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PLATAFORMAS COLABORATIVAS E DE APRENDIZAGEM Formação Pedagógica Inicial de Formadores

FORMADORA: CARINA MANO


Formação Pedagógica Inicial de Formadores

ÍNDICE

Competências a Adquirir ____________________________________________________________________________ 3 Conteúdos ________________________________________________________________________________________ 4 I.

Introdução ____________________________________________________________________________________ 5

II.

Pesquisa e Navegação na Internet _________________________________________________________________ 6

III.

A evolução da Web (da 1.0 à atual) _______________________________________________________________ 7

III.a. Origem da Internet _____________________________________________________________________________ 7 III.b. Evolução da Internet ___________________________________________________________________________ 7 III.c. Quando surgiu no mercado ______________________________________________________________________ 8 III.d. Quando apareceu a Internet em Portugal ___________________________________________________________ 9 IV.

Introdução à Web _____________________________________________________________________________ 9

V.

Princípios básicos de formação/suporte de formação através de plataformas de e-learning _________________ 10

V.a. Tipologias e Funcionalidades de uma plataforma (Plataformas LMS – Learning Management Systems) ________ 11 V.b. Inserção de recursos didáticos em plataformas colaborativas e de aprendizagem (Software de criação de conteúdos LCMS – Learning Content Management Systems) _______________________________________________________ 13 VI.

Aprendizagem Cooperativa e Colaborativa ________________________________________________________ 15

VII.

Princípios básicos sobre e-learning ______________________________________________________________ 16

VII.a. Evolução do ensino à distância __________________________________________________________________ 18 VII.b. Vantagens e Desvantagens do Ensino à Distância ___________________________________________________ 19 VIII.

Técnicas de adaptação dos conteúdos à disponibilização online ______________________________________ 20

IX.

Regras “Net-etiqueta” _________________________________________________________________________ 22

X.

Comunidades virtuais de aprendizagem ___________________________________________________________ 23

XI.

Princípios básicos da Web 2.0 __________________________________________________________________ 24

XII.

Organização do trabalho e da comunicação online _________________________________________________ 25

XIII.

Ferramentas de comunicação síncronas e assíncronas______________________________________________ 27

XIV.

Intervenientes e Funções _____________________________________________________________________ 28

XV.

Princípios básicos da e-moderação e do e-formador ________________________________________________ 34

XVI.

Conclusão _________________________________________________________________________________ 37

XVII.

Bibliografia ________________________________________________________________________________ 38

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COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR Pretende-se que cada formando, após este módulo esteja apto a: 

Compreender as mudanças evolutivas do Ensino a Distância;

Identificar as características e as vantagens do e-learning;

Compreender o funcionamento das Plataformas de suporte da formação a distância;

Identificar regras de formação através da Internet;

Reconhecer a importância do e-formador/e-mediador no processo formativo a distância;

Identificar e aplicar os mecanismos/softwares de comunicação online;

Desenvolver uma formação utilizando as Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem para suporte de materiais.

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CONTEÚDOS

Sessão 2

Sessão 1

Sub-módulo 7.1. Plataformas: Finalidades e Funcionalidades o

Pesquisa e Navegação na Internet

o

A evolução da Web (da 1.0 à atual)

o

Ferramentas da Web: Técnicas de organização e adequação da informação selecionada aos destinatários da formação; interação (pesquisar e produzir conteúdos)

o

Introdução à Web

o

Princípios básicos de formação/suporte de formação através de plataformas de e-learning;

o

Aprendizagem Cooperativa e Colaborativa

o

Princípios básicos sobre e-learning

o

Tipologias e Funcionalidades de uma plataforma (p.ex. Moodle, …)

o

Técnicas de adaptação dos conteúdos disponibilizados em papel à sua disponibilização online (em Pdf, comprimidos – ZIP, com apresentações em PowerPoint em modelo .pps)

o

Regras “Net-etiqueta”

Sessão 3

Sessão 2

Sessão 1

Sub-módulo 7.2. Comunidades Virtuais de Aprendizagem o

Comunidades virtuais de aprendizagem (blogues, fórum de discussão, plataformas, …);

o

Princípios básicos da Web 2.0 (p.ex., Redes sociais)

o

Inserção de recursos didáticos em plataformas colaborativas e de aprendizagem (p.ex., normas scorm)

o

Estratégias, métodos e técnicas de organização do trabalho e da comunicação online;

o

Ferramentas de comunicação síncronas (chat e videoconferência) e assíncronas (e-mail, blogues e fóruns de discussão)

o

O papel (e funções) do e-formador e e-moderador

o

Princípios básicos da e-moderação e do e-formador

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I. INTRODUÇÃO

O e-learning é um processo planeado em que o ensino/aprendizagem ocorrem em momentos diferentes e são suportados por plataformas tecnológicas de informação e comunicação, pelo que exige técnicas pedagógicas especiais. O mesmo acontece quando um processo de formação combina, de forma relevante, atividades presenciais com atividades online através de Blended Learning. A eficácia destas metodologias depende essencial e fundamentalmente da capacidade do autor/formador em conceber, estruturar e gerir conteúdos e atividades adequadas ao contexto de formação (alunos, objetivos de aprendizagem, tecnologia), definindo um trajeto de aprendizagem significativa. A formação online não é apenas uma forma de organização da formação: é um conjunto de "estilos" dependente dos meios e das metodologias utilizadas. Neste contexto emergem novas competências e desafios para todos os que se envolvem no processo formativo. Preparar os diferentes intervenientes para desempenharem os seus papéis em contextos da formação online requer metodologias e técnicas específicas adequadas a cada um dos meios de comunicação utilizados.

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II. PESQUISA E NAVEGAÇÃO NA INTERNET Os navegadores (browsers) são os programas usados para navegar pela internet. É através deles que o utilizador interage com os documentos HTML hospedados em um servidor web, ou seja, é a partir deles que podemos visualizar os documentos na rede. Há dezenas de browsers diferentes, alguns gratuitos como o Mozilla Firefox, o Opera, o Netscape Navigator e o Konqueror; outros shareware como o Internet Explorer. Todos eles têm algumas funções básicas no seu menu, como: botões para retroceder e avançar páginas carregadas, para atualizar, para parar o carregamento do site acedido e para voltar diretamente à página inicial. Há também mecanismos de busca, pastas para alocarmos os sites de que mais gostamos (Bookmarks ou Favoritos) e a possibilidade de guardarmos esses links em listas na web, o que nos permite ter acesso aos nossos links preferidos de qualquer computador conectado à rede. Os conceitos de hipertexto e de hipermédia, embora não fossem conceitos novos, foram definidos por Ted Nelson em 1965. O hipertexto difere do texto na medida em que o primeiro é não linear e o segundo é linear. Enquanto um livro é um documento linear, que é lido do início para o fim, num documento de hipertexto o leitor pode seguir vários caminhos durante a leitura. O hipermédia assenta no conceito do hipertexto com a diferença de que os documentos são constituídos não só por texto mas também por recursos multimédia como gráficos, animações, vídeo e som. A web é uma coleção de documentos hipermédia ligados entre si constituindo uma teia de informação. Para aceder a estes documentos utilizam-se os browsers que dão um interface gráfico fácil de utilizar e que permitem “navegar” nas informações existentes. O protocolo HTTP é a base desta tecnologia. Cada documento tem um nome distinto, o URL (uniform resource locator) ou simplesmente, endereço Web. O utilizador através da ação do rato sobre um link num documento poderá "saltar" para outro documento algures na Web. Os locais onde se localizam esses documentos são chamados de "Web Sites" (referidos usualmente como sites). As duas principais formas de realizar uma pesquisa na Internet são: através de diretórios da Web, listas bem organizadas de tópicos e subtópicos através dos quais o leitor navega em busca de um site da web que corresponda ao que se pretende; ou através de motores de pesquisa, mais poderosos face aos diretórios da web, na medida em que efetuam sozinhos a pesquisa mediante as instruções que lhes forem dadas. Quanto mais pormenorizadas forem as instruções, mais rigorosos serão os resultados. Exemplos de motores de pesquisa: 

 

www.google.pt Este é um dos maiores motores de pesquisa que o utilizador tem ao seu dispor. Procura as informações pretendidas em todos os ficheiros HTML existentes na web. Além disso, o modo de pesquisa é muito fácil de utilizar. www.excite.com O Excite coloca ao dispor do utilizador cerca de 1 milhão de documentos web e USENET News. Este motor de pesquisa permite procurar a informação através da inserção de um conceito ou palavra chave no campo de pesquisa e fornece uma lista de links sobre os assuntos procurados, bem como um pequeno sumário de cada um deles. www.lycos.com Através deste motor de pesquisa temos acesso a cerca de 90% dos conteúdos da web. A pesquisa pode ser feita por títulos, palavras chave ou através dos numerosos links presentes no site. www.yahoo.com O Yahoo é, talvez, o mais conhecido dos motores de pesquisa por tema ou assunto, reconhecendo dezenas de milhares de sites presentes na Net. É muito fácil de utilizar e, juntamente com as M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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listas, oferece uma pequena descrição dos sites indicados. Além disso, podemos encontrar neste site várias novidades e serviços disponíveis na Net. www.sapo.pt É um dos motores de pesquisa nacionais de maior popularidade. Além da habitual pesquisa por palavras chave, é possível encontrar na página principal do site uma seleção de tópicos que podem ser bastante úteis.

III.A EVOLUÇÃO DA WEB (DA 1.0 À ATUAL)

A Internet é uma rede de computadores de cobertura mundial que utiliza um protocolo de comunicações denominado TCP/IP – Transmission Control Protocol/Internet Protocol. Este TCP/IP fornece uma linguagem comum que possibilita a interconexão entre redes de computadores e permite que seja utilizada a tecnologia de comutação de pacotes, cuja finalidade é facilitar o transporte de informações.

III.A. Origem da Internet

A Internet surgiu em 1969, devido à guerra fria entre os EUA e a ex União Soviética. O Ministério da Defesa dos EUA criou um protocolo – a ARPANET – que servia para interligar computadores em centros de investigação, para que quando fossem atacados pelos soviéticos conseguissem intervir imediatamente contra eles. Esta rede era controlada pelos militares. Em 1972 foi apresentada ao público. Foi evoluindo lentamente por razões de segurança. Nos inícios dos anos 80, mais precisamente em 1983, foi adaptado o protocolo TCP/IP, o que originou a separação da ARPANET e da rede militar chamada de MILNET. Mas por sua vez criaram a CSNET (Computer Science Network), que se juntou à ARPANET. Foi então com esta junção que surgiu a “verdadeira” Internet, que poderia servir toda a população. Nos anos 80, cresceu aceleradamente, o que tornou necessário a existência de estruturas de coordenação e cooperação e de apostar em mais redes e operações.

III.B. Evolução da Internet

Atualmente, a Internet é composta de aproximadamente 50.000 redes internacionais, sendo aproximadamente metade nos EUA. A partir de Julho de 1995, havia mais de 6 milhões de computadores permanentemente conectados à Internet, além de muitos sistemas portáteis e de desktop que ficavam online por apenas alguns momentos. Contudo, a Internet como hoje conhecemos, com sua interatividade, como redes interligadas de computadores e seus conteúdos multimédia, só se tornou possível pela contribuição do cientista Tim Berners-Lee e ao CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire – Centro Europeu de Pesquisas Nucleares), que criaram a World Wide Web, inicialmente interligando sistemas de pesquisa científicas e mais tarde académicas, interligando universidades; a rede coletiva ganhou uma maior divulgação pública a partir da década de 90. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores Em Agosto de 1991, Berners-Lee publicou seu novo projeto para a World Wide Web, dois anos depois de começar a criar o HTML, o HTTP e as poucas primeiras páginas web no CERN, na Suíça. Em 1994 o navegador Mosaic 1.0 foi lançado. Em 1996 a palavra Internet já era de uso comum, principalmente nos países desenvolvidos, referindo-se na maioria das vezes a WWW. A Internet continua a evoluir e, atualmente, estamos numa segunda geração da web – web 2.0, contudo já não é indiferente a designação da terceira geração da Internet – a web 3.0 ou web semântica.

Figura 1 – Evolução da Internet

III.C. Quando surgiu no mercado

No meio dos anos 80, havia um interesse suficiente em relação ao uso da Internet nos setores de pesquisa, educacional e das comunidades de defesa, que justificava o estabelecimento de negócios para a fabricação de equipamentos especificamente para a implementação da Internet. A Internet teve, nos últimos 30 anos, um crescimento potencial no número de redes, número de hosts e volume de tráfego. Outro fator primordial que existe por trás do recente crescimento da Internet é a disponibilidade de novos serviços de diretório, indexação e pesquisa que ajudam os utilizadores a descobrir as informações de que precisam na imensa Internet. A maioria desses serviços surgiu em função dos esforços de pesquisa das universidades e evoluíram para serviços comerciais.

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III.D. Quando apareceu a Internet em Portugal

A Universidade de Lisboa foi a primeira entidade em Portugal a ter uma ligação à Internet. Pouco depois, a Universidade do Minho também o fez. Em 1990, o PUUG (Portuguese Unix Users Group) começou a comercializar ligações à Internet em Portugal. Em 1992 a FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional) iniciou registos de domínios em .pt e, em Dezembro de 1993, existiam já 40 domínios .pt registados. O primeiro servidor web nacional foi ativado pelo LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) em 1992. Em 1993 o acesso à Internet foi aberto a todos os alunos da Universidade do Minho. Em 1996 existiam 10 entidades com licença para prestação de Serviços de Telecomunicações Complementares Fixos, no âmbito dos quais se enquadra o acesso à Internet. Sugestão: Para melhor compreender a história da Internet, visualize o vídeo “História da Internet” disponível em https://www.youtube.com/watch?v=tIx67wm1i8Q.

IV. INTRODUÇÃO À WEB

Para algumas pessoas, a Internet e a World Wide Web (ou a web, para simplificar) são a mesma coisa. Mas a web é apenas uma parte da Internet. Internet significa INTERconnected NETwork, isto é, rede interligada, por isso dizemos por vezes que a Internet (ou, simplesmente, Net) é uma “rede de redes”, o que é rigorosamente correto. Ou seja, a Internet é uma gigantesca rede mundial que interliga outras redes de computadores mais pequenas. Estas redes que formam a Internet são redes de computadores, dentro dos quais residem os documentos, ficheiros, programas, músicas, vídeos, imagens e textos que dizemos que “estão na Internet”. De certa forma, podemos imaginar a Internet como uma série de estradas, avenidas e ruas: tal como estas, trata-se de um caminho que nos poderá levar a quase todo o lado. O que torna a Internet única é que o conjunto de regras usado para partilhar informação nesta grande rede, um “protocolo” chamado TCP/IP, torna muito simples que computadores muito diferentes e com sistemas operativos incompatíveis entre si consigam mesmo assim partilhar informação sem que os utilizadores tenham de se preocupar com os aspetos técnicos. Dois termos muito usados quando se fala de redes são “servidor” e “cliente”. A maior parte das redes que fazem parte da Internet estão configuradas desta forma: o servidor é habitualmente o computador principal onde está disponível a informação a que pretendemos aceder; os clientes são todos os computadores que podem aceder a essa informação. Quando nos ligamos à Internet, o nosso computador torna-se de imediato uma máquina-cliente, capaz de aceder à informação disponibilizada nos servidores ligados à Internet. Usando software específico, podemos também tornar o nosso próprio computador num servidor e permitir que outros clientes acedam à nossa máquina através da Internet.

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V. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE FORMAÇÃO/SUPORTE DE FORMAÇÃO ATRAVÉS DE PLATAFORMAS DE ELEARNING

Ao planear os conteúdos e recursos didáticos de um curso à distância deverão ser contempladas as seguintes especificidades: 

O formando estuda onde e quando quiser, separado física e temporalmente do formador e dos restantes formandos;

A ênfase no material didático facilitará a mediação;

A aprendizagem é autónoma (o foco deve ser o formando);

Podem coexistir vários docentes: o que cria os conteúdos, o que atua presencialmente (em caso de b-learning) e o que atua virtualmente;

O formador é um orientador;

O processo ocorre através de meios tecnológicos;

A comunicação é diversificada.

No ambiente online o formador não consegue ter totalmente noção se está a conseguir envolver e cativar os formandos. É essencial que as metodologias e materiais consigam entusiasmar os formandos e captar a sua atenção, promovendo a aprendizagem com eficácia. É fundamental “aliviar” a carga de informações a reter para que o cérebro do formando possa restabelecer-se do cansaço provocado pela concentração e atenção continuadas durante o processo de estudo e o formando mantenha a sua capacidade crítica e de análise. Os cursos à distância devem ser organizados de forma a que o formando se movimente de um tema/cenário para o outro com facilidade. Contudo, quando esta estratégia não é possível, a melhor opção é entrelaçar diferentes formas de apresentação da informação, fazendo com que o formando seja obrigado a utilizar diversas partes do seu cérebro, evitando o cansaço (por exemplo: ler informação, assistir a um vídeo demonstrativo, realizar um exercício). Existem algumas formas privilegiadas de atingir uma maior retenção de informação, tais como: 

Variar os tipos de conteúdos: a utilização de imagens, sons e texto;

Criar interatividade que promova a atenção: jogos, questionários, exercícios;

Fornecer feedback rapidamente: o formador e os materiais interativos devem fornecer feedback imediato aos formandos, ou seja, o formador deve responder rapidamente a dúvidas e questões e os materiais interativos devem emitir um resultado imediato;

Promover interação entre formandos e entre formandos e o formador: fóruns, chats, videoconferência.

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores Têm vindo a aparecer no mercado Sistemas de Gestão de Conteúdos de Aprendizagem (LCMS’s – Learning Content Management Systems) que, tal como o próprio nome indica, têm como principal finalidade a gestão de conteúdos de aprendizagem, permitindo a sua conceção, armazenamento e reutilização em vários cursos. Complementarmente, têm também surgido Sistemas de Gestão de Aprendizagem (LMS’s – Learning Management Systems) que têm como principal objetivo automatizar a componente administrativa da formação (controlar acesso aos conteúdos, gerir processos de inscrição e de avaliação de alunos, gestão das vistas e dos meios de comunicação).

V.A. Tipologias e Funcionalidades de uma plataforma (Plataformas LMS – Learning Management Systems)

As plataformas LMS facilitam a interação aluno-professor, através de um ambiente de sala de aula virtual, desprovido de barreiras físicas ou de tempo. Estas plataformas estão fundamentadas na participação, comunicação e colaboração entre formandos, formadores e pares, apresentando algumas características particulares que corroboram este facto, nomeadamente a possibilidade de gerir (e classificar) alunos, bem como gerir cursos, a existência de um espaço privilegiado de partilha e discussão de ideias e informações (fórum), a possibilidade de comentar e classificar os trabalhos submetidos pelos alunos, a capacidade de realizar referendos tendo em vista a recolha de opiniões dos alunos/formandos, entre outros. Através destas plataformas também é possível a criação de glossários, testes, questionários e a construção de documentos na modalidade Wiki. 1

O exemplo de LMS mais conhecido e mais utilizado atualmente é o Moodle . O Moodle é uma ferramenta em OpenSource (gratuita), distribuída sobre a GNU Public Licence desde 1999. Embora seja uma ferramenta livre, o Moodle tem salvaguardados os direitos de autor. O Moodle privilegia o trabalho colaborativo, permitindo a criação de cursos online, páginas, grupos de trabalho e comunidades virtuais de aprendizagem. O Moodle tem como filosofia uma abordagem social construtivista da educação, a qual afirma que o conhecimento é construído e não pode portanto ser apenas transmitido a partir de livros, aulas expositivas ou outros recursos tradicionais de aprendizagem. Tendo o construtivismo como base, os cursos desenvolvidos no Moodle são essencialmente centrados no formando. O papel do professor transforma-se, não é apenas um transmissor de conhecimento agora ajuda o aluno a construir esse mesmo conhecimento. Atualmente o Moodle é um sistema com uma das maiores bases de utilizadores do mundo, com mais de 25 mil instalações, mais de 360 mil cursos e mais de 4 milhões de alunos em 155 países, sendo que algumas universidades baseiam toda sua estratégia de educação a distância na plataforma Moodle. O sistema é extremamente robusto, suportando dezenas de milhares de alunos em uma única instalação. A maior instalação do Moodle tem mais de 6 mil cursos e mais de 45.000 alunos. A palavra Moodle tem como origem o acrónimo: Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment. Principais funcionalidades do Moodle:

1

Criar cursos ou disciplinas com diversos conteúdos e atividades de vários géneros e formatos;

Criar perfis para os formandos e organizá-los em grupos;

Desenvolver fóruns de discussão;

www.moodle.org

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores 

Atribuir formadores aos cursos criados;

Controlar os acessos dos utilizadores à plataforma e conhecer as suas atividades;

Registar os resultados dos formandos, analisando o seu desempenho.

O Moodle oferece um controlo bastante eficaz relativamente aos acessos à plataforma. Os utilizadores podem ser essencialmente de três tipos: administradores, formadores/professores ou formandos/alunos. O Moodle é um LMS e também um LCMS. Considera-se um LMS, visto ser uma ferramenta que possibilita a gestão e administração de conteúdos educativos, atuando também como repositório de informação e sistema de comunicação. No entanto, é também considerado um LCMS, já que fornece diversos tipos de modelos para a criação de conteúdos educativos, ou seja, dentro da chamada LMS (da plataforma de gestão e administração) temos disponíveis ferramentas que auxiliam o desenvolvimento de atividades e recursos de aprendizagem. Os cursos do Moodle podem ser constituídos por diversas atividades e recursos educativos, dos quais se destacam: 

Trabalho: atividade serve essencialmente para atribuir tarefas. Os alunos poderão posteriormente entregar os seus trabalhos ao formador.

Chat: permite a comunicação em tempo real com os formandos, particularmente eficaz para esclarecer dúvidas.

Referendo: nesta atividade, os formadores podem lançar uma questão com algumas hipóteses de resposta para obterem a opinião dos formandos sobre um tema de interesse.

Diálogo: permite uma comunicação assíncrona e privada entre formandos e formadores.

Fórum: possibilita a existência de diálogos assíncronos entre todo o grupo do curso sobre um tópico que pode até ser lançado pelo professor. O uso destes fóruns pode ser extremamente benéfico na aprendizagem, já que se demonstra eficaz para esclarecer dúvidas e aprofundar o conhecimento sobre algum tema, aproveitando as experiências e conhecimentos dos colegas.

Lição: permite criar páginas de conteúdos ligadas entre si, formando uma espécie de livro. Cada página poderá por exemplo, terminar com uma pergunta e, dependendo da resposta do aluno, este progride para a próxima página ou volta à lição anterior. No final haverá uma qualificação/avaliação.

Glossário: nesta atividade pode-se criar uma compilação da terminologia do curso, sendo apresentada sob a forma de lista, enciclopédia, FAQ, dicionário, etc..

Questionários/Testes: permite criar questionários com várias perguntas, verdadeiros e falsos, escolha múltipla, respostas curtas, associações, entre outras.

O Moodle oferece diversos módulos para que tutores e professores possam acompanhar e analisar as competências adquiridas pelos alunos ao longo das suas aprendizagens num ambiente e-learning. Os fóruns, testes, lições, trabalhos e as atividades SCORM (Sharable Content Object Reference Model) podem contribuir para a realização de avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. Os módulos Inquérito e Feedback permitem avaliar as várias componentes do processo formativo. A norma SCORM surgiu da necessidade de se criar standards na criação de conteúdos que permitam a evolução do ensino à distância. O Departamento de Defesa Norte Americano foi pioneiro na pesquisa de uma norma que facilitasse M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores a reutilização, portabilidade, acessibilidade e duração dos objetos de aprendizagem. Os vetores mais relevantes a desenvolver pelo SCORM são: 

Definição de objetos de aprendizagem reutilizáveis (dimensão ideal para a reutilização);

Modelos de conteúdo;

Modelos de avaliação do formando;

Criação de depósitos de objetos de aprendizagem.

Outras plataformas LMS: 2

iTutor : trata-se de um software gratuito, disponível para download. Esta plataforma de e-learning privilegia a aprendizagem, a partilha de conhecimentos e a colaboração. O iTutor permite organizar e administrar todo o processo de aprendizagem de modo eficaz, incluindo cursos online, aprendizagem síncrona em aulas virtuais e gestão da aprendizagem tradicional em salas de aula.

ATutor : foi lançado no final de 2002 como resposta a dois estudos conduzidos sobre a acessibilidade dos sistemas de aprendizagem online para pessoas com deficiência. Os resultados dos estudos mostraram que nenhum dos mais populares LMS (Learning Management Systems), estavam em conformidade com as diretrizes mínimas de acessibilidade. Nessa altura, uma pessoa invisual por exemplo, não poderia totalmente participar em cursos online.

LAMS : trata-se de um Sistema de Gestão de Atividades de Aprendizagem open source, inspirado na especificação Learning Design do IMS Global Learning Consortium, que permite construir unidades de aprendizagem baseadas em percursos de atividades individuais e/ou colaborativas.

Sakai : caracteriza-se como sendo uma comunidade de instituições académicas, organizações comerciais e indivíduos que trabalham juntos para desenvolver um ambiente de colaboração e aprendizagem Collaboration and Learning Environment (CLE). A CLE Sakai é uma fonte de comunidade livre, plataforma de software educacional distribuído sob a “Licença da Comunidade educacional” (licença open source).

3

4

5

V.B. Inserção de recursos didáticos em plataformas colaborativas e de aprendizagem (Software de criação de conteúdos LCMS – Learning Content Management Systems)

Um Learning Content Management System (LCMS) é um sistema que cria, armazena, aglomera e distribui conteúdos de e-learning personalizados, na forma de objetos de aprendizagem. Os softwares LCMS concentram-se maioritariamente na criação de conteúdos de aprendizagem on-line, geralmente sob a forma de objetos de aprendizagem. Principais diferenças entre LMS e LCMS: Habitualmente, ocorre alguma confusão relativamente as LMS e aos LCMS. No entanto, estes conceitos são bastante diferentes. Um LMS centra-se mais no aluno. Um LCMS incide mais sobre os conteúdos de aprendizagem. Um LMS http://onlinelearning.kontis.net/produkty_itutor.asp?menu=produkty&submenu=ridici&sub2menu=itutor&pos=1 http://atutor.ca/atutor/ 4 http://www.lamsfoundation.org/ 5 http://www.sakaiproject.org/ 2 3

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores regista os estudantes, lança cursos e-learning e acompanha o progresso do aluno através do curso. Um LCMS gere a criação de conteúdos de aprendizagem, administra a entrega personalizada de conteúdo de aprendizagem para os alunos e oferece um controlo mais amplo de interação do aluno com a aprendizagem de conteúdos. O objetivo primordial dos sistemas LMS é gerir os alunos, acompanhando seu progresso e desempenho em todos os tipos de atividades de formação. Os sistemas LMS executam tarefas administrativas, tais como relatórios de instrutores, mas não é usado para criar o conteúdo do curso. Em contraste, um LCMS é um software fornece aos criadores de conteúdos, formadores e especialistas os meios para criar e reutilizar conteúdos de aprendizagem, reduzindo assim os esforços de desenvolvimento repetido. Existem variados softwares que permitem a criação de unidades curriculares, unidades de aprendizagem ou tópicos sem que os autores dos mesmos tenham que possuir conhecimentos específicos de programação ou edição de multimédia. Incluem normalmente estratégias pedagógicas na criação de conteúdos, geram os esquemas de navegação automaticamente e as respetivas páginas de conteúdo. As ferramentas de autor possuem diversas funcionalidades que necessitam de diferentes níveis de competências. O preço pode ser também um entrave à escolha de uma ferramenta de autor. Algumas ferramentas são muito simples de utilizar visto que já integram modelos, tutoriais e outras automatizações dos processos. Outras ferramentas, em contrapartida, possibilitam uma maior flexibilidade na criação de conteúdos mas são muito mais difíceis de utilizar, necessitando de um tempo inicial de aprendizagem muito maior. Este tipo de ferramentas só se aconselha a indivíduos com competências ao nível da edição de multimédia e de programação para a Internet e, em certos casos, conhecimentos da própria linguagem de programação da ferramenta. Alguns exemplos de ferramentas de autor: 6

CourseLab : O CourseLab é uma ferramenta de fácil utilização para a criação de conteúdos para e-learning. Permite a criação de conteúdos interativos de qualidade que podem ser publicados na Internet, numa plataforma de gestão de aprendizagens (como o Moodle) ou até num CD-ROM. Com o CourseLab os formadores podem criar um conjunto de módulos que podem ser utilizados em ambiente de sala de aula (tal como o PowerPoint) e disponibilizados em sistemas de gestão de aprendizagem. Numa outra perspetiva o CourseLab poderá ainda servir como ferramenta para os alunos, de vários níveis de ensino, que querem apresentar trabalhos ou criar módulos interativos que podem depois disponibilizar online ou num CD-ROM que irá correr automaticamente.

ExeLearning : O projeto eXe desenvolveu uma ferramenta de autoria disponibilizada gratuitamente com código aberto para auxiliar formadores e pessoal docente no geral na publicação de conteúdo web sem a necessidade de grandes conhecimentos na área da linguagem de marcação HTML ou XML. Os recursos criados com o eXe podem ser exportados nos formatos IMS e SCORM. Possui um painel principal que mostra uma reprodução fiel dos conteúdos e-learning a criar e que serve também de interface com o utilizador, que ali pode adicionar e remover conteúdos interativamente. Os ficheiros ou outros objetos de aprendizagem são adicionados às páginas através dos iDevices (instructional devices) que permitem criar conteúdos e-learning diferentes, nomeadamente texto livre, vários tipos de questões, vídeo, áudio, animações, ou outros mais complexos para incluir uma página da Wikipédia ou um applet Java.

Xerte : O Xerte é uma aplicação open source (sob a GNU General Public Licence) desenvolvida pela Universidade de Nottingham que permite criar cursos e-learning com texto, imagens, sons, vídeo,

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http://www.courselab.com http://exelearning.org 8 http://www.nottingham.ac.uk/xerte 6 7

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores questionários ou outros objetos, criando no final um ficheiro SCORM em formato flash. O Xerte permite também a criação de texto, gráficos, animações, sons, vídeos, templates ou modelos, tornando assim possível o desenvolvimento mais rápido e padronizado de conteúdos em e-learning. 9

Hotpotatoes : HotPotatoes é um programa que contém um conjunto de seis ferramentas ou programas de autor, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro de Informática e Média da Universidade de Victoria, Canadá, que possibilitam a elaboração de seis tipos básicos de exercícios interativos utilizando páginas web: JCloze (preenchimento de espaços), JCross (palavras cruzadas), JMix (organizar frase através de palavras desordenadas), JQuiz (escolha múltipla ou resposta curta), JMatch (ordenação) e JMasher (compilação de exercícios). Embora o Javascript seja utilizado na construção dos exercícios, o utilizador nada precisa de saber sobre JavaScript para poder utilizar estas aplicações. Tudo o que é necessário é introduzir os dados – textos, perguntas, respostas, etc. – e o programa gera as páginas web.

Acontent : O AContent é um sistema gratuito que cria, armazena e distribui conteúdos de e-learning personalizados, na forma de objetos de aprendizagem, e é utilizado para o desenvolvimento e partilha de conteúdos e-learning. Pode ser usado juntamente com os já referidos Learning Management Systems para desenvolver, partilhar e arquivar conteúdos de aprendizagem. O AContent tem a possibilidade de criação de conteúdos, de testes e outros recursos do ATutor, dando origem a uma ferramenta autónoma que pode ser usado com qualquer sistema que suporte este tipo de conteúdos.

Adobe Visual Communicator : O Adobe Visual Communicator é um software proprietário, logo, não é gratuito. Oferece gráficos personalizáveis, músicas e efeitos especiais para criar apresentações em vídeo que parecem edições de televisão. O teleprompter (função gravação de vídeo com teleponto) permite que os usuários falem de forma segura sem precisar de memorizar falas. As apresentações podem ser fornecidas por e-mail, pela Internet (por exemplo através do Youtube ou de LMS), CD, DVD ou por meio de um sistema de TV de circuito fechado com um canal.

Adobe Captivate : O Adobe Captivate é um software proprietário que permite a criação e manutenção de conteúdo para educação à distância e que permite publicar material específico para tablets. Baseado em Adobe Flash Player, é fácil de usar para criar lições baseadas em cenários e quiz para ajudar os alunos a integrar novos conceitos e ideias. A utilização do Captivate não exige nenhum conhecimento de programação ou de experiência e é adequado para todos os níveis de experiência e conhecimento.

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VI. APRENDIZAGEM COOPERATIVA E COLABORATIVA

À primeira vista, colaborar e cooperar podem ser considerados sinónimos. No entanto a extensão dos termos é diferente: o termo colaborar tem maior amplitude do que o termo cooperar, o que faz da aprendizagem cooperativa um subtipo da aprendizagem colaborativa. Podemos exemplificar esta diferença com uma turma que tendo sido dividida em dois grandes grupos: distribui-se ao grupo A a tarefa de redigir um texto e ao grupo B a tarefa de pesquisar na web imagens que ajudem a ilustrar o texto. O http://hotpot.uvic.ca http://atutor.ca/acontent 11 http://www.adobe.com/products/visualcommunicator 12 http://www.adobe.com/products/captivate.html 9

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores texto final comum a toda a turma resultará da “colagem” do trabalho de cada grupo. Poder-se-á dizer que houve aprendizagem cooperativa mas não chegou a ser colaborativa, porque a estrutura das interações entre os alunos foi apenas “desenhada” com o fim de facilitar o cumprimento de um objetivo final, enquanto que, para ter sido colaborativa deveria ter havido uma interação mais pessoal e menos estruturada que facilitasse um papel mais ativo de cada indivíduo em todo o processo. Contudo, a aplicação dos termos ainda depende muito do território em que são empregues, uma vez que ambos os termos têm origens distintas e muitas vezes divergentes. O autor Panitz esclarece que a aprendizagem cooperativa tem raízes francamente americanas nos textos filosóficos de John Dewey, dando relevo à natureza social da aprendizagem e ao trabalho em dinâmicas de grupos de Kurt Lewin, enquanto que a aprendizagem colaborativa tem raízes inglesas, com base no trabalho de professores ingleses que exploram os modos de ajudar os alunos a dar resposta às tarefas da escola, fazendo com que assumissem um papel mais ativo na sua própria aprendizagem. É importante que sempre que se fale em colaboração na aprendizagem não se esqueça o aspeto cooperativo também implícito nesse processo, evitando abusar da terminologia. É importante fazer a ponte entre estes dois termos, mas sem esquecer que nunca poderão ser usados como sinónimos.

VII. PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE E-LEARNING

Com o aparecimento da Internet, as páginas web emergiram como um dos meios mais económicos e democráticos de ensino/aprendizagem, tornando-se rapidamente num instrumento poderoso, global, interativo e dinâmico de partilha de informação. Nunca foi tão fácil e tão rápido chegar ao conhecimento. Alunos de qualquer ponto do mundo usufruem do mesmo acesso às inúmeras fontes e recursos de aprendizagem disponíveis nas páginas web. Esta aprendizagem suportada pela Internet tem crescido essencialmente associada ao paradigma de aprendizagem ao longo da vida, imposta pelas exigências do próprio mercado: valorização das competências e reciclagem constante dos conhecimentos. Os ganhos para o utilizador são evidentes: atualização, acessibilidade e focalização. O ensino à distância é uma aprendizagem realizada com uma separação geográfica e/ou temporal entre alunos e professores. O ensino a distância não substitui o ensino tradicional, mas sim complementa-o. Segundo Reussell “não existe uma diferença significativa nos resultados de aprendizagem da educação à distância quando comparados com a educação tradicional.” Para o Comandante Ferreira da Silva, Diretor do Centro Naval de Ensino à Distância, o “ensino à distância encontra-se numa encruzilhada de caminhos abertos pela ação conjugada das necessidades de formação das sociedades modernas e pela evolução galopante das novas tecnologias. De um lado, estão as enormes potencialidades oferecidas pelas novas tecnologias quer para a transmissão da informação, quer para criar mecanismos de interatividade que facilitem e dinamizem a relação pedagógica entre os diversos agentes do processo de ensino/aprendizagem. Do outro, encontra as dificuldades provenientes das caraterísticas dessas tecnologias – nem sempre fiáveis, nem sempre amigáveis para os utilizadores, nem sempre acessíveis – e dos próprios formandos – muitas vezes com défice de competências de formação geral – dificuldades de ler, interpretar, escrever – e de competências na utilização das tecnologias”. Encontrar uma única definição universal para ensino à distância é uma tarefa algo complicada, tantos têm sido os autores que o fizeram. Armando Rocha Trindade apresenta 14 definições diferentes de “ensino à distância”, formuladas por outros autores, em espécie de compilação. Apesar de todas elas serem mais ou menos consensuais e serem M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores semelhantes em termos de conteúdo, apresentam algumas diferenças de forma. Contudo, o autor realça três definições que, no seu entender, traduzem com clareza o conceito de ensino à distância. A definição proposta por Holmberg caracteriza-se pela sua simplicidade e clareza: “O termo educação à distância abrange várias formas de estudo a qualquer nível e que não estão sobre a contínua e imediata supervisão de tutor presente em sala de aula ou no mesmo edifício, mas que apesar disso, beneficiam de suporte, aconselhamento e tutoria por parte da instituição formadora.” A definição proposta por Keegan apresenta uma caraterização de ensino a distância de uma forma bastante sistematizada: “Educação à distância é uma forma de educação caraterizada por: 

uma quase permanente separação do professor e do aluno durante o processo de aprendizagem (distinção essencial face ao ensino presencial);

a influência de uma instituição de educação no planeamento e na preparação dos materiais de aprendizagem e na disponibilização de serviços de apoio ao estudante (distinção essencial do autoestudo ou autodidatismo);

a utilização de materiais de aprendizagem em diferentes suportes (papel, áudio, vídeo ou informático) para difusão da informação necessária à aprendizagem;

a disponibilização de sistemas de comunicação bidirecional de forma a que o estudante possa estabelecer diálogo com o tutor, por iniciativa de qualquer um deles;

a quase permanente ausência de encontros do aluno com o grupo de colegas durante o processo de aprendizagem, dado que estes são normalmente ensinados num processo individual e não de grupo, havendo no entanto a possibilidade de reuniões ocasionais, presenciais ou através de meios eletrónicos, para fins didáticos ou de socialização.”

“O Ensino à distância é um sistema de ensino em que o processo de aprendizagem se centra numa relação privilegiada entre aluno e materiais didáticos cuidadosamente selecionados. Por «materiais didáticos» pode-se entender desde os tradicionais materiais impressos, os meios audiovisuais, e, mais recentemente, tudo o que as novas Tecnologias da Informação e Comunicação proporcionam. Adicionalmente existe um tutor que deve observar, animar e apoiar todo o processo. Poderão ou não existir outros alunos. A interação «à distância» entre tutor e aluno deve ocorrer regularmente, mas não continuamente, e deverá existir pelo menos um momento presencial.” (MLAAC, 2002). Principais diferenças entre o ensino presencial e o ensino à distância: Ensino presencial

Ensino à distância

Acesso

Limitado

24 horas por dia, 7 dias por semana

Qualidade

Variável

Consistente

Medição de resultados

Manual

Automática

Difícil

Fácil

Elevados

Baixos

Atualização da informação Custos

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores Com base nas definições anteriormente citadas, podemos definir ensino à distância como: um processo de ensino/aprendizagem em que o aluno se encontra distante do docente/Instituição de ensino quer em termos geográficos quer em termos temporais e em que a comunicação entre eles é suportada por outros meios tecnológicos ou não. Com base nas definições anteriormente citadas, podemos definir ensino à distância como: um processo de ensino/aprendizagem em que o aluno se encontra distante do docente/Instituição de ensino quer em termos geográficos quer em termos temporais e em que a comunicação entre eles é suportada por outros meios tecnológicos ou não.

VII.A. Evolução do ensino à distância

Se alguém do século XIX fizesse uma viagem até o século seguinte, encontraria muitas coisas alteradas como, por exemplo, a iluminação das cidades, o modo de construir edifícios, a medicina, os meios de transporte, as fontes de energia, etc.. Mas uma coisa encontraria com pouquíssimas mudanças – as salas de aula presenciais. Na década de 1950 começou o serviço de televisão educacional tendo-se intensificado na década de 1980 com a chegada das cassetes de vídeo tornando possível levar para a sala de aula uma tecnologia de aprendizagem mais adequada ao conteúdo a lecionar. Numa recente publicação, Arnaldo Santos sustenta que o desenvolvimento do ensino à distância (EAD) se encontra, historicamente, dividido em quatro gerações:  Primeira geração de EAD – Ensino por correspondência Durante a segunda metade do século XIX e com a evolução dos serviços postais nos Estados Unidos e na Europa, criaram-se os primeiros cursos à distância. A principal característica desta geração consistiu, essencialmente, na troca de documentos em papel (manuais, guias de estudo, bem como outros materiais) entre o aluno e o professor, através do correio tradicional.  Segunda geração de EAD – Tele-ensino Mais tarde, durante os anos 60, chegou a segunda geração do EAD, caracterizada pela radiodifusão (broadcast), a televisão, as cassetes de áudio ou os vídeos. Nestes sistemas, a comunicação era efetuada num único sentido, tendo como exceção a possibilidade de utilização do telefone e as trocas de documentação para completar a difusão.  Terceira geração de EAD – Serviços Telemáticos A terceira geração do EAD caraterizou-se pela utilização dos sistemas de comunicação bidirecional entre os professores e os alunos, tirando proveito das capacidades das imagens, do som e do movimento para a transmissão dos conhecimentos, bem como para a introdução de instrumentos que davam mais flexibilidade e interação ao estudo. A chegada das comunicações assíncronas, como o correio eletrónico e a videoconferência, representou uma evolução e uma inovação no EAD, permitindo aos alunos comunicarem não apenas com o professor mas também uns com os outros.

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores  Quarta geração de EAD – Comunidades Virtuais de Aprendizagem No extremo desta evolução, chegou-se ao que se pode chamar a quarta geração do EAD, na qual todos os métodos anteriores se tornaram mais interativos, mais fáceis de utilizar e com um acesso mais generalizado, permitindo uma maior flexibilidade em tempo e em espaço. A evolução da telemática, especialmente da Internet, veio alterar alguns conceitos de difusão e de gestão da informação em que se fundamentavam as gerações anteriores, bem como muitos conceitos clássicos (baseados na interação professor/aluno). Hoje em dia, assiste-se ao início das Comunicações Virtuais, com a proliferação das escolas, das universidades e dos institutos virtuais, bem como das turmas virtuais com aulas e conteúdos acessíveis através da World Wide Web (www), com a possibilidade de aulas interativas sincronizadas ou assíncronas, utilizando vários tipos de metodologia e de tecnologias, que fazem a promoção da aprendizagem (ensino ou formação) com suporte na utilização da Internet – o elearning.

VII.B. Vantagens e Desvantagens do Ensino à Distância Vantagens 

Eliminar barreiras de espaço e tempo, abrindo caminhos de formação a pessoas que tenham dificuldades de deslocação ou de agenda para estudarem;

Eliminar o problema da dispersão geográfica dos alunos;

Otimizar recursos com redução significativa de custos de formação, especialmente em tempo, viagens e estadias;

Permitir conciliar a aprendizagem com atividade profissional e a vida familiar;

Igualar oportunidades de formação adequadas às necessidades de uma determinada população (isolada ou com necessidades especiais);

Permitir maior disponibilidade e ritmos de estudo diferenciados;

Dar origem a métodos e formatos de trabalho mais abertos, que envolvem a partilha de experiências;

Garantir e promover a experiência e a familiarização com a tecnologia e com os novos serviços telemáticos;

Possibilitar ao aluno a escolha do método de aprendizagem que melhor se adapta ao seu estilo e possibilidades;

Permitir repetições sucessivas e necessárias para estudar as matérias;

Tornar os conteúdos dos cursos mais adequados e atraentes, especialmente os que se apresentam em formato multimédia;

Estimular a autoaprendizagem, permitindo um desenvolvimento pessoal contínuo dos indivíduos, conferindolhes maior autonomia;

Fomentar a aquisição contínua de novos conhecimentos, de forma a fazer face a novas competências pessoais e profissionais. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores Desvantagens 

Não proporcionar uma relação humana aluno/professor típica de uma sala de aula;

Não gerir reações imprevistas e imediatas;

Dificultar a automotivação;

Exigir alguns conhecimentos tecnológicos (informática e multimédia);

Enfrentar alguns obstáculos relacionados com a reduzida confiança neste tipo de estratégias educativas por parte dos mais conservadores e resistentes à inovação e mudança;

Poder ser visto como um potencial inimigo das tradicionais deslocações ao centro de formação (especialmente para adultos);

Problemas com a maturidade, a autodisciplina, o isolamento e a motivação, especialmente críticos quando se trata de camadas estudantis mais jovens;

Exigir equipas multidisciplinares, conceituadas e muitas vezes caras, quer ao nível pedagógico, quer ao nível tecnológico;

Dever ser utilizada para cursos de índole mais generalista e com menor componente prática, isto porque o investimento em simulação é elevado e de morosa amortização;

Exigir elevados investimentos iniciais, isto é, muitos recursos para a criação dos conteúdos dos cursos, especialmente para produtos/suportes em formato multimédia.

VIII. TÉCNICAS DE ADAPTAÇÃO DOS CONTEÚDOS À DISPONIBILIZAÇÃO ONLINE

O e-learning é cada vez mais usado com sucesso por instituições em todo o mundo. No entanto, o sucesso do e-learning depende, em grande medida, da qualidade dos conteúdos e da forma como estes estão concebidos. A organização de conteúdos de e-learning envolve conhecimentos de pedagogia, design, entre outros. Para a organização dos conteúdos é necessário por um lado a definição da estrutura das unidades didáticas e o seu desenvolvimento, por outro lado a sua ligação com as componentes interativas da formação. A organização dos conteúdos diz respeito às relações e à forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem que formam as unidades didáticas Os conteúdos desempenham um papel fundamental em qualquer processo educativo. A sua organização e criação quando a metodologia usada é o e-learning exige ainda mais cuidados, nomeadamente é preciso ter em atenção que os alunos aprendem essencialmente, em interação com eles, não havendo a presença do professor para dar informações adicionais. Assim, é importante dar consistência à informação fornecida aos alunos, diversificando os meios e materiais de comunicação, preparando os conteúdos de forma a poder responder aos diferentes estilos de aprendizagem e tornando-os, ao mesmo tempo, mais atrativos. De realçar que os conteúdos em e-learning têm maior durabilidade e chegam a mais pessoas. Caso haja um erro, ao contrário do que se passa no ensino presencial, não é possível corrigi-lo M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores no momento em que os formandos consultam a informação. Pode acontecer que o erro só seja corrigido depois de algumas centenas de pessoas o terem tomado como informação correta. Surge a importância, na sociedade atual, do caráter multidimensional dos conteúdos, que devem, para além da aquisição de saberes, dar resposta a alguns desafios. Desta forma, os conteúdos devem promover uma aprendizagem ativa e significativa, possibilitando aos alunos construir as suas aprendizagens, desenvolvendo-lhes a autonomia. O procedimento de organização de conteúdos permite o agrupamento de varias sessões do mesmo tema, que podem eventualmente vir a constituir “unidades de formação”, por matéria específica, desde que ordenadas pedagogicamente. A organização de conteúdos, especialmente num curso ministrado via e-learning deve ter conta os seguintes critérios: 

Solução Pedagógica: os conteúdos deverão ser organizados sob a forma de módulos. A oferta de formação a distância deve assentar num sistema modular.

Solução Técnica: Na adequação destes módulos ao formato e-learning deve-se seguir uma metodologia específica de “Instructional Design” e, para a sua construção, deverá ser aplicado o protocolo técnicopedagógico SCORM – “Sharable Content Object Reference Model”, em conformidade com as especificações de interoperabilidade “conteúdo /módulo”. Num ambiente de e-learning moderno, os conteúdos devem ser criados em componentes protocolares multiplataforma. Um dos passos finais na organização e posterior criação de conteúdos é a sua exportação, ou seja, a forma como serão distribuídos. É muito importante conhecer os diversos tipos de exportação de que necessita para distribuir os seus conteúdos e ver de que forma essa exportação se processa na ferramenta de autor. A distribuição poderá ser feita através de: 

Dispositivos móveis (PDA’s, smartphones, telemóveis, iPods,…);

Documentos impressos (livro, revista, PDF);

Plataforma de e-learning (LMS) ou Repositório;

Objeto de aprendizagem (content packaging – IMS-CP ou SCORM);

Sala de aula (ensino presencial);

CD-ROM / DVD;

Site da Internet (estático ou dinâmico).

No contexto do e-learning, deverá considerar todos os tipos de exportação para LMS, repositórios e eventualmente para sítios da Internet. Se preferir conferir alguma portabilidade aos seus conteúdos, poderá optar pelo formato PDF. No entanto, consoante o tipo de exportação, os níveis de interatividade serão diferentes, além disso, algumas funcionalidades poderão não funcionar. O nível de interatividade dos conteúdos é importante para envolver o aluno na aprendizagem. Na criação de conteúdos, o foco será na interatividade aluno-conteúdo. A maior parte das ferramentas incorporam funcionalidades básicas de interatividade. Contudo, é necessário considerar alguns aspetos importantes para o planeamento e desenvolvimento de um curso online: 

Requisitos técnicos: Não esqueça de ter em conta o hardware, o software e a largura de banda dos destinatários do curso antes de começar a planear e desenvolver o seu programa curricular. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores 

Tamanho das páginas: Mantenha o tamanho das páginas a 40 kbs ou menos para as apresentações online. A média deve ser cerca de 15 segundos de espera até a página carregar.

Navegação pelo curso: Certifique-se de que a navegação pelo curso é intuitiva. Inclua links com tópicos de ajuda, glossários e referencias.

Módulos: Certifique-se de que o curso está repartido por módulos.

Tipos de letra: Utilize um tipo de letra simples, não serifada, como por exemplo Arial ou Calibri pois são mais fáceis de ler. É necessário ter em conta que o tipo de letra usado deve também estar disponível no computador do utilizador. Quando isto não acontece, o tipo de letra é substituído o que pode originar a alteração do layout e dificultar a transmissão da informação. Arial é um tipo de letra comum e que provavelmente está disponível em qualquer computador.

Cores: Certifique-se que usa cores que criem contraste entre o fundo da aplicação e a letra dos textos para que estes não se tornem ilegíveis.

Qualidade de imagem, vídeos, etc.: Certifique-se da qualidade da imagem e dos vídeos colocados inseridos no curso.

Interação: Lembre-se de atrair a atenção do formando através do uso de ferramentas interativas e da interação com os restantes membros do curso.

Feedback: Certifique-se de que os formandos atribuem um feedback do curso no final de cada módulo através de, por exemplo, realização de um questionário.

Multimédia: Certifique-se de que as ferramentas multimédia usadas se adequam ao curso. Não as use apenas por usar.

IX. REGRAS “NET-ETIQUETA”

Tal como no mundo real existem regras de "Etiqueta" e "Boas Maneiras", também no mundo virtual existem regras de conduta. A Net-etiqueta define todo o tipo de comportamento de um utilizador dentro da Internet, nomeadamente na comunicação virtual. A fim de sermos bem recebidos no ambiente virtual em que pretendemos circular, convém respeitar os seguintes itens: 

Nunca se deve escrever nada usando apenas as letras maiúsculas, isso significa que a pessoa está a gritar. Além do mais, ler um texto assim é extremamente cansativo.

Respeitar para ser respeitado.

Tratar os outros como gostamos que nos tratem.

Ficar um tempo a observar a conversa do(s) canal(is), caso seja um newbie nas salas de Chat, IRC e afins.

Usar os Smiles ou Emoticons para evitar mal entendidos. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores 

Evitar, nos canais, comentários sobre sexo, religião e política, a menos que estes sejam os assuntos em discussão.

Não expulsar alguém da conversa, por inconveniência, (com exceção dos crackers...). Usar a força das ideias lembrando-se que ser democrático é dar a palavra a quem tem opiniões divergentes das nossas.

Não responder de forma agressiva, mesmo que sejam agressivos connosco. Afinal, pessoas inteligentes privilegiam os argumentos contra a falta deles...

Apesar de estarmos num ambiente virtual, não somos obrigados a suportar faltas de educação ou agressividade.

Devemos lembrar-nos que o e-mail é um meio rápido de trocar de mensagens, onde brevidade e objetividade são fundamentais. Para tal é bom não enviarmos ficheiros em anexo sem autorização prévia do destinatário. Devemos ainda certificar-nos de que eles não serão nem demorados para se receber, nem complicados para se visualizar, isto é, que não requerem um aplicativo de uso pouco disseminado.

Mais importante ainda: No caso de enviar algum aplicativo do tipo executável, (.exe) ou gerado por editores de texto, tipo Word e Excel, é conveniente certificar-mo-nos que esse arquivo está livre de vírus e afins. No caso de dúvida ou se não puder testar o arquivo com um antivírus atualizado, é melhor não enviar.

X. COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

A Internet como um meio de comunicação e aprendizagem está associada à ascensão de novas formas de interação social, como o surgimento de comunidades virtuais. Uma comunidade virtual é um coletivo mais ou menos permanente dependendo dos interesses dos participantes, que se organiza através de ferramentas oferecidas por um novo meio. As comunidades alimentam-se do fluxo, das interações, das inquietações, das relações humanas desterritorializadas, transversais e livres. As comunidades virtuais podem ser vistas como um grupo de pessoas que interagem, trocam ideias, socializam práticas e compartilham conhecimento e aprendizagens, podendo ou não encontrar-se no plano físico. As comunidades não precisam, necessariamente, estar ligadas às instituições de ensino. A aprendizagem, aqui, extrapola o ensino e remete para a Educação não formal, na qual a aprendizagem faz parte do quotidiano e dá-se por meio de ações que nem sempre têm objetivos educacionais. Neste sentido, um blog e mesmo uma lista de discussão a partir de um vídeo no YouTube não poderiam deixar de ser entendidos como comunidades que podem levar a aprendizagens. São exemplos de comunidades virtuais de aprendizagem os fóruns de discussão, blogs, wikis e plataformas.

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XI. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA WEB 2.0

Web 2.0 é o termo associado à segunda geração da World Wide Web (WWW). Este termo foi criado em 1999 por Darcy Dinucci: “A Web que conhecemos, que carrega informação numa janela do nosso computador essencialmente em parâmetros estáticos, é um embrião da Web que vamos conhecer em não muitos anos. O primeiro vislumbre da Web 2.0 começa agora a aparecer e podemos começar a ver apenas como esse embrião se pode desenvolver.” Mas só em 2004 é que foi popularizado, quando a O'Reilly Media e a MediaLive promoveram uma conferência sobre este tema após a grande expansão que houve nesta filosofia. Esta nova versão da WWW veio introduzir um novo conceito: a colaboração global utilizando a internet como plataforma. Por isso, a internet tornou-se mais dinâmica, ou seja, as páginas da internet conseguem receber e enviar informações aos servidores sem ter que recarregar novamente toda a página, usando linguagens de programação como o Javascript entre outras. Tal característica é conhecida por web applications, permitindo assim começar a usar a internet e não unicamente ver o que lá existe. Esta nova versão introduziu os blogs, redes sociais, wikis, motores de busca entre outros, que são basicamente o coração da Web 2.0, a internet que interage com o utilizador.

Figura 2 – Distinção web 1.0 e web 2.0

Desde o apogeu da Web 2.0, milhares de tecnologias foram desenvolvidas com o objetivo de maximizar a palavra de ordem “partilhar”. O espírito de partilha, onde todos os utilizadores podem ser os protagonistas e criadores das suas próprias matérias, é o lema da Web 2.0. Como tecnologias da Web 2.0 temos vários exemplos a seguir descritos:

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores RSS: é um formato baseado na linguagem XML que permite listar o conteúdo de páginas web de forma a facilitar a sua distribuição na Internet. O formato é particularmente prático para a consulta de notícias em permanente atualização. Permite poupar tempo a quem quer se manter informado, sem ter que ir à procura das notícias nos diversos web sites. Weblogging: É uma tecnologia de criação de página web, geralmente gratuita, que permite que qualquer pessoa tenha a sua página pessoal e que possa colocar lá mensagens, conteúdos multimédia, artigos de opinião do autor, estudos, etc… �� um meio de comunicação amplamente usado nos dias de hoje devido à sua facilidade de edição e capacidade de manter atualizado, mesmo até para um leigo na área da informática. Podcast: Baseando-se na mesma tecnologia e no mesmo princípio dos RSS, os Podcasts não são mais do que links, que ao serem colocados em programas específicos farão com que os ficheiros novos sejam imediatamente descarregados. Microblogging: Tecnologia baseada na mesma premissa do Weblogging, que permite aos utilizadores atualizar e enviar pequenas mensagens (geralmente 150/200 caracteres) para os restantes utilizadores ou subscritores. Tem a possibilidade de as mensagens poderem ser públicas ou apenas para grupos privados de utilizadores. Newsletter: É uma tecnologia que disponibiliza a subscrição de um boletim eletrónico com notícias sobre determinado assunto, que é enviado (via e-mail) periodicamente a todos os subscritores de forma gratuita. Esta tecnologia é muito usada por empresas e instituições, dado que é uma forma de publicitar serviços e informar os seus clientes das novidades. Redes Sociais Virtuais: É uma das grandes aplicações desenvolvidas com o aparecimento da Web 2.0 e baseia-se na criação de uma página pessoal de cada utilizador registado e que depois tem acesso às páginas dos outros utilizadores, podendo criar comunidades virtuais, enviar mensagens, comentários, conteúdos multimédia. Como exemplo destas redes sociais, temos o MySpace, Facebook, Orkut, Hi5. Atualmente, com milhões de utilizadores por todo o mundo, as redes sociais são um fenómeno em toda a parte, servindo para criar novas amizades, restabelecer contacto com antigos amigos, partilhar experiências e conhecimentos com pessoas de outras culturas e países.

XII. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E DA COMUNICAÇÃO ONLINE

Uma sessão de formação deverá ser concebida e desenvolvida recorrendo a metodologias e técnicas diversificadas, utilizando meios didáticos variados, de forma a proporcionar o envolvimento ativo e criativo dos formandos e facilitar o processo ensino/aprendizagem.  Plano de sessão: Define: o

Os resultados que se espera atingir com a formação;

o

A estratégia e meios a utilizar para os obter;

o

A forma de verificar/controlar os resultados obtidos.

Desta forma, um plano de sessão deve refletir preocupações ao nível de: o

Preparação; M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores o

Desenvolvimento;

o

Análise dos resultados.

Uma sessão deve ser cuidadosamente preparada. A preparação é, por conseguinte, a concretização de uma reflexão indispensável à organização da sessão. É uma etapa importante da ação pedagógica, que tem por finalidade tomar decisões e proceder às escolhas dos métodos e meios mais adequados para atingir os objetivos previstos, assim como selecionar os materiais necessários à sua concretização. É bastante importante que o plano seja identificado pelo tema ou título da matéria a desenvolver. Este procedimento permite o agrupamento de várias sessões do mesmo tema, que podem eventualmente vir a constituir “unidades de formação”, por matéria especifica, desde que ordenadas pedagogicamente. Todos os intervenientes na formação, sejam eles administradores, programadores, ou formadores, têm como tarefa fundamental a definição de objetivos de formação. Todavia, a situação em que cada um o faz é diferente, sendo por isso também diferente o modo como os mesmos são expressos. O conceito de objetivo como enunciado dos resultados que se espera alcançar com a formação, sendo muito amplo, permite-nos englobar as diferentes situações em que os objetivos podem ser definidos e as várias formas que podem assumir. É um facto que quando nos confrontamos com um projeto de formação podemos verificar que os respetivos objetivos, ou resultados esperados, podem ser formulados por diferentes entidades e com diversos níveis de generalidade, desde a indicação muito ampla do que se pretende com a formação, (perfil de competências), até à indicação muito precisa do que o formando deverá ser capaz de fazer numa situação muito específica.

 Pré-requisitos (Conhecimentos anteriores): É fundamental analisar os conhecimentos anteriores dos formandos, isto é, verificar as competências adquiridas. Por exemplo, numa formação e-learning é fundamental que os formandos tenham conhecimentos adquiridos ao nível das T.I.C. (Tecnologias de Informação e Comunicação). Como os pré-requisitos são geralmente numerosos, e na prática não é possível verificá-los todos, devem ser indicados apenas aqueles que são específicos ou imprescindíveis para a compreensão da matéria prevista para a sessão em causa, como por exemplo, conhecer o funcionamento básico de um browser da internet, para frequentar uma sessão por e-learning.

 Avaliação: É necessário prever como e quando controlar o domínio dos objetivos e, quando se justifique, os pré-requisitos. Em alguns casos, o controlo é realizado através de exercícios e/ou testes de avaliação. Estes instrumentos de avaliação devem ser selecionados ou concebidos aquando da preparação da sessão e testados antes da sua aplicação prática.

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores  Estratégia: Uma vez estabelecidos os objetivos, definidos os pré-requisitos e escolhido o processo de avaliação, deve conceberse a estratégia, ou seja, selecionar os métodos e os meios a utilizar para favorecer a aprendizagem, definir os pontos chave, os tipos de intervenção e os motivos de interesse – aspetos fundamentais para o envolvimento dos formandos. Como a interação humana é essencial para a aprendizagem, quando concebemos um curso de e-learning, devemos considerar a formação à distância síncrona. Tecnologias como mensagens, chat, e-mails e videoconferência reduzem a falta de interação humana, aumentando consequentemente a motivação. A motivação dos formandos depende de diversos fatores, entre os quais se destaca: o

A exposição dos objetivos da sessão, realçando a sua futura aplicabilidade;

o

Utilização de conhecimentos anteriores, isto é, a matéria da sessão deve ser relacionada com outras já conhecidas;

o

Realização de pontos de situação relativos ao processo de ensino/aprendizagem;

 Tempo Previsto: O plano deve conter a duração prevista para a realização da formação. Este aspeto permite verificar se foi possível ou não atingir os objetivos nesse espaço de tempo. Em função dos resultados, poderão ser feitas correções, de forma a adequar os objetivos e a estratégia ao tempo disponível.

XIII. FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO SÍNCRONAS E ASSÍNCRONAS

O e-learning é um processo planeado em que o ensino/aprendizagem ocorrem em momentos diferentes e são suportados por plataformas tecnológicas de informação e comunicação, pelo que exige técnicas pedagógicas especiais. Quando um processo de formação combina, de forma relevante, atividades presenciais com atividades online é designado por Blended Learning (que é caso deste curso de FPIF). Nos cursos e-learning, a comunicação é realizada através de duas abordagens diferentes: comunicação assíncrona e comunicação síncrona. A comunicação assíncrona ocorre em momentos diferentes, não requerendo que os membros do grupo estejam online simultaneamente. E-mails e fóruns de discussão são exemplos de ferramentas deste tipo de comunicação. Vantagens do e-learning assíncrono: 

Maior proximidade entre os formandos;

Permite discussões mais aprofundadas de um tópico, onde os formandos podem trabalhar em grupo;

Desvantagens do e-learning assíncrono: 

Falta de resposta imediata; M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores 

Demora na verificação de discussões colocadas;

Sensação de falta de interação social.

No caso da comunicação síncrona existe simultaneidade na interação entre os seus participantes. As formas de comunicação síncrona podem basear-se apenas na utilização de texto, sendo geralmente designadas por chat, ou também na utilização de áudio e vídeo, caso em que serão designadas por audioconferência ou videoconferência. A formação síncrona significa ao mesmo tempo e envolve interação com o formador via web em tempo real. É a mais popular nos programas académicos, como formação contínua ou programas de formação à distância. Ao contrário do elearning assíncrono, síncrono é quando formador e formandos estão em aula ao mesmo tempo. Vantagens do e-learning síncrono: 

Possibilidade de interação em tempo real para tomada de decisões de um grupo e realização de discussões;

Melhor aproveitamento em grupos pequenos de formandos.

Desvantagens do e-learning síncrono: 

Uso limitado, pois as interações dependem de compatibilidade de horários entre os participantes, tornando difícil reunir todos os formandos online ao mesmo tempo;

Dificuldade na moderação das conversações;

Falta de tempo para que os formandos reflitam sobre o tema;

Muitos formandos sentem-se intimidados na comunicação síncrona. Síncrona

Assíncrona

Em tempo real

Característica

Em diferido

Dependente do fator tempo

Vantagem

Independente do fator tempo

Interação espontânea disponível

Desvantagem

Interação espontânea indisponível

XIV. INTERVENIENTES E FUNÇÕES

Na base da formação à distância encontra-se um conjunto de metodologias e técnicas diferenciadas e adequadas ao ambiente online, às quais os diversos intervenientes deverão recorrer. Urge, pois, a disseminação das novas competências, nomeadamente, no âmbito da conceção de conteúdos, das estratégias de animação, tutoria, da utilização e avaliação das aprendizagens. Na formação online, os intervenientes no processo de construção do conhecimento têm funções complementares concebem, implementam, utilizam/usufruem e fazem a manutenção do sistema de aprendizagem - e são constituídos por equipas multidisciplinares. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Tutor

Recursos tecnológicos

Conteúdos Formando

Colegas

Tarefas

Figura 3 – Intervenientes no processo formativo e-learning

O tutor (de uma forma simplista pode dizer-se que é o equivalente ao formador na formação presencial) deve ver-se como participando num diálogo entre iguais, estar aberto à mudança e a novas experiências, orientando, aconselhando, questionando e dando feedback. Deverá dominar o software da web utilizado e as diferentes estratégias de formação online, sendo capaz de fomentar a interação entre os formandos e os conteúdos. A função do tutor na formação online pode englobar diferentes tarefas: 

Acolher os formandos;

Atuar de modo a que os chats sejam produtivos em termos de aprendizagem;

Apoiar tecnicamente os participantes dos cursos;

Avaliar a aprendizagem, através de diferentes instrumentos e ferramentas;

Clarificar e explicar os conteúdos e as dúvidas,

Comentar os trabalhos e as atividades realizadas pelos formandos em diferentes ferramentas,

Contribuir para a melhoria do processo de aprendizagem,

Controlar o ambiente social das comunicações síncronas e assíncronas,

Disponibilizar a informação e referências bibliográficas,

Estimular a participação de todos,

Motivar e encorajar os diferentes intervenientes,

Orientar, facilitar e moderar a comunidade de aprendizagem,

Sintetizar os conteúdos e sistematizar a informação. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores PERFIL DE COMPETÊNCIAS DO e-TUTOR TECNOLÓGICAS o Adquirir competências e versatilidade na utilização de equipamentos e redes de computadores. o Adquirir competências e versatilidade na utilização de sistemas operativos. o Adquirir capacidades para usar adequadamente e manipular com rigor técnico um conjunto de aplicações informáticas. PEDAGÓGICAS o Conhecer os diversos softwares educativos adequados para a aprendizagem dos formandos. o Saber integrar devidamente, em termos de pertinência temática e de competências a desenvolver, os softwares educativos. o Fomentar a utilização dos recursos online, tendo em consideração as diretrizes para a realização de uma pesquisa profícua e fiável. o Impulsionar o trabalho colaborativo, contextualizando o mesmo no processo de ensino-aprendizagem. o Utilizar e propiciar os recursos multimédia online e offline como forma de construção de conhecimentos, assim como de motivação, interesse e dedicação à aprendizagem. o Gerir a integração dos recursos virtuais no processo de ensino-aprendizagem, deixando espaço para a interação presencial entre formandos, e entre estes e formadores. o Incutir, nos formandos, a responsabilidade para a consecução das tarefas, tendo em conta a flexibilidade conteúdo / tempo inerente às mesmas. o Adotar estratégias que motivem o formando a envolver-se na sua própria aprendizagem e lhe permitam desenvolver a sua autonomia e iniciativa. o Adotar uma metodologia orientada para a prática, para a experimentação e para a pesquisa, flexível e ajustável às diferentes situações e fases da aprendizagem. o Motivar os formandos a examinar criticamente a função e o poder das novas tecnologias de informação. COMUNICACIONAIS o Gerir o processo comunicacional (comunicação síncrona e assíncrona). o Saber lidar com a multiculturalidade, de modo a promover a inclusão e participação ativa de todos os intervenientes, no processo ensino-aprendizagem. o Deve estar familiarizado com a metodologia do trabalho de projeto e fomentá-lo junto dos seus formandos, envolvendo a comunidade escolar e extraescolar. o Deve ser possuidor de atributos psicológicos e éticos específicos: inteligência emocional, empatia com os formandos, habilidade de mediar questões, liderança e cordialidade.

O formando tem de ser autodisciplinado e possuir uma forte capacidade de organização e gestão de tempo. Deve ainda ser dotado de autoconfiança e automotivação, deve saber navegar na plataforma ou em qualquer outro meio colocado à disposição. A aprendizagem no espaço virtual coloca o formando no centro do processo. Em termos genéricos, podem ser descritas como funções do formando: 

Adotar um espírito de pesquisador permanente;

Tomar a iniciativa e provocar o debate de questões importantes;

Desenvolver as suas capacidades de questionar e procurar as respostas por ele próprio (tem de aprender a aprender);

Movimentar-se no espaço virtual, utilizando todas as ferramentas disponíveis; M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Ser capaz de se programar numa nova temporalidade;

Aprender a adaptar-se a um pensamento não linear;

Contribuir para uma comunidade de aprendizagem (quando a estrutura do curso o exija);

Conhecer as regras de relacionamento e comunicação via Internet.

Espera-se que o formando, no decorrer da ação, proceda às seguintes atividades: 

Participe de forma ativa nos chats e nos fóruns;

Desenvolva e execute as atividades que lhe são propostas;

Cumpra os prazos de resposta às atividades que lhe são propostas;

Possua os conhecimentos mínimos para navegar na plataforma (ou em qualquer outro meio tecnológico utilizado);

Comunique os problemas de acesso à plataforma (ou outro meio tecnológico).

O coordenador tem de ter capacidade para gerir o curso de acordo com as exigências do software e conhecer o seu funcionamento em detalhe. Tem de ser capaz de selecionar tutores e formandos de acordo com as exigências da modalidade. Por outro lado, deve também ser capaz de fomentar a interação entre os tutores e os formandos, gerindo a formação e as atividades de formação online e interagindo com os técnicos de apoio do sistema. 

O coordenador, dependendo do contexto organizacional, coordena os recursos que concebem, implementam e fazem a manutenção do processo formativo online.

Mantém o controlo preventivo e corretivo para garantir que o sistema de formação funcione.

Preocupa-se com todo o processo comunicacional estabelecido com tutores e formandos.

Procura que a partir da fase de acolhimento, a qual inicia antes de o curso começar, sejam estabelecidas comunicações que transmitam segurança, transparência e cordialidade.

Organiza e desenvolve um conjunto de procedimentos (construídos através de informações dos vários elementos da equipa) com metodologias, informações e normas que se aplicam às funções desenvolvidas pelos diversos intervenientes: tutores, administrativos, técnicos de manutenção, designers e formandos, entre outros.

A intervenção do coordenador junto dos tutores externos e dos formandos varia em função da estrutura do curso e das metodologias de aprendizagem selecionadas. Por exemplo, se coordena um curso em que a metodologia de aprendizagem seguida é a colaborativa, a sua intervenção é mais limitada junto dos formandos e maior junto dos tutores, numa metodologia autodirigida a sua intervenção é maior junto dos formandos e menor junto dos tutores.

Os objetivos da avaliação do processo formativo e dos resultados da formação online são idênticos aos objetivos da formação presencial e seguem uma metodologia semelhante, tendo maiores diferenças ao nível do conteúdo e dos indicadores. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores O autor de conteúdos para além do que lhe é exigido para a conceção de documentação didática para a formação, tem de ter capacidade para comunicar através da linguagem escrita, ser sintético e claro, possuir conhecimentos sobre metodologias e técnicas de conceção, de estruturação e de edição de conteúdos para a formação online. As funções do autor de conteúdos incluem as seguintes tarefas:

Levantamento da Informação Caso esta ainda não exista, é necessário proceder a um levantamento de toda a informação que possa apoiar a construção da estrutura do curso

Detalhes essenciais O seu trabalho só poderá ser iniciado uma vez reunida informação sobre:

Necessidades de formação

Objetivos a atingir

Resultados de aprendizagem pretendidos

Características da população alvo

Estratégica pedagógica

Desenho da estrutura dos conteúdos Estes podem incluir diferentes tipos de material: 

Textos

Bibliografia

Autoavaliações

Propostas de reflexão

Propostas de trabalhos e exercícios

Síntese das matérias

Momentos de comunicação síncrona e assíncrona

Sistema de avaliação (com ou sem sessões presenciais)

Formas de encorajamento das interações sociais

Instruções para a realização de pesquisas M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Desenvolvimento o design para os conteúdos Esta tarefa deverá ser executada por quem tem competências de Instructional Designer - que poderá ou não coincidir com o próprio autor

Revisão do material Esta tarefa incluiu a revisão dos conteúdos já editados no suporte tecnológico, bem como de todas as ferramentas associadas ao desenvolvimento do curso

O autor de conteúdos ao estruturar e desenvolver os conteúdos deve considerar: 

Conteúdos centrados em situações reais;

Conteúdos em que o formando participe na concretização dos seus próprios objetivos;

Exercícios que permitam ao formando autoavaliar-se;

Conteúdos interativos;

Conteúdos assentes no sistema multimédia;

Formas de envolvimento dos formandos;

A exploração e reflexão sobre os temas tratados.

Apresenta-se de seguida alguns exemplos sobre o que o formando poderá esperar dos conteúdos: 

Que possuam um layout atrativo;

Que estejam redigidos de forma clara, objetiva e com uma linguagem adequada;

Que demonstrem rigor e coerência;

Que forneçam orientações de acordo com os objetivos a atingir;

Que sejam fáceis de "descarregar" da web;

Que estejam atualizados;

Que estejam inseridos num meio tecnológico (plataforma ou outro) de fácil navegação;

Que tenham ligações a outros documentos.

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XV. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA E-MODERAÇÃO E DO E-FORMADOR

Os laços pedagógicos criados entre o tutor (e-formador, e-moderador) e o formando são cruciais no sucesso da aprendizagem por assumirem a vertente mais personalizada da relação deste com a instituição. Todavia de acordo com a dimensão da instituição e do projeto em causa é imprescindível a existência de um sistema de apoio ao estudante na sua dimensão acentuadamente administrativa. Devemos explicitar que se assiste a uma evolução do ensino individualizado para uma aprendizagem colaborativa. Este facto deve-se à evolução dos postulados pedagógicos e ao desenvolvimento da vertente social da tecnologia, sendo progressivamente possível criar espaços virtuais – comunidades virtuais de aprendizagem. Nos atuais modelos o tutor é o elemento fundamental no desempenho de atividades de aconselhamento, avaliação, motivação, coordenação de sessões presenciais e da clarificação científica das matérias em estudo. A conversão dos modelos de «formação por correspondência» em modelos de formação à distância com e-Learning abdicam, genericamente, de um papel ativo por parte do tutor deslocando para os materiais a ênfase na facilitação da aprendizagem e deixando ao estudante a iniciativa do contacto. Num contexto de formação profissional em que se visa atingir o domínio de competências específicas e bem determinadas, a relação entre o tutor e o formando é naturalmente mais intensa, estreita e empenhada na prossecução de tais objetivos. Há que salientar a importância de definir prazos de respostas, calendários de atendimento síncrono, ou outros, sempre sob uma conduta ética. Cabe ainda à equipa e ao seu coordenador a avaliação do processo de aprendizagem e a análise aos resultados, equacionando a eventual necessidade de renovação de aspetos específicos da disciplina. Nem sempre as plataformas estão especificamente preparadas para apoiarem esta vertente organizativa. Também nem sempre as instituições estão atentas ao despertar de novos perfis profissionais que devem interagir com a entidade e as equipas pedagógicas na conceção, desenvolvimento e gestão dos conteúdos didáticos. Os serviços da entidade formadora devem desenvolver mecanismos que facilitem a determinação do perfil de aprendizagem, ou as formas preferidas de lidar com a informação dos formandos inscritos em determinada formação e de o fazer saber junto dos seus docentes ou tutores.

O e-Moderador O modelo de e-moderating de Gilly Salmon é baseado em cinco níveis ou etapas, que orientam a atividade do moderador no trabalho com os formandos, para conseguir a construção de comunidades virtuais de aprendizagem. É também um modelo desenvolvido para funcionar essencialmente através da utilização dos fóruns eletrónicos, em modo de comunicação assíncrona.

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Figura 4 – Modelo e-moderating de Gilly Salmon

Etapa 1 – Acesso e motivação: Nesta fase o tutor tem o papel de assegurar o acesso ao sistema, dar as boas vindas e motivar os formandos para o curso. A motivação é um elemento fundamental para que os formandos ultrapassem as dificuldades que advêm da utilização de software e hardware e dessa forma aumentar os níveis de confiança para aprenderem online. Uma das técnicas mais utilizadas passa por promover atividades online entre os vários participantes para conhecerem a plataforma que vão utilizar e contactarem com pessoas novas através do ambiente de aprendizagem à distância. Etapa 2 – Socialização online: Nesta fase é criada uma pequena comunidade online através de atividades interativas e muito práticas recorrendo a ferramentas síncronas e assíncronas. Muitos formandos vão ficar entusiasmados com este novo paradigma de aprendizagem mas depressa se irão aperceber das dificuldades iniciais. O papel do tutor é, sem dúvida, importante, uma vez que vão fazer a ponte entre as várias culturas e estilos de aprendizagem dos formandos. Etapa 3 – Troca de informação: Esta é a fase onde deverá existir troca de informação e trabalho cooperativo. Uma das grandes vantagens das ferramentas assíncronas é permitir aos formandos o poder trabalhar a comunicação ao seu próprio ritmo. Nesta fase a aprendizagem dos formandos requer dois tipos de interação: a interação com o conteúdo do curso e a interação com outras pessoas e com o tutor. M7.Plataformas Colaborativas e de Aprendizagem |

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Formação Pedagógica Inicial de Formadores Etapa 4 – Construção de conhecimento: Nesta fase os formandos começam a contactar com uma nova realidade que é a construção de conhecimento através da utilização do texto com recurso a ferramentas assíncronas. As atividades online irão permitir o debate e formas de desenvolvimento do conhecimento como objetivo principal. O tutor tem também um papel muito importante nesta fase, cria os grupos de trabalho e gere a informação que é colocada nos forúns de maneira clara e objetiva. Etapa 5 – Desenvolvimento: Nesta fase os formandos são responsáveis pelo seu próprio trabalho e participação em grupo. Desenvolvem as suas ideias a partir das atividades realizadas online e aplicam-nas nos seus trabalhos individuais. Nesta fase os participantes já não se preocupam como deverão usar as ferramentas online e passam a ser mais criativos e objetivos nos trabalhos que realizam. O seu espírito crítico aumenta consideravelmente.

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XVI. CONCLUSÃO

A base pedagógica do e-learning é o processo da aprendizagem. O mais importante não é o que é ensinado, nem a forma como é ensinado, mas sim o que é aprendido e o processo de aprendizagem subjacente, ou seja, a aprendizagem é mais importante do que o ensino. Para explorar o e-learning, é facto adquirido que os formandos possuam habilidades básicas na área das tecnologias de informação. O formador do curso por e-learning deve estar pronto para ajudar e apoiar os formandos, especialmente no início do curso. Isso implica realizar um conjunto de tarefas, antes, durante e depois do período de realização do curso. A preparação dos formadores e organizadores do curso é também muito importante, porque o seu papel num curso online difere do papel de um formador num curso presencial. No e-learning, os papéis do professor/formador e da escola/universidade ou empresa não estão postos em causa. O que muda é a sua função, deixando de ser agentes de ensino para serem parceiros de aprendizagem.

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