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Salvador, SÁBADO, 15 de agosto de 2009

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Ano 5

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n° 201

EDITORA-COORDENADORA | Simone Ribeiro EDITORA | Carla Bittencourt

IRACEMA CHEQUER | AG. A TARDE | ARTE BRUNO AZIZ

SUPLEMENTO INFANTIL DE A TARDE. NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

Diego Tedesco, 11, acha difícil lidar com números

a t n o C ! a r t u o

ode virar p la o c s e a d o O bicho-papã o a matemática é nd diversão qua parte do dia-a-dia o ensinada com

Páginas 4 e 5


4e5

Os números

IRACEMA CH EQUER

| AG. A TARDE

Salvador, SÁBADO, 15 de agosto de 2009

A matéria que tem fama de chata e difícil pode ser aprendida com brincadeiras

Jogar futebol r pode se uma cia experiên ica t matemá

regras de jogos como futebol. Mas, sem perceber, usa a fração (ou divisão) para brincar. A fração diz quantas vezes um número cabe dentro do outro: se Diego tem dez colegas para montar dois times, ele precisa dividir 10 por 2 (ou 10/2), e saber que serão 5 jogadores de cada lado. NÚMEROS – Se os cálculos estão em todo lugar, por que parecem difíceis? Suzeli Mauro, que pesquisa história e ensino da matemática, acredita que o problema é o jeito de ensinar. Ela defende que a escola respeite: cada criança tem a sua forma de entender o mundo. Jorlaine Silva, 11, aprendeu a somar e diminuir vendo o padrasto, cobrador de ônibus, trabalhar. Este ano, ela teve

Na cantina, Vitória Facó, 9, aprende a somar e dividir

dificuldade com divisão e multiplicação. Não resolvia nem na banca. Só quando a professora do Colégio Estadual Zumbi dos Palmares passou atividades com folhetos de supermercado (com os preços dos produtos), a coisa ficou mais fácil. LÍNGUA – Não dá para culpar apenas a forma como as escola ensinam, disse a pedagoga e psicóloga Leonor Guimarães. “É como se fosse outra linguagem. O bom ensino facilita, mas nem todos gostam de todas as línguas”. Mesmo sem tanto interesse pela “língua dos números”, Maria Isabel Santos, 11, aluna do colégio Resgate, tem boas notas. “Quero ser veterinária. Acho que a matemática vai me ajudar a entender os resultados dos exames”. É no bolso que Vitória Facó, 9, sente a necessidade de saber bem as quatro operações (somar, diminuir, dividir e multiplicar). Ela participa da cantina alternativa do colégio Miró. Toda quarta-feira, os pais compram lanches e os filhos vendem, no recreio. “Fizemos uma pesquisa em todas as salas para saber o lanche preferido”.

O homem crio cálculos para u os coisas e divid trocar ir terras HAROLDO ABRANTES | AG. A TARDE

Leonardo Palmeira, 10 (de laranja) e seus colegas usam material reciclado para aprender matemática

A PASSEIO PEL HISTÓRIA Primeiros números

Matemática ajuda a interpretar

. A TARDE

A matemática está em tudo: na compra e venda, no tempo que você pode dormir a mais sem se atrasar para a aula, na quantidade de texto que cabe nesta página. Mesmo assim, a matéria

parece complicada para Diego Tedesco, 11, aluno do Colégio Ideal Senior. Principalmente fração. “Nem sei como usar isso fora da escola”. É difícil lidar com números, ainda mais quando estão um em cima do outro. Diego gosta é de educação física. Nas aulas, ele aprende

ABRANTES | AG

rargolo@grupoatarde.com.br

FOTO HAROLDO

RONNEY ARGOLO

Fernando Marques, 11, aperfeiçoou os cálculos na feira de miudezas da escola

Quando precisa de alguém para ajudar os outros alunos com cálculos complicados, a professora Luciana Rebouças chama Leonardo Palmeira, 10, da 3ª série da Escola Metodista Susana Wesley. Para Leonardo, era difícil fazer as quatro operações (somar, multiplicar, diminuir e dividir). Ele aprendeu em um campeonato de boliche que participou na escola, analisando a contagem dos pinos e o placar dos jogadores. “É essencial saber fazer bem as quatro operações e interpretar corretamente os problemas”, diz o especialista em ensino da matemática Manuel Alexandrino".

ENTENDER – Interpretar é entender o que está sendo pedido. Saber português pode ajudar na matemática. O colégio Miró, onde estuda Fernando Marques, 11, misturou as duas matérias. Em 2008 ele fez, com os colegas, uma feira de borrachas, grafites e pequenos objetos escolares. Com o lucro, montaram um livro com os textos feitos nas aulas de redação. A regra era não passar do limite de dinheiro conseguido. Para isso, calculavam todas as decisões. “Tinha que ver se ia encarecer muito ser colorido ou não, quantas páginas teria, checar os orçamentos das gráficas".

Não há um responsável pela invenção da matemática. Os números mais antigos são de 25 mil anos antes de Cristo, antes da invenção da escrita (4 mil aC).

Romanos A forma romana de contar era a mais popular até o século mil. Mas escrever um número maior que um milhão, por exemplo, poderia tomar uma folha de caderno. Um cálculo simples como 148 + 17 era escrito CXLVIII + XVII.

Indo-arábicos Os nossos símbolos (1,2,3...) e sistema de numeração (unidade, dezena, centena, milhar...) são bem mais práticos e econômicos. Foram criado por hindus e popularizados pelos árabes, por volta do século VI. São chamados de algarismos indo-arábicos por isso. Fontes | Francisco César Polcino e Suzeli Mauro, especialistas, em história da matemática


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