. Fomos fei tos para ser assi m. E l a não cons egui a l embrar s e era uma vel ha ci tação de Damon ou al go que el e acabara de s us s urrar em s ua mente. Como duas chamas que se uneme se fundememuma só. Você é boa, di s s e Damon, e des ta vez E l ena s abi a que era el e fal ando, e que el es es tavam no pres ente. Não preci sa me parabeni zar. Já estou feli z demai s! E l ena ri u. Damon era um es peci al i s ta, e não apenas era preci s o com os pas s os . E l e dançava uma val s a devas s a e i ndecente. Ti nha uma condução fi rme, que a força humana de E l ena cl aramente não podi a romper. M as podi a i nterpretar pequenos s i nai s del a. Coi s as que E l ena queri a e el e obedeci a, como s e el es es ti ves s em dançando no gel o, como s e a qual quer momento pudes s em gi rar e s al tar. O es tômago de E l ena derreti a l entamente e l evava outros órgãos i nternos com el e. E não l he ocorreu nem uma vez pens ar no que os ami gos , os ri vai s e os i ni mi gos do col égi o teri am achado de el a s e derreter com mús i ca cl ás s i ca. E l a es tava l i vre da ani mos i dade mes qui nha,

da vergonha medí ocre das

di ferenças . Não queri a mai s s aber de rótul os . Queri a poder vol tar para mos trar a todos que el a j amai s des ej ou i s s o. A val s a acabou cedo demai s e E l ena qui s apertar o botão Repl ay e recomeçar tudo. Houve um momento em que a mús i ca parou e el a e Damon fi caram s e ol hando, com i dênti ca exal tação e des ej o e... E então Damon s e curvou di ante del a. — Há mai s na val s a do que s ó mexer os pés — di s s e el e, s em ol har para el a. — Há uma graça os ci l ante que pode s er col ocada nos movi mentos , uma chama que s al ta de al egri a e uni dade... Com a mús i ca, com o parcei ro. Não preci s a domi nar a val s a para s aber di s s o. M ui to obri gado por me dar es s e


prazer. E l ena ri u, mas queri a chorar. Jamai s qui s parar de dançar. Queri a dançar tango com Damon — um tango de verdade, do ti po que a obri ga a s e cas ar depoi s . M as havi a outra mi s s ão... Uma mi s s ão i mportante que preci s ava s er concl uí da. E , ao s e vi rar, havi a uma mul ti dão de outras coi s as di ante del a. Homens , demôni os , vampi ros , cri aturas s emel hantes a bes tas . Todas queri am uma dança. As cos tas do s moki ng de Damon s e afas tavam del a. Damon! E l e parou, mas não s e vi rou. Si m? Me aj ude! Preci samos achar a outra metade da chave! E l e pareceu l evar um s egundo para entender o que es tava acontecendo, mas depoi s compreendeu e vol tou para el a e, pegando-a pel a mão, di s s e numa voz cl ara e res s oante: — E s ta garota é mi nha... as s i s tente pes s oal ... Não quer el a dance com ni nguém, apenas comi go. Houve protes tos em rel ação a i s s o. Os es cravos que eram l evados a es s es bai l es não cos tumavam s er proi bi dos de i nteragi r com es tranhos . M as j us to nes s e momento houve uma es péci e de agi tação na l ateral do s al ão, l evando por fi m a mul ti dão para o l ado opos to de onde Damon e E l ena es tavam. — O que é? — perguntou E l ena, es quecendo a dança e a chave. — A pergunta é quem é — res pondeu Damon. — E eu res ponderi a: nos s a anfi tri ã, Lady Bl oddeuwedd em pes s oa. E l ena s e vi u es premendo-s e atrás dos outros para ter um vi s l umbre des ta cri atura extraordi nári a. M as quando fi nal mente vi u a mul her parada s ozi nha na porta do s al ão, el a ofegou. Ela era fei ta de flores... l embrou-s e E l ena. Como s eri a uma mul her fei ta de fl ores ?


Sua pel e s eri a do tom mai s cl aro de ros a em um botão de maci ei ra, pens ou E l ena, ol hando des caradamente. Seu ros to s eri a de um ros a um pouco mai s es curo, como uma ros a da cor do amanhecer. Os ol hos , enormes na face perfei ta e del i cada, s eri a da cor de es pori nha, com cí l i os dens os e etéreos que os fari am fi car s emi cerrados , como s e el a es ti ves s e s empre num s onho. E el a teri a cabel os amarel os , cl aros como prí mul as , cai ndo quas e até o chão, em tranças que eram i ncorporadas em tranças mai s gros s as até que todo o cabel o s e reuni s s e pouco aci ma dos tornozel os del i cados . Os l ábi os s eri am vermel hos como papoul as , entreabertos e convi dati vos . E el a teri a um aroma pareci do com o de um buquê que reuni a todas as pri mei ras fl ores da pri mavera. E l a andari a como s e os ci l as s e na bri s a. E l ena s ó cons egui u pens ar fi car de pé, ol hando es ta vi s ão como as dezenas de convi dados em vol ta del a. Só mai s um s egundo para beber es s a bel eza, pedi u s ua mente. — M as o que el a es tá ves ti ndo? — E l ena s e ouvi u di zer em voz al ta. E l a não cons egui a s e l embrar nem de um ves ti do es tonteante, nem de um vi s l umbre da pel e l us tros a de fl or de maçã através das mui tas tranças . — Uma es péci e de ves ti do. E de que mai s s eri a fei to? Fl ores — di s s e Damon com i roni a. — O ves ti do del a era fei to com todas as fl ores que j á vi na vi da. Não entendo como fi cam no l ugar... Tal vez s ej am s eda cos turada. — E l e era o úni co que não pareci a des l umbrado com a vi s ão. — Será que el a fal ari a conos co... Só por uns mi nutos ? — qui s s aber E l ena. E l a ans i ava por ouvi r a voz mági ca e del i cada da mul her. — Duvi do — res pondeu um homem na mul ti dão. — E l a não fal a mui to... Pel o menos não antes da mei a-noi te. Ora es s a! É você! Como vai ? — M ui to bem, obri gada — res pondeu E l ena educadamente, depoi s recuou rápi do. E ra um dos j ovens que enfi aram s eus cartões na mão de


Damon no fi nal da ceri môni a do Chefão, na noi te da s ua Di s ci pl i na. Agora el a s ó queri a s ai r dal i di s cretamente. M as havi a homens demai s e es tava cl aro que el es não dei xari am que el a e Damon es capas s em. — E s ta é a meni na de quem l he fal ei . E l a entra num trans e e nem nota que es tá s endo es pancada; não s ente nada... — ... s angue es correndo pel o corpo como água e el a nem pi s cou... — E l es s ão mági cos profi s s i onai s . E s tão em turnê... E l ena es tava pres tes a di zer que Bl oddeuwedd proi bi a es tri tamente es s e ti po de barbári e em s ua fes ta quando ouvi u um dos j ovens vampi ros fal ar. — Não s abi a? E u fui um dos que convenceu Lady Bl oddeuwedd a convi dar você para a fes ta. Contei a el a s obre s ua apres entação e el a fi cou mui to i nteres s ada em ver. Ora, l á s e vai mi nha des cul pa, pens ou E l ena. M as pel o menos s ej a genti l com es s es j ovens . E l es podem s er útei s de al guma manei ra depoi s . — Recei o que não pos s o fazer i s to es ta noi te — di s s e el a em voz bai xa, para que el es própri os s e cal as s em. — Vou me des cul par di retamente com Lady Bl oddeuwedd, é cl aro, poi s i nfel i zmente não s erá pos s í vel . — Si m, é — a voz de Damon, bem atrás del a, a as s us tou. — É perfei tamente pos s í vel ... Des de que al guém encontre meu amul eto. Damon! O que está di zendo ? Calma! É o que preci samos. — Infel i zmente, há umas três s emanas e mei a perdi um amul eto mui to i mportante. Pareci do com es te. — E l e pegou a metade da chave de rapos a e dei xou que todos des s em uma boa ol hada. — Foi o que us ou para fazer o truque? — perguntou al guém, mas Damon era mui to mai s es perto que el es . — Não, mui ta gente me vi u repres entar mai s ou menos há uma s emana s em el e. É um amul eto pes s oal , mas uma parte del e es tá fal tando, e


eu s i mpl es mente não tenho vontade de fazer mági ca. — Parece uma rapos i nha. Você não é um ki ts une? — perguntou al guém... Intel i gente demai s para o própri o bem, pens ou E l ena. — Real mente parece, mas na verdade não é i s s o. É uma fl echa. Uma fl echa com duas pedras verdes na ponta. É um... amul eto mas cul i no. Uma voz femi ni na de al gum l ugar na mul ti dão s e mani fes tou. — Até parece que você preci s a de um fei ti ço mas cul i no! — E ouvi ram-s e ri s os .


35 Todavi a — os ol hos de Damon as s umi ram um bri l ho fri o —, s em o amul eto, mi nha as s i s tente e eu não nos apres entamos . — M as ... Com el e, vocês o farão? Di go, es tá me di zendo que perdeu s eu amul eto aqui ? — Na real i dade, s i m. Durante os preparati vos para a fes ta. — Damon abri u um l i ndo e provocante s orri s o para os j ovens vampi ros e o apagou de repente. — Não fazi a i dei a s e teri a aj uda, procurava um mei o de cons egui r um convi te. E ntão, pas s ei aqui para dar uma ol hada no l ugar. — Não me di ga que foi antes que a grama fos s e compri mi da — di s s e al guém com apreens ão. — Infel i zmente, s i m. Um cl ari vi dente me di s s e que a ch... o amul eto es tá enterrado aqui em al gum l ugar. Houve um coro de gemi dos do grupo. E então s e el evaram vozes i ndi vi duai s , apontando as di fi cul dades : a dureza da grama compri mi da, os vári os s al ões com s eus i números arranj os fl orai s no s ol o, a horta e os j ardi ns de fl ores ( que nem vi mos ai nda, pens ou E l ena). — Sei que é prati camente i mpos s í vel encontrar i s s o — di s s e Damon, pegando a metade da chave de rapos a e fazendo-a deparecer el egantemente ao pas s ar para a mão de E l ena, que es tava pronta para recebê-l a. E l a agora ti nha um l ugar es peci al para a chave... Lady Ul ma provi denci ara. Damon di zi a: — Por i s s o eu s i mpl es mente di s s e não no i ní ci o. M as es s a é a verdade. Houve al guns murmúri os , mas depoi s as pes s oas começaram a s e afas tar em grupos de doi s ou três , ou s ozi nhas , di s cuti ndo s obre os mel hores l ugares para começar a procurar. Damon, eles vão destrui r o terreno de B loddeuw edd, protes tou E l ena em s i l ênci o.


Que bom. Vamos oferecer todas as j ói as de vocês três e todo o ouro que tenho comi g o como recompensa. O que quatro pessoas não podemfazer talvez cemconsi g am. E l ena s us pi rou. Ai nda queri a mui to falar com B loddeuw edd. Não só para ouvi -la falar, mas tambémpara tentar descobri r alg umas coi sas. Quero di zer, que moti vo haveri a para uma li nda flor como B loddeuw edd proteg er Shi ni chi e Mi sao? A res pos ta tel epáti ca de Damon foi curta. B om, vamos tentar os cômodos lá de ci ma, então. Foi para lá que ela se di ri g i u, de qualquer manei ra. E l es encontraram um l ance de es cada de cri s tal — bem di fí ci l de l ocal i zar quando todas as paredes eram trans parentes e mai s di fí ci l ai nda de s ubi r. No s egundo andar, procuraram por outra. Foi E l ena quem acabou encontrando, tropeçando no pri mei ro degrau. — Ah — di s s e el a, ol hando da es cada, que agora s e revel ava com uma l i nha vermel ha na borda da frente, para s eu tornozel o, que mos trava o mes mo dano. — Bom, i sso pode s er i nvi s í vel , mas nós não s omos . — Não é tão i nvi s í vel as s i m. — Damon es tava canal i zando Poder para os ol hos , el a s abi a. E l ena fari a o mes mo, mas ul ti mamente s e perguntava qual dos doi s ti nha mai s s angue del a no corpo, el e ou el a? — Não fi que nervos a, eu pos s o ver os degraus — di s s e el e. — Apenas feche os ol hos . — M eus ol hos ... — Antes que el a pudes s e perguntar por quê, el a j á sabi a o moti vo, e antes que pudes s e gri tar, el a foi apanhada, o corpo quente de Damon s endo a úni ca coi s a s ól i da que havi a al i . E l e s ubi u a es cada s egurando E l ena de modo que s eu ves ti do fi cas s e l onge das gotas de s angue que caí am l i vremente no es paço. Para al guém que ti nha medo de al tura, foi uma vi agem l ouca e apavorante; mas el a s abi a que Damon es tava em pl enas condi ções e não a dei xari a cai r, e ti nha certeza de poder ver aonde el e i a. Ai nda as s i m, s e dependes s e uni camente del a, E l ena j amai s teri a i do al ém do pri mei ro degrau. Naquel as condi ções , el a nem mes mo s e atrevi a a s e mexer mui to


para não fazer Damon s e des equi l i brar. E l a s ó podi a gemer e tentar aguentar. Quando, uma eterni dade depoi s , el es chegaram ao topo, E l ena s e perguntou s e al guém a l evari a para bai xo novamente, ou s e el a fi cari a al i pel o res to da vi da. Os doi s foram confrontados por Bl oddeuwedd, a mai s encantadora cri atura i numana que E l ena vi ra na vi da. E ncantadora... M as es tranha. E l a es tava vendo um l eve padrão de prí mul as no cabel o, pel as cos tas e nas l aterai s ? Seu ros to na verdade não ti nha o formato de uma pétal a de fl or de maci ei ra, as s i m como o tom cl aro da pétal a? — E s tão em mi nha bi bl i oteca parti cul ar — di s s e el a. E , como s e um es pel ho ti ves s e rachado, E l ena s e l i bertou do que res tava do encanto de Bl oddeuwedd. Os deus es a fi zeram de fl ores ... M as as fl ores não fal am. A voz de Bl oddeuwedd era i nexpres s i va e monótona. E s tragou i ntei ramente a i magem da mul her fl oral . — Pedi mos des cul pas — di s s e Damon, natural mente com o fôl ego recuperado. — M as gos tarí amos de l he fazer al gumas perguntas . — Se pens a que vou l he aj udar, es tá enganado — di s s e a mul her pétal a de fl or no mes mo tom nas al ado. — E u odei o humanos . — M as s ou um vampi ro, como certamente percebeu. — Damon tentava j ogar s eu charme quando Bl oddeuwedd o i nterrompeu: — Uma vez humano, s empre humano. — Como? O des control e de Damon pode ter s i do a mel hor coi s a que aconteceu, pens ou E l ena, s e es condendo atrás del e. E l e foi tão s i ncero em s eu des dém pêl os humanos que Bl oddeuwedd s e abrandou um pouco. — O que quer s aber?


— Apenas s e a s enhora vi u doi s ki ts une ul ti mamente. E l es s ão i rmãos e s e chamam Shi ni chi e M i s ao. — Si m. — Ou tal vez el es ... Como? Si m? — Aquel es l adrões i nvadi ram a mi nha cas a à noi te enquanto es tava numa fes ta. Vol tei às pres s as e quas e os peguei . M as os ki ts une s ão rápi dos . — Onde... — Damon engol i u em s eco. — Onde el es es tavam? — Des cendo a es cada da frente. — E l embra-s e de quando el es es ti veram aqui ? — Na noi te em que o terreno es tava s endo preparado para es ta fes ta. Os rol os compres s ores trabal havam na grama. A abóbada foi eri gi da. Coi s as es qui s i tas para s e fazer à noi te, pens ou E l ena, mas então s e l embrou... de novo. A l uz era s empre a mes ma. M as s eu coração bati a acel erado. Shi ni chi e M i s ao s ó podem ter vi ndo por um moti vo: para es conder a chave de rapos a. E tal vez l argá-l a no Grande Sal ão de Bai l e, pens ou E l ena. E l a ol hou vagaros amente enquanto todo o exteri or da bi bl i oteca gi rava, como s e fos s e um pl anetári o gi gante, de modo que Bl oddeuwedd pudes s e pegar um gl obo e col ocá-l o em um aparel ho que devi a fazer a mús i ca tocar nos vári os ambi entes . — Com l i cença — di s s e Damon. — E s ta é mi nha bi bl i oteca parti cul ar — di s s e Bl oddeuwedd fri amente contra o cres cendo do gl ori os o fi nal de O Pássaro de Fog o. — Is to quer di zer que agora temos de i r embora? — Não. Is to quer di zer que agora eu vou matá-l os .


36 O quê? — gri tou Damon por s obre a mús i ca,

enquanto di zi a

tel epati camente a E l ena: Fuj a... vá! Se fos s e apenas pel a própri a vi da, E l ena fi cari a fel i z em morrer al i , cercada pel a bel eza es trondos a do Pássaro de Fog o, em vez de enfrentar aquel a es cada i nvi s í vel s ozi nha. M as não era apenas a s ua vi da. E ra também a vi da de Stefan. Ai nda as s i m, a donzel a-fl or não pareci a parti cul armente ameaçadora, e E l ena não cons egui u reuni r adrenal i na s ufi ci ente para des cer aquel a es cada horroros a. Damon, venha comi g o. Temos que procurar o Grande Salão de B ai le lá fora. Só você tem força sufi ci ente... Uma hes i tação. Damon preferi a l utar a enfrentar aquel e campo verde enorme e i mpos s í vel l á fora, pens ou E l ena. M as Bl oddeuwedd, apes ar do que di s s e, agora gi rava a s al a novamente, para que el a, na bei ra de al guma pas s agem i nvi s í vel , pegas s e exatamente o gl obo que queri a. Damon pegou E l ena nos braços e di s s e: Feche os olhos. E l ena não s ó fechou os ol hos , mas os cobri u com a mão. Se Damon a l argas s e, el a não i a aj udar em nada gri tando “Cui dado!” As s ens ações em s i j á eram bem naus eantes . Damon s al tava de um degrau a outro como uma cabra s el vagem. E l e mal pareci a tocar os degraus ao des cer, e E l ena s e perguntou — bem de repente — s e havi a al guma coi s a atrás del e. Se houves s e, el a preci s ava s aber. E l a começou a afas tar as mãos e ouvi u Damon s us s urrar num ros nado “Fi que de ol hos fechados !”, num tom contra o qual poucas pes s oas i ri am argumentar. E l ena es pi ou entre as mãos , encontrando os ol hos exas perados de Damon, e vi u que não havi a nada atrás del es . E l a uni u as mãos e rezou.


Se você realmente fosse uma escrava, não durari a um di a aqui , sabi a?, di s s e Damon a el a, dando o úl ti mo s al to para o es paço e bai xando-a no chão i nvi s í vel — mas , pel o menos , pl ano. Eu não i ri a querer, envi ou E l ena com fri eza. Eu j uro, prefi ro morrer. Cui dado com o que promete, Damon l he abri u s eu s orri s o es pl êndi do de repente. Pode acabar emoutras di mensões tentando cumpri r sua palavra. E l ena nem mes mo tentou argumentar com el e. E l es es tavam l á fora, l i vres , correndo pel a cas a de vi dro, des cendo a es cada para o pri mei ro andar — mei o es pi nhos a no es tado mental de E l ena, mas s uportável — e fi nal mente s ai ndo pel a porta. Na grama do Grande Sal ão, encontraram M eredi th e Bonni e... e Sage. E l e também es tava de s moki ng branco, embora s eu pal etó es ti ves s e es ti cado nos ombros . Al ém di s s o, Tal on es tava empol ei rada em um dos ombros — então o probl ema podi a s er res ol vi do mui to em breve, uma vez que el a ras gava o teci do e ti rava s angue del e. Sage não pareci a ci ente di s s o. Sabber es tava ao l ado do dono, fi tando E l ena com ol hos pens ati vos demai s para um ani mal , mas s em mal dade. — Graças a Deus vocês vol taram! — excl amou Bonni e, correndo para el es . — Sage vei o com uma i dei a maravi l hos a. Até M eredi th es tava ani mada. — Lembra que Damon di s s e que deví amos ter trazi do um cl ari vi dente? Bom, agora temos doi s . — E l a s e vi rou para Sage. — Conte a el es , por favor. — Bom, normal mente não trago es s es doi s para fes tas . — Sage es tendeu a mão para afagar o pes coço de Saber. — M as um pas s ari nho me contou que vocês podi am es tar com probl emas . — Sua mão moveu-s e para afagar Tal on, agi tando de l eve as penas do fal cão. — E ntão, di tes-moi , por favor: o quanto vocês mani pul aram a mei a chave?


— Toquei nel a es ta noi te e na noi te em que a encontramos — di s s e E l ena. — M as Lady Ul ma a s egurou e Lucen fez uma arca para el a, e todos tocamos nel a. — M as fora da cai xa? — E u a s egurei uma ou duas vezes — di s s e Damon. — Eh bi en! O chei ro dos ki ts une ai nda deve es tar mui to forte nel a. E os ki ts une têm chei ros mui to di s ti ntos . — E ntão quer di zer que Sabber... — a voz de E l ena fal hou de pura fraqueza. — Pode farej ar qual quer coi s a com o chei ro dos ki ts une. E Tal on tem uma vi s ão mui to boa. Pode voar e procurar o bri l ho do ouro, cas o es tej a à vi s ta em al gum l ugar. Agora mos trem a el es o que deverão procurar. E l ena obedi entemente es tendeu a mei a chave para Sabber s enti r o chei ro. — Voi là! E Tal on, dê uma boa ol hada. — Sage recuou ao que era, como E l ena s upôs , a di s tânci a i deal de vi s ão para Tal on. Depoi s vol tou e di s s e: — Commençons! — E o cachorro preto parti u num pul o, o foci nho no chão, enquanto o fal cão voava em cí rcul os al tos , maj es tos os e abrangentes . — Acha que os ki ts une es ti veram nes s a grama? — perguntou E l ena a Sage, enquanto Sabber começava a correr de um l ado a outro, o foci nho ai nda pouco abai xo da grama, e de repente des vi ou para o mei o da es cada de mármore. — E l es certamente es ti veram aqui . Vê como Sabber corre, como uma pantera negra, de cabeça bai xa e o rabo rí gi do? E l e achou al guma coi s a! E ncontrou um ras tro quente. Conheço outro que parece es tar s enti ndo o mes mo, pens ou E l ena ao ol har para Damon, que es tava de braços cruzados , i móvel , tens o, es perando por


qual quer novi dade que o ani mal trouxes s e. Por acas o el a ol hou para Sage exatamente naquel e momento e vi u uma expres s ão em s eu ros to que... Bem, devi a s er a mes ma expres s ão que el a mes ma ti vera um mi nuto antes . E l e a ol hou e E l ena corou. — Pardonnez-moi , Monsi eur — di s s e el a, des vi ando o ol har rapi damente. — Parlez-vousfrançai s, Madame? — Un peu — di s s e E l ena com humi l dade; uma s i tuação i ncomum para el a. — Não cons i go manter uma convers a s éri a. M as adorari a i r à França. — E l a es tava pres tes a di zer mai s al guma coi s a quando Sabber l ati u uma vez, deci di do, para chamar atenção, e s e s entou ereto no mei o-fi o. — E l es us aram uma carruagem ou l i tei ra — traduzi u Sage. — M as o que fi zeram na cas a? Preci s o de um ras tro que vá para o outro l ado — di s s e Damon, ol hando para Sage com al go pareci do com puro des es pero. — M ui to bem, mui to bem. Sabber! Contremarche! O cachorro preto i medi atamente s e vi rou, col ocou o foci nho no chão como s e i s s o l he des s e o mai or prazer, e di s pararou de um l ado a outro pel a es cada e pel o gramado que formava o “Grande Sal ão de Bai l e” — agora tornando-s e ponti l hado de buracos enquanto as pes s oas es cavavam com pás , pi caretas e até col heres grandes . — É di fí ci l peg ar umki tsune — murmurou E l ena no ouvi do de Damon. E l e as s enti u, ol hando o rel ógi o. — E s pero que i s s o também val ha para nós — res pondeu el e aos s us s urros . Saber l ati u novamente e o coração de E l ena s al tou no pei to. — O que é? — excl amou el a. — O que é? — Damon pas s ou por el a, pegou s ua mão e a l evou com el e. — O que el e achou? — E l ena ofegava enquanto todos chegavam ao


mes mo tempo no l ocal . — Não s ei . Não faz parte do Grande Sal ão — res pondeu M eredi th. Sabber es tava s entado orgul hos amente di ante de um cantei ro de hortêns i as al tas e l avanda cl ara ( vi ol eta es curo). — Também não parece que trabal haram mui to bem — di s s e Bonni e. — E não es tá embai xo de nenhum dos s al ões s uperi ores di s s e M eredi th, parando para fi car à al tura de Saber e ol hando para ci ma. — Al i s ó tem a bi bl i oteca. — Bom, ... — di s s e Damon — então teremos que cavar nes te cantei ro s em pedi r permi s s ão a Srta. Ol hos -de-es pori nha-agora-tenho-que-matar- vocês . — Ah, acha que, os ol hos del a eram es pori nhas ? Porque pens ei que fos s em campai nhas — di s s e uma convi dada atrás de Bonni e. — E l a real mente di s s e que matari a vocês ? M as por quê? — outro convi dado, perto de E l ena, perguntou, nervos o. E l ena os i gnorou. — Bom, com certeza, el a certamente não vai gos tar. M as é a úni ca pi s ta que temos . — A não ser, i mag i no, que os ki tsune qui sessemdei xar a chave aqui , mas a levaram numcoche, el a acres centou tel epati camente a Damon. — E ntão i s s o quer di zer que o s how pode começar — um dos j ovens fãs vampi ros , aproxi mando-s e de E l ena. — M as ai nda não achei meu amul eto — di s s e Damon categori camente, entrando na frente de E l ena como um muro i mpenetrável . — M as o terá em al guns mi nutos , certamente. E s cute, não poderi am vol tar com o cachorro de onde quer que os bandi dos tenham vi ndo... A parti r des ta propri edade, entendeu? E enquanto i s s o podemos começar o s how? — Sabber pode fazer i s s o? — perguntou Damon. — Segui r uma carruagem? — Que l eve uma rapos a? M as é cl aro. Na verdade, eu podi a i r com el es


— di s s e Sage em voz bai xa. — Pos s o garanti r que doi s i ni mi gos s ej am apanhados s e es ti verem do outro l ado da tri l ha. M os tre-os a mi m. — Pel o que s ei , s ão apenas formas . — Damon es tendeu doi s dedos e tocou a têmpora de Sage. — M as é cl aro que el es terão mui tas formas , tal vez i nfi ni tas . — Bom, não s ão a nos s a pri ori dade, i magi no. Já o amul eto s i m. — Si m — di s s e Damon. — M es mo que você não os capture, pegue a chave e vol te correndo. — E ntão é as s i m? Is s o é mai s i mportante que a vi ngança — di s s e Sage s uavemente, bal ançando a cabeça, pas mo. Depoi s acres centou rapi damente: — Bom, eu l hes des ej o boa s orte. Al gum aventurei ro quer i r comi go? Ah, que bom, quatro... M ui to bem, ci nco, Madame... É s ufi ci ente. E el e s e foi . E l ena ol hou para Damon, que a ol hava com os ol hos vagos e negros . — E s pera real mente que eu faça... aqui l o... de novo? — Só preci s a fi car parada al i . Vou cui dar para ti rar a menor quanti dade pos s í vel de s angue. E s e qui s er parar, podemos combi nar um s i nal . — Si m, mas agora eu entendo. E não vou tol erar i s s o. A expres s ão de Damon mudou de repente. — Você não preci s a tol erar nada. E s e eu di s s er que é uma troca j us ta por Stefan? Stefan! Todo o corpo de E l ena congel ou. — Vamos di vi di r — pedi u el a, e s abendo o que es tava pedi ndo e s abi a o que Damon i a di zer. — Stefan vai preci s ar de você quando s ai rmos . Aguente i sso. Pare. Pens e. Não i ns i s ta com el e, di s s e o cérebro de E l ena. E l e es tá mani pul ando você. E l e s abi a como fazer i s s o. Não dei xe que el e a mani pul e.


— Pos s o tol erar as duas coi s as — di s s e el a. — Por favor, Damon. Não me trate como s e eu fos s e... uma garota qual quer, nem s ua Pri nces a das Trevas . Fal e comi go como s e eu fos s e Sage. — Sage? Sage é o mai s frus trante, es perto... — E u s ei . M as você convers a com el e. E cos tumava convers ar comi go antes . Me escute. Não s uportari a pas s ar por aquel a cena de novo. E u vou gri tar. — Agora es tá ameaçando... — Não! Só es tou l he di zendo o que vai acontecer. Se não me amordaçar, eu vou gri tar. E gri tar s em parar. Como s e es ti ves s e gri tando por Stefan. Não pos s o evi tar. Tal vez eu es tej a des moronando... — M as não entende? — De repente el e gi rou e pegou s uas mãos . — E s tamos quas e no fi m. Você, que foi a mai s forte o tempo todo... Não pode des moronar agora. — A mai s forte... — E l ena bal ançava a cabeça. — Achei que es távamos chegando à bei ra da compreens ão mútua. — M ui to bem. — As pal avras del e vi eram como l as cas duras de mármore. — E s e fi zermos ci nco? — Ci nco? — Ci nco gol pes em vez de dez. Prometemos a el es fazer os outros ci nco quando o “amul eto” for encontrado. M as na verdade vamos fugi r quando o acharmos . — Você es tari a trai ndo s ua pal avra. — Se for preci s o... — Não — di s s e el a categori camente. — Você não vai di zer nada. Eu fal arei a el es . Sou cons i derada uma trai dora menti ros a e s empre bri nquei com o s enti mento dos homens . Vamos ver s e cons i go fi nal mente fazer bom us o de meus tal entos . E não tem s enti do us ar nenhuma das meni nas — acres centou


el a, ol hando para Bonni e e M eredi th. E u j á es tou com as cos tas nuas com es s e ves ti do. — E l a deu uma vol ta para mos trar como s eu ves ti do s e uni a no al to da nuca em uma al ça e era bem decotado atrás . — E ntão temos um acordo. — Damon tomou mai s uma taça e E l ena pens ou: vamos dar o s how mai s bêbado da hi s tóri a, no mí ni mo. E l a não cons egui a parar de tremer. Da úl ti ma vez, foi um tremor i nteri or, que vi nha da mão quente de Damon em s uas cos tas nuas enquanto dançaram. Agora el a s enti u al go mui to mai s gel ado, tal vez fos s e apenas uma l ufada de ar fri o. M as a fez pens ar em s eu própri o s angue es correndo pel o corpo. De repente Bonni e e M eredi th es tavam ao l ado del a, protegendo-a da mul ti dão cada vez mai s curi os a e exci tada. — E l ena, o que houve? Di s s eram que uma humana bárbara s eri a chi coteada... — começou M eredi th. — E você s abi a que era eu — compl etou E l ena. — Bom, é verdade. Não s ei como s ai r des s a. — M as o que você fez? — perguntou Bonni e furi os a. — E l a foi uma i di ota. Dei xou que uns vampi ros com j ei to de uni vers i tári os de fraterni dade pens as s em que o que vi ram na Di s ci pl i na era uma es péci e de es petácul o de mági ca — i ntrometeu-s e Damon. Seu ros to ai nda era s éri o. — Is s o é mei o i nj us to, não é? — perguntou M eredi th. — E l ena nos contou como foi . Até parece que el es chegari am a es s a concl us ão s ozi nhos . — Deví amos ter negado na hora. Agora es tamos pres os a es s a menti ra — di s s e Damon. Depoi s , como s e fi zes s e um es forço: — Ah, bom, tem outra coi s a: tal vez cons i gamos o que vi emos procurar. — Foi como des cobri mos ... Um i di ota des ceu a es cada correndo e gri tando


s obre um amul eto com duas pedras verdes . — Foi s ó no que cons egui mos pens ar — expl i cou E l ena, cans ada. — Is s o vai val er a pena s e cons egui rmos achar a outra metade da chave. — Vocês não preci s am fazer i s s o — di s s e M eredi th. — Podemos s i mpl es mente i r embora. Bonni e a encarou. — Sem a chave de rapos a? E l ena bal ançou a cabeça. — Já pas s amos por mui ta coi s a e concordamos em pas s ar por i s s o também. — E l a ol hou em vol ta. — Agora, onde es tão os homens que queri am tanto ver? — Procurando no campo... Que antes era um s al ão de bai l e — res pondeu Bonni e. — Ou pegando pás ... Um monte del as ... Na s al a de ferramentas de Bl oddeuwedd. Ai ! Por que me bel i s cou, M eredi th? — Ah, meu Deus , i sso foi um bel i s cão? E u queri a fazer i sso... M as E l ena j á s e afas tava, ans i os a, as s i m como Damon, para acabar com tudo aqui l o. Com metade daqui l o. Só es pero que el e s e l embre de ves ti r a j aqueta de couro e os j eans pretos , pens e el a. De s moki ng branco... O s angue... Não haverá sang ue nenhum. O pens amento foi s úbi to e E l ena não s abi a de onde vi nha: M as nos reces s os mai s profundos de s eu s er, el a pens ou: ele j á se puni u o bastante. E l e es tava tremendo quando es távamos na l i tei ra, pens ando no bem-es tar de outra pes s oa a cada mi nuto. Agora bas tava. Stefan não i a querer que o i rmão s e machucas s e mai s . E l a l evantou a cabeça e vi u uma das pequenas l uas deformadas da Di mens ão das Trevas aci ma del a. Agora s eu bri l ho era vermel ho vi vo, como uma pl uma ci nti l ando na l uz carmi m s ombri a. M as E l ena s e entregou a el a s em res ervas , de corpo e al ma, e a l ua pous ou na fonte s agrada de s angue eterno que era s ua femi ni l dade. E de repente E l ena s abi a o que ti nha de fazer.


— Bonni e, M eredi th, es cutem: s omos um tri unvi rato. Te que di vi di r i s s o com Damon. Nenhuma del as s e mos trou entus i as mada. E l ena, cuj o orgul ho ti nha s i do i ntei ramente des pedaçado des de o momento em que vi u Stefan em s ua cel a, aj oel hou-s e di ante del as na es cada de mármore: — E s tou i mpl orando a vocês ... — E l ena! Pare com i s s o! — M eredi th arfou. — Por favor, l evante-s e! Ah, E l ena... — Bonni e es tava a ponto de cai r no choro. E as s i m, foi a pequena e mi s eri cordi os a Bonni e que vi rou a maré. — Vou tentar ens i nar a M eredi th. M as de qual quer modo, pel o menos vamos di vi di r i s s o entre nós três . Depoi s foi uma s uces s ão de abraços e bei j os . Um murmúri o no cabel o arrui vado, “E u s ei o que você vê no es curo. Você é a pes s oa mai s coraj os a que eu conheço”. E m s egui da, dei xando uma Bonni e atordoada para trás , E l ena começou a reuni r os es pectadores para s eu açoi tamento.


37 E l ena foi amarrada, como uma atri z de um fi l me barato que l ogo s eri a l i bertada, de pé contra um pi l ar. O gramado ai nda es tava s endo es cavado pel os curi os os , e os vampi ros que havi am col ocado E l ena naquel a s i tuação l evaram uma vara de frei xo para Damon exami nar. O própri o Damon movi mentava-s e em câmera l enta, tentando adi ar aqui l o ao máxi mo, es perando ouvi r o barul ho das rodas de coche que l he di ri am que a carruagem ti nha vol tado. E l e s us tentava uma ati tude enérgi ca, mas por dentro s enti a-s e tão moros o quanto chumbo derreti do. E u nunca fui s ádi co, pens ou Damon. Sempre gos tei de dar prazer — a não s er nas l utas . E ra eu quem devi a es tar naquel a pri s ão. Será que E l ena não vê i s s o? É mi nha vez de fi car s ob o açoi te. E l e ves ti u s uas “roupas de mági co”, demorando-s e o máxi mo que pôde, mas s em parecer que queri a des i s ti r. E agora havi a entre s ei s centas e oi tocentas cri aturas es perando para ver o s angue de E l ena s er derramado, ver as cos tas s endo cortadas e mi racul os amente curadas . M ui to bem. E s tou mai s do que pronto para fazer i s s o. E l e i ncorporou s eu papel , s e entregando àquel e momento. E l ena engol i u em s eco. — Di vi da a dor — di s s e el a, s em s aber ao certo como fazi a i s s o. M as al i es tava el a, como um s er em s acri fí ci o, amarrado a um pi l ar, ol hando para a cas a de Bl oddeuwedd e es perando pel os gol pes . Damon fazi a um di s curs o de apres entação à mul ti dão, fal ando bobagens e s ai ndo-s e mui to bem. E l ena s e concentrou em uma determi nada j anel a da cas a e fi cou ol hando para el a. Depoi s percebeu que Damon não fal ava mai s . Um toque da vara em s uas cos tas . Um s us s urro tel epáti co. Está pronta? Si m, res pondeu el a de i medi ato, s abendo que não es tava. E ouvi ndo, no


s i l ênci o mortal , um s i l vo no ar. A mente de Bonni e fl utuou até a del a. A mente de M eredi th fl uí a como um regato. O gol pe foi um mero tabefe, embora E l ena s enti s s e o s angue es correr. E l a podi a s enti r que Damon es tava des concertado. O que devi a ter s i do um tal ho de es pada foi apenas um tapa. Dol oros o, mas s em dúvi da s uportável . E outra vez. O tri unvi rato di vi di a a dor antes que a mente de Damon percebes s e i s s o. M antenha o tri ângul o em movi mento. E um tercei ro. Fal tam doi s . E l ena permi ti u que s eus ol hos percorres s em a cas a até o tercei ro andar, onde Bl oddeuwedd ti nha s e enfureci do com o que s e tornara s ua fes ta. Fal tava um. A voz de um convi dado chegando a el a. “ Aquela bi bli oteca. Ela tem mai s g lobos do que a mai ori a das bi bli otecas púbi cas, e... com a voz fal hando por um momento, “... di zemque ela temtodo ti po de esferas ali . Até as proi bi das.” E l ena não ti nha a menor i dei a do que podi a s er proi bi do ali . Na bi bl i oteca, Bl oddeuwedd, uma fi gura s ol i tári a, movi a a grande es fera fortemente i l umi nada para encontrar um novo gl obo. Dentro da cas a, es tari a tocando uma mús i ca di ferente em cada cômodo, mas do l ado de fora E l ena não ouvi a nada. O úl ti mo gol pe. O tri unvi rato cons egui ra, di s tri bui ndo a dor agoni zante entre quatro pes s oas . E nfi m, pens ou E l ena, meu ves ti do j á es tava vermel ho demai s . E então, quando acabou, Bonni e e M eredi th es tavam di s cuti ndo com al gumas damas vampi ras que queri am aj udar a l i mpar o s angue das cos tas de E l ena, que mai s uma vez es tava i macul ada e perfei ta, bri l hando dourada s ob a do s ol .


É melhor mante-las afastadas, pens ou E l ena bem grogue para Damon; Podem roer unhas ou chupar dedo e senti r meu Poder' . Não podemos permi ti r que ni ng uémprove meu sang ue e si nta a força vi tal dele; não quando eu me esforcei tanto para esconder mi nha aura. E mbora houves s e apl aus os e gri tos de toda parte, ni nguém pens ou em des amarrar os pul s os de E l ena e el a fi cou l á, encos tada no pi l ar, ol hando a bi bl i oteca. E o mundo parou. Tudo em vol ta del a era mús i ca e movi mento. E l a es tava no ponto i móvel de um uni vers o que não parava de gi rar. M as el a preci s ava s e mexer, e rápi do. E l ena puxou com força os pul s os cortando-s e. — M eredi th! M e aj ude! Corte as cordas , rápi do! M eredi th obedeceu prontamente. Quando s e vi rou, E l ena s abi a o que veri a. O ros to... O ros to de Damon, des norteado, mei o res s enti do, um tanto humi l de, foi bom para el a, naquel e momento. Damon, preci samos cheg ar ao... M as de repente el es es tavam no mei o de uma mul ti dão, Os cumpri mentos , os fãs , os céti cos ... vampi ros pedi ndo uma “provi nha”, des crentes que queri am ter certeza de que as cos tas de E l ena eram reai s , es tavam quentes e s em marcas . E l ena s enti u mãos demai s em s eu corpo. — Afastem-se dela, maldi tos! — foi o rugi do pri mal e s el vagem de uma fera defendendo s ua parcei ra. As pes s oas s e afas taram de E l ena, e s e aproxi maram... M ui to l enta e ti mi damente... De Damon. M ui to bem, pens ou E l ena. Vou fazer i s s o s ozi nha. Pos s o fazer i s s o s ozi nha. Por Stefan, eu pos s o. E l a abri u cami nho pel a mul ti dão, acei tando dos admi radores ramos de fl ores apres s adamente col hi das — e s enti ndo mai s mãos em s eu corpo. ‘Ei , ela não está marcada mesmo! ” Por fi m, M eredi th e Bonni e a aj udaram a s ai r dal i —


s em el as , E l ena j amai s teri a cons egui do. E el a es tava correndo, correndo para a cas a, s em s e i ncomodar em us ar a porta que es tava ao l ado de onde Sabber l ati a. E l a s abi a o que havi a al i . Quando chegou no s egundo andar, fi cou confus a durante um mi nuto, antes de ver uma l i nha vermel ha e fi na no nada. O s angue del a! E s tá vendo para quantas coi s as el e s erve? Agora l he des tacava o pri mei ro degrau de vi dro, aquel e em que tropeçara. E antes , ani nhada nos braços fortes de Damon, el a não cons egui u i magi nar s ubi r es s es degraus , nem de quatro. Agora canal i zava todo s eu Poder para os ol hos — e de repente a es cada s e i l umi nou. M as ai nda era apavorante, não havi a corri mão, e E l ena es tava i nebri ada de empol gação e medo. Al ém de ter perdi do mui to s angue. M as s e obri gou a s ubi r, e s ubi u s em ol har para trás . — Elena! Eu te amo! Elena! E l a podi a ouvi r os gri tos de Stefan como s e el e es ti ves s e ao l ado del a. Subi ndo, s ubi ndo, s ubi ndo... Suas pernas doí am. Conti nue. Não tem des cul pa. Se não puder andar, engati nhe. Se não puder engati nhar, arras te-s e. E l a j á es tava engati nhando quanto fi nal mente chegou ao topo, na bei ra do ni nho da coruj a Bl oddeuwedd. Pel o menos ai nda era uma donzel a boni ta, embora i ns í pi da, quando a recebeu. E l ena percebeu enfi m o que havi a de errado com a aparênci a de Bl oddeuwedd. E l a não ti nha nenhuma vi tal i dade ani mal . Seu coração vegetava. — E u vou matá-l a e você s abe di s s o. Não, el a era um vegetal s em coração. E l ena ol hou em vol ta. Podi a ver o que aconteci a do l ado de fora, embora no


mei o da s al a houves s e pratel ei ras e mai s pratel ei ras de gl obos , então tudo era es tranhamente di s torci do. Não havi a trepadei ras al i , nem quai s quer outras fl ores exóti cas e tropi cai s . M as E l ena j á es tava no mei o da s al a, no ni nho de coruj a de Bl oddeuwedd, que es tava j unto ao aparel ho que col ocava ao s eu al cance as es feras es tel ares . A chave s ó podi a es tar enterrada nes te ni nho. — Não quero roubar nada de você — prometeu E l ena, res pi rando com di fi cul dade. E nquanto fal ava, el a enfi ava os doi s braços no ni nho. — Aquel es ki ts une enganaram a nós duas . E l es roubaram uma coi s a mi nha e col ocaram a chave no s eu ni nho. Só es tou pegando de vol ta o que el es col ocaram aqui . — Ra! Como você, uma es crava humana, uma bárbara atreve-s e a vi ol ar mi nha bi bl i oteca parti cul ar? As pes s oas l á fora es tão des trui ndo meu l i ndo s al ão de bai l e, mi nhas preci os as fl ores . Você acha que vai s e s afar de novo des ta vez, não é? M as não vai ! Desta vez você vai MORRER! E ra uma voz compl etamente di ferente da voz nas al ada e monótona de antes , mas ai nda as s i m no mes mo tom da donzel a que recebera E l ena. E ra uma voz poderos a, uma voz opres s i va... ... uma voz que combi nava com o tamanho do ni nho. E l ena l evantou a cabeça. Não cons egui a di s ti ngui r nada do que vi a. Um enorme cas aco de pel es num padrão mui to exóti co? As cos tas de um i mens o ani mal empal hado? A cri atura na bi bl i oteca s e vi rou para el a. Ou mel hor, s ua cabeça gi rou em s ua di reção, enquanto as cos tas conti nuaram i móvei s . E l a gi rou a cabeça de l ado, e E l ena entendeu que o que era um ros to. A cabeça era ai nda mai s horrenda e mai s i ndes cri tí vel do que podi a i magi nar. Pareci a ter uma úni ca s obrancel ha —, que caí a da bei ra de um l ado de s ua tes ta para o nari z ( ou


onde deveri a es tar o nari z) e s ubi a novamente. Suas fei ções eram como uma s obrancel ha em V gi gantes ca e abai xo havi a doi s i mens os ol hos amarel os que pi s cavam com frequênci a. Não havi a nari z ou boca como as de um humano, e s i m um bi co preto, ameaçador, grande e curvo. O res tante do ros to es tava coberto de penas , em s ua mai ori a brancas , trans formando-s e em ci nza mos queada na bas e, onde pareci a es tar o pes coço. Também era ci nza e branca em duas proj eções que parti am do al to da cabeça — como os chi fres de um demôni o, pens ou E l ena as s us tada. E então, com a cabeça ai nda a fi tando, o corpo s e vi rou para E l ena. E ra o corpo de uma mul her forte, coberto de penas brancas e ci nzentas , pel o que E l ena vi u. Garras s e proj etavam de s ob as penas mai s bai xas . — Ol á — di s s e a cri atura numa voz que pareci a um rangi do, o bi co abri ndo-s e e fechando-s e para morder as pal avras . — E u s ou Bl oddeuwedd e j amai s permi to que toquem em mi nha bi bl i oteca. E u s ou a s ua morte. As pal avras Não podemos pelo menos conversar pri mei ro? es tavam nos l ábi os de E l ena. E l a não pretendi a s er uma heroí na. Certamente não queri a enfrentar Bl oddeuwedd enquanto procurava a chave que certamente es tari a al i — em al gum l ugar. E l ena conti nuou tentando expl i car enquanto tateava freneti camente dentro do ni nho, quando Bl oddeuwedd es tendeu as as as que abarcaram toda a s al a e s e aproxi maram del a. E então, como um rai o, al go di s parou entre as duas , s ol tando um gri to ás pero. E ra Tal on. Sage deve ter dado ordens ao fal cão quando el e o s ol tou. A coruj a pareceu s e encol her um pouco — para atacar mel hor, pens ou E l ena. — Por favor, me dei xe expl i car. Ai nda não encontrei , mas tem uma coi s a


em s eu ni nho que não pertence a você. É mi nha... E ... de Stefan. E os ki ts une es conderam aqui na noi te em que você os expul s ou de s ua propri edade. Não s e l embra di s s o? — Bl oddeuwedd não di s s e nada por um momento, depoi s mos trou que ti nha uma fi l os ofi a s i mpl es , que s ervi a para qual quer s i tuação. — Você pôs os pés em meus apos entos parti cul ares . Você vai morrer — di s s e el a e des ta vez, quando i nves ti u, E l ena pôde ouvi r o es tal o do bi co s e fechando. Novamente, al go pequeno e bri l hante mergul hou para Bl oddeuwedd, ati ngi ndo s eus ol hos . A coruj a grande teve de des vi ar a atenção de E l ena para l i dar com aqui l o. E l ena des i s ti u. Às vezes a gente preci s a de aj uda. — Tal on! — gri tou el a, s em s aber o quanto da fal a humana Tal on compreendi a. — M antenha-a ocupada... Só por um mi nuto! E nquanto as duas aves di s paravam, gi ravam e gui nchava ao s eu redor, E l ena conti nuou procurando, s e des vi ando das aves quando era preci s o. M as aquel e grande bi co preto es tava s empre perto demai s . Chegou a cortar s eu braço, mas E l ena es tava tão agi tada que mal s enti u a dor. Conti nuou procurando s em parar. Fi nal mente percebeu o que devi a ter fei to des de o i ní ci o e pegou um gl obo em s eu s uporte trans parente. — Tal on! — chamou el a. — Aqui ! O fal cão mergul hou para el a e houve um es tal o. M as E l ena ai nda ti nha todos os dedos e o hoshi no tama havi a s umi do. O r a , ora, E l ena agora ouvi u o verdadei ro gui ncho de rai va de Bl oddeuwedd. A coruj a gi gante pers egui ndo o fal cão era como um humano tentando bater numa mos ca — mas numa mos ca i ntel i gente. — Devol va o gl obo! É i nes ti mável ! Ines ti mável !


— Terá de vol ta as s i m que eu achar o que es tou procurando — E l ena, aterrori zada e com os hormôni os à fl or da pel e, s ubi u para o i nteri or do ni nho e começou a procurar no pi s o de mármore com os dedos . Por duas vezes Tal on a s al vou, fazendo al guns gl obos s e es pati faram no chão enquanto a i mens a coruj a Bl oddeuwedd i nves ti a para E l ena. A cada vez, o ruí do do gl obo s e quebrando fazi a a coruj a s e es quecer de E l ena e tentar atacar o fal cão. Depoi s Tal on pegou outro gl obo e voou em al ta vel oci dade bem embai xo do nari z da coruj a. Uma s ens ação de que tudo o que s abi a mei a hora antes es tava errado começou a s e apoderar de E l ena. E l a s e encos tara no pi l ar da abóbada, exaus ta, ol hando a bi bl i oteca e a donzel a que a habi tava, e as pal avras s i mpl es mente fl uí am em s ua mente. A s al a dos gl obos de Bl oddeuwedd... Sal a dos gl obos . B all room. Sal ão de Bai l e. B al room. A s al a de es fera es tel ar... de Bl oddeuwedd... ... o balroom de Bl oddeuwedd. Duas manei ras de entender as mes mas pal avras . Doi s ambi entes bem di ferentes . Foi quando el a percebeu i s s o que s eus dedos tocaram um obj eto metál i co.


38 Tal on! E i a! — E l ena gri tou e des atou a correr mai s rápi do que pôde para s ai r da s al a. E ra uma ati tude es tratégi ca. Será que a coruj a fi cari a menor e as s i m cons egui ri a pas s ar pel a porta, ou des trui ri a s eu s antuári o a fi m de fi car na col a de E l ena? E ra uma boa es tratégi a, mas não foi grande coi s a no fi nal . A coruj a s e encol heu para di s parar pel a porta, depoi s reas s umi u o tamanho gi gantes co para atacar E l ena enquanto el a des ci a a es cada correndo. Si m, correndo. Com todo s eu Poder canal i zado para os ol hos , E l ena s al tou de um degrau a outro, como Damon fi zera. Agora não havi a tempo para ter medo, nem para pens ar. Só para gi rar entre os dedos um obj eto pequeno, duro, em formato de l ua cres cente. Shi ni chi e Mi sao — eles o colocaramno ni nho de B loddeuw edd. Devi a haver uma es cada ou al go fei to de vi dro que nem Damon cons egui u ver, no cantei ro onde Sabber parou e l ati u. Não — Damon teri a vi s to, então el es devem ter trazi do a própri a es cada. Por i s s o o ras tro termi nava al i . E l es s ubi ram di reto à bi bl i oteca. E arrui naram as fl ores do cantei ro, por i s s o as fl ores novas não es tavam tão vi ços as . E l ena s abi a pel a ti a Judi th, des de s ua i nfânci a, que fl ores repl antadas l evam al gum tempo para s e recuperar vi ço. Sal tar... Pul ar... Sal tar... Sou um es pí ri to do fogo. Não pos s o errar um pas s o. Sou um el emental do fogo. Sal tar... Sal tar... Sal tar. E então E l ena ol hava o térreo, tentando não pul ar, mas s eu corpo não l he obedeceu e de repente el a es tava s al tando. E l a s enti u o baque ao cai r no chão, mas conti nuou s egurando o preci os o obj eto na mão fechada. Um bi co gi gantes co bateu no vi dro onde el a es ti vera um i ns tante antes de des l i zar dal i . Garras ras param s uas cos tas .


Bl oddeuwedd ai nda es tava atrás del a.

***

Sage e s eu grupo de vampi ros vi aj aram no mes mo ri tmo do cachorro em di s parada. Sabber l i derava, o mai s rápi do que el e cons egui a. Fel i zmente poucas pes s oas pareci am querer bri gar com um cachorro que pes ava tanto quanto el es — que pes ava mai s do que a mai ori a dos mendi gos e cri anças que encontravam ao chegarem a mercado. As cri anças s e reuni am em vol ta da carruagem, i mpedi ndo que avanças s e. Sage aprovei tou a oportuni dade e trocou uma j ói a cara por uma bol s a chei a de moedas e as es pal hou atrás da carruagem ao parti rem, permi ti ndo que Sabber ti ves s e rédea s ol ta. Pas s aram por dezenas de engarrafamentos e cruzamentos , mas Sabber não era um farej ador comum, ti nha Poder s ufi ci ente para confundi r a mai ori a dos vampi ros . Com tal vez apenas uma ou duas mol écul as -chave em s ua membrana nas al , el e podi a pers egui r s ua meta. Onde outro cão podi a s er confundi do por um entre centenas de ras tros de ki ts une pareci dos , Sabber exami nava e rej ei tava cada um del es por não ter a forma, o tamanho ou a es trutura exatos. M as chegou uma hora em que até Sabber pareceu derrotado. Parou no mei o de um cruzamento de s ei s pi s tas , apes ar do trâns i to, mancando um pouco e andando em cí rcul os . Pareci a não cons egui r s e deci di r por um cami nho. Nem eu poderi a, meu ami go, pens ou Sage. Chegamos mui to l onge, mas es tá cl aro que el es foram al ém. Não há como s ubi r ou des cer... Sage hes i tou, ol hando as pi s tas cor de carmi m.


E então el e vi u uma coi s a. Bem à frente, mas à s ua es querda, havi a uma perfumari a. Devi a vender centenas de fragrânci as , e bi l hões de mol écul as de chei ros di ferentes eram del i beradamente l ançadas no ar. Sabber es tava cego. Não cego em s eus ol hos es curos , fl ui dos e aguçados , mas onde i mportava, el e es tava entorpeci do e cego pel os bi l hões de aromas s oprados em s eu foci nho. Os vampi ros queri am s egui r em frente ou vol tar. Não ti nham o verdadei ro s ens o de aventura, s ó queri am um bom es petácul o. E s em dúvi da mui tos es cravos es tavam gravando o açoi tamento para el es , as s i m s eus amos podi am des frutar do s how na tranqui l i dade de s uas cas as . Nes s e momento um cl arão de azul e ouro fez com que Sage s e deci di s s e. Um Guardi ão! Eh, bi en... — E i a, Sabber! A cabeça e o rabo de Sabber arri aram enquanto Sage pegava al eatori amente uma das di reções e o fez correr j unto do vampi ro, s ai ndo do cruzamento e entrando em outra rua. M as por um mi l agre o rabo es tava ergui do de novo. Sage s abi a que agora não havi a mai s nem uma mol écul a do chei ro dos ki ts une nas nari nas de Sabber... ... Mas a lembrança do chei ro... ai nda está presente. Sabber mai s uma vez es tava em modo de caça, de cabeça bai xa, rabo ergui do, todo o s eu Poder e s ua i ntel i gênci a concentrados num úni co obj eti vo: encontrar outra mol écul a que combi na com a memóri a tri di mens i onal daquel a em s ua mente. Agora que não es tava mai s cego pel o chei ro des s ens i bi l i zador de todos aquel es di ferentes odores concentrados , el e era capaz de pens ar com mai s cl areza. E i s s o o faz di s parar entre as ruas , provocando uma comoção


atrás del e. — E a carruagem? — E s queça a carruagem! Não perca de vi s ta aquel e cara com ocachorro! Sage, tentando acompanhar Sabber, s abi a quando uma pers egui ção es tava perto do fi m. Tranqui lli té! , pens ou el e para Sabber. E l e mal s us s urrou a pal avra. Nunca teve certeza s e os ami gos ani mai s eram tel epatas ou não, mas preferi a acredi tar que s i m, embora s e comportas s em como s e não fos s em. Tranqui lli té! , di sse el e a s i mes mo também. E as s i m, quando o enorme cachorro preto de ol hos negros e ci nti l antes e o homem s ubi am correndo a es cada de um prédi o cai ndo aos pedaços , el es o fi zeram em s i l ênci o. Depoi s , como s e es ti ves s e num agradável pas s ei o pel o campo, Sabber s entou-s e e ol hou na cara de Sage, arfando como quem s orri . E l e abri a e fechava a boca numa paródi a muda de l ati do. Sage es perou que os j ovens vampi ros o al canças s em antes de abri r a porta. E , s em qual quer avi s o meteu o punho com o Poder de um martel o pel a porta e tateou a procura de trancas , correntes e fechaduras . Senti u apenas uma maçaneta. Antes de abri r a porta e entrar no que s abi a que era um l ocal peri gos o, el e di s s e aos que es tavam atrás : — Qual quer coi s a que pegarmos é de propri edade do amo Damon. Sou o capata^ del e e foi apenas pel as habi l i dades de meu cão que chegamos até aqui . Houve concordânci a, i ndo de grunhi dos à i ndi ferença. — Da mes ma forma — di s s e Sage —, qual quer peri go que exi s ta aqui , eu enfrentarei pri mei ro. Sabber! AGORA! E l es entraram na s al a num rompante, quas e arrancando a porta das dobradi ças .


***

E l ena gri tava i nvol untari amente. Bl oddeuwedd ti nha acabado de fazer o que Damon não fi zera e ri s cara s uas cos tas com as garras . M as ao encontrar a porta de vi dro que dava para a área externa, E l ena s enti a outras mentes aparecendo em s eu amparo, para tomar e di vi di r parte da dor. Bonni e e M eredi th abri am cami nho pel os i mens os cacos de vi dro para chegar a el a e começavam a gri tar para a coruj a, enquanto Tal on, heroi camente, a atacava por ci ma. E l ena não s uportava mai s . Ti nha de ol har. E l a s abi a que a coi s a que pareci a de metal que pegou no ni nho de Bl oddeuwedd não era apenas um pedaço de l i xo. E l a preci s ava ter certeza ag ora. E s fregando o pedaci nho de metal no ves ti do es carl ate arrui nado, el a l evou um momento para ol har para bai xo, para ver o s ol carmi m fai s car em ouro e di amantes , duas orel has curvadas para trás e doi s ol hos verdes e bri l hantes de al exandri ta. A dupl i cata da pri mei ra metade da chave de rapos a, mas ol hando para o outro l ado. As pernas de E l ena quas e vergaram s ob s eu pes o. Ela estava seg urando a seg unda metade da chave de raposa. Apres s adamente, então, E l ena l evantou a mão l i vre e meteu os dedos no bol s i nho cui dados amente confecci onado que fi cava atrás do di amante i ncrus tado. E s condi a uma bol s a mí ni ma, cos turada pel a própri a Lady Ul ma. Nel a es tava a pri mei ra metade da chave de rapos a, que havi a s i do guardada al i l ogo depoi s que Saber e Tal on termi naram de us á-l a. Agora, ao col ocar a s egunda metade da chave no bol s o j unto com a pri mei ra, E l ena fi cou des concertada ao s enti r movi mento na bol s a. Os doi s pedaços da chave de


rapos a es tavam... O que, tornando-s e um? Um bi co preto bateu na parede ao l ado del a. Sem pens ar, E l ena s e abai xou e rol ou no chão, es capando. Quando s eus dedos voaram de vol ta para ter certeza de que a bol s a es tava amarrada e s egura, el a s e as s us tou ao s enti r uma forma conheci da dentro del a. Não era uma chave? Não era uma chave! O mundo gi rava l oucamente em vol ta de E l ena. Nada i mportava; nem o obj eto, nem s ua própri a vi da. Os gêmeos ki ts une os enganaram, fi zeram de bobos os i di otas humanos e o vampi ro que s e atreveram a enfrentá-l o. Não havi a nenhuma chave de rapos a. Ai nda as s i m, a es perança s e recus ava a morrer. O que mes mo Stefan cos tumava di zer? Mai di re mai — nunca di ga nunca. Sabendo que era um ri s co que corri a, s abendo que era uma tol a por as s umi -l o, E l ena enfi ou o dedo na bol s a novamente. Al go fri o des l i zou para o dedo del a e fi cou al i . E l a ol hou para bai xo e por um momento s eu ol har fi cou pres o naquel a vi s ão. Al i , em s eu dedo anul ar, bri l hava um anel de ouro com um di amante engas tado. Repres entava duas rapos as abs tratas enros cadas , que ol havam para l ados opos tos . Cada rapos a ti nha duas orel has , doi s ol hos verdes de al exandri ta e um foci nho pontudo. E era s ó. De que s ervi a uma qui nqui l hari a des s as para Stefan? Não era nada pareci do com as chaves de duas as as que apareci am nas i magens de s antuári os ki ts une. Um tes ouro, certamente val i a um mi l hão de vezes menos do que o que el es j á havi am gas tado para cons egui -l o. E E l ena percebeu uma coi s a. Uma l uz bri l hava dos ol hos de uma das rapos as . Se el a não a ol has s e tão


de perto, ou s e não es ti ves s e agora no Sal ão de Val s a Branco, onde as cores apareci am como real mente eram, podi a não ter percebi do. M as a l uz bri l hava di retamente à frente quando el a vi rava a mão de l ado. Agora s aí am dos quatro ol hos . E bri l havam exatamente na di reção da cel a de Stefan. A es perança s urgi u como uma fêni x no coração de E l ena e a l evou a uma vi agem mental para fora des s e l abi ri nto de s al as de vi dro. A mús i ca que tocava era a val s a do Fausto. Longe do s ol , no fundo do coração da ci dade, era onde Stefan s e encontrava. E era para onde bri l havam os ol hos verdes cl aros de rapos a. E l evando-s e com a es perança, el a vi rou o anel . A l uz pi s cou nos ol hos de rapos a, mas quando E l ena vi rou o anel para que a s egunda rapos a fi cas s e al i nhada com a cel a de Stefan, os ol hos pi s caram de novo. Si nai s s ecretos . Por quanto tempo el a dei xari a que es s es s i nai s pas s as s em des percebi dos s e j á não soubesse onde fi cava a pri s ão de Stefan? M ai s tempo do que Stefan ti nha para vi ver, provavel mente. Agora el a s ó preci s ava s obrevi ver por tempo s ufi ci ente para chegar a el e.


39 E l ena atraves s ou a mul ti dão s enti ndo-s e um s ol dado. Não s abi a o moti vo. Tal vez porque pareces s e que ti nha uma bus ca e cons egui u concl uí -l a e permanecer vi va e de quebra ai nda ti nha recuperado al go i mportante. Tal vez porque ti ves s e feri mentos de honra. Tal vez porque aci ma del a houves s e uma i ni mi ga que ai nda queri a s eu s angue. Pens ando bem, refl eti u E l ena, é mel hor ti rar todos es s es combatentes daqui . Podemos mandá-l os para uma cas a s egura — bom, em uma dezena de cas as s eguras , e... M as no que el a estava pens ando? Não exi s ti a uma casa seg ura al i . E l a não era res pons ável por aquel as pes s oas — aquel es i di otas , pri nci pal mente, os que fi caram parados , s e del i ci ando vê-l a s endo açoi tada. M as ... apes ar di s s o, tal vez el a deves s e ti rá-l os dal i . — Bl oddeuwedd! — gri tou el a, apontando para uma s i l hueta que gi rava no al to. — Bl oddeuwedd es tá s ol ta e me fez i s to! — apontando para as três l acerações nas cos tas . — E l a vai atacar quem es ti ver na frente! No i ní ci o pareci a que a mai or parte das excl amações de rai va gi rava em torno das marcas que E l ena agora ti nha nas cos tas . E el a não ti nha a menor i ntenção de di s cuti r. Só havi a uma pes s oa al i com quem queri a fal ar. M antendo Bonni e e M eredi th atrás del a, el a chamou. Damon! Damon, sou eu! Onde você está? Havi a tanto trâns i to tel epáti co que el a duvi dava de que el e a ti ves s e ouvi do. M as por fi m el a pegou um Elena?, fraco. ... Si m... Elena, seg ure-se em mi m. Pense que está me seg urando. Vamos para uma frequênci a di ferente. Segurar-s e a uma voz? M as E l ena s e i magi nou s egurando-s e em Damon com toda a força que pôde, enquanto pegava as mãos de Bonni e e M eredi th.


Ag ora pode me ouvi r? Des ta vez a voz era mui to mai s cl ara e mui to mai s al ta. Si m. Mas não estou te vendo. Mas eu a vej o. Estou cheg ando... CUIDADO! Tarde demai s , os s enti dos de E l ena a al ertaram de uma i mens a s ombra que mergul hava do al to. E l a não cons egui u s e mexer rápi do o s ufi ci ente para s ai r do cami nho de um bi co do tamanho de um crocodi l o. M as Damon cons egui u. Sal tando de al gum l ugar, el e pegou E l ena, Bonni e e M eredi th em uma braçada e s al tou de novo, cai ndo na grama. Ah, meu Deus, Damon! — Al guém s e machucou? — perguntou el e el evando a voz al ta. — E u es tou bem — di s s e M eredi th bai xo, aparentando cal ma. — M as acho que l he devo a mi nha vi da. Obri gada. — Bonni e? — perguntou E l ena. Estou bem. Quero di zer, — E u es tou bem. M as E l ena, s uas cos tas ... Pel a pri mei ra vez, Damon cons egui u vi rar E l ena e ver as feri das em s uas cos tas . — E u... fi z i s s o? M as ... E u pens ei ... — Foi Bl oddeuwedd — di s s e E l ena i nci s i vamente, ol hando para uma forma que ci rcul ava no céu vermel ho es curo. — E l a mal tocou em mi m, mas s uas garras pareci am facas de aço. Temos que i r agora! Damon pôs as mãos nos ombros del a. — E vol tar quando as coi s as s e acal marem, você quer di zer. — E nunca mai s vol tar! Ah, meu Deus , l á vem el a! Al go que vi s to de l onge pareci a do tamanho de uma bol a de bei s ebol em um i ns tante, de uma bol a de vôl ei um s egundo depoi s e l ogo em s egui da era tão grande como um s er humano. E todos s e di s pers aram, s al tando, rol ando, tentando s e afas tar, menos Damon, que s egurou E l ena e gri tou: — E l a é mi nha es crava! Se ti ver al gum probl ema com el a, pri mei ro


di s cuta comi go! — E eu s ou Bl oddeuwedd, cri ada pel os deus es , condenada a s er uma as s as s i na toda noi te. Vou matar você pri mei ro, depoi s devorá-l a, a l adra! — Bl oddeuwedd excl amara em s ua nova voz rouca. — Duas dentadas e tudo es tará res ol vi do. Damon, preci so te contar uma coi sa! — Lutarei com você, mas mi nha es crava fi cará fora di s s o! — Pri mei ra dentada; l á vou eu! Damon, temos de i r! Houve um gri to de dor e fúri a. Damon es tava mei o agachado, com um i mens o caco de vi dro na mão, como uma es pada, e gotas grandes de s angue es curo caí am de onde el e... Ah, meu Deus !, pens ou E l ena, el e arrancou um dos ol hos de Bl oddeuwedd! — VOCÊ S TODOS VÃO M ORRE R! TODOS! Bl oddeuwedd atacou um vampi ro qual quer que es tava abai xo del a e E l ena gri tou j unto com o vampi ro. O bi co preto o pegou por uma perna e o l evantou. M as Damon correu para a frente, s al tando, gol peando. Com um gri to de fúri a, Bl oddeuwedd al çou voo de novo. Agora todos vi am o peri go. Os outros vampi ros correram para dar apoi o a Damon, e E l ena fi cou fel i z pel os ami gos não s erem res pons ávei s por outra vi da. E l a j á ti nha mui to com o que l i dar. Damon, vou embora ag ora. Se qui ser venha comi g o. Eu conseg ui a chave. E l ena tentou envi ar aquel as pal avras , tel epati camente, s ó para Damon, e s e es forçou para não s er dramáti ca. Não l he res tava es paço para i s s o. E l a havi a s i do des provi da de tudo, menos da neces s i dade de encontrar Stefan. Des ta vez, el a s abi a que Damon a ouvi ra. E l a chegou a pens ar que Damon es ti ves s e morrendo. Que Bl oddeuwedd


de al guma manei ra ti nha vol tado e perfurado todo s eu corpo, como s e us as s e uma l ança de l uz. Depoi s el a percebeu que a s ens ação era de êxtas e, e duas mãozi nhas de cri ança s e es tenderam na l uz e s eguraram as del a, permi ti ndo que el a l i bertas s e uma cri ança mal trapi l ha, mas s orri dente. Sem correntes , pens ou el a mei o zonza. E l e nem mes mo es tava com as pul s ei ras de es cravo. — M eu i rmão! — di s s e-l he a cri ança. — M eu i rmão mai s novo vai vi ver! — Ora, é bom ouvi r i s s o — di s s e E l ena, tremendo. — E l e vai vi ver! — Uma pequena ruga apareceu em s ua tes ta. — M as você preci s a correr! E cui de bem del e! E ... E l ena pôs doi s dedos nos l ábi os del e, mui to del i cadamente. — Não preci s a s e preocupar com nada di s s o. Bas ta fi car fel i z. O garoti nho ri u. — E u vou! E u estou! — E l ena! E l ena s ai u do... bem, el a devi a es tar em trans e, embora aqui l o ti ves s e s i do mai s real do que mui tas outras coi s as que vi vera recentemente. — E l ena! — Damon tentava des es peradamente s e control ar. — Mostre-me a chave! Devagar e maj es tos amente, E l ena l evantou a mão. Os ombros de Damon s e retes aram, tens os , por... al guma coi s a... e arri aram. — É um anel — di s s e el e vagaros amente. O ges to l ento e maj es tos o não pareceu ter efei to al gum nel e. — Foi o que pens ei no i ní ci o. É uma chave. Não es tou perguntando, nem querendo s aber s e concorda comi go, es tou l he di zendo. É uma chave. A l uz dos ol hos de uma das rapos as aponta para Stefan.


— Que l uz? — M os tro depoi s . Bonni e! M eredi th! Vamos embora. — SÓ SAIRÁ DAQUI SE E U QUISE R! — Cui dado! — gri tou Bonni e. A coruj a mergul hou de novo. E mai s uma vez, no úl ti mo s egundo, Damon pegou as três meni nas e s al tou. O bi co da coruj a não bateu na grama, nem em cacos de vi dro, e s i m na es cada de mármore, que rachou. Houve um gri to de dor, depoi s outro, quando Damon, ági l como um dançari no, i nves ti u para o ol ho bom da ave gi gante. Cons egui u fazer um corte bem aci ma del e. O s angue enchi a o ol ho. E l ena não s uportava mai s . Des de que começara es s a j ornada com Damon e M att, el a pareci a um fras co chei o de rai va. Gota a gota, a cada novo i ns ul to, es s a rai va enchi a s em parar o fras co. Agora s ua fúri a es tava pres tes a trans bordar. M as então... O que aconteceri a? E l a não queri a s aber. Ti nha medo de não s obrevi ver a i s s o. O que el a s abi a era que não cons egui a mai s ver dor, s angue e angús ti a. Damon defi ni ti vamente gos tava de l utar. Que bom para el e. Que l ute então. E l a es tava i ndo bus car Stefan, mes mo que ti ves s e de s egui r o cami nho todo a pé. M eredi th e Bonni e es tavam em s i l ênci o. Conheci am es s e es tado de es pí ri to de E l ena. E l a não es tava apenas di vagando. E nenhuma das duas queri a fi car para trás . Foi exatamente nes te momento que a carruagem chegou num es trondo, ao pé da es cada de mármore.

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Sage, que obvi amente s abi a al guma coi s a da natureza humana, da natureza de demôni os e vampi ros e de vári os ti pos de natureza bes ti al , s al tou da carruagem com duas es padas em ri s te. Também as s ovi ou e, em um i ns tante uma s ombra — pequena — di s parou do céu até el e. Por fi m, l entamente, es tendendo cada perna como um ti gre, vei o Sabber, que de i medi ato repuxou os l ábi os , mos trando um número i mpres s i onante de dentes . E l ena s al tou para a carruagem, os ol hos encontrando os de Sage. Me aj ude, pens ou el a, des es perada. E os ol hos del e di s s eram s i mpl es mente, Não tenha medo. Às cegas , E l ena es tendeu as mãos para trás . A mãozi nha de os s os fi nos e um tanto trémul a al cançou a del a. Outra mão, magra, fri a e rí gi da como a de um meni no, mas com dedos l ongos e fi nos , s egurou-l he a outra. Não havi a ni nguém em quem confi ar naquel e l ugar. Ni nguém de quem s e des pedi r, nem com quem dei xar recados de des pedi da. E l ena entrou na carruagem e s entou-s e no banco tras ei ro, o mai s di s tante pos s í vel da frente, para acomodar aquel es que vi ri am atrás . E el es vi eram, como uma aval anche. E l a arras tara Bonni e, e M eredi th para perto del a; as s i m, quando Sabber s al tou para s eu l ugar cos tumei ro, cai u em três col os maci os . Sage não perdeu tempo. Com Tal on agarrada a s eu pul s o es querdo, el e dei xou es paço s ufi ci ente para a úl ti ma di s parada de Damon — e que di s parada. Rachado e quebrado, vertendo um fl ui do preto, o bi co de Bl oddeuwedd batera na ponta da es cada de mármore onde Damon es ti vera. — Para onde? — gri tou Sage, l ogo depoi s que os caval os parti am a gal ope... Para al gum l ugar, qual quer l ugar, long e dali . — Ah, por favor, não dei xe que el a machuque os caval os . — Bonni e


ofegava. — Ah, por favor, não dei xe que el a ras gue o teto da carruagem — di s s e M eredi th, de al gum modo capaz de s er i rôni ca mes mo quando s ua vi da corri a peri go. — Para onde, s' i l vous plaí t? — rugi u Sage. — Para a pri s ão, é cl aro — di s s e E l ena, ofegante. E l a s enti u que preci s ava tomar um pouco de ar. — A pri s ão? — Damon pareci a di s traí do. — Si m! A pri s ão! — E m s egui da acres centou, pegando al go pareci do com uma fronha, chei a de bol as de bi l har: — Sage, o que é i s s o? — O que cons egui mos encontrar! — di s s e Sage, numa voz mai s ani mada, enquanto os caval os des vi avam-s e para uma nova di reção. — E ol he perto de s eus pés ! — M ai s fronhas ...? — E u não es tava preparado para uma grande carga. M as deu tudo certo! Agora a própri a E l ena tateava uma das fronhas . E s tava chei a de hos hi no tama, cl aros e ci nti l antes , es feras es tel ares , l embranças que val i am... Nada? — E s feras i nes ti mávei s ... E mbora, é cl aro, não s ai bamos o que há nel as . — A voz de Sage mudou s uti l mente. E l ena s e l embrou do avi s o s obre “es feras proi bi das ”; o que, em nome do s ol amarel o, s eri a cons i derado al i ? Bonni e foi a pri mei ra a pegar uma del as e a col ocar em s ua têmpora. E o fez tão rápi do que E l ena não cons egui u i mpedi -l a. — O que é? — di s s e E l ena, tentando afas tar a es fera. — É ... poes i a. Uma poes i a que eu não entendo — di s s e Bonni e um tanto i rri tada.


M eredi th também pegara uma es fera ci nti l ante. E l ena es tendeu a mão para el a, mas novamente foi tarde demai s . M eredi th fi cou s entada como s e es ti ves s e em trans e por um momento, depoi s fez uma careta e abai xou a es fera. — O quê? — perguntou E l ena. M eredi th bal ançou a cabeça. Ti nha uma l eve expres s ão de avers ão. — O que é? — E l ena quas e gri tava, e quando M eredi th l argou a es fera, E l ena avançou para el a. Col ocou-a na têmpora e i medi atamente es tava ves ti da de couro preto da cabeça aos pés . Havi a doi s homens grandal hões di ante del a, s em mui to tônus mus cul ar. E el a podi a ver toda a mus cul atura del es porque es tavam quas e des pi dos , a não s er por al guns trapos , como s e fos s em mendi gos . M as certamente não eram — pareci am bem al i mentados , e cl aramente atuavam quando um del es s e pros trou, “E u errei . Pedi mos s eu perdão, oh, amo!” E l ena afas tou a es fera da têmpora ( el as col avam s uavemente, s e fi zes s em uma l eve pres s ão). — Por que el es não us am o es paço para outra coi s a? — di s s e el a. Logo outra coi s a es tava em vol ta del a. Uma meni na, com roupas humi l des , mas que não eram de es topa, pareci a apavorada. E l ena s e perguntou s e el a es tava s endo control ada. E E l ena era a meni na. Porfavornãodei xequemepeguemporfavomãodei xequeme... Dei xar o que peg ar você?, perguntou E l ena, mas era como ver um fi l me ou l er um l i vro em que o pers onagem entrava numa cas a vazi a durante uma tempes tade furi os a, cri ando todo aquel e s us pens e. A E l ena que andava com medo não podi a ouvi r a E l ena que fazi a as perguntas . Acho que não quero ver como i s s o termi na, concl ui u el a. E devol veu a


es fera para os pés de M eredi th. — Temos três s acos ? — Si m, s enhora. Três s acos chei os . Oh. Is s o não parece ter dado mui to certo. E l ena abri a a boca de novo quando Damon acres centou em voz bai xa: — E um s aco vazi o. — É mes mo? E ntão vamos tentar di vi di -l as . O que for... proi bi do... em um dos s acos . Coi s as es tranhas como a poes i a de Bonni e fi cam em outro. E i nformações s obre Stefan... ou s obre nós ... no tercei ro. E coi s as boas , como di as de verão, entraram no quarto — di s s e E l ena. — Acho que es tá s endo oti mi s ta — di s s e Sage. — E s perar achar um gl obo com Stefan tão rapi damente... — Todo mundo em s i l ênci o! — di s s e Bonni e de repente. — Aqui tem Shi ni chi e Damon fal ando. Sage enri j eceu, como s e ti ves s e s i do ati ngi do por um rai o do céu tempes tuos o, depoi s s orri u. — E por fal ar no di abo... — murmurou el e. E l ena s orri u para el e e apertou s ua mão antes de pegar outra es fera. — Parece s er a l embrança de um

j ul gamento. Não entendo.

Provavel mente foi regi s trado por um es cravo, porque pos s o ver todos el es . — E l ena s enti u os mús cul os faci ai s s e enri j ecerem de ódi o ao ver, mes mo numa es péci e de s onho, Shi ni chi , o ki ts une que caus ou tantos probl emas . Seu cabel o era preto, a não s er por uma borda i rregul ar, que dava a i mpres s ão de ter s i do mergul hada em l ava i ncandes cente. E , é cl aro, M i s ao, a s upos ta i rmã de Shi ni chi . E s ta es fera es tel ar deve ter s i do fei ta por um es cravo, porque el a podi a ver os gêmeos e um homem que pareci a s er l i gado às l ei s .


M i s ao, pens ou E l ena. Del i cada, di s ti nta, s éri a... Demoní aca. Seu cabel o era i gual ao de Shi ni cni , mas es tava pres o num rabo de caval o. E ra pos s í vel ver s eu ar demoní aco quando el a l evantava os ol hos . E ram eferves centes , dourados , ri s onhos , como os do i rmão; ol hos que j amai s trazi am remors o — a não s er, tal vez, por achar que ai nda não havi am ti do vi ngança s ufi ci ente. E l es não ti nham res pons abi l i dade nenhuma. Achavam a angús ti a di verti da. E ntão al go es tranho aconteceu. As três fi guras na s al a de repente s e vi raram e ol haram di retamente para el a, ou mel hor, di retamente para quem fez a es fera, E l ena s e corri gi u, mas ai nda era des concertante. Foi ai nda mai s des concertante quando el es avançaram. Quem eu s ou?, pens ou E l ena, s enti ndo-s e ans i os a. Depoi s tentou al go que nunca havi a fei to antes ou pens ar que pudes s e s er fei to. Com cui dado, es tendeu s eu Poder para o s er em vol ta do gl obo. E l a era Werty, uma es péci e de s ecretári o de advogado. E l a, ou el e, tomava notas quando os acordos i mportantes eram fei tos . E Werty s em dúvi da não gos tou do que es tava acontecendo naquel e momento. Os doi s cl i entes e s eu chefe s e aproxi mavam del e, de uma forma que nunca havi am fei to. E l ena s e afas tou do funci onári o e pôs a bol a de l ado. E l a tremi a, poi s pareci a que ti nha s i do mergul hada em água gel ada. E depoi s o teto afundou. Bl oddeuwedd. M es mo com o bi co al ei j ado, a i mens a coruj a ras gou boa parte do teto da carruagem. Todos gri tavam e ni nguém s abi a di rei to o que fazer. Sabber e Damon a havi am feri do: Sabber erguendo-s e dos três col os maci os em que es tava, atacou os pés de Bl oddeuwedd. Cons egui u feri r um del es antes de dei xar-s e cai r na carruagem, onde quas e es corregou. E l ena, Bonni e e M eredi th s eguraram o que al cançaram do cão e o puxaram de vol ta ao banco tras ei ro.


— Chega pra l á! Dei xa el e s entar aí — gemeu Bonni e, vendo o es trago que Sabber ti nha fei to em s eu ves ti do. E l e também dei xou marcas vermel has nel a. — Bom — di s s e M eredi th —, da próxi ma vez vamos pedi r s obretudos de aço... M as es pero que não haj a nenhuma próxi ma vez! E l ena rezou com fervor para el a ter razão. Bl oddeuwedd pl anava em um ângul o maí s bai xo, s em dúvi da na es perança de arrancar al gumas cabeças . — Todo mundo pegue madei ra. E es feras ! Ati rem as es feras quando el a s e aproxi mar de vocês . — E l ena ti nha es peranças de que a vi s ão das es feras es tel ares , a obs es s ão de Bl oddeuwedd, a retardas s e. Ao mes mo tempo, Sage gri tou: — Não des perdi cem as es feras ! Ati rem outra coi s a! Já es tamos quas e l á. À es querda, depoi s em frente! As pal avras deram um novo al ento a E l ena. E u tenho a chave, pens ou el a. O anel é a chave. Só preci s o pegar Stefan — e l evar todos nós para a porta que tem a fechadura. Tudo i s s o no mes mo prédi o. Já es tou prati camente em cas a. A i nves ti da s egui nte vei o ai nda mai s bai xa. Bl oddeuwedd, cega de um ol ho, com o s angue enchendo o outro e o ol fato bl oqueado pel o própri o s angue s eco, tentava acertar a carruagem e derrubá-l a. Se el a cons egui r, vamos morrer, pens ou E l ena. E el a cons egui rá pegar qual quer um que es tej a s e retorcendo no chão. — AB AIXEM-SE! — gri tou el a, com s ua voz tel epáti ca também. E então al go pareci do com um avi ão pas s ou tão perto que E l ena s enti u os tufos de cabel o s endo puxados , apanhados nas garras . E l ena ouvi u um gri to de dor vi ndo do banco da frente, mas não l evantou a


cabeça para ver o que era. A carruagem de repente parou aos s ol avancos e, no i ns tante s egui nte, uma ave da morte gi rava, aos gri tos , tentando atacar o que vi a pel a frente. Agora E l ena preci s ava de toda s ua atenção, todas as s uas facul dades , para fugi r des s e mons tro que zumbi a para el es cada vez mai s bai xo. — A carruagem es tá des truí da! Sai am! Corram! — A voz de Sage chegou a el a num trovão. — Os caval os — gri tou E l ena. — E l es j á eram! Sai am, merda! E l ena nunca ti nha ouvi do Sage xi ngar. Tentou não pens ar naqui l o agora. E l ena não s abi a como M eredi th e el a cons egui ram s ai r, poi s tropeçavam uma na outra a todo momento, tentando aj udar, mas s ó atrapal hando ai nda mai s . Bonni e j á es tava fora. O coche batera num pos te e a l ançara pel o ar. Fel i zmente, mandou-a a um cantei ro de trevos fei os mas vi ços os e el a não teve nenhum feri mento grave. — Ahhh, mi nha pul s ei ra... Não, l á es tá — gri tou el a, pegando al guma coi s a que bri l hava no mei o do trevo. E l a l ançou um ol har cautel os o para a noi te carmi m. — E agora, o que vamos fazer? — Vamos correr! — excl amou Damon. E l e deu a vol ta pel os des troços , onde ti nham caí do amontoados . Havi a s angue em s ua boca e no branco antes i macul ado de s eu pes coço. Lembrou E l ena daquel es que cos tumavam beber s angue de caval o e l ei te para s e nutri r. M as Damon s ó bebi a de humanos . E l e j amai s ti rou s angue equi no... Os cavalos ai nda estarão aqui e B loddeuw edd também, uma voz rí s pi da fal ou em s ua mente. Ela bri ncari a comeles; haveri a dor. Assi mfoi rápi do. Foi ... umi mpulso. E l ena tentou pegar as mãos del e, ofegando. — Damon! Desculpe!


— SAIAM DAQUI! — Sage rugi a. — Temos de chegar a Stefan — di s s e E l ena, e pegou Bonni e com a outra mão. — M e aj ude, por favor. Não es tou cons egui ndo ver o anel . — M eredi th, s egundo E l ena pens ava, cons egui ri a chegar ao prédi o da Shi no Shi s em mui ta aj uda. E foi uma grande correri a, retração e al armes fal s os por uma Bonni e abal ada. Por duas vezes o horror pl anava s obre el as , chocando-s e em s ua frente, ou um pouco ao l ado, quebrando o que vi a pel a frente, l evantando nuvens de poei ra. E l ena não conheci a os hábi tos das coruj as , mas Bl oddeuwedd des ci a em ângul o para s ua pres a, depoi s abri a as as as e mergul hava no úl ti mo mi nuto. M as a pi or coi s a na coruj a gi gante era s eu s i l ênci o. Não havi a farfal har que i ndi cas s e onde el a poderi a es tar. Al go em s uas penas abafava o s om, e as s i m el es nunca s abi am quando el a atacari a novamente. No fi m, ti veram de engati nhar por toda s orte de l i xo, avançando o mai s rápi do que podi am, s egurando madei ra, vi dro, qual quer coi s a afi ada por ci ma da cabeça, enquanto Bl oddeuwedd atacava novamente. E o tempo todo E l ena tentava us ar s eu Poder. Não era o mes mo Poder que us ara antes , mas podi a s enti r s eu nome s e formando nos l ábi os . O que el a não cons egui a s enti r, não cons egui a forçar, era uma l i gação entre as pal avras e o Poder. Sou uma pés s i ma heroí na, pens ou el a. Sou ri dí cul a. E l es devi am ter dado es s es Poderes a al guém que j á s oubes s e control ar es s as coi s as . Ou me ens i nado a us á-l os antes . Ou... Não... — E l ena! — Al go voava di ante del a, mas de al gum modo el a vi rou para a es querda e contornou. Depoi s el a es tava no chão e ol hava para Damon, que a protegi a com própri o corpo.


— Obri gada — s us s urrou el a. — Ande! — Des cul pe — s us s urrou el a e es tendeu a mão di rei ta, com o anel , para el e pegar. E m s egui da el a s e curvou, arfando de s ol uços . Podi a ouvi r o bater de as as de Bl oddeuwedd bem aci ma del es .


40 M att e a Sra. Fl owers es tavam no bunker — o anexo que o ti o da Sra. Fl owers havi a cons truí do para abri gar a carpi ntari a e outros hobbi es . E s tava ai nda mai s detonado que o res to da cas a, e era us ado como depós i to, onde a Sra. Fl owers guardava, por exempl o, a cama de armar do ti o Joe e aquel e s ofá vel ho e arri ado que não combi nava mai s com a mobí l i a da cas a. Agora, à noi te, aquel e l ugar era o paraí s o. Nenhuma cri ança ou adul to de Fel l ' s Church ti nha s i do convi dado a entrar l á. Na real i dade, a não s er pel a Sra. Fl owers , por Stefan — que aj udou a trans feri r os móvei s grandes para l á — e ag ora por M att, ni nguém j amai s es ti vera al i , pel o que a Sra. Fl owers s e recordava. M att s e agarrou a i s s o. E l e es ti vera l endo atentamente todo o materi al que M eredi th pes qui s ara e um trecho preci os o ti nha s i gni fi cado mui to para el e e para a Sra. Fl owers . E ra o que permi ti a que el es dormi s s em à noi te, quando as vozes chegavam.

Acredi ta-se que os ki tsune sej amuma espéci e de pri mos di stantes dos vampi ros oci dentai s, que seduzemdetermi nados homens (j á que a mai ori a dos espí ri tos raposas assume a forma femi ni na) e se ali mentamdi retamente de seu chi , ou espí ri to vi tal, sema i ntermedi ação do sang ue. Assi m, pode-se deduzi r que são reg i dos por reg ras semelhantes as dos vampi ros. Por exemplo, eles tambémnão podem entrar emuma casa semser convi dados...

E , ah, as vozes ... E l e agora es tava profundamente fel i z por ter acei tado o cons el ho de M eredi th e Bonni e e procurado pri mei ro a Sra. Fl owers antes de i r para cas a. As meni nas cons egui ram convencê-l o de que el e acabari a col ocando os pai s em peri go, poi s a ci dade i ntei ra es tava es perando M att para l i nchá-l o pel o s upos to ataque a Carol i ne. M as Carol i ne pareci a tê-l o achado no pens i onato as s i m que el e chegou, mas , es tranhamente, nunca l evou nenhuma


mul ti dão até l á. M att achava que tal vez fos s e porque teri a s i do i núti l . E l e não ti nha i dei a do que poderi a acontecer s e aquel as vozes real mente pertences s em a ex-ami gos que há mui to tempo foram convi dados a es ta cas a. E s ta noi te... — Vamos l á, M att — ronronou Carol i ne, com a voz arras tada, l enta e s edutora. Pareci a que el a es tava dei tada, fal ando pel a fres ta embai xo da porta. — Não s ej a um des mancha-prazeres . Sabe que uma hora vai ter que s ai r. — Dei xa eu fal ar com a mi nha mãe. — Não pos s o, M att. E u j á te di s s e, el a es tá em trei namento. — Para fi car como você? — Dá mui to trabal ho fi car como eu, M att. — De repente o tom de Carol i ne não era mai s s edutor. — Apos to que s i m — murmurou M att, e acres centou: — Se você fez al guma coi s a com a mi nha famí l i a, vai s e arrepender. — Ah, M att! Tenha dó, cai na real . Ni nguém vai fazer nada aqui . M att abri u as mãos devagar para ol har o que s egurava. O anti go revól ver de M eredi th, carregado com as bal as abençoadas por Obaas an. — Qual é o s egundo nome de E l ena? — perguntou el e. Não em voz al ta, embora houves s e os s ons de mús i ca e danças no qui ntal da Sra. Fl owers . — M att, do que es tá fal ando? O que es tá fazendo aí , uma árvore geneal ógi ca? — E u te fi z uma pergunta s i mpl es . Você e E l ena bri ncavam j untas des de que eram prati camente bebés , não é? E ntão, qual é o s egundo nome del a? Houve uma agi tação l á dentro e Carol i ne fi nal mente res pondeu, mas dava para ouvi r cl aramente uma i ns trução s us s urrada, como Stefan ouvi ra


tanto tempo atrás , apenas uma fração de s egundo antes de el a fal ar. — Se es tá i nteres s ando apenas em fazer j ogui nhos , M atthew Honeycutt, vou achar outra pes s oa para convers ar comi go. E l e prati camente podi a ouvi r Carol i ne s e mexendo com i rri tação. M as M att ti nha vontade de comemorar. Permi ti ra-s e comer uma bol acha e tomar mei o copo do s uco de maçã cas ei ro da Sra. Fl owers . E l es nunca s abi am quando podi am fi car pres os al i para s empre, apenas com os s upri mentos que trazi am, então s empre que M att s aí a do bunker, vol tava com o máxi mo de coi s as que encontrava e achava que podi a s er úti l . Um acendedor de churras quei ra e um s pray para cabel os equi val i am a um l ança-chamas . Potes e mai s potes das del i ci os as cons ervas da Sra. Fl owers . Anéi s de l ápi s -l azúl i para o cas o de acontecer o pi or e el es termi narem com dentes pontudos . A Sra. Fl owers s e vi rou, cochi l ando no s ofá. — Quem era, M att, queri do? — perguntou el a. — Ni nguém, Sra. Fl owers . Pode vol tar a dormi r. — Sei — di s s e a Sra. Fl owers em s ua voz mai s doce. — Bem, s e a ni nguém vol tar, pergunte o pri mei ro nome da mãe del a. — Sei — di s s e M att na mel hor i mi tação da voz da Sra. Fl owers , e os doi s ri ram. M as , apes ar das ri s adas , havi a um bol o em s ua garganta. E l e conheci a a Sra. Forbes há mui to tempo também. E el e es tava as s us tado, temi a a hora em que a voz a chamá-l o fos s e a de Shi ni chi . E aí el es es tari am encrencados de verdade.

***

— Acabou-s e — gri tou Sage. — E l ena! — berrou M eredi th.


— Ah, meu Deus ! — gri tou Bonni e. No i ns tante s egui nte, E l ena foi l ançada para o teto e al go cai u por ci ma del a. E l a ouvi u um gri to, mas es s e era di ferente dos outros . E ra um s om abafado de pura dor enquanto o bi co de Bl oddeuwedd bati a em al go fei to de carne. E u, pens ou E l ena. M as não havi a dor. Não... fui eu? E l a ouvi u uma tos s e aci ma del a. — E l ena... Vá... M eus es cudos ... Não aguentam... — Damon! Nós vamos j untos ! Dói ... E ra s ó a s ombra de um s us s urro tel epáti co e E l ena s abi a que Damon não pens ava ter s i do ouvi do. M as el a es tava ci rcul ando s eu Poder cada vez mai s rápi do, di s farçadamente, concentrada apenas em l i vrar do peri go aquel e que el a amava. Vou achar umj ei to, di s s e el a a Damon. Vou carreg ar você. Como umbombei ro. E l e ri u di s s o, fazendo E l ena perceber que não es tava morrendo. Agora E l ena des ej ou ter l evado o Dr. M eggar na carruagem para que el e pudes s e aj udar a curar os feri dos ... ... e depoi s o quê? Dei xá-l o à mercê de Bl oddeuwedd? E l e quer cons trui r um hos pi tal aqui nes te mundo. Quer aj udar as cri anças , que certamente não merecem toda a cruel dade que as vi s ofrerem... E l a afugentou os pens amentos . Não havi a tempo para um debate fi l os ófi co s obre médi cos e s uas obri gações . E ra hora de fugi r. E s tendendo a mão para trás , el a encontrou duas mãos . Uma es tava es corregadi a de s angue, então el a es tendeu o braço al ém, agradecendo a s ua fal eci da mãe por todas as aul as de bal é e i oga que tenha s i do obri gada a frequentar, e pegou a manga aci ma da mão. Depoi s col ocou as cos tas del e na


del a e puxou. Para s ua s urpres a, E l ena cons egui u l evantar Damon. Tentou puxá-l o mai s para ci ma de s uas cos tas , mas não deu mui to certo. E até cons egui u dar um pas s o trôpego para a frente, depoi s outro... E então Sage apareceu, pegando os doi s , e el es entraram no s aguão do prédi o da Shi no Shi . — Sai am todos ! Sai am! Bl oddeuwedd es tá atrás de nós e el a vai matar quem es ti ver no s eu cami nho! — gri tou E l ena. Foi es tranho. E l a não pretendi a gri tar. Não formul ara as pal avras , a não s er, tal vez, nas partes mai s profundas de s eu s ubcons ci ente. M as gri tou para el es no s aguão j á em pol voros a e ouvi u o gri to s endo acei to pel os outros . O que el a não es perava era que el es corres s em para as cel as . É cl aro que el es não i ri am para a rua. Devi a ter pens ado ni s s o, mas não pens ou. Depoi s s enti u que el a, Sage e Damon des ci am pel o cami nho que fi zeram na noi te anteri or... M as era real mente o cami nho certo? E l ena uni u as mãos e vi u, a j ul gar pel a l uz das rapos as , que preci s avam entrar à di rei ta. — O QUE SÃO E SSAS CE LAS A NOSSA DIRE ITA? COM O CHE GARE M OS LÁ? — gri tou para o j ovem vampi ro ao l ado. — É onde fi cam os M ental mente Perturbados e em Is ol amento — res pondeu aos gri tos o caval hei ro vampi ro. — Não vá por aí . — Tenho de i r! Preci s o de uma chave? — Si m, mas ... — Você tem uma chave? — Si m, mas ... — M e dê agora! — Não pos s o — gemeu el e de um j ei to que a l embrou de Bonni e em


s eus momentos mai s di fí cei s . — Tudo bem. Sage! — Madame? — M ande Tal on furar os ol hos des te homem. E l e não quer me dar a chave para a al a de Stefan! — Cons i dere fei to, Madame! — E s p-pere! E u m-mudei de i dei a. Tome a chave! O vampi ro ti rou uma chave de um mol ho e a entregou a E l ena. Pareci a com as outras chaves em s eu anel . Pareci da demai s , di s s e a mente des confi ada de E l ena. — Sage! — Madame! — Pode es perar com Sabber até eu pas s ar? Quero que el e arranque o vocês abe-o-quê des s e s uj ei to s e el e es ti ver menti ndo para mi m. — M as é cl aro, Madame! — E s p-p-p-pere — di s s e o vampi ro, ofegante. E s tava cl aro que el e es tava total mente apavorado. — E u pos s o... pos s o ter l he dado a chave errada... Nes ta... nes ta l uz... — M e dê a chave certa e me di ga tudo o que eu preci s o s aber ou farei com que o cão vol te e o mate — di s s e E l ena e, nes s e momento, el a fal ou s éri o. — T-tome. — Des ta vez a chave não pareci a uma chave. E ra redonda, l i gei ramente convexa e ti nha um buraco no mei o. Como um donut em que um pol i ci al s e s entou, parte da mente de E l ena di s s e, e el a começou a ri r hi s teri camente. Cal e a boca, di s s e-l he s ua mente com as pereza. — Sage! — Madame?


— Tal on pode ver o homem que es tou s egurando pel os cabel os ? — E l a teve de fi car na ponta dos pés para pegá-l o. — M as é cl aro, Madame! — Poderá s e l embrar del e? Se eu não achar Stefan, quero que el a mos tre a Sabber, para que el e s i ga s eu ras tro. — E r... Ah... E ntendi , Madame! Uma mão, pi ngando s angue do pul s o, ergueu um fal cão no al to, ao mes mo tempo em que houve um es trondo i nes perado no al to do prédi o. O vampi ro es tava quas e aos prantos . — Vi re à d-d-di rei ta a parti r d-d-daqui . Us e a ch-ch-chave na fenda na al tura da c-c-abeça para entrar n-no corredor. Tal vez haj a guardas l á. M as ... s e... s e não ti ver uma chave para a cel a i ndi vi dual que quer... Des cul pe, mas ... — E u tenho! Tenho a chave da cel a e s ei o que fazer depoi s ! Obri gada, você foi de grande aj uda. E l ena s ol tou o cabel o do vampi ro. — Sag e! Damon! B onni e! Procurem um corredor trancado, do lado di rei to. Não se dei xem levar pela multi dão. Sag e, seg ure B onni e e faça Sabber lati r como um louco. B onni e, seg ure-se emMeredi th na frente dos homens. O corredor leva a Stefan! E l ena nunca s oube o quanto daquel a mens agem, fal ada e envi ada tel epati camente, s eus al i ados ouvi ram. M as à frente el a ouvi u um s om que l he pareci a um coro de anj os cantando. Sabber l ati a l oucamente. E l ena j amai s teri a s i do capaz de parar. E s tava numa corredei ra de pes s oas e aqui l o a l evava para uma barrei ra fei ta por quatro pes s oas , um fal cão e um cachorro de aparênci a rai vos a. M as oi to mãos s e es tenderam enquanto el a era varri da — e um ros nado, um foci nho feroz s al tou à frente de E l ena para s epará-l a mul ti dão. De al gum


modo el a col i di u com a parede à di rei ta s egurando nel a, empurrando-a, agarrando e forçando-a. M as Sage ol hava a mes ma parede, des es perado. — Madame, el e a enganou! Não tem nenhuma fechadura aqui ! A garganta de E l ena fi cou ás pera. E l a s e preparou para gri tar, “Sabber, ataque”, e parti u atrás do vampi ro. M as então, pouco abai xo del a, a voz de Bonni e di s s e: — É cl aro que tem. Tem a forma de um cí rcul o. E E l ena s e l embrou. Guardas bai xos . Como demoni ozi nhos ou macacos . Do tamanho de Bonni e. — Bonni e, pegue i s s o! E nfi e no buraco. M as cui dado! É a úni ca que temos . Sage de i medi ato ori entou Sabber a parar e ros nar pouco à frente de Bonni e no túnel , para evi tar que o fl uxo de demôni os e vampi ros em pâni co a atrapal has s e. Com cui dado, s ol enemente, Bonni e pegou a chave grande, exami nou-a, tombou a cabeça de l ado, gi rou-a nas mãos e a col ocou na parede. — Não aconteceu nada! — Tente gi rar ou empurrar... Um es tal o. A porta s e abri u, des l i zando. E l ena e s eu grupo caí ram no corredor, enquanto Sabber fi cou entre el es e a mul ti dão es magadora, l ati ndo, mordendo e s al tando. E l ena, dei tada no chão, com as pernas entrel açadas s abe-s e-l á-emquem, col ocou a mão em concha em s eu anel . Os ol hos de rapos a apontaram di retamente para a frente e pouco para a di rei ta.


Bri l haram para uma cel a Ă  frente.


41 Stefan! — E l ena gri tou e, ao fazer i s s o, s abi a que pareci a uma l ouca. Não houve res pos ta. E l a corri a. Segui ndo a l uz. — Stefan! Stefan! Uma cel a vazi a. Uma múmi a amarel ada. Uma pi râmi de de pó. De al gum modo, s eu s ubcons ci ente des confi ava de al guma coi s a. E o que quer que fos s e a teri a fei to fugi r para enfrentar Bl oddeuwedd com as própri as mãos . E m vez di s s o, quando chegou à cel a certa, vi u um j ovem cans ado, cuj a expres s ão mos trava que des i s ti ra de toda es perança. Levantou um braço magro como um graveto, rej ei tando-a i ntei ramente. — E l es j á me contaram a verdade. Vocês foram extradi tados por aj udarem um pri s i onei ro. Não s ou mai s s us cetí vel a s onhos . — Stefan! — E l a cai u de j oel hos . — Vamos ter de pas s ar por i s s o toda vez? — Sabe com que frequênci a el es recri aram você, sua vaca? E l ena fi cou chocada. M ai s do que chocada. M as no i ns tante s egui nte o ódi o des aparecera do ros to del e. — Pel o menos pos s o ol har para você. E u ti nha... uma foto. Que el es tomaram de mi m, é cl aro. Cortaram, bem devagar, obri gando-me a ver. M e obri garam a cortar também. Se eu não cortas s e, el es ... — Ah, queri do! Stefan, meu amor! Olhe para mi m. Ouça o barul ho. Bl oddeuwedd es tá des trui ndo tudo, porque eu roubei a outra metade da chave do ni nho del a, Stefan, e eu não s ou um s onho. Não es tá vendo? Alg uma vez el es te mos traram i s s o? — E l a es tendeu a mão com o anel de rapos a dupl o. — Agora... Agora... Onde eu o col oco?


— Você é quente. As grades s ão fri as — di s s e Stefan, s egurando s ua mão e fal ando como s e reci tas s e al go de um l i vro i nfanti l . — Aqui ! — E l ena gri tou, tri unfante. E l a não preci s ava ti rar o anel . Stefan s egurava s ua outra mão, e es ta uni ão funci onou perfei tamente. E l a o col ocou di retamente num pequeno buraco ci rcul ar na parede. Depoi s , quando nada aconteceu, el a gi rou para a di rei ta. Nada. E s querda. A grade da cel a l entamente começou a s e l evantar. E l ena mal acredi tava no que es tava acontecendo, e por um i ns tante achou que es tava tendo uma al uci nação. Depoi s , quando vi rou rapi damente para ol har o chão, vi u que a grade j á es tava pel o menos 30 centí metros aci ma del e. E el a ol hou para Stefan, que es tava de pé novamente. Os doi s s e aj oel haram. Teri am s e dei tado e s e retorci do como cobras , s e fos s e preci s o, tal era a neces s i dade de s e tocarem. Os s uportes hori zontai s da grade não permi ti am que fi cas s em de mãos dadas enquanto a grade s e l evantava. Quando a grade es tava aci ma da cabeça de E l ena e el a j á es tava abraçada a Stefan — ela seg urava Stefan em seus braços! —, al armada ao s enti r os os s os das mãos del e, mas abraçando-o, e ni nguém podi a l he di zer que el e era uma al uci nação ou um s onho; e s e el a e Stefan ti ves s em de morrer j untos , morreri am j untos . Nada i mportava, contanto que nunca mai s s e s eparas s em. E l a cobri u de bei j os aquel e ros to os s udo e des conheci do. E ra es tranho, não havi a nenhuma barba mei o cres ci da e des ordenada, mas os vampi ros não ti nham barba, a não s er que as ti ves s em quando s e tornaram vampi ros . E então havi a outras pes s oas na cel a. Boas pes s oas . Gente ri ndo e chorando, aj udando-a a i mprovi s ar uma l i tei ra com l ençói s fedorentos e o catre de Stefan, e ni nguém s e atreveu a gri tar quando os pi ol hos s al taram, porque


todo mundo s abi a que E l ena teri a s e vi rado e ras gado s uas gargantas como Sabber. Ou mel hor, como Sabber, mas s egundo a Srta. Courtl and, com senti mento. Para Sabber s eri a mai s um trabal ho. E de al gum modo — as coi s as fi caram es tranhas — E l ena ol hava a face amada de Stefan e s egurava s ua l i tei ra, e di s parava — el e não pes ava nada — por um corredor di ferente do que aquel e em que l utou, e abri u cami nho, empurrando e s e debatendo ao entrar. Ao que pareci a, todo o conti ngente da Shi no Shi es col hera o outro corredor. Devi a haver um l ugar s eguro para el es no fi nal daquel e l ado. E ao s e perguntar como um ros to podi a s er tão puro, l i ndo e perfei to, mes mo quando pareci a quas e uma cavei ra, E l ena pens ava, pos s o correr e me abai xar. E el a s e curvou s obre Stefan e s eu cabel o formou um es cudo em vol ta del es , de modo que s ó havi a os doi s al i . Todo o mundo fora i s ol ado e el es es tavam s ozi nhos . E l ena di s s e em s eu ouvi do: — Por favor, preci s amos que s ej a forte. Por favor... Por mi m. Por favor... Por Bonni e. Por favor... Por Damon. Por f... E l a teri a conti nuado a ci tar todos os nomes , e provavel mente repeti ri a al guns , mas j á era demai s . Depoi s de s ua l onga pri vação, Stefan não ti nha coragem de contrari á-l a. Sua cabeça s e ergueu de repente e E l ena s enti u mai s dor do que a de cos tume, porque el e es tava no ângul o errado, e el a fi cou feli z porque Stefan ti nha perfurado uma vei a e o s angue es corri a para a boca del e num fl uxo es tável . E l es ti veram de reduzi r o ri tmo, ou E l ena teri a tropeçado e ti ngi do a face de Stefan de rubro, como a de um demôni o, mas el es ai nda corri am. Al guém os gui ava. E mui to de repente, pararam. E l ena, de ol hos fechados , com a mente fi xa na de Stefan, não teri a ol hado para ci ma, para ver o mundo. M as no


momento s egui nte el es s e moveram novamente e el a teve a s ens ação de que es tava em outro l ugar. E l ena percebeu que es tavam no s aguão e el a preci s ava ter certeza do que todos s abi am. Ag ora está a nossa esquerda, el a envi ou a Damon. Fi ca perto da frente do prédi o. É uma porta comvári os sí mbolos no alto. Acho que sei do que está falando, envi ou Damon de vol ta s ecamente, i ncapaz de es conder duas coi s as del a. Uma era que el e es tava fel i z, verdadei ramente fel i z ao s enti r a eufori a de E l ena, e s aber que foi el e, na mai or parte, que ti nha provocado i s s o. A outra era s i mpl es . Que s e ti ves s e de es col her entre a s ua vi da e a yi da do i rmão, el e dari a a própri a vi da. Por E l ena, por s eu própri o orgul ho. Por Stefan. E l ena não s e apegou a es s as coi s as s ecretas que não ti nha o di rei to de s aber. Si mpl es mente as recebeu, dei xando Stefan s enti -l as em toda s ua genuí na vi bração, e s e certi fi cou de que não havi a reação que i nformas s e a Damon que Stefan s abi a. Os anj os cantavam no paraí s o por el a. As pétal as da ros a Bl ack M agi c eram es pal hadas por s eu corpo. Al gumas pombas voaram e el a s enti u s uas as as . E l a es tava fel i z. M as não es tava s egura. Só percebeu i s s o ao entrar no s aguão, mas el es ti veram mui ta s orte porque a Porta Di mens i onal fi cava daquel e l ado. Bl oddeuwedd des truí ra todo o outro l ado, que des moronara num monte que não pas s ava de madei ra l as cada. A ri xa entre E l ena e Bl oddeuwedd pode ter começado como uma di s cus s ão entre uma anfi tri ã que pens ava que s ua convi dada i nfri ngi ra as regras da cas a e uma convi dada que s ó queri a fugi r, mas depoi s tornara-s e uma guerra mortal . E o modo como vampi ros , l obi s omens , demôni os e outras cri aturas da Di mens ão das Trevas reagi ram, mos trava que havi a uma comoção. Os Guardi ões es tavam bem ocupados tentado manter as pes s oas fora do prédi o.


Cadáveres es tavam es pal hados pel a rua. Ah, meu Deus , as pes s oas ! As pobres pes s oas !, pens ou E l ena, à medi da que a cena chegava a s eu campo de vi s ão. Quanto aos Guardi ões — que manti nham o l ugar l i mpo e l utavam com Bl oddeuwedd por el a —, que Deus os abençoe por i s s o, pens ou E l ena, i magi nando um s aguão de pé momentos antes de entrar correndo com Stefan. M as el es es tavam real mente s ozi nhos . — Agora preci s amos de s ua chave de novo, E l ena — era a voz de Damon, pouco aci ma del a. E l ena genti l mente ti rou Stefan de s eu pes coço. — Só por um i ns tante, meu amor. Só um s egundo. Ol hando a porta, E l ena fi cou confus a por um tempo. Havi a um buraco, mas nada aconteceu quando el a col ocou o anel e o empurrou, apertou, ou gi rou para es querda ou di rei ta. Pel o canto do ol ho el a vi u uma s ombra es cura no al to, que cons i derou i rrel evante e que s e aproxi mou gri tando para el a, com as garras de aço es tendi das . Não havi a teto. As garras de Bl oddeuwedd o havi am arrancado compl etamente. Elena sabi a di sso. Porque de al gum modo, de repente, E l ena vi u toda a s i tuação, não s ó s ua parti ci pação nel a, mas como s e fos s e al guém de fora de s eu corpo, que s abi a de mui to mai s coi s as do que a pequena E l ena Gi l bert. Os Guardi ões es tavam aqui para evi tar danos col aterai s . E l es podi am i mpedi r Bl oddeuwedd, ou não. Elena tambémsabi a di sso. Todos os que fugi am pel o outro corredor fi zeram o que uma pres a normal mente faz. Di s pararam para o fundo da toca. Havi a uma enorme s al a s egura al i .


De alg ummodo, Elena sabi a di sso. M as agora, num borrão,

Bl oddeuwedd vi u aquel es que es tava

pers egui ndo, os l adrões de ni nho, aquel es que des truí ram para s empre um de s eus i mens os ol hos redondos e l aranj a que enxergavam l onge, e que cortaram s eu outro ol ho tão fundo que s e enchi a de s angue. Elena podi a senti r i sso. Bl oddeuwedd cul pava-os pel o s eu feri mento no bi co. Os cri mi nos os , os s el vagens , aquel es que el a cortari a em pedaços aos pouqui nhos , um membro de cada vez, pas s ando de um a outro enquanto arrebanhava ci nco ou s ei s nas garras , ou enquanto os obs ervava, i ncapazes de fugi r por fal tar uma perna, retorcendo-s e abai xo del a. Elena podi a senti r i sso. Aci ma del a. Bem agora... E l es es tavam di retamente abai xo de Bl oddeuwedd. Bl oddeuwedd mergul hou. — Sabber! Tal on! — gri tou Sage, mas E l ena s abi a que não haveri a di s tração. Não haveri a nada a não s er morte e des trui ção e, l entamente, os gri tos ecoando da úni ca parede do s aguão. Elena podi a i mag i nar i sso. — Não vai abri r, droga — gri tou Damon. E l e es tava mani pul ando o pul s o de E l ena para mover a chave no buraco. M as por mai s que empurras s e ou puxas s e, nada aconteci a. Bl oddeuwedd es tava quas e em ci ma del es . E l a acel erou, l ançando i magens tel epáti cas di ante de s i . Tendões s e es ti cando, arti cul ações rompendo-s e, os s os s e es pati fando... Elena sabi a... > NAAAAOOOO! E l ena não aguentou mai s de rai va. De repente el a vi u tudo o que preci s ava s aber em uma úni ca revel ação.


M as era tarde demai s para col ocar Stefan porta a dentro, então a pri mei ra coi s a que gri tou foi ” Asas da Proteção! ” Bl oddeuwedd, a uns 2 metros de di s tânci a, bateu numa barrei ra i mpenetrável . Chocou-s e com a vel oci dade de um carro de corri da e como s e fos s e um avi ão de médi o porte. O terror expl odi u o bi co pri mei ro nas as as de E l ena. As as as eram verdecl aras no al to, ponti l hadas de es meral das fai s cantes , e num tom de ros a que l embrava o amanhecer, coberto de cri s tai s , na bas e. As as as envol veram s ei s humanos e doi s ani mai s — e el es não s e atreveram a s e mexer quando Bl oddeuwedd cai u. Bl oddeuwedd s e fez de morta. Fechando os ol hos , e tentando não pens ar na donzel a que ti nha s i do fei ta de

fl ores

(e

que

matara

o mari do!,

di s s e

E l ena

a

si

mes ma

des es peradamente), com os l ábi os s ecos e um l í qui do es correndo pel o ros to, E l ena s e vol tou novamente para a porta. Pôs o anel e al i veri fi cou s e es tava na pos i ção certa. E di s s e: — Fel l ' s Church, Vi rgí ni a, E s tados Uni dos , Terra. Perto do pens i onato, por favor.

***

Já era mai s de mei a-noi te. M att dormi a na cama de armar, enquanto a Sra. Fl owers dormi a no s ofá, quando de repente foram des pertados por um barul ho. — M as o que foi i s s o? — A Sra. Fl owers s e l evantou e ol hou pel a j anel a, que devi a es tar es cura.


— Cui dado, Sra. Fl owers — di s s e M att automati camente, mas não pôde dei xar de acres centar: — O que foi ? — Como s empre, es perava o pi or e s e certi fi cava de que o revól ver com as bal as abençoadas es ti ves s e por perto. — É ... Luz — di s s e a Sra. Fl owers , com a voz fraca. — Não s ei o que di zer s obre i s s o. É l uz. M att vi a a l uz, l ançando s ombras no chão do bunker. Não ouvi u trovão nenhum, não des de que acordou. Apres s adamente, el e correu para s e j untar à Sra. Fl owers na j anel a. — Você j á...? — excl amou a Sra. Fl owers , l evantando as mãos e bai xandoas de novo. — O que pode s er i s s o? — Não s ei , mas me l embro de todo mundo fal ando das l i nhas de força. Li nhas de Poder no chão. — Si m, mas es s as correm pel a s uperfí ci e da Terra. Não s obem, as s i m, como... Como uma fonte! — di s s e a Sra. Fl owers . — M as eu s oube que s empre que três l i nhas de força s e encontram... Acho que foi Damon quem di s s e i s s o... E l as podem formar um portal . Tal vez para onde el es foram. — Deus do céu — di s s e a Sra. Fl owers . — Quer di zer que acha que uma daquel as coi s as de Portal es tá aqui ? Tal vez s ej am el es , vol tando. — Não pode s er. — O tempo que M att pas s ou com es ta i dos a o fez não s ó res pei tá-l a, mas também amá-l a. — M es mo as s i m, acho que não devemos s ai r. — M att, queri do, você é de grande aj uda para mi m — murmurou a Sra. Fl owers . M att não entendi a bem como. Toda a comi da e água armazenadas que es tavam us ando era del a. Até a cama de armar era del a. Se el e es ti ves s e s ozi nho, podi a ter i do ver es s a... coi s a extraordi nári a.


Três pontos de l uz bri l havam i ncl i nados no chão, de modo que s e encontravam pouco aci ma da al tura de um s er humano. Luzes fortes . E s e i ntens i fi cavam a cada mi nuto. M att prendeu a res pi ração. Três l i nhas de força, hei n? M eu Deus , devi a s er uma i nvas ão de mons tros . E l e não s e atreveu a ter es peranças . E l ena não s abi a s e preci s ava di zer E s tados Uni dos ou Terra, nem mes mo s e a porta podi a l evá-l a a Fel l ' s Church, ou s e Damon teri a l he dado o nome de al gum portal que es tava fechado. M as ... certamente... com todas aquel as l i nhas de força... A porta s e abri u, revel ando uma s al eta como um el evador. Sage perguntou em voz bai xa: — Vocês quatro podem carregá-l o e l utar ao mes mo tempo? — E — depoi s de um s egundo para entender o que i s to s i gni fi cava — três gri tos de protes to, em três vozes femi ni nas . — Não! Ah, por favor, não!, Ah, não nos dei xe! — i mpl orava Bonni e. — Não vem para cas a com a gente? — perguntou M eredi th, franca e di reta. — E u ordeno que você entre... E rápi do! — di s parou E l ena. — Que mul her mandona — res mungou Sage. — Bem parece que o Grande Pêndul o es tá bal ançando de novo. E u s ou apenas um homem. Obedeço. — O quê? Quer di zer que você vem? — excl amou Bonni e. — Quer di zer que vou, s i m. — Genti l mente, Sage pegou o corpo es gotado de Stefan nos braços e entrou no cubí cul o. Di ferentemente das que E l ena us ou antes , es ta pareci a funci onar como um el evador ati vado por voz... As s i m el a es perava. Afi nal , Shi ni chi e M i s ao s ó preci s avam de uma chave cada um.


Aqui , eram vári as pes s oas querendo i r para o mes mo l ugar ao mes mo tempo. As s i m el a es perava também. Sage afas tou aos chutes o anti go l ei to de Stefan. Al guma coi s a cai u no chão. — Oh... — Impotente, Stefan es tendeu a mão para o obj eto. — É meu di amante, E l ena. Al guém pegue, por favor... — Tem mui to mai s de onde el e vei o — di s s e M eredi th. — É i mportante para el e — di s s e Damon, que j á es tava do l ado de dentro. E m vez de s e es premer mai s no el evador, que podi a des aparecer a qual quer s egundo, que podi a i r para Fel l ’s Church antes que el e pudes s e dar as cos tas , el e andou pel o s aguão, ol hou bem perto do chão e s e aj oel hou. Depoi s , rapi damente, es tendeu a mão, l evantou-s e e correu para o el evador. — Quer s egurar ou eu cui do di s s o? — Segure você... Por mi m. Cui de del e. Qual quer um que conheces s e o hi s tóri co de Damon, es peci al mente com rel ação a E l ena ou até a um anti go di amante que pertencera a E l ena, teri a di to que Stefan devi a es tar l ouco. M as Stefan não era l ouco. E l e fechou a mão na do i rmão que s egurava o di amante. — E eu s eguro s ua mão — di s s e el e com um s orri s o fraco. — Não s ei s e al guém es tá i nteres s ado — di s s e M eredi th —, mas s ó tem um botão dentro des s a engenhoca. — Aperte! — gri taram Sage e Bonni e, mas E l ena gri tou mai s al to: — Não... Espere! E l a vi u al guma coi s a. Do outro l ado do s aguão, os Guardi ões eram i ncapazes de i mpedi r que um úni co ci dadão, aparentemente des armado, entras s e na s al a e atraves s as s e o s aguão em um des l i zar graci os o de pas s os l argos . Devi a ter mai s de l , 80m de al tura, us ava um col ete e cal ças


i ntei ramente brancos , que combi navam com s eu cabel o branco compri do, ti nha orel has al ertas de rapos a e uma l onga cauda s edos a que ondul ava atrás del e. — Feche a porta! — berrou Sage. — Ah, meu Deus! — murmurou Bonni e. — Al guém pode me di zer que di abos es tá acontecendo? — ros nou Damon. — Não s e preocupe. É s ó um companhei ro da pri s ão. Um companhei ro s i l enci os o. E i , você s ai u também! — Stefan s orri a, e i s s o bas tou para E l ena. E ntão o i ntrus o es tendeu al guma coi s a para el e que, bem, não podi a s er o que pareci a, mas agora que es tava cada vez mai s perto,pareci a um buque de fl ores . — Is s o é ou não um ki ts une? — perguntou M eredi th, como s e o mundo ti ves s e enl ouqueci do em vol ta del a. — Um pri s i onei ro... — di s s e Stefan. — UM LADRÃO! — gri tou Sage. — Si l ênci o! — di s s e E l ena. — E l e pode ouvi r, mes mo que não pos s a fal ar. E ntão o ki ts une es tava j unto del es . E ncarou Stefan, depoi s ol hou rapi damente para os outros e es tendeu o buque, que es tava bem embrul hado em pl ás ti co e ti nha uns ades i vos l ongos com i ns cri ções mági cas . — Is to é para Stefan — di s s e el e. Todo mundo, i ncl us i ve Stefan, ofegou. — Agora preci s o l i dar com al guns guardi ões tedi os os . — E l e s us pi rou. — E você deve apertar o botão para fazer a s al a andar, l i nda — di s s e el e a E l ena. E l ena, que por um momento fi cou fas ci nada com o movi mento de uma cauda pel uda pel as cal ças s edos as , de repente fi cou es carl ate. Lembrava-s e de al gumas coi s as . Al gumas coi s as que pareci am mui to di ferentes ... E m um cal abouço s ol i tári o... No es curo da noi te arti fi ci al ... Ah, bom. M el hor s e fi ngi r de coraj os a.


— Obri gada — di s s e el a, e apertou o botão. As portas começaram a s e fechar. — Obri gada de novo! — acres centou el a, curvando-s e um pouco para o ki ts une. — M eu nome é E l ena. — Yoroshi ku. E u s ou... A porta s e fechou entre el es . — Você enl ouqueceu? — excl amou Sage. — Acei tando um buque de uma rapos a! — Você é que parece conhecê-l o, Monsi eur Sage — di s s e M eredi th. — Qual é o nome del e? — E u não s ei o nome del e! Só sei que el e roubou três qui ntos do Tes ouro do Convento do Sena que eram meus ! Tudo o que eu s ei é que el e é um es peci al i s ta em roubar nas cartas ! Aaahhhh! E s te úl ti mo não foi um gri to de rai va, era um al erta, porque o el evador s e movi a l ateral mente, des cendo, quas e parando, antes de vol tar a s eu movi mento cons tante. — Is s o vai mes mo nos l evar a Fel l ' s Church? — perguntou Bonni e ti mi damente, e Damon a abraçou. — Certamente vai nos l evar a al gum l ugar — prometeu el e. — M as depoi s damos um j ei to. Somos um bel o grupo de s obrevi ventes . — O que me l embra de uma coi s a — di s s e M eredi th. — Acho que Stefan es tá mel hor. — E l ena, que es ti vera aj udando a protegê-l o do movi mento do el evador di mens i onal , ol hou para M eredi th rapi damente. — Acha mes mo? Ou é s ó a l uz? Acho que el e devi a s e al i mentar — di s s e el a com ans i edade. Stefan corou e E l ena col ocou os dedos nos l ábi os del e para i mpedi r que trem es s em . Não, meu amor, di s s e el a quas e s em voz. Cada uma dessas pessoas esteve di sposta a dar a vi da por você... Ou por mi m... Por nós. Eu sou saudável. Ai nda estou sang rando. Porfavor, não desperdi ce i sso.


Stefan murmurou: — Vou es tancar o s angramento. — M as quando el a s e curvou para el e, como s abi a que aconteceri a, el e bebeu.


42 Nes s a al tura M att e a Sra. Fl owers não podi am mai s i gnorar as l uzes ofus cantes . Ti nham de s ai r dal i . M as as s i m que M att abri u a porta, houve... Bom, M att não s abi a que era. Al go expl odi u no chão e s ubi u ao céu, e começou a s e afas tar del es , fi cando cada vez menor, até tornar-s e uma es trel a e des aparecer. Será que era um meteoro que atraves s ara a Terra? M as i s s o não i mpl i cava ts unami s , terremotos , i ncêndi os e tal vez até a Terra rachando? Se um meteoro foi capaz de matar todos aquel es di nos s auros ... A l uz que fi cara bri l hando no al to des apareci a aos poucos . — Ora, Deus nos abençoe — di s s e a Sra. Fl owers com a voz bai xa e trémul a. — M att, queri do, você es tá bem? — Si m, s enhora. M as ... — M att não s uportou a pres s ão. — Que di abos era aqui l o? E , para s ua s urpres a, a Sra. Fl owers di s s e: — Foi o que pens ei também! — E s pere... Tem al guma coi s a s e mexendo! Vol te! — M att, queri do, cui dado com es s a arma... — Tem gente aqui ! Ah, meu Deus ! É Elena. — De repente M att s e s entou no chão. Agora s ó cons egui a fal ar aos s us s urros . — Elena. E l a es tá vi va. Ela está vi va! Pel o que M att podi a ver, havi a um grupo de pes s oas s ubi ndo e aj udando umas as outras a s ubi r por um buraco perfei tamente retangul ar, tal vez de l , 5m de profundi dade, na tri l ha de angél i cas da Sra. Fl owers . E l es ouvi ram vozes . — Tudo bem — di zi a E l ena, enquanto s e curvava. — Agora s egure mi nhas mãos . M as el a us ava roupas es tranhas ! Uma ti ra es carl ate que mos trava todo


ti po de arranhões e cortes nas pernas . No al to — bom, os res tos do ves ti do cobri am o que um bi qui ni cobri ri a. E el a es tava com as j ói as mai s rel uzentes que M att vi ra na vi da. M ai s vozes , para o choque de M att. — Cui dado, s i m? Vou l evantá-l o para você... — Pos s o s ubi r s ozi nho. — Sem dúvi da era Stefan! — Vi u s ó? — E l ena es tava fel i z. — E l e di s s e que pode s ubi r s ozi nho! — Oui , mas quem s abe s ó um empurrãozi nho... — Não é hora para machi s mo, meu i rmãozi nho. — E este, pens ou M att, s egurando o revól ver, era Damon. Bal as abençoadas ... — Não, eu quero... fazer i s s o s ozi nho... Tudo bem... Cons egui . Pronto. — Pronto! Vi u? E l e es tá mel hor a cada s egundo! — entoou E l ena. — Cadê o di amante? Damon? — Stefan pareci a ans i os o. — E s tá s eguro comi go. Rel axe. — Quero s egurá-l o. Por favor. — M ai s do que a mi m? — perguntou E l ena. Stefan de repente apagou e no i ns tante s egui nte es tava dei tado nos braços de E l ena, enquanto el a di zi a, “Cal ma, cal ma”. M att ol hava aqui l o tudo. Damon es tava bem atrás del es , quas e como s e fos s e s eu l ugar de di rei to. — Vou cui dar do di amante — di s s e el e. — Você cui da da s ua garota. — Com l i cença... Des cul pe, mas ... Al guém pode, por favor, me aj udar a s ubi r? — E es s a era Bonni e! Bonni e, quei xos a, mas não pareci a es tar com medo, nem i nfel i z. Bonni e ri ndo! — Pegamos todos os s acos com as es feras es tel ares ? — Pegamos todos que achamos naquel a cas a. — E es ta era M eredi th. Graça a Deus . Todas cons egui ram. M as apes ar de s ua al egri a em ver os


ami gos , s eus ol hos eram mai s uma vez atraí dos a uma fi gura — aquel a que pareci a s upervi s i onar as coi s as — a de cabel os dourados . — Preci samos das es feras es tel ares porque uma del as pode s er... — começava el a quando Bonni e excl amou: — Ah, ol ha! Ol ha! A Sra. Fl owers e M att! — Ora, Bonni e, el es não es tari am es perando por nós — di s s e M eredi th. — Onde? Bonni e, onde? — perguntou E l ena. — Se forem Shi ni chi e M i s ao di s farçados , eu vou... E i , M att! — Al guém, por favor, pode me di zer onde? — Bem al i , M eredi th! — Ah! Sra. Fl owers ! Hmmm... E s pero que não tenhamos acordado a s enhora. — E u nunca ti ve um des pertar mai s fel i z — di zi a a Sra. Fl owers s ol enemente. — E s tou vendo o que vocês deram uma pas s ada na Di mens ão das Trevas . Vocês ... não es tão com roupas s ufi ci entes ... Um s i l ênci o s úbi to. M eredi th ol hou para Bonni e. Bonni e ol hou para M eredi th. — Sei que es s as roupas e j ói as podem parecer mei o demai s ... M att enfi m cons egui u fal ar. —Jói as ? São verdadei ras? — Ah, não s ão nada. E es tamos todos s uj os ... — Perdoem-me. E s tamos fedendo... E a cul pa é mi nha... — começou Stefan, mas E l ena o i nterrompeu. — Sra. Fl owers , M att, Stefan es tava pres o durante e es s e tempo todo! Pas s ou fome e foi torturado... Ah, meu Deus ! — E l ena, s hhh. Você me s al vou. — Nós o s al vamos . Agora, nunca mai s vou dei xar você i r. Nunca, nunca.


— Cal ma, amor. E u preci s o mes mo de um banho e... — Stefan parou de repente. — Não tem grade de ferro! Nada que di mi nua meus Poderes ! E u pos s o... — E l e s e afas tou um pouco de E l ena, que o s egurou com uma das mãos . Houve um cl arão s uave e prateado, como uma l ua chei a aparecendo e des aparecendo no mei o del es . — Vocês aí ! — di s s e el e. — Quem não qui s er os mal di tos paras i tas , pos s o cui dar di s s o. — E s tá fal ando comi go — di s s e M eredi th. — Tenho medo de pul gas , e Damon nunca me deu nenhum remédi o. E s s e é meu amo! E l es ri ram, M att não entendeu a pi ada. M eredi th es tava us ando... Bom, s ó podi am s er j ói as fal s as — mas ai nda pareci am val er uma fortuna. Stefan pegou a mão de M eredi th. Houve o mes mo cl arão s uave. E M eredi th recuou. — Obri gada. — Eu é que agradeço, M eredi th — Stefan res pondeu em uma voz bai xa. O ves ti do azul de M eredi th pel o menos es tava i ntei ro, obs ervou M att. Bonni e — cuj o ves ti do ti nha s i do cortado em ti ras da cor das es trel as — l evantava a mão. — E u também, por favor! Stefan pegou s ua mão e aconteceu tudo de novo. — Obri gada, Stefan! Ooooh! E u me s i nto mui to mel hor! Odei o me coçar! — E u é que agradeço, Bonni e. Odei o l embrar que eu es tava morrendo s ozi nho. — Os outros vampi ros , cui dem-s e s ozi nhos ! — di s s e E l ena, como s e ti ves s e uma prancheta e veri fi cas s e os i tens . — E Stefan, por favor... — E l a es tendeu as mãos para el e. E l e s e aj oel hou di ante del a, bei j ou s uas duas mãos , depoi s os envol veu


na l uz branca e s uave. — M as eu ai nda quero um banho... — di s s e Bonni e num tom s upl i cante, enquanto o novo vampi ro, o al to e forte, e Damon l ançavam um bri l ho de l uar em vol ta del es mes mos . A Sra. Fl owers fal ou. — A cas a tem quatro banhei ros : no quarto de Stefan, no meu nos doi s quartos ao l ado do de Stefan. Fi quem à vontade. Vou provi denci ar uns s ai s de banho para vocês agora mes mo. — E acres centou, es tendendo os braços para todo o bando mal trapi l ho, ens anguentado e s uj o: — Si ntam-s e em cas a, meus queri dos . Houve um coro de agradeci mentos s i nceros . — Vou organi zar um rodí zi o. Stefan preci s a s e al i mentar. Se as meni nas puderem aj udar... — acres centou E l ena rapi damente, ol hando para Bonni e e M eredi th. — E l e não preci s a de mui to, s ó um pouqui nho a cada hora até amanhecer. E l ena ai nda pareci a ter vergonha de M att. E l e também, mas avançou um pas s o, as mãos vazi as es tendi das para mos trar que era i nofens i vo. — Só podem meni nas ? Porque eu também tenho s angue e s ou s audável como um caval o. Stefan rapi damente ol hou para el e. — Não preci s a s er s ó meni nas . M as você não preci s a... — Quero aj udar você. — Tudo bem, então. Obri gado, M att. A res pos ta adequada pareci a s er “Obri gado, Stefan”, mas M att não cons egui u pens ar em nada até que não fos s e, “Obri gado por cui dar de E l ena”. Stefan s orri u. — Agradeça a Damon por i s s o. E l e e os outros me aj udaram... E s e


aj udaram mutuamente. — Também l evamos cachorros para pas s ear... Sage es tá aí como prova — di s s e Damon com i roni a. — Ah... O que me l embra de uma coi s a. E u devi a us ar o truque de des i ns eti zação com meus doi s ami gos . Sabber! Tal on! E i a! — E l e acres centou um as s ovi o que M att j amai s cons egui ri a i mi tar. De qual quer forma, M att es tava vi vendo num s onho. Um cachorro i mens o, quas e do tamanho de um pônei , e um fal cão s aí ram da es curi dão. — Agora — di s s e o vampi ro forte, e mai s uma vez a l uz s uave bri l hou. E depoi s : — Pronto. Se não s e i mporta, prefi ro dormi r ao ar l i vre com meus ami gos . Agradeço toda a s ua genti l eza, Madame, e meu nome é Sage. O fal cão é Tal on; o cão, Sabber. — Rei vi ndi co o banhei ro de Stefan para nós doi s — di s s e E l ena —, e o da Sra. Fl owers para as meni nas . Vocês , meni nos , podem s e vi rar s ozi nhos . — E u — di s s e a Sra. Fl owers — vou preparar al guns s anduí ches . — E s e vi rou para entrar.

***

Foi quando Shi ni chi s urgi u da terra. Ou mel hor, quando s eu ros to s urgi u. E ra uma i l us ão, mas uma i l us ão apavorante e i ncrí vel . Shi ni chi pareci a es tar mes mo al i , como um gi gante que s us tentava o mundo nos ombros . A parte preta de s eu cabel o mi s turava-s e com a noi te, mas as pontas es carl ate formaram um hal o fl amej ante em vol ta de s eu ros to. Depoi s de s ai r de uma terra domi nada por um s ol vermel ho gi gantes co, noi te e di a, eram concei tos es tranhos .


Os ol hos de Shi ni chi também eram vermel hos , como duas pequenas l uas no céu, e focal i zavam o grupo perto da cas a da Sra. Fl owers . — Ol á — di s s e el e. — O que foi , fi caram s urpres os ? Não deveri am. E u não os dei xari a vol tar s em aparecer para cumpri mentá-l os . Afi nal , j á s e pas s ou mui to tempo... Para al guns de vocês — di s s e o ros to gi ganteco, s orri ndo com mal í ci a. — Al ém di s s o, é cl aro, para comemorar... Nós s al vamos o pequeno Stefan e, meu Deus , até l utamos com uma gal i nha gi gante para cons egui r i s s o. — Queri a ver você enfrentar Bl oddeuwedd s ozi nho, e pegar a chave s ecreta de ni nho del a, tudo ao mes mo tempo — começou Bonni e, mas parou quando M eredi th apertou s eu braço. Sage, enquanto i s s o, murmurava al guma coi s a s obre o que s ua própri a “gal i nha gi gante”, Tal on, fari a, s e Shi ni chi ti ves s e a coragem de aparecer pes s oal mente. Shi ni chi i gnorou tudo i s s o. — Ah, s i m, e a gi nás ti ca mental por que ti veram de pas s ar. Verdadei ramente formi dável . Bem, nunca mai s os tomarei por i di otas obtus os que j amai s perguntam por que mi nha i rmã l hes deu uma pi s ta, e mui to menos pi s tas que Foras tei ros não podem entender. Quer di zer — el e ol hou de vi és — por que não engol i r a chave, antes de mai s nada, não é mes mo? — E s tá bl efando — di s s e M eredi th s em rodei os . — Você nos s ubes ti mou, pura e s i mpl es mente. — Tal vez — di s s e Shi ni chi . — Ou tal vez fos s e al go compl etamente di ferente. — Você perdeu — di s s e Damon. — Sei que i s s o pode s er novi dade para você, mas é a verdade. E l ena adqui ri u um control e mui to mai or de s eus Poderes .


— M as s erá que funci onarão aqui ? — Shi ni chi s orri u de um j ei to s i ni s tro. — Ou de repente des aparecerão na l uz de um s ol amarel o cl aro? Ou nas profundezas da verdadei ra es curi dão? — Não dei xe que el e a i l uda, madame — gri tou Sage. — Seus poderes vêm de um l ugar em que el e não pode entrar! — Ah, s i m, o renegado. O fi l ho rebel ado do Rebel ado. Qual s erá s eu nome des ta vez? Cage? Rage? O que s erá que es s as cri anças vão pens ar quando s ouberem quem você realmente é? — Não i mporta quem el e s ej a — gri tou Bonni e. — Nós o conhecemos . Sabemos que el e é um vampi ro, mas é genti l e generos o, e nos aj udou vári as vezes . — E l a fechou os ol hos , mas teve de s e es corar quando a gargal hada tempes tuos a de Shi ni chi fez tudo voar. — E ntão, —‘Madame” — zombou Shi ni chi —, acha que conqui s tou “Sage”. M as s erá que conhece o que no xadrez chamamos de “gambi to”? Não? Bem, tenho certeza de que s ua ami ga i ntel i gente fi cará fel i z em l he contar. Houve uma paus a. Depoi s M eredi th di s s e, s em expres s ar nada: — Gambi to é quando um j ogador de xadrez s acri fi ca al guma coi s a... por exempl o, um peão... del i beradamente... para cons egui r outra coi s a. Uma pos i ção no tabul ei ro que el e quei ra, por exempl o. — E u s abi a que você poderi a expl i car. O que acha de nos s o pri mei ro gambi to? Outro s i l ênci o, depoi s M eredi th fal ou: — Imagi no que quei ra di zer que nos devol veu Stefan para pegar al go mel hor. — Ah, s e você ti ves s e cabel os dourados ... Como s ua ami ga E l ena tão generos amente exi bi u.


Ni nguém entendeu nada e todos ol haram para Shi ni chi . Al guns para E l ena. Que prontamente expl odi u. — Você pegou as l embranças de Stefan? — Ora, ora, nada tão drás ti co, meu bem. M as uma bel a j ogadora que a cada parti da revel a um truque di ferente... E l a s i m aj udou mui to. E l ena vol tou o ol har para o ros to gi gante com o mai s compl eto des dém. — Seu... g rosso. — Ah, es tou ofendi dí s s i mo. — M as a verdade era que o ros to gi gante de Shi ni chi pareci a magoado —, furi os o e peri gos o. — Sabem quantos de vocês , ami gos í nti mos , es condem s egredos ? É cl aro que M eredi th é a rai nha dos s egredos , es condendo os del a dos ami gos por todos es s es anos . Você acha que j á arrancou tudo del a, mas o mel hor ai nda es tá por vi r. E é cl aro que temos o s egredo de Damon. — Que s e for contado aqui e agora provocará uma guerra i medi ata — di s s e Damon. — E s abe de uma coi s a, é es tranho, mas tenho a s ens ação de que você apareceu es ta noi te para negoci ar. Des ta vez a gargal hada de Shi ni chi era real mente um vendaval e Damon teve de s al tar para trás de M eredi th, evi tando que el a fos s e j ogada no buraco fei to pel o el evador. — M ui to nobre — fal ou Shi ni chi novamente num trovão, quebrando al guns vi dros das j anel as da Sra. Fl owers . — M as preci s o mes mo i r. Dei xo uma l i s ta com as recompens as que vocês ai nda têm de procurar antes que o grupi nho pos s a s e ol har nos ol hos ? — Acho que j á os temos . E você não é mai s bem-vi ndo a es ta cas a — di s s e a Sra. Fl owers fri amente. M as a mente de E l ena ai nda trabal hava. M es mo parada al i , s abendo


que Stefan preci s ava del a, el a tentava entender o que havi a por trás di s s o: o s egundo gambi to de Shi ni chi . Porque E l ena ti nha certeza de que es te era o pri mei ro. — Onde es tão as fronhas ? — perguntou el a numa voz i nci s i va que as s us tou todos . — E u es tava com uma, mas a entreguei a Sabber. — Sage di s s e. — E u es tava s egurando uma, mas l arguei quando al guém me puxou, deve es tar no fundo do buraco. — di s s e Bonni e. — Ai nda es tou com uma, mas não entendo de que adi anta... — começou Damon. — Damon! — E l ena s e vi rou para el e. — Confi e em mi m! Temos a s ua e a de Sage em s egurança... e a de B onni e no buraco? No momento em que el a di s s e ” confi e em mi m” , Damon l argou s ua fronha por ci ma da de Sage e pul ou no buraco, que ai nda era tão bri l hante das l i nhas de força que feri a os ol hos de um vampi ro. M as Damon não recl amou. — Peguei !... Não, es pere! Uma rai z! Uma mal di ta rai z s e enros cou numa das es feras ! Al guém me pas s e uma faca, rápi do! E nquanto todos procuravam uma faca nos bol s os , M att fez uma coi s a que dei xou E l ena de boca aberta. Pri mei ro ol hou para o buraco de l , 5m de profundi dade enquanto apontava — um revól ver, era i s s o? Si m... E l a reconheceu o gêmeo do revol ver de M eredi th. Depoi s , s em tentar des cer cal mamente, el e s i mpl es mente s al tou no buraco, como Damon fi zera. — VOCÊ NÃO VAI QUE RE R SABE R... — rugi u Shi ni chi , mas ni nguém pres tava atenção nel e. O s al to de M att não termi nou tão l eve como o de Damon. M att ofegou e s ol tou um pal avrão abafado, mas não perdeu tempo; ai nda de j oel hos , pas s ou


a arma a Damon. — Bal as abençoadas ... Ati re! Damon agi u mui to rápi do. Des travou a arma rapi damente e mi rou na rai z, que agora di s parava para a parede maci a do buraco, com a ponta enrol ada em uma es fera. E l ena ouvi u doi s di s paros do revól ver; três . Depoi s Damon avançou e pegou uma bol a enrol ada em ramos , medi ana e cl ara como cri s tal onde s ua verdadei ra s uperfí ci e podi a s er vi s ta. — Abai xe i sto! — Shi ni chi es tava com mui ta rai va. Os doi s pontos vermel hos dos ol hos eram como chamas , como l uas em bras a. E l e pareci a querer que obedeces s em pel o vol ume de s eus gri tos , — E U DISSE , NÃO E NCOSTE SUAS M ÃOS HUM ANAS IM UNDAS NISSO! — Ah, meu Deus ! — Bonni e ofegou. — É de M i s ao... Só pode s er — di s s e M eredi th s i mpl es mente. — E l e arri s cou a del e; mas não com a del a. Damon, pas s e para mi m, j unto com o revól ver. Apos to que não é à prova de bal as . — E l a s e aj oel hou, es tendendo a mão para o buraco. Damon, com a s obrancel ha ergui da, obedeceu. — Ah, meu Deus — gri tou Bonni e, da bei ra do buraco. — M att torceu o tornozel o... Só fal tava es s a. — E U AVISE I — rugi u Shi ni chi . — VOCÊ S VÃO SE ARRE PE NDE R... — E s pere — di s s e Damon a Bonni e, s em dar a mí ni ma para Shi ni chi . Sem fazer al arde, el e pegou M att e voou para fora do buraco. Col ocou o rapaz l ouro ao l ado de Bonni e, que arregal ou os ol hos cas tanhos numa compl eta confus ão. M att, porém, era um l egí ti mo habi tante da Vi rgí ni a. Depoi s de engol i r em s eco uma vez, s ol tou um “Obri gado, Damon”.


— Tudo bem, M att — di s s e Damon e, quando al guém ofegou: — O que foi ? — Você acertou — excl amou Bonni e. — Lembrou do nom... M eredi th! — el a s e i nterrompeu, ol hando a meni na al ta. — A grama! M eredi th, que es ti vera exami nando a es fera es tel ar com uma expres s ão es tranha, agora ati rou o revól ver para Damon e tentou com a mão l i vre ras gar a grama que s e entrel açava em s eus pés e j á s ubi a pel o tornozel o. M as ao fazer i s s o, a grama pareci a s ubi r ai nda mai s e pegar s ua mão, prendendo-a j untos com os pés . E agora brotava, cres ci a, di s parando corpo aci ma para a es fera que el a s egurava no al to. Ao mes mo tempo, apertava s eu pei to, expul s ando o ar dos pul mões . Tudo aconteceu tão rápi do que foi s ó quando el a di s s e, ofegante, “Al guém pegue a es fera”, que os outros correram para aj udá-l a. Bonni e foi a pri mei ra a chegar e tentou ras gar com as unhas a vegetação que apertava o pei to de M eredi th. M as cada fol ha era como aço, e el a não cons egui u arrancar nenhuma. Nem M att ou E l ena. E nquanto i s s o, Sage tentava l evantar o corpo de M eredi th — para afas tá-l a da terra — mas não teve mai s s uces s o que os demai s . O ros to de M eredi th, cl aramente vi s í vel na l uz que ai nda bri l hava do buraco, empal i deci a. Damon ti rou a es fera das mãos de M eredi th pouco antes de a grama emaranhada s ubi r por s eu braço e al cançá-l a. E l e andou de um l ado para outro mai s rápi do do que o ol ho humano podi a acompanhar, s em parar em um l ugar por tempo s ufi ci ente para s er agarrado por qual quer pl anta. M as ai nda as s i m a grama em vol ta de M eredi th a apertava. Agora s eu ros to es tava fi cando azul . Os ol hos es tavam arregal ados , a boca aberta para uma res pi ração que não l he vi nha.


— Pare! — gri tou E l ena a Shi ni chi . — Vamos l he dar a es fera! Sol te-a! — SOLTAR A MENINA? — berrou Shi ni chi , ri ndo. — TALVE Z SE JA M E LHOR CUIDAR PRIM E IRO DE SE US PRÓPRIOS INTE RE SSE S ANTE S DE M E PE DIR UM FAVOR. As s us tada, E l ena ol hou em vol ta — e vi u que a grama ti nha quas e compl etamente envol vi do um Stefan aj oel hado, fraco demai s para s e mover com a rapi dez dos outros . E el e não s ol tou um gemi do s equer para chamar atenção para s i . — Não! — O gri to des es perado de E l ena tragou o ri s o de Shi ni chi . — Stefan! Não! — M es mo s abendo que era i núti l , el a s e ati rou nel e e tentou arrancar a grama de s eu pei to magro. Stefan s i mpl es mente l he abri u o mai s fraco dos s orri s os e bal ançou a cabeça com tri s teza. Foi quando Damon parou. E s tendeu a es fera para o s embl ante ameaçador de Shi ni chi . — Pegue! — gri tou el e. — Fi que com a bol a, des graçado, mas s ol te os doi s agora! Des ta vez o ri s o tempes tuos o de Shi ni chi não parava. Uma es pi ral de grama cres ceu de um ponto ao l ado de Damon e um s egundo depoi s ti nha formado um punho i mens o, verde e revol to, que quas e al cançou a es fera. M as ... — Ai nda não, meus queri dos — di s s e a Sra. Fl owers , ofegante. E l a e M att s aí ram correndo do depós i to do pens i onato, M att mancando mui to, e os doi s es tendi am o que pareci am s er Pos t-Its . Só o que E l ena cons egui u ver foi que Damon vol tava à vel oci dade feroz, afas tando-s e do punho, e M att col ava um pedaço de papel na grama que cobri a Stefan, enquanto a Sra. Fl owers fazi a o mes mo na vegetação em M eredi th.


E nquanto E l ena ol hava, i ncrédul a, a grama pareceu derreter, morrendo em fol has cor de feno que caí am no chão. No s egundo s egui nte el a abraçava Stefan. — Vamos entrar, meus queri dos — di s s e a Sra. Fl owers . — É s eguro no depós i to... Quem puder aj ude os feri dos , é cl aro. M eredi th e Stefan res pi ravam com di fi cul dade. M as Shi ni chi ti nha a úl ti ma pal avra. — Não s e preocupem — di s s e el e, es tranhamente cal mo, como s e percebes s e que ti nha perdi do... Por ora. — Vou recuperar a es fera mui to em breve. Não s abem us ar es s e ti po de poder! E , al ém de tudo, vou l hes di zer o que es tavam es condendo de s eus s upos tos ami gos . Só uns s egredi nhos , que tal ? — Vá para o i nferno com s eus s egredos — gri tou Bonni e. — Cui dado com o l i nguaj ar! Que tal es te: uma de vocês guardou um s egredo a vi da toda e ai nda o es conde. E ntre vocês há um as s as s i no... E não es tou fal ando de matar um vampi ro nem nada pareci do. E há a ques tão da verdadei ra i denti dade de Sage... Boa s orte em s uas pes qui s as ! Um de vocês j á teve a memóri a apagada—E não me refi ro a Damon nem Stefan. E que tal o s egredo do bei j o roubado? Ou da noi te no hotel , de que parece que ni nguém s e l embra, a não s er E l ena. Podem perguntar a el a uma hora des s as s obre s uas teori as a res pei to de Camel ot. E também... Foi quando um s om al to como as gargal hadas gi gantes de Shi ni chi o i nterrompeu. Ras gou a face do céu, dei xando-a ri di cul amente caí da. Depoi s o ros to des apareceu. — O que foi i s s o...? — Quem es tá com a arma...? — Que ti po de arma pode fazer uma coi s a des s as ? — Uma arma com bal as abençoadas — di s s e Damon fri amente, com o


revól ver apontado para bai xo. — Quer di zer que você fe^ i s s o? — Boa, Damon! — E s queçam Shi ni chi ! — E l e é um menti ros o, i s s o eu pos s o garanti r. — E u acho — di s s e a Sra. Fl owers — que agora podemos fi nal mente entrar. — É , vamos tomar banho. — Só uma úl ti ma coi s a. — A voz de Shi ni chi pareci a vi r de toda parte; do céu, da terra. — Vocês real mente vão adorar s aber o que es tou pens ando. Se eu fos s e vocês , começari a a negoci ar es s a es fera AGORA! — M as s ua ri s ada di s tante e o s om femi ni no abafado atrás del e era quas e como um choro, como s e M i s ao não cons egui s s e evi tar. — VOCÊS VÃO ADORAR! — i ns i s ti u Shi ni chi num rugi do.


43 E l ena não cons egui a des crever mui to bem o que s enti a. Não era decepção. E ra... uma es péci e de trégua. Pel o que pareci a a mai or parte de s ua vi da, el a procurara por Stefan. M as agora que o ti nha de vol ta, s eguro e l i mpo ( el e tomou um l ongo banho, durante o qual el a es fregou genti l mente com todo ti po de es covas e pedras -pomes . Depoi s os doi s fi caram abraçados embai xo do chuvei ro). O cabel o de Stefan es tava mai s es curo, maci o e s edos o — um pouco mai or do que el e geral mente manti nha —, di s s o el a ti nha certeza. E l e não teve energi a s ufi ci ente para s e preocupar com o cabel o. E l ena entendi a i s s o. E agora... Não havi a guardas nem ki ts une por perto para es pi oná-l os . Não havi a nada que os afas tas s em. E l es bri ncaram no chuvei ro, es pi rrando água um no outro, E l ena tomando todo o cui dado para manter os pés no tapete anti derrapante, pronta para tentar s us tentar o corpo magro de Stefan. M as el es agora não podi am bri ncar. A bri ncadei ra com água durante o banho também foi mui to úti l — para es conder as l ágri mas que não paravam de cai r pel o ros to de E l ena. E l a podi a — ah, meu Deus — contar e s enti r cada uma das cos tel as de Stefan. E l e es tava s ó pel e e os s os , s eu l i ndo Stefan, mas os ol hos verdes conti nuavam vi vos , fal s eando e dançando em s eu ros to pál i do. Depoi s de ves ti rem os pi j amas , el es s i mpl es mente fi caram s entados na cama por um tempo, j untos , os doi s res pi rando — Stefan es tava tão acos tumado a fi car perto de humanos e, recentemente, a tentar s e acos tumar a pequena quanti dade de s angue que recebi a — em s i ncroni a, e os doi s s enti ndo o corpo quente um do outro... E ra quas e i ns uportável . Depoi s , mei o i ns eguro, Stefan tateou, procurando a mão de E l ena, e a pegou, s egurando-a em s uas mãos , vi rando-a, maravi l hado. E l ena engol i a em s eco s em parar, tentando fal ar qual quer coi s a,


s enti ndo que prati camente i rradi ava fel i ci dade. Ah, i s s o era tudo o que eu queri a, pens ou el a, embora s oubes s e que em breve i a querer fal ar, e abraçar, e bei j ar, e al i mentar Stefan. M as s e al guém perguntas s e s e el a teri a s e contentado apenas com i s s o, s entar-s e j untos , comuni cando-s e s ó pel o toque e pel o amor, el a teri a acei tado. Antes que s e des s e conta, el a es tava fal ando, pal avras doces que vi nham do fundo da al ma. — Pens ei que des s a vez eu não fos s e cons egui r. Já venci tantas vezes , que des ta vez al go i a me dar uma l i ção e você... Não cons egui ri a. Stefan ai nda es tava maravi l hado com a mão de E l ena, dobrando meti cul os amente para bei j ar cada dedo em s eparado. — Você chama de “vencer” quas e morrer para s al var mi nha vi da i núti l ... E a ai nda mai s i núti l vi da de meu i rmão? — Is s o é mai s do que vencer — admi ti u E l ena. — Sempre que cons egui mos fi car j untos , é uma vi tóri a. Qual quer momento... M es mo naquel e cal abouço. Stefan es tremeceu, mas E l ena preci s ava concl ui r s eu raci ocí ni o. — M es mo l á, ol har em s eus ol hos , tocar s ua mão, s aber que você es tava ol hando para mi m e me tocando... E que es tava fel i z... Bom, i s s o para mi m j á foi uma vi tóri a. Stefan ol hou para el a. Na l uz fraca, s eus ol hos pareci am es curos e mi s teri os os . — E mai s uma coi s a — s us s urrou el e. — Porque s ou o que s ou... e porque s ua gl óri a não é es s a nuvem dourada e gl ori os a como o s eu cabel o, mas uma aura que é... i nefável . Indes cri tí vel . E s tá al ém de qual quer pal avra... E l ena pens ou que el es i ri am fi car s entados , s i mpl es mente s e ol hando, bebendo nos ol hos um do outro, mas i s s o não es tava acontecendo. A expres s ão


de Stefan mudara e E l ena percebeu que el e es tava perto da s ede de s angue — e da morte. Apres s adamente, E l ena ti rou o cabel o mol hado do pes coço, depoi s s e recos tou, s abendo que Stefan a pegari a. E foi o que el e fez i s s o, mas antes pegou o ros to de E l ena nas mãos para ol há-l a. — Sabe o quanto eu te amo? — perguntou el e. Todo o s eu ros to agora era uma más cara, eni gmáti ca e es tranhamente emoci onante. — Acho que você s abe — s us s urrou el e. — Por vári as vezes , vi você di s pos ta a fazer qual quer coi s a, qualquer coi sa para me s al var... M as não acho que você s ai ba o quanto es s e amor s e i ntens i fi cou, E l ena. Tremores del i ci os os des ceram pel a es pi nha de E l ena. — E ntão é mel hor me mos trar — s us s urrou el a. — Ou pos s o não acredi tar em você... — Vou l he mos trar que fal o s éri o — s us s urrou Stefan. M as quando el e s e curvou, foi para bei j á-l a del i cadamente. Os s enti mentos dentro de E l ena, de que es ta cri atura fami nta queri a bei j á-l a em vez de parti r para s eu pes coço, foram tão i ntens os que el a não podi a expl i car em pens amentos ou pal avras , apenas puxando a cabeça de Stefan para que s ua boca pous as s e em s eu pes coço. — Por favor — di s s e el a. — Ah, Stefan, porfavor. E ntão el a s enti u a fugaz dor do s acri fí ci o, e Stefan es tava bebendo s eu s angue. A mente de E l ena, que adej ava como um pas s ari nho em uma s al a i l umi nada, agora avi s tava s eu ni nho e s eu parcei ro, e voava s em parar até al cançar o amado. Depoi s di s s o não havi a neces s i dade de pal avras . E l es s e comuni cavam por pens amentos , tão puros e cl aros como gemas ci nti l antes , e E l ena al egrou-


s e, porque a mente de Stefan l he es tava aberta, não havi a nada obs curo, e não havi a rochedos de s egredos nem cri anças acorrentadas e choros as ... O quê! , el a ouvi u a excl amação de Stefan. Uma cri ança acorrentada? Um rochedo do tamanho de uma montanha?Quemteri a i sso emsua mente...? Stefan s e i nterrompeu, s abendo a res pos ta, mes mo antes que o pens amento rápi do de E l ena l he di s s es s e. E l ena s enti u a onda verde-cl ara de s ua compai xão, temperada pel a rai va natural de um j ovem que pas s ou pel as profundezas do i nferno, mas s em s e dei xar domi nar pel o terrí vel veneno negro da ri xa entre i rmãos . Quando termi nou de contar tudo o que s abi a s obre a mente de Damon, E l ena di s s e: E não sei que fazer! Fi z tudo o que pude. Dei a ele tudo o que podi a. Mas não sei se fez alg uma di ferença. Ele chamou Matt de ‘Matt” emvez de Mutt, i nterrompeu Stefan. Si m. Eu... Percebi . Sempre pedi i sso a ele, mas nunca pareceu i mportar. Mas: você conseg ui u mudá-lo. Não é qualquer umque conseg ue fazer i sso. E l ena o apertou num abraço, mas l ogo parou, preocupada que pudes s e machucá-l o, e ol hou para el e. Stefan s orri u e bal ançou a cabeça. Já pareci a uma pes s oa, em vez de um s obrevi vente de guerra. Devi a conti nuar usando i sso, di s s e Stefan mental mente. Sua i nfluênci a sobre ele é a mai s efi caz. E vou... Sem usar nenhuma Asa arti fi ci al, prometeu E l ena. Depoi s fi cou preocupada que Stefan pens as s e que el a era convenci da demai s — ou es ti ves s e l i gada demai s a Damon. M as apenas um ol har para Stefan bas tou para l he garanti r que el a agi a corretamente. E l es s e grudaram um no outro. Não foi tão di fí ci l quanto E l ena i magi nou — entregar Stefan a outros humanos para que el e s e al i mentas s e. Stefan us ava um pi j ama l i mpo, e a pri mei ra coi s a que di s s e aos três doadores foi , “Se fi carem as s us tados ou


mudarem de i dei a, bas ta fal ar. Pos s o curar compl etamente o pes coço de vocês , e não es tou com tanta fome. E de qual quer forma, provavel mente vou s enti r s e vocês não es ti verem gos tando, e vou parar. E por fi m... Obri gado... Obri gado a todos . Deci di quebrar meu j uramento es ta noi te porque ai nda há uma pequena chance de que, s em a aj uda de vocês , eu não acorde amanhã.” Bonni e fi cou apavorada, i ndi gnada e furi os a. — Quer di zer que não pôde dormi r todo esse tempo porque ti nha medo de... de... — E u dormi a de vez em quando, mas fel i zmente... Graças a Deus... Sempre acordava. Havi a ocas i ões em que eu não me atrevi a a me mexer para economi zar energi a, mas de al gum modo E l ena achava um j ei to de i r até mi m, e a cada vez que i a, el a me al i mentava. — E l e l ançou a E l ena um ol har que fez s eu coração s al tar do pei to e voar para a es tratos fera. E ntão el a montou um revezamento pra al i mentar Stefan de hora em hora, e el a e os outros dei xaram a pri mei ra vol untári a, Bonni e, s ozi nha, para que. Aconteceu na manhã s egui nte. Damon j á havi a s aí do para vi s i tar Lei gh, a s obri nha do anti quári o, que pareceu mui to fel i z em vê-l o. E agora ti nha vol tado, e ol hava com des dém os dormi nhocos que s e es pal havam por todo o pens i onato. Foi quando vi u o buquê. E ra fortemente l acrado com proteções — amul etos para aj udar a atraves s ar o hi ato di mens i onal . Havi a al go poderos o al i . Damon tombou a cabeça de l ado. Hmmm... O que s erá?

Queri do Di ári o Não sei o que di zer. Estamos emcasa. Na noi te passada, tomamos umlong o banho quando cheg amos... E eu fi quei umpouco decepci onada, porque mi nha escova preferi da para


as costas, a de cabo compri do, não estava lá, e não havi a esfera estelar com uma músi ca oní ri ca para Stefan... E a ág ua estava MORNA! E Stefan sai u para ver se o aquecedor estava reg ulado e encontrou Damon, que ti nha i ndo fazer a mesma coi sa! Mas acordei alg umas horas atrás e, durante alg uns mi nutos, ti ve a vi são mai s li nda do mundo... Um nascer do sol. Rosa claro e verde mi steri oso a leste, com a noi te ai nda escura a oeste. Depoi s um rosa mai s escuro no céu, e as árvores foram envolvi das em nuvens de orvalho. Depoi s um bri lho g lori oso da bei ra do hori zonte em rosa escuro, creme, e até umverde melão no céu. Por fi m, uma li nha de fog o e, emumseg undo, todas as cores mudaram. A li nha se tornou umarco, o céu a oeste era de umazul mui to escuro, depoi s vei o o sol, trazendo calor, luz e cor às árvores verdes, e o céu começou a fi car azul-celeste — celeste si g ni fi ca do paraí so, embora de alg um modo eu si nta um tremor deli ci oso quando di g o i sso. O céu pareci a uma j ói a, azul-celeste, azul cerúleo e o sol dourado começou a despej ar energ i a, amor, luz e todas as coi sas boas no mundo. Quem não fi cari a feli z em ver i sso enquanto é abraçada por Stefan? Nós temos tanta sorte de nascer nessa luz — há quem vej a i sso todo di a e nunca dê valor, mas somos abençoados. Podemos ter nasci do almas sombri as, condenadas a morrer na escuri dão carmi m, semj amai s saber que emalg umlug ar por aqui há alg o mui to melhor.


44 E l ena foi acordada por gri tos . Já havi a des pertado antes para uma al egri a i nacredi tável . Agora es tava acordada de novo — mas certamente não era a voz de Damon. Gri tando? Damon não gri tava! Ves ti u um roupão e di s parou porta afora, des cendo a es cada. Vozes el evadas — confus ão. Damon es tava aj oel hado no chão. Seu ros to es tava pál i do e azul ado, mas não havi a uma pl anta na s al a que pudes s e es trangul á-l o. E nvenenado, foi o que E l ena pens ou e i medi atamente s eus ol hos di s pararam pel a s al a à procura de um copo caí do, um prato no chão, qual quer s i nal da ação de um veneno. Não havi a nada. Sage bati a nas cos tas de Damon. Ah, meu Deus , como foi que el e s e engas gou? M as i s s o era i di oti ce. Os vampi ros não res pi ravam, s ó para fal ar e i nvocar Poder. M as então, o que es tava acontecendo? — Você preci s a res pi rar — gri tava Sage no ouvi do de Damon. — Res pi re, como s e fos s e fal ar, mas depoi s prenda o ar, como s e fos s e el evar s eu Poder. Pens e i nteri ormente. Col oque os pul mões para funci onar! As pal avras s ó confundi ram E l ena. — Pronto! — gri tou Sage. — E s tá vendo? — M as s ó dura um i ns tante. Depoi s eu preci s o fazer tudo de novo. — Poi s s i m, a ques tão é es s a! — E u di go que es tou morrendo e você ri de mi m? — gri tou um Damon des grenhado. — E s tou cego, s urdo, meus s enti dos es tão des control ados ... E você ri ! Des grenhado, pens ou E l ena, i ncomodada com al guma coi s a. — Bom. — Sage tentou não ri r. — Tal vez, monpeti t chou, não deves s e ter aberto uma coi s a que não era para você, não é? — E u col oquei proteções em vol ta de mi m antes de abri r. A cas a es tava


s egura. — M as você não es tava... Respi rei Respi re, Damon! — Pareci a total mente i nofens i vo... E confes s e... Todos nós í amos ... Abri r na noi te pas s ada... M as es távamos cans ados demai s ...! — M as fazer i s s o s ozi nho, abri r um pres ente de um ki ts une... Foi tol i ce, não foi ? Um Damon s ufocado rebateu: — Não me venha com s ermão. Aj ude-me. Por que es tou s ufocando? Por que não cons i go enxergar? Nem ouvi r? Nem s enti r o chei ro... de nada? E s tou l he di zendo que não s i nto o chei ro de nada! — Você

es tá

s audável

e

afi ado como qual quer s er humano.

Provavel mente pode derrotar qual quer vampi ro, s e l utar com um agora. M as os s enti dos humanos s ão mui to poucos e mui to embotados . As pal avras gi ravam na cabeça de E l ena... Abri r coi s as que não eram para você... Buque de um ki ts une... Humano... Ah, meu Deus ! Ao que pareci a, as mes mas pal avras pas s avam pel a mente de outra pes s oa, porque de repente uma fi gura vei o di s parada da cozi nha. Stefan. — Você roubou meu buque? Que o ki ts une me deu? — E u ti ve mui to cui dado... — Sabe o que você fez? — Stefan s acudi u Damon. — Ai . Is s o dói ! Quer quebrar meu pes coço? — Isso dói ? Damon, você es tá em um mundo de dor! E ntendeu? E u fal ei com aquel e ki ts une. Contei a el e toda a hi s tóri a de mi nha vi da. E l ena foi me vi s i tar e el e a vi u prati camente... Bom, dei xa pra l á... E l e a vi u chorar em ci ma de mi m! Você... s abe... o... que... fez? — E ra como s e Stefan ti ves s e começado a s ubi r numa s éri e de degraus , e que cada um del es o l evas s e a um ní vel


mai s al to de fúri a. E aqui , no topo... — E U VOU TE M ATAR! — gri tou Stefan. — Você tomou... mi nha humani dade! E l e me deu... E você a tomou de mi m! — Você vai me matar? E u é que vou matar você, s eu... Seu creti no! Só ti nha uma fl or no mei o. Uma ros a negra, a mai or que j á vi na vi da. E ti nha um chei ro... cel es ti al ... — Sumi u! — contou M att, pegando o buque. E l e o l evantou. Havi a um buraco no mei o do arranj o mi s to de fl ores . Apes ar do buraco, Stefan correu para el e e ol hou bem o buque, puxando grandes gol fadas de ar. Conti nuou as s i m e, e a cada vez que vi nha um rai o fai s cava entre as pontas dos dedos , el e os es tal ava. — Des cul pe, ami go — di s s e M att. — Acho que acabou. E l ena agora entendi a tudo. Aquel e ki ts une... E l e era um dos bondos os , como contavam as hi s tóri as de M eredi th. Ou pel o menos bom o bas tante para s e s ol i dari zar com Stefan. E as s i m, quando foi l i bertado, preparou um buque capaz de trans formar Stefan em humano — os ki ts une podem fazer prati camente qual quer coi s a com pl antas , embora certamente es ta fos s e uma grande proeza, al go como achar o s egredo da eterna j uventude... Trans formar vampi ros em humanas . E ntão Stefan aguentou tudo s em recl amar e devi a fi nal mente receber s ua recompens a... E agora... — Vou vol tar — gri tou Stefan. — E u vou encontrá-l o! M eredi th fal ou em voz bai xa. — Com ou s em E l ena? Stefan parou. Ol hou a es cada e s eus ol hos encontraram os de E l ena. Elena... Vamos j untos. — Não — gri tou Stefan. — E u nunca a s ubmeteri a a i s s o. E ntão eu não vou, mas vou matar você! — E l e vol tou a atacar o i rmão.


— O que es tá fei to, es tá fei to. Al ém di s s o, eu é que vou matar você, s eu des graçado! Você roubou meu mundo! E u s ou um vampi ro! Não s ou um... — s ol tou um pal avrão cri ati vo —... humano! — Bom, agora é — di s s e M att. E l e s e s egurava para não ri r al to. — E ntão eu di ri a que é mel hor s e acos tumar com i s s o. Damon pul ou em Stefan, que não s e des vi ou. Num s egundo el es es tavam no chão, numa mi s tura de pancadas , chutes , s ocos e pal avrões em i tal i ano que davam a i mpres s ão de que havi a pel o menos quatro vampi ros l utando com ci nco ou s ei s humanos . E l ena s e s entou, des cons ol ada. Damon... Um humano? Como el es i ri am l i dar com i s s o? E l ena l evantou a cabeça e vi u que Bonni e ti nha preparado uma bandej a com todo ti po de coi s as que agradavam ao pal adar humano, e que el a s em dúvi da fi zera para Damon antes de el e ter uma cri s e hi s téri ca. — Bonni e — di s s e E l ena em voz bai xa — não dê a el e ai nda. E l e vai j ogar tudo em você. M as tal vez depoi s ... — Depoi s el e não vai j ogar? E l ena es tremeceu. — Como é que Damon vai l i dar com o fato de s er humano? — perguntou el a a s i mes ma em voz al ta. Bonni e ol hou para os doi s no chão. — E u di ri a que... es perneando e gri tando o tempo todo. Foi quando a Sra. Fl owers vei o da cozi nha. Trazi a uma pi l ha enorme de waffl es , em vári os pratos numa bandej a. E l a vi u a bol a que rol ava, xi ngava e ros nava e reparou que eram Stefan e Damon. — Ah, meu Deus — di s s e el a. — Sai u al guma coi s a errada? E l ena ol hou para Bonni e. Bonni e ol hou para M eredi th. M eredi th ol hou para E l ena. — Pode-s e di zer... que s i m. — E l ena arfava.


E depoi s as três des i s ti ram. Gargal hadas e mai s gargal hadas i rrepri mí vei s . Você perdeu umali ado poderoso, di s s e uma voz na mente de E l ena. Sabi a di sso? Pode prever as consequênci as? Hoj e, quando você acabou de voltar de ummundo de Shi ni chi s? Vamos vencer, pens ou E l ena. Temos de vencer.

Fim


E s te ePub foi cri ado em Feverei ro de 2014 por LeY tor Tendo como bas e tradução em Pdf de ori gem des conheci da


{1} Ros a M agi a Negra. {2} Carro uti l i tári o, ti po Jeep, ou E co Sport.. {3} Quer di zer que el a é uma bruxa que prati ca M agi a Branca.