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Aluno

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DEPARTAMENTO DE CASAIS

“Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe.” Mateus 19:6

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© Todos os direitos reservados para: IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS DE JOINVILLE Departamento de Evangelismo e Discipulado Discipulado para o Brasil Rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira, 973 – Bucarein CEP 89.202-165 - Joinville - Santa Catarina - Brasil Fone: +55 (47) 3026-4093 E-mail: discipuladojoinville@hotmail.com Site: www.discipuladojoinville.com.br Não é permitida a reprodução total ou parcial, sem autorização por escrito do(s) autor(es).

FICHA TÉCNICA Edição: Departamento de Evangelismo e Discipulado Autores: Mauro Bittencourt (lições 01 a 09 e 12) Sergio Melfior e Joary Jossué Carlesso (org.) (lição 10) Marco Aurélio Bittencourt de Oliveira (lição 11) Luis Rogério Graviesky e Raquel Graviesky (lição 13) Organizador: Joary Jossué Carlesso Revisão: Karen Maria Camacho Emerson Ernani Ilustração: Paulo Sergio Jindelt Editoração: Adilson Carlin Impressão: Sarah Gráfica e Editora Ltda. Tiragem: 3000 exemplares - 2ª edição, 2018, Joinville/SC. COORDENAÇÃO GERAL DO DEPARTAMENTO DE DISCIPULADO Pastor Presidente: Pr. Rober to Ohlweiler Coordenador Geral: Ev. Josué de Andrade 2º Coordenador: 3º Coordenador: 4º Coordenador:

COORDENAÇÃO GERAL DO DEPARTAMENTO DE CASAIS ÁGAPE Coordenadores Gerais: 2ºs Coordenadores: Secretários: Tesoureiros: Relações Públicas:


APRESENTAÇÃO É com imensa alegria que me dirijo à Igreja do Senhor e ao público em geral para apresentar a nossa nova revista “Discipulado Família Cristã”, produzida pelo Departamento de Discipulado da IEADJO com apoio do Departamento de Casais Ágape. Era um projeto que estava em meu coração já há algum tempo, publicarmos uma revista de discipulado totalmente voltada à família, principalmente para ajudar os casais em seu relacionamento conjugal. Depois de orarmos a Deus nesse sentido e conversar com o pastor Joary Jossué Carlesso, coordenador do Departamento de Discipulado, e com o pastor Eliseu Melfior, vice-presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no campo de Joinville/SC, buscamos o auxílio de alguns pastores para elaborarem as lições para compor este manual. Junto comigo e com o pastor Joary, os pastores Mauro Bittencourt, Marco Aurélio Bittencourt de Oliveira, Luís Rogério Graviesky e esposa Dra. Raquel Graviesky, escreveram os assuntos que entendemos serem os mais relevantes para o aperfeiçoamento das famílias nos dias atuais. E atendendo a inúmeros pedidos de irmãos do Brasil e do exterior, tivemos também como objetivo, publicar este material como uma continuidade da nossa lição “Conhecendo o Amor de Deus”, que já ultrapassou a marca de 300.000 exemplares distribuídos em português, espanhol e crioulo (haitiano). A revista “Discipulado Família Cristã” aborda temas bem específicos, apresentando o projeto de Deus para uma família cristã saudável, conforme o ensino da Bíblia Sagrada. A intenção da Igreja é ajudar no equilíbrio moral e espiritual das famílias, que na atualidade estão sendo duramente atacadas por teóricos e ativistas, que buscam descosntruir a ideia da família, sem temor de Deus, através dos meios de comunicação de massa, das redes sociais, das “artes” e até mesmo dos currículos escolares. Porém, Igreja é “a coluna e firmeza da verdade” (1 Timóteo 3:15), e não vai se calar diante das afrontas à família. Esta revista busca reafirmar a verdade de Deus para contrapor as ideologias anticristãs, a perversidade moral e sexual e a promoção aberta do pecado, mascaradas como “liberdade de expressão”, que temos visto diariamente em nossa sociedade. Todos estes ataques nada mais são do que 5


o cumprimento da Palavra de Deus: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Timóteo 4:1-2). Na presente lição “Discipulado Família Cristã” não tivemos o objetivo de esgotar o assunto “casamento e família”. Pelo contrário, buscamos apresentar uma base bíblica para as famílias se aprofundarem no conhecimento da Palavra de Deus, que é a fonte inesgotável de sabedoria para o relacionamento conjugal. As treze lições deste manual contém fundamentos sólidos que poderão ser estudados nos encontros de discipulado ou mesmo em casa, em família. Confiamos que Deus usará cada casal e cada discipulador como um instrumento na aplicação desta ferramenta, nos grupos de Discipulado nos lares e nos encontros dos grupos de casais nos templos. Esperamos que você e sua família cresçam “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18). Nosso desejo e oração é que o Senhor derrame Sua graça e sabedoria, para que todos sejam usados pelo Mestre na edificação da obra-prima do Plano de Deus depois da salvação: a família cristã!

Em Cristo, Pr. Sérgio Melfior

Pastor Presidente da IEADJO 1º Vice-Presidente da CIADESCP Presidente do Conselho de Missões da CGADB

Família Melfior

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SUMÁRIO 1. DEUS, CASAMENTO E FAMÍLIA A família no plano de Deus ................................................................. 08 2. UNIÃO NO CASAMENTO Formando um novo lar ........................................................................ 16 3. ALIANÇA NO CASAMENTO Um pacto para toda a vida ................................................................... 22 4. O PAPEL DO MARIDO Um líder amoroso.................................................................................. 28 5. O PAPEL DA MULHER Uma auxiliadora virtuosa..................................................................... 32 6. FILHOS, BÊNÇÃOS DE DEUS Uma herança divina. ............................................................................. 40 7. O RELACIONAMENTO FAMILIAR Enfrentando os conflitos à luz da Bíblia............................................. 46 8. ORANDO EM FAMÍLIA A comunicação coletiva com Deus ..................................................... 52 9. AS PROMESSAS DE DEUS PARA A FAMÍLIA CRISTÃ Desfrutando as bênçãos de Deus ....................................................... 58 10. DÍZIMOS E OFERTAS Obediência e fé através da mordomia cristã ................................... 64 11. A FAMÍLIA E SUAS FINANÇAS Administrando os recursos financeiros à luz da bíblia .................. 72 12. O DISCIPULADO NO LAR Vivendo e transferindo os valores cristãos ...................................... 78 13. IDE, FAZEI DISCÍPULOS A família cristã ganhando e discipulando ....................................... 84 7


1 DEUS, CASAMENTO E FAMÍLIA A família no plano de Deus A crise das instituições

Na atualidade as instituições estão em crises. A família e a igreja também recebem afrontas diariamente. A família padece com o aumento de divórcios, separações, abandono de crianças, violências, entre outras causas. Quanto à igreja, esta vem sofrendo com o crescente número de novas denominações e também do descrédito na mensagem que a igreja prega “a Bíblia”; pois alguns creem que ela não passa de um livro antigo e vencido. Com isso, o número de famílias arruinadas está aumentando, pois a Bíblia é o manual para uma família estruturada e a igreja, o local onde as pessoas crescem na graça e no conhecimento e também em comunhão. 8


A Bíblia é a única resposta para os problemas da sociedade. A igreja é a portadora desta mensagem. O que a Bíblia tem a falar sobre Deus, casamento e família? Deus e o casamento Por que Deus tem interesse no casamento? A resposta é muito simples, pois Ele é o Supremo Criador. Criou o Universo, e não somente o universo, mas também todas as demais coisas. Inclusive, o ser humano e o casamento: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:26-27). O plano de Deus para o casamento é apresentado desde o início “Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie lhe corresponda” (Gn 2:18). O que é o casamento? Instituição Sagrada O casamento é uma instituição divina, criada por Deus, antes mesmo da queda humana no pecado. Por esta razão Deus declarou que era muito bom (Gn 1:31). Modelo a ser seguido Por que o casamento instituído por Deus deve ser considerado o modelo para os dias atuais? Em toda a obra divina o Senhor confirma seu trabalho com a expressão: e viu Deus que era bom” (Gn 1:4; 10; 12; 18; 21; 25). No entanto, quando Deus percebeu a solidão do homem declarou que isso não era bom “Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn 2:18). Deste modo percebemos que o plano de Deus para o homem é viver o relacionamento. No Antigo Testamento Deus criou o casamento e no Novo Testamento Jesus confirma o casamento como atual em seus dias. Em suas palavras estabeleceu como fundamento desta instituição as mesmas palavras encontradas em Gênesis. Confira o texto de Mateus 19:3-9. Casamento – Conceitos É importante para a sequência deste estudo, apresentar alguns conceitos sobre casamento: 9


“O casamento é a união de um homem com uma mulher, que os liga moral e legalmente por toda a vida, e exclui o relacionamento íntimo com qualquer outra pessoa”. 1 “Casamento é o compromisso de um com o outro e, ambos com os princípios de Deus que promovem a estabilidade e a segurança da família” “O Casamento não é a união de duas pessoas perfeitas e infalíveis, mas de dois seres humanos que estão se aperfeiçoando e amadurecendo na arte de se doar” 12 3

De acordo com estes conceitos podemos destacar alguns princípios que alistamos no próximo quadro: Princípios para um casamento bíblico:

MONOGAMIA

Um Homem e uma Mulher (Gn 1:27; 2:22; Mt 19:4). Antigo e Novo Testamento ensina que Deus criou homem e mulher. Não é um homem e duas mulheres, nem ainda duas mulheres e um homem.

HETEROSSEXUALIDADE

Não são dois homens, nem ainda duas mulheres, ou quaisquer outras combinações (Mt 19:5).

COMPANHEIRISMO

Deus percebeu a solidão do homem, e por isso, criou uma companheira que lhe correspondesse (Gn 2:18, 20 parte final).

DURABILIDADE

O casamento no plano divino deve ser indissolúvel (Gn 2:24, Mt 19:6). Deus não projetou o divórcio. Este é consequência da queda.

FIDELIDADE

Mais do que indissolúvel deve haver fidelidade, confiança, lealdade, perseverança e sinceridade (Mt 19:6). Nada poderia separar o que Deus uniu (1 Cor. 7:2).

1 Jackson, 1980 2 Phyllys, 2012 3 Phyllys, 2012

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FERTILIDADE

IGUALDADE

A família é o resultado natural do casamento. Pai, mãe e filhos são a garantia da sobrevivência de qualquer sociedade. Deus disse: “Sejam férteis e multipliquemse” (Gn 1:28). O fato de homens e mulheres terem sido criados à imagem e semelhança de seu Criador lhes confere valor, dignidade e importância inestimáveis.

Casamento, a base para a sociedade O casamento é o passo inicial para estabelecer uma relação sólida entre um homem e uma mulher. Casais que se amam desejam laços duradouros. Seu objetivo é constituir uma família, e a família é a base para a sociedade. Certo pastor afirmou que, “depois da salvação, um lar feliz é a melhor coisa do mundo”. 4 Esse pensamento pode ser reafirmado na famosa frase de Rui Barbosa: “A família é a célula mater da sociedade”. Deus e a família ‘‘Criou Deus o homem à sua imagem [...] Deus os abençoou e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se” (Gn 1:27, 28).

A vida em família é primeiramente uma bênção de Deus. A Bíblia afirma que depois de haver criado homem e mulher, os abençoou. A família é, sem dúvida, uma bênção para todo ser humano. Na família, homem e mulher se realizam. Pais e filhos encontram abrigo, companhia, alegria, felicidade e proteção. O que é a família? Família, basicamente, é um grupo de pessoas relacionadas entre si por laços de parentescos de matrimônio, como pais e filhos, que vivem juntos em uma mesma residência. 5 4 Woodward, 2012 5 Champlim, 2001

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Perceba que Deus criou um ambiente perfeito para a família “um jardim” (Gn 2:8). Atualmente não vivemos em um jardim, mas semelhante ao primeiro casal, todos desejam ter o seu lugar especial: “o lar”. O lar é o lugar onde a família reside. Uma família abençoada O Salmo 127 é um manual de instrução para edificação, proteção, providência e permanência da família. Para que nossa família ou casa seja abençoada devemos: Receber Deus como “Construtor” da nossa casa, nosso lar. Sl 127:1 Receber Deus como “Protetor” do nosso lar.

Sl 127:1 b

Receber Deus como “Provedor” daquilo que necessitamos. Sl 127:2 Receber Deus como “Doador” de filhos para os casais, pois Sl 127;3 são bênçãos que Ele nos concede. Temer ao Senhor e andar nos seus caminhos.

Sl 128:1

Benefícios de temer ao Senhor: Felicidade – Como é feliz quem teme o Senhor.

Sl 128:1

Prosperidade – Comerá do fruto do seu trabalho e Sl 128:2 prosperará. Fertilidade – Sua mulher será como videira frutífera.

Sl 128:3

Unidade Familiar – Os seus filhos serão como brotos da Sl 128:3 b oliveira. Longevidade – Viverá por muito tempo.

Sl 128:6

Um Lar estruturado Como posso ter um lar feliz? Um lar não precisa ser rico ou luxuoso para ter felicidade e paz. O relacionamento no lar é o que mais importa. São dois tipos de relacionamentos fundamentais para cultivar um lar feliz. O primeiro é cultivar a presença de Deus. O segundo é receber o padrão de relacionamento por Deus para os membros da família. 12


Relacionamento pessoal com Relacionamento pessoal Deus membros da família

com

Ame ao Senhor seu Deus (Mt Todos devem amar uns aos outros 22.36:37) e busque-o (Is:55;6). (Mt 22:38,39) Estude a Bíblia diariamente (Mt Marido x Esposa 4:4; Sl 1.2; Sl 119.1). incondicional (Ef 5:25).

Amor

Ore constantemente (1 Tm Esposa x Marido – Ajudadora (Gn 2.1,2,8; Jr 33:3). 2:18), Submissa (Ef 5:22). Seja fiel ao Senhor (Sl101.6).

Pais x Filhos – Instrutores (Dt:6.6-9).

Filhos x Pais – Obedientes (Ef 6:1) e abençoados (Ef 6:2).

A obediência guiará cada membro da família a relacionar-se corretamente com Deus e seu familiar.

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Cite duas causas que afetam consequências.

o casamento e quais são suas

2. O casamento é uma instituição sagrada? Justifique.

3. Cite um conceito de casamento.

4. Quais são os sete elementos que constituem o ideal de Deus para o casamento?

5. O que é fundamental para um lar estruturado?

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ANOTAÇÕES

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2 UNIÃO NO CASAMENTO Formando um novo lar Como é formada uma nova família? Naturalmente é a união de um homem e uma mulher. Duas pessoas educadas em famílias diferentes, com hábitos e tradições distintas se unem através do casamento. Porém, a união não se restringe apenas ao casal, ela é mais ampla, pois atinge a família. A Palavra de Deus nos ensinará como podemos formar um novo lar:

“Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24). 16


Deixar Para a formação de um novo lar é imprescindível que os noivos se desliguem de seus pais. Todavia, este “desligar ou deixar,” não é abandonar a família. O planejamento divino não é romper os vínculos afetivos entre os familiares, antes, é mostrar que todo lar precisa ter autonomia. Será necessário, ao casal, renunciar a vida de solteiro. Deixar para unir é primeiramente funcional, ou seja, implica em mudança de função. Assim, cabe ao jovem deixar a função de filho e assumir a função de marido. Do mesmo modo, a jovem, deixará de ser filha e passará a ser esposa. É praticamente impossível um jovem dedicar-se à mãe e à esposa e agradar ambas. Uma delas será infeliz. Portanto, as visitas vindas da antiga família serão suficientes. Em segundo lugar, “deixar” possui três aspectos importantes: emocional, geográfico e financeiro. Veja no quadro a seguir, cada um 6 deles.

Deixar emocional

Deixar geográfico

Antes do casamento o homem e a mulher têm seus laços mais íntimos de relacionamentos com os pais, e a eles devem maior obrigação. Os novos laços, e a obrigação que acarreta, ultrapassam os velhos laços. O dever filial não cessa agora, porém, o relacionamento mais íntimo e o mais alto dever de lealdade, é o que passa a existir entre os cônjuges, e qualquer tentativa dos pais de interpor-se entre ambos só fará arruinar esse relacionamento. Somente estarão aptos a unirse, se estiverem prontos para renunciar aos direitos paternos. É muito útil observar que Deus, ao criar a primeira família, pensou antes onde eles iriam morar. A razão de plantar um jardim demonstra que todo casal necessita do seu espaço para gerir sua vida. Ali serão responsáveis por suas ações. 6

6 Foulkes, 2006

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Deixar Financeiro

Todo empreendimento necessita ser custeado. E, não raras vezes, esta tem sido a causa das primeiras discussões, até mesmo antes do casamento. Porém, o casal deve prover seu próprio sustento. Vale também dizer que não é aconselhável recorrer à família toda vez que passar dificuldades. As dificuldades são parte do casamento, cabe ao casal, esforçar-se para comprar menos e adquirir somente o necessário. Aos pais que bancam tudo para o filho ou filha no casamento, restará a sensação de opinar em tudo. Assim, dificilmente terão autonomia no casamento.

Quantos projetos não alcançaram o sucesso pretendido pela razão da pessoa envolvida não conseguir se desprender do antigo. Deixar o antigo para lançar-se no novo é a primeira e grande garantia de sucesso. Unindo-se “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24).

Atualmente, as propostas de uniões conjugais, não representam o ideal divino. Diz-se que o momento é de viver o “amor livre”. Como podemos amar sem criar vínculos? Sem o compromisso e cumplicidade, não há amor. Mas, afinal, o que caracteriza a união entre homem e mulher no casamento? Quem nos ajuda neste critério é o ensinamento do pastor Jayme Kemp 7 que define “unir, como cimentar”. Em outras palavras é uma pessoa estar colada à outra. E, portanto, estão mais perto uma da outra que qualquer outra coisa. Quando o casal tem uma relação cimentada é semelhante a duas folhas de papel coladas uma à outra, de modo que, é impossível separá-las. Muitos casamentos já foram realizados, mas estão cimentados? Um casal verdadeiramente unido deve estar conectado em unidade espiritual, unidade mental ou psicológica e física. 8 7 Kemp, 1986 8 Melhado, 1995

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Unidade espiritual

Unidade emocional

Unidade física

No nível espiritual, o ser humano busca um sentido para a vida e isso pode ser construído com outra pessoa. “Nesse nível, está a concepção do próprio casamento, a comunhão com Deus e com os outros”. Note que homem e mulher necessitam de unidade com Deus e com o cônjuge. A partilha de pensamentos, experiências e emoções, mesmo havendo diferenças, fazem parte da busca pela unidade psicológica. O casal deve compartilhar tudo, estar interessado pelas mesmas coisas e ter os mesmos alvos. O verdadeiro casal é aquele que tem dois corpos e uma só mente. A unidade física, que gera novas vidas, está ligada à paixão e ao amor. Deus os abençoou, e lhes disse: “sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! ‘‘(Gn 1:28 b)”. O plano de Deus verificado no primeiro casal era que tivessem filhos. O salmista diz: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá ‘‘(Sl 127:3)”. Os casais que não conseguem gerar filhos devem buscar toda a ajuda possível na medicina.

Uma só carne “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne ” (Gn 2:24).

A unidade física é consumada com o ato sexual (Gn 4:1). Com isso também se consuma o casamento. Visto que, o casamento atualmente se realiza em três fases. O casamento civil, casamento religioso e o casamento na cama. Parece estranho a primeira vista, mas é o que acontece na prática diária. É interessante ressaltar que, somente um homem e uma mulher podem consumar esta ordem divina, o casamento. Lembremos que, o casamento conforme a vontade de Deus é, primeiro, monogâmico, depois, heterossexual. Não devemos nos esquecer do aconselhamento bíblico consoante ao ato sexual fora do casamento “Mas o homem que comete adultério não tem juízo; todo aquele que assim procede a si mesmo se destrói” (Pv 6:32). 19


Já dissemos que, na atualidade, se prezam muito os relacionamentos sem um compromisso formal. Todavia, o comprometimento diante do Estado, família e igreja é fundamental. De acordo com o pastor Jayme Kemp9 casamos no cartório para cumprir a lei. Casamos na igreja, perante o povo, para invocar as bênçãos de Deus e para dar testemunho público dos votos feitos. Casamos na cama através do ato conjugal. Esta é a razão porque um jovem não deve ter relações sexuais antes do casamento; visto que é um compromisso que somente poderá acontecer a quem, primeiramente, consegue “deixar”, depois, “unir”. União de famílias Unir a família é um grande desafio para o novo casal. Não raras vezes um dos cônjuges não aceita a família do outro. Na Bíblia encontramos uma linda história de união entre famílias. O exemplo de Rute é inspirador: “Rute, porém, respondeu: Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti!” (Rt. 1:16-17). Esta mulher foi tremendamente abençoada por não abandonar sua sogra após a morte dos maridos de ambas.

9 Kemp 1986

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. O que significa “deixar”?

2. “Deixar” é abandonar a família?

3. Que significa “deixar” no aspecto funcional?

4. O que é “unir” e quais os três tipos de unidade que podem ser alcançadas no casamento?

5. Por que devemos realizar o casamento na lei e na igreja?

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3 A ALIANÇA NO CASAMENTO Um pacto para toda a vida Nas estatísticas do IBGE o número de casamentos bateu o recorde no ano de 2010. Parece uma boa notícia, porém não é, pois consequentemente o número de divórcios e separações aumentou ainda mais. 10 De acordo com o mesmo instituto algumas razões são apontadas como causas para tais divórcios. Entre elas estão alterações nas leis sobre o assunto que, facilitou ainda mais o processo de divórcio, e a consolidação da aceitação do divórcio pela sociedade. Em outras palavras

as pessoas estão se separando porque a sociedade aceita com facilidade esta condição, e porque não demora nem custa nada. 10 G1, 2011

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Naturalmente, estas causas são apenas sintomas de uma causa primária, ou seja, o afastamento do conhecimento bíblico. O casamento pode ser analisado, no mínimo, sob dois aspectos: “casamento como contrato ou casamento como aliança”. Casamento como contrato Este tipo de união, seja dito, é o modelo predominante na cultura ocidental, o casamento constitui um contrato de natureza especial, e com regras próprias de formação. Portanto, o conceito de contrato, que é o que conhecemos, é um acordo bilateral entre duas pessoas, totalmente dependente do desempenho do acordo. Sob o contrato, se uma parte falha, a outra não tem nenhuma obrigação de cumprir seu compromisso e não está mais ligado pelos termos do contrato. 11 Mesmo sendo em nossa cultura o mais aceito, isso não significa ser a melhor opção para os casais. O crescimento deste tipo de união tem como principal fator, a ausência de um compromisso duradouro, resultado de um conceito excessivo de liberdade. O casamento tem sido ofertado às pessoas como instrumento de realização e satisfação pessoal. Não raras vezes ouvem-se casais repetindo frases tais quais: “não estou feliz no meu casamento” ou “ainda não encontrei a pessoa certa”. Deste modo, basta trocar o parceiro para que se sinta feliz, ao menos temporariamente. No Antigo Testamento, contratos e alianças, não possuem características muito distintas, visto que as pessoas costumavam invocar a Deus em seus acordos mútuos.12 Diferentemente da atualidade onde os casamentos contratuais têm como base as leis civis e o casamento como aliança têm sua base nas Escrituras Divinas. Casamento como aliança O casamento como aliança é definido pelo vínculo sagrado entre homem e mulher, instituído e firmado diante de Deus. A base para a fundamentação deste tipo de união é a Bíblia. Vale destacar que a aliança no casamento é feita entre os cônjuges e confirmada diante de Deus, visto que ele é o autor do casamento. No Antigo Testamento, Deus é o ministro da aliança entre o homem e a mulher. 11 Flórido, 2005 12 Köstenberger, 2011

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“Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24). “Que abandona aquele desde a juventude foi seu companheiro e ignora a aliança que fez diante de Deus” (Pv 2:17). “E vocês ainda perguntam: ‘Por quê? ’ É porque o Senhor é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo matrimonial” (Ml 2:14).

No Novo Testamento, Deus usa o casamento como analogia do seu relacionamento com a igreja, desta forma, convalidando o ensino “da aliança” do Antigo Testamento. “Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela [...]”. “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Ef 5:25,31).

Por se tratar de uma analogia não podemos considerá-la válida em todos os aspectos. Exemplificando, cabe destacar que a aliança feita entre Cristo e a igreja é eterna, enquanto a aliança entre marido e esposa é válida somente até a morte. Características gerais Casamento – Contrato

Casamento – Aliança

1. Contrato bilateral, formado, mantido e dissolvido voluntariamente por quaisquer dos dois envolvidos.

1. Contrato unilateral, tempo ilimitado, irrevogável, indissolúvel, válido até a morte (Mt 19:6).

2. Compromisso limitado, prioridade para a vida individual.

2. Compromisso ilimitado, morte a vida independente (1 Co 7:14).

3. Alicerçado na Lei Civil.

3. Alicerçado na Lei divina (Mt 19:4-6).

4. Firmado visando o benefício próprio.

4. Firmado visando o bem da outra pessoa.

5. Exige desempenho do parceiro.

5. Exige confrontação e perdão (Mt 19:7 e 8).

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No relacionamento se contratual estabelecem muitos limites claros, mas que apenas alimentam o egoísmo e o narcisismo. Pode até, por algum tempo, nos motivar a fazer coisas juntos, mas não suportam o desgaste causado pelas diferenças, pelos erros cometidos e expectativas frustradas. Acima de tudo, o amor contratual impede que amadureçamos e cresçamos psíquica e emocionalmente. No relacionamento firmado por uma aliança, o compromisso é fruto do amor, e ele nos desenvolve emocional e espiritualmente. 13 Elementos da aliança Os elementos da aliança no matrimônio são pelo menos três: “exclusividade”, “fidelidade” e “intimidade”. A exclusividade é parte do compromisso que não admite terceiros na aliança, visa preservar a monogamia. Fidelidade é a obrigação recíproca dos cônjuges de não cometer adultério. A intimidade garante a união em uma só carne. Vale ressaltar o caráter íntimo da relação sexual do casal. Portanto, percebemos que o casamento extrapola os termos da individualidade, pelo que já não pertencemos a nós mesmos, mas nos doamos ao outro. A Bíblia diz: “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim, o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim, a mulher” (1 Co:7.4). Componentes de uma aliança São dois os componentes de uma aliança. Cada um deles apresenta faces importantes deste compromisso: PROMESSAS

TERMOS

1. Diz respeito a um compromisso mútuo. Exemplo: Prometo amar, respeitar, cuidar, honrar, defender, elogiar, incentivar.

1. Diz respeito às condições sob as quais o acordo será cumprido. Exemplo: Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na fartura e na escassez, na mocidade e na velhice.

2. Garantia de fidelidade no cumprimento da aliança.

2. Indicam a duração da aliança.

3. Indica o que será feito.

3. Juramento direto ou indireto.

Podemos concluir, diante destas afirmações, que o casamento é uma aliança, estabelecida entre os cônjuges e confirmada diante de Deus. 13 Nóia, 2003

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Deste modo, quando cumprimos os termos e as promessas feitas na noite de núpcias, satisfazemos duas obrigações: primeira com o parceiro, e depois com Deus. Cumprindo a aliança Cumprir a aliança é mais que satisfazer obrigações, é também desfrutar de benefícios. Porém, para alcançar os benefícios, se faz necessário cumprir as obrigações. Como posso cumprir minha aliança? 1. Considerando a Deus como parceiro ativo da Aliança.

Pv 2:17

2. Considerando o casamento uma aliança indissolúvel.

Mc 10:9

3. Submetendo-se aos desígnios de Deus para o matrimônio, ou seja, cada um exerce sua função e seu papel dentro do lar como o Senhor instruiu.

Ef 5:21

4. Praticando todos os atos em amor.

Cl 3:17

5. Mantendo a pureza moral no contexto do casamento.

1 Co 7:2; Cl 3:5, Heb 13:4

6. Sendo altruísta (generoso) no relacionamento físico (sexual).

1 Co 7:3-5; 32-35

7. Amor incondicional – Inicialmente as pessoas se casam por amor, depois o casamento deve sustentar o amor entre o casal.

1 Co 13:7

Segundo o ensinamento bíblico, a aliança nunca deve ser rompida, mas para ser mantida, pode custar alto preço. Paulo diz que Jesus entregou sua vida por sua noiva (Ef 5:25). Por conseguinte o marido não deve menos que isso à sua esposa. A esposa, do mesmo modo, deve lutar com todas as suas forças para ter um relacionamento duradouro (Lc 6:31). Em outras palavras cumprir a aliança é o casal, se preciso for, entregar a sua própria vida pela aliança. 26


QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Aponte duas causas que contribuíram para o aumento de divórcios.

2. Conceitue casamento como contrato.

3. Conceitue casamento como aliança.

4. Vocês fizeram promessas no casamento? Quais?

5. Quais são os termos estabelecidos numa união em aliança?

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4 O PA P E L D O M A R I D O Um líder amoroso Marido. Que desafio ser um bom marido! Na vida, passamos muito tempo tentando ser bons. Raras vezes, no entanto, nos preocupamos em seguir o manual que nos leva às melhores condições para uma vida de sucesso. Primeiro fazemos, e depois procuramos ver se acertamos.

A família precisa ser orientada pelo seu manual de instrução: “A Bíblia”. Cada membro da família possui uma função e quando bem orientada e ajustada é chamada de “Família funcional” e quando desajustada é tratada de “família disfuncional”. A família é constituída por marido “homem”, esposa “mulher” e filhos “naturais ou adotivos”. Porém, muitas vezes esta formação tem sido questionada. As causas são as mais variadas, primeiramente, pelos os “inimigos da família”, pessoas que são usadas pelas forças malignas para trabalhar contra os projetos divinos, e depois aqueles que simplesmente desconhecem os desígnios de Deus para a sociedade. 28


Deus opera muitos dos seus propósitos para este mundo através da família. Como já foi dito, a família é a célula mater da sociedade. Todavia, para que o lar seja feliz, próspero e harmonioso, é indispensável entender a função de cada um dos seus membros. Os especialistas defendem que as regras em casa devem ser claras, concisas, definidas e respeitadas por todos. Não iremos encontrar na Bíblia as regras de organização de casas, mas o que se espera de cada um dos seus membros. Nesta lição verificaremos as qualidades e as funções do líder da família. Qualidades do marido cristão Um líder amoroso A primeira determinação de Deus para o homem foi a de chefe de família. 14 “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” (Ef 5:23).

A falta dessa compreensão tem causado muitas dificuldades para maridos e esposas, visto que, ambos propõem uma luta constante sobre quem dominará o lar. Ou ainda quem sobressairá ao outro (Fp 2:3-4). No plano de Deus, cada membro da família desempenha papéis e também deve obedecer humildemente as regras definidas (Gl 3:26-28). Ser marido não é questão de privilégio, mas de serviço. O marido acha-se na dependência de Deus para prover as necessidades da família – esposa, filhos, trabalho, igreja, vizinhança e governo. 15 Antes, porém, de tratar da função do marido, é necessário dizer que o “amor” deve ser a marca registrada para o esposo. “Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25).

De acordo com a Palavra de Deus, o padrão de liderança do lar é Cristo, assim como o padrão de amor. Que amor é este que Cristo amou a igreja e que todo marido deve exercer? O amor sacrificial. Portanto, o marido cristão é aquele que aceita o padrão de liderança e amor de Cristo. E, deste modo tem que estar disposto a entregar-se pela esposa, e consequentemente pela família (Ef 5:25; Jer 31:3). Como é possível saber quando o chefe de família é um líder amoroso? Quando exerce a liderança levando em consideração o interesse coletivo do lar, e não os seus interesses, seus desejos. Quando um esposo 14 LaHaye, 1982 15 LaHaye, 1982

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assume este padrão de amor, é possível que seja grandemente reconhecido pelos membros da sua família (Pv 16:24). Características do marido amoroso Na Carta de Paulo aos Coríntios (13:4-8) estão alistadas as características de uma pessoa controlada pelo Espírito Santo e dominada pelo verdadeiro amor. Portanto, o esposo que ama deverá ser: PACIENTE

O marido amoroso é também paciente. Ter paciência é escolher controlar suas emoções ao invés de permitir que elas lhe controlem. É demonstrar discrição ao invés de pagar mal com mal (Mt 5:43-48).

BENIGNO

A bondade é o amor em ação (Ef 4:12, Pv 19.22).

GENEROSO HUMILDE ATENCIOSO SEM EGOISMO

O verdadeiro amor é generoso e sente um grande prazer quando cônjuge obtém sucesso na vida (Tg 3.16). Quem se ensoberbece é alguém que se preocupa com afirmação, mas quem ama não se preocupa com isto, preocupa-se com doar-se. (Mt 7:12). A cortesia e a boa educação é a porta de entrada para um bom relacionamento (Fp 1:3). O amor é a antítese do egoísmo (Rm 12:1). Não busca seus próprios interesses, antes, se alegra com a realização do outro.

AFÁVEL

O marido cristão não se irrita, não se ofende facilmente, não se mostra supersensível, nem age sempre na defensiva (Pv 16:32).

CONFIANÇA

O verdadeiro amor é confiante e “não arde em ciúmes” e “não imagina o mal” (Ct 8:6).

SINCERO

A mentira é prejudicial a qualquer relacionamento humano (Êx 20:16; Lv 19:11). O verdadeiro amor não somente é sincero, mas ainda faz tudo que pode para ser sincero – em palavra e atos (Ef 4:25; Mt 5:37).

Um líder servo A verdade é que não há nada de digno em ser superior à outra pessoa. A única nobreza genuína é ser superior a seu antigo eu. (Whitney M. Young Jr)

Como é fácil nos sentirmos superiores ou inferiores diante de outras pessoas! Será que no casamento, a posição de líder dá direito ao marido de 30


sentir-se superior à esposa? Muito provavelmente nos sentimos assim, por desconhecer o sentido correto ou a diferença entre exercer a liderança pautada na autoridade concedida por Deus ou na força do poder paterno. O poder “é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer”. A autoridade é “a habilidade de levar as pessoas a fazerem, de boa vontade, o que se quer, por causa de sua influência pessoal”. 16 O marido exerce sua função na família com a dedicação de um servo. Jamais se considera superior aos demais: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp 2:3-5).

A autoridade que Deus outorgou ao homem para liderar, deve ser usada em favor da família. Como em uma empresa, onde o diretor toma as decisões em favor dos interesses coletivos, assim também o marido deve decidir sempre a favor da família (Fp 2:5-8). Quando necessário, deve se sacrificar por ela. As funções do marido Bom seria aos jovens, ainda solteiros, tomar conhecimento de suas funções após o casamento, pois evitaria o sofrimento de muitas famílias. Um marido, exceto por motivo de enfermidade, deve ser: PROVEDOR

Desde o início, ao homem foi dada a responsabilidade de ser o ganhador do sustento da família. (Gn 2:15; 3:19; 1 Tm 5:8).

PROTETOR

Cabe ao marido, o homem, o papel de protetor da família também. Todo homem deve ser um Adão que protege a sua Eva, seus filhos e seu território. Protege os interesses da família.

SACERDOTE

Deus instituiu ao homem para que fosse o líder espiritual da casa. Porém, é função do sacerdote manter primeiramente a comunhão com Deus e depois, levar outros ao relacionamento com Deus. (Dt 6:5-8, Jó 1:4-5).

A omissão a estes princípios, voluntariamente, é se omitir a Palavra de Deus, visto que estão fundamentados nela. 16 Rocha, 2012

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Tipos de liderança De acordo com o ensinamento do Pastor Jayme Kemp, existem muitos tipos de lideranças e muitos modelos de maridos. Você se identifica com algum destes? DITADOR

Governa autoritariamente, suprimindo liberdades individuais.

DEMOCRÁTICO

Está sempre em cima do muro e nunca toma decisões, as deixa pela maioria. Deus deu ao esposo a responsabilidade da decisão final.

TEIMOSO

Nunca admite estar errado. Para ele é melhor ser fingido e hipócrita. Deus espera que sejamos autênticos. Jesus liderou com humildade. Teimosia é oposta a isso.

INSENSÍVEL

Indiferente, mau, torturador.

SILENCIOSO

Governa seu lar sem comunicação verbal. Um dos conceitos básicos do casamento é o companheirismo.

EXPLOSIVO

Esse tipo traz muita insegurança, pois a família nunca sabe quando ele vai explodir. É como viver em um terreno minado, com bombas atômicas dentro de casa.

CRÍTICO

Sempre vê algo errado. É incapaz de enxergar algo positivo nas pessoas que o cercam. Palavras de encorajamento, incentivo e elogio não fazem parte de seu vocabulário.

BRINCALHÃO

É sempre bem humorado. Não leva nada a sério. Faz piada de tudo. Cada coisa no seu lugar. Para liderar bem é preciso orientar com seriedade.

NEGLIGENTE

É gastador, não leva a família a sério.

INDECISO

Não toma decisão e se a esposa toma, se aborrece.

HIPÓCRITA

Fala bem da mulher só na frente dos outros. Em casa a maltrata.

CIUMENTO

Desconfiado, inseguro.

PREGUIÇOSO

É galã, sustentado pela mulher.

Não raramente, caímos dentro dos perfis apresentados, porém, o ideal é que o marido se amoroso, provedor, protetor, piedoso, previdente, fiel, trabalhador, gentil, cavalheiro e firme nas atitudes. Como maridos cristãos, devemos procurar o mais alto padrão de conduta, pois somos “luz” para o mundo e para a Casa de Deus (1Tm 3:2-5). 32


QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Cite os membros de uma “família padrão”.

2. Cite três características do marido amoroso. Justifique sua escolha.

3. Escolha dois tipos de liderança que você teve dificuldade de evitar em sua casa. Explique o motivo (somente o marido deve responder).

4. Escreva duas qualidades do seu esposo (somente a esposa deve responder).

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5 O PA P E L D A M U L H E R Uma auxiliadora virtuosa Qual é o papel da mulher na sociedade atual? Possivelmente teríamos centenas de opiniões na maior parte delas, divergentes entre si quanto à função da mulher. Natural, se considerarmos o mundo em constante evolução. Porém, desnatural quanto à Bíblia, porque nela o papel da mulher é ensinado no Antigo e confirmado no Novo Testamento.

Não obstante as constantes mudanças na sociedade, o projeto divino permanece imutável. Deus estabeleceu um papel para a mulher. Hoje, porém, falar sobre papéis definidos pela Bíblia Sagrada é motivo de gracejos até mesmo para alguns cristãos. Mas não deveria ser assim, pois acreditamos na imutabilidade da Bíblia. Em outras palavras, cremos que as doutrinas bíblicas não mudam. 34


Mulher - Companheira A Bíblia ensina que o papel da mulher inicia pelo companheirismo. Ela não é somente uma companhia, mas também a pessoa adequada, compatível para o homem (Gn 2:28). A mulher tem muitas funções na vida. Ela possui a incumbência de ser a dona de casa. É também uma professora para os filhos. Tem o dever de ser o padrão de beleza. Mas, antes de tudo, é a melhor amiga do marido. Como melhor amiga do esposo, deve proporcionar conforto e companheirismo (Gn 2:23-24); e deste modo, ninguém pode encorajá-lo mais do que ela, visto que foi criada para isto. Mulher - Auxiliadora Apesar de causar tristeza para algumas mulheres, visto não compreenderem o papel que Deus lhes deu, a mulher foi criada para ser auxiliadora. Deus se identificou como o “auxiliador” de Israel (Êx 18:4; Dt 33:7), palavra essa que não denota inferioridade, pelo contrário, descreve uma função mais do que digna. Juntos, eles receberam cinco mandamentos e não há distinção entre eles: “Frutificai, Multiplicai, Enchei a terra, Sujeitai e Dominai”. Portanto, homem e mulher têm “mordomia conjunta”; e juntos devem “multiplicar e sujeitar a terra”. Ambos receberam a ordem de sujeitar a terra por meio da divisão de tarefas. O que se percebe é que a divisão de tarefas trouxe à mulher a subordinação funcional. A subordinação da esposa ao esposo não a torna inferior ou superior, mas equivalente em sua forma física, embora com uma função diferente e distinta. Mulher - Submissa Como parceira, a mulher, deve submissão ao esposo (Ef 5:2224, 1 Pe 3:1-2). No papel de cristão, um deve ser submisso ao outro (Ef 5:21). No casamento, porém, a esposa deve submeter-se ao esposo. Mas, isso ainda é possível em pleno século 21? O que é submissão e quais os seus benefícios? A palavra submissão é formada de duas palavras: sub – que significa “debaixo de” – e missão – que significa “vocação” ou “profissão”. Logo, a mulher submissa é aquela que está debaixo da missão do esposo. 17 Podemos, portanto, definir submissão como: “O estado de uma relação, sob a condição dos laços de casamento, em que a mulher se coloca debaixo da missão do marido, que é a de conduzir e liderar o lar, em amor, sendo ela cooperadora com ele, não importando, porém, em escravidão, nem em subserviência, ou seja, não obedecendo cegamente ao que o 17 Kemp, 1986

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marido mandar nem mesmo colocando em estado de rebaixamento servil, tendo sempre como padrão a Palavra de Deus, a qual ela deve se submeter incondicionalmente, posto que está acima de todo homem”. 18 Diante deste conceito, concluímos: SUBMISSÃO

Não é uma responsabilidade exclusiva da mulher (Ef 5:21).

SUBMISSÃO

Não implica na inferioridade da mulher (Gn 1:27, 2:18; Gl 3:28).

SUBMISSÃO

Não é generalizada para todos os homens, em todos os contextos (Cl 3:18, 1 Pe 3:1, Ef 5:22, Tt :3-5).

SUBMISSÃO

Não significa escravidão (Gn 2:15-18).

SUBMISSÃO

Não implica em autonomia masculina no lar (Gn 1:27, 2:15-18, 2:24, 1 Pe 3:7).

Deste modo, é de fácil compreensão que uma esposa companheira e submissa encontra satisfação em colaborar para que seu esposo seja bem sucedido em sua missão (Pv 31:23), e por esta razão ela é elogiada em sua comunidade (Pv 31:31). Não raras vezes as esposas não veem benefícios em ser submissas, mas em seguida alistamos alguns: PROTEÇÃO

Físicas, emocionais e espirituais (Rm 13:1-2).

REALIZAÇÃO

A mulher se realiza no sucesso do seu esposo (Pv 31:12, Gn 2:22-23).

HARMONIA NO LAR

Quando o casal ocupa o seu devido lugar, há harmonia. Não existe disputa entre eles (Fp 2:3-4).

PODER ESPIRITUAL

Pedro ensina que quando há submissão, a mulher não deve ter nenhum medo (1 Pe 3:6).

EXEMPLO

Primeiramente, a mulher deve ser exemplo para sua filha (Pv 31:28-29). Depois, ganhará o esposo, caso não seja cristão ou convertido a Cristo (1 Pe 3:1-2).

Características da mulher virtuosa A Bíblia descreve uma mulher cheia de virtudes. No livro de Provérbios 31:10-31. A Palavra destaca que assim como uma joia, rara e preciosa, é a mulher virtuosa. Quem achará? O consolo está na mesma Palavra de Deus. Quem busca estabelecer seu casamento no Senhor receberá uma esposa prudente (Pv 19:14). Afinal, o que destaca a mulher virtuosa das demais mulheres? 18 Morais, 2004

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VALIOSA

A mulher virtuosa é mais valiosa que joias e não pode ser comprada com bens materiais. Ela tem caráter e seu valor está no seu interior (v. 10).

DE CONFIANÇA

Leal, fiel ao esposo. Ela é responsável e não gasta as economias da família para satisfazer seus caprichos. (v.11).

ALTRUÍSTA

Pensa mais no sucesso do seu esposo. É auxiliadora e colabora para o bem dele (v.12).

PRODUTIVA

Sabe tecer (v. 13), faz compras (v.14), sabe cozinhar bem (15), é negociadora (16, 24), trabalhadora (v. 17, 27), administradora (18), e atende a necessidade da família (v. 19, 21, 22, 24, 27).

CARIDOSA

Ajuda os necessitados e não nega favor aos pobres (v.20).

DECENTE

A mulher virtuosa escolhe a sua roupa. Veste-se elegante e decente (v.22, 30).

HONRADA

É honrada pelo seu esposo e filhos (v. 25, 28, 29, 30, 31) e honra seu esposo (23).

SÁBIA

É uma mulher que ensina, é mestra em sua casa. Estuda a Palavra de Deus e sabe aplicar em sua vida (v. 26).

Tipos de esposa De acordo com o ensinamento do Pastor Jayme Kemp têm muitos tipos de esposas: RESIGNADA NERVOSA MALCRIADA

Conforma-se com tudo, já casou (Pv 31:29). Agitada, preocupada, ansiosa (Pv 9:13; Ef 4:31). Grita, responde, ameaça (Pv 21:23; 15:1).

OPINIOSA

Voluntariosa, iracunda, emburrada (Pv 11:22; 13:3).

PUNIDORA

Vingativa, pune o marido até no sexo (1 Co 7:4).

FOFOQUEIRA

Fala mal de todo mundo, leva e trás (1 Tm 3:11).

IRRESPONSÁVEL

Imatura, não assume responsabilidade. 37


Sem moderação, gasta sem poder; enganadora (Pv 31:11).

ESBANJADORA CIUMENTA

Complexada, insegura (1 Co 14:4).

RECLAMADORA

Murmuradora, injusta (Pv 21:19). Não cuida da aparência, nem da casa.

RELAXADA

Dorme demais, sempre cansada (Pv 31:27; 19:15; 20:13; 31:27).

PREGUIÇOSA

Autoritária, controla o marido (1 Rs 21:25; 1 Tm 2:11-12).

DOMINADORA

Amorosa, carinhosa, trabalhadora, previdente, econômica, obediente, fiel, ajudadora, prudente, piedosa.

A ESPOSA IDEAL

Você se identifica com algum destes tipos de esposas? Se não estiver plenamente satisfeita com o seu padrão de convivência, não desanime, pois estamos cada dia mais buscando crescimento. Funções da esposa Bom seria que as jovens, ainda solteiras, tomassem conhecimento de suas funções após o casamento, pois evitaria o sofrimento de muitas famílias. Uma esposa, exceto por motivo de enfermidade, deve ser: AMADA DO ESPOSO

A principal função da mulher e a principal finalidade para a qual foi criada por Deus, é ser companheira do marido, e não deixar o homem só (Gn 2:18).

RAINHA DO LAR

Há algum tempo, parte das mulheres desprezam a função de dona de casa. Muitas se sentem menos importantes por não possuir uma carreira profissional. Porém, antes de qualquer função secular que ela assuma, ela é a Rainha do Lar. (Pv 31:10-31). Cabe destacar o valor que Deus atribui à mulher dona de casa (Pv 31:10; 18:22; 1 Tm 2:15, Tt 2:5).

MESTRA DOS FILHOS E JOVENS CASADAS

A mãe tem muito mais tempo junto com os filhos, ou ao menos, deveria ter. Paulo diz às mulheres (...) para que estejam ocupadas em casa (Tt 2:5). E deste modo, devem ensinar seus filhos (Pv 31:26, 2 Tm 1:5; 3:14-15). Paulo ainda recomenda que ensinem as mulheres mais jovens a serem submissas ao esposo (Tt 2:6).

A omissão a estes princípios, voluntariamente, é se omitir à palavra de Deus, visto que estão fundamentados nela. 38


QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. A mulher é primeiramente

, depois

, e deve ao marido 2. No plano divino, apenas a esposa deve submissão? Justifique.

3. Quais são os benefícios da submissão feminina?

4. Escreva duas qualidades da sua esposa, encontrada nas características da mulher virtuosa (somente o esposo deve responder).

5. Cite uma função da esposa que você julga necessário se aplicar um pouco mais (somente a esposa deve responder).

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6 FILHOS, BÊNÇÃOS DE DEUS! Uma herança divina O século 21 será marcado pela luta contra a família. São tempos difíceis, principalmente, para as famílias cristãs. Aqueles que desejam criar seus filhos nos elevados princípios bíblicos sofrerão sérias oposições.

Não devemos nos constranger ao afirmar nossos valores diante destes ataques. O mundo procura impedir a proclamação da Bíblia Sagrada. Porém, aqueles que assumiram uma nova posição, mediante a graça divina, devem recorrer à imutabilidade da Palavra de Deus. Deste modo, devemos acreditar naquilo que a bíblia afirma. Muito se tem feito para convencer que ter filhos é cercear a liberdade dos pais. Porém, de acordo com a Bíblia, filhos são uma benção que vem do Senhor, “o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127:3). 40


No Antigo Testamento, ter muitos filhos era significado de ser muito abençoado (Sl 127:5). Não tê-los era considerada maldição (Gn 30:2, 18; 48:9). No Novo Testamento, ter muitos filhos não é precisamente uma evidência do favor divino, e não poder tê-los não deve ser entendido como maldição (1 Co 7:7, 8, 32, 33). Aos casais cristãos, é inaceitável conceber a ideia de que ter um filho é sinônimo de ter muitos problemas. De fato, existem filhos insensatos (Pv 10:1), mas a maioria destes casos foram os pais quem deram causa a tal insensatez, pelo descuido no treinamento do filho (Pv 22:15; 29:15, 17). Herança do Senhor Qual é o maior presente que recebemos de Deus? Creio que todos responderão: a “vida”. Sim. A vida é o maior presente que recebemos de Deus, mas não somente a nossa. A Bíblia afirma: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá” (Sl 127:3). O significado da palavra “herança,’’ destacado no texto, dom transmitido de uma geração para as seguintes. Um dia Deus nos deu como presente aos nossos pais e nossos filhos presente de Deus entregue a nós. Os filhos são entregues aos seus pais como um precioso depósito, o qual Deus requererá um dia de suas mãos, em sua volta. Deveres dos pais Os pais devem criar seus filhos dentro dos princípios bíblicos, “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Isso porque receberam do Senhor seus filhos e ele espera que nós retribuamos a confiança recebida. Alistamos alguns deveres dos pais: AMAR

Nenhum dever dos pais para com os filhos está acima do amor (Mc 12:31, Tt 2:4).

PROVER

Cabe aos pais prover o sustento para os filhos ( 2 Co 12:14)

ENSINAR

Ensinar a Palavra de Deus não é opção para os pais, mas mandamento (Dt 6:6,7). Inclusive os pais devem esforçar-se para levar os filhos aos cultos.

DISCIPULAR

A palavra “discípulo” tem o mesmo radical/raiz da palavra desciplina, vem do verbo DISCERE que é aprender. Deste modo, o pai discipulador, ensina seus filhos e se necessário, aplica também a disciplina. Lembrando que disciplinar, não é espancar (Ef 6:4, Pv 22:15; 23:13,14; 29:15; Pv 22:6). 41


ABENÇOAR

Desde a criação, Deus sempre abençoou seus filhos (Gn 1:28), assim também fizeram os patriarcas (Gn 27:4, 30; 48:15,16). Mesmo que fora de moda para atualidade, é muito útil abençoar os filhos (Hb. 11:20).

LEGAR

O legado é uma herança de valor positivo ou negativo, deixado por alguém para o seus descendentes, podendo ser moral, social ou espiritual. Toda riqueza é de bom proveito à família, todavia, a melhor herança é a de caráter moral, social e espiritual (Pv 13:22, Dt 30:15-19).

Na atualidade, pais estão tentando dia após dia transferir para outros a responsabilidade da educação e discipulado dos seus filhos. Porém, corremos o risco de ver impresso no caráter deles a marca de um educador ou discipulador que pode ser bom ou ruim. O conselho da Palavra de Deus é “Ensina a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22:6). Negligenciar a educação é um grande perigo. Exitem muitas famílias que não tem tempo para levar e buscar seus filhos na escola. Não tem tempospara brincar com eles, todavia, então estarão à mercê da influência de pessoas estranhas e dependendo dos valores que tais pessoas têm. Note que muitas crianças, por não terem nos pais um bom referencial de autoridade (Ef 6:4), de amor, de carinho e de disciplina (Pv 23:13 e 14), passam a ver como referencial os professores e pastores que, sem querer ou de forma involuntária, acabam tirando a autoridade dos pais. Então, os filhos acabam honrando pessoas estranhas, quando, na verdade, essa honra deveria ser dirigida aos pais, para que o filho pudesse atrair as bênçãos de Deus sobre si (Ef 6:2 ; Êx 20:12). Deveres dos Filhos É bastante estranho falar em deveres dos filhos em quando a moda é reclamar direitos. O Apóstolo Paulo quando escreveu a seu filho na fé alertou para “os tempos trabalhosos” em que os homens seriam egoístas e, entre tantos problemas, haveria filhos desobedientes e ingratos, sem amor à família (2 Tm 3:1-2). Sabemos que criar filhos é uma tarefa árdua, no entanto, possível. Quais são os deveres dos filhos? No tópico acima aprendemos que cabe aos pais amar, prover, ensinar, discipular, abençoar, legar e quanto aos filhos, o lhes cabe fazer? Obediência aos pais No texto bíblico é bem claro o mandamento para os filhos: “Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor” 42


(Col. 3:20); “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe - este é o primeiro mandamento com promessa - para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra” (Ef 6:1-3); “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êx 20:12). Os filhos, mesmo quando pequenos, têm dificuldades no cumprimento deste mandamento. A limitação não está na vontade, mas na natureza humana pecaminosa. Por vezes, a natureza pecaminosa colocará o filho em choque com a autoridade dos pais. Quando isso ocorre, os pais devem levar a criança, adolescente ou jovem, ao conhecimento do mandamento, conscientizando-os da vontade de Deus. É necessário dizer que a Bíblia faz distinção entre o filho obediente e o desobediente: OBEDIÊNCIA X DESOBEDIÊNCIA Os filhos de Noé foram salvos pela obediência a seu pai (Gn 7:7).

Sansão foi destruído desobediência aos pais (Jz 14:2-3; 16:1-31).

pela

sua

Samuel foi chamado para ser sacerdote pela sua obediência (1 Sm 3).

Deus rejeitou os filhos de Eli porque eram desobedientes (1 Sm 3:13; 4:11).

O Rei Davi foi aceito por Deus devido a sua obediência incondicional a Deus (At 13:22).

O rei Saul foi rejeitado por Deus devi-do sua desobediência (1 Sm 13:13 -14).

O que obedece é recompensado (Pv 13:13 b).

O que desobedece perecerá (Pv 13:13 a).

O que obedece tem vida longa (Êx 20:12).

O desobediente vive pouco (Nm 14:41-42).

O que obedece tem comunhão com Deus (1 Rs 11:38).

O desobediente vive separado de Deus (Is 59:2).

O obediente é abençoado (Dt 28:1-2).

O desobediente não recebe a bênção do Senhor (Dt 28:15).

Portanto, cada filho deve buscar a obediência e estar debaixo da submissão, tanto de Deus, como dos pais, pois a Palavra de Deus nos foi escrita para nosso benefício. Ressaltamos, finalmente, que a obediência aos pais não é opcional, mas um mandamento. Deste modo, o filho deve obediência, independentemente dos pais serem ou não cristãos. 43


QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Você é a favor da família tradicional? Fundamente sua resposta.

2. Como um cristão recebe os seus filhos?

3. Aliste os deveres dos pais aos filhos.

4. O que deve o filho aos pais? Destaque o principal efeito da obediência.

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ANOTAÇÕES

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7 O RELACIONAMENTO FAMILIAR Enfrentando os conflitos à luz da Bíblia Viver em família não é um “mar de rosas”. As famílias, depois da queda, passaram a conviver com o pecado e isso trouxe muitas consequências. Porém, deve ficar claro que esta não é a vontade de Deus, mas a harmonia, paz, alegria, felicidade e unidade para a família.

A origem dos conflitos A origem dos conflitos é o pecado (Ef 2:1-3; Gl 5:19-21, Tg 4:1-4). Antes da queda, percebe-se um ambiente perfeito para o relacionamento humano. No jardim onde vivia o primeiro casal, Adão e Eva, o ambiente era perfeito, de amor, harmonia e paz. 46


Após a queda do homem ao pecado, começaram a surgir desentendimento, incompreensão, infidelidade, solidão, rivalidade, ciúme. Desde então, os filhos brigam por ciúmes, casamentos acabam em divórcio, irmãos deixam de se falar, namorados rompem. Definindo conflito O dicionário define conflito como “oposição de interesses, sentimentos, ideias ou luta, disputa, desentendimento, briga ou confusão, tumulto, desordem”. 19 Conflito pode ser definido também como “embate, discussão acompanhada de injúrias e ameaças; desavença”. 20 São os desentendimentos por quaisquer que seja as razões, porém que causam graves consequências quando não resolvidos. Tipos de conflitos Na Bíblia, podemos perceber vários tipos de conflitos, iniciando na família de Adão até a família de Jesus. Vejamos alguns:

ENTRE CÔNJUGES

Abraão e Sara – Este casal se desentendeu porque sua esposa não poderia ter filhos (Gn 16:5). A bigamia trouxe problemas para esta família.

ENTRE PAIS E FILHOS

Davi e Absalão – Perseguiu seu filho com desejo de matálo. Absalão tirou a vida do irmão, Amnon, filho de Davi, seu pai (2 Sm 13:37-39). Esaú e Isaque – Esaú, depois que perdeu a bênção, fez de tudo para entristecer seu velho pai Isaque (Gn 28:4-8).

ENTRE IRMÃOS

Amnon e Tamar – Esta jovem foi humilhada por seu irmão, e por esta razão, muitos conflitos surgiram na família de Davi (2 Sm 13:1-22). Caim e Abel – A inveja de Caim o levou a matar seu irmão Abel (Gn 4:1-8).

Causas de conflitos Não é possível alistar todas as causas de conflitos nas famílias, porém, serão apresentadas as mais comuns. 19 Débora Ribeiro Santos, 2009-2013 20 Renovato, 2013

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Finanças As finanças, geralmente, têm sido uma fonte de conflito na família. Não raras vezes o mau uso do dinheiro é a principal causa. Com poucas exceções, as famílias conseguem ganhar muito ou pouco dinheiro, no entanto, administrar ou dividir o dinheiro é o problema. Muitos lares têm dificuldade em trabalhar, adquirir, gastar, economizar juntos. “Juntos” é o diferencial. O dinheiro é um grande desafio para todos (1 Tm 6:10). Tanto ter muito, quanto ter pouco traz conflitos. Casais sábios buscam orientação na Palavra de Deus, vivem unidos (Sl 133:1) e recebem a bênção de Deus (133:3), se contentam com o sustento (1 Tm 6:8,9) e não fazem dívidas (Pv 22:7). Rivalidade A rivalidade pode ser definida como concorrência entre pessoas que pretendem a mesma coisa. 21 É aquela velha disputa pelo domínio de poder “entre os cônjuges”, de atenção “entre os filhos”. Marido e mulher têm dificuldade em exercer sua função sem intervir na função do outro. Os filhos desejam a atenção e aprovação dos pais, e isso, causa desavença entre eles. A Bíblia declara “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp 2:3-4). Disciplinas dos filhos A disciplina e educação dos filhos têm causado desentendimento entre os pais. Não obstante, as diferenças da educação dos cônjuges, pois foram criados em ambiente familiar diferente, o que dificulta o convívio do casal. Eles terão que educar e disciplinar os filhos juntos. Na Bíblia, temos exemplos de casais que tinham preferência por um ou outro filho (Gn 25:28). A consequência será um atuando como disciplinador do filho e outro atuando como consolador. Logo, o filho também terá preferência por um ou por outro. O conflito será instaurado cada vez que surgir a necessidade de correção. Não basta um acordo para educação e disciplina dos filhos, mas um padrão. “Educa a criança no caminho que deve andar” (Pv 22.6); do mesmo modo também a disciplina “Quem ama não hesita em disciplinar o filho” (Pv 13:24). 21 Débora Ribeiro Santos, 2009-213)

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Família O casamento é a união entre marido e esposa, correto? Não. A união deve ocorrer entre os cônjuges, mas também entre suas famílias. É muito comum ouvir o esposo falar para esposa: “Tua mãe vem chegando”. A esposa fala: “Os teus parentes estão chegando”. Exitem casais que deixam bem claro: a minha família é a minha família e a tua família a tua família. Ah, e só para lembra a minha família é melhor que a sua. Porém, depois do casamento, não existe mais a sua família, e sim a nossa família (Rt. 1:16). Resolvendo os conflitos No relacionamento familiar os conflitos são inevitáveis e necessários (Pv 27:5-6). Jesus ensinou a necessidade do confronto, quando há uma ofensa entre cristãos (Mt 18:15-20). Evitar o confronto é uma prova de desamor pela família (Pv 3:11-12). Assim como também é falta de sabedoria da família, desprezar a correção entre seus membros (Pv 25:12). Como resolver conflitos e desfazer desentendimentos entre a família? A Bíblia oferece alguns passos fundamentais para isso: Encare o conflito A Bíblia nos ensina encarar o conflito. Fugir do conflito não é a melhor solução (Mt 18:15). A ideia do texto não é fomentar contendas (Pv 16:28), mas apontar e solucionar o mais rapidamente possível (Ef 4:26). Os conflitos podem ser comparados a “ervas daninhas,” que não sendo arrancadas, suas raízes crescem e se fortalecem, tornando-se poderosas. Não haverá mudança enquanto os erros não são identificados e tratados (Mt 18.15). Quando não alcançado o objetivo, peça ajuda (Mt 18:16). Domine a raiva Resolver um “conflito” dominado pela raiva é impossível. A Bíblia aconselha a dominar a raiva (Pv 29:11). Caim é um exemplo de pessoa que não dominou seus sentimentos e causou uma grande desgraça em sua família (Gn 4:1-7). ‘‘Quem facilmente se ira faz doidices; mas o homem ajuizado é paciente” (Pv 14:17). Ouça atentamente Ser bom ouvinte é um segredo para solucionar grandes conflitos, assim como aguardar o momento correto para responder (Pv 18:13). 49


Confesse seus erros Admita seus erros. Dê um passo à frente: Confesse. Segundo Gary Chapman, o verbo “confessar” significa, literalmente, “concordar com”. Quando confessamos algo a Deus, concordamos com ele que agimos ou nos expressamos erroneamente. A confissão é o oposto da racionalização. Não procura minimizar nossas falhas; antes, reconhece abertamente que nosso comportamento é indesculpável. Feito isso abandone suas antigas práticas pecaminosas (Pv 28:13). Mude suas atitudes A tendência é apontar as mudanças necessárias no cônjuge. Identificar o conflito e assumir sua contribuição é o desafio sugerido por Jesus (Mt 7:3-5). Após mudar as atitudes erradas, então, sugira que seu cônjuge mude também (Mt 7:5). Perdoe Para apagar fogo é necessário utilizar algum tipo de extintor. No conflito, o perdão, pode ser comparado a um extintor eficientíssimo. Jesus incentivou seus discípulos a exercerem o perdão sempre “Se o seu irmão pecar, repreenda-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe” (Lc 17:3-4). O Pastor Ed René ensina que “A comunidade de Jesus não se sustenta na perfeição de seus membros, mas no espírito do perdão, na consciência em cada um de seus discípulos de que a luta contra a o pecado é permanente, incansável, sem trégua. É por isso que a relação entre os membros dessa comunidade se sustenta na mutualidade, na compreensão, na compaixão, no perdão” (Kivitz, 2012) 22. Façam todo o possível para viver em paz com todos (Rm 12:18).

22 Kivitz, E. R. (2012). Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, p. 138.

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Qual é a origem dos conflitos? Justifique.

2. Preencha corretamente os espaços com as palavras “Embate, Conflito, Resolvidos, Desentendimentos” para formar o conceito. “_________ pode ser definido também como “______________, discussão acompanhada de injúrias e ameaças; desavença”. São os __________________ por quaisquer que seja as razões, porém, que causam graves consequências quando não ___________________”. 3. Quais que conflitos são mais recorrentes em sua família? Encontrou respostas nesta lição para eles?

4. Qual é a relação mencionada no livro de Rute 1:16?

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8 O R A N D O E M FA M Í L I A A comunicação coletiva com Deus E feita por muitos justos? A sociedade do século 21 é marcada pelo ativismo. As pessoas estão sempre ocupadas. “Não tenho tempo, não tenho tempo, pois estou ocupado” é a frase que se repete. Isso tem levado milhares de cristãos negligenciarem a uma vida de intimidade com Deus.

Jesus, porém, exerceu seu ministério terreno com muita oração. Em uma das suas parábolas ensinou sobre o dever de orar sempre. “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” (Lc 18:1). A família que busca a excelência precisa também deste elemento tão importante para a vida espiritual cristã. 52


Orando Juntos O cristão sabe a importância de orar (Mt 6:33). Às vezes não é colocada em ação, no entanto, jamais encontrará algum cristão que despreze a oração e seu valor. Na família, a oração deve ser cultivada de duas maneiras: “individual e coletiva”. A experiência pessoal de oração nunca deve ser aniquilada, mas também não é suficiente no contexto familiar. A família deve ser considerada a partir do casamento e não somente após o nascimento dos filhos, portanto, os casais devem manter o “hábito” de orar antes da chegada dos filhos (1 Sm 1:27). A Bíblia destaca a importância do esforço coletivo: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho” (Ec 4:9). Quando oramos juntos cumprimos um desejo manifestado pelo próprio Jesus:“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17:21). Uma ilustração pode nos ajudar a compreender esta verdade. Um violonista pode produzir um lindo som. Porém, uma orquestra será ainda mais admirada. A vida de oração pessoal é maravilhosa, mas imagine uma família orando juntos! Benefícios de orar juntos Presença de Deus A presença de Deus nos é assegurada quando há unidade entre os seus servos (Sl 133:1-3). O Senhor Jesus disse “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). É um grande alento saber que os lares podem contar com a presença de Deus, quando unidos buscam a Ele. O poder do acordo A oração coletiva possui o poder do acordo: “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que, está nos céus” (Mt 18:19 ). O acordo de dois não é mágica que força Deus a responder, apenas que se uniram como discípulos, o que envolve a apresentação de pedidos da espécie que o Mestre endossará. 23 23 Tasker, 2006

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Dividir o fardo Quando oramos em grupo fazemos com que nossas necessidades sejam conhecidas, assim, oramos uns pelos outros. O apóstolo orienta os irmãos da igreja da Galácia: “Levai as cargas uns dos outros e, assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2). Recursos celestiais Palavras de Jesus:“Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (Mt 7:7-8). Deus tem muitas bênçãos para o seu povo. No entanto, muitos desprezam o seu auxílio, ou quando oram, pedem modo de errado para aplicar nos seus próprios deleites. Perceba o ensino do Apóstolo Tiago: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4:3). Paz de espírito Em dias de tantas ansiedades, a oração é apresentada como uma ferramenta útil para encontrar paz de espírito. “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4:6-7). Como orar em família 1. Reserve tempo – Para que se torne um hábito na família, é necessário encontrar um momento especial para a oração. É igualmente importante que comece com breves períodos, e se possível aumente com o tempo e as necessidades. 2. Peça perdão – Antes de orar verifique se há necessidade de pedir perdão uns aos outros (Mt 5: 21-24, 1 Pe 1:7). 3. Anotem os pedidos – A oração deve ser feita com propósitos. Durante o dia cada membro relaciona seus pedidos e, juntos, apresentam a Deus. 4. Não critique – Não critique a validade bíblica das orações, pois de outro modo, seu cônjuge e (ou) filhos podem relutar em orar em voz alta. 5. Aprenda ouvir a oração dos membros da família – Observem as orações feitas em família e terão melhor compreensão do relacionamento de cada um com Deus. Por quem orar? 1. Orar por si mesmo – Cada membro da família deve orar por si mesmo. Ninguém nos conhece melhor que nos mesmo (Sl 55:17). 2. Orar uns pelos outros – A Bíblia recomenda que oremos uns pelos outros. 54


Deste modo, compartilhamos o fardo de necessidades e angústia dos membros da família (Gl 6:2). 3. Orar pelos amigos – A família é uma célula de bênçãos para a sociedade. Orar pelos amigos é também uma responsabilidade do cristão (Jó 42:10). 4. Orar pelos inimigos – A oração pelos inimigos é o caminho mais perfeito do amor (Mt 5:43,44). O cristão, por menos que ore, sempre mantém alguns minutos de oração individual. Mesmo que frequente a igreja uma vez por semana deve dobrar seus joelhos por alguns instantes. Porém, no lar mantém uma vida de oração? E juntos, quando foi a última vez que buscaram a Deus? Vencendo através da oração 1. As tentações – Jesus nos ensinou um caminho para vencer as tentações: “A oração” (Mt 4:2-3). A família será vitoriosa quando descobrir o valor da oração contínua. O inimigo estará sempre tentando cada membro da família, assim, mantenham a comunhão com o Pai. 2. As enfermidades – Muitas famílias contaram com o auxílio de Deus em suas enfermidades: “Ezequias” (Is 38); “A viúva de Sarepta” (1 Rs 17); “Marta, Maria e Lázaro” (Jo 11:17ss.); “Jairo” (Mt 9:18); “Oficial do rei” (Jo 4:46-54). 3. As dificuldades – A oração é um recurso para todos os momentos de dificuldades (Fp 4:6-7). Meditação 24 “Oração não é o mínimo que podemos fazer, é o máximo” (J. Blanchard). “Não há nada que o homem natural odeie mais que a oração” (Roberty Murray M´Cheyne). “Precisamos de mais cristãos para os quais orar é o primeiro recurso, não o último” (J. Blanchard). “A oração é um escudo para a alma, um sacrifício a Deus e um açoite para satanás” (John Bunyan). “A oração é o suor da alma” (Martinho Lutero). “A oração não nos capacita a fazer uma obra maior para Deus. Ela já é uma obra maior para Deus” (Thomas Chalmers). “Enquanto continuamos a viver, precisamos continuar orando” (Mattew Henry). “Satanás está mais ansioso em nos impedir de ficar de joelhos do que em nos fazer cair” (Ivor Pawell). “O verdadeiro segredo da oração é a oração em segredo” (J. Blanchard). “O pulso da oração é o louvor. O coração da oração é a gratidão. A voz da oração é a obediência. O braço da oração é o serviço” (William A. Ward). “Aquele que foge de Deus de manhã dificilmente irá encontrá-lo no restante do dia” (John Bunyan). 24 Menezes

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Descreva uma experiência particular de oração respondida.

2. A __________ destaca a importância do esforço ____________ “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho” (___________). 3. Destaque 03 benefícios de orar juntos.

4. Devemos orar pelos inimigos? Por quê?

5. Elabore 10 motivos de oração por sua família: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 56


ANOTAÇÕES

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9 AS PROMESSAS DE DEUS PA R A A FA M Í L I A Desfrutando as bênçãos de Deus O Salmo 128 é considerado a Canção da Família. Nele encontramos muitas promessas. Promessas pessoais, para a família e a nação.25 Estas promessas possuem significado especial, porque são declaradas pela Palavra de Deus.

No Brasil há eleições presidenciais a cada quatro anos. Nelas se ouvem muitas promessas, entretanto, são de pouco valor, pois raramente são cumpridas. 25 Dake, 2009). Divisão sugerida pela Bíblia Dake.

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A Bíblia assevera que “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa: porventura diria ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria?” (Nm 23:19). As promessas de Deus são confiáveis. Mas, quem receberá estas promessas enumeradas neste belíssimo Salmo? Para quem são as promessas de Deus Todas as famílias são abençoadas por Deus, ímpios e justos, recebem sol, chuva, frio e calor. No entanto, as do Salmo 128 são promessas condicionadas àqueles que temem ao Senhor e andam em seus caminhos. Deste modo precisamos saber o que é temer ao Senhor e andar em seus caminhos. Temer a Deus tem muitos significados na Bíblia. Neste estudo destacaremos dois: “o sentimento de reverência e respeito ao Senhor” (Sl 22:23) e “o desejo de agradar a Deus” (Sl 147:11). Como podemos agradar a Deus, e receber as suas promessas? Alguns textos bíblicos nos ajudam a compreender que para agradar a Deus devemos andar nos seus caminhos, ou seja, “obedecer aos seus mandamentos e preceitos” (Sl 1:1-2; 119:1-2, 9, 29, 30, 33, 101, 105). Deste modo, poderemos desfrutar das bênçãos e promessas para a família quando o desejo de agradar a Deus levar nos leve a cumprir a sua Palavra. Promessas e bênçãos de Deus Promessas pessoais Neste versículo temos três promessas para o indivíduo que teme ao Senhor: Sustento, felicidade e prosperidade. O homem que teme a Deus receberá todas as condições para produzir e usufruir do resultado do seu trabalho. O ímpio pode prosperar, mas não tem a garantia de que desfrutará da sua riqueza (Sl 73:2-3; 17-20, Lc 12:1520). O justo mesmo que não enriqueça terá a garantia do sustento da família, não mendigará o pão: “Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado, nem seus filhos mendigando o pão” (Sl 37:25). 59


A humanidade busca a felicidade. Mas, somente o que teme ao Senhor receberá esta promessa: “feliz serás” (128:2b). O salmo 73 nos ajuda a entender a felicidade do homem que teme ao Senhor. Não se trata da ausência de lutas, tribulações, mas da certeza que o Senhor está perto (Sl 73:28) e tem a quem recorrer (Sl 46), e assim “prosperará” (Sl 128:2c). Promessas para família A bênção do Senhor não está restrita apenas ao marido, o chefe da família, mas a todos os seus membros “Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa” (Sl 128:3). Na família do Salmo 128, a esposa é comparada à Videira frutífera. A videira produz uva e esta o vinho, que é o símbolo da alegria. A mulher que serve ao Senhor é dada como promessa de alegria em seu lar. Os filhos são como brotos de oliveira. É a promessa da renovação. A oliveira é uma planta onde surgem o tempo todo, brotos ao redor do seu tronCo Com o passar do tempo e o enfraquecimento do tronco os brotos passam a produzir em seu lugar. Assim será em um lar temente a Deus não faltará descendência fiel (Jr 35:18-19). Bênçãos nacionais Ao homem temente as bênçãos são crescentes. Primeiro, ele é abençoado, depois sua família e finalmente sua nação. Um judeu piedoso não seria plenamente abençoado sem a bênção sobre sua capital e sobre seu país: “O senhor te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida” (Sl 128:5b). Assim como Deus prometeu abençoar um judeu temente, ele abençoará todos os seus servos tementes em todo o mundo (Gl 3:26-29). O servo de Deus tem compromisso em orar pela sua nação e autoridades constituídas (1 Tm 2:1-2). Através da fé receberemos está promessa “Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus” (Sl 128:12a). 60


Este Salmo encerra com duas promessas maravilhosas:“longevidade” e a “paz sobre Israel”. A primeira é destacada pela maravilha de uma família completa, “pais, filhos e netos”. A segunda cor responde o anseio do mundo, mas que somente os tementes alcançarão: “a paz”. “E verás os filhos dos teus filhos e a paz sobre Israel” (Sl 128.6). Mais promessas 26 As promessas de Deus têm como objetivo a remissão do ser humano, e depois, fornecer direção e segurança para alcançar a salvação. A Promessa da Salvação

Mt 1:21

A Promessa do Espírito Santo

Jo 14:14-16

A Promessa do Batismo no Espírito Santo

At 2:39

A Promessa da Cura Divina

Is 53:4

A Promessa da Paz Interior

Jo 14:27

A Promessa da Verdadeira Prosperidade

Mt 6:33

A Promessa de Uma Velhice Feliz e Frutífera

Sl 92:14

A Promessa de Segurança Num Mundo Inseguro

Sl 91:1

A Promessa da Segunda Vinda de Cristo

At 1:11

A Promessa de Nossa Entrada no Céu

Fp 3:20

“Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto” (Jr 17:7-8). 26 Couto, 2007

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Por que devemos crer nas promessas de Deus?

2. Todas as famílias são ________________ por Deus, ímpios e justos, _____________ sol, chuva, frio e calor. No entanto, as do Salmo 128 são promessas _________________ há aquele que ____________ ao Senhor e ________________em seus caminhos. 3. No seu entendimento, o que significa “comer do fruto do seu trabalho?”.

4. A Bíblia relaciona a esposa com a videira e os filhos a brotos de oliveira o que isso simboliza?

5. Liste promessas ainda não cumpridas em seu lar.

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ANOTAÇÕES

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10 D Í Z I M O S E O F E RTA S Obediência e fé através da mordomia cristã “Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9:7)

A doutrina bíblica da mordomia cristã nos ensina, que Deus é o dono de tudo o que possuímos (Êx 19:5; Sl 50:10-12; Ag 2:8) e nós somos apenas mordomos. Até o fôlego de vida foi Ele quem nos deu (Gn 1:26,27; At 17:28), ou seja, tudo o que temos veio do Senhor (Jó 1:21; Jo 3:27; 1 Co 4:7).

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O mordomo não é o proprietário, mas o administrador dos bens (Mt 25:15). Dentro deste conceito divino, está implícito que tudo o que temos não é “nosso”, mas foi-nos dado pelo Senhor para administramos com sabedoria, podendo desfrutar disso aqui na terra, ao lado da família (Lv 25:19; Ec 9:9; Is 1:19) e principalmente, para contribuirmos com a expansão da sua obra. A família cristã tem o compromisso de ser a mantenedora dos negócios de Deus na terra. O Senhor nos ensina a exercermos esta mordomia através dos dízimos e das ofertas (Ml 3:10). Por que devo dar o dízimo? A palavra dízimo (hebraico ma’aser; grego dekate) significa literalmente “a décima parte”. De 100% de todas as nossas rendas, como ato de fé, gratidão e obediência, Ele nos dá o privilégio de “devolver” 10%, para o crescimento de sua igreja. Entendemos que Ele nos dá tudo e nos abençoa financeiramente (Pv 10:22). Portanto, o dízimo pertence a Deus, e é santo (Lv 27:30), e o Senhor nos dá liberdade para administramos os nossos 90%, visando a sua glória (Is 55:2; .1 Co 10:31). Quando nossa família entrega os dízimos, estamos reconhecendo a soberania de Deus (Sl 24:1), afirmando que os nossos 90%, com a bênção do Senhor, renderão mais do que os 100% sem a sua bênção. Quando dizimamos ou ofertamos, não estamos “barganhando” com Deus, mas certamente estamos liberando a bênção sobre nossas vidas, conforme diz o profeta Malaquias: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:8-11 - grifo nosso).

A base bíblica do dízimo Há quem diga que a prática do dízimo é algo ultrapassada, que era apenas para a dispensação da lei. Através da Palavra de Deus observamos 65


que a ordenança do dízimo está presente em toda a Bíblia, e é válida para nós, cristãos da atualidade. A doutrina do dízimo é mencionada mais vezes no Antigo Testamento (AT), assim como a doutrina da salvação, mas isso não invalida a sua eficácia. Quem acha que não deve entregar o dízimo, usando a desculpa desta doutrina estar mais evidente no AT, então não deveria se consolar com os Salmos, buscar sabedoria em Provérbios ou mesmo ler para seus filhos as histórias dos patriarcas, juízes e reis. O AT é tão inspirado quanto o Novo Testamento (NT). Descartar algumas partes da Bíblia para desobedecer à Palavra, é suicídio espiritual. Fundamentar sua fé apenas no NT é imaturidade, pois Jesus e seus discípulos usaram o AT como Escritura Sagrada e regra de fé. Porém o dízimo é antes da Lei. O dízimo antes da lei a) Abraão iniciou o dízimo, entregando-o ao sacerdote Melquisedeque (Gn 14:18-20 / Hb. 7:1-2). b) Jacó continuou o dízimo, fazendo uma aliança com Deus para pedir proteção e demonstrar gratidão (Gn 28:18-22). O dízimo sob a lei a) Moisés institucionalizou o dízimo, sendo usado por Deus, como estatuto para a nação de Israel (Dt 26:1-19). b) Os filhos de Israel deveriam devolver os dízimos na aliança mosaica (Lv 27:30-34). c) Os judeus fieis e devotos entregavam quatro tipos de dízimos (no plural, cf. Ml 3:10): dízimo para o sustento dos sacerdotes e levitas (Lv 27:30-32; Nm 18:21-24); dízimo dos festivais sagrados nacionais (Dt 14:5,6,11,17,18; 14:22-27); dízimo para os pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros (Dt 14:24-26,29,30); dízimo dos dízimos, dado pelos levitas para sustento dos sacerdotes (Nm 18:25-28). Se alguém gastasse o dízimo, deveria restituí-lo com juros (Lv 27:30-31). d) Neemias restaurou o dízimo no pós-exílio (Ne 10:35-39). O dízimo na dispensação da Graça a) Jesus confirmou o dízimo. Deveis porém fazer estas coisas (juízo, misericórdia e fé), e não omitir aquelas (entregar o dízimo)” (Mt 23:23; Lc 11:42). 66


b) Em Hebreus é reafirmado o dízimo, pois este veio antes da lei pelo ministério de Melquisedeque, tipo de Cristo (Hb. 7:1-21). c) Paulo mencionou o princípio da proporcionalidade na contribuição: “conforme a sua prosperidade” (1 Co 1:2). Não existe dízimo maior ou menor, é sempre de acordo com os ganhos do contribuinte, todos contribuem igualmente com 10% de sua renda. d) Para os cristãos do Novo Testamento, que vivem debaixo da Graça, devolver o dízimo é o mínimo. Os santos da igreja primitiva doavam todos os seus bens para a obra de Deus (Atos 2:45; 4:32-35). Os princípios do ofertar Além dos dízimos, nossa família deve ser estimulada a ser fiel nas ofertas ao Senhor. No AT existiam vários tipos de ofertas: o holocausto (Lv 1:6, 8-13), a oferta de manjares (Lv 2:6,14-23), a oferta pacífica (Lv 3:7,11-21), a oferta pelo pecado (Lv 4:1—5:13, 6:24-30), e a oferta pela culpa (Lv 5:14—6:7; 7:1-10). Além destas ofertas prescritas, os judeus podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor (Lv 22:18-23; Nm 15:3; Dt 12:6,17), em tempos determinados ou ocasionalmente. Já no Novo Testamento, não são especificados os tipos de ofertas. Vemos nos ensinos paulinos, que são revelados para a família cristã, os princípios e atitudes no ofertar: Ofertar-nos a nós mesmos primeiramente ao Senhor (2 Co 8:5). Ofertar de boa vontade (2 Co 8:3-12). Ofertar com alegria (2 Co 9:7). Ofertar com generosidade e liberalidade (2 Co 8:2; 9:13). Ofertar proporcionalmente (2 Co 9:6; 8:14-15). Ofertar regularmente (1 Co 16:1-2). Ofertar sistematicamente (2 Co 9:7). Ofertar com amor (2 Co 8:24). Ofertar com gratidão (2 Co 9:11-12). Ofertar como ministração ao Senhor e a seus santos (2 Co 9:12-13). 67


A pedagogia da contribuição na família Desde cedo as crianças israelitas aprendiam a contribuir através dos dízimos e ofertas (Dt 6:6; Pv 22:6). Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, no tempo do AT, um israelita fiel chegava a contribuir com 30% de toda a sua renda familiar. Os judeus ainda hoje são considerados um dos grupos étnicos mais ricos do mundo, devido a sua prática regular de doações e contribuições. O Talmude1 diz: “você é tão rico quanto a quantia que você é capaz de dar”. Através da obediência aos princípios de dizimar e ofertar, eles descobriram o mistério para a prosperidade material. Exemplo: Os judeus não constituem mais de 2% da população norte -americana, porém, cerca de 45% dos 400 homens mais ricos dos Estados Unidos, segundo a revista Forbes, são judeus2. Eles são dizimistas há milênios, desde Abraão, e quanto mais doam, mais enriquecem, porque a semeadura é uma lei irrevogável de Deus. O dever dos pais cristãos é ensinar seus filhos desde cedo, a contribuírem com seus dízimos e ofertas na Casa do Senhor, atraindo assim a bênção de Deus e a prosperidade para sua vida adulta, através da lei da semeadura (2 Co 9:6-11). O efeito da bênção da contribuição é uma colheita que alcança as gerações (Sl 37:25) e a educação dos filhos na prática da generosidade. Pela fé, comece a semear no dízimo e nas ofertas para que a sua família brevemente colha bênçãos de Deus. Benefícios de ser dizimista fiel - As janelas do céu mantém-se abertas sobre a família (Ml 3:10); - O devorador não tem acesso aos seus bens (Ml 3:11); - Você e sua família não serão amaldiçoados (Ml 3:9); - O seu salário não será posto em saco furado (Ag 1:6); - Seu galardão nos céus será mais substancial (1 Co 3:14); - Vocês estarão semeando em terreno fértil (2 Co 9:6; Gl 6:7)

1 Coletânea de leis e tradições judaicas, comentário rabínico do AT. 2 HEWARD-MILLS, 2011,p.96.

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Privilégios da família fiel Sendo dizimistas, vocês terão o privilégio de contribuir no(a): - Avanço da obra de Deus; - Evangelização local e nacional; - Produção de materiais para o discipulado; - Missão nacional e transcultural; - Sustento de ministros e funcionários da igreja; - Manutenção da programação da rádio; - Realização de grandes e pequenos eventos; - Construção de novos templos; - Aquisição de patrimônios; - Aquisição de equipamentos e utensílios para a casa de Deus; - Manutenção e reformas dos templos; - Aluguéis de templos e salas de cultos; - Pagamento de energia elétrica, água, taxa de lixo e outros encargos.

Atitudes erradas ao entregar o dízimo - Não devemos repartir o dízimo com outras ofertas. Primeiro devemos entregar o dízimo que é do Senhor, e depois ofertar para missões, construção, evangelização, etc. - Não devemos administrar o dízimo. Ele não é nosso, é do Senhor. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro” (Ml 3:10). Seja aplicando-o em algo dentro ou fora da igreja, doando aos necessitados ou comprando instrumentos musicais, administrar o dízimo é sempre errado. - Não devemos pagar primeiro os compromissos ou comprar o que precisamos para depois dizimar. O dízimo é a prioridade, pois é a primícia do Senhor (Pv 3:9). - Não devemos deixar de dizimar por nenhum motivo. Ao que retém suas contribuições, há repreensão do Senhor (Ag 1:4-11). 69


Sua família será participante das bênçãos e da obra de Deus! De tudo o que ganhar, traga seu dízimo para a Casa do Senhor! Se todos os professos cristãos trouxerem seus dízimos, não faltará dinheiro para adquirir terrenos, fazer missões, evangelizar, discipular e construir templos. Teremos menos dificuldades na manutenção normal dos templos e do ministério. Não é difícil, é só cada um fazer a sua parte, com um propósito diante de Deus e assim, as bênçãos virão abundantemente sobre a família que é fiel. A promessa da bênção de Deus é sobre tudo: vida espiritual, nos bens materiais; na saúde e na satisfação. Você sentirá tranquilidade e confiança por ser fiel a Deus. Contribua e verá os resultados!

ANOTAÇÕES

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Explique o que você entende por mordomia cristã.

2. Porque devemos dar entregar o dízimo?

3. Cite alguns princípios e atitudes que devemos ter ao ofertar.

4. Quais são os benefícios de ser um dizimista fiel?

5. Quais são os privilégios que a família fiel desfruta?

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11 A FAMÍLIA E SUAS FINANÇAS Administrando os recursos financeiros à luz da bíblia A Palavra de Deus e a sua abordagem sobre finanças Encontramos nas Sagradas Escrituras embasamento para “a prevenção e enfrentamento” da crise financeira. Conforme citado no livro A Fonte da Verdadeira Riqueza1, há 2.350 versículos bíblicos sobre

finanças. A quantidade de versículos ora apresentado correlacionado s às finanças, é quase dez vezes maior que os que são encontrados em temas ligados à fé e à salvação. 1 DAYTON (2006)

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Podemos então dizer, que a Palavra de Deus pode ser utilizada como um excelente manual de gestão financeira. Temos que considerar que esta é uma quantidade de citações que chegam a causar surpresa, quando entendemos que toda a Bíblia tem como objetivo principal a salvação eterna da humanidade através de Jesus Cristo, conforme João 3:16. Chegamos ao entendimento de que Deus, ao permitir tantas passagens bíblicas ligadas à administração de finanças, tem como interesse, não só de levar-nos à eternidade, mas guiar-nos pelo melhor caminho (Jo 14:6), enquanto peregrinamos nesta terra. As escrituras são uma bússola para o cristão (Sl 119:105). O cristão e a crise financeira Mesmo com toda a orientação do nosso manual de sobrevivência terrena e eterna, não há quem esteja imune a passar por momentos de crise e de adversidade. Diante de tantas promessas que há na Bíblia Sagrada, há também a proferida por Jesus Cristo no Evangelho do apóstolo João: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16:33). O que diferencia neste momento “desértico” os cristãos em relação àqueles que não possuem proximidade com a Palavra de Deus, são exatamente os três elementos fundamentais mencionados pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 13:13 - Fé, Esperança e Amor, que são justamente os elementos que fazem os servos de Deus, terem resiliência para superar os dias maus e continuar a caminhada firmes na presença de Deus. Este caminho pode ser melhor seguido, se tivermos a maravilhosa ajuda do Espírito Santo de Deus (Sl 23:1-4). Ser direcionado por Deus nesta caminhada de peregrinação na terra, sem dúvida, é a melhor forma de orientação. O modo de viver regrado nos padrões bíblicos, facilitará a forma de conduzirmos nossas finanças, que são influenciadas pelo estilo vida e sobretudo, pelos hábitos de consumo. A orientação de como lidarmos com esta questão aparece em Filipenses 4:11-12. As palavras do apóstolo Paulo nos trazem um significativo ensinamento acerca de como lidar na prática, com os três grandes pilares de decisão, que influenciam toda a vida financeira familiar, que são: Decisões de Consumo, Decisões de Investimento e Decisões de Financiamento2. 2 SOARES (2007).

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Compreendendo o conceito de prosperidade Como falar de finanças sem mencionar a prosperidade? Esta questão é muito abordada nos dias atuais, sendo inclusive muito distorcida, sobretudo por aqueles que pregam a chamada “Teologia da Prosperidade.” Através de suas mensagens triunfalistas, se pregam que o indivíduo tem que necessariamente “ter”, enquanto a Bíblia Sagrada valoriza verdadeiramente o “ser”, pois aquilo que somos é o que chama a atenção de Deus e não aquilo que possuímos. Um grande exemplo foi Jó, que encheu a Deus de alegria, a ponto de citá-lo como exemplo de fidelidade para satanás (Jó 1:8). O que de fato chamou a atenção de Deus não foram os bens e as propriedades que Jó possuía, mas sim o seu caráter, pois mesmo perdendo tudo o que tinha, Jó não pecou contra Deus. Através do seu relacionamento diário com o Senhor Jó sabia que tudo o que possuía vinha de Deus (Jó 1:21-22). Jó sabia que o mais importante era a intimidade que ele tinha com Deus, que só aumentou em meio as provas as quais foi submetido, conforme citado em Jó 42:5. Ao final, pela sua lealdade a Deus, Jó recebeu em dobro tudo o que antes possuía (Jó 42:10). Entendemos através de Jó que quem prospera o crente verdadeiramente é o Senhor. Corroborando com Jó, encontramos o profeta Jeremias, que deixa nítido que o mais importante de tudo é conhecer a Deus (Jr 9:23-24). O que o profeta menciona é o fato de que a glória não está nas “coisas” que possuímos, sejam elas materiais ou não, sendo assim, não importam os diplomas acadêmicos que possuímos, o volume de recursos aplicados no banco, as escrituras de imóveis em nosso nome ou os carros importados na garagem, mas sim, o que tem verdadeira importância é o fato de conhecermos a Deus – um Deus de bondade, de justiça e acima de tudo um Deus de amor! Orientações sobre hábitos de consumo De Lucas 12:22 em diante, encontramos uma passagem bíblica que registra algo sobre as preocupações da vida, situação muito pertinente para os dias atuais. Ao estudarmos este registro bíblico, nos deparamos com a possibilidade de realizarmos uma importante reflexão sobre valores, permitindo uma profunda reflexão sobre para quais coisas e pessoas estamos ou não dando o devido valor, afinal, “tesouro” é algo de valor, 74


conforme Lucas 12:34. O nosso Senhor Jesus Cristo prossegue orientando os seus discípulos para que não ficassem apreensivos pelo que coisas comeriam e vestiriam. Ele afirma que a “Vida” é mais que o “Sustento” e que “Corpo” é mais do que as “Vestes”, assim, deixando uma lição sobre o que deve ser mais significativo para nós. A expectativa de aquisição e de poder, que está intrínseca na grande maioria das pessoas, gera demasiada ansiedade no desejo de posse. É conhecido o fato que as pessoas de modo geral, tem soberanamente dois desejos: o primeiro de adquirir coisas e o segundo, de desfrutar dessas coisas. Este pensamento gera sempre uma expectativa de que a benção financeira está diretamente relacionada à aquisição de automóveis, imóveis, pacotes turísticos e ou qualquer outro tipo de coisas que possam satisfazer e alimentar os desejos da alma. Neste sentido as pessoas acabam dando descabidamente muito valor para “as coisas,” que não são mais importantes do que a “Vida”, e sobretudo do que a “Vida Eterna”. Entendemos que o mais importante para a nossa vida não é conquistar coisas, mas sim, conquistar a certeza da salvação e principalmente, ter almas para apresentar ao Senhor Deus naquele grande dia. O mais importante é a plena aquisição do direito de viver na plenitude do Reino de Deus (Romanos 14:17). No contexto do versículo base deste estudo, o evangelista Lucas escreve que: “Mais é a Vida do que as outras coisas” (Lc 12:23) e Jesus também disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (Jo 10:10), logo, temos a promessa de uma vida abençoada. A grande pergunta é como podemos ter “Vida” em momentos de crise? Recorremos novamente as Escrituras, onde encontramos o ensinamento do apóstolo Paulo em Filipenses 4:11-12. Paulo afirma que aprendeu a contentar-se com o que possuía. Isto é muito importante, pois geralmente as pessoas, por não dar o devido valor para aquilo que já possuem, estão sempre em busca de algo a mais. Não que as pessoas não tenham que melhorar as suas condições e qualidade de vida, no entanto, a busca desenfreada por adquirir coisas gera consequência de impacto financeiro e, às vezes, de grande dimensão. Contentar-se com aquilo que Deus lhe concedeu, nada mais é, do que desfrutar das bênçãos concedidas por intermédio Dele. Vemos também que o apóstolo Paulo “sabia viver” 75


em momentos de fartura e em momentos de dificuldade. Nós também temos que “saber viver” em todos os momentos. Assim, é necessário entendimento de alguns procedimentos, atitudes e comportamentos na área financeira: a) Adequação de hábitos de consumo; b) Ter direção de Deus nas aquisições; c) Não ser dependente do conceito popular do “status” – “comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para mostrar para quem você não gosta!” Orientações técnicas sobre a gestão financeira da família - Elaboração de orçamento familiar; - Uso consciente de linhas de crédito bancário; - Correta utilização do cartão de crédito; - Uso adequado da conta corrente bancária; - Adotar procedimentos adequados para sair de situação de crise; - Saber investir da melhor forma o excedente financeiro; - Ter uma reserva de pelo menos 06 (seis) salários para emergências.

Aplicando os conceitos comportamentais e técnicos mencionados e aliados a uma plena comunhão com Deus, será possível obter êxito em momentos de crise. Aqueles que buscam ao Senhor e tem dele a sua total confiança, como descrito em Salmos 37:3-7, obtém a vitória sobre as crises debaixo da provisão divina. Conclusão Em meados do século XV, o escritor alemão Thomas A. Kempis disse: “Deixe que as coisas temporárias cumpram o seu papel, mas que as eternas sejam o objeto de seu desejo”. Assim, o incentivo é para que possamos insistentemente nos preocupar com a Eternidade, tanto para nós quanto para as pessoas de nossos relacionamentos, seja no âmbito familiar, profissional, acadêmico ou comunitário. Sempre na certeza de que Deus é o dono do ouro e da prata (Ag 2:8) e não deixará de prover nada do que precisamos. 76


QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. A Bíblia aborda questões da área financeira?

2. Os cristãos estão sujeitos a passar por crise financeira?

3. O que você entende sobre prosperidade?

4. Como podemos ser fieis a Deus na área financeira?

5. Como podemos ajustar os hábitos de consumo à luz da bíblia?

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12 DISCIPULADO NO LAR Vivendo e transferindo os valores cristãos A importância do discipulado no lar É muito importante para uma família cristã, que o lar seja um local de edificação espiritual (Sl 127:1). A presença de Cristo deve ser marcante e determinante na vida de cada membro da família (Ex 33:15; Jo 15:5).

A salvação no plano divino Deus projetou a salvação para o lar. O apóstolo Pedro em sua carta, informa que a salvação foi manifestada no tempo presente, mas 78


provida ainda antes da fundação do mundo (1 Pe 1:19-20). Do mesmo modo ,o apóstolo João revela que o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo, para perdão dos nossos pecados. O lar e o discipulado Na Bíblia encontramos o ensino no lar como um mandamento: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te” (Dt 6:6-7). No texto é demonstrado, que o mandamento guardado no coração dos pais deve ser repassado aos filhos. Esta responsabilidade não pode ser transferida ou terceirizada para a igreja, ao pastor ou professores da EBD. A mensagem do evangelho deve ser motivo de conversação em casa, no caminho, antes da família repousar e no despertar para um novo dia. Quando o lar recebe o ensino, diariamente, a presença de Jesus é assegurada (Mt 18:20). E, deste modo, edificada: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127:1). Um exemplo de discipulado na família No evangelho de Marcos está registrada uma bela história de discipulado, iniciada por Jesus e depois passada para toda família. Jesus teve um encontro com um homem chamado Simão e apelidado de Cirineu (Mc 15:21). Simão foi escolhido por Deus para fazer parte de um plano maravilhoso (Jó 42:2). Ele foi escolhido para levar a cruz de Jesus. Abraçando a cruz de Cristo Simão, de acordo com o evangelista Marcos, voltava do trabalho quando encontrou a multidão que levava Jesus para ser crucificado. A cena é descrita no capítulo quinze do mesmo evangelho. Este homem foi atraído pelos gritos da multidão, pelo choro das mulheres que amavam Jesus. Ao aproximar-se para ver o que acontecia, os soldados constrangeram-no a levar a cruz. Mesmo sendo constrangido a levar a cruz, este homem teve sua vida mudada no encontro com Jesus (v. 15:21). 79


Transferindo a cruz de Cristo para a família A Bíblia de Estudo Dake27 informa que Simão e sua família, eram bem conhecidos nos círculos cristãos, na época em que o Evangelho fora escrito. Marcos menciona o nome dos filhos de Simão, “Alexandre e Rufo”. Outros textos do Novo Testamento confirmam a conversão de Simão. Em Atos dos Apóstolos (19:33). Alexandre, filho mais velho de Simão, é citado como um dos companheiros de Paulo. Assim como a esposa é citada juntamente com o filho mais novo, Rufo, na carta de Paulo aos Romanos (Rm 16:13). O que aprendemos com este exemplo, é que Jesus tinha, de fato, um encontro marcado com Simão Cirineu. Dentre muitas pessoas que estavam na cena da crucificação, Deus escolheu um homem que levaria para sua casa a mensagem da cruz. Este simples agricultor nos ensina que o trabalho que ele fizera até o meio-dia, serviu para manter sua vida material; e o trabalho prestado após o meio-dia, serviu para ganhar a vida eterna. Porém, ele vai além. Depois de um dia de trabalho cansativo no campo, retorna para casa e conta tudo o que lhe havia sucedido. A fé do Cirineu a quele que havia chamado para carregar a cruz, é passada para sua família. Simão deixou o melhor que recebera após um dia intenso de trabalho, “a cruz”. Os benefícios do discipulado no lar O discipulado no lar tem fins específicos. Jesus prometeu estar presente onde estivessem pessoas reunidas em seu nome (Mt 18:20). Mas os benefícios do discipulado, excedem a este. Fortalece a família Na atualidade, muitos são os meios para separar os integrantes da família. A televisão mantém os membros da família afastados uns dos outros, pelas programações e preferências. Em cada cômodo da casa existe um aparelho de TV ligado, pois cada um deseja ver algo diferente. O mesmo acontece com os equipamentos tecnológicos 27 Dake, F. J. (2009). Bíblia de Estudo Dake. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1621.

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(internet, plays, celulares, entre outros). O culto familiar ou discipulado une pais e filhos (Sl 133:1). E onde há união, existe também a bênção do Senhor (Sl 133:3). Deste modo, a família é fortalecida no aspecto social e também espiritual. Protege a família Através do estudo sistemático da Palavra de Deus, encontramos um novo padrão de vida, “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17). De modo que, não viveremos mais segundo o estilo de vida mundano. Assim, quando Satanás lançar investidas contra a família, não encontrará brechas (Ef 6:10-20). Alcança a família e mais famílias O livro de Atos dos Apóstolos ensina que os lares eram o palco do crescimento da igreja primitiva (At 5:42). Nas casas ensinavam e anunciavam a Cristo. Um belíssimo exemplo de utilizar a casa para alcançar mais famílias é fornecido por Cornélio. Quando mandou chamar Pedro para anunciar-lhes a Palavra; também convidou seus parentes e amigos íntimos (At 10:24). Cada geração é responsável por anunciar a Cristo a outra geração (2 Tm 1:5). Agora que você e sua família já foram discipulados, é seu compromisso passar este conhecimento adiante para abençoar outras famílias. Deus conta com vocês!

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Como é possível assegurar a presença de Cristo no lar?

2. Escolha um dos textos que trata da escolha de Deus em prover a salvação das famílias e transcreva abaixo:

3. Qual foi a melhor herança deixada por Simão Cirineu à sua família?

4. Por que devemos discipular a família?

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ANOTAÇÕES

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13 I D E , FA Z E I D I S C ÍI P U L O S A família cristã ganhando e discipulando “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações(...)” (Mateus 28:19)

A família é um projeto de Deus. Como qualquer projetista, Deus promove sempre o aperfeiçoamento entre os membros da família, para que haja o crescimento espiritual, o crescimento da harmonia e assim fortifiquem-se os laços da união deste lindo projeto diante do

mundo. “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp 2:15). 84


Agora que sua família já passou, com êxito, pelo discipulado, convém aprender um pouco mais para alcançar os seus parentes, através do maior projeto de Deus: o Plano da Salvação (cf. Jo 3:16). Família e salvação: plano perfeito “Então disse o Senhor a Noé: entra tu e a tua casa na arca, porque te ei visto justo diante de mim nesta geração” (Gn 7:1). O objetivo de Deus é que todos os nossos familiares conheçam a verdade em Cristo Jesus. No AT, Deus deu uma ordem a Noé: “entra tu e a tua casa na arca”. Isto quer dizer que devemos nos ocupar para que todos os nossos parentes sejam alcançados pela salvação. Em Atos 16:31, vemos um episódio em que o apóstolo Paulo foi liberto da prisão, e acalmou uma situação complicada, impedindo o carcereiro da prisão de tirar a própria vida. Logo após, Paulo disse a ele: “crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa”. E ele e toda a sua família aceitaram a salvação em Jesus. Vemos aqui que a salvação é um plano perfeito para alcançar a família toda, basta um dos membros conhecer a Jesus, e através deste, os demais terão a oportunidade de conhecer a salvação em Cristo e descobrir a vontade de Deus através do discipulado. Assentados juntos à mesa Essa é uma expressão que fala muito com a família. Geralmente uma família estruturada se reúne para se alimenta,r e é comum todos se assentarem juntos à mesa. No sentido espiritual, Jesus é o Pão da Vida, o alimento necessário para a alma do cristão (Jo 6:48-58). No Salmo 128, encontra-se a receita para uma família feliz, que se assenta junto à mesa. A receita é: temer ao Senhor. Isto significa amar ao Senhor e fazer a Sua vontade. Assim diz em Salmos 128:1-3. “Bemaventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos, pois comerá do trabalho de suas mãos, feliz será, e te irá bem; a sua mulher será como videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira à roda da tua mesa(...)”. A família reunida, promove o reino de Deus. A família reunida, em união com Cristo, recebe o alimento espiritual junto, crescerá junto, desenvolverá os propósitos de Deus em unidade, e frutificará junta para a glória de Deus! 85


Nada melhor para a família cristã, que aproveitar estes momentos em que se assenta para se alimentar junto de seus familiares, para apresentar o evangelho de Jesus aos seus parentes e amigos mais chegados, assim como fez Cornélio (At 10:24). Praticando o orar juntos Não existe uma fórmula mágica para entrarmos em contato com Deus. Nos comunicamos com ele através da oração. A oração é o meio eficaz para falarmos com o nosso Criador. A Bíblia nos ensina que basta possuirmos um coração puro e termos nosso espírito reto (cf. Sl:51), para mantermos comunhão com Deus. Quando o salmista roga a Deus o seu perdão, se põe diante de Deus com seu coração humilhado, quebrantado e necessitado. Devemos ter esta atitude para que o Senhor nos ouça e nos responda! A oração feita com toda a família tem um maior alcance diante de Deus, porque o Senhor tem o prazer de ouvir as orações quando todos estão unidos em um só propósito (Sl 133). E ele garante sua presença onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18:20). A oração também é a arma mais poderosa para ganharmos nossos familiares para Cristo, pois ninguém pode resistir ao poder de Deus liberado através da oração. Quando oramos, Deus entra em ação! Principalmente em se tratando da salvação de almas, que é a maior vontade de Deus (1 Tm 2:4). Ore com e por seus familiares. Um sábio certa vez afirmou: “se você não pode falar de Jesus para alguém, fale deste alguém para Jesus”. Através da oração, Deus abrirá as portas para que o Evangelho de Jesus entre no lar dos seus familiares através de você. Conhecendo e compartilhado a Palavra de Deus juntos Jesus sempre enfatizou a necessidade de conhecer a sua Palavra. Em Mateus 22:29 ele chama a atenção de alguns religiosos quando diz: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. No estudo do Discipulado, temos o privilégio de conhecer a Palavra de Deus através dos ensinos básicos do Evangelho. 86


O que é o Evangelho? São as boas novas, ou conforme Paulo, “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16). A partir do momento que conhecemos o Evangelho, vai se descortinando um mundo de graça e vitória para a nossa família. A partir do momento que nossa casa já está edificada sobre a rocha, isto é, ouvindo e praticando a Palavra de Deus (Mt 7:24-25), é a hora de compartilharmos a Palavra com os nossos familiares. É um privilégio e uma responsabilidade de cada cristão fazer discípulos (Mt 28:19-20) e você faz parte deste mandamento, que foi dado por Jesus a todos aqueles que são seus discípulos. Jesus o chamou para discipular seus familiares! Você pode questionar: como eu posso discipular os meus? Bem, vamos lhe orientar de forma prática para iniciar o discipulado com seus familiares. Como iniciar um grupo de discipulado com os familiares? 1 - Sondagem e oração Verifique quem necessita ser discipulado e comece a orar por esta família e por suas necessidades espirituais. Peça a Deus que lhe dê a oportunidade de apresentar o discipulado. O elemento essencial do discipulado é o amor (Jo 13:35), e a melhor forma de começar a amar uma pessoa é orar constantemente a Deus por ela. 2 - Apresentação do discipulado Através de uma visita na casa desta família ou de um convite para vir à sua casa para um bate-papo ou uma refeição, apresente o livreto “Conhecendo o Amor de Deus” ou “Discipulado Família Cristã”, junto com o(s) seu(s) discipulador(es). Explique que cada livreto é um estudo bíblico que dura em média, três meses, e que cada encontro semanal tem a duração de uma hora. Testemunhe sobre como você conheceu Jesus e o que mudou em sua vida e em sua família através do Discipulado. E por fim, faça o convite para que seja iniciado o discipulado. 87


3 – Implantação do grupo Tendo combinado o dia da semana, o horário e o local (que pode ser a casa da pessoa/família, a sua casa, a casa do seu discipulador ou em uma sala no templo, etc.), chegue com seu cônjuge e com seu(s) discipulador(es) para a implantação do grupo de discipulado. Nesta primeira reunião, leia a apresentação da lição e dê um panorama sobre os assuntos que serão abordados. Verifique se as pessoas que serão discipuladas possuem Bíblia Sagrada ou não. Em caso negativo, providencie para o próximo encontro, pelo menos um exemplar da Bíblia, para que os discipulandos acompanhem e participem das leituras dos textos que estão citados nas lições. É recomendável também combinar as questões sobre o ambiente onde será desenvolvido o encontro, para que não haja interrupções. E é fundamental evitar lanches, principalmente se for na casa dos discipulandos, para que não se sintam constrangidos a ter que servir comida em todos os encontros. Finalmente, incentive os discipulandos a desenvolverem o hábito da oração diária, da leitura da Palavra e do jejum, para que o estudo flua com mais facilidade e para que o Senhor entre com providência em cada necessidade. 4 – Desenvolvimento dos encontros Geralmente, um encontro de discipulado deve durar no máximo uma hora, salvo por algum motivo justificado. Cada encontro precisa precisa ter a seguinte “liturgia”, para ser dinâmico e eficaz: a) Socialização e boas-vindas b) Oração inicial (simples, clara, objetiva e em tom normal) c) Quebra-gelo (louvor, dinâmica ou testemunho) d) Leitura da Palavra (assunto do dia) e) Leitura da lição e estudo da Palavra f) Tira-dúvidas e exercícios g) Oração final (específica pelas necessidades da família) h) Socialização e despedida 88


Conclusão Lemos na Bíblia Sagrada que Jesus, aqui na Terra, estava cercado de seguidores fieis, que eram chamados de discípulos, porque ouviram o mestre, aprenderam, obedeceram e compartilharam a sua Palavra. Você e sua família também serão chamados de discípulos de Jesus se permanecerem na Palavra de Deus e derem frutos, isto é, anunciarem a Palavra com outros, para os tornar discípulos do Senhor (Jo 8:31). O “ide” de Jesus é um grande desafio e uma grande responsabilidade. Cabe a nós, nos dias de hoje, respondermos a Deus como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8)! Desejamos que você e sua família sejam discipuladores. Para isto, entre em contato conosco através do telefone (47) 3026-4093 ou do e-mail: discipuladojoinville@hotmail.com para receber instruções e materiais do Departamento de Discipulado. Parabéns! Você concluiu todas as lições do estudo “Discipulado Família Cristã”. Cremos que você está desfrutando da gloriosa presença de Deus no dia-a-dia do seu lar. Recomendamos que você continue aprendendo a Palavra de Deus, frequentando aos cultos da Igreja, especialmente o culto de edificação espiritual e a Escola Bíblica Dominical. Convidamos você para participar do Departamento de Casais Ágape em uma de nossas congregações. É um grupo onde você e seu cônjuge encontrarão apoio para integração à Igreja e para sua vida em família. Além disso a IEADJO oferece diversos cursos bíblicos e teológicos para toda a família (veja no site www.ieadjo.com). Deus continue lhe abençoando!

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO 1. Qual é o maior de todos os projetos de Deus? 2. Qual é a principal receita para ter uma família feliz?

3. O que é necessário para mantermos comunhão com Deus?

4. Cite os quatro passos para iniciar um grupo de Discipulado com os seus familiares:

5. Qual é a “liturgia” para um encontro de discipulado dinâmico e eficaz?

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ANOTAÇÕES

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Bibliografia KÖSTENBERGER, Andreas J. e JONES, David W. Deus, Casamento e Família. São Paulo: Vida Nova, 2011. BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Pentecostal. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição rev. e corr. Compilado e redigido por Donald C. Stamps. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. CARLESSO, Joary Jossué (org.). 1a Oficina de Discipulado. Joinville: Departamento de Discipulado, 2011. CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 2001. DAYTON, Howard. A Fonte da Verdadeira Riqueza : 2.350 versículos bíblicos sobre �inanças. Pompéia: Universidade da Família, 2006. FLÓRIDO, L. C. Família Cristã. Niterói: _____, 2005.

FOULKES, Francis. Efésios : Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2006.

G1. www.globo.com. Retrieved Março 7, 2013, from G1 Brasil: http://g1.globo.com/ brasil/noticia/2011/11/numero-de-divorcios-no-brasil-e-o-maior-desde-1984-diz-ibge. html. <acesso em 30 Novembro 2011>. HOWARD-MILLS, Dag. Por que os cristãos não-dizimistas se tornam pobres e como os cristãos dizimistas podem se tornar ricos. ______: Parchment house, 2011. JACKSON, R. O casamento e o lar. Campinas - São Paulo: EETAD, 1980. KEMP, J. Sua família pode ser melhor. São Paulo: Betânia, 1986. KIVITZ, E. R. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. KÖSTENBERGER, A. J. Deus, Casamento e Família. São Paulo: Vida Nova, 2011. MELHADO, N. (1995). www.cançãonova.com. Retrieved fevereiro 27, 2013, from Canção Nova Notícias: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=281827 PAUDA, Osmir Moreira de. Prosperidade dízimos e ofertas. 13ed. São Paulo: Edição do autor, 2007. PHYLLYS, A. E. (2012). Antes de dizer sim. Retrieved Março 19, 2013, from Igreja de Cristo em Itu: http://www.cristoemitu.com.br/estudos/estudos-especiais/curso-antesde-dizer-sim/licao-1-o-que-e-o-casamento/ SOARES, Fabrício. LAR S.A. : você e sua família na rota da prosperidade. São Paulo: Saraiva, 2007. TULER, Marcos, et. al. Discipulado : mestre 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. WOODWARD, D. Casamento e família. Joinville: Gráfica MTM, 2012.

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