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Disponibilização: Stella Marques Tradução: Niquevenen Pré-Revisão: Tempestade Revisão inicial: Tempestade Revisão Final: Stella,Anna Carillo Leitura Final: NYorkerGirl Formatação: Dadá


Uma tímida alma perdida. Um silencioso coração solitário. Um amor para salvar os dois.

A vida nunca foi fácil para o rapaz de vinte anos, Levi Carillo. O mais jovem dos meninos Carillo, Levi não é nada como seus irmãos mais velhos. Ele não é escuro na aparência ou intimidante para todos que encontra. Na verdade, ele é completamente o oposto. Assombrado por uma timidez paralisante e os trágicos acontecimentos de seu passado, Levi passa seus dias com a cabeça enterrada em seus livros, ou treinando duro com a sua equipe de futebol da faculdade. Tímido demais para falar com as meninas, Levi fica tão longe quanto possível e completamente sozinho... até que salva a vida de uma linda loira perturbada - uma linda loira perturbada que só poderia ser uma exceção à sua regra.

Elsie Hall é desabrigada. Ou, pelo menos, isso é tudo que qualquer um vê. Todo dia é uma luta pela sobrevivência nas ruas frias de Seattle; todos os dias uma luta para encontrar alimentos e se manter aquecida. Sozinha na vida — uma vida que é perigosa e cruel — sua vontade de continuar é uma batalha que cada vez mais está perdendo. Em seu mundo de silêncio, Elsie já desistiu de ter esperança que sua vida irá conter algo além de luta e dor constantes... até que o menino bonito que ela severamente prejudicou vem em seu socorro, precisamente no momento certo.


Para os meus leitores. Este romance existe por causa de vocês.

E para aqueles que se sentem pequeno por causa dos outros, aqueles que se sentem inferiores por palavras pejorativas. Mantenham-se fortes através da dor. Continue a lutar. Um dia isso vai acabar, e você vai encontrar de novo sua voz ... ... Você vai encontrar novamente o seu sorriso.


Como todos sabem, eu planejei que o Sweet Hope fosse o último romance da série Sweet Home. Eu terminei o romance com um tom finito, e estava contente. Eu amei como ele terminou. Então comecei a receber mensagens de vocês, meus leitores, perguntando sobre Levi Carillo. O que aconteceu na vida de Levi? Como ele encontrou Elsie? Qual foi a sua história? Seria possível saber a sua história também? Em pouco tempo, essas questões começaram a invadir minha cabeça também, até que eu sabia que tinha que dar a Levi sua história. Eu tive que dar ao último menino Carillo sua vez, precisava dar-lhe o seu ‘felizes para sempre’. No início, planejei que Sweet Soul fosse uma novela. Eu queria que a história fosse doce e bonita, exatamente como o nosso tímido e reservado Levi. Mas quando comecei a escrever, uma nova história, mais significado começou a se formar, e eu sabia que a novela doce que tinha planejado, se tornaria um romance completo. Um romance que explorava temas que, na minha opinião, precisa ser trazido para o primeiro plano das conversas. Que precisa de mais exposição. Eu ainda considerei o "Capítulo Bônus” em Sweet Hope como o capítulo final da Série Sweet, o único a dar este encerramento a série. Mas eu estou além de grata por seu apoio e pedidos pelo romance de Levi, o que me fez cortar o coração, ainda que seja uma bela história. Espero que todos se apaixonem pelo nosso casal tímido, tão forte e rápido como eu fiz. Eu acredito que estava destinada a escrevê-lo. Então, como sempre, agradeço a todos vocês por me orientarem nesse sentido. Obrigada por me inspirar a dar a Levi e Elsie sua voz. Eles realmente merecem.


"Eu nĂŁo penso em toda a misĂŠria, mas em toda a beleza que ainda permanece."

Anne Frank


LEVI

A chuva caía forte. Puxei a gola da minha jaqueta no meu pescoço. Alcançando a porta do armazém, eu o destranquei com a chave que secretamente copiei da chave mestra de Axel, minha respiração quente fazia fantasmas de névoa branca quando colidia com o ar frio. Trovão retumbou distante em um céu cinza escuro. Quando a fechadura se abriu, eu entrei no edifício seco. Acendi as luzes no teto, revelando uma massa de estátuas cobertas. Meus olhos percorreram o interior do armazém, imediatamente parando na parte de trás do grande espaço. Uma escultura, envolta em algodão branco, estava mais alta do que o resto. Meu coração pulou uma batida. Mesmo antes de me mexer uma polegada, meus olhos começaram a arder com a ameaça de lágrimas. Inalando uma respiração profunda, forcei os meus pés à frente. As tábuas de madeira rangeram abaixo dos meus tênis, enquanto eu me movia lentamente para a escultura. Eu não a tinha visto em mais de nove meses. Mas tinha pensado nisso todos os dias. Eu tinha pensado sobre isso: memórias da mulher real que inspirou a arte, estavam começando a desaparecer. Para meu horror absoluto, eu tinha começado a esquecer dela. Ela começou a derreter da


minha mente. Dia após dia, hora após hora, ela foi desaparecendo como poeira. E eu não podia fazer nada para detê-lo. Levantando uma mão, agarrei o pano e puxei-o do mármore branco escondido abaixo. Jogando o pano no chão, levantei minha cabeça, e lá estava ela; brilhante e inocente como o anjo que eu sabia que ela tinha se tornado. Eu pisquei a umidade dos meus olhos enquanto olhava seu rosto sorrindo. Avançando a frente, coloquei meus dedos sobre sua bochecha de mármore frio, bebendo em suas feições—olhos e nariz—e seu longo cabelo castanho. Fechei os olhos, gravando cada detalhe intricado na memória. Eu nunca queria esquecer esses detalhes. Eu não podia suportar esquecer novamente. Esta escultura, este rosto no mármore, era tudo o que eu tinha deixado. A chuva lá fora ficou mais pesada enquanto o céu rolava com nuvens de tempestade, as pequenas janelas que reveste o telhado do armazém estavam inundadas com o atoleiro de água. Em seguida, um flash brilhante de luz banhou o lugar. Instintivamente enfiei a mão no bolso. Minha mão enrolando em torno da corrente de contas marrons, e retirei o rosário, levantando-o para minha boca para beijar a velha cruz de prata. Minha mandíbula apertou quando me forcei a olhar de novo para o rosto do anjo. E assim que fiz, um trovão rugiu acima. Como se eu fosse uma criança mais uma vez, estendi a mão e segurei a mão do anjo na minha. Sentindo os dedos frágeis tão pequenos na minha mão, mantive a pressão apertada e caí no chão duro. E eu respirei.


Eu respirei pela dor da perda que vivia todos os dias. Eu respirei através do medo de que, em pouco tempo, todas as lembranças dela iriam desaparecer, deixando-me com um vácuo preto onde seu rosto costumava estar. Quando outro raio atingiu o chão, segurei a mão do anjo mais apertado; este simples ato de envolver seus dedos nos meus, acalmou a tempestade interior, mesmo que a tempestade assolava lá fora no céu. Recostando-se contra as pernas do anjo, mantive minha mão e agarrei o rosário no meu peito. O trovão ressoou alto. Fechei os olhos e deixei as memórias do anjo escoar... Trovão bateu no céu e eu pulei acordado em minha cama. A chuva martelava o telhado de zinco e as paredes, e eu balancei com medo—as gotas soavam como balas de tiro dos Heighters lá fora. Contando até dez, rapidamente empurrei o cobertor fino fora de meu corpo e pulei fora da cama. Um relâmpago iluminou meu quarto, e apenas alguns segundos mais tarde, um forte trovão ressoou no céu, sacudindo nosso trailer. Meus pés correram a frente, meu coração batendo rápido. Corri para a sala de estar, mas estava vazia. Austin e Axel ainda estavam com o Heighters, mas eu sabia que minha mãe estaria aqui. Ela nunca me deixou sozinho. Ela trabalhava realmente duro em seus três empregos, mas quando Austin e Axel saiam para fazer algum dinheiro, Mamma sempre ficava por perto. Eram minhas noites favoritas, quando minha mãe lia para mim na cama. Ela acariciava meus cabelos, e cantava, eu adorava ouvi-la cantar. Quando ela cantava, eu sorria. Eu não sorria com frequência. Na verdade, nenhum dos meus irmãos, nem minha mãe sorria muito.


Mas eu sorria quando ela cantava. Quando ela me balançava em seus braços. Um raio atingiu novamente, e corri para o corredor estreito para o quarto de minha mãe antes que o som do trovão rugisse. Alcançando a porta, calmamente virei a maçaneta. O quarto de Mamma estava escuro, mas havia uma pequena vela acesa no seu quarto, ao lado de um dos frascos de vagalumes que tínhamos feito ontem, desde que Mamma não poderia pagar para manter as luzes acesas. Eu rastejei para dentro, e atrás da porta, ajoelhada ao lado da sua cama, estava Mamma. Ela estava rezando. Ela fazia muito isso. Quando o trovão bateu de novo, corri em sua direção na cama. Mamma levantou a cabeça. E então sorriu para mim.

– Mia luna, vieni qua.1 – Ela se levantou e estendeu os braços. Eu corri para a frente, e na hora que passei meus braços em torno de sua cintura, me senti melhor. Mamma sempre me fez sentir melhor.

– Mamma, – eu disse calmamente, – o trovão. É muito alto, está machucando meus ouvidos. Eu estou ... Eu estou com medo.

– Shh... – ela sussurrou e apertou um beijo no topo da minha cabeça. – São apenas os deuses romanos mostrando ao mundo que ainda estão aqui. Eu me afastei e franzi a testa. – Deuses romanos? Mas você só acredita em um Deus, Mamma.

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Minha lua, venha aqui.


Mamma me puxou para baixo para se sentar ao lado dela na cama e riu. – Eu faço, mia luna. Mas sua nonna costumava dizer que não havia nada a temer do trovão. Que era simplesmente os antigos deuses romanos certificando-se de que ninguém se esqueceu deles nos céus. – Ela riu e me puxou para mais perto. – Eu costumava imaginá-los tendo uma festa. Tendo muito vinho e batendo os pés. Eu ri, imaginando todos os Deuses gigantes sentados ao redor de uma mesa, rindo e bebendo - se embebedando. Mamma apertou-me com força e, desta vez, quando o trovão bateu acima de nós, não sentia medo. Porque só era os deuses romanos deixando o mundo saber que eles ainda estavam aqui. Mamma deslocou-se na cama e deitou-se, me aconchegando em seu lado. Sua mão começou a correr pelo meu cabelo bagunçado e seu rosário pendia de sua outra mão. Olhei para o rosário de contas marrom com uma grande cruz de prata, uma vez que pairava diante de mim. – Para quem você estava rezando, Mamma? Quando entrei, para o que você estava rezando? Mamma congelou ao meu lado, e eu a ouvi engatar uma respiração. Os braços de mamãe apertaram em torno de mim, e quando olhei para cima, vi lágrimas caindo pelo seu rosto. Isso fez o meu estômago agitar. Eu ... eu não gostei.

– Mamma? – Eu sussurrei, minha voz embargada com a visão das lágrimas. – O que está errado? Mamma fungou, e olhando para longe, finalmente olhou de volta para mim. – Nada, mia luna.


Eu levantei ainda mais, e apertei minha mão no rosto de mamãe. Seu rosto estava todo molhado. – Mas você está chorando. Você não chora por nada. O rosto de Mamma caiu, e ela me esmagou contra o peito. – Eu estava rezando, mia luna –, disse ela, depois de minutos sem dizer nada. – Eu estava rezando ao Senhor, a Mãe Maria, para nos ajudar e por isso tenho olhos marejados. Porque descobri algo hoje que me perturbou, e até mesmo me deu um pouco de medo.

– O que te deixou chateada e com medo? – Eu perguntei, sentindo meu estômago torcer e virar. Mamma sorriu contra minha cabeça e acariciou meu cabelo. – Nada para você se preocupar, mia luna. Este é o meu fardo, não seu. Você é meu bebê, meu grande menino bravo de sete anos. Meu estômago revirou de novo e meu coração disparou rápido. Ela não parecia bem. Então notei o rosário novamente, balançando em sua mão. Movendo minha mão, corri meus dedos sobre as contas marrons. – Por que você segura isto, Mamma? Você sempre tem isso com você. Agora, você está segurando realmente apertado. Mamma suspirou e trouxe o rosário ao peito. – Eu o uso para rezar para Mãe Maria. Ela me dá força, mialuna. Peço a ela força. – A voz de Mamma rachou novamente e eu tentei pensar muito. Tentei pensar em por que ela precisava de força. Piscando, um pensamento veio a mim e perguntei: – É Austin e Axel? Você reza por eles? Por causa dos Heighters?


Mamma suspirou e correu o dedo no meu rosto. – Sempre, mia luna. Eu sempre rezo por eles. Porque eles passam cada noite com a gangue. Eu balancei a cabeça, sabendo que havia outra coisa. – Mas o que-

– Shh, – Mamma sussurrou. Ela então levantou o rosário e colocou-o na minha mão. Ela enrolou sua mão ao redor da minha e apertou as contas em minha palma. – Levi, você fica com isso agora. Eu quero que você fique com isso. Eu quero que você o mantenha para te dar força. Para a força que você vai precisar algum dia, em breve. Eu fiz uma careta e balancei a cabeça. – Não, mamãe. Ele é seu. Eu sou forte com você por perto. Eu não preciso disso. A cabeça de Mamma caiu, e ela respirou fundo.

– Mamma? – Eu questionei. Ela estava agindo muito estranho. Mamma limpou as bochechas e um sorriso triste se propagou em seus lábios. – Va bene, mia luna. Eu vou mantê-lo por enquanto. Grazie. Sempre pensando em sua mãe. Mas um dia, quando... quando eu não estiver aqui, você fica com ele. Eu quero que você lembre-se que esse rosário é seu. Você não é como seus irmãos, Levi. Você é gentil e tímido, não é rebelde e turbulento, pronto para lutar contra o mundo. Você é meu gentil bebê. Minha doce, doce alma.

– Eu não sou fraco –, empurrei, odiando que não era como meus irmãos. Axel e Austin eram fortes e resistentes. Eu queria ser como eles. Mamma deu um beijo na minha testa. – Nunca, Levi. Você é um menino Carillo depois de tudo. Mas você é diferente de Austin e Axel. Eles são semelhantes em tantas maneiras - temperamento quente e difíceis, duros do lado de fora até que eles te deixam entrar. Você é uma pessoa tímida, o irmão


gentil, por dentro e por fora. Você é o único a levar seu coração em sua manga. Você é a pessoa que assiste silenciosamente de longe e ama com toda a sua alma. – Mamma bufou, e disse: – Quem quer que você acabe, meu filho, quem quer que reivindique o seu coração, será uma menina muito especial. – Seu dedo acariciou minha bochecha. – Tanto amor, mia luna. Você vai amar com todo o seu ser, e será para sempre. Você não poderia amar de qualquer outra forma. Eu fiz uma careta em sua voz triste. – E você vai encontrá-la, Mamma. Você vai amá-la também. Sim? Você vai amar a pessoa que vou me casar também. Mamma desviou o olhar, e vi seus olhos se encherem de lágrimas novamente. Ela piscou rápido. Quando ela olhou para mim, colocou as duas mãos no meu rosto e me olhou nos olhos. – Bene voglio Ti, Levi. É tarde. É hora de dormir agora. Deitei-me no travesseiro ao lado de Mamma, observando os vagalumes pularem no vidro sobre a mesa lateral, emitindo luz. Fechei meus olhos quando não conseguia mantê-los abertos por mais tempo, mas eu não conseguia parar de pensar sobre o que Mamma tinha dito. O que estava errado? O que a deixou tão triste? Sabia que Mamma pensou que eu estava dormindo, porque ouvi ela começar a chorar. Prendi a respiração, quando de repente ela beijou meu rosto, e sussurrou: – Eu quero o mundo para você, mia luna. E eu rezo para a garota que ganhar seu terno coração, seja tão doce como você. Alguém para cuidar de sua alma frágil. Alguém para amar o presente suave que você é, quando eu não estiver mais aqui para fazê-lo...


Quando o trovão estrondou novamente, ele me tirou do meu passado. Olhei para o teto. Com um sussurro rouco e os olhos borrados, ecoei as palavras de minha mãe: – É só os deuses romanos mostrando ao mundo que ainda estão aqui. Segurei a mão do anjo tão forte quanto eu poderia. Só um pouco mais.


LEVI

Universidade de Washington, Seattle

– Pegue uma garrafa em seguida, volte ao campo para o treino! O treinador gritou do centro do campo, e eu corri para a linha lateral, pegando um Gatorade. Meus amigos, Jake e Ashton, correram ao meu lado. Quando terminei a garrafa, Ashton cutucou meu lado. – Porra, Alabama. Aquela garota não pode parar de olhar para você, novamente. Eu levantei minha cabeça para o túnel, só para ver um grupo de líderes de torcida na entrada, uma ruiva olhando para mim... de novo. Ela, a mesma ruiva que sempre me observava treinar. A que sempre tentou falar comigo. A líder que eu nunca falei de volta.

– Vá falar com ela. Ela está babando por você, Carillo. É a porra do sotaque. As meninas amam essa merda de sotaque sulista. Eu estou tão


chateado que nasci em Cali. Eu nem consigo falar 'y’all' e 'fixin’

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ou qualquer

outra palavra, – Jake reclamou.

– E a coisa italiano. Ele fala a porra de italiano, fluentemente. – Ashton balançou a cabeça e agarrou meu braço. – Use seus poderes, Alabama. Para o bem dos atletas em todos os lugares, use os poderes de ímã de boceta que foi concedido a você! – Ashton e Jake racharam de rir, e Ashton deixou cair sua mão. Jogando minha garrafa vazia no chão, meu estômago revirou apenas com o pensamento de falar com a líder de torcida. Eu nem sequer sei o maldito nome dela. Finalmente, eu balancei minha cabeça. – Nah. Eu estou bem –, eu respondi, tentando me esquivar de toda a maldita coisa. Eu me virei para correr de volta para o centro do campo, quando Ashton e Jake correram para ficar no meu caminho, o riso em seus rostos tinha sumido. Ashton era o Quarterback para os Huskies Washington, e Jake era o running back. Ambos estavam olhando para mim. Eu não disse nada porque nós falamos desse assunto o tempo todo. Tipo todos os dias.

– Carillo, chame ela para sair, cara. Ela é uma coisa certa. Em algum ponto você tem que falar com alguém que não está usando ombreiras ou compartilha o seu sangue. Stacey disse que ela gosta de você, realmente gosta de você. Ela pergunta sobre você o tempo todo. – Meu rosto ardia de vergonha. Eu já tinha a namorada de Jake, a Stacey, com a ruiva enquanto ela praticava seus passoe de dança no lado do campo, mas eu simplesmente não estava interessado.

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(nr.: y’all = vocês todos/ vocês // fixin = arrumado // eles falam de uma forma com sotaque.


Meus olhos procuraram o gramado, e permaneci em silêncio pelo que pareceu uma eternidade. Uma mão pousou no meu braço novamente, era Jake. Ele suspirou. – Tudo bem, eu vou calar a boca. Mas você, pelo menos, se permitiu pensar sobre se mudar para a casa da fraternidade? Você sabe que todos os garotos querem você lá. Você devia estar vivendo no campus, não com o seu irmão. – Jake bufou, e acrescentou: – Com certeza, Austin Carillo, o seu irmão astro do Seahawk e você vivem em uma maldita mansão, mas você deveria ficar aqui conosco. Festas e bocetas. Você está perdendo, Alabama. Eu sorri para o apelido que Jake me chama. Outra razão pela qual eu quase nunca falo; meu forte sotaque de Bama era como uma afronta contra os estudantes predominantemente da costa oeste. Jake estava certo, isso chamava a atenção para mim, atenção que a maioria dos caras morreria por isso. Mas isso era uma tortura para mim. Sentindo o mal-estar no estômago ao pensar em me mudar para a casa da fraternidade, eu dei de ombros. – Eu provavelmente só vou ficar na minha casa. Vocês sabem que tenho a casa da piscina agora. Eu estou bem sozinho. Prefiro meu próprio espaço. Após o silêncio que se seguiu, olhei para cima para ver Jake e Ashton me encarando em desapontamento óbvio. Eu conhecia seus olhares, e com ombros derrotados, eles se afastaram sem dizer nada. Firmei meus pés e corri de volta para o centro do campo, tentando evitar uma continuação da conversa. Então Ashton gritou: – Nós só queremos que você saia mais, Alabama! Não é bom estar sempre sozinho o tempo todo! Parando, olhei para trás e falei: – Eu estou bem sozinho. Eu não vou em todas as festas com vocês ou essas coisas que vocês fazem. Isso só não é para mim. Então me deixem em paz, sim? Eu estou bem como estou. Eu estou feliz.


Jake e Ashton viraram-se sem dizer mais nada, e enquanto caminhavam para agarrar sua bebida, olhei para a ruiva e senti meu rosto esquentar de vergonha, quando peguei ela ainda me encarando. Minha mão apertou a minha correia do capacete, e eu imediatamente deixei meu olhar cair. A verdade era que eu nem sequer gosto dela, não assim de qualquer maneira. Eu nem a conhecia. Eu nunca tinha dado a ela uma chance de falar comigo. Eu fugia o tempo todo. Ela não foi a primeira a prestar atenção em mim; de fato, acontece o tempo todo e eu odiava. Eu não era bom com as palavras. Eu não era bom com qualquer porcaria do namoro. Eu jogo bola, estudo, e mantenho a mim mesmo. Essa era a minha vida. E não quero que isso mude.

– Carillo. Quando você der mais vinte voltas, pode ir para os chuveiros, – o treinador gritou, enquanto eu tomava o meu lugar de volta ao campo. Colocando a minha cabeça para baixo, puxando-me para baixo para se concentrar, eu fiz. Vinte voltas mais tarde, joguei um aceno a Jake e Ashton que ainda estavam dando suas voltas. Eu fiz o meu caminho para dentro. Eu sempre termino em primeiro lugar. O futebol era a minha vida. Era o que eu fazia melhor. Era a única constante que já tive; Eu podia confiar no futebol, e poderia confiar na rotina. Ele nunca me decepcionou. Ele nunca me deixou. Minhas chuteiras bateram no chão de ladrilhos do vestiário quando enxuguei o suor do meu rosto com uma toalha. Fui para os chuveiros, e em


menos de cinco minutos sob o spray forte d’água, com apenas uma toalha em volta da minha cintura, fui para o vestiário. Eu entrei na área de troca, assim que um movimento chamou minha atenção, bem em frente do meu armário. Uma menina. Uma pequena menina magra - longos cabelos loiros escapando do capuz puxado para cima; vestida com jeans pretos sujos, tênis crivado de buracos, e uma jaqueta de couro preta arranhada. Eu congelei, assustado com o que diabos uma garota estava fazendo aqui, no vestiário de futebol. Então meus olhos se arregalaram quando percebi exatamente o que ela estava fazendo. Seu lado esquerdo estava virado de costas para mim, seu corpo magro me mostrando mais de suas costas. Suas mãos estavam na minha bolsa. Instinto chutou em meu interior e dei um passo adiante. – Hey! – Gritei. Mas a garota não se moveu. Gritei de novo, meu coração batendo rápido. Parecia que ela levou um minuto para me ouvir. Ela congelou, e piscando para mim um rápido vislumbre de seu rosto sujo e chocado escondido sob o capuz preto, ela puxou algo para seu peito e correu para fora do vestiário, em seguida, diretamente para o exterior. Eu fiquei preso ao chão, completamente chocado, até que me lembrei que minha bolsa estava aberta. Corri para a frente e olhei para dentro. No começo não achei que nada tinha sido levado, em seguida, notei que a minha carteira estava faltando do bolso interno. Comecei jogando minhas roupas e porcarias fora, para o chão, procurando na mochila inteira. Mas quando cheguei no interior do compartimento escondido, não havia nada. Nenhuma coisa. Ela tinha levado minha carteira.


Ótimo! Ficando reto, corri minhas mãos pelo meu cabelo molhado. Meus olhos dispararam ao redor da sala. Eu questionei como diabos ela tinha entrado aqui? Aqui era uma sala segura? Eu respirava pelo nariz, tentando como o inferno me acalmar, quando cacos de gelo cortaram, como lanças, pela minha espinha. Cada parte de mim se acalmou quando mais um esclarecimento chutou dentro. Minha carteira. Minha carteira não só continha todos os meus cartões e documentos, mas também a única coisa que importava mais para mim, em toda a minha vida. O rosário. Meu rosário. O rosário de minha mãe! Eu atirei para a frente como um relâmpago, arrastando meu moletom e casaco da minha bolsa, e vesti-os em tempo recorde. Sem sequer me preocupar em colocar os tênis, eu corri fora do vestiário e sai para o estacionamento. Meus olhos procurando em todo lugar pela loira, mas ela não estava à vista. Meus olhos percorreram a massa de carros, as calçadas e os edifícios circundantes, mas ela tinha sumido. O vento frio bateu em volta de mim e coloquei minhas mãos em minha cabeça. Meu estômago afundou em um enorme buraco quando pensei em ter esse tesouro tirado de mim. Eu precisava dele. Eu malditamente precisava dele. Minha mandíbula apertou enquanto lutei contra um grito alto frustrado, então vi outros estudantes caminhando por lá, todos olhando para mim


enquanto eu estava com os pés descalços, meu cabelo todo molhado e minhas mãos sobre minha cabeça. Sentindo uma enorme onda de constrangimento, me forcei a voltar, para ir de volta para os vestiários, quando alguém pisou no meu caminho. Meu estômago afundou-se ainda mais. Era a líder de torcida ruiva. A menina sorriu e meus olhos instintivamente caíram no chão, recusando qualquer contato. Eu podia sentir meu rosto ferver com vermelhidão. Coloquei minhas mãos em meus bolsos, e inferno, eu não tinha ideia do que fazer a seguir.

– Levi? – Meu corpo ficou tenso quando ela falou meu nome. Meu coração disparou como um maldito canhão e eu desloquei em meus pés. Eu ainda não levantei os olhos, e ouvi uma pequena risada deslizar de sua garganta. – Sou Harper. Nós nunca fomos devidamente apresentados. Respirando fundo, desviei os olhos para os dela, mas assim que a vi me olhando com um sorriso, uma outra onda de constrangimento atingiu. Eu não era bom neste tipo de coisa. Eu não conseguia falar com as garotas. Eu não conseguia funcionar em torno delas, algo dentro de mim, roubava toda a minha confiança sempre, não que eu tinha muito para começar.

– Você nunca vai olhar para mim, Levi? Nunca vai falar comigo? Puxei uma respiração profunda quando Harper se aproximou de mim, e, eventualmente, levantei minha cabeça. Eu sabia que minhas bochechas estavam quentes de vergonha. Eu tinha certeza de que elas estavam prestes a


incendiar quando assisti o seu sorriso, enquanto olhava para cima através da cortina do meu cabelo que tinha caído sobre os olhos. Harper era bonita. Ela não era exatamente o meu tipo, não que eu realmente tinha um tipo. Quero dizer, com certeza um tipo significava que garotos e garotas realmente saíam em encontros. Eu nunca fui a um. Eu só sabia que ela não era realmente uma pessoa que eu iria chamar para sair, se fosse realmente fazer isso. Quando encontro os olhos de Harper, ela riu de novo. – Assim está melhor. Agora posso ver esses lindos olhos cinzas. Uma cor muito rara. Olhei para longe, quando Harper pôs a mão no meu braço. Minha cabeça se volta, e ela pergunta: – Você vai para a festa dos caras neste fim de semana? Eu balancei minha cabeça. O rosto de Harper caiu.

– Por que não? Todo mundo estará lá. Toda a equipe vai. – Ela fez uma pausa. – Eu estarei lá. Eu estava esperando que você estivesse também.

– Eu... – Eu limpei minha garganta, forçando minha boca a mover-se, empurrando a minha voz perdida para fazer som. – Eu n-não, – eu embaraçosamente gaguejei. Deixando cair a minha cabeça, mordi no canto do meu lábio inferior. Era instintivo, um sinal inato que eu estava sendo covarde. Era minha maldita maneira de dizer que eu estava desconfortável. Inferno, eu estava de pé aqui morrendo. A mão de Harper apertou meu braço, puxando a minha atenção de volta para ela. Eu não queria nada mais do que ficar longe desta situação desastrosa.

– Eu espero que você mude de ideia, Levi. Eu quero conhecer você. Saber o que


está acontecendo na sua mente tímida e misteriosa. Você é um enigma para mim. Para todas as meninas aqui. Segundos se passaram em silêncio tenso, enquanto ela esperava que eu dissesse alguma coisa em resposta. Mas eu não tinha nada a dizer. Eu não era misterioso, nem era um enigma; Eu era só péssimo com essas coisas. Sem olhar Harper nos olhos, balancei a cabeça bruscamente com um adeus, e voltei para o vestiário. Senti ela me assistindo todo o caminho até a porta, mas nunca olhei para trás. Vendo o resto da equipe começar a encher a sala, e não querendo obter um tormento de Jake e Ashton, peguei minha mochila e fui para a porta. Corri para o meu jipe e me joguei atrás do volante. Em segundos estava na estrada, meu coração rachando sobre o fato de que o meu rosário tinha ido. Era estranho; sem essas pérolas, sentia que um pedaço da minha alma tinha sido tomado também. Uma chuva leve regava contra o meu para-brisa. Enquanto caía, fiquei perdido em meus pensamentos. A primeira coisa que vi em minha mente foi a garota no vestiário: a ladra. Quando pensei em suas pequenas mãos enraizadas na minha bolsa, meu peito apertou. Ela era tão magra, como magra de estar faminta. Ela estava cheia de sujeira, seu cabelo loiro estava despenteado e sujo. Suas pernas eram como pinos em seu jeans encharcado e seus tênis estavam cheios de buracos. Eu fiz uma careta, forçando-me a lembrar do vislumbre que tinha de seu rosto. Eu me peguei engolindo quando me lembrava daqueles enormes olhos azuis, afundados em suas bochechas. Quanto mais pensava nesse vislumbre, eu imaginei que ela devia ser alguns anos mais nova que eu. Mais nova que eu e roubando em um vestiário.


Roubando meu rosário. Minhas mãos apertaram o volante. Eu estava furioso. Estava magoado. Fiquei arrasado. No entanto, não conseguia deixar de sentir pena da menina. Ela me fazia lembrar de algumas das garotas que nós trouxemos para o centro de Lexi; o novo centro que ela tinha criado aqui em Seattle para adolescentes problemáticos. A menina tinha se assemelhado a alguns dos que eu registrei no sistema de informação, quando ajudei Lexi durante a semana. A loira parecia pobre, sem abrigo e suja. Eu me mexi no meu assento aquecido. Eu lembrei como era ser pobre. Eu odiava ver os jovens fugitivos, ou adolescentes vítimas de bullying, no centro, quando eles vinham todos quebrados e sozinhos. Eu vi minha mãe em cada uma de suas faces - silenciosamente clamando por ajuda. Logo minha raiva contra a menina dissipou, apenas para ser substituído por uma intensa tristeza. Ninguém devia ter que se sentir assim. Ninguém deveria ser tão quebrado e sozinho. Aumentei o volume do rádio, minha música favorita de Band of Horses encheu o Jeep. Eu pressionei meu pé no acelerador e corri todo o caminho de casa. Puxando na entrada da garagem, estacionei o carro na frente da casa, e entrei pela porta da frente. Um som do canto suave da sala de estar me cumprimentou - Lexi. Eu coloquei minha bolsa no chão ao lado da entrada da sala de estar e me dirigi em sua direção. Eu não pude deixar de sorrir quando a vi. Lexi estava segurando Dante, seu filho bebê, nos braços; ela o balançava para frente e para trás, cantando canções de ninar para meu sobrinho, bonito como o inferno. Obviamente me sentindo chegara, Lexi virou. Ao ver que era eu, um sorriso espalhou em seus lábios.


– Hey Lev, – ela sussurrou baixinho. Lexi olhou para Dante. Eu podia ver, mesmo a partir daqui, que seus olhos estavam fechados e sua respiração tinha igualado com o sono. Lexi mudou-o para a cesta de Moisés, no centro da sala, e com um beijo nas bochechas rechonchudas, ela deitou-o. Eu assisti, os braços cruzados sobre o peito. Tudo o que eu sentia era o calor. Eu amo a Lexi. Ela era uma mãe incrível. E mesmo que ela tenha apenas sete anos a mais que eu, ela era uma espécie de mãe para mim também. Eu não tinha percebido que estava olhando para o chão até que vi os minúsculos pés descalços de Lexi na minha linha de visão. Olhei para cima, seus olhos verdes estavam me encarando com preocupação.

– O que há de errado, querido? –, Perguntou ela, as sobrancelhas pretas puxadas para baixo em preocupação. Suspirando, balancei minha cabeça. – Nada, Lex. Acabei de sair do treino. E estou meio cansado. Pensei em voltar para casa e começar a fazer as minhas tarefas. Os olhos de Lexi se estreitaram, mas me virei e peguei minha bolsa. – Eu estarei na minha casa da piscina, – Eu joguei a mochila novamente sobre o meu ombro, e sai pela porta da cozinha para o quintal. Eu não ouvi qualquer outra coisa quando cortei o amplo jardim e passei a piscina. A chuva estava caindo forte agora, a partir de um céu cinzento e nublado. Entrei na casa da piscina e joguei minha bolsa no chão ao lado da porta. Eu fui direto para o meu armário para trocar minhas roupas por algumas secas, quando meus olhos pousam sobre a imagem na minha cômoda. Era minha mãe; minha mãe sorrindo e me segurando em seus braços. Eu estava prestes a


completar três anos. Nós dois parecíamos felizes. Então meus olhos desviaramse para a mão de minha mãe, e ali, agarrada em sua palma estavam as contas do rosário marrom que ela estimava tanto. Que agora eu estimava tanto. O que tinha sido levado. Minhas mãos corriam pelo meu cabelo ainda molhado, meus olhos grudados na imagem, quando ouvi a porta da casa da piscina clicar aberta atrás de mim. Eu me virei para ver Lexi deslizando completamente dentro, seu cabelo negro agora úmido da chuva. Eu suspirei quando ela entrou, e disse: – Eu conheço você, Lev. Você não acha que eu ia deixa-lo aqui sozinho, quando sei que está chateado, não é?

– Meus ombros caíram enquanto ela caminhava na minha direção. – Você pode não falar muito, querido, mas eu sei quando está sofrendo. Mergulhando minha cabeça, sentindo meu peito doer, eu disse: – Como está Dante? Lexi olhou por cima do ombro através da porta de vidro da casa da piscina. – Austin acabou de chegar em casa. – Eu vi Austin parado na janela da cozinha da casa principal. Quando eu peguei seus olhos, ele levantou a mão acenando. Joguei-lhe um aceno de volta, em seguida, sentei na ponta da cama. Lexi sentou ao meu lado. Eu podia sentir sua atenção concentrar-se em mim. Com uma respiração profunda, expliquei, – Minha carteira foi roubada do vestiário esta tarde. Eu podia sentir a confusão proveniente de Lexi, a confusão a respeito de por que eu estava tão chateado. – Ok –, ela atirou a palavra, – bem é uma merda. Mas tudo bem, vamos cancelar seu cartão e substituir tudo. É chato, mas é um reparo fácil.


Eu balancei a cabeça e olhei para minha cunhada. Os olhos verdes de Lexi se estreitaram quando ela leu meu rosto. – Mas não é isso que está incomodando você, certo? – Sua cabeça inclinou para o lado. – O que realmente está errado, Lev? Tudo isto não é sobre alguns cartões de crédito roubados. A mão de Lexi apertou meu braço e eu exalei um longo suspiro. – O rosário da minha mãe estava dentro da carteira. Eu sempre levo-o comigo quando vou treinar, para mantê-lo seguro. – Eu bufo uma risada sarcástica. O rosto de Lexi cai imediatamente com a menção de minha mãe. – Oh, Levi. Sinto muito, querido. Por alguma razão, minha garganta obstrui com a emoção na pureza de entendimento em sua voz. Era por isso que eu a amava. Ela tinha estado comigo e Austin nos bons e maus momentos. Mas, mais do que isso, eu não tinha que explicar-lhe porque o rosário ser roubado me destruiu por dentro. Ela sabia sobre minha mãe. Ela sabia o quanto perdê-la fez para todos nós. Ela me viu, na época.

– Você viu quem o levou? Você contou ao treinador? Talvez eles pegaram a pessoa responsável depois que você saiu? Imaginei a jovem encapuzada em minha mente e balancei a cabeça. – Era uma menina. Eu nunca a tinha visto antes. Ela estava realmente suja e suas roupas estavam todas desbotadas e surradas. Ela parecia uma pessoa sem-teto, Lex. Ela parecia algumas das crianças que recebemos no Kind. As sobrancelhas de Lexi puxaram para baixo de novo, desta vez, com preocupação, preocupação pela menina. – Ela falou com você?


Eu balancei minha cabeça. – Eu estava saindo do banho quando a vi passando por minhas coisas. Eu chamei um par de vezes antes mesmo dela me ouvir. Quando o fez, saiu correndo para fora da porta. Até o momento que eu estava vestido, ela tinha desaparecido. Eu engoli o caroço na minha garganta e disse calmamente: – Eu não dou a mínima para a carteira. Mas o rosário... – parei, olhando para o chão novamente. De repente, Lexi me puxou em seus braços. – Eu sei, Lev. Eu sei porque eles são tão importantes. Sentindo-me estúpido, que aos vinte anos, estava tão chateado sobre aquelas malditas contas, eu abracei Lexi e lutei para controlar a minha respiração. Na verdade, apertei Lexi por alguns minutos. Eu nunca realmente mostrei emoção a ninguém. Inferno, eu mal falava a não ser que era forçado, mas poderia dizer qualquer coisa a Lexi. Ela era a pessoa mais amável e mais forte que conhecia. Eventualmente, me afastei. Mantendo minha cabeça para baixo, levantei-me, completamente envergonhado.

– Lev... – Está tudo bem, Lex. Eu vou superar isso. Eles eram apenas um pouco de madeira velha. Lexi se levantou e fez seu caminho até a porta da casa da piscina. Antes de sair, ela respondeu: – Eles não eram, Lev. Para você, eles são a sua mamma. Você não precisa se sentir tolo sobre se sentir ferido por perdê-los. Não para mim.


Eu não respondi, sem saber o que poderia sair através da minha garganta espessa. Lexi me deixou sozinho, e eu exalei um longo suspiro. Eu rapidamente peguei uma cueca boxer seca e uma camisa, enxuguei meu cabelo, e fiz café. Indo para a minha mesa, me sentei na cadeira e abri o livro de Mitologia Grega que já estava colocado no topo da mesa. Meus olhos caíram sobre a página marcada e a história, minha tarefa era o Hero e Leander. Eu olhei para a antiga pintura a óleo dos amantes condenados dominando a página. Suspirei. Eu tinha vinte anos. Mamma morreu quando eu tinha quatorze anos. Eu devia estar lidando com a vida agora. Mas desde o dia em que ela morreu, senti como se tivesse vagando em uma floresta. Uma floresta envolta em névoa densa. Desde o dia que a minha mãe morreu, eu estava tentando encontrar uma luz guia e sair dessa bagunça. Desesperado para encontrar o meu caminho fora da escuridão. Meu olhar caiu sobre a imagem de Hero e Leander; de Leander se afogando na água, sua luz guiada na torre do Hero extinta pela tempestade. Ele estava perdido no mar, a lâmpada brilhante de seu amante oprimido por altas ondas. Naquele momento eu senti uma afinidade com este homem grego, porque estava perdido também. Afogando também. Mas eu estava me afogando na vida. Afogando-me em minha própria timidez. Sendo mantido cativo pelo meu passado.


ELSIE

Eu continuei correndo. Eu não tinha ousado parar. Aquele garoto tinha me visto. Ele tinha me visto roubando sua bolsa. Adagas esfaqueiam na minha consciência quando me lembro do seu rosto no momento em que ele percebeu que eu estava levando suas coisas. Mas então eu tinha balançado em meus pés; a fome e fraqueza no meu corpo afugentando minha culpa. E ele estava gritando comigo. Ele gritou para mim e eu não o ouvi. Não o ouvi de pé atrás de mim, e quase tinha sido capturada; apanhada em flagrante cometendo um delito grave. Meu estômago rosnou, gritando que estava desesperado por comida. Minhas pernas tremiam enquanto eu me forçava a correr mesmo que tinha pouca energia para ajudá-las a se mover. Minha pele lavou com um calor quase insuportável, minha cabeça sentindo a luz forte novamente. Eu sabia que ia passar. A sensação demasiado quente iria passar, apenas para ser substituída


pelo frio um demasiado congelamento. Eu tinha ficado assim há semanas; todos os dias ficava cada vez mais fraca. O mundo ficava mais e mais escuro. Eu empurrei minhas pernas para correr através dos montes de estudantes circulando em torno do campus. Eu mantive minha cabeça baixa e agarrei a carteira perto de meu peito. Eu odiava multidões. Eu não me dava muito bem com as pessoas. Eu não conseguia afastar os olhos avaliando o seu julgamento, quando eles me observavam. Mas, de qualquer jeito, para essas pessoas eu não era nada. Quando você não tinha casa e vivia nas ruas, eles esqueciam que também éramos humanos. Humanos, e totalmente perdidos. Saindo livre do campus esmagador, corri em uma estrada movimentada, a forte chuva começando a infiltrar-se em meus ossos, a frieza do vento frio batendo em minhas bochechas fervendo. O frio trouxe um alívio momentâneo da febre queimando no meu sangue. Eu rezei para que tivesse um casaco mais quente do que essa velha jaqueta de couro para me manter quente, mas logo esse calor era rapidamente dissipado. Eu aprendi há muito tempo que as orações não eram respondidas. Eu estava convencida de que elas nunca sequer eram ouvidas. Um fato que achei irônico, considerando que nunca abri minha boca para expressar meus pensamentos em voz alta. Levantando os olhos para espiar sob a proteção de meu bairro, notei que estava apenas algumas centenas de metros do beco em que eu fico. Retardando a uma rápida caminhada, me encolhi enquanto tossia, meu peito queimando; meus pulmões pareciam em chamas pela simples ação do reflexo. Eu estava doente de novo, mas desta vez sabia que era pior. Eu não podia curar esta gripe; esta gripe que não ia embora nunca.


Começando a sentir os primeiros sinais de febre na parte de trás do meu pescoço, passei meus braços em volta do meu peito. Rapidamente virei à esquerda e entrei no estreito beco. Passei pelas lixeiras da delicatessen ao meu lado e parei no fundo do canto direito. Olhei para os velhos cobertores molhados e, sentindo-me esmagadoramente fraca, sentei e puxei a lã molhada que me faz coçar, sobre meu corpo. Encolhi-me contra a parede, tentando me aquecer. A chuva caía mais e mais pesada em cada minuto que passava. Pelo menos o ligeiro telhado inclinado da delicatessen3 blindava a maioria da chuva. Mas não importa o quão encolhida eu ficava, não sentia nenhum calor. O frio gelado constantemente rondava sobre a minha pele. Era engraçado, mas com todo esse tempo passado de volta às ruas, era fácil esquecer como sentir calor em tudo. Bom calor, na verdade. Acolhedor, calor seguro. Não o calor abrasador que consome, que vem com febre. Tomando minha mão por debaixo dos cobertores, aquela ainda segurando a carteira de couro, abri o fecho e olhei para dentro. Eu rezei e rezei para que encontrasse algum dinheiro. As últimas carteiras que eu tinha roubado não tinham nada de valor. Mas eu tinha visto hoje o menino que esta carteira pertencia. Eu o vi enquanto ele seguia para o campus em um Jeep novo extravagante. Observei o belo rapaz com cabelos claros, pele morena e olhos grandes e cinzentos entrar no enorme vestiário do estádio Husky, vestindo apenas as melhores roupas. Ele era rico. Riqueza normalmente era igual a dinheiro. Minhas mãos trêmulas abriram a carteira de couro, e meu coração caiu imediatamente. Não havia dinheiro dentro. Havia cartões, mas nada que eu 3

Uma delicatessen é uma loja que vende comidas finas e iguarias.


pudesse usar para comprar comida, para comer, nada para usar para ganhar de volta um pouco de força. Lágrimas escaldantes desesperadas encheram meus olhos e caíram se unindo as gotas de chuva em meus cobertores desgastados. O esclarecimento bateu, que eu estaria indo ficar sem comida novamente. Me preparei para jogar a carteira inútil longe, quando a derrubei de cabeça para baixo, e algo caiu no chão, obviamente, de um compartimento escondido. Olhando para baixo, os olhos focados no que parecia ser um colar caído no chão molhado ao meu lado. Descendo, peguei o colar, percebendo um velho pendente de cruz, manchada de velhos e grânulos marrons de madeira riscada. Não era um colar; era um antigo conjunto de contas de um rosário. Segurei-o contra a luz, mexendo em minha mão. Um pequeno sorriso gravou em meus lábios. Embora antigo, ele era muito bonito. Colocando o rosário no meu colo, delicadamente corri meus dedos sobre cada esfera riscada e desgastada, até a cruz na parte inferior. Havia, em prata pesada, a imagem de Jesus morrendo na cruz. Eu não sei por que, mas a visão deste rosário obviamente bem surrado, trouxe lágrimas aos meus olhos, e uma picada forte ao meu coração. Instintivamente, levantei a minha mão para o medalhão escondido bem debaixo do meu capuz e respirei fundo. Isso, meu medalhão de ouro simples, era tudo o que tinha sobrado. A única ligação que eu tinha com ela, com meu passado. Era o meu bem mais precioso. O único bem que eu tinha. A imagem do menino no vestiário saltou à mente e meu estômago caiu instantaneamente. Este era o seu rosário. Eu tinha tomado seu rosário; algo que provavelmente significava muito para ele.


Deixando o rosário no meu colo, abri a carteira novamente, e no bolso do centro estava o rosto do menino. Puxando a carteira de motorista, li seu nome: Levi Carillo. Levi Carillo. Meu polegar traçou seu rosto sério e, mesmo com este frio, minhas bochechas encheram de calor. Ele era lindo. Rico e bonito, ele tinha tudo. Quando fui colocar o documento ao lado do rosário, notei que outra coisa tinha caído para fora com a carteira de motorista. Uma fotografia. Com os dedos frios, levantei a imagem desvanecida e velha do cobertor encharcado e movi em direção a luz. Meu coração se apertou quando meus olhos viram a foto de uma mulher linda, morena, equilibrando um menino no colo. Um menino que parecia não ter mais de três ou quatro anos. Seus braços estavam envolvidos em torno de sua cintura, e ela estava sorrindo para ele tão amplamente. O rapaz era tímido na frente da câmera, mas seu rosto tímido e doce foi preenchido com um fantasma de um sorriso acanhado. Mas era aqueles olhos, aqueles grandes olhos cinzentos brilhantes destacando-se como raios de lua na pele bronzeada do menino; eles ligaram com o menino mais velho que eu tinha roubado hoje. Levi Carillo. Com idade de vinte. Seattle. Suspirando, minha cabeça balançou para trás suavemente contra a parede da delicatessen. Enquanto eu sentia o cheiro da comida cozinhando lá dentro, meu estômago doía e grunhiu de fome. Segurando a minha mão, olhei para a pele cheias de sujeira cobrindo meus dedos. Dedos que costumavam ser plenos e saudáveis, agora eram todos sem brilho e principalmente só osso.


Eu pulei quando a porta de trás da delicatessen abriu. Me arrastando para a sombra escura do canto, olhei por debaixo do meu capuz quando um trabalhador da delicatessen esvaziou uma lata de lixo na lixeira. O homem assustou-se quando olhou na minha direção. Com um olhar de desdém em seu rosto, ele bateu a lixeira fechada e entrou na delicatessen quente. Encolhendo no chão duro e frio, me levantei e silenciosamente fiz o meu caminho para o lixo. Usando toda a força que tinha, minha testa agora gelada, meu corpo torturado com convulsão e arrepios, abri o lixo e olhei para dentro. Meu coração caiu quando vi que o estava sendo jogado fora era irrecuperável ou não comestível. Mas um suspiro de alívio soprou quando vi debaixo de brancos filtros de café usados, uma baguette comida pela metade. Alcançando dentro, peguei o pão velho e corri de volta para o meu canto. Minutos mais tarde, me enfiei debaixo dos meus cobertores, me forcei a comer o pão duro. No terceiro pedaço, náuseas da minha febre começou a tomar posse. Deixei cair o baguette e impotente lutei contra a onda de lágrimas. Não adiantava. Elas fluíam espessas e fortes, fundindo com a chuva torrencial. Meus ossos doíam com o frio, mas independentemente disso, peguei minha jaqueta e tirei o pequeno caderno e caneta. Abrigando-me contra a parede, com o cobertor sobre a cabeça para proteger o papel de molhar, abri a página e deixei minhas palavras derramarem adiante. Estas palavras eram tudo o que eu tinha. Elas eram a minha paz. Elas eram a minha voz.


Enquanto as nuvens escuras rolavam acima, escondendo a luz da lua crescente, pressionei a caneta no papel e deixei meus pensamentos despejarem: Desprovida de luz, nenhuma lua-ou tons de prata, Sombras reivindicam minha alma muito cedo. Com silêncio forte, estou sozinha, Com dores nos ossos e coração desesperado. O frio se infiltra, um abraço do mal, Minha única fonte de calor: seu rosto. O rosto dela.


LEVI

Eu pressionei "salvar" no documento do Word, assim que uma batida soou na minha porta da casa da piscina. Um sorriso puxou meus lábios quando soube quem seria.

– Entre! –, gritei. Em segundos, a porta se abriu e Axel entrou. Meu irmão mais velho estava todo vestido de preto - camisa preta, calça jeans e botas -seu longo cabelo escuro estava puxado para trás com o topete que ele sempre usava e suas tatuagens cobriam cada polegada de sua pele. Ele só tinha ido embora há nove meses, mas, tendo-o apenas de volta na minha vida por um curto período de tempo antes disso, parecia que eu não o tinha visto minha vida inteira. Assim que Axel colocou os olhos em mim, seu lábio puxou em um sorriso e ele jogou o queixo. – Venha até aqui, garoto. Correndo em toda a sala, me choquei contra seu peito largo. Os braços de Axel envolveram em torno de minhas costas e ele beijou o topo da minha cabeça.


– Porra garoto, senti sua falta –, Axel raspou fora. – Eu senti sua falta também, Axe. Axel me empurrou para trás, seus olhos me olhando de novo. – Você está bem? – Seus olhos desviaram-se para a mesa que eu sempre estava. Eu vi um aceno de orgulho preencher seu rosto. – Você ainda é bom na escola? Abaixando minha cabeça, coloquei minhas mãos no meu bolso. – Sim.

– Ainda é o número um de sua classe? Eu podia sentir meu rosto esquentar, mas balancei a cabeça e calmamente respondi: – Sim. O sorriso de Axel sob sua barba escura era ofuscante. Ele enganchou seu braço ao redor do meu pescoço e beijou minha cabeça novamente. – Me sinto orgulhoso de você, garoto. Orgulhoso pra caralho. O calor encheu meu peito, e eu recuei. – Como foi a turnê? Axel deu de ombros, como se a turnê mundial de sua exposição de escultura não fosse nada de importante. – Bene. – Os olhos de Axel caíram e ele olhou para o chão. Limpando a garganta, ele conseguiu dizer: – Fui para Florença na semana passada, que era o fim da exposição. Fui para a Ponte Vecchio, garoto. Vi onde as cinzas de mamãe foram espalhadas. – Sua voz falhou, mas ele empurrou para fora, – para finalmente dizer adeus. Minha garganta queimou enquanto ouvia meu irmão falar, mas eu não podia dizer nada em resposta. Nosso silêncio se tornou ensurdecedor, até que me acalmei, – Então ela finalmente estará em repouso, Axel. Ela sabe que você mudou sua vida e fez dela, fez todos nós, orgulhosos.


Levantando os olhos, vi que Austin tinha vindo para minha casa e tinha o braço pendurado sobre os ombros de Axel, mantendo-o próximo. Axel discretamente enxugou os olhos e Austin estendeu a mão e agarrou minha camisa. Me puxando, ele colocou seu braço em volta de mim também e disse: – A merda dos Carillos juntos novamente! Senti a mão de Axel na minha nuca. Foi a primeira vez desde que ele tinha saído em turnê que me senti quase completo. Quase. Havia sempre o buraco que se abriu em meu coração. Um que eu não tinha uma maldita ideia de como selar. Ficamos assim por um par de segundos, em seguida, Austin deu um passo atrás. – Você está pronto para comer?

– Sim –, respondeu Axel, e mantendo a mão no meu pescoço, ele nos guiou para o terraço coberto ao ar livre, onde os aquecedores debaixo estavam queimando.

– Levi! – Uma voz feminina animadamente chamou meu nome, e eu ouvi Axel rir ao meu lado.

– Cuidado, garoto. Ela sentiu falta de você, para caralho e algo feroz e tudo sobre vocês se encontrarem. Ally Prince veio correndo em cima do gramado, toda sorrisos, seu longo cabelo castanho soprando no vento. Eu levantei minha mão e acenei, mas assim que Ally me atingiu, ela jogou os braços em volta de mim e me apertou.

– Levi –, ela respirou. –Nós sentimos tanto a sua falta, querido. Eu apertei-a de volta e não pude deixar de sorrir. – Eu senti falta de você também, Al.


– Mia luce, solte o garoto e traga seu rabo aqui –, Axel gritou de seu assento. Ally revirou os olhos. – Sempre áspero em torno das pessoas. – Mas ela caminhou até o meu irmão e sentou-se em seu colo. Os braços grossos tatuados de Axel imediatamente envolveram em torno de sua cintura. Austin sentou ao lado de Lexi, pegando Dante de suas mãos para segurá-lo em seus braços. Molly e Rome estavam sentados em seu próprio sofá, com as mãos entrelaçadas com sua filha, Taylor, sobre o joelho de Rome. Rome acenou com a cabeça para mim, e fez sinal para eu sentar na única cadeira ao lado deles. Molly era toda sorrisos quando me aproximei, e quando me sentei, ela se inclinou para me beijar na bochecha.

– Então, Axel, Ally, é do caralho de bom ter vocês de volta –, disse Austin e Ally espremeu Axel mais apertado. Rome entregou-me uma cerveja, e desenroscou a tampa, me sentei e ouvi Ally começar a nos contar sobre o tour. Eu escutei e bebi minha cerveja. Comi o bife que Austin tinha grelhado enquanto a conversa continuou, mas não falei nada. Uma mão bateu na minha perna, e quando olhei com olhar atordoado para o chão, Austin, Axel e Rome estavam sentados em volta de mim. As mulheres e os bebês da nossa família tinham claramente ido para dentro. A mão de Axel apertou meu joelho enquanto ele se sentou em sua cadeira. Ele não disse nada, apenas me observava. Eu sabia que ele estava preocupado. Axel e Austin estavam sempre preocupados comigo. Sabia que era porque eu era bem quieto, que não era como eles, mas não podia ser de outra maneira. Este era eu. Eu só não falo muito. Eu acho que os enervava o fato de eu ser tão diferente.


Largando meu olhar de novo, comecei a rasgar a rótulo da minha cerveja, quando Rome perguntou: – Sem festas hoje à noite, Lev? É sábado à noite; você está me dizendo que Washington não é como todas as outras escolas do país? Eu encontrei os olhos de Rome e ele estava sorrindo para mim. Rome cutucou Austin e disse: – Não acho que houve um sábado que não tivemos um dos nossos irmãos da fraternidade jogando algo em nossa casa, hey, oitenta e três? Qualquer merda de desculpa para uma cerveja e boceta. Austin sorriu. – Sim, todos os caras tentando transar, até que todos as vadias se concentraram em você e deixou suas bundas desesperadas com apenas as mãos por companhia. Rome sacudiu a cabeça e olhou para mim novamente. Dei de ombros e joguei um pedaço do rótulo desfiado no chão. – Eu acho que há uma festa.

– E você não quer ir... de novo –, afirmou Austin, as sobrancelhas puxadas para baixo em sua expressão preocupada de costume. Corri a mão pelo meu cabelo e balancei a cabeça. – Você sabe que não é a minha praia. E eu queria ver Axel e Ally.

– Lev, você não tem ido a uma única festa desde que chegamos aqui –, Austin disse, exasperado. Eu me contorci no meu assento, sentindo toda a sua atenção focada em mim.

– Eu sei. – Eu não ofereci mais explicação. Quase na hora, meu celular vibrou na mesa ao meu lado e o nome de Ashton apareceu. ASHTON: Você vem ou não? A sexy ruiva está aqui perguntado por você.


Estendi a mão para o meu telefone para eliminar a comunicação, mas antes que pudesse chegar até ele, Axel já tinha visto o texto. Eu rapidamente coloquei o celular no meu bolso. Axel se levantou. Ele olhou para mim. – Vamos lá. Eu abri minha boca para discutir, enquanto ele caminhava na direção do portão de trás e saiu para a entrada de automóveis. Austin inclinou para frente. – Vá com ele, Lev. Você precisa começar a viver a sua vida, irmãozinho. Você tem que empurrar-se para dar o fora de seu escudo. Nervosismo me sufocava, mas fiquei de pé de qualquer maneira e corri pra casa da piscina para pegar minhas chaves do carro e de casa. Dois minutos mais tarde, estou lá fora da porta de trás e deslizei para o banco do passageiro de Axel “El Camino”. Não havia música tocando. Nada foi dito. Somente silêncio, Axel puxou o carro para fora e na estrada. Olhei para meu irmão mais velho: o seu rosto era como uma pedra, seus escuros, quase negros olhos estavam duros e tensos. Eu podia ver a raiva tomar a sua espera. Como se sentindo meu olhar, seus olhos voltaram para mim e ele suspirou. – É a porra da minha culpa que você é assim. Tão... introvertido. Todo tímido. Fechado. Meu estômago caiu e eu me virei para olhar para fora da janela, para as árvores embaçando em uma linha de verde constante. Eu podia sentir a dor e a culpa que irradiava em ondas grossas de Axel.

– Garoto? –, Ele empurrou minha cabeça e apertou contra a janela.


– Isso só é algo que não gosto, Axe. Não é por sua causa. Isso é exatamente como sou.

– Não é. Sim, você sempre foi calmo, mas eu empurrei você para a gangue muito jovem, fazendo-lhe atirar nas pessoas quando você ainda era um menino. Essa merda te empurrou para dentro de si. Eu sendo ausente, não sendo o homem da casa para você. Alguém em seu interior o orientou, o levando, porra. – Ele engoliu em seco e acrescentou: – Não estar lá quando Mamma morreu, porra, fez você se fechar, Lev. Eu posso ter sido um irmão de merda, mas te conheço o suficiente para entender isso. Você era muito jovem para passar pelo que passou. O que eu forcei você fazer. Você tinha sete anos quando ela ficou doente, e eu te deixei sozinho para que eu pudesse estar nessa porra de gangue. Sozinho. Isso prejudicou você, garoto. Eu fiz você ficar tão errado. Eu não disse nada em resposta, porque tão duro como era, a maioria do que ele disse era verdade.

– Diga-me, Lev. Você já teve uma namorada? Meu corpo ficou tenso com a pergunta de Axel. – Não –, eu sussurrei, minhas bochechas em chamas de vergonha. Ouvi as mãos de Axel apertar o volante, e ele acrescentou, – Você nunca sequer foi beijado? Você já chamou uma garota para sair? Você até mesmo falou com alguém que gostou? Eu não me incomodei em responder. Qual era o ponto? Ele sabia a resposta. Eu era um Carillo. Eu tinha vinte anos, e não tinha sequer sido beijado. Eu nunca tinha segurado a mão de uma menina. Eu ainda não tinha saído em um encontro.


– Foda-se, – Eu ouvi Axel cuspir baixinho, e eu revirei minha cabeça para encará-lo.

– Eu não sou como você, Axe. Ou Aust. É só que... Eu só não sei como falar com as meninas. Eu nunca conheci uma que quisesse encontrar a coragem de querer falar com ela. Axel manteve os olhos na estrada, em seguida, sacudindo um olhar para mim, disse: – Você tem a porra de um grande coração, garoto. Talvez muito grande. E eu sei que as coisas têm sido uma merda pela maior parte de sua vida, mas está melhor agora. Não é? Por favor, diga que nós fizemos as coisas melhores para você de alguma maneira?

– Sim –, eu respondi honestamente. – Está melhor. Axel exalou em alívio e fomos para o modo silencioso, de novo. Enquanto ele corria na estrada, eu ainda estava olhando para fora da janela quando disse-me, – Austin me contou que o rosário de Mamma foi roubado do vestiário. Virando meu rosto para olhar para o meu irmão, encontramos brevemente nossos olhos e, em seguida, focou de volta na estrada. – Sim –, eu respondi.

– Isso cortou você. – Ele disse isso como uma suposição, não uma pergunta. Eu balancei a cabeça de qualquer maneira.

– Isso não era ela –, disse ele asperamente. – Esse rosário era apenas uma coisa. Não era Mamma. Um grosso nó encheu minha garganta. – Para mim era. – Eu me mexi no meu assento, e brinquei com minhas mãos, relutantemente, confessei: – Eu não me lembro mais como ela se parecia, Axe. Eu... –, eu respirei fundo,


lutando contra a dor no meu estômago, e continuei. – Eu não me lembro como me sentia com a sua mão no meu cabelo. – Eu podia ouvir como minha voz tinha quebrado com essa confissão, mas consegui acrescentar: – Essas contas do rosário eram a minha âncora para ela. Porque sei que ela os tinha em suas mãos. Quando eu os segurava também, sentia como se ainda podia vê-la e senti-la comigo, de alguma forma. Porque ela está sumindo da minha memória, Axe. Eu não tive tanto tempo com ela como você e Austin tiveram. Estou achando realmente difícil mantê-la viva em meu coração. Axel não disse nada em resposta, mas alguns segundos depois, ele parou o carro no acostamento e desligou o motor. E nós nos sentamos lá. Ficamos lá, nós dois olhando para fora da janela. Até o braço do meu irmão mais velho vir em volta do meu pescoço e me puxar para o seu peito. Lágrimas construíram em meus olhos por este simples gesto e eu segurei sua camisa com força. – Eu não sei o que diabos fazer para torná-lo melhor para você, Lev –, Axel murmurou, quando soltei uma respiração lenta, tentando controlar minhas emoções. Eu não respondi, só esperei até que pudesse levantar a cabeça sem cair aos pedaços. Eu caí no assento.

– Eu sei que você sente falta dela, garoto. Porra eu sinto também, mas você tem que tentar viver. Você estuda, joga futebol americano universitário. Estou tão orgulhoso de você, porra, tanto que poderia estourar. Você é inteligente, é o melhor de nós, mas você tem que tentar, Lev. Basta experimentar e viver. Experimente ser feliz. Ou então, qual é o ponto dessa merda toda? Eu ouvia suas palavras e balancei a cabeça. Eu sabia que ele estava certo, mas não sabia como fazê-lo. Eu sabia com certeza que ir a festas de


fraternidade e ficar bêbado não era isso. Mas não queria que Axel se preocupasse. Tudo o que ele fazia era se preocupar comigo, e mesmo que ele tivesse feito uma tonelada de erros em nossas vidas, ele não merecia o meu fardo.

– Eu vou tentar. – Então me forcei a dizer, – Lo giuro. Axel suspirou de alívio. – Isso é bom, garoto. Isso é muito bom, pra caralho. – Ele ligou o motor. – Agora, onde diabos é esta casa de fraternidade? Eu conheço a área, mas preciso do endereço. Eu indiquei o endereço, e chegamos à frente da casa alguns minutos depois. Quando o carro parou, Axel disse: – Divirta-se, sim? Forçando um sorriso, eu disse: – Sim, te vejo mais tarde, Axel, – e sai do carro. O casarão estava transbordando com alunos, a maioria da equipe estavam bêbados, espalhados no gramado. Eu andei para frente até que Axel estava fora de vista. Então, quando olhei para a casa repleta, os meus pés pararam completamente. Esta não era a minha coisa. Eu queria mostrar a Axel e Austin que poderia fazer isso, mas quanto mais olhava para os alunos espalhados, os barris sendo abertos, todos tropeçando ao redor do gramado, eu sabia que não poderia entrar. Meu telefone tocou no meu bolso, eu sabia que seria Ashton, novamente. Em uma fração de segundo tomei a decisão, e antes de entrar, levantei meu capuz sobre a cabeça e caminhei para a rua. Comecei a correr, a minha velocidade logo me levando para bem longe da casa de fraternidade.


Abrandando para uma caminhada, e então um andar gradual, coloquei minhas mãos em meus bolsos e apenas segui meus pés. Eu não podia voltar para casa ainda, então ia a pé. Eu ia a pé até passar tempo suficiente para que meus irmãos se iludam pensando que eu pelo menos tentei. Tentei ser o garoto normal que sabia, que nunca poderia ser.

Um par de horas mais tarde, eu me encontrava perto de um grupo de bares. Eu andei sem rumo, rua após rua, apenas passando o tempo. As pessoas estavam saindo dos bares nas proximidades; música alta explodindo para fora de um pub em uma esquina. Eu assisti a muitos grupos de estudantes cheios de risos. O cheiro de fumaça e álcool flutuava no ar fresco da noite. Vendo uma Starbucks à frente, dobrei minhas mãos nos bolsos de meu capuz e fiz o meu caminho através da estrada. Eu estava prestes a me aproximar da porta, quando ouvi o som de uma voz masculina vinda do beco entre a casa de café e uma delicatessen. No começo eu imaginei ser um homem bêbado tropeçando no escuro, até que ouvi um estrondo maçante, um som surdo e um grito feminino de dor. Eu imediatamente me afastei da porta e vim à entrada do beco. Estava escuro como breu, exceto pela luz fraca de uma lâmpada de rua do outro lado da parede do beco. Um rápido movimento imediatamente chamou minha atenção. A voz masculina rosnou baixo novamente. Desta vez, o grito feminino era alto e distinto.


Sem pensar corri pelo beco, travando rapidamente na visão de um homem empurrando uma menina contra uma parede de tijolos. Eu não conseguia ouvir o que ele estava dizendo, mas podia adivinhar o que ele estava tentando fazer. Sem pensar investi contra o homem, agarrando seus ombros e jogando-o no chão em um movimento. Seu corpo bateu no chão com um baque, e eu me virei para vê-lo empurrando-se para levantar. Eu dei uma boa olhada em suas feições inchadas de álcool, suas roupas imundas e sua pele suja. Apertando minha mão em um punho, mergulhei diretamente em seu rosto. Eu ouvi o grito angustiado da menina mais uma vez. Virando minha cabeça para ela, a vi enrolando em uma bola no canto mais distante da parede do beco. Eu podia ouvir sua respiração pesada gaguejando, então ela começou a tossir uma tosse áspera e rouca. Ouvi passos ecoarem pelo beco, e quando olhei de volta para o atacante bêbado, eu o vi correndo em direção à calçada movimentada. Eu estava prestes a correr atrás dele, quando a menina no canto começou a tossir novamente, só que desta vez ela não podia parar. Concentrando-me na menina, eu cuidadosamente aproximei-me e agachei lentamente atrás dela. – Você está bem? – Eu me forcei a perguntar. Adrenalina esmagou qualquer timidez que sentia. A menina não respondeu. Chegando lentamente, coloquei minha mão em suas costas. A menina gritou e tentou empurrar-se ainda mais para o canto.

– Está tudo bem –, eu disse e puxei minha mão para trás, – ele se foi. O cara que atacou você se foi. Eu não vou te machucar. Apesar da minha maneira amigável, a menina não parecia perceber que eu não era uma ameaça. Sentei-me, esperando pacientemente para me


certificar de que ela estava bem. Só então eu finalmente me concentrei em como esta menina estava vestida - calça jeans rasgada, jaqueta de couro, fios de cabelo loiro desgrenhado... Era ela. Como se sentisse meu reconhecimento de quem ela era, a menina virouse lentamente, e seus olhos se arregalaram quando ela me viu diante de si. Eles eram azuis claros e perfeitamente redondos. Ela me reconheceu também, eu podia ver isso escrito por todo seu rosto. A menina chicoteou os olhos ao redor do beco, procurando freneticamente por cada polegada. – Ele não está aqui –, eu repeti. Mas ela parecia não ouvir o que eu tinha dito. Seu pescoço esticou para fora, os olhos arregalados continuando a varrer em torno de nós, quando coloquei minha mão em seu braço. Seus olhos se encontraram com os meus. – Ele se foi –, eu disse de novo, desta vez mais lento. Seus enormes olhos de corça tinham a atenção nos meus lábios. A menina congelou, em seguida, lançou um suspiro longo e estremeceu. Eu encarei e encarei. Sabendo que ela tinha roubado o rosário de minha mãe deveria ter me deixado louco como o inferno. Mas vê-la aqui, tão pequena e com medo, encolhida na parede do beco, se escondendo sob uma borda inclinada de telhado, tirou qualquer ódio que eu pudesse abrigar. O capuz estava cobrindo sua cabeça, protegendo mais de seu rosto. Mas eu podia ver, mesmo no escuro do beco, que sua pele estava cheia de sujeira. Mesmo através da sujeira, eu podia ver que sua pele estava pálida. Muito pálida.


Preocupação superou minha timidez, e eu perguntei: – Você está doente? Como se respondendo a minha pergunta, a garota se inclinou para frente e tossiu como se seus pulmões estivessem falhando. Ela tossiu e tossiu até que o som de sua tosse era muito rouca e ofegante. Eu apertei meu punho, resistindo à vontade de colocar a minha mão em seu braço. Ela era tão magra e frágil, enrolada em cobertores molhados, tentando em vão manter-se aquecida. Suas roupas estavam rasgadas em pedaços e completamente desgastadas. Enquanto eu a olhava, ela colocou o braço em volta da cintura para manter-se na posição vertical. Eu inclinei minha cabeça para olhar para a chuva torrencial. Senti a crescente arrogância do vento frio no beco estreito. Eu sabia que não poderia deixá-la aqui, não assim. Ela precisava de ajuda e precisava rápido. Deslocando-me ao redor até que estava diretamente em frente a ela, mergulhei minha cabeça até que podia ver seus olhos sob o capuz de seu moletom. Um lenço preto surrado estava puxado metade do caminho em seu rosto; apenas seus olhos azuis maçantes eram visíveis. Quando a tosse forte desapareceu em um chiado de cascalho no fundo, eu disse: – Por favor, me escute. Mas seus olhos não se levantaram ao meu pedido. Ficaram grandes e atordoados, pupilas dilatadas, com o foco no chão sob nossos pés. Minha preocupação aprofundou.


Avançando mais à frente, acenei minha mão na frente do seu rosto. A menina saltou de novo, mas suas pálpebras se mexeram com o movimento até que, finalmente, sua atenção estava voltada para mim. Certificando-me de que ela pudesse me ouvir, eu expliquei, – Eu vou ajudá-la. – Eu pensei imediatamente em Lexi, e sabia que ela viria ajudar a menina. Poderíamos cuidar dela. Nós poderíamos levá-la a um médico, um lugar que ela pudesse ficar. Enfiei a mão no bolso para o meu celular, mas quando apertei o botão, ele estava apagado. Eu suspirei de frustração. Os olhos da menina observavam meus lábios. – Eu estou indo pedir ajuda. – Quando eu lhe disse essas palavras, o rosto dela caiu e ela balançou a cabeça. Usando as mãos no chão encharcado, ela empurrou-se mais para trás, contra a parede.

– Está tudo bem –, eu disse e levantei minhas mãos. – Acalme-se. – Eu a vi fechar-se sobre si mesma, seu corpo se contorcendo como se fosse uma criança pequena: aterrorizada e com medo. Ela deixou seu lenço cair, revelando seu rosto. Algo em meu coração se partiu e rachou em dois. Parecia que ela poderia ser bonita. Mas seu rosto estava afundado, olheiras sombreadas como manchas de carvão ao redor dos olhos. Suas mãos rígidas juntaram-se sobre o peito. Quando afastei lentamente o cobertor cobrindo-a, eu percebi que ela estava tremendo. Ou ela estava apavorada ou congelando. Quando olhei para seu pálido rosto assombrado, pensei que poderia ser ambos. Seu olhar nunca vacilou do meu. – Por favor. Deixe-me ajudá-la. Você não está bem e precisa de ajuda. – Eu a vi agitar lentamente a cabeça em


recusa. Mas quando ela fez, vi as lágrimas construírem em seus olhos e seu lábio inferior tremer. Eu desviei o olhar, frustração crescendo no meu peito. – Por favor –, eu sussurrei, sentindo-me impotente. Quando enfrentei a menina de novo, seus olhos estavam vidrados de volta ao chão, e sua respiração ofegante tinha se tornado pior. Sua cabeça tinha uma inclinação para o lado e ela puxou o cobertor molhado até o queixo, em busca de calor. A chuva caía mais pesada. Percebendo que seria necessário mais de mim do que simplesmente oferecer ajuda, me levantei. A menina nem sequer pestanejou. Olhei para o beco, estava claro. Voltando-me para a garota, eu disse: – Eu estarei de volta em dois minutos. Vou pegar um pouco de comida e um café. Eu esperei por uma resposta, mas não veio nenhuma; sua cabeça ficou firmemente para baixo. Sem hesitar, corri para o final do beco e caminhei rapidamente pela entrada do Starbucks. Eu joguei de volta o meu capuz e sacudi a chuva. Aproximei-me do atendente, vendo instantaneamente uma jovem morena, mais ou menos a minha idade. Ela sorriu quando me aproximei do balcão.

– Dois cafés com creme e açúcar para viagem –, eu pedi, então procurei no gabinete de pastelaria. Peguei algumas garrafas de água e um monte de sanduíches. Eu os coloquei em cima do balcão. "Estes também. E alguns desses biscoitos de chocolate. " Enfiei a mão no bolso para tirar algum dinheiro. Quando olhei para cima, a morena estava sorrindo para mim. Sua sobrancelha estava inclinada de


uma forma que vim a reconhecer. Ela queria falar comigo. Ela gostava de mim. No minuto que ela riu, eu podia sentir meu rosto inundar com o calor.

– Está com fome ou algo assim? –, Ela perguntou em voz brincalhona, apontando para todos os alimentos. Ela esperou por mim para responder. Em vez disso passei a mão pelo meu cabelo, mantive minha atenção sobre o balcão e balancei a cabeça. Eu me mexi nos meus pés enquanto ela registrava os sanduíches. A morena se inclinou para frente. – Você quer que esquente estes sanduíches? – Eu balancei a cabeça. Ouvi outra risada sedutora vir da sua boca, em seguida, meu estômago revirou quando ela se inclinou para descansar os cotovelos sobre a bancada. Ela espiou para mim e, desta vez, eu não tinha escolha, mas encontrar seus olhos. Ela sorriu novamente. – Qual é seu nome? – Eu limpei minha garganta. A atendente levantou os copos e acrescentou: – Aqui seu pedido.

– Levi –, respondi calmamente e entreguei uma nota de cinquenta. A menina pegou. Antes que ela pudesse falar de novo, murmurei, – Fique com o troco. Quando me virei para longe do balcão, avistei seu rosto caindo com a minha rejeição óbvia, mas a minha culpa foi de curta duração quando pensei na menina no beco. Lembrei-me de suas roupas, cobertores encharcados e roupas desgastadas. A dor estava de volta no meu peito com a forma como ela estava vivendo. Que essa existência era sua vida. Inalando uma respiração profunda, olhei para fora da janela, e imediatamente vi a luz de uma loja de Seahawks aberta do outro lado da rua.


Virando-me para a atendente, coloquei minha mão sobre a bancada. – Estarei de volta em cinco minutos. – Ela franziu a testa, mas deu de ombros. Jogando meu capuz por cima da minha cabeça, deixei o café e atravessei a rua correndo. Assim que entrei na loja confuso, procurei em torno pelo o que poderia pegar. Camisetas, casacos e bregas canecas de leitura ‘12th Orgulho do Homem' espalhados pelo espaço. Eu empurrei através das muitas prateleiras de roupas. Agarrando três casacos com capuz pequenos sem descrição, então corri para uma seção de canto da Seahawks que tinha cobertores. Peguei dois, em seguida, levei tudo para o caixa. Paguei e depois peguei os cafés e alimentos. Esquivando-me no beco, procurei por qualquer sinal de que o atacante tinha voltado. Estava um silêncio mortal. Empurrando para a frente, pisquei os olhos tentando me ajustar à escuridão quando vi a menina, ainda agachada no canto contra a parede. Mesmo a esta distância eu podia ver que seu pequeno corpo estava em convulsão. Ela estava ficando pior.

– Sou eu, estou de volta –, eu disse em voz alta enquanto me aproximava, tentando não assustá-la. A garota não se moveu, e por um minuto, puro pânico percorreu minhas veias que algo estava muito errado. Mas quando meus pés pararam diante dela, ela saltou, um grito rouco saltando de sua garganta. Eu dei um passo para trás, quando aqueles enormes olhos azuis fixaram nos meus. Sua respiração estava irregular. Gotas de suor escorriam pelo seu rosto.

– Desculpe, eu disse que era eu. Você não ouviu.


A menina fracamente puxou o lenço fora de seu pescoço, a pele debaixo estava corada e vermelha. Quando ela olhou para o meu punhado de bens, seus olhos se arregalaram. Tomando isso como a minha chance de explicar, agachei e estendi o café com creme e açúcar. A testa da garota franziu, levando-me a dizer: – É para você. Ela engoliu em seco, e minhas bochechas aqueceram com nervosismo ao ver a expressão de pura gratidão em seu rosto. Claramente visto que não estava mentindo, ela lutou para endireitar seu corpo fraco e sentou-se ainda mais contra a parede. Eu resisti à vontade de ajudá-la enquanto ela lutava para respirar. Mas fiquei para trás. Ela tinha acabado de ser atacada. Ela não queria o meu toque, mesmo se ele fosse gentil. A mão da menina levantou-se. Eu pensei que ela estava tomando o café, até que sua mão pousou em seu grande capuz e ela lentamente puxou-o para trás para revelar seu rosto. Ela manteve os olhos baixos e passou a língua sobre os lábios rachados. Minha respiração estava mantida preda na minha garganta, até que ela olhou para cima e soltei a respiração reprimida. Eu podia ver que ela não era tão jovem quanto parecia. Algo em seus olhos me disseram que estava perto da minha idade, que eu rapidamente percebi, tornaria quase impossível obter a ajuda. Ela não era menor de idade. Eu não podia fazê-la ir a qualquer lugar que ela não quisesse. O silêncio entre nós tornou-se espesso e estagnado. Eu empurrei o copo para a frente da sua mão. A menina pegou o copo como se fosse uma tábua de salvação, chegou lentamente e levou em sua mão frágil. Por um momento pensei que ela poderia largar o copo grande e eu segurei firme a parte inferior para que não derramasse.


Com a minha mão no café, eu podia sentir a magnitude de seu tremor. Colocando meu café no chão, eu vim mais a frente ajudando-a a levar o café aos lábios. Quando o primeiro gosto do líquido atingiu seus lábios, seus olhos fecharam e ela respirou gaguejando.

– Você está bem? –, Perguntei em voz baixa. A menina abriu os olhos. A cabeça inclinou para o lado, estudando meu rosto. Ela não tinha me ouvido. Limpando a garganta de novo, repeti, – Você está bem? A menina observava meus lábios, e piscando seu foco para trás em meus olhos, ela gentilmente acenou com a cabeça. Ajudando-a a descansar o café em seu joelho dobrado, me inclinei para trás, em seguida, passei sobre o saco de comida. Percebi que ela estava olhando atenta para minha boca quando levantei a bolsa e deliberadamente disse: – Sanduíches e biscoitos. – Minhas bochechas ardiam sob sua atenção, e meu estômago apertou com nervosismo. Isto era a mais longa conversa que já tive com uma garota na minha vida, e parecia que ela era ainda mais introvertida do que eu. Por último, retirei os cobertores e casacos de moletom. Passei-os para onde ela estava sentada. Apontando para o cobertor molhado cobrindo seu corpo, perguntei: – Posso? A menina congelou e seus olhos começaram a diminuir. Eu peguei a borda inferior do seu cobertor molhado arruinado em minhas mãos e ergui-o para que ela visse. "Isto não te mantem quente." A expressão de simpatia correu através de mim. "Ele está te deixando mais doente." A garota não se moveu. A simpatia que senti rapidamente se transformou em frustração, até que ela se moveu no chão. Lentamente, e o que parecia dolorosamente, ela levantou a mão e o café fora do material encharcado.


Eu exalei com alívio. Avancei até que meu rosto estava a apenas alguns metros do dela. Meu coração estava trovejando no meu peito por estar tão perto. E quando olhei para cima, perdi o fôlego. A menina estava me observando muito atentamente. Seus olhos lentos estavam piscando ao meu redor, tentando beber cada movimento que eu fazia, cada cintilação no meu rosto, cada palavra da minha boca. Sua respiração ofegante gaguejava quanto mais perto eu chegava, e desta vez, eu sabia que não tinha nada a ver com o frio. Ela estava apavorada. Essa garota, essa menina abandonada neste beco, morria de medo de mim. A forma como seus enormes olhos me rastreavam, o desamparo e a doença que vi, lembrou-me de como minha mãe estava quebrada em sua pequena cama, e de Lexi quando ela estava doente, muito fraca e sozinha, no hospital. Foi por isso que fui obrigado a ficar. Isso e o direito humano básico. Esta menina tinha me roubado, tomou a coisa mais preciosa que eu tinha, mas vi claramente por que ela fez isso, esta era a sua vida. Este maldito beco era toda a sua vida. Eu agarrei o cobertor mais apertado na minha mão, lutando contra a raiva do porque algumas pessoas neste mundo pegam só merda em sua vida, quando outros têm tanto. A raiva era tão intensa que minha mão começou a tremer. Eu me concentrei na minha mão, sabendo que estava perto de me perder. De repente, senti um escovar frio como gelo nos meus dedos e estalei os olhos para cima. A menina... a pequena mão meio enluvada da garota estava deitada em cima da minha. Engoli em seco, depois engoli novamente a olhando, forçandome a olhar para seu rosto. Seus olhos azuis estavam me observando, e quando


finalmente encontrei os olhos dela, fiz uma pausa enquanto sua cabeça mergulhou para baixo. Ela estava dizendo 'obrigada'. Minha raiva instantaneamente evaporou-se. Eu não me movi até que a menina retirou a mão. Quando ela fez, removi o cobertor molhado de suas pernas. Grandes rasgos cobriam suas calças jeans, só que eles não eram da moda. A raiva quase voltou quando vi que o botão de cima da calça jeans estava faltando. Uma polegada de seu estômago nu estava aparecendo, e tinha levemente sangue a partir de um arranhão recente. O cara. O cara que eu tinha visto atacando ela, tinha feito isso. Se eu não tivesse chegado quando fiz ... De repente, a menina empurrou para baixo moletom com capuz para esconder sua barriga. Suas bochechas estavam vermelhas. Eu sabia que era de constrangimento, o que me irritava ainda mais. Ela não tinha nada para se envergonhar. Forçando-me a manter a calma, levei os dois cobertores que comprei e coloquei-os sobre ela. Eu a assisti com a respiração suspensa, quando seus olhos caíram e sua mão lentamente atropelou o material macio. Eu pensei que meu coração daria um soco no meu peito quando seus lábios se levantaram em um fantasma de um sorriso. Uma manta seca. Isso era tudo que era. Para essa garota, um cobertor seco era como um toque do céu. Fiquei agachado, apenas observando seu momento de felicidade, até que uma rajada de vento frio chicoteou em torno de nós. O frio penetrou em meus ossos. Eu já estava encharcado e congelando. Eu não poderia imaginar como essa garota se sentia depois de estar aqui fora por sabe lá Deus quanto tempo.


Eu levantei meu café do chão e sentei diante dela. Quando olhei para cima, a menina estava embalando o café em suas mãos, o tamanho do copo grande a fazendo parecer uma anã com seu pequeno corpo. Como antes, sua atenção estava firmemente fixada em mim. Mexendo no chão duro, eu disse: – Eu conheço alguém que pode ajudá-la. Enquanto eu falava contei as rachaduras no asfalto abaixo do meu pé. – Você não pode ficar aqui fora. Não é seguro, e você está doente. Ainda assim, havia apenas silêncio. Olhei para cima. O rosto triste da menina era tudo o que eu podia ver. Meu estômago caiu. Pude ver pelo olhar em seu rosto que ela não ia a lugar nenhum. Percebendo meu olhar, ela gentilmente balançou a cabeça. Minha mandíbula se apertou quando ela fez, e eu implorei: – Por favor. Eu não posso em sã consciência, deixar você assim, – Fiz um gesto ao redor do beco, – aqui fora. Mas a menina simplesmente abaixou a cabeça e tomou um gole de café. Sem pensar toquei a perna dela, fazendo-a saltar. O olhar dela bateu nos meus. Eu tentei uma última vez. – Por favor. Com os olhos arregalados, a menina olhou para longe. Vozes de repente encheram a boca do beco. Inclinando-me para trás, vi um monte de caras que pareciam ser de fraternidade, mijarem no muro. Eles estavam bêbados e cambaleando em torno do beco cheio de lixo. Eu balancei minha cabeça. Ela não deveria ficar em torno disto. Não era seguro.


Segurando meu café, eu pensei. A menina rapidamente virou a cabeça em minha direção. Eu olhei para ela, e meu coração apertou vendo seus grandes olhos azuis olhando-me com perguntas, com incerteza. Seguindo em frente, apontei para o lugar ao lado dela contra a parede. A garota olhou para baixo, e, em seguida, olhou para trás, para cima, uma expressão de choque no rosto. Mas ela não me disse não. Na verdade, ela parecia respirar um suspiro de alívio quebrado. Devagar e com cuidado, abaixei ao lado dela e passei meus braços em volta de mim mesmo para manter-me aquecido. Estava congelando aqui. O braço da menina escovou contra o meu. Tremores percorreram minha espinha e eu sabia que não tinha nada a ver com o frio. Eu nunca tinha estado tão perto de uma menina, nunca. Eu ri para mim, porque a primeira vez que me sentei ao lado de uma garota, ela era uma sem-teto, e eu estava tentando mantê-la segura. Jake e Ashton teriam rido com esta imagem. Tenho certeza que isso não era o que Axel tinha planejado para eu fazer esta noite também. Sentindo os olhos em mim, virei para ver a garota me olhando com as sobrancelhas puxadas para baixo em confusão. Seus olhos caíram para os meus lábios e eu disse: – Eu vou ficar aqui um tempo. Não é seguro. Seu rosto bonito moldou em um mal-entendido. Eu não entrei em detalhes, em vez disso, simplesmente disse: – Durma. Eu vou mantê-la segura. Os olhos azuis da moça se encheram de lágrimas. Eu assisti, apertando meu coração quando uma lágrima caiu pelo seu rosto, apenas para espirrar sobre o cobertor que eu tinha acabado de comprar para ela. Incapaz de vê-la chorando, me inclinei para a frente e perguntei: – Você está cansada? – A garota hesitou em responder, até que ela relutantemente


concordou com a cabeça. Lambendo meus lábios secos, lentamente cheguei mais perto e declarei: – Durma. Ninguém vai te machucar. Como se gravitando em direção ao calor do meu corpo, a menina caiu contra o meu braço, a cabeça caindo em meu ombro. Ela ainda segurava seu café na mão. Seu corpo enrolado em mim, e eu olhei para seu cabelo louro sujo contra o meu braço. Ela parecia tão perdida. Eu não sabia quanto tempo se passou com ela dormindo contra o meu braço, mas quando sua respiração estabilizou, eu sabia que era a minha chance de chegar a um telefone. Tão lento quanto possível, levantei a menina do meu braço e posicioneia contra a parede. Chegando a meus pés, olhei para o corpo encolhido para baixo. Sua pele era pálida, seu corpo magro estremeceu, e meu estômago caiu. Eu não queria deixá-la. Mas eu tinha que falar com Lexi. Eu não tinha certeza de quanto tempo mais ela poderia durar aqui no estado em que estava. Certificando-me se os cobertores escondiam onde ela estava, corri para fora do beco e comecei a procurar na rua por um telefone público. Levei quatro ruas e muito tempo para fazer uma chamada para Lexi, que atendeu no terceiro toque.

– Lex? – Eu disse no minuto que atendeu o telefone. – Preciso da sua ajuda. Lexi concordou em me encontrar no Starbucks. Quando corri de volta para o beco, uma onda de culpa passou por mim. Eu disse a Lexi que tinha estado na festa a noite toda. Que tinha encontrado a garota, quando a festa mudou-se para os bares.


Enquanto corria, pensei em minha mãe. Ela teria feito isso por esta menina. Ela nunca teria permitido que ninguém em apuros ficasse sem sua ajuda. E eu precisava disso. Eu precisava ver outro oprimido passar por isso. Eu cheguei no beco e, em segundos, corri para a parte de trás. Mas quando cheguei lá, tudo o que me cumprimentou foi uma xícara vazia de café, os alimentos descartados, e o velho cobertor que tinha sido lançado no chão. Eu virei minha cabeça em torno do beco, procurando cada polegada pela menina, mas a verdade era clara como o dia: ela tinha fugido. Meu corpo se encheu de decepção. Curvando-me, eu apertei minha mão e bati contra o copo de café vazio no chão. Passei a mão pelo meu rosto, quando vi um pedaço de papel rasgado deitada sobre o cobertor, sob a proteção seca do telhado inclinado. Franzindo a testa para o que poderia ser, eu o peguei. Uma simples palavra foi rabiscado com caneta azul através do meio da página. "Obrigada." Olhei para essa palavra simples, e ela me manteve congelado no local. Esta foi a única palavra que a menina tinha comunicado a mim durante a noite toda, ‘obrigada’. Senti um buraco cavar em meu estômago com o pensamento dela estar aí fora nas ruas, por conta própria. Pensei naqueles enormes olhos azuis cheios de lágrimas, quando lhe disse que iria ficar e mantê-la segura. Que ela podia dormir sem medo. Sentindo nada além da derrota, sai do beco. Eu procurei por ela tanto quanto poderia. Eu olhei em cada beco e ruas nas proximidades. Mas ela tinha ido embora, e eu não tinha ideia para onde. Correndo de volta para o telefone


público, liguei para Lexi e disse a ela que a menina não precisava de nossa ajuda, afinal. Chamando um táxi, fui para casa. Para a mansão de Austin e Lexi. Para o conforto que me rodeava, enquanto a menina com grandes olhos azuis andava pelas ruas, doente e sozinha. Quando escorreguei no banco de trás do táxi, minha cabeça caiu para descansar na janela, a nota manuscrita da menina agarrada firmemente na minha mão.


LEVI

– Feliz aniversário! – Lexi cantou para Ally quando entramos no restaurante. Axel e Ally já estavam na mesa da sala privada, junto com Molly e Rome. Ally se sentou ao lado de Axel, com o rosto todo sorridente, enquanto sua cabeça repousava em seu braço. Axel tinha o braço pendurado em seu ombro, e ele a puxou para perto de seu lado. Meu irmão mais velho era mais feliz do que eu jamais poderia ter imaginado. O cara mais perigoso da gangue que eu sempre conheci, havia encontrado uma paz profunda com Ally. Olhei para Austin, segurando a mão de Lexi, e vi que ele tinha isso também. Eu sabia que ambos ainda sentiam falta da Mamma. Eu sabia que ambos pranteavam ela todos os dias. A diferença entre eles e eu? Eles tinham encontrado a paz através do amor. Enquanto eu estava completamente perdido. Em geral, era um cara positivo, ou pelo menos tentava ser, mas eu sempre senti que algo estava faltando na minha vida. Minha mente voltou para a garota sem-teto que sentei ao lado, três dias atrás, e meu estômago afundou. Ela estava perdida também, mas pior, ela estava sozinha. Eu tinha procurado


essa mesma menina todos os dias desde a noite que ela adormeceu contra o meu braço, mas a menina bonita havia desaparecido. O fato de que eu não tinha ajudado quando ela estava doente, obviamente, pesava muito na minha mente. Eu deveria ter feito mais. Axel, vendo que nós entramos, se levantou. Ally também. Molly e Rome estavam sorrindo largamente. Eu tinha acabado de me perguntar por que eles estavam tão felizes, quando Ally subitamente levanta sua mão esquerda para nós vermos. No começo me perguntei o que estava acontecendo, então ouvi Lexi gritar e correr para a frente. Foi então que vi o diamante empoleirado no dedo de Ally, e meus olhos pularam para o meu irmão mais velho. Axel já estava me observando e Austin, esperando nossa reação. Em vez de dizer qualquer coisa, ele deu de ombros e passou a mão pelo seu cabelo comprido. Foi então que soube que ele estava nervoso. Sorrindo para o meu irmão, andei para frente e ele me puxou para um abraço. – Parabéns, Axe. – Movendo mais perto de seu ouvido, eu acrescentei,

– Você merece isso. Axel me segurou mais apertado, e ouvi a sua voz baixa perguntar: – Mereço? Sorrindo ao pensar que meu irmão constantemente tentava compensar o passado, buscando a minha aprovação, empurrei para trás e balancei a cabeça.

– Sim, Axe. Você merece. Axel segurou meu rosto e murmurou, – Obrigado, garoto.


Eu tinha acabado de me virr para Ally para felicitá-la também, quando o som de vidro quebrando soou da cozinha. Eu dei um passo para trás para ver o que todo o barulho era, quando ouvi um homem gritando.

– O que diabos está acontecendo lá dentro? – Austin perguntou do meu lado. Eu balancei a cabeça me perguntando também, quando as portas da cozinha se abriram de repente. Assumi que era o gerente do restaurante, empurrado através, e em seus braços ele segurava uma garota. A garota fracamente se debatia, mas não fez nenhum outro som além de sua pesada, e cortante respiração. Não era possível ver claramente o que estava acontecendo, empurrei passando por Rome e Molly até que avistei o gerente caminhando para seu escritório no outro lado da nossa sala privada... e o sangue drenou do meu rosto. Era ela. A garota. A menina sem-teto que estava em seus braços. Meu coração batia forte em meu peito enquanto ela lutava fracamente contra o aperto do gerente. Ele virou-se abruptamente e seu rosto apareceu. Meu estômago afundou novamente. Ela estava pior. Ela parecia pior do que algumas noites atrás, que para mim já parecia quase impossível. Suas pernas finas arrastadas no chão de azulejos, seu corpo fraco demais para ficar de pé. A visão me fez cambalear para a frente. Corri para o gerente, tomando seu braço estendido para a menina, puxando-a de suas mãos. Quando o fiz, olhei para baixo, vendo os olhos vidrados da menina para mim. Suas pupilas estavam dilatadas, os brancos perto do cinza. Eu podia ver que, embora ela estivesse olhando para mim, ela realmente não estava me vendo. Sua pele estava escaldante ao toque e sua testa estava brilhando de suor.


O gerente estendeu a mão para levá-la de volta, mas eu rosnei, – Tira as mãos dela! O gerente deu um passo para atrás, usando uma máscara de confusão em seu rosto. – Ela estava roubando. Eu a peguei roubando lá atrás. Eu vou chamar a polícia. Eles podem lidar com isso. Eu não estou machucando-a. Uma onda de protecionismo passou por mim, e eu assobiei, – Não está machucando? Ela está doente. Você não pode ver o quão doente ela está? O gerente olhou para a menina em meus braços, e balançou a cabeça. – Esta é a terceira vez que tive dinheiro roubado este mês. Eu recusei. Como este filho da puta não vê que ela estava doente? Que estava morrendo de fome? Ele estava chamando a polícia em vez de ajudá-la, em vez de realmente dar a mínima.

– Lev, o que diabos está acontecendo? – Eu me virei para Austin, que tinha acabado de chamar meu nome. Seus braços estavam cruzados sobre o peito largo e as sobrancelhas escuras juntas de preocupação. Eu o vi lançar um olhar sobre a menina em meus braços. Registrei a confusão em sua expressão.

– Ela precisa de ajuda –, eu disse. Eu me concentrei na menina, cuja respiração estava muito rouca e profunda, muito rasa. Seu rosto estava inchado e sua pele estava pálida, encharcada de suor. Seus olhos não conseguiam manter o foco. Assim que trouxe seu rosto mais perto de mim, suas pernas perderam a força. Eu tive que manter a pressão apertada para impedi-la de cair ao chão. Lexi estava de repente ao meu lado. – Levi? – Lexi estendeu a mão à testa da menina. – Deus, ela está queimando de febre.


– Eu disse a ela para sair quando a encontrei no escritório, mas ela continuou, enchendo sua jaqueta de dinheiro como se eu nem estivesse lá, de costas para mim, ignorando minhas palavras. Eu já tive o suficiente. Não é só ela que vem fazendo isso para nós. Não podemos permitir isso –, reclamou o gerente.

– Lev? – Lexi chamou, e segurando a menina mais perto do meu peito, eu confidenciei baixinho: – Ela é a menina que levou minha carteira, Lex. – Eu podia ver pela expressão no rosto de Lexi que ela ainda não entendia o que estava acontecendo. Engolindo meu orgulho, confessei: – Na outra noite, sobre a menina sem-teto que te liguei. É ela.

– A que você encontrou depois da festa é a mesma garota que roubou sua carteira? Suspirei. – Eu nunca fui a festa... – Eu parei, e senti minhas bochechas queimarem de vergonha.

– O quê? – Lexi empurrou. – Eu não fui a festa e, bem, apenas não era uma coisa para mim, ok? Então eu caminhei para passar o tempo. Para fazer com que vocês pensassem que eu tinha ido." Eu olhei para o rosto da menina e disse: – Ela é a garota sem-teto que te liguei para ajudar, Lex. A única que fugiu quando fui fazer a chamada. Eu vi um cara a atacando em um beco quando estava indo pegar um café. Eu a ajudei. Quando percebi que era ela, a garota que roubou minha carteira, tentei ficar puto. Mas então realmente a vi: assustada, suja e magra. Eu notei que ela estava doente e, bem, inferno, senti pena dela. Eu não podia deixá-la. Ela era tão jovem para estar lá fora à noite, sozinha.

– Porra, Lev, – Austin disse ao meu lado.


Eu olhei para Austin. – Eu não podia deixá-la lá assim, então comprei o café e comida, e alguns novos cobertores. Tentei convencê-la a vir comigo. – Eu inclinei minha cabeça na direção de Lexi. – Eu tentei trazê-la para você. Pensei que poderia levá-la para o centro, mas ela não quis vir. Ela não falou comigo, nem uma palavra, mas ela estava obviamente apavorada e com frio, e fraca... ela me lembrou de... – Engoli em seco, parando minha frase ali. Mas vi pela simpatia nos olhos de Lexi que ela entendeu o que eu estava falando. Quem ela me lembrou.

– Eu não poderia estar com raiva dela por ter pego meu rosário, Lex. Basta olhar para ela. Eu tinha que fazer alguma coisa. Lexi virou-se para Austin e acenou com a cabeça. Austin não disse nada em resposta a sua comunicação silenciosa. Em vez disso, ele fez um gesto para o gerente para levá-lo em seu escritório. No minuto em que eles desapareceram, Lexi pegou o telefone. – Quem você está chamando? –, Perguntei.

– O hospital com quem trabalhamos, Lev. Eu estou lhes avisando que vamos levar alguém. – A garota se mexeu em meus braços. Quando olhei para baixo, aqueles grandes olhos azuis encontraram os meus e o pensamento desta menina no hospital não parecia direito para mim. Eu odiava hospitais. Eu odiava a ideia dela em um hospital, mais uma vez sozinha. Alcancei o telefone de Lexi de sua mão. – Levi –, disse ela em protesto, quando implorei, – Basta enviar um médico para nossa casa. Vamos apenas levá-la para casa e chamar um médico.


Lexi olhou para mim por alguns segundos, pedi com os meus olhos para ela entender. Suspirando, ela balançou a cabeça. Em minutos Lexi tinha chamado um médico que conhecia, e ele nos encontraria em casa. A porta atrás de nós se abriu e Austin saiu do escritório. – Ele não vai dar queixa –, informou, falando sobre o gerente. Eu sabia que ele tinha pago. Eu estava tão grato agora que meu irmão tinha dinheiro. Uma parte de mim relaxou e eu me vi olhando para a garota novamente. Uma mão suave pousou no meu braço. – Levi, precisamos levá-la para casa, agora. Eu ainda não estou convencida de que ela não vai acabar em um hospital, mas ela precisa de ajuda médica imediatamente. – Concordei com Lexi. Sabendo que a garota não seria capaz de andar, a peguei nos meus braços. Meu coração despencou quando senti como ela era leve, mas corri para a porta, com minha casa sendo a única coisa em minha mente. Ouvi Lexi explicando rapidamente as coisas para Axel, mas eu já estava no carro de Austin. Ouvindo Austin abrir os bloqueios, corri para dentro e coloquei a menina no meu colo. Ela se mexeu em meus braços. Quando olhei para baixo, pensei que vi um lampejo de clareza em seus olhos. Sua boca caiu como se ela me reconhecesse e ficasse aliviada. Parecia que ela queria dizer algo para mim, mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Aproveitando-me de sua atenção enquanto a tinha, me encontrei acariciando um pedaço de cabelo de sua testa, e eu assegurei-lhe: – Você está segura agora. Eu vou cuidar de você. Eu queria que ela falasse, para dizer alguma coisa em resposta. Mas ela só exalou profundamente. Quando Austin e Lexi saltaram nos bancos da frente, os consideravelmente olhos azuis da menina se fecharam.


Ela sabia que estava a salva comigo. Eu a segurei apertado todo o caminho de casa.

Minha perna tremeu quando me sentei no sofá olhando para o nada. Eu tinha ficado olhando para o relógio na parede da sala de estar, o ponteiro dos minutos parecendo se arrastar enquanto ele fazia seu caminho tortuoso rondando os pretos algarismos romanos. O médico estava com a menina em um dos quartos por cerca de uma hora. Suspirando por causa da demora, me sentei para frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Sentindo os olhos em mim, olhei para cima e Austin estava me observando de seu lugar no sofá oposto.

– O quê? – Eu questionei. Austin sentou-se em minha frente, imitando minha posição. Seus olhos escuros se estreitaram. – Nada, só nunca te vi assim antes. Meu estômago revirou. Eu odiava ser o centro das atenções. Dei de ombros, mas a minha mente voltou a sentir falta do rosto da menina, quando me sentei na frente dela naquele beco. Pensei de volta no leve toque de sua mão sobre a minha quando eu tinha dado a ela o café e os cobertores, quando lhe disse que iria ficar. Quando me sentei ao lado dela e sua cabeça caiu contra o meu braço quando adormeceu. Como um carvão quente no bolso da minha calça jeans, eu podia sentir sua nota rabiscada ‘obrigada’, queimando através do couro da minha nova carteira. Eu não tinha ideia do por que tinha mantido isso, porque isso


significava muito para mim. Agora que ela estava aqui, em minha casa, em nosso quarto de hóspedes, de alguma forma sentia vivo.

– Lev? – Austin empurrou. Mantendo minha cabeça abatida, respondi, – Você deveria ter visto como ela estava vivendo, Aust. Ela estava sozinha, encharcada pela chuva, encolhida contra uma parede escura em um beco fedorento. Só depois que eu tinha parado de atacar aquele idiota. – Eu balancei a cabeça e passei as mãos pelo meu cabelo. – Ela não tem nada, Aust. – Eu levantei minha cabeça e apontei para nós dois. – Se não fosse por você, pelo seu futebol, aquilo poderia ter sido nós. Éramos pobres e sujos. E sem Mamma; se você não tivesse se destacado, o que diabos teria acontecido conosco? – Apontei meu queixo na direção do quarto de hóspedes acima de nós. – Ela está vivendo a vida que poderia facilmente ter sido a nossa. – Um caroço construiu em minha garganta, e eu me sentei. – E ela está doente. Os olhos dela, como ela é fraca, seu silêncio... – Limpei a garganta e murmurei, – Ela me lembrou muito Mamma, eu não poderia deixá-la. Desamparada, sabe? Então eu tinha que ajudá-la. Eu precisava, algo dentro de mim me compeliu a isso.

– Porra, Lev. Por que você não me contou? –, Perguntou Austin. Eu dei de ombros.

– Quando voltei da chamada que fiz para Lex, ela tinha ido embora. Eu procurei por ela nos últimos dias, depois da aula e treino, mas não encontrei nada.

– Até hoje à noite? – Até hoje à noite, – eu concordei.


Silêncio saltou entre nós durante vários minutos, até que ouvi o murmúrio de vozes baixas. Eu me virei na direção da escada. Lexi e o médico estavam descendo. Não era possível esperar mais, levantei e encontrei com eles assim que entraram na sala de estar. Os olhos de Lexi caíram sobre mim e ela sorriu.

– Ela está bem? –, Perguntei. Lexi olhou para o médico e ele falou primeiro. – A menina tem pneumonia. – Meu coração afundou quando ele disse estas palavras, então ele começou a bater como um tambor. O médico continuou. – No momento, não é ruim o suficiente para ela ser hospitalizada. Dei-lhe uma dose inicial de antibióticos fortes, e deixei remédios para uma semana, para ela tomar via oral. Eu também já pedi para ser trazido uma IV para reidrata-la. Eu soltei um suspiro de alívio, mas, em seguida, Lexi deu um passo adiante. Meus olhos dispararam para ela. – Doutor Bell encontrou outra coisa, Levi. O alívio que senti foi esmagado. – O quê? – Eu questionei em trepidação.

– A menina é surda do ouvido esquerdo, com apenas uma pequena fração de sua audição em funcionamento no direito –, explicou o médico. Minhas sobrancelhas franziram. De repente as imagens dela olhando para os meus lábios e seu silêncio, inundou minha mente. – Como você descobriu isso? –, Perguntei. O médico apontou para sua orelha direita. – Ela tinha um pequeno aparelho auditivo no ouvido direito, mas ele não está funcionando. O


dispositivo não é o melhor, é o tipo mais básico, e da forma como ela vivia, parece ter degradado o tipo de assistência que poderia ter proporcionado. Frio infundiu meu corpo. – Quer dizer que ela vivia nas ruas sem audição? – O rosto de Lexi mostrou a simpatia que eu estava sentindo. O médico acenou com a cabeça.

– Eu fiz alguns testes simples, mas pedi para um amigo, um fonoaudiólogo, para vir até aqui amanhã. Como expliquei para Lexi, vai ser caro para substituir-

– Nós vamos pagar, custe o que custar –, eu disse, interrompendo o médico. Um sorriso se espalhou em seus lábios. – Não se preocupe, filho. Lexi já arranjou esse lado das coisas.

– E agora? –, Perguntei. O médico pegou sua maleta. – Vai demorar algumas semanas para ela recuperar sua força. Ela está morrendo de fome e principalmente severamente desidratada. Felizmente, isso a está fazendo dormir a maior parte do tempo. Os momentos que ela está acordada podem ser incoerentes. Vamos tratar isso também, então com a recuperação vamos colocá-la de volta a seus pés. Olhei para Lexi, que assentiu com a cabeça em minha pergunta silenciosa. – Ela pode ficar, Lev. Depois que ela estiver se sentindo melhor, o que poderia levar algumas semanas, e ela tiver a sua audição e força de volta, ela pode decidir o que quer fazer. Ela parece ter mais de dezoito anos, em torno de sua idade, eu acho. Se ela quiser ajuda ou não, será com ela. Você sabe o que fazer a partir do centro.


Eu pisquei, então pisquei novamente, sabendo que faria qualquer coisa que pudesse para fazê-la ficar, para obter a ajuda que ela precisava desesperadamente. – Posso ir lá em cima e vê-la? O médico concordou. – Ela está dormindo. A medicação que lhe dei vai mantê-la sedada, apenas no caso dela acordar e ficar assustada com os arredores estranhos. Ela não vai ouvir você, meu filho. Mas sim, você pode vêla. Eu balancei a cabeça para o médico em agradecimento, em seguida, corri subindo as escadas. Quando peguei velocidade, Lexi gritou: – Eu limpei-a um pouco. O máximo que pude. Vou levá-la ao chuveiro quando ela estiver mais forte. Parei quando Lexi falou. – Obrigado, – eu disse, e rapidamente fui para o quarto. Eu calmamente empurrei a porta. O quarto quase escuro, apenas uma lâmpada ao lado que fracamente brilhava. Meus olhos imediatamente centraram-se na cama, no centro da sala. Meu coração se encheu ao ver a menina parecendo tão pequena sob os lençóis brancos. Em seguida, ele quase explodiu no meu peito quando eu estava ao lado da cama e realmente a vi. A respiração parou na minha garganta. Lexi tinha feito um trabalho muito bom de limpar toda a sujeira de seu rosto. Seu cabelo tinha sido penteado e Lexi tinha tirado suas roupas molhadas e a vestiu com um pijama cor creme. E eu não conseguia parar de olhar. Eu pensei que ela poderia ser bonita antes, mas testemunhando-a aqui deitada nesta cama, seu rosto calmo do sono, limpo e quente, ela parecia um anjo.


As mãos da menina estavam deitadas de bruços enquanto ela dormia. Dois braceletes de prata envolviam em torno de seus dois pulsos, e um colar de ouro em torno de sua garganta. Eu ainda podia ouvir seu peito crepitar com o líquido em seus pulmões, mas ela parecia em paz. Depois de ver o quão desconfortável ela estava no caminho para casa, isto estava muito bom. A sala ficou em silêncio enquanto ela dormia, e eu me sentei no seu lado da cama. A menina não se mexeu, mas o meu coração trovejava no meu peito. Eu abri minha boca para falar, mas imediatamente a fechei quando me lembrei que ela não podia ouvir. Minha cabeça caiu para o lado enquanto a observava. Seus olhos sob as pálpebras fechadas. Eu me perguntava o que ela estava sonhando. Minhas sobrancelhas franziram enquanto me perguntava como ela estava vivendo em um mundo de silêncio. Com o aparelho auditivo ela ouvia o mundo, mas Deus sabe quanto tempo ela tinha estado a viver sem esse dispositivo. Vagando pelas ruas, com fome e sem-teto, o ruído de Seattle, mudo. Ela deve ter ficado apavorada. Eu não sei por que, mas quando seu dedo se contraiu em seu colo no sono, encontrei-me estendendo a mão e segurando a sua mão frágil e fria na minha. Engoli em seco e pisquei com a vista. Era a primeira vez na minha vida que já tinha dado as mãos a uma garota. A menina bonita que vivia em silêncio. A que eu precisava salvar. A que eu ia esperar ao seu lado até ela acordar.


ELSIE

Eu fui para casa depois da escola e quando cheguei vi a porta do nosso pequeno apartamento aberta. Meu coração disparou em pânico enquanto eu temia pelo que iria encontrar do outro lado da porta. A tranca tinha sido arrancada e eu fechei os olhos. O proprietário viria chamar de novo, exigindo o conserto. Minha mãe estava em sua última chance com ele. Não demoraria muito até que nós estivéssemos de volta às ruas. Virei a cabeça para a direita, tentando desesperadamente saber se alguém estava em nosso apartamento. Eu não conseguia ouvir nada, então abri a porta e entrei. Meu estômago despencou imediatamente. Nosso apartamento estava destruído, a nossa única cadeira e tamborete derrubados, completamente quebrados. Meus olhos rastrearam através do quarto para a cama que mamãe e eu compartilhamos. Eu suspirei tanto de alívio como de dor quando vi a minha mãe deitada na cama, viva e respirando, mas desmaiada, suas seringas vazias espalhadas ao lado dela. O braço de minha mãe estava esticado, as marcas de faixa de onde ela se picou ainda eram proeminentes contra a palidez de sua pele.


Correndo para a cozinha, corri para o gabinete. Eu precisava checar se a lata ainda estava lá. Era o dinheiro do aluguel que mantive escondido. Se eu não o mantivesse escondido, minha mãe iria utilizá-lo para comprar drogas. Eu pulei para cima da bancada e estiquei a mão até a prateleira mais alta. Pânico correu através de mim quando não pude sentir nada. Minha mão pegou velocidade, passando ao longo de cada polegada do gabinete velho, mas não havia nada. Eu pulei fora do balcão e procurei o chão, só para ver a lata amassada escondido atrás da porta. Eu sabia que ia encontrá-la vazia. Eu sabia que o fornecedor da minha mãe tinha vindo pelo dinheiro que ela devia. Sentindo como se meus pés pesassem toneladas, caminhei para o pote, não sentindo nenhuma surpresa quando nem mesmo um centavo caiu no chão. Um flash de raiva veio e se foi. Eu nunca conseguia sentir frustração contra a minha mãe por mais que alguns segundos, antes da intensa simpatia por sua vida horrível criar raiz. Suspirando em derrota, fechei a porta tão forte quanto podia e comecei a pegar o mobiliário quebrado do chão. Não demorou muito tempo para limpar a bagunça. Quando todo o entulho foi limpo, arrumei as poucas roupas que pertenciam ao nosso pequeno saco. Não demoraria muito até que o proprietário viesse para nos expulsar. O dinheiro que eu tinha conseguido guardar do bem-estar e de invalidez da minha mãe estava correndo em sua corrente sanguínea, e guardado na carteira de seu fornecedor. Deixando o apartamento tão limpo quanto eu pude, caminhei até a minha mãe que estava deitada na cama. Um nódulo entupiu minha garganta


quando vi seus olhos azuis abertos, me observando. Suas pupilas estavam dilatadas, mas eu sabia que ela podia me ver. Era raro que a minha mãe não estivesse alta. Estes momentos eram constantes. Movendo cuidadosamente a agulha e a heroína da cama, coloquei-os no chão. Sentei-me no colchão e acariciei as mechas úmidas de cabelo louro da testa de minha mãe. Ela sorriu quando corri meu dedo pelo seu rosto. "Oi mãe", eu disse. Eu vi quando seus olhos leram meus lábios. Minha mãe levantou a mão e se esforçou para acenar. – Oi, garotinha. Eu sorri de volta, mas as lágrimas construíram em meus olhos quando me perguntei o que viria em seguida para nós. Minha mãe, mesmo em seu estado drogado, deve ter percebido isso quando ela colocou a mão no meu rosto e disse em voz alta: – Não chore... menina. Fechei os olhos ao som da voz da minha mãe. Como eu, ela odiava falar em voz alta, também, porque as pessoas só zombavam de nós. Mas poderíamos conversar uma com a outra, livre e sem medo de zombaria quando estávamos sozinhas. E para mim, sua voz era linda. Ela era casa.

– Venha, – minha mãe disse, tocando levemente a cama ao lado dela. Fazendo o que ela disse, me deitei na cama sem travesseiro, de frente para sua direção. Mamãe sorriu para mim enquanto ela acariciava meu cabelo. Seus olhos começaram a fechar, seu corpo forçando-a a dormir para lidar com as drogas. Mas, como em todas as noites antes dela dormir, ela colocou a mão no meu rosto, como fiz no dela, e ela trouxe nossas testas juntos. Minha mãe raramente falava, em vez disso ela lutava usando sua linguagem de sinais


confusa e principalmente incorreta, ou por meio de ações que eram simplesmente entre ela e eu. Assim como esta. Te amo. Nossas mãos no rosto uma da outra, e nossa testa juntas, era o nosso 'eu te amo’. Precisando do conforto da minha mãe agora, mantive a minha mão em seu rosto enquanto ela adormeceu. Mas eu não dormi. Não dormi sabendo que o proprietário estaria vindo para nos expulsar. O que ele fez duas horas depois, e nós voltamos para as ruas, a chuva fria e molhada e, de volta a pedir dinheiro, até que eles me levaram embora. Me levaram embora e arruinaram minha vida ... Meus olhos rolaram abertos e eu levantei a minha mão ao meu rosto. Por um momento pensei que tudo tinha sido um sonho e eu ainda estava na minha cama com a mão da minha mãe segurando a minha bochecha. Mas minha mão encontrou a minha pele e pisquei e pisquei quando minha visão difusa veio. Um teto branco apareceu, e levou alguns segundos para que o pânico se estabelecesse. Onde estou? Meu corpo estava pesado e insensível, mas eu disse a mim mesma para me mover. Assim que rolei na cama macia que estava, o som de uma voz feminina chegou ao meu ouvido. Eu congelei. Eu ouvi uma voz feminina. Eu ouvi. Virei a cabeça nebulosa para recordar a última vez que tinha ouvido algo. Eu não sabia quanto tempo tinha passado desde que o meu aparelho auditivo tinha parado de funcionar, mas sabia que era há um longo tempo atrás.


Meu coração batia mais e mais rápido, confusão e medo tomando uma forte influência sobre meu corpo. De repente, alguém entrou no quarto. Minha respiração era superficial quando meus olhos bateram à porta aberta, só para ver uma mulher pequena de cabelos negros entrar. Quando ela lançou um olhar para a cama, ela assustou ao ver-me sentada. Sua mão pousou em seu peito, e um sorriso apareceu em seu rosto. Aquele sorriso que acalmava algo dentro de mim. Ela parecia esse tipo. Ela pareceu aliviada quando olhou para mim com interesse.

– Olá –, disse ela devagar e claramente. Por força do hábito, eu li seus lábios enquanto ela colocava para fora suas palavras. A mulher entrou no quarto, e disse: – Meu nome é Lexi. Você está segura. Você está em minha casa. Eu fiz uma careta e olhei em volta do grande quarto. Meus olhos se arregalaram quando vi a mobília cara contra as paredes. Eu quase engasguei quando a grande janela mostrou uma visão cristalina de um rio mais além. Uma mão pousou no meu braço, e minha cabeça virou na direção da mulher. – Você pode me ouvir bem? –, Perguntou ela. Eu podia ver a preocupação em seu rosto. Minha mão instintivamente levantou a minha orelha direita. Eu balancei a cabeça quando percebi que podia ouvir, melhor do que nunca. Eu poderia pegar ruídos de fundo que nunca tinha ouvido antes. A súbita onda de felicidade tomou conta de mim, e as lágrimas encheram meus olhos. Eu podia ouvir novamente. Eu já não estava presa no silêncio.


– Querida –, a mulher disse calmamente enquanto se sentou na beirada da cama. Olhei para ela, tentando reconhecer quem ela era e por que eu estava aqui em sua casa. Mas era uma estranha para mim. Como se ouvindo meus pensamentos, ela disse, – Você está provavelmente com um pouco de medo e confusa agora, mas não há necessidade de ficar. – Sentei-me contra a cama, sentindo-me muito fraca para ficar realmente sentada ereta. Lexi, a mulher tinha dito que esse era o seu nome, colocou a mão na minha. – Meu cunhado conhece você, querida. Nós te ajudamos algumas noites atrás. – A cabeça de Lexi abaixou. – Você está doente, querida. Você tem pneumonia. – O medo correu através de mim, mas ela rapidamente ofereceu garantia. – Você tem tomado a medicação e está respondendo perfeitamente a isso. Você já esteve dentro e fora da consciência pelos últimos dias. – Seu rosto tinha o sorriso novamente. – Faz-me muito feliz vê-la acordada. Eu respirei fundo absorvendo tudo o que ela estava dizendo. Eu levantei minha mão ao meu ouvido novamente, mas desta vez, eu encontrei os olhos da mulher e apontei para sua ajuda. Lexi assentiu com a cabeça.

– Quando o médico examinou você, descobriu que seu aparelho auditivo estava velho. Ele estava quebrado além do reparo, mas nós compramos um novo para você. O médico nos disse que você deve ter oitenta por cento de audição no ouvido direito agora. Ele pensou que o último só lhe dava cerca de quarenta por cento, se chegasse a isso. Foi por isso que eu podia ouvir mais. Esta mulher, esta mulher que cuidou de mim, me deu de volta a minha audição. Ela, por sua vez, me deu de volta ao mundo.


Deitando minha mão no meu peito, abaixei a cabeça em agradecimento. A mulher, parecendo entender a minha ação, apertou minha mão. – Não há necessidade de me agradecer, querida, tudo foi por Levi. Minha cabeça se levantou com a menção desse nome. A mulher saltou, assustada com a minha reação. – Você está bem? –, Perguntou ela. Eu abri minha boca para lhe fazer perguntas, mas ela era uma estranha. Eu não podia... Eu simplesmente não conseguia falar com estranhos. Eu não podia deixá-los ouvir minha voz. Fechei minha boca, quando a cabeça de Lexi inclinou para o lado. – Querida, você pode falar? –, Perguntou ela. Parei perguntando se ela iria tirar sarro da minha voz. Fala, retardada. Fala. Deixe-a ouvir aquele som horrível. Ela sabe que você pode... mas é constrangedor, não é, retardada? Sua voz é tão feia e tão estúpida quanto você. Feia e fodida muda. Meu corpo ficou tenso quando ouvi o eco das provocações de Annabelle na minha cabeça. Ouvi seu riso zombeteiro e dilapidando palavras na minha mente, meu corpo congelou com medo. Muito medo de me abrir para o julgamento, balancei a cabeça, não. Eu não podia falar. Eu jamais iria falar de novo. Olhando em volta, procurei a caneta e papel que sempre mantive comigo, mas eu não podia vê-los. – O que você está procurando, querida? –, Perguntou Lexi. Levantando minha mão, eu fiz mimica de usar uma caneta e papel. Lexi levantou a mão e foi até uma cômoda na parte de trás do quarto. Ela abriu uma gaveta e trouxe uma caneta e um bloco de notas.


Apertando a minha mão para relaxar meus músculos tensos, peguei a caneta e escrevi: – Levi? É o menino do beco? Eu levantei o bloco de papel para Lexi e ela balançou a cabeça. – Sim, docinho. Sou casada com seu irmão. Levi mora aqui também, mas na casa da piscina, no quintal. – Eu estiquei meu pescoço para cima para ver a construção que Lexi estava apontando, e uma onda de calor encheu meu peito. Levi. Levi Carillo tinha me ajudado. Ele tinha me salvado. Mesmo quando eu o afastei. Sentindo Lexi me assistir, meu rosto aqueceu e eu escrevi: – Eu não me lembro de muita coisa. – Fiz uma pausa, uma memória minha deitada nos braços fortes, encheu minha mente. Braços fortes, olhos cinza brilhantes, e os lábios cheios que me disseram que eu estava segura. Minhas bochechas queimaram ainda mais e eu deixei cair a caneta, não disposta a compartilhar essa memória íntima com Lexi. Era só minha. Lexi chegou mais a frente, e perguntou: – Qual é o seu nome, querida? Tomando novamente a caneta, eu anotei, – Elsie.

– Elsie –, Lexi leu quando levantei o bloco de papel. Seu sorriso voltou. – Que nome bonito. – O sorriso de Lexi desapareceu, e ela perguntou: – Quantos anos você tem, Elsie? Eu tive que pensar muito sobre quando tive meu último aniversário. Vivendo nas ruas, aniversários e datas realmente não importavam. Calculando os meses na minha cabeça, escrevi. – Dezoito. Eu terei dezenove em algumas semanas.


Lexi assentiu com a cabeça novamente, e disse: – Só um pouco mais jovem do que Levi. – Na menção de Levi novamente, meu coração parecia perder uma batida e o mesmo calor de antes infundiu meu corpo. Lexi, levantou-se da cama. – Eu vou pegar um pouco de comida, Elsie. Você precisa comer para restaurar sua força. Você ficou muito magra nas ruas. Algo preocupante parecia atravessar o rosto de Lexi. Ela se aproximou de mim, e desta vez ela se sentou ao meu lado. Lexi respirou fundo e disse: – Elsie, porque você tem dezoito anos, cabe a você optar por ficar aqui e ficar melhor, ou sair. – Meu peito apertou enquanto ela falava, em seguida, acrescentou, – Eu quero que você fique. Eu não posso suportar a ideia de você de volta nas ruas. – Sua mão, em seguida, pousou no meu braço e viajou até o meu pulso que estava coberto por minha pulseira, uma das duas pulseiras que nunca tirei. Seu polegar delicadamente passando por cima do metal, diretamente sobre a cicatriz que eu escondia abaixo. Retardada, ninguém quer você. Ninguém aguenta ouvir sua voz. Ninguém quer ler suas estúpidas notas escritas. Eu encontrei os olhos de Lexi, denegrindo a voz de Annabelle, mais uma vez empurrando através, enquanto Lexi brilhou uma luz sobre a minha maior vergonha. Mas a simpatia e a compreensão óbvia de Lexi cintilou de volta para mim, a voz cruel assombrando de Annabelle sendo levada para os confins da minha mente.

– Eu não sei nada sobre sua vida, e nunca me atreveria a entender o que você já passou, mas você está segura agora. E se você nos deixar, todos nós gostaríamos de ajudá-la de qualquer maneira que pudermos.


Desta vez, as lágrimas transbordaram em meus olhos e caíram sobre minhas bochechas. Ninguém nunca tinha me mostrado tanta bondade incondicional antes. No passado, estas ofertas sempre vinham com termos que eu nunca iria concordar. Eu fui vencida. Lexi não disse mais nada sobre o assunto. Em vez disso, ela se levantou e caminhou até a porta. Pouco antes de partir, disse, – Levi tem estado realmente preocupado com você, Elsie. Ele vem aqui todos os dias após as aulas para se certificar que você está bem. Ele te faz companhia. Ele senta-se em sua cama e te mantém segura. – O que ela disse fez com que o pulso em meu pescoço aumentasse em velocidade e tudo que eu conseguia pensar era no menino do beco, a pessoa que me trouxe café e me deixou descansar em seu ombro, cuidou de mim. Eu não entendi como e nem o porquê, mas isso me encheu de felicidade. Lexi saiu da sala, e depois de um tempo, voltou com comida. Assim que comi, Lexi me mostrou o banheiro anexo ao quarto, e roupas que ela tinha comprado para mim. Tudo parecia um sonho. Ela me fez companhia por um tempo, mas não demorou muito para que meu corpo se sentisse drenado. Lexi se levantou. – Você precisa dormir, querida. Vai levar um tempo para combater a pneumonia. Durma tanto quanto você puder. Meus olhos estavam fechados antes mesmo de ter a oportunidade de dizer obrigada. Eu não sei quanto tempo dormi, mas a noite tinha chegado quando ouvi o som de uma voz profunda vinda do além na porta do quarto. O quarto estava escuro, e quando se tornou claro a quem aquela voz pertencia, fechei meus olhos novamente. Meu coração batia forte quando ouvi a porta sendo aberta e ele entrou.


– Ela está exausta, Lev, – disse uma voz feminina. Reconheci-a como a de Lexi. O silêncio se estendeu por alguns segundos, antes da voz profunda perguntar: – Mas ela estava acordada hoje? Ela falou com você? –, Eu lutava para respirar enquanto ouvia a voz áspera e profunda do menino. E seu sotaque, era do sul e forte, fazendo com que meu rosto brilhasse. O som de sua voz arrastada, doce e suave, adequada ao menino tímido que cuidou de mim. E sua bela voz, se eu me lembrava corretamente, combinava com o seu belo rosto.

– Ela não falou, – Lexi sussurrou. – Ela me disse que não podia. Mas ela escreveu em um bloco de papel. O nome dela é Elsie, Lev. Ela tem dezoito, quase dezenove anos.

– Elsie –, Levi repetiu, então limpou a garganta. A forma como a sua voz enrolou no meu nome, enviou borboletas direto para o meu estômago.

– Ela é uma garota doce, Lev. Eu posso ver porque você queria ajudá-la. Linda demais", acrescentou Lexi. – Mas tenho certeza que você já viu por si mesmo. Eu ouvi o assoalho ranger como se alguém estivesse balançando para frente e para trás em seus pés. – Sim –, Levi de repente sussurrou, e eu me senti como se tivesse derretido no colchão macio. Levi me achava bonita?

– Eu só vou sentar com ela um tempo, Lex. – Tudo bem, querido, – Lexi respondeu. Eu ouvi a porta fechar. Levi e eu estávamos sozinhos, juntos, no quarto.


Eu queria levantar a cabeça. Eu queria ver como Levi Carillo parecia, sem estar doente e confusa. E eu realmente queria agradecer-lhe. Eu queria agradecer-lhe por me salvar e se importar o suficiente para cuidar de mim. Ninguém nunca se importou antes. Mas eu não podia. Eu estava muito apavorada. Com este menino, o medo segurou meu corpo e minha mente cativa, me deixando congelada na cama, de olhos fechados, fingindo dormir. As pernas da cadeira ao meu lado raspou no chão, em seguida, senti a presença de Levi quando ele me enfrentou e sentou-se. Eu tinha certeza que ele iria ver através do fato de que eu estava acordada; ou que a batida forte do meu coração iria ser pega por sua audição perfeita e revelar como eu me sentia nervosa em sua presença. Mas nada de semelhante aconteceu. Levi sentou-se em silêncio. Eu respirava de forma constante através do meu pânico. Eu escutei, grata que meu ouvido direito não estava deitado contra o travesseiro para que eu pudesse ouvi-lo. Seu perfume caiu em meu nariz, trazendo a reboque uma sensação de paz. Seu aroma era temperado e quente. Era estranho, mas me lembrou da sensação de segurar as mãos frias em frente a uma lareira, de beber uma bebida quente em um inverno, congratulando a noite, era calmante... e necessário. Levi não se mexeu durante todo o tempo que ficou lá, mas foi tempo suficiente para que meu sono fingido se transformasse em verdadeiro sono. Quando minha respiração igualou para fora, e minha mente se afastou, senti seus dedos ásperos, sempre muito gentil sobre minha mão, e uma voz no meu ouvido sussurrando, – Boa noite, Elsie. Durma bem. Ao som da porta do quarto fechando, toquei mentalmente o meu rosto; por um breve momento pensei que era um sussurro de um sorriso nos lábios.


Não, eu corrigi, eu tinha certeza que estava lá, porque tinha que combinar com o fantasma de um sorriso que tinha criado raízes no meu coração.

Acordei durante a noite e um profundo mal-estar se arrastou imediatamente em cima de mim. O quarto estava escuro como breu. Eu não gostava da escuridão. Senti o despertar de ansiedade em meu peito, e estendi a mão para procurar a luz de cabeceira. Minha mão pulou sobre a mesa lateral de madeira, até que encontrei um fio e, no final, um interruptor. Eu cliquei e uma luz brilhante e maçante encheu o quarto. Eu respirei fundo, segurando meu peito. Eu odiava a escuridão. As vozes vinham no escuro. As palavras cruéis de Annabelle me atacavam à noite, quando eu era mais vulnerável, quando as memórias machucavam mais. Sentei-me. O relógio na mesa de cabeceira me disse que era meia-noite. Toquei minha cabeça, estava úmida e pegajosa. Meus olhos se viraram para o banheiro em frente e, antes que eu percebesse, minhas pernas estavam me levando até o enorme chuveiro. Eu não queria acordar ninguém, mas Lexi tinha me garantido que ninguém seria perturbado por mim deste quarto na casa. Quando o banheiro ficou cheio com vapor quente, tirei meu pijama e minha pele arrepiou, colidido com o pensamento de tomar um banho. Um banho. Eu não tinha tomado um banho em... Eu não sei quanto tempo. Tempo


suficiente para que eu tivesse esquecido completamente o que se sentia. Nas ruas eu furtivamente entrava em banheiros públicos e me lavava abaixo antes deles fecharem, antes de pessoas desagradáveis noturnas, começassem a caminhar nas ruas. Eu entrei no chuveiro e fechei meus olhos, ficando sob o córrego quente de água limpa. Lexi

tinha deixado todos os tipos de shampoos,

condicionadores, sabonetes líquidos e lâminas de barbear para eu usar. Esse foi o banho mais longa da minha vida. Quando saí e me enrolei na toalha macia pendurada em um gancho, senti-me humana novamente. Era engraçado como ser uma pessoa na rua não era nada, era alguém que as pessoas ignoravam como se você não estivesse lá, tirando sua convicção de que você é realmente alguém. Que você é importante também. Que você é humano. Eu estava no banheiro por uma hora ou mais, entregando-me ao uso de um secador de cabelo e cremes hidratantes. Quando eu estava prestes a sair, vestida com um novo par de pijamas que Lexi tinha colocado em um armário, peguei o meu reflexo no espelho do banheiro até o chão. Parei completamente. Eu olhei para a menina olhando de volta. Eu não a reconheci. Seu cabelo loiro parecia três tons mais claros que eu me recordava, só com o fato de estar limpa. Sua pele era clara, não maçante ou pálida. Sim, eu podia ver que ela ainda estava doente, mas sua pele era lisa e havia um pouco de cor em suas bochechas. Mesmo quando minha mãe e eu vivíamos em um de nossos muitos apartamentos temporários, raramente tivemos água quente. Se fizéssemos isso, não podíamos usar xampu, condicionador ou sabonete para nos limpar


corretamente. Um flash momentâneo de dor atravessou-me quando pensei em minha mãe, mas o mandei para fora, e entrei no enorme quarto. E eu fiquei lá. Eu não estava mais cansada, mas não tinha ideia do que fazer. Lexi tinha me mostrado como usar a televisão, mas eu não tinha interesse em vê-la. Passando os braços em volta do meu peito, encontrei-me gravitando na grande janela que dava para o rio. Eu afastei as cortinas pesadas. Meu queixo caiu no chão quando fui apresentada a uma noite perfeitamente clara. Tinha chovido quase todos os dias durante o tempo que eu conseguia lembrar, mas agora que tinha um teto sobre minha cabeça, o tempo estava claro e seco. Eu ri um riso sem graça para mim. Típico. Sentei-me na borda ampla e olhei para o reflexo da lua brilhante como prata cintilando sobre o rio. Eu suspirei, pensando que parecia uma pintura a óleo, meus olhos, derivaram para a casa da piscina, passando em todo o quintal enorme. Ao olhar para a construção meu estômago virou, imaginando quem estava lá dentro. Como se eu ainda pudesse sentir o seu toque, levantei a minha mão e a trouxe para o meu peito. Pensei em seu rosto e sua voz. Essa voz. Eu sempre escutei vozes. A maioria das pessoas que eu já tinha conhecido iria olhar nos olhos, lábios ou outras características faciais. Mas ser meio surda desde criança, me levou a ter um fascínio por vozes. Eu acreditava que poderia dizer muito sobre uma pessoa apenas por ouvir o seu tom e inflexão. Ou talvez só estava fascinada, porque eu não gostava de falar. Talvez eu era fascinada por vozes porque eu odiava tanto a minha. Porque tinha sido zombada e


cruelmente ridicularizada por minha voz, tanto que isso quase me quebrou. Quebrou sobre algo que eu não podia controlar. Tirei a mão do meu peito antes que mais lembranças ruins viessem à tona, antes de sua voz atingir meu coração. Eu coçava para escrever, de expressar os meus pensamentos e sentimentos em palavras, em papel. Olhei ao redor da sala e lembrei que Lexi disse que ela tinha lavado as minhas roupas e colocado as minhas coisas no armário. Eu andei até o armário, e em uma prateleira, estavam minhas roupas gastas e inúteis. Minha caneta e bloco de papel estavam colocadas ao lado delas. Eu vim à frente para pegar minha jaqueta de couro e encontrei no bolso com fecho o que estava procurando. Eu exalei com alívio quando a minha mão sentiu a sequência das antigas contas de madeira e a foto velha. Quando deixei cair minha jaqueta de couro, fiquei olhando para o rosário que mantive a partir da carteira que eu tinha roubado. A carteira de Levi Carillo. Vergonha passou por mim. Eu tinha roubado sua carteira, um fato que tinha certeza que ele sabia. No entanto, ele ainda tinha me ajudado. Ele não tinha me cobrado, muito pelo contrário. Eu segui os meus pés para a grande janela, segurando o rosário e a foto na minha mão. Eu me perguntava o que isso significava para ele. Isso merecia ser devolvido. Eu estava de pé, os olhos fixos na casa da piscina, até que decidi entregálos de volta agora. Peguei as novas botas que Lexi tinha me comprado, e coloquei-as em meus pés. Certificando-me que meu aparelho auditivo estava fixado firmemente no lugar, escapei do meu quarto, descendo as escadas, e sai para o quintal pelas portas da cozinha. Quando o vento da noite envolveu em


torno de mim, eu imediatamente senti uma onda de frio na espinha. Passando os braços ao redor da minha cintura, corri pelo quintal para a casa da piscina. Embora as luzes estivessem apagadas, silenciosamente tentei a maçaneta da porta e, para meu alívio, estava destrancada. Eu estava acostumada a me esgueirar; anos de prática roubando comida e dinheiro serviu-me bem. Eu escorreguei e rapidamente fechei a porta. A casa da piscina, pensei, surpreendida pela sua dimensão. Esta casa da piscina era uma casa de uma família típica por si só. Quando meus olhos se adaptaram à escuridão do quarto, eles desembarcaram em uma enorme cama no centro. Meu coração disparou no peito. Levi. Levi, dormindo no meio da cama, um lençol cobrindo sua metade superior. Suas amplas costas eram musculosas, ele estava nu. Fiquei congelada com a visão de sua metade inferior nua, e os nervos começaram a abordar meu corpo. Eu podia ouvir minha própria respiração. Soava como um trovão no meu ouvido. E, vendo de volta o corpo sólido de Levi, desencadeou um replay instantâneo de seu sotaque do sul profundo sussurrando meu nome. Eu não tinha certeza de quanto tempo fiquei na porta tentando reunir minha inteligência. Mas quando a corrente do rosário começou a deslizar da minha mão, me empurrei para a frente. Eu andei o mais silenciosamente possível para a beira da cama. Eu tentei manter meu foco em frente, mas a minha curiosidade sobre esse menino forçou meus olhos a mergulhar e estudálo de perto. Minhas mãos espremeram enquanto o assistia dormir. Seu rosto estava apontando em minha direção e os braços musculosos estavam aconchegados em seu travesseiro. Mesmo na luz fraca, mesmo com o cabelo liso e


adoravelmente confuso em um estado de desordem através do sono, eu podia ver como perfeito este menino realmente era. Bonito e gentil—um que minha mãe sempre disse que não existia. Depois da minha vida nas ruas, depois de estar naquela casa, eu estava inclinada a concordar... até que conheci esse garoto. Levi Carillo, o menino com um coração puro. Inalando profundamente, meu rosto corou enquanto bebia seu cheiro quente e temperado. Quando o fiz, borboletas mergulharam com força em meu estômago, e eu sabia que precisava sair. Desvendando o Rosário da minha mão, estendi-a para colocá-lo em sua mesa de cabeceira. O mais silenciosamente possível, coloquei as contas de madeira e a foto na mesa. Mas quando estava puxando a minha mão, dedos suaves envolveram em volta do meu pulso. Quando olhei para baixo, um par de olhos tempestuosos—cinzentos e sonolentos colidiram com os meus. Ele estava acordado. Eu congelei. Eu não podia fazer nada, apenas ficar aqui, trancada em seu olhar. O rosto de Levi estava procurando o meu, até que seu olhar se desviou para a mesa ao lado, e as contas do rosário e a foto que agora estava sobre sua mesa. Desta vez, quando viu o rosário e a foto, sua expressão me disse tudo, quando seu pomo de Adão mergulhou, enquanto ele engoliu em seco, e a agitação de seus impossivelmente longos cílios negros quando ele piscou de volta as lágrimas de seus olhos. O momento foi fraturado e suspenso. Enquanto assisti este menino bonito, todo o ar saiu do meu corpo quando ele olhou para mim com os olhos tímidos. Sua língua espiou para fora, molhou os lábios secos e sussurrou: "Obrigado."


Eu pensei que ele iria deixar e soltar meu pulso para que eu pudesse correr de volta para o meu quarto, mas seus dedos mantiveram o aperto. Em vez disso, seu polegar se moveu timidamente e correu a minha palma. Eu esperei, ansiosa e nervosa, então ele murmurou, "Elsie." Eu tinha certeza que meu coração despedaçou em um milhão de minúsculos pedaços. Eu tinha certeza de que, como a sensação no meu peito, era quase demais para suportar.


LEVI

Eu não podia acreditar que ela estava no meu quarto. Eu não podia acreditar que ela estava aqui na minha frente, do jeito que ela estava. Eu pensei que estava sonhando quando vi um flash de cabelos loiros contra a escuridão da noite. Até eu assistir sua pequena mão colocar algo na minha mesa de cabeceira. Meu coração tinha dobrado no tempo quando vi as familiares contas marrons, quando vi o rosário com a cruz de prata manchada minha mamma, era tudo o que significava para mim. E a foto. A pequena foto que mantinha sempre comigo. E ela tinha me trazido de volta. Como um ladrão honesto no meio da noite, ela estava trazendo de volta o tesouro, a única coisa que eu realmente tinha de tão precioso. Agindo por impulso, me recusava a deixá-la ir embora e deixar o rosário. Eu vim à frente e segurei o pulso dela. Eu não poderia deixa-la sair, não quando estava aqui, no meio da noite, com essa aparência. Automaticamente

minha

mão

segurou

seu

pulso;

nervosismo

rapidamente seguiu, meu estômago virando de cabeça para baixo. Eu não tinha


ideia do que fazer a partir daqui. Então seus olhos encontraram com os meus e todas as apostas estavam fora. Cada parte de mim se acalmou, em seguida, como se fosse a sua própria força, eu não tinha escolha, além de falar o nome dela, murmurei, – Elsie. O pulso de Elsie empurrou na minha mão quando eu disse o nome dela, e suspirei. Ela me ouviu. Esta menina bonita perdida tinha me ouvido falar. A cabeça inclinou para a direita, o lado em que ela podia ouvir, como se quisesse ouvir mais. Como a propagação de um incêndio, senti a construção de rubor dentro de mim, cobrindo cada polegada de minha pele. O braço de Elsie tremia no meu. Enquanto a segurava, meus olhos beberam em sua pele pálida e eu não pude deixar de acariciar meu polegar sobre a palma de sua mão. Ela era tão suave. Ouvindo o engate da respiração de Elsie, eu rapidamente soltei o braço dela. Ela não se mexeu. Não correu para fora da porta como eu esperava. Em vez disso, ficou ao lado da minha cama, com a cabeça inclinada. Ela era tão tímida quanto eu. Tomando uma respiração profunda, cheguei à lâmpada do lado e acendi a luz. Me mexendo para me sentar na cama, notei a atenção de Elsie correr no meu peito nu, apenas para mergulhar imediatamente a cabeça de novo e se concentrar no chão. Uma pontada de satisfação despertou dentro de mim, vendo como ela era afetada por mim. Agradeci a Deus que tinha meu moletom na parte inferior. O silêncio engrossou. Ambos sentimos estranhos e desconfortáveis, mas mesmo esse silêncio tenso não impediu-me de olhar de novo para Elsie. Sua cabeça ainda


estava abaixada, e ela brincava com as mãos, mostrando o quão nervosa realmente estava. Suspirando, peguei o rosário na minha mesa lateral, imediatamente sentindo alívio por tê-los de volta. Era estúpido quão perdido me sentia sem eles. Era irracional, mesmo Axel tinha dito isso, mas tê-los de volta... Eu sentia como se tivesse perdido um pedaço do meu coração e o tinha de volta comigo novamente. Corri as contas de madeira através da minha mão e disse: – Obrigado por trazer isso de volta. E a foto. Você não tem ideia do quanto eles significam para mim. Elsie não falou, eu não esperava que ela falasse. Quando olhei para cima, ela estava me observando. Elsie assentiu com a cabeça, em seguida, levantou a mão para colocá-la sobre o medalhão fino de ouro em seu pescoço. Ela segurou o medalhão entre os dedos e colocou a mão sobre o coração. Eu a observei, fascinado, quando percebi que ela estava tentando me dizer algo. Sentei-me mais a frente, estudando cada movimento seu, até que imaginei, – Você sabe como me sinto. – Elsie respirou profundamente pelo nariz, depois assentiu. Eu poderia dizer pela expressão triste no seu rosto que o sentimento do medalhão era tão importante para Elsie como o rosário era para mim.

– O medalhão –, eu disse, quando Elsie lançou o medalhão de volta no pescoço, – significa muito para você. Elsie assentiu com a cabeça e, usando as mãos, ela desenhou um círculo no ar. – Tudo –, eu disse, entendendo o significado em seu silêncio. Elsie olhou para mim através de seus cílios e um pequeno sorriso puxou seus lábios.


Luz surgiu em meu interior com aquele pequeno sorriso. Tirando a colcha das minhas pernas, rapidamente endireitei na cama. Quando me virei para falar novamente com Elsie, ela estava indo para a porta.

– Por favor, não vá, – Eu caminhei para ela, que já se afastava. Elsie parou. Minhas mãos se apertaram em punhos por frustração do que dizer agora. Em vez disso eu simplesmente falei o que mais queria. – Não vá, – Eu pedi em voz baixa. – Fique um pouco. Os ombros de Elsie estavam apertados e tensos, até que caíram. Ela se virou novamente, os dedos remexendo aos seus lados. Abaixando-me para sentar-me na cama, eu disse: – Vamos conversar um pouco. Alarme espalhou no rosto de Elsie e ela balançou a cabeça vigorosamente, pressionando as mão nos lábios. Seus grandes olhos azuis imploraram para eu entender.

– Você não fala –, arrisquei, esperando que isso fosse acalmá-la. Ela olhou para a porta, em seguida, de volta para mim. Eu podia ver que ela estava prestes a fugir. Levantando-me, mantive minha distância, mas perguntei: – Como você se comunica com as pessoas? Elsie fez a mimica de usar papel e caneta. Movendo-me para a minha mesa, tirei um novo bloco de papel e uma caneta, e coloquei para fora. Elsie olhou para eles como se fossem ouro. Outro pedaço do meu coração se partiu por ela naquele momento. Eu não falava com ninguém, porque era aleijado com minha timidez. Eu não poderia imaginar o que era não ser capaz de falar.


Elsie pegou o papel e caneta, e abaixou a cabeça. Eu sabia que ela estava me agradecendo. Eu lentamente voltei para minha cama e sentei. Eu apontei para o local ao meu lado, sentindo arrepios nervosos correndo pela minha espinha. Elsie balançou em seus pés, então ela deu um passo adiante, caminhando penosamente devagar para onde eu estava sentado. Quando ela se sentou ao meu lado, segurando o papel e caneta em seu peito, o cheiro de coco passou por meu nariz.

– Você tem um cheiro bom –, eu soltei, então balancei a cabeça por quão estúpido que soou. Sentindo meu rosto acender, murmurei, – Eu quero dizer, o seu cabelo ou o que quer que você usou para lavar, cheira bem. Cheiro de coco ou qualquer outra coisa parecida... – Eu parei e passei a mão pelo meu rosto. – Desculpe, – eu disse sem olhar para cima. – Eu não sou muito bom em conversar com as meninas. Com ninguém. Eu mantive meu foco para baixo como o silêncio seguido. Então, para minha surpresa, uma mão quente cobriu minha mão. Meus olhos subiram a tempo de testemunhar a boca de Elsie se enrolando em um sorriso. Seu sorriso foi como um martelo golpeando meu estômago. Elsie soltou sua mão para escrever no papel. Enquanto ela escrevia, a ponta da língua repousava sobre seu lábio superior em concentração. Eu não sei porque, mas pensei que era a coisa mais linda que já vi na minha vida. Elsie parou a caneta, em seguida, virou o papel para eu ler. Meus olhos percorreram as palavras cursivas perfeitas. – Eu não sou boa em falar também.


Alívio correu através de mim, e eu encontrei os olhos de Elsie. – Somos parecidos. – Elsie fixou seu foco nas contas do rosário ainda em minhas mãos e começou a escrever novamente. Eu esperei para ver o que ela iria dizer. Ela finalmente virou a página para eu ver. – Sinto muito por ter roubado sua carteira. Eu não sabia que o rosário estava lá, ou a foto. Eu nunca teria roubado se soubesse. Eu já tinha visto você dirigindo para a faculdade em um bom carro e achei que você teria dinheiro. – Ela pegou o bloco de volta, rabiscou algo mais para baixo, e mostrou para mim. – Eu descartei sua carteira quando vi que não tinha dinheiro, mas eu continuei guardando o rosário. Algo me fez mantê-lo seguro. – Eu ia falar algo quando ela ergueu a mão e escreveu outra coisa. Desta vez, sua expressão tornou-se em constrangimento e ela escreveu: – Eu não mereço tudo o que você tem feito por mim. Elsie ainda estava olhando para a página. Colocando minha mão sobre sua escrita, eu forcei-a a olhar para cima. – Sim, eu meio que acho que você merece. Elsie piscou e seus olhos azuis brilhantes. Dor cortou através do meu estômago ao vê-la tão vulnerável. Eu não era bom com as palavras, não era bom em reconfortar pessoas. Mudando de assunto, perguntei: – Você não conseguiu dormir esta noite? Elsie deu de ombros, mas eu podia ver que havia algo mais a partir da expressão em seu rosto. Meu dedo traçou o padrão texturizado no edredom e eu disse, – Por quê?


Elsie hesitou em escrever no papel, mas eventualmente ela fez. Esperei, bebendo o cheiro de seu cabelo recém-lavado. Era tão leve e longo. Sua pele era brilhante e ela parecia bem. Muito bem. Minha admiração foi interrompida quando Elsie virou o papel para eu ler. Enquanto lia suas palavras, a tristeza encheu meu coração. – Eu não gosto do escuro. Eu odeio o silêncio. Eu acordei e o quarto estava muito escuro, muito estranho e muito quieto... Eu estava com medo. Maus pensamentos vêm em minha cabeça à noite, quando não há luz. Eu fechei os olhos brevemente, e balancei a cabeça. – Sim –, eu disse asperamente. – Eu costumava me sentir assim quando me mudei para este lugar também. – Fiz um gesto em torno da casa da piscina. – Eu não fui criado em nada parecido com isso. Éramos pobres em Bama, verdadeiramente pobres. E nós vivíamos em um lugar muito ruim. Eu odiava a escuridão, porque onde estava, coisas ruins aconteciam no escuro. Quando terminei de falar, minhas sobrancelhas puxaram para baixo em surpresa. Eu nunca contei a ninguém muito sobre o meu passado. Nunca. Quando olhei para Elsie, podia ver a confusão e surpresa estampada em seu rosto. Dei de ombros, sentindo minhas bochechas corarem. – Tudo isso, esta casa. É de Austin, meu irmão. Ele joga para os Seahawks. Ele nos salvou. O rosto de Elsie era quase cômico quando eu lhe disse para quem Austin jogava. Odiando que o que eu tinha dito a incomodava, uma ideia veio à minha cabeça. Saltando para os meus pés, eu nervosamente caminhei até minha mesa. Vendo a jarra de vidro que segurava minhas canetas, eu as coloquei para baixo na mesa e voltei para Elsie. – Quando cresci em Bama, nós não tínhamos


dinheiro para pagar a eletricidade, minha mãe costumava ter um truque para iluminar o trailer. – Eu ri pensando nessas memórias antigas e balancei a cabeça. – Agora, estamos em Seattle, portanto, as coisas não são as mesmas, que estar de volta em Tuscaloosa. – Eu olhei para Elsie e bufei uma risada tranquila ao ver a sua cabeça inclinar para o lado e seu rosto bonito com uma máscara de confusão.

– Venha comigo? –, Chamei, tentando o meu melhor para segurar o tremor da minha voz. Elsie parou por um minuto, mas, depois, timidamente se levantou. Eu me elevei sobre seu pequeno corpo. Em uma respiração profunda, me mudei para a porta. Ouvindo o vento batendo lá, parei e olhei para trás. Elsie estava seguindo e ela parou também ao ver o meu olhar duro. Olhei para seus pijamas finos e me castiguei sobre o fato de que ela ainda estava doente. A expressão de Elsie questionou o que eu estava fazendo. Eu levantei minha mão e fui para o armário. Peguei um dos meus casacos com capuz dos Huskies, e caminhei até onde ela estava. Elsie desviou os olhos tímidos em minha direção, e eu entreguei o casaco a ela. – É melhor você colocar isso, está muito frio lá fora. Peguei o papel e caneta de Elsie e ela escorregou no casaco. Quando ela jogou o cabelo dourado longo no capuz, eu não pude deixar de sorrir com o quão abaixo o casaco pendurava em seu corpo; quão grande ele era comparado com sua pequena estatura. Ele a afogou. Limpando a garganta, rasguei meus olhos e me movi para a porta, quando vi Elsie enfiando o nariz na gola do capuz e inalando. Envergonhado


que não tinha sido lavado desde que eu tinha usado isso na classe alguns dias atrás, eu disse: – Se não estiver limpo posso pegar outro. Elsie fez uma pausa, em seguida, dobrando os braços ao redor da cintura dela,

ela

gentilmente

balançou

a

cabeça.

Suas

bochechas

estavam

avermelhadas e ela abaixou seus olhos. No começo eu estava confuso em porque ela estava envergonhada, mas quando ela levantou a gola do meu capuz para o nariz mais uma vez, desta vez, foi a minha vez de ficar vermelho. Ela gostava do meu cheiro sobre o casaco. Meus pés me carregaram direito para onde ela estava. Elsie deixou cair os braços enquanto eu me aproximava. Meu coração estava acelerado, minhas palmas suando, mas, através da força de vontade, levantei minhas mãos para cima e puxei suavemente os laços do capuz mais forte em seu pescoço. Os olhos azuis de Elsie estavam amplos e claros, e eu encontrei-me sussurrando: – Está frio lá fora, você precisa se manter aquecida. Elsie sorriu e acenou com a cabeça. Abaixando minhas mãos, eu segurava o pote contra meu peito e disse: – Nós apenas estamos indo em frente ao quintal. Lexi tem uma oficina lá fora. Eu vi a cabeça de Elsie mover para trás como se estivesse questionando o que estávamos fazendo. Corri a mão pelo meu cabelo e sacudi a cabeça na direção da porta. – Vamos, vou explicar quando estivermos lá. Virando, saí da porta, mantendo-a aberta para Elsie passar. Assim que saiu, uma corrida poderosa de vento envolveu em torno de nós. Elsie riu quando a rajada de vento soprou através de seu cabelo. Eu acalmei. Eu apenas tive que fazer uma pausa apenas por um minuto. Ela riu. Elsie tinha rido. Ela fez um som. Era um som suave como uma luz, um som tão bonito quanto ela.


Como se percebendo isso tarde demais, Elsie parou de rir e sua expressão encheu de medo repentino. Eu não tinha ideia de por que ela não queria ou não podia falar, mas eu podia ver que a preocupava que eu tinha ouvido sua suave risada. Não havia nenhuma razão que ela deveria ter ficado constrangida na minha frente. Ouvi Elsie inalar profundamente quando apontei para o galpão do outro lado do quintal. Abri a porta e acendi a luz, logo, entramos completamente. O vento batia contra as janelas de vidro quando me mudei para a mesa no centro da sala. Eu coloquei o frasco em cima, e me virei para ver a boca de Elsie ligeiramente aberta enquanto admirava o interior do galpão. 'Oficina' não era exatamente a palavra ideal para descrever esse lugar. Ele era enorme, um lugar onde Lexi vinha para relaxar, um lugar onde ela trazia Dante para brincar. Elsie caminhou até as prateleiras que estavam preenchidas com cada item de material e artesanato que você poderia pensar. Ela passou a mão levemente sobre os tecidos pendurados em seus rolos.

– Louco, né? – Eu disse, apontando para a sala quando Elsie olhou na minha direção. Elsie deu de ombros e colocou a mão sobre o coração. Estudei o movimento tentando entender o que significava, quando ela sorriu e apontou para as imagens bordadas penduradas em uma parede. Ela gostou do quarto. Isso foi o que ela estava tentando dizer. Deixando-a a explorar, peguei o que eu precisava e me sentei em uma das cadeiras de madeira na mesa redonda no centro. Quando Elsie passou pela prateleira final, ela veio até onde eu estava sentado e, hesitante, ficou ao meu lado. Retirando outra cadeira de madeira, eu fiz sinal para ela sentar.


Enfiando um pedaço caído de cabelo atrás da orelha, Elsie sentou e eu assisti com diversão quando ela estudou o que eu tinha colocado para fora. De repente me sentindo patético, me mexi em meu assento e admiti: "Esta é provavelmente uma ideia realmente idiota." Eu passei a mão pelo meu rosto, apenas para fazer algo com minhas mãos, e disse: – Lexi fez isso para Dante no quarto do meu sobrinho que é um bebê, um tempo atrás. Isso veio à minha mente quando você escreveu sobre não gostar do escuro. – Quanto mais olhei para o frasco e a fita em cima da mesa, mais eu estava convencido que esta era uma ideia estúpida. Decidido a cortar a minha ideia estúpida, balancei a cabeça e me levantei. Elsie saltou quando fiz isso e olhou para mim, seus olhos de corça cheios de perguntas. Balançando em meus pés, expliquei, – É uma ideia estúpida, Elsie. Não sei o que estava pensando. A atenção de Elsie se mudou de volta para a mesa. Fiquei preso ao chão, meu peito arfando em constrangimento, quando Elsie piscou para mim de novo, seus longos cílios sombreando seu rosto. O jeito que ela olhou neste momento, me atropelou. Calor atravessou pela minha espinha e eu sabia que ia lembrar desse olhar pelo resto da minha vida. Se eu pudesse ter capturado seu rosto numa fotografia, olhando para mim assim, estaria pendurado na minha parede para olhar todas as noites. Pulando de pé para pé, precisando sair e esquecer minha estupidez, eu estava prestes a ir para a porta, quando senti os dedos trêmulos apertar meu braço. Ela puxou suavemente. Eu inalei profundamente quando vi seus lábios rosas mexer, – Por favor. Vendo esta palavra silenciosa enfeitar seus lábios tinha me levado de volta para baixo sobre o pequeno banco de madeira ao seu lado. Elsie sorriu


para mim, em seguida, tirou a mão. Ela puxou as mangas muito compridas de meu casaco para baixo para o meio de suas palmas e apontou para o frasco. Ela assentiu com a cabeça na direção do frasco de vidro transparente e colocou a mão sobre o coração. Tomando uma respiração profunda, embora ainda sentindo-me tolo, expliquei por que a trouxe aqui. Tomando o frasco em minha mão, cheguei mais perto dela e perguntei:

– Você já esteve no Alabama, Elsie? Elsie balançou a cabeça, mas não perdeu a concentração no frasco. – Bem, em Bama é realmente muito quente. – Eu ri uma única risada ao lembrar da umidade intensa. – Eu cresci em Bama, Elsie, em Tuscaloosa. Nós nos mudamos quando eu tinha quinze anos, há cinco anos agora. Até então, Bama era tudo que eu conhecia. – Eu perdi o foco no frasco, meus olhos borraram com a lembrança da minha infância. Eu podia sentir os olhos de Elsie em mim. Tossindo, continuei. – De qualquer forma, como disse antes, nós não crescemos com tudo isso. – Fiz um gesto para o quarto e a casa -tudo. – Nós vivíamos em um trailer em um parte realmente ruim da cidade. – Minha voz se aprofundou, ficando rouca. – Era eu e meus dois irmãos, Austin e Axel... e minha mãe. – Eu engoli o nó crescente em minha garganta. Como se sentisse que eu precisava do apoio apenas por pensar em minha mãe, a mão de Elsie pairou sobre a minha. Minha respiração parou enquanto eu esperava com expectativa para o que ela faria. Então, tão controlado quanto pôde, Elsie colocou a mão no meu braço, apertando-a apenas uma fração. Eu queria levantar os olhos para encontrar os dela, mas não podia. Eu não tinha certeza se poderia lidar e olhar para longe de sua mão. Fortalecido por seu toque, falei novamente. – Eu nunca conheci meu pai; ele se foi antes


mesmo que eu tinha idade suficiente para me lembrar dele. Mas minha mamma... minha mamma era a melhor. – Meu lábio abriu em um sorriso. Eu me surpreendi que sorri lembrando de algo bom sobre minha mãe, não como ela estava no fim.

– Como eu disse antes, não poderíamos muitas vezes pagar por eletricidade, de modo que ela nos levava para a floresta perto do nosso parque de trailers, – Eu segurei o frasco no ar, – e ela enchia o frasco com vaga-lumes.

– Eu ri e balancei a cabeça. – Enchemos tantos frascos quanto poderíamos transportar e os colocava em torno de todos os cantos de nossa casa. Os insetos viviam onde morávamos, portanto, não tinha problema pegá-los e mantê-los para a nossa luz. Minha visão borrou no frasco quando me perdi na memória. Era como se eu quase pudesse ver esses iluminados insetos na minha mão, como se eu estivesse no meu velho quarto minúsculo. – Eu odiava a escuridão também. As coisas que aconteciam fora do nosso trailer não era o que uma criança deveria ver, então eu precisava de luz para dormir. E minha mãe, ela iluminava a casa como uma árvore de Natal com esses frascos. Balançando a cabeça para me liberar da memória, senti meu rosto esquentar com toda a divulgação do ocorrido. O frasco estava apertado na minha mão, e quando arrisquei um olhar para o lado, os olhos de Elsie estavam brilhantes com lágrimas não derramadas, e sua pequena mão agarrava firmemente o medalhão em seu pescoço. Meu peito apertou ao ver sua resposta, mas quando ela apertou meu braço novamente, eu sabia que ela estava me pedindo para continuar. Conseguindo me recompor, coloquei o frasco em frente de onde ela estava sentada.


Elsie me olhava como se estivesse pendurada em cada palavra minha.

– Aqui em Seattle, nós não temos nenhum vaga-lume, mas Lexi queria que Dante tivesse esses mesmos frascos com vaga-lumes de Bama em seu quarto. Eu não sei de onde ela tirou a ideia, mas ela fez isto porque ela não poderia obter a coisa real. – Eu dei de ombros. – Ela me fez ajudá-la. E eu não sei... – Eu puxei o canto do meu lábio, antes de liberá-lo. – Você me fez pensar nisso, quando me disse que não gosta de dormir no escuro. Movendo a mão fora do meu braço, Elsie pegou o bloco de papel do bolso do moletom e começou a escrever uma nota. Eu li. – Mostre-me.

– É um bocado estúpido e infantil –, eu disse, embaraço rasgando através de mim. Elsie rabiscou em seu bloco de novo. – Eu não me importo –, ela escreveu. Eu podia ver pela expressão brilhante em seu rosto bonito que ela realmente não se importava. Eu não podia acreditar que passava bem mais da meia-noite e eu estava na sala de artesanato de Lexi fazendo frascos de vaga-lumes falsos. Sentindo muita a atenção de Elsie, eu peguei o frasco e o coloquei diante de mim. Pegando uma pulseira de neon que tinha pego de uma gaveta da escrivaninha de Lexi, eu a quebrei, jogando o líquido de neon dentro. Eu cortei a pulseira ao meio com uma tesoura e deixei-os cair no interior do frasco. Fechando a tampa, agitei o frasco até que todo o líquido tinha pulverizado nas laterais. Peguei o tubo plástico vazio, fechando a tampa novamente, em seguida, amarrei a fita ao redor da parte superior. Colocando o frasco terminado em cima da mesa, sentei-me e anunciei: – Está pronto.


A mão de Elsie estendeu para pegar o frasco. Sua testa estava enrugada, claramente tentando ver o que eu tinha acabado de fazer, então ela olhou para mim com as sobrancelhas levantadas. Levantando-se da cadeira, caminhei para o interruptor de luz. Eu imediatamente vi o pânico no rosto de Elsie, mas eu disse, – Confie em mim. – Cada parte de Elsie estava tensa, mas quando seus ombros relaxaram, ela balançou a cabeça. Eu apaguei a luz, e assim que fiz, ouvi Elsie suspirar. O frasco de vidro em sua mão, estava radiante com a luz de neon amarelo, seu brilho iluminando o quarto. Voltei para a mesa, e pedi desculpas. – Não é tão bom como a coisa real, não há vaga-lumes zumbindo para você assistir, mas é bom o suficiente para aqui e agora. Para ser sua luz. Eu não tinha certeza se Elsie me ouviu, porque seus olhos nunca se desviaram do frasco. À medida que os minutos se passaram em silêncio, eu estava preocupado que seu novo aparelho auditivo pudesse não estar funcionando. Mas quando sua cabeça finalmente se virou para mim, um sorriso enorme estava em seu rosto, um sorriso enorme e ofuscante que bateu a respiração para fora de meus pulmões, eu sabia que ela tinha me ouvido muito bem. Seus dedos traçaram os salpicos de fluido incandescente no interior do frasco, em seguida, ela bateu a mão ao queixo e a abaixou. Ela assinou alguma coisa para mim. Meus olhos fixos em seus lábios, ela abaixou os olhos e murmurou: – Obrigada.


ELSIE

O frasco foi a coisa mais bonita que eu já vi, mas o que este rapaz tinha feito para mim, o que Levi Carillo teve tempo para fazer para mim, foi a coisa mais bonita de todas. Ele se importava o suficiente para me trazer a esta oficina e me fazer esta luz, então eu não ficaria com medo. Então eu não teria medo do escuro. Ele não entenderia, mas ninguém, ninguém, tinha feito nada parecido com isso para mim nos últimos anos. Neste momento eu estava feliz por não falar com as pessoas. O nó na minha garganta significava que eu não conseguiria fazer as palavras saírem mesmo que eu quisesse. Mas então eu tinha "falado" com poucas peças de linguagem gestual e pensei que ele iria entender. Ele merecia o meu muito obrigado em sua forma mais pura, na forma mais sincera. Olhei para Levi de pé atrás de mim. Ele estava olhando para mim, a cabeça baixa. Seu cabelo bagunçado tinha caído para proteger seus olhos e as mãos pendurados em seus lados.


Calor espalhou-se dentro de mim quando assisti este rapaz bem construído, alto e bonito, de pé tão timidamente ao meu lado. Fiquei imaginando, como sua vida era? O calor dentro de mim esfriou quando um pensamento empurrou em minha mente: será que ele tem uma namorada? Imaginei-o na faculdade, dirigindo seu Jeep novo. Ele joga futebol, ele tinha dinheiro, e parecia em nada menos do que perfeito. De repente eu estava confiante sobre a resposta à minha pergunta: ele definitivamente teria uma namorada. Eu não deveria estar aqui com ele, eu disse a mim mesma. Segurando o frasco firmemente em minhas mãos, me levantei. Dirigi-me à porta, mantendo minha cabeça baixa passei por Levi. Ele não disse nada quando cheguei à porta. Eu precisava sair, mas ainda sentia mais do que um lampejo de tristeza, sabendo que o nosso encontro improvisado tinha acabado. Eu gostava dele falando comigo. Eu gostava de vê-lo tropeçar timidamente sobre suas palavras. Isso aquecia meu coração. Ouvi Levi murmurando algo para si mesmo, mas foi apenas muito baixo para eu ouvir. De repente, o senti atrás de mim e congelei. Eu respirei dentro e fora para me equilibrar, em seguida, virei para encará-lo. Seus punhos estavam cerrados ao lado do corpo, e seu rosto estava rosado com rubor. Ele estendeu a mão e, na palma havia várias pulseiras de neon. – Para encher o frasco a cada noite. – Eu peguei suavemente as pulseiras e as empurrei no bolso do casaco. A cabeça de Levi ficou mantida para baixo, as mãos mais uma vez ao seu lado. Ele me pegou olhando e lentamente exalou. – Você quer sair. –Ele não me fez uma pergunta, ele tinha assumido que é o que eu queria. Concentrandose na luz, ainda brilhando no escuro, dei de ombros.


Ele chegou mais perto ainda. – É muito tarde, masEle deixou a frase pendurada no ar, inacabada, mas eu estava desesperada para ouvir o resto. Levi passou a mão pela parte de trás do seu pescoço e, em seguida, deixou escapar: – Eu vou levá-la até a porta da cozinha. Decepção me esmagou, mas eu saí pela porta para a noite fria, segurando o frasco brilhante em meu peito. Enquanto caminhávamos para a porta da cozinha, sorri para o frasco em minha mão. Ele estava brilhante contra a escuridão da noite. Eu queria dizer a Levi que adorei, que iria valorizar este presente, pois foi de coração. Representava uma bondade que havia faltado na minha vida. Mas, eu queria ouvi-lo contar mais sobre sua infância, sobre a captura dos vaga-lumes no bosque atrás de sua casa. Eu precisava dizer a ele que queria vê-lo também, um dia, eu queria ver este jarro cheio de vaga-lumes, voando no escuro. Mas o desejo de falar, o desespero para abrir minha boca e deixar as palavras livres, foi mantido em cativeiro na minha garganta. As crueldades de Annabelle ameaçaram vir, e o aviso da minha mãe tocou na minha cabeça: Eles vão rir de você, menina. Não há um lugar para gente como eu e você neste mundo. Nós somos uma piada. Nunca fale, proteja o seu coração. Sempre oculte a sua voz. Como se eu pudesse sentir fisicamente as palavras recolheram na minha boca, eu as engoli de volta para baixo para que não pudessem passar pelos meus lábios. As cicatrizes em meus pulsos pareciam mais quentes na minha pele, debaixo dos meus punhos, lembrando-me que ela tinha razão. Eu tinha que esconder a minha voz. Eu tinha que proteger meu coração. Eu não podia passar por tudo isso de novo. Eu não podia deixar outra pessoa como Annabelle vencer novamente.


Chegando a cozinha, Levi nervosamente pigarreou. Seu braço grosso estendeu para abrir a porta. Olhando para trás, surpreso com tal gesto cavalheiresco, eu balancei a cabeça e murmurei, – Boa noite. Levi abriu a boca, parecendo que queria dizer alguma coisa. Mas sua expressão caiu e ele simplesmente respondeu: – Noite, Elsie. Durma bem. – Quando seu sotaque sulista doce enrolou em meu nome como um abraço, eu queria dizer a ele como amava seu sotaque, a forma como ele dizia meu nome. Mas, claro, eu não fiz. Percorrendo a cozinha, ouvi a porta fechar-se atrás de mim. Com meus pés plantados no chão de azulejos, me concentrei em respirar. Meu coração estava disparado. Minhas mãos tremiam, e meus olhos perderam o foco na escuridão. Eu precisava de um minuto para perceber o que tinha feito. Eu tinha acabado de passar tempo com um garoto. Não, mais do que isso, eu tinha encontrado uma alma doce e gentil. Meu peito estava cheio de luz, e me empurrei para mover-me, agarrando o frasco caseiro de vaga-lumes perto do meu peito. Fiquei em silêncio enquanto fiz o meu caminho para o meu quarto. Não foi até que estava no meio da escada que o cheiro de Levi derivou para o meu nariz. Parei, lembrando de repente que ainda usava seu casaco. Esquivando meu nariz na gola, respirei fundo, sentindo uma vibração no meu coração. Não querendo manter outra coisa dele, girei sobre os passos e rapidamente fiz o meu caminho de volta para a casa da piscina. Corri todo o quintal e cheguei à sua porta. A maçaneta da porta ainda estava aberta e eu passei. Esperando que ele estivesse de volta na cama, eu me assustei quando vi que Levi estava sentado em sua mesa, uma pequena lâmpada era sua única luz. Ele tinha uma caneta na mão e livros espalhados


sobre a mesa. No entanto, ele não estava fazendo nada. Ele estava sentado em sua cadeira, olhando para o nada, sua caneta passando rapidamente para frente e para trás em sua mão. Claramente ouvindo me esgueirar de volta à casa da piscina, sua cabeça virou na minha direção. Seus olhos cinzentos estreitaram, até que ele percebeu que era eu. Em seguida, eles se tornaram mais amplos. Levi saltou de sua cadeira e ficou de pé.

– Elsie? Está tudo bem? Balançando a cabeça, avancei para dentro do quarto, até que estava quase onde Levi esperou. Colocando o frasco sobre a mesa, tirei minha caneta e o bloco, e escrevi: – Eu esqueci que ainda estava vestindo seu casaco. Levi leu a frase enquanto segurei para ele; tensão pareceu escoar de seu corpo. – Pode ficar, Elsie. Eu balancei minha cabeça. Movendo-me para levantá-lo sobre a minha cabeça, ele de repente estava diante de mim, segurando meus braços aos meus lados. Eu encontrei seus olhos, incapaz de ler o que estava em suas profundezas. Ouvi sua respiração se aprofundar, suas mãos brevemente ficaram tensas em meus braços. Eu respirei muito, respirações simples e suaves, até que Levi deu um passo atrás, apontando para o casaco de novo e assegurou, – Pode ficar. Soltando a borda do casaco, estendi a mão para recuperar minha jarra, quando a lâmpada sobre a mesa chamou minha atenção. Eu olhei para os livros sobre a mesa, e peguei meu bloco. – Você não quer dormir? – Eu escrevi e estendi para Levi.


Levi leu as palavras, então balançou a cabeça, ‘não’. Sentindo que ele não ia dizer mais nada sobre o assunto, espreitei a página que estava aberta sobre a mesa. A página destacava a imagem de uma pintura. Parecia uma pintura antiga. Precisando me aproximar, a curiosidade controlou meus pés. Eu estava bem na frente da imagem e abaixei para inspecionar seus detalhes. A imagem mostrava água, imagens de pessoas se afogando sob ondas de tempestades: várias imagens de homens e mulheres. Estudei os homens e as mulheres mais próximas: Eu percebi que todas as imagens dos homens eram o mesmo homem, e as imagens das mulheres eram todos a mesma mulher. Meu coração deu uma guinada para um retrato tão triste, especialmente porque a imagem exibia seus corpos caindo em uma corrente forte, cada imagem apresentando uma fase de sua luta. Mais triste ainda, eles estavam chegando para o outro, mas não conseguiam pegar a mão do outro. Eles estavam sendo separados. Meu peito doía. No entanto, fiquei paralisada na página; no afogamento dos amantes desesperadamente tentando segurar um ao outro, mas falhando em seus esforços. Por um momento, eu tinha esquecido que Levi estava no quarto, também perdido na cena trágica.

– Hero e Leander. – A voz rouca de Levi me recuperou do meu transe. Virei a cabeça e ele tinha se movido para meu lado, com o braço apenas uma fração do meu toque. Olhei para seu rosto, e ele apontou para a pintura. – Peter Paul Ruben de 'Hero e Leander'. Foi pintado no século XVII. Olhei para este menino, este menino bonito, e pendurei em cada palavra sua. A mão de Levi caiu para fora da página e ele afastou-se da mesa. Ele pareceu envergonhado com o que me disse.


Para chegar a minha caneta e papel, hesitei em escrever a minha pergunta, não querendo parecer estúpida. Como se sentindo a minha preocupação, Levi bateu a página em que minha caneta pairou acima e disse: – Por favor, pergunte o que quiser. Anulando minha vergonha, escrevi: – Quem é Hero e Leander? Quando Levi leu a pergunta, ele sorriu e seus olhos cinza tempestuosos iluminaram-se. Mas ele não estava rindo; Eu podia ver que tudo o que perguntei tinha acendido algo em seu coração. Levi olhou para trás, em seguida, mudou-se para o lado da sala. Ele pegou uma cadeira e trouxe-a para a mesa, ao lado daquela em que ele estava sentado quando entrei na casa. Levi segurou a cadeira e jogou a cabeça indicando para eu sentar. Segurando o papel e caneta em meu peito, sentei-me na cadeira macia, e Levi caiu sobre a cadeira ao meu lado. Estando tão perto eu podia sentir o cheiro de especiarias e o calor do seu cheiro, o cheiro me trouxe conforto e paz. Eu suspirei de contentamento na forte mudança - de estar aqui, quente e segura com este rapaz - para onde eu tinha estado a meros dias atrás. Levi deslocou em seu assento, chamando minha atenção. Ele sentou-se para a frente e puxou o livro mais perto da borda da mesa. Meus olhos procuraram a pintura na página, e esperei ansiosamente para ele falar. Levi jogou seu olhar para mim com o canto dos seus olhos antes de apontar para a página novamente. – Hero e Leander –, ele começou calmamente. Eu podia ouvir o nervosismo em sua voz, um fato que eu achava simplesmente cativante. – Eles são amantes, encontrados na mitologia grega.


– Levi parou, me olhou nos olhos, em seguida, explicou: – Isso é o que estou estudando na escola. Mitologia, é uma disciplina. Eu balancei a cabeça, de modo atropelado por tudo o que estava descobrindo sobre esse rapaz. Ele era um mistério para mim. Quando o vi pela primeira vez na faculdade naquele dia, pensei que ele era apenas mais um típico atleta. Tudo sobre esporte e meninas. Dada sua aparência, era uma suposição fácil de fazer. Mas estar em sua companhia por apenas alguns minutos, eu podia ver que ele não era nada como parecia na superfície. Havia muito mais nele do que eu jamais poderia ter imaginado.

– De qualquer forma –, continuou ele, – no momento, em sala de aula, nós estamos estudando a história de Hero e Leander. No meu papel, perguntei, – O que aconteceu com eles? Esta pintura parece triste. Levi leu a página e acenou com a cabeça. – É triste. Eles são conhecidos como os amantes condenados. A história é uma tragédia. Minha caneta pairou sobre o papel enquanto debatia o que perguntar. Tendo uma chance, perguntei, – Você poderia me contar? O lábio de Levi abriu em um sorriso tímido e ele respondeu: – Claro. Eu sorri de volta, e meu coração bateu mais rápido ao ver o toque de vermelho em seu rosto moreno. Nervoso sob meu olhar, ele começou o conto.

– Hero –, ele apontou para a mulher se afogando – ela era uma sacerdotisa da deusa Afrodite, e ela vivia na ilha de Sestos. – Ele parou e perguntou: – Você sabe quem é Afrodite?

– Sim –, eu escrevi, – ela é a deusa do amor, certo?


Levi leu minha resposta e acenou com a cabeça. "Sim." Tomando um gole de água em sua mesa, ele colocou para baixo e continuou. – Hero servia Afrodite, e, como tal, tinha que permanecer virgem. – Quando Levi terminou essa frase, a sugestão do vermelho já em seu rosto explodiu em uma cor carmesim vibrante e ele baixou a cabeça. Eu escondi meu sorriso, mais afetada por sua timidez óbvia, que eu jamais veria se ele fosse de bronze. Este musculoso belo rapaz era tão tímido como um rato de igreja.

– Quando Hero estava em um festival em Sestos, um homem veio visitar –, ele apontou para o homem se afogando, – Leander, deu uma olhada nela e se apaixonou. – Eu olhava para a foto, agora embrulhada em sua história. Levi fez uma pausa, então olhei para ele, acenando com a cabeça para ele continuar. Levi abaixou os olhos de volta para a página e continuou. – Não foi muito antes de Hero se apaixonar por Leander. Mas Hero era uma sacerdotisa, e, como tal, era proibida de se apaixonar ou de estar com um homem. Eu me aproximei da borda do meu lugar, meu coração batendo rápido com a emoção da história, mas também com trepidação por como isso iria acabar. A mão de Levi sacudiu a página e um mapa estava na parte inferior. Ele apontou para duas ilhas em um mar. Com o dedo em uma ilha, ele explicou, – Leander vivia aqui, em Abydos. – Ele apontou para a outra ilha. – E Hero vivia aqui, em Sestos, onde o festival tinha acontecido. – A ponta do seu dedo traçou o trecho de água entre as duas ilhas. – Eles eram separados por Hellespont, um trecho de água. Levi parou e perguntou: – Será que está chato para você? Eu posso parar se tudo isso for muito chato. Eu meio que me empolgo e esqueço que a maioria das pessoas não se preocupam com essas histórias.


Minha mão pousou no meu peito e eu balancei a cabeça, ‘não’. – Por favor, – Eu anotei: – Eu quero saber o resto. Os olhos de Levi brilharam com felicidade, e ele continuou. – Porque eles estavam apaixonados, eles sabiam que tinham de ver um ao outro, apesar da perigosa viagem que um deles teria que tomar. Leander e Hero arquitetaram um plano, que Leander, quando a noite caísse, nadaria através de Hellespont para ver Hero, para que eles pudessem estar juntos à noite. – Meus olhos caíram para a foto novamente, nas ondas, e o casal lutando para viver. Meu estômago afundou.

– Hero vivia em uma torre alta, e cada noite, ela acendia uma candeia para colocá-la em sua janela, então Leander saberia onde a margem estava onde seu amor estava. – Levi bufou uma risada tranquila e apontou para o frasco de vaga-lume. – Um pouco como uma versão antiga disso, suponho. Eu segui seu dedo para o frasco e emoção explodiu dentro de mim. Fazendo-me sorrir também, eu balancei a cabeça e puxei o pote mais perto, imaginando Hero sentada na torre.

– A luz da torre de Hero guiaria Leander para a mulher que ele amava. Por noites e noites ele viajou o pedaço de mar e estava feliz com Hero, enquanto ela estava com ele. DepoisA voz de Levi desbotou ao silêncio, e ele olhou para baixo entre nós dois. Quando olhei para baixo também, percebi que tinha colocado a minha mão em seu braço, apertando-o com força, em suspense pelo fim inevitável da história. Envergonhada com a minha reação, já ia puxar minha mão, quando Levi estendeu a mão e a manteve pressionado em seu braço. Eu acalmei, olhos arregalados, coração trovejando. Levi congelou também, mas ele ainda não


mexeu a mão. Ouvi sua respiração engatar, o simples ato de tocar as nossas mãos nos trouxe para um lugar desconhecido, ainda que mutuamente acolhedor. Esperei. Esperei, ansiosa para Levi falar, apenas para sentir meu coração derreter quando ele murmurou, – Você pode deixar sua mão aí –, ele engoliu em seco e, sem olhar nos meus olhos, acrescentou, – se você quiser. Quando ele expressou a última parte, seu sotaque foi forte, aprofundando meu nervosismo. Eu apertei o braço e deixei minha mão direita onde estava. As narinas de Levi alargaram quando não mexi minha mão. Meu coração pulou uma batida quando sua mão não se moveu também. Tocando em um dedo da minha mão livre na página, pedi-o em silêncio para terminar a história. Entendendo o que eu queria, Levi respirou fundo e contou: – Então, uma noite, tudo mudou para os amantes. – Inclinando-se, escutei tanto quando eu podia. – Leander partiu para seu nado, o mesmo que ele fez todas as noites. Enquanto nadava, a lâmpada de Hero brilhava em sua janela, orientando-o a costa, quando uma tempestade de repente caiu em Hellespont. – Minha mão apertou o braço de Levi; ele manteve o aperto igualmente forte da minha mão.

– Quando Leander nadou mais forte, se esforçando para alcançar Hero, de repente o vento soprou violentamente a lâmpada. O vento era muito forte para a luz permanecer acesa e Hero teve que assistir, quando um Leander sem uma luz que o guiasse, caiu sob as ondas, perdido no escuro. – Frieza percorreu minha espinha com a história triste. Levi olhou de volta para a página com a pintura e apontou para as imagens do casal afogando. – Hero, incapaz de suportar perder o homem que amava tão profundamente, se jogou nas águas tempestuosas para acompanhá-lo. – Levi parou, virou-se para mim e


disse, – Hero e Leander se afogaram em Hellespont. Sua luz o guiou para ela todas as noites, mas quando ele morreu, o mesmo aconteceu com suas vidas. – Levi corou e terminou dizendo, – Mas seu amor nunca se extinguiu. Ele foi passado para a posteridade, tornando-se uma lenda. – Ele deu de ombros e sorriu timidamente. – Pelo menos ele está na mitologia, inspirando artistas a pintar sua história, e poetas a imortaliza-los em palavras. À menção dos poetas, minha cabeça ergueu e Levi notou. Suas sobrancelhas puxaram para baixo e ele perguntou: – Você gosta de poesia? – Sem escrever uma explicação, apenas balancei a cabeça. Levi apertou minha mão e, com a mão livre, ele passou ao longo das páginas de seu livro até que parou em um poema. Apontando para a página, ele explicou: – Este é o mais famoso, Hero e Leander por Christopher Marlowe. – Eu estiquei minha cabeça para lê-lo. Levi, vendo meu interesse, mudou o livro até que estava em frente de onde eu estava sentada. Sem esperar, meus olhos percorreram a página, devorando a prosa poética.

Em Hellespont, culpado de sangue do amor verdadeiro, Em vistas opostas e duas cidades ficaram...

O poema era longo e extremamente detalhado, cada palavra atada com perfeição e beleza impecável. Fiquei fascinada por cada linha, a história dos dois amantes perdidos trouxe vivo, seu intenso amor queimando em meu coração.


Ofegante, terminei a última linha, uma lágrima escorrendo pelo meu rosto. Eu não tinha percebido que tinha ficado tão afetada, até que o polegar gentil de Levi limpou a lágrima da minha bochecha. Mergulhei no olhar suave de Levi e fiquei extasiada. Seu polegar ainda estava na minha bochecha, quando ele disse suavemente: – Você gostou? Um riso nervoso borbulhou da minha garganta. Eu balancei a cabeça. A mão de Levi caiu e sua cabeça inclinou para o lado. Eu não tinha ideia do que ele estava pensando. Virando a cabeça, fiz a varredura do poema mais uma vez. Voltei a página e estudei a pintura, em seguida, fiquei folheando o livro, lendo trechos aleatórios de vários mitos. Após a oitava passagem, sentei na minha cadeira e olhei para Levi que estava me observando com fascinação. Eu olhei para este rapaz, e pegando a minha caneta, escrevi no meu bloco. – Você é muito inteligente. Segurei-o para Levi ler e vi a sua tonalidade de sua pele ficar rosada. Levi sentou-se e deu de ombros. Escrevi novamente. – Você é. Muito inteligente, quero dizer. Quando a luz se apagou do rosto de Levi, pensei que tinha dito algo errado. O pânico de que eu iria perturbá-lo, correu através de mim, até que ele confessou: – Eu não sou bom em falar com as pessoas, Elsie. Eu não saio muito ou falo muito. – O vermelho no rosto dele desceu para cobrir o pescoço e parte superior do peito. Minha mão no braço dele capotou e meus dedos passaram através dele. Levi observou os dedos unidos, então com minha mão livre apontei para o meu peito e levantei dois dedos.


– Você também, – Levi traduziu o meu significado e eu balancei a cabeça. Levi apontou para o livro de mitologia e disse: – Eu acho que sou muito inteligente; sempre desfrutei de estudar. Eu sei mais do que a maioria, porque não vou a festas ou saio muito com os meus amigos. Eu acabo ficando aqui e estudo quando não estou no campo de futebol. Antes que eu soubesse o que estava fazendo, tinha escrito: – Sem namorada? As bochechas de Levi, desta vez, se transformaram positivamente em escarlate e ele balançou a cabeça. Ele não disse nada em resposta, mas imaginei que, como eu, ele não se mistura muito com o sexo oposto. Apertando a mão dele até que ele olhou para mim, repeti a ação de apontar para mim mesma, e sustentei dois dedos. Levi exalou, com o conhecimento de causa e sussurrou: – Você também. Sorri um sorriso compreensivo, e nós dois ficamos em silêncio. Eu não tinha ideia do que fazer a seguir, e eu podia ver que Levi procurava por algo, qualquer coisa, para dizer. – Elsie? – Eu encontrei seus olhos quando ele finalmente fez. – Você terminou o ensino médio? Sentindo o sangue escorrer do meu rosto, agi por instinto e tentei me levantar e sair da sala. Mas Levi continuou segurando minha mão. – Elsie, espere –, disse ele, e gentilmente segurou o meu braço. Envergonhada, virei em sua direção e ele explicou: – Eu não perguntei para fazer você se sentir mal.

– Ele se mexeu em seus pés, e disse: –Eu perguntei porque acho que você é inteligente demais. E... – Ele respirou fundo e murmurou, – e eu acho que você merece mais da vida do que já teve até agora.


Cada parte de mim ficou tenso, mas eu não vi nada além da sinceridade em sua expressão. Ombros relaxaram, mantive minha cabeça baixa, mas lentamente balancei-a. Eu não tinha terminado o ensino médio, fugi antes de terminar. A mão de Levi pegou a minha, e ele chegou mais perto, tão perto que seu cheiro temperado envolveu meus sentidos. Eu vi seus dedos abrindo e fechando, em seguida, ele levantou a mão trêmula, apenas para colocá-la suavemente debaixo do meu queixo. Guiando minha cabeça para cima, meus olhos se chocaram com o dele, e ele disse, – não há nenhuma razão para se envergonhar, Elsie. Todos nós temos nossos demônios. – Ele fez uma pausa como se precisasse de um minuto, e acrescentou: – Acredite em mim, eu tenho uma tonelada inteira no meu passado. Mas não precisa ter vergonha disso, não na minha frente. Eu acho que a vida as vezes é desse jeito. Um por um, os meus músculos relaxaram, até que eu tinha inclinado sua mão no meu rosto. Eu tomei o conforto de seu toque, passei minutos com a mão tocando minha pele, até que dei um passo para trás, precisando ficar longe. Hoje à noite, tudo isso, tinha acontecido muita coisa, e eu estava cansada. Eu dei um passo para trás, e pude ver que Levi sabia que eu estava saindo. Caminhando para a mesa, rabisquei, – Obrigada por esta noite. Eu amei a história de Hero e Leander. Levi leu por cima do meu ombro. – De nada. Pegando meu frasco, fui até a porta quando Levi chamou meu nome. – Elsie?


Olhando por cima do meu ombro, vi Levi segurando um livro na mão. Eu fiz uma careta, imaginando o que era. Quando peguei o livro, Levi explicou:

– É um livro de poemas. – Meus olhos se encontraram com os dele, e as palavras deixaram seus lábios. Ele colocou as mãos nos bolsos de seu moletom.

– Eu fiz uma aula de poesia no ano passado. Eu não preciso disso mais, pensei que se você gosta de poemas, e ainda precisar de estar na cama e descansar... – Ele parou, sugando o canto inferior do lábio. Eu não sabia como reagir. Eu segurei o livro com força na minha mão, e mudei para a frente até que ele olhou para mim de toda sua altura. Seu rosto estava apreensivo. Incapaz de fazer qualquer outra coisa, eu timidamente levantei na ponta dos pés e dei um beijo casto em sua bochecha. Eu o ouvi inalar bruscamente. Sentindo meu rosto aquecer, corri para a porta. Quando a porta se abriu e pisei fora, Levi me seguiu até o quintal e disse:

– Eu vou te ver, para me certificar que você esteja segura. Vejo você quando estiver em seu quarto quando estiver na sua janela. Sorrindo uma boa noite, corri pela casa. Ao entrar no quarto que eu estava hospedada, coloquei o livro de poesia e o frasco no topo da cômoda, e fui até a janela para mostrar a Levi que estava dentro e segura. Andando no quarto, parei e um pensamento veio à minha cabeça. Meu coração batia em conjunto com os meus passos rápidos quando voltei para a cômoda e segurei o frasco de neon em minhas mãos. Quando cheguei na janela grande, vi Levi em pé na sombra. Minhas mãos tremiam enquanto eu olhava para baixo; em seguida, com uma lentidão meticulosa, coloquei o falso frasco de vaga-lumes no parapeito da janela. Sua luz ainda brilhava.


Eu esperei para ver o que Levi faria. Quando ele entrou no caminho da luz da lua, com a sua expressĂŁo suave e gentil, eu podia ver que ele entendeu. Este frasco era a minha luz. Em minutos eu estava na cama e dormindo. O brilho do frasco mantinha todas as memĂłrias que me assombravam, longe de minha mente, e os pesadelos fora do meu sono. Essa foi a primeira noite que dormi direito por muitos anos.


LEVI

– Por que você está tão ansioso para chegar em casa? Minha perna estava subindo e descendo e Ashton bateu a mão no meu joelho para pará-la. Virando-me para o meu amigo e companheiro de equipe eu empurrei sua mão fora.

– O quê? –, Perguntei. Ashton olhou para Jake, que estava sentado na minha frente no ônibus da equipe. Nós tínhamos acabado de jogar na USC, vencendo por seis pontos. Eu tinha marcado um touchdown e fui bastante feliz com o meu jogo de recepção. Mas a partir do minuto em que entrei no avião de volta para casa, e agora no ônibus de volta para a faculdade para pegar os nossos carros, Ashton estava certo, eu estava desesperado para chegar em casa. Meus amigos esperavam por uma resposta. Eu não dei uma. Ashton revirou os olhos e perguntou: – Você vem para a festa hoje à noite? Verificando meu telefone, vi que era quase meia-noite e balancei a cabeça.


Jake suspirou, mas os dois deixaram o assunto morrer. Eles agora estavam se acostumando a eu não indo para qualquer coisa.

– Você viu Harper depois do jogo? – Jake se inclinou sobre a mesa entre nós para perguntar. Eu balancei a cabeça e olhei para fora da janela. Jake chutou minha perna debaixo da mesa e eu virei meus olhos para encontrar os dele. Ele sorriu.

– Ela estava olhando para você. Eu disse a ela onde você estaria. A verdade era, quando eu estava saindo do vestiário, a vi andando pelo corredor em direção a mim. Eu fingi não vê-la e comecei a caminhar com o nosso treinador todo o caminho de volta para o ônibus levando-nos para o aeroporto. Eu não tinha nada a dizer para a garota. E com certeza não era ela quem estava ocupando meus pensamentos dia e noite. Era Elsie. Desde a outra noite na casa da piscina, eu não tinha sido capaz de tirá-la da minha mente. No dia seguinte tive que viajar para longe, para este jogo. Eu olhei em seu quarto antes de sair, para dizer 'tchau', mas ela estava dormindo. Ficamos acordados até muito tarde, e ela ainda estava doente, isso deve ter deixado-a exausta. Eu não queria acordá-la quando dormia tão pacificamente. O frasco ainda estava em sua janela, porém, claramente recarregado com uma das pulseiras de neon que eu tinha dado a ela. E meu coração quase explodiu quando vi o que encontrava-se ao lado dela na cama, o livro de poesia. Eu tinha verificado com Lexi algumas vezes durante todos os dias que fiquei fora, e ela disse que Elsie se manteve guardada para si mesma; dormia e lia. Lexi pensou que Elsie estava se sentindo para baixo nos últimos dias. Por mais que eu não quisesse que Elsie ficasse triste ou sozinha, uma parte de mim,


realmente tinha esperança de que a razão pela qual ela estava triste era porque eu não estava lá. As luzes do Estádio Husky lentamente vieram à tona quando viramos uma esquina. Peguei minha bolsa, pronto para cair fora deste ônibus. Minha perna

saltou

novamente

quando

o

ônibus

puxou

para

dentro

do

estacionamento do estádio, e eu estava de pé no segundo que paramos. Jake deu um soco no meu braço entrando na fila atrás de mim para sair do ônibus. "Você tem que tomar uma pílula ou algo assim, Alabama? Pensei que ia saltar para fora da janela para sair deste maldito ônibus. " Balançando a cabeça para meu amigo, eu disse: – Apenas cansado, homem. Preciso ir para casa.

– O que você vai fazer amanhã? Você quer vir e assistir ao jogo dos Seahawks em nossa casa?

– Nah –, eu disse para Ashton. – Vou ajudar Lexi com Dante. Austin não volta até segunda-feira, e ela tem que trabalhar. Austin e Rome estavam fora em Cincinnati Bengals jogando. Mas eu não estava ajudando Lexi. Na verdade, ela me disse que tinha que estar em seu centro durante todo o dia. Lexi levava Dante com ela quando podia. Ela também me pediu para ficar com Elsie, mas não havia nenhuma maneira que eu contaria a esses caras sobre isso. Eles não entenderiam o que estava acontecendo. Eles não iriam entender porque eu tinha ajudado ela naquela noite, em vez de ir para a festa com eles. Eu estava mantendo Elsie para mim mesmo. Não era da maldita conta de ninguém de qualquer maneira.


Saindo do ônibus como um dardo, joguei a meus amigos um aceno e corri para o Jeep. Eu ignorei o ônibus das líderes de torcida gritando atrás de nós. Ouvi a namorada de Jake tentando me chamar de volta. Ignorei os fãs que se reuniram para felicitar nossa vitória. Eu só precisava chegar em casa. Em segundos estava fora do estacionamento, no caminho para casa. Eu cheguei em tempo recorde, empurrando os limites de velocidade em todas as estradas. Puxando na entrada da nossa casa, estacionei meu jeep e dei a volta para a porta de trás. A casa estava escura e silenciosa. Estava tarde, Lexi estaria na cama. Abrindo a porta para o quintal, caminhei em direção a porta da casa da piscina, parando para olhar para a janela de Elsie. Meu coração deu uma guinada quando vi que as cortinas estavam abertas e que o frasco de vagalumes estava brilhando para fora, sobre o quintal de sua posição no centro da borda. Segurei com força a alça da minha bolsa de ginástica, sem vontade de parar de olhar para o frasco. O vento lambia ao redor do pátio, chicoteando o ar frio no meu rosto. Inalando profundamente, dei a volta por trás para a casa da piscina quando um movimento súbito chamou minha atenção. Virando minha cabeça de volta na direção da janela, meu peito apertou quando vi Elsie. Ela estava vestida de pijama escuros, e seus longos cabelos dourados pendiam sobre o peito. O frasco não emitia muita luz, mas iluminou seu rosto o suficiente para eu ver o mais belo sorriso enfeitando seus lindos lábios. Para mim. Só para mim.


Sua cabeça abaixou-se quando ela me viu olhando, mas eu nervosamente acenei minha mão. Elsie olhou para mim através da cortina protetora do cabelo dela. Fiquei ali. Ela ficou lá. E nenhum de nós se moveu. Eu queria falar com ela novamente. Meu estômago virou com ansiedade quando percebi que queria contar a Elsie que tinha sentido falta dela. Eu tinha sentido falta desta menina bonita e silenciosa. Eu nunca tinha pensado assim em uma menina antes, nunca tinha sentido falta. O vento subiu novamente. Usando a rajada de ar frio para me acordar, levantei minha cabeça para admirar Elsie, que ainda estava olhando para baixo. Mais uma vez acenei minha mão, desta vez apontando para ela vir para mim. No brilho de neon do pote, vi as sobrancelhas curvarem. Mudei a minha posição para ficar diretamente sob sua janela. Elsie, vendo-me abaixo, abriu a janela, o vento chicoteou imediatamente seu cabelo louro acima de sua cabeça. Engoli em seco em quão bonita ela era. Os olhos de Elsie estavam fixos nos meus, e com os braços envolvidos em torno de sua cintura, ela olhou para fora da janela aberta. Quando o vento diminuiu, eu murmurei, – Desce. Meu pulso correu acelerado; meu sangue correu tão rápido através dos meus ouvidos que eu mal podia ouvir. Eu não queria que ela dissesse não. Isso tinha me custado muito de meus nervos, pedir-lhe para descer. Elsie afastou-se do frio, mas de outra forma não se mexeu. Meu coração afundou sabendo que era um não. Balançando a cabeça, me virei de volta para minha casa da piscina, decepção correndo em minhas veias.


Assim que alcancei minha porta, o som da porta da cozinha se abrindo atrás de mim, chamou a atenção. Olhei por cima do meu ombro, para ver Elsie se aproximando; caneta e papel agarrados firmemente em sua mão, suas bonitas e pequenas botas em seus pés, e meu casaco afogando-a em seu pequeno corpo. Uma onda feroz de possessividade caiu em cima de mim ao vêla vestindo meu casaco novamente. Pensamentos começaram a circular na minha cabeça. Eu me perguntei se ela estava usando, porque estava com frio, ou ela estava vestindo isso porque era meu? Porque isso exalava o meu cheiro? Porque ela queria ficar perto de mim? Os pensamentos derreteram no segundo que Elsie chegou à minha porta. Sua cabeça estava inclinada para baixo em direção a seus pés, e mesmo com o rosto escondido por seu cabelo longo, eu podia ver uma sombra rosa em sua pele. Seu nervosismo, o nervosismo que era correspondente ao meu, aqueceu algo em mim. – Oi –, eu disse, tentando encontrar algo para dizer. Algo curto para que ela não ouvisse o tremor da minha voz. Elsie levantou a cabeça e sorriu, murmurando, – Oi. Segurando o bloco de papel firmemente em seu peito, o corpo ligeiramente balançando de um lado para o outro. Ela parecia muito tímida, e tão malditamente bonita. Forçando-me a mover quando ela estremeceu, abri a porta da minha casa, movendo-me de lado para deixá-la passar. Elsie passou por mim. Eu quase gemi quando seu braço empurrou meu estômago. Limpando a garganta, fechei a porta e joguei minha bolsa no chão.


Precisando de uma distração do toque de seu braço, fui para a área da cozinha fazer café. Quando senti que podia respirar de novo, me virei, para encontrar Elsie ainda de pé perto da porta. Ela estava completamente imóvel, e meu coração se encheu ao vê-la em sua vigília silenciosa, provavelmente torturada com tanto nervosismo como eu. Quando olhei para ela, sabia que, se fosse qualquer outra garota que estivesse aqui comigo agora, eu teria esperado que ela falasse primeiro, para conduzir a conversa. Eu escutaria, com medo de falar, nervoso demais para me mover. Mas o silêncio de Elsie me forçava a assumir a liderança. E estava tudo bem. Porque tão nervoso quanto eu, ainda estava Elsie, eu poderia falar com ela. Apesar de ser difícil, eu poderia falar. Isso era o principal. O único som na sala era da cafeteira fazendo o café. Sabendo que eu precisava falar com ela novamente, para ver aqueles olhos azuis fixos em mim, me mudei para a ponta da cama e sentei. Eu peguei Elsie apertando um olhar para mim, e pressionei o local a meu lado. – Você quer sentar? –, Perguntei. Elsie respirou profundamente, mas acenou com a cabeça. Meu peito se contraiu quando ela caminhou para o meu lado, o cheiro de coco batendo quando ela se abaixou. Eu escutei sua respiração, e isso me fez sentir muito aliviado quando soube que o crepitar doentio em seu peito havia desaparecido a quase nada. Elsie não se moveu, uma estátua ao meu lado, então perguntei: – Você está se sentindo melhor? Elsie baixou lentamente o bloco de papel e escreveu: – Sim, obrigada. – Ela hesitou por um segundo, antes de escrever: – Eu não me lembro da última vez que me senti tão bem.


Elsie olhou para mim, e eu podia ver seu rosto completamente. A escuridão debaixo de seus olhos tinha desaparecido e havia um tom morno em sua pele clara. Seu cabelo estava limpo e parecia mais grosso, melhor ainda, seus olhos azuis brilhavam. O branco de seus olhos era da cor da neve. Sentindo-se como gostaria, provavelmente, apenas dado os meus pensamentos que admiram a distância, senti meu rosto queimar. A cafeteira soou me dizendo que o café estava pronto, e eu apontei em direção à cozinha. – Você quer café? Elsie assentiu com a cabeça, e me seguiu até a área da cozinha. Eu me ocupei em encher duas canecas, entregando a Elsie o creme e açúcar. Ela serviu do creme, mas sem açúcar, e eu a olhava fascinado, quando ela tomou um gole. Virando para mim, Elsie parecia surpresa. Eu rapidamente deixei meu olhar cair, me castigando por não ser capaz de parar de olhar. Porque ela te fascina, ouvi minha voz interior dizendo, mas ignorei-a, em seguida, fui para a pequena mesa e cadeiras atrás de nós. Sentei-me e Elsie seguiu, sentado em frente. O silêncio era espesso com tensão, o tique-taque do relógio no meu quarto enchendo o ar morto. Apertando minha caneca de café, perguntei, – Você fez muita coisa enquanto eu estive fora? Elsie colocou para baixo seu café para escrever em seu bloco. Ela virou-o para eu ler. – Eu vi você.

– Você me viu jogar? –, Perguntei, meu coração disparando como um canhão.


Elsie assentiu com a cabeça, e escreveu, – Na TV. Lexi me convidou para assistir com ela. Ela explicou-me o que você joga e, – ela fez uma pausa, com as bochechas rosadas, e acrescentou: – como você é bom. Desta vez foi as minhas bochechas que queimaram. Meu dedo traçou um fio de madeira em cima da mesa e eu perguntei, – Você gostou do jogo? A cabeça de Elsie inclinou para o lado. Olhei para cima para ver a língua em seu lábio novamente. Meu coração balançou. Eu não sei por que, mas essa ação fez meu coração acelerar.

– Eu nunca assisti futebol antes, então não entendi muito. – Eu balancei a cabeça, quando ela acrescentou lentamente, – Mas gostei de ver você. Elsie baixou a cabeça quando ela escreveu essa última parte. Mas eu não conseguia parar o dilúvio de felicidade que enchia meu corpo. E eu não pude evitar o sorriso que apareceu em meus lábios. Elsie espiou com o seu olhar em mim, e sorriu também. Sua mão estava deitada na mesa. Lutei contra a vontade de estender a mão e segurá-la. Mas quando Elsie bravamente levantou a cabeça totalmente, e ampliou seu sorriso, nada poderia me impedir de tomar sua mão na minha. Ela engasgou enquanto eu enrolava minha mão em torno da dela, mas ela não retirou. Na verdade, ela virou a palma para cima e nossos dedos se entrelaçaram. E nós nos sentamos lá por um momento, em silêncio, simplesmente olhando para nossas mãos. Eu só rezava para ela ignorar o ligeiro tremor de meus dedos.


Tomando outro gole de meu café para ajudar a acalmar minha mente imaginando beijar seus lábios, notei Elsie escrever outra coisa. Quando ela virou o bloco, lia-se: – Havia um monte de pessoas assistindo no estádio. Colocando minha caneca sobre a mesa, eu balancei a cabeça. – Sim. É louco. No começo eu não achei que seria capaz de jogar na frente de uma grande multidão. – Eu dei de ombros. – Eu não sou muito bom com multidões, ou ser o centro das atenções. Mas aprendi a bloqueá-lo. Aprendi a ficar na zona e não ver a multidão, se isso faz sentido. Elsie escreveu novamente. – Você gosta de jogar futebol? Eu bufei uma risada e respondi: – Eu adoro isso. Eu sou bom no que faço. – Eu segui o nó da madeira novamente. – Quando eu jogo, posso bloquear coisas fora da minha cabeça. E só me concentro no campo e a bola. Eu tenho um objetivo, marcar os touchdowns. – Puxando um fôlego, confessei,

– Faz-me esquecer, enquanto estou no campo de futebol... bem, é tudo. A dor surda que sempre pairava no meu estômago, esfaqueou e eu desloquei no meu assento. Elsie ficou lá parada, então ela fez a pergunta que eu mais temia.

– Onde está sua mãe? Meus olhos leram e releram a pergunta, e minha garganta se fechou como sempre fazia. Um par de olhos escuros passou pela minha mente, mas eu lutava para ver o resto. O pânico habitual que veio com essa luta, situou. Antes que eu pudesse me levantar, Elsie apertou minha mão, seu toque derramando força em meu coração. Eu respirei, respirei, até que encontrei-me dizendo: – Ela está morta.


O aperto de Elsie endureceu tanto que me levou a olhar para seu rosto. Ela estava como pedra, os olhos arregalados e brilhantes. Desta vez eu apertei a mão dela. – Elsie? – Minha voz deve ter trazido-a de volta de qualquer lugar que estava assombrando sua mente. Seu peito subia e descia tão rápido que empurrei o café para ela. Elsie pegou a caneca e tomou um gole da bebida fumegante. Quando ela baixou o café, eu podia ver que suas mãos tremiam. Eu abri minha boca para perguntar por que, quando ela pegou sua caneta. Esperei, desesperado para ver o que ela iria escrever, então ela empurrou o bloco para mim.

– Minha mãe também morreu. Eu olhei para aquelas quatro palavras, e tristeza bateu em mim como um trem de carga. Minha respiração era superficial, e eu lentamente levantei os olhos para ver os olhos de Elsie cheios de lágrimas. Eu olhei para seu rosto bonito, um rosto que tinha visto tragédia como eu. Um rosto que tinha visto a mãe dela morrer assim como eu, e Elsie apertou a mão sobre o coração e cerrou o punho. A expressão de dor no rosto dela demonstrou mais dor que qualquer outra palavra poderia transmitir. Eu sabia, porque eu o sentia também. Os nós dos dedos em nossas mãos unidas estavam brancos enquanto nos agarramos um ao outro. Mas tão forte como esse momento foi, alguma luz, algum sentimento leve com o ar em si, levou um pouco da dor no meu coração. Ela entendeu. Com poucas palavras e pouca explicação, eu sabia que Elsie me entendeu. Eu arrastei uma respiração irregular, e Elsie espelhou minha ação. Minutos se passaram, o silêncio novamente envolvendo em torno de nós.


Quando o pulsar do meu coração se acalmou, eu perguntei: – De onde você é, Elsie? Os olhos de Elsie se estreitaram em mim, mas ela escreveu: – Portland, Oregon.

– Como você acabou em Seattle? Eu podia ver que ela não queria responder, mas escreveu: – Eu tinha que ir embora. Eu consegui chegar até aqui, e, – ela olhou para longe; Eu apertei sua mão. Ela atraiu uma respiração profunda, e escreveu: – Eu não tinha outro lugar para ir. Eu não tinha ideia do que dizer em resposta. Minha mente voltou para o canto do beco e ela com frio, magra e doente. Essas lembranças me assolando quando ela acrescentou: – Eu nunca vi Seattle, Levi. Além de becos frios, eu não conheço a cidade realmente. Elsie deixou cair a caneta. Seu rosto estava cansado e triste. Eu odiava vê-la dessa maneira, então uma ideia surgiu na minha cabeça. – Elsie? Elsie me encarou.

– Está se sentindo melhor? Melhor suficiente para ficar longe de casa por um tempo? A testa de Elsie alinhou com a confusão, mas ela balançou a cabeça lentamente, a tristeza sendo substituída gradualmente por curiosidade. Levantando-me, eu a puxei para ficar de pé também, e instrui: – Volte para a cama, durma um pouco. Esteja pronta para sair às nove. O rosto de Elsie torceu em confusão. Puxando-a para mim, eu gentilmente levantei a minha mão em seu rosto. Elsie engoliu em seco e ouvi


sua respiração se aprofundar. – Eu vou, – eu me empurrei para dizer: – Eu vou te levar para sair amanhã, em torno de Seattle. A Seattle que você nunca viu. Os lábios rosados de Elsie se separaram, e ela exalou uma respiração curta. Eu congelei, pensando que ela iria recusar. Quando aqueles lábios exuberantes levantou em um sorriso e ela balançou a cabeça. Eu queria beijá-la. Estreitar seu rosto bonito sorrindo para mim, eu não queria nada mais do que beijar seus lábios rosados. Mas não o fiz. Como um covarde, me afastei. Eu pensei que vi um flash de decepção nos olhos de Elsie, mas ela baixou a cabeça antes que eu pudesse ter certeza. Elsie agarrou sua caneta e papel; Eu peguei a mão dela. Eu a levei para fora da casa da piscina para a porta da cozinha. Abri a porta, e Elsie atravessou. Quando ela olhou por cima do ombro, eu disse: – Vejo você amanhã. Elsie sorriu e subiu as escadas para o quarto dela. Assim que eu estava prestes a fechar a porta, Lexi apareceu da sala de jantar escura, Dante dormindo em seus braços. Eu abri minha boca para dizer algo quando Lexi disse. – Dante acordou para comer há um tempo atrás. Eu estava na sala de jantar quando vi Elsie correndo para sair. Entrei em pânico com o primeiro pensamento que ela estava fugindo, então vi você em sua casa da piscina. Vi você deixá-la entrar. Meu rosto estava em chamas quando Lexi falou, balançando meu sobrinho nos braços. Eu não disse nada, mas claramente não precisava. – Você gosta dela. Muito –, declarou Lexi. Incapaz de mentir para a esposa do meu irmão, eu balancei a cabeça. Lexi se aproximou. –Você está a levando para sair amanhã?


– Sim. Lexi balançou a cabeça, em seguida, passou a caminhar de volta até as escadas. Antes que fizesse, ela se virou, e parecia que queria dizer alguma coisa, mas conteve-se. Necessitando saber o que era, perguntei, – O que? Lexi olhou na direção das escadas, no sentido que Elsie foi, e ela disse: – Eu acho que ela já passou por mais do que podemos compreender, Lev. Eu tentei falar com ela todos os dias, mas ela evita conversa completamente. – Lexi suspirou e acrescentou: – Acho que ela está realmente quebrada por dentro. Severamente. Eu acho que há algo escuro em seu passado que a assombra. Meu coração doía, e assim que me virei para voltar para o meu quarto, sussurrei, – Então nós somos iguais. Isso é o que a torna tão especial para mim.

– Lev... – Eu ouvi Lexi falar baixinho, mas eu estava fora da porta e para a casa da piscina antes que ela pudesse reagir. Minha mente correu com o que Lexi disse, mas não era qualquer coisa que eu já não tinha visto. Elsie não falou, ela era muito tímida. Ela tinha perdido sua mãe, como eu perdi a minha. E eu podia ver que ela estava sozinha, assim como eu. Tirando meu casaco, caminhei para a mesa para limpar as canecas, quando vi um pedaço de papel deitado no topo. Eu me perguntava o que era. De repente reconheci a letra de Elsie. Movendo-me em volta da mesa, sentei na cadeira. O papel estava dobrado em dois, o meu nome escrito na parte superior.


Meu batimento cardíaco acelerou quando abri o papel. No começo eu estava confuso com a coluna centralizada de palavras, então meu coração explodiu longe quando li um poema que Elsie tinha escrito:

Sozinha e perdida, apareceu este santo, Com lindos olhos cinzentos, que a escuridão não pode manchar. Ele roubou o frio, a estrondosa tempestade, Amável e gentil, ele levou seus danos. Com medo de escuro, ele criou a sua luz; Um pote de ouro, perseguindo os demônios da noite. Contando histórias de amor, que ele trouxe para sua vida, Um momento ao seu lado: sem dor, sem conflitos. Ele presenteou seus poemas, um gesto de capricho, Com cada palavra lida, ela só podia ver ele. Ela contava os dias até que ele voltasse para casa, O menino com a sua luz, a menina não está sozinha. Invisível a todos, uma sombra vagando no escuro, Ele trouxe de volta a sua fé, com seu gentil coração puro.

Eu amo a poesia, Levi. Obrigada pelo livro. Elsie x

Eu li o poema três vezes. Eu absorvi cada palavra, cada pensamento de seu coração. Sentado na cadeira, passei a mão pelo meu rosto. Então, olhei para o relógio na parede, contando as horas até o nosso encontro.


Oito horas. Vinte e quatro minutos. Doze segundos. Tortura fodida até que eu pudesse vê-la novamente... e talvez segurar sua mão.

Eu bati na porta do quarto de Elsie, e esperei que ela respondesse. Eu tive cerca de duas horas de sono na hora que finalmente fechei meus olhos, mas não me importava. Eu não teria trocado o tempo gasto lendo e relendo seu poema por tudo o que eu tinha. Com cada palavra lida, ela só podia ver ele... Ela contava os dias até que ele voltasse para casa... Estas linhas, estas duas linhas tinha feito minha cabeça girar. Eu ia colocar o poema na minha gaveta, mantendo-o seguro - nunca iria jogá-lo fora. A porta de Elsie se abriu de repente. Eu abri minha boca para dizer "Olá", mas minha voz foi perdida no minuto que a menina silenciosa estava enquadrada na porta. Meus olhos caíram sobre a forma como ela parecia, e eu fiquei de boca aberta: de calça jeans skinny, uma camiseta branca com um suéter rosa bonito que abraçava sua cintura fina. Ela usava botas de couro preto em seus pés, e tinha uma jaqueta preta acolchoada em suas mãos. Mas foi seu cabelo que tinha me chamado mais atenção, ou melhor, como ela usava-o. Seu cabelo estava em volta em uma trança francesa, pequenos brincos de prata de coração


balançando em suas orelhas. Ela era linda, mas ela parecia ainda mais bonita, porque todo o seu cabelo estava fora de seu rosto. Seu rosto bonito foi revelado para mim para saborear, não mais escondido atrás da cortina de fios loiros que normalmente a escondia do mundo, ocultando sua timidez. Então meu coração inchou quando pensei que eu poderia ser a razão pela qual ela não estava mais escondida. Que eu poderia ser o único que a tinha ajudado a dar um passo para fora da escuridão. Invisível a todos, uma sombra vagando no escuro... Ele trouxe de volta a sua fé, com seu gentil coração puro... Como essas linhas jogando na minha cabeça, percebi que estava aqui de pé olhando em silêncio. Elsie estava imóvel enquanto me observava vê-la. Pisando para a frente, eu corajosamente corri o dedo por sua bochecha macia. Um rubor floresceu em seu rosto, e eu sussurrei, – Você é muito bonita, Elsie. Os olhos de Elsie alargaram; Eu a tinha chocado com as minhas palavras. Eu lutei contra o meu instinto de remover a minha mão e mergulhar minha cabeça. Mas depois do que ela me deu, após o poema que tinha escrito para mim, eu mantive minha cabeça erguida e mostrei convicção na minha expressão. Eu poderia estar tremendo de nervosismo em meu interior, mas essa menina merecia ouvir o quão bonita realmente ela era. Elsie olhou para baixo para suas roupas, e encontrando meus olhos novamente, ela falou sem som, – Lexi. Eu balancei a cabeça em compreensão. – Lexi comprou para você. Elsie balançou a cabeça e apertou a mão sobre o coração, ela estava agradecida.


Corajosamente pegando sua mão, eu a apertei na minha, radiante por dentro quando Elsie sorriu o maior dos sorrisos com nosso toque. – Você está pronta? – Eu perguntei, minha voz rouca em seu som. Ela assentiu com a cabeça. Eu podia ver a emoção em seu rosto, uma emoção que já estava correndo através de mim. Levando-a a descer as escadas e no hall de entrada, rapidamente soltei a mão dela. – Você vai precisar daquela jaqueta, está muito frio lá fora. Elsie vestiu a jaqueta, mas antes que ela a fechasse, eu peguei o zíper subindo, envolvendo-a. Ouvi sua inspiração rápida enquanto meus dedos passavam sobre seu peito, mas ignorei e recuei, retomando a sua mão na minha.

– Vamos –, eu disse e levei Elsie ao meu Jeep. Nada foi dito enquanto fizemos o nosso caminho para a cidade, mas esse silêncio não era desconfortável. O único desconforto que sentia veio de não saber como dizer a ela que eu amei o poema, de quanto suas palavras significavam para mim. Ninguém nunca tinha feito nada parecido para mim em palavras antes, dado como um presente. O rádio tocava country assim que chegamos perto de Pike Place. Quando Amos Lee cantava "Black River", Elsie olhou para fora da janela, ela olhava para tudo, tentando os absorver dentro. Estacionando o carro, saí, andando em volta para o seu lado para ajudála. O vento soprava em torno de nós, então peguei a mão dela agora com luvas e segurei-a na minha. – Original Starbucks –, eu anunciei, então a levei até a Pike Place Market, o cheiro de peixe e ar salgado imediatamente nos rodeou.


Descemos a rua, os turistas já enchendo a estrada, então nós chegamos a nossa primeira parada. Eu apontei para o pequeno café, os aromas enchendo nossas narinas com o café quente. – A loja original, – eu disse, e apontei para o grande sinal acima. Elsie sorriu para mim e eu perguntei: – Você quer um café? Meio que acho que devemos ver como é, já que nós estamos aqui. Ela assentiu com a cabeça e se juntou à fila de dentro. Eu pedi-lhe um café com creme e sem açúcar. Nós caminhamos enquanto bebemos nosso café. Nós andamos de mãos dadas até chegarmos a uma doca. Eu podia ver Elsie olhar ao nosso redor, até que ela olhou para mim com uma sobrancelha franzida. Quase como sugestão, um barco soou a buzina e começou a se aproximar de nós. A mão de Elsie apertou a minha e eu declarei:

– Que melhor maneira de ver Seattle do que de barco. – Elsie engoliu em seco quando o barco se aproximou. – Você já esteve em um barco? – Elsie balançou a cabeça. – Você vai gostar –, eu disse, e pedi a Deus que eu não estivesse atrapalhando nosso encontro. O primeiro encontro, que nós dois já tivemos.


ELSIE

Parecia um sonho. Cada parte deste dia parecia um sonho. O barco, a sua mão na minha, e tudo por causa de Levi. Horas e horas se passaram e Levi e eu caminhamos ao redor da cidade. Nós comemos sopa sentados em um banco com vista para o rio, e agora estávamos no topo da Space Needle, que dava vista para a grande cidade de Seattle. Levi estava atrás de mim enquanto eu observava a vista panorâmica. Minhas mãos estavam sobre o trilho de segurança e Levi me sombreando, seus braços musculosos em ambos os lados do trilho e seu peito pressionando contra minhas costas. Cada parte do meu corpo sentia vivo com ele tão perto, seu hálito quente soprando em meu ouvido. E todo o dia ele me tratou como se eu fosse preciosa para ele. Certificando-se de que eu estava bem, não me esperando para dizer qualquer coisa em resposta. Todo mundo sempre queria que eu falasse. Eles sempre ficavam frustrados com as minhas notas, o meu medo paralisando minha expressão. Mas este rapaz não tinha feito isso.


Eu tinha visto as meninas olhando para ele enquanto nós caminhamos, meninas bonitas com confiança em seus sorrisos. Mas ele parecia não notá-las. Se ele fez, não deu nenhuma atenção. Mas ele fez comigo. Ele me regou com atenção. Atenção que eu tinha certeza que não merecia. A mão forte de Levi, de repente pousou no meu braço, puxando-me de volta para o aqui e agora. Eu senti sua respiração em minha orelha direita antes de ouvir sua voz suave. – Olhe para longe, Elsie. Você vê a montanha? Incidindo sobre o que estava na minha frente, engasguei quando, ao longe, o pico de uma montanha atravessava as nuvens brancas. A visão de sua beleza me fez perder a respiração. Com Levi imediatamente atrás de mim, meu coração pulou uma batida, e borboletas mergulharam no meu estômago.

– É a montanha Rainier, Elsie. Enquanto olhava para a montanha, cheia de felicidade; tanta felicidade que, por um momento, ela entorpeceu quando pensei sobre a minha vida. Isso não acontecia comigo. Minha vida não tem essas coisas. Eu não tenho essas roupas e eu certamente não tenho essas experiências. Meus dias não eram assim. Esta não era eu. Por um momento, os pensamentos negativos tomaram conta de mim, tanto que minhas mãos escorregaram fora do trilho e eu me contorci livre da proteção de Levi. Eu segurei meu peito, sentindo como se podia sentir o braço de minha mãe me abraçando perto, seus olhos tristes me dizendo que ninguém jamais iria nos entender, que estaremos sempre sozinhas. Annabelle me dizendo que ninguém jamais iria me querer, que na hora que eu abrisse a boca e falasse, eles me veriam como a retardada que eu era.


Eu não conseguia respirar. Empurrando as pessoas inundando o convés do Needle, apontei para o elevador, desesperada para voltar ao nível da rua. – Elsie! – Eu ouvi Levi chamando meu nome, mas eu tinha que ir embora... Eu precisava de uma pausa de tudo isso. Alcançando o elevador, eu estava na parte de trás da fila esperando para embarcar. O elevador chegou em poucos segundos e eu entrei no interior, assim que a mão de Levi pousou no meu braço. Eu queria gritar para dizer-lhe para me soltar. Mas quanto mais me empurrei para o fundo do elevador, ele me envolveu em seus braços. Eu ouvi as pessoas em nossa volta, mas Levi me abraçou forte, até que meus braços estavam em volta de sua cintura. O elevador começou a descer. Segurei nele como se fosse a minha tábua de salvação. Ouvindo a porta ser aberta, eu o deixei me levar para fora. Eu o deixei me levar para longe, até que seus braços pesados soltaram e eu levantei minha cabeça para sentir o vento. Eu respirei, respirei e respirei, até que meu coração acelerado começou a desacelerar. Uma das mãos de Levi ficou nas minhas costas, e eu me virei, registrando preocupação em seu rosto. A cabeça inclinada para o lado e ele perguntou: – Elsie, você está bem? Eu balancei a cabeça, lutando contra as lágrimas picando nos meus olhos. Eu olhei para a multidão de pessoas à distância e estendi a mão para segurar firmemente meu medalhão. Bebê, nós não somos tão afortunados como os outros nesta vida. Não há lugar para nós. Eles vão rir; eles sempre riem...


Espremendo minhas pálpebras fechadas, respirei fundo e me encontrei puxando para o conforto do peito de Levi. – Você quer ir para casa? –, Perguntou ele, com uma voz tão suave como uma pluma. Eu inalei seu cheiro quente e balancei a cabeça. Eu não quero voltar para a mansão onde ele morava. Eu... eu não sabia onde queria estar, onde queria ir. Levi estava me observando, e ele colocou o dedo embaixo do meu queixo e perguntou: – Posso levá-la para mais um lugar? – Ele lançou seu olhar em volta de nós e disse: – Está ficando escuro, e há um último lugar que quero que você veja. Eu não sabia, eu não tinha certeza-

– Vai ser só nós quando chegarmos lá. Nós... podemos ficar sozinhos, longe das multidões. – A doçura de sua voz acalmou meu pânico, sua aceitação de meu comportamento significava que eu ficaria feliz em segui-lo em qualquer lugar. Apreensão rastejou sobre o rosto de Levi, e eu não poderia suportar isso. Depois de tudo o que ele tinha feito para mim, eu queria ver nada além de felicidade no rosto. Descendo, peguei a mão dele na minha e balancei a cabeça. Levi exalou um longo suspiro de alívio. Curvando-se, ele pressionou sua testa contra a minha. Por um momento pensei que ele ia me beijar. Eu queria que ele me beijasse. Mas ele não fez, simplesmente disse: – Está tudo bem. A tensão no meu peito cresceu em um instante. Três palavras, três palavras simples do cotidiano me salvou de pensamentos escuros; ditas pelo garoto mais doce que já conheci.


Em silêncio, Levi pegou minha mão e me levou para o monotrilho que nos varreu de volta para a cidade. Com cada minuto que se passou o dia desapareceu. Eu mantive a pressão apertada em Levi, até que novamente fomos em direção ao mar. De repente, uma enorme roda-gigante veio à vista, e eu permiti a emoção passar através de minhas veias. Eu nunca estive em uma antes, embora eu as tinha visto, invejando as crianças cujos pais levavam para a feira. Apertando a minha mão, Levi me levou para a frente da fila depois que ele pagou. O homem que trabalhava na roda nos levou a uma cabine e fechou a porta para nós. Levi sentou ao meu lado e colocou seus dedos nos meus. Olhei para fora do vidro e a roda gigante começou a se mover. Meu estômago virou quando começamos a subir. Eu estava hipnotizada pela floresta de luzes coloridas, gradualmente se tornando intimidada pela cena que se desenrolava quanto mais alto íamos. Senti Levi deslocando em seu assento ao meu lado. Eu lancei um olhar sutil em sua direção. Quando fiz, ele estava olhando para o lado oposto da cabine. Seu joelho estava saltando para cima e para baixo. Sua mão livre estava batendo em sua coxa. Eu já tinha visto muitos lados de Levi desde que o tinha encontrado - envergonhado, tímido, gentil e suave, mas agora ele estava frustrado, um lado dele que era novo para mim. Afastei-me, preocupada com o que eu tinha feito de errado, quando Levi de repente caiu de joelhos diante de mim, me assustando. Seu rosto tinha uma expressão séria, mas eu podia ver seus nervos borbulhando por baixo. Isso me assustou mais do que nunca. Ele parecia perturbado. Ele parecia derrotado e conturbado.


Eu odiava vê-lo desta forma. Levantando minha mão, a pressionei em sua bochecha. Levi nunca parecia fazer a barba, sua pele era bronzeada. Assim que minha mão tocou sua pele, ele ainda mantinha de os olhos fechados, mas acariciou minha mão. Me deixou sem fôlego ao vê-lo desta forma. Quando sua mão estendeu ele a colocou sobre a minha, meu coração parecia quebrar ao meio. Eu cheguei para a frente. Seus olhos se abriram, queimando nos meus. Antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa para acalmá-lo, ele disse entrecortadamente: – Eu estou com medo de ficar sozinho. – Eu congelei quando essas palavras deixaram seus lábios. – Eu estou com medo de não deixar ninguém entrar, porque cada vez que faço, eles parecem me deixar ou aparecem para me deixar para baixo. – Ele engoliu em seco, enquanto ele murmurou, – Eu luto todos os dias tentando ser normal, que é o meu maior desejo, ser capaz de falar com as pessoas com facilidade, mas estou cansado. Eu tinha desistido de pensar que alguém lá fora, era como eu, que eu poderia conversar sem medo... até que conheci você. – Fiz uma pausa para respirar, então verdadeiro pânico tomou conta quando ele revelou: – Agora, meu maior desejo é ouvir você falar. Para dizer qualquer coisa. O pedido de Levi fez com que o sangue escorresse do meu rosto. A cabine parou, balançando ao vento, e eu mexi no meu assento. Eu queria sair. Eu precisava sair, mas estava presa. Desesperada por espaço, tentei voltar ao meu lugar, mas Levi segurou firme, recusando-se a me soltar.

– Eu entendo –, ele sussurrou baixinho. Dor cortou meu coração com a tristeza em sua voz. Ele ficou desapontado. Concentrei-me em respirar quando ele disse: – Eu não iria nunca julgá-la. Eu só quero que você saiba que se um


dia quiser dizer algo, eu estaria pronto para ouvir. Eu estou esperando para ouvir. Eu... Eu te contei os meus maiores medos, porque acho que esses são os seus. Eu queria que você soubesse que não está sozinha, que tenho medos paralisantes também. – Eu balancei a cabeça, puro pânico mantendo-me congelada. Levi se aproximou. Removendo minha mão de seu rosto, ele segurou-a contra o peito. Sobre o coração.

– Eu não sei por que você não fala, você pode não querer falar. Mas eu gosto de você, Elsie. Eu mais do que gosto de você. Você é a única garota que já fui capaz de conversar. – Ele respirou fundo. – E eu gostaria de conhecer mais de você. – Ele balançou a cabeça, seu olhar amolecendo apenas com meu toque. – Eu li suas palavras no papel, Elsie. E o seu poema me matou. – Ele fez uma pausa. Eu vi seu belo rosto corar enquanto procurava palavras para dizer. Sua mão livre passou por seu cabelo, e seu coração disparou sob a minha mão.

– Eu adoraria ouvir algumas palavras de seus lábios também. – Eu odiava vêlo tão rasgado. Eu odiava vê-lo tão chateado, lutando por desnudar sua alma, para me explicar porque ele queria me ouvir falar. Esconda a sua voz, bebê. Proteja o seu coração... As palavras da minha mãe circularam na minha cabeça, me provocando e roubando a minha voz. Ela tinha me avisado toda a minha vida que as pessoas zombariam de mim. Ela me avisou que iriam rir, que eu seria sempre mal interpretada. E ela estava certa. Insuportavelmente certa. Os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantaram e as cicatrizes em meus pulsos coçaram como se estavam acordadas por meus pensamentos


escuros. Se eu quisesse ou não, as memórias dolorosas inundaram minha cabeça e eu apertei meus olhos fechados. O fantasma vicioso de Annabelle tomou as rédeas... Insinuando-se na sala, orei que ela estivesse dormindo. As luzes estavam apagadas quando escapei para a minha cama, mas antes de chegar a ela, uma mão dura me empurrou contra a parede. Eu gritei silenciosamente enquanto minhas costas bateram na parede, e os olhos apertados de Annabelle perfuraram os meus.

– Então você fala? –, Ela disse sarcasticamente e eu fechei os olhos para escapar da amargura em seu olhar. Eu não respondi, muito envergonhada que ela me ouviu, me ouviu falar quando eu fui a líder da casa no jantar. Falei na frente de todas as meninas na casa, as meninas que tinham me machucado por semanas e semanas. Os dedos de Annabelle cortaram a pele dos meus braços até que meus olhos abriram-se e ela sorriu. Olhei para seu sorriso cruel e senti todo o sangue escorrer do meu rosto. – Pelo menos sei por que você escolhe escrever suas perguntas e notas, retardada, porque sua voz é patética. Eu não falaria tanto se soasse como você. Se minha voz soasse estúpida e tão embaraçosa como a sua é. Lágrimas quentes escaldaram meus olhos, ameaçando cair, mas eu empurrei-as de volta. Annabelle riu de novo, então me soltou. Prendi a respiração quando ela voltou para sua cama. Eu fiquei contra a parede quando ela levantou o edredom sobre seu corpo e rolou em direção à parede. Fazendo minhas pernas tremendo se moverem, comecei a ir para a minha cama, quando ela disse: – Não fale em volta de mim novamente. Sua voz é como arranhar as unhas em um quadro negro. É o pior som que já ouvi.


Fique muda e silenciosa, ninguém deve ser submetido a esse fodido som desagradável. Por um minuto, eu desejei que fosse surda, quando você abriu a boca e falou, retardada. Desta vez, incapaz de mantê-las retidas, minhas lágrimas escorreram pelo meu rosto. Mas Annabelle não viu quando me arrastei para a minha cama. Rastejei até minha cama e enterrei minha cabeça em meu travesseiro. Eu deixei minha tristeza fluir para fora, porque sabia que amanhã ela começaria tudo de novo. Acabando comigo, peça por peça, palmo a palmo... Levi me tirou dessa memória, quando deixou cair sua testa na minha. No minuto em que senti seu toque, ele me ajudou a respirar, lentamente libertando minha mente dos ecos de suas provocações. Sua palma quente pressionada contra minha bochecha, o gesto me trouxe paz. Ele não tem ideia do porquê, mas esse toque era o meu coração e minha alma, a mão familiar na minha bochecha e testa pressionada com a minha. Fechando meus olhos, procurei por uma razão para não confiar em Levi, mas eu não pude encontrar nenhuma. Ele tinha me mostrado caridade e compaixão. Ele tinha me mostrado bondade e um coração puro. Mas as palavras de Annabelle estavam queimadas no meu coração, o meu medo muito profundo e muito forte para ser derrotado.

– Elsie –, ele sussurrou novamente. – Você pode falar comigo. Você pode se abrir para mim. Eu juro que você está segura comigo. Amarrando-me a qualquer pingo de coragem que eu poderia encontrar, empurrei o rosto de Levi para ficar apenas uma polegada do meu, e apontei para a minha boca. – Eu tenho medo de falar, – Eu murmurei, sabendo que ele observava cada palavra minha.


– Por quê? –, Perguntou. Mudei a minha mão para apontar ao meu ouvido, com lágrimas construindo nos meus olhos. Tocando minha orelha esquerda, o ouvido que não podiam ouvir nenhum som, eu fiz com a boca, – eu faço um som, – Fiz uma pausa, certificando-se de que ele podia ver, – diferente –, eu apontei para o seu peito, – de você. O rosto de Levi parecia confuso, quando ele leu meus lábios, a compreensão tomou seu rosto. – Eu não me importo –, respondeu ele, nada mas que honestidade na voz. Seu entendimento, sua compreensão completa fez as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Todo mundo se importava. Eles se importaram quando a minha mãe falou, e eles riram na cara dela. E Annabelle, e essas outras meninas, elas se importaram muito.

– Elsie, por favor –, Levi empurrou de novo, – apenas diga meu nome... apenas diga, qualquer coisa para mim. O silêncio encheu a cabine, as luzes da cidade abaixo piscando onde nos reunimos. Meus olhos caíram para baixo, para esconder o que ele poderia dizer, mas me forcei a abrir minha boca, e deixei seu nome passar calmamente em meus lábios. – Levi. Ele congelou quando o som da minha voz estranha encheu nosso pequeno espaço. Vergonha e embaraço completamente me levou em seu aperto. É o pior som que já ouvi. Fique muda e silenciosa, ninguém deve ser submetido a esse fodido som desagradável... Eu apertei meus olhos fechados quando ouvi aquela voz rancorosa novamente. Eu tentei me afastar, mas Levi


me segurou firme. Ele não me soltou. Meus olhos se abriram, pedindo-lhe para me dar mais espaço, mas tudo o que vi foram seus cinzentos olhos brilhantes... e um rosto bonito, cheio de orgulho.... Orgulho de mim? Ele estava orgulhoso de mim...? Eu não entendi.

– Elsie –, ele sussurrou, um timbre profundo quebrando a sua voz. – Você disse o meu nome. Eu tentei olhar para longe, para escapar da emoção em seus olhos, mas a mão no meu rosto me puxou de volta, me forçando a ficar exatamente onde estávamos. Abaixei minha cabeça, muito envergonhada com o que ele pensaria de como soou. O som da minha voz, que eu tinha escondido por tanto tempo.

– O que há de errado? –, Perguntou. Eu balancei minha cabeça. Ele não deixou passar, e levantou meu rosto. – O quê? –, Ele repetiu, procurando no meu rosto por uma resposta. Minha mão percorreu minha garganta, e eu murmurei, – Eu estou envergonhada. – Eu lambi meus lábios, provando o sal das lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto. Eu respirei fundo, e terminei, – De como o som é feio. É horrível. Eu observava o rosto de Levi pálido. De repente, a roda-gigante se virou novamente, trazendo-nos ao ponto mais alto do passeio. As mãos de Levi ambas pressionadas no meu rosto, meus olhos caíram de volta aos seus. Estendendo a mão, agarrei seus pulsos enquanto sua língua corria ao redor de seus lábios. Eu assisti este garoto tímido. Eu vi seu olhar em meus lábios, um rubor vermelho crescendo rapidamente em suas bochechas. O ar ao


nosso redor parecia crepitar com a tensão. Arrepios nervosos dançaram pela minha espinha.

– Eu quero –, Levi respirou, – Eu quero te beijar –, ele sussurrou, mal fazendo um som. – Muito mesmo. Fiquei chocada e em silêncio. O hálito quente de Levi flutuava sobre meu rosto, e eu consegui perguntar: – Por quê? Levi empurrou para perto de mim, sua respiração entrecortada. – Porque você é você –, respondeu ele, e eu senti meu coração bloqueado começar a desintegrar-se. – Porque você é você –, ele repetiu novamente. As mãos de Levi afrouxou o toque, quando ele timidamente confessou: – Elsie. Eu nunca beijei ninguém antes. Eu fiz uma careta, achando impossível que alguém que se parecia com ele, que tinha tudo, nunca tinha beijado uma garota. Que ele queria me beijar depois que ele me ouviu. Eu não entendia por que ele não estava revoltado com o meu som, por que ele não estava concordando que eu deveria ficar em silêncio.

– Você já beijou alguém, Elsie? Vendo que ele estava focado em meus lábios, eu disse sem fazer som: – Não O polegar de Levi correu para trás, na minha bochecha, e ele pediu, – fale, Elsie. Não se contenha de novo. Eu balancei a cabeça, pronta para argumentar contra o uso de minha voz, quando ele disse: – Você não parece diferente, ou ruim. Eu não sei porque


você odeia sua voz. Porque você soa perfeita para mim. Sua voz, é tão doce e... só você. Eu congelei, deixando suas palavras afundarem. Eu não podia acreditar. Isso não poderia ser a verdade. Mas tudo que vi foi, honestidade, em sua expressão. Como se visse meus sentimentos de sua aceitação, Levi se inclinou e gentilmente pressionou seus lábios nos meus, era um sussurro de um beijo, tão suave e delicado como as asas de uma borboleta. Um gemido surpreso escapou dos meus lábios, e Levi puxou de volta. Seus olhos estavam fechados com força e ele respirava com dificuldade. A roda gigante fez uma parada novamente. Eu esperei, pacientemente, para o que ele faria em seguida, quando de repente ele empurrou para a frente, tomando meus lábios mais uma vez. Sua boca pressionou contra a minha, tão suave e gentil como antes. Ficamos assim, imóvel, mas timidamente juntos, segundos após segundos, parecia dias. Palpitação saltou no meu peito enquanto sua mão acariciou delicadamente meu rosto, e eu suspirei levemente, tomando a minha felicidade. Nós respiramos o mesmo ar lentamente, quando nervosamente nos afastamos. Levi timidamente encontrou meus olhos para afirmar: – Eu adorei ouvir a sua voz. – Eu acalmei. – É linda... como você. Tão bonito como seu lindo rosto perfeito. Você não tem nada para se envergonhar. Sentindo-me corajosa, ouvindo a sinceridade em suas palavras, ouvindo a aceitação da minha voz que eu queria ouvir durante toda a minha vida, eu calmamente respondi: – Obrigada –, assim que a roda gigante começou a nos levar para baixo.


Levi voltou a sentar ao meu lado, só que desta vez o pesado braço musculoso estava sobre meus ombros e ele me puxou para o seu lado. Meu pequeno corpo se encaixou perfeitamente ao seu lado, como se fôssemos peças quebradas sendo colocadas de volta juntas perfeitamente. Querendo tocá-lo também, coloquei meu braço em volta da sua cintura, sorrindo para mim mesma quando ouvi sua respiração engatar com o meu toque bem-vindo. Eu olhei para fora da cabine de vidro para a cidade além. Eu senti como se estivesse no céu; segura, alimentada e quente, com o rapaz mais amável, mais doce que aceitou o meu maior defeito. Eu tive que piscar de volta as lágrimas em meus olhos quando senti Levi escovar um beijo no topo da minha cabeça, em seguida, mover-se para beijar a ponta da minha orelha esquerda. A orelha que tinha sido irrecuperável. O ouvido que era completamente surdo. O único que me causou tanto sofrimento. Virando minha cabeça para que ele pudesse ver meu rosto, Levi sorriu seu sorriso tímido lindo, e doce, para sempre sendo gravado no meu cérebro, e trouxe seus lábios nos meus para um beijo leve como uma pena. Suspirando, ele disse: – Eu também adoro beijar você, Elsie. Tanto quanto amo ouvir a sua voz. Ele esperou, apenas esperou, e eu sabia que era para eu responder. Lutando contra a insegurança esmagadora que tinha vivido durante toda a minha vida, eu respondi, – Eu adoro beijar você também. Eu estremeci, o som da minha voz monótona e pouco mais aguda do que a maioria das pessoas. Mas o dedo de Levi alisou as linhas na minha testa e seu sorriso iluminou meu mundo.


– Eu te amo –, ele começou, – Eu amo que você guardou sua voz para mim, que deu sua voz para mim. Por um momento preocupante eu ainda não podia acreditar que ele estava dizendo a verdade ou não. Mas lá estava ele, em seus olhos. Ele quis dizer cada palavra. Foi um presente. Era a liberdade. Ele tinha me dado de volta a minha voz.

– Sem mais silêncio –, disse Levi, e me puxou para perto. Senti-o mexer, de modo que sua boca estava mais perto da minha orelha direita, a orelha da qual eu podia ouvir. – Não comigo, Elsie. Sem mais silêncio comigo. Mesmo que seja só comigo. Levi mudou de posição no assento, me guiando gentilmente a sentar-me mais próximo. A cabine de repente parou, e o operador da roda abriu a porta para nós sairmos. Sem tirar o braço ao redor dos meus ombros, Levi me guiou para fora da cabine e começamos a caminhar de volta para o carro. Envolvi meu braço em volta de sua cintura. Eu não poderia me segurar, mas sentia-me segura sob sua proteção. Quando estávamos longe o suficiente da roda gigante, longe de qualquer um que nos cercava, Levi perguntou: – Você gostou da roda gigante, Elsie? Olhei para cima e balancei a cabeça, apenas para Levi esperar pacientemente. Sabia que queria que eu falasse. Ele pode ser muito tranquilo, mas parte dele era inabalável, mostrando que ele não era todo timidez, depois de tudo. – Eu adorei, – eu disse calmamente, e Levi orgulhosamente me jogou um sorriso.


Calor estourou no meu peito, meu corpo mais leve agora que minha voz presa havia sido libertada. O braço de Levi caiu de meu ombro e ele pegou minha mão na sua. Eu fiz uma careta, perguntando por que ele me soltou, quando ele explicou: – Eu quero ver seu rosto enquanto falamos. Eu respirei o ar do mar salgado, e olhei para fora sobre a água. Meus dedos, juntaram-se com os de Levi, apertados, e lancei lhe um sorriso. Levi abaixou a cabeça e disse: – Você é muito bonita. Eu balancei minha cabeça. Eu não era, ele era, mas eu adorava ouvir tal sentimento soando de seus lábios. Ignorando um aperto no meu estômago, eu disse: – A vista da roda gigante –, fiz uma pausa enquanto lutava contra o desejo de ficar em silêncio, – era bonita. Levi suspirou e acenou com a cabeça. Nós não estávamos muito longe do carro quando Levi perguntou: – Qual é a sua visão favorita, Elsie? Qual é a coisa mais linda que você já viu? A felicidade que eu estava sentindo fugiu, apenas para ser substituída por uma profunda tristeza. Levi deve ter notado a chave dramática porque ele questionou: – O quê? O que está errado? Fiquei olhando para o chão, em seguida, sabendo que queria compartilhar um pouco mais de quem eu era, me abrir para esse menino, parei sob a luz de um poste de luz. Eu podia ver a careta e a confusão no rosto de Levi, mas queria fazer isso. Eu nunca tinha contado a ninguém quem eu era, o que minha vida era. Eu nunca disse a ninguém, mostrado a ninguém... ela. Soltando a mão de Levi, que permaneceu silencioso como uma estátua, tirei minhas luvas, empurrando o material quente em meu bolso. O vento


soprou mais frio perto da água, mas lutei contra o frio para chegar em minha camiseta e puxei para fora o meu medalhão. Eu vi a atenção de Levi quando desceu para o colar, e sua careta mudou para uma expressão de curiosidade.

– Seu medalhão? –, Perguntou. – Você acha o seu medalhão mais bonito?

– Sim –, eu respondi, então continuei, – e não. A careta apareceu novamente no belo rosto de Levi, quando levantei meus dedos para abrir o pequeno fecho. Levi observava cada movimento meu. Dei um passo mais para a luz da rua, abrindo o medalhão para revelar o que eu guardava. Levi se aproximou, seus olhos se estreitaram enquanto ele estudava a imagem pequena. Eu sabia que ele iria entender quando visse o tesouro dentro: um retrato de minha mãe, jovem e sorridente. Bela; a coisa mais linda no meu mundo.

– Elsie –, Levi sussurrou, e colocou o dedo sob o meu para levantar o medalhão mais perto. Ele estudou a imagem pelo que parecia uma década, antes que ele adivinhasse corretamente, – Sua mãe?

– Sim –, eu respondi, e cobri a mão de Levi com a minha própria. Seus olhos caíram para os meus, e eu podia ver a compreensão brilhando de volta. Eu podia ver o mesmo entendimento de perda em seu olhar, que eu sabia que estava por mim mesma, sozinha.

– Ela era bonita –, disse ele, minha garganta dando um nó com o fato de que alguém estava dando a minha mãe um elogio. Ninguém nunca tinha feito isso. Ela foi julgada toda a sua vida, e até o dia em que morreu. Mas ela era minha mãe. Eu a amava mais que qualquer coisa no mundo.


Eu não tinha percebido que estava chorando até que Levi se aproximou, e passou o polegar sobre meu rosto capturando a gota caindo. Eu pensei que ele iria falar. Eu estava esperando que ele me perguntasse como ela havia morrido. Perguntar-me o que aconteceu -uma coisa que eu não podia revelar. A dor era demais. Em vez disso, sua mão desceu, e tão suave quanto um sussurro, ele fechou o medalhão, levantando minha mão para pressionar um beijo na parte de trás dos meus dedos. Tentei não cair na rua onde qualquer um podia ver. Mas o silêncio de Levi, seu gesto de que ele estava aqui para mim, não me empurrando para falar do que eu não podia, significava que eu não poderia conter minha emoção nem se tentasse. Levi me puxou para o seu peito e envolveu seus braços fortes e musculosos em torno de mim. Eu caí contra o peito dele, e chorei. Eu tinha aberto a caixa de Pandora que guardava minhas lágrimas e dor. A respiração de Levi era irregular no meu ouvido, tanto assim que eu quase podia sentir a dor de sua perda. Ele me segurou nesse local por minutos e minutos. Ele me segurou até que a última lágrima caiu, até que a minha garganta e nó no peito estavam em carne viva. Deslizando minha mão para cima para pressionar em seu peito, eu recuei e balancei a cabeça. Levi segurou meu rosto em resposta, inclinando-se para pressionar o beijo mais doce nos meus lábios. Eu lancei um sorriso fraco, Levi pegou minha mão. Enquanto caminhávamos, o ar frio encheu meus pulmões, derretendo a minha tristeza. Mas Levi estava tranquilo. Muito quieto. Eu tinha entendido que a caminhada em silêncio, para nós dois, era confortável. Nós não precisamos de palavras. Nós não precisamos preencher o ar entre nós com uma


conversa sem sentido. Eu poderia andar ao lado dele durante todo o dia, sua mão na minha ou seu braço em volta do meu ombro me puxando para perto, e eu seria a garota mais feliz do mundo. Mas desta vez parecia diferente. Este silêncio era tenso. A mão de Levi estava tensa e dura, uma tensão espessa com tristeza? Emoção? Eu não conseguia dizer. Eu me perguntei se o havia perturbado, mostrando-lhe a foto da minha mãe. Eu me perguntava se ver a foto de minha mãe, trouxe de volta muitas memórias ruins para ele. Mas não me atrevi a perguntar, não depois de tudo o que ele tinha feito para mim hoje, não depois de nossos beijos doces. Eu não quero que ele fique chateado. Eu não queria terminar o dia com ele ferido. Chegando ao Jeep, afivelei o cinto e me sentei em silêncio, à espera de Levi para nos levar para casa. Mas ele ainda estava sentado no lado do motorista, olhando para o volante. Eu podia ver que seus olhos estavam desfocados. Eu podia ver que ele estava pensando, um lado de seu lábio inferior estava puxado para dentro de sua boca. Eu me virei para olhar para fora da janela. A lua crescente brilhava no céu. A lua de prata me fez pensar nos olhos de Levi; o cinza bonito como prata líquida, como raio de luar colocados ali por Deus para fazê-lo sobressair.

– Eu quero te mostrar uma coisa, Elsie, – ele murmurou abruptamente. – Ok –, eu respondi, quando peguei o peso em sua voz. Borboletas voaram no meu peito, só por nervosismo neste momento. Porque tudo o que ele estava prestes a mostrar-me não era nada de luz. Fosse o que fosse, o cortava por dentro. Bateu seu espírito manso. Meu estômago revirou.


Odiando vê-lo tão perturbado, inclinei-me e coloquei minha mão sobre sua coxa. Levi respirou fundo, então inclinou a cabeça para o lado para me ver melhor. Eu o vi expirar, em seguida, ele colocou o carro em marcha e nos levou para fora. Eu não tinha ideia de onde estávamos indo, mas a coxa de Levi continuou tensa quando passávamos pelas ruas movimentadas, nuvens escuras se movendo em cima de nós. Eu sabia que onde quer que fosse, tudo o que ele queria era me mostrar algo, era por isso que ele estava tão fechado. Eu só rezei para que pudesse estar lá para ele da mesma forma que ele esteve lá para mim. Eu queria retribuir a gentileza. Eu queria devolver sua força. Eu queria sua confiança. Assim como ele tinha a minha.


LEVI

Nunca falei sobre isso. Eu nunca disse a ninguém aqui, em Seattle, sobre o meu passado. Eu nunca disse a ninguém, nem mesmo os meus irmãos, que eu fiz isso. Que vim aqui. Axel nem sabia que eu tinha copiado as chaves. Mas eu estava levando Elsie. Eu estava mostrando a Elsie. Compartilhando o meu segredo com ela, como o dela, que ela tinha compartilhado comigo. Eu não estava em negação sobre a gravidade do que isso significava. Quando ela me mostrou o medalhão. Quando ela me mostrou a mãe dela e eu vi a dor em seus olhos, eu queria que ela soubesse que não estava sozinha. Ela esteve sempre sozinha. Minha garota silenciosa, sozinha com seus pensamentos. Nenhuma voz para compartilhar sua dor, nenhuma pessoa para lhe dizer que estava tudo bem quando ela ficasse triste. Eu repassei sua voz suave na minha cabeça, sua pequena voz impressionante, um pouco mais aguda do que normalmente seria de uma pessoa com audição, o tom um pouco menos expressivo, mas não mal assim. E


eu repassava como ela parecia envergonhada, envergonhada quando ela falou, como se eu fosse achá-la menos atraente por causa de como sua voz soava. Como se eu fosse fazê-la se calar. Impossível. Meu coração estilhaçou tentando pensar no que tinha acontecido em seu passado para fazê-la pensar assim, pelas pessoas zombando dela, o que tinha feito ela ser tão fechada. Então vi que o retrato de sua mamma, mas, mais do que isso, vi o que tinha custado a ela me mostrar isso. A emoção que ela não podia conter, quando vi uma versão mais velha de si mesma, sorrindo para a câmera. Eu tinha tantas perguntas, mas eu podia ver que ela estava quebrando enquanto segurava o medalhão em suas pequenas mãos trêmulas. Quando ela chorou no meu peito, eu sabia que ia trazê-la aqui também. Eu não sei por que, mas quando Elsie chorou em meus braços, eu podia ver os olhos de minha mãe na minha mente. Ela teria dado uma olhada em Elsie, tão quebrada, e dado a ela uma casa. Minha mãe teria segurado Elsie apertado, teria mantido-a segura. Quando pensei nisso, eu tinha um lugar que precisava que Elsie visse. Ela foi a primeira pessoa que alguma vez me fez querer compartilhar isto, tanto a beleza quando o medo. Apenas algumas milhas do armazém, a chuva começou a tamborilar no para-brisa, caindo cada vez mais forte quanto mais próximo chegamos. Estacionando no armazém, enfiei a mão no porta-luvas do Jeep e tirei a chave. Elsie observava cada movimento meu, mas ela não fez nenhuma pergunta. Ela confiava em mim. Ao ouvir o estrondo de um trovão ao longe, eu desviei para fora do Jeep, correndo em volta do carro para abrir a porta para Elsie. A chuva estava chegando mais forte agora. Não querendo que Elsie se


molhasse enquanto ela ainda estava se sentindo um pouco doente, corremos para o armazém, rapidamente abrindo a porta e empurrando-nos para dentro. O grande armazém estava frio e escuro. Eu senti o aperto da mão de Elsie na parte de trás da minha jaqueta e imediatamente lembrei que ela odiava a escuridão. Enfiei a mão no bolso e tirei o meu celular. Apertei o ícone da lanterna e estendi-o na frente de nós, até que cheguei ao interruptor de luz. Assim que as principais luzes se acenderam, ouvi Elsie expirar em alívio, rapidamente seguido por um suspiro afiado e curto. Elsie soltou a mão nas minhas costas, e como fiquei parado, ela passou em volta de mim. Parando ao meu lado, vi quando os olhos Elsie bebeu na grande sala. A sala estava cheia com uma infinidade de estátuas cobertas, mas é claro, ela não sabia o que estava por baixo. As sobrancelhas loiras de Elsie puxaram para baixo, e quando ela olhou para mim, perguntou: – Que lugar é esse? – Qualquer trepidação que senti em revelar a estátua desapareceu, ouvindo Elsie ficar mais corajosa para falar sem eu pedir. Como se ela estivesse lendo minha mente, abaixou a cabeça e disse calmamente: – Você não me dá medo. Estas palavras iluminaram algo dentro de mim. Eu girei para ficar na frente dela, segurando seu rosto bonito, e trouxe-a aos meus lábios. Desta vez, o beijo foi mais longo, nossos lábios se juntaram mais perto. Este lugar, o que eu estava prestes a mostrar-lhe - era um segredo que mantive para mim mesmo e o peso que veio com o seu elo com o meu passado, me fez precisar dela muito mais. Elsie suspirou contra a minha boca enquanto minha mão correu lentamente para a parte de trás de sua cabeça.


Afastando, eu puxei em uma respiração afiada. Os olhos de Elsie ficaram fechados e apertados, como se ela quisesse que o momento se prolongasse. Eu observava seu rosto; sua pele lisa, seus lábios rosados

e cheios.

Momentaneamente, eu me senti atordoado.

– Eu não estou com medo... para falar com você –, sussurrou Elsie, em seguida, seus olhos se agitaram para olhar diretamente nos meus.

– Bom –, eu disse asperamente, e me forcei a voltar atrás. Eu me virei, inspirando pelo nariz. Fiquei assim por um maldito minuto, trabalhando em me acalmar. Quando eu consegui me tranquilizar, abri meus olhos. A estátua que se tornou meu farol estava diretamente na minha frente quando eu dei um passo adiante, um trovão ecoou acima e meu coração saltou. Conveniente, pensei que uma tempestade nos rolaria para dentro quando chegássemos aqui. Mostrando a Elsie o que eu havia perdido. Mostrando-lhe a razão da minha vida, que virou de cabeça para baixo e enroscou em uma pirueta, deixando um buraco permanente no meu coração. De repente, sentindo uma pequena mão tomar a minha, olhei para baixo para ver Elsie olhando para mim. – Que lugar é este? Apertei-lhe a mão e levei-a para a frente, abrindo a emoção da minha garganta primeiro. – Eu não sei o que Lexi pode ter lhe dito sobre a minha família, sobre o que meus irmãos fazem.

– Futebol –, Elsie respondeu, quando caminhou e parou em frente ao mais alto pedaço coberto de pano. Virando-se para enfrentar Elsie, eu balancei a cabeça. – Eu jogo futebol na faculdade, e, claro, Austin joga futebol para os 'Hawks'. – Eu respirei fundo,


e acrescentei: – Mas tenho um irmão mais velho também, Axel, e ele, bem, ele é um escultor. – A cabeça de Elsie moveu, conferindo o grande espaço, seus olhos tornando-se anormalmente grandes.

– Tudo isso? –, Ela perguntou, apontando a mão para as muitas estátuas. Agora ela estava falando mais, eu podia ouvir um tom ligeiramente diferente em sua voz que não tinha pego antes. Meu coração se partiu quando pensei em como ela se sentia envergonhada com isso. Agora que eu estava ouvindo mais de suas palavras, podia notar. Era perceptível. Eu podia ouvir a ligeira inflexão que a diferenciava. Mas eu acreditava que não era nada além de cativante. Esta pequena loira, minha garota, tinha sobrevivido nas ruas, sendo surda, e Deus sabe mais o quê. Mas ela sobreviveu. Como se eu tivesse sobrevivido. Elsie deu um passo para trás e ela se virou para caminhar entre os lençóis brancos. Parecia que ela estava perdida em um sonho, seu pequeno corpo enfiando seu caminho entre as imponentes esculturas de mármore. Quando ela se voltou para mim, perguntou: – Seu irmão, ele criou todos esses? Eu balancei a cabeça e me mudei para a escultura de Heighter’s Stidda o símbolo da gangue, um siciliano com uma estrela tatuada no coração. Com Elsie assistindo, puxei o lençol, o mármore impressionante ficando à vista. Elsie se aproximou, sua cabeça inclinando-se para estudar a escultura. Eu sabia que ela não iria entender esta peça, como poderia? Como diabos ela poderia saber o que nossas vidas tinham sido antes? A porcaria que eu fui


arrastado... as coisas que eu tinha feito. A turma que eu estava totalmente imerso. Elsie estendeu a mão para tocar a escultura, mas então rapidamente puxou de volta. Ela olhou para mim como se tivesse feito algo de errado, mas eu assegurei, – Está tudo bem, você pode tocá-lo. Com as pontas dos dedos, ela passou a mão sobre o coração sangrando, engolindo em seco enquanto admirava a peça. Um sentimento de orgulho encheu-me, vendo-a tão intimidada por algo que meu irmão tinha criado. Mas, ao mesmo tempo, eu estava temendo por contar a ela tudo sobre isso. Ela estava tão preocupada em falar, porque ela sentia que seria julgada duramente. Preocupei-me com o que eu tinha feito no meu passado, que poderia me pintar com alguém que eu não era. E por um minuto, perguntei se deveria dizer a ela. Ela pode ainda ser a única a fugir. Precisando ir até o fim, andei até a estátua que me cortava em dois. Eu podia ouvir o preenchimento dos pés de Elsie atrás de mim. Eu arrastei o lençol do mármore e imediatamente me virei. Eu não ouvi nada de Elsie por vários minutos. Eu não me virei para ela até que senti seus dedos gentis sobre o meu ombro. Dedos suaves que estavam me orientando para enfrentar o meu passado. Fiz o que ela queria, e imediatamente encontrei seu olhar cheio de lágrimas não derramadas. Meu coração disparou à espera de censura, para desgosto ou algo pior; em vez disso, Elsie ficou na ponta dos pés e apertou a mão no meu rosto.

– Era você, quando era uma criança? –, Ela perguntou, procurando o meu rosto, seus olhos azuis cheios de simpatia.

– Sim –, eu resmunguei.


Elsie voltou para a escultura. Era eu, quando era ainda uma criança, segurando uma arma, com Axel atrás. A mão de Elsie atropelou o rosto do menino, agora suas lágrimas descendo em cascata em sua bochecha. Algo em mim rachou. Quebrou. Despedaçou. Porque aqui estava ela, vendo o meu verdadeiro eu. Ela estava chorando por mim. Ela estava quebrando seu coração para mim. Minha respiração parou enquanto eu a assisti olhando para o meu rosto jovem de mármore. Então ela apertou a mão nas bochechas do menino e acariciou seu polegar ao longo da lágrima de sangue abaixo do olho. "Você estava tão assustado", disse ela, lendo corretamente a imagem, e retirou a mão para agarrar o seu peito. Sua voz suave quebrou e ela sussurrou: – Levi, o que você passou? Senti essa pergunta rasgar a minha alma, e eu disse uma resposta bem praticada, – Inferno. Elsie congelou, minha cabeça caiu em vergonha. Um estrondo do trovão bateu acima de nós. Apertei meus olhos fechados. É apenas os deuses romanos deixando o mundo saber que eles ainda estão aqui, eu me lembrei, perseguindo as memórias estilhaçadas que os trovões evocavam. Mas meus pecados estavam a ser postos nus, nesta sala cheia de mármore, para a única garota que fui capaz de conversar, a única pessoa que talvez, apenas talvez, pode ser capaz de me entender. Ouvi sua respiração na minha frente em primeiro lugar, então senti seus dedos enfiando nos meus. Mas eu não abri meus olhos. Eu não podia. Algo


sobre estar ali de pé, a mão no coração, entristecido pela escultura, tinha me desfeito. Isso tinha me quebrado em pedaços. Inferno, ouvi o eco da minha repetição, na voz na minha cabeça, que é o que eu tinha passado. Eu senti a boca de Elsie em meu ouvido. – Eu vi o inferno também. Desta vez, meus olhos se abriram, e Elsie colocou os braços ao redor do meu pescoço. Ela não perguntou mais nada. Ela não perguntou em quem eu havia atirado. Ela não perguntou quem era o cara mais velho, aquele que me empurrava para atirar. Ela só... me segurou, sem perguntas, sem condições. Um relâmpago iluminou o lugar, seguido pelo mais alto dos trovões. Mas eu segurei firmemente Elsie, recusando-se a deixá-la ir. Segurei-a, e, pela primeira vez, senti algo dentro de mim começar a costurar. Senti o peso do meu passado diminuir um pouco. Senti o pesadelo de estar nessa gangue, de viver esse momento, levantar um pouco, por causa desta garota em meus braços. Eu respirei o aroma de coco do cabelo de Elsie; dentro e fora, dentro e fora, até que ela gentilmente puxou para trás, suas mãos suaves escorrendo pelo meu peito. Eu podia ver que ela não tinha ideia do que dizer para mim. Mas eu tinha uma última coisa a dizer a ela, ou mostrar a ela. Segurando-lhe os pulsos, empurrei suavemente suas costas e a guiei para a escultura final, a que eu a trouxe aqui para ver. Elsie ficou em silêncio, é claro que ela estava. Mas eu sabia que desta vez era porque ela podia sentir o peso da minha dor. Ela sentiu isso, mostrando-lhe o que esta escultura significava para mim.


Soltando o meu domínio sobre um de seus pulsos, coloquei minha mão no bolso e tirei o rosário que Elsie havia tomado por engano, mas me trouxe de volta. Corri as contas de madeira através das minhas mãos e imediatamente senti a frieza do nosso velho trailer, mas também as mãos amorosas e quentes de Mamma cantando para mim em sua voz soprano perfeita, acariciando meu cabelo e me balançando para dormir. A vozinha rouca e doce de Elsie – Levi? –, me puxou de volta, e eu percebi que tinha parado, preso ao chão. Eu percebi que minhas mãos tremiam. Eu percebi que meus olhos estavam borrados de lágrimas. Olhei para o Elsie e vi a compaixão em seu rosto. Levantando minha mão, eu corri para baixo em sua bochecha suave, e disse: "Eu perguntei-lhe o que você achava que era a coisa mais bonita em seu mundo." Minha mão caiu para o medalhão em volta do seu pescoço e eu corri a ponta do meu dedo sobre o objeto delicado. Elsie engoliu e inalou uma baixa respiração dolorida. – Era a sua mãe –, eu disse. Os olhos de Elsie espremeram juntos e ela balançou a cabeça.

– Eu não sei como você perdeu a sua, Elsie, mas sei como é perder a única pessoa que é o seu mundo, tão jovem. – Eu balancei a cabeça. – Eu sei o que é sentir que um pedaço de sua alma está faltando... Eu sei como é sentir um buraco se formar em seu coração, e nunca fechar porque você não teve tempo com eles. Sendo enganado para se tornar logo como um adulto. As lágrimas de Elsie caíram por suas bochechas; Eu recuei. Para mostrar a pirotécnica luz da natureza, e sua trilha sonora do trovão, eu puxei o lençol, ouvindo Elsie suspirar atrás de mim. Eu não olhei para cima. Eu não tinha certeza se podia nesse momento.


Elsie passou por mim. Eu a vi em minha visão periférica. Ela olhou para o anjo, tudo que tinha restado de minha mãe. Eu respirei dentro e fora, esperando a força para levantar os meus olhos. Mas eu não tinha certeza se poderia fazê-lo. Eu não tinha certeza que poderia encontrar coragem. As contas do rosário cavando em minha pele com a força que os apertava. De repente, Elsie estava na minha frente. A expressão em seu rosto era uma que eu nunca tinha visto antes. A mão de Elsie caiu para a minha e ela enganchou um dedo ao redor do meu. Fiquei olhando para os dedos, e ela sussurrou: – Sua mãe era linda. Dor cortou através de mim, e eu lutei para vê-la saudável na minha cabeça. Mas as memórias não vieram. As únicas lembranças filtradas em minha mente eram as dela deitada paralisada na cama, com os olhos tristes e escuros assistindo, impotente, enquanto nossas vidas se desfaziam. Tudo o que eu lembrava era o dia em que cheguei em casa com a marca da gangue na minha bochecha esquerda - confirmando que eu tinha dado o meu primeiro tiro em um rival - e a dor que ecoou em seu olhar quebrado. Este era o olhar que repetia na minha cabeça cada noite. Isso e-

– O que aconteceu, Levi? –, Perguntou Elsie calmamente. Minha respiração ofegou, quando Elsie me soltou. Ela caminhou para o lado da escultura do anjo que mostrava minha mãe quebrada e perdida, seu corpo morrendo, o rosto devastado de dor. Mas o que mais me quebrou, foi Elsie caindo de joelhos, colocando as mãos nas de minha mãe, em suas palmas cinzas, atraídas pela força insistente de morte. A visão da garota que eu estava perdendo meu coração, ajoelhando-se diante da mulher com o coração já despedaçado, começou a me dominar. Elsie


estendeu a mão trêmula e segurou o rosto frágil de minha mãe. O lábio inferior de Elsie estremeceu, em seguida, seu olhar caiu para mim.

– ELA4, – Eu disse asperamente, agora superado com emoção pela cena que se desenrolava. – Ela morreu lenta e dolorosamente. Ela morreu diante de nossos olhos, dia após dia, minuto a minuto, mas-

– O quê? – Elsie perguntou, os olhos de volta na minha mamma. Eu andei mais perto, e mais perto ainda, sentindo como um ímã constantemente me puxando para a garota doce e silenciosa que tinha explodido na minha vida como um furacão. Abaixei-me ao chão e minha cabeça caiu em vergonha. Elsie deslocou diante de mim. Eu tomei o conforto no cheiro doce de coco do seu cabelo. Mas a vergonha, a culpa de sua pergunta tinha acendido, quebrou a barragem que eu tinha construído dentro.

– Levi... – Ela caiu inconsciente, sozinha. Eu estava no trailer, era para estar em seu quarto olhando por ela, era a minha vez, masDesta vez, Elsie não empurrou. Eu apertei meus olhos fechados, lembrando da noite; a última noite que minha mãe abriu os olhos. Eu abri minha boca. Como se isso estivesse lutando por sua liberdade, com o rosário girando em minha mão, eu admiti meu maior pecado... A chuva saltou fora do teto do trailer quando me sentei no chão do quarto de minha mãe, seus olhos enfraquecidos e macios observando cada movimento meu.

4

Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA no Brasil.


Axel tinha ido embora. Ele havia fugido da polícia depois que alguém teve uma overdose de drogas que ele tinha negociado. Austin tinha tomado o seu lugar como o braço direito dos Heighters. Austin estava fora agora, em pé na chuva, esperando que os drogados pagassem para vir obter a sua correção. Eu li a frase novamente, mas minha mente não estava nisso. Deixando cair a caneta e papel no chão, descansei minha cabeça contra o colchão da pequena cama de Mamma. Olhei para o teto úmido e respirei fundo. Sentindo que estava sendo observado, virei minha cabeça para o lado, para encontrar os olhos de mama me assistindo. Corei, não gostando de estar sob qualquer atenção. Deslocando até que eu estava sentado à direita de onde ela estava, sorri e disse: – Você está bem, mamãe? – As pálpebras de minha mãe fecharam, o sinal mais recente para o 'sim', mas eu podia ver algo mais naquele olhar. E isso me assustou. Seus olhos estavam nublados, e a luz sempre sentada em suas profundezas havia esmaecido. Eu lancei meus olhos sobre seu corpo, notando o quão magra ela se tornou nas últimas semanas. Um nódulo construiu em minha garganta, mas eu engoli-o de volta, querendo nada mais do que um milagre ocorresse, e ela ficasse de pé e caminhasse. Um barulho suave veio de sua boca, e eu passei a mão pelo seu rosto. Ela estava fria. Realmente fria. Meu estômago virou, não gostando de como ela estava fria. Vendo as contas do rosário em sua mesa ao lado, coloquei-os em sua mão, movendo os dedos através dos grânulos e os prendendo no lugar. "Lá vai você, mamma", eu disse. – Você tem seu rosário agora. – Os olhos de


mamma se arregalaram, e eu sabia que era o seu sinal para eu ficar, para falar. Limpando a garganta, peguei o meu papel da escola e disse: – Nós estamos estudando os deuses romanos, Mamma. Você gosta disso. – Meu sorriso desapareceu e eu deixei cair o papel no chão. O trovão bateu à frente, e eu, inconscientemente, me aproximei de minha mãe, apertando a minha mão para colocar sobre a dela. Os olhos de mamma rastrearam cada movimento meu, encolhendo-se quando um trovão explodiu acima. Forçando um sorriso, eu disse: – Não se preocupe, mamma. É apenas os Deuses romanos dizendo ao mundo que ainda estão aqui. – Eu esperei, querendo pegar o humor, ou ao mesmo um sinal de reconhecimento nos olhos de minha mãe. Mas não havia felicidade. Em vez disso vi cansaço. Esgotamento total. Uma lágrima caiu de seus olhos, me apunhalando como uma faca. Eu assisti a lágrima passar pelo seu rosto. Em seguida, outra caiu. E outra. O rosto de Mamma empalideceu, e meu coração disparou, profundo medo tomando conta. Eu me perguntava o que estava acontecendo. Então, em seus olhos castanhos, eu vi o que pensei que eraO som de um carro puxando do lado de fora chamou a minha atenção. Incapaz de lidar com aquele olhar em seus olhos, o olhar me trouxe mais medo do que qualquer vida na gangue ou nas ruas poderia trazer, pulei para os meus pés, deixando o rosário em sua mão. Sugando uma respiração, eu caminhei pelo estacionamento de trailers escuro, para a chuva torrencial, só para ver Romeo Prince, o melhor amigo de Austin, em pé na frente de seu carro.


E eu corri para ele. Corri até ele e ele me puxou para o seu peito. Meu coração trovejou e eu lutei contra as lágrimas ameaçando derramar. Eu queria ficar aqui fora, eu estava com muito medo de voltar para dentro. Eu estava com muito medo de ver o que parecia ser o último adeus em seus olhos. No seu corpo que já não tinha forças para continuar. Mas Austin me mandou de volta para dentro para ver como Mamma estava. Era meu dever esta noite. Balançando a cabeça para Austin, eu caminhei de volta para o trailer. Assim que a porta do trailer fechou, o ar obstruiu o silêncio. Forçando meus pés pesados a me levarem ao quarto de mamãe, abri a porta, para ver o rosário no chão, a mão de Mamma flácida pairando sobre a borda da cama. Seus olhos estavam fechados, e eu corri para a frente, caindo de joelhos.

– Não –, eu sussurrei, e peguei a mão de Mamma na minha. – Mamma, abra seus olhos, – Eu implorei, não preparado para este momento, não acreditando que este momento poderia ser real.

– Mamãe, por favor –, eu sussurrei, mas ela não se moveu. Sentei-me, congelado, observando atentamente o seu peito que mal se movia. Eu balancei minha cabeça. Eu não estava pronto. Eu não estava pronto para ela ir embora. Axel tinha ido embora. Austin não poderia lidar... eu era muito jovem. Eu não podia... eu não podia. Mas eu sabia que era isso. Eu sabia que ela estava se esvaindo. Minha mãe estava deixando-nos... Puxei uma respiração profunda, meu peito sentindo incrivelmente apertado. – Levi, calma, – A voz estridente de Elsie fez com que eu expirasse, a


respiração reprimida fazendo com que meu coração martelasse contra minhas costelas. Quando olhei para o rosto de Elsie, percebi que estava chorando. Que lágrimas escorriam pelo meu rosto.

– Eu sabia que ela estava me deixando, Elsie. Eu vi, eu senti. –Um som de dor rasgada partiu de minha garganta, e eu acrescentei: – E eu a deixei, porque era jovem e ingênuo e pensei que, se eu a deixasse, ela poderia cair sobre... o que nunca poderia acontecer. Que eu poderia fingir que não estava acontecendo.

– Levi– Ela fechou os olhos sozinha, Elsie. – Eu procurei por minha respiração perdida, grossa, – Ela nunca acordou depois daquele dia. Ela morreu uma semana depois. Ela morreu no hospital. Mas quando ela fechou os olhos, estava sozinha. Tudo o que ela tinha para seu conforto eram essas contas do rosário, o rosário que não posso olhar sem sentir a culpa e a vergonha de deixála desaparecer, sozinha. As contas do rosário que eu não posso deixar ir. Porque eram dela; o rosário é ela para mim. Ela queria que eu ficasse com ele. Eu, o filho que lhe permitiu desaparecer sozinha. Elsie segurou suas mãos nas minhas e apertou. Sua força física não era nada, mas a bravura emocional que passou dela para mim, fluiu fortemente. Era uma armadura forte.

– Respire, Levi, – ela disse, mas eu podia vê-la quebrada também. Eu assisti esta garota loira em silêncio, que não falava porque as pessoas disseram a ela que parecia ruim. Ela ainda não tinha me contado sua história de vida. E lá

estava

eu,

quebrando

desesperadamente de seu apoio.

como

um

fodido

covarde,

precisando


– Shh, – ela acalmou, então me surpreendendo, subiu no meu colo, envolvendo os braços em volta do meu pescoço. Fiquei chocado e em silêncio, com as bochechas aquecidas de Elsie, quando ela deitou a cabeça no meu ombro. Precisando senti-la tão perto quanto possível, passei meus braços ao redor da cintura dela e puxei-a para o meu peito. Eu a deixei escoar seu calor em mim.

– Quantos anos você tinha, Levi? –, Perguntou Elsie. – Quando ela faleceu. Agarrando-a mais apertado, respondi: – Quatorze. Elsie endureceu, em seguida, admitiu: – Eu também. Eu tinha quatorze anos quando minha mãe me deixou. Eu tinha quatorze anos e eu estava completamente sozinha. Quando eles... quando tudo se tornou muito pior. Eu fiz uma careta, minha tristeza desaparecendo lentamente. Eu queria saber o que ela queria dizer. Eu queria saber por que ela não tinha casa. Eu queria saber como a mãe dela morreu. Eu queria saber como ela acabou em Seattle. Eu queria saber o que "eles" eram. Inferno, eu queria saber tudo.

– Ela era surda. Completamente –, Elsie sussurrou, o volume de sua voz quase inexistente, como se ela não soubesse se ela deveria estar confessando. Meu poder sobre ela aumentou ainda mais forte.

– Ela nasceu surda, de pais com audição. Eles nunca entenderam ela. Mas o pior, eles nunca a ajudaram. Eles a mantiveram escondida, seu pequeno segredo sujo. Até que a mandaram para viver por si mesmo em seu mundo silencioso. Empurrado em um mundo onde as pessoas não a entendiam.

– Elsie –, eu sussurrei, não sabendo mais o que dizer.


– Ela caiu grávida de mim, não conheci meu pai. Você vê, minha mãe se envolveu com pessoas que não eram boas para ela. Fizeram-na levar coisas que ela nunca iria contar.

– Elsie– Mas ela me amava. Sua menina que ouvia pela metade. A menina que ela conseguiu obter pelo menos alguma ajuda. Para obter um aparelho auditivo, assim eu poderia, pelo menos, entender um pouco do que estava acontecendo no mundo –, a voz de Elsie abafou. – Às vezes eu desejo que nunca tivesse recebido o milagre da audição. Quando você pode ouvir, você pode ouvir o que as pessoas dizem sobre você. Você pode ouvir as suas palavras selvagens. Se ouvir atentamente, você poderá até ouvir seu coração frágil quebrando. Precisando ver o rosto dela, precisando mostrar a ela que eu estava aqui, que estava aqui para ela, a empurrei para trás e nossos olhares colidiram. Seu lábio inferior estava tremendo. – Eles nunca lhe ensinaram a escrever, Levi. Ela mal conseguia ler os lábios. Eles a entregaram sem ferramentas para sobreviver, então ela teve que fazer o que pode para isso. Meus músculos congelaram, esperando o que vinha a seguir. Eu não sabia se o que ela tinha a dizer iria esmagar minha alma. – Então tivemos que fazer a nossa própria linguagem de sinais. Tivemos uma linguagem secreta para nós duas. Era a nossa, nossa linguagem secreta escondida em plena vista do mundo que não nos queria. Que não tinha lugar para nós, pelo menos é o que ela me diria. Nós, pelo menos, tivemos a nossa própria língua. Nós, pelo menos, tivemos... – Ela parou. Eu estava vendo Elsie em uma luz completamente diferente.


Porque era de partir o coração. Ela estava confiando em mim. Eu poderia dizer pelo tremor e cautela em sua voz que ela simplesmente não falava sobre essas coisas. Como eu. Um lampejo de um sorriso atingiu seu rosto, e Elsie disse: – Minha mãe não falava muito. Tinha sido dito a ela, durante toda sua vida que sua voz era horrível, embaraçosa para aqueles em sua companhia. Riram dela e ela foi ridicularizada, impiedosamente até que ela falava somente comigo. Mesmo assim, era raro. Mas muitas vezes ela me dizia que me amava. Mesmo através das drogas que dominavam sua vida, ela sempre me dizia que me amava. Os braços de Elsie caíram de meu pescoço e ela se levantou do meu colo. Eu imediatamente senti falta de não tê-la perto, mas o pensamento desapareceu quando a vi caminhar em direção a estátua de minha mãe, o que indicava a versão quebrada de sua vida. A culpa que eu sempre senti começou a subir. Quando Elsie ajoelhou-se e apertou a palma da mão para a bochecha de mármore de minha mãe, senti algo estranho dentro inflamar.

– Ela não poderia me dizer em voz alta que me amava –, Elsie de repente explicou, falando sobre a mãe dela, – mas ela podia me mostrar. Do nosso próprio jeito, ela fez. Fiquei paralisado quando um rubor subiu pelo peito e pescoço de Elsie, para pousar em seu rosto. Seus olhos azuis se voltaram para a escultura e segurando o fôlego, ela se inclinou, pressionando a testa de Mamma.


– Assim –, explicou ela. – Minha mãe colocava a mão no meu rosto, eu colocava a minha mão sobre o dela, e nossas testas se tocavam. Essa era a minha mãe dizendo que me amava. Era como eu dizia a ela que a amava. Eu observava os olhos de Elsie estreitarem e um puxão de sorriso distante em seus lábios. Então ela recuou, sentado sobre os calcanhares, com as mãos sobre as coxas. Ela parecia como se estivesse em oração. Elsie sentouse dessa forma por alguns minutos, recompondo-se. A mão dela derivou para o medalhão no seu pescoço e ela o segurou em seu punho cerrado. Quando um raio aterrou lá fora do armazém, evitando a escuridão, as pálpebras de Elsie se abriram. Ela se levantou e andou até mim. Curvando-se, Elsie inclinou a cabeça para o lado e me olhou. Eu esperei, esperei para ela falar, quando finalmente disse: – É um abençoado. Minhas sobrancelhas puxaram para baixo em confusão. Depois de tudo o que eu disse a ela, não podia ver como fui abençoado. Ela deve ter visto isso em meu rosto, porque ela disse, – Sua mãe morreu, mas seu irmão criou para você uma bênção. Você pode visitá-la sempre que quiser. – Seus olhos desviaram-se para a estátua e ela suspirou. Seu rosto empalideceu e dor quebrou seu lindo sorriso. – Eu não estava com a minha mãe quando ela morreu. Ninguém estava. – Ao ouvir estas palavras, a dor agarrou no meu estômago. O dedo de Elsie apontou para o medalhão. – Tudo o que me resta da minha mãe é essa pequena foto, dentro do meu medalhão. Não há mais nada. Sem álbuns de fotos para eu me lembrar dela –, ela apontou para a escultura


de minha mãe, – sem nenhuma escultura para eu ver sorrir por todos os dias. Para segurar sua bochecha e pressionar minha testa... para mostrar a ela o nosso 'eu te amo'. – Seus olhos encontraram os meus. – É uma bênção, Levi. Uma verdadeira bênção ter isso em sua vida. Eu teria argumentado que esta doce loira era uma bênção. Minha bênção que estava costurando o buraco no meu coração, curando o buraco que eu tinha carregado no centro por muitos anos. Elsie continuou me olhando, até que eu avancei para a frente, tomandoa de surpresa. Empurrando para trás uma mecha solta de cabelo que tinha caído sobre os olhos, eu disse: – Eu realmente gostaria de te beijar agora. Elsie virou o rosto em direção ao meu lado, que ainda permanecia do lado o seu. Sua bochecha acariciou minha mão, e ela sussurrou: – Eu realmente gostaria disso também. Eu lutei contra um sorriso. Antes que lhe permitisse formar alguma palavra, pressionei para frente e tomei a boca de Elsie com a minha própria. Desta vez não houve nervosismo. Nós tínhamos esmagado nossas barreiras hoje à noite. Ela tinha falado. Eu tinha mostrado esse lugar. Ela começou a se abrir sobre seu passado. Nossas paredes estavam descendo. As mãos de Elsie enfiaram através de meu cabelo, assim que um outro estrondo do trovão soou lá em cima. Esse foi mais tranquilo neste momento, a tempestade começava a passar. Envolvendo as mãos em volta de sua cintura, puxei-a no meu colo, surpreendendo com o grito de Elsie que separou nosso beijo. O olhar de Elsie estava trancado no meu, e juro que ouvi seu coração acelerar tão rápido quanto o meu. Nada foi dito. Eu não conseguia pensar. Eu precisava ter os lábios de volta nos meus. Eu precisava muito disso.


Alisei meus lábios de volta sobre os de Elsie, um suspiro suave soando em seu peito. Tendo uma chance, eu timidamente empurrei minha língua dentro de sua boca, a língua tímida de Elsie, deslizava suavemente contra a minha. Quando cada minuto se passou, eu me sentia mais e mais à vontade. E, como a cada minuto passado, sentia-me relaxado. Ela estava se tornando a minha garota. Elsie mudou, e nossas bocas se separaram. A cabeça de Elsie caiu contra a minha, quando a nossa respiração veio forte.

– Elsie –, eu sussurrei com força. Os olhos de Elsie momentaneamente fechados. Quando abriram, ela pressionou as pontas dos dedos sobre meus lábios, e confessou: – Eu realmente gosto de seu sotaque. – Eu acalmei, surpreso por suas palavras e a sensação de seus dedos em meus lábios. Ela sorriu. – Eu amo o jeito que você diz meu nome. É provavelmente a melhor coisa que já ouvi desde que pude ouvir. Olhei, pasmo, até que meu rosto se contorceu, e eu ri. Ela me fez rir. Eu não tinha rido nos últimos anos. Elsie também riu, seu tom estridente soando tão bonito para os meus ouvidos. Meu riso parou no momento certo quando me esforcei para ouvir mais. Em seguida, Elsie forçou-se rapidamente para parar de rir. Isso foi instantaneamente, como o toque de um botão. A liberdade com que ela riu desapareceu e tão rapidamente se transformou em medo. Eu podia vê-lo escrito em seu rosto, o medo. Não, o terror, tão claro em sua expressão quanto ouvia sua risada livremente.


A cabeça de Elsie caiu para a frente e ela tentou sair do meu colo. Eu apertei meus braços em torno de sua cintura e a mantive no lugar.

– Não –, ela fungou, sua linda voz quebrada em pedaços. – Não –, eu disse. – Eu não estava julgando você, Elsie. Inferno –, eu suspirei em frustração: – Eu estava adorando você. Sua risada. Como você me fez sentir. Eu estava pensando bem claro sobre o fato de você ser a minha garota. Porra, esse pensamento arrogante que você era minha linda garota bonita e silenciosa. A respiração de Elsie engatou. Ela então, respirou dentro e fora oito vezes até que levantou a cabeça - eu contei. Lágrimas estavam rastreando seu rosto, mas ela ignorou a umidade em sua pele a questionou: – Sua... g-garota?

–, Perguntou ela, uma gagueira nervosa em sua voz. – Sim –, eu disse asperamente, sentindo um peso no estômago pelo horror que ela poderia apenas dizer não.

– Sua garota? –, Ela repetiu. Suspirei. – Minha garota. Eu afrouxei meu aperto nela por trás, assumindo que ela estava dizendo que não, que ela não me queria desse jeito, quando ela apertou a mão sobre o coração e acenou com a cabeça. Meu sangue aqueceu e correu através de mim, sabendo exatamente o que significava o gesto. Ela estava nisto também. Ela estava dizendo 'sim', sim para ser minha garota. Beijei-a novamente, mas enquanto a chuva caía mais forte no telhado do armazém, puxei de volta sugerindo, – É melhor irmos para casa.


Elsie acenou com a cabeça e levantou-se do meu colo. Eu pulei para os meus pés, e rapidamente cobri as esculturas com seus lençóis. Tomando a mão de Elsie, a levei até a porta e fizemos o nosso caminho de volta para casa. Até o momento que voltamos, o lugar estava escuro. Todo caminho para casa mantive a mão de Elsie em torno da minha. Mesmo agora, enquanto caminhava até a porta da cozinha, no quintal, eu não queria deixá-la ir. Elsie virou para mim e me inclinei para pressionar um beijo na ponta do seu nariz. Eu não pude resistir, não quando ela estava parecendo tão linda. Puxando para trás, eu enrolei junto aos meus pés, e disse: – Obrigado por ter vindo comigo hoje. Elsie balançou a cabeça. – Não. Obrigada por ter me levado. Foi... Eu nunca tive um dia como este na minha vida. Contentamento passou por mim e eu olhava para nossas mãos unidas. – Eu não quero deixar você ir, – eu murmurei, sentindo a propagação do rubor habitual no meu rosto. Elsie suspirou. – Eu também não. Eu sorri, olhando para cima com a minha cabeça ainda abaixada. Avançando, ela me beijou, depois recuou, soltando minha mão. Quando ela abriu a porta, olhou para cima para janela de seu quarto. Eu sorri, percebendo que a lanterna caseira de falsos vaga-lumes ainda brilhava através das cortinas abertas. Seguindo o olhar de Elsie me chamou a atenção, eu apontei para cima e expliquei: – Eu olho para a luz cada vez que passo por sua janela. Ela me diz que você está lá, em seu quarto. Segura.


Elsie olhou para o brilho de neon. – Eu o recarrego todas as noites, assim como você me mostrou. Isso me ajuda a dormir. Isso mantém os pesadelos para fora.

– Então estou realmente feliz que mostrei-lhe isso –, eu respondi, e comecei a dar um passo atrás. Eu apontei para a casa da piscina, e disse: – É melhor eu voltar. Você está segura. Elsie desapareceu pela porta da casa principal. Voltei para a casa da piscina sentindo uma enorme sensação de perda. Eu queria ela ao meu lado. Eu queria que ela falasse mais. Eu só queria passar todo o meu tempo com Elsie. Depois de anos sozinho, era muito bom ter outra pessoa ao meu lado. Abri a porta e deixei as cortinas abertas. O frasco de Elsie era visível de minha cama. Depois de escovar os dentes e colocar um moletom para dormir, subi na cama, imediatamente à procura do brilho do frasco... que tinha desaparecido. Sentei-me na cama, franzindo a testa para onde diabos ele tinha ido. Então eu localizei a luz fazendo o seu caminho através do quintal. Meu coração batia mais rápido assim que a luz se aproximava da minha porta. Elsie deslizou através. Fechando a porta atrás dela, ela segurou o pequeno frasco de luz em suas mãos. Seu rosto corou quando seus olhos pousaram no meu peito nu. – O que você está fazendo aqui? –, Perguntei. Cautelosamente, Elsie deu um passo adiante, então, novamente, para explicar: – Eu não quero ficar sozinha no meu quarto quando você está aqui. – Ela se aproximou, mas parou no pé da cama. A expressão em seu rosto tornou-


se séria. – Eu não me senti confortável lá em cima sozinha. Eu queria estar perto de você. Mas eu não... eu não... Eu não sei se posso... Eu suspirei, sabendo o que ela queria dizer. Eu levantei minhas mãos. – Está tudo bem, Elsie. Eu não estou esperando isso... de você. Os ombros de Elsie relaxaram. Ela caminhou para o outro lado da minha cama. Ela cuidadosamente colocou o frasco na mesa do lado e sentou-se. Com um pontapé tirou seus sapatos, ela deitou, e se virou para mim. Eu estava no meu travesseiro, encarando-a de volta. Parecia estranho tê-la em minha cama, mas era tão bem-vinda. Elsie sorriu timidamente quando estendi a mão para corrê-la pelo seu rosto. Elsie pegou minha mão e levou-a em seu peito. Ela tinha trocado para seu pijama, e ela parecia tão bonita deitada na minha frente, aqui, agora, apenas assim.

– Vamos dormir –, eu disse, e desliguei a luz no meu lado da cama. O frasco de Elsie exalava seu brilho maçante. Mudei-me para encará-la mais uma vez. Esperei por Elsie para fechar os olhos e tentar dormir. Em vez disso, ela sussurrou, – Estrelas amarelas no teto.

– O quê? – Eu perguntei, não tenho certeza se tinha ouvido corretamente. Elsie deslocou na cama, se aproximando ao longo de seu travesseiro e repetiu: – As estrelas amarelas no teto que brilham na noite. – Ela rolou para suas costas e apontou para o meu teto. – Uma das coisas mais bonitas que já vi, brilhando no escuro - as estrelas no teto. Eu me contorci mais perto até que poderia colocar o meu braço em volta de sua cintura. Os olhos azuis de Elsie estavam brilhando no fulgor da luz. Ela


inclinou o rosto para mim. – Nós duas vivíamos na maioria das vezes nas ruas, principalmente, mas, ocasionalmente, tínhamos uma casa. Às vezes minha mãe reunia dinheiro suficiente para alugar um quarto para nós em algum lugar, outras vezes os homens dela... – A expressão de Elsie caiu. Segurei-a mais apertado. Ela apertou minha mão. – Às vezes... seus homens nos davam um lugar para ficar, para estar seguras. – Uma lágrima caiu de seus olhos, então ela continuou. – Eu nunca pedi nada pelo meu aniversário. Na maioria dos anos a minha mãe esquecia. Mas um ano, tínhamos um teto sobre nossas cabeças. – Elsie suspirou. – Eu devia ter uns oito ou nove anos. Cheguei em casa e minha mãe tinha um pequeno bolo, era redondo com glacê rosa. Meu nome foi escrito na parte superior. Eu sabia que ela tinha feito isso, ou pelo menos tinha escrito o meu nome, porque a escrita rosa era quase ilegível. Minha mãe não tinha muito de uma educação, mas ela tinha escrito o meu nome... para mim. Ela tentou, tinha empurrado através de sua vergonha... por mim. Meu peito parecia oco enquanto imaginava uma jovem e muito pobre Elsie, cuidando de sua mãe surda e viciada em drogas. Ela sorriu timidamente, e eu simplesmente derreti em seu sorriso.

– Ela me fez soprar uma única vela, e, em seguida, fez-me deitar na cama. Fiz o que ela pediu, então ela desligou a luz. Descansando em seus braços, olhei para cima para ver nosso teto gasto decorado com estrelas de neon. – Elsie fungou. – Foi um dos únicos presentes de aniversário que já recebi. – Ela rolou de lado, sua testa quase tocando na minha. Uma lágrima viajou sobre seu nariz e espirrou para o colchão.

– Essas pequenas estrelas de plástico são lindas para mim, porque elas representam um dos poucos momentos felizes da minha vida. – Eu esperei por


ela para dizer mais, mas seus olhos estavam vidrados. – Amarelo e brilhante, eles brilhavam na noite. Estrelas brilhantes, eu olhava por horas. No quarto escuro elas eram tudo o que eu podia ver, um beijo na minha bochecha, e um feliz aniversário, Elsie. – Elsie parecia fechar-se sobre seus próprios pensamentos, em seguida, ela explicou: – Foi o primeiro poema que já escrevi.

– Ela riu. – Foi terrível. Eu era apenas uma menina, eu acho, mas quando mostrei para minha mãe, ela chorou. Ela disse que iria guardá-lo para sempre. Então eu não parei de escrever. Meus poemas faziam minha mãe feliz. – Elsie tentou virar o rosto do meu, mas coloquei minha mão sob o seu queixo, querendo que ela me olhasse.

– Eu entendo, – eu disse abafado. Eu quis dizer cada palavra. – Suas estrelas de plásticos de neon eram como meus frascos de vaga-lumes. Elsie limpou o rosto, em seguida, passou a mão em volta do meu olho. – Seus olhos –, disse ela, – eles me fazem lembrar da lua. No dia em que eles parecem tão claros; eles se assemelham a um céu nublado. Eles parecem tão bonitos contra a sua pele bronzeada. Mas à noite, como agora, eles parecem... prateados como a lua. Minhas mãos crisparam. Elsie notou. Limpei a garganta. – Minha mãe me chamava de ‘mia luna’, sua lua. Eu nunca soube por que, mas me pergunto se era por causa dos meus olhos. Elsie sorriu. Ela nervosamente recitou, – Minha mãe me trouxe as estrelas. Levi Carillo, você me traz a lua. Prendi a respiração, então sussurrei de volta, – Então você me traz o brilho.


Elsie fechou os centímetros entre nós e pressionou seus lábios nos meus. O beijo foi suave e rápido, mas significou mais do que nunca antes. Ela estava na minha cama. Minha garota, na minha cama. Sendo nós mesmos. Sem se esconder. Não nos afastamos. Elsie se aconchegou no meu peito nu, seu hálito quente acariciando a minha pele. Fechei os olhos, sentindo o sono começando a chegar, quando perguntei: – Quando é seu aniversário? Elsie endureceu, mas confidenciou: – Em uma semana. Eu farei dezenove no dia 12. Uma semana, Eu pensei. Mas mantive isso para mim mesmo. Eu tinha um jogo naquele dia, mas tinha toda a noite depois. Eu queria dar a Elsie um segundo aniversário para lembrar. Ela merecia. Ela merecia ter tudo. Eu queria fornecer memórias que ela nunca iria esquecer, como as estrelas. Afinal, eu tinha certeza que ela já tinha o meu coração.


ELSIE

Feliz aniversário, Elsie! Eu não quis acordá-la antes de sair - você parecia muito em paz em seu sono. Obrigado por decidir ir ao jogo. Eu vou jogar melhor sabendo que está nas arquibancadas assistindo. Minha família está vindo também. Eu sei que você está nervosa sobre encontrar todos eles, mas não há necessidade. Ninguém vai te julgar. Eles são minha família. Você pode falar com eles sem medo. Eles sabem o que você significa para mim. Eles vão mantê-la segura. Seja corajosa. Não esconda a sua voz... é bonita demais para não ser ouvida. Levi xx

Eu li a nota enquanto estava sentada na cama de Levi, e mexia as mãos no meu colo. Sua nota foi deixada na cama. Eu estava contando os minutos até que estivesse na cozinha com toda a família de Levi. Eu tinha conhecido Lexi, é claro. Eu já tinha visto Austin; ele foi educado o suficiente, embora eu nunca pronunciei uma palavra para ele. Ele parecia ser diferente de Levi. Ele era mais escuro e coberto de tatuagens e cicatrizes. Francamente, ele me intimidava.


Mas Axel, o escultor, e Ally, sua noiva, tinham estado afastados estas duas últimas semanas, em Nova York. Ele tinha negócios lá com um museu e, aparentemente, eles também estavam comemorando seu noivado com seus pais. Mas eles estavam chegando hoje, juntamente com a melhor amiga da esposa de Austin. Hoje era o dia do jogo de Levi. Aconteceu também que era o meu aniversário. E ele me queria neste jogo. Ele queria que o visse jogar. Eu não queria. Eu não gostava de multidões, ou mesmo estar perto de pessoas, mas Levi queria muito: Eu vi isso em seus olhos, eu vi em suas bochechas coradas. Eu tinha me mantido reservada desde que cheguei nesta casa. Eu tinha ficado perto de Levi. Eu tinha ficado no meu quarto ou, a partir desta semana, no quarto de Levi. Eu lia durante o dia, qualquer coisa que poderia encontrar, até que Levi chegasse em casa, quando eu me sentava com ele. Perfeitamente feliz. Gostava de comer em seu quarto enquanto ele descansava. E gostávamos de conversar, apenas nós dois em nosso próprio mundinho. Até hoje. Até agora. Eu realmente queria assistir Levi jogando. Eu queria vê-lo longe de seus estudos, fazendo o que amava. Eu queria ver a paixão que sabia que ele tinha pelo futebol, jogando em seu campo. Mas eu tinha que superar meus medos primeiro. Eu tinha que falar. Sem perceber, eu tinha soltado as pulseiras em meus pulsos. Eu estava deslizando sobre as cicatrizes em meus pulsos, sentindo as marcas ainda pregueadas. Os dois braceletes que eu sempre usava para esconder a minha vergonha. Eles escondiam de Levi o momento mais fraco na minha vida.


Do mundo. Retardada. Cala a boca, nunca fale. É a pior coisa que já ouvi. Gelo percorreu minha espinha quando o som zombeteiro de sua risada ecoou mais alto na minha cabeça. A sensação desagradável de suas palavras cortantes como uma bala em meu coração; risadas, as impressões sem graça, a pura solidão de ser um pária, de não ser aceito-por causa de algo que nasci algo que estava além do meu controle. Minhas mãos congelaram, presas com medo. Hoje eu iria conhecer pessoas da minha idade. Hoje veria meninas como aquelas meninas. As que me fizeram... Uma batida soou bem alto na porta da casa da piscina, fazendo-me saltar para fora de meus pensamentos. Eu rapidamente apertei meus punhos sobre meus pulsos. A porta se abriu enquanto eu tentava acalmar meu coração acelerado, e Lexi entrou, ela estava impressionante; vestindo jeans e jaqueta acolchoada preta, e seu cabelo preto até aos ombros.

– Hey querida –, ela interrompeu, e caminhou em direção à cama. – Está pronta? Eu balancei a cabeça, segurando a minha timidez. Eu vi os ombros de Lexi cair quando não respondi. Eu sabia que era porque não tinha falado. Levi tinha dito a ela que eu tinha falado com ele. Ela me disse, em mais de uma ocasião, ela nunca iria me julgar. Que ela sabia como era manter uma parte de si mesma escondida do mundo. Eu não sabia o que ela estava se referindo especificamente, mas ainda assim acreditei nela. Eu podia ver a sinceridade em sua expressão.


Quando saímos da casa da piscina para a casa principal, imaginei o rosto de Levi na noite passada, quando ele me disse para confiar em sua família, pedindo-me para não me esconder, mas para ser corajosa em sua companhia. Sem pensar, eu dei uma guinada para a frente e agarrei o braço de Lexi. Ela girou sobre os calcanhares, a preocupação imediatamente evidente em seu rosto. Abaixei minha cabeça, subitamente tomada por nervosismo, quando ela perguntou: – Elsie? Você está bem? Eu respirei fundo, me forçando a empurrar as palavras, ultrapassando a barreira na minha garganta. – Eu... – Engoli em seco, molhando minha garganta seca, e continuei. – Eu só queria dizer 'obrigada'... por tudo... Eu... – Eu parei, dominada pela emoção. Eu mantive minha cabeça para baixo, encolhendo-me sobre como sabia que soava, quando de repente encontrei-me nos braços de Lexi. – Você não tem nada que agradecer a mim, Elsie, – Lexi sussurrou em meu ouvido direito, sua voz cheia de emoção. – Além disso, tanto quanto posso dizer, eu deveria estar agradecendo a você. – Ela me segurou apenas uma fração mais apertado do que antes. – Você trouxe Levi à vida desde que você chegou. – Ela se afastou e inclinou-se para encontrar o meu olhar. – Ele está sorrindo, querida. Sorrindo. Ele não tinha muitos motivos para sorrir nos últimos anos. E inferno, não temos sido capazes de ajudar. Mas você… Eu coloquei uma mecha do meu cabelo para trás, quando Lexi acrescentou: – Todo mundo está na cozinha. Você está bem em cumprimentar todos eles? Eles estão todos muito animados para ver a garota que conquistou o coração de nosso garoto tímido.


Eu respirei, olhando por cima do ombro de Lexi para as pessoas andando sobre a cozinha e balancei a cabeça. Lexi colocou o braço em volta dos meus ombros e me guiou para a frente. No segundo que entrei na cozinha, senti todos os olhos em mim. Nada aconteceu, até que Lexi me apresentou. – Esta é Elsie, pessoal. A namorada de Levi. – Meu nervosismo foi esmagado no momento que Lexi me anunciou como a namorada de Levi. Nós não tínhamos dito essas palavras - namorado e namorada - um ao outro. Não tivemos essa conversa ainda. Acabamos de ser... nós. Nós nos beijamos, falamos, entendemos um ao outro, não empurrando o outro longe demais. Mas, além disso, eu não sabia. Eu não sabia o que era para fazer quando melhorasse. Eu não sei o que seria da minha vida, o que seria de nós. O que seria de mim. Eu não sabia quanto tempo poderia ficar.

– Elsie! – Um sotaque espesso de Alabama me tirou da minha preocupação, e eu olhei para a minha direita para ver um belo cabelo preto, uma mulher de olhos escuros vindo em minha direção. Olhei, realmente olhei, em como ela era bonita, antes de estar presa nos seus braços e sendo apertada com força. Ela rapidamente me soltou, e eu estava satisfeita com seu brilhante sorriso contagiante.

– Sou Ally, querida, futura cunhada de Levi. Eu balancei a cabeça e sorri, ao ver um homem tatuado seguindo atrás, elevando o queixo e levantando a mão. A sensação de desconforto passou por mim, mas imediatamente partiu quando ele colocou seu braço em volta da cintura de Ally. Ally agarrou a mão do homem, agora posicionada sobre seu estômago, e disse: – Este é Axel meu noivo e, irmão mais velho de Levi e Austin –, ela anunciou com orgulho.


– Hey, – Axel disse, quando seu rosto imediatamente trouxe um flash de memória à mente. Ele era o homem na escultura que Levi disparava uma arma. Esse era o homem pairando atrás dele como o diabo. Engoli em seco e desviei os olhos, só para ver uma morena bonita com cabelo escuro encaracolado e óculos, e um homem bonito com o cabelo louro, segurando um bebê em seus braços. – Ei, eu sou Molly –, disse a morena bonita no que achei, soava como um sotaque britânico. Ela apontou para o homem atrás dela. – Este é o meu marido, Rome. Eu balancei em meus pés enquanto todos eles me observavam, quando Austin entrou segurando Dante em seus braços. – Hey Elsie –, disse ele casualmente, e pegou as chaves do carro. Forçando-me para responder, eu disse calmamente: – Oi Austin congelou, seus olhos escuros pousando em mim. Na verdade, todos olharam diretamente para mim. O medo de sua rejeição me deixou paralisada, até Austin balançar as chaves e dizer: – Nós temos que ir ou vamos nos atrasar. Em poucos segundos, todos estavam se movendo para fora. Nada tinha sido dito sobre a minha voz, todos eles estavam, provavelmente, só chocados inicialmente. O braço de Ally estava ligado no meu e ela me levou para a frente. Eu chamei a atenção de Lexi enquanto passava e ela sorriu para mim, com orgulho. Eu encontrei-me inundado de calor pela aceitação dessa família por mim. Entorpecida. Senti o nó que sempre apertava a minha garganta se afrouxar, acreditando que eu não tinha nenhuma razão para ter medo.


Ally me levou para fora para um carro esperando. Ouvi-a falar por todo caminho. Ouvindo sua voz lírica do sul. Na ocasião eu ainda respondia com um "sim" ou "não", como resposta simples. Foram quatro vezes. Eu consegui responder quatro vezes.

Eu me sentia como se estivéssemos tremendo quando nos sentamos na arquibancada no Estádio Husky, dezenas de milhares de fãs de futebol batendo os pés, vibrando com empolgação, esperando para as equipe se aquecerem. O som era ensurdecedor para mim, muito alto, meu coração frenético em seu ritmo. Eu nunca tinha ouvido nada parecido. Eu nunca tinha visto tantas pessoas reunidas em um só lugar. Segurei o braço de meu assento, quando um outro rugido alto da multidão me fez estremecer. Eu levantei minha mão ao meu ouvido direito, protegendo-o do som. De repente, todo mundo na nossa fila ficou de pé, bloqueando a minha visão do campo. Eu fiquei sentada, cobrindo meu ouvido, até que senti os olhos de alguém em mim. Quando olhei para o lado, Axel estava me observando. Suas sobrancelhas escuras estavam puxadas para baixo, em seguida, de repente, ele caminhou até a porta que dava para a área exterior. Ela tinha sido aberta. Axel fechou-a, reduzindo o som a um ponto onde eu poderia suportá-lo. Axel caminhou de volta ao seu lugar sem uma palavra. Eu vi o semblante e a compreensão no rosto de todos quando me juntei a eles de pé, bem a tempo de ver Levi correr para o campo.


O grande monitor no zone final exibiu seu belo rosto. Meu estômago revirou ao vê-lo em campo. Eu senti meu rosto corar enquanto o vi olhar para o lugar que estávamos sentados. Assisti, quando ele ergueu a mão para indicar 'Olá.' Enquanto lutei contra o meu sorriso e a corrida de sangue para minha cabeça, eu encontrei Axel e disse: – Obrigada. A Expressão severa de Axel não mudou, mas ele trocou de lugar com sua noiva ao lado dele e disse: – Ele está me dizendo durante toda a porra dessa semana que você ia estar neste jogo para vê-lo jogar. Era justo que você pudesse vê-lo. A música morreu abruptamente, e eu peguei o sopro tênue de um apito. Meus olhos foram atraídos para o campo e eu vi os dois times correrem para a frente. Quase imediatamente, procurei a camisa de Levi, 'Número 84'. Meu pulso correu quando Levi recebeu a bola, e eu encontrei-me estendendo a mão, agarrando firme o braço de Lexi.

– Acostume-se, querida, – eu ouvi Lexi dizer. – Nosso garoto está indo direto para a NFL. – Ela apontou para o estádio lotado. – Isto é apenas o começo. Dois sentimentos colidiram dentro de mim quando Lexi disse estas palavras. Um deles era um imenso sentimento de orgulho que Levi poderia alcançar tamanha glória no esporte que ele amava. Mas o outro veio com o medo que eu me sentiria deixada de lado se ele fosse. Eu não sabia o que seria de Levi e eu. Mas eu sabia que não poderia ter isso, e mais, com a minha vida. Eu não seria capaz de lidar com tudo. Eu apenas…


– Vá em frente, irmãozinho! – Eu ouvi Austin gritar e os meus olhos voltaram para o campo. Levi estava correndo no comprimento do campo segurando a bola, sua velocidade era incrível demais para os outros que o perseguiam atrás para alcança-lo. Axel se inclinou para frente quando seu irmão mais novo correu para o zone final, enfincando a bola no chão. A multidão, e sua família, foi à loucura. Eu cobri minha orelha, o som incrível também picando meu ouvido. Apesar do som demasiado alto, mudei-me para o vidro até o chão e apertei a minha mão livre na vidraça. Eu assisti, em reverência, como este menino tímido que estava roubando meu coração, manteve a cabeça baixa quando seus companheiros de equipe pularam em cima dele em felicitações. Eu vi quando ele manteve sua cabeça baixa enquanto a multidão aplaudia o seu nome. Então assisti, meu coração fundindo, quando ele tirou o capacete. Seus olhos encontraram os meus abaixo no campo e ele apertou a mão sobre o coração, baixando a cabeça. Eu lutava para respirar quando levantei a minha mão trêmula e imitei o movimento; minha ação e seu reconhecimento de que eu estava aqui no meio da multidão. Ele tinha me separado das dezenas e milhares de fãs adoradores.

– Aww, – eu ouvi alguém dizer, e olhei para o lado para ver Molly com os olhos em mim. Corei e abaixei a cabeça.

– De alguma forma, acho que ele pode ser o MVP5 hoje –, Austin disse, e piscou para mim quando olhei para seu rosto sorridente. Corei novamente, assim que o apito soou. Três horas se passaram, e, no final, os Huskies tinham vencido. E, como previsto por Austin, Levi foi premiado com o MVP. Se eu achasse que o estádio tinha sido alto antes, o som da multidão quando soou o apito final foi 5

(MVP = most valuable player = jogador mais valioso)


estrondoso. Em poucos minutos, a multidão começou a dispersar. Garçons trouxeram comida e bebida para a nossa cabine privada, e todos se sentaram em volta e esperamos. Tomando a liderança, sentei-me à mesa e bebi café. Olhei para todos na sala e senti uma enorme sensação de perda no meu peito. Levi, era o que estava faltando tão sozinho e solitário, como eu. Mas quando eu assisti - essas pessoas todas reunidas por ele hoje, sua família, para vê-lo alcançar seus sonhos, eu me perguntei se ele percebeu o quão verdadeiramente sortudo era? Eles o amavam. Cada um e cada uma dessas pessoas o adoravam. Isso só me fez perceber como realmente sozinha eu realmente era. Eu tomei um gole de meu café para empurrar para baixo o nó que estava arranhando a minha garganta, quando alguém tomou a cadeira ao meu lado. Uma mão imediatamente começou a traçar o topo, uma mão tatuada que ainda usava os restos do que parecia ser poeira branca - Axel. Eu mexi no meu assento, nervosa por estar tão próxima a esse homem de aparência dura e perigosa. Quando a mão dele parou, disse, – Eu não sei o que ele lhe disse sobre sua vida, mas tem sido uma vida bem fodida de dura. – Eu congelei, minhas mãos segurando a caneca com força. Axel suavemente limpou a garganta. – Eu fiz muita coisa de errada com ele, Elsie. Eu fodi com aquele garoto, e ele era uma criança, fizemos coisas que eram fodidas e erradas. – Mesmo com minha audição de oitenta por cento eu podia ouvir a mudança de tom na voz de Axel, quando ele admitiu seus erros contra Levi. Eu pensei na escultura do menino sendo forçado a atirar. Apertei meus olhos fechados.

– O último prego em seu caixão foi quando a nossa Mamma morreu e eu fui mandado embora. – Pela primeira vez, olhei para ele, a cruz preta tatuada


em sua bochecha esquerda pegando a minha atenção. – Eu fiz isso por cinco anos, Elsie, e vamos apenas dizer que Levi sofreu por todos esses anos. Fodase, o garoto está sofrendo desde que ele tinha sete anos. Meu peito doía ao ouvir a dor na voz de Axel, imaginando Levi perdido todos esses anos. Colocando a caneca para baixo, eu trouxe minhas mãos juntas. Axel se inclinou para frente, passando as mãos pelo seu longo cabelo escuro.

– Esse irmão mais novo tem o coração mais puro que já conheci. Mas ele não fala muito, ele não faz muita coisa, mas mantem reservado para si mesmo e seus estudos e futebol. Eu mantive meus olhos para baixo, até que ele acrescentou: – Mas ele mudou tudo isso desde que te conheceu –, e meu olhar caiu no seu. – Não sei você, Elsie, mais eu tenho esperança nessas mudanças. Eu entendo que você não teve uma boa vida também, e foda-se, eu realmente sinto muito se a sua vida tem sido qualquer coisa como a de Lev. Mas estou te implorando. Eu esperei, apreensiva, para o que ele diria, quando ele sussurrou: – Por favor, não quebre a porra do coração dele. Vendo aquele garoto tão fechado, me doeu todo santo dia. Eu não vou vê-lo destruído pela primeira pessoa que ele já deixou entrar. Eu pensei que iria chorar com a voz profunda deste intimidante homem, mas eu forcei o choro para o lado para me apoiar e responder, – Eu nunca poderia machucá-lo. Eu... – Eu balancei a cabeça e baixei os olhos, – ele significa muito para mim.

– Bom –, Axel murmurou, em seguida, sentou-se em seu assento.


Vendo que todo mundo ainda estava falando entre si, me forcei a dizer:

– Suas esculturas são muito bonitas. O anjo: – Eu inalei, pensando em como colocar a sua beleza em palavras, quando a atenção de Axel foi arremessada para mim. Ele tossiu, então, perguntou: – Lev mostrou isso? Eu balancei a cabeça, esperando que não tivesse dito algo que não deveria. Eu sabia que não tinha, quando os olhos de Axel mostraram que significava o mundo para ele.

– Ele vai muito lá –, eu expliquei, – para o seu armazém. Ele é... ele tem medo que vai esquecê-la se não o fizer.

– Foda-se –, Axel soprou. – Eu juro que aquele garoto ainda vai me matar. – Eu sorri, quando, de repente, ouvi o nome de Levi sendo chamado da parte de trás da sala. Virando-se, eu vi Levi de pé na porta, Austin foi o primeiro a cumprimentar o seu irmão mais novo. – Lev, jogo foda, fratello –, disse ele e envolveu Levi em seus braços. Levi sorriu, abaixando a cabeça, e vi quando, um por um, sua família o felicitou pela sua vitória. O abraço de Axel demorou apenas um segundo a mais do que todo o resto. Eu vi um lampejo de confusão no rosto de Levi, questionando por que, mas ele passou no momento em que me viu na parte de trás da sala. Deixando cair sua bolsa no chão, Levi rapidamente fez o seu caminho para mim, um sorriso suave puxando seus lábios quanto mais se aproximava. Minhas pernas pareciam geleia enquanto ele se aproximava, mas eu mantive minha posição, a bela expressão em seu rosto tornando impossível para eu fazer qualquer outra coisa.


Levi parou diante de mim, parecendo mais do que bonito em seu terno e gravata da equipe. Seu cabelo loiro estava úmido de seu banho, e tinha dois arranhões no rosto de onde ele deve ter sido atingido durante o jogo. Esfreguei meus lábios juntos, esperando o que ia fazer, quando sua mão quente segurou meu rosto e disse em voz baixa, – Feliz aniversário, Elsie. Virei o rosto na palma de sua mão quente, e respondi: –Obrigada.

– É seu aniversário? – Ouvi um sussurro por trás. – Lev disse que ela não queria que ninguém soubesse –, alguém sussurrou de volta, mas eu não dei atenção alguma, estava paralisada em Levi cujos lábios estavam se aproximando de mim. Como sempre, o meu coração batia como um tambor, até que sua boca macia estava na minha e eu pensei que poderia explodir. Fechei os olhos, sem fôlego com seu beijo, quando ele se afastou e sorriu.

– Você está pronta para sair? –, Ele perguntou, e eu fiz uma careta em confusão. – Para seu aniversário –, acrescentou. Eu imediatamente senti medo com o que faríamos, com quem e onde. Eu não pensei que nada tinha sido planejado. Levi se aproximou e assegurou, – Só você e eu. Em nenhum lugar que você não vai gostar. Nenhum lugar para deixá-la nervosa. – Ele timidamente olhou ao redor da sala, em seguida, de volta para mim. – Confie em mim. Eu entendo você. Alívio passou pelos meus nervos, e eu olhei para o rosto preocupado de Levi através de meus cílios. – Você quer me levar para sair, para o meu aniversário? –, Perguntei, certificando-me que tinha ouvido direito. Ele acenou


com a cabeça lentamente e eu balançava sobre os meus pés. – Ninguém nunca me levou para sair em meu aniversário. Levi engoliu. Eu podia ver a simpatia em seu rosto, mas, mais do que isso, eu podia ver que ele queria isso. Que ele queria desesperadamente fazer isso por mim.

– Sim. – Ok –, eu sussurrei, emoção crescendo no meu estômago. – Sim? – Levi questionou. – Sim. – Eu sorri. Descendo, Levi pegou minha mão na sua e nós nos voltamos para a sua família. A mão de Levi estava apertada na minha quando todos estavam nos observando. Como se estivesse vendo o nosso desconforto, Austin disse, – Bem, rapazes, acho que é a nossa hora de sair. Todos saíram da cabine, Levi mantendo minha mão, só me liberando uma vez para falar rapidamente com Austin. Cada um da família de Levi nos abraçou em adeus e fomos para o Jeep. Tínhamos acabado de chegar à porta, quando uma voz gritou lá de trás.

– Alabama! Espere! – Merda –, Levi xingou sob sua respiração. Eu fiz uma careta, confusa com o que o tinha irritado ele. Eu segui os olhos de Levi para dois rapazes em torno de sua idade que estavam movimentando-se em direção a nós, uma menina loura e uma menina de cabelos vermelhos, vindo com eles mais atrás.


Levi chegou perto de mim, jogando o braço em volta dos meus ombros me puxando para perto. Vi a surpresa no rosto dos meninos quando ele fez isso.

– Alabama –, o loiro na frente disse, depois olhou para mim. – Você estava mantendo isso em segredo. Que diabos? Você tem uma garota e não disse? Levi deu de ombros e disse: – Elsie, este é Jake. Ashton é o de cabelo escuro atrás. – Jake e Ashton jogaram as mãos para cima em um aceno. Eu dei-lhes um pequeno sorriso. As duas meninas chegaram para ficar ao lado dos meninos, e quando os olhos da menina de cabelos vermelhos caiu em cima de mim, senti Levi me puxar um pouco mais apertado. Em um instante entendi por que, porque uma vez que seus olhos tinham me inspecionado, eles desembarcaram em Levi, e nenhuma vez eles o deixaram depois disso. Jake, o loiro, inclinou a cabeça na direção da garota de cabelos claros e disse: – Esta é a minha namorada, Stacey.

– Ele se virou para sua namorada. – Stace, esta é Elsie, a garota do Alabama. – Eu não sabia que você tinha uma namorada, Levi –, disse Stacey. A pressão de Levi congelou, mas depois relaxou quando ele disse: – Sim. Eu tenho. A leveza encheu meu coração quando ele disse isso para eles, com orgulho, que eu pertencia a ele. A namorada dele. Sua.

– Sou Harper –, disse a ruiva, e estendeu a mão para mim tremendo. Olhei para Levi, mas depois ofereci minha mão quando ele balançou a cabeça


que estava tudo bem. Com a mão ainda na minha, ela perguntou: – Qual é o seu nome? Ela esperou pela minha resposta, mas minha garganta tinha perdido toda a sua utilização; as palavras não saíam. Eu afastei minha mão, pânico e ansiedade como veneno em minhas veias. Ela parecia muito com aquelas garotas, parecia muito com Annabelle.

– Elsie –, disse Levi, me salvando do afogamento. – O nome dela é Elsie. Virei-me para Levi. Vendo um sorriso torto calmante em seus lábios. Eu derreti em seu peito, inalando profundamente, enchendo meu nariz com o cheiro temperado dele. Levi deu um beijo no topo da minha cabeça, e eu sabia o que significava esse simples beijo: ele estava lá comigo.

– Então, você vem para o jantar em duas semanas, Elsie? –, Perguntou Ashton. Mantendo meu rosto pressionado contra o peito de Levi, eu dei de ombros. Ashton acenou com a cabeça, mas eu podia ver questões escritas por todo seu rosto. Jake riu. – Parece que você encontrou uma garota que gosta de falar tanto quanto você. Ela é perfeita para você. Meu coração despencou, sentindo como se eu fosse embaraçosa para Levi, quando ele disse: – Ela fala muito, homem, ela apenas é tímida com novas pessoas, isso é tudo. – Eu ouvi a batida do coração de Levi aumentar, a minha orelha direita pressionada em seu peito, em seguida, ele acrescentou, – Mas sim, ela é muito perfeita para mim, você acertou nisso. Levi balançou a cabeça, em seguida, exalou uma respiração profunda. – Temos que ir, rapazes. Estou levando minha garota para sair.


Jake deu um passo atrás, mas perguntou: – É provavelmente um não como resposta, mas estamos dando uma festa hoje à noite e... – Jake parou. Levi riu.

– Nah, cara. Mas obrigado. Vejo vocês na próxima semana. Levi imediatamente abriu a porta do lado do passageiro do Jeep e eu entrei. Antes de ir para o lado do motorista, ele se inclinou para pressionar um beijo suave nos meus lábios. Quando ele puxou de volta, dei-lhe um olhar interrogativo. Uma vermelhidão familiar revestiu suas bochechas, e ele disse: – Chamar você de minha garota, isso foi tudo. Soou bem real em meus lábios. Levi estava no banco do motorista antes mesmo de eu perceber que ele tinha se mudado. A verdade era que eu gostava dele me chamando de sua garota, também. Eu gostava que eu era sua. Garota de Levi.

Levi nos levou a um restaurante na orla. Era um pequeno restaurante italiano, muito isolado e privado. Ele segurou minha mão quando o garçom levou-nos a uma mesa no exterior com vista para o Puget Sound. Havia aquecedores no topo da mesa tornando-a confortável para sentar-se ao ar livre na noite fria. Nós tínhamos acabado de sentar quando um homem veio sorrindo, apontando diretamente para Levi. – Ciao, come stai, Levi? –, Disse o homem, obviamente, falando italiano.


Meu coração parou. Não, quase explodiu quando Levi tão lindo em seu terno da equipe, apertou sua mão.

– Bene, Carlo, et tu? Meu queixo caiu quando escutei Levi conversar em italiano fluente com o gerente, sua voz suave, tímida, ousada enquanto sua língua envolvia em torno das consoantes e vogais. O homem deve ter perguntado algo sobre mim, porque Levi sorriu para mim, acenando com a cabeça. – Si –, ele respondeu, baixando sua cabeça em timidez. – Lei é la mia ragazza. O homem bateu em Levi no seu braço, e respondeu: – Ah, é Bella. Desta vez, quando Levi olhou para mim através de seus fios de cabelo caídos, algo dentro de mim incendiou. Eu olhei, esperando desesperadamente por ele para responder, apenas para ouvir sua linguagem bonita, quando ele murmurou, – Si, Carlo. Bella mia. Levi puxou o lábio inferior em sua boca, e eu não poderia deixar de corar. Carlo moveu em direção a mim, pegando a minha mão. Ele deu um beijo na parte de trás dela e disse: – Buon apetito. Eu balancei a cabeça em agradecimento, quando Carlo saiu e nos deixou sozinhos. Levi sentou-se, mas ele não levantou a cabeça. Eu alcancei sobre a mesa para tomar sua mão descansando na parte superior. Levi respirou fundo e encontrou meus olhos. Eu balancei minha cabeça. – Você fala italiano? Uma sombra pareceu passar através dos olhos de Levi e ele acenou com a cabeça. – Sim –, foi tudo o que disse. Apertei a mão dele deixando-o saber que eu queria saber mais, quando ele passou a mão livre pelo seu rosto. –


Minha mãe era italiana, de Florença. Ela se mudou para cá para ficar com o meu pai. – Ele olhou para cima, em seguida, de volta para baixo e acrescentou:

– Ela só falava em italiano conosco. Austin nos traz muito aqui. É assim que conhecemos o gerente. Eu não percebi o quanto estava segurando a mão de Levi até que meus dedos começaram a doer. Puxando-me mais perto da mesa, trouxe nossas mãos unidas para o meu rosto e passei a mão por ele, só para pousar em meus lábios para que eu pudesse pressionar um beijo em sua pele quente. Levi observava cada movimento meu. Ele engoliu em seco quando fiquei quieta. Mas eu disse tudo o que precisava dizer com aquele beijo - eu entendia.

– Então, – Levi perguntou asperamente, a emoção espessa em sua voz: – O que você achou do jogo? Eu balancei minha cabeça com vista para a lua cheia refletindo fora da água. – Foi surreal –, eu respondi, a água ondulando ao vento suave. Eu olhei para trás para Levi e continuei. – Foi tão cheio de gente, pessoas gritando seu nome, e te olhando como se você fosse um Deus. A expressão de Levi era reservada enquanto eu falava. Ele olhou para a água também, mas ele correu o polegar sobre a palma da minha mão e perguntou: – É... isso poderia ser algo que você se acostumaria? Seu polegar parou na minha mão, aguardando a minha resposta. Eu dei de ombros. – Eu poderia, – eu parei e balancei a cabeça. – Eu não tenho certeza se poderia ficar em torno disso o tempo todo. – Eu levantei a minha mão ao meu ouvido direito. – Os sons eram ensurdecedores. – Eu bufei uma risada com a ironia dessa declaração, mas disse: – Havia muitas pessoas lá. Eu


nunca vi tantas pessoas em um único lugar antes. – Eu inalei. – Foi impressionante. Levi não disse muita coisa em resposta, mas ele parecia magoado e meu coração rachou. Eu nunca quis que ele se machucasse, mas essa situação, para mim, parecia insuportável. O garçom chegou naquele momento, e Levi pediu a nossa comida. Nós comemos a refeição na maior parte em silêncio, até uma hora depois, Levi pagou a conta e se levantou. Suspirando, ele estendeu a mão. Eu olhei para a mão oferecida, preocupada que ele ainda estava desapontado comigo. Levi empurrou mais longe na minha direção e eu não poderia ajudar, mas deslizei a palma da mão contra a dele. Ele apertou-a com força, quando eu fiquei de pé. Sua mão livre imediatamente enfiou no meu cabelo e ele me puxou para mais perto. Eu olhei para seus olhos brilhantes, a prata parecendo cinza ao luar, então ele pressionou seus lábios nos meus, tomando posse da minha boca. Eu gemi quando sua língua empurrou contra a minha. Soltando a minha mão, ele agora colocou as duas mãos no meu cabelo, escovando seu peito duro contra os meus seios. Tremores espetaram na minha espinha quando Levi gemeu baixo. Ele avançou tão perto quanto poderia, tão perto que senti sua dureza empurrando contra mim. Calor rodou no meu estômago e viajou mais baixo para o meu núcleo. Quando Levi gemeu de novo, me afastei, tentando recuperar o fôlego. Minhas mãos ficaram estáveis no peito de Levi. Eu podia sentir seu coração acelerado, e quando olhei em seus olhos, eles estavam brilhando com luxúria e iluminados com fogo. Levi fechou os olhos e baixou a testa na minha. Ele inspirou e expirou em respirações profundas e firmes, até que ele disse: – Precisamos ir embora.


Meu estômago virou, querendo saber o que ele quis dizer, quando explicou, – Eu tenho mais uma coisa que preciso que você veja. Precisando de um minuto também, deixei minhas mãos deslizarem para seus pulsos e disse: – Tudo bem. Embora não nos mexemos. Ficamos sob a lua cheia, ao lado da água, completamente silenciosa, mas segurando firme. Como a lua brilhante acima, eu sabia que tinha acabado fazer a transição para uma nova fase. Eu nunca tinha estado lá com um rapaz antes. Eu nunca tinha sido tocada antes de Levi. E se eu estava certa, este menino tímido com um coração de ouro, não tinha estado com ninguém também. Meu sangue correu pelo meu corpo quando percebi que eu o queria. Eu queria dar a ele, eu. Eu queria me entregar a ele de todas as maneiras possível. Minhas bochechas ardiam enquanto eu procurava palavras para expressar o desejo da minha vida, mas não havia nenhuma. Eu não sabia como dizer que queria-o, totalmente. Eu simplesmente não tinha palavras.

– Elsie –, a voz áspera e tensa de Levi chamou meu nome, e eu olhei para ele através dos meus cílios. Suas mãos nas minhas bochechas apertadas enquanto eu olhava para ele, sabendo que havia fome em meus olhos, mas ele disse, – Nós realmente precisamos ir. Eu quero- – Ele parou a si mesmo de terminar a frase, e virou-se de costas, juntando nossas mãos e levando-nos a partir do cais, através do restaurante para a rua. Eu estava desesperada para saber o que ele ia dizer. Soltando a minha mão para colocar o braço sobre os meus ombros, ele me puxou para perto e me levou em direção a um conjunto de bares a frente. Quanto mais longe íamos, mais as pessoas apareciam; Sábado à noite foi ficando mais ocupado quanto mais escuro se tornou.


Viramos uma pequena viela, e chegamos a uma pequena cafeteria. Não uma das grandes cadeias que enchiam as ruas de Seattle, mas uma pequena e independente, repleta de sofás macios e cores ricas. Levi nos guiou através dela, a maioria dos sofás ocupados, mas tinha um livre, vermelho, de dois lugares e ao lado do fogo. Reivindicamos o sofá e nos sentamos, um atendente imediatamente veio para tomar nosso pedido. Quando o atendente nos deixou, eu permiti o meu olhar correr sobre a sala. Havia pessoas de todas as idades, vestidas de todos os tipos e formas. As pessoas estavam sentadas sozinhas, em pares ou em grupos, todas as suas cadeiras em frente ao palco. Um único microfone estava no palco, cortinas de veludo vermelho cobriam o fundo. Confusa, me virei para Levi para vê-lo me observando. Seu paletó estava colocado sobre as costas do sofá, sua gravata dobrada no bolso. Os dois primeiros botões de sua camisa estavam abertos quando ele se sentou de volta, seus olhos em mim. Eu apontei ao redor da sala, e dei de ombros como se perguntando. Levi mudou-se para a frente do sofá, e disse: – Eu descobri sobre essa mulher e queria que você a ouvisse. Sua resposta não tinha feito nada mais claro. O atendente deixou nossos cafés e se afastou. Levi apontou para o palco e disse: – Durante a primeira hora é de microfone aberto. As pessoas podem ler suas próprias notas. Então Sarah Carol vem lendo suas obras. Meu pulso correu quando percebi que lugar era esse, o que estávamos prestes a assistir. Em seguida, uma mulher apareceu a frente do microfone, segurando um livro na mão. Ela bateu no microfone para se certificar de que


estava ligado. Um toque estridente gritou nos alto-falantes fazendo-me estremecer. No minuto em que morreu, fui cativada pelo cenário. A mulher abriu o livro e começou a ler suas palavras. – O amor é como um laço, um beijo venenoso... – Ouvi atentamente cada palavra, da mulher que desnuda a sua alma para o mundo ouvir. Quando ela terminou, a multidão aplaudiu e um homem subiu ao palco. E assim foi; pessoas, uma após outra, caminhando para o palco, compartilhando seus poemas. Alguns eram engraçados, alguns eram sérios, alguns eram tão devastadores que lágrimas caíram pelo meu rosto. Levi sentou em silêncio ao meu lado, com a mão na minha perna enquanto fiquei completamente colada a cada frase bravamente falada em voz alta. Quando a última pessoa deixou o palco, o atendente atualizou nossos cafés, e eu me virei para Levi. Ele estava me observando de perto. – Eles podem apenas se levantar e ler as suas palavras?

– Sim –, disse ele e acariciou o cabelo para trás dos meus olhos. – É um clube de poesia, eles têm mais noites de leituras, mas sábados são para os poetas maiores, as pessoas que tenham publicado livros, que percorrem o país. Meus olhos se arregalaram e eu disse: – Hoje é sábado. Será que vamos ver alguém? Levi assentiu. – Sim, mas eu queria que você visse o microfone aberto pela primeira vez. Eu queria mostrar-lhe como as pessoas compartilham seus poemas. Que há lugares para fazê-lo, se você quiser fazer isso um dia. – Ele sorriu e balançou a cabeça. – Eu só ouvi alguns de seus poemas, Elsie, mas você é melhor do que a maioria daqueles que nós acabamos de ouvir.


Um calor inebriante de alegria, polvilhou sobre mim pelo elogio de Levi, apenas para ser substituído por completo e absoluto medo. Eu balancei minha cabeça. Vislumbrando a fase em minha visão periférica, eu me virei para olhar para o microfone solitário que estava no centro do palco, sob o brilho de um holofote.

– Eu não poderia, – sussurrei, congelada de medo meramente com a ideia de abrir a boca para que as pessoas ouçam o som da minha voz. Não era só os meus poemas, que também me causou ansiedade em compartilhar minhas palavras. Mas o pensamento de pessoas ouvindo a minha voz, por eu me abrir a esse tipo de ridículo, para ouvir as suas palavras cortantes, suas risadas e maldade...

– Shh, – Levi acalmou, me puxando para trás, para me encostar contra o sofá. Ele embalou minha cabeça contra seu peito. Envolvi meu braço em volta de sua cintura e me forcei a acalmar. Levi correu os dedos pelo meu cabelo, e disse: – Você não tem que fazer qualquer coisa que não queira. Eu só queria mostrar-lhe este lugar. – Ele engoliu em seco e disse: – É a sua paixão pelo que eu posso dizer. Eu queria mostrar-lhe que havia pessoas como você, pessoas que podem fazer magia com as palavras também. E com suas palavras, meu coração caiu no precipício que tinha vindo se equilibrando desde que conheci esse garoto. Eu inclinei minha cabeça para olhar para Levi. Eu queria dizer tanto. Eu queria expressar o quanto ele me fazia sentir, como eu me sentia, com o que ele disse para mim, tão gentil e tão puro, mas eu não conseguia encontrar as palavras. Minhas palavras foram roubadas na hora que eu queria expressar meus sentimentos.


De repente, as luzes se apagaram e uma mulher, que devia estar em seus trinta e poucos anos, subiu ao palco. A cafeteria caiu em silêncio, e a mulher fechou os olhos, sua voz poderosa, mas não tão poderosa quanto suas palavras.

– Quem sou eu? A menina na rua. Quem sou eu? O subumano a seus pés... – Quanto mais a mulher falou, cada frase atada em mágoa e dor, eu senti como se tivesse fisicamente levado um soco no meu estômago. Levi, claramente sentindo isso, me segurou mais perto, beijando minha cabeça quando minhas lágrimas caíram. Eu escutei por uma hora pelo o que poderia ter sido a minha vida. Esta mulher não tinha casa. Ela tinha sido ignorada, mas, mais do que isso, mais pungente para mim, ela tinha experimentado o que eu tinha também. Ela sentiu a bofetada de palavras duras. Ela havia sido alvo de crueldade... ela entendia. Ela entendia o que era ser rasgada por pessoas, como aquelas garotas que me tinham rasgado em pedaços, que tinham me reduzido até que eu não passava de um concha vazia... que envenenaram meu mundo até que se tornou um mundo que eu não queria mais viver. Eu sabia que Levi tinha me trazido para vê-la por causa de como ela mesma tinha vindo das ruas escuras e vazias de ser uma mulher sem-teto. Ele não podia saber que este também tinha sido o meu passado. Ele não podia saber o quão perto cheguei à beira de deixar a crueldade me consumir completamente. Levi moveu o braço, deixando meus ombros. Virei-me para agradecê-lo, beijá-lo e expressar a gratidão pelo maior presente que já recebi, quando ele enfiou a mão no bolso do casaco e tirou um livro de capa dura vermelha. O rubor em suas bochechas quase igualou ao pigmento da capa do livro, e ele entregou-o a mim, uma fita delicada amarrada em torno dele.


Com as mãos trêmulas, tomei dele e li o título: 'Trials '. Era da Sarah Carol, a mulher que acabamos de ouvir. – Feliz aniversário, Elsie –, acrescentou ele amorosamente.

– Levi –, eu sussurrei em resposta, um nódulo obstruindo minha garganta. Engoli em seco, mas consegui dizer: – Você... você me presenteou com palavras? Levi deu de ombros, nervosamente passando os dedos pelos cabelos. – Você tem elas em você, no seu coração, mesmo que não goste de dizê-las em voz alta. Embora você tenha compartilhado comigo. Eu pensei que poderia devolver-lhe o gesto. Eu não poderia impedi-las nem se tentasse, mas a construção de lágrimas nos meus olhos apareceram. Eu não as deixei cair. Pisquei-as fora. Inclinando-me para frente, eu dei um beijo no rosto com barba por fazer de Levi. Eu não podia falar agora. Levi sorriu e apontou para o palco.

– Ela está autografando, Elsie. – Eu segui o seu dedo, mas balancei a cabeça.

– Eu não podia, eu não conseguiria pedir... – Eu vou buscar um autógrafo para você se você quiser? Minha cabeça inclinou para o lado, e eu disse: – Você não gosta de falar com estranhos também.

– Mas eu faria isso por você. Eu serei sua voz quando você não puder falar.


Levi pegou meu livro da minha mão e ficou de pé. Eu rapidamente fiquei ao lado dele, deslizando meu braço em volta de sua cintura. Levi olhou para baixo, e eu disse: – Então, você não está sozinho para fazer isso. Seus olhos cinzas cheios de uma emoção que eu não tinha certeza se estava pronta, mas ele não disse nada, ao invés disso ele me levou em direção a poeta com o braço em volta dos meus ombros. Esperamos na fila até ser a nossa vez. A poeta sorriu, e eu deixei cair meus olhos. – Você gostou da leitura? –, Ela perguntou. Levi pigarreou. – Sim. Eu podia sentir os olhos da mulher em mim, quando ela perguntou: – Então, o que você gosta da poesia? Levi me apertou mais forte, e respondeu: – Minha garota, Elsie. Ela escreve também. Nervosismo abordou meu corpo. Eu ouvi a mulher rabiscar sua assinatura na página, quando Levi disse: – Ela é meio tímida. Ela não fala muito. Olhei para cima e a mulher encontrou meu olhar. – Eu costumava ser assim, mas achei a força de expressar a minha voz através das minhas palavras. Isso é pela mulher que me apaixonei. – Eu já sabia que ela estava intimidada por ser homossexual, desabrigada por ser homossexual, assim suas palavras não foram nenhuma surpresa. Na verdade, elas eram como um bálsamo para mim. Porque ela tinha sido curada. Ela entregou o livro para mim, e eu estendi a mão e peguei. Inclinandose, ela disse, – Eventualmente, algo ou alguém virá em sua vida para mostrar-


lhe que o que as outras pessoas pensam, não importa mais. Você vai encontrar a força para não deixar o que as pessoas dizem afetá-la da mesma maneira de antes. Olhei para a poeta, e sorri timidamente. Alcançando atrás dela, ela me deu um livreto preto, e disse: – Aqui, para quando vir a inspiração. Peguei o bloco de notas em branco e preto dela e segurei-o contra meu peito.

– Obrigado –, Levi falou por mim, e fizemos o nosso caminho até a porta. Quando nós batemos o ar frio da noite, olhei para Levi e puxei-o para parar. Ele se virou, confusão em seu rosto, quando me levantei na ponta dos pés e beijei-o com tudo o que eu tinha. Eu derramei todos os meus agradecimentos naquele beijo, mantendo meus preciosos livros junto ao peito. Quando eu puxei para trás. Levi estava fora do ar, mas seus olhos estavam fixos em mim.

– Obrigada –, sussurrei. – Foi o melhor aniversário que eu jamais poderia ter sonhado em ter. Aquele sorriso tímido que eu adorava, se propagou no rosto de Levi e ele enfiou a mão na minha. – Vamos para casa, bella mia. Casa, eu pensei enquanto começamos a caminhar para o Jeep. Eu sabia que Levi estava se referindo a casa de Austin e Lexi, mas eu entenderia isso só como ele e eu. Porque eu tinha certeza que minha casa era unicamente com esta doce alma, onde quer que ele estivesse.


LEVI

Alguma coisa havia mudado entre nós. Eu podia sentir a tensão no ar quando Elsie colocou sua mão sobre a minha em sua coxa. Eu estava mais consciente de sua companhia. Sua mão se sentia diferente na minha, e quando eu a beijei, eu não queria mais parar. Eu balancei a cabeça com o pensamento, porque eu nunca pensei que chegaria a este ponto com alguém. Eu nunca pensei que jamais ficaria confortável o suficiente com alguém para fazer amor, ou querer, pelo menos.

– Você está bem? – Eu olhei para Elsie ao meu lado, que estava olhando para mim com uma verdadeira preocupação. Eu balancei a cabeça novamente. – Eu estou bem, apenas cansado, isso é tudo.

– Você teve um longo dia. Eu sorri, sabendo que ainda não tinha acabado. Eu só esperava que Austin tivesse feito tudo que pedi.


Puxando até a casa, eu estacionei perto da porta traseira. Esperei por Elsie se juntar a mim e a guiei pelo pátio. Quando estávamos prestes a chegar à porta, Elsie puxou minha mão. Seus livros estavam perto de seu peito, o que me fez sentir tão orgulhoso que eu poderia estourar. Sua cabeça abaixou, quando ela disse: – Eu só quero dizer obrigada, Levi, por hoje. Tem sido... – sua voz suave desapareceu, terminando a frase com um suspiro. Eu a puxei para mais perto, com os olhos arregalados quando enfiei a mão na parte de trás de seu cabelo.

– Não acabou –, eu disse asperamente, em seguida, abri a porta para a casa da piscina. Ouvi Elsie suspirar atrás de mim quando ela viu as flores e balões enchendo a casa da piscina.

– Levi –, ela sussurrou, e esquadrinhou o quarto inteiro. – Espere aqui –, eu disse, e fui para o quarto dos fundos. Quando entrei, havia o bolo de aniversário que eu tinha comprado. Jogando meu paletó na cadeira, eu acendi a vela no bolo e fiz meu caminho para a sala da frente. Elsie estava tocando uma rosa quando me aproximei. Ela se virou quando me ouviu, e eu disse: – Tanti auguri, Elsie. Parabéns. Elsie congelou, em seguida, ela deixou cair os livros sobre a mesa. As mãos dela foram parar na boca. Eu dei um passo cada vez mais perto, até que parei bem em sua frente, vendo como ela olhou para o bolo de aniversário, lágrimas enchendo seus olhos.

– É redondo, rosa e meu nome está escrito nele –, ela sussurrou. Um suspiro saiu de sua garganta. – Levi –, ela chorou e me olhou nos olhos. Dei de ombros, sentindo cada toque de seu choque; mas eu não tinha certeza se tinha feito a coisa certa. – Eu queria que hoje fosse especial. – Baixei


a cabeça, pensando que eu tinha feito algo errado. – Você disse que seu aniversário favorito envolvia um bolo. Um bolo cor de rosa que era redondo e tinha seu nome escrito na parte superior. Eu queria lembrá-la de quando sua vida não foi tão difícil.

– Minha vida sempre foi difícil, Levi. Todos os dias da minha vida. Eu estremeci sabendo de tudo isso que ela tinha passado. Eu era um idiota, tentando muito duro fazê-la feliz. Eu me virei para ir embora, quando Elsie agarrou meu braço. – Até que conheci você, – ela confessou, quase num sussurro. Sua voz pequena fez os meus pés plantarem no chão e o calor atravessou meu peito. Senti um beijo no meu ombro, e ela disse: – O dia que conheci você, mesmo naquele beco, com apenas um simples copo de café, você me mostrou mais bondade do que eu tinha recebido em anos, talvez nunca recebi. Sua testa caiu para minhas costas. – Você me deu a minha voz, sem julgamento. Você me deu aventuras, e beijos. Você me deu saúde e conforto... e você me deu palavras. Você me deu palavras, – Eu a ouvi bufar uma risada, – e você me deu a luz em um frasco para manter a escuridão longe. Eu senti-a tremer, quando ela acrescentou, dolorosamente, – O que eu te dei para ganhar tudo isso? Para ganhar a sua confiança? Eu respirei fundo e me virei para ela. A cabeça de Elsie estava abaixada. Colocando o bolo sobre a mesa, agora, com cera pingando da vela, eu disse: – Você me deu... eu. Minha voz era baixa e rouca, mas eu precisava que ela olhasse para mim. Eu coloquei meu dedo sob seu queixo e ergui sua cabeça. Seus longos cílios


voavam em suas bochechas. Eu disse a ela diretamente. – Você nunca tem que esconder seu rosto de mim. Você nunca tem que ser tímida, não comigo. Os olhos de Elsie levantaram, e suas íris azuis queimou na minha. Eu empurrei uma mecha de seu cabelo loiro e comprido atrás da orelha. Suas bochechas ainda estavam rosadas do vento lá fora, e eu jurei que não havia ninguém no maldito planeta mais bonito do que esta garota. Pelo menos não para mim. – Eu estive perdido, Elsie. Perdido e afogando desde que era uma criança.

– Como Leander. Afogando. Perdido na maré –, ela acrescentou. Eu não pude deixar de sorrir.

– Como Leander –, eu concordei, e engoli em seco. – Então a vi. Eu a vi e você me trouxe de volta para mim. – Eu tomei seu rosto bonito em minhas mãos, e disse: – Você, a garota bonita sem nenhuma voz, me deu uma voz novamente. Elsie, você me trouxe a vida. – Eu beijei sua testa, movendo minha bochecha para descansar contra a dela. Com a minha boca perto de sua orelha direita, eu assegurei, – É por isso que você merece tudo isso. Porque você é um doadora de vida. A doadora de vida em silêncio. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, e eu as enxuguei com a ponta do meu polegar. – Levi – , ela sussurrou entrecortadamente.

– Agora, venha e sopre sua vela. Elsie riu, sua risada estridente soou como o paraíso para os meus ouvidos. Eu levantei o bolo e caminhei até sentar na cama. Elsie subiu no lado oposto e empoleirou-se sobre os joelhos. Certificando-se de que eu estava perto da lâmpada de cabeceira, coloquei o bolo sobre o edredom. Elsie veio mais à frente.


– Feche os olhos e faça um pedido. – Eu instruí. Quando Elsie apagou a única vela, eu apaguei a luz. O frasco de luz brilhando ao lado dela. Eu vi quando os olhos de Elsie abriram, quando ela rapidamente olhou em volta, vendo a sala mergulhada na escuridão. Ela olhou para mim quando eu levei o bolo para a mesa lateral. Eu cobri a mão dela com a minha própria e instrui: – Olhe para cima. Elsie franziu a testa, mas fez como eu pedi. Seus lábios se separaram quando uma respiração chocada saiu de sua boca. Eu não olhei para cima, ao invés disso fiquei olhando para ela. Eu não queria desviar o olhar enquanto observava um sorriso reverente se propagar em seu rosto. Eu não conseguia desviar o olhar quando ela olhou para o teto de estrelas.

– Levi –, ela sussurrou em meio às lágrimas. – O que é que você fez? O que você está fazendo com o meu coração e minha alma? Pela primeira vez me deixei levar pelas palavras que queriam derramar da minha boca. – Estou me apaixonando por você. O sangue correu para o meu rosto, meus nervos em chamas como fogo. Mas o que eu tinha dito foi o suficiente para rasgar a atenção de Elsie das estrelas de neon de plástico e se concentrarem em mim. Silenciosamente ela chegou mais perto e mais perto, até que seus lábios caíram sobre os meus, sua boca nervosa e tímida, antes de ficar mais ousada e mais forte. Eu a beijei de volta. Eu a beijei de volta com tudo que tinha, minhas mãos envolvendo em torno de seus fios dourados. Elsie gemeu em minha boca quando nos abaixamos e nos deitamos na cama. Nós nos beijamos e nos beijamos até que ficamos sem fôlego, Elsie se afastou para olhar nos meus olhos. – Levi, você... você me faz querer dar meu coração.


E isso foi tudo que me tomou. Isso foi tudo o que levou para me apaixonar completamente por essa garota silenciosa, minha garota bonita. Bella mia.

– Elsie –, eu gemi, voltando a sua boca. Vendo sua garganta nua, a pele clara que eu queria beijar, mudei meus lábios para baixo e escovei ao longo da sua carne suave. Elsie gemia e se contorcia sob o meu toque. Sua pele doce como maçãs. Quando meus lábios passaram por cima de seu pulso, senti-o batendo rápido demais. De repente puxei para trás quando as costas de Elsie arquearam, e eu me sentei para trás em meus calcanhares. Minhas mãos estavam em punhos em minhas coxas enquanto eu lutava para voltar atrás do que eu queria fazer. Algo que não tinha ideia de como iniciar. Tive a sensação de um dedo correndo em minha palma, mas eu mantive meus olhos fechados. Eu estava duro, e estava tentando como o inferno me acalmar.

– Levi – Elsie estava falando, mas eu a cortei. – Sinto muito –, eu disse, minha voz cheia de necessidade. – Eu vou recuar. Eu só... Eu só preciso de um minuto. Elsie não disse nada em resposta, e eu trabalhei em inspirar e expirar. Então, de repente, senti um beijo no fundo da minha garganta. Meus olhos se abriram para ver Elsie sentada diante de mim. Quando nossos olhares se encontraram, ela segurava meus olhos em transe. Eu levantei sua mão para o meu rosto. Seus dedos traçaram a borda da minha testa, deslizando pelo meu


rosto e em meus lábios. Eu os esfreguei juntos quando isso me fez cócega, mas Elsie não parou por aí. Suas mãos continuaram na minha garganta, para o início do meu peito, só para parar onde os botões da minha camisa ainda estavam fechados. Seu hálito quente vagou sobre meu rosto, e com o brilho da luz do frasco, vi suas pupilas se dilatarem. Eu congelei, incapaz de me mover e incapaz de falar, então Elsie desfez o botão da minha camisa. Meu sangue correu por meus ouvidos, e eu olhei para o rosto corado de Elsie. Seus olhos estavam decididos nos meus enquanto seus dedos desfizeram um, depois dois, três e quatro botões. Minha calça ficou mais apertada, quanto mais para baixo as mãos dela iam, minha pele ruborizou enquanto ela me tocava. O silêncio se estendeu até a minha camisa ser aberta. Esperei pelo o que ela faria a seguir. Eu tinha deixado-a tomar o controle. Eu não esperava que ela fosse empurrar a camisa dos meus ombros, o material caiu para meus pulsos. Eu puxei uma respiração afiada, ficando tão duro que mal podia suportar. Em seguida, Elsie veio e beijou a pele do meu peito.

– Merda, – Eu assobiei, a sensação de sua boca em mim, fez meus músculos ficarem tensos. Elsie fez uma pausa, mas quando olhei para baixo, ela pressionou outro beijo no meu peito. Ela apertou beijo após beijo junto aos meus peitorais. Eu apertei meus olhos fechados, seu toque era a mais doce tortura. Seus lábios macios pousaram no lado do meu pescoço, eles subiram até que sua boca parou no meu ouvido, e ela disse, – Faça amor comigo. Meus olhos se abriram e minha respiração parou.


A respiração de Elsie estava irregular enquanto ela esperava por mim. Sua cabeça, em seguida, mudou-se para trás até que seus olhos azuis apareceram, seus olhos azuis cheio de desejo... por mim. Ela me queria. Eu a queria... muito mesmo.

– Elsie –, eu gemi, levantando os meus dedos em seu cabelo. Eu empurrei meus dedos nos fios grossos e vi quando ela fechou os olhos, depois lambeu ao longo de seus lábios. – Elsie –, murmurei e escovei minha bochecha contra a dela. – Você... você tem certeza? Elsie acalmou, mas não falou. Eu esperei e esperei até que a senti moverse para trás. Ela saiu do meu controle e longe de onde eu estava sentado. Meu coração despencou quando pensei que ela mudou de ideia. Exalei, pronto para me mover para fora da cama para tomar um ar, quando Elsie começou a levantar sua camisa sobre a cabeça, jogando-a no chão, apenas seu sutiã rosa aparecendo. Minhas mãos apertaram enquanto olhava para sua beleza, pelo seu corpo incrível, sua pele branca. Então ela veio a frente até que estava bem na minha frente. Até que sua pele nua estava ao meu alcance. Eu podia sentir que meu rosto estava em chamas. – Elsie –, eu sussurrei novamente, sentindo-me completamente fora de minha profundidade.

– Faça amor comigo –, ela repetiu e, lentamente, colocou os braços ao redor do meu pescoço. Com lágrimas nos olhos, ela acrescentou, – Sob as estrelas que você me presenteou. Faça amor comigo. Meu coração bateu contra meu peito. Eu tive que admitir: – Eu nunca fiz isso antes. – Baixei os olhos. – Eu nunca fiz nada assim antes.


Constrangimento me segurou, até que Elsie pressionou sua mão no meu peito, meu coração batendo rápido.

– Eu também não. Levantando os olhos, olhei para seu rosto bonito, que me observava tão atentamente, e murmurei, – Você é tão bonita. O rosto de Elsie avermelhou, e antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, eu beijei seus lábios macios e acabei de tirar minha camisa. Passando minhas mãos sobre sua pele macia, eu nos abaixei até a cama, Elsie, ficou de costas para o edredom. Perdido no beijo, mudei-me sobre seu corpo, cobrindoa com o meu próprio. Elsie gemeu em minha boca enquanto suas mãos corriam pelas minhas costas. O sentimento atirou direto para o meu pau, provocando arrepios sobre a minha pele corada. Eu gemi em sua boca. Quebrando o beijo, me mudei para baixo, de sua garganta ao seu peito. Eu parei em seus seios. Elsie congelou debaixo de mim, e eu olhei em seus olhos. Ela assentiu com a cabeça, concordando para eu tocá-la. Engolindo meus nervos, corri minha mão sobre a parte superior de seu sutiã, ela arqueou para trás e seus suaves gemidos encheram o quarto. Estimulado por seus sons que incentivavam, abaixei as alças do seu sutiã, puxando-os para baixo com minhas mãos tremendo, até que seus seios foram libertados. Minha respiração engatou com a visão, eu levei meus dedos tímidos sobre a carne, em seguida, sobre o mamilo rosa que estava endurecendo sob o meu toque. Elsie gritou quando a ponta do meu dedo brincou com o broto duro. Eu gelei ao ouvir o som e perguntei: – Você está bem?


Eu podia ouvir o nervosismo na minha voz, e quando Elsie inalou pelo nariz, ela balançou a cabeça. Eu entendi que não a tinha machucado ou causado sua dor, mas ela gostou.

– Levi –, ela gemeu, sem fôlego, e passou a mão pelo meu cabelo. Meus olhos viraram com seu toque. Mas, em seguida, sua mão estava empurrando minha cabeça para baixo, empurrando a cabeça para seu mamilo. Gemendo, eu precisava saboreá-la. Espalmando seu seio cheio na minha mão, passei minha língua e timidamente lambi sobre a pele quente. A mão de Elsie apertou meu cabelo, acendendo um fogo dentro de mim. Puxando para trás a minha língua, em seguida, tomei Elsie na minha boca, um suspiro agudo derramou de seus lábios.

– Levi –, ela gritou, – por favor. Estimulado por seu pedido, eu deixei seu peito e me mudei de volta para sua boca, seus os olhos estavam da cor de chumbo e cílios baixo. As mãos de Elsie caíram do meu cabelo e soltei o sutiã, descartando o material no chão. Sua respiração estava acelerada quando nossos olhos se encontraram, e eu abaixei minha boca, empurrando minha língua dentro para deslizar ao lado da dela. Elsie me puxou para mais perto, tão perto que nossos peitos nus se encontraram, puxando um gemido de nós dois. Embalando meus braços sobre a cabeça de Elsie, tomei sua boca, ambos ficando mais ousados a cada minuto. Com cada toque a timidez e apreensão ia embora, até que ficou apenas nós. Apenas nós e nenhuma insegurança, nada nos segurando. Os quadris de Elsie levantaram, sua coxa pressionando contra a minha. Eu bati minha cabeça para trás e cerrei os dentes. Abrindo os olhos, a atenção


de Elsie estava fixa em mim. Sua pele pálida estava corada e úmida, seu cabelo loiro espalhado sobre o travesseiro como uma auréola.

– Levi, por favor –, ela implorou novamente. Engolindo meus nervos, sentei-me, mexendo na cama até que eu estava de frente para o jeans de Elsie. Incapaz de resistir, corri minha mão sobre sua barriga lisa, ela não usava nada em sua metade superior, além das pulseiras que ela sempre usava em torno de seus pulsos e o colar de ouro que estava em seu peito. Largando minha mão no topo da calça jeans, Elsie acalmou quando os meus dedos suavemente abriram o botão, passando para deslizar para baixo o zíper. Meu coração estava batendo muito rápido com o que estava acontecendo entre nós. Mas eu não podia parar. Eu queria muito essa garota. Eu queria tocá-la. Eu queria fazê-la minha de toda forma possível. Tomando conta do cós, escorreguei o jeans de Elsie, sua calcinha de renda rosa descendo com ele. Removendo o jeans de suas pernas, eu parei enquanto olhava para minha garota bonita, espalhada nua na minha cama, sua pele úmida reluzindo sob o brilho de neon do frasco. Ela engoliu em seco quando me assistiu a observá-la, então ela estendeu os braços, e eu não conseguia mais me segurar. Fui em direção a ela quando, de repente, ela se sentou. Eu parei quando suas mãos pousaram no meu peito, em seguida, delicadamente foi para o cós da minha calça.

– Elsie –, eu disse asperamente e minha testa caiu para a dela. Eu coloquei minhas mãos na parte de trás de sua cabeça e apenas tentei respirar quando os dedos bateram no botão e puxou o zíper.

– Elsie –, eu gemi. De repente, ela congelou. – Estou fazendo isso certo? –, Perguntou ela, os nervosismo claro em sua voz. Notei que seu tom ligeiramente diferente havia engrossado, quando


seus nervos chutaram, suas palavras mais duras lutando para sair. Em seguida, ocorreu-me que ela queria tentar segurar a voz para não soar diferente. Meu coração quebrou quando percebi que cada palavra que ela disse, ela devia ter pensado em primeiro lugar, para tentar disfarçar o que a diferenciava dos outros.

– Levi –, ela empurrou, lembrando-me de sua pergunta. Eu não poderia deixar de esmagar a minha boca na dela. As mãos de Elsie se afastaram de minhas calças, e eu puxei de volta para tranquilizá-la: – É perfeito, Elsie, nada do que você faz pode estar errado. Elsie baixou o olhar e empurrou minhas calças para baixo, minha dureza surgindo livre. Minha cabeça caiu para trás quando sua mão deslizou sobre meu pau. Os olhos de Elsie se arregalaram e ela corou em apreensão. Querendo prova-la, prestes a entrar em combustão se eu não a tivesse agora, eu nos abaixei de volta para deitar na cama, finalmente chutando minhas calças para deixar ambos nus. Elsie estava deitada de costas enquanto eu a beijava. Minha mão passou por cima de seu pescoço, e para baixo sobre o peito, meu nervosismo aumentando quanto mais perto eu chegava de suas coxas. Eu parei minha mão em seu estômago, tomando uma respiração profunda, questionando o que diabos fazer a seguir, quando Elsie levantou a cabeça para beijar minha bochecha, e ela disse: – Eu quero que você me toque, Levi. – Ela sorriu timidamente, em seguida, disse: – Eu preciso de você.

– Eu poderia fazer algo errado. A mão de Elsie caiu do meu rosto, me forçando a olhar para ela. – Você não poderia, – ela disse, repetindo minhas palavras.


Debrucei-me na mão dela. – Eu quero que isso seja bom. Eu não quero estragar tudo.

– Você não poderia fazer isso. – Por quê? – Porque é você. E sou eu. Nada significa mais para mim no mundo do que isso. Do que nós.

– Elsie –, eu gemi. – Leve-me, – ela instruiu, – vamos... vamos esquecer o nervosismo hoje à noite. Vamos apenas deixar tudo acontecer. Exalando uma respiração lenta e constante, olhei para baixo para me concentrar em minha mão, observando quando escorreguei para baixo entre as pernas dela, mergulhando em seu núcleo. Elsie gritou, um grito sem fôlego quando meus dedos deslizaram ao longo de suas dobras. E eu caí. Completamente caí do penhasco que estava pendurado por anos, finalmente sentindo o buraco no meu coração começando a se curar. Ela estava tão molhada e quente quando meus dedos correram para frente e para trás. Os gemidos de Elsie aumentaram cada vez mais altos, quanto mais meus dedos exploravam, sacudindo mais seu corpo, enquanto eu escovava sobre seu clitóris. – Levi –, ela gritou. Seus quadris se levantaram quando meu dedo se moveu mais baixo, procurando por mim para voltar para cima. Incapaz de aguentar o quão bonita ela parecia, me inclinei, beijando ao longo da parte inferior do seu pescoço, meus dedos circulando lentamente seu clitóris. As pernas de Elsie caíram quando mudei minha boca para seus seios.


Tomei-lhe o mamilo duro na minha boca, sua mão bloqueou minha cabeça no lugar enquanto eu lambia em torno da pele levantada. Meus dedos se moviam mais rápido, e com cada círculo, a respiração de Elsie ficou mais alta. Mantendo o polegar em seu clitóris, mudei meus dedos para baixo, deslizando um em sua entrada. Eu gemi com a forma como ela apertou em torno de meu dedo, suas mãos começaram a puxar o meu cabelo. Eu levantei de seu seio, só para ver os olhos azuis de Elsie abertos, vidrados com a forma como eu a estava fazendo sentir. – Elsie –, eu disse asperamente. – Está tudo bem? Elsie assentiu enquanto outro gemido escorregou de seus lábios entreabertos. – Levi –, ela sussurrou, – Eu preciso de mais, eu precisoCortei seu apelo com a minha boca, meus quadris começam a moer no colchão. Meu pau doía, a necessidade de ser tocado, a necessidade de estar nela, mas eu queria deixar ela chegar em primeiro lugar. Minha língua empurrou em sua boca, engolindo o choro dela. Eu trabalhei rápido o meu polegar em seu clitóris, empurrando outro dedo dentro. Elsie gritou, quebrando a boca da minha, e eu podia ouvir a mudança na sua respiração, podia sentir sua passagem começando a apertar, a aderência em meus dedos.

– Levi –, Elsie gritou. Seu peito subia e descia em movimentos erráticos. – É uma sensação... Eu sinto... – A cabeça de Elsie de repente jogou para trás, e ela bateu com a mão no meu pulso quando ela gozou, um grito agudo vindo de sua garganta. Eu assisti, fascinado, enquanto ela se desfez, um rubor revestindo sua pele pálida.


Seus lábios inchados estavam abertos enquanto ela respirava e seus olhos permaneciam bem fechados. Eu diminuí meu polegar em seu clitóris, até que ela estremeceu sob a minha mão, empurrando-o para longe. Eu mantive meus dedos empurrando lentamente dentro dela, até que seus olhos se abriram e colidiram diretamente com os meus. Foi a primeira vez que não vi nenhuma timidez em seu olhar. Havia apenas aceitação; aceitação e o que parecia ser felicidade. Puxando minha mão, rastejei ao longo de Elsie, cobrindo seu corpo com o meu. Perdendo minha mente na expressão de satisfação em seu rosto, eu bati minha boca na dela. Beijei-a e beijei-a, acariciando nossas línguas e lábios, quando de repente senti seus dedos delicados escovarem ao longo do comprimento do meu pau. Meus lábios caíram dos de Elsie no instante em que senti seu toque. Seus olhos estavam me observando quando minha mandíbula apertou. Eu abri minha boca para gemer o nome de Elsie, quando senti os dedos em volta do meu comprimento, prendendo minha voz dentro da minha garganta. Engoli em seco quando ela timidamente começou a mover a mão para cima e para baixo. Meus braços tremiam enquanto me segurei de colocar meu peso sobre seu corpo, e minha cabeça enfiada na curva de seu pescoço. Meus quadris trabalharam para frente e para trás, ganhando velocidade, minhas bolas começando a encolher quando arrepios correram pela minha espinha. Minha respiração era forte e acelerada, e senti a construção da pressão inebriante em minhas coxas. Sabendo que eu estava a poucos minutos de gozar, eu me chamei de volta, abrangendo as coxas de Elsie, tentando recuperar o fôlego. Trazendo minha mão, coloquei-a sobre sua trabalhando, fazendo-a dar uma pausa.


Eu podia sentir a umidade na minha pele; Eu podia sentir o calor inundando o meu rosto. – Bella mia –, eu gemi, a palavra carinhosa em italiano para 'minha linda' escorregou da minha boca sem pensamento consciente. – Temos de parar ou eu vou... – Eu parei, meu coração trovejando no meu peito. A trêmula mão de Elsie me liberou e eu assobiei enquanto olhava para seu corpo nu embaixo do meu. Eu tive que me esforçar para não gozar só de olhar para o seu longo cabelo loiro despenteado e brilhante, em seu belo rosto olhando para mim em adoração. Seus seios fartos, sua pele branca... Meus braços me pegaram quando caí para a frente, precisando de seus lábios de volta no meu. Elsie segurou minhas bochechas com a barba por fazer quando eu pressionei minha testa contra a dela. – Elsie –, eu disse calmamente. – Eu quero... eu...

– Eu quero que você faça amor comigo também –, ela respondeu por mim. Meus músculos do braço doíam de quão forte eu estava agarrando o travesseiro. – Quer? –, Perguntei, certificando-me. Um pequeno sorriso se espalhou nos lábios de Elsie. – Eu preciso disso, Levi. Eu preciso entregar-me a você. Meu estômago virou com suas palavras, e eu disse, – Eu tenho proteção, na minha gaveta. Elsie engoliu, mas acenou com a cabeça. Em cerca de trinta segundos virei meu corpo e me sentei na beirada da cama. Abri minha gaveta e tirei um preservativo, minhas mãos tremendo quando a palma encheu-se com o pacote dourado.


Vamos lá Levi, pensei para mim mesmo, falando comigo mesmo para me movimentar. Mas eu estava aleijado de tanto nervosismo, apavorado de fazer algo errado, que eu iria machucá-la ou fazer com que ela não gostasse. De repente, uma mão correu pelas minhas costas, e eu senti os lábios de Elsie pressionando um beijo na minha espinha. Arrepios espalharam sobre a minha pele e eu puxei em uma respiração afiada.

– Eu quero isso, Levi, – a doce voz descontrolada de Elsie assegurou. Olhei por cima do meu ombro para ver a cabeça sobre o travesseiro olhando para mim. – Eu estou realmente apaixonado por você, bella mia –, eu admiti, minhas palavras dissiparam para onde Elsie estava. Com a minha mão vazia, corri meu polegar sobre seus lábios vermelhos inchados e confessei: – Eu não tenho ideia do que estou fazendo, e eu quero que isso seja especial para você. Eu quero que isso seja bom. A mão de Elsie pressionou sobre a minha e ela moveu seu rosto para que pudesse beijar minha mão. – Tudo é especial com você, Levi. Porque... porque eu estou apaixonada por você também. Fechei os olhos com suas palavras, quando senti o mergulho da cama. Elsie tinha ficado de joelhos, e ela pegou o pacote da minha mão. Mantendo a cabeça baixa, ela rasgou o pacote e removeu o preservativo. Eu me virei, minhas mãos plantadas em suas coxas quando Elsie se abaixou e rolou o preservativo sobre o me pau. – Merda, – Eu assobiei quando ela o revestiu de borracha, meus dedos cavando em sua carne. Elsie se inclinou e beijou o canto da minha boca, se retirando apenas para me dizer: – Eu estou pronta.


Estimulado a ação com suas palavras, eu empurrei a frente e tomei sua boca com a minha, enquanto a guiava sobre a cama. Eu a beijei, acalentando-a, passando minhas mãos pelos seus cabelos. As mãos de Elsie espalhadas nas minhas costas, suas unhas curtas raspando ao longo da minha pele. Eu vim entre as pernas, passando minhas mãos por baixo de sua coxa. Eu beijei seu pescoço, e até os seios, antes de levantar meus braços, a necessidade de estar dentro dela era mais do que eu precisava de ar. As mãos de Elsie foram para meu bíceps, e fizemos uma pausa no momento, ela olhando para mim e eu olhando para ela. – Você está pronta? –, Eu perguntei baixinho, certificando-me uma última vez. Elsie deslocou embaixo de mim, abrindo as pernas, até que eu estava preparado em sua entrada. Um rubor estava em suas bochechas rosadas, e ela balançou a cabeça. – Sim. Engolindo em seco, rezando para que eu não a machucasse, me empurrei para dentro, polegada por polegada em uma lentidão meticulosa. Elsie estava imóvel embaixo de mim, os olhos expressivos dando tudo o que ela estava sentindo. Suas íris azuis brilhavam enquanto eu a preenchia, minha mandíbula apertada com a sensação inacreditável de empurrar dentro de seu calor. Elsie estremeceu e eu congelei. – O que há de errado? – Eu perguntei, sentindo minha ponta empurrando contra algo dentro dela. Ela controlou sua respiração e admitiu: – Está começando a doer. Eu ia imediatamente puxar para trás quando suas pernas apertaram em torno da minha cintura e minhas coxas e ela me parou. Olhei para cima em surpresa e ela segurou meu rosto. – Eu sou virgem, Levi. Isto sempre é


doloroso no início... – ela respirou fundo, – Mas eu quero. Nós apenas temos que continuar enfrentando esta próxima parte. Eu balancei minha cabeça. – Eu não quero te machucar. Sua cabeça inclinou para o lado e ela sorriu. – É por isso que quero fazer isso mais do que nunca. – Seus cílios tremularam contra seu rosto. – Porque você se importa o suficiente para parar com a ideia de me causar dor. Porque, embora eu possa ver o quão desesperadamente você quer estar dentro de mim, você está indo devagar, você está certificando-se de que estou bem.

– Porque você é minha garota –, eu respondi. Os olhos de Elsie anotaram a minha declaração. Empurrando na parte de trás das minhas coxas com as pernas, Elsie me guiou para a frente, empurrando-me para romper a virgindade e assentar-me totalmente dentro dela. Engoli em seco quando a enchi completamente, sentindo Elsie vacilar contra o meu peito. Eu congelei, esperando até que a respiração de Elsie se igualou. Ela exalou e disse: – Mova-se. Eu estou bem, agora. Eu pressionei beijo após beijo em suas bochechas úmidas. – Tem certeza disso? O olhar de Elsie suavizou e ela revirou os quadris, seus dentes mordendo o lábio ao longo. Mas não era de dor. A sua visão, a sensação dela esfregando contra mim, deslizando ao longo do meu pau duro fez com que eu, instintivamente, empurrasse para a frente, em seguida, puxei para trás, só para empurrar em seu interior e em seu calor mais uma vez.


– Ah, – Elsie gemeu em meu ouvido. Minha respiração estava trêmula quando comecei a pegar velocidade, a sensação de tomar o que era meu - de fazer amor com a minha menina linda - eu consumindo-a completamente. Meu pulso correu e meu coração bateu quando meu quadril começou a pegar velocidade. Meus braços estavam tensos, minhas costas queimando quando as unhas de Elsie cravaram em minha pele. Gemidos suaves escorreu de sua boca em meu ouvido e os mamilos endurecidos escovando contra o meu peito.

– Levi –, ela sussurrou, e eu avancei para trás para olhar no rosto dela. A boca de Elsie se abriu e eu segurei seu olhar quando minhas estocadas pegaram velocidade, canal de Elsie me segurando apertado.

– Elsie –, eu gemi. – Me sinto tão bem dentro de você. – Levi –, ela sussurrou de volta, mas sua voz foi cortada por um suspiro, um suspiro que tomou conta de minha alma. – É... –, ela murmurou, – isso é tão bom. Rangendo os dentes, não me segurei mais. Eu empurrei para a frente, dando a Elsie tudo que eu tinha. Eu gemi, minha respiração fora de controle. Eu deixei cair beijos em seu ombro nu, as bochechas e os lábios, e com cada toque, a pressão construía na parte inferior da minha espinha. Eu sabia que estava perto, o sentimento bom demais para descrever. Os gemidos de Elsie aumentaram até que seu canal começou a se contrair e sua testa caiu em meus ombros, enquanto ela gritava seu orgasmo, me segurando muito apertado até que a luz brilhou atrás dos meus olhos. Eu gozei, eu gozei com tanta força que rugi minha libertação, enchendo Elsie quando dobrei minha cabeça em seu pescoço.


Seu doce aroma encheu minhas narinas quando inalei, meu corpo vibrou quando eu estremeci dentro dela. Suas mãos embrulhadas em meu cabelo, seus dedos puxando sobre os fios. Eu balançava dentro dela devagar, certo de que eu não iria nunca parar de gozar, quando as pernas de Elsie escorregaram de minhas coxas, suas mãos caindo de seu aperto no meu cabelo. Eu respirei. Eu respirei e acalmei meu coração disparado, antes de levantar a cabeça e ver os olhos de minha garota bem fechados. Engoli em seco, vendo o rosto vermelho e quente. Movendo uma das minhas mãos, escovei pelo seu rosto, seus olhos esvoaçantes abriram.

– Hey, – eu disse e a vi lendo meu lábios, um hábito que ela ainda tinha que quebrar. Elsie sorriu timidamente e respondeu: – Oi.

– Você está bem? – Eu disse asperamente, minha voz rouca e cortante. Elsie rolou a cabeça para acariciar minha palma. Ela exalou e acenou com a cabeça, seu hálito varrendo quente no meu rosto. Cautelosamente inclinando-me, beijei seus lábios, e suspirei contra sua boca quando Elsie beijou de volta. Foi suave e lento, e foi diferente. Diferente, porque eu já conhecia tudo dela. Eu conhecia o corpo dela. Eu conhecia seu coração; tudo o que eu ainda não tinha pedido foi sua alma. Rompendo com sua boca, rolei para o lado, deslizando suavemente fora dela. Elsie engatou uma respiração quando me retirei, removendo o preservativo e o jogando no lixo. Voltando-me para Elsie, ela estava olhando para o teto, com seu rosto bonito, brilhante. – Tu sei bela –, eu sussurrei. Elsie


rolou a cabeça para mim. Ela sorriu e estendeu a mão para o meu lado. Assim que os dedos estavam ligados ela me puxou para frente até que nós estávamos compartilhando o mesmo travesseiro. Elsie me deu um beijo macio e perguntou: – Como você diz 'beijo' em italiano? Seus olhos focados intensamente em minha boca, e eu disse claramente,

– Bacio. – Bacio –, ela repetiu, sua boca chapeando o idioma desconhecido. Eu sorri vendo seu rosto tão animado, tão brilhante, quando ela perguntou: – Qual é a sua palavra italiana favorita? Eu fiz uma careta, então partiu-se quando Elsie riu, ela tinha uma risada adorável e balançou a cabeça. – Você provavelmente pensa que sou louca? Eu ri de volta e balancei a cabeça. – Nunca me perguntaram qual a minha palavra favorita antes, em qualquer idioma. Isso não pareceu intimidar Elsie e eu pensei sobre o que ela perguntou. Eu sorri quando uma palavra me veio à mente. – Você tem uma? –, Ela suspeitou. Eu balancei a cabeça.

– Eu gosto da palavra farfalle, eu suponho. Lembro-me de ser uma criança e encontrar qualquer desculpa para dizer essa palavra para minha mãe ou irmãos. Elsie chegou mais perto. – Farfalle. O que isso significa? Eu dei de ombros. – Borboleta. O sorriso de resposta de Elsie poderia ter iluminado o quarto e eu dei de ombros. – O quê? – Ela perguntou.


– Eu acho que... Eu acho que a minha frase favorita agora é ‘bella mia’. – Eu me mexi, embaraçado, em seguida, traduzi, – Minha linda. Elsie congelou, todo o humor fugiu de sua expressão. Eu balancei minha cabeça. – Isso foi provavelmente bem cafona.

– Shh, – Elsie interrompeu, com a mão na minha bochecha. Olhei para cima e ela disse: – Foi lindo, Levi. Nada de sua boca poderia estar errado ou ser 'cafona', como você diz. – Eu acalmei, esperando que ela terminasse, quando disse: – Você é o mais gentil, a mais doce alma, que eu já conheci. Qualquer coisa que você diz, tem nada além de honestidade e gentileza. – Ela baixou os olhos. – Porque isso é você, a pessoa mais gentil que existe. Meu coração inchou quando ela disse isso, e eu deslizei meu braço em volta dos seus ombros, puxando-a para o meu lado. A cabeça de Elsie veio em meu ombro e ela olhou para as estrelas. Eu fiz também. Após minutos em silêncio, ela perguntou: – Como é que você diz estrelas em italiano?

– Stelle –, eu respondi e senti seu aceno de cabeça contra a minha pele. Ela ficou em silêncio novamente, até que sua mão pegou a minha e ela confidenciou: – Eu não conseguia olhar para as estrelas por anos depois que minha mãe morreu. Gelo corria em minhas veias pela tristeza em sua voz. Ela apontou para as estrelas de plástico. – Toda vez que eu olhava para elas, me sentia pequena, sem importância... e completamente sozinha. Eu olhava para elas e perguntava onde minha mãe estava, me perguntando se há mesmo um céu. – Ela balançou a cabeça. – Minha mãe fez muitas coisas ruins, Levi. Talvez não coisas más, mas imprudentes. Drogas, e por nunca ter uma casa para nós.


– Onde você morava? – Eu perguntei, minha voz rouca de simpatia com a sua dor. Elsie suspirou e respondeu: – Principalmente nas ruas. – Ela olhou para mim. – É tudo que sempre realmente conheci. E estar aqui tem sido... – ela inspirou e expirou, – divino. Não havia nada que dizer, então a segurei mais perto. Ela não disse mais nada sobre a mãe e eu não queria fazê-la mais triste do que já era, então perguntei, – Por que você ama tanto poesia? Desta vez, quando ela respirou, não estava cheia de dor. – Eu realmente não sei. Acabei sempre fascinada por palavras - seu som, sua estrutura, seus significados, – Ela parou, então disse, – como elas podem ser usadas para o bem... e usadas para o mal. Eu fiz uma careta, imaginando o que ela queria dizer quando se virou sobre seu estômago e colocou as mãos no meu peito. Corri meus dedos pelo seu cabelo, completamente apaixonado por tudo o que ela estava dizendo.

– Mal? – Eu questionei, quando Elsie empalideceu imediatamente. – O quê? –, Eu perguntei, minha mão parou bruscamente em seu cabelo. Elsie balançou a cabeça. – Nada.

– Você tem certeza? – Eu empurrei, mas ela sorriu e acenou com a cabeça. Inalando, ela disse: – Acho que fiquei fascinada pelas palavras, porque vivia sem elas ou som até que eu tinha oito anos.

– Oito?


– Sim –, ela respondeu: – Eu herdei minha surdez da minha mãe, que era surda em ambos ouvidos. – Ela apontou para sua orelha direita. – Eu tinha baixa audição nesta orelha. Quando eu tinha oito anos, descobrimos sobre uma nova técnica cirúrgica que poderia restaurar a audição no ouvido direito. – Os olhos dela caíram. – Minha mãe não tinha dinheiro. De alguma forma ela conseguiu guardar o suficiente para pagar a minha cirurgia, eu não sei como. Embora posso adivinhar. Eu trouxe a mão à boca e beijei-a, um rubor revestiu suas bochechas. – Quando acordei da cirurgia, eu estava equipada com um aparelho auditivo. Eu podia ouvir, não muito melhor, mas soava como um trovão em comparação com o pouco que eu tinha ouvido antes. Lembro-me de confundir os sons ao meu redor. Das pessoas falando comigo. – Ela correu os dedos sobre meus lábios. –Gostei de ouvi-los, e combinar os sons com o movimento de seus lábios. Minha mãe não falava, não conseguia falar. Quando ela tentou, por vezes, sua pronúncia era muito difícil de entender. Então eu tive que aprender por mim mesma. Eu tive que ouvir e aprender. Eu aprendi e fiquei obcecada com as palavras. – Ela encolheu os ombros. – Eu acho que essa obsessão nunca foi embora.

– E a poesia? Os olhos de Elsie ficaram mais brilhante e ela apontou para o teto. – Eu inventei uma rima pequena sobre as estrelas de plástico. Isso acendeu algo dentro de mim... algo que me manteve inteira mesmo quando eu não tinha certeza se poderia. Eu não disse mais nada, e Elsie encostou o rosto no meu peito. – Quando minha mãe morreu, eu pensei que nunca iria escrever poesia outra vez. Eu nunca pensei que iria olhar para as estrelas, de novo.


Meu peito doía com simpatia, quando ela murmurou, – Mas as palavras vieram independentemente e eu só tinha de escrevê-las. – Ela virou a cabeça para mim, uma lágrima caindo pelo seu rosto. – Eu tentei pará-las, mas o pensamento de como minha mãe gostava de ler meus poemas... quando ela estava pensando claramente... Eu tinha que escrevê-las. Não havia escolha. Elas enchiam minha cabeça até que tive que coloca-las na página.

– Eram sobre o que? – Eu perguntei em voz baixa. – Muitas coisas, mas principalmente... ela. Como minha vida era sem ela, o que eu faria se pudesse vê-la mais uma vez. Um nó entupiu minha garganta e imagens de minha própria mamma veio à mente. Eu podia sentir a dor de Elsie, porque eu sentia isso também. O silêncio tomou conta, então perguntei: – Posso ouvir um pouco? Elsie acalmou. Eu me mexi e assegurei: – Tudo bem se você não quiser.

– Não é isso –, ela empurrou. – Eu só... ninguém ouviu isso desde a minha mãe. Eu nunca tinha falado isso em voz alta.

– Está tudo bem –, eu sussurrei e vi Elsie relaxar. Fechei os olhos, sentindo-me esgotado e cansado, quando ouvi: – Eu escrevi isto depois que minha mãe morreu. Quando eu estava sendo cuidada, em uma casa de grupo, e eu não tinha ninguém com quem conversar. Meus olhos se abriram com um milhão de perguntas inundando minha mente. Cuidada? Casa de grupo? Mas todas perguntas caíram fora quando ela começou a recitar seu poema.


– A porta do céu –, ela anunciou. Seus olhos estavam desfocados quando as palavras foram derramadas:

"Eu procuraria no mundo pela porta do céu, Sobre montanhas e vales, em cada costa arenosa. Eu gostaria de encontrar a escada, subindo através das nuvens, Eu escalaria cada passo, sem fazer um som. Eu chegaria na porta de ouro brilhando, Eu deslizaria através despercebida, não agitando uma alma. Eu engasgaria com sua beleza, em seus rios e árvores, Eu desviaria dos caminhos, me esconderia entre folhas. Eu andaria na ponta dos pés invisíveis, sob sol e o céu azul, Eu procuraria em cada esquina até que encontrasse você. Eu capturaria uma lágrima, um vislumbre de seu cabelo, Quando você dançou e rodopiou, sem qualquer cuidado. Você sorriria e iria rir para mim, como um pássaro livre, Eu tento não chorar, você está lá sem mim. Eu levantaria minha mão para tocar seu rosto, Chamando seu nome, para sentir seu abraço. Você iria abrir a sua boca e a sua voz seria pura, Eu adoraria o som, sem mais dor para você aguentar. Eu ficaria até o pôr do sol, quando tivesse que sair, A dor no meu coração, o meu espírito em luto. Eu te jogaria um beijo, deixando flutuar para o céu, Eu sussurraria "eu te amo" e te ofereceria um adeus. Eu passaria pela porta, desceria fora da vista, Sabendo que um dia, algum dia, eu voltaria a estar com você. "


Elsie parou de falar, sua voz quebrando em direção ao fim. Enquanto eu me sentei aqui em silêncio, silêncio atordoado, meu rosto molhado de lágrimas. Elsie piscou, então piscou novamente, e o aperto na minha mão intensificou. Ela não disse nada para mim; Eu não disse nada a ela, mas nós nos sentamos aqui, abraçados, com palavras tão cruas. Minutos passaram, até que Elsie trocou de posição e deitou-se sobre o travesseiro ao meu lado. Seus olhos estavam brilhando, completamente vulnerável. Eu tinha falado antes mesmo de pensar. – Fique –, eu disse, minha mão em seu rosto. – Fique comigo, aqui. Elsie respirou fundo e agarrou meu pulso. – Levi.

– Por favor –, eu implorei, sabendo que iria quebrar se ela me deixasse. – Fique aqui. Comigo. Basta ser minha garota. – O que eu faria? –, Ela sussurrou, seus olhos assustados procurando os meus.

– Eu já falei com Lexi. Ela quer mostrar-lhe o seu centro de tratamento. Ela quer ver se você pode ajudá-la com alguma coisa... se você estiver pronta. Só quando estiver pronta.

– Seu centro de tratamento? – Ela perguntou. Esperança saltando em meu coração, ouvi o interesse em sua voz. – Eu não entendo.

– Eu sei –, respondi. – Mas quero que Lexi mostre a você, para explicarlhe porque ela abriu o tal lugar... e por que ela quer você lá.


Seus olhos pareciam incendiar com a mesma esperança que segurei no meu peito, em seguida, baixou os olhos, quando ela sussurrou: – Levi, há coisas que você não sabe sobre mim... coisas que me fizeram do jeito que sou. Que eu não te disse, que me assombram.

– Eu sei, – eu disse em compreensão, – mas se você apenas dar-nos tempo, se você ficar, talvez um dia nós saberemos tudo um sobre o outro. Talvez a gente seja tudo um para o outro. Ela fez uma pausa, então exalou, balançando a cabeça. Alívio me inundou e eu baixei minha boca na dela. Quando puxei para trás, Elsie estava sem fôlego e ela sussurrou: – Você está roubando a minha alma, Levi. Como um ladrão, você está tomando a minha alma e levando para si próprio. Senti o calor subir em meu rosto quando disse de volta, – Eu acho que você já tem a minha. – Eu senti Elsie congelar quando eu disse: – Na verdade, acho que elas já estão interligadas. Elsie me beijou novamente e eu a envolvi em meus braços. Quando fechei meus olhos, sussurrei, – Bella mia.

– Suas novas palavras favoritas em italiano, – Elsie disse abafado, o sono logo tomando conta. Meu tudo favorito, eu queria acrescentar. Mas nós dois adormecemos – juntos - antes que eu pudesse falar.


ELSIE

"Estou bem vestida assim?" Lexi sorriu para mim enquanto nós dirigimos através da cidade e ela balançou a cabeça. "Claro, querida." Eu puxei as mangas de minha camisa preta sobre as palmas das mãos e olhei para fora da janela. Faz três dias desde que Levi e eu fizemos amor; fizemos amor e eu tinha prometido a ele que iria ficar. Lexi tinha vindo a mim no dia seguinte e me pediu para ajudá-la com algo em seu centro de tratamento. Eu tinha concordado em vir hoje para descobrir o que era, mas não sei mais do que isso. O rádio tocava baixo em segundo plano. Dez minutos depois, nós passamos em uma longa estrada, árvores alinhadas em cada lado. Minha boca se abriu para os belos jardins, em seguida, uma enorme casa branca veio à tona.


Lexi puxou para dentro do local de estacionamento em frente da porta e saiu. Eu a segui, sorrindo logo que estava fora do carro. O som de pássaros e água corrente eram as únicas coisas que eu ouvia. "É lindo", eu disse, sorrindo para um gazebo de madeira com vista para o que eu suspeito ser água. Um rio talvez? Lexi estava ao meu lado e olhou para a vista. "É mesmo. Esse é o meu favorito dos meus dois centros. " Eu fiz uma careta em confusão. Lexi viu claramente. "Eu tenho dois, Elsie. Um aqui e outro em San Francisco onde morávamos antes." Lexi apontou para a deslumbrante mansão de madeira atrás de nós. "Tivemos mais financiamento quando chegamos aqui, e Austin estava sendo mais bem pago, é claro. Então nós conseguimos fazer esse centro bem melhor do que o outro. Poderíamos ter mais de um foco. " Olhei para o letreiro no edifício, lia-se, 'Daisy’s Smile6.’ "Quem é Daisy?" Eu perguntei e peguei um flash de dor passar no rosto de Lexi. "Ela era minha melhor amiga." "Era?" Eu questionei. Lexi, infelizmente, assentiu com a cabeça. Ela se virou para mim e perguntou: "Levi nunca disse o que acontece neste centro, Elsie?" Eu balancei minha cabeça. "Ele disse que era a sua história para contar. Ele disse que eu deveria ouvir isso de você. Que você explicaria para o que queria a minha ajuda." Lexi andou para frente e acenou para que eu seguisse. "Vamos lá, garota, deixe-me mostrar o que acontece aqui." Ela fez uma pausa e olhou para trás 6

Sorriso de Daisy.


para mim. Eu parei quando vi a seriedade em seu rosto. "Só prepare-se, querida. Algumas das meninas—e alguns poucos meninos aqui—vieram de um verdadeiro lugar ruim." Apreensão me encheu. Segui Lexi para dentro da casa com um crescente sentimento de ansiedade. Quando entramos na casa, ouvi os baixos sons das vozes que enchia os vastos salões. "É enorme", eu disse. Lexi assentiu com a cabeça. "O terreno é ainda maior em volta, temos uma casa de veraneio e uma casa extra menor nos jardins. Esse é o nosso mais novo centro, aquele em que estou esperando que você possa me ajudar. " "Como... como eu poderia ajudar?", Eu perguntei nervosamente. Lexi abriu a porta para o que parecia ser seu escritório. Quando ela fechou a porta, apontou para um sofá. Sentei-me e Lexi sentou ao meu lado. "Porque acho que você poderia ter lidado, ou talvez ainda esteja lidando, com algumas das questões que estamos abordando aqui. Há uma menina, ela é um doce e..." Lexi parou de falar claramente vendo minha reação. Meu coração disparou e entrei em pânico. Lexi apertou minha mão, e seu polegar passou pelas algemas de metal que eu sempre usava em torno de meus pulsos. Lágrimas imediatamente saltaram aos meus olhos. "Lexi", eu sussurrei, incapaz de falar sobre esse tempo, sobre aquelas meninas. Sobre nada disso. Eu não estava pronta. Eu não poderia enfrentá-lo. "Eu sei, querida," ela disse e me abraçou, me puxando para o seu lado. Ela ficou em silêncio enquanto eu me recompus, então confidenciou: "Você sabe, me levou um longo tempo para ser capaz de fazer isso."


Eu sabia que estava franzindo a testa novamente, mas não entendia o que ela queria dizer. "Isto", disse Lexi e apertou-me a seu lado. Ela soltou e eu perguntei, "Tocar alguém?" Lexi assentiu. "Tipo isso, mais sobre alguém me tocando. Ou abraçando, principalmente. " "Por quê?", Perguntei. Lexi se levantou. Depois de recuperar, pegou uma foto de sua mesa, ela trouxe-a de volta para eu ver. Fiquei olhando para as duas garotas na imagem. A primeira coisa que notei foi o quão incrivelmente magras ambas eram, muito finas, perigosamente, então ... então eu percebi que uma daquelas meninas era uma jovem Lexi. Minha cabeça se levantou para testemunhar Lexi me observando. Engoli em seco, com muito medo de dizer o que eu pensava ser verdade. Mas ela chegou antes de mim, quando disse: "Eu era anoréxica, Elsie. Um caso severo." Ela balançou a cabeça. "A melhor maneira de colocá-lo é que estou melhor agora, estou lidando agora com isso... mas ainda é difícil." Lexi levou a foto e passou o dedo sobre o rosto da outra garota. "Daisy era minha melhor amiga. Eu a conheci quando estava recebendo tratamento para a anorexia." Lexi suspirou e explicou: "Ela morreu, seu coração falhou devido a sua falta de peso." Ela piscou, então piscou novamente, e acrescentou: "Eu quase morri também." Ela fixou o olhar no meu. "E eu teria, se não fosse pelos meus amigos." Um sorriso aguado em seus lábios. "Se não fosse por Austin, me mostrando que eu era digna de amor", ela bufou e colocou a mão sobre o coração, "que eu era digna de me amar exatamente como era." "Lexi", eu sussurrei, meu coração enchendo-se com simpatia. Ela riu e eu sorri, vendo a felicidade em seu rosto. Em seguida, ela sentou. "Austin e Levi estavam vivendo uns tempos difíceis, Elsie. Ambos estavam cuidando de


sua mamma doente", ela fez uma pausa e acrescentou: "ambos estavam em uma gangue, a gangue de Axel, e então eu vim e quase arruinei tudo para eles. Eu testemunhei algumas coisas que eles não queriam que eu visse." Meus olhos estavam arregalados enquanto eu pendurava em cada palavra. "De qualquer forma, foi Austin que, mesmo que eu estivesse em uma espiral para a escuridão, me levou para fora dela, apesar do que ele estava passando." Lexi deu de ombros. "Acontece que ele precisava de mim também. Porque estava caindo também, todos eles estavam." "E Levi?", Perguntei, imaginando-o em minha mente como um jovem adolescente, incapaz de imaginar o garoto tão tímido e doce em uma gangue. O rosto de Lexi empalideceu e sua expressão era triste. "Ele estava perdido, ele ainda está. Ele ficou quieto, mas tentando agir como um homem para ajudar a salvar a sua mamma da morte." Ela balançou a cabeça. "A partir do minuto em que o conheci, ele era a coisa mais doce que já vi, um coração bondoso marcado com uma tatuagem ameaçadora em sua bochecha esquerda. Ele usava o sinal do grupo em seu rosto que dizia a todos para temê-lo, quando por dentro ele é, na minha opinião, uma das melhores pessoas que conheci na vida. E quando..." Ela secou as lágrimas com um lenço de sua mão. "Sua mãe morreu, seu irmão mais velho foi para a prisão e eu—uma das únicas outras pessoas que ele deixou entrar além de sua família—estava no hospital, pele e ossos, desaparecendo diante de seus olhos." Lexi pegou minha mão. "Ele nunca foi o mesmo depois daquele dia, Elsie. Nós nos mudamos para San Fran quando Austin assinou um contrato com a NFL, e nós corremos fora do inferno de Alabama e longe de toda a sua dor. Nós também removemos a tatuagem."


Lexi apertou minha mão com mais força. "Mas ele levou toda a dor com ele. Eu não acho que ele nunca a deixou ir." Meu coração estremeceu, porque eu era exatamente igual. Meu Levi, meu menino perdido, e eu com o meu coração solitário, nós éramos um e o mesmo. Levi estava certo. "Quando nos mudamos, eu tinha um diploma, estava registrada para ser uma conselheira e sabia o que queria fazer. Queria ajudar as pessoas como eu. E eu queria dar ao centro o nome da minha melhor amiga que nunca conseguiu deixar seu passado ir." "Daisy", eu respondi com conhecimento de causa. "Daisy, a menina que morreu antes que ela realmente tivesse vivido. A pessoa que nunca encontrou a paz ou a aceitação de si mesma. A bela alma que nunca encontrou seu Austin," Lexi me cutucou de brincadeira, "ou talvez seu Levi." Corei, e Lexi riu, ficando de pé. "Vamos lá, deixe-me mostrar-lhe tudo." Levantei-me e segui Lexi para a porta, mas puxei o braço dela, fazendo-a parar. Lexi olhou para mim e eu perguntei: "Eu não entendo o que posso fazer para ajudar aqui? Eu," Baixei os olhos e balancei em meus pés, "Eu vivia com fome por estar nas ruas, não posso simpatizar com quem tem um transtorno alimentar. Eu não tenho certeza se sou forte o suficiente para lidar com tudo isso." Lexi colocou a mão sobre a minha e disse: "Não é esta parte do centro que eu estava pensando, querida." Balancei a cabeça, ainda não completamente certa de onde ela pensou que eu poderia ajudar, mas independentemente disso a segui pelos corredores,


meu coração ficou partido pelo que eu via nas pessoas quando nós passamos por elas. A maioria dos quartos estavam cheios de jovens meninas demasiadas magras, suas roupas penduradas fora de seus membros finos. Todos eles recebiam Lexi com sorrisos, mas através de seus sorrisos, sua dor era clara. Vários membros da equipe saíram para dizer ‘Olá’ enquanto atravessamos, e eu fiquei um pouco mais ciente da minha timidez quando fui apresentada como a namorada de Levi... enquanto Lexi me incluía em sua família. Eu não tinha sido uma parte de uma família. Mesmo com a minha mãe, sempre foi só ela e eu... e mesmo assim ela raramente foi o suficiente para ser qualquer tipo de família para mim. Embora eu a amava com tudo que eu tinha. Nós caminhamos para fora de uma porta traseira para outro jardim deslumbrante e em frente a uma casa menor; menor, mas não menos impressionante. Enquanto subíamos os degraus, Lexi estendeu a mão para eu tomar. Coloquei minha mão na dela. "Este é o lugar onde eu poderia usar a sua ajuda, Elsie." Ela sorriu. "E talvez isso poderia de alguma maneira começar a ajudá-la também." Eu mantive a mão de Lexi, até que entrei na casa, onde uma jovem mulher bonita, talvez vinte e poucos anos, com uma bela pele escura e um sorriso brilhante, aproximou-se. "Hey Lex," ela chamou e nós andamos para a frente até que entramos no seu escritório. A mulher fechou a porta e estendeu a mão. "Sou Celesha, um tipo de gerente, você deve ser Elsie." Eu apertei a mão de Celesha e balancei a cabeça. Como sempre, minha coragem de usar minha voz desapareceu no minuto que estava diante de um estranho. Mas Celesha não pareceu notar, em vez disso ela acenou com a mão para nós a seguirmos.


Nós caminhamos para o centro da casa, mas ao contrário da casa maior, os jovens aqui não estavam abaixo do peso. Na verdade, todos pareciam adolescentes normais, sentavam-se em grupos ou no que parecia ser sessões de terapia. Celesha parou na entrada de um enorme salão que estava cheio de jovens crianças e adolescentes jogando bola. Eles estavam rindo e eu não pude deixar de sorrir enquanto os assistia jogar. Eu senti os olhos de Celesha em mim. "Gentileza é uma caridade, Elsie, para os adolescentes jovens que são vítimas de bullying." Meu coração caiu e eu tinha certeza que havia pousado no chão. Eu apertei minhas mãos e os meus olhos voltaram para baixo. Eu podia sentir a comunal tensão aumentando, quando Lexi falou. "Muitas dessas crianças eram fugitivos, Elsie, ou acabaram nas ruas de outras maneiras. Nós lhes damos um lar e lugar para ficar até que estejam prontos para voltar para casa. Ou até que estejam prontos para enfrentar o mundo novamente quando forem mais velhos e saudáveis o suficiente. "Mas todos foram afetados, severamente, pelo bullying—virtual, físico, verbal, mental, e-" Eu olhei para cima quando Celesha fez uma pausa para olhar para uma jovem, não mais de doze ou treze anos, caminhando e acenando a mão em cumprimento. Olhei para a jovem morena. Olhei porque ela tinha acenado. Ela tinha usado a linguagem de sinais para se comunicar. "Essa é Clara", disse Lexi. "Ela veio até nós há algumas semanas." Lexi se aproximou. Eu vi quando a morena se afastou sozinha no corredor. Meu estômago revirou ao vê-la sozinha. "Ela viveu com seu pai desde que sua mãe morreu, mas eles não eram próximos. Ela não tem muitos amigos também." Como eu, eu queria dizer, mas segurei tudo dentro.


Eu vi Celesha olhar para Lexi e ela deu um passo adiante. Eu olhei para a mulher olhando para mim. "Ninguém aqui sabe linguagem de sinais muito bem, e nós estávamos pensando se você poderia trabalhar com ela alguns sinais que você pode fazer? Mesmo que isso seja só para falar com ela. Se você quiser, é claro. Sem pressão." Esfreguei meus lábios, e me forcei a dizer: "Minha linguagem de sinais está enferrujada, eu não a uso em um longo tempo." Lexi sorriu, mas colocou o braço em volta de mim. "Como dissemos, sem nenhuma pressão, Elsie. Gostaríamos muito de sua ajuda, se você achar que pode fazer isso. Se for muito, se tudo isso é muito cedo para você, então está tudo bem. Eu posso te levar para casa e nós podemos descobrir algo mais. " "Queremos ter conhecimento do que nossos meninos e meninas estão passando." Celesha sorriu e insinuou: "Isso é o que nós nos orgulhamos, de realmente entender sobre o que nossos filhos falam. Nós adoraríamos se você pudesse ajudar, mas se você não puder, então isso está ótimo também. " Virei a cabeça para o corredor e vi Clara sentada à janela, olhando para o jardim, sozinha, e meu coração se partiu. Enquanto eu olhava para a jovem, encontrei-me dizendo: "Sim, quero tentar ajudá-la." Lexi me apertou com mais força. "Estou tão orgulhosa de você, querida." "Obrigada", disse Celesha, e eu podia ver a felicidade em seu rosto bonito. Eu balancei a cabeça quando Lexi me deixou ir. "Ok, estarei na outra casa em meu escritório se precisar de mim, querida. Estaremos voltando para casa em poucas horas. Aproveite o tempo para passear e se familiarizar com o edifício e com o que fazemos. Isto tudo em seus termos, então converse com


Clara, quando quiser. É totalmente sem pressão tudo vai depender de quando estiver pronta. Lembre-se disso." Eu balancei a cabeça novamente. Levei alguns minutos para perceber que estava sozinha no corredor. Eu tinha sido varrida em uma ofuscação de trepidação, e auto-dúvida. Eu estava tentando empurrar os pensamentos de Annabelle e aquelas meninas da minha cabeça. Sentindo o nervosismo, cruzei meus braços em volta da minha cintura e passei por um quarto que estava preenchido com cerca de dez adolescentes. Um homem sentava-se no círculo, enquanto uma jovem garota estava falando em meio às lágrimas. "...Ele tirou uma foto de mim e eu não sabia." A jovem sacudiu a cabeça, fazendo uma pausa no meio da frase quando entrei. Ela fungou e enxugou os olhos. "Ele enviou aos seus amigos, eles enviaram para seus amigos, e pelo tempo que fui para a escola no dia seguinte, quase todo o corpo discente tinha me visto... nua." A menina cobriu os olhos, a voz crua com dor. "Eu não podia ficar longe de tudo. Fui chamada de vagabunda, prostituta. Eles pintaram no meu armário, no carro da minha mãe que tinha me levado para a escola. Isso foi tudo pelo Facebook, e nunca acaba." "Leve o seu tempo, Charlotte," o homem acalmou. Charlotte respirou fundo. "Semanas e semanas se passaram e isso nunca acaba. Eu ficava pensando que iria esquecer, que outra coisa poderia acontecer para tirar a atenção de cima de mim, mas isso não aconteceu. Meus melhores amigos se distanciaram de mim. Eu não tinha ninguém para sentar-me no almoço. Eu não tinha ninguém para conversar, para confiar... e eu não podia mais fazer isso."


Meus músculos estavam congelados enquanto esperava pelo que veio a seguir, mas eu já sabia. Porque tinha acontecido comigo também. Eu suspeitava que cada jovem naquela sala sabia exatamente o que vinha a seguir; apenas os detalhes mais finos seriam diferentes. "Já era tarde, e eu sabia que meus pais estariam dormindo. Então peguei a corda que tinha roubado do galpão do meu pai e amarrei-a ao quadro cima da minha cama." A menina engatou um fôlego, quando outra garota ao lado dela esfregou suas costas em apoio. Um ato de bondade que fez meus olhos picarem com lágrimas, em seguida, a menina continuou. "Meu pai estava preocupado comigo, ele me disse... depois. Ele entrou em meu quarto para me ver e me encontrou pendurada. Eu acordei no hospital e eles me trouxeram aqui." Charlotte ficou em silêncio, e o homem começou a falar. Eu não ouvi o resto, a queimação em meu peito era demais para tomar. Virando o mais rápido que pude, corri para uma saída, empurrando as portas até que o ar frio tomou conta de meu rosto. Eu tomei um longo suspiro, deixando o frio do inverno encher meus pulmões. Fiquei ali, na borda do jardim, tentando me acalmar. Eu não tinha certeza de quanto tempo se passou, mas quando me virei, vi um par de olhos escuros me observando através do vidro do solário: Clara. Eu abaixei minha cabeça enquanto ela me observava, parecendo tão pequena e frágil em uma grande cadeira marrom. Eu fechei e abri minhas mãos, soltando os dedos, quando me forcei a olhar Clara nos olhos e acenar, "Olá." Eu vi o choque em seu rosto. Eu a vi sentar-se mais alto e se mexer para a borda do seu assento. Então a vi levantar as mãos, e timidamente responder com seu próprio aceno, "Olá."


Eu sorri. Sorri em como tímida ela parecia. Quando em reflexão, eu pensei, como se eu estivesse olhando em um espelho o meu próprio reflexo. Clara recostou-se na cadeira, mas sua atenção nunca se afastou para longe de mim. Centrando a minha calma, marchei um pé para a frente, depois outro, e antes que percebesse, estava andando de volta para dentro da casa, me movendo em direção ao solário. Ruídos das sessões de terapia desvanecidos no fundo, quando entrei na sala de vidro atordoada. Cadeiras vazias estavam posicionadas em volta deste grande espaço, mas apenas uma estava ocupada—por Clara, com vista para o rio que fluía para além do jardim. Meu pânico desapareceu quanto mais perto cheguei da jovem, e evaporou-se quando me sentei diante dela. Ela é bonita, pensei, quando examinei sua pele clara e cabelo comprido e marrom. Ela lançou os olhos na minha direção, seus olhos castanhos que poderiam ter sido mais belos se não estivessem cheios de tanta dor. É estranho como os olhos podem mostrar-lhe tanto. Eu concordei com o ditado, 'os olhos são a janela da alma’. E a alma de Clara estava quebrada, eu poderia vê-la retalhada em pedaços. Os olhos de Clara cruzaram com os meus, então focaram para trás da janela. Agitando minhas mãos, segurei-as no ar e acenei, "Olá, Clara." A cabeça de Clara virou-se para mim, enquanto minhas mãos se moveram. Seus olhos corriam até os meus. Por um momento, me perguntei se tinha feito a linguagem de sinais errado, ou se ela não me queria aqui. Preocupei-me que eu estava invadindo seu espaço. Mas alguns segundos depois, Clara ergueu as mãos e acenou: "Oi." Ela fez uma pausa e acrescentou: "Quem é você?"


"Elsie:" Eu acenei. "Eu sou uma amiga de Lexi. Vim aqui hoje para ver o centro." Eu apontei ao redor do solário. "É lindo." "É muito lindo aqui", Clara acenou e apontou para fora da janela. Eu balancei a cabeça e perguntei: "Você gosta de água?" "É calmante. Pacífica " ela acenou. Eu puxei minha cadeira em frente a ela, cuidadosamente me colocando em sua linha de visão. Eu olhei para a água também, agora capaz de ouvir a corrente que fluía suave através da janela aberta acima de mim. Devo ter inclinado a cabeça para cima para que meu ouvido bom pudesse ouvir. As sobrancelhas de Clara puxaram para baixo em confusão. "Você pode ouvir?" ela acenou enquanto eu observava sua testa franzir. Apontei para minha orelha direita. "Eu tenho alguma audição neste ouvido." Virei a cabeça para mostrar-lhe a ajuda que me dava audição parcial. Clara se inclinou para frente, olhou, depois recuou. Seus olhos assombrados voltando-se para o rio. Ela perguntou: "Como soa?" Eu segui para onde seu dedo apontava e olhei para o rio correndo. "O rio?" Eu acenei. Clara assentiu com a cabeça. Fechei os olhos, querendo saber como explicar o som a uma garota presa em silêncio. Abrindo os olhos, me inclinei para a frente e tracei o dedo para baixo de seu braço. Eu curvei a linha invisível que estava fazendo até que ela caiu em seu pulso. "Como isso", eu acenei. "Só que, imagine vários dedos aumentando o volume." Clara olhou para seu braço e refez o caminho que eu tinha acabado de traçar com o meu dedo. Seus olhos se fecharam e meu coração derreteu quando vi um pequeno puxão de um sorriso em seus lábios.


Seus cílios tremularam contra seu rosto e, quando abriu suas pálpebras, seus olhos castanhos não estavam tão tristes como antes. A cabeça de Clara caiu, quando as mãos dela perguntaram: "Você sempre foi capaz de ouvir?" Eu balancei minha cabeça. "Eu tinha uma pequena quantidade de audição, apenas cerca de sete por cento. Principalmente era apenas pequenos sons, mas nada muito claro. Eu fiz uma operação, quando tinha oito anos e de repente eu podia ouvir. Foi estranho no começo, mas tive que aprender a lidar com isso rapidamente." "Eu não posso ouvir nada ", ela disse. "Nem minha mãe podia." Lembrei-me que Lexi disse que sua mãe tinha morrido, e eu respondi: "Minha mãe era totalmente surda também." A expressão de Clara relaxou, em seguida, se transformou em tristeza. "Minha mãe morreu", ela acenou. "Ano passado. De câncer." Uma dor profunda tomou meu peito porque eu entendia o que ela estava passando. Estendi a mão e agarrei a sua, apertando os pequenos dedos em apoio. Então eu recuei, e confidenciei: "Minha mãe também morreu. Cinco anos atrás." Os olhos de Clara brilharam. "Você tem um pai?" Eu balancei minha cabeça. "Era apenas nós duas. Quando ela morreu," Eu estendi a minha mão, e rapidamente acenei, "Eu fui colocada em uma casa de grupo." Clara respirou, e eu perguntei: "Você tem um pai? " Ela assentiu com a cabeça. "Meu padrasto. Ele é legal, mas realmente não me entende. Ele pode ouvir, e sabe libras7, e amava minha mãe com todo o seu coração. Mas... mas ele se mudou para Califórnia quando minha mãe 7

Libras = Linguagem Brasileira de Sinais


morreu. Ele conseguiu um novo emprego e disse que precisava de um novo começo." Clara parou de acenar e eu podia ver a angústia passar através de seus olhos. "Eu comecei em uma nova escola, mas nunca realmente me encaixei." Notei que suas mãos começaram a tremer, e eu sabia. Eu só sabia o que estava por vir. Sabia porque eu tinha vivido isso. "Está tudo bem", eu murmurei quando peguei as mãos de Clara. Ela leu meus lábios e puxou as mãos para trás. Sentei-me a frente quando ela olhou para fora da janela. "Foram duas meninas, principalmente." Ela escovou o cabelo para trás de seu rosto. "Eu fui a uma escola para surdos, por isso não foi por causa da minha falta de audição." Suas sobrancelhas puxaram para baixo. "Não sei por que, eu nunca pude pensar em uma razão do por que eles me escolheram, mas eles não gostavam de mim quase desde o primeiro minuto que cheguei." Meu estômago se queixou de dor, em simpatia. Clara piscou para conter as lágrimas, mas nada mais foi dito. Eu podia ver que ela estava perdida em suas memórias, na dor que ainda morava em seu interior. Chegando a frente, segurei sua mão e ficamos assim por um tempo, nós duas olhando o fluxo do rio na frente da casa. Uma senhora entrou no solário quebrando o nosso silêncio. Olhei para cima para vê-la com uma bandeja. Duas bebidas e lanches na bandeja. Ela colocou-os em nossa frente. Sorri em agradecimento, e ficamos sozinhas de novo. Eu peguei Clara olhando para mim. "Você está bem?" Eu acenei, deixando cair minhas mãos só para colocar a bebida na frente dela.


"Você é a primeira pessoa que fui capaz de falar desde que cheguei aqui. Eu tenho que escrever tudo, mas não gosto disso. As palavras olhando para mim dói muito." Eu senti o caroço ir para longe de minha garganta, e acenei, "Bem, estou aqui agora." Clara me lançou um sorriso e perguntou: "Você vai vir muito aqui?" "Você quer que eu venha? " Ela assentiu com a cabeça, um rubor apareceu em suas bochechas. "Vai ser bom ter alguém para conversar." Ela puxou uma respiração profunda. "Eu... eu senti falta disso." Engoli em seco. "Então estarei aqui quase todos os dias. Podemos conversar. " Clara assentiu com a cabeça e tomou um gole do suco. Ela não disse mais nada, enquanto vários minutos passaram. Não ouvi a voz de Lexi até que ela entrou na sala, e me virei para vê-la chegar a porta, um sorriso hesitante no rosto. "Você está pronta para ir, querida?", Ela perguntou. Eu balancei a cabeça, e descansei minha mão no braço de Clara. Clara se virou para mim, e eu acenei: "Eu tenho que ir agora. Mas estarei de volta amanhã." Clara assentiu. Eu fiquei de pé, preparando-me para sair, quando parei e acenei, "Eu sei como você se sente, Clara. Eu entendo como isso é. Como se sente ter uma recepção de ódio. Ser ferido por outros sem nenhum motivo." Bati minha mão no meu peito e acenei novamente. "Compreendo. Você pode falar comigo."


Os olhos de Clara se encheram de lágrimas, e ela baixou a cabeça, mas peguei o aceno suave. Deitando minha mão em seu ombro, acenei, "Adeus", e caminhei para Lexi que me levou até onde o carro estava estacionado. Quando entramos, eu não conseguia tirar Clara da minha mente. Eu não conseguia tirar da minha cabeça como ela deveria se sentir sozinha. Eu não podia livrar minha mente da profunda tristeza em seu olhar, e não podia me livrar do medo, da desesperança em suas palavras. "Você está bem, querida?", Perguntou Lexi. Eu pisquei de volta o borrão dos meus olhos percebendo que já estávamos na estrada, dirigindo para casa. Eu balancei a cabeça, em seguida, disse: "Ela estava tão triste, Lexi. Ela... ela estava tão ferida e machucada." Eu pressionei minha mão sobre minha barriga. "Isso me causou dor ao vê-la machucada." Lexi suspirou. "Querida?" Eu levantei meu olhar para Lexi. "Sim?" "Ela é como você." Meu coração disparou, sua batida vindo muito rápida. "O que você quer dizer?" "Você tem a mesma tristeza em seus olhos, como Clara, quando olho para você. Você parece estar levando a mesma dor dentro de você, como ela faz." As palavras de Lexi me apunhalaram como punhais. A expressão perdida de Clara encheu minha mente. Eu era assim? Perguntei a mim mesma. Pensei na hesitação de Clara enquanto falava, a escuridão que pairava sobre ela como uma nuvem de chuva. E eu sabia que, no fundo, eu era como ela.


Eu mexi em meu assento, a realização fazendo-me sentir desconfortável. "Como," Eu limpei minha garganta grossa, "como ela tentou se matar?" Lexi ficou tensa. "Como você sabe que ela já tentou cometer suicídio?" Sem pensamento consciente, corri minha mão sobre meu pulso esquerdo, sobre o bracelete de prata grande que eu nunca tirava, e admiti: "Eu posso ver isso em seus olhos." "A primeira vez foi pílulas" "A primeira vez?", Interrompi. Lexi, infelizmente, assentiu com a cabeça. "Sim. A segunda, ela tentou intoxicar a si mesma com fumaça. Seu padrasto a encontrou em sua garagem com o carro ligado, a garagem estava com a porta fechada e uma tubulação da exaustão vindo através da janela da porta." Lexi balançou a cabeça. "Ela escreveu uma nota explicando como ela não podia voltar para a escola, que não poderia lidar com ser o alvo daquelas pessoas por mais um dia." Lexi se virou para mim quando paramos no sinal vermelho. "Foi a primeira vez que ele tinha ouvido falar que ela estava sendo intimidada. A escola não tinha dito nada. Eles nem sequer sabiam. E esse é o problema que estamos enfrentando na maioria dos dias—o fato de que as escolas não podem ver tudo o que está acontecendo debaixo de seus narizes, e que aqueles que estão sendo feridos e dilacerados cada dia, raramente contam a alguém o que está acontecendo. Pode ser por embaraço, vergonha ou medo, mas a maioria de nossas crianças no centro nunca contaram a uma única alma, que eles estavam atravessando o inferno. Eles simplesmente sofriam sozinhos, até que não aguentavam mais." "Eu sei. Como eu," sussurrei. Lancei um olhar preocupado para Lexi, que tinha começado a dirigir novamente. Ela exalou pelo nariz, mas não disse nada


em resposta. Ela colocou a mão na minha e segurou-a todo o caminho de casa. Nenhum julgamento ou perguntas... ela simplesmente estava ali para mim. Quando o carro parou, ela perguntou: "Estou de volta lá amanhã às oito, se você quiser vir e ver Clara novamente?" "Sim", respondi imediatamente. Lexi balançou a cabeça, em seguida, quando eu estava prestes a sair do carro, ela disse, "eu te encontrei nos registros de pessoas desaparecidas, Elsie." Todo o sangue dentro de mim gelou e minha mão congelou na maçaneta da porta. "No momento em que descobrimos o seu nome, procurei por você e encontrei um registro para Elsie Hall de Portland, Oregon." Puxei uma respiração tensa. "Eu anunciei que encontrei você, apesar de que posso dizer, você não tem família. O relatório da pessoa desaparecida foi feita por uma Susan Addison, ela administra um lar para meninas nos arredores de Portland. Isso foi feito alguns meses antes de você completar dezessete anos. O caso ainda estava aberto quando nós a trouxemos de volta aqui. Foi arquivado quando você saiu correndo do hospital, para nunca mais voltar. " Todo o meu ser tremia de medo, com medo de que Lexi conhecesse meu passado. Uma mão pressionou minhas costas fazendo-me saltar. Ainda assim, eu não me virei. Eu não podia. Eu estava paralisada de medo. "Eu não disse a Levi. Não é da minha conta dizer qualquer coisa disso." Lexi respirou fundo e continuou. "Eu tenho uma ideia do que você já passou, Elsie. Posso juntar o que poderia ter acontecido com você no seu passado. Eu vi os relatórios de quando você estava com eles, e por quê. Essa é a sua dor e esta é a sua jornada para encontrar a paz." Ela moveu a mão. "Mas você tem um rapaz naquela casa da piscina que, creio, já entrou de cabeça e está apaixonado


por você, mesmo que ele não tenha dito isso a si mesmo. E se não estou enganada, acho que você o ama também." Eu fechei os olhos e lutei contra a onda de emoção que jorrou para a superfície. Lexi suspirou. "Ele iria entender, Elsie. Acredite em mim. Eu não sei o que você sabe do passado de Levi, de qualquer um dos nossos, mas ele entenderia. Fale com ele, use essa bela voz que você mantem escondida, para confiar nele. Acredite em mim quando digo, por experiência pessoal, no momento em que você deixar seus demônios livres, eles não vão assombrá-la tanto. E o amor não ajuda; não é uma cura, mas é o início do caminho para a cura. " Lexi ficou em silêncio, e eu me forcei a virar para encará-la. Ela estava sorrindo para mim e eu podia ver a bondade em seu coração brilhando através de seus olhos verdes. "Eu não posso... Eu não posso enfrentar e falar tudo, Lexi", eu sussurrei. Sua cabeça inclinou para o lado, em entendimento. "Eu sei, querida. Mas com confiança e tempo, espero que possamos ajudá-la. Espero que um dia você vá ser capaz de ver o arco-íris depois da tempestade. " Inclinando-se sobre o assento, Lexi deu um beijo na minha cabeça. Um movimento na porta da frente me chamou a atenção, e vi Austin sair vestindo uma camiseta e jeans, com seu filho dormindo em seus braços. Eu assisti a expressão de Lexi derreter quando ela viu o marido ali de pé, esperando para recebê-la em casa. "Nós curamos uns aos outros", disse Lexi, sem remover sua atenção de seu marido. "Nós dois estávamos perdidos e quebrados, mas nos seguramos forte, e levantamos um ao outro das cinzas. Ele me trouxe o arco-íris, Elsie," ela bufou uma risada amorosa e disse, "ele me trouxe as estrelas. "


Eu não sabia o que significava essa referência, mas eu podia sentir a magnitude do que ele significava para ela. Lexi escorregou para fora do carro e eu também. Fui até a porta traseira, ficando fora da vista. Olhei para trás, vendo Austin, com suas intimidantes tatuagens de gangue em toda a sua estatura, tendo Lexi em seus braços e pressionando um beijo suave em sua boca. Ele me trouxe as estrelas... Eu andei em deslumbramento pelo caminho do jardim para a casa da piscina, repetindo em minha mente a imagem de Lexi muito magra e doente, de Clara tão assustada e pequena na grande cadeira, e eu tão fechada e com medo de que o mundo alguma vez deixe alguém ver o meu verdadeiro eu, para ouvir a minha voz. Minha voz diferente, mas minha voz que eu estava começando a entender, no entanto, por ser ouvida. Eu empurrei a porta para a casa da piscina, vendo Levi sentado à sua mesa, estudando. Seu cabelo estava despenteado e em desordem. E eu sabia que estava apaixonada por ele, muito mais do que jamais pensei ser possível... ele me trouxe a lua. Quebrando sua intensa concentração, Levi levantou a cabeça, um belo sorriso tímido iluminando seu rosto bonito. "Bella mia", ele murmurou, meu coração derretendo com o carinho. Levi se levantou de sua mesa. Ele estava vestido com uma camiseta branca que se agarrava a seus músculos, e calça jeans que estava assentada perfeitamente até o comprimento de seus pés. Em segundos ele estava comigo, com os braços grossos me puxando para o seu peito. Eu passei meus braços em torno de sua cintura e o segurei firme. Levi puxou para trás e perguntou: "Você está bem?"


Eu balancei a cabeça, tão dominada pela forma como me sentia, com a lembrança de estar unida com ele na cama. De pé na ponta dos pés, dei um beijo em seus lábios macios. O beijo foi tão bonito como ele. Eu quebrei o beijo e disse: "Eu vou tomar um banho." Levi olhou para mim estranhamente, mas ele simplesmente passou o polegar pela minha bochecha e disse, "Ok. Pedi uma pizza para o jantar. Nós podemos comê-la quando você sair. Você pode me contar sobre o seu dia." Balançando a cabeça, fui em direção ao banheiro, quando vi que meu frasco estava brilhando mais forte do que na noite passada. Na lata de lixo ao lado da cama, vi um pedaço de pulseira de neon recém-esvaziada. Eu sorri—ele recarregou o frasco. Ele mantinha a luz forte. Tomei banho o mais rápido que pude, os poderosos jatos quentes imediatamente fazendo-me sentir melhor. Eu lavei meu cabelo, o shampoo de coco levando embora as tensões do dia. Eu me sequei com a toalha e me enrolei com o roupão que Levi tinha trazido. Após pentear meu cabelo molhado, entrei na sala principal e Levi estava na cama, um livro em suas mãos. Ele sorriu quando me viu entrar. A pizza já estava na cama. Eu olhei para ele da porta, e corri para seus braços quando ele os estendeu para eu ir para ele. Eu subi na cama e caí contra seu peito, seus braços fortes e quentes me mantendo segura. "Está com fome?", Perguntou. Eu balancei minha cabeça. "Ainda não." "Tudo bem", respondeu ele, e passou os dedos pelo meu cabelo. "Coco", ele murmurou. "Eu amo esse cheiro em você."


Eu sorri contra seu peito, quando ele perguntou: "Como foi seu dia? Como foi no centro? " Eu detectei apreensão em sua voz, porque sabia que ele queria eu gostasse de lá. Eu sabia que era porque ele pensava que iria me fazer querer ficar. O que ele não percebeu ainda era que eu não precisava do centro para ficar, ele era a razão suficiente. "Foi uma mudança de vida", eu disse calmamente. Eu empurrei em meus braços. Levi me observava de perto. "Lexi me contou sobre seu passado. Ela me mostrou a foto dela, de quando ela estava doente." Levi engoliu em seco e sua pele morena empalideceu um pouco. "Sim?", Ele questionou. Eu balancei a cabeça. "Ela me contou sobre como ela quase morreu, sobre como Austin a ajudou a curar-se." Levi olhou para longe, em seguida, virou-se para mim. "Foi bem perto, Elsie. Ela estava muito doente, tanto quanto estava minha mãe. Eu e Aust achávamos que íamos perder as duas na mesma semana." Ele inalou. Em seu exalar disse: "Mas nós só perdemos Mamma, Lexi lutou. Ela ainda luta todos os dias... por Aust, Dante..." "Por você", acrescentei. "Ela me contou." "Por mim." Ele suspirou e eu inclinei minhas mãos em seu peito. "Ela me levou para a casa e eu conheci Celesha." Levi assentiu. "Você vai gostar dela. Ela é muito boa com as crianças. E a equipe. Ela tem um coração puro. " "Você vai lá?" Eu perguntei, e Levi acenou com a cabeça. "Na maioria dos domingos, antes de te conhecer. Vou lá quando Austin não está jogando. Algumas noites durante a semana também. Eu não sou realmente bom em falar com eles, mas ajudo no escritório e jogamos um pouco com aqueles que


gostam de futebol." Seu dedo correu pelo meu rosto. "Eu odeio vê-los tão quebrados como eles são. Esses malditos valentões, você sabe? Imbecis por fazer pessoas ficarem tão tristes", ele xingou. Eu podia ouvir claramente a raiva em sua voz. Minha confissão estava na ponta da minha língua. As cicatrizes do passado tentando empurrar através da minha garganta, para ser livre. Mas algo me impediu de chegar lá. Eu não sabia o que, imaginei que eu simplesmente não conseguia reviver esse tempo ainda. Eu estava com medo que não fosse forte o suficiente para lidar com os demônios que isso iria desencadear. Deitei-me no peito de Levi. "Eu falei em libras hoje." Levi parou. "Eu não sabia que você conhecia a linguagem de sinais?" "Sim. Eu estava em uma escola para surdos até que tinha oito anos, então tive a operação e eles me integraram. Eles queriam que eu estivesse entre crianças que tinham audição. Eu não sou muito boa, mas há uma garota lá, no centro, Clara. Ela é surda, Lexi e Celesha precisavam de alguém para se comunicar com ela, para incentivá-la a falar. " "E ela fez? Falou com você, quero dizer? " "Sim, um pouco. Ela teve um momento difícil." Meus olhos se fecharam ao sentir os dedos de Levi no meu cabelo. Eu suspirei, feliz e completamente segura. "Eu vou voltar amanhã para conversar com ela um pouco mais. Eu... eu quero ajudá-la. Ela é tão triste. Você pode ver isso em seus olhos. Ela tem muita dor em seu interior. Ela está completamente perdida. " "Isso é muito bom, bella mia", disse Levi e eu sorri, amando quando ele falava italiano para mim, amando quando ele me chamava de ‘sua linda’.


Fechei os olhos, sentindo-me mais segura do que já tinha sentido na vida, quando a conversa que tive com Lexi me veio à mente. Meus olhos se abriram quando esse pensamento depois se desviou para a minha mãe, e como ela se sentiria se tivesse me visto assim... feliz... apaixonada. Lágrimas picaram nos meus olhos, e me senti dizendo: "Minha mãe me disse para esconder minha voz do mundo." Eu senti Levi ficar tenso debaixo de mim, mas eu não me mexi de seu colo. Eu não podia olhar em seus olhos cinzas sem perder o controle. Eu não podia olhar em seu rosto bonito e o entendimento que sabia que iria encontrar quando falasse sobre ela. Falasse sobre aquela noite... o dia que recebi a notícia. "Desde tão jovem quanto me lembro, minha mãe me disse para não falar com ninguém além dela. Ela me disse que as pessoas não nos entendiam, que não havia lugar neste mundo para nós. " "Elsie", disse Levi quando fiz uma pausa. "Olhe para mim, bella mia" Eu balancei minha cabeça enquanto minhas mãos agarraram seu suéter. "Eu não posso, Levi. Eu não posso olhar para você quando lhe digo isto... apenas deixe-me contar-lhe. Se eu ver seu rosto não serei capaz de passar por isso. " Levi não respondeu de imediato, mas, em seguida, ele disse: "Tudo bem", e eu relaxei, tanto quanto possível. "Eu sei que lhe disse que minha mãe teve uma vida dura, que nunca foi dado a ela uma chance. Ela era a minha mãe e eu a amava com todo meu coração. Eu sentia pena dela todos os dias, enquanto ela lutava para passar para o próximo dia... a menos que ela tivesse as drogas. Até que ela atirou-se em heroína... até que ela esqueceu." Eu inalei o cheiro forte do perfume picante de Levi, tomando a força que ele me dava.


"Nós vivámos principalmente nas ruas. Vivíamos em becos ou portas, às vezes com alguns dos 'amigos' da minha mãe, às vezes sozinhas. Ocasionalmente nós tivemos um apartamento ou um quarto quando minha mãe se ligava com algum novo cara, mas isso nunca durava muito tempo. Todas as nossas roupas e bens materiais cabiam em um pequeno saco." A mão de Levi caiu para traçar levemente para cima e para baixo das minhas costas. Eu inalei profundamente. "E isso foi minha vida, todas as semanas vivendo em algum lugar novo, escondendo do mundo a realidade da nossa vida. Minha mãe sempre conseguiu nos manter em algum lugar o tempo suficiente para ter um endereço e coletar seu benefício do governo, mas nós nunca tivemos uma casa. "Eu fui para a escola, mantinha minha cabeça sempre baixa e só me importava com a minha mãe, que, na maioria das vezes, nem sequer percebia que eu estava lá. Até que ela fazia, isso me fazia sentir como a garota mais sortuda do mundo por ter uma mãe como ela. Meu coração doía com a forma quebrada que ela tinha passado sua vida. Os pais dela a rejeitou, escondendo-a de seus amigos esnobes. Ela havia sido isolada sem receber as ferramentas para viver sua vida por conta própria. Na maioria dos aspectos, ela era a criança e eu era o adulto." Limpei a garganta quando ouvi minha voz começar a quebrar, e o braço de Levi veio ao redor da minha cintura. Ele não me puxou para mais perto, mas eu sabia que ele estava me dizendo que ele estava ali comigo... para mim. "Uma semana na escola, eu podia ver uma professora me observando. Eu nunca falava em voz alta, a menos que fosse forçada, então nunca perguntei a ela o que estava errado. Eu tinha quatorze anos, mas não tinha amigos, sem ninguém para conversar ou obter ajuda. Naquele mês minha mãe estava tendo


um momento muito difícil. Você vê, eu lavava nossas roupas, eu roubava comida para nós... e eu media sua heroína. " "Porra, Elsie," Levi assobiou. Eu congelei, sabendo o quão ruim isso soou. "Ela precisava disso, Levi. Ela precisava disso. Eu poderia medi-lo pelas quantidades que sabia que ela podia lidar. " "O que aconteceu a seguir?" Eu respirava através da construção de dor eviscerando dentro de mim. Eu respirei e continuei. "A professora tinha notado que eu estava suja. Eu errei a data e não tinha entregue meus trabalhos escolares. Nós tínhamos sido expulsas de outro apartamento. A professora informou o serviço social, ela contou a eles que estava preocupada que eu estava sendo negligenciada." Eu respirei fundo. "Quando eles nos encontraram, estávamos em um beco, semteto, e eu estava medindo a dose noturna da minha mãe." Eu bufei um riso incrédulo. "Ela estava atordoada, por sua necessidade de drogas quando eles me levaram dela." Desta vez, senti as lágrimas caindo na camiseta de Levi. "Eu gritei, Levi. Quando eles me levaram dela, eu gritei e lutei contra eles. Eu gritei para minha mãe, mas ela estava drogada, as agulhas encontram-se ao lado dela. Ela nem sequer viu que eu estava sendo arrancada de seus braços." Eu rolei meu rosto para olhar para Levi, precisando vê-lo. A expressão de Levi era tão rasgada quanto eu me sentia. Estendi a mão para a sua. Ele passou a mão grande em torno da minha e eu segurei sua preciosa vida. "Eles me levaram para uma casa de grupo, Levi. E, a deixaram ali, naquele beco." Eu fechei os olhos, vendo-me na escola no dia seguinte. "Eu estava sentada na minha sala de aula, em Química, quando houve uma batida


na porta. Eu vi o diretor olhando para mim através do vidro da porta, e eu sabia. Eu sabia que eles estavam vindo para mim. Eu sabia que era sobre a minha mãe." Um soluço veio da minha garganta, meus olhos perdidos na memória. "Eu pulei da minha cadeira quando o diretor e os assistentes sociais entraram na sala. Eu me afastei, tentando escapar do que sabia que eles estavam prestes a me dizer. Mas tudo que fiz foi bater contra a parede e não tinha mais para onde ir. Lembro-me de ver os outros alunos me observando enquanto eu gritava. Assistindo-me, enquanto eu era levada para o escritório do diretor, onde eles me disseram o que eu já sabia, ela estava morta. Ela teve uma overdose. Tinha tomado muito." Eu olhei nos olhos brilhantes de Levi e sussurrei:" Eu não estava lá para medi-la para ela, Levi. Ela tinha tomado muito e tinha morrido em uma pista que ela só tropeçou. Ela morreu no chão frio, sozinha, presa em seu mundo de silêncio. " Os soluços caíram e caíram. Quando eu desmoronei, Levi levantou-me em seus braços e me segurou contra o peito. Ele me segurou perto, me balançando para frente e para trás até que as lágrimas secaram. Até que minha garganta estava crua e minha pele estava manchada. Pisquei através de olhos inchados e dei um longo suspiro profundo. Levi empurrou para trás, onde me colocou até que ele pudesse ver meu rosto. Compreensivelmente, ele disse, "Não foi culpa sua." Meus lábios tremiam. "Eu não estava lá. Ela precisava de mim. Eu não estava lá.” "Eu sei, bella mia, mas não era sua responsabilidade cuidar dela assim. Ela era viciada em drogas e teve uma overdose. " "Eu era tudo o que ela tinha, ela era tudo que eu tinha. Eu nunca cheguei a dizer adeus, Levi. Nunca cheguei a colocar a minha mão em seu rosto


enquanto ela colocava a dela no meu e pressionava nossas testas juntas. Eu nunca cheguei a dizer-lhe uma última vez a nossa versão de 'eu te amo'." Eu segurei meu medalhão na minha mão. "Tudo que tenho é esse colar. A imagem de seu rosto sorridente. É tudo o que tenho. " Levi escovou as lágrimas do meu rosto, e eu continuei. "Então eles me deixaram na casa do grupo. Eu e outras cinco meninas. E eu... eu... fui..." Minha voz cortou quando a devastação rasgou, quando essas memórias escuras começaram a inundar minha mente, roubando a minha voz e qualquer compostura que eu tinha deixado. Levi assumiu o comando, me rolando de costas e segurou meu rosto entre as mãos. "Elsie", ele disse, enquanto eu tentava ver seu rosto no ataque da minha mente, para ouvir as suas palavras, para senti-lo. "Bella mia", ele disse com firmeza, "olhe para mim." Seu rosto ficou à vista e eu olhei seus olhos cinzentos. Concentrei-me em suas bochechas com a barba por fazer e sua bela pele morena. Meu coração instável desacelerou. Levi respirou profundamente; eu respirei no seu ritmo. Minhas mãos seguraram seus bíceps grossos quando ele gradualmente me trouxe de volta, seus olhos me mantendo segura. Ele piscou, seus longos cílios negros escovaram seu rosto. Só que desta vez, a minha falta de ar veio do quão profundamente eu sentia por esse garoto. Este garoto com o coração de ouro, e olhos tom de prata. Eu levantei minhas mãos para escovar seu rosto. O silêncio era ensurdecedor e a tensão forte. Ele é o meu arco-íris, pensei, ouvindo as palavras de Lexi na minha cabeça, e ele... "Você me traz a lua," Eu encontreime dizendo em voz alta. Pela primeira vez, não guardei como soava. Eu não achei um excesso de palavras, ou me esforcei para pronunciá-las normalmente.


Eu simplesmente falei... sem medo, minha voz sem cortes desnudada para seus ouvidos. Levi exalou, um sorriso de tirar o fôlego em seus lábios. "Então você me traz o brilho." Quando sua voz rouca respondeu, eu trouxe seus lábios até os meus e nossas bocas se fundiram em um beijo. Eu caí mais forte quando sua língua deslizou contra a minha, e eu entreguei meu coração. Levi desamarrou meu roupão, e ele colocou as mãos sobre o meu estômago nu, empurrando o material para o lado. Engoli em seco quando ele abaixou a cabeça, pressionando um beijo na minha pele, seguindo o caminho de suas mãos. Minhas costas arquearam quando meus seios foram libertados. O dedo de Levi viajou ao redor dos meus mamilos, meu olhos fechados. Seus lábios macios instantaneamente nos meus e eu derreti em seu beijo. Tirei o suéter de Levi e ele tirou a calça jeans e cueca. Nós nos beijamos e nos beijamos da forma mais bonita. Quando ele deslizou para dentro de mim, nossos olhares se enfrentaram e nunca desviamos o olhar. Foi doce, foi lento, e transmitia tudo o que sentíamos. Ele me deu tudo o que eu precisava agora. Era amoroso, e ele me mostrou o quanto se importava. Ele cuidou de mim mais do que qualquer um jamais cuidou. Eu sabia disso agora. Eu gemia, sentindo o prazer crescer entre nós, e quando nos separamos, sussurrando seu nome, eu assisti a boca de Levi quando ele entregou a si mesmo para mim também. Ele caiu para o meu pescoço, nossos corpos pressionados juntos, e úmidos de fazer amor. Eu segurei firmemente este garoto, segurando-o para mim com os meus braços em torno de sua cintura. "Você torna mais fácil


esquecer todo o mal que vivi", eu sussurrei em seu pescoço, sentindo-o enrijecer em meus braços. Levi recuou até que seu rosto pairava sobre o meu. Ele olhou para mim, me deu um beijo suave, em seguida, disse: "Você torna mais fácil para eu ver apenas o bem." "Levi", eu sussurrei, e ele mudou-se para deitar ao meu lado. Enquanto eu estava deitada ao lado dele, quente em seus braços, sabia que precisava ser mais corajosa. Eu precisava dar a ele mais do que ele me dava. Eu precisava ser a namorada que ele merecia, não a que ele tinha de trancar, escondendo a voz do mundo, mas a orgulhosa em seus braços. Eu corri minha mão para cima e para baixo dos braços de Levi, e disse: "Levi?" "Mmm?", Ele murmurou, sonolento. "Aquele jantar de futebol?" "Sim?", Ele respondeu, com a voz mais alerta. "Você quer que eu vá com você?" Prendi a respiração à espera de sua resposta. Levi levantou sobre o cotovelo e procurou meu rosto. Suas sobrancelhas estavam puxadas para baixo. "Você quer ir?" Engoli em seco. "Se você me quiser lá... se você me quiser ao seu lado, eu estarei lá." Ele respirou fundo, então senti quando um enorme sorriso iluminou seu rosto. "Sim", ele balançou a cabeça, inclinando-se para pressionar três beijos acima e para baixo de minha bochecha, "Eu quero você lá," ele disse e eu podia ouvir a felicidade em sua voz. "Eu realmente quero você lá."


Corei, abaixando meus olhos. "Então estarei lá com você." Levi esfregou seu rosto no meu pescoço e me puxou para encaixar contra ele. Fechei os olhos e senti um pouco do peso que sempre me pressionava, me elevando. Eu contei a ele metade da minha história, mas não tudo. O rosto de Clara veio à mente e eu sabia que iria para o centro, tanto quanto eu pudesse. Talvez, pensei, apenas talvez, posso ajudá-la a passar por isso, eu possa finalmente encontrar a força—encontrar a minha força para contar tudo. Inteiramente. Livre. Sem isso me matando por dentro. Talvez.

Uma semana e meia se passou. Os dias que não estava com Levi, vinha para o centro e sentava-me com Clara. Cada vez eu perdia mais e mais esperança. Se houvesse uma encarnação viva de uma alma destruída, essa era Clara. Ela sentava-se na janela, olhando para o rio, e eu me sentava ao lado dela. Ela conversava um pouco, ocasionalmente sorria, mas eu estava convencida de que era tudo planejado. Nada do que eu dizia ou fazia parecia levanta-la de sua depressão. Isso começou a me destruir, que eu não podia lhe dar esperança. Lexi e Celesha


disseram para eu não desanimar, não desistir, mas para continuar tentando. Eu estava perdendo as esperanças; parecia que sua luz interior estava desaparecendo a cada dia que passava. Caía uma chuva forte quando entrei no solário, as pesadas gotas ricocheteando o telhado de vidro. Agarrei o meu velho bloco de notas em meu peito, e tomei o meu lugar habitual ao lado de Clara. "Olá, Elsie," ela acenou, sem olhar para a minha direção. Seus olhos estavam de volta no rio, o vendo correr, a corrente forte, cheia pela chuva pesada. Eu coloquei o meu bloco de notas sobre a mesa ao nosso lado, e me mudei para sua linha de visão. "Como você está hoje?" Acenei. Clara ergueu as mãos e acenou: "Tudo bem." Suspirei. Era a mesma resposta que ela dava a cada dia. Era a resposta que ela dava para a maioria das perguntas, ‘Ok’. Era tão frustrante como 'bem' ou 'muito bem'. Meus nervosismo aumentou enquanto eu olhava para o bloco de notas em cima da mesa. Eu não tinha falado com Clara sobre o meu tempo na casa de grupo; eu não tinha falado com ninguém. Eu não tinha falado com ninguém, não tinha divulgado o meu horror pessoal e vergonha. Embora eu definitivamente abri meu coração e derramei a minha alma para algo – o meu bloco de notas. Depois de dias de ser incapaz de explicar ou ajudar, ou dizer a ela que estaria tudo bem, porque eu não tinha certeza de que estaria, eu não tinha certeza de que jamais estaria—eu sabia que tinha que tentar algo diferente. Eu não tinha palavras para ela ouvir, a minha língua de sinais estava muito


enferrujada para expressar o que eu queria que ela entendesse e soubesse. Tudo. Como eu entendia tudo. As palavras de meu coração era a minha melhor chance de ajudá-la, para salvá-la do seu lugar escuro. Olhei para Clara, cuja cabeça estava descansando para trás na cadeira, e eu acenei para chamar sua atenção. Seus olhos tristes e sem vida rolaram para mim. Eu levantei minhas mãos. "Eu sei que você provavelmente já ouviu isso um milhão de vezes, mas quero te dizer que entendo." Clara não reagiu, mas ela continuou a me observar. Isto era um progresso. Eu bati meu dedo no bloco de notas e acenei, "Eu tinha quatorze anos quando fui levada sob cuidados. E eu tinha dezesseis anos quando começou a intimidação." Clara chegou adiante alguns centímetros. Esses centímetros solitários me deram a esperança para continuar. "Como você, eu não falava, mas escrevia. Eu escrevia todos os meus sentimentos em prosa, em poemas." Fiz uma pausa. "Eu tinha que fazer isso, ou não teria sido capaz de lidar com isso durante todo o tempo que lidei." Clara franziu a testa. Eu apontei para o caderno novamente. "Leia-o," Eu acenei. "Estes são os poemas dos meus momentos mais sombrios. Quando sentia que estava sozinha, quando eu não tinha ninguém a quem recorrer, e nenhum lugar para ir. Quando senti que não podia continuar." Os olhos de Clara caíram para o caderno, em seguida, olhou de volta para mim quando levantei-me da minha cadeira. "Eu vou dar um passeio, então vou voltar. Por favor, leia isso se você quiser. Então talvez nós podemos conversar, se quiser." Eu andei para fora, sentindo como se estivesse deixando uma grande parte da minha alma para trás. Mas mantive um pé movendo-se em frente do


outro, pedindo a Deus que algo nesse caderno a ajudasse. Algo, sobre o inferno que passei, a mostrasse que ela não estava sozinha. Eu andei e andei; não conseguia parar. Eu andei pelas salas ocupadas, acenando para os adolescentes que estavam buscando ajuda e cura para seus corações. Eu saí para o terraço coberto no quintal e me sentei. Sentei-me por tanto tempo quanto podia. Olhei para o rio correndo, embalando minhas mãos em volta da minha cintura enquanto o vento soprava pelo meu cabelo. Fiquei imaginando o que o tornou tão fascinante para Clara. Eu me perguntei se isso iria me fascinar também, se eu nunca tivesse ouvido um som. Será que eu passaria horas me perguntando como se parecia? Será que eu também me perderia em seu ritmo? Minha perna começou a pular, e eu não conseguia mais ficar aqui sentada. Me levantando, supondo que se passaram uns bons noventa minutos, voltei para o solário para ver o cabelo castanho de Clara recostando-se na cadeira. Aproximei-me devagar e com cautela, mais por medo dela ter lido meus poemas do que como ela estaria. Então ouvi uma fungada suave. Virei-me para enfrentar Clara sentada em sua cadeira, e meu coração se partiu em dois quando vi que suas bochechas estavam molhadas e seus olhos estavam vermelhos. Meu caderno apertado contra seu peito, aberto em uma página. "Clara?" Eu acenei. "Você está bem?" Ela assistiu minhas mãos, e, em seguida, assentiu com a cabeça. Senteime diante dela e ela baixou o bloco de notas, apoiando-o no colo.


"Este," ela acenou, em seguida, acariciou lhe a mão sobre o coração, "Sou eu", acrescentou ela, uma lágrima caindo de seus olhos inchados. "Este poema sou eu." Lancei o meu olhar para baixo para o poema, e parei. Era o que mais li. O único que me rasgou em pedaços. O que eu tinha escrito no pior dos insultos de Annabelle. O que escrevi pouco antes de sucumbir à sua crueldade. "Coração Arranhado", eu murmurei ao ver o título rabiscado do poema. Clara assentiu com a cabeça e eu vi quando ela começou a ler a partir da primeira linha:

"Lanças de bocas, ateiam fogo à vontade, Maliciosas e nítidas, com veneno elas enchem. O veneno é rápido, destrói a veia, Derrete a carne, acumulando a dor. Calor invadindo, como rios que flui, Olhos firmemente estabelecidos, no lugar que dói mais. Como a tinta preta, poluindo a luz, As palavras se manifestam, com um objetivo em sua visão. Rasgando pedaços da pele, deixando nada além de ossos, Rasgando para longe da vida, deixando o medo por si só. Ele varre a mente, levando felicidade e alma, Com garras como navalhas, move-se, mergulhando baixo. Ele se arrasta para baixo do pescoço, o corpo sem lágrimas, A escuridão consome, a última base: o coração. Ela envolve-o em videiras, estrangulando a sua respiração, Ela penetra com agulhas, nenhuma batida resta.


O sangue, que é mais profundo, sua concha vazia e nua, As garras fragmentam e elas mutilam, até que não há mais nada lá. A escuridão que sorri, a fraqueza que eles não podem lidar, Em seguida, ele se move para a próxima, a crueldade vencedora, espero que não. "

Eu respirava pelo nariz quando vi os olhos de Clara deixarem a página, e ela correu os dedos sobre as palavras, a crueldade vencedora, espero que não... a crueldade vencedora, espero que não... a crueldade vencedora, espero que não... Ela traçou as palavras três vezes, em seguida, apontou para si mesma. Minha pele se arrepiou com um sentimento, o sentimento de saber. Eu sabia o que significava essa linha. Eu tinha vivido isso. Estava vivendo isso ainda, como ela. "Crueldade", ela acenou. "Isso é o que eles fazem. Eles usam crueldade para machucar, até que toda a esperança se desvanece. " "Mas você pode lutar contra isso," Eu acenei, e Clara inclinou a cabeça para o lado. "Você combateu-a? Você já lutou contra isso?", ela perguntou, e eu deixei cair minhas mãos. Ela sorriu tristemente, em seguida, apontou para trás, as duas últimas palavras... espero que não... Clara olhou para aquele poema tão duramente que peguei o bloco de notas e rasguei a página. Seus olhos castanhos se arregalaram de surpresa quando coloquei o papel em seu colo. Ela balançou a cabeça, e ia levantar as


mãos. Parei seus movimentos, minhas mãos sobre a dela. Ela focou em minha boca. "É seu", eu disse, e observei-a ler os meus lábios. Ela mergulhou os olhos e disse: "Obrigada... você..." Meu coração se encheu de luz quando o som celestial de sua voz monótona gaguejou enchendo minha orelha. "De nada," Eu murmurei de volta e apertei a mão dela. Eu ouvi o som dos saltos de Lexi descendo o corredor para me levar para casa, para que eu pudesse me vestir para o jantar de hoje à noite. Sentando, eu acenei, " Você está bem, Clara? Eu tenho que ir." Clara inalou um longo suspiro profundo, então ela sorriu. Ela sorriu. E não era um falso ou mesmo pequeno sorriso. Ela sorriu mostrando-me os dentes e ela balançou a cabeça. Ela levantou o poema em sua mão, em seguida, colocou de volta para baixo e acenou, "Isso me dá esperança. Obrigada." Eu vi Lexi entrar na porta, e me levantei. Pela primeira vez desde que comecei a vir para cá, eu tinha chegado até a Clara. Minha dor tinha ajudado. Minhas palavras tinham mostrado que ela não estava sozinha. Sua reação me mostrou que eu não estava sozinha. "Vejo você amanhã, Clara, ok? " Clara estendeu a mão e pegou a minha mão, apertando meus dedos. Balançando a cabeça, pressionei um beijo no topo de sua cabeça, em seguida, caminhei em direção a Lexi que estava sorrindo para mim com orgulho.


Nós andamos pelo corredor, e quando entramos no carro, Lexi se virou para mim. "Você teve um avanço?", ela perguntou. Sorrindo, eu balancei a cabeça. "Foi um dos meus poemas. Ele a ajudou. " A cabeça de Lexi inclinou para o lado. "Você escreve poemas?" Eu hesitei, não percebendo que tinha contado meu segredo, mas respondi honestamente. "Sim." "Você é uma menina muito notável, Elsie," Lexi anunciou, e deu um tapinha na minha perna. "Eu estou realmente feliz que você teve progresso com Clara, que a ajudou a se abrir e falar. É o primeiro passo, Elsie. Você deveria estar orgulhosa." Voltamos para casa e todo o caminho até lá me senti mudada por dentro. Eu ajudei alguém a ver que eles não estavam sozinhos. Mesmo com o nervosismo que estava ameaçando a aumentar por estar apreensiva por hoje à noite, não pode roubar este sentimento positivo. Talvez, pensei, talvez haja um lugar para mim neste mundo depois de tudo.


ELSIE

"Apenas segure-o aí por mais um segundo", disse Ally enquanto passava o pó sobre minha testa e bochechas, mais uma vez. Eu ainda segurava, as cerdas do pincel fazendo cócegas no meu nariz. Ally deu um passo para trás, seu sorriso cativante em seu rosto. Seus olhos castanhos se suavizaram. "Você está linda, querida, eu mataria para ter uma pele como a sua." Corei com seu elogio, ficando de pé quando Lexi entrou na casa da piscina. Lexi parou, então ela olhou para mim e colocou a mão sobre o peito. "Elsie", disse ela suavemente. "Você está deslumbrante." Olhei para o meu vestido dourado que Ally tinha me levado para comprar, o apertado corpete sem alças, correndo em uma saia fluida que caia até o meio da coxa. Eu estava em saltos altos—eu tive que praticar andar neles e meu cabelo estava nas minhas costas em grandes cachos. As mãos de Ally pousaram levemente sobre os meus ombros. "Dê uma olhada em sua maquiagem, Elsie. Eu só destaquei seu brilho—você realmente não precisa de muita maquiagem para começar."


Fazendo o que ela disse, olhei no espelho, ela segurava suas mãos, e eu engoli. Eu parecia tão diferente. Eu queria que Levi gostasse. "Bom?", Perguntou Ally, a preocupação em sua expressão. Eu pressionei minha mão sobre meu peito. "Obrigada, está lindo." Ally sorriu em resposta, e ela me deu uma bolsa de corrente de ouro. "Você está pronta", disse ela. Eu dirigi-me para a porta. Levi estava esperando na casa principal com seus irmãos. Eu já tinha visto ele em seu terno, e como sempre, ele parecia incrivelmente bonito. Então, novamente, não importa o que ele usasse, bastava um olhar em seu rosto amável e meu coração pulava. O vento soprava mais forte quando a noite chegou. Peguei o casaco cor creme para combinar com o vestido, que Lexi tinha me emprestado e segurei-o perto. Passei pelo quintal, não querendo estragar todo o bom trabalho de Ally. Quase corri pela porta da cozinha de volta. O som de vozes que enchiam a cozinha de repente caíram quando entrei. Olhei para cima, perguntando por que os irmãos Carillo tinham ficado em silêncio, quando eu vi Levi vir de onde estava encostado na ilha de cozinha, sua mão segurando firmemente uma garrafa na mão. Eu arrastei uma respiração lenta quando vi que ele estava olhando para mim, seus olhos cinzas varrendo meu corpo, apenas para amolecer quando eles desembarcaram no meu rosto. Eu cortei um olhar para Austin e Axel, para vêlos sorrindo para Levi; os dois irmãos mais escuros, estavam lado a lado, observando o mais jovem com diversão em seus olhos. "Elsie", disse Levi com voz grossa, quando colocou sua garrafa para baixo. Ele fez o seu caminho em direção a mim, um rubor quente espalhando em suas maçãs do rosto. Meu coração batia freneticamente enquanto ele se


aproximava. Quando parou diante de mim, sua mão foi na minha bochecha— um único toque que me garantiu que ele se importava, eu me aninhei em sua palma. "Você está tão bonita," murmurou. Eu ouvi a porta traseira sendo aberta, cortando a atmosfera pesada que nos encontramos. "Bom?" Ouvi Ally perguntar em voz alta. "O que você acha, Lev?" Levi deixou cair sua mão e olhou por cima do meu ombro. "Ela parece incrível", disse ele timidamente, em seguida, acrescentou: "mas mesmo assim, ela sempre parece." "Aww," Ally cantarolou e deu um beijo na bochecha de Levi quando ela passou em seu caminho para chegar ao seu noivo. Ela parou ao lado de Axel, e cutucou no lado. "Você poderia pegar algumas dicas com seu irmão mais novo, querido." Axel a puxou para mais perto em seu peito, revirando os olhos escuros. Ally riu, envolvendo o braço em volta da cintura. "Deixe-me tirar uma foto antes de vocês saírem," disse Lexi e se agachou diante de nós. Ela pegou o telefone. Levi colocou o braço em volta do meu ombro. Eu sorri para o telefone, então ela pegou uma câmera. Era maior e amarela. "É uma Polaroid para o meu álbum de recortes", disse ela. Levi riu baixinho. "Baby", Austin chamou por trás. "Você planeja segurá-los aí a noite toda?" "Silêncio!", disse ela, e estalou o botão. Um retrato branco de mão rolou a partir da câmara. Lexi balançou a imagem antes de trazê-la para nós, estendendo-o até que o revestimento processou e nossa imagem veio à tona.


Borboletas estouraram no meu estômago com a forma que nós olhamos na foto, de nossos rostos, aparecendo sorrisos tímidos. Mas nós parecíamos felizes. "Você está maravilhosa", Lexi complementou, com a garganta apertada fazendo com que seu sotaque sulista tornasse mais espesso. "Você pode colocá-lo no meu quarto?", Perguntou Levi. Lexi sorriu para Levi como uma mãe olharia para seu filho. "Claro, querido", ela confirmou. "Eu tenho uma moldura que vai ficar realmente linda." Levi se inclinou para frente e deu um beijo na bochecha de Lexi, antes de tomar minha mão. "Você está pronta?", Perguntou Levi. Eu balancei a cabeça. Meu estômago revirou; minhas borboletas voaram para fazer meu nervosismo ainda maior. Nós acenamos para todos quando saímos pela porta da frente e seguimos para o Jeep. A música estava tocando baixa enquanto nós colocamos o cinto. Eu esperava que ele puxasse para a estrada, mas antes que fizesse, Levi se inclinou sobre o console e pegou a minha boca em um beijo. Eu suspirei enquanto seus lábios se moviam suavemente contra os meus, sua língua deslizando na tentativa de duelar contra a minha. A mão de Levi envolveu meu cabelo. Ele quebrou o beijo, sem fôlego, seus olhos um cinza escuro com necessidade. "Você parece realmente, linda pra caralho, bella mia", ele murmurou. Meu coração batia freneticamente enquanto ele xingou. Levi raramente xingava. Eu lutei contra um sorriso. Ele me mostrou o quão bonita ele realmente achava que eu era. Isso me fez sentir como a garota mais linda do mundo.


Voltando ao seu lugar, Levi puxou para a estrada, e todo o caminho até o hotel no centro de Seattle, ele manteve as mãos entrelaçadas na minha pousadas no meu colo. Quando ele puxou para o estacionamento do hotel de luxo, os jogadores e suas namoradas estavam entrando pela porta principal. De repente, me senti congelada pelo medo. Levi me segurou com força, levantando a mão para parar o manobrista que tentou vir e tomar o nosso carro. Meu nervosismo aumentou quando vi a confusão no olhar do manobrista em Levi. "É melhor irmos," Eu disse meio rouca, tentando manter o aperto da minha garganta. "Não", Levi empurrou. "Ele pode esperar. Eu posso ver que algo está errado." "É apenas nervosismo, Levi. Eu tenho... Eu nunca estive em nada parecido com isso, vestindo roupas extravagantes, comendo comida que para mim eram como fantasia. Eu," Eu suspirei e balancei a cabeça, "nunca estive em torno de tanta gente... Eu nunca tive que falar com as pessoas assim. Eu estou," eu empurrei para baixo a massa arranhando a minha garganta e perguntei:" E se eu tiver que falar? E se eles ouvirem a minha voz?" Eu me senti doente só com o pensamento de entrar, meus olhos vagando para assistir as muitas meninas arrumadas em vestidos lindos, entrando no hotel em grupos. Eles estavam rindo, ligando os braços... eles eram todos tão perfeitos e normais. Assim como Annabelle e seus amigos. Tudo o que eu não era. "E se eles ouvirem?", Disse Levi baixinho, enquanto eu olhava para o seu rosto em entendimento. "E se eles ouvirem você falar?"


"Não é como todos os outros. Eu vou..." Engoli em seco. "Eu vou te envergonhar, Levi. Na frente de todos seus amigos. " A mandíbula de Levi ficou tensa, então ele disse com firmeza, "Bella mia, eu prometo a você, isso não é tão diferente das pessoas que vão julgá-la." Ele se inclinou para frente, com o rosto uma centímetro do meu. "E eu estarei lá com você. Durante toda a noite, eu estarei com você. Posso ser a sua voz se você precisar disso, mas você não tem nada para se envergonhar. Eu prometo. Apenas... apenas confie em mim. Eu nunca faria nada para perturbar ou machucá-la. Você não precisa ficar tão assustada. Você me pegou, e eu não vou deixar você ir." Eu li o seu rosto e vi seus lábios beijáveis, me prometendo que eu estaria segura. E eu acreditei nele. Eu sabia que ele não iria me machucar. Eu sabia que ele ia me proteger, não importa o quê. Você tem que aproveitar esta oportunidade, eu me convenci. Você não pode sempre viver nas sombras. O som de uma buzina explodiu atrás de nós, fazendo-me saltar. Levi riu do meu choque, balançando a cabeça. Trazendo a minha mão aos lábios, ele perguntou de novo: "Você tem certeza que quer fazer isso? Se isso for muito, eu possa levá-la para casa. Eu não vou ficar chateado." Enquanto eu observava seu lábios contra a minha pele, disse: "Não. Eu quero estar aqui com você, por você. Eu preciso fazer isso, por mim também. Eu tenho que fazer isso algum dia. Por que não agora?" Levi me deu o sorriso mais lindo, em seguida, abriu a porta. O manobrista abriu a minha porta e também me ajudou. Eu andei em volta do carro e imediatamente peguei a mão estendida de Levi. Ele orgulhosamente me levou para a entrada. Olhei em volta com admiração para a opulência que nos


rodeava. "Louco, hein?", Disse Levi apontando o enorme lustre de cristal pendendo do teto. Eu balancei a cabeça assim que alguém veio e perguntou se eles poderiam pegar o meu casaco. Eu encolhi os ombros, a tempestade dos olhos cinzas de Levi itinerante sobre meus braços nus. Ele lambeu ao longo de seus lábios. Eu peguei um rubor viajando até seu pescoço. Até o momento em que fomos interrompidos pelos amigos de Levi que vieram no meio da multidão com seus respectivos encontros a reboque. "Alabama, aí está você!" O garoto que eu lembrava como Jake chamou, sua namorada, Stacey segurando sua mão. Ashton veio também, juntamente com alguns outros caras que eu não tinha conhecido e cerca de quatro outras meninas. Eu imediatamente vi a menina ruiva que estava por perto da outra vez. Eu a vi olhando para Levi, meu estômago revirou com a posse. Era estranho para eu sentir isso por outra pessoa, mas Levi era meu, e eu não gostava da onda de ciúme que brotou de alguém olhando para ele com mais que simples simpatia em seu olhar. "Olá, Elsie, " Ashton disse, me tirando dos meus pensamentos. Eu sorri quando ele me beijou na bochecha, antes de aproximar-se do lado de Levi. Jake fez o mesmo, assim como Stacey. Eu fui apresentada um por um, para os amigos de Levi, em seguida, finalmente, a ruiva, Harper, estava diante de mim. "Olá, Elsie, bom vê-la novamente", ela cumprimentou e beijou meu rosto. Afastei-me o mais rápido que pude, minhas mãos começando a tremer. Ela me lembrava muito de Annabelle—o jeito do cabelo, o mesmo sorriso falso que escondia sua verdadeira intenção. Mesmo jeito que ela falava, eu podia ver os olhos cruéis de Annabelle e ouvir a voz que ainda me impedia de dormir à noite.


A menina que, a cada noite, assombrava minha mente. O som de um homem limpando a garganta veio das portas da sala de jantar. "Gostaria que vocês tomassem seus lugares, por favor. O jantar está prestes a ser servido." Levi olhou para mim com as sobrancelhas juntas. Eu sabia que ele tinha sentido minhas mãos trêmulas, mas forcei um sorriso tranquilizador. Eu teria que dizer-lhe a razão mais profunda do por que eu odiava tanto falar, por conhecer novas pessoas—e especialmente a menina que me fazia ter calafrios correndo pela minha espinha e fazia meu estômago virar. Mas eu não iria fazêlo hoje à noite. Eu não queria puxar qualquer atenção para mim. Queria passar esta noite, então eu diria a ele. Eu tomei uma respiração profunda—eu lhe diria tudo. As palavras que disse a Clara encheram minha mente, quando lhe disse para lutar contra as feridas causadas a ela por seus agressores. E sua resposta não poderia ter sido mais precisa quando ela me perguntou se eu tinha lutado contra as feridas que tinha sofrido. Porque eu não tinha, suas palavras ainda estavam alojadas em minha mente, elas eram como facas ainda perfurando meu coração. Ainda. Depois de todo esse tempo. Eu tinha que começar a tentar. Hoje à noite, eu iria tentar. "Elsie?" Levi empurrou, e quando olhei pela sala, percebi que todas as pessoas já tinham tomado os seus lugares. "Sinto muito", eu disse enquanto corria para a frente.


Levi me puxou de volta, me manteve parada e segurou meu rosto. "Você tem certeza que está bem? Você tem agido estranha desde que chegamos aqui." "É apenas nervosismo", respondi, segurando seus pulsos. "Eu vou ficar bem. Eu..." respirei. "Eu vou tentar hoje à noite." Orgulho engoliu a expressão de Levi. "Estou tão orgulhoso de você, bella mia", ele murmurou. "Tão orgulhoso." Eu caí em seu peito, quando Jake apareceu à porta. "Alabama, é melhor vocês entrarem aqui. O treinador está prestes a começar e você sabe que você estará fazendo muitos sprints se não entrar logo aqui. " "Nós estamos indo", Levi disse em resposta e me puxou, as mãos juntas, para o lugar. Meus pés vacilaram quando vi a quantidade de pessoas enchendo o espaço enorme. Mas Levi continuou segurando forte quanto mais ele passava através das mesas. E ele não me soltou, enquanto muitos pares de olhos me encaravam—como a garota que tinha ganhado o coração de Levi. Uma mão sinalizou a nossa mesa, e eu vi que era Jake. Quando chegamos à mesa, havia duas cadeiras vazias, nossos nomes escritos em cartões no lugar. Nós rapidamente nos sentamos, quando o treinador pisou no pequeno palco. Não tinha observado quem estava ao meu lado até o momento que me sentei, foi quando eu percebi que estava sentada ao lado de Stacey. Harper sentou ao lado dela e as outras meninas que eu tinha brevemente conhecido estavam do outro lado dela. Stacey se inclinou para perto. "Recusei-me a sentar-me no mesmo lugar com Jake, escolhi sentar-me junto com as meninas. Eu o vejo todo o maldito tempo." Eu ri com Stacey, dando de ombros para o fato de que ela se recusou a sentar-se com o namorado. Em seguida, a mão de Levi apertou a minha


própria. "Você está bem?", Ele perguntou com a boca sem som. Eu derreti, sabendo que ele fez isso porque estava sentado do meu lado surdo. Eu balancei a cabeça. O treinador começou a falar sobre o resto da temporada. Ele referenciou os esforços determinados dos jogadores, em especial Levi por quebrar o record da escola por correr mais jardas e touchdowns marcados. Levi abaixou a cabeça, envergonhado quando o treinador focou os holofotes sobre ele. Desta vez foi a minha mão que segurava a sua firme. Ele balançou a cabeça em ser o centro das atenções, e eu ri quando seus amigos não deixaram isso passar. O técnico sentou-se e, depois da oração, anunciou o início da refeição. As pessoas na nossa mesa conversavam entre si, até que Stacey virou-se para meu lado olhando para mim. "Então, Elsie, como você conheceu Lev? Nós nem sequer sabíamos que ele estava namorando alguém, até que vimos você no jogo." Mesmo que Stacey parecesse amigável o suficiente, minha garganta obstruiu. Ela entupiu quando as outras garotas ficaram em silêncio, juntandose ao clamor, todos esperando pela minha resposta. Eu abri minha boca, desejando que as palavras saíssem com o fluxo, mas eu tossi e me mexi no meu assento quando o pânico tomou conta. "Amigos da família", eu ouvi do meu lado, e me virei para ver que Levi tinha falado por mim, me resgatado. Eu adorava-o naquele momento, meu coração se apaixonou por ele um pouco mais, se isso era possível. Stacey olhou para Levi e depois de volta para mim. "Que legal. E você é de Seattle, Elsie, ou você é de Bama também? " "Portland", Levi respondeu e Stacey riu.


"Levi Carillo, você vai responder a cada pergunta que eu fizer a Elsie ou você vai deixar sua namorada realmente falar por si mesma?" Levi congelou, e eu podia vê-lo lutando para encontrar uma resposta para me ajudar. Meu coração bateu muito rapidamente e eu podia sentir o pânico crescer. Mas eu empurrei através de tudo isso para dizer: "Ele está apenas tentando me ajudar, isso é tudo." Eu vi no segundo que falei. Todo mundo estava me olhando um pouco mais de perto. Eu vi Harper e as garotas do outro lado da mesa olharem de uma para a outra. Eu sabia, porque sempre soube que meu som era diferente quanto mais pronunciado. Era mais do que Levi dizia, mas ele se importava comigo, eu era sua namorada, ele provavelmente não ouvia do mesmo jeito que as outras pessoas. "Oh, eu," Stacey estalou claramente desconfortável, e eu coloquei minha mão sobre a dela. Eu libertei minha mão de Levi, em seguida, bati na minha orelha esquerda. "Eu sou surda do ouvido esquerdo e parcialmente do meu direito. Então Levi às vezes me ajuda com a comunicação. " Eu senti os olhos em mim, e queria fazer nada mais do que fugir e escapar de seu julgamento coletivo. Stacey olhou para Jake e abanou a cabeça em desapontamento. "Você ouviu isso, Jakey? Veja o quanto Levi faz para Elsie, e eu não consigo nem mesmo que você me faça uma maldita xícara de café em uma manhã!" Os amigos de Levi riram quando Jake fez uma careta para sua namorada. Stacey golpeou lhe a mão e disse: "Você tem uma boa pessoa aí, Elsie. Não o deixe ir. "


Virei-me para Levi, sorrindo. "Eu não vou", sussurrei e me inclinei mais perto. "Ele é tudo para mim." Não sei se alguém estava ouvindo, porque eu estava muito ocupada sentindo o beijo que Levi estava colocando na minha boca virada para cima, em seguida, ele declarou: "Você não tem ideia de como orgulhoso estou de você agora." Beijei-o novamente, e felizmente ouvimos as conversas em torno da mesa. Eu realmente não participei pela próxima hora, mas não me importava. Porque eu tinha tomado uma chance e isso não tinha saído pela culatra. Sim, os olhares machucavam, quando fizeram os silêncios desconfortáveis. Mas eu tinha lutado contra as vozes na minha cabeça. Eu tinha dado o meu primeiro passo para a vitória. Eu mal podia esperar para contar a Clara. Mal podia esperar para contar a ela que eu tinha começado a lutar. Quando os pratos foram tirados, o treinador chamou toda a equipe para uma foto da equipe. Entrei em pânico quando Levi teve que me deixar, mas Stacey ficou ao meu lado, mesmo quando todos os seus amigos entraram na sala de entrada para obter mais bebidas. Eu assisti da mesa quando a equipe técnica começou o posicionar todos os jogadores em linhas. Eu sorri para Levi em pé na parte de trás da equipe entre Jake e Ashton, ouvindo-os falar ainda sem dizer nada a contribuir. Meu doce e tímido cara. "Vocês dois são meio que muito foda de fofos juntos, sabe?" Virei-me para Stacey e senti meu rosto aquecer. "Ele me salvou. Ele é muito bom para mim. Nós somos bom um para o outro."


"Eu posso ver isso", disse ela. Segurei uma risada quando o treinador fez Levi ficar na frente e no centro. "Ele é a estrela aqui na UW," Stacey informou. "Você pode ver toda a atenção que ele recebe?" Eu enfrentei Stacey e dei de ombros. "Eu não vou a escola aqui. Eu... Eu tenho trabalhado em um centro de tratamento, então não vejo nada disso, além dos jogos. " Stacey assentiu. "Mas Levi claramente será dirigido para a NFL, em seguida, essa vai ser a sua vida. Olhe para seu irmão e a adulação que ele recebe. Suas vidas se tornarão um circo. " Minha cabeça virou de volta para Levi e eu senti meu coração afundar. Lembrei-me de Lexi mencionado isso comigo semanas atrás, mas eu não tinha me deixado pensar muito à frente. Eu não tinha me deixado pensar sobre como nossas vidas seriam se ainda estivermos juntos e ele fará isso, ir para o próximo nível; que as pessoas poderão saber sobre o meu passado... que eles poderão esperar que eu fale. E isso seria demais. Falar aos amigos era uma coisa, mas ser pública... "Elsie, eu não queria assustá-la. Eu estava apenas conversando." "Eu sei," sussurrei, olhando para Levi parecendo sem expressão para a lente da câmera. O pensamento de toda a atenção que me aterrorizava, mas olhando para ele agora, meu Levi, meu tesouro, o menino que me trouxe a lua, sabia que teria que aprender a lidar com isso, porque eu não podia deixá-lo. "Eu vou ao banheiro", disse a Stacey. O rosto dela caiu e eu podia ver que ela pensou que tinha dito algo errado. Eu coloquei minha mão em seu ombro. "Você não me perturbou. Estou me familiarizando com tudo isso. Só vai me levar algum tempo para me acostumar com isso."


Stacey sorriu e eu fui para o banheiro, grata que estava vazio. Olhei para mim mesma no espelho e respirei fundo. "Olá," eu disse alto, fazendo uma verificação em torno de mim para garantir que ainda estava sozinha. "Sou Elsie", acrescentei. Eu estremeci, ouvindo minha voz saltar fora das paredes altas e navegar em meus ouvidos. Constrangimento invadiu em cima de mim, mas me forcei a manter minha cabeça erguida. Obriguei-me a lutar contra meus medos. Stacey não tinha me incomodado. As outras meninas não tinham realmente falado comigo depois que eu falei, e também não tinham dito coisas dolorosas. Talvez fosse apenas Annabelle, apenas aquelas meninas, Eu pensei, e construi a minha coragem para passar o resto da noite. Eu abri a porta para o pequeno corredor que dava para o hall de entrada, onde as bebidas estavam sendo servidas. Eu estava prestes a caminhar através da sala para me encontrar com Levi, quando ouvi uma voz feminina dizer, "Ela é linda, não estou negando isso, mas a sua voz? Eu sei que parece ruim, e sei que não é culpa dela, mas não conseguiria ouvir isso a cada dia. É irritante." Eu acalmei, meus músculos congelados onde estava. Tudo tinha congelado, exceto meus pulmões; eles trabalhavam muito forte e muito rápido. Fechei meus olhos tentando me convencer de que não era de mim que eles estavam falando, que um outro grupo não estavam zombando de minha voz. Então eu ouvi; a imitação, a imitação do meu tom de voz diferente. "Eu sou surda", uma delas zombou; uma garota diferente, mas eu podia ouvir a monotonia de sua impressão sobre a minha voz. A impressão de corte que perfurou meu coração já arranhado. "Levi é tímido, por isso faz sentido que ele esteja atraído por ela, mas ele é Levi Carillo. Ele é lindo e pode ter o que ele quiser. Ele não vai ficar com ela.


Duvido que ele vai ser capaz de lidar em ouvir essa voz todos os dias. E na cama? Que tipo de ruídos que ela deve fazer?" Sentindo o mal estar crescendo, encontrei forças e empurrei meus pés para a frente até que dobrei a esquina. E então, outra das meninas imitou minha voz, as outras riram de sua imitação. Levi e Stacey chegaram na entrada, ouvindo a imitação sarcástica tão claro quanto eu poderia. E Harper, Harper estava rindo com lágrimas nos olhos enquanto segurava sua bebida na mão. Tudo o que eu vi foi Annabelle ... "Aqui vem ela, meninas! Retardada! Por favor," Annabelle provocou, as mãos juntas em posição de oração, quando ela me enfrentou, "não fale, livrai-nos do som! Nossos ouvidos não podem aguentar!", As outras meninas riram. Elas riram e riram até que minha cabeça estava cercada com nada, apenas seu som. E eu não podia aguentar. Eu estava tão sozinha e cansada e com medo. Eu não podia aguentar... Eu vi Levi chegar e parar, me puxando para trás e de volta de meus maus pensamentos. Eu assisti quando a raiva alcançou seu rosto. Então seus olhos vieram para mim, de pé nas sombras, incapaz de esconder minhas lágrimas daquela pessoa que conhecia meu coração. "Merda, Elsie", ele gritou. As meninas na minha frente empalideceram e chicotearam a cabeça para olhar para mim. Eram as meninas da nossa mesa, as que tinham me escutado falar, aparentemente com paciência e bondade. Agora elas estavam me rasgando. Harper se acalmou com o que parecia pesar em seu rosto. "Merda", uma das meninas disse e deu um passo em minha direção, mas eu dei um passo para trás, a necessidade de ir embora, a necessidade de obter ar.


"Elsie!" Levi gritou atrás de mim, mas eu corri. "Suas putas cruéis!" Eu ouvi Levi grunhido. "Quem faz isso a alguém? Quem machuca alguém assim?!" Eu podia ouvir sua raiva, sua irritação, algo que eu nunca tinha ouvido nele antes. Eu deixei tudo para trás, correndo para a noite sem pegar meu casaco, segurando minha bolsa no meu peito. Mas eu não me importava com o frio. Eu não me importava com a chuva enquanto corria para a rua escura, virando à esquerda e correndo pela calçada. Eu ignorei as pessoas em meu caminho, lágrimas borrando meus olhos, e minhas cicatrizes queimando sob minha algemas—um lembrete austero de que as pessoas podem ser muito cruéis. Eles eram tão foda de cruéis que, às vezes, eu não conseguia entender por que alguns humanos eram colocados nesta Terra. Por que algumas pessoas existiam para zombar e derrubar outros. O que estava faltando em seus corações para levá-los a ferir outros, as palavras eram perfeitas balas— uma munição, toda vez? "Elsie, espere!" Eu ouvi um grito, não muito longe atrás de mim, em seguida, uma mão segurou meu braço e me puxou de volta. O rosto frenético de Levi era de repente tudo o que eu podia ver, mas estava sentindo mais nada, sentindo cada nome que já tinha sido pendurado no meu caminho. Eu balancei a cabeça, soluços derramando da minha boca. "Por quê?" Eu chorei, e balancei a cabeça. "Por que as pessoas pensam que está tudo bem? Por que eles têm que ser tão mesquinhos? Por que alguém quer fazer os outros se sentirem assim?" Eu bati com a mão sobre o coração e cuspi as palavras, "Quando facas estão cortando meu coração aberto?"


"Bella mia", Levi murmurou, seus olhos cinzentos atormentados e perdidos. "Por favor, eu não sabia que elas iriam fazer isso-" "Eu sabia!" Eu cortei. "Eu sabia." Passei a mão pelo meu cabelo. "Porque é tudo que já passei. É o que as pessoas fazem quando você é diferente. É o que eles fazem para nos manter triste, no lugar que não é digno deles." Levi balançou a cabeça. "Não, Elsie, eles não-" Antes que eu pudesse terminar, arranquei as algemas meus pulsos. Levantei minhas mãos, as cicatrizes em meus pulsos de frente para ele. Ele tinha que vê-las. A evidência do que eu tinha feito. O que tinha feito por causa de gente assim. "Isto é o que as pessoas gostam de poder causarem! Isto é o que as suas palavras podem fazer. Isto é o que acontece quando as pessoas vêm para você dia e noite e rasgam longe quem você é, ou no meu caso, como você soa. Eles te deixam sozinho e atacam. Eles atacam como malditos abutres, e pegam parte por parte, pedaço por pedaço, te deixam agonizando, até que você não aguenta mais. Até que você prefere estar morto do que vivo, odiando a ideia de mais um dia ser caçado verbalmente. Porque eles deixam sua voz em sua cabeça. Eles a plantam lá para que, mesmo quando não estiverem por perto, você ainda pode ouvi-los gritando, gritando como você soa horrível. Que você é irritante. Que você parece estúpido e horrível. Dizem-lhe para calar a boca porque não podem suportar o som de sua voz horrível. " Meu corpo estremeceu com o frio, a chuva caindo mais forte, estragando o meu vestido. "Eles te imitam, eles te isolam, em seguida, eles batem em você. Eu nunca soube que era possível separar uma alma, uma porra de alma que as pessoas não podem sequer ver... mas é", sussurrei, soluçando as palavras. "Você não pode vê-la, não pode tocá-la fisicamente, mas você sente que... pode


sentir o momento em que isso acaba, porque tudo o que resta depois é escuridão e dor. Um grande buraco vazio de merda. " Minha respiração era ofegante, meu peito cru e dolorido. Eu podia ver as pessoas ao nosso redor, observando-me, mas não me importei. Eu não poderia me importar mais com as pessoas. Tudo o que fiz foi me enganar e pensar que eles eram bons, até que você estivesse vulnerável, então eles roubavam qualquer aparência de esperança. Mãos gentis pegaram meus braços, e eu pulei. "Bella mia", Levi acalmou. Olhei em seus olhos cinzentos e, embora estivesse chovendo, podia ver as lágrimas em seu rosto. Eu podia ver a dor em seu rosto. "Levi", eu sussurrei. "Por que eles têm que ser tão maus para mim?" "Eu não sei, bella mia", ele respondeu asperamente e se engasgou com suas palavras. "Por favor, deixe-me te levar para casa... por favor, baby." Levi tirou o casaco e envolveu-o nos meus braços. Eu me sentia fraca e quebrada, mas o deixei me levar para o carro já esperando em frente. Stacey e Jake estavam ali, claramente tinham pedido o Jeep, mas eu não disse nada a eles. Um flash de vermelho de repente estava ao lado de Stacey e meu estômago caiu quando vi que era Harper. "Levi, por favor, me desculpe, eu-" "Cai fora do nosso caminho, Harper. Eu juro, não mexa com ela agora! " Jake puxou de volta. Eu vacilei. Este não era Levi. Este menino irritado, chateado não era o Levi gentil que eu conhecia. O carro estava quente, mas eu tremia, o frio da chuva me esfriando até os ossos. Levi puxou para a estrada, mas minha cabeça estava contra a janela, as lágrimas quentes ainda derramando enquanto eu repassava suas palavras,


cada repetição como um tapa no rosto: E na cama? Que tipo de ruídos que ela deve fazer...? Levi não falou. Minhas mãos apertaram sobre meus pulsos e eu fechei os olhos pela forma como disse a ele o que tinha feito; o que, por meses e meses, desejei que tivesse funcionado, até que o conheci. O carro de repente parou e eu pulei fora, correndo através da porta traseira. Ouvi a porta de Levi bater e seus pés batendo atrás de mim. "Elsie, por favor, espere!" Mas continuei correndo. Corri passando a cozinha da casa principal, imediatamente vendo todos dentro e de pé me observando de perto. Levi entrou no quintal e me alcançou. "Elsie, por favor, ouça." Seus polegares atropelaram minhas cicatrizes e ele sussurrou, "O que aconteceu, bella mia? Por favor, diga. Eu estou perdendo a cabeça. Suas cicatrizes... " Eu chorei mais forte pela devastação em sua voz, a voz que tanto amava. A porta da cozinha se abriu. "Por favor, vá embora", Levi retrucou em voz alta para quem quer que fosse que saísse. Mas eu podia vê-los em pé na porta e me virei para ver Lexi, me olhando, com olhos vermelhos. "Por favor!" Levi gritou mais alto e girou para ver Lexi também. "O quê?", Ele perguntou, um tremor atando cada palavra. "O que está errado?" "Venha para dentro saia da chuva," Lexi pediu e voltou para a cozinha. Eu não queria segui-la. Eu não gostei do tom de sua voz. Mas Levi levou-me para a frente, levando-me pela mão. Entramos na cozinha. Eu vi a expressão triste de Ally quando ela me olhou. "O que há de errado?", Perguntou Axel, levantando-se de seu assento. Novas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Austin também se levantou.


"Algumas meninas no jantar foram pegas imitando a voz de Elsie", disse Levi com raiva, "ela ouviu cada palavra." "Putas do caralho", Axel soprou, mas olhei para Lexi, o rosto triste de Lexi, e sabia que não tinha nada a ver com a minha noite terrível. Outra coisa tinha acontecido. "O quê?" Eu consegui perguntar. Todas as vozes se acalmando, todos os olhares voltados para mim. Lexi balançou a cabeça, e agarrou um pedaço de papel em sua mão. Olhei para o pedaço de papel, nas bordas ásperas e rasgadas, nas linhas familiares.... E então isso bateu. "Clara" Eu disse e a dor foi imediatamente de volta ao rosto de Lexi. Ela deu um passo para a frente. "Eu recebi um telefonema há umas três horas atrás. Eu tive que ir direto para lá para lidar com a polícia. " "Ela está bem?" Levi perguntou quando eu não podia falar. Lexi balançou a cabeça. Ela olhou diretamente para mim. "Clara se atirou ao rio esta noite, Elsie. Ela amarrou uma pedra grande em sua cintura e atirou-se. Ela se afogou. Seu corpo foi recuperado quando a enfermeira da noite percebeu que ela escapou de seu quarto." "Não", eu sussurrei, mas quase não fez um som. Eu não tinha mais nada em mim para dar. Eu não tinha absolutamente nada. "Ela deixou isso em seu quarto. Tinha o seu nome na parte de trás e uma pequena nota. Eu pensei que você queria vê-lo." Lexi estendeu o papel e eu o levei na minha mão. Limpei minhas lágrimas. Vendo o meu poema, notei que


um respingo de lágrima tinha manchado o título ‘Coração arranhado’. Uma mancha que não estava lá quando a deixei esta tarde, uma mancha causada pelas lágrimas de Clara. Olhei para o meu poema, e de boa vontade virei a página. Quando fiz, vi uma curta mensagem:

Elsie, No final, foi bom saber que alguém entendia. Mas você chegou tarde demais. Obrigada por tentar. Eu apenas não posso mais ouvir mais as vozes deles. Clara x

Eu caí no chão quando li as palavras e gritei. Eu gritei com minha garganta até que ela estava tão crua que mais gritos se recusavam a sair. Braços quentes apertaram em volta de mim, e perguntei: "O que está errado com as pessoas? O que está errado com as pessoas que nos ferem até que preferimos morrer do que viver em seu mundo? O que há de tão errado com a gente? O que há de tão errado com eles? Não entendo, porque eu nunca poderia machucar alguém assim. É impossível para eu sentir nada além de nojo com o pensamento de ferir alguém dessa forma. " Eu levantei meus pulsos, e todo mundo viu minhas cicatrizes. "Eu não podia mais aguentar isso. Eu queria morrer, mas fui encontrada. Fui encontrada quando não queria ser. Fui encontrada quando tudo que queria era sumir. Para finalmente acabar com suas vozes na minha cabeça." Eu bati meu peito. "Para tirar a dor aqui dentro."


"Elsie, por favor", disse Levi. Ergui a cabeça para vê-lo olhar tão tristemente, nos meus olhos. Ele baixou a testa na minha. "Bella mia, por favor. Deixe-me cuidar de você. " "Por que eles fazem isto, Levi? Por quê?", Eu sussurrei. "Eu não sei, querida, mas você me pegou. Você tem todos nós. E nós não desejamos lhe causar qualquer mágoa ou dor. " Eu desmoronei contra seu peito, e, me pegando em seus braços, ele ficou ali. "Lev, você precisa de ajuda-" "Não", ele cortou as palavras de Lexi. "Ela é a minha garota. Eu vou cuidar dela. Ela precisa de mim." Agarrei-me apenas um pouco mais apertado à medida que atravessamos o pátio. Levi me colocou na cama com um beijo na minha testa, então ouvi o chuveiro sendo ligado. Parecia que foi apenas alguns segundos antes de Levi me tirar de minhas roupas, então ele tirou a sua. Nos sentamos na grande banheira, abraçados—nos aquecendo no calor da água quente. Seus braços em volta dos meus ombros e ele me trouxe de volta deitada contra seu peito, suas coxas fortes prendendo-me em seus braços. Cansada e dormente, minha cabeça caiu para trás contra seu ombro. Levi suspirou no meu cabelo, o seu antebraço em volta do meu peito. Eu olhava para a frente, com foco em um único pedaço de pintura na parede branca do banheiro. Meus olhos ardiam com a forma como eles estavam crus, mas as minhas lágrimas secaram. Não foi porque me sentia menos ferida, mas os meus canais lacrimais estavam esgotados. Eu estava exausta.


Eu tinha estado esgotada agora por dois anos. E eu estava cansada. - Bella mia -, Levi disse suavemente e deu um beijo no meu ombro, como está se sentindo? - Cansada -, respondi. O braço de Levi apertou meu peito e eu levantei minhas mãos para envolver em torno de seu pulso. Eu precisava sentir que ele estava realmente aqui comigo. Não quero estar sozinha. Estava cansada de estar sozinha. -Eu estou tão cansada de tudo isso. -Do que, baby? -, Perguntou Levi com cautela. -De tudo. - Eu cavei meus dedos em seu braço. -É por isso que algumas pessoas tornam a missão da sua vida machucar os outros. Por que algumas pessoas vivem apenas para fazer os outros sofrerem. Dessas pessoas que nunca compreendem o que se sente ao estar no fundo do poço, por estar vivendo em um pesadelo constante, o demônio em seus próprios rostos, sua voz e tratamento apunhalando o coração. Com a mão livre, Levi afastou o cabelo do meu rosto. Pegando uma esponja para correr pelo meu corpo, a sensação de água escorrendo sobre a minha pele fria, acalmou um pouco a dor. Pisquei longe a indefinição dos meus olhos e disse: -Minha mãe era o produto de pessoas que propositadamente a mantiveram assim. Foi por isso que ela precisava das drogas. Por que ela se virou para as drogas. Para atenuar a dor. Porque não é uma dor que você pode aliviar com comprimidos. Esta dor existe muito profundamente, é tão inacessível como intratável. Ela existe em seu próprio plano, e somente se você tiver sorte, pode lidar com isso. - Eu suspirei. -Minha mãe não era uma dessas pessoas. Ela pegou as drogas para entorpecê-la, até que as drogas a levou. Ela não lutou. Ela nem sequer tentou.


Levi correu a esponja pelo meu braço, trazendo-a para as minhas mãos e meu pulso. Senti seu peito tenso contra as minhas costas, e entendi o por que quando ele tomou uma das minhas mãos e puxou-a para trás. Deixei - pairando onde ele a deixou, e com a esponja, correu para baixo no meu pulso interno, a água quente correndo sobre minha cicatriz. Senti sua respiração mudar, ficando agitada, e com uma cortante e triste voz, ele perguntou: -O que aconteceu, Elsie? O que aconteceu para você fazer isso. Querer acabar com sua vida? Ele salpicou beijos ao longo do meu pescoço, e, instintivamente, derrubei minha cabeça para o lado para permitir-lhe o acesso. Eu sabia que ele estava tentando me ajudar, para me mostrar com seu coração puro que estava aqui para mim, ele estava cuidando de mim, mas sua pergunta evocou memórias que eu tinha tentado manter escondidas, trancadas. Sua pergunta as trouxe de volta gratuitamente. Como se eu pudesse sentir fisicamente a escuridão que aquelas meninas trouxeram para a minha vida, meu corpo ficou tenso quando ouvi sua risada inundando em minha mente, e as suas palavras espetando minha alma. Segurei o braço de Levi e ele me puxou para mais perto, tanto quanto pôde. -O nome dela era Annabelle Barnes, e ela entrou na minha vida quando eu tinha dezesseis anos. - Fiz uma pausa, o nome dela puxando sentimentos fortes dentro de mim. -Quando você estava na casa do grupo? -, Perguntou Levi. Eu balancei a cabeça, enquanto ele acariciava repetidamente para trás o cabelo da minha testa. Isso era bom. -Eu fui colocada na casa do grupo quando tinha quatorze anos, depois que minha mãe faleceu. Não havia espaço em um orfanato, de modo que levaram cinco de nós e nos colocaram em uma casa de


grupo. As mulheres que cuidavam de nós eram boas, e as outras garotas... - Dei de ombros. -Eu não sabia falar. Não falava com nenhuma delas. Só uma única vez que foi quando um dos funcionários me pediu para respondê-la de volta. A maioria estava bem com minhas anotações, para que eu pudesse principalmente manter minha voz escondida. Eles não me julgavam, as meninas me ignoravam, e eu mantive a mim mesma. Era uma vida solitária, que não gostava, mas eu não odiava também. A perda da minha mãe foi algo feroz, me afoguei em um mundo de pouca audição e nenhum propósito, mas eu estava bem com isso. E estava conseguindo passar assim. Eu vacilei, lembrando do som de Annabelle caminhando através da porta no primeiro dia. Dela colocando suas coisas na cama extra no meu quarto. De seus olhos irritados e seu rosto assustador. -Então, quando tinha dezesseis anos-, expliquei, -Annabelle chegou à casa e minha vida mudou. - Eu me mexi contra o peito de Levi, mas ele me segurou perto. -Eu estou com você, bella mia. Estou com você. Fechei os olhos e exalei através do meu nariz. -A partir do minuto em que ela chegou, ela estava com raiva. Eu não sei o que tinha acontecido com ela em seu lar original. Nunca descobri, ela nunca falou sobre isso, mas isso a fez ser amarga. Desagradável. Isso a fez cruel... e eu me tornei seu alvo. - Eu dei de ombros. -Eu era uma escolha fácil, suponho. Era muito quieta. Eu ficava quieta no meu quarto, lendo e escrevendo poesia, enquanto as outras meninas na casa imediatamente queriam ser sua amiga. Acho que foi o medo dela que as faziam se juntar com qualquer coisa que ela dissesse. A mão de Levi tinha parado de mexer na minha cabeça, e eu podia ouvir sua respiração pesada. Eu praticamente podia sentir a raiva irradiando seu


corpo. Mas agora que comecei, queria que ele entendesse. Era a minha parte final que estava escondida, era a parte mais importante. -No começo eu sentia seus olhares, quando nos levavam para a escola, por um dos funcionários. Ela sentava na minha frente e ficava me olhando, em silêncio, nenhuma expressão em seu rosto até que eu ficava nervosa. O que rapidamente escalou para sussurros com as outras meninas, apontando para mim e rindo, mas sempre onde a equipe de funcionários não podiam ver. Eu nunca disse nada sobre isso a eles, pensei que só iria piorar as coisas. -Elsie -, Levi murmurou. -Eu-Não importa de qualquer maneira, porque isso ficou pior. Muito pior. Minha voz tremeu, e Levi virou minha cabeça para encará-lo com o dedo embaixo do meu queixo. -Você não tem que me dizer, no entanto, se não estiver pronta. -Eu tenho que fazer isso,- sussurrei, incapaz de parar o meu fluxo de palavras, mesmo se tentasse. Levi não me questionou ou argumentou, ele me deu um beijo simples e se afastou. Eu descansei minha cabeça no seu ombro. -Tudo começou devagar, mas ela começou a me encontrar na escola, nos banheiros ou no quintal. Ela pairava perto de mim, nunca me deixando fora de sua vista. As outras meninas da casa faziam tudo o que ela dizia. Era pior em casa. Minhas coisas começaram a sumir. Ela destruiu minha lição de casa na minha frente, sorrindo enquanto eu a assistia fazer isso. Ela tentava me fazer falar, tentava me coagir a brigar, mas eu ficava quieta. -Então nós tivemos uma nova cuidadora, Abbie. Ela era adorável, mas ela exigia mais de mim. Eu sabia que ela estava tentando ajudar, mas em vez de me deixar escrever minhas perguntas e respostas como os outros na casa, ela


queria que eu falasse. Ela tinha lido meu arquivo, sabia que eu podia, e pensou que estava me ajudando, incentivando-me a falar. Ela pensou que estava construindo minha confiança, mais suas boas intenções fez exatamente o oposto, fazendo com que minha confiança fosse completamente destruída. Engoli em seco, e meu peito queimou quando pensei no dia que finalmente falei. -Nós estávamos sentadas em torno da mesa de jantar, e Abbie me perguntou sobre meu dia. Peguei meu bloco de notas para responder, quando ela colocou a mão sobre a minha e balançou a cabeça. -Fale-, disse ela. Entrei em pânico e olhei ao redor da mesa vendo Annabelle sorrir, triunfante. Era o momento que ela estava mais esperando, e eu sabia disso apenas com um olhar, quando a minha voz saiu pelos meus lábios, eu lhe tinha dado a munição que precisava para me atacar. -Mais tarde naquela noite no meu quarto quando me deitei para dormir, ouvi-a rir em sua cama. Lembro-me de congelar, constrangimento surgindo através de minhas veias, porque eu sabia que era de mim que ela ria. Eu apertei meus olhos fechados, quando ela começou a fazer barulhos estranhos. Então percebi que aqueles ruídos eram ela me imitando. Meu coração disparou enquanto eu tentava ignorá-la, então senti o mergulho na cama. Os braços dela pressionado contra o colchão em ambos os lados do meu corpo. Eu estava paralisada de medo. Mas ela não me machucou como pensei que ela estava prestes a fazer. Eu abri meus olhos olhando para ela, e ela estava me observando. -Como é ser estúpida? -, Perguntou ela e meu coração caiu. -É isso o que é, certo? Quando você fala como uma retardada? Estúpida? Surda e muda, porque você soa estúpida quando fala? -, Ela levantou a voz, e obstruiu sua garganta para soar como eu. -Sou Elsie Hall, e sou um retardada -, ela zombou. Virei-me para o colchão. Sua mão estava de repente no meu cabelo e ela puxou minha cabeça para trás, agarrando meu rosto em sua mão. -Você não


desvia de mim até que eu diga, retardada. - Ela fez uma pausa e começou a rir. -Retardada, isso é o que você é, retardada. - Ela pulou fora da minha cama, deixando-me aterrorizada, com lágrimas nos meus olhos. -Mais que puta fodida-, disse Levi, e eu senti o pânico em reviver aquele momento. -Isso só piorou. Na escola, ela fazia ruídos -surdos- para mim, sempre que eu passava e todo mundo ria. Em casa ela vinha até minha cama, quando todos dormiam e me imitava até que eu chorava. Quando eu chorava ela ria. Eu não conseguia dormir. Era todo dia, a cada dia. Eventualmente, eu não conseguia mais lidar. Mas a gota d'água veio quando entrei no meu quarto para ver Annabelle e as outras meninas na minha cama... com meu bloco de notas, o caderno que continha todas as minhas poesias, e eu sabia que seria ruim. Lágrimas desta vez picaram meus olhos, em seguida, correram pelo meu rosto quando pensei no poema que elas tinham rido de mim. -Era o poema que escrevi para minha mãe-A porta do céu? - Levi adivinhou, e eu balancei a cabeça. -Quando Annabelle me viu na porta, ela se levantou, e imitando a minha voz, leu o poema em voz alta. E cada palavra preciosa ela zombava e poluía com sua crueldade. Esse poema foi a minha homenagem a minha mãe, meu pequeno adeus, minha alma derramada em uma página. E ela manchou ele, o destruiu em segundos. Ela então se aproximou de mim quando terminou o poema. Eu estava lá, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, sentindo que ela estava cuspindo dentro do meu coração exposto, quando perguntou: -Diga-me, retardada, sua mãe drogada era uma retardada muda também? - E nesse ponto, após um ano de incessante intimidação e tortura mental, eu saí e corri para cozinha no andar de baixo. Fingindo que estava fazendo um lanche, e


peguei uma faca, a mais afiada que poderia encontrar, coloquei no bolso e fui para o banheiro. Levi endureceu. -Eu corri para o banheiro, assim como este, e entrei. - Eu balancei minha cabeça. -Foi engraçado, porque eu sabia o que ia fazer, mas me senti mais em paz sentada na banheira de frente para minha própria morte, desde que minha mãe morreu, desde que eu tinha que acordar para enfrentar Annabelle todos os dias. O mais calma possível, tomei a faca, e fiz dois cortes em meus pulsos. Eu os abaixei e deixei a vida escorrer das minhas veias. Senti Levi enxugando os olhos, mas eu estava perdida no momento. Eu tinha que terminar. -Olhei para o teto o tempo todo, e me lembro de sorrir. Eu sorri, porque sabia que estaria em paz a qualquer momento. Eu sorri, porque sabia que ia ver minha mãe novamente, em breve, sem dor, sem drogas - e felizes no céu. Eu sorri enquanto recitava o meu poema, o poema que elas tão cruelmente ridicularizaram: Eu procuraria no mundo pela porta do céu, Sobre montanhas e vales, em cada costa arenosa. Eu gostaria de encontrar a escada, subindo através das nuvens, Eu escalaria cada passo, sem fazer um som. Eu chegaria na porta de ouro brilhando, Eu deslizaria através despercebida, não agitando uma alma. Eu engasgaria com sua beleza, em seus rios e árvores, Eu desviaria dos caminhos, me esconderia entre as folhas. Eu andaria na ponta dos pés invisíveis, sob sol e o céu azul, Eu procuraria em cada esquina até que encontrasse você. Eu capturaria uma lágrima, um vislumbre de seu cabelo,


Quando você dançou e rodopiou, sem qualquer cuidado. Você sorriria e iria rir para mim, como um pássaro livre, Eu tento não chorar, você está lá sem mim. Eu levantaria minha mão para tocar seu rosto, Chamando seu nome, para sentir seu abraço. Você iria abrir a sua boca e a sua voz seria pura, Eu adoraria o som, sem mais dor para você aguentar. Eu ficaria até o pôr do sol, quando tivesse que sair, A dor no meu coração, o meu espírito em luto. Eu te jogaria um beijo, deixando flutuar para o céu, Eu sussurraria -eu te amo- e te ofereceria um adeus. Eu passaria pela porta, desceria fora da vista, Sabendo que um dia, algum dia, eu voltaria a estar com você.

Fechei os olhos, embalada no peito de Levi quando aquele poema escorregou da minha boca. Eu podia sentir a felicidade que senti naquela noite, quando comecei a desaparecer, a água ficando vermelha em volta de mim. -Baby? - Levi murmurou, enquanto colocava o nariz em meu pescoço. Eu não posso lidar com o fato de que você fez isso. - Ele tomou uma respiração irregular. -Que você se sentia tão sozinho que faria isso com si mesma, que a cadela te levou a este ponto. Meu peito doía tanto que esfreguei sobre a pele tentando aliviar a pressão. Não funcionou. -Eu acordei no hospital no dia seguinte, e meu primeiro sentimento foi de desespero. Completo desespero que eu tinha falhado, que tinha sido encontrada. Que ainda estava neste mundo horrível. Eu me senti assim por dias e dias. Eu sabia que não ia voltar para aquela casa,


então quando fui capaz, me vesti com as roupas que as funcionárias da casa tinham me trazido, peguei meu bloco de notas que Abbie tinha trazido também, e corri. - Eu virei minha cabeça para Levi, ainda dobrado em meu pescoço. -Eu estava fugindo até o dia em que você me encontrou. Quando parei... por sua causa. Levi ficou em silêncio enquanto me segurava apertada em seus braços. Mas eu me sentia crua e exposta, e me sentia desconfortável em minha pele. Meus pensamentos foram para Clara e o olhar perdido em seus olhos. Eu vacilei, percebendo que o que tinha lido no rosto dela, estava tudo errado. Ela não parecia que estava sendo salva, ela só queria deixar este mundo sabendo que não estava sozinha. Eu tinha dado a ela a saída. -Eu pensei que a tinha ajudado,- confessei, e senti Levi levantar a cabeça. -Clara? -, Perguntou. Eu balancei a cabeça e virei, fechando-me contra o corpo quente de Levi, a água ficando fria ao nosso redor. Eu descansei minha bochecha em seu peito. -Com meus poemas hoje, pensei que a ajudei. Acontece que eu a ajudei a tomar sua decisão de tirar sua própria vida, de uma vez por todas. -Bella mia, ouça -, disse Levi. Ele levantou-me até que eu estava mais alta em seus braços. Seus olhos vermelhos olhando para mim. -Eu venho ajudando no centro de Lexi desde que vivia em San Francisco e, às vezes, não há nada que você pode fazer se alguém não quer lutar. Eu vi-o algumas vezes com as pessoas que tinham transtornos alimentares. Eles não queriam mais viver, então eles não viviam. E já vi isso aqui Seattle, com as crianças maltratadas. Clara não é o primeiro suicídio que tivemos, ela é apenas o primeiro que você já viu. Nós ajudamos mais do que perdemos, um inferno de


muito mais, mas às vezes eles estão apenas demasiado danificado, muito marcado, para seguir em frente. -Assim como eu? -, Perguntei, sem saber se eu era uma daquelas garotas. A menina que esconde sua voz, porque ela não pode lidar com mais uma palavra dura dita contra ela... porque poderia finalmente quebrar, e ela se certificaria de que a próxima vez que segurasse uma faca em seu pulso, ela conseguiria seguir com o suicídio. -Não -, Levi empurrou, -Não como você. Você é uma lutadora, você vai passar por isso. Olhe para o quanto você mudou desde que está aqui, comigo. -Por causa de você-, eu disse, e sorri. Mas Levi balançou a cabeça. -Não, por causa de você. Eu fechei meus olhos, mas tremi na água fria. -Vamos lá -, disse Levi, e deu um beijo atrás da minha orelha. -É hora de sair. Eu deixei Levi me ajudar a sair da água. Deixei que ele me enrolasse na toalha e envolvesse em meu roupão. Eu o deixei me levar para a cama, luzes apagadas, só o frasco do meu lado, e as estrelas cintilantes de plástico no teto. No minuto que estávamos na cama, Levi me envolveu em seus braços. Você sabe o que desejo, Levi, o que espero e rezo o tempo todo? -O que, bella mia? -Que as pessoas tenham um pensamento, um instinto: Sejam gentis de coração. Basta ser gentis. Levi exalou no meu cabelo. -É um bom desejo de ter para as pessoas, baby. -Mas isso não vai se tornar realidade. Basta olhar para a minha mãe, olhe para mim, agora olhe para Clara. Nunca acaba. - Meu coração doía


fisicamente com aquela verdade. -Por que isso não pode terminar? - Engoli em seco, minha garganta seca com o acontecido de hoje. -As palavras são o pior tipo de munição. A dor física desaparece com o tempo, mas as balas da crueldade penetram a alma para sempre. Levi não disse nada em resposta. O que havia para dizer sobre esta triste verdade? Quando nós fechamos nossos olhos para dormir, ouvi a voz da minha mãe: não há lugar para nós neste mundo, menina. Mesmo enquanto eu estava aqui nos braços de Levi, segura e adorada, não podia aguentar, mas me perguntei se ela não tinha razão. Eu não tinha certeza se poderia viver com esse medo mais. Eu estava cansada de esconder a minha voz. Eu estava cansada do poder que as pessoas tinham sobre os outros. ...a crueldade vencedora, espero que não ...


LEVI

Eu abri meus olhos, minha cabeça martelando como se tivesse sido atropelado por um caminhão. Eu olhei para a parede ao lado da cama e imediatamente senti meu estômago cair. Eu quase não tinha dormido a noite toda, muito ocupado segurando Elsie em meus braços, minha mente girando com o que ela me disse, quando ela se abriu... e eu me senti envergonhado. Envergonhado que não tinha visto essas cicatrizes, nunca questionando por que aquelas pulseiras estavam em torno de seus pulsos. E aquelas meninas no jantar? Aquelas cruéis cadelas... Eu cerrei os dentes, meu sangue fervendo de raiva. Eu respirei fundo e me virei na cama, meu braço estendendo a mão para puxar Elsie para mais perto. Eu franzi a testa quando senti que o lado dela da cama estava vazia. Sentei-me quando senti o lençol frio debaixo da minha palma. Jogando o edredom de cima de mim, eu procurei o quarto com os meus olhos. -Elsie, bella mia? - Eu chamei, mas não houve resposta. Olhei para o relógio na parede, e meus olhos se arregalaram quando vi que era quase meio-dia. Eu dormi. Eu tomei uma respiração profunda. Elsie


estava provavelmente com Lexi. Depois de perder Clara, me perguntei se ela tinha ido para o centro. Eu vesti uma camiseta dos Huskies, calças de treino e meus tênis e corri pelo quintal. O dia estava seco, completamente diferente de ontem à noite. Entrei na cozinha pela porta de trás, só para ver Lexi com Dante e Austin sentados à mesa com cafés. Eu rapidamente procurei na sala da frente. -Você está bem, Lev? -, Perguntou Austin. -Elsie está aqui? Lexi e Austin olharam um para o outro com olhares questionadores. Não-, disse Austin e ficou de pé. Meu pulso acelerou. Olhei para Lexi. -Ela poderia estar no centro? - Lexi baixou a colher que estava alimentando Dante... -Eu estava lá Lev. Eu estive com Celesha a manhã inteira cuidando da papelada de Clara e falando com a sua família pelo o que aconteceu. -E ela não estava lá? - Afirmei, pavor estabelecendo no meu peito. Lexi balançou a cabeça e corri meus dedos pelo meu cabelo. -Você não pode encontrá-la? - Austin questionou. -Ela não está no meu quarto. Eu dormi. Eu não tinha dormido na noite passada depois de lidar com Elsie... - Eu balancei a cabeça, -Ela me contou toda a merda... o que ela passou. - Eu olhei para o meu irmão, então Lexi se levantou e foi para o lado do seu marido... -Na noite passada, o que essas meninas fizeram e o ocorrido com Clara também. Ela viveu isso. Ela, ela quase morreu, Lex. -Eu sei -, disse Lexie em voz baixa e toda a minha respiração correu dos meus pulmões.


-Você sabia? O rosto de Lexi caiu. -Eu verifiquei seus registros, Lev. Ela era uma fugitiva. Ela fugiu de uma casa do grupo depois que ela tinha estado no hospital por tentar cometer suicídio. Eu vi as cicatrizes na primeira noite em que a trouxe de volta aqui quando a limpei. -Por que você não me contou? -Não era a minha história para contar. Você sabe como me sinto sobre forçar alguém a falar sobre seu passado. Isso normalmente faz mais mal do que bem. Eu sei isso em primeira mão. -Austin passou seu braço sobre os ombros e puxou-a para mais perto. Dante se contorcia em seus braços e ela o beijou na bochecha gordinha. -Lev, eu não sabia com o que ela estava lidando, se era algo que ela seguiu em frente ou se isso ainda era parte de um lado que ela ainda estava lutando. -É uma luta,- eu murmurei, pensando de volta no seu entorpecimento na noite passada, do seu olhar assombrado e voz triste quando ela me contou sobre Annabelle e sua tentativa de suicídio. -Uma luta real. E depois de ontem à noite... -Eu me virei, o pânico começando aparecer. Ela não estava certa... Ela me contou sobre a tentativa de se matar, e ela me disse como ela queria morrer. Eu acalmei. -E se a noite passada trouxe tudo de volta? E se...- Eu parei incapaz de terminar a frase. Austin agarrou meu braço. -Não, Lev. Não faça isso...- Ele me empurrou em direção à porta, de volta para a casa da piscina. -Nós vamos encontrá-la, vamos lá. - Estimulado pelas palavras de Austin eu corri de volta pelo quintal, brevemente parando na oficina de trabalho de Lexi. Ele estava vazio.


Quando eu estava de volta na casa da piscina, corri para o banheiro, encontrando tudo do mesmo jeito. Próximo lugar foi o closet. A maioria de suas roupas estavam lá, mas eu vi que sua jaqueta, o lenço e chapéu se foram, assim como suas botas. E meu moletom com capuz, também. O moletom com capuz que eu tinha dado a ela na primeira noite que entrou no meu quarto, devolvendo meu rosário roubado. Ele tinha sido retirado do gancho na porta. -Encontrou qualquer coisa? - Austin perguntou quando ele estava no centro da sala principal. Eu balancei a cabeça, perguntando onde diabos ela poderia ir quando eu olhei para sua mesa de cabeceira. -Não-, eu sussurrei, fechando meus olhos quando a realidade atingiu. -O quê? - Austin falou e eu encontrei os olhos de meu irmão. -Seu frasco sumiu. A expressão de Austin era de confusão. -Frasco? -, Ele questionou. -Seu frasco de vaga-lume, como o do quarto do Dante...- Eu senti o calor no meu rosto... -Eu fiz um para ela. Ela não gostava do escuro, e eu disse a ela sobre Mamma e como ela fazia para nós os frascos reais. -Porra, Lev,- Austin sussurrou e veio para puxar minha cabeça em seus braços. -Ela se foi, Austin. Ela. Ela foi embora, maldição...- Eu me afastei do meu irmão para olhar para o pequeno pote onde as pulseiras de neon de seu frasco eram mantidos – desapareceu. Tudo se foi. -Nós vamos encontrá-la. Você sabe onde ela costumava ir antes dela vim para a nossa casa? - Eu fechei a gaveta e balancei a cabeça. Austin me deu um tapa nas costas. -Ela provavelmente só precisava de um pouco de ar, Lev.


Merda, ela passou por um monte de coisa na noite passada. Ela não foi embora. Ela não vai te deixar. Eu não tinha tanta certeza. Agarrando minhas chaves da minha mesa, eu olhei para mesa lateral e corri para sua gaveta. Quando eu abri a gaveta e não encontrei o seu livro de poesia, junto com o livro que eu tinha lhe dado de presente no dia do aniversário dela, uma parte de mim sabia, simplesmente sabia, que ela não tinha saído para tomar um ar. Ela tinha ido embora. -Lev? - Austin empurrou, esperando na porta. -Vamos lá. Segui ele para fora da porta, minha mão no meu bolso, enquanto corria sobre o rosário de madeira que eu sempre mantinha comigo. E eu rezei, rezei em cada terço que nós iríamos encontra-la e que ela não tinha feito nada para ferir a si mesma. Eu subi no meu Jeep e puxei para a estrada. A tensão no carro era espessa. Eu não poderia me acalmar. Eu só ficava vendo seus olhos torturados. Continuava a sentir seus lábios em meus braços enquanto a observava e a segurava no banho. Eu sabia que ela estava machucada, estava quebrada, mas nunca pensei o quanto profundo isso era. Eu nunca imaginei que o bullying poderia ser essa alma destruidora até que Lexi abriu o centro. Isso me fez perceber o quão destrutivas as palavras de algumas pessoas poderiam ser. Austin olhou para fora da janela enquanto eu dirigia para o beco que a encontrei. -Você já viu alguém sendo intimidado, Aust? Como verdadeiramente ruim isso é?


Austin deu de ombros. -Eu vi crianças sendo espancadas ou maltratadas por aí, mas acho que o tipo de bullying que Elsie passou é o tipo que ninguém vê, certo? O tipo que fode com a sua mente? -Sim -, eu disse asperamente, lembrando-me dela dizendo como foi que Annabelle a encurralou, imitando ela e rindo na cara dela. -Você acha que a voz de Elsie é diferente? Quando ela fala? - Eu me mexi no meu lugar. Eu podia sentir os olhos de Austin estreitarem. -Ela soa diferente, Lev, isso é um fato. Mas merda, isso não é nada para se envergonhar. Não é muito notável... E mesmo que fosse, quem diabos se importa? - Austin parou. -Por quê? Você acha que é ruim? -Não! - Eu bati, raiva me enchendo. -Eu não escuto isso. Eu não vejo o que as pessoas veem. E mesmo na nossa idade. Eu nunca pensei que as pessoas faziam toda essa porcaria de bullying após o ensino médio. -Eu acho que você pode ser intimidado em qualquer idade, Lev. Idade não tem nada a ver com inseguros imbecis mexendo com os outros para fazer eles mesmos se sentirem melhor. Eu balancei minha cabeça. -Eu simplesmente não ouço a voz dela sendo diferente. Eu amo isso. Eu amo nada mais do que ouvir ela rir, e falar... e dizer o meu nome em voz alta. -É porque você a ama, Lev. Você não vê suas imperfeições, e se você fizer isso, você ama ela mais do que as imperfeições. -Eu... eu...- eu gaguejei, meu rosto ardendo com o calor. -Está tudo bem, garoto -, Austin disse calmamente. -Não há problema em admitir que você a ama. Não há problema em abrir-se para se permitir amar. Você lutou para chegar perto de qualquer um por muito tempo... Porra,


Elsie esmagou aquela parede invisível. - Ele bufou. -Engraçado para alguém tão tímido e envergonhado, para alguém que não faz um som, mas conseguiu navegar

através do seu coração, finalmente. - Eu fiquei quieto, meu coração

batendo muito rápido. -Eu só quero ela de volta e segura. Eu não estou mais certo se sei como a vida parece sem ela mais. A mão de Austin pousou no meu braço enquanto eu estacionei perto do beco. -Nós vamos encontrá-la. Apenas espere. Austin colocou as moedas no parquímetro enquanto eu corria para o beco, meus pés empurrando o pavimento, meus olhos procurando cada centímetro. Esperança tomou conta no meu peito quando eu vi alguém debruçado no canto mais distante. -Elsie! - Eu chamei e corri. Ouvi Austin entrar no beco, e me agachei, reconhecendo os cobertores que eu tinha comprado para ela. -Elsie, - Eu chamei novamente, colocando minha mão sobre o corpo. O braço da pessoa se encolheu e ele acordou, o rosto de um homem velho olhando para mim através dos olhos temerosos. Eu pulei para trás, ficando de pé com as mãos no ar. –Desculpe -, eu pedi desculpas. -Você viu uma jovem, dezenove anos, com cabelos loiros neste beco? -Foda-se -, o homem resmungou. Fechei os olhos, perdendo a fé, não tendo ideia aonde mais ela iria. Atingindo meu bolso, eu retirei algum dinheiro colocando diante do homem... Ele apanhou isto em suas mãos e caminhou para longe, Austin balançou sua cabeça. -Ela não está aqui?


-Não-, eu respondi, deixando o beco e correndo o meu olhar sobre a rua movimentada. -Eu não tenho nenhuma ideia de onde ela poderia ter ido. -Você a levou para um passeio uns dias atrás, certo? - Austin questionou. -Sim, nós fomos por toda Seattle. -Então nós vamos refazer o caminho. Talvez ela esteja seguindo esses passos? - Austin estava diante de mim. -Vale a pena olhar, Lev. Vamos apenas continuar procurando a sua menina. Eu acenei com a cabeça, tomando a decisão de começar no Starbucks original. Ela não estava lá. Ela não estava no cruzeiro de barco, não estava no obelisco espacial. Ela não estava na roda-gigante, ou o restaurante italiano, ou mesmo o café poesia. Nós procuramos por horas, até que escureceu, e fomos em todos os possíveis lugares que talvez ela poderia ter ido, mas não a encontramos. Sem nenhum lugar mais para procurar, eu dirigi meu Jeep em total silêncio até chegar em casa. Eu estava cansado e dolorido de caminhar ao redor da cidade, mas mais do que isso, fiquei devastado, devastado porque eu sabia no meu coração que ela tinha ido embora. Mas o pior de tudo, eu não sabia se ela simplesmente fugiu, ou se ela tinha feito algo pior, algo que eu não poderia salvá-la. Imaginei as cicatrizes em seus pulsos e eu não conseguia respirar. O que eu faria se ela tivesse finalmente ido até o fim? Eu parei por um momento do lado de fora da casa de Austin quando ele se preparava para falar. Eu encontrei o olhar preto preocupado do meu irmão e eu balancei minha cabeça. –Não -, eu disse asperamente. -Eu simplesmente não posso, Aust.


Austin suspirou e passou a mão pelo rosto quando eu saí do carro e caminhei pelo portão. Rezei o terço final do rosário na esperança que ela estivesse sentada na cama, esperando por mim. Quando eu abri a porta não havia nada aqui. Apenas escuridão. Nenhuma luz estava acesa no quarto, mas quando eu olhei para cima as estrelas estavam brilhando, mas o frasco não estava, não a luz de Elsie. Eu estava me afogando, me afogando em uma porra de preocupação. Em dor. Depois de olhar aquela mesa vazia, e a pulseira de neon em torno do maldito espaço vazio onde estava faltando o frasco, virei-me no meu calcanhar precisando ir para bem longe. Eu corri. Eu corri o mais rápido que pude para meu Jeep, ignorando o som de Austin gritando na porta da frente, ignorando o meu celular quando ele tentou me ligar. Eu tinha um lugar que eu queria ir. O único lugar que eu me senti em paz. Levou vinte minutos. Vinte minutos e o início da chuva para chegar ao armazém. Mantendo o rosário na mão, entrei no armazém, andando em direção para o anjo e arrancando o pano em volta. Minha respiração ficou presa como sempre acontecia quando eu via seu brilhante rosto, o rosto do anjo onde ela tinha ressuscitado das cinzas... Lágrimas picaram meus olhos e eu levantei o meu rosário para o rosto dela. -Ciao, Mamma-, eu disse, minha voz muito alta na sala enorme. -Eu tenho o seu rosário comigo-, eu continuei e corri os terços através de seus dedos de mármore. Eu respirei fundo e cai no chão, com as costas descansando contra suas pernas.


Eu inalei, lutando contra a minha emoção e, disse: -Eu a encontrei, Mamma.- Eu suspirei e olhei para anjo feliz no rosto da minha mãe. -A única que você sempre disse que eu iria encontrar a garota que você queria para mim. Eu a encontrei. Eu fechei meus olhos, minhas lembranças me levando de volta para aquele dia no trailer, o dia em que os trovões e relâmpagos tinham me feito correr para o quarto de mamma... ... Você é diferente de Austin e Axel. Eles são semelhantes em tantas maneiras- cabeça quente e de temperamentos difíceis, duros do lado de fora até que eles te deixam entrar. Você é o tímido, o irmão gentil – por dentro e por fora. Você é o único a levar seu coração em sua manga. Você é a pessoa que assiste silenciosamente de longe e ama com toda a sua alma... Seja com quem for a pessoa que você acabar, meu filho, seja quem reivindique o seu coração, será uma menina muito especial... Muito amor, mia luna. Você vai amar com todo o seu coração, e será para sempre. Você não poderia amar de qualquer outra forma... Eu permiti que as lágrimas caíssem pelo meu rosto quando a memória passou como um filme em minha mente. E eu repassei minha resposta. A resposta que eu pensei que seria verdadeira, meu lado muito jovem que não sabia da estrada esburacada que teria que percorrer pela frente... E você vai encontrá-la, Mamma. Você vai amá-la também. Sim? Você vai amar a única que eu me casar também. Ela vai ser como uma filha para você. E ela vai te amar muito ... -Ela fez, - eu sussurrei para minha mãe na sala vazia. -Ela veio aqui e conheceu você, mamãe. E ela te amou. Ela segurou seu rosto e te amou, eu


podia ver isso em seus olhos. - Eu sorri, um sorriso fraco. -Você teria amado-a também. Você teria a amado muito, minha menina silenciosa. Bella mia. Pisquei através do borrão de minhas lágrimas, e olhei para o rosto de minha mãe. Agarrei o meu rosário com força e perguntei: -Por que todo mundo me deixa, mamãe? Por que tudo tem que ser tão difícil? Para todo mundo? Por que nós temos que passar por isso? Por que você teve que ficar doente? Por que Axel teve que ir para a prisão? Por que Lexi quase morreu? Por que Austin teve que cuidar de mim quando ele era praticamente um garoto sozinho? E por que eu não te conheci como meus irmão fizeram? Por que você foi levada embora antes que eu realmente conhecesse você, e você me conhecesse? - Minhas lágrimas fluíram pelo meu rosto. -E por que minha Elsie teve uma vida de merda? Porque ela é perfeita, Mamma. Tão bonita. Ela passou por tanta coisa, mas ainda tem o coração mais gentil que já conheci. Mas essas meninas a rasgaram, a despedaçaram. Como é que alguém pode rasgar alguém tão frágil assim? Minha Elsie, minha menina? - Minha garganta obstruiu e eu soltei abafado, -E por que ela me deixou? Onde ela foi? Eu... eu a amo, mamãe. Muito. Eu a amo muito… Abaixei minha cabeça e trouxe o rosário na minha cabeça abaixada, orando e pedindo para que ela estivesse segura. Eu não ouvi o arrastar de pés até duas pessoas sentarem ao meu lado. Limpei meus olhos, só para ver Austin e Axel sentados em ambos os meus lados. Meu rosto aquecido com a vergonha do que o que eles poderiam ter ouvido, me vendo desmoronar. Mas eles não disseram nada. Austin descansou a cabeça contra o anjo e eu de repente me vi no peito de Axel, sua grande mão na minha cabeça quando ele pressionou um beijo no meu cabelo.


Tentei puxar para trás, mas ele me segurou ainda mais forte. Meu irmão mais velho não estava me deixando ir. Deixando tudo sair, eu apertei seu suéter e me quebrei ali. Os braços de Axel me seguraram firme, e nada foi dito enquanto eu removia tudo o que tinha retido por anos. Toda a maldita coisa. Mas acima de tudo, o desgosto que estava me matando por Elsie ter ido embora. Quando meus olhos doeram e minha garganta queimou, virei minha cabeça, respirando o ar fresco, e disse em uma voz rouca: -Obrigado, Axe. Axel deixou mais um beijo na minha cabeça. -Eu ouvi você, Lev. Nós dois ouvimos, e deixe-me dizer uma coisa agora, garoto, os melhores dias de sua vida estão à sua frente, você conseguiu percorrer toda essa merda para chegar aí em primeiro lugar. As palavras de Axel suavizaram algo dentro, mas eu disse: -Ela se foi, Axe. Eu não sei onde diabos ela está. -Então você vai desistir? Eu me endireitei, me afastando do peito de Axel. -Não, eu não estou desistindo, mas onde vou a partir daqui? A mão de Austin pousou no meu joelho dobrado, quando vi alguma coisa no chão. Meu coração se inchou ao ver aquele rosto bonito olhando de volta para mim. Virei-me para Axel. -Você terminou -, eu disse, tomado pelo realismo, pela semelhança perfeita. -Hoje -, disse Axel. -Vim para te dar isso, e quando eu fiz, eu vi que você rasgou fora da garagem. - Axel apontou para Austin. -Aust me contou um pouco do que aconteceu com Elsie, e eu sabia onde iríamos encontrá-lo.


Fechei os olhos e respirei pelo meu nariz. Quando eu abri meus olhos, eu disse: -É o único lugar que me acalma quando eu perco isso. Eu... eu copiei uma de suas chaves um tempo atrás. Axel assentiu, mas disse: -Eu entendo, Lev, eu compreendo. Mas isto não é Mamma, esses terços de rosário não é Mamma. Você tem que começar a viver, não no passado, não fazendo essas homenagens, essas posses, um santuário para tudo o que você perdeu. Você tem que mover além da dor, Lev. Mamma iria querer que você viva. Tudo o que ela sempre quis para todos nós é que fossemos felizes. -Eu não posso seguir em frente, eu tentei,- Eu disse asperamente. -Estou cansado de todo mundo me deixar. Mamma, você, agora Elsie. Ela se foi e eu sinto que eu não posso respirar com a ideia de onde ela está e o que aconteceu com ela. -Então encontre-a -, disse Axel como se eu não estivesse procurando por ela durante todo o dia. -Nós estivemos em todos os lugares que você possa pensar, Axe,- Austin respondeu por mim. -Ela não estava em qualquer lugar. -Ela está em algum lugar, todo mundo vai em algum lugar quando eles quebram -, disse Axe e olhou para mim. -Você está aqui, garoto, com esta escultura da Mamma, onde você sempre vem. Onde Elsie poderia ir? Onde é que ela se sente mais calma? Eu balancei a cabeça, não tendo ideia, mas quando avistei a escultura em mármore que Axel tinha acabado de fazer eu me endireitei... -Eu acho que sei onde ela deve estar -, eu disse, e pulei para os meus pés. Enfiei a mão no bolso para minhas chaves, e olhei para os meus irmãos. -Eu tenho que ir buscá-la.


Axe sorriu e ficou de pé também. Ele me puxou para o seu peito, e disse no meu ouvido: -Você não pode ser exatamente como eu e Aust, Lev, mas você ainda é um maldito Carillo. Você cresceu no fodido momento que precisou. Vá buscar sua garota. -Obrigado, Axe,- Eu disse asperamente, em seguida, abracei Austin também. Axel estendeu a mão para a escultura. -Vou levar isso de volta para a casa de Austin. Eu me virei para sair, quando Austin perguntou: -Então, onde você acha que ela vai estar? Agitei meus olhos até a estátua do anjo e respondi: -Portland. Saí do armazém, meu coração bombeando com a adrenalina. Liguei para Lexi do meu carro, sua voz preocupada respondendo ao segundo toque. -Levi? Você está bem, querido? -Eu estou bem, Lex, ou eu estarei. Eu preciso de um favor. -Tudo bem? -, Ela respondeu hesitante. -Eu preciso de você para olhar qualquer coisa sobre Joanie Hall. É a mãe de Elsie. -Ok, Joanie Hall. E o que eu estou procurando sobre esse nome? -Onde ela está enterrada-, eu disse, puxando meu carro para a estrada principal, em direção: Portland, Oregon.


Levei três horas para chegar ao cemitério. O tráfego era um inferno devido a obras rodoviárias e da chuva que tinha sido derramada. Eu estacionei o meu carro e olhei para o enorme cemitério, a única luz vindo de algumas lanternas solares do jardim colocadas em torno da entrada. A porta da frente estava trancada, mas a parede era baixa e eu escalei, o vento frio girando em torno das árvores desfolhadas. Eu olhei para fora sobre a massa de lápides, mas não conseguia ver nada. Suspirei, percebendo que não seria tão fácil como eu pensava. Mas eu sabia que Elsie tinha que estar aqui. Sua mãe era a única casa que ela já teve. Se ela estava quebrada, se ela precisava fugir, ela teria vindo aqui. Eu tinha certeza disso. Eu segui os meus pés para a direção das sepulturas, olhando da linha que veio a seguir, na esperança de ver um flash de cabelos loiros. Mas a escuridão era espessa. O cemitério estava completamente silencioso, tão quieto que eu podia ouvir o som dos meus pés esmagando na grama fria. Eu andei por mais de uma hora, só para virar para outro campo de sepulturas. Abaixei minha cabeça, pensando que era uma tarefa impossível, quando vi algo à minha esquerda, ao longe. Eu pisquei meus olhos para tentar decifrar o que era, quando a respiração caiu de meus pulmões vendo que era um brilho de um maçante neon. Foi a maneira que eu vi através dos lotes, uma minúscula luz brilhando bem distante, mas estava lá, como uma pequena jarra de vaga-lumes, uma luz que me guiou para a frente. Eu segui o brilho da luz através das árvores escuras e túmulos antigos, até que se tornou mais brilhante, até que meu coração bateu no meu peito e meu corpo relaxou com alívio de ver aquela luz caseira em um frasco parado em cima de um túmulo preto e simples... um fino corpo, que estava sentando


na grama ao lado dela. Eu vi o corpo dela subindo e descendo, e meu coração inchou vendo que ela estava usando meu moletom com capuz, a gola puxada até seu nariz. Caminhando o mais silenciosamente possível, eu passei ao redor do túmulo e me sentei no lado oposto, pegando o frasco em minha mão. O barulho do vidro raspando na lápide ou a mudança de luz fez com que Elsie abrisse os olhos. Eu vi o flash de medo cruzar seu rosto diante de seus bonitos olhos azuis antes de focarem em mim, então no frasco em minhas mãos. Vendo que ela estava me observando, eu segurei o frasco entre as mãos e disse: -Eu vou te levar um dia em um lugar para fazer um desses de verdade. Vaga-lumes reais para fazer uma jarra de vaga-lumes de verdade. -Levi-, Elsie sussurrou entrecortada, mas sem olhar para o rosto dela, eu sabia que havia lágrimas em seus olhos. -Vou levar você para Bama em algum um dia em julho... Podemos ir para a floresta e podemos recolhê-los de verdade. -Eu ainda sorri mantendo o foco no frasco. -Vai ser divertido. Você vai amar. Eu segui o respingo do brilho líquido da pulseira de neon com o meu dedo, quando a mão enluvada de Elsie pousou sobre a minha. Eu acalmei, mas não olhei para cima. -Como você me encontrou? -, Ela perguntou, e eu sorri um pequeno sorriso. -Eu segui a sua luz. - Eu apontei ao longo dos outros dois campos. -Eu estacionei caminho até lá. Eu estava procurando no escuro e eu não acho que eu iria encontrá-la... então eu vi a luz do frasco. - Suspirando, eu olhei nos olhos de Elsie. -Ele me levou direto para você.


Seus olhos estavam brilhando com lágrimas, quando ela sorriu e disse: Você não se afogou. Você seguiu minha luz. Eu bufei uma risada silenciosa. Em seguida, o riso rapidamente caiu. -Eu tenho me afogado bastante desde que eu acordei esta manhã para descobrir que você tinha ido, bella mia. Ainda não estou certo que estou seguro e em terra seca, ou se você vai me deixar na maré. Se você vai deixar-se afogar. A mão de Elsie tremeu, mas ela tirou da minha ao agachar-se diante de mim, sua atenção focada na lápide. Ela correu os dedos sobre a inscrição do nome de sua mãe, a sua data de nascimento e morte. Observei seu rosto encher com tristeza e ela confidenciou: -Quando eu fugi pela primeira vez, este foi o lugar onde eu vim. Eu sentava ao seu túmulo todos os dias, em seguida, voltava a noite, quando os portões eram fechados. - Ela sorriu e eu assisti uma lágrima deslizar pelo seu rosto. -Isso-, ela apontou em torno do cemitério, -foi a minha casa por tanto tempo, que é o único lugar que eu poderia pensar em vir. - Ela deu um tapinha no peito sobre o coração. -Meu coração está dilacerado. Toda a crueldade me atingiu de uma vez, essas meninas no jantar -, ela respirou fundo, -Clara. Clara acreditando que ela não tinha outra saída senão tirar sua própria vida... isto dividiu meu coração e eu precisava ficar longe. -Elsie inalou, e em sua exalação disse:- Eu precisava voltar para casa. Meu peito doeu ao ouvi-la chamar esse lugar de casa, que ela precisava ir embora, fugir, me deixar. De repente, a mão de Elsie foi no meu rosto e sua testa estava torcida em confusão. Ela parecia tão bonita. Ela sempre foi. Toda vez que olhava para ela eu perdia o fôlego. Meu coração ia dar um pontapé em uma corrida. Ela não tinha ideia do que ela significa para mim, o quanto eu só queria ajuda-a se curar. Desejando o seu amor.


Virei a cabeça até que minha bochecha acariciou sua palma. Elsie recostou-se, deixando cair a mão sobre a minha, removendo-a do frasco para conectar nossos dedos. Ela olhou fixamente para seus dedos, e sussurrou: -Mas quando cheguei aqui. Quando eu deitei na grama, quando eu segui as letras do nome da minha mãe, eu percebi que isso não era mais a minha casa. Fiz uma pausa, congelando completamente esperando o que ela diria em seguida. Elsie olhou para mim, queimando onde eu estava sentado, e confessou: -É com você. Minha casa -, ela apertou a mão livre em seu peito,meu coração... é com você, Levi Carillo. Você. Sentindo-me como uma barragem tivesse estourado em minha alma, eu me inclinei para a frente e tomei sua boca com a minha própria. Os lábios de Elsie mudou instantaneamente contra o meu, sua mão macia enfiou pelo meu cabelo. Afastei-me, e quando o fiz, suas pálpebras se abriram. Olhei para ela, sem palavras, apenas contente de tê-la de volta em meus braços, segura e precisando de mim como eu precisava dela. -Eu tive que vir aqui, para perceber que pertenço a você. Eu soltei um suspiro, em seguida, puxei ela para a frente, empurrando o frasco no chão e segurei-a em meus braços. Ela me segurou, e neste cemitério, com a minha menina bonita em meus braços, eu senti isto. Encerramento. Senti aquele buraco no meu coração fechar, algumas cicatrizes para sempre ficarão na superfície, mas foi curado. Por Elsie. Por nós. Por este momento. Puxando Elsie de volta, eu disse: -Eu não sou o cara mais especial do mundo. Eu não sou nenhum sonho perfeito. Eu não tenho certeza se eu vou fazer


algo de extraordinário com a minha vida. Eu sempre serei um pouco estranho, e um pouco tímido demais. Eu sempre vou corar e mergulhar minha cabeça, mas se você me deixar, eu serei o único que estará lá para você. Eu serei feliz sabendo que eu tenho você e você tem a mim. Isso é o suficiente para mim, sendo o único em que você se apoia, sendo o único a lhe dizer que você é linda a cada dia. E conversar. Eu vou adorar cada som que sai de sua boca. Eu vou ser o único a te amar como nada que você já viu, bella mia. - Corei com vergonha, mas consegui dizer, -Se você apenas me deixar fazer isso... Se você me quiser. Elsie soluçou um grito, lágrimas caindo por suas bochechas rosadas. -Levi. Você é meu sonho realizado, em todos os sentidos possíveis. Você é a pessoa mais especial em meu mundo. E eu amo que você cora, porque eu também. - Ela limpou suas bochechas. -Eu amo que você é tímido, e, - sua respiração engatou: -Eu amo que você ama a minha voz. Eu amo que eu nunca tenho que esconder quem eu sou, disfarçar como eu pareço. Porque eu estou cansada de tentar agradar os outros. Ela mergulhou os olhos quando ela disse: -Você é meu tipo de extraordinário. Levi Carillo, você é a mais doce das almas. O sorriso de Elsie aqueceu meu peito, e ela chegou a seus pés. Pegou o frasco de mim e depois me ofereceu sua mão. Eu tomei na minha, de pé diante dela. Brincando, puxei para baixo a parte de trás de seu chapéu de lã cinza, e bati no frasco. Ela sorriu um sorriso para mim. -Eu nunca vou deixar isso ir embora. Eu beijei seus doces lábios, e ela respondeu, brincando: -Mas eu quero que você me mostre um de verdade.- Eu gostei de ouvir que algum dia ela queria ver um frasco iluminado por vaga-lumes de verdade. Um sorriso largo se espalhou no meu rosto. -Vai acontecer um dia, bella mia. Um dia.


Ela assentiu com a cabeça, em seguida, olhou para mim através de seus cílios. -Mas por enquanto vamos apenas ir para casa? Meu coração disparou contra minhas costelas. -Casa? - Eu disse asperamente. Elsie colocou o frasco na minha mão e suspirou em contentamento. -Casa-, ela assegurou e começou levando-nos a partir do cemitério. A cada passo a minha tristeza, a dor que eu tinha carregado por muito tempo, foi embora. Porque este foi um amor de me trouxe de volta. E ela trouxe com sua inocência. Ela trouxe com sua vida.


ELSIE

No minuto que o carro parou, a aurora nascente começou a quebrar, a porta da casa principal se abriu e Lexi correu para fora, Ally Prince logo atrás. Sem parar, Lexi jogou os braços em volta do meu pescoço e eu engasguei com minha

garganta

espessa,

a

emoção

de

ser

bem-vinda

batendo-me

profundamente - eles se importavam. -Querida, Graças a Deus. Tenho estado tão preocupada com você-, disse Lexi e eu podia ouvir a preocupação em sua voz trêmula. -Desculpe,- disse envergonhada e abaixei minha cabeça. Lexi se afastou do nosso abraço. -Você não tem nada que se desculpar, Elsie. Nenhuma coisa. Estou feliz que você esteja de volta, e está segura. Sim? Eu balancei a cabeça, lançando um olhar para Levi que estava com seus dois irmãos, a luz entre a obscuridade. Ele estava sorrindo para mim com orgulho, e eu me virei de volta para Lexi, sabendo que meu cara tímido estava lá para me apoiar.


-Eu acho que, se é possível, gostaria de alguma ajuda... para lidar com tudo o que aconteceu no meu passado... os bullies, a perda... tudo. Os olhos verdes de Lexi estavam cheios com lágrimas. -Claro, querida. Com uma condição. Eu levantei minhas sobrancelhas esperando por seus termos. -Que você considere trabalhar comigo depois, no centro. - Eu olhei para longe, sem saber se poderia fazer isso depois do que houve com Clara, quando Lexi disse, -Você fez a diferença em sua vida, enquanto ela teve você nela. Eu vi. Nós todos vimos. Celesha quer você de volta, assim como eu. Um dia, quando você estiver curada o suficiente para voltar. -Ok-, respondi, lutando contra a apreensão que sentia. Esta mulher tinha me levado para dentro, sem perguntas. Eu queria dar-lhe essa mesma honra. Lexi me abraçou de novo, em seguida, ficou para trás. O enorme sorriso de Ally Prince cumprimentou-me e ela me puxou em seus braços. -Eu sabia que você estaria de volta-, disse ela. -Você sabia? - Eu questionei. Ally revirou os olhos, em seguida, me virei para enfrentar os três irmãos italianos e apontou para Levi. -Você vê aquele olhar nos olhos de Levi, o mesmo que Aust está dando para Lex e aquele que meu cara durão está me dando? Corei, mas balancei a cabeça sob a atenção da nuvem de tempestade no olhar colorido de Levi. -Bem, isso é como eu sabia que você estaria de volta. Uma vez que um Carillo racha sua casca dura e deixa-nos entrar, uma vez que


você vê ele olhar para você daquele jeito, você está frita, e sabe que é deles. Você realmente nunca teve uma escolha. Lexi riu quando Axel balançou a cabeça para sua noiva, e eu ri também. Mas foi de felicidade. Porque vi aquele olhar nos olhos de Levi, e durante o tempo que eu viver, nunca quero vê-lo desvanecer-se. Um bocejo puxou minha boca, e os braços de Levi estavam subitamente em torno de mim. -Precisamos descansar-, ele disse à sua família, Austin e Axel me jogaram um aceno. Ally deu um beijo na minha bochecha e caminhou até seu carro. -Vamos ver você em breve, querida. Você é uma de nós agora, não é nenhum incomodo para nós. -Ela não está mentindo-, Levi sussurrou em meu ouvido e eu ri. Eu ri livre de contenção. E suspirei. Eu tinha uma família. Uma família amorosa. -Vamos, Elsie, vamos-, disse Levi e me levou até o portão de trás. Quando entramos na casa da piscina, eu o deixei tomar o pote de minhas mãos e colocá-lo sobre a mesa lateral. Em seguida, tirou meu chapéu, cachecol e as luvas, abrindo o zíper da minha jaqueta lentamente e empurrando-a dos meus ombros. Os colocou no armário, e quando voltou, ele puxou a corda do meu capuz, o que sempre cheirava a ele. -Quando vi que isto tinha sumido, eu tive esperança, um pouco de esperança que você não estava acabada para mim. Que você ainda me queria. Meu coração caiu. -Eu nunca poderia ter terminado com você-, eu disse e Levi beijou meus lábios.


Quando ele se afastou, estava todo tímido, seus olhos indo para todos os lugares, menos em mim. Eu levantei a ponta dos pés e pressionei minha palma em sua bochecha. -O que há? Levi passou o dedo no meu rosto. -Eu fiz algo para você, por causa de algo que você disse, um tempo atrás... sobre sua mãe. Eu acalmei. Levi deixou cair sua testa na minha. -Naquela noite, quando viu a estátua de minha mãe, quando você tocou o rosto dela e me disse que nunca chegou a dizer adeus a sua mãe. Que você nunca chegou a dizer-lhe que a amava, em sua própria maneira especial-, ele engoliu em seco e balançou sobre seus pés, -bem, eu... eu queria dar-lhe seu adeus... o seu final ‘eu te amo’... Meu coração bateu acelerado no meu peito enquanto ouvia ele tropeçar em suas palavras. -Levi? - Eu questionei, quando Levi se afastou e apontou para o armário e o que estava em cima dele. Fosse o que fosse estava coberto por um pano branco que escondia isso da vista. Eu olhei de volta para ele, e ele colocou as mãos nos bolsos, suas bochechas vermelhas com a timidez. -Eu peguei para você, para ajudá-la. E porquê... porque eu- Levi baixou a cabeça, engasgando com suas palavras. Sabia o que ele ia dizer, mas podia ver que queria que eu olhasse o que estava sob o pano primeiro. Precisava saber que o que ele tinha feito estava bem. Meus pés pareciam com toneladas de pesos enquanto eu caminhava para a frente, sentindo dificuldade em andar a cada passo. Quando cheguei no armário, o objeto estava colocado diretamente na minha altura, levantei minha mão trêmula, arrastando para fora o pano, e...


-Levi -, eu sussurrei, um grito incrédulo suave derramou dos meus lábios. Minha mão voou para a minha boca e eu não conseguia desviar o olhar. Levi pigarreou. -Eu... eu pedi para Axe fazê-lo. Tirei uma foto da sua imagem de dentro de seu medalhão com meu celular enquanto você dormia algumas semanas atrás e dei a ele. Ele terminou ontem. Ele nos trouxe aqui para quando você voltasse, para quando você-Você me deu de volta a minha mãe? - Eu disse abafado, empurrando a minha mão, mas, em seguida, puxando-a de volta com muito medo de tocar o mármore branco como neve. -Você me trouxe minha mãe para que eu pudesse dizer adeus? Obriguei-me a virar para olhar para Levi, cuja expressão traía seu medo, o medo de que ele tivesse feito algo errado. Levi deu de ombros. -Para dizer adeus, ou apenas para ter ao redor, para ver quando quiser. Desta forma, você pode vê-la quando precisar, e ela ainda pode cuidar de você, como o anjo da minha mãe faz comigo, com todos nós. Minha visão borrou com lágrimas, com o que ele tinha feito. Com o ato mais deslumbrante que já tinha sido pensado. Eu fiz o meu caminho para meu cara tímido que estava balançando em seus pés, e coloquei minha mão sobre o seu coração. Os olhos de Levi estavam arregalados, enquanto esperava pelo que eu diria. -Este é o mais bondoso, mais pensativo ato que alguém jamais poderia fazer por mim. Me dar isso, minha mãe? - Balancei a cabeça me perguntando como eu merecia tanta bondade, quando disse: -Você é bondoso, Levi. Você é o que as pessoas devem se esforçar para ser. A bondade é dar a alguém alguma coisa, ou um ato que exige nada em troca, nem mesmo um agradecimento, e é


o que você tem feito por mim. Para mim. Você me deu a minha chance de adeus. Com a cabeça mantida baixa, ele explicou, -Eu só queria que você fosse feliz. Finalmente. Eu quero muito isso para você, bella mia. Atirei-me em seus braços e suspirei quando ele me abraçou de volta. Senti seu hálito quente soprar meu passado em meu rosto. -Diga adeus para ela, bella mia, diga adeus como sempre quis, como sempre deveria ter sido. Eu respirei fundo, de repente aterrorizada. Espremendo Levi mais forte, perguntei: -Você vai ficar no quarto comigo? Eu não quero ficar sozinha. Levi assentiu com a cabeça contra a minha cabeça, então puxei de volta e me virei. Eu enfrentei a escultura perfeita do rosto de minha mãe, e senti a dor no meu coração que sempre sentia. Ela estava tão perdida em toda sua vida. Sua alma era muito frágil para ter nascido neste mundo. -Você conhece os ‘Meninos Perdidos de Peter Pan’? - Eu perguntei em voz alta. Eu não virei para Levi para a resposta, mas ele respondeu: -Sim. Eu sorri, em pé diante da escultura da minha mãe, os olhos brilhantes e seu sorriso cheio. -Eu adorava essa história quando era mais jovem. Peter Pan. Lembro-me de minha mãe me dizendo repetidamente sobre como o mundo era cruel, e que ela desejava que não estivesse nele. Me deixava tão triste que eu costumava pedir a Deus para o Peter Pan vir buscá-la. Eu era jovem e pensava que o Peter era real. Eu costumava orar para ele vir e levá-la para a Terra do Nunca, porque ela ficaria feliz lá com pessoas como ela. Pessoas que poderiam amá-la e fazê-la sorrir, porque todo mundo era cuidado na Terra do Nunca. Não havia dor ou palavras cruéis. - Passei o dedo por baixo de seu cabelo perfeitamente esculpido. -Minha mãe era um ‘Menino Perdido’ ficcional, presa


neste mundo de não-ficção... e ela costumava me dizer que eu era o mesmo que ela. Suspirei e balancei a cabeça. Olhei para minha mãe como se ela estivesse realmente diante de mim. Olhei em seus olhos. -Mas eu não era como você, mãe-, eu disse calmamente. -Sim, fui maltratada. Sim, tentei tirar minha própria vida, mas percebi que talvez, apenas talvez, pertenço aqui depois de tudo. Eu acho que talvez sempre soube que a minha salvação viria para mim um dia, que iria ser encontrado depois de estar tão perdida. - Fiz uma pausa e pensei no rapaz que estava atrás de mim. -Você costumava dizer-me que não havia lugar para pessoas como nós neste mundo, para esconder a minha voz e proteger o meu coração. E eu fiz, mãe. Fiz o que você disse por um período muito longo. E você tinha razão, quando falou, fui realmente maltratada, fui ridicularizada... e eu rachei, eu os deixei me machucar. Eu os deixei me dobrar, mas não quebrei. - Limpei meu rosto. -Mas você esqueceu de me dizer sobre as pessoas que são o oposto daqueles que intencionalmente ferem. Os mais gentis, aqueles que não se importam que falo de maneira diferente. Os que não me dizem para me esconder longe. Em vez disso, eles me dizem para ser quem sou, sem desculpas. Não é fácil, mamãe, mas acho que nós nos concentramos no mau por tanto tempo, que ficamos cegas para o bem. - Eu fechei os olhos e lutei contra a dor, o medo do que essas palavras inspiravam. -Eu quero experimentar o bem, mãe. Eu não quero mais a dor. Eu tenho que olhar para o meu arco-íris. Minha garganta queimou quando me aproximei mais. -Eu nunca cheguei a dizer adeus a você, de uma vez por todas. - Minha respiração engatou mas forcei a sair, -Levaram-me de você, mas eu não queria ir. Por favor, saiba disso. Você precisou de mim, e eles me levaram embora contra a minha vontade. É


por isso que você morreu, mamãe, porque você nunca aprendeu a fazer qualquer coisa por si mesmo, e não foi culpa sua. - Funguei e tossi a emoção da minha garganta. -Mas você nunca tentou de qualquer jeito. Você nunca tentou realmente torná-lo melhor para mim, ou para si mesmo. - Eu olhei para trás para Levi, enquanto ele me olhava em silêncio, seu belo rosto expressando cada pedaço da minha dor. Porque ele tinha vivido isso também. Ele tinha vivido o adeus final. Fechando os olhos, preparei para minhas próximas palavras. Quando os abri novamente, coloquei minha mão em sua bochecha em mármore frio e disse, -eu sinto sua falta todos os dias, mamãe, e sei que você está feliz onde está agora, mais feliz do que jamais poderia ter sido nesta vida. E eu quero que você olhe por mim. Eu quero que você me veja agora. Para fazer algo por mim mesma, para conseguir alguma coisa, mesmo que seja apenas conseguir ter uma vida normal. Uma vida normal, todos os dias com alguém que me ama. E talvez algum dia, poderemos ter algumas crianças. Isso soa quase perfeito para mim. Baixei a cabeça e, com a palma da mão ainda em sua bochecha, pressionei minha testa contra a dela, e em nossa própria ação, em nossa versão de palavras silenciosas, eu disse a ela que a amava pela última vez. Quando fechei meus olhos, poderia quase sentir a sua palma em minha bochecha também... me dizendo seu adeus também. Eu fiquei com a minha testa contra a dela por minutos e minutos, quebrando meu coração em meu peito. Mas quando ouvi a respiração suave de Levi atrás de mim, sua presença calmante, essas peças espalhadas mudaram-se de volta no lugar e, um por um, eles colaram de volta juntos.


Deixando meus olhos abertos, eu me virei de costas para a escultura, e de frente para a única pessoa no mundo que poderia fazer o meu pulso acelerar. A única pessoa que eu amava, e a única pessoa que eu poderia ser eu mesmo. Eu brincava com minhas mãos enquanto me aproximava e Levi mudou em seus pés, como se ele pudesse sentir a tensão crepitando entre nós, como se ele pudesse sentir esse calor, essa atração única que nós compartilhamos. Levi tirou as mãos dos bolsos quando parei diante dele, quando olhei em seus olhos. -Obrigada-, sussurrei, e com dedos trêmulos, coloquei minha mão em seu rosto. Levi engoliu, seus amplos olhos cinzas me olhando enquanto eu guiava sua cabeça para baixo. Tentando mostrar tudo o que senti nos meus olhos, eu abaixei minha testa na sua, e disse-lhe três palavras, as mais importantes que jamais poderia ser expressa, sentia-me irradiando minha alma com a sua, da única maneira que eu sabia como. Os olhos cinzentos procuraram os meus, e viram o que ele pensou que eu estava fazendo, que era real, Levi levantou a mão e apertou-a contra minha bochecha... Ele me amava de volta. -Elsie-, Levi sussurrou, sua voz rouca quebrando na plenitude deste momento. Respirando fundo, confessei: -Eu amo você, Levi Carillo. Estou amando você com as palavras que mais temo. Levi gemeu, e me puxou para o seu peito com a mão livre ao redor da minha cintura. Ele me trouxe para seus lábios. Eu amoleci contra ele. Eu afundei em seus braços e colei meus lábios contra os dele. Levi nos guiou para trás. Minhas pernas batendo no colchão, e Levi baixou-me para a cama, seu


corpo pairando acima do meu. Minhas mãos percorriam suas costas, os dedos correndo sobre seus músculos rígidos. Meu corpo aquecido, meus quadris se levantaram com a necessidade, a necessidade de fazer amor com ele, quando Levi rompeu o beijo. Eu gemia com a perda, mas quando vi a expressão séria em seu rosto, eu parei. Levi apoiou os braços de cada lado do meu corpo, e com as bochechas coradas que eu adorava tanto, ele expressou: -Eu também te amo. Meu coração disparou, minha pulsação martelou em meu pescoço e aquelas palavras suaves encheram minha orelha e meu sangue derramou com a pura esperança e luz. Ele me ama, pensei, sentindo-me mais do que completa, Levi Carillo me ama. Eu abri minha boca para responder, mas antes que pudesse, Levi esmagou sua boca de volta na minha, suas mãos levantando minha camisa e soltando meu sutiã. Quebrando o beijo, ele puxou meu capuz sobre a minha cabeça. Ele tinha fogo em seus olhos tempestuosos quando caíram sobre meus seios, e eu peguei sua camiseta, trazendo-a sobre sua cabeça. Acariciando o peito bronzeado de Levi, gemi enquanto corria meus dedos para baixo de seus abdominais. O estômago de Levi ficou tenso e um assobio passou por entre seus dentes cerrados. Largando minhas mãos, peguei o cós de seu moletom, e empurrei o material fora de seus quadris. Os músculos do pescoço de Levi estavam repuxados quando seu comprimento foi libertado, e gemendo alto, ele estendeu a mão para o meu jeans e me despojou de minhas roupas. Levi jogou as roupas no chão, e quando subiu em cima de mim de novo, me levantou para me deitar no centro de sua cama. Seus dedos acariciaram meu rosto, sobre minha garganta, e para baixo entre meus seios. Minhas costas


arquearam e um gemido saiu dos meus lábios enquanto sua mão continuava a descer, depois parou, apenas para um novo tipo de calor iluminar o rosto de Levi. -Levi? - Eu questionei, assim que ele baixou a cabeça para os meus seios, sua língua quente lambendo ao redor do meu mamilo. Minhas mãos voaram em seu cabelo para segurá-lo perto, mas antes que encontrasse o contentamento, ele mudou para o sul, borboletas pululavam no meu estômago quando percebi o que ele estava prestes a fazer. Os lábios cheios de Levi salpicaram beijos por cima do meu estômago, até que ele atingiu o ápice das minhas coxas, com as mãos ele suavemente abriu mais minhas coxas. Eu engasguei quando senti sua respiração quente sobre meu núcleo, e eu olhei para baixo quando Levi beijou minhas dobras, em seguida, sua língua e correu sobre o meu clitóris. Minhas mãos apertaram os lençóis enquanto meus olhos viravam ao sentir sua boca sobre mim. Eu ofeguei e gemidos saíram da minha boca, meu corpo estremeceu quando ele empurrou seu dedo dentro. Levi gemeu quando chupou e lambeu, o som erótico causando arrepios sobre a minha pele corada. -Levi-, sussurrei enquanto sua língua pegava velocidade. Eu não poderia lidar, a sensação de sua língua era demais para eu levar. Meus quadris rolaram para trás e para frente, e quando Levi empurrou um segundo dedo dentro de mim, me quebrei, luzes dançando atrás dos meus olhos. Ouvi gritos enchendo a sala, meus gritos, e parei, consciente de como iria soar. Levi estava de repente em cima de mim, sacudindo a cabeça em reprovação. -Não-, ele disse com a voz rouca antes de beijar em torno de minha boca, no canto dos meus lábios. -Não se feche. Você parece perfeita para mim, muito foda de perfeita.


Eu congelei, procurando seu rosto para ver qualquer mentira. Ele quis dizer isso. Ele quis dizer tudo o que estava dizendo, ele gostava do som da minha voz. Eu estava segura para ser eu mesma. Estendendo a mão, coloquei-a sobre a cabeça de Levi e puxei-o para a minha boca. Eu poderia me provar em seus lábios, mas não me importei. Eu queria ele. Queria mostrar a ele o quanto o amava, porque o fiz. Eu o amava quase demais. Sentando-me, e sem quebrar o beijo, guiei Levi em suas costas, seu corpo bronzeado musculoso em plena exibição embaixo de mim. Os olhos de Levi eram de chumbo com a luxúria, e ele tentou me puxar de volta para sua boca. Escapei de sua mão, abrindo a gaveta de sua mesa lateral. Com tremor, mãos nervosas, peguei um preservativo, vendo o peito arfante de Levi, e sua mão acariciando para cima e para baixo seu comprimento a partir do canto do meu olho. Concentrando-me em abrir a embalagem de alumínio para me acalmar, retirei o preservativo e voltei para Levi. Sua mão livre estendeu para a minha, mas balancei minha cabeça antes que ele me tocasse. -Eu quero fazer isso-, sussurrei. A mão de Levi congelou, e eu vi seu pomo-de-adão subir e descer. -Tem certeza? -, Ele perguntou com a voz tensa. -Sim-, respondi, e montei suas pernas. Empurrando a mão de Levi de sua dureza, rolei suavemente o preservativo para baixo até que estivesse colocado totalmente. Um brilho úmido tinha aparecido no peito de Levi. Levi me olhava para ver o que eu faria em seguida. Me arrastando para a frente, me inclinei sobre seu peito e afastei o cabelo bagunçado de seus olhos. -


Eu amo você-, sussurrei, vendo seus lábios partirem em um sorriso. Eu recuei, usando minha mão para colocá-lo na minha entrada, e sentei, levando-o para dentro. Quando estava completamente cheia com Levi, respirei fundo e comecei a me mover. As mãos de Levi pousaram em meus quadris enquanto ele sussurrou, e nossos olhares se chocaram. Eu mantive o olhar quando revirei os quadris para trás e para frente. E inclinei para a frente, minhas mãos achatando em seu peito enquanto construía gradualmente a velocidade. Eu observava o rosto de Levi quando ele expressou sua satisfação. Eu escutava sua respiração curta e afiada, os gemidos guturais suaves, quando ele engrossou dentro de mim, seu comprimento batendo em algo dentro, trazendo-me rapidamente para a borda. Os dedos de Levi cavaram na minha pele, e eu soltei um longo gemido quando a pressão construiu em meu núcleo. Prazer insaciável reunido em meu canal, enquanto balançava meus quadris mais e mais rápido. Eu quebrei quando o orgasmo tomou conta, o forte aperto de Levi me puxando para baixo sobre o seu eixo mais quatro vezes antes dele gritar, sua respiração irregular. Meus olhos se fecharam, enquanto meu corpo tremia no rescaldo. Eu desmaiei no peito de Levi, minhas palmas pousando em seus peitorais duros. Eu podia sentir Levi pulsando dentro de mim, enquanto nós dois acalmamos da intensidade de fazer amor... fazer amor. Porque nós estávamos incrivelmente apaixonados. Deitei no peito de Levi e estava perfeitamente feliz. Eu sabia que podia fazer isso todos os dias. Eu sabia que isso, estar com Levi, meu cara tímido, poderia ser a minha vida, uma vida que nunca sonhei que poderia ter.


Os braços de Levi envolveram em torno de minhas costas e ele nos rolou para nossos lados, nossos rostos olhando um para o outro em um único travesseiro. Sua pele estava vermelha de sua libertação, ele era o menino mais bonito e belo que eu tinha posto os olhos. Eu sorri, e corri minha mão sobre sua bochecha com barba por fazer. Você está errado, sabe? - Eu disse, quebrando o silêncio no quarto. -Sobre o quê? -, Ele perguntou, sua careta o tornando ainda mais adorável para os meus olhos. -Você é especial. Você sabe por que? -Por quê? -, Ele raspou e pegou a minha mão para deitar debaixo de sua bochecha. -Porque você é o centro do meu mundo. Para mim, isso é a coisa mais especial na vida. Ser tão importante, que é vital para a felicidade do outro. Não é apenas especial, é impagável. - Eu dei de ombros. -Para mim, pelo menos. -Então agora você sabe-, respondeu ele. Desta vez foi a minha vez de ficar confusa. -Eu não entendo. -Agora você sabe-, ele repetiu e um pequeno sorriso puxando seus lábios. -Agora você sabe como me sinto sobre você desde que nos conhecemos. Você é esse alguém para mim também, la mia anima gemella. Meu coração inchou ao ouvir aquela bela língua em seus lábios. -O que significa isso? -, Perguntei, pendurada em cada palavra sua.


Levi apertou minha mão. -Almas irmãs8, é o que podemos dizer em Inglês, mas gosto da tradução literal em italiana, é melhor. -Qual é? -A minha alma gêmea.

Eu parei de respirar, e Levi suspirou. -Isso é o que você é. Vital para minha alma. A Hero do coração do meu Leander. -Levi,- Eu disse, meu menino tão doce. Mas então meu estômago virou com o que estava por vir. -O quê? -, Perguntou Levi, vendo claramente a minha mudança na expressão. -E se eu não puder fazer isso? O futuro é incerto demais. Eu estou... Eu estou com medo. Levi se aproximou e balançou a cabeça. -Não há nada a temer, Elsie, não se estivermos juntos. Você sabe por que? -Não. -Porque sei agora que qualquer tipo de futuro nos faz feliz. - Ele beijou a palma da minha mão e depois se afastou. -Mas ter um futuro com você? É uma bênção. Nossa bênção. Porque tenho que viver minha vida com você, ao seu lado - la mia anima gemella.

8

Nr.: aqui ele faz um comparativo das duas línguas, só que quando se faz a tradução perde um pouco sentido, pq em inglês se

diz: Soulmate, que traduzindo livremente é ‘alma gêmea’ em português, mais embaixo ele diz: My twin soul, que quer dizer literalmente ‘minha alma gêmea’, como em italiano: La mia anima gelella.


Eu mal podia falar através de quão feliz me sentia no momento. Ficamos em um silêncio confortável, até que assisti Levi sorrir. -O quê? - Eu perguntei, meu coração batendo forte no meu peito. -Eu percebi qual a minha palavra favorita em Inglês. -Sim? - Eu perguntei me aproximando, apenas um milímetro de seus lábios. -Diga-me. Levi se inclinou para frente, brevemente tomando meus lábios com os seus, e sussurrou: -Elsie. Eu encarei esse menino com os olhos cinzas de prata, em seguida, tomei sua boca em um beijo suave. Enquanto suspirava de felicidade, listei as coisas que ele havia trazido para a minha vida: segurança, felicidade e paz. Mas a melhor parte de tudo, foi que ele me trouxe esse arco-íris depois da tempestade... ...Ele trouxe para mim a lua. E eu lhe trouxe o brilho.

Dois meses mais tarde....

Assim que o relógio corria no estádio, eu trouxe as minhas mãos para a minha boca em decepção.


-Merda! - Austin agarrou e bateu as mãos de qualquer maneira. -Bom jogo, fratello. Boa merda de jogo. Estávamos sentados no estádio enquanto a equipe de Levi jogava nos playoffs, e ele tinha jogado incrivelmente, mas infelizmente eles tinham perdido. Sentei-me no banco, meu coração cabisbaixo por Levi. Mas eu sabia que ele ia ficar bem. E ele ainda tinha o próximo ano. Sentei-me olhando a multidão aplaudindo e pensei de volta para a primeira vez que vim aqui, a primeira vez que experimentei todas essas pessoas e todo o ruído. Isso me assustou. Isso me irritou tanto que eu não estava certa de que poderia nunca mais voltar. Mas eu fiz, e tinha conseguido. Através da terapia e trabalho no centro, gradualmente construí minha confiança, e percebi que não tinha que ficar mais tão assustada. Porque o que tinha acontecido comigo não foi embaraçoso, nem tinha me feito fraca. Foi cruel e malicioso por parte do agressor. Mas não era culpa minha, não foi nada que fiz, e minha vida não iria melhorar até que eu aprendesse a reconhecer que era mais do que sua vítima. Que era mais do que as palavras que eles usaram para me quebrar. Eu merecia mais, e estava tentando todos os dias conseguir isso. Levi, apenas alguns dias depois que cheguei em casa, me ajudou a se inscrever para obter o meu diploma9 de conclusão do colégio. Ele trabalhou comigo todas as noites. Ele me ensinou sobre os assuntos que eu nunca tinha passado e, a cada nova coisa que aprendi, fiquei mais confiante em mim mesma, tão confiante que sabia que queria me tornar uma conselheira. E já sabia que ia ser boa no que fazia. As semanas que passaram ouvindo e conversando com as crianças no centro, tinham me mostrado que eu era uma 9

GED é o exame final, para conseguir o diploma do High School o que seria como nosso colegial.


boa ouvinte. Meus anos de silêncio, me deram uma habilidade que as crianças vitalmente precisavam, alguém que simplesmente ouvia e entendia. Era onde eu pertencia. Lexi sentou ao meu lado, e deitou a cabeça no meu ombro. -Pobre Levi, ele vai ficar triste que perderam. -Sim, mas ele vai ficar bem-, respondi e Lexi levantou a cabeça e sorriu. -Como está se sentindo? -, Ela perguntou. Eu respirei fundo. -Bem, eu acho. Lexi apertou minha mão, mas soltamos quando Ally e Molly vieram para conversar. Nós falamos sobre coisas triviais até que ouvi Levi caminhar através da porta para o camarote. Desta vez, ele veio a mim primeiro, sua expressão decepcionada e baixa. -Você está bem? -, Perguntei quando ele me tomou em seus braços. -Sim. - Ele suspirou. -Apenas uma merda. -Você jogou bem apesar de tudo. Levi me deu um sorriso sem humor. -Ainda perdemos, bella mia. Nós ainda perdemos. Levantando, beijei seus lábios. Quando puxei para trás, disse: -Será que isso o deixa melhor? Levi riu e acenou com a cabeça. -Sempre. Levi cumprimentou sua família, em seguida, todos nós fizemos o nosso caminho para um restaurante. Nós comemos e rimos, e conforme a noite seguiu, Levi soltou sua decepção, onde meus nervosismo só aumentou.


Quando saímos do restaurante, caminhávamos pela rua, e Lexi de repente disse: -Alguém quer café? Levi parou e apertou minha mão. -Sim?-, Ele respondeu, então olhou em volta. Estávamos de pé na frente da cafeteria onde ele tinha me trazido para ouvir Sarah Carol, uma casa de poesia que viemos muitas vezes para ouvir o microfone aberto, ou convidados especiais, quando podíamos. -Este lugar é bom? -, Perguntou Lexi e caminhou em direção à porta com Austin. -Sim -, Levi respondeu: -eu e Elsie viemos muito aqui. -Bom! - Disse Lexi e entrou. No minuto que entramos, Lexi seguiu para um pequeno aglomerado de sofás e todos nós nos sentamos. -Poesia? - Rome Prince perguntou quando olhou ao redor da sala. Suas sobrancelhas levantadas como se questionando por que diabos estávamos aqui. -Amplie seus horizontes, querido -, disse Molly para o marido e revirou os olhos. -Porque, colocando desta maneira, - Ally sentou-se para a frente, -não há ninguém aqui que vai reconhecer você e Aust para abordá-los para autógrafos. Estou pensando que neste lugar, para essas pessoas, os jogadores de futebol são semelhantes aos anticristo! Axel riu e puxou sua noiva de volta, assim que o atendente veio nos trazer bebidas e anunciou que o palco estava aberto para leitura. Eu olhei o alto-falante, e me senti completamente superada com nervosismo. O braço de Levi estava apertado em volta dos meus ombros, quando perguntou: -Você está bem, Bella mia? Você parece tensa. Eu balancei a cabeça e sorri. -Eu estou bem, apenas cansada.


Levi me olhou estranhamente, mas tomei um gole de meu café, ouvindo uma abertura no palco. Meu coração batia no meu peito, e minhas mãos tremiam nervosamente, mas abruptamente me forcei de pé. A família e amigos todos pararam em suas conversas para olhar para mim, mas procurei Lexi, que assentiu com a cabeça e me encorajou com um sorriso. -Elsie? - Questionou Levi e sentou-se mais à frente. Inclinando-se para baixo, dei um beijo em sua testa, seu rosto estava em confusão, em seguida, virei para o palco. O microfone solitário estava abaixo do brilho dos fortes holofotes, mas me mudei para a frente, forçando-me a fazer isso. Era algo que eu tinha que fazer. Eu pisei no palco, e do bolso de minha calça, puxei um pedaço de papel. Minhas palavras foram escritas em minha caligrafia preta de costume, e agarrei apertado o papel, apenas para fazer algo com minhas mãos. Eu tomei uma respiração profunda, e quando o fiz, olhei para cima. Olhei para cima e imediatamente procurei Levi, que estava sentado na borda de seu assento. Seus olhos cinzas estavam enormes e sua expressão chocada enquanto ele me observava nesta fase. A sala estava em silêncio, esperando por mim, para começar. Eu fiz a varredura de meus olhos ao redor da sala, vendo que toda a atenção estava sobre mim. O medo paralisante pegou. Minha respiração veio mais forte, o som ecoando pela sala. Fechei os olhos. Fechei os olhos e me lembrei porque estava aqui em cima. Eu queria enfrentar meus demônios. Eu queria parar de esconder minha voz. Eu precisava mostrar ao mundo que não importa o quão longe eu tinha sido levada para o fundo, não seria mantida lá.


Eu estava subindo. E seria ouvida, nos meus próprios termos. Forçando os olhos a abrirem, me concentrei no chão de azulejos e li o título em voz alta. -Sweet Soul-, eu disse, encolhendo-me internamente quando as palavras ecoaram através do microfone. Inalando novamente, levantei meus olhos, e desta vez, Levi estava de pé. Eu podia ver que ele estava apavorado por mim, mas, ao mesmo tempo, podia ver o orgulho absoluto em seus olhos. O orgulho me fez abaixar o papel. Porque eu sabia este poema de coração. Era ele. Tudo isso era ele e eu:

Nascida em silêncio, um mundo sem som, Vivendo em frieza, palavras capturadas e presas. Mantido em dor escura, por medos e pela chuva, As agulhas trouxeram veneno, veneno para a veia. Arrebatou na noite, na escuridão, ela caiu, Insultada e torturada, mudez era sua cela. Vozes dentro, um laço em sua mente, Como punhais eles perfuraram, nenhuma cicatriz para encontrar. Tentado por nitidez, imersa no dilúvio, Dois ataques a carne, as boas-vindas de sangue. Trazida de volta ao medo, nem céu, ela conheceu, A sombra que ela fugiu, ruas duras e frios e úmidas. Sozinha e com medo, longas noites intermináveis, Até que o puro veio, nenhuma malícia, apenas luz. Trouxe o calor, coração rasgado e muito baixo,


Um sorriso e um frasco, Leander e seu Hero. Deu-lhe o mundo, uma vida tão desconhecida, Coração encontrou sua batida, seu destino foi semeado. Medo deixado de lado, nenhuma vítima, nenhuma escolha, Ele deu-lhe a lua, sua alma gêmea, sua voz. Ela deu-lhe o brilho, um buraco no coração costurado, A bênção para ela, a mais pura alma doce. Ela, a menina silenciosa, privada e sozinha, Ele, o menino silencioso, que através do amor, a trouxe para casa. Quando o poema chegou ao fim, o microfone ecoou a minha última palavra. A casa caiu em silêncio, mas, em seguida, quebrou em aplausos altos. Meu coração bateu no meu peito, e olhei para cima para ver Levi empurrando através da multidão, lágrimas inundando seu rosto. Eu pisei fora do palco, a minha cabeça baixa, quando de repente Levi estava diante de mim, com o dedo embaixo do meu queixo. Ergui os olhos em uma respiração profunda, e fui recebida com olhos incrédulos. Os olhos cinzas que eu amava. -Baby-, ele murmurou, incapaz de falar. Eu vi sua boca balbuciar, mas ele não tinha palavras. Desta vez eu seria sua voz. -Eu queria mostrar o que você significa para mim. E queria fazê-lo com orgulho, não escondendo minhas palavras. - Eu trouxe a minha mão no meu peito. -Isso veio do meu coração. Eu queria falar com ele também. -Elsie -, resmungou Levi e pressionou sua boca contra a minha. Eu poderia provar o sal de suas lágrimas em seus lábios. Ele se separou, mas suas mãos estavam no meu cabelo, seu hálito quente percorreu o meu rosto. -Estou


tão orgulhoso de você, bella mia. Tão orgulhoso que não tenho palavras... aquele poema... a sua bonita voz... a coragem de levantar-se no palco. -Foi por causa de você -, sussurrei, as lágrimas escapando dos meus olhos. -Tudo isso. O que sou agora e quem serei um dia ... é por causa de você. -Não -, Levi balançou a cabeça. -Você não entende. Você fez isso por mim. Eu era Leander, Elsie. Eu era o homem se afogando. Mas onde Hero perdeu sua luz na tempestade, você deixou a sua brilhar para mim. Você me trouxe da escuridão. Você me trouxe para casa a salvo. Suspirando, caí nos braços de Levi, sabendo que tinha conquistado meus medos. Eu tinha trago a minha voz de volta. Eu tinha uma razão para viver. E ambos viveríamos. Uma alma perdida tímida que tinha encontrado um coração solitário silencioso. Não éramos mais solitários. Não estávamos mais perdidos. Nós fomos encontrados. E fomos abençoados.


LEVI

Tuscaloosa, Alabama Dezoito anos mais tarde...

-É por aqui, vamos lá. Jackson e Penelope vieram correndo, Penelope empurrando seu irmão gêmeo, Jackson, fora do caminho. -Penelope, pare de empurrar seu irmão! - Eu repreendi, mas foi em vão quando nossa turbulenta filha de seis anos pulou em meus braços, quase me derrubando no chão. Jackson correu por trás, segurando em minhas pernas. -Onde está a mamãe? - Jackson chamou, sua voz bonita apenas ligeiramente fora do tom. -Estou aqui, garotinho-, Elsie disse quando saiu por entre as árvores. Sorri para a minha mulher, golpeando e afastando os mosquitos de suas pernas nuas. Ela estava linda como sempre, vestida em seu bonito short jeans preto e camiseta branca. Seu cabelo loiro estava em torno de seus ombros e braços, ela segurava uma caixa com quatro frascos.


Jackson correu até ela e agarrou a sua cintura. Eu vi meu filho loiro de olhos azuis sorrir para sua mãe, a sua ligação especial inquebrável. Quando Jackson e Penelope nasceram, nós sabíamos que havia uma chance de que um, ou ambos, terem problemas de audição. Penelope saiu primeiro e estava com a saúde perfeita, mas era claro desde o início que Jackson não tinha audição em sua orelha esquerda, mas por sorte, como sua mãe, ele tinha alguma audição em sua orelha direita, quase cem por cento. Isso me fez adorá-lo mais, se possível, porque, como sua mãe, ele tinha uma ligeira inflexão em sua voz. Mas ao contrário de sua mãe, ele nunca iria crescer pensando que deveria ter vergonha disso ou escondê-lo. Elsie o ensinou a se orgulhar, como a conselheira chefe do centro, ela iria garantir que nosso bebê nunca tivesse vergonha de ser exatamente quem ele era, sem desculpas. Jackson era tímido e reservado como eu, ao contrário de sua irmã que era tão barulhenta quanto podia. -Papai, olhe para mim! - Penelope exigiu e eu toquei o final de seu nariz. -Se você continuar gritando assim, vai assustá-los. Os enormes olhos cinzentos de Penélope ampliaram para um tamanho cômico e ela apertou o dedo à boca. -Shh! -, Ela disse, só tão alto quanto ela gritou, eu ri do mesmo jeito, o cabelo escuro todo enrolado em torno de sua cabeça por causa da umidade. A mão de Elsie pressionou nas minhas costas quando ela chegou mais perto. Inclinando-me dei um beijo em seus lábios. Quando me afastei, foi para ver Jackson puxando a língua para sua irmã nas minhas costas. Suas bochechas vermelhas quando viu que ele tinha sido pego. Ele era completamente meu filho.


-Precisamos ir para perto do riacho-, eu disse e apontei para o som de água corrente. -Eles tendem a ficar perto da água. Segurando o líquido na minha mão, coloquei Penelope no chão e ela imediatamente colocou a mão na minha. -Pronto? -, Perguntei, e todos eles concordaram com a cabeça. Enquanto caminhávamos, Penelope puxou minha mão e disse: -Diga-nos novamente. Conte-nos sobre o frasco que você fez para a mamãe. Eu ri e balancei a cabeça. -Você quer ouvir essa história de novo? - Perguntou Elsie e nossa filha assentiu com a cabeça. -Eu gosto disso. Gosto de ouvir sobre a luz, e o galpão e todos os sorrisos. Apertando a mão de Penélope, eu disse, -Ok. Quando conheci a mamãe, ela realmente não falava, mas ela me escreveu uma nota que dizia que tinha medo do escuro. -Como eu, mamãe? -, Perguntou Jackson e Elsie assentiu com a cabeça. -Sim, como você, xuxu10. -Vá em frente, Papa, - Penelope empurrou. -Bem, em Seattle nós não temos nenhum vaga-lumes, pelo menos nunca vi eles. Mas porque sou de Bama, eu sabia como fazer potes de vaga-lumes. -Porque Nonna Chiara fazia para você quando era pequeno? -Sim-, eu disse e apontei para a floresta. -Nós costumávamos vir a uma floresta assim e pegar os mais brilhantes vaga-lumes que se possa encontrar com a minha rede. -Exatamente esta mesma floresta? -, Perguntou Penelope dramaticamente. 10

No original é peanut que significa amendoin, por isso traduzi como xuxu.


Eu balancei minha cabeça. -Não exatamente esta, mas elas têm a mesma aparência. -Estas são da tia Molly e do tio Rome, Penny. Papa lhe disse isso antes. Você nunca ouve! Eu inalei pelo nariz quando eles começaram a discutir novamente. Em seguida, pararam, como se nada tivesse acontecido. Penelope se virou para olhar para mim e me deu um sorriso cheio de dentes. -O que mais, papai? Eu segurei na minha risada, mas peguei uma risada de Elsie por trás. Penelope puxou meu braço incitando-me a falar. Então o fiz. -Porque nós não tínhamos vaga-lumes, eu não poderia fazer a coisa real, então dei a mamãe um caseiro. -Como a tia Lex tinha feito para Dante? -Sim -, eu concordei. -Então eu fiz. Mamãe me observou enquanto esvaziei uma pulseira de neon dentro do frasco, e manteve-o com ela todas as noites depois disso, colocando-o em sua janela para que eu pudesse ver que ela estava bem. -Ela faz isso até agora! -, Disse Jackson com entusiasmo e olhei para minha esposa. Ela me deu seu sorriso secreto. Porque esse mesmo maldito frasco ainda estava sentado na janela do nosso quarto em Seattle, e Elsie insistiu que, por todos esses anos, ela o manteve perto da cama. O frasco mal emitia luz porque foi muito utilizado, mas ela não queria joga-lo fora. Eu não iria deixar de qualquer maneira. Ele era a nossa luz que nunca acabava. Viramos uma esquina e o riacho veio à tona. Eu ouvi um suspiro quieto vir de Elsie quando vimos um grupo de vaga-lumes à frente.


-Olha,- eu instruí Penélope e Jackson quando nós nos agachamos na grama alta. -Vocês estão vendo? As mãos de Penélope foram para sua boca enquanto ela olhava. A pequena mão de Jackson descansou no meu ombro enquanto observava com fascinação silenciosa. -Eles são tão bonitos. Mamãe, você pode ver? - Disse Penelope e mudou-se para o lado de Elsie, afagando seu braço. -Eu posso ver, menininha. - Ela olhou para nossa filha e para nosso filho, e perguntou: -Será que devemos ir buscar alguns para nossos frascos? -Sim! -, Ambos sussurraram em uníssono, e Elsie entregou a cada um, um frasco, juntamente com a tampa. -Agora temos que ficar realmente tranquilos, ok? - Eu disse a ambos os rostos animados. Eu não podia deixar de sorrir como eles pareciam, inclinados para a frente, na ponta dos pés através da grama depois de mim. Elsie estava rindo também, mas eu podia ver em seu rosto que ela estava tão animada quanto eles. Eu tinha prometido a ela esta viagem anos atrás, mas o meu jogo de futebol para os Seahawks e seu trabalho sempre ficaram no caminho. Isso tinha nos levado alguns anos para cicatrizar completamente e alcançar os nossos sonhos, mas foi bom. Nós tínhamos visto o mundo juntos, e todos os anos nos apaixonamos mais profundamente um pelo outro. Tivemos nossos gêmeos, eventualmente, as duas crianças doces tornaram nossa vida completa, inteira, tudo o que sempre esperamos e sonhamos. Eu tinha me aposentado do futebol este ano, passando a ajudar Austin com a administração dos dois centros a nível nacional. Estávamos ambos levados a fazer mais, para expandir o par de centros que tínhamos. Ambos maridos de esposas que os centros poderiam ter fornecido ajuda, se eles tivessem existido antes.


Eu parei quando chegamos onde os insetos voavam, e Penélope riu ao vê-los voando ao nosso redor. -Papa! Eles têm luzes em suas extremidades! O riso alegre de Jackson por causa da sua irmã cortou o silêncio da noite, e todos nós começamos a rir também, até que os insetos voaram mais alto. -Rápido, peguem seus frascos, - eu instruí. Penelope, Jackson fizeram como pedi. Eu ri para mim mesmo quando Elsie segurou o nosso também. Passando a rede através dos insetos, eu os trouxe de volta para os frascos, colocando de cabeça para baixo, vendo quando alguns insetos desembarcaram em cada frasco. Os olhos de Penelope e Jackson estavam enormes enquanto eles observavam os insetos dançarem nos frascos em suas mãos. -E agora, papai? -, Perguntou Jackson, seus olhos arregalados. Eu podia ouvir o nervosismo em sua pequena voz. -Pegue suas tampas, e quando eu passar a rede, coloque no topo. Sim? - Eu disse e ambos assentiram com a cabeça. -Na contagem de três... um, dois, três! Movi a rede e os gêmeos bateram as tampas na parte superior. Eu apertei eles firmemente para ter certeza que estava bem fechados, e levantei a alça de arame para eles pegarem. No minuto em que colocaram no ar, os vaga-lumes brilharam no vidro, fazendo com que os dois gritassem de empolgação. -Temos frascos de vaga-lumes de verdade! - Penelope gritou e, em seguida, virou-se para mim. -Podemos correr e mostrar a Daisy? Podemos ir mostrar as tias Ally, Molly e Lex e os tios Axe, Aust e Rome? - Balancei a cabeça rindo para a minha filha pronunciando todos que estavam no jardim, enquanto todos nós estávamos de visita na casa de Rome.


-Só não corram muito rápido. Certifique-se de que estamos sempre atrás de vocês -, disse Elsie, e os gêmeos saíram correndo, seus frascos no ar enquanto eles riram em seu caminho de volta para o jardim. Eu olhei enquanto as luzes nos dizia onde eles estavam, quando a mão de Elsie escorregou na minha e ela ofereceu o meu frasco com a outra. Tomei a alça de arame e ergui na escuridão. -O que você acha? - Perguntei quando começamos a caminhar de volta para o jardim, ouvindo os gêmeos gritando por suas tias e tios para virem ver seus frascos. Elsie estava segurando seu pote e deitou a cabeça no meu braço. -Apenas tão bonito como você prometeu que seria. -Bom-, eu disse e deslizei minha mão da dela e coloquei meu braço em volta dos seus ombros. -Embora não seja tão bom quanto o meu frasco caseiro em nossa janela. Eu olhei para ela e franzi a testa. -Você gosta desse antigo frasco com brilho de neon mais do que a coisa real? Elsie deu de ombros. -É a minha coisa real. O frasco que me manteve segura na escuridão por anos. - Ela colocou o braço em volta da minha cintura e aninhou mais perto. -E isso o levou de volta para mim. É o meu frasco, o frasco que me lembra todas as noites de onde viemos. - Ela olhou para mim e sorriu tão amplamente que meu coração inchou. -E quão abençoados somos agora. Verificando que ninguém estava por perto, puxei minha mulher e paramos, eu a segurei em meus braços. Por instinto, ela inclinou a cabeça para cima em direção a minha, à espera de meu beijo. Em segundos eu tinha meus lábios nos dela e ela suspirou quando nossos lábios se moviam contra o do outro. Quando puxei para trás, nós dois estávamos sem fôlego.


-Você ainda é tão bonita como era antes quando fiz para você este frasco todos esses anos atrás,- eu disse a minha esposa e vi como seus olhos se suavizaram no verdadeiro brilho dos vaga-lumes. Ela levantou a mão para correr pelo meu cabelo. -E você ainda é a alma mais doce que já conheci. Vendo o amor que ela tinha por mim em seus lindos olhos azuis, meu coração se derreteu quando ela apertou a palma da mão na minha bochecha e sua testa na minha. Trazendo a minha mão até a bochecha dela, ela sorriu quando nós silenciosamente dissemos que nós amamos. Porque mesmo que Elsie agora tivesse a voz dela, nós dois sabíamos que, às vezes, só às vezes, as palavras eram desperdício. Isso, aqui, era só para nós. Era a nossa melhor expressão de 'eu te amo'. Assim como o nosso pequeno frasco caseiro de vaga-lumes que ainda estava parado na borda de nossa janela, nossa luz que nunca se apagava. E porque tínhamos um ao outro, nós nunca iríamos nos afogar.

FIM

Tillie cole sweet soul pl trt1  
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