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ram cartas de suas mãos. “Dependendo da turma, os potes chegam facilmente aos seis dígitos. Nesses jogos as gorjetas são bem generosas”, conta Marcos que, mesmo dividindo a “caixinha” com os colegas que fazem o revezamento na mesa, já chegou a receber mais de R$ 10.000 em uma única noite. Graças à profissão, entre outros bens, ele já tem, quitados, carro e apartamento. Mas quando se envolve em jogos como os que Marcos participa, é preciso ter muito cuidado, afinal, quando ego e dinheiro se misturam, as coisas podem sair do controle – principalmente quando as quantias são exorbitantes. “É preciso ter muito jogo de cintura e simpatia, e colocar aquela velha máxima do comércio na cabeça: ‘o cliente tem sempre razão”, adverte. “Certa vez, dois jogadores se envolveram em um pote de quase 40 mil antes do flop. Um tinha par de Reis e o outro, A-K. Não preciso dizer que bati o Ás no turn. O cara do K-K xingou até a 15ª geração da minha família. A vontade era de enfiar um murro nas fuças do sujeito, mas

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sangue frio é essencial nesta profissão”, revela Marcos. Ao contrário de outras profissões, aqui, as mulheres são mais valorizadas. A presença feminina na mesa ajuda a inibir alguns comportamentos inadequados e, nas mesas de cash, pode proporcionar gorjetas ainda maiores para o staff. As brincadeiras acerca da beleza e cantadas são tiradas de letra. “Desde que não atrapalhe o bom andamento do jogo, basta dar um sorriso e continuar agindo normalmente. Em um caso ou outro é necessário chamar o floor, mas não é muito frequente”, disse Sarah Lynn em entrevista à Card Player em 2011. Nos últimos anos, a procura pela profissão tem sido tão grande que centros de formação para dealers foram criados por todo o País. Um dos pioneiros no ramo foi Joubert Camardo, o “Careca”. Por mais de dois anos, ele chefiou a equipe de dealers do BSOP e pode ser considerado um dos

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