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RETRATO DO TERCEIRO SETOR: O perfil das organizações não governamentais de Itajaí e Navegantes – dados parciais1 João Carissimi2 Caroline Westerkamp Costa3 Resumo Este artigo tem como objetivo principal apresentar alguns resultados da pesquisa realizada junto a Organizações Não-Governamentais da cidade de Itajaí (45) e de Navegantes (8). Ao traçar o perfil das ONGs buscou-se identificar elementos da realidade, identidade, imagem e comunicação. Os resultados demonstram que as maiores dificuldades para as ONGs encontram-se nos aspectos financeiros, materiais e voluntariado. Isso posto, pode demonstrar o quanto a comunicação tem um papel importante no sentido de dar visibilidade as ONGs, bem como contribuir na elaboração de um plano estratégico de comunicação. A pesquisa aponta ainda para a possibilidade de atuação do profissional de Relações Públicas nas ONGs de Itajaí e Navegantes, a fim de legitimar o tempo e espaço das organizações a partir do planejamento, pesquisa, organização, execução e avaliação. Como produto final pretende-se construir um banco de dados impresso (catálogo geral) das Organizações Não-Governamentais, que possibilite dar visibilidade e divulgação aos elementos: realidade, cultura, identidade, imagem, entre outros. Palavras-chave: terceiro setor; perfil; Itajaí; Navegantes.

1 INTRODUÇÃO Quando se fala sobre o terceiro setor, em especial sobre as Organizações NãoGovernamentais, ainda encontra-se muita polêmica, inclusive no âmbito acadêmico. Ao envolver duas áreas na pesquisa, por exemplo: o terceiro setor e a comunicação, mais uma vez percebe-se um não-entendimento, pois está-se diante de duas naturezas que exigem um olhar apurado frente às complexidades. Seja pela falta de recursos econômicos, profissionais e voluntários, nãoplanejamento estratégico, o anonimato, a não-existência definida de missão, visão e valores históricos organizacional, ou até mesmo a falta de uma sede para prestar serviços à comunidade. Essa realidade das ONGs das cidades de Itajaí e Navegante pode demonstrar uma despreocupação ou 1

Artigo científico – Apresentação parcial dos resultados da Pesquisa: Retrato do terceiro setor: construção de um banco de dados de organizações não governamentais da cidade de Itajaí. Projeto de Pesquisa Artigo 170 – Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura – Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e Governo do Estado de Santa Catarina – 2008. 2 Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Especialista em Marketing pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Especialista em Administração em Publicidade e Relações Públicas pela PUC-RS, Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), Ex-professor do curso de Graduação em Relações Públicas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Professor pesquisador do Grupo de Pesquisa Redes de Comunicação da Univali, Professor pesquisador voluntário Artigo 170 Governo do Estado de Santa Catarina e Univali, endereço eletrônico: jocaribr@yahoo.com.br 3 Acadêmica do curso de Relações Públicas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Estudante pesquisadora do Grupo de Pesquisa Redes de Comunicação da Univali, Bolsista do Artigo 170 do Governo do Estado de Santa Catarina e Univali, endereço eletrônico: westerkamp@gmail.com

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desinformação sobre a importância estratégica desses elementos, por exemplo, na captação de recursos junto aos órgãos financiadores. Pode-se dizer que a comunicação passa a ter importância vital para essas ONGs, no sentido de garantir a sua sobrevivência, a partir da sua gestão estratégica de comunicação e marketing em um cenário competitivo, burocrático, recursos escassos, ético e estético. Levando-se em conta o cenário percorrido pelas ONGs, a partir da pesquisa qualitativa e quantitativa, pode-se verificar que a maioria das ONGs de Itajaí e de Navegantes e Itajaí não possui área de comunicação e não considera relevante investir em um plano estratégico de comunicação. Mas, quando essas ONGs recorrem ao apelo do trabalho voluntário, o assunto é captação de recursos, muitos dos quais podem ser conquistados a partir de planos, programas e projetos. O Terceiro Setor precisa planejar, pesquisar, manter e divulgar a sua realidade, a identidade, a cultura, a imagem, a reputação – no sentido que possa obter dos seus públicos uma percepção favorável, que seja capaz de captar e atrair investimentos, apoio, patrocínio, permutas, voluntários e doações. Nesse sentido, as ONGs terão que se comunicar com os seus públicos a partir de eventos estratégicos, relatórios de prestação de contas, instrumentos de comunicação dirigida, catálogos, internet, reuniões, campanhas institucionais, mensagens institucionais, entre tantas formas de comunicação e de relacionamento. O profissional de comunicação, especialmente o de Relações Públicas, tem cada vez mais possibilidades de atuação no âmbito do terceiro setor, onde as organizações necessitam de pessoal capacitado para desenvolver uma comunicação eficiente e eficaz que possibilite visibilidade, conquista de novos doadores, a simpatia de órgãos públicos e da iniciativa privada, e, fundamentalmente, amenizar ou solucionar as questões sociais, econômicas, culturas que afetam de forma direta o cidadão brasileiro, de forma a deixá-lo excluído e renegado a participar das oportunidades de crescimento pessoal. É necessário que as ONGs invistam em comunicação, que possam com seus próprios recursos contratar serviços, profissionais e voluntários no sentido de criar planos estratégicos de comunicação, instrumentos de comunicação, por exemplo: catálogos, malas-diretas, eventos, site, blog, campanhas educativas e institucionais, manuais educativos, vídeos institucionais e educativos, reuniões, seminários, apresentações artísticas, feiras e exposições, projetos para captação de recursos, espaços na rádio e TV (reportagens, programas, entrevistas, notícias), comercialização de produtos das organizações, prestação de serviço à comunidade, ações de relacionamento com seus públicos, entre outras formas. Foi importante o referencial teórico, o modelo de questionário, indicadores apresentados no projeto anterior, o que possibilitou dar continuidade à pesquisa. 2


2 OBJETIVO GERAL

Descrever, parcialmente, o perfil das Organizações Não-Governamentais de Itajaí e Navegantes. 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS – Identificar as ONGs de Itajaí e Navegantes; – Descrever as ONGs de Itajaí e Navegantes; – Identificar o perfil das ONGs. 3 A PESQUISA

A metodologia utilizada foi pesquisa de campo (questionário), delineada com base na pesquisa institucional (diagnóstico organizacional), aplicada aos dirigentes onde foram levantadas questões relacionadas às ONGs no que diz respeito à realidade, identidade, cultura, comunicação, imagem e outros fatores relevantes para construção do banco de dados. projeto). Também foi utilizada a pesquisa documental para complementar os dados.

3.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

O instrumento dirigido aos entrevistados, dirigentes ou coordenadores das Organizações NãoGovernamentais de Itajaí e Navegantes foi um questionário elaborado no projeto do Artigo 170, em 2007, pelo Professor João Carissimi e o acadêmico Lyson Silva, o qual sofreu algumas alterações no atual projeto. O questionário é constituído de 7 perguntas fechadas, sendo 5 respostas de múltipla escolha e 2 de uma só resposta, e 22 perguntas abertas. O questionário tem duas folhas, frente e verso, no formato A4, onde apresenta na última página um Termo de Livre Consentimento que prevê a autorização da divulgação dos dados. Além disso, a pesquisadora pode contar também com a pesquisa documental (folder, flyer, revistas, jornais, etc.) onde foram recolhidos dados e informações que não estavam descritos no questionário. 3.2 MÉTODOS DE PESQUISA Os métodos de pesquisa compreenderam três etapas: pesquisa bibliográfica, identificação de bancos de dados (universo de organizações cadastradas nas prefeituras de Itajaí e Navegantes), seleção da amostra, a aplicação dos instrumentos de coleta de dados e análise dos resultados com

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apresentação de gráficos para perguntas quantitativas, tabelas para perguntas qualitativas e comentários.

3.3 PROCEDIMENTOS Navegantes – Identificou-se 29 organizações da sociedade civil a partir de uma lista de entidades da Secretaria do Bem-Estar Social de Navegantes. Da lista foram excluídos os sindicatos, grupo de idosos e igrejas. A partir das ONGs selecionadas, foi criada uma planilha com dados básicos de cada entidade a fim de facilitar o processo de identificação. Através dessa visualização foi constatado que 2 ONGs encerraram as atividades, 1 entidade não quis participar da pesquisa e 4 ONGs não possuíam telefone para contato. Com as 8 ONGs, a pesquisadora entrou em contato por telefone uma a uma, com o objetivo de explicar o projeto proposto, convidar a participar e marcar a data da entrevista. Em apenas uma organização, o questionário foi entregue pessoalmente ao diretor que preferiu fazer a devolução do material em outro dia. Nas demais ONGs, os questionários foram levados pessoalmente pela pesquisadora na data combinada com os entrevistados que auxiliou os mesmos na explicação de cada pergunta. Em aproximadamente duas horas o questionário era respondido na íntegra. Itajaí – Em Itajaí as ONGs foram identificadas a partir do cruzamento de três listas (Univali – Secretaria de Articulação Social de Itajaí e Cadastro Nacional de ONGs), todas solicitadas pela acadêmica via internet. Das três listas, foram excluídos os sindicatos, grupo de idosos, igrejas e associações de moradores, somando um total de 109 ONGs. A partir das ONGs selecionadas, 89, foi criada uma planilha com dados básicos de cada entidade a fim de facilitar o processo de identificação. Através dessa visualização foi constatado que 26 ONGs não possuem telefone ou o número mudou, 7 encerraram suas atividades, 4 responderam não serem Organização Não-Governamental, 2 entidades não quiseram participar, 1 entidade disse não poder atender e com 4 ONGs (não foi possível marcar um horário). Então, com as 45 ONGs que restaram, a pesquisadora entrou em contato por telefone uma a uma, com o objetivo de explicar o projeto proposto, convidar a participar e marcar a data da entrevista. Em apenas 4 ONGs o questionário foi enviado por e-mail para o dirigente da organização que devolvia o questionário em mais ou menos cinco dias. Em 13 organizações, o questionário foi entregue pessoalmente ao diretor que preferiu fazer a devolução do material em outro dia. Nas demais, os questionários foram levados pessoalmente pela pesquisadora na data combinada com os 4


entrevistados que os auxiliou na explicação de cada pergunta. Em aproximadamente duas horas o questionário era respondido na íntegra.

3.4 O CAMPO DE ESTUDO Navegantes4 – A cidade de Navegantes emancipou-se da cidade de Itajaí no ano de 1962. Com uma área de 111.461 km² e uma população de aproximadamente 52.000 habitantes. Sua economia gira em torno da indústria pesqueira, que hoje emprega mais de 60% dos navegantinos, além, é claro, da construção naval que tem a mão-de-obra mais especializada do Brasil. Navegantes é o terceiro maior centro pesqueiro da América Latina, o primeiro do país e sedia a maior empresa brasileira de pescado, a FEMEPE. O município conta com 40 estaleiros grandes e pequenos e já foi o segundo maior parque de construção naval do Brasil. Com a chegada, em 2007, da Portonave, empresa que opera o Porto de Navegantes, a cidade tende a crescer cada vez mais, no sentido de estabilizar a economia, visando a recolher mais impostos a serem investidos na cidade e abrir mais novas vagas de trabalho. De janeiro de 2003 até janeiro de 2007 foram captadas pelo Sine de Navegantes 6.435 novas vagas de emprego, mas apenas 3.141 foram preenchidas, ou seja, 48% do total oferecido. Isso demonstra que, apesar da grande quantidade de oferta de emprego, continua faltando mão-de-obra qualificada e o governo e as Organizações Não-Governamentais não oferecem cursos profissionalizantes. Na área da saúde, a cidade conta com um hospital e seis postos de saúde. A educação municipal é constituída por 15 escolas e 22 creches. Itajaí5 – Itajaí tem uma população de aproximadamente 163.218 milhões de habitantes. Sua área é de 289.000 km² e o principal produto interno bruto deve-se às atividades ligadas à prestação de serviços, em segundo lugar indústria e, por último, a agropecuária. Quanto à educação, as escolas dividem-se em: 92 escolas de ensino pré-escolar e creches, 69 escolas de Ensino Fundamental, e 20 escolas de Ensino Médio. Quanto à saúde, Itajaí possui 33 estabelecimentos de saúde municipal, 76 estabelecimentos de saúde privados e nenhum estabelecimento de saúde federal ou estadual. Sede da AMFRI – Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí-Açu e também da Delegacia da Capitania dos Portos de Santa Catarina. O Porto de Itajaí, maior de Santa Catarina, cumpre importante papel no contexto econômico local e regional e, juntamente com a pesca, está 4 5

Fonte: Para descrição utilizou-se o site : www.navegantes.sc.gov.br – acesso: 20 de novembro de 2008 Fonte: Para descrição utilizou-se o site : www.itajai.sc.gov.br acesso: 20 de novembro de 2008

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fortemente ligado à história de Itajaí. Em nível nacional, o Porto destaca-se na terceira posição em movimentação de cargas contaeinerizadas. A base da economia é o porto mercante e a pesca. O comércio atacadista de combustíveis é o gênero de grande expressão. No setor da educação, Itajaí é destaque nacional com um dos menores índices de crianças sem escola. No setor industrial o destaque fica para os gêneros de produtos minerais não-metálicos (principalmente produção de cimento), produtos alimentares (principalmente pescados industrializados e alimentos), papel e papelão e produtos de materiais plásticos. No setor agropecuário, os principais produtos explorados são: arroz irrigado, feijão, melancia, milho, oleácea e a criação de bovinos de corte e misto, além da avicultura e suinocultura. A programação cultural, também é bastante ampla envolvendo teatro, cinema, shows musicais, projetos de apoio à cultura e esporte, além de feira de artesanato, valorizando as tradições de nossa região.

3.5 OBJETO DE ESTUDO

As ONGs são associações do terceiro setor, abrangentemente identificadas como pertencentes à sociedade civil organizada, que se declaram com finalidades públicas e sem fins lucrativos. Desenvolvem ações em diferentes áreas e atuam em vários setores da sociedade, geralmente mobilizando atores sociais, a mídia, lideres de opinião, autoridades, e provocam a opinião dos públicos na busca do apoio do cidadão, organizações privadas e governamentais, a fim de atender determinadas necessidades e expectativas da comunidade, primeiramente onde estão inseridas e também da sociedade como um todo. Para descrever as 8 organizações de Navegantes, foram selecionados oito indicadores mais relevantes. As Organizações Não-Governamentais entrevistadas, em sua maioria, surgiram no final dos anos 1990. Boa parte delas atende somente a pessoas que residem em Navegantes. Os dois públicos-alvo mais citados foram os “usuários de entorpecentes” e o “público em geral”. Em relação à área de atuação, 50% das entrevistadas responderam que prestam algum tipo de serviço ligado à saúde. As ONGs articulam-se entre si e entre a sociedade por meio de encontros ou reuniões e a metade delas já possui sede própria. Em Navegantes, as doações da comunidade são mais freqüentes e tornam-se a fonte de recurso mais evidenciada na cidade. O meio de comunicação mais utilizado é o telefone, com 100% de utilização. Para descrever as 45 Organizações Não-Governamentais de Itajaí foram selecionados 8 indicadores. As ONGs, em sua maioria, surgiram no final dos anos 1990. Boa parte delas atende somente as pessoas que residem em Itajaí. Os dois públicos-alvo mais citados foram “família” e 6


“crianças e adolescentes”. Em relação à área de atuação, 47% das entrevistadas responderam que prestam algum tipo de serviço para as crianças e adolescentes. As ONGs articulam-se entre si e entre a sociedade por meio de reuniões e 75% são cadastradas em conselhos municipais. Quanto à sede, 42% das organizações entrevistadas possuem sede própria. Em Itajaí, a fonte de recurso mais evidenciada foi “governo municipal, a prefeitura ajuda 76% das ONGs entrevistadas. O meio de comunicação mais utilizado é o telefone com 97% de utilização.

2.6 SUJEITO ENTREVISTADO

As 53 Organizações Não-Governamentais de Itajaí e Navegantes foram solicitadas a responder o instrumento de coleta de dados, o questionário de pesquisa. Responderam os questionários apenas dirigentes de cada entidade entre o período de julho a agosto de 2008. A amostra em Navegantes foi constituída por 1 coordenador, 2 secretárias-gerais e 5 presidentes. Já em Itajaí, a amostra foi constituída por 14 presidentes, 14 coordenadores, 7 secretários, 4 assistentes sociais, 1 diretor geral, 1 gerente, 1 psicóloga, 1 voluntária e 2 professores.

3 CRITÉRIOS DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

Esta análise contempla os parâmetros básicos de uma pesquisa qualitativa e quantitativa. Os questionários respondidos foram transcritos na íntegra para o editor de textos a fim de facilitar a visualização dos dados. Na pesquisa qualitativa com respostas abertas, houve uma seleção das informações relevantes para o estudo, aquelas que evidenciam a importância da comunicação social nas organizações. Essas informações foram convertidas em Tabelas do próprio editor de texto. Na comunicação foram analisados o histórico e breve currículo, as políticas de comunicação adotadas pela entidade (missão visão e valores), a identidade visual da empresa (logomarca e slogan), os recursos humanos, o responsável pela comunicação da organização, as estratégias de divulgação e as estratégias de comunicação com os patrocinadores (colaboradores da entidade) e os principais projetos e necessidades. Já na pesquisa quantitativa com respostas fechadas, utilizou-se um editor de planilhas para a geração de gráficos de barras e, em alguns casos, de pizza, foram analisadas as respostas que traçam um perfil característico das entidades como: dados gerais, território, área temática, público-alvo, articulação, patrimônio, recursos financeiros, meios de comunicação utilizados.

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3.1 RESULTADOS

As seguintes Organizações Não-Governamentais das cidades de Navegantes e Itajaí participaram da pesquisa: Navegantes (8): Lar Divina Providência, Recinave – Associação dos Agentes de Reciclagem de Navegantes; Casa da Ressurreição – Entidade Mantenedora Obras Social Paroquial Machados; Associação Bombeiros Voluntários de Navegantes; Associação Desafio Jovem Monte Sião, Pastoral da Criança de Navegantes; Cruz Vermelha Brasileira de Navegantes e APAE – Associação Pais e Amigos dos Excepcionais de Navegantes. ITAJAÍ (45): Abrigo Luz do Amanhã, Lar Fabiano de Cristo – UPI Rodolpho Bosco; AAPC Associação de Amparo as Pessoas com Câncer; Associação Náutica de Itajaí; Casa do Peregrino – Associação Cultural e Beneficente Nova Lourdes; Humanity – Associação Educacional para o Desenvolvimento do Potencial Humano; Abrigo Lar da Criança Feliz – Associação Lar da Criança Feliz; Casa de Recuperação Vale Ebenezer – Centro de Recuperação da Paciência Vale Ebenezer; Associação Missão Mundial Restando Vidas, Amor Próprio – Associação do Câncer Amor Próprio; APAVI – Associação dos Portadores de Artrite do Vale do Itajaí; Herbário Barbosa Rodrigues; Associação Passos de Integração, Lar Padre Jacó – Associação Pró-Menor Lar Padre Jacó; Vovó Anália – Associação Vovó Anália – Grupo Vida Nova; ESFA – Entidade São Francisco de Assis; SEAGULL – Associação Seagull de Futebol Infantil-Infanto-Juvenil; FRATER – Associação Beneficente Frater-Fraternidade Humana; Resgate Dominante – Centro de recuperação e reabilitação resgate dominante; Creche Divino – Associação Educacional Divino Espírito Santo; ADIN – Associação dos Diabéticos de Itajaí e Navegantes; ADEFI – Associação dos Deficientes Físicos da Foz do Itajaí; PROARTE – Associação Proarte de Itajaí; Parque Dom Bosco – Instituto Lar da Juventude de Assistência e Educação; ADVIR – Associação dos Deficientes Visuais de Itajaí e Região; AFH – Associação

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Famílias com Hanseníase; Creche Francisco de Assis – Centro Educacional Francisco de Assis; OFEARTE – Associação para o Desenvolvimento Artístico Cultural; Ação Social São João – Ação Social Paroquial São João Batista; Maria Mãe de Jesus – Casa da Sopa; Bom Samaritano – Associação Casa de Passagem Bom Samaritano; Pra Ver Natureza, Associação dos Aposentados – Associação Beneficente dos Aposentados e Pensionistas de Todas as categorias em geral; Associação Bom Pastor – Associação Bom Pastor de Itajaí; Vovó Biquinha – Centro de Intervenção e Estimulação Precoce Vovó Biquinha; Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itajaí; PRÓ-VIDA – Centro de Tratamento Alternativo Pró-Vida; Fala Guri – Instituto Fala Guri; Nova Vida – Comunidade Terapêutica Nova Vida; IMCARTI – Instituto de Música Canto e Arte de Itajaí; Ginástica Olímpica – Associação Itajaiense de Ginástica Olímpica; APAE – Escola Especial 8


Vale da Esperança – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Itajaí; Centro dos Direitos Humanos de Itajaí, Projeto Crescer – IBRAEC – Projeto Crescer; IEPES – Instituto de Estudos e Pesquisas sobre Violência e Criminalidade de Itajaí.

3.2 RESULTADOS QUANTITATIVOS SOBRE AS ONGS DE NAVEGANTES E ITAJAÍ

Como mostra o Gráfico 1, quanto ao âmbito de atuação, podemos afirmar que 100% das entidades atendem os cidadãos do município, mas 47% das ONGs atendem somente pessoas que moram exclusivamente na cidade; 38% atendem pessoas do Estado de Santa Catarina; 6% atendem pessoas de outros Estados e 9% responderam que atendem pessoas de outros países.

ÂMBITO DE ATUAÇÃO

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Gráfico 1: Âmbito de Atuação. Fonte: Tratamento dos Dados.

O Gráfico 2, que apresenta os dados de área de atuação, mostra que 43,4% das ONGs entrevistadas responderam trabalhar com crianças e adolescentes, indicando que 23 ONGs amparam e beneficiam de forma direta ou indireta as crianças e adolescentes dos municípios. As ONGs que responderam atuar na área de educação indireta ou indiretamente obtiveram 40%. E a área de serviço social que presta assistência básica às famílias carentes também somou 40%. Com 32,1% ficou a área de direitos humanos. As 10 ONGs que responderam atuar no trabalho e renda, tendo em vista a profissionalização e geração de renda para pessoas carentes, obtiveram 19%. Moradia e esporte e lazer ficaram com 13%; religiosa espiritual e meio ambiente com 11% cada uma delas. As áreas de:

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arte e cultura, saúde, ONGs por gênero, discriminação racial, terceira idade, segurança pública e profissionais tiveram porcentagem inferior a 10% e a área de comunicação não pontuou.

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ÁREA DE ATUAÇÃO

Gráfico 2: Área de Atuação. Fonte: Tratamento dos Dados.

Quanto ao público beneficiado, Gráfico 3, concluímos que 57% (30 ONGs) responderam que seu público-alvo é a família, indicando a preocupação do resgate social, moral e valores de cada integrante do círculo familiar. Em segundo lugar, com 49%, as ONGs responderam que as crianças e adolescentes são seu público-alvo. Com 26,4%, o público em geral foi indicado como público-alvo, seguido da comunidade local (imediações vizinhas, bairro, etc.) com 25%. Foi constatado ainda que 19% das ONGs responderam possuir como público-alvo os usuários de entorpecentes, portadores de necessidades especiais e os seus próprios associados. Já as ONGs que têm como seu público-alvo principais moradores de rua e outros obtiveram 15% cada. Por fim, as ONGs que priorizam idosos obtiveram 8% e aquelas que beneficiam trabalhadores, 4%.

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Gráfico 3: Público Beneficiado. Fonte: Tratamento dos Dados.

Em relação ao campo de articulação, Gráfico 4, a pesquisa mostrou que 74% das organizações entrevistadas se articulam em encontros ou reuniões seguidas das ONGs que responderam ser cadastradas e participar dos conselhos municipais com 68%. Já as 33 ONGs que responderam que se articulam com o governo obtiveram 62% e as que se relacionam com empresas privadas somaram 57%. Ainda foi evidenciado na pesquisa que 27 ONGs têm contato e/ou trocam experiências com outras ONGs registrando 51% e também com 51% aquelas que participam e se articualm em fóruns.

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CAMPO DE ATUAÇÃO

Gráfico 4: Campo de Articulação. Fonte: Tratamento dos Dados. O Gráfico 5, que trata da situação da sede, indicou que 43,4% das organizações possuem sede própria, um total de 23 ONGs. Já as ONGs que ainda alugam a sede obtiveram 36%. Nove ONGs (17%) responderam que sua sede é cedida por algum órgão público. Uma única sede é financiada (2%) e uma entidade não possui sede (concentrando as atividades na casa de um dos membros desta ONG).

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SITUAÇÃO DA SEDE

Gráfico 5: Situação da Sede. Fonte: Tratamento dos Dados.

Como vemos abaixo nos dados numéricos, Gráfico 6, 75% das entidades responderam que recebem ajuda da comunidade; 70% responderam que possuem convênio com o governo municipal, 58% possuem recursos próprios (arrecadados em bazar, bingo, jantar, pedágio), 47% recebem 12


qualquer tipo de ajuda de empresas das cidades (Itajaí e Navegantes). As organizações que recebem verba ou auxílio do governo federal somaram 23% e com 19% ficaram as organizações que recebem qualquer tipo de contribuição de empresas de outra localidade. Prosseguindo, 17% das ONGs possuem repasse do governo estadual. Em 5 organizações, correspondendo a 9%, apareceu a resposta outros e, para finalizar, com 2% as entidades que são auxiliadas por empresas internacionais.

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FONTES DE RECURSOS

Gráfico 6: Fontes de Recursos. Fonte: Tratamento dos Dados. Nota: “Outros” corresponde à verba da Diocese, verba da pastoral nacional etc Por último, o Gráfico 7 aborda sobre os meios de comunicação utilizados nas entidades de Navegantes e Itajaí e foi detectado que 98% das ONGs utilizam o telefone fixo ou móvel, 83% utilizam qualquer tipo de correspondência para se comunicar, 79% possuem acesso à internet. A resposta rádio e jornal obtiveram 68% cada. As respostas: televisão e eventos obtiveram 66% cada uma delas. Já 55% responderam que utilizam o mural como meio de comunicação. As ONGs que assinalaram a resposta fax somaram 47%. Por último ficaram os meios: boletim informativo e outros com respectivamente 13% e 9%.

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MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Gráfico 7: Meios de Comunicação. Fonte: Tratamento dos Dados.

NOTA EXPLICATIVA As perguntas correspondentes aos indicadores 2, 3, 4, 6, 7 e 12 eram de múltiplas respostas, ou seja, o entrevistado poderia assinalar mais de uma opção.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Apresentamos no decorrer do artigo determinados resultados da pesquisa de campo junto às Organizações Não-Governamentais das cidades de Itajaí e Navegantes, pois a mesma gerou um relatório quantitativo e qualitativo de mais de 90 folhas. A compreensão do fenômeno foi importante, já no momento da aplicação dos questionários, onde muitas ONGs participaram no exato momento do questionamento, outras enviaram via e-mail, e outras decidiram pela não participação. A aplicação e tabulação dos dados foram realizadas pela bolsista. Foram encontradas algumas dificuldades durante o processo, tais como a seleção das informações, apresentação dos resultados no formato quantitativo ou qualitativo, a tabulação e apresentação dos dados, elaboração de uma proposta de leiaute para catálogo e, por fim, a busca da viabilidade técnica para impressão do catálogo. Diante do exposto, acredita-se que a pesquisa em relação ao perfil das Organizações NãoGovernamentais das cidades de Itajaí e Navegantes atende à proposta do projeto, uma vez que todos

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os dados podem ser apresentados em vários artigos, bem como após uma seleção no catálogo das ONGs de Itajaí e Navegantes. Os artigo(s) e o catálogo podem contribuir para o esclarecimento científico e técnico sobre as Organizações Não-Governamentais das cidades envolvidas, bem como servir de referência e dar visibilidade a todas as organizações envolvidas no processo. Assim, o resultado da pesquisa poderá contribuir para novos estudos no âmbito acadêmico do curso de Relações Públicas da Universidade do Vale do Itajaí, bem como para organizações privadas, públicas e da sociedade civil na busca de parcerias e um relacionamento com as organizações pesquisadas. A partir de agora, a busca será para viabilizar o desenvolvimento de leiaute, busca de parceiros para a impressão do catálogo, em uma proposta de parceria entre a Universidade do Vale do Itajaí e organizações, privado e governamental, organizações financiadoras. Também espera-se dar continuidade ao projeto de pesquisa, quando da apresentação uma nova proposta em 2009 para o Artigo 170.

REFERÊNCIAS

CARISSIMI, João. Catálogo de organizações não-governamentais de Itajaí. Em busca de uma delimitação de indicadores. Universidade do Vale do Itajaí. Artigo 170: Itajaí, 2008. Disponível: www.intercom.org.br – Eventos Regionais: Guarapuava/PR – Intercomsul – 2008. CARISSIMI, João; COSTA, Caroline Westerkamp. Pesquisa de campo com organizações de Itajaí e Navegantes. Universidade do Vale do Itajaí. Artigo 170: Itajaí, 2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJAÍ – Banco de Dados – Cadastro de Instituições. Prefeitura Municipal de Itajaí: Itajaí, 2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NAVEGANTES – Banco de Dados – Cadastro de Instituições. Prefeitura Municipal de Navegantes: Navegantes, 2008. UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ. Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura. Banco de Dados – Cadastro de Instituições. Univali: Itajaí, 2008.

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RETRATO DO TERCEIRO SETOR:O perfil das organizações não governamentais de Itajaí e Navegantes  

Este artigo tem como objetivo principal apresentar alguns resultados da pesquisa realizada junto a Organizações Não-Governamentais da cidade...

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