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CAPACITAÇÃO PARA LIDERES DE JOVENS

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O JOVEM COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS Joary Jossué Carlesso é Pastor (CIADESCP/CGADB), Supervisor do Setor 08 (Shalom) da IEADJO, Coordenador Geral do Departamento de Discipulado da IEADJO. Secretário do DECOM (Departamento de Comunicação) da CIADESCP, Membro da Comissão Pró-Centenário da CIADESCP e Membro da Comissão de Planos e Estratégias de Evangelização e Discipulado da CGADB. Bacharel em Teologia, Pós-Graduado em Aconselhamento Cristão, Professor do Curso de Pós-Graduação em Discipulado e Cuidado da Faculdade Refidim.

TEXTO BÍBLICO: Atos 2.17-18 “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos sonharão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão” INTRODUÇÃO Ao longo da história da nossa fé, conseguimos contemplar jovens que em sua mais tenra idade foram protagonistas de transformações sociais que mudaram não só o ambiente à sua volta, mas transformaram nações inteiras e sua influência chegou até nós. 1 JOVENS QUE REALIZARAM GRANDES TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS 1.1 José (Gn. 37 – 50)

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Um grande exemplo é José, que com apenas 16 anos teve sonhos inspirados por Deus. Seu nome, José, “ele acrescentará”, revela um pouco de sua vocação. Nascido em cerca 1914 a. C., aos 17 anos foi vendido pelos seus irmãos como escravo para o Egito. Mas depois de 13 anos, aos 30 anos foi nomeado o primeiro-ministro do império Egípcio. O que aconteceu durante este período? Ele manteve seu caráter reto, servil e obediente a Deus. Através da ação poderosa Espírito Santo em sua vida, ele foi elevado a um patamar jamais alcançado por um hebreu. Ele foi pai de Manasses (esquecido) Efraim (duplamente frutífero), que foram tribos importantes na nação judaica. Quando estava com 39 anos de idade, seus irmãos vieram pela segunda vez ao Egito e ele enfrentou a maior de todas as provações do seu caráter: perdoar os seus irmãos. José foi um jovem que fez a diferença e transformou todo o mundo conhecido de sua época da fome e da destruição. 1.2. Samuel (1 Sm. 1:1 – 25:1) Com 12 anos, talvez um pouco mais, Samuel ouviu a voz de Deus o chamando para o ministério profético, durante um período controverso na história da nação de Israel, em que Deus não falava mais com o povo, e em que a classe sacerdotal estava pervertida. Samuel foi um milagre em resposta de Deus à oração de sua mãe Ana. Quando desmamado, foi levado ao templo para servir. À medida em que aprendia o ofício sacerdotal, “o jovem Samuel crescia em estatura e no favor do SENHOR e dos homens” (1 Sm. 2:26). Num momento de crise, Samuel assume a liderança da nação no tríplice ministério, como sacerdote, profeta e juiz. Ele liderou com maestria a transição do governo dos juízes para a monarquia, ungiu aos dois primeiros reis de Israel e foi o líder espiritual da nação até a sua morte. É notável seu discurso na posse de Saul, quando o povo testifica que durante todos os seus anos de vida pública “em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão

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de ninguém” (1 Sm. 12:4). Que exemplo para os governantes de hoje! O jovem Samuel levou a nação à estabilidade através de sua liderança transformadora. cas)

1.3 Davi (1 Sm. 16 ss / 2 Samuel / 1 Rs. 1:1-4, 2:1-11 / 1 Crôni-

Davi foi um jovem fiel, temente a Deus e obediente ao seu pai. Vemos que sua história ministerial inicia com sua primeira unção em sua casa aos 14 anos. Entretanto, à época Davi já era um trabalhador responsável que cuidava das ovelhas de seu pai, enfrentando e matando um leão e um urso com as próprias mãos. Aos 23 anos enfrentou um grande opositor e realizou a proeza que faria seu nome ser ovacionado em Israel: matou o gigante Golias e iniciou sua trajetória como guerreiro. Viveu em um momento crítico da história, em que Deus já havia rejeitado Saul como rei, e foi perseguido por ele. Aos 30 anos recebeu sua segunda unção na tribo de Judá, após a derrocada de Saul. E aos 37 anos foi ungido pela terceira vez como rei de todo o Israel. Viveu até os 70 anos, sendo rei, musicista, profeta, guerreiro e precursor do Messias. Um texto que demonstra a coragem e a unção divina na vida de Davi é 1 Sm 17.33,37: “Porém Saul disse a Davi: Contra o filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu és ainda moço, e ele, guerreiro desde a sua mocidade. Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu. Então, disse Saul a Davi: Vai-te, e o SENHOR seja contigo.” Ele não temia enfrentar desafios maiores do que ele para glorificar o nome de Deus e defender o seu povo. O resultado é que ainda hoje ele é o rei mais reconhecido e amado de Israel, iniciando uma dinastia que perdura até hoje, através de Cristo. Além disso, o próprio Deus testificou que ele era um homem segundo o Seu coração. Mesmo pecando e cometendo falhas em seu governo, nunca terceirizou a culpa, mas assumiu a responsabilidade e arrependido pagou o preço das consequências dos seus pecados. Sobretudo, Davi compôs cerca de 73 Salmos, recuperou a Arca da Aliança, reuniu material para a construção do Templo e foi o maior rei da história de Israel.

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O jovem Davi transformou uma nação através do seu caráter e pela sua descendência trouxe transformação ao mundo. 2 REQUISITOS PARA SER UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS 2.1 Ser Cheio do Espírito Santo Ser cheio do Espírito Santo é ser cheio do próprio Deus. Uma pessoa cheia do Espírito Santo tem um potencial inigualável para a transformação do mundo. José (Gn. 41:38), Samuel (1 Sm. 3:10) e Davi (1 Sm. 16.13) foram cheios do Espírito do Senhor, e por isso realizaram obras extraordinárias conforme já observamos. No Pentecostes (At. 2>17-18) vemos que o derramamento do Espírito Santo operou a queda de diversas barreiras: - Étnica – “sobre toda a carne”. - De Gênero – “vossos filhos e as vossas filhas profetizarão”. - Etária – “vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos”. - Social – “sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão”. Os cristãos da igreja primitiva, cheios do Espírito, foram os agentes das transformações sociais no mundo daquela época. Em Atos 17.6 eles foram acusados de transtornar o mundo, pois onde a Igreja chegava, fazia obras relevantes. Nos dias atuais, somente jovens cheios do Espírito poderão ser instrumentos de transformações espirituais, políticas e sociais que transtornarão o mundo. 2.2 Ter visão de Deus Ter visão é muito mais do que enxergar, é antecipar o futuro. “Não havendo profecia (no original “visão”), o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado” (Pv. 29:18) - grifo e comentário nosso. Helen Keller, escritora e ativista social norte-americana, que mesmo sendo cega e surda lutou em defesa das pessoas com deficiência, 8


certa vez afirmou que “a pessoa mais patética do mundo é aquela que vê, mas não tem visão”. A visão de Deus e das necessidades do mundo perdido gera em nós a compaixão. Jesus tinha a visão de Deus. Inúmeras vezes a Bíblia afirma que o nosso salvador viu. Em João 9.1 a Palavra afirma que “(...)Jesus, viu um homem cego de nascença”. Outros o enxergaram, mas só Jesus realmente o viu. Observe qual era a visão dos personagens desta história: - Visão dos discípulos - ele era um problema teológico a ser resolvido; - Visão dos vizinhos - era a notícia do momento; - Visão dos fariseus - ele era cúmplice de um violador da lei do sábado; - Visão de Jesus - o cego era uma vida preciosa que precisava de visão física e espiritual. Ter visão de Deus é uma necessidade para promover transformações sociais. 2.2.1 Como receber a visão de Deus? - Buscar ao Senhor– Isaías 6:1 - Abrir os olhos espirituais – 2 Reis 6:17 - Ser limpo de coração - Mateus 5:8 - Ter os olhos abertos para a Palavra - Salmos 119:18 - Cumprimento da promessa pentecostal - Joel 2:28 / Atos 2:17 Jovens terão visões 2.3 Ter compaixão pelas vidas Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), Jesus nos revela o verdadeiro sentido da compaixão pelas vidas. Encontramos aqui uma excelente reflexão sobre como a compaixão pode transformar vidas. 2.3.1 A diferença entre a verdadeira e a falsa ética - Do salteador: ‘o que é meu é meu, se puder tomar, o teu será meu’;

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- Dos religiosos: ‘o que é meu é meu, o que é teu é teu, trate de cuidar’; - Do samaritano: ‘o que é teu é teu, o que é meu poderá ser teu se precisares’. 2.3.2 O discurso nem sempre confere com a prática (v. 28) 2.3.3 Não existe confusão entre quem é o próximo (v. 37) 2.3.4 Muitos estão na condição de “tudo lhe roubaram” e “causaram muitos ferimentos” (v. 30) 2.3.5 A casualidade desinteressada dos religiosos (v. 31, 32) e o caminho acertado, mas que abre exceções do Bom Samaritano (v. 33) 2.3.6 Evangelização, missões e discipulado se faz com compaixão (v. 33) 2.3.7 Chegar-se, pensar ferimentos, aplicar óleo e vinho, carregar nas costas, colocar na hospedaria e tratar! (v 34) 2.3.8 Saber agregar outros para ajudar e lhes dar condições para fazê-lo (v. 35) 2.3.9 Promover independência e acompanhamento quando necessário (v. 35b) “A primeira pergunta que o sacerdote e o levita fizeram foi: ‘se eu parar para ajudar este homem, o que vai acontecer comigo?’ Mas o bom samaritano inverteu a pergunta: ‘se eu não parar para ajudar este homem, o que vai acontecer com ele?’” (Martin Luther King Jr.) 3. PROCLAMAR O EVANGELHO E FAZER DISCÍPULOS – ESTRATÉGIAS EFICAZES PARA TRANSFORMAR O SEU MUNDO ​ As verdadeiras transformações sociais ocorrem através da mudança de vidas pela proclamação do verdadeiro evangelho. A proclamação do evangelho gera conversão. O que fazer para que a transformação de vidas permaneça? Discípulos. “A decisão é 5%, o seguimento é 95%” (Billy Graham). Talvez você jovem/líder não tenha condições de mudar o mundo inteiro, mas através da evangelização e do discipulado você pode mudar o mundo ao seu redor.

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3.1 O que é discipulado? Discipulado é o processo em que o novo convertido recebe todas as instruções indispensáveis ao crescimento de sua fé, até poder fazer outros discípulos. Segundo Keith Phillips “o discipulado Cristão é um relacionamento de mestre e aluno, baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros”.

“Evangelismo é dar um copo com água. Discipulado é mostrar a fonte” (Pr. Sérgio Melfior).

3.2 Quais são os objetivos do discipulado jovem? a) Pregar o todo o evangelho, integralmente, sem omitir as partes difíceis do discipulado cristão; b) Ganhar jovens para o reino de Deus; c) Consolidar àqueles que se decidiram por Cristo; d) Integrar plenamente os jovens novos convertidos à igreja local; e) Discipular os jovens novos convertidos para que alcancem a certeza de salvação; f) Doutrinar os jovens para que sejam preparados para o batismo e batizados de forma consciente; g) Ensinar os recém batizados para que adquiram firmeza doutrinária; h) Envolver na obra da evangelização e do discipulado todos os jovens, tornando-os discipuladores. i) Apoiar os jovens na resolução de seus conflitos e problemas, ajudando-os a viver a vida com abundância através dos conselhos da Palavra de Deus; j) Formar obreiros eficazes para atuar na obra de Deus com disposição para servir. 11


3.3 Quais são os benefícios do discipulado jovem? a) Encontro real com Deus; b) Conversão genuína; c) Crescimento espiritual do jovem; d) Presença de Deus no cotidiano; e) Desenvolvimento de uma fé viva na presença de Deus; f) Conhecimento mais profundo da Palavra de Deus, para que o jovem saia do erro e comece a trilhar um caminho de vitórias; g) Resposta à grandes questões da vida; h) Antídoto contra as seitas e as heresias; i) Poder para alcançar amigos, parentes e vizinhos; j) Batismo no Espírito Santo e dons espirituais (Mc. 16.16). 3.4 Como formar um grupo de discipulado jovem? “Grupo de discipulado jovem é um grupo que possui identidade jovem e ambiente de comunhão, que dá suporte espiritual para os seus membros e alcança o objetivo do jovem se tornar um discípulo de Cristo e conhecer plenamente a Deus”. 1 Sondagem - O primeiro objetivo da sondagem é descobrir quem deseja e quem precisa ser discipulado. Este trabalho se torna mais fácil através das fichas de decisão de jovens que aceitaram a Jesus nos cultos e atividades da juventude. Mas também podem ser convidados para participar do grupo de discipulado jovens que ainda não estão plenamente integrados à Igreja, e até mesmo jovens ainda não-crentes, com o objetivo de ganhá-los para Jesus. O tamanho ideal é de 5 a 10 pessoas, incluindo os discipuladores e o líder responsável. 2 Implantação - Depois de saber seu público-alvo, é definido o local onde acontecerão os encontros. O Grupo poderá ser realizado em uma classe na Igreja, em dia e horário que não prejudique as atividades da Igreja e do grupo de jovens local. Se o local for a casa de um discipulando, deverão ser combinados 12


previamente todos os detalhes do funcionamento do grupo com a família envolvida. É preciso observar antecipadamente as condições espirituais e sociais da família anfitriã, para que não haja resistência ou problemas futuros. Outra opção interessante é a casa dos discipuladores, que podem ser os casais líderes do grupo de jovens. Mesmo sendo no templo, é fundamental que um dos líderes do departamento de jovens local esteja presente. A implantação é realizada quando o grupo é aberto, iniciando a primeira lição na data, horário e local previamente estipulados. 3 Desenvolvimento - Trataremos aqui do desenvolvimento de um grupo de discipulado realizado nos lares. Ao final, seguirão alguns conselhos para a realização do grupo em classes no templo. É importante lembrar que, para ambos os casos, utilizamos como base a Lição de Discipulado “Conhecendo o Amor de Deus”, da IEADJO, que é planejada para ser utilizada em 12 encontros de no máximo 1h (uma hora). Um material que poderá ser usado na sequência é a “Caminho para o Céu” da CPAD, e a lição DT – Discipulado Teen, da IEADJO (no prelo). 3.5 Como fazer um grupo de discipulado jovem (“liturgia”) 1 Socialização - Chegue antes do horário marcado para preparar o ambiente. Receba todos os participantes com um sorriso nos lábios e um aperto de mão firme, olhando sempre nos olhos. Lembre-se de sempre chamar as pessoas pelo nome. Crie um clima leve, antes de entrar no assunto da lição. O bom relacionamento é um dos fatores mais importantes para o sucesso do grupo. Tempo estimado: 5 minutos. 2 Oração inicial - Inicie com uma breve oração, em voz baixa, sem manifestações de dons. A oração deve ser simples, específica, e feita por apenas um dos líderes, os outros concordam dizendo amém. Tempo estimado: 3 minutos. 3 Quebra-Gelo a) Dinâmicas breves: para levá-los a se sentirem bem.

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b) Louvor e cânticos de fácil memorização: pode ser usado acompanhamento de instrumentos. c) Espaço para testemunhos: baseado nos pedidos de oração ou franqueando a palavra para alguém contar um testemunho, que deve ser ouvido de antemão pelo líder do grupo. Tempo estimado: 5 a 10 minutos. 4 Uso da Bíblia - Sempre ajudando os novos convertidos do grupo a achar o texto citado. Ter exemplares da Bíblia impressa disponíveis para àqueles que não a possuem. 5 Exposição da Palavra - Dê introdução ao assunto do dia, abordando de modo geral o que será ensinado. Deixe bem claro que todos podem perguntar e participar. Procure estimular os participantes, solicitando suas opiniões sobre algum aspecto do assunto. Saiba diferenciar os jovens que não gostam de opinar dos que estão aptos a interagir. O ensino deve ser simples e objetivo, sem “teologizar” e sem enrolação. Utilize ilustrações e coisas práticas do dia-a-dia. Fale em tom de conversa normal, jamais em tom de preleção. Não ultrapasse o limite do tempo. Mate a sede, mas não afogue ninguém! Tempo estimado: 25 a 30 minutos. 6 Tira-Dúvidas e Exercícios - O objetivo dos exercícios é reforçar o conteúdo da lição e fazer com que o discípulo. Procure ensinar de forma objetiva e sempre cuide do horário. Perguntas polêmicas devem ser respondidas com cautela. Tempo estimado: 10 a 15 minutos. 7 Oração Final Específica - Finalize orando por todos, citando os nomes de todos os membros do grupo e anotando os pedidos de oração, para um posterior testemunho. Tempo estimado: 3 minutos. 8 Socialização - Despedida e marcar próximo encontro. Tempo estimado: 5 minutos. 3.6 Observações importantes - Cuidado com as amizades. Você deve ser o confidente dos discípulos, mas eles não devem ser os teus confidentes. - Perguntas. Em caso de ocorrer uma pergunta e você não saber

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responder, diga: “Falarei com meu Pastor (ou Líder) e lhe trarei resposta na próxima semana”. E não esqueça de trazer! - Lanches, cuidado! É importante o momento de confraternização e comunhão, mas o lanche deve ser evitado se ficar pesado financeiramente aos anfitriões ou aos integrantes do grupo. - Caia fora da rotina. Crie novas alternativas; convide seus discípulos para participarem de atividades diferentes das habituais. - Organização. Seja organizado para passar uma boa impressão aos discípulos. - Após a reunião, procure telefonar (ou outra forma de contato). Procure conhecer o estado de cada um dos discípulos, e motive-os diariamente com mensagens bíblicas e palavras de encorajamento. - Nunca falte. Em casos de extrema necessidade avise o companheiro ou a família anfitriã com antecedência. - Nunca desista. Se tiver uma doença terminal ou precisar realizar uma mudança muito repentina, avise o líder da congregação. O ideal é nunca desistir! - Prestação de contas. Passe semanalmente as informações da atividade do grupo ao líder da mocidade e também ao líder do departamento de discipulado da congregação; - Não leve teus problemas aos discípulos. Leve as boas novas, e os teus problemas, leve aos pés de Jesus (1 Pe. 5.7). CONCLUSÃO Concluímos que a Bíblia Sagrada é repleta de exemplos de jovens que transformaram a sociedade de sua época, como José, Samuel e Davi. Entretanto, existem alguns requisitos para ser um instrumento de transformações sociais, a saber: ser cheio do Espírito Santo, ter visão de Deus e ter compaixão pelas vidas. Existem algumas estratégias eficazes para transformar o seu mundo: proclamar o evangelho e fazer discípulos. Precisamos compreender o que é discipulado jovem, seus objetivos e benefícios. Entendemos que

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a maneira mais eficaz para o jovem de uma congregação ser cuidado, acompanhado e viver uma vida cristã sadia, aprendendo a Palavra e tendo uma vida devocional equilibrada, é através da integração dele em um grupo de discipulado. Portanto, cabe aos líderes de jovens o papel de promover a atividade do discipulado em sua congregação, com sabedoria, seguindo os passos acima citados, para o crescimento do Reino de Deus e de jovens salvos em seu grupo.

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O JOVEM E A IGREJA COMPROMISSO COM O REINO Emerson Ernani é Presbítero da IEADJO, 3º Dirigente do Setor 10 – Iririú, Pós-graduado em Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, Graduado em Letras pela Universidade Regional de Blumenau FURB. Professor de Hermenêutica pelo CCOM – Joinville.

O mundo, enquanto conhecido como “Sistemas de coisas”, tem atraído para o campo da indiferença muitos jovens do século XXI de forma “implacável”, muitos deles vivem como zumbis sociais, deixando de lado funções típicas de suas idades, sufocando o que é prioridade em suas vidas e correndo em direção à morte espiritual. No entanto, na primeira epístola de João, no capítulo 2 e versículo 15, o apóstolo adverte-nos acerca do perigo de amarmos esse sistema corrompido, dando a seguinte ordem: “Não ameis o mundo” porque haverá implicações sérias como, por exemplo, a perda da comunhão com o Espírito Santo e, por conseguinte, encontraremos dificuldades para desfrutar do amor do Pai, uma vez que viramos as costas para nossos compromissos principais: com nosso Deus, como nossa família e com nossa Igreja, esses três sendo resumidos em uma só expressão: Reino de Deus. 1. Paralisados pela serpente Quando prosseguimos analisando a Palavra, percebemos alguns riscos desse olhar para o mundo. Vamos notar o apóstolo Paulo dizendo que Demas desamparou-o amando o presente século (2 Tm 4.10). Em outro momento, o terrível fim da esposa de Ló, que estava impregnada com Sodoma e Gomorra (Lc 17.32).

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Se analisarmos ainda Tiago 4.4, entenderemos que a amizade com o mundo tem como consequência inimizade com Deus, ou seja, nenhum compromisso com a Igreja, com a Família e por consequência, com Reino. É perceptível que o amor ao mundo pode parar o jovem, paralisando-o e tornando-o sem comunhão com Deus. 2. Insinuações heréticas – Tal como a serpente Em Gênesis 3.1 lemos: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito.” Tal como a serpente do Éden, nos tempos pós-modernos encontramos o perigo das insinuações heréticas na Igreja. Vários textos bíblicos nos alertam e retratam contra essas ameaças. Em Atos 20.28-30 lemos: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” Tais lobos cruéis podem ser percebidos, verdadeiros inimigos da cruz de Cristo, arrebanhando ovelhas despreparadas para a inevitável condução à morte espiritual. Já no livro de Gálatas 1.6-10, Paulo nos alerta sobre pessoas que experimentam a graça de Deus e, facilmente, abandonam a “fé recebida”, trocando-a por “outro evangelho”: Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.(Gl 1:6-10)

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Todavia, em 2 Pedro 1.1,2 o apóstolo se refere “aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa”. Assim, se somos igreja do Senhor, e somos, essa fé preciosa deve ser vivida e ensinada a todas as pessoas, pois como embaixadores de Cristo, essa é noção orientação central: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28:19) 3. Secularismo – Naquela Igreja tem fumaça de Isopor A palavra secularismo deriva de palavra que significa “profano”, “mundano”, “humanista”, “deste século”. Secular é o oposto do sagrado, religioso, espiritual. Sob a ótica cristã, é a corrupção doutrinária que ignora os princípios espirituais para a igreja, tornando o sagrado fútil e comum. O secularismo deseja destronar a Deus e exaltar o homem, pois, segundo esta filosofia, o homem é a medida de todas as coisas.

Quando uma igreja se torna secular ela começa a desprezar os valores espirituais e a exaltar os humanos, materiais. Há igrejas, cujos santuários e púlpitos transformaram-se em locais de entretenimentos e demonstrações de cultura popular. Nos dias atuais, há situações em que um visitante não sabe mais se está numa igreja ou num clube. A Bíblia, porém, afirma: “Muito fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre” (Sl 93.5). Contra isso tudo é preciso que cada um de nós se consagre mais a Deus, a fim de não se conformar com as coisas da carne, assim como a Palavra nos lembra: “Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; (1 Pe 1.14) Sem zelo pela ética cristã é impossível manter-se em comunhão com Jesus Cristo. Ser um jovem cristão não é apenas pertencer a uma igreja local ou denominação. É ser cidadão dos céus; é viver a ética do reino

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de Deus, conforme estabelece a Bíblia. Portanto, não nos dobremos, antes busquemos a santidade, pois: “Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pe 1:15,16) 4. Soro anti-paralisia : Gerenciamento do tempo Na primeira epístola do apóstolo João, capítulo2 e versículo 14, há uma afirmação que na Juventude está a força por meio da Palavra de Deus. Já quando nos debruçamos sobre os salmos lemos o salmista perguntando: “Como purificará o jovem o seu caminho?” (Sl 119.9). A resposta é certeira: “Observando-o conforme a tua Palavra”; ainda no mesmo Salmo ele conclui: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (v. 11). Quando continuamos a meditar na ques- A Bíblia ensina a agirmos tão do fortalecimento para viver com responsabilidade e o Reino, conscientizamo-nos prudência, buscando em de que: regeneração, libertação, Deus a verdadeira paz, transformação e santificação só podem ser alcanjustiça, gozo e alegria. çadas através da Palavra de Deus. Logo, é possível, sim, o jovem ser comprometido com o Reino de Deus mesmo em meio ao caos social, religioso, familiar e, sobretudo, político. A Bíblia ensina a agirmos com responsabilidade e prudência ( Ef 5.15,16), buscando em Deus a verdadeira paz, justiça, gozo e alegria, “porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). E, para usufruirmos dessa benção preciosa, é preciso que nos dediquemos a Deus se quisermos ter compromisso com Ele, com sua Igreja para entrarmos no seu Reino (Mt 7.21). 5. Jovens com compromisso – Meus heróis nunca morreram de overdose 20


Bons exemplos saltam aos olhos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento: Timóteo, José no Egito, Daniel e seus companheiros na Babilônia, que, embora distantes da família, da sociedade que os criou, do sistema que os orientou e inseridos num sistema pecaminoso e corrompido, não se curvaram, antes, permaneceram fiéis e perseverantes no Reino de Deus. 6. Tens coragem? E anunciavam com ousadia a palavra de Deus. Atos 4:31b Um jovem com verdadeiro compromisso para com a Igreja percebe o mundo virtual em que ele está inserido. Saiba disso: a Internet com suas plataformas sociais pertence aos imbecis. Segundo o site Terra, Umberto Eco, escritor e pensador italiano afirmou que: ““Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”, disse o intelectual. Segundo Eco, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior. “O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, acrescentou.” Acesso em 01 de agosto de 2017 Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/educacao/redes-sociais-deram-voz-a -legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco,6fc187c948a383255d784b70cab16129m6t0RCRD.html Assim, é necessário que cada jovem possa confrontar com a Palavra de Deus, os princípios amorais e antiéticos difundidos através de filmes, peças teatrais, novelas, músicas e revistas tão espalhados e viralizados nas redes sociais, pois ficar calado não deve ser opção. A web tornou-se em pouco tempo vital e essencial em nossas vidas, mas quais são seus valores e crenças? Em um ambiente onde impera o desterritório, o desregramento, geralmente são padrões e crenças anticristãs. A Igreja, é a “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), e o jovem tem como missão, não apenas anunciar o evangelho, mas denunciar os pecados e os valores mundanos dos homens e ensinar e viver os valores do Reino de Deus. Como a Noiva do Cordeiro, temos a obrigação de viver e ensinar os mais elevados princípios éticos e morais do Reino que habitaremos muito em breve, pois a verdadeira mensagem do evangelho 21


D E S A F I O C O M P R O M I S S O I N T E G R I D A D E 22

não se conforma com o relativismo da sociedade pós-moderna, nem aos discursos politicamente corretos, mas sim, aceitamos os elevados padrões da santidade divina. 7. Um grande desafio para o jovem compromissado com a Igreja: permanecer íntegro Ser fiel e santificado a Deus, conforme exige a Bíblia Sagrada, em tempos pós-modernos, é um grande desafio para jovem que se intitula ‘ verdadeiro seguidor de Cristo’, porque os conceitos morais da sociedade hodierna não se baseiam nos valores absolutos das Sagradas Escrituras. Ensina-se, tantos nos bancos escolares, como na rede mundial de computadores que já não existem mais leis e verdades absolutas e universais, por isso é tão importante que o crente não se conforme com o mundanismo, assim como Paulo nos exorta: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2). A weltanschauung, cosmovisão ou “visão de mundo” do cristão, cujo entendimento é renovado pelo Espírito Santo, precisa ser contrária aos quaisquer conceitos materialistas e relativistas e o apóstolo João no adverte: “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.” (1 Jo 5.19). A maneira de o crente ver o mundo deve passar pelo filtro da revelação de Deus que é a sua Palavra. Assim, poderemos experimentar aquela que é “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1,2). 8. Meu GPS não falha – a Bíblia como bússola Para um viver íntegro que verdadeiramente diga não ao relativismo desses últimos dias é necessário que você jovem, descubra e viva a lealdade incondicional a Cristo. Jesus mesmo disse: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” (Mt 12.30) Além disso, a Bíblia afirma várias vezes a importância da fé em nossas vidas. Ela afirma que “... tudo o que não é de fé é pecado” (Rm


14.22,23). Assim, fica evidente que não precisamos recorrer a padrões pós-modernos para posicionar-mo-nos quanto aos nossos atos e palavras. Paulo mesmo nos ensina: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” (1 Cor 6,12) Esse critério orienta o você a não praticar as coisas apenas porque são lícitas; além de lícitas, elas devem estar em absoluta conformidade com o referencial ético da Palavra de Deus. Portanto, com o a intenção evidente de vencermos o relativismo pós-moderno, o jovem precisa, antes de tudo, dedicar-se mais à oração, a fim de saber usar as armas que Deus tem colocado à sua disposição e assim estar apto a proclamar as verdades absolutas e universais de Deus. 9. A Geração Z e O Retorno do Paganismo Nas redes sociais, nas Universidades, no meio acadêmico em geral fala-se abertamente sobre “A Nova Era” ou a “Era de Aquário” e seus seguidores parecem sempre como pessoas de bem, felizes e que estão na moda. Em todo lugar, há milhões de profissionais e pessoas influentes que estão de alguma forma, ligados à prática e aos ensinamentos da Nova Era, por meio de jogos eletrônicos, sites, livros, DVDs, televisão. O paganismo impregnou o mundo de tal maneira que muitos não percebem sua atuação avassaladora como, por exemplo, na indústria do cinema em Hollywood onde o ocultismo e o espiritismo têm tomado conta de inúmeras produções. Filmes como Harry Potter, têm feito sucesso nos cinemas do mundo inteiro. George Lucas, diretor do filme Guerra nas Estrelas, declara que o cinema e a televisão suplantaram a igreja como grandes comunicadores de valores e crença. A Palavra de Deus nos adverte:

“Não porei coisas má diante dos meus olhos...” (Sl 101.3). Uma maneira adequada de ensinarmos outros jovens e muitos adultos na igreja a discernirem corretamente entre o bem e o mal é dispor a eles materiais e informações adequadas que ensinem os preceitos divinos

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assim como o livro de Provérbios afirma: Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.(Pv 22.6) Há também os jogos eletrônicos e os Youtubers. Se em outros tempos, nós, os mais velhos, tínhamos nossos desenhos e programas preferidos, hoje a geração Z tem outros ídolos. Você que é dessa geração é conhecido pelo seu mundo tecnológico e virtual. “Para eles é impossível imaginar um mundo sem internet, telefones celulares, computadores, iPods, videogames com gráficos exuberantes, televisores e vídeos em alta definição e cada vez mais novidades neste ramo. Sua vida é regada a muita informação, pois tudo que acontece é noticiado em tempo real e muitas vezes esse volume imenso acaba se tornando obsoleto em pouco tempo. Se a vida no virtual é fácil e bem desenvolvida, muitas vezes a vida no real é prejudicada pelo não desenvolvimento de habilidades em relacionamentos interpessoais. Vive-se virtualmente aquilo que a realidade não permite. Talvez daí venha o fascínio dos jovens por jogos fantasiosos onde estes podem ser o que quiserem, sem censura ou reprimenda.” Fonte: O que é a Geração Z. Revista Tecmundo. https://www.tecmundo.com.br/curiosidade/2391-o-que-e-a-geracao-z-.htm. Acesso em 28 de julho de 2017. Assim, percebemos que os valores promovidos atualmente, com pretexto de cultura avançada, sem supostos preconceitos, nada têm a ver com os princípios da fé cristã. Na verdade, doutrina-se a pessoa para o egoísmo, a cobiça, a vingança, a luxúria, o orgulho, etc. Tudo isso, deixando claramente o ensinamento bíblico da busca do fruto do Espírito. (Gl 5.22). 10. Free Fire é fraco - Combatendo o bom combate – A luta na Capadócia ainda não terminou Assim como os pais capadócios foram fundamentais no terceiro e quarto séculos da Era Cristã, essa mesma defesa da fé que “uma vez foi dada aos santos” (Jd v.3) a defesa da fé deve ser também nossa luta na pósmodernidade. Assim como o Espírito Santo operou poderosamente para que Basilio de Cesareia lutasse para mostrar que há uma só substância e três distinções pessoais, afirmando a existência do Deus Pai, do Deus Filho e do Deus Espírito Santo; assim como Gregório de Nisa atacou a 24


crença triteísta, provando que há um só Deus, também devemos nós lutar pelo que cremos. Esses apologistas que garantiram a vitória da Igreja em meio às ferozes perseguições do Império Romano utilizaram de fortes e seguros argumentos baseados nas Escrituras. Olson, 2001 apresenta essas questões e esclarece que o tema da Trindade era algo sério também para o cristão comum e que ele importava-se e debatia com os outros. Segundo o autor: “Um dos pais capadócios, Gregório de Nisa, escreveu que, em Constantinopla, na época do segundo concílio ecumênico, ‘se gente pedir um trocado, alguém irá filosofar sobre o Gerado e Não-Gerado. Se perguntar o preço do pão, dirão: O Pai é maior e o Filho é inferior. Se perguntar: o banho está pronto?, dirão: o Filho foi criado do nada.” Agora, a Igreja do Senhor também precisa de jovens que se dediquem ao confronto de todo tipo de heresias, embora pareçam muitas vezes tais heresias travestidas de modernização e novos costumes. O apóstolo Pedro, em seu tempo, também precisou lutar contra isso e avisou à igreja:

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição que se infiltram sorrateiramente no meio do povo de Deus (2 Pe 2.1). Escrevendo aos irmãos de Roma, Paulo os conclama a combaterem contra os inimigos da cruz de Cristo pelo não conformismo contra o pecado, posicionamento típico de quem procede da luz e não tem parte com as trevas: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2). No Antigo Testamento, o profeta Elias chegou a crer que estava sozinho em seu combate quando perseguido por Jezabel. Ele não imaginava que havia outros sete mil fiéis tão ou mais corajosos quanto ele (1 Rs 19.8-18). 25


Assim como afirmou Palmer, 2001 “A cultura da Babilônia acentuava a beleza, a excelência, a inovação, a vaidade e a intemperança. Facilmente poderia ter seduzido um jovem religioso que caísse em seu regaço de luxúria. Contudo, Daniel criou uma contracultura consistente, que transcendeu a opulência babilônica. Num país de paganismo subjugante e atraente, o jovem israelita recusou firmemente a comida e os favores reais. Sua recusa era algo mais que o ascetismo de um purista. Era uma afirmação clara sobre coisas que realmente importavam - sua fé e herança hebraica”. Portanto, é imperioso que a Igreja de Cristo se mantenha vigilante e pronta a responder as heresias que contestam as verdades fundamentais da fé cristã. Hannecraaff, em sua obra intitulada “A armadura espiritual” , 2005, p.120-1 alerta-nos para a importância do ato de vigiar em tempos de modernidade líquida: “A palavra vigiar tomou um novo significado após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Enquanto a América dormitava, as forças do terrorismo enviaram mísseis flamejantes à sua alma. É exatamente assim que trabalha o Terrorista maioral. Portanto, ‘tendo isto em mente, devemos vigiar com toda perseverança e súplica por todos os santos’ (Ef 6.18). Igualmente, Pedro adverte-nos: ‘Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé’ (1 Pe 5.8,9)”. 11. O desafio do jovem na Igreja – Resistir em tempos trabalhosos As escrituras sagradas a cada dia são cumpridas através do evangelho da cruz, com o desafio a cada um de nós de sofrermos por Cristo. Paulo mesmo assegurou aos crentes de Filipos: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, (Fp 1.29)”; São muitos os desafios nessa última hora tanto para você que é jovem, quanto para cada um dos crentes de sua igreja: desafio de renunciar ao pecado “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.”(Rm 26


8.13), o desafio de sacrificar-se pelo Reino de Deus e de renunciar ao nosso próprio ego, pois o 13º apóstolo assegurou ao seu filho na fé, Timóteo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.(2 Tm 3.1-5). A Bíblia é clara ao afirmar que, nos dias anteriores a manifestação do Anticristo, ocorrerá uma terrível avalanche de apostasias: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” (2 Ts 2.3,4). Que o Deus da Paz, da Esperança e da Misericórdia habite em você e que a dependência seja apenas D’Ele. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Artigo: O que é a Geração Z. Revista Tecmundo. Acesso em 28 de julho de 2017. Em https://www.tecmundo.com.br/curiosidade/2391-o-que-e-a-geracao-z-.htm. Artigo: Redes Sociais deram voz à legião de imbecis, diz Umberto Eco Acesso em 01 de agosto de 2017. Em: https://www.terra.com.br/noticias/educacao/redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis-diz-umberto-eco,6fc187c948a383255d784b70cab16129m6t0RCRD.html _________. Bíblia Sagrada, Edição Revista e Corrigida, Sociedade Bíblica do Brasil, 1995. HANNECRAAFF, H. A armadura espiritual. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. PALMER, M. D. Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. OLSON, R. E. História da teologia cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Vida Nova, 2001. 27


DISCIPULADO COM UNIVERSITÁRIOS E MINISTÉRIO ESTUDANTIL Richard Zevenbergen é Pastor da IEADJO, responsável pelos cultos em inglês na Igreja Sede e 2º Dirigente do Setor 7 (Vila Nova). Diretor da Escola de Missão Transcultural da Missões Siloé - IEADJO. Líder Nacional do Ministério Estudantil Chi Alpha Brasil (XA). Doutor em teologia pela VU Vrije Universiteit Amsterdam. Mestrado em filosofia pela mesma universidade.

1 MINISTÉRIO ESTUDANTIL É IMPORTANTE! Nós vivemos na era da meritocracia. Meritocracia é uma sociedade onde o sucesso na vida é alcançado através de: Inteligência. Conhecimento/Graduação e Resultados. Sem conhecimento/graduação é impossível obter uma vida bem sucedida na moderna sociedade que é baseada na meritocracia. Os governos ao redor do mundo sabem disso e investem grandes somas de dinheiro em educação, para criar uma sociedade próspera. Os pais sabem disso e é por isso que a maioria deles quer que seus filhos estudem, para que então os filhos tenham uma vida melhor que a que seus pais tiveram. Estudantes sabem disso, que o único caminho (na maioria das vezes) possível na vida para ter dinheiro e poder é através de uma graduação. Mais pessoas todos os dias estão indo para as faculdades, mais do que nunca e as perspectivas são de que este número está crescendo rapidamente.

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O ministério estudantil é importante porque os estudantes em sua maioria não são alcançados pelos ministérios convencionais de jovens. Os estudantes em universidades estaduais e federais estão, em sua maioria, em tempo integral no campus universitário de segunda a sexta, não há tempo ou oportunidade para ir à igreja durante a semana exceto nos finais de semana. Estudantes de universidades privadas estão, na grande maioria, trabalhando durante o dia, de manhã e a tarde para pagar a faculdade, a noite eles estão na universidade e não há possibilidade de ir para a igreja durante os dias da semana exceto nos finais de semana. Os estudantes podem não ter a possibilidade de ir à igreja, mas a igreja pode ir a eles nas universidades através do ministério estudantil Chi Alpha (XA). • OS VALORES FUNDAMENTAIS DO XA – MINISTÉRIO ESTUDANTIL CHI ALPHA O Chi Alpha tem quarto valores fundamentais. Nós cremos que cada estudante tem quatro chamados de Deus para a sua vida. Os quatro chamados são: Todo estudante é chamado por Deus para ser um Mordomo (administrador) de sua vida, para ser um Discípulo de Cristo, para ser um Embaixador e para ser um Missionário. 2.1 Deus chama cada estudante para ser um MORDOMO O que significa ser chamado por Deus para ser um mordomo de sua vida? Pergunte para qualquer estudante por que ele está estudando e a maioria deles responderá, em outras palavras, que eles estão estudando para alcançar uma vida saudável, segurança social e uma posição na sociedade. A Bíblia nos ensina algo diferente a ser almejado para nossas vidas. Em Mateus 6.19 nós devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e então a saúde, a segurança e as posições na sociedade necessárias a nós, nos serão dadas. Romanos 11.36 ensina-nos que tudo no universo é feito em Deus, por Deus e para Deus. A vida de todo estudante, é feita em Deus, por Deus e precisa servir a Deus.

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Fazer por Deus, pertencendo a Deus e devendo servir a Deus é o que chamamos de Mordomia. Jesus explica este princípio de ser um mordomo de nossas vidas de forma bem clara na parábola dos talentos (Mateus 25:15-30). O versículo chave desta parábola é Mateus 25:29. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. O que nós estamos fazendo com o que Deus tem dado a nós? Estamos produzindo fruto para o reino de Deus ou não estamos fazendo o que Deus espera que façamos em Seu reino? Nós seremos recompensados de acordo com o que fizermos. E quanto ao estudante que recebeu de Deus o presente de poder estudar em uma faculdade? O que ele ou ela está fazendo com este grande privilégio e oportunidade que Deus tem lhe dado? Nós conclamamos os estudantes para que assumam a sua posição de mordomos do curso universitário que estão cursando. 2.2 Deus chama cada estudante para ser um DISCÍPULO Três importantes fatos sobre universidades: 1 A universidade é um lugar onde os estudantes dominam; 2 Os estudantes são os futuros líderes da sociedade; 3 A maioria dos estudantes vai passar de 4 a 6 anos na universidade. Estes três fatos têm grande impacto no ministério estudantil, assim: 1 Ministério estudantil precisa ser feito por estudantes;

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2 O principal foco do ministério estudantil precisa ser o treinamento de estudantes para que sejam os futuros líderes na sociedade;


3 Ministério estudantil é um grupo permanente mas que de uma forma contínua e natural sofre a mudança, a rotatividade de seus membros. Todos os estudantes membros de um ministério estudantil têm um período de participação no grupo por apenas alguns anos (2 a 4 anos em média). Colocando estes três fatos juntos você chega à conclusão de que o ministério estudantil apenas é estabelecido quando se funda em um forte processo de discipulado. O coração do ministério estudantil chama-se DISCIPULADO, e todo estudante tem um chamado para ser DISCÍPULO de Cristo. Os próprios estudantes precisam ser os líderes do ministério estudantil no campus por causa de um único fato: Eles precisam treinar para serem líderes cristãos. Nossa definição de um líder cristão é: “Um discípulo de Jesus Cristo que gera outros discípulos de Jesus Cristo” Ser um discípulo que gera discípulos. A chave bíblica para este princípio está em 2 Timóteo 2.2. Quando os estudantes se tornam líderes dentro ministério estudantil, e eles são discípulos que geram e discipulam novos discípulos, nós temos um ministério estudantil saudável. 2.3 Deus chama cada estudante para ser um EMBAIXADOR Dois importantes fatos sobre o ministério estudantil: 1 A universidade não é nossa propriedade. Ali estamos em terreno alheio. 2 A igreja é o corpo de Jesus Cristo na Terra. O Chi Alpha (XA) não tem o fim de iniciar uma nova igreja mas sim de trabalhar juntamente com a igreja local para estabelecer um trabalho da igreja local no solo universitário. O Chi Alpha (XA) quer estabelecer uma embaixada do Reino de Deus no solo universitário. Uma embaixada é o território soberano de um país no solo de outro país. Deus chama a cada estudante para ser um embaixador do Seu Reino. 2 Co. 5.16-21. O ministério estudantil Chi Alpha (XA) estabele31


ce o reino de Deus no campus universitário onde os estudantes cristãos exercem seu chamado para serem embaixadores de Jesus Cristo. Como embaixadores de Jesus Cristo no campus universitário nós ensinamos os estudantes a estarem envolvidos nas seis frentes de atividades do ministério estudantil Chi Alpha (XA) que são as mesmas em todo o mundo: a) Adoração: Organiza um culto semanal no campus universitário b) Discipulado: Organiza um programa de discipulado em pequenos grupos 3 Oração: Organiza reuniões de oração periódicas no campus universitário c) Comunhão: Organiza confraternizações para que os estudantes sejam uma família d) Evangelismo: Organiza eventos especiais para alcançar o campus para Cristo e) Missão: Mobiliza os estudantes para que estejam envolvidos na missão. Todo estudante ORA por missões (adotar um missionário em oração) Todo estudante DOA para missões (doação mensal para missões) Todo estudante VAI para missões (realiza viagens missionárias) • Deus chama cada estudante para ser um MISSIONÁRIO A sociedade deste mundo moderno está expandindo cada vez mais e mais. A cada dia novas áreas são desenvolvidas e a sociedade se torna cada vez mais complexa. A igreja local tradicional está a cada dia mais perdendo espaço e influência na sociedade, porque ela não está alcançando todas as novas áreas da sociedade moderna. As áreas da sociedade são: • • • • 32

Governo Saúde Educação Indústria

• Negócios • Mídia • Lazer


A abordagem tradicional da igreja não tem acesso a essas novas áreas da sociedade. A sociedade está ficando cada vez mais secular e estas áreas estão excluindo a abordagem tradicional da igreja de seu território. Essas novas áreas precisam todos os dias de nova força de trabalho profissional para trabalhar nessas áreas e procuram essa força de trabalho nos estudantes diplomados pelas universidades. Treinamos nossos estudantes do ministério Chi Alpha para serem missionários para trabalhar como profissionais nessas áreas, mas ao mesmo tempo sendo líderes cristãos que como missionários vão colocar em prática o que aprenderam no ministério estudantil Chi Alpha (XA).

Todo estudante é chamado a ser um

MISSIONÁRIO no moderno mercado de trabalho e no mundo, onde quer que Deus o enviar.

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CApacitaçaõ jovens  
CApacitaçaõ jovens  
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