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SUPLEMENTO INFANTIL DE A TARDE. NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

SALVADOR, SÁBADO, 25 DE DEZEMBRO DE 2010

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ANO 6

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Nº 272

EDITORA-COORDENADORA: NADJA VLADI / ATARDINHA@GRUPOATARDE.COM.BR

É TUDO POESIA

Inspiradas em poetas brasileiros, crianças produzem saraus literários com seus versos preferidos e inventados PÁGINAS 4 E 5

Jaianne de Jesus, 12, Jennie de Jesus, 9, e Loanna Kamille Silva, 10, fazem parte do grupo MundoDiversos, que se reúne na Biblioteca Comunitária do Cabula, em Salvador

Foto de Walter Carvalho com arte de Mauro Girão e Túlio Carapiá


SENTIDO

POÉTICO

É para escrever, recitar, interpretar ou sentir. Poemas têm palavras que guardam percepções, ideias e experiências de quem os criou e de quem leu

DANIEL MARQUES

Se as palavras fossem barro, a poesia seria escultura e recitar seria passar a mão por ela, tentando descobrir cada curva e forma. "Eu pensava que poesia era só uma frase, mas aí vi que era um tipo de literatura muito especial", disse Felipe Campos, 9, que há um ano participa do Sarau Bem Legal, na Biblioteca Monteiro Lobato. Para Luisa Gonçalves, 9, o que os poetas fazem é "mais que um modo de expressão, é algo que dá pra você sentir".

Sentir e compartilhar. Recitais de poesia são encontros para declamar (falar apenas ou interpretar) poemas. Clara Barreto, 9, gosta dos versos do paulista Sérgio Vaz. Vingança é o preferido dela para recitar: "A vingança/ tem seu lado bom/ se usada como convém. / Por exemplo: / se alguém disser que te ama/ vingue-se dele / ame-o também", declamou orgulhosa. AS PALAVRAS E AS COISAS

Daniel Fernandes, 12, acredita que "poesia é feita pra todo mundo ler". Assim como Felipe. “Uma pessoa faz uma

poesia e outra a lê, declama. Uma história em um livro é para ler só, pessoalmente. Claro que tem gente que lê para outras pessoas". Apesar de não lembrar de cabeça dos versos que já escreveu, Jaianne de Jesus, 12, do grupo MundoDiversos, sabe de cor Ou isso ou aquilo, da carioca Cecília Meireles. Assim como no poema, Jaianne tem dúvidas, mas as dela não são sobre o que fazer no dia, são sobre o que é poesia? "É o que a gente pode sentir. Hum... não sei, acho que poesia é tudo".

TRANSFORMANDO EM PORTUGUÊS Traduzir poemas é bem difícil. Para que o Old Possum's Book of Practical Cats, de T. S. Eliot, fosse transformado em Os Gatos (Cia. das Letrinhas, 2010, R$ 34), Ivo Barroso precisou buscar expressões em português que fossem fiéis à ideia do poeta inglês e ainda assim fizessem sentido para a gente ler aqui no Brasil. “Fiz o poema em uma outra língua”, disse Ivo. “Tudo depende do jogo de cintura do tradutor”.

Para Alípio Correia de Franca Neto, para traduzir uma obra é preciso entender quais são as regras de cada texto. Seu ritmo, o tamanho das palavras e as rimas. Ele traduziu Timmy, the tug para Marco, o barco (Cosac Naify, 2010. Autor: Ted Hughes. R$ 45) “Traduzir poesia envolve uma dupla aptidão: a capacidade de leitura e de escrita do tradutor.”, analisou. “Só traduz poesia, quem lê poesia”.

QUER MAIS? Saiba o que é métrica, rima, aliteração e outras regras e técnicas para fazer poemas Poesia Ensinada aos Jovens. Autor: Ivo Barroso / Editora Tessitura / R$ 18)

Recite poemas de alunos da escola Carneiro Ribeiro

Autores em outros Autores. Em bibliotecas municipais de Salvador e na Escola Classe II, em Pero Vaz

Para conhecer o trabalho do Sarau Bem Legal ligue para a Biblioteca Monteiro Lobato (3117-1570). Se quiser recitar com o MundoDiversos, procure a Biblioteca Comunitária do Cabula (3498-0936)

Estava perdido/ num lugar sem sentido/ Casas vazias / nas paredes não tinham quadros / pois só tinham tapetes / Casas estranhas eu dizia / mas nesse mundo / nenhum sentido fazia

“A poesia é mais criativa que só o livro. Ela é inventada por várias pessoas. E um livro é só por uma pessoa. Tipo assim: uma pessoa faz uma poesia e a outra relê, declama. E só o livro, é só ler pessoalmente.”

(Mundo Invertido, Daniel Fernandes)

eu / quando olho nos olhos / sei quando uma pessoa / está por dentro / ou está por fora / quem está por / fora / não segura / um olhar que demora / de dentro de meu centro / este poema me olha

Beijo pouco, falo menos ainda./ Mas invento palavras / Qu Que traduzem a ternura mais funda fu / E mais cotidiana. /Inventei, /Inventei por exemplo, o verbo teadorar teadorar. / Intransitivo: / Teadoro, Teo Teodora (Neologismo, Manuel Bandeira)

(Eu, Paulo Leminski)

Vim pelo caminho difícil,/a linha que nunca termina / a linha bate na pedra, / a palavra quebra uma esquina mínima linha vazia,/ a linha, uma vida inteira, / palavra, palavra minha. (Caminho difícil, Paulo Leminski)

Israel Lima, 9

4e5

SALVADOR, SÁBADO, 25 DE DEZEMBRO DE 2010

Lúcia Gonçalves, 11

Sara Bem Legal, e Allan de Barros, do MundoDiversos. Fotos: Erik Sales e Mila Cordeiro / Ag A TARDE / Intervenção sobre grafites expostos no Sarau Bem Legal / Arte: Mauro Girão e Túlio Carapiá Agradecimentos a Nelson Maka, do Sarau

Daniel Fernandes, 12

Felipe Campos, ampos, 9

Jamile Rezende, 9

Poesia  

Para ler, declamar e publicar. Texto de Daniel Marques, fotos de Erik Sales e Mila Cordeiro. Arte de Túlio Carapiá e Mauro Girão

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