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“Alterações Climáticas, um desafio para a Europa”

Mobilidade à Macedónia e a Bruxelas

Euroscola, Parlamento dos Jovens e Juvenes Translatores

Dia Internacional dos Direitos Humanos, Dia Europeu das Línguas e Dia Europeu do Desporto Escolar

// CHÁ EUROPEU ISABEL CARVALHAIS I Nº1 | OUT-DEZ 19


AECCB FICHA TÉCNICA

Diretor Coordenadores

Colaboradores

Carlos Teixeira André Nogueira Carla Machado Elisa Costa Alberto Mahomedov Bernardo Oliveira Carolina Alves

O Jornal Europeu AECCB é uma iniciativa do Clube Europeu e Escola Embaixadora do Parlamento Europeu do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco

CONTACTOS Rua Padre Benjamin Salgado, 4760-412, Vila Nova de Famalicão 252 501 390 | escolaembaixadorapeaeccb@gmail.com www.eepe.aeccb.pt Jornal Europeu AECCB

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ATIVIDADES

III CHÁ EUROPEU Organizado pelos alunos do Clube Europeu e Escola Embaixadora do Parlamento Europeu da ESCCB, em VNF, com a parceria do CIED Minho, sobre o tema “Alterações Climáticas, um desafio para a Europa”, decorreu o 1.º Chá Europeu do ano letivo 2019/2020! O painel contou com a presença do Diretor do AECCB, Carlos Teixeira, a Eurodeputada, Isabel Carvalhais, o Diretor da Casa de Ciência de Braga, João Vieira, o Chefe de Divisão do Ambiente, Pedro Fonseca e o Biólogo, Vasco Flores. As intervenções foram moderadas pela Coordenadora do Clube Europeu e Escola Embaixadora do Parlamento Europeu, Carla Machado. O evento iniciou-se com a aluna Eduarda Pacheco, na voz e guitarra, com o tema dos Imagine Dragons, ‘Radioactive’, seguindo-se a apresentação do grupo de dança ‘Kamilians’, com o tema de Billie Eilish, ‘Lovely’. Os convidados intervieJornal Europeu AECCB

ram de acordo com o tema estabelecido, seguindo-se a participação do público e gerando-se um debate em torno das questões que estão na ordem do dia, as alterações climáticas e a Europa. “Isabel Estrada Carvalhais, deputada do Parlamento Europeu (PE), defendeu que a alteração climática ‘é um problema com uma abrangência transversal nas sociedades’, lembrando os milhões de refugiados que provoca e cujo número aumenta todos os anos. A eurodeputada socialista referiu que ‘só em 2018, surgiram mais 17 milhões de deslocados no mundo por circunstâncias ambientais, dos quais 16 milhões devido a comportamentos extremos do meio do ambiente’, o que, no seu entender, ‘atesta a intensificação destes fenómenos e o seu impacto sobre os movimentos migratórios.’ Isabel Carvalhais lembrou o Pacto Global para as Migrações, assinado em Marrocos em dezembro de 2018, por 164 Estados – um total que se explica pelo facto de o pacto não ser vinculativo.

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ATIVIDADES Neste pacto das Nações Unidas, ‘as alterações climáticas são reconhecidas como uma forte causa das migrações’, o que, para Isabel Carvalhais, é um reconhecimento da expressão ‘refugiados climáticos’. Na parte de perguntas e respostas, Isabel Carvalhais não deixou de assumir ‘a responsabilidade dos decisores políticos nas mudanças necessárias’, embora, reconheça que ‘as sensibilidades são muitas vezes díspares dentro da própria União Europeia, o que acaba por resultar nalguma falta de solidariedade nas deliberações’. Contudo, realçou que, ao longo dos tempos, o PE tem revelado uma preocupação crescente com as questões ambientais, como se vê na aprovação no passado dia 23 de uma resolução em que o PE defende um acréscimo de dois mil milhões de euros no orçamento de 2020 para o ambiente, em relação à proposta inicial da Comissão Europeia.” (In Jornal Vilaverdense)

O evento contou com a colaboração inestimável dos Cursos Técnicos de Audiovisuais e Restauração na organização do som, captação fotográfica e em vídeo, assim como no chá final.

Dia Europeu das Línguas Alunos da ESCCB, em VNF, comemoraram o Dia Europeu das Línguas, juntando-se ao aniversário do BabeliUM, Universidade do Minho, em Braga. Foram recebidos por Bernhard Sylla, Diretor do Centro de Línguas da Universidade do Minho, BabeliUM, e Jaime Costa, Coordenador dos Cursos de Línguas Estrangeiras, do BabeliUM, seguindo-se atividades lúdico-pedagógicas em Alemão, Árabe, Italiano e Russo.

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No final das atividades, houve lugar a um concurso com a atribuição de 3 vales equivalentes a Cursos de Língua Estrangeira de 30 horas. Todos os prémios foram atribuídos a alunos da ESCCB, do 11ºE: Francisca Peixoto Mirra, Ângela da Costa Teixeira e Castro e Beatriz Batista Oliveira. A saga da ESCCB continuou com almoço na cantina da U. M., e ainda, os alunos assistiram à apresentação dos cursos do Departamento de Ciências.

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Dia Europeu do Desporto Escolar

Assinalou-se no dia 27 de setembro o “Dia Europeu do Desporto na Escola”, evento integrado na “Semana Europeia do Desporto”, que se realiza na última semana de setembro. Esta iniciativa teve início em 2015, e desde aí que se tem verificado um aumento exponencial do interesse da comunidade, no caso escolar, em praticar e experimentar diferentes modalidades desportivas. E porque o desporto é necessário ao bem-estar físico e mental de

cada um de nós, especialmente aos jovens em idade escolar, pois é nesta fase que adquirem as bases da sua literacia motora e adotam hábitos de vida saudáveis, os professores de Educação Física comemoraram o dia com uma mostra de algumas das modalidades praticadas em Desporto Escolar. A colaboração do Desporto Escolar na dinamização da Semana Europeia do Desporto Escolar permitiu já que 187.500 alunos de

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375 agrupamentos de escolas estivessem envolvidos e participassem em atividades, que promoviam a oferta desportiva das escolas, junto dos alunos e respetivas famílias, como incentivo à aquisição de hábitos de vida ativa e saudável. O Desporto Escolar no AECCB pratica-se e recomenda-se. A aposta é no desenvolvimento integral do aluno, de modo a catapultá-lo para um futuro brilhante!

Ações de Apelo ao Voto Entre 1 e 4 de outubro, o Clube Europeu fez a divulgação do programa, atividades e apelo ao voto para as eleições legislativas nas diversas turmas da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. Foram colaboradores os embaixadores: André Nogueira, Beatriz Osório, Beatriz Barbosa, Débora Sá, Mafalda Morais, Bárbara Alves, Bernardo Oliveira, Inês Moreira, Rita Costa, Francisca Paredes, Adriana Almeida, Ana Ferreira, Ana João, Sofia Oliveira, Francisca Leite, Maria Ribeiro, Leonor Silva, Carolina Alves, Alberto Mahomedov, Paulo Leal, Gonçalo Martins, Maria Coelho, Rita Cortinhas, Inês Lourenço, Mafalda Frutuoso, Ana Pinto e Inês Silva.

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Dia Internacional dos Direitos Humanos 10 DEZ

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Dia Internacional dos Direitos Humanos No dia 13 de dezembro, foi celebrado, na ESCCB, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Este dia foi recheado de atividades preparadas pelo Clube Europeu, a fim de sensibilizar os Camilianos para a temática. Pudemos assistir a um teatro e a uma exposição de letras humanas no átrio da escola, uma reportagem sobre o holocausto, no circuito de TV interno (RTP Ensina), uma conferência e uma exposição de arte na biblioteca. A conferência realizou-se no auditório da escola, onde pudemos aprofundar o tema, passando pela música, a cargo da aluna Eduarda Pacheco, pela história, através de uma breve contextualização do dia apresentado por três jovens embaixadoras, a Carolina Alves, a Leonor Silva e a Maria Azevedo, e por fim, pelo testemunho de duas voluntárias em África, a Catarina Mendes e a Marina Dias, ao abrigo da ONG Sopro e de um oficial comando, Emílio Gomes, em tempo de guerra. Ao longo do dia, foi indispensável o apoio dos alunos do Curso Técnico de Audiovisuais (11.º ano), que fizeram cobertura de todas as atividades. André Nogueira, 15/12/2019 Jornal Europeu AECCB

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União Europeia: Passado, Presente e Futuro

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Cada um de nós pode ser (mais) cidadão! Neste âmbito, a ESCCB recebeu José Ricardo Sousa, em representação do Cied Minho, no dia 6 de novembro. Estiveram presentes, nas sessões, alunos e professores embaixadores e curiosos do 6.º ao 12.º anos. Foram debatidos assuntos sobre a UE e as principais prioridades da nova Comissão Europeia para os próximos 5 anos. A Escola Embaixadora do Parlamento Europeu do AECCB continua empenhada na cidadania mais ativa!

“A Física do Big Bang” e “A Física da Atmosfera e do Aquecimento Global” Uma das 6 prioridades da Comissão Europeia, para o mandato 2019-2024, é ‘A European Green Deal, Striving to be the first climate-neutral continent’. Este é um compromisso que só poderá ser bem-sucedido se as instituições europeias e os Estados-membros se comprometerem com objetivos e estratégias, mas também exige o envolvimento de todos os cidadãos. O AECCB organizou diversas palestras, a fim de consciencializar docentes e discentes para a problemática da sustentabilidade ambiental, nomeadamente sobre as alterações climáticas. As sessões destinaram-se a alunos do ensino secundário e foram dirigidas pelo investigador Carlos Martins, da Universidade do Porto.

O Cinema Europeu Sessão com Ângela Sequeira - Assistente de Direção de Cinema. Conhece a Europa Criativa? É o programa da União Europeia de apoio aos setores cultural e criativo. O programa tem uma duração de 7 anos (2014–2020) e um orçamento de 1.4 mil milhões de Euros. Entre as diversas formas de arte e cultura apoiadas, o cinema ocupa um papel muito importante. O cinema europeu destaca-se das tradicionais narrativas americanas, uma vez que apresenta narrativas mais fragmentadas, correspondendo às complexas realidades sociais, e aborda de forma Jornal Europeu AECCB

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mais criativa e inovadora a questão da interculturalidade, fazendo jus ao lema "Unidos na diversidade". Ângela Sequeira deu a conhecer os meandros do Cinema Português e Europeu e o que cada um faz no complexo mundo cinematográfico. "Todos os diretores que conheci adoraram trabalhar com os Portugueses! Nós conseguimos fazer tudo!"

AECCB promove formação internacional Erasmus+

ERASMUS +

Ao longo de 3 dias, parceiros do projeto “Mais participação democrática, mas cidadania ativa”, coordenado pelo AECCB, uma parceria estratégia escolar Erasmus+, entre Portugal, Lituânia e Espanha, reuniram-se em Frankfurt, Alemanha, para conhecer os respetivos sistemas educativos, definir estratégias comuns de trabalho, discutir e planificar a implementação do projeto e concertar estratégias de monitorização, disseminação e divulgação das atividades. Este projeto destina-se a alunos e professores do ensino secundário, e, para além das mobilidades físicas a Bruxelas, Estrasburgo e aos países parceiros, implementará diversas atividades de cooperação digitais, em linha com a estratégia digital da União Europeia para a educação. Com o projeto “Mais participação democrática, mas cidadania ativa” pretende-se reforçar os mecanismos escolares e territoriais de participação de alunos e professores e uma melhoria dos perfis de cidadãos ativos, ao nível escolar, local, nacional e internacional, contribuindo para um futuro comum mais qualificado.

Eleição do logo do projeto Erasmus+ “Mais democracia participativa, mais cidadania ativa” A proposta de Margarida Cunha, aluna do AECCB, sagrou-se vencedora, entre 9 propostas finais das 3 escolas parceiras de Portugal, Espanha e Lituânia. Cerca de 400 alunos dos 3 países participaram nesta eleição, e o logo vencedor colheu a larga preferência dos estudantes. Na sua elaboração, a Margarida inspirou-se na ideia de união Jornal Europeu AECCB

por um futuro mais responsável e consciente das suas ações. Colocou, na base, mãos de diferentes cores para simbolizar as diferentes comunidades culturais, subjacentes ao mapa da Europa e do Mundo, de modo a transmitir a ideia de que cada um de nós, não importa a sua origem, tem a capacidade de dar o seu contributo para um mundo www.eepe.aeccb.pt


ERASMUS +

melhor, fazendo jus à frase “Temos o mundo nas nossas mãos”. Com uma cruz, assinalou a localização de cada uma das escolas envolvidas no projeto, de modo a que, de forma discreta, o logótipo ganhasse personalidade e identidade. Além do nome do projeto, em lugar de destaque colocou a palavra Erasmus+,

que chama a atenção para o enquadramento e valor deste projeto. Parabéns Margarida Cunha, por transportares para um símbolo, de forma clara e criativa, os desígnios do programa Erasmus+ e deste projeto em particular: agir no quadro de uma cidadania local, nacional, europeia e global.

Erasmus+: AECCB na Macedónia

Na semana de 11 a 19 de outubro, a Escola Camilo Castelo Branco esteve envolvida num projeto Erasmus+, com destino à Macedónia do Norte. Na companhia dos professores Sérgio Martins, Elisa Costa e Ricardo Ferreira, os alunos Carolina Sousa, Gonçalo Martins, Mafalda Morais, Raquel Dias, Jornal Europeu AECCB

Sandra Araújo e Rui Teixeira dirigiram-se para a sua primeira paragem: Frankfurt. Lá, visitaram o centro histórico da cidade, com especial destaque para a Praça Römerberg, o centro da parte antiga da cidade, onde se destacam as vivendas de madeira, que pertenciam,

em séculos passados, às associações de artesãos e comerciantes. Nesse mesmo dia, embarcaram num voo para a capital da Bulgária, Sófia, onde permaneceram dois dias. Entre os vários locais visitados, pode-se destacar a ida de teleférico à Montawww.eepe.aeccb.pt


nha Vitosha, seguida de uma visita cultural ao centro onde, pela visita aos seus edifícios religiosos, contactaram com as quatro principais religiões, aproveitando, ainda, para conhecer as ruínas do Anfiteatro Serdika. Ao fim de dois dias, já na longa ida de autocarro para a Macedónia, puderam, também, explorar a beleza do Convento e Mosteiro de Rila, horas antes de chegarem à cidade onde ficariam hospedados, juntamente com os alunos provenientes da Turquia e dos Açores. Durante os cinco dias de estadia em Kavardaci, tiveram a oportunidade de trabalhar em grupo, conviver com diferentes culturas e descobrir os costumes e atrações que o país tem

para oferecer. Assim, os alunos aproveitaram visitas conjuntas a Escópia e Ohrid, a par de uma ida à National Opera & Ballet, à Mesquita, ao monumento histórico Kosturnica, ao Instituto e Museu Bitola (antiga escola e, posteriormente, academia militar), à Baía dos Ossos (uma baía no lago Ohrid e sítio arqueológico de assentamento pré-histórico na península), entre muitos outros locais. Todas estas atividades permitiram uma apropriação histórica e cultural da Macedónia e criar laços com os outros participantes do projeto Erasmus+. Para concretizar um dos principais objetivos da viagem, no penúltimo dia, os alunos foram convocados à escola da ci-

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dade para a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos mesmos sobre os seus países de origem, tendo ficado não só a conhecer o património da Macedónia como também dos Açores e da Turquia. O dia finalizou com um jantar conjunto, seguido da entrega de diplomas a cada aluno e professor participantes, no qual os grupos se despediram afetivamente uns dos outros. Assim terminou a viagem destes alunos, marcada por muitos momentos de aprendizagem, convívio e diversão, cumprindo o lema Erasmus+: Abrindo mentes, mudando vidas.

Camilo no Parlamento Europeu

Entre 29 de novembro e 4 de dezembro, nove alunos da Escola Secundária Camilo Castelo Branco e os seus parceiros lituanos e espanhóis participaram

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na primeira mobilidade internacional do projeto Erasmus+ “+Democracia Participativa, + Cidadania Ativa”.

Como escola coordenadora, a Camilo mobilizou estudantes e professores para aprender e promover práticas democráticas e de identificação com os

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valores europeus nomeadamente a paz e a cooperação. Os participantes puderam visitar o Museu Casa da História Europeia e, em equipas multinacionais, e com recurso a novas tecnologias digitais, refletir acerca da construção do projeto europeu. No Parlamentarium, além da visita interativa sobre a história da União Europeia, desempenharam o papel de deputados num role-play sobre a diretiva solidária da água e a da identificação pessoal. Integrados em

diferentes grupos políticos, os jovens puderam propor uma lei, negociar, argumentar e fazer votações em torno do uso racional da água e do uso do chip de identificação pessoal. Da mobilidade constou ainda um dia de visita ao Parlamento Europeu, onde foi possível conhecer os diversos espaços e ter um encontro com os Eurodeputados Sandra Pereira de Portugal, Bronis Ropè da Lituânia e Maria Izaskun de Espanha. Diversas outras atividades marcaram esta semana de intensas

aprendizagens: visitas culturais, um peddy-paper sobre os pais fundadores da União Europeia e trabalho colaborativo sobre a guerra e a paz, um flashmob sobre a paz, músicas e cantares tradicionais dos três países. Com este projeto pretendese capacitar os participantes para que desempenhem um papel mais ativo enquanto cidadãos europeus, atuando nos diversos contextos de trabalho e de vida, mas também pensando os problemas e as soluções a nível global.

OportUNIDADES Erasmus+ e INCLUSÃO Falar de aprender e ensinar alunos com e sem necessidades educativas especiais é falar de uma multiplicidade de estratégias, de formas e de olhares. Brandão (2005) releva que “Olhando de perto e de dentro, podemos pensar que ninguém ensina ninguém, porque o aprender é sempre um processo e é uma aventura interior e pessoal. Mas é verdade também que ninguém se educa sozinho, pois o que eu aprendo ao ler ou ao ouvir, provém de saberes e sentidos de outras pessoas. Chega a mim através de trocas, de reciprocidades, de interações com outras pessoas”. Neste

contexto “aprendente” e de “ensinagem” destaco os projetos Erasmus+ e os projetos eTwinning como oportunidades de capacitação em contexto e pelo contexto. Isto porque, através dos Jornal Europeu AECCB

projetos Erasmus+ e projetos eTwinning, os alunos com Necessidades Educativas Especiais têm oportunidades de capacitação e de desenvolvimento acima e além, no espaço de aprendizagem internacional e com metodologias ativas e interativas, de cooperação, colaboração e inclusivas.

O AECCB, reconhecido pelo seu trabalho inovador na área das necessidades educativas especiais e como escola inclusiva, iniciou o desenvolvimento de projetos Erasmus+ em 2015, com o envolvimento de alunos com Necessidades Educativas Especiais. Tratou-se de um modo de envolvimento do AECCB na sua internacionalização e de um processo de aprendizagem contínuo, em contexto, em colaboração com outros pares, com

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outras culturas, línguas e saberes. Envolveu a comunidade educativa, mais de 40 professores e

mais de 50 alunos e suas famílias. Colocou em mobilidade 16 alunos e 16 professores. Foi um sucesso!

Yes We Can: Above and Beyond É um sucesso, que se está a repetir com o atual projeto Erasmus+ “Yes We Can: Above and Beyond”! Neste momento, com o envolvimento de mais de que 90 professores, 230 alunos, famílias e comunidade educativa desenvolvem-se competências de autonomia, autorregulação, autodeterminação e, sobretudo, a capacitação de alunos com Necessidades Educativas Especiais.

A atual parceria com as escolas de Schule am Bienwaldrind, de Berlim, Alemanha e Medicinska skola Beograd, de Belgrado, Sérvia consubstancia os momentos formativos, com partilha de informação em três áreas específicas: Dificuldades intelectuais (DI), pela escola alemã, reconhecida

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como a maior escola de Berlim na resposta a alunos com DI; Deficiência visual, pela escola sérvia, uma das mais antigas e mais procurada escola profissional da Sérvia, nas áreas da educação de infância, enfermagem pediátrica, técnicos de fisioterapia, massagistas e profissionais de saúde, para além da longa tradição e rica experiência na educação inclusiva de alunos cegos e com deficiência visual; e o AECCB, na exemplificação das suas práticas e experiência no que diz respeito ao caminho para uma Escola Inclusiva. Até ao momento, as práticas educativas inclusivas agregam o cunho de um trabalho colaborativo com escolas da Polónia, Reino Unido, Alemanha e Sérvia. Na prática é imponente a capacidade de audácia e de adaptação dos alunos na aprendizagem ativa, de uma língua comum, num misto da palavra em inglês e o gesto (universal), e no envolvimento e desenvolvimento da capacitação do uso das tecnologias. O AECCB congratula-se, pois, de fazer o caminho de uma escola inclusiva num processo de internacionalização das aprendizagens que potencia o trabalho com alunos com deficiência metamorfoseando-o num trabalho de eficiência.

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Concurso «Euroscola – Portugal Europeu» – 2019/2020

Esta iniciativa, do Gabinete de Informação do Parlamento Europeu em Portugal, tem como objetivos contribuir para a formação de uma consciência europeia junto dos alunos que frequentam o ensino secundário regular e o ensino profissional e informar acerca das possibilidades que lhes oferece a sua cidadania europeia, bem como sobre o papel que o Parlamento Europeu desempenha no processo europeu de decisão. A ESCCB e a EB Júlio Brandão participaram nos concursos a 13 de dezembro de 2019.

CONCURSOS

Os concursos visam avaliar os conhecimentos adquiridos pelos alunos numa sessão de informação que ocorre durante uma visita ao Espaço Europa, um espaço de informação dedicado aos cidadãos, criado pelo Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal e pela Representação da Comissão Europeia em Portugal. O seu objetivo é consciencializar os jovens sobre a sua condição de cidadãos europeus e a importância da sua intervenção na organização futura da União Europeia.

Juvenes Translatores A Direção-Geral da Tradução (DGT) da Comissão Europeia convidou os alunos do ensino secundário com 17 anos, nascidos em 2002, a participar na 13.ª edição do concurso Juvenes Translatores (designação em latim para Jovens Tradutores), o qual teve lugar no dia 21 de novembro de 2019. O concurso é organizado anualmente pela DGT desde 2007 com o intuito de promover a aprendizagem das línguas nas escolas e dar aos jovens uma ideia do que é ser tradutor. O evento faz parte integrante do Programa Erasmus+ e contribui para acentuar o trabalho que a Comissão Europeia tem vindo a desenvolver sobre a importância do papel da tradução na vida dos jovens, no sentido de os habilitar para o conhecimento de outras culturas, para a facilidade de comunicação e para a preparação para o mercado de trabalho.

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CONCURSOS

Os alunos Afonso Rosa, Débora Sá, Rita Cortinhas, Ana João Martins e Carolina Sousa foram os selecionados para participar no Concurso.

Parlamento dos Jovens no AECCB: da sensibilização à ação

No dia 9 de dezembro de 2019, no auditório da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, os alunos do ensino básico e do ensino secundário, que participam no Parlamento dos Jovens, assistiram a uma conferência (de manhã para o ensino básico e de tarde para o ensino secundário) com Jorge Paulo Oliveira, de origem famalicense, deputado da Assembleia da República pelo PSD. O convidado explicou a constituição, funcionamento, órgãos e as comissões do Parlamento Português, sublinhando a sua importância na vivência de uma democracia participativa. Abordou também o tema deste programa para este ano, Violência Doméstica e no Namoro – da sensibilização à ação, referindo diversas medidas previstas para o combate a este grave problema social. No dia 11 de dezembro de 2019, estes mesmos alunos assistiram a uma conferência dada por Paulo Silva, também ele famalicense,

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que, na qualidade de advogado, abordou a parte legal do tema, referindo a legislação existente e os mecanismos aplicados à vítima e ao agressor. Em ambas as conferências os alunos tiveram um período de debate, onde expuseram as suas dúvidas para, posteriormente, formularem as medidas a apresentar no início do mês de janeiro de 2020. O feedback dos alunos foi bastante positivo no que respeita às duas conferências, tendo considerado o conteúdo das mesmas essencial e esclarecedor para a participação no projeto e para um maior conhecimento do tema, tão delicado e, infelizmente, tão frequente, no nosso país. As duas sessões contaram com um momento musical, em que dois alunos do ensino articulado tocaram piano e violino. Um momento especial para a receção dos nossos convidados. A todos os que participaram, um muito obrigado!

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Prémio Selo Nacional de Qualidade O Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco viu reconhecidos com Selo Nacional de Qualidade (SNQ) eTwinning 2019 onze projetos: o projeto “2018 European Heritage for small and young pupils” foi desenvolvido pela professora Lurdes Melo, do ensino pré-escolar, Centro Escolar Luís de Camões; o projeto “Apprendre ma ville à travers ses musées” foi dinamizado pela professora Elsa Mendanha, do ensino pré-escolar, Seide S. Miguel; quatro projetos foram desenvolvidos pela professora Ana Mendes - “A European seed...a better Future!”, “At a European table”, “Democracia e Cidadania” e “The Story of

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the Bread”. Mais quatro projetos foram desenvolvidos pela professora Rosário Ferreira: “CHILDREN'S DAY”; “Inclusion is change in attitude: rights and equity”; “We find out: our identity Vs heritage local identity” e, em conjunto com a professora Glória Cabreiro, o projeto “Better Together: Special Times”. Estes projetos edificam um trabalho com alunos, por vezes, com a participação das famílias e da comunidade local, agregando o uso das TIC, a colaboração, comunicação e partilha entre parceiros (nacionais e internacionais), com integração curricular e inovação pedagógica.

Prémio Selo Europeu de Qualidade Em outubro foram reconhecidos 1305 projetos europeus com o Selo Europeu de Qualidade pelo excelente trabalho desenvolvido por professores e alunos de toda a Europa. O AECCB recebeu quatro Selos Europeus de Qualidade pelo trabalho desenvolvido pelas docentes Ana Mendes, com os projetos “At a European table” e “The Story of the Bread”, Lurdes Melo, com o projeto “2018 European Heritage for small and young pupils” e Rosário Ferreira, com o projeto “CHILDREN'S DAY; Inclusion is change in attitude: rights and equity”.

Cerimónia de entrega dos Selos Europeus e Selo Escola eTwinning Dia 8 de novembro, no Porto, decorreu, durante todo o dia, a cerimónia de entrega dos Selos Europeus de Qualidade e Selos de Escola eTwinning a nível nacional. O programa contou com a mesa redonda "Alterações Climáticas - o papel da Escola na Educação Ambiental", tendo como convidados o DrºJorge Paiva, da Universidade de Coimbra, e o Drº Renato Henriques, da Universidade do Minho e como moderador o jornalista da RTP, João Fernandes Ramos. A Direção-Geral da Educação (DGE) e o Serviço Nacional de Apoio eTwinning parabenizaram os projetos distinguidos a nível europeu e as escolas que foram distinguidas com o Selo de Escola eTwinning 2019-2020. O Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, o único Agrupamento de escolas concelhio distinguido como Escola eTwinning, viu reconhecidos quatro Selos Europeus e Selo de Escola eTwinning, ou seja, ser reconhecida como Escola Europeia, sinónimo de grande prestígio para o Agrupamento por comprovar o trabalho de excelência que está a ser Jornal Europeu AECCB

desenvolvido ao nível de diferentes áreas de ensino. O Selo de Escola eTwinning premiou o nosso Agrupamento por se ter destacado em práticas digitais e de eSafety, abordagens pedagógicas inovadoras e criativas, promoção do desenvolvimento profissional contínuo dos professores e promoção de práticas de aprendizagem colaborativa entre os professores e alunos. Este reconhecimento é válido por dois anos. Este prémio permite, ainda, a nível europeu, que o Agrupamento, ao candidatar-se a verbas para mobilidade de professores e alunos (KA2), no âmbito da School Exchange Partnership, possa ser selecionado mais facilmente. Oficialmente, o Agrupamento conta com uma mentora eTwinning, professora Ana Mendes, para fazer a ponte com os Embaixadores eTwinning, promover formação e dar apoio aos docentes, não só do seu Agrupamento como de Agrupamentos vizinhos. Ana Mendes e Rosário Ferreira

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ETWINNING

O AECCB premiado no programa eTwinning

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O nosso planeta está a mudar abruptamente. As calotes polares derretem a um ritmo alucinante e os oceanos sobem a uma velocidade cada vez mais rápida. No entanto, em contraste com estas alterações, a mudança nas mentalidades e hábitos dos seres humanos é lenta, o que é verdadeiramente preocupante. Alguns líderes espalham a falsa mensagem de que as mudanças climáticas são uma mentira, mas a ciência prova-nos que são verdadeiras e assustadoras. Não há como negar: as mudanças climáticas são reais e estão a acontecer mesmo em frente aos nossos olhos. Os fenómenos climáticos são cada vez mais extremos e o nível médio das águas dos oceanos está a subir a um ritmo alucinante. Um estudo recente, baseado em 25 anos de dados obtidos por satélite, confirma o ritmo crescente da elevação do nível do mar. Este aumento global não está a avançar a um ritmo constante, mas sim a acelerar. A taxa anual de crescimento do nível das águas do mar – cerca de três milímetros por ano – poderá triplicar, mais de 10 milímetros por ano, até 2100. Caso o ritmo atual se mantenha, os oceanos podem estar, em média, 66 centímetros mais elevados até ao final do século. Esta é a conclusão de um estudo recente da Proceedings of the National Academy of Sciences. Esta inevitável situação das alterações climáticas traz o aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos climáticos extremos, como, por exemplo, o caso das secas, inundações, as ondas de frio e as ondas de calor. No caso específico de Portugal, pelo facto de ser um país com um clima de tipo mediterrânico, estes eventos estão a tornar-se frequentes, algo que podemos observar facilmente nas notícias dos telejornais e até nas palavras dos nossos pais e avós. No entanto, apesar de existirem provas tão concretas e evidentes desta eminente crise natu-

Alterações Climáticas: Verdade ou Fake News?

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ral, há uma grande falta de consciencialização sobre esta realidade na sociedade atual. Portanto, nós, jovens, temos o dever de alertar quem nos rodeia sobre este problema à escala global. Outra questão importante que se coloca é perceber como é que cada um de nós, individualmente, pode intervir para mudar a situação. Na minha opinião, não é necessário adotar comportamentos radicais, pois, apesar de serem melhores para o ambiente, não são mantidos facilmente a longo prazo. De facto, alguns dos comportamentos que podemos adotar e encorajar outros a fazê-lo são muito fáceis de enquadrar no nosso quotidiano. Por exemplo, podemos reduzir a utilização de automóveis e optar por transportes públicos, bicicletas ou até mesmo andar a pé. Podemos reduzir a utilização de embalagens descartáveis de plástico, optando por opções reutilizáveis de materiais mais ecológicos. Alterar hábitos de consumo, para que consumamos menos e optemos por produtos produzidos com respeito pelo meio ambiente, é outra opção. Muitas “pequenas” coisas poderiam ser feitas por cada um de nós e, realizadas por milhões de pessoas, tornar-se-iam significativas e impactantes. Em suma, apesar das correntes de opinião que procuram negar as evidentes alterações climáticas, elas estão aqui e fazem-se sentir nas nossas vidas. Face à realidade, é necessário agir conscientemente, pois todas as ações produzem consequências, sejam elas boas ou más. Uma vez que o que fazemos hoje determinará o dia de amanhã, é importante darmos pequenos passos no nosso dia-a-dia que contribuam para a diminuição dos estragos deste desastre ambiental. Assim, talvez a nossa geração possa deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrou. Carolina Alves, 16/10/2019

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Os Nacionalismos O “Nacionalismo” nasceu na época, que é apelidada por muitos historiadores como o berço das sociedades atuais, da Revolução Francesa. Apesar de esta tese política ter ao longo do tempo adquirido conotações negativas, esta, na sua forma mais pura, expressa-se por um sentimento de valorização marcado pela aproximação, identificação e preservação da nação enquanto entidade, por vezes na defesa de território delineado por fronteiras terrestres, mas, acima de tudo, nos campos linguísticos e culturais. São vários os nacionalismos que já aconteceram ao longo da história, mas, destacam-se alguns, devido às consequências que estes trouxeram, como por exemplo o movimento nazi de Adolf Hitler. São também vários os nacionalismos esquerdistas de extrema que provieram do trabalho de Karl Marx, mas ficaram mais conhecidos os regimes de Joseph Stalin e Fidel Castro, ambos tiranos opressores. Mas nem todos os nacionalismos representam sentimentos de superioridade, tirania, racismo e xenofobia. No pós Segunda Guerra mundial vários países de África e da Índia adotaram um nacionalismo anticolonialista, recusavam a sua subjugação por potências estrangeiras, este sentimento adquiriu várias facetas, mas uma das mais conhecidas e marcantes foi a revolução pacífica liderada por Mahatma Gandhi no continente asiático. O nacionalismo de hoje é muito diferente daquele da Alemanha nazi. Sustenta-se maioritariamente num pilar étnico, relacionado com a crise dos refugiados. A crise económica de 2008, com origem nos Estados Unidos da América, teve um impacto enorme em alguns países do Mediterrâneo. Uma vez que as contas públicas estavam descontroladas, passou-se a notar um maior nível de inflação e desemprego. Como resultado, os países passaram a ter dificuldade em manter os seus compromissos económicos, obrigando-os a pedir empréstimos bancários. No Leste Europeu, os nacionalistas conseguem a vitória política, com o Partido Fidesz. Basearam-se em dois pontos principais: menor ingerência de Bruxelas e do

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Banco Central Europeu na economia e o regresso da soberania húngara. Em 2012, no momento em que a "Primavera Árabe" estava em ebulição, dá-se início à guerra civil e consequentemente muita população procura refúgio e segurança em países europeus como Itália, Grécia e Espanha. Esta globalização em regime de "portas abertas" é o clima ideal para uma guerra religiosa. Forma-se então o euroceticismo, base para o Partido Lei e Justiça que é antiliberal. Depois da vitória nas eleições da Polónia, o partido une-se à Hungria.

Há três fatores essenciais para o avanço dos nacionalismos. O primeiro deles é a desconfiança. Relaciona-se com o sentimento que a população europeia passou a ter dos burocratas em Bruxelas. À medida que a União Europeia não se preocupava com problemas da população, começou o afastamento entre os representantes e os representados. O segundo ponto tem a ver com a destruição. Destruição cultural pela qual a Europa tem passado nestes últimos 30 anos. O terceiro fator para o avanço dos nacionalismos é a ascendente velocidade da globalização. A globalização melhorou a capacidade de desenvolvimento tecnológico das cidades grandes. Mas, por outro lado, as regiões de industrialização antiga ficaram fora desse processo. Por exemplo, consequência disso foi a vitória de Marie LePen no nordeste de França. Esses fatores fizeram o discurso nacionalista ganhar peso nas cidades médias e pequenas. Alberto Mahomedov e Bernardo Oliveira

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Afinal, o que é o Brexit? Desde 2016 que ouvimos repetidamente falar da saída do Reino Unido da União Europeia nos meios de comunicação social. Esse processo é popularmente designado como Brexit. No entanto, para nós, jovens, este assunto permanece de compreensão pouco acessível, o que se agrava à medida que ocorrem desenvolvimentos nas negociações entre as partes envolvidas. Então, o que é o Brexit? Como é que vai acontecer? Foi algo que surgiu de um dia para o outro? Ou será que existem fatores estruturais mais profundos que nos levaram a esta situação atual? Tudo começou há 60 anos. Após a I e a II guerras mundiais terem gerado um número de mortes e destruição sem precedentes, um ideal ganhou grande destaque no continente europeu: se os países formassem laços económicos mais fortes, seria muito menos provável declararem guerra entre si. Em 1957, 6 países europeus assinaram o Tratado de Roma e formaram a Comunidade Económica Europeia. O Reino Unido juntou-se a esta comunidade em 1973, que se tornou conhecida posteriormente como União Europeia. À medida que a UE se tornou mais integrada, este país manteve negociações para se manter independente de aspetos fulcrais desta. Em 1995, ao contrário de grande parte dos países europeus, decidiu não abrir as suas fronteiras aos demais, de forma a criar liberdade de movimento na união. Também escolheu manter a libra britânica como a sua moeda oficial, ao invés de adotar o euro. Porém, o desenvolvimento que tornou a sua saída mais provável foi a assinatura do Tratado de Lisboa, em 2009. Este não só tornou as estruturas da UE mais poderosas e eficientes, mas também, pela primeira vez, “ofereceu” aos seus membros um mecanismo para saírem, intitulado “Artigo 50”. Uma crise de recessão foi contemporânea a este tratado, seguida de uma crise de migrantes provenientes de países do norte de África e do Médio Oriente que se encontravam em situação

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de guerra. À medida que a taxa de imigração aumentou ao longo da Europa, os destinos preferidos foram as 3 grandes economias: Alemanha, Reino Unido e França. Com a chegada destes migrantes, diversos sentimentos nacionalistas e anti-imigração emergiram nestas potências europeias. Com isto, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, face a uma difícil reeleição, prometeu que, se fosse reeleito, agendaria um referendo público sobre se o país deveria ou não abandonar a UE. Então, no dia 23 de julho de 2016, 17.4 milhões de eleitores votaram para que o Reino Unido se tornasse o primeiro país da história a abandonar esta união de países europeus. Portanto, quais são as possíveis saídas? Podemos pensar várias soluções para este problema e estas podem estar relacionadas com um espetro. Muito poucos (ou nenhuns) políticos defendem uma saída sem acordo, pois seria desfavorável para ambas as partes. Os mais conservadores defendem um Brexit mais rígido, enquanto os mais liberais preferem algo mais suave. Quanto mais rígida for esta separação, menos alianças e acordos se manterão entre os dois Estados. Contudo, ambos os lados podem não chegar a um acordo e, nessa situação, o Reino Unido sairia drasticamente da UE sem qualquer período de transição, acabando por ter que obrigatoriamente adotar as regras-padrão do mercado internacional. As leis britânicas separar-se-iam das europeias e seriam implementadas tarifas alfandegárias de imediato. É difícil prever quais seriam os efeitos do “no deal”, mas inúmeros especialistas defendem que causaria caos em ambas as partes, alertando para um possível colapso económico. Alguns dizem www.eepe.aeccb.pt


até que poderia haver uma maior escassez de alimentos e de materiais de saúde, mas estas são apenas previsões daquele que poderia ser o pior dos cenários. Uma questão muito importante, caso o Brexit aconteça sem acordo, será a fronteira com a Irlanda do Norte. As autoridades da União Europeia afirmaram que não terão outra escolha se não instalar uma “fronteira forte” entre estes dois países, e esta, seja ela física ou por postos de vigilância e controlo, poderá levar a situações de violência entre estes dois países. E o que acontecerá aos imigrantes europeus no Reino Unido? O governo britânico afirma que podem permanecer no país todos os que imigraram até antes de 2021, enquanto a UE diz não existir um acordo específico para cidadãos britânicos que vivem no espaço europeu.

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Apesar de tanto a UE como o Reino Unido não estarem interessados numa saída sem acordo, esta é cada vez mais provável, pois as negociações não estão a correr da melhor forma e o período de saída já expirou no dia 29 de março deste ano. Espero que, com este artigo, tenha abordado as questões mais importantes relacionadas com o Brexit, dando a conhecer a sua origem e os desenvolvimentos já operados entre as partes em negociação. Para além disso, uma vez que não está concluído, julgo ter apontado algumas das questões em aberto e que ainda são pontos de interrogação, trazendo-nos preocupações a nós, cidadãos convictos da União Europeia. Carolina Alves

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