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Superar o luto: as atividades socioculturais na intervenção com as pessoas idosas institucionalizadas

Carla Lança – nº170100065 Carla.cristina@Hotmail.com Curso AIS 1º ano Docente: Mário Baía Março 2018


ANIMAÇÃO E INTERVEÇÃO SOCIAL

SUMÁRIO

No âmbito do luto a Animação Sociocultural, tem especial importância ao favorecer estratégias de coping que moderam a influência do stress no indivíduo e que afetam, profundamente, a capacidade de resiliência do sujeito, reduzindo o impacto negativo das perdas. Foi analisada 15 “mini-histórias” de vida de indivíduos com mais de 75 anos de idade, residentes em estruturas residenciais, e que sofreram uma perda emocional profunda por morte do cônjuge, já na idade adulta avançada. 1 Março 2018

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A VELHICE NA CONTEMPORANEIDADE • “obrigações e responsabilidades mudam com a passagem do tempo e fazem com que cada indivíduo tenha de identificar a sua posição e a dos demais, estabelecendo o tipo de relações que com eles pode ter” (Gusmão,2001: 120). • Não se pretende aqui diminuir a importância da idade enquanto aspeto fundamental do viver humano, mas sim enquadrá-la na sua verdadeira dimensão; é uma condição pessoal, que proporciona informação sobre o sujeito, mas que deve ser considerada objetivamente, como qualquer outra variável; de modo análogo, a idade não é, nem pode ser, um aspeto determinante das possibilidades da pessoa (Moragas, 1998; Simões, 1982). 1 Março 2018

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A VELHICE NA CONTEMPORANEIDADE • No estudo do envelhecimento e da velhice é preciso ter em linha de conta, antes de mais, que os aspetos culturais e sociais são tão importantes como os processos biológicos e psicológicos. • A velhice, resultado do processo de envelhecimento, é, na verdade, muito menos biológica e bem mais simbólica, com amplas implicações políticas. • Nos estudos culturais e na animação sociocultural, o envelhecimento é percecionado enquanto processo individual e social, onde as questões de significado social e cultural assumem enorme importância.

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. PERDA E LUTO NA VELHICE: BREVES CONSIDERAÇÕES

• As perdas são fatores importantes de stress, existindo na velhice dois tipos de eventos causadores de stress: os acontecimentos de vida e as situações crónicas stressantes.(Montório e Fernandez (1998)) • O adeus ao cônjuge, a perda da pessoa que se escolheu, amar fere profundamente o cônjuge sobrevivente e “dá uma coloração trágica ao fim da vida” (Levet, 1998: 37). • Sendo o indivíduo um ser social – povoado de sentimentos –, é um ser de relação que encontra no casamento o amparo e a segurança (Rebelo, 2009) 1 Março 2018

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. PERDA E LUTO NA VELHICE: BREVES CONSIDERAÇÕES

• Segundo Machado Pais (2006), ao entrar para a estrutura residencial, para aquela que será, em princípio, a última morada antes da morte, a pessoa idosa é invadida por uma desmesurada sensação de perda. • Na realidade, a institucionalização é um dos maiores fatores de stress na vida das pessoas idosas (Afonso, 2012; Moragas, 1998),pois implica a separação dos entre queridos, “os rituais de internamento constituem marcos angustiantes de perda. • A viuvez e a institucionalização destacam-se como sendo dois dos principais fatores de stress intenso na vida das pessoas idosas (Afonso, 2012; Lima e Gail, 2011) 1 Março 2018

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O QUE É O LUTO?

• O luto é o processo que decorre entre a perda e a reabilitação para a vida e que exige um período de demora, o denominado tempo do luto. • É um processo penoso, onde o enlutado deve libertarse dos laços de vinculação que mantinha com a figura. • Envolvido numa teia de relações sociais e culturais, o luto é, assim, um processo de reação a uma perda com significado profundo, que pode prolongar-se no tempo e com intensidades diferentes (Combinato e Queiroz, 2006). 1 Março 2018

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ESTRATÉGIAS DE COPING

• As estratégias de coping moderam a influência do stress no indivíduo e influenciam, profundamente, a capacidade de resiliência do sujeito: “no caso dos idosos, parece observar-se uma tendência para se ativarem estratégias de coping capazes de reduzir o impacto potencialmente negativo de mudanças e perdas na velhice” (Afonso, 2012: 164). • As estratégias de coping não são lineares e a resiliência pode manifestar-se e desenvolver-se de variadas formas, dependendo do universo cultural dos indivíduos (Parkes, 1998; Twycross, 2003; Santos e Encarnação, 1998). 1 Março 2018

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O ESTUDO: METODOLOGIA

• No estudo tentamos compreender como é que as atividades culturais, promovidas pela animação sociocultural, favorecem a reconstrução identitária da pessoa idosa institucionalizada na superação de perdas emocionais profundas. • Deu-se especial relevância aos significados profundos dos comportamentos que se constroem no contexto das interações entre os sujeitos, mediados por esquemas culturais e representações sociais diversas. • Foram usadas as técnicas clássicas de análise documental, bem como a observação direta e o inquérito por questionário. 1 Março 2018

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O ESTUDO: METODOLOGIA

• Contudo, foram as “mini-histórias” de vida (O’Neill, 2009), realizadas a quinze pessoas idosas residentes em quatro estruturas residenciais de apoio a pessoas idosas da região de Leiria. • O estudo teve como principal objetivo compreender como é que as atividades culturais, podem auxiliar na reconstrução identitária da pessoa idosa institucionalizada após uma perda emocional significativa, especialmente a morte do cônjuge. • Para o estudo foram convidadas a participar todas as pessoas idosas que perderam o cônjuge após os 65 anos e que se enquadrassem num dos dois critérios: cuja perda já tivesse ocorrido na instituição; ou, cuja perda tivesse sido a causa da institucionalização. 1 Março 2018

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A ADAPTAÇÃO À PERDA

Com efeito, não raras vezes, o ambiente institucional inibe substancialmente a autonomia da pessoa idosa, levando-a a desligar-se do mundo e da realidade, assim como da sua história e da sua identidade.

• A perda do companheiro de vida fere abissalmente o cônjuge sobrevivente e quando este ingressa numa estrutura residencial está num estado emotivo de tal forma frágil que carece, acima de tudo, de um ambiente familiar. 1 Março 2018

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A CULTURA E A ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL COMO ESTRATÉGIAS DE RESILIÊNCIA

• Animação sociocultural facilita a capacitação dos indivíduos e a mobilização das competências pessoais para o seu bem-estar e qualidade de vida. • O técnico de animação proporciona espaços e atividades que dão origem a relacionamentos interpessoais mais significativos, que ajudam a fomentar redes de socialização ancoradoras da descoberta do significado da vida pessoal e social de cada um.

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A CULTURA E A ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL COMO ESTRATÉGIAS DE RESILIÊNCIA

• O trabalho do animador sociocultural é importante no caso dos sujeitos que não possuem, de antemão, um conjunto de aptidões cognitivas, sociais e culturais que lhes permitam, por sua própria iniciativa, desenvolver este tipo de estratégias. • O técnico de animação parece ter um papel fundamental na estruturação deste tipo de atividades e no favorecimento da apropriação dos instrumentos necessários para que os sujeitos possam protagonizar, através das atividades de animação sociocultural, verdadeiras experiências de reconstrução identitária. 1 Março 2018

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CONCLUSÃO

• A animação sociocultural, especialmente em contextos de institucionalização de pessoas idosas, é uma estratégia de suma importância que defende a qualidade de vida e o bem-estar, o direito à emancipação cultural, social e pessoal dos indivíduos em busca da sua identidade. • Identifica as práticas culturais nas quais se configuram e desenvolvem as experiências significativas e procura estratégias e atividades que vão ao encontro das necessidades individuais e coletivas reconstruindo as histórias pessoais, institucionais e/ou comunitárias de quem as protagoniza. 1 Março 2018

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Cultura e Participação: Animação Sociocultural em Contextos Iberoamericanos • RIAP - Associação Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural – Nodo Português

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