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VIEIRA DO MINHO

HISTÓRIA EM CROMOS


Ficha Técnica Empresa Escolar: Cromave Coordenadora do Projeto: Carla Álvares Colaboradores/Alunos: Presidente - Joaquim Sousa Vice-presidente - Marta Marta Departamento Comercial - Beatriz Fernandes, Francisca Ramalho, Mário Costa, Nuno Leite, José António Pires, Luís Miguel Silva, Micael Pereira Departamento de Marketing - Luís António Rodrigues, Ana Cristina Gonçalves, Patrícia Gonçalves, João Pedro Rebelo, Filipe Cruz, Beatriz Ferreira Departamento Administrativo- Jéssica Gomes, Cláudia Ferreira, Sara Gonçalves, Margarida Gomes, Teresa Costa, José Miguel Pereira, Jéssica Sousa

O projeto da caderneta com cromos alusiva a Vieira do Minho teve origem na turma C do 8.º ano do ano letivo de 2013/2014, no âmbito da Expo Empresas Júnior - iniciativa da Comunidade Intermunicipal do Ave destinada às turmas do 3º ciclo que integraram o projeto “Sensibilização para o Empreendedorismo nas Escolas do Ave”.


JUNTA DE FREGUESIA DE ANISSÓ Dista 7 Km da sede do concelho. A arqueologia e a toponímia garantem-lhe

uma antiguidade de povoamento muito anterior ao séc. XII. Consta no inventário dos bens vimaranenses, no séc. XII, sob a denominação de Nizola. As Inquirições de 1220 citam a freguesia como paróquia de “Sancto Johanne de Veeira”. É paróquia desde a segunda metade do séc. XVIII.

Situa-se junto da serra da Pena Mourinha, onde se localiza uma gruta

notável pela sua extensão e vestígios de um antigo castelo. Há vestígios de um outro castelo com o seu fosso, designado de Crasto Medoeiro. Anissó engloba os lugares de Bairro, Cabo de Além, Calvário, Carvoeiras, Maceira, Poço e Povoínha. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Anissó uniu-se à freguesia de Soutelo.

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JUNTA DE FREGUESIA DE ANJOS Dista 10 Km da sede do concelho. Situa-se a 1 Km a sul da margem esquerda do rio Ave, na falda da serra da Cabreira. A arqueologia castreja das imediações testemunha a antiguidade da freguesia, anterior à nacionalidade. A designação primitiva era de “Santa Maria dos Ladrões”. Pertenceu ao concelho de Rossas, segundo o foral manuelino de 23 de outubro de 1514, até à extinção daquele, em 1836. “Vadeados os dois cursos de água que se juntam na Pertega, vamos seguindo para uma nova

freguesia. O nosso guia vai-nos dizendo que não é freguesia de anjos, mas de endiabrados caceteiros, mas a nossa ignorância contesta que agora já não é o que era d’antes. Caceteiros raivosos há-os sempre e em todas as freguesias de cá, e o pior é o que hoje qualquer fedelho já trás o hediondo adminículo da pistola — o recurso dos cobardes. Da freguesia vemos à direita campos de Fundevila, um dos lugares mais ricos dela. Em frente estadeiam-se outras casas, e não são poucas as de respeitáveis proporções, arguindo ser de lavradores ricos e bem aviados. Daí a pouco vê-se ao longe a igreja paroquial. À esquerda vai seguindo sempre o dorso gigantesco da Cabreira, que vista a olho nu nos parece seca e requeimada, quando ela está aliás coberta do mais viçoso pastio. Na igreja nada vimos digno de especial referência pelo seu cunho artístico. (...) Casas de relevo por seu valor artístico ou histórico, não as há. Perto da residência (paroquial) fica a que foi do famoso comandante de tropas eleiçoeiras em dias da Monarquia, o saudoso Manuel Barroso, hoje propriedade de seus filhos. Manuel Barroso, homem de um certo valor, era pai do padre Júlio Barroso, outro guerrilheiro sans peur et sans reproche, que por mais de uma vez sublevou em Guimarães o Regimento de Infantaria 20, ao tempo das incursões monárquicas. Já ambos estão no reino da verdade. Agora, recuando, subamos de novo à serra, e tornemos para a freguesia de Rossas. Santa Maria dos Anjos tem também escola pública. É abundante de gado caprino e vacum. Colhe muito milho; vinho em menor proporção”, assim descrevia o padre Alves Vieira, em 1925, a freguesia de Anjos, no seu livro “Vieira do Minho”. A freguesia de Anjos inclui os lugares de Cabo, Carude, Carvalha, Cernados, Code-çais, Fundevila, Outeiro, Pomar Grande, Portela, Rojói e Souto. Mais de setenta anos depois da obra de Alves Vieira, podemos agora admitir uma especial referência ao aglomerado rural de Carude, que inclui casas exemplares da arquitetura rural da freguesia. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia dos Anjos uniu-se à freguesia de Vilarchão.

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JUNTA DE FREGUESIA DE CAMPOS Dista 18 Km da sede do concelho. Nos começos da nacionalidade estava incluída no julgado de Borba de Barroso (mais tarde, concelho de Ruivães, extinto em 31 de dezembro de 1853). Foi vigairaria da apresentação do reitor de Viade até à extinção dos coutos, passando depois para a Coroa e, por doação, à Casa de Bragança. Existem em Campos, dois fornos do povo, um no lugar de Lamalonga e outro em Campos, sendo cobertos de pedra lavrada a pico. A freguesia inclui os lugares de Cambedo, Campos e Lamalonga. No perímetro da área desta freguesia existem cinco minas de Volfrâmio: Alto do Ribeiro de Beleirinho, Cruz de Manuel Couto, Monte da Casula, Ribeiro das Achas e Seprão, num passado próximo conhecidas por: Minas da Quebrada, Minas das Águas Terças, Minas de Além Rio — Couto Mineiro de Campos (Companhia Alemã) e Minas da Chã Manuel Fernandes. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Campos uniu-se à freguesia de Ruivães.

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História de Vieira do Minho De origem antiga, como o atestam inúmeros elementos arqueológicos, as freguesias que atualmente integram Vieira pertenceram antigamente a vários concelhos, termos, coutos e vilas, hoje extintos: 

Caniçada, Cova, Salamonde, Soengas e Ventosa, pertenceram ao concelho de Ribeira de Soás, deu-lhe foral D. Manuel em 1515;

Parada de Bouro foi pertença do Couto de Parada de Bouro, criado por D. Sancho I, que o deu à famosa Ribeirinha; Cantelães, Eira Vedra, Mosteiro, Pinheiro, Tabuaças, Vieira e Vilarchão, compunham o concelho de Vieira;

Campos e Ruivães eram terras do concelho de Ruivães;

Anjos e Rossas pertenceram ao concelho de Rossas, a quem D. Manuel concedeu foral em 1514;

Guilhofrei que pertenceu ao concelho de Vila Boa da Roda, com foral de 1514, outorgado por D. Manuel e por último Soutelo e Louredo pertenciam ao Concelho de Lanhoso, que tem foral concedido por D. Dinis em 1292. A antiguidade da ocupação humana das terras que hoje integram o concelho de Vieira do Minho pode ser atestada

pelos inúmeros testemunhos arqueológicos que podem ser vistos no concelho, com particular destaque para a área da Serra da Cabreira, território ocupado desde a pré-história e as localidades de Salamonde e Ruivães, onde a presença militar de diferentes povos, com destaque para os romanos, atestam o valor estratégico desta área no controle das principais vias de penetração na província. As mamoas, menires, gravuras rupestres, fojos medievais, necrópoles neolíticas, povoações romanas, castros, além de vários utensílios de barro, ferro e outros metais, são exemplos do filão arqueológico da região, bastante subexplorado. Da época romana, ainda existem vestígios de alguns troços da via XVII do itinerário Antonino que ligava Braga, Chaves a Astorga, e vestígios de antigos povoados dessa época, é exemplo disso o povoado de S. Cristovão – Ruivães. Pela extrema importância na estratégia militar, a região sofreu os efeitos da penetração dos diversos povos que invadiram a península, desde os Suevos aos Romanos, e bem mais recentemente dos exércitos Napoleónicos. De facto, na primavera de 1809, o concelho foi duas vezes atravessado pelas tropas do marechal Soult: a primeira em 15 de março, em impetuoso avanço a caminho de Braga. A segunda, a 17 de maio, em retirada precipitada pela ponte da Misarela, no dia exato em que as forças anglo-lusas de Wellesley chegavam ao alto de Salamonde, com o objetivo, frustrado, de lhes atalhar o passo. Este seu pendor para o envolvimento na guerra determinou igualmente que Vieira se envolvesse nas guerras liberais, presenciando Ruivães duros combates entre liberais e absolutistas, e pouco depois, em abril de 1846, Vieira entusiasma-se com o movimento popular da “ Maria da Fonte” onde teve a sua origem e onde habitava o seu mentor: padre Casimiro José Vieira. Estas breves notas são bem o testemunho da história de Vieira do Minho, feita mais da sua valia estratégica, que da memória dos homens consubstanciada em monumentos e urbes. A constituição da sede de concelho foi definida pelo Decreto-Lei Nº22593 de 29-05-1933, no lugar de Brancelhe.

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JUNTA DE FREGUESIA DE CANIÇADA Dista 9 Km do concelho. A freguesia é citada em documentos a partir de 1059. Nas Inquirições de 1220 aparece sob a designação de “De Sancto Thome de Canizada”, julgado de Penafiel, mas em 1320 aparece como inserida no concelho de Vieira. Caniçada foi sede de concelho de Pena-fiel de Soaz, que englobava as atuais freguesias de Caniçada, Cova, Soengas, Ventosa, Vilar da Veiga e Louredo, por foral concedido por D. Manuel I em 26 de julho de 1515. Aqui se conservam ainda restos do pelourinho de 1672 (com as armas dos Sylvas) e a casa do Paço (antigo tribunal). A freguesia é composta pelos lugares de Arijal, Assento, Barbedo, Barrosenda, Bolada, Chelo, Chãs, Cibrão, Encomum, Fagilde, Fajoi, Freita, Outeiro, Pardainha, Rechã, Toucedo, Tojeira e S. Miguel. Como imóveis de interesse patrimonial são de referir os antigos Paços Municipais (no lugar de Paço, pertencentes à junta de freguesia); o pelourinho classificado, no lugar do Assento (primitivamente estava no lugar da Picota); a antiga Cadeia (na Casa da Picota); as alminhas em pedra no lugar de Rechã; o aglomerado rural da Picota; Casa do Encomum (tem eira com arcos em pedra e capela); Capela da Casa de Cibrão, construção dos finais do século XVIII, tendo pedra de armas na sua fachada principal; Casa e Capela de S. Miguel, também do séc. XVIII. “Caniçada é viçosa e fecunda como Parada. À beira do rio os amieiros recurvam-se sobre as águas e

internam-se pela colina, formando verdes e alegres matas, por onde a água das cheias vai abrindo poças e formando minúsculas lagoas. Pela encosta acima é todo um jardim de verduras e flores. Os castanheiros avultam nos montes e medram nos campos; aqui a vide agarra-se a eles com tenacidade, e vê-los-eis dando castanha e vinho... (...) Muito cego devia ser o escritor e jornalista que, referindo-se a Caniçada, falou nas suas veigas. É um despropósito dos tais que os italianos classificam de madornale, é uma enormidade. Em Caniçada não há veigas, há leiras, cuja terra os socalcos amparam, e pequenos campos, por onde desliza a água quente e fecundante que desce do alto. Porque aqui a água desce de todos os cantos, e por todos os cantos a ouvimos cantar, e despenhar-se em cascatas de suave atractivo. Um só exemplo: a cascata de Fagilde”, eis como o padre Alves Vieira descrevia a freguesia de

Caniçada, em 1925, no seu livro “Vieira do Minho”. E Alves Vieira encerrava o seu apontamento sobre Caniçada com a seguinte nota informativa: “Não esquecer o facto referido na Corografia do padre Carvalho, de os habitantes deste concelho destruirem as armas dos Silvas; por julgarem que, por ter um leão, eram do rei de Castela”.

Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Caniçada uniu-se à freguesia de Soengas.

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Vieira do Minho - Terra de Sonhos O concelho de Vieira do Minho possui grandes potencialidades que têm sido alvo de aproveitamento turístico. O recurso mais emblemático deste concelho é a sua paisagem. As paisagens que aqui existem, desenhadas com as mais belas cores que os mestres têm nas suas paletas avassalam pela sua magnitude e pelo seu brilho. São aliás estas paisagens deslumbrantes o enquadramento para momentos de lazer diversificados, nomeadamente a prática de BTT, pedestrianismo, orientação, paintball, tiro com arco, escalada… Há ainda os lagos azuis que contrastam com o verde e o cinzento granítico da serra, estes lagos onde deambula o barco de recreio e se desliza no cabo de teleski… O património, na sua beleza rude e austera, acolhe hoje unidades de turismo em espaço rural, onde o conforto proporcionado permite ao visitante o deleitoso convívio entre a modernidade e a tradição. A cultura das nossas gentes passa também pela excelência gastronómica. São inúmeros os pratos que são confecionados recorrendo à tradicional vitela barrosã, ao cabrito, aos produtos hortícolas… Não esqueçamos o delicioso queijo e o inconfundível mel! Não deixe ainda de ajudar a sua memória e quando partir leve consigo um dos inúmeros produtos artesanais.

Tocar, sentir também é recordar.

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JUNTA DE FREGUESIA DE CANTELÃES A freguesia engloba grande parte da serra da Cabreira, com intenso povoamento florestal e abundantes pastagens para gado. Crê-se que tenha sido Cantelães a “civitas” castreja que originou a circunscrição medieval (anterior à nacionalidade) de “terra de Veeira” (Velaria). Aparece referenciada como “Sancto Estevam de Vieeyra que chamam de Cantelaes”. Referem-se-lhe, entre outros documentos, as Inquirições de 1220, 1258, 1320, 1371, 1400 e 1528. A igreja paroquial tem vestígios da primitiva igreja de estilo românico, prevalecendo hoje a traça arquitetónica do séc. XIX. Como imóveis de interesse patrimonial são ainda de referir a ponte de S. Pedro e Capela de S. Pedro, no lugar de Berredo; a Capela de Nossa Senhora da Fé ou Santa Cecília, construção dos finais do séc. XVIII; o castro de Vila seca; a capela de S. Roque, no lugar de Fares; o Calvário (no caminho para o cemitério); a Ponte do Peso, em pedra de um só arco; e o cruzeiro novo (mas belo era o antigo cruzeiro de Santa Marta em Rossas), construído nos anos 70 no monte da Senhora da Fé, em cimento armado e ferro, com 30 metros de altura. A serra de Cantelães era assim descrita em 1925 pelo padre Alves Vieira no seu livro “Vieira do Minho”: “A serra de Cantelães é realmente, para quem sabe ver e estudar, uma maravilha. Não deitemos

conta apenas às belezas naturais que a alindam e fazem tão graciosa, mas também à sua riqueza florestal (...) das suas cumiadas avistam-se estupendos panoramas, o vale do Cávado, o vale de Montalegre, o vale do Merouço (Rossas e Guilhofrei), o vale de rio Longo, o resto da Cabreira; mas o que melhormente se aprecia é o Gerez. (...) Quem a percorrer (a serra de Cantelães) nos seus recôncavos, nas suas grutas, nos seus alti-baixos, não verá só as belezas de fora, verá também as que são próprias dela. Sobretudo no Verão, que encanto passar alguns momentos à sombra das densas carvalheiras que matizam toda a longa encosta, do monte de Santa Cecília até à parte consagrada à exploração florestal! “. E depois de citar os cursos de água da freguesia: a levada do Porto da Lage; o ribeiro de Miães (“ a

este ribeiro andam ligadas ominosas tradições que nada nos honram, como a de ali lavar, em tempos idos, as camisas dos recém-nascidos, para os livrar de... tossir depois de mortos”); a levada “que desce quasi encostada à capela de Santo Amaro”; a das Nogueiras; e outras mais pequenas, Alves Vieira refere-se à festa da Senhora da Fé como a “festa magna de Cantelães”, cuja “romaria faz-se sempre com brilho e

entusiasmo, no belo templo encravado no coração da serra, e sombreado da ramaria alegre e pujante da floresta”.

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Vieira do Minho - Artesanato O artesanato caracteriza-se por uma simplicidade de todo o processo de produção que permite a concentração de uma só pessoa, desde a conceção e desenvolvimento até à contemplação final da obra e seu destino, tornando-se assim o artesão no único responsável pela obra. O artesanato de Vieira do Minho é caraterizado essencialmente pelo trabalho em cobre. Ainda hoje é possível encontrar algumas oficinas de artesãos que trabalham este metal. Além do artesanato em cobre, existe ainda o artesanato de tecelagem e bordados tradicionais, que conhecem hoje um considerável vigor, tendo vindo a aumentar o número daqueles que a eles se dedicam. A cestaria apesar de ser uma “arte” menos expressiva no concelho, também pode ser encontrada em alguns pontos deste concelho, nomeadamente em Parada de Bouro.

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JUNTA DE FREGUESIA DE COVA Embora se creia ter havido aqui um povoamento pré-histórico em virtude da existência de vestígios arqueológicos castrejos, a freguesia só aparece referida a partir do século XII. Em 1128, D. Afonso Henriques doou ao Mosteiro de Montede-Ramo (província de Orense) "in couto nominato Ribeira de Solar in Terra de Vieyra cum sua ecclesia nuncupata Sacto Johane de Cova”. A antiga freguesia era abadia da apresentação da mitra e beneficiou do foral manuelino concedido à antiga vila e concelho (extintos) de Ribeira de Soaz, em 16-07-1515. O padroeiro é S. João Baptista. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Cova uniu-se à freguesia da Ventosa.

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JUNTA DE FREGUESIA DE EIRA VEDRA Chamou-se antigamente de Paços e Vieira. Datam do século XIII os primeiros documentos alusivos a esta freguesia: as Inquirições de 1220, "de Sancto Pelagio... de Vilare... et Terra Frecta... da Pala... de Laureiro"; as de 1258, "in collatione S. Pelagii de Veheira". Em 1369-1380: "da Igreja de S. Payo d'Eyra Vedra que chamam Paaços"; as Inquirições de 1371 e o Cadastro Geral da População do Reino de 1528, referem-se também a Eira Vedra com pormenores de interesse para a história local.

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JUNTA DE FREGUESIA DE GUILHOFREI Dista 10 Km da sede do concelho. A antiga freguesia, abundantemente documentada desde os fins do séc. XII, trazia anexas a si, em 1551, a de Santa Maria dos Ladrões e, em 1528, a de S. Paio de Brunhaes. Era reitoria da apresentação do Ordinário e comenda da Ordem de Cristo. Foi cabeça do antigo e extinto concelho de Vila Boa da Roda (porque possuía uma “roda de engeitados”), tendo recebido foral de D. Afonso III em 15 de fevereiro de 1261 e de D. Manuel I a 8 de agosto de 1514, altura em que estava adstrita à comarca de Guimarães. Em 1852 aparece na comarca de Lanhoso e, em 1878, na de Vieira e no julgado de Rossas. A freguesia engloba os lugares de Assento, Calvelos, Crasto, Ermal, Guilho-frei, Lomba, Louredo, Penelas, S. Silvestre e Vila Boa. No seu livro “Vieira do Minho”, de 1925, o padre Alves Vieira propõe-nos alguns percursos para melhor apreciar os encantos de Guilhofrei: “Eu, no seu lugar, dava o primeiro passeio à serra. O Merouço é

algo de surpreendente e deslumbrante, em dias de refulgente sol. Ou se volte para Vieira, ou para Fafe, o cenário é sempre de um encanto sublime; mas estamos em dizer que o panorama para o lado de Vieira é dos tais que a nossa retina nunca pode esquecer. (...) Para o lado de Fafe a vista não encontra esse conjunto surpreendente e variado de belezas, o panorama é por ventura mais triste e soturno, menos variado, mas em compensação, como é grandioso, vasto, desmesurado, dando-nos uns longes do infinito (...) Não desça o leitor da serra sem lançar uma vista de olhos para aquele prestimoso e fecundo vale de Rossas, que alguém chamou o celeiro do Minho e de todo o país (...). (...) No segundo passeio não saia do centro da freguesia. Tem muito que ver: a casa do sr. visconde de Guilhofrei (...) ; em seguida a capela e escolas do mesmo venerando e prestante cavalheiro; logo a seguir a igreja paroquial, uma das primeiras que houve por estes sítios, si vera est fama, com uma fachada interessante, denunciando um estilo que se mutilou, que era puro românico; logo abaixo o famoso carvalho do Ermal. (...) Numa terceira caminhada, passando rente à casa que foi do saudoso Dr. José Carneiro, desça ao rio; pelo caminho encontrará a sempre árvore predilecta da nossa terra: o carvalho. (...) Descendo o rio, estamos a breve trecho no ponto em que se lhe junta o que vem de Vieira. (...) A ponte de Riolongo vem agora. Já a conhecemos. Lá segue a levada de Ermal. Agora o rio, que até aqui bordejava campos e pauis, tem de se defrontar com a penedia brava e inclemente”. Local

de

lazer

e

de

grande

atração

turística

a

Barragem

de

Esta freguesia apresenta-se desde 1960 com um movimento demográfico em ritmo ascendente.

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Guilhofrei.


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Vieira do Minho - Gastronomia A cozinha vieirense está profundamente marcada pelos sabores rurais e serranos, e pelo aproveitamento dos produtos endógenos que possibilitam a confeção de iguarias verdadeiramente tentadoras. No inverno e depois dos presuntos e enchidos estarem secos e curados, o mais afamado manjar tradicional, as Couves com Feijões, recheia as mesas do concelho. A vitela assada no forno é outro prato clássico da gastronomia vieirense. A carne Barrosã, gado que pastoreia grande parte do ano nos pastos verdejantes da Serra da Cabreira, pode ser degustado nos restaurantes ou adquirida nos talhos da região. Para completar o cardápio, não podemos deixar de referir outras especialidades da terra que merecem ser destacadas, tais como o Cabrito, o Anho, os Barquilhos, as Rabanadas, o Leite-creme, o Pudim, entre outros.

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JUNTA DE FREGUESIA DE LOUREDO Situada na margem esquerda do Cávado, dista 15 Km da sede do concelho. A antiga freguesia era vigairaria da apresentação do abade de Salamonde. A documentação mais antiga (1411) que se refere à freguesia de Louredo, dá-a como anexa à freguesia de Fornelos, entretanto extinta, atualmente existente como lugar de Louredo. Um documento de meados do século XVIII diz que a igreja de Nossa Senhora do Rosário anexou as igrejas de S. Paio de Fornelos e S. Pedro de Sella. Compreende os lugares de Boavista, Candão, Cela, Choqueira, Cubo, Formiga, Fornelos, Outeiro, Pontido, Sudro, Teixugueiras e Várzea.

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JUNTA DE FREGUESIA DE MOSTEIRO O seu atual nome substituiu o de S. João de Vieira, tal foi a importância que tomou o cenóbio beneditino ali existente, onde faleceu Santa Senhorinha em 22 de abril de 982. Foi comenda dos Templários, que aqui tiveram um mosteiro até 1311, e da Ordem de Cristo (a partir de 1311). Foi abadia da apresentação da Casa de Calhariz (Palmela) e cabeça do concelho de Vieira. A sede de concelho localizava-se na povoação de Brancelhe (denominada de Barunzeli nas Inquirições de 1220) e pertencia à freguesia do Mosteiro. Compreende os lugares de Baralha, Cimo de Vila, Codeceira, Figueiró, Filipe, Gandra, Igreja, Lages, Magos, Pena, Ribeiro, Riolongo, Rissondo, S. Roque, Salgueiros, Salvador, Tabuadela, Talho e Testorio.

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JUNTA DE FREGUESIA DE PARADA DO BOURO Esta povoação vem mencionada em documentos de 1059. Teve foral e couto, doado por D. Sancho I à sua amante, Dª Maria Pais Ribeiro também conhecida por Ribeirinha e aos filhos que dela tinha. Compunha-se das freguesias de Parada de Bouro, Frades e Friande (da Póvoa de Lanhoso). Chegou a ter o direito de administrar justiça nas causas de crimes, e tinha cárcere e forca. A coluna do pelourinho está no atual cruzeiro, tendo desaparecido o remate superior. Com a evolução dos tempos a vila deixou de ter os privilégios e regalias que a nobre Ribeirinha proporcionou, aproveitando o foral da Ribeira do Soaz, concedido por D. Manuel I, a 16-7-1515.

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JUNTA DE FREGUESIA DE PINHEIRO A freguesia do Pinheiro situa-se nas fraldas da Serra da Cabreira, a 4 Km ESE da sede do concelho. A sua igreja paroquial, rodeada das que o povo chama "oliveiras do Senhor”, possui um altar-mor de talha ricamente dourado. Na área da freguesia há ainda três capelas dignas de nota: a da Senhora da Guia (Cortegaça), Santuário de Nª Senhora da Orada (Vilela) e a da Senhora do Rosário da Casa da Fonte (Tabuadelo). A freguesia já é mencionada em documentos desde 1220. Foi abadia da apresentação da mitra.

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JUNTA DE FREGUESIA DE ROSSAS A freguesia de Rossas situa-se a 11 Km SSE da sede do concelho. A freguesia já era mencionada em documentos de 1014 e em documentos de 1195 a cerca de um mosteiro que ali existia. As Inquirições de 1220 incluem-na na Terra de Lanhoso. Parte da sua área era couto. Teve foral manuelino concedido a 23 de outubro de 1514. Sede de concelho, que veio a ser extinto em 1836. Do seu passado falam ainda do pelourinho, classificado como monumento nacional, e de alguns restos de velhos solares. Em 1839 aparece no concelho de Guimarães e em 1852 no de Vieira do Minho. Foi abadia da apresentação dos Abreus, senhores de Regalados cabeça do antigo concelho de Rossas, cuja sede era Celeirô. Os documentos antigos relativos a esta freguesia não autorizam a grafia "Rossas".

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JUNTA DE FREGUESIA DE RUIVÃES A freguesia de Ruivães está situada na margem esquerda do rio Rabagão, nas fraldas da Serra da Cabreira, a cerca de 25 km da sede do concelho. Chamou-se antigamente Vilar de Vacas. Vem mencionada a primeira vez em documentos de 1426. Foi Vila e sede de Concelho, extinto por decreto de 31 de dezembro de 1853. Conserva ainda o pelourinho, classificado como monumento nacional. Na sua área, perto da confluência do Cávado com o Rabagão, fica a Ponte da Misarela - lugar estratégico desde os Romanos (via militar Braga-Chaves-Astorga) e que foi cenário de combates na 2ª invasão francesa e nas guerras liberais (1827; 18-7- 1937). A antiga freguesia era reitoria da apresentação do reitor de Stª Maria de Veade. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Ruivães uniu-se à freguesia da Campos.

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JUNTA DE FREGUESIA DE SALAMONDE Na margem esquerda do Cávado, dista 10 Km da sede do concelho. Era cidade no tempo da presença romana, que a atravessavam no percurso de Braga a Chaves (Aquae Flaviae) sob a designação de Salveia, e vem mencionada no “Itinerário” de António o Pio. Foi abadia da apresentação da mitra. Durante as Invasões Francesas foi alvo de violações e saques e um dos seus dias mais dramáticos aconteceu em 15 de março de 1809, quando a pequena resistência que a freguesia opôs, foi desbaratada pelas tropas francesas do general Soult, vindas da Galiza, Salamonde foi popularizada pelo padre José de Mesquita Pimentel (1741-1821), através da célebre “Cartilha do Abade de Salamonde”.

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JUNTA DE FREGUESIA DE SOENGAS Dista 8 Km da sede do concelho, situada na margem esquerda do Cávado. Surge em documentos de 1043 e nas Inquirições de 1220, como pertencente à terra de Penafiel de Soaz. Aproveitou o foral manuelino concedido a Ribeira de Soaz a 16 de julho de 1515, de cujo concelho fez parte até meados do século XIX. Foi vigairaria da apresentação do abade de S. Martinho de Ventosa, passando depois a reitoria. Têm interesse patrimonial a Casa dos Barbosas (com capela), em Soengas, Casa e Capela de Calvelos (setecentista, reconstruída na década de 80), em Calvelos e imóvel turístico de grande qualidade "a Pousada de S. Bento". Soengas compreende os lugares de Calvelos, Campo, Além, Portelinha, S. Martinho, Soengas, Vale de Cuba, Vilares e Várzea. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Soengas uniu-se à freguesia da Caniçada.

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JUNTA DE FREGUESIA DE SOUTELO A freguesia de Soutelo situa-se a 10 km SW da sede de concelho. A área desta freguesia está documentada desde 1059, surgindo a paróquia nas Inquirições de 1220. Foi abadia da apresentação da mitra bracarense. Destacamos a Capela de Nossa Senhora da Lapa que é uma Capela invulgar, sóbria e pequena, tendo um enorme penedo a servir-lhe de telhado e de teto. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de Soutelo uniu-se à freguesia da Anissó.

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JUNTA DE FREGUESIA DE TABUAÇAS Dista 3 Km da sede do concelho. Documentada desde 1074, esta freguesia teve diversas designações: Tabulazas, Tavoazos, Tavoazas, etc. Em finais do século XVI já estava incorporada na freguesia de Tabuaças a de S. Simão de Real (mencionada nas Inquirições de 1220). Compreende os lugares de Assento, Barreiro, Cerdeirinhas, Devesa Escura, Outeiro, Pepim, Postemião, Pousadouro, Real e Vila. O lugar que mais se desenvolveu nas últimas décadas foi Cerdeirinhas. Possuía a freguesia dois moinhos de casca de carvalho para o fabrico de calçado, dos quais já nada resta. São de citar, pelo seu interesse patrimonial, a Casa dos Morgados (Pousadouro) e a casa de Boticas.

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JUNTA DE FREGUESIA DE VENTOSA A freguesia da Ventosa situa-se na margem esquerda do rio Cávado e a 9km NW da sede do concelho. Um documento de 1120 fala da área desta freguesia dizendo ser ela couto; as Inquirições de 1220 dão-lhe o nome de Ribeira de Soaz, na terra de Penafiel do Soaz; a partir das Inquirições de 1258, já tem o nome de Ventosa. Recebeu foral manuelino a 16 de julho de 1515, tendo sido sede do concelho de Ribeira de Soaz, extinto no 2º quartel do séc. XIX. Foi a abadia da apresentação da mitra. Há ainda nesta freguesia 25 espigueiros e 9 azenhas. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia da Ventosa uniu-se à freguesia de Cova.

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JUNTA DE FREGUESIA DE VIEIRA DO MINHO A freguesia de Vieira do Minho é atravessada pela antiga via romana BragaChaves (encontraram- se alguns marcos milenários) e tem fortificações castrejas na sua área, nomeadamente, castros de Vila Seca e da Mourinha. No início da nacionalidade estava constituída a Terra de Vieira (existem 7 grafias, entre elas a de Veeira, Viera e Velaria) que teve os castelos de Vila Verde ou Vila Seca (freguesia de Cantelães) e outro por vezes designado de Penafiel (provavelmente na freguesia de Ventosa) referenciados nas Inquirições de 1220.

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JUNTA DE FREGUESIA DE VILARCHÃO Situada na margem direita do rio Ave, na vertente ocidental da serra da Cabreira, dista cerca de 8 km da sede do concelho. O topónimo está documentado desde 1059 e nas Inquirições de 1220 surge como paróquia. Foi abadia da apresentação da mitra bracarense. Nesta freguesia, o campanário está a certa distância da igreja paroquial e assenta numa penedia sobranceira ao caminho. A ponte da Pértega, sobre um afluente do Ave, é uma ponte medieval de um só arco. O Penedo da Pinga tem como particularidade o facto de estar suspenso e dele pingar água continuamente. Compreende os lugares de Abelheira, Ameã, Balteiro, Carreira, Igreja, Lage, Penela, Pereira, Portela e Veigas. Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia da Vilarchão uniu-se à freguesia dos Anjos.

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Vieira do Minho - História em Cromos