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MANEJO

DE FAUNA

AEROPORTO INTERNACIONAL DE SALVADOR

DEPUTADO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES


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BIODIVERSIDADE DO AEROPORTO DE SALVADOR O Aeroporto Internacional de Salvador fica situado no Bioma Mata Atlântica no ecossistema de restinga bem próximo do litoral. O inventário da avifauna realizado pela Equipe de Manejo de Fauna catalogou 147 espécies de aves que habitam e/ou visitam a restinga do Aeroporto e seu entorno. Esse total

Vanellus chilensis lampronotus

equivale a 33,7% de todas as espécies de aves existentes no Litoral Norte da Bahia (Salvador/ Mangue Seco) - 436 espécies (Lima, 2006). Por isso, o Aeroporto é um local ideal para observação de aves, principalmente para os amantes de aves que por ventura tenham que aguardar por conexões Glaucidium brasilianum

demoradas.

RISCO DA PRESENÇA DE ANIMAIS NO AEROPORTO E SEU ENTORNO Os aeroportos apresentam alguns dos melhores habitats remanescentes de aves de pastagem, os seus gramados são excelentes áreas de forrageamento para carcarás

(Caracara plancus) e alimentação e reprodução para quero-quero (Vanellus chilenis). Falco peregrinus anatum

Muitas espécies de aves que dependem de habitats de pastagem ou savana, vem declinando globalmente. Na América do Norte, durante os últimos 25 anos houve um declínio acentuado das aves de pastagens (Askins et al. 2007). Aves são um risco conhecido para aeronaves. Entre as

Athene cunicularia grallaria

mais perigosas para operações de aeronaves estão as aves de rapina. Conciliar essas duas questões requer uma compreensão do estado atual do conhecimento.


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AVES DO AEROPORTO DE SALVADOR Nos EUA os aeródromos são locais apreciados por observadores de aves. As excursões são bem elaboradas com saída de campo para observar as aves com palestrantes renomados, abordando a importância dos aeródromos na conservação de espécies de campos abertos.

Nyc bius griseus griseus

Picumnus pygmaeus pygmaeus

Nyc bius griseus griseus

Jacana jacana jacana

Icterus pyrrhopterus bialis

Hirundo rus ca erythrogaster

Guira guira

Gallinula chloropus galeata

Columbina talpaco talpaco

Ara nga auricapillus aurifrons

Butorides striata striata

Amazilia leucogaster bahiae


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UMA AVE PODE DERRUBAR UM AVIÃO? A re s p o s t a p a ra e s t a p e rg u n t a , segundo especialistas ouvidos pelo site de notícias R7, é que depende. O risco que uma ave pode causar em um avião varia de acordo com o tamanho e até mesmo a quantidade de aves com que a aeronave colidiu. "Geralmente para derrubar um avião, precisa ser um pássaro de um tamanho relativamente grande ou uma quantidade maior de pássaros. Aves pequenas, mas em

Branta cnanadensis

grande quantidade, praticamente não afetam em nada o desempenho da aeronave, podendo causar uma sujeira, a quebra de uma coisa ou outra, mas nada que seja fatal", afirma Catalano. Um dos casos mais famosos em que uma aeronave foi colocada em risco após bater contra aves ocorreu em janeiro de 2009 — o voo 1549 da US Airways, que chegou até ser representado no filme "O Milagre do Rio Hudson". Um Airbus A3zo com 150 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, teve os dois motores danificados por uma revoada de gansos, seis minutos

Sterna Bando Salinopolis

depois de decolar do aeroporto La Guardia, em Nova York, Estados Unidos.

O piloto conseguiu fazer um pouso de emergência no rio Hudson, em uma das principais metrópoles do mundo, sem deixar nenhuma vítima fatal. "Uma revoada pode colocar uma aeronave em uma situação extremamente crítica, mas a probabilidade disso é muito, muito, muito pequena. Normalmente tem que se retornar por precaução, mas os danos causados são contornados e os pilotos são treinados para que saibam agir neste tipo de emergência", conclui Varella.


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colisões de animais silvestre com aeronaves, levaram a óbito mais de 219 pessoas e destruíram mais de 200 aeronaves entre 1988 e 2007 (Dolbeer et al. 2009). A maioria dos acidentes aéreos ocorre quando um pássaro atinge o para-brisa ou é introduzido no motor da aeronave (Sodhi 2002). No Brasil em 10 anos (2008/2017), o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), gerou 1.977 recomendações de segurança em um Relatório de investigação de acidentes e incidentes graves, ocorridos com aviões e helicópteros. Isso equivale em média a 197 recomendações de segurança por ano, um aviso que pode prevenir a possibilidade de uma tragédia a cada dois dias. Esses alertas auxiliam pilotos, donos de aeronaves, empresas aéreas e agência reguladora a desenvolver trabalhos e medidas para prevenir que novos acidentes aconteçam. "O foco das investigações é sempre a prevenção", diz o major-aviador Daniel Duarte Moreira Peixoto, que é investigador do CENIPA. No Brasil, o CENIPA registrou em um ano, de abril de 2018 a abril de 2019, 2.222 ocorrências de "bird strike" — como é chamado, na aviação, as colisões de aviões com aves. Isso equivale a um acidente a cada quatro horas. Desse total, 75 resultaram em danos aos aviões (3,37%) e 137 em alguma tomada de decisão do piloto em relação ao voo (6,16%). Entre os exemplos estão abortar a decolagem, pousar a aeronave por precaução ou corrigir uma instabilidade no avião causada pelo impacto com ave. De acordo com o CENIPA, 34% dos incidentes com aves ocorreram no momento do pouso do avião e outros 26% no momento da decolagem.


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• Colisões durante o voo: Quanto mais pesada for a ave maior o risco. Aves com peso igual ou superior a um quilo (Carcarás e Urubus) quando colidem podem danificar a aeronave. Se for sugada pelas turbinas (motores) o dano é ainda maior. • Colisões durante a decolagem: Se o dano for grande (ave sugada pela turbina) pode forçar o retorno da aeronave ao aeroporto para averiguação. • Colisão durante o pouso: Nas colisões, durante os pousos e decolagens, é necessário uma intervenção rápida na pista para a remoção do animal morto ou ferido no intuito de liberar a pista o mais rápido possível. A depender da gravidade, a aeronave pode ser recolhida para manutenção.

Carcara plancus

Coragyps atratus brasiliensis

Cathartes burrovianus

As colisões causam d a n o s ec o n ô m i c o s e materiais, risco de vida a o s p a s s a g e i ro s e a morte dos animais que habitam o entorno das pistas.


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O PAPEL DA EQUIPE DE MANEJO DE FAUNA DO AEROPORTO DE SALVADOR

Captura

Anilhamento

Soltura

A Equipe de Manejo de Fauna do Aeroporto Internacional de Salvador é composta por biólogos, médico veterinário/ornitólogo e técnicos que tem como missão: • Identificação do Perigo de Fauna (IPF). • Elaborar e executar o Plano de Manejo de Fauna em Aeródromo (PMFA). • Elaborar e executar o Programa de Gerenciamento de Risco da Fauna (PGRF). • Realizar o inventário da fauna existente no aeródromo. • Listar as principais espécies que podem colidir com as aeronaves. • Realizar censos de fauna (aves) diários no entorno das pistas (transecto e ponto fixo). • Estudar o comportamento das espécies animais que podem causar risco à aviação. • Desenvolver técnicas eficientes de captura. • Anilhar com anilhas do CEMAVE (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres) e anilhas coloridas as aves capturadas. • Translocar para áreas de solturas cadastradas, situadas numa distância segura que impossibilite o seu retorno. • Monitorar a área de segurança aeroportuária (ASA): raio de 0 Km a partir do centro da principal pista do aeroporto. • Observar a presença de atrativos para aves de médio e grande porte que ofereçam risco à aviação durante a sua aproximação do aeródromo: Lixo, oferendas religiosas, etc. • Elaborar e executar um Programa de Educação Ambiental onde, primeiro envolva o público interno: funcionários do aeródromo e das empresas terceirizadas. Em seguida, o público externo: comunidades do entorno do aeródromo. Através da educação ambiental e das técnicas de manejo de fauna será possível obter resultados satisfatórios para uma boa segurança operacional do aeródromo.


MANEJO DE FAUNA 8 Através da coleta representativa de dados e de estudos comportamentais de cada espécie-problema ao longo do ano de 2018 foi possível obter variáveis consistentes relativas à população de aves residentes no Aeroporto Internacional de Salvador. A partir de 2019 foram desenvolvidas técnicas inovadoras para captura e manejo específico por espécie. Esta nova estratégia reduziu o número de colisões com danos em 71% comparado ao ano de 2018, e 85% comparado ao ano de 2016, demonstrando a eficiência dos métodos pioneiros aplicados. Neste sentido, com os resultados alcançados até o momento, constatou-se que as demais técnicas tradicionais, antes utilizadas, tais como pirotecnia (média de 90 rojões/mês), sons agonísticos, canhão de gás e animais taxidermizados, se mostraram pouco eficazes na redução do risco aviário e algumas vezes bastante onerosas, portanto sendo abolidas no Aeroporto Internacional de Salvador.

Foto 1: Técnicas e métodos tradicionais de afugentamento de aves adotados anteriormente no Aeroporto Internacional de Salvador. Para diminuir as possibilidades de colisões entre aves e aeronaves, a premissa básica do risco de fauna adotada pela Equipe de Manejo de Fauna do Aeroporto Internacional de Salvador foi reduzir o número de aves dentro e no entorno do aeroporto, diminuindo assim a probabilidade de colisões com danos. Para tanto, adotou-se ações específicas de manejo de habitats, monitoramento e manejo adequado de aves, priorizando um esforço de controle mais direcionado à captura através de técnicas inovadoras/pioneiras e translocação das principais espécies associadas ao risco de fauna, conforme classificação do IPF (Identificação do Perigo da Fauna). No caso específico da espécie Columba livia (pombo-doméstico), os indivíduos capturados são doados à criadores.


MANEJO DE FAUNA 9 Após a implementação das novas técnicas de manejo de fauna direcionadas às e s p éc i e s - p ro b le m a foram capturadas 1.409 aves de 32 espécies, entre janeiro e n o v e m b r o d e 2 0 1 9, equivalente a uma média mensal de 128 aves/mês.

Foto 2: Avifauna capturada e armazenada temporariamente em viveiro no Aeroporto Internacional de Salvador.

Figura 2: Quan ta vo de capturas por mês no Aeroporto Internacional de Salvador. * N de novembro (101) equivale a dados coletados até 22 de novembro de 2019. Neste ano ainda, 89% das aves capturadas no Aeroporto Internacional de Salvador correspondem às espécies Caracara plancus (carcará), Columba livia (pombo-doméstico), Vanellus chilensis (quero-quero) e Athene cunicularia (corujaburaqueira). Esssa última, foi estimada uma população de 8 casais que em 10 meses foram capturados 100% dos indivíduos.


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Figura 3: Quan ta vo de capturas por espécie no Aeroporto Internacional de Salvador. * Outros equivalem a 28 espécies de aves, sendo que cinco dessas são consideradas de risco muito alto a médio, baseado na massa corpórea. São:

• Cathartes burrovianus Urubu-de-cabeça-amarela (N = 5), • Jacana jacana - Jaçana (N = 3), • Asio clamator - Coruja-orelhuda (N = 1), • Coragyps atratus - Urubu-de-cabeça-preta (N = 1), • Rupornis magnirostris - Gavião-Carijó (N= 1), • Tyto furcata - Suindara (N= 1).

Uma particularidade do trabalho realizado é a investigação da presença de ovos e filhotes nas áreas sujeitas à captura de aves. Quando encontrados, são recolhidos e destinados à chocadeiras ou viveiros, seguindo com os cuidados até estarem aptos à soltura.

Todas as aves capturadas foram anilhadas com anilhas CEMAVE e coloridas e translocadas. Para a translocação das aves, antes foram realizados estudos com cada espécie-problema, para identificar a distância ideal de soltura, para que não haja retorno.

Foto 5: Manejo de ovos e filhotes da espécie Vanellus chilensis (quero-quero).


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O u t ra i n ova ç ã o f u n d a m e n t a l fo i a implementação do Programa de Educação Ambiental (PEA) para a comunidade interna, incluindo todos os terceirizados. Através desse programa foi realizado o primeiro curso prático para localização de ninhos e filhotes de quero-quero (Vanellus chilenis) no Aeroporto Internacional de Salvador. Em seguida foi criado o PEA para a comunidade externa da ASA (Área de Segurança Aeroportuária).

Foto 6: Manejo de avifauna capturada e anilhamento para translocação

Foto 7: Premiação do colaborador no 1º curso prá co para comunidade aeroportuária no Aeroporto Internacional de Salvador.

Foto 8: Inclusão da comunidade do entorno do Aeroporto Internacional de Salvador

Sendo assim, o Plano de Manejo de Fauna em Aeródromos elaborado e executado pela Prime Ambiental visa preservar vidas humanas e animais a partir de técnicas pioneiras e da inclusão da comunidade.


COMO GARANTIR A SEGURANÇA DO VOO: Acondicionar corretamente os resíduos, evitando que fiquem disponíveis para cachorros, gatos, aves e ratos;

Separar os resíduos conforme procedimentos internos de gerenciamento de resíduos; Reportar quando encontrado animais mortos e/ou oferendas religiosas dentro ou no entorno do aeroporto; Caso aviste acessos e buracos nas cercas do sítio aeroportuário, avise a Equipe Fauna; Não alimente ou abrigue animais no aeroporto;

Divulgue e colabore com esta causa.

EQUIPE TÉCNICA Cássio Lopes

Erica Pinto

Flávio Conceição

Diretor/Biólogo

Aux. Manejo de Fauna

Design

Felipe Paganelly

Lais Braga

Joysley Santana

Aux. Manejo de Fauna

Direção de arte

Diretor/Biólogo

Havany Fontana Bióloga Coordenadora

Pedro Lima Médico Veterinário/ Ornitólogo

Ramon Leite Aux. Manejo de Fauna

Pedro Lima Textos e fotos

Alexander Silva Aux. Manejo de Fauna

E-mail: contato@ambientalprime.com.br Site: www.ambientalprime.com.br

Telefone: (71) 3508-4781

Profile for Flávio

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