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Nesta edição

estres ►Extraterr dia ►Zumbilân dos ►Os colori is lixo! E muito ma


Aueiorial Enfim essa bosta saiu!

Pra quem de novo achou que éramos apenas fogo de palha estamos de volta sempre atrás de vocês. Essa revista Auei é especial, pois é lançada no dia do maior evento que já fizemos (e teve outro?) que é o Sarauêi! Enfim, na linha das novidades que sempre trazemos e a partir de reflexões feitas em lugares Auêi’s, e com ferramentas Auêi’s, como o Feitosa, o filhos da mãe, Casa da Deise, corredores e cachaça ou cachaça e corredores, idealizamos o Sarauêi, que teve uma tentativa, descarada, de embargo e foi inviabilizado pela burocracia ridícula e absurda da UECE, mas conseguimos fechar datas e horários e no dia 27 de outubro de 2010 ás 19 horas o primeiro Sarauêi estará rolando na UECE para todo mundo que quiser ir e que se identifiquem com a gente. O Sarauêi configura bem o que nós somos, pois esse Sarau é um espaço de livre expressão e criatividade, música, poesia, teatro, dança e aueizagens no geral estarão presente e coagularão suas mentes! e guiado pelo o que se configura como valores que tem tudo a ver, a experiência desse Sarau será inesquecível, pelo menos para nós... Pegando carona na razoável repercussão do Cine Saco de Lixo Auêi criamos o Cine Sacana Auêi trazendo o melhor da pornochanchada, gênero essencialmente brasileiro, e tentando criar mais ainda um ambiente de livre expressão e de gostos múltiplos. Nessa edição também falaremos das atribulações que um Auêi passa ao tentar modificar o ambiente e transformar os leite-com-pêra em pessoas esclarecidas e ao mesmo tempo loucas, em textos como os de Rolald e Bruno Rodrigues falaremos de como um cara Auêi vive! Enfim, estamos novamente aqui sujando, ou não, suas mãos com toda essa ejaculação e cagada mental que fazemos para produzir esses textos caóticos!

QUE SE retirem!

Não fecheis para nós as vossas portas, orgulhosa academia, pois justamente o que estava faltando em suas salas de aula apinhadas, ainda que tão pobres, é o que viemos trazer - mal acabando de sair da guerra, uma revista escrevemos: pelas palavras dessa revista, nada; por seu sentido, tudo! Uma revista que existe por si mesma, sem relação alguma com os demais, e que não tem sentido se lido apenas com o intelecto. Mas vós, em vossos silêncios latentes, haveis de tremer a cada pagina, assombrados...

Os incomodados

Magão

Adaptado livremente e sem nenhum escrúpulo de Walt Whitman


Crônica de uma

quinta

A

à noite

por Preto!

princípio esta quinta-feira a que me refiro parecia que ia ser como todas as outras quintas. Tudo culpa da rotina da vida moderna, nos impondo responsabilidades chatas. Assim, os dias acabam parecendo todos iguais, encaixotados uniformemente. Nenhum dia é igual ao outro, nem mesmo um simples minuto ou um segundo.

Como o de costume nas quintas-feiras, o celular toca as 07h40min da manhã. Acordo relutante em e em seguida vou ao banheiro tomar um banho, fazendo o resto de preguiça e sono escorrerem pelo ralo. Após isso, visto-me e bebo um copo de leite com achocolatado, a bebida dos campeões! Às vezes também como um pão ou algumas bolachas com requeijão, mas geralmente saiu de casa sem nada sólido na barriga (meu estômago é bem mais sentimental que o dono, quase sempre não querendo papo com nenhuma sorte de comida pela manhã). Depois do impasse culinário, vou para o curso de francês em uma topic lotada onde o gentil trocador fica a todo instante a esbravejar: “Vamo indo pra trás pessoal, tem espaço ai!”. Só se for pra um pigmeu, penso eu. Como o de costume também, chego atrasado lá, volta para casa, almoço, durmo o sono de beleza após a refeição e vou para a UECE. Era período de fim do semestre, todos estavam cansados e de saco cheio. Eu, particularmente, estava um zumbi. Nessa quinta não houve o segundo horário, então decidimos (Eu, Bruno, Magão e Camila) ir para a casa do nosso ilustre amigo Neto, que ainda nesse tempo morava só, mas agora mora com a sua santa tia.

Quando lá chegamos quem nos recebeu foi o Ronald trajando uma bermudinha muito sexy. Ele já estava aninhado lá há quase uma semana pitando painéis para o Sarauêi. Coisas de artista! Sem mais cerimônias, todos fomos sentar na área de serviço. Conversamos sobre vários temas, fizemos pilhéria (frescamos) um como outro e falamos mal de desafetos, pois sem esses três elementos qualquer conversação não pode ser considerada saudável. Bebemos vinho barato também e ouvimos Edit Piaf, Fagner e Ednardo. Quando menos esperávamos Ronald pega a tela inacabada que estava secando no varal para continuar a pintar. Todos imediatamente ficaram em silêncio, apenas olhando o seu pincelar cadenciado. Eu me sentia estranho e muito bem ao mesmo tempo, arrisco em afirmar que meus companheiros se sentiram parecido comigo. O silêncio permaneceu até o Ronald parar e com a noite já avançada, alguns de nós tendo que ir embora. Alguns dormiram por lá e outros voltaram para as suas casas, todos se sentindo um pouco diferente e com a certeza que compartilhamos um momento especial.

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SERIAM OS

AUEIS

EXTRATERRESTRES?

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Mijado por Rolald Certo dia, um cara auêi me pediu para que eu escrevesse um texto descrevendo um cara auêi qualquer. Pensei imediatamente num vasto leque de figuras que possuem, naturalmente, esse perfil (Jack Kerouac, Jece Valadão, Joan Baez, Rodolfo Teófilo, Isabel Parra, Luís Gomes, Lúcio Ricardo, Dona Leide, Augusto Pontes, Chico Macaco, Silvio Frota, Beto Guedes e tantos outros...). Pensei também em como tantas pessoas tem pontos em comum e, nem por isso, são idênticas e sem graça. E na tentativa de escrever o texto sobre “o cara auêi” me deparei com a dificuldade dessa tarefa: é impossível encaixar em poucas linhas os tantos universos em que o auêiísmo atua. Daí veio esse texto, numa tentativa aplicada de falar um pouco do tanto que somos.

Seriam os auêis extraterrestres? Fico pensando, pois, num planeta como o nosso, quando um individuo qualquer “sai da linha”, sua imagem e conduta ficam manchadas pela moral instaurada. Fica a impressão de que a lei social não permite que pensemos livremente e independente de qualquer outro pensamento ou teoria já existente. E, com isso, o cara auêi acaba sendo lançado impiedosamente

na margem dos núcleos sociais no qual eles estão inseridos, muitas vezes por não seguirem uma maré tradicional vigente, por exemplo, nos espaços universitários, onde o pensamento em voga, cristalizado, pesado e medido não permite novos meios e novas possibilidades acerca da análise e compreensão do cotidiano, de modo que as pessoas pretensamente esclarecidas se apegam cada vez mais aos pensamentos muitas vezes superados ou até mesmo ineficazes na dinâmica necessária de nossas vidas. Assim, se faz inevitável a lei da afinidade. O auêi se identifica e se entende com o auêi, e quem for “leite com pêra” que se identifique com sua patotinha. É a triste existência da segregação de mentes, onde o auêi se encontra incompreendido e ignorado até mesmo no meio onde vive. São as cercas das identidades reinando, onde existe a comunidade universitária e, dentro dela e, ao mesmo tempo fora, existe a comunidade auêi. Dentro porque os auêis, assim como tantos outros, possuem e merecem seus devidos direitos dentro da universidade, e tem suas obrigações também, reconhecidas e conscientemente violadas, e fora porque os auêis são vistos com certo ar de repúdio por muitos


que se posicionam num luxuoso pedestal ilusório de porra nenhuma, julgando-se detentor de poderes para lançar os auêis e quem mais entrar em desacordos com suas ideologias no ostracismo de um ambiente que, de fato, deveria ser compartilhado de forma amigável e solidária. Os auêis são adeptos da opinião nova e desprendida de qualquer outra coisa e, muito embora sejam também exemplos falhos de boa conduta, ainda assim merecem um pouco do sol que nasce todo dia. Os auêis representam a novidade e a liberdade verdadeira de pensar e expressar de acordo com seus anseios, sem medo de represálias ou sem a obrigação de se submeter a qualquer bandeira ideológica barata que balança, sem graça, na fachada vazia de quartéis de adestramento da “razão” (pra não falar coisa pior!). Mais do que isso, o auêi é uma constante transição de discernimento, provando, com isso, que o pensamento evolui e que a cada dia novas coisas acontecem, permitindo observar a variação e mutação das práticas cotidianas. O auêi é um eterno experimentador de meios para seu bem-estar e o bem-estar dos demais, mas sem, com isso, ter a pretensão de representar

terceiros numa jornada qualquer, pois podemos ajudar alguém, mas não podemos fazer algo que não cabe a nós fazer (ver a prática de cagar).

Por fim, o auêi nada mais é do que um cara que pensa por si só e constrói esse pensamento no decorrer de vivências no seu meio social. Várias figuras auêis possibilitam entender aspectos claros desse jeito particular de ser, e entendemos, com isso, que as expressões auêis se manifestam de acordo com a capacidade constante de criar e reproduzir. Por isso, o auêi não deve ser visto como um extraterrestre, uma besta, uma pessoa feia, um filho da puta ou mesmo um sujeito repugnante, porque o auêi é uma peça, entre tantas outras, de um quebra-cabeça que pretende formar o planeta terra e todas as suas propriedades possíveis.

!

TO N E M

EM CI U Q BUS CONHE

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do do que, há cabeça o resulta lfe via saído os m ze s fa tempo atrás, ha o uc po agrado, onde no os , do mesmo por agirm de mesma cabeça por sermos e s es da o iz . t n s o no P esma produção e melhor lugar, numa m da maneira qu , EI AU a os um a am ns busc Pensar como pe convém. Onde speito das valores que su de o o eg id ss nd so re no sp de paz e qu e cercam a ver, que são, vores que nos não tem nada vaPor Rolald ár . ente, caretas, s tem simpatia comprovadam no s so flui ente submer ’s, que voam rito AUEI, que lores eternam pí es ua O Corações AUEI ág e rro, lodo erdade particuente de nossos na lama de ba a espontaneam dotados da lib opr a nsar como pens en ss Pe a no a. te ad de de priv ar os e que refle ns rp pe co lar da natureza e , te ar s, rt en eu m l de D para supo um AUEI, nova aria impecáve posta! Ser AUEI menos vida em genh a vez o que um ao da nd ar lo gu fa ns o se pe nã la s pe as no fazendoa vida, m z a ti pensaria, muito eal, que nos fa AUEI próximo z que há algo ve a um sua essência id a, ov e do a realidade do isso qu gre e que pr compreenden aior do que tu m vivos pelo mila imo, e perem o pr lo projet EI do teu óx os. AU em ec nh co com isso, o be o ado e construí e somos, mas mitir ser analis EI, marcada AU a ri . andamento qu eg ’s al EI A ra s AU ou, a manei do pelos demai lo descontrole que ela se torn a pelo vicio e pe rm fo a EI não requer e os AU o r am se ar nd , Assim feliz, encara que a macul r as se nem co m a, te a nh a, requer apen uns veza riso nenhuma regr criminosa que za es desafios com a le re çõ tu la na re a s as ss da ar o no cl nd margens a aceitação da siderado, faze a impressa nas etiva, entena regra medid o da st go do e individual-col to cotidianas um ri pí es os od do (t s re em daí, que o ser os se e prova, dendo, a partir e pesada, onde e. A alegria qu irn ca rm pe EI se EI, a sociee AU AU r e qu eis, que se mano nasce fíc hu di os seres, desd o . tã uas bj di complementa ) estão su transdade apenas o tam prender-se necessidade de a um é . regras tidiano. gados a essas formação do co e qu , EI AU o ns nsa um O bom se Pensar como pe a, a que gr re a dentro da um ra as pa rege apen , trazendo EI o AU ss no o os rm nos diz para se

ue destaq AUEI.

O Leite e a Pera:

Era um jovem comum, como todos os outros. Aliás, ser comum dentro de um ambiente tão heterogêneo como o que ele se encontrava era bastante diferente, então não podemos dizer que era como todos os outros, e sim somente um jovem comum. Gostava de chegar cedo, conversar com os amigos, prestar atenção na aula e estudar bastante. Na verdade, no meio universitário poucas pessoas eram como ele devido sua dedicação aos estudos. Tal estereótipo se tornou tão raro hoje em dia que acabou migrando da regra pra exceção. Era um estudante do curso de História da UECE que sempre gostou do que fazia e nunca ofendeu ninguém, era bem comportado e pretendia seguir carreira nessa área que tanto adorava. E por ser tão normal, acabou sendo bem diferente dos

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o cotidiano de um es

outros, podendo até ser enquadrado como uma exceção em seu contexto. O cotidiano de nosso protagonista na ambiência do bloco H oscilava entre momentos tranqüilos e experiências conturbadas devido a algumas hipocrisias bastante presentes naquela sociabilidade acadêmica, e, é bom dizer, por conta da atitude de certos professores que, em certos momentos, tinham a necessidade de exercer uma pretensa superioridade sobre tudo e todos. Mesmo com tudo isso, nosso estudante conseguia perceber as coisas de maneira distinta de seus colegas em relação às praticas acadêmicas de seu curso. Enquanto todos consideravam essa práticas normais e até corriqueiras, ele resguardava sua própria cosmovisão. O diferencial é que nosso protagonista era


As Flores. São flores, os nossos sonhos Que brotam da terra em fios curtos de vida Somos flores de almas vivas Que ofereço para ti Em cada olhar que te dou Que são verdades Que são reflexos da doçura Cativa no calor de nossas mãos Somos flores de sonhos E de palavras que tanto nos fazem rir E que não temos mais medo de dizê-las Porque somos livres como sonhos E sou cativo em teu coração Como são as flores em teu jardim Somos flores, somos sonhos, somos jardins E somos tantas coisas mais que quisermos ser Porque somos o que somos

E sem medo e arrependimento Digo aos seus olhos tudo o que quero pra mim Porque sigo tua alma como seguem os girassóis o sol Porque o medo não existe mais E somos almas livre Que canta a qualquer momento do dia À sombra feliz das mais belas árvores Porque já fomos feitos de medo Quando corria lágrimas em nossas veias E nossos amigos nem eram tão amigos assim Mas hoje não mais Hoje somos mais E tenho em meu peito asas que rasgam céus distantes E lava minha cara com a água bendita de tuas carícias E lava meu corpo com a água fria de tua vontade E lava minha alma com a água cristalina da chuva

serena Que se mistura ao meu bom dia no clarear da manhã Porque somos livres para ser o que quisermos ser E temos pra nós o beijo amigo do tempo E os planos de festas alegres Na voz clara de teus simples pedidos Agora nenhum choro vale mais Pois o sangue há muito secou e as feridas há muito sararam Pois o choro há muito cessou e cedeu lugar à calma E agora, mais do que nunca Conquistamos cada pessoa Trazendo-as para perto de nossos corações Por onde elas poderão, a partir de agora, seguir em meio às flores Em meio aos cheiros, aos sabores e às cores Caminhando sob o canto doce de cada pássaro

Caminhando sob o voar iluminado das estrelas vagas Assim, de coração aberto, seguimos Eu, meu coração e meus amores Sentados sobre o muro de nossas vidas Observando lá longe a cidade que sonhamos pra nós Os meninos que correm As meninas que sonham Pessoas de rostos iluminados Pessoas que amam sua terra E amam uns aos outros Pessoas que são, cada uma, um pouco de um único amor Que movem o mundo e, por isso, faz de mim uma flor Entre tantas outras Que sonham POR ROLALD!

studante perseguido pelo academicismo. capaz de perceber, através da relação existente entre certos professores e alunos, uma certa circularidade de concessões que favoreciam ambos e perpetuavam um sistema deturpado de sociabilidade acadêmica que ele repudiava. Nesse modelo, o prestígio acadêmico era cedido do professor ao aluno se este cedesse sua adequação à certas exigências no que diz respeito à “responsabilidades acadêmicas” que na maioria das vezes, nem mesmo o próprio docente seguia. O prestígio acadêmico, nesse sentido, se dava através de avaliações mais “sensíveis” de provas, preferência em oportunidades de bolsas e etc. Daí a noção de circularidade concessiva, onde o aluno cedia sua obediência e o professor cedia sua preferência. Por sua cosmovisão bastante polêmica daquelas práticas, o estudante passou a ser

muito perseguido. Para ele, era inconcebível que o aluno aceitasse certos acontecimentos revoltantes no meio universitário somente por considerar mais cômodo não ocasionar um enfrentamento direto com seus os professores, preferindo sentar em seu prestígio acadêmico tomando leite com pêra. Esta análise nos leva a entender que, mesmo nesse contexto onde predominava uma noção de que a experiência na academia deva ser regrada, não pela meritocracia, e sim por valores que não tem nada a ver, havia uma exceção que ousava pensar de outro modo. Ou seja, uma vanguarda Auei que buscava romper com o academicismo instaurado. Ejaculado por Bruno Rodrigues!

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Auêi! Breve História da Geração 8

Cagado por Magão!

Quando entrei na UECE no ano de 2008 aos 17 anos era apenas um jovem determinado a me formar e virar um bom professor, mas determinados fatos mudaram o rumo da minha vida, o fato primordial nesse meu processo de mudança foi o surgimento do movimento Auei.

O movimento Auei é essencialmente universitário, do espaço da universidade onde estamos livres (como corredores, graminha e casa do Jacob) e além deles espaços como o Bar do Feitosa, Casa da Deise, Palmácia, Casa do Neto, Estúdio 14, Bar Filhos da Mãe e Gaiola, nosso espaço não é esse de salas de aula e auditórios com grandes palestras (eu disse grandes?), e foi fora dos principais espaços academicistas que o movimento Auei se formou, nos corredores conheci inicialmente Ronald Rodrigues, um jovem de vasta cabeleira e com idéias alucinadas e pouco compreendidas, que me tirou da sala de aula e para lá não retornei mais.

Inspirados pelas figuras de Gil Brother, Luiz Gomes e George Hebert (o ídolo da juventude), nós, os primeiros Auei's, então, nos agregamos a outros, tais quais Neto (jovem vindo do colégio militar e de estirpe roqueira), Bruno (aluno incompreendido pelos outros por não gostar de álcool e tabaco), Preto (ser estranho e de dotes avantajados, alucinado por zumbis), e Marcos Leandro (chegou depois com

uma banda muito doida), pessoas que incrementaram um sentimento de rebeldia e inconformismo com aquela merda toda que estávamos inseridos. E a partir daí o movimento Auei não podia mais ser contido, estávamos em evidência dentro daquele espaço tão careta e estranho aos nossos olhos, mas ao mesmo tempo um lugar onde nos sentíamos em casa.

Guiados inicialmente por Auei's primitivos (George e Luiz Gomes), nós fomos aos poucos tomando as rédeas da resistência a tanta filha-da-putisse que invadia os corações indefesos de alunos despreparados, temos muitas dificuldades, abordadas principalmente no belíssimo texto “Seriam os auêis extraterrestres? e lutamos contra tudo isso e com bastante molecagem abrimos os olhos de muita gente e salvamos várias almas.

Com idéias loucas e desvairadas, como o BlogAuei, a Revista Auei e o Cine Saco de Lixo Auei! e com a maior e mais ousada idéia de todas que é o Sarauei, quebramos com a rotina da universidade, destruímos amarras academicistas e consolidamos no coração e principalmente na alma das pessoas quem nós somos. Termino esse texto com citação de Ronald Rodrigues, pensamento perfeito que exprime o que é a alegria ser Auei!

Pensar como pensa um AUEI, trazendo para dentro da cabeça o resultado do que, há pouco tempo atrás, havia saído da mesma cabeça, do mesmo lugar, numa mesma produção. Pensar como pensa um AUEI, desprendido de valores que não tem nada a ver, que são, comprovadamente, caretas, valores eternamente submersos na lama de barro, lodo e água de privada. Pensar como pensa um AUEI, novamente, e pensar pela segunda vez o que um AUEI próximo a ti pensaria, compreendendo a realidade AUEI do teu próximo, e permitir ser analisado e construído pelos demais AUEI’s. Assim, ser AUEI não requer nenhuma regra, requer apenas a aceitação da nossa natureza individual-coletiva, entendendo, a partir daí, que o ser humano nasce AUEI, a sociedade apenas o complementa.”


Genialidade ou idiotice Por Bruno Fazemos diferentes escolhas nessa

nossa vida até chegar no momento em que estamos agora. E quem nós somos hoje são essas escolhas jogadas em um liquidificador. Nós nos construímos enquanto pessoa através de opções ditadas por circunstâncias de situações que nem sempre são construídas pela gente, e isso é que é o mais complicado da vida. A cada dia que passa eu fico mais tempo confabulando sobre essas coisas, mas aí eu acabo percebendo que eu tenho que estudar, porque esse semestre tá muito foda.

Eu lembro que quando entrei na universidade eu optei por abraçar cada possibilidade que esse lugar pudesse me oferecer, seja na vida acadêmica, na vida política, na vida auêi, seja no universo da sala de aula ou no universo que existe fora da sala de aula, e a principal coisa que consegui extrair disso tudo foram grandes amizades, algumas dores de cabeça e uma vida de fumante passivo. E é desse assunto que eu quero tratar nesse texto, sobre esses abestados que estão ao nosso redor nos momentos que a gente nunca esquece. Nossos amigos. De uns tempos pra cá comecei a ver o quanto nós passamos por situações em que nós podemos escolher entre ficar esperando as coisas acontecerem e fazer alguma loucura para que as coisas aconteçam de maneira diferente. Só é preciso um pequeno impulso pra que a gente escolha a coisa mais ousada. Por exemplo, foi com esse impulso que o Magão passou a escrever grandes textos e poemas, que o Ronald passou a pintar quadros belíssimos, que o Marcos Leandro alavancou as músicas da banda Vivace... Foi só a partir do momento em que nós deixamos de ter medo de bancarmos os idiotas, e passamos a nos tratar como pessoas com potencial. Isso foi o principal. Até porque, se tinha alguém

que poderia enxergar potencial na gente essas pessoas teriam que ser nós mesmos. Eu trato meus amigos como se eles fossem gênios, porque, pra mim, eles são. Mesmo fazendo idiotices. E o resultado de tudo isso é: a Revista Auêi, esse periódico super simpático que não tem como não ser lido; o Cine Saco de Lixo Auêi, que é um sucesso entre a garotada; e, principalmente, o Sarauêi, um evento de pura expressividade artística e cultural, completamente organizado e financiado pela gente.

Quando paramos de ter medo de mancharmos nossa imagem e nos preocupamos mais em fazer o que sempre tivemos vontade de fazer, nos sentimos infinitamente mais realizados, de uma maneira que não dá nem pra descrever. E se você tratar diferentemente alguém que você enxerga potencial, o modo como vocês encaram suas idéias muda completamente, como também as suas perspectivas e noção que vocês tem de limites. O auêi é aquele que embaça ainda mais (do que já é) a linha entre o que é genial e o que é idiota, talvez porque, às vezes, ser idiota é bem mais divertido. A diferença é o tratamento que é dado a essas ações. Então esse é o conselho que eu tenho para dar: trate seus amigos como se fossem gênios, e veja no que dá. Pode dar em merda... Ou não.

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O som colorido:

modinha ou um

novo conceito para o

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Desde seu início, nos anos 50, o rock ‘n’ roll sempre foi tido como um objeto de revolução musical/social/ cultural dentro das mais diversas sociedades, entre elas a brasileira, tendo como o ponto máximo da solidificação de seu som o primeiro Rock in Rio, ocorrido no, já longínquo, ano de 1985. Pra quem não conhece, foi nesse ano em que o rock tomou um novo rumo em nosso país, crescendo de forma assustadora. Pois bem, dentro desse contexto e já num cenário mais atual, depois do movimento popularmente conhecido como “emo” (vindo do termo emotional hardcore – um som mais rápido do que o rock ‘n’ roll clássico, mas com um toque exagerado lirismo, mais emotivo que o habitual), surge então o que se costumou a chamar de bandas coloridas, que nada mais são do que os mesmos emos, só que com muita (e bote MUITA) cor. É sabido de todos que os jovens sempre gostaram de ser diferentes, de bater de frente com a sociedade, questão de revolta mesmo e o rock foi e é um instrumento usado para esse fim. No entanto, desde o aparecimento dessas bandas, o nome do rock foi manchado. E foi VERGONHOSAMENTE manchado. As ditas bandas coloridas têm um apelo visual inegavelmente forte, com uma explosão de cores, cabelos esvoaçantes e óculos de todas as cores imagináveis... até aí tudo bem, cada grupo se compõe da forma que melhor quiser. O problema está no som. É de uma qualidade tão baixa que muitos que não entendem absolutamente nada de música, o rechaçam, porque é realmente MUITO RUIM! E O PIOR: dizem-se bandas de ROCK, BANDAS DE ROCK MEU DEUS!

rock?

Neto, o Garoto Auei!

O produtor musical Rick Bonadio (que está por trás de bandas da nova onda como Replace e Hevo 84) disse recentemente que “Quem diz isso é quem está de fora do contexto, quem não vive esta onda. É claro que é rock, e o rock é jovem, sempre foi assim, desde Elvis e Beatles, que também eram criticados pelos mesmos aspectos.” Só que ele se esquece que os 2 exemplos citados por ele tinham uma coisa que essas novas bandas não tem: qualidade musical. É até uma blasfêmia querer comparar Elvis e Beatles com esses aí. O problema não são meninas de até treze anos (porque se passar dessa idade...) correndo atrás de caras que falam em suas letras de paixões (e SÓ ISSO!), que só preocupam-se em serem queridos e terem fãs, que não passam nenhum tipo de mensagem que seja realmente séria... Não. A questão aqui é somente o seguinte: Querem ser coloridos? Querem pegar as garotinhas? Querem aparecer na MTV? Tudo perfeito! Mas NÃO SE APROPRIEM DO TERMO ROCK AND ROLL! O rock é muito mais do que tudo isso e esses caras não tem a mínima noção do que realmente é o sentimento e estilo de vida de um roqueiro. É isso que tanto nos incomoda, é essa tara desses arcoíris quererem ser rockstars, fazerem o velho “chifre do diabo” como se fossem uma puta bandonazona que entope estádios e ensurdece seus fãs com as letras mais loucas incríveis do mundo. NÃO! NÃO! NÃÃÃÃO! Vocês nunca chegarão aos pés da menos banda de verdadeiro rock do mundo. Continuem fazendo o que fazem, nós sabemos que uma hora isso vai acabar, curtam o momento, mas não queiram ser roqueiros, porque, DEFINITIVAMENTE, vocês NÃO SÃO!


AÇÃO

Pus, câmera putref

Vomitado por Preto

Zumbilândia

Quem estava achando que a revista AUEi tinha cessado de vez, surpresa! Nós demoramos, mas não falhamos. Somos teimosos mesmo, fazer o que? O filme que vou (des)analisar nesta edição um tema que sou suspeito para comentar. Zumbis, mortos-vivos e afins. Não sei da onde veio esse gosto por zumbis, talvez uma parte da culpa seja do “Cinema em Casa” do SBT que passou durante um bom tempo “A Volta dos MortosVivos” e as suas seqüências quando eu era pimpolho. Esse fato influenciou muito a minha infância e juntamente com a minha esquizofrenia criou essa pessoa que vos fala (baboseiras). Chega desse momento lúdico e vamos ao que interessa: Cérebros! Zumbilândia (Zombieland) foi lançado em 2009, dirigido por Ruben Fleicher e com roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick. Basicamente, a história do filme vai se desenrolar em torno de quatro personagens em um mundo empestado de zumbis. O primeiro por ordem de aparição é Columbus (Jesse Eisenberg), um jovem paranóico com tudo, nerd, coulrofobico (medo de palhaços) e que criou regras para sobreviver na Zumbilândia. São 33 regras no total, mas nem todas aparecem no filme, comentarei algo sobre elas mais a frente. Tallahase (Woody Harrelson) é um caubói durão que adora esquartejar, estourar e atirar em

zumbis. Algumas pessoas nascem com o dom de pintar, de cantar ou escrever bem (não é o meu caso), Tallahase é muito bom em matar zumbis. Seu único ponto fraco é a sua procura incessante pelos últimos bolinhos recheados comestíveis do estado. Wichita e Little Rock são irmãs que enganam e roubam o carro de Tallahase, mas depois todos acabam juntos na jornada rumo a Pacific Playland, uma suposta área livre de zumbis (Se existisse um holocausto zumbi agora, a última coisa que eu procuraria seria uma “área segura” (só se quisesse virar sushi para algum esfomeado putrefato). É hora de falar sobre as regras. A 1ª regra que Columbus criou é a “Condição física”, pois além da escopeta você tem as pernas para escapar dos zumbis. Infelizmente, os gordinhos foram os primeiros a morrer, trágico. A 2ª regra é “Acerte duas vezes”, porque sempre é bom ter certeza que o morto-vivo está morto. A 3ª regra é “Cuidado com os Banheiros”. A 4ª regra é “Cinto de Segurança”. A 7ª é “Viaje com pouca bagagem”. A 31ª regra é “Checar o banco traseiro”, nunca se sabe um zumbi vai tá lá nos esperando. A 18ª regra é “Alongamento”, vai que dá alguma distensão muscular, é melhor prevenir. A regra 17ª é “Não Banque o herói”, essa é auto-explicativa. Têm algumas outras que anotei do filme, mas já estou meio impaciente, então vá assistir ao filme. Outros aspectos interessantes do filme fora as regras, são os nomes dos personagens que se vocês não perceberam, são nomes de lugares, pois assim eles evitam maior intimidade e todo o blábláblá sentimental se um dia um companheiro for liquidado. Também é a morte zumbi da semana que consiste no melhor e mais criativo assassinato de zumbi na semana, como pianos esmagando zumbis, rolos compressores e etc. Zumbilândia é um filme engraçado, mas que não deixa de ser sangrento e violento, se você gosta dessa combinação, garanto que vai adorar o filme e morrer de rir como eu quando assisti pela primeira vez.

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Porque não gostamos Escarrado por Magão de assistir aula. Sempre me perguntaram em relação ao motivo de eu e outros colegas não gostarmos de assistir aula. Por que sempre demorávamos a ir para as aulas e porque não tínhamos paciência para aquelas que por ventura íamos. Bem, eu já não gostava de assistir aula e depois do que vi...

É importante, antes de tudo, destacar que existem algumas raras exceções, professores que realmente dão boas aulas e que tem métodos interessantes. De todas os professores que eu tive oportunidade de assistir aula, nem dez professores tiveram ampla aceitação (fora outros que só eu gostei), falo aceitação dos alunos que não babam ovo de professor, esses que tem essa prática abjeta eu excluo.

Outros professores não tem método definido ou quando tem é tão chato que dá vontade de dormir, as aulas não são interessantes, você fica puto de tá ali aprendendo porra nenhuma e ainda tendo que levar sarrafo porque não se esforçou ou porque tirou uma nota baixa. PORRA! Como é que eu vou me esforçar se o professor não me deixa nem um pouco empolgado de assistir a aula dele? Como eu vou ler um texto que beira o incompreensível (e ele é incompreensível por que eu não tive base em outras cadeiras!)? Como eu vou respeitá-lo se ele não me respeita? Como eu vou continuar em paz numa disciplina se o professor leva os problemas para o lado pessoal?Essas questão são levantadas por muitos e cabe a nós Auei's combater os professores que fazem isso.

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Por mais certinho e azilado que o aluno seja ele tem que admitir que assistir aula na História-UECE é algo realmente complicado, como diria Rolald, uma punheta de pau mole! (lembremse sempre que existem exceções, nem todas as aulas são ruins). O maior problema ao meu ver é que os professores pensam que só existe a sua disciplina, eles não pensam que o aluno faz outras além daquelas e que essas disciplinas também exigem bastante deles, além de que alguns alunos trabalham, fazem outra faculdade e por aí vai, a maioria dos professores da História-UECE nem pensam nisso e pior ainda, passam livros incompreensíveis para resenhar, provas em que o aluno deve ler 10 textos (tendo apenas algumas semanas

para revisar tudo isso e na hora ele usará apenas 3 ou 4), seminários absurdos, NEF's impossíveis, por exemplo, se você fizer cadeiras de Damasceno, Eric ou as de pesquisa com quem quer que seja (citei eles porque foi os primeiros que vieram a minha cabeça, mas existem outros) no mesmo semestre você terá sérios problemas para conciliar a carga que esses professores colocam sobre suas costas e têm mais uma série de merdas que não tenho paciência para ficar listando aqui. Outro problema grave, que nós Auei's enchemos o saco o tempo todo acerca disso, e que me deixa puto, é o pedantismo exagerado do professor (a), a sua pretensão em ser um semi-deus em sala de aula, figuras divinas e intocáveis quando na verdade são carregados de imbecilidade e falta de caráter. Levam tudo para o lado pessoal e fodem com a vida da gente, isso é possível por conta da legião de babões que os seguem como lacaios, esses ,que tem privilégios, são os piores na minha opinião. Os professores tem que entender que a universidade e suas salas de aula, são nossas!, elas pertencem aos alunos e não a eles, que eles se coloquem nos seus devidos lugares de educadores.

Enfim, vão dizer aqui que isso é papo de vagabundo que não quer assistir aula e que não gosta do professor e por aí vai, foda-se quem tá lendo essa merda e pensando isso, mas esse é um fato super evidente dentro do nosso curso e não podemos fechar os olhos para isso, a maioria dos professores (ressalto sempre que não estou falando de todos os professores) não cumprem seu papel , que até onde eu sei, é para ser de educador e não nos preparam para porra nenhuma, por isso que eu não gosto de assistir aula! E nós Auei's continuaremos na luta para que os professores cumpram seu papel, pois eles estão é longe de cumprir.

Se essas revistas acabarem vocês podem adquirir outras na Xerox do Mazinho, isso mesmo, pode ir lá e xerocar, ou então ler a versão online e em cores no endereço http://pt.calameo.com/accounts/368699 No mais, vão tomar no cu!


Revista Auei #3