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OS DONOS DO JOGO Por Marcelo Souza Entrevistas: Marcelo Souza e Diego Scorvo

Uma das profissões mais ingratas do mundo certamente é a de árbitro de futebol. Meu pai sempre me conta histórias curiosas dos apertos que os “senhores do apito” passavam antigamente, na época em que as bolas ainda eram de capotão, as travas da chuteira eram de pregos e os próprios juízes eram enfeites, marionetes controladas pelo público – e garruchas – local. Ainda nos tempos de hoje, os árbitros sofrem. Solitários, condescendência é a última coisa que eles podem esperar de alguém. São alvos diretos dos dois pelotões inimigos no campo de batalha. São, aos olhos do perdedor, como dizia Nelson Rodrigues, “juízes larápios” – eufemismo deste que vos escreve, a realidade é bem pior.

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Foto de capa: Carlos Monti

Mas por que gastar tantas linhas para falar de futebol em uma revista de poker? Bem, existe uma profissão que, às vezes, pode ser tão ingrata – vejam que uso a palavra “ingrata” não de maneira pejorativa, mas no sentido de reconhecimento (ou falta dele) – como a de um árbitro de futebol. Estou falando dos dealers. Isso mesmo, os “donos da mesa de poker”. Ao contrário do árbitro, por melhor que seja o dealer, ele acabará desagradando um ou mais jogadores na mesa. Se o baralho traz um daqueles três outs no river, a culpa é do dealer. Se você não recebe um par de Ases há quase duas horas, a culpa é do dealer. Se você recebe dezenas de pares pequenos, consecutivamente, e não trinca nenhum, adivinhe de quem é a culpa?

Infelizmente, o field dos torneios aos vivos ainda é composto por pessoas que associam a sua “má sorte” a quem está distribuindo as cartas. No último LAPT de São Paulo, após a eliminação perto da bolha, um jogador, visivelmente irritado, se dirigiu ao dealer de sua mesa e lhe deu dois fortes tapas nas costas. Situação que não é comum, mas casos semelhantes acontecem mesmo com profissionais reconhecidos nacionalmente. “Apesar de nunca ter sido agredido fisicamente, já escutei os mais diversos tipos de xingamentos na mesa durante os meus oito anos de profissão. Hoje, são casos mais raros”, conta Nilton Batista Vieira, o “Tininho”, um dos nomes mais conhecidos do Brasil quando o assunto é distribuição de cartas.

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